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A evolução do capitalismo a partir de 1900 pode ser vista através de mudanças profundas em diferentes períodos históricos, com influências de eventos globais, avanços tecnológicos e transformações políticas. 
1. Capitalismo Monopolista e Imperialismo (Início do Século XX)
Características: No início do século XX, o capitalismo monopolista consolidou-se com grandes corporações controlando vastos setores da economia. O imperialismo estava no auge, com potências europeias e os Estados Unidos competindo por colônias e influências globais.
Economia: Grandes conglomerados e trusts dominaram a produção industrial, especialmente em áreas como o aço, petróleo e ferrovias. O sistema bancário e o capital financeiro também ganharam crescente importância.
Política: O imperialismo econômico e político foi uma forma de expandir mercados e obter recursos, contribuindo para a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
2. Crise de 1929 e o Capitalismo de Regulação (Anos 1930-1940)
Características: A Grande Depressão de 1929 marcou uma crise profunda no capitalismo, com falências em massa, desemprego elevado e a queda do comércio internacional. Isso resultou em uma maior intervenção estatal nas economias capitalistas.
Economia: O New Deal nos EUA, inspirado nas ideias de John Maynard Keynes, trouxe um modelo de capitalismo mais regulado, com programas de emprego, obras públicas e reformas no setor financeiro para evitar crises futuras.
Política: O papel do Estado aumentou consideravelmente, com maior regulação dos mercados, implementação de políticas de bem-estar social e intervenções diretas na economia para promover o crescimento e combater a pobreza.
3. Capitalismo de Bem-Estar e o Pós-Guerra (1945-1970)
Características: Após a Segunda Guerra Mundial, o capitalismo entrou em um período de crescimento econômico sem precedentes, sustentado por um pacto social entre capital e trabalho. Surgiu o Estado de bem-estar social principalmente na Europa e nos EUA.
Conforme Harvey (2008), no pós-guerra, os Estados Unidos dirigiram a construção de uma nova ordem mundial a partir dos acordos de Bretton Woods, que resultaram na criação de instituições como o Banco Mundial, o FMI e o Banco Internacional de Compensações, de forma a se coordenar a internacionalização das relações comerciais e a circulação do dólar, tornado a moeda reserva global. 
Economia: Políticas keynesianas dominaram este período. O governo desempenhou um papel ativo na economia, incentivando o pleno emprego, a expansão do consumo e o investimento público. As empresas privadas ainda eram dominantes, mas operavam em um ambiente regulado pelo Estado.
Política: O fortalecimento dos sindicatos e a criação de sistemas de saúde, educação e previdência financiados pelo governo foram marcos do período. As economias ocidentais estavam em expansão, e a desigualdade foi reduzida em muitos países.
4. Capitalismo Neoliberal (1970-2008)
Características: A partir dos anos 1970, houve uma virada para políticas neoliberais como resposta às crises econômicas e à estagflação (inflação combinada com estagnação econômica). O neoliberalismo promoveu a desregulamentação, privatizações e cortes nos gastos públicos.
Economia: O crescimento econômico passou a ser impulsionado por mercados livres, com menos interferência do Estado. O setor financeiro ganhou ainda mais poder, com a expansão dos mercados de capitais.
Política: Líderes como Margaret Thatcher no Reino Unido e Ronald Reagan nos EUA defenderam a redução do Estado, promovendo a liberalização dos mercados. As privatizações de empresas públicas e a desregulamentação do setor financeiro foram centrais neste período.
Globalização: Houve uma aceleração da globalização, com o comércio internacional e as multinacionais ganhando força. Produção e cadeias de suprimentos tornaram-se transnacionais.
5. Crise Financeira de 2008 e Capitalismo de Recuperação (2008-2020)
Características: A crise financeira global de 2008 revelou as fragilidades do capitalismo neoliberal, levando a uma grande recessão e intervenções massivas dos governos para salvar bancos e corporações.
Economia: Bancos centrais ao redor do mundo adotaram políticas monetárias expansionistas, como taxas de juros muito baixas e programas de estímulo financeiro (quantitative easing) para salvar o sistema financeiro. A desigualdade econômica aumentou, assim como a precarização do trabalho.
Política: Surgiram debates sobre o retorno a modelos de capitalismo mais regulados, com maior controle sobre os mercados financeiros e uma reavaliação do papel do Estado na economia. No entanto, a maioria dos países manteve políticas neoliberais em diversas áreas.
6. Capitalismo Digital e o Novo Milênio (2020 - presente)
Características: No século XXI, o capitalismo foi profundamente impactado pela revolução tecnológica. A economia digital, baseada em plataformas e grandes corporações tecnológicas, como Google, Amazon, e Apple, tornou-se dominante.
Economia: O crescimento das "big techs" e das plataformas digitais transformou setores inteiros da economia. A automação, a inteligência artificial e a coleta massiva de dados passaram a ser centrais para a produção e o consumo. Surgiram novos modelos de negócios, como a economia de "gig" (trabalho sob demanda).
Política: O poder crescente dessas empresas levantou preocupações sobre monopólios digitais, privacidade de dados e a precarização das relações de trabalho. Estados passaram a enfrentar o desafio de regular essas novas formas de capitalismo, enquanto as desigualdades sociais e regionais se ampliaram.
7. Capitalismo Sustentável e Desafios do Futuro (Tendências emergentes)
Características: Nos últimos anos, o capitalismo tem enfrentado pressões para se tornar mais sustentável, devido à crise climática e às demandas por maior equidade social.
Sassen (2016) O avanço da tecnologia e de técnicas permite alguma regeneração ambiental, porém, em muitos casos, isto não seria mais possível. Terras que antes eram excelentes áreas agrícolas não são mais devido à degradação sofrida, e, no curto prazo, seria praticamente impossível a recuperação de muitas localidades, as tecnologias somente conseguindo “consertar” no longo prazo, mas ainda com incertezas.
Economia: Empresas estão sendo pressionadas a adotar práticas ambientalmente sustentáveis e a considerar o impacto social de suas operações. Há um crescimento no investimento em energias renováveis, economia circular e iniciativas de ESG (Environmental, Social, Governance).
Política: Governos e organizações internacionais estão buscando formas de regulamentar o impacto ambiental do capitalismo, ao mesmo tempo que tentam lidar com as desigualdades sociais exacerbadas pela globalização e pela digitalização da economia.
Essas fases mostram como o capitalismo tem sido adaptável, mas também apontam para as crescentes tensões entre o crescimento econômico e questões sociais e ambientais no século XXI.
Referências:
HARVEY, David. O neoliberalismo: história e implicações. São Paulo: Loyola, 2008
SASSEN, Saskia. Expulsões. Brutalidade e complexidade na economia global. São Paulo: Paz e Terra, 2016.

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