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DIREITO PENAL 
Dr. Nelson Speranza Filho 
 
GUIA DA 
DISCIPLINA 
 
 
 
1 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
1. FORMAÇÃO DO DIREITO DO PENAL 
 
Objetivo: Apresentar os principais aspectos com relação à formação do Direito 
Penal. 
 
Introdução 
Olá, desejo a você boas-vindas à nossa disciplina de Direito Penal. Neste primeiro 
módulo estudaremos as bases históricas, evolução e escolas teóricas sobre o Direito Penal. 
Estas informações serão úteis para que você possa compreender como o Direito Penal 
mudou a medida que nossa sociedade evoluiu, tutelando interesses diferentes ao passo 
que nosso próprio entendimento sobre nossa sociedade também mudou. 
 
1.1. Evolução do Direito Penal 
O conceito de Direito Penal pode ser dividido em alguns aspectos, mas de forma 
sintetizada podemos conceitua-lo como: um conjunto de normas que qualifica 
comportamentos humanos (reprováveis e danosos) como infrações penais (crimes ou 
contravenções penais), define seu agente (crime comum ou crime próprio) e fixa pena 
(sanções ou medidas de segurança), ou seja, trata-se de um instrumento de controle 
(controle social), que tem como finalidade manter a ordem e disciplina social, bem como, 
a convivência harmônica entre seus membros. 
 
O Direito Penal pode ser visto por três prismas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nos tempos mais antigos, que aqui chamaremos de primitivo, não se falava em 
“castigo” como uma forma de promoção de justiça, mas sim como a vingança, pura e 
simples, em face do causador do dano. 
Direito Penal 
Delimita ao cidadão o espaço de sua liberdade 
Previne infrações e diminui a violência social por 
meio da ameaça da pena. 
Limita a atuação estatal (do Estado) 
 
 
2 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Tendo em vista a “vingança” temos o que se chama de “Fase da Vingança Penal”, 
ela se dividia em: 
 
Tipo de Vingança Características 
Divina 
I. Período em que se acreditava no misticismo, crenças e no 
sobrenatural; 
II. Sociedades Totêmicas; 
III. O indivíduo que ofendia o totem era punido por seu grupo, por 
temerem vinganças dos deuses (raios, trovões etc.); 
IV. A satisfação divina era ligada as penas cruéis e desumanas. 
Privada 
I. A punição daquele que praticava o crime era executada pela 
própria vítima ou pessoas de seu grupo social; 
II. Surge o Código de Hamurabi (Babilônia), Talião (“Olho por olho 
e dente por dente”). 
Pública 
I. Houve uma maior organização do que se entendia por sociedade 
e o Estado se fortalece; 
II. O Estado passa a ser o legitimado para intervir nas relações 
conflitosas; 
III. Sanções cruéis; 
IV. As penas transcendem (passam) da pessoa do criminoso. 
 
O Direito Penal começa a evoluir, vejamos seu caminhar: 
 
Direito Penal Características 
Romano¹ 
I. Deixa de justificar as punições de acordo com as “razões 
divinas”; 
II. As penas passam a ser individualizadas e racionalizadas; 
Medieval 
I. Há possibilidade de transacionar a punição com uma 
indenização (chamou-se de composição); 
II. Difundido em razão da expansão do cristianismo, o Direito Penal 
Canônico inclui a recuperação como uma das justificativas da 
pena; 
III. A privação de liberdade passa a ser a principal espécie de 
pena; 
 
 
3 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
IV. Nasce a nomenclatura que usamos no nosso sistema penal: 
“sistema penitenciário”. 
Estados 
Absolutos 
I. Concentração de poderes nas mãos de um único indivíduo; 
II. As punições passam a ter como características o temor e o 
exagero das penas, com a finalidade de intimidar os indivíduos (a 
não mais cometerem determinada ação e a população não 
delinquir); 
III. Desproporção entre a pena e o crime; 
Período 
Humanista 
I. Início do Renascimento; 
II. Justificativas racionais para apenar o indivíduo; 
III. Valoriza-se o livre-arbítrio e a noção de culpabilidade. 
¹A Lei de Talião – “olho por olho e dente por dente”, a qual se encontra referências bíblicas, é tida como 
uma das primeiras limitações à interferência penal. Essa ideia é concretizada no Código de Hamurabi 
e também, a partir daí, começa a ganhar fora a noção de publicização (tornar público) das normas e a 
relação de proporcionalidade entre infração cometida e pena atribuída em resposta. 
 
1.2. Escolas do Direito Penal 
Após o Renascimento, as fases do Direito Penal deixam de ser analisadas por 
períodos como vínhamos fazendo até então e passam a serem identificadas por Escolas. 
Essas Escolas são reconhecidas em função da semelhança de teses sobre a estrutura do 
crime e a finalidade da pena. 
 
De forma sintética trago abaixo quadro (adaptado) elaborado por Rogério Sanches 
Cunha (2016, p. 48 e 49), que elenca as principais Escolas e suas características: 
 
Escola Expoentes Crime Delinquente Pena Observações 
 
 
4 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Clássica 
(1) Gaetano 
Filiangeri, 
Giovanni 
Carmignani, 
Domenico 
Romagnosi 
(2) Pellegrino 
Rossi, 
Francesco 
Carrara, 
Enrico 
Pessina. 
é um ente 
jurídico, 
pois 
consiste na 
violação 
de um 
direito. 
é ser livre 
que pratica o 
delito por 
escolha 
moral, alheia 
a fatores 
externos. 
(1) é forma de 
prevenção de 
novos crimes, 
defesa da 
sociedade: “punir 
ne peccetur”. (2) 
é uma 
necessidade 
ética, 
reequilíbrio do 
sistema 
(inspiração em 
Kant e Hegel: 
punirtur quia 
peccatum est). 
Se funda nos 
ensinamentos de 
Cesare Beccaria 
(Do Delito e das 
Penas); é uma 
reação ao 
Absolutismo. 
Positiva¹ 
Cesare 
Lombroso, 
Enrico Ferri, 
Rafael 
Garofalo. 
Decorre de 
fatores 
naturais e 
sócias. 
Não é dotado 
de livre-
arbítrio; é um 
ser anormal 
sob as óticas 
biológicas e 
psíquica. 
Funda-se na 
defesa social; 
objetiva a 
prevenção de 
crimes; deve ser 
indeterminada, 
adequando-se 
ao criminoso 
para corrigi-lo. 
*Garofalo vê a 
pena como forma 
de eliminar o 
criminoso 
grave, 
defendendo até a 
pena de morte. 
É uma doutrina 
determinista, 
tendo introduzido 
a ideia do 
“criminoso nato” 
(Lombroso). 
Penal 
Humanista 
Vicenzo 
Lanza 
é o desvio 
moral de 
conduta; o 
que não 
viola a 
moral, não 
é crime. 
é o 
imputável, 
único 
passível de 
educação. 
é forma de 
educar o 
culpado. Pena é 
educação. 
Introduz a noção 
de “delinquência 
artificial” – o 
crime que não 
viola a moral. 
Técnico-
Jurídica 
(1) Karl 
Binding, 
Arturo 
Rocco, 
Vicenzo 
Manzini, 
Giacomo 
Delitala 
(2) 
Maggiorie, 
Bettiol, 
Petrocelli, 
Battagliani. 
é uma 
relação 
jurídica de 
caráter 
tanto 
humano 
quanto 
social. 
 
 
 
 
é dotado de 
livre-arbítrio 
e 
responsável 
moralmente. 
 
 
Meio de defesa 
contra a 
perigosidade do 
agente; tem por 
objetivo castigar 
o delinquente. 
 
 
Aproxima-se da 
Escola Clássica; 
rechaça a filosofia 
do Direito Penal; 
reestabelece a 
Ciência Penal. 
 
 
5 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Correcionalista 
Karl David 
August 
Roeder 
É um ente 
jurídico. 
Criação da 
sociedade; 
não é 
natural. 
É um ser 
anormal, 
portador de 
uma vontade 
reprovável. 
É a correção da 
vontade do 
criminoso e não 
a retribuição a 
um mal motivo 
pelo qual pode 
ser 
indeterminada. 
Pena e medida 
de segurança 
são institutos 
dependentes. 
Preconiza a ideia 
de 
ressocialização 
do delinquente. 
Na Espanha, 
foram adeptos: 
Gines de los Ríos, 
Alfredo Calderón 
e Pedro Dourado 
Montero. 
¹ Dentro da Escola Positiva devemos nos aprofundar. A Escola Positiva se divide em três fases, nas 
palavras de Vinícius Peluso (2020, p. 95-97)1: “Os três principais positivistas (Cesare Lombroso, Enrico 
Ferri e Raffaele Garofalo), apesar de concordarem no núcleo essencial do positivismo, divergiam 
consideravelmente em suas doutrinas,dos antecedentes para explicar a relação 
de causalidade, a teoria considera como causa, tudo que tenha contribuído, de qualquer 
modo, para o resultado. 
 
 
 
41 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Para descobrir se um evento é ou não considerado causa, o método utilizado é o da 
eliminação hipotética: exclui-se hipoteticamente esse evento da cadeia causal e se 
verifica o resultado ainda teria ocorrido sem aquele. Se o resultado persistir mesmo com a 
exclusão do evento significa que aquele não é a causa do resultado, mas se o resultado 
deixar de acontecer com a exclusão do evento, daí sim será considerado causa. 
 
Há críticas ao critério da eliminação hipotética, por ela permite um regresso ao 
infinito. 
 
A Teoria da Equivalência dos Antecedentes admite uma exceção: a causa 
superveniente relativamente independente é capaz de romper o nexo causal, ou seja, na 
ocorrência de uma causa relativamente independente, um evento que pelo método da 
eliminação hipotética poderia ser considerado causa não o será. 
 
Você pode estar se perguntando: o que é a causa superveniente relativamente 
independente. Certo? 
 
Para entender esse conceito precisamos entender a classificação das causas em: 
1. Dependentes: é o que costuma acontecer, é o desdobramento esperado da 
conduta. Ex. ao se disparar uma arma de fogo em direção ao coração de alguém é esperado 
que a pessoa morra. 
2. Independentes: são aquelas que estão fora da linha normal de desdobramento 
causal da conduta. Em outras palhas, não se sabia que ao praticar a conduta haveria aquela 
causa. Ex. não é uma consequência normal de um simples susto a morte por parada 
cardíaca. 
 
As causas independentes podem ser: 
I. Relativamente Independentes: quando precisam da associação da conduta para 
que venham gerar resultado. 
II. Absolutamente independentes: quando são capazes de gerar o resultado 
independentemente da conduta. Ex. o agente planeja a morte da vítima, quando esta está 
passando antes mesmo do agente atirar, a vítima sofre um ataque cardíaco e vem a falecer. 
Veja que o resultado aconteceria independente da conduta. 
 
 
 
42 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Cada uma das categorias acima pode atuar em momentos diferentes, de forma 
preexistente (anterior a conduta), concomitante (coincide no tempo com a conduta) e 
superveniente (posterior a conduta). 
 
Bem, agora que você domina os conceitos, vamos analisar em que casos há nexo 
de causalidade. 
 
a. Nas causas dependentes sempre haverá nexo entre a conduta e o resultado; 
b. se houver causa relativamente independente não há nexo causal entre a conduta 
e o resultado, porque ainda que a conduta venha a ser eliminada, o resultado mesmo assim 
permaneceria; 
c. causa relativamente independente, o art. 13, §3º, CP diz que, quando a causa 
relativamente independente for superveniente, não será considerado existente o nexo 
causal. 
 
 Tipicidade: é a adequação perfeita entre o fato concreto e o tipo incriminador. 
 
A princípio, o juízo da tipicidade nos permite concluir que uma conduta é proibida 
pelo ordenamento jurídico, porém, como veremos mais adiante, apenas com a verificação 
da antijuridicidade é que será possível a certeza de que a conduta é realmente proibida 
pelo ordenamento. 
 
O tipo legal é composto de elementares e circunstâncias, vejamos: 
 
Elementares: são todos os componentes essenciais, indispensáveis para a 
existência do tipo penal. Ausente a elementar, o tipo penal desaparece (atipicidade 
absoluta) ou o tipo penal será outro (atipicidade relativa). 
 
A princípio os elementos estão descritos no caput do artigo (norma penal), mas 
também há algumas exceções em que as figuras típicas são descritas em parágrafos. 
 
Circunstâncias: São dados assessórios que estão agregados ao tipo penal e cuja 
sua função é influenciar a fixação da pena. 
 
 
 
43 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A circunstância não é imprescindível para a existência do crime, podendo apenas 
torná-lo mais ou menos grave. 
 
 
 
DIAS, Jorge de Figueiredo. Direito Penal: parte geral. 2 ed. Tomo I. Rio de 
Janeiro: Revista dos Tribunais, 2007. 
 
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal: parte geral (arts. 1º ao 
120) 4. ed. Salvador: JusPodivm, 2016. 
 
 
 
 
44 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
5 TIPO PENAL 
 
Objetivos: Apresentar conceitos de tipo penal, consumação e erro de tipo. 
 
Introdução 
Olá, estudado o conceito de crime e fato típico, agora vamos analisar alguns 
elementos essenciais ao Direito Penal, intimamente relacionados com o crime e com a 
norma penal. 
 
Diante disso neste módulo estudaremos os seguintes tópicos: 
1. Tipo penal 
2. Consumação e tentativa 
3. Erro de tipo 
4. Crime impossível 
 
5.1 Tipo Penal 
O vocábulo “tipo penal” é usado com o sentido de “modelo de conduta proibida”. 
 
O tipo legal é um dos postulados básicos do princípio da reserva legal (já estudados 
anteriormente). De acordo com o art. 5º, XXXIX da Constituição da República Federativa 
do Brasil: “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação 
legal”. 
 
A tipicidade penal pode ser considerada dolosa ou culposa, como passaremos a 
ver nos próximos itens. 
 
O dolo e a culpa são chamados de elementos subjetivos do tipo. 
 
Subjetividade tem a ver diretamente com a vontade do agente delituoso, não é algo 
concreto, mas o que se passa no momento da ação com aquele que pratica o fato 
criminoso. 
 
a. Dolo – o dolo encontra-se disposto no art. 18, I, Código Penal: 
 
 
 
45 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Art. 18: Diz-se crime: 
Crime Doloso 
I. doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de 
produzi-lo [...]. 
 
Em breve leitura ao artigo podemos encontrar duas formas de dolo, ou seja, quando 
o indivíduo quer o resultado ou quando assume o risco de produzi-lo. Daí nasce as duas 
espécies de dolo, o dolo direto e o dolo eventual. 
 
O dolo direto ocorre quando o indivíduo possui a previsão do resultado e dirige sua 
ação com a finalidade de alcançar tal objetivo. Ex. indivíduo aponta arma para o coração 
de outro e atira, ele possuía o dolo de matar aquele, visto que o resultado morte era 
previsto. 
 
Já o dolo eventual ocorre quando se prevê o resultado e o agente aceita o risco de 
produzi-lo, ou seja, apesar do indivíduo não querer o resultado, ele continua sua ação 
ainda que haja o risco do resultado se concretizar. Ex. motorista dirigindo embriagado que, 
apesar de não querer atropelar e matar nenhum pedestre, assume o risco e se dirige em 
nestas condições não permitidas em lei. 
 
 
 
A princípio todas as infrações penais (crimes e contravenções penais) serão 
punidos na forma dolosa, excepcionalmente o crime será considerado 
culposo. O crime será considerado culposo se existir figura expressamente 
tipificada, caso contrário não há que se falar em culpa. 
 
 
b. Culpa – a culpa encontra-se disposta no art. 18, II, Código Penal: 
 
Art. 18: Diz-se crime: [...] 
Crime culposo 
II. culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, 
negligência ou imperícia [...]. 
 
Para que a vida em sociedade seja possível é necessário que todos tomem 
cuidados, ainda que estes não estejam dispostos em lei. 
 
 
 
46 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Quando um dever de cuidado está expresso em nosso Código Penal como uma 
conduta criminosa e este é quebrado temos um resultado objetivamente previsível. 
Esta previsibilidade é relacionada com o sentimento de certo e errado do homem médio (o 
homem comum). 
 
Como você pode perceber o tipo penal culposo não se reduz a uma conduta, o 
próprio tipo penal faz referência ao resultado quando estese der por: imprudência, 
negligência ou imperícia. 
 
Mas do que se tratam essas modalidades? Vamos juntos: 
a. Imprudência: é um ato positivo, é um fazer por parte do agente delituoso 
(criminoso). É a prática de um fato tido como perigoso, ou seja, um descuido. Decorre de 
uma conduta comissiva (ação). Ex. Passar com o carro em um farol fechado. 
b. Negligência: trata-se de uma ação negativa, uma omissão praticada pelo agente 
delituoso. A negligência ocorre antes do cometimento da ação. Ex. o indivíduo não verifica 
os freios do automóvel antes de colocá-lo em movimento. 
c. Imperícia: É a falta de habilidade no exercício de uma profissão ou atividade. 
Ex. médico que realiza intervenção cirúrgica sem o conhecimento necessário sobre seus 
procedimentos. 
 
A culpa pode ser dividida, ainda, em: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Culpa 
Inconsciente ou 
sem previsão 
Consciente ou 
com previsão 
O agente não prevê o que era previsível. 
Ex. Indivíduo dirige em alta velocidade para 
chegar logo em casa, sem sequer cogitar a 
ideia de que aquela velocidade pode resultar 
em um acidente ou em um atropelamento. 
O agente prevê o resultado, mas acredita 
sinceramente que ele não ocorrerá. 
 
 
47 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
A culpa consciente não se confunde com o dolo eventual, há de certo uma 
semelhança, em ambos o agente tem possibilidade de prever o resultado, no 
entanto, na culpa consciente o agente não aceita o resultado, já no dolo 
eventual o resultado é aceito pelo agente. 
 
 
5.2 Consumação e Tentativa 
Para que entenda melhor o conceito de consumação e tentativa vou explicar de 
forma breve o que o Direito Penal chama de iter criminis, ou seja, o caminhar do crime. 
Este caminho possui quatro etapas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com isso vemos que a execução do fato criminoso está ligada diretamente como 
verbo de cada tipo, ou seja, quando o agente delituoso começa a praticar o verbo do tipo 
tem-se o início da sua execução. 
 
Ocorre o que chamamos de crime consumado, quando realizado todos os 
elementos do tipo penal. 
 
 
Iter Criminis 
Cogitação 
Consumação 
Execução 
Preparação 
Trata-se da fase em que o agente apenas está 
planejando a prática do crime. Está fase é 
impunível. 
Nesta fase todos os elementos do tipo são 
realizados. Aqui o crime sai da sua fase preparatória 
e começa a ser executado com a prática do primeiro 
ato idôneo e inequívoco à consumação do crime. O 
ato idôneo é aquele capaz de produzir o resultado e 
ato inequívoco que induz o resultado. 
Nesta fase se inicia a lesão ao bem jurídico tutelado, 
ou seja, o agente inicia a realização do núcleo do tipo. 
Nesta fase o crime já é punível. 
É a fase em que há prática dos atos antecedentes 
necessários ao início da execução. Não se fala ainda 
em fato típico, salvo, o ato preparatório constituir 
crime autônomo. 
 
 
48 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Art. 14, CP: Diz-se crime: 
Crime Consumado 
I. consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua 
definição legal [...]. 
 
Considera-se crime exaurido aquele em que o agente já passou por todas as 
etapas do iter criminis, mas continua atingindo o bem jurídico. Esse exaurimento tem a 
função de influenciar na fixação da pena, conforme os moldes do art. 59, CP. 
 
Art. 59, CP: O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à 
conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às 
circunstâncias e consequências do crime, bem como ao 
comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e 
suficiente para reprovação e prevenção do crime: 
I. as penas aplicáveis dentre as cominadas; 
II. a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; 
III. o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; 
IV. a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra 
espécie de pena, se cabível. 
 
No entanto, se considera crime tentado (tentativa) aquele que iniciada sua execução 
não se consuma por circunstâncias alheias à sua vontade. 
 
Art. 14, CP: Diz-se crime: [...] 
Tentativa 
II. tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por 
circunstâncias alheias à vontade do agente. 
 
Dentro do estudo de consumação e tentativa dos outros institutos muito importantes, 
são eles a desistência voluntária, arrependimento eficaz e arrependimento posterior. 
 
I. Desistência Voluntária: previsto no art. 15, 1ª parte do Código Penal. Ocorre 
desistência voluntária quando o indivíduo (agente delituoso) desiste por sua própria 
vontade (elemento subjetivo) de continuar a ação criminosa, ou seja, não ocorrendo o 
resultado previamente pretendido. Nas palavras de Rogério Sanches Cunha (2016, p. 357), 
ele “abandona o dolo inicial”. 
 
 
 
Somente admitido na tentativa imperfeita ou inacabada. Não há que se falar 
em desistência voluntária em crimes compostos de único ato. 
 
 
 
49 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
O Prof. Rogério Sanches Cunha (2016, p. 357) faz a seguinte menção: “lembrando 
a fórmula de Frank, enquanto na tentativa o agente quer prosseguir, mas não pode, na 
desistência voluntária o agente pode prosseguir, mas não quer”. 
 
Vejamos o art. 15, CP: “O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na 
execução [...] só responde pelos atos já praticados”. 
 
Conseguimos perceber que o legislador (autor da lei) se satisfaz pela 
voluntariedade da desistência, ou seja, não precisa ela ser espontânea. Como assim? 
Ainda que haja, por exemplo, apelo (pedido) de terceiros para que o mesmo cesse (pare) 
a ação criminosa e este ceda aos pedidos (influência subjetiva externa) daquele e pare o 
fato criminoso, para a doutrina e aqueles que irão aplicar a norma penal entende-se como 
desistência voluntária. 
 
Quando tratamos de interferência externa ela pode ser: subjetiva ou objetiva, o 
quadro (CUNHA, 2016, p. 358) a seguir exemplifica essa diferença: 
 
Interferência Instituto Exemplo 
Externa 
Objetiva 
Tentativa 
Disparo de alarme sonoro, acender luz de uma janela, pedestre 
passando pelo local etc. 
Externa 
Subjetiva 
Desistência 
Voluntária 
Pedido de terceiro 
 
No que a desistência voluntária se diferencia da tentativa pura e simples? 
 
Enquanto na tentativa – art. 14, II, CP, a consumação não ocorre por 
circunstâncias alheias à vontade do agente criminoso (agente quer prosseguir, mas não 
pode), na desistência voluntária ela deixa de se consumar por circunstâncias inerentes 
a sua vontade (o agente pode prosseguir, mas não quer). Na primeira o dolo é de 
consumação, ou seja, ele pretendia o fim, já na segunda o dolo é abandonado. A tentativa 
possui como consequência a diminuição da pena de 1/3 a 2/3, já na desistência 
voluntária o agente somente responderá pelos atos praticados. 
 
II. Arrependimento eficaz: está previsto no art. 15, 2ª parte do CP: “[...] ou impede 
que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados”. 
 
 
50 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Trata-se de uma “tentativa qualificada”, conforme afirma a doutrina. Nesta situação 
o agente delituoso pratica todas as fases do crime, ou seja, os atos executórios chegam 
ao fim e a partir disso busca minimizar o efeito afim impedir que o resultado se 
consume. 
 
Bem como a desistência voluntária, basta que se verifique a real voluntariedade, mas 
deve ser este arrependimento eficaz, ou seja, ele deve de fato evitar que se produza o 
resultado e neste, o indivíduo responderá por todos os atos já praticados. 
 
O quadro (CUNHA, 2016 p. 360) abaixo traz as principais diferenças e semelhanças 
entre a desistência voluntária e o arrependimento eficaz, afim que não mais confundamos 
tais institutos: 
 
E para que serviriam tais conceitos? Do ponto de vista prático, desistência voluntáriae arrependimento eficaz excluem a aplicação da pena por tentativa, ou seja, o agente 
responderá somente pelos atos até então praticados. 
 
III. Arrependimento Posterior: disposto no art. 16, CP: 
 
Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, 
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da 
denúncia ou queixa, por ato voluntário do agente, a pena será 
reduzida de um a dois terços. 
 
Essa conduta se dá após a consumação do fato delituoso, ou seja, o agente após 
consumar o ato, de forma voluntária, repara os danos ou restitui a coisa. 
 
Desistência Voluntária Arrependimento Eficaz 
Art. 15, 1ª parte, CP Art. 15, 2ª parte, CP 
Espécie de tentativa abandonada Espécie de tentativa abandonada 
Exige voluntariedade Exige voluntariedade e eficácia 
Ocorre durante a execução Ocorre após a execução 
O agente abandona o seu dolo antes de esgotar os 
atos executórios 
O agente esgota os atos executórios, mas 
consegue impedir o resultado 
O crime não se consuma por circunstâncias 
inerentes à vontade do agente 
O crime não se consuma por circunstâncias 
inerentes à vontade do agente 
Pune-se pelos atos já praticados Pune-se pelos atos já praticados 
 
 
51 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Devemos nos atentar que esse instituto será aplicado apenas aos crimes que não 
são praticados com grave ameaça ou violência. A lei busca incentivar aqueles que tenham 
praticado o crime com uma diminuição obrigatória de 1 a 2/3 da pena, como se verifica no 
artigo onde se fala “será reduzida”, ou seja, não é uma liberalidade do juiz aplicar ou não 
a diminuição, ele está vinculado ao texto da lei. 
 
Vale ressaltar que diferente do arrependimento eficaz o agente não volta ao estado 
de licitude, não há que se falar em exclusão de punibilidade, mas somente a redução da 
pena. 
 
Quando o texto legal cita o termo “até o recebimento da denúncia ou queixa” 
entende-se que somente haverá arrependimento posterior, com incidência da redução 
da pena se este foi feito até o recebimento da denúncia ou queixa, caso ocorra após não 
mais se fala em redução, mas poderá incidir em uma circunstância atenuante do art. 65, 
III, b, Código Penal. 
 
Uma dúvida levantada pela doutrina é se: havendo reparação do dano o 
arrependimento se comunicará ao corréu (aquele que pratica diretamente o núcleo do tipo 
penal – verbo – junto àquele que realiza a reparação do dano). A resposta é positiva, com 
fundamento no art. 30 do CP, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 
 
Uma vez reparado o dano integralmente por um dos autores do delito a causa de 
diminuição de pena do arrependimento posterior, prevista no art. 16, CP, estende-
se aos demais coautores, cabendo ao julgador avaliar a fração de redução a ser 
aplicada, conforme a atuação de cada agente em relação à reparação efetivada. De 
fato, trata-se de circunstância comunicável, em razão de sua natureza objetiva. 
Deve-se observar, portanto, o disposto no art. 30 do CP, segundo o qual “não se 
comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando 
elementares do crime. 
 
 
 
A recusa da vítima em aceitar a reparação do dano não atingirá o direito do 
agente delituoso em ser agraciado com a diminuição da pena. 
 
 
 
 
 
52 Direito Penal 
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5.3 Erro de Tipo 
Quando se trata da figura do erro de tipo estamos falando de uma falsa percepção 
do indivíduo (agente delituoso) sobre as elementares ou circunstâncias do tipo penal. 
Vejamos o art. 20, caput, CP: “O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime 
exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei [...]”. 
 
É importante explicar que erro de tipo não se confunde com erro de proibição, 
vejamos quadro (CUNHA, 2016, p. 70-71) exemplificativo: 
 
Erro de Tipo Erro de Proibição 
Há falsa percepção da realidade que 
circunda o agente. 
O agente percebe a realidade, 
equivocando-se sobre a regra de conduta. 
O agente não sabe o que faz. 
O agente sabe o que faz, mas ignora ser 
proibido. 
“A” sai de festa com guarda-chuva 
pensando ser seu, mas logo percebe que 
errou, pois o objeto é de terceiro. 
“A” encontra um guarda-chuva na rua e 
acredita que não tem obrigação de 
devolver, porque “achado não é roubado”. 
 
O erro de tipo pode ser essencial ou acidental. 
 
De forma simplificada, o erro de tipo essencial ocorre em relação aos elementos 
principais do tipo, já o erro de tipo acidental se dá em relação aos dados secundários 
da conduta criminosa. 
 
Vejamos cada um separadamente: 
I. Erro de Tipo Essencial: ele pode ser dividido em inevitável, ou seja, um erro 
justificável trata-se de um erro impossível de se prever fazendo com que se exclua o 
dolo e a culpa (não havendo que se falar em consciência do resultado) e evitável, aquele 
que não é justificável, trata-se de um erro previsível, neste caso exclui-se o dolo (porque 
não havia consciência), mas se pune a culpa, caso esta seja prevista no tipo criminoso. 
 
O erro de tipo essencial pode ainda ser subdividido em: 
a. Esso sobre a elementar do tipo incriminador: já vimos que o dolo é 
caracterizado por consciência e vontade, a circunstância elementar é o dado essencial da 
figura típica, assim sendo, se alguém erra sobre o dado essencial do tipo incriminador não 
 
 
53 Direito Penal 
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poderá ser condenado por ter agido com dolo, ou seja, errar sobre dado essencial do tipo 
incriminador excluirá o dolo. 
 
Ex. um sujeito sai para caçar e acreditando ter visto m animal dispara de uma longa 
distância. Ocorre que, na verdade ele acerta outro caçador que carregada pele do animal 
que morreu em virtude de outro disparo. Veja que neste caso o sujeito que caçava erra 
sobre a sua percepção de realidade: acredita estar disparando contra um animal, quando 
na verdade se tratava de uma pessoa. Assim, se o sujeito não possui consciência de que 
dispara contra um homem não que se falar em dolo. 
 
Se o erro é inevitável, significa que não foi quebrado qualquer dever de cuidado, 
então o sujeito não é punível de nenhuma forma, mas se o erro for evitável, o agente 
poderá ser culpável na modalidade culposa (quando o tipo penal previr expressamente a 
forma culposa). 
 
b. Erro sobre circunstância de tipo incriminador: o sujeito equivoca-se com 
relação a uma circunstância, nesse caso há exclusão da circunstância desconhecida. 
 
Ex.: agente furta algo que acredita ser de pequeno valor, mas por erro subtrai coisa 
muito valiosa, terá direito ao privilégio do §2º, art. 155, CP. 
 
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: 
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa 
furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de 
detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a 
pena de multa. 
 
c. Erro sobre descriminante: a descriminante é a causa que exclui a ilicitude do 
fato típico, ocorre quando o agente levado a erro pelas circunstâncias do caso concreto 
pensa que está agindo em face de uma casa excludente de ilicitude (legítima defesa, estado 
de necessidade, estrito cumprimento do dever legal ou exercício regular de um direito). 
 
Ex. “A” percebe que “B”, seu inimigo, está mexendo no bolso e pensa que ele irá 
sacar uma arma. “A” então dispara e mata “B”, que somente procurava um lenço (erro de 
apreciação dos fatos da realidade). As consequências estão expostas no art. 20, §1º, CP. 
Se o erro for inevitável excluirá o dolo e a culpa, mas se evitável, o agente responde 
pelo crime culposo, se esta forma estiver prevista. 
 
 
54 Direito Penal 
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Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui 
o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto emlei. 
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas 
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação 
legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o 
fato é punível como crime culposo (Redação dada pela Lei nº 7.209, 
de 11.7.1984). 
 
II. Erro de Tipo Acidental: o erro de tipo acidental recai sobre um dado secundário, 
ou seja, a intenção de praticar determinada conduta é manifesta e incide na 
responsabilidade penal do agente. 
 
São modalidades do erro de tipo acidental: 
a. Sobre o objeto – error in objeto: nesta modalidade (sem previsão legal) o 
indivíduo visa a prática de um tipo penal sobre determinado objeto (coisa), mas acaba 
agindo sobre bem (coisa/objeto) diverso. 
 
Ex. o agente quer furtar algo e por engano furta coisa diversa. O crime continua o 
mesmo – o furto. 
 
Nesta modalidade a consequência pela prática do crime, ainda que tenha recaído 
sobre objeto diverso, é a mesma que se de fato tivesse atingido o bem que pretendia 
desde o início da ação criminosa, ou seja, não se exclui nem dolo, nem culpa, o indivíduo 
será apenado (condenado). 
 
b. Sobre a pessoa – error in persona: disposto no art. 20, §3º, CP. 
 
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui 
o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. 
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
§ 3 º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não 
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou 
qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria 
praticar o crime. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 
 
Nesta situação há o dolo de lesar uma determinada pessoa, mas por situação 
diversa, um erro de análise, o agente delituoso acaba atacando pessoa diversa, ou seja, 
estamos tratando de duas figuras como vítima, a vítima real (aquele que o agente delituoso 
lesa) e a vítima virtual (aquele que o agente de fato queria lesar). 
 
 
 
55 Direito Penal 
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Ex. “A” pretende matar “B” e por uma confusão acaba matando “C” acreditando ser 
“B”. O crime continuará sendo homicídio e “A” responderá como se a vítima efetiva “C” fosse 
à vítima pretendida “B”. 
 
Vejamos a relevância prática deste exemplo com análise no art. 61, II, e, CP: 
 
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não 
constituem ou qualificam o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 
11.7.1984) 
II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 
11.7.1984) 
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge [...]. 
 
Outro exemplo: sujeito quer matar seu inimigo e após avistar de relance um vulto 
atira e vem a matar seu próprio pai. Neste caso não incidirá a agravante prevista no art. 61, 
II, e, CP, se, no entanto, o sujeito quer matar o próprio pai e acaba matando um terceiro 
desconhecido, neste caso incidirá a agravante mencionada. 
 
c. Na execução do crime – aberratio ictus: disposto no art. 73, CP. 
 
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, 
o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge 
pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra 
aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No 
caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, 
aplica-se a regra do art. 70 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 
7.209, de 11.7.1984). 
 
Nesta situação há erro no momento da execução do delito, ou seja, o agente atinge 
pessoa diversa da pretendida, não há que se falar em erro de percepção do agente, mas 
sim na execução do crime. 
 
Ex. O agente quer matar “A”, mira em “A”, mas erra o tiro e atinge “B”. 
 
Não se confunde erro na execução com erro quanto à pessoa, o professor Rogério 
Sanches Cunha (2016, p. 214) pontualmente demonstra essas diferenças, vejamos: 
 
 
 
 
 
 
56 Direito Penal 
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Erro sobre a pessoa Erro na execução 
Há equívoco na representação da vítima 
pretendida. 
Representa-se bem a vítima pretendida. 
A execução do crime é correta (não há 
falha operacional). 
A execução do crime é errada (ocorre 
falha operacional). 
A pessoa visada não corre perigo, pois 
confundida com outra. 
A pessoa visada corre perigo, não sendo 
confundida. 
Nos dois casos o agente responde pelo crime cometido considerando as qualidades da 
vítima virtual, pretendida. 
 
d. Na execução com resultado diverso do pretendido: figura prevista no art. 74 
do Código Penal. 
 
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro 
na execução do crime, sobrevém resultado diverso do pretendido, o 
agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime culposo; 
se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 
deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
 
Também chamada de aberratio criminis ou aberratio delicti, em outras palavras, o 
agente delituoso atinge bem jurídico diverso do pretendido. Nesta situação não há que falar 
em isenção de pena, o agente aqui responderá de forma culposa, caso haja previsão 
legal. 
 
e. Sobre o Nexo Causal: figura ligada ao resultado que se consuma, mas por nexo 
causal diferente, ou seja, o elo que liga a ação e o resultado é diferente do que o agente 
pretendia. 
 
Se a alteração do curso causal é irrelevante, o sujeito responde pelo crime 
normalmente. 
 
Ex. indivíduo “A” atira “B” de uma ponte com o intuito de matá-la afogada, contudo, 
antes de cair na água a vítima bate a cabeça e morre. Nesta situação o agressor responderá 
normalmente pelo crime consumado (o homicídio – art. 121, CP). 
 
 
 
57 Direito Penal 
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5.4 Crime Impossível 
A figura do crime impossível ou também conhecido como “quase crime” vem 
disposta no art. 17 do CP: “Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio 
ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime”. 
 
É importante se atentar aos termos “ineficácia absoluta [...] impropriedade do 
objeto é impossível consumar-se”, ou seja, não há como consumar o fato ainda que a 
vontade e ação sejam direcionadas aquela finalidade. Trata-se de uma causa excludente 
de tipicidade. 
 
São hipóteses de crime impossível: 
a. Ineficácia absoluta do meio: o meio empregado ou o instrumento utilizado para 
a execução do crime jamais o levará à consumação: 
 
Ex. indivíduo deseja matar outra pessoa apenas com a força da mente. 
 
b. Impropriedade absoluta do objeto material: a pessoa ou coisa sobre qual recai 
a conduta é absolutamente inidônea para a produção de algum resultado lesivo. 
 
Ex. o indivíduo quer matar a sogra, porém quando entra em sua casa com o propósito 
de matá-la ela já está morta por outra razão que não a prentendida por ele. 
 
Outro caso são os flagrantes preparados pela polícia. 
 
Ex. Policial disfarçado solicita que um sujeito compre drogas para ele, afim de 
prender em flagrante aqueles, e o segue até o ponto onde os traficantes vendem as drogas. 
Não há crime, pois se trata de uma encenação e o bem jurídico está sendo resguardado 
pela autoridade policial. O sujeito (que compra a droga), não cometerá um crime, mas o 
traficante sim, visto que, ele já tinha a droga em sua posse independentemente da 
encenação armada pelo policial. 
 
Na sistemática atual do Código Penal, o que importa é a conduta, objetivamente 
não ter representado nenhum risco à coletividade, pouco importando a postura subjetiva do 
agente. 
 
 
 
58 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
O indivíduo, não será punido se é houver absoluta a ineficácia do meio empregado 
ou se é total a improbidade do objeto material, pois issotorna impossível própria 
consumação do crime. 
 
 
 
59 Direito Penal 
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DIAS, Jorge de Figueiredo. Direito Penal: parte geral. 2 ed. Tomo I. Rio de 
Janeiro: Revista dos Tribunais, 2007. 
 
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal: parte geral (arts. 1º ao 
120) 4. ed. Salvador: JusPodivm, 2016. 
 
 
 
60 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
6 ANTIJURIDICIDADE E CULPABILIDADE 
 
Objetivos: Analisar os conceitos de antijuridicidade e culpabilidade. 
 
Introdução 
Olá, nesta aula estudaremos dois institutos extremamente importante para o Direito 
Penal, sendo todos assuntos sempre polêmicos e bastante interessantes. 
 
Diante, estudaremos os seguintes tópicos: 
 Antijuridicidade 
 Culpabilidade 
 Concurso de pessoas 
 
6.1 Antijuridicidade 
Antijuridicidade também chamada de Ilicitude é uma conduta típica não 
justificada, ou seja, é a contrariedade entre a conduta e o ordenamento jurídico, consiste 
na prática de uma ação ou omissão ilegal. 
 
Em princípio, todo fato típico também é ilícito, o fato típico cria presunção de ilicitude, 
ou pelo menos seu indício. Contudo, é necessário analisar o caso concreto, porque a 
própria lei prevê determinadas circunstâncias capazes de afastar a ilicitude do fato, ou 
seja, o agente delituoso pratica um fato típico, porém a antijuridicidade/ilicitude é afastada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Essas circunstâncias são chamadas de exclusão de antijuridicidade/ilicitude, 
também chamadas de causas de justificação estão dispostas no art. 23, CP. 
 
Conduta Resultado Tipo Penal Violação 
Desaparece o crime 
Não há ilicitude. 
Permitida 
Há crime 
Há ilicitude 
Proibida 
 
 
61 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: 
I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa; 
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de 
direito. 
Excesso punível 
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, 
responderá pelo excesso doloso ou culposo. 
 
Assim, sabe-se que são causas excludente de ilicitude/antijuridicidade: 
a. Estado de necessidade; 
b. Legítima defesa; 
c. Estrito cumprimento de um dever legal; e 
d. Exercício regular de um direito. 
 
Antes de entrarmos em cada uma das causas excludentes é importante que se saiba 
que as causas podem ser: 
I. Causas Legais: as quatro ditas acima; 
II. Causas Supralegais: são aquelas não previstas em lei, que podem ser aceitas 
sem que haja afronta ao princípio da legalidade, aqui, trata-se de uma norma não 
incriminadora. Ex. furar a orelha de um bebê recém-nascido, visto que a sociedade já 
entende como uma conduta aceita, assim, não se enquadra no crime de lesão corporal. 
 
Vamos às causas propriamente ditas: 
a. Estado de Necessidade: possui previsão legal no art. 24, CP. 
 
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica 
o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua 
vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou 
alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável 
exigir-se. 
 § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o 
dever legal de enfrentar o perigo. 
 § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito 
ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. 
 
O Estado de Necessidade nos leva a ideia de pesar os bens jurídicos de igual 
valor para o Direito Penal, permitindo que em uma situação de risco ou ameace um deles 
a ser “sacrificado”. 
 
São requisitos do estado de necessidade: 
 
 
62 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
I. Perigo atual: existe de fato um risco iminente (prestes a acontecer) gerado por 
um fato humano, comportamento de um animal (desde que não seja provado por seu 
dono), fato da natureza e sem destinatário certo (dirigido a qualquer pessoa). 
II. Situação de perigo não provocada, de forma voluntária, pelo agente; 
III. Salvar direito próprio ou alheio: direito seu (estado de necessidade próprio) ou 
de outra pessoa (estado de necessidade alheio). O professor Flávio Monteiro de Barros 
entende que o indivíduo ao proteger direito alheio estaria pautado (baseando-se) no 
princípio da solidariedade. 
IV. Não pode existir dever legal de enfrentar o perigo: quando se fala em 
“enfrentar o perigo” você precisa entender que somente se enfrentará o perigo desde que 
possível, ou seja, o agente não é obrigado a colocar sua própria vida em risco para 
salvar outrem (outra pessoa). 
 
Aqui é muito importante saber que relações de contrato de trabalho, promessa 
feita pelo garantidor (aquele que deve garantir o bem-estar do bem jurídico) e aquele que 
tem o dever legal de enfrentar o perigo (policiais, por exemplo) enquadram-se no termo 
“dever legal”, ou seja, não é apenas o agente público (funcionário público) que possui 
esse dever, as relações privadas também possuem força para dar obrigatoriedade à ação 
do agente. 
 
V. O comportamento lesivo deve ser inevitável: diante da situação de risco ou 
ameaça ao direito (alheio ou próprio) não há outra escapatória senão aquela determinada 
ação, ação que foi capaz de gerar o dano. 
 
 
O estado de necessidade pode ser defensivo, quando o bem sacrificado é do 
próprio agente causador do perigo e agressivo quando o bem sacrificado é de 
terceiro que não criou ou participou da situação de perigo. 
 
 
VI. Não se pode exigir do agente o sacrifício do interesse ameaçado: nesta 
situação devemos fazer a ponderação entre o bem protegido e o bem sacrificado. 
VII. Conhecimento da excludente de antijuridicidade/ilicitude: é a consciência e 
vontade de se salvar direito próprio ou alheio. 
 
 
 
63 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
b. Legítima Defesa: disposta no art. 25, CP: “Entende-se em legítima defesa quem, 
usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, 
a direito seu ou de outrem”. 
 
São requisitos da legítima defesa: 
I. Agressão: trata-se de um ataque humano. A agressão animal se encaixa no 
estado de necessidade, mas se uma pessoa incita o animal atacar outra pessoa, ai pode-
se falar em legítima defesa, pois o animal estaria sendo usado como instrumento do crime. 
 
A agressão pode ser: 
i. ativa: quando há de fato uma ação; 
ii. passiva: trata-se de uma omissão, mas o agente omitente (aquele que se omite) 
deve ter a obrigação de atuar/agir. 
 
II. Injusta: aquela ilícita, contrária ao ordenamento jurídico. 
 
III. Atual ou Iminente: quando falamos em injusta agressão atual estamos nos 
referindo a uma que está acontecendo naquele momento, no entanto, quando falamos em 
iminente, trata-se daquela que está prestes acontecer. 
 
Não há que se falar em legítima defesa de agressão passada (vingança) ou futura 
(suposição). 
 
Segundo Juan Ferré Olivé, Miguel Núnez Paz, William Terra de Oliveira e Alexis 
Couto de Brito (2016, p. 266): 
 
O caráter atual ou iminente da agressão exige que se determine o momento no qual 
dita agressão começa e termina, para os fins de legítima defesa. Quanto ao 
momento do começo, uma parte da doutrina exige a realização do delito em grau 
de tentativa. Entretanto, esta posição exclui determinadas condutas, como alguns 
atos preparatórios que evidenciam uma tentativa iminente, ou as hipóteses de não 
serem consideradas como parte de uma autêntica agressão, dificultar-se-ia 
enormemente as possibilidades de defesa (conforme Roxin). Por esse motivo, deve-
se incorporar a fase final dos atos preparatórios, mas não os momentos anteriores, 
nem a tentativa inidônea. 
 
IV. Uso moderado dos meios necessários: espera-se que haja 
proporcionalidade entre o ataque e a defesa. 
 
 
64 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a DistânciaV. Proteção de direito próprio ou alheio: quando se fala em proteção de bem 
alheio, não há que falar em “autorização para agir” quando tratar-se de bem jurídico 
indisponível, como, por exemplo, a vida. 
VI. Conhecimento da situação de fato justificante: o agente deve ter 
conhecimento, ou melhor, consciência de que está agindo contra um ataque atual ou 
iminente. 
 
O professor Rogério Sanches Cunha (2016, p. 270) traz um quadro (abaixo 
adaptado) bastante esclarecedor sobre diferenças do estado de necessidade e a legítima 
defesa, vejamos: 
 
Estado de Necessidade Legítima Defesa 
Conflito de vários bens jurídicos diante da 
mesma situação de perigo; 
Ameaça ou ataque a um bem jurídico; 
Pressupõe um perigo + atual + sem 
destinatário certo; 
Pressupõe agressão humana + atual ou 
iminente + injusta + dirigida (com 
destinatário certo); 
Os interesses em conflito são legítimos; Os interesses em conflito são ilegítimos. 
 
Outro aspecto importante acerca da legítima defesa é a recente alteração do art. 25, 
CP, pela Lei nº 13.964 de 24 de setembro de 2019, conhecida popularmente por Pacote 
Anticrime, no sentido de lhe acrescer o parágrafo único que dispõe: 
 
Art. 25. [...] 
Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo [que 
acabamos de estudar], considera-se também em legítima defesa o agente de 
segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém 
durante a prática de crimes. 
 
Vale comentar que a referida alteração não inova no Direito e sequer aperfeiçoa o 
Código Penal, pois apenas positiva (insere na norma jurídica) caso específico e bastante 
comum na prática da segurana pública, denominada legítima defesa de terceiro, em que 
o agente de segurança ou qualquer outra pessoa repele ameaça real ou iminente a terceiro. 
No caso somente se inseriu no Código Penal dispositivo com a finalidade de conferir maior 
força a tal instituto na situação descrita envolvendo agentes de segurança pública. Todavia 
a legítima defesa de terceiro alcança todos e quaisquer agentes que pratiquem a conduta 
típica nos moldes descritos no art. 25, caput, CP. 
 
 
65 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
c. Estrito cumprimento de um dever legal: previsto na primeira parte do art. 23, 
CP (já exposto). 
 
Quando alguém age em atendimento aos estritos limites da lei, obviamente não 
pode estar agindo de forma antijurídica, é o caso, por exemplo, do mandado de prisão 
executado pelo policial, que se não fosse razão do estrito cumprimento do dever legal, 
poderia ser tipificado como sequestro. 
 
O dever de constar em norma (lei, decreto, regulamento ou qualquer ato 
administrativo, desde que de caráter geral). Quando há ordem não há estrito cumprimento 
do dever legal, mas sim obediência hierárquica. 
 
 
O cumprimento deve ser estrito, limitado aos termos da lei, ou seja, havendo abuso 
no cumprimento do dever, não haverá excludente. 
É necessário ainda que o agente tenha a consciência de que se cumpre um dever 
legal, pois do contrário haverá um ilícito. 
 
d. Exercício regular de direito: afirma-se que onde houver direito não há que falar 
em crime, ou seja, o “cidadão comum” está autorizado quando existir um direito definido 
em lei e esteja condicionado a este exercício. 
 
Muito se discute sobre os ofensáculos e defesa mecânica predisposta, que são 
aparatos visíveis que servem à proteção da propriedade ou de qualquer outro bem, como, 
por exemplo, as cercas elétricas e os cães bravos. 
 
6.2 Culpabilidade 
A culpabilidade pode ser conceituada como um juízo de reprovação da conduta 
realizada pelo agente, juízo este ligado a necessidade da aplicação de uma sanção 
penal. 
 
Que tal conhecermos duas teorias muito debatidas sobre esse assunto? 
 
 
 
 
66 Direito Penal 
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De forma sistematizada as teorias são: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os grandes estudiosos do Direito entendem que essas duas teorias deveriam ser 
vistas em conjunto, visto que uma complementa a outra. Assim, o agente delituoso 
somente poderia ser condenado se ele no exato momento da ação possuía consciência 
(de certo e errado) do que estava fazendo e escolheu realizar aquela ação. 
 
Você deve se lembrar de que mencionei o seguinte: para os teóricos bipartidos a 
culpabilidade não é elemento do crime, ou seja, não integra o conceito de crime. Então, 
se há discussão sobre a culpabilidade é porque já se verificou a existência do fato típico e 
sua ilicitude. 
 
A culpabilidade é pressuposto para imposição de pena, sua ausência não exclui 
o crime, mas afasta a punibilidade do autor da infração. Em resumo, para a corrente que 
adota a teoria bipartida, a culpabilidade seria mero pressuposto de aplicação de pena. 
 
Já para a corrente que adota a teoria tripartide (teoria esta que prevalece hoje), a 
culpabilidade integra a estrutura do crime. 
 
Prevalece, então, que a culpabilidade é a estrutura relacionada à reprovabilidade. 
É nesse momento que se analisa se o sujeito (agente delituoso), livre para agir, poderia e 
deveria ter agido de acordo com o Direito. 
 
Se ele não poderia e deveria agir de acordo com o Direito, ele não poderá ser 
considerado culpável, ou seja, se determinado fato influencia a liberdade entre o caminho 
Teorias 
Livre-Arbítrio 
Determinismo 
Escola Clássica; 
Deve ser responsabilizado por suas 
escolhas. 
O homem possui capacidade moral para 
escolher a melhor opção; 
O homem não é soberano em suas escolhas 
devido a fatores internos e externos que são 
capazes de influência-lo. 
Escola Positiva; 
 
 
67 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
do legal ou ilegal, isso irá gerar vício na liberdade e deverá ser levado em conta na 
reprovação do agente. 
 
Desta forma, se não havia liberdade, não haverá culpabilidade. Se a liberdade foi 
restringida, pode ser caso da reprovabilidade também ser diminuída. 
 
São elementos estruturais da culpabilidade: 
a. Imputabilidade: trata-se da capacidade de se imputar (aplicar) uma pena ao 
agente delituoso, ou seja, sua responsabilização pelos atos praticados até então. 
 
Assim, a inimputabilidade, ocorre quando ao agente não pode ser aplicada a 
sanção (pena) correspondente ao fato criminoso, esta pode ocorrer por: 
 
I. Doença mental: são perturbações mentais (psicose, esquizofrenia, paranóia, 
epilepsia etc.). A dependência patológica de substâncias psicotrópicas (drogas) também é 
considerada como doença mental. 
II. Desenvolvimento mental incompleto: é o desenvolvimento mental que ainda 
não se concluiu. Podemos enquadrar neste os índios (denominados no Direito de 
silvícolas) não adaptados e os menores de 18 anos. 
III. Desenvolvimento mental retardado: é o caso dos oligofrênicos, que se 
classificam em débeis mentais, imbecís e idiotas, dotados de reduzidíssima capacidade 
mental e dos surdos-mudos que, devido sua anomalia, não possuem capacidade de 
entendimento e autodeterminação. 
 
b. Embriaguez: trata-se de intoxicação aguda e transitória provocada pela 
ingestão de álcool ou substância de efeito análogo (drogas), cujas consequências 
variam desde uma ligeira excitação até a perda da consciência. 
 
A embriaguez tem relevância no exame de culpabilidade, pois pode eventualmente 
excluir a liberdade do sujeito para atuar de acordo com o Direito. 
 
Ela pode ser dividida em: 
I. Preordenada: o sujeito se embriaga propositadamente para praticar o crime, 
buscando através do álcool uma “coragem” que sem ele não teria. Nesta situação, a 
culpabilidade será agravada, conforme o art. 61, II, l, CP. 
 
 
68 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não 
constituem ou qualificam o crime: [...] 
II - ter o agente cometido o crime: [...] 
l)em estado de embriaguez preordenada. 
 
II. Voluntária ou Culposa: será considerada voluntária quando o indivíduo age com 
o intuito de se embriagar e culposa quando o indivíduo não toma a devida cautela para 
impedir a embriaguez. 
 
Neste caso, para a jurisprudência (entendimentos reiterados de Tribunais Superiores 
ao Juiz de primeiro grau) majoritária, o sujeito responde como se estivesse sóbrio, ou seja, 
a embriaguez voluntária ou culposa não afasta a culpabilidade. Assim, se alguém dirige 
embriagado e acaba atropelando e matando um pedestre, responderá como se sóbrio 
estivesse. 
 
III. Acidental: esta forma de embriaguez não é resultado da intenção ou falta de 
cautela do sujeito, mas sim de caso fortuito ou força maior. Parece improvável, mas a 
doutrina cita como hipótese de embriaguez forçada ou imprevisível a situação em que o 
indivíduo cai acidentalmente em uma piscina de vinho. 
 
O que vale ressaltar é que se o sujeito não era livre no momento da ingestão da 
substância, então não há culpabilidade. A embriaguez acidental exclui a imputabilidade 
e a incompleta reduz a pena. 
 
IV. Patológica: é o caso do alcóolatra, do dependente de substância química. 
Nesta situação o agente será equiparado ao doente mental, excluindo-se a 
imputabilidade. 
 
c. Emoção e Paixão: figuras descritas no art. 28, I, CP: “Não excluem a 
imputabilidade penal: I - a emoção ou a paixão [...]”. 
 
Mas ao que se refere à emoção e a paixão? Vejamos. 
I. Emoção: estado súbito ou passageiro. Pode ser considerado como uma 
atenuante, nos moldes do art. 65, III, c, CP, ou causa de diminuição da pena, como, por 
exemplo, no art. 121, §1º e 129, §4º ambos do CP. 
 
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: [...] 
 
 
69 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
III - ter o agente: [...] 
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em 
cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob a influência de 
violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima; 
Art. 121. Matar alguém: 
Pena - reclusão, de seis a vinte anos. 
Caso de diminuição de pena 
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor 
social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida 
a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto 
a um terço. 
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. [...] 
Diminuição de pena 
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor 
social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida 
a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto 
a um terço. 
 
II. Paixão: é um sentimento crônico e duradouro, pode, inclusive, ser entendido 
como uma doença mental, nos moldes do art. 26, caput, CP. 
 
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou 
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da 
ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito 
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento [...] 
 
 
 
Nem a emoção, nem a paixão excluem a imputabilidade. 
 
 
 
 
 
 
d. Potencial consciência da ilicitude: está ligado diretamente com a possibilidade 
de o agente entender a reprovabilidade da conduta. 
 
Vale aqui explicar que o “entender a reprovabilidade” não está ligado com o conteúdo 
da norma jurídica, mas sim com a percepção de certo ou errado. 
 
O desconhecimento da lei é inescusável, ou seja, ninguém pode descumprir a lei 
alegando que não a conhece. 
 
 
 
70 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Contudo, há casos em que dada às circunstâncias específicas, o sujeito não possui 
nem condições de conhecer do conteúdo do injusto e se ele não possuía condições de se 
motivar pela norma não poderá ser censurado por ter agido de forma contrária a lei. 
 
A causa que exclui a potencialidade da consciência da ilicitude se chama erro 
de proibição inevitável (art. 21, CP), ou seja, o agente não tinha condições de conhecer 
a ilicitude do fato em face das circunstâncias que contrariava o ordenamento jurídico, trata-
se apenas de uma causa de diminuição da pena. 
 
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a 
ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá 
diminuí-la de um sexto a um terço. 
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se 
omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, 
nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. 
 
Ex. trabalhador rural, idoso, que viveu a vida toda em seu sítio, sem televisão e que 
aprisionava um animal silvestre (infração a lei ambiental). Dadas as circunstâncias, o 
senhor não tem conhecimento de que pratica uma conduta proibida e também nem poderia 
tê-lo, já que a prática era comum entre seus pais e avós. 
 
e. Exigibilidade de conduta diversa: é a expectativa social que a pessoa tenha 
outro comportamento e não aquele que de fato teve. 
 
Em nosso ordenamento jurídico, a exigibilidade de conduta diversa pode ser excluída 
por duas causas: 
 
I. Coação Moral Irresistível: consiste em ameaça grave contra a qual o homem 
médio não consegue resistir. A coação moral irresistível não exclui o crime, pois resta 
um resquício de vontade, mas exclui a culpabilidade. 
 
Ex. um sujeito com arma de fogo ordena que um rapaz dê um golpe em sua 
namorada. 
 
II. Obediência hierárquica: o agente atua em cumprimento de uma ordem 
específica de um superior que tenha com ele uma relação de Direito Público e que seja 
não manifestamente ilegal. 
 
 
71 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Se o subordinado cumprir ordem ilegal, reconhecendo sua ilegalidade, responde 
pelo crime praticado. 
 
6.3 Concurso de Pessoas 
Concurso de pessoas trata-se da reunião de vários agentes, que concorrem (agem) 
de forma relevante (e importante que ocorra) para que se realize o evento (ato/fato 
criminoso). 
 
Esta participação, ou cooperação, pode ocorrer nos variados graus de auxílio, bem 
como nas mais variadas fases do crime (como já estudamos no tópico em que tratamos do 
iter criminis). 
 
Para estarmos diante do concurso de pessoas devem estar presentes alguns 
requisitos: 
1. Presença de dois ou mais agentes: ou como a doutrina (livros que tratam de 
Direito) costuma chamar: pluralidade de agente e condutas. Neste requisito é importante 
falarmos sobre a “qualidade” dos agentes criminosos, eles podem ser subdivididos em: 
 a. Autor: aquele que realiza de fato o verbo principal (núcleo) do tipo penal. 
 b. Coautor: figura disposta no art. 29, CP. aquele que pratica o mesmo verbo 
da conduta descrita no núcleo do tipo, são aqueles que praticam as condutas mais 
importantes. “Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas 
a este cominadas, na medida de sua culpabilidade”. 
 
É importante saber que, eles responderão pela mesma infração, mas não 
significa que terão a mesma pena, ou seja, eles irão receber penas proporcionais aos 
atos pelos quais foram responsáveis. Ex. a pessoa que deu um tiro pode ter a pena menor 
que seu coautor que deu 10 tiros. 
 
 c. Partícipe: é aquele que concorre de outra forma, mas relevante, para que 
se consume o resultado pretendido, ou seja, ele não pratica o núcleo do tipo. São aqueles 
agentes que praticam as condutas menos importantes, acessórias etc. É importante 
saber que os partícipes recebem as penas pelos mesmos crimes que os praticados pelos 
autores, mas sua pena será reduzida entre 1/3 a 1/6, dependendo do grau de 
 
 
72 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
envolvimento, conforme o art. 29, §1º, CP: “Se a participação for de menor importância, a 
pena pode ser diminuída de um sexto a um terço”.2. Relevância causal das condutas: demos nos atentar que, quando falamos de 
concurso de pessoas, necessariamente, haverá uma pluralidade de condutas, mas para 
que estejamos diante de um real concurso de pessoas estas condutas devem possuir 
relevância para que se chegue ao fim desejado (a consumação do resultado pretendido). 
Se uma conduta nada tenha a ver, ou, não possua eficácia, não há que falar em concurso 
de pessoas. 
3. Liame subjetivo entre os agentes: todos aqueles que estejam praticando o 
fato criminoso devem estar reunidos e atuando de forma consciente na mesma ação 
criminosa. Caso não haja este vínculo estaremos diante de outra figura, a autoria 
colateral, que ocorre quando duas ou mais pessoas agem para alcançar um mesmo fim 
(leia-se resultado), mas ambos agentes não conhecem da intenção do outro. Ex. “A” e “B” 
querem matar “C”. “C” estava na madrugada perambulando pela cidade e em determinado 
cruzamento “A” e “B” a sua espera, cada um de um lado da rua, mas sem saber que o outro 
por ali estava, empunhados de uma arma atiram e acertam “C”, levando-o a óbito. Os 
agentes agiram ao mesmo tempo, com a mesma finalidade, mas um sem saber do outro, 
ou seja, não há vínculo subjetivo entre eles. 
4. Identidade de infração penal: para que os agentes incorram no concurso de 
pessoas, devem estes ter contribuído para a mesma ação criminosa, previamente 
determinada pelos agentes. 
 
Comunicabilidade das Circunstâncias, Condições e Elementares: vejamos o art. 
30 do CP: “Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo 
quando elementares do crime”. 
 
De acordo com essa regra, as circunstâncias pessoais somente se comunicam 
ao coautor ou partícipe quando não forem circunstâncias, mas elementares. 
 
Vamos juntos estudar cada um dos termos? 
1. Circunstâncias: são elementos que estão ligados a figura primária, mas podem 
agregar dados/detalhes que podem vir a ser tratado como aumento ou diminuição da 
pena. As circunstâncias podem ser subdivididas em: 
 
 
73 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 a. Objetivas: estão relacionadas com o fato. Ex. rompimento de 
obstáculo para realização de um furto a residência. 
 b. Subjetivas: estão relacionadas aos agentes e os motivos que 
levaram a prática delituosa. Ex. motivo torpe no homicídio. 
 
2. Condições: está ligado diretamente ao indivíduo, ou seja, se considera sua 
relação com os demais agentes criminosos. Ex. menoridade; parentesco com os demais. 
3. Elementares: tem relação com a figura criminosa. 
 
 
 
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal: parte geral (arts. 1º ao 
120) 4. ed. Salvador: JusPodivm, 2016. 
 
DIAS, Jorge de Figueiredo. Direito Penal: parte geral. 2 ed. Tomo I. Rio de 
Janeiro: Revista dos Tribunais, 2007. 
 
OLIVÉ, Juan Ferré et. al. Direito Penal Brasileiro: parte geral, princípios 
fundamentais e sistema. 2 ed. São Paulo: SaraivaJur, 2016. 
 
 
 
74 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
7 TEORIA GERAL DA PENA 
 
Objetivos: Analisar outro foco do Direito Penal, a pena, em um caráter introdutório. 
 
Introdução 
Olá, estudados os institutos relacionados tanto à aplicação do próprio Direito Penal 
e da norma penal, como do ato delitivo, chegou a hora de analisarmos o outro objeto do 
Direito Penal: a pena. A aplicação da pena é atividade privativa do Estado, pois ele é o 
único detentor do chamado direito de punir (jus puniendi), pois esta atividade está 
intimamente relacionada à atividade do próprio Estado de proteger seus súditos (os 
administrados). 
 
Diante disso, neste módulo vamos estudar os seguintes tópicos: 
 As penas 
 Teorias das penas 
 Espécies de pena 
 
7.1. As Penas 
Primeiro precisamos conceituar o que é a pena. Pena é a resposta do Estado dada 
para aquele que comete algum crime ou contravenção, esta pena poderá restringir o 
indivíduo de algum bem, como, por exemplo, sua locomoção. 
 
Lembre-se que para imposta qualquer tipo de pena devemos respeitar o devido 
processo legal, ou seja, ainda que possamos entender que um crime possa ser perverso 
ou imperdoável, aquele que, em tese, tenha praticado a ação é um cidadão de direitos 
e estes devem ser respeitados. 
 
Você deve estar se perguntando: Mas qual a finalidade da pena? 
 
Antes de te explicar os “porquês” da aplicação de uma pena, quero relembrar alguns 
princípios (já estudados) que são consideradas características das penas. Vamos lá? 
 
a. Legalidade: a pena deve estar prevista em lei (princípio da reserva legal, art. 5º 
XXXIX da CRFB); 
 
 
75 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
b. Anterioridade: a pena deve estar prevista em lei vigente ao tempo da infração 
penal, ou seja, quando for praticado o fato criminoso a pena e o crime já devem estar 
presentes no ordenamento brasileiro (art. 5º, XXXIX, CRFB); 
 
c. Proporcionalidade: a pena deve ser proporcional a atuação do indivíduo na 
prática criminosa; 
 
d. Individualidade: a pena deve ser individualizada segundo as particularidades 
de cada agente; 
 
e. Personalidade: a pena não pode ultrapassar a pessoa do criminoso (art. 5º, 
XLV, CRFB), mas aqui você deve estar “alerta”, quando falamos que uma pena “não pode 
ultrapassar a pessoa do criminoso” referimo-nos a privação da liberdade daquele, quanto 
aos efeitos civis, como, por exemplo, indenizações etc., há outra regra, mas que para nós 
não interessa no momento, caso haja interesse sobre o assunto nos procure nos fóruns, ou 
em algum material complementar de Direito Constitucional. 
 
f. Humanidade: são expressamente proibidas as penas cruéis. 
 
7.2. Teoria das Penas 
De forma simples, as penas podem ser divididas em: teorias retributivas ou 
também chamadas de absolutas, preventivas ou conhecida como relativas e por fim, 
teorias ecléticas. 
 
a. Teorias Retributivas/Absolutas: estas teorias partem de uma concepção de 
justiça que visa retribuir o mal com o mal. Aqui podemos destacar a influência da Lei de 
Talião, o famoso “olho por olho e dente por dente”, ou seja, ao mal do crime, retribui-se 
com o mal da pena. 
 
Segundo esta perspectiva não se pune alguém visando algo no futuro, mas sim por 
algo passado, que é o crime cometido. 
 
Um dos postos positivos desta teoria é que ela traz limites à punição, 
estabelecendo uma proporcionalidade entre o crime e a pena, mas esta teoria, também, 
 
 
76 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
é muito criticada por não ter fundamento racional que visa pacificação social ou a redução 
da violência, pautando-se na ideia de vingança. 
 
b. Teorias Preventivas/Relativas: para esta teoria a punição visa a prevenção. 
Aqui, não falamos em retribuir o mal com outro mal, mas sim em punição para prevenir 
que outro mal ocorra. 
 
Esta prevenção se divide em: geral e especial. 
 
A prevenção geral, como o próprio nome sugere visa a coletividade (sociedade). 
Ela ainda se subdivide em negativa e positiva, vamos a elas: 
I. negativa: a pena é aplicada para intimidar potenciais delinquentes, utilizando 
o apenado como exemplo; 
II. positiva: impõe punição com o objetivo de comunicar, isto é, reforçar a 
vigência da norma que teria sido abalada com a prática delitiva. 
 
Com relação à prevenção especial, possui este nome por ser voltada ao indivíduo. 
Ela também pode ser subdividida em: 
I. negativa: com a pena o indivíduo fica afastado da sociedade e não pode 
praticar mais crimes; 
II. positiva: pune-se para buscar a ressocialização do condenado. O art. 1º da Lei 
de Execuções Penais (LEP, Lei nº 7.210/84) é inspirado na ideia de 
ressocialização, vejamos: “Art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar as 
disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a 
harmônica integração social do condenado e do internado”. 
 
c. TeoriasEcléticas: o intuito de somar as qualidades das penas anteriores, surge 
uma terceira corrente que busca compatibilizar as funções da pena. Assim, a pena 
deveria sempre perseguir os ideais da ressocialização, mas sempre dentro dos limites 
da culpabilidade (aqui, o limite do mal causado pode ser considerado influência das teorias 
retributivas). 
 
O Brasil adota a Teoria Eclética, segundo o art. 59, CP: 
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à 
personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, 
 
 
77 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e 
suficiente para reprovação e prevenção do crime: 
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; 
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; 
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; 
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de 
pena, se cabível. 
 
Ou seja, para o sistema normativo brasileiro a pena tem caráter retributivo, 
preventivo e reeducativo. 
De forma sistematizada: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7.3. Espécies de Pena 
A Constituição Federal (CRFB) é muito importante para o estudo do Direito Penal e 
não somente neste assunto, tenha sempre a Constituição como sua aliada e em mãos. E 
por que desta afirmação? Simples! A nossa CRFB é quem relaciona as penas permitidas4 
no Brasil, vejamos: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos 
seguintes: [...] 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos [...]. 
 
4 Como também elenca as penas vedadas (proibidas) no Brasil no seu art. 5º, XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de 
guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis [...]”. 
 
F
in
a
lid
a
d
e
 d
a
s
 
P
e
n
a
s
 
Teorias Absolutas 
“retribuir o mal 
com o mal” 
Teorias Ecléticas 
Teorias Relativas 
Prevenção Geral 
(foco na 
sociedade em 
geral). 
Prevenção 
Especial (foco no 
indivíduo). 
Negativa: visa intimidar a 
todos da coletividade. 
Positiva: visa a 
ressocialização do 
condenado. 
Negativa: visa afastar o 
delinquente da sociedade. 
Positiva: Reforça a 
vigência da norma. 
 
 
78 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
O Código Penal, por sua vez, classifica as espécies permitidas de pena da seguinte 
forma: 
a. Privativas de Liberdade; 
b. Restritivas de Direito; e 
c. Multa. 
 
 Vamos estudar cada uma delas separadamente abaixo: 
 
a. Penas Privativas de Liberdade: existe no Código Penal Brasileiro duas espécies 
de penas privativas de liberdade, são elas a reclusão e a detenção. O que diferencia essas 
espécies de penas é o regime penitenciário ao qual elas se sujeitam. 
 
I. Reclusão: esta pena pode começar a ser cumprida em três regimes 
diferentes: 
i. Regime Fechado: estabelecimentos de segurança máxima e média. Este 
regime será aplicado quando a pena exceder 8 anos, ou seja, for maior que 
8 anos; 
ii. Regime Semiaberto: é aquele em que a pena será cumprida em colônias 
penais agrícolas e industriais. Este regime será aplicado, inicialmente, 
quando a pena aplicada for superior a 4 anos, mas não exceda 8 anos; e 
iii. Regime Aberto: o sujeito trabalha durante o dia e, durante a noite e nos 
dias de folga deverá se recolher a casa do albergado ou à prisão. Este 
regime será aplicado, inicialmente, quando a pena aplicada for igual ou 
inferior a 4 anos. 
 
Antigamente era vedado (proibido) ao condenado reincidente iniciar seu 
cumprimento de pena em regime semiaberto, não importava o quanto de pena o indivíduo 
recebia em sua condenação, no entanto, hoje, a Súmula 269 do Superior Tribal de Justiça 
mudou este entendimento, vejamos: ”É admissível a adoção do regime prisional semi-
aberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as 
circunstâncias judicias”. 
 
I. Detenção: diferente da pena de reclusão, a pena de detenção nunca poderá 
começar a ser cumprida no regime fechado. Este tipo de pena possui apenas 
dois regimes iniciais: 
 
 
79 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
i. Regime Semiaberto: quando a pena aplicada exceder a 4 anos; 
ii. Regime Aberto: quando a pena aplicada for igual ou inferior a 4 anos. 
 
Se o condenado for reincidente ou se as circunstâncias previstas no art. 59 do 
Código Penal forem excepcionalmente desfavoráveis, ele iniciará sua pena em regime 
mais grave, independente da quantidade de pena imposta. 
 
b. Penas Restritivas de Direito: As penas restritivas de direitos são uma alternativa 
à pena privativa de liberdade, são chamadas de substitutivas, porque o Código Penal 
não comina (aplica) diretamente uma pena restritiva de direito. 
 
Para que uma pena restritiva de direitos seja aplicada o juiz deverá dosar a pena 
privativa de liberdade e depois, se for o caso, substituir pela pena restritiva de direito. 
 
O prazo de duração da pena restritiva de direito é o mesmo que o da privativa de 
liberdade que foi substituída, salvo no caso de prestação de serviço à comunidade, em 
que é permitido encurtar esse período. 
 
Art. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é aplicável 
às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade. 
§ 4o Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir 
a pena substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena 
privativa de liberdade fixada. 
 
Existem penas restritivas de direito genéricas e as específicas. 
 
As específicas são aquelas que se aplicam apenas em crimes determinados, são 
situações em que há uma espécie de relação entre a espécie do crime e a espécie da pena, 
como é o caso da interdição temporária de direitos. 
 
Já as genéricas são todas as demais que substituem as penas de quaisquer 
crimes, como é o caso da prestação de serviço à comunidade e a limitação de final de 
semana. 
 
As espécies de penas restritivas de direitos são: 
1. Prestação Pecuniária; 
2. Perda de Bens ou Valores; 
 
 
80 Direito Penal 
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3. Prestação de Serviços a Comunidade ou Entidades Públicas; 
4. Limitação de Final de Semana; 
5. Interdição Temporária de Direitos. 
 
Os requisitos para a substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de 
direitos são três e cumulativos, ou seja, é necessária a presença de todos eles: 
1. Crimes dolosos praticados sem violência ou grave ameaça à pessoa, quando 
a pena privativa de liberdade aplicada não for superior a 4 anos ou qualquer 
que seja a pena se o crime for culposo; 
2. Que o condenado não seja reincidente em crime doloso; e 
3. Culpabilidade, antecedentes, conduta social e personalidade do 
condenado, bem como os motivos e as circunstâncias do crime sugiram que 
seja suficiente à substituição. 
 
Quanto à prestação pecuniária: trata-se de pagamento em dinheiro para a vítima, 
para seus dependentes ou para entidade pública ou privada com destinação social. 
 
O valor fixado para as prestações pecuniárias podem variar entre 1 e 360 salários 
mínimos, este valor será fixado pelo juiz da causa após análise detalhada e 
principalmente sob o enfoque da proporcionalidade. 
 
Se a vítima preferir, o dinheiro poderá ser substituído por outra natureza, como, por 
exemplo, o pagamento decestas básicas. 
 
Não devemos confundir este tipo de pena restritiva de direitos com a pena de multa. 
 
A pena de multa, como veremos adiante, é mais branda e é destinada ao Fundo 
Penitenciário em caso de descumprimento, por exemplo, no caso de multa o débito é 
inscrito na dívida da Fazenda Pública, já no caso da prestação pecuniária, havendo seu 
descumprimento, o juiz converterá em pena privativa de liberdade. 
 
Com relação à perda de bens ou valores, trata-se de pena que impõe a perda 
destes em favor do Fundo Penitenciário Nacional. O montante terá como limite o 
prejuízo causado ou o proveito obtido com o crime (valerá o que for maior). 
 
 
 
81 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Note que não se trata de perda do produto do crime, mas sim do patrimônio lícito 
do condenado. 
 
A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição ao condenado a 
tarefas gratuitas nas escolas, hospitais, clubes, entidades assistenciais etc. 
 
Trata-se de uma das penas restritivas de direitos mais aplicada. É possível apenas 
nas condenações superiores a 6 meses de privação de liberdade. Para cada dia de 
condenação a pena privativa de liberdade é substituída por um uma hora de tarefas 
diárias, fixadas de modo a não prejudicar a jornada de trabalho daquele. 
 
Com relação à limitação de finais de semana, apesar da previsão legal ela é pouco 
usada, pois não há mecanismos de implantação atuantes. 
 
A limitação de fim de semana obriga, em tese, o condenado a permanecer durante 
5 horas aos domingos em casa de albergado ou estabelecimento similar, a fim de atender 
a atividades educativas (palestras, cursos etc.). 
 
A interdição temporária de direitos pode se subdividir em quatro tipos, vejamos: 
1. Proibição do exercício de função pública ou mandato eletivo: é a chamada 
“pena específica”, somente pode ser aplicada nos crimes cometidos no exercício 
de função pública ou no mandato eletivo (violando deveres inerentes à função); 
2. Proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício de que dependa de 
habilitação especial, licença ou autorização do Poder Público; 
3. Suspensão da habilitação para dirigir veículo: aplicada nos crimes de 
trânsito; 
4. Proibição de frequentar lugares: exemplo atual desse tipo de pena está no 
Estatuto do Torcedor (Lei nº 12.299/2010), que incluiu novos crimes e novas 
penas, dentre elas destaca-se a proibição de frequentar estádios. O torcedor 
infrator será obrigado a permanecer em repartição pública duas horas antes até 
dias horas depois de partidas de futebol, de forma que não possa assistir e nem 
ouvir as partidas. 
 
Na condenação igual ou inferior a um ano a substituição pode ser feita por pena de 
multa ou por uma pena restritiva de direitos, caso seja superior a um ano, a pena privativa 
 
 
82 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas 
penas restritivas de direitos. 
 
c. Multa: é uma das espécies de pena alternativa, é a única pena alternativa que 
não pode ser convertida pela privativa de liberdade. 
 
A lei manda fixar o número de dias-multa e o valor dos dias-multa, multiplicando um 
pelo outro e seu resultado é o valor a ser pago pelo condenado. 
 
A quantia de dias multa pode variar entre 10 e 360 dias-multa, o critério que o juiz 
deverá usar para escolher entre o mínimo e o máximo é similar ao das penas privativas 
de liberdade, com especial atenção ao binômio: gravidade do fato em concreto versus 
a culpabilidade do autor. 
 
Há posição no sentido de que o critério seria a capacidade econômica do condenado. 
 
Esses valores, referentes aos dias-multa, são fixados entre 1/30 e 5 salários 
mínimos, de acordo com a capacidade econômica do condenado e o seu pagamento 
será destinado ao Fundo Penitenciário e em caso de descumprimento a execução 
compete a Fazenda Pública. 
 
 
BRAGA, Hans Robert Dalbello. Manual de Direito Penal: Parte Geral. São Paulo: 
Rideel, 2018. 
 
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal: parte geral (arts. 1º ao 120) 
4. ed. Salvador: JusPodivm, 2016. 
 
FAVORETTO, Affonso Celso. Direito Penal: Parte geral e parte especial. São Paulo: 
Rideel, 2018. 
 
PASCHOAL, Janaína Conceição. Direito Penal: parte geral. 2º ed. São Paulo: 
Manole, 2015. 
 
PEREIRA, Gisele Mendes. Direito Penal I. Caxias do sul: EDUCS, 2012. 
 
THOMAZ, Paulo Amador; BUENO, Alves da Cunha. Direito Penal: Parte Geral. São 
Paulo: Manole, 2012. 
 
 
83 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
8 CUMPRIMENTO DA PENA 
 
Objetivos: Estudar os regimes de cumprimento de pena assim como diversos 
institutos penais relacionados ao tema. 
 
Introdução 
Olá, dando continuidade aos nossos estudos sobre as penas, vamos estudar nesta 
aula o cumprimento da pena, tema muito importante para o entendimento mais completo 
do Direito Penal e da responsabilidade do Estado no exercício do poder de punir. 
 
Neste módulo vamos estudar os seguintes tópicos: 
 Cumprimento da pena 
 Progressão de regime de cumprimento de pena 
 Regressão de regime de cumprimento de pena 
 Falta de vagas em estabelecimento adequado 
 Trabalho e remição 
 Unificação das penas 
 Detração penal 
 Reincidência 
 
8.1 Cumprimento da Pena 
Para a fixação do regime inicial de cumprimento de pena, o primeiro procedimento a 
ser feito é análise de qual pena o indivíduo recebeu (privativa de liberdade, restritiva de 
direitos, multa). 
 
Como visto no tópico anterior, apenas a reclusão admite regime inicial fechado. 
Sendo está aplicada devemos ter em mente qual a quantidade de pena, no caso da 
reclusão, se a pena não for maior que 4 anos, são possíveis a aplicação dos regimes 
aberto e semiaberto, somente sendo possível o regime fechado em razão de excepcional 
circunstância do crime ou em caso de reincidência. 
 
 
 
84 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Caso a pena seja maior que 4 anos e menor que 8, poderá ser imposto o regime 
inicial aberto e semiaberto, aqui também, em função de circunstância de específica 
gravidade do crime ou de reincidência, o juiz poderá fixar regime mais severo (fechado). 
Se a pena superar 8 anos deverá, obrigatoriamente, ser fixado como regime inicial o 
regime fechado. 
 
No caso de detenção se a pena não superar 4 anos, são possíveis os regimes aberto 
e semiaberto. O juiz somente estipulará o semiaberto se houver circunstância que aponte 
a especial gravidade do fato ou a reincidência. Se a pena superar os 4 anos ou réu for 
reincidente, será aplicado o regime semiaberto. 
 
8.2 Progressão de Regime de Cumprimento de Pena 
No módulo anterior mencionei que a Lei de Execuções Penais (LEP, Leinº 7.210/84)) 
coloca a ressocialização como finalidade principal da pena, assim, para estimular o bom 
comportamento do condenado e viabilizar a sua reintegração à sociedade, a liberdade 
do preso vai sendo devolvida gradativamente e é condicionada ao bom cumprimento 
das suas obrigações. 
 
É o que chamamos de regime progressivo de cumprimento de pena. 
 
A progressão de regimes também funciona como um importante mecanismo de 
individualização da pena, pois diferencia o tratamento dado aos que se adequam à 
proposta de disciplina e trabalho proposta pelo Estado e aqueles que preferem persistir 
na prática de infrações dentro do estabelecimento carcerário. 
 
A progressão de regime consiste na passagem de um regime mais gravoso para 
um mais ameno (menos gravoso), mas para isso, o condenado precisa cumprir alguns 
requisitos legais, dispostos no art. 112 da LEP, com alterações importantes trazidas pela 
Lei nº 13.964/2019 (Paconte Anticrime): 
 
Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a 
transferência para regime menos rigoroso, a ser determinadaresultando visões diferenciadas sobre o fenômeno Criminal. Cesare 
Lombroso – considerado o Pai da Criminologia – é atribuída a criminologia positiva antropológica, 
utilizando em suas pesquisas e investigações criminológicas o método empírico, através de autópsias e 
exames físicos, que culminaram com sua famosa tipologia dos criminosos: a. o criminoso nato (atávico); 
b. o criminoso louco moral (doente); c. o criminoso epilético; d. o criminoso louco; e. o criminoso 
ocasional; f. o criminoso passional (...) ideia do delinquente nato, enquanto subespécie humana. (...) 
Já a Enrico Ferri é atribuída a criminologia positiva sociológica, que, como o nome indica, dá especial 
ênfase à ótica sociológica do fenômeno criminal (...) o crime não seria produto exclusivo de nenhuma 
patologia individual (...), mas o resultado da contribuição de diversos fatores individuais 
antropológicos (...). Quanto a Raffaele Garofalo, lhe é imputada a criminologia positivista psicológica 
que, mediante positivismo moderado e equilibrado – e que o afastou das vertentes antropológicas e 
sociológica -; procurou definir o crime, como categoria exclusiva da Criminologia, enquanto “delito 
natural”, ou seja, como série de condutas nocivas per se e que ocorrem em qualquer sociedade em 
qualquer tempo histórico (...), o Estado deveria eliminar, como na natureza, aquele que não se adapta à 
sociedade e às exigências de convivência, aceitando penas severas e a pena de morte (...). 
 
O quadro acima foi adaptado. 
 
Ainda podemos falar em outras escolas importantes: 
I. Garantismo Penal: que prega o respeito aos direitos e garantias do indivíduo 
na sua relação com o Estado e tem como uma de suas principais funções a 
diminuição da violência social. Seu maior expoente (nome) foi Ferrajoli. 
II. Escola Funcionalista: justifica todos os institutos do Direito Penal a partir de 
suas funções político-criminais, ou seja, estabelece correlação entre a política 
criminal e dogmática jurídico-penal. Seu maior expoente foi Claus Roxin. 
III. Terza Scuola Italiana: o crime nada mais é do que um fenômeno individual e 
coletivo, seu agente delituoso não é dotado de livre-arbítrio, é considerado 
anormal. 
 
 
 
 
6 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
Para essa escola a pena possui a função de defesa social. É conhecida como uma 
Escola eclética, visto que, se ampara em conceitos clássicos e positivistas. 
 
IV. Escola da Nova Defesa Social: o mal desestabiliza o aprimoramento social, o 
agente delituoso precisa ser adaptado à ordem social e a pena busca proteger o cidadão, 
mas sua finalidade precípua é a ressocialização do criminoso e a responsabilização da 
sociedade para com aquele. 
 
 
 
 
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal: parte geral (arts. 1º ao 120) 
4. ed. Salvador: JusPodivm, 2016. 
 
PASCHOAL, Janaína Conceição. Direito Penal: parte geral. 2º ed. São Paulo: 
Manole, 2015. 
 
PELUSO, Vinícius de Toledo Piza. Introdução às Ciências Criminais. 2 ed. 
Salvador: JusPodivm, 2020. 
 
PEREIRA, Gisele Mendes. Direito Penal I. Caxias do sul: EDUCS, 2012. 
 
THOMAZ, Paulo Amador; BUENO, Alves da Cunha. Direito Penal: Parte Geral. 
São Paulo: Manole, 2012. 
 
 
 
 
7 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
2. NORMA PENAL 
 
Objetivo: Estudar a norma penal, compreendendo seus princípios e aplicação. 
 
Introdução 
Olá, neste módulo estudaremos a norma penal, portanto, prepare-se, pois esta é 
uma das aulas mais importantes da nossa disciplina, pois serve de base para a aplicação 
de todo o restante da matéria que iremos estudar. 
 
Neste módulo estudaremos os seguintes pontos: 
 Teoria geral da norma penal 
 Princípios 
 
2.1. Teoria Geral da Norma Penal 
Dentro do estudo da teoria geral da norma penal estudados de forma aprofundada 
os princípios penais. Ao interpretar a lei penal não podemos nos fixar apenas no texto frio 
e seco (leitura apenas do dispositivo legal) dos artigos, há constante necessidade de se 
interpretar o porquê daquele texto, o que de fato o legislador quis dizer e qual a melhor 
forma de se aplicar determinada lei. 
 
Os princípios penais, constitucionais e legais vem para dar base, direção aos 
criadores (legisladores) aplicadores (advogados, juízes etc.) das normas penais. 
 
Antes de adentrarmos ao estudo de alguns dos principais princípios que norteiam o 
Direito Penal é necessário entender a diferença desses para as leis. Vejamos: 
 
 Princípios Leis 
Solução de 
Conflitos 
I. Havendo conflito entre princípios, deverá 
ocorrer ponderação de valores. 
II. Os princípios podem ser aplicados em 
conjunto, observando sempre a sua 
compatibilidade. 
III. Não existe revogação (deixar de existir) de 
princípios. 
Havendo conflito entre as 
leis, apenas uma 
prevalecerá afastando as 
demais (princípio da 
especialidade, estudaremos 
mais tarde). 
 
 
8 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Plano de 
Concretude 
Aplicam-se em infinitas hipóteses e nas mais 
diversas facetas do Direito. 
São elaboradas para 
regerem um fato em 
abstrato. 
2.2. Princípios 
Exclusiva Proteção de Bens Jurídicos 
Luiz Regis Prado (apud CUNHA, 2016, p. 68) em sua doutrina: 
“Bem jurídico é um ente material ou imaterial havido do contexto social, de 
titularidade individual ou metaindividual reputado como essencial para a 
coexistência e o desenvolvimento do homem em sociedade e, por isso, jurídico-
penalmente protegido. Deve estar sempre em compasso com o quadro axiológico 
vazado na Constituição e com o princípio do Estado Democrático e Social de Direito. 
A ideia de bem jurídico fundamenta a ilicitude material, ao mesmo tempo em que 
legitima a intervenção penal legalizada”. 
 
A ideia de “bem jurídico” se relaciona com aquilo que seja mais importante para a 
sociedade. 
 
Tendo em vista o já dito, o legislador deve ser cauteloso e criterioso ao tipificar 
uma conduta como criminosa, ou seja, capaz de causar lesão e dano. 
 
Intervenção Mínima 
O Direito tem como principal função assegurar a paz social, a solução de conflitos, 
permitindo uma convivência harmônica na sociedade, mas há situações em que apenas 
o Direito Penal poderá intervir para evitar a ocorrência de ilícitos e também, cabe à ele 
imputar penas e/ou medidas de segurança, somente agirá em ultima ratio (ultimo caso), 
ou seja, somente quando estritamente necessário, visando a proteção de lesão ao bem 
jurídico tutelado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Direito Penal 
Ultima Ratio 
Fragmentariedade* 
Subsidiariedade* 
Aplica sanção (penas ou medidas de segurança) 
Atua sobre o bem jurídico tutelado 
Somente agirá quando as demais vertentes fracassarem 
 
 
9 Direito Penal 
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Segundo Roberto Bitencourt (apud CUNHA, 2016, p. 70): 
 
“Orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando que a criminalização 
de uma conduta sé se legitima se constituir meio necessário para proteção de 
determinado bem jurídico. Se outras formas de sanção ou outros meios de controle 
social revelaram-se suficientes para tutela desse bem, a sua criminalização é 
inadequada e não recomendável. Se para o restabelecimento da ordem jurídica 
violada forem suficientes medidas civil ou administrativas, são essas que devem ser 
empregadas e não as penas”. 
 
Com o mesmo raciocínio encontramos Heleno Cláudio Fragoso (apud CUNHA, 
2016, p. 71): 
“Desde logo se deve excluir do sistema penal a chamada criminalidade de bagatela 
e os fatos puníveis que se situam puramente na ordem moral. A intervenção punitiva 
só se legitima para assegurar a ordem externa. A incriminação só se justifica quando 
está uma causa um bem ou valor social importante. Não é mais possível admitir 
incriminações que resultem certa concepção moral da vida, da validade geral 
duvidosa, sustentada pelos quepelo juiz, quando o 
preso tiver cumprido ao menos: 
I - 16% (dezesseis por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver sido 
cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça; 
II - 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido 
sem violência à pessoa ou grave ameaça; 
 
 
85 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
III - 25% (vinte e cinco por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver 
sido cometido com violência à pessoa ou grave ameaça; 
IV - 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido 
com violência à pessoa ou grave ameaça; 
V - 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado for condenado pela prática de 
crime hediondo ou equiparado, se for primário; 
VI - 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for: 
a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, 
se for primário, vedado o livramento condicional; 
b) condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização 
criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou 
c) condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada; 
VII - 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente na prática de 
crime hediondo ou equiparado; 
VIII - 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime 
hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado o livramento condicional. 
§ 1o A decisão será sempre motivada e precedida de manifestação do Ministério 
Público e do defensor. 
§ 2o Idêntico procedimento será adotado na concessão de livramento condicional, 
indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas 
vigentes. 
§ 1º Em todos os casos, o apenado só terá direito à progressão de regime se 
ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento, 
respeitadas as normas que vedam a progressão. 
§ 2º A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada 
e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor, procedimento que 
também será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação 
de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes. 
§ 3º No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou 
pessoas com deficiência, os requisitos para progressão de regime são, 
cumulativamente: 
I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; 
II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; 
III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior; 
IV - ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do 
estabelecimento; 
V - não ter integrado organização criminosa. 
§ 4º O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do 
benefício previsto no § 3º deste artigo. 
§ 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o crime de 
tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 
2006. 
§ 6º O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de 
liberdade interrompe o prazo para a obtenção da progressão no regime de 
cumprimento da pena, caso em que o reinício da contagem do requisito objetivo terá 
como base a pena remanescente. 
 
Sendo vedada da progressão por salto, ou seja, não é possível passar direto do 
regime fechado para o aberto. 
 
8.3 Regressão de Regime de Cumprimento de Pena 
Trata-se da passagem de um regime mais ameno para um mais severo. 
 
 
 
86 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A regressão, ao contrário da progressão pode se dar por salto, ou seja, a passagem 
direta do regime aberto para o fechado. 
 
A regressão pode ter como justificativa a prática de crime doloso, a falta grave 
ou a condenação por crime anterior se a soma da pena restante com a nova pena tornar 
inviável a manutenção no regime. 
 
Ex. o indivíduo cumpre pena de 5 anos em regime semiaberto e posteriormente 
sobre nova condenação a 6 anos de prisão. Somando, ele terá 11 anos a cumprir, certo? 
Assim sendo, a pena final superior a 8 anos, deverá ser cumprida em regime fechado. 
 
Antes da decisão da regressão, deve ser sempre garantido o direito de defesa ao 
condenado. 
 
8.4 Falta de Vagas em Estabelecimento Adequado 
Embora a progressão por salto seja, em tese, proibida pela lei penal, ela tem sido 
admitida em alguns julgados, isso porque o art. 185 da LEP ressalta que há excesso de 
execução sempre que algum fato for praticado além dos limites fixados na sentença, norma 
penal ou regulamento, “Art. 185. Haverá excesso ou desvio de execução sempre que algum 
ato for praticado além dos limites fixados na sentença, em normas legais ou 
regulamentares”. 
 
Você deve estar se perguntando o seguinte: o que fazer então se o sujeito tiver direito 
ao regime semiaberto (seja originariamente ou em razão de progressão) e não houver 
vagas no estabelecimento adequado? 
 
Neste caso, ainda não há consenso e há alguns julgados nos dois sentidos, vejamos: 
a. manutenção do condenado no regime fechado até que seja encontrada vaga; 
e 
b. o preso permanece em regime aberto até que se consiga vaga no semiaberto. 
 
 
 
87 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
8.5 Trabalho e Remição 
O trabalho é um direito do preso e uma forma de incentivar a ressocialização do 
condenado. Muitos criticam a atual lei penal brasileira dizendo que ela é muito leniente 
nesse tocante e que o trabalho deveria ser obrigatório, essas críticas são compreensíveis, 
porém não deveriam se dirigir à lei e sim à inexistência de mecanismos de 
operacionalização, isso porque o trabalho obrigatório já foi estipulado há muito tempo na 
LEP, em específico nos seus artigos 39 e 50. 
Art. 39. Constituem deveres do condenado: 
[...] 
V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas; 
Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que: 
[...] 
VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei. 
 
O condenado que injustificadamente se nega a trabalhar recebe uma sanção, que 
seria prejudicial à possibilidade de progressão de regime, livramento condicional e 
saída temporária. 
 
Sabemos que a própria Constituição (CRFB) veda (proíbe) o trabalho forçado, 
mas não há inconstitucionalidade em recompensar o que trabalha em oposição ao que não 
trabalha. 
 
O trabalho externo também seria admitido em princípio, porém os casos concretos 
são muito raros já que ele prescinde de vigilância contínua e cautelas contrafuga. 
 
A remição é a contagem dos dias trabalhados como cumprimento da pena, na razão 
de 3 para um, ou seja, para cada 3 dias trabalhados 1 dia será remido (descontado) de sua 
pena. 
 
Com relação a jornada de trabalho deve respeitar o limite mínimo de 6 horas, sendo 
respeitado o descanso semanal. 
 
Vale lembrar que a remição vale apenas para os regimes semiaberto e fechado. 
 
O preso que cometer falta grave perde o direito aos dias remidos e a contagem 
se inicia novamente do zero, no entanto, a jurisprudência (decisões reiteradas dos Tribunais 
 
 
88 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Superiores) tem entendido que se a remição já foi declarada judicialmente há força de coisa 
julgada. 
 
8.6 Unificação das Penas 
Na hipótese de um indivíduo ser condenado a penas que somadas excedam 30 
anos, haverá a unificação das penas para atender ao limite máximo estipulado no art. 
7º, §1º, CP. A unificação da pena é feita pelo Juiz das Execuções Penais, que é diferente 
daquele que julgou o crime e determinou a condenação. 
 
Mas de que valeriam então as condenações superiores há 30 anos como 
frequentemente ocorre na prática? 
Prevalece na jurisprudência o entendimento de que a contagem de prazo para a 
concessão de benefícios comoa progressão e o livramento condicional, por exemplo, estão 
subordinadas às penas efetivamente aplicadas ao condenado e não a pena máxima 
unificada de 30 anos. Boa parte da doutrina, no entanto, discorda, mas ficaremos aqui, para 
facilitar seu estudo com o entendimento jurisprudencial. 
 
8.7 Detração Penal 
A detração penal consiste no computo, na pena privativa de liberdade, do temo 
de prisão provisória. 
 
No caso de conversão de pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade 
é também possível à detração, desde que respeitado o prazo mínimo de 30 dias. Dessa 
fora, mesmo que falte apenas 3 dias para a conclusão da pena restritiva de direitos, caso 
ela seja revogada e convertida em prisão, o sujeito teria que cumprir os 30 dias mínimos de 
privação de liberdade. 
 
8.8 Reincidência 
Antes de entrarmos no estudo das espécies de pena, quero esclarecer brevemente 
a figura da reincidência, pois ela influencia na fixação do regime da pena. 
 
 
 
89 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A reincidência é considerada uma circunstância agravante genérica. Ocorre 
reincidência quando o agente, após ter sido definitivamente condenado pela prática de 
crime, no Brasil ou no estrangeiro, comete novo crime. 
 
Todos os que não são reincidentes denominam-se primários. 
 
O fato de o crime ser doloso ou culposo não influi na fixação da pena. 
 
Abaixo há uma tabela para melhor exemplificar quais as circunstâncias delitivas 
geram reincidência, de acordo com o Código Penal e a Lei de Contravenções Penais. 
 
 
BRAGA, Hans Robert Dalbello. Manual de Direito Penal: Parte Geral. São 
Paulo: Rideel, 2018. 
 
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal: parte geral (arts. 1º ao 
120) 4. ed. Salvador: JusPodivm, 2016. 
 
FAVORETTO, Affonso Celso. Direito Penal: Parte geral e parte especial. São 
Paulo: Rideel, 2018. 
 
PASCHOAL, Janaína Conceição. Direito Penal: parte geral. 2º ed. São Paulo: 
Manole, 2015. 
 
PEREIRA, Gisele Mendes. Direito Penal I. Caxias do sul: EDUCS, 2012. 
 
THOMAZ, Paulo Amador; BUENO, Alves da Cunha. Direito Penal: Parte Geral. 
São Paulo: Manole, 2012. 
 
 
Primeira Condenação Segunda Condenação Efeito 
Crime Contravenção Gera reincidência 
Crime Crime Gera reincidência 
Contravenção Contravenção Gera reincidência 
Contravenção Crime Não gera reincidência 
 
 
90 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
9 APLICAÇÃO DA PENA 
 
Objetivos: Analisar diversos institutos relacionados à aplicação da pena. 
 
Introdução 
Olá, enfim, chegamos ao úttimo módulo da nossa disciplina de Direito Penal. Espero 
que você tenha aproveitado bastante os conteúdos aqui estudados, pois serão muito úteis 
na sua carreira. 
 
Neste último módulo vamos estudar diveros institutos relacionados com a aplicação 
pena: 
 Medida de segurança 
 Aplicação da pena 
 Suspensão condicional da pena 
 Livramento condicional 
 Concurso de crimes 
 Efeitos da condenação 
 Reabilitação 
 
9.1 Medida de Segurança 
Vimos que o crime é formado pelo fato típico, antijurídico e culpável, mas o que 
acontece quando alguém pratica um fato típico e antijurídico, porém não é culpável? Não 
será aplicada uma pena? 
 
Não será aplicada uma pena, mas sim uma medida de segurança. 
 
O que é a medida de segurança? A medida de segurança é uma sanção penal 
com finalidade unicamente preventiva, ela é aplicada com o intuito de submeter a 
tratamento o autor do fato típico e ilícito que demonstrou ser portador de periculosidade 
e que não tem plena ou parcial capacidade de culpabilidade. 
 
Os pressupostos para aplicação da medida de segurança são: 
 
 
 
 
91 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
O menor de 18 anos está sujeito a uma legislação especial denominada Estatuto 
da Criança e do Adolescente, Lei n. 8.069/90. 
 
 
 
a. Prática de uma infração penal: para que seja aplicada a medida de segurança 
é imprescindível que o sujeito tenha praticado um fato típico e antijurídico. Caso o 
sujeito não tenha praticado um ilícito penal não é possível aplicar uma medida de segurança 
simplesmente por haver uma doença mental ou desenvolvimento mental retardado ou 
incompleto. Neste caso, a pessoa tem direito a tratamento, porém não é caso de sanção 
penal. 
 
b. Periculosidade: Consiste na perturbação mental, compreendendo a doença 
mental, o desenvolvimento mental incompleto e a dependência. Entendida como o 
potencial para prática de novos atos lesivos, ou seja, a probabilidade que o agente tem de 
praticar novas infrações. A periculosidade pode ser dividida em: 
b.1 Presumida: ocorre na hipótese do inimputável. O inimputável que pratica 
infração penal é sempre considerado perigoso e por esse motivo, sempre receberá medida 
de segurança. 
b.2 Real: ocorre na hipótese do semi-imputável. É aquela que precisa ser 
demonstrada e comprovada no caso concreto. O juiz verifica se é caso de aplicação de 
pena ou medida de segurança. 
 
Há dois sistemas de aplicação da medida de segurança: 
a. Vicariante: pelo sistema vicariante é impossível a aplicação cumulativa de pena 
e medida de segurança. O juiz precisa escolher entre uma e outra, esse é o sistema adotado 
pelo nosso Código Penal. Assim: 
1. o imputável recebe pena; 
2. o inimputável recebe medida de segurança; e 
3. o semi-imputável recebe pena ou medida de segurança. 
 
 
 
92 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
b. Duplo Binário: de acordo com este sistema aplica-se pena e medida de 
segurança cumulativamente (não é aplicado no Brasil). 
 
Quanto às espécies de Medidas de Segurança, são elas: 
a. Medida de Segurança Detentiva: é a interação na casa de custódia e 
tratamento psiquiátrico (manicômio), trata-se de uma medida de segurança obrigatória 
para crimes punidos com reclusão. 
b. Medida de Segurança Restritiva: consiste no tratamento ambulatorial. O 
condenado fica em liberdade e vai algumas vezes por semana ao consultório médico. 
Essa medida de segurança é aplicada a crimes punidos com detenção. 
 
Veja bem, se a pena for de reclusão, você viu que se aplica obrigatoriamente a 
medida de segurança detentiva, o juiz poderá escolher entre internação e tratamento 
ambulatorial. 
 
Com relação ao prazo de aplicação da medida de segurança: a medida de 
segurança é aplicada por tempo indeterminado, o que quer dizer que ela persiste 
enquanto não cessar a periculosidade. 
 
Então, em tese, ela pode durar a vida inteira do condenado. Após um prazo mínimo, 
entretanto, que varia de 1 a 3 anos (de acordo com a gravidade do crime), será realizado 
um exame de cessação de periculosidade. 
 
Se o exame de cessação de periculosidade der negativo, ou seja, a 
periculosidade não tenha cessado, o internado deve ter seu exame renovado de ano 
em ano. Excepcionalmente, havendo fundadas razões, o exame de cessação de 
periculosidade pode ser feito antes do decurso do prazo mínimo. 
 
Há uma corrente minoritária defensora do estabelecimento de um prazo máximo que 
seria o limite em abstrato da infração praticada, ou seja, se o Código Penal prevê que 
para um crime se aplica uma pena que pode variar de 1 a 4 anos, então a medida de 
segurança aplicável ao inimputável nesse caso, também, seria limitada aos 4 anos, mas 
esta não é a posição mais aceita pelos nossos Tribunais, que entendem que a medida de 
segurança, por não ser pena, mas sim um tratamento, deve persistir enquanto durar a 
periculosidade. 
 
 
93 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Vale a pena abrir uma reflexão sobre esse tocante. Se uma pessoa pratica o crime 
de furto e é imputável, a pena máxima aplicada será de 4 anos, mas se aquele que 
cometer o crime de furto foi inimputável, o indivíduo pode ficar em medida de segurança 
por muito mais que quatro anos e issoé bastante comum, pois não raro os juízes são 
rigorosos para permitir a liberdade de um inimputável, temendo que ele volte a permitir a 
liberdade de um inimputável, temendo que ele volte a praticar um ilícito. 
 
É muito frequente na mídia e no senso comum a associação entre aplicação de 
medida de segurança e a imputabilidade. Trata-se, geralmente, de uma falsa concepção, 
já que a realidade dentro dos hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico, muitas vezes, 
é pior do que as de uma casa de detenção ou do que uma penitenciária. Ademais, essa 
ausência de um limite máximo para o tempo de privação de liberdade é outra característica 
que revela a rigidez da medida de segurança. 
 
Referente à desinternação e liberação do indivíduo. Cessada a periculosidade, o 
sujeito será desinternado (hipótese de internação) ou liberado (hipótese de tratamento 
ambulatorial), mas, apenas, condicionalmente, pois se dentro de um ano praticar qualquer 
fato sugestivo de sua periculosidade, a medida de segurança será restaurada (não há 
necessidade da prática de um crime; qualquer fato praticado em discordância com a 
normalidade pode restabelecer a medida de segurança). 
 
As Medidas de Segurança na Lei de Drogas (Lei n. 11.343/2006) foram alteradas 
com pela Lei n. 13.840/2019. Com relação à internação do inimputável a nova lei trouxe 
mudanças muito bruscas, aqui não interessa ficarmos fazendo comentários positivos ou 
negativos a ela, mas para você estudante que visa atuar na área de segurança pública é 
importante saber que a internação pode se dar de duas formas: 
1. Voluntária: aquela em que o sujeito está de acordo com sua internação. 
Lembrando que deverá ser precedida de declaração escrita do solicitante que opta por este 
tratamento, seu término deve ser determinado pelo médico responsável pelo individuo ou 
solicitação daquele que quer interromper o tratamento. 
2. Involuntária: contrária a já ensinada, se dará sem o consentimento do 
dependente, a pedido do familiar o responsável legal, ou até mesmo na falta absoluta deste 
por servidor público da área de saúde, assistência social ou órgãos públicos (integrantes 
do Sisnad – Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas), salvo se este agente for 
servidor da área de segurança pública. 
 
 
94 Direito Penal 
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9.2 Aplicação da Penal 
1. Elementares: chamamos de elementar o componente essencial da figura típica, 
sem o qual a tipicidade não existe (atipicidade absoluta) ou se transforma em outra figura 
(atipicidade relativa). 
 
Normalmente estão contidas no caput dos artigos, onde encontramos a descrição do 
tipo penal, contudo, algumas elementares são descritas em seus parágrafos. 
 
2. Circunstâncias: A circunstância é todo elemento acessório, não fundamental 
para a existência do crime. 
 
As circunstâncias estão agregadas à figura típica e influenciam na dosimetria da 
pena, elas não alteram o crime, somente influi na maior ou menor gravidade do delito e 
podem ser subdivididas em: 
 
a. Objetivas: dizem respeito ao fato e não ao agente; 
b. Subjetivas: referem-se ao sujeito. 
c. Judiciais: presentes no art. 59, CP, são elas chamadas dessa forma, pois 
admitem liberdade de interpretação do magistrado. Ex. culpabilidade, antecedentes 
criminais, conduta social, personalidade etc. (que também podem influenciar na 
reprovabilidade da conduta do agente). 
d. Legais: são aquelas elencadas no CP e podem ser genéricas (contidas na parte 
geral do Código) ou específicas (quando estão na parte especial do CP, parte esta que trata 
especificamente dos crimes). 
e. Agravantes e Atenuantes: causas de aumento e diminuição de pena. 
 
Que tal fazermos breve análise sobre cada circunstância? Vamos juntos? 
1. Agravantes: estão nos artigos 61 e 62 do Código Penal. O art. 61, inciso I traz a 
reincidência como uma circunstância agravante (aplicável nos crimes dolosos e 
culposos), já o inciso II destaca outras agravantes aplicadas somente aos crimes dolosos. 
 
 
É de extrema importância que você acompanhe seus estudos com a leitura do 
Código Penal, caso você não possua o material impresso segue o link para 
acompanhar pelo computador: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-
lei/del2848compilado.htm 
 
 
95 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 Já o art. 62 traz as agravantes aplicadas ao autor nos crimes em que haja concurso 
de pessoas (assunto estudado em material anterior lembre-se que estudamos de forma 
dividida apenas para facilitar seu entendimento, mas o Direito é uma coisa só - uno). 
b. Atenuantes: são previstas no art. 65, CP, mas o art. 66 prevê que o juiz leve em 
conta outras atenuantes que não estejam previstas em lei. 
c. Causas de aumento e diminuição: são aquelas que alteram a pena com o uso 
de frações, por exemplo, aumentam em metade, diminuem em um terço etc. Elas podem 
ser genéricas (parte geral do CP) ou específicas (parte especial do CP). 
d. Qualificadoras: para uma primeira corrente as qualificadoras seriam 
circunstâncias do crime, pois somente influenciam na pena, não modificando o tipo 
penal. A qualificadora aumenta os limites da pena. Em uma segunda corrente, 
predominante no Brasil, entende que as qualificadoras são circunstâncias elementares. 
 
Vejamos o que o CP diz a respeito das circunstâncias no art. 30, CP: “Não se 
comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares 
do crime”. 
 
Vou tentar sintetizar o que acontece quando há concurso de agentes (mais de uma 
pessoa na prática criminosa) para ficar mais claro: 
1. As circunstâncias de caráter pessoal (também chamadas de circunstâncias 
subjetivas) não se comunicam no concurso de agentes. 
2. As circunstâncias subjetivas referem-se ao sujeito e não ao fato objetivamente 
considerado – primariedade, reincidência, parentesco, motivo do crime, antecedentes, 
personalidade etc.; 
3. As circunstâncias de caráter objetivo se comunicam. São aquelas 
circunstâncias que dizem respeito ao fato: lugar do crime, meios empregados, modo de 
execução, características das vítimas, emprego de arma, meio cruel, repouso noturno etc.; 
4. As elementares sempre se comunicam, não importa se de caráter pessoal ou 
não. 
 
Dosimetria da Pena: O magistrado para aplicar a pena deve dosa-la respeitando 
um sistema trifásico, ou seja, seguir um padrão na forma de dosar e aplicar a pena é 
algo fundamental para segurança jurídica, afinal, como seria se cada julgador adotasse 
um critério diferente? 
 
 
96 Direito Penal 
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Assim, a fixação de um critério compatibiliza as ideias de individualização da pena 
e da legalidade. 
 
Suas fases: 
1ª fase – aplicam-se as circunstâncias judiciais - dentro dos limites previstos no 
tipo simples ou qualificado: A primeira providência que deve se tomar é verificar se há 
qualificadoras ou não, pois assim você é capaz de determinar a pena mínima e máxima 
em abstrato. 
 
Se houver qualificadora, os limites que valerão serão os estabelecidos pelo tipo 
qualificado, senão, os limites serão os determinados pelo tipo simples. 
 
Dentro dos limites estabelecidos, a pena-base será fixada levando em conta as 
circunstâncias judiciais (art. 59, CP), o juiz sempre irá partir da pena mínima e a seu 
prudente arbítrio avaliar se é ou não caso de aumentar ou diminuir em cada circunstância 
judicial. 
 
Na primeira fase, a pena não sai dos limites do mínimo e do máximo previstos para 
o tipo (simples ou qualificado, conforme for o caso). Assim, se todas as circunstâncias forem 
favoráveis ao agente, o juiz ainda assim, vai partir do mínimo. 
 
2ª fase - agravantes e atenuantes genéricas: nessa fase incidirão as agravantes e 
atenuantes (art. 65 e 66, CP). O quanto aumentar ou diminuir a pena ficará a critério do juiz. 
Nesta fase a penanão extrapola os limites de mínimo e máximo. 
 
3ª fase - causas de aumento e diminuição: o julgador avaliará as causas de 
aumento e diminuição da pena, ou seja, aquelas em que a lei manda aumentar ou diminuir 
a pena em frações (1/6, 2/3 etc.). 
 
9.3 Suspensão Condicional da Pena (SURSIS) 
A suspensão condicional da pena ficou popularmente conhecida como sursis por 
causa da palavra em francês surseoir, que significa suspender. 
 
 
 
97 Direito Penal 
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Trata-se de um benefício que suspende a execução da pena privativa de 
liberdade, uma vez preenchidos os requisitos legais. 
A suspensão é concedida mediante condições impostas pelo juiz, por isso a 
suspensão é condicional. 
 
São requisitos: 
a. Objetivos: 
1. pena privativa de liberdade; 
2. pena não superior a 2 anos (igual ou inferior); 
3. impossibilidade de substituição por pena restritiva de direito (em outras 
palavras, a susris é subsidiária em relação à pena restritiva de direito). 
 
b. Subjetivos: 
1. Não ser reincidente em crime doloso (é aquele que, após ser condenado por 
crime doloso com pena transitada em julgado, comente outro crime doloso). Porém, se a 
primeira condenação foi à pena de multa, então cabe sursis. 
2. Circunstâncias judiciais favoráveis. Preenchido todos os requisitos, o juiz 
determinará a suspensão condicional da pena por um determinado período, se o 
condenado cumprir todas as condições durante o período determinado, a pena será extinta. 
Esse período de prova fixado pelo juiz pode variar de 2 a 4 anos, mas se o condenado 
descumprir as condições, a execução deixa de estar suspensa e o condenado terá que 
cumprir a pena toda. Uma observação: o fato de o réu ser revel (não se defender no 
processo e, portanto, ser presumido culpado) ou o fato de estar foragido não impede, a 
princípio, o sursis, uma vez que a lei não elenca essas hipóteses entre os requisitos. 
 
Espécies de SURSIS 
a. Etário: aplica-se ao condenado maior de 70 anos à data da sentença. É cabível 
se a pena for igual ou inferior a 4 anos, seu período de prova varia de 4 a 6 anos; 
b. Humanitário: concedido por motivo de saúde. É aplicável se a pena for igual ou 
inferior a 4 anos, seu período de prova pode variar de 4 a 6 anos. 
c. Simples: é aquele que impõe a prestação de serviço à comunidade ou a 
limitação de fim de semana durante o primeiro ano do período de prova. 
d. Especial: se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de 
fazê-lo e se as circunstâncias do art. 59, CP forem inteiramente favoráveis, serão aplicadas 
cumulativamente as seguintes condições: proibição de frequentar determinados lugares, 
 
 
98 Direito Penal 
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proibição de se ausentar da comarca onde reside sem prévia autorização do juiz e 
comparecimento mensal obrigatório em juízo. É, portanto, mais benéfico que o susris 
simples, então, além dos requisitos genéricos, o condenado deve reparar o dano (quando 
possível) e ter as circunstâncias judiciais inteiramente favoráveis para fazer jus a este 
benefício. 
 
Em todas as espécies o julgador pode impor condições não previstas em lei. 
 
Revogação do Sursis: a revogação pode ser obrigatória, ou facultativa. Neste 
último caso, se o juiz não quiser revogar o sursis ele pode: 
a. advertir novamente o condenado; 
b. tornar mais severas as condições impostas, ou 
c. prorrogar o período de prova até o máximo. 
As causas de revogação obrigatória são: 
a. condenação transitada em julgado pela prática de crime dolos; 
b. não reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; 
c. descumprimento das condições legais do sursis simples. 
 
A lei ainda prevê como causa de revogação obrigatória a hipótese de o indivíduo não 
pagar multa, embora solvente. Essa causa, todavia, estaria revogada para boa parte da 
doutrina, pois não existe mais a possibilidade de conversão de multa em pena privativa de 
liberdade, porém, há muitos casos em que os julgadores continuam revogando a susris em 
caso de inadimplemento da multa. 
 
As causas de revogação facultativa são: 
a. condenação transitada em julgado pela prática de crime culposo ou contravenção, 
salvo se imposta pena de multa; 
b. descumprimento de qualquer outra condição (condições legais do sursis especial 
e condições judiciais). 
 
Claro que o juiz sempre deve dar a oportunidade para o condenado justificar seu 
descumprimento. 
 
 
 
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Com relação a prorrogação automática: após o trânsito em julgado da condenação, 
é realizada a audiência admonitória (art. 160, LEP), é a partir dessa audiência que começa 
a ser contado o período de prova. 
Se após a audiência admonitória o acusado for processado pela prática de crime ou 
contravenção, o período de prova será prorrogado até o trânsito em julgado desse 
processo, isso porque, como você viu, o trânsito em julgado de sentença condenatória pode 
autorizar ou determinar o sursis. 
 
 
 
O Inquérito Policial não enseja a prorrogação. 
 
 
 
9.4 Livramento Condicional 
O livramento condicional consiste na antecipação da liberdade ao condenado que 
preenche os requisitos legais. O intuito é facilitar a reintegração social, estimular o bom 
comportamento e diminuir os efeitos do cárcere. 
 
Veja o livramento condicional é diferente da suspensão condicional da pena: o sursis 
suspende a execução da pena antes mesmo do início de seu cumprimento, já o 
livramento condicional pressupõe o cumprimento de parte da pena. 
 
São requisitos: 
a. Objetivos: 
1. ser a pena privativa de liberdade; 
2. essa pena deve ser igual ou superior a 2 anos; 
3. reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; 
4. cumprimento de parte da pena; 
5. mais de 1/3 se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver bons 
antecedentes; 
 
 
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Direito Penal 
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6. mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso, mas tiver mais 
antecedentes, a solução é escolher uma fração entre 1/3 e 1/2, de acordo com os 
antecedentes; 
7. 2/3 no caso de condenação por crime previsto na Lei de Crimes Hediondos. 
b. Subjetivos: o apenado deverá comprovar (segundo as alterações trazidas pelo 
Pacote Anticrime, Lei 13.964/2019): 
1. bom comportamento durante a execução da pena; 
2. não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses; 
3. bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; 
4. aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto; 
5. para crimes dolosos, cometidos com violência ou grave ameaça contra a 
pessoa, é necessário mais um requisito: verificação de que cessou a periculosidade do 
agente; 
6. para crimes previstos na Lei dos Crimes Hediondos é necessário mais um 
requisito: não ser reincidente em nenhum dos crimes previstos naquela lei – trata-se 
de reincidência específica. 
 
Antes da concessão do livramento condicional o Ministério Público e a defesa devem 
ser ouvidos. 
 
São condições para concessão do livramento condicional: 
a. Obrigatórias: 
1. comparecimento mensal em juízo; 
2. não sai da comarca sem avisar o juízo; 
3. obter ocupação lícita dentro de um prazo razoável. 
b. Facultativas: são aquelas que o juiz pode impor além das obrigatórias, como, por 
exemplo, não mudar de endereço sem avisar o juiz, recolher-se em sua residência após 
determinado horário e proibição de frequentar determinados lugares. 
 
Sobre a revogação: ela pode ser obrigatória ou facultativa. 
a. obrigatória: 
1. houver condenação a pena privativa de liberdade transitada em julgado por crime 
cometido anteriormente ou durante a vigência do benefício. 
b. facultativa: 
 
 
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1. houver condenação transitada em julgado por contravenção penalou pena não 
privativa de liberdade; 
2. o condenado descumprir as obrigações impostas na sentença. 
 
Se o juiz decidir não revogar o livramento condicional, ele pode ainda advertir o 
sentenciado ou exacerbar as condições impostas. 
 
9.5 Concurso de Crimes 
O concurso de crimes acontece quando há prática de mais de um crime por um 
mesmo agente. 
 
A forma de aplicação da pena varia de acordo com o tipo de concurso. 
 
Há dois sistemas de aplicação de pena: 
a. sistema de cúmulo material: consiste na soma das penas. 
b. sistema de exasperação da pena: aplica-se a pena de um só dos crimes, 
aumentando-a de uma determinada quantia. 
 
E há três modalidades de concurso de crime: 
a. material ou conhecido como real: um agente mediante duas ou mais condutas 
produz dois ou mais resultados que podem ou não ser idênticos. Quando os resultados 
forem idênticos o concurso material será chamado de homogêneo. Ex. o agente delituoso 
mata a vítima e a testemunha. Quanto estes crimes forem diferentes, chama-se de 
heterogêneo. Ex. o agente delituoso estupra a vítima e depois a mata. 
b. formal ou conhecido como ideal: quando o agente mediante uma única conduta 
produz mais de um crime, idênticos ou não. Há concurso formal perfeito quando os 
resultados derivam de um único desígnio, ou seja, uma única finalidade. Ex. uma pessoa 
mata X, atira em Y com o intuito de matá-la, porém atinge também Z. Ambas vitimas morrem 
em razão de um único desígnio que era matar Y. Aplicação da pena: aplica-se a pena do 
mais grave, aumentando-se de 1/6 até a 1/2. É o sistema de exasperação da pena e o 
aumento varia de acordo como número de resultados. Ocorre o concurso formal imperfeito 
quando os resultados derivam de desígnios autônomos (sendo necessário que haja dolo). 
Ex. o sujeito quer matar uma criança que está no colo da mãe, ele percebe que se atirar na 
criança corre risco de matar também a mãe, mesmo assim assume o risco e dispara. 
 
 
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Aplicação da pena: neste caso, aplica-se o sistema do cúmulo material, ou seja, somam-se 
as penas. 
c. continuado: ocorre quando o agente mediante uma ou mais condutas produz dois 
ou mais resultados da mesma espécie que pela semelhança de tempo, lugar e modo de 
execução podem ser tidos uns como continuação do outro. 
Os requisitos do crime continuado são: 
a. pluralidade de condutas; 
b. pluralidade de crimes da mesma espécie (previstos no mesmo tipo penal); 
c. condições semelhantes de lugar (até cidades próximas são aceitas); 
d. modo de execução semelhantes. 
 
O CP adota a teoria objetiva pura (art. 71 não menciona o requisito subjetivo). O 
que quero dizer é que, não seria necessária a consciência do agente de que um delito seja 
continuidade do outro (unidade de desígnios), bastando os requisitos objetivos acima, mas 
há corrente minoritária em nosso Tribunais que entende que esse requisito subjetivo seria 
sim necessário. 
 
Ainda com relação ao crime continuado, vamos saber um pouco mais sobre a sua 
aplicação da pena: no crime continuado se aplica o sistema de exasperação da pena, ou 
seja, a pena de um dos crimes aumenta de 1/6 a 2/3 (se não houver violência ou grave 
ameaça a pessoa) ou aumenta até o triplo (se houver violência ou grave ameaça a pessoa, 
que é o que chamamos de crime continuado qualificado). 
 
O sistema de exasperação da pena foi criado com o intuito de amenizar os efeitos 
do concurso material, já que o sistema de soma de penas permitiria a imposição de penas 
graves demais, por exemplo, mesmo quando crimes seriam pouco graves, mas cometidos 
em grande número, se aplicado o sistema do cúmulo material, a pena seria bastante 
gravosa. Então, vale ressaltar que se eventualmente, em um caso de aplicação de sistema 
de exasperação de pena tornar apena maior do que a resultante da soma, então se deve 
aplicar a regra do concurso material. Isso porque, se o instituto da exasperação da pena foi 
criado justamente para amenizar o do cúmulo material, não tem sentido mantê-lo na 
hipótese em que se torna mais gravoso. 
 
Vale uma última observação com relação a pena de multa: no concurso de crime as 
penas de multa são aplicadas distinta e integralmente. 
 
 
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9.6 Efeitos da Condenação 
A condenação tem numerosos efeitos penais secundários. Nós vimos isso quando 
falamos, por exemplo, da reincidência, susris etc. Esses efeitos estão, portanto, espalhados 
ao longo do CP. Meu intuito aqui, não é enumerar todos eles porque isso se tornaria algo 
muito maçante, mas é apenas dar uma ideia de alguns dos principais efeitos extrapenais, 
que são tratados nos artigos 91 a 92, CP. 
 
Art. 91 - São efeitos da condenação: 
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; 
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-
fé: 
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, 
alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito; 
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido 
pelo agente com a prática do fato criminoso [...]. 
 
É importante comentarmos sobre recente alteração do Código Penal pela Lei nº 
13.964/2019, que incluiu naquele diploma legal o art 
. 91-A, que disciplina mais um efeito da condenação, a perda de bens pelo 
condenado: 
 Art. 91-A. Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena 
máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como 
produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor 
do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento 
lícito. 
§ 1º Para efeito da perda prevista no caput deste artigo, entende-se por patrimônio 
do condenado todos os bens: 
I - de sua titularidade, ou em relação aos quais ele tenha o domínio e o benefício 
direto ou indireto, na data da infração penal ou recebidos posteriormente; 
II - transferidos a terceiros a título gratuito ou mediante contraprestação irrisória, a 
partir do início da atividade criminal. 
§ 2º O condenado poderá demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a 
procedência lícita do patrimônio. 
§ 3º A perda prevista neste artigo deverá ser requerida expressamente pelo 
Ministério Público, por ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da 
diferença apurada. 
§ 4º Na sentença condenatória, o juiz deve declarar o valor da diferença apurada e 
especificar os bens cuja perda for decretada. 
§ 5º Os instrumentos utilizados para a prática de crimes por organizações 
criminosas e milícias deverão ser declarados perdidos em favor da União ou do 
Estado, dependendo da Justiça onde tramita a ação penal, ainda que não ponham 
em perigo a segurança das pessoas, a moral ou a ordem pública, nem ofereçam 
sério risco de ser utilizados para o cometimento de novos crimes. 
 
A sentença penal condenatória permite a execução direta na área cível, sendo 
apenas necessária uma fase chamada de liquidação, que visa apurar o quanto devido. 
 
 
 
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Há o confisco dos instrumentos do crime, ressalvado o interesse dos terceiros de 
boa-fé. O confisco é automático, ou seja, não precisa haver menção na sentença. Também 
o produto do crime ou o valor auferido é confiscado, resguardado, é claro, os direitos da 
vítima e do terceiro de boa-fé. 
 
Já os efeitos do art. 92, precisam sempre vir expressos na sentença condenatória: 
 
Art. 92 - São também efeitos da condenação: 
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: 
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou 
superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou 
violação de dever para com a Administração Pública; 
b) quando for aplicada pena privativade liberdade por tempo superior 
a 4 (quatro) anos nos demais casos. 
II – a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da 
curatela nos crimes dolosos sujeitos à pena de reclusão cometidos 
contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, 
filha ou outro descendente ou contra tutelado ou curatelado; 
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para 
a prática de crime doloso. 
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são 
automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença. 
 
Não se preocupe em decorar cada caso, está tudo na letra de lei, o que eu quero é 
que se familiarize com as situações e cate a ideia geral de que a sentença no âmbito penal 
alcança efeitos que vão além da esfera penal. 
 
9.7. Reabilitação 
Trata-se de um benefício que tem como objetivo restituir o condenado à situação 
anterior à condenação, retirando as anotações do seu boletim de antecedentes criminais. 
 
Após dois anos da extinção da pena, se o condenado tiver bom comportamento, tiver 
reparado o dano e estiver residindo no Brasil, ele pode pedir a reabilitação. 
 
A reabilitação não impede, contudo, a reincidência, que só ocorre com a prescrição 
quinquenal, mas o efeito que condenado mais busca é mais moral. 
 
 
 
 
 
 
 
10
5 
Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
BRAGA, Hans Robert Dalbello. Manual de Direito Penal: Parte Geral. São 
Paulo: Rideel, 2018. 
 
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal: parte geral (arts. 1º ao 
120) 4. ed. Salvador: JusPodivm, 2016. 
 
FAVORETTO, Affonso Celso. Direito Penal: Parte geral e parte especial. São 
Paulo: Rideel, 2018. 
 
PASCHOAL, Janaína Conceição. Direito Penal: parte geral. 2º ed. São Paulo: 
Manole, 2015. 
 
PEREIRA, Gisele Mendes. Direito Penal I. Caxias do sul: EDUCS, 2012. 
 
THOMAZ, Paulo Amador; BUENO, Alves da Cunha. Direito Penal: Parte Geral. 
São Paulo: Manole, 2012. 
 
 
	1. FORMAÇÃO DO DIREITO DO PENAL
	1.1. Evolução do Direito Penal
	1.2. Escolas do Direito Penal
	2. NORMA PENAL
	2.1. Teoria Geral da Norma Penal
	2.2. Princípios
	3. APLICAÇÃO DA NORMA PENAL
	3.1 Lei Penal no Tempo
	3.2 Tempo do Crime
	3.3 Lei Penal no Espaço
	4 CRIME
	4.1 Conceito de Crime
	4.2 Fato Típico
	5 TIPO PENAL
	5.1 Tipo Penal
	5.2 Consumação e Tentativa
	5.3 Erro de Tipo
	5.4 Crime Impossível
	6 ANTIJURIDICIDADE E CULPABILIDADE
	6.1 Antijuridicidade
	6.2 Culpabilidade
	6.3 Concurso de Pessoas
	7 TEORIA GERAL DA PENA
	7.1. As Penas
	7.2. Teoria das Penas
	7.3. Espécies de Pena
	8 CUMPRIMENTO DA PENA
	8.1 Cumprimento da Pena
	8.2 Progressão de Regime de Cumprimento de Pena
	8.3 Regressão de Regime de Cumprimento de Pena
	8.4 Falta de Vagas em Estabelecimento Adequado
	8.5 Trabalho e Remição
	8.6 Unificação das Penas
	8.7 Detração Penal
	8.8 Reincidência
	9 APLICAÇÃO DA PENA
	9.1 Medida de Segurança
	9.2 Aplicação da Penal
	9.3 Suspensão Condicional da Pena (SURSIS)
	9.4 Livramento Condicional
	9.5 Concurso de Crimes
	9.6 Efeitos da Condenação
	9.7. Reabilitaçãotêm o poder de fazer lei. Orienta-se o Direito Penal 
de nosso tempo no sentido de uma nova humanização, fruto de larga experiência 
negativa”. 
 
Desta explicação extraímos duas grandes características do Direito Penal: 
I. Subsidiariedade: o Direito Penal somente deve ser utilizado quando as demais 
áreas do direito forem insuficientes para tutelar o bem jurídico; 
II. Fragmentariedade: o Direito Penal somente deve intervir nas ofensas de maior 
gravidade ao bem jurídico tutelado que causem abalo na ordem social. 
 
Insignificância ou Bagatela 
Esse princípio deriva do princípio da fragmentariedade. Ainda que criado o tipo 
penal pode haver situações em que a lesão ao bem jurídico é tão ínfima (mínima/pequena) 
que é incapaz de atingir de forma relevante o bem, quando isso acontecer estaremos 
diante de um crime de bagatela. 
 
A adequação da conduta-norma é denominada de “tipicidade formal”, hoje se 
conjuga a tipicidade formal + a tipicidade conglobante (a seguir analisada). 
 
A tipicidade conglobante deve ser analisada sob dois enfoques, vejamos: 
 
 
 
 Tipicidade 
Conglobante 
A conduta representa relevante lesão ou perigo de lesão ao 
bem jurídico – Tipicidade Material; 
Conduta é determinada ou fomentada pelo Direito Penal – 
Antinormatividade 
 
 
10 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
O princípio da insignificância está “dentro” do primeiro aspecto da tipicidade 
conglobante – Tipicidade Material, que também se relacionada com outros princípios, 
vejamos o quadro: 
 
Princípio Tipicidade Material 
Insignificância 
Materialmente atípica a conduta que provoca uma lesão 
irrelevante ao bem jurídico. 
Lesividade 
Materialmente atípica a conduta que não provoca sequer 
ameaça de lesão ao bem jurídico. 
Adequação Social Materialmente atípica a conduta socialmente adequada. 
Alteridade 
Materialmente atípica a conduta que não lesa bem jurídico de 
terceiro. 
Atos Determinados 
por Lei 
Materialmente atípica a conduta considerada lícita pelo 
ordenamento jurídico. 
Quadro adaptado de (CUNHA, 2016, p. 72). 
 
O princípio da insignificância pode ser entendido como interpretação restritiva (que 
diminui sua abrangência) do tipo penal (daquilo que se considera crime). 
O Supremo Tribunal Federal no Habeas Corpus 108946 (Ministra Relatora Carmen 
Lúcia – Dje 07/12/2011) aceitou a aplicação do princípio. Veremos sua ementa (resumo): 
 
“1. A tipicidade penal não pode ser percebida como trivial exercício adequado da 
correspondência formal, para a configuração da tipicidade, é necessária uma 
análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso concreto, no sentido de 
se verificar a ocorrência de alguma lesão grave, contundente e penalmente 
relevante ao bem jurídico tutelado. 2. O princípio da insignificância reduz o âmbito 
de proibição aparente da tipicidade legal e, por consequência, torna atípico o fato 
na seara penal, apesar de haver lesão ao bem juridicamente tutelado pela norma 
penal”. 
 
Os Tribunais Superiores estabelecem alguns requisitos necessários para que possa 
alegar e aplicar o princípio da insignificância são eles: 
I. Mínima ofensividade da conduta do agente; 
 
 
11 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
II. Ausência de periculosidade social da ação; 
III. Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e 
IV. Inexpressividade da lesão jurídica causada. 
 
Vale lembrar que o princípio da insignificância se difere (diferencia) da adequação 
social. 
 
Adequação Social 
Este princípio tem como maior expoente (grande nome) Hans Welzel, para ele, 
apesar da conduta se enquadrar no modelo legal (tipo penal), ela não será considerada 
típica se socialmente adequada ou reconhecida. 
 
Vejamos as funções deste princípio: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com relação à adequação social e a intervenção mínima estamos nos referindo aos 
seguintes aspectos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exteriorização ou Materialização do Fato 
Nullum Crimen Sine Actio (não há crime sem fato/ato), o Estado somente pode 
incriminar condutas humanas voluntárias, ou seja, trata-se do Direito Penal do Fato. 
P. Adequação 
Social Funções 
Restringir a abrangência do Tipo 
Penal 
Orientar o legislador na seleção dos 
bens jurídicos à serem tutelados 
Processo de 
descriminalização 
Excluir condutas aceitas pela 
sociedade 
Limitar sua interpretação 
 X 
 Adequação Social Intervenção Mínima 
Aceitação da conduta 
pela sociedade 
Ínfima relevância da 
lesão ao bem jurídico. 
 
 
12 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
No Brasil é vedado (proibido) aplicar-se a sanção com base no Direito Penal do 
Autor, ou seja, aquele que analisa apenas as características do indivíduo (vida passada 
e recente) ao invés do fato que realizou. 
 
 
 
Apesar de o ordenamento brasileiro adotar o Direito Penal do Fato, ele leva 
em consideração circunstâncias relacionadas ao autor na análise da pena, com 
base na individualização da pena (art. 59 Código Penal). 
 
 
 
Legalidade 
Este princípio possui previsão Constitucional (Constituição da República Federativa 
do Brasil – CRFB) e legal, vejamos: 
 
Art. 5º, XXXIX, CRFB: Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem 
prévia cominação legal. 
Art. 1º, CP: Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia 
cominação legal. 
 
O Princípio da Legalidade é um limitador do poder estatal em relação à 
intervenção das liberdades do indivíduo. O vocábulo nullum crimen, nulla poena sine lege 
é um dos preceitos mais importantes dentro do Estado Democrático de Direito, onde 
demonstra dois aspectos: 
 
1. Submissão de todos perante a lei; 
2. Limita o poder dos governantes, afim que não ajam com excessos quando 
necessária for sua intervenção. 
 
 
Os termos “crime” e “pena” são utilizados em sentido lato, ou seja, eles abarcam as 
contravenções penais (sendo então as infrações penais) e as medidas de segurança 
(dentro das sanções penais). 
 
 
 
Segundo Alexandre de Moraes (apud CUNHA, 2016, p. 83): 
 
 
13 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
“Conforme salientam Celso Bastos e Ives Gandra Martins, no fundo, portanto, o 
princípio da legalidade mais se aproxima de uma garantia constitucional do que de 
um direito individual, já que ele não tutela, especificamente, um bem da vida, mas 
assegura ao particular a prerrogativa de repelir as injunções que lhe sejam impostas 
por uma ou outra via que não seja a lei, pois como já afirmava Aristóteles, “a paixão 
perverte os Magistrados e os melhores homens: a inteligência sem paixão – eis a 
lei”. 
 
São três os fundamentos deste princípio: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Um ponto muito importante a ser evidenciado é que está legalidade defendida é base 
para o Garantismo de Luigi Ferrajoli (apud CUNHA, 2016, p. 84): 
 
“Um esquema epistemológico de identificação da desviação penal destinada a 
assegurar, em relação, o máximo grau de racionalidade e, pois, o máximo grau de 
limitação da potestade punitiva e de tutela da pessoa humana contra a 
arbitrariedade”. 
 
O Princípio da Legalidade se desdobra em outros seis segundo o professor Rogério 
Sanches Cunha (2016, p. 84), de forma sintetizada são eles: 
 
1. Não há crime (ou contravenção penal), nem pena (ou medida de segurança) 
sem lei – Princípio da Reserva Legal: a infração penal só pode ser criada através de lei 
em sentido estrito (lei complementar ou ordinária). Compete a União de forma privativa 
legislar sobre Direito Penal, nos moldes do art. 22, I, CRFB. 
 Fundamentos 
 Político 
Vinculação dos Poderes Executivo e 
Judiciário as leis; 
Respeito a divisão dos Poderes; 
Lei prévia e clara tem efeito intimidativo. 
Parlamento (representantes do povo) 
elaboram as leis. 
Impede o Poder Punitivo AbstratoJurídico 
Democrático 
 
 
14 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
Art. 22, I, CRFB: “Compete privativamente a União legislar sobre: 
I, direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, 
espacial e do trabalho (...)” [No entanto, a própria CRFB permite que os demais 
entes tratem desta matéria conforme o parágrafo único do mesmo artigo: “Lei 
complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas 
das matérias relacionadas neste artigo”.] 
 
 
 
Medida Provisória (MP) e Lei Delegada não podem tratar de Direito Penal 
incriminador. 
 
 
 
 
2. Não há crime (ou contravenção penal), nem pena (ou medida de segurança) 
sem lei anterior – Princípio da Anterioridade: a lei que cria o crime e a pena deve ser 
anterior ao fato que se pretende punir. Como regra, aplica-se o Princípio do tempus regit 
actum, ou seja, aplica-se a lei vigente a época dos fatos, mas é importante salientar 
(veremos quando estudarmos a lei penal no tempo) que há casos em que a lei pode ser 
aplicada a fatos ocorridos fora de sua vigência. 
 
3. Não há crime (ou contravenção penal), nem pena (ou medida de segurança) 
sem lei escrita: no Direito Brasileiro não contemplamos o Direito Consuetudinário, ou 
seja, aquele criado a partir da história e costumes da sociedade. Nossas leis devem ser 
escritas, positivadas. 
 
4. Não há crime (ou contravenção penal), nem pena (ou medida de segurança) 
sem lei estrita: o Direito Penal Brasileiro proíbe a analogia, ou seja, deve resultar de um 
processo válido de elaboração que assegure sua legitimidade. Dessa forma, não se pode 
admitir a punição com base na analogia in malan partem. Em outras palavras, para que o 
cidadão tenha exata noção do alcance de sua liberdade é preciso que a conduta descrita 
em lei seja criminosa. Já a analogia in bonam partem é permitida por não violar qualquer 
função do princípio da legalidade. 
 
 
 
 
 
15 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
Não se admite analogia com relação às formalidades e procedimentos 
necessários para criação da norma penal. 
 
 
 
5. Não há crime (ou contravenção penal), nem pena (ou medida de segurança) 
sem lei certa – Princípio da Taxatividade ou Determinação: A conduta proibida é 
descrita na lei pelo que se convencionou chamar de “tipo”. Os tipos penais descrevem os 
modelos de conduta proibidos pelo legislador. 
 
Podemos falar em tipos: 
a. Tipo Fechado: aquele que traz de forma detalhada a descrição da conduta que 
o legislador entende como proibida; 
b. Tipo Aberto: aquele que contém palavras ou expressões dependentes da 
análise de informações exteriores ao tipo para aferir a ilicitude da conduta. Esse tipo deve 
ser preenchido pelo juiz na análise do caso concreto, complemento valorativo. Exemplo 
de tipos abertos são os crimes culposos, em que após análise valorativa do magistrado é 
que se verá enquadrada a conduta ou não. 
c. Norma Penal em Branco: depende de complemento normativo. Que se 
subdivide em: 
c.1. Própria/ Sentido Estrito/ Heterogênea: o complemento demanda de 
fonte normativa diversa. Ex. Lei de Drogas (o que é droga) complementada pela 
Portaria do Ministério da Saúde. 
c.2 Imprópria/ Sentido Amplo/ Homogênea: seu complemento vem do 
próprio legislador, pode estar dentro do mesmo diploma ou em diplomas 
diferentes. Essa definição ainda se divide em: 
 c.2.1 Homovitelina: o complemento se dá com a mesma norma; 
 c.2.2 Heterovitelina: complemento por norma diversa; 
 c.2.3 Ao Revés/ Invertida: o complemento se dá no preceito 
secundário na sanção e não no tipo penal); 
 c.2.4 Ao Quadrado: o complemento também precisa do 
complemento; 
 c.2.5 Instâncias Federativas Diversas; 
 
 
16 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 c.2.6 Competência Internacional. 
 
6. Não há crime (ou contravenção penal), nem pena (ou medida de segurança), 
sem lei necessária – Princípio da Intervenção Mínima: já exposto acima. 
 
Ofensividade ou Lesividade 
Do vocábulo nullum crimen sine injuria (não há crime sem lesão). Para esse 
princípio exige-se que a lesão ao bem jurídico tenha de fato ocorrido. Segundo Alice 
Bianchini, Antonio Molina e Luiz Flávio Gomes (apud CUNHA, 2016, p. 94): 
 
“Está atrelado à concepção dualista da norma penal, isto é, a norma pode ser 
primária (delimita o âmbito do proibido) ou secundária (cuida do castigo, do âmbito 
da sancionalidade). A norma primária por seu turno, possui dois aspectos: A. ela é 
valorativa (existe para proteção de um valor); e B. também imperativa (impõe uma 
determinada pauta da conduta). O aspecto valorativo da norma fundamenta o 
injusto penal, isto é, só existe crime quando há ofensa concreta a esse bem jurídico. 
Daí conclui-se que o crime exige, sempre, desvalor da ação (a realização de uma 
conduta) assim como desvalor do resultado (afetação concreta de um bem jurídico). 
Sem ambos o desvalores não há injusto penal (não há crime)”. 
 
Responsabilidade Pessoal 
Não há que falar em responsabilidade coletiva, deste princípio desdobram-se: 
1. Obrigatoriedade da individualização da acusação: ao acusado deve ser 
imputado uma situação específica; 
2. Obrigatoriedade da individualização da pena: o agente só responde por 
aquilo que deu causa. 
Responsabilidade Subjetiva 
Não basta que o ato tenha sido praticado pelo indivíduo, ele deve incorrer de forma 
voluntária em dolo ou culpa. 
 
Culpabilidade 
Limitador do poder de punir do Estado, ou seja, somente poderá ser imputada pena 
ao agente capaz, com potencial consciência da ilicitude e quando exigível conduta 
diversa. 
 
Igualdade ou Isonomia 
Este princípio está disposto no art. 5º, caput, CRFB: 
 
 
 
17 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza; garantindo-se 
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e a propriedade, nos termos seguintes:” 
 
A igualdade substancial demanda igual tratamento aos iguais, mas desigual aos 
desiguais, na medida de suas desigualdades, ou seja, deve haver igualdade em relação a 
aplicação do Direito. 
 
Presunção de Inocência ou da Não Culpa 
Princípio explícito na CRFB, vejamos: 
 
“art. 5º, LVII, CRFB: (...) Ninguém será considerado culpado até o trânsito em 
julgado de sentença penal condenatória (...)” 
 
Ao contrário do que acredita o leigo no Direito, este princípio não afirma que o 
indivíduo é inocente, mas, sim, afirma que o indivíduo não pode ser considerado culpado 
enquanto não acabar todas as possibilidades de recurso e defesa. 
 
Você pode se perguntar em relação às prisões temporárias e preventivas. Estas não 
ocorrem pela certeza de ter aquele cometido o fato delituoso, mas sim por haver indícios 
suficientes de autoria e para preservar investigações (ex. receio que o indivíduo fuja; 
que ele ameasse testemunhas etc.). 
 
O Estatuto de Roma (Decreto nº 4.388/02) traz algumas consequências em relação 
a este princípio, vejamos: 
I. prisão do indivíduo somente se dará após sentença condenatória transitada 
em julgado, salvo prisão cautelar sob fundamentação; 
II. ônus da prova cabe àquele que deu causa a ação penal; 
III. condenação deve derivar da certeza do julgador, havendo dúvida, deve ser 
interpretada em favor do réu – in dubio pro reo. 
 
Dignidade da Pessoa Humana 
As penas impostas devem respeitar a dignidade do indivíduo quanto pessoa 
humana. Este princípio se mostra tão importante que há diversos documentos 
internacionais que visam cercar de amarras este, impedindo arbitrariedades dos 
governantes. 
 
 
 
18 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Individualização da Pena 
Previsto na CRFB, vejamos: 
 
“art. 5º, XLVI,CRFB: (...) a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre 
outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos;”. 
 
Proporcionalidade 
Trata-se de desdobramento do princípio da individualização da pena. O indivíduo 
deve ser punido de forma proporcional ao mal causado, de acordo com o grau de lesão 
causado ao bem jurídico tutelado, em decorrência, inclusive, ao princípio da dignidade da 
pessoa humana. 
 
Pessoalidade. 
Este princípio decorre da CRFB, vejamos: 
 
“art. 5º, XLV, CRFB: (...) nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo 
a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos 
termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do 
valor do patrimônio transferido”. 
 
Em resumo, a pena jamais passará do agente delituoso, no entanto, caso haja 
necessidade de reparar danos civis (indenizações) e o agente falecer, esta será 
repassada aos sucessores daquele, no limite da herança. 
Vedação do bis in idem. 
 
É vedado (proibido) que o agente seja condenado duas vezes pelo mesmo fato, 
ou seja, aquele que tiver sido condenado, com sentença transitada em julgado, não 
poderá ser novamente condenado/apenado por mesma situação, salvo se, cometer 
novamente o ato delituoso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
BRAGA, Hans Robert Dalbello. Manual de Direito Penal: Parte Geral. São Paulo: 
Rideel, 2018. 
 
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal: parte geral (arts. 1º ao 120) 
4. ed. Salvador: JusPodivm, 2016. 
 
FAVORETTO, Affonso Celso. Direito Penal: Parte geral e parte especial. São 
Paulo: Rideel, 2018. 
 
PASCHOAL, Janaína Conceição. Direito Penal: parte geral. 2º ed. São Paulo: 
Manole, 2015. 
 
PEREIRA, Gisele Mendes. Direito Penal I. Caxias do sul: EDUCS, 2012. 
 
THOMAZ, Paulo Amador; BUENO, Alves da Cunha. Direito Penal: Parte Geral. 
São Paulo: Manole, 2012. 
 
 
 
 
20 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
3. APLICAÇÃO DA NORMA PENAL 
 
Objetivo: Estudar a aplicação da norma penal no tempo e no espaço. 
 
Introdução 
Olá, neste módulo continuando nossos estudos sobre a aplicação da norma penal, 
analisamos a aplicação da norma penal no tempo e no espaço, tema muito importante para 
a operação do Direito Penal, tanto na prática e teoria quanto em provas de concursos. 
 
Neste módulo estudaremos os seguintes pontos: 
 Lei penal no tempo 
 Tempo do crime 
 Lei penal no espaço 
 
3.1 Lei Penal no Tempo 
Eficácia da Lei Penal no Tempo: Se aplica, em regra, ao crime a lei penal vigente 
ao tempo em que aquele tenha ocorrido, é o que a doutrina chama de tempus regit actum. 
 
Para que uma lei seja aplicada deve existir antes do cometimento do fato e de forma 
excepcional retroagirá ao tempo do crime, desde que para beneficiar o réu e somente 
para tal. 
 
Essa “movimentação” da lei possui o nome de extra-atividade (que é um gênero), 
dela derivam: 
 
 
 
 
 
 
 
 Extra-atividade 
 Retroatividade 
 Ultra-atividade 
Art. 5º, LX, CRFB. Lei penal aplicada a fato 
anterior a sua vigência. 
Possibilidade da lei, ainda que revogada ser 
aplicada a um fato concreto. 
 Irretroatividade 
Art. 2º, CP. A lei penal que seja mais 
severa que a do tempo do crime não pode 
retroagir. 
 
 
21 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
O art. 4º do Código Penal (CP) adota a teoria da atividade, ou seja, considera-se 
praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que o resultado seja outro. 
 
De acordo com outro princípio, o da simultaneidade (ou coincidência ou 
congruência), para ser aquele o momento da conduta deve estar presente todos os 
elementos do crime (do tipo penal), sendo eles: fato típico, ilícito e culpável. 
 
Sucessão de leis no tempo: a sucessão de leis ocorre quando da data do crime 
praticado e o término do cumprimento da pena surgir nova(s) lei(s) penal(is). 
 
Havendo sucessão de leis no tempo haverá incidência nos princípios supra (acima) 
citados, ou seja: ultra-atividade, retroatividade e/ou irretroatividade. 
 
Rogério Sanches Cunha (2016, p. 104) sintetiza muito bem o tratado, vejamos: 
Tempo da 
Realização do 
Ato 
Lei Posterior 
Fenômeno da 
(IR)retroatividade 
Fato Atípico Torna o fato típico 
Lei incriminadora – 
Irretroatividade, art. 1º. 
Fato Típico 
Mantém o fato típico, mas, de 
qualquer modo, prejudica o réu. 
Novatio legis in pejus. 
Irretroatividade – art. 1º. 
Fato Típico Supressão da figura criminosa. 
Abolitio criminis – 
Retroatividade – art. 2º. 
Fato Típico 
Mantém o fato típico, mas de 
qualquer modo favorece o réu. 
Novatio legis in mellius. 
Retroatividade – art. 2º, 
Parágrafo único. 
Fato Típico 
O conteúdo típico migra para outro 
tipo penal. 
Princípio da continuidade 
normativo-típica. 
 
I. Sucessão Incriminadora: a lei penal não existia no momento da conduta 
delituosa, mas passa a considerá-lo como tal. Trata-se de norma irretroativa, nos exatos 
 
 
22 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
termos do art. 1º, Código Penal, ou seja, “Não há crime sem lei anterior que o defina. Não 
há pena sem prévia cominação legal”. 
 
II. Novatio legis in pejus: a nova lei que venha prejudicar o réu – lex gravior -, 
também é irretroativa. Neste caso, também se aplica a norma penal do momento da ação 
criminosa. 
 
Vejamos o posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) com relação aos 
crimes permanentes (aquele que se prolonga no tempo) e ao crime continuado (mesma 
espécie de crime praticado na mesma condição de tempo, lugar e modo): 
 
Súmula 711 – “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime 
permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da 
permanência”. 
 
Segundo Paulo de Queiroz (apud CUNHA, 2016, p. 106): 
 
“o agente ao invés de responder por vários crimes em concurso material, deve 
responder por um único delito, o mais grave se diversos, com aumento de um 
sexto a dois terços. Portanto, os crimes subsequentes só têm relevância jurídico-
penal para efeito da individualização judicial da pena: escolha da pena mais grave 
(quando diversas as infrações) e fixação do respectivo aumento, pois o primeiro 
crime prevalece sobre todos os demais como se estes simplesmente não 
existissem, exceto para efeito da aplicação da pena”. 
 
III. Abolitio Criminis: se trata da supressão (deixa de existir) da figura entendida 
como criminosa. Lei posterior (superveniente) descriminalizadora revoga o tipo penal, 
conforme menciona o art. 2º, CP, que diz: Ninguém pode ser punido por fato que lei 
posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos 
penais da sentença condenatória (...)”. 
 
Ao legislador não importa mais proteger o bem jurídico anteriormente tutelado, 
respeitando-se aqui o princípio da intervenção mínima do Direito Penal. 
 
Apenas a título de conhecimento, visto que o estudo será mais aprofundado à 
aqueles estudiosos do Direito, há duas correntes em relação a natureza jurídica da abolitio 
criminis: 
 
 
 
23 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lei penal abolicionista não deve respeito à coisa julgada. 
 
 
 
 
São efeitos da abolitio criminis: 
 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IV. Novatio legis in mellius: se trata de nova lei que beneficia o condenado – lex 
mitior – nos moldes do parágrafo único do art. 2º, CP, que diz: “A lei posterior, que de 
qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por 
sentença condenatória transitada em julgado”. 
 
 
 
Natureza 
Jurídica 
Extingue a 
tipicidade 
Extinguea 
punibilidade 
Flávio Monteiro de Barros; 
Corrente adotada pelo Direito Penal 
Brasileiro; 
Por consequência se exclui sua punibilidade. 
Art. 107, III, CP 
Efeitos 
Extrapenais 
Penais 
Arts. 91 (São efeitos da condenação: I. tornar certa a obrigação 
de indenizar o dano causado pelo crime) e 92, CP. 
Permanece a obrigação de indenizar. 
Serão extintos. 
Não pode a antiga condenação ser utilizada para 
fins de reincidência ou constar na folha de 
antecedentes. 
 
 
24 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
E a quem caberá aplicar regra que beneficie o acusado/condenado? Rogério 
Sanches Cunha (2016, p. 108) exemplifica em sua obra: 
 
 
 
 Lei penal abolicionista não deve respeito à coisa julgada. 
 
 
 
 
Lei Penal mais Benigna 
Espécie 
Que representa mera aplicação 
matemática. 
Que implica juízo de valor. 
Juízo 
Competente 
Juízo da Execução Juízo da Revisão Criminal 
Exemplo 
Cria-se para um crime patrimonial 
uma causa de diminuição de pena 
quando o dano à vítima for inferior 
a 1 salário mínimo (circunstância 
que dispensa juízo de valor). 
Cria-se para um crime 
patrimonial uma causa de 
diminuição quando o dano for de 
pequeno valor (circunstância 
que demanda juízo de valor). 
 
 
 
Caberá ao juiz competente, quando antes da sentença sobrevier lei mais 
benéfica, bem como, se após sentença condenatória (recorrível) caberá a 
instância superior aplicação da lei mais benéfica. 
 
 
 
Havendo dúvida sobre qual a lei mais benéfica ao indivíduo deve o magistrado 
perguntar ao acusado/condenado, com apoio de seu defensor, qual a lei que entende mais 
benéfica á sua situação, este é o posicionamento do prof. Nelson Hungria. 
 
 
25 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
Importante tratarmos sobre as Leis Temporárias e Leis Excepcionais, vejamos: 
 
Lei Temporária Lei Excepcional 
Temporária em sentido estrito; 
Tem sua vigência (prazo) determinado de 
forma prévia (anterior). 
Temporária em sentido amplo; 
Editada devido algum evento (natura ou 
não) transitório e dirá enquanto durar o 
estado de emergência. 
- 
Características: 
Autorrevogabilidade: ambas 
autorrevogam-se, ou seja, sua vigência 
termina quando encerra seu tempo fixado, 
ou, cessada a situação de anormalidade 
vivida. 
 
Ultra-atividade: Alcanças os fatos 
praticados durante a sua vigência; Não se 
sujeitam a abolitio criminis. 
 
3.2 Tempo do Crime 
Qual lei deve ser aplicada ao criminoso? Seria a do tempo da atividade (ato 
criminoso) ou aquela em vigor à época da produção do resultado? Na verdade, existem três 
teorias quanto ao tempo do crime: 
 
a. Atividade: se considera praticado o crime no momento da ação ou omissão, 
ainda que seja outro o momento do resultado; 
b. Resultado: considera como tempo do crime o momento do resultado, ou aquele 
em que o resultado deveria ocorrer, mesmo que seja diferente do momento da 
sua ação ou omissão. 
c. Ubiquidade (ou Teoria Mista): combina as duas teorias anteriores e considera 
o momento do crime tanto aquele da ação ou omissão, como o do resultado. 
 
O nosso Código Penal adota a teoria da atividade em seu art. 4º, que diz: 
 
“Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro 
seja o momento do resultado”. 
 
 
 
26 Direito Penal 
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Ex. um adolescente com 17 anos e 11 meses atira em uma pessoa para matá-la, 
porém ela morre somente após cinco meses, em decorrência do disparo. O infrator 
responderá por ato infracional perante o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e não 
por crime perante o Código Penal, pois, ao tempo do crime (ação de atirar contra a vítima) 
ele (infrator) não havia atingido a maioridade penal. 
 
3.3 Lei Penal no Espaço 
Vamos analisar agora as regras que definem qual lei será aplicada no conflito de leis 
no espaço. Essas regras estão previstas a partir do art. 5º até o artigo 9º do Código Penal. 
 
O Princípio da Territorialidade constitui a regra geral e está previsto no art. 5º, caput 
do Código Penal, segundo o qual se aplica a lei brasileira aos crimes ocorridos no território 
nacional. 
 
O conceito de “território nacional” é jurídico e não geográfico e significa todo lugar 
em que a lei brasileira exerce sua soberania podendo ser aplicada. 
 
Territorialidade 
“Art. 5º. Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras 
de direito internacional, ao crime cometido no território nacional. §1º. Para os 
efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as 
embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do 
governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as 
embarcações brasileiras, mercantes ou propriedade privada, que se achem, 
respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. §2º. É 
também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou 
embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em 
pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e 
estas em porto ou mar territorial do Brasil”. 
 
A Intraterritorialidade trata-se da possibilidade de juiz brasileiro aplicar legislação 
penal estrangeira aos casos praticados no Brasil, hipótese está que não existe em relação 
as leis civis. 
 
Com relação ao lugar do crime, o Código Penal a em seu art. 6º adota a Teoria da 
Ubiquidade, isto é, considera-se praticado o crime: tanto aquela de ação ou de omissão 
como o do resultado, ou seja, onde ocorreu ou deveria ocorrer o resultado. 
 
 
 
27 Direito Penal 
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 “Art. 6º. Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou 
omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se 
o resultado”. 
 
É aplicação da lei brasileira aos crimes ocorridos no estrangeiro. Por limitações de 
tempo e espaço, apenas a título de exemplificação leia atentamente o art. 7º. 
Extraterritorialidade 
“Art. 7º. Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: I. os 
crimes: a. contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; b. contra o 
patrimônio ou a fé pública da União do Distrito Federal, de Estado, de 
Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, 
autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; c. contra a administração 
pública, por quem está a seu serviço; d. de genocídio, quando o agente for 
brasileiro ou domiciliado no Brasil; II. os crimes: a. que, por tratado ou 
convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; b. praticados por brasileiros; c. 
praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de 
propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. 
§1º. Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que 
absolvido ou condenado no estrangeiro; §2º. Nos casos do inciso II, a aplicação da 
lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: a. entrar o agente no 
território nacional; b. ser o fato punível também no país em que foi praticado; c. estar 
o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; d. 
não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; e. não 
ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a 
punibilidade, segundo a lei mais favorável. §3º. A lei brasileira aplica-se também ao 
crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as 
condições previstas no parágrafo anterior: a. não foi pedida ou foi negada a 
extradição; b. houve requisição do Ministro da Justiça”. 
 
Quando o indivíduo for processado e jugado tanto no Brasil quanto no estrangeiro e 
nesse último ter cumprido a pena (total ou parcialmente).Pena cumprida no estrangeiro 
“Art. 8º. A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo 
mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Eficácia de sentença estrangeira 
“Art. 9º. A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na 
espécie as mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil para: I. obrigar 
o condenado à reparação do dano, a restituições e à outros efeitos civis II. sujeitá-
lo a medida de segurança. Parágrafo único: a homologação depende: a. para os 
efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada; b. para outros efeitos, 
da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária 
emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça”. 
 
 Atenua Penas diversas 
 Computa Penas Idênticas 
 
 
28 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
BRAGA, Hans Robert Dalbello. Manual de Direito Penal: Parte Geral. São 
Paulo: Rideel, 2018. 
 
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal: parte geral (arts. 1º ao 
120) 4. ed. Salvador: JusPodivm, 2016. 
 
FAVORETTO, Affonso Celso. Direito Penal: Parte geral e parte especial. São 
Paulo: Rideel, 2018. 
 
JALIL, Mauricio Schaun; GRECO FILHO, Vicente (Coord.). Código Penal 
comentado: doutruna e jurisprudência. São Paulo: Manole, 2016. 
 
PEREIRA, Gisele Mendes. Direito Penal I. Caxias do sul: EDUCS, 2012. 
 
THOMAZ, Paulo Amador; BUENO, Alves da Cunha. Direito Penal: Parte Geral. 
São Paulo: Manole, 2012. 
 
 
 
29 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
4 CRIME 
 
Objetivo: Estudar um dos objetos de preocupação do Direito Penal: o crime. 
 
Introdução 
Olá, agora que já analisamos as bases do Direito Penal, tanto em relação à sua 
formação quanto a aplicação de suas normas, vamos estudar o que vem a ser o crime, um 
dos objetos de normatização do Direito Penal. 
 
Neste módulo estudaremos os seguintes tópicos: 
1. Conceito de crime 
2. Fato típico 
 
4.1 Conceito de Crime 
Trataremos a partir de agora dos fundamentos e elementos que envolvem o crime 
(fato jurídico que depende da vontade humana direcionada a uma finalidade). 
 
Você já teve ter ouvido falar ou até mesmo lido os seguintes termos: infração penal, 
delito, crime e contravenção penal. 
 
Pois bem, há diferenças muito importantes entre eles. Essas nomenclaturas 
modificam de acordo como enfoque, vejamos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Enfoque 
Formal 
Material 
 Analítico 
Infração penal é aquilo que está descrito na 
norma (tipo) penal, sob ameaça de imposição de 
uma pena. 
Infração penal é um comportamento humano 
relevante que pode gerar grave lesão ou perigo 
ao bem jurídico, também passível de imposição 
de pena. 
Trata-se de elementos que estruturam a infração 
penal, sendo eles o fato típico, ilícito e culpável. 
 
 
30 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
O termo “infração penal” nada mais é que um gênero que se subdivide em duas 
espécies: crime ou delito; e contravenção penal, também conhecida como crime liliputiano 
ou crime anão. 
 
O “rótulo” do tipo (escolha em qual espécie a ação irá se enquadrar) é dado pelo 
legislador (aquele que edita a norma) que irá valorar as condutas de acordo com o grau de 
lesão ao bem jurídico tutelado. Em resumo, será considerado crime as condutas mais 
gravosas e serão consideradas contravenções condutas menos gravosas. 
 
O professor Rogério Sanches (2016, p. 153) traz um quadro abaixo de forma 
esquematizada as diferenças entre eles, vejamos: 
 CRIME CONTRAVENÇÂO 
Tipo de pena privativa de 
liberdade 
Reclusão, detenção e/ou multa Prisão simples e/ou multa 
Espécie de ação penal 
Ação penal privada e ação 
penal pública (condicionada ou 
incondicionada) 
Ação penal pública 
incondicionada 
Punição da tentativa Pune a tentativa Não pune a tentativa 
Regras de 
extraterritorialidade 
Admite-se extraterritorialidade 
Não admite 
extraterritorialidade 
Competência para 
processamento e 
julgamento 
Justiça Federal e Estadual 
Justiça Estadual (salvo 
na hipótese de foro por 
prerrogativa) 
Limite de cumprimento 
de pena 
30 anos 5 anos 
Período de prova do 
sursis 
2 a 4 anos ou 4 a 6 anos 1 a 3 anos 
Cabimento de prisão 
preventiva e temporária 
Cabe nas hipóteses do art. 
313, CPP e art. 1º, III da Lei nº 
7.960/89 
Não cabe 
Possibilidde de confisco 
Só instrumentos do crime 
podem ser confiscados 
Não admite confisco de 
instrumento de 
contravenção. 
 
Algumas explicações sobre algumas nomenclaturas encontradas no quadro: 
 
 
31 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
a. Ação penal privada: Trata-se de uma ação promovida (movimentada) pelo 
particular. 
b. Ação penal pública condicionada: Ação promovida pelo Ministério Público, mas 
para que ela tenha andamento necessariamente a parte (vítima) precisa impulsionar os 
trabalhos (investigações etc.), não podem o Delegado ou o Promotor de Justiça dar 
andamento na ação sem este impulso (Parte final do caput do art. 24, Código de Processo 
Penal); 
c. Ação penal pública incondicionada: Assim que o Delegado ou Ministério Público 
tenham notícia sobre o crime deverá dar início as investigações, sem necessidade de 
requisição ou representação, desde que haja o mínimo de provas para isso (1ª parte do 
caput do art. 24, Código de Processo Penal); 
 
Art. 24, CPP: “Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do 
Ministério Público, mas dependerá, quando a lei exigir, de requisição do Ministro da 
Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para 
representá-lo. 
§1º. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão 
judicial, o direito de representação passará ao cônjuge, ascendente, descendente 
ou irmão. 
§2º. Seja qual for o crime, quando praticado em detrimento do patrimônio ou 
interesse da União, Estado e Municípios, a ação penal será pública”. 
 
d. Foro por prerrogativa: algumas pessoas devido aos altos cargos que exercem 
na Administração Pública possuem alguns “privilégio” em relação ao processamento e 
julgamento de suas ações. 
 
Com relação ao conceito analítico do crime há divergência na doutrina sobre quantas 
seriam as grandes estruturas que o integrariam. Veja abaixo de forma sistematizada as três 
teorias predominantes: 
a. bipartida: crime é fato típico e antijurídico; 
b. tripartida: crime é fato típico, antijurídico e culpável 
c. quadripartida: crime é fato típico, antijurídico, culpável e punível 
 
Para a teoria bipartida a culpabilidade não compõe a estrutura do crime e é mero 
pressuposto de aplicação da pena. 
 
Há no Brasil, em especial no Estado de São Paulo, muitos defensores desta corrente, 
porém prevalece, tanto para nossos doutrinadores como para doutrinadores estrangeiros 
 
 
32 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
que a teoria correta a ser adotada é a tripartida. Para efeito dos nossos estudos será está 
que adotaremos em nossos estudos. 
 
Para entender a estrutura do crime é necessário que você compreenda o significado 
de alguns termos muito importantes para o Direito penal, são eles: 
 
a. sujeito passivo: é o titular do bem jurídico tutelado (protegido) pela norma penal 
(formalmente seria o Estado e materialmente o titular do bem protegido pela norma penal). 
É importante avisar que nesta classificação poderá tanto pessoa física (indivíduo) como 
pessoa jurídica (empresas, autarquias etc.) serem classificadas como sujeito passivo. 
b. sujeito ativo: aquele que pratica a infração penal, ou seja, pessoa maior de 18 
anos, capaz. Há muita discussão se pessoa jurídica – PJ - (empresas, por exemplo) pode 
ser reconhecida como sujeito ativo na infração penal, está conversa vamos deixarpara 
outro momento, mas para que você não fique sem resposta, entenda que hoje há três 
entendimentos, onde o primeiro entende que PJ não pode cometer crime, outra que 
entende contrário, que pode sim a PJ cometer infração penal e uma terceira que entende 
que a PJ será responsabilizada, mas seus diretores é quem responde por qualquer tipo de 
dano causado. 
c. objeto jurídico: é o bem jurídico tutelado pela norma penal. O objeto material é 
a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta do agente. 
d. punibilidade: é a consequência jurídica pela prática do crime. Possibilita a 
aplicação da sanção penal. 
 
A doutrina trata dos elementos do crime como “substratos”, tendo como base a teoria 
tripartida como estudamos acima, apenas para relembrarmos, são eles: 
a. fato típico; 
b. ilícito; e 
c. culpável. 
 
Vamos estudar um a um a partir de agora. Vamos nessa? 
 
 
 
33 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
4.2 Fato Típico 
De acordo com o princípio da exteriorização ou materialização do fato, apenas 
importam os fatos praticados pelo homem, ou seja, se determinado fato acontecer sem 
nenhuma participação do homem, ao direito penal não interessará. 
 
Este fato humano, indesejável, não querido, deve causar um resultado que se 
amolde a um tipo penal (norma penal, fato entendido como criminoso) e é o que chamamos 
de fato típico ou fato tipicamente penal. 
 
Segundo o professor Rogério Sanches Cunha (2016, p. 177): 
 
Fato típico, portanto, pode ser conceituado como ação ou omissão humana, 
antissocial que, norteada pelo princípio da intervenção mínima, consiste numa 
conduta produtora de um resultado que se subsumi ao modelo de conduta proibida 
pelo Direito Penal, seja no crime ou contravenção penal. 
 
A partir do conceito trazido pelo professor Rogério Sanches encontramos os 
elementos do fato típico, sendo eles: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vamos analisar cada um destes elementos. 
 
 Conduta: é o comportamento humano consciente em uma ação (fazer) ou 
omissão (deixar de fazer) voltada a uma finalidade. 
 
O Código Penal Brasileiro adota a Teoria Finalista, no entanto, a doutrina mais 
moderna entende que a teoria que deveria ser adotada é a Teoria Funcionalista. 
 
Vamos estudar cada uma destas teorias e trazer, também, as críticas feitas a elas: 
Fato Típico 
Tipicidade 
Resultado 
Nexo Causal 
Conduta 
 
 
34 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Teoria Finalista: esta teoria foi criada por Hans Welzel no século XX (1930/1960), 
para essa teoria a conduta é um comportamento humano voluntário psiquicamente 
dirigido a um fim. 
 
A finalidade é o que distingue esta teoria das demais existentes (lembrando que há 
muito mais que duas teorias, mas para nosso estudo basta conhecermos estas duas que 
são as principais e as mais cobradas em provas de concurso). 
 
É a finalidade que transforma ação em ato de vontade, visto que, toda conduta possui 
um querer visando um resultado específico. 
 
A teoria da finalidade é defendida por um grande autor de nome Jorge de Figueiredo 
Dias (2007, p. 183), acompanhe: 
 
A verdadeira ‘essência’ da ação humana foi encontrada por Wezel na verificação de 
que o homem dirige finalisticamente os processos causais naturais em direção a 
fins mentalmente antecipados, escolhendo para o efeito os meios correspondentes: 
toda a ação humana é assim supradeterminação final de um processo causal. Eis a 
natureza ontológica da ação, a partir do qual todo o sistema do facto punível haveria 
de ser construído. 
 
De maneira sistemática, para os finalistas (aqueles que adotam esta como a teoria 
que explica a conduta) o crime é: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O finalismo é adotado pela maioria das doutrinas brasileiras e deriva do art. 20, CP, 
afirma-se que é também adotado por ele, visto que, ao tratar sobre o erro do tipo, o 
 Crime 
 Fato Típico 
 Antijurídico 
 Culpável 
Dolo 
Culpa 
Consciência 
 Vontade 
 Objeto da Valoração 
 Valoração do Objeto 
 Juízo de reprovação 
 
 
35 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
legislador trata da consequência que recai sobre a consciência do agente (elemento do 
dolo) a exclusão do fato típico. 
 
As críticas feitas são: 
1º. Esta teoria se concentra no desvalor da conduta e esquece do desvalor do 
resultado; 
2º. Ela não explica o crime culposo, pois não trata da ação dirigida a um fim quando 
o resultado (naturalístico – que gera alteração no mundo real) é involuntário. 
 
Teoria Funcionalista: esta teoria surge em meados da década de 70 e é a partir 
dela que se passa a entender que o Direito Penal possui uma missão/função, onde seus 
dispositivos devem ser aplicados de acordo com essa função. 
 
Ainda dentro desta teoria encontramos duas correntes muito importantes são elas: 
a. Teoria Funcionalista Teleológica: também conhecida como dualista, moderada 
ou da política criminal. Seu maior nome é Claus Roxin. 
 
Para Roxin a função do direito penal é a proteção dos bens jurídicos, ou seja, a 
proteção dos valores essenciais à convivência social harmônica, assim, a intervenção 
do Direito Penal deve se dar apenas aos fatos materialmente relevantes para a sociedade. 
 
Assim, conceitua-se conduta como: um comportamento humano voluntário que 
causa relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. 
 
Essa teoria divide o crime em quatro elementos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Crime 
 Fato Típico 
 Culpabilidade 
 Responsabilidade 
 Antijurídico 
Imputabilidade 
Necessidade de pena 
Exigibilidade de conduta diversa 
Potencial consciência da ilicitude 
Limite da sanção 
 
 
36 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A principal crítica a essa teoria é a substituição da culpabilidade pela 
responsabilidade, onde aquela apenas funciona como limitador de pena. 
 
b. Teoria Funcionalista Radical – também chamada de Radical, Sistêmica ou 
Mista. O grande nome desta teoria foi Günter Jakobs. 
 
Para Jakobs o Direito Penal tem a função determinada pelo sistema social, ou seja, 
preocupa-se com as regras que regulam as relações sociais. Assim, a função principal 
desta teoria era assegurar a vigência do sistema. 
 
Temos então uma conduta humana voluntária, que causa um dano evitável, viola um 
sistema e frustra as expectativas normativas. O Funcionalismo Radical “desenterram” o 
Direito Penal do Inimigo, ou seja, o indivíduo infrator era visto como um infiel, um inimigo 
ao sistema social e não mais deveriam ser considerados cidadãos. 
 
São Tomás de Aquino corrobora com esse pensamento, ele afirmava que a 
“dignidade humana não estava em todos os homens e sim, somente naqueles 
virtuosos”. 
 
A título de conhecimento, caso haja mais interesse em estudar o Direito Penal do 
Inimigo, grandes autores apontam como características deste as seguintes: 
a. ele criminaliza os atos preparatórios da ação criminosa3; 
b. a tipificação/normatização do que é considerado crime está disposta de forma 
vaga, abstrata, ou seja, dá margens a interpretações; 
c. o Direito Penal pune o autor pelo o que ele é e não pelo que fez; 
d. restringe garantias penais e processuais; 
e. as regras de execução penal (forma com que a pena será cumprida e suas regras 
de diminuição, benefícios ao condenado) são impostas com muito mais rigor. 
 
3 Exceção a está regra é encontrada na Lei nº 13.260/16, onde se pune os atos preparatórios do crime em tela: “Art. 
5º Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito: Pena - a correspondente 
ao delito consumado, diminuída de um quarto até a metade. § lº Incorre nas mesmas penas o agente que, com o propósito 
de praticar atos de terrorismo: I - recrutar, organizar, transportar ou municiar indivíduos que viajem para país distintodaquele de sua residência ou nacionalidade; ou II - fornecer ou receber treinamento em país distinto daquele de sua 
residência ou nacionalidade. § 2º Nas hipóteses do § 1o, quando a conduta não envolver treinamento ou viagem para 
país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade, a pena será a correspondente ao delito consumado, diminuída 
de metade a dois terços. 
 
 
 
37 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Entre tantas outras características, mas estas já demonstram quão duro e cruel era 
a visão do Direito Penal do Inimigo. 
 
O Direito Penal moderno é baseado no chamado Direito Penal dos Fatos (ou de 
condutas) em oposição ao Direito Penal do Autor. Em outras palavras, ninguém pode ser 
punido em razão do ser ou do pensar, mas sim do fazer. 
 
Quando não há consciência, também não há conduta, como, por exemplo, indivíduo 
em estado de sonambulismo. Dá mesma forma, não há conduta quando a ação não é fruto 
da vontade, como, por exemplo, a coação física irresistível ou ato reflexo. 
 
Percebe-se que o conceito de conduta, dito logo no início do nosso tema, engloba a 
ação (fazer) e a omissão (o não fazer), daí a existência dos crimes ditos como omissivos e 
comissivos. 
 
Crimes Comissivos: acontecem quando a ação proibida é positiva, é um fazer, ou 
seja, a norma impõe que o sujeito se abstenha de praticar ação descrita pela norma. A título 
de exemplo temos o tipo penal descrito no art. 155, Código Penal – Furto: “Subtrair, para si 
ou para outrem, coisa alheia móvel [...]”. 
 
Crimes Omissivos: ocorrem quando a norma impõe um dever jurídico de agir, 
ordena que o sujeito impeça um determinado risco ou resultado lesivo ao bem jurídico, 
como, por exemplo, o tipo penal descrito no art. 135, CP – Omissão de Socorro. 
 
Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança 
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em 
grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade 
pública. 
 
Os crimes omissivos ainda podem se subdividir em: 
I. Omissivos Próprios: quando existe um dever genérico de agir, como no caso do 
art. 135, CP. 
II. Omissivos Impróprios: quando o sujeito possuía o dever jurídico de agir 
específico, ou seja, o dever jurídico de impedir aquele resultado. Diz-se que o sujeito 
assume a posição de garante (garantidor). 
 
 
 
38 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
O art. 13, §2º, CP destaca as três hipóteses em que o ordenamento faz tal 
reconhecimento: 
 
§2º A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para 
evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: 
a. Tenha por lei a obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; 
b. De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; 
c. Com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. 
 
Alguns exemplos trazidos pela doutrina a fim de facilitar o entendimento das alíneas 
acima são: 
 
Alínea A – mãe que deixa de alimentar o filho recém-nascido e permita que ele venha 
a morrer por inanição. 
Alínea B – babá que assume a responsabilidade de cuidar de um bebê e não o faz. 
Alínea C – o irmão, excelente nadador, convida o outro irmão, não tão bom nadador, 
para nadar uma grande distância no mar. No meio do trajeto o irmão, que sabia nadar muito 
bem, percebe que o outro se afoga e nada faz advindo aquele ao falecimento. Por ter ele 
convidado o irmão que não sabia nadar tão bem e nada fez quando ele estava se afogando 
responderá por sua omissão. 
 
Características e Elementos da Conduta: podemos concluir com o visto até aqui 
que a conduta é: movimento humano voluntário (dominado pela vontade), ou seja, 
somente o homem pode executar, não obstante, pode ele se utilizar de animais como 
instrumento para prática de um crime. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conduta 
Voluntária 
Não é ato mecânico; 
Se não for voluntário não há conduta e não 
configurará o fato típico. 
Não impede que a decisão não tenha sido tomada 
de forma livre; 
O agente se propõe a fazer; 
Não significa ato livre; 
 
 
39 Direito Penal 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A conduta deve se manifestar no mundo exterior, a mera cogitação é estranha ao 
direito penal. 
 
São elementos da conduta: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Formas de conduta: a conduta pode ser: dolosa, culposa, preterdolosa, comissiva 
ou omissiva. De forma breve iremos analisar cada uma forma de conduta. 
a. Crime Doloso: o art. 18, I, Código Penal diz que o agente quis ou assumiu o 
risco de produzir o resultado, ou seja, é a vontade consciente dirigida a um realizar, ou 
aceitar realizar determinada conduta tipificada. 
 
Em nota de rodapé Rogério Sanches Cunha (2016, p. 193) diferencia ainda a 
vontade do desejo: 
Vontade e desejo não se confundem. No dolo, o agente quer o resultado delitivo 
como consequência de sua própria conduta. No desejo, o agente espera o resultado 
como consequência alheia a sua conduta, direta ou indireta. 
 
b. Crime Culposo: o art. 18, II, CP afirma que trata-se de uma conduta voluntária 
que produz um resultado ilícito não querido, nem aceito pelo agente, ,as que de alguma 
forma era previsível (culpa inconsciente) ou excepcionalmente previsto (culpa consciente) 
e que poderia ser evitado se empregado a devida cautela. 
 
c. Crime Preterdoloso: trata-se daquele onde há dolo na ação inicial, mas culpa no 
resultado. 
 
 Resultado: o resultado é a concretude da ação delituosa, seria a real afronta 
á norma penal. 
 
Elementos da 
conduta 
 Comportamento 
voluntário com uma 
finalidade 
Exteriorização da 
vontade 
 Crime doloso 
 Crime culposo 
Fim é a lesão ao bem jurídico ou 
exposição ao perigo. 
Fim é a prática do resultado 
previsível. 
 
 
 
 
Aspecto “mecânico” que consista na ação ou omissão 
que externe elemento psíquico. 
 
 
40 Direito Penal 
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O resultado pode ser naturalístico, ou seja, há uma real alteração no mundo físico 
e normativo. 
 
Os resultados naturalísticos podem ser: 
a. Crimes Materiais: o tipo penal traz a descrição do resultado e exige que ele ocorra 
para a sua consumação. Ex. Homicídio. É necessário que a vítima morra (altere o mundo 
físico) para que se considere concretizado o tipo penal e seu resultado ocorrido de fato, 
caso contrário poderá incidir em tentativa de homicídio e não em homicídio. 
b. Crimes Formais: o tipo traz a descrição do resultado, mas não exige que ele 
ocorra para a sua consumação. Ex. Extorsão mediante sequestro – art. 159, CP – neste 
crime, o resultado naturalístico visado é a obtenção da vantagem econômica (resgate), 
porém, o crime se consuma quando a vítima é arrebatada/sequestrada, ou seja, independe 
do recebimento ou não do resgate. 
c. Crime de Mera Conduta: o tipo penal traz apenas descrita a conduta delituosa, 
mas não faz nenhuma descrição de resultado. Ex. violação de domicílio – art. 150, CP. 
 
Com relação ao resultado normativo, ele pode ser: 
a. Crime de Dano: para que seja considerado de fato consumado deverá haver real 
lesão ao bem jurídico tutelado pelo Direito Penal. Ex. Homicídio – art. 121, CP – bem jurídico 
tutelado é a vida (diretamente) e integridade física (indiretamente). 
b. Crime de Perigo: ocorrerá a consumação pelo simples fato do bem jurídico ter 
sido exposto ao perigo de lesão. Ex. periclitação da vida ou saúde de outrem – art. 132, 
CP. 
 
 Nexo de Causalidade: é o que liga a conduta e o resultado. 
 
O nexo causal é a relação de causa e efeito entre a conduta e o resultado. Dizer que 
existe nexo causal é dizer que, por meio das leis da física, a conduta provocou o resultado. 
Apenas existe nexo causal em crimes materiais e comissivos (praticados por meio de ação). 
 
No Brasil se adota a teoria da equivalência

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