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O psicólogo no contexto jurídico
Prof.º José Augusto Rento Cardoso
Descrição
Interseção entre Psicologia e Direito e os desafios, bem como as
principais áreas de atuação do psicólogo no contexto jurídico.
Propósito
O aprendizado e o conhecimento da Psicologia no contexto jurídico,
apresentando as principais áreas de atuação, permitem que os futuros
profissionais consigam lidar com expectativas e desafios no cuidado de
casos específicos na prática profissional.
Objetivos
Módulo 1
Psicologia jurídica e campos de
atuação
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Reconhecer as diferentes definições relativas à psicologia jurídica,
bem como as principais áreas de atuação do psicólogo no contexto
jurídico.
Módulo 2
Psicologia e Direito: origens da
parceria
Identificar os desafios da interseção entre Psicologia e Direito.
Pode ser que você já tenha assistido a séries ou filmes em que um
personagem busca conhecer a mente e o comportamento de um
assassino, tentando descobrir quais serão seus próximos passos.
Se você é fã do gênero, deve ter uma lista enorme passando pela
sua cabeça.
Essa pode ser uma representação que muitos, inicialmente, tenham
de como atua um psicólogo no campo jurídico, ou seja, um
especialista em caçar criminosos ou assassinos em série.
No entanto, ainda que a criação de perfis de criminosos possa ser
um trabalho a que um psicólogo se dedique (mesmo que seja uma
prática polêmica e pouco desenvolvida no Brasil), o campo jurídico
apresenta uma enorme quantidade de espaços que envolvem o
estudo do comportamento e da mente humana.
A partir de agora vamos embarcar na jornada para conhecer esse
campo ainda em pleno desenvolvimento, algumas vezes chamado
de psicologia jurídica, outras de psicologia forense, mas que
sempre será permeado por estas duas disciplinas – Psicologia e
Direito –, e os desafios que nascem desse complexo encontro.
Introdução
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1 - Psicologia jurídica e campos de atuação
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer as diferentes
de�nições relativas à psicologia jurídica, bem como as principais áreas de
atuação do psicólogo no contexto jurídico.
Conceitos básicos
De�nindo psicologia jurídica
É muito provável que em seus estudos no campo da Psicologia no
contexto jurídico você se depare com diferentes definições que podem
causar certa confusão.
Por exemplo, é comum que essa área da Psicologia seja apresentada
como psicologia forense, psicologia judiciária, psicologia na prática
jurídica e, algumas vezes, definida por apenas um dos campos de
atuação no contexto da interseção entre Psicologia e Direito, como
psicologia criminal.
Essas diferentes definições parecem delimitar um mesmo campo de
atuação, sendo certo que, de alguma maneira, podemos até considerá-
las como sinônimos. No entanto, é importante que você possa
compreender o motivo da escolha de psicologia jurídica como melhor
forma de definir a atuação do psicólogo no campo de interseção entre
Direito e Psicologia.
Conforme Jorge Trindade (2012) destaca, a psicologia
jurídica é um campo em construção.
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Devemos observar que a Psicologia, entendida como ciência moderna,
tem pouco mais de cem anos, sendo uma área em pleno
desenvolvimento, com a psicologia jurídica integrando uma subárea
dentro desse campo maior que é a Psicologia.
Trindade (2012) traz uma importante contribuição que pode nos ajudar a
melhor compreender esse campo, esclarecendo um pouco as distinções
entre psicologia jurídica e forense. O autor pontua que a palavra forense
provém do latim forensis que aponta para um espaço físico, o Fórum,
onde a assembleia romana se reunia para tratar de assuntos
importantes.
Antigo Fórum romano, em Roma, Itália.
Nesse sentido, ao utilizar o termo psicologia forense, podemos nos
encaminhar para pensar que esse campo se limita a somente aquilo que
ocorre nos Tribunais, caindo em uma pequena limitação do que seja
todo o âmbito da Psicologia em sua relação com o Direito.
No entanto, em língua inglesa, geralmente vamos encontrar o termo
Forensic Psychology, que abarca muitas das atividades e atuações que
se enquadram no nosso entendimento do que seja psicologia jurídica.
Além disso, aqui deve-se considerar as diferenças entre as legislações
dos diversos países, sendo que se a psicologia jurídica está em íntima
relação com o Direito, mudanças nas leis implicam mudanças em
algumas das atividades desse profissional.
Outra aproximação com a qual podemos ter algum
cuidado é a de Huss (2011, p. 23) que entende a
psicologia jurídica como: “a aplicação da psicologia
clínica ao Poder Judiciário”.
Aqui podemos cair em outro reducionismo. De certa forma, alguns
aspectos da psicologia clínica podem contribuir para a atuação do
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psicólogo jurídico, mas existe uma gama muito maior de diferenças que,
em síntese, delimitam esse campo como uma especialidade diversa da
psicologia clínica.
Na prática cotidiana, percebe-se que existem aspectos bem diferentes
na atuação clínica e jurídica, vejamos a seguir algumas destas
diferenças:
Assim, vale ressaltar que o Conselho Federal de Psicologia, em sua
resolução CFP 013/2017, estabelece a psicologia jurídica como um dos
 Campo clínico
Neste campo, a pessoa, a quem chamamos de
paciente, busca o atendimento, na maior parte das
vezes, espontaneamente, motivados por solucionar
dificuldades emocionais e comportamentais.
 Campo jurídico
Neste campo, a pessoa, a quem chamamos de
usuário, é levada ao psicólogo por problemas
relacionados com a Justiça: por exemplo, quando o
indivíduo move um processo requerendo a guarda
de seu filho, o juiz, chamado de operador do direito,
demanda uma avaliação ou um estudo psicológico,
não sendo um encaminhamento voluntário.
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títulos de especialista, passível de ser obtido por um psicólogo,
diferenciando-o do título de psicólogo clínico.
Saiba mais
Você verá o termo operadores de Direito em vários momentos do texto.
Eles representam aqueles atores do campo do Direito como juízes,
promotores, defensores, advogados, ou seja, todos que, de alguma
forma, contribuem para o processo legal tramitar, tendo conhecimento
específico das leis necessárias ao cumprimento do Direito.
Campos na psicologia
jurídica
Diversidade de campos na psicologia jurídica
Gomide (2016, p. 16), entendendo que psicologia jurídica e forense são
sinônimos, define a psicologia jurídica como sendo “o estudo da
integração da Psicologia com o Direito”, completando que, enquanto a
Psicologia se debruça sobre o comportamento humano, o Direito se
volta para o estudo de como as pessoas estabelecem regras “que regem
seu comportamento em sociedade” (GOMIDE, 2016, p. 16).
Acreditamos que estamos nos aproximando um pouco mais do que seja
a psicologia jurídica e, nesse sentido, concordamos com o que Trindade
(2012) afirma: a psicologia jurídica abarca não somente aquilo que
ocorre dentro dos fóruns, mas também a própria lei.
Atenção!
A psicologia jurídica, como veremos adiante, de fato, envolve uma
diversificada gama de atuações que, muitas vezes, estão relacionadas a
processos legais no âmbitodos tribunais. No entanto, acreditamos que
a psicologia jurídica não deve ficar restrita a esse campo, mas atuar
também, por exemplo, no auxílio à construção de leis que levem em
conta o apoio ao sadio desenvolvimento emocional e à promoção do
bem-estar da pessoa, o que Bicalho (2016) chamará de psicologia
legislativa, mas que, conforme Trindade (2012), já faz parte da
psicologia jurídica.
Nesse sentido, a psicologia jurídica pode ser compreendida como a
Psicologia aplicada ao melhor exercício do Direito, ou seja, o psicólogo
jurídico, com seu conhecimento e sua prática, atua no âmbito Judiciário
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com o intuito de contribuir para que a meta do Direito – a Justiça –
possa ser efetivamente alcançada.
É interessante perceber que, nesse sentido, a Psicologia não é vista
como uma subdisciplina, mas como uma grande auxiliar, que entra o
campo do Direito com o intuito de fazê-lo mais efetivo, proporcionando
conhecimentos acerca do fenômeno humano que ele, mesmo com seus
milênios de existência, não compreendeu plenamente.
Dito isso, percebe-se que a psicologia jurídica, como área da Psicologia
em interseção com o Direito, desdobra-se em uma ampla quantidade de
subáreas como, por exemplo: psicologia penitenciária, psicologia
criminal, psicologia civil geral e de família, psicologia do testemunho,
psicologia policial, psicologia da vítima ou psicologia vitimológica, entre
outras.
Visando abordar esse auxílio da Psicologia levando em consideração os
diversos níveis do sistema de Justiça de nosso país, abordamos de
forma didática a psicologia jurídica e suas contribuições, respeitando a
separação legal entre direito civil e direito penal (ou direito criminal).
Vamos agora apresentar algumas das atuações do psicólogo jurídico
levando em consideração essas duas amplas áreas do Direito.
Atuação no direito da criança
e adolescente
Todos nós, cidadãos, temos uma série de direitos e deveres, muitos dos
quais são consagrados por nossa Constituição, notadamente em seu
artigo 5º, no qual nossos diversos direitos estão expostos.
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O direito civil é o campo do Direito que se preocupa
com os direitos privados de cada indivíduo, com o
direito do cidadão, legislando sobre as injustiças que
podem ocorrer nesse âmbito de relação entre pessoas
físicas ou jurídicas.
O Código de Processo Civil (CPC) define as regras de como o processo
legal ocorre no âmbito civil e, também, como cada parte ou personagem
deve atuar nesse processo. No caso dos psicólogos, eles se
apresentam ao processo como peritos que são entendidos no CPC
como auxiliares da Justiça.
Assim, o perito auxilia o juiz quando a prova necessária para melhor
condução do processo depende de conhecimento técnico ou científico
específico, o que está redigido no art. 156 do CPC.
Vamos a um exemplo do cotidiano da prática do psicólogo jurídico!
Exemplo
Imagine que um casal com dois filhos decide se separar e, diante de
uma situação emocionalmente estressora e difícil, que é a separação,
cada um busca seu advogado para mover uma ação de guarda
compartilhada dos filhos.
Nesse contexto, o juiz, ao longo do processo, pode avaliar que seria
necessária a atuação de um psicólogo realizando um estudo ou
avaliação psicológica para melhor compreender a história dessa família,
sua dinâmica e como cada um dos pais exerceu os cuidados dos filhos
ao longo de seu desenvolvimento, visando adotar uma decisão que
respeite o melhor interesse da criança, um importante princípio quando
se fala de crianças e adolescentes no contexto da Justiça.
Compreender os aspectos emocionais, comportamentais e psicológicos
de todos os integrantes do sistema familiar é algo passível de ser
realizado por um psicólogo que, portanto, é chamado como perito para
apresentar suas contribuições, por meio de um laudo, apontando os
aspectos importantes no presente caso.
Com esse conhecimento, o juiz é munido de mais ferramentas para
exercer um julgamento mais adequado à realidade daquela família e,
portanto, com a possibilidade de ser mais justo.
Em termos de legislação, o Brasil possui um grande
avanço na proteção de crianças e adolescentes com o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei
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8.069/1990), sendo que a Psicologia é demandada a
contribuir com seus conhecimentos em diversos níveis
relacionados à proteção dos direitos de crianças e
adolescentes.
Nesse sentido, as demandas para a atuação do psicólogo versam sobre
alguns assuntos, como:
O psicólogo também atua nos processos, versando sobre a
destituição do poder familiar, ou seja, situações em que os pais
ou responsáveis legais por aquela criança ou adolescente não
conseguem cumprir com seus deveres básicos e garantir a
esses menores a possibilidade de sadio desenvolvimento
psicológico, físico, moral etc.
Nesses casos, a importante a atuação do psicólogo em equipe
multidisciplinar, geralmente acrescida de um assistente social, é
enorme, já que sua atuação auxilia o juiz na decisão de retirar ou
manter o poder familiar de pais ou responsáveis legais sobre
uma criança ou adolescente.
O psicólogo também atua em uma outro grande campo os das
medidas socioeducativas, ou seja, a atuação com adolescentes
em conflito com a lei.
Os profissionais psicólogos que atuam nessa demanda devem
“desenvolver intervenções que possam minimizar, a partir das
redes externas de apoio do adolescente, a ocorrência de atos
infracionais quando este retornar à sociedade.” (LAGO;
NASCIMENTO, 2016).
Já no que diz respeito aos processos de adoção, o psicólogo é
chamado a atuar em três aspectos:
1. Preparação, avaliação e habilitação de candidatos à adoção:
realizando tanto a avaliação destes, bem como promovendo os
chamados grupos de apoio a adoção, nos quais, por meio de dinâmicas
A destituição do poder familiar 
Os adolescentes autores de atos infracionais 
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e práticas psicoeducativas, busca-se contribuir para que os candidatos à
adoção possam refletir sobre crenças e fantasias ligadas ao processo
de adoção.
2. Junto às crianças e aos adolescentes que se encontram nas
instituições de acolhimento aguardando serem adotadas: o trabalho
ocorre em conjunto com profissionais da instituição e do Judiciário para
ajudar a criança no processo de reintegração familiar ou afastamento
familiar e inserção na família adotiva.
Toda criança ou adolescente que
estiver inserida em programa de
acolhimento familiar ou institucional
terá sua situação reavaliada, no
máximo, a cada 3 (três) meses,
devendo a autoridade judiciária
competente, com base em relatório
elaborado por equipe
interprofissional ou multidisciplinar,
decidir de forma fundamentada pela
possibilidade de reintegração
familiar ou pela colocação em
família substituta, em quaisquer das
modalidades previstas no art. 28
desta Lei.
(ECA, 1990)
Um importante aspecto destacado é que o trabalho do psicólogo
jurídico, muitas vezes, acontece em uma equipe multidisciplinar, sendo
que a presença de assistentes sociais é frequente em quase todos os
âmbitos de atuação do psicólogo jurídico, mas este também pode ter
trabalhos conjunto com educadores, médicos etc.
3. Acompanhamento da família habilitada para adoção e a criança por
ela adotada: sendo que o processo de vinculação entre os adotantes e a
criançadeve ser acompanhado por profissional da Psicologia que
possui conhecimento e instrumental para contribuir na solidificação
desses vínculos e no manejo de eventuais situações conflitivas.
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Saiba mais
Os psicólogos que atuam nesse âmbito do Direito da Criança e
Adolescente não são somente aqueles que estão dentro dos tribunais
de justiça, mas toda a rede de proteção, como conselhos tutelares e
centros de referência especializado em assistência social (CREAS), que
atuam auxiliando que o Direito alcance sua meta final: a Justiça.
Atuação no direito de família
Como em nosso exemplo anterior, do casal que move um processo ação
de guarda compartilhada, a atuação do psicólogo no âmbito do direito
de família é imprescindível. Nesse complexo mundo das relações
afetivas, o conhecimento proporcionado pela Psicologia pode contribuir
para que os operadores do Direito, como juízes, promotores e
advogados, possam deixar a letra fria da lei e entrar na calorosa
dinâmica dos sentimentos e vínculos familiares.
No direito de família, a Psicologia é convocada nos processos de guarda
e, com o advento da Lei 13.058/2014, no auxílio ao que diz respeito à
chamada guarda compartilhada.
Essa modalidade de guarda, que visa à atuação
conjunta dos pais nas decisões e principalmente, no
acompanhamento da vida dos filhos, tem em lei
prevista a atuação de equipe interdisciplinar, que
auxiliará o juízo por meio de conhecimento técnico-
científico (art. 1.584, § 3º).
Embora a lei especifique que deve haver uma distribuição equilibrada de
tempo da criança ou adolescente com o pai e com a mãe, a experiência
e pesquisa sobre a guarda compartilhada vem apontando a necessidade
de observar diferentes aspectos como a idade da criança (fase do
desenvolvimento), a relação com cada um dos pais (antes da separação
e após a separação), a rede de suporte familiar, a proximidade entre as
residências, bem como questões psicológicas da criança ou
adolescente (presença de algum transtorno).
Na prática, percebemos que muitos pais e responsáveis acreditam que o
compartilhamento da guarda significa que a criança ficará residindo 15
dias ou uma semana com cada um dos pais, alternando esse tempo de
convivência entre uma e outra residência, o que não necessariamente
atenderá ao melhor interesse da criança.
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O compartilhamento está, antes de
tudo, situado na subjetividade que
se expressa no estabelecimento de
valores comuns; na tomada de
decisões que, no fim, sejam
uniformes; na coparticipação nos
cuidados cotidianos dos filhos,
sempre permeados por afeto e
proximidade com eles, e por diálogo,
no mínimo civilizado, polido e
sensato, entre os pais, o que só é
conseguido com o afrouxamento
dos laços conjugais, visando ao
desatamento deles, e o
estreitamento dos laços parentais.
(CEZAR-FERREIRA; MACEDO, 2016, p. 108)
Nota-se que a guarda compartilhada, para além de uma modalidade
recomendada por lei, deve ser um exercício implementado pelos pais,
que necessita de esforço de ambas as partes. Na prática cotidiana, vê-
se o desafio de conseguir que os pais compreendam a importância de
um trabalho conjunto em prol dos cuidados dos filhos, em meio a uma
turbulenta quantidade de sentimentos e experiências negativas
provenientes da conjugalidade fracassada.
Além dos processos versando sobre a guarda de crianças e
adolescentes, a Psicologia também é chamada a participar e contribuir
nos processos versando sobre a regulamentação de convivência entre
pais e filhos após a separação conjugal, reconhecimento de paternidade
socioafetiva, quando o pai que criou vínculos com a criança é diferente
do pai biológico e, cada dia mais, nos casos de alienação parental, que
veremos a seguir mais detalhes sobre o assunto.
A alienação parental tem sido um tema polêmico e proporcionador de
discussões, acaloradas, com defensores e detratores desse conceito e
da realidade.
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O conceito de alienação parental foi desenvolvido pelo psiquiatra
americano Richard Gardner (2002) para explicar o fenômeno de crianças
que resistiam à convivência ou ao contato com um dos pais (geralmente
o pai), após a separação. Gardner (2002) cunhou, em conjunto, o termo
Síndrome de Alienação Parental (SAP), que se caracterizava por uma
programação da criança, realizada por um dos pais (alienador), para
rejeitar e contribuir em uma campanha voltada para denegrir o outro pai
(alienado).
Diante do impacto da teoria desenvolvida por Gardner (2002), vários
países criaram legislações específicas para tratar o assunto, inclusive o
Brasil, que possui uma lei específica, que define a alienação parental
como:
Art. 2º - a interferência na formação
psicológica da criança ou do
adolescente promovida ou induzida
por um dos genitores, pelos avós ou
pelos que tenham a criança ou
adolescente sob a sua autoridade,
guarda ou vigilância para que
repudie genitor ou que cause
prejuízo ao estabelecimento ou à
manutenção de vínculos com este.
(LEI 12.318/2010)
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Nessa mesma lei, em seu artigo 5º, fica definido que o juiz poderá pedir
uma perícia psicológica ou biopsicossocial, bem como descritos
aspectos a serem observados (parágrafos 1, 2 e 3).
Entretanto, como dito anteriormente, a síndrome de alienação parental e
mesmo a concepção de alienação parental vem sofrendo críticas e
ponderações ao longo dos anos, tanto no Brasil (DE SOUZA, 2014),
como fora dele (SOTTOMAYOR, 2011; KELLY; JOHNSTON, 2002),
exigindo uma reflexão crítica de todos aqueles que atuam nesse campo
e, mesmo, para além dele, como na psicologia clínica.
Atenção!
Em apertada síntese (para usar um termo muito presente em processos
judiciais), as críticas à alienação parental versam tanto da teoria de
Gardner, que não abarcaria a complexidade do fenômeno, como o
movimento de problematização da judicialização das relações
familiares. Aqui, prudência! Compreender o fenômeno da alienação é
necessário, reconhecendo que ainda deve-se buscar efetivar mais
estudos na área para melhor definição do que seja a alienação e meios
para sua adequada identificação.
Junto à temática da alienação parental, surge a questão das falsas
denúncias de abuso sexual, que muitas vezes permeiam as situações
em que existem acusações de alienação. Nesse momento, vemos uma
interseção do direito civil e criminal, bem como de diferentes
perspectivas da psicologia jurídica, como a psicologia do testemunho.
Síndrome de Alienação
Parental
Neste vídeo, o especialista reflete sobre o movimento de
problematização da judicialização das relações familiares e a Síndrome
de Alienação Parental.

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Atuação no direito do
trabalho e nas varas cíveis
Ainda no âmbito do direito civil, dois outros campos se apresentam para
o psicólogo jurídico: o direito do trabalho e as diversas temáticas das
varas cíveis.
No que diz respeito ao direito do trabalho, a atuação acontece em
processos versando sobre danos psicológicos, que tenham como
possíveis causas doenças ou acidentes no âmbito do trabalho. A seguir,
veremos com mais detalhes dois principais problemas que acontecem
neste meio:
Síndromede Burnout
A partir de 2022, esta síndrome é reconhecida pelo CID-11
como uma doença ocupacional. As empresas começam a ter
mais responsabilidades sobre a saúde mental de seus
profissionais colaboradores, podendo sofrer sanções judiciais,
caso haja o reconhecimento de que essas empresas
contribuíram para o estado de esgotamento físico e mental
característico desse quadro.
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Assédio moral
O mundo do trabalho também vem sendo assolado por estes
problemas, sendo outro campo em que o psicólogo pode vir a
ser chamado para uma avaliação quanto aos danos sofridos
por determinado colaborador e profissional de uma empresa.
Já no âmbito das varas cíveis, o psicólogo é chamado naqueles
processos envolvendo interdição judicial, bem como naqueles versando
sobre eventual dano psíquico que uma pessoa pode ter sofrido em uma
relação com outra pessoa física ou jurídica.
No primeiro caso, a Psicologia se apresenta com seus
conhecimentos, visando avaliar o quanto uma pessoa é
capaz de gerenciar sua vida e seus bens, sendo certo
que, nesse contexto, o psicólogo atuará de forma
interdisciplinar com o psiquiatra.
A avaliação psicológica, no entanto, para além da pessoa, deve envolver
a família e os demais atores que têm contato com o sujeito interditando,
ou seja, do qual se pede a interdição.
Nesse contexto, é importante considerar o Código Civil Brasileiro (Lei
10.406/2002) que, em seu artigo 3º, define quem são as pessoas
absolutamente incapazes, ou seja, aquelas pessoas que não podem
exercer atos da vida civil, como casamento, assinar contratos, abrir
contas etc.
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Já a partir de 2015 teremos outro avanço na nossa legislação: a Lei
Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015),
que inclui a categoria de pessoas relativamente incapazes a certos atos
ou à maneira de os exercer, gerando maior desafio para os psicólogos
na avaliação, mas proporcionando um reconhecimento e mesmo auxílio
para que algumas pessoas possam, em algum nível, exercer com ajuda
de um terceiro, decisões sobre sua vida, principalmente com o
dispositivo da Tomada de Decisão Apoiada.
No que diz respeito à atuação nas varas cíveis, a Psicologia também é
chamada a contribuir com a avaliação de possíveis danos psíquicos
sofridos por uma pessoa, em uma relação com outra pessoa física ou
jurídica.
Exemplo
Imagine que você comprou uma passagem de avião para o casamento
de seu filho e, devido a problemas da empresa aérea, você não
conseguiu embarcar e chegar a tempo para esse evento marcante da
vida de sua família.
Em um eventual processo judicial junto a uma vara cível você poderia
alegar que a situação acarretou um sério estresse e contribuiu para o
desenvolvimento de um quadro depressivo moderado. O juiz, diante
dessa afirmação, pode requerer uma avaliação psicológica para ter
maior convencimento quanto à relação do dano causado pela empresa
aérea e o transtorno mental.
Sob esse aspecto, os autores Lago e Puthin (2020, p. 35), dizem o
seguinte:
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Ações de dano psicológico na
esfera cível, demandam um agente
causador do dano, um sujeito que
sofreu o dano, um nexo causal entre
ambos e um pedido de indenização
pelo dano sofrido
(LAGO; PUTHIN, 2020)
Nesse sentido, o desafio na avaliação psicológica ocorre pelo
questionamento:
É possível estabelecer uma relação causal entre o
trauma e os danos apresentados?
No nosso caso: é possível dizer que o atraso na viagem e consequente
falta ao casamento do filho foi fator causal significante na depressão da
mãe? Fica a provocação para você!
Atuação no direito penal
O direito penal ou criminal é aquele que se debruça sobre os delitos,
sendo caracterizado:
Pelo conjunto de normas que tanto preveem os atos
considerados criminosos como as sanções para
aqueles que cometem tais atos. No direito penal, a
preocupação não é somente na relação entre as
pessoas, mas delas com o Estado, visto que quem
comete um crime pode ser uma ameaça para toda a
sociedade.
Lago e Nascimento (2016) apontam que no âmbito do direito penal, o
psicólogo atua tanto no sistema penitenciário, institutos psiquiátricos
forenses.
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O artigo 149 do Código de Processo Penal (Decreto-Lei 3.689/1941)
dispõe sobre a atuação do perito no âmbito criminal, sendo que o título
da seção é da insanidade mental do acusado.
Nos casos em que a pessoa que cometeu o crime apresenta algum
quadro psicopatológico (por exemplo, algum transtorno mental), após a
avaliação, esses indivíduos são encaminhados para os chamados
institutos psiquiátricos forenses. Assim, Segundo Huss (2011), essas
pessoas são consideradas inimputáveis, ou seja:
[...] não possui um estado mental
básico, exigido pela lei, não podendo
ser considerado culpado ao cometer
o crime.
(HUSS, 2011)
Entretanto, também a atuação do psicólogo acontece no âmbito do
processo penal, nos tribunais, notadamente quanto aos impactos
psicológicos sofridos pela vítima de determinada violência.
Nesse sentido, cresceu ao longo dos anos no Brasil a atuação do
psicólogo no âmbito das vítimas de violência sexual, notadamente
crianças e adolescentes, principalmente naqueles casos em que
vestígios físicos da violência não são detectáveis.
Saiba mais
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Muitas situações envolvendo violência sexual (abuso sexual) contra
crianças e adolescentes não deixam marcas físicas, ocorrendo de forma
sutil, engendrando a criança em um processo denominado grooming e
levando-a a ter dificuldades para revelar o acontecimento.
É relevante considerar também que a maior parte dos abusos sexuais
cometidos contra crianças e adolescentes são cometidos por familiares
ou pessoas muito próximas da família, caracterizando um tipo de abuso
chamado intrafamiliar. Esse fato dificulta a revelação por parte da
criança e contribui também para anos de silêncio, que tendem a agravar
as consequências psicológicas da violência.
Re�exão
Esses casos se constituem como um grande desafio para o psicólogo,
do qual é esperado constatar a veracidade de uma acusação de abuso
sexual, ou seja, os operadores de Direito, ao longo do tempo,
acreditaram que o papel do psicólogo era dizer se ocorreu ou não o
abuso sexual. Você acha que seria possível isso?
No contexto da atuação em casos de violência sexual, a fala das partes
é, muitas vezes, a única informação que está presente, sendo que o
trabalho do psicólogo envolve três pontos:
 Análise do relato dos envolvidos
Em especial da vítima.
 Sintomatologia presente
Ainda que não exista uma sintomatologia exclusiva
de situações de abuso sexual
 Contexto
Em que ocorreu a suposta violência.
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Contribuições da Psicologia para melhores
práticas
Ao longo dos anos, diante do desafio nessa área de interseção entre
Psicologia e Direito, o conhecimento da ciência psicológica tem
contribuído para melhores práticas na área. Aqui citamos algumas:
É a contribuição da Psicologia para o estabelecimentoda Lei
13.431/2017 também chamada Lei da Escuta Especializada, que
se insere no contexto do sistema de garantia de direitos da
criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência.
Essa lei contribui para criação de fluxos específicos de
atendimento de crianças e adolescentes supostamente vítimas
de abuso sexual, evitando o acontecimento recorrente de
revitimizações. Tais revitimizações ocorriam porque,
anteriormente, a criança ou adolescente supostamente vítima de
uma violência sexual era escutada reiteradas vezes, por
diferentes profissionais, em diferentes órgãos, por vários anos,
causando tanto um contínuo sofrimento da suposta vítima
quanto uma progressiva contaminação dos dados (relatos) da
situação.
A Lei 13.431/2017 demarcou duas intervenções importantes: a
escuta especializada e o depoimento especial, sendo que este
último ainda não é unanimidade entre os psicólogos havendo,
por exemplo, questionamentos se é uma prática obrigatória dos
profissionais psicólogos lotados em tribunais de justiça.
De acordo com o artigo 7º da Lei 13.431/2017 a escuta
especializada é definida como: ”O procedimento de entrevista
sobre situação de violência com criança ou adolescente perante
órgão da rede de proteção, limitado o relato estritamente ao
necessário para o cumprimento de sua finalidade.”
O objetivo dessa intervenção é que a criança possa ser escutada
adequadamente, com técnicas que contribuam para melhor
aquisição das informações necessárias para a continuidade de
medidas protetivas para a criança ou adolescente e instauração
de um processo.
Lei da Escuta Especializada 
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É a contribuição da Psicologia para o estabelecimento da Lei
13.431/2017, em que espera-se que a criança possa ser
entrevistada de forma adequada, por exemplo, em um momento
do processo criminal, sendo acolhida em espaço reservado, sem
a presença do suposto abusador e de outras pessoas e tendo um
profissional capacitado (psicólogo ou assistente social) que
conduzirá os procedimentos, em busca a esclarecer a suposta
situação abusiva.
De acordo com o artigo 8º da Lei 13.431/2017: “O procedimento
de oitiva de criança ou adolescente vítima ou testemunha de
violência perante autoridade policial ou judiciária.”
Atualmente, no Brasil, foi desenvolvido o protocolo brasileiro de
entrevista forense com crianças e adolescentes vítimas ou
testemunha de violência, que se apresenta como um modelo de
entrevista flexível, semiestruturado e passível de adaptação ao
desenvolvimento das crianças e adolescentes.
Nesse sentido, o protocolo brasileiro de entrevista forense vem
sendo, sobretudo, usado no depoimento especial, garantindo
melhor aquisição das informações necessárias para a
investigação da suposta situação abusiva.
É uma segunda grande contribuição da Psicologia nessa área do
direito penal, que busca compreender e explicar os processos
implicados no fenômeno do testemunho.
Segundo a psicologia do testemunho, o processo de relatar um
acontecimento passado envolve diversos processos mentais
como: percepção do evento, armazenamento da informação,
recuperação da memória, capacidade para expressar e
motivações para relatar (STEIN; PERGHER; FEIX, 2009).
É importante, portanto, compreender os processos acima para
desenvolver estratégias de entrevista, que contribuam para
melhor aquisição dos dados de memória, evitando tanto
sugestionar uma suposta vítima quanto adquirir dados falsos,
levando, por exemplo, uma pessoa inocente à culpabilização.
Depoimento especial 
Psicologia do Testemunho 
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Estratégias de entrevistas vem sendo desenvolvidas ao longo
dos últimos anos, bem como recomendações de procedimentos
nesses casos.
R E C U R S O N Ã O E N C O N T R A D O
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
No que diz respeito à psicologia jurídica, quais das questões a
seguir apresentam assertivas corretas?
I – A psicologia jurídica é um campo plenamente desenvolvido e
estabelecido, tanto na Psicologia quanto no Direito.
II – A psicologia jurídica se refere apenas às práticas dentro dos
tribunais.
III – A psicologia forense, embora algumas vezes tratada como
sinônimo de psicologia jurídica, acaba se referindo a apenas as
atuações restritas aos fóruns, ou de forma mais ampla, tribunais de
justiça, não englobando toda a gama de possibilidade de atuação
do psicólogo jurídico.
A Apenas a questão I.
B Apenas a questão II.
C As questões I e III.
D Apenas a questão III.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
A afirmativa I é incorreta, pois a psicologia jurídica não é um campo
plenamente desenvolvido e estabelecido, ao contrário, é um campo
em pleno desenvolvimento. A afirmativa II erra ao limitar as práticas
dos psicólogos jurídicos aos tribunais. A afirmativa III é correta
quando demarca que a psicologia forense, embora às vezes tratada
como sinônimo da psicologia jurídica, possibilita o reducionismo do
campo de atuação do psicólogo.
Questão 2
No que diz respeito à relação entre Psicologia e Direito, é correto
afirmar que
E As questões I e II.
A
a Psicologia e o Direito são disciplinas
inconciliáveis, não havendo possibilidade de
atuarem de forma conjunta no estudo do
comportamento humano.
B
a Psicologia é uma ciência bem estabelecida, com
milênios de desenvolvimento, já o Direito enfrenta as
dificuldades com contínuas mudanças legislativas e
culturais.
C
a Psicologia jurídica pode ser compreendida como
auxiliar para o melhor exercício do Direito.
D
o Direito necessita da Psicologia somente em casos
graves, em que haja alta periculosidade de um
criminoso.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
A alternativa A está incorreta, pois afirma serem a Psicologia e o
Direito inconciliáveis, o que não é um fato. A alternativa B é
incorreta, pois afirma ser a Psicologia uma ciência bem
estabelecida, com milênios de desenvolvimento, o que é falso, bem
como erra ao afirmar que o Direito enfrenta dificuldades com
contínuas mudanças legislativas e culturais. A alternativa C está
correta, visto apresentar uma definição possível de psicologia
jurídica como auxiliar do Direito. A alternativa D erra ao reduzir a
atuação da Psicologia no campo do Direito somente a casos graves
de periculosidade. A alternativa E erra ao afirmar que Psicologia e
Direito se debruçam sobre o estudo da mente humana. Ainda que a
Psicologia possa ter como objeto de estudo a mente humana, o
Direito certamente não o terá.
2 - Psicologia e Direito
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os desa�os da
interseção entre Psicologia e Direito.
E
a Psicologia e o Direito se debruçam sobre o estudo
da mente humana, sendo esse o ponto em comum
de ambos.
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Psicologia e Direito: origens
da parceria
Psicologia e Direito certamente possuem aspectos em comum, mas
também aspectos divergentes, sendo que ao mesmo tempo que podem
caminhar de forma a contribuírem para o desenvolvimento comum,
também podem causar retrocessos e dificuldades na consecução de
seus objetivos.
Um dos primeirospontos importantes nesse encontro são os históricos
diferentes de cada uma dessas disciplinas. De acordo com Trindade
(2012):
Nota-se que o Direito tem uma história praticamente milenar, passando
por um contínuo aprimoramento alcançando, por exemplo, o ápice dos
direitos humanos com a Declaração Universal dos Direitos Humanos da
ONU, em que todas as pessoas, independentemente de nacionalidade,
sexo, gênero, raça ou religião são colocados sob o mesmo nível de
igualdade e dignidade.
A Psicologia, por outro lado, embora tenha suas raízes
na Filosofia, como ciência moderna, possui um pouco
mais de um século, sendo que sua relação com o
Direito é ainda mais recente.
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Gomide (2016) afirma que a psicologia jurídica vai surgir do campo da
psiquiatria forense, em que a realização de perícias, a fim de responder
a questões sobre a sanidade mental de uma pessoa, especificamente
sobre aqueles que cometiam crimes, abriu as portas para a entrada dos
psicólogos.
A autora pontua que no fim do século XIX, James Cattell realizou
experimentos, a fim de verificar a acuracidade de testemunhas,
lançando as raízes de uma psicologia do testemunho.
Ainda que a psicologia jurídica tenha começado sua história no fim do
século XIX, seu pleno desenvolvimento, ao menos fora do Brasil,
começou por volta de 1940, quando os psicólogos começaram a ser
chamados como testemunha em tribunais cíveis e criminais,
notadamente na França e nos Estados Unidos.
A seguir, veremos alguns marcos do desenvolvimento da psicologia
jurídica no Brasil:
 Reconhecimento da pro�ssão de
psicólogo em 1962
A psicologia jurídica teve seu tímido
desenvolvimento a partir da Lei 4.119/1962, em que
a profissão passou a ser reconhecida (LAGO et al.,
2009).
 Reconhecida e legitimada como
auxiliar em outras ciências
N §2º d i 13 d f id d l “é
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Com o passar dos anos, essa relação entre Psicologia e Direito vem se
tornando ainda mais estreita, podendo-se perceber, segundo Bicalho,
que esta relação somente se amplia.
Da “psicologia do testemunho”
surgida no final do século XIX às
formulações de depoimentos
No §2º do artigo 13 da referida podemos ler que: “é
da competência do psicólogo a colaboração em
assuntos psicológicos ligados a outras ciências”,
assim, a psicologia passou a ser legitimada, e, o
Direito, foi uma das primeiras áreas em que esse
diálogo aconteceu.
 Desenvolvimento com as atuações
no campo criminal
A psicologia jurídica, inicialmente, ainda que de
modo informal, tinha influência histórica da relação
da Psicologia com o Direito em outros países, bem
como a psiquiatria forense, a atuação dos
psicólogos ocorria no âmbito das avaliações de
criminosos adultos e adolescentes infratores.
 Concurso para pro�ssionais
psicólogos do Tribunal de Justiça
do Estado de São Paulo em 1985
Foi um marco na psicologia jurídica do Brasil, pois,
nesse momento, houve a entrada oficial dos
profissionais da Psicologia no âmbito do Direito em
um grande tribunal do país.
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“especiais ou sem dano” do século
XXI. Dos pareceres técnicos
intitulados exames criminológicos
às práticas de individualização da
pena nos ambientes prisionais. Do
Manual de Psicologia Jurídica,
escrito por Mira y Lopez em 1945, à
atuação do psicólogo no Judiciário,
seja nas varas de família, de
execução penal, da infância,
juventude e do idoso. Do psicólogo
na construção do “perfil psicológico
do terrorista brasileiro” à atuação
com direitos humanos nas
instituições policiais e nas
defensorias públicas. Das práticas
com os “menores” do Código de
1927 à socioeducação com os
adolescentes em conflito com a Lei
do Estatuto de 1990.
(BICALHO, 2016, p. 17)
Psicologia e Direito:
encontros e desencontros
Mas o que têm em comum essas disciplinas com idades tão
diferentes? Conforme afirma Trindade (2012), a Psicologia e o Direito se
preocupam com o comportamento humano e, nesse aspecto, possuem
um ponto de encontro, a seguir veremos mais esta relação.

Psicologia
Há certo consenso de
que o estudo do

Direito
Há um consenso de que
o estudo também se
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comportamento
humano é um dos
principais objetos da
ciência, ainda que a
discussão sobre o
objeto da Psicologia
seja complexa.
debruça sobre o
comportamento
humano, mesmo que
seja na busca por
definir como ele deve se
estabelecer para o bem
comum da sociedade.
Temos, portanto, o ponto em comum dessas duas disciplinas, o
comportamento do homem. Entretanto, podemos dar mais um passo e
afirmar que, para alcançar o seu fim, o Direito necessita da Psicologia,
ou seja, a Psicologia contribui para o ideal de construção de uma
sociedade justa, conforme já visto.
Hoje em dia, mais do que anteriormente, a Psicologia vem contribuindo
com essa tarefa de ajudar uma sociedade a efetivamente ser justa, seja
por meio da atuação nos diversos âmbitos já relacionados ao longo
deste nosso caminho, seja por meio, por exemplo, do estudo da tomada
de decisões por parte de operadores do Direito, compreendendo os
processos mentais que fazem parte desse complexo e importante ato
jurídico.
Nesse sentido, são interessantes as contribuições de Kahneman, Sibony
e Sunstein (2021), em seus estudos sobre o julgamento humano e quais
são os fatores que interferem no mesmo.
Temos, portanto, os pontos de interdependência entre
Psicologia e Direito e demarcamos como a Psicologia
pode contribuir para o Direito. Entretanto, há de se
afirmar também que existem pontos de independência
que devem ser respeitados, sobretudo para que cada
uma dessas disciplinas não seja defraudada pela
outra.

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Assim, Trindade (2012) demarca bem estes pontos de independência,
conforme veremos agora:
Psicologia
Busca ser empirista
corroborando suas
hipóteses por meio da
testagem.
É compreensiva (busca
compreender os
comportamentos e não
os julgar).
Atua por meio da
entrevista e da
testagem.
Direito
É racionalista buscando
alcançar um raciocínio
verdadeiro por meio de
análises lógicas.
É axiológico e valorativo
(realiza julgamentos).
Atua por meio do
interrogatório e do
depoimento.
Percebe-se, portanto, os encontros e desencontros entre essas duas
áreas, que geram desafios na prática cotidiana do psicólogo jurídico. Por
exemplo, quando os operadores do Direito têm a expectativa de que o
psicólogo vá conseguir predizer um comportamento futuro, ou quando
acreditam que o psicólogo é capaz de detectar se uma pessoa está ou
não mentindo.
Interrelações entre Psicologia e Direito.
Ainda que existam aspectos que contribuam para uma melhor detecção
quanto à emissão de fatos verdadeiros ou não por uma pessoa, as

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técnicas psicológicas estão distantes de se efetivarem como um
polígrafo.
Atenção!
Diante desse contexto, é importante que o psicólogo que atua no âmbito
jurídico constantemente faça uma análise crítica de sua práxis,
compreendendo os limites dela. O psicólogo sópode aceitar atuar de
acordo com os princípios fundamentais da ética profissional. Ou seja, o
psicólogo deve considerar as relações de poder nos ambientes
profissionais, posicionando-se de forma crítica em consonância com o
Código de Ética Profissional do Psicólogo.
Permitir que o Direito dite como a Psicologia deve agir pode gerar
caminhos errados, que não concretizarão o ideal de Justiça, ao
contrário, poderão pervertê-la.
Além do conhecimento do Código de Ética Profissional do Psicólogo,
outros conhecimentos são de especial relevância para o psicólogo que
atua no campo jurídico.
O psicólogo jurídico: alguns
desa�os
O simples fato de a psicologia jurídica ser um campo de interseção
entre duas disciplinas, já exige um vasto conhecimento que englobe não
somente aqueles da Psicologia, mas também aqueles vinculados ao
campo do Direito, como legislações específicas, por exemplo.
No dia a dia da práxis do psicólogo jurídico é necessário o
conhecimento de diferentes áreas da Psicologia, como as que são
específicas da linha escolhida pelo profissional, e também das
seguintes áreas:
 Avaliação psicológica
 Psicologia do desenvolvimento
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Além disso, resoluções do Conselho Federal de Psicologia, bem como
as referências técnicas desse órgão sempre contribuem para uma
prática baseada na reflexão e no discernimento dos melhores caminhos
a se tomar.
Provavelmente, um dos aspectos mais importantes é
que o psicólogo que atua no contexto jurídico deve
diferenciar a sua prática daquela desenvolvida no
contexto clínico.
A seguir, vamos apresentar alguns pontos de diferenciação entre essas
duas áreas da Psicologia que nos parece importante.
O primeiro deles, em que já tocamos anteriormente, diz respeito
à perspectiva do cliente e voluntariedade e autonomia, como
pontuam Lago e Puthim (2020).
No âmbito clínico, o cliente ou paciente busca o atendimento (é
voluntário), havendo uma possibilidade maior de colaboração
(autonomia). No campo jurídico, as intervenções acontecem por
uma determinação judicial, ou por encaminhamento de algum
órgão de proteção, sendo que, muitas vezes, a pessoa não
deseja tal intervenção (involuntário) ou a vê como uma ameaça.
É comum que em avaliações, por exemplo, nas varas de famílias,
as partes acreditem que o objetivo da intervenção é verificar se
elas possuem algum distúrbio, havendo maior possibilidade de
manipulação das informações.
Ao mesmo tempo, surge o desafio de engajar aqueles que
passam por uma avaliação psicológica no âmbito jurídico a
 Psicopatologia
 Psicologia da família
Perspectiva do cliente, voluntariedade e autonomia 
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serem protagonistas de sua vida, atuando não como sujeitos
passivos, mas como construtores das decisões que serão,
posteriormente, legitimadas por algum operador do direito.
Um segundo ponto é a validade de informações ou dados
colhidos. No contexto jurídico, é comum que as partes busquem
simular, mentir ou mesmo apresentar informações parciais,
sendo que seu interesse na causa pode gerar maior ou menor
falsificação das informações.
Por exemplo, em uma avaliação quanto a uma situação de maus-
tratos de uma criança, pode ser que os pais busquem minimizar
práticas educativas baseadas na punição física, afirmando que
elas ocorrem esporadicamente, mas sendo na realidade um
ponto comum no dia a dia da família.
Por isso mesmo, as avaliações no contexto jurídico pedem que
múltiplas fontes sejam consultadas, desde os dados presentes
nos processos, por exemplo, como outras pessoas do núcleo
familiar, escolas, órgãos de proteção etc.
Um terceiro ponto desafiador é o tempo para a efetivação das
avaliações. No contexto clínico, há tanto a possibilidade de um
tempo maior para avaliação quanto para reavaliações. Mesmo
nas terapias breves, o tempo de duração é de meses, enquanto
no campo jurídico as avaliações devem ser feitas em um curto
tempo, com prazos, às vezes, de 10 ou 15 dias.
Certamente é um grande desafio da interseção entre Direito e
Psicologia, sendo que, enquanto o Direito trabalha em uma
perspectiva quantitativa, por exemplo, querendo o maior número
possível de processos julgados em um curto espaço de tempo, a
Psicologia engloba uma realidade em que a questão qualitativa
não deve ser desconsiderada, bem como a necessidade de
necessitar de mais tempo para proporcionar uma reflexão e
maior autonomia das partes.
Validade das informações 
Tempo para avaliações 
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Um quarto ponto diz respeito à busca por diagnósticos, sendo
que na psicologia jurídica não será o aspecto principal a ser
observado. Como dissemos, as questões de tempo de
intervenção, a involuntariedade da intervenção e mesmo o
contexto em que ocorrem os procedimentos podem ocasionar
distorções que prejudiquem um melhor diagnóstico.
A necessidade de
conhecimentos especí�cos
O psicólogo jurídico também deve estar atento para a questão da
testagem psicológica, não somente observando os testes validados,
mas aqueles que apresentam pesquisas com a população que utiliza os
serviços nos quais os psicólogos jurídicos atuam. Ao mesmo tempo, é
necessário desconstruir para o público leigo, inclusive os operadores de
direito, a crença de que uma avaliação psicológica somente é robusta se
for acompanhada de testagem psicológica.
Por fim, precisamos considerar a necessidade de
formação contínua do profissional, tendo
conhecimento das diversas legislações no âmbito do
Direito e também da Psicologia.
Nesse sentido, dois aspectos merecem destaque. O primeiro deles diz
respeito aos documentos a serem emitidos pelo psicólogo que realiza
uma avaliação ou intervenção no contexto jurídico.
A resolução CFP 06/2019 apresenta orientações a serem seguidas
pelos psicólogos quanto à elaboração de documentos psicológicos,
destacando os pontos que devem ser obedecidos e a estrutura dos
documentos. É importante o respeito a tal resolução para que se evite a
confecção de documentos inadequados, o que pode incorrer em falta
ética.
Diagnósticos 
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Outro ponto importante é a função do psicólogo como perito e
assistente técnico. A figura do assistente técnico é prevista em lei no
Código de Processo Civil e pode ser sinteticamente descrita como o
perito da parte. Vamos a um exemplo para ficar mais claro!
Exemplo
Lembra-se do caso do casal que move um processo para discutir a
guarda compartilhada dos filhos? Imagine que o juiz determina a
realização de um estudo ou uma avaliação psicológica pela equipe do
Juízo.
Essa equipe é constituída por profissional psicólogo que, sendo um
profissional do Juízo, é considerado imparcial. No entanto, é facultado
às partes apresentarem um assistente técnico, ou seja, um profissional
contratado pela parte para acompanhar ou se manifestar sobre a
avaliação feita pelo perito (psicólogo) do Juízo.
A resolução CFP 08/2010 dispõe sobre a atuação do psicólogo como
perito e assistente técnico no âmbito do Poder Judiciário.
Psicologia jurídica: desa�os e
possibilidades
Você já percebeu que o campo da psicologia jurídica está ainda em
desenvolvimento e que a relação com o Direito possui alguns
desentendimentos.
Entretanto, há um contínuo esforço por novas formas de intervenção
para que a Psicologia, de fato, ajude na concretizaçãodo ideal de
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Justiça almejado pelo Direito.
Nesse sentido, o histórico da psicologia jurídica e sua relação com os
operadores do Direito, muitas vezes resultou na práxis do psicólogo
jurídico relegada à avaliação e emissão de documentos psicológicos.
Entre esses documentos, encontramos o laudo psicológico que é, desde
o campo do Direito, o documento oriundo do trabalho do perito.
Esse reducionismo da atuação do psicólogo no campo
jurídico vem sendo questionado. A práxis reduzida à
perícia não atende a muitas demandas dos usuários
nos diversos âmbitos do sistema de Justiça.
No cotidiano, o psicólogo jurídico, frequentemente se depara com a
tensão da exigência ou a expectativa dos operadores de Direito quanto a
um documento que permita basear uma decisão e a necessidade de
uma intervenção reflexiva, e promova nos usuários do serviço uma
revisão de seus comportamentos e dinâmicas, levando-os a não
depender de uma sentença ou norma para reger suas vidas.
Ao mesmo tempo em que se
multiplicam, de forma dispersa, os
dispositivos de atuação chamados
alternativos (por exemplo:
mediação, justiça restaurativa,
escola de pais, entre outros), são
iniciativas ainda pouco valorizadas
frente a exigência de realização de
perícia, cujo instrumento exerce um
poder de sedução para os
operadores de Direito tal qual fosse
o canto de uma sereia.
(BRANDÃO, 2016, p. 36)
Sendo assim, a psicologia jurídica ainda se digladia com o Direito na
tentativa de demarcar campos de atuação em que haja a promoção do
desenvolvimento das pessoas, levando-as a serem ativas na solução de
seus conflitos.
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Saiba mais
Entre as práticas elencadas, como uma forma diversa da tradicional de
autocomposição, temos a justiça restaurativa, em que as partes de um
conflito (ofensor, vítima, comunidade) são convidadas a solucioná-lo por
meio da atuação de um facilitador (que pode ser um psicólogo), visando
à reparação do dano sofrido pela vítima e à restauração dos vínculos
entre as partes.
A justiça restaurativa também proporciona a possibilidade de reflexão
quanto a uma mudança no paradigma adversarial que, de certa forma,
impregna muitas áreas do Direito, sendo contraproducente, como nos
casos envolvendo questões familiares: guarda e regulamentação de
convivência de crianças e adolescentes.
No âmbito da justiça restaurativa, os aspectos
emocionais e comunitários são levados em
consideração, não se limitando apenas à aplicação da
sanção ou punição daquele que cometeu um delito.
Agora veremos duas práticas restaurativas que vêm sendo amplamente
desenvolvidas no país:
Mediação
É um método autocompositivo para resolução de conflitos,
conforme pontua David (2019, p. 103) busca ser um “método
pacífico e informal de resolução de conflitos, regido por
princípios éticos próprios como a imparcialidade, a
confidencialidade e a autonomia da vontade”.
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Embora não seja atribuição específica do psicólogo a
realização de mediação, ela vem se apresentando como uma
alternativa ao modelo pericial, sendo um espaço no qual o
conhecimento de teorias psicológicas pode contribuir para um
melhor manejo e participação no processo de mediação.
O�cinas de parentalidade
É uma iniciativa difundida em diversos tribunais do país, nas
quais, pais, que movem processos de guarda ou
regulamentação de convivência dos filhos, são convidados a
participar de um grupo reflexivo sobre as práticas parentais e
cuidados importantes nesse momento de sofrimento de todo o
sistema familiar.
As oficinas de parentalidade se apresentam como uma
alternativa interessante a uma abordagem adversarial, tantas
vezes impregnada nos processos judiciais nas varas de família
que, infelizmente, somente contribuem para a solidificação de
mágoas e disfuncionalidades no sistema familiar.
O modelo pericial versus
práticas não reducionistas do
psicólogo jurídico

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Neste vídeo, o especialista reflete sobre o reducionismo do modelo
pericial sobre a psicologia jurídica e a existência de outras práticas mais
integrativas.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Psicologia jurídica teve início no campo da psiquiatria forense, a
partir da realização de perícias e diagnósticos de sanidade mental
em situações criminais, que introduziram os psicólogos nessa
especialidade. Entretanto, existem dados e fatos históricos que
contribuíram para o surgimento da psicologia jurídica. Sobre isso, é
correto afirmar que
A
o Brasil foi pioneiro no desenvolvimento da
psicologia jurídica, sendo um dos primeiros países a
adotar a Psicologia no auxílio da tomada de decisão
no campo Jurídico.
B
os estudos de Cattell, no fim do século XIX,
constituem os primórdios da chamada psicologia do
testemunho.
C
a psicologia jurídica teve seu desenvolvimento
primeiramente relacionado às demandas do direito
civil, como disputa de guarda e adoção.
D
a psicologia jurídica buscou se afastar da chamada
psiquiatria forense, não querendo receber da
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Parabéns! A alternativa B está correta.
O Brasil não foi pioneiro no desenvolvimento da psicologia jurídica.
De fato, os estudos de Cattell sobre a acuracidade de testemunhos
constitui os primórdios da psicologia do testemunho. No entanto, a
psicologia jurídica teve seu desenvolvimento sobretudo relacionado
ao direito criminal (penal), e encontrou espaço na psiquiatria
forense, por meio das perícias. Portanto, não podemos afirmar que
o início da psicologia jurídica no Brasil ocorreu com o concurso do
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo sendo que, desde a lei
que regulamentou a profissão de psicólogo no país, já se via o
desenvolvimento da psicologia jurídica.
Questão 2
Em função das informações estudas sobre psicologia jurídica,
avalie as afirmativas a seguir:
I – A práxis da psicologia jurídica envolve o conhecimento de
diferentes áreas da Psicologia, como psicopatologia, avaliação
psicológica e psicologia do desenvolvimento.
II – A psicologia jurídica pode ser compreendida como apenas a
aplicação da psicologia clínica ao campo Jurídico.
III – Na avaliação psicológica no contexto Jurídico deve-se ter
significativo cuidado com a validade dos dados colhidos, visto a
possibilidade de a pessoa que participa do processo de avaliação
mentir, omitir ou distorcer fatos.
Estão corretas as afirmativas
mesma a influência quanto ao trabalho
especificamente pericial.
E
a psicologia jurídica no Brasil teve seu início com o
primeiro concurso do Tribunal de Justiça do Estado
de São Paulo, em 1985.
A apenas a afirmativa I.
B apenas a afirmativa II.
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Parabéns! A alternativa D está correta.
A afirmativa I está correta visto ser importante o conhecimento de
diferentes áreas da Psicologia e mesmo do Direito para melhor
atuação no campo da psicologia jurídica. A afirmativa II erra ao
afirmar que a psicologia jurídica seria apenas a aplicaçãoda
psicologia clínica ao Direito, sendo que esta concepção é criticada
por diversos autores. A afirmativa III está correta, visto que a
avaliação no campo Jurídico padece dos riscos de tentativa de
manipulação da parte para o alcance de seus próprios interesses.
Considerações �nais
Neste conteúdo, você foi apresentado ao campo de atuação do
psicólogo no contexto jurídico que aqui definimos como psicologia
jurídica, tendo contato com a definição desse campo, seu histórico e
algumas das áreas de atuação.
Também buscamos refletir sobre os desafios que surgem da interseção
entre Direito e Psicologia, destacando a importância de adotar uma
atitude crítica e reflexiva quanto a práxis do psicólogo jurídico.
Esperamos que você tenha se interessado por esse campo da
Psicologia em pleno desenvolvimento e que venha a contribuir
futuramente para uma ampliação e melhoramento dessa área.
C apenas a afirmativa III.
D as afirmativas I e III.
E as afirmativas I e II.
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Podcast
Para encerrar, ouça um resumo do conteúdo estudado, em que o
especialista irá discorrer sobre os conceitos básicos, os encontros,
desencontros, particularidades, práticas e desafios da psicologia
jurídica.

Explore +
Assista ao documentário A Morte Inventada, de Alan Minas (2009), para
saber mais sobre alienação parental
Para compreender melhor a importância de conhecer as formas de
abordar uma criança ou adolescente vítima de abuso, assista ao filme A
Caça, de Thomas Vinterberg (2013).
Conheça o Protocolo Brasileiro de Entrevista Forense com Crianças e
Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência, publicado por
Childhood Brasil, Conselho Nacional de Justiça, Fundo das Nações
Unidas para Infância (UNICEF) e National Children’s Advocacy Center,
em 2020.
Referências
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leis: A psicologia jurídica no legislativo brasileiro. In: BRANDÃO, Eduardo
Ponte (org.). Atualidades em Psicologia Jurídica. Rio de Janeiro: Nau,
2016, p.1-15.
25/09/2024, 21:31 O psicólogo no contexto jurídico
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BRANDÃO, Eduardo Ponte. Uma leitura da genealogia dos poderes
sobre a perícia psicológica e a crise atual na psicologia jurídica.
Atualidades em Psicologia Jurídica. Rio de Janeiro: Nau, 2016, n. p.
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