Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Nesta aula, vamos sistematizar uma análise da língua tendo como parâmetros alguns estudos sociolinguísticos, utilizando
ainda os conhecimentos fonéticos e fonológicos que adquirimos neste curso.
Entenderemos os conceitos de língua, norma e fala, que nos ajudarão a compreender como as estruturas sociais in�uem
na organização das comunidades de fala. Dessa forma, adentraremos a um campo de estudo importante para futuros
professores: como estabelecer uma educação livre do preconceito linguístico.
• Avaliar a variação linguística;
• Identi�car o preconceito linguístico;
• Descrever a norma culta.
Os estudos da linguagem têm um grande espaço na área acadêmica e variam de acordo com o campo de pesquisa. A
sociolinguística é um deles, que apresenta análises, dentre outros assuntos, sobre os falares, os quais são diversos a
depender de localização geográ�ca (variação diatópica), classe social (variação diastrática), registro (variação diafásica) e
outros fatores.
Assim, um jovem português provavelmente fala diferente de uma senhora angolana e de uma menina brasileira.
Todos eles falam português, mas de maneiras diferentes. Outras variantes linguísticas também são a norma culta padrão e a
linguagem coloquial.
Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online
Para início de conversa, preste atenção na tirinha a seguir:
Nessa tirinha, que circulou bastante na internet, vemos dois homens conversando acerca de algum conteúdo que está sendo
transmitido na televisão. Vamos nomeá-los Falante 1 e Falante 2.
O Falante 1 questiona. Ele diz: Iae cumpadi, �rme?, ao que o Falante 2 responde: Não, futebor.
Vamos por partes.
O Falante 1 está provavelmente chegando no local onde está o Falante 2, haja vista a saudação inicial (iae cumpadi). Ele,
portanto, desconhece do que trata o conteúdo apresentado na tevê. Ao expressar sua pergunta, tem-se a ideia de que seu
questionamento busca saber da situação de seu companheiro (�rme?). Mas esse entendimento é rapidamente modi�cado pela
resposta do Falante 2, que diz: Não, futebor.
A partir daí, identi�camos com mais clareza o local onde provavelmente o diálogo se dá: em alguma cidade das Minas Gerais. E
identi�camos o sentido relacionado à palavra �rme, que não é o mesmo que imaginamos quando lemos a primeira fala do
diálogo.
Comentário
Temos em �rme e em futebor um fenômeno chamado rotacismo, que é comum no português, talvez mais em outros contextos
fonológicos. Ainda assim, esse é um fenômeno nada raro. E, suponhamos que esse diálogo tivesse sido escutado, não seria
muito difícil entender as palavras utilizadas com a pronúncia apresentada.
Esse exemplo mostra que, além das possibilidades de realização que temos estudado na fonologia (lembre-se dos alofones em
sua variação livre), há muitas outras formas de produção. Talvez você nunca fosse imaginar que palavras como �lme e futebol
pudessem ser pronunciadas trocando-se um glide por uma aproximante – ou, mais provavelmente, nesse caso, uma lateral
tenha sido a pronúncia mais próxima dessa variante.
Vamos entender melhor isso. É muito provável que você pronuncie o som do l em �lme e em futebol como uma semivogal, ou
um glide, como temos nomeado aqui, e não como uma consoante.
Contudo, no caso que estamos analisando, tendo em vista a realização, uma retro�exa alveolar sonora [ɹ], é possível que as
pronúncias mais próximas (e, por isso, mais facilmente convertidas nas pronúncias descritas na tirinha) sejam ['�ɬmə; fute'bɔɬ],
com uma lateral alveolar sonora. A proximidade entre os dois fones é grande, sendo diferente apenas o modo de articulação.
Esse tipo de realização sonora muitas vezes é analisado com desprestígio
social. Até aqui, nossa análise tem se �rmado em descrições puramente
cientí�cas, sem levar em consideração os juízos de valor e não raro a
hierarquização relacionados a dados tipos de fala.
Mas, vamos avançar um pouco mais para entender como o ensino de língua portuguesa nas escolas pode ser positivamente
impactado pelos estudos linguísticos.
Conforme pontua Leite (2005), o uso propicia variações linguísticas, decorrentes da constante renovação da vida social.
Disso, devemos depreender que toda língua admite uma pluralidade de realizações, sendo todas elas igualmente válidas.
Assim, o que está previsto dentro do código linguístico não pode ser classi�cado como erro. Vamos já entender melhor essa
questão.
Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online
Esse dinamismo de que falamos tem a ver com as novas
con�gurações que a sociedade adquire ao longo do tempo,
que recebe in�uência direta da cultura e das relações
interpessoais.
Assim, não existem formas estagnadas porque as relações
mudam e os contatos culturais se diversi�cam:
aprofundam-se ou se espaçam.
 Fonte: Shutterstock
O que estamos pontuando, então, é que não se pode a�rmar, linguisticamente, que, de duas formas previstas por dado idioma,
uma é superior ou mais correta do que outra. O que se pode analisar, do ponto de vista da frequência, é se uma ocorre mais
que outra, bem como se uma tende a ser usada em determinado contexto em detrimento de outra.
Vejamos como exemplo o fenômeno que estudamos na aula passada, chamado de alteamento (a vogal passa a ser falada
com um traço mais alto no sentido da posição da língua). A harmonização vocálica que faz com que a pronúncia passe de
[sepe'tibɐ] a [sepi'tibɐ] mostra que ambas são possíveis, não sendo uma mais correta do que outra. Seria interessante,
entretanto, pesquisar qual a frequência em que ambas ocorrem, em que contextos, produzidas por quais falantes etc.
Temos, então, um dado importante: as produções linguísticas individuais têm certas características que as agrupam em
determinadas comunidades de fala porque, segundo Fiorin (2004), embora o indivíduo possa utilizar variantes, é no contato
linguístico com outros falantes de sua comunidade que ele vai encontrar os limites para a sua variação individual.
 Fonte: Shutterstock
Assim, as variações ocorrem no nível individual (cada falante tem um certo uso do sistema linguístico em questão), mas
também em determinado agrupamento de pessoas (as comunidades de fala compartilham certos usos coletivos, que as
diferenciam de outras). Pense, por exemplo, nos casos que estudamos relacionados à pronúncia da palavra mar.
A dicotomia saussuriana língua/fala dava conta de demonstrar que a língua é um sistema coletivo composto por elementos
gerais e abstratos que se combinam e se diferenciam entre si, mas são igualmente válidos. Já a fala é a realização concreta e
individual desse código linguístico, feita de maneira dinâmica.
O linguista Eugenio Coseriu atualizou essa dicotomia propondo que há ainda uma instância medial que se dá num âmbito mais
abrangente das realizações pessoais, mas que ainda não abarca todo o sistema linguístico.
Com isso, tem-se a ideia de norma linguística que Leite (2005) explica como aquilo que já se realizou e, teoricamente, sempre
se realizará no grupo social; é a tradição à qual todos estão submetidos e obedecem, sem sentir, ou conjunto estruturado de
entidades reais, prescritivas. É a realização coletiva do sistema. Não é estática, mas conservadora por excelência.
Essa ideia está relacionada ao conceito de comunidade de fala.
A educação formal é ponto-chave para revisar e reformular alguns conceitos já ultrapassados, especialmente, no nosso caso,
relacionados ao uso linguístico feito fora de certos padrões sociais.
Arendt (1979) alerta para responsabilidade coletiva, com menção especial à educação formal, de trazer alguém novo ao
mundo, bem como de apresentar esse mesmo mundo, já antigo, para o recém-chegado à educação. É quando decidimos se
amamos nossas crianças o bastante para não as expulsar de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e
tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em
vez disso com antecedência para tarefa de renovaro mundo comum.
Ao se quali�car como professor de língua portuguesa, deve-se levar em consideração o trabalho com pessoas diferentes de
origens diversas e vivências várias, que já possuem bagagem cultural, a qual não deve ser desprezada no processo de
educação.
Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online
 Fonte: Shutterstock
LEAHY-DIOS, 2000
Sendo o Brasil um país multiétnico, formado por pessoas de origens diversas, os brasileiros convivem, mesmo sem se darem
conta frequentemente, com a variedade cultural. Entretanto, nem sempre o diálogo intercultural é feito de forma igualitária, nem
mesmo nos bancos escolares.
O sociólogo Fernandes (1966), ao analisar a crise do ensino no Brasil, mostra que as mudanças engendradas na sociedade,
com a dissolução da antiga organização escravocrata e senhorial não foram acompanhadas por alterações também na
estrutura educacional da escola, o que torna essa instituição obsoleta.
FERNANDES, 1966
Fernandes (1966) mostra, então, que o �nanciamento dessas tendências vem dos interesses em conservar a ordem
estabelecida, isto é, manter uma hierarquia social, sem propostas e perspectivas de mudança da sociedade.
A noção de norma que explicamos anteriormente tem sido usada para pensar organizações de estrutura linguística comuns a
determinado coletivo, mas também foi utilizada para dar nome a um tipo de uso que seria modelo para a sociedade, a
chamada norma culta.
Bagno (2003) apresenta amplamente esse conceito, terminando por examinar e opor-se ao que ele chama de preconceito
milenar, construído pelo senso comum.
BAGNO, 2003
Essa lei é a gramática normativa, prescritiva, aquela tradicional que todo curso de Letras indica como fonte de pesquisa, a qual
leva em consideração os usos considerados corretos e condena as outras formas de utilização da língua.
É preciso que se aborde nas escolas a norma considerada culta de forma cientí�ca, analisando-a como um modo de expressão
linguística entre outros. Obviamente, deve-se apresentá-la como a norma utilizada nas comunicações o�ciais, pro�ssionais e
escolares. Mas não se deve ignorar ou condenar os falares distintos, que são formas construídas e igualmente importantes
dentro do código linguístico.
BAGNO, 2003
1. Comparando as interjeições destacadas em "Devolve, pô!" e "Devolve, meu!", podemos dizer que estamos diante de uma
variação:
a) Normativa.
b) Diafásica.
c) Prescritiva.
d) Diastrática.
e) Diatópica.
2. A noção de norma linguística versa sobre:
a) Uma substituição da dicotomia proposta por Ferdinand de Saussure.
b) Uma realização do código linguístico por parte de um grupo social, desenvolvida por Eugenio Coseriu.
c) Um conceito inventado por Mattoso Câmara Júnior.
d) Uma contraposição à teoria da língua individual, de Leonard Bloom�eld.
e) Uma expansão da teoria de língua social, de Noam Chomsky.
3. Levando em consideração que toda língua admite variações, é correto a�rmar que:
a) As línguas do mundo não têm contato entre si.
b) Há variações que são superiores a outras.
c) Algumas variantes são formas erradas de uso da língua.
d) A norma culta é considerada um uso de prestígio da língua.
e) As variações sempre ocorrem com a mesma frequência.
4. Explique o que são comunidades de fala.
5. Explique o que é a norma culta.
6. Como a escola pode contribuir para a evitar a propagação do preconceito linguístico?
ARENDT, H. A crise na educação. In: Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 1979. pp. 221-247.
BAGNO, M. A norma oculta: língua & poder na sociedade brasileira. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.
BAGNO, M. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 54. ed. São Paulo: Loyola, 2011.
Paulo: Edusp, 1966. pp. 84-99 e 114-122.
FIORIN, J. L. Introdução à linguística I: objetos teóricos. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2004.
LEAHY-DIOS, C. Conceituando di�culdade em educação literária. In: Educação literária como metáfora social. Niterói: UFF,
2000. pp. 203-205.
LEITE, M. Q. Variação linguística: dialetos, registro e normas linguísticas. In: SILVA, L. A. A língua que falamos - Português:
história, variação e discurso. São Paulo: Globo, 2005.
SILVA, T. C. Fonética e fonologia do português. São Paulo: Contexto, 2009.
• Novo acordo ortográ�co.
Para se aprofundar na temática das variações linguísticas, leia o livro:
• BAGNO, M. A língua de Eulália: novela sociolinguística. Rio de Janeiro: Contexto, 2006.

Mais conteúdos dessa disciplina