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ECONOMIA E FINANÇAS AULA 5 Prof. Liezer Veloso 2 CONVERSA INICIAL Olá! Imaginamos que você esteja gostando de nossa caminhada, onde temos observado que os assuntos são pertinentes e têm relação direta com nossa vida e com os processos das empresas. Agora, nossa trajetória em finanças pretende ir mais afundo. Você se defrontará com alguns conceitos e temáticas essenciais a qualquer profissional de finanças. Para esta etapa, separamos cuidadosamente os seguintes tópicos: ciclo operacional, econômico e financeiro; capital de giro; indicadores de liquidez; gestão de contas a receber e gestão de contas a pagar. Vem, que essa é show! TOP – CICLO OPERACIONAL, ECONÔMICO E FINANCEIRO Até aqui, você observou que a realidade das empresas é bem complexa, não é? Para produzir e alcançar seus objetivos, muitos desafios devem ser confrontados. Os aspectos econômicos — oferta e procura, a concorrência, o mercado de trabalho, as taxas de juros e as políticas de preços de muitos insumos — impactam diariamente a vida de empresas e gestores financeiros. Esse entendimento é vital para compreendermos os desafios operacionais, econômicos e financeiros que as empresas precisam controlar no intuito de obter a melhor decisão que beneficie seu escopo operacional e garante lucros suficientes para compor seu caixa. Neste aspecto, precisamos avaliar que todas as empresas possuem três ciclos que devem ser conhecidos e gerenciados, os quais interferem diretamente na análise do lucro e principalmente da saúde financeira: a gestão do caixa. O primeiro é ciclo operacional, que diz respeito a todo o processo da organização, que vai desde a compra dos insumos, estocagem dos insumos, produção, pagamento do fornecedor, estocagem produto acabado, venda e recebimento das vendas. É necessário conhecer em quantos dias o ciclo da empresa acontece. Quanto menor o ciclo, melhor será, pois a movimentação dos pagamentos e recebimentos acontece de forma rápida e próximo uns dos outros. As empresas prestadoras de serviços e as empresas comerciais possuem um ciclo mais simples, pois não há a conversão dos insumos em produtos acabados para venda. Elas têm um desafio menor em relação às indústrias, entretanto, também é vital mapear e gerenciar o ciclo operacional. 3 O segundo é o ciclo econômico, que tem como característica compreender o tempo da compra e produção até que ocorra a sua venda. Aqui, os gastos com a formação e manutenção dos estoques é assunto relevante para a gestão financeira. Quanto maior o ciclo econômico, maiores serão os desafios financeiros, pois a folha de pagamento é paga a cada 30 dias, os boletos de fornecedores possuem prazos curtos, às vezes menores do que os prazos que a empresa efetua suas vendas. Resumidamente, no ciclo econômico, avaliamos o tempo da estocagem até a realização da sua venda. O terceiro é o ciclo financeiro, que mede o tempo entre o pagamento do fornecedor e o recebimento do cliente. Nesse ponto, a análise é estritamente financeira, ou seja, quanto menor o tempo, melhor. Todavia, devido às políticas de créditos e estratégias de marketing, muitas empresas financiam seus clientes com prazos de até 24x. Agora, se ela tem um prazo de pagamento com o fornecedor de 3x, como fica o caixa? Certamente, ela precisará de uma fonte de recursos para cobrir seu ciclo financeiro. Encontrar o equilíbrio nas políticas de pagamentos e recebimentos é o grande desafio. Quadro 1 – Exemplo do ciclo operacional, econômico e financeiro Compra de matéria- prima (MP) Estoque matéria- prima Produção Estoque produto acabado Pagamento fornecedor Venda do Produto Acabado (PA) Recebimento do cliente Prazo médio de estocagem MP (PME-MP) Prazo médio estoque PA (PME-PA) Prazo médio Pagamento (PMP) Prazo médio Recebimento (PMR) Ciclo econômico Ciclo Financeiro Ciclo Operacional O Quadro 1 exemplifica os estágios do processo da empresa. Elas apresentam estágios e ciclos distintos, mas é perceptível em todas: compra, venda, recebimento e pagamento. Algumas empresas vendem e recebem para, só depois, iniciar seu processo de produção. Assim, o ciclo financeiro delas antecede o ciclo econômico. É importante cada gestor conhecer de forma sistêmica os estágios e todas as operações da organização na qual está inserida. Algumas fórmulas auxiliam para encontrar os ciclos e os prazos. 4 Ciclo Econômico (CE) = Prazo médio de estocagem (PME) PME = (Estoque médio ÷ Custo da mercadoria vendida) ÷ 360 Ciclo Operacional = CE + Prazo Médio Recebimento (PMR) PMR = (Contas a Receber ÷ Receita líquida) * 360 Ciclo Financeiro = CO – Prazo Médio de Pagamento a Fornecedores (PMPF) PMP = (Fornecedores ÷ Compras) x 360 O prazo médio de estocagem é encontrado pelo tempo em que o estoque fica aguardando ser vendido, desde a compra da MP até estocagem do PA. O estoque médio é encontrado pela média do estoque inicial e final dos estoques, constante nos controles de estoque da empresa. O custo da mercadoria vendida (CMV) ou custo do produto vendido (CPV) é encontrado na DRE, assim como a Receita Líquida (RL). Os valores de contas a receber (clientes), fornecedores e compras podem ser obtidos pelas informações do balanço patrimonial e na razão de cada conta contábil. Na prática, dentro da organização, os gestores têm acesso ao sistema contábil e todos os relatórios, os quais apresentam os valores de entradas, saídas, médias, valores iniciais e finais. Com isso, basta aplicarmos as fórmulas, analisarmos e procedermos com as tomadas de decisão. Conhecer esses ciclos permite uma gestão financeira mais assertiva. Os níveis de estoque (quantidades) devem ser os menores possíveis, desde que não falte insumos para produção e produtos para disponibilizar aos clientes. A empresa poderá negociar prazos e contratos com os fornecedores, de forma que o tempo entre o recebimento dos clientes e os pagamentos dos fornecedores sejam mais próximos possíveis, evitando a necessidade de capital de giro. ROLÊ 1 – CAPITAL DE GIRO Agora que você compreendeu o ciclo operacional e financeiro da empresa, é importante conhecer a necessidade do capital de giro (NCG), que representa o valor necessário para custear as operações do ciclo operacional. Ou seja, a empresa necessita pagar empregados, compor seu estoque, pagar fornecedores. Acontece que nem sempre seu ciclo financeiro, ou melhor, seus recebimentos acontecem no momento que ela necessite pagar algum credor. O capital circulante (CC) da empresa é o valor que consta em seu ativo circulante (AC), logo (CC = AC). O capital circulante líquido (CCL), também conhecido como capital de giro (CG), é a diferença entre o ativo circulante (AC) e o passivo circulante (PC), logo CCL = AC – PC ou CG = AC – PC. 5 A necessidade do capital de giro (NCG) representa o valor que a empresa precisa converter em dinheiro do ativo circulante (AC) para pagar as contas do passivo circulante. É importante lembrarmos que, no AC, constam contas que são dinheiros disponíveis (caixa, bancos, aplicações financeiras de liquidez imediatas dentre outras). Estas precisam ser excluídas do cálculo da NCG, como também os valores do PC, que não fazem parte da operação da empresa, como no caso de empréstimos e financiamentos. A NCG mede os valores necessários para que o processo de compras, estocagem, pagamento de empregados e fornecedores aconteça. Observe o exemplo a seguir. Quadro 2 – Dados ativo circulante e passivo circulante Ativo Circulante X1 X2 X3 Passivo Circulante X1 X2 X3 Caixas e Bancos 25.000 50.000 75.000 Fornecedores 100.000 100.000 100.000 Aplicações Financeiras 5.000 10.000 15.000 Salários 15.000 15.000 15.000 Clientes a Receber 20.000 50.000 150.000 Impostos a Pagar 20.000 20.000 20.000 Estoques 50.000 50.000100.000 Empréstimos 15.000 15.000 15.000 Total AC 100.000 160.000 340.000 Total PC 150.000 150.000 150.000 A conta Clientes a Receber e Estoques faz parte do ativo circulante operacional (ACO). As contas Fornecedores, Salários e Impostos a pagar fazem parte do passivo circulante operacional (PCO). Essas contas compõem a operação essencial da empresa (comprar e vender). Com os dados do Quadro 2, usando as fórmulas do CG e da NCG, obtivemos os seguintes resultados para cada período. Item Fórmula X1 X2 X3 Capital de Giro ou CCL CG = AC - PC (50.000) 10.000 190.000 Necessidade de Capital de Giro NCG = ACO - PCO (65.000) (35.000) 115.000 Em X1, o AC é menor que o PC. Com isso, o CG ficou em (50.000) negativo e a NCG ficou negativa em (65.000), pois a soma de Clientes e do Estoque foi menor do que a soma dos fornecedores, salários e impostos. Ou seja, a empresa não tem uma operação que garanta caixa para cobrir com as obrigações operacionais. Agora, em X2, o AC circulante é maior do que o PC, assim o CG fica positivo em 10.000, ou seja, a empresa dispõe de dinheiro suficiente para liquidar as contas do PC. Ao avaliar somente as contas da operação da empresa, a NCG ficou negativa em (35.000), ou seja, se vender os estoques e receber dos 6 clientes, ainda assim faltaria dinheiro para cobrir o pagamento dos fornecedores, salários e impostos. Em X3, a situação é mais benéfica para a empresa, pois o seu CG foi positivo em 190.000, ou seja, ela paga todas as contas do PC e ainda sobra esse valor. A NCG foi de 115.000 positivo, demonstrando que seu ativo operacional é superior ao passivo operacional, tendo uma sobra de caixa. Tanto CG e NCG são importantes para a gestão financeira, pois apresentam os valores necessários para que as operações da empresa estejam em pleno funcionamento. No caso de falta de caixa, ela precisará recorrer por um capital de terceiros (bancos, financeiras) ou negociar novos prazos com os fornecedores. A tesouraria precisa monitorar esses dois indicadores, de forma que a gestão operacional garante caixa suficiente para o ciclo financeira e para manter a eficiência operacional como um todo. ROLÊ 2 – CAPITAL DE GIRO II Os gestores financeiros necessitam saber frequentemente a capacidade de pagamento da empresa. É vital obter indicadores que revelam o potencial de pagamentos. Na vida, utilizamos muitos números e indicadores para tomarmos decisões. Você quando se pesa obtém o valor total da massa corporal e, com isso, decide fazer dieta, manter o estilo de alimentação ou procura um suporte médico urgentemente. O hodômetro do veículo permite ao condutor aumentar ou diminuir a velocidade do veículo em conformidade com o limite de velocidade da via. Agora, quantos reais a empresa têm disponível para cada real de dívida? Pergunta interessante essa, né? A seguir, você saberá. Além do capital de giro, é importante conhecermos a situação financeira da empresa se apresenta em relação às suas dívidas (obrigações — contas que deverão ser pagas). Como o patrimônio da empresa é segregado em circulante (curto prazo) e não circulante (longo prazo), podemos encontrar situações favoráveis no curto e desfavorável no longo, ou vice-versa. Dentro dos parâmetros estratégicos da empresa, ela muitas vezes opta, escolhe por um investimento ou financiamento, diante desse cenário — curto e longo. Os indicadores de liquidez são utilizados para medir esse desempenho da empresa e identificar o potencial dela honrar suas dívidas. Observe a fórmula e os itens que cada uma contém. 7 Índice de Liquidez Imediata (LI) LI = Disponibilidades ÷ PC Índice de Liquidez Seca (LS) LS = (AC - Estoques) ÷ PC Índice de Liquidez Corrente (LC) LC = AC ÷ PC Índice de Liquidez Geral (LG) LG = (AC+RLP) ÷ (PC+PNC) A liquidez imediata (LI) apresenta o montante de dinheiro disponível (caixa, bancos, investimentos de curto prazo com resgate imediato) que podem ser utilizados para pagar as contas de curto prazo, presentes no passivo circulante (PC). Em emergências, essa disponibilidade é vital para a organização. Um valor baixo indica que a empresa não tem recursos acessível (dinheiro) para pagar suas dívidas. A liquidez seca (LS) exclui os estoques da análise, pois estes ainda precisam ser vendidos e recebidos para se tornarem dinheiro disponível. Desta forma, medidos a disponibilidade (caixa, bancos) e o contas a receber como recursos do AC para honrar as dívidas do PC. A liquidez corrente (LC) avalia o potencial de todo ativo circulante (AC) em honrar as dívidas do passivo circulante (PC). Esse indicador revela o quanto o capital de giro consegue pagar ou não as contas do passivo no curto prazo. A liquidez geral (LG) procura demonstrar o total de recursos do AC mais os valores do realizável a longo prazo (clientes a receber LP, títulos e valores realizáveis, créditos, depósitos judiciais) em relação à dívida total da empresa, presente no PC e no PNC. Aqui, você identifica o potencial geral do ativo (AC + ARLP) em relação ao passível exigível. O resultado dos indicadores de liquidez, quando acima de 1,00, significa que a empresa dispõe de ativos para cobrir suas dívidas; valor igual a 1,00 indica situação neutra, onde ativos e passivos são iguais; e valor abaixo de 1,00 representa que a empresa não dispõe de recursos para pagar suas dívidas. Quadro 3 – Balanço patrimonial ATIVO X1 X2 PASSICO X1 X2 Ativo Circulante (AC) 150.000 185.000 Passivo Circulante (PC) 150.000 145.000 Caixas e Bancos 60.000 75.000 Fornecedores 125.000 100.000 Clientes a Receber 20.000 30.000 Salários 15.000 20.000 Estoques 70.000 80.000 Impostos a Pagar 10.000 25.000 Ativo Não Circulante (ANC) 150.000 175.000 Passivo não Circulante (PNC) 50.000 100.000 Realizável longo prazo 50.000 75.000 Empréstimos e Financ. 50.000 100.000 Imobilizado 100.000 100.000 Patrimônio Líquido 100.000 115.000 Total Ativo 300.000 360.000 Total Passivo 300.000 360.000 8 Com base nesse balanço patrimonial, utilizando as fórmulas de cada indicador, obtivemos os seguintes resultados. Indicador Fórmula X1 X2 Liquidez Imediata (LI) LI = Disponibilidades ÷ PC 0,40 0,52 Liquidez Seca (LS) LS = (AC - Estoques) ÷ PC 0,53 0,72 Liquidez Corrente (LC) LC = AC ÷ PC 1,00 1,28 Liquidez Geral (LG) LG = (AC+RLP) ÷ (PC+PNC) 1,00 1,06 Observe que a LI da empresa está abaixo de 1,00 e, com isso, ela não tem caixa disponível para honrar com suas dívidas em X1 e nem em X2. O mesmo ocorre com a LS, valores em ambos os períodos abaixo de 1,00. Caso a empresa necessitasse honrar alguma dívida ou cair em uma emergência, ela não caixa disponível para essa situação. A LC foi igual a 1,00 em X1 e acima em X2, isso demonstra uma situação boa, pois o montante de ativos circulantes é suficiente e capaz de pagar as dívidas do passivo circulante. Ao comprar a LC com a LG, observa-se que no longo prazo a LG é menor que a LC em X2, isso demonstra que as dívidas de longo prazo aumentaram e exigirão mais recursos do ativo, observe que o resultado de 1,06 está bem próximo de 1,00, com isso os gestores precisam ter cautelas em decisões de investimentos e financiamentos. TRILHA 1 – GESTÃO DO CONTAS A RECEBER Nos tópicos anteriores, ficou clara a relação direta das contas a receber (clientes) e das contas a pagar na saúde financeira da empresa. De um lado, está um ativo circulante originário na necessidade do cliente, o qual não dispondo de dinheiro utiliza-se do crédito que a empresa concede (denominado de crediário). Assim, o cliente leva o produto, consome o serviço e se compromete a pagar futuramente. Essa operação é característica de pequenos negócios varejistas, os quais abrem crediário próprio e concedem parcelamento ao cliente. O risco é alto, e a empresa precisa ter uma sólida política de crédito para blindar os riscos. Dessa forma,a inadimplência tende a ser menor do que conceder crédito de forma aleatória e sem controle. Saiba mais Sobre a política de crédito, leia páginas 201-208 do livro Fundamentos de Finanças de Silvano Antonio Alves Pereira Junior (2020). Boa leitura! 9 Outro crédito muito comum utilizado em todas as empresas é o cartão de crédito, no qual uma instituição financeira (bancos) concede aos seus clientes um cartão com uma bandeira (Visa, MasterCard, Elo, dentre outras) e um limite para uso em compras à vista ou parceladas. Aqui, a empresa, quando vende no cartão de crédito, recebe a venda no ato, no vencimento do cartão, ou nos prazos negociados com o banco que concedeu a maquineta de cartão. Nessa operação, os riscos do negócio (de não receber) ficam com a bandeira do crédito, e não com a empresa que vendeu. Em cada operação, a empresa que vendeu paga um valor para bandeira do crédito, como forma de remunerar o risco e as taxas de administração do cartão (maquineta) As grandes redes de varejo normalmente possuem uma financeira própria ou outra financeira, a qual aceita custear a transação de venda a prazo e concede parcelamento ao cliente. Nesse tipo de transação, ocorre a incidência de juros sobre as parcelas, o risco fica entre a financeira e o cliente, e o varejista recebe a venda conforme seu contrato junto à financeira. Todavia, recebe um valor menor da venda, como forma de custear os riscos e a taxa de administração da financeira. Há ainda o cheque e a nota promissória, títulos de créditos que estão deixando de ser usados há algum tempo. Entretanto, pequenas lojas e até alguns fornecedores ainda utilizam. Independentemente das formas que a empresa concede créditos aos seus clientes, é vital que a tesouraria tenha controle financeiro de cada venda. Cada fatura ou boleto gerado precisa ser controlado a fim de acompanhar os recebimentos, as entradas no caixa e a gestão do crédito, da inadimplência e dos riscos financeiros que da má gestão acarretam. Quadro 4 – Controle de contas a receber Vencimento Fatura / Boleto Cliente Valor Parcela Data do pagamento Juros / Multa Valor Total Pago 10/07/X1 01.2345 Ana XXX R$ 1.250,00 1/5 08/07/X1 R$ 0,00 R$ 1.250,00 10/07/X1 02.3657 Carlos XXX R$ 625,75 2/5 01/07/X1 R$ 0,00 R$ 625,75 10/07/X1 03.4269 Maria XXX R$ 535,90 3/4 25/07/X1 R$ 9,25 R$ 545,15 10/07/X1 04.2316 Débora XXX R$ 150,85 2/3 15/07/X1 R$ 2,50 R$ 153,35 11/07/X1 01.4536 Elaine XXXX R$ 185,90 1/8 05/07/X1 R$ 0,00 R$ 185,90 11/07/X1 01.8796 Laura XXXX R$ 420,00 2/6 Pendente R$ 25,50 11/07/X1 02.6930 João XXXX R$ 1.525,75 4/5 Pendente R$ 60,25 11/07/X1 03.5269 Marcelo XXXX R$ 950,90 7/7 Pendente R$ 36,75 10 Esse quadro apresenta um modelo das informações relevantes da gestão de contas a receber. É importantíssimo que o responsável por essa área faça o acompanhamento diário dos vencimentos e dos valores recebidos, fazendo a conciliação bancária e contábil, ou seja, conferir se os valores, notas e documentos estão em conformidade, evitando recebimento duplicado. Observe que fica fácil identificar o quanto a empresa tem para receber no dia 10/07/X1 e no dia 11/07/X1. Isso permite que ela possa programar suas contas. Faturas e boletos não pagos pelos clientes deverão ser encaminhados para o departamento de cobrança, o qual, por meio dos trâmites e da política de cobrança, entra em contato com o cliente que ficou inadimplente neste momento. Com um controle minucioso e com o auxílio de algum sistema gerencial ou até mesmo com planilhas do MS Office Excel, é possível gerenciar as contas a receber da empresa e fazer projeções de entradas de dinheiro por dia, semana, mensal e anual. Assim, decisões poderão ser tomadas de forma mais assertiva acerca do comprometimento financeiro da empresa. TRILHA 2 – GESTÃO DE CONTAS A PAGAR Para que a empresa tenha pleno funcionamento, ela precisa de diversos insumos — água, energia elétrica, material de escritório, artigos de copa e cozinha, internet, telefonia fixa e móvel, matéria-prima, embalagens, mão de obra. A lista é extensa e gigantesca. Cada empresa precisa de um rol de produtos, materiais e serviços para que suas operações possam existir e assim ofertar um produto ou serviço que satisfaça seus clientes e consumidores. Dessa forma, toda aquisição necessita um dispêndio de dinheiro e uma gestão de consumo e pagamento. Para isso, as contas a pagar exercem uma função operacional muito importante: controlar todos os gastos e efetuar o pagamento aos seus inúmeros credores dentro das condições negociadas. Tendo em vista que muitas compras, serviços e gastos são recorrentes, não acontecendo o pagamento somente uma vez ou duas no mês (como salários e benefícios aos empregados), é fundamental que o departamento crie mecanismos e controles para garantir que a empresa honre todas as obrigações, efetuando os pagamentos dentro dos vencimentos, evitando juros e a suspensão de fornecimento de bens e serviços por falta de pagamento. Imagine o caos na produção por falta de embalagens? Parar uma fábrica por má gestão ou falha no pagamento do fornecedor é uma situação intolerável. Você não acha? 11 Quadro 5 – Controle de contas a pagar Item Fatura / NF Descrição Valor Vencimento 1 1010 Serviços de Montagem R$ 10.000,00 01/07/X1 2 1525 Serviços de portaria e vigilância R$ 15.000,00 01/07/X1 3 1875 Energia elétrica R$ 2.500,00 01/07/X1 4 10233 Água e Esgoto R$ 6.500,00 02/07/X1 5 8922 Fornecedor de Embalagem R$ 5.000,00 02/07/X1 6 8755 Fornecedor de Mat. Escritório R$ 1.250,00 05/07/X1 7 6780 Fornecedor Matéria-prima R$ 25.000,00 05/07/X1 8 - Folha de pagamento R$ 40.000,00 05/07/X1 9 1025 Vale Alimentação R$ 11.500,00 05/07/X1 10 8922 Fornecedor de Embalagem R$ 7.000,00 15/07/X1 11 8755 Fornecedor de Mat. Escritório R$ 1.425,00 15/07/X1 12 6780 Fornecedor Matéria-prima R$ 40.000,00 15/07/X1 O Quadro 5 apresenta um modelo simplificado do controle de contas a pagar. Observe que consta o nome do fornecedor, a fatura correspondente, o valor e o vencimento. Todos os valores (obrigações) que a empresa deve pagar devem compor esse controle. Numerários referente a tributos, gastos com seguros, aluguéis de máquinas e equipamentos, valores referentes a parcelas de empréstimos e financiamentos são exemplos de valores que devem ser adicionais e gerenciados pelo responsável pelas contas a pagar. Uma gestão plena de todas as obrigações permite que a empresa avalie a necessidade de dinheiro para cobrir os gastos no dia, na semana, no mês e se preparar para valores elevados que exigem maior comprometimento do caixa. Notas, valores em conformidade com os demonstrativos de consumo e em consonância aos contratos de fornecimento devem ser atentados antes de efetuar qualquer transferência para um credor. Atenção, concentração e metodologia são requisitos do profissional desta área. Um controle prático, eficiente e sistémico permite que gestores tomem decisões mais assertivas diante de negociações com os credores. Estabelecer políticas de pagamento e prazos fica fácil após identificar a gama de gastos necessários para operação da empresa e o volume de caixa. Criar uma rotina de recebimento de notas e boletos e como eles devem transitar entre os departamentos até chegar ao financeiro, precisa ser procedimentado e ter fluxos claros, no intuito de movimentar documentos (notas fiscais, boletos, contratos etc.), para que as contas a pagar tenham eficácia operacional, cumprindo e honrando todos os pagamentos. 12 Pode acontecer de a organização necessitar de um suporte financeiro, oriundo de empréstimos, financiamentos, resgate do limite da conta corrente, fazer uma operação de desconto de duplicatas ou factoring. Para isso, ela precisa identificar o valor exato de dinheiro que será suficiente para cobrir a situação deficitária.ELO As organizações necessitam controlar seus gastos, conhecer sua rotina e como ela precisa de insumos, bens e serviços para o seu pleno funcionamento. Para isso, ela contrai dívidas que são essenciais para seu escopo empresarial. Necessitam ter controle da disponibilidade (caixa e bancos), garantir que a gestão do financeiro permite conceder crédito consciente aos clientes, de forma que não comprometa suas dívidas. A proximidade e a dependência das contas a receber e a pagar são grandes. Logo, uma má gestão impacta diretamente na outra, trazendo instabilidade financeira. Os indicadores de liquidez, o capital de giro e o ciclo operacional, econômico e financeiro revelam as necessidades e as razões pelas quais a empresa deve controlar e gerenciar o caixa e a movimentação dos seus recursos. Gerenciar as finanças da empresa não é tarefa simples, fácil ou para qualquer um. Por isso, é preciso se dedicar a estudar e compreender a área de finanças como um fator estratégico e essencial para qualquer empresa, tendo em vista a necessidade de as organizações necessitarem de profissionais que atuam com maestria, motivação e engajados com o negócio e com a visão da organização. O sucesso é uma construção. Nos vemos na próxima. 13 REFERÊNCIAS CHEROBIM, A. P. M. S.; JR. LEMES., A. B.; RIGO, C. M. Fundamentos de finanças empresariais: técnicas e práticas essenciais. 1. ed. [2. Reimpr.]. Rio de Janeiro: LTC, 2018. GRIFFIN, M. P. Contabilidade e finanças. 1. ed. Saraiva, 2012. Série Fundamentos. MAYO, H. B. Finanças básicas. 9. ed. Cengage Learning Brasil, 2012. PADOVEZE, C. L. Contabilidade geral facilitada. São Paulo: Forense, 2017. PEREIRA JR., S. A. A. et al. Fundamentos de finanças. Porto Alegre: SAGAH, 2020.