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Nome: Thaís Silva Rebello, 20246547. TRABALHO - TA2 1. Direitos Civis O conceito de direitos evoluiu ao longo do tempo, refletindo as necessidades e demandas sociais, o desenvolvimento dos direitos humanos, é como uma jornada progressiva. Nesse contexto, o avanço é simbolizado por diferentes “gerações” ou “dimensões” de direitos, cada uma representando valores fundamentais, alinhados aos desafios específicos de cada época. Estes direitos estão previstos na Constituição Federal, e em tratados internacionais, e nos casos de violação, o Estado é responsável por proteger e assegurar à reparação para as vítimas. Dessa forma, ao decorrer da pesquisa, analisaremos, que apesar da extrema importância das gerações, infelizmente, por muitas vezes, não são observadas e respeitadas como garante a Carta Magna. Inicialmente, adentraremos, nos direitos civis, que são os direitos de primeira geração (artigo 5° Constituição Federal), sendo garantias fundamentais que asseguram a liberdade individual, a igualdade perante a lei e a proteção contra abusos de poder por parte do Estado. Nessa perspectiva, entre os principais direitos civis, estão a liberdade de expressão, o direito à privacidade, à propriedade, à segurança pessoal e à justiça. Esses direitos, protegem os cidadãos de interferências indevidas, propiciando um ambiente onde podem participar com livre arbítrio na vida social e política. Todavia, apesar de serem de demasiada importância, esses direitos, são infelizmente constantemente violados. Segundo dados de uma pesquisa recente do G1 de 2024, na época do Carnaval, mais de 73 mil registros de violações de direitos humanos são feitos durante o carnaval, as denúncias aumentaram 38%, na comparação do ano passado (2023), as violações foram, violência política de gênero ou étnico racial (Lei nº 14.192/2021), discriminação, injúria racial e étnica (Código Penal, art. 140, § 3º), racismo (Constituição Federal, art. 5º, XLII), violência física (Código Penal, art. 129), patrimonial (Lei nº 11.340/2006, Art. 7º, Inciso VI) ou psíquica (Lei nº 11.340/2006, Art. 7º, Inciso II), sexual (Código Penal, art. 213), negligência, maus-tratos, trabalho infantil Constituição Federal (Art. 7º, Inciso XXXIII) e abandono (Lei nº 8.069/1990 art. 22 a 24), sendo assim, consideradas violações de direitos civis. (G1, 2024). Diante das violações de direitos civis durante o Carnaval de 2024, almeja-se impactos positivos, em termos jurídicos, espera-se que haja um aumento no número de processos judiciais relacionados a esses tipos de violação, com maior agilidade nas investigações e maior efetividade na execução das penas. No âmbito social, espera-se cada vez mais, um crescente envolvimento da sociedade em causas como a luta contra o racismo e a violência de gênero, entre outros pontos importantes, devendo evoluir para uma mudança de mentalidade, tornando mais difícil a normalização de comportamentos discriminatórios e violentos, propiciando e incentivando para pensamentos e atitudes verdadeiramente mais empáticas. Resultando em uma cultura mais inclusiva e menos preconceituosa. Por muitas vezes é o que se espera de um cidadão de bem e em evolução, no entanto, por vezes, não é o que acontece, deixando um futuro agressivo, inseguro, incerto e preconceituoso para as próximas gerações. Diante isto, o papel do Estado, por campanhas, palestras, pautas, entre diversas outras ideias, que conscientizem as pessoas a fazerem o mesmo e respeitarem os próximos, sendo assim, os direitos fundamentais sendo verdadeiramente protegidos. Contudo, resta claro, que é uma grande luta pela frente, onde exigi e emerge da união entre o Estado e a sociedade, objetivando uma sociedade harmônica, e que realmente observem todos os direitos e garantias básicas fundamentais, elencadas na Carta Magna e em nível internacional. 2. Direitos Políticos Adentrando nos direitos políticos (art. 5° da Constituição Federal), também são de primeira geração, sendo fundamentais, visa garantir a liberdade do indivíduo, a participação na vida política e o acesso à justiça, sendo assim, os direitos civis e políticos estão principalmente voltados para a proteção da liberdade e autonomia do indivíduo contra abusos do Estado, incluindo o direito ao voto, à liberdade de expressão, à participação política e à proteção legal. Entretanto, apesar de serem direitos primordiais básicos, de extrema relevância, por vezes são violados, como por exemplo, no período eleitoral de 2024, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, destaca que houve aumento da procura pelo Disque 100, foram registradas 586 denúncias referentes violência política de gênero e contra as mulheres (387), participação e democracia (149), votar e ser votado (37) e violência política étnico-racial (52). Antes de 2023, não existia marcador violência política de gênero e contra as mulheres e violência política étnico-racial, com o advento da lei nº 14.192/2021 que tipifica a violência política de gênero, considerando crime a violência física, moral, sexual, psicológica ou patrimonial contra mulheres no contexto político, incluindo o ambiente eleitoral. Sendo inclusive, uma das inovações da atual gestão do Governo Federal (BRASIL, 2024). A não participação na política, emerge contra o art. 1° da Constituição Federal, que estabelece a livre iniciativa e o pluralismo político, vai contra o art. 14°, que estabelece o direito de votar e ser votado, e vai contra ao art. 5° que estabelece a liberdade. Assim, é direito do cidadão a livre participação política. A violência política no Brasil, tem mostrado um crescimento alarmante com um aumento significativo de denúncias, que pode ser reflexo de uma maior conscientização e acesso às ferramentas de denúncia, como destaca a ouvidora nacional de Direitos Humanos, Denise de Paulo, que também mencionou a questão da subnotificação, sugerindo que o número real de ocorrências pode ser ainda maior. A violência política ocorre de várias formas, com por agressões físicas, ameaças e ataques psicológicos contra candidatos e representantes políticos, bem como contra eleitores e ativistas. No âmbito social, o aumento desta violência, com destaque para o gênero e étnica, pode criar um ambiente de exclusão e medo, acabando por atrapalhar na participação política, principalmente entre mulheres e minorias raciais. Nessa perspectiva, enfraquece a diversidade política, excluindo vozes importantes, minando a confiança nas instituições democráticas, prejudicando a democracia no país. Dessa forma, o aumento dessa violência, contribui para o isolamento de grupos vulneráveis, dificultando a participação ativa na política. No âmbito jurídico, o aumento das denúncias de violência política exige a aplicação mais rigorosa das leis de proteção, como a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006) e a Lei de Racismo (Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989). Além disso, a impunidade pode se tornar um fator de incentivo à violência, e a subnotificação das denúncias complica a resposta efetiva do sistema judicial, prejudicando a capacidade de proteger os direitos políticos, sem uma resposta eficaz, a violência política pode desestabilizar o processo eleitoral, o que pode resultar em retrocessos nos direitos civis e políticos. Contudo, se a violência política continuar sem ser combatida de maneira adequada, poderá enfrentar uma fragilidade democrática, com um processo eleitoral comprometido, onde apenas grupos poderosos se sentirão seguros para participar. Em síntese, levando a um retrocesso, afetando a liberdade de expressão e o direito ao voto, com consequências graves para o funcionamento da democracia e a inclusão social. 3. Direitos Sociais Adentrando nos direitos sociais (art. 6° e 7° da Constituição Federal), são os direitos fundamentais de segunda geração, visam garantir condições mínimas de bem-estar, dignidade e qualidade de vida para os cidadãos, são os direitos relacionados à saúde, educação, trabalho, previdência social, assistência social, cultura, esporte e lazer, além do direitoà moradia, alimentação e ao meio ambiente saudável. Não obstante, apesar, de serem direitos altamente essenciais, são por vezes violados, uma pesquisa recente de 2024, em um levantamento de dados feito pela Brasil de Fato, afirma que o Brasil enfrenta uma crise crescente em relação à violência sexual contra crianças e adolescentes, mostrando mais de 11 mil denúncias registradas até maio de 2024, conforme o Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Nessa perspectiva, Minas Gerais, por exemplo, ocupa o terceiro lugar em número de relatos, com 1.147 casos até o momento. O cenário é pavoroso, pois a cada 24 horas, cerca de aproximadamente 320 crianças e adolescentes são vítimas de exploração sexual no país, mas, infelizmente, muitos desses crimes permanecem ocultos. (Brasil de Fato, 2024). Além do mais, miseravelmente o sistema de justiça brasileiro enfrenta sérias limitações, como a lentidão nos processos e a falta de preparo de profissionais para lidar com as vítimas, pois, a maioria dos procedimentos judiciais são insensíveis ao trauma das vítimas, resultando na desistência da denúncia. Nesse contexto, campanhas como “Faça Bonito” e “Quebre o ciclo da violência” têm desempenhado um papel crucial na sensibilização da população e no incentivo à denúncia, o governo federal têm se mobilizado para ampliar a conscientização, capacitando profissionais da educação e conselhos tutelares a identificar sinais de abuso e acolher adequadamente as vítimas, no entanto, na prática é ainda uma luta muito longa, dolorosa e distante. (MDHC, 2024). No âmbito social o aumento das denúncias de abuso sexual infantil, reflete uma maior conscientização pública sobre o problema, o que pode consequentemente contribuir para a identificação e proteção das vítimas. A violência sexual contra criança tem previsão no Código Penal, no Art. 217-A, o ato horrendo é proibido e tipificado também pela Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei nº 8.069/1990, tem efeitos irreparáveis no desenvolvimento psicológico das crianças, causando traumas que comprometem sua saúde mental e emocional ao longo da vida. No âmbito judicial, coloca uma pressão significativa sobre o sistema judicial, que precisa processar os casos de forma mais rápida e eficaz, entretanto, a lentidão nos processos judiciais e a falta de preparação dos profissionais que lidam com vítimas de trauma ainda são desafios grandes a serem superados. Além de tudo, a baixa taxa de condenação contribui para a impunidade, permitindo que os abusos se perpetuem. Assim, é urgente uma reforma no sistema de justiça para garantir mais agilidade e assegurar de forma efetiva que as vítimas recebam o tratamento adequado, favorecendo um processo mais eficiente e justo. Contudo, resta claro, que os direitos sociais, são por vezes violados, e com violações horrendas como o exemplo citado, o que necessita de uma luta em conjunto, uma reconstrução da sociedade em pensamentos e atitudes, conscientizando, num todo. É uma grande luta, que precisa ser enfrentada e combatida, sendo os direitos socias, garantias fundamentais, e básicas que não podem ser violadas. REFERÊNCIAS BONAVIDES, Paulo. Direitos Humanos e as Gerações de Direitos. In: Revista de Direito. São Paulo, 2023. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 43. ed. São Paulo: Saraiva, 2024. BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. 23. ed. São Paulo: Saraiva, 2024. BRASIL. Disque 100 já recebeu mais de 580 denúncias de violência política em 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2024/outubro/disque-100-ja-recebeu-mais-de-580-denuncias-de-violencia-politica-em-2024. Acesso em: 09 nov. 2024. BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Lei Maria da Penha: cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2024. BRASIL. Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989. Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. 10. ed. Brasília, DF: Senado Federal, 2024. BRASIL DE FATO MG. Brasil já registra mais de 11 mil denúncias de violação sexual contra crianças e adolescentes em 2024. Brasil de Fato MG, 16 maio 2024. Disponível em: https://www.brasildefatomg.com.br/2024/05/16/brasil-ja-registra-mais-de-11-mil-denuncias-de-violacao-sexual-contra-criancas-e-adolescentes-em-2024. Acesso em: 10 nov. 2024. G1. Mais de 73 mil registros de violações de direitos humanos são feitos durante o carnaval. G1, 19 fev. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/carnaval/2024/noticia/2024/02/19/mais-de-73-mil-registros-de-violacoes-de-direitos-humanos-sao-feitos-durante-o-carnaval.ghtml. Acesso em: 09 nov. 2024. MINISTÉRIO DOS DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA (MDHC). Campanha "Quebre o Ciclo da Violência". 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/comunicacao/campanhas-do-mdhc/2024/18-de-maio-quebre-o-ciclo-da-violencia. Acesso em: 10 nov. 2024.