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Professora Esp. Analice Greff Gonçalves Dias METODOLOGIAMETODOLOGIA PROJETUALPROJETUAL REITOR Prof. Ms. Gilmar de Oliveira DIRETOR DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Ms. Daniel de Lima DIRETORA DE ENSINO EAD Prof. Dra. Geani Andrea Linde Colauto DIRETOR FINANCEIRO EAD Prof. Eduardo Luiz Campano Santini DIRETOR ADMINISTRATIVO Guilherme Esquivel SECRETÁRIO ACADÊMICO Tiago Pereira da Silva COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Prof. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Prof. Ms. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Ms. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE GESTÃO E CIÊNCIAS SOCIAIS Prof. Dra. Ariane Maria Machado de Oliveira COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE T.I E ENGENHARIAS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE SAÚDE E LICENCIATURAS Prof. Dra. Katiúscia Kelli Montanari Coelho COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Caroline da Silva Marques Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Marcelino Fernando Rodrigues Santos Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Hugo Batalhoti Morangueira Carlos Firmino de Oliveira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO Carlos Eduardo da Silva DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos André Oliveira Pedro Vinícius de Lima Machado Kauê Berto Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP D541m Dias, Analice Greff Gonçalves Metodologia projetual / Analice Greff Gonçalves Dias. Paranavaí: EduFatecie, 2023. 69 p. : il. Color. 1.Arquitetura – Projetos e plantas. 2. Arquitetura - Metodologia. 3. Arquitetura – Aspectos ambientais. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23 ed. 720.222 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas dos bancos de imagens ShutterStock. 2023W by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. https://www.shutterstock.com/ Professora Esp. Analice Greff Gonçalves Dias ● Experiência no ramo acadêmico desde 2019. ● Tutora Acadêmica no Ensino Semipresencial UNIPAR. (2019 -2022) ● Projetista de interiores em uma empresa privada. ● Professora Conteudista (2022). ● Arquiteta e Urbanista (UNIPAR – UNIVERSIDADE PARANAENSE). ● Especialista em Projeto Arquitetônico: Tecnologia e Composição do Ambiente Construído (UEL – UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA). ● Mestranda em Engenharia Urbana (UEM – UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ) CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/2844879974293912 AUTOR http://lattes.cnpq.br/2844879974293912 4 Seja muito bem-vindo (a)! Prezado (a) aluno (a), se você se interessou pelo assunto desta disciplina, isso já é o início de um grande passo no caminho que vamos trilhar juntos a partir de agora. Proponho, junto a você, construir nosso conhecimento sobre os conceitos, fundamentos e princípios de Metodologia Projetual. Além de conhecer seus principais conceitos e definições vamos explorar as etapas projetuais e dimensionamentos. Na Unidade I começaremos a nossa caminhada pela fundamentação teórica, em que abordaremos os estudos de caso e sua importância na metodologia projetual, o estudo do local da implantação, terreno escolhido e seu entorno. Já na Unidade ll, daremos um passo a mais, falaremos sobre o usuário ou cliente, o programa de necessidades e pré dimensionamento mínimo. Na unidade lll, vamos nos aprofundar mais e falar sobre conceito e partido, suas semelhanças e diferenças. E também, fluxogramas, setorização e plano massa. E por fim, na unidade IV, vamos falar sobre o projeto final, após todas essas etapas realizadas. Aprenderemos sobre implantação, planta baixa, corte e elevação, que são os de- senhos técnicos ou representações gráficas que utilizamos para a representação projetual. Aproveito para reforçar o convite a você, para junto conosco percorrer este cami- nho e multiplicar seus conhecimentos sobre tantos assuntos abordados em nosso material. Esperamos contribuir para seu crescimento pessoal e profissional. Muito obrigado e bom estudo! APRESENTAÇÃO DO MATERIAL SUMÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Estudos de Caso; ● Estudo do local da implantação; ● Estudo do Entorno; ● Estudo do terreno; Objetivos da Aprendizagem ● Conceituar e contextualizar os estudos de caso na metodologia projetual; ● Compreender sobre o local de implantação, entorno e terreno escolhido para o projeto, seguindo a ordem, do maior para o menor (Cidade, bairro e terreno); ● Estabelecer a importância dessa sequência projetual para se obter um melhor resultado final. 1UNIDADEUNIDADE Professor Especialista Analice Greff FUNDAMENTAÇÃO FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICATEÓRICA 7UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA INTRODUÇÃO Prezado (a) aluno (a), finalmente vamos dar início a nossa caminhada juntos! Vocês provavelmente já estudaram o que iremos visualizar em nossa disciplina, po- rém, vamos nos aprofundar na conceituação e na teoria em metodologia projetual. Quando vocês precisam entender que existe uma sequência lógica a ser seguida, para se desenvol- ver um projeto arquitetônico completo, com clareza e coerência. Não há como chegar em uma planta baixa final, por exemplo, sem todo o desenvolvimento e processo necessário. Dentro da Arquitetura e do Design, muitos assuntos são sequenciais, seguem eta- pas. E quando essas etapas são puladas, ou não são realizadas corretamente, o produto final a ser entregue não apresenta um resultado satisfatório. Por isso, começaremos a unidade I discorrendo sobre os estudos de caso, que nada mais é que projetos referenciais que vocês escolhem extrair fatores importantes e que agreguem aos seus próprios projetos.criar projetos de arquitetura comercial com forte capacidade de induzir as vendas. O texto se apóia em conceitos do branding emocional para ajudar a compreender que, quando uma marca ou arquitetura emprega em seu pro- duto uma emoção que tem significado para as pessoas, ela cria um vínculo com essas pessoas e vende mais. Identifica alguns caminhos que nos levam a desvendar significados e aponta quando o seu uso pode limitar a inovação. Estuda a existência de determinantes emocionais universais, e como eles são usados pelas marcas para estabelecer significados ou se conectar aos significados que fazem sentido para as pessoas. Compreende que, não apenas estímulos visuais, mas também outros estímulos sensoriais podem ser usados para criar emoções que promovam a compra. Isso vem de encontro ao conceito de arquitetura sensorial, uma arquitetura que considera todos os sentidos e não apenas o visual. O que interessa é a sensação da pessoa no ambiente, isso integra a percepção auditiva, visual, tátil, olfativa e gustativa. Analisa se existem mecanismos de convencimento emocional do branding emocional aplicados na marca e no projeto do ponto de venda da Loja Hering do Pátio Shopping Chapecó, e quais as estratégias presentes no projeto e usadas na loja utilizam a percepção para induzir o cliente à compra. Por fim conclui que, a Hering é uma marca que se expressa através de determinantes emocionais, usa significados e sensações táteis, visuais e auditivas para atrair e se conectar com ao cliente. A adoção coordenada deste tipo de estratégias aliada a qualidade dos produtos, pode ter sido determinante para que essa empresa ganhasse mercado se tornando tão popular. Fonte: TUMELERO, Mônica; BALDISSERA, Adriana Diniz. A EMOÇÃO NA ARQUITETURA COMERCIAL. Revista Tecnológica / ISSN 2358-9221, [S.l.], v. 3, n. 2, p. 1-14, sep. 2015. ISSN 2358-9221. Disponível em: https://uceff.edu.br/revista/index.php/revista/article/view/76. Acesso em: 22 aug. 2022. https://uceff.edu.br/revista/index.php/revista/article/view/76 65UNIDADE 4 PROJETO FINAL • Título: Projetando Espaços. Guia de Arquitetura de interiores para áreas comerciais. • Autor: Miriam Gurgel. • Editora: Senac SP. • Sinopse: O projeto de interiores comerciais envolve, de acordo com a autora, um profundo estudo sobre o perfil da empresa e a imagem que ela transmite ou pretende transmitir, além de ter como uma de suas prioridades a viabilização da praticidade, da funcionalidade e do conforto na execução das tarefas em cada um de seus departamentos. MATERIAL COMPLEMENTAR • Título: Big Time • Ano: 2012. • Sinopse: O documentário acompanha a rotina e mente criativa de Bjark Ingels, conceituado arquiteto dinamarquês, durante sete anos (2009 a 2016). Além de apresentar os desafios pessoais de Bjark, a obra também permite aos espectadores que acompanhem seus processos criativos e desdobramentos de seus trabalhos. 66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT (2013). NBR 12.751-1: Edificações habitacionais – Desempenho. Parte 1: Requisitos gerais. Associação brasileira de normas técnicas.São Paulo, 2013. ALVES, Rogério; GALVANI, Emerson. Caracterização e direção da velocidade dos ventos em São Paulo, no período de 2013 a 2018. Juiz de Fora: 2018. Disponível em: file:///D:/ Usuario/Downloads/CARACTERIZAODADIREOEVELOCIDADEDOSVENTOSEMSOPAU- LOSP.pdf. Acesso em: 20 jun. 2022. ANUAL DESIGN. Loja Havaianas. Anual Design, 2014. Disponível em: https://www.anual- design.com.br/saopaulo/projetos/1171/loja-havaianas/. Acesso em: 20 ago. 2022 CASA E CONSTRUÇÃO. Planta Baixa, para que serve?. Casa e Construção, 2022. Dis- ponível em: https://casaeconstrucao.org/projetos/planta-baixa/. Acesso em: 21 ago. 2022. FERNANDES, Gica. “Espaço Havaianas / Isay Weinfeld” 15 Mai, 2013. ArchDaily. Disponí- vel em: http://www.archdaily.com.br/br/01-674/espaco-havaianas-isay weinfeld. Acesso em: 10 ago. 2022 FERNANDES, Gica. “Espaço Havaianas / Isay Weinfeld” 15 May 2013. ArchDaily. Disponí- vel em: http://www.archdaily.com.br/br/01-674/espaco-havaianas-isay-weinfeld Acesso em: 20 jun. 2022. FERNANDES, Gica. “Espaço Havaianas / Isay Weinfeld” 15 May 2013. ArchDaily. Dispo- nível em: http://www.archdaily.com.br/br/01-674/espaco-havaianas-isay-weinfeld. Acesso em: 10 ago. 2022 67 FERNANDES, Gica. “Espaço Havaianas / Isay Weinfeld” 15 May 2013. ArchDaily. Disponível em: Acesso em: 10 ago. 2022 Google Maps. Localização do Espaço Havaianas. 2022. Disponível em: https://www.google. com/maps/place/Havaianas+Oscar+Freire+(Concept)/@-23.5615531,-46.6723746,17z/ data=!3m1!4b1!4m5!3m4!1s0x94ce577fe24b2603:0x3a2042d8165efbd!8m2!3d- -23.5615572!4d-46.6705341. Acesso em: 20 jun. 2022. Google Maps. Localização do Espaço Havaianas. Disponível em: https://www.google. com/maps/place/Havaianas+Oscar+Freire+(Concept)/@-23.5615531,-46.6723746,17z/ data=!3m1!4b1!4m5!3m4!1s0x94ce577fe24b2603:0x3a2042d8165efbd!8m2!3d- -23.5615572!4d-46.6705341. Acesso em: 20 jun. 2022. GRASSIOTTO, M. L. F. Design de interiores comerciais. In: Curso de Especialização em Projeto Arquitetônico: Composição e Tecnologia do Ambiente Construído Londrina: UEL, 2019. GRASSIOTTO, M. L. F. Design de interiores comerciais. In: Curso de Especialização em Projeto Arquitetônico: Composição e Tecnologia do Ambiente Construído Londrina: UEL, 2019. GRASSIOTTO, M. L. F. Design de interiores comerciais. In: Curso de Especialização em Projeto Arquitetônico: Composição e Tecnologia do Ambiente Construído Londrina: UEL, 2019. GRASSIOTTO, M. L. F. Design de interiores comerciais: Curso de Especialização em Pro- jeto Arquitetônico: Composição e Tecnologia do Ambiente Construído Londrina: UEL, 2019. 68 Havaianas. Histórias reais, 2021. Disponível em: https://www.havaianas-store.com/pt/ historia. Acesso em: 04 ago. 2022. KELVER, Ann De. Experience Shopping – where, why and how people shop all over the world. Tielt: Lannoo Publishers, 2008. ISBN: 978-90-209-7857-5. KELVER, Ann De. Experience Shopping – where, why and how people shop all over the world. Tielt: Lannoo Publishers, 2008. ISBN: 978-90-209-7857-5. Casa APR / Studio AG Arquitetura, 05 Dez 2018. ArchDaily Brasil. Disponível em : . Acesso em: 16 ago. 2022. LOBO, Diego. Você sabe a diferença entre planta de situação e planta de localização? Habitamos, 2019. Disponível em: http://www.habitamos.com.br/voce-sabe-a-diferenca-en- tre-planta-de-situacao-e-planta-de-localizacao/. Acesso em: 18 ago. 2022. Street View. Espaço Havaianas. 2016. Disponível em: https://www.google.com/maps/@- -23.5617598,-46.6705315,3a,75y,314.92h,87t/data=!3m7!1e1!3m5!1sjVZ8aWbbr8JD8CB- 8tx4jbg!2e0!5s20160401T000000!7i13312!8i6656. Acesso em: 19 jun. 2022. 69 CONCLUSÃO GERAL Prezado (a) aluno (a), Neste material, busquei trazer para você os principais conceitos e metodologias pro- jetuais. Para tanto, abordamos as definições teóricas do processo projetual, neste aspecto, acreditamos que tenha ficado claro para você o quanto é necessário para arquitetos e designers compreenderem os processos realizados para que no final atendam às expectativas do cliente/ usuário e entreguem um produto ideal e funcional. Destacamos também a importância da fundamentação teórica, onde tudo se inicia em uma busca projetual na qual tomamos como base de referência para obtermos ideias e aplicá-las em nosso projeto. Levantamos análises importantes, como o estudo da implantação, entorno e terreno. Pudemos entender que todos esses fatores influenciam em nossa construção final. Observamos a importância do usuário, e que a partir dele e suas necessidades começamos nosso pré-projeto, e as ideias iniciais se formam. Aprendemos a diferença de partido e conceito, itens de extrema importância para se iniciar um projeto e ao final, ainda na fasede pré-projeto, finalizando com o plano massa, que nada mais é do que a ideia da volumetria do seu projeto. Por fim, terminamos nosso conteúdo com a fase de projeto final, no qual você pode compreender como chegamos nas representações gráficas e estabelecer a importância do desenho arquitetônico dentro da metodologia projetual. Acreditamos que você já pode entender o processo metodológico de um projeto arqui- tetônico, e está preparado para seguir em frente desenvolvendo ainda mais suas habilidades para criar e desenvolver projetos funcionais e que atenda às necessidades do seu cliente. Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado! ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 Site UniFatecie 3: Botão 11: Botão 8: Botão 9: Botão 10:Após essa análise, é necessário entender o local de implantação do seu projeto. Como esse terreno funciona? Como é o dia a dia das pessoas que residem no entor- no? Como funciona a questão climática e o que ela influencia na minha concepção projetual? São questões que necessitam de respostas, para assim, seguir a sequência do passo a passo que trarei a vocês. Fixar o conteúdo inicial, os conceitos, princípios e diretrizes, irá deixar o conteúdo mais prazeroso de acordo com o tempo! E também, irá facilitar no momento em que vocês forem projetar. O teórico é o início do prático. Espero que gostem da disciplina e consigam ter clareza na sequência de todo o conteúdo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 ESTUDO DE CASO 1 TÓPICO UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Para iniciar nossa disciplina de metodologia projetual, iremos nos aprofundar mais em um assunto que vocês já devem ter estudado: Estudos de Caso. Afinal, qual a importância de um estudo de caso antes de iniciar um projeto? Quando falamos de Estudo de Caso, é necessário ter em mente os seguintes passos: 1. Escolher um projeto executivo, que esteja relacionado com a temática do projeto que você irá produzir. Logo, se seu cliente te buscar para projetar um espaço comercial, seu estudo de caso deverá ser um ambiente comercial. 2. É necessário realizar o estudo do entorno e do terreno, do estudo de caso escolhido. Assim, será possível comparar as condicionantes da referência, com o projeto que você irá executar. 3. Realizar um estudo aprofundado em seus desenhos técnicos, plantas e cortes, a fim de verificar as circulações, setorizações e o funcionamento do espaço, para que assim, vocês possam entender e aproveitar do estudo de caso e aplicar seus conceitos em seus projetos. 4. É interessante também, verificar os materiais utilizados no estudo de caso. Des- cobrir novos materiais e métodos, são sempre bem-vindos! A partir desse passo a passo, realizaremos um estudo de caso. No início, é impres- cindível fazer uma ficha técnica no estudo de caso escolhido, contendo: 9UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ● Nome; ● Ano; ● Localização; ● Arquitetos e Designers; ● Materiais; ● Metragem quadrada. A partir disso, trago o seguinte projeto, para realizarmos seu estudo de uma maneira aprofundada: Loja Conceito das Havaianas. Sim! Vamos trabalhar em nosso conteúdo com arquitetura comercial. FIGURA 1 - FACHADA PRINCIPAL LOJA CONCEITO HAVAIANAS Fonte: Archdaily Brasil (2013) E para começar nossa análise, iniciaremos com a ficha técnica no projeto. ● Nome: Espaço Havaianas. ● Ano: 2009. ● Localização: Rua Oscar Freire, 1116, Jardins, São Paulo. ● Arquitetos: Isay Weinfeld. ● Materiais: Concreto. ● Metragem quadrada: 300m². . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2 ESTUDO DO LOCAL DE IMPLANTAÇÃO TÓPICO UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Na sequência, após se obter os dados principais do projeto, vamos iniciar a análise do macro para o micro. Como a localização do Espaço Havaianas é em São Paulo, devemos entender e conhecer um pouco mais sobre a cidade e seu desenvolvimento. Na imagem abaixo, podemos visualizar a localização de São Paulo dentro do País: FIGURA 2 - LOCAL DE IMPLANTAÇÃO DO ESPAÇO HAVAIANAS (MACRO) Fonte: DEPOSIPHOTOS. Mapa de São Paulo. Disponível em: https://br.depositphotos.com/62221845/sto- ck-photo-map-of-sao-paulo-brazil.html. Acesso em: 03 ago. 2022. (modificado pela autora) São Paulo é um município brasileiro e capital do mesmo nome. É considerada uma metrópole global, sendo a mais populosa do Brasil e uma das maiores do mundo, com pouco mais de 12 milhões de habitantes. Seu clima é subtropical, com relevo formado por planícies, morros e serras. Além de tudo, é o principal centro econômico e financeiro do país, concentrando grandes empresas e entidades bancárias nacionais e internacionais. Também é considerada um grande centro cultural, pela grande concentração de pessoas de diversas origens e pela variedade de estabelecimentos e eventos culturais. https://br.depositphotos.com/62221845/stock-photo-map-of-sao-paulo-brazil.html https://br.depositphotos.com/62221845/stock-photo-map-of-sao-paulo-brazil.html . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 ESTUDO DO ENTORNO TÓPICO 11UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Após conhecer um pouco mais sobre a cidade de implantação do Espaço das Ha- vaianas, São Paulo, vamos avançar e estudar o entorno do Projeto. Vale ressaltar certas questões, como: vias coletoras e arteriais, vias de acesso, tipos de edificações ao redor, gabarito e infraestrutura urbana. Quais seriam os fatores de infraestrutura urbana? Iluminação pública, bocas de lobo e pontos de ônibus, por exemplo. FIGURA 3 - ENTORNO DO ESPAÇO HAVAIANAS Fonte: Google Maps (2022). Em um primeiro momento, ao abrir o Google Maps com o endereço do Espaço, é pos- sível observar que seu entorno é praticamente comercial, composto por lojas e restaurantes. 12UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Ao acessar o recurso 3D (fornecido pelo próprio google maps), é possível notar que os gabaritos do entorno do Espaço, é composto de edifícios verticais e térreos. FIGURA 4 - ENTORNO DO ESPAÇO HAVAIANAS E SUAS VIAS . Fonte: Google Maps (2022). Quando se trata de vias, no entorno do Espaço possui uma via arterial, a Avenida Rebouças, e uma via coletora, a Oscar Freire. FIGURA 5 - ENTORNO DO ESPAÇO HAVAIANAS E SUAS VIAS Fonte: Google Maps (2022) modificado pela autora. 13UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O Maps também nos mostra, que além do acesso pelas duas vias citadas acima, tem-se ciclovias, ciclofaixas, pontos de ônibus e de metrô no entorno da implantação. FIGURA 6 - ENTORNO DO ESPAÇO HAVAIANAS E SEUS MEIOS DE ACESSO Fonte: Google Maps (2022) modificado pela autora. Ao acessar o street view, é possível observar também a presença de postes de iluminação na Avenida Oscar Freire, e também a presença de vegetação de médio porte, como mostra a imagem a seguir: IMAGEM 7 - ILUMINAÇÃO E ARBORIZAÇÃO DO ESPAÇO HAVAIANAS Fonte: Street View (2016). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 ESTUDO DO TERRENO TÓPICO 14UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Por fim, em uma micro escala, vamos analisar o terreno em que está implantado o Espaço Havaianas. Deve-se levar em consideração os seguintes aspectos: Acesso princi- pal, insolação, ventilação e topografia. Como vocês já devem saber, o sol nasce no leste e se põe no oeste. Então, iremos verificar essa questão no terreno, para assim sabermos se há influência do sol no Espaço Havaianas. O mesmo vale para a direção dos ventos em relação a implantação. Com auxílio de uma rosa dos ventos e com dados climáticos, podemos saber a influência da insolação no terreno e qual as direções dos ventos. FIGURA 7 - ROSA DOS VENTOS Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/compass-vector-icon-navigation-black-symbol-1890845437 https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/compass-vector-icon-navigation-black-symbol-1890845437 15UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Segundo Alves e Galvani (2018), em sua pesquisa realizada nos períodos de 2013 a 2018, foi observado que a direção dos ventos predominantes em São Paulo é de Sul/ Sul - Sudeste (S/SSE), com frequência de 25,36%. A imagem a seguir nos demonstra como funciona a insolação e a direção dos ventos no terreno do Espaço das Havaianas: FIGURA 8 - INSOLAÇÃO E VENTILAÇÃO NO TERRENO Fonte: Google Maps(2022) modificado pela autora. Uma outra análise interessante de se fazer em um estudo de caso, é em relação a topografia do terreno. No nosso exemplo do Espaço Havaianas, não temos esse dado, mas um pouco mais a frente, quando estudarmos sua planta e seus cortes, poderemos notar o desnível do terreno e como a loja se adaptou no mesmo 16UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O espaço comercial contemporâneo, segundo Grassiotto (2019), deve conter os seguintes itens: autenticidade; acessibilidade; espaços de permanência; atração – marke- ting visual; mobiliário especial; customização; iluminação especial; novas tecnologias e equipamentos e omnichannel. Fonte: GRASSIOTTO, M. L. F. Design de interiores comerciais: Curso de Especialização em Projeto Ar- quitetônico: Composição e Tecnologia do Ambiente Construído Londrina: UEL, 2019. “Vive-se a era da experiência, da experimentação. O consumidor não mais baseia suas compras na necessidade e nos benefícios do produto, mas no seu relacionamento com eles, no ato de sentir o aroma, relacionar-se, tocar, experimentar. A compra depende da conversação entre a marca e o consumidor, e deve ser única, com comprometimento, significativa. A loja é o principal meio de comunicação com o usuário/consumidor.” Fonte: Kelver (2008, p. 16). 17UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado (a) aluno (a), Nesta unidade, busquei aprofundar o conhecimento de vocês em fatores importantes dentro do processo metodológico projetual, se iniciando com a fundamentação teórica, e o início de um maior conhecimento em estudos de caso, usando então, o Espaço Havaianas, o qual continuaremos a estudá-lo na próxima unidade. Abordamos sobre a análise da cidade de São Paulo, em que está implantado o Espa- ço Havaianas, sobre o entorno, na Oscar Freire, um local de alto requinte no comércio paulista e para finalizar, o estudo do terreno em si e como as condicionantes do entorno funcionam. É de extrema importância que vocês consigam visualizar todo esse passo a passo que iniciamos e que vamos continuar no restante da disciplina. Uma informação comple- menta a outra, e assim, ao final, a possibilidade de se entregar um produto/ projeto final dentro dos padrões, é maior. Acreditamos que a partir de agora, antes de iniciar um projeto arquitetônico, irão observar e analisar o todo, do macro para o micro. 18UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA LEITURA COMPLEMENTAR Artigo 1: Como a experiência sensorial pode salvar a arquitetura comercial? Você pode se surpreender, mas os dias de compras nas lojas físicas estão longe de acabar - na verdade, eles estão em fase de revitalização, para criar um modelo totalmente novo de experiência e design, de forma a atrair novamente os consumidores para as lojas. A ascensão do e-commerce e a pausa causada pela pandemia COVID-19 serviram como um catalisador perfeito para a criação de um novo modelo de experiência, através de recursos projetuais exclusivos, avanços tecnológicos e customização, que revitalizará as lojas físicas no futuro. Fonte: OVERSTREET, K. Como a experiência sensorial pode salvar a arquitetura comercial? Artigo - Ar- chdaily, 2021. Disponível em: Acesso em: 20 de jul. 2022. https://www.archdaily.com.br/br/957168/como-a-experiencia-sensorial-pode-salvar-a-arquitetura-comercial#:~:text=As%20grandes%20telas%20digitais%20permitem,outra%20forma%2C%20n%C3%A3o%20a%20visitariam https://www.archdaily.com.br/br/957168/como-a-experiencia-sensorial-pode-salvar-a-arquitetura-comercial#:~:text=As%20grandes%20telas%20digitais%20permitem,outra%20forma%2C%20n%C3%A3o%20a%20visitariam https://www.archdaily.com.br/br/957168/como-a-experiencia-sensorial-pode-salvar-a-arquitetura-comercial#:~:text=As%20grandes%20telas%20digitais%20permitem,outra%20forma%2C%20n%C3%A3o%20a%20visitariam 19UNIDADE 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA • Título: Manual do Arquiteto: Planejamento, Dimensionamento e Projeto • Autor: David Littlefield. • Editora: ARTMED Editora S.A. • Sinopse: Ponto de partida ideal para qualquer projeto de arquitetura, este livro trata de aspectos específicos do projeto, como materiais, acústica e iluminação, de dados gerais de pro- jeto sobre as dimensões humanas (ergonomia e ergometria) e de necessidades especiais. A obra fornece as exigências básicas para projetos considerando as mudanças de comportamento, climáticas e necessidades da sociedade, como projetar para áreas sujeitas a enchentes, inclusão de práticas de projeto sustentável, etc. • Título: Fogo e Paixão • Ano: 1988. • Sinopse: A comédia retrata um grupo de pessoas que passeia por uma grande cidade. Em seu retorno para casa, o japonês Kankeo, um dos turistas, mostra o vídeo do passeio para um grupo de amigos. MATERIAL COMPLEMENTAR • A HISTÓRIA DAS HAVAIANAS • Link do site: https://www.youtube.com/watch?v=mNfqfsD- GE8M • O vídeo sugerido apresenta a história da marca das havaia- nas, já que estamos estudando a loja conceito como estudo de caso para nos aprofundarmos na metodologia projetual, é interessante que vocês conheçam a marca e saibam que, ela evolui juntamente com a seu consumidor e com a arquitetura comercial contemporânea. https://www.youtube.com/watch?v=mNfqfsDGE8M https://www.youtube.com/watch?v=mNfqfsDGE8M . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● O usuário; ● Programa de necessidades; ● Estudo de manchas; ● Pré-dimensionamento mínimo. Objetivos da Aprendizagem ● Conceituar e contextualizar sobre o usuário/cliente; ● Compreender as necessidades de cada usuário/cliente; ● Aplicar o estudo de manchas a partir do programa de necessidades; ● Estabelecer a importância do pré-dimensionamento mínimo no projeto arquitetônico. 2UNIDADEUNIDADE PRÉ-PROJETOPRÉ-PROJETO Professora Especialista Analice Greff 21 INTRODUÇÃO Prezado aluno (a), finalmente vamos dar início a nossa caminhada juntos! Vamos dar continuidade na nossa disciplina de metodologia projetual. E como havia dito para vocês, a disciplina consiste em uma sequência lógica a ser seguida, para se desenvolver um projeto arquitetônico completo, com clareza e coerência. Não há como chegar em uma planta baixa final, por exemplo, sem todo o desenvol- vimento e processo necessário. Dentro da Arquitetura e do Design, muitos assuntos são sequenciais, seguem eta- pas. E quando essas etapas são puladas, ou não são realizadas corretamente, o produto final a ser entregue não apresenta um resultado satisfatório. Na unidade I, estudamos sobre o que compõe um estudo de caso, sendo ele o Es- paço Havaianas. Aprendemos sobre sua implantação, seu entorno, as questões climáticas e por fim o seu terreno. Com todas essas informações coletadas, iremos abordar na unidade II sobre o usuário. Quem é o cliente do Espaço Havaianas? Também iremos entender sobre o programa de necessidades. O que é, qual sua influência dentro do projeto. Para isso, citaremoso Programa de necessidades do Espaço Havaianas, e a partir dele, iremos abordar o estudo de manchas. E por fim, sobre o pré dimensionamento mínimo. O que ele é, e como nós realizamos essa etapa. Fixar o conteúdo inicial, os conceitos, princípios e diretrizes, irá deixar o conteúdo mais prazeroso de acordo com o tempo! E também, irá facilitar no momento em que vocês forem projetar. O teórico é o início do prático. Espero que gostem da disciplina e consigam ter clareza na sequência de todo o conteúdo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 1O USUÁRIO TÓPICO UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO Para dar continuidade na nossa disciplina de metodologia projetual, iremos iniciar abordando sobre o usuário. Mas afinal, quem é o usuário? O que precisamos saber dele, antes de iniciar o projeto? Conhecer o nosso usuário ou cliente, é um passo de extrema importância dentro da metodologia projetual, visto que, é para ele que vamos entregar o produto final! Antes de iniciar o projeto, é necessário que nós, arquitetos ou designers, tenhamos uma conversa inicial com nosso usuário. É necessário saber suas preferências de uma forma geral, o que agrada e o que o desagrada. Por exemplo, se um cliente solicitar uma reforma na cozinha, ele vai lhe falar suas preferências, tipos de piso que o agrada, e também pode falar que não quer nenhuma mudança no fogão a lenha que existe nessa cozinha, pois existe uma memória afetiva. E você, como profissional, deverá saber que arquitetura e design, acima de tudo, transmite sentimentos e memórias. Vale ressaltar, que a cultura de cada usuário influencia nas suas escolhas, assim como seu aspecto social. Voltando ao Espaço Havaianas, nosso estudo de caso escolhido para abordarmos a metodologia projetual, vamos discutir um pouco sobre a marca e sua clientela. Afinal, quem a marca Havaianas quer atender? Os chinelos começaram a ser vendidos por vendedores viajantes, de Kombi. Eles estacionavam o carro em frente ao comércio local e distribuíam as havaianas em sacos 23UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO plásticos. E também, eram vendidas em pequenos mercados, dentro de grandes cestos. Não existia uma loja da marca. Por esses motivos, a sandália havaianas, por muitos anos foi considerada um “chinelo de pobre”, em que somente a classe baixa consumia o produto. Então, podemos dizer, que por muito tempo, o principal usuário da marca Havaia- nas, era considerado uma pessoa de baixa renda, da classe C. FIGURA 1 - VENDEDORES AMBULANTES DA MARCA Fonte: Havaianas (2017). Hoje, a marca Havaianas é considerada universal. Pois, junto com sua evolução, sua forma de venda com o decorrer dos anos foi sendo alterada, até chegar na loja conceito, que é o nosso estudo de caso. Tornando assim, o usuário do Espaço Havaianas, amplo! O consumidor, assim como a marca, mudou com o decorrer dos anos, o qual antes comprava por necessidade, hoje compra por prazer. Segundo Kelver (2008, p. 16): O usuário/consumidor não paga mais somente por produtos ou ser- viços. Ele deseja ser inspirado, desafiado, estimulado e assombrado. Seu desejo é pagar por sonhos, esperança, experiências, emoções e entretenimento. A “necessidade se transformou em desejo”. Propor ao usuário/cliente um bate papo informal com algumas questões, é neces- sário para criar o vínculo entre o mesmo e você como profissional e para conhecê-lo melhor. 24 2 PROGRAMA DE NECESSIDADES TÓPICO UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO Após você conhecer melhor seu usuário ou cliente, há outro questionamento a ser levantado. Quais as necessidades dele no ambiente/projeto? Quais suas exigências, funcionais e estéticas? Entender seu cliente e saber suas necessidades, faz parte do processo de meto- dologia projetual. Vamos começar exemplificando. Temos um usuário/ cliente, casado e que têm dois filhos, um cachorro labrador e um carro esportivo. A partir de uma conversa, iremos descobrir quais suas necessidades. O usuário então solicita uma habitação unifamiliar que possua: ● 01 Suíte ____________________________ Setor Privado ● 02 Quartos __________________________ Setor Privado ● 01 Banheiro social ____________________ Setor Social ● 01 Cozinha __________________________ Setor Social ● 01 Sala _____________________________ Setor Social ● Garagem ____________________________ Setor Social ● Área de Lazer ________________________ Setor Social Essas se tornam as necessidades do cliente, e é importante levar em conta em que setor cada ambiente se enquadra, pois quando formos executar o estudo de manchas, se torna mais fácil elaborar uma pré planta, para melhor dispor os setores no terreno. 25UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO Agora, iremos entender sobre o programa de necessidades do Espaço Havaianas, a partir de sua planta baixa. Na planta baixa do nível da rua, observa-se um mezanino, espaço dedicado ao estar ou espera do usuário, contendo pequenos bancos em madeira, o qual se enquadra no setor social. FIGURA 2 - PLANTA BAIXA ESPAÇO HAVAIANAS NÍVEL DA RUA Fonte: Archdaily Brasil (2013). Na planta baixa do subsolo 01, tem-se a circulação geral do espaço e os diversos espaços interativos de venda, visto que, a maior necessidade do Espaço Havaianas é aten- der ao usuário. Embaixo do mezanino, em uma posição mais discreta, encontra-se o caixa, considerado um setor administrativo. FIGURA 3 - PLANTA BAIXA ESPAÇO HAVAIANAS SUBSOLO 01 Fonte: Archdaily Brasil (2013). 26UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO Como o Espaço Havaianas é um ambiente comercial, o programa de necessidades é to- talmente diferente de uma habitação unifamiliar, ou de um consultório odontológico, por exemplo. Quando se trata de um espaço comercial, um ponto forte a ser analisado é o mo- biliário e o circuito (caminho) que o usuário irá percorrer, esse detalhe, entraremos a fundo mais a frente no conteúdo. Por fim, a planta baixa do subsolo 02, tem-se o depósito (setor privado), escritório (setor administrativo), banheiro (setor privado) e cozinha para os funcionários (setor social). FIGURA 4 - PLANTA BAIXA ESPAÇO HAVAIANAS SUBSOLO 02 Fonte: Archdaily Brasil (2013). Então, podemos concluir, que o espaço havaianas possui o seguinte programa de necessidades: TABELA 1 - PROGRAMA DE NECESSIDADES ESPAÇO HAVAIANAS Fonte: A autora (2022). 27 3 ESTUDO DE MANCHAS TÓPICO UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO Quando se inicia um projeto, como vocês irão fazer no decorrer da profissão, após realizar o programa de necessidades com o usuário, é interessante a execução do estudo de manchas, em que você, como profissional, observa a distribuição dos espaços solicita- dos dentro do terreno. Quando o projeto é iniciado do zero, basta utilizar o terreno, junto com o estudo das suas condicionantes, e acima do mesmo, fazer “manchas” da distribuição dos setores. Por exemplo, locar a suíte (setor privado), no lado oeste do terreno, pois não haverá sol durante o dia. Segue o exemplo a seguir: FIGURA 5 - EXEMPLO DE ESTUDO DE MANCHAS Fonte: A autora (2022). 28UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO Esse é um passo importante para vocês começarem a visualizar a distribuição do seu projeto e observar a funcionalidade da edificação em questão. Retomando o nosso exemplo do Espaço Havaianas, irei demonstrar para vocês o estudo de manchas a partir das plantas baixas do mesmo. FIGURA 6 - ESTUDO DE MANCHA ESPAÇO HAVAIANAS NÍVEL RUA Fonte: Archdaily Brasil (2013), modificado pela autora (2022). FIGURA 7 - ESTUDO DE MANCHA ESPAÇO HAVAIANAS SUBSOLO 01 Fonte: Archdaily Brasil (2013), modificado pela autora (2022). FIGURA 8 - ESTUDO DE MANCHA ESPAÇO HAVAIANAS SUBSOLO 02 Fonte: Archdaily Brasil (2013), modificado pela autora (2022). É importante ressaltar que o estudo de manchas, ainda não trás uma metragem quadra- da do ambiente, diferente da setorização, uma etapa que veremos mais à frente noconteúdo. Em sequência, no próximo tópico, iremos abordar as questões de medidas e metra- gens quadradas nos ambientes. 29 4 PRÉ-DIMENSIONAMENTO MÍNIMO TÓPICO UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO Assim como o próprio nome já diz, pré-dimensionamento mínimo, nada mais é que o dimensionamento mínimo dos espaços. Após realizar o estudo de manchas, que é somente uma ideia dos setores do seu projeto, e sua distribuição no terreno, o pré dimensionamento mínimo vem com o intuito de colocarmos medidas e metragens quadradas necessárias para aquele projeto. Voltando ao exemplo da habitação unifamiliar: ● 01 Suíte ____________________________ Setor Privado ● 02 Quartos __________________________ Setor Privado ● 01 Banheiro social ____________________ Setor Social ● 01 Cozinha _________________________ Setor Social ● 01 Sala ____________________________ Setor Social ● Garagem ___________________________ Setor Social ● Área de Lazer _______________________ Setor Social Qual a metragem mínima para a suíte solicitada pelo cliente? Para isso, temos que analisar qual o mobiliário que vai ocupar esse espaço. Logo, uma cama de casal, um roupeiro, um painel de tv, são mobiliários solicitados pelo cliente. A partir desse pedido, é in- teressante realizar croquis dos ambientes separados, com as medidas mínimas, e também elaborar uma tabela contendo: 30UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO TABELA 2 - MODELO DE ITENS EM TABELA DE PRÉ DIMENSIONAMENTO Fonte: A autora (2022). Assim como elaboramos uma pequena tabela no programa de necessidades, no pré-dimensionamento mínimo, iremos acrescentar o mobiliário e a metragem quadrada mínima daquele ambiente, mas não quer dizer que podemos projetar a mais, mas o mínimo nos dá uma direção correta do caminho a seguir. É importante ressaltar, que além do mobiliário existente no ambiente, a ergonomia deve ser levada em consideração, já que toda movimentação humana dentro do espaço também ocupa medidas. A Norma NBR 15.575 (2013) - Edificações habitacionais - Desempenho, trata do desempenho de edificações habitacionais, e apresenta características indispensáveis na obra. Ela também aborda, nas páginas 80, 81 e 82 o dimensionamento mínimo de ambien- tes já com o mobiliário de cada um, veja a seguir: FIGURA 9 - PRÉ-DIMENSIONAMENTO MÍNIMO COM MOBILIÁRIO E CIRCULAÇÃO Fonte: NBR 15.575-1 (2013). 31UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO FIGURA 10 - PRÉ DIMENSIONAMENTO MÍNIMO COM MOBILIÁRIO E CIRCULAÇÃO. Fonte: NBR 15.575-1 (2013). FIGURA 11 - PRÉ DIMENSIONAMENTO MÍNIMO COM MOBILIÁRIO E CIRCULAÇÃO Fonte: NBR 15.575-1 (2013). 32UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO Logo, para se elaborar um programa de necessidades, deve-se ter em mente todos os ambientes solicitados pelo usuário (programa de necessidades), sua disposição (estudo de manchas), para assim realizar uma estimativa da metragem quadrada, considerar as atividades que serão realizadas em cada ambiente, para assim propor os mobiliários ne- cessários e também contabilizar a circulação do ambiente (ergonomia). Com todos esses dados, elabora-se uma tabela, onde se chega em um resultado estimativo de m², mas lembre-se, esse resultado não é necessariamente o projeto e o layout final do seu projeto. Vamos imaginar a tabela de pré dimensionamento mínimo do Espaço Havaianas, antes do seu resultado final: TABELA 3 - PRÉ DIMENSIONAMENTO MÍNIMO ESPAÇO HAVAIANAS Fonte: A autora (2022) (A estimativa da m² foi realizada a partir da escala gráfica das plantas do Espaço Havaianas, portanto, não são exatas, e sim, aproximadas). 33UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO Toda marca quando é criada deve possuir a sua própria essência. A autenticidade da marca significa o agregar valor ao produto, tornando-o único, sendo sua identidade. Com isso, o design de seu espaço comercial, deve revelar essa identidade, ser autêntico, ambos precisam ter uma conexão, que certamente deve ser identificada pelo consumidor. Fonte: GRASSIOTTO, M. L. F. Design de interiores comerciais: Curso de Especialização em Projeto Arqui- tetônico: Composição e Tecnologia do Ambiente Construído Londrina: UEL, 2019. "Arquitetura é muito mais do que a construção de um objeto em um terreno: é uma reinvenção do próprio local." Fonte: LALLY, Sean. 121 Definições de Arquitetura. 2016. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/ br/800699/121-definicoes-de-arquitetura. Acesso em: 17 ago. 2022. https://www.archdaily.com.br/br/800699/121-definicoes-de-arquitetura https://www.archdaily.com.br/br/800699/121-definicoes-de-arquitetura 34UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado (a) aluno (a), Nesta unidade, busquei dar continuidade em fatores importantes dentro do proces- so metodológico projetual, se iniciando com o usuário/ cliente. Abordamos sobre o programa de necessidades e o que ele interfere no projeto, tendo como objetivo, atender todas as necessidades solicitadas pelo usuário. Levantamos a questão sobre o estudo de manchas, para se ter uma ideia inicial do projeto proposto, e por fim, estudamos sobre o pré-dimensionamento mínimo. Todos esses pontos foram abordados juntamente com o Espaço Havaianas, nosso estudo de caso da disciplina, para que assim, vocês visualizem a aplicação da metodologia projetual, dentro de um projeto executado. É de extrema importância que vocês consigam visualizar todo esse passo a passo que iniciamos e que vamos continuar no restante da disciplina. Uma informação comple- menta a outra, e assim, ao final, a possibilidade de se entregar um produto/ projeto final dentro dos padrões, é maior. Acreditamos que a partir de agora, antes de iniciar um projeto arquitetônico, irão observar e analisar o todo, do macro para o micro. 35 LEITURA COMPLEMENTAR Artigo 1: A participação do usuário na Arquitetura e em intervenção urbana Este artigo se concentra em discutir a especificidade e as consequências decor- rentes da adoção de processos participativos na arquitetura e em intervenção urbana, os quais são entendidos aqui como as propostas que têm como ponto inicial a partilha das atividades da produção em arquitetura com o usuário. Busca-se saber se tais processos promovem, de fato, a produção de um espaço menos determinista em relação ao seu uso, a emancipação dos sujeitos e o estímulo ao sentimento de pertencimento. Com essa intenção, analisam-se, especificamente, as experiências das intervenções urbanas “O lixo não existe”, propostas pelo coletivo Basurama e realizadas em São Paulo no período de 2012-2014. Essa análise é fundamentada nas entrevistas feitas com um dos membros do coletivo e de uma participante. Para tanto, procede-se a um cruzamento entre a concepção de emancipação/dissenso de Jacques Rancière e da ética do bem-dizer da psicanálise de Jacques Lacan. Fonte: ARRUDA, Flávia. A participação do usuário na Arquitetura e em intervenção urbana.urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana (Brazilian Journal of Urban Management), 2017 set./dez., 9(3), 500-512. Disponível em: https://www.scielo.br/j/urbe/a/hsgLnzSytcrSY4wJNhh6Z4z/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 12 ago. 2022. UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO https://www.scielo.br/j/urbe/a/hsgLnzSytcrSY4wJNhh6Z4z/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 12 ago. 2022. 36UNIDADE 2 PRÉ-PROJETO 36 MATERIAL COMPLEMENTAR • Título: Neufert - A arte de Projetar em Arquitetura. • Autor: Ernst Neufert. • Editora: Gustavo Gili S.A. • Sinopse: Na obra de Neufert é possível aprender desde a fundação até o telhado, ou seja, o projeto por completo. Assim, ele oferece uma espécie de manual para a construção e as medidas, além de englobar técnicas construtivas e de dimensionamento, o que é essencial para todo arquiteto que se preze. • Título: Incríveis por Dentro. • Ano: 2018. • Sinopse: Conheça pessoas excêntricas cujas casas são uma caixinha de surpresa. Tudo está valendo, desde montanha russa no quintal a um aquário de proporções gigantescas. • Link de acesso: https://www.netflix.com/title/80184067 • Título: Elaboraçãode Estudo de Massa • Link: https://www.youtube.com/watch?v=5YsZb2DETEA • Sinopse: Elaboração de Estudo de Massa para a disciplina de Projeto Arquitetônico III - EAU-UFF. Este vídeo foi criado para os alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense, como subsídio à disciplina de Projeto Arquitetônico III, primeiro período de 1. 2020. O objetivo do vídeo é demonstrar aos alunos como podemos desenvolver o Estudo de Massa (concepção inicial do projeto), a partir de um terreno de 40 x 50 m, situado na Av. Visconde do Rio Branco, Niterói - RJ. https://www.netflix.com/title/80184067 https://www.youtube.com/watch?v=5YsZb2DETEA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Conceito e Partido; ● Fluxograma; ● Setorização; ● Plano Massa. Objetivos da Aprendizagem ● Definir o que é conceito e partido e suas diferenças; ● Compreender o fluxograma e sua importância no pré projeto; ● Aplicar a setorização e mostrar as diferenças da mesma com o estudo de manchas; ● Compreender o Plano Massa do projeto. 3UNIDADEUNIDADE PRÉ-PROJETO IPRÉ-PROJETO I Professora Especialista Analice Greff 38UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I INTRODUÇÃO Prezado (a) aluno (a), vamos dar continuidade na nossa disciplina de metodologia projetual. E como havia dito para vocês, a disciplina consiste em uma sequência lógica a ser seguida, para se desenvolver um projeto arquitetônico completo, com clareza e coerência. Não há como chegar em uma planta baixa final, por exemplo, sem todo o desenvol- vimento e processo necessário. Dentro da Arquitetura e do Design, muitos assuntos são sequenciais, seguem eta- pas. E quando essas etapas são puladas, ou não são realizadas corretamente, o produto final a ser entregue não apresenta um resultado satisfatório. Na unidade II, iniciamos a etapa pré-projeto em que conhecemos o nosso usuário e entendemos que ele é o foco principal no nosso projeto. Relatamos a importância do pro- grama de necessidades e como o estudo de manchas pode nos auxiliar mais adiante, e por fim, entendemos o que é pré-dimensionamento mínimo. Todas essas questões, aplicadas também, ao nosso estudo de caso, Espaça Havaianas. Com todas essas informações coletadas, iremos continuar a unidade III, abordando os seguintes temas: o conceito e o partido, dentro da arquitetura, suas diferenças e com- plementações. O fluxograma, e o que ele vai agregar na hora de executar a planta baixa. A setorização, agora com medidas quadradas, diferentemente do estudo de manchas. E por último, o plano massa, que nada mais é, que a volumetria do projeto no terreno. Fixar o conteúdo inicial, os conceitos, princípios e diretrizes, irá deixar o conteúdo mais prazeroso de acordo com o tempo! E também, irá facilitar no momento em que vocês forem projetar. O teórico é o início do prático. Espero que gostem da disciplina e consigam ter clareza na sequência de todo o conteúdo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 CONCEITO E PARTIDO 1 TÓPICO UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I Conceito e partido arquitetônico, muitas vezes são confundidos e são temáticas que geram discussões. Então, vamos entender suas diferenças e complementaridades. O conceito, se define como se fosse a ideia, o pensamento, a opinião. Quais suas intenções projetuais e o que você quer transmitir com essa ideia. É considerado algo abs- trato, que está “por trás” do produto final. Enquanto isso, o partido arquitetônico é um instrumento concreto, é um conjunto de diretrizes que são necessárias para se chegar ao resultado final. O partido precisa alcançar os objetivos do seu conceito proposto, logo, um complementa o outro. Existem diversos parâmetros a serem analisados para se definir um partido arqui- tetônico, entre eles: terreno, implantação, estudo climático, programa de necessidades, elementos construtivos, entre outros. Vamos tentar exemplificar. O projeto de um restaurante tem como conceito a sus- tentabilidade, logo, seu partido arquitetônico pode ser sistemas de aproveitamento da água da chuva. Ou, o projeto da residência familiar tem como conceito um espaço em comum para trazer maior aconchego e união, visto que os usuários recebem muitas visitas familiares. Então, o partido arquitetônico, pode ser a forma da construção em que a partir de um espaço comum de lazer grande, se dá o formato do restante dos cômodos. Dentro do Espaço Havaianas, o projeto tinha como conceito manter as caracterís- ticas da marca: informalidade, frescor, tranquilidade e sua autenticidade. E como partido arquitetônico, tem-se os elementos construtivos escolhidos a cobertura, que possui uma trama ortogonal com uma modulação levemente irregular, acompanha um distanciamento 40UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I de dois metros entre as vigas metálicas transversais. Espaços abertos e fechados com vidro e iluminação embutida são intercalados, a fim de proporcionar a sensação de sempre estar de dia dentro da loja. A loja como um todo, apresenta iluminação artificial e zenital, permitindo a entrada de luz natural no espaço. Logo, na entrada do espaço havaianas é possível observar a predominância da iluminação zenital. O tipo de iluminação zenital usado, são as claraboias, que nada mais são que aberturas no teto com uma estrutura transparente, chamada de domos. O formato presente na loja é quadrado, e além das claraboias é possível observar a existência de spots duplos de embutir. A grande vantagem do uso das claraboias, além de permitir a entrada de luz natural, e proporcionar um maior aconchego na loja, é que também favorece a vegetação existente no interior. A intenção do arquiteto foi resgatar a ambiência de um espaço aberto, seja uma praça ou uma praia, sendo assim, a iluminação natural presente e as cores neutras e claras da loja, estão vinculadas diretamente com a identidade visual da marca. FIGURA 1 - INTERNO ESPAÇO HAVAIANAS Fonte: Archdaily Brasil (2013). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I 2 FLUXOGRAMA TÓPICO Como o próprio nome já diz, no fluxograma, lidaremos com os fluxos do projeto. Portanto, todas as etapas que estudamos e realizamos até aqui, irão começar a se interligar. Para a execução de um fluxograma, precisamos saber: ● Quem é nosso usuário; ● Quais as suas necessidades (programa de necessidades); ● Quais os setores e ambientes foram solicitados; ● A localização desses setores no terreno do projeto. Podemos dizer então, que o fluxograma é uma representação gráfica esquemática de um processo, a fim de descomplicar o acesso e a circulação/trânsito dentro de uma edificação. Por exemplo, imaginem que nosso usuário fez a seguinte solicitação: ● 01 Suíte _____________________________ Setor Privado; ● 02 Quartos ___________________________ Setor Privado; ● 01 Banheiro social _____________________Setor Social; ● 01 Cozinha ___________________________ Setor Social; ● 01 Sala ______________________________ Setor Social; ● Garagem ____________________________ Setor Social; ● Área de Lazer ________________________ Setor Social. Logo, iniciamos um fluxograma para melhor definir em que colocaremos os espaços solicitados. Montamos 03 opções de fluxogramas e o usuário gostou da seguinte: 42UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I FIGURA 2 - EXEMPLO DE FLUXOGRAMA Fonte: A autora (2022). Pode-se dizer então, que o fluxograma nada mais é que a distribuição dos ambien- tes no espaço, através de uma representação gráfica. O mesmo facilita na hora de definir a planta final do projeto, já que ele nos auxilia na distribuição dos setores, locando onde desejamos implantar cada espaço. Mesmo que o projeto do Espaço Havaianas já esteja sendo executado, vamos montar o fluxograma do mesmo para vocês poderem visualizar como o arquiteto distribuiu os espaços. FIGURA 3 - FLUXOGRAMA ESPAÇO HAVAIANAS NÍVEL RUA Fonte: A autora (2022). 43UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I FIGURA 4 - FLUXOGRAMA ESPAÇO HAVAIANAS SUBSOLO 01 Fonte: A autora (2022). FIGURA 4 - FLUXOGRAMA ESPAÇO HAVAIANAS SUBSOLO 02 Fonte: A autora (2022). Conseguem visualizar como se realiza um fluxograma? É importante também, dentro dele, definir os espaços de circulação para auxiliar na distribuição dos ambientes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I 3 SETORIZAÇÃO TÓPICO O próximo passo na na metodologia projetual é a setorização. Quando chegamos nesse passo, já definimos diversas etapas no projeto, entre elas, os ambientes, suas lo- cações dentro do terreno e sua metragem quadrada, que foi definida no passo do pré dimensionamento mínimo. Então, para se realizar a setorização é necessário: ● Ambientes solicitados pelo usuário; ● Metragem quadrada mínima de cada um (lembrando que ela pode ser alterada no decorrer do projeto); ● Fluxograma. Nessa sequência de passos que realizamos até aqui, fica nítido quanto um comple- menta o outro e auxilia no processo para no final entregarmos um produto com qualidade. Dando continuidade no nosso estudo de caso do Espaço Havaianas, usaremos o mesmo para demonstrar a setorização. Lembrando que ela é realizada com metragem quadrada que foi definida no pré dimensionamento mínimo. FIGURA 5 - PLANTA SETORIZADA ESPAÇO HAVAIANAS NÍVEL RUA Fonte: Archdaily Brasil (2013) modificado pela autora (2022). 45UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I FIGURA 6 - PLANTA SETORIZADA ESPAÇO HAVAIANAS SUBSOLO 01 Fonte: Archdaily Brasil (2013) modificado pela autora (2022). FIGURA 7 - PLANTA SETORIZADA ESPAÇO HAVAIANAS SUBSOLO 02 Fonte: Archdaily Brasil (2013) modificado pela autora (2022). O objetivo da setorização é realizar a distribuição dos ambientes, já com as medidas ideais, buscando a melhor integração entre eles. No estudo de manchas, trabalhamos com setores e com uma distribuição sem dimensões, somente com uma ideia espacial. Mas a partir da distribuição dos setores, torna-se mais fácil locar os ambientes de uma maneira funcional. Vale ressaltar que para realizar todos esses passos, o estudo do terreno e das condições climáticas, afeta diretamente na locação dos ambientes, podendo ser até mesmo um partido arquitetônico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I 4 PLANO MASSA TÓPICO O plano massa também se define como um instrumento de estudo preliminar dentro do processo metodológico da arquitetura. Agora, o espaço que definimos na setorização, se configura como um desenho tri- dimensional, também já com a sua metragem quadrada pré definida. É nesse momento em que fazemos o estudo da volumetria da planta que realizamos até o momento. Observem o seguinte exemplo: FIGURA 8 - DIAGRAMA DE ESTUDO DE MASSA Fonte: Archdaily Brasil (2018). Recomenda-se que a volumetria seja um estudo realizado no software SketchUp, Revit, ou até mesmo em croquis nas medidas que foram solicitadas. A volumetria do espaço Havaianas se configura como um grande retângulo de três andares. 47UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I O Espaço Havaianas contempla todos os 3 tipos de expositores, (mobiliário co- mercial) sendo eles: acessórios de paredes, expositores de solo e elementos autônomos de venda, além de expositores flexíveis espalhados pela loja. O espaço também oferece experiências sensoriais aos clientes, tanto na sonorização quanto no olfato. A sonorização é através de música estilo bossa nova e house music, em um volume agradável. Para o olfato, a natura desenvolveu um perfume exclusivo para a marca, provocando uma identi- dade olfativa aos consumidores. Fonte: GRASSIOTTO, M. L. F. Design de interiores comerciais: Curso de Especialização em Projeto Ar- quitetônico: Composição e Tecnologia do Ambiente Construído Londrina: UEL, 2019. “A arquitetura é sempre sonho e função, expressão de uma utopia e instrumento de conveniência.” Fonte: BARTHES, Roland. 121 Definições de Arquitetura. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/800699/121-definicoes-de-arquitetura. Acesso em: 12 ago. 2022. https://www.archdaily.com.br/br/800699/121-definicoes-de-arquitetura 48UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado (a) aluno (a), Nesta unidade, busquei dar continuidade em fatores importantes dentro do proces- so metodológico projetual, iniciando pelo conceito e partido arquitetônico. Abordamos também sobre o fluxograma, que nada mais é que uma representação gráfica dos ambientes para obter uma melhor disposição dos ambientes solicitados. Aprendemos a diferença do estudo de manchas e da setorização, que se resume ao fator pré dimensionamento mínimo. E por fim, definimos o que é plano massa. Todos esses pontos foram abordados juntamente com o Espaço Havaianas, nosso estudo de caso da disciplina, para que assim, vocês visualizem a aplicação da metodologia projetual, dentro de um projeto executado. É de extrema importância que vocês consigam visualizar todo esse passo a passo que iniciamos e que vamos continuar no restante da disciplina. Uma informação comple- menta a outra, e assim, ao final, a possibilidade de se entregar um produto/ projeto final dentro dos padrões, é maior. Acreditamos que a partir de agora, antes de iniciar um projeto arquitetônico, irão observar e analisar o todo, do macro para o micro. 49UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I LEITURA COMPLEMENTAR Texto 1: Teoria e prática do partido arquitetônico Muitos autores acadêmicos têm se debruçado recentemente sobre temas e termos correntes da arquitetura na tentativa de compreender e explicar o processo de projetação. O aprofundamento recente destas pesquisas e reflexões tem produzido noções sempre mais didáticas e esclarecedoras, tanto para estudantes e professores como para arquitetos com interesses teóricos e mesmo para leigos e amantes da arquitetura. A história é rica em exemplos do interesse em resumir o projeto a um processo linear, possuidor de uma técnica de realização passo a passo, como montar uma máquina, como cultivar soja, primeiro isto, depois aquilo e aquilo outro, e assim por diante numa seqüência de procedimentos idêntica a tantas outras técnicas e disciplinas inventadas pelo homem. Fonte: BISELLI, Mário. Teoria e prática do partido arquitetônico. 2011. Disponível em: https://vitruvius.com. br/revistas/read/arquitextos/12.134/3974. Acesso em: 22 ago. 2022. https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.134/3974 https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.134/3974 50UNIDADE 3 PRÉ-PROJETO I • Título: Adoção do partido na arquitetura • Autor: Laert Pedreira Neves. • Editora: Universidade Federal da Bahia.• Sinopse: Nesta obra, Laert P. Neves ensina como adotar a ideia preliminar do edifício. Direcionado aos iniciantes na prática de pla- nejamento arquitetônico, o livro traz um método simples e bastante didático contendo todos os passos a serem seguidos até a finalização do projeto. Exemplos práticos imagens e exercícios também estão presentes facilitando a compreensão dos textos e consolidando o processo de aprendizagem. • Título: Movimento Tiny House • Ano: 2019. • Sinopse: “Tiny House Nation” acompanha os especialistas em re- forma John Weisbarth e Zack Griffin em diferentes cidades dos EUA em sua jornada para ajudar os protagonistas de cada episódio a construírem suas casas de menos de 50 metros quadrados. MATERIAL COMPLEMENTAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Implantação e Cobertura; ● Planta Baixa; ● Corte; ● Elevação. Objetivos da Aprendizagem ● Compreender teoricamente as representações gráficas na arquitetura; ● Entender as análises das representações gráficas do Espaço Havaianas; ● Estabelecer a importância do desenho arquitetônico. 4UNIDADEUNIDADE PROJETOPROJETO FINALFINAL Professora Especialista Analice Greff 52UNIDADE 4 PROJETO FINAL INTRODUÇÃO Prezado (a) aluno (a), infelizmente vamos finalizar a nossa caminhada juntos! Para isso, iremos dar continuidade em nossa última unidade da disciplina de me- todologia projetual. E como havia dito para vocês, a disciplina consiste em uma sequência lógica a ser seguida, para se desenvolver um projeto arquitetônico completo, com clareza e coerência. Dentro da Arquitetura e do Design, muitos assuntos são sequenciais, seguem eta- pas. E quando essas etapas são puladas, ou não são realizadas corretamente, o produto final a ser entregue não apresenta um resultado satisfatório. Na unidade II, iniciamos a etapa pré-projeto, no qual conhecemos o nosso usuário e entendemos que ele é o foco principal no nosso projeto. Relatamos a importância do pro- grama de necessidades e como o estudo de manchas pode nos auxiliar mais adiante, e por fim, entendemos o que é pré dimensionamento mínimo. Todas essas questões, aplicadas também, ao nosso estudo de caso, Espaça Havaianas. Com todas essas informações coletadas, continuamos a sequência na unidade III, abordamos sobre o conceito e o partido, o fluxograma, a setorização e por fim, o plano massa, que nada mais é que o estudo da volumetria no terreno. Após as etapas de pré-projeto, iniciaremos a Etapa Projeto Final, no qual entendere- mos que através de todos os passos que seguimos até aqui, o conhecimento será aplicado nas seguintes representações gráficas: implantação, planta baixa, cortes e elevação. Por fim, iremos abordar essas representações finais no nosso estudo de caso da disciplina, o Espaço Havaianas. Fixar o conteúdo inicial, os conceitos, princípios e diretrizes é necessário. E tam- bém, irá facilitar no momento em que vocês forem projetar. O teórico é o início do prático. Espero que tenham gostado da disciplina e que o conteúdo tenha sido passado de uma forma clara e prazerosa! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53UNIDADE 4 PROJETO FINAL IMPLANTAÇÃO E COBERTURA 1 TÓPICO A planta de implantação, indica dentro do terreno, visto de cima em que está lo- calizada a edificação. Mas ela não se limita somente à edificação e terreno, é necessário conter seu entorno. Portanto, deve conter as seguintes informações: ● Topografia do terreno; ● Limites dos Lotes; ● Entorno; ● Norte; ● Caminhos; ● Cercas; ● Equipamentos; ● Acessos; ● Entre outros. Em algumas situações, a planta de implantação e cobertura podem ser realizadas em um único desenho, mas saibam, são representações diferentes. Na planta de cobertura, temos informações que não aparecem na implantação, sendo elas: ● Direção das quedas de água; ● Acabamento do telhado; ● Calhas; ● Caixa d'água; ● Detalhamentos diferenciados, dependendo de cada projeto; ● Entre outros. 54UNIDADE 4 PROJETO FINAL FIGURA 1 - PLANTA DE IMPLANTAÇÃO Fonte: Lobo (2019). No nosso estudo de caso do Espaço Havaianas, não possuímos a representação gráfica disponível da implantação e cobertura. Mas ao acessar o Google Maps, é possível perceber que sua cobertura possui espaços abertos e fechados. FIGURA 2 - VISTA DE CIMA: ESPAÇO HAVAIANAS Fonte: Google Maps (2022), modificado pela autora. Sua cobertura possui um sistema construtivo composto por uma trama ortogonal com uma modulação levemente irregular, acompanhando um distanciamento de dois me- tros entre as vigas metálicas transversais. O tipo de iluminação zenital usado, são as claraboias, que nada mais são que aberturas no teto com uma estrutura transparente, chamada de domos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55UNIDADE 4 PROJETO FINAL 2 PLANTA BAIXA TÓPICO A planta baixa, como vocês já devem saber, se define como um plano horizontal que “corta” a edificação a 1,50m acima do piso. Então, a representação, deve ao menos conter: ● Paredes (espessura e comprimento); ● Aberturas (janelas e portas); ● Ambientes; ● Níveis; ● Cotas; ● Nome dos ambientes; ● Metragem quadrada dos ambientes; ● Acessos; ● Entre outros. FIGURA 3 - PLANTA BAIXA EXEMPLO Fonte: Casa e Construção (2022). 56UNIDADE 4 PROJETO FINAL Em nosso estudo de caso, do Espaço Havaianas, o projeto está dividido em térreo, subsolo 1 e subsolo 2, desenvolvendo- se em níveis descendentes. O térreo é o nível da rua, o subsolo 1 é onde se encontram os produtos à venda, e o subsolo 2 é composto pelo depósito da loja, escritório, banheiros e cozinha. FIGURA 4 - PLANTA BAIXA ESPAÇO HAVAIANAS NÍVEL RUA Fonte: Archdaily Brasil (2013). FIGURA 5 - PLANTA BAIXA ESPAÇO HAVAIANAS SUBSOLO Fonte: Archdaily Brasil (2013). FIGURA 6 - PLANTA BAIXA ESPAÇO HAVAIANAS SUBSOLO 1 Fonte: Archdaily Brasil (2013). 57UNIDADE 4 PROJETO FINAL (Lembrando que as plantas estão fora de escala, pois foram aumentadas para melhor visualização). No plano da rua, ao entrar na loja, o amplo vão se configura em um mezanino, com pequenos bancos em madeira, criando uma área de estar. As paredes da loja são totalmente brancas e o piso do mezanino é estilo fulget. FIGURA 7- ESTAR MEZANINO Fonte: Anual Design (2014). Ao descer as escadas do mezanino para o subsolo 1, é possível notar a exposição dos produtos de uma forma mais livre, nas laterais da loja encontra-se uma área verde natural, o espaço com pé direito duplo e o piso de pedra São Tomé, remetendo as calçadas beira mar, mantendo a autenticidade da marca. Ainda no subsolo 1, há diversos espaços autônomos de vendas, em que o con- sumidor visualiza cada um ao realizar o circuito. Ao iniciar o percurso, o consumidor se depara com o espaço “barraca de feira” relembrando a origem popular das sandálias, com cobertura de lona estrutura de madeira. A barracaé composta por pequenos caixotes e cestarias, considerados elementos de sugestão, além da bancada em madeira, em que se encontram os produtos. O mobiliário, é composto por cores neutras, destacando as sandálias, que são pares tradicionais de diversas cores. Contém a autenticidade e é de fácil acesso ao consumidor, possibilitando o toque no produto. Aqui, existem dois tipos de iluminação: em fita led, abaixo da bancada principal e o “varal” de lâmpadas, com o intuito também decorativo. 58UNIDADE 4 PROJETO FINAL FIGURA 8 - BARRACA DE FEIRA Fonte: Anual Design (2014). Dando continuidade no circuito, após a barraca de feira, o consumidor tem acesso ao espaço contêiner, feito em estrutura metálica e o piso em madeira. Este, abriga os modelos “tipo exportação”, ou seja, modelos que são exportados para o exterior. Seguindo adiante no percurso, ao fundo da loja, na parede, estão expostas sandá- lias de modelos básicos e cores únicas, pelos displays, organizados por cores e tamanhos de maneira vertical, é iluminado por fitas de led ao seu redor. Em frente, os expositores de chão, modelo ilha, em madeira, na cor branca, são posicionados de uma maneira escalo- nada, em diversas alturas, destacando a linha kids. Continuando pelo circuito, tem-se um cilindro em plástico transparente, que expõe os novos produtos da marca, não só sandálias, mas também bolsas, meias, toalhas e diversos produtos. Ao entrar no expositor, é possível visualizar os produtos em 360º. Por ser transparente, destaca mais o produto. A seguir, tem-se o espaço de customização, sendo esse um nível rebaixado ao restante da loja, além disso é possível observar a diferenciação de piso, o qual é composto por uma iluminação interna. Neste espaço se encontram serviços de customização e expo- sitores com linha infantil. 59UNIDADE 4 PROJETO FINAL FIGURA 9 - EXPOSITORES, CILINDRO TRANSPARENTE E ESPAÇO DE CUSTOMIZAÇÃO Fonte: Anual Design (2014). Ao lado do espaço de customização, tem-se um cubo interativo tecnológico que conversa com o consumidor. O cubo é composto por 51 telas especiais de plasma, exibindo, em ritmo acelerado, a história da marca e animações que versam seu conceito. Logo em frente, finalizando o circuito, tem-se a caixa, estrategicamente instalado, longe da visão do consumidor, que ao chegar ao térreo tem uma geometria clara, com um percurso delinea- do pelos diversos tipos de expositores, que pode percorrer todos os setores num circuito agradável e ao final chegar ao local de pagamento. A bancada principal é amadeirada, remetendo ao estilo da marca. Como foi possível observar, a circulação é feita de forma livre, para que o público circule à vontade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60UNIDADE 4 PROJETO FINAL 3 CORTE TÓPICO Muitas vezes, na planta baixa, não é possível visualizar grandes detalhes internos do projeto, como as divisões internas e suas alturas. Para isso, é realizado um corte no plano vertical. Na representação do corte, é possível notar as alturas dos ambientes, o peitoril das aberturas, tamanho das portas e detalhamentos específicos como os de telhado. Como tudo em metodologia projetual é uma sequência, para a execução do corte, é necessário que a planta baixa do projeto esteja correta. Em nosso estudo de caso, no Espaço Havaianas, tem-se o seguinte corte longitudinal: FIGURA 10 - CORTE LONGITUDINAL ESPAÇO HAVAIANAS Fonte: ArchDaily Brasil (2013). No corte acima, pode-se perceber os três níveis diferentes do Espaço. As escadas, o acesso principal e as áreas molhadas no subsolo 01. É possível perceber a diferença de alturas entre o nível da rua no acesso principal, o nível do subsolo e o nível do subsolo 01. E também, a estrutura da cobertura do espaço. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61UNIDADE 4 PROJETO FINAL 4 PLANTA BAIXA TÓPICO Também uma representação gráfica na arquitetura, a elevação tem como objetivo demonstrar todas as faces da edificação, do ponto de vista externo. O desenho é sem profundidade ou perspetiva A elevação nos dá detalhes dos materiais utilizados e uma noção de como deve ser executada a fachada da edificação. FIGURA 11 - FACHADA ESPAÇO HAVAIANAS Fonte: ArchDaily Brasil (2013). Tem-se uma fachada totalmente limpa. Não se vê vitrines, ou gráficos mirabolantes, apenas um pórtico branco com pé direito de 3 metros e com a largura externa total do lote. A loja é totalmente aberta para a rua, uma praça coberta, que funciona como continuação da calçada. Seu largo acesso, bem maior que o 1 metro necessário, permite entrar e sair com comodidade. Diferente da grande maioria dos espaços comerciais, o fato da loja não possuir vitrine com produtos expostos, e sim apenas um mezanino com uma área de permanência, causa no consumidor a curiosidade de adentrar no espaço. O objetivo foi manter as características da marca, mostrar informalidade, frescor, a tranquilidade que ela representa e sua autenticidade. 62UNIDADE 4 PROJETO FINAL “O usuário/consumidor não paga mais somente por produtos ou serviços. Ele deseja ser inspirado, desafiado, estimulado e assombrado. Seu desejo é pagar por sonhos, esperança, experiências, emoções e entretenimento. A “necessidade se transformou em desejo”. Fonte: KELVER, Ann De. Experience Shopping – where, why and how people shop all over the world. Tielt: Lannoo Publishers, 2008. ISBN: 978-90-209-7857-5. Para se projetar um espaço comercial, o processo se inicia no estudo da marca e da identidade. Diferente de outros tipos de projetos, o partido arquitetônico do projeto comercial é a marca e a arquitetura de interiores, os aspectos do edifício são secund’ários. A autenticidade da marca significa o agregar valor ao produto, tornando-o único, sendo sua identidade. Com isso, o design de seu espaço comercial, deve revelar essa identidade, ser autêntico, ambos precisam ter uma conexão, que certamente deve ser identificada pelo consumidor. Fonte: GRASSIOTTO, M. L. F. Design de interiores comerciais: Curso de Especialização em Projeto Ar- quitetônico: Composição e Tecnologia do Ambiente Construído Londrina: UEL, 2019. 63UNIDADE 4 PROJETO FINAL CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado (a) aluno (a), Nesta unidade, busquei dar continuidade em fatores importantes dentro do processo metodológico projetual, iniciando pelo conceito e partido arquitetônico. Abordamos sobre ques- tões de representação gráfica e o que é necessário para poder se ter uma boa leitura do projeto. Revisamos sobre o que é implantação, planta baixa, corte e elevação. Analisamos todas essas representações juntamente com o Espaço Havaianas Acredito que tenha ficado claro que o processo de metodologia projetual demanda um pen- samento sequencial. Pois a cada passo que damos adiante, o passo anterior precisa estar perfeito. Em nosso estudo de caso do Espaço Havaianas, também ficou claro que nós, como arquitetos e urbanistas, precisamos pensar em todos os detalhes do projeto, e fazer com que esses detalhes estejam de acordo com o conceito e partido definidos. Mostrar a essência da marca era um dos conceitos estabelecidos pelo arquiteto, e ele consegue trazer toda a brasili- dade para seu projeto. Acreditamos que a partir de agora, antes de iniciar um projeto arquitetônico, irão obser- var e analisar o todo, do macro para o micro, pensar nos pequenos detalhes e manter todo o projeto interligado. 64UNIDADE 4 PROJETO FINAL LEITURA COMPLEMENTAR Artigo 1: A emoção na arquitetura comercial Este artigo agrega, ao ensino e aos projetos de arquitetura comercial, uma leitura sobre a emoção sob o ponto de vista das marcas emocionais e da percepção sensorial, e a aplicabilidade desses conceitos para