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Localização do coração ↠ O coração é relativamente pequeno, aproximadamente do tamanho (mas não com a mesma forma) de sua mão fechada; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Tem aproximadamente 12 cm de comprimento, 9 cm de largura em seu ponto mais amplo, e 6 cm de espessura; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Pesa em média 250 g nas mulheres adultas e 300 g nos homens adultos; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O coração repousa sobre o diafragma, próximo da linha mediana da cavidade torácica. Encontra-se no mediastino, uma região anatômica que se estende do esterno à coluna vertebral, da primeira costela ao diafragma, e entre os pulmões. Aproximadamente dois terços da massa do coração encontram-se à esquerda da linha mediana do corpo; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O ápice pontiagudo é formado pela ponta do ventrículo esquerdo (a câmara inferior do coração) e está situado sobre o diafragma. O ápice está direcionado para frente, para baixo e para a esquerda; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A base do coração está do lado oposto ao ápice e constitui sua face posterior. É formada pelos átrios (câmaras superiores) do coração, principalmente o átrio esquerdo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O coração é um órgão muscular que se contrai ritmicamente enquanto bombeia o sangue pelo sistema circulatório. Também é responsável pela produção de um hormônio chamado de fator natriurético atrial. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) Pericárdio A membrana que envolve e protege o coração é o pericárdio. Restringe o coração à sua posição no mediastino, possibilitando liberdade de movimento suficiente para a contração vigorosa e rápida. O pericárdio consiste em duas partes principais: (1) o pericárdio fibroso e (2) o pericárdio seroso. (TORTORA, 14ª ed.) ➢ Pericárdio Fibroso: superficial, é composto por tecido conjuntivo inelástico, resistente, denso e irregular. Assemelha-se a uma bolsa que repousa sobre o diafragma, fixando-se nele. O pericárdio fibroso impede a hiperdistensão do coração, fornece proteção e ancora o coração no mediastino. O pericárdio fibroso próximo ao ápice do coração está parcialmente fundido ao tendão central do diafragma; por conseguinte, o movimento do diafragma, como na respiração profunda, facilita a circulação do sangue pelo coração. (TORTORA, 14ª ed.) ➢ Pericárdio seroso: mais profundo, é uma membrana mais fina, delicada, que forma uma dupla camada em torno do coração. A lâmina parietal do pericárdio seroso mais externa está fundida ao pericárdio fibroso. A lâmina visceral do pericárdio seroso mais interna, que também é chamada epicárdio, é uma das camadas da parede do coração e adere firmemente à sua superfície. Entre as camadas parietal e visceral do pericárdio seroso existe uma fina película de líquido seroso lubrificante. Esta secreção das células pericárdicas, conhecida como líquido pericárdico, reduz o atrito entre as camadas do pericárdio seroso conforme o coração se move. (TORTORA, 14ª ed.) Camadas da parede do coração A parede do coração é constituída por três camadas: o epicárdio (camada externa), o miocárdio (camada intermediária) e o endocárdio (camada interna). (TORTORA, 14ª ed.) Coração @jumorbeck ➢ O epicárdio é composto por duas camadas de tecido. A mais externa, é chamada lâmina visceral do pericárdio seroso. Esta camada exterior fina e transparente da parede do coração é composta por mesotélio. Sob o mesotélio existe uma camada variável de tecido fibroelástico delicado e tecido adiposo. O tecido adiposo predomina e torna-se mais espesso sobre as faces ventriculares, onde abriga as principais artérias coronárias e vasos cardíacos. O epicárdio confere uma textura lisa e escorregadia à face mais externa do coração. O epicárdio contém vasos sanguíneos, vasos linfáticos e vasos que irrigam o miocárdio. (TORTORA, 14ª ed.) Entre o folheto visceral (epicárdio) e o folheto parietal, existe uma quantidade pequena de líquido que facilita os movimentos do coração. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) ➢ A camada média, o miocárdio, é responsável pela ação de bombeamento do coração e é composto por tecido muscular cardíaco. Compõe aproximadamente 95% da parede do coração. As fibras musculares (células), como as do músculo estriado esquelético, são envolvidas e separadas em feixes por bainhas de tecido conjuntivo compostas por endomísio e perimísio. As fibras musculares cardíacas são organizadas em feixes que circundam diagonalmente o coração e produzem as fortes ações de bombeamento do coração. (TORTORA, 14ª ed.) ➢ O endocárdio mais interno é uma fina camada de endotélio que recobre uma fina camada de tecido conjuntivo. Fornece um revestimento liso para as câmaras do coração e abrange as valvas cardíacas. O revestimento endotelial liso minimiza o atrito de superfície conforme o sangue passa através do coração. O endocárdio é contínuo ao revestimento endotelial dos grandes vasos sanguíneos ligados ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) A região central fibrosa do coração, comumente chamada de esqueleto fibroso, serve de ponto de apoio para as válvulas, além de ser também o local de origem e inserção das células musculares cardíacas. O esqueleto cardíaco é composto de tecido conjuntivo denso. Seus principais componentes são o septo membranoso, o trígono fibroso e o ânulo fibroso. Essas estruturas são formadas por um tecido conjuntivo denso, com fibras de colágeno grossas orientadas em várias direções. Nódulos de cartilagem fibrosa são encontrados em determinadas regiões desse esqueleto fibroso.. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) Faces e margens do coração (MOORE, 7ª ed.) ↠ Face esternocostal (anterior), formada principalmente pelo ventrículo direito; ↠ Face diafragmática (inferior), formada principalmente pelo ventrículo esquerdo e em parte pelo ventrículo direito; ↠ Face pulmonar direita, formada principalmente pelo átrio direito; ↠ Face pulmonar esquerda, formada principalmente pelo ventrículo esquerdo; ↠ Margem direita (ligeiramente convexa), formada pelo átrio direito e estendendo-se entre a VCS e a VCI; ↠ Margem inferior (quase horizontal), formada principalmente pelo ventrículo direito e pequena parte pelo ventrículo esquerdo; ↠ Margem esquerda (oblíqua, quase vertical), formada principalmente pelo ventrículo esquerdo e pequena parte pela aurícula esquerda; ↠ Margem superior, formada pelos átrios e aurículas direita e esquerda em vista anterior; a parte ascendente da aorta e o @jumorbeck tronco pulmonar emergem dessa margem e a VCS entra no seu lado direito. Câmaras do coração ↠ O coração tem quatro câmaras. As duas câmaras de recepção superiores são os átrios, e as duas câmaras de bombeamento inferiores são os ventrículos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O par de átrios recebe sangue dos vasos sanguíneos que retornam o sangue ao coração, as chamadas veias, enquanto os ventrículos ejetam o sangue do coração para vasos sanguíneos chamados artérias. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Na face anterior de cada átrio existe uma estrutura saculiforme enrugada chamada aurícula. Cada aurícula aumenta discretamente a capacidade de um átrio, de modo que ele possa conter maior volume de sangue. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Também na superfície do coração existem vários sulcos, que contêm vasos sanguíneos coronarianos e uma quantidade variável de gordura. Cada sulco marca a fronteira externa entre duas câmaras do coração. Os sulcos são: profundo sulco coronário, sulco interventricular anterior, sulco interventricular posterior (TORTORA, 14ª ed.) ÁTRIO DIREITO ↠ Recebe sangue de três veias: a veia cava superior, a veia cava inferior e o seio coronário.; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O interior da parede posterior é liso; o interior da parede anterior é áspero, por causa de cristas musculares chamadas de músculos pectíneos, que também se estendem até a aurícula; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As partes lisas e àspera da parede atrial são separadasque mais de 500 genes estão envolvidos no desenvolvimento do coração de mamíferos. Muitos membros da família de genes T-box representam um papel essencial na determinação da linhagem, especificação das câmaras cardíacas, desenvolvimento de válvulas e septos, e formação do sistema condutor. (MOORE, 10ª ed.) Desenvolvimento de veias associadas ao coração embrionário ↠ Três veias pareadas drenam para o coração primitivo do embrião de 4 semanas: (MOORE, 10ª ed.) VEIAS VITELINAS ↠ Retornam o sangue pobre em oxigênio da vesícula umbilical. ↠ A veia vitelina esquerda regride, e a veia vitelina direita forma a maior parte do sistema porta hepático, assim como uma porção da veia cava inferior (VCI). VEIAS UMBILICAIS ↠ Transportam o sangue bem oxigenado do saco coriônico. ↠ A veia umbilical direita desaparece durante a sétima semana, deixando a veia umbilical esquerda como o único vaso transportando o sangue bem oxigenado da placenta para o embrião. ↠ Um grande desvio venoso, o ducto venoso, se desenvolve dentro do fígado e conecta a veia umbilical com a VCI., permitindo que a maioria do sangue da placenta passe diretamente para o coração. VEIAS CARDINAIS ↠ Retornam o sangue pobre em oxigênio do corpo do embrião para o coração. ↠ Possui 2 principais sistemas: a veia cardinal anterior (drena a porção cranial) e a veia cardinal posterior (drena a porção caudal). ↠ Elas unem-se às veias cardinais comuns, que entram no seio venoso; ↠ As veias cardinais posteriores desenvolvem-se, primeiramente, como vasos dos mesonefros (rins provisórios), e a maioria desaparece com esses rins transitórios. Os únicos derivados adultos dessas veias são a raiz da veia ázigo e as veias ilíacas comuns. ↠ As veias subcardinais formam o tronco da veia renal esquerda, as veias suprarrenais, as veias gonadais (testicular e ovariana) e um segmento da VCI. @jumorbeck ↠ A VCI é composta de quatro segmentos principais ➢ Hepático: derivado da veia hepática ➢ Pré-renal: derivado da veia subcardinal direita. ➢ Renal: derivado da anastomose subcardinal- supracardinal. ➢ Pós-renal: derivado da veia supracardinal direita. Desenvolvimento final do coração ↠ Miocárdio primitivo: é a camada externa do tubo cardíaco embrionário, formada pelo mesoderma esplâncnico ao redor da cavidade pericárdica. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O coração em desenvolvimento é composto por um tubo endotelial fino, separado de um miocárdio espesso por uma matriz gelatinosa de tecido conjuntivo, a geleia cardíaca. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O tubo endotelial se torna o revestimento endotelial interno do coração, ou endocárdio, e o miocárdio primitivo se torna a parede muscular do coração, ou miocárdio. O pericárdio visceral, ou epicárdio, é derivado de células mesoteliais que surgem da superfície externa do seio venoso e se espalham sobre o miocárdio. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O coração tubular é composto pelo bulbo cardíaco, ventrículo, átrio e seio venoso. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O crescimento do tubo cardíaco é resultado da adição de células, cardiomiócitos, diferenciando-se do mesoderma da parede dorsal do pericárdio. (MOORE, 10ª ed.) Circulação através do coração primitivo ↠ As contrações iniciais do coração são de origem miogênica (com seu início no músculo). (MOORE, 10ª ed.) ↠ As camadas musculares do trato de fluxo do átrio e ventrículo são contínuas, e as contrações ocorrem como ondas peristálticas que começam no seio venoso. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O sangue entra no seio venoso através das: veias cardinais comuns, veias umbilicais e das veias vitelinas. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O sangue do seio venoso entra no átrio primitivo; seu fluxo é controlado por válvulas sinoatriais (SA). O sangue então passa através do canal atrioventricular (AV) para o ventrículo primitivo. Quando o ventrículo contrai, o sangue é bombeado através do bulbo cardíaco e do tronco arterioso para o saco aórtico, do qual é distribuído para as artérias do arco faríngeo no arco faríngeo. O sangue então passa para a aorta dorsal para distribuição ao embrião, vesícula umbilical e placenta. (MOORE, 10ª ed.) @jumorbeck Formação da alça bulboventricular ↠ Ainda no final da quarta semana, o coração tem forma tubular, e suas cavidades comunicam-se entre si. (GARCIA, 3ª ed.) ↠ Na etapa seguinte, esse tubo sofrerá torção e septação de suas cavidades. (GARCIA, 3ª ed.) ↠ O tubo cardíaco cresce, alonga-se e dobra-se para acomodar-se dentro da cavidade pericárdica. (GARCIA, 3ª ed.) Septação do coração primitivo DIVISÃO DO CANAL ATRIOVENTRICULAR ↠ Ao final da quarta semana, se formam os coxins endocárdicos AV. Eles se aproximam e fundem-se, dividindo o canal AV em canais direito e esquerdo. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Os coxins AV transformados contribuem para a formação das valvas e do septo membranoso do coração. (MOORE, 10ª ed.) SEPTAÇÃO DO ÁTRIO PRIMITIVO ↠ Iniciando ao final da quarta semana, o átrio primitivo é dividido em átrio direito e esquerdo pela formação de, e subsequente modificação e fusão, dois septos: septum primum e septum secundum. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O septum secundum, uma dobra muscular espessa crescente. Conforme esse septo espesso cresce, ele forma uma divisão incompleta entre o átrio; consequentemente, se forma um forame oval. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Antes do nascimento, o forame oval permite que a maior parte do sangue oxigenado que entra no átrio direito a partir da VCI, passe para o átrio esquerdo. Ele também previne a passagem de sangue na direção oposta, pois o septum primum se fecha contra o septum secundum relativamente rígido. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Após o nascimento, o forame oval se fecha funcionalmente, pois a pressão no átrio esquerdo é maior que àquela no átrio direito. Com aproximadamente 3 meses, a valva do forame oval se funde com o septum secundum, formando a fossa oval. Como resultado, o septo interatrial se torna uma divisão completa entre os átrios. (MOORE, 10ª ed.) @jumorbeck ALTERAÇÕES NO SEIO VENOSO ↠ O átrio primitivo dá origem a parte taberculada (parede rugosa dos átrios) e a aurícula; @jumorbeck ↠ A incorporação do corno direito do seio venoso dá origem a parte lisa do átrio direito; (MOORE, 10ª ed.) ↠ A incorporação das veias pulmonares dá origem a parede lisa do átrio esquerdo. (MOORE, 10ª ed.) SEPTAÇÃO DO VENTRÍCULO PRIMITIVO ↠ A divisão do ventrículo é indicada por uma crista mediana, o septo interventricular muscular. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Até a sétima semana, há um forame interventricular. Ele geralmente se fecha ao final da sétima semana conforme as cristas bulbares se fundem com os coxins endocárdios. (MOORE, 10ª ed.) SEPTAÇÃO DO BULBO CARDÍACO E TRONCO ARTERIOSO ↠ Durante a quinta semana, a proliferação de células mesenquimais nas paredes do bulbo cardíaco resulta na formação das cristas bulbares. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As cristas bulbares e troncais sofrem uma rotação e 180 graus em espiral. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A orientação espiral das cristas , causada em parte pelo fluxo sanguíneo dos ventrículos , resulta na formação de um septo aorticopulmonar. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Esse septo divide o bulbo cardíaco e o tronco arterioso em dois canais arteriais, a aorta ascendente e o tronco pulmonar. (MOORE, 10ª ed.) @jumorbeck ↠ Quando a divisão do tronco arterioso está quase completa, as valvas semilunares começam a se desenvolver. (MOORE, 10ª ed.) *As valvas atrioventriculares se desenvolvem de forma similar a partir de proliferações localizadas de tecidos ao redor dos canais AV. Circulação fetal e neonatal ↠ O sistema cardiovascular fetal é designado para servir as necessidades pré-natais e permitir modificações ao nascimento que estabelecem o padrão circulatório neonatal. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As três estruturas vasculares mais importantes na transição da circulação sãoo ducto venoso, o forame oval e o ducto arterioso. (MOORE, 10ª ed.) CIRCULAÇÃO FETAL ↠ O Sangue altamente oxigenado e rico em nutrientes retorna da placenta sob alta pressão para a veia umbilical. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Ao aproximar-se do fígado, aproximadamente metade do sangue passa diretamente para o ducto venoso. A outra metade do sangue na veia umbilical flui para os sinusoides do fígado e entra na VCI através das veias hepáticas. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Após um curso pequeno na VCI, o sangue entra no átrio direito do coração. Devido à VCI também conter sangue pobremente oxigenado a partir dos membros inferiores, abdome e pelve, o sangue entrando no átrio direito não está tão bem oxigenado quanto o sangue na veia umbilical; porém, ele ainda possui um alto teor de oxigênio. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A maioria do sangue da VCI é direcionada pela crista dividens (margem inferior do septum secundum) através do forame oval para o átrio esquerdo. Aqui ele se mistura com uma quantidade relativamente pequena de sangue pobremente oxigenado, retornando dos pulmões através das veias pulmonares. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Os pulmões do feto usam o oxigênio do sangue em vez de devolvê-lo. Então, a partir do átrio esquerdo, o sangue passa para o ventrículo esquerdo e sai através da aorta ascendente. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As artérias do coração, pescoço, cabeça e membros superiores recebem sangue bem oxigenado da aorta ascendente. O fígado também recebe sangue bem oxigenado da veia umbilical. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Uma pequena quantidade de sangue bem oxigenado da VCI no átrio direito, que não entra no forame oval, se mistura com o sangue pouco oxigenado da VCS e do seio coronário, e passa para o ventrículo direito. Esse sangue, que possui um teor médio de oxigênio, sai através do tronco pulmonar. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Aproximadamente 10% desse fluxo sanguíneo vão para os pulmões; a maioria do sangue passa através do ducto arterioso para a aorta ascendente do feto e retorna à placenta através das artérias umbilicais. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O ducto arterioso protege os pulmões da sobrecarga circulatória e permite que o ventrículo direito se fortaleça na preparação para o funcionamento em plena capacidade no nascimento. (MOORE, 10ª ed.) A parede ventricular direita é mais espessa que a parede ventricular esquerda em fetos e neonatos, pois o ventrículo direito trabalha mais no útero. Ao final do primeiro mês, a parede ventricular esquerda está mais espessa que a parede ventricular direita, pois o ventrículo esquerdo está trabalhando mais agora. A parede ventricular direita se torna mais fina devido à atrofia associada à carga de trabalho mais leve. @jumorbeck Fatores que ocasionam a malformação congênita do coração ↠ Os neonatos decorrentes de partos prematuros apresentam uma probabilidade duas vezes maior para apresentarem anormalidades cardíacas. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Acredita-se que a maioria dos Defeitos Congênitos do Coração (DCCs) sejam causados por múltiplos fatores genéticos e ambientais (p. ex., herança multifatorial), cada um deles com um efeito pequeno. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Alguns fatores genéticos e ambientais são apontados como fatores para o desenvolvimento de cardiopatias congênitas, como os de herança materna: mutações, diabetes mellitus, alcoolismo, nutrição inadequada, idade superior a 40 anos, exposição a raio X e rubéola. Porém, as causas exatas ainda não foram comprovadas. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Algumas condições clínicas maternas aumentam os riscos para cardiopatias fetais, sendo consideradas fatores para indicação de ecocardiografia fetal para ser feito o rastreamento. Os fatores que contem risco maior que 2% são: diabetes melito materno pré-gestacional, diabetes melito materno diagnosticado no primeiro trimestre, fenilcetonúria materna, anticorpos materno anti-RO e anti- LA, ingestão materna de medicamentos (IECA, ácido retinóico, anti-inflamatórios não hormonais no terceiro trimestre), rubéola materna no primeiro trimestre, infecção materna com suspeita de miocardite fetal, gestação por reprodução assistida, cardiopatia congênita em parentes (mãe, pai ou irmão portador), herança mendeliana associada a cardiopatia congênita em parentes de primeiro grau ou segundo grau, suspeita de cardiopatia congênita pelo ultrassom obstétrico/morfológico, cariótipo fetal anormal, ritmo cardíaco fetal irregular, bradicardia ou taquicardia, gestação gemelar monocoriônica, hidropisia fetal ou derrames. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Os que correspondem ao risco entre 1 e 2% são: ingestão materna de medicações (anticonvulsivantes, lítio, vitamina A, cardiopatia congênita em parente de segundo grau, anormalidade fetal do cordão umbilical ou da placenta, anomalia intra-abdominal fetal. E os riscos que são menores que 1% são diabetes melito materno gestacional, ingestão materna de medicações (inibidores seletivos da recaptação da serotonina – todos exceto paroxetina, agonista da vitamina k- varfarina). (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Mães com mais de 35 anos, históricos de filhos anteriores cardiopatas, mães portadoras de lúpus e hipotireoidismo. Gravidez de gêmeos, múltiplos ou fertilização in vitro também pode ter influência (SILVA et al., 2018 apoud MELO, 2010). ↠ No presente estudo, observou-se maior incidência de gestações com fetos portadores de cardiopatias em mulheres com faixa etária entre 20 e 29 anos, destacando uma população jovem e que também possuía um alto índice de abortamento tardio (entre a 13ª e 22ª semana de gestação) em gestações anteriores, além de exposições teratogênicas, com destaque para o uso de antibióticos. (PINTO et. al., 2018) Malformações congênitas ↠ As cardiopatias congênitas são as más formações na estrutura do coração, elas já são existentes desde o momento do nascimento. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ São os defeitos congênitos que afetam aproximadamente 8 entre 1.000 nascidos vivos. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Segundo a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS (CONITE), complicações decorrentes desse quadro de cardiopatia correspondem a cerca de 10% dos óbitos infantis. Porém, algumas doenças coronarianas congênitas podem ser assintomáticas, podendo vir a ser diagnosticadas apenas na vida adulta. (GALVÃO, et al., 2021) @jumorbeck ↠ No Brasil, 28.900 crianças nascem com CC por ano (1% do total de nascimentos), das quais cerca de 80% (23.800) necessitam de cirurgia cardíaca, e metade delas precisa ser operada no primeiro ano de vida. (SOARES, 2018) ↠ As malformações congênitas representam a segunda principal causa de mortalidade em crianças menores de um ano de idade. A CC é a mais frequente e com alta mortalidade no primeiro ano de vida no Brasil e a terceira causa de óbito até os 30 dias de vida. (SOARES, 2018) ↠ As anomalias cardíacas podem se a presentar isoladamente (80 a 85%), fazer parte de síndromes cromossômicas. (5 a 10%) ou gênicas (3 a 5%), de associações bem estabelecidas ou ocasionais, serem determinadas por fatores ambientais, infecciosos ou não. (PINTO et. al., 2018) ↠ Elas podem ser classificadas em cianóticas e acianóticas. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ Nas denominadas cianóticas vai acontecer a interferência no fluxo sanguíneo através dos pulmões, onde vai causar a diminuição de oxigênio na circulação, podendo vir a causar uma cianose generalizada. E as acianóticas, o sangue que é rico em oxigênio vai ser encaminhado para a circulação sistêmica por meio de shunting (furos ou passagens), que vão ocorrer do lado esquerdo do coração para o lado direito. (GALVÃO, et al., 2021) COMUNICAÇÃO INTERVENTRICULAR ↠ Os defeitos do septo ventricular (DSVs) são os tipos mais comuns de DCCs, representando cerca de 25% dos defeitos cardíacos. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Os DSVs ocorrem mais frequentemente em homens do que em mulheres. (MOORE, 10ª ed.) ↠ DSVspodem ocorrer em qualquer parte do septo interventricular, porém o DSV membranoso é o tipo mais comum. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Frequentemente, durante o primeiro ano, 30% a 50% dos DSVs pequenos se resolvem espontaneamente. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Caracteriza-se pela abertura da parede que separa o ventrículo esquerdo do ventrículo direito. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ O fechamento incompleto do forame interventricular resulta da falha no desenvolvimento da parte membranosa do septo interventricular. (MOORE, 10ª ed.) ↠ DSV muscular é um tipo menos comum de defeito e pode aparecer em qualquer local na porção muscular do septo interventricular. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A ausência do septo interventricular (ventrículo único ou ventrículo comum), resultando da falha na formação do septo interventricular, é extremamente rara e resulta em um coração com três câmaras. (MOORE, 10ª ed.) COMUNICAÇÃO INTERATRIAL ↠ Mais comum em mulheres. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A forma mais comum de Defeitos do Septo Atrial (DSA) é o forame oval patente. Um forame oval patente à sonda está presente em mais de 25% das pessoas.. (MOORE, 10ª ed.) ↠ É denominada como o defeito congênito de fechamento do septo interatrial, que divide o coração entre os lados direito e esquerdo, equivale a 35% de todos os defeitos. (GALVÃO, et al., 2021) @jumorbeck ESTENOSE AÓRTICA ↠Na estenose da valva aórtica, as margens da valva geralmente estão fusionadas para formar uma cúpula com uma abertura estreita. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Esse defeito pode ser congênito ou se desenvolver após o nascimento. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A estenose valvar causa uma sobrecarga de trabalho para o coração e resulta na hipertrofia do ventrículo esquerdo e sons cardíacos anormais (sopros cardíacos). (MOORE, 10ª ed.) ESTENOSE PULMONAR ↠ A estenose pulmonar é quando há um estreitamento da válvula pulmonar fazendo com que haja uma obstrução do sangue na passagem do fluxo sanguíneo do ventrículo direito para a artéria pulmonar. (GALVÃO, et al., 2021) TETRALOGIA DE FALLOT ↠ É caracterizada por um conjunto de alterações no coração, nos quais foram descritas por Étienne Louis Arthut Fallot no ano de 1888, e as alterações anatômicas são: comunicação interventricular, estenose da artéria pulmonar, dextroposição da artéria aorta e hipertrofia do ventrículo direito, ocorre em cada 3 de 10.000 nascidos vivos. (GALVÃO, et al., 2021) ↠ A tetralogia de Fallot é um grupo clássico de quatro defeitos cardíacos consistindo de: (MOORE, 10ª ed.) ➢ Estenose da artéria pulmonar (obstrução do fluxo de saída ventricular direito). ➢ Defeito do septo ventricular. ➢ Dextraposição da aorta (substituição ou sobreposição da aorta). ➢ Hipertrofia ventricular direita. ↠ Nesses defeitos, o tronco pulmonar geralmente é pequeno e pode haver vários graus de estenose da artéria pulmonar. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A cianose (oxigenação deficiente do sangue) é um sinal óbvio da tetralogia, porém, não é comum estar presente no nascimento. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A tetralogia resulta quando a divisão do tronco arterioso é desigual e o tronco pulmonar é estenosado. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A atresia pulmonar com DSV é uma forma extrema de tetralogia de Fallot; toda saída do ventrículo direito ocorre através da aorta. (MOORE, 10ª ed.) A relação da cardiopatia congênita em crianças de 0 a 1 ano portadoras de síndrome de down (trissomia 21) De acordo com o estudo de Leite, Miziara e Veloso (2009), apresentou-se alta prevalência de cardiopatias como componentes de síndromes, em especial as trissomias. A síndrome de Down foi a mais comum, acometendo, principalmente, meninas, sendo as malformações mais comuns: comunicação interatrial (CIA), comunicação interventricular (CIV), persistência do canal arterial (PCA). @jumorbeck Referências GALVÃO, MARIELY R. C.; MENDES, ALICE L. R.; MELO, SUELY M. Fatores para o desenvolvimento de doenças cardíacas em bebês prematuros., 2021. SOARES, ANDRESSA M. Mortalidade para Cardiopatias congênitas e fatores de risco associados em recém- nascidos. Um estudo de coorte, 2018. PINTO, CAMILA P. P; WESTPHAL, FLÁVIA, ABRAHÃO, ANELISE R. Fatores de riscos materno associados à cardiopatia congênita, 2018. SILVA et. al. Óbitos por anomalias congênitas do coração e circulatório no Estado do Pará nos anos de 2007 a 2017: Revisão Sistemática da Literatura, 2018 CRIZOSTOMO, et al. A relação da cardiopatia congênita em crianças de 0 a 1 ano portadoras de síndrome de down (trissomia 21), 2019 GARCIA, S. M. L. DE; FERNÁNDEZ, C. G. Sistema cardiovascular. In: GARCIA, S. M. L. DE; FERNÁNDEZ, C. G. Embriologia. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. cap. 35. MOORE. Embriologia Clínica, 10ª ed.. Elsevier, RJ, 2016. LANGMAN. Embriologia Médica, 14ª ed. Guanabara Koogan, SP @jumorbeck 1 Esqueleto fibroso do coração ↠ Além do tecido muscular cardíaco, a parede do coração também contém tecido conjuntivo denso que forma o esqueleto fibroso do coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O esqueleto fibroso é constituído por quatro anéis de tecido conjuntivo denso que circundam as valvas cardíacas, unidos um ao outro, e que se fundem ao septo interventricular. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Além de formar uma base estrutural para as valvas cardíacas, o esqueleto fibroso evita o estiramento excessivo das valvas enquanto o sangue passa por elas. Também serve como um ponto de inserção para os feixes de fibras musculares cardíacas e atua como um isolante elétrico entre os átrios e ventrículos. (TORTORA, 14ª ed.) Valvas cardíacas ↠ As cúspides das válvulas cardíacas consistem em folhetos finos de tecido fibroso flexível, resistente e revestido por endotélio, que estão firmemente aderidos à base dos anéis fibrosos das válvulas. O movimento das cúspides valvares é essencialmente passivo, e a orientação das válvulas cardíacas é responsável pelo fluxo unidirecional do sangue pelo coração. (BERNY & LEVY) ↠ As valvas se abrem e fecham em resposta às mudanças de pressão conforme o coração se contrai e relaxa. (TORTORA, 14ª ed.) VÁLVULAS ATRIOVENTRICULARES ↠ A válvula tricúspide, localizada entre o átrio direito e o ventrículo direito, é formada por três cúspides. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ A válvula mitral, encontrada entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo, tem duas cúspides. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ A área total das cúspides de cada válvula AV é aproximadamente o dobro do respectivo orifício AV, e assim ocorre sobreposição considerável dos folhetos quando as válvulas se encontram na posição fechada. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ Conectados às terminações livres das válvulas existem ligamentos finos e resistentes (cordas tendíneas) que se originam dos músculos papilares do ventrículo respectivo. Esses ligamentos impedem a eversão das válvulas durante a sístole ventricular. No coração normal, os folhetos valvulares permanecem relativamente juntos durante o enchimento ventricular. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ As cordas tendíneas fixam-se às margens livres e às superfícies ventriculares das válvulas anterior, posterior e septal, de forma semelhante à fixação das cordas em um @jumorbeck 2 paraquedas. As cordas tendíneas originam-se dos ápices dos músculos papilares, que são projeções musculares cônicas com bases fixadas à parede ventricular. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Três músculos papilares no ventrículo direito correspondem às válvulas da valva atrioventricular direita: (MOORE, 7ª ed.) ➢ O músculo papilar anterior, o maior e mais proeminente dos três, origina-se da parede anterior do ventrículo direito; suas cordas tendíneas se fixam nas válvulas anterior e posterior da valva atrioventricular direita ➢ O músculo papilar posterior, menor do que o músculo anterior, pode ter várias partes; origina- se da parede inferior do ventrículo direito, e suas cordas tendíneas se fixamnas válvulas posterior e septal da valva atrioventricular direita ➢ O músculo papilar septal origina-se do septo interventricular, e suas cordas tendíneas se fixam às válvulas anterior e septal da valva atrioventricular direita. FUNÇÃO DOS MÚSCULOS PAPILARES: ↠ Os músculos papilares contraem-se ao mesmo tempo que as paredes dos ventrículos, mas ao contrário do que seria esperado não ajudam as valvas a se fechar. (GUTYON & hall, 13ª ed.) ↠ Eles puxam as extremidades das valvas em direção aos ventrículos para evitar que as valvas sejam muito abauladas para trás, em direção aos átrios, durante a contração ventricular. (GUTYON & hall, 13ª ed.) ↠ Se a corda tendínea se romper, ou um dos músculos papilares ficar paralisado, a valva se abaúla muito para trás durante a sístole, às vezes tanto que permite grave refluxo. (GUTYON & hall, 13ª ed.) VÁLVULAS SEMILUNARES ↠ As válvulas pulmonar e aórtica estão localizadas entre o ventrículo direito e a artéria pulmonar e entre o ventrículo esquerdo e a aorta, respectivamente. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ Essas válvulas consistem em três cúspides em forma de taça, conectadas aos anéis valvulares. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ São constituídas por tecido fibroso especialmente forte, mas ainda assim muito flexível para suportar o estresse físico adicional. (GUTYON & hall, 13ª ed.) ↠ As altas pressões nas artérias, ao final da sístole, fazem com que as valvas sejam impelidas, de modo repentino, de volta à posição fechada. (GUTYON & hall, 13ª ed.) ↠ Por terem aberturas menores, a velocidade da ejeção do sangue através das valvas aórtica e pulmonar é muito maior que pelas valvas A-V, bem maiores. (GUTYON & hall, 13ª ed.) OBS.: Por causa da abertura e do fluxo rápidos, as extremidades das valvas semilunares estão sujeitas a abrasões mecânicas muito maiores do que as valvas A-V. (GUTYON & hall, 13ª ed.) ↠ A margem de cada válvula é mais espessa na região de contato, formando a lúnula; o ápice da margem livre angulada é ainda mais espesso, formando o nódulo. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Imediatamente superior a cada válvula semilunar, as paredes das origens do tronco pulmonar e da aorta são ligeiramente dilatadas, formando um seio. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Os seios da aorta e do tronco pulmonar são os espaços na origem do tronco pulmonar e da parte @jumorbeck 3 ascendente da aorta entre a parede dilatada do vaso e cada válvula semilunar. (MOORE, 7º ed.) ↠ O sangue presente nos seios e a dilatação da parede impedem a adesão das válvulas à parede do vaso, o que poderia impedir o fechamento. (MOORE, 7º ed.) ↠ A abertura da artéria coronária direita é no seio da aorta direito, a abertura da artéria coronária esquerda é no seio da aorta esquerdo, e nenhuma artéria origina-se do seio da aorta posterior (não coronário). (MOORE, 7º ed.) Bulhas cardíacas ↠ O som dos batimentos cardíacos é decorrente principalmente da turbulência do sangue causada pelo fechamento das valvas cardíacas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Durante cada ciclo cardíaco, existem quatro bulhas cardíacas, mas em um coração normal apenas a primeira e a segunda bulhas cardíacas (B1 e B2) são auscultadas com um estetoscópio. (TORTORA, 14ª ed.) PRIMEIRA BULHA CARDÍACA ↠ Associada ao fechamento das valvas AV; (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A primeira bulha (B1), a qual pode ser descrita como um som de tum, é mais forte e um pouco mais longa do que a segunda bulha.. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ É o mais alto e longo dos sons, tendo qualidade crescendo-decrescendo e sendo mais bem ouvido sobre a região apical do coração. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ A causa desses sons é a vibração das valvas retesadas imediatamente após o fechamento, junto com a vibração das paredes adjacentes do coração e dos grandes vasos em torno do coração. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Ocorre durante a sístole ventricular. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Duração de cerca de 0,14 segundos. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) SEGUNDA BULHA CARDÍACA ↠ Associada ao fechamento abrupto das valvas semilunares no final da sístole ventricular. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A segunda bulha (B2), que é mais breve e não tão forte quanto a primeira, pode ser descrita como um som de tá. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ É composta por vibrações de frequência mais alta (mais aguda) e é de duração mais curta e de menor intensidade que a primeira bulha cardíaca. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ A razão da segunda bulha ser mais breve é que as valvas semilunares estão mais retesadas que as valvas AV, de modo que vibram por período de tempo mais curto que as valvas AV. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ O som da válvula aórtica é geralmente mais alto que o da pulmonar, mas nos casos de hipertensão pulmonar ocorre o inverso. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) ↠ A natureza do segundo som cardíaco muda com a respiração. Durante a expiração apenas um som cardíaco é ouvido, que é um reflexo do fechamento simultâneo das válvulas pulmonar e aórtica. Entretanto, durante a inspiração o fechamento simultâneo da válvula pulmonar é atrasado, resultado do aumento do fluxo sanguíneo via aumento do retorno venoso induzido pela inspiração. Esse evento é conhecido como DESDOBRAMENTO FISIOLÓGICO, que é a divisão do som cardíaco. ((BERNE & LEVY, 6ª ed.) OBS: A segunda bulha cardíaca tem frequência maior que a primeira bulha. Isso ocorre devido: o retesamento das valvas semilunares ser maior; o maior coeficiente elástico das paredes arteriais retesadas que constituem as principais câmaras vibratórias para a segunda bulha. TERCEIRA BULHA CARDÍACA ↠ É decorrente da turbulência do sangue durante o enchimento ventricular rápido. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A frequência desse som é, em geral, tão baixa que não se pode ouvir; contudo, ele pode, muitas vezes, ser registrado no fonocardiograma. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Algumas vezes pode ser ouvida em crianças cujas paredes torácicas são finas ou em pacientes com insuficiência ventricular esquerda. (BERNE & LEVY, 6ª ed.) @jumorbeck 4 QUARTA BULHA CARDÍACA ↠ Ocasionada pela turbulência do sangue durante a sístole atrial. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Esse som ocorre quando os átrios se contraem e, presumivelmente, é causado pelo influxo de sangue nos ventrículos que desencadeiam vibrações similares às da terceira bulha cardíaca. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Pode ser registrada no fonocardiograma, porém ela quase nunca pode ser auscultada devido às suas amplitudes e às frequências muito baixas. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Em pessoas que obtêm benefícios da contração atrial para o enchimento ventricular, devido a uma diminuição da complacência da parede ventricular e a um aumento da resistência ao seu enchimento, é comum uma quarta bulha cardíaca. Por exemplo, muitas vezes é ouvida uma quarta bulha cardíaca em pacientes idosos com hipertrofia ventricular esquerda. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Ausculta das bulhas cardíacas normais ↠ As áreas para ausculta das diferentes bulhas cardíacas não se situam diretamente sobre as próprias valvas. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A área aórtica se localiza acima, ao longo da aorta, devido à transmissão do som pela aorta, e a área pulmonar se situa também acima, ao longo da artéria pulmonar. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A área tricúspide se localiza sobre o ventrículo direito, e a área mitral, sobre o ápice do ventrículo esquerdo, que é a porção cardíaca mais próxima da superfície do tórax. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Lesões valvulares LESÕES VALVULARES REUMÁTICAS ↠ O maior número de lesões valvulares resulta da febre reumática. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A febre reumática é doença autoimune onde as valvas cardíacas têm probabilidade de ser lesadas ou destruídas. A doença geralmente é provocada pela toxina estreptocócica. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Infecção estreptocócica (estreptococos hemolíticos do grupo A) -> Faringite (dor degarganta), escarlatina ou infecção do ouvido médio -> Liberam várias proteínas diferentes, o corpo logo produz anticorpos -> Os anticorpos reagem com tecidos proteicos do corpo -> Grave lesão imunológica (Continua a ocorrer enquanto os anticorpos persistirem no sangue). (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A febre reumática produz lesões especialmente em certas áreas suscetíveis como as valvas cardíacas. O grau de lesão valvar cardíaca está diretamente correlacionado à concentração e à persistência dos anticorpos. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Em pessoas com febre reumática, grandes lesões hemorrágicas, fibrinosas e bolhosas crescem ao longo das cordas inflamadas das valvas cardíacas. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A valva mitral recebe mais trauma durante a ação valvular, logo, ela é a primeira a ser mais seriamente lesada, e a valva aórtica é a segunda a ser lesada com mais frequência. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ As valvas cardíacas direitas, isto é, as valvas tricúspide e pulmonar são afetadas, em geral, de forma muito menos grave, devido, provavelmente, aos estresses de baixa pressão que atuam sobre essas valvas por serem leves. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) CICATRIZAÇÃO DAS VALVAS ↠ Em semanas, meses ou anos, as lesões se transformam em tecido cicatricial, fundindo, permanentemente, partes dos folhetos valvares adjacentes. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ As bordas livres dos folhetos, que em condições normais são delgadas e livres para se mover, passam a ser, muitas vezes, massas sólidas e fibróticas. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) @jumorbeck 5 ↠ A valva onde os folhetos aderem uns aos outros, de forma tão extensa que o sangue não consegue fluir normalmente através dela, é dita estar estenosada. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Quando as margens valvares estão muito destruídas pelo tecido cicatricial, impedindo seu fechamento enquanto os ventrículos se contraem, ocorre regurgitação (refluxo) do sangue quando a valva deveria estar fechada. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) OUTRAS CAUSAS DE LESÕES VALVARES: estenose, falta de um ou mais folhetos, como um defeito congênito. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Sopros cardíacos ↠ Muitas bulhas cardíacas anormais, conhecidas como “sopros cardíacos”, ocorrem quando existem anormalidades das valvas. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Geralmente, os sopros são causados pelo fluxo sanguíneo turbulento que pode resultar no estreitamento ou vazamento das válvulas cardíacas ou devido a passagens anormais de sangue no coração. De acordo com a situação fisiológica que leva ao sopro diferentes sons são gerados. (OLIVEIRA, 2020) ↠ Ele pode ser funcional ou fisiológico (sopro inocente), ou patológico em decorrência de defeitos no coração. (FURLAN et al., 2021) ↠ Consegue-se distinguir os sopros cardíacos devido à sua maior duração. Em idade pediátrica podem-se delinear três tipos de sopros: (OLIVEIRA, 2020) ➢ Sopro inocente: Geralmente, acontece num coração bem estruturado e funcional; ➢ Sopro funcional ou fisiológico: Apesar de não apresentar anomalia cardiovascular, encontra-se uma modificação hemodinâmica que pode alterar o fluxo normal do sangue; ➢ Sopro patológico ou orgânico: Quando anomalias funcionais e estruturais estão presentes no sistema cardiovascular. ↠ Os sopros cardíacos em crianças são extremamente comuns e, geralmente, não representam um problema de saúde. São mais frequentemente detectados em crianças entre os 2 e 4 anos de idade. Estes tipos de sopros cardíacos são chamados de sopros cardíacos inocentes ou funcionais; muitas vezes, diminuem ou desaparecem com o crescimento. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Embora alguns sopros cardíacos em adultos sejam inocentes, com frequência um sopro no adulto indica um distúrbio valvar. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Um sopro cardiovascular deve ser caracterizado de acordo com: (PAZIN-FILHO; SCHMIDT; MACIEL, 2004) ➢ SITUAÇÃO NO CICLO CARDÍACO: Sistólicos: começam com a primeira bulha, ou logo depois dela, e terminam com a segunda bulha, ou seja, ocorre entre a primeira e a segunda bulha. Pode ser subdividido em: • Protossistólico: ocorre na porção inicial da sístole. • Mesossistólico: ocorre no meio da sístole. • Telessistólico: ocorre no final da sístole. • Holossistólico: ao longo de toda a sístole. Diastólicos: ocorre logo depois da segunda bulha. Podem ser subdivididos em: • Protodiastólico: ocorre na porção inicial da diástole. • Mesodiastólico: ocorre no meio da diástole. • Telediastólico: ocorre no final da diástole. • Holodiastólico: ao longo de toda diástole. Contínuos: começam na sístole e continuam sem interrupção através de B2, até toda a diástole ou parte dela. ➢ INTENSIDADE: • Grau I é tão fraco que só pode ser ouvido com grande esforço. • Grau II ainda é um sopro fraco, mas que pode ser detectado prontamente. • Grau III é um sopro proeminente, mas sem grande intensidade. • Grau IV é um sopro alto e comumente acompanhado de frêmito à palpação. • Grau V, é um sopro alto e audível mesmo com o estetoscópio parcialmente em contato com a parede torácica (com o estetoscópio à 45o). • Grau VI é de tão alta intensidade que pode ser auscultado mesmo com o estetoscópio sem estar em contato com a parede torácica. ↠ É interessante ressaltar que dos graus IV a VI o sopro se acompanha de frêmito. ➢ CONFIGURAÇÃO (FORMA): @jumorbeck 6 • Crescendo: necessariamente aumenta progressivamente de intensidade. • Decrescendo: diminui progressivamente de intensidade. • Crescendo-decrescendo: aumenta até atingir um pico máximo e depois declina. • Plateau: tem uma intensidade relativamente constante durante todo seu curso. • Variável: tem intensidade variável. CAUSAS DO SOPRO Os defeitos das valvas cardíacas são comuns e têm uma série de causas, variando de anomalias congênitas e genéticas até um suprimento inadequado para as valvas, devido a um ataque cardíaco, e uma infecção bacteriana do endocárdio. (MARIEB, 2014) SOPRO SISTÓLICO DA ESTENOSE AÓRTICA ↠ Em pessoas com estenose aórtica, o sangue é ejetado do ventrículo esquerdo através de apenas uma pequena abertura fibrosa da valva aórtica. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Devido a elevada pressão no VE, surge um efeito de esguicho durante a sístole, com o sangue jorrando com velocidade enorme pela pequena abertura da valva. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse fenômeno provoca grande turbulência do sangue na raiz da aorta. O sangue turbulento, colidindo contra as paredes da aorta, provoca intensa vibração, e o sopro de grande amplitude ocorre durante a sístole e é transmitido para toda a aorta torácica superior e mesmo para as grandes artérias do pescoço. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse som é áspero e, em pessoas com estenose grave, pode ser tão alto a ponto de ser ouvido a vários centímetros de distância do paciente. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ As vibrações sonoras podem, muitas vezes, ser sentidas com a mão na parte superior do tórax e na parte inferior do pescoço, fenômeno referido como “frêmito”. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) SOPRO DIASTÓLICO DA REGURGITAÇÃO AÓRTICA ↠ Durante a diástole o sangue reflui da aorta sob alta pressão para o ventrículo esquerdo, produzindo sopro “semelhante ao vento”, com tom relativamente agudo de natureza. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Sibilante, ouvido maximamente sobre o ventrículo esquerdo. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse sopro resulta da turbulência do sangue, jorrando de modo retrógrado para o sangue presente no ventrículo esquerdo diastólico, sob baixa pressão. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) SOPRO SISTÓLICO DA REGURGITAÇÃO MITRAL ↠ O sangue reflui pela valva mitral para o átrio esquerdo durante a sístole. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse fluxo retrógrado também produz um som sibilante “semelhante ao vento”, similar ao da regurgitação aórtica, mas que ocorre durante a sístole, em vez de na diástole. (GUYTON & HALL,13ª ed.) ↠ Ele é transmitido com mais intensidade para o átrio esquerdo. Todavia, o átrio esquerdo fica situado tão profundamente no tórax que é difícil escutar esse som de modo direto sobre o átrio. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ O som é transmitido para a parede torácica, principalmente pelo ventrículo esquerdo até o ápice do coração. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) SOPRO DIASTÓLICO DA ESTENOSE MITRAL ↠ O sangue passa com dificuldade do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo através da valva mitral estenosada. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Como a pressão no átrio esquerdo raramente se eleva acima de 30 mmHg, não se desenvolve grande diferencial de pressão que force o sangue do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Os sons anormais, ouvidos na estenose mitral, são, em geral, fracos e de frequência muito baixa, está abaixo da extremidade de baixa frequência da audição humana. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Durante a parte inicial da diástole, o ventrículo esquerdo com valva mitral estenosada contém muito pouco sangue em seu interior e suas paredes estão tão frouxas que o sangue não reverbera de um lado para outro, entre as paredes do ventrículo. Dessa maneira, após seu enchimento parcial, o ventrículo é distendido em grau suficiente para que o sangue reverbere com aparecimento de sopro baixo e surdo. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) @jumorbeck 7 Dinâmica circulatória anormal das valvulopatias DINÂMICA DA CIRCULAÇÃO NA ESTENOSE AÓRTICA E NA REGURGITAÇÃO AÓRTICA ↠ Na estenose aórtica, o ventrículo esquerdo em contração falha em se esvaziar de modo adequado, enquanto na regurgitação aórtica, o sangue flui, retrogradamente, para o ventrículo, vindo da aorta após o ventrículo já ter bombeado o sangue para a aorta. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ➢ HIPERTROFIA DO VENTRÍCULO ESQUERDO ↠ Tanto na estenose aórtica quanto na regurgitação aórtica, a musculatura ventricular esquerda se hipertrofia, devido ao aumento da carga do trabalho ventricular. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Na regurgitação, a câmara ventricular esquerda também aumenta para conter todo o sangue regurgitado da aorta. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Na estenose, o músculo hipertrofiado permite que o ventrículo esquerdo desenvolva pressão intraventricular de até 400 mmHg no pico sistólico. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ➢ AUMENTO DO VOLUME SANGUÍNEO ↠ Ajuda a compensar a diminuição do bombeamento efetivo pelo ventrículo esquerdo. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse volume aumentado é o resultado de (1) leve diminuição inicial na pressão arterial; mais (2) reflexos circulatórios periféricos induzidos por essa redução. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esses mecanismos, em conjunto, diminuem o débito renal de urina, fazendo com que o volume sanguíneo aumente e a pressão arterial média retorne ao normal. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ➢ AS LESÕES VALVULARES AÓRTICAS PODEM ESTAR ASSOCIADAS A UM FLUXO SANGUÍNEO CORONARIANO INADEQUADO ↠ O aumento da pressão intraventricular aumenta a carga de trabalho e o consumo de oxigênio do ventrículo, o que exige incremento do fluxo sanguíneo coronariano para fornecer esse oxigênio. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A tensão elevada da parede ventricular provoca quedas acentuadas no fluxo coronariano durante a sístole, além disso a pressão diastólica aumentada pode provocar compressão das camadas internas do miocárdio e redução do fluxo sanguíneo coronariano. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ➢ FALÊNCIA EVENTUAL DO VENTRÍCULO ESQUERDO E DESENVOLVIMENTO DE EDEMA PULMONAR ↠ Nos estágios iniciais da estenose aórtica ou da regurgitação aórtica, a capacidade intrínseca do ventrículo esquerdo, de se adaptar a cargas cada vez maiores, impede anormalidades significativas da função circulatória no indivíduo em repouso. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Em certo estágio o VE não consegue acompanhar a demanda do trabalho. Como consequência, o ventrículo esquerdo se dilata e o débito cardíaco começa a cair; ao mesmo tempo, o sangue se acumula no átrio esquerdo e nos pulmões acima do ventrículo esquerdo em falência. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) DINÂMICA DA ESTENOSE MITRAL E DA REGURGITAÇÃO MITRAL ↠ Em pessoas com estenose mitral, o fluxo sanguíneo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo é impedido e, nos casos de regurgitação mitral, muito do sangue que fluiu para o ventrículo esquerdo, durante a diástole, reflui para o átrio esquerdo na sístole, em vez de ser bombeado para a aorta. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ➢ EDEMA PULMONAR NA VALVULOPATIA MITRAL ↠ O acúmulo de sangue no átrio esquerdo provoca aumento progressivo da pressão atrial esquerda, o que resulta, eventualmente, no desenvolvimento de edema pulmonar grave. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) @jumorbeck 8 ➢ AUMENTO DO ÁTRIO ESQUERDO E FIBRILAÇÃO ATRIAL ↠ O aumento da pressão atrial esquerda na valvulopatia mitral causa aumento progressivo do átrio esquerdo, o que eleva a distância que o impulso elétrico excitatório cardíaco deve percorrer na parede atrial. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Essa via pode ficar, eventualmente, tão longa que predispõe ao desenvolvimento de movimentos circulares do sinal excitatório. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Nos estágios finais da valvulopatia mitral, especialmente na estenose mitral, em geral ocorre fibrilação atrial. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ➢ COMPENSAÇÃO NA VALVULOPATIA MITRAL INCIAL ↠ O volume do sangue aumenta na valvulopatia mitral devido, principalmente, à diminuição da excreção de líquido e de sal pelos rins. Esse aumento do volume sanguíneo eleva o retorno venoso para o coração. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Após compensação, o débito cardíaco pode cair apenas minimamente até os estágios finais da valvulopatia mitral, mesmo que a pressão atrial esquerda esteja aumentando. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Esse aumento da pressão ocasiona hipertrofia do lado direito do coração, o que compensa, em parte, o aumento de sua carga de trabalho. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Referências FURLAN et al. A ausculta cardíaca é eficaz para o diagnóstico de sopros em crianças? – revisão de literatura científica. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, 2021. OLIVEIRA, MARISA. ANÁLISE DE SOM CARDÍACO PEDIÁTRICO PARA IDENTIFICAÇÃO DE SOPRO. Tese de Mestrado, 2020. TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017 MOORE. Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª ed. Guanabara Koogan, SP, 2017 BERNE & LEVY. Fisiologia, 6ª ed. Elsevier Editora, SP, 2009 PAZIN-FILHO, A; SCHIMDT, A; MACIEL, B. C. Ausculta cardíaca bases fisiológicas – fisiopatológicas. Medicina, Ribeirão Preto, v. 37, p. 208-226, jul/dez 2004. MARIEB, E. Anatomia humana. São Paulo. Pearson Education do Brasil, 2014. @jumorbeck ↠ Os vasos sanguíneos contribuem para a homeostasia, possibilitando o fluxo sanguíneo através do coração e a troca de nutrientes e escórias metabólicas nos tecidos. Também têm participação importante no ajuste da velocidade e do volume de fluxo sanguíneo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os vasos sanguíneos formam um sistema fechado de tubos que leva o sangue para fora do coração, transportam-no para os tecidos do corpo e, em seguida, o devolvem ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ É comum dividir o sistema circulatório em: vasos da macrocirculação, mais calibrosos, responsáveis por transportar sangue aos órgãos e levá-lo de volta ao coração (artérias e veias de vários calibres); e vasos da microcirculação, com menos de 100 µm e visíveis somente ao microscópio (arteríolas, capilares e vênulas pós-capilares). (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ Os cinco tipos principais de vasos sanguíneos são: as artérias, as arteríolas, os capilares, as vênulas eas veias. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As artérias transportam o sangue do coração para outros órgãos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Artérias grandes e elásticas deixam o coração e se ramificam em artérias musculares, de médio porte, que emitem ramos a várias regiões do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As artérias de médio porte se dividem em pequenas artérias, as quais por sua vez se dividem em artérias ainda menores chamadas arteríolas. Conforme as arteríolas entram em um tecido, se ramificam em diversos vasos minúsculos chamados capilares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As paredes finas dos capilares possibilitam a troca de substâncias entre o sangue e os tecidos do corpo. Grupo de capilares no tecido se unem para formar pequenas veias chamadas vênulas. Essas, por sua vez, se fundem para formar vasos sanguíneos progressivamente maiores chamados veias. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As veias são os vasos sanguíneos que conduzem o sangue dos tecidos de volta para o coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A parede de um vaso sanguíneo é composta por três camadas, ou túnicas, de tecidos diferentes: um revestimento epitelial interno, uma túnica média formada por músculo liso e tecido conjuntivo elástico, e um revestimento externo de tecido conjuntivo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠Todos são encontrados em diferentes proporções na parede dos vasos, exceto nos capilares e nas vênulas pós- capilares, nos quais os únicos elementos estruturais representados são o endotélio e sua membrana basal. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ As três camadas estruturais de um vaso sanguíneo qualquer, da mais interna para a mais periférica, são a túnica íntima, a túnica média e a túnica externa. (TORTORA, 14ª ed.) Aterosclerose @jumorbeck Túnica íntima ↠ Forma o revestimento interno de um vaso sanguíneo e está em contato direto com o sangue que flui pelo lúmen, ou luz, do vaso. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Sua camada mais interna é chamada endotélio, que é uma lâmina fina de células planas que revestem a face interna de todo o sistema circulatório (coração e vasos sanguíneos). (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As células endoteliais são participantes ativas em inúmeras atividades relacionadas com vasos, incluindo influências físicas sobre o fluxo sanguíneo, secreção de mediadores químicos de ação local que influenciam o estado contrátil do músculo liso sobrejacente ao vaso e assistência com a permeabilidade capilar. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Além disso, a sua face luminal lisa facilita o fluxo sanguíneo eficiente, reduzindo o atrito superficial. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O segundo componente da túnica íntima é uma membrana basal profunda ao endotélio. Ela fornece uma base de apoio físico para a camada epitelial. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Sua estrutura de fibras colágenas confere à membrana basal substancial resistência à tração, além de resiliência ao estiramento e distensão. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Parece ter uma participação importante na orientação dos movimentos celulares durante o reparo de tecidos das paredes dos vasos sanguíneos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A parte mais externa da túnica íntima, que forma a fronteira entre a túnica íntima e a túnica média, é a lâmina elástica interna. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A lâmina elástica interna é uma lâmina fina de fibras elásticas com número variável de aberturas semelhantes a janelas (fenestrações) que lhe conferem o aspecto de um queijo suíço. Estas fenestrações facilitam a difusão de materiais através da túnica íntima para a túnica média mais espessa. (TORTORA, 14ª ed.) Túnica média ↠ A túnica média é uma camada de tecidos muscular e conjuntivo que apresenta a maior variação entre os diferentes tipos de vasos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Na maioria dos vasos, é uma camada relativamente espessa que compreende células de músculo liso e, principalmente, quantidades substanciais de fibras elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A principal função das células musculares lisas, que se estendem circularmente em torno do lúmen como um anel circunda o dedo, é regular o diâmetro do lúmen. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O aumento da estimulação simpática estimula tipicamente o músculo liso a se contrair, apertando a parede do vaso e estreitando o lúmen. Essa diminuição do diâmetro do lúmen de um vaso sanguíneo é chamada vasoconstrição. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em contrapartida, quando a estimulação simpática diminui, ou na presença de determinados compostos químicos (como o óxido nítrico, H+ e ácido láctico) ou em resposta à pressão arterial, as fibras musculares lisas relaxam. O consequente aumento do diâmetro do lúmen é chamado vasodilatação. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Além de regular o fluxo e a pressão sanguínea, o músculo liso se contrai quando uma pequena artéria ou arteríola está danificada (vasospasmo) para ajudar a limitar a perda de sangue através do vaso lesionado. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As células musculares lisas também ajudam a produzir as fibras elásticas na túnica média que possibilitam que os vasos se estirem e retraiam à pressão exercida pelo sangue. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Interpostas entre as células musculares lisas existem quantidades variáveis de matriz extracelular composta de fibras e lamelas elásticas, fibras reticulares (colágeno do tipo III), proteoglicanos e glicoproteínas. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ As células musculares lisas são responsáveis pela produção dessas moléculas da matriz extracelular. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ As diferenças estruturais nesta camada são responsáveis pelas muitas variações na função entre os diferentes tipos de vasos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A separação entre a túnica média e a túnica externa se dá por uma rede de fibras elásticas, a lâmina elástica externa, que faz parte da túnica média. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck Durante o envelhecimento, a matriz extracelular torna-se desorganizada em consequência do aumento da secreção dos colágenos tipos I e III e de alguns glicosaminoglicanos. Alterações na conformação molecular da elastina e outras glicoproteínas também ocorrem e podem facilitar a deposição de lipoproteínas e cálcio nos tecidos, com subsequente calcificação. Modificações de componentes da matriz extracelular associadas a outros fatores mais complexos podem levar à formação de placas de ateroma na parede dos vasos sanguíneos. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) Túnica externa ↠ É composta por fibras elásticas e colágenas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Contém diversos nervos e, especialmente nos grandes vasos, minúsculos vasos sanguíneos que irrigam o tecido da parede do vaso. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Esses pequenos vasos que fornecem sangue para os tecidos do vaso são chamados vasos dos vasos, ou vasa vasorum. Eles são facilmente vistos em grandes vasos, como a aorta. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Além da importante função de fornecer nervos e vasa vasorum à parede do vaso, a túnica externa ajuda a ancorar os vasos aos tecidos circundantes. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os vasa vasorum proveem a adventícia e a média de metabólitos, uma vez que, em vasos maiores, as camadas são muito espessas para serem nutridas somente por difusão a partir do sangue que circula no lúmen do vaso. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ Vasa vasorum são mais frequentes em veias que em artérias. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ A maioria dos vasos sanguíneos que contêm músculo liso nas suas paredes é provida por uma rede profusa de fibras não mielínicas da inervação simpática (nervos vasomotores), cujo neurotransmissor é a norepinefrina. Descarga de norepinefrina por essas terminações nervosas resulta em vasoconstrição. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ↠ A densidade total das terminações nervosas é menor nas veias do que aquela encontrada nas artérias. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) Artérias ↠ A parede de uma artéria tem as três túnicas de um vaso sanguíneo normal, mas tem uma espessa túnicamédia muscular a elástica. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em decorrência da abundância de fibras elásticas, as artérias normalmente têm alta complacência, o que significa que suas paredes se esticam ou expandem facilmente sem se romper em resposta a um pequeno aumento da pressão. (TORTORA, 14ª ed.) ARTÉRIAS ELÁSTICAS ↠ As artérias elásticas são as maiores artérias do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Estes vasos são caracterizados por lâminas elásticas interna e externa bem definidas, juntamente com uma túnica média espessa que é dominada por fibras elásticas, chamadas lamelas elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As artérias elásticas incluem os dois troncos principais que saem do coração (a aorta e o tronco pulmonar), juntamente com os principais ramos iniciais da aorta, como o tronco braquiocefálico, a artéria subclávia, a artéria carótida comum e a artéria ilíaca comum. (TORTORA, 14ª ed.) IMPORTANTE FUNÇÃO: ajudam a impulsionar o sangue no sentido anterógrado enquanto os ventrículos estão relaxados. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck ↠ Como conduzem sangue do coração para as artérias médias, mais musculosas, as artérias elásticas são também chamadas artérias condutoras. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As paredes desses vasos têm cor amarelada decorrente do acúmulo de elastina na túnica média. (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 13ª ed.) ARTÉRIAS MUSCULARES ↠ As artérias de médio porte são chamadas artérias musculares, porque sua túnica média contém mais músculo liso e menos fibras elásticas do que as artérias elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A abundância de músculo liso, aproximadamente 75% da massa total, torna as paredes das artérias musculares relativamente espessas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Assim, as artérias musculares conseguem se dilatar e contrair mais para se ajustar à velocidade do fluxo sanguíneo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As artérias musculares continuam ramificando-se e, por fim, distribuem sangue para todos os órgãos, elas são chamadas artérias distributivas. Exemplos incluem a artéria braquial no braço e a artéria radial no antebraço. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A túnica externa muitas vezes é mais espessa do que a túnica média nas artérias musculares. Esta camada externa contém fibroblastos, fibras colágenas e fibras elásticas, todos orientados longitudinalmente. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Por causa da diminuição do tecido elástico nas paredes das artérias musculares, estes vasos não conseguem dilatar e ajudar a impulsionar o sangue como as artérias elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em vez disso, a espessa túnica média muscular é a principal responsável pelas funções das artérias musculares. A capacidade do músculo de se contrair e manter um estado de contração parcial é chamado tônus vascular. O tônus vascular enrijece a parede do vaso e é importante para manter a pressão do vaso e o fluxo sanguíneo eficiente. (TORTORA, 14ª ed.) ANASTOMOSES ➢ União dos ramos de duas ou mais artérias que irrigam uma mesma região do corpo. ➢ As anastomoses entre as artérias constituem vias alternativas para o sangue chegar a um tecido ou órgão (circulação colateral). ➢ As anastomoses também podem ocorrer entre veias e entre arteríolas e vênulas. ➢ As artérias que não se anastomosam são conhecidas como artérias terminais. ➢ A obstrução de uma artéria terminal interrompe a irrigação sanguínea a todo um segmento de órgão, provocando necrose (morte) desse segmento. ARTERÍOLAS (PEQUENAS ARTÉRIAS) ↠ São abundantes vasos microscópicos que regulam o fluxo sanguíneo para as redes capilares dos tecidos do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As arteríolas têm uma participação essencial na regulação do fluxo sanguíneo das artérias para os vasos capilares, regulando a resistência, a oposição ao fluxo sanguíneo decorrente do atrito entre o sangue e as paredes dos vasos sanguíneos. Por isso, são conhecidas como vasos de resistência. (TORTORA, 14ª ed.) Em um vaso sanguíneo, a resistência é decorrente principalmente do atrito entre o sangue e as paredes @jumorbeck internas dos vasos sanguíneos. Quando o diâmetro do vaso sanguíneo é menor, o atrito é maior, de modo que há mais resistência. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A contração do músculo liso de uma arteríola provoca vasoconstrição, o que aumenta ainda mais a resistência e diminui o fluxo sanguíneo para os vasos capilares irrigados por essa arteríola. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em contrapartida, o relaxamento do músculo liso das arteríolas provoca vasodilatação, que diminui a resistência e aumenta o fluxo sanguíneo para os vasos capilares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠A mudança do diâmetro da arteríola pode afetar também a pressão arterial: a constrição das arteríolas aumenta a pressão arterial, e a dilatação das arteríolas diminui a pressão arterial. (TORTORA, 14ª ed.) Capilares ↠ O capilar, o menor dos vasos sanguíneos, conectam o efluxo arterial ao retorno venoso (ligam arteríolas e vênulas). (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os capilares formam uma rede extensa, de aproximadamente 20 bilhões de vasos curtos, ramificados e interconectados, que passam entre cada grupo de células do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O fluxo do sangue de uma metarteríola para os capilares e para uma vênula pós-capilar (vênula que recebe sangue de um capilar) é chamada microcirculação do corpo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A função primária dos capilares é a troca de substâncias entre o sangue e o líquido intersticial. Por causa disto, estes vasos de paredes finas são chamados vasos de troca. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Não têm túnica média nem túnica externa. (TORTORA, 14ª ed.) Vênulas ↠ As vênulas drenam o sangue capilar e iniciam o fluxo de retorno do sangue de volta ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As vênulas que primeiro recebem sangue dos capilares são chamadas vênulas pós-capilares (são as menores vênulas). (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Elas têm junções intercelulares pouco organizadas e, portanto, são muito porosas. Atuam em importantes locais de troca de nutrientes e escórias metabólicas e emigração de leucócitos. Por esta razão, formam parte da unidade de troca microcirculatória, juntamente com os capilares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Conforme as vênulas pós-capilares se afastam dos capilares, adquirem uma ou duas camadas de células musculares lisas dispostas circularmente. Estas vênulas musculares têm paredes mais espessas, através das quais a troca com o líquido intersticial não pode mais ocorrer. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As paredes finas das vênulas pós-capilares e musculares são os elementos mais distensíveis do sistema vascular; isso lhes possibilita expandir e servir como excelentes reservatórios de grandes volumes de sangue. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck Veias ↠ As veias, em geral, têm paredes muito finas em relação ao seu diâmetro total. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Muitas veias, especialmente as dos membros, também contêm válvulas, pregas finas de túnica íntima que formam válvulas semelhantes a abas. As válvulas da válvula se projetam para o lúmen, apontando para o coração, baixa pressão arterial nas veias possibilita que o sangue que retorna ao coração desacelere ou até mesmo retorne; as válvulas auxiliam no retorno venoso impedindo o refluxo do sangue. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As válvulas das veias possibilitam que o sangue flua em uma direção única: ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A ação de bombeamento do coração é um fator importante no deslocamento do sangue venoso de volta ao coração. A contração dos músculos esqueléticos dos membros inferiores também ajuda a impulsionar o retorno venoso para o coração. A pressão sanguínea média nas veias é consideravelmente mais baixa do que nas artérias. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A expansão externa dos ventres dos músculos esqueléticos que se contraem nos membros, limitada pela fáscia muscular, comprime as veias, “ordenhando” o sangue para cima em direção ao coração; outro tipo(musculovenoso) de bomba venosa. (MOORE, 7ª ed.) ↠ A túnica íntima das veias é mais fina do que a das artérias; a túnica média das veias é muito mais fina do que a das artérias, com relativamente pouco músculo liso e fibras elásticas. A túnica externa das veias é a mais espessa e é composta por colágeno e fibras elásticas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ São distensíveis o suficiente para se adaptar às variações de pressão e ao volume de sangue que passa por elas, mas não são concebidas para suportar altas pressões. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O lúmen de uma veia é maior do que o de uma artéria comparável, e as veias frequentemente parecem colabadas (achatadas) quando seccionadas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Embora, para simplificar, frequentemente sejam representadas isoladas nas ilustrações, as veias tendem a ser duplas ou múltiplas. Aquelas que acompanham as artérias profundas - veias acompanhantes - circundam- nas em uma rede com ramificações irregulares. Essa organização serve como trocador de calor em contracorrente, no qual o sangue arterial morno aquece o sangue venoso mais frio em seu retorno de uma extremidade fria para o coração. Consequentemente, quando a artéria se expande durante a contração do coração, as veias são distendidas e achatadas, o que ajuda a conduzir o sangue venoso para o coração - uma bomba arteriovenosa. (MOORE, 7ª ed.) @jumorbeck ↠ Em alguns indivíduos, as veias superficiais são vistas como tubos azulados que passam sob a pele. Como o sangue venoso é vermelho escuro, as veias parecem azuis porque suas paredes finas e os tecidos da pele absorvem os comprimentos de onda de luz vermelha, possibilitando que a luz azul passe para a superfície, onde as vemos como azuis. (TORTORA, 14ª ed.) DIFERENÇAS ENTRE VEIAS E ARTÉRIAS Em primeiro lugar, as veias são mais numerosas do que as artérias por vários motivos. Algumas veias formam pares e acompanham artérias musculares de médio a pequeno porte. Estes conjuntos duplos de veias escoltam as artérias e se conectam por canais venosos chamados veia anastomótica. As veias anastomóticas cruzam a artéria acompanhante formando “degraus” entre o par de veias. A maior quantidade de pares de veia ocorre no interior dos membros. A camada subcutânea profunda à pele é outra fonte de veias. ➢ VEIAS SUPERFICIAIS: atravessam a tela subcutânea desacompanhadas de artérias paralelas. ➢ VEIAS PROFUNDAS: estão entre os músculos esqueléticos. Distribuição do sangue no sistema circulatório em repouso ↠ Como as veias e vênulas sistêmicas contêm mais de 50% do volume sanguíneo total, são chamadas reservatórios de sangue. (TORTORA, 14ª ed.) Fisiologia dos vasos sanguíneos TROCA CAPILAR ↠ A missão de todo o sistema circulatório é manter o sangue fluindo pelos capilares para possibilitar a troca capilar, o movimento de substâncias entre o sangue e o líquido intersticial. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os 7% do sangue que estão nos capilares sistêmicos a qualquer momento estão continuamente trocando materiais com o líquido intersticial. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As substâncias entram e saem dos capilares por três mecanismos básicos: difusão, transcitose e fluxo de massa. (TORTORA, 14ª ed.) ➢ DIFUSÃO ↠ O método mais importante de troca capilar é a difusão simples. Muitas substâncias, como o oxigênio (O2), o dióxido de carbono (CO2), a glicose, os aminoácidos e os hormônios, entram e saem dos capilares por difusão simples. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Como o O2 e os nutrientes normalmente estão presentes em concentrações mais elevadas no sangue, eles se difundem por gradiente de concentração para o líquido intersticial e, em seguida, para as células do corpo. O CO2 e outras escórias metabólicas liberadas pelas células do corpo são encontrados em maiores concentrações no líquido intersticial, de modo que se difundem para o sangue. (TORTORA, 14ª ed.) ➢ TRANSCITOSE ↠ Uma pequena quantidade de material atravessa as paredes capilares por transcitose. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Neste processo, as substâncias do plasma sanguíneo são englobadas por minúsculas vesículas pinocíticas que primeiro entram nas células endoteliais por endocitose, atravessam-na e saem do outro lado por exocitose. Este método de transporte é importante, principalmente para grandes moléculas insolúveis em lipídios que não conseguem atravessar as paredes capilares de outro modo. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck ➢ FLUXO DE MASSA | FILTRAÇÃO E REABSORÇÃO ↠ O fluxo de massa é um processo passivo em que uma grande quantidade de íons, moléculas ou partículas em um líquido se move em conjunto, no mesmo sentido. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O fluxo de massa ocorre a partir de uma área de alta pressão para uma zona de pressão mais baixa, e continua desde que exista uma diferença de pressão. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O movimento impulsionado pela pressão de líquidos e solutos dos capilares sanguíneos para o líquido intersticial é chamado filtração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O movimento impulsionado pela pressão do líquido intersticial para os capilares sanguíneos é chamado reabsorção. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em geral, o volume de líquidos e solutos normalmente reabsorvidos é quase tão grande quanto o volume filtrado. Este equilíbrio próximo é conhecido como lei de Starling dos capilares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A pressão hidrostática do sangue “empurra” o líquido para fora dos capilares (filtração) e a pressão coloidosmótica do sangue puxa o líquido para os capilares (reabsorção). (TORTORA, 14ª ed.) Hemodinâmica ↠ O sangue flui de regiões de maior pressão para regiões de menor pressão; quanto maior a diferença de pressão, maior for o fluxo sanguíneo. Mas quanto maior a resistência, menor o fluxo sanguíneo. (TORTORA, 14ª ed.) PRESSÃO ARTERIAL ↠ Conforme o sangue sai da aorta e flui ao longo da circulação sistêmica, sua pressão cai progressivamente à medida que a distância do ventrículo esquerdo aumenta. (TORTORA, 14ª ed.) RESISTÊNCIA VASCULAR ↠ É a oposição ao fluxo sanguíneo em decorrência do atrito entre o sangue e as paredes dos vasos sanguíneos. A resistência vascular depende: (TORTORA, 14ª ed.) ➢ do tamanho do lúmen do vaso sanguíneo; ➢ da viscosidade do sangue; ➢ do comprimento total dos vasos sanguíneos.. ↠ A resistência vascular sistêmica (RVS), também conhecida como resistência periférica total (RPT), refere- se a todas as resistências vasculares oferecidas pelos vasos sanguíneos sistêmicos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os diâmetros das artérias e veias são grandes, de modo que sua resistência é muito pequena. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os vasos menores – arteríolas, capilares e vênulas – contribuem com a maior parte da resistência. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck ↠ Uma função principal das arteríolas é controlar a RVS – e, por conseguinte, a pressão sanguínea e o fluxo sanguíneo para tecidos específicos – alterando seus diâmetros. (TORTORA, 14ª ed.) Aterosclerose ↠ A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica que possui origem multifatorial e ocorre em resposta à agressão endotelial, acometendo principalmente a camada íntima de artérias de médio e grande calibre. (COSTA et al., 2019) E também associada à ativação do sistema imunológico. (MOTA et al., 2013) ↠ No Brasil, a aterosclerose é a principal responsável pelas doenças cardiovasculares. (COSTA et al., 2019) ↠ A aterosclerose, está associada ao acúmulo de gordura (principalmente colesterol) nas paredes arteriais. Há formação de um depósito de cálcio na placa ateromatosa (ateroma) — áreas ou elevações amarelas, endurecidas, bem demarcadas na superfície da túnica íntima das artérias. (MOORE, 7ª ed.) ↠ Aterosclerose é a doença das artérias de tamanho médio e grande, em que as lesões de gordura chamadas placas ateromatosas se desenvolvem nas superfícies das paredes arteriais. (GUYTON & HALL, 13ª ed.)↠ Anormalidade que pode ser medida muito cedo nos vasos sanguíneos, que posteriormente se tornam ateroscleróticos, é a lesão do endotélio vascular. Essa lesão, por sua vez, aumenta a expressão das moléculas de aderência nas células endoteliais e reduz sua capacidade de liberar óxido nítrico e outras substâncias que ajudam a impedir a aderência de macromoléculas, plaquetas e monócitos a seu endotélio. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Depois que ocorre a lesão no endotélio vascular, os monócitos e lipídios circulantes (principalmente LDLs) começam a se acumular no local da lesão. Os monócitos cruzam o endotélio, até a camada íntima da parede do vaso, e diferenciam-se de macrófagos, que então ingerem e oxidam as lipoproteínas acumuladas, adquirindo aspecto espumoso. Esses macrófagos espumosos então se agregam no vaso sanguíneo e formam estria de gordura, que é visível.. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Com o passar do tempo, as estrias de gordura aumentam e coalescem, e os tecidos dos músculos lisos e fibrosos adjacentes proliferam para formar placas cada vez maiores. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Os macrófagos também liberam substâncias que causam inflamação e maior proliferação de músculos lisos e tecido fibroso nas superfícies internas da parede arterial. Os depósitos de lipídios e a proliferação celular podem ficar tão grandes que as placas se destacam no lúmen da artéria e reduzem muito o fluxo do sangue, chegando, às vezes, a obstruir completamente o vaso. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Mesmo sem oclusão, os fibroblastos da placa eventualmente depositam quantidades extensas de tecido conjuntivo denso; a esclerose (fibrose) fica tão grande que as artérias enrijecem. Mais tarde ainda, os sais de cálcio se precipitam frequentemente com o colesterol e outros lipídios das placas, levando a calcificações pétreas que podem fazer com que as artérias passem a ser tubos rígidos. Ambos esses estágios da doença são chamados “endurecimento das artérias”. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ As artérias ateroscleróticas perdem a maior parte de sua distensibilidade e devido às áreas degenerativas em suas paredes, elas facilmente se rompem. Também, nos locais onde as placas invadem o lúmen com sangue circulante, suas superfícies ásperas podem levar à formação de coágulos, com a resultante formação de trombos ou êmbolos, levando ao bloqueio súbito de todo o fluxo de sangue para a artéria. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) @jumorbeck ↠ Os sintomas dessa doença são mais frequentes quando a placa de ateroma se forma nas artérias que irrigam o coração, o cérebro, os rins e o intestino delgado, aparecendo, portanto, relacionados a esses órgãos. Exemplos são: infarto do miocárdio por obstrução de coronárias, infarto cerebral e aneurisma aórtico. (COSTA et al., 2019) ↠ Estudos têm sugerido duas fases interdependentes na evolução da doença aterosclerótica: (GOTTTLIEB,2005) • Fase “aterosclerótica”, predomina a formação anatômica da lesão aterosclerótica sob a influência dos “fatores de risco aterogênicos” clássicos e que leva décadas para evoluir. Devido à sua história lenta e gradual, sua evolução geralmente não traz consigo manifestações clínicas dramáticas; • Fase trombótica, a influência dos “fatores de risco trombogênicos” determina a formação aguda de trombo sobre a placa aterosclerótica, fenômeno este diretamente ligado aos eventos agudos coronarianos, como infarto do miocárdio, angina instável e morte súbita. Os Papéis do Colesterol e das Lipoproteínas na Aterosclerose ➢ Aumento de Lipoproteínas de Baixa Densidade: ↠ Fator importante na etiologia da aterosclerose é elevada concentração plasmática de colesterol sob a forma de lipoproteínas de baixa densidade. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ A concentração plasmática dessas LDLs e elevado teor de colesterol é aumentada por diversos fatores, especialmente com a ingestão de gorduras muito saturadas na dieta diária, obesidade e inatividade física. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ➢ Hipercolesterolemia Familiar ↠ A hipercolesterolemia familiar é uma doença em que a pessoa herda genes defeituosos, para a formação de receptores para LDLs, nas superfícies das membranas celulares do corpo. Na ausência desses receptores, o fígado não é capaz de absorver as LDL nem as IDL. Sem essa absorção, o mecanismo do colesterol das células hepáticas se descontrola, produzindo novo colesterol; ele deixa de responder à inibição por feedback, desencadeado pela presença de quantidade excessiva de colesterol plasmático. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Como resultado, o número de VLDLs liberado pelo fígado para o plasma aumenta imensamente. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ➢ Papel das Lipoproteínas de Alta Densidade na Prevenção da Aterosclerose. ↠ Bem menos conhecida é a função das HDLs em comparação com a das LDLs. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Acredita-se que as lipoproteínas de alta densidade são, de fato, capazes de absorver cristais de colesterol que começam a ser depositados nas paredes arteriais. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ As doenças cardiovasculares possuem diversos fatores de risco, que podem ser agrupados em dois grupos principais: modificáveis e não modificáveis. (COSTA et al., 2019) • Exemplos de fatores modificáveis: a dislipidemia, a exposição ao tabaco, a não prática de exercício/atividade física e IMC maior ou igual a 30kg/m². • Exemplos de fatores não modificáveis: presença de casos na família de doenças cardiovasculares, etnia, idade e sexo. @jumorbeck ➢ Outros Fatores de Risco Importantes da Aterosclerose ↠ Em algumas pessoas com níveis perfeitamente normais de colesterol e lipoproteínas, ainda assim, a aterosclerose se desenvolve. Alguns dos fatores conhecidos que predispõem à aterosclerose são: (1) inatividade física e obesidade; (2) diabetes melito; (3) hipertensão; (4) hiperlipidemia; e (5) tabagismo. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ No início e na metade da fase adulta, os homens apresentam maior probabilidade de desenvolver aterosclerose do que as mulheres da mesma idade, sugerindo que os hormônios sexuais masculinos podem ser aterogênicos ou, pelo contrário, que os hormônios sexuais femininos podem ter ação protetora. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) ↠ Alguns desses fatores causam aterosclerose, ao aumentar a concentração de LDLs no plasma. Outros, tais como a hipertensão, são capazes de levar à aterosclerose ao causar lesões no endotélio vascular, além de outras alterações nos tecidos vasculares que predispõem à deposição de colesterol. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) PREVENÇÃO DA ATEROSCLEROSE As medidas mais importantes para proteger contra o desenvolvimento da aterosclerose e sua progressão para grave doença vascular são (1) manter peso saudável, ser fisicamente ativo e ingerir dieta contendo principalmente gorduras insaturadas com baixo teor de colesterol; (2) prevenir a hipertensão, mantendo dieta saudável e sendo fisicamente ativa, ou efetivamente controlando a pressão arterial com fármacos anti-hipertensivos caso a hipertensão se desenvolva; (3) controlar efetivamente a glicose sanguínea, com insulina ou outros fármacos na presença de diabetes; e (4) evitar fumar cigarros. (GUYTON & HALL, 13ª ed.) Diferenças nos hábitos de vida entre populações diferentes e os impactos positivos na saúde ↠ A doença cardiovascular aterosclerótica se inicia na infância precoce e é influenciada ao longo da vida por fatores genéticos e exposição ambiental a fatores de risco potencialmente modificáveis. (SANTOS, 2011) ↠ Estudos relatam que quando uma pessoa muda seus hábitos de vida (abandona o sedentarismo, a alta ingestão de gorduras, o tabagismo, por exemplo) as chances de ela não desenvolver a doença aterosclerótica, ou reduzir as complicações de uma doença já instalada, são menores. (COSTA et al., 2019) ↠ Assim, a influência da dieta na patogênese de doenças crônico-degenerativas ganhou grandeexternamente por um sulco vertical superficial, o sulco terminal, e internamente por uma crista vertical, a crista terminal.; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Entre o átrio direito e o átrio esquerdo existe uma partição fina chamada septo interatrial.; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O sangue passa do átrio direito para o ventrículo direito através da valva atrioventricular direita, porque é composta por três válvulas. As valvas cardíacas são compostas por tecido conjuntivo denso recoberto por endocárdio. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A VCS se abre na parte superior do átrio direito no nível da 3ª cartilagem costal direita. A VCI se abre na parte inferior do átrio direito quase alinhada com a VCS no nível aproximado da 5ª cartilagem costal. (MOORE, 7ª ed.) VENTRÍCULO DIREITO ↠ Forma a maior parte da face esternocostal do coração; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O interior do ventrículo direito contém uma série de cristas formadas por feixes elevados de fibras musculares cardíacas chamadas trabéculas cárneas; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As válvulas da valva atrioventricular direita estão conectadas às cordas tendíneas, que por sua vez estão ligadas a trabéculas cárneas em forma de cone chamadas músculos papilares; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Internamente, o ventrículo direito é separado do ventrículo esquerdo por uma partição chamada de septo interventricular; (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck ↠ O sangue passa do ventrículo direito através da valva do tronco pulmonar para uma grande artéria chamada de tronco pulmonar, que se divide em artérias pulmonares direita e esquerda e levam o sangue até os pulmões. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A parte de entrada do ventrículo recebe o sangue do átrio direito através do óstio AV direito (tricúspide), ele é circundado por um dos anéis fibrosos do esqueleto fibroso do coração. O anel fibroso mantém o calibre do óstio constante, resistindo à dilatação que poderia resultar da passagem de sangue através dele com pressões variadas. (MOORE, 7ª ed.) ÁTRIO ESQUERDO ↠ O átrio esquerdo tem aproximadamente a mesma espessura que o átrio direito e forma a maior parte da base do coração; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Ele recebe o sangue dos pulmões, por meio das quatro veias pulmonares. Como o átrio direito, o interior do átrio esquerdo tem uma parede posterior lisa. Como os músculos pectíneos estão restritos à aurícula do átrio esquerdo, a parede anterior do átrio esquerdo também é lisa; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O sangue passa do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo através da valva atrioventricular esquerda, a qual tem duas válvulas. (TORTORA, 14ª ed.) VENTRÍCULO ESQUERDO ↠ É a câmara mais espessa do coração, Forma o ápice do coração; (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Como o ventrículo direito, o ventrículo esquerdo contém trabéculas cárneas e tem cordas tendíneas que ancoram as válvulas da valva atrioventricular esquerda aos músculos papilares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O sangue passa do ventrículo esquerdo através da valva da aorta na parte ascendente da aorta.(TORTORA, 14ª ed.) ↠ Como a pressão arterial é muito maior na circulação sistêmica do que na circulação pulmonar, o ventrículo esquerdo trabalha mais do que o ventrículo direito. (MOORE, 7ª ed.) Espessura e função do miocárdio ↠ A espessura do miocárdio das quatro câmaras varia de acordo com a função de cada uma das câmaras. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os átrios de paredes finas entregam o sangue sob menos pressão aos ventrículos adjacentes. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Como os ventrículos bombeiam o sangue sob maior pressão por distâncias maiores, suas paredes são mais espessas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O ventrículo esquerdo bombeia sangue por grandes distâncias a todas as outras partes do corpo com uma pressão maior, e a resistência ao fluxo sanguíneo é maior. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A anatomia dos dois ventrículos confirma esta diferença funcional – a parede muscular do ventrículo esquerdo é consideravelmente mais espessa do que a parede do ventrículo direito. Observe também que o lúmen do ventrículo esquerdo é mais ou menos circular, em contraste com o do ventrículo direito, cujo formato é discretamente semilunar. (TORTORA, 14ª ed.) Esqueleto fibroso do coração O esqueleto fibroso é constituído por quatro anéis de tecido conjuntivo denso que circundam as valvas cardíacas, unidos um ao outro, e que se fundem ao septo interventricular. Além de formar uma base estrutural para as valvas cardíacas, o esqueleto fibroso evita o estiramento excessivo das valvas enquanto o sangue passa por elas. Também serve como um ponto de inserção para os feixes de fibras musculares cardíacas e atua como um isolante elétrico entre os átrios e ventrículos. (TORTORA, 14ª ed.) Valvas cardíacas ↠ As valvas se abrem e fecham em resposta às mudanças de pressão conforme o coração se contrai e relaxa. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Cada uma das quatro valvas ajuda a assegurar o fluxo unidirecional de sangue através da abertura ao possibilitar que o sangue passe e, em seguida, se fechando para impedir o seu refluxo. (TORTORA, 14ª ed.) @jumorbeck VALVAS ATRIOVENTRICULARES ↠ Como estão localizadas entre um átrio e um ventrículo, estas valvas são chamadas atrioventriculares (AV) direita e esquerda. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Quando uma valva AV está aberta, as extremidades arredondadas das válvulas se projetam para o ventrículo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Quando os ventrículos estão relaxados, os músculos papilares estão relaxados, as cordas tendíneas estão frouxas, e o sangue se move de uma área de maior pressão no átrio para uma de menor pressão nos ventrículos através das valvas AV abertas. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Quando os ventrículos se contraem, a pressão do sangue aciona as válvulas para cima até que suas extremidades se encontrem e fechem a abertura. Ao mesmo tempo, os músculos papilares se contraem, o que traciona e retesa as cordas tendíneas. Isso impede que as válvulas das valvas evertam em resposta à alta pressão ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) VÁLVULAS SEMILUNARES ↠ As valvas da aorta e do tronco pulmonar são compostas por três válvulas semilunares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Cada válvula se insere na parede arterial por sua margem externa convexa. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As valvas do tronco pulmonar e da aorta possibilitam a ejeção de sangue do coração para as artérias, mas evitam o refluxo de sangue para os ventrículos. (TORTORA, 14ª ed.) Surpreendentemente, talvez, não há valvas nas junções da veia cava com o átrio direito ou das veias pulmonares com o átrio esquerdo. Quando os átrios se contraem, um pequeno volume de sangue reflui dos átrios para estes vasos. No entanto, o refluxo é minimizado por um mecanismo diferente; conforme o músculo atrial se contrai, ele comprime e quase colapsa as fracas paredes dos pontos de entrada das veias. Circulação sistêmica e pulmonar ↠ Na circulação pós-natal, o coração bombeia o sangue em dois circuitos fechados a cada contração – circulação sistêmica e circulação pulmonar. (TORTORA, 14ª ed.) O lado esquerdo do coração é a bomba para a circulação sistêmica; ele recebe sangue oxigenado (rico em oxigênio) vermelho brilhante dos pulmões. O ventrículo esquerdo ejeta sangue para a aorta. A partir da aorta, o sangue se divide em correntes separadas, entrando progressivamente em artérias sistêmicas menores que o transportam a todos os órgãos do corpo – com exceção dos alvéolos dos pulmões, os quais são irrigados pela circulação pulmonar. Nos tecidos sistêmicos, as artérias dão origem a arteríolas de menor diâmetro, que por fim levam a extensos leitos de capilares sistêmicos. A troca de nutrientes e gases ocorre através das finas paredes capilares. O sangue libera O2 (oxigênio) e capta CO2 (dióxido de carbono). Na maior parte dos casos, o sangue flui por meio de um único capilar e então entra em uma @jumorbeck vênula sistêmica. As vênulasimportância em pesquisas e tem comprovado a teoria de que reduzindo os níveis de gorduras da dieta há menor possibilidade de se desenvolver aterosclerose. (COSTA et al., 2019) ↠ Alguns estudos sugerem que o aumento da atividade física habitual e do condicionamento cardiorrespiratório estão associados ao decréscimo de causas de mortalidade em homens com acometimentos cardiovasculares pré- existentes. (COSTA et al., 2019) ↠ O estresse tem sido mencionado como um dos possíveis fatores contribuintes para o desenvolvimento da aterosclerose, não só por meio da ação direta, mas também pela contribuição para a etiologia de outros fatores de risco, como a depressão, a obesidade, a hipercolesterolemia e o sedentarismo. (SANTOS, 2011) ↠ Autores discutiram como o estresse psicossocial em animais pode levar ao desenvolvimento da aterosclerose, provavelmente por um mecanismo envolvendo ativação excessiva do sistema nervoso simpático. Em pacientes com doença arterial coronária (DAC), o estresse agudo pode também levar à vasoconstrição coronária. (SANTOS, 2011) ↠ Em estudo conduzido com 37 homens em 2003 por Steptoe et al sobre os efeitos do estresse e da classe econômica na ativação das plaquetas, verificou-se que o estresse psicológico induz à ativação plaquetária. Os autores sugeriram que pelo fato de as pessoas de classes econômicas menos favorecidas enfrentarem diariamente inúmeros fatores estressantes de grande magnitude ligados às dificuldades financeiras e sociais, elas estariam sujeitas a um estresse mais intenso, que poderia, por sua vez, induzir a uma ativação plaquetária que contribuiria para um aumento do risco de doenças cardiovasculares. (SANTOS, 2011) ↠ Nas sociedades ocidentais, a aterosclerose é causa primária de 50% de todas as mortes relacionadas com infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Contudo, países como a Groenlândia, Islândia e Japão têm baixa prevalência de aterosclerose, principalmente entre os esquimós, sugerindo uma forte relação com o estilo de vida, dieta e composição genética dos indivíduos. (GOTTTLIEB,2005) @jumorbeck TSIMANES – EL PAIS ↠ O estudo, publicado na revista The Lancet, comprovou que a quantidade de cálcio acumulada nas artérias principais dos tsimanes com mais de 40 anos é até cinco vezes menor que a calcificação detectada em pessoas ocidentais da mesma idade. ↠ Além disso, a boa saúde se mantém à medida que envelhecem. Um total de 65% de anciãos tsimanes que chegaram aos 75 anos ainda tinha um índice de calcificação zero. Os pesquisadores compararam seus resultados com os de outras populações, como a de uma ampla amostra dos EUA, outra de europeus e mais uma dezena de estudos sobre a incidência de aterosclerose em diferentes sociedades. O estado das artérias dos velhos tsimanes é similar ao que podem ter ocidentais com 28 anos menos e ainda melhor que o das mulheres adultas japonesas, as que até agora tinham melhor saúde arterial. ↠ Embora o estudo não estabeleça uma relação causal, para seus autores tudo indica que o estilo de vida dos tsimanes explicaria esses dados e outros que também comprovaram em suas revisões médicas, como os baixos níveis que mostraram no ritmo cardíaco, pressão sanguínea, colesterol e glicose no sangue. Todos esses indicadores estão direta ou indiretamente relacionados com a aterosclerose. ↠ Os tsimanes podem ficar oito horas na caça de algo para comer. Os pesquisadores estimam que dedicam um mínimo de sete horas a atividades que requerem esforço físico e que em apenas 10% do tempo que passam despertos não fazem nada. Quanto à sua dieta, em sua maioria se trata de carboidratos (72%) não processados, ricos em fibra, como arroz, mandioca, milho e frutas. As proteínas são obtidas da caça e da pesca, e somente consomem cerca de 38 gramas de gordura por dia. Embora alguns tenham declarado que fumam, um maço de cigarros lhes poderia durar um ano. ↠ "Se não há tabaco, não há colesterol nem diabetes, e têm uma dieta equilibrada e fazem exercícios físicos, não há aterosclerose”, comenta o pesquisador do Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares Carlos III (CNIC), Antonio Fernández Ortiz. ↠ Esta pesquisa ajuda a demonstrar de forma definitiva que os fatores de risco cardiovasculares são a causa da doença aterosclerótica. Nessa população sem aterosclerose o único fator de risco que eles têm é a idade. O pouco cálcio que acumulam é porque vão envelhecendo.” ↠ Existe a possibilidade de que os tsimanes tenham alguma variante genética que os protegeria das doenças cardiovasculares, além do seu estilo de vida. No entanto, os pesquisadores comprovaram que nos últimos anos os níveis de colesterol estão subindo, com uma concentração de colesterol LDL que passou de 1,84 milimol por litro na primeira década do século para 2,35 mmol/L em 2015. Isso descartaria a possibilidade de origem genética. ↠ O aumento do colesterol coincidiu com uma intensificação da aculturação desse povo. Isto permitiu aos tsimanes um maior acesso aos produtos ricos em açúcares e gorduras. Ainda é cedo para detectar se as mudanças na dieta provocarão um aumento da calcificação arterial, mas os autores do estudo acreditam que poderia estar em curso uma revolução nutricional que acabará com a boa saúde. Referências COSTA et. al. Estilo de vida como fator de prevenção da aterosclerose. Revista Caderno de Medicina vol. 2, nº 2, 2019 SANTOS et al. Hábitos e perfil socioeconômico dos pacientes com doença aterosclerótica no Brasil, 2011. GOTTLIEB, M. G. V. BONARDI G. MORIGUCHI, E. H. Fisiopatologia e aspectos inflamatórios da aterosclerose, 2005. TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017 MOORE. Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª ed. Guanabara Koogan, SP, 2017 JUNQUEIRA; CARNEIRO. Histologia Básica, 13ª ed. Guanabara Koogan, SP, 2017. @jumorbeck @jumorbeck CARACTERÍSTICAS DO MÚSCULO CARDÍACO: ➢ Em geral, possui um núcleo por fibra; ➢ As células musculares cardíacas individuais ramificam-se e juntam-se com as células vizinhas, criando uma rede complexa. As junções celulares, conhecidas como discos intercalares, consistem em membranas interligadas. Os discos intercalares têm dois componentes: os desmossomos e as junções comunicantes. Os desmossomos são conexões fortes que mantêm as células vizinhas unidas, permitindo que a força criada em uma célula seja transferida para a célula vizinha. ➢ As junções comunicantes nos discos intercalares conectam eletricamente as células musculares cardíacas umas às outras. Elas permitem que as ondas de despolarização se espalhem rapidamente de célula a célula, de modo que todas as células do músculo cardíaco se contraem quase simultaneamente. ➢ O retículo sarcoplasmático miocárdico é menor que o do músculo esquelético; por isso, o músculo cardíaco depende, em parte, do Ca extracelular para iniciar a contração. ➢ As mitocôndrias ocupam cerca de um terço do volume celular de uma fibra contrátil cardíaca, devido à grande demanda energética dessas células. SINCRONIA DAS CÉLULAS DO TECIDO MUSCULAR CARDÍACO ↠ O coração é composto por três tipos principais de músculo: o músculo atrial, o músculo ventricular e as fibras especializadas excitatórias e condutoras. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Os tipos atrial e ventricular de músculo contraem-se quase como os músculos esqueléticos, mas com duração muito maior da contração. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ As fibras excitatórias e de condução do coração, no entanto, só se contraem fracamente por conterem poucas fibras contráteis, mas apresentam descargas elétricas rítmicas automáticas, na forma de potenciais de ação, ou fazem a condução desses potenciais de ação pelo coração, representando sistema excitatórioque controla os batimentos rítmicos. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ As células cardíacas conectam-se umas às outras por discos intercalares, que incluem a combinação de junções mecânicas e conexões elétricas. As conexões mecânicas, que evitam que as células se soltem quando se contraem, abrangem as junções de aderência e os desmossomos. Por outro lado, as junções comunicantes (gap) entre as células musculares cardíacas formam conexões elétricas, permitindo a propagação do potencial de ação por todo o coração. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Considera-se que a disposição das células musculares cardíacas forma um sincício mecânico e elétrico, fazendo com que um único potencial de ação (gerado no interior do nó sinoatrial) curse por todo o coração, de maneira que este se contraia de modo sincrônico, semelhante a ondas. (BERNE E LEVY) Sistema de condução CÉLULAS MUSCULARES CARDÍACAS CONTRAEM-SE SEM INERVAÇÃO ↠ A maior parte do coração é composta por células musculares cardíacas, ou miocárdio. A maioria das células musculares cardíacas é contrátil, mas cerca de 1% delas são especializadas em gerar potenciais de ação espontaneamente. Essas células são responsáveis por uma propriedade única do coração: sua capacidade de se contrair sem qualquer sinal externo. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ O sinal para a contração é miogênico, ou seja, é originado dentro do próprio músculo cardíaco. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ O sinal para a contração miocárdica não é proveniente do sistema nervoso central, mas de células miocárdicas especializadas, denominadas células autoexcitáveis. As células autoexcitáveis são também denominadas células marca-passo, uma vez que elas determinam a frequência dos batimentos cardíacos. (SILVERTHON, 7ª ed.) As células autoexcitáveis miocárdicas são anatomicamente distintas das células contráteis: elas são menores e contêm poucas fibras contráteis. Como elas não têm sarcômeros organizados, as células autoexcitáveis não contribuem para a força contrátil do coração. (SILVERTHON, 7ª ed.) NÓ SINOATRIAL NÓ ATRIOVENTRIC ULAR FEIXE DE HIS RAMOS DIREITO E ESQUERDO FIBRAS DE PURKINJE @jumorbeck SINAIS ELÉTRICOS COORDENAM A CONTRAÇÃO ↠ As células miocárdicas individuais devem despolarizar e contrair de modo coordenado para o coração gerar força suficiente para o sangue circular. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ A comunicação elétrica no coração começa com um potencial de ação em uma célula autoexcitável. A despolarização se propaga rapidamente para as células vizinhas através das junções comunicantes nos discos intercalares. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ As fibras do nodo sinusal se conectam diretamente às fibras musculares atriais, de modo que qualquer potencial de ação que se inicie no nodo sinusal se difunde de imediato para a parede do músculo atrial. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ A onda de despolarização é seguida por uma onda de contração, que passa pelo átrio e depois vai para os ventrículos. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ A despolarização inicia no nó sinoatrial (nó SA), as células autoexcitáveis no átrio direito que servem como o principal marca-passo do coração. A onda de despolarização, então, propaga-se rapidamente por um sistema especializado de condução, constituído de fibras autoexcitáveis não contráteis. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ As células do nó SA não têm potencial de repouso estável. Em vez disso, elas se despolarizam repetida e espontaneamente até um limiar. Quando o potencial marcapasso alcança o limiar, ele dispara um potencial de ação. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Uma via internodal ramificada conecta o nó SA com o nó atrioventricular (nó AV), um grupo de células autoexcitáveis perto do assoalho do átrio direito. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ No nó AV, o potencial de ação se desacelera consideravelmente, como resultado de várias diferenças na estrutura celular do nó AV. Este atraso fornece tempo para os átrios drenarem seu sangue para os ventrículos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Do nó AV, a despolarização move-se para os ventrículos. através do feixe AV (fascículo atrioventricular) também chamado de feixe de His (“hiss”), no septo ventricular. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Percorrido um curto caminho no septo, o feixe se divide em ramos esquerdo e direito. Esses ramos continuam se deslocando para o ápice do coração, onde se dividem em pequenas fibras de Purkinje, que se espalham lateralmente entre as células contráteis. (SILVERTHON, 7ª ed.) 1- O sinal elétrico para a contração começa quando o nó SA dispara um potencial de ação e a despolarização se propaga para as células vizinhas através das junções comunicantes; @jumorbeck 2- A condução elétrica é rápida através das vias de condução intermodais; 3- Porém mais lenta através das células contráteis do átrio; Quando os potenciais de ação se espalham pelos átrios, eles encontram o esqueleto fibroso do coração na junção entre os átrios e os ventrículos. Esta barreira impede que os sinais elétricos sejam transferidos dos átrios para os ventrículos. Consequentemente, o nó AV é o único caminho através do qual os potenciais de ação podem alcançar as fibras contráteis dos ventrículos. (SILVERTHON, 7ª ed.) 4- O sinal elétrico passa do nó AV para o fascículo AV e seus ramos até o ápice do coração; 5- Os ramos subendocárdicos (fibras de Purkinje) transmitem os impulsos muito rapidamente, com velocidades de até 4ms, de modo que todas as células contráteis do ápice se contraem quase ao mesmo tempo; No coração, o nó SA é o marca-passo mais rápido e normalmente determina a frequência cardíaca. Contudo, se ele estiver danificado e não funcionar, um dos marca-passos mais lentos do coração deverá assumir o ritmo. A frequência cardíaca então se ajustará ao ritmo do novo marca-passo. Ainda existe a possibilidade de que diferentes partes do coração sigam marca-passos diferentes. (SILVERTHON, 7ª ed.) Potencial de ação e contração das células miocárdicas contráteis ↠ O potencial de ação iniciado pelo nó SA propaga-se pelo sistema de condução e se espalha para excitar as fibras musculares atriais e ventriculares “atuantes”, chamadas de fibras contráteis. (TORTORA, 14ª ed.) A CONTRAÇÃO DO MÚSCULO CARDÍACO PODE SER GRADUADA ↠ Uma propriedade-chave das células musculares cardíacas é a habilidade de uma única fibra muscular executar contrações graduadas nas quais a fibra varia a quantidade de força que gera. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ A força gerada pelo músculo cardíaco é proporcional ao número de ligações cruzadas que estão ativas. O número de ligações cruzadas é determinado pela quantidade de Ca+2 ligado à troponina. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Se a concentração citosólica de Ca+2 está baixa, algumas ligações cruzadas não são ativadas e a força de contração é menor. Se Ca+2 extracelular for adicionado à célula, mais Ca+2 será liberado do retículo sarcoplasmático. Esse Ca+2 adicional gera mais força. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Outro fator que afeta a força de contração no músculo cardíaco é o comprimento do sarcômero no início da contração. Em um coração sadio, o estiramento de fibras individuais depende da quantidade de sangue existente no interior das câmaras cardíacas. A relação entre a força e o volume ventricular é uma propriedade importante da função cardíaca. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ A atividade elétrica (potencial de ação) leva a uma resposta mecânica (contração) depois de um pequeno atraso. (TORTORA, 14ª ed.) OS POTENCIAIS DE AÇÃO NO MIOCÁRDIO VARIAM ↠ O músculo cardíaco é um tecido excitável com a capacidade de gerar potenciais de ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Cada um dos dois tipos de células musculares cardíacas tem um potencial de ação distinto, que varia um pouco no formato, dependendo do local do coração onde ele é medido. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Tanto no miocárdio autoexcitável quanto no contrátil, o Ca+2 desempenha um papel importanteno potencial de ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) POTENCIAIS DE AÇÃO CARDÍACOS ➢ O potencial de repouso da membrana é determinado pela condutância do K+ e aproxima-se do potencial de equilíbrio do K+. ➢ A corrente de influxo traz cargas elétricas positivas para o interior da célula e despolariza o potencial de membrana. ➢ A corrente de efluxo leva cargas elétricas positivas para fora da célula e hiperpolariza o potencial de membrana. ➢ O papel da Na+/K+ - adenosina trifosfatase(ATPase) é manter gradientes iônicos através das membranas celulares. (CONSTANZO, 6ª ed.) CÉLULAS MIOCÁRDICAS AUTOEXCITÁVEIS ↠ Potencial de membrana instável, o qual inicia em - 60 mV e lentamente ascende em direção ao limiar. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Este potencial de membrana instável é chamado de potencial marca-passo, em vez de potencial de membrana em repouso, uma vez que ele nunca permanece em um valor constante. Sempre que o potencial marca--passo depolariza até o limiar, as células autoexcitáveis disparam um potencial de ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ As células autoexcitáveis contêm canais que são diferentes dos canais de outros tecidos excitáveis. Quando o potencial de membrana da célula é -60 mV, os canais If, que são permeáveis tanto ao K+ quanto ao Na+2, estão abertos. (SILVERTHON, 7ª ed.) @jumorbeck ↠ Os canais If são assim denominados porque eles permitem o fluxo da corrente (I) e devido às suas propriedades não usuais. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Os pesquisadores que primeiro descreveram a corrente iônica através desses canais não entenderam, naquele momento, o seu comportamento e a denominaram corrente funny (engraçada), e, portanto, utilizaram o subscrito f. Os canais If pertencem à família dos canais HCN, ou canais dependentes de nucleotídeos cíclicos ativados por hiperpolarização. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Quando os canais If se abrem em potenciais de membrana negativos, o influxo de Na+ excede o efluxo de K+. O influxo resultante de carga positiva despolariza lentamente a célula autoexcitável. À medida que o potencial de membrana se torna mais positivo, os canais de If fecham-se gradualmente, e alguns canais de Ca+2 se abrem. O resultante influxo de Ca+2 continua a despolarização, e o potencial de membrana move-se continuamente em direção ao limiar. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Quando o potencial de membrana atinge o limiar, canais adicionais de Ca+2 dependentes de voltagem se abrem. O cálcio entra rapidamente na célula, gerando a fase de despolarização rápida do potencial de ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) Observe que esse processo é diferente daqueles em outras células excitáveis, no qual a fase de despolarização é devida à abertura de canais de Na+ dependentes de voltagem. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Quando os canais de Ca+2 se fecham no pico do potencial de ação, os canais lentos de K+ estão abrindo. A fase de repolarização do potencial de ação autoexcitável é devida resultante efluxo de K+. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ A velocidade na qual as células marca-passo despolarizam determina a frequência com que o coração contrai (a frequência cardíaca). O intervalo entre os potenciais de ação pode ser modificado pela alteração da permeabilidade das células autoexcitáveis para diferentes íons, o que, por sua vez, modifica a duração do potencial marca-passo. (SILVERTHON, 7ª ed.) RESUMO NÓ SINOATRIAL (SA) ➢ É normalmente o marca-passo do coração; ➢ Apresenta potencial de repouso instável; ➢ Exibe despolarização na fase 4, ou automatismo; ➢ O nó AV e o sistema His-Purkinje são marca-passos latentes, que podem exibir automatismo e sobrepujar o nó AS, se este for suprimido; ➢ A frequência intrínseca de despolarização da fase 4 é maior no nó AS e menor no sistema His-Purkinje: Nó SA> nó AV > His-Purkinje; FASE 0: é a fase ascendente do potencial de ação. ➢ É causada por um aumento da condutância do Ca+2 . Esse aumento resulta em uma corrente de influxo de Ca+2 que impulsiona o potencial de membrana em direção ao potencial de equilíbrio do Ca+2. ➢ A base iônica da fase 0 no nó SA é diferente daquela encontrada nos ventrículos, átrios e fibras de Purkinje (onde resulta uma corrente de influxo de Na+. FASE 3: é a repolarização. ➢ É causada por um aumento de condutância do K+. Esse aumento resulta em uma corrente de efluxo de K+ que causa repolarização do potencial de membrana FASE 4: é a despolarização lenta. ➢ É responsável pela atividade de marca-passo do nó SA; ➢ É causada por um aumento na condutância do Na+, que resulta em uma corrente de influxo de NA+ denominada If; ➢ A If é ativada pela repolarização do potencial de membrana durante o potencial de ação precedente. FASES 1 e 0: não estão presentes no potencial de ação do nó SA. (CONSTANZO, 6ªed.) Potencial de ação do nó sinoatrial @jumorbeck CÉLULAS MIOCÁRDICAS CONTRÁTEIS ↠ Os potenciais de ação das células cardíacas contráteis são similares, de diversas maneiras, aos dos neurônios e dos músculos esqueléticos. A fase de despolarização rápida do potencial de ação é resultado da entrada de Na+, e a fase de repolarização rápida é devida à saída de K+ da célula. (SILVERTHON, 7ª ed.) Fase 0: despolarização. Quando a onda de despolarização entra na célula contrátil através das junções comunicantes, o potencial de membrana torna-se mais positivo. Os canais de Na+ dependentes de voltagem (canais rápidos de sódio) se abrem, permitindo que a entrada de Na+ despolarize rapidamente a célula. O potencial de membrana atinge cerca de 20 mV antes de os canais de Na+ se fecharem. Estes são canais de Na+ com duas comportas. Fase 1: repolarização inicial. Quando os canais rápidos de Na+ se fecham, a célula começa a repolarizar à medida que o K+ deixa a célula pelos canais de K+ abertos. Fase 2: o platô. A repolarização inicial é muito breve. O potencial de ação, então, se achata e forma um platô como resultado de dois eventos: uma diminuição na permeabilidade ao K+ e um aumento na permeabilidade ao Ca+2.. Os canais de Ca+2 dependentes de voltagem ativados pela despolarização foram abertos lentamente durante as fases 0 e 1. Quando eles finalmente abrem, o Ca+2 entra na célula. Ao mesmo tempo, alguns canais “rápidos” de K+ se fecham. A combinação do influxo de Ca+2 com a diminuição do efluxo de K+ faz o potencial de ação se achatar e formar um platô. Quando os canais de Ca+2 acionados por voltagem do sarcolema se abrem, os íons cálcio se movem do líquido intersticial para o citosol. Este influxo de Ca faz com que ainda mais Ca saia do RS para o citosol por canais adicionais de Ca da membrana do reticulo sarcoplasmático. (TORTORA 14ª ed.) A entrada do cálcio é uma característica do acoplamento excitação- contração cardíaco No músculo cardíaco, um potencial de ação inicia o acoplamento EC, contudo, o potencial de ação origina-se espontaneamente nas células marca-passo do coração e se propaga para as células contráteis através das junções comunicantes. (SILVERTHON, 7ª ed.) 1- Um potencial de ação que entra em uma célula contrátil se move pelo sarcolema e entra nos túbulos T; 2- Onde abre os canais de Ca+2 dependentes de voltagem tipo L na membrana das células; 3- O Ca+2 entra nas células através desses canais, movendo- se a favor do seu gradiente eletroquímico. A entrada de cálcio abre os canais liberadores de cálcio do tipo rianodínico (RyR) no retículo sarcoplasmático; 4- Esse processo do acoplamento EC no músculo cardíaco é também chamado de liberação de Ca+2 induzida pelo Ca+2 (LCIC). Quando os canais RyR se abrem, o cálcio estocado flui para fora do retículo sarcoplasmático e entra no citosol; 5- Cria-se uma fagulha que pode ser vista utilizando-se métodos bioquímicos especiais. A abertura múltipla de diferentes canais RyR se somam para criar o sinal de Ca+2; 6- A liberaçãode cálcio do retículo sarcoplasmático fornece, aproximadamente, 90% do Ca+2 necessário à contração muscular, sendo que os 10% restantes entram na célula a partir do líquido extracelular. O cálcio difunde-se pelo citosol para os elementos contráteis, onde se liga à troponina e inicia o ciclo de formação de pontes cruzadas e o movimento; 7- Com a diminuição das concentrações citoplasmáticas de Ca+2, o Ca+2 desliga-se da troponina, liberando a actina da miosina, e os filamentos contráteis deslizam de volta para sua posição relaxada; 8- O Cálcio é transportado de volta para o retículo sarcoplasmático com a ajuda da Ca+2 -ATPase; 9- No músculo cardíaco, o Cálcio também é removido de dentro da célula pelo trocador Na+ - Ca+2 (NCX); 10- Um Ca+2 é movido para fora da célula contra o seu gradiente eletroquímico em troca de 3 Na+ para dentro da célula a favor do seu gradiente eletroquímico. O sódio que entra na célula durante essa troca é removido pela Na+-K+- ATPase. @jumorbeck Fase 3: repolarização rápida. O platô termina quando os canais de Ca+2 se fecham e a permeabilidade ao K+ aumenta mais uma vez. Os canais lentos de K+, responsáveis por essa fase são ativados pela despolarização, mas são abertos lentamente. Quando os canais lentos de K+ se abrem, o K+ sai rapidamente e a célula retorna para seu potencial de repouso (fase 4). Fase 4: potencial de membrana em repouso. As células miocárdicas contráteis têm um potencial de repouso estável de aproximadamente -90 mV. O influxo de Ca+2 durante a fase 2 prolonga a duração total do potencial de ação do miocárdio. Em uma célula miocárdica contrátil, o potencial de ação dura geralmente 200 ms ou mais. (SILVERTHON, 7ª ed.) O potencial de ação miocárdico mais longo ajuda a impedir a contração sustentada, chamada de tetania. A prevenção do tétano no coração é importante porque o músculo cardíaco deve relaxar entre as contrações, de modo que os ventrículos possam encher-se com sangue. (SILVERTHON, 7ª ed.) O período refratário é o período após um potencial de ação durante o qual um estímulo normal não pode desencadear um segundo potencial de ação. (SILVERTHON, 7ª ed.) No músculo cardíaco, o longo potencial de ação (curva vermelha) faz o período refratário (fundo amarelo) e a contração (curva azul) terminarem simultaneamente. Quando um segundo potencial de ação pode ocorrer, a célula miocárdica está quase completamente relaxada. Consequentemente, não ocorre somação. (SILVERTHON, 7ª ed.) RESUMO VENTRÍCULOS, ÁTRIOS E O SISTEMA DE PURKINJE ➢ Apresentam potenciais de repouso da membrana estáveis, de cerca de -90mV. Esse valor se aproxima do potencial de equilíbrio do K+; ➢ Os potenciais de ação são de longa duração, particularmente nas fibras de Purkinje, onde duram 300 ms. FASE 0: é a fase ascendente do potencial de ação. ➢ É causada por um aumento transitório da condutância do Na+. Esse aumento resulta em uma corrente de influxo de Na+ que despolariza a membrana. ➢ No pico do potencial de ação, o potencial de membrana aproxima-se do potencial de equilíbrio do Na+. FASE 1: breve período de repolarização inicial. ➢ A repolarização inicial é causada por uma corrente de efluxo, em parte pelo movimento dos íons K+ para fora da célula e, em parte, pela diminuição na condutância do Na+. FASE 2: platô do potencial de ação. ➢ É causada por uma elevação transitória da condutância do Ca+2, que resulta em uma corrente de influxo de Ca+2, e por um aumento da condutância do K+. ➢ Durante a fase 2, as correntes de efluxo e influxo são aproximadamente iguais, de modo que o potencial de membrana se encontra estável no platô. FASE 3: é a repolarização. ➢ A condutância do Ca+2 diminui, enquanto a condutância do K+ aumenta e, portanto, predomina; ➢ A elevada condutância do K+ resulta em uma grande corrente de efluxo de K+, que hiperpolariza a membrana de volta ao potencial de equilíbrio do K+. FASE 4: é o potencial de repouso da membrana. ➢ É um período durante o qual as correntes de influxo e de efluxo são iguais e o potencial de membrana aproxima-se do potencial de equilíbrio do K+. (CONSTANZO, 6ªed.) Potencial de ação ventricular @jumorbeck COMPARAÇÃO DOS POTENCIAIS DE AÇÃO MIOCÁRDIO CONTRÁTIL MIOCÁRDIO AUTOEXCITÁVEL POTENCIAL DE MEMBRANA Estável a -90mV Potencial marca- passo instável, normalmente, começa em -60mV EVENTOS QUE LEVAM AO LIMIAR DO POTENCIAL A despolarização entra via junções comunicantes. Entrada resultante de Na+ através dos canais If, reforçada pela entrada de Ca+2. FASE DE ASCENSÃO DO POTENCIAL DE AÇÃO Entrada de Na+. Entrada de Ca+2. FASE DE REPOLARIZAÇÃO Prolongamento do platô, causado pela entrada de Ca+2; fase rápida, causada pelo efluxo de K+. Rápida; causada pelo efluxo de K+. DURAÇÃO DO POTENCIAL DE AÇÃO Prolongada: +200ms Variável; geralmente +150ms PERÍODO REFRATÁRIO Longo, uma vez a restauração dos portões dos canais de Na+ persiste até o fim do potencial de ação Não é significante na função normal. Eletrocardiograma ↠ Quando o impulso cardíaco passa através do coração, uma corrente elétrica também se propaga do coração para os tecidos adjacentes que o circundam. Pequena parte da corrente se propaga até a superfície do corpo. (GUYTON, 13ª ed.) É possível utilizar eletrodos na superfície para registrar a atividade elétrica interna porque as soluções salinas, como o nosso líquido extracelular à base de NaCl, são bons condutores de eletricidade. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ O eletrocardiograma (ECG) é um registro desses sinais elétricos. O ECG é composto pelo registro do potencial de ação produzido por todas as fibras musculares do coração durante cada batimento cardíaco. O instrumento utilizado para registrar as alterações é um eletrocardiógrafo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O pai do ECG moderno foi o fisiologista holandês Walter Einthoven. Ele nomeou as partes do ECG como as conhecemos hoje e criou o “triângulo de Einthoven”, um triângulo hipotético criado ao redor do coração quando os eletrodos são colocados nos braços e na perna esquerda. Os lados do triângulo são numerados para corresponder às três derivações, ou pares de eletrodos, usados para obter o registro. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Na prática clínica, posicionam-se eletrodos nos braços e pernas (derivações dos membros) e em seis posições do tórax (derivações torácicas) para registrar o ECG. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O eletrocardiógrafo amplifica os sinais elétricos do coração e produz 12 traçados diferentes a partir das distintas combinações de derivações de membros e tórax. @jumorbeck Cada eletrodo no membro e tórax registra uma atividade elétrica discretamente diferente, por causa da diferença em sua posição em relação ao coração. (TORTORA, 14ª ed.) Um ECG registra uma derivação de cada vez. Um eletrodo atua como eletrodo positivo da derivação, e um segundo eletrodo atua como o eletrodo negativo da derivação. (O terceiro eletrodo é inativo.) Por exemplo, na derivação I, o eletrodo do braço esquerdo é definido como positivo, e o eletrodo do braço direito é definido como negativo. Quando uma onda elétrica se move através do coração diretamente para o eletrodo positivo, a onda do ECG ascende da linha de base. Se o movimento resultante de cargas pelo coração dirigir-se para o eletrodo negativo, o traçado move-se para baixo. (SILVERTHON, 7º ed.) Um ponto importante a ser lembrado é que o ECG é uma “visão” elétrica de um objeto tridimensional. As derivações de um ECG fornecem “visões” elétricas diferentes e dão informações sobre diferentes regiões do coração. (SILVERTHON, 7º ed.) ONDAS DO ECG ↠ Existem dois componentes principais em um ECG: as ondas e os segmentos. As ondas fazem parte do traçado que sobe e desce a partir da linha de base.Os segmentos são partes da linha de base entre duas ondas. Os intervalos são combinações de ondas e segmentos. ↠ Em um registro típico, três ondas claramente reconhecíveis aparecem a cada batimento cardíaco. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A primeira, chamada onda P, é um pequeno desvio para cima no ECG. A onda P representa a despolarização atrial, que se propaga do nó SA ao longo das fibras contráteis em ambos os átrios. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A segunda onda, denominada complexo QRS, começa com uma deflexão para baixo, continua como uma grande onda vertical triangular, e termina como uma onda descendente. O complexo QRS representa a despolarização ventricular rápida, conforme o potencial de ação se propaga ao longo das fibras contráteis ventriculares. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A terceira onda é um desvio para cima em forma de cúpula chamada de onda T. Indica a repolarização ventricular e ocorre apenas quando os ventrículos começam a relaxar. A onda T é menor e mais larga do que o complexo QRS, porque a repolarização ocorre mais lentamente do que a despolarização. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Durante o período de platô da despolarização constante, o traçado do ECG é reto. (TORTORA, 14ª ed.) CORRELAÇÃO DAS ONDAS DO ECG COM SÍSTOLES ATRIAIS E VENTRICULARES @jumorbeck ↠ Os átrios e ventrículos se despolarizam e então se contraem em momentos diferentes porque o sistema de condução conduz os potenciais de ação cardíacos ao longo de uma via específica. O termo sístole refere-se à fase de contração; a fase de relaxamento é a diástole. As ondas do ECG predizem o momento da sístole e diástole atrial e ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em uma frequência de 75 bpm, a sincronização é a seguinte: (TORTORA, 14ª ed.) 1- Um potencial de ação cardíaco surge no nó SA. Ele se propaga ao longo do músculo atrial e para baixo em direção ao nó AV em cerca de 0,03 s. Enquanto as fibras contráteis atriais se despolarizam, a onda P aparece no ECG. 2- Depois do início da onda P, os átrios se contraem (sístole atrial). A condução do potencial de ação se desacelera no nó AV, porque as fibras têm diâmetros muito menores e menos junções comunicantes. O 0,1 s de atraso resultante possibilita tempo para os átrios se contraírem, aumentando assim o volume de sangue nos ventrículos antes de a sístole ventricular começar. 3- O potencial de ação se propaga rapidamente de novo depois de entrar no fascículo AV. Cerca de 0,2 s após o início da onda P, ele se propagou ao longo dos ramos, ramos subendocárdios e todo o miocárdio ventricular. A despolarização progride para baixo pelo septo, para cima a partir do ápice, e para fora da superfície do endocárdio, produzindo o complexo QRS. Ao mesmo tempo, ocorre a repolarização atrial, mas esta normalmente não é evidente em um ECG, porque os complexos QRS maiores a mascaram. 4- A contração das fibras contráteis ventriculares (sístole ventricular) começa pouco depois do complexo QRS aparecer e continua durante o segmento ST. Conforme a contração prossegue do ápice à base do coração, o sangue é espremido para cima em direção às válvulas semilunares. 5- A repolarização das fibras contráteis ventriculares começa no ápice e se espalha por todo o miocárdio ventricular. Isso produz a onda T do ECG em cerca de 0,4 s depois do início da onda P. 6- Logo após a onda T começar, os ventrículos começam a relaxar (diástole ventricular). Em 0,6s, a repolarização ventricular está completa e as fibras contráteis ventriculares estão relaxadas. Durante o próximo 0,2 s, as fibras contráteis dos átrios e ventrículos estão relaxadas. Em 0,8 s, a onda P aparece novamente no ECG, os átrios começam a se contrair, e o ciclo se repete. (TORTORA, 14ª ed.) INTERPRETAÇÃO DO ECG ↠ Um ECG fornece informações da frequência cardíaca e do ritmo, da velocidade de condução e até mesmo da condição dos tecidos do coração. Assim, embora seja simples obter um ECG, sua interpretação pode ser muito complicada. A interpretação de um ECG inicia com as seguintes questões: (SILVERTHON, 7ª ed.) 1- Qual é a frequência cardíaca? A frequência cardíaca é normalmente cronometrada do início de uma onda P até o início da próxima onda P, ou do pico de uma onda R; A frequência dos batimentos cardíacos pode ser determinada com facilidade no ECG, visto que a frequência cardíaca corresponde ao inverso do intervalo de tempo entre dois batimentos cardíacos sucessivos. Se, de acordo com as linhas de calibração do tempo, o intervalo entre dois batimentos for de 1 segundo, a frequência cardíaca será de 60 batimentos por minuto. O intervalo de tempo normal entre dois complexos QRS sucessivos de adulto é de cerca de 0,83 segundo, o que corresponde a uma frequência cardíaca de 60/0,83 vezes por minuto, ou 72 batimentos/min. (GUYTON, 13ªed.) 2- O ritmo dos batimentos cardíacos é regular (i.e., ocorre em intervalos regulares) ou irregular? Um ritmo irregular, ou arritmia, pode ser resultado de um batimento extra benigno ou de condições mais sérias, como a fibrilação atrial, na qual o nó SA perde o controle de marca-passo; 3- Todas as ondas normais estão presentes em uma forma reconhecível? Após determinar a frequência cardíaca e o ritmo, o próximo passo ao analisar um ECG é olhar as ondas individuais. Para ajudar na sua análise, você pode precisar escrever as letras sobre as ondas P, R e T. 4- Existe um complexo QRS para cada onda P? Se sim, o comprimento do segmento P-R é constante? Em caso negativo, pode haver um problema de condução dos sinais no nó AV; ↠ A análise de um ECG também envolve medir os intervalos de tempo entre ondas, que são chamados intervalos ou segmentos. Por exemplo, o intervalo PQ é @jumorbeck o tempo desde o início da onda P até o início do complexo QRS. Representa o tempo de condução do início da excitação atrial até o início da excitação ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O segmento ST, que começa no fim da onda S e termina no início da onda T, representa o momento em que as fibras contráteis ventriculares são despolarizadas durante a fase de platô do potencial de ação. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O intervalo QT se estende do início do complexo QRS até ao final da onda T. É o tempo a partir do início da despolarização ventricular até o fim da repolarização ventricular. (TORTORA, 14ª ed.) Referências: TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017 SILVERTHORN, Dee U. Fisiologia Humana. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo A, 2017. BERNE & LEVY. Fisiologia, 6ª ed. Elsevier Editora, SP, 2009. CONSTANZO, LINDA S. Fisiologia, 6ª ed. Editora Guanabara Koogan LTDA., 2015. 1 @jumorbeck Troca de oxigênio e dióxido de carbono ↠ A troca de oxigênio e dióxido de carbono entre o ar alveolar e o sangue pulmonar ocorre por meio da difusão passiva, que é regida pelo comportamento dos gases, como descrito por duas leis dos gases, a lei de Dalton e a lei de Henry. (TORTORA, 14ª ed.) LEI DOS GASES | LEI DE DALTON E LEI DE HENRY Lei de Dalton: ↠ De acordo com a lei de Dalton, cada gás em uma mistura de gases exerce a sua própria pressão como se não houvesse outros gases. A pressão de um gás específico em uma mistura é chamada de pressão parcial (Px); o subscrito é a fórmula química do gás. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A pressão total da mistura é calculada simplesmente adicionando-se todas as pressões parciais. O ar atmosférico é uma mistura de gases – nitrogênio (N2), oxigênio (O2), argônio (Ar), dióxido de carbono (CO2), volumes variáveis de vapor de água (H2O), além de outros gases presentes em pequenas quantidades. A pressão atmosférica é a soma das pressões de todos estes gases: (TORTORA, 14ª ed.) ↠ É possível determinara pressão parcial exercida por cada um dos componentes na mistura multiplicando a porcentagem do gás na mistura pela pressão total da mistura. Assim, as pressões parciais dos gases no ar inspirado são: (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Estas pressões parciais determinam o movimento de O2 e CO2 entre a atmosfera e os pulmões, entre os pulmões e o sangue, e entre as células do sangue e o corpo. Cada tipo de gás se difunde através da membrana permeável da área em que sua pressão parcial é maior para a área em que sua pressão parcial é menor. Quanto maior a diferença na pressão parcial, mais rápida será a velocidade de difusão. (TORTORA, 14ª ed.) Lei de Henry: ↠ A lei de Henry afirma que o volume de um gás que se dissolve em um líquido é proporcional à pressão parcial do gás e à sua solubilidade. TORTORA, 14ª ed.) ↠ Nos líquidos corporais, a capacidade de um gás de ficar em solução é maior quando a sua pressão parcial é maior e quando ele tem elevada solubilidade em água. Quanto maior a pressão parcial de um gás em um líquido e mais elevada a sua solubilidade, mais gás vai ficar em solução. Em comparação ao oxigênio, muito mais CO2 está dissolvido no plasma sanguíneo, porque a solubilidade do CO2 é 24 vezes maior do que a do O2.. TORTORA, 14ª ed.) ↠ Mesmo que o ar que respiramos contenha principalmente N2, este gás não tem qualquer efeito sobre as funções corporais; ao nível do mar, sua pressão muito pequena se dissolve no plasma sanguíneo, porque a sua solubilidade é muito baixa. (TORTORA, 14ª ed.) Quando um mergulhador respira ar sob alta pressão, o nitrogênio na mistura pode ter sérios efeitos negativos. Visto que a pressão parcial de nitrogênio é superior em uma mistura de ar comprimido do que no ar à pressão ao nível do mar, um volume considerável de nitrogênio se dissolve no plasma e no líquido intersticial. Muito nitrogênio dissolvido pode provocar tontura e outros sintomas semelhantes aos da intoxicação por álcool. A condição é chamada de narcose por nitrogênio ou “embriaguez das profundezas”. (TORTORA, 14ª ed.) Se um mergulhador sobe à superfície lentamente, o nitrogênio dissolvido pode ser eliminado em sua expiração. No entanto, se a subida é demasiadamente rápida, o nitrogênio sai da solução rápido demais e forma bolhas de gás nos tecidos, resultando em doença por descompressão (barotrauma). (TORTORA, 14ª ed.) Transporte de gases ↠ Os gases que entram nos capilares primeiramente se dissolvem no plasma. Todavia, os gases dissolvidos representam apenas uma pequena parte do oxigênio que será fornecido às células. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Os glóbulos vermelhos, ou eritrócitos, têm um papel fundamental em garantir que o transporte de gás entre o pulmão e as células seja suficiente para atender às necessidades celulares. (SILVERTHON, 7ª ed.) ↠ Sem a hemoglobina nos eritrócitos, o sangue não seria capaz de transportar uma quantidade suficiente de oxigênio para sustentar a vida. (SILVERTHON, 7ª ed.) Transporte de Gases 2 @jumorbeck ↠ A presença de hemoglobina nas hemácias permite que o sangue transporte 30 a 100 vezes mais O2 do que seria transportado na forma de O2 dissolvido na água do sangue. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Os gases podem se mover de um ponto para outro por difusão e que a causa desse movimento sempre é uma diferença de pressão parcial do primeiro ponto para o outro. (GUYTON, 13ª ed.) Transporte de oxigênio ↠ O oxigênio não se dissolve facilmente em água, de modo que somente aproximadamente 1,5% do O2 inspirado está dissolvido no plasma sanguíneo, que é composto principalmente por água. Aproximadamente 98,5% do O2 no sangue está ligado à hemoglobina nos eritrócitos. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Cada 100 ml de sangue oxigenado contém o equivalente a 20 ml de O2 gasoso. Usando as porcentagens indicadas, a quantidade dissolvida no plasma é de 0,3 ml e a quantidade ligada à hemoglobina é de 19,7 ml. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A porção heme da hemoglobina contém quatro átomos de ferro, cada um capaz de se ligar a uma molécula de O2. O oxigênio e a hemoglobina se ligam em uma reação facilmente reversível para formar a oxi- hemoglobina: (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A reação de ligação da hemoglobina com o oxigênio obedece à lei de ação das massas. À medida que a concentração de O2 livre aumenta, mais oxigênio liga-se à hemoglobina, e, assim, a equação desloca-se para a direita, produzindo mais HbO2. Se a concentração de O2 diminui, a equação desloca-se para a esquerda. A hemoglobina libera o oxigênio, e a quantidade de oxi- hemoglobina diminui. (SILVERTHON, 7ª ed.) Fatores que promovem a ligação e a dissociação do o2 com a hemoglobina RELAÇÃO ENTRE A HEMOGLOBINA E A PRESSÃO PARCIAL DO OXIGÊNIO ↠ O fator mais importante para determinar quanto O2 que se liga à hemoglobina é a PO2; quanto maior for a PO2, mais O2 se combina à Hb. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Quando a hemoglobina reduzida (Hb) é completamente convertida em oxi-hemoglobina (HbO2), diz-se que a hemoglobina está totalmente saturada; quando a hemoglobina é constituída por uma mistura de Hb e HbO2, está parcialmente saturada. (TORTORA, 14ª ed.) 3 @jumorbeck ↠ A porcentagem de saturação da hemoglobina expressa a saturação média de hemoglobina com oxigênio. Por exemplo, se cada molécula de hemoglobina se ligou a 2 moléculas de O2, então a hemoglobina está 50% saturada, porque cada Hb pode se ligar a no máximo quatro O2.. (TORTORA, 14ª ed.) OBS.: Observe que a hemoglobina ainda está 75% saturada com O2 a uma PO2 de 40mmHg, a PO2 média das células teciduais em uma pessoa em repouso. Esta é a base para a afirmação de que apenas 25% do O2 disponível é descarregado da hemoglobina e é utilizado pelas células teciduais em condições de repouso. (TORTORA, 14ª ed.) OBS.: Quando a PO2 está entre 60 e 100 mmHg, a hemoglobina está 90% ou mais saturada com O2. Assim, o sangue capta uma carga quase completa de O2 dos pulmões, mesmo quando a PO2 do ar alveolar é tão baixa quanto 60mmHg. (TORTORA, 14ª ed.) OBS.: A curva Hb-PO2 explica por que determinadas pessoas ainda podem ter um bom desempenho em altitudes elevadas ou quando elas têm certas doenças cardíacas e pulmonares, embora a PO2 possa cair a valores tão baixos quanto 60 mmHg. (TORTORA, 14ª ed.) OBS.: No entanto, a saturação de oxigênio da Hb cai para 35% a 20 mmHg. Entre 40 e 20 mmHg, muito O2 é liberado da hemoglobina em resposta a apenas pequenas diminuições na PO2. (TORTORA, 14ª ed.) ACIDEZ (pH) ↠ Conforme a acidez aumenta (pH diminui), a afinidade da hemoglobina ao O2 diminui, e o O2 se dissocia mais facilmente da hemoglobina (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Os principais ácidos produzidos por tecidos metabolicamente ativos são o ácido láctico e o ácido carbônico. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Quando o pH diminui, toda a curva de dissociação da oxi-hemoglobina se desloca para a direita; em uma dada PO2, a Hb está menos saturada com O2, uma mudança denominada efeito Bohr. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O efeito Bohr funciona nos dois sentidos: o aumento do H+ no sangue faz com que o O2 seja descarregado da hemoglobina, e a ligação do O2 à hemoglobina causa a descarga de H+ da hemoglobina. (TORTORA, 14ª ed.) PRESSÃO PARCIAL DE DIÓXIDO DE CARBONO ↠ O CO2 também pode se ligar à hemoglobina, e o efeito é semelhante ao do H+ (deslocamento da curva para a direita). Conforme a PCO2 sobe, a hemoglobina libera O2 mais facilmente. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A PCO2 e o pH são fatores relacionados, porque o baixo pH do sangue (acidez) resulta em PCO2 elevada. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Conforme o CO2 entra no sangue, grande parte dele é temporariamente convertido em ácido carbônico 4 @jumorbeck (H2CO3), em uma reação catalisada por uma enzima nos eritrócitos chamada de anidrase carbônica (AC): (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O ácido carbônicoassim formado nos eritrócitos se dissocia em íons hidrogênio e íons bicarbonato. Conforme a concentração de H+ aumenta, o pH diminui. Assim, um aumento na PCO2 produz um ambiente mais ácido, o que ajuda na liberação de O2 da hemoglobina. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Durante o exercício, o ácido láctico – um subproduto do metabolismo anaeróbico no interior dos músculos – também diminui o pH do sangue. A PCO2 diminuída (e o pH elevado) desloca a curva de saturação para a esquerda. (TORTORA, 14ª ed.) TEMPERATURA ↠ Dentro de determinados limites, conforme a temperatura aumenta, o mesmo acontece com a quantidade de O2. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O calor é um subproduto das reações metabólicas de todas as células; o calor liberado pela contração das fibras musculares tende a elevar a temperatura corporal. Células metabolicamente ativas requerem mais O2 e liberam mais ácidos e calor. Os ácidos e o calor, por sua vez, promovem a liberação de O2 da oxi-hemoglobina. A febre produz um resultado semelhante. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Em contraste, durante a hipotermia (temperatura corporal reduzida), o metabolismo celular desacelera, a necessidade de O2 é reduzida e mais O2 permanece ligado à hemoglobina (um deslocamento da curva de saturação para a esquerda). (TORTORA, 14ª ed.) BPG ↠ Uma substância encontrada nos eritrócitos chamada 2,3-bisfosfoglicerato (BPG), antigamente chamada de difosfoglicerato (DPG), diminui a afinidade da hemoglobina pelo O2 e, assim, ajuda a descarregar o O2 da hemoglobina. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O BPG é formado nos eritrócitos quando eles quebram a glicose para produzir ATP em um processo chamado glicólise. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Quando o BPG se combina à hemoglobina pela ligação aos grupos aminoterminais das duas cadeias globina beta, a hemoglobina se liga ao O2 menos fortemente nos locais do grupo heme. Quanto maior for o nível de BPG, mais O2 é descarregado da hemoglobina. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Determinados hormônios, como a tiroxina, o hormônio de crescimento humano, a epinefrina, a norepinefrina e a testosterona, aumentam a formação de BPG. O nível de BPG também é maior em pessoas que vivem em altitudes mais elevadas. (TORTORA, 14ª ed.) AFINIDADE AO OXIGÊNIO DA HEMOGLOBINA FETAL E ADULTA ↠ A hemoglobina fetal (HbF) difere da hemoglobina adulta (HbA) em estrutura e afinidade ao O2. A HbF tem uma maior afinidade ao O2 porque se liga menos fortemente ao BPG. Assim, quando a PO2 está baixa, a HbF é capaz de transportar até 30% mais O2 do que a HbA materna. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ À medida que o sangue materno entra na placenta, o O2 é prontamente transferido para o sangue fetal. Isto é muito importante porque a saturação de O2 no sangue materno na placenta é bastante baixa, e o feto poderia sofrer de hipoxia se não fosse a maior afinidade da hemoglobina fetal ao O2. (TORTORA, 14ª ed.) 5 @jumorbeck Difusão do oxigênio dos alvéolos para o sangue capilar pulmonar ↠ A Po2 do O2 gasoso no alvéolo é em média, de 104 mmHg, enquanto a Po2 do sangue venoso que entra nos capilares pulmonares, em sua porção arterial, está em torno de apenas 40 mmHg porque grande quantidade de O2 foi removida desse sangue enquanto ele passava através dos tecidos periféricos. Portanto, a diferença de pressão inicial que faz com que o O2 se difunda para os capilares pulmonares é 104 - 40, ou 64 mmHg. (GUYTON, 13ª ed.) Difusão de oxigênio dos capilares periféricos para o líquido tecidual ↠ Quando o sangue arterial chega aos tecidos periféricos, sua Po2 nos capilares ainda é 95 mmHg. Contudo, como mostrado na figura, a Po2 no líquido intersticial, que banha as células teciduais, é, em média, de apenas 40 mmHg. Assim, existe enorme diferença da pressão inicial que faz com que o O2 se difunda, com rapidez, do sangue capilar para os tecidos — tão rapidamente que a Po2 capilar diminui, quase se igualando à pressão de 40 mmHg, no interstício. Portanto, a Po2 do sangue que deixa os capilares dos tecidos e entra nas veias sistêmicas é também de aproximadamente, 40 mmHg. (GUYTON, 13ª ed.) Difusão de oxigênio dos capilares periféricos para as células teciduais ↠ O O2 está sempre sendo utilizado pelas células. Portanto, a Po2 intracelular nos tecidos periféricos, permanece menor do que a Po2 nos capilares periféricos. (GUYTON, 13ª ed.) O Aumento do Fluxo Sanguíneo Eleva o Po2 do Líquido Intersticial. Se o fluxo de sangue por determinado tecido aumentar, maior quantidade de O2 é transportada para os tecidos, e a Po2 tecidual fica correspondentemente, maior. (GUYTON, 13ª ed.) O Aumento do Metabolismo Tecidual Diminui a Po2 do Líquido Intersticial. Se as células usarem mais O2 para seu metabolismo do que o normal, ocorrerá redução da Po2 do líquido intersticial. (GUYTON, 13ª ed.) Transporte de dióxido de carbono ↠ Em condições normais de repouso, cada 100 ml de sangue venoso contêm o equivalente a 53 ml de CO2 gasoso, que é transportado no sangue de três maneiras principais: (TORTORA, 14ª ed.) 6 @jumorbeck ➢ CO2 dissolvido: uma pequena porcentagem - aproximadamente 7% - está dissolvida no plasma sanguíneo. Ao alcançar os pulmões, o CO2 dissolvido se difunde no ar alveolar e é expirado. ➢ Compostos carbamino: uma porcentagem um pouco mais elevada, aproximadamente 23%, combina-se aos grupos amina dos aminoácidos e proteínas no sangue para formar compostos carbamino. Como a proteína mais prevalente no sangue é a hemoglobina (no interior dos eritrócitos), a maior parte do CO2 transportado deste modo está ligada à hemoglobina. Os principais locais de ligação do CO2 são os aminoácidos terminais das duas cadeias globina alfa e duas cadeias globina beta. A hemoglobina que se ligou ao CO2 é denominada carbaminohemoglobina (HbCO2): OBS.: A formação da carbaminohemoglobina é muito influenciada pela PCO2. Por exemplo, nos capilares teciduais, a PCO2 é relativamente elevada, o que promove a formação de carbaminohemoglobina. Mas nos capilares pulmonares, a PCO2 é relativamente baixa, e o CO2 se separa facilmente da globina e entra nos alvéolos por difusão. (TORTORA, 14ª ed.) ➢ Íons bicarbonato: o maior percentual de CO2 – aproximadamente 70% – é transportado no plasma sanguíneo como íons bicarbonato (HCO3 –). Conforme o CO2 se difunde para os capilares sistêmicos e entra nos eritrócitos, ele reage com a água na presença da enzima anidrase carbônica (AC) para formar o ácido carbônico, que se dissocia em H+ e HCO3 –: Conforme o sangue capta CO2, o HCO3 – se acumula no interior das hemácias. Um pouco de HCO3 – se move para o plasma sanguíneo, abaixando seu gradiente de concentração. Em troca, íons cloreto (Cl– ) se movem do plasma para as hemácias. Essa troca de íons negativos, que mantém o equilíbrio elétrico entre o plasma sanguíneo e o citosol das hemácias, é conhecida como deslocamento de cloreto. (TORTORA, 14ª ed.) A quantidade de CO2 que pode ser transportada no sangue é influenciada pela porcentagem de saturação da hemoglobina com oxigênio. Quanto menor a quantidade de oxi-hemoglobina (HbO2), maior a capacidade de transporte de CO2 do sangue, uma relação conhecida como efeito de Haldane. (TORTORA, 14ª ed.) Duas características da desoxi-hemoglobina dão origem ao efeito de Haldane: (TORTORA, 14ª ed.) ➢ a desoxi-hemoglobina se liga ao CO2 e, assim, transporta mais CO2 do que a HbO2. ➢ a desoxi-hemoglobina também tampona mais H+ do que a HbO2, desse modo removendo H+ da solução e promovendo a conversão do CO2 em HCO3 – por meio da reação catalisada pela anidrase carbônica Difusão de dióxido de carbono das células teciduais periféricas para os capilares e dos capilares pulmonares para os alvéolos ↠ Quando o O2 é usado pelas células, praticamente, todo ele se torna CO2, o que aumenta a Pco2 intracelular. Devido a essa Pco2elevada das células teciduais, o CO2 se difunde das células para os capilares e é, então, transportado pelo sangue para os pulmões. Nos pulmões, ele se difunde dos capilares pulmonares para os alvéolos, onde é expirado. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Assim, em cada ponto da cadeia de transporte gasoso o CO2 se difunde em direção exatamente oposta à difusão do O2.. Contudo, existe grande diferença entre a difusão de CO2 e a do O2: o CO2 consegue se difundir cerca de 20 vezes mais rápido que o O2. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Portanto, as diferenças de pressão necessárias para causar a difusão do CO2 são, em cada instância, bem menores que as diferenças de pressão necessárias para causar a difusão de O2. (GUYTON, 13ª ed.) 7 @jumorbeck Transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos ↠ O O2 se difunde dos alvéolos para o sangue dos capilares pulmonares porque a pressão parcial do O2 (Po2) nos alvéolos é maior do que a Po2 no sangue capilar pulmonar. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Nos outros tecidos do corpo, a Po2 maior no sangue capilar do que nos tecidos faz com que o O2 se difunda para as células adjacentes. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Por outro lado, quando o O2 é metabolizado pelas células formando CO2, a pressão intracelular do CO2 (Pco2) aumenta para valor elevado, o que faz com que o CO2 se difunda para os capilares teciduais. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Depois que o sangue flui para os pulmões, o CO2 se difunde para fora do sangue até os alvéolos porque a Pco2, no sangue capilar pulmonar, é maior do que nos alvéolos. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Assim, o transporte de O2 e CO2 pelo sangue depende tanto da difusão quanto do fluxo de sangue. (GUYTON, 13ª ed.) Combinação de hemoglobina com monóxido de carbono - deslocamento do o2 ↠ O monóxido de carbono (CO) é um gás incolor e inodoro encontrado na fumaça do escapamento de automóveis, fornos a gás e aquecedores de ambiente, e também na fumaça do cigarro. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ É um subproduto da combustão de materiais contendo carbono, como o carvão, o gás e a madeira. (TORTORA, 14ª ed.) ↠O monóxido de carbono (CO) se combina com a hemoglobina no mesmo ponto em que a molécula de hemoglobina se combina com o O2. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ O monóxido de carbono pode, portanto, deslocar O2 da hemoglobina, diminuindo, assim, a capacidade de transporte de O2 do sangue. Além disso, o CO se liga cerca de 250 vezes mais facilmente que o O2, o que é demonstrado pela curva de dissociação de CO hemoglobina. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Essa curva é quase idêntica à curva de dissociação de O2-hemoglobina, exceto pelo fato de que as pressões parciais do CO, mostradas na abscissa, estão em nível de 1/250 das da curva de dissociação de oxigênio- hemoglobina. Portanto, a pressão parcial de CO de apenas 0,4 mmHg, nos alvéolos, 1/250 da pressão parcial do O2 alveolar normal (Po2 de 100 mmHg), permite ao CO competir em igualdade com o O2, pela combinação com a hemoglobina, e faz com que metade da hemoglobina do sangue se ligue ao CO, em vez de se ligar com O2. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Portanto, a pressão de CO de apenas 0,6 mmHg (concentração de volume inferior a uma parte por mil no ar) pode ser letal. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Assim, em uma concentração tão pequena quanto 0,1% (PCO = 0,5 mmHg), o CO se combinará à metade das moléculas de hemoglobina disponíveis e reduzirá a capacidade de transporte de oxigênio do sangue em 50%. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Muito embora o conteúdo de O2 no sangue esteja bastante reduzido na intoxicação por CO, a Po2 do sangue pode estar normal, o que faz com que a exposição ao CO seja especialmente perigosa, já que o sangue é vermelho-vivo e não existem sinais óbvios de hipoxemia, como o tom azulado das pontas dos dedos ou dos lábios (cianose). Além disso, a Po2 não se mostra reduzida, e o mecanismo de feedback que normalmente estimula o aumento da frequência respiratória, em resposta à falta de O2 (geralmente refletida por Po2 baixa) está ausente. Na medida em que o cérebro é um dos primeiros órgãos afetados pela falta de O2, o indivíduo pode ficar desorientado e inconsciente, antes de se dar conta do perigo. (GUYTON, 13ª ed.) 8 @jumorbeck ↠ Níveis sanguíneos elevados de CO causam envenenamento por monóxido de carbono, que pode fazer com que os lábios e a túnica mucosa da boca tenham coloração vermelho-cereja claro (a cor da hemoglobina com o monóxido de carbono ligado a ela). (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Sem tratamento imediato, o envenenamento por monóxido de carbono é fatal. É possível recuperar uma vítima de envenenamento por CO por meio da administração de oxigênio puro, o que acelera a separação do monóxido de carbono da hemoglobina. (TORTORA, 14ª ed.) Impactos psicológicos gerados pelo cyberbullying ↠ A revolução tecnológica que influencia radicalmente a sociedade e a humanidade altera maneiras de se relacionar, como o advento de novas formas de comunicação e interação entre indivíduos. (FORNASIER, 2020) ↠ A internet proporciona o ambiente conhecido como ciberespaço, que, segundo Benedikt(1991), significa um novo universo criado e sustentado por computadores mundiais e linhas de comunicação. Um universo de informações, sons, imagens, entretenimento, um universo “sem limites”, que pode ser acessado através de um computador ou dispositivo eletrônico em casa, em um escritório, em sala de aula e até mesmo na rua. (SCHREIBER; ANTUNES, 2015) ↠ Muitas vezes essas mudanças apresentam resultados positivos para a sociedade, facilitando o compartilhamento de conhecimentos e acelerando processos, mas podem mostrar o lado oposto da moeda, e entre tais consequências negativas se tem a tradução do bullying – constrangimento imposto por uma figura (indivíduo ou grupo) contra alguém a quem persegue, causando a este humilhação social, danos psicológicos e/ou físicos – que acontecia presencialmente, para os ambientes de rede virtuais, ocasionando então o fenômeno do cyberbullying. (FORNASIER, 2020) ↠ A principal diferença do cyberbullying para o bullying tradicional é que, enquanto este último tem o caráter presencial, sendo praticado frente a frente, estando vítima e agressor identificados, o cyberbullying ocorre por meio da Internet, nas redes sociais e sites de conversas, podendo ser praticado de forma mais fácil pelo agressor, que muitas vezes se esconde atrás de perfis falsos. (FORNASIER, 2020) ↠ Para Willard (2006) o Cyberbullying pode ser dividido em diferentes formas, baseando-se na ação que se realiza: (LONGHINI, 2013) ➢ Nominal: provocar com o uso de linguagem vulgar e ofensiva. ➢ Perseguir ou assediar: envio repetido de mensagens desagradáveis. ➢ .Denegrir: divulgação de mentiras sobre a vítima com o objetivo de causar danos a sua imagem ou reputação ➢ .Personificar: fazer-se passar pela vítima no espaço virtual para degradar o relacionamento com seus amigos ➢ .Violar a intimidade: partilhar online com terceiros os segredos, informações pessoais ou imagens da vítima. ➢ .Exclusão: excluir a vítima de um grupo online de forma deliberada ou cruel ➢ .Intimidação: enviar mensagens insultuosas, desagradáveis para desencadear o medo ou intimidação na vítima ↠ Um estudo da Healio (Infectious Diseases In Children) constatou que a pandemia mundial da Covid-19 pode ser um fator de aumento para os casos de cyberbullying. Com o significativo número de vítimas e de possíveis agressores no mundo virtual, somados à determinação de quarentena, os números aumentaram e revelaram que a sociedade ainda precisa evoluir no que diz respeito ao seu modo de comunicar. (FORNASIER, 2020) ↠ Muito além de uma simples discussão comportamental, o cyberbullying traz à tona questões relativas aos direitos fundamentais. Um dos principais direitos fundamentais é a liberdade de expressão, mas quando essaprática é relacionada às formas tradicionais de bullying, surge o questionamento de até onde vai essa liberdade de cada um, de que forma isso pode afetar a vida e o bem-estar de outras pessoas, tonando-se um problema de saúde pública global. Com isso a liberdade de expressão colide com os direitos de personalidade de cada ser humano, uma vez que outro direito fundamental, o direito à honra, à privacidade, à intimidade, o direito de imagem, podem ser feridos com o assédio moral. Aqui o direito à liberdade de expressão encontra uma limitação para que o direito de personalidade seja respeitado. (FORNASIER, 2020) ↠ O ataque de cyberbullying pode partir de ações como deboche, montagem de fotos, divulgação de fotos ou matérias da intimidade das vítimas, propagação de boatos em prol de desclassificar e intimidar a vítima, entre outros 9 @jumorbeck meios, que causam danos como tristeza e medo, seguidos de vergonha e desapontamento, características que se tornam comuns a todas as vítimas e podem levar a atitudes mais drásticas quando estas não têm acompanhamento psicológico. (FORNASIER, 2020) ↠ Os sintomas mais frequentes sofridos pelas vítimas vão muito além de um sentimento momentâneo, acabam causando doenças futuras, desencadeando transtornos graves, como depressão e ansiedade, muitas vítimas se autoexcluem de relações sociais, e a união desses transtornos pode inclusive levar ao suicídio. (FORNASIER, 2020) ↠ Cabe destacar que o impacto do cyberbullying na vida dos jovens é ainda maior quando se trata de intolerância e preconceito relacionados a gênero e opção sexual. O cyberbullying é motivado muitas vezes por uma fobia contra a população LGBT, que sofre com níveis e frequência de cyberbullying muito maiores do que jovens heterossexuais. (FORNASIER, 2020) ↠ Consequências do Cyberbullying: (SCHREIBER; ANTUNES, 2015) ➢ Diminuir a confiança da vítima em outras pessoas; ➢ Baixa autoestima (maior incidência, tanto para as vítimas quanto para os agressores); ➢ Desenvolver níveis de angústia e ansiedade; ➢ Acarretar no desempenho acadêmico; ➢ Fobia social; ➢ Frustração; ➢ Insônia; ➢ Enurese; ➢ Medo; ➢ Suicídio; ➢ Depressão; ↠ Cabe destacar, que os impactos emocionais observados diferem entre as pessoas e dependem de como a vítima se coloca diante da situação. (SCHREIBER; ANTUNES, 2015) Importância das medidas preventivas ao suicídio ↠ Suicídio: é o ato deliberado de tirar a própria vida, com desfecho fatal. (SILVA; NETO, 2020) ↠ Sob uma perspectiva ampla do sentido do termo, a Organização Mundial da Saúde - OMS o caracteriza como sendo um ato de violência voltado à própria pessoa, podendo ser subdividido em dois tipos: comportamento suicida e conduta autolesiva. (SILVA; NETO, 2020) ↠ O primeiro incluiu ideação suicida, tentativas de suicídio e o suicídio consumado. O segundo, a conduta autolesiva, por seu lado, foi resumida em comportamentos de automutilação, que acontecem em situações mais privadas, muitas vezes não chegando a constar de relatórios de saúde pública, sendo, portanto, subnotificadas. (SILVA; NETO, 2020) ↠ De acordo com a OMS o suicídio é a segunda causa de morte no mundo entre jovens de 15 a 29 anos. (SILVA; NETO, 2020) ↠ Cabe destacar que a complexidade que envolve o suicídio e, para tanto, os esforços de prevenção ao suicídio exigem coordenação e colaboração entre diversos setores da sociedade, dentre eles o setor da saúde, a educação, trabalho, agricultura, negócios, justiça, lei, defesa, política e até mesmo a mídia. Esses esforços devem ser abrangentes e integrados entre si, já que em uma questão tão complexa como é o suicídio, nenhuma abordagem isolada por si só pode causar impacto. (SILVA; NETO, 2020) Como prevenir: ↠ Quando o tema é a prevenção ao suicídio, os olhares devem voltar-se para o que provoca a dor, acolhendo o que a provoca. (SILVA; NETO, 2020) ↠ Para tanto, existem várias medidas que podem ser tomadas em vários níveis, como no populacional, subpopular e individual com a finalidade de evitar suicídio e tentativas de suicídio. Entre essas medidas, tem-se: (SILVA; NETO, 2020) ➢ a redução do acesso aos meios de suicídio (por exemplo, pesticidas, armas de fogo, certos medicamentos); ➢ mídia responsável; ➢ intervenções escolares; ➢ políticas públicas de controle do uso de álcool; ➢ identificação precoce, tratamento e atendimento de pessoas com transtornos mentais e de uso de substâncias, dor crônica e sofrimento emocional agudo; ➢ treinamento de profissionais de saúde não especializados na avaliação e gestão do comportamento suicida; 10 @jumorbeck ➢ cuidados de acompanhamento para pessoas que tentaram suicídio e prestação de apoio comunitário. ↠ Dar especial atenção a uma pessoa que tentou se suicidar é uma das principais estratégias para se evitar um futuro suicídio. (SILVA; NETO, 2020) ↠ A Unicef (2020) lançou um memorando para tratar especificamente sobre o cyberbullying. Uma boa parte do texto trata especialmente de redes como o Facebook e o Instagram, típicos locais utilizados para a prática. Relata o documento então que essas empresas possuem equipes que trabalham 24 horas por dia on-line buscando denúncias (totalmente anônimas) e outras violações a direitos nas redes, além de terem um programa de assessoria para pais que não sabem ao certo o que podem fazer para coibir essa prática. (FORNASIER, 2020) PAPEL DA ESCOLA ↠ É essencial que nesse processo de conscientização as escolas estejam envolvidas e preparadas para enfrentar o tema Assim, a prevenção também pode ser feita no ambiente escolar, através de um projeto político- pedagógico de prevenção; por meio de criação de parcerias com outros setores e entidades como universidades e serviços de saúde da região, para que sejam construídos projetos voltados à realidade do território de maneira conjunta; desenvolvimento de ações voltadas a cultura da paz, respeito à diversidade e não discriminação, bem como ações de educação em saúde para toda a comunidade escolar ou acadêmica; criação de espaços de diálogos seguros com os estudantes e profissionais, dando especial destaque à expressão dos sentimentos e a escuta compreensiva; organização de programas psicoeducativos e lúdicos sobre saúde mental e suicídio, pois é importante falar sobre o assunto; atuação de maneira direta e imediata em situações de risco, como preconceito, discriminação e violência1.. (SILVA; NETO, 2020) ↠ Ressalva-se o papel da escola como espaço de fomento pelo desejo à vida e interesse pelo mundo externo, acolhendo os indivíduos que estão no processo de construção de seu projeto de vida. (SILVA; NETO, 2020) A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA ↠ Estudiosos de diferentes correntes compartilham a opinião de que a família é de suma importância no enfretamento da problemática envolvendo o suicídio e com relação a automutilação. (SILVA; NETO, 2020) ↠ Salientam que grande parte dos adolescentes que são vítimas de suicídio enfrentam no seio de suas famílias algum problema ou sofreram por necessitar de proteção, ou até mesmo, de algum tipo de apoio psicossocial. (SILVA; NETO, 2020) ↠ A família integra uma rede psicossocial que dá suporte ao indivíduo e pode ser um recurso na prevenção ao suicídio. É a experiência na família que demarca/restringe o sentido da vida ao sujeito. (SILVA; NETO, 2020) ↠ O papel dos pais, nesses casos, é muito importante, especialmente na parte de proteção aos filhos, presencialmente e on-line, como forma de conscientização, conversando e conectando-se com o mundo em que o jovem está inserido, pois muitas vezes os adolescentes e jovens não relatam os problemas enfrentados pela dificuldade que encontram em conversar com seus pais, que parecem não compreender sua realidade. (FORNASIER, 2020)↠ Dessa forma, a atitude dos pais tem grande relação com a conduta dos filhos, sendo que as características de cada um dos genitores em relação aos filhos se reflete nas atitudes destes, e observando as variedades comportamentais pode-se criar métodos para que os pais saibam como lidar com os filhos que sofrem com a agressão, e também como agir com os filhos agressores. (FORNASIER, 2020) DISPONIBILIDADE DE LINHAS DIRETAS E CENTROS DE AUXÍLIO ↠ A efetividade dos centros de auxílio às crises, também chamadas de linhas diretas ou hotlines, está em uma polêmica entre pesquisadores do mundo todo. Embora uns acreditem em sua eficácia e ainda uma economia para os cofres públicos em sua ação preventiva, outros acreditam que sua ação se limita ao auxílio das pessoas em crise, sem atingir os suicidas com eficiência na prevenção que os casos se concretizem. (KOCH; OLIVEIRA, 2015) ↠ Apesar de sua popularidade e atratividade, até agora não há evidencias conclusivas da eficácia das hot lines e centros de crise para prevenção de suicídio. (KOCH; OLIVEIRA, 2015) 11 @jumorbeck CATEGORIAS DOS FATORES DE PROTEÇÃO AO SUICÍDIO ADOLESCENTE CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS Habilidades sociais; Autoestima; Espiritualidade; APOIO FAMILIAR Vínculos seguros; Práticas parentais adequadas (limites, comunicação, proteção); APOIO SOCIAL Escola; Amigos; ↠ Além disso, ainda existe a questão do tabu presente em muitas sociedades, que ainda não discutem o tema abertamente. Até o momento, apenas alguns países incluíram a prevenção do suicídio dentre as suas prioridades de saúde, sendo que apenas 38 países relataram ter uma estratégia nacional de prevenção do suicídio. Desse modo, é de suma importância que se aumente a conscientização da comunidade e que os tabus sejam derrubados para que os países façam progressos em relação à prevenção. (SILVA; NETO, 2020) ↠ Por fim, é de suma importância reconhecer que sem prevenção e sem combate ao cyberbullying o número de vítimas será cada vez maior, e famílias vão continuar perdendo seus filhos por meio de um ataque cruel, muitas vezes motivado pela imaturidade e critérios ainda não conhecidos, mas que causam danos irreparáveis, que podem perdurar por toda a vida, ou até mesmo acabar precocemente com os sonhos e os planos para o futuro de muitos estudantes, levando-os a cometer suicídio. (FORNASIER, 2020) Referências TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017 SILVERTHORN, Dee U. Fisiologia Humana. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo A, 2017. FORNASIER, Mateus O.; SPINATO, Tiago P.; RIBEIRO, Fernanda L. Cyberbullying: Intimidação Sistemática, Constrangimento Virtual e Consequências Jurídicas. Revista Humanos e Democracia, v.8, nº 16, 2020. LONGHINI, Carolina M. CyberbullyingAs múltiplas faces de um problema real. Monografia, Universidade de Brasília, 2013 SCHREIBER, Fernando C. C.; ANTUNES, Maria C. Cyberbullying: do virtual ao psicológico. Boletim Academia Paulista de Psicologia, v. 35, nº 88, p. 109-125, 2015. KOCH, Daniel B.; OLIVEIRA, Paulo R. M. As políticas públicas para prevenção de suicídios. Revista Brasileira de Tecnologias Sociais, v. 2, n. 2, p. 161-172, 2015. CARDOSO, Alessandra S. CECCONELLO, Alessandra M. Fatores de risco e proteção para o suicídio na adolescência: uma revisão de literatura. Perspectiva: Ciência e Saúde, Osório, v.4, n. 2, p. 101-117, 2019. CARDOSO; CECCONELLO, 2019 1 @jumorbeck Sistema respiratório superior ↠ O sistema respiratório consiste em nariz externo, cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios e pulmões. (SEELY) ↠ O diafragma e os músculos das paredes torácica e abdominal são responsáveis pelo movimento respiratório. (Embora o ar frequentemente passe por ela, a cavidade oral é considerada parte do sistema digestório.) (SEELY, 10ª ed.) ↠ Há duas formas de classificar as partes do sistema respiratório: estruturalmente e funcionalmente. (SEELY, 10ª ed.) ↠ Estruturalmente, o sistema respiratório é dividido em trato respiratório superior e trato respiratório inferior. (SEELY, 10ª ed.) ↠ O trato respiratório superior inclui o nariz externo, a cavidade nasal, a faringe com suas estruturas associadas, e a laringe; o trato respiratório inferior inclui a traqueia, os brônquios e suas ramificações (bronquíolos), e os pulmões. (SEELY, 10ª ed.) Obs.: Algumas literaturas, como por exemplo Tortora, traz a laringe como parte do trato respiratório inferior. ↠ Funcionalmente, o sistema respiratório é dividido em duas regiões. A zona condutora é exclusivamente para a passagem de ar e estende-se do nariz aos bronquíolos. A zona respiratória localiza-se dentro dos pulmões e é o local onde ocorrem as trocas gasosas entre o ar e o sangue. (SEELY, 10ª ed.) ↠ A função da zona condutora é filtrar, aquecer e umedecer o ar e conduzil-o para os pulmões. (TORTORA, 14ª ed.) Histologia do sistema respiratório ↠ A maior parte da porção condutora é revestida internamente por um epitélio pseudoestratificado colunar ciliado com muitas células caliciformes, denominado epitélio respiratório. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) ↠ O epitélio respiratório típico consiste em cinco tipos celulares, identificáveis ao microscópio eletrônico. Como se trata de um epitélio pseudoestratificado, as células têm alturas diferentes, mas todas se apoiam na lâmina basal do epitélio. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) ↠ O tipo mais abundante é a célula colunar ciliada. Cada uma tem cerca de 300 cílios na sua superfície apical, e junto aos corpúsculos basais dos cílios há numerosas mitocôndrias, que fornecem trifosfato de adenosina (ATP) para os batimentos ciliares. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) ↠ Em termos quantitativos, seguem-se, em segundo lugar, as células caliciformes, secretoras de muco. A região apical dessas células contém numerosas gotículas de muco composto de glicoproteínas. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) ↠ As demais células colunares deste epitélio são conhecidas como células em escova (brush cells), em virtude dos numerosos microvilos existentes em suas superfícies apicais. Na base dessas células, consideradas receptores sensoriais, há terminações nervosas aferentes. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) ↠ Existem ainda as células basais, que são pequenas e arredondadas, também apoiadas na lâmina basal, mas que não se estendem até a superfície livre do epitélio. Elas são células-tronco que se multiplicam continuamente por mitose e originam os demais tipos celulares do epitélio respiratório. (JUNQUEIRA, 13ª ed.) 1 @jumorbeck APG 01: METODOLOGIA ATIVA X METODOLOGIA TRADICIONAL 1- Explicar as diferenças entre as metodologias ativa e tradicional de ensino-aprendizagem; 2- Compreender as vantagens e desvantagens das metodologias ativa e tradicional de ensino- aprendizagem; APG 02: TRABALHO EM GRUPO X TRABALHO EM EQUIPE 1- Compreender as diferenças entre trabalho em grupo e trabalho em equipe; 2- Explicar a importância do feedback no processo de aprendizado individual e em grupo; APG 03: ÉTICA PROFISSIONAL E PRONTUÁRIO 1- Explicar a importância da ética no trabalho em equipe multiprofissional; 2- Compreender o código de ética do estudante de medicina; 3- Descrever a dinâmica que envolve o registro no prontuário médico; APG 04: CÉLULAS 1- Compreender as estruturas básicas da célula e suas funções e como se organizam; 2- Explicar a estrutura dos cromossomos e do DNA; 3- Apresentar as proteínas de membrana, seu processo de produção e processamento; APG 05: CORAÇÃO 1- Compreender a anatomia, função e importância do coração; 2- Explicar o processo de contração e relaxamento do músculotransportam o sangue desoxigenado dos tecidos e se fundem para formar veias sistêmicas maiores. Por fim, o sangue reflui para o átrio direito. (TORTORA, 14ª ed.) O lado direito do coração é a bomba para a circulação pulmonar; ele recebe todo o sangue desoxigenado vermelho escuro que retorna da circulação sistêmica. O sangue ejetado do ventrículo direito flui para o tronco pulmonar, que se divide em artérias pulmonares que levam o sangue para os pulmões direito e esquerdo. Nos capilares pulmonares, o sangue descarrega o CO2, que é expirado, e capta o O2 do ar inalado. O sangue recentemente oxigenado então flui para as veias pulmonares e retorna ao átrio esquerdo. (TORTORA, 14ª ed.) Circulação coronariana ↠ O miocárdio tem a sua própria rede de vasos sanguíneos, a circulação coronariana ou circulação cardíaca. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As artérias coronárias ramificam-se da parte ascendente da aorta e cercam o coração como uma coroa circundando a cabeça. Enquanto o coração está se contraindo, pouco sangue flui nas artérias coronárias, porque elas estão bem comprimidas. Quando o coração relaxa, no entanto, a pressão do sangue elevada na aorta impulsiona o sangue ao longo das artérias coronárias até os vasos capilares e, em seguida, às veias coronárias. (TORTORA, 14ª ed.) ARTÉRIAS CORONÁRIAS ↠ Duas artérias coronárias, as artérias coronárias esquerda e direita, ramificam-se da parte ascendente da aorta e fornecem sangue oxigenado para o miocárdio. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A artéria coronária esquerda passa inferiormente à aurícula esquerda e se divide nos ramos interventricular anterior e circunflexo. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A artéria coronária direita emite pequenos ramos (ramos atriais) para o átrio direito. Ela continua inferiormente à aurícula direita e, por fim, se divide em ramos interventricular posterior e marginal direito. coração e transporta sangue oxigenado à parede do ventrículo direito. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A maior parte do corpo recebe sangue de ramos de mais de uma artéria, e onde duas ou mais artérias irrigam a mesma região, elas normalmente se conectam entre si. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Essas conexões, chamadas de anastomoses, fornecem vias alternativas, chamadas de circulação colateral, para que o sangue chegue a um órgão ou tecido específico. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ O miocárdio contém muitas anastomoses que conectam ramos de uma determinada artéria coronária ou se estendem entre os ramos de diferentes artérias coronárias. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ As anastomoses fornecem desvios para o sangue arterial se uma via principal estiver obstruída. Assim, o músculo cardíaco pode receber oxigênio suficiente, mesmo que uma de suas artérias coronárias esteja parcialmente bloqueada. (TORTORA, 14ª ed.) VEIAS CORONÁRIAS A maior parte do sangue venoso do miocárdio drena para um grande seio vascular no sulco coronário na face posterior do coração, chamado seio coronário. (TORTORA, 14ª ed.) O sangue venoso do seio coronário drena para o átrio direito. As principais tributárias que transportam sangue para o seio coronário são: (TORTORA, 14ª ed.) ➢ Veia cardíaca magna no sulco interventricular anterior, que drena as áreas do coração irrigadas pela artéria coronária esquerda (ventrículos esquerdo e direito e átrio esquerdo); ➢ Veia interventricular posterior no sulco interventricular posterior, que drena as áreas irrigadas pelo ramo interventricular posterior da artéria coronária direita (ventrículos esquerdo e direito); ➢ Veia cardíaca parva no sulco coronário, que drena o átrio direito e o ventrículo direito; @jumorbeck ➢ Veias anteriores do ventrículo direito, que drenam o ventrículo direito e drenam diretamente para o átrio direito. Quando o bloqueio de uma artéria coronária priva o músculo cardíaco de oxigênio, a reperfusão, o restabelecimento do fluxo sanguíneo, pode danificar ainda mais o tecido. Este efeito surpreendente é decorrente da formação de radicais livres de oxigênio a partir do oxigênio reintroduzido. (TORTORA, 14ª ed.) Histologia do músculo cardíaco ↠ Em comparação às fibras musculares esqueléticas, as fibras musculares cardíacas são mais curtas e menos circulares em um corte transversal. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Apresentam ramificação, que dão a cada fibra muscular cardíaca uma aparência de “degrau”. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Geralmente, existe um núcleo central, embora uma célula ocasionalmente tenha dois núcleos. (TORTORA, 14ª ed.) As extremidades das fibras musculares cardíacas se ligam às fibras vizinhas por espessamentos transversais irregulares de sarcolema chamados discos intercalares. Os discos contêm desmossomos, que mantêm as fibras unidas, e junções comunicantes, que possibilitam que os potenciais de ação musculares sejam conduzidos de uma fibra muscular para as fibras vizinhas. As junções comunicantes possibilitam que todo o miocárdio dos átrios ou dos ventrículos se contraia como uma única unidade, coordenada. (TORTORA, 14ª ed.) As mitocôndrias são maiores e mais numerosas nas fibras do músculo cardíaco do que nas fibras musculares esqueléticas. As fibras musculares cardíacas têm o mesmo arranjo de actina e miosina, e as mesmas bandas, zonas e discos Z, que as fibras musculares esqueléticas. Os túbulos transversos do músculo cardíaco são mais largos, mas menos abundantes do que no músculo esquelético; há um único túbulo transverso por sarcômero no disco Z. (TORTORA, 14ª ed.) Sistema de condução ↠ A atividade elétrica inerente e rítmica é o motivo das contrações cardíacas ao longo da vida. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ A fonte desta atividade elétrica é uma rede de fibras musculares cardíacas especializadas chamadas fibras autorrítmicas, porque são autoexcitáveis. (TORTORA, 14ª ed.) As áreas escuras que cruzam as fibras miocárdicas são referidas como discos intercalados; elas são, na verdade, membranas celulares que separam as células miocárdicas umas das outras. Em cada disco intercalado, as membranas celulares se fundem entre si, para formar junções “comunicantes” permeáveis (gap junctions), que permitem rápida difusão, quase totalmente livre, dos íons. Dessa forma, o miocárdio forma sincício de muitas células musculares cardíacas, no qual as células estão tão interconectadas que, quando uma célula é excitada, o potencial de ação se espalha rapidamente para todas. O coração é, na verdade, composto por dois sincícios; o sincício atrial e o sincício ventricular, que forma as paredes dos ventrículos. (GUYTON, 13ª ed.) As fibras possuem duas funções importantes: ↠ Agem como marca-passo, definindo o ritmo da excitação elétrica que provoca a contração do coração. (TORTORA, 14ª ed.) ↠ Formam o sistema de condução do coração, uma rede de fibras musculares cardíacas especializadas que @jumorbeck oferecem uma via para que cada ciclo de excitação cardíaca se propague pelo coração. (TORTORA, 14ª ed.) RESUMO DAS FASES DO POTENCIAL DE AÇÃO DO MIOCÁRDIO (GUYTON, 13ª ed.) ➢ Fase 0 (despolarização), os canais rápidos de sódio abrem. Quando a célula cardíaca é estimulada e se despolariza, o potencial de membrana fica mais positivo. Os canais de sódio ativados por voltagem (canais rápidos de sódio) abrem e permitem que o sódio flua rapidamente para dentro da célula e a despolarize. O potencial de membrana alcança cerca de + 20 milivolts antes dos canais de sódio encerrarem. ➢ Fase 1 (despolarização inicial), os canais rápidos de sódio encerram. Os canais de sódio encerram, a célula começa a repolarizar e os íons potássio saem da célula através dos canais de potássio abertos. ➢ Fase 2 (platô), os canais de cálcio abrem e os canais rápidos de potássio encerram. Ocorre uma breve repolarização inicial e o potencial de ação alcança um platô em consequência de (1) maior permeabilidade dos íons cálcio; e (2) diminuição da permeabilidadeestriado cardíaco; 3- Analisar os fatores que influenciam nos batimentos cardíacos (psicológicos, genéticos, hormonais, químicos); APG 06: CORAÇÃO DO ATLETA 1- Explicar o funcionamento do ciclo cardíaco; 2- Associar o sincronismo das células do miocárdio na produção do fluxo sanguíneo nas câmaras cardíacas; 3- Diferenciar o metabolismo cardíaco normal e do atleta; APG 07: EMBRIOLOGIA CARDÍACA 1- Compreender a embriologia do coração; 2- Explicar a malformação congênita e quais são elas; 3- Identificar os fatores que ocasionam a malformação congênita do coração; APG 08: VALVAS CARDÍACAS E SOPROS CARDÍACOS 1- Explicar a anatomofisiologia das valvas cardíacas; 2- Compreender a fisiologia do sopro cardíaco; APG 09: ATEROSCLEROSE 1- Compreender a anatomia e histologia dos vasos sanguíneos; 2- Explicar como ocorre o processo inflamatório de formação das placas; 3- Discutir as diferenças nos hábitos de vida entre populações diferentes e os impactos positivos na saúde; APG 10: ANAMNESE E COMUNICAÇÃO INTERPARES 1- Compreender o processo da anamnese e a importância de aplica-la de maneira direcionada; 2- Explicar os aspectos éticos da comunicação médico-paciente, médico-estudante e médico- família; APG 11: ELETROFISIOLOGIA CARDÍACA 1- Explicar a eletrofisiologia cardíaca; 2- Compreender o ECG e os significados dos traçados; APG 12: VASCULARIZAÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES 1- Compreender a anatomia vascular dos membros inferiores; 2- Explicar o retorno venoso (formação das varizes); APG 13: VASCULARIZAÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES 1- Relembrar a morfofisiologia dos vasos sanguíneos; 2- Compreender a vascularização dos MMSS; 3- Identificar os sinais vitais em um indivíduo normal e alterado; 4- Explicar a volemia, volume sanguíneo e o choque hipovolêmico; 5- Entender os mecanismos fisiológicos correlacionados com o controle da pressão arterial; 6- Abordar a prevenção de acidentes de trabalho; 2 @jumorbeck APG 14: SISTEMA LINFÁTICO 1- Compreender a morfologia do sistema linfático; 2- Explicar os mecanismos de combate ao linfedema e a importância da drenagem linfática; 3- Discutir aspectos éticos sobre o direito de imagem e voz; APG 15: HEMOSTASIA E COAGULAÇÃO SANGUÍNEA 1- Conhecer as plaquetas; 2- Compreender como ocorre o processo de hemostasia; 3- Explicar os mecanismos de coagulação sanguínea; 4- Entender a ativação dos fatores que participam da cascata de coagulação; APG 16: HEMOGLOBINA E ANEMIA FALCIFORME 1- Descrever a estrutura das proteínas globulares; 2- Entender a organização estrutural e funcional das hemoglobinas; 3- Explicar a anemia falciforme, destacando sua incidência e de outras doenças de alta prevalência na população negra; APG 17: CÉLULAS SANGUÍNEAS 1- Estudar as células sanguíneas; APG 18: SISTEMA IMUNE 1- Descrever o papel da imunoglobulina no processo de defesa do organismo; 2- Estudar os tipos de reações de hipersensibilidade; 3- Explicar as alterações estruturais e as manifestações clínicas secundárias nas reações de hipersensibilidade; APG 19: TRANSPORTE DE GASES 1- Explicar o transporte de gases; 2- Descrever os impactos psicológicos gerados pelo cyberbullying; 3- Entender a importância das medidas preventivas ao suicídio; APG 20: VIA AÉREA SUPERIOR 1- Explicar a anatomofisiologia do sistema respiratório superior; 2- Explicar a formação do muco e sua função nas vias aéreas superiores; 3- Compreender os mecanismos de defesa nas vias aéreas superiores; APG 21: VOZ 1- Estudar a anatomia da faringe e da laringe e como a inervação interfere em sua fisiologia; 2- Explicar como ocorre a formação da voz; 3- Estudar os órgãos linfóides presentes na faringe e na laringe; APG 22: SISTEMA RESPIRATÓRIO INFERIOR E EMBRIOLOGIA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO 1- Conhecer a morfologia do sistema respiratório inferior; 2- Estudar a embriologia do sistema respiratório; 3- Compreender como ocorre a maturação do pulmão; 4- Explicar a importância do surfactante; APG 23: MECÂNICA RESPIRATÓRIA 1- Explicar como o sistema nervoso atua na respiração; 2- Compreender a mecânica respiratória; 3- Estudar como ocorre a troca gasosa; 4- Estudar os volumes e capacidades pulmonares; APG 24: EMBRIOLOGIA DA CAVIDADE ORAL 1- Entender a função da microbiota oral; 2- Estudar a saliva; 3- Estudar a embriologia da cavidade oral; 4- Discutir sobre a formação de fendas labiopalatais; APG 25: SISTEMA DIGESTIVO ALTO 1- Estudar a morfofisiologia do trato digestório alto; 2- Explicar a função motora e secretora do estômago; APG 26: INTESTINO DELGADO, PÂNCREAS, FÍGADO E VESÍCULA BILIAR 1- Estudar a morfofisiologia do intestino delgado; 2- Compreender a morfofisiologia da vesícula, fígado e pâncreas; 3- Conhecer as biomoléculas e lipoproteínas plasmáticas; APG 27: INTESTINO GROSSO 1- Interpretar o estado nutricional a partir do GALT; 3 @jumorbeck 2- Compreender o papel da microbiota intestinal; 3- Discutir as implicações ao tratar as medicações pelo nome comercial ao invés de utilizar o nome genérico dos componentes; 4- Explicar o efeito do uso de prebióticos, probióticos e pósbióticos; 5- Estudar a morfofisiologia do intestino grosso (fecaloma e diverticulose); APG 28: METABOLISMO 1- Compreender a regulação metabólica do estado alimentado, jejum e jejum prolongado.dos íons potássio. Os canais de íons cálcio, ativados por voltagem, abrem lentamente durante as fases 1 e 0, e o cálcio entra na célula. Depois, os canais de potássio encerram e a combinação da redução do efluxo de íons potássio e o aumento do influxo de íons cálcio conduz a que o potencial de ação alcance um platô. ➢ Fase 3 (polarização rápida), os canais de cálcio encerram e os canais lentos de potássio abrem. O fechamento dos canais de íons cálcio e o aumento da permeabilidade aos íons potássio, permitindo que os íons potássio saiam rapidamente da célula, põem fim ao platô e retornam o potencial de membrana da célula ao seu nível de repouso. ➢ Fase 4 (potencial de membrana de repouso) com valor médio aproximado de –90 milivolts. Os potenciais de ação cardíacos se propagam ao longo do sistema de condução na seguinte sequência: (TORTORA, 14ª ed.) ➢ A excitação cardíaca normalmente começa no nó sinoatrial (SA), localizado na parede atrial direita, discretamente inferior e lateral à abertura @jumorbeck da veia cava superior. As células do nó SA não têm potencial de repouso estável. Em vez disso, elas se despolarizam repetida e espontaneamente até um limiar. A despolarização espontânea é um potencial marca-passo. Quando o potencial marca-passo alcança o limiar, ele dispara um potencial de ação. Cada potencial de ação do nó SA se propaga ao longo de ambos os átrios via junções comunicantes nos discos intercalares das fibras musculares atriais. Após o potencial de ação, os dois átrios se contraem ao mesmo tempo. ➢ Ao ser conduzido ao longo das fibras musculares atriais, o potencial de ação alcança o nó atrioventricular (AV), localizado no septo interatrial, imediatamente anterior à abertura do seio coronário. No nó AV, o potencial de ação se desacelera consideravelmente, como resultado de várias diferenças na estrutura celular do nó AV. Este atraso fornece tempo para os átrios drenarem seu sangue para os ventrículos. ➢ A partir do nó AV, o potencial de ação entra no fascículo atrioventricular (AV) (feixe de His,). Este fascículo é o único local em que os potenciais de ação podem ser conduzidos dos átrios para os ventrículos. (Em outros lugares, o esqueleto fibroso do coração isola eletricamente os átrios dos ventrículos.) ➢ Depois da propagação pelo fascículo AV, o potencial de ação entra nos ramos direito e esquerdo. Os ramos se estendem ao longo do septo interventricular em direção ao ápice do coração. ➢ Por fim, os ramos subendocárdicos calibrosos (fibras de Purkinje) conduzem rapidamente o potencial de ação, começando no ápice do coração e subindo em direção ao restante do miocárdio ventricular. Em seguida, os ventrículos se contraem, deslocando o sangue para cima em direção às válvulas semilunares. Por conta própria, as fibras autorrítmicas do nó SA iniciariam um potencial de ação a cada 0,6 s, ou 100 vezes por minuto. Assim, o nó SA define o ritmo de contração do coração – é o marca-passo natural. Esta frequência é mais rápida do que a de qualquer outra fibra autorrítmica. Como os potenciais de ação do nó SA se espalham ao longo do sistema de condução e estimulam outras áreas antes que estas sejam capazes de produzir um potencial de ação no seu próprio ritmo, mais lento, o nó SA age como o marca-passo natural do coração. Os impulsos nervosos da divisão autônoma do sistema nervoso (SNA) e hormônios transportados pelo sangue (como a epinefrina) modificam sua sincronização e força a cada batimento cardíaco, mas não estabelecem o ritmo de base. Em uma pessoa em repouso, por exemplo, a acetilcolina liberada pela parte parassimpática do SNA atrasa a estimulação do nó SA para a cada aproximadamente 0,8 s, ou 75 potenciais de ação por minuto. (TORTORA, 14ª ed.) Ciclo cardíaco O conjunto dos eventos cardíacos, que ocorre entre o início de um batimento e o início do próximo, é denominado ciclo cardíaco. Cada ciclo é iniciado pela geração espontânea de potencial de ação no nodo sinusal. (GUYTON, 13ª ed.) Em cada ciclo cardíaco, os átrios e ventrículos se contraem e relaxam alternadamente, forçando o sangue das áreas de alta pressão às áreas de baixa pressão. Enquanto uma câmara do coração se contrai, a pressão arterial dentro dela aumenta. (TORTORA, 14ª ed.) O ciclo cardíaco consiste no período de relaxamento, chamado diástole, durante o qual o coração se enche de sangue, seguido pelo período de contração, chamado sístole. (GUYTON, 13ª ed.) A duração total do ciclo cardíaco, incluindo a sístole e a diástole, é a recíproca da frequência cardíaca. Por exemplo, se a frequência cardíaca é de 72 batimentos/min, a duração do ciclo cardíaco é de 1/72 batimentos/min — aproximadamente 0,0139 minuto por batimento, ou 0,833 segundo por batimento. (GUYTON, 13ª ed.) Bulhas cardíacas ↠ O som dos batimentos cardíacos é decorrente principalmente da turbulência do sangue causada pelo fechamento das valvas cardíacas. ↠ Durante cada ciclo cardíaco, existem quatro bulhas cardíacas, mas em um coração normal apenas a primeira e a segunda bulhas cardíacas (B1 e B2) são auscultadas com um estetoscópio. ↠ A primeira bulha (B1), a qual pode ser descrita como um som de tum, é mais forte e um pouco mais longa do que a segunda bulha. B1 é causada pela turbulência do sangue associada ao fechamento das valvas AV logo depois de a sístole ventricular começar. @jumorbeck ↠ A segunda bulha (B2), que é mais breve e não tão forte quanto a primeira, pode ser descrita como um som de tá. B2 é causada pela turbulência no sangue associada ao fechamento das valvas do tronco pulmonar e da aorta no início da diástole ventricular. Fatores que influenciam nos batimentos cardíacos ➢ Controle parassimpático O neurotransmissor parassimpático acetilcolina (ACh) diminui a frequência cardíaca. A acetilcolina ativa os receptores colinérgicos muscarínicos que influenciam os canais de K e Ca2. A combinação dos dois efeitos faz a célula levar mais tempo para alcançar o limiar, atrasando o início do potencial de ação no marca- passo e diminuindo a frequência cardíaca. (SILVERTHORN, 7ª ed.) ➢ Controle simpático A estimulação simpática nas células marca-passo acelera a frequência cardíaca. As catecolaminas noradrenalina (dos neurônios simpáticos) e adrenalina (da medula da glândula suprarrenal) aumentam o fluxo iônico através dos canais If e de Ca2 . A entrada mais rápida de cátions acelera a taxa de despolarização, fazendo a célula atingir o limiar mais rapidamente e, assim, aumentando a taxa de disparo do potencial de ação Quando o marca-passo dispara potenciais de ação mais rapidamente, a frequência cardíaca aumenta. (SILVERTHORN, 7ª ed.) Determinados produtos químicos influenciam a fisiologia de base do músculo cardíaco e a frequência cardíaca. Por exemplo, a hipoxia (nível de oxigênio reduzido), acidose (pH baixo) e alcalose (pH elevado) deprimem a atividade cardíaca. Vários hormônios e cátions têm grandes efeitos sobre o coração: (TORTORA, 14ª ed.) ➢ Hormônios: A epinefrina e a norepinefrina (provenientes da medula da glândula suprarrenal) melhoram a efetividade do bombeamento cardíaco. Estes hormônios afetam as fibras musculares cardíacas de modo muito semelhante à maneira como o faz a norepinefrina liberada pelos nervos aceleradores cardíacos – aumentam a frequência e a contratilidade cardíacas. O exercício, o estresse e a excitação fazem com que as medulas das glândulas suprarrenais liberem mais hormônios. Os hormônios tireoidianos também melhoram a contratilidade cardíaca e aumentam a frequência cardíaca. Um sinal de hipertireoidismo é a taquicardia, ou seja, uma frequência cardíaca de repouso elevada. ➢ Cátions: Dado que as diferenças entre as concentrações intracelulares e extracelulares de vários cátions (p. ex., Na+ e K+) são cruciaispara a produção de potenciais de ação em todas as fibras nervosas e musculares, não é de se estranhar que os desequilíbrios iônicos possam comprometer rapidamente a efetividade do bombeamento cardíaco. As concentrações relativas de três cátions – K+, Ca2+ e Na+ – exercem efeito acentuado na função cardíaca. Níveis sanguíneos elevados de K+ ou Na+ diminuem a frequência e a contratilidade cardíaca. O excesso de Na+ bloqueia o influxo de Ca2+ durante potenciais de ação cardíacos, diminuindo assim a força de contração, enquanto o excesso de K+ bloqueia a produção de potenciais de ação. Um aumento moderado do nível intersticial (e, portanto, intracelular) de Ca2+ acelera a frequência cardíaca e fortalece as contrações cardíacas. Também influenciam na frequência cardíaca de repouso: ➢ A idade; ➢ O sexo; ➢ A condição física; ➢ A temperatura corporal; Toda substância química que afeta a contratilidade é chamada de agente inotrópico, e sua influência é chamada de efeito inotrópico. Se uma substância química aumenta a força de contração, ela possui um efeito inotrópico positivo. Por exemplo, as catecolaminas adrenalina e noradrenalina e fármacos, como os digitálicos, aumentam a contratilidade e, portanto, possuem efeitos inotrópicos positivos. Substâncias químicas com efeito inotrópico negativo diminuem a contratilidade. (SILVERTHORN, 7ª ed.) Artigo: Variabilidade da Frequência Cardíaca, Depressão, Ansiedade e Estresse em Intensivistas O presente estudo objetivou avaliar médicos e enfermeiros de UTI, com relação à presença ou não de ansiedade, depressão e estresse, e documentar durante o plantão possíveis alterações na VFC por meio da gravação dos batimentos cardíacos com Holter durante o período de 12 horas. Em relação às variáveis da VFC, evidenciou-se que seus componentes em quase sua totalidade estiveram alterados quando comparados aos valores considerados normais, principalmente HF e a relação LF/HF (domínio da frequência). Quando se analisam os componentes descanso e classificação do plantão, notam-se alterações nas variáveis que refletem a atividade parassimpática, com nítidas mudanças na VFC, sugerindo que o descanso durante o plantão de 12 horas influi de maneira importante a classificação do plantão pelos intensivistas. @jumorbeck Referências TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. JUNQUEIRA; CARNEIRO. Histologia Básica, 13ª ed. Guanabara Koogan, SP, 2017. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017. MOORE. Anatomia Orientada para a Clínica, 7ª ed. Guanabara Koogan, SP, 2017 Silverthorn, Dee U. Fisiologia Humana. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo A, [Inserir ano de publicação]. LONGHI, ALLAN; TOMAZ, CARLOS A. B. Variabilidade da frequência cardíaca, depressão, ansiedade e estresse em intensivistas. Revista Brasileira de Cardiologia, v. 23, n. 6 , páginas: 315-323, 2010. @jumorbeck Ciclo Cardíaco O conjunto dos eventos cardíacos, que ocorre entre o início de um batimento e o início do próximo, é denominado ciclo cardíaco. Cada ciclo é iniciado pela geração espontânea de potencial de ação no nodo sinusal. (GUYTON, 13ª ed.) DiÁstole e SÍstole O ciclo cardíaco consiste no período de relaxamento, chamado diástole, durante o qual o coração se enche de sangue, seguido pelo período de contração, chamado sístole. A duração total do ciclo cardíaco, incluindo a sístole e a diástole, é a recíproca da frequência cardíaca. (GUYTON, 13ª ed.) Por exemplo, se a frequência cardíaca é de 72 batimentos/min, a duração do ciclo cardíaco é de 1/72 batimentos/min — aproximadamente 0,0139 minuto por batimento, ou 0,833 segundo por batimento. Obs.: O Aumento da Frequência Cardíaca Reduz a Duração do Ciclo Cardíaco. Os átrios funcionam como pré-bombas para os ventrículos: Normalmente, o sangue flui de forma contínua, vindo das grandes veias para os átrios; cerca de 80% do sangue fluem diretamente dos átrios para os ventrículos, mesmo antes da contração atrial. Então, essa contração representa os 20% adicionais para acabar de encher os ventrículos. Desse modo, os átrios funcionam como bomba de escova (primer pump), que melhora a eficácia do bombeamento ventricular por, no máximo, 20%. Entretanto, o coração pode continuar operando, na maioria das circunstâncias, mesmo sem esses 20% a mais de eficiência, pois ele normalmente tem capacidade de bombear de 300 a 400% a mais de sangue do que o necessário para o corpo, nas condições de repouso (GUYTON, 13ª ed.). Período de Contração Isovolumétrica (Isométrica): ↠ Imediatamente após o início da contração ventricular, a pressão ventricular sobe, de modo abrupto, fazendo com que as valvas A-V se fechem. ↠ É necessário mais 0,02 a 0,03 segundo para que o ventrículo gere pressão suficiente para empurrar e abrir as válvulas semilunares (aórtica e pulmonar) contra a pressão nas artérias aorta e pulmonar. ↠Durante esse período os ventrículos estão se contraindo, mas não ocorre esvaziamento. É o chamado período de contração isovolumétrica ou isométrica. Período de Ejeção.: ↠ Quando a pressão no interior do ventrículo esquerdo aumenta até pouco acima de 80 mmHg (e a pressão do ventrículo direito, pouco acima de 8 mmHg), a pressão ventricular força a abertura das valvas. ↠ Imediatamente, o sangue começa a ser lançado para diante, para as artérias. Em torno de 60% do sangue do ventrículo são ejetados durante a sístole. ↠ Cerca de 70% dessa porção são ejetados durante o primeiro terço do período de ejeção, e os 30% restantes do esvaziamento ocorrem nos outros dois terços do período. ↠ Assim, o primeiro terço é o chamado período de ejeção rápida, e os demais dois terços, período de ejeção lenta. Período de Relaxamento Isovolumétrico (Isométrico): ↠ Ao final da sístole, o relaxamento ventricular começa de modo repentino, fazendo com que as pressões intraventriculares direita e esquerda diminuam rapidamente. ↠ As altas pressões nas artérias distendidas que acabaram de ser cheias com o sangue vindo dos ventrículos contraídos tornam a empurrar o sangue de volta para os ventrículos, causando o fechamento das valvas aórtica e pulmonar. ↠ Durante mais 0,03 a 0,06 segundo, o músculo ventricular continua a relaxar, mesmo que o volume não se altere, originando o período de relaxamento isovolumétrico ou isométrico. ↠ As pressões intraventriculares diminuem rapidamente de volta aos valores diastólicos. É então que as valvas A- V se abrem para iniciar novo ciclo de bombeamento ventricular. @jumorbeck Os Ventrículos se Enchem de Sangue durante a Diástole.: ↠ Assim que a sístole termina e as pressões ventriculares retornam aos baixos valores diastólicos, as pressões moderadamente altas que se desenvolveram nos átrios durante a sístole ventricular forçam de imediato as valvas A-V a se abrirem. ↠ É o chamado período de enchimento rápido ventricular. O período de enchimento rápido ocorre aproximadamente durante o primeiro terço da diástole. ↠ Ao longo do segundo terço, uma pequena quantidade de sangue nas condições normais flui para os ventrículos, sendo esse o sangue que continua a chegar aos átrios, vindo das veias, fluindo diretamente para os ventrículos. ↠ Durante o último terço da diástole, os átrios se contraem, dando impulso adicional ao fluxo sanguíneo para os ventrículos. Esse mecanismo responde por mais ou menos 20% do enchimento ventricular total em cada ciclo cardíaco. VOLUME DIASTÓLICO FINAL: representa o total de sangue presente no ventrículo ao final da diástole. VOLUME SISTÓLICO: volume ejetado durante a sístole. VOLUME SISTÓLICO FINAL: quantidade de sangue restante no ventrículo ao fim da sístole. FRAÇÃO DE EJEÇÃO: fraçãodo volume final diastólico que é ejetada. DÉBITO CARDÍACO: volume de sangue ejetado por minuto. FREQUÊNCIA CARDÍACA: número de batimentos cardíacos por min. (bpm). DC= FC X VS VS= VDF – VSF CONCEITOS DE PRÉ-CARGA E PÓS-CARGA ↠ Pré-carga: grau de tensão do músculo quando ele começa a se contrair. Para a contração cardíaca, a pré- carga é geralmente considerada como a pressão diastólica final quando o ventrículo está cheio. ↠ Pós-carga: é a pressão na aorta à saída do ventrículo. REGULAÇÃO DO BOMBEAMENTO CARDÍACO ↠ Os meios básicos de regulação do volume bombeado são (1) regulação cardíaca intrínseca, em resposta às variações no aporte do volume sanguíneo em direção ao coração; e (2) controle da frequência cardíaca e da força de bombeamento pelo sistema nervoso autonômico. Regulação intrínseca do bombeamento cardíaco — o mecanismo de Frank-Starling: ↠ Capacidade intrínseca do coração de se adaptar a volumes crescentes de afluxo sanguíneo. ↠ O mecanismo de Frank-Starling afirma que quanto mais o miocárdio for distendido durante o enchimento, maior será a força da contração e maior será a quantidade de sangue bombeada para a aorta. Ou, em outras palavras: Dentro de limites fisiológicos, o coração bombeia todo o sangue que a ele retorna pelas veias. EXPLICAÇÃO DO MECANISMO DE FRANK-STARLING Quando uma quantidade adicional de sangue chega aos ventrículos, o músculo cardíaco é mais distendido. Essa distensão, por sua vez, leva o músculo a se contrair com força aumentada, pois os filamentos de miosina e actina ficam dispostos em ponto mais próximo do grau ideal de superposição para a geração de força. Assim, o ventrículo em função de seu enchimento otimizado automaticamente bombeia mais sangue para as artérias. Essa capacidade do músculo distendido, de se contrair com maior produção de trabalho até seu comprimento ideal, é característica de todos os músculos estriados (GUYTON, 13ª ed.) Controle do Coração pela Inervação Simpática e Parassimpática A eficácia do bombeamento cardíaco é também controlada pelos nervos simpáticos e parassimpáticos (vagos) que inervam de forma abundante o coração. Para determinados níveis de pressão atrial, a quantidade de sangue bombeada a cada minuto (o débito cardíaco) com frequência pode ser aumentada por mais de 100% pelo estímulo simpático. E, por outro lado, o débito pode ser @jumorbeck diminuído até zero, ou quase zero, por estímulo vagal (parassimpático). (GUYTON, 13ª ed.) Sincronia das células do tecido muscular cardíaco O coração é composto por três tipos principais de músculo: o músculo atrial, o músculo ventricular e as fibras especializadas excitatórias e condutoras. (GUYTON, 13ª ed.) Os tipos atrial e ventricular de músculo contraem-se quase como os músculos esqueléticos, mas com duração muito maior da contração. (GUYTON, 13ª ed.) As fibras excitatórias e de condução do coração, no entanto, só se contraem fracamente por conterem poucas fibras contráteis, mas apresentam descargas elétricas rítmicas automáticas, na forma de potenciais de ação, ou fazem a condução desses potenciais de ação pelo coração, representando sistema excitatório que controla os batimentos rítmicos. (GUYTON, 13ª ed.) ANATOMIA FISIOLÓGICA DO MÚSCULO CARDÍACO As fibras musculares cardíacas se dispõem em malha ou treliça com as fibras se dividindo, se recombinando e, de novo, se separando. O músculo cardíaco contém miofibrilas típicas, com filamentos de actina e miosina, esses filamentos se dispõem lado a lado e deslizam durante as contrações As células cardíacas conectam-se umas às outras por discos intercalares, que incluem a combinação de junções mecânicas e conexões elétricas. As conexões mecânicas, que evitam que as células se soltem quando se contraem, abrangem as junções de aderência e os desmossomos. Por outro lado, as junções comunicantes (gap) entre as células musculares cardíacas formam conexões elétricas, permitindo a propagação do potencial de ação por todo o coração. Assim, considera-se que a disposição das células musculares cardíacas forma um sincício mecânico e elétrico, fazendo com que um único potencial de ação (gerado no interior do nó sinoatrial) curse por todo o coração, de maneira que este se contraia de modo sincrônico, semelhante a ondas. (BERNE E LEVY) O coração é, na verdade, composto por dois sincícios; o sincício atrial, que forma as paredes dos dois átrios e o sincício ventricular, que forma as paredes dos ventrículos. (GUYTON, 13ª ed.) Essa divisão do músculo cardíaco em dois sincícios funcionais permite que os átrios se contraiam pouco antes da contração ventricular, o que é importante para a eficiência do bombeamento cardíaco. (GUYTON, 13ª ed.) A célula cardíaca é constituída de miofibrilas, núcleo, sarcoplasma, sarcolema, discos intercalares, mitocôndrias e retículo sarcoplasmático. (SILVERTHON, 7ª ed.) As miofibrilas são compostas de várias unidades, funcionalmente autônomas, denominadas sarcômeros, os quais representam as unidades contráteis do músculo cardíaco. Os sarcômeros contêm dois tipos de filamentos, ambos de estrutura proteica – actina ou filamento delgado e miosina ou filamento espesso. (SILVERTHON, 7ª ed.) @jumorbeck Dois tipos de proteínas moduladoras – troponina e tropomiosina – participam dos fenômenos que envolvem a actina. A troponina age como receptora de cálcio em nível molecular, enquanto a tropomiosina recobre os pontos de acoplamento do sistema miosínico. (SILVERTHON, 7ª ed.) A contração da célula cardíaca é, em essência, o resultado da junção de vários sistemas actinomiosínicos, cujo mecanismo biofísico básico é o deslizamento da actina sobre a miosina. No entanto, para que se processem essas junções, é fundamental uma complexa cadeia de reações bioquímicas desencadeadas pela estimulação elétrica das células cardíacas. A energia necessária para ativar o sistema actinomiosínico provém do rompimento das ligações da adenosina trifosfato (ATP). O enriquecimento desses fosfatos depende do metabolismo aeróbico, processado no interior das mitocôndrias e sarcoplasma, os quais, por sua vez, estão na dependência da integridade das células e de adequado suprimento sanguíneo ao miocárdio pelas artérias coronárias. (SILVERTHON, 7ª ed.) O elemento iônico fundamental na contração cardíaca é o cálcio, pois a elevação do teor de cálcio livre no interior do sarcômero resulta em sua interação com a troponina, etapa essencial da série de fenômenos que culminam na contração da miofibrila. (SILVERTHON, 7ª ed.) RESUMO DAS FASES DO POTENCIAL DE AÇÃO DO MIOCÁRDIO (GUYTON, 13ª ed.) ➢ Fase 0 (despolarização), os canais rápidos de sódio abrem. Quando a célula cardíaca é estimulada e se despolariza, o potencial de membrana fica mais positivo. Os canais de sódio ativados por voltagem (canais rápidos de sódio) abrem e permitem que o sódio flua rapidamente para dentro da célula e a despolarize. O potencial de membrana alcança cerca de + 20 milivolts antes dos canais de sódio encerrarem. ➢ Fase 1 (despolarização inicial), os canais rápidos de sódio encerram. Os canais de sódio encerram, a célula começa a repolarizar e os íons potássio saem da célula através dos canais de potássio abertos. ➢ Fase 2 (platô), os canais de cálcio abrem e os canais rápidos de potássio encerram. Ocorre uma breve repolarização inicial e o potencial de ação alcança um platô em consequência de (1) maior permeabilidade dos íons cálcio; e (2) diminuição da permeabilidade dos íons potássio. Os canais de íons cálcio, ativados por voltagem, abrem lentamente durante as fases 1 e 0, e o cálcio entra na célula. Depois, os canais de potássio encerram e a combinação da redução do efluxo de íons potássio e o aumento do influxo de íons cálcio conduz a que o potencial de ação alcance um platô. ➢ Fase 3 (polarizaçãorápida), os canais de cálcio encerram e os canais lentos de potássio abrem. O fechamento dos canais de íons cálcio e o aumento da permeabilidade aos íons potássio, permitindo que os íons potássio saiam rapidamente da célula, põem fim ao platô e retornam o potencial de membrana da célula ao seu nível de repouso. ➢ Fase 4 (potencial de membrana de repouso) com valor médio aproximado de –90 milivolts. @jumorbeck Período Refratário do Miocárdio: O músculo cardíaco, como todos os tecidos excitáveis, é refratário à reestimulação durante o potencial de ação. Assim, o período refratário do coração é o intervalo de tempo durante o qual o impulso cardíaco normal não pode reexcitar área já excitada do miocárdio. (GUYTON, 13ª ed.) Acoplamento Excitação-Contração – A função dos íons cálcio e dos túbulos transversos: mecanismo pelo qual o potencial de ação provoca a contração das miofibrilas. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ O potencial de ação se difunde para o interior da fibra muscular, passando ao longo das membranas dos túbulos transversos (T). ↠ O potencial dos túbulos T, por sua vez, age nas membranas dos túbulos sarcoplasmáticos longitudinais para causar a liberação de íons cálcio pelo retículo sarcoplasmático no sarcoplasma muscular. ↠ Esses íons cálcio se dispersam para as miofibrilas, quando catalisam as reações químicas que promovem o deslizamento, um contra o outro, dos filamentos de miosina e actina, produzindo, assim, a contração muscular. ↠ Além dos íons cálcio, liberados das cisternas do retículo sarcoplasmático para o sarcoplasma, grande quantidade de íons cálcio adicionais também se difunde para o sarcoplasma, partindo dos próprios túbulos T no momento do potencial de ação por canais dependentes de voltagem na membrana de túbulos T. ↠ A entrada de cálcio ativa canais de liberação de cálcio, também chamados canais de receptores de rianodina, na membrana do retículo sarcoplasmático, o que desencadeia a liberação de cálcio para o sarcoplasma. ↠ Em seguida, íons cálcio no sarcoplasma interagem com a troponina para iniciar a formação de pontes cruzadas (cross--bridges) e contração. A força da contração cardíaca depende muito da concentração de íons cálcio nos líquidos extracelulares. (GUYTON, 13ª ed.) EFEITO DOS ÍONS POTÁSSIO E CÁLCIO NO FUNCIONAMENTO CARDÍACO Efeitos dos Íons Potássio: ↠ O excesso de potássio nos líquidos extracelulares pode fazer com que o coração se dilate e fique flácido, além de diminuir a frequência dos batimentos. (GUYTON, 13ª ed.) ↠ Grandes quantidades de potássio podem vir a bloquear a condução do impulso cardíaco dos átrios para os ventrículos pelo feixe A-V. ↠ Esses efeitos resultam, em parte, do fato da alta concentração de potássio nos líquidos extracelulares diminuir o potencial de repouso das membranas das fibras miocárdicas Efeito dos Íons Cálcio: ↠ O excesso de íons cálcio causa efeitos quase opostos aos dos íons potássio, induzindo o coração a produzir contrações espásticas. A causa disso é o efeito direto dos íons cálcio na deflagração do processo contrátil cardíaco. (GUYTON, 13ª ed.) @jumorbeck EXCITAÇÃO RÍTMICA DO CORAÇÃO O coração humano tem um sistema especial para a autoexcitação rítmica e a contração repetitiva de aproximadamente cem mil vezes ao dia, ou três bilhões de vezes em uma vida humana de duração média. Esse feito impressionante é realizado por um sistema que: (1) gera impulsos elétricos rítmicos para iniciar contrações rítmicas do miocárdio; e (2) conduz esses impulsos rapidamente por todo o coração. (GUYTON, 13ª ed.) Nodo Sinusal ( Sinoatrial): ↠ Está situado na parede posterolateral superior do átrio direito, imediatamente abaixo e pouco lateral à abertura da veia cava superior. ↠ As fibras do nodo sinusal se conectam diretamente às fibras musculares atriais, de modo que qualquer potencial de ação que se inicie no nodo sinusal se difunde de imediato para a parede do músculo atrial. Mecanismo de Ritmicidade do Nodo Sinusal: ↠ Negatividade de -55 a -60 nas fibras do nodo sinusal; ↠ Mais permeáveis ao cálcio e sódio; Autoexcitação das Fibras do Nodo Sinusal: ↠ Potencial de repouso gradativamente aumenta entre os batimentos cardíacos; Canais de sódio permanentemente abertos; ↠ -40 canais L de cálcio são ativados; ↠ Canais de potássio se abrem; ↠ Potássio deixa a célula; ↠ Fim do Potencial de Ação; ↠ Fechamento dos Canais de Potássio; ↠ Nova onda despolarizante; As vias intermodal e interatrial: ↠ Transmitem impulsos cardíacos pelos átrios; ↠ Chegam até o nó AV; ↠ Fibras condutoras especializadas; ↠ Semelhantes às Fibras de Purkinje; O Nodo Atrioventricular: ↠ Retarda a condução do impulso dos átrios para os ventrículos; ↠ Localizado na parede posterior do AD, atrás da válvula tricúspide; ↠ Células do Nodo Atrio Ventricular possuem número reduzido de junções comunicantes; Sistema de Purkinge Ventricular: ↠ Calibrosas, conduzem o Potencial de Ação com velocidade 6x maior que o músculo ventricular e 150x maior q as fibras do novo A-V; ↠ Transmissão praticamente instantânea para toda musculatura cardíaca; ↠ Junções comunicantes dos discos intercalares são numerosas e muito permeáveis; ↠ Possuem pouco ou nada de miofibrilas; Transmissão unidirecional pelo feixe A – V: ↠ Feixe A-V é incapaz em condições fisiológicas de conduzir Potenciais de Ação retrogradamente; ↠ Impede a entrada de impulsos dos ventrículos para os átrios; ↠ Condução é apenas ANTETRÓGRADA; ↠ Tecido fibroso atrioventricular auxilia neste processo. @jumorbeck Coração do Atleta Qualquer atividade que aciona grandes músculos do corpo durante pelo menos 20 min, eleva o débito cardíaco e acelera a taxa metabólica. (TORTORA, 14ª ed.) A prática de exercícios físicos aumenta a demanda de oxigênio dos músculos. O fato de a demanda ser atendida depende principalmente da adequação do débito cardíaco e do bom funcionamento do sistema respiratório. (TORTORA, 14ª ed.) Após várias semanas de treinamento, uma pessoa saudável aumenta o débito cardíaco máximo (o volume de sangue ejetado dos ventrículos para as respectivas artérias por minuto), elevando assim o fornecimento máximo de oxigênio aos tecidos. (TORTORA, 14ª ed.) Durante a atividade extenuante, um atleta bem treinado pode alcançar o dobro do débito cardíaco de uma pessoa sedentária, em parte porque o treinamento provoca hipertrofia do coração. Essa condição é conhecida como cardiomegalia fisiológica. (TORTORA, 14ª ed.) A cardiomegalia patológica está relacionada com cardiopatia grave. (TORTORA, 14ª ed.) Mesmo que o coração de um atleta bem treinado seja maior, seu débito cardíaco em repouso é aproximadamente o mesmo de uma pessoa não treinada saudável, porque o volume sistólico é aumentado enquanto a frequência cardíaca é diminuída. (TORTORA, 14ª ed.) Hipertrofia Cardíaca induzida pelo treinamento físico: eventos moleculares e celulares que modificam o fenótipo. A prática regular de exercícios físicos leva a uma série de adaptações fisiológicas no organismo de forma gradual que variam conforme as características do treinamento. Entre essas adaptações estão às cardiovasculares, dentre as quais se destaca a hipertrofia cardíaca (HC), que ocorre frente a alterações hemodinâmicas que modificam as condições de sobrecarga cardíaca durante as sessões de treinamento. (MAGALHÃES et. al, 2008) A hipertrofia cardíaca induzida pelo treinamento físico é considerada fisiológica e desenvolvida de forma simétrica no coração, sendo que as mudanças estruturais são dependentes da natureza, duração e intensidade do exercício. A HC induzida pelo treinamento físico refere-se ao aumento de massa muscular em resposta a sobrecarga de trabalho nas sessões de exercício (BARBIER et al., 2006; CARREÑO et al., 2007). Esta hipertrofia é um mecanismofisiológico compensatório, caracterizado principalmente pelo aumento do comprimento e diâmetro dos cardiomiócitos, desta forma sendo responsável pela manutenção da tensão na parede ventricular em níveis fisiológicos (COLAN, 1997; URHAUSEN& KINDERMANN, 1999). A HC ocorre pela capacidade do músculo cardíaco de adaptar-se a sobrecargas hemodinâmicas, que levam às alterações na estrutura do miocárdio de duas formas: uma causada pela sobrecarga de volume, verificada com o treinamento físico aeróbico, como a corrida e a natação, chamada de hipertrofia excêntrica e outra causada pela sobrecarga de pressão, observada com o treinamento de força/isométrico como o levantamento de peso e o judô, que é conhecida como hipertrofia concêntrica. (FAGARD, 1997). A HC excêntrica, observada no coração de atletas que realizam treinamento aeróbico, ocorre devido à sobrecarga de volume, ou seja, aumento da pré-carga devido ao aumento do retorno venoso durante as sessões de exercício, o que gera um elevado pico de tensão diastólica, induzindo ao crescimento dos miócitos. Neste, ocorre adição em série dos novos sarcômeros, e consequente aumento em seu comprimento pelo aumento no número das miofibrilas, para normalizar o estresse na parede do miocárdio levando a um aumento da cavidade do ventrículo esquerdo (VE). A cavidade aumentada gera um elevado pico de tensão sistólica, que estimula o crescimento dos miócitos, pela adição de novos sarcômeros em paralelo, aumentando também a espessura da parede do VE de forma compensatória. Como consequência, a relação entre a parede ventricular e o raio do VE permanece inalterada. A HC concêntrica decorrente do treinamento de força é gerada pela sobrecarga pressórica que ocorre no VE, ou seja, pelo aumento da pós-carga, que é caracterizado pelo elevado pico de tensão sistólica. Como resposta a essa sobrecarga hemodinâmica ocorre aumento no diâmetro dos miócitos, pela adição de novos sarcômeros em paralelo, o que leva a um aumento na espessura da parede do VE (COLAN, 1997; GROSSMAN et al., 1975; SHAPIRO, 1997). Tanto atletas como animais experimentais que realizam exercícios estáticos ou isométricos desenvolvem um aumento predominante da espessura da parede ventricular esquerda sem alteração no tamanho da cavidade do VE. Esta hipertrofia é @jumorbeck caracterizada pelo aumento da razão entre a espessura da parede e do raio do VE (COLAN, 1997; PLUIM et al., 2000; BARAUNA et al., 2007a). A HC promovida pelo treinamento físico ocorre para ajustar à carga de trabalho imposta ao ventrículo para manter constante a relação entre a pressão sistólica da cavidade e a razão da espessura da parede com o raio ventricular. Estas alterações na estrutura e função cardíaca são determinadas pela lei de Laplace: TP=Pr/h Portanto, se o ventrículo é uma esfera, a pressão (P) é proporcional à tensão da parede (TP) e a sua espessura (h) é inversamente proporcional ao raio da curvatura (r). Visando adequação da velocidade e da força de contração necessárias ao processo de adaptação a HC, ocorrem modificações nas proporções dos diferentes tipos de proteínas estruturais dos sarcômeros, como a actina e a miosina. A síntese destas novas proteínas aumenta principalmente a espessura (treinamento físico de força) e o comprimento das miofibrilas (treinamento físico aeróbico), aumentando o tamanho dos sarcômeros (MORGAN & BAKER, 1991; MORGAN et al., 1987). Esse aumento na síntese proteica é dependente da uma sinalização extracelular, que desencadeia uma cascata bioquímica de sinalização intracelular até chegar ao núcleo da célula levando ao aumento da transcrição gênica e da síntese proteica. Entretanto, ainda são pouco conhecidos os eventos bioquímicos desta sinalização intracelular com treinamento físico. Os receptores de membrana são ativados por seus respectivos agonistas. Já as integrinas são proteínas sensíveis ao estresse mecânico. Ao serem acionados, tanto os receptores quanto as integrinas desencadeiam sinais bioquímicos intracelulares, que coordenam o crescimento hipertrófico, alterando no núcleo a expressão gênica e no citoplasma aumentando a velocidade de tradução ribossomal de proteínas, bem como diminuindo a degradação de proteínas do citosol. Na HC induzida pelo treinamento físico aeróbico, a via mais bem conhecida é a do receptor de tirosina quinase, ao qual se ligam fatores de crescimento como o fator de crescimento de fibroblastos (FGF) e o fator de crescimento semelhante a insulina (IGF-1). Coração Atleta Para Pellicia, os factores hereditários intervêm nas alterações cardiovasculares de duas formas: pelo controlo genético da resposta ao exercício, e pela predisposição genética para suportar um exercício físico mais intenso e, consequentemente, atingir um maior rendimento durante a competição. A influência genética pode assim ajudar a explicar a diferença acentuada na intensidade das alterações cardiovasculares e no rendimento de atletas com as mesmas características antropométricas e submetidos ao mesmo tipo/intensidade de treino (10). Um dos exemplos desta possível influência genética é o gene da enzima conversora da angiotensina (ECA), ao qual tem sido atribuído um papel importante na remodelação fisiológica do ventrículo esquerdo. Montgomery et al comprovaram que níveis aumentados de ECA têm influência no desenvolvimento da hipertrofia miocárdica induzida pelo treino. Uma das características mais importantes do Coração de Atleta é o aumento do tónus parassimpático e a diminuição do tónus simpático, que são responsáveis por achados frequentes no atleta, tais como a bradicardia de repouso, a arritmia sinusal e os atrasos da condução aurículo-ventricular Um dos achados mais frequentes do exame objectivo do atleta é a auscultação de um sopro cardíaco A etiologia deste sopro difere com a idade do atleta. Nos atletas jovens, geralmente não existem alterações degenerativas dos anéis valvulares. Por isso, o sopro resulta quase sempre do aumento de velocidade do fluxo sanguíneo secundário ao elevado volume sistólico ejectado por um coração “hiperfuncionante”. Nos atletas mais velhos (com mais de 50 anos de idade), é frequente a existência de esclerose da válvula aórtica. Por isso, a auscultação de um sopro cardíaco nestes atletas deve suscitar uma avaliação mais cuidada, porque pode tratar-se de um processo fisiológico (tal como acontece em atletas mais jovens), ou ser secundário ao fenómeno de esclerose da válvula aórtica. Bradicardia sinusal – O débito cardíaco é o produto da frequência cardíaca com o volume sistólico. Durante a prática desportiva, o débito cardíaco do atleta é superior ao do indivíduo não atleta. No entanto, quando em repouso estes valores são muito semelhantes em ambos. Visto que o volume sistólico está geralmente aumentado no atleta, para que o débito cardíaco em repouso seja semelhante em ambos os indivíduos, a frequência cardíaca do atleta diminui, o que se deve sobretudo às alterações do sistema nervoso autónomo Assim, é comum a existência de atletas com bradicardia sinusal @jumorbeck (definida como uma frequência inferior a 60b.p.m), que pode alcançar os 25 b.p.m. A nível estrutural, a adaptação do sistema cardiovascular à prática de exercício físico envolve o aumento da massa cardíaca, a dilatação auriculo-ventricular e o aumento de espessura da parede miocárdica. Esta remodelagem abrange as quatro cavidades cardíacas, surge em cerca de 50% dos atletas e é mais acentuada em praticantes de exercício isotónico. Visto que se trata de um processo fisiológico, as alterações são reversíveis com a interrupção da prática desportiva. Ventrículo Esquerdo: ↠ Diâmetro do ventrículo esquerdo no fim da diástole: encontra-se aumentado. ↠ da parede miocárdica: a espessura do septo interventricular é maior. ↠ Massa ventricular: aumentada. ↠ Forma doventrículo esquerdo: forma alongada. *Devido às limitações da ecocardiografia, as alterações das cavidades cardíacas direitas não têm sido tão bem avaliadas, o que torna menos claro o seu envolvimento no Coração de Atleta. Em atletas verifica-se um aumento das dimensões das artérias coronárias proximais e uma melhoria da sua resposta à nitroglicerina, o que torna a perfusão miocárdica mais eficaz A resposta do sistema cardiovascular à prática de exercício físico é semelhante entre os atletas de ambos os sexos, mas as alterações são geralmente mais acentuadas em atletas do sexo masculino Referências FERREIRA, EMANUEL F. E. Coração Atleta. Artigo de Revisão. Tese de Mestrado, Universidade de Coimbra, 2010. MAGALHÃES et al. Hipertrofia Cardíaca induzida pelo treinamento físico: eventos moleculares e celulares que modificam o fenótipo. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte., 2008. TORTORA. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2016. GUYTON & HALL. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª ed. Editora Elsevier Ltda., 2017. Silverthorn, Dee U. Fisiologia Humana. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo A, [Inserir ano de publicação]. BERNE & LEVY. Fisiologia, 6ª ed. Elsevier Editora, SP, 2009. @jumorbeck Fecundação ↠ A fecundação é uma sequência complexa de eventos moleculares coordenados que se inicia com o contato entre um espermatozoide e um oócito e termina com a mistura dos cromossomos maternos e paternos na metáfase da primeira divisão mitótica do zigoto; o embrião unicelular. (MOORE, 10ª ed.) Clivagem do zigoto A clivagem consiste em divisões mitóticas repetidas do zigoto, resultando em um aumento rápido do número de células (blastômeros). Essas células embrionárias tornam- se menores a cada divisão. (MOORE, 10ª ed.) Quando existem 12 a 32 blastômeros, o ser humano em desenvolvimento é chamado de mórula. (MOORE, 10ª ed.) Uma cavidade se forma na mórula, convertendo-a em blastocisto, que é formado pelo embrioblasto, pela cavidade blastocística e pelo trofoblasto. (MOORE, 10ª ed.) Terceira semana do desenvolvimento humano GASTRULAÇÃO ↠ É o processo pelo qual as três camadas germinativas são estabelecidas nos embriões. (MOORE, 10ª ed.) ➢ Ectoderma embrionário: dá origem à epiderme, aos sistemas nervosos central e periférico, aos olhos e ouvidos internos, às células da crista neural e a muitos tecidos conjuntivos da cabeça. ➢ Endoderma embrionário: é a fonte dos revestimentos epiteliais dos sistemas respiratório e digestório, incluindo as glândulas que se abrem no trato digestório e as células glandulares de órgãos associados ao trato digestório, como o fígado e o pâncreas. ➢ Mesoderma embrionário: dá origem a todos os músculos esqueléticos, às células sanguíneas, ao revestimento dos vasos sanguíneos, à musculatura lisa das vísceras, ao revestimento seroso de todas as cavidades do corpo, aos ductos e órgãos dos sistemas genitais e excretor e à maior parte do sistema cardiovascular. LINHA PRIMITIVA ↠ O primeiro sinal morfológico da gastrulação é a formação da linha primitiva na superfície do epiblasto do disco embrionário bilaminar. (MOORE, 10ª ed.) ↠ No começo da terceira semana, uma faixa linear espessada do epiblasto aparece caudalmente no plano mediano do aspecto dorsal do disco embrionário. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A linha primitiva resulta da proliferação e do movimento das células do epiblasto para o plano mediano do disco embrionário. Tão logo a linha primitiva aparece, é possível identificar o eixo craniocaudal, as extremidades cranial e caudal, as superfícies dorsal e ventral do embrião. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Conforme a linha primitiva se alonga pela adição de células à sua extremidade caudal, sua extremidade cranial prolifera para formar o nó primitivo. Simultaneamente, um sulco estreito, o sulco primitivo, se desenvolve na linha primitiva. (MOORE, 10ª ed.) @jumorbeck ↠ Pouco tempo depois do aparecimento da linha primitiva, as células migram de sua superfície profunda para formar o mesênquima, um tecido conjuntivo que forma os tecidos de sustentação do embrião. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Uma parte do mesênquima forma o mesoblasto (mesoderma indiferenciado), que forma o mesoderma intraembrionário. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As células do epiblasto, bem como as do nó primitivo e de outras partes da linha primitiva, deslocam o hipoblasto, formando o endoderma embrionário no teto da vesícula umbilical. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As células remanescentes do epiblasto formam o ectoderma embrionário. (MOORE, 10ª ed.) Desenvolvimento inicial do sistema cardiovascular ↠ O sistema cardiovascular é o primeiro sistema principal a funcionar no embrião. (MOORE, 10ª ed.) ↠ No início da terceira semana, a formação dos vasos sanguíneos começa no mesoderma extraembrionário da vesícula umbilical, do pedículo de conexão e do córion. Os vasos sanguíneos embrionários começam a se desenvolver aproximadamente 2 dias depois. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A formação do sistema vascular embrionário envolve dois processos, a vasculogênese e a angiogênese. (MOORE, 10ª ed.) ↠ A vasculogênese é a formação de novos canais vasculares pela união de precursores individuais celulares (angioblastos). (MOORE, 10ª ed.) ↠ A angiogênese é a formação de novos vasos pelo brotamento e ramificação de vasos preexistentes. A formação de vasos sanguíneos no embrião e nas membranas extraembrionárias, durante a terceira semana, começa quando as células mesenquimais se diferenciam em precursores das células endoteliais, ou angioblastos (células formadoras de vasos). (MOORE, 10ª ed.) ↠ O coração primitivo e o sistema vascular aparecem no meio da terceira semana. Esse desenvolvimento cardíaco precoce ocorre porque o rápido crescimento embrionário não pode mais satisfazer suas exigências nutricionais e de oxigênio somente através da difusão. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Células progenitoras cardíacas multipotentes de várias fontes, contribuem para a formação do coração. (MOORE, 10ª ed.) ↠ As células progenitoras cardíacas se encontram no epiblasto, imediatamente adjacentes à parte cranial da linha primitiva. (LANGMAN, 14ª ed.) ↠ Elas migram através da linha primitiva para a camada visceral do mesoderma da placa lateral, onde algumas formam um aglomerado celular em formato de ferradura chamado de área cardiogênica primária (ACP) ou primeiro campo cardíaco (PCC), cranial às pregas neurais. Essas células formam partes dos átrios e de todo o ventrículo esquerdo. (LANGMAN, 14ª ed.) ↠ O ventrículo direito e a via de saída (cone arterial e tronco arterioso ou arterial) são derivados do segundo campo cardíaco (SCC), que também contribui com células para a formação dos átrios na extremidade caudal do coração. Esse campo secundário de células está localizado @jumorbeck no mesoderma visceral (esplâncnico) ventral à faringe. (LANGMAN, 14ª ed.) Desenvolvimento inicial do coração e dos vasos sanguíneos ↠ Por volta do 18° dia, o mesoderma lateral possui componentes de somatopleura e esplancnopleura; essa última dá origem a quase todos os componentes do coração. (MOORE, 10ª ed.) ↠ Essas células endocárdicas iniciais se separam do mesoderma para criar tubos cardíacos pareados. Conforme o dobramento embrionário lateral ocorre, os tubos endocárdicos do coração se aproximam e fundem- se para formar um único tubo cardíaco (MOORE, 10ª ed.) ↠ A fusão dos tubos cardíacos começa na extremidade cranial do coração em desenvolvimento e se estende caudalmente. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O coração começa a bater com 22 a 23 dias. (MOORE, 10ª ed.) ↠ O fluxo sanguíneo se inicia durante a quarta semana, e os batimentos cardíacos podem ser visualizados pela ultrassonografia com Doppler. (MOORE, 10ª ed.) Estudos moleculares mostram