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12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 1/52 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO ANDERSON JOSÉ GÉRSON FONSECA DE SOUZA ■ INTRODUÇÃO Pacientes com doença cardiorrespiratória crônica têm caracterís�cas bastante diversificadas, pois, além de sua doença crônica, apresentam diversas comorbidades, diferentes graus de comprome�mento pulmonar, cardíaco e sistêmico, sinais e sintomas, apresentação clínica e uma variedade de caracterís�cas que torna cada paciente um desafio terapêu�co único. Considerando esse fato, a avaliação fisioterapêu�ca se torna um elemento indispensável para a abordagem de um paciente com comprome�mento pulmonar ou cardiovascular crônico. Diante de uma avaliação bem realizada, o fisioterapeuta pode traçar obje�vos e planejar um tratamento adequado, de acordo com as necessidades de cada paciente. Além do amplo conhecimento da fisiopatologia da doença, é necessária uma visão clínica generalista do paciente, uma vez que uma dada situação cardiorrespiratória pode levar a sintomas e complicações sistêmicas. Adicionalmente, a avaliação exige do fisioterapeuta a disponibilidade de tempo suficiente para que o paciente seja avaliado de forma completa, que pode variar de acordo com a complexidade do caso. Entretanto, muitas vezes, essa necessidade entra em conflito com a disponibilidade do profissional ou do serviço em que atua. Porém, a importância de uma avaliação bem realizada deve ser um argumento suficiente para suplantar essa barreira da prá�ca clínica. Falhas na avaliação do paciente poderão trazer consequências diretas ao se traçar planos de obje�vos a serem alcançados e de agravos evitados, uma vez que as condutas poderão variar desde a condução de abordagens terapêu�cas inócuas até abordagens que poderão prejudicar a saúde e a qualidade de vida do paciente. Portanto, deve ser creditada a devida importância a uma avaliação bem estruturada e bem conduzida de um paciente com um distúrbio cardiorrespiratório crônico, pois esse é o primeiro passo para uma abordagem terapêu�ca bem-sucedida. ■ OBJETIVOS Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 2/52 Ao final da leitura deste ar�go, o leitor será capaz de compreender a importância da avaliação fisioterapêu�ca e os componentes fundamentais para uma boa avaliação do paciente com doença cardiorrespiratória crônica; iden�ficar os principais exames clínicos e complementares, testes funcionais e ques�onários de qualidade de vida aplicados nessa população; elaborar um roteiro de avaliação cardiorrespiratória para pacientes com doença cardiorrespiratória crônica. ■ ESQUEMA CONCEITUAL + Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 3/52 ■ SINAIS E SINTOMAS Os principais sinais e sintomas do paciente cardiorrespiratório crônico são: dispneia, tosse, escarro, hemop�se, dor torácica, cianose, baqueteamento digital e aumento do trabalho respiratório. DISPNEIA Dispneia é um termo usado para caracterizar a experiência subje�va de desconforto respiratório, que consiste em sensações qualita�vamente dis�ntas e variáveis em sua intensidade. A dispneia deriva de interações entre múl�plos fatores fisiológicos, psicológicos, sociais e ambientais, podendo induzir respostas comportamentais e fisiológicas secundárias. A avaliação da intensidade da dispneia é muito importante, e, por isso, diversas escalas foram propostas com essa finalidade. Entretanto, é necessário que se faça uma dis�nção entre os conceitos de dispneia atual e dispneia usual. A dispneia atual reflete as caracterís�cas do sintoma em um momento preciso, como na vigência de uma exacerbação da doença. Já a dispneia usual refere-se às limitações provocadas pelo sintoma na execução de a�vidades da vida diária (AVDs), como, por exemplo, para subir escadas. A avaliação da dispneia atual pode ser realizada por meio da escala visual analógica (EVA), da escala numérica e da escala de percepção de esforço de Borg (CR10). A dispneia usual, por sua vez, pode ser avaliada por meio de escalas desenvolvidas para esse fim, como a escala do Medical Research Council (MRC), o Índice Basal de Dispneia (BDI) e o Índice Transicional de Dispneia de Mahler, e do componente referente à dispneia do Ques�onário de Doença Respiratória Crônica (CRQ) de Guya�. A dispneia pode ocorrer ou se intensificar quando o paciente adota o decúbito horizontal ou reclinado (ortopneia), posiciona-se em decúbito lateral (trepopneia), ou quando assume a posição ortostá�ca (pla�pneia). 1 1 2 2 2 LEMBRAR 2 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 4/52 Dispneia de esforço é o nome dado ao surgimento ou agravamento da sensação de dispneia por a�vidades �sicas, e dispneia paroxística noturna é o termo u�lizado para definir a sensação de falta de ar que provoca a interrupção do sono, levando o paciente a se sentar no leito ou mesmo a se levantar para se sen�r melhor. TOSSE A tosse é um mecanismo de defesa das vias aéreas, que pode ser produzida por uma resposta reflexa ou por um ato voluntário. A tosse eficaz deve apresentar uma sequência de eventos que permita gerar um alto fluxo expiratório, e, por isso, é reconhecida como uma manobra de expiração forçada. Inicialmente, o indivíduo deve fazer uma inspiração rápida e profunda. Em seguida, a glote se fecha e a contração dos músculos expiratórios eleva a pressão intrapleural para valores próximos de 300cmH O. Por úl�mo, com a abertura da glote, estabelece-se um fluxo expiratório turbulento, com alta velocidade linear, capaz de arrastar muco e material estranho para fora das vias aéreas. A tosse é classificada em: eficaz – capaz de expelir muco da via aérea; ineficaz – não gera fluxo expiratório suficiente para expelir muco da via aérea; seca – sem presença de secreção; produ�va – com presença de secreção; aguda – duração de até 3 semanas; subaguda – duração de 3 a 8 semanas; crônica – duração superior a 8 semanas. ESCARRO As vias aéreas inferiores produzem, em condições normais, aproximadamente 100mL de muco diariamente. Essa produção é levada ao trato respiratório superior pelo aparelho mucociliar, onde é deglu�do de forma impercep�vel. Em pacientes com aumento da produção de secreção nas vias aéreas, a análise do tempo de aparecimento da alteração, da coloração, das caracterís�cas �sicas da secreção e do volume expectorado pode revelar informações importantes a respeito de seu quadro clínico. Em relação ao tempo de aparecimento, o início agudo normalmente é causado por infecções virais do trato respiratório, afecções alérgicas e agudização de condições crônicas, tais como asma e bronquite crônica. Infecções bacterianas, como as pneumonias, causam produção de expectoração de início insidioso, aumentando grada�vamente de volume em um período de dias a semanas. A eliminação de secreção de forma crônica durante meses ou anos ocorre na bronquite crônica, na asma e nas bronquiectasias. A coloração fornece informação valiosa a respeito da causa da produção aumentada de secreção. 2 3,4 2 3,4 5 LEMBRAR 5 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/pneumonias e outros achados. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA A tomografia computadorizada (TC), ou tomografia axial computadorizada (TAC), é um exame complementar de diagnós�co por imagem, que consiste em imagens que representam uma secção transversal do corpo. É ob�da por meio do processamento computadorizado de informações recolhidas após a exposição do corpo a uma sucessão de raios X. Seu método principal é estudar a atenuação de um feixe de raios X durante seu trajeto através de um segmento do corpo. A principal vantagem da TC é que ela permite o estudo de “cortes” ou secções transversais do corpo humano, ao contrário do que é dado pela radiologia convencional, que consiste na representação de todas as estruturas do corpo sobrepostas, portanto, a percepção espacial é melhor e mais ní�da. Outra vantagem consiste na maior dis�nção entre dois tecidos, pois a TC permite dis�nguir diferenças de densidade da ordem de 0,5% entre tecidos, ao passo que na radiologia convencional este limiar situa-se em torno de 5%. Dessa forma, é possível a detecção de achados que não seriam visualizados em radiografias comuns, ou por meio de métodos invasivos, consis�ndo, assim, em importante exame complementar. Por meio da TC, o fisioterapeuta poderá encontrar diferentes imagens que o auxiliarão a diagnos�car e acompanhar a evolução radiológica de achados importantes, como, por exemplo, aprisionamento (sequestro) aéreo, bolhas, broncogramas aéreos, bronquiectasias, consolidações, áreas enfisematosas, massas e nódulos e opacidades, para poder então realizar sua tomada de decisão quanto à melhor conduta terapêu�ca a ser adotada. ENDOSCOPIA RESPIRATÓRIA (BRONCOSCOPIA) A endoscopia respiratória, ou broncoscopia, é um exame que permite a visualização das vias aéreas (fossas nasais, nasofaringe, laringe, traqueia e brônquios), é realizada por meio de um broncoscópio. O obje�vo da broncoscopia é auxiliar o diagnós�co de alterações na anatomia da via aérea e doenças como tumores, infecções, estenoses e corpos estranhos, entre outras. A broncoscopia também pode ser u�lizada para a realização de biópsias do tecido pulmonar e coleta de secreção, ou seja, o lavado broncoalveolar, que são enviados para análise laboratorial. As indicações para a broncoscopia são variadas, entre elas, podem-se citar: para a inspeção das vias aéreas – tosse persistente, hemop�se, atelectasia persistente, dispneia persistente, estridor laríngeo, rouquidão, suspeita de �stula traqueoesofágica, trauma de tórax e aspiração de corpo estranho; para a avaliação funcional da laringe – problemas na movimentação das pregas vocais, teste de deglu�ção e pesquisa de aspiração, ronco e apneia do sono; para a coleta de material – tumores, doença inters�cial pulmonar, avaliação de pacientes com transplante pulmonar, pneumonia recorrente, pneumonia hospitalar; como auxílio na unidade de terapia intensiva (UTI) — auxílio à intubação, posicionamento de cânula de traqueostomia ou orotraqueal, auxílio à 40 40 41 41 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 33/52 traqueostomia, avaliação de pacientes com queimaduras, extubação em casos de via aérea di�cil ou reintubação recorrente; como medida terapêutica – aplicação de lêiser e eletrocautério, drenagem de abscessos, dilatação de estenoses, remoção de corpos estranhos, tratamento de sangramentos, �stulas, aplicação de órteses, higienização, remoção de rolhas de secreção persistentes. O fisioterapeuta necessita conhecer as indicações e a forma de realização e saber interpretar os resultados de uma broncoscopia. Alguns achados podem orientar o fisioterapeuta a adotar condutas específicas, como, por exemplo, abordagens intensivas para a expansão pulmonar, no caso de atelectasias persistentes, ou contraindicar outras condutas terapêu�cas, como no caso da presença de �stula traqueoesofágica. EXAME DE ESCARRO O exame de escarro é um exame complementar, realizado de forma bastante comum em pacientes com doenças respiratórias. Tem o obje�vo de iden�ficar os microrganismos que causam alguma infecção e avaliar estados de alergias, e é realizado como exame ro�neiro para pacientes que u�lizam medicações imunossupressoras, an�bió�cos ou cor�costeroides por extensos períodos. Esta avaliação também tem um fim diagnós�co, iden�ficando sensibilidade a medicamentos, ou é u�lizada como um processo de determinado tratamento. O exame de escarro é composto por duas partes: a análise macroscópica e a análise microscópica. Na análise macroscópica, são avaliados o volume, a cor, a consistência e o cheiro da secreção. A análise microscópica visa à iden�ficação de componentes específicos. Na análise do escarro, após a coloração, é feito um esfregaço da prova de escarro para se estudarem as células e as bactérias presentes. Quanto ao �po de material expectorado, tem-se que a presença de poucas proteínas e células e grande quan�dade de água e eletrólitos caracterizam o escarro seroso, que tem aspecto aquoso e translúcido, semelhante à água. É �pico de infecções virais do trato respiratório e em indivíduos atópicos. O escarro mucoide, ou mucoso, é esbranquiçado e pouco viscoso, frequentemente encontrado em pacientes portadores de bronquite crônica e asma brônquica, quando não há infecção bacteriana superposta. Na asma brônquica, devido à grande quan�dade de eosinófilos presentes na secreção, o escarro pode se apresentar com a coloração amarelada, porém, sem significar infecção bacteriana. O escarro purulento se caracteriza pela presença de piócitos, viscosidade aumentada e coloração amarelada ou esverdeada. A infecção bacteriana é o maior exemplo de escarro purulento, o qual também apresenta odor fé�do ou pútrido. O escarro hemático é aquele que apresenta raias de sangue, comum em pacientes com tuberculose pulmonar, neoplasia brônquica central e tromboembolismo pulmonar (TEP). Também pode receber a denominação de escarro hemoptoico. A hemoptise franca, ou seja, a eliminação de sangue vivo, também pode ocorrer nessas situações. Quando a coloração é rósea e o aspecto é espumoso, aerado, suspeita-se de congestão pulmonar, como a decorrente de EAP cardiogênico. MEDIDA DOS MEDIADORES INFLAMATÓRIOS Os mediadores químicos da inflamação consistem em moléculas envolvidas na resposta inflamatória aguda, responsáveis por modular os eventos vasculares e celulares ocorridos nesse processo. Essas substâncias podem ser sinte�zadas localmente pelas células no local da inflamação, ou, ainda, podem ser produzidas pelo 42 42 5 5 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 34/52 �gado e circular no plasma sanguíneo na forma de precursores ina�vos, que são a�vados no local da inflamação. A maior parte dos mediadores induz seus efeitos por meio da ligação a receptores específicos nas células-alvo. Ou seja, podem atuar somente em um ou em alguns alvos, ou, ainda, apresentar ações mais abrangentes, com efeitos dis�ntos, variando de acordo com o �po celular que afetam. Muitos pacientes com doenças pulmonares crônicas, como, por exemplo, a DPOC, apresentam um processo inflamatório sistêmico crônico, que se traduz em diversas sequelas funcionais, como a perda de massa muscular, a diminuição da capacidade funcional, a intolerância ao esforço e a ina�vidade. Em situações agudas, os mediadores inflamatórios podem determinar a gravidade do processo infeccioso e servem como indicadores de melhora do quadro clínico. Portanto, o acompanhamento dos níveis dos mediadores inflamatórios é importante para uma atuação profissionalcondizente com o estado clínico do paciente. ■ TESTES FUNCIONAIS A seguir, serão abordados os testes funcionais que fazem parte da avaliação �sico- funcional do paciente cardiorrespiratório crônico, quais sejam: espirometria, avaliação da força dos músculos respiratórios (manovacuometria), teste de caminhada de seis minutos (TC6min), shu�le walk test incremental (SWTI), shu�le walk test endurance (SWTE) e o teste do degrau. ESPIROMETRIA A espirometria é um importante exame para o diagnós�co, a avaliação da condição respiratória geral e a classificação funcional do paciente cardiorrespiratório crônico. É um teste não invasivo, que mede os volumes pulmonares inspirados e expirados em função do tempo. A par�r das mensurações resultantes da manobra, é possível chegar aos principais diagnós�cos funcionais. Com a espirometria, são detectados os distúrbios ven�latórios obstru�vos, restri�vos e mistos. Ela deve ser parte integrante da avaliação de pacientes com sintomas respiratórios ou doenças respiratórias conhecidas. A técnica da espirometria consiste de uma manobra de esforço dependente, que exige a compreensão e a colaboração do paciente, realizada com equipamentos precisos, emprego de técnicas padronizadas e aplicada por pessoal especialmente treinado. O examinador deve solicitar ao paciente uma inspiração máxima (sem ser rápida) e, após a inspiração máxima, o paciente deve realizar um sopro “explosivo” e manter esforço pelo tempo necessário, até não haver mais fluxo expiratório (Figura 11). 43 43 44 45 45 + Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 35/52 Figura 11 — Paciente realizando espirometria. Fonte: Arquivo de imagens dos autores. Os valores ob�dos na espirometria devem ser comparados com os valores previstos adequados para a população avaliada, que levam em consideração a idade, o sexo, a altura e o peso. Ao final, o valor ob�do é comparado com o previsto, e expresso em porcentagem do previsto. A espirometria fornece uma série de informações sobre a função pulmonar de um paciente. As informações mais importantes são: capacidade vital forçada (CVF); volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF ) relação VEF /CVF fluxo expiratório forçado máximo ou o pico de fluxo expiratório (FEFmáx ou PFE) fluxo expiratório forçado 25–75% (FEF 25–75%). AVALIAÇÃO DA FORÇA DOS MÚSCULOS RESPIRATÓRIOS (MANOVACUOMETRIA) A manovacuometria é um teste realizado para mensurar as pressões respiratórias está�cas máximas, que correspondem à força muscular dos músculos inspiratórios e expiratórios. É realizada por meio de um equipamento chamado manovacuômetro (Figura 12), que fornece duas medidas: pressão inspiratória máxima (PImáx), que representa a força dos músculos inspiratórios; pressão expiratória máxima (PEmáx), que representa a força dos músculos expiratórios. 46 45 1 1 45 + Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 36/52 Figura 12 — Manuovacuômetro analógico. Fonte: Arquivo de imagens dos autores. A manovacuometria é importante quando há suspeita de redução da força muscular respiratória ou para a complementação de um diagnós�co. Ela é realizada quando há sinais e sintomas suges�vos de fraqueza muscular respiratória, para a avaliação, prevenção ou acompanhamento de doenças em que a fraqueza respiratória pode ocorrer. As indicações para a realização da manovacuometria são: diagnós�co diferencial de dispneia ou de distúrbios restri�vos; disfunção dos músculos ven�latórios por outras doenças; avaliação de resposta à fisioterapia e à reabilitação pulmonar; avaliação pré-operatória; avaliação de ap�dão para o desmame da ven�lação mecânica (VM). O método para avaliação da PImáx é realizado a par�r do volume residual (VR). Nele, o avaliador oclui a via aérea do paciente, que realiza um esforço inspiratório máximo contra a via aérea ocluída (manobra de Müller). Esse esforço é man�do por 1 a 3 segundos. Trata-se de uma medida nega�va. O método para avaliação da PEmáx é realizado a par�r da capacidade pulmonar total (CPT). O avaliador oclui a via aérea do paciente, que realiza um esforço expiratório máximo contra a via aérea ocluída (manobra de Valsalva). Esse esforço é man�do por 1 a 3 segundos. Trata-se de uma medida posi�va. Há uma grande variabilidade entre os autores para os valores de referência para a manovacuometria. Os fatores que influenciam nos resultados são principalmente a idade e o sexo. A par�r dos resultados, é possível diagnos�car algumas disfunções dos músculos respiratórios. 45 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 37/52 TESTE DE CAMINHADA DE 6 MINUTOS O TC6min é um teste clínico de campo, capaz de avaliar a capacidade funcional de forma obje�va. É amplamente u�lizado na prá�ca clínica por ser de simples execução e baixo custo. O TC6min é adequado para avaliar a capacidade funcional do paciente, o prognós�co e a evolução do impacto da doença, para determinar a resposta ao tratamento e para avaliar a dessaturação durante o exercício. O TC6min caracteriza-se por ser um teste submáximo que avalia as respostas globais e integradas de todos os sistemas envolvidos no exercício (sistema pulmonar, cardiovascular, circulação sistêmica e periférica, neuromusculares). Entretanto, em pacientes mais graves, o teste a�nge uma caracterís�ca de teste máximo. No teste, o ritmo da caminhada é dado pelo próprio paciente, que deve caminhar, sem correr, o mais rápido possível durante 6 minutos em um terreno plano de 30 metros. O principal desfecho é a distância percorrida, medida em metros. SHUTTLE WALK TEST INCREMENTAL O SWTI é um teste de caminhada cadenciado externamente por sinais sonoros. O paciente deve caminhar em um terreno plano, com 10 metros de extensão (Figura 13), ao ritmo de bips sonoros que fazem o paciente aumentar sua velocidade a cada minuto. O principal desfecho do teste é a distância total percorrida medida em metros. Figura 13 — Esquema para a realização do SWTI e do SWTE. Fonte: Holland e colaboradores (2015). O SWTI foi um teste desenvolvido inicialmente para se realizar em pacientes com doença pulmonar obstru�va crônica (DPOC), porém, é u�lizado atualmente também em diversas doenças respiratórias e cardiovasculares crônicas. O SWTI é considerado um teste máximo, e pode ser u�lizado para a medida da tolerância ao esforço quando o teste de esforço cardiopulmonar não está disponível. Os obje�vos são determinar a tolerância ao esforço, a prescrição de exercício, a avaliação da resposta a intervenções terapêu�cas e avaliação prognós�ca, uma vez que o teste já demonstrou ser um forte preditor de mortalidade e readmissão hospitalar. SHUTTLE WALK TEST ENDURANCE 47 47 47 48 + 47 44 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 38/52 O SWTE é um teste de caminhada desenvolvido por meio de uma adaptação do SWTI. O obje�vo é a avaliação da endurance (resistência) de pacientes com doenças pulmonares e cardiovasculares crônicas. É um teste bastante sensível em detectarmudanças após intervenções terapêu�cas, devido a seu perfil submáximo. Assim como no SWTI, no SWTE, o ritmo é determinado por sinais sonoros externamente cadenciados, e deve ser realizado no mesmo circuito, com 10 metros de distância, porém, a diferença está no fato de que o paciente caminha o maior tempo possível a uma velocidade constante, ou seja, não há incrementos de carga durante o teste. A velocidade que será determinada para o paciente caminhar é calculada a par�r do SWTI. De acordo com a distância percorrida neste teste, calcula-se o consumo de oxigênio (VO ) por meio de uma equação previamente estabelecida. A velocidade em que o paciente irá realizar o SWTE será a velocidade correspondente a 85% do VO máximo a�ngido no SWTI. Seu principal desfecho é o tempo de realização do teste. O Quadro 15 apresenta a comparação entre os dois testes. Quadro 15 COMPARAÇÃO ENTRE O SHUTTLE WALK TEST INCREMENTAL E O SHUTTLE WALK TEST ENDURANCE SWTI SWTE Cadenciado externamente Cadenciado externamente Carga incremental Carga constante Desfecho: distância Desfecho: tempo DCMI 47,5m DCMI 65s ou 85m Tempo máximo: 12’ Tempo máximo: 20’ Menos sensível às intervenções Mais sensível às intervenções DCMI: diferença clínica minimamente importante. Fonte: Adaptado de Holland e colaboradores (2015).47 TESTE DO DEGRAU O uso do teste de caminhada e do teste no cicloergômetro possuem algumas desvantagens. A caminhada, para acontecer, precisa de um espaço com pelo menos 10 metros, preferencialmente coberto, para oferecer proteção contra eventuais problemas climá�cos, como chuva ou sol intenso. Adicionalmente, durante a execução do teste de caminhada, podem surgir problemas com a adequada monitorização do paciente e com o fornecimento de oxigenoterapia para os pacientes hipoxênicos. Já o cicloergômetro é um equipamento de alto custo, o que faz com que ele não se torne uma opção acessível financeiramente para muitos serviços. O teste do degrau de 6 minutos (TD6min) surgiu como uma alterna�va ao TC6min, porém, ele não é um teste que possibilita a avaliação da capacidade máxima de exercício, em virtude de ser um teste autocadenciado e submáximo. Para cumprir a função de simular um teste máximo, capaz de medir a capacidade aeróbia, foi desenvolvido o Chester Step Test, inicialmente aplicado em pessoas em saudáveis e, posteriormente, em pacientes com doenças cardiorrespiratórias e em 49 2 249 50 51 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 39/52 pacientes hospitalizados. Entretanto, esse teste possui incrementos de carga muito acentuados e, por conseguinte, extenuantes para os pacientes mais graves. Por essa razão, foi desenvolvido o teste do degrau incremental (TDI), que se caracteriza por possuir incrementos de carga mais suaves e, por isso, por ser mais bem tolerado pelos pacientes. O TDI é realizado em um degrau ou plataforma com 20 cen�metros de comprimento e começa com uma intensidade de 10 degraus por minuto e com incrementos de carga de um degrau a cada 30 segundos. O ritmo é externamente cadenciado por um es�mulo sonoro previamente gravado. O teste é interrompido caso o paciente não consiga acompanhar o ritmo sonoro, e seu desfecho principal é a quan�dade de degraus que o paciente conseguiu realizar (Figura 14). Figura 14 — TDI. Fonte: Arquivo de imagens dos autores. 12. Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) sobre os exames complementares da avaliação �sico-funcional do paciente cardiorrespiratório crônico. ( ) A radiografia de tórax é um dos exames mais u�lizados para o diagnós�co, avaliação e acompanhamento dos pacientes com doenças cardiorrespiratórias. ( ) A TC permite a detecção de achados que não seriam visualizados em radiografias comuns. ( ) Indica-se a broncoscopia quando é necessário realizar uma avaliação funcional da traqueia. ( ) O exame de escarro também é realizado como exame ro�neiro para pacientes que u�lizam medicações imunossupressoras, an�bió�cos ou cor�costeroides por extensos períodos. Assinale a alterna�va que apresenta a sequência correta. A) V — V — F — F B) V — V — F — V C) F — F — V — V D) F — V — V — V Confira aqui a resposta 51 52 52 + Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 40/52 13. Analise as afirma�vas a seguir com relação aos testes funcionais que fazem parte da avaliação �sico-funcional do paciente cardiorrespiratório crônico. I — A espirometria deve ser parte integrante da avaliação de pacientes com sintomas respiratórios ou doenças respiratórias conhecidas. II — Os fatores que influenciam nos resultados da manovacuometria são, principalmente, a idade e o sexo. III — No TC6min, o ritmo da caminhada é dado pelo examinador, e o paciente deve percorrer 450m em até 6 minutos. IV — Embora o TC6min seja caracterizado por ser um teste submáximo, que avalia as respostas globais e integradas de todos os sistemas envolvidos no exercício, em pacientes mais graves, o teste a�nge uma caracterís�ca de teste máximo. Quais estão corretas? A) Apenas a I e a II. B) Apenas a III e a IV. C) Apenas a I, a II e a IV. D) A I, a II, a III e a IV. Confira aqui a resposta 14. Em relação aos testes SWTI e SWTE, assinale V (verdadeiro) ou F (falso). ( ) O SWTI é um teste de caminhada cadenciado externamente por sinais sonoros. O paciente deve caminhar em um terreno plano, com 10 metros de extensão, ao ritmo de bips sonoros que fazem o paciente aumentar sua velocidade a cada minuto. ( ) O SWTI é realizado exclusivamente em pacientes com DPOC. ( ) Diferentemente do SWTI, o SWTE é um teste de perfil máximo. ( ) No SWTE, não há incrementos de carga durante o teste. Assinale a alterna�va que apresenta a sequência correta. A) V — V — F — F B) V — F — F — V C) F — V — V — F D) F — F — V — V Confira aqui a resposta ■ AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR PERIFÉRICA Uma das principais manifestações extrapulmonares das doenças respiratórias crônicas mais evidenciadas na DPOC é a disfunção muscular esquelética, que leva à perda de massa e trofismo muscular. Ela está ligada à diminuição da capacidade de exercício, que, juntamente com a dispneia, leva à ina�vidade �sica e está associada a um maior risco de exacerbações e à mortalidade precoce. As formas mais u�lizadas para avaliar a força muscular periférica de pacientes com doenças respiratórias crônicas são a técnica de uma repe�ção máxima (1RM), a avaliação isométrica por dinamometria, o teste de força por preensão palmar e a avaliação isociné�ca. 44,53 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 41/52 1 REPETIÇÃO MÁXIMA A técnica de 1RM é a quan�dade máxima de carga que pode ser realizada em uma execução de movimento. Esse movimento deve ser controlado e executado corretamente, u�lizando equipamento adequado, em uma amplitude de movimento (ADM) completa e em postura adequada, ou seja, sem falha na mecânica do movimento, para, assim, determinar a carga máxima que esse indivíduo consegue realizar. O teste termina quando o indivíduo não consegue realizar o movimento completo e de forma correta. A carga considerada máxima é aquela anterior à que não foi realizada corretamente. Deve-se tentar es�mar a carga máxima do indivíduo antes de realizar o teste, a fim de diminuir as repe�ções de movimentomuscular para cada tenta�va e, assim, diminuir o número de tenta�vas. Portanto, a experiência do examinador é importante para determinar uma carga inicial para o teste. O aumento da carga pode variar em função do recurso que está sendo u�lizado para realizar o teste e do músculo que está sendo examinado. Para uma boa recuperação do músculo que está sendo testado, um repouso entre cada nova tenta�va deve ser estabelecido. Esse tempo deve estar entre 2 a 5 minutos. AVALIAÇÃO ISOMÉTRICA POR DINAMOMETRIA A avaliação isométrica por dinamometria é uma forma de mensuração da força muscular periférica realizada por meio de um dinamômetro, que mede o pico de força máxima isométrica de um dado grupo muscular. A avaliação isométrica por dinamometria também estabelece 1RM, porém, não há a realização do movimento, apenas a contração muscular, que é mensurada por meio de um mecanismo de molas, que se refere à carga máxima realizada uma única vez, e de forma correta, durante a realização de um exercício padronizado (Figura 15). Figura 15 — Dinamômetro isométrico. 54 54 + Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 42/52 Fonte: Arquivo de imagens dos autores. Na avaliação isométrica por dinamometria, devem ser realizadas no mínimo três contrações musculares isométricas para cada grupo muscular testado, com um intervalo de repouso entre 2 a 5 minutos entre elas, sendo considerado o maior valor. Caso a úl�ma contração apresentasse um valor maior do que 5% da penúl�ma medida, um novo teste deverá ser realizado, e assim sucessivamente. TESTE DE FORÇA ISOMÉTRICA POR PREENSÃO PALMAR O teste de força isométrica por preensão palmar é um teste de força importante, porque a força muscular avaliada pela força de preensão palmar é um marcador de risco para a doença cardiovascular e um preditor de mortalidade. Pacientes com DPOC e com doença cardíaca apresentam diferença na força de preensão palmar quando comparados com indivíduos saudáveis. O teste de força isométrica por preensão palmar é realizado por meio de dinamômetros manuais, que são fáceis de usar, são portáteis e apresentam baixo custo. Para uma correta avaliação, é necessária uma padronização do teste no que diz respeito à técnica de realização. Em pacientes com DPOC, a força isométrica não está associada ao estado funcional dos pacientes, portanto, recomenda-se que a avaliação da força desses pacientes não seja apenas realizada pela técnica de preensão palmar, mas também pela força de quadríceps. AVALIAÇÃO ISOCINÉTICA A avaliação isociné�ca é um teste mais usualmente empregado em pesquisas cien�ficas e em centros de treinamento de atletas de alto rendimento, porque possui um alto custo e necessita de equipe treinada e familiarizada com o teste. A avaliação isociné�ca fornece informações mais detalhadas sobre a ação muscular, como os valores de torque, do trabalho e da potência dos músculos avaliados. O dinamômetro isociné�co é um disposi�vo computadorizado, e a força exercida pelo grupo muscular testado varia durante o arco do movimento, conforme sua amplitude. O método de avaliação consiste em realizar o teste com constante e pré- determinada. Quando u�lizado para testes em pacientes com doenças crônicas, o músculo dos MMII mais comumente avaliado é o quadríceps, e o músculo mais avaliado para os MMSS é o bíceps braquial. ■ QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE A Organização Mundial da Saúde (OMS) define qualidade de vida como a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação a seus obje�vos, expecta�vas, padrões e preocupações. As doenças pulmonares crônicas apresentam sintomas e limitações importantes que refletem diretamente na qualidade de vida desses pacientes. O interesse em se medir a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) vem do fato de que aumentar a 55 54,55 LEMBRAR 56 54 8 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 43/52 sobrevida de forma quan�ta�va não necessariamente significava melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A avaliação da QVRS é uma tarefa complexa. Um instrumento adequado deve ser escolhido de acordo com o �po de paciente e suas par�cularidades. Os ques�onários u�lizados para mensurar a QVRS podem ser genéricos ou específicos. Os questionários genéricos avaliam de uma maneira mais ampla e podem ser usados em diferentes indivíduos, com diferentes doenças. Entre os já validados para a população brasileira, podem ser citados o World Health Organiza�on Quality of Life Assessment Instrument (WHOQOL) e o Short-Form Health Survey (SF-36). Os questionários especí�cos são capazes de avaliar domínios problemá�cos para cada doença, ressaltando o quanto sua doença impacta na qualidade de vida e o quanto uma intervenção terapêu�ca pode alterar esse estado. Entre os validados para a população brasileira, citam-se St. George’s Respiratory Ques�onnaire (SGRQ), o Chronic Respiratory Ques�onnaire (CRQ), o Asthma quality of life ques�onnaire (AQLQ), o Cys�c Fibrosis quality of life ques�onnaires (CFQ) e o Minnesota Living with Heart Failure Ques�onnaire (MLHFQ). Na prá�ca clínica, alguns ques�onários foram eleitos por sua pra�cidade e facilidade de aplicação. Os ques�onários mais u�lizados atualmente estão descritos a seguir. WHOQOL-100 é um ques�onário genérico para a mensuração da QVRS. Consiste em 100 perguntas referentes a seis domínios: �sico, psicológico, nível de independência, relações sociais, meio ambiente e espiritualidade. SF-36 é um ques�onário genérico de avaliação, de fácil administração e compreensão, e amplamente u�lizado em várias populações. É um instrumento mul�dimensional, composto por 36 itens que abrangem oito conceitos de saúde: capacidade funcional, aspectos �sicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. SGRQ é um ques�onário específico, desenvolvido para o uso em pacientes com DPOC, para mensurar o impacto na saúde em geral, vida diária e percepção de bem-estar e suas respostas ao tratamento. Apesar de ter sido desenvolvido para avaliar pacientes com DPOC, ele é u�lizado também para avaliar pacientes com outras doenças cardiorrespiratórias. Também aborda aspectos relacionados com três domínios: sintomas, a�vidades e impactos psicossociais. CRQ é um instrumento específico que mensura tanto aspectos �sicos como emocionais da doença respiratória crônica e tem sido amplamente u�lizado em pacientes com DPOC. Ele apresenta seus resultados em quatro domínios: dispneia, fadiga, função emocional, controle/domínio. MLHFQ é uma ferramenta de avaliação da QVRS, da limitação em realizar AVDs e das respostas de uma intervenção terapêu�ca em pacientes com IC. 15. Analise as afirma�vas a seguir a respeito da avaliação da força muscular periférica. I — Na técnica de 1RM, a experiência do examinador é importante, pois é necessário que se es�me a carga máxima do indivíduo antes de realizar o teste. II — Na avaliação isométrica por dinamometria, devem ser realizadas no mínimo três contrações musculares isométricas para cada grupo muscular testado, sem intervalo de repouso. 57 58 59 60 61 62 63 57 58 59 60 63 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 44/52III — Pacientes com DPOC devem ser avaliados exclusivamente pela técnica de preensão palmar. IV — A avaliação isociné�ca é um teste mais frequentemente empregado em pesquisas cien�ficas e em centros de treinamento de atletas de alto rendimento, uma vez que possui um alto custo e necessita de equipe treinada e familiarizada com o teste. Quais estão corretas? A) Apenas a I e a II. B) Apenas a III e a IV. C) Apenas a I e a IV. D) Apenas a II e a III. Confira aqui a resposta 16. As doenças pulmonares crônicas apresentam sintomas e limitações importantes que, como consequência, refletem diretamente nas a�vidades dos pacientes e repercutem em diminuição da qualidade de vida dos pacientes. Assinale a alterna�va correta sobre a qualidade de vida desses pacientes. A) A reabilitação de um paciente com doença cardiorrespiratória crônica não repercute em melhora em sua qualidade de vida. B) A avaliação da qualidade de vida é uma tarefa complexa, e exige o conhecimento do examinador para escolher o ques�onário mais adequado para cada �po de paciente. C) Os ques�onários disponíveis para avaliar a qualidade de vida são bastante similares entre si e avaliam sempre os aspectos �sicos, sociais, emocionais e respiratórios. D) Um bom ques�onário de qualidade de vida é aquele mais extenso e detalhado, pois, dessa forma, irá abranger mais aspectos da vida do paciente e fará uma avaliação mais completa. Confira aqui a resposta ■ CASOS CLÍNICOS A seguir, apresentam-se dois casos clínicos com vistas à prá�ca do conteúdo apresentado neste ar�go. CASO CLÍNICO 1 Um paciente com crise asmá�ca foi encaminhado para a avaliação fisioterapêu�ca. O fisioterapeuta descreveu o seguinte: paciente apresenta-se taquipneico, usando a musculatura respiratória acessória, com tosse produ�va e expectoração amarelada. Na ausculta pulmonar, os sons pulmonares normais estão presentes, com sibilos expiratórios difusos. Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 45/52 17. Explique o significado de cada achado iden�ficado pelo examinador durante o exame �sico do paciente. Confira aqui a resposta CASO CLÍNICO 2 Um paciente com DPOC, 68 anos de idade, sexo masculino, ex-tabagista, estável clínicamente e hemodinamicamente, sem doença cardiovascular e sem limitações ortopédicas ou neuromusculares, é encaminhado para iniciar um programa de reabilitação pulmonar. 18. Informe quais testes funcionais deverão ser realizados e explique o porquê da escolha de cada teste. Confira aqui a resposta ■ CONCLUSÃO A avaliação clínica é o processo sistema�zado de coleta de informações sobre o estado de saúde do paciente, e tem como obje�vo iden�ficar os problemas decorrentes de alterações da função de órgãos e sistemas e, dessa forma, fornecer subsídios para elaborar o adequado plano de tratamento, bem como avaliar o efeito da aplicação deste. Toda a avaliação é dividida em duas partes dis�ntas, mas que se complementam: a anamnese (ou entrevista do paciente) e o exame �sico. Para que o profissional possa definir os problemas do paciente corretamente, é necessário o conhecimento amplo da fisiopatologia e dos sinais e sintomas das doenças cardiovasculares e pulmonares crônicas. Somente com uma avaliação completa dos distúrbios ciné�co-funcionais auxiliada pelo conhecimento do fisioterapeuta é que poderá ser realizado um correto diagnós�co fisioterapêu�co, o planejamento dos obje�vos a serem a�ngidos e a tomada de decisão sobre as condutas a serem adotadas. ■ RESPOSTAS ÀS ATIVIDADES E COMENTÁRIOS A�vidade 1 Resposta: C Comentário: A dispneia é uma sensação subje�va, ou seja, percebida pelo paciente. Dessa forma, não cabe ao examinador definir sua ocorrência ou não. A intensidade da dispneia pode ser medida por inúmeras escalas propostas na literatura. Nem todo paciente sente alívio com o repouso, e, em pacientes com ortopneia, o decúbito horizontal intensifica a dispneia. A�vidade 2 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 46/52 Resposta: B Comentário: A afirma�va II descreve a tosse decorrente de uma infecção bacteriana. O diagnós�co de hemop�se não depende da quan�dade de sangue eliminado, variando desde o escarro com estrias de sangue até a hemop�se maciça. A�vidade 3 Resposta: B Comentário: A cianose é causada pela diminuição da oxigenação do sangue. São os níveis capilares de hemoglobina não saturada com oxigênio que produzem cianose clinicamente evidente. É a cianose periférica que pode ser decorrente da exposição ao frio, e não a central. A�vidade 4 Resposta: B Comentário: A HMA é a descrição detalhada do mo�vo pelo qual o paciente está procurando ajuda profissional, seja um médico ou fisioterapeuta. Ela deve ser a mais detalhada possível, concisa e narrar cronologicamente os acontecimentos. A�vidade 5 Resposta: B Comentário: Nos casos de estupor, consegue-se despertar o indivíduo com es�mulos vigorosos e repe�dos, mas ele volta à condição anterior logo após a interrupção desses es�mulos. A�vidade 6 Resposta: A Comentário: É necessário que se faça a comparação da FC com a FP, pois nem sempre serão equivalentes. Não se comunica a avaliação da FR ao paciente, sob pena de ele, inconscientemente, alterar seu padrão respiratório. A�vidade 7 Resposta: D Comentário: Uma deformidade de tórax do �po tonel é uma alteração caracterís�ca de pacientes com DPOC hiperinsuflados. Com o passar do tempo, há a instalação crônica dessa deformidade nos pacientes, caracterizada por um aumento do diâmetro do tórax no sen�do anteroposterior e lateral, em virtude da horizontalização das costelas. A�vidade 8 Resposta: A Comentário: Em casos de fibrose pulmonar, serão ouvidas crepitações, e, em casos de pneumotórax hipertensivo, será ouvido o sopro anfórico. A�vidade 9 Resposta: C Comentário: A ausculta pulmonar é um exame simples e de fácil execução. A correta iden�ficação dos ruídos respiratórios normais e anormais permite ao fisioterapeuta elaborar planos de tratamento adequados para corrigir as alterações pulmonares decorrentes das doenças cardiorrespiratórias, bem como avaliar a resposta do paciente ao tratamento aplicado. De acordo com as recomendações da ERS, o termo “sons pulmonares normais” deve ser u�lizado para descrever os sons auscultados nas regiões do tórax, que correspondem ao parênquima pulmonar. A maioria dos ruídos respiratórios adven�cios auscultados em pacientes com doenças cardiorrespiratórias pode ser dividida em dois grupos, o de ruídos con�nuos (roncos e sibilos) e o de ruídos descon�nuos (crepitações). Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 47/52 A�vidade 10 Resposta: C Comentário: A afirma�va II está incorreta porque descreve o sopro diastólico, e não o sistólico. A�vidade 11 Resposta: D Comentário: São os MMII que devem ser especialmente inspecionados, para se iden�ficar a presença ou não de edema, varizes, alteração da coloração da pele e baqueteamento digital. Desproporções no tamanho e/ou volume dos membros devem ser descritas pelo examinador, pois podem ser indica�vas de doenças cardiorrespiratórias. Embora estudos das ondas de pulso u�lizando técnicas invasivas tenham descrito uma grande variedade de formatos, essas alterações são di�ceis de serem percebidas clinicamente. A�vidade 12 Resposta: B Comentário:A broncoscopia está indicada para a avaliação da laringe, e não da traqueia. A�vidade 13 Resposta: C Comentário: No TC6min, o ritmo da caminhada é dado pelo próprio paciente, que deve caminhar, sem correr, o mais rápido possível, durante 6 minutos em um terreno plano de 30 metros. O principal desfecho é justamente a medida da distância percorrida pelo paciente. A�vidade 14 Resposta: B Comentário: O SWTI foi inicialmente desenvolvido para ser realizado em pacientes com DPOC, mas, atualmente, também é u�lizado em várias outras doenças respiratórias e cardiovasculares crônicas. O SWTE caracteriza-se por ser um teste de perfil submáximo, ao contrário do SWTI, que é um teste máximo. A�vidade 15 Resposta: C Comentário: Na avaliação isométrica por dinamometria, o paciente deve realizar no mínimo três contrações musculares isométricas para cada grupo muscular testado, com um intervalo de repouso entre 2 a 5 minutos entre elas. Em pacientes com DPOC, a força isométrica não está associada ao estado funcional dos pacientes, e, por isso, indica-se que a avaliação da força desses pacientes não seja apenas realizada pela técnica de preensão palmar, incluindo, também, a avaliação de força do quadríceps. A�vidade 16 Resposta: B Comentário: Há muitos ques�onários de QVRS disponível e validado para a aplicação na população brasileira, mas, não necessariamente, o maior e mais detalhado é o melhor. O fisioterapeuta deve ter amplo conhecimento das ferramentas disponíveis para realizar essa avaliação e conhecer seu paciente e a doença. Apenas assim ele poderá selecionar o ques�onário mais adequado para cada �po de paciente, para realizar uma avaliação eficaz. A�vidade 17 Resposta: A taquipneia significa que o paciente apresenta uma FR acima da faixa de normalidade; o uso dos músculos acessórios da respiração evidencia o aumento do Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 48/52 esforço respiratório e a necessidade de recrutar uma musculatura auxiliar para executar o trabalho ven�latório; a tosse produ�va mostra a presença de secreção excessiva nas vias aéreas — e a expectoração amarelada em um paciente asmá�co pode ser devido ao aumento da quan�dade de eosinófilos na secreção, não estando necessariamente associada a infecção bacteriana; finalmente, a presença de sibilos expiratórios difusos à ausculta pulmonar é decorrente da obstrução do fluxo aéreo nos brônquios. Pode-se observar, nesta síntese de uma avaliação de um paciente com uma doença pulmonar, como a condução cuidadosa e criteriosa de um exame �sico pode revelar diversas informações, que serão fundamentais para o correto diagnós�co funcional, e com isso, facilitar a elaboração de planos de tratamentos que atendam as reais necessidades do paciente. A�vidade 18 Resposta: Os testes funcionais que deverão ser realizados são o TC6min ou o SWTE, para a avaliação da tolerância ao esforço, o SWTI, para a avaliação da capacidade máxima e de limitações ao exercício, a manovacuometria, para a avaliação da força dos músculos respiratórios, a espirometria, para determinar a gravidade da doença e o grau de obstrução das vias aéreas, e a avaliação da qualidade de vida, para verificar se o tratamento proposto está repercu�ndo também em bene�cios de percepção de incremento da qualidade na vida do paciente. A realização dos exames e testes descritos seria uma situação ideal para o início e para a avaliação dos resultados de um programa de reabilitação cardiopulmonar. Enquanto algumas avaliações são bastante fáceis de serem realizadas e de baixo custo (avaliação da qualidade de vida), outras são mais di�ceis e de custo mais elevado (espirometria). Por essa razão, alguns serviços não possuem condições ou equipamentos para a realização de todos os testes. Dada essa situação, não está contraindicado o início de um programa de reabilitação, entretanto, deve-se redobrar a atenção durante o treinamento �sico, a fim de se evitar riscos para o paciente. ■ REFERÊNCIAS 1. Parshall MB, Schwartzstein RM, Adams L, Banze� RB, Manning HL, Bourbeau J, et al. An official American Thoracic Society Statement: update on the mechanisms, assessment, and management of dyspnea. Am J Respir Crit Care Med. 2012 Feb;185(4):435–52. 2. Mar�nez JAB, Padua AI, Filho JT. Dispnéia. Med. 2004 Jul–Dez;37(3–4):199–207. 3. 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Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 52/52 62. Rozov T, Cunha MT, Nascimento O, Qui�ner AL, Jardim JR. Linguis�c valida�on of cys�c fibrosis quality of life ques�onnaires. J Pediatr. 2006 Mar–Apr;82(2):151–6. 63. Carvalho VO, Guimarães GV, Carrara D, Bacal B, Bocchi EA. Valida�on of the portuguese version of the Minnesota Living with Heart Failure Ques�onnaire. Arq Bras Cardiol 2009 Jul;93(1):36–41. Como citar a versão impressa deste documento José A, Souza GF. Avaliação �sico-funcional do paciente cardiorrespiratório crônico. In: Associação Brasileira de FisioterapiaCardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva; Mar�ns JA, Karsten M, Dal Corso S, organizadores. PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia Cardiovascular e Respiratória: Ciclo 4. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2018. p. 9–64. (Sistema de Educação Con�nuada a Distância, v. 3). Marcar como concluído ARTIGO dislipidemias e exercíc… Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/dislipidemias-e-exercicio-fisico https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-brhttps://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 5/52 O escarro seroso (aquoso e translúcido) é �pico de infecções virais do trato respiratório. O escarro mucoide ou mucoso é esbranquiçado e pouco viscoso, frequentemente encontrado em pacientes com asma e bronquite crônica. No paciente asmá�co, o escarro pode se apresentar amarelado, mesmo quando não há infecção bacteriana das vias aéreas, devido a grande quan�dade de eosinófilos na secreção. O escarro purulento tem odor fé�do e coloração amarelada ou esverdeada, sendo associado a quadros de infecção bacteriana. A expectoração rósea espumosa está associada a quadros de congestão pulmonar, como no edema agudo de pulmão (EAP) cardiogênico. As duas caracterís�cas �sicas principais do muco são a viscosidade, que é a tendência de o muco resis�r ao escoamento, e a elasticidade, que é a tendência para o gel recuperar sua forma original após a deformação induzida pelo estresse. O estudo detalhado dessas propriedades �sicas (reologia do muco) é restrito ao ambiente de pesquisa. Na prá�ca clínica, o fisioterapeuta descreve se o muco é pouco ou muito viscoso. A secreção expectorada, quando possível, deve ser coletada em um recipiente, para se proceder à medida do volume em mililitros. Quando não for possível, o fisioterapeuta u�lizará na prá�ca clínica uma medida muito subje�va de volume de secreção expectorada, classificando-a em pequena, média e grande quan�dade, embasando-se apenas na observação. HEMOPTISE Hemop�se é a eliminação, por meio da tosse, de sangue proveniente das vias aéreas. A eliminação pode ser exclusivamente de sangue ou de sangue associado à secreção. O diagnós�co de hemop�se independe da quan�dade de sangue eliminado, podendo variar desde escarro com estrias de sangue até hemop�se maciça (volume superior a 300mL em 24 horas). É importante diferenciar a hemop�se do sangramento proveniente do trato diges�vo alto (hematêmese), que frequentemente é precedido de náuseas e vômitos, e no qual o sangue pode estar misturado a restos alimentares. DOR TORÁCICA Mecanismos diversos estão envolvidos com a ocorrência de dor torácica. O Quadro 1 apresenta as caracterís�cas da dor e as principais causas deste sintoma. Quadro 1 CARACTERÍSTICAS DA DOR E SUAS PRINCIPAIS CAUSAS Angina pectoris Dor causada por isquemia miocárdica, relatada como sensação de peso ou compressão na região precordial, com limites mal definidos. Mais frequentemente é localizada na região retroesternal ou precordial, podendo ser irradiada para o membro superior esquerdo, epigástrio, dorso, pescoço, mandíbula e, menos frequentemente, para o membro superior direito. O paciente pode localizar a dor colocando o punho cerrado sobre o precórdio (sinal de Levine). 5 6 5 7 8 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 6/52 A intensidade é variável e nem sempre está relacionada ao grau de isquemia. Os principais fatores desencadeantes são esforço �sico, emoções, frio e refeição copiosa. A duração geralmente é curta, não ultrapassando 5 minutos, e melhora com repouso e uso de medicações vasodilatadoras sublinguais Infarto agudo do miocárdio (IAM) A dor resultante do IAM é semelhante à da angina pectoris, porém, mais intensa e com maior duração (mais de 30 minutos). Essa dor está geralmente associada a outros sintomas, como náuseas e vômitos. Em geral, não é precedida por fatores desencadeantes. Pericardite Produz dor localizada na região retroesternal, ven�latório dependente, ou seja, que piora com a inspiração profunda e com a tosse. Pode apresentar irradiação para os ombros, dorso e pescoço. Quando associada a derrame pericárdico, o paciente obtém alívio quando adota a posição sentada, com inclinação do tronco para a frente (sinal patognomônico). Dissecção da aorta Causa dor súbita, de forte intensidade na região medioesternal, seguindo o trajeto da artéria aorta. Pode irradiar para o dorso (região interescapular). Doenças pulmonares e pleurais Causam a dor denominada pleurí�ca, que é ven�latório dependente, localizada no hemitórax com comprome�mento pleural. É caracterizada como sensação de peso ou pontada. Surge quando o processo inflamatório decorrente de pleurites e pneumonias a�nge a pleura parietal, que é ricamente inervada. Outra causa de dor pleurí�ca é o pneumotórax de grande volume. Lesão neuromusculoesquelética A dor é caracterizada pela piora com a compressão local, com os movimentos respiratórios, ou com a movimentação dos membros superiores, da cintura escapular e do tronco. Em pacientes com dor musculoesquelé�ca, é comum o relato de a�vidade �sica repe��va ou não usual. Sua intensidade pode variar desde discreta até o desconforto intenso e persistente, durando de horas a dias. Quando associada ao espasmo muscular, o paciente mantém postura antálgica. Doença do aparelho digestivo Doenças do esôfago, como esofagite de refluxo ou espasmo esofágico, causam dor ou desconforto retroesternal, comumente acompanhada por outros sintomas, como disfagia, pirose e eructação. A dor no epigástrio e na base do tórax está associada à úlcera pép�ca, à colecistopa�a e à pancrea�te. Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 7/52 CIANOSE A cianose é a coloração de tom azulado da pele, mucosas e leito ungueal, e é causada pela diminuição da oxigenação do sangue. Os níveis necessários de hemoglobina não saturada com oxigênio, para produzir cianose clinicamente evidente, ainda causam confusão, pelo fato de serem os níveis capilares, não os arteriais, que produzem a cianose. Outra questão a ser considerada é que são os valores absolutos de hemoglobina não oxigenada (em g/dL), e não os rela�vos (em porcentagem), que determinam o surgimento de cianose clinicamente evidente. São necessários pelo menos 5g/dL de hemoglobina insaturada (não ligada ao oxigênio) para que cianose seja visível. Devido a isso, pacientes com anemia grave e baixa saturação da hemoglobina com oxigênio (SaO ) podem não apresentar cianose, enquanto pacientes com policitemia apresentam cianose em níveis mais elevados de SaO . A cianose pode ser classificada como central, periférica e mista, conforme apresenta o Quadro 2. Quadro 2 CLASSIFICAÇÃO DA CIANOSE Cianose central Desoxigenação do sangue arterial causada por diminuição da PaO no ar inspirado, por doenças que diminuem a ven�lação e a oxigenação pulmonar, por doenças cardíacas com shunt da direita para a esquerda e por formas anormais da hemoglobina, como a meta-hemoglobina. Cianose periférica Causada por maior extração de oxigênio do sangue nos tecidos periféricos, podendo ser generalizada (em decorrência de hipotensão grave) ou localizada (obstrução arterial, trombose venosa ou exposição ao frio). Cianose mista Associação dos mecanismos presentes na cianose central e periférica, como, por exemplo, no paciente com insuficiência cardíaca esquerda e hipotensão grave associada. PaO : pressão parcial de oxigênio. BAQUETEAMENTO DIGITAL Os dedos em baqueta de tambor (Figura 1) são caracterizados pelo alargamento das falanges distais dos dedos das mãos ou dos pés e um aumento no ângulo na região de onde surge a unha. Desenvolvem-se ao longo do tempo em pacientes que sofrem de doenças crônicas pulmonares (câncer de pulmão, abscesso pulmonar, fibrose pulmonar e bronquiectasia), cardíacas e hepá�cas. As causasnão são claras, mas parecem estar associadas ao aumento de tecido conjun�vo vascularizado e de edema inters�cial na região subungueal dos dedos. 9 9 10 2 2 9 10 2 2 7 + Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 8/52 Figura 1 — Baqueteamento digital. Fonte: Adaptada de Farmácia Saúde (2011). SINAIS DE AUMENTO DO TRABALHO RESPIRATÓRIO Condições que causam aumento do esforço respiratório provocam, em geral, aumento da frequência respiratória (FR), recrutamento dos músculos acessórios da respiração e �ragens. O uso dos músculos acessórios da respiração é facilmente iden�ficado pela observação da contração dos músculos esternocleidomastoideo e trapézio na região do pescoço durante a inspiração. O recrutamento dos músculos acessórios da respiração pode ser normal, quando o indivíduo precisa aumentar seu nível de ven�lação em resposta ao esforço �sico. Entretanto, em situações de doença pulmonar ou cardíaca, o esforço respiratório pode estar aumentado, mesmo com o indivíduo em repouso. Tiragem é o termo usado para descrever as retrações inspiratórias que ocorrem na pele da parede do tórax quando, devido ao aumento do trabalho respiratório, a contração dos músculos inspiratórios gera uma diminuição acentuada da pressão intratorácica. As �ragens podem ser classificadas de acordo com a região do tórax onde é observada: �ragem de fúrcula, intercostal, supraclavicular e diafragmá�ca. 1. A dispneia é um sintoma comum em pacientes com doenças cardiorrespiratórias. Sobre esse sintoma, é correto afirmar que A) ele só deve ser considerado clinicamente importante se o examinador verificar sua ocorrência pela observação de algum sinal de desconforto respiratório. 11 7 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 9/52 B) não existe nenhuma forma de quan�ficá-lo. C) é o paciente que deve relatar sua sensação, justamente por ser uma sensação subje�va, e que esta deve sempre ser valorizada pelo examinador. D) todo paciente com dispneia sente alívio quando repousa em decúbito horizontal ou reclinado. Confira aqui a resposta 2. Analise as afirma�vas a seguir a respeito dos sinais e sintomas do paciente cardiorrespiratório crônico. I — A tosse subaguda apresenta duração de 3 a 8 semanas. II — Nas infecções virais, a tosse com expectoração é de início insidioso, aumentando grada�vamente de volume em dias ou semanas. III — No paciente asmá�co, nem sempre o escarro amarelo indica infecção bacteriana, uma vez que pode ser decorrente da grande quan�dade de eosinófilos na secreção. IV — O diagnós�co de hemop�se depende da quan�dade de sangue eliminado. Quais estão corretas? A) Apenas a I e a II. B) Apenas a I e a III. C) Apenas a III e a IV. D) Apenas a II, a III e a IV. Confira aqui a resposta 3. Assinale a alterna�va correta com relação à cianose. A) A cianose é a coloração de tom azulado da pele, causada pelo aumento da oxigenação do sangue. B) Pacientes com anemia grave e baixa SaO podem não apresentar cianose. C) São os níveis arteriais de hemoglobina não saturada com oxigênio que produzem a cianose. D) A cianose central pode ser causada pela exposição ao frio. Confira aqui a resposta ■ ANAMNESE A anamnese é o momento em que o fisioterapeuta entrevista o paciente, buscando colher o máximo de informações sobre sua história clínica. Uma anamnese pode ser guiada pelas par�cularidades que surgem durante a entrevista, tornando-a única e sem um roteiro fixo para sua realização. Entretanto, os principais e obrigatórios elementos de uma anamnese são apresentados no Quadro 3. Quadro 3 ELEMENTOS PRINCIPAIS E OBRIGATÓRIOS DE UMA ANAMNESE 2 12,13 12,13 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 10/52 Identi�cação do paciente: Deve conter o nome completo, naturalidade, estado civil, sexo, local e data de nascimento, profissão, endereço comercial e residencial e a religião que o paciente pra�ca. A seguir, serão discu�dos alguns pontos importantes sobre a iden�ficação do paciente. Naturalidade: além do registro de onde o indivíduo nasceu, é importante registrar as cidades onde residiu (procedência). Essa informação é importante, pois existem doenças endêmicas em determinadas regiões, como, por exemplo, malária (região norte) e doença de Chagas (região nordeste), entre outras. Estado civil: deve-se registrar a situação legal e a condição familiar real (se tem cônjuge, filhos morando no domicílio, etc.). Profissão: deve-se descrever o �po de a�vidade profissional que o indivíduo exerce. Essa informação é muito importante, pois algumas doenças são mais frequentes em determinadas ocupações, ou podem ser agravadas por exposição a determinados fatores no ambiente de trabalho, como ocorre com costureiras, motoristas, trabalhadores em marmorarias e carvoarias, entre outros. Religião: deve ser pesquisada porque algumas religiões não aceitam determinados procedimentos, o que pode interferir no tratamento do paciente. Queixa principal (mo�vo da consulta): descrição breve do problema que levou o indivíduo a procurar auxílio profissional. Pode ser mais de uma queixa. Deve ser descrito também quando o problema teve início, como, por exemplo, “falta de ar há 2 meses”; “tosse e expectoração há 5 dias”. A queixa pode ser registrada com os termos usados pelo paciente ou com o apropriado termo técnico, quando isso ajudar a enriquecer a informação recebida, como, por exemplo: “dispneia aos pequenos esforços há 2 meses”. História da moléstia atual (HMA) Descrição detalhada de forma clara, obje�va e em ordem cronológica dos problemas que levaram o indivíduo a buscar o auxílio. A HMA deve incluir o modo como surgiram os problemas do paciente, descrever como se desenvolveram os sinais e os sintomas, os tratamentos e as cirurgias já realizadas, o que provoca o surgimento dos sintomas e seus fatores de piora ou melhora e como o indivíduo foi afetado pela doença (o que deixou de fazer ou tem dificuldade de fazer desde o início do problema). Antecedentes pessoais São os acontecimentos prévios que o indivíduo já apresentou e são relevantes para sua história clínica. Deve-se perguntar sobre outras doenças, trauma�smos e cirurgias anteriores, hospitalizações prévias, medicamentos que já usou e os que ainda u�liza, alergias, imunizações, padrão do sono e, nas mulheres, a história obstétrica. Hábitos e vícios Deve-se registrar informações a respeito de tabagismo, uso de álcool, a�vidade �sica regular, hábitos alimentares, uso de drogas ilícitas e proteção contra a aquisição de doenças sexualmente transmissíveis. Antecedentes familiares Como algumas doenças possuem um componente gené�co, é importante pesquisar a ocorrência de doenças nos familiares consanguíneos (pai e mãe, irmãos, avós e �os). Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 11/52 ■ EXAME FÍSICO Para que se possa chegar ao correto diagnós�co do problema do paciente, bem como avaliar a resposta à terapia aplicada, é necessária a realização de um cuidadoso exame �sico. As informaçõessão coletadas por meio do uso das técnicas de exame (inspeção, palpação, percussão e ausculta). O exame �sico pode ser dividido em duas partes: o exame �sico geral e o segmentar, conforme será abordado a seguir. EXAME FÍSICO GERAL O exame �sico geral consiste na impressão inicial e na avaliação do nível de consciência e dos sinais vitais. Impressão inicial O examinador deve inicialmente registrar as informações sobre a impressão obtida no primeiro contato com o paciente. Os aspectos mais importantes a serem notados são comunicação, apresentação pessoal, mobilidade, estado nutricional, expressão facial e nível de ansiedade, sudorese, postura e higiene. Avaliação do nível de consciência A consciência é definida como a capacidade do indivíduo de reconhecer a si mesmo e aos es�mulos do ambiente. Na avaliação fisioterapêu�ca, o nível de consciência do paciente deve ser discriminado. Se o paciente es�ver consciente (alerta), deve ser avaliada a orientação no tempo, espaço e pessoal. Se o paciente não es�ver alerta, o fisioterapeuta deve descrever a alteração do nível de consciência apresentada pelo paciente. As alterações da consciência podem ocorrer no nível de consciência ou no conteúdo da consciência, que englobam as funções mentais e cogni�vas do indivíduo. As alterações no nível de consciência podem variar desde uma simples desorientação até um estado de coma, e as do conteúdo da consciência incluem o delirium e a demência. O Quadro 4 apresenta os �pos de alterações de consciência. Quadro 4 TIPOS DE ALTERAÇÕES DE CONSCIÊNCIA Alterações no nível de consciência Desorientação É a incapacidade do indivíduo de se situar no tempo, espaço e reconhecer sua própria pessoa. O primeiro estágio da desorientação é quanto ao tempo, ou seja, o paciente não responde adequadamente a pergunta sobre a data atual (do dia da avaliação). Em seguida, ocorre a desorientação quanto ao local, ou seja, o paciente não sabe onde está. A forma extrema de desorientação é quando o paciente perde a noção da própria iden�dade. Sonolência ou letargia É um estado de diminuição do nível de consciência, do qual o indivíduo consegue ser acordado com es�mulos brandos. 14 14 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 12/52 Estupor É um estado de sonolência mais profunda, em que o indivíduo desperta quando recebe es�mulos vigorosos e repe�dos, mas volta ao estupor logo após a interrupção destes. Coma É o estado em que o indivíduo não tem consciência de si mesmo nem do ambiente, mesmo quando subme�do a es�mulos de diversas modalidades e intensidades, permanecendo sem resposta e de olhos fechados. Alterações do conteúdo da consciência Delirium Este estado é caracterizado por desorientação, déficit de atenção, sensação de medo, irritabilidade e alucinações visuais. Os indivíduos podem apresentar alterações concomitantes no nível de consciência, caracterizadas por inversão do ciclo sono-vigília, e alternar períodos de alerta e agitação com períodos de sonolência. Demência É o estado de perda permanente e progressiva das funções cogni�vas, sem alteração do estado de alerta ou nível de consciência. As alterações evoluem em meses a anos. Fonte: Adaptado de Andrade e colaboradores (2007). Quando o paciente está sob efeito de medicações seda�vas, o nível de sedação deve ser discriminado. Uma das escalas mais u�lizadas para esse fim é a escala de Ramsay apresentada no Quadro 5. Quadro 5 ESCALA DE SEDAÇÃO DE RAMSAY 1 Ansioso, agitado ou inquieto 2 Coopera�vo, orientado e tranquilo 3 Sedado, porém, responde às ordens verbais 4 Sedado, com resposta rápida ao leve es�mulo glabelar ou forte es�mulo audi�vo 5 Sedado, com resposta lenta ao leve es�mulo glabelar ou forte es�mulo audi�vo 6 Não responsivo Fonte: Ramsay e colaboradores (1974). Sinais vitais O fisioterapeuta deve finalizar o exame �sico geral com a medida dos sinais vitais. Pressão arterial A pressão arterial (PA) é a força que o sangue exerce sobre a parede dos vasos arteriais quando se move em seu interior. A pressão arterial sistólica (PAS) é a força gerada pelo sangue dentro das artérias durante a contração ventricular, enquanto a pressão arterial diastólica (PAD) é a força que permanece dentro das artérias no período de relaxamento ventricular. 14 15 7 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 13/52 A PA é medida por meio do esfigmomanômetro e apresentada como o valor sistólico seguido do diastólico (PAS/PAD). A unidade de medida é milímetros de mercúrio (mmHg). Quando a PAS e a PAD situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser u�lizada para a classificação da PA. A classificação da PA para indivíduos adultos é apresentada na Quadro 6. Quadro 6 CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL PARA INDIVÍDUOS COM IDADE MAIOR DO QUE 18 ANOS Classi�cação PAS (mmHg) PAD (mmHg) Normal ≤120 ≤80 Pré-hipertensão 121–139 81–89 Hipertensão estágio 1 140–159 90–99 Hipertensão estágio 2 160–179 100–109 Hipertensão estágio 3 ≥180 ≥110 Hipertensão sistólica isolada ≥140do corpo é medida com um termômetro, e os valores são apresentados em graus Celsius (ºC). Os locais mais frequentes para a mensuração da temperatura são a axila e a boca. A temperatura retal só é u�lizada em casos específicos, como na presença de hipotermia. A temperatura normal do corpo humano varia de 36,2ºC a 37,5ºC, quando medida na axila. Hipertermia é o termo u�lizado para designar a temperatura acima de 37,5ºC. Quando a hipertermia se dá em decorrência de uma doença, é chamada de febre, mas ela pode ocorrer em condições normais, como no exercício �sico. Apesar dos limites de temperatura para a definição de hipotermia variar na literatura, considera-se hipotermia a redução da temperatura sanguínea central abaixo de 36ºC. 4. Sobre a HMA, é correto afirmar que A) deve ser breve e pouco detalhada, para que a avaliação do paciente seja rápida e obje�va. B) deve seguir uma ordem cronológica na descrição dos eventos. C) não é o item no qual o examinador descreve os sinais e os sintomas da doença e suas caracterís�cas. D) prescinde que sejam descritos os mo�vos que levaram o paciente a procurar o auxílio de um profissional. Confira aqui a resposta 7,18 7 18 19 7 20 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 15/52 5. Analise as afirma�vas a seguir a respeito da avaliação do nível de consciência do paciente cardiorrespiratório crônico e assinale V (verdadeiro) ou F (falso). ( ) As alterações da consciência podem ocorrer no nível de consciência ou no conteúdo da consciência, englobando, portanto, tanto as funções mentais como cogni�vas do indivíduo. ( ) Nos casos de letargia, consegue-se despertar o indivíduo com es�mulos brandos. ( ) Nos casos de estupor, o indivíduo não consegue despertar com es�mulos vigorosos e repe�dos. ( ) Nos casos de delirium, os indivíduos podem alternar períodos de alerta e agitação com períodos de sonolência. Assinale a alterna�va que apresenta a sequência correta. A) V — V — F — F B) V — V — F — V C) F — F — V — F D) F — V — V — V Confira aqui a resposta 6. Analise as afirma�vas a seguir com relação aos sinais vitais do paciente cardiorrespiratório crônico. I — Um paciente com mais de 18 anos de idade, que apresenta PA = 150x95mmHg, encontra-se no estágio 1 de hipertensão. II — A FC normal no adulto é de 60 a 100bpm. III — A FC e a FP são medidas equivalentes. IV — A medição da FR é realizada por meio da observação direta dos movimentos torácicos ou abdominais em 1 minuto, e informa-se o paciente da avaliação, para que ele possa estar consciente de seu padrão respiratório. Quais estão corretas? A) Apenas a I e a II. B) Apenas a III e a IV. C) Apenas a I, a II e a III. D) A I, a II, a III e a IV. Confira aqui a resposta EXAME FÍSICO SEGMENTAR O exame segmentar engloba o exame da cabeça e pescoço, tórax, abdome e extremidades, conforme será abordado a seguir. Exame da cabeça e pescoço A inspeção da face pode revelar sinais de aumento do esforço inspiratório, como ba�mento das asas do nariz, e de expiração forçada, como respiração com lábios cerrados (freno labial). Cianose pode ser observada nos lábios em pacientes com redução do conteúdo arterial de oxigênio. Na inspeção do pescoço, é importante observar se o paciente faz uso dos músculos Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 16/52 acessórios da respiração e se, durante os movimentos respiratórios, ocorre retração da fúrcula ou região supraclavicular, sendo ambos sinais de aumento do esforço inspiratório. Outro importante sinal que pode ser observado ou palpado na região do pescoço é a distensão venosa jugular, comum nos pacientes com insuficiência cardíaca (IC) direita. Exame do tórax O exame do tórax inclui a inspeção está�ca, inspeção dinâmica, palpação, percussão e ausculta pulmonar. Inspeção estática A inspeção está�ca analisa a configuração do tórax. O tórax normal pode ser classificado, de acordo com o ângulo formado entre as costelas e o processo xifoide do esterno (ângulo de Charpy) em três bio�pos, descritos no Quadro 8 e na Figura 2. Quadro 8 CONFIGURAÇÃO TORÁCICA NORMAL E ÂNGULO DE CHARPY Ângulo de Charpy Biotipo Característica física 90º Normolíneo Estatura e tórax intermediário 90º Brevilíneo Estatura baixa, tórax largo Fonte: Elaborado pelos autores. Figura 2 — Tipos de configurações torácicas normais. Fonte: Radiologia dinâmica (20015). Na con�guração torácica anormal, as anormalidades podem ocorrer devido a alterações no esterno, nas vértebras ou nas costelas. A seguir, serão descritas as principais alterações na configuração torácica, resultantes dessas deformidades. 18 + 21 18 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 17/52 A protrusão anterior do esterno caracteriza o tórax cariniforme (também conhecido como pectus carinatum, ou tórax em peito de pombo). A depressão do esterno origina o tórax infundibiliforme (também conhecido como pectus excavatum ou tórax de sapateiro), conforme apresentam as Figuras 3A e B. Figura 3 — A) Pectus carinatum. B) Excavatum. Fonte: Coelho, Guimarães (2007). As anormalidades acentuadas das vértebras causam alterações na forma do tórax. O desvio lateral da coluna origina o tórax escoliótico, e a acentuação da cifose dorsal gera o tórax cifótico (Figuras 4A e B). Figura 4 — A) Tórax escolió�co. B) Cifó�co. Fonte: Adaptada de Widjaja (2014). Com relação às alterações nos arcos costais, o tórax en�sematoso (em barril ou em tonel), conforme apresentado nas Figuras 5A e B, é caracterizado pela horizontalização das costelas e pelo aumento do diâmetro anteroposterior do tórax e + 22 + 23 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 18/52 dos espaços intercostais, produzindo um aspecto circular quando observado no plano transverso, e o tórax em sino é caracterizado pelo alargamento dos arcos costais inferiores em relação aos arcos costais superiores. Figura 5 — Tórax enfisematoso. Fonte: Wilkins, Stoller (2000). Inspeção dinâmica As principais informações que devem ser colhidas na inspeção dinâmica do tórax são o ritmo respiratório e o padrão respiratório. Adicionalmente, é importante observar os sinais de aumento do esforço respiratório (uso dos músculos acessórios da respiração e as �ragens). Ritmo respiratório Em repouso e em condições de normalidade, o adulto deve apresentar FR normal, com esforço inspiratório mínimo e expiração passiva, ritmo constante e relação entre o tempo inspiratório e o expiratório de 1:2 a 1:3. Entretanto, existem várias condições clínicas que provocam o surgimento de ritmos respiratórios anormais ou patológicos. O Quadro 9 apresenta uma descrição dos principais ritmos respiratórios anormais dessas condições. Quadro 9 CONDIÇÕES CLÍNICAS QUE PROVOCAM O SURGIMENTO DE RITMOS RESPIRATÓRIOS ANORMAIS OU PATOLÓGICOS Ritmo de Cheyne- Stokes Respiração periódica caracterizada por uma fase de apneia seguida de uma hiperpneia, quando os movimentos respiratórios aumentamprogressivamente de amplitude até a�ngir um máximo, e, em seguida, diminuem progressivamente até ocorrer uma nova apneia É + 7 7,18 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 19/52 (Figura 6A). É frequentemente observada em pacientes com ICC, lesão cerebral difusa (trauma craniano) ou lesão hemisférica (AVC). Ritmo de Kussmaul (ou acidótico) Padrão respiratório caracterizado por respiração profunda (grande VC), com FR normal, aumentada ou mesmo diminuída. Entretanto, sempre estará presente aumento da ven�lação pulmonar. É o padrão respiratório caracterís�co de pacientes com acidose metabólica (Figura 6B). Ritmo de Biot (ataxia respiratória) Respiração que apresenta irregularidade imprevisível na amplitude (VC) e na FR. Podem ser observadas apneias de tempo variável e movimentos irregulares e anárquicos. Padrão respiratório comumente encontrado em pacientes com lesão cerebral difusa, depressão do centro respiratório, lesão medular e compressão do bulbo. É considerado prenúncio de parada respiratória (Figura 6C). ICC: insuficiência cardíaca conges�va; AVC: acidente vascular cerebral; FR: frequência respiratória; VC: volume corrente. Fonte: Adaptado de Wilkins e Stoller (2001; Franco Júnior (2002). Figura 6 — Principais ritmos respiratórios anormais. A) Cheyne-Stokes. B) Kussmaul. C) Biot. Fonte: Adaptado de Mar�nez (2004). Padrão respiratório Em uma respiração considerada normal, ocorre a movimentação sincrônica do tórax e do abdome, ou seja, na inspiração, o tórax e o abdome expandem juntos, enquanto que na expiração, os dois compar�mentos recuam juntos. Entretanto, pode ocorrer o predomínio da expansão de um compar�mento em relação ao outro, o que não necessariamente significa que há uma situação de doença. A classificação dos padrões respiratórios é apresentada pelo Quadro 10. Quadro 10 CLASSIFICAÇÃO DOS PADRÕES RESPIRATÓRIOS Padrão normal ou Há expansibilidade sincrônica e harmônica do tórax e do abdome. 7 18 + 2 24 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 20/52 toracoabdominal Padrão apical Há um predomínio da expansibilidade torácica em detrimento da abdominal. É comum em pacientes no pós-operatório de cirurgias abdominais do compar�mento superior. Padrão abdominal Há um predomínio da expansibilidade abdominal em detrimento da torácica. É comum em pacientes no pós-operatório de cirurgia torácica e em pacientes com drenos de tórax. Padrão paradoxal Há movimentação do abdome com uma retração durante a inspiração e uma expansão na expiração, ao contrário de uma respiração normal (padrão paradoxal abdominal). Pode ocorrer também de o tórax apresentar uma retração na inspiração e uma expansão na expiração (padrão paradoxal torácico). Pode ser observado em pacientes com paralisia do diafragma, trauma torácico e fadiga do diafragma. Em pacientes com hiperinsuflação pulmonar grave, o diafragma se torna rebaixado e re�ficado e sua contração na inspiração produz um movimento paradoxal no tórax inferior, caracterizado pela diminuição do diâmetro laterolateral do tórax e expansão do abdome, o que é denominado de sinal de Hoover. Fonte: Adaptado de Parreira e colaboradores (2010). Uma forma mais precisa de mensurar o padrão respiratório é através da medida do índice diafragmático (ID). O ID é calculado pela fórmula ID = ∆AB / ∆AB + ∆CT, em que ∆AB é a variação na medida da dimensão abdominal ob�da no final da inspiração e expiração, e ∆CT é a variação na medida da dimensão torácica ob�da também no final da inspiração e expiração. A medida das dimensões abdominal e torácica pode ser feita com o indivíduo em diferentes posições (sentado, deitado em decúbito dorsal, em ortosta�smo). A medida do diâmetro torácico deve ser realizada ao nível do 4° espaço intercostal e a do diâmetro abdominal ao nível da cicatriz umbilical. A par�r do resultado do ID, o padrão respiratório pode ser classificado em costal (ID 0,5). Palpação A palpação é a técnica de exame que u�liza o toque das mãos na parede do tórax para avaliar as estruturas subjacentes. É u�lizada para avaliar a expansibilidade torácica, o frêmito vocal e a condição da pele e dos tecidos subcutâneos. Expansibilidade torácica A parede torácica deve expandir de forma simétrica durante a inspiração. A expansibilidade pode ser avaliada na região anterior ou posterior do tórax. Para avaliar a expansibilidade na região anterior, o examinador deve colocar as mãos espalmadas na região anterolateral do tórax, com os polegares seguindo a linha costal. Após uma expiração lenta e completa até o volume residual, os polegares devem ser posicionados de modo que as pontas se encontrem na linha média do tórax, sobre o processo xifoide. Em seguida, o paciente é orientado a fazer uma inspiração lenta até a capacidade pulmonar total. 24 25 25 7,18 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 21/52 A expansibilidade é considerada normal quando os polegares se afastam de 3 a 5cm. Na região posterior, as mãos devem ser posicionadas posterolateralmente, com os polegares se unindo no processo espinhoso da 8ª vértebra (Figuras 7A e B). Assimetria na expansibilidade torácica pode revelar comprome�mento unilateral do pulmão, como no pneumotórax, no derrame pleural e na atelectasia. Figura 7 — A e B) Técnica manual para avaliar a expansibilidade torácica. Fonte: Adaptada de Bragança (2012). Frêmito vocal A avaliação do frêmito vocal é a análise da vibração produzida pelo som nas vias aéreas inferiores, por meio da palpação da parede torácica. Para realizar o exame do frêmito vocal, coloca-se a palma da mão sobre o tórax e pede-se para o paciente falar 33. O avaliador deve examinar os dois lados do tórax, em nível simétrico, para permi�r a comparação de áreas correspondentes dos dois pulmões. O frêmito pode estar normal, diminuído (obesidade, derrame pleural, pneumotórax, hiperinsuflação pulmonar) ou aumentado (áreas de aumento da densidade pulmonar, como na pneumonia). Pele e tecidos subcutâneos + 26 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 22/52 A palpação permite avaliar a temperatura e a condição da pele do tórax. Além disso, quando existe enfisema subcutâneo (acúmulo de ar no tecido subcutâneo), é possível que se tenha a sensação de crepitações na super�cie das mãos. Percussão A técnica de percussão se baseia na análise dos sons produzidos pela percussão indireta da parede do tórax, par�ndo do princípio de que a percussão de estruturas com densidades diferentes produz sons diferentes. O avaliador deve percu�r áreas simétricas em ambos os lados do tórax, para a adequada comparação. A técnica recomendada é a da percussão dígito-digital. O examinador percute com o 3º dedo da mão mais hábil, a falange distal do 2º ou 3º dedo da outra mão, posicionada no espaço intercostal da região do tórax que se quer examinar, com os demais dedos afastados. A percussão torácica pode produzir quatro sons diferentes. São eles:som claro pulmonar – produzido pela percussão dos campos pulmonares normais; som timpânico – produzido em regiões que apresentam quan�dade de ar aumentada no parênquima pulmonar, como em pacientes com enfisema pulmonar, hiperinsuflados (doença pulmonar obstru�va crônica, crise asmá�ca), ou no espaço pleural (pneumotórax); som submaciço – produzido pela percussão de áreas com densidade pulmonar elevada, ou seja, onde o ar dos alvéolos foi subs�tuído por exsudato ou sangue (pneumonia, infarto pulmonar); som maciço – produzido pela percussão de áreas onde existe líquido interposto entre o pulmão e a parede torácica (derrame pleural). Ausculta pulmonar A ausculta pulmonar é a técnica de ouvir, u�lizando um estetoscópio, os sons produzidos pela passagem do ar dentro das vias aéreas, com o obje�vo de iden�ficar ruídos normais e anormais. O paciente deve, sempre que possível, ser posicionado sentado, e orientado a respirar com a boca aberta e um pouco mais profundo do que o normal. O tórax deve estar desnudo, para evitar que sons produzidos pelo contato do diafragma e do tubo do estetoscópio com tecido ou partes do corpo do paciente confundam o examinador. A ausculta pulmonar deve ser sistemá�ca, incluindo pontos nas regiões anterior, posterior e lateral do tórax que correspondam a todos os lobos pulmonares. O examinador pode iniciar a ausculta tanto pelas bases como pelos ápices pulmonares, auscultando pelo menos um ciclo respiratório completo em cada ponto de ausculta. A ausculta de um ponto em um hemitórax deve ser seguida pela ausculta de um ponto simétrico no hemitórax contralateral, para permi�r a comparação, e todas as alterações devem ser localizadas. Os pontos de ausculta pulmonar são apresentados na Figura 8. 18 7,27 7,27 7,27 7,27 + Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 23/52 Figura 8 — Esquema ilustra�vo dos pontos da ausculta pulmonar. Fonte: Adaptada de Costa (2004). Sons pulmonares normais Posicionando o estetoscópio sobre a região da traqueia (na fúrcula esternal) e dos brônquios principais (de cada lado da borda esternal superior e entre as escápulas), é possível ouvir os sons bronquiais (ou traqueobronquiais). Estes são ruídos altos e com componente expiratório igual ou pouco maior do que o inspiratório. Na ausculta sobre a super�cie do tórax, que corresponde ao parênquima pulmonar, ouvem-se os sons pulmonares normais, que são sons suaves e de intensidade mais baixa do que os sons bronquiais, predominantemente inspiratórios e com componente expiratório mínimo, atribuídos à passagem do ar pelas vias aéreas de pequeno calibre (estruturas intralobar e intralobular do pulmão). O termo “sons pulmonares normais” deve ser usado em subs�tuição ao anteriormente denominado “murmúrio vesicular”. A intensidade dos sons pulmonares normais pode estar reduzida em pacientes que estejam hipoven�lando, em áreas do pulmão atelectasiadas e em regiões do pulmão localizadas adjacentes a processos pleurais, como o derrame pleural e o pneumotórax. Sons pulmonares anormais (ruídos adven�cios e outros) Seguindo as recomendações da European Respiratory Society (ERS) sobre a análise dos sons respiratórios, os sons pulmonares anormais podem ser classificados em sons contínuos, sons descontínuos e outros. Sons con�nuos – sibilos e roncos – são produzidos quando o ar flui em alta velocidade através de vias aéreas estreitadas. Os sibilos são ruídos adven�cios agudos parecidos com “assobios”. As condições clínicas associadas à ocorrência de sibilo são broncoespasmo, edema da mucosa da via aérea (como ocorre na asma), tumores intraluminais, secreções, corpos estranhos, compressões externas dos brônquios por alguma massa ou compressão dinâmica da via aérea. O sibilo pode ser monofônico (nota simples) ou polifônico (notas múl�plas). O sibilo monofônico sugere que uma única via aérea está parcialmente obstruída, por 28 29,30 29,30 29,30 30 7 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 24/52 exemplo, por um tumor ou um corpo estranho aspirado, sendo ouvido na inspiração e expiração, ou somente na expiração. Já o sibilo polifônico sugere que muitas vias aéreas estão obstruídas, como na asma, sendo ouvido somente na expiração. O ronco é caracterizado por sons graves, audíveis na inspiração e na expiração, produzido normalmente pelo estreitamento da via aérea com secreção. Sons descontínuos reúnem os ruídos que eram anteriormente descritos como estertores crepitantes e subcrepitantes sob a denominação única de crepitações. As crepitações são sons descon�nuos e curtos gerados durante a inspiração, por meio da abertura súbita de pequenas vias aéreas que se encontravam colapsadas e, na expiração, pelo fechamento das mesmas. As crepitações podem ser produzidas pelo aumento na retração elás�ca (fibrose pulmonar), pelo edema (líquido nos alvéolos) e pela inflamação do tecido pulmonar (pneumonia). A ERS sugere usar os termos crepitações finas (som similar ao “velcro”, como um sinal precoce da fibrose pulmonar) e crepitações grossas (sons mais grosseiros e relacionados com a presença de secreção e a ruptura de pequenas super�cies líquidas, devido à tensão superficial, formadas no interior das pequenas vias aéreas). Outros sons pulmonares anormais são o estridor, atrito pleural, o sopro tubário (sopro brônquico) e o sopro anfórico. O estridor é o som de tonalidade aguda, ouvido principalmente durante a inspiração. Pode ser ouvido sem o estetoscópio, apenas se aproximando do paciente. É caracterís�co da obstrução das vias aéreas superiores (faringe, laringe, porção superior da traqueia). Atrito pleural é o som semelhante a um rangido, produzido pela movimentação dos folhetos pleurais espessados em decorrência de processos inflamatórios. O Sopro tubário (sopro brônquico) é um som semelhante ao ruído brônquico, audível em áreas de condensação do parênquima pulmonar. Produzido pelo ar que passa por um brônquio pérvio circundado por alvéolos preenchidos por líquido. Sopro anfórico é som extremamente agudo auscultado ao se falar 33, caracterís�co de pneumotórax hipertensivo. Exame cardiológico À inspeção, o observador deverá localizar o ictus cordis, que representa o local do choque do ápice do coração na parede do tórax e corresponde à contração do ventrículo esquerdo (VE). É percep�vel em condições normais no 4º ou 5º espaço intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular. Desvios do ictus cordis para a esquerda e para baixo indicam aumento das câmaras cardíacas. O ictus cordis pode não ser visualizado em pacientes obesos e em mulheres com mamas volumosas. A palpação precordial deve ser realizada com o obje�vo de localizar frêmitos e bulhas palpáveis. A localização do ictus cordis pela palpação é mais sensível do que pela inspeção. Um ictus cordis com diâmetro maior do que 2cm é sinal de cardiomegalia. A ausculta cardíaca deve ser realizada com o paciente em repouso e com o tórax desnudo. As áreas de ausculta cardíaca são os focos (Figura 9): aórtico — localizado no segundo espaço intercostal à direita da borda esternal; 7 29 30 7 17 18 LEMBRAR 31 32 33 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 25/52 aórtico acessório — localizado no terceiro espaço intercostal à esquerdada boda esternal; pulmonar — localizado no segundo espaço intercostal à esquerda da borda esternal; tricúspide — localizado no quinto espaço intercostal à esquerda da borda esternal; mitral — localizado sobre a ponta do coração (ictus cordis). Figura 9 — Focos da ausculta cardíaca. Fonte: Adaptada de Romaor (2016). Durante a ausculta cardíaca, deve-se, primeiramente, iden�ficar os períodos de sístole e diástole. Após isso, é possível caracterizar os eventos sonoros que os delimitam e caracterizar os sons anormais possíveis de serem encontrados na ausculta cardíaca. A sístole inicia-se com um primeiro som breve, denominado de primeira bulha cardíaca (B1), seguido por um curto período de silêncio (pequeno silêncio). Esse curto período de silêncio, que corresponde à sístole, é finalizado por um segundo som de curta duração, denominado de segunda bulha cardíaca (B2), o qual é seguido por outro período de silêncio, um pouco maior do que o primeiro (grande silêncio). Este úl�mo período de silêncio correspondendo à diástole. O Quadro 11 faz uma breve descrição do significado das bulhas cardíacas. Quadro 11 SIGNIFICADO DAS BULHAS CARDÍACAS Primeira bulha Representa o fechamento das valvas atrioventriculares, mitral e tricúspide, no início da sístole. + 34 35 35 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 26/52 cardíaca (B1) Segunda bulha cardíaca (B2) Representa o fechamento das valvas semilunares, aór�ca e pulmonar, no final da sístole e início da diástole. Terceira bulha cardíaca (B3) Som de baixa frequência que ocorre entre o início e o meio da diástole, gerado pela brusca desaceleração da coluna de sangue contra as paredes dos ventrículos no final da fase de enchimento rápido. Pode ser normal em crianças, adolescentes e adultos jovens. Quando patológico, indica sobrecarga volumétrica para o VE ou diminuição da complacência ventricular. Quarta bulha cardíaca (B4) Gerada pela desaceleração da coluna de sangue que é impulsionada pelos átrios na fase de contração atrial contra a massa de sangue já existente dentro do VE, no final da diástole. A B4 é comum em pacientes com doença cardíaca isquêmica, hipertrofia ventricular esquerda devido à hipertensão ou estenose aór�ca. Também pode estar presente em casos de hipertensão pulmonar ou estenose pulmonar, que acarretam a hipertrofia ventricular direita. VE: ventrículo esquerdo. Fonte: Adaptado de Pazin Filho e colaboradores (2004). A intensidade das bulhas cardíacas pode estar reduzida (hipofonese) ou aumentada (hiperfonese). Além das bulhas cardíacas, a ausculta cardíaca pode revelar sons anormais, denominados de sopros, cliques e estalidos, conforme apresenta o Quadro 12. Quadro 12 SONS ANORMAIS PERCEBIDOS NA AUSCULTA CARDÍACA Sopro Som produzido pelo turbilhonamento do fluxo sanguíneo quando este passar por uma valva cardíaca insuficiente ou estenosada. Deve ser classificado de acordo com o período do ciclo cardíaco em que ocorre (sopro sistólico ou sopro diastólico). Sopro sistólico Ocorre quando uma valva atrioventricular é insuficiente (permite fluxo sanguíneo retrógrado do ventrículo para o átrio), ou uma valva semilunar é estenosada (dificultando a passagem do sangue do ventrículo para o sistema arterial). Sopro diastólico Ocorre quando uma valva semilunar é insuficiente (permi�ndo o fluxo retrógrado das artérias para os ventrículos), ou quando uma valva atrioventricular é estenosada (dificultando o esvaziamento dos átrios). Clique de ejeção sistólica Som que acompanha a abertura da valva aór�ca durante a sístole. 35 LEMBRAR 35 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 27/52 Clique mesossistólico Ocorre com frequência em pacientes que apresentam prolapso da valva mitral (PVM). Estalido de abertura mitral Som ouvido na diástole e que acompanha a abertura da valva mitral em pacientes que apresentam estenose dessa valva. Fonte: Adaptado de Pazin Filho e colaboradores (2004). Exame do abdome Para o fisioterapeuta, o exame do abdome é simplificado e direcionado para a pesquisa de alterações que possa comprometer a função cardiorrespiratória, ou que decorra das mesmas. Inicialmente, o examinador deve saber que o abdome é dividido didaticamente em nove regiões (Figura 10): abdome superior — hipocôndrio direito, epigástrio, hipocôndrio esquerdo; abdome médio — flanco direito, mesogástrio, flanco esquerdo; abdome inferior — fossa ilíaca direita, hipogástrio, fossa ilíaca esquerda. A divisão didá�ca do abdome em nove regiões tem a finalidade de localizar alguma anormalidade que possa ser encontrada no exame e direcionar o raciocínio clínico para a iden�ficação da estrutura acome�da por meio da área de projeção do órgão na parede abdominal. Figura 10 — Regiões do abdome. Fonte: Adaptada de Plugado (2018). Na inspeção, é importante o examinador descrever a forma do abdome, iden�ficando, assim, possíveis alterações que possuam significado clínico. Os formatos do abdome 35 LEMBRAR 36 36 + 37 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 28/52 estão descritos no Quadro 13. Além disso, é possível iden�ficar, pela simples observação, alterações como cicatrizes, circulação venosa colateral, distribuição anormal de pelos e estrias. Quadro 13 FORMATOS DO ABDOME E SUAS DESCRIÇÕES Plano Considerado a forma normal do abdome. Globoso Abdome aumentado de maneira uniforme, com predomínio no diâmetro anteroposterior. É observado em obesos e em pacientes com grandes ascites, com grande distensão gasosa das alças intes�nais ou com �gado e baço aumentado. Batráquio Caracterizado pelo aumento do diâmetro transversal, com o paciente em decúbito dorsal, pela dilatação exagerada dos flancos. Ocorre nos pacientes com ascite (presença de líquido na cavidade abdominal). Avental Encontrado em obesos quando, devido ao grande acúmulo de tecido adiposo, o abdome cai sobre as coxas, no caso de o paciente estar em pé. Pendular Apenas a porção inferior do abdome está aumentada, em virtude do aumento do volume abdominal. Resulta de uma grande fraqueza da musculatura do andar inferior do abdome. A causa mais comum é a flacidez abdominal do puerpério. Escavado Caracterizado por diminuição do diâmetro anteroposterior, assumindo um aspecto côncavo, com os rebordos costais, as espinhas ilíacas e a sínfise púbica bem visíveis. Aspecto observado em pacientes muito emagrecidos, caqué�cos e desidratados. À palpação e percussão, é importante iden�ficar regiões dolorosas e, nos pacientes com IC direita ou doença hepá�ca de base, iden�ficar os limites do �gado, pois é comum, nestes pacientes, o aumento do tamanho desse órgão, condição denominada de hepatomegalia. O abdome doloroso ou distendido altera o padrão respiratório e pode comprometer a ven�lação pulmonar e a troca gasosa. Além disso, pacientes subme�dos a cirurgia abdominal alta têm comprome�mento da função diafragmá�ca e apresentam alteração da função pulmonar e da tosse, o que os predispõem a complicações pulmonares no período pós-operatório. Exame das extremidades As extremidades devem ser avaliadas em busca de sinais das doenças cardiorrespiratórias. Esses locais, principalmente os membros inferiores (MMII), devem ser inspecionados, para iden�ficar a presença ou não de edema,varizes, alteração da coloração da pele e baqueteamento digital. Também devem ser descritas quaisquer desproporções no tamanho e/ou volume dos membros, assim como a presença de sinais inflamatórios (flogís�cos). Os pulsos arteriais devem ser avaliados no exame das extremidades. As caracterís�cas básicas, que devem ser inves�gadas, são apresentadas no Quadro 14. Quadro 14 7,36 7 7 38 31 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 29/52 CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DA AVALIAÇÃO DOS PULSOS ARTERIAIS Frequência Alterações da FC podem ser detectadas pela palpação dos pulsos centrais e periféricos. Ritmo O avaliador deve descrever se os pulsos apresentam ritmo regular ou irregular. Localização Os pulsos devem ser avaliados em todos os locais onde podem ser palpados (caro�deo, temporal, braquial, radial, ulnar, abdominal, femoral, poplíteo, �bial posterior e pedioso). Simetria A amplitude de um pulso em um local de avaliação deve ser comparada com o mesmo pulso contralateral. Formato A avaliação do formato expressa a análise do contorno do pulso. Estudos das ondas de pulso, u�lizando técnicas invasivas, descreveram uma grande variedade de formatos. Entretanto, do ponto de vista clínico, essas alterações são di�ceis de serem percebidas. Amplitude Os pulsos podem ser classificados, de forma subje�va, como de amplitude normal, aumentada ou diminuída. O pulso arterial também pode apresentar amplitude variável, ba�mento a ba�mento. A amplitude deve ser examinada em pulsos de localização distal no sistema arterial. FC: frequência cardíaca. A perfusão periférica deve ser avaliada pela velocidade de enchimento capilar. O examinador deve pressionar breve e firmemente sobre a unha de um dos dedos das mãos e dos pés e contar o tempo necessário para o retorno do fluxo sanguíneo no leito capilar. O tempo de enchimento capilar normal é inferior a 3 segundos. Pacientes com redução do débito cardíaco (DC) apresentam tempo de enchimento capilar maior do que 3 segundos. Doenças arteriais obstru�vas periféricas (DAOPs) também podem comprometer o enchimento capilar. Quando a perfusão periférica está comprome�da, como em pacientes com IC e baixo DC, ou mesmo nos casos de choque, é possível se perceber, à palpação, a diminuição da temperatura nas extremidades. 7. Um paciente apresenta, ao exame �sico, aumento do diâmetro anteroposterior do tórax e horizontalização dos arcos costais. Essa descrição caracteriza o tórax A) cifó�co. B) brevilíneo. C) longilíneo. D) em tonel. Confira aqui a resposta 8. As afirma�vas a seguir apresentam condições clínicas associadas à ocorrência de sibilo. 31 31 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 30/52 I — Broncoespasmo. II — Tumores intraluminais. III — Fibrose pulmonar. IV — Pneumotórax hipertensivo. Quais estão corretas? A) Apenas a I e a II. B) Apenas a III e a IV. C) Apenas a I, a III e a IV. D) A I, a II, a III e a IV. Confira aqui a resposta 9. A ausculta pulmonar é parte fundamental do exame �sico do tórax e guia muitas das decisões terapêu�cas do fisioterapeuta. Correlacione a primeira coluna (ruído respiratório) à segunda coluna (seu significado clínico). (1) Sons pulmonares normais (2) Sibilo (3) Ronco (4) Crepitações ( ) Sons con�nuos, de tonalidade grave, audíveis na inspiração e na expiração, produzidos normalmente pelo estreitamento da via aérea com secreção. ( ) Sons descon�nuos, curtos e explosivos, gerados durante a inspiração pela abertura súbita de pequenas vias aéreas que se encontravam colapsadas e, na expiração, pelo fechamento das mesmas. ( ) Sons suaves, predominantemente inspiratórios e com componente expiratório mínimo, auscultado sobre a super�cie do tórax que corresponde ao parênquima pulmonar. ( ) Sons con�nuos e agudos, produzidos pela passagem do ar através de vias aéreas obstruídas por diversos fatores, como broncoespasmo, edema da mucosa e secreção na luz da via aérea. Assinale a alterna�va que apresenta a sequência correta. A) 1 — 2 — 3 — 4 B) 2 — 3 — 4 — 1 C) 3 — 4 — 1 — 2 D) 4 — 1 — 2 — 3 Confira aqui a resposta 10. Analise as afirma�vas a seguir a respeito dos sons anormais que podem ser percebidos na ausculta cardíaca. I — Sopro refere-se ao som produzido pelo turbilhonamento do fluxo sanguíneo quando este passar por uma valva cardíaca insuficiente ou estenosada. II — O sopro sistólico ocorre quando uma valva semilunar é insuficiente, ou quando uma valva atrioventricular é estenosada. III — O clique de ejeção sistólica é o som que acompanha a abertura da valva aór�ca durante a sístole. Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 31/52 IV — O clique mesossistólico ocorre com frequência em pacientes com prolapso da valva mitral (PVM). Quais estão corretas? A) Apenas a I e a II. B) Apenas a III e a IV. C) Apenas a I, a III e a IV. D) A I, a II, a III e a IV. Confira aqui a resposta 11. Assinale a alterna�va correta com relação ao exame das extremidades. A) Os sinais das doenças cardiorrespiratórias devem ser buscados principalmente nos MMSS. B) Desproporções no tamanho e/ou volume dos membros não são levados em consideração no exame das extremidades. C) Estudos das ondas de pulso u�lizando técnicas invasivas descreveram uma grande variedade de formatos, facilmente percebida no exame clínico. D) A amplitude de um pulso em um local de avaliação deve ser comparada com o mesmo pulso contralateral. Confira aqui a resposta ■ EXAMES COMPLEMENTARES Os exames complementares incluem a radiografia de tórax, a tomografia computadorizada (TC), a endoscopia respiratória (broncoscopia), o exame de escarro e a medida dos mediadores inflamatórios, os quais serão abordados a seguir. RADIOGRAFIA DE TÓRAX A radiografia de tórax é um dos exames mais u�lizados para o diagnós�co, avaliação e acompanhamento dos pacientes com doenças cardiorrespiratórias. Como todos os métodos de radiografia, a radiografia de tórax emprega radiação ionizante na forma de raios X para gerar imagens do tórax. As radiografias de tórax estão entre os filmes diagnós�cos mais realizados e muito úteis no diagnós�co de muitas doenças. Com o exame, é possível avaliar principalmente os pulmões, o tamanho e os contornos do coração, medias�no, pleura, diafragma e ossos da caixa torácica (costelas, esterno e vértebras). As principais incidências aplicadas a uma radiografia de tórax são a posteroanterior, a lateral, a anteroposterior, a anteroposterior em decúbito dorsal ou posição semiortostá�ca, o decúbito lateral, a anteroposterior lordó�ca, a oblíqua anterior e a oblíqua posterior. Cada incidência possui indicações específicas. O fisioterapeuta deve estar apto para iden�ficar os principais achados radiográficos, pois isso vai impactar diretamente em seu diagnós�co e no ato de LEMBRAR 39 39 Aa NP https://portal.secad.artmed.com.br/ https://secadartmed.zendesk.com/hc/pt-br 12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 32/52 traçar obje�vos e condutas para o tratamento do paciente, como, por exemplo, a presença de atelectasias, derrame pleural, pneumotórax,