Prévia do material em texto
ACESSE AQUI ESTE MATERIAL DIGITAL! GIOVANI BORDINI ROSANA DOS SANTOS LARA CONTABILIDADE E GESTÃO DE CUSTOS Coordenador(a) de Conteúdo Cleide Tirana Nunes Possamai Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Caroline Casarotto Andujar Renata Sguissardi Design Educacional Fernanda Brito Revisão Textual Keli Francieli Ruas Cattoni Ilustração Andre Luis Azevedo da Silva Geison Ferreira da Silva Wellington Vainer Fotos Shutterstock e Envato Impresso por: Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722. Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). Núcleo de Educação a Distância. BORDINI, Giovani; LARA, Rosana dos Santos. Contabilidade e Gestão de Custos / Giovani Bordini, Rosana dos Santos Lara. - Florianópolis, SC: Arqué, 2024. 218 p. ISBN papel 978-65-6137-530-6 ISBN digital 978-65-6137-529-0 1. Contabilidade 2. Gestão de Custos 3. EaD. I. Título. CDD - 657.42 EXPEDIENTE FICHA CATALOGRÁFICA N964 03506819 RECURSOS DE IMERSÃO Utilizado para temas, assuntos ou con- ceitos avançados, levando ao aprofun- damento do que está sendo trabalhado naquele momento do texto. APROFUNDANDO Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de filmes que se conectam com o tema do conteúdo. INDICAÇÃO DE FILME Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de livros que agregarão muito na sua vida profissional. INDICAÇÃO DE LIVRO Utilizado para desmistificar pontos que possam gerar confusão sobre o tema. Após o texto trazer a explicação, essa interlocução pode trazer pontos adicionais que contribuam para que o estudante não fique com dúvidas sobre o tema. ZOOM NO CONHECIMENTO Este item corresponde a uma proposta de reflexão que pode ser apresentada por meio de uma frase, um trecho breve ou uma pergunta. PENSANDO JUNTOS Utilizado para aprofundar o conhecimento em conteúdos relevantes utilizando uma lingua- gem audiovisual. EM FOCO Utilizado para agregar um conteúdo externo. EU INDICO Professores especialistas e con- vidados, ampliando as discus- sões sobre os temas por meio de fantásticos podcasts. PLAY NO CONHECIMENTO PRODUTOS AUDIOVISUAIS Os elementos abaixo possuem recursos audiovisuais. Recursos de mídia dispo- níveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. 7 71 4 139 U N I D A D E 3 TRIBUTOS RECUPERÁVEIS NAS COMPRAS E TRIBUTOS SOBRE O PREÇO DE VENDA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .140 PREÇOS SUGERIDOS DE VENDA NA ATIVIDADE INDUSTRIAL, COMERCIAL E SERVIÇOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .168 PRÁTICAS EM CONTABILIDADE DE CUSTOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .190 7U N I D A D E 1 INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE DE CUSTOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24 AVALIAÇÃO DOS ESTOQUES E DEPARTAMENTALIZAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . .44 71 U N I D A D E 2 MÉTODOS E SISTEMAS DE CUSTEIO – ABSORÇÃO, VARIÁVEL, ABC (CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADE) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .72 SISTEMAS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS: POR ORDEM DE PRODUÇÃO E POR PROCESSO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .96 CUSTOS PARA PLANEJAMENTO E DECISÃO – RELAÇÕES CUSTO, VOLUME E LUCRO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .114 5 SUMÁRIO UNIDADE 1 MINHAS METAS INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE DE CUSTOS Destacar as necessidades das empresas acerca do controle de gastos e otimização de resultados. Distinguir a Contabilidade de Custos entre os ramos e apresentar suas características e funções. Especificar os principais gastos relativos às atividades das empresas e termos comuns à Contabilidade de Custos. Diferenciar custos de despesas. Identificar custos e despesas na estrutura da Demonstração de Resultados e Balanço Patrimonial. Generalizar situações das empresas e a aplicação da Contabilidade de Custos pela pers- pectiva da gestão de negócios. Estabelecer a relação da Contabilidade de Custos com a gestão de negócios para a tomada de decisão. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1 8 INICIE SUA JORNADA De acordo com os noticiários, acompanhamos as alterações nos preços ofertados aos consumidores finais. O aumento no preço do petróleo, por exemplo, interfere diretamente em muitos outros setores, afetando o bolso do consumidor. Em geral, há uma série de fatores que influenciam os preços de venda, como alterações climáticas, condições geográficas, economia, inovação em bens ou serviços, tecnologias, entre outros. Trata-se de fatores que antecedem o estabele- cimento do preço de venda, chamando a atenção dos gestores quanto ao mercado e concorrência. Além do controle de gastos, busca-se por melhores resultados e uma atuação assertiva, para que, caso haja necessidade de reajustes de preços, não cause impactos desfavoráveis ao resultado em função da perda de vendas. Embora o aumento de preços possa melhorar os resultados, há o risco de que o cliente não aceite e cancele a compra. Nesse sentido, a atuação da Contabilidade de Custos é fundamental no apoio aos gestores. O fornecimento de dados dos custos proporciona embasamento na tomada de decisão, seja por meio de pequenas ações, no cotidiano das empresas ou por meio de planejamentos estratégicos. Diante dessa introdução, iniciaremos, então, a nossa jornada de estudos para ex- plorar quais são os conhecimentos necessários da Contabilidade de Custos e como aplicá-los no mercado de trabalho, de tal forma que possamos contribuir ao coti- diano das empresas quando a pauta for controle de gastos e melhores resultados. VAMOS RECORDAR? Realize a leitura do texto a respeito da importância da gestão de custos para os negócios. A publicação resume como fazer uma gestão de custos, de que forma ela pode auxiliar nos negócios e qual o impacto para as empresas: https://digital. sebraers.com.br/blog/estrategia/qual-a-importancia-da-gestao-de-custo-para- o-meu-negocio-mkt/. UNIASSELVI 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 DESENVOLVA SEU POTENCIAL INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE DE CUSTOS Os ramos de atuação e aplicação da Contabilidade são amplos, como a Conta- bilidade Gerencial; Auditoria; Contabilidade Pública; Controladoria; Conta- bilidade Financeira; Contabilidade de Custos; Perícia Contábil; Contabilidade Tributária, dentre outras. Em se tratando da Contabilidade de Custos, resumidamente é um ramo da Ciência Contábil que visa analisar os gastos realizados pelas empresas para o de- senvolvimento de suas atividades econômicas, porém a sua importância e aplicação apresentam maior abrangência. Podemos considerar que as atribuições da Conta- bilidade de Custos partem dos Demonstrativos Contábeis e dos controles internos, gerando uma relação das suas funções com as funções da Contabilidade Gerencial. Segundo Viceconti e Neves (2013), historicamente, a função da Contabilidade de Custos está em fornecer elementos para avaliação dos estoques e apuração dos resultados, sendo que, nas últimas décadas, passou a prestar outras duas funções importantes para a Contabilidade Gerencial, com a utilização dos dados de custos para auxílio ao controle e a tomada de decisões. Os autores reforçam que, a respeito do controle, a Contabilidade de Custos fornece informações para o estabelecimento de padrões, orçamentos ou previsões. De certa forma, a Contabilidade de Custos também se relaciona com a área de Controladoria das empresas em razão do fornecimento de dados de custos para a elaboraçãodi- ferentes (A, B, C e D), a um custo mensal de aluguel (custo indireto) no valor de R$ 42.000,00. Consideraremos a seguinte produção: MODELO DE ARMAÇÃO PARA ÓCULOS DE SOL QUANTIDADES PRODUZIDAS Modelo A 8 unidades Modelo B 4 unidades Modelo C 12 unidades Modelo D 6 unidades Totais 30 unidades Quadro 2 – Modelos de armações / Fonte: a autora. Para alocar o custo do aluguel por um critério de rateio para as 30 unidades produzidas e de acordo com os modelos de armações, aplica-se a regra de três. Assim, podemos obter o resultado da divisão do valor do aluguel de acordo com cada modelo de armação de óculos de sol. Observe: 30 unidades equivalem a R$ 42.000,00 (aluguel) 8 unidades do Modelo A equivalem a x Aplicando a regra de três, temos os seguintes resultados: 5 1 Quadro 3 – Regra de três – modelos de armações / Fonte: a autora. O critério de rateio trata-se de uma alternativa viável para a distribuição dos custos indiretos, possibilitando analisar sob perspectivas diferentes, de acordo com o critério utilizado. Também é válido aplicar o critério de rateio para os custos diretos, como materiais e mão de obra, tomando por base os critérios de rateio como quantidade produzida, número de horas trabalhadas etc., para uma melhor análise. MODELO DE ARMAÇÃO PARA ÓCULOS DE SOL QUANTIDADES PRODUZIDAS ALOCAÇÃO DO CUSTO DO ALUGUEL % Modelo A 8 R$ 11.200,00 26,67% Modelo B 4 R$ 5.600,00 13,33% Modelo C 12 R$ 16.800,00 40% Modelo D 6 R$ 8.400,00 20% Totais 30 unidades R$ 42.000,00 100% Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel . Leia o livro dos autores Bruni e Famá, Gestão de custos e forma- ção de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel, e amplie seus estudos. O livro apresenta vários exemplos de alocação dos custos indiretos de fabricação. INDICAÇÃO DE LIVRO UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Os critérios podem basear-se em um percentual em relação ao total ou com base em uma taxa de absorção predefinida (BRUNI; FAMÁ, 2019). Observe os exemplos apresentados pelos autores no Quadro 4. DESCRIÇÃO CRITÉRIO DE RATEIO Aluguel Área ocupada Depreciação Valor do Imobilizado Consumo de energia elétrica HPs instalados Encargos Folha de pagamento Serviços de limpeza Área ocupada ou número de funcioná- rios Gastos com refeitório Número de funcionários do departa- mento Quadro 4 – Critérios de rateio / Fonte: adaptado de Bruni e Famá (2019). 5 4 Alocação de custos com base na departamentalização Bruni e Famá (2019) apresentam três possibilidades para a distribuição de custos em departamentos. MÉTODO DE DISTRIBUIÇÃO DIRETA Distribuição dos custos dos departamentos de serviços diretamente para os departa- mentos de produção. Os custos são alocados diretamente na produção por meio de um método simples, porém com resultados menos precisos. MÉTODO DA DISTRIBUIÇÃO SEQUENCIAL Os custos do departamento de serviços são distribuídos regressivamente para outro departamento de serviços e, depois, para os departamentos de produção, reconhe- cendo o inter-relacionamento do departamento de serviços. Os departamentos de serviços, hierarquicamente superiores, enviam seus custos para os departamentos de serviços inferiores ou para a produção. MÉTODO DE DISTRIBUIÇÃO ALGÉBRICA Considera o fato de que alguns departamentos de serviços não só prestam serviços para, mas também podem receber serviços de outros departamentos de serviços. Silva (2017) explica que a departamentalização consiste em dividir a área de pro- dução em departamentos para alocar (distribuir) aos produtos os custos diretos (materiais e mão de obra) e os custos indiretos (por rateio), de modo a gerenciar os custos para alcançar maior eficiência operacional. A soma entre o material direto e mão de obra direta forma o custo primário. A soma entre mão de obra direta e custos indiretos forma o custo de transformação (esfor- ços da empresa para transformar os materiais em produto acabado). A soma entre material direto, mão de obra direta e custos indiretos forma o custo fabril. ZOOM NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 5 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Em termos práticos, apresentamos a seguir a exemplificação da alocação de custos departamentalizados pelos métodos de distribuição direta e distribuição sequen- cial. Para isso, considere os seguintes dados fictícios de uma indústria em geral: CUSTOS DIRETOS POR DEPARTAMENTOS Departamentos Custos com Materiais Diretos Custo com Mão de Obra Direta Corte R$ 18.000,00 R$ 8.000,00 Montagem R$ 12.000,00 R$ 6.000,00 Acabamento R$ 6.000,00 R$ 8.000,00 Totais R$ 36.000,00 R$ 22.000,00 Área ocupada por cada departamento Corte 40 m2 Montagem 100 m2 Acabamento 60 m2 Totais 200 m2 Custos Indiretos das instalações Aluguel R$ 48.000,00 Energia Elétrica R$ 34.000,00 Seguros R$ 38.000,00 Totais R$ 120 .000,00 5 1 Composição do custo fabril] Σ (soma) = Materiais Diretos +Mão de Obra Direta + Custos Indiretos Quadro 5 – Dados fictícios / Fonte: a autora. Produção por tipo de produto Produto A 180 unidades Produto B 100 unidades Produto C 120 unidades Totais 400 unidades Materiais Diretos R$ 36.000,00 Mão de Obra Direta R$ 22.000,00 Custos Indiretos R$ 120.000,00 Total do Custo Fabril R$ 178 .000,00 Custo unitário (400 unidades) R$ 445,00 Custo Fabril Produto A R$ 80.100,00 Custo Fabril Produto B R$ 44.500,00 Custo Fabril Produto C R$ 53.400,00 Totalização R$ 178 .000,00 Quadro 6 – Custo fabril / Fonte: a autora. UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 O custo fabril de cada produto (A, B e C) foi obtido por meio da multiplicação da quantidade produzida de cada produto pelo custo unitário: Quantidade produzida produto × Custo unitário (Custo Fabril) Observe o exemplo para o produto A: 180 unidades do produto A × R$ 445,00 = R$ 80.100,00. Critério de rateio dos custos indiretos Critério de rateio – metragem de ocupação. Observe o exemplo: x = Valor do Custo Indireto / metragem total × metragem do departamento Setor de Corte = R$ 48.000,00 aluguel / 200 metros × 40 metros = R$ 9.600,00 5 8 RA TE IO D O S C U ST O S IN D IR ET O S PO R D EP AR TA M EN TO , C O M B AS E N A ÁR EA D E O C U PA ÇÃ O D ep ar ta m en to M 2 Al ug ue l En er gi a el ét ric a Se gu ro s C us to s in di re to s po r de pa rta m en to C or te 40 m 2 R$ 9 .6 00 ,0 0 R$ 6 .8 00 ,0 0 R$ 7 .6 00 ,0 0 R$ 2 4. 00 0, 00 M on ta ge m 10 0 m 2 R$ 2 4. 00 0, 00 R$ 17 .0 00 ,0 0 R$ 19 .0 00 ,0 0 R$ 6 0. 00 0, 00 Ac ab am en to 60 m 2 R$ 1 4. 40 0, 00 R$ 10 .20 0, 00 R$ 11 .40 0, 00 R$ 3 6. 00 0, 00 To ta liz aç ão 20 0 m 2 R$ 4 8. 00 0, 00 R$ 3 4.0 00 ,0 0 R$ 3 8. 00 0, 00 R$ 1 20 .0 00 ,0 0 NO PDF PRESSIONE: CTRL + SHIFT + + Q ua dr o 7 – R at ei o do s cu st os in di re to s po r d ep ar ta m en to s / Fo nt e: a a ut or a. UNIASSELVI 5 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Departamentalização pelo método de distribuição direta ■ Custo de materiais diretos e custo de mão de obra apresentados no Quadro 5 – Dados fictícios. ■ Custos indiretos extraídos do Quadro 7 – Ra- teio dos custos indiretos. ■ Custo unitário por departamento obtido pela divisão do total de custo fabril pela quantida- de produzida (400 unidades). 1 1 D EP AR TA M EN TO M AT ER IA IS D IR ET O S M ÃO D E O B RA D IR ET A C U ST O S IN D IR ET O S TO TA L C U ST O F AB RI L PO R D EP AR TA M EN TO C U ST O U N IT ÁR IO P O R D EP AR TA M EN TO C or te R$ 18 .0 00 ,0 0 R$ 8 .0 00 ,0 0 R$ 2 4. 00 0, 00 R$ 5 0. 00 0, 00 R$ 1 25 ,0 0 M on ta ge m R$ 12 .0 00 ,0 0 R$ 6 .0 00 ,0 0 R$ 6 0. 00 0, 00 R$ 7 8. 00 0, 00 R$ 1 95 ,0 0 Ac ab am en to R$ 6. 00 0, 00 R$ 8 .0 00 ,0 0 R$ 3 6. 00 0, 00 R$ 5 0. 00 0, 00 R$ 1 25 ,0 0 To ta is R$ 36.0 00 ,0 0 R$ 2 2.0 00 ,0 0 R$ 12 0.0 00 ,0 0 R$ 17 8.0 00 ,0 0 R$ 4 45 ,0 0 NO PDF PRESSIONE: CTRL + SHIFT + + Q ua dr o 8 – D ep ar ta m en ta liz aç ão p el o m ét od o de d is tr ib ui çã o di re ta / F on te : a a ut or a. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Para distribuir o custo departamentalizado pelo método de distribuição direta aos três tipos de produtos (A, B e C), basta multiplicar o valor unitário por de- partamento pela quantidade produzida de cada produto. DEPARTAMENTOS PRODUTO A PRODUTO B PRODUTO C TOTAIS POR DEPARTAMENTO Corte R$ 22.500,00 R$ 12.500,00 R$ 15.000,00 R$ 50.000,00 Montagem R$ 35.100,00 R$ 19.500,00 R$ 23.400,00 R$ 78.000,00 Acabamento R$ 22.500,00 R$ 12.500,00 R$ 15.000,00 R$ 50.000,00 Totais R$ 80.100,00 R$ 44.500,00 R$ 53.400,00 R$ 178.000,00 Quadro 9 – Alocação de custos departamentalizados por produto pelo método de distribuição direta Fonte: a autora. Departamentalização pelo método de distribuição sequencial ■ Materiais diretos e mão de obra direta: Quadro 5 – Dados fictícios. ■ Custos indiretos: Quadro 7 – Rateio dos custos indiretos. ■ Custo unitário por departamento obtido pela divisão do total de custo fabril pela quantidade produzida (400 unidades). ■ Os custos de cada departamento são distribuídos de forma sequencial, de um departamento para outro. Desse modo, o departamento de mon- tagem assume os custos do departamento de corte; o departamento de acabamento assume os custos sequenciais (soma dos departamentos de corte e montagem), formando o custo total da produção. 1 1 D EP AR TA M EN TO M AT ER IA IS D IR ET O S M ÃO D E O B RA D IR ET A C U ST O S IN D IR ET O S TO TA L C U ST O F AB RI L PO R D EP AR TA M EN TO C U ST O U N IT ÁR IO PO R D EP AR TA M EN TO C or te R$ 1 8. 00 0, 00 R$ 8 .0 00 ,0 0 R$ 2 4. 00 0, 00 R$ 5 0. 00 0, 00 R$ 1 25 ,0 0 D is tr ib uí do s p/ M on ta ge m (R $ 18 .0 00 ,0 0) (R $ 8. 00 0, 00 ) (R $ 24 .0 00 ,0 0) (R $ 50 .0 00 ,0 0) (R $ 12 5, 00 ) M on ta ge m + C or te R$ 1 2. 00 0, 00 R$ 1 8. 00 0, 00 R$ 3 0. 00 0, 00 R$ 6 .0 00 ,0 0 R$ 8 .0 00 ,0 0 R$ 1 4. 00 0, 00 R$ 6 0. 00 0, 00 R$ 2 4. 00 0, 00 R$ 8 4. 00 0, 00 R$ 7 8. 00 0, 00 R$ 5 0. 00 0, 00 R$ 1 28 .0 00 ,0 0 R$ 1 95 ,0 0 R$ 1 25 ,0 0 R$ 3 20 ,0 0 D is tr ib uí do s p/ Ac ab am en to (R $ 30 .0 00 ,0 0) (R $ 14 .0 00 ,0 0) (R $ 84 .0 00 ,0 0) (R $ 12 8. 00 0, 00 ) (R $ 32 0, 00 ) Ac ab am en to + M on ta ge m e C or te R$ 6 .0 00 ,0 0 R$ 3 0. 00 0, 00 R$ 3 6. 00 0, 00 R$ 8 .0 00 ,0 0 R$ 1 4. 00 0, 00 R$ 2 2. 00 0, 00 R$ 3 6. 00 0, 00 R$ 8 4. 00 0, 00 R$ 1 20 .0 00 ,0 0 R$ 5 0. 00 0, 00 R$ 1 28 .0 00 ,0 0 R$ 17 8. 00 0, 00 R$ 1 25 ,0 0 R$ 3 20 ,0 0 R$ 4 45 ,0 0 NO PDF PRESSIONE: CTRL + SHIFT + + Q ua dr o 1 0 – D ep ar ta m en ta liz aç ão p el o m ét od o de d is tr ib ui çã o se qu en ci al Fo nt e: a a ut or a. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Para distribuir o custo departamentalizado pelo método de distribuição sequen- cial aos três tipos de produtos, basta multiplicar o valor unitário por departamen- to (sequenciado) pela quantidade produzida de cada produto. DEPARTAMENTOS PRODUTO A PRODUTO B PRODUTO C TOTAIS POR DEPARTAMENTO Corte R$ 22.500,00 R$ 12.500,00 R$ 15.000,00 R$ 50.000,00 Montagem + Corte R$ 57.600,00 R$ 32.000,00 R$ 38.400,00 R$ 128.000,00 Acabamento + Montagem e Corte R$ 80.100,00 R$ 44.500,00 R$ 53.400,00 R$ 178.000,00 Quadro 11 – Alocação de custos departamentalizados por produto pelo método de distribuição sequencial Fonte: a autora. A distribuição dos custos departamentalizados de forma sequencial permite a visualização dos custos de forma gradativa, favorecendo a análise dos dados. A comparação é viável, pois favorece a tomada de decisão com dados como: quantidades produzidas e custos por departamento, períodos de sazonalidade de modelos, controle de materiais em estoques de acordo com as demandas de cada modelo e capacidade produtiva de cada departamento, entre outras. Estudante, para expandir seus conhecimentos acerca do assunto abordado, gos- taríamos de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acredita- mos que esta aula complementará e aprofundará ainda mais o seu entendimento a respeito do tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do am- biente virtual de aprendizagem . EM FOCO 1 4 NOVOS DESAFIOS Ao chegarmos a esta etapa, percebemos o quão importante e detalhado o tema avaliação dos estoques e departamentalização é, merecendo especial atenção em nossos estudos. Além da aplicação de conceitos para atender às regras e normativas, são ne- cessárias aplicações no sentido de gestão e controle. O controle de estoques há muito deixou de ser apenas a utilização de meras fichas de registro. Até em tem- pos de tecnologia e utilização de sistemas de informação para processamento de dados, o SPED acelerou em maior proporção a importância para esses controles. Os estoques são peças fundamentais que compõem os ativos das empresas e, nesse sentido, estudar e acompanhar os Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis agrega muito para o desenvolvimento profissional. Outro detalhe importantíssimo quanto aos critérios de valoração dos estoques é: no momento da realização da receita, os custos são reconhecidos simultaneamente em obediência ao princípio da competência, portanto, avaliar os critérios para composição dos custos é uma tarefa que antecede a contabiliza- ção e proporciona embasamento para a tomada de decisão. Por esses contextos, percebemos a estreita relação entre custos e gestão, ou seja, o quão importante é o alinhamento entre a Contabilidade de Custos e a Contabilidade Gerencial e o quanto de oportunidades despontam para os profis- sionais da área. O cenário nos convida a estarmos em constante estudo e apren- dizados, estabelecendo sempre novas conexões na jornada profissional. Eu fico por aqui! Desejo bons estudos e até uma próxima reflexão contábil! UNIASSELVI 1 5 1. A implantação do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) modernizou as práticas tradicionais dos escritórios de contabilidade e empresas, trazendo benefícios para a socie- dade, como a redução no consumo de papéis, uniformização das informações, combate à sonegação, dentre outros. O universo SPED é composto de documentos eletrônicos e validadores para envio das obrigações contábeis e fiscais, denominadas de obrigações acessórias (SPED, 2024). A respeito do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), assinale a alternativa que con- tém, respectivamente, siglas de documentos eletrônicos e de obrigação acessória contem- pladas pelo universo SPED. a) ECF; ECD, CTe. b) NFe; NFSe; ECF. c) NFe; ECD; EFD ICMS IPI. d) NFSe; NFCe; CTe. e) ECD; ECF; EFD ICMS IPI. 2. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) visa emitir documentos técnicos acerca de procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza para per- mitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade brasileira aos padrões internacionais. O Pronunciamento Técnico CPC 16 – Estoques estabelece o tratamento contábil para os estoques no quesito mensuração, avaliação, dentre outros. Nesse sentido, analise as afirmativas a seguir. I - O valor de custo dos estoques deve incluir todos os custos de aquisição e de transfor- mação. II - Os estoques devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. III - Os estoques são registrados pelo custo de aquisição e de transformação, e mensurados pelo valor realizável líquido. É correto o que se afirma em: a) I, apenas.b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. AUTOATIVIDADE 1 1 3. De acordo com Ribeiro, as empresas podem adquirir o mesmo tipo de mercadoria em datas diferentes, pagando por elas preços variados. Portanto, há uma necessidade de adotar um critério para determinar o custo das mercadorias estocadas, como o preço específico; PEPS; UEPS; média ponderada; custo médio ponderado fixo (RIBEIRO, 2013). Com relação aos critérios utilizados para avaliação dos estoque, assinale a alternativa que representa corretamente o critério de avaliação Primeiro que Entra, Primeiro que Sai (PEPS). a) Não é aceito pela legislação brasileira. b) A avaliação ocorre pelo item mais antigo. c) A baixa é realizada pelo item mais recente. d) Os itens são avaliados pela aquisição mais recente. e) Não atende aos critérios do SPED. AUTOATIVIDADE 1 1 REFERÊNCIAS BRASIL. Sistema Público de Escrituração Digital. Receita Federal do Brasil, [2024]. Disponível em: http://sped.rfb.gov.br/. Acesso em: 27 nov. 2023. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. DESCOMPLICANDO dos estoques no SPED!. [S. l.: s. n.], 2022. 1 vídeo (32 min.). Publicado pelo ca- nal Live University. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=OWkX1ndnD-c. Acesso em: 17 abr. 2024. PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade Básica: contabilidade introdutória e intermediária. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2017 RIBEIRO, O. M. Contabilidade Intermediária. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. SILVA, J. M. Contabilidade de Custos. Maringá: UniCesumar, 2017. VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Contabilidade de custos. 11. ed. rev. atual. São Paulo: Saraiva, 2013. 1 8 1. Alternativa B. São documentos eletrônicos contemplados pelo SPED as seguintes siglas: NFe; NFSe; NFCe; CTe; MDFe. São obrigações acessórias contempladas pelo SPED: EDF ICMS IPI; EFD Contribuições; EFD Reinf; ESocial; Efinanceira; ECD; ECF. 2. Alternativa C. De acordo com o CPC 16 – Estoques, o valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais; e devem ser mensurados (para fins de Balanço Patrimonial) pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. 3. Alternativa D. O critério de avaliação dos estoques não aceito pela legislação brasileira e, por consequência, que não atende ao SPE é o critério UEPS. Pelo critério UEPS, os itens são avaliados (saldo em estoques) pelas aquisições mais antigas e a baixa dos estoques é realizada pelas aquisições mais recentes (último item que entrou no estoque é o primeiro a sair). GABARITO 1 9 UNIDADE 2 MINHAS METAS MÉTODOS E SISTEMAS DE CUSTEIO – ABSORÇÃO, VARIÁVEL, ABC (CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADE) Enfatizar situações do cotidiano de empresas e necessidades de negócios que requerem controle e composição de custos. Generalizar os métodos de custeio e suas aplicações. Especificar o método de custeio por absorção. Especificar o método de custeio variável. Especificar o método de custeio baseado em atividades (custeio ABC). Generalizar as situações das empresas e a aplicação dos métodos de custeio. Estabelecer a relação entre os métodos de custeio e a gestão de negócios para a tomada de decisão. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4 1 1 INICIE SUA JORNADA É comum nos depararmos ajustando nosso orçamento para comportar eventuais necessidades ou interesses pessoais que elevem nossa situação econômica. É da natureza humana o desejo de usufruir benefícios em consequência de seus esfor- ços. De certa forma, são sonhos colocados em prática de acordo com a remune- ração recebida, ajustando o orçamento com a realidade e possibilidades futuras. Da mesma forma, empresas se percebem em busca de novos desafios, inova- ções e sonhos, ajustando qual o montante de seus gastos e quanto custará suas futuras pretensões. Tanto empresas como pessoas físicas computam seus gastos para alcançarem seus propósitos e metas de crescimento. Cada qual, à sua ma- neira, utiliza métodos ou critérios que melhor atenda ao controle de gastos e orçamentos, possibilitando adequar o volume de receitas que sejam suficientes para cobrir os gastos e gerar lucratividade. Nesse sentido, no ambiente profissional, refletiremos a respeito de quais conceitos precisamos compreender para colocarmos em prática maneiras de computar os prin- cipais gastos, gerando controles que possibilitem orçamentos e melhores resultados. Nesse momento, você está convidado a acessar o nosso Podcast com o tema “Custos e o SPED”, que traz um viés acerca do envio das informações de custos e despesas por meio dos programas validadores do Sistema Público de Escritu- ração Digital (SPED). Acesse o “play” e amplie seus estudos. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Kleber Stumpf publicou no site da TopInvest o tema: “Custeio: o que significa, como funciona e quais são os métodos”, abordando de maneira resumida quais são as maneiras para computar custos e como avaliar o desempenho das empresas. Leitura indicada para o início dessa jornada de estudos. Veja em: https://www. topinvest.com.br/glossario/custeio UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 DESENVOLVA SEU POTENCIAL MÉTODOS E SISTEMAS DE CUSTEIO: ABSORÇÃO, VARIÁVEL E ABC (CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES) Dentro dos estudos acerca da Contabilidade de Custos, podemos dizer que méto- dos se referem à maneira utilizada para apropriar os gastos incorridos na produção de bens ou serviços, enquanto os sistemas de custeio se referem à forma como os custos são acumulados e registrados pela Contabilidade. Dessa maneira, as empresas utilizam critérios para organizar o total de gastos e sistemas para realizar cálculos, re- gistros e controles. Entretanto, é comum encontrarmos na literatura contábil e demais publicações da área a terminologia sistemas de custeio ou até métodos de custeio para nomear os critérios de custeio por absorção, variável, ABC, pleno ou RKW. Cabe ressaltar que os denominados sistemas de acumulação de custos, tam- bém conhecidos como sistemas de apropriação de custos por ordem de produção e por ordem de processo, são meios igualmente utilizados pela Contabilidade de Custos para a composição de gastos. Todavia, as características de aplicação são distintas dos sistemas de custeio por absorção, variável, ABC ou custeio pleno. Crepaldi e Crepaldi (2023) explicam que sistemas de acumulação de custos refe- rem-se à identificação, coleta, processamento, armazenamento e produção das informações para a gestão de custos, sendo a forma como são acumulados e apropriados aos produtos ou serviços. Cada empresa adota um tipo de sistema de acumulação de custos, tendo em vista que depende do produto ou do serviço produzido, bem como do processo de produção empregado. APROFUNDANDO Por outro viés, Bruni e Famá (2019) argumentam que os sistemas de custeio se referem às formas como os custos são registrados e transferidos internamente dentro das empresas, de forma a identificar os custos dos estoques de produ- ção em andamento e de produtos acabados. Nesse sentido, segundo Crepaldi e Crepaldi (2023), o sistema de Contabilidade de Custos segue a seguinte ordem quanto ao fluxo de gastos das empresas: 1 4 ■ separação entre custos e despesas, ■ apropriação dos custos diretos a cada produ- to, e ■ rateio dos custos indiretos para alocação a cada produto. ■ Dentro da estrutura da Demonstração de Resultados (DRE), os gastos são apresen- tados de forma sintética, reduzindo a receita de vendas. Assim, os gastos alocados como resultados podem ser: ■ custo, se for relativo à produção (transforma- ção) de bens ou serviços; ou ■ despesa, se relativo ao consumo de bens ou serviços para a obtenção da receita de vendas e manutençãodas atividades administrativas. Os custos diretos, por sua vez, são alocados direta- mente aos produtos, enquanto os custos indiretos são rateados (divididos) por algum critério para serem apropriados aos produtos. Os critérios de rateio de custos indiretos comumente utilizados são: metra- gem da área utilizada; número de funcionários; ho- ras trabalhadas; kWh (quilowatt-hora) etc. Ou seja, trata-se de um método para computar e apropriar custos aos produtos ou serviços, possibilitando para as empresas conhecer o custo real de cada bem ou serviço produzido. São dados de custos que, além do registro contábil para a elaboração dos demons- trativos, possibilita o controle e a gestão e norteia a tomada de decisão na formação de preços. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Para que as empresas possam formar o preço de venda de seus itens ou serviços, primeiramente computam qual o custo unitário para, posteriormente, acrescen- tar a margem de lucratividade esperada, reforçando que, sobre o preço de venda, incidirá os principais impostos, como IPI, ICMS, ISS, PIS e Cofins. Na gestão de custos, os métodos de custeio contribuem na tomada de decisão para: ■ compra de matéria-prima ou insumos para a produção de bens ou serviços; ■ análise da mão de obra: contratada ou terceirizada; ■ análise de critérios de rateio para os custos indiretos como consumo de energia elétrica e água, seguros, aluguel, mão de obra indireta etc. Dentre os métodos de custeio tratados neste tópico — absorção, variável e ABC (custeio baseado em atividades) —, há particularidades de cada um que con- tribuem de uma forma ou outra na gestão dos negócios e tomadas de decisão para o cotidiano das empresas. Custeio por absorção Custeio por absorção é o método aceito pela legislação brasileira para determinar e apropriar os gastos aos bens ou serviços. Sua premissa consiste em computar todos os custos, diretos e indiretos, fixos e variáveis, na composição do custo do produto, mercadoria ou serviço. A aceitação pelas normativas legais brasileiras está relacionada à escrituração contábil de acordo com as normas e princípios contábeis. Uma vez que todos os atos e fatos são registrados pela Contabilidade, pressupõe-se que todos os gastos foram computados para a formação do custo do produto, mercadoria ou serviço. Portanto, o custeio por absorção, também denominado custeio integral ou custo integral, segundo Crepaldi e Crepaldi (2023), registra no custo dos produtos todos os custos diretos ou indiretos, fixos ou variáveis, de estrutura ou operacionais. Cre- paldi e Crepaldi (2023) também afirmam que o próprio nome do critério revela o procedimento (os custos incorridos são absorvidos), para que cada produto ou produção (ou serviço) absorva uma parcela dos custos relacionados à fabricação, independentemente de serem fixos, variáveis, diretos ou indiretos. O custeio por absorção, de acordo com Martins (2018, p. 22), “consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados, e só os de pro- dução; todos os gastos relativos ao esforço de fabricação são distribuídos para 1 1 todos os produtos feitos”. Em outras palavras, no cálculo do custo do produto pelo método ABC, todos os custos de produção, independentemente de serem fixos ou variáveis, são levados em conta, enquanto os gastos não relacionados à fabricação, ou seja, as despesas, são deixados de fora desse cálculo. Custo da venda Despesas do período Custos Diretos, Indiretos, Fixos e Variáveis • Estoque (ativo) Produtos em processo Produtos acabados DRE Receitas (-) CPV (=) Lucro bruto (-) Despesas (=) Resultado líquido Despesas Gerais Despesas de Vendas Despesas Administrativas Figura 1 – Representação do custeio por absorção. / Fonte: Silva (2017, p. 206). Descrição da Imagem: a imagem mostra um diagrama em português que descreve o fluxo de custos e despesas em uma empresa, levando ao resultado líquido na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). O diagrama é dividido em várias seções, com caixas e setas indicando o fluxo de informações. À esquerda, há uma caixa que lista “Custos Diretos, Indiretos, Fixos e Variáveis”, que se conecta a outra caixa listando tipos de estoque e produtos. Abaixo disso, há uma caixa detalhando “Despesas Gerais”, “Despesas de Vendas” e “Despesas Administrativas”. No centro, as informações convergem para “Despesas do período” e “Custo da venda”. À direita, está a DRE com itens como Receitas, Custo dos Produtos Vendidos (CPV), Lucro Bruto, Despesas e Resultado Líquido. As setas indicam o fluxo das informações desde os custos iniciais até o resultado final na DRE Para esse critério, o foco da atenção é o produto e tudo que agrega a com- posição de seu custo, como materiais, mão de obra e custos indiretos, inde- pendentemente se fixos ou variáveis. Nesse caso, o volume produzido de bens ou serviços é indiferente. De acordo com Crepaldi e Crepaldi (2023), é crucial distinguir entre custos e despesas, pois as despesas impactam diretamente o resultado do período, enquanto os custos dos produtos não vendidos são alocados ao estoque. O objetivo desse método é calcular o custo total (direto e indireto) de cada item produzido, sem a necessidade de categorizá-los como custos fixos ou variáveis. Esse método não é afetado pelo volume de produção e atende a requisitos legais e fiscais, porém não é amplamente utilizado para orientar decisões empresariais. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Custeio variável O custeio variável, também conhecido como custeio direto, difere do cus- teio por absorção por considerar na composição dos custos apenas os custos variáveis. Nesse caso, o foco do critério é o volume de produção de bens ou serviços, ou seja, são calculados apenas os custos que variam de acordo com as quantidades produzidas. Bruni e Famá (2019) destacam que o custeio variável é questionável segun- do o ponto de vista dos princípios e normas contábeis, contudo assume grande importância na análise de decisões relativas a custos e preços. Por esse método, apenas os gastos variáveis são considerados no processo de formação dos custos dos produtos individuais. Custos ou despesas indiretas são lançados de forma global contra os resultados. Trata-se de um critério não aceito pela legislação brasileira para fins de apura- ção dos custos dos bens ou serviços. Entretanto, em se tratando de fins gerenciais, apresenta suas vantagens para controle e orçamento no que tange ao volume de produção. O critério de apenas computar os gastos variáveis contribuem com a elaboração de orçamentos para compra e produção, envolvendo a área de ven- das quanto às demandas necessárias e, principalmente, o acompanhamento de mercado em relação aos interesses do público consumidor. 1 8 Conforme mencionado por Crepaldi e Crepaldi (2023), o método de custeio variável se caracteriza por considerar apenas os custos variáveis como despesas de produção durante um período, incluindo também as despesas variáveis. Os custos fixos são tratados como despesas do período e não são considerados na apuração do custo de produção. Nesse método, o custo unitário de produção é calculado dividindo o total dos custos variáveis pelo volume produzido, enquanto os custos fixos são diretamente alocados ao resultado do período, sem afetar o estoque. Crepaldi e Crepaldi (2023) destacam ainda que, como os custos da produção são geralmente apurados de forma mensal, é indicado um adequado suporte do siste- ma contábil, na forma de um plano de contas que separe, já no estágio de registro dos gastos, os custos variáveis e os custos fixos de produção com adequado rigor. Nesse aspecto, o destaque dos autores é válido, pois durante o fluxo de atividades das empresas e os registros apontados pela contabilidade, pode ocorrer eventuais dúvidas de quais são os gastos variáveis e fixos, ressaltando-se que depende do tipo de bem ou serviço em produção. Exemplificação dos métodos de custeio por absorçãoe variável Uma indústria fictícia que confecciona pijamas cirúrgicos de modelo único apre- sentou os seguintes dados durante o primeiro trimestre do ano: ■ Total de pijamas produzidos e vendidos: 6.000 unidades. ■ Preço de venda unitário: R$ 230,00. ■ Impostos sobre vendas: 23% (IPI, ICMS, PIS, Cofins). ■ Estoque inicial de tecidos e aviamentos: R$ 428.000,00. ■ Estoque final de tecidos e aviamentos: R$ 330.000,00. ■ Compra de tecidos e aviamentos: R$ 280.000,00. ■ Salários e encargos equipe de vendas: R$ 60.000,00. ■ Comissão dos vendedores: R$ 24.000,00. ■ Mão de obra do setor corte e costura: R$ 23,00 por unidade. ■ Mão de obra do setor acabamentos e bordados: R$ 12,00 por unidade. ■ Salários e encargos da equipe administrativa: R$ 36.000,00. UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 ■ Aluguel da fábrica: R$ 40.000,00. ■ Aluguel do administrativo e comercial: R$ 20.000,00. ■ Depreciação linear dos maquinários: R$ 12.000,00. ■ Energia elétrica consumida na fábrica: R$ 8.000,00. ■ Energia elétrica consumida no administrativo e comercial: R$ 1.200,00. 1º) Separação entre custos e despesas ■ Custos ■ Mão de obra setor corte e costura: R$ 23,00 unidade (variável). ■ Mão de obra setor acabamentos e bordados: R$ 12,00 unidade (variável). ■ Aluguel da fábrica: R$ 40.000,00 (fixo). ■ Depreciação linear dos maquinários: R$ 12.000,00 (fixo). ■ Rateio da energia elétrica consumida na fábrica: R$ 8.000,00 (variável). Notas ■ visando facilitar a exemplificação, optou-se pela depreciação linear (de- preciação dividida pela vida útil do bem); ■ o consumo da energia elétrica é um custo indireto (rateio) e variável considerando-se que o volume produzido poderá alterar o consumo de energia elétrica. ■ Despesas ■ Salários e encargos equipe de vendas: R$ 60.000,00 (fixo). ■ Comissão vendedores: R$ 24.000,00 (variável). ■ Salários e encargos da equipe administrativa: R$ 36.000,00 (fixo). ■ Aluguel do administrativo e comercial: R$ 20.000,00 (fixo). ■ Rateio da energia elétrica consumida no setor administrativo e comercial: R$ 1.000,00 (variável). Notas: ■ Totalização das despesas fixas: R$116.000,00. ■ Totalização das despesas variáveis: R$25.000,00. 8 1 2º) Composição do custo dos pijamas vendidos (CMV) CMV = Estoque inicial + Compras - Estoque final CMV pijamas = R$ 428.000,00 + R$ 280.000,00 - R$ 330.000,00 = R$ 378.000,00 3º) Totalização dos custos fixos e variáveis Custos fixos: soma dos gastos com aluguel da fábrica e depreciação. Custo fixo = R$ 40.000,00 + R$ 12.000,00 = R$ 52.000,00 Custos variáveis Mão de obra: soma da mão de obra dos setores corte e costura e acabamentos e bordados, multiplicado pela quantidade produzida. Mão de obra = (R$ 23,00 + R$12,00) × 6.000un = R$ 210.000,00 Custeio variável = Mão de obra + energia elétrica da fábrica Custeio variável = R$ 210.000,00 + R$ 8.000,00 = R$ 218.000,00 4º) Totalização do custeio por absorção Nota: no custeio por absorção, são somados todos os custos, independente de diretos, indiretos, fixos ou variáveis. As despesas, por sua vez, são consideradas diretamente em contas de resultado para apuração da DRE. Custeio por absorção = CMV + custos fixos + custos variáveis Custeio por absorção = R$ 378.000,00 + R$ 52.000,00 + R$ 218.000,00 UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Custeio por absorção = R$ 648.000,00 Custeio por absorção por unidade = R$ 648.000,00 ÷ 6.000 un = R$ 108,00 5º) Totalização do custeio variável Nota: no custeio variável, as despesas variáveis são acrescentadas para a com- posição total do custo variável. Os custos fixos são tratados como despesas na apuração do resultado, segundo Bruni e Famá (2019). Despesas variáveis = comissão + energia elétrica Despesas variáveis = R$24.000,00 + R$1.000,00 = R$25.000,00 O Custo da Mercadoria Vendida (CMV) trata-se de custo variável, tendo em vista que sofre alterações em relação às quantidades produzidas ou vendidas. Custeio variável = CMV + custos variáveis + despesas variáveis Custeio variável = R$ 378.000,00 + R$ 218.000,00 + R$ 25.000,00 Custeio variável = 621.000,00 Custeio variável por unidade = R$ 621.000,00 ÷ 6.000 un = R$ 103,50 Observem os resultados do custeio por absorção (R$108,00 a unidade) e custeio variável (R$103,50 a unidade). A margem (preço de venda menos o custo por unidade) é vantajosa para o custeio variável, fato que favorece controles e geren- ciamento de custos em relação às quantidades produzidas. No custeio variável, quanto maior o volume produzido ou vendido, maiores serão os custos variáveis. Todavia, trata-se de um método que permite aos gesto- res realizar simulações e projeções de acordo com suas capacidades produtivas, avaliando estrutura operacional e capacidade de vendas. 8 1 6º) Comparação dos métodos através da apuração de resultados Agora, observe a Demonstração de Resultados com base nos dados apresentados para cada um dos critérios: absorção e variável. Receita bruta de vendas (6.000 un. X R$ 230,00) R$ 1.380.000,00 ( – ) Impostos sobre vendas (R$ 317.400,00) Receita operacional líquida R$ 1.062.600,00 ( – ) Custeio por absorção (R$ 648.000,00) Lucro Bruto Operacional R$ 414 .600,00 Despesas (fixas + variáveis) (R$ 141.000,00) Lucro antes do IR e CSLL R$ 273 .600,00 Quadro 1 – DRE – custeio por absorção / Fonte: a autora. Quadro 2 – DRE – custeio variável / Fonte: a autora. Receita bruta de vendas (6.000 un. X R$ 230,00) R$1.380.000,00 ( – ) Impostos sobre vendas (R$317.400,00) Receita operacional líquida R$1.062.600,00 ( – ) Custeio variável (R$621.000,00) Lucro Bruto Operacional R$441 .600,00 Despesas (despesas fixas + custos fixos) (R$168.000,00) Lucro antes do IR e CSLL R$273 .600,00 UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Observem que o resultado bruto operacional pelo custeio variável é em torno de 6,5% superior em comparação ao critério por absorção, sendo, portanto, o custeio variável ou direto uma ferramenta para a gestão no cotidiano das empresas quanto: ■ formação de preços (composição do preço unitário baseado nos gastos variáveis); ■ avaliação do ponto de equilíbrio e margem de contribuição; ■ contribuição na análise da relação custo, volume e lucro; ■ contribuição na gestão dos produtos e vendas, como redução de preços, descontos ou campanhas de vendas, tendo em vista a relação com as quantidades produzidas, dentre outras vantagens. Logo, o custeio variável, por possuir a relação com as quantidades produzidas ou vendidas, interfere no resultado operacional bruto, tendendo a ser superior em relação ao custeio por absorção, que apresenta custo unitário superior. Assim, isso reforça que, para cada tipo de atividade econômica, os resultados precisam de análise, já que os custos se comportam de modo diferente e de acordo com os segmentos econômicos. Para finalizar, a Figura 2 resume e compara os dois métodos de custeio. Custeio Absorção Aceito pela legislação brasileira Usado para fins normativos e contábeis Interfere no resultado contábil Custeio Variável Não é aceito pela legislação brasileira Interfere na decisão do preço de venda Usado para fins gerenciais e tomada de decisão Figura 2 – Comparativo entre custeio por absorção e custeio variável / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem apresenta as características do método de custeio de absorção e custeio va- riável. Custeio absorção: é aceito pela legislação brasileira. Usado para fins normativos e contábeis. Interfere no resultado contábil. Quanto ao custeio variável: não é aceito pela legislação brasileira. Usado para fins gerenciais e tomada de decisão. Interfere na decisão do preço de venda. 8 4 Custeio baseado em atividades (custeio ABC) O custeio baseado em atividades, comumente denominado de custeio ABC em ra- zão da origem de seu nome Activity-Based Costing (ABC). Trata-se de um critério que surgiu na década de 1980 por meio dos estudos de Kaplan e Cooper (1998). Com relação ao pesquisador Kaplan (Robert Steven Kaplan),há um dado interessante quanto aos seus demais estudos. Ele e outro pesquisador (chama- do David Norton) cocriaram o método de gestão Balanced Scorecard (BSC), que consiste em medir o desempenho das empresas sob quatro perspectivas: financeira, clientes, processos internos e crescimento e aprendizado. Para fins de gerenciamento, a ferramenta pode ser utilizada com os dados de custos para a determinação de metas e ações estratégicas. Conforme destacado por Crepaldi e Crepaldi (2023), o método de custeio ABC envolve a alocação de custos a cada transação ou evento na organização, utilizando direcionadores de custos específicos para esse fim. Esse método tem suas raízes na administração científica, que se baseou no estudo dos tempos e movimentos observados nas atividades dos trabalhadores da época. Essa abor- dagem resultou em uma ferramenta valiosa para as decisões gerenciais e estraté- gicas, permitindo às empresas reduzir desperdícios, aprimorar serviços, avaliar iniciativas de qualidade e promover a melhoria contínua. O custeio ABC permite reduzir distorções ocorridas no método de custeio por absorção e o objetivo é rastrear quais são as atividades que estão con- sumindo de forma mais significativa os recursos da produção (CREPALDI; CREPALDI, 2023). Primeiramente, os custos são distribuídos aos departa- Contabilidade gerencial: ferramentas para melhoria no de- sempenho empresarial . Indico o Capítulo 5 do livro Contabilidade gerencial: ferramentas para melhoria no desempenho empresarial. O Tópico 5.4 trata da operacionalização do custeio por absorção, exemplificando a apli- cação do critério por meio de fluxos de processos, critérios de ra- teio dos custos indiretos, análise dos dados e exercício resolvido. INDICAÇÃO DE LIVRO UNIASSELVI 8 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 mentos de produção, ou seja, aplica-se a departamentalização para, poste- riormente, distribuir as atividades por meio de direcionadores, denominados de “cost drivers”. De acordo com Crepaldi e Crepaldi (2023), os cost drivers são transações que indi- cam a quantidade de trabalho necessária para produzir um determinado produto ou serviço, influenciando a quantidade de recursos necessários para essa ativi- dade. Existem duas categorias de cost drivers: os direcionadores de custos de recursos, que revelam como as atividades consomem recursos e determinam o custo de cada atividade; e os direcionadores de custos de atividades, que indicam como os produtos consomem atividades e determinam o custo de cada produto. O cost driver deve ser o elemento que determina ou influencia a forma como os produtos utilizam as atividades, sendo a base para atribuir os custos das atividades aos produtos. APROFUNDANDO Segundo Crepaldi e Crepaldi (2023), cost drivers (direcionadores de custos) podem ser: homem-hora; hora-máquina; quantidade de energia; área ocupada; número de empregados. VOCÊ SABE RESPONDER? Você sabe responder se os direcionadores de custos — como homem-hora; hora-máquina; quantidade de energia; área ocupada; número de empregados — também são critérios utilizados para o rateio dos custos indiretos? Por um outro viés, Bruni e Famá (2019), exemplificam os direcionadores de cus- tos (cost drivers) por atividades da seguinte forma: ■ atividade manuseio de materiais: pesos transportados ou viagens realizadas; ■ atividade compras: número de ordens de compras; ■ atividade ajustes de equipamentos: número ou horas de ajustes; 8 1 ■ atividade programação da produção: número de máquinas empregadas ou número de pedidos colocados; ■ atividade refugos: número de unidades geradoras de refugos. No processo industrial, refugos referem-se aos materiais que não podem ser aproveitados ou reaproveitados no processo produtivo por não conformidade, como materiais que se encontram fora das especificações ou características, obsoletos, dentre outros. As indústrias podem adotar diferentes controles de refugos para sucateamento desses materiais inservíveis da linha de produção, gerando uma fonte de receita extra, além dos aspectos de controles ambientais, como o reaproveitamento de materiais. APROFUNDANDO O intuito do custeio ABC é direcionar os custos para as atividades envolvi- das no processo produtivo de bens ou serviços e, posteriormente, distribuir o custo das atividades aos bens ou serviços produzidos. Como o próprio nome sugere, o custo do bem ou serviço teve como base o custo de cada atividade envolvida no processo. Isso requer das empresas controles que possam responder às necessidades de aplicação do método, além do conhecimento detalhado de todo o processo produtivo e geral da empresa. O método requer competência e maestria na gestão das atividades, sendo as atividades geradoras dos produtos que atribuem os custos da produção. Sem as atividades, não há custos, podendo causar dependências em excessos de controles e “fugindo” da própria aplicação do método, o que é uma das críticas apontadas para o custeio ABC. No entanto, de acordo com Crepaldi e Crepaldi (2023), o método de custeio ABC proporciona uma compreensão mais clara dos custos ao analisar as ativi- dades realizadas dentro da empresa e sua relação com os objetos de custo corres- pondentes. Isso torna os custos mais visíveis e sujeitos a programas destinados a reduzi-los e aprimorar os processos, o que, por sua vez, auxilia as organizações a aumentar sua lucratividade e eficiência. UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Eu indico a leitura do artigo científico “O método ABC como instrumento da análise estratégica”. O trabalho apresenta o histórico do custeio ABC, aspectos positivos e negativos do critério, bem como a aplicação como ferramenta de análise estraté- gica. Leia em: https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170724174244.pdf. EU INDICO Fases do custeio ABC O custeio ABC, de acordo com Bruni e Famá (2019), apresenta as seguintes fases para aplicação: ■ identificação das atividades e seus respectivos custos; ■ alocação do custo departamental ao custo da atividade; ■ identificação dos direcionadores de custos (cost drivers); e ■ divisão do custo da atividade pelo direcionador de custos. Segundo os autores, as atividades são mensuradas pelos direcionadores de custos, os quais são identificados por meio da investigação das atividades e seus efeitos sobre os custos dos produtos ou serviços. Percebe-se que a 8 8 Nota-se, pela proposta de Oyadomari et al. (2023), que a decisão estratégica se concentra entre o cálculo do custo unitário da atividade e a alocação aos objetos de custo, tendo em vista que exige análise estratégica. Nesse aspecto, conhecer o fluxo de cada atividade envolvida no processo produtivo é imprescindível para a aplicação do método ABC. Mapear as principais atividades Alocar os recursos consumidos pelas atividades Escolher um cost driver Quantificar o volume desse cost driver Calcular o custo unitário da atividade Quantificar o consumo das atividades pelos produtos, clientes, segmentos Alocação aos objetos de custos Metodologia ABC - Custo das Atividades Decisões estratégicas Figura 3 – Metodologia ABC – custo das atividades / Fonte: adaptada de Oyadomari et al. (2023). Descrição da Imagem: a imagem representa um diagrama de fluxo em português, descrevendo as etapas do processo de alocação de custos. Mapear as principais atividades, seguida por alocar os recursos consumidos pelas atividades, escolher um cost driver, seguido por quantificar o volume desse cost driver, calcular o custo unitário da atividade, seguindo por quantificar o consumo das atividades pelos produtos, clientes, segmentos e alocação aos objetos de custos. Decisões estratégicas se ligam às etapas de calcular o custo unitário da atividade e alocação aos objetos de custos. departamentalização antecede a identificação de cost drivers para, posterior- mente, dividir o custo por atividade(s). Esses procedimentos são também cri- ticados em razão da complexidade, podendodesfocar a composição do custo unitário com excesso de dados e processos. Todavia, se a empresa se preparar e se capacitar adequadamente, o custeio ABC favorece a gestão de dados de custos e tomada de decisão. Por esse sentido, Oyadomari et al. (2023) apresentam uma metodologia dire- cionada para o custeio ABC (Figura 3), que consiste em um fluxo que se inicia com o mapeamento das principais atividades, seguido da alocação dos recursos consumidos pelas atividades; a escolha de um cost drivers; a quantificação do vo- lume desse cost drivers; o cálculo do custo unitário da atividade; a quantificação do consumo das atividades pelos produtos e, por fim, a alocação aos objetos de custo, conforme demonstrado pelos autores na Figura 3 a seguir. UNIASSELVI 8 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 NOVOS DESAFIOS Vamos juntos estabelecer a relação dos conteúdos relacionados aos métodos de custeio por absorção, variável e ABC dentro do contexto de negócios empresariais. Dentre os métodos estudados em questão, apenas o custeio por absorção é aceito pela legislação brasileira. Portanto, até as empresas que não têm um setor específico para a Contabilidade de Custos, de uma forma ou de outra, estão atuan- do em respeito aos princípios contábeis e, logo, utilizam o custeio por absorção. A prática contábil indiretamente proporciona controle de dados de custos, fato que pode promover o uso do método de custeio variável ou custeio ABC para fins gerenciais, contribuindo com os processos de tomada de decisão. Estudante, para expandir seus conhecimentos a respeito do assunto abordado, gostaríamos de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acre- ditamos que esta aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu enten- dimento sobre o tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel . Indico livro Gestão de custos e formação de preços: com apli- cações na calculadora HP 12C e Excel. O trabalho desenvolvido pelos autores Bruni e Famá aborda as diferentes classificações dos sistemas de custeio pelas características da mecânica de acumulação, grau de absorção e momento de apuração. Tam- bém apresenta um comparativo entre o custeio por absorção e custeio variável, enfatizando os custos diretos e variáveis e, ainda, um capítulo dedicado ao custeio ABC. INDICAÇÃO DE LIVRO 9 1 1. Diferenciar custos e despesas não é uma tarefa tão simples. Cada tipo de atividade eco- nômica requer uma análise de acordo com o fluxo operacional na distinção entre custos e despesas, quais são diretos ou indiretos, quais são fixos ou variáveis. Com relação à classificação entre custos e despesas, assinale a alternativa que contém somente exemplos de despesas para uma indústria. a) Comissão; publicidade; mão de obra direta; depreciação dos equipamentos fabris. b) Divulgação e mídias sociais; honorários da diretoria; manutenção e conservação da edi- ficação. c) Salários e encargos dos vendedores; comissão; consumo de matéria-prima; consumo de embalagens. d) Divulgação e mídias sociais; salários e encargos de operadores de máquinas; comissões. e) Comissão, consumo de embalagens; depreciação dos equipamentos fabris; horas extras de vendedores. 2. Custos diretos são os custos incorridos em determinado produto, identificando-se como parte do respectivo custo. São também os custos diretamente associados com o produto ou serviço que está sendo orçado, ou seja, o custo dos insumos que entram na execução do referido produto ou serviço (CREPALDI; CREPALDI, 2023). Com relação ao comportamento dos Custos Indiretos de Fabricação (CIF), que se diferenciam dos custos diretos, analise as afirmativas a seguir. I - Requerem um critério de rateio para a distribuição do custo aos bens ou serviços. II - Aluguel, seguros, energia elétrica e mão de obra indireta são exemplos de CIF. III - Podem ser critérios de rateio: horas-máquina, metragem de área utilizada, número de funcionários. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. AUTOATIVIDADE 9 1 3. Os dois principais métodos de custeio utilizados para a apropriação dos custos são: custeio por absorção e custeio variável. Visam identificar a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio para fins decisórios e gerenciais (CREPALDI; CREPALDI, 2023). Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - A diferença básica entre os métodos de custeio por absorção e variável está no trata- mento dos custos fixos PORQUE II - No custeio variável, somente os custos variáveis são computados, e os custos fixos são reconhecidos juntamente com as despesas, como resultado. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 9 1 REFERÊNCIAS BRASIL. Sistema Público de Escrituração Digital. Receita Federal do Brasil, [2024]. Disponível em: http://sped.rfb.gov.br/. Acesso em: 27 nov. 2023. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. CREPALDI, S. A.; CREPALDI, G. S. Contabilidade de custos. 7. ed. Barueri: Atlas, 2023. MARTINS, E. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2018. OYADOMARI, J. C. T. et al. Contabilidade gerencial: ferramentas para melhoria de desempenho empresarial. 2. ed. Barueri: Atlas, 2023. PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade Básica: contabilidade introdutória e intermediária. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2017 RIBEIRO, O. M. Contabilidade Intermediária. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. SILVA, J. M. Contabilidade de Custos. Maringá: UniCesumar, 2017. TOMÉ, G.; COELHO, H.; COLARES, J. O Método ABC como Instrumento da Análise Estratégica. Revista de Administração e Contabilidade (REAC), n. 1, v. 2, p. 21-29, jan./dez. 2013. Disponível em: https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170724174244.pdf. Acesso em: 17 abr. 2024. VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Contabilidade de custos. 11. ed. rev. atual. São Paulo: Saraiva, 2013. 9 1 1. Alternativa B. São custos de uma indústria: mão de obra direta; depreciação dos equipamentos de fabri- cação; consumo de matéria-prima e embalagens; salários e encargos de operadores de máquinas. 2. Alternativa E. Custos indiretos — como aluguel, seguros, energia elétrica, mão de obra indireta — são custos subjetivos e requerem um critério de rateio, a exemplo: hora- máquina, metragem de área utilizada e número de funcionários. 3. Alternativa A. No custeio por absorção os custos fixos são somados com os custos variáveis para a com- posição do custo unitário do produto ou serviço. Entretanto, no custeio variável, os custos fixos são considerados de forma global contra resultado, juntamente com as despesas. GABARITO 9 4 MINHAS ANOTAÇÕES 9 5 MINHAS METAS SISTEMAS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS: POR ORDEM DE PRODUÇÃO E POR PROCESSO Compreender os processos de produção de bens e serviços. Caracterizar os sistemas de apropriação de custos. Especificar os sistemas de apropriação de custos por ordem de produção. Especificar os sistemas de apropriação de custos por processo. Identificar as características e diferenças entre os sistemas de apropriação de custos. Apresentar as situações e a aplicação dos sistemas de apropriação de custos. Estabelecer a relação entre os sistemas de apropriação de custos e a gestão de negócios. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5 9 1 INICIE SUA JORNADA Os processos internos são uma das preocupações dasempresas. O índice de turnover (rotatividade) requer acompanhamento constante principalmente nas indústrias, ten- do em vista que os processos internos seguem um fluxo programado. Os custos com a folha de pagamento e seus respectivos encargos também preocupam os gestores, em razão de a mão de obra representar consideravelmente os custos operacionais. A gestão dos dados de custos relacionados aos processos internos requer a atenção dos gestores e tomadores de decisão e, nesse aspecto, a Contabilidade de Custos possui papel primordial, contribuindo no apontamento, apropriação de custos e nas demais funções de custos que lhe são atribuídas. O intuito do nosso tema central de estudos, sistemas de apropriação de custos por ordem de produção e por processos, é levá-lo a compreender as principais características e formas de apropriação de custos. É importante que você saiba que os dois principais sistemas de apropriação de custos são aceitos pela legislação fiscal brasileira, desde que os custos sejam computados pelo método de custeio por absorção, também aceito pela legislação do nosso país. Desse modo, vamos juntos explorar os conhecimentos necessários para a aplicação no ambiente profissional? Nesse momento, você está convidado a acessar o nosso podcast acerca do tema “Sistemas de informação e gestão de estoques”, que traz um viés a respeito do controle de custos e de como as empresas estão utilizando as ferramentas de tecnologias para a gestão de custos e melhores resultados. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? O professor Daniel Santana publicou um vídeo interativo que trata do custeio por absorção. O professor resume, de maneira objetiva e com exemplos práticos, como o método de custeio é composto. Veja em: https://www.youtube.com/ watch?v=GI5F9k8KB8g UNIASSELVI 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 DESENVOLVA SEU POTENCIAL SISTEMAS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS: POR ORDEM DE PRODUÇÃO E POR PROCESSO Para iniciarmos o estudo do nosso tema central, apropriação de custos por or- dem de produção e por processo, inicialmente estabeleceremos a relação entre a produção de bens ou serviços e apropriação de custos. De maneira generali- zada e para fins de melhor explicação, considere a produção de bens relativa às atividades industriais que transformam matéria-prima e demais materiais em produtos acabados para o mercado consumidor, seja outras empresas ou pessoas físicas, comercializando seus produtos diretamente ou repassando para outros comércios venderem seus produtos. Já a produção de serviços refere-se à atividade prestativa, que transforma conhecimento em prestação de serviços, como o conhecimento contábil e fiscal, o qual pode ser transformado em prestação de serviços contábeis. O fato é que ocorrem etapas de produção (transformação), independentemente se indústria, comércio ou serviço. Em todas as etapas, há custos já inclusos e custos a incluir, necessitando de uma forma de apropriar esses custos em cada etapa, até chegar ao custo do bem ou do serviço em si. Em se tratando de indústrias, os chamados sistemas de apropriação de custos são utilizados em maior escala, tendo em vista que as etapas do processo de trans- formação industrial apresentam características específicas, de acordo com a pro- dução que realizam. A Figura 1 resume as principais etapas do processo produtivo. Nos processos industriais, o ciclo da operação inicia-se com a compra de matéria-prima e demais materiais que serão aplicados no processo produtivo e, à medida que os pedidos de venda são colocados para produção, ocorre a comu- nicação com o setor de estoque ou almoxarifado para a baixa desse estoque de materiais e entrada no estoque de produtos em elaboração. Após essa etapa, o processo de transformação dos materiais para produtos acabados (etapa de elaboração) acumula os demais gastos, como a mão de obra utilizada, alterando o custo de materiais para custo de produtos em elaboração. 9 8 Posteriormente, os materiais transformados (em elaboração) em produtos aca- bados migram para o estoque de produtos acabados, permanecendo nesse esta- do até o momento da baixa pela realização da venda. Basicamente, os estoques mudam de “patamar” e de “prateleiras”, como mudanças em centros de custos. Compra de materiais que armazenados nos Estoques de Materiais. Setor produtivo solicita as quantidades de materiais necessárias para o uso no processo produtivo (transformação). Etapa de transformação de materiais (Estoque de Produtos em Elaboração) englobando no processo, a Mão de Obra Direta. Produtos acabados são armazenados em Estoques de Produtos Acabados. Venda dos produtos acabados. Figura 1 – Etapas de transformação nas indústrias em geral / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem apresenta um fluxograma em português que descreve o processo de produção, desde a compra de materiais até a venda dos produtos acabados. Aqui está uma descrição detalhada: compra de materiais que armazenados nos estoques de materiais (caixa rosa). Setor produtivo solicita as quantidades de materiais necessárias para o uso no processo produtivo (transformação) (caixa verde). Etapa de transformação de materiais (estoque de produtos em elaboração) englobando no processo, a mão de obra direta (caixa amarela). Produtos acabados são armazenados em estoques de produtos acabados (caixa azul-claro). Venda dos produtos acabados (caixa azul-escuro). Bruni e Famá (2019) explicam que processos produtivos com grandes variações de produtos ou serviços comercializados podem ser classificados em produção para estoques, pois os produtos são elaborados, estocados e depois colocados em comercialização, por exemplo, uma fábrica de roupas que elabora diferentes peças (calças, camisas e bermudas) de diferentes tamanhos (roupas para crianças e adultos), empregando a mesma linha de produção. Nesse caso, para poder ge- renciar melhor os custos e insumos utilizados, além dos preços praticados, cada lote de peças produzidas deve ter um controle individualizado. Portanto, a Contabilidade de Custos é essencial para o bom fluxo de processos nas empresas e, em específico, para as indústrias que necessitam de um sistema que contribua, segundo Crepaldi e Crepaldi (2023), na identificação, coleta, proces- UNIASSELVI 9 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 samento, armazenamento e a produção das informações para a gestão de custos. Entretanto, o fato de a Contabilidade apurar os custos não significa que sua tarefa está concluída, pois o objetivo da Contabilidade de Custos é valorar os estoques e também determinar o custo do produto vendido (CREPALDI; CREPALDI, 2023). De acordo com a Norma Brasileira de Contabilidade (NBC TG 16 – R2), estoques são ativos (os ativos servem para geração da riqueza futura da empresa) mantidos para venda no curso normal dos negócios; em processo de produção para venda; ou na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços. Os estoques compreendem bens adquiridos e destinados à venda, incluindo, por exemplo, mercadorias compradas por varejista para revenda ou terrenos e outros imó- veis para revenda. Também compreendem produtos acabados e produtos em pro- cesso de produção e incluem matérias-primas e materiais aguardando utilização no processo de produção, tais como: componentes, embalagens e material de consumo. APROFUNDANDO O processo produtivo de uma indústria define o sistema de apropriação de custos, isto é, se o processo produtivo é escalonado (grandes volumes) ou se o processo é mais específico e de pequenos volumes. Nesse sentido, Crepaldi e Crepaldi (2023) apresentam dois tipos básicos de acumulação de custos: ■ Produção por ordem ou encomenda: produtos diferentes, pequenas quantidades e produção descontinuada. ■ Produção contínua ou em série: produtos iguais, maiores volumes e pro- dução de maneiracontínua. Portanto, de acordo com cada segmento de atuação e a forma como a produção é realizada (descontínua ou contínua), os sistemas de apropriação de custos são definidos e classificados em: ■ por ordem de produção (encomenda ou descontinuada); e ■ por processo (contínua). 1 1 1 Tanto o sistema de apropriação de custos por ordem de produção ou por processo são aceitos pela legislação brasileira, desde que aplicados com base no custeio por absorção (CREPALDI; CREPALDI, 2023). Cabe reforçar que o custeio por absorção é o método que considera todos os custos diretos e indiretos para a formação do custo do produto, independentemente se fixos ou variáveis. O verbo apropriar tem o sentido de tomar posse ou tornar adequado. Na Contabi- lidade de Custos, o sentido apresenta relação com adequar os gastos aos bens ou serviços produzidos, havendo similaridade com o termo acumular custos aos bens ou serviços produzidos. PENSANDO JUNTOS UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Apropriação de custos por ordem de produção O sistema de apropriação de custos por ordem de produção ou por encomenda consiste em acumular os custos por meio de documentos denominados de Or- dens de Produção (OP) ou Ordens de Fabricação (OF), tendo em vista que a produção pode ser a partir de pedidos específicos, por exemplo, a construção de uma casa individualizada, em terreno distinto e fora de padrões condominiais. Nesse aspecto, Crepaldi e Crepaldi (2023) detalham que, durante a execução da encomenda, os custos são registrados da seguinte forma: ■ os materiais são registrados pelo custo real, com base nos valores cons- tantes nas OPs; ■ a mão de obra direta é apropriada com base no tempo gasto na execução de cada OP (incluídos os encargos sociais); e ■ o custo indireto deverá ser rateado às OPs com base em algum critério definido. Cada empresa determina a nomenclatura que será utilizada para os documentos de apropriação de custos. Nas indústrias, é comum a utilização de Ordem de Produção (OP) ou Ordem de Fabricação (OF), e para as empresas prestadoras de serviços, a Ordem de Serviços (OS). Podemos citar como exemplo os serviços hospitalares na realização de procedimentos cirúrgicos, que podem apropriar os custos com materiais, medicamentos, horas da equipe médica e enfermagem, hotelaria em casos de internamento etc. por meio de OS. Entretanto, se houver similaridade no procedimento hospitalar ou, ainda, se o hospital for especialista e atende exclusivamente algum tipo de serviço, por exemplo, um hospital cardiológico infantil, o processo hospitalar em si pode definir a utilização do sistema de apropriação de custos por processos. Entretanto, é aconselhável o uso de documentos para o controle de custos devido às particularidades do serviço. Apropriar custos por ordem de produção ou por encomenda é aplicável para empresas que atuam com produtos diferentes e em pequenas quantidades, muitas vezes em razão de pedidos específicos dos clientes. Nesse caso, ocorre a produção descontinuada de produtos que não seguem um padrão de fabricação, havendo 1 1 1 pouca similaridade entre os bens ou serviços produzidos. Trata-se de produção basicamente sob medida para atender às necessidades dos clientes. Crepaldi e Crepaldi (2023) esclarecem que os custos diretos de mão de obra e materiais gastos em determinada ordem de produção são alocados com base em registros mantidos para esse propósito, enquanto os custos indiretos — como alu- guel, seguro, eletricidade etc. — são usualmente aplicados às ordens de produção por meio de taxas predeterminadas, tendo como base as horas de mão de obra direta. São exemplos de bens que utilizam o sistema de apropriação de custos por ordem: móveis sob encomenda, carros sob encomenda etc. ZOOM NO CONHECIMENTO Os autores destacam vantagens e desvantagens do sistema de apropriação de custos por ordem de produção ou encomenda, conforme o Quadro 1. VANTAGENS DESVANTAGENS Identificação dos produtos com maior ou menor lucratividade. Custos registrados em OPs anteriores para produtos do mesmo tipo ou simila- res podem servir de base para estimati- vas futuras. Controle simples e imediatos, sem a necessidade de inventários físicos. O custo serve de base para o estabele- cimento do preço de venda de produtos feitos sob encomenda. Elevado percentual de despesas buro- cráticas em razão do volume de registros e da quantidade de mão de obra neces- sária à produção sob encomenda. Os custos diretos acumulados nas OPs são históricos e a gestão somente conhecerá o total dos custos ao final do processo produtivo. O custo indireto aplicado não é considerado histórico, pois leva em consideração o estimado e a produção real. Quadro 1 – Vantagens e desvantagens do sistema de apropriação de custos por ordem de produção ou encomenda / Fonte: adaptado de Crepaldi e Crepaldi (2023). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Apropriação de custos por processos O sistema de apropriação de custos por processos consiste em acumular os custos por meio de centros de acumulação de custos para processos produtivos estáveis ou com poucas variações em seus processos de produção. Nesse sistema, os custos são inicialmente classificados por tipo de gasto (natureza contábil) e, depois, compilados por processos específicos. Posteriormente, todos os custos são dis- tribuídos às unidades produzidas, por meio dos processos específicos utilizados (BRUNI; FAMÁ, 2019). Bruni e Famá (2019) explicam que o sistema de custos por processo deve procurar refletir todo o processo físico da produção, criando centros de custos (departamentos, centros de acumulação de dados físicos e de custos). Os números são posteriormente transferidos de um centro para o seguinte, do mesmo modo como a produção transfere o produto fisicamente para outra fase. O estoque de produtos em processo é igual à soma dos vários processos produtivos. 1 1 4 O sistema de apropriação de custos por processos é indicado para empresas, geralmente indústrias que atuam com a produção de bens em maiores quantida- des e que seguem padrões de fabricação, ou seja, produtos homogêneos ou com características iguais ou semelhantes. A indústria produz para o estoque porque as vendas ocorrem ao longo do tempo. Vamos citar como exemplo uma indústria que atua no ramo moveleiro, com a fabricação de itens de acabamentos para móveis, como puxadores para armá- rios e gavetas. As características são semelhantes, diferenciadas pelos tamanhos dos puxadores, porém o processo segue um padrão de produção. Nesse caso, a indústria produz de acordo com as demandas de vendas, mantendo os produtos acabados em estoques e realizando a baixa à medida que as vendas são realizadas. No exemplo, a produção para o estoque de acordo com a demanda de vendas não se assemelha à produção por encomenda, tendo em vista que as demandas determinam as quantidades de produção. Em geral, a gestão da produção toma como base as quantidades vendidas para a organização do processo, diferente- mente dos produtos industrializados ou fabricados sob medida específica. Principais características e diferenças entre sistemas de apropriação de custos A comparação básica entre os sistemas de apropriação de custos por ordem e por processos está em dois principais aspectos: ■ quantidades produzidas de bens ou serviços e; ■ produtos homogêneos ou heterogêneos. É uma necessidade constante para as empresas transferir valores de custos aos produtos ou serviços para compor o custo unitário e realizar a gestão para a for- mação de preços. Os preços de aquisição (custo de aquisição de matéria-prima e outros materiais) sofrem alterações por questões ou influências econômicas, além de oscilações de quantidades adquiridas. Trata-se da valoração dos estoques. Ainda nesse sentido, as compras desses estoques estão vinculadas à programa- ção da produção, que, por sua vez, está vinculada ao número de pedidos dos pro- dutos vendidos quando a produçãoé homogênea e visa alimentar o estoque. Nesse aspecto, apresenta relação com o sistema de apropriação de custos por processos, pois, no sistema de apropriação por ordem de produção ou encomenda, os estoques UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 são específicos para atender sob medida a produção ou encomenda. Sintetizando, o Quadro 2 apresenta as características dos dois sistemas de apropriação de custos. POR ORDEM DE PRODUÇÃO OU ENCOMENDA POR PROCESSOS Quantidades definidas pelo cliente (de acordo com a encomenda). Quantidades são planejadas pelo fabri- cante. Produtos heterogêneos e de pouca similaridade. Produtos homogêneos e similares. Especificações diferentes entre os pro- dutos (sob medida). Especificações iguais ou semelhantes entre os produtos (produção em série). Produção baseada na quantidade de bens ou serviços contratados. Produção baseada na capacidade pro- dutiva e de vendas. Estoques temporários e específicos. Estoques permanentes e geral para atender aos bens ou serviços que serão produzidos. Mercado direcionado (específico). Mercado amplo (generalizado). Vendas de acordo com a procura ou necessidade do cliente. Vendas de acordo com a procura e ofer- ta do fabricante (oferta e demanda). Quadro 2 – Resumo comparativo das principais características dos sistemas de apropriação de custos Fonte: adaptado de Bruni e Famá (2019). Fonseca, Ravena e Galloro (1992 apud BRUNI; FAMÁ, 2019) apresentam as diferenças entre os sistemas de apropriação de custos, conforme Quadro 3. 1 1 1 CARACTERÍSTICA ANALISADA PRODUÇÃO POR ORDEM ESPECÍFICA PRODUÇÃO POR PROCESSO Acumulação dos custos Por ordem de produção Por departamento e, em seguida, aos produtos Apuração dos custos unitários Custo específico por ordem de produção ou lote de produtos Custo médio por unidade produzida no período Requisição de materiais Indica-se o número de ordem de produção Indica-se o departa- mento e/ou código do produto Período de apuração dos custos finais Início e término da produção ou abertura e fechamento da ordem de produção Início e término do perío- do contábil Custo unitário Subsídio para preços em ativi- dades futuras Compara custo médio em diferentes períodos para conhecer as causas das variações Forma de custeamento Predeterminada ou real Padrão ou real Gráfico de produção Racionalização no tempo Menor Maior Quadro 3 – Diferenças entre o custeio por ordem e por processo Fonte: adaptado de Bruni e Famá (2019). De acordo com o Quadro 3, as principais diferenças entre os sistemas de apro- priação de custos têm por base a: UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 ACUMULAÇÃO DE CUSTOS • Por ordem de produção ou encomenda, mediante documentos ou papéis deno- minados ordem de produção ou ordem de fabricação. • Por processos, por meio de departamentos ou centros de custos. APURAÇÃO DE CUSTOS UNITÁRIOS • Custo específico por ordem de produção ou lote de produtos. • Por processos, em que o custo médio é apurado por unidade produzida no período. De fato, a atividade econômica desenvolvida pelas empresas e a forma como atua em seus processos internos define o sistema de apropriação de custos mais ade- quado: por ordem de produção ou por processos. Portanto, a tomada de decisão apresenta maior direcionamento a processos internos e gestão de custos, já que o sistema de apropriação é predefinido conforme processo produtivo. Estudante, para expandir seus conhecimentos acerca do assunto abordado, gos- taríamos de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acredita- mos que esta aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu entendimento a respeito do tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do am- biente virtual de aprendizagem . EM FOCO 1 1 8 NOVOS DESAFIOS Estudante, chegamos ao final do nosso tema central de estudos: sistemas de apro- priação de custos por ordem de produção e por processos. Os dois principais sistemas de apropriação são aceitos pela legislação fiscal brasileira, desde que a acumulação dos custos seja dada pelo método de custeio por absorção, que, conforme o próprio nome, custeia o valor unitário do bem ou serviço, absorvendo todos os custos diretos e indiretos que são necessários para produção, independentemente se fixos ou variáveis. Os sistemas de apropriação não são escolhidos, mas definidos de acordo com a produção (contínua ou descontínua) e o tipo (homogêneo ou heterogêneo) de bem ou serviço ofertado pela empresa, sendo a tomada de decisão direcionada aos demais aspectos e rotinas das empresas. Perceba que a integração dos conceitos e definições às práticas necessárias para o desempenho dos negócios é fator determinante no ambiente profissional. O exercício profissional, voltado para a gestão, requer capacitação e significação dos aprendizados. Assim, o estudo precisa fazer sentido na prática profissional para quebrarmos o paradigma de atuação por meio do chamado “piloto automático”. O cenário apresentado pelo desenvolvimento das tecnologias favorece e oti- miza os processos, entretanto não isenta da necessidade de aprendizado con- tinuado para nossa atuação no mercado de trabalho. Fico por aqui e almejo que seus estudos estabeleçam sempre novas conexões para a ampliação do seu conhecimento e que tenha em mente a boa curiosidade e criticidade! Boa sorte! UNIASSELVI 1 1 9 1. Os principais elementos que influenciam no resultado de qualquer empresa são represen- tados por meio das receitas auferidas, dos custos, diretos ou indiretos, e despesas incorridas (BRUNI; FAMÁ, 2019). De acordo com a classificação de custos em diretos, indiretos, fixos e variáveis, assinale a alternativa correta que define custos indiretos. a) Custos relacionados com a fabricação que podem ser economicamente identificados com as unidades que estão sendo produzidas. b) Custos que, em determinado período de tempo e em certa capacidade instalada, não variam qualquer que seja o volume de atividade da empresa. c) Custos que se alteram diretamente em função das atividades da empresa. Quanto maior a produção, maiores serão os custos variáveis. d) Custos relacionados com a fabricação que não podem ser economicamente identificados com as unidades que estão sendo produzidas. e) Custos que alteram diretamente em função das atividades da empresa. Quanto maior a produção, maiores serão os custos fixos. 2. O sistema de apropriação de custos é definido por cada empresa, de acordo com o pro- cesso produtivo adotado: em maior ou menor escala de produção, produtos específicos ou similares. Ou seja, a forma como a produção é realizada define e classifica os sistemas de apropriação de custos por ordem de produção e por processos. Com relação à definição do sistema de apropriação de custos por processos, analise as afirmativas a seguir: I - Os custos são inicialmente classificados pela natureza do gasto e, depois, compilados por processos específicos. II - Consiste em acumular os custos por meio de centros de acumulação de custos para processos produtivos estáveis ou com poucas variações em seus processos produtivos. III - Indicado para empresas que atuam com a produção de bens com padrões de fabricação. IV - Os estoques são temporários e específicos. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 1 1 3. No sistema de apropriação de custos por ordem de produção, a gestão consegue identificar os custos que apresentam maior ou menor lucratividade, de maneira simples e imediata, por meio das ordens de produção ou ordens de fabricação (CREPALDI; CREPALDI, 2023). Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I - O sistema de apropriação de custos por ordem de produção é indicado para empresas que atuam em mercado direcionado, PORQUE II - Permite que as vendas ocorram de acordo com a procura e a ofertade planejamentos, processos, administração e gestão do ciclo operacional. Estudante, com relação à introdução à Contabilidade de Custos, você está convi- dado a acessar o nosso podcast sob o tema: “É válido para as empresas primeira- mente pensar no quanto gastam para depois pensar no quanto desejam ganhar?”. Aperte o “play” e estabeleça novas conexões em seu aprendizado. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO 1 1 De acordo com Perez Júnior (1995), a missão da controladoria é aperfeiçoar os resultados econômicos da empresa por meio da definição de um sistema de in- formações baseado no modelo de gestão. Sendo assim, o papel da controladoria é assessorar os gestores da empresa, mensurando as alternativas econômicas, além de integrar informações e reportá-las para facilitar a tomada de decisões. Ainda segundo Oliveira, Perez Júnior e Silva (2002, p. 13): “ pode-se entender que o objetivo principal da controladoria é o es- tudo e a prática de funções de planejamento, controle, registro e di- vulgação dos fenômenos da administração econômica e financeira as empresas em geral. Vale ressaltar que é de extrema importân- cia para as empresas realizar a boa gestão do ciclo de suas operações, abrangendo desde a composição dos gastos necessá- rios (custo financeiro) para obter suas receitas de vendas até o momento do re- torno financeiro dessas vendas. O ciclo operacional permite que ges- tores de empresas, com a Contabilidade de Custos, realizem cálculos da capacida- de produtiva, ponto de equilíbrio, composição do capital de giro, percentual de avanços ou retrocessos necessários, projeções de cenários na elaboração de suas diretrizes e metas e o acompanhamento de mercado e preços praticados. Gestão de Custos . Indico o livro Gestão de Custos, dos autores Dalvio José Ber- tó e Rolando Beulke, da editora Saraiva, para você aprofundar seus estudos acerca de aplicações e cálculos de custos, pela perspectiva da gestão de negócios. O Capítulo 1, em específi- co, trata das aplicações de custos vinculadas a planejamentos, gestão e controle de materiais, processos e ciclo operacional. INDICAÇÃO DE LIVRO UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Termos usuais à Contabilidade de Custos As empresas consomem recursos para o desempenho de suas operações, na ob- tenção de receitas de vendas, em investimentos ou em razão de fatos imprevistos ou ocasionados pela sua própria operação, convencionadas por termos típicos da Contabilidade de Custos, detalhados a seguir. ■ Custos: são gastos relacionados à transformação de ativos, como custo com materiais aplicados no processo de produção, custo com a mão de obra e seus respectivos encargos trabalhistas para a transformação de materiais em produtos acabados e prontos para o mercado consumidor. ■ Despesas: são gastos relacionados às operações das atividades econômi- cas e necessários para a obtenção das receitas de vendas, por exemplo, as despesas com a manutenção de sistemas de informação, limpeza e con- servação da sede administrativa, despesas com publicidade e propaganda, taxas de entrega etc. ■ Investimentos: são gastos relacionados ao desempenho das atividades econômicas e que proporcionam benefícios futuros, como a compra de materiais e insumos a preços promocionais para a futura aplicação no processo produtivo e armazenados nos estoques, aquisição de maqui- nários modernos que proporcionem aumento na capacidade produtiva, aquisição de veículos para a frota de entregas etc. ■ Perdas: são gastos relacionados a situações involuntárias ou inesperadas, geralmente ocasionadas por fatores externos, de força maior ou até em razão da própria atividade produtiva, por exemplo, calamidades climáti- cas, incêndios, furtos, greve de funcionários, entre outros. ■ Desperdícios: relacionados à operação das empresas, por exemplo, as in- dústrias, durante o processo produtivo, consomem materiais não aprovei- táveis, necessitando descartar materiais. Já para outros segmentos, como comércio e serviços, os desperdícios podem ser em relação ao tempo de trabalho, nos casos em que ocorre ociosidade durante o período em que os colaboradores estão disponíveis na empresa. ■ Desembolso ou dispêndios financeiros: para os gastos de maneira ge- ral, em algum momento poderá ocorrer a saída de caixa para o pagamento dos gastos, provocando variações no fluxo de caixa. 1 1 Diferenças entre custos e despesas Custos: são gastos ocorridos de maneira direta ou indireta no processo de trans- formação de ativos e de modo fixo ou variável se relacionados à quantidade trans- formada. São gastos que passam de uma fase para outra de acordo com o setor de atuação: indústria, comércio ou serviços. O processo das indústrias de transformar materiais em produtos acabados, juntamente com a aplicação de mão de obra e outros gastos consumidos durante o processo de transformação dos produtos, é denominado de Custos dos Pro- dutos Vendidos (CPV). Por exemplo, uma indústria do ramo de confecções que utiliza tecidos, aviamentos e outros materiais, além da mão de obra empregada para a produção de suas confecções. Já para as empresas comerciais que revendem produtos acabados, a deno- minação Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) faz referência ao processo de saídas do estoque para a venda propriamente dita, ou seja, a baixa do estoque e o reconhecimento do custo da mercadoria por consequência da realização da receita de vendas. Por exemplo, no caso das lojas que revendem as confecções produzidas pelas indústrias, o custo nas empresas comerciais envolve: Estoque dos produtos + Frete das compras + Embalagens ( - ) Impostos recuperáveis, se houver. As empresas prestadoras de serviços, além da mão de obra empregada no serviço prestado, podem também aplicar materiais para a concretização dos serviços, denominado de Custos dos Serviços Prestados (CSP). Por exemplo, a realização de procedimentos hospitalares como as cirurgias, que utilizam materiais e medi- camentos, além da mão de obra utilizada pelos profissionais da saúde. Estudante, preparamos um vídeo para você aprofundar os termos típicos da Con- tabilidade de Custos. Acesse o material e aumente a sua bagagem de conheci- mento. Será muito útil para a sua vida profissional!. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Despesas: não apresentam relação direta com o processo de transformação de ativos, porém são gastos consumidos em bens ou serviços para a realização das vendas e administração dos negócios, como as despesas comerciais com marke- ting e propaganda, despesas administrativas com materiais de escritório, despesas com pessoal do setor financeiro e contabilidade, dentre outros. Viceconti e Neves (2013) destacam que não é uma tarefa simples distinguir despesas e custos e apresentam uma maneira prática para a compreensão: todos os gastos destinados aos produtos até que se transforme em produto acabado são custos e, a partir de então, são despesas. O agronegócio transforma insumos (matéria-prima) em produtos acabados, fazen- do uso de outros materiais e mão de obra, por exemplo: o processo de plantações de sementes de milho (matéria-prima), que se transformarão nas espigas de milho (produto acabado pela atividade agrícola) e passarão posteriormente para outros processos de transformação (produto acabado pela atividade industrial: farinha de milho). É uma forma de pensarmos na cadeia produtiva e nos gastos relaciona- dos, que primariamente partem da transformação do setor agrícola, passam pelo processo de transformação das indústrias e posteriormente são comercializados, chegando aos consumidores finais. PENSANDO JUNTOS 1 4 Resumidamente, a partir da ideia de Viceconti e Neves (2013), as principais dife- renças entre custos e despesas podem ser observadas na Figura 1. Realização da Receita de Vendas Custos:do fabricante. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. AUTOATIVIDADE 1 1 1 REFERÊNCIAS AULA 8 | custeio por absorção. [S. l.: s. n.], 2020. 1 vídeo (17 min.). Publicado pelo canal Professor Daniel Santana. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=GI5F9k8KB8g. Acesso em: 17 abr. 2024. BRASIL. Sistema Público de Escrituração Digital. Receita Federal do Brasil, [2024]. Disponível em: http://sped.rfb.gov.br/. Acesso em: 27 nov. 2023. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. CFC – CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas Brasileiras de Contabilidade, [c2024]. Disponível em: https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/nor- mas-completas/. Acesso em: 16 jan. 2024. CREPALDI, S. A.; CREPALDI, G. S. Contabilidade de custos. 7. ed. Barueri: Atlas, 2023. OYADOMARI, J. C. T. et al. Contabilidade gerencial: ferramentas para melhoria de desempenho empresarial. 2. ed. Barueri: Atlas, 2023. RIBEIRO, O. M. Contabilidade intermediária. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. SILVA, J. M. Contabilidade de Custos. Maringá: UniCesumar, 2016. VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Contabilidade de custos. 11. ed. rev. atual. São Paulo: Saraiva, 2013. 1 1 1 1. Alternativa correta D. A alternativa A é a definição de custo direto. Já a alternativa B é a definição de custo fixo, enquanto a alternativa C é a definição de custo variável. A alternativa D é de custo indireto (alternativa correta). Os custos que alteram em função das atividades da empresa são custos variáveis. Porém, quanto maior a produção, maiores serão os custos variáveis e os custos fixos reduzidos. 2. Alternativa D. Os estoques do sistema de apropriação de custos por ordem de produção se diferem dos estoques da apropriação por processos. Por ordem de produção, os estoques devem ser específicos e em quantidades que atendam à encomenda ou especificidades da produção, enquanto os estoques do sistema de apropriação de custos por processos devem ser per- manentes e geralmente para atender a bens ou serviços que serão produzidos em maiores quantidades. 3. Alternativa C. A proposição II é falsa, pois o sistema de apropriação de custos que permite vendas de acordo com a procura e a oferta do fabricante é a apropriação por processos, e não por ordem de produção. GABARITO 1 1 1 MINHAS METAS CUSTOS PARA PLANEJAMENTO E DECISÃO – RELAÇÕES CUSTO, VOLUME E LUCRO Identificar os custos e terminologias aplicadas no planejamento empresarial. Reconhecer a relação custo, volume e lucro, além de sua importância na gestão de custos. Categorizar o resultado encontrado no cálculo da margem de contribuição. Calcular o ponto de equilíbrio, contemplando os tipos existentes. Calcular o grau de alavancagem operacional, financeira e o combinado. Identificar a importância dos custos ambientais na gestão dos custos. Relacionar conceitos e definições do target cost na gestão de custos de uma empresa. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6 1 1 4 INICIE SUA JORNADA Muitas vezes, ao irmos a um supermercado, constatamos que um produto não exis- te mais ou saiu de linha. Inicialmente, o seu lançamento era bastante consumido, mas tempos depois não era mais. Você pode se perguntar: por que isso acontece? O que a empresa considera na situação relatada é se o produto traz lucro para a empresa ou resultado para contribuir com a cobertura de seus gastos fixos. Para identificar que um produto não proporciona lucro, as empresas utilizam indicadores de análise aplicados na gestão de custos. Esses indicadores gerarão informações para tomar a decisão. Isso aconteceu com uma empresa bastante conhecida nacionalmente do ramo alimentício. Ela produzia um produto congelado em porções individuais, o qual era considerado saboroso e utilizado para proporcionar uma alimentação rápida para o dia a dia. Em certo momento, a empresa percebeu que a lucrati- vidade proporcionada pela falta de consumo estava abaixo do esperado, e não contribuía mais para a cobertura de gastos fixos e tomou a decisão de retirar o produto de sua linha de fabricação. São desses indicadores que as informações são geradas, por exemplo, para parar a produção de um produto, ou até decidir se é mais vantajoso terceirizar a produção do que ter produção própria. E nessa jornada que se inicia, você verá a importância da relação custo, volume e lucro para análise, planejamento e tomada de decisões. Com relação ao nosso tema de estudo – custos para planejamento e decisão – re- lações custo, volume e lucro —, você está convidado a acessar o podcast: “É válido para as empresas utilizarem a análise CVL para tomada de decisões?”. Acesse o “play” para conhecer o funcionamento dessa análise na prática, com o objetivo de aprimorar seu aprendizado. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 DESENVOLVA SEU POTENCIAL EXPLICAÇÃO DA RELAÇÃO CUSTO, VOLUME E LUCRO A empresa na atualidade utiliza a Contabilidade de Custos para planejar a venda, a produção e prestação de serviço e na tomada de decisões que possam melhorar seu desempenho e sua lucratividade. Um ponto bastante utilizado nesse con- texto é a da relação entre Custo, Volume e Lucro (CVL). Bruni e Famá (2019) afirmam que a relação entre custos fixos e variáveis consiste em uma importante etapa na análise de formação de preços e projeção de lucros obtidos a diversos níveis possíveis de produção e vendas. De forma simples, a relação entre custo, volume e lucro define em função da quantidade produzida e vendida qual será o lucro total e unitário de um produto ou de um serviço prestado. Assim, para compreender melhor esta relação, ve- jamos o seguinte exemplo, adaptado de Bruni e Famá (2019). Uma padaria, em um determinado período, apresentou alguns dados relacionados ao produto pão francês, conforme demonstrado no Quadro 1. VAMOS RECORDAR? Para recordar alguns conceitos necessários que serão utilizados no conteúdo sobre custos para planejamento e decisão, incluindo as relações custo, volume e lucro, faz-se importante assistir a um vídeo que relata dois assuntos importantes para nossos estudos: o custo fixo e o variável. Veja em: https://www.youtube. com/watch?v=TchSeiIYgYw 1 1 1 DESCRIÇÃO DOS CUSTOS VALOR R$ Custos Variáveis 6,00 Custos do Pão Francês (por kg) 5,60 Embalagens para venda (por kg de pão francês) 0,40 Custos Fixos 5.070,00 Energia elétrica 350,00 Aluguel 2.800,00 Salários e encargos 1.800,00 Internet 120,00 Quadro 1 – Descrição dos custos da padaria Fonte: adaptado de Bruni e Famá (2019). SITUAÇÃO VENDAS 1000 KG VENDAS 2000 KG TOTAL UNITÁRIO TOTAL UNITÁRIO Receita 12.000,00 12,00 24.000,00 12,00 (-) Custos Variáveis 6.000,00 6,00 12.000,00 6,00 (-) Custos Fixos 5.070,00 5,07 5.070,00 2,54 Lucro 930,00 0,93 6.930,00 3,47 Quadro 2 – Comportamento dos custos em relação ao volume de produção Fonte: adaptado de Bruni e Famá (2019). Em média, o quilo do pão francês é vendido a R$ 12,00 e a empresa gostaria de analisar o comportamento de seus custos em relação a dois volumes de vendas, o de 1.000 kg e de 2.000 kg. O Quadro 2 demonstra o comportamento dos custos em função dos volumes de vendas utilizados. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 A Figura 1 mostra o comportamento dos custos fixos e variáveis totais em relação à quantidade de vendas realizadas. Custo Variável Quantidade Custo Fixo 2.000 1.000 0 R$ 5.070,00 R$ 12.000,00 R$ 6.000,00 Figura 1 – Comportamento dos custosfixos e variáveis em relação à quantidade de vendas / Fonte: o autor. Descrição da Imagem: a imagem apresenta um gráfico demonstrando o comportamento dos custos fixos e variáveis em relação à quantidade de vendas. O eixo vertical apresenta a quantidade com as marcações 1.000 e 2.000. Já no eixo horizontal temos o custo fixo com a marcação 5.070 e uma linha partindo do ponto 0 com as marcações 6.000 e 12.000, sendo o custo variável. Portanto, no exemplo anteriormente apresentado, foi possível observar a relação cus- to, volume e lucro, ou seja, quando há aumento de volume de venda, os custos fixos baixam unitariamente e, consequentemente, o lucro unitário do produto aumenta. Gestão de custos e formação de preços Indico o livro Gestão de custos e formação de preços, dos auto- res Adriano Leal Bruni e Rubens Famá. Eles apresentam com linguagem clara o cálculo e a teoria da relação entre custo, vo- lume e lucro. Além disso, trabalham com exemplos práticos, resolvidos com a indicação de planilha eletrônica. INDICAÇÃO DE LIVRO 1 1 8 Podemos, utilizando o exemplo apresentado, afirmar que a análise com base na relação custo, volume e lucro é um importantíssimo mecanismo para a tomada de decisões, principalmente no que se refere ao planejamento e controle, com foco nos gastos fixos. Alavancagem operacional e financeira Alavancagem, em um conceito simples, significa impulsionar, avançar algo para frente. Em custos, essa terminologia representa identificar quanto o lucro foi impulsionado considerando as variações de volume de produção e o comporta- mento dos gastos fixos. Assim, ela pode ser operacional e financeira, conforme veremos a seguir. ALAVANCAGEM OPERACIONAL Segundo Bruni e Famá (2019), essa alavancagem tem origem nos custos inerentes aos ativos, investimentos e às operações rotineiras da empresa, tais como a depreciação de imobilizados, despesas com pessoal, aluguéis, entre outras. ALAVANCAGEM FINANCEIRA Conforme apresentado por Bruni e Famá (2019), resulta da presença de despesas fixas vinculadas ao passivo, descritas como financiamentos, representadas pelos paga- mentos de juros e dividendos quando distribuídos como uma porcentagem do capital composto pelas ações preferenciais. UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 A partir dessas alavancagens, são calculados os indicadores do grau de alavan- cagem financeira e operacional, conforme demonstrado no Quadro 3. GRAU DE ALAVANCAGEM EQUAÇÕES DEFINIÇÕES Operacional (GAO) % lucro operacional / % de vendas Representa a relação entre varia- ções no lucro operacional com as variações das vendas em função dos gastos fixos operacionais. Financeira (GAF) % lucro líquido / % lucro operacional É a relação entre variações no lucro líquido e as variações no lucro operacional. Isso acontece quando há gastos fixos financei- ros. Combinada (GAC) % lucro líquido / % de vendas (ou GAO x GAF) Surge na relação entre variações no lucro líquido e variações nas vendas. É causada por gastos fixos operacionais e financeiros. Quadro 3 – Grau de alavancagem. Fonte: adaptado de Bruni e Famá (2019). Para melhor entender a aplicabilidade do grau de alavancagem, vamos a um exem- plo: em um determinado período, uma empresa apresentou uma Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) em que constava a variação de sua receita de venda em -20% e de +20%. Os dados referentes a essa DRE estão indicados no Quadro 4. 1 1 1 DRE EMPRESA SITUAÇÃO 20% BASE 20% Receitas 80,00 100,00 120,00 (-) Custos fixos 35,00 35,00 35,00 (-) Custos variáveis (30%) 24,00 30,00 36,00 Lucro operacional 21,00 35,00 49,00 (-) Juros 8,00 8,00 8,00 Lucro antes do IR 13,00 27,00 41,00 Quadro 4 - Demonstração do resultado do exercício Fonte: adaptado de Bruni e Famá (2019). Utilizando as informações demonstradas no Quadro 4, será apresentado o cál- culo de cada grau de alavancagem descrito nesse contexto. 1. Grau Alavancagem Operacional: GAO = % lucro operacional / % de vendas. Assim, teremos: a) A variação das vendas ou receitas foi de 20% para mais e para menos em relação ao valor-base apresentado na DRE. b) A variação em percentual do lucro operacional foi de 60%. Lucro operacional = 21,00 (-20), 35,00 (base) e 49,00 (+20), sendo que a variação tanto para mais quanto para menos é de 14,00, representando 40% em relação ao lucro operacional base de 35,00. c) Substituindo na equação da alavancagem operacional, teremos: GAO = 40% / 20% = 2%. d) O resultado encontrado representa que, ao considerar os gastos fixos operacionais existentes, a alavancagem operacional (prospecção de lucro operacional) será impulsionada em 2%. 2. Grau Alavancagem Financeira: GAO = % lucro líquido / % lucro ope- racional, em que teremos: UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 ■ Lucro Líquido = 13,00 (-20) 27,00 (base) 41,00 (+20). Observe que a variação tanto para mais quanto para menos é de 14,00, representando aproximadamente 52% em relação ao lucro líquido e base de 27,00. ■ Se substituirmos na equação da alavancagem financeira, teremos: GAF = 52% / 40% = 1,3% Com o resultado encontrado, é possível concluirmos que o lucro operacional terá que agregar os gastos fixos financeiros existentes, proporcionando uma alavancagem financeira (prospecção de lucro líquido ou antes do imposto de renda) impulsionada em 1,3%. 3. Grau Alavancagem Combinada: GAO = % lucro líquido / % de ven- das. Considerando que já conhecemos as variáveis da equação, com sua aplicação, teremos: GAO = 52% / 20% = 2,6% O valor encontrado pode ser interpretado considerando que o lucro líquido que consta na DRE apresentou um impulso de 2,6%. Assim, na sua composição, con- sideramos tanto os gastos fixos financeiros quanto os operacionais. Margem de contribuição A margem de contribuição é um elemento de análise no planejamento de custos e é necessária na geração de informações. Sua necessidade envolve a separação dos custos e despesas em fixos e variáveis, considerando o volume de produção ou de serviços prestados. Conforme apresentado por Bornia (2019), a Margem de Contribuição (MC) representa o total das receitas diminuído dos custos e despesas variáveis, resultando na margem de contribuição total. A margem de contribuição é comumente definida como resultado encon- trado após diminuir a receita de venda dos custos e despesas variáveis. É utilizada para cobrir os custos fixos, que não são mais considerados custo do produto ou serviço, mas sim custos estruturais. A Margem de Contribuição (MC) é expressa pela seguinte equação: MC = Preço de Venda unitário (PVu) – Custos e Despesas Variáveis unitário (CVu + DVu). 1 1 1 Caso fosse informado os seguintes dados: PVu = R$ 10,00 CVu = R$ 4,00 DVu = R$ 2,00 Qual seria o valor da Margem de Contribuição (MC)? Substituindo na equação, teríamos: MC = R$10,00 - R$4,00 - R$ 2,00 = R$ 4,00 Para Dubois, Kulpa e Souza (2023), a margem de contribuição é um elemento útil para as decisões. Por exemplo, a empresa pode sofrer prejuízos com determinado produto e, ainda assim, continuar operando se a margem de contribuição for suficientemente elevada. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas modernas Indico o livro Análise gerencial de custos: aplicação em empre- sas modernas, de Antonio Cezar Bornia (2019). Ele apresenta a aplicação e conceitos referentes à margem de contribuição, ponto de equilíbrio e margem de segurança. O autor discorre sobre esses temas de forma bem didática e com uma lingua- gem acessível ao aluno de graduação. INDICAÇÃO DE LIVRO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Para auxiliar você no entendimento e na aplicação da equação da MC, utilizare- mos o seguinte exemplo: a empresa Beta tem um mix de produtos e, no período em análise, apresentou os seguintes dados, conforme o Quadro 5: PRODUTO A PRODUTO B PRODUTO C Venda de 4.000 unidades Venda de 3.800 unidades Venda de 4.100 unidades Preço de venda unitário = R$ 20,70 Preço de venda unitário = R$ 18,20Preço de venda unitário = R$ 19,50 Custo variável unitário = R$ 8,20 Custo variável unitário = R$ 8,00 Custo variável unitário = R$ 7,55 Despesas variáveis unitá- ria = 2,00 Despesas variáveis unitária = 1,95 Despesas variáveis unitária = 2,15 Quadro 5 – Dados da empresa exemplo Fonte: o autor. Os custos fixos do período foram de R$ 62.900,00, e as despesas fixas no valor de R$ 15.400,00. O Quadro 6 apresenta a margem de contribuição de cada produto, conforme os dados apresentados. DEMONSTRATIVO DE RESULTADO PRODUTO A PRODUTO B PRODUTO C GERAL Receita de vendas 82.800,00 69.160,00 79,950,00 231,910,00 (-) Custo variável -32.800,00 -32.800,00 -28.690,00 -94,290,00 (=) Margem bruta 50.000,00 36.360,00 51.260,00 137.620,00 (-) Despesas variáveis -8.000,00 -7.410,00 -8.815,00 -24.225,00 1 1 4 DEMONSTRATIVO DE RESULTADO PRODUTO A PRODUTO B PRODUTO C GERAL (=) Margem de contribuição 42,000,00 28.950,00 42.445,00 113.395,00 (-) Custos fixos -62.900,00 (-) Despesas fixas -15.400,00 (=) Lucro antes do IR e CS 35.095,00 Quadro 6 – Cálculo da margem de contribuição do mix de produtos Fonte: o autor. A partir do Quadro 6, é possível extrair as seguintes conclusões: 1. A margem de contribuição total de cada produto é: Produto A = 42.000,00 ⇔ Produto B = 28.950,00 ⇔ Produto C = 42.445,00. 2. A margem de contribuição unitária de cada produto é: Produto A = 42.000,00 / 4.000 = 10,50. Produto B = 28.950,00 / 3.800 = 7,62. Produto C = 42.445,00 / 4.100 = 10,35. 3. O produto que mais contribui para a cobertura dos custos fixos: Produto A = 42.000,00 / 113.395 9MC total dos três produtos) = 37%. Produto B = 28.950,00 / 113.395 9MC total dos três produtos) = 26%. Produto C = 42.445,00 / 113.395 9MC total dos três produtos) = 37%. Com o cálculo da margem de contribuição, total e unitária de cada produto, foi pos- sível identificar como cada produto contribui para a cobertura dos gastos fixos totais (custos e despesas). Caso um dos produtos estudados venha a apresentar uma mar- gem de contribuição negativa ou baixa, esse produto pode deixar de ser produzido. APROFUNDANDO UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Ponto de equilíbrio Quando utilizamos a palavra equilíbrio, certamente pensamos no conceito de que tudo está sob controle. Por exemplo, quando recebemos o nosso salário e conseguimos quitar todos os boletos daquele mês. Não sobra dinheiro, mas todas as contas e gastos estão pagos. De forma análoga ao exemplo, a técnica do ponto de equilíbrio, de forma simples, concentra-se em determinar a quantidade, ou o valor de um produto ou serviço, capaz de cobrir todos os gastos fixos e variáveis de uma empresa. O ponto de equilíbrio, ou ponto de ruptura, é o nível de vendas no qual o lucro é nulo. As vendas realizadas acima do ponto de equilíbrio significam lucro, pois todos os custos já foram cobertos (BORNIA, 2019). Por definição, o ponto de equilíbrio é representado por L = 0, em que o L é o lucro, ou seja, não há lucro, pois todos os custos foram cobertos. O ponto de equilíbrio pode ser calculado com o objetivo de apresentar resultados tanto em quantidade como em receita. APROFUNDANDO Para Souza e Clemente (2011), o Ponto de Equilíbrio Operacional (PEO) corres- ponde à quantidade mínima a ser produzida e vendida, em certo período, para que todos os custos operacionais sejam ressarcidos. PEO em Quantidade = Custos fixos + Despesas fixas / Margem de contribuição unitária em R$. PEO em Receita = Custos fixos + Despesas fixas / Margem de contribuição unitária em %, calculada em relação a receita bruta. Nesse contexto, o cálculo do ponto de equilíbrio pode ser realizado de três for- mas, considerando aspectos contábeis, financeiros e econômicos. 1 1 1 Ponto de equilíbrio contábil: são levados em conta todos os custos fixos contábeis relacionados ao funcionamento da empresa. É o mesmo ponto de equi- líbrio operacional que pode ser calculado utilizando a equação: PEC = Custos fixos + Despesas fixas / Margem de contribuição unitária em R$. (em quantidades). Ponto de equilíbrio econômico: além de considerar os custos fixos, serão adi- cionados os custos de oportunidade, por exemplo, aqueles referentes ao uso do capital próprio da empresa, entre outros. Ele será obtido na utilização da equação: PEE = Custos fixos + Despesas fixas / Margem de contribuição unitária em R$. (em quantidades). VOCÊ SABE RESPONDER? Ponto de equilíbrio financeiro: as empresas, de forma geral, apresentam gastos considerados fixos e que não são pagos. Você seria capaz de citar um exemplo? Caso tenha pensado e respondido depreciação, você acertou. A depreciação é um gasto fixo que não é pago, ou seja, não sai dinheiro do caixa. No cálculo desse ponto de equilíbrio, serão considerados os gastos fixos que serão efetivamente desembolsados, ou seja, pagos. A equação utilizada para o cálculo será: PEF = Custos fixos + Despesas fixas - Custos e despesas fixas não desembolsadas / Margem de contribuição unitária em R$.(em quantidades). Para compreender cada ponto de equilíbrio apresentado, veremos o seguinte exem- plo: uma empresa, em um determinado período, apresentou os seguintes dados: ■ Preço de venda: R$ 10,00/unidade. ■ Custos variáveis: R$ 7,00/unidade. ■ Custos fixos: R$ 6.000,00/ano. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 ■ Depreciação: R$ 1.000,00/ano (incluída nos custos fixos). ■ Patrimônio líquido da empresa: R$ 12.000,00. ■ Taxa mínima de remuneração do capital investido: 10% ao ano. Demonstrando os cálculos, teremos o Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC). PEC = R$6.000,00 / R$3,00 (R$10,00 - R$7,00) = 2.000 unidades ao ano. Para verificar se essa quantidade de 2.000 unidades vendidas proporciona um lucro = 0, elaboraremos uma DRE para comprovar o resultado. ■ Receita de Vendas (2000 x R$10,00) R$ 20.000,00. ■ (-) Custos Variáveis (2000 x R$7,00) R$ 14.000,00. ■ (-) Custos Fixos R$ 6.000,00. ■ (=) Lucro R$ 0,00. Assim, o Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE) é: PEE = R$6.000,00 + R$1.200,00 (R$12.000,00 x 10%) / R$3,00 (R$10,00 - R$7,00) = 2.400 unidades ao ano. Para verificar se essa quantidade de 2.400 unidades vendidas proporciona um lucro = 0, elaboraremos uma DRE para comprovar o resultado: ■ Receita de Vendas (2400 x R$10,00) R$ 24.000,00. ■ (-) Custos Variáveis (2400 x R$7,00) R$ 16.800,00. ■ (-) Custos Fixos R$ 7.200,00. ■ (=) Lucro R$ 0,00. Desse modo, o Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF) é: PEF = R$6.000,00 - R$1.000,00 / R$3,00 (R$10,00 - R$7,00) = 1.667 unidades ao ano. Para verificar se essa quantidade de 1.667 unidades vendidas proporciona um lucro = 0, elaboraremos uma DRE para comprovar o resultado. 1 1 8 ■ Receita de Vendas (1667 x R$10,00) R$ 16.670,00. ■ (-) Custos Variáveis (1667 x R$7,00) R$ 11.670,00. ■ (-) Custos Fixos R$ 5.000,00. ■ (=) Lucro R$ 0,00. Assim, foi possível realizar o cálculo de cada ponto de equilíbrio e demonstrar a quantidade do produto, ou serviço, que a empresa terá que vender para que seu lucro seja zero nessas condições indicadas. Margem de segurança É considerada, por exemplo, a quantidade de produtos ou receitas obtidas após o ponto de equilíbrio. Segundo Bornia (2019), a margem de segurança representa a receita obtida acima do ponto de equilíbrio. Assim, consiste em um indicador que demonstra o quanto as vendas e, consequentemente, as receitas, podem cair sem que haja prejuízo para a empresa. Dubois, Kulpa e Souza (2023) afirmam que a validade da margem de segu- rança depende da exatidão das estimativas de custo no ponto de equilíbrio con- templado. É expressa em percentual, ou seja, em forma de índice, sendo calculada utilizando a equação: Margem de Segurança em Percentual (MS%) = Vendas – Ponto de Equilíbrio / Vendas. Em que teremos: ■ Vendas: representa o valor (R$) da venda efetuada no período. ■ Ponto de equilíbrio: a empresa precisa calcular e determinar em receita qual o ponto de equilíbrio a ser utilizado. UNIASSELVI 1 1 9TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Por isso, calcular a margem de segurança é necessária na gestão de custos para a tomada de decisões, pois, quanto mais próximas estiverem as vendas do ponto de equilíbrio, maior poderá ser o risco operacional. Custos ambientais Representa uma parte da gestão empresarial que tem como objetivo identificar os custos referentes ao processo produtivo e que de alguma forma comprometerá elementos ambientais. Para Lins (2015), custos ambientais são recursos incorri- dos, consumidos e reconhecidos pela entidade, relacionados ao processo produ- tivo e que tenham por objetivo prevenir, mitigar ou recuperar danos ambientais, tais como reciclagem, ampliação do seu ciclo de vida e tratamento de efluentes. Para compreender sua aplicação e análise, vejamos o exemplo a seguir: uma de- terminada empresa apresentou os seguintes dados referente a um período: ■ Valor das Vendas = R$200.000,00. ■ Ponto de equilíbrio em receita = R$ 90.000,00. Aplicando a equação da margem de segurança, teremos: ■ MS% = R$200.000,00 - R$90.000,00 / R$200.000,00. ■ MS% = R$110.000,00 / R$200.000,00 = 55% O percentual encontrado de margem de segurança indica que as vendas podem cair em até 55% e que a empresa ainda terá lucro antes de chegar ao ponto de equilíbrio. APROFUNDANDO Estudante, veja um exemplo de dano ambiental relacionado à quantidade de contêiner que cai no mar. Acesse o conteúdo e complemente seu conhecimento: https://oportal163.com.br/2023/06/por-que-661-conteineres-que-cairam-no- -mar-no-ano-passado-e-uma-boa-noticia EU INDICO 1 1 1 Como definido acima, os custos ambientais estão relacionados ao processo pro- dutivo, de forma a evitar danos ambientais. Alguns desses custos, na verdade, são considerados investimentos. Por exemplo, quando uma empresa instala filtros para evitar a emissão de fumaça tóxica para o ambiente. Outro exemplo seria quando uma empresa de confecções de calças jeans, durante o processo de lava- gem, trata a água utilizada para remover as impurezas causadas pelos produtos químicos antes de ser lançada novamente na natureza. Target cost É conhecido como uma técnica em que há o estabelecimento do custo desejado de um produto com base em fatores ditados pelo mercado. Assim, representa as me- tas de valores a serem obtidos em negociações, ou seja, o lucro pretendido. Para atingir o objetivo, a composição e a administração dos custos devem ser realizadas na etapa “pesquisa e desenvolvimento do produto”. Para Bruni e Famá (2019), o conceito de target cost é aplicado em empresas que desejam atingir uma meta de lucro. Desse modo, todos os agentes internos da empresa deverão trabalhar para o montante dos custos ser igual ao preço de venda menos o lucro que se pretende atingir. A equação comumente utilizada é representada da seguinte forma: Preço de venda - Lucro = Gastos (custos, despesas e investimento). Como exemplo de aplicação do target cost em algumas situações de produção, podemos utilizar as montadoras de veículos. Na fase de desenvolvimento do produto, a empresa apresenta o projeto aos seus fornecedores, informando qual será o preço de venda praticado no mercado e, consequentemente, determinan- do o valor dos materiais que irão compor o novo projeto. O fornecedor terá que apresentar o material solicitado dentro do valor estimado, de modo que o preço de venda do veículo novo que será lançado proporcione a meta de lucro estimada. De acordo com Martins (2023), o custeio ABC pode ser utilizado para o target cost. A maior parte dos gastos em um processo de produção é determinada durante a sua estruturação, na fase de projeto do produto. Uma vez que uma linha de pro- dução está estabelecida e operacional, a grande maioria dos custos já está definida, representando cerca de 85% dos custos totais desde o início da pesquisa e projeto até o fim da vida útil do produto, conforme referências bibliográficas estrangeiras. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 É durante a fase de planejamento que surgem as oportunidades significativas de alteração nos custos. Durante o projeto, é possível modificar as características do produto, como reduzir custos ao retirar certos recursos (por exemplo, remover o ar-condicionado de um modelo de carro). No entanto, essas mudanças também afetam o preço que o mercado está disposto a pagar e a demanda do mercado. Às vezes, pode ser até desejável aumentar o custo de um produto se isso permitir uma elevação do preço de venda, desde que se tenha cautela com a quantidade que será comercializada (MARTINS, 2023). Portanto, é na fase de projeto que o conceito de custo-meta se torna mais eficaz. Ao planejar desde a concepção do produto, é possível alcançar o retorno desejado de maneira mais eficiente. Esse retorno pode ter tanto um aspecto financeiro, relacionado à rentabilidade, quanto estratégico, envolvendo o po- sicionamento no mercado, a continuidade da empresa e benefícios sociais, dentre outros fatores. Estudante, para expandir seus conhecimentos acerca do assunto abordado, gos- taríamos de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acredita- mos que esta aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu entendimento sobre o tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO 1 1 1 NOVOS DESAFIOS Com relação ao conteúdo apresentado, seu objetivo foi demonstrar de forma teórica seu comportamento formal. Mostramos como a relação custo, volume e lucro pode ser utilizada na geração de informações para a tomada de decisões, destacando a variação dos custos fixos unitários que elevam o lucro unitário. Utilizando grau de alavancagem tanto operacional quanto financeiro, foi possível medir a influência dos custos e despesas fixas na definição do lucro operacional e do lucro líquido. O gasto fixo acabou se tornando o grande protagonista do conteúdo apresentado em todas as análises feitas. Agora lhe convido a fazer uma conexão da teoria apresentada e expandi-la para a prática e para o futuro ambiente profissional que você possa vir a fazer parte. Como profissional graduado, você atuará na área de analista ou gerente de custos. Nessa área, além de identificar e calcular o custo de um produto, você po- derá gerar informações visando melhorar a situação da empresa em seu mercado de atuação. Nessa função, você poderá ter que lidar com determinadas decisões que a empresa poderá tomar, por exemplo: fabricar o produto ou terceirizar a fa- bricação, incluindo os custos variáveis e mantendo o mínimo de gastos variáveis. O exemplo apresentado foi realizado por algumas empresas brasileiras para diminuir seus custos e despesas fixas e, em alguns casos, os custos variáveis. A partir do final dos anos 1990 e até os dias de hoje, muitas empresas buscaram países como a China e outros, objetivando melhorar o desempenho de seu pro- duto. Foram decisões pautadas em análises da relação custo, volume e lucro e seus adjacentes, em que muitas empresas instalaram sua produção na China ou realizaram parcerias com empresas chinesas na produção de seus produtos, visto que os custos praticados nesse país, em função da sua legislação e estrutura governamental, são relativamente baixos. Assim, conseguiram corrigir a rota, diminuindo seus gastos fixos e aumen- tando sua lucratividade. Desejo a todos bons estudos e que, a partir do conteúdo apresentado, possam, no futuro, exercer e tomar decisões importantes como a relatada em empresas globais. UNIASSELVI 1 1 1 1. Para Bruni e Famá (2019), custos fixos são custos que, em determinado período e em certa capacidade instalada, não variam qualquer que seja o volume de atividade da empresa. Já os custos variáveis são os que se alteram diretamente em função das atividades da empresa. Uma empresa, para produzir um produto, incorreu nos seguintes custos: • Matéria-prima consumida: R$ 15.000,00. • Mão de obra direta (mensalistas): R$ 3.000,00. • Depreciação de máquinas: R$ 600.00. •Aluguel do prédio: R$ 2.000,00. Com base nessas informações e no texto base apresentado, assinale a alternativa que apre- senta, respectivamente, o valor dos custos fixos e os custos variáveis. a) R$ 0,00, R$ 20.600,00. b) R$ 2.600,00, R$ 18.000,00. c) R$ 3.600,00, R$ 17.000,00. d) R$ 5.000,00, R$ 15.600,00. e) R$ 5.600,00, R$ 15.000,00. 2. Para Bornia (2019), o ponto de equilíbrio, ou ponto de ruptura, é o nível de vendas no qual o lucro é nulo. O ponto de equilíbrio tem como objetivo indicar em quantidade ou em recei- ta o quanto a empresa precisa vender para cobrir todos os seus gastos, ou seja, custos e despesas. Assim, o ponto de equilíbrio é conhecido como ponto de equilíbrio operacional. Desse modo, uma empresa, em um determinado período, apresentou os seguintes dados: • Custos fixos: R$ 6.000,00. • Despesas fixas: R$ 1.600.00. • Margem de contribuição unitária: R$ 8,00. Assinale a alternativa que representa a quantidade que a empresa terá que vender do seu produto para que seu lucro seja igual a zero. a) 950. b) 750. c) 550. d) 350. e) 200. AUTOATIVIDADE 1 1 4 3. Para Bornia (2019), a margem de segurança é o excedente da receita da empresa sobre a receita no ponto de equilíbrio. Consequentemente, representa o quanto as vendas podem cair sem que haja prejuízo para a empresa. Com relação à margem de segurança, analise as afirmativas a seguir. I - Ela pode ser expressa quantitativamente em unidades físicas ou monetárias, ou sob a forma de índice (percentual) II - No cálculo da margem de segurança em % (percentual), o valor do ponto de equilíbrio deve ser apresentado em receita. III - A fórmula para o cálculo da Margem de Segurança (MS) em % é representada: MS% = (Vendas - Ponto de Equilíbrio) / vendas. IV - O conceito de margem de segurança é o mesmo da margem de contribuição. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 1 5 REFERÊNCIAS BORNIA, A. C. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas modernas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2019. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. CUSTO fixo e variável (para ter lucro, entendê-los é essencial). [S. l.: s. n.], 2021. 1 vídeo (7 min.). Publicado pelo canal Blog Abri minha Empresa. Disponível em: https://www.youtube.com/wat- ch?v=TchSeiIYgYw. Acesso em: 17 abr. 2024. DUBOIS, A.; KULPA, L.; SOUZA, L. E. Gestão de custos e formação de preços. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2023. LINS, L. S. Introdução à gestão ambiental empresarial: abordando economia, direito, contabi- lidade e auditoria. São Paulo: Atlas, 2015. MARTINS, E. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2023. POR QUE 661 contêineres que caíram no mar no ano passado é uma boa notícia. O Portal 163, 10 jun. 2023. Disponível em: https://oportal163.com.br/2023/06/por-que-661-conteineres-que- -cairam-no-mar-no-ano-passado-e-uma-boa-noticia. Acesso em: 18 abr. 2024. SOUZA, A.; CLEMENTE, A. Gestão de custos: aplicações operacionais e estratégicas – exercí- cios resolvidos e propostos com utilização do Excel. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011. 1 1 1 1. Alternativa E. Para resolver, o aluno deverá separar o custos em fixos e variáveis e somar cada grupo. Assim, temos os seguintes custos fixos: • Mão de obra direta (mensalistas): R$ 3.000,00. • Depreciação de máquinas: R$ 600.00. • Aluguel do prédio: R$ 2.000,00. • Soma: R$ 5.600,00. Custos variáveis: matéria-prima consumida: R$ 15.000,00. Desse modo, as alternativas A, B, C e D estão incorretas. 2. Alternativa A. Para encontrar o ponto de equilíbrio operacional em quantidade, será necessário utilizarmos a fórmula: PEO em quantidade = custos fixos + despesas fixas / margem de contribuição unitária em reais. Assim, ao substituir a fórmula pelos dados informados, teremos: • PEO em quantidade = R$6.000.00 + R$1.600,00 / R$ 8,00. • PEO em quantidade = R$7.600.00 / R$ 8,00. • PEO em quantidade = 950 unidades. 3. Alternativa D. As afirmativas I, II e III estão corretas. Já a IV está incorreta. A margem de contribuição repre- senta os custos variáveis confrontados com as receitas. Pode ser definida como o valor que contribuirá para a cobertura dos custos fixos. GABARITO 1 1 1 UNIDADE 3 MINHAS METAS TRIBUTOS RECUPERÁVEIS NAS COMPRAS E TRIBUTOS SOBRE O PREÇO DE VENDA Relembrar o conceito de tributo e a forma como ele se apresenta para as empresas. Identificar os tributos possíveis que uma empresa terá que recolher. Reconhecer os regimes tributários existentes no Brasil. Identificar os tributos que irão compor o preço de venda de um produto ou serviço. Calcular os impostos sobre o faturamento de acordo com o regime tributário, demons- trando sua contabilização. Categorizar os tributos recuperáveis a respeito da compra de produtos. Demonstrar o cálculo da recuperação de tributos observando o regime tributário, de- monstrando sua contabilização. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7 1 4 1 INICIE SUA JORNADA Ao analisarmos os custos e a formação do preço de venda de uma empresa, não podemos nos esquecer dos tributos. Na verdade, os tributos fazem parte da nossa vida por meio dos produtos que adquirimos, dos bens que possuímos, entre outros. Como consumidores, somos a parte final da cadeia produtiva, por exemplo, cabe a nós, quando efetuamos uma compra, absorver os tributos que serão repassados à administração pública. Você sabia que o imposto é uma forma de tributo? Ele consiste em uma responsabilidade obrigatória e monetária que a administração pública arreca- da e utiliza na forma prevista de dispêndio listado no orçamento público. Os impostos, para uma empresa, são uma premissa a ser planejada, licitamente, com o objetivo de diminuir o impacto no lucro. Em um período recente, uma empresa multinacional do ramo alimentício, ao mudar a embalagem de um dos seus produtos, acabou sofrendo uma mudança no enquadramento tributário, diminuindo, assim, os impostos sobre a sua venda. Situações como essa, em breve, poderão ser influenciadas pela reforma tributária que entrará em vigor, em que muitos tributos serão modificados. Assim, é extremamente necessário estudarmos e compreendermos os im- postos incidentes sobre a compra, a venda, entre outros, para melhorar seu lucro. Considerando a importância apresentada, espero que, nesta jornada, você tenha a compreensão dos impostos — tanto dos recuperáveis quanto dos que serão pagos nas vendas. Não há como pensar em custos, preço de venda, compras e outras ações que uma empresa venha a tomar sem trabalhar os aspectos tributários envolvidos ou possuir um planejamento referente a essa questão. Com relação ao nosso tema de estudo, você está convidado a acessar o podcast: “A relação entre opção pelo regime tributário com a recuperação de impostos sobre a compra”. Nele, será relatado um caso de opção por um regime tributário que não permite recuperar tributos sobre a compra de um produto para revenda. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 DESENVOLVA SEU POTENCIAL A RELAÇÃO ENTRE TRIBUTOS E A GESTÃO DOS CUSTOS E DO LUCRO No contexto empresarial brasileiro, é visível a relação entre os tributos no cálculo dos custos, na formação do preço de venda e nos créditos tributários proporcio- nados, por exemplo, na compra de matéria-prima. VAMOS RECORDAR? Para recordar alguns conceitos necessários que serão utilizados no conteúdo de tributos recuperáveis nas compras e tributos sobre o preço de venda, faz-se importante assistir a um vídeo que apresenta, de forma clara e sintetizada, os tributos, sua classificação, conceitos e divisão. Isso ajudará na identificação de referências conceituais para nossos estudos sobre impostos e contribuições. Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=qvcNoZqF4XI&t=56sPor exemplo, a empresa sabe quais serão os tributos recolhidos? A empresa men- sura o impacto desses tributos na formação do preço de venda? PENSANDO JUNTOS Para melhor responder a essas questões, o primeiro passo é apresentar o conceito de tributo. O conceito de tributos, conforme o art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN), é toda prestação em dinheiro obrigatória, expressa em moeda corrente praticada no Brasil, que seja originária da atividade operacional de uma empresa, e não sanção de ato ilícito, proibido legalmente. Todo tributo deve ser instituído em lei e sua cobrança realizada pela administração pública (SABBAG, 2018). 1 4 1 Os impostos compreendem um tipo de tributo exigido na legislação tributária. Conforme o art. 16 do CTN, imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato ge- rador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte. Não está vinculado a qualquer atividade realizada pelo Estado (SABBAG, 2018). Um exemplo que se destaca é o Imposto sobre a Renda (IR). Além do conceito de impostos, há outro conceito aplicado em nosso estudo, que é a contribuição. Inicialmente, ela é um tributo que a administração pública utilizará no financiamento de atividades sociais do governo. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Fim Social (COFINS) representam alguns exemplos de contribuição. O fato gerador é a ação realizada pela empresa que terá incidência nos tributos e está ligado ao ramo de atividade exercida pela empresa, por exem- plo, a atividade poderá ser industrial, comercial ou de prestação de serviços. Os impostos podem ser classificados em: UNIASSELVI 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 DIRETOS Segundo Carneiro (2020), são classificados como impostos diretos aqueles cujo fato gerador incide sobre o contribuinte de direito, pessoa que realizou a hipótese de inci- dência. Como exemplo, podemos citar o IR e a CSLL. INDIRETOS Para Carneiro (2020), os impostos indiretos são aqueles que incidem sobre o contri- buinte de direito que transfere a obrigação fiscal para o contribuinte de fato, ou seja, aquele que pagará o imposto. Como exemplo, podemos citar o Imposto sobre a Circu- lação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI). Com relação aos impostos indiretos, Carneiro (2020) relata o repasse do encargo financeiro do tributo para quem estiver na etapa subsequente da cadeia econômica. Caso, na operação, não exista o repasse do imposto, ela estará enquadrada no princípio acumulativo, o qual tem como representante o PIS e o COFINS. Com base nos conceitos e informações apresentados anteriormente na sequência do con- teúdo, abordaremos os regimes tributários existentes no Brasil, os impostos sobre a formação do preço de vendas, o faturamento, as compras e o lucro. APROFUNDANDO Regime tributário O regime tributário representa a forma ou enquadramento com que uma empre- sa realiza a apuração e o recolhimento de impostos e contribuições pertinentes à sua atividade operacional. Um fator de suma importância na definição do regime está no faturamento a ser considerado e na forma como os impostos e contri- buições são calculados. Antes de abordarmos os regimes tributários, trataremos dos impostos e contribuições existentes, os quais têm relação com as operações de compra, venda e apuração do lucro, em que teremos: 1 4 4 COFINS É uma contribuição destinada a financiar a seguridade social incidente sobre o fatu- ramento das empresas proveniente da venda de produtos ou serviços prestados. É de competência do governo federal, podendo ser calculada pelo método cumulativo (utilizando uma alíquota de 3%) ou o não cumulativo (com a alíquota de 7,6%). CSLL Contribuição aplicada sobre o lucro líquido das empresas decorrente de suas ativida- des operacionais. Também de competência federal, sua alíquota é fixada em 9%. Estão sujeitas à CSLL todas as empresas jurídicas domiciliadas no país. ICMS O imposto incidente sobre a circulação de mercadorias e a prestação de serviços é de competência dos estados e do Distrito Federal, sendo aplicado em diversas operações, por exemplo, na movimentação de mercadorias, fornecimento de alimentação e bebidas em estabelecimentos próprios, serviços de transportes com abrangência interestadual e intermunicipal, serviços de comunicação e fornecimento e transmissão de energia elétrica. Com relação ao ICMS, é importante comentar dois pontos: 1) que, em alguns produtos adquiridos de outros estados ou dependendo das características do comprador, haverá o recolhimento do Diferencial de Alíquota (DIFAL); 2) esse imposto também utiliza, para alguns produtos, o regime de substituição tributá- ria, em que o recolhimento do ICMS é de responsabilidade do emissor da nota fiscal. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incide no desembaraço aduaneiro de produtos industrializados de procedência estrangeira, na saída de produtos industrializados de estabelecimento do importador, do industrial ou do arrematante, quando apreendidos ou abandonados e levados a leilão. O IPI não é um imposto sobre a venda, mas sobre o faturamento. É calculado na ven- da do produto, mas a incidência ocorre por tratar-se de um produto industrializado. ZOOM NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 4 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 O Imposto de Renda (IR) incide sobre a renda, sendo que, na pessoa jurídica, a renda é representada pelo lucro auferido pela empresa. É de competência federal e sua alíquota é de 15%. Já o Imposto Sobre Serviço (ISS) é de competência mu- nicipal e seu fato gerador é a prestação de serviços. Para Pêgas (2023), a prestação de serviços é a transferência onerosa, por parte de uma pessoa (física ou jurídica) para outra, de um bem imaterial. É um imposto que incide sobre um serviço que foi prestado, por exemplo, uma consultoria financeira. Sua alíquota máxima será de 5% e a mínima de 2%, sendo que ele deve ser recolhido pelo estabelecimento prestador do serviço. Já o Programa de Integração Social (PIS) tem sua incidência no faturamento das empresas. É de competência federal e pode ser calculado pelo método cumula- tivo (com a alíquota de 0,65%) ou pelo não cumulativo (com alíquota de 1,65%). Contabilidade de Custos: um enfoque direto e objetivo Indico o livro Contabilidade de Custos: um enfoque direto e obje- tivo, de autoria de Paulo Viceconti. Ele apresenta, no item 11.5, páginas 209 a 213, o conceito e as definições de impostos e contribuições utilizados em operações mercantis e sobre o lu- cro da empresa. INDICAÇÃO DE LIVRO A competência da cobrança e recebimento do imposto e da contribuição referese à esfera ou divisão do território nacional que será responsável pela arrecadação, podendo ser os governos municipais, estaduais e o governo federal, também de- nominado de União. ZOOM NO CONHECIMENTO 1 4 1 Após apresentarmos os impostos e contribuições possíveis para uma empresa, veremos a respeito do funcionamento dos três regimes tributários. O Simples Nacional é um regime tributário criado para facilitar o recolhimento dos tributos das empresas de pequeno e médio porte. Com o Simples Nacional, a empre- sa consegue efetuar o pagamento de tributos municipais como o ISS, estaduais como o ICMS e federais como IPI, PIS, COFINS, IRPJ, CSLL e a Contribuição Patronal Previdenciária (CPP), que representa a parte da empresa do INSS, con- densados em uma única alíquota e utilizando uma única guia para pagamento. Para os que não conhecem o funcionamento do regime tributário pelo Simples Nacional, é quase inacreditável dizer que existe uma forma de recolher vários im- postos e contribuições utilizando uma alíquota única. Afinal, como será o funciona- mento disso? Será que é tão simples assim? Vejamos, então, o seu funcionamento. PENSANDO JUNTOS UNIASSELVI 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Seu funcionamento ocorre quando é aplicada uma alíquota única que representatodos os tributos, variando de acordo com o ramo de atividade e faturamento da empresa. A faixa de faturamento da empresa possui um limite máximo de R$ 4.800.000,00 de faturamento anual. Quando uma empresa ultrapassa esse limite, ela precisará mudar de regime tributário no ano calendário seguinte. Para saber exatamente qual o percentual que uma empresa enquadrada no Simples Nacional pagará de tributos, será necessário consultar os anexos e tabelas de alíquota do Simples Nacional, as quais estabelecem os valores que devem ser recolhidos de acordo com o faturamento da empresa. Todos os impostos calcu- lados nesse regime não dão direito a crédito para a empresa que adquiriu pro- dutos de empresas assim tributadas, por exemplo. Essa tributação é considerada definitiva, não havendo a possibilidade de compensações tributárias. Manual de Contabilidade Tributária Indico o livro Manual de Contabilidade Tributária, de autoria de Paulo Henrique Pêgas. Ele apresenta, de forma clara e objeti- va, conceitos e definições a respeito do sistema tributário, dos impostos e dos regimes tributários, sendo indicado para o pro- fissional da área de Contabilidade. INDICAÇÃO DE LIVRO LUCRO PRESUMIDO É uma presunção por parte do Fisco do que seria o lucro das organizações caso não houvesse a Contabilidade. Pode optar por apurar o IR e a CSLL pelo lucro presumido a pessoa jurídica com receita bruta total no ano-calendário anterior de até R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou de R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais) multiplicados pelo número de meses de atividade no ano-calendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses. Para realizar o cálculo do IR da pessoa jurídica e da CSLL, a empresa precisa identificar a receita bruta que será utilizada no cálculo, para daí aplicar a alíquo- ta ou coeficiente de presunção. Os coeficientes mais comuns são 8% (venda de 1 4 8 mercadorias) e 32% (venda de serviços) para o IRPJ, e 12% e 32% para a CSLL. A apuração do imposto é feita trimestralmente (VICECONTI, 2018). A alíquota do IR neste regime será de 15% e a da CSLL será de 9%, as quais serão aplicadas sobre o lucro presumido encontrado após a aplicação do coefi- ciente de presunção. Caso a base de cálculo trimestral seja superior a R$ 60.000,00 (ou R$ 20.000,00 multiplicado pelo número de meses de atividade no trimestre), incide um adicional de 10% de IRPJ sobre a parcela excedente. Não há adicional na contribuição social. Para ilustrar como funciona o cálculo do IRPJ e da con- tribuição social no regime do lucro presumido, foi elaborado o Quadro 1. Ele demonstra o faturamento trimestral de uma empresa com atividade comercial. EVENTOS IRPJ CSLL A. Faturamento Bruto R$ 1.000.000,00 R$ 1.000.000,00 B. Alíquota Presunção 8% 12% C. Lucro Presumido R$ (A x B) R$ 80.000,00 R$ 120.000,00 D. Alíquota do Imposto 15% 9% E. Valor do Imposto (C x D) R$ 12.000,00 R$ 10.800,00 F. Base para o Adicional do IRPJ (R$ 80.000,00 - R$ 60,000,00) R$ 20.000,00 R$ 0,00 G. Alíquota do Adicional 10% 0 H. Valor do IRPJ Adicional (F x G) R$ 2.000,00 R$ 0,00 I. Total de Impostos a recolher (To- tal do IRPJ tem que somar (E + H)) R$ 14.000,00 R$ 10.800,00 Quadro 1 – Demonstração do Cálculo IRPJ e CSLL pelo lucro presumido Fonte: o autor. UNIASSELVI 1 4 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Vale destacar que o lucro de R$80.000,00 no trimestre superou o limite legal de R$ 60.000,00, por isso, para o IRPJ, foi calculado o adicional de 10% sobre o ex- cesso de R$ 20.000,00. Com relação ao PIS e à COFINS, a empresa enquadrada nesse regime aplicará sobre seu faturamento as alíquotas do regime cumulativo. O ICMS e o IPI serão considerados no regime não cumulativo, repassando crédito tributário para o elemento seguinte da cadeia produtiva. LUCRO REAL O lucro real é o resultado financeiro apurado pela Contabilidade mediante uma escrituração completa e estritamente fiscal, em conformidade com as normas contábeis vigentes. Esse valor é ajustado de acordo com as adições, exclusões e compensações permitidas pela legislação do imposto de renda. O lucro líquido do período é, então, determinado na última linha da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Empresas são obrigadas a adotar o regime de tributação com base no lucro real quando sua receita total no ano anterior ultrapassa o limite de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais), multiplicados pelo número de meses do período, caso seja inferior a 12 meses. O lucro real pode ser calculado trimestralmente, devendo ser determinado em períodos de apuração encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setem- bro e 31 de dezembro com base no resultado líquido de cada trimestre. Com relação ao cálculo do lucro real anual, esse deve ser determinado no período de apuração encerrado em 31 de dezembro, com base no resultado líquido anual. A alíquota do imposto de renda nesse regime será de 15% e a da CSLL será de 9% aplicados sobre o lucro trimestral e anual após adições, exclusões e compensa- ções, mais o adicional de 10% sobre a parcela da base de cálculo que exceder o limite de R$ 60.000,00 no trimestre e R$ 240.000,00 no ano. Para ilustrar como funciona o cálculo do IRPJ e da contribuição social no regime do lucro real, tanto o trimestral quanto o anual, foi elaborado o Quadro 2. Ele demonstra o lucro real trimestral e anual de uma empresa. 1 5 1 LUCRO REAL TRIMESTRAL ANUAL Eventos IRPJ CSLL IRPJ CSLL A. Lucro Real R$ 100.000,00 R$ 100.000,00 R$ 400.000,00 R$ 400.000,00 B. Alíquota Imposto 15% 9% 15% 9% C. Valor do Imposto (A x B) R$ 15.000,00 R$ 9.000,00 R$ 60.000,00 R$ 36.000,00 D. Base para o Adi- cional do IRPJ (Para o trimestral R$ 100.000,00 - R$ 60.000.00) (Para o anual R$ 400.000,00 - R$ 240.000,00) R$ 40.000,00 R$ 0,00 R$ 160.000,00 R$ 0,00 E. Alíquota do Adicional 10% 0 10% 0 F. Valor do IRPJ Adicio- nal (F x G) R$ 4.000,00 R$ 0,00 R$ 16.000,00 R$ 0,00 G. Total de Impostos a recolher (Total do IRPJ tem que somar (C + F)) R$ 19.000,00 R$ 9.000,00 R$ 76.000,00 R$ 36.000,00 Quadro 2 – Demonstração do cálculo de IRPJ e CSLL pelo lucro real, trimestral e anual Fonte: o autor. As empresas tributadas pelo lucro real deverão recolher mensalmente, a título de antecipação do IRPJ de 15%, o adicional de 10% e a CSLL de 9% de duas formas, por estimativa e a com base em balanço e balancete de suspensão e redução. O IRPJ e a CSLL pagos antecipados serão compensados nos seus valores calculados no final de um ano ou de um trimestre. Com relação ao PIS, COFINS, ICMS e IPI, caso a empresa contribuinte utilize o regime não cumulativo, repassará os créditos tributários para o elemento seguinte da cadeia de produção. UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 IMPOSTOS SOBRE OPERAÇÕES MERCANTIS Praticar operações mercantis, ou seja, de compra e venda, é próprio das em- presas comerciais e industriais. O propósito aqui é apresentar essas operações considerando os regimes tributários do Simples Nacional, do Lucro Real e do Lucro Presumido, evidenciando cálculos e contabilizações referentes aos créditos tributários obtidos nas compras e sobre os tributos das vendas. Regime tributário Lucro Real Para melhor fixar o desenvolvimento dos cálculos e da contabilização dos crédi- tos tributários das compras e os tributos sobre as vendas nesse regime, vejamos o caso descrito a seguir. Uma sociedade empresária apresentou os seguintes fatos na compra de ma- téria-prima em um período: (A) Compra a prazo de 110 unidades de um material no valor de R$ 230,00 cada uma. No valor total da Nota Fiscal (NF), estão incluídos 10% de IPI, além de 19% de ICMS, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS, incluídos no total dos produtos. Inicialmente, ao darmos entrada da matéria-prima no estoque da empresa, deve-se excluir os impos- tos e contribuições destacados na NF. O Quadro 3 apresenta a exclusão dos impostos e contribuições, os quais seguem o regime não cumulativopara serem recuperados. 1 5 1 COMPRA DE MATÉRIA-PRIMA A. Quantidade 110 B. Valor Unitário R$ R$ 230,00 C. Total da Nota Fiscal (A x B) R$ 25.300,00 D. IPI (10% x E) R$ 2.300,00 E. Total dos Produtos (C - D) R$ 23.000,00 F. ICMS (19% x E) R$ 4.370,00 G. PIS (1,65 x E) R$ 379,50 H. COFINS (7,6% x E) R$ 1.748,00 (=) Valor líquido da compra R$ 16.502,50 Quadro 3 – Recuperação dos impostos sobre matéria-prima Fonte: o autor. UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 A letra D do Quadro 3 foi determinada ao se dividir o valor da NF (R$ 25.300,00) por 1,10 (IPI já componente da NF), que resultará no valor dos produtos de R$ 23.000,00. Ao aplicarmos 10%, teremos o valor do IPI em R$ 2.300,00. Outro ponto a ser considerado é que a base para o PIS, COFINS e ICMS nessa modali- dade sempre será o valor dos produtos, conforme indicado na letra E do Quadro 3. A contabilização dessa compra de matéria-prima é demonstrada no Quadro 4 utilizando contas do Ativo Circulante e Passivo Circulante para os lançamentos. CONTA GRUPO LANÇAMENTO DÉBITO (R$) CRÉDITO(R$) Estoque Ativo Circulante 16.502.50 ICMS a recuperar Ativo Circulante 4.370,00 IPI a recuperar Ativo Circulante 2.300,00 PIS a recuperar Ativo Circulante 379,50 COFINS a recuperar Ativo Circulante 1,748,00 Fornecedores Passivo Circulante 25.300,00 Quadro 4 – Lançamentos contábeis da aquisição da matéria-prima Fonte: o autor. A mesma empresa apresentou os seguintes fatos na compra de matéria-prima no período: (B) – Após a industrialização, a empresa comercializou a prazo 85 unidades do seu produto por R$ 360,00 a unidade. Sobre essa venda, calculou os impostos e contribuições da seguinte forma: 12% de ICMS, 10% de IPI, 1,65% de PIS e 7,6% de COFINS, conforme demonstrado no Quadro 5. 1 5 4 VENDA DO PRODUTO I. Quantidade 85 J. Valor Unitário R$ R$ 360,00 K. Total dos produtos (I x J) R$ 30.600,00 L. IPI (10% x K) R$ 3.060,00 M. Total do Faturamento (K + L) R$ 33.660,00 F. ICMS (12% x K) R$ 3.672,00 G. PIS (1,65 x K) R$ 504,90 H. COFINS (7,6% x K) R$ 2.325,00 Quadro 5 – Cálculo dos impostos sobre a venda Fonte. o autor. A contabilização dessa venda envolve contas dos grupos do Ativo, Passivo e Re- sultado, demonstrada no Quadro 6. CONTA GRUPO LANÇAMENTO DÉBITO (R$) CRÉDITO(R$) ICMS sobre vendas Resultado 3.672.00 ICMS a recolher Passivo Circulante 3.672.00 IPI s/ faturamento Resultado 3.060,00 UNIASSELVI 1 5 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 CONTA GRUPO LANÇAMENTO DÉBITO (R$) CRÉDITO(R$) IPI a recolher Passivo Circulante 3.060,00 PIS sobre vendas Resultado 504,90 PIS a recolher Passivo Circulante 504,90 COFINS s/ vendas Resultado 2.325,60 COFINS a recolher Passivo Circulante 2.325,60 Custo do Produto Resultado 12.751,93 Estoque Ativo Circulante 12.751,93 Contas a Receber Ativo Circulante 33.660,00 Receita de Vendas Resultado 33.660,00 Quadro 6 – Lançamentos contábeis da venda realizada Fonte: o autor. Para saber o valor real dos impostos a pagar, é necessário confrontarmos o saldo a recuperar com o saldo a recolher de cada um, podendo diminuir o valor a ser pago ou não ter imposto a pagar e continuar com saldo a recuperar. O lançamen- to referente à baixa dos custos foi realizado considerando o valor unitário em R$ 150,02 (R$ 16.502,50/110) e multiplicado por 85 unidades vendidas. Regime do Lucro Presumido Uma determinada empresa apresentou os seguintes fatos de compra de matéria- prima, referentes a um período: (A) – Compra a prazo de 100 unidades de um material no valor de R$ 265,00 cada uma. No valor total da Nota Fiscal (NF), estão inclusos 10% de IPI e 19% de ICMS. O Quadro 7 apresenta a exclusão dos impostos e contribuições, que seguirão o regime não cumulativo apenas para o IPI e ICMS, os quais serão recuperados. 1 5 1 COMPRA DE MATÉRIA-PRIMA A. Quantidade 100 B. Valor Unitário R$ R$ 265,00 C. Total da Nota Fiscal (A x B) R$ 26.500,00 D. IPI (10% x E) R$ 2.409,09 E. Total dos Produtos (C - D) R$ 24.090,91 F. ICMS (19% x E) R$ 4.577,27 (=) Valor Líquido da compra R$ 16.502,50 Quadro 7 – Recuperação dos impostos sobre matéria-prima Fonte: o autor. A Letra D do Quadro 7 foi determinada dividindo-se o valor da NF (R$ 26.500,00) por 1,10 (IPI já componente da NF), que resultará no valor dos produtos de R$ 24.090,91. Ao aplicarmos 10%, teremos o valor do IPI em R$ 2.409,09. Outro ponto a ser considerado é que, nesse regime de tributação, não há crédito do PIS e da COFINS. A contabilização dessa operação é apresentada no Quadro 8: CONTA GRUPO LANÇAMENTO DÉBITO (R$) CRÉDITO(R$) Estoque Ativo Circulante 19.513.64 ICMS a recuperar Ativo Circulante 4.577,27 IPI a recuperar Ativo Circulante 2.409,09 Fornecedores Passivo Circulante 26.500,00 Quadro 8 – Lançamentos contábeis da aquisição da matéria-prima Fonte: o autor. UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Essa empresa também apresentou dados de sua venda para o período: (B) – Após a industrialização, a empresa comercializou a prazo 100 unidades do seu produto por R$ 450 a unidade. Sobre essa venda, calculou os impostos e contribuições da seguinte forma: 12% de ICMS, 10% de IPI, 0,65% de PIS e 3% de COFINS, conforme demonstrado no Quadro 9. VENDA DO PRODUTO I. Quantidade 100 J. Valor unitário R$ R$ 450,00 K. Total dos produtos (I x J) R$ 45.000,00 L. IPI (10% x K) R$ 4.500,00 M. Total do faturamento (K + L) R$ 49.500,00 F. ICMS (12% x K) R$ 5.400,00 G. PIS (0,65 x K) R$ 29,25 H. COFINS (3% x K) R$ 1.350,00 Quadro 9 – Cálculo dos impostos sobre a venda Fonte: o autor. A contabilização dessa venda envolve contas dos grupos do Ativo, Passivo e Re- sultado, demonstrada no Quadro 10. 1 5 8 CONTA GRUPO LANÇAMENTO DÉBITO (R$) CRÉDITO(R$) ICMS sobre vendas Resultado 5.400.00 ICMS a recolher Passivo Circulante 5.400.00 IPI s/ faturamento Resultado 4.500,00 IPI a recolher Passivo Circulante 4.500,00 PIS sobre vendas Resultado 29,25 PIS a recolher Passivo Circulante 29,25 COFINS s/ vendas Resultado 1.350,00 COFINS a recolher Passivo Circulante 1.350,00 Custo do Produto Resultado 19.513,64 Estoque Ativo Circulante 19.513,64 Contas a Receber Ativo Circulante 49.500,00 Receita de Vendas Resultado 49.500,00 Quadro 10 – Lançamentos contábeis da venda realizada Fonte. o autor. UNIASSELVI 1 5 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Regime do Simples Nacional Nesse regime, a compra da matéria não proporcionará créditos tributários, ve- jamos o exemplo a seguir. (A) – Compra a prazo de 100 unidades de um material no valor de R$ 260,00 cada uma. No estoque da empresa, o valor a ser considerado será de R$ 26.000,00 (100 x R$ 260,00). A contabilização dessa compra é demonstrada no Quadro 11. CONTA GRUPO LANÇAMENTO DÉBITO (R$) CRÉDITO(R$) Estoque Ativo Circulante 26.000.00 Fornecedores Passivo Circulante 26.000,00 Quadro 11 – Lançamentos contábeis da aquisição da matéria-prima Fonte: o autor. Os dados da venda são apresentados conforme a seguir. (B) – Após a industrialização, a empresa comercializou a prazo 100 unida- des do seu produto por R$ 450 a unidade. Supondo que a alíquota do Simples Nacional é de 7,5%, teremos que o valor da venda será de R$ 45.000,00 (100 x R$ 450,00). Multiplicando por 7,5%, o valor do imposto a recolher será de R$ 3.375,00. Assim, os lançamentos contábeis dessa operação são apresentados no Quadro 12. 1 1 1 CONTA GRUPO LANÇAMENTO DÉBITO (R$) CRÉDITO(R$) Simples s/ Faturamento Resultado 3.375,00 Simples a recolher Passivo Circulante 3.375,00 Custo do Produto Resultado 26.000,00 Estoque Ativo Circulante 26.000,00 Contas a Receber Ativo Circulante 45.000,00 Receita de Vendas Resultado 45.000,00 Quadro 12 – Lançamentos contábeis da venda realizada Fonte: o autor. Estudante, para expandir seus conhecimentos acerca do assunto abordado, gos- taríamos de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acredita- mos que essa aula irá complementar e aprofundar ainda mais o seu entendimento sobre o tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital doambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 NOVOS DESAFIOS O conteúdo apresentado teve como objetivo mostrar aspectos conceituais de tributos, sua divisão e a relação com operações de compra e venda de mercadoria e com a produção. A ideia foi expor formas e cálculos para que você, estudante, tivesse contato com o que hoje se aplica aos temas abordados. Os impostos, contribuições e regimes tributários foram trabalhados de forma incisiva, pois os assuntos tributários e tudo que os rodeia fazem parte do dia a dia de nossas empresas. Eles influenciam o aumento da compra de insumos da produção, das vendas de produtos e, de forma geral, em todos os aspectos de gestão de uma em- presa. Convido você a fazer uma conexão do conteúdo apresentado e expandi-lo para a prática e o futuro ambiente profissional do qual você venha a fazer parte. Pense em uma situação hipotética, em que uma empresa resolve fazer um estudo a fim de trazer um produto importado para comercializar no Brasil. Como esse produto será para revenda, como primeiro passo ela terá que calcular os tri- butos, identificando os que serão recuperáveis e os que incidirão sobre a venda. O objetivo dessa empresa, então, é a formação do preço de venda que praticará no mercado interno. A cada ano que passa, são requisitados, pelas empresas, pro- fissionais da área da Contabilidade com expertise em tributos aplicados em sua operação. Um dos principais requisitos é a escolha ou adesão ao regime tributário mais adequado para a empresa, aquele que poderá gerar economia tributária nas operações comerciais, industriais e na prestação de serviço. Há um alerta a ser considerado, pois foi aprovada, na Câmara dos deputados federais, uma Proposta de Emenda Constitucional intitulada de PEC 45/2019, que trata da reforma tributária. E para finalizar, desejo a você bons estudos. Espe- ro que o conteúdo apresentado possa ser utilizado por você no futuro, ao exercer atividade que congregue conhecimento tributário com a área operacional, espe- cificamente a de custos globais. 1 1 1 1. Segundo Sabbag (2018), o art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN) define tributo como toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Com base no conceito apresentado, assinale a alternativa correta a respeito da explicação desse conceito. a) Seu fato gerador é constituído por sanção de atos ilícitos. b) Compulsoriedade representa que a cobrança do tributo seja aleatória. c) São instituídos por lei. d) Pecuniário remete ao conceito de punição. e) No Brasil, os tributos devem ser apurados e recolhidos em dólar. 2. Segundo Pêgas (2023), na entrada da mercadoria, seja na indústria ou no comércio, a em- presa deverá sempre separar a compra em dois grupos de contas: Tributos a Recuperar e Estoques. Os tributos que acompanham a nota fiscal de compra devem ser excluídos para que a empresa possa recuperá-los ou compensá-los quando efetuar venda. Esses impostos a recuperar serão considerados direitos e registrados no grupo do Ativo Circulante. Em um determinado mês, uma empresa comprou R$ 100.000,00 de uma determinada mer- cadoria a prazo. Sobre esse valor, foram calculados 19% de ICMS. Utilizando essas informa- ções e o texto-base, assinale a alternativa que apresenta a correta contabilização do fato ocorrido. Legenda: D representa débito, C representa crédito. a) D – Receita de vendas R$ 100.000,00; e C – Bancos R$ 100.000,00. b) D – Estoques R$ 81.000,00, D – ICMS a Recuperar R$ 19.000,00; e C – Fornecedores R$ 100.000,00. c) D – ICMS sobre Compra R$ 19.000,00;e C – ICMS a recolher R$ 19.000,00. d) D – Estoque de mercadorias R$ 19.000,00; e C – ICMS a Recuperar R$ 19.000,00. e) D – Receita de vendas R$ 100.000,00; e C – Estoques R$ 100.000,00. AUTOATIVIDADE 1 1 1 3. Pêgas (2023), em seu livro Manual de Contabilidade Tributária, ao abordar o ICMS, com base na Constituição Federal de 1988, afirma que o imposto ICMS atenderá ao seguinte: será não cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro estado ou pelo Distrito Federal. Assim, vejamos um exemplo, a partir do texto-base: a Cia. A vendeu uma mercadoria para a Cia. B por R$ 120,00, com ICMS de 12%. A Cia. B revendeu essa mercadoria por R$ 160, considerando nessa venda um ICMS de 12%. Tanto a CIA A quanto a CIA B estão no regime não cumulativo do ICMS. Com relação a esse exemplo, analise as seguintes afirmativas. I - O valor do ICMS a Recuperar pela Cia B será de R$ 14,40. II - O valor do ICMS sobre a Venda realizada pela Cia B será de R$ 19,20. III - O valor de ICMS a Recolher pela CIA B será de R$ 4,80. IV - Caso a CIA A fosse tributada pelo regime do Simples Nacional, a Cia B (regime do Lucro Presumido) teria que recolher de ICMS na Venda o valor de R$ 19,20. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 1 4 REFERÊNCIAS CARNEIRO, C. Curso de direito tributário e financeiro. 9. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. PÊGAS, P. H. Manual de contabilidade tributária. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2023. SABBAG, E. Código Tributário Nacional Comentado. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2018. VICECONTI, P. Contabilidade de Custos: um enfoque direto e objetivo. 12. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. VOCÊ sabe o que são tributos?. [S. l.: s. n.], 2018. 1 vídeo (7 min.). Publicado pelo canal Seu Es- critório. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=qvcNoZqF4XI&t=56s. Acesso em: 17 abr. 2024. 1 1 5 1. Alternativa C. A alternativa A está incorreta, pois o correto seria: fato gerador que não constitua sanção de ato ilícito. A alternativa B também está incorreta, pois o correto seria: compulsoriedade representa que a cobrança do tributo seja obrigatória. A alternativa D está incorreta, já que o correto seria: pecuniário remete ao conceito de dinheiro, representando dinheiro. Por fim, a alternativa E também está incorreta, visto que o correto seria: no Brasil os tributos devem ser apurados e recolhidos em real. 2. Alternativa B. O lançamento correto da operação é: D – Estoques R$ 81.000,00, D – ICMS a Recuperar R$ 19.000,00, e C – Fornecedores R$ 100.000,00. Assim, as alternativas A, C, D e E estão incorretas. 3. Alternativa E. A afirmativa I está correta. O valor do ICMS a Recuperar é 14,20 (R$ 160,00 x 12%). A afirmativa II também está correta, o valor do ICMS sobre a Venda Realizada é 19,40 (R$ 120,00 x 12%). A afirmativa III está correta, pois o valor do ICMS a pagar é R$ 4,80 (R$ 19,40 - R$ 14,20). Por fim, a afirmativa IV também está correta. Caso a CIA A estivesse no Simples, a CIA B não teria crédito tributário de R$ 14,20, tendo que recolher R$ 19,40. GABARITO 1 1 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 1 MINHAS METAS PREÇOS SUGERIDOS DE VENDA NA ATIVIDADE INDUSTRIAL, COMERCIAL E SERVIÇOS Relembrar o conceito de atividade industrial, comercial e serviços. Demonstrar a forma de precificação de produtos e de serviços. Relacionar elementos e variáveis utilizadas para a formação do preço de venda. Utilizar a metodologia markup para a precificação de produtos e serviços. Calcular o preço de venda utilizando a metodologia do markup no Simples Nacional. Calcular o preço de venda utilizando a metodologia do markup no Lucro Presumido. Calcular o preço de venda utilizando a metodologia do markup no Lucro Real. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8 1 1 8 INICIE SUA JORNADA Supondo que, ao chegar ao seu trabalho, você percebe que seu colega está com um celular novo. Além de elogiar as qualidades do aparelho, você pergunta quanto ele pagou. O valor pago reflete os benefícios adquiridos intrínsecos nesse aparelho.Acredito que poucas pessoas refletirão a respeito dos elementos utilizados pela fabricante do aparelho e pelo revendedor que foram agregados até chegar ao valor pago pelo colega de trabalho. Em virtude da complexidade existente na formação do preço de venda, você acabará desistindo de pensar nos elementos e valores que definiram o preço de venda. Este pode ser o questionamento da maioria das empresas: “que preço de venda vou praticar?” Além disso, quais elementos e variáveis devem ser incluídos na formação do preço? Definir o preço de venda e as variáveis que irão compô-lo reflete na sobre- vivência de uma empresa. O preço sugerido e praticado por uma empresa deverá ser responsável por garantir a lucratividade esperada a enfrentar a concorrência em seu mercado de atuação. Supondo que uma empresa pratica como preço de venda o que está sendo praticado pela concorrência, ela considera que está correto, e que esse valor é capaz de cobrir os custos e despesas e que ainda sobre um ganho. Ainda assim, em um determinado período, ela decidiu contratar uma consultoria para apresentar um preço de venda para o seu produto considerando os elementos e as variáveis que ocorrem em seu processo produtivo e de vendas. A consultoria constatou que o preço de venda praticado em função do valor da concorrência estava bem abaixo do valor que deveria ser praticado. Se con- tinuasse com o preço praticado pela concorrência, poderia vir a ter problemas financeiros. Se essa decisão fosse tomada por você, o que faria? Essa é uma pergunta que leva a uma importante reflexão, que não é apenas escolher uma das duas situações apresentadas. Uma sugestão coerente seria a me- lhoria de seus processos tanto produtivos quanto comerciais com o objetivo de re- dução dos custos e despesas para aproximar o preço real ao praticado pelo mercado. UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 DESENVOLVA SEU POTENCIAL FORMAÇÃO E SUGESTÃO DE PREÇO DE VENDA NA ATIVIDADE INDUSTRIAL, COMERCIAL E SERVIÇOS De maneira simples, o preço de venda de um produto, de um serviço ou de uma mercadoria representa o valor final que o consumidor paga. Para a empresa, ele representa o valor que se espera receber por um produto, mercadoria ou serviço prestado, sendo capaz de cobrir todos os custos e as despesas e proporcionar lucro. Com relação ao tema preços sugeridos de venda na atividade industrial, comercial e serviços, você está convidado a acessar o nosso podcast a respeito do tema “De que forma as empresas definem o preço de venda?”. Recursos de mídia disponí- veis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Para recordar alguns conceitos necessários que serão utilizados no estudo de preços sugeridos de venda na atividade industrial, comercial e serviços, faz-se necessário assistir a um vídeo que relata, de forma clara e objetiva, os elementos da gestão de custos utilizados na formação do preço de venda utilizando a metodologia do markup: https://www.youtube.com/watch?v=rzn8FAlUJuo O lucro representa o resultado positivo do confronto da receita com as despesas e os custos, indicados por: receita > custos + despesas. A margem de lucro constante no preço de venda é definida pela empresa. APROFUNDANDO 1 1 1 Antes de tratarmos do preço de venda, é importante recordarmos as característi- cas e os elementos que compõem a atividade industrial, comercial e os serviços. ATIVIDADE INDUSTRIAL, COMERCIAL E SERVIÇOS Para sugerir e/ou formar o preço de venda, faz-se necessário relembrar alguns pontos considerados importantes quanto à atividade industrial, comercial e de serviços. Alguns dos elementos que serão aqui apresentados são utilizados na composição do preço de venda, podendo ser qualitativa e quantitativa. ATIVIDADE INDUSTRIAL É exercida por empresas que geralmente transformam uma matéria-prima em produto e realizam industrialização e fabricação, agregando os custos com pessoal, matéria-prima e os gastos gerais. A industrialização pode ser conceituada como uma operação ou uma atividade que modifique a natureza de um material, objeto ou ou- tros. Ainda, a modificação pode vir em forma de acabamento, pintura, cortes e outras UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 ATIVIDADE COMERCIAL É exercida pelas empresas denominadas comerciais, que representam as que vendem e revendem um produto adquirido de um fabricante. O custo identificado nas empre- sas comerciais é o valor pago pelo produto tirando seus impostos e acrescentando, por exemplo, o valor do frete. ATIVIDADE DE SERVIÇOS Está relacionada à realização de um trabalho ou de uma atividade específica. Para Kotler e Keller (2018), um serviço é qualquer ato ou desempenho essencialmente intangível que uma parte pode oferecer a outra e que não tem como resultado a pro- priedade de algo. Existem também as que precisam de material incluso na prestação de serviço e aquelas que não precisam. Em geral, são considerados custos da prestação de serviços: os custos com pessoal e os custos gerais. Dentro das variáveis apresentadas, o preço de venda pode ser formado con- siderando formas ou modelos de precificação: preço baseado na competição, concorrência ou no mercado, preço de valor, preço baseado no valor proporcio- nado pelo produto, preço baseado no cliente e o preço baseado nos custos do produto ou serviço. Nesse modelo, quem vender com preço acima do praticado pelos concorrentes terá dificuldades com a venda do produto. PREÇO BASEADO NA CONCORRÊNCIA É importante analisar as características existentes no mercado, o preço dos concorren- tes, o volume de vendas, o prazo, as condições de entrega, a qualidade e os aspectos promocionais (BRUNI; FAMÁ, 2019). Quando se apresenta um preço baseado na con- corrência, é o mesmo que considerar o preço de mercado, representando empresas que estão no mesmo segmento ou atividade. Bruni e Famá (2019) consideram que, nos mercados em que existem várias empresas oferecendo produtos semelhantes, o pre- ço tenderá a ser menor do que seria se não houvesse competidores ou concorrentes. 1 1 1 PREÇO DE VALOR Preços baixos são fixados para uma oferta de alta qualidade. Exemplo de preço de valor é a adoção de preço constantemente baixo encontrado em varejistas (supermer- cados), que não dão margem para a concessão de descontos temporários. PREÇO BASEADO NO VALOR PROPORCIONADO PELO PRODUTO É o preço baseado na qualidade intrínseca que um produto apresenta em relação ao concorrente. São os valores agregados que proporcionam a prática de um preço maior. Observa-se que não é só um produto ou serviço que está sendo vendido, mas o produto e mais uma quantidade de atributos maior que o do seu concorrente. Um exemplo seria a marca que gera confiança ao cliente independentemente do preço. PREÇO BASEADO NO CLIENTE O cliente é um fator importante para algumas empresas na formação do preço de venda. Eles são os agentes ativos. PREÇO BASEADO NA ESTRUTURA São serviços realizados por empresa estruturada para atender ao seu cliente ou usuá- rio. São serviços específicos, que a própria atividade indica. Como exemplo, podemos citar: clínicas, hotéis, bancos, escritórios de contabilidade, entre outros. Na formação do preço de venda, uma empresa poderá utilizar algumas estratégias existentes, conceitos esses aprofundados em cursos de pós-graduação, que se- rão apresentadas a seguir. https://docs.google.com/document/d/1-sl1XUiN0p- Jt1aKDFzoVsqGc4ux2qSeHV7Zb0Utx1fk/edit EU INDICO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Além dessas estratégicas, a empresa pode utilizar fatores aplicados ao marketing, que é a teoria ou o efeito de Veblen. Conhecido como feito do esnobismo, está relacionado ao consumo de bens de luxo que, com o preço elevado, despertam mais interesse nos consumidores, segregados pelo seu poder aquisitivo. Metodologia e técnicas para sugerir e definir o preço de venda O objetivo central da formação de preços é a criação de valor para o acionista,gastos aplicados na transformação de ativos. Finalizam-se pelo produto ou serviço acabado. Despesas: gastos consumidos para a obtenção de receitas. Iniciam-se após o processo de transformação de ativos. Figura 1 – Fluxo entre custos, despesas e vendas / Fonte: adaptada de Viceconti e Neves (2013). Descrição da Imagem: a imagem apresenta um fluxo em formato circular com três divisões, iniciando-se em: custos – gastos aplicados na transformação de ativos. Finalizam-se pelo produto ou serviço acabado; despesas – gastos consumidos para a obtenção de receitas. Iniciam-se após o processo de transformação de ativos. Rea- lização da receita de vendas. A Figura 1 destaca a proposta de Viceconti e Neves (2013). Trata-se de um sequencial que inicia com a transformação de ativos, gerando produtos acabados, seguidos dos gas- tos necessários (despesas) para a obtenção da receita de vendas, e assim sucessivamente. De acordo com Ribeiro (2013), podemos definir que as despesas são caracterizadas pelo consumo de bens ou pela utilização de serviços, cujo objetivo principal é a obtenção de receitas. As despesas podem também derivar de juros, descontos concedidos, impostos etc. Segundo Viceconti e Neves (2013), podemos definir que os custos são caracterizados pelos gastos relativos a bens ou serviços empregados na produção de outros bens ou serviços, sendo relativos à atividade de produção (transformação). UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Curso de Contabilidade . Indico o livro dos professores Iudícubus e Marion: Curso de Contabilidade para não contadores, para as áreas de Adminis- tração, Economia, Direito, Engenharia e demais áreas do conhe- cimento, da editora Atlas. O livro trata de conceitos, exemplos e exercícios que permitem reforçar as nomenclaturas relativas aos gastos das empresas, apresentando suas principais carac- terísticas e diferenças. INDICAÇÃO DE LIVRO Sintetizando e visando complementar os seus estudos, observe a Figura 2. Gastos Investimentos Perdas Custos Despesas Quanto ao produtos Diretos Indireto Quanto ao volume Fixos Variáveis Investimentos Perdas Figura 2 – Classificação dos gastos / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a figura apresenta um fluxograma iniciado em gastos, ligado a quatro elementos – cus- tos, despesas, investimentos e perdas. De custo, saem dois elementos denominados: “quanto aos produtos” e “quanto ao volume”. Em “quanto aos produtos”, temos dois elementos –diretos e indireto”. E do elemento “quanto ao volume”, saem os elementos fixos e variáveis. A Figura 2 apresenta a distribuição dos principais gastos, sendo: ■ Custos – gastos relacionados ao processo produtivo (transformação de ativos), subclassificados quanto aos produtos em custos diretos e custos indiretos, e quanto ao volume em custos fixos e custos variáveis. 1 1 ■ Despesas – gastos relacionados ao consumo de bens e serviços para a ob- tenção da receita de vendas e manutenção das atividades administrativas. ■ Investimentos – gastos relacionados à aquisição de bens ou direitos (itens do Ativo), que proporcionam futuros benefícios econômicos. ■ Perdas – gastos imprevistos ou ocasionados por força maior, absorvidos no resultado como custo ou como despesa. Os gastos e a estrutura da demonstração de resultados e balanço patrimonial Dentro da estrutura dos dois principais demonstrativos contábeis, identificamos os custos por meio da Demonstração de Resultados do Exercício (DRE), deduzindo a receita líquida de vendas, enquanto as despesas estão categorizadas, deduzindo o Resultado Bruto, gerando posteriormente o Resultado Operacional. Observe: Quadro 1 – Estrutura básica da DRE / Fonte: a autora. ESTRUTURA BÁSICA DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE) Receita líquida de vendas ( - ) Custo dos produtos vendidos ( = ) Resultado bruto ( - ) Despesas de vendas ( - ) Despesas administrativas ( - ) Despesas financeiras ( - ) Outras despesas operacionais ( + ) Receitas financeiras ( = ) Resultado operacional ( - ) Provisão para IR e CSLL ( = ) Resultado líquido As perdas são igualmente identificadas dentro da estrutura da DRE, absorvidas como despesas ou custos. Uma situação de falha na rede hidráulica por exemplo, causando danos no setor financeiro, é uma perda absorvida como despesa. Já uma falha hidráulica que cause danos no setor produtivo, danificando materiais e tempo de trabalho, é um exemplo de perda absorvida como custo. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Os gastos com investimentos são identificados dentro da estrutura do Balan- ço Patrimonial, no grupo do ativo em razão da aquisição de bens ou direitos, seja pelo investimento em Estoques, outros Investimentos a curto ou longo prazos, itens do Imobilizado ou do Intangível. Observe a estrutura sintética dos itens que compõem o Ativo Patrimonial no Quadro 2. GRUPO ATIVO PATRIMONIAL Ativo Circulante Disponibilidades Créditos Estoques Despesas Antecipadas a Apropriar Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo Investimentos Imobilizado Intangível Quadro 2 – Estrutura sintética Ativo Patrimonial / Fonte: a autora. Dentro do subgrupo Despesas Antecipadas, são registradas as despesas que se realizarão no decorrer dos períodos, como as apropriações com seguros ou aluguéis pelo direito de utilização futura, não se tratando no primeiro momento como despesas propriamente ditas. Portanto, dentro da estrutura do Plano de Contas, Custos, Despesas e Per- das são considerados contas de Resultados, enquanto os Investimentos, Contas Patrimoniais. Quanto aos Estoques, ocorre uma relação entre o Balanço Patrimo- nial e a Demonstração de Resultados, considerando-se que a baixa dos Estoques reverte em custos para o reconhecimento da realização da Receita de Vendas. Nesse sentido, Viceconti e Neves (2013) destacam que, primeiramente, os custos são integrados aos Estoques (custos ativados) e, no momento da venda desses Estoques, são apropriados a Custos, em obediência ao regime de competência, pelo reconhecimento simultâneo com as Receitas que ajudaram a gerar. 1 8 Primeiramente, ocorre o investimento no Ativo, no subgrupo Estoques e, pelo regime de competência, o reconhecimento simultâneo das Receitas Realizadas e apropriação de custos (Custo dos Produtos Vendidos; Custo das Mercadorias Vendidas; Custo dos Serviços Prestados). NOVOS DESAFIOS Juntos, iniciaremos uma conexão para expandir nossos estudos acerca de custos, tomando como exemplo a relação do preço do petróleo com os demais setores da economia. Geralmente, quando ocorre o aumento de preços do petróleo, conse- quentemente haverá impactos em seus derivados, como o caso dos combustíveis, impactando também diversos contextos de mercado. Tomando por base o agronegócio, o combustível pode ser o material aplicado para o funcionamento de maquinários e equipamentos do processo agrícola. O setor utiliza serviços de transportes, que tem como insumo básico o combustível. Se o destino dos produtos for diretamente para o consumidor final ou passar por intermediadores para um processo de transformação ou comercialização, os valores dos gastos serão considerados para a formação de preços, ou seja, quanto foi gasto em cada etapa e o quanto cada setor pretende ganhar. Percebam o quão importante é distinguirmos quais os tipos de gastos de acordo com a atuação de cada empresa. No ambiente profissional, é importante que você compreenda como os custos são formados e como potencializar a pro- dutividade do setor de atuação, distinguir despesas relevantes e indispensáveis na obtenção das receitas de vendas, perceber investimentos que alavanquem proces- sos, precaver situações inesperadas e fazer uso dessas informações para controle e gestão, contribuindo positivamente no planejamento das empresas e visando à maior efetividade na tomada de decisão e a melhores resultados. É nesse ponto que destaco para você, estudante, a importância de se saber a teoria para aplicar no ambiente de trabalho. A Contabilidadeconsiderando também a qualidade do produto em relação às necessidades apresentadas pelo consumidor. Podemos também considerar como objetivo a expansão em vendas e o crescimento de mercado, evitando a competição e garantindo a sobrevivência, por exemplo. É recorrente nas empresas que o preço sugerido de seu produto seja igual ao que o concorrente pratica, ou seja, o preço que o mercado oferece para o mesmo pro- duto. Será que essa forma de definir o preço de venda é eficaz? PENSANDO JUNTOS A eficácia em sugerir como o preço de venda é praticado pela concorrência pode ocorrer quando o produto é novo no mercado. Às vezes, esse produto tem o preço menor que os dos seus concorrentes no período até se consolidar no mercado. Muitas empresas, ao focarem o cliente para estabelecer o preço de venda, anali- sam também, em sua classificação, o poder aquisitivo, ou seja, a renda familiar ou individual do consumidor. Assim, desenvolvem um conceito de produto para um mercado-alvo, específico, com qualidade e preços planejados. Outra forma utilizada para definir o preço de venda é baseá-lo nos custos. Uma empresa que adquire um produto para revenda utilizará o custo de aquisição. A empresa industrial, usando os custos da fabricação do produto e a prestadora de serviços, terá como base os custos evidenciados na prestação. APROFUNDANDO 1 1 4 Segundo Bernardi (2017), formar o preço de venda baseado no custo auxilia o entendimento do preço da concorrência e a formação da estratégia competitiva, ficando a empresa mais bem aparelhada para desenvolver sua própria política de formação de preços. Formação de preços: estratégias, custos e resultados Indico o livro Formação de preços: estratégias, custos e resul- tados, do autor Luiz Antonio Bernardi. Ele apresenta, com lin- guagem clara, a formação do preço de venda com relação aos aspectos estratégicos e mercadológicos. Traz também elementos e terminologias aplicados a custos, analisando a estrutura que a empresa dispõe e as avaliações das decisões tomadas na precificação. INDICAÇÃO DE LIVRO UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Para basear o preço de vendas nos custos, é importante estabelecer os custos totais de produção acrescidos das despesas de vendas, de administração e da margem de lucro desejada (BRUNI; FAMÁ, 2019). Para Viceconti (2018), o custo de fabricação dos produtos é uma variável que de- sempenha um papel importante, principalmente pelo fato de que, a não ser em cir- cunstâncias muito especiais, a empresa não pode vender por um preço abaixo do custo. Há uma metodologia utilizada para a formação do preço de venda para indús- trias, comércios e prestadoras de serviços baseada nos custos. Denominada de mar- kup, além dos custos, considera as despesas, os impostos e a margem de lucratividade. A metodologia markup para a formação do preço de venda Representa uma metodologia de precificação de produtos e serviços, em que são adicionados ao custo impostos, margem de lucro desejada e despesas. Seu objeti- vo é formar o preço de venda para cobrir todos os custos, despesas fixas, despesas variáveis de venda e impostos tanto sobre o faturamento quanto sobre o lucro. O markup consiste basicamente em somar ao custo unitário do produto uma mar- gem fixa para se obter o preço de venda. Sardinha (2013) considera que essa mar- gem é uma marcação que eleva o valor atribuído ao produto, sendo capaz de cobrir gastos e obter um lucro satisfatório. APROFUNDANDO 1 1 1 Para melhor compreender a metodologia do markup, serão descritos e concei- tuados os elementos que o compõem. CUSTOS Representam recursos aplicados na produção de um bem ou na prestação de um servi- ço. Com relação ao volume de produção, poderão ser classificados em fixos e variáveis. DESPESAS Retratam os recursos aplicados com o objetivo de obter receita ou faturamento. Com relação ao volume de vendas, poderão ser classificadas em fixas e variáveis. IMPOSTOS SOBRE VENDA OU FATURAMENTO Representam os impostos que são calculados quando um produto ou serviço é vendi- do. São exemplos: o Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) de trans- porte e comunicação, dentre outros, Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Fim Social (COFINS) e Imposto Sobre Serviços (ISS), que é exclusivo na presta- ção de serviços. Sobre o faturamento, para empresas industriais, há o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI). Outro imposto sobre faturamento é o Simples Nacional, o qual representa um regime tributário em que uma alíquota do seu enquadramento corresponde a todos os impostos descritos acima. IMPOSTO SOBRE O LUCRO Com base na legislação tributária brasileira, os impostos sobre o lucro são apresen- tados pelo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com alíquota de 15%, e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com alíquota de 9%. Formação de preço: uma abordagem prática por meio da análise custo-volume-lucro Indico o livro Formação de preço: uma abordagem prática por meio da análise custo-volume-lucro, do autor José Carlos Sardi- nha. Ele apresenta, com linguagem clara, a formação do preço de venda sobre a ótica da margem de contribuição e da análise do custo, volume e lucro. Apresenta exemplos práticos resolvi- dos para a compreensão do conteúdo. INDICAÇÃO DE LIVRO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 O cálculo desse imposto no preço de venda dependerá de qual regime tributário a empresa está enquadrada: no regime do Lucro Presumido ou Lucro Real. O Lucro Presumido é uma presunção por parte do Fisco do que seria o lucro das organizações caso não houvesse a Contabilidade. Visa facilitar a apuração da base de cálculo para algumas empresas, para apuração e recolhimento dos tributos de imposto de renda e contribuição social. As alíquotas de presunção para definir o lucro e a base de cálculo do IRPJ serão de acordo com a atividade da empresa. A seguir, apresentaremos algumas delas. 8% na venda de mercadorias e produtos. 32% na prestação de demais serviços, exceto hospitalares. As alíquotas de presunção para definir o lucro e qual a base de cálculo da CSLL serão de acordo com a atividade da empresa. 12% na venda de mercadorias e produtos. 32% prestação de serviços em geral, apresentando exceções apresentadas na legislação tributária vigente. O Lucro Real é aquele realmente apurado pela Contabilidade com base na com- pleta escrituração contábil-fiscal, com a estrita e rigorosa observância das normas contábeis vigentes. É o lucro líquido do período apurado na escrituração comer- cial, denominado lucro contábil, ajustado pelas adições, exclusões e compensa- ções autorizadas pela legislação do Imposto de Renda. Quando a empresa utiliza o regime do Lucro Real, a provisão do imposto de renda e da contribuição social pode ser trimestral ou anual. A Margem de Lucratividade representa um percentual estabelecido pela empresa de retorno do investimento aplicado na produção ou na prestação de serviços, ou seja, o lucro desejado. Na utilização do markup, é possível definir os impostos sobre a venda e as despesas variáveis de venda como proporção ou percentuais previamente definidos. Assim, com relação ao percentual de lucratividade, os impostos sobre o lucro, as despesas fixas, poderão ser somadas ao custo na determinação do preço. 1 1 8 Aplicação da metodologia markup nos regimes tributários O markup é calculado observando os regimes tributários, a partir das equações descritas a seguir. Os impostos e percentuais aplicados no cálculo do preço de venda estão em conformidade com a legislação tributária vigente no Brasil. Regime do Simples Nacional PV = Custos + Despesas Fixas / 1 - (Impostos sobre faturamento % + Margem de Lucro % + Despesas Variáveis %) Em que: Nos impostos sobre o faturamento, será considerado apenas o percentual do Simples em que a empresa está enquadrada. O % (percentual) do Simples Nacional sobre o faturamento é determinado obser- vando o ramo de atividadee a tabela ou anexo em que a empresa está enquadrada. APROFUNDANDO Regime do Lucro Presumido PV = Custos + Despesas fixas / 1 - (Impostos sobre faturamento % + Margem de Lucro % + Despesas Variáveis % + Impostos sobre o lucro %) Em que: Nos impostos sobre o faturamento, serão considerados o PIS, COFINS, ICMS e ISS. Já os impostos sobre o lucro serão calculados multiplicando a alíquota do imposto com a alíquota da presunção de lucro conforme a atividade. Assim, vejamos os exemplos para o IRPJ e para a CSLL. IRPJ = 15% x 8% = 1,20. IRPJ Adicional = 8% x 10% = 0,80%. CSLL = 9% x 12% = 1,08%. O percentual do imposto sobre o lucro será de 3,08%. Regime do Lucro Real PV = Custos + Despesas Fixas / 1 - ((Impostos sobre faturamento % + Des- pesas Variáveis % + Margem de Lucro %) + ((Margem de Lucro % / 100 - 34%) - Margem de lucro%)). UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Em que: 100% - 34% = 66 representa o percentual dos impostos sobre o lucro, ou seja, divide o lucro pretendido por 0,66, embutindo o imposto de 34% nesse lucro. Com relação ao IPI, nos regimes de Lucro Presumido e Real, deverão ser calculados sobre o preço de venda encontrado na aplicação do markup. Em todas as equações apresentadas, as variáveis impostos, lucratividade deseja- da, entre outras, devem ser divididas por 100. Por exemplo: 7,6% / 100 = 0,076 — esse valor que fará parte da equação. ZOOM NO CONHECIMENTO Enfim chegou o momento mais aguardado do conteúdo, a aplicação das equações do markup conforme o regime tributário. Lembrando que as equações podem ser aplicadas para qualquer atividade, seja industrial, comercial e serviços, respei- tando os tributos sobre o faturamento para cada atividade e o regime tributário em que a empresa se encontre enquadrada. Com o objetivo de exemplificar a aplicação das equações, vejamos o caso apresentado a seguir. Em um determinado período, uma empresa industrial apresentou as seguin- tes informações, conforme demonstrado no Quadro 1, para a utilização do mar- kup na formação do preço de venda. Considere os três regimes tributários para encontrar o preço de venda. 1 8 1 PREVISÃO DE PRODUÇÃO E VENDA (UNIDADES) 100 .000 Custos fixos (R$) 195.000,00 Despesas fixas (R$) 46.000,00 Custo variável (R$) 3,60 Despesas com vendas 3% Lucratividade desejada 15% Impostos sobre faturamento (Simples Nacional) 7,5% Impostos sobre faturamento (Lucro Presumido) 22,65% Impostos sobre faturamento (Lucro Real) 28,25% Impostos sobre o lucro (Lucro Presumido) 3,08% Impostos sobre o lucro (Lucro Real) 34% Quadro 1 – Dados da empresa Fonte: o autor. ■ Impostos sobre faturamento (Simples Nacional) 6,5%. O percentual veio da ta- bela do Simples Nacional, considerando o faturamento acumulado nos últi- mos 12 meses. ■ Imposto sobre faturamento (Lucro Presumido) 22,65%. É a soma de 19% do ICMS, 3% do COFINS e 0,65% do PIS. ■ Imposto sobre faturamento (Lucro Real) 28,25%. É a soma de 19% do ICMS, 7,6% do COFINS e 1,65% do PIS. ■ Caso fosse uma empresa prestadora de serviço, utilizaríamos o ISS como imposto sobre o faturamento. APROFUNDANDO UNIASSELVI 1 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Aplicando as equações, os cálculos ficarão da seguinte forma: A- Regime tributário Simples Nacional PV = Custos + Despesas Fixas / 1 - (Impostos sobre faturamento % + Margem de Lucro % + Despesas Variáveis %). PV = (R$ 195.000,00 + (100.000 x R$ 3,60) + R$ 46.000,00 / 1 - (0,075 + 0,15 + 0,03). PV = R$ 555.000,00 + R$ 46.000,00 / 0,745 = R$ 806.711,41. PV = R$ 806.711,41 / 100.000 = PV (unitário) = R$ 80,67. Para comprovar o cálculo realizado, será apresentada no Quadro 2 uma De- monstração do Resultado do Exercício. DRE SIMPLES NACIONAL Faturamento 806.711,41 (-) Impostos s/ Faturamento 60.503,36 (=) Lucro Bruto 746.208,05 (-) Custo 555.000,00 (=) Lucro Líquido 191.208,05 Despesas Variáveis 24.201,34 Despesas Fixas 46.000,00 Lucro do Período 121.006,71 Quadro 2 – DRE pelo regime tributário do Simples Nacional Fonte: o autor. B- Regime tributário Lucro Presumido PV = Custos + Despesas Fixas / 1 - (Impostos sobre faturamento % + Margem de Lucro % + Despesas Variáveis % + Impostos sobre o lucro %). 1 8 1 PV = (R$ 195.000,00 + (100.000 x R$ 3,60) + R$ 46.000,00 / 1 - (0,2265 + 0,15 + 0,03 + 0,0308). PV = R$ 555.000,00 + R$ 46.000,00 / 0,5627 = R$ 1.068.064,69. PV = R$ 1.068.064,69 / 100.000 = PV (unitário) = R$ 106,81. Para demonstrar o cálculo realizado, apresentaremos no Quadro 3 uma De- monstração do Resultado do Exercício – Lucro Presumido. DRE LUCRO PRESUMIDO Faturamento 1.068.064,69 (-) Impostos s/ Faturamento 241.916,65 (=) Lucro Bruto 826.148,04 (-) Custo 555.000,00 (=) Lucro Líquido 271.148,04 (-) Despesas Variáveis 32.041,94 (-) Despesas Fixas 46.000,00 Lucro antes dos Impostos 193.106,10 (-) Impostos s/ Lucro 32.896,39 Lucro do Período 160.209,70 Quadro 3 – DRE pelo regime tributário do Lucro Presumido Fonte: o autor. C- Regime tributário Lucro Real PV = Custos + Despesas Fixas / 1 - ((Impostos sobre faturamento % + Des- pesas Variáveis % + Margem de Lucro %) + ((Margem de Lucro % / 100 - 34) - Margem de lucro %)). UNIASSELVI 1 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 PV = (R$ 195.000,00 + (100.000 x R$ 3,60) + R$ 66.000,00 / 1 - ((0,2825 + 0,03 + 0,15) + ((0,15 / 0,66) - 0,15)). PV = R$ 555.000,00 + R$ 46.000,00 / 0,4602 = R$ 1.305.876,54. PV = R$ 1.305.876,54 / 100.000 = PV (unitário) = R$ 130,59. Para demonstrar o cálculo efetuado, apresentaremos no Quadro 4 uma De- monstração do Resultado do Exercício — Lucro Real. DRE LUCRO REAL Faturamento 1.305.876,54 (-) Impostos s/ Faturamento 368.910,12 (=) Lucro Bruto 936.966,42 (-) Custo 555.000,00 (=) Lucro Líquido 381.966,42 (-) Despesas Variáveis 39.176,30 (-) Despesas Fixas 46.000,00 Lucro antes dos Impostos 296.790,12 (-) Impostos s/ Lucro 100.908,64 Lucro do Período 195.881,48 Quadro 4 – DRE pelo regime tributário do Lucro Real Fonte: o autor. Com a aplicação das equações para formar o preço de venda, evidenciamos as variáveis e elementos quantitativos necessários e seu papel na definição do preço. Ao considerar os regimes tributários nessa formação, contemplamos o funcio- namento e os cálculos dos impostos e contribuições existentes primeiramente sobre o faturamento e, posteriormente, sobre o lucro pretendido. 1 8 4 NOVOS DESAFIOS Com relação ao conteúdo apresentado, seu objetivo foi demonstrar de forma teórica e prática como ocorre a formação do preço de venda. Também procurou relacionar as variáveis e os elementos necessários para abastecer uma empresa para melhor formar seu preço de venda, podendo ser para as empresas indus- triais, comerciais ou prestadoras de serviço. Um ponto a se destacar no conteúdo foi a aplicação do modelo de precificação denominado markup. Esse modelo forma o preço de venda a partir dos custos, uti- lizando as despesas, os impostos e as contribuições. A formação do preço tem uma relação bem estreita com os tributos, assim, foi demonstrado o cálculo do markup para cada regime tributário, o Simples Nacional, o Lucro Presumido e o Lucro Real. Você pode se perguntar: onde utilizarei os conceitos apresentados neste tema, na vida ou na atividade profissional? É possível afirmar que a aplicação da definição do preço de venda será aplicada quan- do você exercer atividade em empresas na gestão de custos ou na área comercial, podendo ser no gerenciamento de uma empresa própria ou até prestando consultoria nessa área. Quanto a esse contexto, algumas empresas não formam o preço de venda utilizando uma metodologia ou técnica específica. Muitas, quando exercem ati- vidade de comércio, dobram o valor da aquisição do produto e consideram o preço de venda. Outras, seguem os preços praticados pelos concorrentes ou o que é aceito pelo mercado consumidor. Vale destacar também que o profissional da área da Contabilidade é capacitado para auxiliar uma empresa na melhoria da formação do preço de venda, apresentando o real preço de venda que deveser praticado utilizando tanto os custos quanto as despesas incidentes. E para finalizar, desejo a todos bons estudos, que o conteúdo aqui apresentado possa ser utilizado no futuro exercendo atividade que congregue conhecimento na gestão de custos e formação do preço de venda. Vale destacar que, na formação do preço de venda, são utilizados os custos do produto ou da prestação de serviços, para, a partir daí, tomar a decisão de utilizá-lo ou defini-lo com base no preço do mercado, se for o caso. APROFUNDANDO UNIASSELVI 1 8 5 1. O conhecimento dos próprios custos e despesas, além do método de formação de preços, auxilia o entendimento dos custos da concorrência e da estratégia competitiva, ficando a empresa melhor aparelhada para desenvolver sua própria estratégia de preços e política mercadológica, tornando-se, assim, muito mais competitiva (BERNARDI, 2017). Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I - A determinação do preço de venda de um produto é um processo complexo, que envolve a consideração de diversos fatores. PORQUE II - Isso ocorre porque o preço de venda precisa não apenas cobrir os custos de produção, mas também proporcionar uma margem de lucro que sustente o negócio e seja com- petitivo no mercado. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são falsas. 2. O markup consiste basicamente em somar ao custo unitário do produto uma margem fixa para se obter o preço de venda. Essa margem é uma marcação que eleva o valor atribuí- do ao produto, sendo capaz de cobrir suas despesas e gerar, ainda, um lucro satisfatório (SARDINHA, 2013). Com relação à metodologia de precificação markup, analise as afirmativas a seguir. I - Considera no cálculo do markup tanto as despesas variáveis como as fixas. II - No cálculo do markup, deve-se considerar tanto os impostos sobre o faturamento quanto o do lucro, considerando os regimes tributários. III - O IPI, por ser calculado por fora, não entra no cálculo do markup. A alíquota do IPI é aplicada sobre o preço que foi definido pelo markup IV - No cálculo do markup, quando a empresa estiver no regime do simples nacional, a alí- quota considerada representa um imposto sobre o lucro. AUTOATIVIDADE 1 8 1 É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. 3. Segundo Bruni e Famá (2019), o markup tem a finalidade de cobrir os impostos sobre vendas, as taxas variáveis sobre vendas, as despesas administrativas fixas, as despesas de vendas fixas e o lucro desejado pela empresa. O markup pode ser calculado por meio de um multi- plicador, representado por quanto devem ser multiplicados os custos para se obter o preço de venda a praticar. Uma loja de eletrônicos está considerando aplicar um markup de 42% sobre o custo de um smartphone para determinar o preço de venda. O preço que ele paga na aquisição do produto para a revenda é de R$ 350,00. O proprietário da loja sabe que seus concorrentes vendem o aparelho por R$ 550. Considerando a metodologia do markup, qual seria o preço de venda do aparelho smart- phone? a) R$ 550,00. b) R$ 497,00. c) R$ 350,00. d) R$ 300,00. e) R$ 150,00. AUTOATIVIDADE 1 8 1 REFERÊNCIAS BERNARDI, L. A. Formação de preços: estratégias, custos e resultados. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12c e Excel. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. COMO CALCULAR o preço de venda (jeito prático e sem segredos com o markup). [S. l.: s. n.], 2021. 1 vídeo (10 min.). Publicado pelo canal Blog Abri Minha Empresa. Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=rzn8FAlUJuo. Acesso em: 17 abr. 2024. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil,2018. SARDINHA, J. C. Formação de preço: uma abordagem prática por meio da análise custo-volu- me-lucro. São Paulo: Atlas, 2013. VICECONTI, P. Contabilidade de c: um enfoque direto e objetivo. 12. ed. São Paulo: Saraiva Edu- cação, 2018. 1 8 8 1. Alternativa A. A asserção I é verdadeira. É um processo complexo que, além de envolver os custos, impos- tos, despesas e margem de lucratividade, envolve a demanda, concorrentes, mercado de atuação, e público-alvo. A asserção II é verdadeira, pois relata o princípio básico da formação do preço de venda. 2. Alternativa D. As afirmativas I, II, e III estão corretas, conforme apresentado nos temas 7 e 8. Com relação ao IPI, ele não entra no cálculo do markup, pois seu cálculo é por fora, e os demais impostos são embutidos, ou seja calculados por dentro. A afirmativa IV está incorreta, o imposto do Simples Nacional é considerado sobre o faturamento, e não sobre o lucro. 3. Alternativa B. O preço real a ser praticado será: R$ 350,00 *42% = R$ 147,00. Com a soma entre o custo + o markup entrado, teremos um preço de venda de R$ 497,00, portanto, as alternativas A, C, D e E estão erradas GABARITO 1 8 9 MINHAS METAS PRÁTICAS EM CONTABILIDADE DE CUSTOS Relembrar conceitos das terminologias aplicadas a custos efetuando sua contabilização. Identificar a aplicação de critérios de rateio dos custos fixos. Utilizar elementos que compõem os custos diretos e indiretos, demonstrando sua contabilização. Demonstrar a contabilização de compra para estoque e sua saída por venda ou utilização na produção. Utilizar conceitos de departamentalização, efetuando sua contabilização por meio de exemplo. Demonstrar a aplicação e contabilização do método de custeio por absorção. Demonstrar a contabilização dos custos nos sistemas de apropriação por ordem e processo. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9 1 9 1 INICIE SUA JORNADA Quando pensamos em custos, identificamos um elemento de suma importância na gestão de uma empresa, complexo, mas que pode garantir a sobrevivência de uma empresa em seu mercado de atuação. Alguns desafios surgem nessa gestão, por exemplo, qual método de custeio utilizar, qual método de apropriação de custos utilizar, avaliar os estoques e realizar os lançamentos contábeis de todas essas variáveis. Apesar desses desafios e dificuldades, é possível enxergar uma luz no fim do túnel, que não é a luz do trem. Brincadeiras à parte, eles demonstram a im- portância da Contabilidade de custos na gestão e na tomada de decisões estra- tégicas, contribuindo com a análise de rentabilidade e a formação de preços. Outro aspecto importante é a geração de informações que auxiliarão tanto na classificação quanto no controle dos custos e despesas, identificando pontos de melhorias. Todos esses pontos são visualizados em empresas que já constataram essa importância. Quando suspendem a produção de um produto e optam por comprar o produto pronto e revendê-lo, visam minimizar os custos fixos e me- lhorar o processo de produção, dentre outros. Nada disso tem sentido se as práticas e decisões tomadas não estão alinhadas com os objetivos estratégicos de longo prazo da empresa. Também é necessário ter garantias de que a informação gerada na Contabilidade de custos seja precisa e confiável. Nessa jornada que se inicia, você verá a importância da aplicação da Contabilidade, a qual será demonstrada em alguns exemplos apresentados. Com relação ao tema Práticas em Contabilidade de custos, você está convidado a acessar o nosso podcast sob o tema: “ Uma viagem pelos métodos de custeio”. Acesse o recurso para conhecer o funcionamento dessas práticas, com o objetivo de aprimorar o seu aprendizado. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo di- gital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 DESENVOLVA SEU POTENCIAL PRÁTICAS EM CONTABILIZAÇÃO DOS CUSTOS Neste tema de aprendizagem, serão demonstradas algumas práticas de contabi- lização e cálculos de terminologias aplicadas a custos, métodos de avaliação de estoques, método de custeio por absorção e a apropriação dos custos por ordem. Contabilização das terminologias aplicadas na contabilidade de custos Com relação às terminologias aplicadas na Contabilidade de custos, temos: custos, despesas, investimentos, desembolso, perdas e desperdício. Para melhor compreender os termos aplicados na Contabilidade de custos, vejamos o exemplo apresentado no Quadro 1. Vamos supor que uma empresa em um determinado período apresentou os seguintes eventos em sua operação produtiva. 1. Aquisição de matéria-prima R$15.000,00 2. Depreciação de equipamentos fabris R$1.800,00 3. Juros de financiamento de veículos comerciais R$2.300,00 VAMOS RECORDAR? Para recordar alguns conceitos necessários que serão utilizados em seu aprendizado, como conceito de custos diretos e indiretos, custos fixos e variáveis, formas de rateio, apuração dos custos e ferramentas de gestão que uma empresa poderá utilizar para avaliar o comportamento de seus custos até a formação do preço de venda, assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=fvO9dCppizI 1 9 1 4. Salários e encargos do pessoal da produção R$8.000,00 5. Seguro da fábrica R$930,00 6. Dias parados por incêndio na fábrica R$650,00 7. Pagamento parcela de financiamento R$1.250,00 8. Publicidade propaganda R$870,00 9. Aluguel da fábrica R$2.500,00 10. Energia elétrica da fábrica R$1.800,00 11. Salários dos encarregados da produção R$3.500,00 12. Depreciação dos veículos comerciais R$780,00 13. Matérias primas utilizadas na fábrica R$9.100,00 14. Retrabalho em produtos com defeitos R$1.300,00 Quadro 1 – Eventos da empresa durante a operação produtiva Fonte: o autor. Para classificar os eventos ocorridos dentro das terminologias estudadas, a em- presa lhe contratou para identificar cada evento apresentado, como: desembolso, investimento, custos, despesas, perda e desafio. Você aceita o desafio? Para realizar a classificação de cada evento solicitado, é necessário elaborar uma planilha, conforme demonstrado no Quadro 2. Desse modo, o Quadro 2 classifica os eventos apresentados, relacionando-os com a terminologia usual aplicada na Contabilidade de custos. UNIASSELVI 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 EVENTO DESEMBOLSO INVESTIMENTO CUSTOS DESPESAS PERDA DESPERDÍCIO 1 15.000,00 2 1.800,00 3 2.300,00 4 8.000,00 5 930,00 6 650,00 7 1.250,00 8 870,00 9 2.500,00 10 1.800,00 11 3.500,00 12 780,00 13 9.100,00 14 1.300,00 TOTAL 1.250,00 15.000,00 27.630,00 3.950,00 650,00 1.300,00 Quadro 2 – Classificação dos eventos conforme a gestão de custos Fonte: adaptado de Bruni e Famá (2019). Aqui surge um novo desafio. Você saberia realizar o lançamento contábil de cada evento apresentado? PENSANDO JUNTOS Após a classificação dos eventos, o Quadro 3 apresenta a contabilização deles. 1 9 4 EVENTO E CONTA GRUPO LANÇAMENTOS DÉBITO (R$) CRÉDITO (R$) 1. Aquisição de matéria-prima Estoques Ativo Circulante 15.000,00 Fornecedores Passivo Circulante 15.000,00 2. Depreciação de equipamentos fabris Custo com depreciação Contas de Apuração de Custos 1.800,00 Depreciação acumulada Ativo Não Circulante 1.800,00 3. Juros de financiamento dos veículos dos gerentes comerciais Despesa Financeira Resultado 2.300,00 Juros apropriados Ativo Não Circulante 2.300,00 4. Salários e encargos do pessoal da produção Mão de obra direta Contas de Apuração de Custos 8.000,00 Salários a recolher Ativo Circulante 8.000,00 5. Apropriação do Seguro da fábrica (1/12) Custo com seguro Contas de Apuração de Custos 930,00 Seguros a apropriar Ativo Circulante 930,00 6. Dias parados por incêndio na fábrica Despesa com paralisação da operação Resultado 650,00 UNIASSELVI 1 9 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 EVENTO E CONTA GRUPO LANÇAMENTOS DÉBITO (R$) CRÉDITO (R$) Banco conta corrente Ativo Circulante 650,00 7. Pagamento de parcela de financiamento de uma máquina Financiamento de Máquinas Passivo Circulante 1.250,00 Banco conta corrente Ativo Circulante 1.250,00 8. Publicidade/propaganda Despesas com vendas Resultado 870,00 Contas a pagar Passivo Circulante 870,00 9. Aluguel da fábrica Custo com aluguel Contas de Apuração de Custos 2.500,00 Aluguel a pagar Passivo Circulante 2.500,00 10. Energia elétrica da fábrica Energia Elétrica na produção Contas de Apuração de Custos 1.800,00 Energia elétrica a pagar Passivo Circulante 1.800,00 11. Salários dos encargos da produção Mão de obra indireta Contas de Apuração de Custos 3.500,00 Salários a pagar Passivo Circulante 3.500,00 12. Depreciação dos veículos de entregas das vendas Despesa com depreciação Resultado 780,00 1 9 1 EVENTO E CONTA GRUPO LANÇAMENTOS DÉBITO (R$) CRÉDITO (R$) Depreciação acumulada Ativo Não Circulante 780,00 13. Matérias-primas utilizadas na fábrica Matéria-prima utilizada na produção Contas de Apuração de Custos 9.100,00 Estoques Ativo Circulante 9.100,00 14. Retrabalho em produtos produzidos com defeitos Despesa com desperdício de material Resultado 1.300,00 Estoques Ativo Circulante 1.300,00 Quadro 3 – Contabilização dos eventos apresentados pela empresa Fonte: o autor. Nos lançamentos, 2,4, 5, 9,10,11 e 13, o débito é considerado na Conta Apuração de Custos. Abrange o grupo de contas de custo pertencentes ao plano de contas, com a finalidade de acumular e apurar os custos, que, por exemplo, no caso de uma indústria, irá para a conta de estoque de produto acabado. Com relação aos lançamentos 6 e 14, respectivamente, perdas e desperdícios, são lançados diretamente na DRE como despesas, afetando o resultado do exercício. Demonstração prática dos métodos de avaliação de estoques Os métodos de avaliação de estoques, geralmente utilizado, são três: o Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai (PEPS), Último que Entra é o Primeiro que Sai (UEPS) e o Preço Médio Ponderado Móvel (PMPM) ou, simplesmente, média. UNIASSELVI 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Com relação à utilização de cada um dos métodos de avaliação dos estoques, é importante destacar: PEPS – é aceito pela legislação tributária brasileira, mas não é vantajoso para a empresa, pois, considerando o custo da matéria-prima que primeiro entrou, na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) ele será baixo, fazendo com que o lucro seja alto e, consequentemente, a empresa pague mais impostos. UEPS – não é aceito pela legislação tributária. Ao utilizar o preço mais atual da matéria-prima, na DRE, o lucro é elevado, como consequência, pagaria menos impostos. São utilizados mais como ferramentas gerenciais; contábil e fiscalmente, utiliza-se o método PMPM. ZOOM NO CONHECIMENTO Para evidenciar o funcionamento da avaliação dos estoques, utilizando apenas o método de avaliação o PMPM (média), que é aceito pela legislação tributária brasileira e utilizado pelas empresas tributadas pelo lucro real, verificaremos o seguinte caso: em um determinado período, uma indústria apresentou a seguinte movimentação de entrada e saída da sua principal matéria-prima de seu estoque, conforme descrito a seguir. ■ Data X1 – Saldo em estoque de 10 unidades a R$20,00 cada. ■ Data X2 – Compra de 10 unidades a R$22,00 cada. ■ Data X3 – Baixa de 5 unidades para a produção. ■ Data X4 – Baixa de 10 unidades para a produção. ■ Data X5 – Compra de 15 unidades a R$25,00 cada. ■ Data X6 – Baixa de 5 unidades para a produção. Utilizando as informações relacionadas, apresente a ficha de estoque para o mé- todo PMPM e os lançamentos contábeis das compras e baixas da matéria-prima. 1 9 8 D AT A EN TR AD A SA ÍD A SA LD O Q U AN T VA LO R Q U AN T VA LO R Q U AN T VA LO R U N IT TO TA L U N IT TO TA L U N IT TO TA L X1 10R$ 20 ,0 0 R$ 20 0, 00 10 R$ 20 ,0 0 R$ 20 0, 00 1 X2 10 R$ 22 ,0 0 R$ 2 20 ,0 0 - - - 20 R$ 2 1,0 0 R$ 4 20 ,0 0 2 X3 - - - 5 R$ 2 1,0 0 R$ 1 05 ,0 0 15 R$ 2 1,0 0 R$ 3 15 ,0 0 3 X4 - - - 10 R$ 2 1,0 0 R$ 2 10 ,0 0 5 R$ 2 1,0 0 R$ 1 05 ,0 0 4 X5 15 R$ 25 ,0 0 R$ 3 75 ,0 0 - - - 20 R$ 24 ,0 0 R$ 48 0, 00 5 X6 - - - 5 R$ 24 ,0 0 R$ 1 20 ,0 0 15 R$ 24 ,0 0 R$ 36 0, 00 6 Re su lt 35 - R$ 7 95 ,0 0 20 - R$ 4 35 ,0 0 15 - R$ 36 0, 00 7 Q ua dr o 4 – Fi ch a de e st oq ue p el o m ét od o PM PM Fo nt e: a da pt ad o de M ar ti ns (2 0 2 3 ). NO PDF PRESSIONE: CTRL + SHIFT + + UNIASSELVI 1 9 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Explicando o Quadro 4, com relação aos números destacados, teremos: ■ 1 – representa o saldo anterior que já estava no estoque. ■ 2 e 5 – compõem a entrada de matéria no estoque, em função das compras realizadas (não há impostos). Na coluna saldo, é apresentado o cálculo do preço médio, somando os valores totais e dividindo pela quantidade do produto. ■ 3, 4, e 6 – são as baixas realizadas para a produção considerando o valor da média dos produtos que entraram. ■ 7 – retrata o valor do custo da matéria-prima utilizada na produção no período. Portanto, a lógica do critério do preço médio é sempre baixar do estoque a mercadoria ou produto pelo valor da última média calculada em relação à última entrada de mercadoria. É importante lembrar que o critério do preço médio é aceito pela legislação tributária brasileira. A contabilização dos eventos descritos na ficha de estoque está demonstrada no Quadro 5. Os lançamentos contábeis referem-se a partir da data X2 até a X6. EVENTO E CONTA GRUPO LANÇAMENTOS DÉBITO (R$) CRÉDITO (R$) 1. Lançamento data X2 Estoques Ativo Circulante 220,00 Fornecedores Passivo Circulante 220,00 2. Lançamento data X3 Custo com matéria-prima Apuração dos custos 105,00 Estoques Ativo Circulante 105,00 1 1 1 EVENTO E CONTA GRUPO LANÇAMENTOS DÉBITO (R$) CRÉDITO (R$) 3. Lançamento data X4 Custo com matéria-prima Apuração dos custos 210,00 Estoques Ativo Circulante 210,00 4. Lançamento data X5 Estoques Ativo Circulante 375,00 Fornecedores Passivo Circulante 375,00 5. Lançamento data X6 Custo com matéria-prima Apuração dos custos 375,00 Estoques Ativo Circulante 375,00 Quadro 5 – Lançamentos contábeis Fonte: o autor. Contabilidade de custos Indico o livro Contabilidade de custos, do autor Eliseu Martins. Considerado o livro mais completo dessa área, apresenta uma linguagem técnica a respeito de custos e sua relação com a Contabilidade, dispondo de todos os assuntos pertinentes, tan- to teóricos quanto práticos, acerca do assunto. INDICAÇÃO DE LIVRO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Aplicação prática dos métodos de custeio por absorção e por atividade Na gestão de custos, pode-se utilizar três métodos de custeio. O método de cus- teio por absorção, variável direto e o por atividades. Neste subtítulo, serão apre- sentados os lançamentos contábeis e a descrição prática do método de custeio por absorção e o método por atividade. Métodos de custeios representam a forma como um custo será alocado a um produto ou serviço e quais os custos que irão compor o produto ou serviço dentre os custos variáveis e os fixos. APROFUNDANDO Segundo Dubois et al. (2023), todos os métodos de custeio objetivam determinar o custo unitário de cada bem ou serviço produzido por uma empresa. 1 1 1 Serão apresentados o funcionamento e os lançamentos contábeis do método de custeio por absorção. Quando utilizamos o custeio por absorção, os custos são apropriados por pro- cesso, que, muitas vezes, dão lugar aos departamentos. Segundo Bruni e Famá (2019), a apropriação dos custos por processo deve procurar refletir todo o pro- cesso físico da produção, criando, por exemplo, departamentos ou centros de acumulação desses custos. APROFUNDANDO Como uma forma de apropriar os custos dos processos produtivos, surgem o que denominamos departamentos, que, conforme apresentado por Bruni e Famá (2019), pode ser definido como uma unidade operacional ou processo represen- tada por um conjunto de homens e/ou máquinas de características semelhantes, desenvolvendo atividades homogêneas. Para melhor ilustrar o método de custeio por absorção e a apropriação dos custos aos processos ou departamentos, acompanhe o exemplo descrito a seguir: uma empresa industrial é composta de dois departamentos produtivos, o de montagem e o de pintura, tendo também um departamento auxiliar, denomina- do de almoxarifado. A empresa produz dois produtos, o produto 1 e 2. Em um determinado período, os custos indiretos de produção ocorridos foram: ■ Matéria-prima utilizada – R$ 15.000,00. ■ Manutenção das máquinas – R$ 2.600,00. ■ Depreciação das máquinas – R$ 3.200,00. ■ Salário da equipe de produção – R$ 8.000,00. Os custos indiretos foram alocados aos departamentos conforme o Quadro 6. Nele, também são identificados os processos e os custos indiretos aferidos a cada um deles, inclusive aos processos definidos como montagem e pintura. Já o departamento auxiliar foi rateado para os departamentos produtivos. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 CUSTOS INDIRETOS R$ PRODUTIVOS AUXILIAR TOTAL MONTA- GEM PINTURA ALMOXARI- FADO Manutenção R$ 2.600,00 R$ 1.170,00 R$ 780,00 R$ 650,00 R$ 2.600,00 % Rateio 45% 30% 25% 100% Depreciação R$ 3.200,00 R$ 1.600,00 R$ 1.600,00 - R$ 3.200,00 % Rateio 50% 50% 100% Soma R$ 5.800,00 R$ 2.770,00 R$ 2.380,00 R$ 650,00 R$ 5.800,00 Almoxarifado R$ 273,00 R$ 377,00 R$ 650,00 % Rateio 42% 58% 100% Total R$ 3.043,00 R$ 2.757,00 R$ 5.800,00 Quadro 6 – Mapa de alocação dos custos indiretos Fonte: adaptado de Bruni e Famá (2019). Sabe-se que o departamento de montagem trabalha 52% para o produto 1 e 48% para o produto 2; e que o departamento de pintura, dos serviços prestados, está dividido em 50% para cada produto. Com relação aos custos diretos, cada produto receberá 50% do total. Assim, conforme o Quadro 7, os custos de cada produto ficaram assim constituídos: 1 1 4 CUSTOS PRODUTO 1 PRODUTO 2 Custos Diretos (R$) Matéria-prima 7.500,00 7.500,00 Salário de produção 6.000,00 6.000,00 Total (1) 13.500,00 13.500,00 Custos Indiretos (R$) Montagem 1.582,36 1.460,64 Pintura 1.378,50 1.378,50 Total (2) 2.960,86 2.839,14 Custo Total (1+2) 16.460,86 16.339,14 Quadro 7 – Apuração do custo do produto Fonte: o autor. VOCÊ SABE RESPONDER? Após a apresentação do mapa de alocação e rateio dos custos indiretos aos departamentos produtivos e auxiliares, você saberia responder como ficaria a contabilização desses eventos? UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 O Quadro 8 apresenta os lançamentos contábeis referentes à apuração dos custos nos departamentos produtivos, ou processo de produção. EVENTO E CONTA GRUPO LANÇAMENTOS DÉBITO (R$) CRÉDITO (R$) 1. Custo de manutenção – Departamento de Manutenção Manutenção Conta custo – Departamento 1.170,00 Fornecedores Passivo Circulante 1.170,00 2. Custo de manutenção – Departamento de Pintura Manutenção Conta custo – Departamento 780,00 Fornecedores Passivo Circulante 780,00 3. Custo de Manutenção – Departamento de Almoxarifado Manutenção Conta custo – Departamento 650,00 Fornecedores Passivo Circulante 650,00 4. Custo com Depreciação – Departamento de Manutenção Custo com depreciação Conta custo – Departamento 1.600,00 Depreciação acumulada Ativo não Circulante 1.600,00 5. Custo com Depreciação – Departamento de Pintura Custo com depreciação Conta custo – Departamento 1.600,00 Depreciação acumulada Ativo não Circulante 1.600,00 6. Transferência do Departamento de Almoxarifado – Departamento de Manutenção Custos Transferidos Conta custo – Departamento 273,00 1 1 1 EVENTO E CONTA GRUPO LANÇAMENTOS DÉBITO (R$) CRÉDITO (R$) Departamento de Almo-xarifado Conta Transferências dos custos 273,00 7. Transferência do Departamento Almoxarifado – Departamento de Pintura Custos Transferidos Conta custo – Departamento 377,00 Departamento de Almo- xarifado Conta Transferências dos custos 377,00 8. Transferência do Departamento Manutenção – Produto 1 Produto 1 Apuração dos Custos 1.582,36 Custos Transferidos Conta custo – Departamento 1.582,36 9. Transferência do Departamento de Manutenção – Produto 2 Produto 2 Apuração dos Custos 1.460,64 Custos Transferidos Conta custo – Departamento 1.460,64 10. Transferência do Departamento de Pintura – Produto 1 Produto 1 Apuração dos Custos 1.378,50 Custo Transferidos Conta custo – Departamento 1.378,50 11. Transferência do Departamento de Manutenção – Produto 2 Produto 2 Apuração dos Custos 1.378,50 Custos Transferidos Conta custo – Departamento 1.378,50 12. Matéria-prima – Produto 1 Produto 1 Apuração dos Custos 7.500,00 UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 EVENTO E CONTA GRUPO LANÇAMENTOS DÉBITO (R$) CRÉDITO (R$) Estoques Ativo Circulante 7.500,00 13. Matéria-prima – Produto 2 Produto 2 Apuração dos Custos 7.500,00 Estoques Ativo Circulante 7.500,00 14. Salários – Produto 1 Produto 1 Apuração dos Custos 6.000,00 Salários a pagar Passivo Circulante 6.000,00 15. Salários – Produto 2 Produto 2 Apuração dos Custos 6.000,00 Salários a pagar Passivo Circulante 6.000,00 Quadro 8 – Registro contábil dos eventos ocorridos Fonte: o autor. Como foi possível observar no Quadro 8, ocorreu a expressão dos lançamentos contábeis dos eventos apresentados no exemplo. Considerando que a empresa é departamentalizada, os custos indiretos foram lançados por critério de rateio pre- definido, um valor para cada departamento, considerados nos lançamentos 2 a 5. Os lançamentos 6 e 7 apresentam a transferência do departamento auxiliar absorvido pelos produtivos. Após, foram efetuados os lançamentos de transfe- rências dos custos dos departamentos produtivos para os produtos, conforme critério de rateio estabelecido apresentado nos lançamentos 8 a 11. Nos lançamentos 12 a 15, foram demonstrados os lançamentos de locação dos custos diretos para cada produto. Não foram apresentados, mas os lança- mentos finais seriam transferir os custos apurados em cada produto e lançar no estoque tanto para o produto 1 quanto para o produto 2. 1 1 8 Considerando o método de custeio baseado em atividade (ABC), vejamos o exemplo descrito a seguir. Uma determinada empresa produz o produto 1 (P1) e o produto 2 (P2). A matéria-prima total utilizada na produção foi de R$ 85.000,00, a Mão de Obra Direta (MOD) foi de R$ 18.000,00, sendo que o P1 recebeu 55% do valor da matéria-prima e da MOD. Já o P2 recebeu 45% tanto da matériaprima quanto da MOD. Os custos indiretos são compostos da seguinte forma: Gestão de custos e formação do preço de venda Indico o livro Gestão de custos e formação do preço de venda, de Dubois et al. Apresenta uma linguagem clara e acessível acerca dos principais pontos da gestão de custos e formação do preço de venda, tanto de forma teórica quanto prática. INDICAÇÃO DE LIVRO CUSTO DAS ATIVIDADES R$ DIRECIONADORES P1 P2 Supervisionar produção 17.900,00 Lotes de produção 45 55 Entregar material 8.000,00 Requisição solicitadas 60 40 Quadro 9 – Custo das atividades Fonte: o autor Qual é o valor de cada produto utilizando o custeio ABC? O Quadro 10 apresenta o cálculo do custo de cada produto considerando as informações disponibilizadas. UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 DESCRIÇÃO CUSTOS ATIVIDADES P1 P2 Mod 18.000,00 9.900,00 8.100,00 Matéria-prima 85.000,00 46.750,00 38.250,00 (A)Total de Custos Diretos 103.000,00 56.650,00 46.350,00 Número de Lotes 17.900,00 8.055,00 9.845,00 Quantidade direcionador 45 55 Direcionador em % 45% 55% Número de requisições 8.000,00 4.800,00 3.200,00 Quantidade direcionador 60 40 Direcionador em % 60% 40% (B)Total dos Custos indiretos 25.900,00 12.855,00 13.045,00 Custo Total (A+B) 128.900,00 69.505,00 59.395,00 Quadro 10 – Cálculo do custeio por atividades ABC Fonte: adaptado de Bruni e Famá (2019). 1 1 1 Funcionamento e contabilização dos sistemas de apropriação de custos por ordem e por processo O sistema de apropriação de custos por ordem indica que os custos incorridos são acumulados em uma ordem de produção ou de serviço. Para Viceconti (2018), a produção por ordem ocorre quando uma empresa exerce sua atividade produtiva realizando encomendas específicas definidas pelos clientes. Portanto, é utilizado quando o produto ou serviço é realizado conforme o projeto ou a necessidade do cliente, podendo ser por encomenda ou sob medida. Para melhor compreender esse sistema de apropriação, analise o seguinte exemplo: uma empresa, fabricante de móveis sobre medida, recebeu de um cliente um pro- jeto para fabricar uma cozinha, com especificações definidas por ele. A empresa, ao iniciar a produção do produto, abriu uma Ordem de Produção (OP) denomi- nada OP 101. Nessa OP registrou os seguintes custos que comporão o produto: ■ Materiais diretos utilizados – R$ 25.000,00. ■ Salários diretos – R$ 10.600,00. ■ Custos indiretos alocados – R$ 3.800,00. Após, o encarregado informou o setor de Contabilidade acerca dos custos cons- tantes na OP. A Contabilidade efetuou o registro contábil da seguinte maneira, conforme demonstrado no Quadro 11. EVENTO E CONTA GRUPO LANÇAMENTOS DÉBITO (R$) CRÉDITO (R$) 1. Materiais diretos utilizados Materiais OP 101 – Ativo Circulante 25.000,00 Fornecedores Passivo Circulante 25.000,00 UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 EVENTO E CONTA GRUPO LANÇAMENTOS DÉBITO (R$) CRÉDITO (R$) 2. Salários Diretos Salários OP 101 – Ativo Circulante 10.600,00 Salários a pagar Passivo Circulante 10.600,00 3. Custos Indiretos alocados Custos indiretos OP 101 – Ativo Circulante 3.800,00 Fornecedores Passivo Circulante 3.800,00 Quadro 11 – Registros contábeis realizados – OP 101 Fonte: o autor. Com base nos lançamentos contábeis realizados, é possível compreender que as contas pertencentes ao grupo OP 101 são contas do ativo circulante, nas quais os custos dessa ordem são acumulados. A baixa desses custos só ocorre quando o produto é finalizado e entregue, passando a ser considerado Custo do Produto Vendido (CPV). 1 1 1 NOVOS DESAFIOS Procurou-se, neste tema de aprendizagem, construir um conhecimento prático de alguns elementos que compõem a Contabilidade de custos, apresentando a classificação das terminologias aplicadas e sua contabilização, além da elaboração de uma ficha de estoque. Desse modo, apresentou-se o cálculo e a contabilização do custeio por absorção, bem como do método de apropriação dos custos por ordem de produção. Com relação ao conteúdo apresentado e sabendo da necessidade que algumas empresas têm em relação à gestão e à Contabilidade de custos — como na toma- da de decisão gerencial, na análise da rentabilidade, no controle e planejamento financeiro e na geração de relatórios financeiros —, há um mercado de atuação vasto, mas é necessário conhecimento e experiência nesses contextos. Assim, o profissional da Contabilidade apresenta características que podem auxiliar a empresa nessas empreitadas. Para finalizar, desejo a todos bons estudos e que o conteúdo aqui apresentado possa ser utilizado no futuro no exercício de atividade que congregue conheci- mento na gestão e na Contabilidade de custos. UNIASSELVI 1 1 1 1. Dubois et al. apresentam os seguintes conceitos para duas terminologias aplicadas à gestão de custos: perda é todo gasto no qual a empresa incorre quando certo bem ou serviço é consumido de maneira anormal às suas atividades, como inundações, incêndios, greves etc.; já o desperdício é um gasto que a empresa apresenta pelo fato de não ocorrer o apro- veitamento normal de todos os seus recursos (DUBOIS; KULPA; SOUZA, 2024). Qual das seguintes alternativas abaixo descreve a diferença entre perdase desperdícios em termos de custos? a) Perdas e desperdícios são termos semelhantes, apresentam a mesma definição e podem ser usados de forma comum na Contabilidade de custos. b) Perdas referem-se a recursos que foram utilizados de forma inadequada, enquanto des- perdícios são recursos que foram descartados sem uso. c) Perdas são incorridas durante a produção, enquanto desperdícios ocorrem apenas após a conclusão do processo de produção. d) Perdas são custos que podem ser evitados, enquanto desperdícios são inevitáveis em qualquer processo de produção. e) As perdas incorridas são consideradas apenas despesas, e desperdícios apenas como um custo. 2. Segundo Martins (2023), o custeio por absorção é o método derivado da aplicação dos princípios de contabilidade geralmente aceitos, nascido da situação histórica mencionada. Consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados, e só os de produção. Todos os gastos relativos ao esforço de produção são distribuídos para todos os produtos ou serviços feitos. Com base no texto-base, considere o seguinte exemplo: supondo que uma empresa durante um determinado mês produzirá 100 unidades de seu produto, para essa produção, utilizará R$ 10.000,00 em matéria-prima. Assinale a alternativa que apresenta o lançamento contábil correto. a) Débito na conta Matéria-prima (Apuração dos Custos) e Crédito em Estoque de maté- ria-prima. b) Débito na conta Estoque de Matéria-prima e Crédito em Fornecedores. c) Débito na conta Bancos e Crédito em Estoque de produto acabado. d) Débito na conta Custo do produto vendido e Crédito em Estoque de produto em elaboração. e) Débito na conta Despesas com materiais de expediente e Crédito em Receita de vendas. AUTOATIVIDADE 1 1 4 3. Martins (2023), com relação aos métodos de apropriação dos custos ao produto, apresenta: na apropriação por ordem, os custos são acumulados em uma conta específica para cada ordem ou encomenda. Assim, os custos são rastreados individualmente para cada ordem de produção ou projeto específico. Os custos indiretos são atribuídos por rateio na ordem de produção. Na apropriação por processo, não se avaliam custos unidade por unidade, uma a uma, mas à base do custo médio do período (com a divisão do custo total pela quantidade produzida). Com relação aos custos indiretos, são acumulados nos diversos departamentos para, depois, serem alocados aos produtos (ordens ou linhas de produção). Com relação aos métodos de apropriação dos custos, analise as afirmativas a seguir. I - Na apropriação por ordem, os custos diretos, como materiais e mão de obra direta, são alocados diretamente à ordem de produção relevante. II - A apropriação por processo é mais eficiente em ambientes de produção em massa, nos quais os produtos seguem rotas de produção previsíveis. III - Na apropriação por ordem, os custos indiretos, como custos gerais de fábrica, são alo- cados com base em uma taxa de alocação predeterminada ou utilizando critérios de rateio específicos para cada ordem. IV - Na apropriação por ordem, os custos são acumulados em centros de custo para cada processo de produção, como fundição, montagem etc. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. AUTOATIVIDADE 1 1 5 REFERÊNCIAS BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12c e Excel. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. CUSTOS diretos e indiretos (por que diferenciá-los faz toda a diferença no seu negócio?). [S. l.: s. n.], 2021. 1 vídeo (10 min). Publicado pelo canal Blog Abri Minha Empresa. Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=fvO9dCppizI. Acesso em: 24 abr. 2024. DUBOIS A.; KULPA, L.; SOUZA, L. E. Gestão de custos e formação de preços. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2024. MARTINS, E. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2023. VICECONTI, P. Contabilidade de Custos: um enfoque direto e objetivo. 12. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. 1 1 1 1. Alternativa B. A alternativa A está incorreta, pois, pelo conceito apresentado no texto-base, são termos com conceitos diferentes. A alternativa C está incorreta, pois tanto perdas quanto desper- dícios ocorrem no processo de produção. A alternativa D está incorreta, já que perdas de matéria-prima normal no processo de produção é considerado um custo que não pode ser inevitável. Os desperdícios podem ser evitáveis, por exemplo, ociosidade da mão de obra, greves e outros. Por fim, a alternativa E está incorreta, já que há perdas que são conside- radas custos e despesas. O desperdício geralmente é considerado uma despesa lançada diretamente no resultado da empresa. 2. Alternativa A. O lançamento correto da baixa da matéria-prima do estoque para a produção será: Débito na conta matéria-prima no grupo de apuração dos custos. Crédito na conta de Estoque de matéria-prima grupo do Ativo Circulante. 3. Alternativa D. As afirmativas I, II, e III estão corretas. A afirmativa IV está incorreta, pois, na apropriação por processo (e não por ordem), os custos são acumulados em centros de custo para cada processo de produção, como fundição, montagem etc. GABARITO 1 1 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 8de Custos lhe auxi- liará no cotidiano das empresas, na determinação do lucro, no controle das opera- ções e dos demais recursos utilizados na produção, comercialização ou prestação de serviços, contribuindo com o processo de tomada de decisão. Fico por aqui e almejo que seus estudos continuem estabelecendo sempre novas conexões para a ampliação do seu conhecimento. Portanto, tenha em mente a boa curiosidade! UNIASSELVI 1 9 1. Segundo Bruni e Famá (2010), gastos incorridos para a elaboração do produto são classi- ficados como custos e os gastos incorridos após a disponibilização do produto devem ser classificados como despesa (BRUNI; FAMÁ, 2019). Com relação à diferenciação entre Custos e Despesas, assinale a alternativa que contém somente gastos classificáveis como Despesas. a) Estoque de produtos e mercadorias; fretes para entregas de produtos; salários do setor financeiro. b) Fretes para entregas de produtos; aquisições de equipamentos e ferramentas; publici- dade e propaganda. c) Estoques de produtos e mercadorias; salários do setor administrativo; publicidade e propaganda. d) Fretes para entrega de produtos; estoques de produtos e mercadorias; publicidade e propaganda. e) Fretes de entregas de produtos; salários do setor administrativo; publicidade e propaganda. 2. Empresas que atuam no segmento de segurança patrimonial visam proteger os interesses das empresas no que se refere a seus bens de valor material, intelectual e humano. Em um país com alto índice de criminalidade, é preciso compreender a importância dos serviços de vigilância como uma necessidade, acima de tudo, preventiva. O texto faz referência ao índice de criminalidade e alerta que os serviços de vigilância contri- buem com a prevenção. Indiretamente, destaca um gasto com despesas de vigilância para evitar possíveis perdas. Nesse sentido, assinale a alternativa que contém somente exemplos de perdas para as empresas. a) Estoque danificado no armazenamento; contratação de apólice de seguros; elevada ociosidade da mão de obra. b) Estoque danificado no armazenamento; desperdício de materiais; elevada ociosidade da mão de obra. c) Estoque danificado no armazenamento; consumo de matéria-prima; avarias ocasionadas por vendavais. d) Estoque danificado no armazenamento; contratação de apólice de seguros; avarias oca- sionadas por vendavais. e) Estoque danificado no armazenamento; contratação de apólice de seguros; consumo de matéria-prima. AUTOATIVIDADE 1 1 3. Investimento é a aplicação de dinheiro, tempo e esforço para chegar a um resultado. Investir na sua empresa pode ser a compra de um equipamento novo, a ampliação da fábrica, a abertura de novas unidades, contratar mais funcionários etc. De acordo com as nomenclaturas relativas à Contabilidade de Custos, assinale a alternativa que contém apenas gastos classificáveis como Investimentos. a) Aquisição de maquinários e veículos; estoques de matéria-prima. b) Estoques de produtos acabados; consumo de matéria-prima. c) Contratação de serviços de limpeza; consumo de matéria-prima. d) Avarias nos materiais estocados; estoque de produtos acabados. e) Estoque de produtos acabados; contratação de serviços de limpeza. AUTOATIVIDADE 1 1 REFERÊNCIAS BERTÓ, D. J.; BEULKE, R. Gestão de custos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. CREPALDI, S. A.; CREPALDI, G. S. Contabilidade de custos. 6. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2017. IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Curso de Contabilidade para não contadores: para as áreas de administração, economia, direito, engenharia e demais áreas do conhecimento. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2022. OLIVEIRA, L. M. de; PEREZ JÚNIOR, J. H.; SILVA, C. A. S. Controladoria estratégica. São Paulo: Atlas, 2002. PEREZ JÚNIOR, J. H.; PESTANA, A. O.; FRANCO, S. P. C. Controladoria de gestão: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1995. QUAL a importância da gestão de custo para o meu negócio? Sebrae Digital, 3 maio 2023. Disponível em: https://digital.sebraers.com.br/blog/estrategia/qual-a-importancia-da-gestao- -de-custo-para-o-meu-negocio-mkt/. Acesso em: 23 abr. 2024. RIBEIRO, O. M. Contabilidade Intermediária. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Contabilidade de custos. 11. ed. rev. atual. São Paulo: Saraiva, 2013. 1 1 1. Alternativa E. Estoque de produtos e mercadorias; e aquisições de equipamentos e ferramentas são in- vestimentos realizados e classificados no Ativo. 2. Alternativa B. Contratação de apólice de seguros é classificado como Despesas Antecipadas (Ativo Circu- lante) e reconhecidas como despesas do período pelo regime de competência (critério de rateio). Consumo de matéria-prima é custo da produção. 3. Alternativa A. Consumo de matéria-prima é a apropriação de custos durante o processo produtivo. Con- tratação de serviços de limpeza é despesa de manutenção das instalações. As avarias nos materiais estocados são perdas que serão computadas como custo. GABARITO 1 1 MINHAS METAS CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS Apresentar a classificação dos custos de acordo com as suas características de aplicação: diretos, indiretos, fixos e variáveis. Exemplificar a classificação dos custos de acordo com as principais atividades econômicas: industriais, comerciais e serviços. Apresentar os elementos de custos: materiais diretos, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação. Exemplificar os elementos de custos pelo viés industrial. Ilustrar a composição básica dos elementos de custos. Compreender as situações das empresas e a importância do controle de custos. Estabelecer a relação do controle de custos com a gestão de negócios para a tomada de decisão. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2 1 4 INICIE SUA JORNADA Ao longo dos negócios, ocorrem sazonalidades de mercado devido à lei da ofer- ta e da procura. O mercado consumidor busca bens e serviços que atendam às necessidades básicas, de segurança e sociais. Em geral, a procura é condicionada à situação econômico-financeira desse mercado consumidor e que sofre interferências externas, por exemplo, o cená- rio econômico da sociedade em que vivem. Isso gera para o mercado da oferta desafios e oportunidades para que possam atender às necessidades do mercado consumidor de acordo com o que procuram no momento, porém a sazonalidade e o nível de exigência dos consumidores está o tempo todo nesse contexto. O ambiente sazonal e exigente do mercado gera custos para as empresas, seja para manter operações ou explorar oportunidades de expansão. Controlar os custos de acordo com a demanda do mercado é crucial para evitar desperdícios e garantir eficiência operacional. Isso implica ajustar a produção e os recursos para atender às necessidades dos consumidores. Empresas como indústrias de moda praia podem ajustar suas estratégias, como direcionar vendas para outros segmentos, por exemplo, o turismo, fora da temporada. Isso permite equilibrar produção, gastos e resultados para garantir a continuidade das operações. Controlar gastos ao expandir ou abrir novos negócios é fundamental para ga- rantir investimentos rentáveis e monitorar o fluxo de caixa até a lucratividade. A inovação atende às demandas mutáveis do mercado, enquanto o controle de custos é crucial para gerenciar resultados e garantir sucesso em ambientes competitivos. Compreender a classificação dos custos é essencial para uma tomada de decisão efi- caz na gestão empresarial. Nesse sentido, vamos seguir os nossos estudos para expan- dirmos aprendizados e práticas, compreendendo como os custos são classificados? Estudante, você está convidado a acessar o nosso podcast sob o tema: “A mão de obra e o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED)” para, juntos, refletirmos acerca dos desafios e das oportunidades sobre o tema. Recursos de mídia dispo- níveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 DESENVOLVA SEU POTENCIAL CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS Conceitualmente, os custos representam os gastos relativos a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços. São associados aos produtos ou serviços produzidos pelas entidades na realização das suas atividades-fim (BRUNI; FAMÁ, 2019), por exemplo: consumo de matéria-prima e mão de obra empregada na produção de produtos, energia elétrica consumida para o funcio- namento de máquinas do setor de produção etc. VAMOS RECORDAR? Este artigo de Gustavo Periard, publicado no site do Ministério dos Transportes (governo federal), trata a respeito dos esforços dos seres humanos para satisfazerem suas necessidades pessoais e profissionais. É uma leitura recomendada para complementar seus estudos. Veja A hierarquia de necessidades de Maslow: o que é e como funciona em: https://www.gov.br/transportes/pt-br/assuntos/portal-da- estrategia/artigos-gestao-estrategica/a-hierarquia-de-necessidades-de-maslow. Na linguagem da Contabilidade, é comum a utilização do termo “entidade” para referenciar e englobar pessoas físicas e pessoas jurídicas que têm um patrimônio. As pessoas jurídicas dividem-se em personalidade jurídica de direito público (ór- gãos públicos, autarquias, fundações públicas) e personalidade jurídica de direito privado (sociedades empresárias, associações e fundações privadas, cooperati- vas, sociedades anônimas). Para o desenvolvimento do material, optou-se pela utilização da terminologia “empresas” , generalizando as entidades em suas varia- das modalidades. ZOOM NO CONHECIMENTO 1 1 De forma geral, os custos são os esforços dos setores da economia para a realiza- ção de suas atividades. O setor industrial utiliza fortemente o controle de custos de acordo com a sua classificação, principalmente por atuarem na transformação de ativos (itens em estoques como materiais, insumos, matéria-prima) que se transformarão em outros produtos. Entretanto, controlar custos não é apenas uma atribuição para o segmento das indústrias, aplicando-se também aos demais segmentos e atividades econômicas. A Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) é a classificação oficialmente adotada pelo Sistema Estatístico Nacional (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE) e pelos órgãos federais gestores de registro administrativos (BRASIL, 2023), utilizada para fins de formalização das ativi- dades econômicas exercidas pelas pessoas jurídicas de direito público e as de direito Privado. Sugiro que você entre do site do IBGE para pesquisar mais acerca da classificação. EU INDICO Segundo Viceconti e Neves (2013), os custos são inicialmente ativados e inte- gram o estoque de produtos em elaboração e o de produtos acabados, sendo somente reconhecidos como custos propriamente ditos nas contas de Resul- tado do Exercício (DRE) no momento da venda dos produtos em obediência ao princípio da competência. Para o reconhecimento dos custos em Contas de Resultado, é necessário clas- sificá-los de acordo com a forma como são aplicados no segmento de atuação das empresas, sendo os custos classificados como: ■ custos diretos; ■ custos indiretos; ■ custos fixos; ■ custos variáveis. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Custos diretos São os gastos consumidos diretamente para a realização da atividade econô- mica das empresas. Segundo Bruni e Famá (2019), são os custos que estão direta- mente incluídos no cálculo dos produtos, perfeitamente mensuráveis e de modo objetivo, consistindo nos materiais diretos usados na fabricação do produto e mão de obra direta, como o aço para fabricar chapas, salários dos operários etc. Basicamente, o que determina a composição dos custos diretos é a atividade econômica (CNAE), ou seja, qual é o objetivo (finalidade) das empresas. Portanto, didaticamente, é possível identificarmos quais são os custos diretos, relacionan- do os gastos que são necessários e consumidos para a realização da finalidade da empresa, sejam industriais, comerciais ou de prestação de serviços. A seguir, destacamos algumas exemplificações de acordo com os principais setores da economia: indústria, comércio e serviços. Exemplos de custos diretos: indústria – matéria-prima em geral devido à transformação do seu estado natural para um estado industrializado (soja trans- formada em óleo de soja); materiais como o plástico Policloreto de Vinila Cristal (PVC) para a fabricação de embalagens, revestimentos de fios e cabos elétricos etc.; mão de obra empregada diretamente na transformação de matéria-prima ou materiais em novos produtos (salário dos funcionários da linha de produção). 1 8 Exemplos de custos diretos: comércio – mercadorias prontas e adquiridas de terceiros, como supermercados que comercializam óleo de soja, dentre outros produtos prontos para o consumidor final; lojas (revenda de mercadorias) que comercializam fios e cabos elétricos etc. Exemplos de custos diretos: serviços – mão de obra utilizada diretamente para a prestação de serviços, como os médicos cirurgiões para a realização de procedimentos cirúrgicos; profissionais liberais como advogados, contadores e consultores que utilizam horas de intelecto trabalhadas para a realização dos seus serviços etc. Custos indiretos São os gastos consumidos indiretamente para a realização da atividade econô- mica das empresas. Segundo Bertó e Beulke (2017), são os custos que apresentam por característica a impossibilidade de mensuração de forma direta. Em geral, trata-se de custos que precisam de um critério de rateio (divisão), como o con- sumo dos gastos com água e saneamento de uma indústria: parte do consumo da água é utilizado pela linha de produção (custo) e parte do consumo, pelo setor administrativo (despesa). Bruni e Famá (2019) complementam que são custos com necessidades de aproximações, isto é, algum critério de rateio para serem atribuídos aos produtos. Exemplos: seguros e aluguéis da fábrica, supervisão de diversas linhas de produ- ção. Seguimos com os destaques de exemplos conforme os setores da indústria, comércio e serviços. Exemplos de custos indiretos: indústria – energia elétrica consumida para o funcionamento de máquinas e equipamentos; energia elétrica para iluminação do espaço da linha de produção; apólice de seguros das instalações, necessitando de rateamento do espaço administrativo e espaço da fábrica etc.; mão de obra indireta, como trabalhadores da linha de expedição ao organizarem materiais para diversos setores produtivos etc. Exemplos de custos indiretos: comércio – bobina de papel para em- balagem das mercadorias prontas e adquiridas de terceiros; energia elétrica consumida pelo ar condicionado da loja física para diferenciar do consumo do setor administrativo etc. UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Exemplos de custos indiretos: serviços – mão de obra utilizada indireta- mente para a prestação de serviços, como os instrumentadores cirúrgicos que auxiliam os médicos (mão de obra direta) para a realização de procedimentos cirúrgicos, dentre outros. Custos fixos São os gastos consumidos independentemente do volume de produção ou da in- tensidade para a realização da atividade econômica. Bruni e Famá (2019) destacam que são custos fixos os que, em determinado período e em certa capacidade instalada, não variam qualquer que seja o volume de atividade da empresa ou até que não haja produção. Exemplos de custos fixos aplicáveis para indústria, comércio e serviços: ■ Energia elétrica necessária para a manutenção e a realização das ativida- des, independentemente das quantidades produzidas ou comercializadas. ■ Salários dos supervisores e funcionários que trabalham pelo regime men- sal para recebimento de proventos. ■ Aluguel, condomínio, seguros, telefonia e internet; água e saneamento, salário dos funcionários etc. 1 1 Percebam que os critérios para a classificação dos custos não os definemde forma estática e única, podendo ser simultaneamente direto e fixo, direto e variável, indireto e fixo, indireto e variável. Vamos tomar como exemplo uma empresa que fabrica móveis embutidos com predominância de madeira (mar- cenarias). A utilização de madeira, parafusos e outros materiais aplicados na produção de móveis são custos diretos, mas variam de acordo com a demanda que apresentam para a produção. Isso também ocorre em relação ao consumo da energia elétrica para o funcionamento dos equipamentos e iluminação do espaço de trabalho. Assim, é custo indireto por necessitar de um critério de rateio de acordo com a linha de produção dos móveis e, ao mesmo tempo, é custo fixo, por independer da produção, ou seja, a fatura de energia elétrica será gerada pela companhia que a distribuiu, tenha ou não a marcenaria pro- duzido móveis embutidos. PENSANDO JUNTOS Custos variáveis São despesas que flutuam conforme a quantidade produzida ou de acordo com a capacidade de vendas no contexto do comércio. Conforme explicado por Bruni e Famá (2019), o montante total dessas despesas varia diretamente em relação às operações da empresa. Aumentando a produção, os custos variáveis também aumentam. Exemplos evidentes de custos variáveis incluem os gas- tos com matérias-primas e embalagens, os quais aumentam com o aumento da produção. Exemplos de custos variáveis, aplicáveis aos setores industrial, comercial e prestação de serviços, são: ■ Salários dos funcionários que recebem por produção ou por comissionamento. ■ Matéria-prima, materiais e insumos utilizados para a produção de outros produtos. ■ Consumo de energia elétrica em maior ou menor escala, conforme o tempo de utilização de máquinas e equipamentos, dentre outros. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Bruni e Famá (2019) apresentam a evolução dos diferentes custos conforme a Figura 2. Custos Quanto ao produtos Quanto ao volume Diretos Indireto Fixos Variáveis Figura 1 – Classificação dos custos / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem apresenta um fluxograma com a classificação de custos. O fluxograma se inicia no elemento custos, dividindo-se em duas vertentes: quanto ao produto e quanto ao volume. O elemento “quanto ao produto” divide-se em diretos e indiretos, enquanto o elemento “quanto ao volume” divide-se em fixos e variáveis. Vale reforçar que os produtos (indústria) ou mercadorias (comércio) são ini- cialmente ativados (integram os estoques) para somente classificá-los como custo dos produtos ou custo das mercadorias no momento da realização da venda, em obediência ao princípio de competência. Em se tratando de serviços, podemos citar os serviços ofertados pelos hospitais que têm medi- camentos e materiais em estoque e que são alocados como custos somente no momento da realização do serviço. Observe a Figura 1 para sintetizar a classificação dos custos. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel . Indico o livro Gestão de custos e formação de preços: com apli- cações na calculadora HP 12C e Excel, dos autores Bruni e Famá, para complementar os seus estudos quanto à classificação e gestão de custos. INDICAÇÃO DE LIVRO 1 1 Portanto, podemos deduzir que os custos são classificados com base em dois critérios: bens ou serviços (produto) e volume (quantidade produzida ou ven- dida). A partir do produto, os custos são classificados como diretos ou indi- retos. A partir do volume, são classificados como fixos ou variáveis. Os custos diretos, sejam fixos ou variáveis, contemplam materiais e mão de obra e são complementados pelos custos indiretos, formando os elementos básicos para a produção de bens ou serviços. Valor $ Quantidade produzida Custos Fixos Exemplo: Aluguel Valor $ Quantidade produzida Custos Variáveis Exemplo: Materiais Diretos Valor $ Quantidade produzida Custos Semivariáveis Exemplo: Copiadora Valor $ Quantidade produzida Custos Semifixos Exemplo: Conta de água Figura 2 – Evolução dos diferentes custos / Fonte: adaptada de Bruni e Famá (2019). Descrição da Imagem:a imagem mostra quatro gráficos que representam diferentes tipos de “custos” em relação à “quantidade produzida”. Aqui está a descrição detalhada: custos fixos (canto superior esquerdo): os custos fixos não mudam com a quantidade produzida. Exemplo: aluguel. Custos variáveis (canto superior direito): os custos variáveis aumentam com a quantidade produzida. Exemplo: materiais diretos. Custos semivariáveis (canto inferior esquerdo): não há uma linha desenhada neste gráfico, mas um exemplo de custo semivariável fornecido é “copiadora”. Custos semifixos (canto inferior direito): esses custos têm uma linha inclinada para cima, mas não está claro como eles se diferem dos custos variáveis. Exemplo: conta de água. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Elementos de custos: o que são? Os principais elementos que formam os custos são: ■ Materiais Diretos. ■ Mão de obra direta. ■ Custos Indiretos de Fabricação (CIF). Exemplificaremos tomando como base o setor industrial para a melhor contex- tualização a respeito dos elementos de custos. Durante o processo produtivo, os estoques de Materiais Diretos são alocados para a conta de Estoques de Produtos em Elaboração, dando início ao processo produtivo. Para tal, são utilizados a mão de obra direta e os custos indiretos aplicados no processo por meio de critérios de rateio. Esses custos indiretos são deno- minados de Custos Indiretos de Fabricação (CIF). Assim, ocorrem custos que são incorporados aos materiais para a obtenção do produto. Após a etapa de produção (transformação), os produtos acabados retornam para o estoque, nomeados como Estoque de Produtos Acabados. Desse modo, ocorrem custos que são incorporados em cada etapa do processo. Observe a Figura 3. Materiais Diretos Processo Produtivo Produto Acabado • Estoque de Materiais • Estoque de Produtos em elaboração • Estoque de Produtos acabados Figura 3 – Fluxo dos estoques / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem apresenta um fluxo de três etapas, iniciando em materiais diretos com a informação estoques de materiais. A segunda etapa é o processo produtivo e a informação estoque de produtos em elaboração, enquanto a terceira etapa consiste em produto acabado com a informação estoque de produtos acabados. 1 4 Ocorre que, quando os Estoques de Produtos Acabados são alocados para cus- tos (baixa do estoque) pela realização das receitas de vendas, faz-se necessário alocar todos os demais custos envolvidos no processo de transformação, o que, simbolicamente, trata-se de alocar os custos com materiais diretos, mão de obra e custos indiretos em um funil para obter o produto acabado. Observe a Figura 4. Custos indiretos de fabricação Mão de Obra Materiais Diretos Custos indiretos de fabricação PRODUTO ACABADO Bruni e Famá (2019) destacam que os Materiais Diretos (MD) são formados pelas matérias-primas, embalagens, componentes adquiridos prontos e outros materiais utilizados no processo de fabricação, que podem ser associados dire- tamente aos produtos. Os autores destacam ainda que a Mão de Obra Direta (MOD) corresponde aos esforços produtivos das equipes envolvidas na produção dos bens comercia- lizados ou dos serviços prestados. Trata-se apenas do pessoal que trabalha direta- mente no processo produtivo, na comercialização ou na realização dos serviços, sem necessidade de critérios de rateio e desde que seja possível mensurar o tempo despendido e a identificação de quem realizou o trabalho. Figura 4 – Comportamento dos elementos de custos / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem apresenta um funil com três esferas. Dentro de cada uma, há uma informação. Na primeira, temos mão de obra; na segunda, temos materiais diretos; na terceira, custos indiretos de fabricação. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Quanto aos Custos Indiretos de Fabricação (CIF), segundo Bruni e Famá (2019),são os gastos que necessitam de um critério de rateio por não apre- sentarem uma aplicação diretamente a um produto ou serviço específico, mas que estão envolvidos no processo de modo indireto. Os componentes dos CIFs (energia elétrica, seguros, aluguel, entre outros) visam proporcionar que os materiais diretos, por meio da mão de obra direta, sejam transformados em novos produtos (BRUNI; FAMÁ, 2019). Retomando como base o exemplo do setor industrial, ocorre um fluxo de mo- vimentos que envolvem materiais diretos, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação, os quais se relacionam desde a aquisição dos materiais diretos até o momento da realização da receita de vendas. Em termos gerenciais, trata-se do ciclo operacional das empresas. O ciclo operacional trata-se de todo o período que envolve desde a aquisição de materiais (diretos, indiretos), passando pela fase da produção desses materiais em produtos acabados, até chegar à fase da venda dos produtos. De forma simultâ- nea, ocorre um ciclo financeiro que engloba o momento da aquisição dos mate- riais (desembolso ou compromisso assumido), passando pelas fases produtivas e de vendas até chegar ao período em que ocorre o recebimento financeiro das vendas que foram realizadas. ZOOM NO CONHECIMENTO Composição dos elementos de custos Materiais Diretos (MD), Mão de Obra Direta (MOD) e Custos Indiretos de Fa- bricação (CIF) podem ser compostos de acordo com as fases de aplicação e como se relacionam entre as fases. Segundo Bruni e Famá (2019), na composição desses três elementos básicos (MD, MOD e CIF), é válido agrupar os gastos significativos e não classificáveis como custos, por exemplo, despesas com vendas, salário do pessoal administra- tivo, associando-as com as unidades produzidas, conforme a Figura 5. 1 1 Segundo a explicação de Bruni e Famá (2019), os custos primários ou diretos estão diretamente ligados à produção, consistindo na combinação de material direto e mão de obra direta. Os custos de transformação ou de conversão representam o esforço da empresa para converter os materiais em produtos acabados, envolvendo a soma da mão de obra direta com os custos indiretos de fabricação. O custo fabril abrange a totalidade dos três elementos do custo: material direto, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação, incorridos durante a produção. Por fim, os custos integrais, plenos ou gastos totais correspondem à soma de todos os custos (material direto, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação) utilizados na elaboração do produto ou na prestação do serviço, acrescidos das despesas relevantes. (MD) Materiais Diretos Matéria-prima Embalagem (MOD) Mão de Obra Direta mensurada e identificada de forma direta (CIF) Custos Indiretos Custos que não são nem MD nem MOD Despesas Gastos não associados à produção Custo de Transformação Primário ou Direto Custo Total, Contábil ou Fabril Gastos Totais ou Custo Integral ou Custo Pleno Figura 5 – Diferença contábil entre custos e despesas / Fonte: adaptada de Bruni e Famá (2019). Descrição da Imagem: a imagem mostra um diagrama que descreve diferentes tipos de custos associados à pro- dução e manufatura. Aqui está uma descrição detalhada: Categorias principais: Materiais Diretos (MD): inclui maté- ria-prima e embalagem. Mão de Obra Direta (MOD): mensurada e identificada de forma direta. Custos Indiretos (CIF): custos que não são nem MD nem MOD. Despesas: gastos não associados à produção. Níveis de informação sobre os custos: custo de transformação, custo primário ou direto, custo total, contábil ou fabril e gastos totais ou custo inte- gral ou custo pleno. Esse diagrama é uma representação visual dos diferentes componentes de custo na produção e manufatura. Ele ajuda a entender como os custos se acumulam e são distribuídos ao longo do processo de fabricação. Estudante, para expandir seus conhecimentos a respeito do assunto abordado, gostaríamos de lhe indicar a aula que preparamos especialmente para você. Acre- ditamos que esta aula poderá complementar e aprofundar ainda mais o seu en- tendimento acerca do tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . EM FOCO UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 NOVOS DESAFIOS Chegamos à etapa de reflexões, momento em que estabelecemos a relação dos conhecimentos que trazemos na bagagem com novos conhecimentos e conexões, motivando-nos a colocá-los em prática no ambiente profissional. Conhecer de- finições e critérios que nos permitam atuar na área contábil ou áreas afins e, em específico, com direcionamento para custos possibilita que nossa atuação atenda aos pré-requisitos de identificação de custos de acordo com a atividade econô- mica (CNAE), alocando-os de modo a apurar os custos unitários e totais de bens ou serviços, contribuindo com a gestão nos processos de tomada de decisão e desempenho organizacional para a geração de riqueza. Por esse sentido, o ambiente profissional apresenta um leque de possibilidades para a atuação nos diversos segmentos econômicos e por diversos modos, desde assistente de custos à controller. Ainda, o ambiente dos negócios oscila de acordo com as necessidades do mer- cado consumidor, mas também conforme as ofertas e as inovações apresentadas pelo mercado das organizações, tornando o exercício profissional capacitado como ponto-chave que impulsiona favoravelmente esse cenário. 1 8 1. Os materiais, segundo Bertó e Beulke (2017), constituem-se em elemento relevante no custo, especialmente em empresas industriais e algumas de serviços, sendo que a mesma relevância equitativa as mercadorias adquiridas apresentam no comércio. Assinale a alternativa correta que apresenta os principais elementos de custos. a) Materiais diretos, matéria-prima e custos indiretos de fabricação. b) Materiais diretos, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação. c) Matéria-prima, mão de obra e custos indiretos de fabricação. d) Materiais diretos, materiais indiretos, mão de obra e insumos. e) Materiais diretos e indiretos, mão de obra e custos indiretos de fabricação. 2. Alguns gastos dependem de cálculos, rateios ou estimativas para serem apropriados aos diferentes produtos. O parâmetro utilizado para as estimativas é chamado de base ou critério de rateio (VICECONTI; NEVES, 2013) Com relação aos custos indiretos, que necessitam de um critério de rateio para sua aplicação em um processo produtivo, analise as afirmativas a seguir. I - Gastos com aluguel das instalações industriais são custos fixos e indiretos. II - Gastos com seguro das instalações industriais são custos fixos e indiretos. III - Gastos com seguro de veículos para a entrega de produtos são custos fixos e indiretos. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. AUTOATIVIDADE 1 9 3. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulga anualmente dados a respeito da indústria farmacêutica no Brasil, como a quantidade de princípios ativos e matérias-primas envolvidas na produção de medicamentos. O objetivo é oferecer, de forma racional e orga- nizada, estatísticas acerca da indústria de fármacos no Brasil, apresentando informações da evolução do mercado farmacêutico, faturamento, produtos comercializados, características dos medicamentos, canais de distribuição, substâncias mais comercializadas, entre outras (BRASIL, 2023). Considerando o texto da Agência Nacional de Saúde (Anvisa) e os conteúdos estudados acerca de gastos e classificação de custos, assinale a alternativa que se refere a itens con- trolados pelo critério de volume. a) Matérias-primas, substâncias comercializadas e canais de distribuição. b) Princípios ativos, matérias-primas e canais de distribuição. c) Princípios ativos, matérias-primas e faturamento. d) Princípios ativos, matérias-primas e substâncias comercializadas. e) Princípios ativos, substâncias comercializadas e faturamento.AUTOATIVIDADE 4 1 REFERÊNCIAS BERTÓ, D. J.; BEULKE, R. Gestão de custos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Anvisa divulga dados do anuário sobre a indústria farmacêutica no Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 10 ago. 2023. Disponível em: https://www. gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2023/anvisa-divulga-dados-do-anuario-sobre- -a-industria-farmaceutica-no-brasil. Acesso em 23 nov. 2023. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. CREPALDI, S. A.; CREPALDI, G. S. Contabilidade de custos. 6. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2017. IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Curso de contabilidade para não contadores: para as áreas de administração, economia, direito, engenharia e demais áreas do conhecimento. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2022. PERIARD, G. A hierarquia de necessidades de Maslow – O que é e como funciona. Ministério dos Transportes, 5 mar. 2018. Disponível em: https://www.gov.br/transportes/pt-br/assuntos/ portal-da-estrategia/artigos-gestao-estrategica/a-hierarquia-de-necessidades-de-maslow. Acesso em: 21 nov. 2023. RIBEIRO, O. M. Contabilidade Intermediária. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. 4 1 1. Alternativa B. Os três elementos de custos são: materiais diretos, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação. Matéria-prima e insumos integram os materiais diretos. A mão de obra que é considerada como elemento de custos é a mão de obra direta. Materiais indiretos podem ser considerados dentro do elemento custos indiretos de fabricação. 2. Alternativa C. Os gastos com aluguel e seguros das instalações são indiretos, pois precisam de um critério de rateio para alocar à produção. Entretanto, o seguro de veículos para entrega não faz parte do processo produtivo, sendo, portanto, uma despesa comercial. 3. Alternativa D. Os custos são classificados em relação ao produto (diretos e indiretos) e em relação ao volume (fixo ou variáveis). O texto da Anvisa apresenta itens que variam de acordo com as quanti- dades produzidas ou comercializadas, como: princípios ativos, matérias-primas, produtos e substâncias comercializadas. Canais de distribuição são uma forma de intermediar entregas de produtos ou serviços aos clientes, sendo, portanto, uma maneira de obter a receita de vendas (característica de despesa). Já o faturamento é a receita de vendas propriamente dita. GABARITO 4 1 MINHAS ANOTAÇÕES 4 1 MINHAS METAS AVALIAÇÃO DOS ESTOQUES E DEPARTAMENTALIZAÇÃO Apresentar os critérios mais utilizados para a avaliação dos estoques. Incitar a importância do controle de estoques em relação ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED). Incentivar o estudo do Pronunciamento Técnico 16 – Estoques, emitido pelo Comitê de Pronun- ciamentos Contábeis (CPC) 16 – Estoques. Demonstrar a alocação de custos indiretos por meio de critérios de rateio. Demonstrar a alocação de custo com base na departamentalização por meio dos métodos de distribuição direta e distribuição sequencial. Generalizar situações de avaliação dos estoques e departamentalização. Relacionar os conteúdos de avaliação dos estoques e departamentalização com o ambiente profissional e o SPED. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3 4 4 INICIE SUA JORNADA O Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, trouxe mudanças significativas na relação entre a administração tributária e os contribuintes, modernizando práticas contábeis e fiscais. Desde 2014, a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) foi substituída pela Escrituração Contábil Fiscal (ECF), transmi- tida anualmente ao SPED, exceto para empresas optantes pelo Simples Nacional. A ECF valida apurações tributárias do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, enquanto a ECD contém escriturações contábeis e fiscais das empresas, enviadas anualmente ao SPED. O SPED promove fiscalização, cruza- mento de dados e auditoria eletrônica, incentivando inovações nos registros contá- beis para criar transparência nos negócios. Isso destaca a importância dos registros de estoque, agora digitalizados, e permite o cruzamento de informações das notas fiscais eletrônicas entre empresas, incluindo microempreendedores individuais. É valiosa a inovação apresentada pelo SPED de maneira geral, mas não des- caracteriza a importância de conhecermos conceitos e aplicações relativas à con- tabilidade. A compreensão da teoria causa sentido nas atribuições profissionais, permitindo atuação eficaz, sem rotulações de procedimentos automáticos ou de simples repetições. O cenário já não permite agirmos em status de piloto auto- mático. Então, vamos iniciar nossos estudos a respeito da avaliação de estoques e departamentalização, estabelecendo novas conexões no ambiente profissional? VAMOS RECORDAR? Frederico Condé, no Fórum SPED da Live University palestrou o tema: Descomplicando os estoques no SPED, abordando a importância e a complexidade dos estoques, a atuação do fisco, mitos e verdades a respeito dos estoques e o papel da contabilidade. Sugerimos que assista ao vídeo em: https://www.youtube.com/watch?v=OWkX1ndnD-c. UNIASSELVI 4 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 DESENVOLVA SEU POTENCIAL AVALIAÇÃO DOS ESTOQUES E DEPARTAMENTALIZAÇÃO Os estoques, de modo geral, são itens de maior representatividade no Ativo Cir- culante e, segundo Padoveze (2017), a regra básica é registrá-los pelo custo de aquisição, englobando o valor da mercadoria adquirida mais as despesas como fretes e seguros, por exemplo. Os estoques são compostos de mercadorias para revenda, materiais, matéria-prima, insumos, produtos em elaboração e produtos acabados e seus itens são controlados quantitativamente, ou seja, quantidades e valores monetários das compras, das vendas e do saldo final. Você também está convidado a acessar o nosso podcast que trata do tema “Estoques e o Sistema Público de Escrituração Digital”, para, juntos, refletirmos acerca das informações referente aos estoques, enviadas por meio das obriga- ções fiscais do SPED. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem . PLAY NO CONHECIMENTO De acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, em seu pronunciamento CPC 16, que trata de estoques, os estoques são ativos mantidos para venda no curso normal dos negócios; em processos de produção para venda; ou na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços. Devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. O valor de custo deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. Valor reali- zável líquido é o preço de venda estimado no curso normal do negócio, deduzido dos custos estimados para sua conclusão e dos gastos estimados necessários para se concretizar a venda. APROFUNDANDO 4 1 Os itens em estoques são adquiridos em diferentes períodos e por diferentes pre- ços (custo de aquisição), mas também são baixados dos estoques pela realização da venda em diferentes períodos e por diferentes preços (preços de venda). Assim, as empresas precisam adotar um critério de valoração dos itens que permanecem estocados. Os principais critérios utilizados para valoração dos estoques são: Estudante, indico o estudo do Pronunciamento Técnico 16 – Estoques, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). O Comitê foi criado pela Re- solução CFC nº 1.055/05 e tem como objetivo o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos a respeito de procedimentos de contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza. Acesse o link e conheça maisos pro- cedimentos de Contabilidade em: https://www.cpc.org.br/CPC EU INDICO PREÇO ESPECÍFICO Consiste em atribuir para cada unidade do estoque o preço realmente pago por unidade, ge- ralmente utilizado em itens de fácil identificação física, como imóveis ou veículos para revenda. PRIMEIRO QUE ENTRA, PRIMEIRO QUE SAI (PEPS) (FIRST IN, FIRST OUT) Os valores dos itens que permanecem em estoque são considerados pelos custos mais recentes. ÚLTIMO QUE ENTRA, PRIMEIRO QUE SAI (UEPS) (LAST IN, FIRST OUT) Os valores dos itens que permanecem em estoque são considerados pelos custos mais antigos. CUSTO MÉDIO PONDERADO MÓVEL Os itens em estoque são valorados pela média dos custos de aquisição, atualizados em cada compra realizada, sendo o mais aplicado nas empresas na atualidade. UNIASSELVI 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Ribeiro (2013) menciona que quando a economia está equilibrada, mantendo os preços estáveis, a adoção de quaisquer um dos critérios não interferirá nos resul- tados. Entretanto, em virtude das oscilações de preços decorrentes de inflação ou deflação, a escolha do critério interfere na determinação dos resultados. O autor sugere que, na impossibilidade de utilizar o preço específico, o mais indicado é o custo médio ponderado móvel, por espelhar maior realidade no valor dos estoques e, consequentemente, nos custos e resultados ao longo do exercício social. Contudo, a empresa pode adotar o critério que melhor lhe atenda, lembrando que o critério UEPS não é aceito pela legislação brasileira. É válida a seguinte com- preensão em relação aos critérios PEPS e UEPS, visando a melhores entendimentos: ■ O critério PEPS considera para a baixa dos itens em estoques as primei- ras compras, portanto, os itens que permanecem estocados apresentam valores mais recentes de aquisição. ■ O critério UEPS considera para a baixa dos itens em estoque as últimas compras, ficando, portanto, estocados os itens que têm valores mais an- tigos de aquisição. Importante: os critérios de avaliação dos estoques são utilizados para a apuração do custo de aquisição. Porém, no fechamento do Balanço Patrimonial, os estoques deverão ser avaliados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, optando 4 8 pelo menor valor na comparação em atendimento à regra: dos dois (custo de aquisição ou valor realizável líquido), o menor. Os sistemas de inventário referem-se à forma do controle de consumo dos estoques, consistindo na contagem física dos itens existentes em estoques no final do exercício social, podendo ser realizado de modo periódico ou permanente. De acordo com Bruni e Famá (2019), são entendidos como sistema de inventário periódico e sistema de inventário permanente. O sistema de inventário periódico é utilizado quando não há um controle contínuo dos estoques e o consumo só pode ser verificado após os inventários (contagem física dos estoques) — em geral, quando do fechamento do Balanço Patrimonial — e posterior avaliação de acordo com critérios legais (CPC 16 – Estoques). O consumo pode ser calculado em uma empresa industrial mediante o emprego da seguinte equação: CONSUMO DE ESTOQUE = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final. Já o sistema de inventário permanente é utilizado quando existe controle con- tínuo dos estoques. Assim, solicitações de produção e vendas são controladas individualmente. Além disso, estoque e custos podem ser calculados em qual- quer momento e, periodicamente, a contagem física pode ser feita para fins de auditoria e controle interno. Encontrando eventuais sobras ou faltas, devem ser ajustados por meio de registros contábeis. Contabilidade intermediária . Indico o livro de Ribeiro, intitulado Contabilidade intermediária. O livro aborda de maneira prática a avaliação dos estoques, os sistemas de inventário, a mensuração dos estoques segundo o CPC 16, entre outros temas. INDICAÇÃO DE LIVRO UNIASSELVI 4 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 A divisão em departamentos não consiste em um fato isolado da área industrial, podendo ser aplicada também às áreas administrativa, comercial e financeira, correspondendo geralmente a cada departamento um Centro de Custos, em que os gastos incorridos são acumulados para posterior transferência aos produtos ou a outros centros de custos (BRUNI; FAMÁ, 2019). Com relação aos gastos incorridos, acompanhe o Quadro 1, que resume algumas definições de custos, válidas para complementar nossos estudos do tema em questão. Custos Custos Diretos Custos Indiretos Rateio Rateio Departamentalização Produtos Figura 1 – Representação do custo do produto pela departamentalização / Fonte: Silva (2017, p. 118). Descrição da Imagem: a imagem representa um diagrama de fluxo que ilustra a relação entre custos e produtos, com foco em custos diretos e indiretos e o processo de departamentalização. O diagrama é simples, com caixas retangulares e setas indicando o fluxo do processo. À esquerda, há uma caixa rotulada “custos”, que se divide em “custos diretos” e “custos indiretos”. Os “custos diretos” estão conectados diretamente à caixa à direita rotu- lada “produtos”. Os “custos indiretos” passam pelo processo de “rateio” antes de serem atribuídos aos produtos. DEPARTAMENTALIZAÇÃO A departamentalização é a segmentação da empresa por áreas de atuação. É a costumeira divisão existente nas empresas. Bruni e Famá (2019) explicam que departamento corresponde a uma unidade operacional representada por um conjunto de trabalhadores e/ou máquinas que desenvolvem atividades homo- gêneas dentro de uma mesma área. De acordo com os autores, os departamentos podem ser genericamente dividi- dos em dois grandes grupos: departamento de serviços, que não atua diretamente na elaboração dos produtos ou dos serviços, mas em atendimento às necessidades dos departamentos de produção ou de outros departamentos de serviços; e o de- partamento de produção, que atua diretamente na elaboração dos produtos. 5 1 Quadro 1 – Definições úteis / Fonte: adaptado de Bruni e Famá (2019). Alocação dos custos indiretos de fabricação Os custos indiretos, comumente denominados de Custos Indiretos de Fabricação (CIF) em razão da subjetividade para identificação dos gastos, são alocados aos produtos ou serviços por meio de critérios de rateio. Bruni e Famá (2019) explicam que, no caso da empresa que produz e co- mercializa um único produto, todos os custos são transferidos diretamente para os produtos. Todavia, quando múltiplos produtos são elaborados e comer- cializados, a aplicação de rateios de custos (divisões e alocações aos diferentes produtos ou serviços) é necessária. Os critérios de rateio podem tomar como base: quantidades produzidas de cada produto (tipo de produto); número de empregados; horas trabalhadas; área de espaço utilizada (metragem); tempo consumido para a fabricação de produtos ou realização dos serviços, entre outros. Observe o exemplo de acordo com as quantidades produzidas de cada produto. TERMINOLOGIA O QUE É Custo Direto Gasto identificável, de forma objetiva e diretamente relacionado com a produção/venda de bens ou serviços. Custo Indireto Gasto não identificável e que necessita de um critério de rateio para alo- car os custos na produção/venda de bens ou serviços. Gasto subjetivo. Custo Fixo Gasto direto ou indireto que não sofre alterações em virtude da produção/venda de bens ou serviços. Gastos que ocorrem inde- pendentemente da operação ou não da empresa. Custo Variável Gasto direto ou indireto que sofre alterações de acordo com o volume da produção/venda de bens ou serviços. Quanto maior a produção/venda, maior o gasto. Elementos de Custos A composição dos custos de bens e serviços é formada por três elementos básicos: Materiais Diretos (MD), Mão de Obra Direta (MOD) e Custos Indiretos de Fabricação (CIF). A soma dos três ele- mentos forma o custo contábil ou custo fabril. UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Uma empresa produz armações para óculos de sol, com quatro modelos