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12/10/2021 22:29 AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO CRÔNICO - SECAD
https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 1/52
AVALIAÇÃO FÍSICO-FUNCIONAL DO
PACIENTE CARDIORRESPIRATÓRIO
CRÔNICO
ANDERSON JOSÉ
GÉRSON FONSECA DE SOUZA
■ INTRODUÇÃO
Pacientes com doença cardiorrespiratória crônica têm caracterís�cas bastante
diversificadas, pois, além de sua doença crônica, apresentam diversas comorbidades,
diferentes graus de comprome�mento pulmonar, cardíaco e sistêmico, sinais e
sintomas, apresentação clínica e uma variedade de caracterís�cas que torna cada
paciente um desafio terapêu�co único. Considerando esse fato, a avaliação
fisioterapêu�ca se torna um elemento indispensável para a abordagem de um
paciente com comprome�mento pulmonar ou cardiovascular crônico. Diante de uma
avaliação bem realizada, o fisioterapeuta pode traçar obje�vos e planejar um
tratamento adequado, de acordo com as necessidades de cada paciente.
Além do amplo conhecimento da fisiopatologia da doença, é necessária uma visão
clínica generalista do paciente, uma vez que uma dada situação cardiorrespiratória
pode levar a sintomas e complicações sistêmicas. Adicionalmente, a avaliação exige do
fisioterapeuta a disponibilidade de tempo suficiente para que o paciente seja avaliado
de forma completa, que pode variar de acordo com a complexidade do caso.
Entretanto, muitas vezes, essa necessidade entra em conflito com a disponibilidade do
profissional ou do serviço em que atua. Porém, a importância de uma avaliação bem
realizada deve ser um argumento suficiente para suplantar essa barreira da prá�ca
clínica.
Falhas na avaliação do paciente poderão trazer consequências diretas ao se traçar
planos de obje�vos a serem alcançados e de agravos evitados, uma vez que as
condutas poderão variar desde a condução de abordagens terapêu�cas inócuas até
abordagens que poderão prejudicar a saúde e a qualidade de vida do paciente.
Portanto, deve ser creditada a devida importância a uma avaliação bem estruturada e
bem conduzida de um paciente com um distúrbio cardiorrespiratório crônico, pois
esse é o primeiro passo para uma abordagem terapêu�ca bem-sucedida.
■ OBJETIVOS
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Ao final da leitura deste ar�go, o leitor será capaz de
 
compreender a importância da avaliação fisioterapêu�ca e os componentes
fundamentais para uma boa avaliação do paciente com doença cardiorrespiratória
crônica;
iden�ficar os principais exames clínicos e complementares, testes funcionais e
ques�onários de qualidade de vida aplicados nessa população;
elaborar um roteiro de avaliação cardiorrespiratória para pacientes com doença
cardiorrespiratória crônica.
■ ESQUEMA CONCEITUAL
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■ SINAIS E SINTOMAS
Os principais sinais e sintomas do paciente cardiorrespiratório crônico são: dispneia,
tosse, escarro, hemop�se, dor torácica, cianose, baqueteamento digital e aumento do
trabalho respiratório.
DISPNEIA
Dispneia é um termo usado para caracterizar a experiência subje�va de
desconforto respiratório, que consiste em sensações qualita�vamente dis�ntas
e variáveis em sua intensidade.
A dispneia deriva de interações entre múl�plos fatores fisiológicos, psicológicos,
sociais e ambientais, podendo induzir respostas comportamentais e fisiológicas
secundárias. A avaliação da intensidade da dispneia é muito importante, e, por isso,
diversas escalas foram propostas com essa finalidade. Entretanto, é necessário que se
faça uma dis�nção entre os conceitos de dispneia atual e dispneia usual.
A dispneia atual reflete as caracterís�cas do sintoma em um momento preciso, como
na vigência de uma exacerbação da doença. Já a dispneia usual refere-se às limitações
provocadas pelo sintoma na execução de a�vidades da vida diária (AVDs), como, por
exemplo, para subir escadas.
A avaliação da dispneia atual pode ser realizada por meio da escala visual analógica
(EVA), da escala numérica e da escala de percepção de esforço de Borg (CR10). A
dispneia usual, por sua vez, pode ser avaliada por meio de escalas desenvolvidas para
esse fim, como a escala do Medical Research Council (MRC), o Índice Basal de
Dispneia (BDI) e o Índice Transicional de Dispneia de Mahler, e do componente
referente à dispneia do Ques�onário de Doença Respiratória Crônica (CRQ) de
Guya�.
A dispneia pode ocorrer ou se intensificar quando o paciente adota o decúbito
horizontal ou reclinado (ortopneia), posiciona-se em decúbito lateral
(trepopneia), ou quando assume a posição ortostá�ca (pla�pneia).
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Dispneia de esforço é o nome dado ao surgimento ou agravamento da sensação de
dispneia por a�vidades �sicas, e dispneia paroxística noturna é o termo u�lizado para
definir a sensação de falta de ar que provoca a interrupção do sono, levando o
paciente a se sentar no leito ou mesmo a se levantar para se sen�r melhor.
TOSSE
A tosse é um mecanismo de defesa das vias aéreas, que pode ser produzida por
uma resposta reflexa ou por um ato voluntário.
A tosse eficaz deve apresentar uma sequência de eventos que permita gerar um alto
fluxo expiratório, e, por isso, é reconhecida como uma manobra de expiração forçada.
Inicialmente, o indivíduo deve fazer uma inspiração rápida e profunda. Em seguida, a
glote se fecha e a contração dos músculos expiratórios eleva a pressão intrapleural
para valores próximos de 300cmH O. Por úl�mo, com a abertura da glote,
estabelece-se um fluxo expiratório turbulento, com alta velocidade linear, capaz de
arrastar muco e material estranho para fora das vias aéreas. A tosse é classificada
em:
 
eficaz – capaz de expelir muco da via aérea;
ineficaz – não gera fluxo expiratório suficiente para expelir muco da via aérea;
seca – sem presença de secreção;
produ�va – com presença de secreção;
aguda – duração de até 3 semanas;
subaguda – duração de 3 a 8 semanas;
crônica – duração superior a 8 semanas.
ESCARRO
As vias aéreas inferiores produzem, em condições normais, aproximadamente 100mL
de muco diariamente. Essa produção é levada ao trato respiratório superior pelo
aparelho mucociliar, onde é deglu�do de forma impercep�vel.
Em pacientes com aumento da produção de secreção nas vias aéreas, a análise
do tempo de aparecimento da alteração, da coloração, das caracterís�cas �sicas
da secreção e do volume expectorado pode revelar informações importantes a
respeito de seu quadro clínico.
Em relação ao tempo de aparecimento, o início agudo normalmente é causado por
infecções virais do trato respiratório, afecções alérgicas e agudização de condições
crônicas, tais como asma e bronquite crônica. Infecções bacterianas, como as
pneumonias, causam produção de expectoração de início insidioso, aumentando
grada�vamente de volume em um período de dias a semanas. A eliminação de
secreção de forma crônica durante meses ou anos ocorre na bronquite crônica, na
asma e nas bronquiectasias.
A coloração fornece informação valiosa a respeito da causa da produção
aumentada de secreção.
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achados.
TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA
A tomografia computadorizada (TC), ou tomografia axial computadorizada (TAC), é um
exame complementar de diagnós�co por imagem, que consiste em imagens que
representam uma secção transversal do corpo. É ob�da por meio do processamento
computadorizado de informações recolhidas após a exposição do corpo a uma
sucessão de raios X. Seu método principal é estudar a atenuação de um feixe de raios
X durante seu trajeto através de um segmento do corpo.
A principal vantagem da TC é que ela permite o estudo de “cortes” ou secções
transversais do corpo humano, ao contrário do que é dado pela radiologia
convencional, que consiste na representação de todas as estruturas do corpo
sobrepostas, portanto, a percepção espacial é melhor e mais ní�da. Outra vantagem
consiste na maior dis�nção entre dois tecidos, pois a TC permite dis�nguir diferenças
de densidade da ordem de 0,5% entre tecidos, ao passo que na radiologia
convencional este limiar situa-se em torno de 5%. Dessa forma, é possível a detecção
de achados que não seriam visualizados em radiografias comuns, ou por meio de
métodos invasivos, consis�ndo, assim, em importante exame complementar.
Por meio da TC, o fisioterapeuta poderá encontrar diferentes imagens que o
auxiliarão a diagnos�car e acompanhar a evolução radiológica de achados
importantes, como, por exemplo, aprisionamento (sequestro) aéreo, bolhas,
broncogramas aéreos, bronquiectasias, consolidações, áreas enfisematosas,
massas e nódulos e opacidades, para poder então realizar sua tomada de decisão
quanto à melhor conduta terapêu�ca a ser adotada.
ENDOSCOPIA RESPIRATÓRIA (BRONCOSCOPIA)
A endoscopia respiratória, ou broncoscopia, é um exame que permite a visualização
das vias aéreas (fossas nasais, nasofaringe, laringe, traqueia e brônquios), é realizada
por meio de um broncoscópio.
O obje�vo da broncoscopia é auxiliar o diagnós�co de alterações na anatomia
da via aérea e doenças como tumores, infecções, estenoses e corpos estranhos,
entre outras. A broncoscopia também pode ser u�lizada para a realização de
biópsias do tecido pulmonar e coleta de secreção, ou seja, o lavado
broncoalveolar, que são enviados para análise laboratorial.
As indicações para a broncoscopia são variadas, entre elas, podem-se citar:
 
para a inspeção das vias aéreas – tosse persistente, hemop�se, atelectasia
persistente, dispneia persistente, estridor laríngeo, rouquidão, suspeita de �stula
traqueoesofágica, trauma de tórax e aspiração de corpo estranho;
para a avaliação funcional da laringe – problemas na movimentação das pregas
vocais, teste de deglu�ção e pesquisa de aspiração, ronco e apneia do sono;
para a coleta de material – tumores, doença inters�cial pulmonar, avaliação de
pacientes com transplante pulmonar, pneumonia recorrente, pneumonia hospitalar;
como auxílio na unidade de terapia intensiva (UTI) — auxílio à intubação,
posicionamento de cânula de traqueostomia ou orotraqueal, auxílio à
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traqueostomia, avaliação de pacientes com queimaduras, extubação em casos de
via aérea di�cil ou reintubação recorrente;
como medida terapêutica – aplicação de lêiser e eletrocautério, drenagem de
abscessos, dilatação de estenoses, remoção de corpos estranhos, tratamento de
sangramentos, �stulas, aplicação de órteses, higienização, remoção de rolhas de
secreção persistentes.
O fisioterapeuta necessita conhecer as indicações e a forma de realização e saber
interpretar os resultados de uma broncoscopia. Alguns achados podem orientar o
fisioterapeuta a adotar condutas específicas, como, por exemplo, abordagens
intensivas para a expansão pulmonar, no caso de atelectasias persistentes, ou
contraindicar outras condutas terapêu�cas, como no caso da presença de �stula
traqueoesofágica.
EXAME DE ESCARRO
O exame de escarro é um exame complementar, realizado de forma bastante comum
em pacientes com doenças respiratórias. Tem o obje�vo de iden�ficar os
microrganismos que causam alguma infecção e avaliar estados de alergias, e é
realizado como exame ro�neiro para pacientes que u�lizam medicações
imunossupressoras, an�bió�cos ou cor�costeroides por extensos períodos. Esta
avaliação também tem um fim diagnós�co, iden�ficando sensibilidade a
medicamentos, ou é u�lizada como um processo de determinado tratamento.
O exame de escarro é composto por duas partes: a análise macroscópica e a análise
microscópica. Na análise macroscópica, são avaliados o volume, a cor, a consistência
e o cheiro da secreção. A análise microscópica visa à iden�ficação de componentes
específicos. Na análise do escarro, após a coloração, é feito um esfregaço da prova de
escarro para se estudarem as células e as bactérias presentes.
Quanto ao �po de material expectorado, tem-se que a presença de poucas proteínas
e células e grande quan�dade de água e eletrólitos caracterizam o escarro seroso, que
tem aspecto aquoso e translúcido, semelhante à água. É �pico de infecções virais do
trato respiratório e em indivíduos atópicos. O escarro mucoide, ou mucoso, é
esbranquiçado e pouco viscoso, frequentemente encontrado em pacientes portadores
de bronquite crônica e asma brônquica, quando não há infecção bacteriana
superposta. Na asma brônquica, devido à grande quan�dade de eosinófilos presentes
na secreção, o escarro pode se apresentar com a coloração amarelada, porém, sem
significar infecção bacteriana.
O escarro purulento se caracteriza pela presença de piócitos, viscosidade aumentada
e coloração amarelada ou esverdeada. A infecção bacteriana é o maior exemplo de
escarro purulento, o qual também apresenta odor fé�do ou pútrido. O escarro
hemático é aquele que apresenta raias de sangue, comum em pacientes com
tuberculose pulmonar, neoplasia brônquica central e tromboembolismo pulmonar
(TEP). Também pode receber a denominação de escarro hemoptoico. A hemoptise
franca, ou seja, a eliminação de sangue vivo, também pode ocorrer nessas situações.
Quando a coloração é rósea e o aspecto é espumoso, aerado, suspeita-se de
congestão pulmonar, como a decorrente de EAP cardiogênico.
MEDIDA DOS MEDIADORES INFLAMATÓRIOS
Os mediadores químicos da inflamação consistem em moléculas envolvidas na
resposta inflamatória aguda, responsáveis por modular os eventos vasculares e
celulares ocorridos nesse processo. Essas substâncias podem ser sinte�zadas
localmente pelas células no local da inflamação, ou, ainda, podem ser produzidas pelo
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�gado e circular no plasma sanguíneo na forma de precursores ina�vos, que são
a�vados no local da inflamação.
A maior parte dos mediadores induz seus efeitos por meio da ligação a receptores
específicos nas células-alvo. Ou seja, podem atuar somente em um ou em alguns
alvos, ou, ainda, apresentar ações mais abrangentes, com efeitos dis�ntos, variando de
acordo com o �po celular que afetam. 
Muitos pacientes com doenças pulmonares crônicas, como, por exemplo, a DPOC,
apresentam um processo inflamatório sistêmico crônico, que se traduz em diversas
sequelas funcionais, como a perda de massa muscular, a diminuição da capacidade
funcional, a intolerância ao esforço e a ina�vidade.
Em situações agudas, os mediadores inflamatórios podem determinar a
gravidade do processo infeccioso e servem como indicadores de melhora do
quadro clínico. Portanto, o acompanhamento dos níveis dos mediadores
inflamatórios é importante para uma atuação profissionalcondizente com o
estado clínico do paciente. 
■ TESTES FUNCIONAIS
A seguir, serão abordados os testes funcionais que fazem parte da avaliação �sico-
funcional do paciente cardiorrespiratório crônico, quais sejam: espirometria, avaliação
da força dos músculos respiratórios (manovacuometria), teste de caminhada de seis
minutos (TC6min), shu�le walk test incremental (SWTI), shu�le walk test endurance
(SWTE) e o teste do degrau.
ESPIROMETRIA
A espirometria é um importante exame para o diagnós�co, a avaliação da condição
respiratória geral e a classificação funcional do paciente cardiorrespiratório crônico. É
um teste não invasivo, que mede os volumes pulmonares inspirados e expirados em
função do tempo. A par�r das mensurações resultantes da manobra, é possível
chegar aos principais diagnós�cos funcionais.
Com a espirometria, são detectados os distúrbios ven�latórios obstru�vos,
restri�vos e mistos. Ela deve ser parte integrante da avaliação de pacientes com
sintomas respiratórios ou doenças respiratórias conhecidas.
A técnica da espirometria consiste de uma manobra de esforço dependente, que exige
a compreensão e a colaboração do paciente, realizada com equipamentos precisos,
emprego de técnicas padronizadas e aplicada por pessoal especialmente treinado.
O examinador deve solicitar ao paciente uma inspiração máxima (sem ser rápida) e,
após a inspiração máxima, o paciente deve realizar um sopro “explosivo” e manter
esforço pelo tempo necessário, até não haver mais fluxo expiratório (Figura 11).
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Figura 11 — Paciente realizando espirometria.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.
Os valores ob�dos na espirometria devem ser comparados com os valores previstos
adequados para a população avaliada, que levam em consideração a idade, o sexo, a
altura e o peso. Ao final, o valor ob�do é comparado com o previsto, e expresso em
porcentagem do previsto.
A espirometria fornece uma série de informações sobre a função pulmonar de um
paciente. As informações mais importantes são:
 
capacidade vital forçada (CVF);
volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF )
relação VEF /CVF
fluxo expiratório forçado máximo ou o pico de fluxo expiratório (FEFmáx ou PFE)
fluxo expiratório forçado 25–75% (FEF 25–75%).
AVALIAÇÃO DA FORÇA DOS MÚSCULOS RESPIRATÓRIOS
(MANOVACUOMETRIA)
A manovacuometria é um teste realizado para mensurar as pressões respiratórias
está�cas máximas, que correspondem à força muscular dos músculos inspiratórios e
expiratórios. É realizada por meio de um equipamento chamado manovacuômetro
(Figura 12), que fornece duas medidas:
 
pressão inspiratória máxima (PImáx), que representa a força dos músculos
inspiratórios;
pressão expiratória máxima (PEmáx), que representa a força dos músculos
expiratórios.
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Figura 12 — Manuovacuômetro analógico.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.
A manovacuometria é importante quando há suspeita de redução da força
muscular respiratória ou para a complementação de um diagnós�co. Ela é
realizada quando há sinais e sintomas suges�vos de fraqueza muscular
respiratória, para a avaliação, prevenção ou acompanhamento de doenças em
que a fraqueza respiratória pode ocorrer.
As indicações para a realização da manovacuometria são:
 
diagnós�co diferencial de dispneia ou de distúrbios restri�vos;
disfunção dos músculos ven�latórios por outras doenças;
avaliação de resposta à fisioterapia e à reabilitação pulmonar;
avaliação pré-operatória;
avaliação de ap�dão para o desmame da ven�lação mecânica (VM).
O método para avaliação da PImáx é realizado a par�r do volume residual (VR). Nele,
o avaliador oclui a via aérea do paciente, que realiza um esforço inspiratório máximo
contra a via aérea ocluída (manobra de Müller). Esse esforço é man�do por 1 a 3
segundos. Trata-se de uma medida nega�va.
O método para avaliação da PEmáx é realizado a par�r da capacidade pulmonar total
(CPT). O avaliador oclui a via aérea do paciente, que realiza um esforço expiratório
máximo contra a via aérea ocluída (manobra de Valsalva). Esse esforço é man�do por 1
a 3 segundos. Trata-se de uma medida posi�va.
Há uma grande variabilidade entre os autores para os valores de referência para a
manovacuometria. Os fatores que influenciam nos resultados são principalmente a
idade e o sexo. A par�r dos resultados, é possível diagnos�car algumas disfunções dos
músculos respiratórios.
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TESTE DE CAMINHADA DE 6 MINUTOS
O TC6min é um teste clínico de campo, capaz de avaliar a capacidade funcional de
forma obje�va. É amplamente u�lizado na prá�ca clínica por ser de simples execução
e baixo custo.
O TC6min é adequado para avaliar a capacidade funcional do paciente, o
prognós�co e a evolução do impacto da doença, para determinar a resposta ao
tratamento e para avaliar a dessaturação durante o exercício.
O TC6min caracteriza-se por ser um teste submáximo que avalia as respostas globais
e integradas de todos os sistemas envolvidos no exercício (sistema pulmonar,
cardiovascular, circulação sistêmica e periférica, neuromusculares). Entretanto, em
pacientes mais graves, o teste a�nge uma caracterís�ca de teste máximo. No teste,
o ritmo da caminhada é dado pelo próprio paciente, que deve caminhar, sem correr, o
mais rápido possível durante 6 minutos em um terreno plano de 30 metros. O
principal desfecho é a distância percorrida, medida em metros.
SHUTTLE WALK TEST INCREMENTAL
O SWTI é um teste de caminhada cadenciado externamente por sinais sonoros. O
paciente deve caminhar em um terreno plano, com 10 metros de extensão (Figura 13),
ao ritmo de bips sonoros que fazem o paciente aumentar sua velocidade a cada
minuto. O principal desfecho do teste é a distância total percorrida medida em
metros.
Figura 13 — Esquema para a realização do SWTI e do
SWTE.
Fonte: Holland e colaboradores (2015).
O SWTI foi um teste desenvolvido inicialmente para se realizar em pacientes
com doença pulmonar obstru�va crônica (DPOC), porém, é u�lizado atualmente
também em diversas doenças respiratórias e cardiovasculares crônicas.
O SWTI é considerado um teste máximo, e pode ser u�lizado para a medida da
tolerância ao esforço quando o teste de esforço cardiopulmonar não está disponível.
Os obje�vos são determinar a tolerância ao esforço, a prescrição de exercício, a
avaliação da resposta a intervenções terapêu�cas e avaliação prognós�ca, uma vez
que o teste já demonstrou ser um forte preditor de mortalidade e readmissão
hospitalar.
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O SWTE é um teste de caminhada desenvolvido por meio de uma adaptação do
SWTI. O obje�vo é a avaliação da endurance (resistência) de pacientes com doenças
pulmonares e cardiovasculares crônicas. É um teste bastante sensível em detectarmudanças após intervenções terapêu�cas, devido a seu perfil submáximo.
Assim como no SWTI, no SWTE, o ritmo é determinado por sinais sonoros
externamente cadenciados, e deve ser realizado no mesmo circuito, com 10 metros de
distância, porém, a diferença está no fato de que o paciente caminha o maior tempo
possível a uma velocidade constante, ou seja, não há incrementos de carga durante o
teste.
A velocidade que será determinada para o paciente caminhar é calculada a par�r do
SWTI. De acordo com a distância percorrida neste teste, calcula-se o consumo de
oxigênio (VO ) por meio de uma equação previamente estabelecida. A velocidade em
que o paciente irá realizar o SWTE será a velocidade correspondente a 85% do VO
máximo a�ngido no SWTI. Seu principal desfecho é o tempo de realização do
teste. O Quadro 15 apresenta a comparação entre os dois testes.
Quadro 15
COMPARAÇÃO ENTRE O SHUTTLE WALK TEST INCREMENTAL E O SHUTTLE
WALK TEST ENDURANCE
SWTI SWTE
Cadenciado externamente Cadenciado externamente
Carga incremental Carga constante
Desfecho: distância Desfecho: tempo
DCMI 47,5m DCMI 65s ou 85m
Tempo máximo: 12’ Tempo máximo: 20’
Menos sensível às intervenções Mais sensível às intervenções
DCMI: diferença clínica minimamente importante.
Fonte: Adaptado de Holland e colaboradores (2015).47
TESTE DO DEGRAU
O uso do teste de caminhada e do teste no cicloergômetro possuem algumas
desvantagens. A caminhada, para acontecer, precisa de um espaço com pelo menos
10 metros, preferencialmente coberto, para oferecer proteção contra eventuais
problemas climá�cos, como chuva ou sol intenso. Adicionalmente, durante a execução
do teste de caminhada, podem surgir problemas com a adequada monitorização do
paciente e com o fornecimento de oxigenoterapia para os pacientes hipoxênicos. Já o
cicloergômetro é um equipamento de alto custo, o que faz com que ele não se torne
uma opção acessível financeiramente para muitos serviços.
O teste do degrau de 6 minutos (TD6min) surgiu como uma alterna�va ao
TC6min, porém, ele não é um teste que possibilita a avaliação da capacidade
máxima de exercício, em virtude de ser um teste autocadenciado e submáximo.
Para cumprir a função de simular um teste máximo, capaz de medir a capacidade
aeróbia, foi desenvolvido o Chester Step Test, inicialmente aplicado em pessoas em
saudáveis e, posteriormente, em pacientes com doenças cardiorrespiratórias e em
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pacientes hospitalizados. Entretanto, esse teste possui incrementos de carga muito
acentuados e, por conseguinte, extenuantes para os pacientes mais graves. Por essa
razão, foi desenvolvido o teste do degrau incremental (TDI), que se caracteriza por
possuir incrementos de carga mais suaves e, por isso, por ser mais bem tolerado pelos
pacientes.
O TDI é realizado em um degrau ou plataforma com 20 cen�metros de comprimento
e começa com uma intensidade de 10 degraus por minuto e com incrementos de
carga de um degrau a cada 30 segundos. O ritmo é externamente cadenciado por um
es�mulo sonoro previamente gravado. O teste é interrompido caso o paciente não
consiga acompanhar o ritmo sonoro, e seu desfecho principal é a quan�dade de
degraus que o paciente conseguiu realizar (Figura 14).
Figura 14 — TDI.
Fonte: Arquivo de imagens dos autores.
12. Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) sobre os exames complementares da
avaliação �sico-funcional do paciente cardiorrespiratório crônico.
( ) A radiografia de tórax é um dos exames mais u�lizados para o diagnós�co,
avaliação e acompanhamento dos pacientes com doenças cardiorrespiratórias.
( ) A TC permite a detecção de achados que não seriam visualizados em
radiografias comuns.
( ) Indica-se a broncoscopia quando é necessário realizar uma avaliação funcional
da traqueia.
( ) O exame de escarro também é realizado como exame ro�neiro para pacientes
que u�lizam medicações imunossupressoras, an�bió�cos ou cor�costeroides
por extensos períodos.
Assinale a alterna�va que apresenta a sequência correta.
 
A) V — V — F — F
B) V — V — F — V
C) F — F — V — V
D) F — V — V — V
Confira aqui a resposta
 
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13. Analise as afirma�vas a seguir com relação aos testes funcionais que fazem
parte da avaliação �sico-funcional do paciente cardiorrespiratório crônico.
I — A espirometria deve ser parte integrante da avaliação de pacientes com
sintomas respiratórios ou doenças respiratórias conhecidas.
II — Os fatores que influenciam nos resultados da manovacuometria são,
principalmente, a idade e o sexo.
III — No TC6min, o ritmo da caminhada é dado pelo examinador, e o paciente
deve percorrer 450m em até 6 minutos.
IV — Embora o TC6min seja caracterizado por ser um teste submáximo, que
avalia as respostas globais e integradas de todos os sistemas envolvidos no
exercício, em pacientes mais graves, o teste a�nge uma caracterís�ca de teste
máximo.
Quais estão corretas?
 
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a III e a IV.
C) Apenas a I, a II e a IV.
D) A I, a II, a III e a IV.
Confira aqui a resposta
 
14. Em relação aos testes SWTI e SWTE, assinale V (verdadeiro) ou F (falso).
( ) O SWTI é um teste de caminhada cadenciado externamente por sinais
sonoros. O paciente deve caminhar em um terreno plano, com 10 metros de
extensão, ao ritmo de bips sonoros que fazem o paciente aumentar sua
velocidade a cada minuto.
( ) O SWTI é realizado exclusivamente em pacientes com DPOC.
( ) Diferentemente do SWTI, o SWTE é um teste de perfil máximo.
( ) No SWTE, não há incrementos de carga durante o teste.
Assinale a alterna�va que apresenta a sequência correta.
 
A) V — V — F — F
B) V — F — F — V
C) F — V — V — F
D) F — F — V — V
Confira aqui a resposta
■ AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR PERIFÉRICA
Uma das principais manifestações extrapulmonares das doenças respiratórias crônicas
mais evidenciadas na DPOC é a disfunção muscular esquelética, que leva à perda de
massa e trofismo muscular. Ela está ligada à diminuição da capacidade de exercício,
que, juntamente com a dispneia, leva à ina�vidade �sica e está associada a um maior
risco de exacerbações e à mortalidade precoce.
As formas mais u�lizadas para avaliar a força muscular periférica de pacientes com
doenças respiratórias crônicas são a técnica de uma repe�ção máxima (1RM), a
avaliação isométrica por dinamometria, o teste de força por preensão palmar e a
avaliação isociné�ca.
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1 REPETIÇÃO MÁXIMA
A técnica de 1RM é a quan�dade máxima de carga que pode ser realizada em uma
execução de movimento. Esse movimento deve ser controlado e executado
corretamente, u�lizando equipamento adequado, em uma amplitude de movimento
(ADM) completa e em postura adequada, ou seja, sem falha na mecânica do
movimento, para, assim, determinar a carga máxima que esse indivíduo consegue
realizar. O teste termina quando o indivíduo não consegue realizar o movimento
completo e de forma correta. A carga considerada máxima é aquela anterior à que não
foi realizada corretamente.
Deve-se tentar es�mar a carga máxima do indivíduo antes de realizar o teste, a fim de
diminuir as repe�ções de movimentomuscular para cada tenta�va e, assim, diminuir o
número de tenta�vas. Portanto, a experiência do examinador é importante para
determinar uma carga inicial para o teste. O aumento da carga pode variar em função
do recurso que está sendo u�lizado para realizar o teste e do músculo que está sendo
examinado. Para uma boa recuperação do músculo que está sendo testado, um
repouso entre cada nova tenta�va deve ser estabelecido. Esse tempo deve estar entre
2 a 5 minutos.
AVALIAÇÃO ISOMÉTRICA POR DINAMOMETRIA
A avaliação isométrica por dinamometria é uma forma de mensuração da força
muscular periférica realizada por meio de um dinamômetro, que mede o pico de força
máxima isométrica de um dado grupo muscular.
A avaliação isométrica por dinamometria também estabelece 1RM, porém, não há a
realização do movimento, apenas a contração muscular, que é mensurada por meio de
um mecanismo de molas, que se refere à carga máxima realizada uma única vez, e de
forma correta, durante a realização de um exercício padronizado (Figura 15).
Figura 15 — Dinamômetro isométrico.
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Fonte: Arquivo de imagens dos autores.
Na avaliação isométrica por dinamometria, devem ser realizadas no mínimo três
contrações musculares isométricas para cada grupo muscular testado, com um
intervalo de repouso entre 2 a 5 minutos entre elas, sendo considerado o maior
valor. Caso a úl�ma contração apresentasse um valor maior do que 5% da
penúl�ma medida, um novo teste deverá ser realizado, e assim
sucessivamente.
TESTE DE FORÇA ISOMÉTRICA POR PREENSÃO PALMAR
O teste de força isométrica por preensão palmar é um teste de força importante,
porque a força muscular avaliada pela força de preensão palmar é um marcador de
risco para a doença cardiovascular e um preditor de mortalidade. Pacientes com
DPOC e com doença cardíaca apresentam diferença na força de preensão palmar
quando comparados com indivíduos saudáveis.
O teste de força isométrica por preensão palmar é realizado por meio de
dinamômetros manuais, que são fáceis de usar, são portáteis e apresentam baixo
custo. Para uma correta avaliação, é necessária uma padronização do teste no que diz
respeito à técnica de realização.
Em pacientes com DPOC, a força isométrica não está associada ao estado
funcional dos pacientes, portanto, recomenda-se que a avaliação da força
desses pacientes não seja apenas realizada pela técnica de preensão palmar,
mas também pela força de quadríceps.
AVALIAÇÃO ISOCINÉTICA
A avaliação isociné�ca é um teste mais usualmente empregado em pesquisas
cien�ficas e em centros de treinamento de atletas de alto rendimento, porque possui
um alto custo e necessita de equipe treinada e familiarizada com o teste.
A avaliação isociné�ca fornece informações mais detalhadas sobre a ação muscular,
como os valores de torque, do trabalho e da potência dos músculos avaliados.
O dinamômetro isociné�co é um disposi�vo computadorizado, e a força exercida pelo
grupo muscular testado varia durante o arco do movimento, conforme sua amplitude.
O método de avaliação consiste em realizar o teste com constante e pré-
determinada. Quando u�lizado para testes em pacientes com doenças crônicas, o
músculo dos MMII mais comumente avaliado é o quadríceps, e o músculo mais
avaliado para os MMSS é o bíceps braquial.
■ QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define qualidade de vida como a percepção
do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos
quais ele vive e em relação a seus obje�vos, expecta�vas, padrões e preocupações.
As doenças pulmonares crônicas apresentam sintomas e limitações importantes que
refletem diretamente na qualidade de vida desses pacientes. O interesse em se medir
a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) vem do fato de que aumentar a
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LEMBRAR
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sobrevida de forma quan�ta�va não necessariamente significava melhorar a qualidade
de vida dos pacientes.
A avaliação da QVRS é uma tarefa complexa. Um instrumento adequado deve
ser escolhido de acordo com o �po de paciente e suas par�cularidades.
Os ques�onários u�lizados para mensurar a QVRS podem ser genéricos ou
específicos. Os questionários genéricos avaliam de uma maneira mais ampla e podem
ser usados em diferentes indivíduos, com diferentes doenças. Entre os já validados
para a população brasileira, podem ser citados o World Health Organiza�on Quality of
Life Assessment Instrument (WHOQOL) e o Short-Form Health Survey (SF-36).
Os questionários especí�cos são capazes de avaliar domínios problemá�cos para
cada doença, ressaltando o quanto sua doença impacta na qualidade de vida e o
quanto uma intervenção terapêu�ca pode alterar esse estado. Entre os validados para
a população brasileira, citam-se St. George’s Respiratory Ques�onnaire (SGRQ), o
Chronic Respiratory Ques�onnaire (CRQ), o Asthma quality of life ques�onnaire
(AQLQ), o Cys�c Fibrosis quality of life ques�onnaires (CFQ) e o Minnesota
Living with Heart Failure Ques�onnaire (MLHFQ).
Na prá�ca clínica, alguns ques�onários foram eleitos por sua pra�cidade e facilidade
de aplicação. Os ques�onários mais u�lizados atualmente estão descritos a seguir.
 
WHOQOL-100 é um ques�onário genérico para a mensuração da QVRS. Consiste
em 100 perguntas referentes a seis domínios: �sico, psicológico, nível de
independência, relações sociais, meio ambiente e espiritualidade.
SF-36 é um ques�onário genérico de avaliação, de fácil administração e
compreensão, e amplamente u�lizado em várias populações. É um instrumento
mul�dimensional, composto por 36 itens que abrangem oito conceitos de saúde:
capacidade funcional, aspectos �sicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade,
aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental.
SGRQ é um ques�onário específico, desenvolvido para o uso em pacientes com
DPOC, para mensurar o impacto na saúde em geral, vida diária e percepção de
bem-estar e suas respostas ao tratamento. Apesar de ter sido desenvolvido para
avaliar pacientes com DPOC, ele é u�lizado também para avaliar pacientes com
outras doenças cardiorrespiratórias. Também aborda aspectos relacionados com
três domínios: sintomas, a�vidades e impactos psicossociais.
CRQ é um instrumento específico que mensura tanto aspectos �sicos como
emocionais da doença respiratória crônica e tem sido amplamente u�lizado em
pacientes com DPOC. Ele apresenta seus resultados em quatro domínios: dispneia,
fadiga, função emocional, controle/domínio.
MLHFQ é uma ferramenta de avaliação da QVRS, da limitação em realizar AVDs e
das respostas de uma intervenção terapêu�ca em pacientes com IC.
15. Analise as afirma�vas a seguir a respeito da avaliação da força muscular
periférica.
I — Na técnica de 1RM, a experiência do examinador é importante, pois é
necessário que se es�me a carga máxima do indivíduo antes de realizar o
teste.
II — Na avaliação isométrica por dinamometria, devem ser realizadas no mínimo
três contrações musculares isométricas para cada grupo muscular testado,
sem intervalo de repouso.
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https://portal.secad.artmed.com.br/artigo/avaliacao-fisico-funcional-do-paciente-cardiorrespiratorio-cronico 44/52III — Pacientes com DPOC devem ser avaliados exclusivamente pela técnica de
preensão palmar.
IV — A avaliação isociné�ca é um teste mais frequentemente empregado em
pesquisas cien�ficas e em centros de treinamento de atletas de alto
rendimento, uma vez que possui um alto custo e necessita de equipe treinada
e familiarizada com o teste.
Quais estão corretas?
 
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a III e a IV.
C) Apenas a I e a IV.
D) Apenas a II e a III.
Confira aqui a resposta
 
16. As doenças pulmonares crônicas apresentam sintomas e limitações
importantes que, como consequência, refletem diretamente nas a�vidades dos
pacientes e repercutem em diminuição da qualidade de vida dos pacientes.
Assinale a alterna�va correta sobre a qualidade de vida desses pacientes.
A) A reabilitação de um paciente com doença cardiorrespiratória crônica não
repercute em melhora em sua qualidade de vida.
B) A avaliação da qualidade de vida é uma tarefa complexa, e exige o
conhecimento do examinador para escolher o ques�onário mais adequado
para cada �po de paciente.
C) Os ques�onários disponíveis para avaliar a qualidade de vida são bastante
similares entre si e avaliam sempre os aspectos �sicos, sociais, emocionais e
respiratórios.
D) Um bom ques�onário de qualidade de vida é aquele mais extenso e
detalhado, pois, dessa forma, irá abranger mais aspectos da vida do paciente
e fará uma avaliação mais completa.
Confira aqui a resposta
■ CASOS CLÍNICOS
A seguir, apresentam-se dois casos clínicos com vistas à prá�ca do conteúdo
apresentado neste ar�go.
CASO CLÍNICO 1
Um paciente com crise asmá�ca foi encaminhado para a avaliação
fisioterapêu�ca. O fisioterapeuta descreveu o seguinte: paciente apresenta-se
taquipneico, usando a musculatura respiratória acessória, com tosse produ�va e
expectoração amarelada. Na ausculta pulmonar, os sons pulmonares normais
estão presentes, com sibilos expiratórios difusos.
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17. Explique o significado de cada achado iden�ficado pelo examinador durante
o exame �sico do paciente.
Confira aqui a resposta
CASO CLÍNICO 2
Um paciente com DPOC, 68 anos de idade, sexo masculino, ex-tabagista,
estável clínicamente e hemodinamicamente, sem doença cardiovascular e sem
limitações ortopédicas ou neuromusculares, é encaminhado para iniciar um
programa de reabilitação pulmonar.
18. Informe quais testes funcionais deverão ser realizados e explique o porquê
da escolha de cada teste.
Confira aqui a resposta
■ CONCLUSÃO
A avaliação clínica é o processo sistema�zado de coleta de informações sobre o
estado de saúde do paciente, e tem como obje�vo iden�ficar os problemas
decorrentes de alterações da função de órgãos e sistemas e, dessa forma, fornecer
subsídios para elaborar o adequado plano de tratamento, bem como avaliar o efeito
da aplicação deste. Toda a avaliação é dividida em duas partes dis�ntas, mas que se
complementam: a anamnese (ou entrevista do paciente) e o exame �sico. Para que o
profissional possa definir os problemas do paciente corretamente, é necessário o
conhecimento amplo da fisiopatologia e dos sinais e sintomas das doenças
cardiovasculares e pulmonares crônicas.
Somente com uma avaliação completa dos distúrbios ciné�co-funcionais auxiliada
pelo conhecimento do fisioterapeuta é que poderá ser realizado um correto
diagnós�co fisioterapêu�co, o planejamento dos obje�vos a serem a�ngidos e a
tomada de decisão sobre as condutas a serem adotadas.
■ RESPOSTAS ÀS ATIVIDADES E COMENTÁRIOS
A�vidade 1
Resposta: C
Comentário: A dispneia é uma sensação subje�va, ou seja, percebida pelo paciente.
Dessa forma, não cabe ao examinador definir sua ocorrência ou não. A intensidade da
dispneia pode ser medida por inúmeras escalas propostas na literatura. Nem todo
paciente sente alívio com o repouso, e, em pacientes com ortopneia, o decúbito
horizontal intensifica a dispneia.
A�vidade 2
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Resposta: B
Comentário: A afirma�va II descreve a tosse decorrente de uma infecção bacteriana.
O diagnós�co de hemop�se não depende da quan�dade de sangue eliminado,
variando desde o escarro com estrias de sangue até a hemop�se maciça.
A�vidade 3
Resposta: B
Comentário: A cianose é causada pela diminuição da oxigenação do sangue. São os
níveis capilares de hemoglobina não saturada com oxigênio que produzem cianose
clinicamente evidente. É a cianose periférica que pode ser decorrente da exposição ao
frio, e não a central.
A�vidade 4
Resposta: B
Comentário: A HMA é a descrição detalhada do mo�vo pelo qual o paciente está
procurando ajuda profissional, seja um médico ou fisioterapeuta. Ela deve ser a mais
detalhada possível, concisa e narrar cronologicamente os acontecimentos.
A�vidade 5
Resposta: B
Comentário: Nos casos de estupor, consegue-se despertar o indivíduo com es�mulos
vigorosos e repe�dos, mas ele volta à condição anterior logo após a interrupção
desses es�mulos.
A�vidade 6
Resposta: A
Comentário: É necessário que se faça a comparação da FC com a FP, pois nem
sempre serão equivalentes. Não se comunica a avaliação da FR ao paciente, sob pena
de ele, inconscientemente, alterar seu padrão respiratório.
A�vidade 7
Resposta: D
Comentário: Uma deformidade de tórax do �po tonel é uma alteração caracterís�ca
de pacientes com DPOC hiperinsuflados. Com o passar do tempo, há a instalação
crônica dessa deformidade nos pacientes, caracterizada por um aumento do diâmetro
do tórax no sen�do anteroposterior e lateral, em virtude da horizontalização das
costelas.
A�vidade 8
Resposta: A
Comentário: Em casos de fibrose pulmonar, serão ouvidas crepitações, e, em casos de
pneumotórax hipertensivo, será ouvido o sopro anfórico.
A�vidade 9
Resposta: C
Comentário: A ausculta pulmonar é um exame simples e de fácil execução. A correta
iden�ficação dos ruídos respiratórios normais e anormais permite ao fisioterapeuta
elaborar planos de tratamento adequados para corrigir as alterações pulmonares
decorrentes das doenças cardiorrespiratórias, bem como avaliar a resposta do
paciente ao tratamento aplicado. De acordo com as recomendações da ERS, o termo
“sons pulmonares normais” deve ser u�lizado para descrever os sons auscultados nas
regiões do tórax, que correspondem ao parênquima pulmonar. A maioria dos ruídos
respiratórios adven�cios auscultados em pacientes com doenças cardiorrespiratórias
pode ser dividida em dois grupos, o de ruídos con�nuos (roncos e sibilos) e o de
ruídos descon�nuos (crepitações).
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A�vidade 10
Resposta: C
Comentário: A afirma�va II está incorreta porque descreve o sopro diastólico, e não o
sistólico.
A�vidade 11
Resposta: D
Comentário: São os MMII que devem ser especialmente inspecionados, para se
iden�ficar a presença ou não de edema, varizes, alteração da coloração da pele e
baqueteamento digital. Desproporções no tamanho e/ou volume dos membros devem
ser descritas pelo examinador, pois podem ser indica�vas de doenças
cardiorrespiratórias. Embora estudos das ondas de pulso u�lizando técnicas invasivas
tenham descrito uma grande variedade de formatos, essas alterações são di�ceis de
serem percebidas clinicamente.
A�vidade 12
Resposta: B
Comentário:A broncoscopia está indicada para a avaliação da laringe, e não da
traqueia.
A�vidade 13
Resposta: C
Comentário: No TC6min, o ritmo da caminhada é dado pelo próprio paciente, que
deve caminhar, sem correr, o mais rápido possível, durante 6 minutos em um terreno
plano de 30 metros. O principal desfecho é justamente a medida da distância
percorrida pelo paciente.
A�vidade 14
Resposta: B
Comentário: O SWTI foi inicialmente desenvolvido para ser realizado em pacientes
com DPOC, mas, atualmente, também é u�lizado em várias outras doenças
respiratórias e cardiovasculares crônicas. O SWTE caracteriza-se por ser um teste de
perfil submáximo, ao contrário do SWTI, que é um teste máximo.
A�vidade 15
Resposta: C
Comentário: Na avaliação isométrica por dinamometria, o paciente deve realizar no
mínimo três contrações musculares isométricas para cada grupo muscular testado,
com um intervalo de repouso entre 2 a 5 minutos entre elas. Em pacientes com
DPOC, a força isométrica não está associada ao estado funcional dos pacientes, e, por
isso, indica-se que a avaliação da força desses pacientes não seja apenas realizada
pela técnica de preensão palmar, incluindo, também, a avaliação de força do
quadríceps.
A�vidade 16
Resposta: B
Comentário: Há muitos ques�onários de QVRS disponível e validado para a aplicação
na população brasileira, mas, não necessariamente, o maior e mais detalhado é o
melhor. O fisioterapeuta deve ter amplo conhecimento das ferramentas disponíveis
para realizar essa avaliação e conhecer seu paciente e a doença. Apenas assim ele
poderá selecionar o ques�onário mais adequado para cada �po de paciente, para
realizar uma avaliação eficaz.
A�vidade 17
Resposta: A taquipneia significa que o paciente apresenta uma FR acima da faixa de
normalidade; o uso dos músculos acessórios da respiração evidencia o aumento do
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esforço respiratório e a necessidade de recrutar uma musculatura auxiliar para
executar o trabalho ven�latório; a tosse produ�va mostra a presença de secreção
excessiva nas vias aéreas — e a expectoração amarelada em um paciente asmá�co
pode ser devido ao aumento da quan�dade de eosinófilos na secreção, não estando
necessariamente associada a infecção bacteriana; finalmente, a presença de sibilos
expiratórios difusos à ausculta pulmonar é decorrente da obstrução do fluxo aéreo
nos brônquios. Pode-se observar, nesta síntese de uma avaliação de um paciente com
uma doença pulmonar, como a condução cuidadosa e criteriosa de um exame �sico
pode revelar diversas informações, que serão fundamentais para o correto diagnós�co
funcional, e com isso, facilitar a elaboração de planos de tratamentos que atendam as
reais necessidades do paciente.
A�vidade 18
Resposta: Os testes funcionais que deverão ser realizados são o TC6min ou o SWTE,
para a avaliação da tolerância ao esforço, o SWTI, para a avaliação da capacidade
máxima e de limitações ao exercício, a manovacuometria, para a avaliação da força
dos músculos respiratórios, a espirometria, para determinar a gravidade da doença e o
grau de obstrução das vias aéreas, e a avaliação da qualidade de vida, para verificar se
o tratamento proposto está repercu�ndo também em bene�cios de percepção de
incremento da qualidade na vida do paciente. A realização dos exames e testes
descritos seria uma situação ideal para o início e para a avaliação dos resultados de
um programa de reabilitação cardiopulmonar. Enquanto algumas avaliações são
bastante fáceis de serem realizadas e de baixo custo (avaliação da qualidade de vida),
outras são mais di�ceis e de custo mais elevado (espirometria). Por essa razão, alguns
serviços não possuem condições ou equipamentos para a realização de todos os
testes. Dada essa situação, não está contraindicado o início de um programa de
reabilitação, entretanto, deve-se redobrar a atenção durante o treinamento �sico, a
fim de se evitar riscos para o paciente.
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Como citar a versão impressa deste documento
José A, Souza GF. Avaliação �sico-funcional do paciente cardiorrespiratório
crônico. In: Associação Brasileira de FisioterapiaCardiorrespiratória e Fisioterapia
em Terapia Intensiva; Mar�ns JA, Karsten M, Dal Corso S, organizadores. PROFISIO
Programa de Atualização em Fisioterapia Cardiovascular e Respiratória: Ciclo 4.
Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2018. p. 9–64. (Sistema de Educação
Con�nuada a Distância, v. 3).
Marcar como concluído
ARTIGO 
dislipidemias
e exercíc…
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O escarro seroso (aquoso e translúcido) é �pico de infecções virais do trato
respiratório. O escarro mucoide ou mucoso é esbranquiçado e pouco viscoso,
frequentemente encontrado em pacientes com asma e bronquite crônica. No paciente
asmá�co, o escarro pode se apresentar amarelado, mesmo quando não há infecção
bacteriana das vias aéreas, devido a grande quan�dade de eosinófilos na secreção. O
escarro purulento tem odor fé�do e coloração amarelada ou esverdeada, sendo
associado a quadros de infecção bacteriana. A expectoração rósea espumosa está
associada a quadros de congestão pulmonar, como no edema agudo de pulmão (EAP)
cardiogênico.
As duas caracterís�cas �sicas principais do muco são a viscosidade, que é a tendência
de o muco resis�r ao escoamento, e a elasticidade, que é a tendência para o gel
recuperar sua forma original após a deformação induzida pelo estresse. O estudo
detalhado dessas propriedades �sicas (reologia do muco) é restrito ao ambiente de
pesquisa. Na prá�ca clínica, o fisioterapeuta descreve se o muco é pouco ou muito
viscoso.
A secreção expectorada, quando possível, deve ser coletada em um recipiente, para se
proceder à medida do volume em mililitros. Quando não for possível, o fisioterapeuta
u�lizará na prá�ca clínica uma medida muito subje�va de volume de secreção
expectorada, classificando-a em pequena, média e grande quan�dade, embasando-se
apenas na observação.
HEMOPTISE
Hemop�se é a eliminação, por meio da tosse, de sangue proveniente das vias
aéreas. A eliminação pode ser exclusivamente de sangue ou de sangue
associado à secreção.
O diagnós�co de hemop�se independe da quan�dade de sangue eliminado, podendo
variar desde escarro com estrias de sangue até hemop�se maciça (volume superior a
300mL em 24 horas). É importante diferenciar a hemop�se do sangramento
proveniente do trato diges�vo alto (hematêmese), que frequentemente é precedido
de náuseas e vômitos, e no qual o sangue pode estar misturado a restos alimentares.
DOR TORÁCICA
Mecanismos diversos estão envolvidos com a ocorrência de dor torácica. O Quadro 1
apresenta as caracterís�cas da dor e as principais causas deste sintoma.
Quadro 1
CARACTERÍSTICAS DA DOR E SUAS PRINCIPAIS CAUSAS
Angina pectoris
Dor causada por isquemia miocárdica, relatada como
sensação de peso ou compressão na região
precordial, com limites mal definidos. Mais
frequentemente é localizada na região retroesternal
ou precordial, podendo ser irradiada para o membro
superior esquerdo, epigástrio, dorso, pescoço,
mandíbula e, menos frequentemente, para o membro
superior direito.
O paciente pode localizar a dor colocando o punho
cerrado sobre o precórdio (sinal de Levine).
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A intensidade é variável e nem sempre está
relacionada ao grau de isquemia.
Os principais fatores desencadeantes são esforço
�sico, emoções, frio e refeição copiosa.
A duração geralmente é curta, não ultrapassando 5
minutos, e melhora com repouso e uso de
medicações vasodilatadoras sublinguais
Infarto agudo do
miocárdio (IAM)
A dor resultante do IAM é semelhante à da angina
pectoris, porém, mais intensa e com maior duração
(mais de 30 minutos). Essa dor está geralmente
associada a outros sintomas, como náuseas e
vômitos. Em geral, não é precedida por fatores
desencadeantes.
Pericardite Produz dor localizada na região retroesternal,
ven�latório dependente, ou seja, que piora com a
inspiração profunda e com a tosse. Pode apresentar
irradiação para os ombros, dorso e pescoço.
Quando associada a derrame pericárdico, o paciente
obtém alívio quando adota a posição sentada, com
inclinação do tronco para a frente (sinal
patognomônico).
Dissecção da aorta Causa dor súbita, de forte intensidade na região
medioesternal, seguindo o trajeto da artéria aorta.
Pode irradiar para o dorso (região interescapular).
Doenças pulmonares e
pleurais
Causam a dor denominada pleurí�ca, que é
ven�latório dependente, localizada no hemitórax com
comprome�mento pleural.
É caracterizada como sensação de peso ou pontada.
Surge quando o processo inflamatório decorrente de
pleurites e pneumonias a�nge a pleura parietal, que é
ricamente inervada.
Outra causa de dor pleurí�ca é o pneumotórax de
grande volume.
Lesão
neuromusculoesquelética
A dor é caracterizada pela piora com a compressão
local, com os movimentos respiratórios, ou com a
movimentação dos membros superiores, da cintura
escapular e do tronco.
Em pacientes com dor musculoesquelé�ca, é comum
o relato de a�vidade �sica repe��va ou não usual.
Sua intensidade pode variar desde discreta até o
desconforto intenso e persistente, durando de horas
a dias.
Quando associada ao espasmo muscular, o paciente
mantém postura antálgica.
Doença do aparelho
digestivo
Doenças do esôfago, como esofagite de refluxo ou
espasmo esofágico, causam dor ou desconforto
retroesternal, comumente acompanhada por outros
sintomas, como disfagia, pirose e eructação.
A dor no epigástrio e na base do tórax está associada
à úlcera pép�ca, à colecistopa�a e à pancrea�te.
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CIANOSE
A cianose é a coloração de tom azulado da pele, mucosas e leito ungueal, e é
causada pela diminuição da oxigenação do sangue. Os níveis necessários de
hemoglobina não saturada com oxigênio, para produzir cianose clinicamente
evidente, ainda causam confusão, pelo fato de serem os níveis capilares, não os
arteriais, que produzem a cianose.
Outra questão a ser considerada é que são os valores absolutos de hemoglobina não
oxigenada (em g/dL), e não os rela�vos (em porcentagem), que determinam o
surgimento de cianose clinicamente evidente. São necessários pelo menos 5g/dL de
hemoglobina insaturada (não ligada ao oxigênio) para que cianose seja visível.
Devido a isso, pacientes com anemia grave e baixa saturação da hemoglobina com
oxigênio (SaO ) podem não apresentar cianose, enquanto pacientes com policitemia
apresentam cianose em níveis mais elevados de SaO . A cianose pode ser
classificada como central, periférica e mista, conforme apresenta o Quadro 2.
Quadro 2
CLASSIFICAÇÃO DA CIANOSE
Cianose
central
Desoxigenação do sangue arterial causada por diminuição da PaO no
ar inspirado, por doenças que diminuem a ven�lação e a oxigenação
pulmonar, por doenças cardíacas com shunt da direita para a esquerda e
por formas anormais da hemoglobina, como a meta-hemoglobina.
Cianose
periférica
Causada por maior extração de oxigênio do sangue nos tecidos
periféricos, podendo ser generalizada (em decorrência de hipotensão
grave) ou localizada (obstrução arterial, trombose venosa ou exposição
ao frio).
Cianose
mista
Associação dos mecanismos presentes na cianose central e periférica,
como, por exemplo, no paciente com insuficiência cardíaca esquerda e
hipotensão grave associada.
PaO : pressão parcial de oxigênio.
BAQUETEAMENTO DIGITAL
Os dedos em baqueta de tambor (Figura 1) são caracterizados pelo alargamento das
falanges distais dos dedos das mãos ou dos pés e um aumento no ângulo na região de
onde surge a unha. Desenvolvem-se ao longo do tempo em pacientes que sofrem de
doenças crônicas pulmonares (câncer de pulmão, abscesso pulmonar, fibrose
pulmonar e bronquiectasia), cardíacas e hepá�cas. As causasnão são claras, mas
parecem estar associadas ao aumento de tecido conjun�vo vascularizado e de edema
inters�cial na região subungueal dos dedos.
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Figura 1 — Baqueteamento digital.
Fonte: Adaptada de Farmácia Saúde (2011).
SINAIS DE AUMENTO DO TRABALHO RESPIRATÓRIO
Condições que causam aumento do esforço respiratório provocam, em geral, aumento
da frequência respiratória (FR), recrutamento dos músculos acessórios da respiração e
�ragens.
O uso dos músculos acessórios da respiração é facilmente iden�ficado pela
observação da contração dos músculos esternocleidomastoideo e trapézio na região
do pescoço durante a inspiração. O recrutamento dos músculos acessórios da
respiração pode ser normal, quando o indivíduo precisa aumentar seu nível de
ven�lação em resposta ao esforço �sico. Entretanto, em situações de doença
pulmonar ou cardíaca, o esforço respiratório pode estar aumentado, mesmo com o
indivíduo em repouso.
Tiragem é o termo usado para descrever as retrações inspiratórias que ocorrem
na pele da parede do tórax quando, devido ao aumento do trabalho
respiratório, a contração dos músculos inspiratórios gera uma diminuição
acentuada da pressão intratorácica. As �ragens podem ser classificadas de
acordo com a região do tórax onde é observada: �ragem de fúrcula, intercostal,
supraclavicular e diafragmá�ca.
1. A dispneia é um sintoma comum em pacientes com doenças
cardiorrespiratórias. Sobre esse sintoma, é correto afirmar que
A) ele só deve ser considerado clinicamente importante se o examinador
verificar sua ocorrência pela observação de algum sinal de desconforto
respiratório.
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B) não existe nenhuma forma de quan�ficá-lo.
C) é o paciente que deve relatar sua sensação, justamente por ser uma
sensação subje�va, e que esta deve sempre ser valorizada pelo examinador.
D) todo paciente com dispneia sente alívio quando repousa em decúbito
horizontal ou reclinado.
Confira aqui a resposta
 
2. Analise as afirma�vas a seguir a respeito dos sinais e sintomas do paciente
cardiorrespiratório crônico.
I — A tosse subaguda apresenta duração de 3 a 8 semanas.
II — Nas infecções virais, a tosse com expectoração é de início insidioso,
aumentando grada�vamente de volume em dias ou semanas.
III — No paciente asmá�co, nem sempre o escarro amarelo indica infecção
bacteriana, uma vez que pode ser decorrente da grande quan�dade de
eosinófilos na secreção.
IV — O diagnós�co de hemop�se depende da quan�dade de sangue eliminado.
Quais estão corretas?
 
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a I e a III.
C) Apenas a III e a IV.
D) Apenas a II, a III e a IV.
Confira aqui a resposta
 
3. Assinale a alterna�va correta com relação à cianose.
A) A cianose é a coloração de tom azulado da pele, causada pelo aumento da
oxigenação do sangue.
B) Pacientes com anemia grave e baixa SaO podem não apresentar cianose.
C) São os níveis arteriais de hemoglobina não saturada com oxigênio que
produzem a cianose.
D) A cianose central pode ser causada pela exposição ao frio.
Confira aqui a resposta
■ ANAMNESE
A anamnese é o momento em que o fisioterapeuta entrevista o paciente,
buscando colher o máximo de informações sobre sua história clínica.
Uma anamnese pode ser guiada pelas par�cularidades que surgem durante a
entrevista, tornando-a única e sem um roteiro fixo para sua realização. Entretanto, os
principais e obrigatórios elementos de uma anamnese são apresentados no Quadro
3.
Quadro 3
ELEMENTOS PRINCIPAIS E OBRIGATÓRIOS DE UMA ANAMNESE
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Identi�cação do paciente: Deve conter o nome completo, naturalidade, estado civil,
sexo, local e data de nascimento, profissão, endereço comercial e residencial e a
religião que o paciente pra�ca. A seguir, serão discu�dos alguns pontos importantes
sobre a iden�ficação do paciente.
Naturalidade: além do registro de onde o indivíduo nasceu, é importante registrar
as cidades onde residiu (procedência). Essa informação é importante, pois existem
doenças endêmicas em determinadas regiões, como, por exemplo, malária (região
norte) e doença de Chagas (região nordeste), entre outras.
Estado civil: deve-se registrar a situação legal e a condição familiar real (se tem
cônjuge, filhos morando no domicílio, etc.).
Profissão: deve-se descrever o �po de a�vidade profissional que o indivíduo
exerce. Essa informação é muito importante, pois algumas doenças são mais
frequentes em determinadas ocupações, ou podem ser agravadas por exposição a
determinados fatores no ambiente de trabalho, como ocorre com costureiras,
motoristas, trabalhadores em marmorarias e carvoarias, entre outros.
Religião: deve ser pesquisada porque algumas religiões não aceitam determinados
procedimentos, o que pode interferir no tratamento do paciente.
Queixa principal (mo�vo da consulta): descrição breve do problema que levou o
indivíduo a procurar auxílio profissional. Pode ser mais de uma queixa. Deve ser
descrito também quando o problema teve início, como, por exemplo, “falta de ar
há 2 meses”; “tosse e expectoração há 5 dias”. A queixa pode ser registrada com
os termos usados pelo paciente ou com o apropriado termo técnico, quando isso
ajudar a enriquecer a informação recebida, como, por exemplo: “dispneia aos
pequenos esforços há 2 meses”.
História da moléstia atual (HMA)
Descrição detalhada de forma clara, obje�va e em ordem cronológica dos
problemas que levaram o indivíduo a buscar o auxílio. A HMA deve incluir o modo
como surgiram os problemas do paciente, descrever como se desenvolveram os
sinais e os sintomas, os tratamentos e as cirurgias já realizadas, o que provoca o
surgimento dos sintomas e seus fatores de piora ou melhora e como o indivíduo foi
afetado pela doença (o que deixou de fazer ou tem dificuldade de fazer desde o
início do problema).
Antecedentes pessoais
São os acontecimentos prévios que o indivíduo já apresentou e são relevantes para
sua história clínica. Deve-se perguntar sobre outras doenças, trauma�smos e
cirurgias anteriores, hospitalizações prévias, medicamentos que já usou e os que
ainda u�liza, alergias, imunizações, padrão do sono e, nas mulheres, a história
obstétrica.
Hábitos e vícios
Deve-se registrar informações a respeito de tabagismo, uso de álcool, a�vidade
�sica regular, hábitos alimentares, uso de drogas ilícitas e proteção contra a
aquisição de doenças sexualmente transmissíveis.
Antecedentes familiares
Como algumas doenças possuem um componente gené�co, é importante pesquisar
a ocorrência de doenças nos familiares consanguíneos (pai e mãe, irmãos, avós e
�os).
 
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■ EXAME FÍSICO
Para que se possa chegar ao correto diagnós�co do problema do paciente, bem como
avaliar a resposta à terapia aplicada, é necessária a realização de um cuidadoso exame
�sico. As informaçõessão coletadas por meio do uso das técnicas de exame
(inspeção, palpação, percussão e ausculta). O exame �sico pode ser dividido em duas
partes: o exame �sico geral e o segmentar, conforme será abordado a seguir.
EXAME FÍSICO GERAL
O exame �sico geral consiste na impressão inicial e na avaliação do nível de
consciência e dos sinais vitais.
Impressão inicial
O examinador deve inicialmente registrar as informações sobre a impressão obtida no
primeiro contato com o paciente.
Os aspectos mais importantes a serem notados são comunicação, apresentação
pessoal, mobilidade, estado nutricional, expressão facial e nível de ansiedade,
sudorese, postura e higiene.
Avaliação do nível de consciência
A consciência é definida como a capacidade do indivíduo de reconhecer a si
mesmo e aos es�mulos do ambiente.
Na avaliação fisioterapêu�ca, o nível de consciência do paciente deve ser
discriminado. Se o paciente es�ver consciente (alerta), deve ser avaliada a orientação
no tempo, espaço e pessoal. Se o paciente não es�ver alerta, o fisioterapeuta deve
descrever a alteração do nível de consciência apresentada pelo paciente. As alterações
da consciência podem ocorrer no nível de consciência ou no conteúdo da consciência,
que englobam as funções mentais e cogni�vas do indivíduo. As alterações no nível
de consciência podem variar desde uma simples desorientação até um estado de
coma, e as do conteúdo da consciência incluem o delirium e a demência. O Quadro
4 apresenta os �pos de alterações de consciência.
Quadro 4
TIPOS DE ALTERAÇÕES DE CONSCIÊNCIA
Alterações no nível de consciência
Desorientação É a incapacidade do indivíduo de se situar no tempo, espaço e
reconhecer sua própria pessoa. O primeiro estágio da
desorientação é quanto ao tempo, ou seja, o paciente não
responde adequadamente a pergunta sobre a data atual (do dia da
avaliação). Em seguida, ocorre a desorientação quanto ao local, ou
seja, o paciente não sabe onde está. A forma extrema de
desorientação é quando o paciente perde a noção da própria
iden�dade.
Sonolência ou
letargia
É um estado de diminuição do nível de consciência, do qual o
indivíduo consegue ser acordado com es�mulos brandos.
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Estupor É um estado de sonolência mais profunda, em que o indivíduo
desperta quando recebe es�mulos vigorosos e repe�dos, mas volta
ao estupor logo após a interrupção destes.
Coma É o estado em que o indivíduo não tem consciência de si mesmo
nem do ambiente, mesmo quando subme�do a es�mulos de
diversas modalidades e intensidades, permanecendo sem resposta
e de olhos fechados.
Alterações do conteúdo da consciência
Delirium Este estado é caracterizado por desorientação, déficit de atenção,
sensação de medo, irritabilidade e alucinações visuais. Os
indivíduos podem apresentar alterações concomitantes no nível de
consciência, caracterizadas por inversão do ciclo sono-vigília, e
alternar períodos de alerta e agitação com períodos de sonolência.
Demência É o estado de perda permanente e progressiva das funções
cogni�vas, sem alteração do estado de alerta ou nível de
consciência. As alterações evoluem em meses a anos.
Fonte: Adaptado de Andrade e colaboradores (2007).
Quando o paciente está sob efeito de medicações seda�vas, o nível de sedação deve
ser discriminado. Uma das escalas mais u�lizadas para esse fim é a escala de Ramsay
apresentada no Quadro 5.
Quadro 5
ESCALA DE SEDAÇÃO DE RAMSAY
1 Ansioso, agitado ou inquieto
2 Coopera�vo, orientado e tranquilo
3 Sedado, porém, responde às ordens verbais
4 Sedado, com resposta rápida ao leve es�mulo glabelar ou forte es�mulo audi�vo
5 Sedado, com resposta lenta ao leve es�mulo glabelar ou forte es�mulo audi�vo
6 Não responsivo
Fonte: Ramsay e colaboradores (1974).
Sinais vitais
O fisioterapeuta deve finalizar o exame �sico geral com a medida dos sinais vitais.
Pressão arterial
A pressão arterial (PA) é a força que o sangue exerce sobre a parede dos vasos
arteriais quando se move em seu interior. A pressão arterial sistólica (PAS) é a
força gerada pelo sangue dentro das artérias durante a contração ventricular,
enquanto a pressão arterial diastólica (PAD) é a força que permanece dentro
das artérias no período de relaxamento ventricular.
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A PA é medida por meio do esfigmomanômetro e apresentada como o valor sistólico
seguido do diastólico (PAS/PAD). A unidade de medida é milímetros de mercúrio
(mmHg). Quando a PAS e a PAD situam-se em categorias diferentes, a maior deve
ser u�lizada para a classificação da PA. A classificação da PA para indivíduos adultos é
apresentada na Quadro 6.
Quadro 6
CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL PARA INDIVÍDUOS COM IDADE
MAIOR DO QUE 18 ANOS
Classi�cação PAS
(mmHg)
PAD
(mmHg)
Normal ≤120 ≤80
Pré-hipertensão 121–139 81–89
Hipertensão estágio 1 140–159 90–99
Hipertensão estágio 2 160–179 100–109
Hipertensão estágio 3 ≥180 ≥110
Hipertensão sistólica isolada ≥140do corpo é medida com um termômetro, e os valores são apresentados
em graus Celsius (ºC). Os locais mais frequentes para a mensuração da temperatura
são a axila e a boca. A temperatura retal só é u�lizada em casos específicos, como na
presença de hipotermia. A temperatura normal do corpo humano varia de 36,2ºC a
37,5ºC, quando medida na axila.
Hipertermia é o termo u�lizado para designar a temperatura acima de 37,5ºC.
Quando a hipertermia se dá em decorrência de uma doença, é chamada de
febre, mas ela pode ocorrer em condições normais, como no exercício �sico.
Apesar dos limites de temperatura para a definição de hipotermia variar na
literatura, considera-se hipotermia a redução da temperatura sanguínea central
abaixo de 36ºC.
4. Sobre a HMA, é correto afirmar que
A) deve ser breve e pouco detalhada, para que a avaliação do paciente seja
rápida e obje�va.
B) deve seguir uma ordem cronológica na descrição dos eventos.
C) não é o item no qual o examinador descreve os sinais e os sintomas da
doença e suas caracterís�cas.
D) prescinde que sejam descritos os mo�vos que levaram o paciente a procurar
o auxílio de um profissional.
Confira aqui a resposta
 
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5. Analise as afirma�vas a seguir a respeito da avaliação do nível de consciência
do paciente cardiorrespiratório crônico e assinale V (verdadeiro) ou F (falso).
( ) As alterações da consciência podem ocorrer no nível de consciência ou no
conteúdo da consciência, englobando, portanto, tanto as funções mentais
como cogni�vas do indivíduo.
( ) Nos casos de letargia, consegue-se despertar o indivíduo com es�mulos
brandos.
( ) Nos casos de estupor, o indivíduo não consegue despertar com es�mulos
vigorosos e repe�dos.
( ) Nos casos de delirium, os indivíduos podem alternar períodos de alerta e
agitação com períodos de sonolência.
Assinale a alterna�va que apresenta a sequência correta.
 
A) V — V — F — F
B) V — V — F — V
C) F — F — V — F
D) F — V — V — V
Confira aqui a resposta
 
6. Analise as afirma�vas a seguir com relação aos sinais vitais do paciente
cardiorrespiratório crônico.
I — Um paciente com mais de 18 anos de idade, que apresenta PA =
150x95mmHg, encontra-se no estágio 1 de hipertensão.
II — A FC normal no adulto é de 60 a 100bpm.
III — A FC e a FP são medidas equivalentes.
IV — A medição da FR é realizada por meio da observação direta dos
movimentos torácicos ou abdominais em 1 minuto, e informa-se o paciente
da avaliação, para que ele possa estar consciente de seu padrão respiratório.
Quais estão corretas?
 
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a III e a IV.
C) Apenas a I, a II e a III.
D) A I, a II, a III e a IV.
Confira aqui a resposta
EXAME FÍSICO SEGMENTAR
O exame segmentar engloba o exame da cabeça e pescoço, tórax, abdome e
extremidades, conforme será abordado a seguir.
Exame da cabeça e pescoço
A inspeção da face pode revelar sinais de aumento do esforço inspiratório, como
ba�mento das asas do nariz, e de expiração forçada, como respiração com lábios
cerrados (freno labial). Cianose pode ser observada nos lábios em pacientes com
redução do conteúdo arterial de oxigênio.
Na inspeção do pescoço, é importante observar se o paciente faz uso dos músculos
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acessórios da respiração e se, durante os movimentos respiratórios, ocorre retração
da fúrcula ou região supraclavicular, sendo ambos sinais de aumento do esforço
inspiratório. Outro importante sinal que pode ser observado ou palpado na região do
pescoço é a distensão venosa jugular, comum nos pacientes com insuficiência
cardíaca (IC) direita.
Exame do tórax
O exame do tórax inclui a inspeção está�ca, inspeção dinâmica, palpação, percussão e
ausculta pulmonar.
Inspeção estática
A inspeção está�ca analisa a configuração do tórax. O tórax normal pode ser
classificado, de acordo com o ângulo formado entre as costelas e o processo xifoide
do esterno (ângulo de Charpy) em três bio�pos, descritos no Quadro 8 e na Figura
2.
Quadro 8
CONFIGURAÇÃO TORÁCICA NORMAL E ÂNGULO DE CHARPY
Ângulo de Charpy Biotipo Característica física
90º Normolíneo Estatura e tórax intermediário
90º Brevilíneo Estatura baixa, tórax largo
Fonte: Elaborado pelos autores.
Figura 2 — Tipos de configurações torácicas normais.
Fonte: Radiologia dinâmica (20015).
Na con�guração torácica anormal, as anormalidades podem ocorrer devido a
alterações no esterno, nas vértebras ou nas costelas. A seguir, serão descritas as
principais alterações na configuração torácica, resultantes dessas deformidades.
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A protrusão anterior do esterno caracteriza o tórax cariniforme (também conhecido
como pectus carinatum, ou tórax em peito de pombo). A depressão do esterno origina
o tórax infundibiliforme (também conhecido como pectus excavatum ou tórax de
sapateiro), conforme apresentam as Figuras 3A e B.
Figura 3 — A) Pectus carinatum. B) Excavatum.
Fonte: Coelho, Guimarães (2007).
As anormalidades acentuadas das vértebras causam alterações na forma do tórax. O
desvio lateral da coluna origina o tórax escoliótico, e a acentuação da cifose dorsal
gera o tórax cifótico (Figuras 4A e B).
Figura 4 — A) Tórax escolió�co. B) Cifó�co.
Fonte: Adaptada de Widjaja (2014).
Com relação às alterações nos arcos costais, o tórax en�sematoso (em barril ou em
tonel), conforme apresentado nas Figuras 5A e B, é caracterizado pela
horizontalização das costelas e pelo aumento do diâmetro anteroposterior do tórax e
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dos espaços intercostais, produzindo um aspecto circular quando observado no plano
transverso, e o tórax em sino é caracterizado pelo alargamento dos arcos costais
inferiores em relação aos arcos costais superiores.
Figura 5 — Tórax enfisematoso.
Fonte: Wilkins, Stoller (2000).
Inspeção dinâmica
As principais informações que devem ser colhidas na inspeção dinâmica do tórax são
o ritmo respiratório e o padrão respiratório. Adicionalmente, é importante observar
os sinais de aumento do esforço respiratório (uso dos músculos acessórios da
respiração e as �ragens).
Ritmo respiratório
Em repouso e em condições de normalidade, o adulto deve apresentar FR normal,
com esforço inspiratório mínimo e expiração passiva, ritmo constante e relação entre
o tempo inspiratório e o expiratório de 1:2 a 1:3. Entretanto, existem várias condições
clínicas que provocam o surgimento de ritmos respiratórios anormais ou patológicos.
O Quadro 9 apresenta uma descrição dos principais ritmos respiratórios anormais
dessas condições.
Quadro 9
CONDIÇÕES CLÍNICAS QUE PROVOCAM O SURGIMENTO DE RITMOS
RESPIRATÓRIOS ANORMAIS OU PATOLÓGICOS
Ritmo de
Cheyne-
Stokes
Respiração periódica caracterizada por uma fase de apneia seguida
de uma hiperpneia, quando os movimentos respiratórios aumentamprogressivamente de amplitude até a�ngir um máximo, e, em
seguida, diminuem progressivamente até ocorrer uma nova apneia
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(Figura 6A). É frequentemente observada em pacientes com ICC,
lesão cerebral difusa (trauma craniano) ou lesão hemisférica (AVC).
Ritmo de
Kussmaul
(ou
acidótico)
Padrão respiratório caracterizado por respiração profunda (grande
VC), com FR normal, aumentada ou mesmo diminuída. Entretanto,
sempre estará presente aumento da ven�lação pulmonar. É o padrão
respiratório caracterís�co de pacientes com acidose metabólica
(Figura 6B).
Ritmo de
Biot (ataxia
respiratória)
Respiração que apresenta irregularidade imprevisível na amplitude
(VC) e na FR. Podem ser observadas apneias de tempo variável e
movimentos irregulares e anárquicos. Padrão respiratório
comumente encontrado em pacientes com lesão cerebral difusa,
depressão do centro respiratório, lesão medular e compressão do
bulbo. É considerado prenúncio de parada respiratória (Figura 6C).
ICC: insuficiência cardíaca conges�va; AVC: acidente vascular cerebral; FR:
frequência respiratória; VC: volume corrente.
Fonte: Adaptado de Wilkins e Stoller (2001; Franco Júnior (2002).
Figura 6 — Principais ritmos respiratórios anormais. A) Cheyne-Stokes.
B) Kussmaul. C) Biot.
Fonte: Adaptado de Mar�nez (2004).
Padrão respiratório
Em uma respiração considerada normal, ocorre a movimentação sincrônica do tórax e
do abdome, ou seja, na inspiração, o tórax e o abdome expandem juntos, enquanto
que na expiração, os dois compar�mentos recuam juntos. Entretanto, pode ocorrer o
predomínio da expansão de um compar�mento em relação ao outro, o que não
necessariamente significa que há uma situação de doença. A classificação dos padrões
respiratórios é apresentada pelo Quadro 10.
Quadro 10
CLASSIFICAÇÃO DOS PADRÕES RESPIRATÓRIOS
Padrão normal
ou
Há expansibilidade sincrônica e harmônica do tórax e do
abdome.
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toracoabdominal
Padrão apical Há um predomínio da expansibilidade torácica em detrimento da
abdominal. É comum em pacientes no pós-operatório de
cirurgias abdominais do compar�mento superior.
Padrão
abdominal
Há um predomínio da expansibilidade abdominal em detrimento
da torácica. É comum em pacientes no pós-operatório de
cirurgia torácica e em pacientes com drenos de tórax.
Padrão
paradoxal
Há movimentação do abdome com uma retração durante a
inspiração e uma expansão na expiração, ao contrário de uma
respiração normal (padrão paradoxal abdominal). Pode ocorrer
também de o tórax apresentar uma retração na inspiração e uma
expansão na expiração (padrão paradoxal torácico). Pode ser
observado em pacientes com paralisia do diafragma, trauma
torácico e fadiga do diafragma. Em pacientes com
hiperinsuflação pulmonar grave, o diafragma se torna rebaixado
e re�ficado e sua contração na inspiração produz um movimento
paradoxal no tórax inferior, caracterizado pela diminuição do
diâmetro laterolateral do tórax e expansão do abdome, o que é
denominado de sinal de Hoover.
Fonte: Adaptado de Parreira e colaboradores (2010).
Uma forma mais precisa de mensurar o padrão respiratório é através da medida do
índice diafragmático (ID). O ID é calculado pela fórmula ID = ∆AB / ∆AB + ∆CT, em
que ∆AB é a variação na medida da dimensão abdominal ob�da no final da inspiração
e expiração, e ∆CT é a variação na medida da dimensão torácica ob�da também no
final da inspiração e expiração.
A medida das dimensões abdominal e torácica pode ser feita com o indivíduo em
diferentes posições (sentado, deitado em decúbito dorsal, em ortosta�smo). A medida
do diâmetro torácico deve ser realizada ao nível do 4° espaço intercostal e a do
diâmetro abdominal ao nível da cicatriz umbilical. A par�r do resultado do ID, o
padrão respiratório pode ser classificado em costal (ID 0,5).
Palpação
A palpação é a técnica de exame que u�liza o toque das mãos na parede do tórax para
avaliar as estruturas subjacentes. É u�lizada para avaliar a expansibilidade torácica, o
frêmito vocal e a condição da pele e dos tecidos subcutâneos.
Expansibilidade torácica
A parede torácica deve expandir de forma simétrica durante a inspiração. A
expansibilidade pode ser avaliada na região anterior ou posterior do tórax.
Para avaliar a expansibilidade na região anterior, o examinador deve colocar as
mãos espalmadas na região anterolateral do tórax, com os polegares seguindo a
linha costal. Após uma expiração lenta e completa até o volume residual, os
polegares devem ser posicionados de modo que as pontas se encontrem na
linha média do tórax, sobre o processo xifoide. Em seguida, o paciente é
orientado a fazer uma inspiração lenta até a capacidade pulmonar total.
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A expansibilidade é considerada normal quando os polegares se afastam de 3 a 5cm.
Na região posterior, as mãos devem ser posicionadas posterolateralmente, com os
polegares se unindo no processo espinhoso da 8ª vértebra (Figuras 7A e B).
Assimetria na expansibilidade torácica pode revelar comprome�mento unilateral
do pulmão, como no pneumotórax, no derrame pleural e na atelectasia.
Figura 7 — A e B) Técnica manual para avaliar a expansibilidade
torácica.
Fonte: Adaptada de Bragança (2012).
Frêmito vocal
A avaliação do frêmito vocal é a análise da vibração produzida pelo som nas vias
aéreas inferiores, por meio da palpação da parede torácica.
Para realizar o exame do frêmito vocal, coloca-se a palma da mão sobre o tórax e
pede-se para o paciente falar 33. O avaliador deve examinar os dois lados do
tórax, em nível simétrico, para permi�r a comparação de áreas correspondentes
dos dois pulmões.
O frêmito pode estar normal, diminuído (obesidade, derrame pleural, pneumotórax,
hiperinsuflação pulmonar) ou aumentado (áreas de aumento da densidade pulmonar,
como na pneumonia).
Pele e tecidos subcutâneos
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A palpação permite avaliar a temperatura e a condição da pele do tórax. Além disso,
quando existe enfisema subcutâneo (acúmulo de ar no tecido subcutâneo), é possível
que se tenha a sensação de crepitações na super�cie das mãos.
Percussão
A técnica de percussão se baseia na análise dos sons produzidos pela percussão
indireta da parede do tórax, par�ndo do princípio de que a percussão de estruturas
com densidades diferentes produz sons diferentes.
O avaliador deve percu�r áreas simétricas em ambos os lados do tórax, para a
adequada comparação. A técnica recomendada é a da percussão dígito-digital. O
examinador percute com o 3º dedo da mão mais hábil, a falange distal do 2º ou 3º
dedo da outra mão, posicionada no espaço intercostal da região do tórax que se quer
examinar, com os demais dedos afastados.
A percussão torácica pode produzir quatro sons diferentes. São eles:som claro pulmonar – produzido pela percussão dos campos pulmonares normais;
som timpânico – produzido em regiões que apresentam quan�dade de ar
aumentada no parênquima pulmonar, como em pacientes com enfisema pulmonar,
hiperinsuflados (doença pulmonar obstru�va crônica, crise asmá�ca), ou no espaço
pleural (pneumotórax);
som submaciço – produzido pela percussão de áreas com densidade pulmonar
elevada, ou seja, onde o ar dos alvéolos foi subs�tuído por exsudato ou sangue
(pneumonia, infarto pulmonar);
som maciço – produzido pela percussão de áreas onde existe líquido interposto
entre o pulmão e a parede torácica (derrame pleural).
Ausculta pulmonar
A ausculta pulmonar é a técnica de ouvir, u�lizando um estetoscópio, os sons
produzidos pela passagem do ar dentro das vias aéreas, com o obje�vo de
iden�ficar ruídos normais e anormais.
O paciente deve, sempre que possível, ser posicionado sentado, e orientado a respirar
com a boca aberta e um pouco mais profundo do que o normal. O tórax deve estar
desnudo, para evitar que sons produzidos pelo contato do diafragma e do tubo do
estetoscópio com tecido ou partes do corpo do paciente confundam o
examinador.
A ausculta pulmonar deve ser sistemá�ca, incluindo pontos nas regiões anterior,
posterior e lateral do tórax que correspondam a todos os lobos pulmonares. O
examinador pode iniciar a ausculta tanto pelas bases como pelos ápices
pulmonares, auscultando pelo menos um ciclo respiratório completo em cada
ponto de ausculta. A ausculta de um ponto em um hemitórax deve ser seguida
pela ausculta de um ponto simétrico no hemitórax contralateral, para permi�r a
comparação, e todas as alterações devem ser localizadas.
Os pontos de ausculta pulmonar são apresentados na Figura 8.
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Figura 8 — Esquema ilustra�vo dos pontos da ausculta pulmonar.
Fonte: Adaptada de Costa (2004).
Sons pulmonares normais
Posicionando o estetoscópio sobre a região da traqueia (na fúrcula esternal) e dos
brônquios principais (de cada lado da borda esternal superior e entre as escápulas), é
possível ouvir os sons bronquiais (ou traqueobronquiais). Estes são ruídos altos e com
componente expiratório igual ou pouco maior do que o inspiratório.
Na ausculta sobre a super�cie do tórax, que corresponde ao parênquima pulmonar,
ouvem-se os sons pulmonares normais, que são sons suaves e de intensidade mais
baixa do que os sons bronquiais, predominantemente inspiratórios e com componente
expiratório mínimo, atribuídos à passagem do ar pelas vias aéreas de pequeno calibre
(estruturas intralobar e intralobular do pulmão).
O termo “sons pulmonares normais” deve ser usado em subs�tuição ao
anteriormente denominado “murmúrio vesicular”.
A intensidade dos sons pulmonares normais pode estar reduzida em pacientes
que estejam hipoven�lando, em áreas do pulmão atelectasiadas e em regiões do
pulmão localizadas adjacentes a processos pleurais, como o derrame pleural e o
pneumotórax.
Sons pulmonares anormais (ruídos adven�cios e outros)
Seguindo as recomendações da European Respiratory Society (ERS) sobre a análise
dos sons respiratórios, os sons pulmonares anormais podem ser classificados em sons
contínuos, sons descontínuos e outros.
Sons con�nuos – sibilos e roncos – são produzidos quando o ar flui em alta
velocidade através de vias aéreas estreitadas.
Os sibilos são ruídos adven�cios agudos parecidos com “assobios”. As condições
clínicas associadas à ocorrência de sibilo são broncoespasmo, edema da mucosa da via
aérea (como ocorre na asma), tumores intraluminais, secreções, corpos estranhos,
compressões externas dos brônquios por alguma massa ou compressão dinâmica da
via aérea.
O sibilo pode ser monofônico (nota simples) ou polifônico (notas múl�plas). O sibilo
monofônico sugere que uma única via aérea está parcialmente obstruída, por
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exemplo, por um tumor ou um corpo estranho aspirado, sendo ouvido na inspiração e
expiração, ou somente na expiração. Já o sibilo polifônico sugere que muitas vias
aéreas estão obstruídas, como na asma, sendo ouvido somente na expiração. O ronco
é caracterizado por sons graves, audíveis na inspiração e na expiração, produzido
normalmente pelo estreitamento da via aérea com secreção. 
Sons descontínuos reúnem os ruídos que eram anteriormente descritos como
estertores crepitantes e subcrepitantes sob a denominação única de crepitações.
As crepitações são sons descon�nuos e curtos gerados durante a inspiração, por meio
da abertura súbita de pequenas vias aéreas que se encontravam colapsadas e, na
expiração, pelo fechamento das mesmas. As crepitações podem ser produzidas pelo
aumento na retração elás�ca (fibrose pulmonar), pelo edema (líquido nos alvéolos) e
pela inflamação do tecido pulmonar (pneumonia). A ERS sugere usar os termos
crepitações finas (som similar ao “velcro”, como um sinal precoce da fibrose pulmonar)
e crepitações grossas (sons mais grosseiros e relacionados com a presença de
secreção e a ruptura de pequenas super�cies líquidas, devido à tensão superficial,
formadas no interior das pequenas vias aéreas).
Outros sons pulmonares anormais são o estridor, atrito pleural, o sopro tubário (sopro
brônquico) e o sopro anfórico. O estridor é o som de tonalidade aguda, ouvido
principalmente durante a inspiração. Pode ser ouvido sem o estetoscópio, apenas se
aproximando do paciente. É caracterís�co da obstrução das vias aéreas superiores
(faringe, laringe, porção superior da traqueia).
Atrito pleural é o som semelhante a um rangido, produzido pela movimentação dos
folhetos pleurais espessados em decorrência de processos inflamatórios. O Sopro
tubário (sopro brônquico) é um som semelhante ao ruído brônquico, audível em áreas
de condensação do parênquima pulmonar. Produzido pelo ar que passa por um
brônquio pérvio circundado por alvéolos preenchidos por líquido. Sopro anfórico é
som extremamente agudo auscultado ao se falar 33, caracterís�co de pneumotórax
hipertensivo.
Exame cardiológico
À inspeção, o observador deverá localizar o ictus cordis, que representa o local do
choque do ápice do coração na parede do tórax e corresponde à contração do
ventrículo esquerdo (VE). É percep�vel em condições normais no 4º ou 5º espaço
intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular.
Desvios do ictus cordis para a esquerda e para baixo indicam aumento das
câmaras cardíacas. O ictus cordis pode não ser visualizado em pacientes obesos
e em mulheres com mamas volumosas. A palpação precordial deve ser
realizada com o obje�vo de localizar frêmitos e bulhas palpáveis. A localização
do ictus cordis pela palpação é mais sensível do que pela inspeção.
Um ictus cordis com diâmetro maior do que 2cm é sinal de cardiomegalia.
A ausculta cardíaca deve ser realizada com o paciente em repouso e com o tórax
desnudo. As áreas de ausculta cardíaca são os focos (Figura 9):
 
aórtico — localizado no segundo espaço intercostal à direita da borda esternal;
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aórtico acessório — localizado no terceiro espaço intercostal à esquerdada boda
esternal;
pulmonar — localizado no segundo espaço intercostal à esquerda da borda esternal;
tricúspide — localizado no quinto espaço intercostal à esquerda da borda esternal;
mitral — localizado sobre a ponta do coração (ictus cordis).
Figura 9 — Focos da ausculta cardíaca.
Fonte: Adaptada de Romaor (2016).
Durante a ausculta cardíaca, deve-se, primeiramente, iden�ficar os períodos de
sístole e diástole. Após isso, é possível caracterizar os eventos sonoros que os
delimitam e caracterizar os sons anormais possíveis de serem encontrados na
ausculta cardíaca.
A sístole inicia-se com um primeiro som breve, denominado de primeira bulha
cardíaca (B1), seguido por um curto período de silêncio (pequeno silêncio). Esse curto
período de silêncio, que corresponde à sístole, é finalizado por um segundo som de
curta duração, denominado de segunda bulha cardíaca (B2), o qual é seguido por
outro período de silêncio, um pouco maior do que o primeiro (grande silêncio). Este
úl�mo período de silêncio correspondendo à diástole.
O Quadro 11 faz uma breve descrição do significado das bulhas cardíacas.
Quadro 11
SIGNIFICADO DAS BULHAS CARDÍACAS
Primeira
bulha
Representa o fechamento das valvas atrioventriculares, mitral e
tricúspide, no início da sístole.
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cardíaca
(B1)
Segunda
bulha
cardíaca
(B2)
Representa o fechamento das valvas semilunares, aór�ca e pulmonar, no
final da sístole e início da diástole.
Terceira
bulha
cardíaca
(B3)
Som de baixa frequência que ocorre entre o início e o meio da diástole,
gerado pela brusca desaceleração da coluna de sangue contra as paredes
dos ventrículos no final da fase de enchimento rápido. Pode ser normal
em crianças, adolescentes e adultos jovens. Quando patológico, indica
sobrecarga volumétrica para o VE ou diminuição da complacência
ventricular.
Quarta
bulha
cardíaca
(B4)
Gerada pela desaceleração da coluna de sangue que é impulsionada
pelos átrios na fase de contração atrial contra a massa de sangue já
existente dentro do VE, no final da diástole. A B4 é comum em pacientes
com doença cardíaca isquêmica, hipertrofia ventricular esquerda devido à
hipertensão ou estenose aór�ca. Também pode estar presente em casos
de hipertensão pulmonar ou estenose pulmonar, que acarretam a
hipertrofia ventricular direita.
VE: ventrículo esquerdo.
Fonte: Adaptado de Pazin Filho e colaboradores (2004).
A intensidade das bulhas cardíacas pode estar reduzida (hipofonese) ou
aumentada (hiperfonese).
Além das bulhas cardíacas, a ausculta cardíaca pode revelar sons anormais,
denominados de sopros, cliques e estalidos, conforme apresenta o Quadro 12.
Quadro 12
SONS ANORMAIS PERCEBIDOS NA AUSCULTA CARDÍACA
Sopro Som produzido pelo turbilhonamento do fluxo sanguíneo quando
este passar por uma valva cardíaca insuficiente ou estenosada.
Deve ser classificado de acordo com o período do ciclo cardíaco
em que ocorre (sopro sistólico ou sopro diastólico).
Sopro sistólico Ocorre quando uma valva atrioventricular é insuficiente (permite
fluxo sanguíneo retrógrado do ventrículo para o átrio), ou uma
valva semilunar é estenosada (dificultando a passagem do sangue
do ventrículo para o sistema arterial).
Sopro
diastólico
Ocorre quando uma valva semilunar é insuficiente (permi�ndo o
fluxo retrógrado das artérias para os ventrículos), ou quando uma
valva atrioventricular é estenosada (dificultando o esvaziamento
dos átrios).
Clique de
ejeção
sistólica
Som que acompanha a abertura da valva aór�ca durante a sístole.
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Clique
mesossistólico
Ocorre com frequência em pacientes que apresentam prolapso da
valva mitral (PVM).
Estalido de
abertura
mitral
Som ouvido na diástole e que acompanha a abertura da valva
mitral em pacientes que apresentam estenose dessa valva.
Fonte: Adaptado de Pazin Filho e colaboradores (2004).
Exame do abdome
Para o fisioterapeuta, o exame do abdome é simplificado e direcionado para a
pesquisa de alterações que possa comprometer a função cardiorrespiratória, ou
que decorra das mesmas.
Inicialmente, o examinador deve saber que o abdome é dividido didaticamente em
nove regiões (Figura 10): 
 
abdome superior — hipocôndrio direito, epigástrio, hipocôndrio esquerdo;
abdome médio — flanco direito, mesogástrio, flanco esquerdo;
abdome inferior — fossa ilíaca direita, hipogástrio, fossa ilíaca esquerda.
A divisão didá�ca do abdome em nove regiões tem a finalidade de localizar alguma
anormalidade que possa ser encontrada no exame e direcionar o raciocínio clínico
para a iden�ficação da estrutura acome�da por meio da área de projeção do órgão na
parede abdominal. 
Figura 10 — Regiões do abdome.
Fonte: Adaptada de Plugado (2018). 
Na inspeção, é importante o examinador descrever a forma do abdome, iden�ficando,
assim, possíveis alterações que possuam significado clínico. Os formatos do abdome
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estão descritos no Quadro 13. Além disso, é possível iden�ficar, pela simples
observação, alterações como cicatrizes, circulação venosa colateral, distribuição
anormal de pelos e estrias.
Quadro 13
FORMATOS DO ABDOME E SUAS DESCRIÇÕES
Plano Considerado a forma normal do abdome.
Globoso Abdome aumentado de maneira uniforme, com predomínio no diâmetro
anteroposterior. É observado em obesos e em pacientes com grandes
ascites, com grande distensão gasosa das alças intes�nais ou com
�gado e baço aumentado.
Batráquio Caracterizado pelo aumento do diâmetro transversal, com o paciente
em decúbito dorsal, pela dilatação exagerada dos flancos. Ocorre nos
pacientes com ascite (presença de líquido na cavidade abdominal).
Avental Encontrado em obesos quando, devido ao grande acúmulo de tecido
adiposo, o abdome cai sobre as coxas, no caso de o paciente estar em
pé.
Pendular Apenas a porção inferior do abdome está aumentada, em virtude do
aumento do volume abdominal. Resulta de uma grande fraqueza da
musculatura do andar inferior do abdome. A causa mais comum é a
flacidez abdominal do puerpério.
Escavado Caracterizado por diminuição do diâmetro anteroposterior, assumindo
um aspecto côncavo, com os rebordos costais, as espinhas ilíacas e a
sínfise púbica bem visíveis. Aspecto observado em pacientes muito
emagrecidos, caqué�cos e desidratados.
À palpação e percussão, é importante iden�ficar regiões dolorosas e, nos
pacientes com IC direita ou doença hepá�ca de base, iden�ficar os limites do
�gado, pois é comum, nestes pacientes, o aumento do tamanho desse órgão,
condição denominada de hepatomegalia.
O abdome doloroso ou distendido altera o padrão respiratório e pode comprometer a
ven�lação pulmonar e a troca gasosa. Além disso, pacientes subme�dos a cirurgia
abdominal alta têm comprome�mento da função diafragmá�ca e apresentam
alteração da função pulmonar e da tosse, o que os predispõem a complicações
pulmonares no período pós-operatório.
Exame das extremidades
As extremidades devem ser avaliadas em busca de sinais das doenças
cardiorrespiratórias. Esses locais, principalmente os membros inferiores (MMII),
devem ser inspecionados, para iden�ficar a presença ou não de edema,varizes,
alteração da coloração da pele e baqueteamento digital. Também devem ser descritas
quaisquer desproporções no tamanho e/ou volume dos membros, assim como a
presença de sinais inflamatórios (flogís�cos).
Os pulsos arteriais devem ser avaliados no exame das extremidades. As caracterís�cas
básicas, que devem ser inves�gadas, são apresentadas no Quadro 14.
Quadro 14
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CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DA AVALIAÇÃO DOS PULSOS ARTERIAIS
Frequência Alterações da FC podem ser detectadas pela palpação dos pulsos
centrais e periféricos.
Ritmo O avaliador deve descrever se os pulsos apresentam ritmo regular ou
irregular.
Localização Os pulsos devem ser avaliados em todos os locais onde podem ser
palpados (caro�deo, temporal, braquial, radial, ulnar, abdominal,
femoral, poplíteo, �bial posterior e pedioso).
Simetria A amplitude de um pulso em um local de avaliação deve ser
comparada com o mesmo pulso contralateral.
Formato A avaliação do formato expressa a análise do contorno do pulso.
Estudos das ondas de pulso, u�lizando técnicas invasivas,
descreveram uma grande variedade de formatos. Entretanto, do ponto
de vista clínico, essas alterações são di�ceis de serem percebidas.
Amplitude Os pulsos podem ser classificados, de forma subje�va, como de
amplitude normal, aumentada ou diminuída. O pulso arterial também
pode apresentar amplitude variável, ba�mento a ba�mento. A
amplitude deve ser examinada em pulsos de localização distal no
sistema arterial.
FC: frequência cardíaca.
A perfusão periférica deve ser avaliada pela velocidade de enchimento capilar.
O examinador deve pressionar breve e firmemente sobre a unha de um dos
dedos das mãos e dos pés e contar o tempo necessário para o retorno do fluxo
sanguíneo no leito capilar. O tempo de enchimento capilar normal é inferior a 3
segundos.
Pacientes com redução do débito cardíaco (DC) apresentam tempo de enchimento
capilar maior do que 3 segundos. Doenças arteriais obstru�vas periféricas (DAOPs)
também podem comprometer o enchimento capilar. Quando a perfusão periférica
está comprome�da, como em pacientes com IC e baixo DC, ou mesmo nos casos de
choque, é possível se perceber, à palpação, a diminuição da temperatura nas
extremidades.
7. Um paciente apresenta, ao exame �sico, aumento do diâmetro
anteroposterior do tórax e horizontalização dos arcos costais. Essa descrição
caracteriza o tórax
A) cifó�co.
B) brevilíneo.
C) longilíneo.
D) em tonel.
Confira aqui a resposta
 
8. As afirma�vas a seguir apresentam condições clínicas associadas à ocorrência
de sibilo.
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I — Broncoespasmo.
II — Tumores intraluminais.
III — Fibrose pulmonar.
IV — Pneumotórax hipertensivo.
Quais estão corretas?
 
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a III e a IV.
C) Apenas a I, a III e a IV.
D) A I, a II, a III e a IV.
Confira aqui a resposta
 
9. A ausculta pulmonar é parte fundamental do exame �sico do tórax e guia
muitas das decisões terapêu�cas do fisioterapeuta. Correlacione a primeira
coluna (ruído respiratório) à segunda coluna (seu significado clínico).
(1) Sons pulmonares normais
(2) Sibilo
(3) Ronco
(4) Crepitações
( ) Sons con�nuos, de tonalidade grave,
audíveis na inspiração e na expiração,
produzidos normalmente pelo
estreitamento da via aérea com secreção.
( ) Sons descon�nuos, curtos e explosivos,
gerados durante a inspiração pela abertura
súbita de pequenas vias aéreas que se
encontravam colapsadas e, na expiração,
pelo fechamento das mesmas.
( ) Sons suaves, predominantemente
inspiratórios e com componente expiratório
mínimo, auscultado sobre a super�cie do
tórax que corresponde ao parênquima
pulmonar.
( ) Sons con�nuos e agudos, produzidos pela
passagem do ar através de vias aéreas
obstruídas por diversos fatores, como
broncoespasmo, edema da mucosa e
secreção na luz da via aérea.
Assinale a alterna�va que apresenta a sequência correta.
 
A) 1 — 2 — 3 — 4
B) 2 — 3 — 4 — 1
C) 3 — 4 — 1 — 2
D) 4 — 1 — 2 — 3
Confira aqui a resposta
 
10. Analise as afirma�vas a seguir a respeito dos sons anormais que podem ser
percebidos na ausculta cardíaca.
I — Sopro refere-se ao som produzido pelo turbilhonamento do fluxo sanguíneo
quando este passar por uma valva cardíaca insuficiente ou estenosada.
II — O sopro sistólico ocorre quando uma valva semilunar é insuficiente, ou
quando uma valva atrioventricular é estenosada.
III — O clique de ejeção sistólica é o som que acompanha a abertura da valva
aór�ca durante a sístole.
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IV — O clique mesossistólico ocorre com frequência em pacientes com prolapso
da valva mitral (PVM).
Quais estão corretas?
 
A) Apenas a I e a II.
B) Apenas a III e a IV.
C) Apenas a I, a III e a IV.
D) A I, a II, a III e a IV.
Confira aqui a resposta
 
11. Assinale a alterna�va correta com relação ao exame das extremidades.
A) Os sinais das doenças cardiorrespiratórias devem ser buscados
principalmente nos MMSS.
B) Desproporções no tamanho e/ou volume dos membros não são levados em
consideração no exame das extremidades.
C) Estudos das ondas de pulso u�lizando técnicas invasivas descreveram uma
grande variedade de formatos, facilmente percebida no exame clínico.
D) A amplitude de um pulso em um local de avaliação deve ser comparada com
o mesmo pulso contralateral.
Confira aqui a resposta
■ EXAMES COMPLEMENTARES
Os exames complementares incluem a radiografia de tórax, a tomografia
computadorizada (TC), a endoscopia respiratória (broncoscopia), o exame de escarro e
a medida dos mediadores inflamatórios, os quais serão abordados a seguir.
RADIOGRAFIA DE TÓRAX
A radiografia de tórax é um dos exames mais u�lizados para o diagnós�co,
avaliação e acompanhamento dos pacientes com doenças cardiorrespiratórias.
Como todos os métodos de radiografia, a radiografia de tórax emprega radiação
ionizante na forma de raios X para gerar imagens do tórax. As radiografias de tórax
estão entre os filmes diagnós�cos mais realizados e muito úteis no diagnós�co de
muitas doenças. Com o exame, é possível avaliar principalmente os pulmões, o
tamanho e os contornos do coração, medias�no, pleura, diafragma e ossos da caixa
torácica (costelas, esterno e vértebras).
As principais incidências aplicadas a uma radiografia de tórax são a posteroanterior, a
lateral, a anteroposterior, a anteroposterior em decúbito dorsal ou posição
semiortostá�ca, o decúbito lateral, a anteroposterior lordó�ca, a oblíqua anterior e a
oblíqua posterior. Cada incidência possui indicações específicas.
O fisioterapeuta deve estar apto para iden�ficar os principais achados
radiográficos, pois isso vai impactar diretamente em seu diagnós�co e no ato de
LEMBRAR
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traçar obje�vos e condutas para o tratamento do paciente, como, por exemplo, a
presença de atelectasias, derrame pleural, pneumotórax,

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