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0 CURSO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA PROCESSAMENTO E INTERPRETAÇÃO DE DADOS GEOFÍSICOS AÉREOS APLICADOS À EXPLORAÇÃO MINERAL VOLUME 1 - AEROGAMAESPECTROMETRIA Vanessa Biondo Ribeiro 2017 Apoio Realização 1 PROCESSAMENTO E INTERPRETAÇÃO DE DADOS GEOFÍSICOS – AEROGAMAESPECTROMETRIA ÍNDICE 1. Introdução...................................................................................................................... 2 2. Ferramentas de processamento...................................................................................... 3 2.1.Projeto............................................................................................................................ 3 2.2.Base de dados (Database).............................................................................................. 3 2.3. Interpolação dos dados no Database............................................................................. 5 2.4. Visualização dos grids interpolados.............................................................................. 6 2.5.Mapa............................................................................................................................... 8 2.5.1. Escala de cor............................................................................................................ 10 2.6.Mapas ternários.............................................................................................................. 11 2.7.Operações entre dados................................................................................................... 12 2.7.1. Operações entre os canais........................................................................................ 12 2.7.2. Operações entre os grids.......................................................................................... 16 2.8. View/Group Manager Tool........................................................................................... 17 2.8.1. Como criar novas camadas de dados....................................................................... 18 2.9. Exportar mapas............................................................................................................. 21 3. Referencias..................................................................................................................... 23 2 PROCESSAMENTO E INTERPRETAÇÃO DE DADOS GEOFÍSICOS - AEROGAMAESPECTROMETRIA APOSTILA PRÁTICA DE GAMAESPECTROMETRIA 1. INTRODUÇÃO A desintegração de elementos radioativos pode liberar energia através da emissão de partículas alfa (α), beta (β) e radiação gama (γ). Essa desintegração é gerada pela instabilidade dos núcleos dos átomos radioativos desses elementos sob as condições naturais. As principais fontes de radiação gama detectadas na superfície terrestre provêm da desintegração natural do potássio (40K) e dos elementos das series do urânio (238U) e do tório (232Th) presentes na composição da maioria das rochas. Entretanto, essa emissão pode ser detectada somente para uma espessura limitada da camada rochosa mais superficial, aproximadamente de 30 a 40 cm. Diferentes litologias podem apresentar uma grande variação na sua composição, o que se reflete diretamente nas suas assinaturas radiométricas. Além da composição, a resposta gamaespectrométrica de uma determinada formação pode variar também em função da presença de sistemas de falhas, diferenciação do magma durante o processo de intrusão, ação de erosão, etc. Entre as principais aplicações da gamaespctrômetria podem ser citadas: caracterização de intrusões indiferenciadas, definir de possíveis pontos de afloramento de uma litologia, auxiliar a 3 demarcação de limites geológicos, identificar áreas de alteração hidrotermal (muitas vezes associados com mineralização como Cu-Pb-Zn, ouro e prata), etc. 2. FERRAMENTAS DE PROCESSAMENTO Abaixo estão apresentadas as principais ferramentas fornecidas pelo software Oasis Montaj (http://www.geosoft.com/products/oasis-montaj) necessárias para a execução das etapas de processamento descritas nesta apostila. 2.1 – Projeto O projeto é uma versão digital da mesa de trabalho do usuário. Nele podem estar contidas todas as bases de dados, imagens, mapas e perfis gerados em um projeto. Sempre que o usuário abrir um determinado projeto, este será encontrado igual ao último acesso, desde que tenham sido salvas as alterações. Para trabalhar com qualquer tipo de dado no Oasis Montaj é necessário primeiro criar um projeto (Fig. 1). 2.2 – Base de dados (Database) As bases de dados (databases - extensão ‘.gdb’) são planilhas onde estão armazenados todos os dados e as respectivas coordenadas dos pontos de medida de um projeto. As informações contidas estão dispostas em linhas e colunas (channels), sendo que cada coluna possui um tipo de informação (fields) e cada linha refere-se a um ponto de medida. Uma base de dados pode ser composta por mais de um grupo de planilhas (lines), muito utilizados para armazenar diferentes linhas de voos em aerolevantamentos. As Figuras 2 e 3 mostram como abrir o database e as principais componentes dele. 4 Figura 1: Etapas para criar um projeto novo no Oasis Montaj. Figura 2: Como abrir um database. Cria um novo Abre um projeto pré-existente Projeto pré-existente Cria o nome do novo projeto e salva Abre o database escolhido Cria um novo database 5 Figura 3: Exemplo de database. Os canais UTM-X, UTM-Y, Latitude e Longitude representam as coordenadas com projeção cartesiana (x, y) e geográfica respectivamente. MDT é o Modelo Digital de Terreno, K_perc as contagens de potássio em %, U_ppm e Th_ppm são as contagens de U e Th em ppm, respectivamente. O símbolo ao lado das lines (exemplo: L1:0) indicam as linhas do database selecionadas para interpolação. 2.3 – Interpolação dos dados no Database O Oasis Montaj permite a utilização de diferentes técnicas de interpolação para confecção dos mapas, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Nesta apostila vamos apresentar a técnica da Mínima Curvatura, a mais comumente utilizada em trabalhos geofísicos. Para tal nós utilizaremos no menu “Grid”, a opção “Gridding” e “Minimum Curvature...” (Figura 4). Geralmente o tamanho das células de interpolação é de 1/4 ou 1/5 do espaçamento entre linhas de aquisição. Importante ressaltar que antes da interpolação dos mapas, os canais com as Lista com as planilhas (Lines) O x e y indicam o canal de coordenadas de referencia 6 coordenadas de referencia devem estar selecionados, ou seja, x e y devem estar aparecendo ao lado dos canais com as localizações geográficas dos dados (ex. Figura 3). O resultado da interpolação dos dados geralmente é denominado de grid (extensão ‘.grd’). Existem diferentes métodos de interpolação (Kriging, Triangulação, etc.) devendo-se selecionar o mais adequado para cada conjunto de dados (Fig. 1.4) Figura 4: Sequência de comandos para interpolar um mapa usando o método de mínima curvatura. 2.4 – Visualização dos grids interpolados O Oasis permite a visualização dos mapas com sombreamento (“colour-shaded”), visando destacar mais o contraste entre os valores de máximo e mínimo. A Figura 5 mostra a Sequência de comandos para visualizar o mapa com ou sem sombreamento. Mínima Curvatura Canal do database a ser interpolado Nome do grid gerado Espaçamento das células de interpolação 7 Figura 5: Sequência de comando para visualização de mapas. Existem diversos tipos de escala de cor possíveis para visualização dos dados, sendo critério do autor escolher qual melhor representa a distribuição dos dados. A mais comum utilizada tanto para mapas de contagens dos radioelementos quanto nosmétodos potenciais é a “colour.tbl”, enquanto que os mapas de topografia geralmente utilizam a “elevation.tbl”. A distribuição das cores (linear, histogramica, etc. – Figura 5) é muito importante, pois, pode gerar falseamento na distribuição dos dados e até mesmo ocultar anomalias menos intensas. Nome do grid Distribuição das cores Escala Intensidade das cores 8 2.5 – Mapa As Figuras abaixo (6 a 8) apresentam a Sequência de comandos para criar um mapa a partir de um grid já interpolado e aberto na tela. É importante ressaltar que as dimensões dos objetos no mapa e a escala e cor não necessariamente resultam como esperado na primeira vez. Geralmente é necessário repetir algumas vezes essa etapa (tentativa e erro) e ajustar alguns componentes manualmente. Figura 6: Primeira parte da Sequência de comandos para criar um mapa. Escala do mapa Espaço entre o grid e a margem do mapa Margem entre a grade de coordenadas e o contorno do mapa 9 Figura 7. Segunda parte da Sequência de comandos para criar um mapa. Figura 8. Segunda parte da Sequência de comandos para criar um mapa. Estilo da grade de coordenadas UTM Estilo da grade de coordenadas geográficas Os títulos são opcionais, podendo ou não serem inclusos no mapa. Define o espaçamento entre as coordenadas em º 10 2.5.1 – Escala de cor Na Figura 9 é apresentada a Sequência para inserção de escala de cor no mapa gerado. Esta pode ser tanto horizontal quanto vertical, de acordo com a preferencia do autor. Antes de finalizar a escala, é importante clicar em “Locate” na segunda janela de comandos. O programa vai então perguntar em que ponto do mapa será localizada a escala. Clique no ponto desejado e, quando o menu da “Colour Bar” reabrir, clique em “OK”. Figura 9. Sequência de comandos para inserir escala de cor no mapa. Legenda vertical Legenda horizontal Grid escolhido Titulo da legenda Subtítulo (geralmente a unidade) Tamanho da fonte Nº de casas decimais Altura e largura das na escala Posta os valores máx. e mínimo na escala 11 Como exemplo, a Figura 10 apresenta dois mapas diferentes compostos a partir do software Oasis Montaj. Note que no mapa de Pratinha I (Figura 10-A) os autores optaram por apresentar o mapa sombreado com o título bem destacado e margem interna, enquanto que no mapa de São José (Figura 10-B) os autores optaram por representar o campo sem sombreamento (“single grid”), colocando no canto inferior da figura o mapa de localização da área em relação ao Brasil. Figura 10. Mapa de campo magnético residual (A) da anomalia magnética Pratinha I, Minas Gerais (Louro e Mantovani, 2012) e (B) das anomalias de São José (SJ-1 a 5), Mato Grosso (Ribeiro, Louro e Mantovani, 2013). 2.6 – Mapas ternários Antes da composição do mapa ternário (descrito no tópico 4.1) é necessário que os três mapas a serem utilizados (no caso da gamaespectrometria: os de contagem de K, Th e U) já A B 12 estejam interpolados. A sequência de comandos para confecção do mapa e da legenda é apresentada na Figura 11 e 12. Figura 11. Primeira parte da sequência de comandos para criar o mapa ternário e a legenda. 2.7 – Operações entre dados Existem duas formas principais de operações entre dados pelo Oasis Montj: operação entre os canais do database (alterando diretamente as medidas em campo) e a operação entre grids. Para elucidar ambos os casos, utilizaremos o cálculo da razão entre dois radioelementos a partir do database, e do Fator F para a operação efetuada entre grids. Ambas as Sequências são apresentadas abaixo. 2.7.1 – Operações entre os canais 1º passo) Criar um canal novo no database. Clique com o botão direito do mouse na primeira célula de uma coluna em branco (ela ficará azul como na Figura 13 e abrirá a janela de comando). Selecione “New...”. Digite as especificações desejadas para o novo canal, como nome, formato (“Format”) e quantidade de números decimais. Permite a composição do mapa ternário Permite a composição da legenda do mapa ternário 13 Figura 12. Sequência de comandos para criar o mapa ternário e a legenda. 2º passo) Clique com o botão esquerdo do mouse três vezes sobre o titulo do canal criado e depois pressione o botão de “ = ” no teclado. Após fazer isso deve aparecer a palavra “Formula=” no canto esquerdo inferior do database (Figura 14). 3º passo) Escreva os nomes dos canais a serem multiplicado separados por “*”. Por exemplo, para o calculo da razão entre as contagens de Th (canal Th_ppm) e de U (U_ppm) seria necessário digitar: Th_ppm*U_ppm e pressionar “enter” no teclado. Define os três mapas a serem Padrão de cores (RGB ou CMY) Define os nomes dos vértices da legenda Padrão de cores (RGB ou CMY) Tamanho da legenda Exemplo de legenda ternária com padrão RGB 14 Para visualizar o resultado da operação é necessário interpolar os dados no canal gerado (tópicos 2.3 e 2.4). Esse procedimento pode ser realizado para diversas operações matemáticas (soma, multiplicação, raiz, etc.) e pode envolver diversos canais. A etapa de criar um novo canal para conter o resultado da operação visa preservar os dados originais, entretanto existe a possibilidade dos dados serem gravados sobre um canal pré-existente. Figura 13. Sequência de comandos para criar um novo canal no gdb. Nome do novo canal Nº de casas decimais Formato do canal (número, graus, data, etc.) 15 Figura 14: Exemplo de como criar fórmula no database. 2.7.2 – Operações entre os grids 1º passo) Selecinar no menu “Grid and Image” a opção “Grid Math...”. 2º passo) Selecionar os grids a serem utilizados em ordem (G0, G1... - Figura 15) e definir a equação a ser calculada entre eles. 3º passo) Ao encerrar a expressão desejada, clique em “OK”. O mapa resultante da operação aparecerá automaticamente interpolado. 16 Figura 15: Janela de comandos do “Grid Math...”. 2.8 – View/Group Manager Tool Gerencia a exibição e a disposição dos elementos que compõe o mapa. Os arquivos são disponibilizados em camadas (“layers”) e divididos em duas categorias principais: Base (elementos do mapa como a escala e a seta do norte) e Data (arquivos georreferenciados – como as coordenadas associadas e os grids interpolados). As principais componentes do “View/Group Manager Tool” são apresentadas na Figura 16. Expressão a ser calculada (Fator F) Opções de operações Grid (novo) onde será gravado o resultado Grid (no caso, contagens de K, Th e U) utilizados no cálculo do Fator F 17 Figura 16: Descrição das principais ferramentas do “View/Group Manager Tool”. 2.8.1 – Como criar novas camadas de dados O sistema de camadas permite a criação de polígonos para identificação do alvo de estudo no mapa (ex. Figura 10-B), delimitação de zonas de cisalhamento ou lineamentos magnéticos, ou até mesmo confecção e mapas de interpretação (ex. mapas litogeofísicos). 1º passo) Criar um novo grupo a partir do menu “Map Tools” (Figura 17). Ao clicar em “New Group...” abre uma nova janela de comando a qual permite escolher em qual grupo a nova camada será criada (Base ou Data). 2º passo) Edição da camada criada. As duas principais vantagens de criar uma nova camada é (1) a possibilidade de fazer edições sobre o mapa e (2) mantê-las visíveis ou não (desselecionando esta no “View/Group Manager Tools”), sem alterar o grid de dados. BASE DATA Grid interpolado Coordenadas do mapa Controla a transparência do grid interpolado. Essa opção pode ser útil para sobreposição de grids. Se essa opção estiver selecionada é possível mover uma camada ao longo do mapa Esta opção permite mascarar qualquer item (ou parte dele) que estiver fora dos limites do mapa 18Figura 17: Sequência de comando para criar uma nova camada. 3º passo) Uma vez criada e selecionada a camada, é possível ter acesso a barra de ferramentas de desenho. As principais ferramentas dessa barra estão descritas na Figura 18. Permite criar uma nova camada Permite escolher a localização da camada criada (Base ou Data) Define o nome da nova camada criada 19 Figura 18: Descrição das principais ferramentas da barra de desenho. 4º passo) A ferramenta de polígonos irregulares é a mais utilizada na confecção do mapa litogeofísico. Uma vez traçado o ultimo vértice do polígono, deve-se clicar com o botão direito sobre o mapa, abrindo assim uma janela de ferramentas. Para finalizar o polígono basta clicar na opção “Done”. Além de finalizar o polígono desenhado, essa janela oferece ainda outras importantes ferramentas como “zoom in” e “zoom out” do mapa, “Previous Extent” que retorna ao ultimo ponto visualizado no mapa, entre outras. 5º passo) Com o polígono desenhado selecionado, ao clicar com o botão direito do mouse aparece a janela de edição (Figura 19). Essa janela permite editar o polígono (cor/espessura da linha e preenchimento) a partir da opção “Atributes...”, acrescentar/excluir ou alterar a posição dos vértices (opção “Edit Vertices...”) entre outras. Seleção de itens Permite desenhar uma linha reta sobre o mapa Linha continua Quadrilátero Polígono irregular de N lados Circunferência ou elipses Ferramenta de Texto Polígono regular de N lados Símbolos Descreve as características de um polígono Atribuí as características a um polígono 20 Figura 19: Janela de edição/ferramentas. 2.9 – Exportar mapas A sequência para exportar um mapa é apresentada na Figura 20. Permite alterar as características do(s) polígono(s) selecionados Permite editar os vértices do polígono selecionado Permite alterar a ordem de visualização de diferentes componentes em uma mesma camada Permite medir a distancia entre dois pontos Permite medir um ângulo Ferramentas de “zoom” 21 Figura 20: Sequência de comandos para exportar um mapa gerado. Define a região do mapa a ser exportada Extensão do arquivo gerado (‘.jpeg’, ‘.giff’, ‘.wmf’, etc.) Resolução da figura gerada. A maioria das revistas exigem 300 dpi. 22 3. REFERÊNCIAS LOURO, V.H.A.; MANTOVANI, M.S.M. 3D inversion and modeling of magnetic and gravimetric data characterizing the geophysical anomaly source in Pratinha I in the southeast of Brazil. Journal of Applied Geophysics, vol. 80, p. 110-120, 2012. RIBEIRO, V.B., LOURO, V.H.A., MANTOVANI, M.S.M., 2013. 3D Inversion of magnetic data of grouped anomalies - Study applied to Sãoo José intrusions in Mato Grosso, Brazil. J. Appl. Geophys. 93, 67–76. doi:10.1016/j.jappgeo.2013.03.013 PRocessamento e Interpretação de Dados Geofísicos aéreos Aplicados À EXPLORAÇÃO MINERAL Volume 1 - Aerogamaespectrometria Processamento e Interpretação de Dados GEOFÍSICOS – AEROGAMAESPECTROMETRIA ÍNDICE Processamento e Interpretação de Dados GEOFÍSICOS - AEROGAMAESPECTROMETRIA apostila prática de Gamaespectrometria 1. Introdução 2. ferramentas de processamento 2.1 – Projeto 2.2 – Base de dados (Database) 2.3 – Interpolação dos dados no Database 2.4 – Visualização dos grids interpolados 2.5 – Mapa 2.5.1 – Escala de cor 2.6 – Mapas ternários 2.7 – Operações entre dados 2.7.1 – Operações entre os canais 2.7.2 – Operações entre os grids 2.8 – View/Group Manager Tool 2.8.1 – Como criar novas camadas de dados 2.9 – Exportar mapas 3. ReferÊncias