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HISTÓRIA POL ECON CULT SEC XX 5

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HISTÓRIA, POLÍTICA, 
ECONOMIA E CULTURA NO 
SÉCULO XX 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Douglas Gasparin Arruda 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, iremos compreender o que é a globalização. Para isso, 
analisaremos órgãos reguladores do mundo globalizado, como: ONU, FMI e 
Banco Mundial. 
Também iremos estudar dois governos neoliberais e captar o que foi essa 
doutrina econômica. Alguns dos objetivos que visam ser alcançados são: 
• Compreender o que é globalização; 
• Entender a ONU e sua organização; 
• Entender o FMI e sua organização; 
• Entender o Banco Mundial e sua organização; 
• Compreender o que é o neoliberalismo; 
• Entender como foram os governos neoliberais de Margaret Thatcher e 
Ronald Reagan. 
TEMA 1 – A GLOBALIZAÇÃO 
A Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria 
impulsionaram o surgimento de tecnologias ao redor do globo. Nessa esteira de 
acontecimentos, surge o que chamamos de globalização: um processo por meio 
do qual vários países passam a se aproximar nos âmbitos social, cultural, 
econômico e político (Hobsbawm, 1996, p. 181-2): 
Essa globalização econômica, que pode ser constatada por qualquer 
um que verifique as origens nacionais de produtos vendidos num 
centro comercial norte-americano, desenvolveu-se lentamente na 
década de 1960 e se acelerou de modo impressionante durante as 
décadas de perturbações econômicas mundiais após 1973. A rapidez 
com que avançou pode ser ilustrada mais uma vez pela Coréia do Sul, 
que no fim da década de 1950 ainda tinha quase 80% de sua 
população trabalhadora na agricultura, da qual extraía quase três 
quartos da renda nacional. Inaugurou o primeiro de seus planos 
quinquenais de desenvolvimento em 1962. Em fins da década de 1980, 
extraía apenas 10% de seu PIB da agricultura e tornara-se a oitava 
economia industrial do mundo não comunista. 
Dois avanços tecnológicos foram imprescindíveis para conectar o mundo 
globalizado – o rádio e a televisão. “Em 1976-1973 os Estados Unidos controlam 
mais de 65% do fluxo mundial de informação, o que não deixa de influenciar o 
modo pelo qual grande parte dos habitantes do globo vê os outros e a si própria” 
(Berstein; Milza, 2007, p. 507). Sobre o surgimento do rádio e da televisão os 
autores Berstein e Milza (2007, p. 506) escreveram: 
 
 
3 
De meados dos anos 1950 ao início da década de 1980, as técnicas 
de comunicação à distância apresentaram avanços extraordinários. 
Inventado em 1948 nos Estados Unidos, o transistor alterou 
completamente as regras da escuta radiofônica, possibilitando a 
produção em série a um preço muito baixo de receptores de pequena 
dimensão que, funcionando a pilha, dão total autonomia ao ouvinte. 
Graças a ele, o rádio transformou-se para muitos num elemento 
fundamental da vida diária, pano de fundo sonoro entremeado por todo 
tipo de informação e veículo de uma subcultura industrializada e 
uniformizada (...). Mais significativas ainda são as transformações 
alcançadas pela televisão. Em 1970, existiam quase 250 milhões de 
aparelhos de televisão no mundo, dos quais 100 milhões nos Estados 
Unidos e 10 milhões na França, país que contava com apenas 60 mil 
‘telinhas’ em 1953. Paralelamente à extraordinária ampliação do 
público – no fim do período, pelo menos uma em cada três pessoas é 
‘telespectador’, esporádico ou regular – realiza-se uma revolução na 
transmissão de imagens à distância graças a invenção de satélites de 
telecomunicação. Pioneiro, o Telstar entrou em órbita no dia 10 de 
junho de 1962, possibilitando a transmissão ao vivo de programas de 
televisão entre dois continentes, a partir das estações de Andover, nos 
Estados Unidos, e Plemeur-Bodou, na França. Ao longo dos anos 
seguintes, os equipamentos Early Bird (1965) e Intelsat II e III (1967-
1968) representam um enorme avanço. Quando, no dia 20 de julho de 
1969, centenas de milhões de telespectadores puderam assistir nas 
telas de seus televisores à façanha dos astronautas da Apolo 11 e os 
primeiros passos de Neil Armstrong na Lua, foi possível falar de uma 
verdadeira transmissão ‘ao vivo’ para todo o planeta. 
Também explicaram como os jornais perderam força no mundo 
globalizado: 
Veículo preferencial da informação até meados da década de 1950, a 
imprensa tem experimentado, desde então, um declínio constante que 
afeta sobretudo os grandes diários de circulação nacional. A explicação 
do fenômeno está, em primeiro lugar, na admiração crescente do 
público pelo rádio e pela televisão. É verdade que, ao longo do período, 
o preço dos aparelhos de rádio e televisão diminui e a mensagem 
transmitida por eles passa a se inserir mais intimamente na vida das 
pessoas. (Berstein; Milza, 2007, p. 508) 
Assim com a imprensa, o mercado literário também passou por 
transformações no mundo globalizado. Foi possível, nesse período, aumentar a 
tiragem de livros, bem como a variedade de títulos. Em contrapartida, a cultura 
de massa fez nascer os best-sellers que, segundo Bertein e Milza (2007, p. 510), 
poderiam ser apoiados pela manipulação da mídia: 
Sujeito às mesmas dificuldades da imprensa, como a concorrência do 
audiovisual, custos de produção etc., em trinta anos o livro perdeu o 
caráter semiartesanal que ainda mantinha logo após o término da 
guerra. Mais concentrada ainda que no passado, até o começo da 
década de 1970 a produção editorial aumentou continuamente e o 
faturamento (mais de 5 bilhões de dólares anuais para o conjunto da 
produção mundial), as tiragens (de 10 mil exemplares em 1950, a 
tiragem média passou para 15 mil exemplares em 1970) e a quantidade 
de títulos lançados no mercado, que, segundo a UNESCO, chegou a 
460 mil em 1966 (...). Mas o universo editorial contemporâneo também 
vive de práticas não tão favoráveis à democratização do patrimônio 
 
 
4 
cultural que, outrora, era privilégio das elites. A corrida aos best-seller, 
que permite ao editor rentabilizar o conjunto de sua produção, no 
melhor dos casos pela batalha em torno dos prêmios literários; no pior, 
pela manipulação da mídia e o recurso às formas mais escandalosas 
de publicidade. Enfim, gêneros considerados menores, como o 
romance policial e a ficção científica, atingem grandes tiragens com 
obras de valor e interesse variável, mas que constituem hoje um dos 
espaços de criação das representações e dos mitos que alimentam 
uma cultura de massa fortemente influenciada pelos modelos do outro 
lado do Atlântico. 
Como visto anteriormente, a expansão do rádio e da televisão fez com 
que várias nações pudessem entrar em contato. As novas tecnologias, que 
culminaram no surgimento da internet, produziram uma rede mundial de troca de 
informação, cultura e saberes, o que chamamos de globalização: um período 
onde todos os países podem estar interligados pela tecnologia. Porém, o aspecto 
mais primordial da globalização é a integração de mercados entre países, 
permitindo uma maior importação e exportação de produtos e, 
consequentemente, a venda de bens de consumo de diferentes culturas fora de 
seu lugar de produção. 
Na globalização o mercado interno dá lugar à expansão capitalista, 
resultando em transações financeiras. Vários blocos econômicos são criados a 
fim de fomentar o comércio, a exemplo do Mercosul. No mundo globalizado, a 
ONU, o FMI e o Banco Mundial exercem um importante papel de controle e 
negociação entre as várias economias que os compõe. 
O espantoso ‘grande salto avante’ da economia mundial (capitalista) e 
sua crescente globalização não apenas dividiram e perturbaram o 
conceito de Terceiro Mundo como também levaram quase todos os 
seus habitantes conscientemente para o mundo moderno. Eles não 
gostaram necessariamente disso. Na verdade, muitos movimentos 
“fundamentalistas” e outros em teoria tradicionalistas que agora 
ganhavam terreno em vários países do Terceiro Mundo, sobretudo, 
mas não de modo exclusivo, na região islâmica, eram especificamente 
revoltas contraa modernidade, embora isso com certeza não se 
aplique a todos os movimentos aos quais se prega esse rótulo 
impreciso. Mas eles próprios se sabiam parte de um mundo que não 
era como o de seus pais. Esse mundo lhes chegava em forma de 
ônibus ou caminhões em poeirentas estradas marginais; a bomba de 
gasolina; o radinho de pilha transistorizado, que trazia o mundo até eles 
— talvez até aos analfabetos, em seu próprio dialeto ou língua não 
escritos, embora isso provavelmente fosse privilégio do imigrante 
urbano. Mas num mundo onde as pessoas do campo migravam para 
as cidades aos milhões, e mesmo em países rurais da África com 
populações urbanas de um terço ou mais tornando-se comuns — 
Nigéria, Zaire, Tanzânia, Senegal, Gana, Costa do Marfim, Chade, 
República Centro-Africana, Gabão, Benin, Zâmbia, Congo, Somália, 
Libéria —, quase todos trabalhavam na cidade ou tinham um parente 
que lá morava. Aldeia e cidade estavam daí em diante interligadas. 
Mesmo as mais remotas viviam agora num mundo de embalagem 
plástica, garrafas de Coca-Cola, relógios digitais baratos e fibras 
artificiais. Por uma estranha inversão da história, o país atrasado do 
 
 
5 
Terceiro Mundo começou até a comercializar suas habilidades no 
Primeiro Mundo. Nas esquinas da Europa pequenos grupos de 
peripatéticos índios dos Andes sul-americanos tocavam suas 
melancólicas flautas e nas calçadas de Nova York, Paris e Roma 
camelôs negros da África Ocidental vendiam balangandãs aos nativos 
exatamente como os ancestrais dos nativos haviam feito em suas 
viagens de negócios ao Continente Negro. (Hobsbawm, 1996, p. 283) 
TEMA 2 – A ONU 
A ONU foi criada logo após a Segunda Guerra Mundial, em outubro de 
1945. Tem como objetivos evitar um novo conflito mundial, buscando garantir a 
paz, além de promover os direitos humanos e a ajuda humanitária. Sua sede fica 
em Manhattan, nos EUA, com escritórios em Genebra, Viena e Nairóbi. Em suas 
primeiras décadas de criação, passou pela turbulência da Guerra Fria. Após o 
término desse conflito, passou a assumir missões de paz em diversos países. 
Também foi responsável pela aprovação, em 1947, da criação do estado de 
Israel, dividindo o estado da Palestina e ocasionando conflitos na região. Sobre 
a criação dessa organização, é possível perceber que: 
Embora seja verdade que a ‘grande aliança’ selada durante a guerra 
não vai muito além de 1846, transformando-se, em razão das 
rivalidades entre os ‘blocos’, num enfrentamento indireto ao qual se 
deu o nome de ‘Guerra Fria’, também é verdade que ao longo de 1945 
e 1946 não são poucos os que, com a implantação da ONU, 
alimentaram a ilusão de uma paz duradoura. Debatida por ocasião das 
importantes conferências entre os aliados do tempo de guerra, a ideia 
de uma organização internacional que defendesse a paz realiza-se, em 
1945, na criação da Organização das Nações Unidas (ONU). (Berstein; 
Milza, 2007, p. 165) 
A organização da ONU se dá por meio de três órgãos políticos, com sede 
em Nova York. O primeiro desses órgãos é a Assembleia Geral, que: 
Reúne em sessões ordinárias (de setembro a dezembro) ou 
extraordinárias os delegados de todos os Estado-membro, cada um 
com direito a um voto. Sua jurisdição alcança todas as áreas evocadas 
na Carta. Seu funcionamento, seja na sessão plenária, seja no quadro 
das seis comissões especializadas, e as tomadas de decisão são feitos 
por maioria de dois terços em todas as questões de fundo, como paz e 
segurança, admissão de novos membros e etc. (Berstein; Milza, 2007, 
p. 166) 
Ao analisar os outros órgãos políticos organizativos da ONU – o Conselho 
de Segunda e o Secretário –, podemos perceber que a Organização das Nações 
Unidas não se configura como um órgão internacional onde todos os países 
possuem o mesmo direito de voto. 
“O Conselho de Segurança, que é o órgão executivo responsável pela 
manutenção da paz. Os cinco grandes (Estados Unidos, União 
 
 
6 
Soviética, Reino Unido, China Nacionalista e França) são seus 
membros permanentes e têm direito de veto. Como consequência, a 
igualdade entre os países-membro da organização encontra-se 
fortemente abalada pelo papel que as grandes potências vitoriosas 
guardam para si, decidias a não renunciar às responsabilidades que 
exercem durante a guerra. Por outro lado, a União Soviética teme que 
seja utilizada contra ela uma maioria de pequenas nações clientes dos 
Estados Unidos. Stálin declara, em Ialta, que estava pronto a juntar-se 
aos Estados Unidos e à Grã-Bretanha para salvaguardar os direitos 
das pequenas potências, mas que jamais aceitaria que os atos das 
grandes potências ficassem sujeitas aos julgamentos das pequenas 
potências. Os membros não-permanentes, em número de seis (dez, a 
partir de 1966), são eleitos por dois anos pela Assembleia Geral. O 
Conselho pode intervir por meio de recomendações para solucionar as 
divergências entre os Estados. No caso de conflito ou agressão, ele 
pode tomar medidas que impliquem, ou não, o emprego de forças 
armadas. O Secretariado constitui uma vasta máquina administrativa, 
com cinco mil funcionários de todo o mundo, cujo financiamento é 
assegurado pelas contribuições dos Estados-membro. É dirigido pelo 
secretário-geral, importante personagem eleito pela Assembleia Geral 
por ‘recomendação’ do Conselho de Segurança. De 1946 a 1953, a 
cadeira foi ocupada pelo norueguês Trygve Lie. (Berstein; Milza, 2007, 
p. 166-7) 
TEMA 3 – O FMI 
Durante a globalização, surgiu outro importante órgão para regular o 
comércio internacional – O FMI. Segundo o site da ONU Brasil, o Fundo 
Monetário Internacional (FMI) foi criado em 1944 durante a conferência de 
Bretton Woods, nos Estados Unidos. Tinha como objetivo ajudar na reconstrução 
do mercado internacional após as perdas da Segunda Guerra Mundial e evitar 
grandes crises econômicas, como a de 1929. É o órgão responsável por impedir 
desequilíbrios nos sistemas cambiais dos países-membro, a fim de evitar que a 
expansão do comércio seja prejudicada. Sua sede fica em Washington, nos 
Estados Unidos. O FMI é responsável por fiscalizar taxas de câmbio e conceder 
empréstimos em casos de desequilíbrio na balança de pagamentos, 
considerando o câmbio original em dólar – cada 35 dólares valem uma onça de 
ouro, sistema chamado de padrão dólar-ouro. O FMI também trabalha em prol 
do comércio internacional, da criação de empregos e do crescimento econômico 
sustentável. 
Três vezes por semana a Diretoria Executiva do FMI promove discussões 
acerca dos problemas econômicos de seus países-membro. Essa diretoria é 
composta por 24 representantes, dentre os quais 8 possuem assento 
permanente e 16 são membros eleitos bienalmente. O FMI também tem uma 
Assembleia de Governadores, sua autoridade máxima. Essa assembleia é 
assessorada pelo Comitê Interino e pelo Comitê de Desenvolvimento, que se 
 
 
7 
reúnem duas vezes por ano para discutir a economia global. Apesar de haver 
uma ideia de que todos os países-membro do FMI têm os mesmos direitos, é 
possível constatar que seus presidentes são, na maioria, norte-americanos e 
europeus. O FMI também é financiado com contribuições de seus países-
membro. 
TEMA 4 – O BANCO MUNDIAL 
Assim como o FMI, o Banco Mundial também foi criado na conferência de 
Bretton Woods, quando surgiu o Banco Internacional para Reconstrução e 
Desenvolvimento (Bird). 
Nessa primeira fase, o Bird buscava financiar a reconstrução dos países 
devastados pela Segunda Guerra Mundial, sendo a França o primeiro país a 
receber um empréstimo do banco. Para que o empréstimo fosse concedido, o 
governo francês precisou retirar os membros comunistas de seu gabinete, a 
pedido dos EUA. 
Depois de 1968, os empréstimos concedidos se ampliaram, pois, o banco 
passou a ter como objetivo erradicar a pobreza por meio de ajuda financeira e 
de empréstimos aos países em desenvolvimento. O então presidente do Banco 
Mundial, Robert McNamara, trabalhou a favor da reconstruçãode hospitais e 
escolas, reforma agrícola e alfabetização. Nesta fase, o banco procurou fontes 
de capital fora dos Estados Unidos. Sua sede também fica em Washington, EUA. 
Em órgãos reguladores como ONU, FMI e Branco Mundial: 
A diferença entre intenção geral e aplicação detalhada é 
particularmente clara na reconstrução da economia internacional, pois 
aqui a “lição” da Grande Depressão (a palavra aparece 
constantemente no discurso da década de 1940) se traduziu pelo 
menos em parte em medidas concretas. A supremacia americana era, 
claro, um fato. A pressão política por ação vinha de Washington, 
mesmo quando muitas ideias e iniciativas partiam da Grã-Bretanha, e 
onde as opiniões divergiram, como a discordância entre Keynes e o 
porta-voz americano Harry White, [69] sobre o novo Fundo Monetário 
Internacional (FMI), os EUA prevaleceram. Contudo, o plano original 
para a nova ordem econômica mundial via essa supremacia como 
parte de uma nova ordem política mundial, também planejada durante 
os últimos anos da guerra como as Nações Unidas, e só depois que o 
modelo original da ONU desmoronou, na Guerra Fria, as duas únicas 
instituições internacionais de fato criadas sob os Acordos de Bretton 
Woods de 1944, o Banco Mundial (“Banco Internacional para 
Reconstrução e Desenvolvimento”) e o FMI, ambos ainda existentes, 
tornaram-se de facto subordinadas à política americana. Iriam 
promover o investimento internacional e manter a estabilidade do 
câmbio, além de tratar de problemas de balanças de pagamento. 
Outros pontos no programa internacional não geraram instituições 
especiais (por exemplo, para controlar o preço de produtos primários e 
 
 
8 
para adotar medidas internacionais destinadas a manter o pleno 
emprego), ou foram implementados de modo incompleto. A proposta 
Organização do Comércio Internacional tornou-se o muito mais 
modesto Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), uma 
estrutura para reduzir barreiras comerciais por meio de barganhas 
periódicas. (Hobsbawm, 1996, p. 215) 
TEMA 5 – NEOLIBERALISMO 
Trataremos agora do neoliberalismo, doutrina econômica difundida 
durante a globalização. O termo neoliberalismo passou a ser empregado, 
sobretudo, na década de 1980, para descrever o ressurgimento de ideias 
advindas do liberalismo. Os neoliberais defendem privatizações, livre comércio 
e fortalecimento do setor privado, em detrimento do setor público. Sua doutrina 
econômica foi criada para evitar crises do liberalismo clássico, como a de 1929. 
Comumente, o termo neoliberal é associado a alguns governos ao redor 
do globo, entre eles: Ronald Reagan, nos Estados Unidos; Augusto Pinochet, no 
Chile; e Margaret Thatcher, no Reino Unido. Foi nos anos 1970 que o 
neoliberalismo passou a ser criticado, por ter deixado de ser uma forma 
moderada de liberalismo, tornando-se um conjunto de ideias radicais favoráveis 
ao capitalismo laissez-faire. Alguns estudiosos, como Harold David Kotz, 
afirmam que a doutrina neoliberal foi responsável pela crise econômica de 2008. 
Sobre o liberalismo Bobbio, Matteucci e Pasquino (1998, p. 686): 
A definição de Liberalismo como fenômeno histórico oferece 
dificuldades específicas, a menos que queiramos cair numa história 
paralela dos diversos Liberalismos (G. De Ruggiero, M. Cranston) ou 
descobrir um Liberalismo "ecumênico" (T.P. Neill), que não têm muito 
a ver com a história. A razão da inexistência de consenso quanto a 
uma definição comum, quer entre os historiadores quer entre os 
estudiosos de política, é devida a uma tríplice ordem de motivos. 
Por esse motivo (Bobbio; Matteucci; Pasquino, 1998, p. 687): 
Para o historiador, é óbvio e natural pensar que a única e possível 
definição de Liberalismo é a definição histórica, visto estar ele convicto 
de que a sua essência coincide com a sua história: o Liberalismo é um 
fato histórico, isto é, um conjunto de ações e de pensamentos, 
ocorridos num determinado momento da história europeia e 
americana. 
Portanto, “o Liberalismo seria filho do Estado moderno ou, em sentido 
mais amplo, seria consequência ou resposta à nova estruturação organizacional 
do poder, instaurando-se na Europa desde o século XVI” (Bobbio; Matteucci; 
Pasquino, 1998, p. 697-8). 
 
 
9 
Dessa forma, podemos também inferir que o neoliberalismo é um fato 
histórico que, inscrito num conjunto de ações e pensamentos baseados no 
liberalismo, surgiu no período pós Segunda Guerra Mundial. Sobre o 
neoliberalismo, o historiador Eric Hobsbawm (1996, p. 267) comenta: 
Como tomamos por certo o ar que respiramos, e que torna possíveis 
nossas atividades, também o capitalismo tomou como certa a 
atmosfera em que operava, e que herdara do passado. Só descobriu 
como ela fora essencial quando o ar começou a rarear. Em outras 
palavras, o capitalismo venceu porque não era apenas capitalista. 
Maximização e acumulação de lucros eram condições necessárias 
para seu sucesso, mas não suficientes. Foi a revolução cultural do 
último terço do século que começou a erodir as herdadas vantagens 
históricas do capitalismo e a demonstrar as dificuldades de operar sem 
elas. A ironia histórica do neoliberalismo que se tornou moda nas 
décadas de 1970 e 1980, e que olhava de cima as ruínas dos regimes 
comunistas, foi que triunfou no momento mesmo em que deixava de 
ser tão plausível quanto parecera outrora. O mercado dizia triunfar 
quando não mais se podia ocultar sua nudez e inadequação. 
Observaremos agora como foi o governo neoliberal Ronald Reagan, nos 
Estados Unidos, e de Margaret Thatcher, no Reino Unido. Margaret Thatcher foi 
a Primeira-Ministra no Reino Unido entre os anos de 1979 e 1990. Ficou 
conhecida como Dama de Ferro, pela sua firme postura de liderança. 
Thatcher teve uma política econômica baseada em economistas como 
Alan Walters e Milton Friedman. Foi responsável por aumentar os impostos 
indiretos no Reino Unido, e reduzir os impostos diretos sobre a renda. A Primeira-
Ministra aumentou as taxas de juros com o intuito de conter a inflação. Também 
foi responsável por reduzir as despesas públicas nas áreas de educação, 
habitação e serviço social. Essa diminuição causou um grande impacto no 
ensino superior do Reino Unido. Thatcher também moveu esforços para acabar 
com os sindicatos, pois acreditava que eram prejudiciais, introduzindo medidas 
que limitassem seu poder (Hobsbawm, 1996, p. 240-1): 
Assim, na Grã-Bretanha da sra. Thatcher, reconhecidamente um caso 
extremo, à medida que se desmantelava a proteção do governo e dos 
sindicatos, o quinto de operários que estava na base na verdade ficou 
em pior situação, se comparado com o resto dos operários, do que 
estava um século antes. E enquanto os 10% de operários que estavam 
no topo, com rendimentos brutos três vezes maiores que os do décimo 
inferior, se congratulavam por sua melhoria, era cada vez mais 
provável refletirem que, como contribuintes nacionais e locais, estavam 
subsidiando o que veio a ser denominado, na década de 1980, pelo 
sinistro termo subclasse, que vivia do sistema assistência público, que 
eles próprios esperavam poder dispensar, a não ser nas emergências. 
Foi revivida a velha divisão vitoriana entre os pobres ‘respeitáveis’ e os 
‘não respeitáveis’, talvez de uma forma mais ressentida, pois nos 
gloriosos dias do boom global, quando o pleno emprego parecia cuidar 
da maioria das necessidades materiais dos trabalhadores, os 
 
 
10 
pagamentos da assistência social tinham se elevado a níveis 
generosos que, nos novos dias de demanda de assistência em massa, 
pareciam permitir a um exército dos ‘não-respeitáveis’ viver muito 
melhor da ‘assistência’ que o antigo residuum pobre vitoriano. E muito 
melhor do que, na opinião de contribuintes que davam duro, tinham 
direito. 
Outra questão importante de seu governo foi a privatização. Após as 
eleições de 1983, muitas empresas estatais do Reino Unido foram vendidas, 
incluindo indústrias de gás, água e eletricidade. Paraque fosse possível a venda 
dessas indústrias nacionais, o governo melhorava seus desempenhos, para 
aumentar seu valor de mercado (Hobsbawm, 1996, p. 333): 
O triunfo da teologia neoliberal na década de 1980 na verdade traduziu-
se em políticas de privatização sistemática e capitalismo de livre 
mercado impostas a governos demasiado falidos para resistir-lhes, 
fossem elas imediatamente relevantes para seus problemas 
econômicos ou não (como na Rússia pós-soviética). 
Durante a Guerra Fria, Margaret Thatcher se alinhou com as políticas do 
presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan. Um dos elos que ligava os dois 
governos era a desconfiança e a temeridade quanto ao comunismo. 
Ronald Reagan conquistou a presidência dos Estados Unidos em 1981. 
Seu governo foi responsável por implementar novas iniciativas políticas e 
econômicas, entre elas a diminuição dos gastos governamentais. No final de sua 
gestão, a inflação e as taxas de desemprego diminuíram nos Estados Unidos. 
Em contrapartida, a dívida pública alcançou altos índices. Assim como Thatcher, 
Reagan era contrário aos sindicatos, e acreditava na liberdade individual. O 
presidente dos EUA também promoveu uma expansão militar no país. Segundo 
Hobsbawm (1996, p. 194-5): 
A política de Ronald Reagan, eleito para a Presidência em 1980, só 
pode ser entendida como uma tentativa de varrer a mancha da 
humilhação sentida demonstrando a inquestionável supremacia e 
invulnerabilidade dos EUA, se necessário com gestos de poder militar 
contra alvos imóveis, como a invasão da pequena ilha caribenha de 
Granada (1983), o maciço ataque aéreo e naval à Líbia (1986), e a 
ainda mais maciça e sem sentido invasão do Panamá (1989). Reagan, 
talvez por ser apenas um ator mediano de Hollywood, entendia o 
estado de espírito de seu povo e a profundidade das feridas causadas 
à sua autoestima. No fim, o trauma só foi curado pelo colapso final, 
imprevisto e inesperado, do grande antagonista, que deixou os EUA 
sozinhos como potência global. Mesmo então, podemos detectar na 
Guerra do Golfo, em 1991, contra o Iraque, uma compensação tardia 
pelos pavorosos momentos de 1973 e 1979 quando a maior potência 
da Terra não pôde achar resposta para um consórcio de fracos Estados 
do Terceiro Mundo que ameaçava estrangular seus abastecimentos de 
petróleo. 
 
 
11 
Defensor da filosofia laissez-faire e do livre mercado, reduziu os impostos 
federais sobre a renda. Propunha uma baixa taxa de imposto, como estímulo ao 
investimento, no intuito de gerar mais empregos. Reagan também cortou 
orçamentos para a habitação pública e o combate à pobreza. Em contrapartida, 
aumentou os investimentos no setor de defesa. 
Seu governo foi responsável por uma forte propaganda contra a União 
Soviética, que se valia de piadas e depreciações. Os soviéticos responderam às 
provocações, ocasionando uma nova onda de temor sobre uma possível guerra 
nuclear. Piadas xenofóbicas e ideológicas foram utilizadas de ambos os lados. 
Juntamente com Margaret Thatcher, promoveu uma campanha contra a URSS, 
fazendo denúncias de sua ideologia: 
Como a URSS ia desmoronar pouco antes do fim da era Reagan, os 
propagandistas americanos naturalmente afirmariam que fora 
derrubada por uma militante campanha americana para quebrá-la e 
destruí-la. Os EUA tinham travado e ganho a Guerra Fria e destruído 
completamente o inimigo. Não precisamos levar a sério essa versão 
anos 80 das Cruzadas. Não há sinal de que o governo americano 
esperasse ou previsse o colapso iminente da URSS, ou estivesse de 
alguma forma preparado para ele quando veio. Embora sem dúvida 
esperasse pôr a economia soviética sob pressão, fora informado 
(erroneamente) por sua própria espionagem de que ela estava em boa 
forma e capaz de sustentar a corrida armamentista com os EUA. Em 
princípios da década de 1980, a URSS ainda era vista (também 
erroneamente) como empenhada numa confiante ofensiva global. Na 
verdade, o próprio presidente Reagan, qualquer que fosse a retórica 
posta à sua frente pelos seus redatores de discursos, e o que quer que 
passasse por sua mente nem sempre lúcida, acreditava na 
coexistência de EUA e URSS, mas uma coexistência que não se 
baseasse num antipático equilíbrio de terror nuclear. Ele sonhava era 
com um mundo inteiramente sem armas nucleares. E o mesmo 
pensava o novo secretário-geral do Partido Comunista da União 
Soviética, Mikhail Sergueievich Gorbachev, como ficou claro em sua 
estranha e excitada conferência de cúpula que realizaram na escuridão 
subártica da outonal Islândia, em 1986. A Guerra Fria acabou quando 
uma ou ambas superpotências reconheceram o sinistro absurdo da 
corrida nuclear, e quando uma acreditou na sinceridade do desejo da 
outra de acabar com a ameaça nuclear. Provavelmente era mais fácil 
para um líder soviético que para um americano tomar essa iniciativa, 
porque, ao contrário de Washington, Moscou jamais encarara a Guerra 
Fria como uma cruzada, talvez porque não precisasse levar em conta 
uma excitada opinião pública. Por outro lado, exatamente por isso, 
seria mais difícil para um líder soviético convencer o Ocidente de que 
falava sério. Desse modo, o mundo tem uma dívida enorme com 
Mikhail Gorbachev, que não apenas tomou essa iniciativa como 
conseguiu, sozinho, convencer o governo americano e outros no 
Ocidente de que falava a verdade. (Hobsbawm, 1996, p. 195-6) 
No ano de 1985, Reagan foi eleito para seu segundo mandato como 
presidente dos Estados Unidos, sendo sucedido, em 1988, por George W. Bush. 
 
 
 
12 
NA PRÁTICA 
Com base no trecho destacado abaixo (Hobsbawm, 1996, p. 215-6), 
escreva uma pequena reflexão sobre o papel dos EUA no mundo globalizado: 
Na medida em que tentavam construir um conjunto de instituições 
funcionais para dar vida a seus projetos, os planejadores do admirável 
mundo novo fracassaram. O mundo não emergiu da guerra sob a forma 
de um eficiente sistema internacional, multilateral, de livre comércio e 
pagamentos, e as medidas americanas para estabelecê-lo desabaram 
dois anos após a vitória. Porém, ao contrário das Nações Unidas, o 
sistema internacional de comércio e pagamentos deu certo, embora 
não do modo originalmente previsto ou pretendido. Na prática, a Era 
de Ouro foi a era do livre comércio, livres movimentos de capital e 
moedas estáveis que os planejadores do tempo da guerra tinham em 
mente. Sem dúvida isso se deveu basicamente à esmagadora 
dominação econômica dos EUA e do dólar, que funcionou como 
estabilizador por estar ligado a uma quantidade específica de ouro, até 
a quebra do sistema em fins da década de 1960 e princípios da de 
1970. Deve-se ter sempre em mente que em 1950 só os EUA tinham 
mais ou menos 60% de todo o estoque de capital de todos os países 
capitalistas avançados, produziam mais ou menos 60% de toda a 
produção deles, e mesmo no auge da Era de Ouro (1970) ainda 
detinham mais de 50% do estoque total de capital de todos esses 
países e eram responsáveis por mais da metade de sua produção. 
FINALIZANDO 
Estudamos o que foi a globalização. Em linhas gerais, trata-se de um 
processo por meio do qual vários países passam a se aproximar nos âmbitos 
social, cultural, econômico e político. 
Para que a globalização fosse possível, foram necessários avanços 
tecnológicos, muitos dos quais surgiram como consequências da Segunda 
Guerra Mundial e da Guerra Fria. 
Para compreender esse período, também foi necessário analisar a 
doutrina neoliberal, que permeou muitas relações econômicas, um dos pontos 
principais de confluência no mundo globalizado. 
 
 
 
13 
REFERÊNCIAS 
BAUMAN, Z. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Editora 
Jorge Zahar, 1999. 
BERSTEIN, S.; MILZA, P. História do século XX. Vol I. São Paulo: Companhia 
Editora Nacional, 2007. 
BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. Brasília: 
Editora Universidade de Brasília, 1998. 
HOBSBAWM, E. Era dos extremos: o breve séculoXX 1914-1991. São Paulo: 
Companhia das Letras, 1996. 
KOTZ, D. End of the neoliberal era? Disponível em: 
. Acesso em: 17 jul. 2019. 
ONU-BR – Organização das Nações Unidas. Disponível em: 
. Acesso em: 17 jul. 2019. 
WORLD BANK. Brazil. Disponível em: 
. Acesso em: 17 jul. 2019. 
 
https://newleftreview.org/

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