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2
ESTUDO DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM FACHADAS DE ESTRUTURAS NA ORLA DE SÃO MATEUS/ES
Bruno de Souza Caliari, Elias Machado Gasparini, Wellis de Andrade Souza
Acadêmicos do Curso de Engenharia Civil
Professor da disciplina de Metodologia Aplicada à Engenharia: Engenheiro Civil Lucas Fernandes Goltara
RESUMO
Por conta da salinidade, vento, chuva, sol e da alta maresia presente em regiões litorâneas, edificações e os mais diversos tipos de objetos expostos a esses agentes sofrem com as patologias causadas por essas intempéries. A principal contribuição deste trabalho está na identificação do desgaste causado por estes agentes climatológicos na forma de oxidação, associadas à falta de manutenção e conservação, causador de severos danos às fachadas da orla do Bairro Guriri em São Mateus-ES e assim apresentar as possíveis soluções para mitigar este problema e assim prologar o tempo de vida útil das fachadas das edificações presentes na orla.
1 INTRODUÇÃO 
A alta demanda por construir e morar em residências próximas ao mar sempre foi comum devido ao lazer e poder socioeconômico que representa. Estas estruturas como outra qualquer estão sujeitas a manifestações patológicas, principalmente suas fachadas que por ser a parte externa da estrutura está sujeita diretamente a ações climáticas e ambientais, como chuvas, ventos, raios solares e outros. 
Há uma alta variação de patologias decorrentes em fachadas como: trincas, fissuras, manchas, bolores, descascamento de pintura e de placas de revestimento. Segundo Chaves (2009) estas patologias são causadas pela maioria das vezes por uso incorreto dos materiais, negligência no projeto e a falha na execução, também ligada ao descaso sobre manutenções e reparos, estes sendo de grande importância, pois patologias em fachadas se dão já nas primeiras etapas da vida da estrutura, se fazendo necessário reparos durante toda sua vida. Da Rocha (2018) reafirma as causas das patologias que são advindas principalmente da sua execução inadequada e ainda afirma, sobre o aumento dos gastos pós construção com manutenções e reparos nas patologias, que podiam ser evitados se na fase construtiva se investisse mais em materiais de qualidade e mão de obra eficiente, além da questão dos gastos para se manter uma boa estética, a patologias que afetam o desempenho da estrutura como um todo, prejudicando sua segurança e a dos usuários. 
Este trabalho tem como proposta de estudo analisar as principais patologias nas fachadas do bairro Guriri, localizado na orla do município de São Mateus/ES. A importância da fachada está bastante ligada a estética da estrutura, uma fachada com apresentação de patologias prejudica economicamente a estrutura, já a procura por se economizar excessivamente na hora da construção pode acarretar em uso de materiais inadequados e mão de obra desqualificada; o devido local de estudo tem estas duas características, estruturas construídas com um baixo custo e muitas estruturas dependentes de sua estética para fins comerciais como restaurantes, lojas e pousadas.
O trabalho irá por meio de observação das fachadas, fotografar e catalogar as patologias encontradas propondo suas devidas recuperações, também será apresentada formas que poderiam se ter evitado a aparição das manifestações e manutenções, além de se fazer um levantamento das patologias mais decorrentes na orla de Guriri, São Mateus/ES.
1.1 Justificativa do Tema 
Segundo Melo Júnior (2011), a durabilidade da construção está ligada ao ambiente em que se encontra, sendo o clima do local grande responsável por intensificar a ocorrência de patologias devido a elementos como como vento, chuva, umidade, variação de temperatura e radiação solar, ainda segundo Melo Júnior (2011), as fachadas são as partes mais expostas da construção, recebendo dano externo e direto de chuvas, vento e radiação solar, comprometendo sua durabilidade. 
As patologias nas edificações acometem elementos estruturais e/ou construtivos, além de desvalorizar o empreendimento, principalmente quando localizadas nas fachadas (MASHNI, 2020). O local de estudo deste trabalho, não segue o padrão de outras cidades litorâneas do Sudeste, na questão de edifícios, pousadas e condomínios de alto padrão, a realidade da orla da praia de Guriri, São Mateus/ES, é que o valor econômico das estruturas se diversifica bastante, se tendo muitos restaurantes e lojas familiares não muito valorizadas, além de residências, edificações e pousadas que não possuem um alto padrão econômico.
Assim, este trabalho propõe-se a descobrir, analisar e abordar manifestações patológicas nas fachadas da orla, se atentando as obras de menos padrão, que geralmente não possuem o financeiro nem a mão de obra necessária para evitar por meio de técnicas construtivas o aparecimento de futuras patologias. Ainda serão apresentadas possíveis conexões entre o ambiente litorâneo e as patologias encontradas, além de como poderia se ter impedido a patologia durante a fase de construção da obra e como se proceder com a restauração da fachada atingida.
1.2 Delimitação do Tema 
Esta pesquisa tem como proposta buscar e aprimorar conhecimento a partir da literatura e realizar assim, um levantamento das manifestações patológicas mais frequentes na orla de Guriri, localizada no município de São Mateus/ES, por meio de vistorias e com observações diretas aos locais, apresentando suas causas, conexão com o ambiente agressivo, como poderia se ter evitado e propor as restaurações necessárias.
Na Figura 1, temos a área de estudo, a orla de Guriri, área de objeto do devido trabalho, onde se coletará informações para as devidas análises.
Figura 1 – Imagem de satélite da orla de Guriri, São Mateus/ES
Fonte: Google Maps (2021).
1.3 Problema da Pesquisa 
Segundo Antunes (2018), geralmente os problemas patológicos nas estruturas são originados devido a execução inadequada, erros de projeto, escolha de materiais construtivos e sua utilização errada. Esses fatores levam a maior incidência das manifestações e a falta de manutenção correta leva a permanência da patologia. Gomes Filho (2018), confirma que a maioria dos problemas em fachadas poderiam ser evitados se ocorresse a manutenção correta e uma execução adequada. Ainda segundo Gomes Filho (2018), as patologias em fachadas trazem problemas econômicos além do custo de reparo, por ser a parte mais visível da estrutura, uma fachada com sua estética prejudicada faz com que o preço do imóvel e sua reputação baixe bastaste. 
Grande parte das obras na orla de Guriri, São Mateus/ES, são voltadas a economia, com grandes quantidades de pousadas, restaurantes e lojas, sendo a parte mais visível da estrutura a estética da fachada, é muito importante para atrair clientela e aumentar seu valor e reputação, diante disso, é importante os devidos questionamentos: por que não gastar mais na fase construtiva da obra para se evitar futuros problemas com patologias? Quais são as patologias mais vistas nas construções da orla de Guriri, São Mateus/ES. Como se evitar o surgimento de patologias? Se uma fachada já está apresentando manifestações, como prosseguir com o reparo?
1.4 Objetivos 
1.4.1 Objetivo Geral 
O objetivo desta pesquisa será realizar um estudo de campo do litoral da cidade de São Mateus/ES, fazendo um levantamento nas fachadas das construções próximas a orla e apresentar as principais manifestações patológicas presente nas fachadas, visando sua origem, seus métodos de recuperação e suas possíveis correlações com o ambiente litorâneo. 
1.4.2 Objetivos Específicos
1. Listar as patologias mais decorrentes nas fachadas no local do estudo;
1. Esclarecer quais os processos corretos de manutenção e recuperação;
1. Demonstrar as negligências feitas no projeto, execução e manutenção que levam a aparição de manifestações patológicas; 
1. Analisar a relação das patologias encontras com o meio agressivo da área litorânea.
1.5 Hipótese 
A pesquisa busca por meio de embasamento bibliográfico e análises dos dados apresentar as seguintes respostas e hipóteses:os profissionais da área de construção civil devem ter cuidado para não negligenciar normas e técnicas corretas no momento da construção, como estas negligencias ajudam a originar patologias, busca-se uma execução correta afim de não agravar patologias causadas por ações ambientais; a manutenção deve ser feita periodicamente pois esta ajuda a prevenir manifestações patológicas nas fachadas; as formas de recuperações das patologias devem ser feitas com estudo prévio para se solucionar sua origem e se fazer uma recuperação correta e definitiva do problema enfrentado.
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
2.1 Características das fachadas de construção
	Todas as partes das edificações devem permanecer utilizáveis até 50 anos, as fachadas das edificações são a primeira camada de proteção da estrutura, tendo o primeiro contato com o os agentes agressivos do ambiente, sendo mais comum nos primeiros anos da estrutura, aparecem patologias primeiro em sua fachada, estas patologias logo cedo na vida de estrutura a prejudica não só estruturalmente, mas visualmente e economicamente (Carvalho, 2014). Segundo a NBR 15575 (ABNT 2013) as fachadas se encaixam como um elemento construtivo de categoria 2, isso significa que devem durar o estimado para o tipo de revestimento aderido, mas necessitando de manutenção regular. Silva (2014) confirma que as vedações externas mesmo sem função estrutural, têm importância para a estrutura como um todo, sendo a parte da estrutura mais atingida por ações externas, além de grande importância para estética da estrutura assim sendo de necessária importância o cuidado com a sua execução e manutenção.
	As camadas de uma parede externa são compostas pela sua base, chapisco, emboço e reboco e seu acabamento podendo ser por camadas de tintas ou revestimentos (cerâmico, madeira, pedra) dependendo do tipo de revestimento adotado pode haver mais camadas para regularização como uma argamassa colante para assentamento de placas. Segundo Fonseca (2011), o revestimento argamassado busca preparar a base para recebimento de uma camada decorativa. 
	Sobre os revestimentos com placas de cerâmica, pedras, madeira e outros que são adotados para finalização de paredes externas, estes podem ter funções a desempenhar, como a impermeabilização, o isolamento térmico e acústico, ainda existindo revestimentos somente com funções decorativas, também exigem um processo de uma argamassa de assentamento, este por sua vez deve ser trabalhado com cuidado para não prejudicar o colamento dos revestimentos; os revestimentos argamassados tem como base argamassas com diferentes proporções de cimento, areia e água podendo ter também a adição de aditivos, sendo necessário sua pintura para fins de estética (TERRA, 2001). O tipo de revestimento deve ser escolhido de acordo com as características necessárias para construção e das exigências que os revestimentos terão que satisfazer.
	Assim sendo, patologias nas fachadas fazem com que a estética da construção se prejudique, pois nas maiorias das vezes essas patologias são visualmente desagradáveis, podendo também prejudicar o devido funcionamento dos revestimentos, além de darem bastante prejuízo ao proprietário, pois sem o diagnóstico correto, não se sabe onde está o problema, assim sendo difícil acabar totalmente com a patologia.
2.2 Classificações das principais patologias em fachadas
	O ambiente do estudo se trata da orla de Guriri, São Mateus/ES, o litoral é um ambiente agressivo as estruturas de concreto armado graças a sua atmosfera marítima, principalmente suas fachadas que estão sempre expostas a ações do ambiente, o clima, o sol forte, as chuvas, as contaminações, a variação de temperatura, a presença de cloretos, umidade e os ventos são ações que na orla são mais agressivos e prejudicam mais rápidas as fachadas. Florêncio (2016) cita que por exemplo a temperatura alta com oscilações fazem com que o sistema de revestimento dilate, causando o destacamento e fissuras de placas cerâmicas, já a umidade faz com que manchas, eflorescências e bolor sejam mais frequentes. As principais patológicas em fachadas que podem se intensificar com o ambiente inserido são: eflorescência, desplacamento, descascamento na pintura, destacamento, trincas, fissuras, machas, bolor, mofos, descolamento do reboco, bolhas na pintura e infiltrações, os problemas patológicos podem ser diagnosticados por meio de observação, e com as devidas análises feitas pode se encontrar sua causa, sua origem e seus métodos de reparos.
	Segundo Silva (2014) existem dois tipos de patológicas em revestimentos de fachadas, a estética e a funcional, as patológicas classificadas como estéticas são patologias que não afetam a integridade da estrutura, sendo prejudicial somente a parte da aparência da fachada, pelo visual desagradável que as patologias causam; a patologias funcional é uma classificação para as manifestações que afetam a aparência e também oferecem riscos para segurança da estrutura já que prejudicam a estabilidade e a integridade da estrutura como um todo; Silva (2014) também ressalva que patologias estética podem dar origem a patologias funcionais ao passar do tempo, devido ao aumento da gravidade da manifestação e a falta de reparo.
2.2.1 Manchas e eflorescência
	Manchas e eflorescências são manchas escuras a brancas, que geralmente estão relacionados ao deposito de partículas ou sais e também advindo de algas, as fachadas com umidade presente podem ocasionar o aparecimento de algas que deixam manchas avermelhadas na superfície, o acumulo de resíduos está relacionado a erros de projetos ou execuções das fachadas que acarretam em poros, descontinuidades e quinas que são perfeitas para o acumulo de resíduos, estes podendo ser provenientes de poluição atmosférica trazida pelo vento ou de sais, estes sais são causadores da eflorescência, que se origina devido a evaporação de água excessiva presente na argamassa que traz os sais a superfície (MASHNI, 2020).
	Machas ou eflorescências não apresentam riscos funcionais, mas afetam muito a estética da estrutura, suas causas são reforçadas por Silva (2014), como a falta de elementos de acabamento nas quinas e cantos da fachada e nas platibandas e nos peitoris além da falta de uma pingadeira, que tem finalidade de afastar o escorrimento de água da superfície da fachada, a eflorescência em especial se caracteriza pelo acúmulo de sais solúveis na superfície, a junção desses fatores principalmente da falta de acabamento, causam tanto as machas quanto a eflorescência.
	Sobre a eflorescência segundo Ramos (2020), a patologia ocorre pelo deposito de sais na estrutura, estas manifestações estão ligadas também a presença de água e a necessidade de pressão hidrostática que faz a água e o sal ter contato com a superfície, sendo assim a patologia somente se manifestará quando sal e água como uma solução se ter contato com a superfície.
	As manchas em fachadas ocorrem com mais frequência por estarem expostas aos agentes climáticos, apresentando primeiramente problemas estéticos, mas devido a provável umidade presente na fachada, esta pode apresentar problemas mais graves, pois degradam e enfraquecem o revestimento desprotegendo a fachada, podendo ocorrer a aparição de fungos, corrosão, vegetação parasitária, as manchas podem ser originadas além da umidade por acúmulo de microrganismos e sujidades (SANTOS, 2017).
	Mofos e bolores são manifestações como manchas escuras nas superfícies dos revestimentos, são ocasionados por falta de impermeabilização, assim causando a umidade que aumenta a possibilidade de aparição de fungos e microrganismos na fachada, essas patologias são muito problemáticas para o visual estético da fachada e expõe a saúde dos usuários, mas não apresentam problemas funcionais a estrutura (MASHNI, 2020). Já segundo Ramos (2020), mofos e bolores aparecem em paredes externas quando há pouca incidência de sol, no local do estudo na maior parte do ano se tem presença do sol e de um calor forte, os bolores por sua vez são provocados por incidências de fungose só necessitam da umidade para se manifestar. Assim a umidade é um fator essencial para aparição de qualquer tipo de mancha sendo ela eflorescências, mofos ou bolores
2.2.2 Fissuras e trincas
	Fissuras e trinca são patologias originadas pela variação de volume da base sobre a qual o revestimento está aplicado podendo ser agravado com a variação de temperatura do local, assim ocasionando alterações dimensionais em toda a parede, causando assim aberturas no revestimento, e ocorrendo o descolamento de placas de revestimento (SILVA, 2014). Ainda Silva (2014), confirma que a aparição de fissuras está relacionada a força excessiva em lajes e vigas, aos erros de amarração de alvenaria com pilares ou ao recalque. Por estarem relacionados com vigas, lajes e pilares, as fissuras geralmente são vistas paralelamente as vigas e pilares, as trincas por sua vez são relacionadas a ação de esforços entre geralmente vigas e suas paredes de alvenaria que provocam ruptura de uma ou mais peças de revestimento e não de uma área completa. Trincas e fissuras comprometem o desempenho da obra e são as patológicas que demandam mais atenção, Mashni (2020) confirma que as fissuras e trinca podem ocorrer devido diminuição do volume das placas cerâmicas ou do revestimento argamassado, nos dois casos sua causa está relacionada a perca de água, podendo ser por evaporação de água em poros, que quando evaporada deixa os poros expostos, está água é perdida pelo processo de execução, para outros materiais construtivos ou para o meio ambiente, fazendo com que a argamassa ou o próprio cimento retraia, reduzindo seu volume e formando trincas em sua superfície ou nas placas coladas a ele.
	Segundo Santos (2017) , a edificação durante toda sua vida se contrai e se expande, devido a variação de temperatura, causas estruturais e variação de umidade, a fissura sempre vai ocorrer quando o material usado para revestimento não aguentar as tensões provocadas pela variação dimensional que a estrutura sofre, o problema de não se aguentar as tensões se tem origem nas placas de revestimento que são frágeis. Santos (2017) cita também a ausência de vergas e contravergas como uma causa, sendo de devida importância, pois se vê muitas fissuras se localizando perto de janelas e portas, as vergas e contravergas ajudam a absorver a carga e dar instabilidade para alvenaria quando a vãos presentes, a falta delas fazem o peso da estrutura produzir uma tensão sobre a alvenaria além do aguentado, neste caso a causa está mais ligada a tensão imposta pela própria estrutura e não a ações ambientais, mas podendo ser intensificadas por agentes climáticos.
	Ramos (2020) afirma que as fissuras e trincas podem ocasionar outras patologias por expor a estrutura e ainda cita que as fissuras por excesso de carga são muito mais perigosas para estrutura e para os usuários do que as fissuras e trincas com outras origens, devido a indicação que a estrutura não está conseguindo suportar a carga, este tipo de patologia com essa origem requer uma ação urgente para resolução do problema.
2.2.3 Descolamento e desplacamento de revestimentos e pinturas
O descolamento da camada de reboco é a separação da camada de argamassa com a camada em que está estava colada, esse descolamento acontece quando a argamassa foi produzida com traços errados de seus materiais, estando pouco aderente e pouco elástica, podendo também ser devido à falta de chapisco, a expansão da argamassa ou ao uso de material estragado ou de baixíssima qualidade (MASHNI, 2020) 
	Santos (2017) confirma que o descolamento é quando a ruptura adesiva da camada de revestimento com o adesivo, significando que a argamassa colante não foi aderente o suficiente ou a placa de revestimento foi pesada demais, as variações de temperatura continuas e a submissão a tensões e compressões fazem com que a aderência diminua cada vez mais, o descolamento pode acontecer também devido à instabilidade da superfície, não estando regulada ou apresentando falhas e porosidades, além de superfícies contaminadas com poeiras ou umidade prejudicando a aderência mesmo utilizando de maneira correta a argamassa colante. Terra (2001) reitera e relaciona a origem com ausência de chapisco, erro no traço da argamassa, umidade e interface irregular para emplacamento e ainda cita a possibilidade da patologia se agravar com a variação da temperatura e alterações dimensionais, podendo ser identificado visualmente com as placas estufadas e o som cavo que as placas começam a apresentar.
	Desplacamento é uma patologia perigosa para a vida dos usuários ela é causada pela quebra da ligação de alguma camada de revestimento e se manifestam em regiões mais críticas com variação de temperatura e dimensões como as fachadas, estas variações aumentam as tensões e sobrecarregam a camada mais frágil. Segundo Silva (2014) ela é causada pela junção de dois aspectos, a umidade e o erro por parte da mão de obra, do projeto ou do material utilizado, podendo ser causado o desplacamento desde a placa cerâmica e sua argamassa colante ao chapisco e sua alvenaria; a umidade nas placas ou a falta de umidade nas argamassas causa a retração por secagem, intensificadas ainda com a variação térmica, pode levar a falta de aderência de uma camada com a outra, este tipo de manifestação como dito é perigoso para a segurança dos moradores por possíveis rupturas de pequenas áreas que podem ocorrer.
	Para Silva (2014), as falhas no rejuntamento tanto entre placas e suas esquadrias quanto entre as próprias placas, ocorrem devido a insolação e principalmente penetração de água nas juntas, a insolação deteriora as juntas com infiltração provocando o descolamento de várias placas ou até sua queda, geralmente se não cuidada esta patologia pode se agravar ainda para fissuras.
	O descascamento e as bolhas de pintura segundo Mashni (2020), são causadas pela falta de preparo da superfície para o recebimento da tinta, podendo ser facilmente evitado com um preparo, limpeza da superfície e a escolha correta da tinta, a umidade entre a tinta e a camada de revestimento causa a aparição de bolhas, e a presença de pós causam o descascamento, o preparo inadequado da tinta como sua diluição errada podem intensificar as duas patologias.
	O descascamento da pintura deixa a fachada e a pintura muito frágeis, e qualquer ação provocara o descolamento da pintura, isto é causado pela ausência ou excesso de cal, argamassas imperfeitas e superfície poluída (TERRA, 2001).
	
2.3 Métodos de recuperação, manutenção e execução correta 
	Oliveira (2016) caracteriza manutenção como sendo uma ação proativa que serve como estratégia financeira e estrutural para não se gastar muito e não se ter problemas patológicos maiores no futuro podendo vir a ser muito custoso e prejudiciais a estrutura. Oliveira (2016) ainda cita um plano de manutenção preventiva para fachadas, que consiste em por meios de observações e avaliações feitas in-loco, se inspecionar a fachada para assim se optar pelo tratamento correto e preventivo, seja ela uma limpeza, reparação ou substituição dos elementos dependendo dos sintomas encontrados, como se tem caráter preventivo estas observações devem ser feitas periodicamente em todas as fachadas da edificação. Gonçalves (2015) confirma que se tendo uma manutenção periódica se diminui muito a chance de patologias aparecem de supressa nas fachadas e a etapa em si de recuperação necessita da análise precisa das causas e gravidade, assim feito, defina-se a técnica correta e com melhor custo-benefício para recuperação.
	O descolamento, desplacamento, trincas e umidade podem ser causadas por alguma falha na aderência do revestimento, a NBR 13755 (ABNT, 2017) normatiza o procedimento para aplicação de revestimentos em fachadas com argamassa colante, sendo de extrema necessidade a limpeza da superfície e o alinhamento em todos os sentidos, a norma também normatiza a produção de argamassas para não haver excesso ou falta de nenhum componente. Em casos de descolamento e desplacamento na fachada recomendasse a retiradado revestimento, seguido da resolução do problema causador, como a umidade ou vazamento, se necessário adotado algum meio de impermeabilização, acompanhado da limpeza e da verificação do emboço ou da argamassa colante, estes se em estados necessitados devem ser refeitos, para posteriormente seguir com o colamento (FERREIRA, 2010). Está técnica segundo Vieira (2020), também pode ser utilizada para descolamento de pintura, no caso a retirada da atual pintura para um novo emprego da tinta, desta vez se atentando ao tipo de tinta, buscando uma específica para o ambiente e para fachada externa, se vê necessário também a preparação da superfície para a nova aplicação, é recomendado uma superfície sem poeiras e poros.
	Segundo Ferreira (2010), fissuras e trincas causadas por esforços, são as mais perigosas e estas necessitam de uma análise estrutural dos esforços na estrutura, tendo que fazer a análise e futuras correções na estrutura afim de aumentar sua resistência. Estas patologias podem ser evitadas se durante a execução da obra se tomar cuidados que evitam a umidade e o aparecimento de agentes perigosos, como o cuidado no acabamento de quinas e cantos, execução de pingadeira para não se escorrer a água pela fachada, além de cuidado nas juntas e na execução das placas de revestimento. Ainda segundo Ferreira (2010), se faz necessária a análise e monitoramento de fissuras e trincas para se solucionar o problema definitivamente, pois esses podem ter ligação com esforços que não estão sendo aguentadas pela estrutura, para uma solução provisória recomenda-se o uso de telas de argamassa para absorver a movimentação das aberturas e reduzir as novas tensões criadas proveniente da aparição da fissura ou trinca.
	Vieira (2020) reforça a solução prévia por meio de telas de argamassa, com a devida aplicação de uma tela de aço com argamassa na trinca para impedir a abertura de se agravar e reforçar a área da trinca ou fissura, Vieira (2020) também propõe em paredes com vãos como portas e janelas a criação ou reparo de vergas e contra-vergas para reforçar essas áreas ao redor do vão e se evitar o aparecimento e a intensificação de fissuras.
	Várias das patologias citadas são causadas ou agravadas por umidade excessiva, esta causa está relacionada a permeabilidade que fachadas possam possuir, entre as mais decorrentes patologias causadas por umidade se tem a mancha e o bolor, segundo Silva (2007) para minimizar os efeitos da umidade é aconselhado o uso de impermeabilizantes, que podem ser por aditivos em argamassas, uma camada inteira ou sendo aplicada nas próprias placas. 
	Para solucionar patologias como manchas e bolores causadas por umidade recomenda a remoção total do revestimento, para ser realizado novamente, mas desta vez com o uso de impermeabilizantes (VIEIRA, 2020). Ferreira (2010) recomenda para manchas e bolores com origem em ações bacterianas, de algas ou fungos que seja feito o estudo para identificar o agente, depois deve ser feito a remoção das partes afetadas pelo agente, não se necessitando a remoção total do revestimento, a limpeza deve ser feita com escovas aplicando uma solução de detergente, sódio e água.
3 METODOLOGIA, MATERIAIS E MÉTODOS
O trabalho tem como base um estudo de campo na orla de Guriri, São Mateus/ES, para realização do estudo sobre patológicas nas obras da orla, a análise para obter-se os resultados será divido em três parte: a primeira será uma inspeção visual e um relatório fotográfico das obras, a segunda um diagnóstico da manifestação encontrada, a terceira apresentará os métodos de recuperação e de manutenção.
3.1 Classificação da pesquisa
Esta pesquisa se caracteriza como uma pesquisa exploratória e descritiva, pois segundo Raupp (2006) a pesquisa exploratória e descritiva busca uma aproximação e aprofundamento do pesquisador em um determinado tema, descrevendo suas características e fatores por meio de observação e registros. Assim sendo, o objetivo desta pesquisa, o aprofundamento do estudo sobre manifestações patológicas e a devida identificação das patologias encontradas em fachadas.
	O método desse estudo será a pesquisa qualitativa, pois requer a interpretações dos fenômenos estudados, seu foco é a obtenção de dados, análise e detalhamento do problema pesquisado (MORESI, 2003). Para se alcançar este objetivo se optou pelo estudo de campo como técnica de coleta, a fim de se alcançar o objetivo do trabalho de se análisar a extensão da orla se viu necessário o estudo de mais de uma fachada. 
	Para obtenção de todos os dados se abordou um levantamento bibliográfico, segundo Moresi (2003), a pesquisa bibliográfica tem sua base de teorias e informações formada por materiais publicados como livros, artigos, publicações técnicas, documentos e artigos acadêmicos, com a leitura das publicações busca-se interpretar as informações para uma análise e esclarecimento do problema abordado.
3.2 Técnicas para coleta de dados
	Para coleta de dados e técnicas essências para análise de patologias, será utilizada uma análise bibliográfica, com o intuito de se obter fundamentação teórica para localizar, diagnosticar e descrever as manifestações patológicas. O método de observação se faz indispensável nesse estudo, devido a necessidade de se obter os dados e informações visuais das obras, dito isso, a observação será feita com visitas em campo pessoalmente, para devido registro fotográfico e análises preliminares das manifestações.
3.3 Fontes para coleta de dados
A principal fonte de coleta de dados para progressão dos estudos, irá advir das pesquisas bibliográficas realizadas em livros, artigos e publicações acadêmicas. A coleta de dados se caracteriza como fonte terciária, devido a necessidade de se adquirir dados originais, como a documentação fotográfica e a indispensabilidade de se analisar e interpretar o material obtido.
3.4 Caracterização da amostra pesquisada
Amostragem será feita por meio não probabilístico e intencional, pela metodologia adotada na pesquisa se é necessária à escolha intencional dos casos que podem contribuir e agregar para o estudo, assim sendo feito um levantamento das obras perto da orla que possuem manifestações patológicas em suas fachadas.
3.5 Instrumento para a coleta de dados
	Os instrumentos para coleta de dados para fundamentação teórica serão alcançados por leitura de artigos científicos, livros e diversos materiais científicos publicados. Os dados originais necessários para o levantamento do estudo serão feitos por meio de observação, assim se tendo uma visualização das fachadas, possibilitando a realização de um relatório fotográfico e de uma análise visual.
3.6 Possibilidade de tratamento e análise dos dados
	Dados obtidos e analisados por meio de observação e fundamentação teórica serão apresentados por etapas, se dividindo por patologias de forma a estruturar os dados coletados para facilitar o compreendimento. A coleta de dados por meio de observação será apresentada por fotografias das patologias tiradas in loco e seus devidos diagnósticos e reparos serão denotados logo após para se ter uma divisão das patologias encontradas.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como observado em análise feita presencialmente na orla de Guriri, a ocorrência de manifestações patológicas somada com a falta de manutenção para conservação das edificações pode gerar incômodos e riscos de segurança aos usuários, podendo interferir até mesmo na utilização do imóvel.
5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANTUNES, Thaís Cardoso. Análise das patologias de um edifício de concreto armado em cidade litorânea e as suas devidas intervenções: um estudo de caso. Trabalho de conclusão de curso em Engenharia Civil, Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, 2017.
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 15575: Edificaçõeshabitacionais: Desempenho: Parte 1: Requisitos gerais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.
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