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Disciplina: Direito Processual Civil I
Professora: Luciana Maroca de Avelar Viana
1ª avaliação de CPC 16/09 20 pontos (aberta)
2ª avaliação de CPC 16/11 20 pontos (aberta) 
Unidade 1: Noções Preliminares
1.1) Conceito, história e fontes do direito processual.
A) Conceito de Direito Processual Civil:
> É o conjunto de normas jurídicas criadas pelo Estado e que 
servirão de forma ou instrumento de atuação da vontade 
concreta das leis de direito material solucionando o conflito 
de interesses, estabelecidos entre as partes, sob a forma de 
lead.
> É o conjunto de normas e princípios gerais e positivos que 
no ambito do processo disciplinam a atuação de todos os 
sujeitos que nele intervém 
____________________________________________
B) Natureza do Direito Processual Civil:
É ramo do Direito Público na medida em que disciplina e 
regula a atuação de todos aqueles que intervém no âmbito 
da atividade jurisdicional que se manifesta na tramitação de 
um processo, inclusive a atividade do juiz que representa o 
próprio Estado.
_____________________________________________
C) Relações do direito processual com outros ramos:
As relações do Direito Processual com outros ramos do 
ordenamento jurídico destacam-se pela sua natureza 
instrumental. O Direito Processual não existe por si só; ele 
serve como instrumento para a tutela e a efetivação dos 
direitos materiais. E o que é o Direito material?
Direito Material (Civil, Penal, Trabalhista, Administrativo, etc.)
 Relação de Instrumentalidade: O direito material define quais 
são os direitos, deveres e obrigações das pessoas na vida 
em sociedade (ex: o que é um contrato, um crime ou um 
tributo). O Direito Processual entra em cena exatamente 
quando há violação ou ameaça a esses direitos materiais, 
fornecendo o método e a via estatal para aplicá-los ou 
repará-los de forma prática.
 Exemplo: O Direito Civil define o direito de propriedade, 
enquanto o Direito Processual Civil fornece a ação de reaver 
essa propriedade (ação reivindicatória).
Com o Direito Constitucional
Fundamentação e Validade: É a relação mais importante. A 
Constituição Federal estabelece as normas fundamentais, 
os princípios basilares (como o devido processo legal, o 
contraditório, a ampla defesa e o juiz natural) e a estrutura 
do Poder Judiciário. Nenhuma norma processual pode ser 
válida se contrariar o texto constitucional.
Com os Demais Ramos do Direito Processual
Unidade e Diálogo de Fontes: O Direito Processual forma um 
tronco comum (frequentemente estudado pela Teoria Geral 
do Processo). Ramos como o Processo Civil, o Processo 
Penal, o Processo Trabalhista e o Processo Eleitoral 
compartilham institutos fundamentais (como Ação, 
Jurisdição e Processo) e frequentemente aplicam normas 
subsidiárias uns dos outros nos pontos omissos.
_______________________________________________________
D) Objetivos do Direto Processual:
O Direito Processual Civil possui objetivos fundamentais que 
vão muito além da simples resolução de conflitos 
individuais. Eles se dividem em três dimensões principais: * 
Objetivo imediato (A pacificação dos conflitos): É a meta 
primordial e mais urgente do processo, que busca acabar 
com a lide e devolver a harmonia e a paz à sociedade, 
substituindo a autotutela pela decisão do Estado.
 Objetivo mediato (A entrega do bem jurídico a quem ele 
pertença): É o resultado prático e final do processo, que 
consiste em conceder efetivamente a tutela jurisdicional 
e o direito material reclamado à parte que tem razão na 
demanda.
1.
2.
E) História do Direito Processual: 
A História do Direito Processual divide-se tradicionalmente 
em três grandes fases ou períodos evolutivos:
1. Fase do Sincretismo (ou Período Iminentemente Prático)
 Como funcionava: O Direito Processual não era visto 
como um ramo autônomo. As regras de processo 
andavam misturadas e confundidas com as regras de 
direito material.
 Período: Desde o direito romano clássico até meados 
do século XIX. Acreditava-se que o direito e a ação 
eram uma coisa só (a ação era o próprio direito material 
ferido colocado em movimento).
 2. Fase autonomista (ou Conceitual / Científica)
 Como funcionava: Marco de virada em que o Direito 
Processual conquista sua autonomia, separando-se do 
Direito Material. Os juristas passam a estudar o 
processo como uma ciência independente, com seus 
próprios conceitos, institutos e princípios (como ação, 
jurisdição e processo). 
 Período: Começa com a famosa polêmica entre 
Windscheid e Muther na segunda metade do século XIX 
(sobre a actio romana) e consolida a Teoria Geral do 
Processo.
 3. Fase Instrumentalista (Atual)
 Como funcionava: Supera a fase estritamente técnica 
ou formalista do processo. O Direito Processual passa 
a ser compreendido não como um fim em si mesmo 
(mero burocratismo), mas como um instrumento ético e 
político de garantia dos direitos fundamentais e de 
acesso à justiça. 
 Período: Do século XX até os dias atuais, fortemente 
marcada pela constitucionalização do processo e pela 
busca de efetividade das decisões judiciais.
___________________________________________
F) Fontes do Direito Processual:
 Leis e Costumes
 Jurisprudência (entendimentos e decisões)
Analogia e Princípios gerais do direito
A lei processual civil é toda aquela legislação que disciplina 
o excercício da função jurisdicional desenvolvida no ambito 
cível dos orgãos jurisdicionais. Neste sentido a legislação 
processual emgloba: 
1- Regras de organização judiciária, incluindo a distribuição 
de atribuições entre os orgãos juristicionais 
2- Regras sobre o procedimento no excercício do direito de 
ação
3- Normas e princípios de interpretação aplicada no 
exercício da atividade jurisdicional.
Artigo 14
 Como funciona: A nova lei processual aplica-se imediatamente aos processos 
em curso, respeitando-se, no entanto, os atos já praticados e as situações 
jurídicas consolidadas sob a vigência da lei antiga (o chamado "isolamento dos 
atos processuais").
O ato jurídico perfeito, 
O que já passou está válido; o que vier a partir da vigência da nova lei 
segue a regra nova, desde que não prejudique, só em favorecimento.
A partir da regra geral estabelecida no artigo 14 do CPC, que 
determina que a lei processual tem eficácia imediata, pode-
se resumir os efeitos da nova lei processual conforme a fase 
em que os atos processuais se encontram: 
1- Atos processuais exauridos: (já praticados) não sofrem efeitos. 
2- Atos processuais pendentes: sofrem os efeitos desde que não 
tenham prejuízos)
3 - Atos processuais futuros: são totalmente regidos pela nova lei. 
_______________________________________________________________
PRÓXIMA AULA:
1.2) Normas fundamentais do Direito Processual e sua 
aplicação: 
a) Lei Processual: lei processual no tempo e no espaço.
DISCIPLINA 
b) Interpretação das leis processuais
c) Princípios informativos do Direito Processual.
* Inspirar a criação das leis
* Suprir as lacunas das leis 
* Auxiliar o aplicador do direito na interpretação das lei
* Devido Processo Legal (Due Process of Law):
(Direito a um processo justo) Art 5º LIV CF
 "ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido 
processo legal;"
O resultado de um processo, somente poderá ser 
considerado justo se a tutela jurisdicional for alcançada com 
o cumprimento das normas constitucionais e processuais 
traçadas pelo Direito 
* Princípio do Inquisitivo e do Impositivo
Artigo 2º do CPC/2015: 
 Art. 2º O processo começa por iniciativa da parte e se 
desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções 
previstas em lei.
> Cabe a parte a iniciativa de promover o processo, 
inclusive dispondo dele se isto lhe convier (Dispositivo) 
todavia a propositura da ação, cabe ao juiz impulsionar o 
processo até a desfecho da lead, o que ocorre com a 
sentença. (Inquisitivo) 
* Princípio do contraditório e Ampla Defesa (Art. 5º, LV, CF e 
Art. 9º e 10 do CPC)
 "litigantes, em processo judicial ou administrativo, e os acusadosem 
geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e 
recursos a ela inerentes;"
> Consiste na necessidade de se conceder a parte contraria 
a oportunidade de ser ouvida acerca das manifestações e/
ou 
* Princípio d Boa-Fé Processual e Cooperação (Arts. 5º e 6º 
do CPC)
Todos os sujeitos do processo (juiz, partes, advogados, 
Ministério Público) devem comportar-se em boa-fé. O 
princípio da cooperação impõe um dever de diálogo, 
lealdade e auxílio mútuo na busca por uma solução justa e 
efetiva.
* Princípio da Livre Apreciação da Prova (Persuasão 
Racional)
O princípio está consagrado de forma clara no Artigo 371 do 
Código de Processo Civil
Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, 
independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na 
decisão as razões da formação de seu convencimento.
Por esse princípio, o juiz não está preso a critérios rígidos ou 
matemáticos de valoração prévia da prova (como ocorria em 
sistemas antigos, onde a prova testemunhal valia mais que a 
documental, por exemplo). O magistrado tem a liberdade 
para valorar as provas que constam nos autos, decidindo 
com base nelas.
 No entanto, essa liberdade não é arbitrária nem absoluta: ela 
vem acompanhada do dever indeclinável de fundamentação. 
O juiz é livre para apreciar os elementos, mas está 
estritamente vinculado aos limites do processo, às provas 
produzidas e à obrigação de explicar logicamente o porquê 
de ter acolhido ou rejeitado determinado meio probatório.
Por este princípio o juiz pode atribuir a cada prova o valor 
que entender cabível inexistindo hierarquia entre elas.
O processo se subdivide de várias fases, ultrapassada as 
fases não é mais possível retornar a ela, cabendo aos 
sujeitos praticar os atos processuais dentro de cada fase 
adequada sob pena de perder a oportunidade de praticar o 
ato.
* Princípio da Tutela Adequada Efetiva art 3 e 4 do CPC
"Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão 
a direito.
Parágrafo único. É admissida a arbitragem, na forma da lei."
 "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução 
integral do mérito, incluída a atividade satisfativa."
Cabe ao Estado promover a tuleta adequada e efetiva para 
assegurar os direitos do indivíduo de forma que o processo 
seja um instrumento para assegurar os direitos materiais 
(direitos previstos no código civil, penal etc...) 
* Princípio da Duração Razoável do Processo (Tutela 
Tempestiva) 
Constituição Federal (Art. 5º, inciso LXXVIII):
 "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoabilidade da 
duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45/2004).
 Código de Processo Civil (Art. 4º do CPC/2015):
 "As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, 
incluída a atividade satisfativa."
 Código de Processo Civil (Art. 6º do CPC/2015 - Princípio da Cooperação): 
O dever de colaboração mútua entre juiz e partes serve justamente para evitar 
atos protelatórios e garantir a tramitação célere.
O tempo de duração do processo deve ser proporcional a 
satisfação do Direito Postulado e mais importante deve 
assegurar a efetividade desde direito.
* Princípio da Cooperação
Todos aqueles que atuam no processo devem cooperar para 
que se obtenha o seu resultado da forma mais celere e mais 
justa para todos, esse princípio está previsto expressamente 
no artigo 6
Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que 
se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva.
 O princípio da isonomia processual, também conhecido pelo termo latino 
paridade de armas (equality of arms), assegura que as partes envolvidas 
em um litígio tenham oportunidades iguais de atuação, defesa, influência 
e tratamento ao longo de todo o processo.
 "Constituição Federal (Art. 5º, caput): "Todos são iguais perante a lei, sem 
distinção de nenhuma natureza..." (Garantia constitucional matriz da igualdade 
material)."
 Código de Processo Civil (Art. 7º do CPC/2015):
 Art. 7º É assegurada s às partes igualdade de tratamento em relação ao exercício 
de direitos e faculdades, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à 
aplicação de expectativas processuais.
Advogado Dativo
 O advogado dativo é o profissional nomeado pelo juiz para atuar na 
defesa de uma parte que não possui condições financeiras para 
contratar um advogado particular e quando, na comarca, não há 
Defensoria Pública instalada, ou quando a Defensoria está 
impossibilitada de atendê-lo (por exemplo, devido a conflito de 
interesses entre autor e réu que são assistidos pelo mesmo órgão).
Por esse princípio deve-se assegurar às partes a isonomia de tratamento, 
tratando igualmente os iguais, e de forma isonomica os diferentes. 
Assegurando-se o equilíbrio de tratamento no processo. 
* Princípio da Busca dos Fins Sociais e das Exigências do Bem Comum
O processo deve ser implementado na busca da pacificação social de 
forma que o juiz deverá buscar a solução que atenda a finalidade social 
do processo, superando o formalismo estéril e aplicando o ordenamento 
jurídico à luz da dignidade da pessoa humana e das exigências do bem 
comum, para entregar uma prestação jurisdicional justa e efetiva.
 Código de Processo Civil (CPC/2015, Art. 8º): "Ao aplicar o ordenamento 
jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, 
resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando 
a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a 
eficiência."
 "Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às 
exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da 
pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a 
legalidade, a publicidade e a eficiência."
* Princípio da Vedação à Decisão Surpresa
Deve ser garantido às partes o direito de se manifestar sobre qualquer matéria ou 
fundamento que possa influenciar o juiz na prolação de suas devisões. 
Ou seja, 
 O princípio da vedação à decisão surpresa proíbe que o juiz julgue com base em 
qualquer argumento, fundamento ou fato que as partes não tenham tido a 
oportunidade prévia de debater, garantindo um processo transparente e 
participativo.
 Previsão Legal: Consagrado expressamente no Artigo 10 do CPC/2015.
 O que impõe: O magistrado não pode decidir com base em fundamento novo — 
ainda que seja matéria de ordem pública que ele possa conhecer de ofício —, 
sem antes abrir prazo para que autor e réu se manifestem sobre o tema. O 
processo deixa de ser um "jogo de cartas marcadas" e passa a ser um ambiente 
de cooperação e debate dialógico.
1.3) Função Jurisdicional, jurisdição e ação:
a) Função jurisdicional conceito.
b) Jurisdição
c) Ação
d) Do processo

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