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SEMANA 05 
 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
SEMANA 05/48 
 
 
 
Sumário 
META 1 .............................................................................................................................................................. 6 
DIREITO PENAL: TEORIA DO CRIME – PARTE III.1 (ILICITUDE – CULPABILIDADE – TEORIA DO ERRO) .............. 6 
1. ILICITUDE ....................................................................................................................................................... 6 
1.1 Terminologias ........................................................................................................................................................... 7 
1.2 Relação entre a Tipicidade e a Ilicitude .................................................................................................................... 8 
1.3. Causas de Exclusão da Ilicitude ............................................................................................................................. 10 
1.3.1. Causas Legais de Exclusão da Ilicitude ............................................................................................................ 10 
1.3.2. Causas Supralegais de Exclusão da Ilicitude ................................................................................................... 32 
1.4. Excesso na Justificante .......................................................................................................................................... 33 
1.5. Excludente de Ilicitude e Indenização no Cível...................................................................................................... 35 
META 2 ............................................................................................................................................................ 36 
DIREITO PENAL: TEORIA DO CRIME – PARTE III.2 (ILICITUDE – CULPABILIDADE – TEORIA DO ERRO) ............ 36 
2. CULPABILIDADE ........................................................................................................................................... 36 
2.3. Funções da Culpabilidade ...................................................................................................................................... 38 
2.2. Elementos da Culpabilidade .................................................................................................................................. 38 
2.1.1. Imputabilidade ................................................................................................................................................ 41 
2.1.2. Potencial Consciência de Ilicitude ................................................................................................................... 44 
2.1.3. Exigibilidade de Conduta Diversa .................................................................................................................... 45 
3. TEORIA DO ERRO ......................................................................................................................................... 49 
3.1. Erro de Tipo (art. 20, CP) ....................................................................................................................................... 49 
3.2. Erro de Proibição ................................................................................................................................................... 56 
META 3 ............................................................................................................................................................ 63 
DIREITO CONSTITUCIONAL: REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS (PARTE I) ............................................................ 63 
1. HABEAS CORPUS .......................................................................................................................................... 64 
2. MANDADO DE SEGURANÇA ........................................................................................................................ 78 
META 4 .......................................................................................................................................................... 100 
DIREITO CONSTITUCIONAL: REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS (PARTE II) ......................................................... 100 
3. MANDADO DE INJUNÇÃO .......................................................................................................................... 100 
4. HABEAS DATA ............................................................................................................................................ 112 
5. AÇÃO POPULAR (LEI Nº 4.717/65) ............................................................................................................. 117 
6. AÇÃO CIVIL PÚBLICA (LEI 7.347/85) .......................................................................................................... 124 
7. INQUÉRITO CIVIL ........................................................................................................................................ 136 
8. TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA (TAC) ........................................................................................ 138 
META 5 .......................................................................................................................................................... 141 
DIREITO CIVIL: DAS PESSOAS ......................................................................................................................... 141 
1. PESSOAS NATURAIS ................................................................................................................................... 141 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
SEMANA 05/48 
 
 
 
1.1 Incapacidade ........................................................................................................................................................ 142 
1.2 Personalidade ....................................................................................................................................................... 143 
1.3 Nascituro .............................................................................................................................................................. 160 
1.4 Emancipação ........................................................................................................................................................ 161 
1.5 Morte Presumida e Ausência ............................................................................................................................... 162 
1.6 Domicílio ............................................................................................................................................................... 166 
2. PESSOAS JURÍDICAS ................................................................................................................................... 167 
2.1 Características ...................................................................................................................................................... 167 
2.2 Requisitos para constituição ................................................................................................................................ 168 
2.3 Classificação das pessoas jurídicas ....................................................................................................................... 168 
2.4 Classificação quanto à função .............................................................................................................................. 169 
2.5. Administração da pessoa jurídica ........................................................................................................................ 169 
2.6 Extinção da pessoa jurídica ..................................................................................................................................DELEGADO DE POLÍCIA 
 
SEMANA 05/48 
 
33 
 
 
Conclusão: se o ofendido consente o 
fato deixa de ser típico. 
Conclusão: se o ofendido consente o fato 
típico deixa de ser ilícito. 
 
(2) ABORTO NECESSÁRIO OU TERAPÊUTICO (art. 128, I): 
. Quando há risco de vida para a gestante; 
. Doutrina majoritária entende que a natureza jurídica do aborto necessário é uma causa especial de 
estado de necessidade (Greco e Busatto). 
 
(3) ABORTO SENTIMENTAL OU HUMANITÁRIO (art. 128, II): 
. Quando resulta de estupro. 
 
(4) Art. 37, Lei 9605/98: 
Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado: 
I - Em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família; 
II - Para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora 
de animais, desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade 
competente; 
III – (VETADO) 
IV - Por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente. 
 
1.4. Excesso na Justificante 
 
Conforme previsão do art. 23, mesmo que esteja inicialmente acobertado pelas justificantes, o 
agente responderá pelo excesso doloso ou culposo. O excesso pode incidir em qualquer uma das 
excludentes de ilicitude. 
De acordo com a doutrina, esse excesso poderá ser: 
● Doloso: O sujeito, propositalmente, se propõe a ultrapassar os limites da justificante. Responderá 
dolosamente pelo crime, ainda que o início da reação tenha sido legítimo. Será observado o 
resultado. 
● Culposo: O sujeito reage à uma agressão injusta, e, ao se defender, extrapola os limites sem que esta 
fosse a sua intenção. Falta com seu dever objetivo de cuidado, agindo com imprudência, imperícia 
ou negligência. 
Responderá culposamente pelo crime, caso haja previsão legal da modalidade culposa. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/Mensagem_Veto/1998/Vep181-98.pdf
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DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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● Acidental: Não decorre de um fato realizado pelo sujeito, e sim de caso fortuito ou força maior, de 
modo que do ponto de vista penal, é irrelevante. O código penal diz que o sujeito só responderá se 
agir com excesso doloso ou culposo, não abarcando acidental e nem podendo o agente responder 
por este, vez que não há dolo ou culpa. 
 
● Exculpante: Decorre de uma perturbação do estado anímico do agente, que lhe retira a capacidade 
de atuar racionalmente, geralmente pelo medo ou susto. Como não foi tratado pelo código penal e 
a doutrina diverge sobre sua consequência. Parte entende que o agente poderá responder se agiu 
culposamente. Outra parte, por sua vez, entende que, embora a conduta não esteja amparada pela 
excludente de ilicitude, é possível que sua culpabilidade seja afastada por inexigibilidade de conduta 
diversa, tendo em vista que o indivíduo está fora de si. 
 
● Extensivo (Impróprio): é o excesso que ocorre em razão do uso imoderado de meios necessários. 
Nesse caso, há o prolongamento da ação por tempo superior ao estritamente necessário (ou seja: 
a reação persiste mesmo depois de cessada injusta agressão). 
● Intensivo (Próprio): É a utilização de meios desproporcionais ou desnecessários durante a injusta 
agressão. Nesse caso, ao contrário do excesso extensivo, agressão ainda não cessou. 
Ex:. um lutador de muay thai que começa uma discussão com uma pessoa com força física muito 
inferior a dele, onde ele poderia facilmente conter, porém ao invés disso, saca uma arma de fogo e 
dispara até acabar as munições disponíveis. 
 
 Contudo, caiu em prova (PC-PR/2021) que, segundo parte da doutrina, mesmo o excesso de legítima 
defesa pode ser considerado não culpável, quando for determinado por medo, susto ou perturbação. Sobre 
o tema, Guilherme de Souza Nucci afirma que: 
Trata-se de uma causa supralegal de exclusão da culpabilidade, não prevista 
expressamente em lei. Como vimos defendendo na possibilidade do 
reconhecimento de excludentes supralegais, o excesso exculpante seria o 
decorrente de medo, surpresa ou perturbação de ânimo, fundamentadas na 
inexigibilidade de conduta diversa. O agente, ao se defender de um ataque 
inesperado e violento, apavora-se e dispara seu revólver mais vezes do que seria 
necessário para repelir o ataque, matando o agressor. Pode constituir-se uma 
hipótese de flagrante imprudência, embora justificada pela situação especial por 
que passava. 
Tendo em vista que, na legítima defesa, a vítima desconhece as intenções do agressor bem como o 
alcance da agressão, não se pode exigir que reaja na mesma proporção da agressão. A pessoa agredida tem, 
via de regra, seu estado psicológico-emocional alterado diante da situação que se impõe, o que deve ser 
sopesado pelo julgador. 
 
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1.5. Excludente de Ilicitude e Indenização no Cível 
 
 A justificante reconhecida na esfera penal, geralmente, faz coisa julgada no cível, ou seja, afasta o 
direito à indenização para quem sofreu conduta típica e lícita. 
Nesse sentido, estabelece o Código de Processo Penal: 
 
Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato 
praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento 
de dever legal ou no exercício regular de direito. 
 
Contudo, há exceções. O direito à indenização subsiste nas hipóteses de: 
i. Estado de necessidade agressivo (sacrifício de bem pertencente a quem não causou o 
perigo); 
ii. Erro na execução quando da ação justificante que resulta em ofensa a bem jurídico de 
terceiro; 
iii. Justificante putativa (casos de erros sobre as causas de justificação: erro de tipo permissivo 
e erro de proibição indireto). 
 
 
 
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META 2 
 
DIREITO PENAL: TEORIA DO CRIME – PARTE III.2 (ILICITUDE – CULPABILIDADE – TEORIA DO ERRO) 
 
2. CULPABILIDADE 
 
É o terceiro substrato do conceito analítico de crime e consiste no juízo de reprovação indispensável 
para configurar infração penal. 
Segundo o autor Pacelli, é “a valoração negativa dos princípios orientadores pelos quais o autor se 
deixou levar na formação de sua vontade e por isso o fato cometido por ele deve ser reprovado. Assim, 
culpabilidade é a reprovação da formação da vontade”. 
É possível dividir a culpabilidade em: 
● Culpabilidade formal: É o juízo abstrato de reprovabilidade realizado em relação ao provável autor 
de um fato típico e ilícito, se presentes os elementos da culpabilidade, no momento em que o 
legislador incrimina a conduta. Portanto, a culpabilidade formal serve para o legislador fixar os limites 
da pena atribuída a determinada infração penal. 
● Culpabilidade material: É o juízo realizado no caso concreto sobre um agente culpável que cometeu 
um fato típico e ilícito, destinado à aplicação pelo magistrado na fixação da pena concreta. 
 
● Pergunta-se: A culpabilidade é do autor ou é do fato? 
R.: Prevalece, na doutrina, que o direito penal brasileiro adotou a culpabilidade do fato. O objeto da 
censura, de fato, é o agente, mas ele é censurado pelo que ele fez, e não pelo que ele é. Assim, a culpabilidade 
é do fato. 
 
Um pouquinho de doutrina para aprofundarmos 
COCULPABILIDADE: 
Conforme a teoria da coculpabilidade, criada por Zaffaroni, o Estado teria parcela de responsabilidade 
nos fatos realizados por criminosos que não tiveram acesso aos direitos fundamentais mínimos que 
deveria, como escola, saúde, afeto, oportunidades e assim terem trilhado o caminho do crime. 
NÃO há na legislação pátria previsão expressa dessa teoria, tratando-se de construção doutrinária. No 
entanto, segundo a doutrina, é possível aplicá-la por meio da atenuante genérica inominada do art. 66 do 
CP. 
Porém, é possível notar que tal preocupação vem sendo inserida de modo abstrato nos diplomas 
legais, como no art. 2º da lei 12.288/10, art. 227 da CF, art. 19, IV da Lei de Drogas, dentreoutros. 
No STJ há uma divergência entre as turmas: 
6ª Turma: 
HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. CONDENAÇÃO. APELAÇÃO JULGADA. PRETENSÕES DE ABSOLVIÇÃO 
E DESCLASSIFICAÇÃO. VIA INADEQUADA. EXAME APROFUNDADO DAS PROVAS. TEORIA DA CO-
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CULPABILIDADE DO ESTADO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ORDEM DENEGADA.1. Hipótese em que as instâncias 
originárias examinaram, com profundidade, os elementos de convicção produzidos nos autos da ação penal, 
concluindo pela condenação do paciente. Inviável atender a pretensão defensiva, de absolvição ou 
desclassificação da conduta, nesta via estreita do mandamus, em que vedado o revolvimento fático-
probatório.2. O Superior Tribunal de Justiça não tem admitido a aplicação da teoria da co-culpabilidade do 
Estado como justificativa para a prática de delitos. Ademais, conforme ressaltou a Corte estadual, sequer 
restou demonstrado ter sido o paciente prejudicado por suas condições sociais. 3. Habeas corpus denegado 
(HC 187.132/MG, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, DJe 18/02/2013). 
5ª Turma: 
HABEAS CORPUS. ATENUANTE GENÉRICA. ART. 66 DO CÓDIGO PENAL. COCULPABILIDADE. NECESSIDADE DE 
REEXAME DE FATOS E PROVAS. WRIT NÃO CONHECIDO. 1. A atenuante genérica prevista no art. 66 do 
Código Penal pode se valer da teoria da coculpabilidade como embasamento, pois trata-se de previsão 
genérica, que permite ao magistrado considerar qualquer fato relevante - anterior ou posterior à prática 
da conduta delitiva - mesmo que não expressamente previsto em lei, para reduzir a sanção imposta ao réu; 
2. No caso destes autos não há elementos pré-constituídos que permitam afirmar que a conduta criminosa 
decorreu, ao menos em parte, de negligência estatal, de modo que a aplicação do benefício pleiteado 
depende de aprofundado exame dos fatos e provas coligidos ao longo da instrução para que se modifique o 
entendimento da Corte de origem acerca da inaplicabilidade da atenuante. Tal providência, porém, não se 
coaduna com os estreitos limites do habeas corpus. 
3. Habeas corpus não conhecido. (HC 411.243/PE, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 
07/12/2017, DJe 19/12/2017). 
 
COCULPABILIDADE ÀS AVESSAS: 
Enquanto a coculpabilidade entende ser menos reprovável a conduta de quem não teve 
oportunidades, a coculpabilidade às avessas atribui uma maior reprovabilidade do comportamento do 
sujeito que teve todas as oportunidades e faz uma crítica a impunidade destes e à seletividade do sistema 
penal. 
Não foi criada por Zaffaroni, e sim desenvolvida no Brasil por Gregori Moura. 
Possui duas críticas basilares. 
Primeiro, critica o abrandamento das penas no tocante aos delitos praticados por pessoas com alto 
poder econômico social. Ex.: extinção da punibilidade pelo pagamento do crédito tributário. 
Segundo, critica o fato de o Estado tratar de forma mais gravosa as condutas passíveis de serem 
cometidas principalmente ou até exclusivamente por parte de pessoas com menores condições. Ex.: Lei de 
Contravenções Penais: revogada mendicância. 
Assim, além de o Estado não fornecer a todos condições mínimas de ensino, saúde e educação de 
qualidade, criminaliza condutas decorrentes de tal exclusão social. 
Por isso, há uma coculpabilidade às avessas ao indivíduo que, a par de todas as oportunidades, decidiu 
ingressar no mundo do crime. 
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Também não possui previsão legal, mas parte da doutrina entende que poderia ser considerada na 
fixação da pena base, como um maior grau de reprovabilidade na conduta do agente, de forma 
fundamentada, nas condições do art. 59 (mas como agravante não). 
 
2.3. Funções da Culpabilidade 
 
 A culpabilidade possui três sentidos, conforme aponta a doutrina: 
● Elemento da estrutura analítica do crime: Culpabilidade constitui um juízo de reprovação, de 
censura, que incide sobre o agente por ter atuado de forma contrária ao direito. A culpabilidade é 
estabelecida segundo a teoria normativa pura do finalismo e é formada por imputabilidade; potencial 
consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. (trata-se do sentido estudado nesse ponto 
do material). 
● Exigência da responsabilidade penal subjetiva no Estado Democrático de Direito: Impede a 
responsabilidade penal objetiva, uma vez que a responsabilidade do agente deve ser fundada em 
uma conduta dolosa ou culposa devidamente demonstrada, afastando-se qualquer possibilidade de 
“dolo presumido”. Trata-se da análise do dolo na conduta (primeiro elemento do conceito analítico). 
● Medida da individualização da pena. Trata-se de elemento expressamente previsto no art. 59, CP, a 
ser aferido na primeira fase de dosimetria da pena, escolha do regime inicial (art. 33, §3º, CP), 
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (art. 44), entre outros momentos 
da fixação da pena. 
 
Confira a dica do Professor Marcelo Veiga: 
 
https://youtu.be/-Sc2AUDZVu8 
 
 
2.2. Elementos da Culpabilidade 
 
1. Imputabilidade; 
2. Exigibilidade de conduta diversa; 
https://youtu.be/-Sc2AUDZVu8
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3. Potencial consciência da ilicitude. 
 
Vimos na primeira etapa da teoria do crime que esse conceito e esses elementos sofreram mudanças 
ao longo do tempo, certo? Aqui traremos apenas um resumo de revisão da parte mais afeta à culpabilidade, 
e dicas, em vídeo, do Professor Marcelo Veiga: 
 
SISTEMA PENAL CARACTERÍSTICAS 
 
CLÁSSICO 
(Franz von Liszt e Ernst von 
Beling) 
 
https://youtu.be/fznzJouOa5M 
 
 
 
Teoria da culpabilidade: psicológica 
A culpabilidade seria o vínculo psicológico entre o sujeito e o 
fato típico e ilícito. Esse vínculo pode ser representado tanto 
pelo dolo como pela culpa. 
 
Culpabilidade formada por: Imputabilidade (pressuposto) e 
dolo e culpa (espécies). 
 
Dolo: normativo (consciência atual da ilicitude) 
 
NEOCLÁSSICO 
 (Reinhart Frank) 
 
https://youtu.be/cQilh0qcOLE 
 
 
 
Teoria da culpabilidade: psicológico-normativa 
A culpabilidade seria o juízo de reprovabilidade que recai 
sobre o autor de um fato típico e ilícito que poderia ter sido 
evitado. 
 
Entra exigibilidade de conduta diversa. 
Reinhart Frank: Teoria da normalidade das circunstâncias 
concomitantes 
 
Elementos da culpabilidade: Imputabilidade, dolo e culpa e 
Exigibilidade de conduta diversa. 
 
Dolo: normativo (consciência atual da ilicitude). 
 
https://youtu.be/fznzJouOa5M
https://youtu.be/cQilh0qcOLE
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FINALISTA 
Adotado pelo CP. 
(Hans Welzel) 
 
https://youtu.be/cdVEeqdE_6U 
 
 
 
Teoria da culpabilidade: NORMATIVA PURA*. 
 
Entra “potencial consciência da ilicitude” (que antes integrava 
similarmente o dolo, mas era ATUAL). 
 
Elementos da culpabilidade: Imputabilidade, exigibilidade de 
conduta diversa e POTENCIAL consciência da ilicitude. 
 
Dolo: natural (só tem como elementos “vontade e 
consciência” e SAI da culpabilidade, passando a integrar a 
CONDUTA, no fato típico). 
 
A TEORIA NORMATIVA PURA da culpabilidade se subdivide em duas: extremada/estrita e limitada. Os 
elementos e as ideias em geral são as mesmas, mudando APENAS o tratamento no tocante às descriminantes 
putativas. 
🡺 Para a extremada, elas serão sempre excludentes da culpabilidade – sempre erro de proibição 
🡺 Para a limitada, podem excluir culpabilidade ou tipicidade. Pode ser erro de proibição ou erro de 
tipo. Teoria adotada pelo CP. 
 
Perspectiva limitada da culpabilidade: 
Se concebem como elementos da culpabilidade a imputabilidade, a exigibilidade de conduta diversa e a 
potencial consciência da ilicitude. Sua diferença com a teoria normativa pura, em sua vertente estrita, 
restringe-se á natureza jurídica das descriminantes putativas sobreos fatos, ou seja, aquelas que decorrem 
da incorreta percepção da realidade pelo agente: 
🡺 O erro sobre os fatos, nas descriminantes putativas, é tratado como erro de tipo, um erro de tipo 
permissivo. Logo, o erro sobre os pressupostos fáticos, sobre a realidade, que faz o agente pensar 
estar acobertado por uma excludente de ilicitude, deve ser tratado como erro de tipo. É a chamada 
descriminante putativa por erro de tipo. Se inevitável, exclui a tipicidade. Se evitável, possibilita a 
punição da conduta a título de culpa, se a lei previr a modalidade culposa do delito; 
🡺 Em contrapartida, se o agente crê estar acobertado por uma causa excludente de ilicitude por 
errônea interpretação da norma, teremos uma descriminante putativa por erro de proibição, 
também chamado erro de proibição indireto. (também chamado de erro de permissão). Se a 
conduta for inevitável, há isenção de pena, por exclusão da culpabilidade. Se a conduta for evitável, 
a pena deve ser diminuída de um sexto a um terço. 
 
https://youtu.be/cdVEeqdE_6U
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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Aprofundando a temática (Cobrada em DPC BA e DPC GO) 
Os partidários da TEORIA FUNCIONALISTA da culpabilidade entendem que a culpabilidade é limitada pela 
finalidade preventiva da pena. Isso porque, constatada a desnecessidade da pena, o agente não será punido. 
Trata-se de proposta consistente em substituir a culpabilidade fundada em um juízo de reprovabilidade por 
necessidades reais ou supostas de prevenção. Pretende-se que, em vez de questionar se o autor do fato 
podia atuar de outro modo, pergunte-se: “em face das finalidades da pena, é necessário ou não torná-lo 
responsável pela violação do ordenamento jurídico?”. Fonte: Direito Penal - Parte Geral - Vol.1; 2017 - Cleber 
Masson. 
Os defensores da prevenção geral positiva como fim independente da pena, em geral, não questionam a 
função limitadora da pena que desempenha o princípio da culpabilidade, mas sim negam a sua função 
fundamentadora da pena. Ou seja, aceitam que a culpabilidade constitua o limite máximo da medida da pena 
- efeito limitador da culpabilidade -, atribuindo à prevenção a função de fundamentar e ao mesmo tempo 
limitar a pena. 
De acordo com essa tendência, não é a culpabilidade individual, mas sim exclusivamente a necessidade de 
obter determinados fins com a imposição de uma pena o que justifica a sua aplicação. 
 
2.1.1. Imputabilidade 
É o conjunto de condições pessoais que conferem ao sujeito ativo a capacidade de discernir e 
compreender os seus atos. Ou seja, de atribuir responsabilidade por uma conduta típica e ilícita. 
A inimputabilidade exclui a capacidade de entendimento e autodeterminação do agente, enquanto 
a semi-imputabilidade a reduz. 
Momento para análise: ação ou omissão. Teoria da atividade. 
 
a) Sistemas de imputabilidade: 
A imputabilidade é presumida em relação a todos os sujeitos, sendo excluída se demonstrada alguma causa 
de excludente de culpabilidade. Alguns critérios para se adotar na aferição da culpabilidade: 
 
● Biológico: Considera apenas o desenvolvimento mental ou idade, independente da capacidade de 
entendimento e autodeterminação. 
● Psicológica: Considera apenas a capacidade de entendimento e autodeterminação do agente no 
momento da conduta, independentemente de sua condição mental. 
● Biopsicológico: Critério que combina os dois anteriores. Considera o desenvolvimento mental do 
agente e sua capacidade de entendimento no momento da conduta. Para esta teoria, considera-se 
inimputável aquele que, em razão da sua condição mental (doente mental, ou desenvolvimento 
mental incompleto), vai ser ao tempo da conduta inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito 
do fato ou determinar-se de acordo com esse entendimento. Logo, possui 3 requisitos para que 
pessoa seja considerada inimputável: 
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1. Causal: exige-se a inexistência de doença mental ou de desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado. 
2. Consequencial: o agente deve possuir a capacidade de entender (momento cognitivo) e da 
capacidade de querer (momento volitivo). Devendo entender o que faz e ser capaz de se 
determinar conforme seu entendimento; 
3. Cronológico: exige que a imputabilidade seja constada ao tempo do crime, ou seja, no momento 
da ação ou omissão do sujeito. (teoria da atividade). 
 
Obs: apesar do CP adotar em regra, o critério biopsicológico, também adota-se o biológico, pois, segundo a 
doutrina, referente à inimputabilidade dos menores de 18 anos. 
 
🡺 O inimputável, salvo se for menor de idade (procedimento específico), será denunciado e 
processado penalmente, mas não será condenado, e sim absolvido. Essa absolvição pode ser 
própria (sem imposição de sanção), caso faça jus a ela, ou imprópria, quando todos os 
demais elementos forem preenchidos, mas o agente for inimputável (exceto pela idade), que 
acarretará a aplicação de uma sanção penal, denominada de MEDIDA DE SEGURANÇA, com 
natureza de tratamento. 
🡺 Já o semi-imputável, será condenado, mas a sua pena será REDUZIDA DE 1/3 A 2/3, podendo 
ser substituída, se necessário, por medida de segurança. 
 
Atenção! Jamais cumprirá as duas. Antes, isso até era possível, vez que o sistema adotado era o Duplo 
Binário, em que o semi-imputável cumpria inicialmente a pena diminuída e depois medida de segurança. 
Hoje, o Código adota o sistema VICARIANTE/UNITÁRIO, em que o agente deve cumprir ou uma, ou outra. 
 
b) Excludentes da imputabilidade: 
 
● Em razão de anomalia psíquica (art. 26, CP): Sistema biopsicológico. 
O agente pode ser inimputável ou semi-imputável, como vimos. 
● Em razão da idade do agente (art. 27, CP e 228 da CP): Sistema biológico. Se é menor de 18 anos é 
inimputável. Há, nesse caso, presunção absoluta de inimputabilidade. Não podem ser submetidos à 
justiça penal. Responderão pela prática de ato infracional análogo a crime perante o Juizado da 
Infância e Juventude. 
 
Súmula 74 STJ – Para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do réu 
requer prova por documento hábil. (Qualquer documento hábil). 
 
Emancipação civil NÃO altera em nada a inimputabilidade penal do menor de 18 anos. 
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Não esquecer da Súmula 711 do STF: “a lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime 
permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência”. Ou seja, se o 
agente iniciou a conduta menor, mas já era maior quando cessou, será considerado imputável, de modo que 
lhe será aplicada a justiça penal comum. 
 
● Embriaguez completa acidental: Sistema psicológico. 
A prova da inimputabilidade do maior de 18 anos ocorre mediante perícia médica. Trata-se do 
incidente de insanidade mental (processo penal), sendo analisada caso a caso, ou seja, em cada processo 
contra o agente deve haver uma nova perícia para verificar a imputabilidade. 
 
EMBRIAGUEZ 
ORIGEM GRAU 
Acidental: 
. Caso fortuito: agente ignora o efeito. 
. Força maior: agente é obrigado a ingerir 
substância de que conhece o efeito. 
. Completa: Exclui a imputabilidade. 
. Incompleta: Diminui pena. 
Não acidental: 
. Voluntária: agente quer se embriagar 
(mas não quer cometer o crime). 
. Culposa: negligente (não queria nem se 
embriagar e nem cometer o crime). 
 
. Completa 
. Incompleta 
NENHUMA exclui a imputabilidade! 
Patológica: doentia. Pode se enquadrar no art. 26, sendo 
analisada com base nele. 
 
Preordenada: agente se embriaga para 
cometer crime. 
Teoria da actio libera in causa. 
. Completa 
. Incompleta 
NÃO exclui a imputabilidade e é agravante 
de pena. 
 
Caiu na Prova Delegado BA/2022! No que diz respeito à imputabilidade penal, assinale a alternativa 
incorreta. 
a) A paixão e a emoção não excluem a imputabilidade penal 
b) A penapode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito 
ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter 
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento 
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c) É isento de pena o agente que, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento 
mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de 
determinar-se de acordo com esse entendimento 
d) A embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos, não exclui a 
imputabilidade penal 
e) Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas 
na legislação especial 
Gabarito: Letra “C” 
 
 TEORIA DA ACTIO LIBERA IN CAUSA (teoria da ação livre da causa): Serve para justificar a punição de ato 
transitório revestido de inconsciência, decorrente de ato antecedente que foi livre na vontade, 
transferindo-se para este momento anterior a constatação da imputabilidade. A teoria busca analisar à 
vontade no momento em que o agente ainda estava sóbrio, vez que “bebeu porque quis”. E até aqui tudo 
bem. 
Porém, o CP também a utiliza para a embriaguez voluntária ou culposa, em que o agente não tinha a 
intenção prévia de cometer crime e, sobre isso, temos três correntes: 
1ª Corrente: É responsabilidade penal objetiva, sendo inaceitável; 
2ª Corrente: É responsabilidade penal objetiva, mas necessária para proteger o interesse público; 
3ª Corrente: Não se trata de responsabilidade penal objetiva e seria até desnecessária sua utilização, 
vez que na embriaguez existe uma vontade residual, que fundamenta a responsabilidade penal. 
 
OBS.: Ainda que sejam de elevada intensidade, a emoção e a paixão NÃO excluem a imputabilidade penal. 
Contudo, o Código Penal, implicitamente, permite duas exceções a essa regra: I – coação moral irresistível, 
em face da inexigibilidade de conduta diversa; e II – estado patológico, no qual se constituem autênticas 
formas de doença mental. 
 
Caiu na prova Delegado PF/2021: A imputabilidade é a possibilidade de se atribuir a alguém a 
responsabilidade pela prática de uma infração penal. (item correto). 
 
2.1.2. Potencial Consciência de Ilicitude 
Aferição se o sujeito possui condições de compreender que a sua conduta é reprovável. Conforme 
doutrina majoritária (Geraldo Prado e Masson), isso é feito com base na “valoração da esfera do profano”. 
Ainda que o agente desconheça o dispositivo em si, basta que na sua condição de leigo (profano) saiba 
identificar que sua conduta é ilícita. 
Enquanto na análise do fato típico ou da ilicitude se utiliza da figura do “homem médio”, para aferir 
culpabilidade se avalia a partir das condições do próprio agente. 
O que vai excluir a potencial consciência da ilicitude e, por ela, a culpabilidade, é o erro de proibição, 
se inevitável. Quando for evitável, haverá diminuição de pena. 
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AUSÊNCIA 
Consciência da Ilicitude Potencial Consciência da Ilicitude 
ATENUANTE 
(art. 65 do CP – desconhecimento da 
ilicitude da conduta) 
ERRO DE PROIBIÇÃO INEVITÁVEL 
 
 
Atenção! Não devemos confundir a exigência de potencial consciência da ilicitude com a possibilidade de o 
agente alegar o desconhecimento da lei. A ignorância sobre o conhecimento de existência de lei não é causa 
de exclusão de culpabilidade. Nesse sentido, há previsão na LINDB que ninguém pode se escusar de cumprir 
a lei, alegando que não a conhece. Entretanto, a ignorância da lei é causa atenuante da pena, esta previsão 
se encontra no art.65, II do Código Penal. Esta norma é aplicável aos crimes. Na lei de contravenções penais, 
porém, há previsão específica que no caso de ignorância ou errada compreensão da lei, quando escusáveis, 
a pena pode deixar de ser aplicada. 
 
2.1.3. Exigibilidade de Conduta Diversa 
 
De acordo com o autor Masson, a exigibilidade de conduta diversa “é o elemento da culpabilidade 
consistente na expectativa da sociedade acerca da prática de uma conduta diversa daquela que foi 
deliberadamente adotada pelo autor de um fato típico e ilícito”. Em suma, trata-se de situação em que o 
delito foi cometido em circunstâncias normais, em que o agente poderia se comportar em conformidade 
com o Direito, mas optou por transgredir a lei penal. Segundo esse elemento, não se deve punir condutas 
que não poderiam ser evitadas. 
Decorre da teoria desenvolvida por Reinhart Frank: Teoria da Normalidade das Circunstâncias 
Concomitantes. Significa dizer que as circunstâncias em que o agente atua devem acarretar a valoração da 
sua culpabilidade, com a possiblidade de exclusão em pontuais casos. Segundo Frank, a culpabilidade pode 
ser excluída se as circunstâncias representam um perigo para o autor ou terceira pessoa e a ação ilícita para 
salvá-lo. 
Situações em que é INEXIGÍVEL conduta diversa: 
(1) Coação moral irresistível; 
(2) Obediência hierárquica. 
 
OBS.: Se for coação física irresistível leva a exclusão da conduta e, consequentemente, do fato atípico. 
 
OBS2.: A inexigibilidade de conduta diversa é uma causa geral de exclusão de culpabilidade fundada na não 
censurabilidade de uma conduta, quando não se pode exigir do agente, em determinadas circunstâncias e 
com base nos padrões sociais vigentes, diferente ação ou omissão. 
 
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a) Coação Moral Irresistível (art. 22, CP) 
 
O Código Penal não faz a diferenciação sobre o tipo de coação, embora existam duas com 
consequências jurídicas diversas: moral e física. A coação MORAL exclui a exigibilidade de conduta diversa (e 
consequentemente a culpabilidade). No caso de coação FÍSICA, não haverá conduta por falta de vontade, de 
modo que o fato sequer será típico. 
 
● Requisitos: 
o Ameaça do coator, ou seja, promessa de mal grave e iminente que o coagido não é obrigado 
a suportar e deve ser direcionada ao coagido ou alguém próximo a ele (se for um 
desconhecido, em que pese não incida a coação moral irresistível, pode ser reconhecida 
causa supralegal de inexigibilidade de conduta diversa); 
o Inevitabilidade do perigo na posição em que se encontra o coagido; 
o Caráter irresistível da ameaça. 
 
● Consequência: Afasta a culpabilidade do coagido, mas NÃO gera impunidade, vez que será punível 
o autor da coação por autoria mediata do crime. Não há concurso de pessoas, vez que falta liame 
subjetivo. 
 
Se a coação for RESISTÍVEL, o coagido será culpável e responderá com o coator em concurso de 
agentes e apenas terá direito a uma atenuante genérica, sendo que para o coator incidirá agravante genérica 
(arts. 62 e 65 do CP). 
 
OBS.: O temor reverencial consiste no receio de decepcionar pessoa a quem se deve elevado respeito. NÃO 
se equipara à coação moral. NÃO há ameaça, apenas receio. 
 
c) Obediência Hierárquica (art. 22, CP) 
 
● Requisitos: 
o Ordem não seja manifestamente ilegal. A ordem é ilegal, mas com aparência de legalidade. 
o Oriunda de superior hierárquico; 
o Autoridade competente para emanar a ordem; 
o Decorrente de relação de Direito Público. A posição de hierarquia que autoriza o 
reconhecimento da excludente da culpabilidade somente existe no Direito Público; 
o Cumprimento estrito da ordem. O executor não pode ultrapassar, por conta própria, os limites 
da ordem que lhe foi endereçada, sob pena de afastamento da excludente. 
 
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🡺 Consequência: Exclui a culpabilidade do executor subalterno. O fato permanece punível em 
relação ao autor da ordem. 
 
Ex. (Cleber Masson): “Imagine a hipótese de um Delegado de Polícia, com larga experiência em sua atividade, 
que determina aum Investigador de Polícia de sua equipe, recém ingressado na instituição, a prisão em 
flagrante de um desafeto, autor de um crime de roubo ocorrido há mais de uma semana, em relação ao qual 
não houve perseguição, fato desconhecido pelo subordinado. O subalterno, no caso, seja em face do restrito 
conhecimento do caso concreto, seja em respeito ao superior hierárquico, em quem muito confia, não pode 
ser responsabilizado, devendo o crime ser atribuído exclusivamente ao autor da ordem. 
Caso a ordem seja MANIFESTAMENTE ILEGAL, responderão em concurso de pessoas e o subalterno terá 
direito a uma atenuante genérica e para o superior incidirá agravante genérica (arts. 62 e 65 do CP). Por 
outro lado, se a ordem for LEGAL, nenhum dos dois cometerá crime, mas agirão em estrito cumprimento do 
dever legal. 
 
d) Causas Supralegais de Exclusão da Culpabilidade: 
 
 Ainda que não seja situação de coação moral irresistível ou obediência hierárquica, admite-se no 
Brasil, tanto em sede doutrinária como jurisprudencial, o reconhecimento de causas supralegais excludentes 
da culpabilidade, sempre baseadas na inexigibilidade de conduta diversa, quando ficar demonstrado que, 
em determinada situação, não era razoável exigir do agente que se portasse de outra maneira. 
 
O entendimento que vem sendo adotado é que se trata de um rol exemplificativo de causas de exclusão de 
culpabilidade, o que dá abertura para consideração de causas supralegais. A exigibilidade de conduta diversa 
é o elemento que possibilita a discussão dessas causas supralegais, pois se trata de uma espécie de cláusula 
geral de exclusão de culpabilidade. O Direito Penal não pode punir, por não ser reprovável, qualquer conduta, 
se, em tais circunstâncias não se poderia exigir comportamento diverso do agente, não se limitando a 
obediência hierárquica e a coação moral irresistível. STJ, Resp 1782240/MG, Dje 16/12/2020. 
 
 Vejamos algumas hipóteses apontadas pela doutrina e jurisprudência: 
 
● Estado de necessidade exculpante: Situações razoáveis de sacrifício de bem de maior valor para 
proteger bem jurídico de menor valor. Isso porque, conforme visto, o CP adotou a teoria unitária. 
● Excesso intensivo exculpante: Em eventual excludente de ilicitude, que decorre de medo, susto, 
perturbação do ânimo. 
 
Ex.: mulher que, estando sozinha, tem sua casa invadida de madrugada em tentativa de roubo e utiliza arma 
do marido para atirar contra os invasores e, assustada efetua o primeiro disparo, sendo que após atingir um 
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deles, o outro foge e, ainda assustada, ela dispara novamente contra o atingido que já estava no chão; o 
sujeito morre e perícia constata que o óbito decorreu do primeiro disparo. 
 
● Legítima defesa preordenada: Como regra, não é admitida a legítima defesa futura, visto que a agressão 
deve ser atual. Todavia, a doutrina aponta a possibilidade do reconhecimento de inexigibilidade de 
conduta diversa. 
 
Ex. (Rogério Greco): um preso, que convive em um mesmo espaço na penitenciária com outro preso, 
é ameaçado de morte, sendo a referida ameaça concreta, uma vez que o ameaçador já matou outros presos; 
se o preso ameaçado, apesar de vários pedidos, não consegue trocar de prisão, sabendo que morrerá em 
algum dia por homicídio cometido pelo ameaçador, conforme, inclusive, lhe afirmou outros presos durante 
o banho de sol, vier a matar o inimigo que lhe ameaçou. 
 
● Cláusula de consciência: Situação em que alguém, por motivo de consciência ou de crença, pratica fato 
criminoso, não violando direitos fundamentais individuais. Fica isento de pena. 
 
Ex.: pai testemunha de Jeová que não permite a transfusão de sangue do filho → parte da doutrina entende 
que, nesse exemplo, só isenta de pena se o filho permanecer vivo, pois se morrer há conflito e ele responde: 
liberdade de crença x vida. (É um tema divergente e complexo). 
 
A CEBRASPE a definiu da seguinte forma no espelho da prova de Delegado de Polícia Federal/2021: “A 
cláusula de consciência é uma causa supralegal de exclusão de culpabilidade, vinculada à inexigibilidade de 
conduta diversa, sendo corolário da liberdade de crença e da liberdade de consciência, asseguradas 
constitucionalmente, e manifesta-se em razão da prática de um ato ou omissão penalmente relevante, que 
não seria reprovável em razão do preceito constitucional.” 
 
● Desobediência civil: Ato de insubordinação, fundado na proteção de direitos fundamentais, desde que 
o dano causado não seja relevante. 
 
Ex.: invasões do MST, manifestações de presidiários visando à proteção de direitos humanos etc. 
 
● Conflito de deveres: Tem como fundamento a escolha do mal menor. 
 
Ex.: empresário que, visando a manter o funcionamento da empresa, deixa de recolher as contribuições 
previdenciárias em virtude da precária situação financeira → somente haverá a exclusão da culpabilidade se 
preenchidos dois requisitos4: 
 
4 8ª T. ACR 200472050023548. J. 02.06.2006 
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o Graves dificuldades econômico-financeiras da empresa; 
o Extremo esforço de salvação da empresa por parte dos controladores, inclusive com sacrifício 
de bens e direitos particulares. 
 
Exemplo de causa supralegal de exclusão de culpabilidade, caso de situação financeira de sociedade 
empresária: 
 
“A alegada impossibilidade de repasse de tais contribuições em decorrência de 
crise financeira da empresa constitui, em tese, causa supralegal de exclusão de 
culpabilidade - inexigibilidade de conduta diversa -, e, para que reste configurada, 
é necessário que o julgador verifique a sua plausibilidade, de acordo com os fatos 
concretos revelados nos autos, não bastando para tal a referência os indícios de 
insolvência da sociedade Esteves Lima, Quinta Turma, (DJ 07/05/2007 STJ, Resp 
888947/PB) 
“A demais, é irretocável o entendimento do acórdão de que a precária condição 
financeira da empresa e a falta de habilidade técnica do agravante para a 
elaboração das informações devidas ao Fisco não configuram, sem mais elementos 
que atestem que a sonegação dos tributos seria a única medida cabível para evitar 
mal maior, a inexigibilidade de conduta diversa. Tendo os juízes da origem 
concluído que não estaria comprovada causa de afastamento da responsabilidade 
criminal do agravante pelas condutas que praticou, a alteração dessa conclusão não 
tem lugar no mandamus. (STJ), AgRg no HC 468.165/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares 
da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 02/06/2020, DJe 15/06/2020) 
 
3. TEORIA DO ERRO 
 
 Erro consiste na ausência de consciência acerca de um objeto juridicamente relevante. Ou seja: está 
em erro quem desconhece “algo” que é relevante para o Direito. 
 Essa ausência de consciência pode aparecer em dois momentos distintos: fato típico e culpabilidade. 
● Fato típico: consciência enquanto elemento cognitivo do dolo (lembrando que o dolo é formado 
pelo elemento cognitivo “saber” e elemento volitivo “querer”) → incide no ERRO DE TIPO. 
● Culpabilidade: exige a potencial consciência da ilicitude → incide NO ERRO DE PROIBIÇÃO. 
 
Atenção! Esse tema é de extrema importância e confunde muitos alunos, então, sempre que puder, revise. 
 
3.1. Erro de Tipo (art. 20, CP) 
 
Erro sobre elementos do tipo 
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Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, 
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. 
 
O ERRO DE TIPO recai sobre os elementos constitutivos do tipo, podendo recair sobre as 
elementares, circunstâncias, justificantes ou qualquer dado agregado a determinada figura típica. Em regra, 
no erro de tipo, há a falsa percepção da realidade. 
O erro de tipo pode ser essencial ou acidental. 
 
a) ESSENCIAL: 
Trata-se de falsa percepção da realidadeque recai sobre dados principais do tipo, ou seja, sobre 
elemento fático ou normativo que corresponda a elementar do tipo. 
 
O erro impede o agente de saber que está cometendo um crime! 
 
O erro de tipo essencial subdivide-se em erro de tipo incriminador e erro de tipo permissivo. 
● Erro de tipo incriminador: a falsa percepção da realidade incide sobre situação fática prevista como 
elementar ou circunstância de tipo penal incriminador (daí o nome). 
Ex: O agente, em uma mesa de bar, subtrai o aparelho celular de outra pessoa acreditando ser o seu, 
por serem idênticos. Aqui, o agente incorreu em erro sobre o elemento “coisa alheia”, que é uma elementar 
do tipo penal. 
 
● Erro de tipo permissivo: o erro recai sobre os pressupostos fáticos de uma causa de justificação, 
isto é, situação de fato descrita como requisito objetivo de uma excludente de ilicitude (tipo penal 
permissivo). 
Ex.: Antônio se depara com um sósia de seu inimigo que leva a mão à cintura, como se fosse sacar 
algum objeto; Antônio, ao ver essa atitude, pensa estar prestes a ser atingido por um revólver e, por esse 
motivo, saca de sua arma atirando contra a vítima, que nada possuía nas mãos ou cintura. No caso, Antônio, 
apreciando mal a realidade, acreditava estar diante de uma injusta e iminente agressão, o que configuraria 
legítima defesa. 
 
 O erro de tipo essencial pode ser: 
● Inevitável / Escusável / Invencível: Desculpável, imprevisível, qualquer pessoa erraria nas 
mesmas circunstâncias (com base na ideia de “homem médio”). Exclui dolo e culpa. 
● Evitável / Inescusável / Vencível: Indesculpável, imprevisível e inescusável. Faltou cuidado 
do agente na análise da situação. Exclui dolo, mas admite a punição por culpa, se prevista 
em lei. 
 
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Atenção! O erro de tipo evitável ou inevitável NÃO pode recair sobre elementos subjetivos especiais diversos 
do dolo, integrantes do tipo subjetivo, mas só dos elementos descritivos ou normativos do tipo objetivo. 
 
 Note que o erro de tipo essencial sempre excluirá o dolo. Isso porque falta ao agente o elemento 
cognitivo do dolo, qual seja, o “saber”. No erro de tipo essencial, não há esse saber, essa consciência por 
parte do agente. 
 
ERRO INEVITÁVEL (ESCUSÁVEL / INVENCÍVEL) ERRO EVITÁVEL (INESCUSÁVEL / VENCÍVEL) 
 
Exclui o dolo – o agente não tem consciência do que faz 
(a consciência é um dos elementos do dolo; sem 
consciência não há dolo). 
 
Exclui Culpa – o resultado é imprevisível (a 
previsibilidade é elemento da culpa). 
 
EM REGRA: impunibilidade total do fato (fato atípico.) 
 
EXCEÇÃO: desclassificação para outro crime no qual se 
resta presente o dolo. 
 
Exclui o dolo – o agente continua não tendo 
consciência. 
 
Pune a culpa, se prevista em lei - o resultado era 
previsível, caso em que se pode punir a culpa. 
 
 
 
Confira a dica do Professor Marcelo Veiga: 
 
https://youtu.be/NLWPkwXgl_U 
 
 
OBS1.: É possível haver erro de tipo em relação aos crimes omissivos impróprios, em que o dever 
de agir é um elemento constitutivo do tipo penal. Portanto, quando a falsa percepção da realidade recair 
sobre a existência do dever de agir para evitar o resultado, haverá erro de tipo. Ex.: o salva vidas avista 
banhista se afogando em águas rasas de uma praia e acredita que este está brincando. 
 
https://youtu.be/NLWPkwXgl_U
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OBS2.: Ocorre delito putativo por erro de tipo quando o delito é imaginário ou erroneamente 
suposto, tendo em vista que só existe na cabeça do agente. No delito putativo por erro de tipo, a pessoa sabe 
que a conduta é criminosa e quer praticar o crime, mas, por erro nas circunstâncias fáticas, pratica um fato 
penalmente irrelevante. Ex.: Jovem acredita verdadeiramente que está grávida pois sua menstruação atrasou 
e, por ser uma gravidez indesejada, decide comprar remédios abortivos para praticar o autoaborto (art. 124, 
CP). Ocorre que, posteriormente, descobre que não havia gravidez alguma. 
Existem três espécies de delito putativo: 
• Delito putativo por erro de tipo; 
• Delito putativo por erro de proibição; 
• Delito putativo por obra do agente provocador (também conhecido por delito de ensaio, de 
experiência ou crime de flagrante preparado). 
 
CAIU EM PROVA - Delegado – PCPR/2021: Z.Z. é um simplório dono de uma pequena e antiga padaria no 
bairro onde vive. De longa data, Z.Z. faz bolos enfeitados com escudos de times de futebol a pedido de alguns 
clientes mais conhecidos dele. Em certa ocasião, o departamento jurídico de um desses clubes propôs uma 
queixa-crime contra Z.Z., acusando-o de cometer crime contra registro de marca, conforme art. 189, inc. I, 
da Lei 9.279/1996 (Comete crime contra registro de marca quem: I - reproduz, sem autorização do titular, no 
todo ou em parte, marca registrada, ou imita-a de modo que possa induzir confusão), pois o escudo do time 
em questão era marca registrada. Como argumento de defesa adequado segundo a teoria do delito, Z.Z. 
poderia alegar que não cometeu crime porque sua conduta não seria culpável pelo erro sobre a ilicitude do 
fato. (item correto). 
 
b) ACIDENTAL: 
 
Recai sobre dados periféricos/secundários do tipo. São desvios causais previsíveis que não afastam 
a responsabilidade penal, pois, diferentemente do erro essencial, são irrelevantes para a configuração do 
dolo. 
 Se o agente fosse avisado, ele apenas “corrigiria” o problema e continua agindo ilicitamente. 
 
Dica para diferenciar erro essencial e acidental: 
No ERRO ESSENCIAL, se o agente for avisado sobre erro, ele faz o certo e NÃO COMETE 
CRIME. 
No ERRO ACIDENTAL, o agente, mesmo sabendo que está em erro, PRATICARIA O CRIME. 
 
O erro acidental pode recair: 
● Quanto à coisa / sobre o objeto: O agente representa equivocadamente a coisa visada. O alvo era 
um objeto específico e, por erro, acaba atingindo outro objeto. 
. NÃO exclui dolo e culpa; 
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. NÃO isenta o agente de pena; 
. Adota a teoria da concretização; 
. O agente responde pelo crime praticado, ou seja, pelo objeto lesado, e não o visado. 
 
Ex.: quer furtar um relógio de ouro e acaba furtando um relógio falsificado. 
Pergunta-se: Como fica o princípio da insignificância quando o agente subtrai objeto de pequeno 
valor, visando bem de valor maior? Não é só o valor do bem que é avaliado na análise do princípio da 
insignificância. É preciso preencher todos os requisitos objetivos e subjetivos. 
 
● Quanto à pessoa / error in personae (art. 20 §3º do CP): O agente representa equivocadamente a 
pessoa visada. Constitui um erro de identidade. NÃO há erro na execução, não há falha operacional, 
mas sim falha na representação da vítima. Há uma confusão quanto à pessoa certa. 
. NÃO exclui dolo e culpa; 
. NÃO isenta o agente de pena; 
. Adota a teoria da equivalência dos bens jurídicos; 
. O agente responde pelas qualidades da vítima pretendida (vítima virtual), e não da vítima real. 
 
Ex.: queria matar o pai, mas matou o tio que é muito parecido acreditando ser ele (assim, é possível 
parricídio de pai vivo). 
 
Erro sobre a pessoa 
 § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. 
Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da 
pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. 
 
Caiu na Prova Cespe Delegado ES/2022! Em caso de erro sobre a pessoa, são consideradas as características 
da vítima real, e não as da pessoa que seria o alvo da ação. (item incorreto) Considera-se a vítima virtual, isto 
é, aquela que o agente almejava atingir. 
 
CAIU NA PROVA DELEGADO DE POLÍCIA – GOIÁS AOCP/2022! 
Sobre a Teoria do Tipo (todos os itens corretos) 
- O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena;se evitável, poderá diminui-la de um sexto a 
um terço. (1/6-1/3) 
- O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. 
- O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime 
culposo, se previsto em lei. 
- É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, 
se existisse, tornaria a ação legítima 
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● Na execução / aberratio ictus (art. 73 do CP): O agente representa corretamente a vítima, mas atinge 
pessoa diversa da pretendida por ACIDENTE ou ERRO no uso dos meios de execução. Normalmente, 
ocorre por erro de pontaria na hora de atirar. 
. NÃO exclui dolo e culpa; 
. NÃO isenta o agente de pena; 
. Adota-se a teoria da equivalência dos bens jurídicos (responde com base na vítima virtual) 
Pode possuir: 
1. Resultado único / unidade simples: atinge só a pessoa diversa, razão pela qual o agente 
responde pelas qualidades da vítima pretendida (vítima virtual). 
2. Resultado duplo / unidade complexa: o agente atinge a pessoa desejada e também pessoa 
diversa por culpa no segundo, razão pela qual responde pelos dois crimes (doloso e 
culposo) em concurso formal próprio. Ex.: Quer matar A, mas, por erro de execução, além 
de matar A, atinge também B, causando-lhe lesões corporais. Nesse caso, responderá pelo 
homicídio de A em concurso com lesão corporal culposa de B. 
 
Erro na execução 
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao 
invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde 
como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º 
do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente 
pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. 
 
ERRO SOBRE A PESSOA ERRO NA EXECUÇÃO 
Erro na representação da vítima 
pretendida 
Representa-se corretamente a vítima 
pretendida 
A execução do crime é correta – não há 
falha operacional 
A execução do crime é errada – existe falha 
operacional 
A pessoa visada não corre perigo (porque 
foi confundida com outra) 
A pessoa visada corre perigo 
 
Nos dois casos o agente responde pelo crime, considerando as qualidades da vítima 
virtual (teoria da equivalência dos bens jurídicos). 
 
ATENÇÃO: Embora, para fins penais, seja considerada a vítima pretendida, denominada vítima virtual, ela é 
irrelevante para fins processuais penais, que levará em consideração a vítima efetiva ou seja a vítima real. 
 
● Resultado diverso do pretendido / aberratio criminis (art. 74 do CP): O agente, por acidente ou 
erro na execução, provoca lesão em bem jurídico diverso do pretendido. 
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. NÃO exclui dolo e culpa 
. NÃO isenta o agente de pena; 
Pode possuir: 
o Resultado único / unidade simples: Responde pelo crime efetivamente ocorrido a título de 
culpa, se houver previsão legal da modalidade culposa. Segundo Zaffaroni, só vai responder 
pela modalidade culposa do que efetivamente ocorreu se for menos grave que o resultado. 
Caso contrário, responderá por tentativa do outro. Ex.: queria matar alguém e, ao jogar 
uma pedra, acertou uma janela. Nesse caso, não vai responder pelo crime de dano (que, 
inclusive, sequer comporta a modalidade culposa), mas por tentativa de homicídio. 
o Resultado duplo / unidade complexa: o agente atinge lesiona os dois bens jurídicos, razão 
pela qual responde pelos dois crimes em concurso formal. 
 
Resultado diverso do pretendido 
Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na 
execução do crime, sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde 
por culpa, se o fato é previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado 
pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código 
 
Diferença entre Aberratio Ictus e Aberratio Criminis: 
No primeiro, apesar do erro, o agente atinge o mesmo bem jurídico pretendido (pessoa x pessoa), enquanto, 
no segundo, o agente atinge só o bem jurídico diverso ou também bem jurídico diverso do pretendido 
(pessoa x coisa). 
 
Art.73, do CP “aberratio ictus” Art.74, CP “aberratio criminis” 
 
Ambos são modalidades de ERRO NA EXECUÇÃO. 
 
O agente atinge o MESMO bem jurídico 
visado. 
O agente atinge bem jurídico DIVERSO do 
pretendido. 
O resultado provocado é o MESMO que o 
pretendido, mas atinge PESSOA DIVERSA. 
O resultado provocado (danificar patrimônio) 
é DIVERSO do pretendido (ceifar vida). 
Aqui, há relação pessoa x pessoa. Aqui, há relação coisa pretendida x pessoa 
atingida. 
 
● Sobre o nexo causal / dolo geral / erro sucessivo / aberratio causae: O agente provoca o resultado 
pretendido, com nexo causal diverso. Não há erro de execução, mas o resultado pretendido é 
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alcançado por um nexo causal diverso do planejado (há desvio no curso causal). Ex: A jogou B da 
ponte, pensando que este morreria afogado, mas morreu de traumatismo craniano por bater a 
cabeça em uma pedra. 
 
NÃO se pode confundir o dolo geral com o erro sobre o nexo causal (aberratio causae). No erro sobre 
o nexo causal realiza-se UMA só conduta pretendendo o resultado, o qual é alcançado em virtude de um 
processo causal diverso daquele imaginado. No dolo geral, todavia, o sujeito realiza DUAS condutas. 
 
. NÃO exclui dolo e culpa; 
. NÃO isenta o agente de pena; 
 
Pergunta-se: Como ficará a responsabilização do agente se o resultado provocado pelo nexo real 
incidir qualificadora? Como no caso do erro sucessivo, em que a asfixia é uma qualificadora do crime de 
homicídio? Nesse caso temos duas posições na doutrina: 
1ª Corrente: O agente responde pelo nexo pretendido, sob pena de caracterizar responsabilidade 
objetiva do agente. No exemplo acima, responderia por homicídio simples. 
2ª Corrente: O agente responde pelo nexo efetivamente produzido (aquele que produziu o 
resultado). No exemplo acima, responderia pelo homicídio qualificado pela asfixia. 
 
Segundo o autor Fernando Capez, a solução de tais casos se simplifica se forem feitas duas 
indagações: O agente quis matar? E efetivamente matou? Não importa se queria produzir o resultado por 
um meio e acidentalmente o produziu por outro. O que interessa é que ele desejou e realizou com êxito a 
sua vontade. Outro interessante exemplo é do sujeito, que, pretendendo matar a vítima, ministra veneno 
em sua bebida, no entanto, por um equívoco, em vez de veneno, coloca açúcar, meio ineficaz de matar 
uma pessoa normal. A vítima, no entanto, é diabética e vem a falecer. E agora, qual a solução? O autor 
quis matar? SIM! Acabou matando? SIM! Então responde por homicídio doloso consumado. É certo que 
ele errou na causa, mas tal erro revelou-se irrelevante, pois de um jeito ou de outro ele produziu o 
resultado pretendido. Mas o meio não era ineficaz? Não, tanto que a vítima morreu. Poder-se-ia objetar 
que o agente não sabia que a vítima era diabética, porém tal desconhecimento é irrelevante, pois o que 
interessa é que ele quis o resultado e agiu para produzi-lo. Daí por que o erro sobre o nexo causal (aberratio 
causae) é irrelevante. Não elimina o dolo, nem o resultado. 
 
3.2. Erro de Proibição 
 
Causa excludente da potencial consciência da ilicitude (elemento da culpabilidade). A pena deve ser 
dosada na medida da culpabilidade. Se inevitável, exclui-se a culpabilidade e o agente não é punido. Se 
evitável, o agente é punido com a pena diminuída de um sexto a um terço. A pessoa sabe o que faz, mas 
imagina que não é contra a lei. 
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Espécies de erro de proibição: 
a) Direto x Indireto x Mandamental: 
● Direto: o erro recai sobreo conteúdo da norma proibitiva, o agente acredita que a sua conduta é 
lícita/atípica. 
● Indireto: o erro recai sobre uma causa excludente de ilicitude. Ou seja, o agente supõe que seu 
comportamento, ainda que típico/ilícito, é amparado por alguma causa excludente de ilicitude. 
● Mandamental: o erro recai sobre o conhecimento uma norma mandamental (que impõe um 
determinado comportamento). Pode ocorrer nos crimes omissivos próprios ou impróprios (o agente 
conhece a situação fática, mas acha que não está obrigado, por lei, a agir). 
 
b) Evitável x Inevitável: 
● Inevitável: O erro era imprevisível. Analisa-se o perfil subjetivo do agente no caso concreto 
(diferente do erro de tipo que é “homem médio”. Isenta o agente de pena, desaparecendo com a 
potencial consciência da ilicitude e, consequentemente, a culpabilidade. 
● Evitável: O erro do agente decorre de culpa, pois lhe era previsível. NÃO isenta de pena, mas pode 
servir como causa de diminuição. Permanece a potencial consciência de ilicitude. O quantum da 
diminuição é medido pelo grau de reprovabilidade. 
 
CAIU EM PROVA: Delegado – PCPA/2021! Mário, comerciante, emprestou determinada quantia para Eliseu. 
Um dia após a data ajustada para o pagamento, após ser informado por telefone de que Eliseu não teria o 
montante para quitar o empréstimo, Mário se dirige à casa do devedor e, clandestinamente, subtrai um 
notebook no valor da dívida, acreditando estar amparado por uma causa de justificação que tornaria a sua 
conduta lícita, qual seja, a dívida vencida. Considerando os fatos hipotéticos narrados, pode-se afirmar que 
Mário incorreu em erro de proibição indireto que, se escusável, exclui a culpabilidade do agente. (item 
correto). 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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ERRO DE TIPO (art. 20, caput) ERRO DE PROIBIÇÃO DIRETO (art. 21) 
O agente possui falsa percepção da 
realidade/dos fatos. Não sabe o que faz. 
O agente sabe o que faz, mas acredita ser 
lícito o seu comportamento, enquanto, na 
verdade, é proibido. 
Ex.: Alguém em uma reunião atrasado para 
outro compromisso, desatento, pega o celular 
de outra pessoa que era igual ao seu e leva 
consigo. Em tese, subtraiu para si, coisa alheia 
móvel, mas tinha falsa percepção sobre o 
elemento “coisa alheia”, pois pensava que era 
sua. 
Ex.: Holandês que faz uso de maconha no 
Brasil e imagina ser permitido aqui, como lá 
é. 
Se o erro é INEVITÁVEL/ESCUSÁVEL/ 
INVENCÍVEL/ DESCULPÁVEL: Exclui dolo e culpa. 
Não há fato típico. Exclui o CRIME. 
 
Se o erro é EVITÁVEL/INESCUSÁVEL/ 
VENCÍVEL/INDESCULPÁVEL: Exclui dolo e 
permite a punição por culpa quando previsto 
em lei. 
Se o erro é INEVITÁVEL/ESCUSÁVEL/ 
INVENCÍVEL/ DESCULPÁVEL: Exclui 
potencial consciência da ilicitude. Afasta a 
culpabilidade. Exclui a PENA. 
 
Se o erro é EVITÁVEL/INESCUSÁVEL/ 
VENCÍVEL/INDESCULPÁVEL: Diminui a pena 
(quantum com base na reprovabilidade). 
 
 Confira a dica do Professor Marcelo Veiga: 
 
 
 
erro jurídico-penal 
falsa percepção da 
realidade 
 
ERRO DE TIPO 
(interfere do dolo) 
 Essencial 
 
Inevitável - exclui dolo 
e culpa 
 
evitável - só exclui o 
dolo, pune por crime 
culposo, se previsto 
em lei 
 
Acidental - não 
excluem dolo ou 
culpa 
 
ERRO DE PROIBIÇÃO 
(interfere na 
culpabilidade 
 
inevitável (exclui a 
culpabilidade) 
 
evitável (reduz a 
pena de 1/6 a 1/3 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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https://youtu.be/c5DSHKFbVKI 
 
 
ATENÇÃO: Descriminantes Putativas (erro de proibição indireto é uma espécie das descriminantes 
putativas). 
 
Descriminantes putativas 
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas 
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação 
legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato 
é punível como crime culposo [CULPA IMPRÓPRIA, POR EXTENSÃO OU 
EQUIPARAÇÃO]. 
 
Caiu na Prova Delegado-BA/2022! No que diz respeito a aspectos relacionados à Teoria do Crime, assinale 
a alternativa incorreta. 
a) Responde pelo crime o terceiro que determina o erro 
b) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime 
culposo, se previsto em lei 
c) O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste 
caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime 
d) Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando 
lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência 
e) É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato 
que, se existisse, tornaria a ação legítima. Há igualmente isenção de pena quando o erro deriva de culpa, 
ainda que o fato seja punível como crime culposo 
GAB E 
 
Caiu na Prova Delegado PC-AL/2023! No que diz respeito ao direito penal, julgue os itens a seguir. Caracteriza 
erro de proibição direto o fato de o agente supor ser lícita uma conduta que é proibida no ordenamento 
jurídico; diferentemente do delito putativo, que é caracterizado pelo fato de o agente praticar uma conduta 
que acredita ser proibida, mas que, na verdade, é um indiferente penal. (Item correto). 
 
https://youtu.be/c5DSHKFbVKI
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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As descriminantes putativas são excludentes de ilicitude imaginárias. Ou seja, ocorre quando a causa 
de exclusão da ilicitude existe apenas na MENTE do autor de um fato típico, NÃO existindo concretamente. 
Há 3 formas de o agente errar quanto às excludentes de ilicitude: 
(1) Erro relativo aos pressupostos de fato / à situação fática de uma causa de exclusão de 
ilicitude: O agente avalia mal a situação fática e acredita estar diante de um acontecimento 
que, se existisse, admitiria uma causa excludente de ilicitude (tornando sua ação legítima). 
 
Ex.: Homem chega em casa encontra outro homem mantendo conjunção carnal com sua esposa, a 
qual confiava muito e que começou a gritar na hora que o viu. Acreditando que fosse um estuprador, o 
marido atira e mata o outro, em uma situação de legítima defesa que não existia, que só existiu na cabeça 
dele, pois ele interpretou erroneamente a situação fática. Leva as mesmas consequências do erro de tipo. 
Já que a descriminante putativa por erro de tipo não é outra coisa se não erro de tipo essencial incidente 
sobre tipo permissivo. Assim, se o erro for evitável, o agente responderá por crime culposo, já que o dolo 
será excluído, se o erro for inevitável, excluirá dolo e culpa e não haverá crime. 
Confira a dica do Professor Marcelo Veiga: 
 
https://youtu.be/cmjdF1C9m4c 
 
 
(2) Erro relativo à existência de causa de exclusão de ilicitude: O agente acredita que existe uma 
excludente de ilicitude quando, na realidade, não existe. Assim, aqui, ao contrário do erro 
quanto aos pressupostos fáticos, o indivíduo não avalia mal a realidade, mas acredita estar 
diante de uma situação que autorizaria a excludente de ilicitude. 
 
Ex.: Indivíduo que acha que pode matar a esposa que o traiu alegando a legítima defesa da honra (o 
que não existe no ordenamento jurídico pátrio). Essa discriminante é considerada um erro de proibição 
indireto e leva as mesmas consequências do erro de proibição. 
 
(3) Erro relativo aos limites de uma causa de exclusão da ilicitude 
 
https://youtu.be/cmjdF1C9m4c
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Ex.: indivíduo acredita que pode atirar 10 vezes em legítima defesa, quando apenas 1 tiro era, na 
situação, suficiente para repelir a injusta agressão. Essa discriminante é considerada um erro de proibição 
indireto e leva as mesmas consequências do erro de proibição. 
 
Natureza jurídica: Depende da teoriada culpabilidade adotada. 
O Código Penal é finalista, sendo que o finalismo adota a teoria normativa pura da culpabilidade. 
Esta, é dividida por outras duas: teoria extremada ou limitada da culpabilidade. Estruturalmente, para elas, 
a culpabilidade possui os mesmos elementos. A única diferença está no tratamento das descriminantes. 
 
▪ Para a teoria extremada (ou estrita) da culpabilidade: O erro quanto às descriminantes putativas 
deverão sempre receber a mesma consequência jurídica do erro de proibição. É o que a doutrina 
chama de erro de proibição indireto (o agente sabe que a conduta é proibida, mas acredita estar 
acobertado por causa excludente de ilicitude). 
 
▪ Para a teoria limitada da culpabilidade: O erro quanto às descriminantes putativas poderão receber 
o tratamento de erro de tipo, chamado pela doutrina de erro de tipo permissivo (excluindo o fato 
típico) ou erro de proibição (excluindo a culpabilidade), a depender da “espécie”: 
(i) Se o erro é sobre a situação fática: erro de tipo permissivo; 
(ii) Se o erro é sobre a existência ou limites de uma justificante: erro de proibição indireto. 
 
Para a doutrina majoritária, o Código Penal adotou a Teoria Limitada da 
Culpabilidade, conforme o item 19 da exposição de motivos do Código Penal. 
 
CAIU EM PROVA - Delegado de polícia – PCMS/2021! Influenciada pelo sistema finalista de Hans Welzel, a 
reforma da parte geral do Código Penal brasileiro, realizada em 1984, rompeu com a tradição jurídico-penal 
estabelecida até então, que trabalhava com a teoria limitada da culpabilidade, e passou a adotar a teoria 
extremada da culpabilidade, defendida pelo renomado professor da Escola de Bonn, deixando expresso tal 
opção no item 19 da Exposição de Motivo (item incorreto). 
 
Vamos complicar um pouquinho mais? 
Caso fossem adotados os sistemas clássico ou neoclássico, tanto o erro de proibição inevitável quanto 
EVITÁVEL, SEMPRE excluiriam a culpabilidade. Isso porque lá, a exigência era a consciência ATUAL da ilicitude 
(que integrava o dolo), então o agente DEVERIA ter consciência concreta da ilicitude da conduta no momento 
da prática para que fosse reconhecida sua culpabilidade. Com o finalismo é que se deixou de exigir a 
consciência atual para passar a exigir apenas a POTÊNCIAL consciência da ilicitude, possibilitando agora essa 
divisão em evitável ou inevitável. 
 
Além das modalidades de erro já citadas, é possível falar em: 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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● Erro de subsunção: O agente conhece a ilicitude do fato, ou, nas circunstâncias podia conhecê-la, 
porém, supõe que seu fato se amolda a um tipo diverso. Recai sobre valorações jurídicas 
equivocadas. O agente interpreta equivocadamente o sentido jurídico do seu comportamento. 
. NÃO exclui dolo e culpa; 
. NÃO isenta o agente de pena; 
. O agente responde pelo crime, podendo o erro servir como atenuante. 
 
☠ Questão da prova oral do MPMG 2022. 
 
● Erro provocado por terceiro (art. 20, §2º, CP): No erro de tipo, o agente erra por conta própria. No 
erro determinado por terceiro, há terceira pessoa que induz o agente em erro. Consequência: 
. Quem determina o erro dolosamente responde por crime doloso; quem determina 
culposamente, crime culposo; 
. Se foi previsto ou previsível, o agente será responsabilizado por culpa. 
 
● Erro de tipo psiquicamente condicionado (Zaffaroni): Sujeito que, embora capaz, pratica fato típico 
sem a capacidade psíquica necessária para conhecer os elementos exigidos pelo tipo objetivo no 
momento da conduta, por estar em um estado de erro de tipo psiquicamente condicionado, em razão 
de fenômenos psicopatológicos (como alucinações ou ilusões). 
 
 Ex: Lenhador muito cansado após incessantes horas de trabalho, sofre uma ilusão ótica que lhe faça 
perceber uma árvore em lugar de um homem e, ao decidir cortá-la, causa lesões ou morte. Mesmo realizando 
conduta típica, não se poderá falar de dolo, já que não se trata de uma conduta final de lesionar ou de matar 
e sim de cortar uma árvore. Neste caso estaremos diante de uma incapacidade de conhecer os elementos 
requeridos pelo tipo objetivo, proveniente de uma CAUSA PSICOPATOLÓGICA, que não deve ser confundida 
com a incapacidade de culpabilidade (inimputabilidade). 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
 
- Direito Penal – Parte Geral – Volume 1 – 13ª edição – Cleber Masson; 
- Sinopse nº1 – Direito Penal – Parte geral – 7ª edição – Alexandre Salim e Marcelo André de Azevedo; 
- Manual de Direito Penal – Parte geral – 7ª edição – Rogério Sanches Cunha. 
- Site Dizer o Direito – www.dizerodireito.com.br 
 
 
http://www.dizerodireito.com.br/
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DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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META 3 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL: REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS (PARTE I) 
 
TODOS OS ARTIGOS 
CF/88 
⦁ Art. 5º, inc. LXVIII a LXXIII, 
⦁ Art. 5, inc. LXXVII, 
⦁ Art. 102, inc. I, “d”, “i” e “q” 
⦁ Art. 102, inc. II, “a” 
⦁ Art. 105, inc. I, “b”, “c” e “h” 
⦁ Art. 105, inc. II, “a” 
⦁ Art. 108, inc. I, “c” e “d” 
⦁ Art. 108, inc. VII e VIII 
⦁ Art. 121, §3º e §4º, inc. V 
⦁ Art. 142, §2º 
 
CPP 
⦁ Art. 3-B, inc. XII 
⦁ Art. 574, I 
⦁ Art. 581, X 
⦁ Art. 612 
⦁ Arts. 647 a 667 
 
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS: 
⦁ Lei 9507/97 (habeas data) 
⦁ Lei 12.016/2009 (mandado de segurança) 
⦁ Lei 13.300/2016 (mandado de injunção) 
⦁ Lei 4717/65 (ação popular) 
⦁ Art. 23, 24, 30, 32 e 41-A, Lei 8038/90 
 
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO PODEM DEIXAR DE LER! 
CF/88 
⦁ Art. 5º, inc. LXVIII a LXXIII 
⦁ Art. 5, inc. LXXVII 
 
CPP 
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⦁ Art. 3º-B, inc. XXII 
⦁ Arts. 647, 648, 651 
⦁ Art. 654, caput. 
⦁ Art. 655 e 656 
⦁ Art. 660, §§ 1º e 4º 
 
LEI 9507/97 (HABEAS DATA) 
⦁ Art. 4º 
⦁ Art. 7º 
⦁ Art. 8º, §único 
⦁ Art. 19 
 
LEI 12.016/2009 (MANDADO DE SEGURANÇA) 
⦁ Art. 1º e 3º 
⦁ Art. 6º, caput 
⦁ Art. 7º, inc. I e §4º 
⦁ Art. 8º a 10º 
⦁ Arts. 14 e 20 
⦁ Arts. 21 a 23 
⦁ Art. 26 
 
LEI 13.300/2016 (MANDADO DE INJUNÇÃO) 
⦁ Arts. 2º e 3º 
⦁ Art. 8º e 9º 
⦁ Arts. 11 a 13 
 
Remédios Constitucionais: são garantias que consubstanciam meios colocados à disposição do 
indivíduo para salvaguardar os seus direitos diante de ilegalidade ou abuso de poder cometido pelo Poder 
Público. 
 
1. HABEAS CORPUS 
 
O habeas corpus é, no Direito inglês do qual se origina, uma ordem de apresentação 
pessoal de alguém, um mandado de condução. O juiz quer a presença física de 
alguma pessoa. Por isso expede uma ordem escrita (writ) para que seja 
apresentado o corpo da pessoa (habeas corpus), isto é, seja feito de corpo presente. 
Essa apresentação pode ter vários fins e, daí, os diversos tipos de habeas corpus 
(…). Mas a expressão habeas corpus, sem mais nada, habeas corpus por 
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65 
 
antonomásia, designa o habeas corpus ad subjiciendum, ordem ao carcereiro ou 
detentor de uma pessoa de apresentá-la, e de indicar o dia e a causa da prisão, a 
fim de que ela faça (ad faciendum), de que se submeta a (ad subjiciendum) e receba 
(ad recipiendum) o que for julgado correto, pelo juiz. Esse foi chamado, por William 
Blackstone, o mais célebre mandado (writ) do Direito inglês e ‘baluarte permanente 
de nossas liberdades (The stable balwark of our liberties). (TORNAGHI, Hélio. Curso 
de processo penal, volume 2. São Paulo: Saraiva, 9ª Edição, 1995, p. 390-391). 
 
a) Previsão normativa: art. 5º, LXVIII, CF/88 e arts. 647 e ss do CPP. 
 
Art. 5º LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar 
ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por 
ilegalidade ou abuso de poder; 
 
b) Introdução 
Típico de direito de primeira geração, o HC visa a garantir o direito individual de locomoção, por meio 
de ordem exarada por órgãodo Poder Judiciário, para que seja cessada a ameaça ou coação à liberdade de 
locomoção do indivíduo. 
Historicamente o HC foi a primeira garantia de direitos fundamentais concedida por “João Sem Terra” 
- Magna Carta de 1215 e formalizada posteriormente pelo Habeas Corpus Act, em 1679. 
 No direito inglês, surgiu primeiramente na Magna Charta Libertatum, de 1215 e, no direito brasileiro, 
surgiu pela 1ª vez na Constituição Federal de 1891, permanecendo nas demais constituições subsequentes. 
 Ressalta-se, contudo, que, inicialmente, o HC visava proteger outros direitos distintos - e não apenas 
a locomoção, por meio da chamada Teoria Brasileira do habeas corpus. Porém, com a EC n° 1 de 1926, 
restringiu-se o HC apenas à liberdade de locomoção. Ensina o professor Marcelo Novelino: 
 
Durante a Primeira República, com a introdução desse instituto no sistema 
constitucional pátrio, surgiu a denominada “doutrina brasileira do habeas corpus”, 
que tinha Rui Barbosa como seu principal expoente. Em face da ausência de outras 
garantias constitucionais na Carta de 1891, foi adotada uma interpretação ampla 
acerca do cabimento desse mandamus, utilizado em diversas situações de ameaça 
a direitos constitucionalmente assegurados – e não apenas à liberdade de 
locomoção – decorrentes de ilegalidades ou abusos de poder. À época, o Supremo 
Tribunal Federal adotou o entendimento de que a ação contemplava as situações 
em que a liberdade de ir e vir era meio para atingir outro direito. A partir da reforma 
constitucional de 1926, essa concepção foi superada e o habeas corpus passou a 
ser utilizado apenas em seu sentido clássico (NOVELINO, 2017, p. 438). 
 
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Sobre o tema, confira a dica da Professora Thaianne: 
 
https://youtu.be/dggvsbK8Ktc 
 
 
c) Características do HC: 
∘ O HC possui natureza dúplice: Ação de natureza penal não condenatória e remédio 
constitucional 
∘ Possui autonomia própria 
∘ Pode ser impetrado sem que exista processo 
∘ Isento de custas 
∘ Não exige capacidade postulatória 
∘ Admite concessão de pedido liminar 
∘ Exige violência ou coação + ilegalidade ou abuso de poder 
 
d) Modalidades - O HC pode ser: 
● Repressivo (liberatório): Quando o indivíduo já tiver desrespeitado o seu direito de locomoção; 
● Preventivo (salvo-conduto): Quando há apenas ameaça ao seu direito de locomoção. 
 
Caiu na prova Delegado/PA 2016! 
(Adaptada) Maria, gestante de feto anencéfalo, pretende a obtenção de autorização judicial para realização 
de aborto. O Juízo de primeiro grau julgou improcedente o pedido. Pretende, agora, manejar um remédio 
constitucional para evitar o cometimento de crime. Para tanto, deverá demandar por meio de habeas corpus. 
(ITEM CORRETO) 
 
e) Legitimidade ativa: Universal. Qualquer pessoa pode impetrar HC: 
∘ Pessoa física ou jurídica 
∘ Nacional ou estrangeira 
∘ Independentemente de capacidade civil. 
∘ MP e juiz de ofício podem impetrar HC 
https://youtu.be/dggvsbK8Ktc
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 Obs.1: Exceção ao princípio da inércia jurisdicional: O Juiz de direito, o Desembargador, Ministros, 
Turma Recursal e o Tribunal poderão conceder habeas corpus de ofício, no exercício da função jurisdicional. 
 
 Obs.2: Não exige capacidade postulatória do impetrante, de modo que a ação pode ser formulada 
sem advogado. 
 
f) Legitimidade passiva: autoridade ou mesmo um particular, desde que o constrangimento seja 
decorrente da função por ele exercida (ex: agente de hospital que ilegalmente impede a saída do 
paciente). 
 
 IMPORTANTE 
Conforme ensina o professor Pedro Lenza, o autor da ação constitucional de habeas corpus recebe o nome 
de impetrante; o indivíduo em favor do qual se impetra, paciente (podendo ser o próprio impetrante), e a 
autoridade que pratica a ilegalidade ou abuso de poder, autoridade coatora ou impetrado. 
 
STF: A pessoa jurídica NÃO pode figurar como paciente de HC, pois jamais estará 
em jogo a liberdade de locomoção, ainda que se trate da possibilidade de apenação 
da pessoa jurídica por crimes ambientais. 
 
Caiu na prova Delegado AL/2023! Conquanto seja mais frequente o ajuizamento de habeas corpus contra 
ato de autoridade, admite-se sua impetração contra ato praticado por particular em respeito à previsão 
constitucional da proteção da liberdade de locomoção. (ITEM CORRETO) 
 
g) HC e ofensa indireta 
 
STF: Será cabível o HC não só contra ofensa direta, mas também contra ofensa indireta, reflexa ou 
potencial ou direito de locomoção, a exemplo do uso do HC para atacar a quebra de sigilo bancário em 
procedimento que possa resultar prisão => Se a quebra de sigilo for determinada por autoridade fiscal, no 
curso de procedimento administrativo tributário, é incabível HC, pois em processo administrativo NÃO 
implica ofensa ao direito de locomoção. 
 
h) Pressupostos ou condições para a concessão de HC 
 
Uma vez conhecido o habeas corpus somente deverá ser concedido em caso de réu preso ou na 
iminência de sê-lo, presentes as seguintes condições (STF. 1ª Turma. AgRg no HC 200.055, Rel. Min. Roberto 
Barroso): 
(1) Violação à jurisprudência consolidada do STF; 
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(2) Violação clara à Constituição; ou 
(3) Teratologia na decisão impugnada, caracterizadora de absurdo jurídico. 
 
Veja algumas jurisprudências pertinentes: 
 
É cabível a concessão de salvo-conduto para o plantio e o transporte de Cannabis 
Sativa para fins exclusivamente terapêuticos, com base em receituário e laudo 
subscrito por profissional médico especializado, e chancelado pela Anvisa. STJ. 6ª 
Turma. Processo sob segredo judicial, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, 
por unanimidade, julgado em 14/06/2022. (Info 742). 
 
O Habeas corpus não constitui via própria para impugnar Decreto de governador 
de Estado sobre adoção de medidas acerca da apresentação do comprovante de 
vacinação contra a COVID-19 para que as pessoas possam circular e permanecer 
em locais públicos e privados. O STJ entendeu que, neste caso, o autor está 
impetrando um habeas corpus contra um ato normativo em tese, o que não se 
admite conforme entendimento consolidado da jurisprudência: Súmula 266-STF: 
Não cabe mandado de segurança contra lei em tese. 
A despeito de a Súmula 266 do STF falar em mandado de segurança, ela vale 
também para habeas corpus. Assim, o habeas corpus não constitui via própria para 
o controle abstrato da validade de leis e atos normativos em geral: O habeas corpus 
não se traduz em meio adequado para o reconhecimento da ilegalidade de ato 
normativo em tese. No caso, a demanda perpassa necessariamente pela análise de 
inconstitucionalidade em tese de Lei Municipal. Ocorre que o habeas corpus não 
constitui via própria para o controle abstrato da validade das leis e dos atos 
normativos em geral, sob pena de desvirtuamento de sua essência. STJ. 5ª Turma. 
RHC 104.626/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 6/8/2019. 
Em sentido semelhante: Jurisprudência em Teses – Ed. 178: 5) Não é cabível habeas 
corpus para impugnar ato normativo que fixa medidas restritivas para prevenir a 
disseminação da covid-19, por não constituir via própria para o controle abstrato 
da validade de leis e atos normativos em geral. STJ. 2ª Turma. RDC no HC 700.487-
RS, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 22/02/2022 (Info 726). 
 
É inadmissível a intervenção do assistente de acusação na ação de habeas corpus. 
É inadmissível a intervenção do assistente de acusação na ação de habeas corpus. 
Isto porque, inexiste imposição legal de intimação do assistente do Ministério 
Público no habeas corpus impetrado em favor do acusado. Ademais, como ele não 
integra a relação processual instaurada nessa ação autônoma de natureza 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO170 
2.7 Desconsideração da personalidade jurídica ......................................................................................................... 170 
META 6 – REVISÃO SEMANAL ........................................................................................................................ 178 
Direito Penal: Teoria Do Crime – Parte III (Ilicitude – Culpabilidade – Teoria Do Erro) ............................................. 178 
Direito Constitucional: Remédios Constitucionais ..................................................................................................... 179 
Direito Civil: Das Pessoas ............................................................................................................................................ 181 
 
 
 
 
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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA SEMANA 05 
META DIA ASSUNTO 
1 SEG DIREITO PENAL: Teoria do Crime (Parte III.1) 
2 TER DIREITO PENAL: Teoria do Crime (Parte III.2) 
3 QUA DIREITO CONSTITUCIONAL: Remédios Constitucionais (Parte I) 
4 QUI DIREITO CONSTITUCIONAL: Remédios Constitucionais (Parte II) 
5 SEX DIREITO CIVIL: Das Pessoas 
6 SÁB/DOM [REVISÃO SEMANAL] 
 
 
ATENÇÃO 
 
Gostou do nosso material? 
 
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Conte sempre conosco. 
 
Equipe DD 
 
 
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Caso possua alguma dúvida jurídica sobre o conteúdo disponibilizado no curso, pedimos que utilize a sua 
área do aluno. Há um campo específico para enviar dúvidas. 
 
 
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META 1 
 
DIREITO PENAL: TEORIA DO CRIME – PARTE III.1 (ILICITUDE – CULPABILIDADE – TEORIA DO ERRO) 
 
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA 
CP: 
⦁ Art. 20 a 25 
⦁ Art. 26 a 28 
⦁ Art. 65 
⦁ Art. 73 e 74 
⦁ Art. 163 
⦁ Art. 213 
⦁ Art. 228 
 
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS: 
⦁ Art. 37, Lei 9605/98 
⦁ Art. 45 e 46, Lei de Drogas 
 
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER! 
CP: 
⦁ Art. 20 e 21 (importantíssimos!) 
⦁ Art. 25, §único (introduzido pelo Pacote Anticrime) 
⦁ Art. 26 
⦁ Art. 28, II e §1º 
⦁ Art. 73 e 74 (importantíssimos!) 
 
1. ILICITUDE 
 
É o segundo substrato do conceito analítico de crime, e consiste na relação de contrariedade entre 
o fato típico praticado por alguém e o ordenamento jurídico. Este é o conceito conferido segundo a 
finalismo. 
Para o autor Fernando Capez, é a contradição entre a conduta e o ordenamento jurídico, pela qual 
ação ou omissão típicas tornam-se ilícitas. 
Ex.: Embora a conduta do oficial de justiça quando apreende determinado bem contra a vontade do 
dono em razão de mandado judicial consista em subtrair coisa alheia móvel, o que seria um fato típico, sua 
conduta não é contrária ao ordenamento jurídico por estar abarcada pelo estrito cumprimento do dever 
legal, causa excludente de ilicitude, de modo que não haverá crime. 
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É possível dividir a ilicitude em: 
● Ilicitude formal: É a mera contradição entre o fato e o direito. A ilicitude é analisada diante de todo 
o ordenamento jurídico, não somente no âmbito penal. 
● Ilicitude material (substancial): É o conteúdo material do fato, ou seja, a violação de valores 
necessários para a manutenção da paz social. A contrariedade do fato em relação ao sentimento 
comum de justiça (injusto). É esse viés que permite a criação de causas supralegais de exclusão da 
ilicitude. 
Segundo o autor Mirabete a ilicitude consiste na lesão de determinado interesse vital aferido perante 
as normas de cultura reconhecidas pelo Estado. A ilicitude material se fundamenta em valores sociais, morais 
e políticos, sem um conceito específico, constituindo-se em ofensa às normas de cultura reconhecidas e 
aceitas pelo Estado, um comportamento antissocial. 
 
Em resumo, a ilicitude é o choque entre a conduta e ordenamento jurídico. É o segundo elemento 
do conceito analítico do crime, conforme a teoria tripartida. 
 
 
 
1.1 Terminologias 
 
a) Antijuridicidade x Ilicitude 
Alguns doutrinadores utilizam o termo ANTIJURIDICIDADE como sinônimo de ilicitude (ou até em sua 
preferência). Contudo, segundo Francisco Assis de Toledo o termo é tecnicamente incorreto, vez que o crime 
é, na verdade, um fato jurídico. 
Fato jurídico pode ser natural ou voluntário. Os voluntários se dividem em lícito e ilícito. Dentre os 
ilícitos, temos os ilícitos penais, que se dividem em crime ou contravenção. 
Portanto, melhor utilizar ILICITUDE, que foi o termo adotado pelo CP. 
 
b) Injusto x Ilicitude 
A ilicitude e a tipicidade formam o INJUSTO. Dessa forma, ilicitude é uma parte do injusto. Mirabete 
ensina que o injusto é a ação valorada como antijurídica. 
 
c) Justificantes x Exculpantes 
 
Fato 
típico 
 
Antijurídico 
ou ilícito 
 culpável 
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 A JUSTIFICANTE corresponde a uma circunstância, legal ou supralegal, que exclui a ilicitude. Pode ser 
denominada ainda de excludentes da ilicitude, excludentes da criminalidade, causas justificativas, eximentes 
ou descriminantes. 
 Por sua vez, a EXCULPANTE trata da hipótese, legal ou supralegal, de exclusão da culpabilidade. 
Também é conhecida como causa dirimentes, de exculpação, de inculpabilidade. 
 
1.2 Relação entre a Tipicidade e a Ilicitude 
 
 
 
a) Teoria da Absoluta Independência do Tipo / do Tipo Avalorado / Tipo Meramente Descritivo (Von Liszt 
e Beling): o fato típico NÃO possui qualquer relação com a ilicitude. 
● O tipo é a mera descrição objetiva do fato em lei (tipo penal acromático). 
● Acaso a ilicitude deixe de existir, a tipicidade permanece. 
● Para André Stefan (Direito Penal. Vol.1), trata-se de elemento valorativamente neutro. 
● Sua concepção NÃO admitia o reconhecimento de elementos normativos ou subjetivos do tipo. 
 
b) Teoria Indiciária do Tipo / da Ratio Cognoscendi (Max Ernst Mayer): O fato típico é presumidamente 
ilícito, é um indício da ilicitude. 
 Teoria majoritária e adotada pelo CP. 
 
● A tipicidade deixa de ter função meramente descritiva, vindo a representar um indício da 
antijuridicidade. 
● Onde há fumaça, há fogo, no sentido de que a tipicidade faz presumir a não conformidade com o 
ordenamento jurídico, a ilicitude da conduta. 
● Praticando-se um fato típico, ele se presume ilícito. Essa presunção é relativa, pois admite prova em 
contrário, podendo ser afastada por uma excludente de ilicitude. 
● A tipicidade NÃO é valorativamente neutra ou descritiva, de modo que se torna cabível o 
reconhecimento de elementos normativos e subjetivos do tipo penal. 
 
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Essa teoria acarreta a inversão do ônus da prova no tocante às excludentes da ilicitude. Assim, para a 
acusação, basta provar que o fato é típico, cabendo à defesa alegar e provar as excludentes. 
Atenção! A adequação do fato típico e ilícito ocorrem de forma provisória até que possa ocorrer a 
apresentação de uma excludente de ilicitude. 
 
Veja a dica do Professor Marcelo Veiga: 
https://youtu.be/zyfFUuduvJ4 
 
Aprofundando para uma prova discursiva / oral: 
A doutrina garantista critica essa inversão do ônus da prova. Segundo Aury Lopes Jr, não se pode ter uma 
presunção contrária ao réu em razão do princípio da presunção de inocência, de modo que cabe à acusação 
demonstrar, não só o fato típico, mas a própria existência do crime. Ou seja: cabe à acusação demonstrar 
fato típico, ilicitude e culpabilidade. 
 
c) Teoria da Absoluta Dependência / da Ratio Essendi / da Identidade (Edmundo Mezger): O fato típico e 
ilícito seria um só elemento. A tipicidade não é só indício, é a essência da ilicitude, de modo que todo fato 
típico NECESSARIAMENTE é ilícito. 
 
● Origina-se, aqui, o “injusto penal”, queDE POLÍCIA 
 
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69 
 
constitucional, também não possui legitimidade para recorrer de decisões 
proferidas em habeas corpus, por não constar essa atividade processual no rol 
exaustivo do art. 271 do Código de Processo Penal. STF. 1ª Turma. AgRg no HC 
203.737, Rel. Min. Carmem Lúcia, decisão monocrática em 31/08/2021. 
 
Cabe habeas corpus para impugnar decisão judicial que determinou a retenção 
de passaporte. O acautelamento de passaporte é medida que limita a liberdade de 
locomoção, razão pela qual pode, no caso concreto, significar constrangimento 
ilegal e arbitrário, sendo o habeas corpus via processual adequada para essa 
análise. Isso vale não apenas para decisões criminais como também cíveis. STJ. 4ª 
Turma. RHC 97876-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 05/06/2018 (Info 
631). STJ. 2ª Turma. HC 478.963-RS, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 
14/05/2019. 
 
Cabe habeas corpus contra a decisão que não homologa ou que homologa apenas 
parcialmente o acordo de colaboração premiada. Atualmente, não existe previsão 
legal de recurso cabível em face de não homologação ou de homologação parcial 
de acordo. Logo, deve ser possível a impetração de habeas corpus. A homologação 
do acordo de colaboração premiada é etapa fundamental da sistemática negocial 
regulada pela Lei nº 12.850/2013, estando diretamente relacionada com o 
exercício do poder punitivo estatal, considerando que nesse acordo estão 
regulados os benefícios concedidos ao imputado e os limites à persecução penal. 
STF. 2ª Turma. HC 192063/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 2/2/2021 (Info 
1004). 
 
Quando a liberdade de alguém estiver direta ou indiretamente ameaçada, cabe 
habeas corpus ainda que para solucionar questões de natureza processual. STF. 2ª 
Turma. HC 163943 AgR/PR, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Ricardo 
Lewandowski, julgado em 4/8/2020 (Info 985). 
 
O habeas corpus pode ser empregado para impugnar medidas cautelares de 
natureza criminal diversas da prisão. Isso porque, se descumprida a “medida 
alternativa”, é possível o estabelecimento da custódia, alcançando-se o direito de 
ir e vir. STF. 1ª Turma. HC 170735/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. 
Alexandre de Moraes, julgado em 30/6/2020 (Info 984). 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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Cabe habeas corpus para questionar a decisão do magistrado que não permite que 
os réus delatados apresentem alegações finais somente após os réus colaboradores 
(Info 949) 
 
Caiu na prova Delegado RO/2022! De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do 
Superior Tribunal de Justiça (STJ), é admitida a impetração de habeas corpus contra decisão que determina 
a retenção de passaporte. (ITEM CORRETO) 
i) Hipóteses em que NÃO é possível o cabimento de HC: 
● Impugnar decisões de plenário de qualquer das turmas do STF; 
● Impugnar determinação e suspensão dos direitos políticos; 
● Impugnar penalidade administrativa de caráter disciplinar; 
● Impugnar decisão condenatória à pena de multa, ou relativa a processo em curso por infração penal 
a que a pena pecuniária seja a única cominada (Súmula 693 STF); 
 
Caiu na prova Delegado MS/2021! Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória à pena de multa ou 
relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada. (ITEM 
CORRETO) 
 
● Não se conhece de recurso de "habeas corpus" cujo objeto seja resolver sobre o ônus das custas, por 
não estar mais em causa a liberdade de locomoção (Súmula n° 395 STF); 
● Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do 
relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar (Súmula n° 691 STF); 
● Impugnar a determinação de quebra de sigilo telefônico, bancário ou fiscal, se desta medida não 
puder resultar condenação à pena privativa de liberdade; 
● Discutir o mérito das punições disciplinares militares -> STF: NÃO cabe a discussão do mérito, mas 
cabe HC para se analisar os pressupostos de legalidade da medida; 
● Para discutir processo criminal envolvendo o art. 28 da Lei de Drogas (STJ, Info 758); 
● Questionar afastamento ou perda de cargos públicos; 
● Dirimir controvérsia sobre a guarda de filhos menores; 
● Discutir matéria objeto de processo de extradição; 
● Questionamento de condenação criminal quando já extinta a pena privativa de liberdade; 
 
Caiu na prova Delegado MT/2017! Nos casos em que a pena privativa de liberdade já estiver extinta, não 
será possível ajuizar ação de habeas corpus. (ITEM CORRETO) 
● Impedir o cumprimento de decisão que determina o sequestro de bens imóveis; 
● Discutir condenação imposta em processo de impeachment; 
● Impugnar o mero indiciamento em inquérito policial, desde que presentes indícios de autoria de fato 
que configure crime em tese; 
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● Impugnar omissão de relator na extradição, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não 
constava dos autos, nem foi ele provocado a respeito (SÚMULA 692 STF); 
● Tutelar o direito à visita em presídio; 
● Impugnar decisões monocráticas proferidas por Ministro do Supremo Tribunal Federal. (Info 985); 
● Contra ato de Ministro ou outro órgão fracionário da Corte; 
● Reexame dos pressupostos de admissibilidade de recurso interposto no STJ; 
● Não cabe HC de ofício no bojo de embargos de divergência; 
● Não cabe HC em ação que apura improbidade administrativa; 
● Em regra, não cabe habeas corpus contra decisão transitada em julgado (posição majoritária na 
jurisprudência – Inf. 892); 
● Não cabe HC para impugnar ato normativo que fixa medidas restritivas para prevenir a disseminação 
da covid-19; 
● Não cabe habeas corpus para discutir se foi correta ou não a fixação da competência e se existe 
conexão entre os crimes (STF, Info 959); 
● Não cabe habeas corpus para impugnar decisão judicial que determinou a suspensão de CNH. A 
suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não configura ameaça ao direito de ir e vir do 
titular. STJ. 4ª Turma. RHC 97876-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 05/06/2018 (Info 
631). 
 
 Compete à Terceira Seção do STJ processar e julgar habeas corpus impetrado com fundamento em 
problemas estruturais das delegacias e do sistema prisional do Estado. Nota: Fixou-se a 3ª Seção 
porque o pedido final é de natureza penal. (Info 644) 
 
Questões importantes: 
 
 É possível a impetração de habeas corpus e a interposição de recurso de forma concomitante? 
 O habeas corpus, quando impetrado de forma concomitante com o recurso cabível contra o ato 
impugnado, será admissível apenas se: 
a) For destinado à tutela direta da liberdade de locomoção ou 
b) Se traduzir pedido diverso do objeto do recurso próprio e que reflita imediatamente na liberdade do 
paciente. 
 Nas demais hipóteses, o habeas corpus não deve ser admitido e o exame das questões idênticas deve 
ser reservado ao recurso previsto para a hipótese, ainda que a matéria discutida resvale, por via transversa, 
na liberdade individual. 
 
A concessão do benefício da transação penal impede a impetração de habeas corpus em que se busca 
o trancamento da ação penal? Com a celebração da transação penal, o habeas corpus que estava pendente 
fica prejudicado ou o TJ deverá julgá-lo mesmo assim? 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a9fb9e6ef40426e9add520623d521ab8?categoria=12&subcategoria=137
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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● STJ: SIM. Fica prejudicado. A concessão do benefício da transação penal impede a impetração de 
habeas corpus em que se busca o trancamento da ação penal. STJ. 6ª Turma. HC 495148-DF, Rel. 
Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 24/09/2019 (Info 657). 
 
● STF: NÃO. Não impede e o TJ deverájulgar o mérito do habeas corpus. A realização de acordo de 
transação penal não enseja a perda de objeto de habeas corpus anteriormente impetrado. A 
aceitação do acordo de transação penal não impede o exame de habeas corpus para questionar a 
legitimidade da persecução penal. Embora o sistema negocial possa trazer aprimoramentos positivos 
em casos de delitos de menor gravidade, a barganha no processo penal pode levar a riscos 
consideráveis aos direitos fundamentais do acusado. Assim, o controle judicial é fundamental para a 
proteção efetiva dos direitos fundamentais do imputado e para evitar possíveis abusos que 
comprometam a decisão voluntária de aceitar a transação. Não há qualquer disposição em lei que 
imponha a desistência de recursos ou ações em andamento ou determine a renúncia ao direito de 
acesso à Justiça. STF. 2ª Turma. HC 176785/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 17/12/2019 
(Info 964). 
 
Esquematizando: 
 
STF. 2ª Turma (HC 176785/DF): STJ. 6ª Turma (Info 657): 
A aceitação do acordo de transação penal NÃO 
impede o exame de habeas corpus para 
questionar a legitimidade da persecução penal. 
A concessão do benefício da transação penal 
impede a impetração de habeas corpus em que 
se busca o trancamento da ação penal 
 
💣 ATENÇÃO PARA A SÚMULA 648 DO STJ: A superveniência da sentença condenatória prejudica o pedido 
de trancamento da ação penal por falta de justa causa feito em habeas corpus. 
 
Vamos entendê-la? (Via DoD) 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
O Ministério Público ajuizou ação penal contra João acusando-o da prática de determinado crime. O 
juiz recebeu a denúncia e determinou a citação do réu para responder a acusação. 
João apresentou resposta escrita alegando que não havia justa causa e que, portanto, ele deveria ser 
absolvido sumariamente. O magistrado, contudo, rejeitou o pedido de absolvição sumária e determinou o 
início da instrução penal. 
João ainda continuava inconformado. Existe algum recurso que ele possa interpor? Cabe algum 
recurso contra a decisão do juiz que rejeita o pedido de absolvição sumária? 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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R: NÃO. Não existe recurso cabível na legislação para esse caso. Diante disso, a jurisprudência admite 
a impetração de habeas corpus sob o argumento de que existe risco à liberdade de locomoção. 
Desse modo, em nosso exemplo, a defesa de João impetrou habeas corpus no Tribunal de Justiça 
pedindo o trancamento da ação penal por falta de justa causa. O Desembargador negou o pedido de liminar 
e designou o dia 15/08 para o julgamento do habeas corpus pela Câmara Criminal do TJ. Ocorre que, antes 
disso, no dia 08/08, o juiz proferiu sentença condenando o réu. 
Diante desse cenário, o que acontece com o julgamento do habeas corpus? O Tribunal de Justiça 
irá apreciar o mérito do habeas corpus? 
R.: NÃO. A superveniência de sentença condenatória torna prejudicado o pedido feito no habeas 
corpus se buscava o trancamento da ação penal sob a alegação de falta de justa causa. A sentença 
condenatória analisa a existência de justa causa de forma mais aprofundada, após a instrução penal com 
contraditório e ampla defesa. Logo, não faz mais sentido o Tribunal examinar a decisão de rejeição da 
absolvição sumária se já há uma nova decisão mais aprofundada. Será essa nova manifestação (sentença) 
que precisará ser analisada. Logo, o réu terá que interpor apelação contra a sentença condenatória, recurso 
de cognição ampla por meio do qual toda a matéria será devolvida ao Tribunal, que terá a possibilidade de 
examinar se a condenação foi acertada, ou não. 
 
E se a sentença tivesse sido absolutória? Se o juiz tivesse absolvido João, o HC também ficaria 
prejudicado? 
R.: SIM. Com maior razão, o habeas corpus estaria prejudicado, mas agora por outro motivo: falta de 
interesse processual já que a providência buscada pela defesa foi alcançada em 1ª instância. Nesse sentido: 
A superveniência de sentença absolutória, na linha da orientação firmada nesta Corte, torna prejudicado o 
pedido que buscava o trancamento da ação penal sob a alegação de falta de justa causa. STJ. 6ª Turma. AgInt 
no RHC 31.478/SP, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 26/03/2019. 
 
Atenção: Ainda em 2021, poucos meses depois do enunciado ser aprovado, o STJ proferiu a 
seguinte decisão que pode ser encarada como se fosse uma exceção à Súmula 648: 
 
Se o habeas corpus discutia a quebra na cadeia de custódia da prova da 
materialidade, o que teria ocorrido no momento do flagrante, a superveniência da 
sentença condenatória não faz com que esse habeas corpus perca o objeto 
A superveniência de sentença condenatória não tem o condão de prejudicar habeas 
corpus que analisa tese defensiva de que teria havido quebra da cadeia de custódia 
da prova, ocorrida ainda na fase inquisitorial e empregada como justa causa para a 
própria ação penal. STJ. 6ª Turma. HC 653.515-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd. 
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 23/11/2021 (Info 720). 
 
Veja a explicação: 
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A superveniência de sentença condenatória nem sempre torna prejudicado o 
habeas corpus, em razão da perda do seu objeto. 
No caso concreto, por exemplo, os fatos que subjazem à discussão trazida pela 
defesa acabaram por lastrear a denúncia e toda a persecução penal, além de haver 
sido ventilados ainda no limiar do processo e de dizerem respeito à própria justa 
causa para a ação penal. 
Ao contrário do que ocorre com a prisão preventiva, por exemplo - que tem 
natureza rebus sic standibus, isto é, que se caracteriza pelo dinamismo existente na 
situação de fato que justifica a medida constritiva, a qual deve submeter-se sempre 
a constante avaliação do magistrado -, o caso dos autos traz hipótese em que houve 
uma desconformidade entre o procedimento usado na coleta e no 
acondicionamento de determinadas substâncias supostamente apreendidas com o 
paciente e o modelo previsto no Código de Processo Penal, fenômeno processual, 
esse, produzido ainda na fase inquisitorial, que se tornou estático e não modificável 
e, mais do que isso, que subsidiou a própria comprovação da materialidade e da 
autoria delitivas. 
Assim, a superveniência de sentença condenatória não tem o condão de prejudicar 
a análise da tese defensiva de que teria havido quebra da cadeia de custódia da 
prova, ocorrida ainda na fase inquisitorial e empregada como anteparo ao 
oferecimento da denúncia - ou, de forma mais ampla, como justa causa para a 
própria ação penal -, máxime quando verificado que a parte alegou a matéria 
oportuno tempore, isto é, logo após a sua produção e que essa tese já foi 
devidamente examinada e debatida pela instância de origem. 
 
j) Competência 
Competência do STF, quando: art. 102, CF/88. 
a. O paciente for: Presidente da República, Vice-Presidente da República, membros do Congresso 
Nacional, Ministros do STF e Procurador Geral da República (art. 102, I, “b”); 
b. O paciente for: Ministros de Estado, Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, membros dos 
Tribunais Superiores, do TCU e chefes de missão diplomática de caráter permanente (art. 102, I, “c”); 
c. O coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou paciente for autoridade ou funcionário cujos 
atos estejam diretamente sujeitos à jurisdição do STF, ou se trate de crime sujeito à única instância 
(STF) – art. 102, I, “i”; 
d. O HC for decidido em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão (Nesse 
caso o STF julga em recurso ordinário) – art. 102, II, “a”. 
 
Competência do STJ, quando: art. 105, CF/88. 
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a. O coator ou paciente forem os mencionados na alínea “a”: Governador dos Estados e DF/ 
Desembargadores dos TJ dos Estados e DF/ Membros do Tribunal deContas dos Estados e DF/ 
membros do TRF/ membros do TRE/ membros do TRT/ membros dos Conselhos ou Tribunal de 
Contas do Município/ membros do MPU que oficiem perante tribunais (art. 105, I, “c”); 
b. O coator for tribunal sujeito à jurisdição do STJ ou for Ministro de Estado, Comandante da Marinha, 
do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral (art. 105, I, “c”); 
c. O HC for decidido em única ou última instância pelos TRF’s ou pelos Tribunais de Justiça dos Estados, 
DF ou Territórios, quando a decisão for denegatória. (Nesse caso o STJ julga em recurso ordinário) – 
art. 105, II, “a”. 
 
CUIDADO! Ministros de Estado e comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica: 
- Quando forem pacientes – competência do STF 
- Quando forem autoridades coatoras – competência do STJ 
 
Competência dos TRFs, quando: art. 108, CF/88. 
a. A autoridade coatora for juiz federal(art. 108, I, “d”); 
b. Julgam, em grau de recurso, causas decididas pelos juízes federais ou estaduais no exercício da 
competência federal da área de jurisdição (art. 108, II). 
 
Competência dos juízes federais, quando: 
a. O HC for de matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de 
autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição (art. 109, VII). 
 
Obs.1: O HC impetrado contra decisão de Turma Recursal dos Juizados Especiais será julgado pelo Tribunal 
de Justiça Estadual. O STF superou a Súmula 690! 
 
Súmula 690, STF – SUPERADA 
Compete originariamente ao Supremo Tribunal Federal o julgamento de "habeas 
corpus" contra decisão de Turma Recursal de Juizados Especiais Criminais. 
 
Obs.2: Relator pode determinar, de forma discricionária, que HC seja julgado pelo Plenário do STF (e não pela 
Turma) 
 
A competência para julgar determinados habeas corpus é de uma das duas Turmas 
do STF (e não do Plenário). Ex: HC contra decisão do STJ, em regra, é de 
competência de uma das Turmas do STF. O Ministro Relator do HC no STF, em vez 
de submetê-lo à Turma, pode levá-lo para ser julgado pelo Plenário? SIM. Essa 
possibilidade encontra-se prevista no art. 6º, II, “c” e no art. 21, XI, do RI/STF. Para 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/5c6287be4de9ff5afeaec72d54436fcf?categoria=12&subcategoria=137
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/5c6287be4de9ff5afeaec72d54436fcf?categoria=12&subcategoria=137
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fazer isso, o Relator precisa fundamentar essa remessa? É necessário que o Relator 
apresente uma justificativa para que o caso seja levado ao Plenário? NÃO. É possível 
a remessa de habeas corpus ao Plenário do STF, pelo relator, de forma 
discricionária, com fundamento no art. 6º, II, “c” e no art. 21, XI, do RI/STF. STF. 
Plenário. HC 143333/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11 e 12/4/2018 (Info 
897). 
 
k) HC coletivo 
 
O STF admitiu a possibilidade de habeas corpus coletivo. O habeas corpus se presta a salvaguardar 
a liberdade. Assim, se o bem jurídico ofendido é o direito de ir e vir, quer pessoal, quer de um grupo 
determinado de pessoas, o instrumento processual para resgatá-lo é o habeas corpus, individual ou coletivo. 
A ideia de admitir a existência de habeas corpus coletivo está de acordo com a tradição jurídica nacional de 
conferir a maior amplitude possível ao remédio heroico (doutrina brasileira do habeas corpus). Apesar de 
não haver uma previsão expressa no ordenamento jurídico, existem dois dispositivos legais que, 
indiretamente, revelam a possibilidade de habeas corpus coletivo. Trata-se do art. 654, § 2º e do art. 580, 
ambos do CPP. 
O art. 654, § 2º estabelece que compete aos juízes e tribunais expedir ordem de habeas corpus de 
ofício. 
O art. 580 do CPP, por sua vez, permite que a ordem concedida em determinado habeas corpus seja 
estendida para todos que se encontram na mesma situação. Assim, conclui-se que os juízes ou Tribunais 
podem estender para todos que se encontrem na mesma situação a ordem de habeas corpus concedida 
individualmente em favor de uma pessoa. Existem mais de 100 milhões de processos no Poder Judiciário, a 
cargo de pouco mais de 16 mil juízes, exigindo do STF que prestigie remédios processuais de natureza coletiva 
com o objetivo de emprestar a máxima eficácia ao mandamento constitucional da razoável duração do 
processo e ao princípio universal da efetividade da prestação jurisdicional. 
Em 20.02.2018, a 2.ª Turma do STF, no julgamento do HC 143.641, por votação unânime, entendeu 
cabível a impetração coletiva de habeas corpus e, por maioria, concedeu a ordem para determinar a 
substituição da prisão preventiva pela domiciliar — sem prejuízo da aplicação concomitante das medidas 
alternativas previstas no art. 319 do CPP — de todas as mulheres presas, gestantes, puérperas ou mães de 
crianças e deficientes sob sua guarda, nos termos do art. 2.º do ECA e da Convenção sobre Direitos das 
Pessoas com Deficiência (Decreto Legislativo n. 186/2008 e Lei n. 13.146/2015), relacionadas no processo 
pelo DEPEN e outras autoridades estaduais, enquanto perdurar tal condição, excetuados os casos de crimes 
praticados por elas mediante violência ou grave ameaça, contra seus descendentes ou, ainda, em situações 
excepcionalíssimas, as quais deverão ser devidamente fundamentadas pelos juízes que denegarem o 
benefício (a Lei n. 13.769/2018 positivou esse entendimento ao acrescentar o art. 318-A do CPP. 
Diante da inexistência de regramento legal, o STF entendeu que se deve aplicar, por analogia, o art. 
12 da Lei nº 13.300/2016, que trata sobre os legitimados para propor mandado de injunção coletivo. 
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Assim, possuem legitimidade para impetrar habeas corpus coletivo: 
1) o Ministério Público; 
2) o partido político com representação no Congresso Nacional; 
3) a organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em 
funcionamento há pelo menos 1 (um) ano; 
4) a Defensoria Pública. STF. 2ª Turma.HC 143641/SP. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 
20/2/2018 (Info 891). 
 
 Obs.: O STJ confirmou decisão que mandou soltar todos os presos do país que tiveram liberdade 
condicionada à fiança. No habeas corpus coletivo, a DP do Espírito Santo sustentou que, diante do cenário 
de pandemia da Covid-19, deveria ser superada a Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal e, nos termos da 
Recomendação 62/2020 do CNJ, determinada a soltura imediata de todos os presos do estado que tiveram 
o deferimento da liberdade provisória condicionado ao pagamento de fiança. O ministro Sebastião Reis 
Júnior votou pela concessão do habeas corpus por reconhecer a plausibilidade jurídica das alegações e a 
flagrante ilegalidade da situação desses presos. 
Conforme leciona o autor Pedro Lenza, dentre os argumentos fixados pelo Min. Relator Ricardo 
Lewandowski para o conhecimento do habeas corpus coletivo e concessão da ordem, podem-se destacar: 
■ relações de massa exigem tutela adequada coletiva; 
■ resgate histórico da “teoria brasileira do habeas corpus”; 
■ o magistrado pode conceder de ofício ordem de habeas corpus (art. 654, § 2.º, CPP); 
■ possibilidade de extensão da ordem de habeas corpus (art. 580, CPP); 
■ razoável duração do processo e efetividade da prestação jurisdicional; 
■ aplicação analógica da lei do mandando de injunção; 
■ calamidade do sistema penitenciário brasileiro: pode-se destacar o denominado “estado de coisas 
inconstitucional” reconhecido pelo STF no julgamento da ADPF 347 julgada em 04.10.23; 
■ “cultura do encarceramento”; 
■ incapacidade do Estado brasileiro em se garantir direitos mínimos; 
■ art. 227, CF/88: “cuidados com a mulher presa que se direcionam não só a ela, mas igualmente aos 
seus filhos, os quais sofrem injustamente as consequências da prisão, em flagrante contrariedadeao 
art. 227 da Constituição, cujo teor determina que se dê prioridade absoluta à concretização dos 
direitos destes”; 
■ direitos fundamentais: diversos dispositivos da Constituição Federal podem ser lembrados, 
destacando-se: art. 5.º, II — ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou 
degradante; art. 5.º, XLI — a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades 
fundamentais; art. 5.º, XLV — nenhuma pena passará da pessoa do condenado (...); art. 5.º, L — às 
presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o 
período de amamentação; art. 5.º, XLVIII — a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de 
http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menuSumarioSumulas.asp?sumula=1480
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acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; art. 5.º, XLIX — é assegurado aos 
presos o respeito à integridade física e moral; 
■ Organização das Nações Unidas: “tanto o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio n. 5 (melhorar 
a saúde materna) quanto o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável n. 5 (alcançar a igualdade de 
gênero e empoderar todas as mulheres e meninas), ambos da Organização das Nações Unidas, ao 
tutelarem a saúde reprodutiva das pessoas do gênero feminino, corroboram o pleito formulado na 
impetração”; 
■ Regras de Bangkok: “incidência de amplo regramento internacional relativo a Direitos Humanos, 
em especial das Regras de Bangkok, segundo as quais deve ser priorizada solução judicial que facilite 
a utilização de alternativas penais ao encarceramento, principalmente para as hipóteses em que ainda 
não haja decisão condenatória transitada em julgado”; 
■ Estatuto da Primeira Infância; 
■ proteção de grupos hipossuficientes: “acolhimento do writ que se impõe de modo a superar tanto 
a arbitrariedade judicial quanto a sistemática exclusão de direitos de grupos hipossuficientes, típica 
de sistemas jurídicos que não dispõem de soluções coletivas para problemas estruturais”. 
 
Outros casos aplicados: 
HC 143.988: ordem concedida para “determinar que as unidades de execução de medida 
socioeducativa de internação de adolescentes não ultrapassem a capacidade projetada de internação 
prevista para cada unidade, nos termos da impetração e extensões” (2.ª T., j. 24.08.2020, DJE de 
04.09.2020); 
HC 165.704: ordem concedida para determinar a substituição da prisão cautelar por domiciliar dos 
pais e responsáveis por crianças menores de 12 anos e pessoas com deficiência, desde que cumpridos 
os requisitos previstos no artigo 318 do CPP e outras condicionantes” (2.ª T., j. 20.10.2020); 
HC 172.136: ordem concedida para assegurar a todos os detentos do país o direito à saída da cela por 
no mínimo 2 horas por dia para banho de sol (2.ª T., j. 10.10.2020, DJE de 01.12.2020); 
HC 188.820: “por unanimidade de votos, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) 
referendou a liminar concedida pelo ministro Edson Fachin em que determinou a magistrados do país 
que reavaliem a situação de detentos do regime semiaberto e verifiquem os que podem ser 
beneficiados pela Recomendação 62/2020, editada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o 
objetivo de reduzir os riscos epidemiológicos e a disseminação da Covid-19 nas prisões, enquanto 
durar a pandemia” (liminar referendada pela 2.ª T. do STF em Sessão Virtual de 12 a 23.02.2021, DJE 
de 24.03.2021 — pendente o julgamento de mérito). 
 
2. MANDADO DE SEGURANÇA 
 
CRFB, Art. 5º, LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito 
líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o 
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responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente 
de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; 
 
Dessa forma, excluindo a proteção de direitos inerentes à liberdade de locomoção e ao acesso ou 
retificação de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de 
entidades governamentais ou de caráter público, através do mandado de segurança busca-se a invalidação 
de atos de autoridade ou a supressão dos efeitos da omissão administrativa, geradores de lesão a direito 
líquido e certo, por ilegalidade ou abuso de poder. 
 
a) Previsão legal: Art. 5º, LXIX da CF/88 e Lei 12.016/09. 
 
Lei 12.016/09. Art. 1º: Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito 
líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, 
ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer 
violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que 
categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. 
 
b) Natureza Jurídica: Ação judicial de natureza residual, subsidiária, civil, cabível quando o direito líquido e 
certo protegido não for amparado por outros remédios constitucionais. 
 
c) Cabimento: Proteger direito líquido e certo, não amparado por HC ou HD, sempre que, ilegalmente ou 
com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la 
por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. 
 
Atenção aos detalhes: 
▪ Proteção de direito líquido e certo contra ilegalidade ou abuso de poder por parte de autoridade. 
▪ Esse direito líquido e certo não é amparado por HC ou HD. 
d) NÃO cabe MS: 
● De ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independente de caução => Se o MS 
for impetrado contra omissão ilegal, descabe a aplicação da restrição deste inciso; 
● Decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; 
● Decisão judicial transitada em julgado; 
 
É incabível mandado de segurança contra decisão judicial transitada em julgado 
(art. 5º, III, da Lei nº 12.016/2009 e Súmula nº 268-STF). No entanto, se a 
impetração do mandado de segurança for anterior ao trânsito em julgado da 
decisão questionada, mesmo que venha a acontecer, posteriormente, o mérito 
do MS deverá ser julgado, não podendo ser invocado o seu não cabimento ou a 
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perda de objeto. STJ. Corte Especial. EDcl no MS 22.157-DF, Rel. Min. Luis Felipe 
Salomão, julgado em 14/03/2019 (Info 650). 
 
● Contra lei em tese (Súmula 266-STF), salvo se produtora de efeitos concretos; 
● Contra atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, sociedades de 
economia mista e concessionárias de serviço público, (art. 1º, §2º da Lei 12. 016/09); 
 
§ 2o Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial 
praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia 
mista e de concessionárias de serviço público. 
 
O STF reafirmou a constitucionalidade deste dispositivo. Veja: 
Não cabe mandado de segurança contra atos de gestão comercial praticados por 
administradores de empresas públicas, sociedades de economia mista e 
concessionárias de serviço público (art. 1º, § 2º da Lei nº 12.016/2019). STF. 
Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre 
de Moraes julgado em 9/6/2021 (Info 1021). 
 
Entenda: Trata-se de uma restrição legítima pelo fato de que os atos de gestão 
comercial são atos estranhos à ideia da delegação do serviço público em si. Esses 
atos se destinam à satisfação de interesses privados na exploração de atividade 
econômica, submetendo-se a regime jurídico próprio das empresas 
privadas,motive pelo qual não cabe mandado de segurança por força da própria 
previsão constitucional – que admite o ajuizamento do mandado de segurança 
somente contra atos praticados no desempenho de atribuições do poder publico 
(art. 5, LXIX, CF/88) 
 
Caiu na prova Delegado PI/2018! Incabível o Mandadode Segurança contra os atos de gestão comercial 
praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de 
concessionárias de serviço público. (ITEM CORRETO) 
 
● O mandado de segurança não se presta ao reexame de fatos e provas analisados pelo CNJ no processo 
disciplinar (Info 933); 
● O mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo a recurso criminal interposto 
pelo Ministério Público (Súmula 604 STJ); 
● Para convalidar a compensação tributária realizada pelo contribuinte (súmula 460 do STJ). 
 
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Súmula 460-STJ: É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária realizada 
pelo contribuinte. 
Súmula 213-STJ: O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à 
compensação tributária. 
 
- STJ: É inadequado o manejo de mandado de segurança com vistas à defesa do 
direito de candidato em concurso público a continuar concorrendo às vagas 
reservadas às pessoas pretas ou pardas, quando a comissão examinadora de 
heteroidentificação não confirma a sua autodeclaração (Info 745). 
- STJ: É incabível mandado de segurança que tem como pedido autônomo a 
declaração de inconstitucionalidade de norma, por se caracterizar mandado de 
segurança contra lei em tese. 
- STJ: O mandado de segurança não pode ser utilizado com o intuito de obter 
provimento genérico aplicável a todos os casos futuros de mesma espécie. 
- STF: Não cabe mandado de segurança contra ato de deliberação negativa do 
Conselho Nacional de Justiça, por não se tratar de ato que importe a substituição 
ou a revisão do ato praticado por outro órgão do Judiciário. (Info 840) 
 
MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA DECISÃO JUDICIAL 
Para ser cabível, deve comprovar dois requisitos: 
1) Inexistência de recurso adequado à impugnação da decisão judicial; 
2) Demonstração de que a decisão é teratológica, por abuso de poder ou ilegalidade. 
 
d) Direito Líquido e Certo 
 
Segundo Leonardo Carneiro da Cunha, “ausente direito líquido e certo, haverá de 
ser extinto o mandado de segurança, sem resolução do mérito, facultando-se à 
parte o uso do procedimento comum.” (CUNHA, 2016, p. 508). 
 
● Só cabe MS para direito líquido e certo, demonstrado de plano. 
● NÃO cabe dilação probatória no MS. 
 
 IMPORTANTE lembrar a correção feita pela doutrina em relação à terminologia empregada pela 
Constituição, na medida em que todo direito, se existente, já é líquido e certo. Os fatos é que deverão 
ser líquidos e certos para o cabimento do writ. 
 
Súmula 625 – STF - Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de 
mandado de segurança. 
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Jurisprudência em Teses n. 85: A verificação da existência de direito líquido e certo, 
em sede de mandado de segurança, não tem sido admitida em recurso especial, 
pois é exigido o reexame da matéria fático-probatória, o que é vedado em razão da 
súmula n. 7/STJ. 
 
e) Legitimidade Ativa 
● Pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, domiciliadas ou não no Brasil; 
● Universalidades reconhecidas por lei; 
● Órgãos públicos de grau superior, na defesa de suas prerrogativas e atribuições; 
● Agentes políticos na defesa de suas atribuições e prerrogativas; 
● O STF admite a legitimidade do parlamentar – e somente do parlamentar – para impetrar mandado 
de segurança com a finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de lei ou emenda 
constitucional incompatíveis com disposições constitucionais que disciplinam o processo legislativo. 
Caiu na prova Delegado MT/2017! Uma proposta de emenda constitucional tramita em uma das casas do 
Congresso Nacional, mas determinados atos do seu processo de tramitação estão incompatíveis com as 
disposições constitucionais que disciplinam o processo legislativo. Nessa situação hipotética, segundo o 
entendimento do STF, terá legitimidade para impetrar mandado de segurança a fim de coibir os referidos 
atos o parlamentar federal. (ITEM CORRETO) 
 
● MP, quando o ato emanar de juiz de primeiro grau de jurisdição. 
 
Em mandado de segurança, a legitimidade para recorrer é da pessoa jurídica de 
direito público, sendo dispensável a intimação da autoridade coatora para fins de 
início da contagem do prazo recursal. Em mandado de segurança, a autoridade 
coatora, embora seja parte no processo, é notificada apenas para prestar 
informações, cessando a sua intervenção a partir do momento que as apresenta. 
Tanto o é que, a legitimação processual, para recorrer da decisão, é da pessoa 
jurídica de direito público a que pertence o agente supostamente coator, o que 
significa dizer que o polo passivo no mandado de segurança é daquela pessoa 
jurídica de direito público a qual se vincula a autoridade apontada como coatora. 
Acrescente-se que, para fins de viabilizar a defesa dos interesses do ente público, 
faz-se necessária a intimação do representante legal da pessoa jurídica de direito 
público e não a da autoridade apontada como coatora. STJ. AgInt no AREsp 
1.430.628-BA, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda Turma, por maioria, julgado em 
18/08/2022. (Inf 747). 
 
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STF (Info 848): O Tribunal de Justiça, mesmo não possuindo personalidade jurídica 
própria, detém legitimidade autônoma para ajuizar mandado de segurança contra 
ato do Governador do Estado em defesa de sua autonomia institucional. Ex: 
mandado de segurança contra ato do Governador que está atrasando o repasse dos 
duodécimos devidos ao Poder Judiciário. 
 
Ministério Público do Tribunal de Contas não possui legitimidade para 
impetrar mandado de segurança mesmo que para defender suas prerrogativas 
institucionais. O Ministério Público de Contas não tem legitimidade para 
impetrar mandado de segurança em face de acórdão do Tribunal de Contas perante 
o qual atua. STF. Plenário virtual. RE 1178617 RG, Rel. Min. Alexandre de Moraes, 
julgado em 25/04/2019 (repercussão geral). 
 
Ilegitimidade ativa do MP para impetrar MS questionando decisão administrativa 
que reconheceu a prescrição em processo administrativo. O Procurador-Geral da 
República não possui legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança com 
o objetivo de questionar decisão que reconheça a prescrição da pretensão punitiva 
em processo administrativo disciplinar. A legitimidade para impetrar mandado de 
segurança pressupõe a titularidade do direito pretensamente lesado ou ameaçado 
de lesão por ato de autoridade pública. O Procurador-Geral da República não tem 
legitimidade para a impetração, pois não é o titular do direito líquido e certo que 
afirmara ultrajado. Para a impetração do MS não basta a demonstração do simples 
interesse ou atuação como custos legis, uma vez que os direitos à ordem 
democrática e à ordem jurídica não são de titularidade do Ministério Público, mas 
de toda a sociedade. STF. 2ª Turma. MS 33736/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado 
em 21/6/2016 (Info 831). 
 
Substituição Processual (legitimação extraordinária): O titular de direito líquido e certo decorrente 
de direito, em condições idênticas, de terceiro poderá impetrar mandado de segurança a favor do direito 
originário, se o seu titular não o fizer, no prazo de 30 (trinta) dias, quando notificado judicialmente. 
 
Ingresso de litisconsorte ativo: pode ocorrer até o despacho da petição inicial (art. 10, §2º, da Lei nº 
12.016/09). 
 
Falecimento do impetrante: É pacífico, no STF e no STJ, o entendimento de que o falecimento do 
impetrante pessoa natural tem o condão de extinguir o mandado de segurança, sendo incabível na via 
mandamental a sucessão e partes em razão da natureza personalíssima da ação. Nesse caso, ainda será 
possível o acesso às vias ordinárias. 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/55acf8539596d25624059980986aaa78?categoria=1&palavra-chave=mandado+de+seguran%C3%A7ahttps://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/55acf8539596d25624059980986aaa78?categoria=1&palavra-chave=mandado+de+seguran%C3%A7a
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/e165421110ba03099a1c0393373c5b43?categoria=1&palavra-chave=mandado+de+seguran%C3%A7a
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Entendimento de Leonardo Carneiro da Cunha sobre o falecimento após a fase de 
conhecimento: “Tudo indica, todavia, que a morte do impetrante somente causa a 
extinção sem resolução do mérito do mandado de segurança se seu falecimento se 
operar durante a fase de conhecimento. Caso já tenha havido sentença com 
trânsito em julgado, e havendo condenação ao pagamento de valores pecuniários 
(na hipótese, por exemplo, de o impetrante ostentar a condição de servidor 
público), é possível haver a sucessão mortis causa por seu espólio ou sucessores se 
o falecimento do impetrante ocorrer já durante a execução. Nesse caso, não haverá 
habilitação no mandado de segurança, mas sim num cumprimento de sentença.” 
(CUNHA, 2016, p. 525). 
 
f) Legitimação Passiva 
É a pessoa jurídica a qual pertence a autoridade coatora, responsável pela ilegalidade ou abuso de 
poder, autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. 
 
● Autoridades públicas de quaisquer poderes da União, Estados, DF e Municípios; 
● Representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas; 
● Dirigentes de pessoas jurídicas de direito privado, desde que no exercício de atribuições do Poder 
Público. 
 
Lei 12.016/09 
Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, 
não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com 
abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo 
receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais 
forem as funções que exerça. 
 
§ 1o Equiparam-se às autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou 
órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem 
como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de 
atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições. 
 
Em se tratando de atribuição delegada, a autoridade coatora será o agente delegado e não a 
autoridade delegante -> VIDE SÚMULA 510 STF: Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência 
delegada, contra ela cabe MS ou medida judicial. 
 
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Segundo Leonardo Carneiro da Cunha, o tema da legitimidade passiva no mandado 
de segurança gera divergências doutrinárias, tendo surgido três correntes sobre o 
tema: 
I- Primeira corrente: defende que a própria autoridade coatora deve ocupar o polo 
passivo da demanda, tendo em vista que é quem prestará informações e deverá 
cumprir a determinação judicial. 
II- Segunda corrente: considera que haverá a formação de litisconsórcio passivo 
entre a autoridade e a pessoa jurídica de direito público. Entretanto, essa corrente 
não tem aceitação jurisprudencial, já que a autoridade apenas presenta a pessoa 
jurídica, não constituindo parte autônoma. 
III- Terceira corrente: majoritária na doutrina e na jurisprudência, defende que é a 
pessoa jurídica a que pertence a autoridade coatora que detém legitimidade 
passiva, tendo em vista que é quem suportará as consequências financeiras da 
demanda e contra quem será formada a coisa julgada, de modo que se a autoridade 
indicada for substituída, não haverá prejuízo para o processo. 
 
STJ: As autarquias possuem autonomia administrativa, financeira e personalidade 
jurídica própria, distinta da entidade política à qual estão vinculadas, razão pela 
qual seus dirigentes têm legitimidade passiva para figurar como autoridades 
coatoras em ação mandamental. 
 
TEORIA DA ENCAMPAÇÃO NO MANDADO DE SEGURANÇA 
Quando há indicação errônea da autoridade coatora, é possível aplicar a Teoria da encampação para sanar 
tal vício, desde que observados alguns requisitos: 
a) Existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou as informações e a que ordenou a prática 
do ato impugnado; 
b) Ausência de modificação de competência estabelecida na CF/88; 
c) Defesa do mérito do litígio nas informações prestadas. 
 
g) Liminar em mandado de segurança: 
 
● Da decisão que concede/nega liminar – cabe agravo de instrumento 
● Perempção e caducidade da liminar ocorre em 2 hipóteses: 
(1) Quando o impetrante criar obstáculo ao normal andamento do processo 
(2) Quando o impetrante deixa de promover atos e diligências por mais de 3 dias úteis. 
 
Art. 8o Será decretada a perempção ou caducidade da medida liminar ex officio ou 
a requerimento do Ministério Público quando, concedida a medida, o impetrante 
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criar obstáculo ao normal andamento do processo ou deixar de promover, por mais 
de 3 (três) dias úteis, os atos e as diligências que lhe cumprirem. 
 
● Possibilidade de exigir fiança, caução ou depósito: 
 
Art. 7º Ao despachar a inicial, o juiz ordenará: 
III - que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento 
relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja 
finalmente deferida, sendo facultado exigir do impetrante caução, fiança ou 
depósito, com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica. 
 
Esse dispositivo trata sobre a possibilidade de se conceder medida liminar em mandado de 
segurança. 
A OAB impugnou a parte final do dispositivo. Segundo a entidade, seria inconstitucional exigir o 
pagamento prévio de caução, depósito ou fiança para a concessão de liminar. O STF não concordou com a 
autora. 
No exercício do seu poder geral de cautela, o magistrado pode analisar se determinado caso 
específico exige caução, fiança ou depósito. A caução, fiança ou depósito, previstos no art. 7º, III, da Lei nº 
12.016/2019, configuram mera faculdade, que pode ser exercida se o magistrado entender ser necessária 
para assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica. Não se trata, portanto, de um obstáculo ao poder geral de 
cautela, mas uma faculdade que vai ao encontro do art. 300, § 1º, do CPC: 
 
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que 
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado 
útil do processo. 
§ 1º Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir 
caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa 
vir a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente 
hipossuficiente não puder oferecê-la. 
 
Desse modo, é válido dizer que: 
 
O juiz tem a faculdade de exigir caução, fiança ou depósito para o deferimento de 
medida liminar em mandado de segurança, quando verificada a real necessidade 
da garantia em juízo, de acordo com as circunstâncias do caso concreto (art. 7º, III, 
da Lei nº 12.016/2019). STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, 
redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes julgado em 9/6/2021. (Info 1021) 
 
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● Vedação à concessão de liminar 
 
Art. 7o § 2o Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação 
de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a 
reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessãode aumento ou a 
extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. 
 
Antigamente, entendia-se que não era possível conceder liminar em mandado de segurança para a 
compensação de créditos tributários, entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior. 
No entanto, em 2021, o STF considerou inconstitucional impedir ou condicionar a concessão de 
medida liminar, o que caracteriza verdadeiro obstáculo à efetiva prestação jurisdicional e à defesa do direito 
líquido e certo do impetrante. A Corte concluiu que: 
 
É inconstitucional ato normativo que vede ou condicione a concessão de medida 
liminar na via mandamental. STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, 
redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes julgado em 9/6/2021. (Info 1021) 
 
Em virtude dessa decisão do STF, fica SUPERADA a Súmula 212 do STJ: A compensação de créditos 
tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória. 
 
 Obs.: nos casos em que se veda a concessão da liminar, eventual sentença que conceda o MS não 
poderá ser executada provisoriamente (art. 14, §3º): 
 
§ 3o A sentença que conceder o mandado de segurança pode ser executada 
provisoriamente, salvo nos casos em que for vedada a concessão da medida 
liminar. 
 
h) Emenda da petição inicial 
A possibilidade de correção do polo passivo do mandado de segurança gera divergências doutrinárias 
e jurisprudenciais. Para o STJ, em regra, a indicação errônea da autoridade coatora deve acarretar a extinção 
do processo sem resolução de mérito, sendo vedado emendar a petição inicial. Entretanto, há decisões 
também do STJ que permitem a emenda da petição inicial do mandado de segurança, desde que seja possível 
a identificação da verdadeira autoridade coatora pela simples leitura da petição e da documentação anexada. 
 
Jurisprudência em Teses n. 43 do STJ: A indicação equivocada da autoridade 
coatora não implica ilegitimidade passiva nos casos em que o equívoco é facilmente 
perceptível e aquela erroneamente apontada pertence à mesma pessoa jurídica de 
direito público. 
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Jurisprudência em Teses n. 86 do STJ: Admite-se a emenda à petição inicial de 
mandado de segurança para a correção de equívoco na indicação da autoridade 
coatora, desde que a retificação do polo passivo não implique alterar a 
competência judiciária e que a autoridade erroneamente indicada pertença à 
mesma pessoa jurídica da autoridade de fato coatora. 
 
i) Apresentação de informações 
Nos termos do art. 7º, I, da Lei nº 12.016/09, ao despachar a inicial, o juiz ordenará que se notifique 
o coator do conteúdo da petição inicial, enviando-lhe a segunda via apresentada com as cópias dos 
documentos, a fim de que, no prazo de 10 (dez) dias, preste as informações. 
Natureza jurídica: segundo Daniel Amorim Assumpção Neves, em razão da adoção do entendimento 
de que a autoridade coatora não é propriamente ré no mandado de segurança, suas informações não têm a 
natureza jurídica de contestação. 
 
STJ: A intempestividade das informações prestadas pela autoridade apontada 
como coatora no mandado de segurança não induz à revelia, uma vez que ao 
impetrante incumbe demonstrar, mediante prova pré-constituída dos fatos que 
embasam a impetração, a ocorrência do direito líquido e certo. 
 
No entendimento de Leonardo Carneiro da Cunha, não apresentadas as informações, não se 
presumem verdadeiros os fatos alegados pelo impetrante. Isso porque há presunção de legitimidade em 
relação ao ato administrativo eventualmente questionado, que caberá ao impetrante afastar. Dessa forma, 
essa presunção não será desfeita com a simples ausência de informações. 
 
j) Prazo para impetração 
 
Prazo: 120 dias, a contar, em regra, da data em que o interessado tiver conhecimento oficial do ato 
a ser impugnado. 
 
A data do último ato administrativo reputado ilegal é o termo inicial do prazo 
decadencial para impetração de Mandado de Segurança com objetivo de 
reclassificação em concurso público em virtude de anulação de questões por 
decisão judicial após o encerramento do prazo de validade do certame. STJ. RMS 
64.025-BA, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, por unanimidade, 
julgado em 04/10/2022, DJe 10/10/2022. (Info 752). 
 
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Assim, depois que uma autoridade praticar um ato ilegal ou abusivo, a pessoa prejudicada terá o 
prazo de até 120 dias para impugná-lo por meio de mandado de segurança. Ultrapassado este período, o 
interessado continua com o direito de questionar o ato, mas deverá fazer isso mediante ação ordinária. 
Caso a decisão que negar a segurança não tenha apreciado o mérito, será possível impetrar um novo 
mandado de segurança, desde que não ultrapassado o período de 120 dias. 
 
Art. 23. O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 120 
(cento e vinte) dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. 
 
Art. 6º, §6º, da Lei n. 12.016/09: O pedido de mandado de segurança poderá ser 
renovado dentro do prazo decadencial, se a decisão denegatória não lhe houver 
apreciado o mérito. 
 
O prazo decadencial NÃO se suspende ou interrompe. Nem mesmo o pedido de reconsideração 
administrativo interrompe a contagem desse prazo. 
 
Súmula 430-STF: Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o 
prazo para o mandado de segurança. 
 
Súmula 632-STF: É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a 
impetração de mandado de segurança. 
 
Se o ato impugnado é de trato sucessivo, o prazo de 120 dias renova-se a cada ato. 
Mandado de segurança preventivo: NÃO se pode falar em prazo decadencial para a sua impetração, 
pois NÃO há ato coator a marcar a contagem. 
 
STF (Info 1021): É constitucional o art. 23 da Lei nº 12.016/2009, que fixa o prazo 
decadencial de 120 dias para a impetração de mandado de segurança. 
STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. 
Alexandre de Moraes julgado em 9/6/2021 
 
STJ (Info 578): O prazo decadencial para impetrar mandado de segurança contra 
redução do valor de vantagem integrante de proventos ou de remuneração de 
servidor público renova-se mês a mês. A redução, ao contrário da supressão de 
vantagem, configura relação de trato sucessivo, pois não equivale à negação do 
próprio fundo de direito. Assim, o prazo decadencial para se impetrar a ação 
mandamental renova-se mês a mês. 
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- Ato que SUPRIME vantagem: é ato ÚNICO (o prazo para o MS é contado da data 
em que o prejudicado tomou ciência do ato). 
- Ato que REDUZ vantagem: consiste em prestação de TRATO SUCESSIVO (o prazo 
para o MS renova-se mês a mês). 
 
STF (Info 884): Se no curso de um processo administrativo federal é praticado ato 
contrário aos interesses da parte, o prazo de 120 dias para impetração de mandado 
de segurança somente se inicia quando a parte for intimada diretamente, na forma 
do § 3º do art. 26 da Lei nº 9.784/99 
 
STF (Info 859):O STF já relativizou o prazo de 120 dias do MS em nome da 
segurança jurídica. Em outubro/2004, a parte impetrou mandado de segurança no 
STF. O writ foi proposto depois que já havia se passado mais de 120 dias da 
publicação do ato impugnado. Dessa forma, o Ministro Relator deveria ter 
extinguido o mandado de segurança sem resolução do mérito pela decadência. 
Ocorre que o Ministro não se atentou para esse fato e concedeu a liminar pleiteada. 
Em março/2017, a 1ª Turma do STF apreciou o mandado de segurança. O que fez o 
Colegiado? Extinguiu o MS sem resolução do mérito em virtude da decadência? 
NÃO. A 1ª Turma do STF reconheceu que o MS foi impetrado fora do prazo, no 
entanto, como foi concedida liminar e esta perdurou por mais de 12 anos, os 
Ministrosentenderam que deveria ser apreciado o mérito da ação, em nome da 
segurança jurídica. STF. 2ª Turma. MS 25097/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado 
em 28/3/2017 (Info 859). 
 
k) Competência 
 A competência no MS é definida pela categoria da autoridade coatora e pela sua sede funcional. 
 
STJ: A competência para o mandado de segurança é absoluta. No caso dos 
tribunais, é funcional; no caso do juízo de primeiro grau, é territorial e absoluta 
ou em razão da pessoa. 
 
 Ensina Leonardo Carneiro da Cunha: “Se a autoridade coatora desempenha função estadual ou 
municipal, e a matéria envolvida não for trabalhista, nem eleitoral, a competência será da Justiça Estadual. 
Caso a autoridade exerça função federal, e, de igual modo, não haja matéria trabalhista ou eleitoral 
envolvida, a competência será da Justiça Federal.” (CUNHA, 2016, p. 552) 
Segundo Daniel Amorim Assumpção Neves, se a competência para o julgamento do MS for do juízo 
de primeiro grau, tanto na Justiça Estadual como na Federal, a competência territorial será determinada pelo 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/0b081776bae790b4ee7c059c23b96b3a?categoria=10&subcategoria=92&criterio-pesquisa=e
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/0b081776bae790b4ee7c059c23b96b3a?categoria=10&subcategoria=92&criterio-pesquisa=e
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local em que a autoridade exerce suas funções. Caso haja vara privativa da Fazenda Pública, a competência 
será absoluta dentro da comarca. 
 
● Competência originária do STF: MS contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos 
Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do 
próprio Supremo Tribunal Federal. 
● Competência recursal do STF: recurso ordinário contra decisão denegatória de mandado de segurança 
proferida em única instância pelos Tribunais Superiores. 
● Competência originária do STJ: MS contra atos de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do 
Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal. 
● Competência recursal do STJ: recurso ordinário contra decisão denegatória de mandado de segurança 
proferida em única instância por TJ ou TRF. 
● Competência originária de TRF: MS contra ato do próprio tribunal ou de juiz federal. 
● Competência da justiça federal de 1º grau: MS contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de 
competência dos tribunais federais. 
● Competência da justiça do trabalho: MS contra ato que envolva matéria sujeita à sua jurisdição. 
 
TABELA DE COMPETÊNCIA DO MANDADO DE SEGURANÇA 
 
 
COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO 
STF 
contra atos 
a) do Presidente da República, 
b) das Mesas da Câmara dos Deputados e do 
Senado Federal, 
c) do Tribunal de Contas da União, 
d) do Procurador-Geral da República e 
e) do próprio Supremo Tribunal Federal. 
COMPETÊNCIA RECURSAL DO 
STF: 
Recurso ordinário contra decisão denegatória de 
mandado de segurança proferida em única instância 
pelos Tribunais Superiores 
COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO 
STJ: 
Contra atos 
a) do próprio Tribunal 
b) de Ministro de Estado, 
c) dos Comandantes da Marinha, 
d) do Exército e 
e) da Aeronáutica ou 
f) do próprio Tribunal 
 
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COMPETÊNCIA RECURSAL DO 
STJ: 
Recurso ordinário contra decisão denegatória de 
mandado de segurança proferida em única instância por 
TJ ou TRF 
 
COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DE 
TRF: 
Contra ato 
a) do próprio tribunal 
b) de juiz federal 
 
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA 
FEDERAL DE 1º GRAU: 
Contra ato 
a) de autoridade federal, excetuados os casos de 
competência dos tribunais federais 
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO 
TRABALHO: 
Contra ato 
a) que envolva matéria sujeita à sua jurisdição. 
 
 
Súmula 623-STF: Não gera por si só a competência originária do Supremo Tribunal 
Federal para conhecer do mandado de segurança com base no art. 102, I, n, da 
Constituição, dirigir-se o pedido contra deliberação administrativa do tribunal de 
origem, da qual haja participado a maioria ou a totalidade de seus membros. 
 
Súmula 624-STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer 
originariamente de mandado de segurança contra atos de outros tribunais 
 
#DDEXPLICA 
O STF não dispõe de competência originária para processar e julgar MS impetrado 
contra ato de outros Tribunais judiciários, ainda que se trate do STJ. Compete ao 
próprio STJ julgar os mandados de segurança impetrados contra seus atos ou 
omissões. 
 
Súmula 330-STF: O Supremo Tribunal Federal não é competente para conhecer 
de mandado de segurança contra atos dos tribunais de justiça dos estados. 
 
Súmula 41-STJ: O Superior Tribunal de Justiça não tem competência para processar 
e julgar, originariamente mandado de segurança contra ato de outros tribunais ou 
dos respectivos órgãos. 
 
#DDEXPLICA 
É o mesmo sentido da Súmula 624-STF. • MS contra ato do TJ é julgado pelo 
próprio TJ. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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Súmula 376-STJ: Compete à turma recursal processar e julgar o mandado de 
segurança contra ato de juizado especial. 
 
STJ: Mandado de segurança impetrado contra Governador do Estado, a 
competência, ainda que a matéria seja trabalhista, será do correspondente Tribunal 
de Justiça. 
 
STF: NÃO lhe cabe julgar, originariamente, MS contra atos praticados por outros 
Tribunais e seus Órgãos. Os próprios Tribunais é que têm competência para julgar, 
originalmente, MS contra seus atos, dos respectivos presidentes, câmaras e seções. 
 
l) Amicus Curiae em mandado de segurança 
 Amicus curiae é alguém que, mesmo sem ser parte, é chamado ou se oferece para intervir em 
processo relevante, em razão de sua representatividade, com o objetivo de apresentar ao Tribunal a sua 
opinião sobre o debate que está sendo travado nos autos, fazendo com que a discussão seja amplificada e o 
órgão julgador possa ter mais elementos para decidir de forma legítima. 
Amicus curiae, em uma tradução literal do latim, significa “amigo da corte” ou “amigo do tribunal”. 
Obs.: amici curiae é o plural de amicus curiae. 
 
 É possível a intervenção de amicus curiae em um processo de mandado de segurança? Trata-se de 
tema polêmico. 
∘ 1ª corrente: NÃO. No processo de mandado de segurança não é admitida a intervenção de terceiros 
nem mesmo no caso de assistência simples. Se fosse admitida a intervenção do amicus curiae, isso 
poderia comprometer a celeridade do mandado de segurança (STF. 1ª Turma. MS 29192/DF, rel. 
Min. Dias Toffoli, julgado em 19/8/2014. Info 755). 
 
O rito procedimental do mandado de segurança é incompatível com a intervenção 
de terceiros, conforme se extrai do art. 24 da Lei nº 12.016/09, ainda que na 
modalidade de assistência litisconsorcial. 
STJ. 1ª Seção. AgInt na PET no MS 23.310/DF, Rel. Min. Aussete Magalhães, julgado 
em 28/04/2020. STF. 2ª Turma. RExt-AgR-ED 1.046.278/DF, Rel. Min. Gilmar 
Mendes, DJE 06/11/2020. 
 
No mesmo sentido: decisão monocrática do Min. Luiz Fux: “Tradicionalmente não 
se admite a figura do amicus curiae na via do mandado de segurança, tendo em 
vista o caráter personalíssimo da ação e a exigência de celeridade intrínsecos ao 
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writ” (STF. Decisão monocrática. MS 34196, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 
18/05/2018). 
 
∘ 2ª corrente: SIM. A doutrina defende que, com o novo CPC, é possível a intervenção de amicus 
curiae em processo de mandado de segurança (Enunciado nº 249 do Fórum Permanente de 
Processualistas Civis). 
No mesmo sentido: 
- STF. Decisão monocrática. MS 32451, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 
27/06/2017. 
- STF. Decisão monocrática. MS 35785, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 
09/03/2020. 
 
m) Reexame necessário: 
 
 Art. 14, §1º, da Lei n. 12.016/09:Concedida a segurança, a sentença estará sujeita 
obrigatoriamente ao duplo grau de jurisdição. 
 
STJ: As hipóteses de dispensa de remessa necessária previstas no art. 496 do CPC NÃO se aplicam ao 
mandado de segurança, em razão da especialidade da norma contida na Lei n. 12.016/09. 
 
Obs.: O entendimento exposto acima foi firmado em relação ao CPC/73 e em relação à Lei n. 
1.533/51, que regia o MS. Contudo, segundo Daniel Amorim Assumpção Neves, a doutrina majoritária 
considera que o entendimento se manterá inalterado em face do novo CPC e da Lei n. 12.016/09. 
 
n) Recursos 
Agravo de instrumento: cabível da decisão que conceder ou denegar a liminar; 
Apelação: Indeferimento da inicial pelo juiz, e da sentença que concede ou denega o mandado. 
 
Art. 14, §2º, da Lei n. 12.016/09: Estende-se à autoridade coatora o direito de 
recorrer. 
 
OBS: O MS admite desistência em qualquer tempo e grau de jurisdição, independentemente do 
consentimento do impetrado, desde que não tenha ocorrido o trânsito em julgado. 
 
STJ (Info 533): O impetrante pode desistir de mandado de segurança sem a 
anuência do impetrado mesmo após a prolação da sentença de mérito. 
 
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O entendimento acima parecia consolidado. Ocorre que, em um caso concreto 
noticiado no Informativo 781, o STF afirmou que não é cabível a desistência de 
mandado de segurança, nas hipóteses em que se discute a exigibilidade de 
concurso público para delegação de serventias extrajudiciais, quando na espécie já 
houver sido proferida decisão de mérito, objeto de sucessivos recursos. No caso 
concreto, o pedido de desistência do MS foi formulado após o impetrante ter 
interposto vários recursos sucessivos (embargos de declaração e agravos 
regimentais), todos eles julgados improvidos. Dessa forma, o Ministro Relator 
entendeu que tudo levaria a crer que o objetivo do impetrante ao desistir seria o 
de evitar o fim da discussão com a constituição de coisa julgada. Com isso, ele 
poderia propor uma ação ordinária em 1ª instância e, assim, perpetuar a 
controvérsia, ganhando tempo antes do desfecho definitivo contrário. Assim, com 
base nessas peculiaridades, a 2ª Turma do STF indeferiu o pedido de desistência. 
STF. 2ª Turma. MS 29093 ED-ED-AgR/DF, MS 29129 ED-ED-AgR/DF, MS 29189 ED-
ED-AgR/DF, MS 29128 ED-ED-AgR/DF, MS 29130 ED-ED-AgR/DF, MS 29186 ED-ED-
AgR/DF, MS 29101 ED-ED-AgR/DF, MS 29146 ED-ED-AgR/DF, Rel. Min. Teori 
Zavascki, julgados em 14/4/2015 (Info 781). 
 
o) MS COLETIVO - Art. 5º, LXX da CF e art. 21 da Lei 12.016/09 
 
Com o mandado de segurança coletivo, visa-se a proteção de direito líquido e certo, não amparado 
por habeas corpus ou habeas data (campo residual), contra atos ou omissões ilegais ou com abuso de poder 
de autoridade, buscando a preservação (preventivo) ou reparação (repressivo) de interesses transindividuais, 
sejam os individuais homogêneos, sejam coletivos. 
 
Art. 5º, LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: 
a) partido político com representação no Congresso Nacional; 
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e 
em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus 
membros ou associados; 
 
Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político 
com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos 
relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, 
entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, 
pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou 
de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde 
que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. 
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Pode ser impetrado: 
 
● Partido político com representação no CN, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus 
integrantes ou à finalidade partidária. 
 Obs.1: Basta 1 único representante na CD ou SF, filiado ao partido. 
 Obs.2: STJ vem entendendo que PP somente poderá impetrar MS coletivo para a defesa de seus 
filiados e em questões políticas, ou seja, criou uma pertinência temática. Contudo, frisa-se que parte da 
doutrina (por todos o autor Pedro Lenza), discorda, pois burla o objetivo maior de defesa da sociedade, já 
que o constituinte originário não previu outra limitação à atuação dos partidos políticos a não ser a 
representação no Congresso Nacional. Conforme estabelece o art. 21 da Lei n. 12.016/2009 o mandado de 
segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional na 
defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes; ou à finalidade partidária. 
 
● Organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento 
há, pelo menos, 01 ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus 
membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, 
dispensadas, para tanto, autorização especial. 
 
Requisitos a serem preenchidos: 
1.estar legalmente constituída: organizações sindicais, entidades de classe e associações; 
2.estar em funcionamento há pelo menos 1 ano -é exclusivo das associações; 
3. atuar na defesa dos interesses dos seus membros associados: pertinência temática estabelecida 
pela CF entre o objeto do MS e os objetivos institucionais as organizações sindicais, entidades 
de classe e associações. 
 
A legitimidade é extraordinária, sendo o caso de substituição processual, razão pela qual NÃO se 
exige autorização expressa dos titulares do direito. 
 
Súmula 629/STF - A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de 
classe em favor dos associados independe da autorização destes 
 
Súmula 630/STF - A entidade de classe tem legitimação para o mandado de 
segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da 
respectiva categoria. 
 
Não se aplica às associações genéricas — que não representam qualquer categoria 
econômica ou profissional específica — a tese firmada no Tema 1.119 da 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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sistemática da repercussão geral, sendo insuficiente a mera regularidade registral 
da entidade para sua atuação em sede de mandado de segurança coletivo, pois 
passível de causar prejuízo aos interesses dos beneficiários supostamente 
defendidos (Info 1082, STF). 
Os direitos protegidos pelo MS podem ser: 
● Coletivos; 
● Individuais homogêneos. 
 
art. 21, § único da Lei de MS. 
Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo 
podem ser: 
 
I - COLETIVOS, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de 
natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre 
si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica; 
 
II - INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS, assim entendidos, para efeito desta Lei, os 
decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade 
ou de parte dos associados ou membros do impetrante. 
 
Os direitos defendidos por organização sindical NÃO precisam ser o mesmo direito para todos os 
seus membros, podendo ser um direito de apenas parte dos membros da entidade. 
 
Caiu na prova Delegado/MG 2021! (adaptada) Centenas de delegados civis do Estado ZW reuniram-se na 
sede do Sindicato dos Delegados local, representante dos interesses dessa categoria. O sindicato está 
legalmente constituído e em funcionamento há três anos. Depois de longo período sem reajustes na sua 
remuneração, em assembleia geral convocada especialmente para deliberar a respeito das medidas a serem 
adotadas pelos sindicalizados, decidiram adotarprovidências concernentes a manifestações de rua, em 
frente à Assembleia Legislativa, de maneira pacífica e organizada. Ao ser comunicado sobre as reuniões 
acima, o Governador de Estado respondeu ao Sindicato dos Delegados que as estava indeferindo, dando 
ordem expressa para que elas não fossem realizadas. Dentre os remédios constitucionais abaixo, 
o adequado à iniciativa do Sindicato, para assegurar os direitos dos filiados, sem necessidade de dilação e 
instrução probatórias, é mandado de segurança coletivo. (ITEM CORRETO) 
 
➔ ATENÇÃO! MUDANÇA DE ENTENDIMENTO! 
Antigamente, no mandado de segurança coletivo impetrado contra autoridade vinculada à pessoa 
jurídica de direito público, a liminar só poderá ser concedida após audiência do representante judicial da 
pessoa jurídica, que deveria se pronunciar no prazo de 72 horas. 
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No entanto, em 2021, o STF julgou inconstitucional a exigência de oitiva prévia do representante da 
pessoa jurídica de direito público como condição para a concessão de liminar em mandado de segurança 
coletivo, por considerar que a disposição restringe o poder geral de cautela do magistrado. Conforme 
argumentou o Min. Marco Aurélio: 
 
“O preceito contraria o sistema judicial alusivo à tutela de urgência. Se esta surge 
cabível no caso concreto, é impertinente, sob pena de risco do perecimento do 
direito, estabelecer contraditório ouvindo-se, antes de qualquer providência, o 
patrono da pessoa jurídica. Conflita com o acesso ao Judiciário para afastar lesão 
ou ameaça de lesão a direito. Tenho como inconstitucional o artigo 22, § 2º, da Lei 
nº 12.016/2009.” 
 
Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada 
limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo 
impetrante. (Vide ADIN 4296) 
§ 2o No mandado de segurança coletivo, a liminar só poderá ser concedida após a 
audiência do representante judicial da pessoa jurídica de direito público, que 
deverá se pronunciar no prazo de 72 (setenta e duas) horas. 
 
p) Considerações gerais sobre MS: 
∘ Prazo decadencial: 120 dias 
∘ Não há dilação probatória 
∘ Há reexame necessário 
∘ Tanto a autoridade coatora como a pessoa jurídica devem ser indicadas na petição inicial 
∘ Do indeferimento da petição inicial – cabe apelação 
∘ Da decisão que concede/nega MS – cabe apelação 
∘ Da decisão que concede/nega liminar – cabe agravo de instrumento 
∘ Não cabe intervenção de terceiros no MS 
∘ Não cabe embargos infringentes no MS 
∘ Não cabe pagamento de honorários advocatícios no MS (salvo comprovada a má-fé) 
∘ Não cabe ingresso de litisconsórcio ativo após o despacho da petição inicial 
∘ Oitiva do MP em 10 dias 
∘ Tem prioridade na tramitação, salvo HC. 
 
Súmulas importantes sobre mandado de segurança: 
 
http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADI&documento=&s1=4296&numProcesso=4296
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Súmula 271 – STF - Concessão de mandado de segurança não produz efeitos 
patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados 
administrativamente ou pela via judicial própria. 
Súmula 333-STJ: Cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação 
promovida por sociedade de economia mista ou empresa pública. 
Súmula 429-STF: A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não 
impede o uso do mandado de segurança contra omissão da autoridade. 
Súmula 474-STF: Não há direito líquido e certo, amparado pelo mandado de 
segurança, quando se escuda em lei cujos efeitos foram anulados por outra, 
declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 
Súmula 604-STJ: O mandado de segurança não se presta para atribuir efeito 
suspensivo a recurso criminal interposto pelo Ministério Público. 
Súmula 626-STF: A suspensão da liminar em mandado de segurança, salvo 
determinação em contrário da decisão que a deferir, vigorará até o trânsito em 
julgado da decisão definitiva de concessão da segurança ou, havendo recurso, até 
a sua manutenção pelo Supremo Tribunal Federal, desde que o objeto da liminar 
deferida coincida, total ou parcialmente, com o da impetração. 
Súmula 631-STF: Extingue-se o processo de mandado de segurança se o impetrante 
não promove, no prazo assinado, a citação do litisconsorte passivo necessário. 
 
Caiu na prova Delegado BA/2022! A Lei nº 12.016/2009 disciplina o mandado de segurança. De acordo com 
a mencionada lei, o presidente do tribunal poderá conferir ao pedido efeito suspensivo liminar se constatar, 
em juízo prévio, a plausibilidade do direito invocado e a urgência na concessão da medida. (ITEM CORRETO) 
 
 
 
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100 
 
META 4 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL: REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS (PARTE II) 
 
3. MANDADO DE INJUNÇÃO5 
 
a) Introdução 
Trata-se de remédio constitucional, assim como o mandado de segurança coletivo e o habeas data, 
introduzido pelo Poder Constituinte Originário de 1988. 
A Lei nº 13.300/16 disciplina o processo e julgamento do mandado de injunção individual e coletivo. 
 
Art. 5º, LXXI, CF/88 - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de 
norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades 
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à 
cidadania; 
 
Art. 2º, Lei 13.300/2016 - Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta 
total ou parcial de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e 
liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à 
soberania e à cidadania. 
 
Remédio à disposição de qualquer um que se sinta prejudicado pela falta de norma regulamentadora, 
sem a qual resulte inviabilizado o exercício dos direitos, liberdades e garantias constitucionais. => Caso de 
inércia governamental (“violação negativa do texto constitucional”). 
Ensina Dirley da Cunha Jr.: 
 
O objetivo do PCO ao criar o MI e a ADO foi introduzir mecanismos capazes de 
combater a inefetividade de normas constitucionais, impedindo que a inação dos 
órgãos incumbidos do dever de normativização venha a obstar o auferimento dos 
direitos pelos destinatários da norma constitucional. Enquanto o MI é uma ação 
constitucional de garantia individual concebido como instrumento de controle 
concreto de constitucionalidade da omissão voltado à defesa de direitos subjetivos, 
a ADO é uma ação constitucional de garantia da Constituição, um instrumento de 
controle abstrato de constitucionalidade da omissão, empenhado na defesa 
objetiva da CF. 
 
5Para aprofundamento, sugerimos: http://www.dizerodireito.com.br/2016/06/primeiros-comentarios-lei-133002016-
lei.html 
http://www.dizerodireito.com.br/2016/06/primeiros-comentarios-lei-133002016-lei.html
http://www.dizerodireito.com.br/2016/06/primeiros-comentarios-lei-133002016-lei.html
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Assim, conclui-se: 
 
(1) Trata-se de instrumento para combater a Síndrome de Inefetividade das Normas Constitucionais. Ao 
lado da ADO, atacam a inefetividade das normas constitucionais de eficácia limitada, ante a ausência de 
lei infraconstitucional integrativa para propiciar à norma constitucional a produção de todos os seus 
efeitos. 
 
 IMPORTANTE 
Conforme ensina o professor Pedro Lenza, trata-se, portanto, de normas constitucionais de eficácia 
limitada, aplicabilidade mediata e reduzida, dividindo-se em dois grupos: a) normas de eficácia limitada, 
declaratórias de princípios institutivos ou organizativos: normalmente criam órgãos (arts. 91, 125, § 3.º, 
131...); b) normas declaratórias de princípios programáticos: veiculam programas a serem implementados 
pelo Estado (ex.: arts. 196, 215, 218, caput...). 
 
(2) Trata-se de instrumentoé o fato típico + ilícito, analisados em uma única ocasião. 
● O tipo possui função constitutiva da ilicitude, de tal forma que se o fato for lícito, será atípico. 
● A ilicitude faz parte da tipicidade, ou seja, é a fusão entre os dois substratos. 
Ex.: O tipo penal do homicídio não seria matar alguém, mas matar alguém fora das hipóteses de legítima 
defesa, estado de necessidade etc. 
 
d) Teoria dos Elementos Negativos do Tipo: O tipo penal é composto por elementos positivos e elementos 
negativos. Os positivos são explícitos (tipo penal), enquanto os elementos negativos estão implícitos (causas 
excludentes de ilicitude). Para que o comportamento do agente seja típico, não podem estar configurados 
os elementos negativos. 
 
● Face positiva: é chamada de tipicidade provisória (o que nós conhecemos como tipicidade). 
● Face negativa: é a ausência dos elementos negativos do tipo (o que nós conhecemos como causas 
excludentes da ilicitude). 
https://youtu.be/zyfFUuduvJ4
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Há aqui uma absoluta relação de dependência entre o fato típico e a ilicitude, pois, para que seja típico, 
não pode ser lícito, ou seja, deve também ser ilícito. Ex.: “matar alguém” = elemento positivo. No entanto, 
matar alguém só será crime se o agente não estiver amparado em uma excludente da ilicitude, pois, caso 
estivesse, incidiria um elemento negativo do tipo. 
 
Como dito, no Brasil adota-se a teoria indiciária, porém, mitigada a partir da reforma de 2008, em razão de 
dispositivos que privilegiam o “in dubio pro reo”, uma vez que, mesmo a defesa não provando cabalmente a 
excludente, em caso de dúvida, deve o magistrado decidir em favor do réu. 
 
1.3. Causas de Exclusão da Ilicitude 
 
 
1.3.1. Causas Legais de Exclusão da Ilicitude 
As causas excludentes de ilicitude também podem ser denominadas de descriminantes ou de justificantes. A 
causa excludente ilicitude torna a conduta compatível com a ordem jurídica, levando a concluir-se a 
conformidade do comportamento do agente com o ordenamento jurídico. 
 
a) Parte Geral do CP: 
→ Estado de necessidade 
→ Legítima defesa 
→ Estrito cumprimento de dever legal 
→ Exercício regular do direito 
 
Art. 23, CP - Não há crime quando o agente pratica o fato: 
I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa; 
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. 
 
b) Parte Especial do CP: 
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Exemplos: 
→ Art. 128, I, CP 
→ Art. 146, §3º, I e II, CP 
 
c) Legislação Especial: 
Exemplos: 
→ Art. 303, Lei 7.565/86 
 
1. ESTADO DE NECESSIDADE (art. 24, CP) 
 
Art. 24, CP - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar 
de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo 
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era 
razoável exigir-se. 
 
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar 
o perigo. 
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá 
ser reduzida de um a dois terços. 
 
a) Conceito: 
Causa excludente de ilicitude que representa um choque entre dois interesses jurídicos colocados 
em perigo, sendo necessário sacrifício de um para salvar o outro de perigo atual, sendo este direito próprio 
ou alheio cujo sacrifício não era razoável exigir-se nessas circunstâncias. 
Se há dois bens em perigo de lesão, o estado permite que seja sacrificado um deles, pois, diante do 
caso concreto, a tutela penal não pode salvaguardar a ambos. Nesse caso, há sopesamento de bens diante 
de uma situação adversa. 
Ex.: Um pedestre joga-se na frente de um motorista, que, para preservar a vida humana, opta por 
desviar do seu veículo e colidir com outro que se encontrava estacionado nas proximidades. Entre sacrificar 
uma vida e um bem material, o agente fez a opção claramente mais razoável. Não pratica crime de dano, 
pois o fato embora típico, não é ilícito. 
 
b) Requisitos: 
 
(1) SITUAÇÃO DE PERIGO ATUAL: 
 
Perigo atual. 
→ Pode advir da natureza, do homem, de comportamento animal. 
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→ Possui destinatário indeterminado. 
→ Há discussão se perigo iminente também poderia ser englobado aqui. 
Masson diz que sim, valendo-se de analogia in bonan partem do art. 25. Sanches sustenta que não, 
haja vista o silêncio eloquente do legislador. Se a questão pedir conforme letra de lei, atual ou 
iminente é só na legítima defesa, sendo que estado de necessidade é atual. 
→ Para determinar se há uma situação de perigo ou não, leva-se em consideração uma pessoa do 
mesmo círculo social do autor (observador inteligente), sendo que os conhecimentos e informações 
dessa pessoa devem ser agregados ao juízo de um especialista em perigo. 
 
Quanto à existência do perigo, a doutrina classifica o estado de necessidade em: 
a) Estado de necessidade real: a situação de perigo existe efetivamente (exclui a ilicitude); 
b) Estado de necessidade putativo: a situação de perigo não existe, é imaginária (não exclui a ilicitude). 
Se o perigo não existe (é imaginário), o agente está diante de uma discriminante putativa (estado 
de necessidade putativo). Isso é importante porque o estado de necessidade putativo não exclui 
ilicitude. (descriminante putativa por erro de tipo ou erro de proibição). 
 
(2) PERIGO NÃO CAUSADO VOLUNTARIAMENTE PELO AGENTE 
 
O provocador do perigo NÃO pode beneficiar-se da excludente, salvo no caso em que tenha gerado 
involuntariamente. Em outras palavras, aquele que por sua vontade produz o perigo não poderá agir em 
estado de necessidade. 
 Há divergência no que tange a voluntariedade da provocação do perigo: 
1ª posição (Damásio): Somente o perigo causado dolosamente impede que seu autor alegue o estado 
de necessidade. 
2ª posição (Frederico Marques, Mirabete, Masson): Não apenas o perigo doloso, mas também o 
provocado por culpa impede a alegação do estado de necessidade, uma vez que a conduta culposa 
também é voluntária em sua origem. 
 
(3) INEVITABILIDADE DO DANO 
 
“Que não podia, de outro modo, evitar” 
A inevitabilidade do dano é inerente ao estado de necessidade. Ou seja: o agente não tem como 
evitar o dano sem que pratique a conduta abrangida pelo estado de necessidade. 
 
ATENÇÃO: Para que essa conduta esteja amparada pelo estado de necessidade, o indivíduo tem que, 
necessariamente, escolher a opção menos danosa, sob pena que agir em excesso. Ocorre que, normalmente, 
a opção menos danosa é simplesmente a FUGA do perigo, justamente para evitar a lesão a outro bem jurídico 
legítimo. 
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Isso porque, no estado de necessidade, há a exigência do commodus discessus (saída mais cômoda; 
saída mais fácil, fuga). 
→ No estado de necessidade, o objetivo é a eliminação da situação de perigo, e não a necessária 
afirmação da prevalência do meu direito. Assim, ao contrário da legítima defesa, em que o indivíduo 
sofre uma injusta agressão, no estado de necessidade há dois bens jurídicos lícitos/devidos em 
conflito, de modo que não é possível preservar ambos. Por isso, é necessário buscar a saída mais 
cômoda para os dois bens jurídicos em risco. 
→ Portanto, o commodus discessus é inerente à inevitabilidade do dano. Isso porque, se é possível 
evitar o dano fugindo/se afastando da fonte de perigo, é um dever fazê-lo. 
 
Ex.: O homicídio não é amparado pelo estado de necessidade quando é possível a lesão corporal. 
Configura-se, nesse caso, o excesso doloso, culposo ou escusável, dependendo das circunstâncias. 
 
(4) INEXISTÊNCIA DE DEVER LEGAL DE ENFRENTAR O PERIGO 
 
Há divergência acerca da configuração do dever legal. A discussão perpassa sobre o alcancede controle concreto/incidental das inconstitucionalidades por omissão, sendo 
voltado, portanto, para a tutela dos direitos subjetivos, garantia individual. 
 
(3) Pressuposto: inviabilização dos exercícios de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas 
inerentes à nacionalidade, soberania e cidadania, pela ausência da norma regulamentadora. 
 
Vamos esquematizar? 
 Mandado de Injunção ADO 
 
 
Legitimação 
Intentado por qualquer 
pessoa física ou jurídica, que 
se veja impossibilitada de 
exercer determinado direito 
constitucional. 
Legitimação restrita aos 
entes do art. 103 CF. 
 
 
Objeto 
Busca-se solução para o caso 
concreto, individualmente 
considerado, diante da 
inércia do legislador. 
-ação constitucional de 
garantia individual. 
O controle da omissão é 
realizado em tese, sem a 
necessidade de estar 
configurada uma 
violação concreta a um 
direito individual. 
-ação constitucional de 
garantia da 
Constituição. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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Julgamento STF, STJ, TSE, etc. (controle 
difuso) 
STF (controle 
concentrado) 
 
 
 IMPORTANTE 
Dirley da Cunha Júnior observa que “o mandado de injunção foi concebido como instrumento de controle 
concreto ou incidental de constitucionalidade da omissão, voltado à tutela de direitos subjetivos. Já a ação 
direta de inconstitucionalidade por omissão foi ideada como instrumento de controle abstrato ou principal 
de constitucionalidade da omissão, empenhado na defesa objetiva da Constituição. Isso significa que o 
mandado de injunção é uma ação constitucional de garantia individual, enquanto a ação direta de 
inconstitucionalidade por omissão é uma ação constitucional de garantia da Constituição”. 
 
b) Cabimento 
 Partindo do texto constitucional, o art. 2.º da Lei n. 13.300/2016 estabelece que será concedido 
mandado de injunção sempre que a falta total ou parcial de norma regulamentadora torne inviável o 
exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à 
soberania e à cidadania. A omissão é total quando a inércia é absoluta, ou seja, o preceito constitucional de 
eficácia limitada não foi disciplinado. Por sua vez, considera-se parcial a regulamentação quando forem 
insuficientes as normas editadas pelo órgão legislador competente. 
 
Exemplos: 
Omissão Total Omissão Parcial 
- art. 37, VII, da CF/88, que 
assegura o direito de greve 
ao servidor público, a ser 
exercido nos termos e nos 
limites definidos em lei 
específica. 
- art. 7.º, IV, que 
assegura o direito ao 
salário mínimo. 
 
 
Em outras palavras: haverá MI quando a existência de direito ou liberdade constitucional, ou de 
prerrogativa inerente à nacionalidade, soberania, cidadania, cujo exercício seja inviabilizado pela ausência 
de norma infraconstitucional regulamentadora. 
Note que NÃO é qualquer omissão do Poder Público que enseja o ajuizamento do MI, mas apenas 
as omissões relacionadas às normas constitucionais de eficácia limitada de caráter mandatório, ou seja, 
normas constitucionais que devem ter a sua plena aplicabilidade assegurada. 
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Portanto, normas constitucionais definidoras de princípios institutivos ou organizativos de natureza 
facultativa, por outorgarem mera faculdade ao legislador, NÃO autorizam o ajuizamento do MI. 
 
STF determinou, em julgamento de mandado de injunção, que o governo federal 
implemente, a partir de 2022, o programa de renda básica de cidadania, previsto 
na Lei nº 10.835/2004. A Lei nº 10.835/2004 instituiu um programa denominado 
“renda básica de cidadania”. Segundo esse programa, todas as pessoas residentes 
no Brasil, não importando a sua condição socioeconômica, deverão receber um 
benefício cujo valor deve ser fixado pelo Poder Executivo. O pagamento do 
benefício deverá ser de igual valor para todos, e suficiente para atender às despesas 
mínimas de cada pessoa com alimentação, educação e saúde. Como esse programa 
ainda não havia sido implementado, em 2020 o Defensor Público-Geral Federal 
ajuizou mandado de injunção contra o Presidente da República. O STF decidiu que, 
como está presente estado de mora inconstitucional, deve ser fixado o valor da 
renda básica de cidadania para o estrato da população brasileira em condição de 
vulnerabilidade socioeconômica — pobreza e extrema pobreza — a ser efetivado, 
pelo Presidente da República, no exercício fiscal seguinte ao da conclusão do 
julgamento de mérito (2022). STF. Plenário. MI 7300/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, 
redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/4/2021. (Info 1014) 
 
Explicação Via Dizer o Direito: 
Cabe mandado de injunção, neste caso? Ele pode ser impetrado contra o 
Presidente da República? 
SIM. Cabe mandado de injunção em face da ausência de fixação do valor da renda 
básica de cidadania, instituída pela Lei nº 10.835/2004, cuja omissão é atribuída ao 
Presidente da República. 
A ausência de fixação do valor é forma de esvaziar o mandamento constitucional 
de combate à pobreza, além de fazer letra morta ao disposto no referido diploma 
legal. 
 
Vale ressaltar, no entanto, que o mandado de injunção foi conhecido apenas 
quanto ao benefício para as pessoas em situação de vulnerabilidade 
Como vimos acima, esse benefício deveria ser pago a todas as pessoas residentes 
no Brasil, independentemente da sua condição socioeconômica. Assim, pela lei, 
mesmo que a pessoa seja milionária, ela teria direito de receber o benefício em 
valor igual a uma pessoa miserável. 
 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/bd9dc58c7af906cdbac364aedd4c0848?categoria=1
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/bd9dc58c7af906cdbac364aedd4c0848?categoria=1
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O STF afirmou que esse mandado de injunção ajuizado pelo Defensor Público-Geral 
deveria ser parcialmente conhecido. Para o STF, o mandado de injunção somente 
deveria ser conhecido no que tange à implementação do benefício para pessoas 
em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Em outras palavras, o STF afirmou 
que só iria analisar e determinar providências para garantir o benefício em favor 
das pessoas em vulnerabilidade socioeconômica. Qual foi o argumento jurídico do 
STF para isso? 
 
Um dos objetivos da República brasileira é “erradicar a pobreza e a marginalização 
e reduzir as desigualdades sociais e regionais” (art. 3º, III, da CF/88), cuja 
determinação é repassada a todos os níveis da Federação (art. 23, X), com auxílio 
da sociedade. 
 
A assistência aos desamparados é direito social básico (art. 6º). Assim, existem 
direitos constitucionais das pessoas em situação de vulnerabilidade que não estão 
sendo desempenhados pela falta da norma regulamentadora. Esse direito, 
contudo, não existe para as pessoas com boa situação econômica. Não se pode 
extrair, da Constituição Federal, o dever do Estado de pagar um benefício social 
para as pessoas com boa situação econômica. O Estado não pode ser segurador 
universal e distribuir renda a todos os brasileiros, independentemente de critério 
socioeconômico. Na CF/88, não há qualquer determinação de atuação estatal nesse 
sentido. 
 
c) Descabimento 
● Diante de falta de norma regulamentadora de direito previsto em normas infraconstitucionais => o 
MI se destina a falta de normas regulamentadoras na CF; 
● Diante da falta de regulamentação dos efeitos de MP não convertida em lei pelo CN; 
● Se a CF outorga mera faculdade do legislador para regulamentar direito previsto em algum de seus 
dispositivos. 
 
STF: entende não haver interesse processual para o ajuizamento de MI quanto à 
aposentadoria especial dos servidorespúblicos, em razão de já ter sido pacificado 
o entendimento em Súmula Vinculante (SV 33). Cabível, portanto, reclamação 
constitucional, e não MI. 
 
STF: A jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que a edição do diploma 
reclamado pela Constituição leva à perda de objeto do mandado de injunção. 
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Excede os limites da via eleita a pretensão de sanar a alegada lacuna normativa do 
período pretérito à edição da lei regulamentadora. 
 
d) Considerações importantes sobre o MI 
∘ Instrumento de controle difuso/incidental 
∘ Introduzido na CF/88 
∘ Exige a falta de norma de eficácia limitada e caráter impositivo 
∘ A omissão combatida pode ser total ou parcial 
∘ Não é gratuito 
∘ Exige advogado 
∘ O indeferimento por ausência de provas não impede novo MI lastreado em novas provas 
∘ A edição da norma regulamentadora objeto do MI acarreta a perda do objeto do MI 
∘ A petição inicial será desde logo indeferida quando a impetração for manifestamente incabível ou 
manifestamente improcedente 
∘ Da decisão de relator que indeferir a petição inicial, prescreve a lei, caberá agravo, em 5 dias, para o 
órgão colegiado competente para o julgamento da impetração 
∘ Não admite medida liminar ** 
 
** STF: É incabível a concessão de medida liminar em MI, uma vez que esse instituto 
se destina à verificação da ocorrência, ou não, de mora da autoridade ou do Poder 
de que depende a elaboração da norma regulamentadora do texto constitucional. 
 
e) Legitimação para o MI individual 
● Polo Ativo: Qualquer pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira, que se veja impossibilitada 
de exercer o seu direito. 
● Polo Passivo: Órgãos ou autoridades públicas que têm obrigação de legislar, mas estejam omissos 
quanto à elaboração de norma regulamentadora, inclusive o Presidente da República, no tocante 
às competências exclusivas do art. 61, CF/88). 
 
Obs.1: Para o conhecimento do MI, o impetrante deve comprovar a titularidade direta do direito 
constitucional em questão. 
 
 Obs.2: Em caso de normas de iniciativa reservada, o MI deverá ser impetrado também em face do 
titular da referida iniciativa reservada (ex. iniciativa reservada do Presidente da República), pois é ele quem 
deverá deflagrar o processo legislativo, não podendo o CN atuar sem a sua provocação. 
 
Obs.3: Para o STF, os particulares – ainda que estejam se beneficiando pela falta da norma 
regulamentadora, NÃO se revestem de legitimidade passiva ad causam para o processo em MI, pois somente 
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ao Poder Público é imputável o dever constitucional de produção legislativa para dar efetividade aos direitos, 
liberdades e prerrogativas constitucionais. 
 
E pessoa jurídica de direito público, pode impetrar o MI? 
Conforme o autor Pedro Lenza, nesta hipótese da pergunta, a pessoa jurídica de direito público impetraria 
o MI em seu próprio nome e tendo por fundamento a falta de norma da Constituição que inviabilize, para 
a entidade de direito público, o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas inerentes à nacionalidade, 
à soberania e à cidadania. Embora exista decisão não admitindo a legitimação ativa da pessoa jurídica de 
direito público para a impetração do MI (MI 537/SC, DJ de 11.09.2001), o STF parece ter superado esse 
entendimento anterior, nos termos do MI 725. 
 
e) Competência: 
As regras de competência para impetrar o mandado de injunção são disciplinadas na própria 
Constituição Federal e variam de acordo com o órgão ou a autoridade responsável pela edição da norma 
regulamentadora. Confira: 
 
COMPETÊNCIA Quando a atribuição para elaborar a norma (poder de iniciativa) for 
do(a) 
STF 
(ART. 102, I, "Q") 
• Presidente da República 
• Congresso Nacional 
• Câmara dos Deputados 
• Senado Federal 
• Mesas da Câmara ou do Senado 
• Tribunal de Contas da União 
• Tribunais Superiores 
• Supremo Tribunal Federal. 
STJ 
(ART. 105, I, "H") 
órgão, entidade ou autoridade federal, excetuados os casos de 
competência do STF e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça 
Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal. 
JUÍZES E TRIBUNAIS DA JUSTIÇA 
MILITAR, JUSTIÇA ELEITORAL, 
JUSTIÇA DO TRABALHO 
órgão, entidade ou autoridade federal nos assuntos de sua 
competência. 
JUÍZES FEDERAIS E TRFS 
órgão, entidade ou autoridade federal, se não for assunto das 
demais "Justiças" e desde que não seja autoridade sujeita à 
competência do STJ. 
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Ex.: compete à Justiça Federal julgar MI em que se alega omissão do 
Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) na edição de norma de 
trânsito que seria de sua atribuição (STJ MI 193/DF). 
JUÍZES ESTADUAIS E TJS 
órgão, entidade ou autoridade estadual, na forma como 
disciplinada pelas Constituições estaduais. 
 
f) Correntes acerca dos efeitos da decisão do Judiciário em MI: 
 
 Antes da edição da Lei 13.300/06, havia muita controvérsia na doutrina e jurisprudência a respeito 
dos efeitos da decisão em sede de mandado de injunção. De forma bem sucinta: 
 
a) Corrente não concretista – a decisão em MI apenas podia declarar em mora o legislador, não 
podendo concretizar o direito cujo gozo encontrava-se impedido em apreço a separação de poderes. 
(STF já adotou essa posição há muitos anos, até 2007). 
b) Corrente concretista – a decisão em MI deve ir além da declaração em mora do legislador, sob pena 
de tornar o remédio constitucional inócuo. A decisão em MI deve concretizar o direito discutido na 
ação, através da edição de norma aplicável ao caso. (Posição da doutrina majoritária e o STF desde 
2007 até os dias atuais). 
 
 Além disso, havia discussão sobre o alcance dos efeitos da decisão: seria limitado às partes do 
processo – inter partes - ou alcançaria todos com eficácia erga omnes? 
 A lei 13.300/16 disciplinou o tema, estabelecendo que: 
 
I - determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma 
regulamentadora; 
II - estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades 
ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o 
interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a 
mora legislativa no prazo determinado. 
Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se refere o inciso I do caput 
quando comprovado que o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção 
anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma. 
 
1. O órgão julgador determina prazo razoável para que o ente em mora supra a falta normativa. 
2. Se ultrapassado prazo estabelecido sem a edição da norma regulamentadora, o órgão julgador irá 
suprir a falta normativa estabelecendo “as condições em que se dará o exercício dos direitos, das 
liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o 
interessado promover ação própria visando a exercê-los.” 
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 A doutrina diz que a Lei 13.300/2016 optou por adotar uma posição concretista intermediária, isto 
é: ao julgar procedente o mandado de injunção, o Judiciário, antes de viabilizar o direito, deverá dar uma 
oportunidade ao órgão omisso para que este possa elaborar a norma regulamentadora. Assim, a decisão 
judicial fixa um prazo para que o Poder, órgão, entidade ou autoridade edite a norma que está faltando. Caso 
esta determinação não seja cumprida no prazo estipulado, aí sim o Poder Judiciário poderá viabilizar o direito, 
liberdade ou prerrogativa. 
➢ Assim, como regra, pela posição concretista intermediária, individual ou coletiva, autorizando a lei a 
adoção da posição concretista intermediária geral. 
 Mas não pode esquecer o § único do art. 8º! A lei dispensa a exigência de préviafixação de prazo 
razoável para a edição da norma regulamentadora nos casos em que ficar comprovado que o impetrado 
deixou de atender, em mandado de injunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma. Essa 
exceção se filia à tese concretista direta: 
 
* Corrente concretista direta: o Judiciário deverá implementar uma solução para 
viabilizar o direito do autor e isso deverá ocorrer imediatamente (diretamente), não 
sendo necessária nenhuma outra providência, a não ser a publicação do dispositivo 
da decisão. 
 
CORRENTE CONCRETISTA INTERMEDIÁRIA CORRENTE CONCRETISTA DIRETA 
O judiciário, ao julgar procedente o mandado 
de injunção, antes de viabilizar o direito, 
deverá dar uma oportunidade ao órgão 
omisso para que este possa elaborar a norma 
regulamentadora. 
O Judiciário deverá implementar uma solução 
para viabilizar o direito do autor e isso deverá 
ocorrer imediatamente (diretamente), não 
sendo necessária nenhuma outra 
providência, a não ser a publicação do 
dispositivo da decisão. 
 
É aplicada como regra É aplicada excepcionalmente 
 
 
Por fim, o art. 9º da Lei disciplina os efeitos subjetivos da decisão que concede o mandado de injunção. 
▪ Efeitos subjetivos = quem deve ser atingido pelos efeitos dessa decisão? 
 
Art. 9º A decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes e produzirá efeitos até 
o advento da norma regulamentadora. 
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§ 1º Poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes à decisão, quando 
isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da 
prerrogativa objeto da impetração. 
§ 2º Transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão ser estendidos aos 
casos análogos por decisão monocrática do relator. 
§ 3º O indeferimento do pedido por insuficiência de prova não impede a 
renovação da impetração fundada em outros elementos probatórios. 
 
 Como regra geral, a eficácia subjetiva da decisão está limitada às partes (inter partes) e somente 
produzirá efeitos até o advento da norma regulamentadora. É o que a doutrina denomina de eficácia 
individual. 
 Excepcionalmente, a eficácia subjetiva da decisão poderá ser ultra partes ou erga omnes, quando for 
inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração. A 
doutrina chama de eficácia geral. 
 
CORRENTE CONCRETISTA GERAL CORRENTE CONCRETISTA INDIVIDUAL 
Determina a aplicação analógica de outro 
diploma legislativo a todas as situações 
omissas até que o órgão omisso 
regulamente a situação. Ex.: Em face da 
inexistência de regra regulamentando o 
exercício do direito de greve pelos 
servidores públicos, o STF determinou a 
aplicação analógica da lei de greves da 
iniciativa privada com efeitos erga omnes. 
 
O tribunal edita a norma do caso concreto, 
determinando a aplicação de um parâmetro 
legal exclusivamente para aquele caso 
submetido a juízo, com efeitos inter partes. 
Ex.: Quanto à aposentadoria especial do 
servidor que trabalha em atividade de risco, 
em face da ausência de lei regulamentadora, 
o STF tem determinado a aplicação, em cada 
caso concreto, da lei geral de benefícios da 
previdência social. 
 
Vamos esquematizar? 
 
 CONTEÚDO DA DECISÃO EFEITOS SUBJETIVOS DA DECISÃO 
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REGRA 
Adoção da tese concretista intermediária 
1. O órgão julgador determina prazo 
razoável para que o ente em mora supra a 
falta normativa. 
2. Se ultrapassado prazo estabelecido sem a 
edição da norma regulamentadora, o 
órgão julgador irá suprir a falta normativa 
estabelecendo “as condições em que se 
dará o exercício dos direitos, das 
liberdades ou das prerrogativas 
reclamados ou, se for o caso, as condições 
em que poderá o interessado promover 
ação própria visando a exercê-los 
Adoção da tese da eficácia individual 
 
A eficácia subjetiva da decisão está 
limitada às partes (inter partes) e 
somente produzirá efeitos até o advento 
da norma regulamentadora. 
 
 
 
 
EXCEÇÃO 
Adoção da tese concretista direta (art. 8º, § 
único) 
O Judiciário deverá implementar uma solução 
para viabilizar o direito do autor e isso deverá 
ocorrer imediatamente (diretamente), não 
sendo necessária nenhuma outra providência, 
a não ser a publicação do dispositivo da 
decisão. 
Adoção da tese da eficácia geral 
A eficácia subjetiva da decisão poderá 
ser ultra partes ou erga omnes, quando 
for inerente ou indispensável ao 
exercício do direito, da liberdade ou da 
prerrogativa objeto da impetração. 
 
g) MI coletivo 
 Embora não haja previsão na CF, cabe o MI coletivo, nos mesmos termos do MS coletivo. Inclusive, a 
própria Lei 13.300/2016 regula os termos do MI coletivo a partir do artigo 12 e seguintes. 
 
Caiu na prova Delegado AC/2017! O mandado de injunção pode ser ajuizado coletivamente, embora inexista 
previsão expressa na CRFB/88. (ITEM CORRETO) 
 
 No MI coletivo, os direitos, liberdades e prerrogativas protegidos são os pertencentes, 
indistintamente, a uma coletividade indeterminada de pessoas ou determinada por grupo, classe ou 
categoria. 
 Dessa forma, deve ser proposto por legitimados previstos na Lei, em nome próprio, mas defendendo 
interesses alheios. São legitimados para impetrar MI coletivo: 
 
Art. 12. O mandado de injunção coletivo pode ser promovido: 
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I - pelo MINISTÉRIO PÚBLICO, quando a tutela requerida for especialmente 
relevante para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses 
sociais ou individuais indisponíveis; 
II - por PARTIDO POLÍTICO COM REPRESENTAÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL, 
para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus 
integrantes ou relacionados com a finalidade partidária; 
III - por ORGANIZAÇÃO SINDICAL, ENTIDADE DE CLASSE ou ASSOCIAÇÃO 
legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano, para 
assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade 
ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde 
que pertinentes a suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial; 
IV - pela DEFENSORIA PÚBLICA, quando a tutela requerida for especialmente 
relevante para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais 
e coletivos dos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição 
Federal . 
 
Parágrafo único. Os direitos, as liberdades e as prerrogativas protegidos por 
mandado de injunção coletivo são os pertencentes, indistintamente, a uma 
coletividade indeterminada de pessoas ou determinada por grupo, classe ou 
categoria. 
 
Observa-se, portanto, que a LMI (art. 12, I a IV) amplia a previsão dos legitimados ativos para a 
promoção do mandado de injunção coletivo em comparação à legislação que disciplina o mandado de 
segurança coletivo (art. 21 da Lei n. 12.016/2009), em relação ao Ministério Público e à Defensoria Pública. 
 Obs.1: Conforme entendimento do STF, não cabe a impetração de mandado de injunção coletivo 
para proceder à revisão geral anual dos vencimentos dos servidores públicos. 
 
"Independentemente da atuação do Poder Legislativo Estadual, é perceptível 
que não se está diante da possibilidade de cabimento do mandado de injunção, 
porque o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou quanto à impossibilidade da 
referida impetração para proceder a revisão geral anual: "Agravo regimental em 
mandado de injunção coletivo. 2. Art. 37, X, da Constituição Federal. 3. Não cabe 
mandado de injunção para proceder à revisão geral anual. Precedentes. 4. Agravo 
a que se nega provimento." (MI 4265 AgR/DF, Relator (a): Min. GILMAR MENDES, 
Julgamento: 30/04/2014, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação 02/06/14)http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5lxxiv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art5lxxiv
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 Obs.2: A coisa julgada gerará efeitos apenas em relação aos substituídos pelo legitimado coletivo. 
Contudo, também é possível a concessão de efeitos erga omnes na mesma situação tratada acima, ou seja, 
desde que seja inerente ou indispensável ao exercício do direito ou liberdade. 
 
 Obs.3: O mandado de injunção coletivo não induz litispendência em relação aos individuais, mas os 
efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante que não requerer a desistência da demanda individual 
no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração coletiva. 
 
Art. 13. No mandado de injunção coletivo, a sentença fará coisa julgada 
limitadamente às pessoas integrantes da coletividade, do grupo, da classe ou da 
categoria substituídos pelo impetrante, sem prejuízo do disposto nos §§ 1o e 2o do 
art. 9o. 
 
Parágrafo único. O mandado de injunção coletivo não induz litispendência em 
relação aos individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o 
impetrante que não requerer a desistência da demanda individual no prazo de 30 
(trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração coletiva. 
 
 Sobre o tema, confira a dica da Professora Thaianne: 
 
https://youtu.be/EHI3tOCeYK4 
 
 
4. HABEAS DATA 
 
a) Previsão normativa: Art. 5º, LXXII e Lei 9507/97 
 
LXXII - conceder-se-á habeas data: 
https://youtu.be/EHI3tOCeYK4
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a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, 
constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de 
caráter público; 
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, 
judicial ou administrativo; 
 
b) Hipóteses de concessão do habeas data: O HD poderá ser impetrado: 
1) Para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de 
registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; 
2) Para retificação desses dados, quando não se prefira fazer por meio sigiloso, judicial ou administrativo; 
3) Para anotação nos assentamentos do interessado de contestação ou explicação sobre dado 
verdadeiro, mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável. 
 
Art. 7° Conceder-se-á habeas data: 
I - para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do 
impetrante, constantes de registro ou banco de dados de entidades 
governamentais ou de caráter público; 
II - para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo 
sigiloso, judicial ou administrativo; 
III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou 
explicação sobre dado verdadeiro mas justificável e que esteja sob pendência 
judicial ou amigável. 
 
STJ: Só pode pedir a retificação de dados o sujeito que tem conhecimento desses 
dados. Portanto, não cabe cumular pedidos de prestação de informações e 
correções de dados. 
 
STF: O HD NÃO é instrumento jurídico adequado para pleitear o acesso a autos de 
processos administrativos. Neste caso, utiliza-se o mandado de segurança em caso 
de evidente direito líquido e certo. STF - HD: 90 DF, Relator: ELLEN GRACIE, Data 
de Julgamento: 25/05/2009, Data de Publicação: DJe-100 DIVULG 29/05/2009 
PUBLIC 01/06/2009. 
 
 Obs.1:Possibilidade de se obter dados do contribuinte que constem dos sistemas dos órgãos 
fazendários 
 
O habeas data é a garantia constitucional adequada para a obtenção dos dados 
concernentes ao pagamento de tributos do próprio contribuinte constantes dos 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/45c48cce2e2d7fbdea1afc51c7c6ad26?categoria=1&subcategoria=1&assunto=5
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/45c48cce2e2d7fbdea1afc51c7c6ad26?categoria=1&subcategoria=1&assunto=5
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sistemas informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da administração 
fazendária dos entes estatais. No caso concreto, o STF reconheceu que o 
contribuinte pode ajuizar habeas data para ter acesso às informações relacionadas 
consigo e que estejam presentes no sistema SINCOR da Receita Federal. O SINCOR 
(Sistema de Conta Corrente de Pessoa Jurídica) é um banco de dados da Receita 
Federal no qual ela armazena as informações sobre os débitos e créditos dos 
contribuintes pessoas jurídicas. A decisão foi tomada com base no SINCOR, mas seu 
raciocínio poderá ser aplicado para outros bancos de dados mantidos pelos órgãos 
fazendários. STF. Plenário. RE 673707/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 
17/6/2015 (repercussão geral) (Info 790). 
 
 Obs.2:Cuidado para não confundir o habeas data com o direito geral de informação, protegido por 
mandado de segurança e previsto no inc. XXXIII da CF/88. Veja: 
 
DIREITO GERAL DE INFORMAÇÃO REQUERIMENTO PARA ACESSO À INFORMAÇÕES 
RELATIVAS À PESSOA DO IMPETRANTE 
XXXIII - todos têm direito a receber dos 
órgãos públicos informações de seu 
interesse particular, ou de interesse 
coletivo ou geral, que serão prestadas no 
prazo da lei, sob pena de responsabilidade, 
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja 
imprescindível à segurança da sociedade e 
do Estado 
LXXII - conceder-se-á habeas data: 
a) para assegurar o conhecimento de informações 
relativas à pessoa do impetrante, constantes de 
registros ou bancos de dados de entidades 
governamentais ou de caráter público; 
 
#Dica DD: Aqui, não são informações de interesse 
da pessoa impetrante, mas sim relativas ao 
impetrante! 
Protegido por mandado de segurança Protegido por habeas data 
 
Obs.3: “O habeas data também não pode ser confundido com o direito à obtenção de certidões em 
repartições públicas. Ao pleitear certidão, o solicitante deve demonstrar que o faz para defesa de direitos e 
esclarecimentos de situações de interesse pessoal (art. 5.º, XXXIV, ‘b’). No habeas data basta o simples desejo 
de conhecer as informações relativas à sua pessoa, independentemente da demonstração de que elas se 
prestarão à defesa de direitos”. 
 
c) Legitimidade ativa: 
Pode ser ajuizado por qualquer pessoa física, brasileira ou estrangeira, bem como por pessoa jurídica 
e órgãos despersonalizados. 
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Trata-se de uma ação personalíssima, que só pode ser ajuizada pelo titular do direito, salvo se houver 
a morte do agente, hipótese em que poderá ser impetrado, excepcionalmente, pelo cônjuge e herdeiros. 
 
d) Legitimidade passiva: Depende da natureza jurídica do registro ou do banco de dados. 
● Registro ou banco de dados de entidade governamental: PJ integrante da administração pública. 
● Registro ou banco de dados de entidade de caráter público: é entidade privada. 
 
e) Jurisdição condicionada 
 O HD é um processo de jurisdição condicionada. Isso porque, para impetrá-lo, deve ter ocorrido o 
prévio requerimento administrativo e a negativa ou omissão pela autoridade administrativa. (Trata-se de 
uma “exceção” ao princípio da inafastabilidade da jurisdição). 
 
Súmula 2-STJ: Não cabe o habeas data (CF, art. 5º, LXXII, letra "a") se não houve 
recusa de informações por parte da autoridade administrativa 
 
Lei 9507/97. Art. 8° A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dos arts. 
282 a 285 do Código de Processo Civil, será apresentada em duas vias, e os 
documentos que instruírem a primeira serão reproduzidos por cópia na segunda. 
 
Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova: 
I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem 
decisão; 
II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de maisde quinze dias, sem 
decisão; ou 
III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 4° ou do decurso 
de mais de quinze dias sem decisão. 
 
f) Características gerais do HD 
✔ Procedimento gratuito e não há ônus de sucumbência, mas se exige advogado para impetrar HD. 
Caiu na prova Delegado BA/2018! A Lei nº 9.507, de 12 de novembro de 1997, disciplina o rito processual 
do habeas data, nos seguintes termos: o impetrante fará jus à gratuidade de Justiça, tendo ou não recursos 
financeiros para arcar com as custas e as despesas processuais. (ITEM CORRETO) 
✔ Tem prioridade sobre todos os atos judiciais, exceto HC e MS. 
✔ NÃO se sujeita a prazo prescricional ou decadencial. 
✔ O pedido do HC pode ser renovado caso a decisão denegatória não tenha apreciado o mérito. 
✔ A lei não fala em medida liminar, mas a doutrina vem entendendo pela admissibilidade. 
✔ Não cabe reexame necessário. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5869.htm#art282
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5869.htm#art282
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✔ Não admite atividade probatória. 
 
g) Prazos na lei: 
∘ Requerimento: art. 2º 
· 48 h para decidir o requerimento; 
· 24h para comunicar a decisão ao requerente; 
 
∘ Haverá omissão da autoridade quando não se manifestar: art. 8º, §único 
· Pedido de acesso aos dados: 10 dias 
· Pedido de retificação de dados: 15 dias. 
· Pedido de complementação de dados: 15 dias. 
 
∘ Após despachar a inicial: art. 9º e 12º 
· Juiz comunica à autoridade coatora para apresentar informações que julgue necessárias em 
10 dias 
· Transcorridos esses 10 dias, o juiz deverá ouvir o MP em 5 dias 
· Juiz deve decidir em 5 dias 
 
h) Recursos 
∘ Do despacho que indeferir liminarmente a petição inicial – apelação 
∘ Da decisão que conceder ou negar o HD – apelação 
 
Art. 10. A inicial será desde logo indeferida, quando não for o caso de habeas data, 
ou se lhe faltar algum dos requisitos previstos nesta Lei. 
Parágrafo único. Do despacho de indeferimento caberá recurso previsto no art. 15. 
 
Art. 15. Da sentença que conceder ou negar o habeas data cabe apelação. 
Parágrafo único. Quando a sentença conceder o habeas data, o recurso terá efeito 
meramente devolutivo. 
 
i) Competência: 
● Art. 102, I, d: STF possui competência originária para processar e julgar HD contra atos do Presidente 
da República, das Mesas da CD e do SF, do TCU, do PGR e do próprio STF. 
● Art. 102, II, a: STF julga em recurso ordinário o HD decidido em única instância pelos Tribunais 
Superiores, se denegatória a decisão. 
● Art. 105, I, b: STJ processa e julga originariamente habeas data contra ato do Ministro de Estado, 
Comandantes das Forças Armadas ou do próprio tribunal. 
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● Art. 108, I, c: TRFs processam e julgam habeas data contra ato do próprio tribunal e ou dos juízes 
federais. 
● Art. 109, VIII: juízes federais processam e julgam habeas data contra ato de autoridade federal. 
● Art. 121, §4º, V: TSE processa e julga em grau de recurso habeas data denegado pelo TRE. 
● Art. 125, §1º: no plano estadual, a competência será definida pela Constituição Estadual. 
 
Caiu na prova Delegado/RO 2022! O habeas data não pode ser utilizado para obtenção de cópia de processo 
administrativo. (ITEM CORRETO) 
 
5. AÇÃO POPULAR (LEI Nº 4.717/65) 
 
CRFB, Art. 5º, LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular 
que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado 
participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico 
e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do 
ônus da sucumbência 
 
Lei 4717/65 
Art. 1º Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a anulação ou a 
declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, do Distrito Federal, 
dos Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de sociedades de economia 
mista (Constituição, art. 141, § 38), de sociedades mútuas de seguro nas quais a 
União represente os segurados ausentes, de empresas públicas, de serviços sociais 
autônomos, de instituições ou fundações para cuja criação ou custeio o tesouro 
público haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do 
patrimônio ou da receita ânua, de empresas incorporadas ao patrimônio da União, 
do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, e de quaisquer pessoas jurídicas 
ou entidades subvencionadas pelos cofres públicos. 
 
A doutrina entende que a ação popular vigorou no período imperial e no início da República, durante 
a vigência das Ordenações do Reino. Para alguns, a Constituição de 1824 já consagrava a ação. Com o advento 
do CC de 1916, a doutrina majoritária passou a entender que o ordenamento jurídico não mais admitia a 
ação popular. 
A ação popular foi incluída expressamente na Constituição de 1934 e foi suprimida na Constituição 
de 1937, tendo sido restabelecida na de 1946 e mantida nas seguintes. 
As normas sobre a ação popular limitavam sua utilização para a tutela do patrimônio público 
material. Com a lei 6.513/77 e a CF/88, o objeto da ação foi ampliado para incluir os bens imateriais que 
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fazem parte do patrimônio público (meio ambiente, moralidade administrativa e patrimônio 
histórico/cultural). 
NÃO é destinada à defesa de interesse subjetivo individual, mas de natureza coletiva, para anular ato 
lesivo ao patrimônio público, moralidade administrativa, meio ambiente e patrimônio histórico e cultural. 
Assim, pode-se extrair os seguintes requisitos: Deve haver lesividade aos direitos difusos específicos 
elencados: 
1. Ato lesivo ao patrimônio público; 
2. Ato lesivo ao patrimônio de entidade de que o Estado participe; 
3. Ato lesivo à moralidade administrativa; 
4. Ato lesivo ao meio ambiente; 
5. Ato lesivo ao patrimônio histórico e cultural. 
 
Considerações importantes: 
∘ A CF isenta o autor da ação popular de custas e ônus da sucumbência, SALVO comprovada má-fé. 
∘ A gratuidade beneficia o autor da ação, mas os réus, se condenados, deverão ressarcir as despesas 
havidas pelo autor da ação. 
 
a) Legitimidade ativa: 
● Somente o cidadão pode propor ação popular. 
● Exige-se capacidade postulatória: o cidadão que não tiver, deverá constituir advogado. 
● Súmula 365/STF: Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular. 
● Há decisões do STJ que estendem ao MP a legitimidade ativa para a ação popular (AREsp 746.846). 
 
NÃO POSSUEM LEGITIMIDADE ATIVA: 
- Estrangeiros; 
- Apátridas; 
- Pessoa jurídica – Súmula 365, STF; 
- Brasileiros com seus direitos políticos perdidos ou suspensos. 
 
A doutrina majoritária entende que a legitimidade ativa do cidadão para propor ação popular é 
extraordinária, uma vez que defende direito difuso, cujo titular é a coletividade. (NEVES, 2017, p. 307) 
 
Art. 1º, §3º, da Lei n. 4.717/65: A prova da cidadania, para ingresso em juízo, será 
feita com o título eleitoral, ou com documento que a ele corresponda. 
 
Segundo o STJ (Resp 1.242.800), a condição de eleitor não é condição de legitimidade, e o título de 
eleitor é utilizado apenas como prova documental da cidadania. Dessa forma, é irrelevante o domicílio 
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eleitoral do autor, que poderá litigar contra ato praticado em local diverso de onde exerce seu direito de 
voto. 
 
Veja uma importante decisão sobre o tema: 
 
Em regra, o autor pode ajuizar a ação popular no foro de seu domicílio, mesmo 
que o dano tenha ocorrido em outro local; contudo, diante das peculiaridades, as 
ações envolvendo o rompimento da barragem de Brumadinho devem ser julgadas 
pelo juízo do local do fato 
 
Em 2019, houve o rompimentode uma barragem de rejeitos de minério, localizada 
em Brumadinho (MG). O rompimento resultou em um terrível desastre ambiental 
e humanitário. Felipe, na condição de cidadão, ajuizou ação popular contra a União, 
o Estado de Minas Gerais e a Vale S.A., pedindo para que os réus fossem 
condenados a recuperar o meio ambiente degradado, pagar indenização pelos 
danos causados e pagar multa por dano ambiental. Como Felipe mora em Campinas 
(SP), ele ajuizou a ação no foro de seu domicílio e a demanda foi distribuída para a 
2ª Vara Federal de Campinas (SP). Ocorre que na 17ª Vara Federal de Minas Gerais 
existem ações individuais, ações populares e ações civis públicas tramitando contra 
os mesmos réus e envolvendo pedidos semelhantes a essa ação popular ajuizada 
em Campinas. Quem é competente para julgar esta ação popular: o juízo do 
domicílio do autor ou o juízo do local em que se consumou o ato danoso? O juízo 
do local onde se consumou o dano (17ª Vara Federal de Minas Gerais). Regra geral: 
em regra, o autor pode ajuizar a ação popular no foro de seu domicílio, mesmo que 
o dano tenha ocorrido em outro local. Isso porque como a ação popular representa 
um direito político fundamental, deve-se facilitar o seu exercício. Exceção: o STJ 
entendeu que o caso concreto envolvendo Brumadinho era excepcional com 
inegáveis peculiaridades que impõem a adoção de uma solução diferente para 
evitar tumulto processual em uma situação de enorme magnitude social, 
econômica e ambiental. Assim, para o STJ é necessário superar, excepcionalmente, 
a regra geral. Entendeu-se que seria necessário adotar uma saída pragmática para 
permitir uma resposta do Poder Judiciário aos que sofrem os efeitos desta grande 
tragédia. A regra geral do STJ deve ser usada quando a ação popular for isolada. 
Contudo, no caso de Brumadinho havia uma ação popular em Campinas (SP) 
competindo e concorrendo com várias outras ações populares e ações civis 
públicas, bem como com centenas, talvez milhares, de ações individuais tramitando 
em MG, razão pela qual, em se tratando de competência concorrente, deve ser 
eleito o foro do local do fato. Em face da magnitude econômica, social e ambiental 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/ba51e6158bcaf80fd0d834950251e693?categoria=10&subcategoria=93&criterio-pesquisa=e
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do caso concreto, é possível a fixação do juízo do local do fato para o julgamento 
de ação popular que concorre com diversas outras ações individuais, populares e 
civis públicas decorrentes do mesmo dano ambiental. STJ. 1ª Seção. CC 164362-
MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 12/06/2019. (Info 662) 
 
OBS.: ISENÇÃO DE CUSTAS: 
A CF/88 isenta o autor da ação popular de custas e ônus da sucumbência, SALVO comprovada má-
fé. 
A gratuidade beneficia o autor da ação, mas os réus, se condenados, deverão ressarcir as despesas 
havidas pelo autor da ação. 
 
Art. 6º, §5º, da Lei n. 4.717/65: É facultado a qualquer cidadão habilitar-se como 
litisconsorte ou assistente do autor da ação popular. 
 
b) Legitimidade passiva: 
 
Art. 6º A ação será proposta contra as pessoas públicas ou privadas e as entidades 
referidas no art. 1º, contra as autoridades, funcionários ou administradores que 
houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, ou que, 
por omissas, tiverem dado oportunidade à lesão, e contra os beneficiários diretos 
do mesmo. 
 
Há litisconsórcio passivo necessário entre: 
1) a pessoa jurídica pública ou privada, 
2) as autoridades responsáveis pelo ato e 
3) os beneficiários diretos dele. 
 
A Lei da Ação Popular prevê que "qualquer pessoa, beneficiada ou responsável pelo ato impugnado, 
cuja existência ou identidade se torne conhecida no curso do processo e antes de proferida a sentença final 
de primeira instância, deverá ser citada para a integração do contraditório, sendo-lhe restituído o prazo para 
contestação e produção de provas" (inciso III do art. 7º da Lei 4.717/65). 
A autorização legal da ampliação posterior do polo passivo da ação popular, no curso do processo e 
antes da sentença, tem o objetivo de abarcar todas as pessoas físicas e/ou jurídicas que supostamente foram 
beneficiadas ou são responsáveis pelo ato impugnado pelo autor popular. Assim, os réus poderão exercer o 
contraditório pleno e, por conseguinte, irão se sujeitar aos efeitos da coisa julgada material. 
Legitimação Bifronte: O art. 6º, §3º, da Lei n. 4.717/64 prevê que a pessoa jurídica de direito público 
ou de direito privado, cujo ato seja objeto de impugnação, poderá abster-se de contestar o pedido, ou poderá 
atuar ao lado do autor, desde que isso se afigure útil ao interesse público, a juízo do respectivo representante 
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legal ou dirigente. Dessa forma, a pessoa jurídica poderá passar a atuar ao lado do autor, criando uma espécie 
sui generis de litisconsórcio ativo ulterior (NEVES, 2017, p. 317). Legitimação bifronte significa que a pessoa 
jurídica de direito público ou privado possui legitimidade para atuar em ambos os polos da demanda, de 
acordo com o interesse público. 
 
O STF não admite que Estado-membro componha o polo ativo de ação popular 
originariamente. 
 
c) Atuação do Ministério Público: 
 
§ 4º O Ministério Público acompanhará a ação, cabendo-lhe apressar a produção 
da prova e promover a responsabilidade, civil ou criminal, dos que nela incidirem, 
sendo-lhe vedado, em qualquer hipótese, assumir a defesa do ato impugnado ou 
dos seus autores. 
 
STJ (AgRg no Resp 1.333.168): O Ministério Público como fiscal da ordem jurídica 
detém legitimidade para a juntada de documentos e para formular pedidos de 
produção de provas que entender necessárias. 
 
Legitimidade ativa superveniente (art. 9º da Lei n. 4.717/65): Se o autor desistir da ação ou der 
motiva à absolvição da instância, serão publicados editais nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso 
II, ficando assegurado a qualquer cidadão, bem como ao representante do Ministério Público, dentro do 
prazo de 90 (noventa) dias da última publicação feita, promover o prosseguimento da ação. 
 
Art. 9º: Se o autor desistir da ação ou der motiva à absolvição da instância, serão 
publicados editais nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II, ficando 
assegurado a qualquer cidadão, bem como ao representante do Ministério Público, 
dentro do prazo de 90 (noventa) dias da última publicação feita, promover o 
prosseguimento da ação. 
 
Art. 16: Caso decorridos 60 (sessenta) dias da publicação da sentença condenatória 
de segunda instância, sem que o autor ou terceiro promova a respectiva execução. 
O representante do Ministério Público a promoverá nos 30 (trinta) dias seguintes, 
sob pena de falta grave. 
 
d) Objeto 
 
A sentença possui natureza cível, e se julgada improcedente, se sujeita ao duplo grau de jurisdição. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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Art. 19. A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação está 
sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de 
confirmada pelo tribunal; da que julgar a ação procedente caberá apelação, com 
efeito suspensivo. (Redação dada pela Lei nº 6.014, de 1973) 
 
O cabimento da ação popular NÃO exige a comprovação de efetivo dano material, pecuniário. 
Entende o STF que a lesividade decorreda ilegalidade, e a ilegalidade do comportamento, por si só, causa 
dano. 
Além da motivação dos atos lesivos, o próprio mérito do ato pode ser objeto de análise em sede de 
ação popular, já que a discricionariedade não permite a contrariedade ao ordenamento jurídico, tampouco 
o desatendimento ao interesse público específico do ato praticado (NEVES, 2017, p. 301). 
 
STJ:É cabível ação civil pública proposta por Ministério Público Estadual para 
pleitear que Município proíba máquinas agrícolas e veículos pesados de trafegarem 
em perímetro urbano deste e torne transitável o anel viário da região. STJ. 2ª 
Turma. REsp 1294451-GO, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 1/9/2016 (Info 
591). 
 
STF: A AP não pode servir como substituto da ação direta de inconstitucionalidade, 
por não se prestar ao ataque de lei em tese. Isso porque o julgamento de lei em 
tese, em ação popular, por juiz de primeiro grau, implicaria usurpação de 
competência do STF para o controle abstrato, acarretando a nulidade do respectivo 
processo. 
 
STF: NÃO cabe AP contra ato de conteúdo jurisdicional, praticado por membro do 
Judiciário no desempenho de sua função típica. 
 
STF: A AP restringe-se, quanto ao seu âmbito de incidência, à esfera de atuação 
administrativa de qualquer dos poderes do Estado, abrangendo apenas os atos 
administrativos, fatos administrativos, resoluções que veiculam conteúdo 
materialmente administrativo. 
 
STJ possui firme orientação de que um dos pressupostos da Ação Popular é a lesão 
ao patrimônio público. Ocorre que a Lei nº 4.717/65 deve ser interpretada de forma 
a possibilitar, por meio de Ação Popular, a mais ampla proteção aos bens e direitos 
associados ao patrimônio público, em suas várias dimensões (cofres públicos, meio 
ambiente, moralidade administrativa, patrimônio artístico, estético, histórico e 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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turístico). Para o cabimento da Ação Popular, basta a ilegalidade do ato 
administrativo por ofensa a normas específicas ou desvios dos princípios da 
Administração Pública, dispensando-se a demonstração de prejuízo material. STJ. 
2ª Turma. AgInt no AREsp 949.377/MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 
09/03/2017. 
 
e) Competência 
Definida pela origem do ato a ser anulado. Ex.: patrimônio lesado da União – competência da Justiça 
Federal. 
▪ Regra: A competência do juízo de 1º grau para processar e julgar ação popular contra ato de qualquer 
autoridade, inclusive presidente da república. 
▪ Exceção: competência originária do STF disposta no art. 102, I, “f” e “n” da CF. 
 
f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, 
ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta 
n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente 
interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem 
estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados; 
 
O juízo da Ação Popular é universal, impondo-se a reunião de todas as ações conexas, com 
fundamentos jurídicos iguais ou assemelhados. 
STF: O foro especial por prerrogativa de função NÃO alcança ações populares ajuizadas contra 
autoridades detentoras dessa prerrogativa. 
 
STF: AÇÃO ORIGINÁRIA. QUESTÃO DE ORDEM. AÇÃO POPULAR. COMPETÊNCIA 
ORIGINÁRIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: NÃO-OCORRÊNCIA. PRECEDENTES. 
1. A competência para julgar ação popular contra ato de qualquer autoridade, até 
mesmo do Presidente da República, é, via de regra, do juízo competente de 
primeiro grau. Precedentes. 2. Julgado o feito na primeira instância, se ficar 
configurado o impedimento de mais da metade dos desembargadores para 
apreciar o recurso voluntário ou a remessa obrigatória, ocorrerá a competência do 
Supremo Tribunal Federal, com base na letra n do inciso I, segunda parte, do artigo 
102 da Constituição Federal. 3. Resolvida a Questão de Ordem para estabelecer a 
competência de um dos juízes de primeiro grau da Justiça do Estado do Amapá” 
(AO 859/AP-QO, Tribunal Pleno, Redator para o acórdão o Ministro Maurício 
Corrêa, DJ de 1º/8/2003). 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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O STF não possui competência originária para processar e julgar ação popular, 
ainda que ajuizada contra atos e/ou omissões do Presidente da República. A 
competência para julgar ação popular contra ato de qualquer autoridade, até 
mesmo do Presidente da República, é, via de regra, do juízo de 1º grau. STF. 
Plenário. Pet 5856 AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 25/11/2015 (Info 811). 
 
l) Contestação: 
 
Art. 7º, IV, da Lei n. 4.717/65: O prazo de contestação é de 20 (vinte) dias, 
prorrogáveis por mais 20 (vinte), a requerimento do interessado, se particularmente 
difícil a produção de prova documental, e será comum a todos os interessados, 
correndo da entrega em cartório do mandado cumprido, ou, quando for o caso, do 
decurso do prazo assinado em edital. 
 
m) Reexame necessário inverso: 
 Na ação popular, haverá reexame no caso de a sentença concluir pela carência ou pela improcedência 
do pedido, mesmo que parcial (art. 19 da Lei n. 4.717/65). Dessa forma, haverá o reexame ainda que a 
Fazenda Pública seja vitoriosa na demanda, no caso de permanecer na posição originária de réu. 
 
Não se admite o cabimento da remessa necessária, tal como prevista no art. 19 da 
Lei nº 4.717/65, nas ações coletivas que versem sobre direitos individuais 
homogêneos. Ex: ação proposta pelo MP tutelando direitos individuais 
homogêneos de consumidores. STJ. 3ª Turma.REsp 1374232-ES, Rel. Min. Nancy 
Andrighi, julgado em 26/09/2017 (Info 612). 
 
6. AÇÃO CIVIL PÚBLICA (LEI 7.347/85) 
 
a) Conceito 
 A ação civil pública consiste em uma garantia constitucional prevista em lei própria (lei nº 7.347/85), 
que busca proteger direitos de 3ª geração. A ACP tutela, portanto, direitos difusos e coletivos, bem como 
direitos individuais indisponíveis. 
 
ATENÇÃO: A ACP NÃO pode substituir a ADI, embora a inconstitucionalidade possa ser questão 
prejudicial. Logo, a ACP é cabível apenas como meio de controle difuso. 
 
b) Objeto 
Tem por objeto a tutela preventiva ou ressarcitória dos seguintes bens ou direitos metaindividuais: 
● Meio-ambiente; 
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● Consumidor; 
● Bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; 
● Qualquer outro interesse difuso ou coletivo. 
● Infração da ordem econômica; 
● Ordem urbanística; 
● Honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos; 
● Patrimônio público e social. 
 
NÃO cabe ACP para veicular pretensões que envolvam: 
● Tributos; 
● Contribuições previdenciárias; 
● FGTS**; 
● Outros fundos de natureza institucional. 
 
Caiu na prova Delegado PF/2018! Segundo o STF, o MP não possui legitimidade para propor ação civil pública 
em matéria tributária em defesa de contribuintes. (ITEM CORRETO) 
 
Art. 1º, Parágrafo único. Não será cabível ação civil pública para veicular 
pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de 
Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional 
cujos beneficiários podem ser individualmente determinados 
 
** Em relação ao FGTS, tenha cuidado com o julgado do STF: O Ministério Público possui legitimidade para 
propor ACP em defesa de direitos sociais relacionados com o FGTS 
 
O Ministério Público tem legitimidade para a propositura de ação civil pública em 
defesa de direitos sociais relacionados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço 
(FGTS). STF. Plenário. RE 643978/SE, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 
9/10/2019 (repercussão geral – Tema 850) (Info 955). Em provas, tenha cuidado 
com a redação do art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 7.347/85: Art. 1º (...) Parágrafoúnico. Não será cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam 
tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - 
FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem ser 
individualmente determinados. 
 
CUIDADO: Se for cobrada a mera transcrição literal deste dispositivo em uma prova 
objetiva, provavelmente, esta será a alternativa correta. 
 
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c) Legitimidade Ativa 
 
Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: 
I - o Ministério Público; 
II - a Defensoria Pública; 
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; 
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; 
V - a associação que, concomitantemente: 
a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; 
b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e 
social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, 
aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, 
estético, histórico, turístico e paisagístico. 
 
Trata-se de legitimidade: 
✔ AUTÔNOMA: NÃO depende de participação ou autorização do titular do direito material; 
✔ CONCORRENTE: Há mais de um legitimado; 
✔ DISJUNTIVA: Um legitimado NÃO depende de autorização do outro para ajuizar a ação. 
 
Natureza da legitimação: Para a corrente doutrinária majoritária, é necessário fazer a seguinte 
distinção: 
 
● Quando se tratar da tutela de direitos difusos e coletivos - o autor da ação age com legitimação 
autônoma para a condução do processo, pois não decorre do direito material, mas da lei, que 
conferiu aos legitimados a possibilidade de defender aquele direito; 
● Quando se tratar da tutela de interesses individuais homogêneos - a legitimação é extraordinária, 
pois a pessoa agiria em nome próprio, em defesa do interesse alheio. 
 
 À luz do art. 5º, §5º, é possível a formação de litisconsórcio facultativo entre os autores coletivos. 
Entretanto, para o STF, o litisconsórcio facultativo entre o MPF e o MPF exige a devida justificativa. 
 
§ 5.° Admitir-se-á o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União, 
do Distrito Federal e dos Estados na defesa dos interesses e direitos de que cuida 
esta lei 
 
Em ação civil pública, a formação de litisconsórcio ativo facultativo entre o 
Ministério Público Estadual e o Federal depende da demonstração de alguma razão 
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específica que justifique a presença de ambos na lide. STJ. 3ª Turma. REsp 1254428-
MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 2/6/2016 (Info 585). 
 
(3) MINISTÉRIO PÚBLICO: 
 O Ministério Público, se não intervier no processo como parte, atuará obrigatoriamente como fiscal 
da lei. 
 Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério 
Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. 
 
§ 1º O Ministério Público, se não intervier no processo como parte, atuará 
obrigatoriamente como fiscal da lei. 
 
§ 3° Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação 
legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. 
 
Veja algumas hipóteses já decididas pela jurisprudência: 
● O MPF possui legitimidade para propor ação civil pública a fim de debater a cobrança de encargos 
bancários supostamente abusivos praticados por instituições financeiras privadas; 
● O Ministério Público pode ajuizar ACP para anular ato administrativo de aposentadoria que importe 
lesão ao erário; 
● O MP tem legitimidade para pleitear, em ACP, indenização decorrente de DPVAT 
· Cuidado 1: superação da antiga súmula 470 STJ 
· Cuidado 2: Segundo o STJ, uma associação de defesa do consumidor não tem legitimidade 
para ajuizar ACP discutindo DPVAT, porquanto o seguro DPVAT não tem natureza 
consumerista, faltando, portanto, pertinência temática 
● O MP tem legitimidade para a defesa do patrimônio público; 
● O MP tem legitimidade para pleitear a nulidade das cláusulas em contratos bancários; 
● O MP tem legitimidade para propor ação a fim de tutelar a poluição sonora. 
 
Jurisprudências em teses do STJ: 
 
1) O Ministério Público tem legitimidade para atuar em defesa dos direitos difusos, 
coletivos e individuais homogêneos dos consumidores. 
 
2) O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública visando 
tutelar direitos dos consumidores relativos a serviços públicos. 
 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6a783b626a6d892a132dc195e5504272?categoria=10&subcategoria=93
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a6e38981ecdd65fe9dcdfcd8d1f58f05?categoria=10&subcategoria=93
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a6e38981ecdd65fe9dcdfcd8d1f58f05?categoria=10&subcategoria=93
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/56c3b2c6ea3a83aaeeff35eeb45d700d?categoria=10&subcategoria=93
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/56c3b2c6ea3a83aaeeff35eeb45d700d?categoria=10&subcategoria=93
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3) O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública com o 
objetivo de assegurar os interesses individuais indisponíveis, difusos ou coletivos 
em relação à infância, à adolescência e aos idosos, mesmo quando a ação vise à 
tutela de pessoa individualmente considerada. 
 
4) O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública com o 
objetivo de assegurar assistência médica e odontológica à comunidade indígena, 
em razão da natureza indisponível dos bens jurídicos salvaguardados e o status de 
hipervulnerabilidade dos sujeitos tutelados. 
 
5) O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública com o 
objetivo de assegurar os interesses individuais indisponíveis, difusos ou coletivos 
em relação às pessoas desprovidas de recursos financeiros, mesmo quando a ação 
vise à tutela de pessoa individualmente considerada. 
 
6) O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública em defesa 
de interesses e direitos individuais homogêneos pertencentes a consumidores 
decorrentes de contratos de cessão e concessão do uso de jazigos em cemitérios. 
 
7) O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública com o fim 
de impedir a cobrança abusiva de mensalidades escolares. 
Súmula 643-STF: O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil 
pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares. 
 
8) O Ministério Público Estadual não tem legitimidade para ajuizar ação civil pública 
objetivando defesa de bem da União, por se tratar de atribuição do Ministério 
Público Federal. 
 
9) O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública objetivando 
a cessação dos jogos de azar. 
 
10) O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa 
do patrimônio público. (Súmula n. 329/STJ) 
 
11) O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública 
objetivando o fornecimento de medicamentos e tratamentos médicos, a fim de 
tutelar o direito à saúde e à vida. 
 
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12) O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa 
dos interesses de mutuários do Sistema Financeiro da Habitação, visto que 
presente o relevante interesse social da matéria. 
 
14) O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública com o 
objetivo de anular concursorealizado sem a observância dos princípios 
estabelecidos na Constituição Federal. 
 
(4) DEFENSORIA PÚBLICA: 
 
Existem dois entendimentos doutrinários quanto à legitimidade da Defensoria Pública: 
● 1ª CORRENTE (RESTRITIVA): a atuação só ocorre nos casos de hipossuficiência econômica; 
● 2ª CORRENTE (AMPLIATIVA): ocorre nos casos de hipossuficiência econômica e técnica ou 
organizacional. 
 
A Defensoria Pública tem legitimidade para a propositura de ação civil pública em 
ordem a promover a tutela judicial de direitos difusos e coletivos de que sejam 
titulares, em tese, as pessoas necessitadas. STF. Plenário. RE 733433/MG, Rel. Min. 
Dias Toffoli, julgado em 4/11/2015 (repercussão geral) (Info 806). 
 
A Defensoria Pública tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa de 
interesses individuais homogêneos de consumidores idosos que tiveram plano de 
saúde reajustado em razão da mudança de faixa etária, ainda que os titulares não 
sejam carentes de recursos econômicos. A atuação primordial da Defensoria 
Pública, sem dúvida, é a assistência jurídica e a defesa dos necessitados 
econômicos. Entretanto, também exerce suas atividades em auxílio a necessitados 
jurídicos, não necessariamente carentes de recursos econômicos. A expressão 
"necessitados" prevista no art. 134, caput, da CF/88, que qualifica e orienta a 
atuação da Defensoria Pública, deve ser entendida, no campo da Ação Civil Pública, 
em sentido amplo. Assim, a Defensoria pode atuar tanto em favor dos carentes de 
recursos financeiros como também em prol do necessitado organizacional (que são 
os "hipervulneráveis"). STJ. Corte Especial. EREsp 1192577-RS, Rel. Min. Laurita Vaz, 
julgado em 21/10/2015 (Info 573) 
 
(5) ENTES POLÍTICOS: 
Podem ajuizar ACP: 
● União 
● Estados 
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● DF 
● Municípios 
 
 No caso de ação civil pública proposta por ente político, a pertinência temática ou 
representatividade adequada são presumidas. 
 Isso porque não há dúvidas de que os entes políticos possuem, dentre suas finalidades institucionais, 
a defesa coletiva dos consumidores. Trata-se, inclusive, de um comando constitucional: 
 
Art. 5º, XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor. 
 
Município tem legitimidade ad causam para ajuizar ação civil pública em defesa 
de direitos consumeristas questionando a cobrança de tarifas bancárias. Em 
relação ao Ministério Público e aos entes políticos, que têm como finalidades 
institucionais a proteção de valores fundamentais, como a defesa coletiva dos 
consumidores, não se exige pertinência temática e representatividade adequada. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1509586-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/05/2018 
(Info 626). 
 
(6) ASSOCIAÇÃO: 
 
 As associações possuem legitimidade para defesa dos direitos e dos interesses coletivos ou 
individuais homogêneos, independentemente de autorização expressa dos associados. Isso porque, no 
caso, estamos diante de um regime de substituição processual, em que a autorização para a defesa do 
interesse coletivo em sentido amplo é estabelecida na definição dos objetivos institucionais, no próprio ato 
de criação da associação, sendo, portanto, desnecessária, nova autorização ou deliberação assemblear. 
 
 Apesar de não exigir a autorização expressa dos associados, para ajuizar ACP, as associações devem 
preencher os seguintes requisitos: 
1) Deve estar constituída há pelo menos 01 (um) ano; 
2) Pertinência temática. 
 
 A necessidade de a associação estar constituída há pelo menos 1 ano é flexibilizada pela própria lei, 
que dispensa tal requisito em caso de manifesto interesse social ou diante da relevância do bem jurídico 
protegido. 
 
§ 4.° O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz, quando haja 
manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou 
pela relevância do bem jurídico a ser protegido 
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Mesmo sem 1 ano de constituição, associação poderá ajuizar ACP para que 
fornecedor preste informações ao consumidor sobre produtos com glúten. Como 
regra, para que uma associação possa propor ACP, ela deverá estar constituída há 
pelo menos 1 ano. Exceção. Este requisito da pré-constituição poderá ser 
dispensado pelo juiz quando haja manifesto interesse social evidenciado pela 
dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser 
protegido (§ 4º do art. 5º da Lei nº 7.347/85). Neste caso, a ACP, mesmo tendo sido 
proposta por uma associação com menos de 1 ano, poderá ser conhecida e julgada. 
Como exemplo da situação descrita no § 4º do art. 5º, o STJ decidiu que: É 
dispensável o requisito temporal (pré-constituição há mais de um ano) para 
associação ajuizar ação civil pública quando o bem jurídico tutelado for a prestação 
de informações ao consumidor sobre a existência de glúten em alimentos. STJ. 2ª 
Turma. REsp 1600172-GO, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 15/9/2016 (Info 
591). 
 
 Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério 
Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. E, segundo o STJ, em caso de dissolução da 
associação que ajuizou ação civil pública, é possível sua substituição no polo ativo por outra associação que 
possua a mesma finalidade temática. Confira: 
 
Caso ocorra dissolução da associação que ajuizou ação civil pública, é possível sua 
substituição no polo ativo por outra associação que possua a mesma finalidade 
temática. O microssistema de defesa dos interesses coletivos privilegia o 
aproveitamento do processo coletivo, possibilitando a sucessão da parte autora 
pelo Ministério Público ou por algum outro colegitimado (ex: associação), 
mormente em decorrência da importância dos interesses envolvidos em demandas 
coletivas. STJ. 3ª Turma. EDcl no REsp 1405697-MG, Rel. Min. Marco Aurélio 
Bellizze, julgado em 10/09/2019 (Info 665). 
 
Segundo o STJ, pode uma associação defender interesses transindividuais que ultrapassem os de seus 
próprios associados, ainda que estes interesses sejam individuais homogêneos. 
 
d) Legitimidade Passiva 
 
A Lei de Ação Popular é omissa quanto à legitimidade passiva, razão pela qual o STJ e a doutrina 
entendem pela aplicação do regramento geral do CPC. 
 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/9d8df73a3cfbf3c5b47bc9b50f214aff?categoria=10&subcategoria=93
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e) Competência 
 
● Critério Funcional - NÃO há prerrogativa de foro na Ação Civil Pública, razão pela qual o julgamento 
é sempre em primeira instância. 
 
● Critério Material: 
⦁ Justiça eleitoral: É competente para questões relacionadas à sufrágio e questões político-
partidárias; 
⦁ Justiça do trabalho: relação de trabalho;direito sindical;proteção ao meio ambiente do trabalho. 
⦁ Justiça comum: Pode ser ajuizada na Justiça Federal, se presente uma das hipóteses do art. 109, 
I, da CF/88. 
 
⇨ É possível o incidente de deslocamento de competência em ACP. 
⇨ NÃO cabe ACP em juizados cíveis, federais e da Fazenda. 
 
● Critério Territorial 
 Em relação às ações civis públicas cujo objeto seja de âmbito local, deve-se aplicar o art. 2º da Lei nº 
7.347/85, que prevê o foro do local onde tiver ocorrido o dano: 
 
Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer 
o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar a causa. 
 
 Em relação às ações civis públicas cujo objeto seja de âmbito nacional ou regional, a lei é omissa, 
motivo pelo qual deve-se recorrer ao art. 93, II, do CDC, com base na noção de microssistema processual(art. 
21 da LACP). 
 
Art. 93. Ressalvada a competência da Justiça Federal, é competente para a causa a 
justiça local: 
II - no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal, para os danos de âmbito 
nacional ou regional, aplicando-se as regras do Código de Processo Civil aos casos 
de competência concorrente. 
 
 Portanto, em se tratando de ação civil pública com abrangência nacional ou regional, sua propositura 
deve ocorrer no foro, ou na circunscrição judiciária, de capital de Estado ou no Distrito Federal. E, uma vez 
fixada essa competência, o primeiro que conhecer da matéria, entre os competentes, ficará prevento. 
 
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Art. 2º, Parágrafo único - A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para 
todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir 
ou o mesmo objeto. 
 
(...). Ajuizadas múltiplas ações civis públicas de âmbito nacional ou regional, firma-
se a prevenção do juízo que primeiro conheceu de uma delas, para o julgamento 
de todas as demandas conexas. STF. Plenário. RE 1101937/SP, Rel. Min. Alexandre 
de Moraes, julgado em 7/4/2021 (Repercussão Geral – Tema 1075) (Info 1012). 
 
Vamos esquematizar? 
 
DANO LOCAL: Ajuizamento da ACP no local do dano (art. 2º) 
 
DANO REGIONAL Ajuizamento da ACP na capital do estado; 
 
DANO NACIONAL Ajuizamento da ACP no DF ou capital dos estados 
envolvidos 
 
f) Sucumbência na ACP 
 
Art. 17. Em caso de litigância de má-fé, a associação autora e os diretores 
responsáveis pela propositura da ação serão solidariamente condenados em 
honorários advocatícios e ao décuplo das custas, sem prejuízo da responsabilidade 
por perdas e danos. 
 
Art. 18. Nas ações de que trata esta lei, não haverá adiantamento de custas, 
emolumentos, honorários periciais e quaisquer outras despesas, nem condenação 
da associação autora, salvo comprovada má-fé, em honorários de advogado, custas 
e despesas processuais. 
 
● Nas ações da Lei da ação civil pública não haverá adiantamento de custas; 
● Se o autor vencido for o MP, defensoria ou associação, será isento do pagamento dos ônus de 
sucumbência, salvo má-fé: 
● Se o MP for vencedor, o réu vencido será isento de custas de sucumbência, em razão do princípio da 
simetria. 
 
Em regra, o demandado que for sucumbente na ACP não tem o dever de pagar 
honorários advocatícios. A parte que foi vencida em ação civil pública não tem o 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/8aa2c95dc0a6833d2d0cb944555739cc?categoria=10&subcategoria=93
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dever de pagar honorários advocatícios em favor do autor da ação. A justificativa 
para isso está no princípio da simetria. Isso porque se o autor da ACP perder a 
demanda, ele não irá pagar honorários advocatícios, salvo se estiver de má-fé 
(art. 18 da Lei nº 7.347/85). Logo, pelo princípio da simetria, se o autor vencer a 
ação, também não deve ter direito de receber a verba. Desse modo, em razão da 
simetria, descabe a condenação em honorários advocatícios da parte requerida em 
ação civil pública, quando inexistente má-fé, de igual sorte como ocorre com a 
parte autora. STJ. Corte Especial. EAREsp 962250/SP, Rel. Min. Og Fernandes, 
julgado em 15/08/2018. 
 
OBS.: Existe precedente do STJ que faz uma ressalva: se a ação tiver sido proposta 
associações e fundações privadas e a demanda tiver sido julgada procedente, neste 
caso, o demandado terá sim que pagar honorários advocatícios. Assim, o 
entendimento do STJ manifestado no EAREsp 962.250/SP "não se deve aplicar a 
demandas propostas por associações e fundações privadas, pois, do contrário, 
barrado de fato estaria um dos objetivos mais nobres e festejados da Lei 
7.347/1985, ou seja, viabilizar e ampliar o acesso à justiça para a sociedade civil 
organizada." (STJ. 2ª Turma. REsp 1796436/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado 
em 09/05/2019). 
 
 
g) Considerações processuais importantes: 
 
● ÓRGÃOS PÚBLICOS LEGITIMADOS E ASSOCIAÇÕES PRIVADAS PODEM TRANSACIONAR EM SEDE DE 
ACP: 
 
Art. 5º, §6º - Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados 
compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, mediante 
cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial. 
 
A associação privada autora de uma ação civil pública pode fazer transação com o 
réu e pedir a extinção do processo, nos termos do art. 487, III, “b”, do CPC. O art. 
5º, § 6º da Lei nº 7.347/85 (Lei da Ação Civil Pública) prevê que os órgãos públicos 
podem fazer acordos nas ações civis públicas em curso, não mencionando as 
associações privadas. Apesar disso, a ausência de disposição normativa expressa no 
que concerne a associações privadas não afasta a viabilidade do acordo. Isso 
porque a existência de previsão explícita unicamente quanto aos entes públicos diz 
respeito ao fato de que somente podem fazer o que a lei determina, ao passo que 
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aos entes privados é dado fazer tudo que a lei não proíbe. STF. Plenário. ADPF 
165/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 1º/3/2018 (Info 892). 
 
● EFEITO SUSPENSIVO DA APELAÇÃO: Quem define que efeito terá a apelação é o próprio juiz da causa 
(art. 14 LACP). 
 
Art. 14. O juiz poderá conferir efeito suspensivo aos recursos, para evitar dano 
irreparável à parte 
 
● REEXAME NECESSÁRIO: Somente ocorre quando a ação é julgada improcedente ou extinta sem 
julgamento do mérito. 
 
● ABRANGÊNCIA DA SENTENÇA: 
 
💣 MUITA ATENÇÃO AQUI! DECISÃO SOBRE O TEMA! 
 
 O art. 16 da Lei de Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/85), com redação dada pela Lei nº 9.494/97, 
estabelece o seguinte: 
 
Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência 
territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por 
insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra 
ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova. 
 
 Esse artigo foi alterado pela Lei nº 9.494/97 com o objetivo de restringir a eficácia subjetiva da coisa 
julgada, ou seja, ele determinou que a coisa julgada na ACP deveria produzir efeitos apenas dentro 
dos limites territoriais do juízo que prolatou a sentença. 
 Em outras palavras, o que o art. 16 quis dizer foi o seguinte: a decisão do juiz na ação civil pública 
não produz efeitos no Brasil todo. Ela irá produzir efeitos apenas na comarca (se for Justiça Estadual) ou na 
seção ou subseção judiciária (se for Justiça Federal) do juiz prolator. 
 A doutrina criticou bastante essa alteração promovida no art. 16 e afirmou que a regra ali prevista 
não deveria ser aplicada por ser inconstitucional, impertinente e ineficaz. Como ficou então a posição da 
jurisprudência? 
 
● STJ –“A eficácia das decisões proferidas em ações civis públicas coletivas NÃO deve ficar limitada 
ao território da competência do órgão jurisdicional que prolatou a decisão”. STJ. Corte Especial. 
EREsp 1134957/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 24/10/2016. 
 
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● STF –“É INCONSTITUCIONAL a delimitação dos efeitos da sentença proferida em sede de ação civil 
pública aos limites da competência territorial de seu órgão prolator. STF. Plenário. RE 1101937/SP, 
Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/4/2021 (Repercussão Geral – Tema 1075) (Info 1012). 
 
Jurisprudências em teses do STJ que são pertinentes ao tema: 
 
1) Por critério de simetria, não é cabível a condenação da parte vencida ao 
pagamento de honorários advocatícios em favor do Ministério Público nos autos de 
ação civil pública, salvo comprovada má-fé.(ou não) 
do dever jurídico. Nesse contexto, para doutrina majoritária, em sentido amplo, se for o garantidor, mesmo 
que por relação contratual, NÃO pode alegar estado de necessidade (a depender da situação poderia até 
alegar inexigibilidade de conduta diversa, que afasta a culpabilidade). 
O sacrifício somente será inevitável quando, mesmo correndo risco pessoal, for impossível a 
preservação do bem. Em contrapartida, para quem não tem a obrigação de se arriscar, a inevitabilidade 
significa que, se houver algum perigo para o agente, já lhe será possível o commodus discessus. 
Ex.: Um bombeiro não pode alegar estado de necessidade como maneira de eximir-se do dever de 
enfrentar o perigo. 
 
(5) SALVAR DIREITO PRÓPRIO OU ALHEIO 
 
→ Quando a ameaça for a direito próprio, haverá o estado de necessidade próprio. É o que ocorre 
quando o agente, por exemplo, subtrai pequena quantia de alimento para não morrer de fome (furto 
famélico) ou quando há um naufrágio e existem menos coletes salva-vidas do que o necessário e 
uma pessoa mata outra para ficar com um colete e se salvar. 
→ Quando a ameaça for a direito de terceiro, haverá estado de necessidade de terceiro. É o caso, por 
exemplo, da subtração de pequena quantidade de alimento para alimentar e salvar a vida do filho 
pequeno; o motorista que desvia o veículo em direção ao muro de uma casa, para evitar o 
atropelamento de uma criança que atravessou a rua correndo. 
 
Saliente-se que, no caso de defesa do direito de terceiro, é desnecessária a prévia autorização deste, 
já que a lei não exige esse requisito. Não precisa também haver ratificação posterior pelo terceiro. 
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No que concerne ao estado de necessidade, ensina Flávio Monteiro: 
O estado de necessidade de terceiro inspira-se no princípio da solidariedade 
humana. Tratando-se, porém, de bens disponíveis, alguns autores sustentam a 
necessidade da aquiescência do titular do direito exposto a perigo de lesão. Não 
procede o raciocínio, pois a vontade do terceiro em perigo, como dizia La Medica, 
não é tomada em consideração; é substituída pela vontade do agente, 
juridicamente superior. Sobremais, em muitos casos não há nem tempo para pedir 
a concordância do terceiro. (Direito Penal – Parte Geral. São Paulo: Editora Saraiva, 
2003, p. 315-6). 
 
(6) INEXIGIBILIDADE DO SACRIFÍCIO DO INTERESSE AMEAÇADO 
 
É verificada a proporcionalidade entre o direito protegido e o sacrificado. 
A partir dessa ideia se desenvolvem duas teorias: 
 
● Teoria Diferenciadora: Se o bem jurídico sacrificado tiver um valor menor que o bem jurídico protegido, 
haverá estado de necessidade com excludente da ilicitude, denominado de estado de necessidade 
justificante. Por outro lado, se o bem sacrificado tiver o valor igual ou maior do que o bem protegido, a 
doutrina denominará esta situação de estado de necessidade exculpante, ou seja, haveria a exclusão da 
culpabilidade. Teoria adotada pelo Código Penal Militar (art. 39 e art. 45, §único). 
 
O BJ sacrificado tem menor valor que o BJ preservado – estado de necessidade justificante – exclui a 
ilicitude. 
BJ sacrificado tem maior valor ou igual que o BJ preservado – estado de necessidade exculpante – exclui a 
culpabilidade. 
 
Obs: Embora ainda haja divergências doutrinárias, para teoria diferenciadora se o BJ sacrificado tem maior 
valor ou igual que o BJ preservado é estado de necessidade exculpante! É DIFERENTE da teoria unitária (que 
é a adotada pelo CP), onde prevalece que o bem jurídico sacrificado pode ser de igual ou menor valor para 
ser estado de necessidade justificante! 
 
De acordo com o autor Rogério Greco a teoria diferenciadora traça uma distinção entre o estado de 
necessidade justificante (que afasta a ilicitude) e o estado de necessidade exculpante (que elimina a 
culpabilidade), considerando-se os bens em conflito. Mesmo para a teoria diferenciadora, existe uma divisão 
interna quanto à ponderação dos bens em conflito. Para uma corrente, haverá estado de necessidade 
justificante somente nas hipóteses em que o bem afetado for de valor inferior àquele que se defende. 
Assim, haveria estado de necessidade justificante, por exemplo, no confronto entre a vida e o patrimônio, 
ou seja, para salvar a própria vida, o agente destrói patrimônio alheio. Nas demais situações, vale dizer, 
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quando o bem salvaguardado fosse de valor igual ou inferior àquele que se agride, o estado de necessidade 
seria exculpante. É a posição de Fragoso, quando aduz: “A legislação vigente, adotando fórmula unitária para 
o estado de necessidade e aludindo apenas ao sacrifício de um bem que, ‘nas circunstâncias, não era razoável 
exigir-se’, compreende impropriamente também o caso de bens de igual valor (é o caso do náufrago que, 
para reter a única tábua de salvamento, sacrifica o outro). Em tais casos subsiste a ilicitude da culpa 
(inexigibilidade de outra conduta), que a seu tempo examinaremos.” 
No mesmo sentido são os ensinamentos de Zaffaroni e Pierangeli, quando afirmam que “o estado de 
necessidade resultará de conformidade com o direito (justificante), quando a afetação do bem jurídico que 
causa a conduta do necessitado resulta de menor entidade que a lesão a um bem jurídico que corria perigo 
de sofrer.” 
 Em sentido contrário, posiciona-se Assis Toledo, quando afirma que, por causa da redação do art. 24 do 
código penal, somente poderá se cogitar de aplicação do estado de necessidade exculpante, e mesmo assim 
de natureza supralegal, quando o bem ofendido for de valor superior ao do agressor: “Em princípio, não nos 
parece ‘razoável’, para usar-se ao pé da letra a terminologia do art. 24 do código penal – permitir-se o 
sacrifício de um bem de maior valor para salvar-se o de menor valor. Assim, inaplicável a essa hipótese é a 
causa de exclusão do crime do art. 23, I, tal como a define o art. 24. Todavia, caracterizando-se, nessa mesma 
hipótese, o injusto, a ação típica e antijurídica, há que se passar ao exame da culpabilidade do agente, sem a 
qual nenhuma pena lhe poderá ser infligida. E, nesta fase, a nível do juízo de culpabilidade, não há dúvida de 
que o estado necessário, dentro do qual o bem mais valioso foi sacrificado, poderá traduzir uma situação de 
inexigibilidade de outra conduta, que se reputa, conforme sustentamos no título anterior, uma causa de 
exclusão da culpabilidade. 
 
● Teoria Unitária: O estado de necessidade é sempre causa excludente da ilicitude. O agente não precisa 
calcular o valor dos bens em conflito, basta que haja com razoabilidade. 
 
NÃO há estado de necessidade exculpante, mas apenas o estado de necessidade justificante, que é 
excludente da ilicitude e incidirá sempre que o bem sacrificado tiver valor igual ou menor que o bem jurídico 
protegido. Teoria adotada pelo CP. 
 
Sendo o bem sacrificado mais valioso do que o bem protegido, deverá o indivíduo responder pelo 
crime, mas haverá uma causa de redução de pena de 1/3 a 2/3, conforme o §2º do art. 24 estabelece. O 
dispositivo diz que embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser 
reduzida de um a dois terços. 
 
BJ sacrificado tem igual ou menor valor que o BJ preservado - estado de necessidade justificante. 
BJ sacrificado tem maior valor que o BJ preservado – hipótese de redução da pena. 
 
Vamos esquematizar? 
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TEORIA ESTADO DE 
NECESSIDADE 
EXCLUDENTE BEM 
PROTEGIDO 
BEM 
SACRIFICADO 
TEORIA 
DIFERENCIADORA 
Justificante Exclui a ilicitude Vale Mais Vale Menos 
Exculpante Exclui a 
culpabilidade 
Vale Igual 
Vale Menos 
Vale Igual 
Vale Mais 
TEORIA UNITÁRIA Justificante Exclui a ilicitude Vale Mais 
Vale Igual 
Vale Menos 
Vale Igual 
 
(7) CONHECIMENTO DA SITUAÇÃO JUSTIFICANTE2) É possível a inversão do ônus da prova da ação civil pública em matéria ambiental 
a partir da interpretação do art. 6º, VIII, da Lei 8.078/1990 c/c o art. 21 da Lei n. 
7.347/1985. 
 
3) No âmbito do Direito Privado, é de cinco anos o prazo prescricional para 
ajuizamento da execução individual em pedido de cumprimento de sentença 
proferida em ação civil pública. (Recurso Repetitivo - Tema 515) 
 
7. INQUÉRITO CIVIL 
 
É uma investigação administrativa a cargo do MP, destinada a colher elementos para eventual 
propositura de ACP, podendo servir de base para o oferecimento de denúncia criminal. 
 
Art. 8º Para instruir a inicial, o interessado poderá requerer às autoridades 
competentes as certidões e informações que julgar necessárias, a serem fornecidas 
no prazo de 15 (quinze) dias. 
§ 1º O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou 
requisitar, de qualquer organismo público ou particular, certidões, informações, 
exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual não poderá ser inferior a 10 (dez) 
dias úteis. 
§ 2º Somente nos casos em que a lei impuser sigilo, poderá ser negada certidão ou 
informação, hipótese em que a ação poderá ser proposta desacompanhada 
daqueles documentos, cabendo ao juiz requisitá-los. 
Art. 9º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se 
convencer da inexistência de fundamento para a propositura da ação civil, 
promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das peças informativas, 
fazendo-o fundamentadamente. 
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§ 1º Os autos do inquérito civil ou das peças de informação arquivadas serão 
remetidos, sob pena de se incorrer em falta grave, no prazo de 3 (três) dias, ao 
Conselho Superior do Ministério Público. 
§ 2º Até que, em sessão do Conselho Superior do Ministério Público, seja 
homologada ou rejeitada a promoção de arquivamento, poderão as associações 
legitimadas apresentar razões escritas ou documentos, que serão juntados aos 
autos do inquérito ou anexados às peças de informação. 
§ 3º A promoção de arquivamento será submetida a exame e deliberação do 
Conselho Superior do Ministério Público, conforme dispuser o seu Regimento. 
§ 4º Deixando o Conselho Superior de homologar a promoção de arquivamento, 
designará, desde logo, outro órgão do Ministério Público para o ajuizamento da 
ação. 
 
a) Características 
● Procedimento preparatório; 
● Procedimento meramente administrativo; 
● Procedimento informativo; 
● Não obrigatório; 
● É público; 
● Privativo do MP; 
● Inquisitorial (não há contraditório). 
 
b) Fases do Inquérito Civil 
 
I) INSTAURAÇÃO: 
 
Ocorre através de portaria, que deve indicar o objeto da investigação. A portaria pode ser baixada 
das seguintes formas: 
● De ofício; 
● Por representação; 
● Por requisição do procurador geral. 
 
O fato de o promotor ter presidido o inquérito civil NÃO gera a suspeição para o ajuizamento de ACP; 
Doutrina majoritária entende não ser possível a instauração de inquérito civil por denúncia anônima. 
 
II) INSTRUÇÃO: 
● Abrange o poder de vistoria e inspeção em qualquer órgão público; 
● Poder de intimação de qualquer pessoa para depoimento, sob pena de condução coercitiva; 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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● Poder de requisição de documentos e informações a qualquer entidade pública ou privada. 
 
III) CONCLUSÃO: 
 
A LACP NÃO estipula prazo para a conclusão do inquérito civil. Ao final, o promotor tem duas opções: 
● Promover a ACP; 
● Promover o arquivamento fundamentado: ao propor o arquivamento, o promotor encaminha ao 
órgão superior do MP, no prazo de 3 dias, sob pena de responsabilidade penal. Os órgãos superiores 
designam uma sessão de julgamento, e podem ser tomadas as seguintes providências: 
∘ Homologação do arquivamento; 
∘ Conversão do julgamento em diligência; 
∘ Rejeição da promoção do arquivamento, hipótese em que será nomeado outro promotor 
para a propositura da ACP. 
 
8. TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA (TAC) 
 
Ocorre quando a pessoa assume a responsabilidade pelo evento e se compromete a alterar a sua 
conduta. Uma vez celebrado, possui a eficácia de título executivo extrajudicial: 
 
Art. 5º, § 6° LACP. Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados 
compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, mediante 
cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial. 
 
a) Cabimento - Cabe TAC nos direitos difusos, coletivos, individuais homogêneos. 
 
A Lei nº 13.964 deu nova redação ao art. 17, § 1º, da Lei de Improbidade Administrativa, passando a 
permitir a celebração de acordos de não persecução cível. O dispositivo, contudo, foi revogado pela Lei nº 
14.230/21. 
 
Art. 17. (...) § 1º As ações de que trata este artigo admitem a celebração de acordo 
de não persecução cível, nos termos desta Lei. 
 
 Todavia, permanece a possibilidade da celebração de acordos de não persecução cível em matéria 
de improbidade administrativa, pois apesar da revogação do art. 17, §1º, a Lei nº 14.230/21, incluiu o art. 
17-B, de modo a continuar a permitir tal possibilidade: 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso 
concreto, celebrar acordo de não persecução civil, desde que dele advenham, ao 
menos, os seguintes resultados: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
I - o integral ressarcimento do dano; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que 
oriunda de agentes privados. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 1º A celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo dependerá, 
cumulativamente: (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
I - da oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou posterior à 
propositura da ação; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
II - de aprovação, no prazo de até 60 (sessenta) dias, pelo órgão do Ministério 
Público competente para apreciar as promoções de arquivamento de inquéritos 
civis, se anterior ao ajuizamento da ação; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
III - de homologação judicial, independentemente de o acordo ocorrer antes ou 
depois do ajuizamento da ação de improbidade administrativa. (Incluído pela Lei nº 
14.230, de 2021) 
§ 2º Em qualquer caso, a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo 
considerará a personalidade do agente, a natureza, as circunstâncias, a gravidade 
e a repercussão social do ato de improbidade, bem como as vantagens, para o 
interesse público, da rápida solução do caso. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 3º Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, deverá ser realizada a 
oitiva do Tribunal de Contas competente, que se manifestará, com indicação dos 
parâmetros utilizados, no prazo de 90 (noventa) dias. (Incluído pela Lei nº 14.230, 
de 2021) 
§ 4º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser celebrado no curso 
da investigação de apuração do ilícito, no curso da ação de improbidade ou no 
momento da execução da sentença condenatória. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 
2021) 
§ 5º As negociações para a celebração do acordo a que se refere o caput deste 
artigo ocorrerão entre o Ministério Público, de um lado, e, de outro, o investigado 
ou demandado e o seu defensor. (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
§ 6º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá contemplar a adoção de 
mecanismos e procedimentos internos de integridade, de auditoria e de incentivo 
à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta 
no âmbito da pessoa jurídica, se for o caso, bem como de outras medidas em favor 
do interesse público e de boas práticas administrativas. (Incluído pela Leinº 14.230, 
de 2021) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2
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§ 7º Em caso de descumprimento do acordo a que se refere o caput deste artigo, o 
investigado ou o demandado ficará impedido de celebrar novo acordo pelo prazo 
de 5 (cinco) anos, contado do conhecimento pelo Ministério Público do efetivo 
descumprimento. 
b) Legitimados 
 
De todos os legitimados para ajuizar ACP, somente as associações NÃO podem celebrar TAC, pois o 
art. 5º, §6º da LACP alude apenas aos órgãos públicos. 
Qualquer legitimado pode celebrar TAC, sem necessidade de autorização dos demais. 
TAC homologado judicialmente também só pode ser rescindido judicialmente, por ação anulatória. 
 
c) Responsabilidade 
 
Um órgão NÃO precisa de autorização de outro para celebrar TAC. 
A responsabilidade pela fiscalização do cumprimento é do órgão celebrante do TAC. 
 
d) Eficácia 
 
O TAC tem eficácia de título executivo extrajudicial, e sua eficácia ocorre a partir do momento em que 
é celebrado. 
 
e) Compromisso preliminar 
 
É um TAC parcial, em que se consegue apenas parte do acordo. A sua realização NÃO impede a 
propositura da ACP contra outros investigados, ou para alcançar outros pedidos. 
 
 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS: 
- Pedro Lenza. Direito Constitucional Esquematizado. 
- Marcelo Novelino. Curso de Direito Constitucional. 
- Dirley da Cunha Junior. Curso de Direito Constitucional. 
- Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino. Direitos Constitucional Descomplicado. 
-Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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141 
 
META 5 
 
DIREITO CIVIL: DAS PESSOAS 
 
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO PODEM DEIXAR DE LER 
 
CÓDIGO CIVIL: 
⦁ Arts. 1º a 4º 
⦁ Art. 7, 11, 13 e 16 
⦁ Arts. 22, 23 e 25 
⦁ Arts. 26 a 28 
⦁ Arts. 37 a 39 
⦁ Art. 43 a 45 
⦁ Arts. 50 a 52 
⦁ Arts. 53 e 57 
⦁ Arts. 62, 64, 66 e 69 
⦁ Arts. 70 a 76. 
 
CF/88 
⦁ Art. 5º, XXX, CF/88 
 
1. PESSOAS NATURAIS 
 
Pessoa é o ser humano ou entidade dotado de personalidade, isto é, que tem aptidão para a 
titularidade de direitos e deveres na ordem jurídica. Nesse sentido, em relação à pessoa natural, é necessário 
distinguir: 
 
● CAPACIDADE DE DIREITO OU DE GOZO: capacidade genérica, adquirida juntamente com a 
personalidade, e que consiste na aptidão do indivíduo para ser sujeito de direitos e deveres na 
ordem privada. Todas as pessoas têm esta capacidade, sem distinção. 
● CAPACIDADE DE FATO OU DE EXERCÍCIO: aptidão para pessoalmente praticar atos da vida civil. 
Está ligada à teoria das incapacidades. 
● CAPACIDADE CIVIL PLENA: é a reunião das capacidades de direito e de fato em relação a uma 
pessoa. 
 
Capacidade de direito + Capacidade de fato = Capacidade civil plena 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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142 
 
A capacidade NÃO se confunde com personalidade: 
 
Enquanto a personalidade tende ao exercício de relações existenciais, a capacidade 
diz respeito ao exercício de relações patrimoniais. Exemplificando, ter 
personalidade é titularizar os direitos da personalidade, enquanto ter capacidade é 
poder concretizar relações obrigacionais, como o crédito e o débito. (Nelson 
Rosenvald). 
 
Personalidade: Está atrelada à tutela e à promoção da dignidade da pessoa humana, pela qual se 
deve reconhecer ao ser humano um conjunto mínimo de atributos, direitos e garantias, sem o qual não será 
possível a vida com dignidade. A AQUISIÇÃO DE PERSONALIDADE, a despeito das divergências doutrinárias 
sobre o tema, que serão abordadas mais à frente, nos termos do art. 2º do CC, ocorre com o nascimento com 
vida, quando há a separação do ventre materno e o ar entra nos pulmões. A EXTINÇÃO DA PERSONALIDADE 
ocorre com a morte, conforme art. 6º do CC. 
 
1.1 Incapacidade 
 
A teoria das incapacidades está diretamente ligada à ausência da capacidade de fato (e não da 
capacidade de direito). A incapacidade civil pode ser desdobrada em: absoluta e relativa. 
Neste tema, de grande importância é o Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei nº 13.146/2015, o 
qual promoveu verdadeira remodulação da teoria das incapacidades, ao alterar os arts. 3º e 4º do CC, de 
forma a concretizar um sistema normativo inclusivo, em observância à dignidade da pessoa humana. A 
pessoa com deficiência é dotada de capacidade legal plena, ainda que haja a necessidade de adoção de 
institutos assistenciais específicos, como a tomada de decisão apoiada e, excepcionalmente, a curatela 
limitada. 
Com esse novo panorama, temos, atualmente, as seguintes hipóteses: 
 
● Absolutamente incapazes: apenas os menores de 16 (dezesseis anos). Foram retiradas as 
previsões: daqueles que, por causa transitória, não pudessem exprimir a sua vontade, e os que, 
por enfermidade ou deficiência mental, não tivessem o necessário discernimento para a prática 
dos atos da vida civil. 
 
● Relativamente incapazes: 
∘ Maiores de 16 e menores de 18 anos - previsão originária; 
∘ Ébrios habituais e viciados em tóxicos - previsão originária; 
∘ Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir a sua vontade; 
∘ Os pródigos – previsão originária. 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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143 
 
Obs.1: Os atos praticados pelos absolutamente incapazes são NULOS (art. 166, I, do CC), não podendo ser 
ratificados, pois tal vício não convalesce (art. 169), podendo o juiz assim declará-los de ofício. Protege-se, 
entretanto, a boa-fé de terceiros. Os atos civis de seu interesse deverão ser exercidos por seus 
representantes – pais, tutores ou curadores. 
Obs.2: Absolutamente incapazes devem ser REPRESENTADOS por quem de direito. 
Obs.3: Mesmo em se cuidando de pessoas absolutamente incapazes, a ordem jurídica reconhece a 
possibilidade de que sua vontade seja considerada, nos casos em que envolvidas escolhas existenciais, ex. 
consentimento obrigatório do maior de 12 anos no procedimento de adoção (art. 28, §2º, do ECA) 
Obs.4: A vontade dos relativamente capazes tem relevância jurídica, o que possibilita sua atuação direta nos 
atos civis, desde que acompanhados de ASSISTENTE, com algumas exceções (ser mandatário, testemunha). 
É causa de anulabilidade dos atos jurídicos (art. 171, I, do CC). 
 
Caiu na prova Delegado MG/2021! A., inscrito no CPF sob nº 00.000.000-00, sócio gerente de AB Ltda., 
alienou para CD S/A um imóvel da sociedade empresária sem anuências dos demais sócios L. e J. Estes dois 
sócios entendem que a alienação é inválida, porque A., na data em que foi feita a alienação, era portador de 
gravíssima doença mental. Quanto à invalidade e tendo em conta o Estatuto da Pessoa com Deficiência,a 
alienação é apenas anulável, porque não existe mais nulidade por incapacidade civil absoluta do agente em 
decorrência de doença mental. (ITEM CORRETO) 
 
1.2 Personalidade 
 
Compreende o conjunto de atributos físicos, psíquicos e morais da pessoa em si e em suas projeções 
sociais, com o fim de proteger a essência e a existência do ser humano. 
 
* ATENÇÃO: Embora existam divergências, prevalece o entendimento de que pessoa jurídica possui direitos 
da personalidade. 
 
Pessoa jurídica tem direito da personalidade? 
A pessoa jurídica tem direitos da personalidade por equiparação, conforme prevê o art. 52 do CC. Os 
danos morais são lesões a direitos da personalidade (danos imateriais). 
 
Súmula 227/STJ – A pessoa jurídica pode sofrer dano moral, pois ela possui direitos 
da personalidade. 
 
Gustavo Tepedino entende que dano moral é lesão à dignidade humana. Desse modo, a pessoa 
jurídica não sofreria dano moral, razão pela qual ele criou uma nova classificação jurídica (dano 
institucional). 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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144 
 
 
No entendimento de Tepedino, Barboza e Moraes (2004, p. 134), para as “pessoas jurídicas sem 
fins lucrativos deve ser admitida a possibilidade de configuração de danos institucionais, aqui conceituados 
como aqueles que, diferentemente dos danos patrimoniais ou morais, atingem a pessoa jurídica em sua 
credibilidade ou reputação.”6 
 
Pessoa jurídica de direito público tem direito à indenização por danos morais 
relacionados à violação da honra ou da imagem, quando a credibilidade 
institucional for fortemente agredida e o dano reflexo sobre os demais 
jurisdicionados em geral for evidente. STJ. 2ª Turma. REsp 1722423-RJ, Rel. Min. 
Herman Benjamin, julgado em 24/11/2020 (Info 684). 
 
a) Características dos direitos da personalidade: 
 
 
ABSOLUTOS 
São oponíveis erga omnes, o que NÃO significa que são 
ilimitados. Nesse aspecto, são relativos, devendo ser 
ponderados em caso de colisão. 
GERAIS Outorgados a todas as pessoas. 
EXTRAPATRIMONIAIS Ausência de conteúdo patrimonial direto, aferível 
objetivamente, a exemplo dos danos morais. 
 
 
INDISPONÍVEIS 
O titular não pode deles dispor de forma total e 
permanente. ATENÇÃO: A indisponibilidade é relativa, pois 
o Código Civil admite restrição voluntária, desde que não 
seja permanente, genérica e não viole a dignidade do 
titular. 
IMPENHORÁVEIS O direito da personalidade não pode ser penhorado, mas o 
crédito dele decorrente sim. 
VITALÍCIOS Os direitos da personalidade perduram durante toda a vida 
da pessoa e alguns, inclusive, têm projeção após a morte 
IMPRESCRITÍVEIS Não existe prazo para seu exercício, não se extinguindo 
pelo não uso. 
 
NÃO CONFUNDA: DIREITOS DA PERSONALIDADE SÃO, SIMULTANEAMENTE, ABSOLUTOS 
(oponíveis erga omnes) e RELATIVOS (ponderados em caso de conflito). 
 
 
6https://jus.com.br/artigos/25004/sobre-dano-e-responsabilidade-civil 
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Caiu na prova Delegado PB/2022! Conforme o Código Civil e o entendimento jurisprudencial do Superior 
Tribunal de Justiça (STJ), os direitos da personalidade podem ser objeto de disponibilidade, como no caso de 
disposição, para fins científicos, do próprio corpo para depois da morte. (ITEM CORRETO) 
 
b) Temas Atuais 
 
I. Consenso afirmativo: direito da pessoa dispor gratuitamente do seu corpo, no todo ou em parte, 
para depois de sua morte, com objetivo científico ou terapêutico (art. 14 do CC). 
 Nessa temática, ganha relevo a figura do testamento vital ou living will, em que o paciente, de forma 
prévia, especifica os tratamentos, procedimentos e cuidados a que deseja ou não se submeter quando não 
puder se expressar de forma autônoma. No Brasil não há lei específica sobre o instituto, cuja validade tem 
sido defendida com base na dignidade da pessoa humana (artigo 1, III, CF), na liberdade e na 
autodeterminação dela decorrentes (artigo 5, II, da CF), na privacidade (artigo 5º, X, da CF) e na 
impossibilidade de submissão do paciente a tratamento sem seu consentimento (artigo 15, do CC). 
 
Não há exigência de formalidade específica acerca da manifestação de última 
vontade do indivíduo sobre a destinação de seu corpo após a morte, sendo possível 
a submissão do cadáver ao procedimento de criogenia em atenção à vontade 
manifestada em vida. A criogenia (ou criopreservação) é a técnica de congelamento 
do corpo humano após a morte, em baixíssima temperatura, a fim de conservá-lo, 
com o intuito de reanimação futura da pessoa caso sobrevenha alguma importante 
descoberta científica que possibilite o seu retorno à vida. Em outras palavras, a 
criogenia consiste no congelamento de cadáveres a baixas temperaturas, com a 
finalidade de que, com os possíveis avanços da ciência, sejam, um dia, 
ressuscitados. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1693718-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 
26/03/2019 (Info 645).7 
 
II. Consentimento Informado: o CC, em seu art. 13, prevê que só pode haver a diminuição 
permanente da integridade física se houver exigência médica, que pode ser por motivo de saúde física ou 
psíquica, o que abrange as cirurgias plásticas e cirurgias de transgenitalização. Inclusive, especificamente no 
tocante à submissão a tratamento médico, exige-se o consentimento informado, ou seja, o paciente tem 
direito de saber qual é o tratamento ou a cirurgia e quais as suas consequências. Conclui-se, portanto, que a 
responsabilidade do médico é TÉCNICA + DEVER DE INFORMAÇÃO. 
 
 
7 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/022e0ee5162c13d9a7bb3bd00fb032ce. Acesso em: 
09/12/2022. 
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Com efeito, não se admite o chamado “blanket consent”, isto é, o consentimento 
genérico, em que não há individualização das informações prestadas ao paciente, 
dificultando, assim, o exercício de seu direito fundamental à autodeterminação. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1848862-RN, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 
05/04/2022 (Info 733).8 
 
O ônus da prova quanto ao cumprimento do dever de informar e obter o 
consentimento informado do paciente é do médico ou do hospital, orientado pelo 
princípio da colaboração processual, em que cada parte deve contribuir com os 
elementos probatórios que mais facilmente lhe possam ser exigidos. STJ. 4ª Turma. 
REsp 1540580-DF, Rel. Min. Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado do TRF 
5ª Região), Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 02/08/2018 (Info 632).9 
 
Caiu na prova Delegado RJ/2021! Ao tratar da proteção à integridade física e do direito ao próprio corpo, o 
Código Civil Brasileiro traz a possibilidade de recusa em submeter-se a tratamento ou intervenção médica 
em situações em que o procedimento demonstre risco à vida da pessoa. (ITEM CORRETO) 
 
Caiu na prova Delegado MG/2021! A. e B. são irmãos. A. necessita, com urgência e segundo atestado médico, 
de transplante de um rim e B. tem compatibilidade para ser doador. A doação, entretanto, importa em 
diminuição permanente da integridade física. A doação pode ser feita diante da exigência médica atestando 
a urgência. (ITEM CORRETO) 
 
III. Direito ao esquecimento: O direito ao esquecimento é o direito que uma pessoa possui de não 
permitir que, em razão da passagem do tempo, um fato, ainda que verídico, ocorrido em determinado 
momento de sua vida, seja exposto ao público em geral, causando-lhe sofrimento ou transtornos. Veja a 
definição dada por Anderson Schreiber: 
 
(...) o direito ao esquecimento é, portanto, um direito (a) exercido necessariamente 
por uma pessoa humana; (b) em face de agentes públicos ou privados que tenham 
a aptidão fática de promover representações daquela pessoa sobre a esfera pública 
(opinião social); incluindo veículos de imprensa, emissoras de TV, fornecedores de 
serviços de busca na internetetc.; (c) em oposição a uma recordação opressiva dos 
fatos, assim entendida a recordação que se caracteriza, a um só tempo, por ser 
 
8 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/44012e792781772d8795acf27fabed2f. Acesso em: 
09/12/2022 
9 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/34e420f6e47d96669897a45586997a57. Acesso em: 
09/12/2022. 
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desatual e recair sobre aspecto sensível da personalidade, comprometendo a plena 
realização da identidade daquela pessoa humana, ao apresentá-la sob falsas luzes 
à sociedade. (Anderson SCHREIBER. Direito ao esquecimento e proteção de dados 
pessoais na Lei 13.709/2018. In: TEPEDINO, G; FRAZÃO, A; OLIVA, M.D. Lei geral de 
proteção de dados pessoais e suas repercussões no direito brasileiro. São Paulo: 
Thomson Reuters Brasil, 2019, p. 376). 
 
O direito ao esquecimento, também é chamado de “direito de ser deixado em paz” ou o “direito de 
estar só”. Nos EUA, é conhecido como the right to be let alone e, em países de língua espanhola, é alcunhado 
de derecho al olvido. É o caso, por exemplo, da apresentadora Xuxa que, no passado, fez um determinado 
filme do qual se arrepende e que ela não mais deseja que seja exibido ou rememorado por lhe causar 
prejuízos profissionais e transtornos pessoais. Sem dúvida nenhuma, o principal ponto de conflito quanto à 
aceitação do direito ao esquecimento reside justamente em como conciliar esse direito com a liberdade de 
expressão e de imprensa e com o direito à informação. 
 A discussão quanto ao direito ao esquecimento envolve um conflito aparente entre a liberdade de 
expressão/informação e atributos individuais da pessoa humana, como a intimidade, privacidade e honra, 
passando por evolução jurisprudencial. 
 O STJ reconheceu o direito ao esquecimento em dois julgados principais: O caso “Aída Curi” (REsp 
1.335.153-RJ) e a situação da “chacina da Candelária” (REsp 1.334.097-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 
julgados em 28/5/2013), hipótese em que entendeu que o direito à informação deveria ser exercido de forma 
compatível com a intimidade e a honra das pessoas. Ressalta-se, contudo, que o deferimento ou não do 
direito ao esquecimento sempre dependeu da análise do caso concreto e da ponderação dos interesses 
envolvidos. 
Em março de 2013, na VI Jornada de Direito Civil do CJF/STJ, foi aprovado um enunciado defendendo 
a existência do direito ao esquecimento como uma expressão da dignidade da pessoa humana. Veja: 
“Enunciado 531: A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao 
esquecimento.” 
 Vale ressaltar, ainda, que o STJ possui o entendimento de que, quando os registros da folha de 
antecedentes do réu são muito antigos, admite-se o afastamento de sua análise desfavorável, em aplicação 
à teoria do direito ao esquecimento, pois não se pode tornar perpétua a valoração negativa dos 
antecedentes, nem perenizar o estigma de criminoso para fins de aplicação da reprimenda, pois a 
transitoriedade é consectário natural da ordem das coisas. Se o transcurso do tempo impede que 
condenações anteriores configurem reincidência, esse mesmo fundamento - o lapso temporal - deve ser 
sopesado na análise das condenações geradoras, em tese, de maus antecedentes. STJ. 6ª Turma. HC 
452.570/PR, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 02/02/2021. 
 
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 No entanto, o tema passou por uma evolução jurisprudencial. Isso porque o STJ passou a relativizar 
o direito ao esquecimento, ao passo que o STF passou a entender pela sua incompatibilidade com a 
Constituição Federal. Confira: 
 
STF, de 11/02/2021, em sede de Repercussão Geral – Tema 786! É incompatível 
com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento, assim entendido como 
o poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados 
verídicos e licitamente obtidos e publicados em meios de comunicação social 
analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos no exercício da liberdade de 
expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, a partir dos 
parâmetros constitucionais – especialmente os relativos à proteção da honra, da 
imagem, da privacidade e da personalidade em geral – e as expressas e específicas 
previsões legais nos âmbitos penal e cível. STF. Plenário. RE 1010606/RJ, Rel. Min. 
Dias Toffoli, julgado em 11/2/2021 (Repercussão Geral – Tema 786) (Info 1005). 
 
Seguindo o entendimento do STF, o STJ decidiu no mesmo sentido afirmando que o direito ao 
esquecimento é considerado incompatível com o ordenamento jurídico brasileiro. Logo, não é capaz de 
justificar a atribuição da obrigação de excluir a publicação relativa a fatos verídicos. STJ. 3ª Turma. REsp. 
1961581-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 07/12/2021 (Info 723). 
Importante pontuar, porém, que o STF admite a desindexação do nome da pessoa a determinado 
fato específico desabonador em caso de provedores de busca de internet, o que não se confunde com o 
direito ao esquecimento: 
 
A determinação para que os provedores de busca na internet procedam a 
desvinculação do nome de determinada pessoa, sem qualquer outro termo 
empregado, com fato desabonador a seu respeito dos resultados de pesquisa não 
se confunde com o direito ao esquecimento, objeto da tese de repercussão geral 
786/STF. STJ. 3ª Turma. REsp 1660168/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado 
em 21/06/2022 (Info 743). 
 
IV. Direito à imagem e Danos morais 
 
CF. Art. 5º V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da 
indenização por dano material, moral ou à imagem; 
 
Súmula 647-STJ: São imprescritíveis as ações indenizatórias por danos morais e 
materiais decorrentes de atos de perseguição política com violação de direitos 
fundamentais ocorridos durante o regime militar. 
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Súmula 642-STJ: O direito à indenização por danos morais transmite-se com o 
falecimento do titular, possuindo os herdeiros da vítima legitimidade ativa para 
ajuizar ou prosseguir a ação indenizatória. 
 
Súmula 403-STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não 
autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. 
 
Ex.: empresa utiliza, sem autorização, a imagem de uma pessoa em um comercial 
de TV. Desse modo, com a edição da Súmula 403, o STJ firmou o entendimento de 
que a publicação da imagem de terceiro, sem a sua autorização, configura dano 
moral in re ipsa, quando esta utilização for feita com fins econômicos ou comerciais. 
O fundamento para esta súmula é o art. 20 do Código Civil. Exceção: A Súmula 403 
do STJ é inaplicável às hipóteses de divulgação de imagem vinculada à fato histórico 
de repercussão social. Caso concreto: a TV Record exibiu reportagem sobre o 
assassinato da atriz Daniela Perez, tendo realizado, inclusive, uma entrevista com 
Guilherme de Pádua, condenado pelo homicídio. Foram exibidas, sem prévia 
autorização da família, fotos da vítima Daniela. O STJ entendeu que, como havia 
relevância nacional na reportagem, não se aplica a Súmula 403 do STJ, não havendo 
direito à indenização. STJ. 3ª Turma. REsp 1.631.329-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas 
BôasCueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 24/10/2017 (Info 614). 
 
Jurisprudência relevante sobre o tema: 
 
Configura dano moral, sujeito à indenização, a veiculação, em rede nacional de 
TV, de imagem de pessoa nua em praia de naturismo, sem autorização e com 
atribuição de conotação pejorativa. STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1519848/SP, 
Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 23/08/2022 (Info 746). 
 
Informativo 621, STJ: A Súmula 403 do STJ é inaplicável para representação da 
imagem de pessoa como coadjuvante em documentário que tem por objeto ahistória profissional de terceiro. Ação de indenização proposta por ex-goleiro do 
Santos em virtude da veiculação indireta de sua imagem (por ator profissional 
contratado), sem prévia autorização, em cenas do documentário “Pelé Eterno”. O 
autor alegou que a simples utilização não autorizada de sua imagem, ainda que de 
forma indireta, geraria direito a indenização por danos morais, 
independentemente de efetivo prejuízo. O STJ não concordou. A representação 
cênica de episódio histórico em obra audiovisual biográfica não depende da 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/033daef61ea8721921fbbeebb6f87313?categoria=4&subcategoria=33&assunto=108&criterio-pesquisa=e
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concessão de prévia autorização de terceiros ali representados como coadjuvantes. 
O STF, no julgamento da ADI 4.815/DF, afirmou que é inexigível a autorização de 
pessoa biografada relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais bem 
como desnecessária a autorização de pessoas nelas retratadas como coadjuvantes. 
A Súmula 403/STJ é inaplicável às hipóteses de representação da imagem de pessoa 
como coadjuvante em obra biográfica audiovisual que tem por objeto a história 
profissional de terceiro. STJ. 3ª Turma.REsp 1454016-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 
Rel. Acd. Min. Ricardo Villas BôasCueva, julgado em 12/12/2017. 
 
Informativo 674 STJ: O uso da imagem de torcedor inserido no contexto de uma 
torcida não induz a reparação por danos morais quando não configurada a 
projeção, a identificação e a individualização da pessoa nela representada. Em 
regra, a autorização para uso da imagem deve ser expressa; no entanto, a depender 
das circunstâncias, especialmente quando se trata de imagem de multidão, de 
pessoa famosa ou ocupante de cargo público, há julgados do STJ em que se admite 
o consentimento presumível, o qual deve ser analisado com extrema cautela e 
interpretado de forma restrita e excepcional. De um lado, o uso da imagem da 
torcida - em que aparecem vários dos seus integrantes - associada à partida de 
futebol, é ato plenamente esperado pelos torcedores, porque costumeiro nesse 
tipo de evento; de outro lado, quem comparece a um jogo esportivo não tem a 
expectativa de que sua imagem seja explorada comercialmente, associada à 
propaganda de um produto ou serviço, porque, nesse caso, o uso não decorre 
diretamente da existência do espetáculo. A imagem é a emanação de uma pessoa, 
a forma com a qual ela se projeta, se identifica e se individualiza no meio social. 
Não há violação ao direito à imagem se a divulgação ocorrida não configura 
projeção, identificação e individualização da pessoa nela representada. No caso 
concreto, o autor não autorizou ainda que tacitamente a divulgação de sua imagem 
em campanha publicitária de automóvel. Ocorre que, pelas circunstâncias, não há 
que se falar em utilização abusiva da imagem, tampouco em dano moral porque o 
vídeo divulgado não destaca a sua imagem, mostrando o autor durante poucos 
segundos inserido na torcida, juntamente com vários outros torcedores. STJ. 3ª 
Turma. REsp 1772593-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/06/2020. 
 
Informativo 672, STJ: Na exposição pornográfica não consentida, o fato de o rosto 
da vítima não estar evidenciado de maneira flagrante é irrelevante para a 
configuração dos danos morais. Caso concreto: Paulo e Letícia eram namorados. 
Paulo tirou fotografias de Letícia em que ela aparece de biquini, em poses sensuais, 
mas sem aparecer seu rosto. Após o fim do relacionamento, Paulo, como forma de 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/7bd66825e9a97424ffe5645549270832?categoria=4&subcategoria=33&assunto=108&criterio-pesquisa=e
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vingança, publicou tais imagens em um perfil criado no Facebook. Letícia denunciou 
as publicações por meio dos canais disponibilizados pelo Facebook, no entanto, a 
plataforma não aceitou retirar as fotografias alegando que não são fotografias 
pornográficas (considerando que não há nudez), além do fato de não estar sendo 
exposto de forma evidente. O STJ não concordou com os argumentos do Facebook 
e o condenou a pagar indenização por danos morais em favor da autora. A 
“exposição pornográfica não consentida”, da qual a “pornografia de vingança” é 
uma espécie, constituiu uma grave lesão aos direitos de personalidade da pessoa 
exposta indevidamente, além de configurar uma grave forma de violência de 
gênero que deve ser combatida de forma contundente pelos meios jurídicos 
disponíveis. Não há como descaracterizar um material pornográfico apenas pela 
ausência de nudez total. Neste caso concreto, a autora encontra-se sumariamente 
vestida, em posições com forte apelo sexual. O fato de o rosto da vítima não estar 
evidenciado nas fotos de maneira flagrante é irrelevante para a configuração dos 
danos morais na hipótese, uma vez que a mulher vítima da pornografia de vingança 
sabe que sua intimidade foi indevidamente desrespeitada e, igualmente, sua 
exposição não autorizada lhe é humilhante e viola flagrantemente seus direitos de 
personalidade. STJ. 3ª Turma. REsp 1735712-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado 
em 19/05/2020. 
 
Informativo 549, STJ: Configura dano moral indenizável a divulgação não 
autorizada da imagem de alguém em material impresso de propaganda político-
eleitoral, independentemente da comprovação de prejuízo. 
 
Informativo 546, STJ: Configura dano moral a divulgação não autorizada de foto de 
pessoa física em campanha publicitária promovida por sociedade empresária com 
o fim de, mediante o incentivo à manutenção da limpeza urbana, incrementar a sua 
imagem empresarial perante a população, ainda que a fotografia tenha sido 
capturada em local público e sem nenhuma conotação ofensiva ou vexaminosa. O 
dano moral decorre do simples uso não autorizado da imagem. 
 
Informativo 921, STF: Inexistência do direito à indenização em razão da 
divulgação, no jornal, de imagem do cadáver morto em via pública. Jornal 
divulgou a foto do cadáver de um indivíduo morto em tiroteio ocorrido em via 
pública. Os familiares do morto ajuizaram ação de indenização por danos morais 
contra o jornal alegando que houve violação aos direitos de imagem. O STF julgou 
a ação improcedente argumentando que condenar o jornal seria uma forma de 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/940392f5f32a7ade1cc201767cf83e31?categoria=4&subcategoria=33&assunto=108&criterio-pesquisa=e
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censura, o que afronta a liberdade de informação jornalística. STF. 2ª Turma. ARE 
892127 AgR/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/10/2018. 
 
Informativo 789, STF: É inexigível o consentimento de pessoa biografada 
relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais, sendo por igual 
desnecessária a autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes ou de 
familiares, em caso de pessoas falecidas ou ausentes. Caso o biografado ou 
qualquer outra pessoa retratada na biografia entenda que seus direitosforam 
violados pela publicação, terá direito à reparação, que poderá ser feita não apenas 
por meio de indenização pecuniária, como também por outras formas, tais como a 
publicação de ressalva, de nova edição com correção, de direito de resposta etc. 
STF. Plenário. ADI 4815/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/6/2015. 
 
VI. Direito ao nome: 
 
Art. 16. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o 
sobrenome. 
Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou 
representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja 
intenção difamatória. 
Art. 18. Sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda 
comercial. 
Art. 19. O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá 
ao nome. 
 
Caiu na prova Delegado MS/2021! O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações 
ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória. (ITEM 
CORRETO) 
 
É o direito à individualização da pessoa. Subdivide-se em: 
 
● Prenome: Identifica a pessoa e pode ser simples ou composto. Ex.: José ou José Maria. 
● Sobrenome (ou patronímico): identifica a origem ancestral, familiar. Ex.: Silva. 
● Agnome: Partícula diferenciadora que serve para distinguir pessoas pertencentes à mesma 
família e com o mesmo nome. Ex.: Júnior, Filho, Neto, Sobrinho; 
● Hipocorístico: É um apelido, uma alcunha que designa alguém pessoal e profissionalmente. Ex.: 
Xuxa. Não é elemento do nome, embora mereça proteção. 
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● Pseudônimo: É o nome que identifica alguém tão somente em sua esfera profissional. Ex.: Bruna 
Marquezine, embora seu nome verdadeiro seja Bruna Reis Maia. Pelo art. 19 do CC, o 
pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome. Não é 
elemento do nome, embora mereça proteção. 
 
Algumas jurisprudências correlatas: 
 
Não é possível a completa supressão e substituição total do nome registral, por 
pessoa autoidentificada como indígena, por ausência de previsão legal, bem 
como por respeito ao princípio da segurança jurídica e das relações jurídicas a 
serem afetadas. STJ. 4ª Turma. REsp 1927090-RJ, Rel. Min.Luis Felipe Salomão, Rel. 
para acórdão Ministro Raul Araújo, julgado em 21/3/2023. (Info 768) 
 
A simples pretensão de homenagear um ascendente não constitui fundamento 
bastante para configurar a excepcionalidade que propicia a modificação do 
registro. STJ. 3ª Turma. REsp 1.962.674-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 
julgado em 24/05/2022. (Info 748) 
 
A existência de um homônimo que responde a processo criminal, ainda que em 
outro estado da federação, pode ensejar um constrangimento capaz de 
configurar o justo motivo para fundamentar a inclusão de patronímico. STJ. 3ª 
Turma. REsp 1962674-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 
24/05/2022. (Info 748) 
 
A discrepância entre a assinatura artística e o nome registral não consubstancia 
situação excepcional e motivo justificado à alteração da grafia do apelido de 
família. Caso concreto: o sobrenome do artista plástico Romero Britto, 
mundialmente conhecido, é grafado com apenas uma letra “t” (Brito). Sua 
assinatura artística, contudo, é feita com duas letras “t” (Britto). O artista ajuizou, 
então, uma ação pedindo a alteração do seu patronímico (de Brito para Britto). O 
pedido não foi acolhido. A modificação pretendida alteraria a própria grafia do 
apelido de família e, assim, representaria violação à regra registral que exige a 
preservação do sobrenome, com o objetivo de indicar a estirpe familiar, o que tem 
relação com o próprio interesse público. STJ. 4ª Turma. REsp 1729402-SP, Rel. Min. 
Marco Buzzi, julgado em 14/12/2021. (Info 723) 
 
É admissível o restabelecimento do nome de solteiro na hipótese de dissolução 
do vínculo conjugal pelo falecimento do cônjuge. Embora o art. 1.571, §2º, do CC 
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preveja a possibilidade de retomada do nome de solteiro(a) somente em caso de 
divórcio, o STJ entende que também é possível em caso de dissolução de vínculo 
conjugal, não havendo razão plausível para tratar de modo diferenciado duas 
situações semelhantes. STJ. 3ª Turma. REsp 1724718-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, 
julgado em 22/05/2018. (Info 627) 
 
É admissível a alteração do registro civil para mudança do nome após aquisição 
de dupla cidadania. O brasileiro que adquiriu dupla cidadania pode ter seu nome 
retificado no registro civil do Brasil, desde que isso não cause prejuízo a terceiros, 
quando vier a sofrer transtornos no exercício da cidadania por força da 
apresentação de documentos estrangeiros com sobrenome imposto por lei 
estrangeira e diferente do que consta em seus documentos brasileiros. STJ. 3ª 
Turma. REsp 1310088-MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. para acórdão 
Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 17/5/2016. (Info 588) 
 
É direito subjetivo da pessoa retificar seu patronímico no registro de nascimento 
de seus filhos após divórcio. A averbação do patronímico no registro de 
nascimento do filho em decorrência do casamento atrai, à luz do princípio da 
simetria, a aplicação da mesma norma à hipótese inversa, qual seja, em decorrência 
do divórcio, um dos genitores deixa de utilizar o nome de casado (art. 3º, parágrafo 
único, da Lei nº 8.560/1992). STJ. 3ª Turma. REsp 1279952-MG, Rel. Min. Ricardo 
Villas Bôas Cueva, julgado em 3/2/2015. (Info 555) 
 
É admissível o retorno ao nome de solteiro do cônjuge ainda na constância do 
vínculo conjugal. Exemplo hipotético: Regina Andrade Medina casou-se com João 
da Costa Teixeira. Com o casamento, ela passou a ser chamada de Regina Medina 
Teixeira. Ocorre que, após anos de casada, Regina arrependeu-se da troca e deseja 
retornar ao nome de solteira. Ela apresentou justas razões de ordem sentimental e 
existencial. O pedido deve ser acolhido a fim de ser preservada a intimidade, a 
autonomia da vontade, a vida privada, os valores e as crenças das pessoas, bem 
como a manutenção e perpetuação da herança familiar. STJ. 3ª Turma. REsp 
1873918-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/03/2021. (Info 687) 
 
É possível a retificação do registro civil para acréscimo do segundo patronímico 
do marido ao nome da mulher durante a convivência matrimonial. O cônjuge 
pode acrescentar sobrenome do outro (§ 1º do art. 1.565, do Código Civil). Em 
regra, o sobrenome do marido/esposa é acrescido no momento do matrimônio, 
sendo essa providência requerida no processo de habilitação do casamento. A 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/1a9dcba2349fef2bb823c39e45dd6c96?categoria=4&subcategoria=33&criterio-pesquisa=e
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despeito disso, não existe uma vedação legal expressa para que, posteriormente, 
no curso do relacionamento, um dos cônjuges requeira o acréscimo do outro 
patronímico do seu cônjuge por meio de ação de retificação de registro civil, 
especialmente se o cônjuge apresenta uma justificativa. Vale ressaltar que o art. 
1.565, §1º do CC não estabelece prazo para que o cônjuge adote o apelido de 
família do outro, em se tratando, no caso, de mera complementação, e não 
alteração do nome. Assim, é possível a retificação do registro civil para acréscimo 
do segundo patronímico do marido ao nome da mulher durante a convivência 
matrimonial. STJ. 3ª Turma. REsp 1648858-SP, Rel. Min. Ricardo Villas BôasCueva, 
julgado em 20/08/2019. (Info 655) 
 
Exclusão dos sobrenomes paternos em razão do abandono pelo genitor. (...). O 
princípio da imutabilidade do nome não é absoluto no sistema jurídico brasileiro.Além disso, a referida flexibilização se justifica pelo próprio papel que o nome 
desempenha na formação e consolidação da personalidade de uma pessoa. Desse 
modo, o direito da pessoa de portar um nome que não lhe remeta às angústias 
decorrentes do abandono paterno e, especialmente, corresponda à sua realidade 
familiar, sobrepõe-se ao interesse público de imutabilidade do nome, já 
excepcionado pela própria Lei de Registros Públicos. Sendo assim, nos moldes 
preconizados pelo STJ, considerando que o nome é elemento da personalidade, 
identificador e individualizador da pessoa na sociedade e no âmbito familiar, 
conclui-se que o abandono pelo genitor caracteriza o justo motivo de o interessado 
requerer a alteração de seu nome civil, com a respectiva exclusão completa dos 
sobrenomes paternos. STJ. 3ª Turma. REsp 1304718-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso 
Sanseverino, julgado em 18/12/2014. (Info 555) 
 
O STJ, no julgamento do REsp 1.905.614/SP (Info 695) fixou o entendimento de que é admissível a 
exclusão de prenome da criança na hipótese em que o pai informou, perante o cartório de registro civil, nome 
diferente daquele que havia sido consensualmente escolhido pelos genitores. De acordo com a Corte, tal 
hipótese configura exercício abusivo do direito de nomear o filho, o que autoriza a modificação posterior do 
nome da criança, na forma do art. 57, caput, da Lei nº 6.015/73. 
 
Caiu na prova Delegado ES/2022! Gilvan e Mariana mantinham relacionamento amoroso havia seis anos, 
quando Mariana engravidou. O casal contou aos familiares e amigos que a criança que estava a caminho era 
um menino e se chamaria Cauã. No entanto, às vésperas do nascimento do filho, Gilvan rompeu o 
relacionamento após ter descoberto que, havia três meses, Mariana mantinha outro relacionamento 
amoroso. Nascida a criança, Gilvan registrou-a com o nome de Enzo Cauã, em homenagem ao seu avô, sem 
consultar Mariana. Nessa situação hipotética, em consonância com o entendimento do Superior Tribunal de 
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Justiça, Mariana poderá requerer, perante o cartório de registro civil, a exclusão do prenome Enzo, sob o 
argumento de que Gilvan violou o dever de lealdade familiar e a boa-fé objetiva. (ITEM CORRETO) 
 
NOVIDADE LEGISLATIVA. Ressalta-se que a ordem jurídica considerava o prenome, em regra, 
imutável, até o fim de junho de 2022, quando foi publicada a Lei 14.382/2022, que dispõe sobre o Sistema 
Eletrônico dos Registros Públicos. 
 
Houve a alteração dos artigos 55 a 57 da Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/1973), com o 
afastamento da regra geral de imutabilidade do nome da pessoa humana, o que, inclusive, já era defendido 
pela doutrina que entendia que deveria se resguardar um espaço de autonomia relativamente ao prenome. 
 
Art. 55. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o 
sobrenome, observado que ao prenome serão acrescidos os sobrenomes dos 
genitores ou de seus ascendentes, em qualquer ordem e, na hipótese de acréscimo 
de sobrenome de ascendente que não conste das certidões apresentadas, deverão 
ser apresentadas as certidões necessárias para comprovar a linha ascendente. 
§ 1º O oficial de registro civil não registrará prenomes suscetíveis de expor ao 
ridículo os seus portadores, observado que, quando os genitores não se 
conformarem com a recusa do oficial, este submeterá por escrito o caso à decisão 
do juiz competente, independentemente da cobrança de quaisquer emolumentos. 
§ 2º Quando o declarante não indicar o nome completo, o oficial de registro lançará 
adiante do prenome escolhido ao menos um sobrenome de cada um dos genitores, 
na ordem que julgar mais conveniente para evitar homonímias. 
§ 3º O oficial de registro orientará os pais acerca da conveniência de acrescer 
sobrenomes, a fim de se evitar prejuízos à pessoa em razão da homonímia. 
§ 4º Em até 15 (quinze) dias após o registro, qualquer dos genitores poderá 
apresentar, perante o registro civil onde foi lavrado o assento de nascimento, 
oposição fundamentada ao prenome e sobrenomes indicados pelo declarante, 
observado que, se houver manifestação consensual dos genitores, será realizado o 
procedimento de retificação administrativa do registro, mas, se não houver 
consenso, a oposição será encaminhada ao juiz competente para decisão. (NR) 
Art. 56. A pessoa registrada poderá, após ter atingido a maioridade civil, requerer 
pessoalmente e imotivadamente a alteração de seu prenome, 
independentemente de decisão judicial, e a alteração será averbada e publicada 
em meio eletrônico. 
§ 1º A alteração imotivada de prenome poderá ser feita na via extrajudicial 
apenas 1 (uma) vez, e sua desconstituição dependerá de sentença judicial. 
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§ 2º A averbação de alteração de prenome conterá, obrigatoriamente, o prenome 
anterior, os números de documento de identidade, de inscrição no Cadastro de 
Pessoas Físicas (CPF) da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, de 
passaporte e de título de eleitor do registrado, dados esses que deverão constar 
expressamente de todas as certidões solicitadas. 
§ 3º Finalizado o procedimento de alteração no assento, o ofício de registro civil de 
pessoas naturais no qual se processou a alteração, a expensas do requerente, 
comunicará o ato oficialmente aos órgãos expedidores do documento de 
identidade, do CPF e do passaporte, bem como ao Tribunal Superior Eleitoral, 
preferencialmente por meio eletrônico. 
§ 4º Se suspeitar de fraude, falsidade, má-fé, vício de vontade ou simulação quanto 
à real intenção da pessoa requerente, o oficial de registro civil fundamentadamente 
recusará a retificação. (NR) 
Art. 57. A alteração posterior de sobrenomes poderá ser requerida pessoalmente 
perante o oficial de registro civil, com a apresentação de certidões e de documentos 
necessários, e será averbada nos assentos de nascimento e casamento, 
independentemente de autorização judicial, a fim de: 
I - inclusão de sobrenomes familiares; 
II - inclusão ou exclusão de sobrenome do cônjuge, na constância do casamento; 
III - exclusão de sobrenome do ex-cônjuge, após a dissolução da sociedade conjugal, 
por qualquer de suas causas; 
IV - inclusão e exclusão de sobrenomes em razão de alteração das relações de 
filiação, inclusive para os descendentes, cônjuge ou companheiro da pessoa que 
teve seu estado alterado. 
................................................................................................................... 
§ 2º Os conviventes em união estável devidamente registrada no registro civil de 
pessoas naturais poderão requerer a inclusão de sobrenome de seu companheiro, 
a qualquer tempo, bem como alterar seus sobrenomes nas mesmas hipóteses 
previstas para as pessoas casadas. 
§ 3º (Revogado). 
§ 3º-A O retorno ao nome de solteiro ou de solteira do companheiro ou da 
companheira será realizado por meio da averbação da extinção de união estável 
em seu registro. 
§ 4º (Revogado). 
§ 5º (Revogado). 
§ 6º (Revogado). 
.................................................................................................................. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6015consolidado.htm#art57.0
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6015consolidado.htm#art57%C2%A72.0
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6015consolidado.htm#art57%C2%A73.0
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6015consolidado.htm#art57%C2%A74.0
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6015consolidado.htm#art57%C2%A75.0
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6015consolidado.htm#art57%C2%A76.0
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§ 8º O enteado ou a enteada, se houver motivo justificável, poderá requerer ao 
oficial de registro civil que, nos registros de nascimento e de casamento, seja 
averbado o nomede família de seu padrasto ou de sua madrasta, desde que haja 
expressa concordância destes, sem prejuízo de seus sobrenomes de família. (NR) 
 
VII. Transexuais 
 
 Define-se a orientação sexual como a expressão individual da sexualidade, que identifica qual o 
objeto da atração sexual e afetiva do indivíduo. Já a identidade do gênero diz respeito ao gênero com o qual 
uma pessoa se identifica, independente do seu sexo biológico. 
 A transexualidade diz respeito justamente à condição do indivíduo que possui uma identidade de 
gênero diferente da que lhe foi designada no nascimento com base no sexo biológico, o que faz surgir o 
desejo de viver e ser aceito como sendo do sexo oposto. 
 
 Transexuais e direito à mudança do prenome e do gênero no registro civil: 
 
 Anteriormente, doutrina e jurisprudência entendiam, majoritariamente, pela negação da retificação 
do registro civil do transexual. Contudo, o art. 8º da Convenção de Salvaguarda dos Direitos do Homem e das 
Liberdades Fundamentais consagra que toda pessoa tem o direito à vida privada e familiar e à identidade 
pessoal, de modo que houve uma evolução jurisprudencial quanto ao tema. Atualmente, para os Tribunais 
Superiores, o transgênero pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem fazer cirurgia 
de transgenitalização e mesmo sem autorização judicial. 
 
O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e 
de sua classificação de gênero no registro civil, não se exigindo, para tanto, nada 
além da manifestação de vontade do indivíduo, o qual poderá exercer tal 
faculdade tanto pela via judicial como diretamente pela via administrativa. Essa 
alteração deve ser averbada à margem do assento de nascimento, vedada a 
inclusão do termo “transgênero”. Nas certidões do registro não constará nenhuma 
observação sobre a origem do ato, vedada a expedição de certidão de inteiro teor, 
salvo a requerimento do próprio interessado ou por determinação judicial. 
Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar de 
ofício ou a requerimento do interessado a expedição de mandados específicos para 
a alteração dos demais registros nos órgãos públicos ou privados pertinentes, os 
quais deverão preservar o sigilo sobre a origem dos atos. STF. Plenário. RE 
670422/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2018 (repercussão geral) (Info 
911). 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6015consolidado.htm#art57%C2%A78.0
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/8ae1da0fe37c98412768453f82490da2?categoria=4&subcategoria=33&assunto=107
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/8ae1da0fe37c98412768453f82490da2?categoria=4&subcategoria=33&assunto=107
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Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de 
transgenitalização, ou da realização de tratamentos hormonais ou 
patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e do gênero (sexo) 
diretamente no registro civil. O direito à igualdade sem discriminações abrange a 
identidade ou expressão de gênero. A identidade de gênero é manifestação da 
própria personalidade da pessoa humana e, como tal, cabe ao Estado apenas o 
papel de reconhecê-la, nunca de constituí-la. A pessoa transgênero que comprove 
sua identidade de gênero dissonante daquela que lhe foi designada ao nascer por 
autoidentificação firmada em declaração escrita desta sua vontade dispõe do 
direito fundamental subjetivo à alteração do prenome e da classificação de gênero 
no registro civil pela via administrativa ou judicial, independentemente de 
procedimento cirúrgico e laudos de terceiros, por se tratar de tema relativo ao 
direito fundamental ao livre desenvolvimento da personalidade. STF. Plenário. ADI 
4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado 
em 28/2 e 1º/3/2018 (Info 892). 
 
O direito dos transexuais à retificação do prenome e do sexo/gênero no registro 
civil não é condicionado à exigência de realização da cirurgia de transgenitalização. 
Trata-se de novidade porque, anteriormente, a jurisprudência exigia a realização 
da cirurgia de transgenitalização. STJ. 4ª Turma.REsp 1626739-RS, Rel. Min. Luis 
Felipe Salomão, julgado em 9/5/2017 (Info 608). 
 
Além disso, em atendimento aos princípios constitucionais do direito à dignidade humana, à 
autonomia, à liberdade, à igualdade, à saúde, e da vedação à tortura e ao tratamento degradante e 
desumano, os transexuais e travestis com identificação com o gênero feminino poderão optar por cumprir 
pena em presídio feminino ou masculino. 
 
Em 19.03.2021, o ministro Luís Roberto Barroso ajustou os termos de medida 
cautelar deferida em junho de 2019, na Arguição de Descumprimento de Preceito 
Fundamental (ADPF) 527, de modo a determinar que presas transexuais e travestis 
com identidade de gênero feminino podem optar por cumprir penas em 
estabelecimento prisional feminino ou masculino. Nesse último caso, elas devem 
ser mantidas em área reservada, como garantia de segurança. Segundo Barroso, 
essa evolução de tratamento dado à matéria no âmbito do Poder Executivo decorre 
do diálogo institucional ensejado pela judicialização da matéria, que permitiu uma 
“saudável interlocução” com associações representativas de interesses desses 
grupos vulneráveis, o Executivo e o Judiciário. Decorre também da jurisprudência 
consolidada no STF no sentido de reconhecer o direito desses grupos a viver de 
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160 
 
acordo com a sua identidade de gênero e a obter tratamento social compatível com 
ela. O ministro ressaltou ainda que, dentre os Princípios de Yogyakarta, documento 
aprovado em 2007 pela comunidade internacional com o objetivo de produzir 
standards específicos para o tratamento da população LGBTI, o de número 9 
recomenda que, caso encarceradas, essas pessoas possam participar das decisões 
relacionadas ao local de detenção adequado à sua orientação sexual e identidade 
de gênero. Fonte: Site do STF 
 
1.3 Nascituro 
 
É o ser já concebido, mas que ainda se encontra no ventre materno. Algumas teorias tentam explicar 
a proteção jurídica do nascituro: 
 
NATALISTA PERSONALIDADE 
CONDICIONAL 
CONCEPCIONISTA 
- A personalidade só inicia 
no nascimento com vida; 
- O nascituro NÃO pode ser 
considerado pessoa, pois só 
é considerado pessoa quem 
nasce com vida. 
- O nascituro tem apenas 
expectativa de direitos. 
- A personalidade civil se 
inicia com o nascimento com 
vida, mas o nascituro 
titulariza direitos 
submetidos à condição 
suspensiva (ou direitos 
eventuais). 
- O nascituro possui direitos 
sob condição suspensiva. 
- A personalidade jurídica se 
inicia com a concepção, 
embora alguns direitos só 
sejam exercitáveis com o 
nascimento. 
- O nascituro é pessoa desde 
o momento em que é 
concebido. 
- O nascituro é sujeito de 
direitos). 
 
* Qual teoria prevalece? 
 
O CC/02 não deixou claro a teoria adotada, pois o art. 2º menciona tanto o termo “nascimento”, 
quanto “concepção”. Todavia, é a teoria concepcionista que guarda maior compatibilidade, a partir de uma 
interpretação sistemática do ordenamento e que vem sendo adotada pela jurisprudência, a exemplo da lei 
de alimentos gravídicos e de decisões do STJ que admitiram o dano moral ao nascituro e até mesmo 
pagamento de DPVAT pela morte de nascituro (STJ. 4ª Turma. REsp 1415727-SC, Rel. Min. Luis Felipe 
Salomão, julgado em 4/9/2014 (Info 547). 
 
JDC1 - A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que 
concerne aos direitos da personalidade, tais como: nome, imagem e sepultura. 
 
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Além disso, consta na Convenção Americana (Pacto de São José da Costa Rica); 
 
Artigo 4. Direito à vida1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser 
protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser 
privado da vida arbitrariamente. 
 
1.4 Emancipação 
 
É uma antecipação da capacidade de fato (e NÃO da maioridade), por meio da qual um relativamente 
incapaz se torna plenamente capaz. 
 
Enunciado JDC 3: A redução do limite etário para a definição da capacidade civil aos 
18 anos não altera o disposto no art. 16, I, da Lei n. 8.213/91, que regula específica 
situação de dependência econômica para fins previdenciários e outras situações 
similares de proteção, previstas em legislação especial. 
Enunciado JDC 397: A emancipação por concessão dos pais ou por sentença do juiz 
está sujeita à desconstituição por vício de vontade. 
Enunciado JDC 530: A emancipação, por si só, não elide a incidência do Estatuto da 
Criança e do Adolescente. 
 
Pode ser: 
 
● VOLUNTÁRIA: Decorre de ato unilateral dos pais, ou de um deles na falta do outro, sendo 
irrevogável. Nessa hipótese, os pais continuam respondendo pelos atos ilícitos dos filhos. 
● JUDICIAL: Concedida pelo juiz, ouvido o tutor, desde que o menor tenha pelo menos 16 anos 
completos. 
● LEGAL: Decorre de previsão legal: 
∘ Casamento; Atenção! Divórcio, morte do cônjuge ou anulação do casamento para o cônjuge 
de boa-fé não fazem retornar a incapacidade. 
∘ Exercício de cargo ou emprego público efetivo; Cuidado! Não é nomeação e nem posse e sim 
exercício. 
∘ Colação de grau em curso de ensino superior; 
∘ Estabelecimento civil ou comercial ou existência de relação de emprego do maior de 16 anos 
que gerem economia própria. 
 
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Caiu na prova Delegado PR/2021! D.M., menor com dezesseis anos de idade, ficou órfã perdendo seu pai e 
sua mãe por conta da pandemia do novo coronavírus. Agora, após ser recentemente aprovada no vestibular 
de medicina, ela precisa manter-se economicamente sozinha, tendo apenas um tio como tutor, que 
administra os bens e negócios deixados pelos seus pais, os quais empregam uma grande quantidade de 
trabalhadores. Considerando as informações apresentadas, assinale a alternativa correta. 
D.M. poderá ser emancipada somente por decisão judicial, após ouvido seu tutor, tendo em vista o 
falecimento de ambos os seus genitores. (ITEM CORRETO) 
 
1.5 Morte Presumida e Ausência 
 
 A morte presumida pode ser com ou sem declaração de ausência. 
 
a) Morte Presumida: Ocorre nas seguintes hipóteses: 
 
● Com declaração de ausência: nos casos em que a lei autoriza a abertura da sucessão definitiva 
(art. 6º); 
● Sem declaração de ausência: se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo 
de vida e, se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até 
dois anos após o término da guerra (art. 7º). 
 
Art. 6º - A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, 
quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão 
definitiva. 
Art. 7º - Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência: 
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; 
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado 
até dois anos após o término da guerra. 
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá 
ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença 
fixar a data provável do falecimento. 
 
ATENÇÃO! COMORIÊNCIA. Quando não for possível precisar a ordem cronológica das mortes de pessoas que 
morreram na mesma ocasião, chamadas comorientes, a lei prevê a presunção de haverem falecido no mesmo 
instante. Se forem parentes, a consequência é que tais pessoas NÃO sucederão reciprocamente, abrindo-se 
cadeias sucessórias distintas (art. 8º, CC). 
 
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b) Ausência: é o desaparecimento de uma pessoa de seu domicílio, sem dar notícias de onde se 
encontra, sem deixar procurador para administrar seus bens. Necessita de declaração judicial. Quanto à 
tutela dos bens, possui três fases: 
 
● 1ª FASE - CURADORIA DOS BENS DO AUSENTE: inicia-se com a petição inicial de qualquer 
interessado ou do MP. O juiz deverá arrecadar os bens abandonados e nomear curador. 
- O curador será, em primeiro lugar, o cônjuge do ausente, desde que não separado judicialmente 
ou de fato, por mais dois anos. Subsidiariamente, serão nomeados os ascendentes e, em seguida, 
os descendentes. 
- Se não houver nenhuma dessas pessoas, o juiz escolherá um curador, responsável pela 
administração e conservação do patrimônio do ausente. 
 
Da Curadoria dos Bens do Ausente 
Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não 
houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os 
bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, 
declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador. 
Art. 23. Também se declarará a ausência, e se nomeará curador, quando o ausente 
deixar mandatário que não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, 
ou se os seus poderes forem insuficientes. 
Art. 24. O juiz, que nomear o curador, fixar-lhe-á os poderes e obrigações, conforme 
as circunstâncias, observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos 
tutores e curadores. 
Art. 25. O cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou 
de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência, será o seu legítimo 
curador. 
§ 1 o Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente incumbe aos pais ou aos 
descendentes, nesta ordem, não havendo impedimento que os iniba de exercer o 
cargo. 
§ 2 o Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos. 
§ 3 o Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador. 
 
● 2ª FASE - SUCESSÃO PROVISÓRIA: Ocorre após decorrido 1 ano da arrecadação ou, caso o 
ausente tenha deixado procurador, passados 3 anos. Consiste em uma administração para 
preservar os bens do ausente. 
- Depende de pedido dos interessados. 
- Se não houver interessados, o MP pode requerer a sucessão provisória. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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- A sentença que a determina produz efeitos depois de 180 dias de sua publicação, mas, tão logo 
transite em julgado, ocorre a abertura do testamento e do inventário, como se o ausente fosse 
falecido. 
- Se o herdeiro ou interessado não pleitear a abertura do inventário, após 30 dias do trânsito em 
julgado, a massa de bens do ausente será considerada como herança jacente. 
- Os herdeiros que se imitirem na posse dos bens devem prestar garantia pignoratícia ou 
hipotecária, com exceção do cônjuge, dos ascendentes e dos descendentes. 
- Durante esse período, não se poderá alienar os imóveis do ausente. 
- Reaparecendo o ausente e provando os sucessores que a ausência foi injustificada e voluntária, 
ele perderá os frutos em favor daqueles. 
 
Da Sucessão Provisória 
Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou 
representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os interessados 
requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão. 
Art. 27. Para o efeito previsto no artigo anterior, somente se consideram 
interessados: 
I - o cônjuge não separado judicialmente; 
II - os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários; 
III - os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte; 
IV - os credores de obrigações vencidas e não pagas. 
Art. 28. A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá 
efeito cento e oitenta dias depois de publicada pela imprensa; mas, logo que passe 
em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento,se houver, e ao inventário e 
partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido. 
§ 1 o Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo interessados na 
sucessão provisória, cumpre ao Ministério Público requerê-la ao juízo competente. 
§ 2 o Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o inventário até 
trinta dias depois de passar em julgado a sentença que mandar abrir a sucessão 
provisória, proceder-se-á à arrecadação dos bens do ausente pela forma 
estabelecida nos arts. 1.819 a 1.823. 
Art. 29. Antes da partilha, o juiz, quando julgar conveniente, ordenará a conversão 
dos bens móveis, sujeitos a deterioração ou a extravio, em imóveis ou em títulos 
garantidos pela União. 
Art. 30. Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão 
garantias da restituição deles, mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos 
quinhões respectivos. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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165 
 
§ 1 o Aquele que tiver direito à posse provisória, mas não puder prestar a garantia 
exigida neste artigo, será excluído, mantendo-se os bens que lhe deviam caber sob 
a administração do curador, ou de outro herdeiro designado pelo juiz, e que preste 
essa garantia. 
§ 2 o Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua 
qualidade de herdeiros, poderão, independentemente de garantia, entrar na posse 
dos bens do ausente. 
Art. 31. Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não sendo por 
desapropriação, ou hipotecar, quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína. 
Art. 32. Empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão representando 
ativa e passivamente o ausente, de modo que contra eles correrão as ações 
pendentes e as que de futuro àquele forem movidas. 
Art. 33. O descendente, ascendente ou cônjuge que for sucessor provisório do 
ausente, fará seus todos os frutos e rendimentos dos bens que a este couberem; os 
outros sucessores, porém, deverão capitalizar metade desses frutos e rendimentos, 
segundo o disposto no art. 29, de acordo com o representante do Ministério 
Público, e prestar anualmente contas ao juiz competente. 
Parágrafo único. Se o ausente aparecer, e ficar provado que a ausência foi 
voluntária e injustificada, perderá ele, em favor do sucessor, sua parte nos frutos e 
rendimentos. 
Art. 34. O excluído, segundo o art. 30, da posse provisória poderá, justificando falta 
de meios, requerer lhe seja entregue metade dos rendimentos do quinhão que lhe 
tocaria. 
Art. 35. Se durante a posse provisória se provar a época exata do falecimento do 
ausente, considerar-se-á, nessa data, aberta a sucessão em favor dos herdeiros, 
que o eram àquele tempo. 
Art. 36. Se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois de estabelecida 
a posse provisória, cessarão para logo as vantagens dos sucessores nela imitidos, 
ficando, todavia, obrigados a tomar as medidas assecuratórias precisas, até a 
entrega dos bens a seu dono. 
 
● 3ª FASE - SUCESSÃO DEFINITIVA: Ocorre após 10 anos do trânsito em julgado da sentença que 
concedeu a abertura da sucessão provisória. Na mesma oportunidade, levantam-se as garantias 
prestadas. 
- Pode ocorrer em menor prazo, se o ausente tinha 80 anos e o seu desaparecimento tenha 
ocorrido há pelo menos 5 anos. 
- Após o trânsito em julgado da sentença que concede a sucessão definitiva dos bens, declara-se 
a morte presumida. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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- Retornando o desaparecido ou algum de seus descendentes ou ascendentes, nos 10 anos 
seguintes à abertura da sucessão definitiva, receberá os bens no estado em que se encontrarem, 
os sub-rogados em seu lugar ou o preço que os herdeiros houverem recebido. 
 
Da Sucessão Definitiva 
Art. 37. Dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a abertura 
da sucessão provisória, poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e o 
levantamento das cauções prestadas. 
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o 
ausente conta oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele. 
Art. 39. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da sucessão 
definitiva, ou algum de seus descendentes ou ascendentes, aquele ou estes 
haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-rogados em 
seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido 
pelos bens alienados depois daquele tempo. 
Parágrafo único. Se, nos dez anos a que se refere este artigo, o ausente não 
regressar, e nenhum interessado promover a sucessão definitiva, os bens 
arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se 
localizados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União, 
quando situados em território federal. 
 
Caiu na prova Delegado BA/2022! No que se refere às disposições do Código Civil sobre personalidade e 
capacidade, assinale a alternativa que aborde corretamente a definição de comoriência. 
Ocorre se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos 
comorientes precedeu aos outros, presumindo-se simultaneamente mortos. (ITEM CORRETO) 
 
1.6 Domicílio 
 
É o lugar onde a pessoa se fixa com ânimo definitivo. 
 
Distinção entre moradia, residência e domicílio 
● Moradia: Lugar em que a pessoa física se estabelece temporariamente. 
● Residência: Lugar onde a pessoa física se estabelece com habitualidade. Uma pessoa pode ter mais 
de uma residência. 
● Domicílio: é o lugar em que a pessoa física fixa residência com ânimo definitivo, transformando-o em 
centro de sua vida jurídica e social. O que diferencia domicílio de residência é o ânimo de permanência, a 
definitividade. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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a) Espécies de domicílio: 
 
● CONVENCIONAL: é aquele que se fixa por ato de vontade própria, ou seja, a pessoa fixa por ato de 
vontade, ao se mudar. 
● LEGAL OU NECESSÁRIO: é aquele determinado por lei e previsto no art. 76: 
∘ Incapaz: domicílio de seu representante ou assistente; 
∘ Preso: onde cumpre pena; 
∘ Servidor público: onde exerce permanentemente as suas funções; 
∘ Militar: onde está servindo; 
∘ Marítimo: local da matrícula do navio. 
● DE ELEIÇÃO OU ESPECIAL (art. 78 do CC): é o domicílio previsto em um contrato. 
 
Caiu em prova Delegado PA/2021! De acordo com o que dispõe o Código Civil acerca do domicílio, se a 
administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no 
tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, 
a que ela corresponder (Item correto). 
 
Caiu em prova Delegado PF/2021! Se uma pessoa viver, de forma alternada, em diversas residências, 
qualquer uma delas poderá ser considerada seu domicílio (Item correto). 
 
Caiu em prova Delegado SP/2018! O domicílio do preso é o lugar onde foi julgada a ação penal (Item 
incorreto). 
 
2. PESSOAS JURÍDICAS 
 
É o grupo humano criado na forma da lei, e dotado de personalidade jurídica própria, para a 
realização de fins comuns. 
 
2.1 Características 
 
● Personalidade própria, distinta dos seus membros; 
● Patrimônio próprio e independente; 
● Possuem estrutura organizacional própria; 
● Publicidade de sua constituição. 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, 
instituidores ou administradores. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
 
Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento 
lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de 
estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e 
inovação em benefício de todos. 
 
2.2 Requisitos para constituição→ Trata-se de requisito subjetivo. 
→ Exige do agente conhecimento da situação de fato justificante. 
→ A ação de estado de necessidade deve ser objetivamente necessária e subjetivamente conduzida 
pela vontade de salvamento. 
→ Exige a consciência e vontade de salvar de perigo atual direito próprio ou alheio 
 
FURTO FAMÉLICO 
É a subtração de algo por aquele que possui fome, podendo configurar estado de necessidade. Logo, o furto 
de um pão, por quem está com fome e não possui recurso financeiro para comprá-lo, em situação de 
urgência, pode vir a ser estado de necessidade. 
Requisitos: 
● Que o fato seja praticado para matar a fome; 
● Que seja o único e derradeiro recurso do agente; 
● Que haja a subtração de coisa capaz de diretamente mitigar a fome; 
● Hipossuficiência financeira 
 
c) Espécies: 
→ Quanto à titularidade: 
. Próprio; 
. De terceiro. 
→ Quanto aos elementos subjetivos do agente: 
. Real: existe efetivamente a situação de perigo; 
. Putativo: a situação de perigo foi fantasiada pelo agente (NÃO exclui a ilicitude) – 
descriminante putativa. 
→ Quanto ao terceiro que sofre a ofensa: 
. Defensivo: sacrifica-se direito do próprio causado do perigo; 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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. Agressivo: sacrifica-se direito de pessoa alheia à provocação do perigo. Gera 
responsabilidade civil, embora não seja ilícito penal. 
 
(1) ATENÇÃO: O estado de necessidade comunica-se no concurso de pessoas. 
 
Estado de necessidade em crimes habituais e permanentes 
O autor Rogério Sanches considera o questionamento sobre possibilidade de estado de necessidade diante 
de um crime habitual ou de um crime permanente. Segundo o autor, como a lei exige perigo atual, 
inevitabilidade do comportamento lesivo e não razoabilidade de sacrifício do direito ameaçado (art. 24, CP), 
não há como aplicar esses requisitos legais nos casos de crime permanente e crime habitual, pois no crime 
habitual, por exemplo, o sujeito não poderia exercer a medicina irregularmente em razão de um perigo atual. 
Contudo, poderá, eventualmente, o indivíduo se valer de uma inexigibilidade de conduta diversa, que é uma 
causa excludente da culpabilidade, não havendo em se falar em estado de necessidade em crime 
habitual ou permanente. 
 
Caiu na Prova Delegado – PCBA/2022 - Ainda no que se refere à Teoria do Crime, assinale a alternativa 
incorreta. 
a) Se o fato é cometido sob coação irresistível, só é punível o autor da coação 
b) O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se 
evitável, poderá diminui-la de um sexto a um terço 
c) Se o fato é cometido em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, 
só é punível o autor da ordem 
d) Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente os meios necessários, repele injusta 
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem 
e) Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo iminente, que não 
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas 
circunstâncias, era razoável exigir-se 
GAB: letra E - NÃO era razoável exigir-se 
 
 Sobre o tema, veja a dica do Professor Marcelo Veiga: 
https://youtu.be/LjQ2pYZKNMQ 
 
https://youtu.be/LjQ2pYZKNMQ
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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2. LEGÍTIMA DEFESA 
 
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios 
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de 
outrem. 
Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, 
considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que 
repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de 
crimes. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
Inicialmente, é importante ressaltar que a legítima defesa é inerente à própria condição humana, 
enquanto decorrência do instinto defensivo do homem. Desse modo, o ordenamento jurídico não poderia 
criminalizar condutas praticadas nesse contexto, restando as legislações estabelecer condições, requisitos, 
limitações e efeitos jurídicos a esse instituto. 
 
Vejamos as lições do professor Galdino Siqueira nesse sentido: 
 
“Tão visceralmente ligada â pessoa se manifesta a defesa, isto é, a faculdade de 
repelir pela força o ataque no momento em que se produz, que CÍCERO, na sua 
oração —Pro Milone, a reputa como um direito natural derivado da necessidade —
non scnpta sed nata lex, proposição verdadeira, se considerarmos o substratum 
fisiológico e psicológico da defesa, como reação do instinto de conservação que 
brota e se desenvolve independente de qualquer regulamentação. ” 
 
É importante também observarmos que a autotutela (defesa de direitos com as próprias forças) é, 
em regra, VEDADA em nosso ordenamento jurídico. Contudo, em hipóteses excepcionais, considerando que 
o Estado não estará presente em todos os momentos para tutelar os direitos protegidos, admite-se a 
autotutela. Desse modo, veja que a legítima defesa nada mais é do que maneira específica e autorizada de 
exercer a defesa de direitos próprios ou de terceiros diante de injustas agressões. 
 
Segundo a doutrina, a legítima defesa possui dois elementos estruturantes: 
 
I. Ponderação de interesses protegidos pela norma: Na fórmula geral do interesse preponderante que 
fundamenta todas as causas de justificação, o interesse legítimo de proteger o bem jurídico do 
agredido se revela preponderante em relação ao interesse ilegítimo de ataque do agressor, desde 
que a defesa seja necessária e proporcional ao agravo sofrido. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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II. Reafirmação da norma perante o injusto (princípio da afirmação do direito)1: Também chamada de 
princípio da prevalência do direito, posto ser desejável que o direito se afirme em face de agressões 
contra interesses individuais. 
 
Nesse contexto, pergunta-se: Qual é a natureza jurídica da legítima defesa? 
R.: Em nosso ordenamento jurídico, com previsão no artigo 25, Código Penal Brasileiro, é tratada 
como causa genérica de exclusão da ilicitude. 
Pergunta-se: Quais são os requisitos para a aplicação da legítima defesa? 
R.: A legítima defesa se desenvolve sob o binômio agressão / reação. Desse modo, pressupõe: 
 
Agressão Reação 
. Injusta; 
. Atual ou iminente; 
. Contra direito próprio ou de terceiros. 
. Uso dos meios necessários; 
. Uso moderado desses meios. 
. Conhecimento da situação de fato 
justificante (elemento subjetivo) – 
animus defendendi 
 
Assim, passamos a analisar cada um dos requisitos exigidos para a configuração da legítima defesa. 
 
(1) AGRESSÃO INJUSTA 
 
Nos dizeres do professor Cléber Masson, agressão é toda ação ou omissão humana, consciente e 
voluntária, que lesa ou expõe a perigo de lesão um bem ou interesse consagrado pelo ordenamento jurídico. 
O termo agressão somente é utilizado para agressões humanas, afastando, portanto, ações 
praticadas institivamente por animais, salvo se o animal for utilizado como instrumento de ataques humanos. 
Ademais, possui destinatário certo. 
Pergunta-se: É possível a legítima defesa contra inimputáveis? 
R.: SIM, conforme posicionamento da doutrina majoritária. Veja que a conduta do inimputável, 
apesar de não haver culpabilidade, é típica e ilícita e, portanto, apta a ser repelida por legítima defesa. 
Registramos posicionamento em sentido contrário exarado pelo professor Nelson Hungria para quem os 
inimputáveis se equiparam a ataques realizados por animais e, quando repelidos, configurariam estado de 
necessidade e não legítima defesa. 
 
Pergunta-se: Seria possível a prática da legítima defesa contra uma omissão ilícita? 
 
1 ROXIN, Strafrecht, 1997, § 15, n. 106-109, p. 602-603.● Vontade das partes em criar entidade distinta dos seus membros, materializada no ato de 
constituição, que será: 
∘ Estatuto: Se associações; 
∘ Contrato Social: Se sociedades simples ou empresárias; 
● Observância das condições legais; 
● Objetivos lícitos. 
 
Dispõe o Código Civil: 
 
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a 
inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando 
necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no 
registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. 
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas 
jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da 
publicação de sua inscrição no registro. 
 
2.3 Classificação das pessoas jurídicas 
 
● Corporação (reunião de pessoas): os seus objetivos são voltados para o bem dos seus membros e 
dividem-se em: 
∘ Associações 
∘ Sociedades (simples ou empresárias). 
 
● Fundação (reunião de bens): as fundações têm objetivos externos, estabelecidos pelo instituidor. 
Nas fundações, o patrimônio é elemento essencial. 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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2.4 Classificação quanto à função 
 
● Pessoas jurídicas de Direito Público: 
∘ Direito público externo: Estados estrangeiros, inclusive a Santa Sé, bem como todas as 
pessoas que forem regidas pelo direito internacional público, inclusive organismos 
internacionais; 
∘ Direito público interno: 
▪ Administração direta: União, Estados, Distrito Federal, Municípios; 
▪ Administração indireta: autarquias, fundações públicas e demais entidades de caráter 
público criadas por lei. 
 
● Pessoas jurídicas de Direito Privado: 
∘ Corporações: 
▪ Associações; 
▪ Sociedades simples e empresárias. 
 
ATENÇÃO! O inciso VI que incluía a EIRELI (empresas individuais de responsabilidade limitada) como pessoa 
jurídica de direito privado foi revogado pela MP nº 1.085/2021, já convertida na lei nº 14.382/2022. 
 
▪ Partidos políticos; 
▪ Organizações religiosas; 
▪ Sindicatos; 
 
∘ Fundações particulares. 
 
ATENÇÃO! As empresas públicas e as sociedades de economia mista, embora façam parte da administração 
indireta, são dotadas de personalidade jurídica de direito privado (DL 200/67), sujeitando-se ao regime 
próprio das empresas privadas (CF, art. 173, § 1º). 
 
2.5. Administração da pessoa jurídica 
 
Os atos dos administradores obrigam a pessoa jurídica quando exercidos nos limites de seus poderes 
definidos no ato constitutivo. 
 Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões serão tomadas pela maioria de votos 
dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. 
O direito de anular as decisões referidas decai em 3 anos, quando violarem a lei ou o estatuto, ou 
forem eivados de erro, dolo, simulação ou fraude. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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 Atenção à inclusão do art. 48-A no Código Civil, promovida pela Medida Provisória nº 1.045/2021, 
já convertida na Lei nº 14.382/2022: 
 
Art. 48-A. As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do previsto em 
legislação especial e em seus atos constitutivos, poderão realizar suas assembleias 
gerais por meios eletrônicos, inclusive para os fins do disposto no art. 59, 
respeitados os direitos previstos de participação e de manifestação. (Incluído pela 
Lei nº 14.382, de 2022) 
 
2.6 Extinção da pessoa jurídica 
 
● Extinção convencional: ocorre quando os sócios anuem em extinguir a pessoa jurídica mediante 
distrato. 
● Extinção administrativa: resulta da cassação da autorização de constituição e funcionamento de 
determinadas pessoas jurídicas. 
● Extinção judicial: ocorre por meio de sentença prolatada em processo judicial. 
● Extinção legal: ocorre quando determinada por lei. 
● Extinção pelo decurso do prazo: quando expira o prazo de sua existência. 
 
2.7 Desconsideração da personalidade jurídica 
 
I. Conceito: 
 
O art. 49-A do Código Civil prevê, expressamente, que as pessoas jurídicas possuem personalidade 
distinta da dos seus membros, não se confundindo com seus sócios, associados, instituidores ou 
administradores. 
Ainda segundo este dispositivo, em seu parágrafo único, a autonomia patrimonial das pessoas 
jurídicas é um instrumento LÍCITO de alocação e segregação de riscos, com a finalidade de estimular 
empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos. 
Não raramente, contudo, a referida autonomia é mal utilizada, dando origem à chamada teoria da 
desconsideração da personalidade jurídica, ou disregard of the legal entity. Por essa teoria, há o afastamento 
temporário da personalidade jurídica da entidade para permitir que os credores prejudicados possam 
satisfazer os seus direitos no patrimônio pessoal dos sócios ou administradores beneficiados, direta ou 
indiretamente, pelo ato abusivo. 
Com isso, é possível ao juiz, em casos de abuso da personalidade jurídica, desconsiderar a autonomia 
patrimonial para atingir e vincular os bens particulares dos sócios à satisfação das dívidas da sociedade. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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II. Teoria da desconsideração da personalidade jurídica no Brasil 
 
Segundo André da Santa Cruz Ramos, o CC/2002, ao prever a aplicação da teoria apenas quando 
demonstrado o abuso de personalidade jurídica, consubstanciado este no desvio de finalidade ou na 
confusão patrimonial, se manteve fiel aos postulados fundamentais da disregard doctrine. 
 
O art. 50 do CC é, atualmente, a regra matriz da disregard doctrine no direito brasileiro, sendo de 
aplicação obrigatória a todos os casos de desconsideração, SALVO OS REGULADOS POR LEI ESPECIAL: 
 
∘ Relações de consumo (art. 28 do CDC); 
∘ Crimes ambientais (art. 4º da Lei nº 9.605/98); 
∘ Infrações à ordem econômica (art. 34 da Lei nº 12.529/11); 
 
A desconsideração da personalidade jurídica, no âmbito das relações civis gerais, está disciplinada no 
art. 50 do CC: 
 
Redação Original 
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de 
finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da 
parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os 
efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens 
particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. 
 
Redação Atual 
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de 
finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou 
do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para 
que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos 
aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica 
beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei nº 13.874, 
de 2019) 
 
§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da 
pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos 
de qualquer natureza. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os 
patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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I - Cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do 
administrador ou vice-versa; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
II - Transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os 
de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Lei nº 
13.874, dePREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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R.: SIM, Mezger fornece o exemplo do carcereiro que tem o dever de liberar o recluso cuja pena já 
foi integralmente cumprida. Com a sua omissão ilícita, inevitavelmente agride um bem jurídico do preso, 
autorizando a reação em legítima defesa.2 
Ainda se exige que a agressão seja injusta. O conceito de injustiça se coaduna com a ideia de 
contrariedade ao direito. Assim, NÃO é necessário que a conduta se configure especificamente como crime, 
basta que ela seja praticada em desacordo com as normas jurídicas. 
A doutrina admite a legítima defesa contra condutas culposas e até mesmo contra condutas despidas 
de culpa, desde que revestidas de injustiça. Ex.: aquele que está sentado no banco de um ônibus e nota uma 
pessoa que acabara de escorregar caindo em sua direção, pode, se necessário, empurrá-la contra o chão para 
não ser atingido, exemplo citado na obra do professor Cleber Masson. 
 
Pergunta-se: Admite-se legítima defesa da honra? 
 R.: NÃO! O STF entendeu, no bojo do julgamento da ADPF 779, que a tese da legítima defesa da 
honra é inconstitucional! Assim, o STF entende que o acusado de feminicídio não pode ser absolvido, na 
forma do art. 483, III, § 2º, do CPP, com base na tese da “legítima defesa da honra”, de modo que é proibido 
que a defesa, a acusação, a autoridade policial ou o magistrado utilizem, direta ou indiretamente, a tese de 
legítima defesa da honra (ou qualquer argumento que induza à tese) nas fases pré-processual ou processual 
penais, bem como durante julgamento perante o tribunal do júri. 
 Nesse contexto, ao apreciar medida cautelar em ADPF, o STF decidiu que: 
a) A tese da legítima defesa da honra é inconstitucional, por contrariar os princípios 
constitucionais da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF/88), da proteção à vida e 
da igualdade de gênero (art. 5º, da CF/88); 
b) Deve ser conferida interpretação conforme à Constituição ao art. 23, II e art. 25, do CP e ao 
art. 65 do CPP, de modo a excluir a legítima defesa da honra do âmbito do instituto da 
legítima defesa; e 
c) A defesa, a acusação, a autoridade policial e o juízo são proibidos de utilizar, direta ou 
indiretamente, a tese de legítima defesa da honra (ou qualquer argumento que induza à 
tese) nas fases pré-processual ou processual penais, bem como durante julgamento 
perante o tribunal do júri, sob pena de nulidade do ato e do julgamento. STF. Plenário. ADPF 
779, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/03/2021. 
 
(2) AGRESSÃO ATUAL OU IMINENTE 
 
 
2 MEZGER, Edniund. Tratado de derecho penal. Trad, espanhola Josè Arturo Rodrigues Mufloz. Madrid: Revista de 
Derecho Privado, 1955. t 1, p. 453 
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Diferentemente do que ocorre em relação ao estado de necessidade, a legítima defesa autoriza que 
a agressão seja atual ou iminente. Não seria razoável exigir que o agente tivesse sua integridade ofendida 
para só então poder repeli-la. 
De outro modo, a agressão passada ou a agressão futura e remota NÃO autorizam a incidência da 
legítima defesa. No primeiro caso, justamente em razão de se configurar na verdade como vingança e, no 
segundo, por se configurar como fórmula que desestimularia as pessoas a buscarem auxílio das autoridades 
públicas quando sofrerem ameaças. 
Vejamos conceito de agressão atual ou iminente apresentada pelo professor Cleber Masson: 
→ Atual é a agressão presente, isto é, já se iniciou e ainda não se encerrou a lesão ao bem jurídico. Ex.: 
a vítima é atacada com golpes de faca. 
→ Iminente é a agressão prestes a acontecer, ou seja, aquela que se torna atual em um futuro imediato. 
Ex.: o agressor anuncia â vítima a intenção de matá-la, vindo à sua direção com uma faca em uma 
das mãos. 
DICA DD! Em caso de agressão futura, porém certa, configurando legítima defesa antecipada, a 
doutrina admite a configuração de excludente de culpabilidade, por inexigibilidade de conduta diversa. 
 
(3) AGRESSÃO CONTRA DIREITO PRÓPRIO OU DE TERCEIRO 
 
Observe que a legislação não exige que o bem defendido seja de propriedade do defensor 
autorizando que a defesa ocorre em relação a bens jurídicos de terceiros. Em relação aos bens jurídicos, é 
importante fazermos algumas observações: 
a) Bem jurídico. 
. Próprio ou de terceiros. 
. Não só a vida ou a integridade física são passíveis de proteção em legítima defesa. Toda a 
ordem de bens jurídicos pode ser tutelada e protegida pela legítima defesa. 
. É possível a legítima defesa contra-ataques a bens de pessoas jurídicas ou mesmo contra 
bens jurídicos do Estado. 
. É possível ainda a defesa, por meio de legítima defesa, inclusive contra-ataques atuais ou 
iminentes a fetos (nascituros). 
 
● Pergunta-se: A conduta do sniper (atirador de elite) que atira no agressor que tem a vítima 
na condição de refém, é abrangida por excludente de ilicitude? 
R.: SIM. Veja que se enquadra perfeitamente nos requisitos que estamos analisando. Trata-se de 
agressão atual ou iminente contra direito de terceiro. Desse modo, majoritariamente a conduta do sniper 
que dispara contra o agressor que tem refém em sua posse sempre foi, doutrinariamente, tratada como 
legítima defesa. É justamente nesse sentido que a alteração legislativa milita, vejamos: 
 
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“Art.25. [...] 
Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, 
considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele 
agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes. 
” (NR) 
 
Desse modo, agora, expressamente o legislador optou por tratar a condição do agente de segurança 
pública que repele agressão atual ou iminente praticada por agressor que mantém a vítima na condição de 
refém. 
 
(4) MEIOS NECESSÁRIOS 
 
A repulsa a agressão deverá ser praticada se valendo dos meios necessários. Contudo, pergunta-se: 
O que são meios necessários? 
Os meios necessários são aqueles menos lesivos colocados à disposição do agente e que sejam 
capazes de repelir a agressão atual ou iminente. Observe assim os requisitos: 
 
Meio menos lesivo: 
. à disposição do agente que reage; 
. capaz de repelir a injusta agressão (deve ser eficiente). 
 
Desse modo, a análise deve ser feita a partir da situação concreta, pois a reação até pode ser 
desproporcional, quando o agente não possui outro meio menos lesivo apto a repelir a agressão que sofre. 
Acerca desse tema, curial a leitura de Bento de Faria: 
 
O homem que é subitamente agredido, não pode, na perturbação e na 
impetuosidade da sua defesa, proceder a operação de medir a sangue frio e com 
exatidão se há algum outro recurso para o qual possa apelar, que não o de infligir 
um mal ao seu agressor; se há algum meio menos violento a empregar na defesa, 
se o mal que inflige excede ou não o que seria necessário à mesma defesa. E preciso 
considerar os fatos como eles ordinariamente se apresentam, e reconhecer as 
fraquezas inerentes à natureza humana, não se exigindo dela o que ela não pode 
dar, reconhecer mesmo as exigências sociais, que podem justificar o emprego de 
certos meios de defesa, suposto não seja absoluta a necessidade desse emprego.3 
 
 
3 FARIA, Bento, Código penal brasileiro comentado. Rio de Janeiro: Dísíríbuidora Reoord, 1S61. v. II, p. 192 
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Ex.: Rodolfo vai agredir Hugo com uma espada. Hugo tem à sua disposição, para repelir essa injusta 
agressão, uma metralhadora, um revólver, uma faca e suas habilidades físicas. Qual é o meio necessário? 
Deve ser o meio menos lesivo, dentre os capazes de repelir a injusta agressão. No exemplo, o meio menos 
lesivo está nas habilidades físicas de Hugo. Mas elas não são capazes de repelir a injusta a agressão. A faca 
tambémnão é apta a repelir a injusta a agressão. Então, o meio necessário é o revólver, pois, embora é o 
meio menos lesivo entre os capazes de repelir a injusta agressão. 
OBS.: Inexistência do requisito “commodus discessus”. 
Observe que, ainda que o agente possa fugir da injusta agressão, essa conduta NÃO é exigida dele. A 
ordem jurídica não pode abranger situações ilícitas e não pode exigir de quem atacado a conduta de fugir. 
Desse modo, a doutrina se posiciona no sentido de não se exigir o que se convencionou chamar de commodus 
discessus. 
Em outras palavras: uma vez constatada a injusta agressão, o agredido pode rebatê-la, não se lhe 
exigindo a fuga do local, pois a lei não exige. Assim, na legítima defesa, o agredido não está obrigado a fugir 
ou mesmo a pedir socorro às autoridades. A lei penal apenas exige a utilização moderada do meio necessário 
para repelir a injusta agressão. 
 
COMMODUS DISCESSUS 
Não é requisito para a 
LEGÍTIMA DEFESA. 
É requisito para o ESTADO 
DE NECESSIDADE. 
 
Permanece divergência doutrinária sobre a provocação ou o desafio da vítima ter ou não condão de 
afastar a legítima defesa. Contudo, prevalece que a provocação ou o desafio não afastam, por si sós, a 
configuração da excludente de ilicitude. O STJ parece entender que a provocação pode ser seguida de uma 
conduta de defesa ou não, a depender: 
 
"Não há falar-se em incongruência na decisão do corpo de jurados que nega ter o 
réu agido em defesa própria, afastando a tese da legítima defesa, e, logo após, 
afirma que o réu praticara o delito sob o domínio de violenta emoção, logo em 
seguida a injusta provocação da vítima. A emoção provocada não impede que a 
ação posterior seja realizada sem estar o agente se defendendo" (STJ), AgR no 
AREsp 463482/SP. 
 
CAIU EM PROVA - Delegado – PCPR/2021: A exigência do meio necessário para configurar a legítima defesa 
não corresponde à exigência de ‘paridade de armas’ como meio para repelir uma agressão injusta (item 
correto). 
 
(5) USO MODERADO DOS MEIOS NECESSÁRIOS 
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O uso dos meios necessários deve ocorrer na estrita necessidade de repelir a injusta agressão, 
qualquer conduta que exceda o necessário para a defesa poderá ser tratada como excesso. Assim, o agente 
será responsabilizado caso aja com excesso, o qual poderá ser doloso ou culposo. 
Logicamente, não se exige que para essa análise cálculo matemático, até porque não é factível que 
se exija essa exatidão de pessoas que estarão submetidas a situação de estresse e nervosismo. Exige-se, no 
entanto, proporcionalidade no uso dos meios necessários de forma que não se desconstitua a ideia do 
instituto que é defender bens jurídicos da situação de risco. 
OBS.: Existia previsão no texto originário do pacote anticrime a esse respeito, contudo essa disposição 
não foi incluída no projeto aprovado. 
 
Legítima defesa x Estado de necessidade 
ESTADO DE NECESSIDADE LEGÍTIMA DEFESA 
Conflito entre vários bens jurídicos 
diante da mesma situação de perigo. 
Ameaça ou ataque a um bem jurídico. 
NÃO tem destinatário certo. Possui destinatário certo. 
O perigo decorre de fato humano, 
animal ou natureza. 
Há uma agressão humana e injusta. 
Os interesses em conflito são legítimos 
(é possível estado de necessidade x 
estado de necessidade). 
Ex: Náufragos disputando coletes salva-
vidas. 
Os interesses do agressor são ilegítimos 
(não é possível legítima defesa real de 
legítima defesa real). 
 
CAIU EM PROVA Delegado – PCRN/2021: Durante uma partida de futebol, Rogério agrediu Jonas com um 
soco, que lhe causou um leve ferimento no olho direito. No dia seguinte, Jonas vai tirar satisfação com 
Rogério e, no meio da discussão, saca uma arma de fogo e parte na direção de Rogério, que, então, retira de 
sua mochila um revólver que carregava legalmente e dispara contra Jonas, causando sua morte. 
Considerando a situação apresentada, com relação à morte de Jonas, Rogério não responderá por homicídio, 
pois agiu em legítima defesa, o que afasta a ilicitude de sua conduta (item correto). 
 
ATENÇÃO! ATAQUE DE ANIMAL: 
→ Espontâneo: Configura perigo atual e estado de necessidade; 
→ Provocado por terceiro: Há agressão injusta, pois o animal foi usado como instrumento, sendo o 
revide legítima defesa. 
 
Espécies: 
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→ Quanto à forma de reação: 
. Agressiva ou ativa: aquela em que a reação, contra a agressão injusta, configura um fato 
previsto em lei como infração penal; 
. Defensiva ou passiva: aquela em que a reação consiste em conter agressão, sem caracterizar 
fato típico. 
 
→ Quanto à titularidade do bem jurídico protegido: 
. Própria: o agente defende um bem jurídico de sua titularidade; 
. De terceiro: o agente defende um bem jurídico de outra pessoa. 
 
→ Quanto ao aspecto subjetivo de quem se defende: 
. Real: aquela em que estão presentes todos os requisitos do art. 25, CP. Exclui a ilicitude e, em 
consequência, o crime; 
. Putativa ou imaginária: o agente, equivocadamente, supõe presentes os requisitos da legítima 
defesa; 
. Subjetiva ou excessiva: aquela em que o agente, por erro escusável na apreciação da situação 
fática, excede os limites da legítima defesa. O agente poderá ou não responder pelo excesso, 
a depender do caso concreto; É o excesso derivado de erro de tipo escusável ou inevitável, a 
vítima exagera ao interpretar a realidade de forma equivocada, pensando em necessitar de 
meios mais gravosos do que realmente necessita. 
. Sucessiva: é o caso em que o sujeito que sofreu a agressão injusta, reage em legítima defesa, 
porém, com excesso na agressão. Como esse excesso é uma agressão injusta, o que 
inicialmente era agressor fará jus à legitima defesa, sendo possível, portanto, a legítima defesa 
sucessiva. 
 
PONTOS IMPORTANTES: 
(1) Estado de necessidade contra estado de necessidade 
É possível falar em estado de necessidade contra estado de necessidade – lembre-se da “tábua de 
salvação” em naufrágio para duas pessoas. Ambas podem lutar pela tábua para a sua sobrevivência, tirando, 
por exemplo, a vida da outra pessoa para proteger a sua – desde que não sejam causadoras dolosas do perigo, 
é claro, vez que possuem o mesmo interesse jurídico e direito de se proteger. 
 
(2) Erro na execução/aberratio ictus (art. 73, CP) x Estado de necessidade e legítima defesa 
São compatíveis. Havendo erro na execução em razão de estado de necessidade ou legítima defesa, 
a vítima que foi acertada será considerada como se fosse a vítima virtual (pretendida do agente), incidindo 
as excludentes no caso. 
 
(3) Legítima defesa recíproca 
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Diferentemente do estado de necessidade, NÃO é possível legítima defesa contra legítima defesa de 
uma pessoa para outra, vez que um dos requisitos é a agressão injusta, de modo que uma delas 
inevitavelmente estará agindo ilegitimamente. Excepcionalmente seria possível legítima defesa real x 
legítima defesa putativa, legítima defesa sucessiva ou legitima defesa putativa recíproca. Mas duas legítimas 
defesas reais, não. 
 
Relembrando que, a legítima defesa sucessiva é aquela que a vítima da agressão injusta, ao se defender, se 
excede nos meios, o que enseja ao agente que iniciou a agressão injusta a possibilidade de se defender, isto 
porque o excesso configura também agressão ilegítima! Na legitima defesa putativa é aquela suposta, em 
que o indivíduo imagina que estão configurados os requisitos da legítima defesa. 
 
Na verdade, NÃO cabe legítima defesa real contra nenhuma outra causa excludente de ilicitude real 
(vez que não será agressão injusta). 
OBS.: Contudo, conforme já visto, é possível o estado de necessidade bilateral. 
 
(4) Legítima defesa putativa recíproca 
É possível que haja uma legítima defesa putativade uma legítima defesa putativa. Pode ser por 
exemplo, que ambos os indivíduos que já se ameaçaram mutuamente, suponham estar em uma situação de 
perigo atual ou iminente na presença do outro por um gesto como abrir a bolsa ou movimentos bruscos, e 
reagem como se estivessem em legítima defesa. 
 
(5) Legítima defesa culposa 
Não importa a postura subjetiva do agente em relação ao fato, mas somente a injustiça objetiva da 
agressão. É o caso, por exemplo, da legítima defesa real contra a legítima defesa putativa por erro de tipo 
evitável. Ex.: A confundindo B com um seu desafeto e sem qualquer cuidado de certificar-se disso, efetua 
diversos disparos em sua direção. Há uma agressão injusta decorrente de culpa na apreciação da situação de 
fato. Contra esse ataque culposo cabe legítima defesa real. 
 
(6) Legítima defesa contra quem age amparado por excludente de culpabilidade 
 É possível a ocorrência da legítima defesa pois, ainda que não haja culpabilidade, ocorre um fato 
típico e ilícito. Ex.: um inimputável por doença mental agride alguém sem tem capacidade de entender o 
caráter ilícito do fato. Independentemente de sua capacidade de entendimento da ilicitude, sua agressão é 
injusta, ensejando a legítima defesa. 
 
(7) Legítima defesa em face de bens coletivos 
Em regra, NÃO admitem legitima defesa. É dever do Estado tutelar, não podendo o particular se sub-
rogar no lugar daquele. 
Claus Roxin: bens vitais ao funcionamento do Estado permitem a legítima defesa. 
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(8) Legítima defesa contra multidão 
 1ª posição: É possível. A agressão é injusta, sendo irrelevante se destinada a alguém individualizado 
ou não. 
 2ª posição: Não é possível. Configura estado de necessidade, visto que a agressão na legitima defesa 
tem que ter destinatário certo. 
 
OBS.1: A defesa contra agressão produzida em caso de um ataque epiléptico NÃO pode ser justificada pela 
legítima defesa, mas seria caso de estado de necessidade. 
OBS.2: É possível legítima defesa contra pessoa jurídica. 
OBS.3: Se alguém desafia outrem e a pessoa aceita, nenhum dos dois estará em legítima defesa. 
OBS.4: Os bens jurídicos supraindividuais NÃO são suscetíveis de legítima defesa. 
 
Hipóteses de NÃO cabimento de legítima defesa: 
• Legítima defesa real contra legítima defesa real; 
• Legítima defesa real contra estado de necessidade real; 
• Legítima defesa real contra exercício regular de direito; 
• Legítima defesa real contra estrito cumprimento do dever legal. 
É que em nenhuma dessas hipóteses possui agressão injusta!! 
 
Resumiremos as hipóteses de cabimento de legítima defesa: 
É CABÍVEL... 
Legítima defesa Agressão injusta de inimputável ou acobertado por outra excludente de 
culpabilidade. 
Legítima defesa real Legítima defesa putativa 
Legítima defesa putativa Legítima defesa putativa 
Legítima defesa putativa Legítima defesa real 
Legítima defesa real Legítima defesa putativa por erro de tipo evitável (culposa) 
Legítima defesa real Legítima defesa subjetiva (excesso derivado de erro de tipo inevitável) 
 
Espécies de excesso: 
a) Doloso ou consciente: Quando o agente, ao se defender de uma injusta agressão, emprega meio que 
sabe ser desnecessário ou, mesmo sabendo da desproporção, atua com imoderação. 
Ex.: para se defender de um tapa, o sujeito mata a tiros seu agressor, caracterizando excesso doloso. 
Se constatado o excesso doloso, a consequência é a responsabilidade do agente pelo resultado, no 
exemplo citado o agente responderá pelo homicídio doloso. 
 
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b) Culposo ou inconsciente: Não houve intensificação intencional, pois o sujeito imaginava-se ainda 
sofrendo o ataque, tendo o seu excesso decorrido de uma equivocada apreciação da realidade. 
 
c) Exculpante: Não deriva nem de dolo, nem de culpa, mas de um erro plenamente justificado pelas 
circunstâncias (legitima defesa subjetiva). 
 
3. ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL 
 
Diz respeito à agressão a bens jurídicos pelos agentes públicos no exercício de suas atribuições (art. 
23, III, CP). Haveria incoerência caso o ordenamento jurídico impusesse um dever a alguém e o punisse 
criminalmente por isso. 
Trata-se, portanto, de uma causa de exclusão da ilicitude que consiste na prática de um fato típico 
em razão de o agente cumprir uma obrigação imposta por lei, de natureza penal ou não. 
Ex.: o policial que priva o fugitivo de sua liberdade, ao prendê-lo em cumprimento de ordem judicial. 
 
O estrito cumprimento do dever legal beneficia os agentes públicos em geral, mas é possível que o particular 
também seja amparado pela excludente, desde que esteja cumprindo estritamente um dever legal. Ex.: 
advogado que omite informações, recusando-se a depor, em razão do segredo profissional estabelecido no 
EOAB. 
 
→ O dever legal abarca a lei em sentido amplo, ou seja, qualquer ordem ou comando advindos do 
Estado. 
→ Se o agente se exceder, responderá pelo excesso. Caberia, por exemplo, legítima defesa diante desse 
excesso. 
→ NÃO é compatível com os crimes culposos¸ uma vez que a lei não obriga ninguém a ser imprudente, 
negligente ou imperito. 
→ No concurso de pessoas, o estrito cumprimento do dever legal para um dos agentes se comunica 
aos demais que concorreram para o fato. 
→ O agente deve ter consciência que está agindo acobertado por excludente (elemento subjetivo). 
→ O autor Cláudio Brandão expõe que esse dever legal deve decorrer de norma de caráter geral, caso 
seja uma norma individualizada, pode haver a exclusão da culpabilidade por obediência hierárquica, 
em que o agente atua em razão de ordem não manifestamente ilegal. 
→ O cumprimento do dever deve ser estrito, ou seja, não abrange excessos ou desvios. 
 
A teoria da tipicidade conglobante de Zaffaroni promove o esvaziamento do instituto. Isso porque, o estrito 
cumprimento do dever legal é analisado na tipicidade, uma vez que não se verifica a antinormatividade da 
conduta. 
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Para a teoria da imputação objetiva de Roxin, o estrito cumprimento do dever legal também pode ser 
analisado na tipicidade, estando dentro do risco permitido. 
 
DICA DD! O policial que mata o criminoso em uma troca de tiros NÃO age em estrito cumprimento do dever 
legal. Não é dever de ninguém matar alguém. Nesse caso, o agente de segurança pública age em LEGÍTIMA 
DEFESA, própria ou de terceiros. 
 Não ocorre estrito cumprimento do dever legal na hipótese de policial matar criminoso em fuga. De 
acordo com o STJ, a lei proíbe a autoridade, seus agentes ou quem quer que seja, desfechar tiros contra 
pessoas em fuga (REsp 402.419/RO). Se esta fuga, contudo, estiver acoplada a uma agressão injusta, contudo, 
poderá a atuação do agente configurar legítima defesa. 
 
● Excesso no estrito cumprimento do dever legal: Tanto no excesso doloso como no excesso 
culposo na atuação em estrito cumprimento do dever legal, temos a ruptura dos limites do 
dever. 
Nessas hipóteses, o agente deixa de estar amparado pelo estrito cumprimento do dever legal porque 
ele se excede, ou seja, ele ultrapassa os limites impostos pela norma. 
Pergunta-se: Quais seriam as consequências imediatas dessa ruptura dos limites, ou seja, desse 
excesso praticado pelo agente? 
R.: Exclui a licitude da conduta, ou seja, se ele se excedeu, ele deixa de estar em estrito cumprimento 
do dever legal, deixando de estar amparado uma causa excludente da ilicitude. 
Além disso, se ele deixa de agir em estrito cumprimento do dever legal, o excesso acaba permitindo 
a legítima defesa da pessoa agredida em seu direito (da pessoa que sofreu o excesso). 
Ex.: ‘A’ atuando em estrito cumprimento do dever legal, configura uma conduta lícita, de modo que 
‘B’ (pessoa que está sofrendo os efeitos desse ato),não pode fazer nada, não pode repelir pois a conduta de 
‘A’ é lícita. Se ‘A’ se excede nos limites do estrito cumprimento do dever legal, sua conduta se torna ilícita, o 
que abre a possibilidade para ‘B’ repelir essa injusta agressão, repelir esse excesso. Assim, ‘B’ pode atuar em 
legítima defesa, pois ele está tendo seu direito agredido na medida em que a pessoa não está agindo em 
estrito cumprimento do dever legal (por causa do excesso). 
O estrito cumprimento do dever legal abarca o particular ou apenas funcionário público? 
Existe divergência doutrinária. Para grande parte o particular pode invocar esta excludente de 
ilicitude. Ex: Advogada que se nega a depor em juízo, sobre fatos confidenciais do cliente. Para o autor 
André Stefan como regra, aplica-se na conduta de agente público e, excepcionalmente, de particular. Como 
exemplo de dever legal incumbido a particular costuma-se lembrar do dever dos pais quanto à guarda, 
vigilância e educação dos filhos. 
 
4. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO 
 
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São as ações do cidadão comum autorizadas pela existência de direito definido em lei e 
condicionadas à regularidade do exercício desse direito. 
Exercício REGULAR de direito, ou seja, com proporcionalidade e observância de limites. Se houver 
excesso o agente deve ser responsabilizado. Ademais, deve, de fato, ser um “direito”, estando previsto direta 
ou indiretamente em lei. Conforme doutrina majoritária, NÃO pode ser baseado em costume (parte 
minoritária entende que seria possível). 
São requisitos: 
● Proporcionalidade 
● Indispensabilidade 
● Elemento subjetivo 
Também é necessário que o agente tenha consciência que está agindo acobertado por excludente. 
Ex.: 
. Lesões em práticas esportivas; 
. Prisão em flagrante realizada por particular (flagrante facultativo); 
. Intervenções médicas ou cirúrgicas (que também podem caracterizar estado de necessidade 
a depender da situação, quando a intervenção médica não foi autorizada pelo paciente, por 
exemplo); 
. Direito de castigo dos pais em relação aos filhos. 
 
A teoria da tipicidade conglobante de Zaffaroni promove o esvaziamento do instituto. Isso porque, o 
exercício regular do direito é analisado na tipicidade quando envolver atividades fomentadas pelo Estado, 
uma vez que não se verifica a antinormatividade da conduta. 
Assim, cabe a distinção: 
. Exercício regular do direito incentivado (pelo ordenamento jurídico): exclui a tipicidade (ex.: cirurgia 
médica emergencial). 
. Exercício regular do direito permitido (pelo ordenamento jurídico): é antinormativo, porém tolerado, razão 
pela qual exclui a ilicitude (ex.: cirurgia médica estética). 
 
Estrito cumprimento de dever legal x Exercício regular de direito 
ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO 
Compulsório: o agente é obrigado a 
cumprir o dever legal. 
 
 
Facultativo: o agente é autorizado a atuar 
pelo ordenamento jurídico, mas a ele 
pertence a opção entre exercer ou não o 
direito assegurado. 
 
Aprofundando para provas discursivas / orais: 
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O estrito cumprimento do dever legal e o exercício regular de direito são considerados DESCRIMINANTES 
PENAIS EM BRANCO, vez que o conteúdo da norma permissiva (que impõe o dever ou permite a conduta 
como direito) precisa ser complementado por outra norma jurídica. Não está pré-definido no CP quais são 
os deveres legais ou os direitos que podem regularmente ser exercidos. Virão de outra fonte normativa. 
(Caiu na prova oral de Delegado SP) 
 Fenômeno semelhante ao que ocorre nas estudadas “leis penais em branco” em que o conteúdo definitivo 
da norma se deduz de outra norma jurídica, da mesma hierarquia ou de hierarquia inferior. Isto porque o 
complemento destas excludentes decorre de normas extrapenais. Por exemplo, o possuidor de um bem 
imóvel, turbado ou esbulhado em sua posse, tem direito assegurado pela legislação civil de, com sua “própria 
força”, praticar atos tendentes a se manter ou se reintegrar na posse do bem. A atitude de quem proceder 
dessa maneira não será considerada criminosa, por força do art. 23, III, do CP, combinado com o art. 1.210 
do CC. 
 
ATENÇÃO: OFENDÍCULOS 
a) Nomenclatura: 
Doutrina MAJORITÁRIA: ofendículos = ofensáculos = defesas pré-dispostas. 
Doutrina minoritária: diferencia ofendículos e ofensáculos de defesas pré-dispostas: 
- Defesas mecânicas pré-dispostas: Estariam ocultas e seriam ignoradas pelo agressor. Seriam 
engenhos, armadilhas ocultas, com o intuito de que o engenho funcionasse de forma oculta 
sem que o agressor tivesse conhecimento. Nesse sentido, se ela estiver oculta, ela não estaria 
abrangida pela causa de justificação. 
- Ofendículos: Estão aparentes e podem ser percebidos facilmente. 
 
b) Conceito: Os ofendículos são aparatos pré-ordenados para defesa do patrimônio. Meio que as pessoas 
utilizam para defender principalmente a propriedade e a inviolabilidade domiciliar (ex.: cacos de vidros 
nos muros, cerca elétrica, pontas de lanças no portão etc.). 
→ Devem ser visíveis, caso contrário, estará configurado excesso. 
 
c) Natureza jurídica: 
☞ Doutrina MAJORITÁRIA: Enquanto o ofendículo não é acionado, o indivíduo age em 
exercício regular de um direito. 
☞ Porém, quando é acionado o aparato protetor, a fim de repelir a injusta agressão, o indivíduo 
agirá em legítima defesa preordenada. 
Doutrina minoritária: Diferencia objetos visíveis, que para esta são ofendículos e configuram 
exercício regular do direito, e objetos ocultos, que seriam “defesas mecânicas predispostas”, configurando 
legítima defesa. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
SEMANA 05/48 
 
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Nessa hipótese de ofendículo oculto, caso venha a agredir pessoa inocente, estaria configurada a 
descriminante putativa da legítima defesa putativa (exclui dolo e permite punição por culpa caso haja 
previsão legal). 
 
1.3.2. Causas Supralegais de Exclusão da Ilicitude 
 
(1) CONSENTIMENTO DO OFENDIDO 
a) Natureza jurídica: É uma causa supralegal de exclusão da ilicitude. 
 
Importante relembrar que se o consentimento do ofendido for elementar do crime, a análise é de tipicidade, 
não havendo que se falar em excludente de ilicitude. Um exemplo é o crime de violação de domicílio: Art.150 
do CP: entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de 
quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências. Nota-se a partir da leitura que o consentimento 
do ofendido é sua elementar (elementar é um elemento do tipo penal cuja ausência impede configuração do 
delito, impede a tipicidade formal, pois, se há consentimento, torna-se a conduta atípica). Se não for 
elementar do tipo, pode-se analisar se a hipótese de exclusão da ilicitude. 
 
b) Requisitos: 
i. Único titular / bem próprio; 
ii. Agente capaz de consentir; 
iii. Consentimento moral e que respeita os bons costumes; 
iv. A doutrina tradicional diz que deve ser expresso, mas não precisa ser formal (pode ter qualquer 
forma). A doutrina moderna admite também a tácita; 
v. Prévio ou simultâneo à conduta, não admitindo que seja posterior (caso seja, pode ser causa extintiva 
da punibilidade, como por exemplo a renúncia ou o perdão nas ações privadas); 
vi. Bem disponível; 
vii. O agente que comete o fato típico deve ter ciência desse consentimento (elemento subjetivo). 
 
OBS.1: É cabível em crimes culposos. Ex.: vítima de lesão corporal de trânsito concordou com o excesso 
de velocidade. 
OBS.2: Se a falta de consentimento da vítima for elemento do fato típico, o consentimento excluirá a 
própria tipicidade. 
Exemplo: 
Artigo 213 do CP (Estupro) Artigo 163 do CP (Dano) 
O não consentimento do ofendido é 
elementar do tipo. 
O não consentimento do ofendido não é 
elementar do tipo. 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA

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