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Histórico e Conceitos Básicos em Imunologia. 
Histórico:
Como o corpo se defende? Quando a infecção ocorre, como o
corpo elimina o invasor e se recupera? E por que nós desenvolvemos
uma imunidade duradoura a muitas doenças infecciosas ? Essas
questões estão relacionadas à Imunologia, que é o estudo das defesas
do organismo contra infecções.
Histórico:
Mas como a Imunologia surgiu como Ciência?
A imunologia é uma ciência relativamente nova, que data do final do século
XVIII, tendo sua origem atribuída à Edward Jenner, médico, botânico e biólogo
inglês, que viveu entre os anos de 1749 e 1823, época em que a varíola era uma
das doenças mais perigosas da humanidade e mortal na maioria dos casos.
Edward Jenner
Histórico: 
Nesta época, muitas pessoas apresentavam no corpo uma doença chamada
cowpox (cow= vaca e pox= feridas na pele), causada pela doença da varíola bovina
ou vaccínia, que se caracterizava por bolhas pelo corpo, como se fosse um tipo de
catapora. Edward Jenner percebeu que as mulheres que ordenhavam as vacas e
possuíam essas bolhas (cowpox) não contraíam varíola porque ficavam imunes
contra a doença.
Varíola Bovina e a “Cowpox” em humanos 
Histórico: 
Para provar que estava certo, em 1796, Edward Jenner retirou pus da ferida
causada pela cowpox e o injetou no organismo de uma criança de 8 anos. Alguns dias
depois, inoculou nela a varíola humana e teve uma grande surpresa: a doença não se
desenvolveu na criança. Jenner deu a este procedimento o nome de vacinação, termo
que foi adotado e ainda hoje é usado para descrever a inoculação de amostras
enfraquecidas ou atenuadas de agentes patológicos em indivíduos sadios, a fim de
obter proteção contra doenças.
Histórico:
Uma curiosidade: a palavra vacina se originou do latim e significa “vaca”,
devido a cowpox, causada pela varíola bovina, ou “vaccínia” Assim que foi
descoberta, a palavra vacina tinha um sentido muito limitado, usado somente para
esse caso específico, ou seja, contra a varíola bovina . Mais tarde, por volta de 1880,
Louis Pasteur projetou uma vacina contra cólera aviária e a vacina antirrábica, triunfos
que levaram à busca dos mecanismos de proteção imune e ao desenvolvimento da
ciência da imunologia.
Louis Pasteur 
Histórico:
No início da década de 1890, Emil von Behring e Shibasaburro Kitasato
descobriram que o soro de animais imunes à difteria ou ao tétano continha uma
“atividade antitóxica” específica que poderia conferir uma proteção a curto prazo contra
os efeitos das toxinas de difteria ou tétano em pessoas. Esta atividade deve ao que
agora chamamos de anticorpos, que se ligam especificamente a toxinas e neutralizam
suas atividades.
Emil von Behring Shibasaburro Kitasato Anticorpos 
Sistema Imune:
O nosso corpo é protegido de agentes infecciosos e dos danos que eles
causam, e de outras substâncias nocivas, como as toxinas de insetos, por uma
variedade de células efetoras e moléculas, que juntas constituem o Sistema Imune.
Sistema Imune:
O sistema imune dá a imunidade ao indivíduo contra agentes agressores.
Anatomicamente, é constituído por sistemas linfocítico ou linfocitário e monocítico –
macrofágico, daí ser referido como sistema linfocítico – macrofágico.
Sistema Imune:
O sistema monocítico – macrofágico está em constante vigília e atua por
meio da fagocitose e por produção de citocinas (glicoproteínas que induzem a
produção de anticorpos para neutralização de antígenos), principalmente contra
microrganismos intracelulares e células neoplásicas. Além disso, tem a importante
função de apresentar antígenos ao sistema linfocítico, sendo que, muitas das células
linfocíticas só são ativadas mediante essa apresentação.
Sistema Imune:
O sistema linfocítico também faz a vigilância contra substâncias estranhas,
apresenta uma defesa específica mediada por mecanismos complexos e sintetiza
citocinas. É peculiar ao sistema linfocítico uma memória imunológica para o agente
agressor, que pode perdurar por vários anos.
Sistema Macrofágico:
Funções:
- Vigilância;
- Fagocitose;
- Produção de Citocinas;
- Apresentação antigênica 
Sistema Linfocítico:
Funções: 
- Vigilância;
- Defesa Específica;
- Produção de Citocinas;
- Memória
Sistema Imune: 
Sistema Imune:
O sistema imune, quando nosso organismo é atacado por um patógeno ou
toxina produz um conjunto de mecanismos imunológicos que recebem o nome de
resposta imunológica. Essa resposta imunológica pode ser classificada em:
- Primaria e Secundária;
- Ativa e Passiva;
- Inata e Adaptativa;
Sistema Imune:
- Resposta Primária e Secundária:
A resposta primária é o conjunto de mecanismos que o organismo
apresenta quando entra em contato pela primeira vez com algo que considera
estranho (antígeno). O resultado é a ativação inicial do sistema macrofágico,
seguida da ativação do sistema linfocítico, com formação da imunoglobulina M
(IgM), resultando na formação de linfócitos T e B de memória.
Resposta Primária:
É a resposta imunológica que ocorre quando o organismo entra em contato pela primeira vez com o antígeno.
Ocorre a formação de Imunoglobulina M (IgM). 
Sistema Imune:
Resposta Primária e Secundária:
Na resposta secundária o organismo já teve contato prévio com o patógeno
ou toxina. Ocorre a ativação sequencial dos sistemas macrofágico e linfocítico,
sendo que a grande diferença para a resposta primária está no fato de que, na
resposta secundária, o organismo já conta com a presença de linfócitos T e B de
memória, predominando a síntese de IgG. A resposta secundária é mais eficiente,
ocorrendo de forma mais rápida e mais intensa, tanto para formação de
imunoglobulinas como para a ativação de linfócitos.
Resposta Secundária
É a resposta imunológica que ocorre quando já houve contato prévio com o antígeno.
Ocorre a formação de Imunoglobulina G (IgG). 
IMUNOGLOBULINAS: são glicoproteínas, componentes termoestáveis da resposta 
imunológica.
IMUNOGLOBULINA M: é a primeira imunoglobulina a aparecer, tanto no início do
desenvolvimento do sistema imunológico humano, quanto no decorrer de um processo
infeccioso. A IgM é a primeira imunoglobulina sintetizada no recém-nascido.
IMUNOGLOBULINA G: é uma imunoglobulina de memória, está presente no organismo
mesmo na ausência de um processo infeccioso, indicando infecção prévia.
Sistema Imune: 
Sistema Imune:
Uma aplicação prática de resposta primária e secundária é a vacinação: em um pressuposto
primeiro contato (vacina), desenvolve-se uma resposta primária; em um segundo contato com o
mesmo microrganismo, agora, in natura, há uma resposta secundária, que, por ser mais eficiente,
diminui a chance do indivíduo adquirir a doença causada por este microrganismo.
Sistema Imune
- Resposta Ativa e Passiva:
A resposta ativa ocorre quando o organismo se defende contra antígenos, ativando células e
produzindo imunoglobulinas e citocinas. Um exemplo de resposta ativa é a que ocorre após
vacinações ou imunizações. As vacinas podem ser atenuadas, quando são utilizados microrganismos
atenuados vivos ou inativas, quando se utiliza em sua composição toxoides, microrganismos mortos
e componentes de microrganismos.
São exemplos de vacinas atenuadas: BCG contra a tuberculose, poliomielite (Sabin),
sarampo, caxumba, rubéola, febre amarela e rotavírus.
São exemplos de vacinas inativas: poliomielite (Salk), raiva e hepatite A e Influenza.
Toxoides são toxinas destoxificadas, onde foi retirada a parte que causa dano ao organismo,
permanecendo a porção capaz de determinar uma resposta imunológica. São exemplos de vacinas
toxoides: tétano e difteria.
Sistema Imune:
As vacinas com microrganismos atenuados são contraindicadas a portadores
de Imunodeficiências Primárias com ausência total de anticorpos ou de linfócitos T,
pelo risco de manifestação da doença. Em pacientes com Doença Granulomatosa
Crônica (deficiência da fagocitose por neutrófilos) é contraindicada a BCG.
Sistema Imune:
- Resposta Ativa e Passiva:Na resposta passiva são recebidos produtos da resposta imunológica, por
exemplo, imunoglobulinas oriundas de vários plasmas humanos, ou seja, o organismo
defende-se de uma injúria após receber produtos da resposta imunológica, que são os
anticorpos e as citocinas.
Como exemplo, temos:
- Feto, que recebe IgG materna (a IgG atravessa a placenta);
- Recém-nascido, que recebe IgA do leite materno.
Sistema Imune:
- Resposta Inata e Adaptativa:
A resposta imune inata está sempre disponível a combater uma grande gama de
patógenos, mas não conduz a uma imunidade duradoura e não é específica para nenhum
patógeno individual. A resposta imune inata tem como principal representante o macrófago,
que fagocita os microrganismos estranhos que invadem nosso organismo. Os macrófagos estão
sempre presentes e prontos para atuar.
Sistema Imune:
A resposta imune adaptativa é específica e produz anticorpos contra um
patógeno em particular ou seus produtos. A resposta imune adaptativa é desenvolvida
durante a vida de um indivíduo como adaptação à infecção por um patógeno. Em
muitos casos, uma resposta imune adaptativa também resulta em um fenômeno
conhecido como memória imunológica, o que confere uma imunidade protetora, por
toda vida, contra reinfecções pelo mesmo patógeno.
Sistema Imune:
A resposta imune adaptativa dá-se pela imunidade humoral e pela
imunidade celular.
Na imunidade humoral, as principais responsáveis pela defesa do
organismo são imunoglobulinas (anticorpos), sintetizadas pelos linfócitos B
diferenciados em plasmócitos.
A resposta adaptativa celular ocorre por ação direta de células, os linfócitos
T.
Sistema Imune:
A inflamação é resultante dos diferentes mecanismos da resposta
imunológica na tentativa de manter a homeostasia (equilíbrio) do organismo e
recuperar os tecidos lesados. Na inflamação são recrutados leucócitos e proteínas
plasmáticas para os locais com patógenos ou lesão tecidual. Na inflamação aguda
temos a ação da resposta inata e na inflamação crônica, células da resposta
adaptativa.
Sistema Imune:
Para proteger o indivíduo de maneira eficaz contra uma doença, o sistema
imune deve satisfazer quatro principais características. A primeira delas é o
reconhecimento imunológico: a presença de uma infecção deve ser detectada.
Esta tarefa é realizada pelas células sanguíneas brancas do sistema imune inato, as
quais proporcionam uma resposta imediata, e pelos linfócitos do sistema imune
adaptativo.
Sistema Imune:
A segunda tarefa é conter a infecção e, se possível, eliminá-la por completo, o
que traz a ativa as funções imune efetoras, assim como o sistema do complemento
de proteínas sanguíneas , anticorpos, e a capacidade destrutiva dos linfócitos e outras
células sanguíneas brancas. Ao mesmo tempo, a resposta imune deve ser mantida
sobre controle para que não cause nenhum prejuízo ao próprio organismo.
Sistema Imune:
A terceira característica é a regulação imune, ou seja, a capacidade do
sistema imune de autorregular. A falha de tal regulação contribui para o
desenvolvimento de determinadas condições como as alergias e as doenças
autoimunes.
Sistema Imune:
A quarta característica é proteger o indivíduo contra a recorrência de uma
doença devida a um mesmo patógeno, a chamada, memória imunológica. Assim,
tendo sido exposta uma vez a um agente infeccioso, uma pessoa produzirá uma
resposta forte e imediata contra qualquer exposição subsequente ao mesmo
patógeno, isto é, ela terá uma imunidade protetora contra ele.
Caso Clínico 1:
Mãe de recém – nascido referia ter lido que o leite industrializado apresenta os
mesmos constituintes que o materno, estando em dúvida quanto à amamentação.
Você, diante das noções de imunologia adquirida em nossa aula de hoje, daria
qual orientação para essa mãe para que seu filho recém – nascido receba o tipo de
aleitamento mais adequado?
Caso Clínico 2:
Gestante referia receio de receber vacina contra a gripe, principalmente em
relação ao feto.
O que você, diante dos conhecimentos adquiridos hoje sobre imunologia, diria
a esta gestante?

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