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SEMANA 01 
 
 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
SEMANA 01/48 
 
 
 
Sumário 
META 1 .............................................................................................................................................................. 7 
DIREITO PENAL: NOÇÕES INICIAIS E PRINCÍPIOS ............................................................................................... 7 
1. CONCEITO, CARACTERÍSTICAS, OBJETO, FUNÇÕES E DIVISÕES DO DIREITO PENAL ..................................... 8 
2. ENCICLOPÉDIA DAS CIÊNCIAS PENAIS ......................................................................................................... 14 
2.1 Direito Penal X Criminologia X Política Criminal ..................................................................................................... 15 
2.2 Seletividade - Criminalização Primária e Secundária (Zaffaroni) ............................................................................ 16 
3. DIREITO PENAL DO AUTOR E DIREITO PENAL DO FATO .............................................................................. 17 
4. GARANTISMO PENAL (FERRAJOLI) ............................................................................................................... 18 
4.1 Conceito ................................................................................................................................................................. 18 
4.2. Garantias primárias e secundárias ........................................................................................................................ 18 
4.3 Máximas do garantismo ......................................................................................................................................... 18 
5. DIREITO PENAL DO INIMIGO ....................................................................................................................... 19 
5.1 Velocidades do Direito Penal (Jesús-Maria Silva Sánchez) ..................................................................................... 20 
6. FONTES DO DIREITO PENAL ........................................................................................................................ 21 
7. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL ................................................................................................................... 27 
7.1 Princípios Relacionados com a Missão Fundamental do Direito Penal .................................................................. 27 
7.1.1 Princípio da Exclusiva Proteção de Bens Jurídicos ........................................................................................... 27 
7.1.2 Princípio da Intervenção Mínima ..................................................................................................................... 29 
7.1.3 Princípio da Insignificância ou da Bagatela ...................................................................................................... 33 
META 2 ............................................................................................................................................................ 36 
DIREITO PENAL: NOÇÕES INICIAIS E PRINCÍPIOS (PARTE II) ............................................................................ 36 
7.2 Princípios Relacionados com o Fato do Agente ..................................................................................................... 52 
7.2.1 Princípio da Ofensividade/Lesividade .............................................................................................................. 52 
7.2.2 Princípio da Alteridade .................................................................................................................................... 54 
7.2.3 Princípio da Exteriorização ou Materialização do Fato .................................................................................... 54 
7.2.4 Princípio Da Legalidade Estrita Ou Reserva Legal ............................................................................................ 54 
7.2.5 Princípio da Anterioridade ............................................................................................................................... 57 
7.2.6 Princípio da Vedação ao Bis In Idem ................................................................................................................ 58 
7.2.7 Princípio da Adequação Social ......................................................................................................................... 58 
7.3 Princípios Relacionados com o Agente do Fato ..................................................................................................... 60 
7.3.1 Princípio da Responsabilidade Pessoal / Da Pessoalidade / Da Intranscendência Da Pena ............................ 60 
7.3.2 Princípio da Responsabilidade Subjetiva ......................................................................................................... 60 
7.3.3 Princípio da Culpabilidade ............................................................................................................................... 61 
7.3.4 Princípio da Proporcionalidade ........................................................................................................................ 61 
7.3.5 Princípio da Limitação das Penas ou da Humanidade ..................................................................................... 62 
7.2.6 Princípio da Confiança ..................................................................................................................................... 63 
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................... 65 
Questões ...................................................................................................................................................................... 65 
Comentários ................................................................................................................................................................. 67 
META 3 ............................................................................................................................................................ 76 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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DIREITO CONSTITUCIONAL: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ........................................................... 76 
1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS .................................................................................................................... 77 
2. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS .................................................................................................... 83 
2.1 Direitos x Garantias x Remédios Constitucionais ................................................................................................... 83 
2.2 Direitos Fundamentais x Direitos Humanos ........................................................................................................... 84 
2.3 Geração dos direitos fundamentais ....................................................................................................................... 86 
2.4 Características dos direitos fundamentais ............................................................................................................. 92 
2.5 Dimensão dos Direitos Fundamentais .................................................................................................................... 95 
2.5.1 Desdobramentos da dimensão objetiva dos Direitos Fundamentais .............................................................. 96 
2.6 Direitos individuais implícitos e explícitos .............................................................................................................. 98 
2.7 Destinatários ........................................................................................................................................................b) Introdução 
 O direito penal só deve ser aplicado quando a criminalização de um fato é estritamente necessária à 
proteção de determinado bem ou interesse, não sendo suficientemente tutelado por outras searas do 
direito. O direito penal é o último grau de proteção jurídica. 
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 Em outras palavras: O direito penal em um Estado Democrático de Direito atua como ultima 
ratio/ultima razão/ultima saída. Isso porque o direito penal só deve atuar quando os outros ramos do direito 
já tenham fracassado na tentativa de solucionar aquele conflito. Não pode ser usado como prima ratio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como na figura, nem tudo o que é ilícito caracteriza um ilícito penal, mas apenas uma pequena 
parcela. Porém, todo ilícito penal será também ilícito perante as demais searas do direito. 
Ex.: se um funcionário público pratica crime, isso sempre configurará também uma infração 
administrativa. Porém, a recíproca não é verdadeira. Nem toda infração administrativa encontrará uma 
correspondente tipificação penal. 
Obs.: Trata-se de um princípio um implícito na CF/88, que pode ser retirado, principalmente, do 
princípio da dignidade da pessoa humana. (art. 1º, III, CF/88) 
 
c) Destinatários de finalidade: dois são os destinatários do referido princípio: 
● Legislador (no plano abstrato); 
● Aplicador do direito (no plano concreto). 
 Nessa linha, temos que a intervenção mínima deve ser observada tanto pelo legislador, no momento 
de selecionar as condutas que passaram a ser tuteladas pelo Direito Penal, como também, deve ser 
observado pelo aplicador do direito no caso em concreto. 
 
d) Finalidade do princípio da intervenção mínima: trata-se de um reforço ao princípio da reserva legal, 
posto que não é suficiente que tenha lei prevendo aquela conduta como criminosa, é necessário 
ainda que a intervenção penal cominada pela lei seja efetivamente necessária. 
 
Rogério Sanches argumenta que “o princípio da intervenção mínima tem duas faces: orienta quando e onde 
o direito penal deve intervir (neocriminalização); por outro lado, também orienta quando e onde o direito 
penal deve deixar de intervir (abolitio criminis)”. A abolitio criminis é fenômeno verificado sempre que o 
 
ILÍCITOS EM GERAL 
 
ILÍCITOS 
PENAIS 
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legislador, atento às mutações sociais (e ao princípio da intervenção mínima), resolve não mais incriminar 
determinada conduta, retirando do ordenamento jurídico-penal a infração que a previa, julgando que o 
Direito Penal não mais se faz necessário à proteção de determinado bem jurídico. 
 
Do princípio da intervenção mínima decorrem dois outros princípios: 
 
7.1.2.1 Fragmentariedade 
 
 O direito penal é fragmentário pois é visto como um sistema descontínuo de ilicitudes. Ou seja: o 
direito penal não pode e nem tem como criminalizar todas a condutas existentes, mesmo que sejam ilícitos 
do direito (não só ilícitos penais, mas ilícitos civis também) 
 Nesse contexto, a fragmentariedade prevê que somente devem ser tutelados pelo direito penal os 
casos de relevante lesão ou perigo de lesão aos bens jurídicos fundamentais para a manutenção e o progresso 
do ser humano e da sociedade. 
 
O princípio da fragmentariedade deve ser utilizado no plano ABSTRATO, para o fim de permitir a criação de 
tipos penais somente quando os demais ramos do Direito tiverem falhado na tarefa de proteção de um bem 
jurídico. Refere-se, assim, à atividade legislativa. 
 
Já caiu em prova essa passagem do Ferrajolli: 
“A intervenção mínima tem como ponto de partida a característica da fragmentariedade do direito penal. 
Este [fragmentariedade] se apresenta por meio de pequenos flashs, que são pontos de luz na escuridão do 
universo. Trata-se de um gigantesco oceano de irrelevância, ponteado por ilhas de tipicidade, enquanto o 
crime é um náufrago à deriva, procurando uma porção de terra na qual se possa achegar” 
 
#SELIGA: Em que consiste a fragmentariedade às avessas? Ocorre nas situações em que o direito penal 
perde o interesse em uma determinada conduta, inicialmente tida por criminosa, por entendê-la 
desnecessária, com a evolução da sociedade e modificação de seus valores, ocorrendo a abolitio criminis, 
sem prejuízo de sua tutela pelos demais ramos do direito. É um juízo negativo, o crime existia e deixa de 
existir. 
Ex.: Adultério, que era crime tipificado no art. 240 do CP e deixou de ser em 2005, quando a Lei nº 11.106 
revogou o tipo penal. 
 
7.1.2.2 Subsidiariedade 
 
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 A subsidiariedade é corolário da intervenção mínima e está ligada à autonomia do Direito Penal. 
Somente após se constatar que outros meios de solução social dos conflitos não são aptos a dirimi-los, é que 
serão utilizados modelos coercitivos de que dispõe o Direito Penal. 
 Assim, a intervenção penal fica condicionada ao fracasso dos demais ramos do direito, funcionando 
como um soldado de reserva. 
 Direciona-se ao aplicador do direito, no plano concreto, devendo ser aplicado apenas quando todos 
os demais ramos se revelarem impotentes. O crime já existe, mas precisamos saber se a aplicação da lei penal 
é necessária no caso concreto. 
Nas palavras do professor Cleber Masson: 
 
A atuação do Direito Penal é cabível unicamente quando os outros ramos do Direito 
e os demais meios estatais de controle social tiverem se revelado impotentes para 
o controle da ordem pública. Projeta-se no plano concreto – em sua atuação prática 
o Direito Penal somente se legitima quando os demais meios disponíveis já tiverem 
sido empregados, sem sucesso, para proteção do bem jurídico. Guarda relação com 
a tarefa de aplicação da lei penal. 
 
Conceitos atrelados à subsidiariedade: 
⦁ Roxin – direito penal seria o remédio sancionador extremo. Ou seja: o direito penal só deve atuar 
após os outros ramos do direito. Quando os demais ramos atuam e não resolvem o conflito, seria 
legítimo ao Direito Penal atuar sobre a característica da subsidiariedade, uma das faces da 
intervenção mínima. 
⦁ Muñoz Conde – direito penal é aplicável unicamente quando fracassam as demais barreiras 
protetoras do bem jurídico pré-dispostas por outros ramos do direito. 
 
STJ (HC 197.601/RJ) O Direito Penal deve ser encarado de acordo com a principiologia constitucional. Dentre 
os princípios constitucionais implícitos figura o da subsidiariedade, por meio do qual a intervenção penal 
somente é admissível quando os demais ramos do direito não conseguem bem equacionar os conflitos 
sociais. 
 
Aprofundando para uma discursiva... 
Conflito aparente de normas: Segundo Rogério Greco, o conflito aparente de normas penais é aquele 
que ocorre quando duas normas aparentam incidir sobre o mesmo fato. Ele é dito aparente, pois na verdade 
não existe conflito algum – efetivamente, não existe um conflito ao se aplicar a norma ao caso concreto. 
Existem princípios, capazes de solucionar os conflitos aparentes de normas penais: 
a) Subsidiariedade - Temos uma norma subsidiária e uma norma primária, e só se aplica a norma 
subsidiária caso a norma primária não possa ser aplicada, ou seja, uma norma menos grave 
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(subsidiária), que descreve um crime autônomo, e uma norma mais grave (primária), que descreve 
uma segunda conduta e que prevalecerá sobre aquela. 
b) Especialidade - Estaremos diante de dois tipos penais, um específico e um genérico, ambos 
aparentemente adequados para o caso concreto. Entretanto, pela regra da especialidade, 
prevalecerá o tipo penal específico! 
c) Consunção - O princípio da consunção está diretamente relacionado com a absorção de um delito 
por outro. Ou seja, existe uma relação de fins e meios (um delito é o meio para quese chegue ao 
outro) ou mesmo de necessidade (um crime é uma fase para o outro, sendo necessária sua execução 
para que se pratique o segundo tipo penal). 
d) Alternatividade - Temos o chamado princípio da alternatividade, que, por sua vez, é bastante 
simples. Aqui temos um tipo penal chamado de misto alternativo (cuja conduta possui várias formas, 
ou seja, vários verbos). Nesses casos, mesmo que o agente pratique vários dos núcleos em um 
mesmo contexto, responderá por apenas um crime! 
 
7.1.3 Princípio da Insignificância ou da Bagatela 
 
☠ Caiu na prova de Delegado de Polícia do Mato Grosso do Sul em 2017 
 
a) Introdução, Origem e Conceito 
 
Inicialmente, cumpre destacarmos que o referido princípio não encontra previsão na legislação, mas 
pacificamente admitido pela Jurisprudência do STF e do STJ. 
Surge no Direito Romano. “De minimus nun curat praetor”. Os juízes e os tribunais não cuidam do 
que é mínimo, insignificante. Porém no direito romano só era utilizado no tocante ao direito privado. No 
direito penal é incorporado apenas na década de 1970, através dos estudos de Claus Roxin. Segundo Cleber 
Masson (Direito Penal Esquematizado) “Em outras palavras, o Direito Penal não deve se ocupar de assuntos 
irrelevantes, incapazes de lesar o bem jurídico legalmente tutelado. Na década de 70 do século passado, foi 
incorporado ao Direito Penal pelos estudos de Claus Roxin”. 
Ressalta-se que o princípio da Insignificância decorre da fragmentariedade, de modo que o Direito 
Penal só vai intervir nos casos de relevante lesão, quando for indispensável para a proteção de determinado 
bem jurídico, e quando não houver como proteger o bem jurídico como os outros ramos do direito. 
 Nesse sentido, o princípio da insignificância traduz a ideia de que não há crime quando a conduta 
praticada pelo agente é insignificante, não é capaz de ofender ou colocar em perigo o bem jurídico tutelado 
pela norma penal. 
 
b) Finalidade 
 O STF expressamente reconhece como finalidade desse princípio a “interpretação restritiva da lei 
penal” (olha que termo bonito para aparecer na sua prova), ou seja, o princípio da insignificância deve 
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diminuir a intervenção penal, no sentido de ignorar as condutas irrisórias que não se revelam capazes de 
ofender o bem jurídico tutelado pelo tipo penal. 
 
c) Natureza Jurídica: Causa de Exclusão da tipicidade (atipicidade) material. Ou seja: torna o fato atípico 
por ausência de tipicidade material. 
 
TRADUZINDO: 
TIPICIDADE PENAL = tipicidade formal + tipicidade material. 
Tipicidade formal: juízo de adequação do fato à norma (analisa se o fato praticado na vida real, se amolda, 
se encaixa ao modelo de crime descrito na lei penal). 
Ex.: Sujeito subtrai um iogurte de um hipermercado. Como subtraiu coisa alheia móvel, o fato se adequa ao 
tipo penal de furto. 
Tipicidade material: é a lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico protegido. 
No exemplo acima, em que pese tenha havido a tipicidade formal, o ato praticado não foi capaz de causar 
lesão relevante ao bem protegido, vez que o valor de um iogurte não faria a menor diferença no patrimônio 
de um hipermercado, não havendo, portanto, tipicidade material. 
 
Mas atenção: NÃO É SÓ O VALOR que deve ser analisado para que seja reconhecida a insignificância 
da conduta! Existem outros requisitos que devem ser observados, conforme jurisprudência consolidada da 
Suprema Corte. 
Ademais, valor insignificante e pequeno valor não são sinônimos. Por vezes, em casos de furto, por 
exemplo, a questão apresenta um bem de um valor baixo, mas não irrisório/insignificante, que servirá apenas 
para caracterizar a causa de diminuição de pena do furto privilegiado, mas não excluirá a tipicidade material, 
seja pelo fato de o valor ser pequeno, mas não irrisório, seja por não preencher algum outro requisito. Então 
fique de olho! 
Sobre os valores, não há nenhuma tese fixa sobre. É necessário analisar o contexto. Porém, 
analisando as decisões proferidas, o STF tem aceitado como insignificantes normalmente valores que que 
giram em torno de 10% do salário-mínimo, com variações para mais e para menos (é só uma ideia). Já como 
pequeno valor, para o privilégio, admite-se o valor de até 1 salário-mínimo integral (raciocínio aplicável aos 
demais delitos que admitem o privilégio). 
 
É inviável a aplicação do princípio da insignificância ao furto praticado quando, 
para além do valor da res furtiva exceder o limite de 10% do valor do salário-
mínimo vigente à época dos fatos, o acusado é multirreincidente, ostentando 
diversas condenações anteriores por crimes contra o patrimônio.Processo sob 
segredo de justiça. Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, por unanimidade, 
julgado em 14/11/2022, DJe 22/11/2022. 
 
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2021 – NC UFPR – PC-PR – Delegado de Polícia 
Se uma conduta não representa uma ofensa relevante ao bem jurídico contemplado no tipo penal, entende-
se que ela é materialmente atípica em razão do princípio da insignificância. Um exemplo de situação que 
poderia ser abrangida pelo princípio seria a subtração de um pacote de batatas de um supermercado. São 
requisitos estabelecidos pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal para a incidência do princípio da 
insignificância, EXCETO: 
a) mínima ofensividade da conduta do agente. 
b) nenhuma periculosidade social da ação. 
c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. 
d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. 
e) ausência de interesse da vítima na persecução penal. 
Gabarito: Letra E 
 
 Confira a dica do professor Marcelo Veiga: 
 
https://youtu.be/PIsJOsWA84c 
 
 
Vejamos algumas casuísticas importantes em relação ao princípio da insignificância: 
 
https://youtu.be/PIsJOsWA84c
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META 2 
 
DIREITO PENAL: NOÇÕES INICIAIS E PRINCÍPIOS (PARTE II) 
 
a) PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA x AGENTE REINCIDENTE 
 Em regra, o STF e o STJ afastam a aplicação do princípio da insignificância aos acusados reincidentes 
ou de habitualidade delitiva comprovada. Vale ressaltar, no entanto, que a reincidência não impede, por si 
só, que o juiz da causa reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto 
(STF. Plenário. HC 123108/MG, HC 123533/SP e HC 123734/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 
3/8/2015; STJ. 5ª Turma EDcl-AgRg-AREsp 1.631.639- SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 19/05/2020) 
 
Obs.: Ao criminoso habitual, tanto o STF como o STJ, costumam negar a aplicação 
 
Informativo 575, STJ. A reiteração criminosa inviabiliza a aplicação do princípio da 
insignificância nos crimes de descaminho, ressalvada a possibilidade de, no caso 
concreto, as instâncias ordinárias verificarem que a medida é socialmente 
recomendável. Assim, pode-se afirmar que: Em regra, não se aplica o princípio da 
insignificância para o agente que praticou descaminho se ficar demonstrada a sua 
reiteração criminosa (criminoso habitual). Exceção: o julgador poderá aplicar o 
referido princípio se, analisando as peculiaridades do caso concreto, entender 
que a medida é socialmente recomendável. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.217.514-RS, Rel. 
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 9/12/2015 (Info 575). 
 
 Assim, de acordo com o caso concreto, é possível sim aplicar a insignificância mesmo para réus 
reincidentes. Veja recentes julgados em que os Tribunais Superiores aplicaram o princípio da insignificância 
mesmo havendo a reincidência e maus antecedentes: 
 
(info 722 STJ) Admite-se reconhecer a não punibilidade de um furto de coisa com 
valor insignificante, ainda que presentes antecedentes penais do agente, se não 
denotarem estes tratar-se de alguém que se dedica, com habitualidade, a cometer 
crimes patrimoniais.AgRg no REsp 1.986.729-MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, 
Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 28/06/2022, DJe 30/06/2022. 
 
Em regra, a habitualidade delitiva específica (ou seja, o fato de o réu já responder 
a outra ação penal pelo mesmo delito) é um parâmetro (critério) que afasta o 
princípio da insignificância mesmo em se tratando de bem de reduzido valor. 
Excepcionalmente, no entanto, as peculiaridades do caso concreto podem justificar 
o afastamento dessa regra e a aplicação do princípio, com base na ideia da 
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proporcionalidade. É o caso, por exemplo, do furto de um galo, quatro galinhas 
caipiras, uma galinha garnizé e três quilos de feijão, bens avaliados em pouco mais 
de cem reais. O valor dos bens é inexpressivo e não houve emprego de violência. 
Enfim, é caso de mínima ofensividade, ausência de periculosidade social, reduzido 
grau de reprovabilidade e inexpressividade da lesão jurídica. Mesmo que conste em 
desfavor do réu outra ação penal instaurada por igual conduta, ainda em trâmite, 
a hipótese é de típico crime famélico. A excepcionalidade também se justifica por 
se tratar de hipossuficiente. Não é razoável que o Direito Penal e todo o aparelho 
do Estado-polícia e do Estado-juiz movimente-se no sentido de atribuir relevância 
a estas situações. STF. 2ª Turma. HC 141440 AgR/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado 
em 14/8/2018 (Info 911). 
 
É possível aplicar o princípio da insignificância para o furto de mercadorias avaliadas 
em R$ 29,15, mesmo que a subtração tenha ocorrido durante o período de repouso 
noturno e mesmo que o agente seja reincidente. Vale ressaltar que os produtos 
haviam sido furtados de um estabelecimento comercial e que logo após o agente 
foi preso, ainda na porta do estabelecimento. Objetos furtados: R$ 4,15 em 
moedas, uma garrafa de Coca-Cola, duas garrafas de cerveja e uma garrafa de pinga 
marca 51, tudo avaliado em R$ 29,15. STF. 2ª Turma. HC 181389 AgR/SP, Rel. Min. 
Gilmar Mendes, julgado em 14/4/2020 (Info 973). 
 
É possível aplicar o princípio da insignificância para furto de bem avaliado em R$ 
20,00 mesmo que o agente tenha antecedentes criminais por crimes patrimoniais 
 
É possível a aplicação do princípio da insignificância para o agente que praticou o 
furto de um carrinho de mão avaliado em R$ 20,00 (3% do salário-mínimo), mesmo 
ele possuindo antecedentes criminais por crimes patrimoniais. STF. 1ª Turma. RHC 
174784/MS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, 
julgado em 11/2/2020 (Info 966). 
 
Pergunta: e ao multirreincidente, é possível aplicação do princípio da insignificância? 
Atenção ao informativo 746 (29/08/2022): 
 
A multirreincidência específica somada ao fato de o acusado estar em prisão 
domiciliar durante as reiterações criminosas são circunstâncias que inviabilizam 
a aplicação do princípio da insignificância. REsp 1.957.218-M, G Rel. Min. Olindo 
Menezes. Sexta Turma, por maioria, julgado em 23/08/2022.É certo que há 
precedentes do Supremo Tribunal Federal em que se afasta a tipicidade material 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/31c23973a376c90940f5f5ff2118b5d2?categoria=11&subcategoria=95
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/31c23973a376c90940f5f5ff2118b5d2?categoria=11&subcategoria=95
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da conduta criminosa quando o furto é praticado para subtrair objeto de valor 
irrelevante, ainda que o paciente seja reincidente na prática delitiva. Entretanto, a 
Corte também tem precedentes que apontam a relevância da análise da 
reincidência delitiva para afastar a tipicidade da conduta, conforme se verifica no 
julgamento do Habeas Corpus 123.108/MG, da Relatoria do Ministro Roberto 
Barroso, no qual, o Plenário do STF decidiu, por maioria de votos, que a "aplicação 
do princípio da insignificância envolve um juízo amplo (conglobante), que vai 
além da simples aferição do resultado material da conduta, abrangendo também 
a reincidência ou contumácia do agente, elementos que, embora não 
determinantes, devem ser considerados". Após a análise dos precedentes desta 
Corte Superior e do STF, é razoável concluir que a reincidência não impede, por si 
só, que se reconheça a insignificância penal da conduta à luz dos elementos do caso 
concreto, mas pode ser um dos elementos que justificam a tipicidade material da 
conduta. 
 
Em regra, NÃO. Mas há julgado do STJ permitindo excepcionalmente (19/05/22): 
 
1. A multirreincidência específica, via de regra, afasta a aplicação do princípio 
da insignificância no crime de furto. Entretanto, em casos excepcionais, nos quais 
é reduzidíssimo o grau de reprovabilidade da conduta, tem esta Corte Superior 
admitido a incidência do referido princípio, ainda que existentes outras 
condenações. 
2. O furto simples, em um supermercado, de quatro barras de chocolate, avaliadas 
em R$26,92 – quantia que corresponde a 2,77% do salário-mínimo vigente à época 
-, restituídas à Vítima, traz excepcionalidade que autoriza o reconhecimento da 
atipicidade material da conduta.3. Agravo regimental da Defesa provido para, 
conhecendo do agravo, negar provimento ao recurso especial do Ministério 
Público. (AgRg no AREsp 1899839/MG, Rel. Ministro OLINDO MENEZES 
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), Rel. p/ Acórdão Ministra 
LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 19/04/2022, DJe 19/05/2022) 
 
Obs.: É muito importante que você saiba as justificativas dos tribunais sobre a aplicação ou não do princípio 
da insignificância, pois além de sempre cair em provas objetivas, são imprescindíveis para você responder 
uma questão subjetiva e oral. Vamos rumo á aprovação! 
 
É possível a aplicação ao réu reincidente quando o crime anterior tutelava bem jurídico distinto patrimônio, 
é o que o STF chamou de TEORIA DA REITERAÇÃO NÃO CUMULATIVA DE CONDUTAS DE GÊNEROS 
DISTINTOS (*termo de prova). 
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 Entendendo a fonte da expressão acima que foi utilizada no seguinte julgado do STF: 
 
TURMA HABEAS CORPUS 114.723, MINAS GERAIS 
RELATOR: MIN. TEORI ZAVASCKI 
FURTO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INCIDÊNCIA. VALOR DOS BENS 
SUBTRAÍDOS. INEXPRESSIVIDADE DA LESÃO. CONTUMÁCIA DE INFRAÇÕES 
PENAIS CUJO BEM JURÍDICO TUTELADO NÃO É O PATRIMÔNIO. 
DESCONSIDERAÇÃO. ORDEM CONCEDIDA. 1. Segundo a jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal, para se caracterizar hipótese de aplicação do denominado 
“princípio da insignificância” e, assim, afastar a recriminação penal, é indispensável 
que a conduta do agente seja marcada por ofensividade mínima ao bem jurídico 
tutelado, reduzido grau de reprovabilidade, inexpressividade da lesão e nenhuma 
periculosidade social. 2. Nesse sentido, a aferição da insignificância como requisito 
negativo da tipicidade envolve um juízo de tipicidade conglobante, muito mais 
abrangente que a simples expressão do resultado da conduta. Importa investigar o 
desvalor da ação criminosa em seu sentido amplo, de modo a impedir que, a 
pretexto da insignificância apenas do resultado material, acabe desvirtuado o 
objetivo a que visou o legislador quando formulou a tipificação legal. Assim, há de 
se considerar que “a insignificância só pode surgir à luz da finalidade geral que dá 
sentido à ordem normativa” (Zaffaroni), levando em conta também que o próprio 
legislador já considerou hipóteses de irrelevância penal, por ele erigidas, não para 
excluir a tipicidade, mas para mitigar a pena ou a persecução penal. 3. Trata-se de 
furto de um engradado que continha vinte e três garrafas vazias de cerveja e seis 
cascos de refrigerante, também vazios, bens que foram avaliados em R$ 16,00 e 
restituídos à vítima. Consideradas tais circunstâncias, é inegável a presença dos 
vetores que autorizam a incidênciado princípio da insignificância. 4. À luz da teoria 
da reiteração não cumulativa de condutas de gêneros distintos, a contumácia de 
infrações penais que não têm o patrimônio como bem jurídico tutelado pela 
norma penal não pode ser valorada, porque ausente a séria lesão à propriedade 
alheia (socialmente considerada), como fator impeditivo do princípio da 
insignificância. 5. Ordem concedida para restabelecer a sentença de primeiro grau, 
na parte em que reconheceu a aplicação do princípio da insignificância e absolveu 
o paciente pelo delito de furto. 
 
 Ressalta-se ainda que, em 2018 e 2019, os Tribunais Superiores tinham encontrado uma espécie de 
“meio termo” entre a aplicação do princípio da insignificância e a reincidência do agente. 
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 Isso porque, no caso concreto, o juiz via que, pelo critério objetivo, o réu faria jus à insignificância, 
mas que os critérios subjetivos não estariam preenchidos, em razão da reincidência. Então, considerando a 
proporcionalidade, o STF criou um “meio termo”: ao invés de absolver por atipicidade material da conduta, 
aplicou outros institutos mais benéficos, como a substituição da pena privativa de liberdade por pena 
restritiva de direitos. Vejamos os julgados em que os Tribunais Superiores aplicaram esse entendimento: 
 
Possibilidade de aplicar o regime inicial aberto ao condenado por furto, mesmo 
ele sendo reincidente, desde que seja insignificante o bem subtraído. A 
reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância 
penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto. No entanto, com base no 
caso concreto, o juiz pode entender que a absolvição com base nesse princípio é 
penal ou socialmente indesejável. Nesta hipótese, o magistrado condena o réu, mas 
utiliza a circunstância de o bem furtado ser insignificante para fins de fixar o regime 
inicial aberto. Desse modo, o juiz não absolve o réu, mas utiliza a insignificância 
para criar uma exceção jurisprudencial à regra do art. 33, § 2º, “c”, do CP, com base 
no princípio da proporcionalidade STF. 1ª Turma. HC 135164/MT, Rel. Min. Marco 
Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 23/4/2019 (Info 938). 
 
STF reconheceu que o valor econômico do bem furtado era muito pequeno, mas, 
como o réu era reincidente, em vez de absolvê-lo aplicando o princípio da 
insignificância, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para conceder a pena 
restritiva de direitos 
Em regra, o reconhecimento do princípio da insignificância gera a absolvição do réu 
pela atipicidade material. Em outras palavras, o agente não responde por nada. Em 
um caso concreto, contudo, o STF reconheceu a insignificância do bem subtraído, 
mas, como o réu era reincidente em crime patrimonial, em vez de absolvê-lo, o 
Tribunal utilizou esse reconhecimento para conceder a substituição da pena 
privativa de liberdade por restritiva de direitos. Em razão da reincidência, o STF 
entendeu que não era o caso de absolver o condenado, mas, em compensação, 
determinou que a pena privativa de liberdade fosse substituída por restritiva de 
direitos. STF. 1ª Turma. HC 137217/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. 
Alexandre de Moraes, julgado em 28/8/2018 (Info 913). 
 
DISCURSIVA - Justificativas 
A favor da aplicação da insignificância ao reincidente: se a natureza jurídica é de causa de exclusão de 
tipicidade, deve ser analisado o FATO e não os atributos do agente, sob pena de se utilizar o direito penal do 
autor. O fato não poderia ser típico para uma pessoa e atípico para outra. Ou é típico ou não é. O momento 
de analisar as condições pessoais do agente é apenas em eventual e futura fixação de pena. 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/8a36dfc67ebfbbea9bd01cd8a4c8ad32?categoria=11&subcategoria=95
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Contra a aplicação da insignificância ao reincidente: Se o agente é infrator contumaz, com personalidade 
voltada a práticas delitivas, fazer uso da insignificância seria incentivá-lo ao contínuo descumprimento da 
norma, fazendo do crime um meio de vida. O valor de um bem, isoladamente, até poderia ser insignificante, 
mas o “todo” não seria e isso caracterizaria reprovabilidade e ofensividade. O intuito do princípio não é 
legitimar esse tipo de conduta, mas afastar do campo de incidência do direito penal, desvios mínimos e 
isolados. 
 
b) INSIGNIFICÂNCIA x FURTO QUALIFICADO 
 
STF/STJ: Via de regra, entendem não ser possível a aplicação do princípio da insignificância no furto 
qualificado, pois falta o requisito do reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. No entanto, 
recentemente, o Plenário do STF analisou a questão e entendeu que não há como fixar tese sobre isso, que 
também deve ser analisado caso a caso. (STF-HC 123108/MG). 
Ressalta-se que, em um julgado recente, o STJ entendeu pela aplicação do referido princípio, à luz da 
análise do caso concreto. Veja: 
 
Em regra, não se aplica o princípio da insignificância ao furto qualificado, salvo 
quando presentes circunstâncias excepcionais que recomendam a medida. A 
despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à primeira vista, 
impedir o reconhecimento da atipicidade material da conduta, a análise conjunta 
das circunstâncias pode demonstrar a ausência de lesividade do fato imputado, 
recomendando a aplicação do princípio da insignificância. STJ. 5ª Turma. HC 
553872-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/02/2020 (Info 
665). 
 
CASO CONCRETO JULGADO PELO STJ 
(Situação hipotética) - Adriana e Janaína, em concurso de pessoas, subtraíram dois 
pacotes de linguiça, um litro de vinho, uma lata de refrigerante e quatro salgados 
de um supermercado. Os bens subtraídos foram avaliados em R$ 69,23. As duas 
foram presas no estacionamento do supermercado e não houve prejuízo para o 
estabelecimento. 
Como regra, a aplicação do princípio da insignificância tem sido rechaçada nas 
hipóteses de furto qualificado, tendo em vista que tal circunstância denota, em 
tese, maior ofensividade e reprovabilidade da conduta. Deve-se, todavia, 
considerar as circunstâncias peculiares de cada caso concreto, de maneira a 
verificar se, diante do quadro completo do delito, a conduta do agente representa 
maior reprovabilidade a desautorizar a aplicação do princípio da insignificância. 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/ab4c389364232588a6680ad92ec170c7?categoria=11&subcategoria=95&ano=2020
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/ab4c389364232588a6680ad92ec170c7?categoria=11&subcategoria=95&ano=2020
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/ab4c389364232588a6680ad92ec170c7?categoria=11&subcategoria=95&ano=2020
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No caso concreto, a 5ª Turma do STJ aplicou o princípio da insignificância e absolveu 
as acusadas. Afirmou-se que “muito embora a presença da qualificadora possa, à 
primeira vista, impedir o reconhecimento da atipicidade material da conduta, a 
análise conjunta das circunstâncias demonstra a ausência de lesividade do fato 
imputado, recomendando a aplicação do princípio da insignificância.” 
 
(Sim,amigo concurseiro, nem o STF se entende! Você não está sozinho nessa! Mas a você, cabe entender a 
situação e analisar a melhor alternativa, a forma como cada uma está descrita, na hora de marcar. Se for 
prova discursiva ou oral, exponha ambos os posicionamentos.) 
 
c) INSIGNIFICÂNCIA x BENS JURÍDICOS DIFUSOS/COLETIVOS 
Em regra, se o bem jurídico é difuso ou coletivo, os tribunais superiores vêm entendendo pela NÃO 
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA, pois se estaria atingindo a coletividade e, portanto, não 
caberia a insignificância da lesão. 
Além disso, normalmente os crimes contra bens jurídicos difusos/coletivos são crimes de perigo 
abstrato, motivo pelo qual, de “perigo presumido” pelo legislador. 
 
▪ Tráfico de drogas – não aplicação do princípio, por se tratar de crime de perigo abstrato (perigo 
presumido, de acordo com a jurisprudência do STJ), sendo irrelevante a quantidade de droga 
apreendida. HC 318926, STJ – 2015 
▪ A apreensão de munições em quantidade não considerada insignificante, aliada a condenação 
concomitante pelo delito de tráfico de entorpecentes, impõe o afastamento da aplicação do princípio 
da insignificância. REsp 1.978.284-GO, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Quinta Turma, por 
unanimidade, julgado em 14/06/2022, DJe 17/06/2022. 
 
QUESTÃODEPROVA: Delta ES-2019: Foi considerada correta a seguinte afirmativa: “ainda que com pouca 
quantidade de droga o princípio da insignificância não incide no crime de tráfico de drogas, não sendo 
fundamento para recomendação de arquivamento do inquérito policial por atipicidade”. 
 
▪ Porte de drogas para consumo pessoal – tema controvertido. 
· Amplamente majoritário + jurisprudência do STJ – impossibilidade da insignificância em razão de se 
tratar de crime de perigo abstrato. STJ, 6ª T, RHC 35920-DF (INFO 541) 
· STF tem um precedente isolado admitindo a aplicação da insignificância (o que não indica posição 
consolidada do STF). (STF, 1ª T, HC 110475/2012) 
 
▪ Crime de moeda falsa: Inaplicabilidade do princípio, AINDA QUE SEJA 1 ÚNICA NOTA DE PEQUENO 
VALOR, uma vez que se trata de crime contra a fé pública, havendo o interesse do Estado e da 
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coletividade em não ter a fé pública abalada por aquela falsificação. Considerando que se trata de 
um bem jurídico coletivo difuso “fé pública”, não se leva em consideração somente o aspecto 
material/patrimonial do bem falsificado, mas sim um bem coletivo. Essa argumentação se aplica aos 
outros crimes contra a fé pública. 
 
▪ Crimes ambientais: Em regra, nos crimes com bem jurídico difuso/coletivo, não se aplica o princípio 
da insignificância, pois a lesividade/exposição a perigo transcende o aspecto individual. No entanto, 
nos crimes ambientais, essa regra é invertida, uma vez que os tribunais superiores adotam como 
regra a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância em crimes ambientais, devendo 
ser analisadas as circunstâncias específicas no caso concreto para verificar a atipicidade da conduta 
em exame/verificar se aquela conduta não gerou efetivamente um perigo ao meio ambiente. (Info 
816). 
 
É possível a aplicação do princípio da insignificância aos crimes ambientais, 
devendo ser analisadas as circunstâncias específicas do caso concreto para se 
verificar a atipicidade da conduta em exame. STJ. 5° Turma. AgRg no AREsp 
654.321/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 09/06/2015. 
 É possível aplicar o princípio da insignificância para crimes ambientais. STF. 2ª 
Turma. Inq 3788/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 1°/3/2016 (Info 816). 
 
· Exceção à regra específica dos crimes ambientais: pela jurisprudência amplamente 
dominante, não se pode aplicar o princípio da insignificância ao crime de pesca ilegal. – STF, 
1ª TURMA, HC 122560/SC (2018) – Info 901 
 
O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c 
parágrafo único, II, da Lei 9.605/98: Art. 34. Pescar em período no qual a pesca 
seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente: Pena - detenção 
de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Parágrafo 
único. Incorre nas mesmas penas quem: II - pesca quantidades superiores às 
permitidas, ou mediante a utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos 
não permitidos; Caso concreto: realização de pesca de 7kg de camarão em período 
de defeso com o uso de método não permitido. STF. 1ª Turma. HC 122560/SC, Rel. 
Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901). 
 Outro caso concreto: realização de pesca com rede de oitocentos metros e 
apreensão de oito quilos de pescados. STF. 2ª Turma. HC-AgR 163.907-RJ. Relª Min. 
Cármen Lúcia, julgado em 17/03/2020. 
 
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Obs.: apesar de a redação utilizada no informativo original ter sido bem 
incisiva (“O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, 
caput c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98”), existem julgados tanto do STF 
como do STJ aplicando, excepcionalmente, o princípio da insignificância para 
o delito de pesca ilegal. Deve-se ficar atenta(o) para como isso será cobrado 
no enunciado da prova. 
Fonte: dizer o Direito 
 
Veja as hipóteses em que a própria jurisprudência flexibiliza a exceção da pesca ilegal, como, por 
exemplo: 
 
● O STJ (Info 602 – 6ª Turma. RESP 1409051 – 2017) afirmou, de forma excepcional, pela aplicação do 
princípio da insignificância no caso de pesca ilegal, na hipótese em que o indivíduo pescou 1 único 
peixe e devolveu esse peixe vivo ao rio, não havendo um prejuízo efetivo ao meio ambiente. 
● Se a pessoa é flagrada sem nenhum peixe efetivamente pescado, mas portando consigo 
equipamentos de pesca, em um local onde essa atividade é proibida. Nessa hipótese 
pontual/casuística, temos discussão nos tribunais superiores, pois há 2 julgados da mesma turma em 
sentidos opostos: 
· SIM (possibilidade de aplicação da insignificância) - STF (info 816) – STF, 2ª Turma, inq. 
3788/DF (2016) 
· NÃO – STF (info 845 – 2016) – não pode aplicar 
 
Embora sejam julgados anteriores ao informativo 901, pode ser interessante abordar em uma prova 
discursiva/oral. 
 
d) INSIGNIFICÂNCIA x CRIMES TRIBUTÁRIOS E DESCAMINHO 
 
Em regra, o princípio da insignificância se aplica aos crimes tributários federais e de descaminho 
[também é um crime tributário] quando o crédito tributário não ultrapassar o limite de 20.000 reais, a teor 
do disposto no art. 20 da Lei 10.522/02 com as atualizações efetivadas pelas portarias nº 75 e 130 do 
Ministério da Fazenda. 
 
Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho 
quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 
(vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as 
atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da 
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Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado 
em 28/02/2018 (recurso repetitivo). 
 
Observações importantes: 
 
1) O valor máximo para aplicar o princípio da insignificância é de 20 mil reais (e agora, tanto para o 
STF como para o STJ). 
Explicação para adotar o valor de 20 mil reais: (Fonte: Dizer o Direito) 
⋅ Esse valor foi fixado pela jurisprudência tendo como base a Portaria MF nº 75, de 29/03/2012, na 
qual o Ministro da Fazenda determinou, em seu art. 1º, inciso II, “o não ajuizamento de execuções 
fiscais de débitos com a Fazenda Nacional, cujo valor consolidado seja igual ou inferior a R$ 
20.000,00 (vinte mil reais).” 
⋅ Em outros termos, essa Portaria determina que, até o valor de 20 mil reais, os débitos inscritos como 
Dívida Ativa da União não serão executados. 
⋅ Com base nisso, a jurisprudência construiuo seguinte raciocínio: ora, não há sentido lógico permitir 
que alguém seja processado criminalmente pela falta de recolhimento de um tributo que nem sequer 
será cobrado no âmbito administrativo-tributário. Se a própria “vítima” não irá cobrar o valor, não 
faz sentido aplicar o direito penal contra o autor desse fato. 
⋅ Vale lembrar que o direito penal é a última ratio. Se a Administração Pública entende que, em razão 
do valor, não vale a pena movimentar a máquina judiciária para cobrar a quantia, com maior razão 
também não se deve iniciar uma ação penal para punir o agente. 
 
2) O valor de 20 mil reais para aplicação do princípio da insignificância será somente aos crimes 
tributários FEDERAIS!!! Não se aplica o parâmetro dos tributos federais aos crimes tributários estaduais, 
devendo ser observada a lei estadual vigente em razão da autonomia do ente federativo!!! 
 
Não pode ser aplicado para fins de incidência do princípio da insignificância nos 
crimes tributários estaduais o parâmetro de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), 
estabelecido no art. 20 da Lei 10.522/2002, devendo ser observada a lei estadual 
vigente em razão da autonomia do ente federativo. STJ. 5ª Turma. AgRg-HC 
549.428-PA. Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/05/2020. 
 
Obs.: nada impede que o ente estadual adote o valor de 20 mil reais, o que a decisão quis dizer é que não se 
aplica esse parâmetro automaticamente, devendo o próprio Estado em razão da sua autonomia decidir o 
valor a ser observado (ex: 20, 10 ou 5 mil reais). 
 
3) Não se aplica o princípio da insignificância ao crime de contrabando!!! (Somente se aplica ao crime 
de descaminho!!!) 
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 Não se aplica porque o objeto sobre o qual recai a conduta proibida no crime de contrabando é 
“mercadoria proibida”, e não a mera sonegação. Assim, o bem jurídico tutelado não é apenas a questão 
financeira do ente estatal, mas também a saúde pública/incolumidade pública, uma vez que o estado, por 
motivos de saúde pública/incolumidade pública, proíbe a importação ou exportação de determinada 
mercadoria. (Crime pluriofensivo): 
Em regra, é inaplicável o princípio da insignificância ao crime de contrabando, uma 
vez que o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do 
imposto elidido, alcançando também o interesse estatal de impedir a entrada e a 
comercialização de produtos proibidos em território nacional. Trata-se, assim, de 
um delito pluriofensivo. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1744739/RS, Rel. Min. Joel 
Ilan Paciornik, julgado em 02/10/2018 
 
 Exceção: No STJ, temos um precedente ISOLADO em sentido contrário, admitindo a aplicação do 
princípio da insignificância ao crime de contrabando de pequena quantidade de medicamento destinada a 
uso próprio. Trata-se de um caso extremamente específico em que o STJ reconheceu a mínima ofensividade 
da conduta do agente, ausência periculosidade da ação, reduzido grau de reprovabilidade do 
comportamento e inexpressividade da lesão jurídica provocada, autorizando excepcionalmente a aplicação 
do princípio da insignificância: 
 
A importação de pequena quantidade de medicamento destinada a uso próprio 
denota a mínima ofensividade da conduta do agente, a ausência de periculosidade 
social da ação, o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e a 
inexpressividade da lesão jurídica provocada, tudo a autorizar a excepcional 
aplicação do princípio da insignificância STJ. 5ª Turma. EDcl no AgRg no REsp 
1708371/PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/04/2018. 
 
INSIGNIFICÂNCIA x CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
● STF - Antes não admitia, mas possui decisões recentes admitindo, como por exemplo, em caso de 
peculato. 
● STJ – Possui entendimento sumulado negando a aplicação (súmula 599). 
Súmula 599-STJ: O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração 
pública. 
 
Porém, STF e STJ admitem nos crimes contra a Administração Pública praticados por particulares, a 
exemplo do descaminho, que, apesar de ser um crime tributário, topograficamente, estão inseridos no título 
dos Crimes contra a Administração Pública, então cuidado em prova! 
 ATENÇÃO: 
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Informativo 742 (01/08/2022) - Admite-se, excepcionalmente, a aplicação do princípio da insignificância a 
crime praticado em prejuízo da administração pública quando for ínfima a lesão ao bem jurídico tutelado. 
RHC 153.480-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 24/05/2022, DJe 
31/05/2022. Logo, em determinadas hipóteses, nas quais for ínfima a lesão ao bem jurídico tutelado - como 
na espécie -, admite-se afastar a aplicação do entendimento sedimentado na Súmula n. 599/STJ, pois "a 
subsidiariedade do direito penal não permite tornar o processo criminal instrumento de repressão moral, 
de condutas típicas que não produzam efetivo dano". 
 
HC 642.831 - Segundo a 5ª turma do STJ, o alto grau de reprovabilidade da conduta do cidadão que oferece 
dinheiro ao agente de trânsito para evitar o exame do bafômetro é suficiente para impedir a aplicação do 
princípio da insignificância e a consequente absolvição por atipicidade da conduta. Ressalta-se uma 
peculiaridade do caso em tela: Depois da tentativa de suborno, o exame de alcoolemia deu resultado 
negativo. No entanto, tal circunstância também não foi suficiente para aplicar o princípio da insignificância 
ao caso. 
 
#QUESTÃODEPROVA: Na prova de Delta ES – 2019, foi considerada INCORRETA a seguinte alternativa: 
“Segundo o STJ, nenhum dos crimes contra a administração pública admite a incidência do princípio da 
insignificância”. A questão foi objeto de vários recursos e a banca não anulou justamente por ter utilizado a 
palavra “nenhum” e ser aplicável ao descaminho. Além disso, tinha outra que era “mais certa” que essa. É 
como já havíamos falado. Tem que pensar na mais certa! Fique de olho nas palavras-chave ou se a banca 
pediu o entendimento sumulado. 
 
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA – ENTENDIMENTOS JURISPRUDENCIAIS: 
1. STF/STJ: para aplicação do princípio da insignificância, considera-se a capacidade econômica da vítima 
(STJ-Resp. 1.224.795). 
2. STF/STJ: admitem a aplicação a atos infracionais. 
3. STF: O princípio da insignificância pode ser reconhecido mesmo após o trânsito em julgado da 
sentença condenatória (STF-HC 95570). 
4. “Flanelinha” e exercício da profissão sem registro competente: STF admite a aplicação (Info. 699). 
5. STF/STJ NÃO admitem o princípio da insignificância nos crimes contra a fé pública, mais precisamente, 
nos crimes de moeda falsa (STF-HC105.829). 
6. STF/STJ: Não se aplica o princípio da insignificância aos delitos praticados em situação de violência 
doméstica (STJ-HC 33195/MS; STF-RHC 133043/MT). 
7. STF/STJ: Ao Tráfico internacional de armas e munições não se aplica o princípio da insignificância (STF-
HC 97777), de igual modo é inaplicável aos crimes de posse e porte de arma de fogo (STJ-HC 
338153/RS). Obs.: É atípica a conduta daquele que porta, na forma de pingente, munição 
desacompanhada de arma. (STF - HC 133984/MG) 
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8. Crimes contra a vida, lesões corporais, crimes praticados com violência ou grave ameaça à pessoa, 
crimes sexuais, tráfico de drogas – nenhum admite. 
9. Porte de drogas para uso (art. 28 da LD) – Majoritariamente, o STF e o STJ não aplicam a 
insignificância, nem mesmo em se tratando de quantidades ínfimas, pelo fato de ser crime de perigo 
presumido e o bem tutelado ser a saúde pública. No entanto, há um antigo julgado isolado do STF 
permitindo a aplicação. 
10. Violação de direito autoral – não se aplica. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1380149/RS 
11. Apropriação indébita previdenciária: 
ANTES: havia divergência entre o STJ e o STJ. 
AGORA:tanto o STF como o STJ afirmam que é inaplicável o princípio da insignificância ao crime de 
apropriação indébita previdenciária. 
Não se aplica o princípio da insignificância para o crime de apropriação indébita previdenciária. Não é 
possível a aplicação do princípio da insignificância aos crimes de apropriação indébita previdenciária e de 
sonegação de contribuição previdenciária, independentemente do valor do ilícito, pois esses tipos penais 
protegem a própria subsistência da Previdência Social, de modo que é elevado o grau de reprovabilidade 
da conduta do agente que atenta contra este bem jurídico supraindividual. O bem jurídico tutelado pelo 
delito de apropriação indébita previdenciária é a subsistência financeira da Previdência Social. Logo, não 
há como afirmar-se que a reprovabilidade da conduta atribuída ao paciente é de grau reduzido, 
considerando que esta conduta causa prejuízo à arrecadação já deficitária da Previdência Social, 
configurando nítida lesão a bem jurídico supraindividual. O reconhecimento da atipicidade material nesses 
casos implicaria ignorar esse preocupante quadro. STF. 1ª Turma. HC 102550, Rel. Min. Luiz Fux, julgado 
em 20/09/2011. STF. 2ª Turma. RHC 132706 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/06/2016. STJ. 
3ª Seção. AgRg na RvCr 4.881/RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 22/05/2019 
12. Crimes ambientais: 
STJ: É possível a aplicação do princípio da insignificância aos crimes ambientais, devendo ser analisadas as 
circunstâncias específicas do caso concreto para se verificar a atipicidade da conduta em exame (STJ AgRg 
no AREsp 654.321/SC). 
STF: Já negou em situação de pesca ilegal, a um indivíduo flagrado junto a outras três pessoas, POR TRÊS 
VEZES CONSECUTIVAS, em embarcação motorizada, praticando pesca em local proibido e com redes de 
arrasto de fundo (HC 137652). 
- Já negou em caso de realização de pesca de 7kg de camarão em período de defeso com o uso de método 
não permitido (HC 122560/SC). 
- A partir do caso acima, publicou a seguinte redação no Info 901:: O princípio da bagatela não se aplica 
ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98 (pesca ilegal). 
- No entanto, existem julgados tanto do STF como do STJ aplicando, excepcionalmente, o princípio da 
insignificância para este delito. Atente-se ao comando da questão! 
13. É possível aplicar o princípio da insignificância para a conduta de manter rádio clandestina? 
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• No STJ: é pacífico que NÃO. 
Súmula 606-STJ: não se aplica o princípio da insignificância aos casos de transmissão clandestina de 
sinal de internet via radiofrequência que caracterizam o fato típico previsto no artigo 183 da lei 
9.472/97. 
 
• No STF: o tema ainda é controverso. 
-1ª Turma do STF: é inaplicável o princípio da insignificância no crime de transmissão clandestina de 
sinal de internet, por configurar o delito previsto no art. 183 da Lei nº 9.472/97, que é crime formal, e, 
como tal, prescinde de comprovação de prejuízo para sua consumação.STF. 1ª Turma. HC 124795 AgR, 
Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 23/08/2019. 
 
-2ª Turma do STF:O princípio da insignificância também se aplica ao fornecimento clandestino de 
internet tipificado no art. 183 da Lei nº 9.472/97 desde que (i) a conduta seja minimamente ofensiva 
do agente, (ii) não haja risco social da ação, (iii) seja reduzido grau de reprovabilidade do 
comportamento e (iv) inexpressiva a lesão jurídica. A expressividade da lesão jurídica deve ser 
verificada in concreto à luz do alcance do alcance dos aparelhos consignado em laudo da autoridade 
regulatória.Ausente laudo que ateste a expressividade concreta da lesão e havendo indícios de sua 
inexpressividade, deve incidir o princípio da insignificância, a autorizar a concessão da ordem. 
STF. 2ª Turma. HC 161483 AgR, Rel. Edson Fachin, julgado em 07/12/2020. STF. 2ª Turma. HC 165577 
AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, Rel. p/ Acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 08/09/2021. 
14. STJ – Info 672/2020: Não se admite a incidência do princípio da insignificância na prática de 
estelionato qualificado por médico que, no desempenho de cargo público, registra o ponto e se retira 
do hospital. 
Cinge-se a controvérsia a saber acerca da possibilidade do trancamento de ação penal pelo 
reconhecimento de crime bagatelar no caso de médico que, no desempenho de seu cargo público, teria 
registrado seu ponto e se retirado do local, sem cumprir sua carga horária. A jurisprudência desta Corte 
Superior de Justiça não tem admitido, nos casos de prática de estelionato qualificado, a incidência do 
princípio da insignificância, inspirado na fragmentariedade do Direito Penal, em razão do prejuízo aos 
cofres públicos, por identificar maior reprovabilidade da conduta delitiva. Destarte, incabível o pedido de 
trancamento da ação penal, sob o fundamento de inexistência de prejuízo expressivo para a vítima, 
porquanto, em se tratando de hospital universitário, os pagamentos aos médicos são provenientes de 
verbas federais. AgRg no HC 548.869-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, 
julgado em 12/05/2020, DJe 25/05/2020 
 
#ATENÇÃO: Delegado pode aplicar o princípio da insignificância? 
Para o STJ NÃO! Apenas o juiz pode. HC 154.949/MG. Assim, a autoridade policial estaria obrigada a 
efetuar a prisão em flagrante, submetendo a questão à análise de autoridade judiciária. 
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No entanto, parte da doutrina, a exemplo de Cleber Masson, posiciona-se contra tal entendimento, 
pelo fato de tratar a insignificância de afastamento da tipicidade do fato. E ora, se o fato não é típico para 
o juiz, também não será para delegado! 
Para esta segunda corrente, principalmente na análise da legalidade da prisão em flagrante, o 
delegado não só poderia, como DEVERIA analisar a presença dos elementos que traduzem a insignificância, 
vez que não seria razoável ratificar a prisão de quem subtraiu um pão de queijo de uma padaria, por exemplo, 
sob pena de inobservância de vários princípios, como lesividade, proporcionalidade, subsidiariedade, 
intervenção mínima. 
No estado de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, no Seminário Integrado de Polícia Judiciária, 
foram aprovadas súmulas que orientam a atuação dos delegados nesse sentido. O estado do Paraná, embora 
não possuam súmulas, utilizam as do Rio de Janeiro, de modo que os delegados de polícia lá aplicam o 
princípio da insignificância! 
A solução para que você, caro aluno, resolva a questão, é analisar a forma como isso está sendo 
questionado. Se a pergunta for sobre o STJ, delegado não pode. Se a questão afirmar de forma mais próxima 
ao entendimento doutrinário, for de um estado como o de São Paulo que já se posicionou sobre o tema ou 
for silente sobre a fonte e essa opção “parecer a mais certa”, tome partido da carreira e marque a que 
permite a análise pelo delegado. 
Para finalizar o estudo deste princípio, precisamos ainda fazer uma última diferenciação: BAGATELA 
PRÓPRIA X BAGATELA IMPRÓPRIA1, o que faremos com a ajuda do Dizer o Direito. 
 
INFRAÇÃO BAGATELAR PRÓPRIA 
= PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 
INFRAÇÃO BAGATELAR IMPRÓPRIA 
= PRINCÍPIO DA IRRELEVÂNCIA PENAL DO FATO 
A situação já nasce atípica. 
O fato é atípico por atipicidade material. 
 
A situação nasce penalmente relevante. O fato é 
típico do ponto vista formal e material. 
 Em virtude de circunstâncias envolvendo o fato e o 
seu autor, consta-se que a pena se tornou 
desnecessária. 
O agente não deveria nem mesmo ser processado 
já que o fato é atípico. 
 
O agente tem que ser processado (a ação penal 
deve ser iniciada) e somente após a análise das 
peculiaridades do caso concreto, o juiz poderia 
reconhecer a desnecessidade da pena. 
 
 
 
1 Fonte: https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2015/01/ebook-princc3adpio-da-insignificc3a2ncia-vf.pdfPREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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Não tem previsão legal no direito brasileiro. Está previsto no art. 59 do CP, conforme a doutrina. 
 
Enquanto para a infração bagatelar própria já nasce irrelevante por se tratar de conduta 
materialmente atípica, “a infração bagatelar imprópria é aquela que nasce relevante para o Direito penal, 
mas depois se verifica que a aplicação de qualquer pena no caso concreto apresenta-se totalmente 
desnecessária” (GOMES, Luiz Flávio; Antonio Garcia-Pablos de Molina. Direito Penal Vol. 2, São Paulo: RT, 
2009, p.305)”. 
Em outras palavras, o fato é típico, tanto do ponto de vista formal como material. No entanto, em 
um momento posterior à sua prática, percebe-se que não é necessária a aplicação da pena. Logo, a 
reprimenda não deve ser imposta, deve ser relevada (assemelhando-se ao perdão judicial. 
Porém, ao contrário do instituto mencionado, as situações em que a bagatela imprópria é aplicável 
não estão expressamente previstas. 
Segundo LFG, este instituto possui fundamento legal no direito brasileiro (porém, de forma implícita 
e “genérica” – termos nossos). Trata-se do art. 59 do CP que prevê que o juiz deverá aplicar a pena “conforme 
seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime”. 
Dessa forma, se a pena não for mais necessária, ela não deverá ser imposta (princípio da 
desnecessidade da pena conjugado com o princípio da irrelevância penal do fato). 
A bagatela imprópria foi acolhida pela 5ª Turma do STJ, confirmando decisão da 1ª e 2ª instâncias 
judiciais no AgRg no AREsp 1423492 / RN (decisão publicada 29/05/2019) 
 
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. POSSE ILEGAL 
DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA. CRIME SEM 
VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA. DELITO COMETIDO HÁ MAIS DE 12 ANOS. 
INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA BAGATELA IMPRÓPRIA. REQUISITOS PREENCHIDOS. 
DESNECESSIDADE DA PENA. REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO. APLICAÇÃO 
DA SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – STJ. AGRAVO REGIMENTAL 
DESPROVIDO. 1. Entendo as instâncias ordinárias ser desnecessária a punição do 
acusado, porque presentes os requisitos para a aplicação do princípio da bagatela 
imprópria, para se concluir de forma diversa, seria imprescindível o reexame do 
conjunto probatório dos autos, o que não é viável em recurso especial. Incidente a 
Súmula n. 7/STJ. 2. Agravo regimental desprovido. 
 
 
SIMPLIFICANDO: 
- Princípio da insignificância ou da bagatela própria – O fato já nasce atípico, por atipicidade material. 
- Natureza jurídica bagatela própria: Causa Supralegal de extinção de tipicidade material, devendo ser 
analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima. 
 
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- Princípio da insignificância imprópria: pressupõe uma análise do que ocorreu após a prática do crime até 
o momento do julgamento. Exemplo: o réu se casou, teve filhos, tem uma empresa com mais de 50 
funcionários. Nesses casos o juiz reconhece a existência do crime, mas conclui que a pena não é necessária. 
Aqui não há causa supralegal de exclusão de tipicidade, há causa supralegal de extinção de punibilidade. O 
Estado reconhece o crime, mas conclui pela desnecessidade da punição, ela não é mais vantajosa para a 
sociedade. 
A análise da pertinência da bagatela imprópria há de ser realizada, obrigatoriamente, na situação fática, 
jamais no plano abstrato. Atente-se também para a necessidade de se observar que a bagatela imprópria 
tem como pressuposto inafastável a não incidência do princípio da insignificância (próprio). Afinal, se o fato 
não era merecedor da tutela penal em decorrência da sua atipicidade, descabe enveredar pela discussão 
acerca da necessidade ou não da pena. 
- Natureza jurídica bagatela imprópria: Causa supralegal de extinção de punibilidade. O estado reconhece o 
crime, mas conclui pela desnecessidade da pena, a punição não é vantajosa para a sociedade. 
 
CAIU NA PROVA PC-MS – 2021 – Delegado de Polícia! Apesar de serem conceituadas de maneira diferente, 
a bagatela própria e a imprópria, sob o ponto de vista pragmático, geram a mesma consequência, que é a 
exclusão da tipicidade material. (Item incorreto) Como mencionado acima, bagatela própria é causa de 
exclusão de tipicidade material e bagatela imprópria causa da exclusão da punibilidade. 
 
7.2 Princípios Relacionados com o Fato do Agente 
 
7.2.1 Princípio da Ofensividade/Lesividade 
 
 Não pode haver crime sem que haja conteúdo ofensivo a bens jurídicos. A doutrina mais 
especializada aponta uma fundamentação implícita ao princípio da lesividade na ideia de dignidade da 
pessoa humana, no sentido de que não se pode instrumentalizar ou objetificar o homem. Então, quando o 
Estado criminaliza condutas sem que haja ofensa ou ao menos perigo de ofensa a um bem jurídico tutelado, 
está colocando o homem (que está recebendo aquela reprimenda) como instrumento para a consecução de 
outra finalidade que não a proteção do próprio homem (ex.: um controle social que não é legítimo). 
 Nesse contexto, para que ocorra o delito, é imprescindível a efetiva lesão ou perigo de lesão ao bem 
jurídico tutelado. 
 
Crime de dano: exige efetiva lesão ao bem jurídico. (Ex.: homicídio, exige a lesão morte). 
Crime de perigo: contenta-se com o risco de lesão ao bem jurídico. (Ex. abandono de incapaz/omissão de 
socorro). 
a. crime de perigo concreto - o risco de lesão deve ser demonstrado. 
b. perigo abstrato: o risco de lesão é absolutamente presumido por lei. 
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Temos doutrina entendendo que o crime de perigo abstrato é inconstitucional, pois o perigo não pode ser 
presumido, mas comprovado. Presumir-se prévia e abstratamente o perigo, significa, em última análise, que 
o perigo não existe. Para os adeptos dessa corrente, os crimes de perigo abstrato violariam o princípio da 
lesividade. Essa tese, no entanto, hoje não prevalece no STF. No HC 104.410, o Supremo decidiu que a 
criação de crimes de perigo abstrato não representa, por si só, comportamento inconstitucional, mas 
proteção eficiente do Estado. 
Ex.: Embriaguez ao volante – STF decidiu que o ébrio não precisa dirigir de forma anormal para configurar o 
crime – bastando estar embriagado (crime de perigo abstrato). 
Ex.: Arma desmuniciada – STF – jurisprudência atual – crime de perigo abstrato – demanda efetiva proteção 
do Estado. 
 
Nesse sentido, considerando que o princípio da ofensividade exige que, do fato praticado, ocorra 
lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado, é certo concluir que o direito penal não deve se ocupar de 
questões éticas, morais, religiosas, políticas, filosóficas. Assim, em razão do princípio da lesividade, PROÍBE-
SE: 
⋅ A criminalização de pensamentos e cogitações (direito à perversão) 
⋅ A criminalização de condutas que não tenham caráter transcendental (vedação à autolesão) 
⋅ A criminalização de meros estados existenciais (criminalização da pessoa pelo que ela é – ex: 
revogação da contravenção de mendicância). 
 
Aprofundando para prova discursiva... 
 
O princípio da lesividade está diretamente ligado à ideia de bem jurídico, com a chamada: teoria do bem 
jurídico. Na vertente do funcionalismo teleológico e racional (Roxin), a teoria do BJ ganha um destaque muito 
grande em toda a sistemática penal como uma forma de limitar o poder de punir do estado, como uma forma 
de limitar a incidência de tipos penais 
São de 4 ordens/ funções e garantias do princípio da lesividade 
1) Proibição de incriminar uma atitude interna – motivo pelo qual não se pune a cogitação (fase interna do 
inter criminis) 
2) Proibição de incriminar condutas que não excedam o âmbito do autor – motivo pelo qual não se pune a 
autolesão. 
3) Proibição de incriminar simples estados ou condições existenciais- tendo em vista que nosso ordenamento 
Jurídico adota o direito penal do fato – e não direito penal do autor. 
4) Proibição de incriminar condutas desviadas que não afetam qualquer bem jurídico - motivo pelo qual não 
se pune o crime impossível e, em regra, os atos preparatórios. 
 
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7.2.2 Princípio da Alteridade 
 
Subprincípio do princípio da lesividade. Dispõe que a conduta deve necessariamente atingir, ou 
ameaçar atingir, bem jurídico de terceiro para ser criminalizada. Deve transcender a esfera do próprio 
agente. Por isso, o direito penal não pune a autolesão. 
Ex.: o artigo 28 da Lei 11.343/06 NÃO tipifica o USO de drogas porque apenas afetaria o usuário. 
Tipifica o porte ou similares (guardar, ter em depósito, transportar etc.). 
 
7.2.3 Princípio da Exteriorização ou Materialização do Fato 
 
O Estado só pode incriminar condutas humanas voluntárias, fatos, atos lesivos. Ninguém pode ser 
castigado por seus pensamentos, desejos ou meras cogitações ou estilo de vida. Esse princípio busca impedir 
o direito penal do autor. Decorrência do princípio da lesividade. 
 
7.2.4 Princípio Da Legalidade Estrita Ou Reserva Legal 
 
Encontra previsão no art. 5º, XXXIX da CFRB/88 e no art. 1º do CP: “Não há crime sem lei anterior 
que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”. Assim, a lei em sentido estrito tem o monopólio na 
criação de crimes e cominação de penas – que só serão aplicados a condutas posteriores à sua vigência, não 
podendo haver criação de crimes e penas por costumes ou analogias, tampouco tipificação de condutas 
genéricas. 
Ademais, a lei precisa ser anterior, escrita, estrita, certa (taxativa) e necessária. 
A legalidade subdivide-se em: 
 
o Legalidade formal: corresponde à obediência aos trâmites procedimentais previstos pela CF para 
que determinado diploma legal possa vir a fazer parte do ordenamento jurídico. 
o Legalidade material: pressupõe não apenas a observância das formas e procedimentos impostos 
pela CF, mas também, e principalmente, o seu conteúdo, respeitando-se as suas proibições e 
imposições para a garantia dos direitos fundamentais por ela previstos. 
 
A doutrina trabalha com uma dupla face do princípio da legalidade. Ora legitimando o Estado, ora 
limitando esse poder de punir. Veja: 
 
1) Funções constitutivas - em que eu garanto ao Estado a possibilidade de criminalizar condutas e 
cominar penas. Aqui estou trabalhando com o plano da legalidade no sentido de legitimar o Estado 
a exercer seu direito de punir através da criminalização de conduta e cominação de penas. 
 Quando falamos em legalidade na função constitutiva, estou abrangendo a legalidade não só na pena 
cominada, mas na pena aplicada e pena executada também. 
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● Princípio da legalidade direcionado ao legislador – ao cominar as penas 
● Princípio da legalidade direcionado ao aplicador do direito – quando o juiz veda que se aplique um 
regime de cumprimento de pena mais severo do que o previsto pelo legislador, por exemplo. 
● Princípio da legalidade direcionado à Administração Penitenciária - Os órgãos não podem executar 
pena diversa daquela prevista em lei e aplicada pelo juiz. 
 
Enunciado da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ 
Enunciado 13: O princípio da legalidade impõe que se observe, quando da soma 
das penas, o cálculo diferenciado para fins de progressão de regime. 
 
2) Funções de garantia (face de garantia) – busca limitar o poder de punir do estado trazendo garantias 
mínimas ao cidadão perante o estado. Exclui penas ilegais, por exemplo. Nesse ponto, o princípio da 
legalidade se desdobra em 4 máximas: 
I. Lex scripta: A lex scripta proíbe que se utilize dos costumes como fonte incriminadora do direito 
penal 
II. Lex stricta: proibição do emprego da analogia in malan partem 
III. Lex Praevia: Representa o princípio da anterioridade penal: veda a criminalização ex post facto 
IV. Lex certa (aspecto material do princípio da legalidade): A lex certa materializa a proibição de o 
legislado formular tipos penais genéricos, vazios, vagos etc. (Princípio da taxatividade) 
 
Confira a dica do professor Marcelo Veiga sobre princípio da legalidade: 
 
https://youtu.be/NGC5PQ7VMOA 
 
 
Caiu em prova! - Dentre as proibições derivadas do princípio da legalidade, a fórmula lex scripta representa 
a proibição do costume como fundamento de criminalização ou de punição de condutas, e a fórmula lex certa 
representa a proibição de indeterminação, de forma a excluir a indefinição e a obscuridade de leis penais – 
ASSERTIVA CORRETA! 
 
https://youtu.be/NGC5PQ7VMOA
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CESPE/2019: A norma penal deve ser instituída por lei em sentido estrito, razão por que é proibida, em 
caráter absoluto, a analogia no direito penal, seja para criar tipo penal incriminador, seja para fundamentar 
ou alterar a pena. Item Errado. 
 
Fundamentos do princípio da legalidade: 
o Político: vinculação do executivo e do judiciário às leis, o que impede o exercício do poder punitivo 
com base no livre arbítrio. 
o Democrático: o parlamento, escolhido pelo povo, que é responsável pela criação dos tipos 
definidores dos crimes. 
o Jurídico: a lei deve ser prévia e clara, pois produz efeito intimidativo. 
Segundo Masson, o princípio da reserva legal possui dois fundamentos, quais sejam: 
- Fundamento jurídico: é a taxatividade, certeza ou determinação, pois implica, por parte do legislador, a 
determinação precisa, ainda que mínima, do conteúdo do tipo penal e da sanção penal a ser aplicada, bem 
como da parte do juiz, na máxima vinculação ao mandamento legal. Como desdobramento lógico da 
taxatividade, o Direito Penal não tolera a analogia in malam partem. 
- Fundamento político: é a proteção do ser humano em face do arbítrio do Estado no exercício do seu poder 
punitivo. Enquadra-se, destarte, entre os direitos fundamentais de 1° geração (ou dimensão). (MASSON, 
2017, p. 25). 
* ATENÇÃO: Medida provisória não pode criar crimes nem penas, mas STF admite para favorecer o réu (RE 
254818/PR). 
 
* ATENÇÃO²: os princípios da reserva legal (estrita legalidade) e o da legalidade são considerados como 
sinônimos por parte da doutrina, enquanto outra corrente defende que se diferenciam nos seguintes 
aspectos: 
 
RESERVA LEGAL (estrita legalidade) LEGALIDADE 
Art. 5°, XXXIX, CF, “não há crime sem lei 
anterior que o defina, nem pena sem prévia 
cominação legal”. 
 
Exige lei em sentido estrito (no caso do 
direito penal, lei ordinária) - a lei deve ser 
criada de acordo com o processo legislativo 
previsto na CF e deve tratar de matéria 
constitucionalmente reservada à lei 
Art. 5, II, CF, “ninguém será obrigado a fazer 
ou deixar de fazer alguma coisa senão em 
virtude de lei”. 
 
Exige lei em sentido amplo (abrange qualquer 
espécie normativa, ou seja, lei delegada, 
medida provisória, decreto, etc.). 
 
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7.2.4.1 Mandados de Criminalização e Reserva Legal 
 
Em que pese a criação de crimes e cominação de penas seja exclusiva da lei em sentido estrito, a 
Constituição Federal estabelece mandados explícitos e implícitos de criminalização, ou seja, situações em 
que é obrigatória a intervenção do legislador penal. 
Conforme já afirmado pelo STF, “A Constituição de 1988 contém significativo elenco de normas que, 
em princípio, não outorgam direitos, mas que, antes, determinam a criminalização de condutas (CF, art. 5º, 
XLI, XLII, XLIII, XLIV; art. 7º, X; art. 227, § 4º)” (HC 102.087/MG). 
Podem ser de duas espécies: 
 
MANDADOS DE CRIMINALIZAÇÃO EXPRESSOS MANDADOS DE CRIMINALIZAÇÃO 
IMPLÍCITOS/TÁCITOS 
A ordem está explícita no texto constitucional. A ordem está implícita no texto constitucional.É 
retirada da do “espírito” do texto da CF, de sua 
interpretação sistemática. 
Ex.: Art. 5º, XLII: “a prática do racismo constitui 
crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena 
de reclusão, nos termos da lei”. 
Ex: combate à corrupção no poder público. 
Embora a CF não tenha determinado 
expressamente a criminalização dessa conduta, 
isso pode ser extraído dos valores que ela traz, 
como por exemplo, do artigo 1º (por ser República, 
que significa “coisa pública”) e do art. 37, dos 
princípios da Adm. Pública (LIMPE). 
 
Tema recente: Até 2016, o crime de terrorismo ainda não tinha sido concretizado na legislação brasileira. 
Pela Lei 13.260/16, houve o cumprimento desse mandado de criminalização. 
 
#VAICAIR: O que seria mandado de criminalização por omissão? Consiste na hipótese do art. 5º, XLIII da CF, 
que determina que a omissão, nos casos de crimes hediondos e equiparados, deve ser punida. 
 
A título de conhecimento, há ainda os “mandados internacionais de criminalização”, que também podem 
ser expressos, quando essa “ordem” está presente em tratados de direitos humanos ratificados pelo Brasil, 
e implícitos, quando advém de uma decisão/sentença de tribunal internacional. 
 
7.2.5 Princípio da Anterioridade 
 
 Exteriorizado nos mesmos dispositivos que podemos extrair o princípio da reserva legal. 
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De acordo com o princípio da anterioridade, a lei penal apenas se aplica a fatos praticados após a sua 
entrada em vigor. 
 Daí, por consequência lógica, deriva a sua irretroatividade, não se aplicando a fatos pretéritos, nem 
mesmo os praticados durante a vacatio legis, SALVO se benéfica ao acusado. 
 Nesse sentido, temos o art. 5º XL da CF, dispondo que “a lei penal não retroagirá, salvo para 
beneficiar o réu”. 
 
7.2.6 Princípio da Vedação ao Bis In Idem 
 
 Tem previsão no art. 8º, 4 do Pacto de São José da Costa Rica, incorporado ao nosso ordenamento 
jurídico pelo Dec. 678/1992. 
Proíbe que o agente seja punido duas vezes pelo mesmo fato, inclusive sopesando a mesma situação 
ou circunstância para agravar a pena em mais de um momento da dosimetria. Como exemplo, temos a 
Súmula 241 do STJ que proíbe o uso de uma única reincidência como circunstância judicial desfavorável e 
como agravante, pois haveria violação a este princípio. 
 
7.2.7 Princípio da Adequação Social 
 
 Idealizado por Hans Welzel, este princípio traz a ideia de que as condutas tidas por socialmente 
adequadas não poderiam constituir delitos, pois o tipo penal implica em uma seleção de comportamentos 
reprováveis cuja sociedade realiza um desvalor da ação e do resultado. Dessa forma, não caberia a 
criminalização de comportamentos nos quais não há esse desvalor. 
Comporta duas vertentes, reduzindo a abrangência do tipo penal. 
1. Se o fato está de acordo com a norma, mas não está de acordo com o interesse social, a conduta 
deverá ser tida como atípica. 
2. Também deve ser direcionado ao legislador. Isso porque, se a conduta está de acordo com a 
sociedade, o legislador não pode criminalizar esta conduta, orientando o parlamentar a como 
proceder na definição dos bens jurídicos a ser tutelados. 
 
Há 3 correntes sobre a natureza jurídica do princípio da adequação social: 
 
1. Excludente da tipicidade (doutrina majoritária): A adequação social exclui a tipicidade material 
da conduta, não seria crime uma vez que a conduta não é socialmente reprovável/é socialmente 
adequada. De acordo com Toledo, "a adequação social exclui desde logo a conduta em exame 
do âmbito de incidência do tipo, situando-a entre os comportamentos normalmente permitidos, 
isto é, materialmente atípicos". O autor cita o exemplo de lesões corporais causadas por um 
pontapé em partidas de futebol. 
 
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Caiu em prova Delegado MG 2021!! O princípio da adequação social funciona como causa supralegal de 
exclusão da tipicidade, não podendo ser considerado criminoso o comportamento humano socialmente 
aceito e adequado, que, embora tipificado em lei, não afronte o sentimento social de justiça. (item correto). 
 
2. Excludente da ilicitude - Há doutrinadores minoritários dizendo que seria uma excludente da 
ilicitude (no plano da ilicitude material). O problema é que hoje não se divide mais ilicitude 
material e ilicitude formal. Então a tipicidade material da conduta acaba antecipando algumas 
análises que seriam feitas na ilicitude 
 
3. Regra geral de hermenêutica/princípio geral de interpretação: A jurisprudência caminha de 
forma tranquila e dominante no sentido de que a adequação social deve sofrer uma aplicação 
restritiva no direito penal, comportando 2 vertentes: 
● 1ª vertente – voltada ao legislador (função seletiva) – vertente meramente 
orientadora, pois busca orientar o legislador para que esse não selecione condutas 
socialmente adequadas para serem criminalizadas. 
● 2ª vertente – voltada ao intérprete (função interpretativa limitadora) – traduz uma 
regra geral de hermenêutica/ princípio geral de interpretação. Assim, em havendo várias 
interpretações possíveis, pela adequação social, exclui a incidência do tipo penal das 
hipóteses que são socialmente adequadas. 
 
APROFUNDANDO PARA PROVA DISCURSIVA: 
Crítica da doutrina: Essa aplicação restritiva (solução dada pela jurisprudência) acaba esvaziando a própria 
força normativa dos princípios em geral e, sobretudo, do princípio da adequação social. E uma vez esvaziando 
a força normativa do princípio da adequação social, deixa-se de utilizar um princípio (mesmo implícito na 
CF/88) como parâmetro para controle de constitucionalidade. 
 
Há forte crítica na doutrina acerca deste princípio, pelo fato de adotar um critério impreciso, 
inseguro e relativo. 
 
Importante saber que, segundo o STJ, o princípio da adequação social não afasta a 
tipicidade da conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas, como se verifica do 
enunciado da Súmula 502 do STJ: Súmula 502 - "Presentes a materialidade e a 
autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no art. 184, § 2°, do CP, a 
conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas". 
 
CESPE/2018 - A fim de garantir o sustento de sua família, Pedro adquiriu 500 CDs e DVDs piratas para 
posteriormente revendê-los. Certo dia, enquanto expunha os produtos para venda em determinada praça 
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pública de uma cidade brasileira, Pedro foi surpreendido por policiais, que apreenderam a mercadoria e o 
conduziram coercitivamente até a delegacia. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item 
subsequente. O princípio da adequação social se aplica à conduta de Pedro, de modo que se revoga o tipo 
penal incriminador em razão de se tratar de comportamento socialmente aceito. (Item incorreto) 
 
7.3 Princípios Relacionados com o Agente do Fato 
 
7.3.1 Princípio da Responsabilidade Pessoal / Da Pessoalidade / Da Intranscendência Da Pena 
 
De acordo com esse princípio, a responsabilidade penal é sempre uma responsabilidade pessoal, que 
não pode ultrapassar a pessoa do autor do crime, motivo pelo qual se proíbe o castigo penal pelo fato de 
outrem. Somente o condenado é que terá de se submeter à sanção que lhe foi aplicada pelo Estado. 
No entanto, os efeitos secundários extrapenais da sentença penal condenatória (obrigação de 
reparar o dano e decretação de perdimento de bens), podem se estender aos sucessores até o limite da 
herança. 
 
Art. 5º, XLV da CF – “nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a 
obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos 
da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do 
patrimônio transferido”. 
 
Desse princípio decorre: 
● OBRIGATORIEDADE DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA ACUSAÇÃO: É proibida a denúncia genérica,100 
2.8 Os Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988 ................................................................................ 101 
2.8.1. Não taxatividade dos direitos fundamentais e tratados de direitos humanos ............................................. 102 
2.8.2. Hierarquia dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos ..................................................................... 103 
2.9 Deveres Fundamentais ......................................................................................................................................... 104 
2.10 Alguns direitos individuais – rol do art. 5º da CF/88 .......................................................................................... 105 
META 4 .......................................................................................................................................................... 119 
DIREITO CONSTITUTICIONAL: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (PARTE II) ..................................... 119 
3. DIREITOS SOCIAIS ...................................................................................................................................... 145 
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 157 
Questões .................................................................................................................................................................... 157 
Comentários ............................................................................................................................................................... 160 
META 5 .......................................................................................................................................................... 169 
DIREITO ADMINISTRATIVO: NOÇÕES INICIAIS E PRINCÍPIOS ........................................................................ 169 
1. ORIGEM, NATUREZA JURÍDICA E OBJETO DO DIREITO ADMINISTRATIVO ................................................ 170 
2. EVOLUÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO ............................................................................................... 170 
3. INFLUÊNCIAS DO DIREITO ESTRANGEIRO .................................................................................................. 171 
4. CRITÉRIOS DA ADMINISTRAÇÃO: ............................................................................................................... 172 
5. SENTIDOS DA ADMINISTRAÇÃO ................................................................................................................ 174 
5.1 Administração Pública Extroversa e Introversa .................................................................................................... 174 
5.2 Tendências atuais do Direito Administrativo ....................................................................................................... 175 
5.3 Transadministrativismo ........................................................................................................................................ 175 
6. FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO..................................................................................................... 175 
7. INTERPRETAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO ...................................................................................... 178 
8. SISTEMAS DE CONTROLE DA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA ....................................................................... 179 
9. REGIME JURÍDICO-ADMINISTRATIVO ........................................................................................................ 179 
9.1 Princípios x Regras ................................................................................................................................................ 180 
9.2 Princípios Explícitos do Direito Administrativo .................................................................................................... 181 
10. PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO ............................................................................................. 182 
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10.1 Legalidade (Juridicidade) .................................................................................................................................... 182 
10.2 Princípio Da Impessoalidade .............................................................................................................................. 184 
10.3 Princípio da Moralidade ..................................................................................................................................... 186 
10.4 Princípio da Publicidade ..................................................................................................................................... 189 
10.5 Princípio da Eficiência ......................................................................................................................................... 193 
11. OUTROS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS ................................................................................................ 196 
11.1 Princípio da Razoabilidade e Proporcionalidade ................................................................................................ 196 
11.2 Princípio da Supremacia do Interesse Público Sobre o Privado (Princípio da Finalidade Pública) ..................... 197 
11.3 Princípio da Autotutela ou Sindicabilidade ........................................................................................................ 197 
11.4 Princípio Da Continuidade Do Serviço Público ................................................................................................... 201 
11.5 Princípio da Motivação ....................................................................................................................................... 206 
11.6 Princípio da Ampla Defesa e Contraditório ........................................................................................................ 207 
11.7 Princípio da Segurança Jurídica e Legítima Confiança ........................................................................................ 208 
11.8 Princípio da Intranscendência Subjetiva das Sanções ........................................................................................ 210 
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 213 
Questões .................................................................................................................................................................... 213 
Comentários ............................................................................................................................................................... 217 
META 6 – REVISÃO SEMANAL ........................................................................................................................ 223 
Direito Penal: Noções Iniciais E Princípios .................................................................................................................. 223 
Direito Constituticional: Direitos E Garantias Fundamentais ..................................................................................... 224 
Direito Administrativo: Noções Iniciais E Princípios ................................................................................................... 226 
 
 
 
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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA SEMANA 01 
META DIA ASSUNTO 
1 SEG DIREITO PENAL: Noções Iniciais e Princípios (Parte I) 
2 TER DIREITO PENAL: Noções Iniciais e Princípios (Parte II) 
3 QUA DIREITO CONSTITUCIONAL: Direitos e Garantias Fundamentais (Parte I) 
4 QUI DIREITO CONSTITUCIONAL: Direitos e Garantias Fundamentais (Partevaga ou 
evasiva, embora nos Crimes Societários, os Tribunais flexibilizam essa obrigatoriedade; 
● OBRIGATORIEDADE DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. 
 
7.3.2 Princípio da Responsabilidade Subjetiva 
 
Não basta que o fato seja materialmente causado pelo agente, o agente somente pode ser 
responsabilizado se o fato tiver sido querido, assumido ou previsto. Não há responsabilidade penal sem dolo 
ou culpa. 
 
Questão: Polícia Civil do DF – Concurso Delegado Civil 2ª Fase – temos doutrina anunciado dois CASOS de 
responsabilidade penal objetiva (autorizados por lei): 
 
● 1ª Embriaguez voluntária - Crítica: A teoria da actio libera in causa que permite a punição do agente 
completamente embriagado, não sendo a embriaguez acidental, exige não somente uma análise 
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pretérita da imputabilidade, mas também da consciência e vontade do agente. Exige 
responsabilidade subjetiva. 
● 2ª Rixa qualificada. *qualificado pela lesão grave e morte. Independentemente de quem tenha 
causado a lesão ou morte, todos responderão pela rixa qualificada. Crítica: só responde pelo 
resultado agravador, isto é, o crime de lesão, quem atuou com dolo, evitando-se responsabilidade 
penal objetiva. 
 
7.3.3 Princípio da Culpabilidade 
 
Só pode o Estado impor sanção penal ao agente imputável (penalmente capaz), com potencial 
consciência da ilicitude (possibilidade de conhecer o caráter ilícito do comportamento), quando dele exigível 
conduta diversa (podendo agir de outra forma). 
Confira a dica do professor Marcelo Veiga: 
 
https://youtu.be/0RP8wpUwu2M 
 
 
7.3.4 Princípio da Proporcionalidade 
Exige que se faça um juízo de ponderação sobre a relação existente entre o bem que é lesionado ou 
posto em perigo (gravidade do fato) e o bem de que alguém pode ser privado (gravidade da pena). Toda vez 
que, nessa relação, houver um desequilíbrio acentuado, haverá desproporção. Ou seja, a pena deve ser 
proporcional à gravidade do fato. 
O presente princípio apresenta uma dupla face, pois de um lado proíbe o excesso (garantismo 
negativo), enquanto de outro lado não admite a proteção insuficiente (garantismo positivo) – já estudamos 
também no tópico do garantismo. 
 
STJ (AI no HC 239.363/PR): A intervenção estatal por meio do Direito Penal deve 
ser sempre guiada pelo princípio da proporcionalidade, incumbindo também ao 
legislador o dever de observar esse princípio como proibição de excesso e como 
proibição de proteção insuficiente. 
https://youtu.be/0RP8wpUwu2M
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62 
 
 
 Ressalta-se que o princípio da proporcionalidade incide no plano legislativo, judicial e no da execução 
da pena. Segundo tal princípio, a sanção penal deve ser vantajosa para o corpo social, e trazer mais vantagens 
do que desvantagens (proporcionalidade em sentido estrito); além disso, deve ser adequada e necessária à 
finalidade do direito penal 
 
Já caiu em prova: Delegado de Polícia Civil do Mato Grosso do Sul (2017) - Com relação aos princípios de 
Direito Penal e à interpretação da lei penal, assinale a alternativa correta. 
a) A interpretação autêntica contextual visa a dirimir a incerteza ou obscuridade da lei anterior. 
b) Não se aplica o princípio da individualização da pena na fase da execução penal. 
c) A interpretação quanto ao resultado busca o significado legal de acordo com o progresso da ciência. 
d) O princípio da proporcionalidade tem apenas o judiciário como destinatário cujas penas impostas ao autor 
do delito devem ser proporcionais à concreta gravidade. 
e) A interpretação teleológica busca alcançar a finalidade da lei, aquilo que ela se destina a regular. 
Gab. E. No tocante a assertiva D, o equívoco da questão consiste em afirmar que tem como destinatário 
apenas o judiciário. Em verdade, o princípio da proporcionalidade tem como destinatário o legislativo, 
judiciário e o juízo da execução da pena 
 
7.3.5 Princípio da Limitação das Penas ou da Humanidade 
 
Princípio da humanidade ou princípio da humanidade das penas, nada mais é do que o princípio da 
dignidade da pessoa humana no Direito Constitucional. Este princípio é transportado para o Direito Penal, e 
ganha uma nomenclatura diferente: humanidade. 
Assim, a CF prevê, em seu art. 5º, XLVII, que não haverá penas de morte (salvo em caso de guerra 
declarada), de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento ou cruéis. 
 
A Constituição da República proíbe as penas de morte (salvo em caso de guerra declarada) e as consideradas 
cruéis (art. 5º, inc. XLVII, alíneas ‘a’ e ‘e’, respectivamente), além de assegurar às pessoas presas o respeito à 
integridade física e moral (art. 5º, inc. XLIX). Tais preceitos constitucionais expressam o princípio penal da 
HUMANIDADE 
Segundo o autor Bitencourt (2018), “o princípio de humanidade do Direito Penal é o maior entrave para a 
adoção da pena capital e da prisão perpétua. Esse princípio sustenta que o poder punitivo estatal não pode 
aplicar sanções que atinjam a dignidade da pessoa humana ou que lesionem a constituição físico-psíquica 
dos condenados”. 
 
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Caiu na Prova Delegado RR 2022 - (aplicação 25/09/22) O princípio da dignidade da pessoa humana, no 
âmbito penal, implica vedação de tratamento degradante e cruel, servindo de fundamento, na jurisprudência 
dos tribunais superiores, à concessão de prisão domiciliar a preso em estado terminal. (item correto) 
 
7.2.6 Princípio da Confiança 
 
O princípio da confiança, abordado por parte da doutrina, surgiu na Espanha, com aplicação inicial 
aos crimes de trânsito. Segundo este princípio, quem atua observando as regras de trânsito, possui o direito 
acreditar que as demais pessoas irão agir também de acordo com as normas. Assim, quando aquele que 
continua avançando no sinal verde e acaba colidindo com outro veículo que avançou no sinal vermelho, agiu 
amparado pelo princípio da confiança, não tendo culpa, já que dirigia na expectativa de que os demais 
respeitariam as regras de sinalização. 
Atualmente é aplicado no Brasil para os crimes em geral. 
 
Princípio da fraternidade 
 
O princípio da fraternidade é uma categoria jurídica e não pertence apenas às religiões ou a moral. 
sua redescoberta apresenta-se como um fator de fundamental importância, tendo em vista a complexidade 
dos problemas sociais, jurídicos e estruturais ainda hoje enfrentados pelas democracias. a fraternidade não 
exclui o direito e vice-versa, mesmo porque a fraternidade enquanto valor vem sendo proclamada por 
diversas constituições modernas, ao lado de outros historicamente consagrados como a Liberdade e a 
igualdade. o princípio da fraternidade é um macroprincípio dos direitos humanos e passa a ter uma nova 
leitura prática, diante do constitucionalismo fraternal prometido na Constituição federal de 88. o princípio 
da fraternidade é possível de ser concretizado também no âmbito penal, através da chamada justiça 
Restaurativa, do respeito aos direitos humanos e da humanização da aplicação do próprio direito penal e do 
correspondente processo penal. 
 
Com base nesse princípio, o STJ já determinou a progressão de pena (STJ HC 562.452) julgado em 
23/04/2020. 
Recentemente, o princípio da Fraternidade foi usado como fundamentação para decidir pelo 
cômputo da pena de maneira mais benéfica ao condenado que é mantido preso em local degradante. O 
ministro João Otávio de Noronha observou que o voto “consagra um princípio já agasalhado na Constituição 
Federal [o Princípio da Fraternidade], em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem 
outros decorrentes do regime e princípios por ela adotados ou dos tratados internacionais em que a 
República Federativa do Brasil seja parte”, afirmou. 
Pelo princípio da fraternidade, foi considerado computar pena emdobro para os presos que estão 
em situação degradante. em maio de 2021, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca do STJ concedeu habeas 
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corpus para que fosse contado em dobro todo o período em que um homem esteve preso no Instituto Penal 
Plácido de Sá Carvalho, no Complexo Penitenciário de Bangu, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. 
“Não se mostra possível que a determinação de cômputo em dobro tenha seus efeitos modulados 
como se o recorrente tivesse cumprido parte da pena em condições aceitáveis até a notificação e a partir de 
então tal estado de fato tivesse se modificado. Em realidade, o substrato fático que deu origem ao 
reconhecimento da situação degradante já perdurara anteriormente, até para que pudesse ser objeto de 
reconhecimento, devendo, por tal razão, incidir sobre todo o período de cumprimento da pena. STJ. 5ª 
Turma. AgRg no RHC 136.961/RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares Da Fonseca, julgado em 15/06/2021. 
Esse cômputo da pena em dobro se aplica para todo e qualquer crime? NÃO. O cômputo em dobro foi vedado 
para os seguintes crimes: a) crimes contra a vida; b) crimes contra a integridade física; c) crimes sexuais. “O 
Estado deverá arbitrar os meios para que, no prazo de seis meses a contar da presente decisão, se compute 
em dobro cada dia de privação de liberdade cumprido no IPPSC, para todas as pessoas ali alojadas, que não 
sejam acusadas de crimes contra a vida ou a integridade física, ou de crimes sexuais, ou não tenham sido 
por eles condenadas, nos termos dos Considerandos 115 a 130 da presente resolução”. STJ. 5ª Turma. AgRg 
no RHC 136961-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 15/06/2021, DJe 21/06/2021 (Info 701) 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
 
- Direito Penal – Parte Geral – Volume 1 – 13ª edição – Cleber Masson; 
- Sinopse nº1 – Direito Penal – Parte geral – 7ª edição – Alexandre Salim e Marcelo André de Azevedo; 
- Aulas do módulo do professor Delegado de Polícia Marcus Montez 
- Dizer o Direito (https://www.dizerodireito.com.br/); 
 
 
 
 
https://www.dizerodireito.com.br/
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QUESTÕES PROPOSTAS 
 
Caro Aluno, 
As questões propostas serão disponibilizadas e deverão ser resolvidas dentro da plataforma (em 
avaliações), de modo que, ao final, você terá acesso aos respectivos comentários. 
As questões a seguir são apenas um demonstrativo para que você possa conhecer o material do Dedicação 
Delta. Mas, não se esqueça: dentro da plataforma temos muitas questões disponíveis e comentadas sobre 
cada tema visto em cada meta estudada. 
Vamos juntos. 
Equipe DD. 
 
 
Questões 
 
1 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RO - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia 
Assinale a opção correta, no que diz respeito às contravenções penais. 
 
A-É aplicável o princípio da extraterritorialidade às contravenções penais. 
B-Como regra, aplica-se o princípio da culpabilidade às contravenções penais. 
C-O princípio da subsidiariedade é aplicável às contravenções penais. 
D-São puníveis as contravenções praticadas nas formas tentada e consumada. 
E-Nas contravenções penais, é possível a conversão da pena de multa em prisão simples. 
 
2 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
O princípio da insignificância é admitido na doutrina e na jurisprudência em relação ao delito de 
 
A-descaminho. 
B-uso de documento falso. 
C-supressão de documento. 
D-roubo simples. 
E-contrabando. 
 
3 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
O princípio da insignificância é compatível com o furto praticado 
 
A-por escalada. 
B-por arrombamento. 
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C-durante o repouso noturno. 
D-em concurso de pessoas. 
E-por clandestinidade. 
 
4 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
Assinale a opção que corresponde a bem jurídico coletivo aparente. 
 
A-Meio ambiente equilibrado. 
B-Administração estatal da justiça. 
C-Incolumidade pública. 
D-Ordem econômica. 
E-Relações de consumo. 
 
5 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
Fruto da herança dos postulados iluministas, a partir da segunda metade dos anos 1970, um novo modelo 
normativo de garantia aos direitos sociais, civis e políticos é lapidado na Itália como sinônimo de Estado 
constitucional democrático, surgindo o garantismo. 
 
Sobre esse modelo, é correto afirmar que 
 
A-o princípio da legalidade exige a descrição da conduta proibida de maneira precisa e determinada, mas não 
exerce influência na filtragem axiológica feita pelo juiz. 
B-o princípio da culpabilidade, sob a lógica da análise jurisdicional focada somente na conduta praticada, 
permite a aplicação do instituto da reincidência. 
C-o princípio da materialidade da conduta exige que a conduta criminosa praticada gere alteração sensorial 
no mundo dos fatos, impedindo um resultado meramente normativo. 
D-o princípio da proteção suficiente, numa perspectiva garantista positiva, endossa a função estatal de 
proteção suficiente de direitos fundamentais a partir do Direito Penal. 
E-o princípio da lesividade reforça a vedação a abusos de um sistema estatal representado na concepção de 
efetividade sem validade. 
 
 
Respostas2 
 
 
2 1: C 2: A 3: E 4: C 5: D 
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Comentários 
 
1 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RO - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Delegado de Polícia 
 
Assinale a opção correta, no que diz respeito às contravenções penais. 
 
A-É aplicável o princípio da extraterritorialidade às contravenções penais. 
B-Como regra, aplica-se o princípio da culpabilidade às contravenções penais. 
C-O princípio da subsidiariedade é aplicável às contravenções penais. 
D-São puníveis as contravenções praticadas nas formas tentada e consumada. 
E-Nas contravenções penais, é possível a conversão da pena de multa em prisão simples. 
 
COMENTÁRIO 
A letra da lei de contravenções penais reponde a questão. Vejamos: 
 
A – INCORRETA 
A lei brasileira se aplica apenas às contravenções ocorridas no território nacional (Art. 2º). 
 
B - INCORRETA 
O art. 3º do Decreto-lei 3.688/41 dispõe que “Para a existência da contravenção, basta a ação ou omissão 
voluntária. Deve-se, todavia, ter em conta o dolo ou a culpa, se a lei faz depender, de um ou de outra, 
qualquer efeito jurídico”. 
A doutrina critica tal dispositivo por justamente ferir o o princípio da culpabilidade. 
 
“Essa postura não se liga, em hipótese alguma, à adoção do causalismo ou do 
finalismo, nem de qualquer outra posição em relação ao conceito de crime e do 
seu elemento subjetivo. Cuida-se de opção de política criminal, tomada no início 
dos anos 40, em pleno Estado Novo, sem apego, portanto, aos princípios de um 
Estado Democrático de Direito” (NUCCI, Leis Penais e Processuais Comentadas, 
2017, vol. 1, p. 104). 
 
C - CORRETA 
O art. 1º do Decreto-lei 3.688/41 dispõe: “Aplicam-se as contravenções às regras gerais do Código Penal, 
sempre que a presente lei não disponha de modo diverso.” 
 
D – INCORRETA 
O art. 4º do Decreto-lei 3.688/41 dispõe: “Não é punível a tentativa de contravenção.” 
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E - INCORRETA 
Esta é a assertiva mais complexa, pois a lei nº 9.268/96 alterou diversos dispositivos do Código Penal, 
inclusive o artigo 51 que tratava sobre a conversão da pena de multa em prisão. Ocorre que, após a 
alteração, a multa é considerada dívida de valor, aplicando as normas relativa à dívida ativa da Fazenda 
Pública; não podendo de forma alguma a multa ser transmutada em prisão, como antes previa o artigo 9º 
da LCP. 
Art.51, CP: 
Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o juiz da execução 
penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública, 
inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. 
 
GABARITO: C 
 
2 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
O princípio da insignificância é admitido na doutrina e na jurisprudência em relação ao delito de 
 
A-descaminho. 
B-uso de documento falso. 
C-supressão de documento. 
D-roubo simples. 
E-contrabando. 
 
COMENTÁRIO 
 
A temática acerca da aplicação ou não do princípio da insignificância é recorrente em provas para o cargo 
de Delegado de Polícia especialmente porque a jurisprudência vem sido muito cobrada nos certames e o 
tema “princípios” é constantemente analisado, ainda que indiretamente, pelos Tribunais, sendo a 
insignificância a com maior incidência. 
Desta forma, é imprescindível o aluno conhecer os crimes nos quais se reconhece a aplicação; Crimes nos 
quais se rejeita a aplicação; e Crimes nos quais existe divergência e, para que seja possível, deve o aluno 
estar atento aos julgados. 
 
DICA: Com maior incidência em prova, não se esqueça dos requisitos: 
REQUISITOS OBJETIVOS (DICA DE MEMORIZAÇÃO: MARI): 
Mínima Ofensividade da conduta do agente; 
Ausência de Periculosidade social da ação; 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar?categoria=11&subcategoria=95&assunto=250
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar?categoria=11&subcategoria=95&assunto=250
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar?categoria=11&subcategoria=95&assunto=251
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar?categoria=11&subcategoria=95&assunto=251
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar?categoria=11&subcategoria=95&assunto=252
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
SEMANA 01/48 
 
69 
 
Reduzido grau de Reprovabilidade do comportamento; 
Inexpressividade da Lesão jurídica provocada. 
 
REQUISITOS SUBJETIVOS: Condições pessoais do agente e Condição da vítima 
 
Obs.: Os requisitos, tanto de ordem objetiva e quanto de natureza subjetiva, devem ser avaliados no caso 
concreto. 
 
Ademais, é imprescindível conhecer a natureza jurídica que, para a posição majoritária, o princípio da 
insignificância é uma causa supralegal de exclusão da tipicidade material. 
 
A – CORRETA 
Em regra, o princípio da insignificância se aplica aos crimes tributários federais e de descaminho [também 
é um crime tributário] quando o crédito tributário não ultrapassar o limite de 20.000 reais, a teor do 
disposto no art. 20 da Lei 10.522/02 com as atualizações efetivadas pelas portarias nº 75 e 130 do 
Ministério da Fazenda. 
 
Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de 
descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 
20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, 
com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério 
da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 
julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo). 
 
B - INCORRETA 
Não se aplica o princípio da insignificância nos crimes contra a fé pública. 
 
DICA DD: STF/STJ NÃO admitem o princípio da insignificância nos crimes contra 
a fé pública, mais precisamente, nos crimes de moeda falsa (STF-HC105.829). 
 
A jurisprudência do STF e do STJ é no sentido da inaplicabilidade do princípio da insignificância na hipótese 
de crimes praticados contra a fé pública (ex: uso de atestado médico falso; introdução de moedas falsas), 
em função do bem jurídico tutelado pela norma, que, no caso, a fé pública representa caráter 
supraindividual. 
STF. 2ª Turma. HC 117638, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/03/2014 
STF. 1ª Turma. HC 187269, Rel. Min Roberto Barroso, decisão monocrática em 18/06/2020. 
STJ. 6ª Turma. AgRg-AREsp 1.963.955, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 08/02/2022 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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STJ. 5ª Turma. AgRg-RHC 155.201, Rel. Min. Jesuíno Rissato, julgado em 12/12/2021 
 
 
EXCEPCIONALMENTE, admite-se o princípio da insignificância nos crimes contra 
a fé pública (uso de atestado falso) em casos que o dolo do réu revela, de plano, 
"a mínima ofensividade da conduta do agente, a nenhuma periculosidade social 
da ação, o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e a 
inexpressividade da lesão jurídica provocada", a demonstrar a atipicidade 
material da conduta e afastar a incidência do direito penal, sendo suficientes as 
sanções previstas na Lei trabalhista. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1816993/B1, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado 
em 16/11/2021. 
 
C - INCORRETA 
VIDE comentário da alínea “B” que se aplica aqui igualmente. 
 
D - INCORRETA 
O STF não admite a incidência do princípio da insignificância no caso de roubo em razão do bem jurídico 
lesionado que vai de encontro aos quatro requisitos objetivos para a aplicação do princípio da 
insignificância - idealizados pelo Min. Celso de Mello (HC 84.412-0/SP). 
 
E - INCORRETA 
Não se aplica o princípio da insignificância porque o objeto sobre o qual recai a conduta proibida no crime 
de contrabando é “mercadoria proibida” - e não a mera sonegação. Assim, o bem jurídico tutelado não é 
apenas a questão financeira do ente estatal, mas também a saúde pública/incolumidade pública, uma vez 
que o estado, por motivos de saúde pública/incolumidade pública, proíbe a importação ou exportação de 
determinada mercadoria. (Crime pluriofensivo). 
 
Nesse sentido: STJ. 3ª Seção. REsp 1688878-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 
julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo).STF. 1ª Turma. HC 137595 AgR, Rel. 
Min. Roberto Barroso, julgado em 07/05/2018.STF. 2ª Turma. HC 155347/PR, 
Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 17/4/2018 (Info 898). 
 
Exceção: No STJ, temos um precedente ISOLADO em sentido contrário, admitindo a aplicação do princípio 
da insignificância ao crime de contrabando de pequena quantidade de medicamento destinada a uso 
próprio. Trata-se de um caso extremamente específico em que o STJ reconheceu a mínima ofensividade 
da conduta do agente, ausência periculosidade da ação, reduzido grau de reprovabilidade do 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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71 
 
comportamento e inexpressividade da lesão jurídica provocada, autorizando excepcionalmente a 
aplicação do princípio da insignificância. STJ, 5ª T, EDcl no AgRg no Resp 1708371/PR – 2018 
 
GABARITO: A 
 
3 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
 
O princípio da insignificância é compatível com o furto praticado 
 
A-por escalada. 
B-por arrombamento. 
C-durante o repouso noturno. 
D-em concurso de pessoas. 
E-por clandestinidade. 
 
COMENTÁRIO 
A questão se resolve com o conhecimento do seguinte julgado (IMPORTANTE CONHECER OS 
ENTENDIMENTOS JURISPRUDENCIAIS): 
 
“AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CRIME DE FURTO. PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. CONSTATAÇÃO DE HABITUALIDADE 
CRIMINOSA. MAUS ANTECEDENTES E REINCIDÊNCIA. DELITO PRATICADO POR 
ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO. CONCURSO DE PESSOAS. REPOUSO NOTURNO. 
REPROVABILIDADE DA CONDUTA. QUALIFICADORA DO ROMPIMENTO DE 
OBSTÁCULO. DECISÃO MANTIDA. 
(...) 
2. A aplicação do princípio da insignificância, segundo a orientação do Supremo 
Tribunal Federal, demanda a verificação da lesividade mínima da conduta, apta a 
torná-la atípica, considerando-se: a) a mínima ofensividade da conduta do agente; 
b) a inexistência de periculosidade social na ação; c) o reduzido grau de 
reprovabilidade do comportamento; e d) a inexpressividade da lesão jurídica 
provocada. ODireito Penal não deve ocupar-se de condutas que, diante do 
desvalor do resultado produzido, não representem prejuízo relevante para o 
titular do bem jurídico tutelado ou para a integridade da própria ordem social. 
3. Inviável a aplicação do princípio da insignificância quando constatada a 
habitualidade criminosa do réu, representada pela reincidência e pelos maus 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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antecedentes, pois fica evidenciada a acentuada reprovabilidade do 
comportamento. 
4. A PRÁTICA DE FURTO QUALIFICADO POR ESCALADA, ARROMBAMENTO OU 
ROMPIMENTO DE OBSTÁCULO, EM CONCURSO DE PESSOAS E DURANTE O 
REPOUSO NOTURNO, INDICA A ESPECIAL REPROVABILIDADE DA CONDUTA, 
RAZÃO SUFICIENTE PARA AFASTAR A APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. 
(...) (STJ; AgRg no HC 707294/SC; Quinta Turma; Relator Ministro João Otávio 
Noronha; Publicado no DJe de 13/05/2022)". 
 
Vale, ainda, destacar que a Corte apresentou a Tese nº 6, constante da Edição nº 47 da Jurisprudência em 
Teses do STJ que tem a seguinte redação: 
"6) A prática do delito de furto qualificado por escalada, destreza, rompimento de 
obstáculo ou concurso de agentes indica a reprovabilidade do comportamento do 
réu, sendo inaplicável o princípio da insignificância". 
 
Assim, as alternativas contidas nos itens (A), (B), (C) e (D) estão incorretas. 
GABARITO: E 
 
4 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
 
Assinale a opção que corresponde a bem jurídico coletivo aparente. 
 
A-Meio ambiente equilibrado. 
B-Administração estatal da justiça. 
C-Incolumidade pública. 
D-Ordem econômica. 
E-Relações de consumo. 
 
COMENTÁRIO 
A temática “bem jurídico” tem sido a “modinha” dos certames e, por isso, deve o candidato estar atento as 
nuances. 
De acordo com os autores João Paulo Martinelli e Leonardo Schmitt de Bem, na obra "Direito Penal - Lições 
Fundamentais", da Editora D'Plácido, na página 171, “A noção de ‘bem jurídico aparente’ identifica-se com 
as hipóteses nas quais, por meio do uso reificante da linguagem e da adoção de uma perspectiva distanciada, 
acaba-se por ocultar a ausência de um efetivo bem jurídico tutelado pela norma.” 
Explicam ainda os autores: 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
SEMANA 01/48 
 
73 
 
"... protege-se um somatório de integridades físicas individuais (...) no que tange 
à incolumidade pública como um bem jurídico coletivo apenas na aparência 
significa dizer que a proteção desses bens jurídicos não poderá ser realizada 
independentemente dos particulares, mas deverá ser instrumental ou dirigir-se 
à realização dos interesses individuais de todos os membros sociais. Por outro 
lado, o meio ambiente, a administração estatal da Justiça, a ordem econômica e 
a autenticidades das moedas são considerados verdadeiros bens jurídicos 
coletivos, pois não podem ser fracionados em bens individuais somados. Em 
síntese, é impossível, por exemplo, conceber o meio ambiente como a soma de 
vários bens jurídicos individuais." 
 
Assim, as alternativas contidas nos itens (A), (B), (D) e (E) estão incorretas. 
GABARITO: C 
 
5 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
 
Fruto da herança dos postulados iluministas, a partir da segunda metade dos anos 1970, um novo modelo 
normativo de garantia aos direitos sociais, civis e políticos é lapidado na Itália como sinônimo de Estado 
constitucional democrático, surgindo o garantismo. 
 
Sobre esse modelo, é correto afirmar que 
 
A-o princípio da legalidade exige a descrição da conduta proibida de maneira precisa e determinada, mas não 
exerce influência na filtragem axiológica feita pelo juiz. 
B-o princípio da culpabilidade, sob a lógica da análise jurisdicional focada somente na conduta praticada, 
permite a aplicação do instituto da reincidência. 
C-o princípio da materialidade da conduta exige que a conduta criminosa praticada gere alteração sensorial 
no mundo dos fatos, impedindo um resultado meramente normativo. 
D-o princípio da proteção suficiente, numa perspectiva garantista positiva, endossa a função estatal de 
proteção suficiente de direitos fundamentais a partir do Direito Penal. 
E-o princípio da lesividade reforça a vedação a abusos de um sistema estatal representado na concepção de 
efetividade sem validade. 
 
COMENTÁRIO 
Garantismo: Luigi Ferrajoli é o seu principal expoente. O autor, num modelo de “direito penal mínimo”, 
limita a atuação punitiva estatal, tanto na cominação, quanto na aplicação da pena, visando consagrar o 
direito de liberdade dos indivíduos”. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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74 
 
A – INCORRETA 
A alínea está correta com exceção do seguinte trecho “mas não exerce influência na filtragem axiológica 
feita pelo juiz”. Isso porque o princípio da legalidade ainda exerce influência na filtragem axiológica feita 
pelo juiz, pois impõe ao magistrado que verifique a validade da norma. 
 
B - INCORRETA 
Destaca-se que o garantismo traz como premissa o foco na conduta praticada e não o seu autor. Desta 
forma, ao contrário do trazido na alínea, o garantismo rejeita o instituto da reincidência. 
Veja: 
(...) a teoria garantista de Ferrajoli reverencia o princípio da culpabilidade, sob a 
lógica da análise jurisdicional focada somente na conduta praticada e não em 
seu autor, refutando, por exemplo, o instituto da reincidência”. Esses princípios 
se coadunam com o “direito penal mínimo”, pois, na esteira de Rogério Zeidan, 
interpretando a construção de Ferrajoli, valorizam a proteção da liberdade dos 
cidadãos em face do arbítrio punitivo estatal e reforçam um ideal de racionalidade 
e certeza” 
João Paulo Martinelli e Leonardo Schmitt de Bem, na obra "Direito Penal - Lições 
Fundamentais", da Editora D'Plácido, na página 89. 
 
C - INCORRETA 
Conforme a teoria garantista trazida por Ferrajoli, é necessária a exteriorização da conduta, por ser 
indiferente às ideias internas do autor. Assim sendo, no princípio da materialidade da conduta é analisada 
a relação causal entre conduta e resultado não tendo afirmativa trazida na alínea “c” correspondência 
verdadeira. 
 
D - CORRETA 
O princípio da proteção suficiente, ou da proibição da proteção deficiente, constitui como faceta do 
garantismo positivo, sendo, ademais, este um dos desdobramentos do princípio da proporcionalidade junto 
com o princípio da proibição do excesso. Portanto, está correta a assertiva "o princípio da proteção 
suficiente, numa perspectiva garantista positiva, endossa a função estatal de proteção suficiente de direitos 
fundamentais a partir do Direito Penal.” 
 
E - INCORRETA 
O princípio da lesividade NÃO (ao contrário do trazido na questão) reforça a vedação a abusos de um sistema 
estatal representado na concepção de efetividade sem validade. Veja que o princípio da lesividade não 
permite a” punição do agente por suas convicções ou pensamentos”. Em outros termos, é necessária a 
exteriorização da conduta, por ser indiferente às ideias internas do autor. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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GABARITO: D 
 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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META 3 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
 
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA 
CF/88 
⦁ Art. 1º, III 
⦁ Art. 3º 
⦁ Art. 4º, 5º, 6º e 7º 
⦁ Art. 8º a 11º 
 
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS 
⦁ Lei nº 9.296/96 (Lei de interceptação telefônica) 
⦁ Lei nº 9.455/97 (Lei de tortura) 
⦁ Lei nº 7.716/90 (Lei de racismo) 
⦁ Lei nº 12.037/2009 (Lei de Identificação criminal) 
⦁ Lei nº 12.016/2009 (Lei do mandado de segurança) 
⦁ Lei nº 13.300/2016 (Lei do mandado de injunção) 
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER! 
PRINCIPAIS INCISOS DO ART. 5º, CF/88: 
⦁ Inc. I, II, IV 
⦁ Inc. III e XLII (leitura conjuntacom a Lei nº 7.716/90) 
⦁ Inc. VIII (leitura conjunta com o art. 15, IV, CF/88) 
⦁ Inc. XI (leitura conjunta com os arts. 3-B, XI; 240, §1º e 243 do CPP) 
⦁ Inc. XII (leitura conjunta com a Lei nº 9.296/96) 
⦁ Inc. XVI a XXI (muito cobrados em prova objetiva!) 
⦁ Inc. XXXIII a XXXV 
⦁ Inc. XXXVII (leitura conjunta com o inc. LIII – princípio do juiz natural) 
⦁ Inc. XXXIX e XL (leitura conjunta com o art. 1º e 2º do CP) 
⦁ Inc. XLIII a LV (leitura obrigatória!) 
⦁ Inc. LVI (leitura conjunta com o art. 157, CPP) 
⦁ Inc. LVII e LX 
⦁ Inc. LVIII (leitura conjunta com o art. 3º, 4º e 5º da Lei nº 12.037/2009) 
⦁ Inc. LXI a LXVII (leitura conjunta com os art. 301 a 310, CPP) 
⦁ Inc. LXVIII 
⦁ Inc. LXIX e LXX (leitura conjunta com a Lei nº 12.016/2009) 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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77 
 
⦁ Inc. LXXI (leitura conjunta com a Lei nº 13.300/2016) 
⦁ Inc. LXXII a LXXVIII 
⦁ §§1º e 3º 
 
SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA 
Súmula 444-STJ: É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-
base. 
Súmula 403-STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem 
de pessoa com fins econômicos ou comerciais. 
Súmula 2-STJ: Não cabe o habeas data (CF, art. 5º, LXXII, letra "a") se não houver recusa de informações 
por parte da autoridade administrativa. 
Súmula vinculante 1-STF: Ofende a garantia constitucional do ato jurídico perfeito a decisão que, sem 
ponderar as circunstâncias do caso concreto, desconsidera a validez e a eficácia de acordo constante do 
termo de adesão instituído pela Lei Complementar nº 110/2001. 
Súmula 654-STF: A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição da 
República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado. 
Súmula 280-STJ: O art. 35 do Decreto-Lei n° 7.661, de 1945, que estabelece a prisão administrativa, foi 
revogado pelos incisos LXI e LXVII do art. 5° da Constituição Federal de 1988. 
Súmula vinculante 25-STF: É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do 
depósito. 
Súmula 419-STJ: Descabe a prisão civil do depositário infiel. 
 
1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 
 
São decididos antes da elaboração do texto, no momento de construção das normas. Têm natureza 
de vetores interpretativos que imprimem coesão, harmonia e unidade ao sistema. 
Subdividem-se em: 
a) princípios constitucionais sensíveis: aqueles expressos na Constituição, também denominados 
princípios apontados/enumerados; 
b) estabelecidos/organizatórios: limitam, vedam ou proíbem que o Poder Constituinte decorrente 
atue de forma indiscriminada e podem ser extraídos a partir da interpretação do conjunto de normas 
centrais, dispersas no texto constitucional; 
c) extensíveis: de acordo com Bulos, são aqueles que integram a estrutura da federação brasileira, 
relacionando-se, por exemplo, com a forma de investidura dos cargos eletivos, o processo legislativo, 
orçamentos e preceitos ligados à Administração Pública. 
 
O QUE É O PREÂMBULO E QUAL A SUA NATUREZA JURÍDICA? 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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78 
 
 
O preâmbulo é a parte precedente da CF. Segundo o STF, adotando a tese da irrelevância jurídica, é mero 
vetor interpretativo do que se acha inscrito no texto constitucional. Não possui força normativa, logo, não 
pode ser parâmetro nem objeto de controle de constitucionalidade. 
 
“Preâmbulo da Constituição: não constitui norma central. Invocação da proteção de Deus: não se trata de 
norma de reprodução obrigatória na Constituição estadual, não tendo força normativa.” (ADI 2.076, Rel. Min. 
Carlos Velloso, julgamento em 15-8-2002, Plenário, DJ de 8-8-2003.) 
 
No preâmbulo da CF/88 foi instituído um Estado Democrático, destinado a assegurar os seguintes valores 
supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e 
comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias: 1. o exercício dos 
direitos sociais e individuais; 2. a liberdade; 3. a segurança; 4. o bem-estar; 5. o desenvolvimento; 6. a 
igualdade; 7. a justiça. 
 
 
Como o tema foi cobrado (CESPE/2022/PC-RJ/Delegado de Polícia): 
Conforme expressamente previsto no art. 1.º da Constituição Federal de 1988, “A República Federativa do 
Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado 
Democrático de Direito”. Além de elencar os princípios republicano e federativo, o referido dispositivo 
constitucional aponta como um dos princípios fundamentais da Lei Maior o denominado princípio do Estado 
democrático de direito. Considerando os princípios que fundamentam o Estado brasileiro e aspectos 
relacionados a esse assunto, assinale a opção correta. 
A Com o surgimento do liberalismo, os Estados passaram a ser criados por meio de constituições escritas, 
com fixação de mecanismos de repartição e limitação do poder estatal, dando-se especial atenção à proteção 
do indivíduo contra eventuais arbitrariedades; passou a ser comum aos Estados modernos a edição de 
normas estabelecidas tanto pela constituição quanto pelos diplomas infraconstitucionais, não apenas para 
reger as relações entre os particulares, mas também para vincular a atuação dos agentes públicos. Assim, é 
correto afirmar que o Estado de direito pode ser conceituado, sinteticamente, como aquele que se mantém 
baseado no império das leis 
 
 
* ATENÇÃO – PRINCÍPIOS QUE REGEM AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS (ART. 4º): 
 
CRFB, Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações 
internacionais pelos seguintes princípios: 
I - independência nacional; 
II - prevalência dos direitos humanos; 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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79 
 
III - autodeterminação dos povos; 
IV - não-intervenção; 
V - igualdade entre os Estados; 
VI - defesa da paz; 
VII - solução pacífica dos conflitos; 
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; 
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; 
X - concessão de asilo político. 
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, 
política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma 
comunidade latino-americana de nações. 
 
OUTROS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 
 
Os Princípios Constitucionais estão presentes não só no art. 5º, mas em diversos dispositivos, a 
exemplo dos princípios tributários, previstos no art. 150, e dos princípios expressos da Administração Pública 
(art. 37, caput). Assim, atente-se brevemente aos princípios da dignidade da pessoa humana, legalidade e 
isonomia, sem prejuízo dos demais que se inserem na Carta Magna – e serão tratados nas matérias 
específicas: 
 
a) Dignidade da pessoa humana: Define Luís Roberto Barroso que o “princípio da dignidade humana 
expressa um conjunto de valores civilizatórios que se pode considerar incorporado ao 
patrimônio da humanidade. Dele se extrai o sentido mais nuclear dos direitos fundamentais, para tutela 
do mínimo existencial e da personalidade humana, tanto na dimensão física como na moral”. Pode-se 
acrescentar também que a dignidade humana possui um enfoque moral, consistente na máxima de Kant 
segundo a qual o homem é um fim em si mesmo, e um enfoque material, relativo à manutenção do mínimo 
existencial. Decorre do aludido princípio, por exemplo, a impenhorabilidade do bem de família e a união 
estável entre pessoas do mesmo sexo. É considerado um “super-princípio”. 
 CESPE, Oral RO/2023 (espelho): O fato de a dignidade humana ser positivada na Constituição como 
princípio fundamental da República confere-lhe a natureza de norma jurídica, seja como princípio ou como 
regra, mas, de todo modo, como norma. A dignidade não é ali referida apenas como uma declaração retórica, 
apenas como enunciadode importante conteúdo ético. Ela é também um valor constitucional relevante. Isso 
significa que ela passa a ter ao menos eficácia negativa contra normas infraconstitucionais e contra atos que 
se contraponham à dignidade humana, isto é, tais normas e atos podem ser reconhecidos como inválidos 
(antijurídicos), no que forem contrários a ela. Além disso, como princípio fundamental da República, a 
dignidade deve ser considerada na interpretação das demais normas do ordenamento jurídico, uma vez que 
é também objetivo a ser alcançado na atuação do Estado brasileiro. A dignidade humana tem sido 
frequentemente adotada com essas funções pelo Supremo Tribunal Federal, na interpretação do direito. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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b) Legalidade: o princípio da legalidade significa que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo 
que não esteja previamente estabelecido na própria CF/88 e nas normas jurídicas dela derivadas. O princípio 
da legalidade, desta forma, se converte em princípio da constitucionalidade (Canotilho), subordinando toda 
atividade estatal e privada à força da Constituição. No direito brasileiro encontra-se previsto nos arts. 5º, II; 
37; e 84, IV, da CF/88. 
 
I. Legalidade x Reserva Legal: o princípio da reserva legal é um desdobramento da legalidade, que impõe e 
vincula a regulação de determinadas matérias constantes na constituição à fonte formal do tipo lei. 
 
II. Acepções do princípio da legalidade: 
 
1) Para particulares: somente a lei pode criar obrigações, de forma que a inexistência de lei proibitiva 
de determinada conduta implica ser ela permitida. Vigora a autonomia da vontade. 
2) Para a Administração Pública: O Estado se sujeita às leis, e deve atuar em conformidade à previsão 
legal. O administrador público só poderá agir dentro daquilo que é previsto e autorizado por lei. Sob 
esta acepção, o princípio da legalidade vem sofrendo uma releitura pela doutrina moderna, que 
defende a necessidade de conformação da atividade do administrador ao Direito (e não apenas à 
lei). Assim, fala-se atualmente em princípio da juridicidade (o assunto é aprofundado em Direito 
Administrativo). 
 
Atenção: de acordo com a doutrina, trata-se de princípio não absoluto, que pode sofrer algumas 
restrições/mitigações, a exemplo das medidas provisórias, estado de defesa e estado de sítio. 
 
c) Isonomia: Segundo bem definiu Rui Barbosa, “a regra da igualdade não consiste senão em quinhoar 
desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à 
desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade (...). Tratar com desigualdade a iguais, ou a 
desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real”. 
 
O princípio da igualdade compreende a igualdade formal e igualdade material, a 
primeira abrange a igualdade na lei, isto é, que nas normas jurídicas não pode 
haver distinções que não sejam autorizadas pela Constituição e que tem por 
destinatário o legislador e a igualdade perante a lei tem como destinatário os 
aplicadores da lei, segundo o qual deve se aplicar igualmente a lei, ainda que crie 
uma desigualdade. (JUNIOR, 2020, p.p. 620/621) 
 
Logo, é possível extrair: 
● Isonomia formal: igualdade perante a lei; 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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● Isonomia material: tratar os desiguais na medida de sua desigualdade. 
 
STF – São inconstitucionais as normas que proíbem homossexuais de doar sangue. 
Viola o direito à igualdade e não discriminação proibir que homossexuais doem 
sangue. Com esse entendimento, o Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou 
a inconstitucionalidade de normas com esse teor. (ADI. 5.543/2020) 
 
STF - A lei que veda o exercício da atividade de advocacia por aqueles que 
desempenham, direta ou indiretamente, atividade policial, não afronta o princípio 
da isonomia. STF. Plenário. (ADI 3541/2014) 
 
Como o tema foi cobrado (CESPE/2022/PC-RJ/Delegado de Polícia): 
O estudo dos princípios que regem a interpretação constitucional, em especial os da razoabilidade e da 
proporcionalidade, estabelece que as normas da Constituição Federal de 1988 devem ser analisadas e 
aplicadas de modo a permitir que os meios utilizados estejam adequados aos fins pretendidos, devendo o 
intérprete buscar conceder aos bens jurídicos tutelados uma aplicação justa. Considerando isso, assinale a 
opção correta. 
C Em razão do que preceitua o princípio da concordância prática, pode-se dizer que, na ocorrência de conflito 
entre bens jurídicos garantidos por normas constitucionais, o intérprete deve priorizar a decisão que melhor 
os harmonize, de forma a conceder a cada um dos direitos a maior amplitude possível, sem que um deles 
acabe por impor a supressão do outro. 
 
 
É POSSÍVEL ESTABELECER CRITÉRIOS DIFERENCIADORES PARA ADMISSÃO DE CANDIDATO EM 
CONCURSOS PÚBLICOS? 
 
A jurisprudência vem admitindo algumas hipóteses de discriminação, podendo ocorrer em relação à idade, 
sexo, altura, etc., desde que sejam observados dois requisitos: 
1) Previsão legal anterior definindo os critérios de admissão para o cargo; e 
2) Razoabilidade da exigência, decorrente da natureza das atribuições do cargo a ser preenchido. 
 
É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de sua 
realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. STF. Plenário. RE 
1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral). 
 
AÇÕES AFIRMATIVAS 
 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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A Carta Magna busca a igualdade material. Para aplicação do princípio da isonomia, são necessárias as ações 
afirmativas, também denominadas discriminações positivas, cuja finalidade é proteger certos grupos sociais 
que demandam tratamento diverso. Tais ações consideram a realidade histórica de marginalização ou 
hipossuficiência e, assim, funcionam como medidas de compensação com o fim de concretizar uma 
igualdade de oportunidades. A exemplo, podemos citar: mercado de trabalho da mulher, cotas de vagas sem 
serviços públicos, cotas em universidades (PROUNI), cotas, Lei Maria da Penha. 
 
Segundo Dirley da Cunha Júnior: 
 
As ações afirmativas, portanto, são medidas especiais e concretas para assegurar o desenvolvimento ou a 
proteção de certos grupos, com o fito de garantir-lhes, em condições de igualdade, o pleno exercício dos 
direitos do homem e das liberdades fundamentais. (...) A própria Constituição já determina algumas ações 
afirmativas, que não podem ser negligenciadas pelo legislador ordinário, como, por exemplo, a proteção do 
mercador de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos (art.7º, XX) e a determinação de reserva 
de percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência (art.37, VIII). (2020, 
p. 623) 
 
Atenção ao julgado: Info. 1088 do STF – CANDIDATO ESTRANGEIRO 
O candidato estrangeiro tem direito líquido e certo à nomeação em concurso público para provimento de 
cargos de professor, técnico e cientista em universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológica 
federais, nos termos do art. 207, § 1º, da Constituição Federal, salvo se a restrição da nacionalidade estiver 
expressa no edital do certame com o exclusivo objetivo de preservar o interesse público e desde que, sem 
prejuízo de controle judicial, devidamente justificada. É inconstitucional — por violar o princípio da isonomia 
(CF/1988, art. 5º, “caput”) e a norma que estabelece às universidades e instituições de pesquisa científica e 
tecnológica a possibilidade de prover seus cargos com professores, técnicos e cientistas estrangeiros 
(CF/1988, art. 207, § 1º) — a negativa de nomeação de aprovado em concurso público para cargo de 
professor em instituto federal, fundada apenasem motivo de nacionalidade.RE 1.177.699/SC, relator 
Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 24.3.2023 (sexta-feira), às 23:59 
 
Atenção ao julgado: Info. 1069 do STF – RESERVA DE VAGAS PARA IRMÃOS 
É constitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que determina a reserva de vagas, no mesmo 
estabelecimento de ensino, para irmãos que frequentam a mesma etapa ou ciclo escolar, pois disciplina 
medida que visa consolidar políticas públicas de acesso ao sistema educacional e do maior convívio familiar 
possível. STF. Plenário. ADI 7149/RJ, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/9/2022 (Info 1069). 
 
Atenção ao julgado: Info. 973 do STF - PRINCÍPIO DA IGUALDADE E SISTEMA DE COTAS 
É inconstitucional lei distrital que preveja percentual de vagas nas universidades públicas reservadas para 
alunos que estudaram nas escolas públicas do Distrito Federal, excluindo, portanto, alunos de escolas 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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públicas de outros Estados da Federação. Veja que o STF não proibiu o sistema de cotas para alunos de escolas 
públicas, mas sim para alunos somente do DF (determinada localidade) violando a isonomia. No mesmo 
sentido: STF. Plenário. ADI 4868, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/03/2020. 
 
Atenção ao julgado: Info 985 do STF – ISONOMIA E BENEFÍCIO DO BOLSA FAMÍLIA 
O Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda, voltado a famílias de todo o País, de modo 
a fazer frente à situação de pobreza e vulnerabilidade; logo, não se pode fazer restrição em relação à região 
ou ao Estado do beneficiário. Os Estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio 
Grande do Norte ajuizaram ação cível originária, em face da União, com pedido de tutela provisória, 
questionando a redução de recursos do Programa Bolsa Família destinados à Região Nordeste. O Min. Marco 
Aurélio (relator) deferiu medida cautelar determinando que: a) a União disponibilize dados que justifiquem 
a concentração de cortes de benefícios do Programa Bolsa Família na Região Nordeste, bem assim dispense 
aos inscritos nos Estados autores tratamento isonômico em relação aos beneficiários dos demais entes da 
Federação. b) não haja cortes no Programa enquanto perdurar o estado de calamidade pública; c) a liberação 
de recursos para novas inscrições seja uniforme considerados os Estados da Federação. O Plenário do STF 
referendou a medida cautelar concedida. STF. Plenário. ACO 3359 Ref-MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, 
julgado em 5/8/2020 (Info 985). 
 
2. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS3 
 
 A CF/88 no Título II classifica o gênero direitos e garantias fundamentais em importantes grupos. 
Veja: 
- Direitos e Deveres individuais e coletivos; 
- Direitos sociais; 
- Direitos de nacionalidade; 
- Direitos políticos; 
- Partidos políticos. 
 
2.1 Direitos x Garantias x Remédios Constitucionais 
 
● Direitos: são normas de conteúdo declaratório da existência de um interesse, de uma vantagem, isto 
é, imprimem a existência legal. Ex: direito à vida, à propriedade; 
● Garantias: normas de conteúdo assecuratório, que servem para assegurar o direito declarado. As 
garantias são estabelecidas pelo texto constitucional como instrumento de proteção dos direitos 
 
3 Para aprofundamento no assunto, consultar: 
http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teoria_geral_d
os_direitos_fundamentais.pdf 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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fundamentais e writs constitucionais. São também chamadas de instrumentos de tutela das 
liberdades e ações constitucionais. 
 
DIREITOS FUNDAMENTAIS GARANTIAS FUNDAMENTAIS 
NORMAS QUE PROTEGEM os bens jurídicos 
fundamentais de uma sociedade 
INSTRUMENTOS que buscam proteger os 
direitos fundamentais 
Tem valor intrínseco, nele mesmo Tem valor instrumental 
 
 Direitos são bens e vantagens prescritos na norma enquanto garantias são os instrumentos através 
dos quais se assegura esse exercício. 
Ilustrando: é inviolável a liberdade de consciência e de crença (direito), garantindo-se na forma da 
lei a proteção aos locais de culto e suas liturgias (garantia). 
 
● Remédios Constitucionais: embora todo remédio constitucional seja uma garantia, nem toda 
garantia é um remédio constitucional, porque este é um instrumento processual que tem por 
objetivo assegurar o exercício de um direito. Ex: Habeas Corpus, Mandado de Segurança. Pode-se 
dizer que os remédios constitucionais são espécies do gênero garantia. 
 
ATENÇÃO: alguns dispositivos constitucionais contêm direitos e garantias no mesmo enunciado. O art. 5º, X, 
estabelece a inviolabilidade do direito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, assegurando, 
em seguida, o direito à indenização em caso de dano material ou moral provocado pela sua violação. 
 
Súmula 647-STJ: São imprescritíveis as ações indenizatórias por danos morais e materiais decorrentes de 
atos de perseguição política com violação de direitos fundamentais ocorridos durante o regime militar. STJ. 
1ª Seção. Aprovada em 10/03/2021. 
 
2.2 Direitos Fundamentais x Direitos Humanos 
 
Embora materialmente ambos objetivem a proteção e a promoção da dignidade da pessoa humana, 
não se confundem. Assim, convém destacar que a doutrina estabelece duas distinções entre os direitos 
humanos e os direitos fundamentais. A primeira delas relaciona-se ao locus de previsão, de modo que os 
direitos humanos – intrinsecamente ligados ao Direito Internacional Público – estão previstos em normas 
internacionais. Os direitos fundamentais, por sua vez, estão reconhecidos e positivados pelo Direito interno 
de um Estado determinado. 
A segunda distinção apontada se relaciona com a exigibilidade. Assim, os direitos humanos nem 
sempre seriam exigíveis internamente enquanto os direitos fundamentais, uma vez positivados no 
ordenamento interno (matriz constitucional) podem ser cobrados judicialmente. 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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● Direitos Humanos: são direitos reconhecidos no âmbito internacional; nem sempre exigíveis 
internamente. 
● Direitos fundamentais: são direitos reconhecidos no plano interno de um determinado Estado. 
Preferencialmente, positivados na CF; passíveis de cobrança judicial. 
 
 DIREITOS FUNDAMENTAIS DIREITOS HUMANOS 
FORMAL 
FUNDAMENTO DE 
VALIDADE/JURÍDICO 
Encontram previsão formal 
nas constituições 
 
Encontram fundamento 
nos Tratados 
Internacionais; 
Exemplo: Declaração 
Universal dos Direitos 
Humanos da ONU 
 
MATERIAL 
LIGADA AO CONTEÚDO 
FINALIDADE DE CADA UM DOS 
INSTITUTOS 
Estabelecem o conjunto de 
bens jurídicos básicos, 
essenciais de uma 
sociedade, não se limitando 
à proteção da pessoa física 
 
Buscam a proteção da 
pessoa humana 
(exclusivamente). 
Não há que se falar em 
direito 
 
 
 
Como se classificam as normas constitucionais de direitos fundamentais quanto à eficácia e aplicabilidade? 
Pela classificação de José Afonso da Silva e considerando não haver direito fundamental absoluto, as 
normas podem possuir eficácia plena, e podem apresentar, conforme a hipótese, eficácia contida (ou 
restringível) ou limitada. Nesse sentido, a doutrina majoritária defende que a maioria das normas seriam de 
eficácia contida, enquanto que a maior parte daquelas que reconhecem os direitos sociais seriam de eficácia 
limitada. 
O que significa os efeitos negativo e positivo das normas constitucionais de direitos fundamentais? 
O efeito positivo diz respeito ao fato de que, pelo simples fato de surgir uma nova Constituição, ela 
revoga tudo do ordenamento anterior que for contrário a ela. As normas constitucionais têm, assim, efeitos 
positivos, no sentido de proativo, pois revogam (não recepcionam) tudo do ordenamento anterior que for 
contrário a elas. Já o efeito negativo, por sua vez,tem o sentido de vedar/negar ao legislador ordinário a 
possibilidade de produzir normas infraconstitucionais contrárias a ela (norma constitucional); e, acaso o 
poder legiferante fizer, o judiciário, entendendo que houve contrariedade, extirpa a norma do ordenamento 
jurídico por intermédio do controle de constitucionalidade. 
A Carta Magna de 1988 é um marco na história constitucional brasileira, pois a sua abertura aos 
direitos foi baseada também nos tratados internacionais celebrados pelo Brasil. Dessa forma, ela introduziu 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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o mais extenso rol de direitos de diversas espécies, incluindo direitos civis, políticos, econômicos, sociais e 
culturais, além de prever várias garantias constitucionais. 
Ademais, o art. 5°, §2°, da CRFB/88 prevê o princípio da não exaustividade dos direitos 
fundamentais, ou seja, que o rol desses direitos não é taxativo, ao afirmar que os direitos e garantias 
expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes: i) do regime e dos princípios por ela adotados 
e ii) dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 
 
Caiu em prova (CESPE, PCRJ/2022) e foi considerada CORRETA a seguinte afirmativa: A fundamentalidade 
material dos direitos fundamentais decorre da circunstância de serem os direitos fundamentais elemento 
constitutivo da Constituição material, contendo decisões fundamentais sobre a estrutura básica do Estado e 
da sociedade. 
 
A fundamentalidade material dos direitos fundamentais decorre da abertura da Constituição a 
outros direitos fundamentais não expressamente constitucionalizados. O aspecto material dos 
direitos fundamentais nasce da essência do seu conteúdo substancial normativo. CANOTILHO, José Joaquim 
Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição . 4º ed. Coimbra: Almedina. 
 
2.3 Geração dos direitos fundamentais 
 
 As dimensões ou gerações dos direitos humanos são cobrados com frequência nos Concursos 
Públicos. O tema foi apresentado pela primeira vez por Karel Vasak, em sua forma clássica chamada de 
Gerações dos Direitos Humanos, desdobrando-se em 1ª, 2ª e 3ª gerações. Em provas objetivas, a tendência 
é que se cobre essas gerações, tendo em vista que não há controvérsias relevantes sobre elas. 
Trata-se de classificação dos direitos fundamentais que tem como critério o contexto histórico em 
que surgiram, a ordem cronológica de reconhecimento e afirmação dos direitos fundamentais. 
 
DICA DD: Classificar os direitos em gerações sugere a ideia de superação de que as 
gerações mais novas suplantam as anteriores. Assim, e visando afastar essa 
concepção substitutiva de uma geração sobre a outra bem como a impressão de 
que existe uma relação de antiguidade ou posteridade dos direitos, a doutrina 
moderna entende que o mais adequado é falar em dimensões, uma vez que 
inexiste cronologia nesses direitos. 
 
Cespe, Oral RO, 2023 (espelho): Não existe sucessão cronológica precisa e definida na evolução dos 
direitos individuais e coletivos, de modo que não é o mais correto falar em gerações de direitos fundamentais 
ou direitos humanos. Por essa razão, muitos doutrinadores preferem falar em dimensões dos direitos 
fundamentais e não em gerações. Esses direitos evoluem de forma cumulativa e somam-se à evolução dos 
direitos precedentes. O termo “dimensão” dos direitos fundamentais dá uma noção mais clara dos valores 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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prevalecentes em cada uma dessas classificações de direitos, mas não de sucessividade ou de estanqueidade 
entre eles. 
Direitos fundamentais são indivisíveis. Possuem relação entre si de fortalecimento mútuo e não de 
exclusão mútua. O surgimento de uma nova geração de direitos tem o viés de fortalecer a geração já 
existente. Ex.: direito à educação fortalece o direito de liberdade de expressão. 
 Explica o autor Dirley da Cunha: 
Falar em “gerações” ou “dimensões” de direitos corresponde a uma sucessão 
temporal de afirmação e acumulação de novos direitos fundamentais. Isso leva, por 
conseguinte, a uma consequência fundamental: a irreversibilidade ou 
irrevogabilidade dos direitos reconhecidos, aliada ao fenômeno da sua 
complementariedade. O progressivo reconhecimento de novos direitos 
fundamentais consiste num processo cumulativo, de complementariedade, onde 
não há alternância, substituição ou supressão temporal de direitos anteriormente 
reconhecidos. 
 
1) DIREITOS DE PRIMEIRA GERAÇÃO OU PRIMEIRA DIMENSÃO (individuais ou negativos): 
 Surgem no contexto histórico das revoluções liberais, burguesas, diante do nascimento do 
constitucionalismo liberal – Séc. XIX. Marcam a passagem de um Estado autoritário para um Estado de 
Direito. Grandes Marcos dos direitos de 1ª dimensão: 
· Inglaterra – 1.215 – Magna Carta, assinada pelo Rei “João Sem Terra” 
· EUA – 1.776 – Declaração de Independência Americana 
· EUA – 1.787 – Constituição Americana 
· França – 1.789 – Revolução Francesa 
· França – 1.791 – Constituição Francesa 
 
 Estão relacionados à luta pela liberdade e segurança diante do Estado. Trata-se de impor ao Estado 
obrigações de não-fazer (absenteísmo estatal) e se relacionam às pessoas, individualmente. Ex: propriedade, 
igualdade formal (perante a lei), liberdade de crença, de manifestação de pensamento, direito à vida etc. 
 Obs.1: são chamados também de direitos negativos ou direitos de defesa. 
 Obs.2: o fundamento dos direitos de 1ª geração/dimensão é a IGUALDADE FORMAL. 
 
2) DIREITOS DE SEGUNDA GERAÇÃO OU SEGUNDA DIMENSÃO (sociais, econômicos e culturais ou 
direitos positivos): 
 Surgem no final do século XIX e início do século XX, diante do fenômeno do constitucionalismo social 
(ligado ao movimento do socialismo). Grandes Marcos: 
· Constituição Mexicana de 1917 
· Constituição Alemã de Weimar de 1919 
· Tratado de Versalhes, de 1919 (OIT) 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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· Rússia – 1.917/18 – Declaração do Povo Oprimido e Trabalhador – Revolução Russa 
· Constituição Brasileira de 1934. 
 
 São os direitos de grupos sociais menos favorecidos, e que impõem ao Estado uma obrigação de 
fazer, de prestar (por isso são chamados de direitos prestacionais). Buscam viabilizar, através do Estado, a 
satisfação das necessidades básicas dos indivíduos como forma de lhes proporcionar uma vida digna. Ex: 
saúde, educação, moradia, segurança pública. 
 Os direitos sociais elencados no art. 6º da CF/88 são exemplos clássicos de direitos de 2ª 
geração/dimensão: 
 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a 
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à 
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta 
Constituição. 
DICA DD: O direito a transporte foi incluído no rol pela EC. 90/2015. 
 
Observação: A teoria da reserva do possível é uma limitação fática e jurídica oponível à realização dos direitos 
fundamentais, sobretudo os de cunho prestacional. Como é cediço, o Estado não possui recursos materiais 
ilimitados, o que leva os administradores a realizarem escolhas trágicas, alocando esses recursos em ações 
prioritárias. O limite da reserva do possível é o mínimo existencial, núcleo da dignidade da pessoa humana. 
Nesse contexto, a reserva do possível deve ser analisada sob três aspectos: 
 
I - Disponibilidade fática dos recursos para efetivação dos direitos fundamentais. 
II - Disponibilidade jurídica dos recursos, mediante autorização orçamentária. 
III - Razoabilidade e proporcionalidade da prestação, levando-se em consideração a universalização da 
demanda, não apenas o indivíduo. Nesse sentido, não se pode exigir judicialmente do Estado uma prestação 
que não possa ser concedida a todos os indivíduos que se encontrem em situação idêntica, sob pena de 
violaçãodo princípio da isonomia. 
 
Contudo, conforme reiterada jurisprudência do STF, o fundamento da reserva do possível pelo Estado não é 
tese apta a fundamentar a não execução de políticas públicas. Com efeito, prepondera-se a tese do mínimo 
existencial. De forma atípica o Poder Judiciário atua, autorizado pela jurisprudência atual, com proatividade 
intervindo nas políticas públicas não executadas pelo ente subnacional. A exemplo, é a ADPF de n° 347 que, 
em seu bojo, aplicou a tese do estado de coisas inconstitucional em razão da massiva violação de direitos 
fundamentais em seu sentido objetivo. 
 
Inclusive, o STF no tema 365 da repercussão geral fixou a seguinte tese: “Considerando que é dever do 
EStado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os padrões mínimos de humanidade 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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previsto no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art. 37, §6°, da Constituição 
Federal, a obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos em 
decorrência da falta de ou insuficiência das condições legais de encarceramento” (RE 580.252, 16.02.2017) 
 
Assim, a Corte entendeu que não sendo assegurado o mínimo existencial, não se poderia sustentar a 
aplicação da cláusula de reserva financeira do possível para o Estado deixar de indenizar. 
 
Obs.1: o fundamento dos direitos de 2ª dimensão é a IGUALDADE MATERIAL. 
 
Obs.2: o efeito bipolar dos direitos de 2ª dimensão e princípio da vedação ao retrocesso: 
Os direitos de 2ª dimensão (direitos sociais) não possuem apenas um viés positivo, mas também um 
viés negativo. 
 
● Viés negativo – Fruto da vedação ao retrocesso (efeito cliquet) → Uma vez implementado o direito 
de 2ª dimensão por medida estatal, o próprio Estado passa a ter o dever de se abster de retornar ao 
status quo de quando o direito ainda não tinha efetividade. O indivíduo também tem o direito de 
exigir um não fazer estatal com o intuito de preservar o direito fundamental já efetivado. Em outras 
palavras: não pode promover um retrocesso social, revogar ou enfraquecer normas que já 
alcançaram o grau de densidade normativo adequado. Ex.: 13º salário. 
● Viés positivo – Aqui a ideia não é só manter o status quo, mas também implementar/desenvolver 
novos direitos sociais. E, enquanto não for implementado, o indivíduo possui o direito de exigir um 
atuar do Estado com o intuito de realizá-lo (ideia de direitos prestacionais). 
 
3) DIREITOS DE TERCEIRA GERAÇÃO OU TERCEIRA DIMENSÃO (difusos e coletivos): 
 
 Surgem na 2º metade do séc. XX, no pós 2ª Guerra, ligados aos movimentos de melhoria da qualidade 
de vida dos cidadãos. São direitos transindividuais, isto é, direitos que são de várias pessoas, mas não 
pertencem a ninguém isoladamente. Transcendem o indivíduo isoladamente considerado. Necessidade de 
preservacionismo ambiental e as dificuldades para proteção dos consumidores. Possuem caráter indivisível 
e são titularizados por toda a coletividade. Ex.: direito ao meio ambiente. 
 São também conhecidos como: 
● DIREITOS DE FRATERNIDADE 
● Direitos metaindividuais (estão além do indivíduo) 
● Direitos supraindividuais (estão acima do indivíduo isoladamente considerado). 
 
Vamos esquematizar? 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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 Direitos de 1ª 
GERAÇÃO/DIMENSÃO 
Direitos de 2ª 
GERAÇÃO/DIMENSÃO 
Direitos de 3ª 
GERAÇÃO/DIMENSÃO 
 
CONTEXTO 
HISTÓRICO 
Surgem com revoluções 
liberais, burguesas, diante do 
nascimento do 
constitucionalismo liberal. – 
Séc. XIX. 
Surgem no final do século XIX e 
início do século XX, diante do 
fenômeno do 
constitucionalismo social. 
 
2ª metade do séc. XX, no pós 2ª 
Guerra, ligados aos 
movimentos de melhoria da 
qualidade de vida dos cidadãos 
MARCOS Inglaterra – 1.215 – Magna 
Carta 
EUA – 1.776 – Declaração de 
Independência Americana 
EUA – 1.787 – Constituição 
Americana 
França – 1.789 – Revolução 
Francesa 
França – 1.791 – Constituição 
Francesa 
Constituição Mexicana de 1917 
Constituição Alemã de Weimar 
de 1919 
Rússia – 1.917/18 – Declaração 
do Povo Oprimido e 
Trabalhador – Revolução Russa 
Constituição Brasileira de 
1934. 
 
SINÔNIMOS direitos negativos, direitos de 
abstenção. 
direitos sociais, econômicos e 
culturais 
direitos positivos, direitos 
prestacionais 
difusos e coletivos 
direitos metaindividuais 
direitos supraindividuais 
 
FUNDAMENTO Igualdade FORMAL Igualdade MATERIAL FRATERNIDADE 
CONCEITO Buscam limitar o poder estatal, 
impondo ao Estado obrigações 
de não-fazer e se relacionam às 
pessoas, individualmente. 
 
São direitos que impõem ao 
Estado uma obrigação de fazer, 
de prestar. 
Buscam viabilizar, através do 
Estado, a satisfação das 
necessidades básicas dos 
indivíduos como forma de lhes 
proporcionar uma vida digna. 
São direitos transindividuais, 
isto é, titularizados por toda a 
coletividade, não pertencendo 
a uma pessoa isoladamente. 
 
Possuem caráter indivisível. 
 
EXEMPLOS Propriedade, igualdade formal 
(perante a lei), liberdade de 
crença, de manifestação de 
pensamento, direito à vida, 
direito de locomoção 
Saúde, educação, moradia, 
segurança pública. 
Direito ao meio ambiente, 
direito ao desenvolvimento, 
direito de propriedade sobre o 
patrimônio da humanidade, 
direito de comunicação 
 
NOVAS GERAÇÕES/DIMENSÕES DE DIREITOS FUNDAMENTAIS: 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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4) DIREITOS DE QUARTA GERAÇÃO OU QUARTA DIMENSÃO 
 
 Há autores que se referem a essa categoria, mas ainda não há consenso na doutrina sobre qual o 
conteúdo desse tipo de direitos. 
 Segundo o autor Paulo Bonavides os direitos de quarta dimensão seriam fruto do processo de 
globalização dos direitos fundamentais, no sentido de uma universalização desses direitos no plano 
institucional, o que corresponde à última fase da institucionalização do Estado Social, de forma a sacramentar 
a evolução democrática e social alcançada até então, ou seja, democracia (direta), informação e pluralismo4. 
Assim, para Bonavides, os direitos de 4a dimensão decorrem da globalização dos direitos fundamentais, o 
que significa universalizá-los no campo institucional. Para Bobbio, essa dimensão está ligada aos avanços no 
campo da engenharia genética. 
 
● Direito à democracia participativa – A democracia participativa ou semidireta é uma democracia 
indireta, mas que conta com instrumentos de participação direta do povo no processo político. Esses 
mecanismos de participação direta integrariam o rol dos direitos de quarta dimensão: 
· Plebiscito; Referendo; Iniciativa popular de lei; Ação popular, etc. 
 
● Direito à informação - consequência do próprio regime democrático, conjugado com a forma 
republicana de governo. Garante o direito à transparência e, consequentemente, o direito à 
informação (exemplo: lei de acesso à informação; art. 5º, XXXIII, CF/88) 
 
● Direitos ligados às questões de bioética. 
 
● Direitos ao pluralismo (art. 1º, CF/88) 
 
5) DIREITOS DE QUINTA GERAÇÃO OU DIMENSÃO: direito à paz para Bonavides (para Karel Vasak a paz 
está na 3a dimensão) . 
 
Quadro sinóptico – Segundo Paulo Bonavides: 
 
4 O Estado Social ou Estado do Bem-estar Social (Welfare State) surgiu como forma de reação à crise do Estado liberal, 
notadamente em razão das desigualdades sociais vivenciadas à época. Os direitos sociais e econômicos passam a ser 
contemplados de modo mais amplo, como corolários da igualdade material, sendo, posteriormente classificados como 
direitos fundamentais de segunda geração. 
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 (Mazzuoli, 2018) 
Obs.: Crítica doutrinária às “novas dimensões” de direitos fundamentais 
Parcela da doutrina critica a classificação de outras dimensões de direito, poisseriam direitos já 
existentes aplicados, hoje, a um novo contexto social, diante da evolução da sociedade. 
 
Ingo Salert – “trazer novas dimensões é dar destaque ao direito, não trata o direito 
como um mero desdobramento de um outro direito que já está nas 3 dimensões 
anteriores, de modo a facilitar a sua efetivação e proteção. Ex.: questões de bioética 
trabalham com direitos básicos como direito à integridade, ao próprio corpo e 
dignidade.” 
 
2.4 Características dos direitos fundamentais 
 
● Historicidade: o que se entende por direitos fundamentais varia de acordo com o momento histórico, 
não são conceitos herméticos e fechados, variando no tempo e no espaço. Emergem progressivamente 
das lutas que o homem trava por sua própria emancipação. 
● Inalienabilidade: são direitos sem conteúdo econômico patrimonial, não podem ser comercializados ou 
permutados. 
● Imprescritibilidade: são sempre exigíveis, ainda que não exercidos. 
● Irrenunciabilidade: o indivíduo pode não exercer os seus direitos, mas não pode renunciá-los, de modo 
geral. OBS: O STF admite, excepcionalmente, a renúncia temporária aos direitos que não ferem o núcleo 
da dignidade da pessoa humana, como no caso de participação em reality show. 
● Relatividade: não são direitos absolutos. Se houver um choque entre os direitos fundamentais, serão 
resolvidos por um juízo de ponderação à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização 
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levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos 
conjugando-a com a sua mínima restrição (limitabilidade). 
Caiu em prova (CESPE, PCRJ/2022) e foi considerada CORRETA a seguinte afirmativa: O método de solução 
de conflitos entre direitos fundamentais constitucionalmente previstos, em caso de colisão, é a ponderação 
de interesses; o legislador, contudo, por força do princípio democrático, pode resolver conflitos por meio 
da lei, efetuando a ponderação em abstrato. 
 
Técnica de Robert Alexy: a ponderação de interesses é considerada um método de solução de conflitos em 
caso de colisão entre direitos fundamentais constitucionalmente previstos. Ademais, a CRFB assegura ao 
Poder Legislativo a prerrogativa de estabelecer regras jurídicas em abstrato, como forma de resolver 
conflitos por meio da lei, efetuando a ponderação em abstrato. 
 
Não confunda com a teoria dos direitos imanentes: “A doutrina da imanência busca justificar 
dogmaticamente o reconhecimento de limites não expressamente previstos no texto da Constituição, 
tendo sido elaborada com base em duas premissas genericamente aceitas no pensamento jurídico: i) a ideia 
de que os direitos fundamentais não são absolutos nem podem ser invocados em todas as situações; e ii) a 
noção de que os direitos das pessoas devem ser harmonizados entre si”. Jane Reis Gonçalves Pereira, 
Interpretação constitucional e direitos fundamentais, 2006, p. 182. 
Para Canotilho: "(...) os chamados ‘limites imanentes' são o resultado de uma ponderação de princípios 
jurídico-constitucionais conducente ao afastamento definitivo, num caso concreto, de uma dimensão que 
prima facie, cabia no âmbito prospectivo de um direito, liberdade e garantia." Nesse ponto, adota-se as 
definições (e descrições) teóricas de Virgílio Afonso da Silva. In: SILVA, Virgílio Afonso. Direitos 
Fundamentais, conteúdo essencial, restrições e eficácia, p. 166. Para o autor, em termos rigorosos, os 
limites imanentes não se relacionam com a possibilidade de restrições aos direitos fundamentais e, com 
isso a ponderação mediante a regra da proporcionalidade. 
 
Apesar da limitabilidade inerente à natureza dos direitos humanos, a doutrina contemporânea 
sustenta que existem 2 exceções a essa regra, as quais seriam direitos considerados absolutos: a vedação à 
tortura (art. 5° da DUDH) e a vedação à escravidão (art. 4° da DUDH). 
 De acordo com o Professor Bruno Pinheiro, parte da doutrina aponta que existem Direitos 
Fundamentais Absolutos: 
a) Direito a Não Tortura (apontado por Norberto Bobbio) 
b) Direito a Não Escravidão 
c) Direito a Não Extradição do Brasileiro Nato (art. 5º, LI, CF/88) → apontado por Carlos Ayres Britto. 
 
TEORIA DA RESTRIÇÃO DAS RESTRIÇÕES (= LIMITAÇÃO DAS LIMITAÇÕES) 
- É teoria alemã, adotada no Brasil pelo STF; 
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- Uma das características dos direitos fundamentais é que eles são relativos, ou seja, podem sofrer limitações. 
Porém, essas restrições devem ser feitas com critérios e de forma excepcional a não esvaziar o seu núcleo 
essencial. Conclusão: Pode haver restrições aos direitos fundamentais, mas essas restrições devem ser 
limitadas, não atingindo seu núcleo essencial. 
- Só podem ser impostas restrições se obedecerem aos seguintes requisitos: 
Requisito formal: os direitos fundamentais só podem ser restringidos em caráter geral por meio de normas 
elaboradas por órgãos dotados de atribuição legiferante conferido pela CF/88. A restrição deve estar 
expressa ou implicitamente autorizada. 
Requisitos materiais: para a restrição ser válida, deve observar aos seguintes princípios: 
- Não retroatividade; 
- Proporcionalidade; 
- Generalidade e abstração; 
- Proteção do núcleo essencial. 
 
A teoria dos limites dos limites (Schranhen- Schranken), ou seja, limites (com base em determinados 
parâmetros) para a limitação (restrição) dos direitos fundamentais adota, portanto, critérios (limites) para 
que tais limitações ocorram foram estabelecidos”. Em termos formais (requisitos formais) certo é que os 
direitos fundamentais só podem ser restringidos por meio de normas elaboradas por órgãos dotados de 
atribuição legiferante conferida pela Constituição. Portanto, a eventual restrição deve estar expressa ou 
implicitamente autorizada nos ditames constitucionais. Já em termos materiais, temos os seguintes limites 
(requisitos materiais). 
 
DICA DD: Os direitos fundamentais podem ser restringidos por atos normativos infraconstitucionais, desde 
que seja respeitado o seu núcleo essencial. 
Acerca do núcleo essencial: inclusive já caiu em prova que a construção do “conteúdo essencial” é uma 
emanação da teoria externa dos direitos fundamentais, isto é a teoria externa dos direitos fundamentais é 
aquela segundo a qual o conteúdo essencial dos direitos fundamentais não se esgota em si, espraiando-se, 
de maneira irradiante, para todo o ordenamento jurídico. 
 
Por fim, os direitos fundamentais podem ser restringidos, em primeiro lugar, pela própria Constituição, seja 
em nome de outros direitos fundamentais (a liberdade de expressão não inclui o direito de caluniar alguém 
– cf. art. 5º, IV e X) seja para promover valores e interesses coletivos (a liberdade de ir e vir pode ser limitada 
no estado de sítio – art. 139, I). Podem ser restringidos, também, pela lei, tanto em hipóteses nas quais a 
Constituição expressamente preveja a limitação (a inviolabilidade das comunicações telefônicas pode ser 
excepcionada por lei para fins de investigação criminal ou instrução processual penal – art. 5º, XII –, e a 
liberdade de trabalho pode estar sujeita a qualificações impostas por lei) quanto com base nos limites 
imanentes. 
 
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● Personalidade: não se transmitem. 
● Concorrência e cumulatividade: são direitos que podem ser exercidos ao mesmo tempo. 
● Universalidade: são universais, destinando-se a todos os seres humanos, indiscriminadamente. 
Independentemente de as nações serem signatárias da declaração universal dos direitos humanos, 
devem ser reconhecidos em todo o planeta, independentemente, da cultura, política e sociedade. 
 
De acordo com o Professor Bruno Pinheiro, é a característica da Universalidade que 
fundamenta a interpretação extensiva e sistemática do art. 5º, caput da CF/88,II) 
5 SEX DIREITO ADMINISTRATIVO: Noções Iniciais e Princípios 
6 SÁB/DOM [REVISÃO SEMANAL] 
 
 
ATENÇÃO 
 
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Equipe DD 
 
 
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Caso possua alguma dúvida jurídica sobre o conteúdo disponibilizado no curso, pedimos que utilize a sua 
área do aluno. Há um campo específico para enviar dúvidas. 
 
 
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META 1 
 
Caro Aluno, 
Apresentamos a você nossa Preparação Extensiva para Delegado de Polícia, disponível em duas modalidades 
de cronogramas: 30 semanas, para aqueles alunos que possuem mais tempo disponível para estudos, e 48 
semanas, com metas mais tranquilas, para aqueles alunos possuem uma carga horária menor de tempo 
disponível para estudo. Mas fique tranquilo. Os cronogramas de ambos os cursos abordam as mesmas 
disciplinas/temas, o que difere é a maneira como o estudo será dividido dentre as semanas do curso. 
Liberamos para você tanto a semana 1 do curso de 30 semanas, quanto a semana 1 do curso de 48 semanas, 
para que você possa avaliar qual preparação melhor se encaixa no seu perfil e escolher qual curso deseja 
seguir. 
Para tanto, é de extrema importância que você preencha corretamente o formulário que consta na área 
do aluno, para que nossa equipe matricule você na turma escolhida (30 ou 48 semanas) e, assim, você 
receba os materiais que serão disponibilizados semanalmente. 
Informamos, desde já, que o prazo de liberação do curso escolhido é de até 24 horas úteis após o 
preenchimento do formulário. 
Qualquer dúvida estamos à disposição. 
Vamos juntos. 
Equipe DD. 
 
DIREITO PENAL: NOÇÕES INICIAIS E PRINCÍPIOS 
 
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA 
CF/88 
⦁ Art. 5º, II 
⦁ Art. 5º, XLI, XLII, XLIII, XLIV, XLV e XLVII 
⦁ Art. 5º, XXXIX 
⦁ Art. 5º, §3º 
⦁ art. 7º, X 
⦁ Art. 22, I e §único 
⦁ art. 227, § 4º 
 
CP 
⦁ Art. 1º 
⦁ Art. 59 
⦁ Art. 71 
 
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OUTROS DIPLOMAS LEGAIS 
⦁ Art. 8°, itens 2 e 5, CADH 
⦁ Art. 8º, item 4 do Pacto de São José da Costa Rica 
 
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER! 
 
⦁ Art. 5º, XLI, XLII, XLIII, XLIV, XLV e XLVII, CF/88 
⦁ Art. 5º, XXXIX, CF/88 
⦁ Art. 22, I e §único, CF/88 
⦁ Art. 1º, CP 
 
SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA 
Súmula 599-STJ: O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública. 
 
1. CONCEITO, CARACTERÍSTICAS, OBJETO, FUNÇÕES E DIVISÕES DO DIREITO PENAL 
 
A) CONCEITO 
Conjunto de normas que objetiva definir os crimes, proibindo ou impondo condutas, sob a ameaça 
de imposição de pena ou medida de segurança, e a criar normas de aplicação geral. 
Segundo Cleber Masson (2017, p. 3) é “o conjunto de princípios e regras destinados a combater o 
crime e a contravenção penal, mediante a imposição de sanção penal”. 
Importa salientar que “sanção penal” é gênero, do qual são espécies as penas e as medidas de 
segurança. 
 
CAIEMPROVA: Diz-se que a pena é a 1ª via do direito penal, a medida de segurança é a 2ª e a reparação do 
dano é a 3ª. 
 
É um ramo do Direito Público, vez que suas normas são indisponíveis, impostas e dirigidas a todas as 
pessoas. 
Além disso, o Estado é o titular do direito de punir e por isso sempre figura como sujeito passivo das 
infrações penais, ainda que de forma mediata. 
Ainda sobre o conceito de direito penal: 
 
● Aspecto Formal: o direito penal é um conjunto de normas que qualifica certos comportamentos 
humanos como infrações penais, define os seus agentes e fixa as sanções as lhe serem aplicadas. 
● Aspecto Material: o Direito Penal se refere a comportamentos considerados altamente reprováveis 
ou danosos ao organismo social, afetando bens jurídicos indispensáveis à própria conservação e 
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progresso da sociedade. 
● Aspecto Sociológico: o direito penal é mais um instrumento do controle social de comportamentos 
desviados, visando a assegurar a necessária disciplina social. Em suma, sob aspecto dinâmico, o 
Direito Penal é mais um instrumento de controle social visando assegurar a necessária disciplina para 
a harmônica convivência dos membros da sociedade (TJ/PR). 
 
Aprofundando o enfoque sociológico 
A manutenção da paz social demanda a existência de normas destinadas a estabelecer diretrizes 
(regras). 
Quando violadas as regras de conduta, surge para o Estado o dever de aplicar sanções civis ou penais 
(infrações). 
Nessa tarefa de controle social atuam vários ramos do Direito. 
Quando a conduta atenta contra bens jurídicos especialmente tutelados, merece reação mais severa 
por parte do Estado, valendo-se do Direito Penal (soldado de reserva). 
O que diferencia a norma penal das demais é a espécie de consequência jurídica (pena privativa de 
liberdade). 
 
B) CARACTERÍSTICAS 
De acordo com Cleber Masson (2017, p. 5), o Direito Penal é uma ciência cultural, normativa, 
valorativa, finalista, de natureza predominantemente sancionatória, e fragmentária. 
 
⦁ I – Ciência: suas regras estão contidas em normas e princípios que, por sua vez, formam a dogmática 
jurídico-penal; 
⦁ II – Cultural: o Direito Penal é uma ciência do “dever ser”, ao contrário das ciências naturais, que 
cultuam o “ser”; 
⦁ III – Normativa: o objeto principal é o estudo da lei penal (Direito positivo); 
⦁ IV – Valorativa: sua aplicação não está pautada em regras matemáticas de certo ou errado, mas sim 
em uma escala de valores que são sopesados a partir de critérios e princípios próprios do Direito 
Penal. Dessa forma, esse ramo do direito valoriza hierarquicamente as suas normas; 
⦁ V – Finalista: o objetivo do direito penal é a proteção de bens jurídicos fundamentais, o que torna a 
sua missão prática, e não simplesmente teórica; 
⦁ VI – Sancionatória: o Direito Penal é predominantemente sancionador porque não cria bens 
jurídicos, mas acrescenta proteção penal aos bens jurídicos disciplinados por outros ramos do 
Direito. No entanto, é possível que ele seja também constitutivo, quando protege interesses não 
regulados por outras áreas do Direito, como o uso indevido de drogas; 
⦁ VII – Fragmentária: o Direito Penal não tutela todos os valores ou interesses, mas somente os mais 
importantes para a manutenção e o desenvolvimento dos indivíduos e da sociedade. 
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C) OBJETO DE PROTEÇÃO DO DIREITO PENAL 
Bens Jurídicos penais 
 
“é a coisa, o valor, o atributo espiritual ou intelectual cujo usufruto e gozo são 
reconhecidos como significativamente relevantes. Primeiro, para o efetivo 
desenvolvimento pessoal de seu titular e, depois e em consequência, para todo o 
corpo social, de que é exemplo o meio ambiente ecologicamente equilibrado” 
(PACELLI, 2017, p. 61). 
 
O legislador seleciona os bens jurídicos a serem defendidos pelo Direito Penal. No entanto, NÃO se 
pode falar em discricionariedade ampla e irrestrita, pois os bens jurídicos mais importantes são tratados na 
Constituição. Logo, a Constituição possui a seguinte missão: 
⦁ Orienta o legislador, ao eleger valores considerados indispensáveis à manutenção da sociedade; 
⦁ Impede que o legislador viole direitos fundamentais atribuídos a toda pessoa humana (Visão 
Garantista Do Direito Penal). 
 
Segundo Luiz Regis Prado, bem jurídico é um ENTE MATERIAL ou IMATERIAL haurido do contexto social, 
de titularidade individual ou metaindividual reputado como ESSENCIAL PARA A COEXISTÊNCIA E O 
DESENVOLVIMENTO DO HOMEM EM SOCIEDADE e, por isso, jurídico-penalmente protegido. 
 
D) FUNÇÕES DO DIREITO PENAL 
Na atualidade, a doutrina divide a missão do direito penal em duas, quais sejam: 
 
a) Missão mediatas: 
● Instrumento de Controle Social ou de preservaçãopermitindo a aplicação dos direitos fundamentais aos apátridas, e aos estrangeiros 
não residentes no país. 
“Todo e qualquer ser humano é sujeito ativo desses direitos, podendo pleiteá-los 
em qualquer foro nacional ou internacional (parágrafo 5° da Declaração e Programa 
de Ação de Viena de 1993);” 
 
 Cespe, Oral RO/2023 (espelho): A universalidade dos direitos fundamentais significa que todo ser 
humano os detém, apenas por sua condição humana, embora haja alguns desses direitos que não 
necessariamente possam ser exercidos por todas as pessoas. Os direitos políticos, por exemplo, em alguns 
casos pressupõem a condição de nacionalidade de um país, de modo que estrangeiros não podem exercê-
los plenamente. 
 
● Proibição de retrocesso: não se pode retroceder nos avanços históricos conquistados. Os direitos 
fundamentais são o resultado de um processo evolutivo, marcado por lutas e conquistas em prol da 
afirmação de posições jurídicas concretizadoras da dignidade da pessoa humana e, por isso, uma vez 
reconhecidos, não podem ser suprimidos, abolidos ou enfraquecidos. Destaca-se que há várias 
manifestações no STF sobre esse princípio, especialmente do Min. Celso de Mello, para quem “o 
princípio da proibição do retrocesso impede, em tema de direitos fundamentais de caráter social, que 
sejam desconstituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele 
vive.” (STF, ARE n.º 639.337 AgR/SP, 2.ª Turma, Rel. Min. Celso de Mello, j. 23.08.2011, DJe 15.09.2011.). 
 
2.5 Dimensão dos Direitos Fundamentais 
 
a) Dimensão subjetiva: os direitos fundamentais conferem aos seus titulares o poder de exigir algo, seja 
ação ou omissão. 
Ex.: omissão - respeitar a autonomia da vontade, sem interferir na religião, política, etc. 
Ex.: ação - exigir do Estado uma atuação comissiva, exigir ações para garantir educação, saúde, etc. 
 
b) Dimensão objetiva: os direitos fundamentais encarnam valores que permeiam toda a ordem jurídica, 
condicionam e inspiram a interpretação e aplicação de outras normas (EFICÁCIA IRRADIANTE) e criam 
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dever geral de proteção sobre os bens salvaguardados. Assim, a dimensão objetiva dos direitos 
fundamentais consiste em atribuir a estes importância máxima dentro do ordenamento jurídico: eles 
são a base, o eixo axiológico de todo o ordenamento jurídico. 
 
2.5.1 Desdobramentos da dimensão objetiva dos Direitos Fundamentais 
 
A dimensão objetiva atribui força aos direitos fundamentais, que passam a ser a diretriz para a 
aplicação e interpretação das normas: 
 
1) Eficácia interpretativa dos direitos fundamentais 
Com a dimensão objetiva, os direitos fundamentais ganham um reforço na sua juridicidade, 
ganhando força no ordenamento jurídico e, além disso, se tornam normas de eficácia irradiante, que, tendo 
como base o princípio da dignidade da pessoa humana, se espalham para todo o ordenamento jurídico, 
vinculando os 3 Poderes do Estado, seja para o Legislativo ao elaborar a lei, seja para a Administração 
Pública ao “governar”, seja para o Judiciário ao resolver eventuais conflitos. 
Valores morais incorporados nos princípios constitucionais que devem irradiar por todo o 
ordenamento jurídico. 
Gera o dever do intérprete de promover a filtragem constitucional 
 
2) Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: 
Com a evolução da teoria dos direitos fundamentais, atualmente é reconhecida a incidência também 
na relação entre particulares, em igualdade de armas. Logo, pode se definir a incidência e necessidade de 
observância de todos os direitos fundamentais nas relações privadas (PARTICULAR X PARTICULAR). O STF já 
reconheceu a aludida eficácia. 
Em outras palavras: a eficácia horizontal dos direitos fundamentais consiste na possibilidade de 
aplicação dos direitos fundamentais nas relações jurídicas estritamente privadas. 
Em relação à eficácia horizontal dos direitos fundamentais, pode-se destacar 2 teorias: 
 
1) Eficácia indireta ou mediata: os direitos fundamentais são aplicados de maneira reflexa, tanto em 
uma dimensão proibitiva e voltada para o legislador, que não poderá editar lei que viole direitos 
fundamentais, como, ainda, positiva, voltada para que o legislador implemente os direitos 
fundamentais, ponderando quais devem aplicar-se às relações privadas; 
2) Eficácia direta ou imediata: alguns direitos fundamentais podem ser aplicados às relações privadas 
sem que haja a necessidade de “intermediação legislativa” para a sua concretização. 
 
Precedentes em que o STF reconheceu a eficácia horizontal dos direitos fundamentais: 
 
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· RE 160.222 – Entendeu que constitui constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica 
de lingerie. 
· RE 175.161 – Contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de 
desistência viola o devido processo legal substantivo - proporcionalidade e razoabilidade. 
· RE 158.215 – Violação ao princípio do devido processo legal na hipótese de exclusão de associado de 
cooperativa sem direito à defesa. 
· RE 639.138 – É inconstitucional, por violação ao princípio da isonomia (art. 5º, I, da Constituição da 
República), cláusula de contrato de previdência complementar que, ao prever regras distintas entre 
homens e mulheres para cálculo e concessão de complementação de aposentadoria, estabelece 
valor inferior do benefício para as mulheres, tendo em conta o seu menor tempo de contribuição. 
· ADI 2572 – Constitucionalidade da reserva de vagas para pessoas obesas – O STF entendeu que não 
há inconstitucionalidade material, tendo em vista que se trata de política inclusiva que não afronta 
a liberdade de iniciativa, principalmente se considerada a eficácia horizontal dos direitos 
fundamentais. 
 
A eficácia dos direitos fundamentais pode também pode ser: 
 
● Vertical: aplica-se à tradicional ideia de limitação de poder do Estado e respeito aos direitos dos 
indivíduos, conferindo direitos básicos e garantias aos indivíduos. Há um poder superior (Estado), em 
face do indivíduo, em posições diferentes (ESTADO X PARTICULAR); 
 
TEORIA DOS QUATRO STATUS DE JELLINEK 
São as possíveis relações do indivíduo com o Estado: 
● Passivo ou “subjectionis”: o indivíduo encontra-se em posição de subordinação com relação aos 
poderes públicos; 
● Ativo (direitos políticos): é o poder do indivíduo de interferir na formação da vontade do Estado, 
sobretudo através do voto; 
● Negativo: o indivíduo pode agir livre da atuação do Estado, podendo autodeterminar-se sem 
ingerência estatal (abstenção estatal); 
● Positivo ou “civitatis”: é a possibilidade de o indivíduo exigir atuações positivas do Estado em seu 
favor. 
 
● Diagonal: teoria desenvolvida por Sérgio Gamonal, e consiste na incidência e observância dos 
direitos fundamentais nas relações privadas marcadas por desigualdade de forças, ante a 
vulnerabilidade de uma das partes. Na hipótese, embora as partes teoricamente estejam em posição 
equivalente (PARTICULAR X PARTICULAR), na prática há império do poder econômico, por exemplo, 
nas relações envolvendo crianças, pessoas com deficiência, trabalhadores, consumidores etc. O TST 
já adotou a eficácia diagonal em alguns julgados, inclusive. 
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EFICÁCIA VERTICAL EFICÁCIA HORIZONTAL EFICÁCIA DIAGONAL 
A aplicação dos direitos 
fundamentais às relações entre 
Estado e particulares, a relação de 
subordinação que o particular tem 
com o Estado. 
A aplicação dos direitos 
fundamentais às 
relações entre os 
próprios particulares. 
Há hipossuficiência de uma 
das partes. É uma relação 
entre particulares onde não há 
uma igualdade fática. 
 
2.6 Direitos individuais implícitos e explícitos 
 
Os direitos individuais podem ser explícitos ou implícitos.● Explícitos: são aqueles previstos expressamente no texto da Constituição Federal. Como exemplo, 
os contidos no art. 5° da CF/88 e seus incisos, em especial os previstos no caput do mencionado 
artigo, como a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. 
 
● Implícitos: o reconhecimento decorre de interpretação do texto da Lei. Isto se evidencia pela leitura 
do art. 5º, § 2º, da CF/88, que reconhece a existência de outros direitos individuais "decorrentes do 
regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais de que a República 
Federativa do Brasil seja parte". 
 
● Eventual novo direito individual criado por meio de emenda constitucional é considerado cláusula 
pétrea? 
NÃO. Segundo Gilmar Mendes, devemos ter em mente que as cláusulas pétreas “se fundamentam 
na superioridade do poder constituinte originário sobre o de reforma”, de maneira que somente o primeiro 
pode criar obstáculos à atuação do segundo. Não faz sentido, do ponto de vista lógico, permitir que o poder 
reformador crie limites invencíveis a si mesmo. 
Assim, conclui Gilmar Mendes que “não é cabível que o poder de reforma crie cláusulas pétreas. 
Apenas o poder constituinte originário pode fazê-lo”. Caso EC crie um novo direito fundamental, este não 
será cláusula pétrea. 
É preciso distinguir, contudo, a situação em que uma EC apenas especifica, detalha ou incrementa 
um direito fundamental já criado, sem inovar no rol de direitos. Nesse caso, ainda que introduzida por EC, a 
novidade é considerada cláusula pétrea. Para Gilmar Mendes “é o que se deu, por exemplo, com o direito à 
prestação jurisdicional célere somado ao rol do art. 5º da Constituição pela EC 45/04. Esse direito já existia, 
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como elemento necessário do direito de acesso à justiça – que há de ser ágil para ser efetiva – e do princípio 
do devido processo legal, ambos assentados pelo constituinte originário”. 
 
Classificação dos direitos fundamentais explícitos: 
● Direitos individuais e coletivos: direitos ligados ao conceito de pessoa humana e sua própria 
personalidade, com, por exemplo, vida, dignidade da pessoa humana, honra, liberdade, etc. Estão 
espalhados pela CF/88, mas uma grande parte concentra no art. 5º; 
● Direitos sociais: caracterizam-se como verdadeiras liberdades positivas, de observância obrigatória 
em um Estado Social de Direito, tendo por finalidade a melhoria das condições de vida aos 
hipossuficientes; 
 (Será especificado melhor no próximo tópico) 
 
● Direitos de nacionalidade: nacionalidade é o vínculo jurídico-político que visa ligar um indivíduo a 
certo e determinado Estado fazendo deste indivíduo um componente do povo, da dimensão pessoal 
deste Estado, capacitando-o a exigir sua proteção e sujeitando-o ao cumprimento de deveres 
impostos; 
● Direitos políticos: conjunto de regras que disciplina as formas de atuação da soberania popular. São 
direitos públicos subjetivos que permitem ao indivíduo o exercício concreto da liberdade de 
participação nos negócios políticos do Estado; 
● Direitos relacionados à existência, organização e participação em partidos políticos: a Constituição 
Federal regulamentou os partidos políticos como instrumentos necessários e importantes para 
preservação do Estado Democrático de Direito, assegurando-lhes autonomia e plena liberdade de 
atuação, para concretizar o sistema representativo. 
 
CAIU NA PROVA DELEGADO – PCGO (2022)! 
 
- Os nascidos no estrangeiro são considerados brasileiros natos, desde que o pai brasileiro ou a mãe brasileira 
esteja a serviço da República Federativa do Brasil. 
 
- Aos partidos políticos é garantido o acesso, de forma gratuita, ao rádio e à televisão, na forma da lei, desde 
que atenda a condições estabelecidas na constituição, sendo uma delas a de que tenham eleito em seus 
quadros pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da 
Federação. 
 
- Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma renda básica familiar, garantida 
pelo poder público em programa permanente de transferência de renda, na forma da lei. 
 
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 - Os partidos políticos, que adquirem personalidade jurídica na forma da lei civil, devem registrar seus 
respectivos estatutos perante o Tribunal Superior Eleitoral. 
 
(Todos os itens corretos) 
 
2.7 Destinatários 
 
Os destinatários das normas dos direitos individuais, que são os direitos fundamentais, são os seres 
humanos, os indivíduos. Isso porque os direitos fundamentais surgiram com o intuito de proteção do 
indivíduo em face das arbitrariedades do Estado. 
Segundo dispõe o art. 5º, caput, da CF/88, os destinatários dos direitos fundamentais elencados na 
Carta Maior são: os brasileiros e os estrangeiros residentes no Brasil. 
 
CF/88 Art. 5º: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos 
seguintes: 
 
● E os estrangeiros não residentes no Brasil que apenas se encontram em trânsito no solo nacional? 
 R.: Para a doutrina, os estrangeiros não residentes no Brasil também são destinatários de direitos 
fundamentais conforme interpretação sistemática. Veja: 
 
Dirley da Cunha - “O artigo 5º, caput deve ser interpretado a partir da unidade da 
Constituição, para se entender que todas as pessoas, físicas ou jurídicas, nacionais 
ou estrangeiras, com residência ou não no Brasil, são destinatárias dos direitos e 
garantias fundamentais previstas na CF, salvo quando a própria Carta Maior excluir 
algumas delas”. 
 
Professor Bruno Pinheiro - A característica da universalidade dos direitos 
fundamentais fundamenta a interpretação extensiva do art. 5º, caput, da CF/88, 
permitindo a aplicação dos direitos fundamentais aos apátridas, aos estrangeiros 
não residentes no país. 
 
Como o tema foi cobrado (CESPE/2022/PC-RJ/Delegado de Polícia): 
Com relação ao direito à igualdade, expressamente previsto no art. 5.º da Constituição Federal de 1988, 
assinale a opção correta. 
E Analisando-se o princípio da igualdade com relação ao particular, verifica-se que este não poderá tratar os 
demais membros da sociedade de maneira discriminatória, atingindo direitos fundamentais por meio de 
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condutas preconceituosas, sob pena de responsabilização civil e até mesmo criminal, quando o ato for 
tipificado como crime. Assim, é vedado ao particular, na contratação de empregados, por exemplo, utilizar 
qualquer critério discriminatório com relação a sexo, idade, origem, raça, cor, religião ou estado civil. 
 
Há, portanto, direitos que se asseguram a todos, independentemente da nacionalidade do 
indivíduo, porquanto são considerados emanações necessárias do princípio da dignidade da pessoa 
humana. Alguns direitos, porém, são dirigidos ao indivíduo enquanto cidadão, tendo em conta a situação 
peculiar que o liga ao País. Assim, os direitos políticos pressupõem exatamente a nacionalidade brasileira. 
Direitos sociais, como o direito ao trabalho, tendem a ser também não inclusivos dos estrangeiros sem 
residência no País (MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. 
Curso de Direito Constitucional, 5ª ed., pg.350-351. São Paulo: Saraiva, 2010). 
 
● Pessoas jurídicas são titulares de direitos fundamentais? 
 R.: Para a maioria da doutrina e o STF, SIM! Pessoa Jurídica de Direito Privado e Pessoa Jurídica de 
Direito Público podem ser titulares, bastando analisar casuisticamente quais direitos fundamentais se 
compatibilizam com a condição de pessoa jurídica. 
 Naturalmenteque o direito fundamental deve estar em harmonia com a natureza jurídica da pessoa 
jurídica. Ex. podem sofrer dano moral (súmula 227 do STJ), mas não podem impetrar HC. 
 Atenção (1): existem direitos fundamentais catalogados na CF que são concebidos especificamente 
para as pessoas jurídicas. – art. 5º, XIX, XXI, etc. 
 
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas 
atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito 
em julgado; 
 XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm 
legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; 
 
 Atenção (2): pessoas jurídicas de direito público, apesar de integrarem o Estado (polo passivo dos 
direitos fundamentais), gozam de direitos fundamentais, desde que compatíveis com a sua condição. 
 
2.8 Os Direitos Fundamentais na Constituição Federal de 1988 
 
 A CF de 88 estabeleceu um rol compromissório de direitos fundamentais que condensa diversas 
ideologias consagradas em direitos de 1º, 2ª e 3ª dimensões. 
 Nos aproximamos do denominado liberalismo igualitário, que busca se equilibrar entre a proteção 
das liberdades civis e a redução das desigualdades sociais. 
 
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 Obs.1: princípio da indivisibilidade - os direitos das diferentes gerações não se excluem, na verdade, 
se interpenetram, sofrendo influência mútua. Ou seja, uma geração fortalece o advento da outra. Isto porque 
compõem um conjunto único de direitos que se relacionam entre si de forma harmônica. De acordo com 
este princípio, todos os direitos humanos devem contar com a mesma proteção jurídica. 
 Obs.2: não há hierarquia entre os direitos fundamentais, pois a Constituição brasileira não permite 
hierarquização prévia e abstrata entre os direitos fundamentais. 
 
2.8.1. Não taxatividade dos direitos fundamentais e tratados de direitos humanos 
 
O ordenamento jurídico brasileiro adotou um sistema aberto de direitos fundamentais, não se 
podendo considerar taxativo o rol do seu artigo 5º. 
 
Art. 5º, § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem 
outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados 
internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 
 
Ingo Sarlet faz a seguinte divisão: 
a) Direitos formalmente constitucionais → os incluídos pelo Poder Constituinte originário no catálogo 
de direitos fundamentais (estão presentes no art. 5º ou no título II da CF/88). 
b) Direitos materialmente constitucionais → direitos que não se encontram no rol formal da CF/88, 
mas possuem status de fundamentais haja vista seu conteúdo jusfundamental (não importando o 
local de positivação). A baliza para saber qual conteúdo confere à norma status de direito 
fundamental é a dignidade da pessoa humana (princípio-matriz de todos os direitos fundamentais 
e fundamento da República Federativa do Brasil). A fundamentalidade material dos direitos 
fundamentais decorre da abertura da Constituição a outros direitos fundamentais não 
expressamente constitucionalizados. O aspecto material dos direitos fundamentais nasce da 
essência do seu conteúdo substancial normativo. CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito 
constitucional e teoria da constituição. 4º ed. Coimbra: Almedina. 
 
 Conforme ensina André de Carvalho Ramos, a abertura dos direitos humanos pode se dar de 
forma nacional ou internacional. A abertura internacional ocorre quando são editados novos tratados ou 
mesmo com os avanços na proteção internacional dos direitos humanos. Por sua vez, a abertura nacional 
ocorre através da inclusão de novos direitos fundamentais em nosso ordenamento e também com a 
interpretação evolutiva e ampliativa dos tribunais nacionais. 
 A cláusula materialmente aberta prevista no §2º do art. 5º da CF/88 decorre do reconhecimento da 
dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado (art. 1º, III). A consequência disso é que o rol de 
direitos fundamentais é meramente exemplificativo. 
 
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2.8.2. Hierarquia dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos 
 
 O art. 5º, §3º da CF/88 foi introduzido pela EC 45/2004 (conhecida como reforma do Poder 
Judiciário). 
 Esse dispositivo prevê que os tratados internacionais sobre direitos humanos que observarem o 
procedimento de incorporação análogo ao das Emendas Constitucionais terão paridade normativa, isto é: 
terão status normativo de emendas constitucionais. 
 Que procedimento de incorporação é esse? 
● Aprovação em cada Casa do Congresso Nacional; 
● Em 2 turnos de votação; 
● Com pelo menos 3/5 dos votos dos respectivos membros. 
 
● E os tratados internacionais de direitos humanos que não observarem o procedimento especial do 
art. 5º, §3º da CF, não sendo aprovados pelo quórum constitucional? 
 R.: Segundo a doutrina majoritária e o Supremo Tribunal Federal, os Tratados Internacionais de 
Direitos Humanos internalizados sem a observância do procedimento estabelecido no art. 5, §3º, da CF/88 
terão hierarquia normativa supralegal: acima das leis e abaixo da Constituição. 
 Esse status normativo de supralegalidade tem o efeito de bloquear a legislação infraconstitucional 
que com eles seja incompatível, análise de compatibilidade que é chamado de controle de convencionalidade 
pela doutrina especializada. 
 O controle de convencionalidade pode ocorrer de forma concentrada ou difusa. O controle 
concentrado se restringe ao STF e somente os tratados internacionais de direitos humanos incorporados nos 
moldes do art. 5º, § 3º, CF/88 funcionam como paradigma. Acrescente-se que o autor Valério Mazzuoli 
sustenta a utilização analógica das ações do controle concentrado em tais situações, de modo que é possível 
a propositura de ação direta de “inconvencionalidade” ou ação declaratória de “convencionalidade”. O 
controle difuso, por sua vez, pode (em verdade, deve) ser realizado por qualquer juiz ou tribunal e tem como 
paradigma tanto os tratados de direitos humanos equivalentes às ECs quanto os demais tratados 
internacionais de direitos humanos que sejam ratificados pelo Brasil. 
 
 Por fim, os Tratados Internacionais que não versam sobre direitos humanos terão hierarquia 
infraconstitucional, com status normativo equivalente à lei ordinária. 
 
RESUMINDO: 
Tratado internacional SOBRE DIREITOS 
HUMANOS, aprovado pelo mesmo rito da 
Emenda Constitucional (art. 5º, §3º) 
 
 
 
Status normativo de emenda constitucional. 
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Tratado internacional SOBRE DIREITOS 
HUMANOS, aprovado com quórum 
diverso das emendas constitucionais 
 
 
Status normativo de supralegalidade: superior 
às leis e inferior à Constituição. 
Tratados Internacionais QUE NÃO 
VERSAM SOBRE DIREITOS HUMANOS 
Independente do procedimento e quórum de 
votação terão status normativo de leis 
ordinária. 
 
2.9 Deveres Fundamentais 
 
 Além de direitos fundamentais, há os deveres fundamentais. A doutrina é vasta em discorrer sobre 
os direitos fundamentais, porém, pouca atenção se dá aos deveres fundamentais. Conforme o professor 
Pedro Lenza “diante da vida em sociedade, devemos pensar, também, a necessidade de serem observados 
os deveres, pois muitas vezes o direito de um indivíduo depende do dever do outro em não violar ou impedir 
a concretização do referido direito” (LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, pg. 1154). 
Conforme o autor Bernardo Gonçalves 
Porém, em detrimento dessa conduta, o Estado Social e o constitucionalismo social, 
bem como o Estado Democrático de Direito e atual constitucionalismo do Estado 
Democrático de Direito, vão buscar inspiração na tutela dos interesses da 
comunidade (e não só do indivíduo considerado isoladamente). Esses ditos valoressociais, que convivem (ou devem conviver em equilíbrio em uma democracia) com 
os projetos e concepções individuais (de vida), devem ser respeitados e tutelados 
pelo Estado e também pelos particulares. Nesses termos, "O reconhecimento de 
deveres fundamentais diz respeito à participação ativa dos cidadãos na vida pública 
e implica em um empenho solidário (de responsabilidade social) de todos na 
transformação das estruturas sociais”. Surge, então, daí a noção de deveres 
fundamentais. 
 
Pode-se esquematizar alguns deveres fundamentais: 
-Dever de efetivação dos direitos fundamentais Estado prestacionista; 
-Deveres específicos do Estado diante dos indivíduos - ex. dever de indenizar o condenado por erro 
judiciário; 
-Deveres de criminalização do Estado - ex. art. 5°, XLIII, da CRFB; 
- Deveres dos cidadãos e da sociedade - ex. serviço militar obrigatório; 
- Dever de exercício do direito de forma solidária e levando em consideração os interesses da 
sociedade - ex. direito de propriedade que se leva em consideração o exercício conforme a sua função social; 
- Deveres implícitos - o direito de uma pessoa pressupõe o dever de todas as demais. 
 
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2.10 Alguns direitos individuais – rol do art. 5º da CF/88 
 
A. DIREITO À VIDA: 
 
CRFB, Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos 
seguintes: 
 
Está relacionado à existência física de um ser humano. O art. 5º, caput, da CF assegura a 
inviolabilidade do direito à vida em relação ao Estado e em relação aos demais indivíduos. 
Inviolabilidade difere de irrenunciabilidade: a inviolabilidade diz respeito à proteção de um direito 
em face de outras pessoas, enquanto que a irrenunciabilidade diz respeito à proteção de um direito em face 
do próprio titular. 
O direito à vida compreende o direito ao mínimo necessário a uma existência digna, que abrange: 
 
1. Direito à integridade física: direito à saúde, vedação de pena de morte, proibição do aborto, 
etc; 
2. Direito a condições materiais e espirituais mínimas necessárias a uma existência digna. 
 
● Dupla acepção do direito à vida (NOVELINO, 2017, p. 325): 
 
1. Acepção positiva: está associada ao direito à existência digna, que assegura o acesso a bens 
e utilidades indispensáveis para isso. Ela não se limita ao mínimo existencial, pois garante 
também pretensões de caráter material e jurídico, de modo que os poderes públicos devem 
adotar medidas positivas de proteção da vida, de amparo material e de emissão de normas 
protetivas; 
 
2. Acepção negativa: é o direito assegurado a todo e qualquer ser humano de permanecer vivo. 
É um direito de defesa e um pressuposto elementar para o exercício de todos os demais 
direitos. Uma decorrência dessa acepção é a proibição da pena de morte (art. 5º, XLVII, “a”, 
da CF). 
 
Atenção! Não existe direito fundamental absoluto, todos são relativos, de modo que nenhum direito 
fundamental está hierarquicamente em superioridade em relação a outro. Ora, se não existe direito 
fundamental absoluto e se todos eles são relativos, não se pode admitir que o direito à vida esteja 
hierarquicamente superior a qualquer outro, pelo simples fato de ser direito à vida. 
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A ponderação de direitos depende de uma análise no caso concreto (nunca em abstrato) que deve 
sempre levar em consideração o princípio pro homine (pro persona), em que o intérprete prefira a 
interpretação dos direitos humanos que seja mais favorável à pessoa e a máxima efetividade, de modo que 
se alcance o maior proveito possível para o titular, com o menor sacrifício aos titulares dos demais direitos. 
Contudo, considerando-se que são inevitáveis algumas colisões de direitos fundamentais, é possível 
que estes sofram limitações diante de outros que sejam igualmente relevantes. Assim, de forma excepcional, 
pode haver a restrição ou mesmo a derrogação de alguns direitos. Exemplo de que o direito à vida não é um 
direito absoluto: existência da pena de morte no ordenamento jurídico brasileiro. 
 Contudo, vale ressaltar que nem mesmo o poder constituinte originário poderia ampliar as 
hipóteses de pena de morte diante da observância do princípio da continuidade e proibição do retrocesso. 
 
DESACORDOS MORAIS RAZOÁVEIS 
 
Segundo o professor Pedro Lenza: Desacordos morais razoáveis surgem em razão de inexistência de consenso 
em relação a temas polêmicos e com entendimentos antagônicos e diametralmente opostos e que se fundam 
em conclusão racional, como, por exemplo, a interrupção da gravidez. Assumir uma das posições significa 
negar a outra, e essa realidade é marca de uma sociedade plural, característica das democracias modernas 
(posições religiosas, morais, filosóficas etc.). 
Nessas matérias, como regra geral, o papel do direito e do Estado deve ser o de assegurar que cada pessoa 
possa viver sua autonomia da vontade e suas crenças. 
Exemplos: interrupção de gestação, pesquisas com células-tronco embrionárias, eutanásia/ortotanásia, 
uniões homoafetivas, etc. 
 
JURISPRUDÊNCIA SOBRE DIREITO À VIDA: 
 
1) ADI 3510 – Pesquisa em Células Tronco Embrionárias 
O art. 5º da Lei de Biossegurança autoriza a utilização do material biológico para fins de pesquisa, 
terapia, etc., desde que sejam embriões inviáveis, ou, ainda que embriões viáveis, com mais de três anos de 
armazenamento. Veja: 
 
Art. 5o É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco 
embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e 
não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições: 
I - sejam embriões inviáveis; ou 
II - sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação desta 
Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem 
3 (três) anos, contados a partir da data de congelamento. 
§ 1o Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores. 
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§ 2o Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa ou terapia 
com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à 
apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa. 
§ 3o É vedada a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e 
sua prática implica o crime tipificado no art. 15 da Lei no 9.434, de 4 de fevereiro 
de 1997. 
 
O art.5º foi impugnado na sua constitucionalidade porque se chegou a cogitar eventual violação da 
dignidade da pessoa humana, por considerar que o ser humano estaria sendo tratado como coisa. 
Decisão do STF: o STF concluiu, por votação bastante apertada, que as pesquisas com célula-tronco 
embrionária, nos termos da lei, não violam o direito à vida. A constatação de que a vida começa com a 
existência do cérebro (segundo o STF e sem apresentar qualquer análise axiológica ou filosófica) estaria 
estabelecida, também, no art. 3.º da Lei de Transplantes, que prevê a possibilidade de retirada de tecidos, 
órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento depois da morte desde que se 
constate a morte encefálica. Logo, para a lei, o fim da vida dar-se-ia com a morte cerebral, razão pela qual é 
nessa linha que o conceito de vida está ligado (surgimento do cérebro). 
Conclusão: O art. 5° da Lei nº 11.105/2005 (Lei de Biossegurança) é plenamente constitucional, não 
havendo qualquer violação ao direito à vida. Isso porque o art. 5° toma os cuidados necessários, usa 
efetivamente as pesquisas científicas para fins terapêuticos, etc., sem trazer nenhum efeito deletério ou 
coisificante para a pessoaque forneceu o material biológico. 
 
2) ADPF 54 – Aborto de Feto Anencéfalo 
Desconsiderando os aspectos moral, ético ou religioso, tecnicamente, em relação à interrupção da 
gravidez de feto anencéfalo, desde que se comprove, por laudos médicos, com 100% de certeza, que o feto 
não tem cérebro e não há perspectiva de sobrevida. 
Nessa linha de desenvolvimento, o STF, para seguir a lógica do julgamento anterior (célula-tronco), 
teria de autorizar a possibilidade de antecipação terapêutica do parto. A imposição estatal da manutenção 
de gravidez cujo resultado final será irremediavelmente a morte do feto vai de encontro aos princípios 
basilares do sistema constitucional, mais precisamente à dignidade da pessoa humana, à liberdade, à 
autodeterminação, à saúde, ao direito de privacidade, ao reconhecimento pleno dos direitos sexuais e 
reprodutivos de milhares de mulheres. 
Conforme o Ministro MArco Aurélio, “o ato de obrigar a mulher a manter a gestação, colocando-a 
em uma espécie de cárcere privado em seu próprio corpo, desprovida de um mínimo essencial de 
autodeterminação e liberdade, assemelha-se à tortura ou a um sacrifício que não pode ser pedido a qualquer 
pessoa ou dela exigido.” 
O STF, então, julgou procedente o pedido formulado para declarar a inconstitucionalidade de 
interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencéfalo é conduta tipificada nos arts. 124, 
126 e 128, I e II, todos do Código Penal. Assim, enalteceu o direito à dignidade da pessoa humana, à liberdade 
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no campo sexual, à autonomia, à privacidade, à integridade física, psicológica e moral e à saúde. Em outras 
palavras: o STF excluiu qualquer interpretação no sentido de que a interrupção da gestação de feto 
anencéfalo pudesse ser catalogada como aborto. Justamente por isso fala-se que não se trata de aborto, mas 
sim de uma interrupção da gestação em razão da inexistência de uma vida possível. Os fundamentos foram, 
dentre outros, direito à dignidade da pessoa humana, à liberdade no campo sexual, à autonomia, à 
privacidade, à integridade física, psicológica e moral e à saúde. 
 
3) HC 124.306 - Interrupção voluntária da gestação no primeiro trimestre 
O STF conferiu interpretação conforme à Constituição aos arts. 124 a 126 do Código Penal para excluir 
do seu âmbito de incidência a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre. Os 
Ministros entenderam que a criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, 
bem como o princípio da proporcionalidade, nos termos do voto do Min. Barroso (HC 124.306, j. 29.11.2016, 
DJE de 17.03.2017). Os fundamentos também foram, dentre outros, direito à dignidade da pessoa humana, 
à liberdade no campo sexual, à autonomia, à integridade física, psicológica e moral e à saúde. 
Mas atenção, diante do exposto, a interrupção da gravidez no primeiro trimestre não deixou de ser 
considerada crime, já que a questão decidida pela 1 a Turma do STF foi na concessão de HC e, portanto, sem 
caráter vinculante. 
 
4) Distanásia, eutanásia, suicídio assistido e ortotanásia 
Distanásia: também chamada de obstinação terapêutica ou medical futility, trata-se de conduta onde 
não se prolonga a vida propriamente dita, mas o processo de morrer. No Brasil, a exposição de motivos da 
Resolução nº 1.805/2006 do Conselho Federal de Medicina permite ao médico limitar ou suspender 
procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente em fase terminal, de enfermidade grave e 
incurável, respeitada a vontade da pessoa ou de seu representante legal. De acordo com Jean Robert Debray, 
são procedimentos terapêuticos cujos efeitos são mais nocivos do que o próprio mal a ser curado e acabam 
por negar a dignidade da vida humana. 
Eutanásia: conhecida como “morte serena”, “morte doce” ou “boa morte”, tem o fim de abreviar a 
vida do doente terminal. É uma ação médica intencional com exclusiva finalidade benevolente de pessoa que 
se encontre em situação irreversível e incurável, padecendo de intensos sofrimentos físicos e psíquicos. De 
acordo com Lenza: 
“Atualmente, não tendo ainda o STF apreciado a matéria, a eutanásia enseja a 
prática do crime previsto no art. 121, § 1.º, CP, qual seja, homicídio privilegiado, já 
que praticado por motivo de relevante valor moral e, por esse motivo, a prescrição 
normativa da causa de diminuição de pena. Alguns autores o denominam 
‘homicídio por piedade’.” 
 
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Acrescente-se que a eutanásia ativa não se confunde com a eutanásia passiva. Esta última consiste 
na omissão de um tratamento que poderia garantir a continuidade da vida ao passo que a primeira é a ação 
deliberada de matar (seja ministrando medicamento ou suprimindo tratamento já iniciado). 
Suicídio assistido: em algumas situações, a pessoa doente em estágio terminal quer pôr fim ao seu 
sofrimento, contudo, em virtude das suas debilidades, não tem condições de o fazer sem auxílio. 
Ortotanásia: é uma prática sensível ao processo de humanização da morte, consistindo em uma 
aceitação desta, permitindo que ela siga seu curso. Visa aliviar as dores sem incorrer em prolongamentos 
abusivos que imponham sofrimentos adicionais. Para a doutrina, seria uma forma de eutanásia ativa indireta 
em que os mecanismos de sustentação artificial da vida são retirados ou de eutanásia passiva, onde não se 
inicia uma ação médica. De acordo com Ingo Sarlet: “A ideia de bom senso, prudência e razoabilidade deve 
ser considerada, deixando claro não haver, ao menos explicitamente, qualquer vedação constitucional ao 
dito ‘direito de morrer com dignidade’ (...).” 
 
B. DIREITO À IGUALDADE: 
 
Está previsto no art. 5º, caput e inciso I, da CF/88: 
 
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se 
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...). 
 
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta 
Constituição; 
 
a) Concepções da igualdade: 
● Concepção formal: é a igualdade perante a lei e perante o Estado. Por essa concepção, a igualdade 
impede que os indivíduos sejam tratados pelos poderes públicos de maneira diversa. Trata-se de 
uma concepção estática e negativa, insuficiente para solucionar as desigualdades sociais; 
● Concepção material: representa o tratamento igual dos iguais e o tratamento desigual daqueles em 
situações desiguais. Por essa concepção, a igualdade deve adotar critérios distintivos justos e 
razoáveis, de modo que os poderes públicos devem adotar medidas concretas para reduzir ou 
compensar desigualdades. 
 
IGUALDADE FORMAL IGUALDADE MATERIAL 
É a igualdade perante a lei e perante o 
Estado, impedindo que os indivíduos sejam 
É o tratamento igual dos iguais e o 
tratamento desigual aos desiguais na medida 
em que se desigualam. 
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tratados pelos poderes públicos de maneira 
diversa 
 
Deve adotar critérios distintivos justos e 
razoáveis, de modo que os poderes públicos 
devem adotar medidas concretas para 
reduzir ou compensar desigualdades 
 
 Confira a dica da Professora Thaianne: 
 
https://youtu.be/f6uK8WsoSnM 
 
 
b) Dimensões da igualdade (NOVELINO, 2017, p. 340): 
 
● Dimensão objetiva: é a igualdade compreendida como princípio material estruturante do Estado 
brasileiro que impõe o tratamento igual para os iguais e desigual para os desiguais, bem como ações 
voltadas à redução das desigualdades sociais e regionais; 
● Dimensão subjetiva: confere a indivíduos e grupos posições jurídicas de caráter negativo (proteção 
contra diferenciações ou igualizações arbitrárias) e de caráter positivo (direito a exigir determinadas 
prestaçõesmateriais e jurídicas destinadas à redução de desigualdades). 
 
Certo é que, no atual Estado Democrático de Direito, deve-se buscar, não somente a igualdade formal 
(consagrada no liberalismo clássico), mas, principalmente, a igualdade material. Isso porque, no Estado social 
ativo, efetivador dos direitos humanos, imagina-se uma igualdade mais real perante os bens da vida, diversa 
daquela apenas formalizada em face da lei. 
Vejamos alguns exemplos de ações afirmativas (discriminações positivas/medidas de compensação) 
reconhecidas pelo STF: 
 
◘ Cotas raciais: 
 O STF, na ADPF 186, considerou constitucional a política de cotas étnico-raciais para seleção de 
estudantes da Universidade de Brasília (UnB). Além disso, o STF declarou o reconhecimento da 
https://youtu.be/f6uK8WsoSnM
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proclamação na Constituição da igualdade material, sendo que, para assegurá-la, “o Estado poderia lançar 
mão de políticas de cunho universalista — a abranger número indeterminado de indivíduos — mediante 
ações de natureza estrutural; ou de ações afirmativas — a atingir grupos sociais determinados — por meio 
da atribuição de certas vantagens, por tempo limitado, para permitir a suplantação de desigualdades 
ocasionadas por situações históricas particulares. 
 Ainda, o STF declarou que “é constitucional a reserva de 20% das vagas oferecidas nos concursos 
públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública direta 
e indireta. É legítima a utilização, além da autodeclaração, de critérios subsidiários de heteroidentificação, 
desde que respeitada a dignidade da pessoa humana e garantidos o contraditório e a ampla defesa”. STF. 
Plenário. ADC 41/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/6/2017 (Info 868). 
 
◘ PROUNI – Programa Universidade para Todos: 
 O STF julgou constitucional o PROUNI, como importante fator de inserção social e cumprimento do 
art. 205 da CF/88, que estabeleceu ser a educação direito de todos e dever do Estado e da família. Ainda, o 
programa encontra-se em sintonia com diversos dispositivos da Constituição que estabelecem a redução de 
desigualdades sociais. 
 
◘ Lei Maria da Penha: 
 O STF julgou procedente a ADC 19, para declarar a constitucionalidade dos arts. 1.º, 33 e 41 da Lei n. 
11.340/2006 (Lei Maria da Penha), tendo por fundamento o princípio da igualdade, bem como o combate ao 
desprezo às famílias, sendo considerada a mulher a sua célula básica. 
 Na mesma assentada, por maioria e nos termos do voto do Relator, o STF julgou procedente a ADI 
4.424, para, dando interpretação conforme os arts. 12, I, e 16, ambos da Lei n. 11.340/2006 (Lei Maria da 
Penha), declarar a natureza incondicionada da ação penal em caso de crime de lesão, pouco importando a 
extensão desta, praticado contra a mulher no ambiente doméstico. 
 
C. DIREITO À DIGNIDADE HUMANA: 
É um valor, um princípio, servindo como parâmetro para a definição dos direitos formal e 
materialmente fundamentais. 
 
ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL5 
 - Inspiração: Corte Constitucional Colombiana. 
 - Definição: Quadro insuportável de violação massiva de direitos fundamentais, agravado pela inércia 
continuada das autoridades. 
 - Pressupostos: 
 
5 Para aprofundamento do julgado: http://www.dizerodireito.com.br/2015/09/entenda-decisao-do-stf-sobre-
o-sistema.html 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
DELEGADO DE POLÍCIA 
 
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● Violação generalizada e sistemática de direitos fundamentais; 
● Inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a 
conjuntura; 
● Situação que exige a atuação de uma pluralidade de autoridades públicas. 
Caiu em prova (CESPE, PCRJ/2022) e foi considerada CORRETA a seguinte afirmativa: A respeito da figura 
denominada Estado de coisas inconstitucional, é correto afirmar que: encontra fundamento nos casos de 
inadimplemento reiterado de direitos fundamentais pelos poderes do Estado, sem que haja possibilidade 
de remédio para vias tradicionais, ocasião em que o tribunal assume o papel de coordenador de políticas 
públicas por meio da denominada tutela estruturante. 
 
Análise pelo STF em ADPF (PSOL X União e Estados) – Concessão parcial de liminar para: 
● Obrigar a União a liberar o saldo acumulado no FUNPEN; 
● Implementação pelos juízes e Tribunais da audiência de custódia, no máximo em 90 (noventa) dias; 
● 
● Responsabilidade dos três poderes e de todos os entes Federativos. 
● No julgado, entendeu-se que incumbiria ao STF retirar os demais poderes da inércia, coordenando ações 
para resolver os problemas e monitorar resultados. Porém, NÃO cabe ao Judiciário definir o conteúdo 
dessas políticas públicas (ex: medidas judiciais para abater o tempo de prisão). 
 
IMPORTANTE: Transexuais e travestis com identificação com gênero feminino poderão optar por cumprir 
pena em presídio feminino ou masculino. 
Em 19.03.2021, o ministro Luís Roberto Barroso ajustou os termos de medida cautelar deferida em junho de 
2019, na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 527, de modo a determinar que 
presas transexuais e travestis com identidade de gênero feminino podem optar por cumprir penas em 
estabelecimento prisional feminino ou masculino. Nesse último caso, elas devem ser mantidas em área 
reservada, como garantia de segurança. 
De acordo com Barroso, e mencionando os Princípios de Yogyakarta (número 9), no Brasil, o direito das 
transexuais femininas e travestis ao cumprimento de pena em condições compatíveis com a sua identidade 
de gênero decorre, em especial, dos princípios constitucionais do direito à dignidade humana, à 
autonomia, à liberdade, à igualdade, à saúde, e da vedação à tortura e ao tratamento degradante e 
desumano. Decorre também da jurisprudência consolidada no STF no sentido de reconhecer o direito desses 
grupos a viver de acordo com a sua identidade de gênero e a obter tratamento social compatível com ela. 
Fonte: Site do STF 
 
D. DIREITO À SAÚDE 
 A saúde é direito de todos e dever do Estado (art. 196 da CF/88), sendo assegurada por meio de 
políticas sociais e econômicas que busquem: 
● A redução do risco de doença e de outros agravos; e 
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● O acesso universal e igualitário às ações e serviços voltados à sua promoção, proteção e 
recuperação. 
 
 Quando se fala na dimensão objetiva do direito à saúde, isso significa que, independentemente de 
um caso concreto, existe um dever jurídico geral do Poder Público de concretizar medidas para garantir as 
políticas públicas de saúde. 
 De acordo com Lenza, assim como os demais direitos sociais, tal direito possui duas vertentes. Uma 
positiva, onde se fomenta um Estado prestacionista para implementar o direito social; e outra negativa, onde 
o Estado ou particular devem se abster da prática de atos que sejam prejudiciais a terceiros. 
 Cuidar da saúde da população é uma competência COMUM que deve ser exercida por todos os entes 
federados. 
 
CRFB, Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e 
dos Municípios: 
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas 
portadoras de deficiência; 
 
 Quando se fala em “cuidar da saúde” isso abrange, obviamente, adotar medidas para salvar vidas e 
garantir a higidez física das pessoas ameaçadas ou acometidas pelo novo coronavírus (Covid-19). Vale 
relembrar que, no plano administrativo, esse dever é materializado por meio do Sistema Único de Saúde – 
SUS, previsto no art. 198, da CF/88: 
 
Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e 
hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as 
seguintes diretrizes: 
I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo; 
II - atendimento integral, comprioridade para as atividades preventivas, sem 
prejuízo dos serviços assistenciais; 
III - participação da comunidade. 
 
 O SUS é compatível com o federalismo cooperativo, adotado pelo Brasil, segundo o qual existe um 
entrelaçamento de competências e atribuições dos diferentes níveis governamentais. Veja a explicação do 
Professor Márcio Cavalcante: 
 
 A União tem o papel de coordenar as atividades do setor: A União exerce aquilo que a doutrina 
denomina de “competência de cooperação” e que consiste na obrigação constitucional de “planejar e 
promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e as inundações” 
(art. 21, XVIII, CF/88). Assim, compete à União assumir a coordenação das atividades do setor, incumbindo-
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lhe, em especial, “executar ações de vigilância epidemiológica e sanitária em circunstâncias especiais, como 
na ocorrência de agravos inusitados à saúde, que possam escapar do controle da direção estadual do SUS ou 
que representem risco de disseminação nacional”, conforme estabelece o disposto no art. 16, III, “a”, e 
parágrafo único, da Lei nº 8.080/90 (Lei Orgânica da Saúde). 
 
Estados-membros, DF e Municípios também podem atuar para suprir lacunas ou omissões: Não 
obstante constitua incumbência do Ministério da Saúde coordenar o PNI, tal atribuição não exclui a 
competência dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios de também atuarem porque se trata, 
conforme já explicado, de competência comum (art. 23, II, da CF/88). O ideal é que todas as vacinas seguras 
e eficazes sejam incluídas no PNI e que a União coordene nacionalmente o programa, de maneira a imunizar 
uniforme e tempestivamente toda a população. No entanto, o STF entende que é possível a atuação conjunta 
das autoridades estaduais e locais para o enfrentamento da covid, especialmente para suprir lacunas ou 
omissões do governo federal. 
 
 Nesse sentido, considerando a imensa relevância sobre o tema, é importantíssimo ficar atento às 
jurisprudências pertinentes: 
◘ São atípicas as condutas de submeter-se à vacinação contra covid-19 em local diverso do 
agendado e/ou com aplicação de imunizante diverso do reservado e/ou de submeter-se à 
vacinação sem a realização de agendamento. 
 
(Caso Wesley Safadão) 
No caso, o Tribunal de origem considerou que as condutas de submeter-se à 
vacinação contra covid-19 em local diverso do agendado, com aplicação de 
imunizante diverso do reservado e sem a realização de agendamento subsumir-se-
iam, em tese, aos tipos penais previstos nos arts. 312 (peculato) e 317, § 2º 
(corrupção passiva), do Código Penal. 
Essas condutas não se amoldam aos tipos em questão, em especial porque 
ausentes os elementos objetivos (verbos nucleares) contidos no art. 312 do Código 
Penal. Não houve apropriação, tampouco desvio de doses de vacina contra a covid-
19, já que destinadas à população em geral, grupo em que se enquadram os 
pacientes, uma vez que tinham o direito de ser vacinados (embora em local ou 
momento diverso). A saúde é um direito de todos, direito social que é assegurado 
pelo art. 6º da Carta Constitucional. 
De igual forma, é atípica a conduta de corrupção passiva na forma do § 2º 
(modalidade privilegiada) do art. 317 do Código Penal, porquanto, na modalidade 
privilegiada do tipo em questão, criminaliza-se, de maneira mais branda, a conduta 
do agente que pratica ato de ofício, com violação de dever funcional a pedido de 
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alguém que exerce algum tipo de influência sobre sua atuação, sem solicitação ou 
recebimento de vantagem ilícita. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 160.947-CE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado 
em 27/09/2022 (Info 752) 
 
◘ Em ação que pretende o fornecimento de medicamento registrado na ANVISA, ainda que não 
incorporado em atos normativos do SUS, é prescindível a inclusão da União no polo passivo da 
demanda. 
 
O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Tema 793 da Repercussão Geral, fixou 
tese no sentido de que "os entes da federação, em decorrência da competência 
comum, são solidariamente responsáveis nas demandas prestacionais na área da 
saúde, e diante dos critérios constitucionais de descentralização e hierarquização, 
compete à autoridade judicial direcionar o cumprimento conforme as regras de 
repartição de competências e determinar o ressarcimento a quem suportou o ônus 
financeiro" (STF, EDcl no RE 855.178/SE, Rel. p/ acórdão Ministro Edson Fachin, 
Pleno, DJe 16/04/2020). 
STJ. RMS 68.602-GO, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, por 
unanimidade, julgado em 26/04/2022, DJe 29/04/2022.(Info 734) 
 
◘ Não se pode utilizar verbas do Fundeb para combater à pandemia da Covid-19. 
Ainda que se reconheça a gravidade da pandemia da Covid-19 e os seus impactos 
na economia e nas finanças públicas, nada justifica o emprego de verba 
constitucionalmente vinculada à manutenção e desenvolvimento do ensino básico 
para fins diversos da que ela se destina. 
STF. Plenário. ADI 6490/PI, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 18/2/2022 (Info 
1044). 
 
◘ Estados, Distrito Federal e Municípios podem importar vacinas? 
 
Nas exatas palavras do STF: os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no caso 
de descumprimento do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra 
a Covid-19 ou na hipótese de cobertura imunológica intempestiva e insuficiente, 
poderão dispensar às respectivas populações: a) vacinas das quais disponham, 
previamente aprovadas pela Anvisa; e b) no caso não expedição da autorização 
competente, no prazo de 72 horas, vacinas registradas por pelo menos uma das 
autoridades sanitárias estrangeiras e liberadas para distribuição comercial nos 
respectivos países, bem como quaisquer outras que vierem a ser aprovadas, em 
https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28%28ROMS.clas.+ou+RMS.clap.%29+e+%40num%3D%2268602%22%29+ou+%28%28ROMS+ou+RMS%29+adj+%2268602%22%29.suce.
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caráter emergencial. STF. Plenário. ADPF 770 MC-Ref/DF e ACO 3451 MC-Ref/MA, 
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 24/2/2021 (Info 1006). 
 
◘ Poder Público pode determinar a vacinação compulsória contra a Covid-19 (o que é diferente de 
vacinação forçada) 
 
A tese fixada foi a seguinte: (A) A vacinação compulsória não significa vacinação 
forçada, por exigir sempre o consentimento do usuário, podendo, contudo, ser 
implementada por meio de medidas indiretas, as quais compreendem, dentre 
outras, a restrição ao exercício de certas atividades ou à frequência de 
determinados lugares, desde que previstas em lei, ou dela decorrentes, e (i) tenham 
como base evidências científicas e análises estratégicas pertinentes, (ii) venham 
acompanhadas de ampla informação sobre a eficácia, segurança e contraindicações 
dos imunizantes, (iii) respeitem a dignidade humana e os direitos fundamentais das 
pessoas; (iv) atendam aos critérios de razoabilidade e proporcionalidade, e (v) 
sejam as vacinas distribuídas universal e gratuitamente; e (B) tais medidas, com as 
limitações acima expostas, podem ser implementadas tanto pela União como pelos 
Estados, Distrito Federal e Municípios, respeitadas as respectivas esferas de 
competência. STF. Plenário. ADI 6586, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 
17/12/2020. 
 
◘ É ilegítima a recusa dos pais à vacinação compulsória de filho menor por motivo de convicção filosófica 
 
É constitucional a obrigatoriedade de imunização por meio de vacina que, 
registrada em órgão de vigilância sanitária, (i) tenha sido incluída no Programa 
Nacional de Imunizações ou (ii) tenha sua aplicação obrigatória determinada em lei 
ou (iii) seja objeto de determinação da União, estado, Distrito Federal ou município, 
com base em consenso médico-científico.Em tais casos, não se caracteriza violação 
à liberdade de consciência e de convicção filosófica dos pais ou responsáveis, nem 
tampouco ao poder familiar. STF. Plenário. ARE 1267879/SP, Rel. Min. Roberto 
Barroso, julgado em 16 e 17/12/2020 (Repercussão Geral – Tema 1103) (Info 1003). 
 
◘ União não pode requisitar seringas e agulhas que já foram contratadas pelo Estado-membro para o 
plano estadual de imunização e que ainda estão na indústria, apesar de já terem sido empenhados 
 
É incabível a requisição administrativa, pela União, de bens insumos contratados 
por unidade federativa e destinados à execução do plano local de imunização, cujos 
pagamentos já foram empenhados. A requisição administrativa não pode se voltar 
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contra bem ou serviço de outro ente federativo. Isso para que não haja indevida 
interferência na autonomia de um sobre outro. STF. Plenário. ACO 3463 MC-Ref/SP, 
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 8/3/2021 (Info 1008). 
 
◘ STF determinou que governo deveria detalhar a ordem de preferência na vacinação dentro dos grupos 
prioritários (quem deveria ser vacinado primeiro dentro do grupo prioritário) 
 
A pretensão de que sejam editados e publicados critérios e subcritérios de 
vacinação por classes e subclasses no Plano de Vacinação, assim como a ordem de 
preferência dentro de cada classe e subclasse, encontra arrimo: • nos princípios da 
publicidade e da eficiência que regem a Administração Pública (art. 37, da CF/88); 
• no direito à informação que assiste aos cidadãos em geral (art. 5º, XXXIII, e art. 
37, § 2º, II); • na obrigação da União de “planejar e promover a defesa permanente 
contra as calamidades públicas” (art. 21, XVII); • no dever incontornável cometido 
ao Estado de assegurar a inviolabilidade do direito à vida (art. 5º, caput), traduzida 
por uma “existência digna” (art. 170); e • no direito à saúde (art. 6º e art. 196). STF. 
Plenário. ADPF 754 TPI-segunda-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado 
em 27/2/2021 (Info 1007). 
 
◘ É dever do Poder Público elaborar e implementar plano para o enfrentamento da pandemia COVID-
19 nas comunidades quilombolas 
 
O STF determinou que a União elaborasse plano de combate à Covid-19 para 
população quilombola, com a participação de representantes da Coordenação 
Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – Conaq. 
Além disso, o STF deferiu pedido para suspender os processos judiciais, 
notadamente ações possessórias, reivindicatórias de propriedade, imissões na 
posse, anulatórias de processos administrativos de titulação, bem como os recursos 
vinculados a essas ações, sem prejuízo dos direitos territoriais das comunidades 
quilombolas até o término da pandemia. STF. Plenário. ADPF 742/DF, Rel. Min. 
Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 24/2/2021 (Info 
1006). 
 
◘ STF determina que governo federal adote medidas para conter o avanço da Covid-19 entre indígenas 
 
O Min. Roberto Barroso (relator) deferiu parcialmente a medida cautelar para que 
a União implemente, em resumo, as seguintes providências: Quanto aos povos 
indígenas em isolamento ou povos indígenas de recente contato: 1. Criação de 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/0da54aa0b1ee702d0c45af548b1a54c7?categoria=1&subcategoria=1&assunto=14
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/0da54aa0b1ee702d0c45af548b1a54c7?categoria=1&subcategoria=1&assunto=14
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barreiras sanitárias, que impeçam o ingresso de terceiros em seus territórios; 2. 
Criação de Sala de Situação, para gestão de ações de combate à pandemia quanto 
aos Povos Indígenas em Isolamento e de Contato Recente. Quanto aos povos 
indígenas em geral: 1. Inclusão de medida emergencial de contenção e isolamento 
dos invasores em relação às comunidades indígenas ou providência alternativa, 
apta a evitar o contato. 2. Imediata extensão dos serviços do Subsistema Indígena 
de Saúde. 3. Elaboração e monitoramento de um Plano de Enfrentamento da 
COVID-19 para os Povos Indígenas Brasileiros pela União. O Plenário do STF 
referendou a medida cautelar concedida. STF. Plenário. ADPF 709 Ref-MC/DF, Rel. 
Min. Roberto Barroso, julgado em 3 e 5/8/2020 (Info 985). 
 
Ademais, o Poder Judiciário pode determinar, ante injustificável inércia estatal, que o Poder 
Executivo adote medidas necessárias à concretização de direitos constitucionais dos indígenas:: Não 
procede o argumento de ingerência indevida do Poder Judiciário nas diretrizes de políticas públicas, 
notadamente quando se cuida de reconhecer a omissão estatal na adoção de providências específicas (arts. 
26 e 27 da Lei n. 6.001/1973) para a concretização de direitos constitucionais dos indígenas (art. 231 da 
CF/1988). Com efeito, segundo a jurisprudência do STJ, quando configurada hipótese de injustificável inércia 
estatal e não houver comprovação objetiva da incapacidade econômico-financeira do ente público, o Poder 
Judiciário pode determinar que o Poder Executivo adote medidas necessárias ao cumprimento dos direitos 
e garantias fundamentais, nos termos previstos no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. STJ. REsp 
1.623.873-SE, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 26/04/2022, DJe 
28/04/2022. (Info 734) 
 
 
https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%27201602322200%27.REG.
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META 4 
 
DIREITO CONSTITUTICIONAL: DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (PARTE II) 
 
E. DIREITO À INTEGRIDADE 
 
A Carta Magna proíbe a prática de lesões, psíquica e moral (provocação de dor interna e sofrimento). 
Ademais, veda a prática da tortura, bem como qualquer tipo de comercialização de órgãos, tecidos e 
substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento (art. 199, §4º). 
 
F. PROIBIÇÃO DA TORTURA 
Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante 
(art. 5º, XLIII, da CF/88). 
 
● Não esquecer que parcela da doutrina defende que o direito de não ser torturado é um exemplo de 
direito fundamental absoluto, sendo uma exceção à característica da relatividade dos direitos 
fundamentais. 
 
● Uso de algemas e a Súmula Vinculante 11: “o uso legítimo de algemas não é arbitrário, sendo de 
natureza excepcional, a ser adotado nos casos e com as finalidades de impedir, prevenir ou dificultar a 
fuga ou reação indevida do preso, desde que haja fundada suspeita ou justificado receio de que tanto 
venha a ocorrer, e para evitar agressão do preso contra os próprios policiais, contra terceiros ou contra 
si mesmo. O emprego dessa medida tem como balizamento jurídico necessário os princípios da 
proporcionalidade e da razoabilidade” (HC 89.429, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 22.08.2006, DJ de 
02.02.2007). 
 
Súmula Vinculante nº 11: Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de 
fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte 
do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de 
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade 
da prisão ou do ato processo a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil 
do Estado. 
 
 
 
G. DIREITO À PRIVACIDADE – DIMENSÕES 
 
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120 
 
Art. 5°, X, da CRFB - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das 
pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de 
sua violação; 
 
● Intimidade: é o direito de estar só (right to be alone) e o direito de ser deixado em paz. 
● Vida privada: é o direito do indivíduo de ser do modo que quiser, sem a intervenção de outrem. 
● Honra: ligada à honraobjetiva (visão da sociedade) e honra subjetiva (visão da própria pessoa). 
● Imagem: é a representação da pessoa, por meio de desenhos, fotografias. 
 
É incompatível com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento, assim 
entendido como o poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação 
de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e publicados em meios de 
comunicação social analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos no 
exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a 
caso, a partir dos parâmetros constitucionais – especialmente os relativos à 
proteção da honra, da imagem, da privacidade e da personalidade em geral – e as 
expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível. STF. Plenário. RE 
1010606/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2021 (Repercussão Geral – 
Tema 786) (Info 1005). 
 
O direito à retratação e ao esclarecimento da verdade possui previsão na 
Constituição da República e na Lei Civil, não tendo sido afastado pelo Supremo 
Tribunal Federal no julgamento da ADPF 130/DF. O princípio da reparação integral 
(arts. 927 e 944 do CC) possibilita o pagamento da indenização em pecúnia e in 
natura, a fim de se dar efetividade ao instituto da responsabilidade civil. Dessa 
forma, é possível que o magistrado condene o autor da ofensa a divulgar a sentença 
condenatória nos mesmos veículos de comunicação em que foi cometida a ofensa 
à honra, desde que fundamentada em dispositivos legais diversos da Lei de 
Imprensa. STJ. 3ª Turma. REsp 1771866-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 
julgado em 12/02/2019 (Info 642). 
Fonte: Dizer o Direito 
 
É legítimo, desde que observados alguns parâmetros, o compartilhamento de 
dados pessoais entre órgãos e entidades da Administração Pública federal, sem 
qualquer prejuízo da irrestrita observância dos princípios gerais e mecanismos de 
proteção elencados na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 
13.709/2018) e dos direitos constitucionais à privacidade e proteção de dados. 
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STF. Plenário. ADI 6649/DF e ADPF 695/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 
15/9/2022 (Info 1068). 
 
● Privacidade e sigilo bancário e fiscal: o STF admite a quebra do sigilo pelo Judiciário ou por CPI (federal 
ou estadual, mas não municipal), mas resiste a que o MP possa requisitá-la diretamente, por falta de 
autorização legal específica, salvo a hipótese de existir procedimento administrativo investigando 
utilização indevida de patrimônio público. 
 
LC 105/2001 E QUEBRA DE SIGILO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA6 
- A Lei Complementar n.º 105/2001 atribui a agentes tributários, no exercício do poder de fiscalização, o 
poder de requisitar informações referentes à operação e serviços das instituições financeiras, 
independente de autorização judicial. Inicialmente, nos autos do RE 389808, o STF entendeu NÃO ser 
possível o afastamento do sigilo. 
 
- O STF entendeu possível o repasse das informações dos bancos para o Fisco, pelos seguintes argumentos, 
pois as informações são remetidas ao Fisco em caráter sigiloso e permanecem de forma sigilosa na 
Administração Tributária, inacessível a terceiros, não pode ser considerado violação do sigilo. 
 
É constitucional a requisição, sem prévia autorização judicial, de dados bancários 
e fiscais considerados imprescindíveis pelo Corregedor Nacional de Justiça para 
apurar infração de sujeito determinado, desde que em processo regularmente 
instaurado mediante decisão fundamentada e baseada em indícios concretos da 
prática do ato. STF. Plenário. ADI 4709/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 
27/5/2022 (Info 1056). 
 
Dados obtidos com a quebra de sigilo bancário não podem ser divulgados 
abertamente em site oficial. 
Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal devem 
ser mantidos sob reserva. Assim, a página do Senado Federal na internet não pode 
divulgar os dados obtidos por meio da quebra de sigilo determinada por comissão 
parlamentar de inquérito (CPI). STF. Plenário. MS 25940, Rel. Min. Marco Aurélio, 
julgado em 26/4/2018 (Info 899). 
Fonte: Dizer o direito. 
 
 
6 Para aprofundamento, sugerimos leitura do julgado comentado pelo Dizer o Direito: 
http://www.dizerodireito.com.br/2016/02/a-receita-pode-requisitar-das.html 
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● Privacidade, produção de relatórios de inteligência e vinculação ao interesse público – ADPF 
722/DF: 
 
Os órgãos do Sistema Brasileiro de Inteligência, conquanto necessários para a 
segurança pública, segurança nacional e garantia de cumprimento eficiente dos 
deveres do Estado, devem operar com estrita vinculação ao interesse público, 
observância aos valores democráticos e respeito aos direitos e garantias 
fundamentais. Nesse contexto, caracterizam desvio de finalidade e abuso de poder 
a colheita, a produção e o compartilhamento de dados, informações e 
conhecimentos específicos para satisfazer interesse privado de órgão ou de agente 
público (1). Na hipótese, a utilização da máquina estatal para a colheita de 
informações de servidores com postura política contrária ao governo caracteriza 
desvio de finalidade e afronta aos direitos fundamentais da livre manifestação do 
pensamento, da privacidade, reunião e associação, aos quais deve ser conferida 
máxima efetividade, pois essenciais ao regime democrático. Ademais, os órgãos de 
inteligência de qualquer nível hierárquico de qualquer dos Poderes do Estado, 
embora sujeitos ao controle externo realizado pelo Poder Legislativo (2), 
submetem-se também ao crivo do Poder Judiciário, em respeito ao princípio da 
inafastabilidade da jurisdição (3). Com base nesses entendimentos, o Plenário, por 
maioria, julgou procedente o pedido para confirmar a medida cautelar e declarar 
inconstitucionais atos do Ministério da Justiça e Segurança Pública de produção ou 
compartilhamento de informações sobre a vida pessoal, as escolhas pessoais e 
políticas, e as práticas cívicas de cidadãos, servidores públicos federais, estaduais e 
municipais identificados como integrantes de movimento político, professores 
universitários e quaisquer outros que, atuando nos limites da legalidade, exerçam 
seus direitos de livremente expressar-se, reunir-se e associar-se. STF, ADPF 722, 
Plenário, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento 13.5.2022. 
 
H. INVIOLABILIDADE DE DOMICÍLIO: 
 
Art. 5°, XI, da CRFB - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo 
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou 
desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial 
 
● A casa é asilo inviolável. Qual é o conceito de casa? 
 R.: Segundo o STF e doutrina, casa abrange não só o domicílio como também todo lugar privativo, 
ocupado por alguém, com direito próprio e de maneira exclusiva, mesmo sem caráter definitivo ou habitual. 
 
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STF - “Para os fins da proteção jurídica a que se refere o art. 5.º, XI, da Constituição 
da República, o conceito normativo de ‘casa’ revela-se abrangente e, por estender-
se a qualquer aposento de habitação coletiva, desde que ocupado (CP, art. 150, § 
4.º, II), compreende, observada essa específica limitação espacial, os quartos de 
hotel (...)” (RHC 90.376) 
A abrangência do conceito alcança: 
▪ O escritório de trabalho 
▪ O estabelecimento industrial 
▪ Clube recreativo 
▪ Quarto de hotel 
 
É lícita a entrada de policiais, sem autorização judicial e sem o consentimento do 
hóspede, em quarto de hotel, desde que presentes fundadas razões da ocorrência 
de flagrante delito. 
O STJ afirmou que, embora o quarto de hotel regularmente ocupado seja, 
juridicamente, qualificado como “casa” para fins de tutela constitucionalda 
inviolabilidade domiciliar (art. 5º, XI), a exigência, em termos de standard 
probatório, para que policiais ingressem em um quarto de hotel sem mandado 
judicial não pode ser igual às fundadas razões exigidas para o ingresso em uma 
residência propriamente dita, a não ser que se trate (o quarto de hotel) de um local 
de moradia permanente do suspeito. STJ. 6ª Turma. HC 659.527-SP, Rel. Min. 
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 19/10/2021 (Info 715). 
 
▪ Quarto de motel 
▪ Automóveis quando usados para fins de moradia 
▪ Barcos quando usados para fins de moradia. 
 
Atenção: 
O STJ possui jurisprudência recentíssima entendendo que a habitação em prédio 
abandonado de escola municipal pode caracterizar o conceito de domicílio em que 
incide a proteção disposta no art. 5º, inciso XI da Constituição Federal (AgRg no HC 
712.529-SE). 
 
STJ: A abordagem policial em estabelecimento comercial, ainda que a diligência 
tenha ocorrido quando não havia mais clientes, é hipótese de local aberto ao 
público, que não recebe a proteção constitucional da inviolabilidade do domicílio. 
Consoante decidido no RE 603.616/RO, pelo Supremo Tribunal Federal, "a entrada 
forçada em domicílio sem mandado judicial é lícita, mesmo em período noturno, 
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quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que 
indiquem que, dentro da casa, ocorre situação de flagrante delito, sob pena de 
responsabilidade disciplinar, civil, e penal do agente ou da autoridade e de nulidade 
dos atos praticados". Todavia, no caso, verifica-se que os policiais afirmaram que 
"havia uma investigação em andamento relativa a um roubo de carga, tendo sido 
veiculada denúncia anônima dando conta de que parte do carregamento subtraído 
estava nas dependências da borracharia pertencente ao réu, diante do que 
procederam à diligência local".Desse modo, como se trata de estabelecimento 
comercial - em funcionamento e aberto ao público - não pode receber a proteção 
que a Constituição Federal confere à casa. Assim, não há violação à garantia 
constitucional da inviolabilidade do domicílio, a caracterizar a ocorrência de 
constrangimento ilegal (HC 754.789-RS, Rel. Ministro Olindo Menezes 
(Desembargador convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, por unanimidade, 
julgado em 6/12/2022). 
 
▪ Bens públicos de uso especial não abertos ao público como gabinetes de prefeitos, gabinete do 
delegado de polícia 
 
Inf. 549 do STJ (2014):Afirmou que o gabinete do delegado de polícia encontra-se 
inserido no conceito de “casa” previsto no inciso III do §4º do art. 150 do CP. Logo, 
invasão ao seu gabinete constitui crime de violação de domicílio. 
 
 CP, Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a 
vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas 
dependências: 
§ 4º - A expressão "casa" compreende: 
I - qualquer compartimento habitado; 
II - aposento ocupado de habitação coletiva; 
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou 
atividade 
 
* ATENÇÃO - Exceções ao direito à inviolabilidade do domicílio: 
(1) Em caso de flagrante delito, a qualquer momento; 
(2) Em caso de desastre ou para prestar socorro; 
(3) Através de autorização judicial, durante o dia. 
 
Fique atento à jurisprudência: 
 
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O ingresso regular da polícia no domicílio, sem autorização judicial, em caso de 
flagrante delito, para que seja válido, necessita que haja fundadas razões (justa 
causa) que sinalizem a ocorrência de crime no interior da residência. A mera 
intuição acerca de eventual traficância praticada pelo agente, embora pudesse 
autorizar abordagem policial, em via pública, para averiguação, não configura, por 
si só, justa causa a autorizar o ingresso em seu domicílio, sem o seu consentimento 
e sem determinação judicial. STJ. 6ª Turma. REsp 1574681-RS, Rel. Min. Rogério 
Schietti Cruz, julgado em 20/4/2017 (Info 606). Fonte: Dizer o Direito 
C) Direito às Liberdades 
 
Abrange as liberdades física, de pensamento, de locomoção. 
 
I. LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO – Art. 5º, IV e V, da CRFB 
 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização 
por dano material, moral ou à imagem; 
 
 A Constituição assegurou a liberdade de manifestação do pensamento, vedando o anonimato. Se 
durante a manifestação do pensamento se cause dano material, moral ou à imagem, assegura-se o direito 
de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização. 
 Conforme salienta o autor Pedro Lenza, o inciso IV estabelece uma espécie de “cláusula geral” que, 
em conjunto com outros dispositivos, asseguram a liberdade de expressão nas suas diversas manifestações: 
a) liberdade de manifestação do pensamento (incluindo a liberdade de opinião); 
b) liberdade de expressão artística; 
c) liberdade de ensino e pesquisa; 
d) liberdade de comunicação e de informação (liberdade de “imprensa”); 
e) liberdade de expressão religiosa. 
 
● “Hate speech” (discurso de ódio)– a liberdade de expressão não é absoluta. O modelo, portanto, de 
solução é a ponderação, pautada pelo princípio da proporcionalidade. O STF, embora adote a tese 
preferencial pela liberdade de expressão, certo é que não se trata de direito absolutamente infenso a 
limites e restrições, desde que eventual restrição tenha caráter excepcional, seja promovido por lei e/ou 
decisão judicial e tenha por fundamento a salvaguarda da dignidade da pessoa humana (que aqui se 
opera como limite e aos limites de direitos fundamentais) e de direitos e bens jurídicos-constitucionais 
individuais e coletivos fundamentais observados o critério da proporcionalidade e da preservação do 
núcleo essencial dos direitos em conflito - LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, pg. 1183. 
 
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CAIU EM PROVA (FAPEC, PCMS/2021) e foi considerada CORRETA a seguinte afirmativa: O discurso de ódio 
(hate speech) configura abuso do direito fundamental à liberdade de expressão, e o STF entende que a 
imunidade parlamentar material não pode ser utilizada para atentar frontalmente contra a manutenção do 
Estado Democrático de Direito. 
 
● Marcha da Maconha (ADPF 187) – as marchas da maconha vinham sendo reprimidas pela polícia, sob a 
ótica de que elas geravam apologia ao crime, vez que o uso de maconha é criminalizado. Este 
entendimento viola a liberdade de expressão, porque não se confunde a apologia à droga e o seu uso 
com a defesa da descriminalização ou ainda da inconstitucionalidade da criminalização. Em um Estado 
Democrático de Direito se entender que o povo não possa se manifestar pela descriminalização de 
uma conduta, evidentemente é se viver em um Estado que não pode ser chamado de Democrático de 
Direito. Em um regime que preza pela liberdade de expressão tem que dar a opção da população se 
manifestar pela descriminalização de determinada conduta. Fundamentos trazidos pelo STF: livre 
manifestação de pensamento, reunião e direito das minorias . Ademais, nas garantias dos direitos à 
informação e de liberdade de expressão, viabilizados pelo direito de reunião e como emanação da 
dignidade da pessoa humana, da democracia e da cidadania. 
 
● Delação anônima (Inq. 1957) – o STF já decidiu não ser possível a utilização da denúncia anônima, pura 
e simples, para a instauração de procedimento investigatório, por violar a vedação ao anonimato, 
prevista no art. 5.º, IV, da CRFB. Nada impede, contudo, que o Poder Público provocado por delação 
anônima adote medidas informais - com prudência e discrição - destinadas a apurar, previamente, em 
averiguação sumária, a possível ocorrência de eventual situaçãoda paz pública (Papel intimidador); 
● Limitação ao poder de punir estatal ou Função de Garantia – garantia dos cidadãos contra o arbítrio 
estatal, vez que só podem ser punidos por atos previstos como infração penal e por pena também 
determinada em lei. 
☞ Para Franz Von Liszt “o Código Penal é a Magna Carta do delinquente”. 
 
Obs: Se, de um lado, o Estado controla o cidadão, impondo-lhe limites para a vida em sociedade, de outro 
lado, é necessário também limitar o seu próprio poder de controle, evitando a punição abusiva (evitando a 
hipertrofia da punição). 
 
b) Missão imediata: 
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Aqui, é necessário lembrarmos do funcionalismo penal, que trará as duas correntes de mais destaque 
acerca do tema (anote esses nomes na testa): 
● Funcionalismo teleológico (moderado) – Claus Roxin (Predomina) 
⋅ A missão do Direito Penal é a proteção dos bens jurídicos mais relevantes; 
⋅ Se a proteção de determinado bem jurídico não é indispensável ao indivíduo e à manutenção 
da sociedade, não deve incidir o direito penal, mas outros ramos do direito; 
⋅ Para Roxin, o Direito Penal não veio para trazer valores éticos, morais; 
⋅ Ele entende que essa seria a função exclusiva; 
⋅ É chamado teleológico porque busca a finalidade do direito penal. 
● Funcionalismo sistêmico (radical) – Günter Jakobs 
⋅ A missão do Direito Penal é assegurar a vigência do sistema, protegendo o império da 
norma; 
⋅ Ele discorda de Roxin por entender que, quando o indivíduo é punido pela infração penal 
praticada, o bem jurídico já foi violado, ou seja, não está protegido, não sendo esta, portanto, 
a função do direito penal. Sua função seria demonstrar que a norma continua vigorando e 
deve ser obedecida; 
⋅ Assim, “o bem não deve ser representado como um objeto físico ou algo do gênero, e sim, 
como norma, como expectativa garantida”. (Direito Penal e Funcionalismo, 2005, p.33-34); 
⋅ E ainda, entende ele que quem deliberada e reiteradamente viola a lei penal, de forma grave 
e duradoura, deve ser tratado como “não-cidadão”, como inimigo da sociedade, por não 
cumprir sua função no corpo social, não fazendo jus às garantias previstas pela norma a qual 
tal sujeito infringe; 
⋅ Ao delinquente-cidadão, seria aplicado o direito penal do cidadão, ao passo que ao 
delinquente inimigo, seria aplicado o Direito Penal do Inimigo (tópico específico mais à 
frente). 
 
APROFUNDANDO: vamos a uma tabelinha com mais características das duas vertentes do 
funcionalismo para fixarmos as diferenças? 
 
FUNCIONALISMO PENAL 
 
FUNCIONALISMO 
TELEOLÓGICO 
(Características: Moderado, 
dualista, de política criminal 
ou racional teleológico) 
ROXIN 
● Finalidade do Direito Penal: proteção de bens 
jurídicos indispensáveis. Não veio para trazer 
valores éticos, morais; 
● Moderado: o direito penal tem limites impostos 
pelo próprio direito penal e demais ramos do 
direito; 
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 ● Dualista: convive em harmonia com os demais 
ramos do Direito. Reconhece o sistema jurídico em 
geral; 
● De política criminal: aplica a lei de acordo com os 
anseios da sociedade. Se adapta à sociedade em que 
ele se insere; 
● Racional teleológico: movido pela razão e em busca 
de sua finalidade. 
 
FUNCIONALISMO SISTÊMICO 
(Características: 
Radical, monista e sistêmico) 
JAKOBS 
Direito Penal do Inimigo 
 
● Finalidade do Direito Penal: é a proteção das 
normas penais, assegurar o império da norma. É 
punir. Aplicar a lei; 
● A sociedade que deve se ajustar ao Direito Penal; 
● Para ele, o Direito Penal é: 
- Radical: só reconhece os limites impostos por ele 
mesmo; 
- Monista: é um sistema próprio de regras e de 
valores que independe dos demais; 
- Sistêmico: é autônomo (independe dos demais 
ramos), autorreferente (todas as referências e 
conceitos que precisa buscar do próprio direito 
penal) e se autoproduz; 
● Quem viola reiterada e deliberadamente a norma = 
não-cidadão / inimigo = não tem direitos. 
 
Outras funções do Direito Penal (Masson): 
● Função criadora ou modificadora de costumes. Disseminação ético-social de valores. Efeito 
“moralizador”. Visa garantir o mínimo ético que deve existir em toda coletividade: 
⋅ É uma função educativa, que visa estimular os cidadãos a se conscientizarem e protegerem 
bens que ainda não foram tidos pela sociedade como fundamentais (ex: crimes contra o meio 
ambiente). 
⋅ Esta função é bastante discutida, pelo fato de a doutrina divergir se o estado deveria ou não 
se utilizar do direito penal como meio de educação. Há quem entenda que tal objetivo deve 
ser alcançado pela interação social e não por coação. 
 
● Simbólica – não produz efeitos externos, mas somente na mente dos cidadãos e governantes, sendo 
uma função inerente a todas as leis, não apenas ao Direito Penal; 
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⋅ Enquanto os governados pensam que a contenção da criminalidade e as medidas necessárias 
para tanto estão sob o controle das autoridades, os governantes ficam com a sensação de 
terem feito algo e adiam a efetiva resolução do problema, retirando, ao longo do tempo, a 
credibilidade do direito penal. 
⋅ Geralmente é manifestada pelo “direito penal do terror”, que se apresenta de duas formas: 
* Inflação legislativa (direito penal de emergência) – em que são criados tipos penais 
desnecessários para dar resposta a qualquer tipo de problema; 
* Hipertrofia do Direito Penal – aumentando desproporcional e injustificadamente as 
penas em casos pontuais, como se isso, por si só, fosse impedir a prática do crime. 
● Motivadora de comportamento conforme a norma – a ameaça de imposição de sanções motiva os 
indivíduos a se comportarem de acordo com a lei, para que não sofram suas penalidades; 
● Redução da violência estatal – pois, embora legítima e necessária, a pena não deixa de ser uma 
agressão ao indivíduo, devendo, portanto, restringir-se aos casos necessários e legais. 
● Promocional de transformação social – auxiliando em mudanças que garantirão a evolução da 
comunidade. 
 
B) CLASSIFICAÇÕES DO DIREITO PENAL 
1. Direito Penal Fundamental (Primário): é o conjunto de normas e princípios do Direito Penal 
aplicáveis genericamente, inclusive às leis penais especiais. É composto pelas normas da Parte Geral 
do Código Penal e, excepcionalmente, algumas normas de amplo conteúdo previstas na Parte 
Especial, como os conceitos de domicílio (art. 150, §§4º e 5º) e funcionário público (art. 327); 
2. Direito Penal Complementar (Secundário): corresponde à legislação penal extravagante; 
 
3. Direito Penal Comum: é o conjunto de normas penais aplicável indistintamente a todas as pessoas, 
como o Código Penal; 
4. Direito Penal Especial: é o conjunto de normas penais aplicável apenas a pessoas determinadas que 
preencham certas condições legais. São exemplos o Código Penal Militar e o Decreto-lei nº 201/1967 
(crimes de responsabilidade dos prefeitos); 
 
5. Direito Penal Geral: é o conjunto de normas penais aplicáveis em todo o território nacional. Essas 
normas são produzidas privativamente pela União (art. 22, I, da CF); 
6. Direito Penal Local: é o conjunto de normas penais aplicáveis somente a determinada parte do 
território nacional. A existência dessas normas somente é possível se houver autorização da União 
por lei complementar para que os Estados legislem sobre questões específicas de Direito Penal (art. 
22, parágrafo único, da CF); 
 
7. Direito Penal Objetivo: é o conjunto de leis penais em vigor; 
 
 
 
 
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8. Direito Penal Subjetivo: é o direito de punir (ius puniendi), que pertence exclusivamente ao Estado 
e nasce quando uma lei penal é violada; 
 
9. Direito Penal Substantivo: é o direito penal material, propriamente dito.de ilicitude penal, desde que o faça com 
o objetivo de conferir a verossimilhança dos fatos nela denunciados, em ordem a promover, então, em 
caso positivo, a formal instauração da persecutio criminis, mantendo-se, assim, completa desvinculação 
desse procedimento estatal em relação às peças apócrifas”. 
 
● Tatuagem e o concurso público – “as pigmentações de caráter permanente inseridas voluntariamente 
em partes dos corpos dos cidadãos configuram instrumentos de exteriorização da liberdade de 
manifestação do pensamento e de expressão, valores amplamente tutelados pelo ordenamento jurídico 
brasileiro (CRFB/88, art. 5.°, IV e IX)”. Assim, “o Estado não pode desempenhar o papel de adversário da 
liberdade de expressão, incumbindo-lhe, ao revés, assegurar que minorias possam se manifestar 
livremente” 
 
Tema 838 da repercussão geral, fixou as seguintes teses: “(i) os requisitos do edital 
para o ingresso em cargo, emprego ou função pública devem ter por fundamento 
lei em sentido formal e material; (ii) os editais de concurso público não podem 
estabelecer restrição a pessoas com tatuagem, salvo situações excepcionais em 
razão de conteúdo que viole valores constitucionais” (RE 898.450, Plenário, Rel. 
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Min. Luiz Fux, j. 17.08.2016, DJE de 31.05.2017). 
 
● Liberdade de expressão e imunidade parlamentar – Ressalta-se que os direitos fundamentais não 
possuem caráter absoluto. A Segunda Turma do STF reafirmou esse entendimento ao entender que 
a liberdade de expressão não alcança a prática de discursos dolosos, com intuito manifestamente 
difamatório ou injurioso: 
 
A liberdade de expressão não alcança a prática de discursos dolosos, com intuito 
manifestamente difamatório, de juízos depreciativos de mero valor, de injúrias 
em razão da forma ou de críticas aviltantes. É possível vislumbrar restrições à livre 
manifestação de ideias, inclusive mediante a aplicação da lei penal, em atos, 
discursos ou ações que envolvam, por exemplo, a pedofilia, nos casos de discursos 
que incitem a violência ou quando se tratar de discurso com intuito 
manifestamente difamatório. A garantia da imunidade parlamentar não alcança 
os atos praticados sem claro nexo de vinculação recíproca entre o discurso e o 
desempenho das funções parlamentares. Isso porque as garantias dos membros 
do Parlamento são vislumbradas sob uma perspectiva funcional, ou seja, de 
proteção apenas das funções consideradas essenciais aos integrantes do Poder 
Legislativo, independentemente de onde elas sejam exercidas. No caso, os 
discursos proferidos pelo querelado teriam sido proferidos com nítido caráter 
injurioso e difamatório, de forma manifestamente dolosa, sem qualquer hipótese 
de prévia provocação ou retorsão imediata capaz de excluir a tipificação, em tese, 
dos atos descritos nas queixas-crimes. Com base nesses entendimentos, a Segunda 
Turma, por maioria, ao dar provimento a agravos regimentais, recebeu queixas-
crimes pelos delitos dos arts. 139 e 140 do Código Penal. Pet 8242 AgR/DF, Pet 8259 
AgR/DF, Pet 8262 AgR/DF, Pet 8263 AgR/DF, Pet 8267 AgR/DF e Pet 8366 AgR/DF, 
relator Min. Celso de Mello, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgamento 
em 3.5.2022. 
 
● A liberdade de expressão existe para a manifestação de opiniões contrárias, jocosas, 
satíricas e até mesmo errôneas, mas não para opiniões criminosas, discurso de ódio ou 
atentados contra o Estado Democrático de Direito e a democracia. STF. AP 1044/DF, relator 
Min. Alexandre de Moraes, julgamento em 20.4.2022 (Info 1051). 
 
II. LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA, CRENÇA E CULTO – ART 5º, VI a VIII, da CRFB) 
 
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5719092
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5727683
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5727683
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5727770
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5727772
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5730939
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5765224
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5719092
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5719092
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VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre 
exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de 
culto e a suas liturgias; 
 
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas 
entidades civis e militares de internação coletiva; 
 
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de 
convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal 
a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; 
 
 Assegura-se a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, sendo garantido o livre 
exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. 
 
▪ Liberdade de crença: é a liberdade de pensamento de foro íntimo em questões de natureza 
religiosa, incluindo o direito de professar ou não uma religião, de acreditar ou não na existência 
de um, em nenhum ou em vários deuses (art. 5º, VI); e 
▪ Liberdade de consciência em sentido estrito: é a liberdade de pensamento de foro íntimo em 
questões não religiosas. 
 
Obs.: o art. 5º, VII, da CF/88 também assegura, nos termos da lei, a prestação de assistência 
religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva. 
 
É constitucional a instituição, por lei municipal, de feriado local para a 
comemoração do Dia da Consciência Negra, a ser celebrado em 20 de novembro, 
em especial porque a data representa um símbolo de resistência cultural e 
configura ação afirmativa contra o preconceito racial. ADPF 634/SP, relatora 
Ministra Cármen Lúcia, julgamento finalizado em 30.11.2022 
 
É inconstitucional norma que proíbe proselitismo em rádios comunitárias 
É inconstitucional o § 1º do art. 4º da Lei nº 9.612/98. Esse dispositivo proíbe, no 
âmbito da programação das emissoras de radiodifusão comunitária, a prática de 
proselitismo, ou seja, a transmissão de conteúdo tendente a converter pessoas a 
uma doutrina, sistema, religião, seita ou ideologia. 
O STF entendeu que essa proibição afronta os arts. 5º, IV, VI e IX, e 220, da 
Constituição Federal. A liberdade de pensamento inclui o discurso persuasivo, o uso 
de argumentos críticos, o consenso e o debate público informado e pressupõe a 
livre troca de ideias e não apenas a divulgação de informações. 
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STF. Plenário. ADI 2566/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. 
Edson Fachin, julgado em 16/5/2018 (Info 902). 
 
A incitação de ódio público feita por líder religioso contra outras religiões pode 
configurar o crime de racismo 
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus 
seguidores não está protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade 
de expressão. 
STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, 
julgado em 6/3/2018 (Info 893). 
 
É inconstitucional lei estadual que obriga que as escolas e bibliotecas públicas 
tenham um exemplar da Bíblia. No Amazonas, foi editada lei estadual obrigando 
as escolas e bibliotecas públicas a terem pelo menos uma Bíblia disponível para 
consulta. Esta lei é inconstitucional. Isso porque o art. 19, I, da CF/88 prevê a 
laicidade estatal. STF. Plenário. ADI 5258/AM, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 
12/4/2021. (Info 1012) 
 
DICA DD: Não confundir- o STF entendeu que a CF/88 não proíbe que sejam 
oferecidas aulas de uma religião específica, que ensine os dogmas ou valoresdaquela religião. Não há qualquer problema nisso, desde que se garanta 
oportunidade a todas as doutrinas religiosas. STF. Plenário. ADI 4439/DF, rel. orig. 
Min. Roberto Barroso, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 
27/9/2017 (Info 879). Lembre-se que a “neutralidade do ensino religioso não 
existe. O que deve existir é o respeito às diferenças”. 
 
É constitucional a lei de proteção animal que, a fim de resguardar a liberdade 
religiosa, permite o sacrifício ritual de animais em cultos de religiões de matriz 
africana. RE 494601/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson 
Fachin, julgado em 28/3/2019. (Info 935) 
 
 Transfusão de sangue nas Testemunhas de Jeová 
 Tema que gera muita discussão. O Ministro Barroso sustenta que a dignidade da pessoa humana 
apresenta duas acepções: 
- Dignidade como autonomia: tutela a capacidade de autodeterminação e a responsabilidade moral 
do indivíduo por suas escolhas, notadamente as de catéter existencial, dentre as quais se inclui a 
liberdade religiosa; 
PREPARAÇÃO EXTENSIVA 
 
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130 
 
- Dignidade como heteronomia: envolve a imposição de padrões sociais externos ao indivíduo, o que, 
no caso concreto, significa a proteção objetiva da vida humana, mesmo contra a vontade do titular 
do direito. 
 As acepções se complementam, mas é possível afirmar a prevalência da dignidade como autonomia, 
o que significa dizer que devem prevalecer as escolhas individuais (LENZA, Pedro. Direito constitucional 
esquematizado, pg. 1195). Assim, a escolha da pessoa - e aqui inclui a recusa pela transfusão de sangue - é 
válida desde que o consentimento seja dado pelo titular do direito, manifestado de forma válida e inequívoca 
por pessoa capaz e com discernimento, ou seja, consentimento inequívoco, personalíssimo, expresso e atual. 
Ademais, deverá também ser livre e informado. 
 Apesar do tema ser polêmico, acerca de necessidade de transfusão de sangue em menores com risco 
de vida, como não se pode exigir que exprimem consentimento, o médico deverá realizar todos os 
tratamentos médicos alternativos sem sangue e, se mesmo assim não resolver, diante da vida ou morte do 
menor, poderá então realizar a transfusão de sangue não respondendo o médico por constrangimento ilegal. 
 Cespe, oral RO/2023 (espelho): A liberdade de culto e de crença, como a quase totalidade dos 
direitos fundamentais, não é ilimitada. Portanto, alguns limites estatais podem ser impostos, alguns sem 
grande polêmica, como a necessidade de observância a limites de produção de ruído definidos por 
autoridades municipais e a outras posturas municipais (como alvarás para construção e funcionamento de 
templos). Outros limites mais delicados também podem ser impostos, como ocorreu durante a pandemia de 
covid-19, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), quando o Supremo Tribunal Federal considerou 
constitucional a restrição a atos religiosos presenciais, por motivos sanitários. 
Por outro lado, a liberdade de culto e de crença não autoriza as pessoas a cometer delitos e outros 
atos juridicamente inválidos, embora cada ato deva ser examinado de forma cuidadosa, exatamente para 
não anular a liberdade de culto nem outras garantias, como a liberdade de expressão. A liberdade de culto e 
de crença não autoriza, por exemplo, prática de ofensa a minorias ou a grupos sociais vulneráveis nem 
propagação de discurso de ódio. Portanto, praticantes de determinada religião, incluindo padres, pastores e 
outros sacerdotes e membros do grupo religioso, podem ser punidos por atos ligados à prática da religião. 
 
III. LIBERDADE DE ATIVIDADE INTELECTUAL, ARTÍSTICA, CIENTÍFICA OU DE COMUNICAÇÃO – ART. 5º, IX, 
CF/88 
 
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, 
independentemente de censura ou licença; 
 
 É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, 
independentemente de censura ou licença. 
 Veda-se a censura de natureza política, ideológica e artística (art. 220, § 2.º), porém, apesar da 
liberdade de expressão acima garantida, lei federal deverá regular as diversões e os espetáculos públicos, 
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cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais 
e horários em que sua apresentação se mostre inadequada. 
 
Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, 
sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, 
observado o disposto nesta Constituição. 
§ 2º É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística. 
§ 3º Compete à lei federal: 
I - regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar 
sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários 
em que sua apresentação se mostre inadequada; 
II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de 
se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem 
o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços 
que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente. 
 
IV. LIBERDADE DE PROFISSÃO – ART. 5º, XIII da CRFB 
 
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as 
qualificações profissionais que a lei estabelecer; 
 
 Assegura a liberdade do exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as 
qualificações profissionais que a lei estabelecer. Trata-se de norma constitucional de eficácia contida, 
podendo a legislação infraconstitucional limitar o seu alcance, fixando condições ou requisitos para o pleno 
exercício da profissão. 
 
O STF entendeu desnecessária a exigência de diploma de jornalista (RE 70563), bem 
como a exigência de inscrição em Conselho Profissional, como condição ao 
exercício de profissão artística de músico (RE 635023). 
 
A exigência de que o leiloeiro preste caução para o exercício da profissão é 
compatível com a Constituição, não havendo ofensa ao art. 5º, XIII, tendo em 
vista que a garantia é necessária para resguardar eventuais danos ao patrimônio 
de terceiros. A exigência de garantia para o exercício da profissão de leiloeiro, 
prevista nos arts. 6º a 8º do Decreto 21.981/1932, é compatível com o art. 5º, XIII, 
da Constituição Federal de 1988. Isso porque o leiloeiro lida diariamente com o 
patrimônio de terceiros, de forma que a prestação de fiança como condição para o 
exercício de sua profissão busca reduzir o risco de dano ao proprietário, o que 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/9d27fdf2477ffbff837d73ef7ae23db9?categoria=1&subcategoria=1&ano=2020
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reforça o interesse social da norma protetiva, bem como justifica a limitação para 
o exercício da profissão. STF. Plenário. RE 1263641/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, 
red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 9/10/2020 (Repercussão Geral 
– Tema 455) (Info 994). 
 
A restrição imposta pela Lei 13.021/2014, no sentido de que apenas 
farmacêuticos legalmente habilitados podem figurar como responsáveis técnicos 
de farmácias e drogarias, não é incompatível com o 5º XIII, da Constituição 
Federal 
Surgem constitucionais os artigos 5º e 6º, inciso I, da Lei nº 13.021/2014, no que 
previsto ser do farmacêutico a responsabilidade técnica por drogaria.STF. 
Plenário.RE 1156197, Rel. Marco Aurélio, julgado em 24/08/2020 (Repercussão 
Geral – Tema 505) (Info 991 – clipping). 
 
Cuidado - a jurisprudência do STF admite a regulamentação por lei de atividades que possam trazer danos a 
terceiros, atividades profissionais cuja falta de técnica traga o risco de “atingir negativamente a esfera pública 
de outros indivíduos ou de valores ou interesses da própria sociedade” (ADI 3.870, 2019). Nessas situações, 
a lei poderá disciplinar, restritivamente, impondo regras ao exercício da profissão. 
 
E) LIBERDADE DE INFORMAÇÃO – ART. 5º, XIV e XXXIII da CRFB 
 
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, 
quando necessário ao exercício profissional; 
 
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse 
particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob 
pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à 
segurança da sociedade e do Estado; 
 
▪ Liberdade de informação jornalística: 
 A CF/88 consagrou expressamente o princípio da publicidade como um dos vetores imprescindíveis 
à Administração Pública, conferindo-lhe absoluta prioridade na gestão administrativa e garantindo pleno 
acesso às informações a toda a sociedade. 
 A consagração constitucional de publicidade e transparência corresponde à obrigatoriedade do 
Estado em fornecer as informações necessárias à sociedade. O acesso às informações consubstancia-se em 
verdadeira garantia instrumental ao pleno exercício do princípio democrático. 
 Assim, salvo situações excepcionais, a Administração Pública tem o dever de absoluta transparência 
na condução dos negócios públicos, sob pena de desrespeito aos arts. 37, caput, e 5º, XXXIII e LXXII,CF/88, 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/64697505ab8add3aa07f761321d06014?categoria=1&subcategoria=1&ano=2020
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pois “o modelo político-jurídico, plasmado na nova ordem constitucional, rejeita o poder que oculta e o poder 
que se oculta”. 
 
 
A irresponsabilidade da imprensa ao exibir, em rede nacional, programa que 
veicule matéria ofensiva à honra e à dignidade de cidadão enseja dano moral 
indenizável e este deve ser suficiente para reparar o dano, servir de sanção da 
conduta praticada e coibir novos abusos. STJ. Processo em segredo de justiça, Rel. 
Ministro Antonio Carlos Ferreira, Rel. para acórdão Ministro João Otávio de 
Noronha, Quarta Turma, por maioria, julgado em 22/11/2022, DJe 2/2/2023. 
(Info 762). 
É necessária a manutenção da divulgação integral dos dados epidemiológicos 
relativos à pandemia da Covid-19. A interrupção abrupta da coleta e divulgação de 
importantes dados epidemiológicos, imprescindíveis para a análise da série 
histórica de evolução da pandemia (Covid-19), caracteriza ofensa a preceitos 
fundamentais da Constituição Federal, nomeadamente o acesso à informação, os 
princípios da publicidade e da transparência da Administração Pública e o direito à 
saúde. STF. Plenário. ADPF 690/DF, ADPF 691/DF e ADPF 692 /DF, Rel. Min. 
Alexandre de Moraes, julgados em 13/03/2021 (Info 1009). 
 
STF determina que Ministério da Saúde faça a divulgação integral de dados sobre 
Covid-19 A redução da transparência dos dados referentes à pandemia de COVID-
19 representa violação a preceitos fundamentais da Constituição Federal, 
nomeadamente o acesso à informação, os princípios da publicidade e transparência 
da Administração Pública e o direito à saúde. STF. Plenário. ADPF 690 MC-Ref/DF, 
ADPF 691 MC-Ref/DF e ADPF 692 MC-Ref/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, 
julgado em 20/11/2020 (Info 1000). 
 
É inconstitucional o art. 6º-B da Lei nº 13.979/2020, incluído pela MP 928/2020, 
porque ele impõe uma série de restrições ao livre acesso do cidadão a 
informações 
É inconstitucional o art. 6º-B da Lei nº 13.979/2020, incluído pela MP 928/2020, 
porque ele impõe uma série de restrições ao livre acesso do cidadão a informações. 
O art. 6º-B não estabelece situações excepcionais e concretas impeditivas de acesso 
à informação. Pelo contrário, transforma a regra constitucional de publicidade e 
transparência em exceção, invertendo a finalidade da proteção constitucional ao 
livre acesso de informações a toda sociedade. STF. Plenário. ADI 6351 MC-Ref/DF, 
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ADI 6347 MC-Ref/DF e ADI 6353 MC-Ref/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, 
julgados em 30/4/2020 (Info 975). 
 
Violam a CF/88 os atos de busca e apreensão de materiais de cunho eleitoral e a 
suspensão de atividades de divulgação de ideias em universidades públicas e 
privadas. São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos que determinem 
ou promovam: 
• o ingresso de agentes públicos em universidades públicas e privadas; 
• o recolhimento de documentos (ex: panfletos); 
• a interrupção de aulas, debates ou manifestações de docentes e discentes 
universitários; 
• a realização de atividade disciplinar docente e discente e a coleta irregular de 
depoimentos desses cidadãos pela prática de manifestação livre de ideias e 
divulgação do pensamento nos ambientes universitários ou em equipamentos sob 
a administração de universidades públicas e privadas. 
STF. Plenário. ADPF 548 MC-Ref/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 
31/10/2018 (Info 922). 
 
Cabe reclamação contra decisão judicial que determina retirada de matéria 
jornalística de site 
A retirada de matéria de circulação configura censura em qualquer hipótese, o que 
se admite apenas em situações extremas. 
Assim, em regra, a colisão da liberdade de expressão com os direitos da 
personalidade deve ser resolvida pela retificação, pelo direito de resposta ou pela 
reparação civil. 
Diante disso, se uma decisão judicial determina que se retire do site de uma revista 
determinada matéria jornalística, esta decisão viola a orientação do STF, cabendo 
reclamação. 
STF. 1ª Turma. Rcl 22328/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/3/2018 (Info 
893). 
 
Cabe reclamação contra decisão judicial que determina retirada de matéria 
jornalística de blog 
A ADPF 130/DF pode ser utilizada como parâmetro para ajuizamento de reclamação 
que verse sobre conflito entre a liberdade de expressão e de informação e a tutela 
das garantias individuais relativas aos direitos de personalidade. 
A determinação de retirada de matéria jornalística afronta a liberdade de expressão 
e de informação, além de constituir censura prévia. Essas liberdades ostentam 
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preferência em relação ao direito à intimidade, ainda que a matéria tenha sido 
redigida em tom crítico. 
O Supremo assumiu, mediante reclamação, papel relevante em favor da liberdade 
de expressão, para derrotar uma cultura censória e autoritária que começava a se 
projetar no Judiciário. 
STF. 1ª Turma. Rcl 28747/PR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ ac. Min. Luiz 
Fux, julgado em 5/6/2018 (Info 905). 
Sobre o mesmo tema: STF. 1ª Turma. Rcl 22328/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, 
julgado em 6/3/2018 (Info 893). 
 
Jornal poderá acessar dados sobre mortes registradas em ocorrências policiais 
De acordo com o STJ, não cabe à administração pública ou ao Poder Judiciário 
discutir o uso que se pretende dar à informação de natureza pública. A informação, 
por ser pública, deve estar disponível ao público, independentementede 
justificações ou considerações quanto aos interesses a que se destina. Não se pode 
vedar o exercício de um direito – acessar a informação pública – pelo mero receio 
do abuso no exercício de um outro e distinto direito – o de livre comunicar. Em 
suma: veículo de imprensa jornalística possui direito líquido e certo de obter dados 
públicos sobre óbitos relacionados a ocorrências policiais. STJ. 2ª Turma. REsp 
1852629-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 06/10/2020 (Info 682). 
 
▪ Liberdade de informação x direito ao esquecimento 
 O direito ao esquecimento é o direito que uma pessoa possui de não permitir que um fato, ainda que 
verídico, ocorrido em determinado momento de sua vida, seja exposto ao público em geral, causando-lhe 
sofrimento ou transtornos. Veja a definição dada por Anderson Schreiber: 
 
“(...) o direito ao esquecimento é, portanto, um direito (a) exercido 
necessariamente por uma pessoa humana; (b) em face de agentes públicos ou 
privados que tenham a aptidão fática de promover representações daquela pessoa 
sobre a esfera pública (opinião social); incluindo veículos de imprensa, emissoras 
de TV, fornecedores de serviços de busca na internet etc.; (c) em oposição a uma 
recordação opressiva dos fatos, assim entendida a recordação que se caracteriza, a 
um só tempo, por ser desatual e recair sobre aspecto sensível da personalidade, 
comprometendo a plena realização da identidade daquela pessoa humana, ao 
apresentá-la sob falsas luzes à sociedade.” (Anderson SCHREIBER. Direito 
ao esquecimento e proteção de dados pessoais na Lei 13.709/2018. In: TEPEDINO, 
G; FRAZÃO, A; OLIVA, M.D. Lei geral de proteção de dados pessoais e suas 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/412decf7f56202004e18650fb2db5897?categoria=1&subcategoria=1&criterio-pesquisa=e
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repercussões no direito brasileiro. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019, p. 
376). 
 
 A discussão quanto ao direito ao esquecimento envolve um conflito aparente entre a liberdade de 
expressão/informação e atributos individuais da pessoa humana, como a intimidade, privacidade e honra, 
passando por recente evolução jurisprudencial. Veja: 
 O STJ reconheceu o direito ao esquecimento em dois julgados principais: O caso “Aída Curi” (REsp 
1.335.153-RJ) e a situação da “chacina da Candelária” (REsp 1.334.097-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 
julgados em 28/5/2013), hipótese em que entendeu que tal direito que deveria ser exercido de forma 
compatível com a intimidade e da honra das pessoas. Ressalta-se, contudo, que o deferimento ou não do 
direito ao esquecimento sempre dependeu da análise do caso concreto e da ponderação dos interesses 
envolvidos. 
 
O direito ao esquecimento, também é chamado de “direito de ser deixado em paz” 
ou o “direito de estar só”. Nos EUA, é conhecido como the right to be let alone e, 
em países de língua espanhola, é alcunhado de derecho al olvido. É o caso, por 
exemplo, da apresentadora Xuxa que, no passado fez um determinado filme do 
qual se arrepende e que ela não mais deseja que seja exibido ou rememorado por 
lhe causar prejuízos profissionais e transtornos pessoais. Sem dúvida nenhuma, o 
principal ponto de conflito quanto à aceitação do direito ao esquecimento reside 
justamente em como conciliar esse direito com a liberdade de expressão e de 
imprensa e com o direito à informação. 
 
Em março de 2013, na VI Jornada de Direito Civil do CJF/STJ, foi aprovado um 
enunciado defendendo a existência do direito ao esquecimento como uma 
expressão da dignidade da pessoa humana. Veja: “Enunciado 531: A tutela da 
dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao 
esquecimento”. 
 
 Vale ressaltar, ainda, que o STJ possui o entendimento no sentido de que, quando os registros da 
folha de antecedentes do réu são muito antigos, admite-se o afastamento de sua análise desfavorável, em 
aplicação à teoria do direito ao esquecimento. Isso porque não se pode tornar perpétua a valoração negativa 
dos antecedentes, nem perenizar o estigma de criminoso para fins de aplicação da reprimenda, pois a 
transitoriedade é consectário natural da ordem das coisas. STJ. 6ª Turma. HC 452.570/PR, Rel. Min. Antonio 
Saldanha Palheiro, julgado em 02/02/2021. 
 
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 No entanto, o tema passou por uma EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL. Isso porque o STJ passou a 
relativizar o direito ao esquecimento, ao passo que o STF passou a entender pela sua incompatibilidade 
com a Constituição Federal. Confira: 
 
O chamado direito ao esquecimento, apesar de ser reconhecido pela 
jurisprudência, não possui caráter absoluto. 
Em caso de evidente interesse social no cultivo à memória histórica e coletiva de 
delito notório, não se pode proibir a veiculação de matérias jornalísticas 
relacionados com o fato criminoso, sob pena de configuração de censura prévia, 
vedada pelo ordenamento jurídico pátrio. Em tal situação, não se aplica o direito 
ao esquecimento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.736.803-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas 
Cueva, julgado em 28/04/2020 (Info 670). 
 
Atenção ao julgado do STF, Plenário. Repercussão Geral – Tema 786 (11/02/2021) 
É incompatível com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento, assim 
entendido como o poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação 
de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e publicados em meios de 
comunicação social analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos no 
exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a 
caso, a partir dos parâmetros constitucionais – especialmente os relativos à 
proteção da honra, da imagem, da privacidade e da personalidade em geral – e as 
expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível. STF. Plenário. RE 
1010606/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2021 (Repercussão Geral – 
Tema 786) (Info 1005). 
 
Também importante: 
 
O direito ao esquecimento não justifica a exclusão de matéria jornalística 
 O direito ao esquecimento é considerado incompatível com o ordenamento 
jurídico brasileiro. Logo, não é capaz de justificar a atribuição da obrigação de 
excluir a publicação relativa a fatos verídicos. STJ. 3ª Turma. REsp 1961581-MS, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, julgado em 07/12/2021 (Info 723). 
 
Jurisprudências pertinentes: 
 
◘ É inconstitucional a resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe a comercialização e o uso 
dos testes psicológicos para indivíduos que não sejam psicólogos 
 
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Ao restringirem a comercialização e o uso de testes psicológicos aos profissionais 
regularmente inscritos no Conselho Federal de Psicologia (CFP), o inciso III e os §§ 
1º e 2º do art. 18 da Resolução 2/2003-CFP acabaram por instituir disciplina 
desproporcional e ofensiva aos postulados constitucionais relativos à liberdade de 
manifestação do pensamento (art. art. 5º, IV, IX e XIV, da CF/88) e de liberdade de 
acesso à informação (art. 220, da CF/88). STF. Plenário. ADI 3481/DF, Rel. Min. 
Alexandre de Moraes, julgado em 6/3/2021 (Info 1008). 
 
◘ Viola a liberdade de expressão a decisão de retirar da Netflix o especial de Natal do Porta dos Fundos 
porque seu conteúdo satiriza crenças e valores do cristianismo 
 
Retirar de circulação produto audiovisual disponibilizado em plataforma de 
“streaming” apenas porque seu conteúdo desagrada parcela da população, ainda 
que majoritária, não encontra fundamento em uma sociedade democrática e 
pluralista como a brasileira. STF. 2ª Turma. Rcl 38782/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 3/11/2020 (Info 998). 
 
◘ A proibição da entrevista com Adélio Bispo, autor da facada contra Jair Bolsonaro, não significou 
censura nem restrição indevida à liberdadede imprensa 
 
A decisão judicial que proibiu a realização de entrevista com Adélio Bispo, autor da 
facada contra Jair Bolsonaro, não significa restrição indevida à liberdade de 
imprensa nem representa censura prévia. Logo, essa decisão não configura ofensa 
ao entendimento firmado pelo STF na ADPF 130, que julgou não recepcionada a Lei 
de Imprensa (Lei nº 5.250/67). A decisão judicial impediu a entrevista com o 
objetivo de proteger as investigações e evitar possíveis prejuízos processuais, 
inclusive quanto ao direito ao silêncio do investigado. Além disso, a decisão teve 
como finalidade proteger o próprio custodiado, que autorizou a entrevista, mas 
cuja sanidade mental era discutível na época, tendo sido, posteriormente, 
declarado inimputável em razão de “transtorno delirante persistente”. STF. 1ª 
Turma. Rcl 32052 AgR/MS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/4/2020 (Info 
973). 
 
◘ Biografias não autorizadas 
 
O STF entendeu na ADI 4815 que, para ser publicada uma biografia, NÃO é 
necessária autorização prévia do indivíduo biografado, das demais pessoas 
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retratadas, nem de seus familiares, porque a autorização prévia seria uma forma 
de censura, incompatível com a liberdade de expressão consagrada pela CF/88. 
Se o biografado ou qualquer outra pessoa retratada entenda ter os seus direitos 
violados, terá direito à reparação, não apenas por meio de indenização pecuniária, 
mas também por outras formas, a exemplo da publicação de ressalva, de nova 
edição com correção, de direito de resposta etc. 
 
▪ Liberdade artística e os veículos de comunicação social: É ampla liberdade na produção da arte. 
 
* ATENÇÃO: Embora exista a liberdade artística, o Poder Público poderá estabelecer faixas etárias 
recomendadas, locais e horários para a apresentação. Ao mesmo tempo, lei federal deverá estabelecer meios 
para que qualquer pessoa ou família possa defender-se de programações de rádio e televisão que atentem 
contra os valores éticos vigentes (art. 220, §3º, I e II). 
 
V. LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO: 
 
É o direito de ir e vir, amparado por habeas corpus 
 
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer 
pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; 
 
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e 
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão 
militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; 
 
 Perceba que a liberdade de locomoção no território nacional é livre NOS TEMPOS DE PAZ. 
 
 Existem 4 hipóteses de exceção a liberdade de locomoção: 
(1) Em caso de prisão em flagrante ou prisão por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária 
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar (art. 5º, LXI, 
CF/88) 
(2) Durante o estado de defesa (art. 136, 3º, I, CF/88) o decreto poderá estabelecer restrição ao direito 
de reunião, ainda que exercida no seio das associações. 
(3) Durante o estado de sítio decretado com fundamento no art. 137, I,CF/88, poderão ser tomadas 
contra as pessoas as medidas de obrigação de permanência em localidade determinada (art. 139, I, 
CF/88); detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns (art. 139, 
II, CF/88); suspensão da liberdade de reunião (art. 139, IV, CF/88). 
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(4) Declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira (hipóteses de 
decretação de estado de sítio – art. 137, II, CF/88), a liberdade de locomoção também poderá ser 
restringida ou suspensa (art. 138, caput, CF/88). 
 
VI. LIBERDADE DE REUNIÃO: 
 
Art. 5°, XVI, CRFB - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais 
abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem 
outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido 
prévio aviso à autoridade competente; 
 
 É o agrupamento organizado de pessoas de caráter transitório, com uma determinada finalidade. 
 O exercício válido do direito de reunião deve satisfazer os requisitos constitucionais, a saber: 
✔ Reunião pacífica 
✔ Sem armas 
✔ Em locais abertos ao público 
✔ Dispensa autorização, mas deve haver aviso prévio aviso à autoridade competente 
✔ Não pode frustrar outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local 
O que se entende por aviso prévio para os fins do direito de reunião do art. 5º, 
XVI, da CF/88? 
O STF fixou a seguinte tese: A exigência constitucional de aviso prévio 
relativamente ao direito de reunião é satisfeita com a veiculação de informação 
que permita ao poder público zelar para que seu exercício se dê de forma pacífica 
ou para que não frustre outra reunião no mesmo local. STF. Plenário. RE 806339, 
Rel. para acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 14/12/2020 (Repercussão Geral – 
Tema 855). 
 
O entendimento foi fixado porque não se pode exigir o aviso prévio como condicionante ao exercício 
do direito de reunião. 
 
VII. LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO: 
Agrupamento de pessoas, organizado e permanente, para fins lícitos. Abrange: 
∘ Direito de associar-se a outras pessoas para a formação de uma entidade; 
∘ Aderir a uma associação já formada; 
∘ Desligar-se da associação; 
∘ Autodissolução das associações. 
 
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Atenção (1): o direito de associação somente é livre se: 
● For para fins lícitos 
● Não tiver caráter paramilitar. 
 
Art. 5°, XVII, CRFB - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de 
caráter paramilitar; 
 
 
Atenção (2): 
● Associações são criadas independentemente de autorização, já as cooperativas devem ser criadas na 
forma da lei, mas independem de autorização; 
 
XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem 
de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; 
 
Atenção (3): A CF/88 veda qualquer interferência estatal no funcionamento das associações e cooperativas. 
 
XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem 
de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; 
 
Atenção (4): As associações: 
● Podem ser dissolvidas de forma compulsória por decisão judicial, mas apenas após o trânsito em 
julgado. 
● Podem ter suas atividades suspensas por decisão judicial, não sendo exigido o trânsito em julgado. 
 
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas 
atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito 
em julgado; 
 
XX - Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; 
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus 
filiados judicial ou extrajudicialmente; 
 
Obs.: É inconstitucional o condicionamento da desfiliação de associado à quitação de débito referente a 
benefício obtido por intermédio da associação ou ao pagamento de multa. STF. Plenário. RE 820823/DF, Rel. 
Min. Dias Toffoli, julgado em 30/9/2022 (Repercussão Geral – Tema 922) (Info 1070). 
 
VIII. DIREITO DE PROPRIEDADE 
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XXII - é garantido o direito de propriedade; 
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; 
 
É garantido pela Constituição, mas não é absoluto, uma vez que a propriedade poderá ser 
desapropriada. É necessário também que a propriedade cumpra sua função social, atendendo aos interesses 
da coletividade e não apenas do proprietário. 
● É garantido o direito de propriedade (art. 5º, XXII). 
● A propriedade atenderá a sua função social (art. 5º, XXIII). 
● A lei estabelecerá o procedimento para desapropriaçãopor necessidade ou utilidade pública, ou por 
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na 
Constituição (art. 5º, XXIV). 
● No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, 
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano (art. 5º, XXV). 
 
Obs.: Impenhorabilidade da pequena propriedade rural. 
Dispõe o art. 5º, XXVI da CRFB que “a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que 
trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua 
atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento” 
Quanto ao tema, decidiu o STJ que a pequena propriedade rural é impenhorável mesmo que o imóvel 
não sirva de moradia ao executado e a sua família. Ou seja, o devedor não precisa morar lá, bastando que 
sua família ali labore. Tal impenhorabilidade se presta não apenas a garantir o direito à moradia, mas também 
tem por objetivo assegurar o direito fundamental de acesso aos meios geradores de renda, porquanto a 
pequena propriedade 
Ademais, também entendeu-se que a pequena propriedade é impenhorável, mesmo que a dívida 
executada não seja oriunda da atividade produtiva do imóvel. Se o sujeito usar o dinheiro para comprar um 
carro ou financiar outra atividade, ainda assim permanece a impenhorabilidade. Entendeu o Tribunal que, 
por se tratar de direito fundamental, deve ser dada a interpretação que garanta a máxima efetividade do 
direito discutido. Se a CF não permite a penhora para dívidas oriundas da própria atividade produtiva, com 
mais razão também será impenhorável com débitos de outra natureza (REsp 1.591.298/RJ – 2015). 
 
IX. DIREITO DE PETIÇÃO E DE OBTENÇÃO DE CERTIDÕES 
 
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade 
ou abuso de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e 
esclarecimento de situações de interesse pessoal; 
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Caso o pedido de certidão não seja atendido, o remédio constitucional cabível será o mandado de 
segurança e não o habeas data. 
O direito de certidão não é absoluto, pois pode ser negado em caso de o sigilo ser imprescindível à 
segurança da sociedade ou do Estado. 
 
X. INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO 
 
A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito (art. 
5º, XXXV, CF/88). 
 
Não se confunde com o direito de petição, já que este consiste em um direito de participação política 
que não demanda a demonstração de interesse processual ou lesão a direito pessoal. 
Exceção à regra da inafastabilidade da jurisdição: O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à 
disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em 
lei (art. 217, §1º, da CF). 
 
XI. IRRETROATIVIDADE DA LEI 
 
A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada 
(art. 5º, XXXVI,CF/88). 
 
Conceitos (art. 6º da LINDB): 
I- Direito adquirido: direito que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aquele cujo 
começo do exercício tenha termo prefixo ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem; 
II- Ato jurídico perfeito: ato já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou; 
III- Coisa julgada: decisão judicial de que não caiba mais recurso. 
 
Súmula 654-STF: A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da 
Constituição da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha 
editado. 
 
 Quanto à coisa julgada em matéria tributária, veja a recente tese fixada pelo STF no julgamento do 
RE 955.227/BA (Tema 885 RG) e RE 949.297/CE (Tema 881 RG): 
 
Tese fixada: “1. As decisões do STF em controle incidental de constitucionalidade, 
anteriores à instituição do regime de repercussão geral, não impactam 
automaticamente a coisa julgada que se tenha formado, mesmo nas relações 
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jurídicas tributárias de trato sucessivo. 2. Já as decisões proferidas em ação direta 
ou em sede de repercussão geral interrompem automaticamente os efeitos 
temporais das decisões transitadas em julgado nas referidas relações, respeitadas 
a irretroatividade, a anterioridade anual e a noventena ou a anterioridade 
nonagesimal, conforme a natureza do tributo.” (Info 1082, STF). 
 
XII. PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE 
 
Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a 
decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles 
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido (art. 5º XLV, CF/88). 
 
O princípio da pessoalidade tem duas dimensões: 
1) Dimensão negativa: impede que sanções de natureza penal extrapolem o âmbito estritamente 
pessoal do infrator, vedando a imposição de pena a terceiros; 
2) Dimensão positiva: impõe o dever de expor circunstancialmente as condutas responsáveis pelo 
ilícito, bem como de narrar com clareza o grau de participação dos acusados. 
 
A veiculação de matéria jornalística sobre delito histórico que expõe a vida 
cotidiana de terceiros não envolvidos no fato criminoso, em especial de criança e 
de adolescente, representa ofensa ao princípio da intranscendência 
Matéria jornalística que, sob o pretexto de noticiar crime histórico, expõe a 
intimidade do atual marido e dos filhos da condenada, pessoas que não têm relação 
direta com o fato, ofende o princípio da intranscendência ou da pessoalidade da 
pena, descrito no art. 5º, XLV, da CF/88 e no art. 13 do Código Penal. Isso porque, 
ao expor publicamente a intimidade dos referidos familiares em razão do crime 
ocorrido, a reportagem compartilhou dimensões evitáveis e indesejáveis dos 
efeitos da condenação então estendidas à atual família da ex-condenada. 
Especificamente quanto aos filhos, menores de idade, ressalta-se a Opinião 
Consultiva n. 17, de 28 de agosto de 2002 da Corte Interamericana de Direitos 
Humanos, que entende que o melhor interesse das crianças e dos adolescentes é 
reconhecido como critério regente na aplicação de normas em todos os aspectos 
da vida dos denominados “sujeitos em desenvolvimento”. STJ. 3ª Turma. REsp 
1736803-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 28/04/2020 (Info 670). 
 
É inconstitucional lei estadual que proíba a Administração Pública de contratar 
empresa que tenha tido empregado condenado por crime ou contravenção 
relacionados com a prática de atos discriminatórios 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c705112d1ec18b97acac7e2d63973424?palavra-chave=esquecimento&criterio-pesquisa=texto_literal
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c705112d1ec18b97acac7e2d63973424?palavra-chave=esquecimento&criterio-pesquisa=texto_literal
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c705112d1ec18b97acac7e2d63973424?palavra-chave=esquecimento&criterio-pesquisa=texto_literal
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/71cc107d2e0408e60a3d3c44f47507bd?categoria=1&subcategoria=1&ano=2020
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/71cc107d2e0408e60a3d3c44f47507bd?categoria=1&subcategoria=1&ano=2020
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/71cc107d2e0408e60a3d3c44f47507bd?categoria=1&subcategoria=1&ano=2020
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É inconstitucional lei estadual que proíba que a Administração Pública contrate 
empresa cujo diretor, gerente ou empregado tenha sido condenado por crime ou 
contravenção relacionados com a prática de atos discriminatórios. Essa lei viola os 
princípiosda intransmissibilidade da pena, da responsabilidade pessoal e do devido 
processo legal. STF. Plenário. ADI 3092, Rel. Marco Aurélio, julgado em 22/06/2020 
(Info 987 – clipping). 
 
XIII. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA: 
 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos; 
 
A aplicação do princípio ocorre em três âmbitos: 
 
● Plano legislativo: dirige-se ao legislador no momento da fixação dos limites mínimos e máximos da pena, 
do regime de cumprimento e dos benefícios que podem ser concedidos ao infrator. 
● Plano judicial: o magistrado, ao aplicar a pena, deve definir, fundamentadamente, a sua quantidade 
conforme os parâmetros legais, o regime inicial e os benefícios aplicáveis; 
● Plano executório: no momento da execução penal, deverá ser definido o estabelecimento prisional de 
cumprimento da pena, tendo em conta a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado (art. 5º, XLVIII, 
CF/88). 
 
* Obs.: Súmula Vinculante nº 56 A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do 
condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados 
no RE 641.320/RS. 
 
3. DIREITOS SOCIAIS 
 
São direitos de 2ª geração/dimensão. A Constituição define no art. 6º quais são os direitos sociais: 
 
CRFB, Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a 
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à 
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta 
Constituição. 
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● Direitos dos trabalhadores: os direitos relativos aos trabalhadores são de duas ordens: 
● Direitos dos trabalhadores nas suas relações individuais de trabalho: são os direitos dos 
trabalhadores do art. 7º da CF, cujo dispositivo recomendamos leitura atenta. Dentre esses direitos, 
destacamos: 
· Direito ao trabalho: infere-se do valor social do trabalho como fundamento da República 
(art. 2º) e demais dispositivos constitucionais; 
· Garantia do emprego: é a proteção da relação de emprego contra despedida arbitrária ou 
sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, 
entre outros direitos, impedindo-se, dessa forma, a dispensa injustificada, sem motivo 
socialmente relevante. É norma de eficácia contida. 
 
ATENÇÃO: A EC 72/2013 ampliou os direitos dos empregados domésticos! 
 
● É possível a efetivação de direitos sociais pelo poder judiciário? 
 R.: Embora seja prerrogativa dos Poderes Legislativo e Executivo formular e executar políticas 
públicas, o STF entende possível a efetivação de direitos sociais via Poder Judiciário, excepcionalmente, 
sobretudo nas hipóteses de políticas públicas definidas pela própria Constituição. 
 
Vejamos algumas jurisprudências (importantíssimas) sobre o tema: 
 
◘ STF determinou que governo deveria detalhar a ordem de preferência na vacinação dentro dos grupos 
prioritários (quem deveria ser vacinado primeiro dentro do grupo prioritário) 
 
 O Poder Judiciário, em situações excepcionais, pode determinar que a Administração Pública adote 
medidas concretas, assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais, como é o 
caso da saúde. 
A pretensão de que sejam editados e publicados critérios e subcritérios de 
vacinação por classes e subclasses no Plano de Vacinação, assim como a ordem de 
preferência dentro de cada classe e subclasse, encontra arrimo: • nos princípios da 
publicidade e da eficiência que regem a Administração Pública (art. 37, da CF/88); 
• no direito à informação que assiste aos cidadãos em geral (art. 5º, XXXIII, e art. 
37, § 2º, II); • na obrigação da União de “planejar e promover a defesa permanente 
contra as calamidades públicas” (art. 21, XVII); • no dever incontornável cometido 
ao Estado de assegurar a inviolabilidade do direito à vida (art. 5º, caput), traduzida 
por uma “existência digna” (art. 170); e • no direito à saúde (art. 6º e art. 196). STF. 
Plenário. ADPF 754 TPI-segunda-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado 
em 27/2/2021 (Info 1007). 
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◘ Judiciário pode determinar a realização de obras de acessibilidade em prédios públicos 
 
O Poder Judiciário pode condenar universidade pública a adequar seus prédios às 
normas de acessibilidade a fim de permitir a sua utilização por pessoas com 
deficiência. No campo dos direitos individuais e sociais de absoluta prioridade, o 
juiz não deve se impressionar nem se sensibilizar com alegações de conveniência e 
oportunidade trazidas pelo administrador relapso. Se um direito é qualificado pelo 
legislador como absoluta prioridade, deixa de integrar o universo de incidência da 
reserva do possível, já que a sua possibilidade é obrigatoriamente, fixada pela 
Constituição ou pela lei. STJ. 2ª Turma. REsp 1607472-PE, Rel. Min. Herman 
Benjamin, julgado em 15/9/2016 (Info 592). 
Fonte: Dizer o Direito 
 
◘ Judiciário pode determinar a realização de obras emergenciais em estabelecimento prisional 
 
É lícito ao Poder Judiciário impor à Administração Pública obrigação de fazer, 
consistente na promoção de medidas ou na execução de obras emergenciais em 
estabelecimentos prisionais para dar efetividade ao postulado da dignidade da 
pessoa humana e assegurar aos detentos o respeito à sua integridade física e moral, 
nos termos do que preceitua o art. 5º, XLIX, da CF, não sendo oponível à decisão o 
argumento da reserva do possível nem o princípio da separação dos poderes. STF. 
Plenário. RE 592581/RS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13/8/2015 
(repercussão geral) (Info 794). 
Fonte: Dizer o Direito 
 
◘ Judiciário pode obrigar administração pública a manter quantidade mínima de medicamento em 
estoque 
 
A Administração Pública pode ser obrigada, por decisão do Poder Judiciário, a 
manter estoque mínimo de determinado medicamento utilizado no combate a 
certa doença grave, de modo a evitar novas interrupções no tratamento. Não há 
violação ao princípio da separação dos poderes no caso. Isso porque com essa 
decisão o Poder Judiciário não está determinando metas nem prioridades do 
Estado, nem tampouco interferindo na gestão de suas verbas. O que se está 
fazendo é controlar os atos e serviços da Administração Pública que, neste caso, se 
mostraram ilegais ou abusivos já que, mesmo o Poder Público se comprometendo 
a adquirir os medicamentos, há falta em seu estoque, ocasionando graves prejuízos 
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aos pacientes. Assim, não tendo a Administração adquirido o medicamento em 
tempo hábil a dar continuidade ao tratamento dos pacientes, atuou de forma 
ilegítima, violando o direito à saúde daqueles pacientes, o que autoriza a ingerência 
do Poder Judiciário. STF. 1ª Turma. RE 429903/RJ, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 
julgado em 25/6/2014 (Info 752). 
Fonte: Dizer o Direito 
 
PRAZO PRESCRICIONAL PARA COBRANÇA EM JUÍZO DO FGTS 
- A jurisprudência entendia que o prazo prescricional era de 30 anos, conforme súmula 362 do TST: 
Súmula 362-TST: É trintenária a prescrição do direito de reclamar contra o não-recolhimento da contribuição 
para o FGTS, observado o prazo de 2 (dois) anos após o término do contrato de trabalho. 
- No entanto, em 2014, o STF alterou o seu posicionamento e passou a adotar o prazo prescricional de 05 
(cinco) anos, ao reconhecer a natureza trabalhista da verba, pelo art. 7º, XXIX, CF/88: 
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição 
social: 
(...) 
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantesdas relações de trabalho, com prazo prescricional de CINCO anos 
para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de DOIS anos após a extinção do contrato de trabalho; 
 
DIREITOS COLETIVOS DOS TRABALHADORES: Exercidos pelos trabalhadores coletivamente ou no interesse 
de uma coletividade deles, previstos nos arts. 8-11. Destacamos: 
 
▪ Organização sindical: o art. 8º, CF/88, institui ampla autonomia coletiva para a fundação e direção 
desse ente associativo, não podendo o Estado intervir ou condicionar o exercício desse direito. Pode, 
contudo, ser exigida a inscrição do sindicato em órgão próprio (Ministério do Trabalho), bem como 
admite-se que a lei disponha genericamente sobre regras básicas de organização sindical. 
 
O art. 522 da CLT, que prevê um número máximo de empregados que podem ser 
dirigentes sindicais, é compatível com a CF/88 e não viola a garantia da liberdade 
sindical 
O art. 8º, VIII, da CF/88 prevê que os dirigentes sindicais não podem ser demitidos, 
salvo se cometerem falta grave. O art. 522 da CLT prevê um número máximo de 
empregados que podem ser dirigentes sindicais. Assim que a CF/88 foi promulgada, 
alguns doutrinadores começaram a sustentar a tese de que o art. 522 da CLT não 
teria sido recepcionado pela Carta Constitucional. Isso porque o inciso I do art. 8º 
da Constituição prevê que a liberdade sindical, ou seja, proíbe que o poder público 
interfira na organização dos sindicatos. O TST e o STF não concordaram com essa 
tese. A liberdade sindical tem previsão constitucional, mas não possui caráter 
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absoluto. A previsão legal de número máximo de dirigentes sindicais dotados de 
estabilidade de emprego não esvazia a liberdade sindical. Essa garantia 
constitucional existe para que possa assegurar a autonomia da entidade sindical, 
mas não serve para criar situações de estabilidade genérica e ilimitada que violem 
a razoabilidade e a finalidade da norma constitucional garantidora do direito. Logo, 
o art. 522 da CLT foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. STF. Plenário. 
ADPF 276, Rel. Cármen Lúcia, julgado em 15/05/2020. 
 
▪ Direito de substituição processual: a CF/88 previu a possibilidade de os sindicatos ingressar em em 
juízo na defesa de direitos e interesses coletivos e individuais da categoria, em hipótese de 
substituição processual, pois o sindicato ingressa em nome próprio na defesa de interesses alheios. 
 
▪ Greve: previsto no art. 9º, cabe aos trabalhadores decidir a oportunidade de exercê-lo e os interesses 
que devam por meio dele defender. Outrossim, prevê que a lei definirá os serviços ou atividades 
essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, inclusive 
responsabilizando os abusos cometidos. 
 
 Cuidado! Policial civil não pode fazer greve!!! 
O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos 
policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de 
segurança pública. É obrigatória a participação do Poder Público em mediação 
instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos 
do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria. 
STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. 
Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860). 
 
ATENÇÃO - Para servidores públicos civis: como não existe lei específica sobre o assunto para servidores 
públicos civis, o STF conferiu efeitos concretos aos Mandados de Injunção ajuizados pelos Sindicatos de 
Servidores Civis. Por maioria, conheceu dos mandados de injunção e propôs a solução para a omissão 
legislativa com a aplicação, no que couber, da Lei nº 7.783/89, que dispõe sobre o exercício do direito de 
greve na iniciativa privada. 
 
IMPORTANTE: 
O estudo da jurisprudência acerca do tema: “Direitos Fundamentais” é imprescindível, diante da elevada 
cobrança em provas. Nesse sentido, abaixo algumas jurisprudências cuja leitura é importantíssima! 
 
 
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Informativo 163 do STF: não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos ou 
garantias que se revistam de caráter absoluto, mesmo porque razões de relevante 
interesse público ou exigências derivadas do princípio de convivência das 
liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a adoção, por parte dos órgãos 
estatais, de medidas restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde 
que respeitados os termos estabelecidos pela própria Constituição. 
 
O art. 5º, XL, da Constituição da República prevê a possibilidade de retroatividade 
da lei penal, sendo cabível extrair-se do dispositivo constitucional princípio 
implícito do Direito Sancionatório, segundo o qual a lei mais benéfica retroage no 
caso de sanções menos graves, como a administrativa. AgInt no REsp 2.024.133-
ES, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado 
em 13/3/2023, DJe 16/3/2023 
 
Cota de tela para filmes nacionais nos cinemas é constitucional 
O Plenário do STF entendeu que a norma é um mecanismo que protege a indústria 
nacional do audiovisual e amplia o acesso à cultura. Por maioria de votos, o Plenário 
do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou constitucionais as normas que reservam 
um número mínimo de dias para a exibição de filmes nacionais nos cinemas 
brasileiros, a chamada “cota de tela”, e a regra que determina que 5% dos 
programas culturais, artísticos e jornalísticos sejam produzidos no município para 
o qual foram outorgados os serviços de radiodifusão. RE 627432 e RE 1070522, com 
repercussão geral (Temas 704 e 1013). 
 
Não é possível atrelar-se ao salário mínimo o valor alusivo a benefício social e os 
respectivos critérios de admissão 
Lei estadual criou um benefício assistencial e previu que seu valor seria o do salário 
mínimo vigente. Tal previsão, em princípio, viola o art. 7º, IV, da CF/88, que proíbe 
que o salário mínimo seja utilizado como referência (parâmetro) para outras 
finalidades que não sejam a remuneração do trabalho. No entanto, o STF afirmou 
que seria possível conferir interpretação conforme a Constituição e dizer que o 
dispositivo previu que o valor do benefício seria igual ao salário mínimo vigente na 
época em que a lei foi editada (R$ 545). Após isso, mesmo o salário mínimo 
aumentando nos anos seguintes, o valor do benefício não pode acompanhar 
automaticamente os reajustes realizados sobre o salário mínimo, considerando que 
ele não pode servir como indexador. STF. Plenário. ADI 4726/AP, Rel. Min. Marco 
Aurélio, julgado em 10/11/2020 (Info 998). 
 
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A EC 20/98 ampliou a proibição do trabalho infantil ao elevar de 14 para 16 anos 
a idade mínima permitida para o trabalho; essa alteração é constitucional e tem 
por objetivo proteger as crianças e adolescentes 
A norma fundada no art. 7º, XXXIII, da Constituição Federal, na alteração que lhe 
deu a Emenda Constitucional 20/1998, tem plena validade constitucional. Logo, é 
vedado “qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de 
aprendiz, a partir de quatorze anos”. STF. Plenário. ADI 2096/DF, Rel. Min. Celso de 
Mello, julgado em 9/10/2020 (Info 994). 
 
O art. 522 da CLT, que prevê um número máximo empregados que podem ser 
dirigentes sindicais, é compatível com a CF/88 e não viola a garantia da liberdadesindical 
A previsão legal de número máximo de dirigentes sindicais dotados de estabilidade 
de emprego não esvazia a liberdade sindical. Essa garantia constitucional existe 
para que possa assegurar a autonomia da entidade sindical, mas não serve para 
criar situações de estabilidade genérica e ilimitada que violem a razoabilidade e a 
finalidade da norma constitucional garantidora do direito. Logo, o art. 522 da CLT 
foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. STF. Plenário. ADPF 276, Rel. 
Cármen Lúcia, julgado em 15/05/2020. 
 
É inconstitucional lei municipal que proíba a divulgação de material com 
referência a “ideologia de gênero” nas escolas municipais 
Compete privativamente à União legislar sobre diretrizes e bases da educação 
nacional (art. 22, XXIV, da CF), de modo que os Municípios não têm competência 
para editar lei proibindo a divulgação de material com referência a “ideologia de 
gênero” nas escolas municipais. Existe inconstitucionalidade formal. Há também 
inconstitucionalidade material nessa lei. Lei municipal proibindo essa divulgação 
viola: • a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte 
e o saber (art. 206, II, CF/88); e • o pluralismo de ideias e de concepções 
pedagógicas (art. 206, III). Essa lei contraria ainda um dos objetivos fundamentais 
da República Federativa do Brasil, que é a promoção do bem de todos sem 
preconceitos (art. 3º, IV, CF/88). Por fim, essa lei não cumpre com o dever estatal 
de promover políticas de inclusão e de igualdade, contribuindo para a manutenção 
da discriminação com base na orientação sexual e identidade de gênero. STF. 
Plenário. ADPF 457, Rel. Alexandre de Moraes, julgado em 27/04/2020. 
 
Essa jurisprudência foi cobrada na última prova de Delegado de Polícia do Paraná: 
 
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Caiu na prova Delegado PC-PR (2021) Atendendo ao interesse local, os municípios podem editar lei que 
proíba a divulgação de materiais com menção à ideologia de gênero nas escolas municipais. (item incorreto). 
 
É constitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que determina a reserva de 
vagas, no mesmo estabelecimento de ensino, para irmãos que frequentem a 
mesma etapa ou ciclo escolar, pois disciplina medida que visa consolidar políticas 
públicas de acesso ao sistema educacional e do maior convívio familiar possível. 
STF. Plenário. ADI 7149/RJ, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/9/2022 
(Info 1069). 
 
A educação básica em todas as suas fases — educação infantil, ensino 
fundamental e ensino médio — constitui direito fundamental de todas as crianças 
e jovens, assegurado por normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade 
direta e imediata. A educação infantil compreende creche (de zero a 3 anos) e a 
pré-escola (de 4 a 5 anos). Sua oferta pelo Poder Público pode ser exigida 
individualmente, como no caso examinado neste processo. O Poder Público tem o 
dever jurídico de dar efetividade integral às normas constitucionais sobre acesso à 
educação básica. STF. Plenário. RE 1008166/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 
22/9/2022 (Repercussão Geral – Tema 548) (Info 1069). 
 
Se o indivíduo possui contra si uma condenação criminal transitada em julgado, 
ele não poderá ser vigilante, mesmo que já tenha cumprido a pena há mais de 5 
anos 
Viola o princípio da presunção de inocência o impedimento de participação ou 
registro de curso de formação ou reciclagem de vigilante, por ter sido verificada a 
existência de inquérito ou ação penal não transitada em julgado. Assim, não 
havendo sentença condenatória transitada em julgado, o simples fato de existir um 
processo penal em andamento não pode ser considerado antecedente criminal 
para o fim de impedir que o vigilante se matricule no curso de reciclagem. STJ. 2ª 
Turma. REsp 1597088/PE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 15/08/2017. A 
existência de condenação criminal transitada em julgado impede o exercício da 
atividade profissional de vigilante por ausência de idoneidade moral. STJ. 2ª Turma. 
REsp 1666294-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 05/09/2019 (Info 658). 
 
Quando o delito imputado envolve o emprego de violência contra a pessoa ou 
demonstre comportamento agressivo incompatível com as funções de vigilante, 
é válida a recusa de pedido de inscrição em curso de reciclagem para vigilantes 
profissionais, porquanto configurada, em regra, a ausência de idoneidade do 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/5c3a3b139a11689e0bc55abd95e20e39?categoria=1&subcategoria=1
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indivíduo. STJ. 1ª Turma.REsp 1952439-DF, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 
26/04/2022 (Info 734). 
A existência de condenação criminal transitada em julgado impede o exercício da 
atividade profissional de vigilante por ausência de idoneidade moral, mesmo que 
tenha cumprido a pena há mais de 5 anos. 
Nota: É válida a recusa pela Polícia Federal de pedido de inscrição em curso de 
reciclagem para vigilantes profissionais, quando configurada a ausência de 
idoneidade do indivíduo em razão da prática de delito que envolve o emprego de 
violência contra a pessoa ou da demonstração de comportamento agressivo 
incompatível com as funções do cargo. REsp 1.952.439-DF, Rel. Min. Sérgio Kukina, 
Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 26/04/2022, DJe 28/04/2022. 
O STJ, através da sua 2° Turma – informativo de n° 666 – decidiu que: “A omissão 
injustificada da Administração em providenciar a disponibilização de banho 
quente nos estabelecimentos prisionais fere a dignidade de presos sob sua 
custódia.” 
 
O fornecimento recíproco de dados investigatórios e o intercâmbio de 
informações entre a Polícia Federal e as polícias estaduais são medidas que se 
legitimam em face do modelo constitucional de federalismo cooperativo. 
A razão disso encontra-se na forma de distribuição de competência dentro de uma 
forma de estado federalista cooperativa. Isto é, há um ponto convergente entre a 
União e os entes estaduais sobretudo em suas atividades investigativas (polícia civil 
e federal). 
Neste sentido, informativo de n° 755 do STF: “Cabe salientar que a mútua 
cooperação entre organismos policiais, o intercâmbio de informações, o 
fornecimento recíproco de dados investigatórios e a assistência técnica entre a 
Polícia Federal e as Polícias Estaduais, com o propósito comum de viabilizar a mais 
completa apuração de fatos delituosos gravíssimos, notadamente naqueles casos 
em que se alega o envolvimento de policiais militares na formação de grupos de 
extermínio, encontram fundamento, segundo penso, no próprio modelo 
constitucional de federalismo cooperativo (RHC 116.000/GO, Rel. Min. CELSO DE 
MELLO), cuja institucionalização surge, em caráter inovador, no plano de nosso 
ordenamento constitucional positivo, na Constituição Federal de 1934, que se 
afastou da fórmula do federalismo dualista inaugurada pela Constituição 
republicana de 1891, que impunha, por efeito da outorga de competências 
estanques, rígida separação entre as atribuições federais e estaduais.” 
 
 
https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%27201800275438%27.REG.
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Caiu na prova Delegado BA/2022! A Constituição Federal de 1988 dispõe que todos são iguais perante a lei, 
sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Com relação aos 
direitos fundamentais e oentendimento jurisprudencial dos Tribunais Superiores, assinale a alternativa 
correta. 
 
a) As pesquisas com célula-tronco embrionária violam, via de regra, o direito à vida. 
b) É possível a interrupção da gravidez quando houver diagnóstico de anencefalia do feto. 
c) Diante do princípio da igualdade, não é possível política de cotas étnico-raciais para seleção de estudantes 
em universidade pública. 
d) As ações indenizatórias por danos morais e materiais decorrentes de atos de perseguição política com 
violação de direitos fundamentais ocorridos durante o regime militar prescrevem no prazo de 05 (cinco) anos. 
e) A liberdade de expressão é um direito absoluto e a sua limitação é passível de nulidade. 
 
Resposta: Alternativa ‘B’. 
 
IBFC – PCBA/2022 – Delegado de Polícia: O direito à liberdade, previsto como direito fundamental no caput 
do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada no dia 05 de outubro de 1988, está 
presente também no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069, de 13/07/1990 - ECA), que em seu 
art. 16, dispõe que o direito à liberdade compreende os determinados aspectos. Considerando os a liberdade 
garantida às crianças e aos adolescentes pelo referido estatuto, analise as afirmativas abaixo: 
 
I. brincar, praticar esportes e divertir-se; participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação. 
II. ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais. III. opinião 
e expressão; crença e culto religioso. 
IV. participar da vida política, na forma da lei; buscar refúgio, auxílio e orientação. 
 
Estão corretas as afirmativas: 
 
a) I, II, III e IV 
b) I, III e IV apenas 
c) II, III e IV apenas 
d) III e IV apenas 
e) I, II e IV apenas 
 
Resposta: Alternativa ‘A’ 
 
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CEBRASPE – PCES/2022 – Delegado de Polícia: Assinale a opção correta a respeito dos direitos e garantias 
fundamentais. 
 
A) A existência de denúncia anônima da prática de tráfico de drogas configura fundada razão a autorizar o 
ingresso policial no domicílio do denunciado sem o seu consentimento ou sem determinação judicial. 
B) É inconstitucional o compartilhamento, sem autorização judicial, de procedimento fiscalizatório da Receita 
Federal do Brasil com a polícia. 
C) A omissão injustificada da administração pública em providenciar a disponibilização de banho quente nos 
estabelecimentos prisionais fere a dignidade dos presos sob sua custódia. 
D) Veículo de imprensa não possui direito líquido e certo a obter dados públicos sobre óbitos relacionados a 
ocorrências policiais. 
E) É vedado ao Poder Judiciário impor à administração pública obrigação de executar obras emergenciais em 
estabelecimentos prisionais, em razão do postulado da reserva do possível. 
 
Resposta: Alternativa ‘C’ 
 
CEBRASPE – PCES/2022 – Delegado de Polícia: Com base no disposto na Constituição Federal de 1988 
(CF/88) e no entendimento do Supremo Tribunal Federal, assinale a opção correta acerca dos direitos sociais. 
 
A) O servidor público que seja pai monoparental faz jus à licença maternidade e ao salário maternidade pelo 
prazo de 180 dias. 
B) Exige-se a autorização do Estado para a fundação de sindicato. 
C) Policial civil tem direito a receber seguro desemprego, em caso de desemprego involuntário. 
D) É vedada a fixação de piso salarial em múltiplos do salário mínimo, ainda que inexistam reajustes 
automáticos. 
E) É vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro de sua candidatura a cargo de direção 
ou representação sindical e, se eleito, até seis meses após o final do mandato, salvo na hipótese de falta 
grave. 
 
Resposta: A alternativa ‘A’ está correta. 
 
 
Referência Bibliográficas: 
 
Pedro Lenza. Direito Constitucional Esquematizado. 
Marcelo Novelino. Curso de Direito Constitucional. 
Dirley da Cunha Junior. Curso de Direito Constitucional. 
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino. Direitos Constitucional Descomplicado 
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Bruno Del Preti e Paulo Lépore. Manual de Direitos Humanos 
João Trindade. Teoria Geral dos Direitos Fundamentais. Disponível em: 
http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teori
a_geral_dos_direitos_fundamentais.pdf 
Julgados comentados do site Dizer o Direito. http://www.dizerodireito.com.br/ 
 
 
 
 
 
 
http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teoria_geral_dos_direitos_fundamentais.pdf
http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portaltvjustica/portaltvjusticanoticia/anexo/joao_trindadade__teoria_geral_dos_direitos_fundamentais.pdf
http://www.dizerodireito.com.br/
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QUESTÕES PROPOSTAS 
 
Caro Aluno, 
As questões propostas serão disponibilizadas e deverão ser resolvidas dentro da plataforma (em 
avaliações), de modo que, ao final, você terá acesso aos respectivos comentários. 
As questões a seguir são apenas um demonstrativo para que você possa conhecer o material do Dedicação 
Delta. Mas, não se esqueça: dentro da plataforma temos muitas questões disponíveis e comentadas sobre 
cada tema visto em cada meta estudada. 
Vamos juntos. 
Equipe DD. 
 
 
Questões 
 
1 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-ES - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia 
Assinale a opção correta a respeito dos direitos e garantias fundamentais. 
 
A-A existência de denúncia anônima da prática de tráfico de drogas configura fundada razão a autorizar o 
ingresso policial no domicílio do denunciado sem o seu consentimento ou sem determinação judicial. 
B-É vedado ao Poder Judiciário impor à administração pública obrigação de executar obras emergenciais em 
estabelecimentos prisionais, em razão do postulado da reserva do possível. 
C-É inconstitucional o compartilhamento, sem autorização judicial, de procedimento fiscalizatório da Receita 
Federal do Brasil com a polícia. 
D-A omissão injustificada da administração pública em providenciar a disponibilização de banho quente nos 
estabelecimentos prisionais fere a dignidade dos presos sob sua custódia. 
E-Veículo de imprensa não possui direito líquido e certo a obter dados públicos sobre óbitos relacionados a 
ocorrências policiais. 
 
2 - 2022 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2022 - PC-SP - Delegado de Polícia 
À luz da Constituição Federal, da doutrina pátria e do entendimento jurisprudencial consolidado, tendo em 
vista os mecanismos de proteção dos direitos fundamentais em procedimentos investigatórios comandados 
por delegados de polícia, é correto afirmar que 
 
A-é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos constantes de 
inquérito policial, incluídas as informações concernentes a diligências investigatórias pendentes. 
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B-o fornecimento recíproco de dados investigatórios e o intercâmbio de informações entre a Polícia Federal 
e as polícias estaduais são medidas que se legitimam em face do modelo constitucional de federalismo 
cooperativo. 
C-a autoridade policial pode negar vista do inquérito policial ao indiciado ou ao seu defensor, em feito que 
tramita sob segredo de justiça. 
D-é possível que a autoridade policial impeça o acesso aos autos do inquérito policial por um dos 
interessados, objetivando assegurar o direito à intimidade dos demais investigados. 
E-a liberdade de informação jornalística legitima a utilização de informações sigilosas, obtidas por meios 
ilícitos, sobre inquéritos policiais em andamento. 
 
3 - 2022 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2022 - PC-SP - Delegado de Polícia 
A garantia constitucional da liberdade de locomoção 
 
A-abrangeÉ o que consta no Código 
Penal; 
10. Direito Penal Adjetivo: também chamado de “formal” (grave as nomenclaturas), é o direito 
processual penal. 
 
#SELIGA: Direito Penal de Intervenção 
Abordado por Hassemer. Segundo ele, o direito penal deve se preocupar apenas com os bens jurídicos 
individuais, tais como a vida, patrimônio, propriedade etc., bem como de infrações penais que causem perigo 
concreto. Por outro lado, se o intuito da previsão da infração é proteger apenas bem jurídico difuso, coletivo 
ou de natureza abstrata, não deveria ser considerada uma infração penal. Deveria ser regulada por um 
sistema jurídico diverso, com sanções mais brandas que as do direito penal, sem risco de privação da 
liberdade do infrator, mas aplicadas também por uma autoridade judiciária, de forma mais célere e ampla, 
podendo ser até mais efetiva, para não tornar o direito penal inócuo e simbólico. Exemplo no BR: Lei 8429/92. 
Este seria o direito de intervenção. 
O direito de intervenção estaria acima do direito administrativo, mas abaixo do direito penal. 
Para o autor, de um lado, o Direito Penal, dada sua gravidade, não pode ser utilizado para a tutela de bens 
jurídicos difusos, coletivos, transindividuais etc. Por outro lado, sabe-se que as autoridades administrativas 
não possuem a independência necessária para a aplicação das penalidades. Por isso, propõe o Direito de 
Intervenção. 
Há críticas acerca de tal posicionamento na doutrina, pela dúvida de como seria a legitimidade e como atuaria 
o direito de intervenção, bem como se tais sanções seriam suficientes para tutelar bens importantes que se 
caracterizam como coletivos, difusos ou de natureza abstrata. 
 
2. ENCICLOPÉDIA DAS CIÊNCIAS PENAIS 
 
O estudo do crime, do criminoso e da sanção penal é o objeto de várias ciências, tendo sido chamadas 
por José Cerezo Mir de “enciclopédia de ciências penais”. 
A doutrina não é uníssona acerca de quantas ou quais exatamente seriam elas, mas, para o nosso 
estudo, as mais importantes são a dogmática, a criminologia e a política criminal. 
 
I – DOGMÁTICA PENAL: tem por objetivo interpretar de forma sistemática o direito penal, entendendo o 
sentido das normas e aplicando-o de forma lógico-racional (não emocional). 
 
 
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15 
 
Obs.: Dogmática ≠ Dogmatismo: Dogmatismo é a aceitação cega de verdades tidas como absolutas e 
imutáveis (deve ser desprezado). Se opõe à ideia de ciência, que admite flexibilização, na qual estaria 
enquadrada a dogmática. 
 
II – CRIMINOLOGIA: A criminologia, de acordo com Luiz Flávio Gomes e Antônio Molina, é uma ciência 
empírica (estuda o que “é”, ao contrário do direito penal, que estuda o que “deve ser” – caracterizando-se 
como uma ciência valorativa e normativa) e interdisciplinar (observa diversos fatores: econômicos, políticos, 
sociais, religiosos etc.), a qual estuda o crime, a vítima, o criminoso e o controle social. Suas constatações se 
dão a partir da observação daquilo que acontece na realidade social, na experiência. 
 
 Ps.: Gravando as palavras-chave sobre as características da criminologia, que são diversas das do 
direito penal, vocês já matam várias questões! 
 
III – POLÍTICA CRIMINAL: trabalha com estratégias e mecanismos de controle social da criminalidade, para 
que os bens jurídicos relevantes sejam protegidos. Possui a característica de vanguarda, pois orienta a criação 
e a reforma das leis, a partir de uma análise crítica acerca destas estarem ou não cumprindo os fins a que se 
propõem, considerando dados obtidos por outros ramos (como a criminologia). 
Funciona como “filtro” entre a letra fria da lei e a realidade social. Revela as leis que “pegam” e as que não. 
 
2.1 Direito Penal X Criminologia X Política Criminal 
 
O ponto mais cobrado desse tópico é, sem dúvidas, a diferença entre direito penal, criminologia e 
política criminal. 
 
DIREITO PENAL CRIMINOLOGIA POLÍTICA CRIMINAL 
Ciência normativa e valorativa, que 
analisa os fatos humanos 
indesejados e define quais devem 
ser tipificados como crime ou 
contravenção. 
Ciência empírica e 
interdisciplinar, que estuda o 
crime, o criminoso, a vítima e o 
controle social. 
Trabalha as estratégias e meios 
de controle social da 
criminalidade. 
Ocupa-se do crime enquanto 
norma. 
Ocupa-se do crime enquanto 
fato. 
Ocupa-se do crime enquanto 
valor. 
Ex: Define o crime de roubo. 
Ex: Quais fatores contribuem 
para o crime de roubo. 
Ex: Estuda como diminuir os 
casos de roubo. 
 
VAMOS LEMBRAR: 
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Vitimologia: é o estudo da vítima em seus diversos planos. Inicialmente, a análise era quanto às formas de 
contribuição da vítima para a prática dos crimes. Modernamente, tal estudo preocupa-se também com a 
proteção destas no momento posterior à prática do crime, como por exemplo com a sua reinserção na 
sociedade. No direito brasileiro, temos o exemplo da composição dos danos civis (art. 74, parágrafo único, 
Lei 9.099/95) - TERCEIRAVIA 
Ademais, uma das circunstâncias judiciais que deve ser considerada na fixação da pena base é o 
comportamento da vítima (art. 59, CP). 
 
2.2 Seletividade - Criminalização Primária e Secundária (Zaffaroni) 
 
Sobre a seletividade, define Zaffaroni: 
 
“Ao menos em boa medida, o sistema penal seleciona pessoas ou ações, como 
também criminaliza certas pessoas segundo sua classe e posição social. [...] Há 
uma clara demonstração de que não somos todos igualmente ‘vulneráveis’ ao 
sistema penal, que costuma orientar-se por ‘estereótipos’ que recolhem os 
caracteres dos setores marginalizados e humildes, que a criminalização gera 
fenômeno de rejeição do etiquetado como também daquele que se solidariza ou 
contata com ele, de forma que a segregação se mantém na sociedade livre. A 
posterior perseguição por parte das autoridades com rol de suspeitos 
permanentes, incrementa a estigmatização social do criminalizado (ZAFFARONI; 
PIERANGELI, 2011, p. 73).” (Guarda relação com o movimento do labeling approach 
/ teoria da reação social / da rotulação social / do etiquetamento social – tema que 
deve ser estudado de modo mais aprofundado na matéria de criminologia.) 
 
Nesse contexto, o processo de criminalização pode ser dividido em dois: 
a) Criminalização primária: É a elaboração e sanção das leis penais, introduzindo formalmente no 
ordenamento jurídico a tipificação de determinadas condutas. 
b) Criminalização secundária: É a ação punitiva que recai sobre pessoas concretas. Quando recai sobre 
o indivíduo a persecução penal após ser a ele atribuída a prática de um ato primariamente 
criminalizado. É praticada pela Polícia e Poder Judiciário. 
 
* ATENÇÃO: Além do momento da elaboração e aplicação da norma, a seletividade também vai se mostrar 
presente no momento da execução da pena. 
 
- SELIGA: Você sabe o que é Direito Penal Subterrâneo e Direito Penal Paralelo? Referem-se aos sistemas 
penais paralelos e subterrâneos. 
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De acordo com Zaffaroni, “sistema penal é o conjunto das agências que operam a criminalização primária e 
a criminalização secundária ou que convergem na sua produção”. 
Direito Penal Paralelo: Como o sistema penal formal do Estado não obtêm êxito em grande parte da 
aplicação e exercício do poder punitivo, outras agências apropriam-se desse espaço e o exercem de modo 
paralelo ao estado (criando sistemas penais paralelos). Ex.:médico que aprisiona doentes mentais; 
institucionalização pelas autoridades assistenciais dos morados de rua etc.). 
Direito Penal Subterrâneo: ocorre quando as instituições oficiais atuam com poder punitivo ilegal, 
acarretando abuso de poder. Ex.: institucionalização de pena de morte (execução sem processo), 
desaparecimentos, torturas, extradições mediante sequestro, grupos especiais deapenas os brasileiros e os estrangeiros residentes no Brasil. 
B-abrange o direito de permanência no território nacional. 
C-é norma constitucional de aplicabilidade imediata, direta e integral. 
D-pode ser tutelada por meio do recurso de habeas corpus. 
E-não abrange o direito de saída de não residentes no país. 
 
4 - 2022 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2022 - PC-SP - Delegado de Polícia 
Nos termos do inciso II, do artigo 12-C, da Lei Federal n° 11.340 de 7 de agosto de 2006, verificada a existência 
de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência 
doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente afastado do lar, domicílio ou 
local de convivência com a ofendida pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de comarca. 
À luz da Constituição da República, é correto afirmar que 
 
A-o ingresso no domicílio sem o consentimento do morador só pode ocorrer em caso de flagrante delito ou, 
durante o dia, mediante autorização judicial, razão pela qual o dispositivo enunciado, ao tratar de hipóteses 
de risco, é inconstitucional. 
B-a autorização legal para que delegados de polícia atuem para interromper o ciclo de violência doméstica 
não viola a prerrogativa constitucional do Judiciário de decretar medidas cautelares. 
C-o afastamento do suposto agressor pelo delegado de polícia, na hipótese legal descrita pelo enunciado, é 
inconstitucional por ofensa ao postulado normativo do devido processo legal. 
D-o dispositivo cria hipótese legal para que o delegado pratique atos de competência privativa do Poder 
Judiciário, com ofensa ao princípio da reserva de jurisdição e da inviolabilidade do domicílio. 
E-a Constituição permite a invasão do lar somente mediante prévia autorização judicial, em decorrência da 
garantia de inviolabilidade do domicílio. 
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5 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
João, brasileiro com vinte anos de idade e que jamais solicitara o seu alistamento eleitoral, requereu, à 
Secretaria de Estado de Segurança Pública do Estado Alfa, informações a respeito de auditoria realizada pelo 
órgão competente de controle interno nas contratações realizadas pelo órgão. Acresça-se que, no bojo desse 
requerimento, João não indicou a finalidade em que essas informações seriam utilizadas. 
 
À luz da sistemática vigente, é correto afirmar que o requerimento de João deve ser 
 
A-indeferido, pois as informações solicitadas são exclusivas para o uso interno. 
B-indeferido, pois somente o cidadão pode ter acesso às informações almejadas. 
C-indeferido, já que não foi declinada em que finalidade as informações seriam utilizadas. 
D-deferido, sendo irrelevante o fato de João não ser cidadão e de não indicar a finalidade das informações. 
E-deferido, desde que João, após a devida provocação, indique em que finalidade as informações serão 
utilizadas. 
 
 
Respostas7 
 
 
 
7 1: D 2: B 3: B 4: B 5: D 
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Comentários 
 
1 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-ES - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-ES - Delegado de Polícia 
Assinale a opção correta a respeito dos direitos e garantias fundamentais. 
 
A-A existência de denúncia anônima da prática de tráfico de drogas configura fundada razão a autorizar o 
ingresso policial no domicílio do denunciado sem o seu consentimento ou sem determinação judicial. 
B-É vedado ao Poder Judiciário impor à administração pública obrigação de executar obras emergenciais em 
estabelecimentos prisionais, em razão do postulado da reserva do possível. 
C-É inconstitucional o compartilhamento, sem autorização judicial, de procedimento fiscalizatório da Receita 
Federal do Brasil com a polícia. 
D-A omissão injustificada da administração pública em providenciar a disponibilização de banho quente nos 
estabelecimentos prisionais fere a dignidade dos presos sob sua custódia. 
E-Veículo de imprensa não possui direito líquido e certo a obter dados públicos sobre óbitos relacionados a 
ocorrências policiais. 
 
COMENTÁRIO 
 
A-INCORRETA. 
A denúncia anônima ou notitia criminis inqualificada, por si só, não é apta a fundamentar a busca 
domiciliar. Neste caso, necessita-se de justa causa e a execução de diligências anteriores para verificar a 
veracidade das informações (fundadas razões). Não é outro o entendimento do STF em sede de 
repercussão geral tema n° 280: 
 
“A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em 
período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente 
justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de 
flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do 
agente ou da autoridade, e de nulidade dos atos praticados.” 
 
O STJ, em sede do informativo de n° 734: 
 
“A denúncia anônima acerca da ocorrência de tráfico de drogas acompanhada 
das diligências para a constatação da veracidade das informações prévias 
podem caracterizar as fundadas razões para o ingresso dos policiais na 
residência do investigado.” 
 
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B-INCORRETA. 
Neste caso, conforme reiterada jurisprudência do STF, o fundamento da reserva do possível pelo Estado 
não é tese apta a fundamentar a não execução de políticas públicas. Com efeito, prepondera-se a tese 
do mínimo existencial. De forma atípica o Poder Judiciário atua, autorizado pela jurisprudência atual, 
com proatividade intervindo nas políticas públicas não executadas pelo ente subnacional. A exemplo, é 
a ADPF de n° 347 que, em seu bojo, aplicou a tese do estado de coisas inconstitucional em razão da 
massiva violação de direitos fundamentais em seu sentido objetivo. Desta forma autoriza-se a 
proatividade do Poder Judiciário. 
 
C-INCORRETA. 
Neste caso, é possível o compartilhamento interno entre a UIF, RFB, Polícia Judiciária e o MP. Nesse 
sentido: 
 
Ementa Repercussão geral. Tema 990. Constitucional. Processual Penal. 
Compartilhamento dos Relatórios de inteligência financeira da UIF e da íntegra 
do procedimento fiscalizatório da Receita Federal do Brasil com os órgãos de 
persecução penal para fins criminais. Desnecessidade de prévia autorização 
judicial. Constitucionalidade reconhecida. Recurso ao qual se dá provimento 
para restabelecer a sentença condenatória de 1º grau. Revogada a liminar de 
suspensão nacional (art. 1.035, § 5º, do CPC). Fixação das seguintes teses: 1. É 
constitucional o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira 
da UIF e da íntegra do procedimento fiscalizatório da Receita Federal do 
Brasil - em que se define o lançamento do tributo - com os órgãos de 
persecução penal para fins criminais SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, 
devendo ser resguardado o sigilo das informações em procedimentos 
formalmente instaurados e sujeitos a posterior controle jurisdicional; 2. O 
compartilhamento pela UIF e pela RFB referido no item anterior deve ser feito 
unicamente por meio de comunicações formais, com garantia de sigilo, 
certificação do destinatário e estabelecimento de instrumentos efetivos de 
apuração e correção de eventuais desvios. (RE 1055941, Relator(a): DIAS 
TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 04/12/2019, ACÓRDÃO ELETRÔNICO 
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-243 DIVULG 05-10-2020 PUBLIC 06-10-
2020) 
 
D-CORRETA. 
De fato. O STJ, através da sua 2° Turma – informativo de n° 666 – decidiu que: 
 
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“A omissão injustificada da Administração em providenciar a disponibilização 
de banho quente nos estabelecimentos prisionais fere a dignidade de presos 
sob sua custódia.” 
 
E-INCORRETA. 
Nos termos do informativo de n° 682, o STJ já decidiu sobre sua possibilidade:inteligência que atuam 
fora da lei etc. 
 
3. DIREITO PENAL DO AUTOR E DIREITO PENAL DO FATO 
 
Direito Penal do Fato – Adotado pelo Ordenamento Penal Brasileiro – consiste que o direito penal 
deve punir condutas, ou seja, fatos, praticados pelos indivíduos que sejam lesivas a bens jurídicos de 
terceiros. Pune-se o fato. A base para esse princípio está no Estado de Direito. 
Importante frisar que se considera circunstâncias relacionadas ao autor, especificamente quando da 
análise da pena. Ex: art. 59 do CP; Reincidência. 
Está atrelado ao Princípio da exteriorização ou materialização do fato, pelo qual o Estado só pode 
incriminar condutas humanas voluntárias (fatos). Assim, ninguém pode ser castigado por seus pensamentos, 
desejos ou meras cogitações ou estilo de vida. 
O princípio da exteriorização serviu para o legislador acabar com as infrações penais que 
desconsideravam esse mandamento. Ex: Mendicância (art. 60 L.C.P. – abolido), tal crime adotava o direito 
penal do autor. 
Por sua vez, o direito Penal do autor consiste na punição do indivíduo baseada em seus 
pensamentos, desejos e estilo de vida, condições pessoais, do modo de ser, grau de culpabilidade 
(reprovabilidade), antecedentes do autor, está interligado ao Direito Penal do Inimigo. Aqui teríamos uma 
inobservância do princípio da exteriorização do fato. 
 
Obs: Coculpabilidade e coculpabilidade às avessas (Zaffaroni) 
Coculpabilidade é corresponsabilidade do Estado no cometimento de determinados delitos, praticados por 
cidadãos que possuem menor âmbito de autodeterminação diante das circunstâncias do caso concreto, 
principalmente no que se refere a condições sociais e econômicas do agente, o que enseja menor reprovação 
social, segundo o princípio da coculpabilidade, o Estado-juiz haveria de considerar como atenuante as 
condições socioeconômicas do réu no momento na aplicação da pena. Veja que o artigo 66 do Código Penal 
autoriza ao Juiz esse postulado, através da, chamada pela doutrina, atenuante inominada. A outra face da 
teoria da coculpabilidade pode ser identificada como a coculpabilidade às avessas, por meio da qual defende-
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se a possibilidade de reprovação penal mais severa no tocante aos crimes praticados por pessoas dotadas de 
elevado poder econômico, e que abusam desta vantagem para a execução de delitos, em regra 
prevalecendo-se das facilidades proporcionadas pelo livre trânsito nos centros de controle político e 
econômico. 
 
4. GARANTISMO PENAL (FERRAJOLI) 
 
4.1 Conceito 
 
Para Ferrajoli, “o garantismo é entendido no sentido do ESTADO CONSTITUCIONAL DE DIREITO, isto 
é, aquele conjunto de vínculos e de regras racionais impostos a todos os poderes na tutela dos direitos de 
todos, representa o único remédio para os poderes selvagens”. 
 
4.2. Garantias primárias e secundárias 
 
O autor distingue as garantias em duas grandes classes: as garantias primárias e as garantias 
secundárias: 
● Garantias primárias – limites e vínculos normativos: Consistem nas proibições e obrigações, formais 
e substanciais, impostos na tutela dos direitos, ao exercício de qualquer poder; 
● Garantias secundárias – diversas formas de reparação: Subsequentes às violações das garantias 
primárias, diz respeito à anulabilidade dos atos inválidos e a responsabilidade pelos atos ilícitos. 
- Ex: a CF prevê como garantia primária que não haverá pena de banimento. O legislador não a 
observa e comina tal pena a determinado crime. Neste caso, será utilizado o controle de 
constitucionalidade, previsto na própria constituição como garantia secundária, julgando o ato nulo. 
 
* ATENÇÃO: Para o garantismo de Ferrajoli, o juiz não é um mero aplicador da lei, um mero executor da 
vontade do legislador ordinário. Ele é, antes de tudo, o guardião de direitos fundamentais. 
 
4.3 Máximas do garantismo 
 
☠ Questão cobrada na 2ª fase do concurso para o cargo de Delegado do Estado do 
Mato Grosso do Sul em 2017 
 
● Nulla poena sine crimine: somente será possível a aplicação de pena quando houver, efetivamente, a 
prática de determinada infração penal; 
● Nullum crimen sine lege: a infração penal deverá sempre estar expressamente prevista na lei penal; 
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● Nulla lex (poenalis) sine necessitate: a lei penal somente poderá proibir ou impor determinados 
comportamentos, sob a ameaça de sanção, se houver absoluta necessidade de proteger determinados 
bens, tidos como fundamentais ao nosso convívio em sociedade, (direito penal mínimo); 
● Nulla necessitas sine injuria: as condutas tipificadas na lei penal devem, obrigatoriamente, ultrapassar 
a sua pessoa, isto é, não poderão se restringir à sua esfera pessoa, à sua intimidade, ou ao seu 
particular modo de ser, somente havendo possibilidade de proibição de comportamentos quando 
estes vierem a atingir bens de terceiros; 
● Nulla injuria sine actione: as condutas tipificadas só podem ser exteriorizadas mediante a ação do 
agente, ou omissão, quando previsto em lei; 
● Nulla actio sine culpa: somente as ações culpáveis podem ser reprovadas; 
● Nulla culpa sine judicio: é necessário adoção de um sistema nitidamente acusatório, com a presença 
de um juiz imparcial e competente para o julgamento da causa; 
● Nullum judicium sine accusatione: o juiz que julga não pode ser responsável pela acusação; 
● Nulla accusatio sine probatione: fica a cargo do acusador todo o ônus probatório, que não poderá ser 
transferido para o acusado da prática de determinada infração penal; 
● Nulla accusatio sine defensione: deve ser assegurada ao acusado a ampla defesa, com todos os 
recursos a ela inerentes. 
 
#ATENÇÃO! Em que consiste o garantismo penal integral? 
O Direito penal deve se prestar a garantir não somente os direitos e garantias dos acusados, mas todos os 
direitos e deveres previstos na Constituição. Em que pese não se possa tolerar violações arbitrárias e 
desproporcionais aos direitos daquele sob o qual recai o jus puniendi estatal, não se pode também deixar de 
proteger outros bens que também são juridicamente relevantes para a sociedade. 
Tudo isso deve passar pelo crivo da proporcionalidade. 
Desse modo, o garantismo divide-se em: 
a) Garantismo negativo: visa limitar a função punitiva do Estado, que deve ser aplicada estritamente aos 
casos necessários e em medida adequada, consistindo na proibição de excesso. 
b) Garantismo positivo: busca evitar a impunidade e garantir que os bens jurídicos relevantes à sociedade 
sejam efetivamente protegidos, caracterizando-se pela proibição da proteção insuficiente. 
Quando apenas o garantismo negativo é observado, surge o chamado “garantismo hiperbólico monocular” 
(grave este nome). Hiperbólico: por ser aplicado de modo desproporcional e exagerado. Monocular: por 
enxergar apenas um lado, opondo-se ao garantismo integral. 
 
5. DIREITO PENAL DO INIMIGO 
 
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a) Conceito: Aquele que viola o sistema deve ser considerado e tratado como inimigo. O delinquente, 
autor de determinados crimes, não é ou não deve ser considerado como cidadão, mas como um “cancro 
societário”, que deve ser extirpado (Munhoz Conde). 
Jakobs fomenta o Direito Penal do inimigo para o terrorista, traficante de drogas, de armas e de 
seres humanos e para os membros de organizações criminosas transnacionais (vide lei 12.850/2013). 
Destaque-se que nem todo criminoso é inimigo, apenas uma parcela reduzida de criminosos é que 
entra neste rol. 
 
b) Características do direito penal do inimigo: 
● Antecipação da punibilidade com a tipificação de atos preparatórios: O legislador é impaciente, não 
aguarda o início da execução para punir o agente); 
● É um direito penal prospectivo e não retrospectivo, na medida em que se pune o inimigo pelo que 
ele poderáfazer, em razão do perigo que representa; 
● O inimigo não é visto como um sujeito de direitos, pois perdeu seu status de cidadão; 
● Pune-se o inimigo pela sua periculosidade e não pela sua culpabilidade, como é no direito penal 
comum; 
● Criação de tipos de mera conduta; 
● Previsão de crimes de perigo abstrato: normalmente, pode haver crimes de perigo abstrato, mas 
sem abusos, flexibilização o princípio da lesividade; 
● As garantias processuais aplicadas ao inimigo são relativizadas ou até mesmo suprimidas. 
● Flexibilização do Princípio da Legalidade: é a descrição vaga dos crimes e das penas. A descrição 
genérica de um crime permite a punição de mais condutas/comportamentos; 
● Inobservância dos Princípios da Ofensividade: relação com a criação de crimes de perigo abstrato) 
e da Exteriorização do Fato (relação com o direito penal do autor); 
● Preponderância do Direito Penal do autor: Flexibilização do princípio da exteriorização do fato; 
● Desproporcionalidade das penas; 
● Surgimento das chamadas “leis de luta ou de combate”: Exemplo - Lei 8.072/90 e Lei 12.850/2013. 
Alguns doutrinadores sustentam que tais leis têm predicados de direito penal do inimigo; 
● Endurecimento da Execução Penal: O regime disciplinar diferenciado é um resquício do direito penal 
do inimigo; 
 
*ATENÇÃO: O Direito Penal do inimigo também é conhecido como a “terceira velocidade do Direito Penal”. 
Isto porque se aplica a pena de prisão e também por ser extremamente célere, já que suprime direitos e 
garantias. 
 
5.1 Velocidades do Direito Penal (Jesús-Maria Silva Sánchez) 
 
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Segundo, Cleber Masson (2017, p. 111) a teoria das velocidades do direito penal “parte do 
pressuposto de que o Direito Penal, no interior de sua unidade substancial, contém dois grandes blocos, 
distintos, de ilícitos: o primeiro das infrações penais às quais são cominadas penas de prisão (direito penal 
nuclear), e o segundo, daqueles que se vinculam aos gêneros diversos de sanções penais (direito penal 
periférico)”. 
 
● Primeira velocidade: Direito Penal “da prisão”, aplicando-se penas privativas de liberdade como 
resposta aos crimes praticados, com a rígida observância das garantias constitucionais e processuais. 
Aplicada a delitos graves. 
● Segunda velocidade: Direito penal reparador. São aplicadas aqui penas alternativas à prisão, como 
restritivas de direitos ou pecuniárias, de forma mais rápida, sendo admissível, para tanto, uma 
flexibilização proporcional dos princípios e regras processuais. Aplicável a delitos de menor 
gravidade. 
☠ Foi tema da prova discursiva do concurso de Delegado do Espírito Santo em 2019! 
● Terceira velocidade: Novamente temos aqui a prisão por excelência. Contudo, difere-se da primeira 
por permitir a flexibilização e até a supressão de determinadas garantias. Aplicada aos delitos de 
maior gravidade. 
Remete ao direto penal do inimigo, já explicado acima. 
Também poderiam constituir exemplos a Lei de Crimes Hediondos e a Lei de Organizações Criminosas 
na legislação pátria. 
● Quarta velocidade: Neopunitivismo. Ligada ao direito internacional. É o processamento e 
julgamento pelo TPI de chefes de Estado que violarem tratados e convenções internacionais de tutela 
de Direitos Humanos e praticarem crimes de lesa-humanidade, de modo que, por esta razão, se 
tornarão réus perante o referido tribunal e terão, dentro do contexto, suas garantias penais e 
processuais penais diminuídas. 
● Quinta velocidade: hodiernamente, já se fala em Direito Penal de 5ª (quinta) velocidade, que trata 
de uma sociedade com maior assiduidade do controle policial, o Estado com a presença maciça de 
policiais na rua, no cenário onde o Direito Penal tem o escopo de responsabilizar os autores, diante 
da agressividade presente em nossa sociedade de relações complexas e, muitas vezes, 
(in)compreensíveis. #PERTINÊNCIATEMÁTICA 
 
6. FONTES DO DIREITO PENAL 
 
☠ Foi tema de prova oral do concurso de Delegado de Polícia de Minas Gerais em 
2018 
 
São as formas pelas quais o direito penal é criado e, posteriormente, manifestado. 
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a) Fonte Material: Diz respeito à criação do Direito Penal. Via de regra, é a União, art.22, I, da CF/88, pois 
“compete privativamente à União legislar sobre direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, 
marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho”. 
 
*Atenção: O artigo 22, parágrafo único, CF/88, prevê que “Lei Complementar poderá autorizar os Estados a 
legislar sobre questões específicas relacionadas neste artigo”, o que permite entender que abarca, inclusive, 
o Direito Penal. Então podemos ter uma lei complementar autorizando o estado a legislar sobre questões 
específicas de direito penal. É chamada DELEGAÇÃO EM PRETO – pois essa lei complementar não pode 
delegar genericamente. Têm que ser pontos específicos/questões específicas. 
 
 Obs.: Medida provisória pode versar sobre direito penal? 
 R.: A EC 32/01 inseriu dispositivo expresso na CF/88 vedando a edição de medida provisória versando 
sobre direito penal. Até 2001 não existia regra expressa na CF/88 vedando a edição de medida provisória 
sobre matéria penal. Tanto que o próprio STF, antes dessa EC 32, apreciou o RE 254.818/PR – 2000, 
especificando que MP não poderia versar sobre direito penal, exceto se favorável ao réu. 
 
 Esse julgado (2000), anterior à EC 32/2001, que estabeleceu ser possível a edição de medida 
provisória quando favorável ao réu, subsistiria após a EC 32/01, considerando que, com essa EC, passou-se a 
vedar, de forma abstrata, a edição de medida provisória sobre matéria penal? 
 R.: A doutrina e a jurisprudência são pacíficas no sentido de que é possível a edição de medida 
provisória versando sobre direito penal quando favorável ao réu, de modo que o entendimento exarado no 
bojo do RE 254.818 subsistiria após a edição da EC 32/01. 
 
Segundo explica o autor Cleber Masson, "É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria relativa a 
Direito Penal (CF, art. 62, § 1.º, I, alínea b), seja ela prejudicial ou mesmo favorável ao réu. Nada obstante, o 
Supremo Tribunal Federal historicamente firmou jurisprudência no sentido de que as medidas provisórias 
podem ser utilizadas na esfera penal, desde que benéficas ao agente". (MASSON, Cleber. Direito Penal. 
Parte Geral. Volume 1. 13ª edição. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2019, p. 97). 
STF no RE 254818/PR: 
I. Medida provisória: sua inadmissibilidade em matéria penal - extraída pela doutrina consensual - da 
interpretação sistemática da Constituição -, não compreende a de normas penais benéficas, assim, as que 
abolirem crimes ou lhes restringem o alcance, extingam ou abrandem penas ou ampliam os casos de isenção 
de pena ou de extinção de punibilidade. II. Medida provisória: conversão em lei após sucessivas reedições, 
com cláusula de "convalidação" dos efeitos produzidos anteriormente: alcance por esta de normas não 
reproduzidas a partir de uma das sucessivas reedições. III. MPr 1571-6/97, art. 7º, § 7º, reiterado na reedição 
subsequente (MPr 1571-7, art. 7º, § 6º), mas não reproduzido a partir da reedição seguinte (MPr 1571-8 /97): 
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sua aplicação aos fatos ocorridos na vigência das edições que o continham, por força da cláusula de 
"convalidação" inserida na lei de conversão, com eficácia de decreto-legislativo.(STF - RE: 254818 PR, Relator: 
SEPÚLVEDA PERTENCE, Data de Julgamento: 08/11/2000, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ 19-12-2002 
PP-00081 EMENT VOL-02096-07 PP-01480 RTJ VOL-00184-01 PP-00301). 
 
b) Fonte Formal: Diz respeito à aplicação do Direito Penal. Esse ponto varia um pouco de doutrinador para 
doutrinador. 
 
DOUTRINA CLÁSSICA DOUTRINA MODERNA 
Imediata: 
● Lei (Desdobramentodo princípio da 
reserva legal, que prevê a criação de 
crime e cominação de penas como 
um monopólio da lei. Aqui, estamos 
falando em lei ordinária). 
Imediata: 
● Lei 
● Constituição Federal 
● Tratados Internacionais de Direitos Humanos 
● Jurisprudência 
● Princípios 
● Atos administrativos (complementos de normas 
penais em branco). 
 
*Porém, até mesmo aqui, a única fonte formal que pode 
criar tipos penais e culminar penas é a lei (reserva legal). 
O restante é fonte não-incriminadora. 
Mediatas: 
● Costumes 
● Princípios gerais do Direito 
● *Alguns colocam atos 
administrativos. 
Mediatas: 
● Doutrina 
 Fonte informal: 
● Costumes 
 
i. Lei - É o único instrumento normativo capaz de criar infração penal e cominar sanção penal (única 
fonte formal imediata incriminadora). 
 
ii. Constituição Federal – Não cria infração penal e não comina sanção penal (nem pena, nem medida 
de segurança). 
 
☞ Pergunta (fase oral MP/SP) – Se a lei pode criar crimes e cominar penas, por que a CF, que é uma norma 
superior à lei, não pode fazer isso (afinal, quem pode o mais pode o menos)? Em razão de seu processo 
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moroso de alteração. Ademais, a CF não pode criar crime e nem alterar pena, pois o seu processo de 
alteração é super rígido e incompatível com as necessidades do direito penal. 
 
☞ CUIDADO! A Constituição Federal, porém, fixa alguns patamares abaixo dos quais a intervenção penal 
não se pode reduzir. São os chamados “mandados constitucionais de criminalização” (patamares 
mínimos). Exemplos de mandados constitucionais de criminalização: 
 
Art.5º, XLI, CF – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e 
liberdades fundamentais. 
Art. 5º, XLII, CF – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, 
sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei. (Observe que o constituinte disse que 
quem vai criar o crime de racismo é a lei, mas quando esse crime for criado, a lei 
deve puni-lo com, no mínimo, reclusão, qualquer que seja a pena). 
Art.5º, XLIII, CF – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou 
anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o 
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os 
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; 
 
☞ Pergunta de Concurso: Existe mandado constitucional de criminalização implícito ou tácito? 
 R: De acordo com a maioria, existem mandados constitucionais de criminalização implícitos, com a 
finalidade de evitar a intervenção insuficiente do Estado (imperativo de tutela). No mais, sustenta a maioria 
que sim, decorrente do nosso sistema jurídico de proteção dos direitos humanos. Por exemplo, a nossa 
Constituição, ao garantir o direito à vida, está, implicitamente, determinando a criminalização do homicídio 
(se todos têm direito à vida, não se pode permitir que o homicídio não seja crime). 
 
iii. Tratados Internacionais de Direitos Humanos (TIDH) 
 Como é sabido, os TIDH entram no ordenamento interno podendo ostentar 02 status: 
⦁ Se recepcionados com quórum de emenda constitucional, têm status de emenda; 
⦁ Se o TIDH for recepcionado com quórum comum, terá status infraconstitucional, porém supralegal. 
 
ATENÇÃO: Os tratados internacionais podem ser classificados como fonte do direito penal apenas quando 
incorporados ao direito interno. Se versar sobre direitos humanos e for aprovado seguindo o rito de 
emendas constitucionais, terá força normativa de emendas constitucionais (art. 5º, §3°, CF). Caso não siga 
tal rito, terá força de norma supralegal. 
 
iv. Jurisprudência 
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 Não cria crime; não comina pena. Mas, na prática, às vezes, a jurisprudência cria o direito penal. 
Ademais, revela Direito Penal podendo inclusive ter caráter vinculante. Um exemplo disso é o caso do crime 
continuado, em que a jurisprudência define o que são condições de tempo e lugar para fim de definição da 
continuidade delitiva. A condição de tempo é de 30 dias de intervalo entre as infrações; a condição de lugar 
também é definida pela jurisprudência. 
 
Art. 71, CP – Quando o agente, mediante mais de uma ação e omissão, pratica 2 ou 
mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de 
execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como 
continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou 
a mais grave, se diversas, aumentada em qualquer caso, de 1/6 a 2/3. 
 
Obs: Súmulas vinculantes – Elas também são fontes do direito penal. 
 
a. Princípios - Não criam crime nem cominam pena. Mas vários são os julgados absolvendo ou 
reduzindo pena com base em princípios. Ex: Princípio da Insignificância – causa de atipicidade 
material. 
 
 Iremos aprofundar o estudo sobre os princípios mais adiante. 
 
b. Atos administrativos - Fonte formal imediata quando complementam norma penal em branco. Ex: 
Lei de drogas é complementada por uma Portaria da ANVISA. 
 
c. Doutrina: Para alguns autores, a doutrina não é fonte do direito penal por não ter força cogente, ou 
seja, não ser revestida de obrigatoriedade. 
 
d. Costumes 
● Costume é a repetição de um comportamento (elemento objetivo) em face da crença na sua 
obrigatoriedade (elemento subjetivo). 
≠ de hábito, que consiste na mera repetição de comportamento (elemento objetivo), mas sem 
a crença na sua obrigatoriedade. 
● Costume não cria crime, não comina pena, só a Lei pode criar crimes e cominar penas, em razão do 
princípio da legalidade (veda-se o costume incriminador). 
 
Princípio da Legalidade x Costumes: 
A lex scripta, uma das funções de garantia do princípio da legalidade – como veremos adiante - proíbe que 
se utilize dos costumes como fonte incriminadora do direito penal (impossibilidade de utilizar costumes 
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para incriminar condutas ou cominar penas). Portanto, os costumes não têm o condão de criminalizar 
condutas e nem cominar penas. 
Qual a função dos costumes no direito penal? 
De acordo com Nilo Batista e Zaffaroni, os costumes têm uma função integrativa ou integradora. Isso quer 
dizer que os costumes desempenham a função de integrar a atribuição de sentidos de determinadas 
expressões do tipo penal, em especial os elementos normativos do tipo. Trata-se de uma função 
interpretativa/hermenêutica. Por exemplo: Art. 233, CPP – crime de ato obsceno. Quem vai determinar o 
sentido de ato obsceno? Vai ser determinado pelo sentido compartilhado pela sociedade, de forma reiterada. 
É um conceito normativo porque exige um juízo de valor, e esse juízo de valor é um juízo temperado e 
contextualizado de acordo com a prática social da comunidade. Portanto, a função integrativa dos costumes 
atua de forma muito mais efetiva nos elementos normativos do tipo (que exigem valoração). 
 
● Espécies de costumes: 
i. Costume secundum legem (costume interpretativo): possui a função de auxiliar o intérprete 
a entender o conteúdo da lei. Por exemplo, ato obsceno (art. 233 do CP). Vai depender do 
ambiente em que o ato foi praticado e dos costumes locais para que ele seja assim 
considerado ou não. 
ii. Costume contra legem (costume negativo): é chamado de DESUETUDO. É aquele que 
contraria uma lei, mas não a revoga.Ex.: Venda de CDs piratas. 
iii. Costume praeter legem (costume integrativo): é aquele usado para suprir as lacunas da lei. 
É válido, mas só pode ser usado no campo das normas penais não incriminadoras e apenas 
para favorecer o agente. Ex.: a circuncisão em meninos de determinadas religiões não é 
considerada crime. 
Essa proteção dá-se por meio de lei, ou seja, a fonte formal ou de cognição do direito penal é só a 
lei. Com isso, reafirma-se tanto aproibição de utilização dos costumes para a definição dos delitos e das 
penas ou para seu agravamento como a proibição da analogia incriminadora. 
 
#SELIGA: Existe costume abolicionista? 
▪ 1ª Corrente: Admite-se o costume abolicionista, aplicado nos casos em que a infração penal não mais 
contraria o interesse social. Defende a função derrogatória dos costumes. Ex. Para esta corrente, o 
jogo do bicho não é mais contravenção penal. 
▪ 2ª Corrente: Diz que não existe costume abolicionista. Quando o fato já não é mais indesejado pela 
sociedade, o juiz não deve aplicar a lei. Ex: Para esta corrente, o jogo do bicho permanece 
formalmente típico, porém não aplicável, sem eficácia social (não tem tipicidade material). 
▪ 3ª Corrente (PREVALECE): Entende que não existe costume abolicionista. Enquanto não revogada 
por outra lei, a norma tem plena eficácia. É a que prevalece e está de acordo com a lei de introdução 
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às normas do direito brasileiro. Ex: Jogo do bicho continua tipificado como contravenção penal, 
sendo aplicável no caso concreto. 
 
* ATENÇÃO: Para aqueles que não adotam a tese do costume abolicionista, é possível o uso do costume 
segundo a lei (costume interpretativo), que vai servir para aclarar o significado de uma palavra, de um texto. 
 
7. PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL 
 
 Princípios são os valores fundamentais que inspiram a criação e a manutenção do sistema jurídico. 
No caso dos princípios penais, eles vão orientar a atuação do legislador na elaboração da legislação penal e 
do operador do direito em sua aplicação. 
 De acordo com o Professor Delegado Marcus Montez, esses princípios têm a chamada “força 
normativa, força de impor ao legislador, intérprete, partes, particular. Nesse sentido, princípio não é apenas 
aquele “princípio geral de direito”, pelo contrário, ele tem força cogente e impositiva”. 
 A função dos princípios é limitar o poder de punir do Estado. Isso porque, o Estado, por natureza, é 
arbitrário, pois invade a esfera de liberdade do indivíduo. Então o Direito Penal é visto como instrumento de 
contenção do Estado, que vai tolher o Estado ao máximo visando garantir a liberdade do sujeito, garantias 
mínimas para que se possa desenvolver direitos de 1ª geração. 
 Por fim, vale relembrar que a maioria dos princípios está constitucionalizada, seja implícita ou 
explicitamente, de modo que é possível utilizar tais princípios para efetuar controle de constitucionalidade. 
💣 Além das questões de concursos que tratam diretamente dos princípios, o simples fato de entender 
os valores que eles trazem nos orientam muito no raciocínio necessário para a solução de muitas outras, por 
isso é um tema que não pode ser negligenciado, ok? 
 
7.1 Princípios Relacionados com a Missão Fundamental do Direito Penal 
 
7.1.1 Princípio da Exclusiva Proteção de Bens Jurídicos 
 
 O Direito Penal deve servir apenas e tão somente para proteger bens jurídicos relevantes (Roxin). 
Ademais, nenhuma criminalização é legítima se não busca evitar a lesão ou o perigo de lesão a um bem 
juridicamente determinado. Impede que o Estado utilize o Direito Penal para a proteção de bens ilegítimos. 
 Assim, não pode incriminar pensamentos ou intenções, questões morais, éticas, ideológicas, 
religiosas ou finalidades políticas. Para a teoria constitucional do Direito Penal, aliás, a referida eleição de 
bens jurídicos deve refletir os valores constitucionais, a exemplo do homicídio, que tutela o direito 
fundamental à vida. 
 Dessa forma, o princípio da proteção aos bens jurídicos defende que o direito penal deve servir 
apenas para proteger bens jurídicos relevantes, bens jurídicos indispensáveis ao convívio em sociedade. 
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 Mas o que é bem jurídico? 
 R.: Trata-se de um tema extremamente controvertido, de modo que vamos tentar simplificá-lo para 
melhor compreensão. 
 Para Luiz Regis Prado, bem jurídico é um ente material ou imaterial, haurido do contexto social, de 
titularidade individual ou metaindividual, reputado como essencial para a coexistência e o desenvolvimento 
do homem em sociedade. 
 Por sua vez, Luis Greco e Roxin se filiam ao mesmo conceito, mas usam expressões diferentes. 
● Roxin – bem jurídico será a relação real da pessoa com um valor concreto, reconhecido pela 
comunidade. 
● Luis Greco – bem jurídico são dados fundamentais para a realização pessoal dos indivíduos ou para 
a subsistência do sistema social nos limites da ordem constitucional 
Nesse sentido, para conceituar bem jurídico, é imprescindível levar 2 pontos em consideração: 
1) Fundamento do bem jurídico: o conceito de bem jurídico tem que ter como ponto central, 
como fundamento, a importância do bem àquela pessoa. Tem que ser um bem de 
importância vital, fundamental, de modo que a existência dessa pessoa ou seu bem-estar 
estejam ameaçados sem a criminalização daquela conduta. 
2) Titularidade do bem jurídico: É importante saber quem é o titular desse bem jurídico. Para 
quem o BJ tem essa importância fundamental? 
 
* ATENÇÃO: A espiritualização dos bens jurídicos no Direito Penal (Roxin) revela uma evolução quanto à 
proteção dos bens jurídicos dentro do Direito Penal. Em um momento inicial, apenas os crimes de dano 
contra bens jurídicos individuais possuíam relevância no âmbito penal. Modernamente, o Direito Penal 
antecipou a tutela, assumindo um papel preventivo, passando a punir os crimes de perigo contra bens 
supraindividuais (como por exemplo, a tipificação de crimes ambientais). 
- Parcela da doutrina critica essa expansão da tutela penal na proteção de bens jurídicos de caráter difuso ou 
coletivo. Argumenta-se que tais bens são formulados de modo vago e impreciso, bem como, que não seria 
esse o papel do direito penal, que deve ser utilizado apenas como última ratio, havendo outras searas que 
poderiam solucionar tais questões, em razão dos princípios que estudaremos a seguir. 
 
 Confira a dica do professor Marcelo Veiga: 
 
https://youtu.be/zE14JCcjH6g 
https://youtu.be/zE14JCcjH6g
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Atenção! temática “bem jurídico” tem sido a “modinha” dos certames e, por isso, deve o candidato estar 
atento as nuances. 
 
De acordo com os autores João Paulo Martinelli e Leonardo Schmitt de Bem, na obra "Direito Penal - Lições 
Fundamentais", da Editora D'Plácido, na página 171, “A noção de ‘bem jurídico aparente’ identifica-se com 
as hipóteses nas quais, por meio do uso reificante da linguagem e da adoção de uma perspectiva distanciada, 
acaba-se por ocultar a ausência de um efetivo bem jurídico tutelado pela norma.” 
Explicam ainda os autores: 
"... protege-se um somatório de integridades físicas individuais (...) no que tange à incolumidade pública 
como um bem jurídico coletivo apenas na aparência significa dizer que a proteção desses bens jurídicos não 
poderá ser realizada independentemente dos particulares, mas deverá ser instrumental ou dirigir-se à 
realização dos interesses individuais de todos os membros sociais. Por outro lado, o meio ambiente, a 
administração estatal da Justiça, a ordem econômica e a autenticidades das moedas são considerados 
verdadeiros bens jurídicos coletivos, pois não podem ser fracionados em bens individuais somados. Em 
síntese, é impossível, por exemplo, conceber o meio ambiente como a soma de vários bens 
jurídicos individuais." 
 
7.1.2 Princípio da Intervenção Mínima 
 
a) Origem histórica: Declaração dos direitos do homem e do cidadão (1789) 
 No art. 8º desse diploma, temos a imposição de que o direito penal deve estabelecer penas estrita e 
evidentemente necessárias. Isso, de certa forma, traz a ideia originária do princípio da intervenção mínima: 
pois o Direito Penal só deve intervir quando for estrita e evidentemente necessária

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