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Administração da produção Marcos Alberto de Oliveira AD M IN IS TR AÇ ÃO D A PR OD UÇ ÃO Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Simone M. P. Vieira - CRB 8a/4771) Oliveira, Marcos Alberto de Administração da produção / Marcos Alberto de Oliveira. – São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2022. (Série Universitária) Bibliografia. e-ISBN 978-85-396-3616-7 (ePub/2022) e-ISBN 978-85-396-3617-4 (PDF/2022) 1. Administração da produção 2. Gestão da produção 3. Projeto do produto 4. Planejamento, programação e controle da produção (PPCP) 5. Gestão da qualidade 6. Indústria 4.0 I. Título. II. Série.. 22-1652t CDD – 658.5 BISAC BUS087000 Índice para catálogo sistemático: 1. Administração da produção 658.5 2. Gestão da produção 658.5 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO Marcos Alberto de Oliveira M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor do Departamento Regional Luiz Francisco de A. Salgado Superintendente Universitário e de Desenvolvimento Luiz Carlos Dourado Editora Senac São Paulo Conselho Editorial Luiz Francisco de A. Salgado Luiz Carlos Dourado Darcio Sayad Maia Lucila Mara Sbrana Sciotti Luís Américo Tousi Botelho Gerente/Publisher Luís Américo Tousi Botelho Coordenação Editorial/Prospecção Dolores Crisci Manzano Ricardo Diana Administrativo grupoedsadministrativo@sp.senac.br Comercial comercial@editorasenacsp.com.br Acompanhamento Pedagógico Otacília da Paz Designer Educacional Hágara Rosa da Cunha Araujo Revisão Técnica Iramaia Pires de Oliveira Luna Preparação e Revisão de Texto Amanda Andrade Projeto Gráfico Alexandre Lemes da Silva Emília Corrêa Abreu Capa Antonio Carlos De Angelis Editoração Eletrônica Sidney Foot Gomes Ilustrações Sidney Foot Gomes Imagens Adobe Stock Photos E-book Rodolfo Santana Proibida a reprodução sem autorização expressa. Todos os direitos desta edição reservados à Editora Senac São Paulo Rua 24 de Maio, 208 – 3o andar Centro – CEP 01041-000 – São Paulo – SP Caixa Postal 1120 – CEP 01032-970 – São Paulo – SP Tel. (11) 2187-4450 – Fax (11) 2187-4486 E-mail: editora@sp.senac.br Home page: http://www.livrariasenac.com.br © Editora Senac São Paulo, 2022 M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Sumário Capítulo1 Fontes, princípios e conceito da administração da produção, 7 1 Histórico, 8 2 A função da produção, 10 3 O sistema de produção, 13 Considerações finais, 20 Referências, 21 Capítulo 2 Conceitos básicos e estratégias, 23 1 Conceitos básicos de produtividade, 24 2 Estratégias de operações e competitividade, 27 Considerações finais, 36 Referências, 36 Capítulo 3 Projeto do produto e planejamento de capacidade, 37 1 Projeto do produto e do processo, 38 2 Planejamento da capacidade, 46 Considerações finais, 51 Referências, 51 Capítulo 4 Instalações, 53 1 Localização das instalações, 54 2 Arranjo físico das instalações, 65 Considerações finais, 70 Referências, 70 Capítulo 5 Planejamento, programação e controle da produção, 71 1 Conceitos de planejamento, programação e controle da produção, 72 2 Cálculo de necessidades – sistema MRP, 78 3 Kanban e just in time, 81 Considerações finais, 88 Referências, 89 Capítulo 6 Gestão de demanda e estoque, 91 1 Demanda, 92 2 Estoque, 101 Considerações finais, 107 Referências, 108 Capítulo 7 Gestão da qualidade e sustentabilidade, 109 1 Gestão da qualidade, 110 2 Gestão da sustentabilidade, 120 Considerações finais, 125 Referências, 126 Capítulo 8 Indústria 4.0, 127 1 Contexto histórico, 128 2 Fundamentos e conceitos centrais da Indústria 4.0, 132 3 Gestão e desafios da Indústria 4.0, 136 Considerações finais, 142 Referências, 143 Sobre o autor, 145 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 7 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo1 Fontes, princípios e conceito da administração da produção As organizações existem para produzir bens e/ou serviços; dessa forma, todas as atividades relacionadas ao ato de produzir devem ser devidamente gerenciadas. E a maneira pela qual as organizações produ- zem bens e serviços é tratada pela administração da produção. Sendo assim, esse é um assunto de grande relevância, pois remete ao estudo do principal objetivo de uma organização, que é produzir produtos e/ou serviços, visando a entregar valor aos seus clientes. Assim, neste capítulo, vamos estudar a evolução histórica, o concei- to, as funções e o sistema de produção utilizado pelas organizações, independentemente do segmento de atuação. 8 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1 Histórico Para que possamos compreender o conceito e a aplicação da admi- nistração da produção nos dias atuais, é importante que façamos uma breve revisão dos principais marcos históricos que impactaram essa área. É fato que, se analisarmos bem, muitas das atividades realizadas atu- almente nas organizações ainda possuem traços comuns com a coleta de alimentos do homem pré-histórico, a caça, a agricultura, o pastoreio e até com a formação das primeiras cidades, há cerca de 6.000 anos. Entretanto, a Revolução Industrial, com o uso das primeiras máquinas, é considerada um marco histórico importante para a administração da produção (MOREIRA, 2015). Os sistemas de produção sempre existiram – basta observar as pi- râmides egípcias, o Partenon grego, a Grande Muralha da China e os aquedutos e estradas do Império Romano para compreendermos a existência da produção ou de sistemas de produção no cotidiano dos povos da Antiguidade (GAITHER; FRAZIER, 2005). A Primeira Revolução Industrial, iniciada por volta do ano de 1760, na Inglaterra, envolveu dois elementos principais: a substituição da força hu- mana e da água pela força mecanizada e o estabelecimento do sistema fabril ou de produção. É fato que a Primeira Revolução Industrial transfor- mou o mundo, pois impulsionou o que chamamos de produção industrial moderna, com a utilização intensiva de máquinas e a criação de fábricas, reunindo muitos trabalhadores para produzir (GAITHER; FRAZIER, 2005; MOREIRA, 2015). Esse grande número de trabalhadores reunidos em um só local para produzir nas fábricas, com máquinas que permitiama produção em escala, impulsionou a organização dos recursos de uma maneira lógica, para que pudessem produzir os produtos esperados de forma 9Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. organizada. Surgem, assim, os conceitos de divisão do trabalho e de especialização da mão de obra, subdividindo os trabalhos em tarefas menores, com trabalhadores especializados, para obter o melhor de- sempenho possível na realização dessas tarefas (GAITHER; FRAZIER, 2005; MOREIRA, 2015). Vale ressaltar que a Revolução Industrial se espalhou da Inglaterra para outros países europeus e para os Estados Unidos, inicialmente, com a indústria têxtil e, posteriormente, com o desenvolvimento do mo- tor a gasolina e da eletricidade nos anos 1800. Entretanto, o período pós-guerra civil, no início no século XX, marcou uma nova era industrial para os Estados Unidos, que, além do desenvolvimento industrial, tam- bém produziu grandes ferrovias, possibilitando a expansão do capital e o desenvolvimento de novos territórios (GAITHER; FRAZIER, 2005; MOREIRA, 2015). A denominada produção em massa, que foi e continua sendo a mar- ca registrada dos Estados Unidos, simbolizando o seu poder industrial, tem como marco importante a utilização da linha de montagem de au- tomóveis idealizada por Henry Ford, com a aplicação dos princípios da administração científica da produção, elaborada por Frederick Taylor, um engenheiro que criou e implementou princípios para que os siste- mas de produção pudessem ser mais eficientes, racionalizando e de- senvolvendo métodos científicos para a administração da produção nas fábricas americanas (GAITHER; FRAZIER, 2005). O Ford Modelo T, projetado por Henry Ford, era produzido em uma li- nha de montagem que incorporava os principais elementos da adminis- tração científica, como o desenho do produto padronizado, a produção em massa, os baixos custos de manufatura, as linhas de montagem mecanizadas, a especialização da mão de obra e as peças intercambi- áveis. Sem dúvidas, todos esses princípios são utilizados até hoje nos mais diversos sistemas de produção. 10 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Não podemos deixar de destacar também que, durante a década de 1970, houve um declínio dos Estados Unidos, em termos de produtividade industrial e no comércio mundial de manufaturas, e o crescimento de al- gumas potencias nesses aspectos, como Japão – mais especificamente, com o uso do Sistema Toyota de Produção, que se baseia na valorização das pessoas no processo produtivo e na eliminação dos desperdícios. PARA SABER MAIS Para saber mais detalhes sobre cada um dos marcos históricos da ad- ministração da produção, leia o tópico “Marcos históricos na APO” no capítulo 1 (Administração da produção e operações) do livro Administra- ção da produção e operações (GAITHER; FRAZIER, 2005, p. 7-14). Após esse breve histórico, vamos estudar o que é a função produção e qual é o conceito de administração da produção. 2 A função da produção Podemos definir a administração da produção como a atividade responsável pelo gerenciamento dos recursos necessários à produ- ção e disponibilização de bens e de serviços. Em outras palavras, é a administração do sistema de produção de uma organização, que transforma os insumos nos produtos e serviços de uma organização (SLACK, CHAMBERS, JOHNSTON, 2002; GAITHER; FRAZIER, 2005; MOREIRA, 2015). IMPORTANTE A função da produção é a parte da organização responsável pela ativida- de de produzir bens e serviços (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). 11Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Sendo assim, podemos afirmar que a função produção é central para a organização, pois é a responsável pela produção dos bens e serviços, ou seja, é a responsável pela razão da existência de uma organização; é o que produz e entrega valor aos clientes por meio dos bens e serviços oferecidos. Um aspecto importante a ser ressaltado é que nem sem- pre as empresas adotam essa terminologia, ou seja, função produção. Sendo assim, é muito comum a utilização do termo operações para tra- tar a produção dos bens e serviços. Independente de qual seja a terminologia utilizada pela empresa, o importante é compreender a sua importância estratégica, para que a organização possa produzir bens e serviços que entreguem algum tipo de valor aos clientes. Diante dessa importância, e considerando que a administração da produção é um campo funcional de negócios com uma linha clara de responsabilidades administrativas, surge a posição do gerente de pro- dução ou de operações, que é o funcionário da empresa responsável pela administração dos recursos envolvidos na função produção. Vale destacar que essa posição pode receber outras denominações, como gerente de loja em um supermercado, gerente administrativo em um hospital, dentre outras (SLACK, CHAMBERS, JOHNSTON, 2002). A função produção contempla o planejamento, a organização, a dire- ção e o controle das operações produtivas, sempre mantendo o devido alinhamento com os objetivos e estratégias da organização. Sendo as- sim, o bom planejamento é a base para que todas as atividades da área de produção estejam alinhadas aos objetivos propostos, bem como se- jam realizadas no momento certo, para que os resultados esperados sejam alcançados. Esse planejamento e as tomadas de decisão podem ser classifica- dos em três níveis: estratégico, tático e operacional. Vamos entender melhora a abrangência de cada um desses níveis (MOREIRA, 2015): 12 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Nível estratégico: o planejamento e as decisões em nível estraté- gico envolvem um horizonte de longo prazo e, consequentemen- te, um alto grau de risco e de incerteza. Podemos destacar como exemplos a definição de políticas corporativas, a escolha de linhas de produtos, a escolha de local para novas instalações (fábricas, armazéns, centros de distribuição ou unidades de atendimento) e os projetos de novos processos de manufatura, dentre outros. • Nível tático: o planejamento e as decisões no nível tático envol- vem basicamente a alocação e a utilização dos recursos para a produção, são decisões de médio prazo e possuem um grau mo- derado de risco. Como exemplo podemos destacar o planejamen- to agregado de produção, que envolve análises e decisões sobre os níveis de produção para atendimento da demanda de um de- terminado período, bem como as necessidades de materiais, de recursos de fábrica e de pessoal para atender a essa produção. • Nível operacional: o planejamento e as decisões no nível operacio- nal, como o próprio nome diz, envolvem as operações produtivas, ou seja, sãodecisões de curto prazo e com riscos relativamente menores em comparação com os outros níveis. A programação da produção, o controle de estoques e a alocação de carga de tra- balho aos departamentos produtivos são exemplos que ilustram o planejamento e as decisões que ocorrem no nível operacional. IMPORTANTE Para que a área de produção atinja os resultados esperados, é funda- mental que haja um alinhamento entre os planos e decisões dos níveis estratégico, tático e operacional, permitindo que as estratégias defini- das para a área de produção sejam realizadas com assertividade e, prin- cipalmente, tenham a efetividade desejada. 13Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A atividade de controle é de fundamental importância para a avalia- ção de todas as ações desdobradas, independente de qual seja o nível do planejamento ou da decisão. A seguir, vamos estudar o conceito de sistema de produção. 3 O sistema de produção Antes de falarmos sobre os sistemas de produção, é importante retomarmos o conceito de sistema, ou seja, “um conjunto de elemen- tos inter-relacionados com um objetivo comum” (LAUGENI; MARTINS, 2015, p.11). Dentre as maneiras de se abordar a produção, podemos destacar a produção tratada como um sistema. Sendo assim, podemos definir um sistema de produção como o conjunto de atividades e operações inter-relacionadas envolvidas na produção de bens e/ou de serviços (MOREIRA, 2015). Ou seja: todo sistema de produção recebe insumos (materiais, pessoal, capital, serviços públicos e informação), que são as entradas do sistema, e modifica esses insumos utilizando um subsiste- ma de transformação para os produtos e serviços desejados, denomi- nado processo de transformação, gerando as saídas que são os bens e serviços produzidos. Vale ressaltar a importância da existência de um subsistema de controle que verifique se a qualidade o custo e a quanti- dade dos produtos estão de acordo com o que foi especificado (SLACK, CHAMBERS, JOHNSTON, 2002). Entretanto, para que se mantenham competitivas, as empresas ofe- recem aos seus clientes o que se chama de “pacote de valor”. Esse pa- cote de valor geralmente inclui parcelas de serviços, bem como parce- las de bens ou de produtos físicos. Dessa forma, deve-se gerenciar não só as operações para a produção de bens ou produtos como também para a produção de serviços. 14 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Tradicionalmente, os autores e estudiosos sobre o tema tratam de três diferenças principais entre produtos e serviços (CORRÊA; CORRÊA, 2012): • Os serviços são produzidos e consumidos simultaneamente; os produtos, não. • Os serviços precisam da presença do cliente para serem produzi- dos; os produtos, não. • Os serviços são intangíveis e os produtos são tangíveis. 3.1 Serviços são produzidos e consumidos simultaneamente; os produtos, não As implicações de simultaneidade de produção-consumo em servi- ços destacam que os serviços não são estocáveis, enquanto os produ- tos o são. Essa abordagem traz implicações importantes para a gestão da capacidade e da demanda da produção. Por exemplo, uma fábrica pode enfrentar problemas com a elevada demanda de um produto sa- zonal, como os panetones, pois precisaria conhecer previamente a de- manda para produzir antecipadamente os produtos e atendê-la de ma- neira efetiva. Da mesma forma, um hotel pode enfrentar problemas com a elevada demanda de hóspedes em um feriado. Note que, para cada situação, ações deverão ser desdobradas tendo em vista que: não im- porta muito se o resultado será um produto ou um serviço; o importante para a operação será compreender como deverão ser produzidos. As empresas oferecem pacotes de valor que são compostos, na grande maioria das vezes, por produtos e serviços; com isso, mes- mo considerando a diferença em termos de simultaneidade, cada vez mais as empresas buscam implementar ações que permitam a entre- ga do pacote de valor e não de produtos e/ou serviços isoladamente aos clientes. 15Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 3.2 Os serviços precisam da presença do cliente para serem produzidos; os produtos, não A visão tradicional apresentada por diversos autores é que, nas ope- rações de serviço, a presença do cliente se faz necessária, enquanto nas operações que produzem bens físicos, o cliente não precisa estar presente. Entretanto, com o aumento substancial de serviços que são prestados de forma remota, pela internet, por aplicativos, por telefone e outros meios, a presença do cliente nem sempre é requerida para a prestação de um serviço. Isso não significa que o cliente não participa do processo. Na verda- de, o cliente deverá ter algum tipo de interação ou contato com o pres- tador de serviço – por exemplo, vamos pensar no caso de um consu- midor que efetua a compra de um livro pelo site de uma livraria. Nesse caso, o contato do cliente com o prestador de serviço ocorre somente no momento em que ele acessa a página da internet da livraria; a partir da compra, todo o restante do serviço é realizado sem a presença do cliente. IMPORTANTE Vale ressaltar que determinados serviços só podem ser realizados com a presença do cliente, como os oferecidos por uma barbearia, por exem- plo. Para que o serviço seja prestado, o cliente deve participar de todo o processo de realização, ou seja, o serviço é realizado no próprio cliente, que, nesse caso, sairá com a barba feita. Para produtos físicos, a presença do consumidor geralmente não é necessária. Por exemplo, a produção de uma caneta, com certeza, não conta com a presença do cliente. Entretanto, esse cliente teve contato com o serviço de distribuição prestado pela loja ou papelaria em que a caneta foi adquirida por ele. Desse modo, tanto operações fabris podem 16 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .ter mais ou menos a presença dos consumidores como também as operações de serviço poderão ter diferentes graus de frequência e in- tensidade de contato com o cliente, de acordo com as características de cada tipo de negócio. 3.3 Os serviços são intangíveis e os produtos são tangíveis Esse aspecto também é apontado como um fator diferenciador en- tre as operações fabris e as operações de serviços. Há uma linha de raciocínio de que os produtos são tangíveis, pois tem existência física, e os serviços são intangíveis, porém, devemos ter muito cuidado ao reali- zar essa diferenciação. Tomando como exemplo um software: ele pode ser listado, armazenado, corrigido e transportado, ou seja, parece um serviço, pela intangibilidade; entretanto, considerando outros aspectos, ele parece um produto físico, afinal é estocável, transportável, produzido e consumido em momentos diferentes.Dessa forma, o que interessa para a adequada gestão da operação são as questões da maior ou me- nor intangibilidade dos componentes dos pacotes de valor oferecidos ao mercado, ou seja, seus produtos e/ou serviços. Com isso, podemos afirmar que os sistemas de produção devem ser gerenciados de forma a considerar aspectos como a simultaneidade com que as operações acontecem e os produtos e serviços são entregues, o grau de contato com o cliente durante a operação e a tangibilidade ou não dos produtos e/ou serviços que serão oferecidos. Até porque o maior desafio para operação está relacionado com a entrega de produtos e/ou serviços cujo valor seja percebido pelo mercado. As estratégias de operações, bem como os processos produtivos para a obtenção dos produtos e serviços, mudam de uma empresa para outra; entretanto, é possível estabelecer um sistema genérico de produção. 17Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. A figura 1 apresenta um esquema genérico de um sistema de produção. Figura 1 – Modelo genérico de um sistema de produção Entradas Externas Legais/políticas Sociais Econômicas Tecnológicas Mercado Concorrência Informação sobre o produto Desejos do cliente Recursos primários Materiais e suprimentos Pessoal Capital e bens de capital Serviços públicos Saídas Saídas diretas Produtos Serviços Saídas indiretas Impostos Remunerações e salários Desenvolvimento tecnológico Impacto ambiental Impacto sobre o empregado Impacto sobre a sociedade Subsistema de controle Informação de feedback Subsistema de transformação Físico (manufatura, mineração) Serviços de locação (transportes) Serviços de troca (vendas no atacado e no varejo) Serviços de armazenamento (armazéns) Outros serviços privados (seguros, finanças, imobiliários, de pessoal, etc.) Serviços governamentais (municipal, estadual, federal) Fonte: adaptado de Gaither e Frazier (2005, p. 15). O sistema de produção sofre influências de dentro e de fora da em- presa, e essas influências podem afetar o seu desempenho. Por isso, o sistema de controle, por meio da informação de feedback, representa um aspecto fundamental para que se tenha o devido monitoramento dos três elementos do sistema de produção, ou seja, das entradas, do subsistema de transformação e das saídas. Com esse subsistema de controle, é possível assegurar que as programações sejam cumpridas, que os padrões sejam obedecidos, que os recursos estejam sendo usa- dos de forma eficaz e que a qualidade desejada para os produtos e ser- viços seja obtida (MOREIRA, 2015). Entretanto, avaliando melhor a importância de cada componente de entrada, devemos destacar que os insumos externos, os insumos de 18 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .mercado e os recursos primários são de fundamental importância para o subsistema de transformação, pois são essenciais para nortear as de- cisões relacionadas à produção e os recursos primários fundamentais para a obtenção dos produtos e dos serviços (GAITHER; FRAZIER, 2005). Já os produtos diretos dos sistemas de produção podem ser tanto tangíveis como intangíveis. Como exemplos de produtos tangíveis que são produzidos diariamente temos os automóveis, os notebooks, as bicicletas, as roupas, os sabonetes, dentre tantos outros produtos. Da mesma forma, muitos produtos intangíveis dos sistemas de produção são obtidos diariamente por meio dos diversos tipos de serviços que são prestados; sendo assim, podemos destacar os serviços de telefo- nia, de educação, de estética, de coleta de lixo, de assessoria contábil, de assistência médica, os serviços bancários, de segurados, de hospe- dagem, de transporte, etc. (GAITHER; FRAZIER, 2005). Não podemos deixar de considerar também os produtos indiretos dos sistemas de produção, ou seja, estamos nos referindo aos impos- tos, lixo e poluição, avanços tecnológicos, remunerações e salários e atividades de alcance comunitário. Por esses exemplos, é fácil perce- ber que esses resultados indiretos podem tanto ser motivo de orgulho como de preocupação; por isso, é muito importante para a organização controlar também essas saídas dos subsistemas de produção, para que sejam gerenciados da maneira mais adequada possível. Um aspecto primordial a ser considerado é que toda organização tem pelo menos um sistema de produção. Sendo assim, podemos afir- mar que existem diversos tipos de sistemas de produção, entretanto, deve-se compreender que a maneira pela qual o sistema de produção se manifesta como parte de uma organização difere consideravelmente de uma empresa para outra. No quadro 1, apresentamos as diferenças no sistema de produção entre distintas organizações de diversos segmentos. 19Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 1 – Exemplos de sistemas de produção EMPRESA ENTRADAS SUBSISTEMAS DE TRANSFORMAÇÃO SAÍDAS Loja de departamentos Prédio, vitrines, cartões de compra, máquinas, produtos em estoque, pessoal, suprimentos, serviços públicos, clientes Atrai clientes, armazena bens, vende produtos Bens comercializados Fábrica de automóveis Peças compradas, matéria- prima, suprimentos, pinturas, ferramentas, equipamentos, pessoal, prédios, serviços públicos Transforma matéria-prima em automóveis acabados por meio de operações (físicas) de fabricação e montagem Automóveis Instituição de ensino Estudantes, livros, suprimentos, pessoal, prédios, serviços públicos Transmite informações e desenvolve habilidades e conhecimentos Pessoas instruídas Lanchonete fast food Carne, pão, verduras, temperos, suprimentos, pessoal, serviços públicos, máquinas, caixas de papelão, embalagens para transporte, guardanapos, prédios e clientes Transforma matérias-primas em produtos e pacotes (físicos) de fast food Clientes satisfeitos e produtos de fast food Departamento de polícia Suprimentos, pessoal, equipamentos, automóveis, mobiliário de escritório, prédio, serviços públicos Prevenção de crimes, solução de crimes, coleta de informações e prisão de criminosos Níveis de violência aceitáveis e comunidades pacíficas Companhia aérea Aeronave, piloto e equipe de bordo, equipe de terra, passageiros, carga, suprimentos, serviços públicos Realização do check-in dos passageiros, transporte dos passageiros e cargas ao destino definido, cuidados com os passageiros durante a viagem Passageiros e carga transportados ao destino final definido Fonte: adaptado de Gaither; Frazier (2005, p. 17) e Slack; Chambers; Johnston (2002, p. 13). Observando os exemplos apresentados, fica fácil perceber como os sistemas de produção existem de maneiras diferentes em empresas diferentes, entretanto, é fato que, em todas as empresas, observamos pelo menos um sistema de produção. 20 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e oc om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Por fim, podemos dizer que todas as atividades desenvolvidas por uma empresa para que possa atender aos seus objetivos de curto, mé- dio e longo prazos se inter-relacionam, muitas vezes de maneira bastan- te complexa – ou seja, essas atividades, visando a transformar insumos (como as matérias-primas) em produtos acabados e/ou serviços, sem- pre consomem recursos, entretanto, nem sempre agregam um valor ao produto final que seja realmente percebido pelos clientes. Dessa forma, a gestão eficaz dessas atividades constitui o principal objetivo da ad- ministração da produção sempre visando a obter os resultados espera- dos pela organização, direcionando as ações para que o valor agrega- do pelo sistema de produção seja percebido pelos clientes (LAUGENI; MARTINS, 2015). PARA PENSAR Faça uma rápida pesquisa na empresa onde você trabalha e tente desco- brir qual ou quais são os sistemas de produção existentes. Considerações finais Neste capítulo, foi possível compreender a importância da administra- ção da produção para que as organizações se mantenham competitivas. Afinal, se todas as empresas possuem pelo menos um sistema de produção, e se esses sistemas de produção são os responsáveis pela realização das atividades que entregam os produtos e/ou serviços que a empresa oferece ao mercado, é fundamental que sejam adotadas es- tratégias que permitam a boa gestão da produção. Se a administração da produção contribui diretamente para que os produtos e/ou serviços estejam à disposição dos clientes, compete aos gestores desdobrar as ações necessárias para que essa função dentro 21Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. da empresa seja muito bem gerenciada e controlada e os resultados almejados pela organização sejam atingidos. Referências CORRÊA, Henrique; CORRÊA, Carlos. Administração da produção e operações. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2012. GAITHER, Norman; FRAIZER, Greg. Administração da produção e operações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. LAUGENI, Fernando Piero; MARTINS, Petrônio Garcia. Administração da produção. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da produção e operações. 3. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2015. SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Robert. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 2002. 23 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 2 Conceitos básicos e estratégias Com o objetivo de obter vantagens competitivas, as organizações buscam cada vez mais oferecer valor aos clientes, otimizando proces- sos, reduzindo custos e aproveitando da melhor maneira possível todos os recursos disponíveis para a produção de bens e/ou serviços. Dessa forma, cada empresa procura adotar as estratégias para a produção que sejam adequadas à sua realidade e que, de algum modo, possam entregar ao mercado bens e/ou serviços cujo valor agregado seja percebido pelos clientes. Sendo assim, neste capítulo, vamos estudar o conceito de produtivi- dade e sua aplicação na produção, bem como as estratégias de produ- ção que podem ser adotadas pelas empresas para que se mantenham competitivas no mercado. 24 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1 Conceitos básicos de produtividade Para que as organizações possam se manter competitivas no mer- cado, é fundamental que suas operações sejam realizadas ao menor custo possível, desde que sejam compatíveis com os níveis de qualida- de, confiabilidade, flexibilidade e velocidade esperados pelos seus clien- tes (SLACK, CHAMBERS, JOHNSTON, 2002). Nesse cenário, é importante que as empresas avaliem a eficiência de suas operações e, para essa finalidade, é utilizada uma medida de desempenho denominada produtividade. É por meio da produtividade que os gestores de produção conseguem avaliar o quão bem estão uti- lizando os seus recursos. Assim, é muito comum encontrar programas voltados à melhoria da produtividade nas empresas, até porque avaliar e comparar esse indicador com os de outras empresas, concorrentes ou não, tornou-se uma ação que já faz parte do cotidiano dos gestores de produção. Basicamente, esse tipo de programa compreende quatro etapas: medida, avaliação, planejamento e melhoria da produtividade (LAUGENI; MARTINS, 2015). Podemos definir produtividade como sendo “a quantidade de pro- dutos ou serviços produzidos com os recursos utilizados durante um intervalo de tempo (GAITHER; FRAZIER, 2005, p. 458).” Considerando que essa relação pode ser transformada em uma equação, temos: Produtividade Quantidade de recursos utilizados Quantidade de produtos ou serviços produzidos = Para compreender o conceito de produtividade, imagine que, no dia de hoje, uma fábrica de suco de laranja produziu 16.000 litros de suco, contando com 20 funcionários que trabalharam em um único turno de 8 25Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. horas. Podemos afirmar que, no dia de hoje, a produtividade da fábrica, em relação ao recurso mão de obra, foi de 800 litros/funcionário: Produtividade da fábrica em relação à mão de obra = . funcioná rios litros de suco 20 16 000 = 800 litros/funcionário/Produtividade da fábrica em relação à mão de obra litros funcionário800- - = = Utilizando a equação para o cálculo da produtividade da fábrica em relação ao recurso tempo, temos o valor de 2.000 litros/hora: Produtividade da fábrica em relação ao tempo = . horas litros de suco 8 16 000 = = 2.000 litros/hora. /Produtividade da fábrica em relação ao tempo litros hora2 000= Podemos afirmar, ainda, que a produtividade da fábrica foi de 100 li- tros por hora para cada funcionário, considerando que cada funcionário produz 800 litros por dia e trabalha 8 horas por dia. Podemos observar que, embora essas sejam informações impor- tantes para avaliar a eficiência da utilização dos recursos, se empre- gadas de maneira isolada, elas podem não fazer muito sentido. Será que a produtividade por funcionário no dia de hoje foi boa? Será que poderia ter sido maior? A avaliação dessas medidas fará maior sentido quando comparadas na linha do tempo ou à um parâmetro (uma média). Assim, se o gestor sabe que a produtividade média da fábrica é de 120 litros por hora para cada funcionário, e no dia de hoje foi de apenas 100 litros por hora para cada funcionário, ele percebe a queda de produtividade e pode avaliar as possíveis causas. IMPORTANTE A produtividade deve sempre ser avaliada considerando um período de tempo, ou seja, um ano, um mês, um dia ou uma hora. Além disso, deve sempre ser comparada com outra medida, sendo avaliada em um perío- do de mesma duração (MOREIRA, 2015). 26 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ãoa D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .É sempre útil medir a produtividade em termos absolutos, principal- mente quando a intenção da empresa é destacar o rendimento de um insumo em particular; entretanto, vale ressaltar que, muitas vezes, ob- servar a variação do índice de produtividade ao longo do tempo pode ser uma informação muito importante para que a empresa possa desdobrar as ações necessárias para manter a produtividade (MOREIRA, 2015). A maneira pela qual a empresa mede ou avalia a sua produtividade pode variar bastante de uma organização para outra, pois existem diver- sas formas de avaliação da produtividade, cada uma com as suas van- tagens e desvantagens. No entanto, é fato que, independente de qual seja a forma para a medição e/ou avaliação da produtividade, existe um consenso sobre os benefícios que podem ser obtidos pela empresa quando ela consegue aumentar a sua produtividade – dentre eles, po- demos destacar o aumento no lucro, salários maiores para os colabo- radores da empresa e preços menores para os produtos e/ou serviços produzidos, além de um impacto positivo no nível de vida da sociedade (LAUGENI; MARTINS, 2015). NA PRÁTICA Se a produtividade de um recurso é a quantidade de produtos ou ser- viços produzidos em um intervalo de tempo dividido pela quantidade necessária desse recurso, podemos afirmar que a produtividade de cada recurso pode e deve ser medida. Sendo assim, podemos apresen- tar como exemplos de medidas que podem ser utilizadas para avaliar a produtividade em um intervalo de tempo (GAITHER; FRAZIER, 2005): • Capital: o valor de produtividade pode ser obtido pelo número de produtos produzidos dividido pelo valor do ativo. • Materiais: a produtividade pode ser obtida pelo número de produ- tos produzidos dividido pelo dinheiro gasto em materiais. • Mão de obra direta: o valor de produtividade pode ser obtido pelo número de produtos produzidos dividido pelas horas de mão de obra direta. 27Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Gastos gerais: a produtividade pode ser obtida pelo número de produtos produzidos dividido pelo dinheiro despendido com gastos gerais. Já falamos sobre a medida da produtividade da organização; agora, vamos estudar a medida da produtividade no âmbito nacional. A pro- dutividade nacional é medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, que periodicamente disponibiliza esses indicadores. Dentre os indicadores, podemos destacar o Produto Interno Bruto, ou PIB (soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, geralmente no período de um ano), e esse mesmo indicador dividido pela população do local analisado se torna o chamado PIB per capita, indicador da produtividade da mão de obra. Os órgãos de classe também divulgam seus indicadores, como o produto interno industrial e o produto interno agrícola, dentre outros (LAUGENI; MARTINS, 2015). É importante ressaltar que existem fatores que afetam a produtivi- dade da mão de obra. Dentre eles, podemos destacar: o desempenho do empregado no trabalho, a tecnologia, as máquinas, as ferramentas, os métodos de trabalho que sustentam e auxiliam a atuação dos cola- boradores e a qualidade de produto (GAITHER; FRAZIER, 2005, p. 461). Agora que já conhecemos o conceito de produtividade, vamos estu- dar a seguir as estratégias de operações para que a organização seja competitiva. 2 Estratégias de operações e competitividade Assim como outras funções da organização, a função produção deve primeiro ter clareza sobre o seu papel e sua importância dentro do negócio para que possa estabelecer seus objetivos de desempenho e formular um conjunto de princípios norteadores para a tomada de deci- são (SLACK, CHAMBERS, JOHNSTON, 2002). 28 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Sabemos que toda empresa tem como sua razão de existência a produção de bens e/ou serviços que tenham valor agregado ao consu- midor. Dessa forma, o grande desafio e principal objetivo está em obter um diferencial competitivo na fabricação de produtos ou na prestação de serviços (LAUGENI; MARTINS, 2015). O desenvolvimento de uma estratégia de operações deve ser norte- ado pela missão corporativa, ou seja, pelo conjunto de metas de longo prazo da organização, o que também inclui o tipo de negócio em que a organização pretende atuar, quem são os clientes, as convicções bási- cas a respeito dos negócios e as metas de sobrevivência, crescimento e lucratividade. A partir dessa missão, são definidas as estratégias de ne- gócios para que a missão seja realizada. Para tanto, deve-se avaliar as condições comerciais globais, para que sejam identificadas as oportu- nidades e as ameaças relacionadas ao mercado e à concorrência, bem como aos fatores econômicos, sociais, políticos, tecnológicos, legais e ambientais (GAITHER; FRAZIER, 2005). Com isso, é possível identificar quais são as competências essenciais ou as fraquezas que estão associadas à capacidade da organização em captar ou não o mercado. Afinal, nenhuma empresa pode simplesmente escolher o mercado em que pretende atuar sem considerar as próprias habilidades para a produção de produtos e serviços que satisfaçam as necessidades do mercado. Como exemplos de competências essen- ciais, podemos destacar: tecnologias avançadas de produção; força de trabalho capacitada e comprometida com os resultados; capacidade de lançar novos produtos e/ou serviços no mercado em um curto espaço de tempo; e força de vendas atuante e comprometida, dentre outros (GAITHER; FRAZIER, 2005; SLACK, CHAMBERS, JOHNSTON, 2002). Assim, podemos dizer que o foco de uma estratégia de negócios consistente para a empresa deve buscar maneiras para que suas com- petências essenciais sejam capitalizadas, além de novas competências 29Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. que possam ser desenvolvidas, visando não só a manter o mercado já conquistado como também desenvolver novos mercados, o que de- mandará a definição de estratégias de operações que sejam efetivas para o negócio. Podemos definir estratégia de operações como um plano de ação de longo prazo para a produção de bens e/ou serviços de uma empresa, uti- lizando os recursos da melhor maneira possível, para que possam apoiar as estratégias de negócios da organização. Ela constitui um mapa que contempla tudo que a função produção deverá fazer para que as estra- tégias sejam realizadas com a eficiência e a eficácia desejadas (CHASE; JACOBS; AQUILANO, 2006; GAITHER; FRAZIER, 2005). É importante esclarecer uma dúvida que geralmente surge quando se aborda o tema estratégia de operações. Geralmente, quando trata- mos do tema operações ou produção, o associamos à produção ou entrega de bens e serviços, o que dá uma conotação mais operacio- nal que estratégica. Pois bem, aqui devemos ressaltar que produção ou operações nãoé sinônimo de operacional, ou seja, o termo produção ou operações está relacionado com os recursos que criam produtos e serviços. Quando se trata do operacional, estamos nos referindo às ati- vidades diárias e detalhadas. Dessa forma, podemos examinar tanto os aspectos operacionais como os estratégicos de uma operação (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). Para que a definição de uma estratégia de operações seja abrangen- te, a empresa deve considerar os seguintes aspectos, também chama- dos de objetivos de desempenho, para a definição de objetivos e diretri- zes para as operações (LAUGENI; MARTINS, 2015): • Custos: produzir bens e/ou serviços ao menor custo possível deve ser um objetivo permanente para qualquer tipo de organização. É importante ressaltar que custos menores contribuem para que a empresa comercialize seus bens e/ou serviços a preços de ven- da menores, o que contribui diretamente para a competitividade, 30 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . tendo em vista que o preço é sempre um fator decisório impor- tante para o cliente. • Qualidade: produzir bens e/ou serviços com qualidade reduz os custos de produção e afeta a satisfação dos clientes, o que res- salta a importância da qualidade para que se obtenha alguma vantagem competitiva. • Prazos de entrega: é fato que os clientes desejam receber os pro- dutos e/ou serviços sempre com o menor prazo de entrega possí- vel; sendo assim, quanto menor o prazo de entrega, maior será a satisfação do consumidor. Para a empresa, os prazos de entrega menores poderão contribuir para que os estoques intermediários sejam reduzidos ou até eliminados, bem como o giro dos estoques será maior, impactando diretamente a receita da empresa. • Flexibilidade: a capacidade que a empresa tem para se adaptar rapidamente às mudanças e às tendências do mercado é cha- mada de flexibilidade. A empresa deve ter agilidade para desen- volver seus produtos e/ou serviços e atender às necessidades dos seus clientes. É fato que a flexibilidade pode ser uma fonte de vantagem competitiva para uma empresa, uma vez que, sen- do ágil e flexível, ela poderá sair na frente da concorrência. • Inovação: dentre os principais desafios para a área de operações está a capacidade de se antecipar às necessidades de seus clien- tes. A capacidade de inovar em um curto espaço de tempo pode ser fonte de vantagem competitiva para a empresa. • Produtividade: a dimensão de produtividade deve ser considera- da em todas as atividades da empresa para que ela se mante- nha competitiva no mercado. É importante ressaltar que todas as decisões devem ter uma relação custo/benefício favorável, pelo menos a médio e longo prazos. 31Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Tecnologia: considerando que as tecnologias mudam em um curto espaço de tempo, a empresa deve ser muito assertiva na escolha daquelas que permitam a produção de bens e/ou servi- ços em um certo período de tempo. Essa escolha também deve estar associada à condição assumida pela empresa em relação ao tema, ou seja, ser uma líder em tecnologia, ou uma seguidora. E é fato que o uso de tecnologias que facilitem o acesso e o uso dos produtos e serviços por parte dos clientes pode ser fonte de vantagem competitiva. A estratégia de operações de uma empresa deve estar alinhada com a estratégia de negócios, para que os objetivos sejam atingidos. A chave do sucesso para as estratégias de operações está em identificar quais são as escolhas de prioridade competitiva (objetivos definidos pela em- presa para competir no mercado, como custo, qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade) e entender as consequências dessas esco- lhas, bem como compreender quais são as ameaças e oportunidades oriundas do mercado e os riscos e oportunidades associados à decisão. Nesse contexto, podemos destacar quatro perspectivas diferentes para a definição de uma estratégia de operação (SLACK, CHAMBERS, JOHNSTON, 2002): • Top-down – quando a estratégia de produção é um reflexo “de cima para baixo” do que o grupo ou negócio todo deseja fazer, ou seja, o que a empresa deseja que as operações façam. • Bottom-up – quando a estratégia de produção é uma atividade “de baixo para cima” em que as melhorias da produção, cumula- tivamente, constroem a estratégia, ou seja, o que as experiências diárias sugerem que as operações deveriam fazer. • Requisitos do mercado – quando a estratégia de operações envolve a tradução dos requisitos do mercado em decisões de 32 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . produção, ou seja, o que o posicionamento de mercado requer que as operações façam. • Recursos de operações – quando a estratégia de operações en- volve a exploração das capacidades dos recursos da produção em mercados escolhidos pela empresa, ou seja, o que os recur- sos de operações podem fazer. Vale ressaltar que essas quatro perspectivas isoladas não fornecem uma visão geral do que seja a estratégia de operações; entretanto, se analisadas conjuntamente, poderão oferecer informações relevantes sobre as pressões em jogo para que a empresa possa definir suas es- tratégias de operações. PARA SABER MAIS Sobre as quatro perspectivas para a definição das estratégias de produ- ção, leia o tópico “Estratégias de produção”, no capítulo 3 (Estratégias de produção) do livro Administração da produção (SLACK; CHAMBERS, JOHNSTON, 2002, p. 61). Após a definição de uma estratégia de operações, é importante con- siderar os seguintes elementos para que a produção possa realizá-la: o posicionamento do sistema de produção, o foco da produção, os planos de produto/serviço, os planos de processo e tecnologia de produção, a alocação de recursos para alternativas estratégicas e os planos para as instalações, como a capacidade produtiva, a localização e o layout do processo produtivo. A seguir, vamos entender melhor cada um desses elementos (GAITHER; FRAZIER, 2005). • Posicionamento do sistema de produção: para que se possa posicionar o sistema de produção, deve-se escolher o design do produto (personalizado ou padronizado), o tipo de sistema de pro- cessamento da produção (focalizado no produto ou focalizado no 33Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. processo) e o tipo de política de estoques de produtos acabados para cada grupo (ou seja, produzir para estoque ou sob encomen- da), considerando a estratégia de negócios. • Foco da produção: uma fábrica que se concentra na produção de uma combinação (mix) de produtos definidos para um nicho de mercado particular terá um desempenho superior à planta conven- cional, que tenta uma abordagem mais ampla. É fato que, além da produtividade obtida pelo uso de equipamentos, sistemas de su-porte e procedimentos voltados às tarefas para o mix de produtos, pode-se obter custos menores se comparados aos custos de ope- ração de uma fábrica convencional sem um foco específico. • Planos de produto/serviço: uma etapa muito importante para a estratégia de negócios de uma empresa são os planos para pro- jetar, desenvolver e introduzir novos produtos e serviços no mer- cado. Assim, podemos dizer que as estratégias de operações são diretamente afetadas pelos planos de produto/serviços, pois: ◦ nos projetos de produtos, todas as suas características deta- lhadas são definidas; ◦ cada característica do produto afeta diretamente a maneira pela qual o produto será produzido; e ◦ a maneira pela qual um produto é produzido determina qual será o design do sistema de produção, ou seja, estabelece como deverá ser o sistema de produção para aquele determi- nado produto. • Planos de processo e tecnologia de produção: definir como os produtos serão produzidos é fundamental para a escolha da es- tratégia de operações. Para tanto, é fundamental que cada de- talhe do processo produtivo e das instalações seja muito bem planejado. Como a variedade de tecnologias de produção dispo- níveis para criar produtos e serviços é cada vez maior, compete a cada empresa estabelecer os próprios processos de produção, 34 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .utilizando as tecnologias disponíveis que se adequem melhor às suas necessidades de produção. • Alocação de recursos para alternativas estratégicas: levando em conta que todas as empresas possuem algum tipo de limita- ção em relação aos recursos, deve-se considerar que isso exer- ce forte impacto sobre os sistemas de produção das empresas. Sendo assim, os recursos devem ser divididos, ou distribuídos, entre os produtos, as unidades comerciais e os projetos ou opor- tunidades de lucro, de tal forma que possam maximizar a reali- zação dos objetivos das operações. Assim, as decisões sobre o uso de fundos de capital, capacidade produtiva, laboratórios de pesquisa, trabalhadores, máquinas, equipamentos, matérias-pri- mas e outros insumos podem ser consideradas como decisões estratégicas para a área de operações de uma empresa. • Planos para as instalações – a capacidade de fornecimento de produção de longo prazo para que uma empresa possa criar pro- dutos e/ou serviços é uma informação primordial para a definição da estratégia de operações. Sendo assim, toda e qualquer decisão relacionada à aquisição de equipamentos de produção, novas ins- talações ou fábricas, bem como a definição do seu arranjo físico (layout) são muito importantes para o sucesso das estratégias de operações, até porque essas decisões têm efeitos duradouros e, portanto, estão sujeitas a grandes riscos. Se uma decisão ruim for tomada, ou se as circunstâncias mudarem após a empresa ter se comprometido com determinada alternativa, ela terá de arcar com os resultados dessas decisões durante muitos anos. Vale ressaltar que a maior parte dos elementos da estratégia de ope- rações podem ser aplicados também nas operações de serviços; entre- tanto, deve-se considerar algumas particularidades dos serviços: são intangíveis, não podem ser estocados, demandam um maior contato de quem presta ou produz o serviço com o cliente, geralmente possuem um tempo menor para a realização da operação, dependem muito da 35Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. mão de obra e, como principal desafio, a qualidade de serviço é determi- nada pelo cliente de maneira subjetiva. Dessa forma, as principais prioridades competitivas para os servi- ços são: baixos custos de produção, entregas rápidas e no tempo certo, produtos/serviços de alta qualidade e serviço ao cliente demonstrando capacidade para, quando necessário, mudar rapidamente a operação, sempre visando atender às necessidades dos consumidores (GAITHER; FRAZIER, 2005). Com isso, as estratégias de posicionamento para os serviços devem considerar qual é o tipo de design de serviço, levando em conta as di- mensões envolvidas – ou seja, serviço padrão ou personalizado, grau de contato com o cliente e combinação de bens físicos e serviços intan- gíveis. Também deve-se considerar o tipo de processo de produção do serviço, ou seja, a chamada quase-manufatura, em que o cliente é um participante (como em uma lanchonete de fast food) ou em que o con- sumidor é o produto (quando o cliente vai a uma salão de beleza para cortar o seu cabelo, por exemplo). Enfim, podemos concluir destacando que a formação de estratégias de operações deve ser um desdobramento da estratégia de negócios da empresa focada nos sistemas de produção. Independentemente se a empresa oferece ao mercado produtos e/ou serviços, o alinhamento entre todos os níveis da organização será primordial para que as estra- tégias de operações adotadas contribuam para a obtenção de algum tipo de vantagem competitiva. PARA PENSAR Faça uma pesquisa na empresa em que você trabalha e tente identificar as estratégias de operações adotadas por ela. 36 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Considerações finais Como estudamos neste capítulo, o conceito de produtividade é ampla- mente utilizado pelas empresas para avaliar o seu próprio desempenho em relação aos concorrentes e, assim, desdobrar as ações necessárias para obter algum tipo de vantagem competitiva. Para tanto, a escolha e implementação de estratégias de operações adequadas e consistentes poderá fazer toda a diferença para que uma empresa possa se diferenciar no mercado. No entanto, essa não é uma atividade simples, pois requer conhecimento, recursos e, acima de tudo, muita capacidade dos gestores da empresa para adotar as ações que apresentem maior efetividade diante de cada contexto enfrentado pela organização. Referências CHASE, Richard B.; JACOBS, F. Robert; AQUILANO, Nicholas J. Administração da produção e operações para vantagens competitivas. 11. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2006. GAITHER, Norman; FRAIZER, Greg. Administração da produção e operações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. LAUGENI, Fernando Piero; MARTINS, Petrônio Garcia. Administração da produção. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da produção e operações. 3. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2015. SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Robert. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 2002. 37 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 3 Projeto do produto e planejamento de capacidade Ao longo dos anos, houve uma grande evolução nos conceitos, téc- nicas e ferramentas para a administração da produção. Novas tecnolo- gias, novos procedimentos, enfim, todo um conhecimento aplicado para que as organizações possam produzir com aefetividade desejada e, assim, obter algum tipo de vantagem competitiva. Entretanto, para fazer bom uso de todas essas informações e co- nhecimentos, é fundamental responder a algumas questões básicas, como: qual produto será produzido, que tipo de processo produtivo é o mais adequado e qual será a capacidade produtiva desse sistema de produção. 38 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Sem essas informações, é praticamente impossível tomar as deci- sões mais adequadas para a administração da produção de uma em- presa. Sendo assim, neste capítulo, vamos estudar os fundamentos para a realização do projeto do produto e para a definição do processo produtivo, bem como a realização do planejamento de capacidade. 1 Projeto do produto e do processo As definições de projeto do produto e do processo que será utiliza- do para a sua produção são elementos fundamentais para delinear a estratégia de operações. Sem essas informações, é impossível adotar o sistema de produção mais adequado – sem contar que produtos e serviços são a primeira coisa que os clientes veem em uma empresa e, por isso, devem causar impacto. Um projeto de produto bem elaborado, além de satisfazer os consu- midores, deve comunicar o seu propósito ao mercado, para que a em- presa obtenha retorno financeiro. Dessa forma, independentemente de ser tangível ou intangível, a empresa poderá oferecer ao mercado pro- dutos e serviços que satisfaçam às necessidades e expectativas atuais e/ou futuras de seus clientes (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). IMPORTANTE O projeto só trará benefícios completos se um produto, por melhor pro- jetado que seja, puder ser produzido com altos padrões e se um serviço puder ser implementado (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). Vale ressaltar que: se, por um lado, os produtos são tangíveis e físi- cos, resultado de um processo de manufatura com máquinas e pesso- as em uma indústria, por outro, os serviços também são prestados por ações e realizados por pessoas ou por máquinas. Ou seja, existe uma 39Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. dependência muito grande das pessoas que realizam as atividades, mesmo havendo a utilização de meios físicos, os quais não devem ser confundidos com o serviço em si. Por exemplo: na manufatura, a indús- tria automobilística produz automóveis; nos serviços, um laboratório clínico submete o paciente a exames, em que o atendente pode utilizar máquinas – entretanto, são as informações geradas, ou seja, o resulta- do do exame, e o atendimento pessoal, durante a realização do exame, que contarão como o serviço prestado ao paciente (MOREIRA, 2015). Quando uma empresa decide desenvolver um novo produto e/ou serviço, ela deve adotar um processo que representa uma sequência básica de etapas ou atividades que deverão ser realizadas, de tal forma que a empresa possa idealizar, projetar e lançar o produto no mercado. Vale ressaltar que cada empresa adota o seu próprio processo para o desenvolvimento de um produto e pode utilizar mais de um tipo de pro- cesso para isso, de acordo com o tipo de produto a ser desenvolvido. Entretanto, para que possamos compreender melhor quais são as ativi- dades ou etapas a serem realizadas, é fundamental conhecer qual seria o processo genérico para o desenvolvimento de um produto. Esse pro- cesso de desenvolvimento genérico pode ser dividido em seis etapas (CHASE; JACOBS; AQUILANO, 2006): • Etapa 0 – Planejamento: essa é a etapa que antecede a aprova- ção do projeto e o início do processo de desenvolvimento do pro- duto propriamente dito. Na verdade, essa etapa tem início na es- tratégia corporativa adotada pela empresa e inclui as tecnologias a serem utilizadas, bem como os objetivos de mercado. Sendo assim, o resultado dessa etapa geralmente inclui a declaração da missão do projeto, ou seja, qual será o mercado que se pretende atingir com o produto do projeto, as metas para a empresa, as premissas a serem assumidas e as limitações ou restrições para o desenvolvimento. 40 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Etapa 1 – Desenvolvimento de conceito: antes de descrevermos as atividades realizadas nessa etapa, é importante compreender a definição de conceito. Um conceito pode ser definido como a descrição da forma, da função e das características de um pro- duto. Geralmente, o conceito é acompanhado por um conjunto de especificações, uma análise de produtos competitivos e uma justificativa econômica do projeto. Sendo assim, nessa fase, a empresa deve identificar quais são as necessidades do mercado- -alvo para que possa gerar e avaliar conceitos de produtos alter- nativos e, assim, escolher um ou mais conceitos de produto para realizar o desenvolvimento. • Etapa 2 – Projeto no nível do sistema: essa é uma etapa mui- to importante para o desenvolvimento do produto, pois define a arquitetura do produto e sua decomposição em subsistemas e componentes, ou seja, fornece um esquema da montagem final do produto para o sistema de produção. Dessa forma, nessa fase, temos como resultado um layout geométrico do produto, uma es- pecificação funcional de cada um dos subsistemas do produto e um fluxograma preliminar do processo para a montagem final. • Etapa 3 – Detalhamento do projeto: como o próprio nome diz, nessa etapa, detalha-se a especificação completa da geometria, dos materiais e das tolerâncias de todas as peças exclusivas do produto, além da definição de todas as peças padronizadas que serão adquiridas de fornecedores. Também se estabelece um plano de processo, bem como o maquinário que deverá ser utili- zado para a produção de cada peça. Sendo assim, temos, como resultado dessa etapa, os desenhos, ou arquivos digitais desses desenhos, que descrevem a geometria de cada peça e o maqui- nário que deverá ser utilizado para a sua fabricação. Além disso, temos também todas as especificações das peças que deverão ser adquiridas junto a fornecedores e os planos de processo, tan- to para a fabricação como para a montagem do produto. 41Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Etapa 4 – Teste e refinamento: nessa etapa, temos a construção e avaliação de diversas versões preliminares do produto para se- rem testados. Desse modo, protótipos iniciais são construídos a partir de peças com a mesma geometria e propriedades de mate- rial que a versão final do produto; entretanto, nem sempre são fa- bricados utilizando o processo que será utilizado na produção. A ideia de se elaborar os protótipos para testes tem como objetivo determinar se o produto funcionará da maneira como foi projeta- do e se satisfaz às necessidades do consumidor. • Etapa 5 – Produção ramp-up (produção piloto): nessa etapa, é realizada a produção do produtoutilizando o sistema de produ- ção pretendido. Dessa forma, pode-se treinar a força de trabalho a solucionar quaisquer problemas remanescentes nos proces- sos produtivos. Em algumas situações, os produtos fabricados durante a produção piloto são fornecidos a clientes preferen- ciais, para que possam identificar e avaliar quaisquer falhas re- manescentes. A transição da produção piloto para a produção contínua é geralmente gradual até o momento do lançamento para a distribuição geral. PARA SABER MAIS Para saber mais sobre como elaborar um projeto de produto, leia o capí- tulo 3 (Administração de projetos) do livro: Administração de produção e operações (KARJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009, p. 58-84). Outra questão importante a ser considerada é a definição do tipo de design de produto, ou seja, se personalizado ou padrão. Os produtos personalizados são aqueles que são projetados de maneira customi- zada, de acordo com as necessidades de determinados clientes. Com isso, muitos produtos diferentes são desenvolvidos – por exemplo, a 42 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .produção de uma prótese para um paciente. Já no caso dos produtos padronizados, são desenvolvidos apenas alguns modelos, que são fa- bricados continuamente ou em lotes muito grandes – a produção de ventiladores é um exemplo (GAITHER; FRAIZER, 2005). Definidas quais serão as características do produto e seguindo as etapas para o desenvolvimento dele, devemos caracterizar o processo produtivo. Esse processo pode ser make to stock (produção para esto- que) ou make to order (produção para encomenda), assembly to order (montar sob encomenda) e engineering to order (engenharia sob enco- menda). Vamos entender a diferença entre esses conceitos (CHASE; JACOBS; AQUILANO, 2006; GAITHER; FRAIZER, 2005). • Make to stock (produção para estoque): ocorre quando os pro- dutos são fabricados antecipadamente e colocados em estoque. Esse tipo de processo é facilmente observado, por exemplo, em cervejarias, que produzem a cerveja em grandes lotes para co- mercialização posterior. • Make to order (produção para encomenda): ocorre quando a pro- dução de um item só realizada a partir do momento em que se recebe o pedido do cliente. Os restaurantes a la carte ilustram bem o que significa produzir a partir do recebimento do pedido, pois os pratos só serão produzidos a partir do momento em que o consumidor realiza o pedido com o garçom. • Assembly to order (montar sob encomenda): é um método para produzir uma grande variedade de produtos com relativamente poucas montagens e poucos componentes assim que os pedidos dos clientes são recebidos. Um exemplo do cotidiano que ilustra esse tipo de estratégia são as pizzarias – os itens componentes da pizza já estão preparados e aguardando somente os pedidos dos clientes para a montagem das pizzas. 43Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Engineering to order (engenharia sob encomenda): é utilizada quando as atividades de engenharia ou de design precisam ser adi- cionadas ao tempo de entrega do produto. Tão logo chega o pedido de um cliente, tanto os requisitos com as especificações do projeto são conhecidos em detalhes, e isso demanda uma boa análise do projeto para garantir a entrega de um produto exclusivo e inten- samente personalizado para as necessidades específicas de cada cliente. Um exemplo do cotidiano podem ser os projetos de vesti- dos exclusivos para festas, em que a personalização naturalmente demanda um período de tempo exclusivo para a criação e design do modelo a ser produzido. Outra forma de classificar os processos é utilizando a relação entre o volume a ser produzido e a variedade de produtos. Essa classificação auxilia na abordagem para gerenciar as atividades, tanto para a manu- fatura como para os serviços. A seguir, vamos estudar quais são os tipos de processos, segundo essa classificação (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002; MOREIRA, 2015): • Processo de projeto: são processos que produzem itens únicos, muito customizados e com especificações predefinidas. Não existem dois produtos exatamente iguais nessas condições (pelo menos do ponto de vista teórico), já que os produtos são basica- mente exclusivos, tendo em vista o elevado grau de customiza- ção. Geralmente, o período de tempo para fazer o produto ou ser- viço é relativamente longo, sendo que são características desse tipo de processo de produção o baixo volume e a alta variedade de produtos. Como exemplos, podemos destacar: a construção de navios, a produção de filmes, a instalação de sistemas de com- putadores de uma empresa e a maioria das atividades de uma empresa de construção. • Processos de jobbing: são processos que também lidam com uma variedade muito alta e baixos volumes. Porém, enquanto na produção por projeto os recursos dedicados ao produto são 44 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .praticamente exclusivos, no processo de jobbing os recursos de- dicados para a produção de um item podem ser compartilhados para a produção de outros produtos. Como exemplos, temos as ferramentarias, as restaurações de móveis, os alfaiates que tra- balham por encomenda e as gráficas que produzem lotes exclusi- vos e que trabalham somente por encomenda. • Processos em lotes ou em bateladas: os processos em lotes se diferem dos processos de jobbing, pois não tem o mesmo grau de variedade. A produção de um item é feita em lotes; com isso, ha- verá períodos em que a operação estará repetindo a produção do lote. Os tamanhos dos lotes variam de acordo com as caracterís- ticas do produto e com a demanda, o que permite à empresa uma gama mais ampla de níveis de volume e variedade de produtos a serem fabricados. Como exemplo, podemos destacar: a produ- ção de lotes de produtos farmacêuticos, como medicamentos, a produção de laticínios, a manufatura das peças utilizadas para a montagem de automóveis, dentre outros. • Processo de produção em massa: são processos que produ- zem os bens em elevados volumes, porém com baixa variedade, considerando os aspectos fundamentais do projeto do produto. É fácil identificar exemplos desse tipo de processo no cotidiano das pessoas, como: os automóveis produzidos pela indústria au- tomobilística nas linhas de montagem, os eletrodomésticos e os aparelhos celulares, dentre outros. • Processos contínuos: são processos que podem ser caracteriza- dos como um nível acima dos processos de produção em mas- sa pelo fato de operarem em volumes ainda maiores e, em geral, terem uma variedade muito baixa. Eles possuem uma particula- ridade importante, pois utilizam processos de produção contínu- os, o que caracteriza os produtos como inseparáveis, por serem produzidos em fluxo contínuo e ininterrupto. Os processos con- tínuos geralmente utilizam muita tecnologia na produção, o que 45Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distânciada Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. contribui diretamente para o aumento da produtividade, entretan- to, geralmente são bem inflexíveis. São exemplos desse tipo de processo: as fábricas de papel, as refinarias de petróleo e as cen- trais elétricas, dentre outros. Até aqui, apresentamos os tipos de processos para a obtenção de produtos; no entanto, é importante destacar que também existe uma classificação similar para a produção de serviços, que podem ser sepa- rados em: serviços profissionais, loja de serviços e serviços de massa. A seguir, vamos entender melhor a distinção entre esses tipos (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). • Serviços profissionais: podem ser definidos como processos de prestação de serviços em que existe um elevado grau de contato com o cliente, que despende um tempo considerável no processo. São serviços que demandam um alto nível de custo- mização, fazendo com que a pessoa que presta o serviço tenha que se adaptar às necessidades individuais de cada consumidor. Podemos dizer que são serviços baseados em pessoas, pois de- pendem muito de quem presta o serviço para que a entrega seja adequada às necessidades de cada cliente, ou seja, depende mui- to da linha de frente que está em contato direto com esse cliente. Como exemplos, podemos destacar as consultorias de gestão, os advogados, os arquitetos, os cirurgiões e os auditores, dentre outros. • Loja de serviços: podemos caracterizar esse processo de pres- tação de serviço como intermediário, entre o serviço profissional e o serviço de massa. Sendo assim, os níveis de contato com o cliente, a customização do atendimento, os volumes de clientes atendidos e a liberdade de decisão do pessoal do atendimento ficam dentro desse intervalo, ou seja, o serviço é proporcionado por meio de combinações de atividades tanto da linha de fren- te como da retaguarda. Como exemplos, podemos destacar os 46 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .bancos, as escolas, os restaurantes, os hotéis e os agentes de viagens, dentre outros. • Serviços de massa: como o próprio nome já diz, são processos de prestação de serviços para o atendimento de muitas transa- ções de clientes, envolvendo um tempo de contato limitado e baixa customização. Como exemplos desse tipo de processo, po- demos destacar os supermercados, os aeroportos, as estradas de ferro, o metrô, os serviços de telecomunicações, as emissoras de televisão, o serviço de polícia e o atendimento em um serviço público, dentre outros. Um aspecto primordial a ser ressaltado é que, embora tenhamos uma maneira para realizar a classificação dos tipos de processos que auxilia na distinção entre os diferentes tipos, na prática não existe uma fronteira clara entre esses tipos de processos, pois, em muitas situa- ções, observa-se inclusive a utilização de mais de um tipo de processo para a obtenção de um produto. Por exemplo: a montadora produz automóveis utilizando um processo de produção em massa e usando peças e itens componentes que foram produzidos em um processo de produção em lotes. Da mesma forma, nos serviços, se tomarmos como exemplo uma loja que vende exclusivamente aparelhos celula- res, ela possui um processo que pode ser classificado como loja de serviços; entretanto, se essa mesma loja possui consultores para a orientação aos clientes sobre as características dos produtos e tam- bém oferece o serviço de assistência técnica aos clientes, podemos caracterizar essas atividades como as de um serviço profissional. 2 Planejamento da capacidade Dentre as responsabilidades da administração da produção, deve- mos destacar o planejamento da capacidade produtiva para atender à demanda atual e futura. Buscar o equilíbrio entre a sua capacidade de 47Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. produção e a demanda de seus clientes é um fator primordial e pode ser uma fonte de vantagem competitiva para a empresa. A definição de capacidade, de maneira bem objetiva, pode ser o volume fixo de um reator de 1.000 litros, por exemplo, ou o espaço em um estacionamento com 500 vagas. Entretanto, muito embora essas medidas de capacidade descrevam a escala dessas operações, não refletem a sua capacidade de processamento (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). NA PRÁTICA Para que tenhamos a informação sobre a capacidade de processamen- to, devemos incorporar a dimensão de tempo adequada para o uso dos ativos da operação. Por exemplo (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002): Uma indústria farmacêutica tratará do nível de produção que pode ser conseguido usando os reatores de 1.000 litros. Se a cada hora pode ser produzida uma batelada de produtos-padrão, a capacidade de pro- cessamento planejada por ser equivalente a 24.000 litros por dia. Se a reação demorar quatro horas e forem necessárias duas horas para limpeza entre bateladas, o reator somente poderá produzir 4.000 litros por dia. Seguindo a mesma linha de raciocínio, o estacionamento pode estar totalmente ocupado durante todo o dia, “processando” somente 500 carros por dia. Alternativamente, pode ser usado por pessoas que utilizam o estacionamento somente por uma hora durante o dia e por pessoas que o utilizam durante três horas à noite. Sendo assim, a capa- cidade de processamento seria de até 5.000 carros por dia. Dessa forma, podemos definir a capacidade de uma operação como o máximo nível de atividade de valor adicionado em determinado período de tempo que o processo pode realizar sob condições normais de ope- ração, ou seja, é a cadência máxima de produção (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002; GAITHER; FRAIZER, 2005). 48 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Vale destacar que existem diversos fatores subjacentes ao conceito de capacidade que tornam o uso e o entendimento desse conceito um tanto complexos. Sendo assim, aspectos como as variações diárias as ausências e as férias de funcionários, a quebra de equipamentos e os atrasos na entrega de materiais e insumos para a produção contribuem para aumentar a incerteza sobre a capacidade de produção de uma operação (GAITHER; FRAIZER, 2005). Outra questão importante a ser tratada é a chamada restrição de capacidade: muitas organizações operam abaixo de sua capacidade máxima de processamento, e isso ocorre porque nem sempre a deman- da existente é suficiente para utilizar completamente a capacidade de todas as partes de sua operação. Entretanto, também pode ocorrer o oposto, ou seja, a organização se depara com algumas partes da sua operação trabalhando em sua capacidade máxima, que pode ser cha- mada de restrição de capacidade para toda a operação. Por exemplo, um supermercado possui 20 caixas, porém, diariamente, utiliza somen- te 10 caixas. Nos períodos próximos às festas de final de ano, a deman- da aumenta e o supermercado passa a utilizar todos os 20 caixas e fica restrito à essa possibilidade, tendo emvista que, esse é o limite máximo de sua capacidade (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). Existem formas diferentes para se medir a capacidade; para as em- presas que produzem somente um produto, ou alguns produtos homo- gêneos, geralmente a capacidade de produção é medida de maneira direta, ou seja, unidades produzidas por unidade de tempo. Por exem- plo: automóveis por mês, toneladas de papel por dia, barris de petróleo por mês. Entretanto, quando uma combinação consistente de produtos como shampoos, sabonetes e cremes para o cabelo, são produzidas em uma instalação, essa diversidade de produtos pode se constituir em um problema na capacidade de medição. Sendo assim, para esses ca- sos, adota-se uma unidade agregada de capacidade que permite que os índices de produção dos vários produtos sejam convertidos para uma unidade comum de medição da produção. Toneladas por hora e 49Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. faturamento de vendas por mês são algumas das medidas agregadas de capacidade entre produtos diversos que geralmente são utilizadas pelas empresas (GAITHER; FRAIZER, 2005). No planejamento da capacidade para serviços, é muito difícil realizar medições da produção; por isso, utiliza-se as chamadas medidas de ca- pacidade de entrada. Como exemplos desse tipo de aplicação, podemos destacar a quantidade de leitos disponíveis por mês nos hospitais, ou as milhagens por assentos disponíveis por mês nas companhias aéreas, ou ainda a horas de mão de obra por mês nas empresas de consultoria, den- tre outros. Considerando a importância das decisões a serem tomadas em rela- ção ao planejamento e controle da capacidade de produção, vale destacar que, a cada nova decisão, em termos de planejamento da política de ca- pacidade, outros aspectos de desempenho da empresa serão afetados. Dentre eles, podemos destacar (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002): • Custos: o equilíbrio entre capacidade e demanda afeta os custos, ou seja, se existem níveis de capacidade excedentes à demanda, isso pode significar subutilização de capacidade e, portanto, alto custo unitário. • Receitas: o equilíbrio entre capacidade e demanda também afe- ta as receitas, porém de maneira oposta ao que ocorre com os custos. Sendo assim, níveis de capacidade iguais ou superiores à demanda em qualquer momento assegurarão que toda a deman- da possa ser atendida e que, assim, não haja perda de receitas. • Capital de giro: esse pode ser afetado se a empresa decidir pro- duzir um estoque de bens acabados sem que haja demanda. Isso pode permitir atender à demanda quando ela surgir, no entanto, a empresa precisará financiar o estoque até que ele seja vendido. 50 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Qualidade dos bens e serviços: o planejamento da capacidade pode afetar a qualidade dos bens e serviços pela contratação de mão de obra temporária, por exemplo. Isso pode acontecer em decorrência da falta de experiência dos novos funcionários e da interrupção do trabalho rotineiro da operação, o que pode aumen- tar a incidência de erros. • Velocidade de resposta à demanda: a velocidade de resposta pode ser melhorada se a empresa decidir aumentar os estoques (facilitando o atendimento imediato aos clientes, em vez de espe- rar pela produção). Outra alternativa pode ser a provisão delibera- da de capacidade excedente para eliminar as filas no atendimen- to dos caixas de um supermercado, por exemplo. • Confiabilidade do fornecimento: o grau de proximidade entre os níveis de demanda e os níveis de capacidade máxima da opera- ção afeta a confiabilidade do fornecimento. Sendo assim, a con- fiabilidade do fornecimento de serviços e produtos será menor quanto mais próxima da capacidade total estiver a demanda, pois a operação não conseguirá lidar muito bem com as interrupções na operação. • Flexibilidade: a capacidade excedente afeta de maneira positiva a flexibilidade de volume. Se a demanda e a capacidade estiverem em equilíbrio, a operação não será capaz de responder a quais- quer aumentos inesperados de demanda. Por fim, as decisões relacionadas ao planejamento e controle da ca- pacidade podem ser tratadas como um desafio constante para que as operações possam atender aos seus clientes e, assim, tenham a efetivi- dade desejada. Dessa forma, compete aos gestores de produção medir a demanda e a capacidade agregadas, além de identificar e implemen- tar as políticas alternativas de capacidade que sejam mais adequadas a cada situação, para que a organização possa se manter competitiva no mercado. 51Fontes, princípios e conceito da administração da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. PARA PENSAR Faça uma pesquisa na empresa em que você trabalha e tente identificar qual o tipo de processo de produção e de que maneira se controla a capacidade de produção. Considerações finais Neste capítulo, tivemos a oportunidade de estudar como a organiza- ção deve realizar o projeto de seus produtos, bens e/ou serviços para oferecê-los ao mercado. Para tanto, estudamos as etapas genéricas de desenvolvimento de um produto. Também estudamos os tipos de pro- cessos para a produção de bens e de serviços, considerando as estraté- gias de produção para estoque ou produção sob encomenda. Dentre os tipos de produção de bens, podemos destacar: o processo por projeto, jobbing, intermitente, em massa e contínuo. Para a produ- ção de serviços, temos: os serviços profissionais, as lojas de serviços e os serviços de massa. Vale destacar que, em muitas situações, as em- presas utilizam mais de um tipo de processo para a produção de seus bens e serviços. Por fim, estudamos o conceito de capacidade e a necessidade de uma avaliação constante da demanda para que a empresa consiga atender aos seus pedidos com a efetividade desejada. Compete aos gestores de produção fazer bom uso de todos esses conceitos para que sejam assertivos em suas decisões nos sistemas de produção. Referências CHASE, Richard B.; JACOBS, F. Robert; AQUILANO, Nicholas J. Administração da produção e operações para vantagens competitivas. 11. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2006. 52 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .GAITHER, Norman; FRAIZER, Greg. Administração da produção e operações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. KRAJEWSKI, Lee; RITZMAN, Larry; MALHOTRA, Manoj. Administração de produção e operações. 8. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da produção e operações. 3. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2015. SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Robert. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 2002. 53 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente.Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 4 Instalações A definição da localização das instalações de uma empresa deve ser tratada de maneira estratégica. Afinal, para que uma empresa pos- sa atender às demandas do mercado, é fundamental que possua suas instalações em um local que permita a fácil disponibilização dos seus produtos e serviços, além de estar próxima a seus fornecedores. Esses são apenas alguns dos aspectos a serem considerados para a definição da localização das instalações. Definida a localização das instalações, outra questão importante a ser considerada é a definição do arranjo físico dessas instalações, que deverá considerar os produtos e serviços que serão produzidos, o tipo de processo utilizado, as questões relacionadas à movimentação 54 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .interna de materiais e de pessoas dentro da empresa, enfim, vários as- pectos devem ser considerados para que a decisão sobre o arranjo físi- co seja a mais adequada para a instalação. Dessa forma, considerando as perspectivas apresentadas, neste ca- pítulo vamos estudar os aspectos gerais das instalações relacionados à localização e ao arranjo físico, para que a empresa possa produzir seus produtos e serviços. 1 Localização das instalações Antes de falarmos sobre a localização, é importante definirmos o que é uma instalação. A instalação pode ser definida como o espaço que será utilizado pela empresa para produzir (fábricas ou operações industriais), para armazenar os seus produtos (depósitos, armazéns) ou fazer a distribuição (centros de distribuição), dentre outros. Podemos definir a localização das instalações como um processo que determina os locais geográficos para as operações de uma em- presa. A escolha de localização é de grande relevância, pois pode im- pactar, inclusive, a cadeia de valor da empresa (KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009). IMPORTANTE Note como essa decisão é estratégica, pois a escolha de um local dis- tante de seus fornecedores pode gerar custos elevados de transporte e, da mesma forma, pode dificultar a distribuição dos seus produtos aos clientes. Quando se realiza um estudo para a definição da localização de uma instalação, nada pode ser negligenciado; às vezes, detalhes (aces- so a rodovias, disponibilidade de mão de obra local, proximidade dos 55Instalações M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. fornecedores, dentre outros) que não foram considerados poderão tra- zer desvantagens para a organização. Deve-se estar atento não só aos aspectos positivos como também aos aspectos negativos relacionados à escolha de uma determinada localização. Lembrando que cada em- presa tem as suas particularidades e, portanto, o problema de localiza- ção é específico para cada organização (MOREIRA, 2015). O problema da localização das instalações é enfrentado tanto por empresas novas quanto por empresas já existentes, e sua solução é fundamental para o sucesso dos negócios, tendo em vista que a locali- zação é um elemento muito importante para o projeto de uma cadeia de suprimentos da empresa (JACOBS; CHASE, 2012). Independente do tempo de existência de uma empresa, a definição da localização pode, sim, ser uma questão a ser resolvida. Muitas vezes, apesar da empresa ter interesse em se instalar em uma determinada lo- calidade, nem sempre haverá espaço disponível, ou seja, um terreno que possa ser adquirido para a construção de uma fábrica ou um galpão dis- ponível para aluguel. Sem contar que uma empresa pode decidir mudar suas instalações para uma outra localidade, pois o espaço é maior e a empresa que ampliar a sua área de produção, por exemplo. Entretanto, esse tipo de mudança pode impactar não só o atendimento aos seus clientes como também o abastecimento por parte dos fornecedores. IMPORTANTE Os custos de mudança das instalações de uma empresa de um local para outro podem ser muito elevados, assim como o risco de criar in- convenientes para os clientes. Por isso, deve-se realizar um estudo da localização das instalações, para evitar que sejam realizadas mudanças frequentes (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). 56 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Sendo assim, essa decisão não pode ser tomada de maneira apres- sada (muito pelo contrário) e pode envolver longos e custosos estudos de localizações alternativas antes que o local definitivo seja escolhido. Vale ressaltar que, quando são realizados os estudos, pode-se iden- tificar mais de uma localização possível para a organização e, dessa forma, deverá ser realizada uma análise detalhada sobre as potenciali- dades e as fragilidades de cada localização, para que a melhor decisão seja tomada (GAITHER; FRAZIER, 2005). Para a realização de uma análise adequada, é fundamental que se- jam considerados tanto os fatores objetivos como os fatores subjetivos. Dentre os fatores objetivos ou quantificáveis podemos destacar os cus- tos (pessoal, terreno, construção, equipamentos, transportes, água, luz, gás, taxas, impostos), as distâncias, os volumes, ou seja, todos os fa- tores que podem ser avaliados objetivamente. Já os fatores subjetivos ou não quantificáveis são aqueles para os quais as medidas não são possíveis e, desse modo, são avaliados qualitativamente por meio de uma nota relativa. São fatores subjetivos a atitude do pessoal, dos sin- dicatos e da comunidade, as restrições ambientais e governamentais e a qualidade de vida, dentre outros (LAUGENI; MARTINS, 2015). Existem muitos fatores que poderão afetar a decisão de localização das instalações, ou seja, a pessoa responsável deve considerar qual é a natureza do negócio em que a operação atua para definir quais fato- res são determinantes. Por exemplo, se a empresa possui uma opera- ção na qual predominam produtos físicos estocáveis (peças, caixas de papelão, dentre outros), deverá considerar essa informação para esco- lher um local que tenha espaço não só para instalar suas maquinas e equipamentos como também para armazenar suas matérias-primas e insumos, bem como os produtos acabados. Se a empresa realizar uma operação que tem como resultado final somente serviços, que não são estocáveis (serviços de atendimento, consultoria, dentre outros), o foco para a tomada de decisão será totalmente diferente. 57Instalações M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. NA PRÁTICA Segundo Corrêa e Corrêa (2012), em empresas de manufatura, a defi- nição da localização afeta tanto os custos diretos quanto o custo de transporte (das matérias-primas e componentes para a operação e dos produtos acabados da operação para os clientes), o custo da mão de obra (diferentes locais têm diferentes níveis salariais e até legislações diferentes, no que diz respeito a custos indiretos), o custo e a dispo- nibilidadede insumos (por exemplo, em uma empresa fabricante de alumínio, que utiliza enormes quantidades de energia para em todas as etapas de beneficiamento até a obtenção do alumínio), água e outros. Em operações de serviços, a localização pode afetar a conveniência do cliente, o volume de tráfego resultante em torno da operação, a visibili- dade da operação, entre outras coisas. Por exemplo, a localização de um salão de beleza deve considerar o fluxo de clientes e a acessibilida- de dos clientes ao salão; por isso, deve escolher uma localização que permita fácil acesso, se possível com estacionamento, até porque esse é um fator muito importante para a conveniência do cliente (CORRÊA; CORRÊA, 2012). Dentre os fatores que afetam as decisões quanto à localização, podemos destacar (JACOBS; CHASE, 2012; CORRÊA; CORRÊA, 2012; SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002): • Proximidade dos clientes: é um fator estratégico a ser conside- rado pela empresa, não só por questões logísticas, mas principal- mente pela conveniência para os clientes. A localização determi- na o esforço para que o cliente utilize a operação. • Custos totais: para que se possa selecionar um local para as insta- lações que possua o menor custo possível, devem-se considerar os custos regionais (terreno, construção, mão de obra, impostos, ener- gia) e os custos do processo de abastecimento e do processo de distribuição de produtos acabados. Também devem ser considera- dos os chamados custos ocultos (ou difíceis de ser mensurados), 58 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .dentre eles os custos relacionados à movimentação excessiva de insumos entre as localidades, antes da entrega aos consumidores, e o custo da perda da responsividade do consumidor, resultante de uma localização distante da base de clientes. • Infraestrutura: considerando os aspectos de infraestrutura, é ne- cessário ressaltar a disponibilidade dos modais de transporte, ou seja, rodoviário, ferroviário e marítimo, bem como o atendimento aos requisitos de energia e telecomunicações para as instala- ções. Outra característica a ser considerada é a disponibilidade do governo para investir na infraestrutura no nível requerido pela instalação. • Qualidade da mão de obra: a instalação da operação em uma de- terminada localidade deve levar em conta o nível educacional e de competência da mão de obra da região e a disposição e habilida- de para aprender e se desenvolver, fatores importantes a serem considerados. • Qualidade de vida dos colaboradores: considerando que o capi- tal humano é visto como um fator crucial na obtenção de vanta- gens competitivas, é preciso considerar a presença ou a ausência de infraestrutura de segurança, lazer, educação, moradia, trans- porte público, clima, estilo de vida, shopping centers, entre outros. • Fornecedores: muitas empresas necessitam privilegiar localiza- ções próximas de seus fornecedores, pois uma base de fornece- dores de alta qualidade e competitiva poder tornar uma determi- nada localização mais adequada. Além disso, deve-se pensar em outros pontos, como os custos do transporte e as características dos produtos (perecibilidade, volume, dentre outros). • Outras instalações: a definição da localização de uma instalação pode ser influenciada pela localização de outras fábricas ou de centros de distribuição da mesma empresa. Também devem ser avaliadas questões de mix de produto e de capacidade. 59Instalações M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Zonas de livre-comércio: a zona franca ou uma zona de livre-co- mércio é uma região delimitada (espaço sob a supervisão da alfân- dega) para a qual produtos do exterior podem ser trazidos desde que estejam subordinados aos requisitos alfandegários usuais. Dessa forma, a localização em uma zona franca pode ser estraté- gica para uma empresa, pois poderá utilizar componentes importa- dos no produto final e, assim, postergar o pagamento de tributos al- fandegários até que o produto seja enviado para o país de origem. • Legislação ambiental: a decisão de localização pode ser afetada pela legislação ambiental vigente em uma determinada localida- de; dependendo do setor de atuação, além das questões ambien- tais, deve-se considerar o relacionamento com a comunidade local e os custos envolvidos para a adequação aos parâmetros legais estabelecidos. • Risco político: os riscos políticos devem sempre ser avaliados para a escolha de uma localização de uma instalação, principal- mente quando essa localização será em outro país. • Barreiras governamentais: as legislações têm removido muitas barreiras para que as empresas ingressem e se instalem em mui- tos países; entretanto, muitas barreiras culturais e de cunho não legislativo precisam ser consideradas na análise para a definição do local da instalação da empresa em outro país. • Comunidade: até certo ponto, o sucesso de uma empresa é limi- tado por quanto ela é aceita ou não pela comunidade em que se insere. Sendo assim, o interesse da comunidade em ter a fábrica em seu meio é um aspecto a ser ponderado no processo de ava- liação. Muitas comunidades recebem bem novos negócios, tendo em vista que geram novos empregos, impostos e outros bene- fícios. Por outro lado, algumas comunidades também poderão colocar restrições importantes, dependendo do tipo de atividade exercida pela empresa. 60 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Blocos de comércio: os tratados de livre comércio influenciam as decisões de localização, tanto dentro como fora dos países-mem- bros do bloco. Sendo assim, a empresa geralmente se instala em um bloco para aproveitar as oportunidades de mercado ou para reduzir os custos totais resultantes do acordo comercial. Muito embora todos esses aspectos exerçam uma influência rele- vante para a escolha de uma determinada localização, existem também técnicas sistemáticas e quantitativas que podem ajudar no processo de decisão. Dentre elas, podemos destacar o método de pontuação ponderada e o método do centro de gravidade. Vamos compreender melhor como utilizar cada um desses métodos (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002; CORRÊA; CORRÊA, 2012). 1.1 Método de pontuação ponderada Esse método envolve três etapas. Primeiro, deve-se identificar os critérios que serão utilizados para avaliar as diversas localizações. Em segundo lugar, deve-se estabelecer a importância relativa de cada cri- tério e a atribuição de fatores de ponderação, ou seja, deve-se instituir pesos para cada um deles. Por fim, na terceira etapa, deve-se avaliar cada localização segundo cada um dos critérios. A escala de pontuação a ser adotada é arbitrária. O quadro 1, apresentado a seguir, ilustra a aplicação do método de pontuação ponderada para a definição da localização. Uma empresa está avaliando a melhor opção de cidades para a localização de uma nova instalação; para tanto, considerou alguns fatores locacionais com pesos para a sua importância e atribuiu notas para cada uma das três cidades. 61Instalações M aterial para uso exclusivo dealuno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Quadro 1 – Exemplo de aplicação do método de ponderação qualitativa Fator locacional Importância (peso) Notas (1 a 10) Cidades Notas ponderadas Cidades 1 2 3 1 2 3 Acesso a mercados 8 10 7 9 80 56 72 Custo e disponibilidade de materiais 5 6 6 8 30 30 40 Custo e disponibilidade de mão de obra 5 7 8 10 35 40 50 Atitude da comunidade 4 7 7 6 28 28 24 Disponibilidade de bons locais 4 5 7 7 20 28 28 Custo do espaço 4 9 7 6 36 28 24 Infraestrutura local de utilidades e serviços 3 6 9 7 18 27 21 Qualidade de vida 3 8 10 9 24 30 27 Totais 271 267 286 Fonte: adaptado de Corrêa e Corrêa (2012, p. 395). Note que, entre as três cidades avaliadas como possíveis localiza- ções para uma nova instalação, a cidade 3 recebe a maior pontuação, o que indica ser a localidade mais adequada, de acordo com os crité- rios utilizados. 1.2 Método do centro de gravidade Esse método é utilizado para encontrar uma localização que mini- mize os custos de transporte. Baseia-se na ideia de que todas as loca- lizações possíveis têm um “valor”, que é a soma de todos os custos de 62 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . transporte “de” e “para” uma localização. A melhor localização, a que minimiza os custos, é representada pelo que em uma analogia física seria o centro de gravidade ponderado de todos os pontos “de” e “para” os quais os bens são transportados. Essa técnica é bastante utilizada para localizar armazéns interme- diários ou de distribuição, dadas as localizações, por exemplo, das fá- bricas e dos clientes. Em sua forma mais simples, ela presume que os custos de transporte de material para a unidade a ser localizada, vinda das fontes de insumos, e da unidade a ser localizada para seus destinos (clientes) são iguais e proporcionais às quantidades transportadas (não considerando custos fixos por trecho transportado ou custos adicionais para despachos com cargas parciais) (CORRÊA; CORRÊA, 2012). A aplicação do método deve seguir alguns passos (MOREIRA, 2009 apud OLIVEIRA, 2020): • Para cada instalação ou mercado existente, deve-se assinalar uma coordenada horizontal e outra vertical. Isso pode ser feito por meio de um sistema de eixos ortogonais sobre um mapa da região global contendo as instalações e os mercados. No caso de uma cidade e/ou redondezas, assumir o ponto médio como representativo. As coordenadas podem então ser medidas com uma régua e transformadas da forma como se queira, desde que sejam todas elas multiplicadas por um mesmo número. Na ver- dade, são apenas coordenadas relativas, definidas em relação ao sistema de eixos previamente traçados. Uma vez encontrada a localização, recorre-se novamente ao sistema de eixos para en- contrar a posição real. 63Instalações M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 1 – Sistema de coordenadas para a localização da instalação Y X Instalação Mercado Fonte: adaptado de Oliveira (2020, p. 212). • O centro de gravidade da localização procurada terá duas coorde- nadas (horizontal Gx e vertical Gy) assim determinadas: G p c d p c Gy p c d p c x i i ix i i i i i i iy = =/ / / / Onde: dix = coordenada horizontal da instalação ou mercado i diy = coordenada vertical da instalação ou mercado i pi = custo de transporte na direção da instalação ou do mercado i Ci = volume transportado de/para a instalação ou mercado i Se os custos de transporte forem iguais em todas as direções, as equações apresentadas poderão prescindir do termo p. Para que possamos compreender como aplicar esse método, vamos apresentar um exemplo: Considerando a fabricação e distribuição do produto W, há cinco uni- dades já existentes e que devem ser consideradas para a análise. Nosso 64 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .problema de localização é definir onde um armazém intermediário deve ser localizado no caminho entre a fábrica e os distribuidores indepen- dentes para que os custos de transporte sejam mínimos. Temos uma fábrica localizada em São Paulo, com a posição aproximada de (x) 630, (y) 330, e quatro distribuidores, localizados em Presidente Venceslau, com a posição aproximada de (x) 120, (y) 510; Bauru, com a posição aproximada de (x) 410, (y) 470; Franca, com posição aproximada de (x) 590, (y) 650; e São José dos Campos, com a posição aproximada de (x) 720, (y) 350. As quantidades despachadas do produto W fabrica- do em São Paulo para os distribuidores são apresentados na tabela 1 (CORRÊA; CORRÊA, 2012). Tabela 1 – Quantidades despachadas para cada localização LOCAL EXISTENTE TONELADAS X 1.000 DESPACHADAS DE/PARA O LOCAL São Paulo 15,5 Presidente Venceslau 2,5 Bauru 5,5 Franca 3,0 São José dos Campos 4,5 Para resolvermos esse problema pelo método do centro de gravida- de, devemos utilizar as equações para o cálculo das coordenadas da seguinte forma: .Cx 31 17 330 5= , , , , ,15 5 2 5 5 5 3 0 4 5+ + + + = = 60 (630 x 15,5) + (120 x 2,5) + (410 x 5,5) + (590 x 3,0) + (720 x 4,5) . 31 17 330 560= = ) Cx = , , , , ,15 5 2 5 5 5 3 0 4 5+ + + + (630 x 15,5) + (120 x 2,5) + (410 x 5,5) + (590 x 3,0) + (720 x 4,5 .Cy 31 12 500= , , , , ,15 5 2 5 5 5 3 0 4 5+ + + + = 403= (330 x 15,5) + (510 x 2,5) + (470 x 5,5) + (650 x 3,0) + (350 x 4,5) . 31 12 500 403= = ) Cy = , , , , ,15 5 2 5 5 5 3 0 4 5+ + + + (330 x 15,5) + (510 x 2,5) + (470 x 5,5) + (650 x 3,0) + (350 x 4,5 65Instalações M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Com isso, o analista obtém as coordenadas x = 560 e y = 403 como um ponto de partida para a decisão de macrolocalização do armazém intermediário. PARA SABER MAIS Para mais detalhes sobre como utilizar os métodos de pontuação pon- derada e de centro de gravidade, leia o tópico “Localização da empresa industrial” no capitulo 2 (Localização de empresas) do livro: Administra- ção da produção (LAUGENI; MARTINS, 2015, p. 29-61). 2 Arranjo físico das instalações Podemos definir o arranjo físico ou layout de uma instalação como o posicionamento físico de recursos que ocupam espaço dentro da instala- ção. Vale destacar que esses recursos podem ser uma mesa de trabalho no escritório, um centro de trabalho em uma fábrica, uma máquina, um departamento, dentre outros (CORRÊA; CORRÊA, 2012). É fácil perceber a aplicação do conceito de arranjo físico em nosso cotidiano; basta observar como os móveis estão dispostos em nossa sala, qual é a disposição das mesas em um restaurante, como estão colocadas as cadeiras em salão de beleza, etc. Da mesma forma que, nesses exemplos, houve um planejamento para adequar o posiciona- mento dos móveis para o fluxo das pessoas e de materiais, deve-se buscar, nas empresas, o arranjofísico mais adequado para cada pro- cesso de produção. A definição do arranjo físico tem muitas implicações práticas e estra- tégicas. Sendo assim, qualquer alteração no arranjo físico pode afetar a empresa e, com isso, atingir as suas prioridades competitivas de diver- sas maneiras (KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009): 66 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .• aumentando a satisfação do cliente e as vendas em uma loja de varejo; • facilitando o fluxo de materiais e de informações em uma empresa; • aumentando a utilização eficiente de trabalho e equipamento; • reduzindo riscos para os trabalhadores; • melhorando a comunicação. De acordo com tipo de operação, são estabelecidos os requisitos para o arranjo físico. Por exemplo: em um centro de distribuição, os flu- xos de materiais e os custos de operação dos estoques são dominan- tes; desse modo, deve-se buscar a implementação de um arranjo físico que minimize a movimentação dos materiais. Já em uma loja de varejo, o conforto do cliente e as vendas podem predominar, enquanto em um escritório a efetividade da comunicação e a relação entre as equipes podem ser cruciais, levando a empresa a optar pelo arranjo físico com mesas que permitam o trabalho de várias pessoas. Para que se possa definir o arranjo físico mais adequado, é fundamental analisar qual é o tipo de operação que acontecerá naquele ambiente. Vamos conhecer a seguir os principais tipos de arranjos físicos (layouts) (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002; CORRÊA; CORRÊA, 2012). 2.1 Arranjo físico por processo ou funcional Nesse tipo de arranjo, recursos semelhantes ou processos com fi- nalidades similares são agrupados em uma única área, facilitando o direcionamento no fluxo de transformação. Os hospitais costumam uti- lizar esse tipo de arranjo, facilitando o direcionamento dos pacientes com determinadas necessidades para setores específicos, tais como 67Instalações M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. pediatria, oncologia, etc. Nos supermercados, o arranjo físico também é feito considerando a finalidade dos produtos; assim, temos corredores separados pelos tipos de produtos, ou seja, de limpeza, bebidas, conge- lados, dentre outros. Em geral, ele é utilizado quando os fluxos que pas- sam pelos setores são muito variados e ocorrem intermitentemente. Em resumo: esse arranjo é facilmente encontrado e adapta-se melhor a operações que lidam com grande variedade de produtos e com os diversos fluxos que poderão percorrer. 2.2 Arranjo físico em linha ou por produto Nesse tipo de arranjo, as máquinas ou as estações de trabalho são colocadas de acordo com a sequência de operações e são executadas de acordo com essa sequência estabelecida, sem caminhos alterna- tivos. Sendo assim, cada produto, elemento de informação ou cliente segue um caminho (ou roteiro) previamente determinado no processo, ou seja, a sequência de atividades requerida coincide com a sequên- cia na qual os processos foram arranjados fisicamente. Esse arranjo é indicado para produção com pouca ou nenhuma diversificação, em quantidade constante ao longo do tempo e em grande volume, tendo em vista que demanda um alto investimento em máquinas e pode apre- sentar problemas com relação à qualidade dos produtos fabricados. Como exemplos desse tipo de arranjo, podemos destacar as linhas de montagem de automóveis e os restaurantes self-service. 2.3 Arranjo físico celular ou célula de manufatura É o arranjo em que os recursos transformados, entrando na opera- ção, são pré-selecionados para movimentar-se para uma parte especí- fica da operação (ou célula) em que é possível encontrar os recursos transformadores necessários (máquinas e equipamentos) para atender às necessidades de processamento. Em outras palavras, consiste em 68 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . arranjar em um só local (a célula) máquinas diferentes para fabricar o produto inteiro. O material se desloca dentro da célula buscando os pro- cessos necessários. Sua principal característica é a relativa flexibilidade quanto ao tamanho de lotes por produto, pois, como a célula já está organizada para a produção de um produto ou de uma família de produ- tos, o tamanho do lote pode ser variável e não afetará o funcionamento da célula. Isso permite um elevado nível de qualidade e de produtivida- de, apesar da especificidade para uma família de produtos. Outro fator a ser destacado é que o arranjo físico por célula reduz a necessidade de transporte de material e os níveis de estoques. Como exemplos desse tipo de arranjo, podemos destacar as maternidades nos hospitais, as áreas para alimentação dentro de livrarias e as células de montagem de componentes para computadores. 2.4 Arranjo físico posicional ou por posição fixa Nesse tipo de arranjo, podemos afirmar que existe uma certa con- tradição, tendo em vista que os recursos transformados não se movem (permanecem fixos em uma determinada posição) e as máquinas se des- locam até o local em que os recursos estão, executando as operações necessárias. Dessa forma, em vez dos materiais, das informações ou dos próprios clientes se movimentarem pela operação, eles ficam em uma posição fixa, enquanto o equipamento, o maquinário, as instalações e as pessoas se movem para produzir, na medida do necessário. É recomen- dado para um produto único, em quantidade pequena ou unitária e, em geral, não repetitivo. Como exemplos, podemos destacar a construção de uma rodovia, a fabricação de navios, um canteiro de obras de um edifí- cio, grandes transformadores elétricos, turbinas, pontes rolantes, grandes prensas, balanças rodoferroviárias e outros produtos de grandes dimen- sões físicas. 69Instalações M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 2.5 Arranjo físico misto ou combinado A utilização de um arranjo físico misto ou combinado tem como ob- jetivo aproveitar o melhor de cada tipo de arranjo utilizado, ou seja, com- bina elementos de alguns ou todos os tipos básicos de arranjo físico, ou ainda usar tipos básicos de arranjo físico sem nenhuma alteração em diferentes partes da operação. Por exemplo: um hospital normalmente teria um arranjo físico funcional, pois cada departamento possui um tipo particular de processo (radiologia, salas de cirurgia, entre outros) Ainda assim, dentro de cada departamento, diferentes tipos de arranjos físicos são utilizados. Desse modo, as salas de cirurgia poderiam ado- tar um arranjo físico posicional e o departamento de radiologia poderia utilizar um arranjo físico por processo. Dentre as informações necessárias para a definição do arranjo físico, podemos destacar as especificações e características do produto, as quantidades de produtos e de materiais, as sequências de operações e montagem, o espaço necessário para cada equipamento, incluindo espaço para movimentação do operador,o estoque e manutenção e as informações sobre recebimento, expedição, estocagem de matérias-pri- mas e produtos acabados e transportes. PARA PENSAR Faça uma pesquisa na empresa em que você trabalha e tente identificar como se desdobrou a definição da localização da instalação. 70 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Considerações finais Neste capítulo, tivemos a oportunidade de estudar dois assuntos de grande relevância para a administração da produção: a definição da localiza- ção das instalações e os possíveis arranjos físicos para essas instalações. Vale ressaltar que as decisões relacionadas a esses dois aspectos, são de fundamental importância para que as organizações possam de- finir as suas estratégias de operações. Compete aos gestores realizar uma análise criteriosa para que as melhores decisões sejam tomadas e, com isso, as empresas possam produzir seus produtos e serviços com a qualidade esperada. Referências CORRÊA, Henrique; CORRÊA, Carlos. Administração da produção e operações. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2012. GAITHER, Norman; FRAIZER, Greg. Administração da produção e operações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. JACOBS, F. Robert; CHASE, Richard B. Administração de operações e da cadeia de suprimentos. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. KRAJEWSKI, Lee; RITZMAN, Larry; MALHOTRA, Manoj. Administração de produção e operações. 8. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. LAUGENI, Fernando Piero; MARTINS, Petrônio Garcia. Administração da produção. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da produção e operações. 3. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2015. OLIVEIRA, Marcos Alberto de. Gestão de operações e serviços. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2020. SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Robert. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 2002. 71 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 5 Planejamento, programação e controle da produção A área de operações de uma empresa é a área responsável por pro- duzir produtos e serviços para atender às demandas dos clientes e, portanto, exerce um papel importante para a realização das estratégias de negócios. Dessa forma, para que os sistemas de produção possam contribuir de maneira efetiva, é fundamental que se faça um planeja- mento da produção, programando e controlando a produção utilizando da melhor maneira possível, os recursos e insumos para a obtenção dos produtos e serviços. Neste capítulo, vamos estudar o conceito e as ferramentas utilizadas pelas empresas para realizar o planejamento, programação e controle da produção. 72 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1 Conceitos de planejamento, programação e controle da produção O processo de manufatura responsável pelo planejamento, progra- mação e controle dos recursos no processo produtivo para sejam gera- dos bens e serviços é chamada de Planejamento, programação e con- trole da produção (PPCP), trata-se de uma área muito importante para os sistemas de produção pois está associada à estratégia de manufatu- ra da empresa e auxilia as decisões táticas e operacionais relacionadas a (LAUGENI; MARTINS, 2015): • o que produzir e comprar; • quanto produzir e comprar; • quando produzir e comprar • com que recursos produzir. IMPORTANTE O PPCP transforma as informações sobre estoques existentes, vendas previstas, linha de produtos, modo de produzir E capacidade produtiva em ordens de produção (LAUGENI; MARTINS, 2015). Vale ressaltar que, todo o processo de planejamento, programação e controle da produção tem como base a previsão de demanda, que procu- ra antecipar como as vendas se comportarão em médio e longo prazo. Para que possamos compreender melhor o conceito de PPCP, va- mos estudar cada um dos processos de maneira isolada. O planejamento é a formalização do que se pretende que aconteça em determinado momento no futuro, o que não garante que o evento 73Planejamento, programação e controle da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. acontecerá. Aplicando o conceito aos sistemas de produção, para ela- borar o planejamento da produção, deve-se ter as informações de de- manda dos produtos com as quantidades e os prazos de entrega para cada item, entretanto, é importante ressaltar que, nem sempre ocorre o que foi planejado. Isto ocorre, pois, os clientes mudam de ideia so- bre o que querem e quando querem receber, nem sempre os fornece- dores tem disponibilidade para fornecer os insumos necessários nas quantidades e nos prazos desejados, máquinas e equipamentos utili- zados no sistema de produção podem quebrar, os funcionários podem faltar ao trabalho, enfim, muitas variáveis estão envolvidas na realiza- ção do planejamento com a efetividade desejada (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). O processo de planejamento na produção é dinâmico, em cada mo- mento, deve-se ter a noção da situação presente, a visão de futuro, os objetivos pretendidos (que podem ser alterados ao longo do tempo) e o entendimento de como esses elementos afetam as decisões que se de- vem tomar. Sendo assim, pode-se elaborar um planejamento para a pro- dução de longo, médio e curto prazo (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002; CORRÊA; CORRÊA, 2012): • O planejamento de longo prazo é aquele onde os gestores de produção fazem planos relativos ao que eles pretendem fazer, quais recursos serão necessários e quais objetivos esperam atin- gir. Note que, a abordagem está mais relacionada ao como a área de produção poderá realizar a estratégia de operações onde os objetivos estratégicos geralmente são tratados em termos de re- torno financeiro para a organização. • Já no planejamento de médio prazo, o nível de detalhamento é bem maior pois, deve-se considerar a demanda de cada item a ser produzido e, dessa forma, planejar os recursos necessários (máquinas, equipamentos, pessoal, dentre outros) de tal forma, que a demanda de todos os itens seja atendida. Outro aspecto 74 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . que diferencia o planejamento de médio prazo é que, geralmente, são estabelecidos planos contingenciais para os possíveis des- vios dos planos. • O planejamento de curto prazo, como o próprio nome já diz, está relacionado com as intervenções necessárias para que a produ- ção atinja os resultados esperados. Não é possível fazer grandes mudanças nos recursos, porém, considera os objetivos operacio- nais para o atendimento da demandade cada item. A programação é a atividade que aloca os recursos ao longo do tem- po, para realizar tarefas específicas. Se no planejamento os gestores consideram quais recursos serão necessários para que a demanda de produtos e serviços seja atendida, a programação faz com que esses recursos previstos no planejamento, sejam devidamente alocados, ge- ralmente com a elaboração de um cronograma (ou mapa de produção) com a definição do momento em que a produção de cada item terá início e quando a produção da quantidade do item será encerrada. De nada adianta a elaboração de um adequado planejamento se não hou- ver uma programação adequada, ou seja, que permita a realização do que foi planejado. PARA SABER MAIS Sobre como elaborar a programação da produção de acordo com o tipo de processo produtivo, leia o capítulo 16 – Programação do livro: Ad- ministração de produção e operações (KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHO- TRA, 2009, p. 568 – 588). Por fim, é muito difícil separar os conceitos de planejamento e con- trole na produção pois, se o planejamento formaliza o que se pretende produzir, o controle é o processo de monitorar a realização das ativida- des para que a produção aconteça de acordo com o planejado. 75Planejamento, programação e controle da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Após compreender o conceito e a importância do PPCP, fica fácil perceber a importância estratégica dessa área para a efetividade das ações do sistema de produção. Entretanto, até para que se possa com- preender, a partir de qual momento o PPCP deve realizar as suas ati- vidades, é importante que se compreenda qual é o encadeamento de informações e de etapas de planejamento até o momento em que se produz um determinado produto. A figura 1 apresentada a seguir, ilustra as etapas e o horizonte de planejamento. Figura 1 – Fases do planejamento da produção na manufatura Horizonte de planejamento Longo prazo Estratégia de operações Médio prazo Planejamento de vendas e operações (planejamento agregado) Curto prazo Plano mestre de produção Sistema PPCP Fonte: adaptado de Gaither e Frazier (2005, p. 236). A definição da estratégia de operações tem um horizonte de longo prazo e deve estar alinhada à estratégia de negócios da organização e contempla planos relacionados à capacidade de produção (definição de novas instalações, tamanho e capacidade de produção), posiciona- mento da proposta de valor a ser entregue com os produtos e serviços, investimentos em processos, tecnologias, pessoas e outros recursos necessários para a produção, enfim, apresenta uma perspectiva estra- tégica sobre as ações a serem desdobradas a longo prazo para que a área de produção se mantenha competitiva. 76 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . O planejamento de vendas e operações ou S&OP (sales and operations planning) no passado, era chamado de planejamento agregado (plane- jamento que considera a demanda agregada por família de produtos, facilitando para que as empresas possam balancear a produção com a demanda, tomando como referência um horizonte temporal de mé- dio prazo). Esse planejamento exerce uma função importante para a empresa pois realiza a integração vertical entre os níveis de decisão diferentes, ou seja, entre o nível estratégico e o operacional. Pode-se dizer que o planejamento de vendas e operações funciona como um elo entre a estratégia de operações e o plano mestre de produção. Também permite a integração horizontal entre decisões do mesmo nível, mas de diferentes funções da empresa, como marketing (pois informa todos os pedidos em carteira), manufatura (pois informa sobre todos os produtos a serem produzidos), finanças (pois informa todas as necessidades de compras de materiais e insumos para a produção, bem como todos os pedidos em carteira e seu respectivo faturamento), entre outras. Sendo assim, serve como um elo entre as diferentes funções da organização, permitindo um alinhamento das iniciativas em torno dos resultados es- perados (CORRÊA; CORRÊA, 2012). O plano mestre de produção ou MPS (master production schedule), detalha quantos itens finais serão fabricados dentro de períodos espe- cíficos. Serve para atender os pedidos dos clientes ou para renovar os estoques de itens acabados. Com base nas informações do plano mes- tre de produção é possível determinar quais são os produtos a serem produzidos em um período (OLIVEIRA, 2020). O sistema de planejamento, programação e controle da produção re- cebe as informações do plano mestre de produção e elabora os crono- gramas para produção de peças e montagens a serem realizadas, define as necessidades de compra de materiais, elabora o mapa de produção para que possa visualizar como está a ocupação das máquinas, ou seja, define os recursos necessários para produzir os lotes de cada tipo de pro- duto, previstos no plano mestre de produção, considerando as horas de trabalho necessárias para a produção, os materiais e equipamentos e as capacidades de produção. Basicamente, temos quatro tipos de sistemas 77Planejamento, programação e controle da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. de PPCP, os sistemas de concentração nos gargalos, os sistemas de estoque de reserva, os sistemas de empurrar e os sistemas de puxar a produção, vale ressaltar que esses sistemas podem ser utilizados em to- dos os tipos de produção, desde que se façam os ajustes necessários de acordo com cada situação (GAITHER; FRAZIER, 2005). O sistema de planejamento e controle da produção DBR – Drum – Buffer – Rope (Tambor – Pulmão – Corda) segue uma lógica que tem como pressuposto inicial, identificar qual é o elemento mais restritivo do sistema, o chamado gargalo. A partir do gargalo, o sistema DBR estabe- lece que o ritmo de produção de todo o sistema deve estar subordinado à taxa do elemento restritivo, ou seja, do gargalo (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). Assim, chamamos de tambor, o compasso ou a taxa de produção subordinada ao gargalo. O tambor define a velocidade máxima que o sistema produtivo é capaz de manter sob as condições mais adequa- das possíveis tendo baixa variabilidade e pouca ou nenhuma interrup- ção na produção. Vale ressaltar que, com exceção do gargalo, todos os demais recursos devem operar abaixo de sua capacidade máxima, ou seja, para estes recursos, a eficiência deixa de ser uma medida crí- tica pois, como temos um gargalo, será ele o responsável pela eficiên- cia ou não do sistema como um todo. Partindo do pressuposto que os sistemas produtivos podem sofrer variações, é fundamental que seja implementada alguma proteção ao tambor. Essa proteção é chamada de pulmão. Também podemos colocar um pulmão antes do ponto de remessa visando proteger os programas de remessa aos clientes. O pulmão funciona como um amortecedor de tempo que planeja os fluxos no gargalo. O tamanho do pulmão não é função do gargalo, mas sim do tempo necessário para que um material abasteça o garga- lo. Assim, é o pulmão quem define quanto tempo antes do programa- do pelo tambor deve-se liberar material para uma determinada ordem de produção. É o pulmão quem determina o comprimento da corda a ele associada. A corda faz a ligação da liberaçãodo material ao siste- ma produtivo de acordo com o compasso ou ritmo estabelecido pelo 78 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . tambor. Assim, a corda evita excessos de estoques em processo no sistema de produção. Os sistemas do estoque de reserva para planejamento e controle da produção se baseiam na manutenção de depósitos de materiais para sustentar a produção, sendo assim os produtos são produzidos inde- pendente da informação sobre a demanda e armazenados no estoque. A seguir, vamos estudar o sistema MRP, utilizado para o cálculo de necessidades de materiais para o sistema produtivo. Esse sistema é um muito utilizado nos sistemas de empurrar. 2 Cálculo de necessidades – sistema MRP Baseado nas informações geradas no plano mestre de produção, faz-se necessário o cálculo das necessidades de materiais é uma ativi- dade de rotina para o PPCP que, a partir do momento em que recebe as informações do plano mestre de produção, automaticamente necessi- ta efetuar os cálculos de necessidades para todos os materiais e itens componentes de cada produto que será produzido. O MRP (materials requirement planning – planejamento da necessi- dade de materiais) é um sistema de informações computadorizadas de grande utilização para a administração de estoques de produtos cuja demanda é dependente (quando a demanda de um item depende da demanda de outro item ou produto). Esse sistema facilita as atividades de produção, pois calcula as necessidades de materiais de forma que sejam evitadas sobras ou falta de recursos (LAUGENI; MARTINS, 2015). A terminologia utilizada na produção é a de que o MRP recebe as informações do plano mestre de produção e, explode (calcula) as ne- cessidades de materiais, definindo as quantidades de matérias-primas, peças, submontagens e montagens necessárias em cada semana do horizonte de planejamento. Como informações de entrada para o sistema MRP temos os re- gistros de estoques, e as listas de materiais (BOM – Bill of material) 79Planejamento, programação e controle da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. para cada produto além das informações do plano-mestre de produção (CHASE; AQUILANO; JACOBS, 2006). A partir do recebimento de todas essas informações, o MRP identi- fica as ações a serem desdobradas para manter a programação, como liberar novos pedidos de produção, liberar ordens de compras, ajustar quantidades de pedidos e despachar pedidos atrasados. O MRP converte o plano mestre de produção e outras fontes de de- manda, como a demanda independente por peças de reposição e itens de manutenção, em necessidades para todos os subconjuntos, compo- nentes e matérias-primas necessárias para fabricar os itens requeridos pelo item de origem. Esse processo é chamado de explosão do MRP pois converte as necessidades de vários produtos finais em um plano de necessidades de material. Para que possamos compreender melhor a utilização das listas de materiais, precisamos primeiro conhecer a árvore ou estrutura do pro- duto. Assim, vamos utilizar como exemplo a estrutura do produto P. Figura 2 – Estrutura do produto P P B(1)A(2) C(3) G(2)H(1)E(1)D(1) F(4) F(3) Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Fonte: adaptado de Oliveira (2020, p. 166). A figura apresenta a estrutura do produto P com todos os seus com- ponentes e respectivas quantidades entre parênteses o que permite a 80 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .elaboração de uma lista de material (OLIVEIRA, 2020). A árvore ou es- trutura para o produto P, é dividida em níveis hierárquicos, numerados de forma crescente quanto maior for a desagregação. Dessa forma, o nível zero (0) corresponde ao próprio produto final; o nível um (1), aos agrupamentos primários de componentes que, combi- nados, fornecem diretamente o produto final; o nível dois (2), aos agru- pamentos secundários de componentes que formam os agrupamentos primários, e assim por diante. Para cada um dos componentes ou agrupamento de componentes, o número entre parênteses corresponde à quantidade de unidades ne- cessárias para formar uma unidade do agrupamento imediatamente superior. Com as informações da árvore ou estrutura de cada produto, pode- mos elaborar a lista de materiais com as respectivas quantidades de cada material necessário para a montagem ou fabricação de cada pro- duto da empresa. Essas listas de materiais mostram quais e quantos itens são neces- sários para fabricar ou montar outros itens, no caso da figura apresen- tada para a montagem do produto P. A utilização do sistema MRP permite obter informações sobre: • O que comprar? – tipos de itens a serem comprados. • Quanto comprar? – quantidade de cada item a ser comprado, tendo como base as informações de estoques e as necessidades de produção, que estão baseadas na previsão de vendas. • Quando comprar? – relacionada à data, ou seja, ao melhor perí- odo de fazer a compra, antes que falte o produto, evitando que o processo produtivo seja interrompido por falta de material. Dessa forma, percebemos a importância e a aplicabilidade do sis- tema MRP para o cálculo das necessidades de materiais. A seguir, 81Planejamento, programação e controle da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. vamos estudar os conceitos de Kanban, do sistema just in time e de produção enxuta. 3 Kanban e just in time Para que possamos estudar os conceitos de kanban e de just in time, é importante antes compreendermos o conceito de produção enxuta. A produção enxuta se baseia na lógica de que nada deve ser produ- zido até que seja necessário. Os sistemas de produção enxuta ou siste- mas lean de produção, são sistemas que maximizam o valor adicionado por cada uma das atividades de uma empresa por meio da elimina- ção de recursos desnecessários e demoras excessivas (KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009). Podemos dizer que a produção enxuta pode ser tratada como uma filosofia, bem como um método para o planejamento e controle da pro- dução, tendo em vista que o seu conceito tem implicações muito mais amplas no que se refere ao aprimoramento do desempenho da produção. A filosofia e os elementos da produção enxuta foram desenvolvidos no Japão e incorporados no Sistema Toyota de Produção, a principal re- ferência de utilização da produção enxuta. Esse sistema é formado por quatro regras implícitas que guiam a concepção, o projeto, operação e melhoria de qualquer atividade, relação ou fluxo para produto e serviço. Essas quatro regras são as seguintes (MARTINS; LAUGENI, 2015): • Todo trabalho deve ser altamente especificado no seu conteúdo, sequência, tempo e resultado; • Toda relação cliente-fornecedor (interno e externo) deve ser di- reta, com um canal definido e claro para enviar pedidos e rece- ber respostas; 82 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d eal un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • O fluxo de trabalho e processo para todos os produtos e serviços deve ser simples e direto; • Qualquer melhoria deve ser feita pelo método científico, sob coor- denação de um orientador, e no nível mais baixo da organização. O Sistema Toyota de Produção foi desenvolvido para melhorar a qua- lidade e produtividade, e está fundamentado nas duas filosofias princi- pais da cultura japonesa: eliminação dos desperdícios e respeito pelas pessoas. A seguir vamos entender melhor como essas filosofias são aplicadas na produção (CHASE; JACOBS; AQUILANO; 2006). 3.1 Desperdício O desperdício pode ser definido como qualquer coisa que não agre- ga valor sob a perspectiva do cliente. Assim podemos destacar como exemplos na produção: produtos produzidos com defeitos, produção em excesso, excesso de estoques, movimentação em excesso, espera, transporte e etapas desnecessárias de processo. O desperdício foi definido pelo ex-presidente da Toyota, Fujio Cho como: tudo que não for quantidade mínima de equipamentos, materiais, peças e funcionários (tempo de trabalho) que são absolutamente es- senciais para a produção (JACOBS; CHASE, 2012). Internamente a Toyota utiliza o termo em japonês muda, que signifi- ca desperdício, ou qualquer atividade que o cliente não está disposto a pagar. É o oposto de valor, que é, simplesmente, o que um cliente está disposto a pagar. Segundo o sistema de produção enxuta proposto pela Toyota exis- tem oito tipos diferentes de desperdícios que devem ser sistematica- mente eliminados do processo produtivo. A seguir, vamos conhecer me- lhor cada um desses tipos de desperdícios (GAITHER; FRAZIER, 2005): 83Planejamento, programação e controle da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Excesso de produção: produzir em excesso significa produzir coisas que não serão vendidas, porém que geram custos relacio- nados aos depósitos (tanto a construção como a manutenção dos depósitos para armazenar os produtos acabados); custos re- lacionados à utilização das máquinas e de trabalhadores para a produção; custos relacionados ao consumo de energia elétrica e combustíveis, custos relacionados ao consumo de peças, mate- riais e equipamento. Assim, este tipo de desperdício (muda) deve ser eliminado sistematicamente na produção. • Tempo de espera: este tipo de desperdício (muda) ocorre quando um trabalhador precisa esperar para que o material seja entregue ou para que uma parada na linha de produção seja resolvida, ou quando funcionários ficam parados esperando que uma máquina processe uma peça. Também pode ocorrer quando há excesso de produtos em processo (WIP – work in process) devido a uma grande produção de lotes, problemas no equipamento linha abai- xo ou defeitos que exigem correção. • Transporte: o desperdício (muda) no transporte inclui o desper- dício em grande escala causado pelo arranjo físico ineficiente no local de trabalho, pelo equipamento excessivamente grande, ou pela produção tradicional de lotes. Isso ocorre quando grandes lo- tes precisam ser transportados de um processo para outro. Assim, produzir lotes menores e colocar os processos mais próximos uns dos outros pode reduzir o desperdício (muda) de transporte. • Estoque: o desperdício (muda) de estoque está relacionado à manutenção de matéria-prima, peças e estoques em processo (WIP – work in process) desnecessariamente. Essas condições resultam do fluxo reprimido em uma fábrica e no caso em que a produção não está ligada ao ritmo do mercado (puxar). 84 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Excesso de processamento: esta é uma forma sutil de desper- dício (muda) relacionado a produzir mais do que o cliente re- quer, ou seja, muitas vezes, a empresa desenvolve e aplica uma tecnologia ou etapa de processo sem saber se realmente essa ação vai agregar valor para o cliente que não foi em nenhum momento consultado. • Movimento: movimento desperdiçado tem tanto um compo- nente humano quanto mecânico envolvido. Movimento humano desperdiçado está relacionado à ergonomia do local de trabalho. Maus projetos ergonômicos afetam de forma negativa a produti- vidade e qualidade, além de afetar a segurança. A produtividade de trabalhador reduz quando há caminhar, alcançar ou torcer o corpo, ou seja, movimentos que o trabalhador precisa realizar e que são desnecessários e que podem impactar a qualidade dos produtos. Já o desperdício (muda) de movimentos mecânicos ocorre quando a peça e a máquina estão desnecessariamente longes um do outro. Uma melhoria simples seria reposicioná-los em locais próximos. O mesmo raciocínio se aplica quando temos máquinas que estão muito distantes umas das outras resultando em um desperdício (muda) de movimento desnecessário. • Correção de produtos com defeitos: o desperdício (muda) de correção está relacionado a produzir e ter que consertar produtos com defeito. Consiste em todo o material, o tempo e a energia envolvidos na produção e no conserto de defeitos. • Conhecimento sem ligação: este tipo de desperdício (muda) ocorre quando existe falha na comunicação dentro de uma em- presa ou entre a empresa e seus clientes e fornecedores. A falta de comunicação dentro de uma empresa pode ser horizontal, ver- tical ou temporária. A principal consequência deste tipo de des- perdício é que isso inibe o fluxo de conhecimento, ideias e criati- vidade, gerando frustração e perda de oportunidades, ou seja, o 85Planejamento, programação e controle da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. conhecimento sem ligação de nada adianta para a melhoria do desempenho de um sistema de produção. 3.2 Respeito pelas pessoas O respeito pelas pessoas é um ponto crucial no Sistema Toyota de Produção. A Toyota tradicionalmente se esforça para assegurar o em- prego vitalício para posições permanentes e manter as folhas de pa- gamento inalteradas mesmo quando as condições de mercado são prejudicadas (JACOBS; CHASE, 2012). Sendo assim, os funcionários permanentes possuem segurança de emprego e costumam ser mais flexíveis, fiéis à empresa e fazem tudo o que for possível para ajudar a empresa a alcançar os seus objetivos. O respeito pelas pessoas é fundamentado na construção de relacionamento de confiança, envolvi- mento dos colaboradores, desenvolvimento contínuo, autonomia, den- tre outros. Porém infelizmente, as recessões globais, fizeram com que muitas empresas japonesas se distanciassem desse ideal. Agora que já conhecemos os preceitos básicos da produção enxuta, podemos falar de maneira mais clara sobre o sistema just in time – JIT. O JIT significa produzir bens e serviços exatamente quando são neces- sários, ou seja, não produz antes para não gerar estoques e nem pro- duz depois para não deixar o cliente esperando. Além dessa abordagem temporal, o JIT também contempla a necessidade de se produzir com qualidade e eficiência. IMPORTANTEO JIT visa atender à demanda instantaneamente, com qualidade perfei- ta e sem desperdícios, é um sistema puxado pela demanda do cliente (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). 86 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Dessa forma, de maneira mais abrangente, pode-se definir o JIT como uma abordagem disciplinada para a produção, que se baseia no aprimoramento global e na eliminação dos desperdícios. Com isso, a produção será mais eficaz em termos de custo, bem como o forneci- mento somente da quantidade correta, utilizando o mínimo de instala- ções, equipamentos, materiais e recursos humanos. O JIT depende do equilíbrio entre a flexibilidade do fornecedor e a flexibilidade do usuário. Sua implementação demanda a aplicação de elementos para a redu- ção de desperdícios, simplificação e aprimoramento da qualidade o que demanda um envolvimento total das pessoas para sua efetividade (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). Podemos afirmar que o JIT é muito mais do que uma técnica de gestão de operações, mas sim, uma filosofia que engloba aspectos da gestão de materiais, gestão da qualidade, arranjo físico, projeto de produto, organização do trabalho, gestão de recursos humanos entre outros. Tem como objetivos operacionais fundamentais a qualidade e a flexibilidade. Para tanto, estabelece como metas de gestão acima de qualquer outra: a melhoria contínua e a redução de desperdícios. A produção just-in-time segue algumas regras consideradas até cer- to ponto, bastante simples, mas que, se implementadas com efetivida- de poderão ser traduzidas em ótimos resultados para a operação. As quatro regras básica do JIT são (OLIVEIRA, 2020): • não produzir nenhum item sem que o cliente tenha feito um pedido; • nivelar a demanda para que o trabalho possa proceder de forma tranquila em toda a fábrica (em japonês, “heijunka”, que dá supor- te ao trabalho padronizado e ao processo de melhoria contínua. A meta é sempre produzir no mesmo ritmo todos os dias para minimizar os picos e os vales na carga de trabalho). 87Planejamento, programação e controle da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • conectar todos os processos à demanda do cliente através de ferramenta visual simples (chamadas kanban – cartões de sinali- zação que sincronizam e fornecem instruções aos fornecedores e clientes tanto dentro como fora da fábrica); e • maximizar a flexibilidade de pessoas e máquinas em relação às pessoas, que devem ser multifuncionais e precisam se desenvol- ver para que possam tomar decisões e a resolver problemas na produção, com relação às máquinas, os setups (tempo de troca de ferramentas ou de ordens de produção em uma máquina) de- vem ser rápidos para possibilitar a produção de lotes menores e aumentar o retorno sobre o investimento em máquinas devido à maximização do seu tempo produtivo. O JIT utiliza um sistema simples, chamado Kanban para retirar as peças em processamento de uma estação de trabalho e puxá-las para a próxima estação do processo produtivo. Os sistemas de controle da produção denominados Kanban, utilizam um dispositivo de sinalização para regular os fluxos da produção (LAUGENI, MARTINS, 2015). Kanban significa “sinal” ou “cartão de instruções” em japonês. Esses cartões são utilizados para controlar o fluxo de produção dentro de uma fábrica. Esse sistema de controle dispensa papel, utilizando muitas ve- zes, contêineres. Dessa forma, as partes fabricadas ou processadas são mantidas em contêineres e, somente alguns desses contêineres são fornecidos à estação de trabalho subsequente. Quando todos os contêineres estão cheios, a máquina para de produzir, até que retorne outro contêiner va- zio, que funciona como uma ordem de produção. Com isso, os estoques de produtos em processo são limitados aos disponíveis nos contêineres e só são fornecidos quando necessário. O sistema kanban é um sistema de puxar, pois o programa de montagem puxa as partes dos postos de trabalho anteriores e, estes por sua vez, 88 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . puxam as partes dos postos de trabalho anteriores e assim sucessiva- mente até chegarem aos fornecedores externos. Por fim, um aspecto bastante significativo do sistema kanban é a sua natureza visual, onde todas as peças são colocadas em contêineres do mesmo tamanho e geralmente possuem um cartão para a identifica- ção com as informações relevantes para a produção. PARA PENSAR Faça uma pesquisa na empresa onde você trabalha, mais especifica- mente no setor onde você atua e tente identificar quais são os tipos de desperdícios existentes. Depois tente planejar ações para que estes desperdícios sejam eliminados ou minimizados. Considerações finais Neste capítulo, tivemos a oportunidade de estudar um sistema con- siderado estratégico para o bom andamento da produção, ou seja, o PPCP (planejamento, programação e controle da produção). Para tanto, percebemos a importância do alinhamento entre a es- tratégia de operações, o planejamento de vendas e operações, o plano mestre de produção e o PPCP. Estudamos o sistema MRP (materials requirement planning), muito utilizado para o cálculo das necessidades de materiais para itens de demanda dependente. Também estudamos o conceito de produção enxuta, mais especifi- camente, os princípios de sua filosofia aplicada pelo Sistema Toyota de Produção, que remetem à eliminação dos desperdícios e a valorização das pessoas. Com base nesses preceitos, estudamos o sistema just in 89Planejamento, programação e controle da produção M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. time e o sistema kanban. Esses sistemas permitem às organizações um melhor aproveitamento dos recursos e maior eficácia nos resulta- dos obtidos. Dessa forma, compete aos gestores de produção, não só conhecer essas filosofias e ferramentas, mas fazer bom uso nos processos pro- dutivos, sempre visando a melhoria de desempenho e a entrega de valor aos seus clientes. Referências CHASE, Richard B.; JACOBS, F. Robert; AQUILANO, Nicholas J. Administração da produção e operações para vantagens competitivas. 11. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2006. CORRÊA, Henrique; CORRÊA, Carlos. Administração da produção e operações. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2012. GAITHER, Norman; FRAIZER, Greg. Administração da produção e operações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. JACOBS, F. Robert; CHASE, Richard B. Administração de operações e da cadeia de suprimentos. Porto Alegre: AMGH, 2012. KRAJEWSKI, Lee; RITZMAN, Larry; MALHOTRA, Manoj. Administração de produção e operações. 8. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. LAUGENI, Fernando Piero; MARTINS, Petrônio Garcia. Administração da produção. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. OLIVEIRA, Marcos Alberto de. Gestão de operações e serviços. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2020. SLACK, Nigel; CHAMBERS,Stuart; JOHNSTON, Robert. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 2002. 91 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 6 Gestão de demanda e estoque Uma das informações mais importantes para que a administração da produção seja realizada com a efetividade desejada é a informação de demanda. Afinal, para a produção ou não de um determinado produ- to, a empresa deve sempre considerar a sua demanda. Se a empresa sabe qual é o comportamento da demanda para um de- terminado item, ela poderá definir sua estratégia de produção, ou seja, se irá produzir para manter estoque desse produto, mesmo sem saber quan- do haverá demanda para ele, ou se a produção se dará somente após o recebimento do pedido. 92 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Em ambas as situações, temos um conceito muito importante: o conceito de estoque. Em muitos momentos, as empresas mantêm es- toques de produtos para conseguir atender às variações de demanda. Sendo assim, neste capítulo, vamos estudar a gestão de demanda e de estoques. 1 Demanda A informação de demanda (quantidade de um item a ser produzido para atender um pedido) é primordial para que a produção possa rea- lizar as suas atividades com eficiência e, assim, entregar os produtos dentro dos prazos estipulados. A gestão da demanda tem como objetivo coordenar e controlar to- das as fontes de demanda, tendo em vista que muitas decisões pode- rão ser tomadas na produção a partir do recebimento dessa informa- ção. Por exemplo: uma empresa fabricante de sacolas plásticas para uso nos supermercados precisa saber qual é a demanda do produto e adequar a própria capacidade produtiva (máquinas e funcionários) para atendê-la, além de planejar e programar os recursos de produção que serão utilizados e providenciar junto aos fornecedores a quantidade de matéria-prima necessária. Por outro lado, pode acontecer o contrário: talvez a empresa já tenha uma capacidade instalada suficiente para atender à demanda e ainda fique com parte da sua capacidade ociosa. Seguindo a mesma linha de raciocínio, assim como a empresa deve verificar se a sua capacidade produtiva é adequada para atender à de- manda, também deverá definir sua estratégia de produção para cada pro- duto (contra pedido ou para estoque), sua política de estoque (assumindo ou não a manutenção de estoque), sua política de compras junto aos for- necedores (para garantir o abastecimento sempre que necessário), entre outras decisões importantes a serem tomadas em relação à demanda. 93Gestão de demanda e estoque M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Analisando as ações necessárias, o processo até parece fácil para a empresa; entretanto, a demanda pode sofrer variações em razão de diversos fatores, tais como: desempenho da economia, ações dos con- correntes, campanhas publicitárias, etc., o que gera incerteza e impacta todas as ações e decisões na produção. Nesse contexto, a empresa deve analisar o comportamento de demanda de cada produto para es- tabelecer as ações mais adequadas e que atendam à demanda. As observações repetidas de demanda para um serviço ou produ- to em sua ordem de ocorrência formam um padrão conhecido como séries temporais. Basicamente, existem cinco padrões básicos da maioria das séries temporais de demanda (KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009): • Horizontal: surge quando a flutuação de dados de de- manda apresenta uma média constante; como exem- plo, podemos destacar a demanda de alimentos como o arroz e o feijão, que possuem um consumo com pou- ca variação ao longo do tempo, por serem produtos de primeira necessidade na alimentação. • Tendencial: surge quando ocorre o aumento ou a re- dução sistemática na média das séries de demanda ao longo do tempo; por exemplo: a demanda de produtos eletrônicos apresenta uma tendência de crescimento, tendo em vista que o meio digital está constantemen- te em expansão. Por outro lado, a demanda de um pro- duto pode sofrer uma redução sistemática ao longo do tempo, ocasionada, muitas vezes, pelo surgimento de novos produtos que podem substituí-lo e que apresen- tem características diferenciadas para os clientes. Um exemplo é a demanda por blu-rays, que está em queda em virtude da chegada das plataformas de streaming, como Netflix e Amazon. 94 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Sazonal: ocorre quando existe um padrão de picos de aumentos ou reduções na demanda que pode ser repe- tido, dependendo da hora, do dia, da semana, do mês ou da estação; como exemplos, podemos destacar os serviços de viagens nos períodos de férias escolares, os panetones no período de Natal, os sorvetes na estação do verão, dentre outros. • Cíclico: surge quando ocorrem aumentos ou reduções graduais menos previsíveis na demanda por período mais longos de tempo (anos ou décadas). Como exem- plo, podemos destacar os discos em vinil, que tiveram uma queda de demanda ao longo dos anos, pela migra- ção para os CDs, que posteriormente também sofreram redução por conta da disponibilização das músicas em plataformas digitais de músicas. E vale lembrar que, hoje em dia, os discos em vinil tiveram um aumento de demanda, graças aos colecionadores e ao interesse das novas gerações pelo produto. • Aleatório: ocorre quando a variação de demanda é im- previsível. Nesse caso, a demanda de um item pode seguir mais de um padrão ao longo do tempo, ou seja, o mesmo produto pode apresentar uma demanda hori- zontal em um período e, em outros, pode assumir uma demanda tendencial, tanto de crescimento como de queda, ou até mesmo ter uma demanda sazonal, depen- dendo do comportamento do mercado. A figura 1 demonstra os possíveis padrões de demanda. 95Gestão de demanda e estoque M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Figura 1 – Padrões de demanda Qu an tid ad e Tempo Horizontal: dados agrupados em torno de uma linha horizontal. Qu an tid ad e Tempo Tendencial: os dados aumentam ou diminuem consistentemente. Qu an tid ad e Tempo Sazonal: dados indicam consistentemente picos e vales. Qu an tid ad e Tempo Cíclico: os dados revelam aumentos e diminuições graduais em períodos longos de tempo. Ano 2 Ano 1 Fonte: adaptado de Krajewski, Ritzman e Malhotra, 2009, p. 438. Observando a figura 1, fica fácil perceber a diferença entre os pa- drões de demanda apresentados, o que fará com que a empresa adote estratégias diferentes para que a produção possa atender a cada um deles. Vale ressaltar que, na figura 1, não consta o padrão de deman- da aleatório – até porque esse padrão, como o próprio nome diz, pode apresentar qualquer um dos quatros padrões de demandaem períodos distintos, o que dificulta ainda mais a sua previsão. Se considerarmos os padrões de demanda em um supermercado, temos que: O padrão de demanda diário e semanal de um supermercado irá flutuar, com algum grau de previsibilidade. Por exemplo, a deman- da pode ser baixa na parte da manhã, aumentando durante a tarde, com picos no horário do almoço e depois do trabalho, à noite. 96 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .A demanda pode ser baixa nas segundas e terças-feiras, aumen- tando durante a parte final da semana e alcançando um pico nas sextas-feiras e sábados. (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002, p. 319) É importante compreender que todas as empresas terão que lidar com flutuações de demanda e adotar as ações necessárias para en- tregar seus produtos e serviços no prazo acordado com o cliente. É um tema que faz parte do cotidiano das organizações. O desafio aqui é ten- tar prever o comportamento da demanda de cada um dos seus produ- tos e serviços. A previsão de demanda pode ser definida como um processo no qual a empresa busca, de maneira racional, informações sobre a possibilida- des de venda ou não de um ou mais produtos; entretanto, como se trata de uma previsão, ela é passível de erro (OLIVEIRA, 2020). Existem quatro tipos básicos de previsão: • Qualitativa: técnica subjetiva ou arbitrária que se baseia em esti- mativa e opiniões. • Análise de séries temporais: parte do pressuposto que os dados relacionados à demanda passada podem ser usados para prever a demanda futura. • Relações causais: parte da suposição que a demanda esteja re- lacionada a algum fator ou fatores subjacentes ao ambiente, ou seja, há fatores que influenciam a demanda. • Simulação: os métodos de simulação permitem que se faça uma série de suposições sobre a condição da previsão. Vale destacar que os fatores que influenciam a escolha do modelo de previsão são os seguintes: horizonte de tempo a ser previsto, dis- ponibilidade de dados, exatidão necessária, volume do orçamento da 97Gestão de demanda e estoque M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. previsão e disponibilidade de pessoal qualificado (CHASE; JACOBS; AQUILANO, 2006). Agora, vamos estudar os métodos de média móvel simples, de mé- dia móvel ponderada e de suavização exponencial, que se enquadram como modelos de previsão de séries temporais que buscam prever a demanda futura com base no comportamento da demanda passada. 1.1 Média móvel simples Esse método parte do pressuposto que a previsão para o período t, imediatamente futuro, é obtida tomando-se a média aritmética dos n valores reais de demanda imediatamente passados. Por exemplo: um fabricante de peças plásticas tem as demandas reais de jarras de um litro descritas na tabela 1 a seguir, em milhares de unidades, de maio a agosto. Considere que, em termos de tempo, estamos no início de setembro, mês para o qual queremos estimar a demanda. Tabela 1 – Demanda de jarras nos últimos quatro meses MÊS DEMANDA REAL X (1.000 UNIDADES) Maio 40 Junho 48 Julho 60 Agosto 56 O primeiro passo é escolher o valor de n; essa variável é igual à quan- tidade de meses que estaremos considerando para o cálculo da média. Vale ressaltar que essa escolha é relativamente arbitrária, tendo em vis- ta que, quanto maior o n, mais os efeitos sazonais serão suavizados. 98 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Sendo assim, vamos considerar, para o nosso exemplo, que foi estabe- lecido um n = 4, ou seja, os valores de demanda dos últimos 4 meses. Isso implica dizer que a demanda prevista para qualquer mês será sem- pre a média aritmética das demandas reais dos últimos quatro meses. Dessa forma, temos: Previsão (setembro) 4 51= = (40 + 48 + 60 + 56) Assim, temos que a previsão de demanda para o mês de setembro é calculada por meio da soma da demanda dos últimos quatro meses dividida por quatro, o que resulta em 51. Seguindo sempre essa linha de raciocínio (somar as demandas dos meses anteriores e dividir pela quantidades de meses), se n = 1, significa que a previsão se resume a tomar o valor da última demanda real verificada; se n = 12, isso corres- ponde a anular completamente todos os efeitos sazonais distribuídos ao longo do ano. Trata-se de um método que pode ser eficiente se a demanda a ser analisada for horizontal, ou seja, com pouca variação em torno de um valor médio. Para demandas tendenciais, cíclicas ou sazonais, a ten- dência é que a previsão fornecida por esse método esteja sempre em “atraso” em relação aos valores reais. 1.2 Média móvel ponderada A principal diferença entre média móvel e média móvel ponderada é que, na média móvel ponderada, os valores recebem pesos diferentes, para que possam refletir a importância maior dos valores mais recentes de demanda (MOREIRA, 2012). Por exemplo: se utilizarmos os mesmos dados do exemplo anterior e atribuirmos pesos para cada mês, levando em conta que os pesos maiores serão atribuídos aos meses mais próximos e que a somatória dos pesos atribuídos deve ser igual a 1, teremos a seguinte situação apresentada na tabela 2. 99Gestão de demanda e estoque M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Tabela 2 – Demanda de jarras nos últimos quatro meses, com pesos atribuídos MÊS DEMANDA REAL X (1.000 UNIDADES) PESO Maio 40 0 Junho 48 0,2 Julho 60 0,3 Agosto 56 0,5 Dessa forma, para o cálculo da média móvel ponderada, vamos man- ter n igual a 4, com as demandas reais de maio, junho, julho e agosto, e efetuar o cálculo da média: Previsão (setembro) = 0 (40) + 0,2 (48) + 0,3 (60) + 0,5 (56) = Previsão (setembro) = 0 + 9,6 + 18 + 28 = 55,6 A principal vantagem da média móvel ponderada em relação à simples é que os valores mais recentes da demanda, que podem estar revelando algum tendência de comportamento, recebem uma importância maior. 1.3 Suavização exponencial É um método que não elimina nenhuma informação passada, po- rém, ajusta os pesos atribuídos de tal forma que os dados mais antigos tenham, proporcionalmente, menos peso; daí o nome do método de su- avização exponencial (CORRÊA; CORRÊA, 2012). Por exemplo: um fabricante de calçados fez uma previsão de 400 unidades de demanda para um determinado modelo de chinelo para um determinado mês do ano. Entretanto, a demanda real desse produto foi de 500 pares de chinelos. Levando em conta o ocorrido, uma ação interessante seria aumentar a previsão em 100 pares para o próximo 100 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P aulo .período. Com isso, se esse erro de previsão realmente estiver indicando que a demanda está mudando, as próximas previsões também seriam alteradas. Entretanto, nem sempre a empresa quer incorporar o erro total. Nesse caso especificamente, adicionando os 100 pares, não levamos em conta que esse erro pode ter sido uma simples variação em torno da média. Sendo assim, a proporção do erro que será incorporada na previsão é o que chamamos de constante de suavização exponencial (identificada como a variável α – alfa). A variável α é um número que varia de 0 a 1 e representa a influência percentual da demanda real do último período na previsão do próximo período. Além de α, também deve ser acrescentado no cálculo a taxa exponencial (t) com que caem os pesos de ponderação dos dados his- tóricos. Essa taxa deve ser multiplicada pela previsão que desejamos corrigir. Sendo assim, seu valor deve ser igual ao resultado de 1 menos o valor de α. Tabela 3 - Cálculo da taxa exponencial MÊS TAXA t (1 – α) t – 1 α (1 – α) t – 2 (1 – α)2 t – 3 (1 – α)3 t – 4 (1 – α)4 Dessa forma, considerando a proporção de 100 para 500, a constan- te de suavização exponencial será igual a 0,2, ou seja, 100/500. Com isso, o modelo de cálculo da nova média será (OLIVEIRA, 2020, p. 141): 101Gestão de demanda e estoque M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Nova previsão = [(demanda real do último período) x (α)] + [(última previsão) x (1- α)] Em que: (α) é a chamada “constante de suavização”, número entre 0 e 1 que dá a influência percentual da demanda real do último período na previ- são do próximo período; (1 – α) é a taxa exponencial com que caem os pesos de ponderação dos dados históricos de α (referente ao mês passado mais recente “t”). Substituindo os valores na equação, temos que: Nova previsão = [(500) x (0,2)] + [(400) x (1- 0,2)] = 100 + 320 = 420 pares de chinelos Assim, temos a nova previsão de demanda para os chinelos utilizan- do a técnica de suavização exponencial. Agora que já compreendemos a importância do estudo, previsão e gestão da demanda, vamos tratar de outro assunto muito importante para a administração da produção: o conceito de estoque. 2 Estoque Estoque pode ser definido como quaisquer quantidades de bens físicos que sejam conservados, de forma improdutiva, por algum intervalo de tempo. Os estoques po- dem ser tanto de produtos acabados que aguardam ser vendidos como também de matérias-primas e componentes que aguardam ser utilizados na produção. (MOREIRA, 2009, p. 431) Os estoques fazem parte do cotidiano das pessoas, pois as famílias possuem em suas casas estoques de alimentos e bebidas para que não tenhamos que sair de casa a cada refeição e comprar os ingredientes. 102 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .A manutenção desses produtos em casa, no armário da cozinha e na geladeira, nos permite uma resposta rápida para o preparo de uma refei- ção sempre que necessário e, da mesma forma, aumenta a nossa flexi- bilidade de escolha de opções para o cardápio de cada refeição. Muitas vezes, compramos ingredientes com antecedência para uma ocasião especial (uma festa, por exemplo), ou até por identificar uma condição comercial interessante (como alguma promoção). O fato é que, antes de ir ao supermercado para fazer as compras, verificamos os estoques dos ingredientes, temperos e alimentos para saber exatamente quais itens deverão ser repostos. Ou seja – cada um de nós realiza sistemati- camente um planejamento de estoque para se proteger contra a falta de produtos e, assim, obter o abastecimento ou suprimento adequado para a produção de nossas refeições. Considerando esse exemplo de nosso cotidiano e abordando a rea- lidade das empresas, podemos afirmar que a gestão de estoques deve ser uma atividade realizada criteriosamente pela organização, tendo em vista que sua gestão deve considerar não só os aspectos operacionais (materiais e insumos para o abastecimento dos processos produtivos) como também os aspectos financeiros (levando em conta que a manu- tenção de estoque significa manter capital de giro parado). Essas são decisões importantes a serem tomadas pelos gestores, afinal de contas, a área comercial deseja ter estoques de produtos aca- bados sempre que possível, para atender o quanto antes as demandas dos clientes; já a área de produção deseja ter os estoques de materiais e insumos, para que possa dar início à produção de um determinado item tão logo receba a ordem de fabricação. Porém, a área financeira considera a existência de estoque algo negativo, tendo em vista que existe muito capital alocado em sua manutenção, não só pelo custo do item estocado, mas também pelos custos associados à armazenagem. 103Gestão de demanda e estoque M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. IMPORTANTE Existem muitas razões pelas quais as gostamos de manter estoques, mas também há razões pelas quais a manutenção de estoques é consi- derada imprudente (GAITHER; FRAZIER, 2005). O fato é que os estoques surgem por diversos motivos. Dentre eles, podemos destacar (CORRÊA; CORRÊA, 2012): • Incerteza de previsões: o ideal para a produção seria sempre re- ceber com antecedência os pedidos em carteira, para que pudes- se se programar e atender à demanda. Entretanto, nem sempre essa situação é possível, devido às incertezas do próprio merca- do com relação às taxas de consumo e de suprimento, o que pre- judica as previsões. • Falta de coordenação entre fases do processo produtivo: o ideal seria ter todas as fases do processo produtivo trabalhando em um fluxo contínuo, sem acúmulos de estoques. Entretanto, sabemos que, muitas vezes, o problema de falta de coordenação já começa no fornecimento. Existem muitas situações nas quais o fornece- dor, por inflexibilidade do seu processo produtivo, só oferece lotes muito maiores do que a necessidade de abastecimento de um pro- cesso produtivo. Assim, a cada compra, sempre será gerado um estoque excedente, considerando a quantidade necessária para produzir. Outra forma de se gerar estoques no processo produtivo é a diferença de capacidade produtiva entre as etapas subsequen- tes do processo, gerando estoques de produtos em processo. Por fim, nem sempre a empresa possui um processo com capacida- de produtiva para atender aos picos de variação da demanda do mercado, o que a motiva, em muitas situações, a produzir mais do que necessário em períodos de baixa demanda, para que tenha estoque suficiente para atender aos picos de demanda. 104 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Especulação: em muitas situações, os estoques são gerados porque as empresas conseguem se antecipar à ocorrência de escassez e à correspondente alta de preço de um determinado produto, comprando quantidades superiores à sua real necessi- dade justamente para aproveitaro preço mais baixo e garantir o abastecimento. Da mesma forma, um fornecedor pode oferecer incentivos financeiros para que sejam adquiridos lotes com quan- tidades superiores à necessidade do momento, mas que propi- ciam à empresa a oportunidade de realizar compras econômicas. • Disponibilidade no canal de distribuição: em muitas situações, temos a necessidade de manter os produtos em centros de distri- buição localizados próximos aos mercados consumidores. Essa é uma situação muito comum para os produtos de consumo, como os alimentos, os produtos de higiene pessoal, dentre outros. PARA SABER MAIS Sobre as pressões para manter estoques baixos ou altos, leia o capítulo 12 (Administração de estoques) do livro: Administração de produção e operações (KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009, p. 384-408). Agora que já conhecemos quais são os principais motivos que ge- ram os estoques, vamos conhecer a sua classificação. Os tipos de es- toques são: • Estoque cíclico: esse tipo de estoque ocorre porque um ou mais estágios na operação não podem fornecer simultaneamente to- dos os itens que produzem. Por exemplo: um fabricante de emba- lagens produz três tipos de potes diferentes, que têm grande acei- tação pelo mercado, com uma demanda bem estável. Entretanto, para a fabricação desses três tipos de potes, a empresa utiliza a mesma máquina. Com isso, mesmo que as matérias-primas 105Gestão de demanda e estoque M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. estejam disponíveis, a empresa acaba produzindo lotes maiores do que a demanda para cada tipo de pote, considerando o tem- po que será necessário para a produção dos outros dois tipos de potes. Sendo assim, mesmo quando a demanda é estabelecida e previsível, haverá sempre algum estoque para compensar o forne- cimento irregular de cada tipo de produto. Podemos dizer que o estoque cíclico resulta da necessidade de produzir bens em lotes e sua quantidade depende de decisões sobre o volume de produ- ção (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002). • Estoque de segurança: os estoques de segurança são utilizados para evitar possíveis problemas e falta de atendimento ao clien- te por indisponibilidade do produto. Sendo assim, podemos dizer que um estoque de segurança nada mais é do que um estoque excedente que visa a proteger a empresa contra as incertezas da demanda, do tempo de espera pela entrega e das alterações na oferta. É fato que, em muitas situações, os estoques de seguran- ça são desejáveis, principalmente quando os fornecedores não conseguem entregar as quantidades desejadas de um determi- nado produto na data requerida. O principal objetivo desse tipo de estoque é assegurar que as operações não sejam interrompidas pela falta de abastecimento. Por exemplo: um fabricante de pe- ças plásticas produz cerca de 25 tipos diferentes de utensílios domésticos, com demandas bem variáveis; entretanto, a matéria- -prima utilizada para a produção de todos esses itens é a mesma. Dessa forma, visando a atenuar os impactos das possíveis varia- ções de demanda, a empresa adotou um estoque de segurança de 25 toneladas de matéria-prima. Assim, caso ocorra alguma va- riação representativa na demanda de um ou mais utensílios do- mésticos, a empresa terá condições de absorver essas variações graças ao estoque de segurança de matéria-prima. • Estoque em trânsito: o estoque em trânsito ocorre quando os materiais estão em deslocamento de um ponto a outro no siste- ma de fluxo de materiais. Sendo assim, os estoques se deslocam 106 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .de um fornecedor até a fábrica, da fábrica até um centro de dis- tribuição ou a um revendedor, ou mesmo ao cliente. Em linhas gerais, o estoque em trânsito nada mais é do que os pedidos já colocados em carteira, mas que ainda não foram recebidos. Por exemplo: uma empresa comprou um lote de embalagens de um fornecedor que está distante 1.000 km da sua fábrica. O lote de embalagens já saiu do fornecedor, e só deverá chegar ao seu des- tino após 2 dias de viagem. • Estoque de antecipação: esse é o estoque utilizado para absor- ver taxas irregulares de demanda ou de oferta que podem ser enfrentadas pelas empresas. Geralmente, padrões de demanda previsíveis (sazonais) levam à utilização de estoques de anteci- pação. Dessa forma, uma empresa pode produzir quantidades muito acima da quantidade necessária para atender aos períodos na época de demanda baixa para ter estoque suficiente frente ao aumento de demanda na sazonalidade. As empresas fabricantes de panetones adotam esse tipo de estoque, iniciando a produção bem antes do período de Natal. É interessante destacar que, quando estudamos os tipos de esto- ques, ficamos com a noção de que os benefícios obtidos por si só já justificam a criação de estoques. No entanto, não podemos deixar de considerar que existem também algumas desvantagens para a empre- sa ao assumir a manutenção desses espaços. Manter estoque significa “congelar” dinheiro, na forma de capital de giro que ficará parado – ou seja, o capital que poderia ser utilizado em outro investimento para empresa está retido. Além disso, a partir do momento em que a empresa decide manter um estoque, ela também assume todos as despesas necessárias para a armazenagem, ou seja, os custos associados à manutenção das con- dições necessárias para estocagem, visando a preservar a qualidade do produto estocado (por exemplo, produtos perecíveis que devem ser 107Gestão de demanda e estoque M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. mantidos em local refrigerado), e com a estrutura do local de armaze- nagem (funcionários, equipamentos, aluguel, seguros, energia, dentre outros). Outra questão bastante crítica é a obsolescência dos produtos: assu- mir estoques pode ser um risco para empresa, pois podem surgir novos produtos com características que se diferenciam dos itens estocados, tornando-os obsoletos. Também não podemos deixar de destacar os produtos que podem ser danificados ou até mesmo deteriorados duran- te o período em que estão armazenados. Por fim, é fato que a decisão sobre a manutenção ou não do estoque de cada insumo, de cada matéria-prima e de cada produto acabado deve considerar o comportamento da demanda, os recursos disponíveis e os acordos com os clientes, para que se consiga manter o desempenho da produção dentro dos objetivos esperados. PARA PENSAR Faça uma pesquisa na empresa em que você trabalha e tente identificar quais são os tipos de estoques existentes. Feito isso, analise se existe alguma estratégia adotada pela empresa para gerenciar os estoques, evitando possíveis faltas de abastecimento. Considerações finais Neste capítulo, tivemos a oportunidade de estudar dois conceitos de grande relevância para a administração da produção: demanda e esto- que. A informação de demanda é fundamental para que produção possa direcionar todas as suas ações; já os estoques se apresentam como uma solução para atenuar os possíveis impactos da variação de demanda. 108 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d adi sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Dentre os padrões básicos do comportamento de demanda, temos o horizontal, o tendencial, o sazonal, o cíclico e o aleatório. Para cada um desses padrões de comportamento, a empresa deve estabelecer estratégias adequadas para tentar atender às demandas. Essa não é uma tarefa fácil, pois depende de previsões, que são passíveis de erros. Por outro lado, os tipos de estoque existentes (cíclico, de segurança de antecipação e em trânsito), são alternativas que podem ser utilizadas justamente para tentar atenuar os possíveis impactos da falta de abas- tecimento em virtude da variação de demanda. Dessa forma, compete às empresas e aos seus gestores adotar as estratégias mais adequadas para garantir o fornecimento de cada um dos seus produtos. Referências CHASE, Richard B.; JACOBS, F. Robert; AQUILANO, Nicholas J. Administração da produção e operações para vantagens competitivas. 11. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2006. CORRÊA, Henrique; CORRÊA, Carlos. Administração da produção e operações. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2012. GAITHER, Norman; FRAIZER, Greg. Administração da produção e operações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. KRAJEWSKI, Lee. J.; RITZMAN, Larry P.; MALHOTRA; Manoj K. Administração de produção e operações. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da produção e operações. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2012. OLIVEIRA, Marcos Alberto de. Gestão de operações e serviços. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2020. SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Robert. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 2002. 109 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 7 Gestão da qualidade e sustentabilidade A área de produção de uma empresa é responsável pela obtenção de produtos e serviços que serão oferecidos ao mercado. Sendo assim, ela exerce um papel fundamental para que os resultados da organização se- jam atingidos e, para tanto, deve realizar suas atividades de forma a obter produtos e serviços cuja qualidade seja percebida e aceita pelos clientes. Afinal, de nada adianta produzir bem se os clientes não valorizam e nem percebem a qualidade nos resultados, bens e serviços produzidos. 110 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Da mesma forma, outra questão de grande importância para a área de produção é a definição de estratégias voltadas à sustentabilidade. Produzir envolve a utilização de recursos e insumos para que sejam ge- rados produtos e serviços; na grande maioria das vezes, há a geração de resíduos ou subprodutos não desejados, o que pode trazer impactos ambientais negativos. Ainda nesse contexto, além do desempenho financeiro, deve-se con- siderar a dimensão social dentre as questões que envolvem as ações da empresa (não só internas, como também externas), para que o conceito de sustentabilidade seja aplicado de maneira completa e abrangente. Neste capítulo, vamos estudar como a empresa pode realizar a gestão da qualidade e da sustentabilidade, levando em conta a importância es- tratégica desses temas para a sua competitividade. 1 Gestão da qualidade A preocupação com a qualidade existe desde os tempos mais re- motos, quando o homem iniciou a produção de bens e de serviços. Com o passar dos anos, surgiram conceitos, ferramentas e sistemas de gestão voltados à qualidade, sempre acompanhando a evolução no mundo dos negócios. À medida que a competitividade foi crescendo ao longo dos anos, as exigências em termos de produtividade e de qualidade foram aumen- tando. Isso fez com que as empresas adotassem ações para controlar, garantir e gerenciar a qualidade dos insumos e materiais utilizados na produção durante o processo produtivo e ao final da produção, visando a obter não só uma maior eficiência em suas ações, mas principalmen- te uma maior eficácia, entregando aos seus clientes produtos e serviços com a qualidade desejada. Quando nos referimos ao aumento das exigências de produtividade e de qualidade, ou seja, ao acirramento da competitividade, devemos 111Gestão da qualidade e sustentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. ressaltar que o comportamento do cliente mudou ao longo dos anos e a sua exigência aumentou à medida que ele passou a ter mais opções de compra. Sendo assim, as empresas buscam cada vez mais atender aos aspectos valorizados pelos clientes. Não podemos deixar de destacar que, da mesma forma que os clien- tes e o mercado em geral modificaram a maneira de abordar e exigir qualidade dos produtos e serviços oferecidos pelas empresas, houve diversos especialistas, os chamados “gurus da qualidade”, que estabe- leceram ou propuseram conceitos sobre qualidade (GAITHER; FRAZIER, 2005 e CORRÊA; CORRÊA, 2012). • Armand Feigenbaum considera qualidade como a composição total das características de marketing, engenharia, fabricação e manutenção de um produto ou serviço por meio das quais o mesmo produto ou serviço, em uso, atenderá às expectativas do cliente. • Joseph M. Juran descreve que qualidade é o nível de satisfação alcançado por um determinado produto no atendimento aos obje- tivos do usuário durante o seu uso, o que é chamado de adequa- ção ao uso. • William Edwards Deming foi considerado, no Japão, como o pai do controle de qualidade e sua visão em relação ao conceito é: qualidade é a satisfação do cliente e a melhoria contínua. Sua filosofia se baseia em 14 pontos para a melhoria da qualidade: 1. Crie uma constância de propósito. 2. Adote uma nova filosofia. 3. Cesse a dependência de inspeção. 4. Evite ganhar um negócio baseando-se em preço. 112 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .5. Melhore constantemente o sistema de produção e serviço. 6. Institua treinamentos no trabalho. 7. Institua a liderança. 8. Elimine o medo. 9. Rompa barreiras interdepartamentais. 10. Elimine slogans e exortações. 11. Elimine quotas ou padrões de trabalho. 12. Faça com que as pessoas sintam orgulho pelo trabalho. 13. Institua programas de educação e de automelhoria. 14. Coloque todos para trabalhar pelo atingimento de metas. Para Philip Crosby, qualidade é conformidade com os requisitos. Sua grande contribuição para a gestão da qualidade foi o seu estudo sobre os custos da qualidade, no qual destacava que as empresas não sa- biam o quanto era gasto com qualidade, seja para consertar o que er feito errado ou para produzir corretamente. Kaoru Ishikawa defendia que todos na organização podem e devem contribuir com a qualidade e precisam conhecer técnicas estatísticas básicas. Esse especialista japonês foi o responsável pela criação dos círculos de controlede qualidade, os chamados CCQs, que são grupos de pessoas da mesma área de trabalho que se reúnem para discutir os problemas identificados na produção e propor melhorias. Além disso, foi ele que desenvolveu os métodos para a solução de problemas utili- zando ferramentas da qualidade. Por sua vez, David Garvin argumenta que a qualidade deve ser en- carada como uma poderosa arma estratégica. Ele considera que a qualidade é um “pacote” que engloba oito dimensões (desempenho, característica, confiabilidade, conformidade, durabilidade, manutenção, 113Gestão da qualidade e sustentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. estética e qualidade percebida) e que o nível de qualidade entregue é de- finido pela importância que o cliente dá a cada uma dessas oito dimen- sões e pelo desempenho desejado da produção frente ao desempenho dos concorrentes. É muito importante compreender como as dimensões da qualidade propostas por Garvin fazem parte da avaliação sobre a qualidade rea- lizada pelas pessoas em seu cotidiano. Vamos entender melhor como cada uma das dimensões é utilizada na avaliação da qualidade dos pro- dutos e serviços (CORRÊA; CORRÊA, 2012, p. 183-184): • Desempenho: avaliação realizada com base nas características operacionais, ou seja, na potência do som de um rádio, na velo- cidade de atendimento do pronto-socorro de um hospital, entre outros. • Característica: quando se avalia os aspectos extras que suple- mentam o desempenho, como um aparelho que leia DVD e Blu- ray, ou um hospital que possui em seus quartos TV e música am- biente, entre outros. • Confiabilidade: dimensão que avalia o quanto um determinado produto fica fora de operação – por exemplo, o quanto um veículo fica parado por problemas de manutenção, o tempo que um pro- vedor de internet não permite a conexão, entre outros. • Conformidade: indica o quanto um produto se aproxima da sua especificação ou o quanto um serviço se aproxima da experiência anterior do cliente. Por exemplo, o quanto a velocidade real de um sistema de transmissão de dados banda larga se aproxima da velocidade nominal declarada; o quanto a espessura do tratamen- to galvânico de uma chapa se aproxima de sua especificação. A conformidade também é tratada como consistência, ou seja, quando essa dimensão se refere à comparação entre o produto real e a experiência anterior do cliente e não propriamente a um 114 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .padrão especificado ou declarado. Como exemplos dessa abor- dagem, temos a consistência do sabor de um alimento congelado e a consistência na rapidez do atendimento de uma lanchonete fast food, entre outros. • Durabilidade: dimensão que está associada ao tempo de vida, à resistência no uso e à frequência de manutenção do produto. Por exemplo, a durabilidade das pastilhas de freio ou dos amor- tecedores de um veículo, o tempo em que a dedetização mante- rá um ambiente livre de insetos, o tempo em que a manutenção em um elevador o manterá em funcionamento sem problemas, entre outros. • Manutenção: essa dimensão indica o quanto realizar a manuten- ção de um produto é fácil e de baixo custo. Por exemplo, o quanto de dificuldade um cliente tem para corrigir um lançamento errado em sua fatura do cartão de crédito, o quanto é fácil trocar o cartu- cho de tinta de uma impressora, dentre outros. • Estética: dimensão associada às características relativas à aparência e à impressão que as pessoas têm de um produto ou serviço. Por exemplo, o design de um automóvel, a estampa de uma camiseta, a fragrância de um perfume, a aparência do gar- çom e das próprias instalações de um restaurante, a limpeza e organização de uma oficina mecânica, a limpeza de um hospital, dentre outros. • Qualidade percebida: dimensão associada ao sentimento e à maneira pela qual o cliente é tratado. Por exemplo, a cortesia do garçom em um restaurante, a educação e o polimento da aten- dente de um call center. Nessa dimensão, também estão incluí- dos os componentes subjetivos da qualidade, muitas vezes resul- tantes de associações que o cliente realiza em suas avaliações. Por exemplo, se a Rolls-Royce passasse a fabricar também bici- cletas, o cliente diria que elas teriam qualidade? 115Gestão da qualidade e sustentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Vale destacar que, quando o consumidor considera o “pacote” qua- lidade, raramente leva em conta todas as dimensões, e, se as consi- derasse, por certo não daria a todas as dimensões o mesmo peso na formação de sua decisão de compra. Analisando de maneira bastante objetiva as principais contribuições obtidas por meio dos estudos realizados pelos “gurus da qualidade”, po- demos afirmar que a qualidade está em constante evolução, sempre considerando as melhores ações a serem realizadas para gerenciá-la. PARA SABER MAIS Sobre as contribuições de cada um dos “gurus da qualidade”, leia o ca- pítulo 6 (Qualidade total e melhoramento em produção e operações), do livro: Administração de produção e operações (CORRÊA; CORRÊA, 2012, p. 162-185). Dessa forma, podemos subdividir a evolução do conceito de qua- lidade nas empresas em quatro momentos (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002): • Inspeção: tem como foco a conformidade do produto em relação ao padrão estabelecido, ou seja, visa a detectar os erros e retifi- cá-los, evitando assim que os produtos e serviços cheguem ao mercado fora das especificações. Vale ressaltar que a inspeção é realizada nos produtos, não havendo nenhum tipo de análise no processo produtivo. • Controle de qualidade: o controle tem foco na inspeção por amostragem com o uso de ferramentas estatísticas para detectar as variações no processo. Ou seja, tenta resolver as causas dos problemas de qualidade, analisando os processos e estabelecen- do padrões de qualidade. 116 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • Garantia da qualidade: a garantia da qualidade tenta ampliar a responsabilidade organizacional sobre a qualidade, estabelecen- do a adoção de sistemas de gestão da qualidade, avaliando os custos e planejando as ações voltadas à qualidade para evitar e solucionar os problemas. • Gestão da qualidade total: essa é a abordagem da qualidade mais abrangente, pois tem como foco a gestão com o envol- vimento de toda a empresa para atender às necessidades dos clientes. Sendo assim, podemos dizer que a qualidade assume uma importância estratégica para a empresa, demandando gran- de envolvimento de todos os colaboradores, que devem trabalhar em equipe para que produtos e serviços tenham a qualidade de- sejada. Além disso, é primordial uma aproximação e envolvimen- to dos consumidores e dos fornecedores para que a qualidade seja aprimorada constantemente. Após essa breve apresentação sobre as abordagens da qualidade ao longo dos anos, podemosnos deparar com o seguinte questionamento: qual dessas abordagens devemos utilizar nos dias atuais? E a resposta é: todas elas. Note que a abordagem de inspeção contribui diretamente para que seja realizado o controle da qualidade dos insumos e dos materiais que serão utilizados na produção, dos produtos entre fases do processo produtivo e dos produtos finais, antes de serem entregues aos clientes. Da mesma forma, o controle da qualidade, utilizando métodos esta- tísticos, nos permite uma avaliação mais abrangente não só dos pro- dutos, mas principalmente dos processos, evidenciando as possíveis falhas e viabilizando as correções necessárias. A garantia da qualidade permite à organização sistematizar suas ações relacionadas à qualidade. Os sistemas de gestão possibilitam a implementação de um modelo de gestão que impacta a cultura da 117Gestão da qualidade e sustentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. empresa, para que a abordagem de qualidade seja disseminada entre todos os envolvidos. A gestão da qualidade total pode ser tratada como uma filosofia adotada pela organização para tratar a administração da qualidade, desdobrando o conceito e o compromisso entre todos os níveis da empresa e fortalecendo a criação de uma cultura voltada à qualidade. O princípio fundamental é que o controle deve começar com a identifi- cação dos requisitos de qualidade do cliente e terminar somente quan- do o produto for entregue e o consumidor manifestar a sua satisfação com o produto recebido. IMPORTANTE As empresas gastam tempo, esforço e recursos significativos em sis- temas, treinamento e mudanças organizacionais para aperfeiçoar o de- sempenho e a qualidade dos seus processos (KRAJEWSKI; RITZMAN; MALHOTRA, 2009). Vale destacar que existem diferentes modelos de sistemas de ges- tão da qualidade que podem ser adotados pelas empresas. A adesão às normas e certificação ISO 9001 se dá de maneira voluntária e envolve um posicionamento estratégico da empresa. A seguir, vamos entender como uma empresa pode obter a certifica- ção do seu sistema de gestão da qualidade pela norma ISO 9001. 1.1 Certificação do sistema de gestão da qualidade A certificação de uma empresa pela norma ISO 9001 pode trazer muitos benefícios – não só pelo reconhecimento internacional propor- cionado pelo certificado, mas principalmente pela melhoria dos seus 118 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .processos, redução de falhas e de retrabalhos e maior acompanhamen- to da satisfação dos clientes em relação aos seus produtos e serviços. Antes da falarmos sobre a norma ISO 9001, é importante expli- car primeiro o que é a entidade ISO (International Organization for Standardization). Ela é uma organização não-governamental, com sede na Suíça, que tem como principal objetivo elaborar normas que tenham validade e aplicabilidade internacional. O nome ISO vem da palavra grega isos, que significa igual. Essa entidade é composta de comitês técnicos específicos para cada tipo de assunto, que periodicamente se reúnem não só para a elaboração como também para as constantes revisões e análises de possibilidades de melhoria para as normas elabo- radas. No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a entidade responsável pela tradução e publicação das normas ISO em todo o país (OLIVEIRA, 2009). Agora que já sabemos um pouco sobre a entidade ISO, vamos enten- der o que é a norma ISO 9001. Essa norma especifica os requisitos para um sistema de gestão da qualidade (SGQ), utilizado quando uma orga- nização necessita demonstrar a sua capacidade para fornecer consis- tentemente produtos e serviços que atendam aos requisitos do cliente e aos requisitos regulamentares e estatutários aplicáveis, além de buscar aumentar a satisfação do consumidor e a melhoria contínua. Dentre os preceitos básicos de um sistema de gestão da qualidade com base nos requisitos da norma ISO 9001, devemos destacar a abor- dagem por processos (aliás, a norma certifica os processos de uma empresa, ou seja, certifica que os processos atendam aos requisitos estabelecidos pela norma). Somente por meio de uma abordagem por processos é que a empresa poderá promover outro preceito da norma, que é a melhoria contínua. Aprimorar continuamente os processos em busca de melhores resultados de desempenho, assim como atender às necessidades dos clientes, são preceitos básicos para a efetividade de um sistema de gestão da qualidade. 119Gestão da qualidade e sustentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Outro preceito importante definido pela norma ISO 9001 é a chama- da mentalidade de risco. O risco é definido pela norma como um fruto da incerteza, sendo que qualquer incerteza poderá trazer para a em- presa tanto um efeito positivo quanto negativo. Dessa forma, quando a empresa adota uma mentalidade de risco, significa que ela avalia os fatores que poderão gerar algum tipo de desvio ou problema nos seus processos e no sistema de gestão, impactando diretamente os resulta- dos esperados, em termos de qualidade. Além da abordagem por processos e a mentalidade de riscos, a nor- ma ISO 9001 estabelece outro preceito fundamental (e talvez o mais relevante) para os negócios da uma empresa: o foco na satisfação dos clientes. Esse foco deve nortear todas as ações realizadas pelo sistema de gestão da qualidade, afinal, além de ser um fator de competitividade para a empresa, faz com que a organização nunca se acomode com os resultados obtidos, contribuindo para que ela consolide um processo de melhoria contínua nos processos. É importante destacar que a implementação de um sistema de ges- tão da qualidade por uma empresa implica mudanças e adequações do seu modelo atual de gestão, da cultura organizacional, das pessoas en- volvidas nos processos e principalmente da alta administração da em- presa, tendo em vista que essa é uma decisão estratégica e que precisa do engajamento da liderança para que o sistema seja implementado com a efetividade desejada. Quando uma empresa decide pela implementação de um sistema de gestão da qualidade e pela certificação desse sistema pela norma ISO 9001, ela está tomando uma decisão estratégica que deve apoiar-se em um projeto no qual estejam contempladas todas as fases, desde o processo de implementação até a realização das auditorias para reco- mendação à certificação. Agora que já compreendemos a importância de um sistema de ges- tão da qualidade, vamos conhecer a prática do kaizen. 120 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . 1.2 Kaizen A palavra japonesa kaizen significa melhoramento contínuo e foi in- troduzida na administração a partir de 1986, por Masaaki Imai. Esse termo está associado à ideia de melhoria continua não só no trabalho, como também no lar e na vida social das pessoas. Podemos afirmar quese trata de uma cultura voltada à melhoria contínua com foco na eliminação de perdas em todos os sistemas de uma organização e im- plica na aplicação de dois elementos: na melhoria, entendida como uma mudança ou alteração para melhor, e na continuidade, entendida como ações permanentes de mudança (LAUGENI; MARTINS, 2015). As atividades de kaizen são muito praticadas na produção, sendo conduzidas de diversas maneiras e com diversos objetivos diferentes, mas com um preceito primordial. São atividades realizadas por times de trabalho que, com grande engajamento, sugerem, analisam, propõem e, se a ideia sugerida for aceita e aprovada pela empresa, implementam as melhorias. Essas melhorias podem ocorrer nos processos, nos fluxos de trabalho, nos arranjos físicos, nos métodos e na divisão do trabalho, nos equipamentos, nas ferramentas, nas instalações, enfim, em todas as variáveis em um sistema de produção. Vamos entender o que é a gestão para a sustentabilidade. 2 Gestão da sustentabilidade O conceito de sustentabilidade faz parte da agenda das empresas e parte do pressuposto que ela deve equilibrar os pilares ambiental, eco- nômico e social. Isso implica ações relacionadas à qualidade dos seus produtos e serviços, ao bem-estar dos seus colaboradores e de seus stakeholders (todos aqueles que tem algum tipo de interesse nos negó- cios da empresa) e à preservação do meio ambiente. Sendo mais objetivo, não há como tratar a sustentabilidade sem equilibrar os aspectos sociais, ambientais e econômicos (triple bottom 121Gestão da qualidade e sustentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. line). Dessa forma, para que uma empresa possa definir uma estraté- gia voltada à sustentabilidade e, posteriormente, possa realizar a sua gestão, é primordial estabelecer uma série de ações vinculadas aos três pilares citados, de forma a obter o equilíbrio proposto pela defini- ção de sustentabilidade. IMPORTANTE A questão principal envolvendo os aspectos ambientais é que não é possível tratá-los isoladamente, sem considerar seus aspectos sociais e econômicos (BARBOSA; LOPES, 2018). A preservação das condições de vida atuais e futuras, com a manu- tenção dos recursos naturais e de um meio ambiente saudável, e que não comprometa adversamente os recursos sociais e a relação justa entre os interesses econômico-financeiros e os interesses da sociedade, deve ser uma preocupação constante para as organizações que busquem adequar suas estratégias às novas exigências do mercado (OLIVEIRA, 2021). A figura 1 ilustra bem os três pilares da sustentabilidade. Figura 1 – Três pilares da sustentabilidade Ambiental Suportável Viável Justo Sustentável Social Econômico Fonte: adaptado de Barbosa e Lopes (2018, p. 19). 122 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Um aspecto importante a ser considerado é que as ações desdo- bradas pelas empresas para atender aos preceitos da sustentabilidade são cada vez mais percebidas e valorizadas pelos clientes – que, por sinal, também estão mudando o seu comportamento em relação a esse tema, trazendo o conceito da sustentabilidade com um dos aspectos a serem considerados no momento da decisão de compra por um deter- minado produto ou serviço. Sendo assim, podemos afirmar que, para a empresa, ter um negócio considerado sustentável se tornou exigência do mercado e consequen- temente de sobrevivência. Assim, as organizações que não adotarem estratégias sustentáveis correrão o risco de perder espaço no mercado para outras empresas concorrentes que já as tenham implementado. A gestão para a sustentabilidade demanda uma mudança não só nos processos, produtos e serviços oferecidos pela empresa, mas, prin- cipalmente, uma mudança da cultura da empresa e consequentemente da mentalidade das pessoas. Essa consciência em torno do desenvol- vimento sustentável (aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade de atender às necessidades futuras) deve ser coletiva e desdobrada ao longo da cadeia de suprimentos, con- templando os clientes, os fornecedores e outras partes interessadas. Dentre as ações que podem ser desdobradas pelas empresas, po- demos destacar as certificações pelas seguintes normas: ISO 9001, para a implementação de um sistema de gestão da qualidade; ISO 14001, para a implementação de um sistema de gestão ambiental; e ISO 45001, para a implementação de um sistema de gestão de saúde e segurança do trabalho. Como já abordamos a norma ISO 9001 para os sistemas de gestão da qualidade, vamos falar sobre a norma ISO 14001, que estabelece os requisitos para que uma empresa possa implementar um sistema de ges- tão ambiental (SGA) de forma a criar uma estrutura que possa melhorar continuamente os seus processos sob a ótica ambiental. Para tanto, além do atendimento aos aspectos legais aplicáveis, a empresa deverá definir 123Gestão da qualidade e sustentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. uma política ambiental que será desdobrada em objetivos ambientais, le- vando em conta os processos existentes, o tipo de atividade, os aspectos ambientais significativos e os seus impactos ambientais. Já a norma ISO 45001 estabelece os requisitos para que a empresa possa implementar um sistema de gestão de saúde e segurança do tra- balho visando a melhorar as condições de trabalho para os seus colabo- radores, eliminar os perigos existentes e minimizar os riscos de acidentes do trabalho e de doenças ocupacionais, identificando oportunidades para melhorar a produtividade por meio de sistemas de produção mais segu- ros e com condições adequadas para o exercício das atividades laborais. Um aspecto importante a ser ressaltado é que as normas ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001 são aplicáveis a todos os tipos de organizações. Além disso, elas podem ser integradas em um único sistema de gestão (sistema de gestão integrado, ou SGI), tendo em vista que as normas ISO para os sistemas de gestão utilizam uma estrutura de requisitos que é comum às três normas, o Anexo SL. Outra forma de adequação das iniciativas da empresa em torno dos preceitos do conceito de sustentabilidade é seguir os princípios para o investimento responsável (principles of responsible investment, ou PRI). Trata-se de uma iniciativa voluntária e tem como base seis princípios (BARBOSA; LOPES, 2018): 1. Incorporar os temas ambiental, social e de governança (environmental, social and corporate governance, ou ESG) às aná- lises de investimento e aos processos de tomada de decisão. 2. Ser proativo e incorporar os temas ESG à política e práticas de propriedade de ativos. 3. Buscar sempre fazer com que as entidades nas quais são fei- tos investimentos divulguem as suas ações relacionadas aos temas ESG. 124 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .4. Promover a aceitação e implementaçãodos princípios dentro do setor de investimento. 5. Todos os envolvidos devem trabalhar unidos para ampliar a efi- cácia na implementação dos princípios. 6. Todos os envolvidos devem divulgar relatórios sobre as ativida- des e o progresso da implementação dos princípios. O PRI aborda suas implicações sobre os temas ambientais, sociais e de governança, oferecendo suporte para as empresas na integração desses temas com as decisões de investimento e propriedade de ativos. O mercado financeiro brasileiro vem mudando a sua lógica e incor- porando a agenda socioambiental às políticas, práticas e estratégias das empresas. Com isso, observa-se que muitas empresas passaram a redefinir suas estratégias de negócios, considerando os preceitos da sustentabilidade e visando a promover o desenvolvimento sustentável. Muitas ações estão sendo desdobradas para auxiliar o entendi- mento e a aplicação de ações para implementar a sustentabilidade. Apresentamos aqui apenas alguns exemplos de ações estruturadas que podem ser implementadas pelas empresas que buscam realizar uma gestão para a sustentabilidade. Compete, aos gestores das empresas, buscar as referências e estruturas de sustentabilidade que sejam mais adequadas ao seu modelo de negócio. PARA PENSAR Faça uma pesquisa na empresa em que você trabalha e tente descobrir se existe um modelo utilizado para a gestão da qualidade e se a empre- sa já possui iniciativas voltadas à gestão para a sustentabilidade. 125Gestão da qualidade e sustentabilidade M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Considerações finais Neste capítulo, tivemos a oportunidade de estudar dois temas de grande relevância para qualquer tipo de empresa: a gestão da qualidade e a gestão para a sustentabilidade. Na gestão da qualidade, foi possível compreender as diferentes abordagens e conceituações desenvolvidas pelos chamados “gurus da qualidade”, profissionais especialistas no tema qualidade e que, ao lon- go dos anos, por meio de pesquisas e estudos, trouxeram grandes con- tribuições, muitas delas utilizadas pelas empresas até os dias atuais. Tivemos a oportunidade de entender também a evolução da qualida- de com a mudança de abordagem, ou seja, inspeção, controle da quali- dade, garantia da qualidade e gestão da qualidade total, além de conhe- cer o sistema de gestão da qualidade baseado na norma ISO 9001 e a filosofia de melhoria contínua kaizen. Sobre a gestão da sustentabilidade, pudemos compreender o concei- to da sustentabilidade desdobrado em seus três pilares: ambiental, so- cial e econômico. Estudamos também as possíveis ações estruturadas a serem adotadas pelas empresas com a implementação dos sistemas de gestão da qualidade (ISO 9001), do sistema de gestão ambiental (ISO 14001) e do sistema de saúde e segurança do trabalho (ISO 45001). Por fim, falamos sobre o PRI, que incorpora os temas ambiental, social e de governança (ESG) às análises de investimento e aos pro- cessos de tomada de decisão. Dessa forma, é fácil perceber a impor- tância estratégica desses temas para qualquer tipo de empresa. 126 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Referências BARBOSA, Christina; LOPES, Sonia. Sustentabilidade: gestão estratégica na prática. Rio de Janeiro: Brasport Livros e Multimídia Ltda, 2018. CORRÊA, Henrique; CORRÊA, Carlos. Administração da produção e operações. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2012. GAITHER, Norman; FRAIZER, Greg. Administração da produção e operações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. KRAJEWSKI, Lee. J.; RITZMAN, Larry P.; MALHOTRA; Manoj K. Administração de produção e operações. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. LAUGENI, Fernando Piero; MARTINS, Petrônio Garcia. Administração da produção. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. OLIVEIRA, Marcos Alberto de. Em busca da excelência empresarial. 2. ed. revisada e ampliada. São Paulo: Editora DVS, 2009. OLIVEIRA, Marcos Alberto de. Logística reversa. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2021. SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Robert. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 2002. 127 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Capítulo 8 Indústria 4.0 Ao longo dos anos, o mundo vivenciou muitas transformações no contexto econômico, social e político que promoveram verdadeiras re- voluções em diversos segmentos, entre eles, o industrial. Falando especificamente sobre a administração da produção, pode- mos dizer que a manufatura de produtos vive uma constante e signifi- cativa mudança em seus processos, métodos de trabalho, máquinas, equipamentos e no próprio perfil dos seus trabalhadores, que também modificaram a maneira de produzir, de se organizar e de se comunicar. Todas essas mudanças foram proporcionadas por diversos fatores, dentre eles a evolução das tecnologias da informação e da comunica- ção, primordiais para o bom andamento das atividades relacionadas à produção de bens e de serviços. 128 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Sendo assim, neste capítulo, vamos estudar o conceito de Indústria 4.0, apresentando o contexto histórico para a compreensão das revolu- ções industriais e suas principais características, além dos fundamen- tos e conceitos centrais da Indústria 4.0. Por fim, vamos compreender como gerenciar a Indústria 4.0 e quais são os principais desafios para que as empresas e seus colaboradores possam se adequar às novas tendências e fazer uso das novas tecnologias para se manter competi- tivas no mercado. 1 Contexto histórico É fato que a Indústria 4.0 já faz parte do cotidiano, não só das empre- sas, como também das pessoas. Entretanto, é importante ressaltar que, para que as pessoas e as empresas pudessem chegar ao ponto em que não apenas fazem uso, mas obtêm benefícios a partir da utilização das diversas tecnologias, muitos eventos aconteceram – como as revolu- ções industriais, que impactaram as empresas, as pessoas, a economia e a sociedade em geral. Sendo assim, antes de falarmos especificamente sobre a Indústria 4.0, é importante compreender que esse termo passou a ser difundido com as mudanças no cenário industrial ao longo dos anos em virtude das revoluções industriais. A seguir, faremos uma breve retrospectiva histórica, para entender melhor como se deu toda essa evolução. 1.1 Primeira Revolução Industrial A Primeira Revolução Industrial teve início no começo do século XVIII, na Grã-Bretanha, com o surgimento da máquina a vapor para ser utilizada nas produções têxteis. Nesse período, surgiram as primeiras indústrias, substituindo as manufaturas (termo utilizado na época para a produção, muito dependente da participação ativa dos trabalhadores), que necessitavam de muito esforço físico e possuíam muitas atividades 129Indústria 4.0 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, dadisciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. repetitivas. A utilização de máquinas permitiu a produção em série de produtos, gerando um novo modelo econômico, principalmente por- que as máquinas possibilitaram um aumento dos volumes produzidos (SANTOS; STEVAN JUNIOR; LEME, 2018). A Primeira Revolução Industrial trouxe uma grande mudança no ce- nário industrial ao permitir a contratação de artesãos para produção em larga escala. Vale destacar que, até então, esses artesãos fabricavam, de maneira artesanal, peças únicas ou em pequenas quantidades, de acordo com as necessidades e gostos dos clientes. Com o passar dos anos, esses mesmos artesãos passaram a ser alocados em galpões para trabalhar em turnos de trabalho extremamente exaustivos e, pos- teriormente, foram substituídos, pelas primeiras máquinas a vapor, cria- das pelo engenheiro britânico James Watt, em 1765 (ALMEIDA, 2019). Dentre as principais características dessa revolução, podemos res- saltar (QUINTINO et al., 2019): • mecanização da produção com o uso de máquinas a vapor; • aceleração substancial da produção; • migração de mão de obra camponesa para a indústria; • surgimento de novos atores sociais, como os industriais (donos de indústrias e homens de negócios) e o operariado (mão de obra das fábricas) 1.2 Segunda Revolução Industrial No século XIX, o aumento da produção do aço propiciou a fabricação de equipamentos e máquinas mais modernas do que as de madeira, que até então eram utilizadas na produção. Esse contexto e a utiliza- ção de energia elétrica pela produção impulsionaram a manufatura. Em paralelo, as estradas de ferro possibilitaram um meio eficiente para o 130 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .transporte de mercadorias e de pessoas, viabilizando assim o progres- so de toda a sociedade (SACOMANO et al., 2019). A Segunda Revolução Industrial proporcionou uma série de evolu- ções na indústria química, elétrica, petroleira e de aço. Isso propiciou o desenvolvimento da produção em massa, permitindo a redução dos pre- ços dos produtos e tornando-os mais acessíveis à população (SANTOS; STEVAN JUNIOR; LEME, 2018). Entre as principais características dessa revolução, podemos desta- car (QUINTINO et al., 2019): • uso de novas tecnologias, como a eletricidade; • desenvolvimento tecnológico; • expansão da industrialização em diversos países; • produção em massa. 1.3 Terceira Revolução Industrial A Terceira Revolução Industrial também é chamada de revolução di- gital e tem como marco principal, a utilização dos semicondutores (tran- sistores), o que possibilitou a modernização dos computadores e demais equipamentos elétricos e eletromecânicos, possibilitando o desenvolvi- mento dos equipamentos eletrônicos e digitais. Foi um período de gran- des avanços em diversas áreas da ciência, impactando diretamente a indústria. Além disso, tivemos a globalização, com a abertura dos merca- dos internacionais, o que contribuiu demais para o desenvolvimento das empresas. Outro fator a ser considerado é que, ao final da Segunda Guerra Mundial, o Japão encontrava-se devastado e com poucos recursos. Essa situação motivou o governo japonês a lançar um pacote incentivando toda a nação a reduzir o desperdício. Nesse período, surgiu o Sistema 131Indústria 4.0 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Toyota de Produção, com os preceitos da produção enxuta que visavam a reduzir os desperdícios e eliminar as perdas, ou seja, aproveitar melhor to- dos os recursos necessários para a produção (SACOMANO et al., 2019). Dentre as principais características dessa revolução, podemos des- tacar (QUINTINO et al., 2019): • produção flexível; • automação industrial; • nanotecnologia; • mecatrônica; • microinformática; • telecomunicações; • tecnologia de automação; • tecnologia da informação. 1.4 Quarta Revolução Industrial A Indústria 4.0, ou a Quarta Revolução Industrial, é a era da intera- ção digital da indústria, caracterizada pelo conceito de fábrica inteligen- te (do inglês smart factory). Essa revolução teve início na Alemanha, em meados de 2012, com a criação de um programa institucional que envolvia empresas, universidades e o governo, visando a promover a atualização tecnológica para aumentar a competitividade da indústria alemã (ALMEIDA, 2019). Inicialmente, o conceito de Indústria 4.0 estava associado à manu- fatura; entretanto, com o passar dos anos, o conceito foi disseminado para outros setores, como a agricultura e os serviços. Podemos dizer que a Indústria 4.0 não está associada somente à automação de alto 132 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . nível, mas também à evolução de outras diversas áreas do conhecimen- to humano, como a nanotecnologia, a computação quântica, o sequen- ciamento de DNA, a internet das coisas e várias outras aplicações que não só modificam áreas do conhecimento humano, mas possibilitam uma interconexão om outras tecnologias (QUINTINO et al., 2019). Podemos dizer que a Indústria 4.0 provoca grandes transformações nas empresas, nos conhecimentos administrativos, nas áreas funcio- nais e no controle e organização do trabalho. Dessa forma, é fácil perce- ber como a administração da produção é diretamente afetada por essa nova realidade, imposta pela Quarta Revolução Industrial. Novos paradigmas de fabricação, como a empresa virtual (ou em- presa estendida – rede auto-organizada de empresas que combinam sua produção para fornecer produtos e serviços ao mercado) e perso- nalização em massa são o resultado de um sistema altamente distribu- ído e autônomo de produção (MORAES, 2021). A seguir, vamos estudar os fundamentos e conceitos centrais dessa nova indústria. 2 Fundamentos e conceitos centrais da Indústria 4.0 Além da evolução tecnológica e a integração dos processos, a Indústria 4.0 permite às empresas produzir seus bens e serviços utili- zando sistemas de produção cada vez mais inteligentes, capazes de detectar o surgimento de necessidades produtivas, de suprimentos e de matéria-prima. Isso envolve, a união de tecnologias físicas e digitais e a integração de todas as etapas do desenvolvimento de um produto ou processo. Com isso, as empresas que já utilizam as tecnologias e o conceito da Indústria 4.0 podem obter maior eficiência e, consequente- mente, maior efetividade em suas atividades. 133Indústria 4.0 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. IMPORTANTE A Indústria 4.0 integra as tecnologias de informação e de comunicação, o que permite às organizações alcançar novos patamares de produtivi- dade, de flexibilidade, de qualidade e de gerenciamento, possibilitando a geração de novas estratégias e modelos de negócios para as empresas não só industriais como também de serviços (SACOMANO et al., 2019). Entre os fundamentos e conceitos centrais da Indústria 4.0, pode- mos destacar (ALMEIDA, 2019; QUINTINO et al., 2019): • Big data (análise de dados): é a análise de uma grande quantida- de de dados, considerando volume, velocidade e complexidade. Essa tecnologia utiliza ferramentas de estatística e de machine learning (aprendizagem de máquina), que processam altíssimos volumes de dados, gerando informações relevantes aos negó- cios. Vale destacar que, com tantos dados gerados pelos proces- sos automatizados na Indústria 4.0, automaticamente a empresa deve se preocupar também com a manutenção desses dados em segurança. • Robótica autônoma: a robótica é uma tecnologia que já era uti- lizada na Terceira Revolução Industrial, mas que ganhou inova- ções, como a chamada robótica colaborativa, em que os robôs e os seres humanos dividem o mesmo espaço de trabalho com total segurança – o ser humano contribui com sua capacidade cognitiva; o robô, com sua robustez, precisão, velocidade e repe- tibilidade ininterrupta. Esses robôs utilizam algoritmos de inte- ligência artificial para que os equipamentos possam tomar de- cisões e compartilhar informações com outros equipamentos. Dessa forma, os robôs podem ser programados para a realização das tarefas no processo produtivo, para a obtenção de produtos customizados ou para a produção de grandes lotes de produtos 134 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .padronizados, sem a necessidade de supervisão humana. Isso reduz os problemas ergonômicos de trabalhadores e aumenta a produtividade da empresa. • Simulação computacional: a simulação de operações de fabrica- ção ajuda a evitar possíveis erros e falhas no processo de produ- ção. Além disso, a simulação permite uma ideia de custos rela- cionados à matéria-prima, ao processo de fabricação e ao tempo de manufatura. Softwares de manufatura, como o CAM (com- puter aided manufacturing, ou manufatura auxiliada por compu- tador), permite a simulação do trajeto de ferramentas de corte em máquinas como tornos, centros de usinagem e máquinas de eletroerosão a fio. Com isso, obtém-se maior qualidade e produ- tividade. O mesmo raciocínio se aplica ao desenvolvimento de produtos com a utilização de softwares como o CAE (computer aided engineering, ou engenharia auxiliada por computador), que auxilia as empresas no desenvolvimento e aperfeiçoamento de seus produtos e processos. Com isso, torna-se possível identifi- car antecipadamente quais são os pontos fortes e fracos de um projeto, antecipando as possíveis falhas e erros que poderão ser corrigidos antes da implantação. • Internet das coisas (IoT): a internet das coisas (internet of things – IoT) consiste na conexão entre redes de objetos físicos, am- bientes, sensores, veículos, máquinas, equipamentos e outros por meio de dispositivos eletrônicos, permitindo a coleta e a troca de informações através da internet. Dessa forma, podemos dizer que a IoT representa a utilização de diversas tecnologias que não estavam ligadas anteriormente e que são conectadas por meio de uma rede baseada em IP (internet protocol), principal alicerce para o crescimento digital. Para as empresas, a utilização da IoT permite que um maior número de dispositivos seja conectado por intermédio de padrões tecnológicos, facilitando a comunicação e a interação entre eles. 135Indústria 4.0 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Integração de sistemas: na Indústria 4.0, os processos de fabri- cação são integrados graças à utilização de sistemas que com- põem toda a cadeia de produção, permitindo a integração entre os fabricantes, fornecedores, distribuidores e clientes, o que facilita a tomada de decisão. Isso também possibilita a todas as empresas participantes da cadeia produtiva uma gestão automatizada dos seus processos e alinhada com as necessidades dos clientes. • Cibersegurança: pode ser definida como o conjunto de técnicas e tecnologias utilizadas para detectar, prevenir e combater ataques a dados, programas, sistemas e redes. As empresas que utilizam os conceitos da Indústria 4.0 deve ter sistemas produtivos inte- grados em uma rede de informações que permita a interligação de dados sobre insumos, matérias-primas, máquinas e demais processos necessários para a fabricação de um produto. Com isso, a cibersegurança assume um papel fundamental para que esses sistemas e informações sejam protegidos contra possíveis ameaças e falhas que possam causar transtornos à produção. • Computação em nuvem (cloud computing): pode ser definido como a utilização de servidores e computadores hospedados em data centers e interligados por meio da internet, o que possibilita o uso remoto de seu armazenamento, memória e processamen- to. Com isso, é possível compartilhar dados em diferentes locali- dades, reduzindo custos e tempo e aumentando a eficiência. • Manufatura aditiva ou impressora 3D: envolve a produção de peças a partir de camadas sobrepostas de material, normal- mente obtidas de cartuchos com material plástico em forma de fio de secção circular. Esse material é aquecido no cabeçote da impressora 3D e depositado camada por camada, obedecen- do às dimensões previamente programadas a partir de um de- senho em 3D feito em um software de desenho assistido por computador (computer aided design, ou CAD) e transmitido ao 136 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .software de programação da impressora 3D. Essa tecnologia tem sido cada vez mais utilizada para a criação de protótipos e para a produção de peças personalizadas. • Realidade aumentada: a realidade aumentada permite uma va- riedade de aplicações e serviços em diferentes campos, como a medicina e a educação. Aplicando o seu conceito na produção, é possível obter diversas informações, desde as instruções de montagem enviadas via celular para o desenvolvimento de peças de protótipo até o uso de óculos de realidade aumentada para a gestão e a operação de determinadas máquinas. As interações entre o mundo real e o mundo virtual possibilitam alcançar me- lhorias nos processos de trabalho da empresa. Agora que conhecemos os fundamentos e conceitos centrais da Indústria 4.0, devemos destacar que todas essas tecnologias não es- tão limitadas às empresas. O conceito da chamada Indústria 4.0 é um conjunto que integra toda a cadeia produtiva e faz com que a sociedade obtenha um benefício coletivo para todos que estiverem inseridos nes- se novo processo. Faz parte da rotina das pessoas a digitalização das informações, o que talvez seja a principal característica da Indústria 4.0. Por outro lado, as novas demandas para a pesquisa e o desenvolvimento poderão ofe- recer muitas oportunidades para as empresas e para as pessoas desen- volverem novas soluções tecnológicas que tragam benefícios à socie- dade em geral. A seguir, vamos entender melhor como a empresa deve gerenciar esses processos e quais são os principais desafios impostos pela Quarta Revolução Industrial. 3 Gestão e desafios da Indústria 4.0 As empresas que utilizamos conceitos trazidos pela Indústria 4.0, devem fazer uma boa gestão de suas ações, visando a obter os 137Indústria 4.0 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. benefícios que permitirão uma maior eficiência e eficácia de suas ati- vidades produtivas. Vale destacar que, para que o processo produtivo ocorra conforme o esperado e dentro dos preceitos da Indústria 4.0, é necessário que a empresa possua uma infraestrutura adequada e que todos os elementos estejam interconectados em uma rede, para que os dados possam trafegar de forma vertical e horizontal. A boa gestão e a utilização dos preceitos da Indústria 4.0 dependem muito das formas de conectividade disponíveis. Dentre os sistemas mais utilizados, temos o sistema ciberfísico, a IoT e a comunicação má- quina a máquina (machine to machine, ou M2M). Esses sistemas permi- tem a conectividade entre equipamentos e objetos da produção. Um sistema ciberfísico reflete o plano físico do sistema de produção (instalações, produtos, máquinas e peças) no plano virtual (programas e sistemas que controlam a operação). Isso é possível graças à utilização de sensores que possibilitam a conexão entre esses dois planos (físico e virtual). O principal benefício do uso desse processo é a representação fiel dos sistemas de produção em sistemas de informação, facilitando a tomada de decisão com maior rapidez e com menor risco e reduzindo os custos de pequenas alterações na programação. Os sensores controlam a linha de produção ao mesmo tempo que passam informações sobre o processamento de um pedido e/ou dados de máquinas para uma central que retransmite as informações pela internet ou intranet para sistemas que supervisionam os equipamentos (SACOMANO et al., 2019). A IoT (internet das coisas) permite a conectividade de diferentes dis- positivos como as redes de objetos físicos, ambientes, sensores, veícu- los, máquinas, equipamentos e outros por meio de dispositivos eletrô- nicos, facilitando a coleta e a troca de informações através da internet. Já a comunicação M2M permite a conexão de máquinas que intera- gem entre si, enviando dados e informações ou até mesmo comandos entre elas. Essas máquinas também podem interagir com os humanos, 138 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .realizando a comunicação máquina a humanos (machine to human, ou M2H) (SACOMANO et al., 2019). NA PRÁTICA Se uma empresa que atua no segmento industrial decide operar o seu processo produtivo utilizando os sistemas ciberfísicos, ela poderá tra- balhar da seguinte maneira (SACOMANO et al., 2019): Sua linha de produção poderá ser acionada e controlada remotamente, pois, para facilitar, um modelo virtual da linha de produção é criado, de modo que todas as possíveis otimizações da linha de produção sejam ensaiadas virtualmente, de forma a garantir que, quando forem imple- mentadas, causem o mínimo de problema possível. Dessa forma, os pedidos dos clientes são processados e programados automaticamente, e o cliente pode ter acesso às fases de produção de seus pedidos, tudo on-line. Além disso, o cliente pode realizar pedidos de customizações, como cor, tamanho, acabamento e acessórios es- peciais, que podem ser realizados em linhas de produção, as quais se tornam flexíveis. Se algum problema ocorrer na linha de produção, o próprio sistema po- derá entrar em contato requisitando manutenção ou interagindo com os sistemas de fornecedores, logística e outros. Podemos destacar como um grande benefício obtido com o uso adequado de ferramentas da Indústria 4.0 o acompanhamento em tem- po real da produção. Acompanhar e analisar os dados da produção em tempo real permitem uma maior assertividade nas decisões e, com isso, um melhor direcionamento do processo produtivo para o atendimento às necessidades dos clientes da empresa. Para tanto, é fundamental conhecer todas as etapas do processo de manufatura do produto no momento em que elas ocorrem na produção. Cada produto apresenta suas particularidades, o que demanda também ações diferentes para cada situação. 139Indústria 4.0 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Além disso, as empresas podem obter a virtualização de muitas de suas ações, pois, além do conceito de simulação computacional das fases de um processo produtivo ou de um produto que pode ser criado em uma prototipadora por meio de produção aditiva (impressora 3D), a Indústria 4.0 preconiza a monitoração remota dos processos de produ- ção, o que evita possíveis falhas e aumenta a confiabilidade e a eficiên- cia do processo produtivo. Tudo isso é possível desde que seja muito bem gerenciado pela empresa. Outra tecnologia que se faz presente no cotidiano das pessoas e das empresas é a inteligência artificial (IA). Como exemplos dessa aplica- ção, podemos destacar o reconhecimento facial, que permite encontrar um rosto em meio a uma multidão e é uma ferramenta utilizada pelas agências no combate ao terrorismo, assim como um meio de seguran- ça para o acesso a aplicativos de bancos, dentre outros. PARA SABER MAIS Sobre as tecnologias relacionadas à Indústria 4.0, leia o capítulo 2 (Tec- nologias relacionadas à Indústria 4.0) do livro: Indústria 4.0 (SANTOS; STEVAN JUNIOR; LEME, 2018). Essas são apenas algumas das possibilidades e dos benefícios que podem ser obtidos pelas empresas que utilizam as tecnologias e os conceitos da Indústria 4.0. Entretanto, não podemos deixar de destacar que, desde a sua concepção na empresa, existem muitos desafios que vão além da obtenção da produtividade. São alguns benefícios e oportunidades da Indústria 4.0 (ALMEIDA, 2019): • eficiência e qualidade; • diminuição de estoques; 140 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . • tempo de entrega reduzido; • sustentabilidade e meio ambiente; • redução do uso de materiais, energia e recursos; • robótica avançada e transporte autônomo; • inteligência artificial e aprendizagem de máquinas; • materiais avançados, nanotecnologia, impressão 3D; • realidade aumentada; • biotecnologia e avanços na pesquisa genética; • gestão operacional baseada na extração digital de conhecimento, • big data, cloud computing; • modelagem e simulação; • hardware de campo e protocolos industriais; • gestão on-line de ativos. Para que as empresas possam aproveitar essas oportunidades, exis- tem alguns requisitos mínimos a serem atendidos; dentre eles, pode- mos destacar (ALMEIDA, 2019): • Integração horizontal ao longo da cadeia de valor, com a integra- ção do planejamento, otimizando e operacionalizando a cadeia de valor, fornecendo suporte para a produção orientada e promo- vendo a integração da demanda. • Integração digital da engenharia ao longo do ciclo de vida, pro- movendo a integração na engenharia com a conexão entre proje- to, design, manufatura, operação e manutenção de produtose de serviços, utilizando a fissão entre os mundos real e virtual. 141Indústria 4.0 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. • Desenvolvimento contínuo de tecnologias cruzadas, conside- rando que a inovação exige cada vez mais integração entre as diversas áreas do conhecimento e a utilização de diversas tecno- logias de maneira conjunta. • Nova infraestrutura social e colaborativa do trabalho, mantendo as pessoas com um papel central a ser desempenhado, plane- jando, supervisionando e tomando decisões, empregando a sua criatividade e promovendo a colaboração entre os envolvidos. • Integração vertical e sistemas de manufatura em rede, permitin- do o desenvolvimento e a integração de sistemas de manufatura flexíveis, devidamente integrados ao negócio das empresas. Como desafios, a Indústria 4.0 impõe às empresas a necessidade de desenvolvimento de fornecedores, da melhoria de infraestrutura (que envolve também iniciativas públicas, como o que está ocorrendo com o 5G), a preocupação com a segurança de dados, a escassez de profissio- nais capacitados e a necessidade de maior cooperação das indústrias com instituições voltadas à pesquisa, dentre outros. Dessa forma, compete às empresas e aos seus gestores uma cons- tante atualização em relação às tecnologias disponíveis e às aplicações delas para investir de maneira assertiva nos processos de produção, visando a oferecer ao mercado produtos e serviços que atendam às necessidades dos clientes. PARA PENSAR Faça uma pesquisa na empresa em que você trabalha e tente identificar se ela já faz uso de algum conceito da Indústria 4.0 e que tipos de resul- tados tem obtido com essa aplicação. 142 Administração da Produção Ma te ria l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo . Considerações finais Neste capítulo, tivemos a oportunidade de estudar o conceito e os fundamentos da Indústria 4.0, um tema de grande relevância não só para a administração da produção, mas também para as empresas que buscam se manter competitivas no mercado. Para tanto, estudamos o contexto histórico com a evolução das quatro revoluções industriais. Lembramos que a Primeira Revolução Industrial foi marcada pelo uso da mecânica, da energia a vapor e a hidráulica; a Segunda Revolução Industrial teve como diferenciais o uso da eletricidade, a produção em massa e a utilização das linhas de montagem de produtos; e a Terceira Revolução Industrial se consoli- dou pelo uso de sistemas computacionais e da robótica na manufatura, além dos avanços na eletrônica e a utilização de controladores lógicos programáveis. Já a Quarta Revolução Industrial, ou Indústria 4.0, se apoia em nove pilares tecnológicos, que foram estudamos neste capítulo: big data, re- alidade aumentada, internet das coisas, computação em nuvem, ciber- segurança, integração de sistemas, simulação, impressão 3D e robótica autônoma. Por fim, tivemos a possibilidade de identificar os principais aspec- tos a serem considerados pelas empresas, não só para a gestão como também sobre os desafios a serem superados para que seja possível transformar as suas iniciativas em torno das novas soluções tecnológi- cas trazidas pela Indústria 4.0, em resultados para empresas, visando a atingir os seus objetivos de negócios, independente de qual seja o seu segmento de atuação. 143Indústria 4.0 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Referências ALMEIDA, Paulo Sérgio de. Indústria 4.0. São Paulo: Editora Érica, 2019. MORAES, Rodrigo Bombonati de Souza (org.). Indústria 4.0: impactos sociais e profissionais. São Paulo: Blucher, 2021. QUINTINO, Luis Fernando et al. Indústria 4.0. Porto Alegre: Sagah, 2019. SACOMANO, José Benedito (org.). Indústria 4.0: conceitos e fundamentos. São Paulo: Blucher, 2018. SANTOS, Max Mauro Dias; STEVAN JUNIOR, Sergio Luiz; LEME, Murilo Oliveira. Indústria 4.0. São Paulo: Editora Érica, 2018. 145 M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Sobre o autor Marcos Alberto de Oliveira é sócio-diretor da Firehawk Serviços de Aperfeiçoamento profissional Ltda. É também palestrante e pro- fessor universitário com experiência de 30 anos na área acadêmica, atuando em programas de educação continuada para empresas do segmento industrial e de serviços. Além disso, atua como assessor especial de planejamento do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp). É engenheiro químico pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), mestre em engenharia de produção pela Universidade Paulista (Unip) e mestre em administração de empre- sas pela UNG, especialista em engenharia de segurança do trabalho e em engenharia de controle da poluição ambiental pela FAAP, es- pecialista em engenharia de produção, engenharia de produto e em organização e métodos pela Universidade São Judas Tadeu (USJT). Possui certificação Ibelt em gestão da inovação e é auditor interno de sistemas de gestão integrados ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001. Também atua como professor dos cursos de engenharia e admi- nistração da FAAP, além de cursos de Pós-Graduação da FAAP, da Fundação Instituto de Administração (FIA) e do Centro Universitário FEI. Escreveu os livros: Em busca da excelência empresarial, pela edi- tora DVS; Saúde, segurança do trabalho e meio ambiente; Estratégia empresarial e gestão da informação gerencial; Gestão de operações e serviços; e Fundamentos da administração, todos pela Editora Senac São Paulo. ADM_PRO_01_ACE_2022 ADM_PRO_02_ACE_2022 ADM_PRO_03_ACE_2022 _GoBack ADM_PRO_04_ACE_2022 ADM_PRO_05_ACE_2022 ADM_PRO_06_ACE_2022 ADM_PRO_07_ACE_2022 _GoBack ADM_PRO_08_ACE_2022