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1 ESCOLA DE DIREITO – ED COORDENAÇÃO DOS CURSOS DE DIREITO – OFERTA ESPECIAL Carauari, Coari, Eirunepé, Humaitá, Itacoatiara, Lábrea, Manacapuru, Manicoré, Maués, Parintins, Presidente Figueiredo e São Gabriel da Cachoeira DIREITO CONSTITUCIONAL II APOSTILA (ROTEIRO DE AULAS) PROF. DR. NEUTON ALVES DE LIMA PROF. DR. BIANOR SARAIVA NOGUEIRA JR. 2 EMENTA: Organização do Estado. Organização dos Poderes. Poder Executivo. Poder Legislativo e Poder Judiciário. Governo e Administração. Defesa do Estado e das Instituições Democráticas. REFERÊNCIAS BARCELOS, Ana Paula de. Curso de direito constitucional. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense. BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. S. Paulo: Malheiros. BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional. S. Paulo: Saraiva. FERNANDES, Berrnardes G. Curso de Direito Constitucional. S. Paulo: Juspodium LENZA, Pedro. Direito Constitucional: Esquematizado. S. Paulo: Saraiva. MENDES, Gilmar Ferreira. COELHO, Inocêncio Mártires. Curso de Direito Constitucional. S. Paulo: Saraiva. MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. S. Paulo: Atlas. NUNES JÚNIOR, Flávio Martins Alves. Curso de direito constitucional. S. Paulo. Saraiva. NOVELINO, Marcelo. Direito Constitucional. S. Paulo: Saraiva. SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. S. Paulo: Malheiros. TAVARES, André Ramos. Curso de Direito Constitucional. S. Paulo: Saraiva. SARLET, Ingo W; MORINONE, Luiz G.; MITIDIERO, Daniel. Curso de Direito Constitucional. S. Paulo: Saraiva. Obs. No momento da aquisição dos livros, deverá solicitar as edições mais atualizadas. Obs. Os alunos devem trazer, em todas as aulas, a Constituição Federal. 3 UNIDADE I DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO I NOÇÕES DE TEORIA GERAL DO ESTADO ESTADO E SUA FINALIDADE Estado é a organização juridicamente soberana de um povo em um dado território. Ou seja, Estado é um povo homogêneo, fixado num território delimitado, com um governo independente, no pleno exercício da soberania. A finalidade ou objetivo do Estado é proteger o seu povo, garantindo segurança pessoal e patrimonial, provendo serviços públicos, na busca do bem-estar coletivo. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO Povo Território Governo independente Soberania FORMAS DE GOVERNO República Eletividade: (através de eleições direta ou indireta) Temporalidade no exercício do poder Necessidade de legitimidade popular Representatividade popular Dever de o governante prestar contas Monarquia Hereditariedade Vitaliciedade Não representatividade popular (representa uma linhagem) Ausência de prestação de contas pelo governante 4 SISTEMAS DE GOVERNO Presidencialismo Independência entre os Poderes (relações rígidas) Chefia monocrática Mandato por prazo certo Responsabilidade do governo perante o povo Parlamentarismo Chefia dual Cooperação entre os Poderes Legislativo e Executivo Mandato por prazo indeterminado Responsabilidade do governo perante o Parlamento REGIMES DE GOVERNO Autocracia Os destinatários da política governamental não participam de sua elaboração Ditaduras OU outros regimes totalitários Democracia Os destinatários da política governamental participam de sua elaboração Democracia direta e democracia indireta ou representativa Brasil – semidireta ou participativa: direta + indireta (os representantes elaboram as políticas públicas, mas existem mecanismos de participação popular) Mecanismos de participação popular (art. 1º, par. único, CF) Sufrágio universal Voto direto, secreto e igualitário Plebiscito Referendo Iniciativa popular de lei 5 FORMAS DE ESTADO O conceito de forma de Estado diz respeito ao modo de distribuição do poder em função de um território, ou seja, é o modo de organização político-administrativa do Estado soberano. Estado unitário O Estado Unitário é aquele no qual existe uma única fonte de Direito, estendendo-se uniformemente sobre todo o seu território; O Estado Unitário se caracteriza pela existência de um polo central emanador de normas que concentra em si todo o Poder; Tem-se aí o conceito de Estado Unitário puro ou simples, inconcebível na atualidade; De fato, não é possível haver nos dias de um hoje um Estado Unitário puro, sem qualquer descentralização, tendo em vista, sobretudo, a necessidade de aproximação entre os cidadãos e o Poder Público e a exigência de desburocratização da instância pública decorrentes tanto do aumento populacional quanto da complexidade das relações sociais; A descentralização promovida pelo Estado Unitário na atualidade é de caráter administrativo, sendo executada por meio de regiões, departamentos, municípios etc., dotados de personalidade jurídica própria. Estado composto O Estado composto é a junção de dois ou mais Estados, sob o mesmo governo, formando uma união transitória ou permanente. Uniões políticas União pessoal União real Confederação A Confederação não é uma forma de Estado; A Confederação é, na verdade, uma união de Estados soberanos caracterizada pela distribuição de poder entre eles; 6 Características: A Confederação surge de um tratado ou acordo entre os entes; Há o direito de secessão; Ausência de órgão de Cúpula do Poder Judiciário com atribuição de resolver conflitos entre os entes; Federação A Federação é uma forma de Estado na qual um ente é dotado de soberania, enquanto os demais são dotados de autonomia; Características principais: Descentralização político-administrativa; Indissolubilidade do pacto federativo; Presença de uma Constituição que crie a federação e a guarde por meio da vedação ao direito de secessão; Participação da vontade dos entes na vontade geral; Órgão de cúpula do Poder Judiciário responsável por solucionar conflitos entre os entes; Autonomia financeira dos entes garantida constitucionalmente; Auto-organização dos entes autônomos, dividida em: Autonormatização; Autogoverno; Autoadministração. Requisitos de manutenção: Rigidez constitucional; Imutabilidade da forma federativa; Existência de órgão para exercer o controle de constitucionalidade das leis. Principais tipos de federalismo: Quanto à formação: Agregação → movimento de fora para dentro (centrípeto) que consiste na junção de Estados soberanos que abrem mão de sua 7 soberania para adquirir autonomia e formar, assim, um Estado Federal; Segregação → movimento de dentro para fora (centrífugo) que tem como ponto de partida um Estado Unitário que se divide em entes dotados de autonomia, formando um Estado Federal. Quanto à repartição de competências: Dual (clássico) → os entes trabalham com competências privativas, separadas e independentes entre si, sem que haja qualquer cooperação; Cooperativo (integração) → promove a atuação concorrente ou em comum entre os entes que compõem a Federação. Quanto ao tratamento das desigualdades: Simétrico → ocorre a divisão de competências e receitas de modo paritário, havendo, portanto, homogeneidade; Assimétrico → ocorre uma tentativa de equacionar as desigualdades regionais por meio de uma divisão diferenciada de atribuições e a realização de programas voltados para algumas regiões (diversidade). Quanto à concentração de poder: Centralizador (centrípeto), descentralizador (centrífugo) e de equilíbrio: Centralizador → possui maior concentração de poder no polo central, em detrimento dos polos regionais; Descentralizador → promove uma diminuição do poder central e um aumento dos poderes regionais; De equilíbrio → defendese elaborar as leis, denominado de processo legislativo, está descrito nos arts. 59 a 69 da CF. EMENDAS À CONSTITUIÇÃO Noções preliminares As emendas à constituição são normas constitucionais elaboradas pelo poder constituinte derivado. Uma vez criada uma constituição pelo poder constituinte originário, sua normas deverão ser atualizadas para acompanhar as realidades da época. Para evitar a constante convocação do poder constituinte originário, que detém a competência para fazer uma nova constituição, o que seria o surgimento também de um novo Estado, a Constituição Federal, em seu art. 60, para que ela permaneça vigente, permite a convocação apenas do poder constituinte derivado para fazer as atualizações cabíveis e necessárias. 49 Limitações Formais → procedimentais, conforme o art. 60, I a II, e §§ 2º, 3º e 5º. “Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: “I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; II - do Presidente da República; § 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros. § 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem. § 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.” Materiais → substanciais, conforme o art. 60, § 4º. “§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais.” Circunstanciais → na ocorrência de determinadas situações prevista no art. 60, § 1º. Temporais → não há para as reformas normais do art. 60; apenas houve para as do art. 3º do ADCT. Implícitas → evitar a dupla revisão, p. ex., quórum, forma federativa e titularidade do poder constituinte. LEIS ORDINÁRIA E COMPLEMENTAR E SUAS FASES Noções gerais 50 Diferenciação entre elas Quorum de aprovação para cada uma Fase introdutória → Fase de deflagração do processo legislativo. É o que faz com que ele tenha início. Iniciativa comum ou concorrente (art. 61) “ Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição.” Iniciativa privativa (exclusiva) ou reservada (art. 61, § 1º) “ Art. 61. § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas; II - disponham sobre: a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios; c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI; f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva.” 51 Iniciativa popular. (art. 61, § 2º) “§ 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.” Fase constitutiva → Fase de tramitação do processo legislativo, na qual ocorrerão as discussões e deliberações das proposições normativas. Deliberação parlamentar. ∙ discussão em cada casa ∙ votação em cada casa ∙ aprovação em cada casa Sanção presidencial. Obs. 1: votação só nas comissões temáticas (art. 58, § 2º). “§ 2º Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe: I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa;” Obs. 2:emendas e subemendas (art. 63, I e II; e art. 166, §§ 3º e 4º) “Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista: I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º; II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público. Deliberação executiva ∙ sanção → expressa ou tácita ∙ veto → total ou parcial Fase complementar → Fase na qual se possui o atestado de existência da espécie normativa (também chamada de Fase de Integração de Eficácia). Promulgação Publicação 52 LEIS DELEGADAS Noções → serão elaboradas pelo PR, após a autorização do Congresso Nacional (art. 68) “ Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional.” Não são delegáveis → as matérias dos arts. 68, § 1º, 49, 51 e 52 “§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre: I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.” Exorbitância dos limites da delegação → o CN sustará por Dec.-legislativo (art. 49, V) “Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;” Necessidade ou não de reapreciação do projeto pelo CN →art. 68, § 3º “§ 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada qualquer emenda.” Sanção → dispensável, pois é o PR quem faz a lei delegada Promulgação e publicação → feitas pelo PR, após a elaboração da lei Obs.: Pode o CN legislar sobre a matéria já delegada ao PR? DECRETOS LEGISLATIVOS Instrumentos de atuação do CN → competências exclusivas (arts. 49, I a XVII, 62, § 3º) Efeitos → externa corporis Quórum de aprovação → maioria simples (art. 47). 53 “Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros.” Promulgação e publicação → presidente do CN (art. 48 e 49). Não há participação do PR → não há sanção ou veto. RESOLUÇÕES Instrumentos de atuação do SF e da CD →competências privativas (arts. 51 e 52) “Art. 51. Compete privativamente à Câmara dos Deputados: I - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado; II - proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional dentro de sessenta diasapós a abertura da sessão legislativa; III - elaborar seu regimento interno; IV - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias; V - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII.” Pode (excepcionalmente) o CN (art. 68, § 2º) → efeitos interna corporis “§ 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício.” Quórum de aprovação →maioria simples (art. 47) Promulgação e publicação → Presidente da casa respectiva TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS. Equivalência → como regra, entram no direito brasileiro com força de lei ordinária. Aprovação → quórum de maioria simples ou relativa. 54 Direitos humanos → se forem aprovados, em cada Casa do CN, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais (art. 5º, § 3º) Controle → como são atos normativos, são passíveis do controle de constitucionalidade DAS MEDIDAS PROVISÓRIAS (art. 62, CF) Considerações gerais → conceito, origem e evolução Pressupostos para criação → art. 62, caput “Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.” Legitimados para editar → em regra, o PR (Estados e Municípios?) Prazo inicial e prorrogação → art. 62, §§ 7º e 4º “§ 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da medida provisória, suspendendo-se durante os períodos de recesso do Congresso Nacional.” “§ 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória que, no prazo de sessenta dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional.” Reedição de MP → proibição (§ 10º) “§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional.” Não conversão em lei → perda da eficácia (§ 3º). “§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes” Limitações/vedações → não pode editar MP (§§ 1º e 2º) 55 “§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I - relativa a: a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; b) direito penal, processual penal e processual civil; c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; II - que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; III - reservada a lei complementar; IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. § 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.” Pode editar MP em matéria tributária → exceto (art. 153, I, II, IV e V; e 154, II) Processamento Votação inicia-se na CD (§ 8º) “§ 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados.” Parecer prévio da Comissão Mista da CD + SF (§ 9º) “§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional.” Deliberação no plenário da CD + SF (§§ 5º e 9º) 56 “§ 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais. “ Cabe juízo sobre o atendimento de pressupostos constitucionais (§ 5º) Apreciação em regime de urgência → 45 dias (§ 6º) “§ 6º Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subseqüentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando.” Alteração da MP → conversão em projeto de lei (§ 12) “§ 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.” Não apreciação e rejeição tácita da MP e (§§ 3º e 11). “§ 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes.” “§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas.” SÚMULAS VINCULANTES Noções: Sumulas (enunciados) buscam traduzir, em frases bem objetivas, o entendimento consagrado do Tribunal em causas similares. Discurso de Victor Nunes Leal, Ministro do STF: Paradoxalmente, portanto, a Súmula do STF, como repositório de jurisprudência, tinha por finalidade significativa discernir as hipóteses que se repetem, com freqüência, daquelas que mais raramente são submetidas ao Supremo Tribunal. Em relação a elas, impunha-se adotar um método de trabalho, que permitisse o seu julgamento seguro, mas rápido, abolindo formalidades e desdobramentos protelatórios. 57 Esses casos, pela freqüência com que se reproduziam, ficavam despojados de importância jurídica e não se justificava perda de tempo. Tipos de súmulas Persuasivas: continuam a ser criadas por diversos Tribunais como síntese da sua jurisprudência, gerando importantes efeitos, disciplinados pela legislação processual Vinculantes: criadas só pelo STF e ostentam um patamar mais elevado de imperatividade (art. 103-B, §§ 1º a 3º) 58 UNIDADE IX DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES DO PODER LEGISLATIVO III DA FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, ORÇAMENTARIA E FINANCEIRA Noções O controle externo é exercido pelo CN mediante a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder art. 70, CF):. “Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo,e pelo sistema de controle interno de cada Poder.” Quem prestará contas Qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada que guarde, arrecade, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária (art. 70, p. único). “Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária” Tribunal de Contas da União Órgão técnico auxiliar do CN (controle externo), não lhe sendo subordinado, possui atribuições constitucionais próprias e jurisdição em todo território nacional (art. 73) 59 “Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art. 96.” Natureza jurídica: órgão administrativo (art. 5º, XXXV) Composição e requisitos para nomeação (art. 73, § 1º): 9 Ministros “§ 1º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes requisitos:” Processos de escolha dos Ministros (art. 73, § 2º) “§ 2º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão escolhidos: I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo dois alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antigüidade e merecimento; II - dois terços pelo Congresso Nacional. Prerrogativas (§§ 3° e 4º): Ministros e Autores Competências constitucionais (art. 71, I a XI) Não susta ato de contratos (art. 71, §§ 1° e 2º): compete ao CN Não pode determinar a quebra do sigilo bancário (MS 22.801) Pode determinar medidas cautelares Pode apreciar, no caso concreto, a constitucionalidade de lei AOB não sofre fiscalização do TCU Eficácia das decisões: que imputarem débito ou multa têm eficácia de título executivo extrajudicial (art. 71, § 3°) “§ 3° Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça, aplicando-se-lhes, quanto à aposentadoria e pensão, as normas constantes do art. 40. “ Um único DF ou SF não tem legitimidade para solicitar inspeções, auditorias ou pedidos de informação Súmula Vinculante n. 3: contraditório e a ampla defesa quando da decisão do TCU puder resultar anulação ou revogação de ato que beneficie o interessado 60 Emitir pronunciamento conclusivo, por solicitação da CMO sobre despensas realizadas sem autorização (art. 72) “Art. 72. A Comissão mista permanente a que se refere o art. 166, §1º, diante de indícios de despesas não autorizadas, ainda que sob a forma de investimentos não programados ou de subsídios não aprovados, poderá solicitar à autoridade governamental responsável que, no prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos necessários.” Apurar denúncias apresentadas por qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato sobre irregularidades ou ilegalidades (art. 74, § 2°) “§ 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.” Tribunais de Contas dos Estados Integrados por 7 conselheiros (art. 75, p. único) “Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios.” Tribunais de Contas dos Municípios (art. 31) Emite parecer no controle das contas dos Municípios É órgão estadual que auxiliam a Câmara Municipal Vedação de criação de Tribunais de Contas municipais 61 UNIDADE X DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES DO PODER EXECUTIVO INTRODUÇÃO No âmbito federal, o Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado (art. 76, CF). “Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado.” Adota-se, no Brasil, o sistema de governo presidencialista, no qual as funções de Chefia de Estado e Chefia de Governo encontram-se concentradas nas mãos de uma única pessoa, o Presidente da República. No âmbito dos Estados-membros, do DF e dos Municípios, em razão da simetria ou paralelismo das formas, observam-se os mesmos princípios adotados no âmbito federal, fazendo, conseqüentemente, as adaptações devidas. DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA Atribuições → chefe de Estado e chefe de governo (arts. 84 c/c 79, § 1º). “Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe- á, no de vaga, o Vice-Presidente.” “Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:” Responsabilidades → diz respeito à infrações (crimes) cometidas, que se classificam: crimes de responsabilidade → infrações político-administrativas (art. 85); “Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: I - a existência da União; 62 II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação; III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; IV - a segurança interna do País; V - a probidade na administração; VI - a lei orçamentária; VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais. crimes comuns → infrações penais comuns (estranhos ou cargo); foro → Senado (responsabilidade) e Supremo (comum); procedimento → juízo de pronúncia na CD e de julgamento no SF ou STF (art. 86). “Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.” Imunidade presidencial → irresponsabilidade penal relativa (art. 86, § 4º). § 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.” Processo eleitoral → adota-se o princípio majoritário, com turno único ou duplo (art. 77, caput, e art. 77, §§ 1º, 2º e 7º). “Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á, simultaneamente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente. § 1º A eleição do Presidente da República importará a do Vice-Presidente com ele registrado. § 2º Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.” Requisitos de elegibilidade: brasileiro nato (art. 12, § 3º, I); idade mínima de 35 anos (art. 14, § 3, VI, “a”); 63 pleno exercício dos direitos políticos (art. 14, § 3º, II); alistamento eleitoral (art. 14 § 3º, III); domicílio eleitoral na circunscrição (art. 14, § 3º, V, c/c 77, § 2º); filiação partidária (art, 14, § 3º, V). Posse → dia 5 de janeiro, em seção conjunta no CN (arts. 82 c/c 57, § 3º, III). “Art. 82. O mandato do Presidente da República é de 4 (quatro) anos e terá início em 5 de janeiro do ano seguinte ao de sua eleição.” Mandato → quatro anos, permitida uma reeleiçãosubseqüente (arts. 82 c/c 14, § 5º). Perda do cargo → ausentar-se por mais de 15 dias sem autorização do CN (art. 83). “Art. 83. O Presidente e o Vice-Presidente da República não poderão, sem licença do Congresso Nacional, ausentar-se do País por período superior a quinze dias, sob pena de perda do cargo.” Sucessão do Presidente da República → art. 80 da CF “Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal.” DO VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA Eleição → juntamente com o PR (art. 77, parágrafo 1). “§ 1º A eleição do Presidente da República importará a do Vice- Presidente com ele registrado.” Atribuições substituir e suceder ao PR (art. 79) membro dos Conselhos da República e da Defesa Nacional (arts. 89, I, e 91, I) “Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele participam: I - o Vice-Presidente da República; outras funções que lhe forem atribuídas por Lei complementar (art. 79, § único) 64 “Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele convocado para missões especiais.” missões especiais que lhe forem confiadas pelo Presidente (ex., eventos externos) DOS MINISTROS DE ESTADO Introdução → exercem cargos de confiança do PR, isto é, são cargos de livre nomeação e exoneração. Cargos demissíveis ad nutum (a qualquer momento e independente de motivação). Atribuições→ são auxiliares do PR (arts. 84 c/c 87, § único) “Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei” Requisitos de investidura → brasileiros com mais de 21 anos e direitos políticos (art. 87) “Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos.” Crimes → comuns e de responsabilidades Foro → STF (art. 102, I, “c”); se em conexão, no SF nos crimes de respon. (art. 52, I). “Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;” “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente; “ 65 DO CONSELHO DA REPÚBLICA (arts. 89 a 90, CF) Histórico Finalidade – O Conselho da República é órgão superior de consulta do PR (CF, art. 89). Atribuições – O papel de auxílio ao Presidente, desempenhado pelo Conselho da República, é meramente opinativo ou consultivo. Quer dizer, o Chefe do Executivo Federal ouve os conselheiros se quiser, pois a opinião que emitem não vincula a sua vontade. Assim, o Conselho da República só poderá pronunciar-se(diga-se de passagem, enfaticamente), sobre os temas: intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio; e questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas. Composição – Dele participam: o Vice-Presidente da República; o Presidente da Câmara dos Deputados; o Presidente do Senado Federal;os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados; os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal; o Ministro da Justiça; seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução.(CF, art 89, I a VII). “Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele participam: I - o Vice-Presidente da República; II - o Presidente da Câmara dos Deputados; III - o Presidente do Senado Federal; IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados; V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal; VI - o Ministro da Justiça; VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução. Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se sobre: I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio; II - as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas. § 1º O Presidente da República poderá convocar Ministro de Estado para participar da reunião do Conselho, quando constar da pauta questão relacionada com o respectivo Ministério. § 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho da República.” 66 DO CONSELHO DE DEFESA NACIONAL (art. 91, CF) Histórico Finalidade - O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta do Presidente da República nos assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do Estado democrático (CF, art. 91, caput). Atribuições - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos termos desta Constituição; opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal; propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo;estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a garantir a independência nacional e a defesa do Estado democrático. Composição - o Vice-Presidente da República; o Presidente da Câmara dos Deputados; o Presidente do Senado Federal; o Ministro da Justiça; o Ministro de Estado da Defesa; o Ministro das Relações Exteriores; o Ministro do Planejamento; os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. “Art. 91. O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta do Presidente da República nos assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do Estado democrático, e dele participam como membros natos: I - o Vice-Presidente da República; II - o Presidente da Câmara dos Deputados; III - o Presidente do Senado Federal; IV - o Ministro da Justiça; V - o Ministro de Estado da Defesa; VI - o Ministro das Relações Exteriores; VII - o Ministro do Planejamento. VIII - os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. § 1º Compete ao Conselho de Defesa Nacional: I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos termos desta Constituição; 67 II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal; III - propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo; IV - estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a garantir a independência nacional e a defesa do Estado democrático. § 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho de Defesa Nacional.” 68 UNIDADE XIDA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES (IV) DO PODER JUDICIÁRIO PRESSUPOSTOS TEÓRICOS Introdução → o Poder Judiciário, assim como os demais Poderes do Estado, prática atos típicos e atos atípicos. Os primeiros se caracterizam pela natureza especificamente jurisdicional, ou seja, aplicando a lei ao caso concreto; os segundo, de natureza administrativa e legislativa, são praticados de forma secundária ou subsidiária. Finalidade→ Aplicar a lei ao caso concreto, tanto pela jurisdição contenciosa como pela voluntária, resolvendo definitivamente os conflitos de interesses. Jurisdição → em regra, constitui-se monopólio do Estado, e se caracteriza pela substitutividade, ou seja, a decisão do juiz (jurisdição) substitui a vontade de terceiros. Há exceção, contudo, quanto ao monopólio da jurisdição, para à justiça desportiva, detém competência exclusiva para decidir sobre competição e disciplina desportivas (art. 217, §§ 1º e 2º, CF). “§ 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei. § 2º A justiça desportiva terá o prazo máximo de sessenta dias, contados da instauração do processo, para proferir decisão final.” Condições e os efeitos da decisão judicial → o Poder Judiciário, como órgão imparcial, só vai se manifestar, quando provocado pela parte interessada, mediante um processo que garanta o direito de contraditório às partes. Como regra, a sentença dada pelo juiz só vincula as partes envolvidas no processo, com exceção as decisões exaradas em ações coletivas (p., ex., ações movidas por sindicatos ou Ministério Público), bem como pelo controle da constitucionalidade (p., ex., nas 69 ações diretas de inconstitucionalidade), cujos efeitos são de natureza erga omnes e vinculantes. Tribunais superiores → os órgãos do Poder Judiciário são aqueles relacionados no art. 92 da Constituição Federal, sendo que o Supremo Tribunal Federal e os demais Tribunais Superiores (Superior Tribunal de Justiça, Tribunal Superior Eleitoral, Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal Militar) têm sede em Brasília e jurisdição em todo o território nacional. GARANTIAS DO PODER JUDICIÁRIO Garantias dos magistrados → art. 95 da CF Vitaliciedade; Inamovibilidade; Irredutibilidade de subsídio; Independência; Imparcialidade. “Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias: I - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial transitada em julgado; II - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do art. 93, VIII; III - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I” Garantias institucionais → art. 99 da CF “Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.” Autonomia administrativa → art. 96 da CF Capacidade de autogoverno; Capacidade normativa interna. “Art. 96. Compete privativamente: 70 I - aos tribunais: a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos, com observância das normas de processo e das garantias processuais das partes, dispondo sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos; b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes forem vinculados, velando pelo exercício da atividade correicional respectiva; c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de juiz de carreira da respectiva jurisdição; d) propor a criação de novas varas judiciárias; e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e títulos, obedecido o disposto no art. 169, parágrafo único, os cargos necessários à administração da Justiça, exceto os de confiança assim definidos em lei; f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes e servidores que lhes forem imediatamente vinculados; II - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no art. 169: a) a alteração do número de membros dos tribunais inferiores; b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos juízos que lhes forem vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus membros e dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde houver; c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores; d) a alteração da organização e da divisão judiciárias; III - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.” Autonomia financeira → art. 99, §§ 1º e 2º; e art. 168 da CF Elaboração da proposta orçamentária Gestão financeiro-orçamentária 71 “§ 1º Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias. § 2º O encaminhamento da proposta, ouvidos os outros tribunais interessados, compete: I - no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, com a aprovação dos respectivos tribunais; II - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e Territórios, aos Presidentes dos Tribunais de Justiça, com a aprovação dos respectivos tribunais.” RESTRIÇÕES IMPOSTAS AOS MAGISTRADOS → art. 95, § único da CF Exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério; Receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo; Dedicar-se à atividade político-partidária; Receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; Exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA MAGISTRATURA E DO PODER JUDICIÁRIO Ingresso na carreira de magistrado (art. 93, I, CF); “Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de classificação;” Sistema de administração, promoções, vencimentos e aposentadoria (art. 93, CF); Quinto constitucional (art. 94, CF). 72 “Art. 94. Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios será composto de membros, do Ministério Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes.” ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA BRASILEIRA (art. 92, CF) → Justiça Federal e Justiça Estadual Justiça Federal → Comum e Especial Justiça Federal Comum Juízes Federais Tribunal do Júri Tribunais Regionais Federais Justiça Federal Especializada Justiça do Trabalho Varas e juízes trabalhistas Tribunais Regionais do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho Justiça Eleitoral Juntas Eleitorais e Juízes Eleitorais Tribunais Regionais Eleitorais Tribunal Superior EleitoralJustiça Militar da União Juízes-Auditores e Conselhos de Justiça Militares Superior Tribunal Militar Justiça Comum Estadual Tribunal do Júri Juízes Estaduais Tribunal de Justiça Justiça Militar Estadual Juízes de Direito e Conselhos de Justiça Tribunal de Justiça do Estado ou Tribunal de Justiça Militar 73 Juizado de Pequenas Causas → Cível e Criminal Juizado Especial Estadual → art. 98, I da CF Juizado Especial Federal → art. 98, I da CF Justiça de Paz → art. 98, II da CF Superior Tribunal de Justiça → guardião da lei federal Composição Investidura Competência Originária → art. 105, I, a - i da CF Recursal Recurso ordinário (art. 105, II, a - c) recurso especial (art. 105, III, a – b) Conselho da Justiça Federal → art. 105, § único Supremo Tribunal Federal→ guardião da Constituição Composição Investidura Competência Originária → art. 102, I, a - q da CF Recursal Recurso ordinário (art. 102, II, a - b) Recurso extraordinário (art. 102, II, a – c) CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA → art. 103-B da CF Composição Investidura Competência 74 CNJ STJ TST TSE STM TJ TRF TRT TRE VARAS ESTADUAIS JUIZADOS ESPECIAIS ESTADUAIS VARAS FEDERAIS JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS JUÍZES ELEITORAIS JUNTAS ELEITORAIS Quadro ilustrativo da Estrutura do Poder Judiciário Brasileiro Última instância (4ª instância) Instância Especial – 3ª Instância (3º grau de jurisdição) 2ª Instância (2º grau de jurisdição) 1ª Instância (1º grau de jurisdição) STF 75 UNIDADE XII DA DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS DAS FORÇAS ARMADAS (art. 142, CF) “Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.” FINALIDADE As forças armadas do Brasil, constituídas pelo Exército Brasileiro, pela Marinha do Brasil e Força Aérea Brasileira, são instituições nacionais, permanentes e regulares, e têm como missão constitucional zelar pela defesa da Pátria, da soberania nacional ameaçada por outro Estado, pela garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa destes, também pela lei e pela ordem. TIPOS: Exército Brasileiro É responsável, no plano externo, pela defesa do país em operações eminentemente terrestres, e, no interno, pela garantia da lei, da ordem e dos poderes constitucionais. Marinha do Brasil É responsável por conduzir operações navais. Garantindo a defesa da Pátria.Para o cumprimento de sua missão constitucional a Marinha deve preparar e aplicar o Poder Naval. Cabe ainda à Marinha, cooperar com o desenvolvimento nacional e a defesa civil, na forma determinada pelo Presidente da República. Força Aérea Brasileira É o ramo aéreo das Forças Armadas do Brasil e um dos três serviços uniformizados nacionais. A FAB foi formada quando os ramos aéreos do Exército e da Marinha foram 76 fundidos em uma força militar única. Ambos os ramos de ar transferiram seus equipamentos, instalações e pessoal para a nova força armada. COMANDO E VINCULAÇÃO O Comandante supremo das forças armadas é o Presidente da República. Na estrutura do Governo do Brasil, as forças armadas estão enquadradas no Ministério da Defesa. DA SEGURANÇA PÚBLICA (ART. 144, CF) “Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal; II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis; V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. VI - polícias penais federal, estaduais e distrital.” FINALIDADE Manutenção e o restabelecimento da ordem pública e preservação da incolumidade das pessoas e do patrimônio (CF, art. 144) ESTRUTURA E COMPETÊNCIA União Polícia Judiciária Federal Polícia Rodoviária Federal Polícia Ferroviária Federal Estados Polícia Civil 77 Polícia Militar Corpos de Bombeiros Militares Municípios Guarda Municipal DO SISTEMA CONSTITUCIONAL DE CRISES O QUE É E QUAL A FINALIDADE Trata-se de um conjunto de normas constitucionais que possibilita inclusive a suspensão de determinadas garantias constitucionais. Tem por finalidade a defesa da Constituição, restaurando a ordem em momentos de anormalidade. PRINCÍPIOS INFORMADORES Necessidade. Temporariedade FISCALIZAÇÃO POLÍTICA SOBRE AS MEDIDAS É realizada pela mesa do Congresso Nacional; ouvidos os líderes partidários, é designada uma comissão composta por cinco membros para acompanhar e fiscalizar a execução das medidas, referentes ao Estado de Sítio e de Defesa. TIPOS: Estado de Defesa e Estado de Sítio ESTADO DE DEFESA (ART. 136) Procedimento Verificando-se a incidência das situações legais autorizadora, solicitam-se pareceres dos Conselhos da República e de Defesa Nacional e em seguida o Presidente decide discricionariamente, uma vez que os pareceres não são vinculantes. O Congresso Nacional permanecerá em funcionamento. “Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa 78 para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza. § 1º O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua duração, especificará as áreas a serem abrangidas e indicará, nos termos e limites da lei, as medidas coercitivas a vigorarem, dentre as seguintes: I - restrições aos direitos de: a) reunião, ainda que exercida no seio das associações; b) sigilo de correspondência; c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica; II - ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de calamidade pública, respondendo a União pelos danos e custos decorrentes. § 2º O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma vez, por igual período, se persistirem as razões que justificaram a sua decretação. § 3º Na vigência do estado de defesa: I - a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da medida, será por este comunicada imediatamente ao juiz competente, que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial; II - a comunicação será acompanhada de declaração, pela autoridade, do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação; III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias, salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário; IV - é vedada a incomunicabilidade do preso. § 4º Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação, o Presidente da República, dentro de vinte e quatro horas, submeterá o ato com a respectiva justificação ao Congresso Nacional, que decidirá por maioria absoluta. § 5º Se o Congresso Nacional estiver em recesso, será convocado, extraordinariamente, no prazo de cinco dias. 79 § 6º O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu recebimento, devendo continuar funcionando enquanto vigorar o estado de defesa. § 7º Rejeitado o decreto, cessa imediatamente o estado de defesa.” Controle Político Aqui estamos diante de um controle posterior,porque uma vez prorrogado ou decretado o Estado de Defesa e Presidente da República submeterá o ato com a respectiva justificativa ao Congresso Nacional, que somente apoiará a decretação por maioria absoluta de seus membros, editando o respectivo decreto legislativo. Situações Ameaça à ordem pública ou à paz social Instabilidade institucional Calamidade natural Prazo Trinta dias prorrogáveis por mais trinta dias uma única vez. Restrições Reunião, ainda que exercida no seio das associações Sigilo de correspondências Sigilo de comunicação telegráfica e telefônica Localidade Restrito a determinadas regiões. ESTADO DE SÍTIO (ART. 137, I E II) “Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de:” Procedimento Incidindo as situações autorizadoras, solicitam-se pareceres ao CR e ao CDN. Em seguida, requer autorização ao CN para a decretação do Estado de Sítio, justificado as razões para o pedido. 80 Deliberação do CN por maioria absoluta dos membros das respectivas casas. O Estado de sítio possui âmbito nacional. Congresso continuará em funcionamento, extraordinariamente, até cessar o estado de sítio. Controle Político Aqui estamos diante de um controle prévio, em razão da necessidade da autorização do Congresso. Situações (inciso I): “I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa;” Comoção Nacional Ineficácia da Administração durante o estado de defesa. o Restrições (art. 139): inciso XI, XII, XVI, XXV, LXI e art. 220 o Prazo: 30 dias prorrogáveis pelo tempo que for suficiente (repete-se o procedimento). o Instrumento: Decreto Presidencial nos termos do art. 84, IX. Situações (inciso II): “II - declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. Parágrafo único. O Presidente da República, ao solicitar autorização para decretar o estado de sítio ou sua prorrogação, relatará os motivos determinantes do pedido, devendo o Congresso Nacional decidir por maioria absoluta.” Declaração de guerra Resposta a agressão armada estrangeira Controle Judiciário: Art. 5º, XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Restrições: Todas as garantias podem ser restringidas, devendo constar tal limitação no Decreto. Prazo: Enquanto durar a guerra ou a agressão armada estrangeira. 81 Art. 138. O decreto do estado de sítio indicará sua duração, as normas necessárias a sua execução e as garantias constitucionais que ficarão suspensas, e, depois de publicado, o Presidente da República designará o executor das medidas específicas e as áreas abrangidas. § 1º O estado de sítio, no caso do art. 137, I, não poderá ser decretado por mais de trinta dias, nem prorrogado, de cada vez, por prazo superior; no do inciso II, poderá ser decretado por todo o tempo que perdurar a guerra ou a agressão armada estrangeira. § 2º Solicitada autorização para decretar o estado de sítio durante o recesso parlamentar, o Presidente do Senado Federal, de imediato, convocará extraordinariamente o Congresso Nacional para se reunir dentro de cinco dias, a fim de apreciar o ato. § 3º O Congresso Nacional permanecerá em funcionamento até o término das medidas coercitivas. Art. 139. Na vigência do estado de sítio decretado com fundamento no art. 137, I, só poderão ser tomadas contra as pessoas as seguintes medidas: I - obrigação de permanência em localidade determinada; II - detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns; III - restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo das comunicações, à prestação de informações e à liberdade de imprensa, radiodifusão e televisão, na forma da lei; IV - suspensão da liberdade de reunião; V - busca e apreensão em domicílio; VI - intervenção nas empresas de serviços públicos; VII - requisição de bens. Parágrafo único. Não se inclui nas restrições do inciso III a difusão de pronunciamentos de parlamentares efetuados em suas Casas Legislativas, desde que liberada pela respectiva Mesa.uma divisão equitativa de poder entre o polo central e os entes regionais. Quanto às esferas integrantes da Federação: Típico (de segundo grau) e atípico (de terceiro grau): Típico → possui uma ordem central (primeiro grau) e ordens regionais (segundo grau); 8 Atípico → possui uma ordem central, uma ordem regional e uma ordem local. Formas alternativas de Estado Estado Regional (Itália) No Estado Regional, há uma descentralização tanto administrativa como legislativa; O poder central é responsável por conferir as competências às regiões, podendo retirá-las quando quiser. Estado Autonômico (Espanha) Assim como no Estado Regional, há distribuição de competências administrativas e legislativas; Na Espanha, as províncias podem se transformar em regiões e elaborar um estatuto de autonomia, no qual irão invocar competências presentes na Constituição Espanhola. O estatuto é submetido ao Parlamento Espanhol → uma vez aprovado, tem-se uma região autonômica (não autônoma); O estatuto pode ser revisto de cinco em cinco anos. União incorporada (Reino Unido) 9 UNIDADE II DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO II DA FEDERAÇÃO BRASILEIRA E DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO- ADMINISTRATIVA DA REPÚBLICA INTRODUÇÃO A República Federativa do Brasil é uma pessoa jurídica de direito público internacional dotada de soberania (art. 1º, caput, e art. 4º, I, III, e IV, CF/88); Art. 1º, caput, CF/88: “A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:” Art. 4º, I, III e IV, CF/88: “A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I – independência nacional; [...] III – autodeterminação dos povos; IV – não intervenção” A federação brasileira compreende a União, os Estados-membros, os Municípios e o Distrito Federal, todos autônomos nos limites da Constituição republicana (art. 18, caput, CF/88). Art. 18, caput, CF/88: “A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição” ORIGEM E HISTÓRICO Brasil Colônia (Capitanias Hereditárias); Brasil Império (Constituição de 1824) → Estado Unitário; Brasil República (CF de 1891, 1934, 1937, 1946, 1967/69 e 1988). Decreto nº 01/1889: proclamou a República Federativa do Brasil; CF/1889: primeira Constituição brasileira a adotar a forma de Estado Federal; Federalismo clássico. 10 CF/1934: estabeleceu o Federalismo cooperativo; CF/1937: trouxe um Federalismo com forte concentração de poder no pólo central; CF/1946: restabelece o Federalismo cooperativo; CF/1967-69: promoveu um Federalismo de fachada, com forte concentração de poder no pólo central; CF/88: afirma um Federalismo cooperativo, porém não equilibrado. CARACTERÍSTICAS Formação por desagregação; Federalismo de duplo grau; Primeiro grau: União e Estados-membros; Segundo grau: Municípios. Descentralização política; Soberania do Estado Federal → República Federativa do Brasil; Autonomia dos entes federados → União, estados, Municípios e Distrito Federal; Inexistência do direito de secessão; Constituição rígida; Repartição de competências; Fiscalização da autonomia pelo controle de constitucionalidade; Participação das vontades dos entes na vontade geral. Os Municípios não participam da vontade nacional (não elegem Senador e nem participa de PEC. AUTONOMIA Consiste na capacidade de desenvolvimento de atividades dentro de limites previamente circunscritos pelo ente soberano; Auto-organização → capacidade dos entes de editarem suas próprias constituições ou leis orgânicas; Autolegislação → capacidade dos entes de editarem suas próprias leis; 11 Autoadministração → capacidade dos entes de exercerem suas competências administrativas, tributárias e legislativas, bem como de organizarem seu próprio quadro de servidor; Autogoverno → refere-se à dinâmica dos Poderes em cada esfera federativa. Autonomia financeira → capacidade dos entes de arrecadarem seus próprios tributos e aplicarem suas rendas na execução de seu orçamento. MECANISMOS DE PROTEÇÃO Cláusula pétrea da federação (art. 60, § 4º, I, CF); Intervenção (arts. 34 a 36, CF); Repartição de competências entre os entes federados; Rigidez da CF; Controle de constitucionalidade (órgão fiscalizador da autonomia); Repartição das receitas tributárias (arts. 157-159, CF); Imunidade recíproca de impostos (art 150, VI, “a”, CF). ÓRGÃOS REPRESENTATIVOS Câmara dos deputados: Representa o povo; Senado Federal: Representa os Estados-membros e o Distrito Federal. Os Estados e o Distrito Federal são representados de modo isonômico no Senado Federal → cada um desses entes possui três representantes na Câmara Alta, em um total de 81 senadores. ENTES FEDERADOS A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil, compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. União Pessoa jurídica de direito público interno; Representação da República Federativa do Brasil nas relações internacionais; Possui apenas autonomia → a soberania é característica da República Federativa do Brasil; 12 Autogoverno: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si; Art. 2º, CF/88: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário” Auto-organização: Constituição da República Federativa do Brasil e legislação federal; Estados Autogoverno: Poder Legislativo → Assembleia Legislativa; O número de deputados estaduais será proporcional à população e obedece a uma relação com o deputados federais (LC 78/93). Art. 27, caput, CF/88: “O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze.” Art. 44, § 1º, CF/88: “O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados” Poder Executivo → Governador e Vice-Governador; Art. 28, caput, CF/88: “A eleição de Governador e Vice-Governador de Estado, para mandato de 4 (quatro) anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em seis de janeiro do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77” Poder Judiciário Estadual. Art. 125, caput, CF/88: “Os Estados organizarão sua Justiça, observando os princípios estabelecidos nesta Constituição” Auto-organização: Organizam-se por suas Constituições Estaduais e pela legislação estadual. Art. 11, caput, ADCT: “Cada Assembleia Legislativa, com poderes constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo de um ano, contado da promulgação da Constituição Federal, obedecidos os princípios desta” 13 Art. 25, caput, CF/88: “Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição” Os Estados são detentores de Poder Constituinte Decorrente. Formação de novos Estados:Art. 18, § 3º, CF/88: “Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada” Os Estados podem ser formados por: Fusão ou incorporação → surge um novo Estado e se extinguem os antigos; Cisão ou subdivisão → surge novos Estados e se extingue o Estado antigo; Desmembramento → o Estado perde parte de sua população e de seu território. Pode se dar por: Anexação → “X” cede parte de seu território para “Y”; “X” subsiste. Formação → “X” cede parte de seu território para formar um novo Estado. “X” subsiste. Art. 13, caput, ADCT: “É criado o Estado do Tocantins, pelo desmembramento da área descrita neste artigo, dando-se sua instalação no quadragésimo sexto dia após a eleição prevista no 3º, mas não antes de 1º de janeiro de 1989” Etapas/requisitos: Plebiscito da população diretamente interessada; Oitiva das Assembleias Legislativas envolvidas → etapa meramente consultiva; Aprovação do Congresso Nacional por meio de lei complementar. Municípios Autogoverno: Poder Legislativo → Câmara Municipal; Os Municípios não possuem assento no Senado Federal. Poder Executivo → Prefeito e Vice-Prefeito; 14 Os Municípios não possuem Poder Judiciário próprio; A prestação jurisdicional é de caráter federal ou estadual. Os Municípios também não possuem Ministério Público. Auto-organização: Art. 11, parágrafo único, CF/88: “Promulgada a Constituição do Estado, caberá à Câmara Municipal, no prazo de seis meses, votar a Lei Orgânica respectiva, em dois turnos de discussão e votação, respeitado o disposto na Constituição Federal e na Constituição Estadual” Art. 29, caput, CF/88: “O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:” Os Municípios possuem competência para criação de suas respectivas Leis Orgânicas Municipais, regendo-se por ela e pelas leis municipais. Município não tem Poder Constituinte Decorrente. Formação de novos Municípios: Art. 18, §4º, CF/88: “A criação, incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei” A formação de Municípios pode ocorrer por: Fusão ou incorporação → cria-se um novo Município, extinguindo- se os antigos; Cisão ou subdivisão → criam-se dois ou mais Municípios, extinguindo-se o antigo; Desmembramento → o Município perde parte de sua população e parte de seu território. Pode se dar por: Anexação → parte da população e do território de um Município é anexada a outro Município; Conservam-se os entes primitivos. Formação → parte da população e parte do território de um Município se presta à formação de um novo Município. 15 Conserva-se a personalidade jurídica dos entes primitivos. Etapas/requisitos: Lei complementar federal fixando o prazo dentro do qual poderá ocorrer a criação de novos Municípios; Estudos de viabilidade municipal; Plebiscito da população dos Municípios envolvidos; Lei estadual para a criação do novo Município. Distrito Federal Autogoverno: Poder Executivo → Governador e Vice-Governador; Art. 32, §2º, CF/88: “A eleição do Governador e do Vice-Governador, observadas as regras do art. 77, e dos Deputados Distritais coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais, para mandato de igual duração” Poder Legislativo → Câmara Legislativa Distrital; Art. 32, §3º, CF/88: “Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27” O Distrito Federal possui Poder Judiciário próprio; O Poder Judiciário do DF é organizado e mantido pela União. O DF não organiza nem mantém o seu Ministério Público, a sua polícia civil, sua polícia militar e o seu corpo de bombeiros militar → todos mantidos pela União; Criação de Municípios O art. 18, §4º da CF/88 previa, originariamente, que a criação, fusão, incorporação e desmembramento de Municípios era matéria de lei complementar estadual e que os referidos procedimentos deveriam concretizar-se por lei estadual. Disso resultou uma criação em massa de Municípios, não raro para fins exclusivamente eleitoreiros. A ADIn nº 3682 veio instituir critérios constitucionais mais rigorosos para a criação de Municípios. Após, adveio a Emenda Constitucional 15/96, que alterou a redação do art. 18, §4º, obtendo-se o parâmetro de que a criação, incorporação, fusão e desmembramento de Municípios ocorreria mediante lei estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal, entre outros critérios novos estabelecidos 16 Até a EC 69/12, a Defensoria Pública do DF fazia parte da estrutura da DPU. A partir de então faz parte da estrutura do DF (art. 21, XIII e XIV, c/c art. 22, XVII, CF/88). Auto-organização: O Distrito Federal edita e se rege pela Lei Orgânica do Distrito Federal e pelas leis distritais; Art. 32, caput, CF/88: “O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição” O DF possui as competências legislativas tanto dos Estados como dos Municípios. Art. 32, §1º, CF/88: “Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios” Conforme o art. 32, caput, CF/88, é vedada a divisão do Distrito Federal em Municípios. TERRITÓRIOS Art. 18, §2º, CF/88: “Os Territórios Federias integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar” Pode-se definir os Territórios como descentralizações administrativas da União; Os Territórios possuem personalidade jurídica própria, porém não são dotados de autonomia. Os Territórios não existem atualmente no Brasil; Segundo a CF/88, a criação de novos Territórios depende de lei complementar, após consulta plebiscitária à população diretamente envolvida; O Território criado será organizado judiciariamente e administrativamente por lei ordinária da União; Art. 33, caput, CF/88: “A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dosTerritórios” 17 O Governador do Território será nomeado pelo Presidente da República, após aprovação do Senado Federal; O Governador do Território não possui mandato fixo. Art. 84, XIV, CF/88: “Compete privativamente ao Presidente da República: [...] XIV – Nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente e os diretores do banco central e outros servidores, quando determinado em lei” Os Territórios com mais de cem mil habitantes terão: Poder Judiciário de primeira e segunda instâncias; Ministério Público Federal; Organizados e manti- Defensoria Pública Federal. dos pela União. Art. 33, §3, CF/88: “Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do Governador nomeado na forma desta Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do Ministério Público edefensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e sua competência deliberativa” No que tange ao Poder Legislativo: Os Territórios terão quatro Deputados Federais → exceção à regra da proporcionalidade; Os Territórios poderão ter Assembleias ou Câmaras Territoriais; Diferentemente do Distrito Federal, os Territórios poderão ser subdivididos em Municípios; Art. 33, §1º, CF/88: “Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos quais se aplicará, no que couber, o disposto no Capítulo IV deste Título” A polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar dos Territórios são mantidos e organizados pelos próprios Territórios → mudança advinda da EC nº 19/98, que retirou essas competências da União; Os Territórios terão suas contas analisadas pelo Congresso Nacional, com parecer prévio do Tribunal de Contas da União. 18 Art. 33, §2º, CF/88: “As contas do Governo do Território serão submetidas ao Congresso Nacional, com parecer prévio do Tribunal de Contas da União” VEDAÇÕES À UNIÃO, ESTADOS, MUNICÍPIOS E DF Art. 19, CF/88: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvenciona-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II – Recusar fé aos documentos públicos; III – Criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si” Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança; Exceção → colaboração de interesse público; A vedação ao estabelecimento de cultos religiosos ou igrejas por parte dos entes federados advém do Estado laico brasileiro; A proibição de subvencionar e embaraçar o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança provém da liberdade religiosa e de culto. Recusar fé aos documentos públicos; Tal vedação resulta da credibilidade dos documentos públicos → os documentos de qualquer entidade pública fazem prova, valem formal e materialmente perante outra entidade pública. Criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. A vedação de criar distinções entre brasileiros é decorrente do princípio da igualdade. BENS PÚBLICOS Bens móveis e imóveis Técnica adotada pela CF: predominância do interesse Interesse nacional: União (enumerada expressamente) Interesse regional: Estados (residual, como regra) 19 Interesse local: Municípios Os bens da União estão dispostos no art. 20 da CF/88: as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei (art. 20, II c/c § 2º c/c art. 26, IV); (ver Súmula 477 - STF). Potenciais de energia hidráulica com direito dos estados e municípios à participação nos resultados (art. 20 - inciso VIII c/c § 1º). Os bens dos Estados encontram-se no art. 26 da CF/88. Terras devolutas fora da Zona de Fronteira (art. 20, IV c/c § 2º c/c art. 26, IV) Interesse local: Municípios 20 UNIDADE III DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO III DA REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS NOÇÕES As competências decorrem do conceito de autonomia e são faculdades atribuídas aos órgãos e entidades estatais necessárias para o pleno exercício de suas funções; A repartição de competência se configura como um dos núcleos do federalismo; Insta observar que as competências podem ser alteradas por Emenda Constitucional (desde que não se comprometa a forma federativa). TÉCNICAS DE REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIA Na seara do direito comparado, é possível detectar três técnicas de repartição de competências: Competências enumeradas para a União e remanescentes para os Estados; EUA, Suíça, México, Austrália, entre outros. Competências enumeradas para os Estados e remanescentes para a União; Canadá. Enumeração exaustiva das competências dos entes federativos, tendo a União competências residuais. Índia e Venezuela; Esse sistema é aplicado no Brasil na repartição de competências tributárias, que confere à União competência residual. No Brasil, em matéria de repartição de competências, vigora o princípio da predominância do interesse: Interesse nacional → União (enumerada expressamente, salvo matéria tributária); Interesse local → Municípios (enumerada expressamente); Interesse regional → Estados (residual, mas com algumas expressas na CF); 21 Distrito Federal → detém competência dos Estados e dos Municípios. MODELOS DE REPARTIÇÃO Repartição horizontal: Proveniente do federalismo clássico; Origem na Constituição norte-americana de 1787; Na repartição horizontal, os entes federativos possuem suas competências definidas de modo expresso, estanque e enumerado na Constituição; Nesse caso, não há compartilhamento de competências entre os entes; Não há subordinação entre os entes; Provoca maior rigidez do federalismo; A Constituição brasileira de 1988 adota a repartição horizontal de competências, na qual as competências são enumeradas para a União e para os Municípios, sendo as remanescentes direcionadas aos Estados. Repartição vertical: Origem na Constituição de Weimar de 1919; Na repartição vertical, os entes federativos vão atuar em conjunto ou concorrentemente; Em relação à repartição vertical na modalidade concorrente, pode se dar de maneira cumulativa ou não cumulativa: Cumulativa: não há limites previamente definidos para a atuação concorrente entre os entes; Não cumulativa: há limites previamente definidos para a atuação concorrente entre os entes. Adotada no Brasil → a União edita normas gerais e os Estados e DF editam normas de natureza suplementar, atendendo às necessidades regionais. Provoca maior cooperação entre os entes. Modelo de repartição de competências na CF/88 A CF/88 promove um modelo complexo de repartição de competências, conjugando a repartição horizontal e a repartição vertical; 22 Assim, o federalismo brasileiro contempla competências privativas ou exclusivas, remanescentes (repartição horizontal) e comuns e concorrentes (repartição vertical) entre a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal. ESPÉCIES DE COMPETÊNCIAS Competências administrativas As competências administrativas são aquelas que os entes possuem para a tomada de decisões, execuções de políticas públicas ou para o gerenciamento do aparato administrativo; Repartição horizontal das competências administrativas: As competências administrativas são enumeradas para a União (competências exclusivas) – art. 21, CF/88 - e para os Municípios – art. 30, III a IX, CF/88; Nesse sentido, observe-se que o rol de competências constante em ambos os artigos é meramente exemplificativo, pois o próprio texto constitucional se encarrega de estabelecer outras competências para os Municípios (art. 182, § 1º; art. 144, § 8º) e para a União (art. 148, 149, 184, 243 etc.). Já para os Estados, as competências administrativas são residuais (ou remanescentes) (art. 25, §1º, CF/88). Art. 25, §1º, CF/88: “São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição.” A despeito disso, existem competências enumeradas dos Estados- membros na própria Constituição (art. 26, §§ 2º e 3º). Repartição vertical das competências administrativas: As competências comuns (administrativas) são divididas entre a União, os Estados, os Municípiose o Distrito Federal (art. 23, CF/88). Art. 23, caput, CF/88: “É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:” 23 A Constituição determina que leis complementares fixarão normas para a cooperação entre os entes federativos. Art. 23, parágrafo único, CF/88: “Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional.” Busca-se atingir a plena e harmoniosa cooperação entre os entes para a efetiva realização das atividades; Em caso de conflitos, a jurisprudência do STF tem feito uso do princípio da preponderância dos interesses para solucioná- los. Competências legislativas Repartição horizontal das competências legislativas: As competências legislativas (privativas) são enumeradas para a União; Aos Estados, a Constituição Federal fornece competências remanescentes; Os Municípios são munidos de competência suplementar para legislar sobre assuntos de interesse local; Ao Distrito Federal são reservadas as competências legislativas dos Estados e Municípios; No que tange às competências privativas da União, é importante analisar o disposto no art. 22, § único, CF/88: Art. 22, parágrafo único, CF/88: “Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo.” Pela leitura do dispositivo, depreende-se que é possível a delegação de competências privativas da União aos Estados-membros, por meio de lei complementar, desde que preenchidos os seguintes requisitos: Requisito formal: a União somente pode delegar competências aos Estados-membros por meio de lei complementar; 24 Requisito material: a União somente poderá questões específicas das matérias que compõem a sua competência privativa. Saliente-se ainda que se a União delegar para um Estado, deverá realizar a delegação para todos os outros, pois é proibida a criação de preferências entre os entes federativos, devendo o tratamento entre eles se pautar pela isonomia. Note-se que, ao delegar uma competência para os Estados, a União obrigatoriamente deverá delegá-la ao Distrito Federal, por força do art. 32, §1º, CF/88. Art. 32, §1º, CF/88: “Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios.” Repartição vertical das competências legislativas: As competências concorrentes (legislativas) dispostas na CF/88 são classificadas como competências concorrentes não cumulativas → há limites previamente definidos para cada ente para o exercício dessas competências; As competências concorrentes são divididas entre a União, os Estados e o Distrito Federal, conforme o art. 24, CF/88; Art. 24, caput, CF/88: “Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:” E os Municípios? A competência concorrente dos Municípios está explicitada no art. 30, II, CF/88, o qual identifica a competência suplementar desses entes federativos. Art. 30, II, CF/88: “Compete aos Municípios: II – suplementar a legislação federal e a estadual no que couber.” DINÂMICA DAS COMPETÊNCIAS CONCORRENTES A União edita normas gerais; A União não pode editar normas específicas para os Estados e o DF; 25 A União pode editar normas específicas para si. Os Estados e o Distrito Federal suplementam as normas gerais com vistas a atender seus interesses regionais → competência suplementar; E se a União não editar as normas gerais? Os Estados e Distrito Federal estarão autorizados a exercer competência legislativa plena. A doutrina majoritária defende a existência de duas espécies de competência suplementar: Competência suplementar-complementar: se a União edita normas gerais, os Estados e o DF irão suplementar/complementar as normas editadas pela União; Competência suplementar-supletiva: se a União não edita normas gerais, os Estados e o DF irão exercer competência legislativa plena. Nesse caso, os Estados e o DF irão editar toda a normatividade, tanto a norma geral quanto a específica. E se, após o exercício da competência legislativa plena pelos Estados e DF, a União editar as normas gerais? As normas gerais da União vão suspender as normas estaduais ou distritais no que lhes forem contrárias → as que não forem contrárias permanecem válidas. Em relação aos Municípios, como dito anteriormente, conforme o art. 30, II, eles possuem competência suplementar (suplementar-complementar), a qual se manifesta na faculdade de editar leis sobre matérias de interesse local; As matérias de competência suplementar do Município também se encontram nos arts. 23 e 24 da CF/88; No que tange à competência suplementar-supletiva, tem-se duas correntes: Primeira corrente: com base em uma interpretação sistemática da Constituição, essa corrente afirma que os Municípios possuem competência suplementar-supletiva; Segunda corrente: com base em uma leitura literal do texto constitucional, o Município teria somente competência suplementar- 26 complementar, pois não disposição constitucional sobre competência suplementar-supletiva dos entes municipais. Corrente majoritária. COMPETÊNCIAS DOS ESTADOS Competência residual ou remanescente (CF, art. 25, § 1º) Como dito anteriormente, aos Estados-membros pertencem as competências que não lhes são vedadas pela CF/88; A maior parte da competência legislativa dos Estados-membros não se encontra explicitada na CF/88. Serviço de transporte intermunicipal (ADI 2.349/ES): O transporte local é organizado pelos Municípios e o transporte interestadual é organizado pela União, não havendo previsão expressa a respeito do transporte intermunicipal → competência dos Estados-membros Competência expressa Explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços de gás canalizado (art. 25, § 2º); Vedada a edição de MP para regulamentação. Art. 25, §2º, CF/88: “Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação.” Instituir, mediante lei complementar (CF, art. 25, § 3º): Regiões metropolitanas; Aglomerações urbanas; Microrregiões. Art. 25, §3º, CF/88: “Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de Municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.” Organização de sua própria Justiça (Art. 125, CF/88). Art. 125, caput, CF/88: “Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição.” 27 COMPETÊNCIAS DOS MUNICÍPIOS Competência exclusiva (art. 30, I) Art. 30, I, CF/88: “Compete aos Municípios: I – legislar sobre assuntos de interesse local.” É de competência dos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local → princípio da predominância dos interesses; Insta observar que nem todos os assuntos de interesse local estarão no espectro de competência legislativa municipal: Enunciado nº 19 da súmula do STJ: “A fixação do horário bancário, para atendimento ao público, é da competência da União” Suplementar (art. 30, II) Cabe aos Municípios complementar a legislação federal e estadual no que couber; Os Municípios não podem legislar sobre consórcios, sorteios, bingos ou loterias; Exemplos de competências suplementares dos Municípios: Legislar sobre atividades de estabelecimento comercial; Fixação do horário de funcionamento do comércio local (Súmula. 645/ STF); Expedir alvarás e licençaspara funcionamento; Legislar sobre: prazo máximo na fila dos cartórios (RE 397.094); Legislar sobre serviços funerários (RE 987.990/SP); Elaborar seu plano diretor (art. 182, § 1º); Constituir guardas municipais (art. 144, § 8º). 28 UNIDADE IV ORGANIZAÇÃO DO ESTADO III DA INTERVENÇÃO NOÇÕES GERAIS A intervenção é um afastamento, excepcional e temporário, da autonomia de um ente federado por outro, pois é medida para fazer com que se obedeça à CF; Princípio da autonomia política das entidades que compõem o Estado Federado; A intervenção rege-se pela excepcionalidade, taxatividade e temporalidade. TIPOS DE INTERVENÇÃO Intervenção federal A União intervém: nos Estados, no DF e em Municípios localizados nos Territórios Federais. A União não pode intervir nos Municípios dos Estados. Intervenção estadual O Estado-membro intervém nos Municípios localizados no seu território. ESPÉCIES DE INTERVENÇÃO Espontânea A intervenção espontânea é a que é decretada de ofício pelo Presidente da República (discricionária); O Presidente da República deverá consultar o Conselho da República e o Conselho da Defesa em caráter meramente opinativo. Casos: art. 34 incisos I, II, III, V: Manter a integridade nacional; Repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra; Pôr termo a grave comprometimento da ordem pública; Reorganizar as finanças da Federação que: 29 Suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior; Deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei. Provocada É o tipo de intervenção que precisa da provocação de outro órgão para que seja decretada pelo Presidente da República Casos: Solicitação (facultativa) → art. 34, IV: A intervenção dependerá de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder Executivo coacto ou impedido → objetiva o livre exercício de ambos os Poderes. Requisição (obrigatória) → art. 34, IV, VI, VII e VIII: O Presidente da República será obrigado a decretar a intervenção nos casos de requisição: Do Poder Judiciário coacto ou impedido, via STF: Para garantir o livre exercício desse Poder. Do STF, STJ e TSE: Para prover a execução de ordem ou decisão judicial. Do STF: Para garantir o livre exercício do Poder Judiciário; Para prover a execução de lei federal; Para assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais → ADI interventiva com representação do PGR: Forma republicana, sistema representativo e regime democrático; Direitos da pessoa humana; Autonomia municipal; Prestação de contas da administração pública, direta e indireta; 30 Aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. Controle político da intervenção O decreto de intervenção promulgado pelo Presidente da República será submetido ao controle político pelo Congresso Nacional; O Congresso Nacional terá 24 horas para apreciar o decreto de intervenção; O controle político não ocorrerá nos casos de inexecução de lei federal, ordem ou decisão judicial e descumprimento de princípio constitucional pelos Estados ou DF. Controle de constitucionalidade da intervenção Embora seja um ato político, a intervenção federal estará sujeita ao controle de constitucionalidade caso ocorra o descumprimento dos procedimentos previstos na Constituição. 31 UNIDADE V DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA NOÇÕES GERAIS Conceito, finalidade, Governo ≠ Administração Pública PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Art. 37, caput, CF: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:” Do diploma em destaque, depreendem-se os seguintes princípios: Legalidade; Impessoalidade; Moralidade; Publicidade; Eficiência. Há ainda outros princípios expressos na Constituição, como o contraditório e a ampla defesa. Princípio da legalidade Corolário do princípio da indisponibilidade do interesse público; Segundo esse princípio, o administrador somente pode atuar conforme determina a lei; Lei em sentido amplo: Constituição, leis delegadas, ordinárias, etc. Vigência do princípio da subordinação à lei; Na ausência de previsão legal, está proibida a conduta do agente público e qualquer atuação dele nesse sentido será considerada ilegítima; A atuação pode estar expressa ou implicitamente prevista em lei; 32 É possível a edição de atos administrativos discricionários nos quais o administrador poderá, baseado em uma disposição normativa, determinar a melhor diretriz de atuação. O princípio da legalidade na esfera pública se diferencia do da esfera privada Na esfera privada, vigora o princípio da não contradição à lei, sendo permitida qualquer atuação que não seja contrária à lei. O princípio da legalidade não veda a atuação discricionária do administrador, que leva em conta a análise da conveniência e oportunidade do ato em prol do interesse público: Todos os atos discricionários do administrador devem ser condizentes com a lei; É impossível a previsão de todos os casos que necessitarão da atuação do administrador; A legalidade é diferente da reserva legal: A reserva legal determina a aplicação de uma espécie normativa específica à atuação definida no texto constitucional; A reserva legal também impede a utilização de normas administrativas ou medidas provisórias para substituir a lei em determinadas ocasiões. Apesar da exigência de lei ser a regra, o texto constitucional expõe algumas exceções para atuação à margem das disposições legais: Medidas provisórias; Estado de defesa; Estado de sítio. A bipolaridade do Direito Administrativo: Princípio da legalidade e princípio da supremacia do interesse público: Princípio da legalidade: assegura a liberdade do indivíduo, sujeitando a Administração Pública à observância da lei; Princípio da supremacia do interesse público: assegura a autoridade da Administração, por meio da concessão de prerrogativas e privilégios necessários à consecução de seus fins. Princípio da impessoalidade 33 Art. 37, II, CF/88: “A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas, ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração” Art. 37, XXI, CF/88: “Ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações” Segundo esse princípio, a conduta do agente público deve buscar os interesses da coletividade, não visando beneficiar ou prejudicar ninguém em especial; Para o Estado, é irrelevante saber quem será atingido pelo ato, pois a atuação é impessoal; Quando o agente atua, não é a pessoa do agente quem pratica o ato, mas o Estado, materializado na figura do órgão que o agenterepresenta; Dessa forma, não é possível a responsabilização do agente por eventuais danos causados a terceiros nem seu reconhecimento pelos benefícios advindos do ato. Desse princípio advém a proibição à propaganda pessoal, que torna pública a conduta do administrador e não do ente estatal; Art. 37, §1º, CF/88: “A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos” Segundo o STF, o dano causado por um agente público a terceiro enseja a possibilidade de se propor uma ação em face do Estado com a finalidade de ver o prejuízo reparado, não se admitindo a propositura da ação em face do agente público diretamente; 34 De acordo com a Corte, há dupla vantagem nessa posição: Em favor do particular: há maior possibilidade de pagamento da indenização contra pessoa jurídica de direito público ou de direito privado que preste serviço público; Em favor do servidor estatal: ele responde apenas administrativa e civilmente perante a pessoa jurídica a cujo quadro pertence. A nomeação de parentes e cônjuges para assunção de cargos públicos com funções de direção, chefia ou assessoramento representa uma afronta ao princípio da impessoalidade; Súmula Vinculante nº 13: “A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal” Não se admite o “nepotismo cruzado”, que é a nomeação do parente do agente público, de forma indireta, por meio de troca de favores pessoais para parentes de outros agentes; A vedação também se aplica aos companheiros e companheiras dos agentes, entendidos estes como aqueles que mantêm uma relação de união estável com os agentes; É, contudo, permitida a nomeação de parentes para o exercício de cargos políticos, como o de secretário e o de ministro de estado. Isso se justifica pelo fato de que a nomeação para exercício de função política se reveste da qualidade de um ato político, possuindo então uma ampla discricionariedade e não se submetendo aos dizeres da súmula. Princípio da intranscendência Exceção ao princípio da impessoalidade; 35 Consagrado pelo STF, o princípio da intranscendência subjetiva das sanções inibe a aplicação de severas sanções a entidades federativas por ato de gestão anterior à assunção dos deveres públicos. Deve ser demonstrado que o novo administrador está tomando as providências para sanar os prejuízos. Princípio da moralidade O princípio da moralidade estabelece a obrigatoriedade de observância a padrões éticos de conduta, compreendidas aí a honestidade, a lealdade e a boa-fé no exercício da função administrativa; A atuação contrária à moralidade jurídica representa uma violação ao princípio da legalidade; Apesar dessa constatação, é possível a violação do princípio da moralidade sem, contudo, qualquer afronta aos padrões de legalidade. A imoralidade jurídica produz efeitos jurídicos: A invalidade do ato, que pode ser decretada pelo Judiciário ou pela própria Administração. No caso da apreciação pelo Judiciário, esta se dá pela ação popular. Art. 5º, LXXIII, CF/88: “Qualquer cidadão é arte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência” Princípio da publicidade O princípio da publicidade veda a edição de atos secretos pelo Poder Público; A Administração deve então atuar de forma transparente. Regulamentado esse princípio, tem-se a Lei de Acesso às Informações (Lei nº 12.527/11); 36 Segundo essa lei, o dever de publicidade abrange: Os órgãos da Administração Direta; As autarquias; As fundações públicas; As empresas públicas; As sociedades de economia mista; As entidades privadas sem fins lucrativos que recebem, para realização de ações de interesse público, recursos públicos diretamente do orçamento ou mediante subvenções sociais, contrato de gestão, termo de parceria, convênios, acordo, ajustes ou outros instrumentos congêneres. Qualquer interessado pode apresentar pedido de acesso a informações aos órgãos e entidades públicas; Não podem ser exigidos os motivos determinantes da solicitação de informação de interesse público. A publicidade é uma forma de propiciar o controle da Administração pelos cidadãos; A publicidade também é um requisito de eficácia dos atos administrativos; Mesmo após sua expedição regular, os atos somente produzem efeitos em relação à população quando devidamente publicados. A publicidade também é relevante para a contagem de prazos, a qual somente tem início a partir de sua publicização. Exceções à publicidade: O princípio da publicidade pode sofrer limites diante da segurança nacional e do relevante interesse coletivo; São imprescindíveis à segurança da sociedade ou do Estado as informações cuja divulgação ou acesso irrestrito possam: Pôr em risco a defesa do Estado e a soberania nacional ou a integridade do território nacional; 37 Prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações ou as relações internacionais do País, ou as que tenham sido fornecidas em caráter sigiloso por outros Estados e organismos internacionais; Pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população; Oferecer elevado risco à estabilidade financeira, econômica ou monetária do País; Prejudicar ou causar risco a planos ou operações estratégicos das Forças Armadas; Prejudicar ou causar riscos a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico ou tecnológico, assim como a sistemas, bens, instalações ou áreas de interesse estratégico nacional; Pôr em risco a segurança de instituições ou de altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares; Comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações. A publicidade também encontra limites na preservação da vida privada, imagem, honra e intimidade das pessoas; O direito à informação compreende informação produzida ou custodiada por pessoa física ou entidade privada decorrente de qualquer vínculo com seus órgãos ou entidades, mesmo que esse vínculo já tenha cessado; Os procedimentos de acesso à informação devem assegurar esse direito fundamental e devem ser executados de acordo com os princípios básicos da Administração Pública; Publicidade como preceito geral e sigilo como exceção. O direito à informação compreende: Orientação sobre os procedimentos para a consecução de acesso, bem como sobre o local onde poderá ser encontrada ou obtida a informação almejada; 38 Informação contida em registros ou documentos, produzidos ou acumulados por seus órgãos ou entidades, recolhidos ou não a arquivos públicos; Informação produzida ou custodiada por pessoa física ou entidade privada decorrente de qualquer vínculo com seus órgãos ou entidades, mesmo que esse vínculo já tenha cessado; Informação primária, íntegra, autêntica e atualizada, nãosendo suficiente o fornecimento dos dados, se não for garantida sua autenticidade; Informação sobre atividades exercidas pelos órgãos e entidades, inclusiva as relativas à sua política, organização e serviços; Informação pertinente à administração do patrimônio público, utilização de recursos públicos, licitação, contratos administrativos; Informação relativa: À implementação, acompanhamento e resultados dos programas, projetos e ações dos órgãos e entidades públicas, bem como metas e indicadores propostos; Ao resultado de inspeções, auditorias, prestações e tomadas de contas realizadas pelos órgãos de controle interno e externo, incluindo prestações de contas relativas a exercícios anteriores. Caso seja indeferido o acesso a informações, o interessado pode interpor recurso contra a decisão no prazo de dez dias contados da sua ciência; O recurso será dirigido à autoridade hierarquicamente superior à que exarou a decisão impugnada, que deverá se manifestar no prazo de quinze dias; Se for negado o acesso a informação pelos órgãos ou entidades do Poder Executivo Federal, o requerente poderá recorrer à Controladoria-Geral da União. A informação em poder dos órgãos e entidades públicas pode ser classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada. 39 Os prazos máximos de restrição ao acesso dessas informações vigoram a partir da data de sua produção: Ultrassecreta: vinte e cinco anos; Secreta: quinze anos; Reservada: cinco anos. Princípio da eficiência O princípio da eficiência enseja a busca por uma prestação de serviços pautada na qualidade, economia e celeridade; O princípio da eficiência possui dois aspectos: Relaciona-se com o modo de atuação do agente público, esperando que ele atue com o melhor desempenho possível; Relaciona-se com o modo de organizar, estruturar e disciplinar a Administração Pública com o objetivo de alcançar os melhores resultados no serviço público. A eficiência também se refere à rápida solução de controvérsias, desse modo a eficiência está diretamente ligada ao princípio da celeridade nos processos administrativos. ESTRUTURA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Administração direta A Administração direta ou centralizada é exercida pelos entes políticos da administração; São a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; Esses entes possuem capacidade administrativa, política e legislativa; Os entes da Administração Direta, por terem personalidade jurídica de direito público, possuem todas as prerrogativas inerentes à Administração e estão sujeitos a todas as limitações decorrentes da indisponibilidade do interesse público. A centralização é inerente à Administração Direta do Estado. 40 Administração indireta A descentralização administrativa consiste na criação de entes personalizados com poder de autoadministração e capacidade de gerir os próprios negócios, de acordo com determinações legais expedidas pela entidade central. Entes da Administração Indireta Os entes da Administração Indireta são divididos conforma a natureza jurídica disposta na legislação. São entes da Administração Indireta: Autarquias; Fundações públicas; Empresas públicas; Sociedades de economia mista. 41 UNIDADE VI DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES INTRODUÇÃO O que é poder? O poder constituinte - Trata-se do poder de elaborar e modificar normas constitucionais. Portanto, é o poder de estabelecer uma nova Constituição de um Estado ou de modificar uma já existente. É a expressão da vontade suprema do povo, social e juridicamente organizado. Originário (art. 1º, § único, CF) “Art. 1º, CF/88: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.” Derivado (art. 60, CF) “Art. 60, CF/88: “A Constituição poderá ser emendada mediante proposta. I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;” Os Poderes da União (art. 2º, CF) → Órgãos que exercem funções do Estado. Poder Legislativo Poder Executivo Poder Judiciário Divisão orgânica da tripartição dos Poderes Visão aristotélica → existência de três funções exercidas por um só órgão (soberano). Visão de Montesquieu → as três funções seriam exercidas por três órgãos distintos. Características dos Poderes da União (art. 2º, CF): independência → cada qual atua dentro de sua parcela de competência; harmonia → mútuo controle (sistema de freios e contrapesos); indelegabilidade → as competências são privativas, salvo as exceções constitucional; cláusulas pétreas → a separação dos Poderes não é objeto de emenda. 42 UNIDADE VII DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES DO PODER LEGISLATIVO I Caracterização no âmbito federal. Bicameralismo (art. 44, CF) → devido à forma federativa brasileira. “Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal”. Regras fundamentais: Câmara dos Deputados → representa o povo Senado Federal → representa os Estados-federados Reuniões dos parlamentares Comissões Parlamentares: temáticas e especiais. Regras aplicáveis aos parlamentares: Imunidades (art. 53, CF) Incompatibilidade (art. 54, I, CF) Impedimentos (art. 54, II, CF) Perda do mandato (art. 55, CF) Do Congresso Nacional. Composição → Câmara dos Deputados e Senado (art. 44, CF). Atribuições (art. 48, CF) → com a participação do Presidente da República. Competências exclusivas (art. 49, CF) → dispensa a sanção do PR. Da Câmara dos Deputados. Composição → representantes do povo (art. 45, CF) “Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.” Eleição → adota o princípio proporcional (art. 45, §, 1º, CF) 43 “Art. 45. § 1º O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados. “ Número de Deputados → proporcional à população (art. 45, §, 2º, c/c 27, CF;) Arts. 1 a 3 da LC 78 de 30/12/1993 → O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Proporcional à população dos Estados e do Distrito Federal, o número de deputados federais não ultrapassará quinhentos e treze representantes, fornecida, pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no ano anterior às eleições, a atualização estatística demográfica das unidades da Federação. Parágrafo único. Feitos os cálculos da representação dos Estados e do Distrito Federal, o Tribunal Superior Eleitoral fornecerá aos Tribunais Regionais Eleitorais e aos partidos políticos o número de vagas a serem disputadas. Art. 2º Nenhum dos Estados membros da Federação terá menos de oito deputados federais. Parágrafo único. Cada Território Federal será representado por quatro deputados federais. Art. 3º O Estado mais populoso será representado por setenta deputados federais. Mandato → 4 anos ou uma legislatura (art. 44, § único, CF) “Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos.” Renovação → a cada 4 anos, permitida reeleição (art. 44, § 1º) Requisitos para candidatura: brasileiro nato ou naturalizado (art. 14, § 3º, I, c/c art. 12, §, 3º, II) ser maior de 21 anos (art. 14, § 3, IV, “c”) Pleno exercício dos direitos políticos (art. 14, § 3º, II;) alistamento eleitoral (art. 14 § 3º, III, CF) domicílio eleitoral na circunscrição (art. 14, § 3º, IV) filiação partidária (art, 14, § 3º, V) Competências privativas/exclusivas (art. 51, CF) → dispensa a participação do PR Foro → desde a expedição do diploma, serão julgados no STF (art. 53, § 3º) “Art. 53. Parágrafo único. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. “ 44 Do Senado Federal Composição → representantes dos Estados e DF (art. 46, CF) “Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário“ Eleição → adota o princípio majoritário (art. 46, CF) Número de Senadores → fixo de 3, com dois suplentes (arts. 46, §§, 1º e 3º, CF) § 1º Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos. § 3º Cada Senador será eleito com dois suplentes. Mandato → 8 anos, que compreendem duas legislaturas (art. 46, § 1º, CF) Renovação → a cada 4 anos (1/3 e 2/3), permitido reeleições (art. 46, § 2º, CF) § 2º A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços. Requisitos para candidatura: brasileiro nato ou naturalizado (art. 14, § 3º, I, c/c art. 12, §, 3º, II); ser maior de 35 anos (art. 14, § 3, IV, “a”); peno exercício dos direitos políticos (art. 14, § 3º, III); alistamento eleitoral (art. 14, § 3º, III); domicílio eleitoral na circunscrição (art. 14, § 3º, IV); filiação partidária (art., 14, §, V). Competências privativas/exclusivas (art. 52, CF) → dispensa a participação do PR. Foro → desde a expedição do diploma, serão julgados no STF (art. 53, § 3º) Das reuniões Seção legislativa ordinária (anual) → de 02/02 a 17/07 e de 1º/08 a 22/12 (art. 57, CF) “Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro” Recesso parlamentar → períodos compreendidos entre 18/07 a 31/07 e de 23/12 a 01/02. Cerca de 50 dias. Seção legislativa extraordinária → reuniões realizadas durante o recesso (art. 57, § 6º, CF) 45 “§ 6º A convocação extraordinária do Congresso Nacional far-se-á:” Seções preparatórias → para se darem posse e eleger a mesa diretora (art. 57, § 4º) “§ 4º Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente” Das Comissões Parlamentares Comissões permanentes → temáticas ou razão da matéria (CF, art. 58, § 2º). “Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação.” Comissões temporárias → Parlamentar de Inquérito – CPI (art. 58, § 3º): “§ 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.” busca e apreensão domiciliar → não pode determinar (art. 5º, XI, 2ª parte) Interceptação das comunicações telefônicas → não pode determinar (art. 5º, XII) quebra dos sigilos de dados, fiscal e telefônico (extrato) → pode determinar (art. 5º, XII, 1ª parte). Obs.: CPI municipal não pode determinar. ordenar prisão → não, salvo em flagrante delito (ex., falso testemunho) ouvir testemunha e investigado → pode (respeitar o direito de silêncio) condução coercitiva de testemunha → pode (investigado e testemunhas) Imunidade parlamentar federal → inerente à função para o exercício do mandato. Imunidade material → inviolável, civil e penal, por opinião, palavra ou voto (art. 53) “Art. 53. Parágrafo único. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos” 46 Imunidade formal → relacionada à prisão e à instauração de processo (art. 53, §§ 2º e 3º) “Art. 53. § 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. “Art. 53. § 3º. Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação.” Foro privilegiado → no STF, desde a expedição do diploma Imunidades dos parlamentares estaduais e municipais Incompatibilidades e impedimentos do Deputado ou Senador. Desde a expedição do diploma → ver art. 54, I. ” a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes; b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades constantes da alínea anterior;” Desde a posse → ver art. 54, II. “a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada; b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades referidas no inciso I, "a"; c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o inciso I, "a"; d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.” 47 Perda do mandato do Deputado ou Senador. Submetem-se a aspectos políticos → os casos do art. 55, I, II e VI. “I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior; II - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar; VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado;” Submetem-se a aspectos jurídicos → os casos do art. 55, III a V. “III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada; IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos; V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição;” 48 UNIDADE VIII DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES DO PODER LEGISLATIVO II DO PROCESSO LEGISLATIVO BRASILEIRO (art. 59 ao 69, CF) INTRODUÇÃO No sistema brasileiro, as espécies normativas estão previstas no artigo 59, que compreendem as emendas à constituição, as leis complementares, as leis ordinárias, as leis delegadas, as medidas provisórias, os decretos legislativos e as resoluções. Existem, também, inúmeras outras normas de inferior hierarquia, emanadas por órgão ou autoridades administrativas competentes, como ocorrem com os decretos, regulamentos, resoluções, instruções normativas etc, que formam o plexo de atos administrativos baixados para regulamentar as normas abstratas e genéricas. Tirante as normas da Constituição originária, que é obra do constituinte originário, o modo de