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DIREITO PENAL PARTE GERAL II Prof. Me. Mario Davi Barbosa https://ufsc.academia.edu/MarioDaviBarbosa mario.barbosa@unicesusc.edu.br PRINCÍPIOS DE DIREITO PENAL ORIENTADORES DA INCIDÊNCIA DA PENA Direito Penal Ordenamento Jurídico Sistema de Controle Social Intervenção penal estatal: Processo de criminalização primária: Poder Legislativo Processo de criminalização secundária: Poder Judiciário Execução criminal: Poder Executivo Direito Penal e Constituição Supremacia do texto constitucional: concepções formal e material. Positivação de valores fundamentais: tríplice dimensão (fundamentadora, orientadora e crítica). Vinculação penal negativa e positiva. Constituição como paradigma de legitimidade do Direito Penal Princípio da Legalidade Constituição Federal de 1988 Art. 5º, inciso XXXIX/ Art. 1º CP: “Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal” Princípio da legalidade ■ Sua expressão constitucional aparece na origem do constitucionalismo: Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. ■ No âmbito penal, foi precisado por FEUERBACH na fórmula latina: ■ “Nullum crimen sine lege, nulla poena sine lege, nullum crimen sine poena legale” Princípio da legalidade ■ Finalidade do princípio (iluminismo): proteção dos direitos e liberdades do indivíduo contra abusos do Estado. ■ ASSIM, o princípio não se aplica a qualquer matéria penal, mas apenas aos casos de criminalização ou agravamento da responsabilidade do agente, sob pena de funcionar contra sua própria teleologia. Princípio da legalidade Análise de efeitos em 5 planos distintos: 1. Reserva legal (exigência de lei formal em sentido estrito); 2. Taxatividade; 3. Proibição de analogia in malam partem; 4. Proibição de retroatividade/irretroatividade da lei penal (regra geral). Princípio da legalidade Garantias advindas do princípio: Garantia criminal; Garantia penal; Garantia jurisdicional; Garantia de execução Princípio da legalidade ■ Sob o ponto de vista FORMAL, significa que a única fonte produtora de lei penal no sistema brasileiro são os órgãos constitucionalmente habilitados e a única lei penal é a lei formal por eles emanada, conforme ao procedimento estabelecido pela própria Constituição. ■ Por isso, o Poder Executivo, os juízes e Administração não podem produzir leis penais. Princípio da legalidade ■ Da mesma forma, costumes, doutrina e jurisprudência NÃO podem ser fontes de proibições penais, embora possam constituir fontes de interpretação penal: 1º. Requisito da legalidade 1º. Requisito da legalidade Lex scriptaLex scripta Princípio da legalidade Outros requisitos: Lex praevia – Irretroatividade da lei penal Lex stricta – taxatividade Primeira dificuldade: tipos penais abertos Princípio da culpabilidade ■ Pode uma lei penal limitar-se a estabelecer uma cominação, deixando que o comportamento proibido seja determinado por outra lei? LEI PENAL EM BRANCO (BINDING) Princípio da culpabilidade “Nulla poena sine culpa” ■ CF, art. 5º, XLV – Responsabilidade penal subjetiva ■ Impossibilidade de punir a personalidade (Direito Penal do fato) ■ Impossibilidade de atribuir um delito a alguém por meio da simples constatação da relação causal. ■ Individualização da responsabilidade penal (responsabilidade pessoal) Princípio da culpabilidade ■ Direito Penal como ultima ratio ■ Cuidado com transformação de intervenção penal mínima em intervenção penal máxima: simbolismo penal Irretroatividade da lei penal Regra geral ■ Art. 5º, inciso XL da CF/88 “A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu” Exceção na última parte “salvo para beneficiar o réu” Lex Mitior Retroatividade da lei penal posterior mais benéfica ■ Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. ■ Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado Princípio da ofensividade Decorre da função do Direito Penal – proteção subsidiária de interesses sociais fundamentais – e do princípio da intervenção penal mínima. Lei Federal n. 11.343/06: Art. 28. “Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:” Princípio da humanidade das penas ■ Demanda central do Iluminismo; ■ Fundamento: dignidade humana; ■ Processo de humanização: penas corporais; pena capital; substituição da pena privativa de liberdade; e progressão no seu cumprimento. Princípio da humanidade das penas Art. 5º, inciso XLVII da CF/88- não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; Art. 5º, inciso XLIX da CF- é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; Art. 5º, inciso L da CF/88 - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; Princípio da ressocialização ■ Fundamento: dignidade humana. ■ Sentido de “ressocializar” ■ Ressocializar dessocializando? Indivíduo jamais pode ser tratado como objeto da ação repressora do Estado, e sim como sujeito. Princípio da fundamentação penal ■ A sentença penal que condenar alguém e impuser uma pena criminal deve ser fundamentada pelo direito Art. 93, inciso IX da Constituição Federal de 1988 ■ “Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação Princípio da individualização penal ■ Art. 5º, inciso XLVI da CF/88: XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; Princípio da personalidade da pena A pena não passará da pessoa do condenado Art. 5º inciso XLV da CF/88: ■ “Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido” Princípio da proibição do bis in idem Non bis in idem ■ Não pode haver dupla valoração jurídica do mesmo elemento ■ Não pode haver a condenação por mais de uma oportunidade pelo mesmo fato O princípio do ne bis in idem constitui um limite ao Estado, evitando a múltipla valoração do mesmo fato com idêntico fundamento jurídico. Princípio da Presunção de Inocência ■ Art. 5º, LVII da CF: ■ LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;