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Dra. Lidiany Linhares Parasitologia Trypanosoma cruzi 1 Trypanosoma cruzi HISTÓRIA SISTEMÁTICA MORFOLOGIA CICLO BIOLÓGICO PATOGENIA DIAGNÓSTICO TRATAMENTO EPIDEMIOLOGIA PROFILAXIA Dr. CARLOS CHAGAS (1879 –1934) Pesquisador do Instituto Osvaldo Cruz HISTÓRIA Dr. Carlos Chagas atendendo Rita (Berenice) – 1909. - Em junho de 1907, Carlos Chagas foi designado por Oswaldo Cruz, para combater uma epidemia de malária que paralisava as obras de prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil em Minas Gerais; - Em 1908, ao examinar o sangue de um sagui, Chagas identificou um protozoário do gênero Trypanosoma, que batizou de Trypanosoma minasense. A nova espécie era um parasito habitual, não patogênico, do macaco. Vista geral de Lassance HISTÓRIA HISTÓRIA Durante viagem a Pirapora, Chagas e Belisário Penna (missão de combate à malária) pernoitaram, junto com os engenheiros da ferrovia, num rancho às margens do riacho Buriti Pequeno. O chefe da comissão de engenheiros, Cornélio Homem Cantarino Mota, mostrou-lhes então um percevejo hematófago muito comum na região, conhecido vulgarmente como barbeiro pelo hábito de picar o rosto de suas vítimas enquanto dormiam. Cafua em Lassance. Era abundante nas choupanas de pau-a-pique da região escondendo-se nas frestas e buracos das paredes de barro durante o dia e atacando seus moradores à noite. HISTÓRIA Chagas examinou alguns barbeiros e encontrou, em seu intestino, formas flageladas de um protozoário, com certas características que o fizeram pensar que poderia tratar-se de um parasito natural do inseto ou então de uma fase evolutiva do tripanossomo de vertebrado. No caso desta segunda hipótese, poderia ser o próprio T. minasense, sendo o barbeiro o vetor que o transmitiria aos saguis. Por não dispor em Lassance de condições experimentais para elucidar a questão, uma vez que os macacos da região estavam contaminados pelo minasense, Chagas enviou a Manguinhos alguns daqueles insetos. HISTÓRIA Oswaldo Cruz os fez se alimentarem em saguis criados em laboratórios (e portanto livres de qualquer infecção) e, cerca de um mês depois, comunicou Chagas que encontrara formas de tripanossoma no sangue de um dos animais, que havia adoecido. Voltando ao Instituto, Chagas constatou que o protozoário não era o T. minasense, mas uma nova espécie de tripanossoma, que batizou então de Trypanosoma cruzi, em homenagem ao mestre. A nota anunciando esta descoberta foi redigida em Manguinhos em 17 de dezembro de 1908 e publicada na revista do Instituto de Doenças Tropicais de Hamburgo. HISTÓRIA - Em Manguinhos, Chagas iniciou estudos sistemáticos sobre o ciclo evolutivo do novo parasito que, em cumprimento a dois dos postulados de Koch, mostrou-se capaz de infectar experimentalmente cães, cobaias e coelhos e de ser cultivado em ágar-sangue. Ciclo evolutivo do Trypanosoma cruzi. HISTÓRIA No dia 14 de abril de 1909, encontrou finalmente o parasito no sangue de uma criança febril. Berenice, uma menina de dois anos, era o primeiro caso do que seria considerada a partir de então uma nova doença humana. HISTÓRIA Brasil Médico, uma das principais revistas médicas do país, anunciou a descoberta: “Num doente febricitante, profundamente anemiado e com edemas, com plêiades ganglionares engurgitadas, encontramos tripanossomas, cuja morfologia é idêntica à do Trypanosoma cruzi. Na ausência de qualquer outra etiologia para os sintomas mórbidos observados e ainda de acordo com a experimentação anterior em animais, julgamos tratar-se de uma tripanossomíase humana, moléstia ocasionada pelo Trypanosoma cruzi, cujo transmissor é o Conorrhinus sanguissuga”. 11 SISTEMÁTICA 13 MORFOLOGIA 14 MORFOLOGIA MORFOLOGIA MORFOLOGIA Cultivo in vitro de T. cruzi em Fibroblasto Rev Soc Brasil Med Tropical (1997). Sept-Aug. 30(5): 389-392 MORFOLOGIA CICLO BIOLÓGICO CICLO BIOLÓGICO https://www.youtube.com/watch?v=1ais69H0li8 Animated life cycle of T. cruzi in the human host: 1 2 3 23 - 7 esp. domésticas; - 71 esp. silvestres; – Picada do vetor – 4 a 15 dias; – Transfusão sanguínea- 30 a 40 dias ou mais; – Transplante; – Transmissão congênita – qualquer período da gravidez inclusive durante o parto; – Transmissão oral (3 a 22 dias) - Leite materno; - comidas contaminadas (açaí e caldo de cana); – Relação sexual (exposição a sangue); – Acidentes de laboratório e outros aprox. 20 dias; TRANSMISSÃO - Incubação 28 64% 28% 8% SNA Sistema Nervoso Autônomo regular a atividade do músculo cardíaco; 350g 550g Patogenia Formas digestivas 41 42 EPIDEMIOLOGIA 20.000 óbitos /ano 22 países; Em 2018, foram notificados 4.685 indivíduos suspeitos com doença de Chagas em fase aguda (DCA), e destes, 380 foram confirmados (8,1%). A região Norte registrou a maior proporção de casos do país (92,1%), com uma incidência de 1,93 casos/100 mil habitantes. Os casos foram registrados em residentes de 66 municípios do território brasileiro, sendo que 76,3% residiam do estado do Pará. A maioria dos casos ocorreu em indivíduos do sexo masculino e média de idade de 32,9 anos. Quanto a forma de transmissão, a via oral continua sendo mais frequente. Epidemiologia de doença de Chagas no Brasil 49 image1.jpeg image2.png image3.jpeg image4.png image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.jpeg image19.png image20.png image21.png image22.png image23.jpeg image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.jpeg image33.png image34.png image35.jpeg image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.jpeg image42.png image43.png image44.png image45.png image46.png image47.png image48.png image49.png image50.png image51.png image52.png image53.png image54.png image55.png image56.png image57.png image58.png image59.png image60.png image61.png image62.png image63.png image64.png image65.png image66.png image67.png image68.png image69.png image70.png image71.png image72.png image73.png image74.png image75.png image76.png image77.png image78.png