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14 LINGUAGENS, CIÊNCIAS HUMANAS E REDAÇÃO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO 2023 2.o SIMULADO ENEM 17. Texto: Quando Dadi saiu dos Novos Baianos, quem assumiu o baixo foi Didi Gomes, que é irmão de Pepeu e também de Jorginho, baterista do grupo. Ele não esteve presen- te na primeira fase do grupo por ser ainda muito jovem quando foram para o Rio de Janeiro. A faixa instrumental “Um Bilhete pra Didi”, do disco Acabou Chorare (1972), é de autoria de Jorginho e foi composta em referência ao irmão baixista. Dono de uma sonoridade ímpar, Didi imprimiu sua digital nas músicas em que atuou, ao lado de nomes como Baby Consuelo (Baby do Brasil), Gil- berto Gil, Chico Buarque, entre tantos, incluindo nessa lista também o renomado cantor jamaicano Jimmy Cliff. Ao contrário do que se observa nos baixos de músi- ca pop, Didi faz uma linha nada econômica, criativa e cheia de surpresas. É um baixo não convencional que imprime sua personalidade em cada passagem. SÖLTER, Glauco. Levadas brasileiras. 1ª ed. Curitiba, PR: Ás Editorial, 2019, p. 85 A página reproduzida acima integra a obra Levadas brasileiras, um livro sobre a presença do contrabaixo na música brasileira, escrito pelo contrabaixista curitibano Glauco Sölter, músico de renome internacional. Na pági- na transcrita, percebe-se o emprego de a) três tipos diferentes de linguagem: a musical, na transcrição das notas executadas pelo músico; a verbal, num texto predominantemente expositivo; e a linguagem própria das tecnologias de informação (TI), ao se empre- gar o QR code, o qual fornece o caminho para uma quarta linguagem, a não verbal: um vídeo explicativo. b) um texto eminentemente narrativo, ilustrando um episódio importante da história da música popular brasileira (MPB), seguido de uma transcrição de um fragmento de partitura musical, com o propósito de realçar a impor- tância da música em nossa história. c) metalinguagem, em especial no último parágrafo transcrito, ao se explanar a execução musical do baixista Didi Gomes, ao acompanhar Gilberto Gil e Chico Buarque. d) uma linguagem musical e técnica, restringindo o livro a leitores que possuam necessariamente um conheci- mento musical minimante desenvolvido. e) linguagem verbal e não verbal, pois a presença do QR code proporciona ao leitor a oportunidade de ouvir a transcrição de todo o texto verbal da página. 15LINGUAGENS, CIÊNCIAS HUMANAS E REDAÇÃO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO 2023 2.o SIMULADO ENEM 18. Texto: A LÍNGUA MAIS DIFÍCIL DO MUNDO? Isso não quer dizer que o queixoso saiba holan- dês. É na imensa parcela monoglota da população que a crença na dificuldade insuperável do portu- guês encontra solo mais fértil. Não é uma conclusão a que se chegue depois de estudar latim, alemão, russo e japonês. Ninguém precisa ter encarado uma declinação – vespeiro do qual a gramática portuguesa nos poupou – para deplorar o desafio invencível da crase. O mito das agruras superlativas do português diz muito sobre a falência educacional brasileira. RORIGUES, Sérgio. Viva a língua brasileira!: uma viagem amorosa, sem caretice e sem vale-tudo, pelo sexto idioma mais falado do mundo – o seu. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, páginas 19 e 20 De acordo com o texto, a concepção de que a língua portuguesa é uma das mais complexas do mundo a) é respaldada pelo autor, ao abordar o sistema verbal e as regras de emprego do acento grave, indicativo de crase. b) se mostra errônea, pois há outras línguas com- provadamente mais complexas, de acordo com estudos que levam em consideração apenas as questões formais na construção de uma língua. c) tornou-se um senso comum no Brasil, sobretu- do a partir do contato de falantes com outras lín- guas, como o inglês e o holandês. d) é relativizada pelo autor, uma vez que as dificul- dades de escrita não se impõem sobre a fala. e) é equivocada e revela, no fundo, as grandes deficiências educacionais brasileiras. Quantas vezes você já ouviu que nossa língua é a mais complicada que existe? Bobagem. O por- tuguês é uma das línguas mais fáceis do mundo, isso sim. Claro que depende do ponto de vista: aprender sueco, por exemplo, é moleza para quem fala dina- marquês. Mas um ranking elaborado pelo Departa- mento de Estado dos Estados Unidos (do ponto de vista dos falantes de inglês, portanto) situa nossa língua no grupo um, o dos idiomas acessíveis em que se pode ficar fluente com até seiscentas horas de estudo. Na mesma categoria estão francês, ita- liano e espanhol. No extremo oposto, o grupo qua- tro, o tempo de ralação sobe para 2200 horas. Ali estão árabe, mandarim, coreano e japonês. Quanto à mania brasileira de achar que o portu- guês é mais difícil que engenharia espacial, é como diria um velho professor rabugento: – Português não é difícil, você é que estudou pouco! De onde tiraram isso? Baseada provavelmente na dor de cabeça real que acomete estrangeiros diante da arquitetura barroca de nossos verbos, a afirmação dispensa a necessidade de prova. O sujeito erra o gênero da palavra alface e pronto, lá vem a desculpa uni- versal: – Também como é difícil a porcaria dessa lín- gua! Ah, se tivéssemos sido colonizados pelos ho- landeses! 16 LINGUAGENS, CIÊNCIAS HUMANAS E REDAÇÃO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO 2023 2.o SIMULADO ENEM 19. O problema enfrentado pelo migrante e o sentido da expressão “sustança” expressos nos quadrinhos, podem ser, respectivamente, relacionados a a) rejeição / alimentos básicos. b) discriminação / força de trabalho. c) falta de compreensão / matérias-primas. d) preconceito / vestuário. e) legitimidade / sobrevivência. 20. Nunca más. Rodrigo Pereira 1984. Alguns meses após o término da ditadura militar argentina, o recente governo democrático de Raúl Alfonsín, em meio a diversas incertezas de todos os lados, toma uma atitude corajosa e necessária, mas extremamente complicada: levar a julgamento os líderes das forças armadas, o ditador Jorge Rafael Videla (Marcelo Pozzi) entre eles, responsáveis pela perseguição, tortura e desaparecimento de milhares de pessoas durante os anos de 1976 e 1983. Para tanto, o procurador público Julio César Strassera (Ricardo Darín) é nomeado para o trabalho, precisando montar uma equipe de acusação e reunir o maior número de provas possíveis em um período de cinco meses. Esse é o enredo de Argentina, 1985, filme dos nossos vizinhos sul-americanos escolhido para representar o país no Oscar 2023. (...) E é essencialmente sobre isso que trata Argentina, 1985. É a responsabilização de quem causou tanta dor e sofrimento para uma nação inteira por todos aqueles anos em nome do puro sadismo simplesmente porque podiam. É, conforme o próprio elenco do filme relatou em entrevista, a volta ao passado para que ele não se repita. Que assim seja. https://www.planocritico.com/critica-argentina-1985/ No gênero textual resenha, encontra-se uma apreciação crítica do objeto em foco, além de síntese dos elementos fundamentais da obra. Na resenha de Argentina, 1985, para além das considerações estético-artísticas, o autor do texto permite entrever seu ponto de vista sobre o assunto tratado pelo filme na passagem a) em meio a diversas incertezas de todos os lados b) levar a julgamento os líderes das forças armadas c) é essencialmente sobre isso que trata Argentina, 1985 d) a volta ao passado para que ele não se repita e) Que assim seja