Prévia do material em texto
Prova de Processo civil IV- 2° PROVA 01) Qual o débito alimentar que autoriza a medida da coerção indireta da prisão civil? E qual regime prisional será utilizado? Explique. Junte um julgado de qualquer tribunal. Resposta: Conforme o art 528, parágrafo 7° e súmula 309 do STJ, do Código de Processo Civil, o debito alimentar que autoriza a prisão indireta cível é o débito alimentar familiar, visto que é autorizada a prisão quando o devedor deixar de realizar 03 prestações. Desse modo, o regime da prisão que será utilizado é o regime fechado, com o prazo máximo de 03 meses. Jurisprudência: Habeas corpus. Execução de alimentos. Inadimplência. Prisão civil. Ilegalidade. Não ocorrência. O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo - entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Não há, portanto, ilegalidade na ordem de prisão que se fundamenta em dívida relativa a tais prestações. (TJ-RO - HC: 00034077420138220000 RO 0003407- 74.2013.822.0000, Relator: Desembargador Sansão Saldanha, Data de Julgamento: 28/05/2013, 1ª Câmara Cível, Data de Publicação: Processo publicado no Diário Oficial em 07/06/2013.) Agravo de Instrumento. Execução de alimentos. Conversão para o rito da prisão civil. Não cabimento. Dívida que supera os últimos três meses. Recurso desprovido. O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as 3 (três) prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo (art. 528, § 7º, do CPC e Súmula n. 309 do STJ). (TJ-RO - AI: 08046519220198220000 RO 0804651-92.2019.822.0000, Data de Julgamento: 17/06/2020) 02) Qual o procedimento para a Alienação por Iniciativa particular? Junte um julgado STJ. Resposta: A alienação por iniciativa particular é um procedimento que permite a expropriação dos bens penhorados por meio de negociação, em supervisão do poder judiciário. O procedimento para a iniciativa é primeiramente que o exequente ou um corretor negocie a transmissão do bem, desse modo logo após o juiz irá definir os detalhes da negociação. Dessa maneira, o corretor irá comunicar ao juízo a fim das negociações e irá apresentar o auto de alienação, no prazo de 24 horas, de modo que o corretor irá juntar os comprovantes de deposito judicial no prazo de 10 dias, com intuito da homologação da alienação pelo juízo. Desse modo, a alienação é formalizada por um termo nos autos, com a devida assinatura do juiz, exequente e do executado. Ademais, ressalta-se que a expropriação de bens é uma forma mais pratica e eficaz, que visa minimizar o tempo do processo de execução. Jurisprudência: RECURSO ESPECIAL Nº 2039392 - RO (2022/0364133-5) EMENTA RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ALIMENTOS. CUMULAÇÃO DE TÉCNICAS EXECUTIVAS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA SEGUNDA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. DECISÃO Cuida-se de recurso especial interposto por Y. V. S. O. M., com fulcro no art. 105, III, a, da Constituição da Republica, contra acórdão proferido pela Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia, assim ementado (e-STJ, fl. 86): Agravo interno. Agravo de Instrumento. Alimentos. Cumprimento de Sentença. Prisão. Cumulação de Ritos. Necessidade de Adequação. Recurso não provido. A execução para título executivo judicial relativo aos alimentos, há duas vias, a do rito da prisão ou o rito da expropriação (arts. 528 e ss do CPC). Neste compasso, havendo dívida relativa ao período anterior aos últimos 3 meses, deve a credora optar pela execução pelo rito da expropriação, sendo incabível, portanto, a prisão civil. Recurso não provido. Nas razões do apelo especial, a recorrente indica ofensa aos arts. 4º, 327, § 1º e seus incisos I, II e III, § 2º, e 531, § 2º, do CPC/2015. Defende, em síntese, a possibilidade de cumulação dos ritos de prisão (coerção pessoal) e penhora (expropriação) na execução de alimentos. Não apresentadas as contrarrazões (e-STJ, fl. 109), o recurso especial foi admitido na origem (e-STJ, fls. 110-111), ascendendo os autos a esta Corte Superior. Parecer do Ministério Público Federal às fls. 123-129 (e-STJ). Brevemente relatado, decido. O Tribunal de origem, ao analisar a controvérsia, concluiu pela impossibilidade de cumulação de ritos de execução por coerção pessoal e por constrição patrimonial, nos termos da seguinte fundamentação (e-STJ, fls. 83-86): O caso dos autos retrata pretensão de cumulação de ritos da execução (cumprimento de sentença) com penhora e prisão do devedor de alimentos. Como é sabido, há duas vias para a execução de título executivo judicial relativo aos alimentos, a do rito da prisão ou a do rito da expropriação (arts. 528 e ss do CPC). Pela dicção do Código de Processo Civil, é condição legal para que se imponha o rito da execução por prisão, desde que haja inadimplemento igual ou superior aos 3 últimos meses anteriores ao ajuizamento da cobrança. No presente caso, há cobrança pelo rito de constrição de bens do quantum de R$ 225,86 (duzentos e vinte e cinco reais e oitenta e seis centavos), sendo que pelo rito da prisão, o montante é de R$ 507,97 (quinhentos e sete reais e noventa e sete centavos). Em que pese o entendimento da agravante, o colendo Superior Tribunal de Justiça já possui entendimento sobre o tema, como se nota dos seguintes arestos: (...) Neste compasso, havendo dívida relativa ao período anterior aos últimos 3 meses, deve a credora optar pela execução pelo rito da expropriação, sendo incabível, portanto, a prisão civil. Ressalte-se, ainda, que pode a exequente ajuizar pedidos autônomos, observando o procedimento de cada um, que serão processados no mesmo juízo. Contudo, tal entendimento não reflete a orientação firmada por esta Corte de Justiça, que se posiciona no sentido de ser possível a cumulação dos ritos de prisão e de penhora na fase de execução de alimentos, desde que não haja prejuízo ao devedor nem ocorra nenhum tumulto processual no caso em concreto. Ilustrativamente: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. DIREITO DE FAMÍLIA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DE PRESTAÇÃO ALIMENTÍCIA. POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO, NO MESMO PROCESSO, DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA QUANTO AOS ALIMENTOS PRETÉRITOS, SUBMETIDOS À TÉCNICA DA PENHORA E EXPROPRIAÇÃO, E QUANTO AOS ALIMENTOS ATUAIS, SUBMETIDOS À TÉCNICA DA COERÇÃO PESSOAL. AUSÊNCIA DE REGRA PROIBITIVA OU PERMISSIVA EXPRESSA A RESPEITO DA MATÉRIA. APLICABILIDADE DO ART. 780 DO CPC/15 À ESPÉCIE. INOCORRÊNCIA. REGRA DESTINADA AO PROCESSO DE EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAIS. APLICAÇÃO À FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA APENAS NO QUE COUBER. EXISTÊNCIA DE REGRA - ART. 531, § 2º, DO CPC/15 - QUE MELHOR SE AMOLDA À HIPÓTESE. CUMPRIMENTO DEFINITIVO DE SENTENÇA DE ALIMENTOS QUE OCORRERÁ NO MESMO PROCESSO EM QUE PROFERIDA A SENTENÇA. AUSÊNCIA DE DISTINÇÃO QUANTO À ATUALIDADE, OU NÃO, DO DÉBITO. REGRA DO ART. 780 DO CPC/15 DESTINADA, ADEMAIS, A DISCIPLINAR A LEGITIMAÇÃO ATIVA E PASSIVA NA EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. PROIBIÇÃO DE CUMULAÇÃO DE EXECUÇÕES FUNDADAS EM TÍTULOS DE DIFERENTES NATUREZAS E DESDE QUE EXISTAM DIFERENTES PROCEDIMENTOS. HIPÓTESE EM QUE O CUMPRIMENTO DE SENTENÇA TRATA DE TÍTULO DE IDÊNTICA NATUREZA. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL QUE PRESSUPÕE INAUGURAÇÃO DA RELAÇÃO PROCESSUAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA QUE É MERA FASE PROCEDIMENTAL DO PROCESSO DE CONHECIMENTO. CONTROLE DE COMPATIBILIDADE PROCEDIMENTAL QUE SE EFETIVA NA FASE DE CONHECIMENTO. CONTEÚDO DO ART. 528, § 8º, DO CPC/15. IRRELEVÂNCIA NA HIPÓTESE. REGRA QUE APENAS VEDA O USO DA TÉCNICA COERCITIVA DA PRISÃO CIVIL PARA ALIMENTOS PRETÉRITOS, MAS QUE NÃO EXIGE A CISÃO DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA EM DOIS PROCESSOS. TUMULTOS PROCESSUAIS OU PREJUÍZOS À CELERIDADEPROCESSUAL. FUNDAMENTOS GENÉRICOS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO CONCRETA E EMPÍRICA DOS SUPOSTOS RESULTADOS. CUMPRIMENTO CONJUNTO DA SENTENÇA, PELAS TÉCNICAS DA COERÇÃO PESSOAL E DA PENHORA, QUE EXIGE DO CREDOR, DO JULGADOR E DO DEVEDOR A ESPECIFICAÇÃO ACERCA DE QUAIS PARCELAS OU VALORES SE REFEREM AOS ALIMENTOS PRETÉRITOS E AOS ALIMENTOS ATUAIS. IMPOSIÇÃO DE CISÃO DA FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. FALTA DE RAZOABILIDADE E DE ADEQUAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO CONJUNTO NO MESMO PROCESSO. 1- Ação de alimentos em fase de cumprimento de sentença iniciado em 02/03/2020. Recurso especial interposto em 06/10/2021 e atribuído à Relatora em 09/05/2022. 2- O propósito recursal é definir se é admissível a cumulação, em um mesmo processo, de cumprimento de sentença de obrigação de pagar alimentos atuais, sob a técnica da prisão civil, e alimentos pretéritos, sob a técnica da penhora e da expropriação. 3- Em se tratando de cumprimento de sentença condenatória ao pagamento dos alimentos no qual se pleiteiam as 03 últimas parcelas antes do requerimento e as que se vencerem no curso dessa fase procedimental, é lícito ao credor optar pela cobrança mediante a adoção da técnica da prisão civil ou da técnica da penhora e expropriação. 4- Em se tratando de cumprimento de sentença condenatória ao pagamento dos alimentos no qual se pleiteiam parcelas vencidas mais de 03 meses antes do requerimento, contudo, essa fase procedimental se desenvolverá, necessariamente, mediante a adoção da técnica de penhora e expropriação. 5- Na hipótese em que se pretenda a cobrança de alimentos pretéritos, mediante a técnica da penhora e expropriação, e também de alimentos atuais, mediante a técnica da coerção pessoal, discute-se na doutrina e na jurisprudência se seria admissível o cumprimento de sentença, em relação a ambas as prestações alimentícias, no mesmo processo ou se, obrigatoriamente, caberia ao credor instaurar dois incidentes de cumprimento da mesma sentença. 6- A legislação processual em vigor não responde expressamente à questão controvertida, na medida em que não há regra que proíba, mas também não há regra que autorize o cumprimento das obrigações alimentares pretéritas e atuais de modo conjunto e no mesmo processo. 7- Conquanto se afirme que a regra do art. 780 do CPC/15, segundo a qual a cumulação de execuções pressupõe a existência de identidade procedimental, impediria o cumprimento da sentença condenatória ao pagamento de alimentos pretéritos e atuais no mesmo processo, não se pode olvidar que a referida regra está topologicamente situada no processo de execução de título extrajudicial, cujas disposições se aplicam à fase de cumprimento de sentença apenas no que couber, ou seja, quando não houver regra do próprio cumprimento de sentença que melhor se amolde à hipótese. 8- Nesse contexto, o art. 531, § 2º, do CPC/15, que trata especificamente do cumprimento da sentença condenatória ao pagamento de alimentos, estabelece que o cumprimento definitivo ocorrerá no mesmo processo em que proferida a sentença e não faz nenhuma distinção a respeito da atualidade ou não do débito, de modo que essa é a regra mais adequada para suprir a lacuna do legislador no trato da questão controvertida. 9- O art. 780 do CPC/15, ademais, trata especificamente das partes na execução de título executivo extrajudicial, de modo que é correto afirmar que se destina, precipuamente, à fixação das situações legitimantes que definirão os polos ativo e passivo da execução de título extrajudicial, mas não ao procedimento executivo ou, mais precisamente, às técnicas aplicáveis à execução na fase de cumprimento da sentença. 10- Ademais, sublinhe-se que o art. 780 do CPC/15 proíbe a cumulação de execuções fundadas em títulos de diferentes naturezas e espécies, desde que para elas existam diferentes procedimentos, o que não se aplica à hipótese, em que se pretende cumprir sentença condenatória de idêntica natureza e espécie (pagar alimentos fixados ou homologados por sentença). 11- Embora seja lícita, razoável e justificada a opção do legislador pela necessidade de unidade procedimental na hipótese de cumulação de execuções de título extrajudicial, uma vez que se trata de relação jurídico-processual nova, autônoma e que se inaugura por petição inicial, não há que se falar, na hipótese, em inauguração de uma nova relação jurídico-processual, pois o cumprimento de sentença é apenas uma fase procedimental do processo de conhecimento, de modo que o controle acerca da compatibilidade procedimental, incluída aí a formulação de pretensões cumuladas de que poderão resultar execuções igualmente cumuladas, é realizado por ocasião do recebimento da petição inicial, observado o art. 327, §§ 1º a 3º, do CPC/15. 12- Se é admissível que haja, no mesmo processo e conjuntamente, o cumprimento de sentença que contenha obrigações de diferentes naturezas e espécies, ainda que existam técnicas executivas diferenciadas para cada espécie de obrigação e que impliquem em adaptações procedimentais decorrentes de suas respectivas implementações, com muito mais razão deve ser admissível o cumprimento de sentença que contenha obrigação da mesma natureza e espécie no mesmo processo, como na hipótese em que se pretenda a cobrança de alimentos pretéritos e atuais. 13- O art. 528, § 8º, do CPC/15, não é pertinente para a resolução da questão controvertida, pois o referido dispositivo somente afirma que, no cumprimento de sentença processado sob a técnica da penhora e da expropriação, não será admitido o uso da técnica coercitiva da prisão civil, o que não significa dizer que, na hipótese de cumprimento de sentença parte sob a técnica da coerção pessoal e parte sob a técnica da penhora e expropriação, deverá haver, obrigatoriamente, a cisão do cumprimento de sentença em dois processos autônomos em virtude das diferentes técnicas executivas adotadas. 14- Não se deve obstar, ademais, o cumprimento de sentença de alimentos pretéritos e atuais no mesmo processo ao fundamento de risco de tumultos processuais ou de prejuízos à celeridade processual apenas genericamente supostos ou imaginados, cabendo ao credor, ao julgador e ao devedor especificar, precisamente, quais parcelas e valores se referem aos alimentos pretéritos, sobre os quais incidirá a técnica da penhora e expropriação, e quais parcelas e valores se referem aos alimentos atuais, sobre os quais incidirá a técnica da prisão civil. 15- Não se afigura razoável e adequado impor ao credor, obrigatoriamente, a cisão da fase de cumprimento da sentença na hipótese em que pretenda a satisfação de alimentos pretéritos e atuais, exigindo-lhe a instauração de dois incidentes processuais, ambos com a necessidade de intimação pessoal do devedor, quando a satisfação do crédito é perfeitamente possível no mesmo processo. 16- Hipótese em que o exequente detalhou precisamente, no requerimento de cumprimento de sentença, que determinados valores se referiam aos alimentos pretéritos e outros valores se referiam aos alimentos atuais, apresentando, inclusive, planilhas de cálculo distintas e plenamente identificáveis. 17- Recurso especial conhecido e provido, para desde logo autorizar a tramitação conjunta, no mesmo processo, do cumprimento de sentença dos alimentos pretéritos e dos atuais, devendo o mandado de intimação do devedor especificar, precisamente, quais parcelas ou valores são referentes aos pretéritos e quais parcelas ou valores são referentes aos atuais, com as suas respectivas consequências. ( REsp n. 2.004.516/RO, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 18/10/2022, DJe de 21/10/2022.) PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. CUMULAÇÃO DE TÉCNICAS EXECUTIVAS: COERÇÃO PESSOAL (PRISÃO) E COERÇÃO PATRIMONIAL (PENHORA). POSSIBILIDADE, DESDE QUE NÃO HAJA PREJUÍZO AO DEVEDOR NEM OCORRA NENHUM TUMULTOPROCESSUAL IN CONCRETO. 1. Diante da flexibilidade normativa adotada pelo CPC/2015 e do tratamento multifacetado e privilegiado dos alimentos, disponibilizou o legislador diversas medidas executivas em prol da efetividade da tutela desse direito fundamental. 2. Cabe ao credor, em sua execução, optar pelo rito que melhor atenda à sua pretensão. A escolha de um ou de outro rito é opção que o sistema lhe confere numa densificação do princípio dispositivo e do princípio da disponibilidade, os quais regem a execução civil. 3. É cabível a cumulação das técnicas executivas da coerção pessoal (prisão) e da coerção patrimonial (penhora) no âmbito do mesmo processo executivo de alimentos, desde que não haja prejuízo ao devedor (a ser devidamente comprovado) nem ocorra nenhum tumulto processual no caso em concreto (a ser avaliado pelo magistrado). 4. Traz-se, assim, adequação e efetividade à tutela jurisdicional, tendo sempre como norte a dignidade da pessoa do credor necessitado. No entanto, é recomendável que o credor especifique, em tópico próprio, a sua pretensão ritual em relação aos pedidos, devendo o mandado de citação/intimação prever as diferentes consequências de acordo com as diferentes prestações. A defesa do requerido, por sua vez, poderá ser ofertada em tópicos ou separadamente, com a justificação em relação às prestações atuais e com a impugnação ou os embargos a serem opostos às prestações pretéritas. 5. Na hipótese, o credor de alimentos estabeleceu expressamente a sua "escolha" acerca da cumulação de meios executivos, tendo delimitado de forma adequada os seus requerimentos. Por conseguinte, em princípio, é possível o processamento em conjunto dos requerimentos de prisão e de expropriação, devendo os respectivos mandados citatórios/intimatórios se adequar a cada pleito executório. 6. Recurso especial provido. ( REsp n. 1.930.593/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 26/8/2022.) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial, a fim de reconhecer a possibilidade de cobrança de alimentos, com a cumulação das técnicas executivas da prisão civil e da expropriação, no mesmo procedimento executivo. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se. Brasília, 01 de fevereiro de 2023. MINISTRO MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Relator (STJ - REsp: 2039392 RO 2022/0364133-5, Relator: Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Data de Publicação: DJ 03/02/2023) 03) Qual a natureza jurídica e quais as matérias que podem ser alegadas nos Embargos à Execução? Junte um Julgado do TJRO Resposta: A natureza jurídica dos embargos a execução é a discussão de questões relativas ao pagamento que deve ser feita ao credor. As matérias que podem ser alegadas, encontra-se fundamento no artigo 917 do código de processo civil, sendo possível ser alegado o embargos nas seguintes hipóteses: inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação, penhora incorreta ou avaliação errônea, excesso de execução ou cumulação indevida de execuções, retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de execução para entrega de coisa certa, incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução, qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de conhecimento. Jurisprudência: Apelação. Embargos à execução. Excesso de execução. Valores amortizados pelo devedor. Comprovação. Abatimento. Avaliação do oficial de justiça. Ausência de índice/parâmetro. Alteração. Possibilidade. Recurso desprovido. Nos termos do art. 917, § 3º do CPC/15, quando for alegado o excesso de execução, o embargante deverá mencionar o valor que entende correto, bem como apresentar demonstrativo discriminando o débito. Uma vez comprovado nos autos a ocorrência de excesso de execução, os valores cobrados indevidamente devem ser decotados da execução. O art. 917, inciso II, do CPC, que prevê a possibilidade do executado alegar em embargos à execução a “penhora incorreta ou avaliação errônea”. Considerando que o valor indicado pelo apelado foi apurado por meio de relatório técnico de entidade autárquica ligada ao Estado de Rondônia, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento e Regularização Fundiária de Rondônia, e, ainda, que o oficial de justiça não indicou em sua avaliação os índices/parâmetros utilizados, deve prevalecer o valor indicado na inicial de embargos à execução, à luz do princípio da cooperação.(TJ- RO - AC: 70034815620168220015 RO 7003481-56.2016.822.0015, Data de Julgamento: 12/08/2019) Apelação cível. Embargos à execução. Título executivo extrajudicial. Cédula de crédito bancário. Cerceamento defesa. Afastamento. Confissão de dívidas. Novação. Contratos anteriores. Desnecessidade. É inexistente cerceamento de defesa decorrente da não realização da perícia contábil, pois de acordo com o art. 917, § 3º, do CPC, cabe à parte, ao alegar excesso de execução, já apresentar o demonstrativo discriminado e atualizado do valor que entendia devido. É inexigível a apresentação dos contratos anteriores, quando reconhecida a ocorrência de novação, mediante confissão de dívida e emissão de cédula de crédito, de modo que a nova dívida substitui as dívidas anteriores e basta a apresentação do título executivo extrajudicial para subsidiar a ação executiva. (TJ- RO - AC: 70134827920158220001 RO 7013482-79.2015.822.0001, Data de Julgamento: 12/06/2019) 04) É possível a penhora de um relógio de luxo? Junte um julgado sobre o tema. Junte um julgado de qualquer TRF. Sim, é possível que seja realizada a penhora de um relógio de luxo, devido ser permitido no país, a penhora de bens de elevado valor monetário. Jurisprudência: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. BENS QUE GUARNECEM A RESIDÊNCIA. IMPENHORABILIDADE. São impenhorável os bens móveis que guarnecem a residência, salvo os luxuosos ou suntuosos, nos moldes da Lei nº 8.009/90. (TRF-4 - AG: 50526696820154040000 5052669-68.2015.404.0000, Relator: JORGE ANTONIO MAURIQUE, Data de Julgamento: 30/03/2016, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: D.E. 31/03/2016) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. BENS QUE GUARNECEM A RESIDÊNCIA. PENHORABILIDADE. EXCEÇÃO A BENS LUXUOSOS, SUNTUOSOS E EM DUPLICIDADE. A jurisprudência do STJ admite que excepcionalmente a penhora recaia sobre bem encontrado na residência do devedor, desde que seja luxuoso, suntuoso ou em duplicidade. Porém, o juiz deve agir com muita cautela, permitindo a penhora somente se encontrado na residência algum bem considerado muito luxuoso, suntuoso e fora dos padrões aceitáveis com que medianamente qualquer lar merece ser equipado, a fim de preservar a integridade e dignidade do devedor e de sua família. (TRF-4 - AG: 45691220114040000 PR 0004569-12.2011.4.04.0000, Relator: JOEL ILAN PACIORNIK, Data de Julgamento: 22/06/2011, PRIMEIRA TURMA)