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Reforma do Estado e políticas públicas - novos contornos institucionais APROFUNDAR A ANÁLISE SOBRE A REFORMA DO APARELHO DE ESTADO NO BRASIL COM FOCO NAS MUDANÇAS RELACIONADAS AOS NOVOS CONTORNOS INSTITUCIONAIS DE PLANEJAMENTO E IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOCIAIS. Reestruturação do aparelho do Estado O Plano Real estabeleceu as bases que conduziram a reforma do aparelho do Estado no Brasil. Esta reforma teve consequências de longo prazo para as políticas públicas implementadas por todos os níveis de governo, sobretudo as políticas públicas sociais. Os fundamentos econômicos e o sucesso do Plano Real se apoiaram nos seguintes fatores: Manutenção do equilíbrio fiscal, impondo severas restrições aos gastos públicos por meio da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) — todos os níveis de governo só podem efetuar gastos respeitando sua respectiva capacidade orçamentária e limitações para contrair novos empréstimos. Renegociação das dívidas públicas dos estados e dos municípios com o governo federal. Remodelação do sistema tributário para acomodar os interesses dos estados, municípios e da União; porém, sem interferir no pacto federativo que prevê políticas federais de distribuição e redistribuição de recursos em razão da persistência das desigualdades regionais. Modernização da administração pública Diante do novo plano de estabilização da economia brasileira, um dos principais desafios impostos os níveis de governo foi o enfrentamento dos gastos públicos, considerando a situação de drástica diminuição dos recursos tributários — em decorrência da recessão econômica que marcou os primeiros anos do Plano Real. No contexto de rápidas e profundas mudanças na economia mundial, advindas com a globalização; o Brasil presenciou o esgotamento das políticas protecionistas. A abertura da economia brasileira foi posta em prática pelo governo Collor de Melo; portanto, antes mesmo do processo de estabilização da economia, agravando ainda mais problema da recessão e do desemprego e o desequilíbrio das contas públicas. Paralelamente ao processo de estabilização da economia, o governo Federal não tardou em projetar um plano de reforma do aparelho do Estado, considerada extremamente necessária e premente já que o Estado brasileiro foi apontado como uma estrutura burocrático-administrativa extensa e ineficiente, que não 18/11/2024, 14:25 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 1/6 [...] cerca de 75% [sic] dos municípios brasileiros arrecada menos de 10% de seus recursos totais e quase 90% dos municípios com população em torno de 10 mil habitantes dependem quase que inteiramente das transferências constitucionais para sua estava mais em condições de regular e estimular as atividades econômicas, de enfrentar os problemas das desigualdades sociais e, por conseguinte, de ser capaz de promover o desenvolvimento sustentável do país no longo prazo. Data desta época o surgimento do termo "neoliberal", que passou a ser amplamente utilizado para caracterizar todas as reformas econômicas e políticas efetivadas no âmbito do governo FHC que, segundo as oposições, beneficiaram os interesses do capital financeiro. Política restritiva de gastos públicos e a busca por eficiência administrativa A política de reforma do Estado foi conduzida para atingir duas metas consideradas prioritárias e integradas: a primeira meta está associada com a diminuição das funções econômicas do Estado, que foi alcançada por meio da privatização de empresas estatais (das áreas de telecomunicações, energia, petroquímica e mineração). A segunda meta foi a reestruturação do conjunto dos órgãos burocráticos que integram o setor público, adotando-se modelos de gerenciamento mais eficientes. Conclui-se, portanto, que, diante da escassez dos recursos tributários, o governo Federal se desfez de parte do patrimônio público com a privatização de empresas estatais (que gerou receitas e diminuiu o tamanho e as funções do Estado) e racionalizou os gastos públicos (com infraestrutura, serviços públicos e políticas sociais). Sem dúvida, os órgãos burocráticos que mais se modernizaram com a reforma do aparelho do Estado foram aqueles que estão ligados às atividades de fiscalização tributária. Hoje, a Receita Federal, por exemplo, é um órgão estatal altamente eficiente. Descentralização administrativa: a divisão de responsabilidades entre os níveis de governo Como parte da política de reforma do Aparelho do Estado, o governo FHC aprovou novas leis que promoveram a descentralização administrativa envolvendo todos os níveis de governo que compõem a Federação. Não obstante, levando em consideração que o país é muito desigual, tanto socialmente como regionalmente, a descentralização administrativa — a partir das divisões das tarefas entre os vários níveis de governo — não garantiu por si só a melhora na eficiência das políticas publicas estaduais e municipais. Essa situação decorre fundamentalmente da incapacidade de um número expressivo de municípios e também alguns estados não disporem nem de recursos e nem mesmo de capacidade administrativa para prover serviços públicos de eficientes e de qualidade. Para se ter uma ideia da situação precária da maioria dos municípios e de boa parte dos estados, basta salientar que um estudo elaborado no ano 2000 mostrou que: 18/11/2024, 14:25 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 2/6 sobrevivência. Em relação aos estados, sete deles arrecadam menos de 0,5% do total de ICMS arrecadado no país. (SOUZA, 2001, P. 20) Com base na situação heterogênea e precária da maioria dos governos municipais e, em menor escala dos governos estaduais, descrita na citação anterior, conclui-se que a descentralização administrativa trouxe resultados muito distintos para as políticas públicas. Como exemplo, pode-se considerar os gastos e a qualidade dos serviços sociais de saúde e educação implementados pelo governo Federal, pelos estados e municípios. Quando comparadas, seriam percebidos distintos graus de eficiência em termos de resultados das políticas públicas de saúde e educação. Sugestão: consulte o portal eletrônico (site institucional) de governos municipais e estaduais e faça um levantamento dos gastos com políticas públicas sociais, observe também se há informações sobre os resultados dessas políticas. A próxima aula dará continuidade às análises sobre os novos contornos institucionais das políticas públicas que tomaram forma com a reforma do aparelho de Estado. Serão estudadas em detalhes as políticas públicas sociais dos governos FHC e Lula. REFERÊNCIA ARRETCHE, Marta. Estado federativo, políticas sociais: determinantes da descentralização. São Paulo: Fapesp, 2003. BARROS, Ricardo Paes de; HENRIQUES, Ricardo; MENDONÇA, Rosane. Desigualdade e Pobreza no Brasil: retrato de uma estabilidade inaceitável. São Paulo. Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 15, n. 42, p. 123¿148, fevereiro de 2000. CARNEIRO, Ricardo. Desenvolvimento em crise: a economia brasileira no último quarto do século XX. São Paulo: Edunesp¿Edunicamp, 2002. COSTA, Nilson do Rosário. A proteção social no Brasil: universalismo e focalização nos governos FHC e Lula. Revista Ciência e Saúde Coletiva, n. 3, vol. 14, p. 693¿704. 2009. GONÇALVES, Maria Flora; BRANDÃO, Carlos Antônio; GALVÃO, Antônio Carlos. (Org.). Regiões e cidades, cidades nas regiões. O desafio urbano-regional. São Paulo: Unesp, 2003. 18/11/2024, 14:25 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 3/6 18/11/2024, 14:25 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 4/6 18/11/2024, 14:25 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 5/6 18/11/2024, 14:25 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 6/6