Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

PERÍCIA CONTÁBIL 
Prof. Michael Dias Corrêa 
AULA 4
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
 Os conceitos aplicados aos quesitos do laudo pericial serão explorados 
inicialmente nesta aula. Eles são essenciais para que o perito possa realizar o 
seu trabalho e entregar o seu resultado final. As perguntas, respostas e 
conclusões serão vistas na sequência e demonstram o que é necessário que o 
profissional faça para executar o trabalho pericial. Posteriormente, será 
apresentado o conceito de laudo, seus elementos e características. Outro ponto 
são os atributos intrínsecos e formais do laudo, necessários para sua validação 
como prova técnica. O estudo de caso apresenta uma situação de atuação 
extrajudicial, mostrando como funcionam os principais pontos do parecer do 
profissional que atua nesta área. 
TEMA 1 – CONCEITOS APLICADOS AOS QUESITOS DO LAUDO PERICIAL 
No processo que ocorre na justiça civil, o laudo pode ser entendido como 
o produto final do perito nomeado. 
Por sua vez, na justiça trabalhista este pode ser compreendido como a 
quantificação monetária da sentença que já foi proferida pelo juiz (Costa, 2017). 
Ornelas (2011), por sua vez, entende o laudo sob duas diferentes 
perspectivas. A primeira delas é a materialização do trabalho do perito e, de 
forma adicional, como prova pericial. 
A materialização do trabalho caracteriza-se pela exposição, de forma fiel, 
e ocorrência das diligências, apresentando as conclusões sobre a matéria 
submetida. 
No caso do seu entendimento como prova, este supre as insuficiências do 
magistrado e membros da justiça no que diz respeito aos conhecimentos 
técnicos e científicos ligados à matéria que foi julgada. 
O laudo é a manifestação do perito sobre os fatos patrimoniais 
devidamente circunstanciados (Sá, 2019). 
O autor ainda afirma que este é o julgamento baseado nos conhecimentos 
de um profissional da contabilidade, em relação a eventos ou fatos que foram 
submetidos à sua apreciação. 
Palombo (2012) afirma que o laudo é uma forma de expressão da perícia, 
sendo uma das espécies mais predominantes neste ramo. O laudo é decorrente 
da necessidade de se examinar a verdade ou não da matéria objeto de conflito. 
 
 
3 
O laudo é diferente de outros tipos de documentos da perícia, uma vez 
que se destina à prova, com o uso de informações e apresentando opiniões 
subsidiárias à decisão, mesmo que seja destinado à liquidação de sentença. 
Exemplificando: em um processo judicial, um advogado precisa 
argumentar sobre o valor de quotas da sociedade da qual seu cliente 
saiu; o sócio egresso entende que foi prejudicado e, inconformado, 
entrou na Justiça para discutir. O advogado sabe que pela lei o sócio 
tem direito a receber o valor de suas quotas na forma que o contrato 
estabelecia, mas não tem conhecimentos contábeis suficientes para 
atestar isso; o Juiz, por sua vez, sendo também advogado, não dispõe 
de conhecimento especializado para julgar. Requer-se, então, a 
opinião de um perito-contador. (Sá, 2019, p. 37) 
Além do laudo é comum que o perito trabalhe com o parecer pericial. Este 
documento expressa o profissional em relação à determinada matéria, 
observando as técnicas e abrangências da perícia de forma geral (Palombo, 
2012). 
Entretanto, é utilizado para a defesa de interesses ou ainda elucidação de 
um assunto. Pode ocorrer na modalidade extrajudicial, quando uma parte 
necessita, por exemplo, de uma opinião fundamentada de um técnico sobre uma 
transação ou, ainda, para a realização de negócio. 
De forma judicial, o parecer pode ser usado por uma das partes, para 
instruir ou contestar uma ação que esteja sofrendo. Outra possibilidade é a 
utilização da opinião do assistente, que nada mais é que o parecer no processo 
de perícia determinada de forma judicial. 
Outros tipos de documentos que podem ser emitidos pelo perito são o 
relatório de vistoria, que ocorre em determinada situação temporal, não 
observando todos os rigores da perícia judicial (Palombo, 2012). 
Para que o profissional possa elaborar o laudo, ele terá que apresentar os 
quesitos ou questionamentos necessários para entender a matéria ou lide 
discutida. Segundo Costa (2017), buscam respostas para entender o que está 
sendo discutido. 
As respostas que são apresentadas devem ser objetivas de acordo com 
os quesitos apresentados, sendo que estas podem ser acompanhadas de 
(CRCBA, 2020): 
• Planilhas; 
• Mapas; 
• Plantas; 
 
 
4 
• Desenhos; 
• Fotografias. 
Também devem ser adicionados outros elementos que sejam necessários 
ao esclarecimento do objeto da perícia, seja para o juiz, partes ou órgão do 
Ministério Público (CRCBA, 2020). 
Ainda de acordo com o órgão, o parecer, emitido pelos assistentes, 
também deverá ter o mesmo suporte documental, demonstrando a sua base de 
sustentação. 
TEMA 2 – PERGUNTAS, RESPOSTAS E CONCLUSÕES 
De acordo com Costa (2017), o uso dos quesitos está relacionado a 
questionamentos ou ainda solicitações que envolvam respostas para que ocorra 
a solução de um litígio. 
Os quesitos podem ser elaborados pelas partes, o que será feito pelo 
assistente técnico. Quando estes são levantados e levam em consideração o 
objeto de discussão, os quesitos visam receber as respostas do perito nomeado 
para propor uma solução à lide. 
O autor ainda destaca o fato de que em alguns processos a parte não 
contrata perito assistente e opta por elaborar quesitos. Nesta situação estes 
devem ser elaborados pelo próprio advogado que a defende. 
Ornelas (2011) cita que podem existir diferentes formas de abordagem em 
relação aos quesitos. De acordo com o autor, o questionário básico é aquele com 
os quesitos que podem ser elaborados pelo magistrado ou pelas partes antes 
das diligências, ou ainda, antes do desenvolvimento da prova pericial e da 
entrega da peça técnica. 
São as perguntas de natureza técnica ou científica naturalmente 
relacionadas aos pontos convertidos fixados pelo magistrado ou pelo 
Tribunal Arbitral, a serem respondidas pelo perito. São, em geral, 
apreciadas pelo magistrado ou pelo Tribunal Arbitral e pelas partes a 
fim de evitar indagações impertinentes, fora do âmbito da lide proposta 
e/ou dos pontos controvertidos fixados, bem como diligências 
desnecessárias ou procrastinatórias. (Ornelas, 2011, p. 73) 
Para o autor, nesta categoria surgem dois tipos de questionamentos, os 
pertinentes e impertinentes. No primeiro caso o objetivo é esclarecer situações 
em relação a questões patrimoniais, vinculados a pontos controvertidos. Os 
 
 
5 
impertinentes, por sua vez, abordam pontos não relacionados com o debate nos 
autos do processo. 
Em relação aos quesitos impertinentes, quando algo extrapola o campo 
contábil não é mais responsabilidade do perito-contador. Caso seja solicitado, 
por exemplo, a interpretação de um texto da lei, o profissional não é obrigado a 
responder, já que foge aos seus limites de responsabilidade, a menos que a lei 
tenha ligação com o campo de contabilidade. 
Outro exemplo, é aquele relacionado à saúde de um empregado, fugindo 
esta questão da matéria contábil, devendo ser dirigida, por exemplo, a um 
médico (Sá, 2019). 
Sá (2019) cita, adicionalmente, o caso dos quesitos suplementares. De 
acordo com o autor estes não representam uma nova perícia, ou o 
estabelecimento de um novo exame. Mas adiciona elementos que se fazem 
necessários. Este tipo de quesito deve ocorrer durante as diligências. 
Esta situação pode ocorrer após a entrega dos laudos, quando o juiz abre 
as partes dos laudos, surgindo, então, a necessidade complementar, em razão 
de as “respostas” demandarem novos exames pertinentes. 
Neste caso o juiz deve deferir o pedido, pois caso não faça, mesmo que 
requerido, não será motivo para trabalho pericial. Na sequência, quando o perito 
realizar seus trabalhos com base nos questionamentos complementares, deve 
identificar no laudo esta natureza. Configura-se, desta forma,um novo laudo, 
porém vinculado ao primeiro. 
Palombo (2012), por sua vez, chama os quesitos de elucidativos. 
Segundo o autor, estes questionamentos visam um esclarecimento sobre 
determinado ponto ou pontos do laudo. 
Estas questões também podem ser usadas, caso necessário, para a 
impugnação das conclusões ou do laudo da perícia. Se isto ocorrer o profissional 
será chamado para prestar informações sobre o que foi solicitado, sendo 
necessário a fundamentação sobre as conclusões obtidas ou ainda reformulando 
o trabalho pericial. 
Em relação aos prazos ritos e prazos envolvendo os quesitos quando são 
estabelecidas as questões sobre o que está sendo discutido, as partes 
determinam os quesitos ou perguntas sobre o assunto. Conta-se, também, neste 
caso, com a possibilidade dos quesitos suplementares (Palombo, 2012). 
A apresentação dos quesitos segue o que determina o CPC (Brasil, 2015): 
 
 
6 
Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e 
fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo. 
§ 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da 
intimação do despacho de nomeação do perito: 
I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; 
II - indicar assistente técnico; 
III - apresentar quesitos. (grifo nosso) 
O juiz é o responsável por indeferir, se for o caso, quesitos considerados 
impertinentes, ou ainda a inserção de outros que forem necessários (Brasil, 
2015). A seguir, exemplos de como podem funcionar estes quesitos em distintos 
processos de perícia. 
Quadro 1 – Exemplos de quesitos 
Tipo Exemplo 
1. Quesitos elaborados em um processo 
envolvendo financiamento habitacional. 
Queira o senhor perito relatar se o contrato firmado 
entre as partes está enquadrado como financiamento 
habitacional nos moldes do Sistema Financeiro da 
Habitação. 
2. Quesitos elaborados em um processo 
envolvendo contrato de abertura de crédito 
e financiamento. 
Relate o senhor perito qual o instrumento contratual 
objeto desta lide e quais as suas principais cláusulas 
no que tange ao prazo, taxa e valor. Houve 
prorrogações? 
3. Quesitos elaborados em um processo 
envolvendo questionamentos sobre 
pagamentos de impostos. 
Identifique o senhor perito, comparando as datas de 
competência e as guias acostadas nos autos (bem 
como o cômputo de eventuais acréscimos), se os 
supostos débitos arrolados na inicial foram pagos. 
4. Quesitos elaborados em um processo 
envolvendo INSS sobre obras de 
engenharia na construção de unidade 
habitacional. 
Queira o senhor perito relatar se foi efetuado o cálculo 
da mão de obra empregada em conformidade com o 
§ 4º do artigo 33 da Lei n. 8.212/91. 
5. Quesitos elaborados em um processo 
envolvendo auto de infração da Secretaria 
da Receita Federal. 
Compulsando os autos, pode o perito informar se a 
autora estava autorizada mediante decisão judicial a 
compensar prejuízos fiscais acumulados, 
independentemente da limitação prevista no artigo 42 
da Lei n. 8.981/95? 
6. Quesitos elaborados em um processo 
envolvendo empréstimos e financiamentos 
para pessoa jurídica. 
Ao senhor perito, solicitamos caracterizar o crédito 
indicando o valor, o prazo, a forma de pagamento, a 
data de vencimento e os juros contratados. 
7. Quesitos elaborados em um processo 
envolvendo o financiamento à pessoa 
física. 
Solicitamos ao senhor perito relacionar a data de 
vencimento e pagamento das parcelas honradas pelo 
réu. 
8. Quesitos elaborados em um processo 
envolvendo financiamento para o Fundo de 
Financiamento Estudantil (Fies). 
As cláusulas determinadas pela legislação da Lei n. 
10.260/01, que rege o Fies, estão sendo 
rigorosamente cumpridas? 
9. Quesitos elaborados em um processo 
envolvendo financiamento de crédito 
rotativo para pessoa jurídica. 
Queira o senhor perito informar o valor e a modalidade 
do contrato de crédito rotativo firmado pelas partes, 
incluindo esclarecimentos adicionais sobre a data de 
vencimento da obrigação, forma de pagamento, 
prazo, taxa de juros pactuada, período de pactuação, 
garantias e encargos previstos na cláusula de 
inadimplência. 
10. Quesitos elaborados em um processo 
envolvendo financiamento para aquisição 
de materiais de construção denominado 
Construcard. 
Defina o senhor perito o fenômeno contábil da 
capitalização de juros e, com base no extrato e na 
aplicação da tabela Price, informe se ela ocorreu. 
 
 
7 
Fonte: Costa, 2017, p. 41. 
Sá (2019) afirma que se o perito for inquirido, por exemplo, sobre a 
capacidade de liquidez de uma empresa, não bastará ele informar se existe ou 
não o poder de solvência, é preciso que ele torne a justificativa pertinente. 
Outro requerimento é a argumentação teórica sólida sobre o que foi 
respondido pelo profissional. O autor ainda relata que o profissional pode utilizar, 
para validar seus argumentos, o embasamento com citações de autores 
clássicos e que tenham reconhecida competência. 
Assim, se o quesito indagar se o capital foi suficiente ou não para que 
ocorra a exploração de um determinado negócio e caso os dirigentes tenham se 
omitido em realizar aportes, a resposta do profissional deve ser alicerçada em 
argumentos derivados da Ciência Contábil. 
Palombo (2012) afirma que os quesitos devem ser transcritos e 
respondidos na ordem que deram entrada nos autos, independentemente da 
natureza deste. Para a sua elaboração deve-se evitar conotações psicológicas 
ou ainda preconceitos. 
Ainda segundo Palombo (2012), a necessidade da transcrição tal como 
foi formulada deve ser pautada no fato de que o perito não deve fazer correção 
de erros linguísticos, mesmo que estes sejam cometidos, até porque uma vírgula 
poderá alterar o sentido do que foi dito. 
A resposta, também, deve ocorrer de forma sequencial, mantendo a 
pergunta e a resposta na mesma página do laudo, o que visa facilitar a sua leitura 
e entendimento. A resposta também deve ser circunstanciada, observando a 
essência da questão formulada, o que pode ocorrer quando o objeto da perícia 
já está determinado, o que auxilia a evitar o excesso de referências a outras 
partes ou ainda aos anexos. 
A resposta deve ser sempre com clareza, e detalhes que sejam suficientes 
para serem entendidos. Deve-se evitar respostas que sejam simplesmente “sim” 
ou “não” (Palombo, 2012). 
Assim, os quesitos podem ser entendidos como questionamentos, sendo 
que estes podem ser elaborados na afirmativa. Têm como objetivo adquirir 
solução sobre o que é discutido nos autos, sendo redigidos pelo assistente 
técnico e, de forma, obrigatoriamente devem ser respondidos pelo perito. 
 
 
8 
Os quesitos também podem partir do magistrado, e servem para dirimir 
dúvidas e outros questionamentos que surgem durante o processo de perícia. 
TEMA 3 – LAUDO 
Segundo Magalhães et al. (2004), a perícia produz, de maneira 
psicológica, o efeito de um juiz arbitral, sendo este fundamentado em princípios 
técnicos/científicos e que devem ser orientados por um critério de 
imparcialidade. 
Segundo os autores, um laudo pericial de qualidade é aquele que é 
acatado tanto pelas partes como pelo julgador do litígio. 
De acordo com a NBC TP 01 (CFC, 2016), o laudo está intimamente 
ligado à perícia, já que irá comprovar o trabalho realizado pelo profissional 
1. A perícia contábil é o conjunto de procedimentos técnico-
científicos destinados a levar à instância decisória elementos de prova 
necessários a subsidiar a justa solução do litígio ou constatação de 
fato, mediante laudo pericial contábil e/ou parecer pericial contábil, em 
conformidade com as normas jurídicas e profissionais e com a 
legislação específica no que for pertinente. 
2. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil têm por 
limite o objeto da perícia deferida ou contratada. 
A seguir pode ser observado um modelo de laudo, com suas principais 
características: 
Quadro 2 – Modelo de laudo 
AÇÃO DE (indicar o tipo de ação) Processon. (especificar a vara) ___ VARA __________ DA 
_____________ (COMARCA, CIRCUNSCRIÇÃO, SEÇÃO JUDICIÁRIA), (especificar Cidade 
e Estado). MM. Juiz (inserir nome) Escrivão/Diretor de secretaria 
Autor Embargante Requerente: João da Silva 
Réu Embargado Requerido: José dos Santos 
Objeto da perícia Perícia Societária 
Advogados: Autor Embargante Requerente: Réu Embargado Requerido: 
Perito do Juízo: Indicar o seu nome (inscrição no CRC) XXXXX 
Assistente técnico: Autor Embargante Requerente: Réu Embargado Requerido: 
Orientação observada pelo signatário deste, quando na função como perito do Juízo 
 
O entendimento do signatário é que a principal função dos técnicos auxiliares, em particular, 
a do perito do juízo, é proporcionar ao meritíssimo juiz todos os elementos elucidativos das 
controvérsias suscitadas nos autos, principalmente das que são tidas como pontos cruciais ou 
essenciais, sem o conhecimento das quais, o douto juiz não poderá se pronunciar conveniente 
e adequadamente. Dentro deste espírito, as respostas elaboradas estão sempre procurando 
se isentar do entendimento da aplicabilidade das normas legais, por se tratar de mérito 
especificamente do juízo, o que enseja se abstrair das indagações concernentes à 
interpretação das leis. 
CORPO DA PERÍCIA 
Metodologia Aplicada 
1 – Síntese das alegações das partes 
2 – Relato dos fatos 
 
 
9 
2 – Exposição do desenvolvimento dos trabalhos de campo e das planilhas 
elaboradas 
Apresentação dos quesitos e respostas na sequência apresentada nos autos 
Pergunta – 
Resposta: 
 
Conclusão 
Nos termos expressos da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade NBC TP 01/2015, 
itens 64 e 65, apresenta-se a conclusão do presente trabalho, ressalvando que estão sendo 
consideradas as limitações deste profissional contábil quanto a não interpretar legislação ou 
qualquer norma firmada entre as partes, nos termos da orientação apresentada na folha de 
rosto deste laudo. 
 
Por este motivo, considera a delimitação indicada como “OBJETO DA PERÍCIA” e passa a 
concluir: (VERIFICAR O QUE SE ENQUADRA E CONSIDERE A OPÇÃO QUE TERÁ QUE 
ADOTAR): Conclusão – o perito-contador deve, na conclusão do Laudo Pericial Contábil, 
considerar as formas explicitadas nos itens abaixo: a) omissão de fatos: o perito do juízo não 
pode omitir nenhum fato relevante encontrado no decorrer de suas pesquisas ou diligências, 
mesmo que não tenha sido objeto de quesitação e desde que esteja relacionado ao objeto da 
perícia; Laudo Pericial Contábil b) a conclusão com quantificação de valores é viável em casos 
de: apuração de haveres; liquidação de sentença, inclusive em processos trabalhistas; 
resolução de sociedade; avaliação patrimonial, entre outros; c) pode ocorrer que, na 
conclusão, seja necessária a apresentação de alternativas, condicionada às teses 
apresentadas pelas partes, casos em que cada uma apresenta uma versão para a causa. O 
perito deve apresentar as alternativas condicionadas às teses apresentadas, devendo, 
necessariamente, ser identificados os critérios técnicos que lhes deem respaldo; d) a 
conclusão pode ainda reportar-se às respostas apresentadas nos quesitos; e) a conclusão 
pode ser, simplesmente, elucidativa quanto ao objeto da perícia, não envolvendo, 
necessariamente, quantificação de valores. 
 
......................, ..... de ............... de ......... 
Nome do perito-contador Registro no CRC XXXXXX 
Fonte: elaborado com base em Amaral Pires, 2019, p. 321-323. 
Assim, segundo Ornelas (2011, p. 92), o laudo deverá observar uma 
organização básica, com alguns tópicos que permitem que este seja lógico e 
inteligível para todos os envolvidos. Esta estrutura está apresentada a seguir: 
1. Das considerações preliminares 
a. Dos aspectos gerais dos autos 
b. Das diligências 
c. Dos procedimentos técnicos adotados 
d. Da responsabilidade profissional 
2. Do Arbitramento 
a. Das premissas adotadas 
b. Dos critérios adotados 
c. Da demonstração dos cálculos 
d. Da fixação dos valores arbitrados 
3. Do Encerramento 
Anexos 
Documentos 
O autor ainda destaca a necessidade especial no caso da perícia de 
avaliação, especificamente aquela relacionada com a apuração de haveres. 
 
 
10 
Nesta situação deve-se desenvolver um laudo que seja adequado à esta 
natureza pericial. 
Entende-se, desta forma, que o laudo irá variar de acordo com a perícia, 
sendo necessárias algumas adaptações para que este atinja seu objetivo. 
O laudo extrajudicial também deverá observar certas características ou 
ainda recomendações conforme afirmam Magalhães et al. (2004), entre elas 
destacam-se as seguintes: 
• A introdução deve indicar quem foi o perito responsável, sobre o que foi a 
perícia e o instrumento contratual apontando as suas principais 
características; 
• A visão do conjunto que se restringe à matéria examinada, permite a 
indicação de métodos e recurso técnicos e humanos que serão utilizados; 
• Documentos e livros examinados, apresentando a relação de todos 
utilizados; 
• Comentários periciais, sendo que o perito deve elaborar a fundamentação 
teórica e legal que foi usada para sustentar as conclusões do perito; 
• O encerramento deve ser assinado digitalmente, ou em conjunto, quando 
o tipo de perícia exigir mais de um profissional. 
De acordo com o CPC (Brasil, 2015) , a entrega do laudo deve observar 
as seguintes questões: 
Art. 477. O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo 
juiz, pelo menos 20 (vinte) dias antes da audiência de instrução e 
julgamento. 
§ 1º As partes serão intimadas para, querendo, manifestar-se sobre o 
laudo do perito do juízo no prazo comum de 15 (quinze) dias, podendo 
o assistente técnico de cada uma das partes, em igual prazo, 
apresentar seu respectivo parecer. 
§ 2º O perito do juízo tem o dever de, no prazo de 15 (quinze) dias, 
esclarecer ponto: 
I - sobre o qual exista divergência ou dúvida de qualquer das partes, 
do juiz ou do órgão do Ministério Público; 
II - divergente apresentado no parecer do assistente técnico da parte. 
§ 3º se ainda houver necessidade de esclarecimentos, a parte 
requererá ao juiz que mande intimar o perito ou o assistente técnico a 
comparecer à audiência de instrução e julgamento, formulando, desde 
logo, as perguntas, sob forma de quesitos. 
A NBC TP 01 (CFC, 2016) complementa este raciocínio quando relata que 
a conclusão dos trabalhos periciais ocorre com a entrega do laudo pericial e com 
o assistente técnico oferecendo seu parecer pericial contábil, de acordo com os 
prazos e regras vigentes. 
 
 
11 
Segundo Magalhaes et al. (2004), no caso do parecer pericial, além das 
respostas aos quesitos, devem ser identificadas as repostas inadequadas que 
existem no laudo. 
Reforça-se a diferença que existe na perícia na justiça do trabalho. Nesta 
área, o assistente técnico também entregará laudo e não o parecer, sendo que 
os prazos são os mesmos para ambas as partes (Brasil, 2015). 
A apresentação do laudo, de forma lógica, organizada e tecnicamente 
correta obriga o profissional a pensar de forma crítica e permite que seja criado 
uma peça inteligível para os leitores. Isto permite a sua leitura uma vez que a 
estes não possuem os mesmos conhecimentos que o perito. 
Assim, reforça-se o fato de que, de acordo com esta organização, estes 
poderão entender os termos utilizados no processo, além disso outros aspectos 
como: 
• Fatores levados em consideração; 
• O próprio pedido; 
• A prova técnica; 
• As características do processo em geral. 
Conclui-se, desta forma, que um laudo pericial precisa ser técnico, 
observando as normas e regras vigentes e permitindo que aqueles que fazem 
parte do processo conheçam o que o profissional utilizou para chegar às 
conclusões, os métodos utilizados e o desenvolvimento do trabalho pericial como 
um todo. 
TEMA 4 – ATRIBUTOS INTRÍNSECOS E FORMAIS 
O laudo ou, ainda, o parecer, como produtos finais, devem obedecer aos 
ritos da perícia e mantercertas características ou atributos que permitem a sua 
validação como prova técnica (Pires, 2019). 
Os atributos intrínsecos são características ligadas ao ordenamento do 
conteúdo que será apresentado nos materiais periciais (Ornelas, 2011). 
Segundo Pires (2019), primeiramente este documento precisa ser 
objetivo, o que significa que deve ser ligado à exclusão do julgamento do escriba 
ou ainda da pessoa que está realizando o trabalho. 
 
 
12 
Este objetivo está ligado ao ramo da própria Ciência Contábil, que 
apresenta suas conclusões de forma objetiva, com base em fundamentação 
lógica. 
O rigor técnico também deve ser observado, já que o perito não deve 
divagar em seu trabalho, de acordo com a disciplina dos conhecimentos que 
possui. Para isso poderá usar o arcabouço teórico da Ciência Contábil e as 
Normas Brasileiras de Contabilidade vigentes (Pires, 2019). 
A argumentação está relacionada com os elementos que embasaram as 
conclusões do perito. Este objetivo está relacionado a fatos e documentos que 
são utilizados na perícia. 
A concisão, por sua vez, exige que o perito dê respostas diretas, 
apresentando um texto exato e que seja satisfatório, de acordo com o que está 
sendo perguntado, não ultrapassando o limite da perícia. Se este limite não for 
indicado, o perito deve indicar o objeto da ação e alinhar o objeto para o limite 
formal. 
A exatidão ordena que o perito não faça suposições, mas somente afirme 
quando tiver segurança sobre o que está falando. Caso o perito não tenha 
certeza, não deverá emitir opinião. 
A clareza observa a questão da elaboração do laudo para terceiros, ou 
ainda, pessoas que não são especialistas. Assim, o uso da terminologia deve 
permitir que estes usuários entendam o que está escrito. 
Partindo da clareza, Ornelas (2011) complementa que o laudo deverá 
possuir características intrínsecas, tais como: 
• Ser completo; 
• Claro; 
• Ligado ao objeto; 
• Fundamentado. 
O conteúdo do laudo pericial contábil, independentemente da quantidade 
de capítulos em que for organizado, deve possibilitar a apreensão de duas 
grandes partes: uma expositiva, outra conclusiva, ou melhor, relatório e parecer 
(Ornelas, 2011, p. 77). 
A observância destes atributos se faz necessária para que o laudo seja 
mais fácil e simples em sua compreensão, tendo, assim, uma linguagem 
 
 
13 
acessível e evitando que o perito faça divagações e que a peça final apresentada 
seja o mais organizada possível. 
No caso dos atributos formais ou extrínsecos existe uma ligação com a 
forma escrita do laudo, assinatura do perito e exigência de rubrica em todas as 
folhas. A rubrica representa a firma abreviada do perito, o que deve ocorrer em 
todas as vias, mostrando o que o perito o verificou e o atestou. 
A NBC TP 01 (CFC, 2016) relata sobre a linguagem que o perito deverá 
observar: 
3. A linguagem adotada pelo perito deve ser clara, concisa, 
evitando o prolixo e a tergiversação, possibilitando aos julgadores e às 
partes o devido conhecimento da prova técnica e interpretação dos 
resultados obtidos. As respostas aos quesitos devem ser objetivas, 
completas e não lacônicas. Os termos técnicos devem ser inseridos no 
laudo e no parecer, de modo a se obter uma redação que qualifique o 
trabalho pericial, respeitadas as Normas Brasileiras de Contabilidade. 
4. Tratando-se de termos técnicos atinentes à Ciência Contábil, 
devem ser acrescidos dos seus respectivos conceitos doutrinários, 
sentido e alcance contabilístico de cada um dos termos técnicos, além 
de esclarecimentos adicionais ou em notas de rodapé. É recomendada 
a utilização daqueles termos já consagrados pela literatura contábil. 
Pires (2019) relata que as normas da ABNT devem ser observadas e 
refletem em diversos aspectos do trabalho do perito, entre eles: 
• As margens; 
• O tamanho da letra que será utilizada; 
• A forma de disposição dos títulos; 
• Outros pontos previamente definidos. 
Segundo o autor, a disposição de cada peça pericial deve observar as 
particularidades do trabalho que será inserido nos autos. 
Como os trabalhos eram realizados de maneira escrita, ou ainda, antes 
da inserção dos processos digitais, também eram observadas questões ligadas 
à disposição do texto em relação às margens. Isto era feito para que, no caso de 
encadernação, a leitura não ficasse prejudicada. 
A introdução da informatização, ou seja, dos processos eletrônicos, e a 
necessidade de juntada de arquivos tipo “pdf” ou em configuração de texto que 
deve ser feita sem a permissão de alteração, a formatação deve observar as 
mesmas questões do processo físico, com as mesmas observações quanto às 
margens, por exemplo (Pires, 2019). 
 
 
14 
Adicionalmente, deve-se, no caso das planilhas eletrônicas, fazer a 
observação da forma de paisagem, com o cabeçalho para dentro, de forma que 
o conteúdo tenha visualização simples quando observado no computador. 
Entende-se, desta forma, que na perícia todos os aspectos são voltados 
para a padronização e para uma tentativa de deixar os documentos mais 
objetivos para que todos os envolvidos possam ter acesso à informação. 
Outros pontos observados em relação aos atributos formais, sempre 
buscando a padronização (Pires, 2019): 
• Cabeçalho com o nome do profissional, e no rodapé deve ser colocado o 
endereço; 
• A numeração das páginas deve ser feita no rodapé, com alinhamento no 
centro ou ainda à direita; 
• A folha ou tamanho da página deve ser A4; 
• A fonte utilizada deverá facilitar a leitura de todos os envolvidos; 
• Espaçamento entre as linhas que vise uma maior fluidez na leitura e na 
compreensão dos usuários. 
Outro ponto essencial é a revisão por parte do perito, para que o laudo 
não contenha erros ou ainda omissões. Nestes casos, todo o trabalho que foi 
realizado poderá ser comprometido em função de questões de não observação 
dos aspectos extrínsecos. 
Outra necessidade em relação ao formalismo é o uso do vernáculo pátrio, 
ou ainda, a língua oficial do país. Neste caso o português brasileiro deverá ser 
adotado, sem estrangeirismos ou gírias. Segundo Pires (2019), ainda é preciso 
observar os seguintes aspectos: 
• Processo de revisão gramatical; 
• Revisão de concordância, seja ela verbal e nominal; 
• Uso de linguagem acessível e que permita o entendimento do que está 
escrito para todos aqueles que acessam o laudo. 
A questão da linguagem é reforçada pela NBC TP 01 (CFC, 2016), que 
orienta em relação às características que devem ser observadas pelo perito. 
De acordo com a norma, tanto o laudo quanto o parecer são orientados 
pelo perito e pelo assistente técnico, respectivamente, adotando padrão próprio 
e com a estrutura legal que está prevista na norma. 
 
 
15 
Adicionalmente, observando as disposições da norma devem ser 
observados os seguintes tópicos em relação à linguagem: 
• Deve ser clara; 
• Concisa; 
• Não pode ser prolixa; 
• Deve evitar rodeios. 
Estes tópicos precisam ser observados para que tanto os julgadores 
quando as partes possam ler e interpretar o conteúdo que foi elaborado pelos 
profissionais da área. 
Apresentação do laudo pericial contábil e do parecer pericial 
contábil 
41. Tratando-se de termos técnicos atinentes à Ciência Contábil, 
devem ser acrescidos dos seus respectivos conceitos doutrinários, 
sentido e alcance contabilístico de cada um dos termos técnicos, além 
de esclarecimentos adicionais ou em notas de rodapé. É recomendada 
a utilização daqueles termos já consagrados pela literatura contábil. 
42. O perito deve elaborar o laudo e o parecer, utilizando-se do 
vernáculo, sendo admitidas apenas palavras ou expressões 
idiomáticas de outras línguas de uso comum nos tribunais judiciais ou 
extrajudiciais. 
43. O laudo e o parecer devem contemplar o resultado final 
alcançado por meio de elementos de prova inclusos nos autos ou 
arrecadados em diligências que o perito tenha efetuado, por intermédiode peças contábeis e quaisquer outros documentos, tipos e formas 
NBC TP 01. (CFC, 2016) 
Pires (2019) complementa que todos os aspectos de formalidade 
precisam ser seguidos, sendo que desta forma o trabalho será objetivo e a 
argumentação será coerente com a documentação, que é indicada com a 
fundamentação durante o trabalho do perito. 
Existe a relação de lógica do pensamento do perito, que deve ser 
observada e, caso isto não aconteça, poderá acontecer a nulidade da prova e 
solicitação de uma segunda perícia. 
Neste caso o processo será realizado por outro profissional, uma vez que 
é preciso cumprir o objetivo da perícia, que é resolver a discussão da lide. 
Por fim, entende-se que todos os tópicos visam a facilitação e a 
objetividade do laudo e do parecer para que estes cumpram seu objetivo. 
 
 
 
 
16 
TEMA 5 – ESTUDO DE CASO OU PRÁTICA 
 A perícia pode ocorrer, principalmente, judicialmente e extrajudicialmente. 
Suponha que um profissional foi chamado para resolver uma lide, ou seja, uma 
discussão entre os sócios de uma empresa que foi gerada devido à falta de 
prestação de contas. Este processo acabou ocorrendo porque este processo 
administrativo de prestação de contas havia sido instituído na empresa, que era 
constituída por três sócios, sendo um deles responsável pela administração e, 
por consequência, pelo processo de prestação de contas de tudo o que ocorria 
na empresa. Assim, os outros dois sócios contrataram um profissional para que 
fosse executada a perícia extrajudicial nesta organização. Desta forma, são 
relatados a seguir os principais pontos que devem ser observados para que este 
processo possa acontecer na organização. 
a) Expressão dos atos preparatórios da perícia extrajudicial em um contrato, 
o que irá diferir da perícia judicial, uma vez que este profissional não será 
nomeado pelo juiz, mas sim será contratado pelas partes; 
b) Podem ou não ocorrer os quesitos, ou seja, questionamentos, entretanto, 
estes devem observar o que foi definido de forma prévia no contrato; 
c) Para que este tipo de perícia possa acontecer, devem ser verificados os 
seguintes documentos: 
a. Sistema contábil; 
b. Livros; 
c. Documentos da organização; 
d. Outros que dão suporte e fazem parte da escrita e dos atos 
admirativos e de gestão da organização. 
d) Apresentação do laudo da perícia extrajudicial, que deve ser elaborada 
com base nos seguintes tópicos: 
a. Introdução; 
b. Visão do conjunto; 
c. Documentos e livros verificados; 
d. Comentários periciais. 
 Com isso o perito pode concluir se houve fraude ou erro e por que não 
aconteceu a prestação de contas do sócio que deveria ter feito esta 
 
 
17 
apresentação, identificando os problemas encontrados, caso eles existam. Além 
disso, ele precisa suportar seus achados e pode fazer recomendações. 
 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. 
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/lei/l13105.htm>. Acesso em: 23 mar. 2022. 
CFC. NBC TP 01 – Norma técnica de perícia contábil. Disponível em: 
<https://cfc.org.br/wp-content/uploads/2016/02/NBC_TP_01.pdf>. Acesso em: 
23 mar. 2022. 
COSTA, J. C. D. da. Perícia contábil: aplicação prática. 1. ed. São Paulo: Atlas, 
2017. 
CRCBA. Cartilha de perícia contábil, mediação, conciliação e arbitragem. 
Bahia: CRCBA, 2020. Disponível em: 
<https://www.crcba.org.br/arquivos/CARTILHA-PER%C3%8DCIA-VS5.pdf>. 
Acesso em: 23 mar. 2022. 
MAGALHÃES, A. de D. F. et al. Perícia contábil: uma abordagem teórica, ética, 
legal, processual e operacional. São Paulo: Atlas, 2004. 
ORNELAS, M. M. G. Perícia contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. 
PALOMBO, A. L. Perícia contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012. 
PIRES, M. A. A. Laudo pericial contábil. 6. ed. Curitiba: Juruá, 2019. 
SÁ, A. L. de. Perícia contábil. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

Mais conteúdos dessa disciplina