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Contábil
Prof. Marcos Antonio Barbosa de Lima
PeríCia
Indaial – 2023
1a Edição
Impresso por:
Elaboração:
Prof. Marcos Antonio Barbosa de Lima
Copyright © UNIASSELVI 2023
 Revisão, Diagramação e Produção:
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.
Núcleo de Educação a Distância. LIMA, Marcos Antonio Barbosa de.
Perícia Contábil. Marcos Antonio Barbosa de Lima - SC: Arqué, 2023.
218 p.
ISBN 978-65-5646-622-4
ISBN Digital 978-65-5646-623-1
“Graduação - EaD”.
1. Laudo 2. Justiça 3. Vistoria 
CDD 657
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
Prezado acadêmico, estudaremos neste material didático a Perícia Contábil. 
Trata-se de um tema de grande relevância no seu processo de formação profissional, 
pois lhe trará uma base teórico-profissional necessária para oportunidades no mercado de 
trabalho, pois a sua atuação não é apenas no vasto contexto da Justiça Estadual, Justiça 
do Trabalho e Justiça Federal; o perito contábil também tem oportunidades de atuar nas 
cisões e fusões empresariais, cenários mais comuns de atuação do profissional perito 
contador.
Na Unidade 1 abordaremos a perícia como prova judicial, a perícia contábil, o 
profissional perito judicial e seu campo de atuação. Trataremos da legislação pertinente 
a cada tema.
Na Unidade 2, trataremos a respeito dos quesitos, que são as perguntas e as 
indagações feitas no processo judicial e que limitarão o universo de atuação do perito 
contador. Estudaremos, ainda, os relatórios periciais, quais sejam: o laudo pericial 
contábil e o parecer técnico contábil.
Por fim, na Unidade 3, aprenderemos a respeito da Arbitragem, trazendo as 
noções deste tema e a legislação aplicável, finalizando com a mediação.
Este material didático é de relevante significado nos seus estudos como pro-
fissional contador, pois tratará de assuntos relevantes concernentes ao perito contábil, 
que, espero, o torne um profissional qualificado para atuar em um mercado de trabalho 
tão promissor.
Excelentes estudos!
Profº. Marcos Antonio Barbosa de Lima
APRESENTAÇÃO
GIO
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – 
e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR 
Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite 
que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, 
é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
QR CODE
SUMÁRIO
UNIDADE 1 — PERÍCIA, PERITO JUDICIAL E CAMPO DE ATUAÇÃO ......................1
TÓPICO 1 — PROVA PERICIAL ................................................................................. 3
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 3
2 PROVAS EM JUÍZO ............................................................................................... 3
2.1 PROVAS EM JUÍZO .............................................................................................................. 4
3 PROVA PERICIAL .................................................................................................8
3.1 PROVA PERICIAL ...................................................................................................................9
3.1.1 Modalidades da prova pericial ..................................................................................11
3.1.2 Ônus da prova ............................................................................................................13
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................... 15
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 16
TÓPICO 2 — PERÍCIA CONTÁBIL........................................................................... 19
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 19
2 BREVE HISTÓRICO ............................................................................................. 19
2.1 ASPECTOS HISTÓRICOS ...................................................................................................20
3 PERÍCIA CONTÁBIL ...........................................................................................22
3.1 CONCEITO ........................................................................................................................... 22
3.2 OBJETO E OBJETIVO DA PERÍCIA CONTÁBIL ............................................................27
3.3 PROCEDIMENTOS PERICIAIS ......................................................................................... 29
3.4 APLICAÇÕES DA PERÍCIA CONTÁBIL ...........................................................................31
3.5 VOCABULÁRIO, VERNÁCULO E LINGUAJAR NA PERÍCIA CONTÁBIL ..................34
RESUMO DO TÓPICO 2 ..........................................................................................39AUTOATIVIDADE .................................................................................................. 40
TÓPICO 3 — PERITO JUDICIAL .............................................................................45
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................45
2 PERITO CONTÁBIL .............................................................................................45
2.1 CADASTRO NACIONAL DE PERITOS CONTÁBEIS (CNPC) ........................................50
2.2 RECUSA, IMPEDIMENTOS E SUSPEIÇÃO .....................................................................51
2.2.1 Recusa ......................................................................................................................... 52
2.2.2 Impedimento e suspeição ..................................................................................... 52
3 PERITO ASSISTENTE ........................................................................................54
LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................58
RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................63
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................64
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 67
UNIDADE 2 — QUESITOS E RELATÓRIO PERICIAIS: LAUDO E PARECER .................69
TÓPICO 1 — PLANEJAMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL .........................................71
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................71
2 ATOS PREPARATÓRIOS .................................................................................... 72
2.1 ATOS PREPATÓRIOS .........................................................................................................72
2.1.1 Nomeação do perito e indicação do assistente e sua motivação .................74
3 PLANEJAMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL ........................................................ 76
3.1 PLANEJAMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL .....................................................................76
3.1.1 Desenvolvimento do planejamento ......................................................................84
3.1.2 Honorários ..................................................................................................................88
3.1.3 Levantamento dos honorários .............................................................................. 93
3.1.4 Responsabilidade de pagamento dos honorários .......................................... 96
periciais ................................................................................................................................ 96
3.2 DILIGÊNCIAS ..................................................................................................................... 101
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................105
AUTOATIVIDADE .................................................................................................106
TÓPICO 2 — QUESITOS .......................................................................................109
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................109
2 QUESITOS ........................................................................................................109
2.1 QUESITOS ORDINÁRIOS ................................................................................................. 110
3 QUESITOS DA PERÍCIA CONTÁBIL ................................................................. 112
3.1 QUESITOS DA PERÍCIA CONTÁBIL ............................................................................... 112
3.1.1 Quesitos impertinentes........................................................................................... 115
3.1.2 Quesitos suplementares .........................................................................................117
3.1.3 Quesitos para esclarecimento ............................................................................. 118
3.1.4 Caso prático ............................................................................................................. 119
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................ 125
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 126
TÓPICO 3 — RELATÓRIOS PERICIAIS: LAUDO E PARECER .............................. 129
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 129
2 LAUDO PERICIAL CONTÁBIL .......................................................................... 129
2.1 LAUDO PERICIAL ............................................................................................................. 130
3 PARECER PERICIAL CONTÁBIL ...................................................................... 136
3.1 PARECER PERICIAL CONTÁBIL ................................................................................... 136
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 139
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................146
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 147
REFERÊNCIAS .....................................................................................................150
UNIDADE 3 — ARBITRAGEM: NOÇÕES E LEGISLAÇÃO APLICÁVEL ................ 153
TÓPICO 1 — NOÇÕES DE ARBITRAGEM.............................................................. 155
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 155
2 ARBITRAGEM .................................................................................................. 156
2.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ARBITRAGEM ................................................................. 156
2.2 ARBITRAGEM NO CENÁRIO ATUAL ............................................................................ 158
2.3 CONCEITUAÇÃO DE ARBITRAGEM .............................................................................. 161
2.4 PRINCÍPIOS DA ARBITRAGEM ...................................................................................... 162
2.5 LIMITE GERAL IMPOSTO À POSSIBILIDADE DE SOLUÇÃO ARBITRAL ............... 164
2.6 PROCEDIMENTO DA ARBITRAGEM ............................................................................. 165
2.7 SENTENÇA ARBITRAL .....................................................................................................167
3 ÁRBITRO ..........................................................................................................168
3.1 ÁRBITRO ............................................................................................................................ 168
RESUMO DO TÓPICO 1 .........................................................................................171
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 172
TÓPICO 2 —LEI DE ARBITRAGEM ....................................................................... 175
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 175
2 CAPÍTULOS I E II DA LEI DE ARBITRAGEM .................................................... 176
2.1 CAPÍTULO I DA LEI DE ARBITRAGEM ..........................................................................176
2.2 CAPÍTULO II DA LEI DE ARBITRAGEM .........................................................................1783 CAPÍTULOS III E IV DA LEI DE ARBITRAGEM .................................................184
3.1 CAPÍTULO III DA LEI DE ARBITRAGEM ....................................................................... 184
3.2 CAPÍTULO IV DA LEI DE ARBITRAGEM ..................................................................... 188
4 CAPÍTULOS V E VI DA LEI DE ARBITRAGEM .................................................. 192
4.1 CAPÍTULO V DA LEI DE ARBITRAGEM ........................................................................192
4.2 CAPÍTULO VI DA LEI DE ARBITRAGEM ..................................................................... 195
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................198
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 199
TÓPICO 3 — MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO ......................................................... 203
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................. 203
2 MEDIAÇÃO ...................................................................................................... 203
2.1 MEDIAÇÃO .......................................................................................................................203
3 CONCILIAÇÃO ................................................................................................ 206
3.1 CONCILIAÇÃO ..................................................................................................................206
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................... 208
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................214
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 215
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 217
1
UNIDADE 1 — 
PERÍCIA, PERITO JUDICIAL E 
CAMPO DE ATUAÇÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• estudar a prova pericial;
• conhecer a legislação e as normas aplicáveis à perícia;
• compreender a perícia contábil, seus conceitos e sua aplicação;
• reconhecer o perito judicial.
 A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – PROVA PERICIAL 
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – PERÍCIA CONTÁBIL
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – PERITO JUDICIAL
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
PROVA PERICIAL
TÓPICO 1 — UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO 
Para o estudo da prova pericial contábil é necessário o desenvolvimento de uma 
abordagem interdisciplinar, buscando fazer as inter-relações dos diversos aspectos 
do Direito Processual Civil com nossa área de estudo, a Ciência Contábil voltada à 
especialidade da perícia contábil (ORNELAS, 2017). 
Assim, será necessário que sejam estudados alguns aspectos doutrinários 
fundamentais quanto ao instituto da prova, tratados por ilustres juristas de nosso país. É 
conteúdo fora de nosso domínio técnico e científico, mas essencial ao entendimento da 
prova pericial contábil. 
A prova pericial, que está expressa no CPC, Art. 464, como: “a prova pericial 
consiste em exame, vistoria ou avaliação”. Para fazer o exame, a vistoria ou avaliação, 
o perito baseia-se em fatos documentados. Os procedimentos, que estão elencados 
nos itens 16 a 29 na NBC TP 01, expressam e ampliam esse conceito, como: exame, 
vistoria, indagação, investigação, arbitramento, mensuração, avaliação e certificação 
(MAGALHÃES, 2017). 
É necessário, então, que o perito tenha algumas noções fundamentais quanto 
ao instituto da prova, qual sua função, a quem compete o ônus da prova, os meios de 
prova contábeis disponíveis, bem como os tipos de prova, sobre os quais desenvolverá 
sua tarefa pericial (ORNELAS, 2017). 
2 PROVAS EM JUÍZO
Quando duas pessoas fazem um contrato ou um acordo, escrito ou não, e uma 
delas não cumpre o contratado ou o acordado, a outra parte se sente prejudicada em 
seus direitos. O ideal, caro acadêmico, seria que a situação fosse resolvida por si só, 
somente entre as partes envolvidas (MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 2017). 
No entanto, você sabia que, na maioria das vezes, há a necessidade da inter-
venção de terceiros? Pois bem, a intervenção citada, se faz no Judiciário, onde são 
apresentadas a queixa e as provas de direitos não atendidos. A busca pela tutela ju-
risdicional, que se manifesta com o exercício do direito de petição pelas partes, depende 
imensamente dos elementos de prova (MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 2017). É o que veremos 
a seguir.
4
2.1 PROVAS EM JUÍZO
De acordo com Moura (2020), prova pode significar comprovar, evidenciar, 
demonstrar, formar juízo de, reconhecer, confirmar, autenticidade de alguma coisa, 
demonstração pela qual se verifica a exatidão de cálculo. Assim, a prova em juízo é aplicada 
com vistas a demonstrar a existência do ato, isto é, aquilo que atesta a veracidade de 
alguma coisa; é uma demonstração evidente, atestando ou garantindo uma intenção, um 
sentimento, um testemunho (MOURA, 2020).
Müller, Timi e Heimonski (2017) afirmam que a prova judicial objetiva demonstrar a 
correção da causa de pedir ou de contestar. 
Calma, caro acadêmico, explicaremos melhor a seguir:
As provas em juízo, ou seja, as provas produzidas na fase de instrução do 
processo judicial, têm intuito de convencer o juiz a respeito da pretensão da autora ou 
da resistência do réu. Em outras palavras, caro acadêmico: a prova é o meio pelo qual o 
litigante, que alegou um fato contestado pelo outro, se serve para demonstrar ao Juízo a 
sua existência e realidade, a saber, sua veracidade.
As provas produzidas são importantes, pois auxiliam na elucidação de litígios, 
tendo em vista que essas provas podem ser consideradas como a reconstrução da 
história do que aconteceu (MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 2017; ORNELAS, 2017; MOURA, 2020).
E, caso não existissem as provas judiciais?
Ora, caro acadêmico, caso não existissem as provas, o magistrado ficaria na 
dependência do “disse me disse”. Por isso que na legislação do nosso país, os meios de 
prova que podem existir num processo são, entre outros:
• documentos;
• testemunhas;
• declarações das partes;
• vistorias;
• perícias;
• inspeções judiciais.
Os doutrinadores da área do direito afirmam que os litigantes devem compor 
uma base qualificada de provas; usando agora uma expressão em latim: “allegatio 
et non probatio, quasi non allegatio”, isto é, o alegado sem a prova que o sustente é o 
mesmo que não alegado, em outras palavras, podemos afirmar que o alegado sem prova 
não está revestido da credibilidade necessária.
5
Podemos extrair das obras dos autores Müller, Timi e Heimonski (2017), Ornelas 
(2017) e Moura (2020), que a importância da prova em juízo reside no fato de que esta 
é a comprovação, por meios lícitos, da veracidade, isto é, a autenticidade dos fatos que 
auxiliam a evidenciar a convicção jurídica. Nisso, podemos afirmar, caro acadêmico, que 
a prova utilizada em juízo é o conjunto de fatos que levam à convicção. 
O Código Civil brasileiro, instituído pela Lei nº 10.406 de 10 de janeiro de 2002, 
nos traz, em seu Artigo 212, os meios de se obter as provas em um processo:
Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico 
pode ser provado mediante:
I - confissão;
II - documento;
III - testemunha;
IV - presunção;
V – perícia (BRASIL, 2002).
Podemos afirmar, ainda, que as provas permitidas na legislação de nosso país são 
todas as legais e moralmente legítimas, mesmo que não expressamente previstas na 
legislação.Temos como fonte os Artigos 369 a 380 do Código de Processo Civil (CPC), 
Lei nº 13.105 de 16 de março de 2015, que, a seguir, abordaremos.
O Artigo 369 do CPC, nos diz o seguinte:
Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, 
bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste 
Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a 
defesa e influir eficazmente na convicção do juiz (BRASIL, 2015).
Vemos, portanto, que as partes devem empenhar-se de todos os meios legais 
para a produção de provas com vistas a evidenciar a verdade dos fatos e, com isso, 
obter o deslinde da lide.
Enquanto o Artigo 370 afirma que “Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da 
parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Parágrafo único. O juiz 
indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias” 
(BRASIL, 2015).
O juiz solicita, por meio de despacho saneador, que as partes apresentem as provas 
que desejam produzir. Aceitando esse pedido, em sentença determina a produção de 
provas e, se aceitar a prova pericial, nomeia o perito, mandando as partes apresentarem os 
quesitos. Dessa forma, mantém o controle dos autos e afasta solicitações inúteis utilizadas 
com o propósito de protelar o andamento do processo (MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 2017).
6
O Artigo 371, nos evidencia o seguinte: “O juiz apreciará a prova constante dos 
autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as 
razões da formação de seu convencimento” (BRASIL, 2015). Então, caro acadêmico, 
vemos que o juiz deverá evidenciar na sua decisão os motivos (ou razões) da formação do 
seu convencimento. 
O juiz, no exercício da sua função, poderá utilizar-se de prova que fora produzida 
em outro processo, conforme determina o Artigo 372: “O juiz poderá admitir a utilização 
de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, 
observado o contraditório” (BRASIL, 2015).
No que se refere ao ônus da prova, ou seja, o encargo da prova, é trazido nos 
termos do Artigo 373 do CPC:
O ônus da prova incumbe:
I- ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II- ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou 
extintivo do direito do autor.
§ 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa 
relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de 
cumprir o encargo nos termos do  caput  ou à maior facilidade 
de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o 
ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão 
fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade 
de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.
§ 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação 
em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível 
ou excessivamente difícil.
§ 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por 
convenção das partes, salvo quando:
I- recair sobre direito indisponível da parte;
II- tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito.
§ 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou 
durante o processo (BRASIL, 2015).
No ordenamento jurídico pátrio, o ônus da prova é de quem acusa, assim, 
a parte que acusa tem que comprovar o que foi dito. Portanto, conforme o inciso 
I supra, o ônus da prova cabe ao autor. No entanto, no inciso II, parágrafo 1º, o juiz poderá 
atribuir o ônus da prova de modo diverso, dando direito à parte do contraditório para se 
desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.
E todos os fatos trazidos aos autos necessitam ser provados?
Bem, caro acadêmico, o Artigo 374 do CPC, nos traz esta resposta, vejamos:
Não dependem de prova os fatos:
I - notórios;
II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária;
III - admitidos no processo como incontroversos;
IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de 
veracidade (BRASIL, 2015).
7
Vemos, portanto, que o Artigo 374 (BRASIL, 2015) nos afirma que é desnecessário 
provar os pontos incontroversos, ou seja, aqueles que não estão sendo discutidos, os 
confessados, os notórios. Podemos afirmar, portanto, se não há desacordo, acordado está.
O Artigo 375 do CPC (BRASIL, 2015) nos relata que “o juiz aplicará as regras de 
experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece 
e, ainda, as regras de experiência técnica, ressalvado, quanto a estas, o exame pericial”. 
Vemos neste artigo que o exame pericial é uma das maneiras que o juízo tem ao seu 
dispor para solucionar a lide.
De acordo com o Artigo 376 do CPC (BRASIL, 2015), “a parte que alegar direito 
municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-lhe-á o teor e a vigência, se 
assim o juiz determinar”.
Geralmente, a parte não tem a obrigação de provar a existência, bem como a 
validade da legislação que tenha sido utilizada nos autos, tendo em vista que a legislação 
deve ser, presumivelmente, conhecida pelo juiz, a quem cabe aceitá-la e aplicá-la ao caso 
concreto, ou rejeitar e afastar a sua aplicação. No entanto, há uma exceção expressa no 
CPC, em seu Artigo 376 supra.
Dando continuidade, temos o Artigo 377 no qual consta:
A carta precatória, a carta rogatória e o auxílio direto suspenderão 
o julgamento da causa no caso previsto no art. 313, inciso V, alínea 
“b”, quando, tendo sido requeridos antes da decisão de saneamento, 
a prova neles solicitada for imprescindível. Parágrafo único. A carta 
precatória e a carta rogatória não devolvidas no prazo ou concedidas 
sem efeito suspensivo poderão ser juntadas aos autos a qualquer 
momento (BRASIL, 2015).
Para compreendermos o Artigo 377 teremos, caro acadêmico, que explicar o 
termo ‘carta precatória’. Por definição, carta precatória, de acordo com Müller, Timi e 
Heimonski (2017), é o instrumento utilizado para requisitar a outro juiz o cumprimento 
de algum ato necessário ao andamento do processo. É através da carta precatória que 
são solicitadas a citação, a penhora, a apreensão ou qualquer outra medida processual, 
que não poderia ser executada no juízo em que o processo se encontra, devido à 
incompetência territorial, em outras palavras, a designação do ato está subordinada ao 
juízo de outra localidade.
Uma vez que já temos conhecimento da definição de carta precatória, vemos 
no Artigo 377, que a perícia pode ocorrer por carta precatória, ou seja, o processo de 
origem se encontra em outra comarca. Assim, o juiz realiza um pedido ao juízo de outra 
comarca para citar o réu, ou a testemunha, ou proceder à perícia, estabelecendo-se 
entre as comarcas cooperação mútua, tendo em vista que não existe hierarquia nessa 
relação entre magistrados.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art313vb
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art313vb
8
O Artigo 378 do CPC facilitou a realização das diligências periciais, vejamos: 
“ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder Judiciário para o descobrimento 
da verdade” (BRASIL, 2015). 
O CPC traz, no Artigo 379, o direito constitucional das partes de não produzirem 
provas contra si:
Preservado o direito de não produzir prova contra si própria, incumbe 
à parte:
I- comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for interrogado;
II- colaborar com o juízo na realização de inspeção judicial que for 
considerada necessária;
III- praticar o ato que lhe for determinado (BRASIL, 2015).
E, encerrando as disposições gerais do CPC que tratam das provas, temos o 
Artigo 380:
Incumbe ao terceiro, em relação a qualquer causa:
I- informar ao juiz os fatos e as circunstâncias de que tenha 
conhecimento;
II- exibir coisa ou documento que esteja em seu poder.
Parágrafo único. Poderá o juiz, em caso de descumprimento, deter-
minar, além da imposição de multa, outras medidas indutivas, coercitivas, 
mandamentais ou sub-rogatórias (BRASIL, 2015).
Vemos neste artigo que o magistrado poderámultar ou determinar medidas 
indutivas e coercitivas aos terceiros que não colaborarem para a instrução processual. 
Enfatiza, ainda, a necessidade de colaboração para a produção da prova adequada.
3 PROVA PERICIAL 
Prezado acadêmico, já sabemos, conforme estudado anteriormente, os diversos 
meios de prova que podem existir num processo judicial. Lembra quais são eles? Vamos 
recordar juntos, então. São exemplos de meios de provas: documentos, testemunhas, 
declarações das partes, vistorias, perícias, inspeções judiciais. 
Vamos, agora, fazer uma imersão no meio de prova perícia, também chamado 
de prova pericial. Moura (2020) afirma que, de modo amplo, entende-se por perícia um 
meio de prova, tendo em vista que através dessa prova se examinam e se verificam 
fatos da causa.
A perícia, de acordo com o princípio da lei processual, é a medida que vem 
mostrar o fato, quando não haja meio de prova documental para revelá-lo ou, ainda, 
quando se deseja esclarecer as circunstâncias a respeito do fato e que não se encontrem 
devidamente definidos nos autos do processo (MOURA, 2020).
9
A perícia tem como finalidade a prova, quer seja no âmbito judicial, arbitral 
ou extrajudicial e visa subsidiar a justiça, servindo como elemento para uma decisão. A 
perícia é fonte de prova e seu objetivo principal é a prova (MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 
2017; ORNELAS, 2017; CREPALDI, 2019; MOURA, 2020).
3.1 PROVA PERICIAL
A prova pericial é o exame elaborado pelo profissional com formação e 
conhecimento sobre a área com base no Código de Processo Penal (CPP) e no Código 
de Processo Civil (CPC). A função da perícia judicial é fornecer ao juiz que atua 
no processo elementos de convicção sobre fatos que dependem de conhecimento 
técnico ou científico (CREPALDI, 2019). 
A palavra perícia vem do latim perita, e significa “conhecimento adquirido pela 
experiência”. Quando necessitamos de uma opinião válida e competente, ou quando 
buscamos um entendedor de um determinado tema, buscamos um perito (SANTOS, 2020).
Quem de nós, assistindo um telejornal, ou navegando numa página da internet, 
ou na nossa rede social, já se deparou com notícias do tipo: 
“Peritos da Polícia Federal concluem inspeção ao sistema eletrônico de votação 
no TSE. Durante toda a semana, especialistas realizaram diversos testes em todas as 
etapas do sistema” (TSE, 2022, s. p.).
Ou deste tipo: 
“Após perícia, PF localiza contratante de fake news em Cuiabá. Ele foi conduzido 
para a sede da corporação, onde prestou depoimento” (SBT NEWS, 2022, s.p.). 
E como esta:
“Perícia divulga 5 fatores que contribuíram para queda do Edifício Andrea. O 
prédio desabou no dia 15 de outubro de 2019. Nesta quinta-feira (30), as autoridades 
divulgaram em coletiva de imprensa que três pessoas foram indiciadas. Nenhuma delas 
chegou a ser presa” (DIÁRIO DO NORDESTE, 2020, s. p.).
Ou como esta?
“Juiz determina perícia em empresa para apurar salário extra folha. Uma operadora 
de telemarketing procurou a Justiça do Trabalho alegando recebimento de salário extra 
folha, uma das violações aos direitos trabalhistas mais difíceis de serem comprovadas” 
(JUSBRASIL, 2023, s. p.). 
10
Como exemplificado anteriormente, caro acadêmico, existem vários tipos de 
perícia, a depender do ramo do conhecimento. Portanto, as perícias podem ser de vários 
tipos, com finalidades voltadas para cada uma das situações específicas, por exemplo:
• perícia criminal;
• perícia ambiental;
• perícia de engenharia; 
• perícia tecnológica; 
• perícia médica;
• perícia contábil.
O ambiente pericial é extremamente voltado à justiça, pois a perícia busca, 
independentemente do tipo, a solução do litígio, seja em ambiente judicial ou extrajudicial, 
ou ainda no aspecto arbitral. Numa perícia, busca-se a opinião do investigador (que 
denominamos perito), muitas vezes num ambiente de controvérsia, dúvida, indícios de 
fraude, de erros, de problemas (MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 2017). 
Observe este exemplo de um ambiente pericial: uma parte acha 
que deve R$ 100,00 (cem reais) e a outra entende que deve pagar 
R$ 80,00 (oitenta reais). Qual das partes está correta? Neste caso, o 
perito buscará responder essa questão. Há uma resposta ou uma 
solução para a controvérsia? Talvez, o perito conclua que ambas 
as partes estejam erradas, tendo em vista que o valor devido é R$ 
92,75 (noventa e dois reais e setenta e cinco centavos).
IMPORTANTE
A perícia, de acordo com Müller, Timi e Heimonski (2017), tem como finalidade, 
ainda, um esclarecimento sobre determinado fato ocorrido, podendo ter vários 
propósitos, a saber: administrativos, judiciais, políticos, fiscais ou propósitos especiais. 
Assim, para identificarmos o propósito da perícia, temos que indagar para que 
queremos a perícia: para atender a uma necessidade judicial? A uma necessidade 
extrajudicial? A um fato administrativo? Ao término de uma sociedade empresarial? A 
uma apuração de haveres? Ou para casos especiais, como uma situação relacionada a 
desvios de recursos de uma instituição municipal, por exemplo?
Assim, podemos concluir que a prova pericial é baseada no conhecimento 
técnico, na experiência, na expertise, nas normas, no estudo formal do expert, que 
tem competência para formar uma opinião sobre assuntos relacionados aos pontos 
controversos de um processo judicial. Nisso, a prova pericial é de suma importância para 
auxiliar o juiz na sua decisão, transformando os fatos relativos à lide, de natureza técnica 
ou científica, em verdade formal, em certeza jurídica (MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 2017; 
ORNELAS, 2017; CREPALDI, 2019; MOURA, 2020; SANTOS, 2020).
11
Prova: é todo meio legal usado no processo (administrativo e/ou 
judicial), capaz de demonstrar a verdade dos fatos alegados.
Prova pericial: no rol das provas, a de maior hierarquia. No jargão 
forense, a “rainha das provas” – sua antítese, a prova testemunhal, é 
a “prostituta das provas” (CREPALDI, 2019, p. 126).
IMPORTANTE
3.1.1 Modalidades da prova pericial
De acordo com o Artigo 464 do CPC, existem três modalidades de prova pericial, 
requisitadas de acordo com a necessidade e a área técnica de conhecimento:
Art. 464. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação.
§ 1º O juiz indeferirá a perícia quando:
I- a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico;
II- for desnecessária em vista de outras provas produzidas;
III- a verificação for impraticável.
§ 2º De ofício ou a requerimento das partes, o juiz poderá, em subs-
tituição à perícia, determinar a produção de prova técnica simplificada, 
quando o ponto controvertido for de menor complexidade.
§ 3º A prova técnica simplificada consistirá apenas na inquirição 
de especialista, pelo juiz, sobre ponto controvertido da causa que 
demande especial conhecimento científico ou técnico.
§ 4º Durante a arguição, o especialista, que deverá ter formação aca-
dêmica específica na área objeto de seu depoimento, poderá valer-se 
de qualquer recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens com 
o fim de esclarecer os pontos controvertidos da causa (BRASIL, 2015).
A seguir, de acordo com os autores Moura (2020), Sousa (2020), Crepaldi (2019) 
e Ornelas (2017), trataremos cada uma das modalidades de prova pericial:
• Exame: inspeção de pessoas, animais, coisas ou bens móveis. É a análise ou 
observação de pessoas, animais ou coisas, com o objetivo de extrair informações. Por 
exemplo: livros contábeis e fiscais, documentos, contratos, verificação de cálculos.
• Vistoria: constatação in loco do estado ou da situação de determinada coisa ou bem 
imóvel. É a análise de bens imóveis in loco, com o objetivo de verificar se há dano ou 
avaria. Por exemplo, a vistoria em imóveis, em máquinas, em equipamentos, estoques de 
mercadorias.
• Avaliação: verificação ou atribuição de valor a alguma coisa, bem ou obrigação. É 
a atribuição ou verificação de valor a alguma coisa, obrigação ou bem. Por exemplo, 
avaliação de bens feita em inventário, em partilhas ou em processos administrativos,bem como nas execuções para estimação de valores a partilhar ou em penhora.
12
As perícias podem ser classificadas também quanto processo, a saber: em 
perícia judicial, extrajudicial e arbitral:
• Perícia judicial: é aquela realizada dentro dos procedimentos processuais do Poder 
Judiciário, por solicitação das partes (autor e réu) e por determinação do juiz. Exemplos: 
apuração de haveres, revisional de contratos, lucros cessantes, litígios trabalhistas, 
criminal, varas de família, varas de falência e recuperação judicial.
• Perícia extrajudicial: é aquela realizada fora do âmbito do Poder Judiciário, por 
vontade das partes, sendo elas pessoas físicas ou jurídicas, quando não há necessidade 
de decisão judicial ou arbitral. Por exemplo: avalições de patrimônio e fusões, cisões 
e incorporações em geral, revisão de contratos para negociação de dívidas, passivo 
trabalhista.
• Perícia arbitral: é aquela realizada no âmbito do juízo arbitral. A Lei nº 9.307, de 23 de 
setembro de 1996, dispõe sobre a arbitragem. Qualquer pessoa capaz poderá valer-se 
de arbitragem, cujo objeto da lide é o direito patrimonial disponível. É o mecanismo 
privado de solução de litígios, sendo um meio alternativo de solução de controvérsias 
através da intervenção de uma ou de mais pessoas que recebem seus poderes de 
uma convenção privada. A perícia tem sua aplicação na arbitragem no momento da 
produção de provas.
Prova pericial ou diligência pericial?
A obtenção de provas, dos fatos pertinentes ao processo, objetiva responder aos 
quesitos, que podem ser ordinários (CPC, Art. 465, § 1º, III) e/ou suplementares (CPC, Art. 
469) e fazem-se através de diligências periciais; quanto aos quesitos de esclarecimentos 
(CPC, Art. 361), poderão ser respondidos nas audiências de instrução e/ou antes, por 
escrito, se assim decidir o juiz.
Inicialmente, para o entendimento, é fundamental conhecer os conceitos de “prova 
pericial” e de “diligência pericial”.
Prova pericial – está expressa no CPC (2015), Art. 464, como: “A prova pericial consiste 
em exame, vistoria ou avaliação.” Para fazer o exame, a vistoria ou avaliação o perito 
baseia-se em fatos documentados. Os procedimentos, numerados de 16 a 29 na NBC TP 
01, expressam e ampliam esse conceito, como: exame, vistoria, indagação, investigação, 
arbitramento, mensuração, avaliação e certificação: 
Diligência pericial – conhecendo os quesitos, o perito e/ou assistentes técnicos (se 
houver) podem iniciar as diligências para obtenção das provas dos fatos. As diligências 
consistem em todos os meios, lícitos, necessários, para obtenção de provas que 
possam estar fora dos autos (CPC, Art. 473, § 3º), como, por exemplo, acesso aos livros 
comerciais obrigatórios, facultativos, auxiliares, fiscais e sociais, e dos documentos 
de arquivos das partes ou de terceiros e documentos de órgãos públicos, oitiva de 
testemunhas (exceção) e outros.
A obtenção da prova pericial requerida e deferida nem sempre pode ser gerada só com 
os elementos acostados aos autos; são comuns situações em que informações dos autos 
são insuficientes. Assim, os peritos poderão buscar dados e provas junto às partes, em 
repartições públicas e outros locais (CPC, Art. 473, § 3º). Recomenda-se que solicitações 
INTERESSANTE
13
de documentos sejam feitas segundo as orientações emanadas da NBC TP 01, por 
escrito, através de Termo de Diligência (modelo no site do CFC), visando orientar quem 
irá preparar os informes solicitados, estabelecer prazos e comprovar o desempenho do 
próprio perito judicial. Poderá acontecer de a fonte não apresentar os informes e/ou 
documentos solicitados no Termo de Diligência, inviabilizando a obtenção 
da prova diligenciada. Nestas condições, deve o perito peticionar ao juiz 
com esclarecimentos.
No período de diligências o perito deverá:
a) registrar as datas, horários, locais das diligências, bem como os 
nomes e cargos das pessoas que o atenderam;
b) documentar, mediante papéis de trabalho, os elementos 
relevantes que servirão de suporte à conclusão formalizada no 
laudo e/ou parecer pericial;
c) a oitiva de testemunhas, como já mencionado anteriormente 
(por cautela), deve ser evitada em razão de jurisprudências com 
restrições a essa prática por parte do perito, pois há orientação de 
que a prova testemunhal só terá valor probante se reproduzida 
na presença do juiz (MAGALHÃES, 2017, p. 53-55).
3.1.2 Ônus da prova
A palavra ônus é entendida pelos nossos juristas não como dever para com outrem, 
seja a parte contrária, seja o próprio julgador. Quem afirma ou nega determinado fato 
é que tem o ônus, o interesse de oferecer ou produzir as provas necessárias que 
entende possam vir a corroborar as alegações oferecidas (ORNELAS, 2017).
O dever de provar compete a quem alega, a quem afirma ou nega determinados 
fatos da causa. Quem busca a proteção da justiça estatal ou arbitral depara com a 
necessidade de produzir suas provas. Quem oferecer as provas mais convincentes, 
fatalmente, obterá sucesso. 
É de se notar que ninguém está obrigado a produzi-las; todavia, não o fazendo, 
arcará com as consequências.
O Código de Processo Civil trata a questão como incumbência, em seu Art. 333, 
estipulando que:
incumbe: 
I- ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II- ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou 
extintivo do direito do autor" (BRASIL, 2015).
Na produção da prova pericial, é, portanto, indispensável o perito debruçar-se 
sobre a matéria fática objeto da causa, à luz da classificação contida no dispositivo legal, 
estudando-a detidamente sob essa ótica, o que lhe vai possibilitar traçar os caminhos 
técnicos a serem por ele percorridos mesmo porque é inerente a sua função colaborar 
para o descobrimento da verdade.
14
Por exemplo, os fatos administrativo-financeiros e patrimoniais obtidos pelo 
sistema de informações contábeis e respectivo suporte documental.
O ônus da prova é um dos institutos mais fundamentais do 
direito. Sem este instituto seria inviável a aplicação da justiça, 
tendo em vista que os pedidos e acusações realizados entre 
as pessoas não precisariam de comprovação, por meio de 
provas, para serem sustentados.
Por exemplo: Antonio entra com uma ação judicial contra 
Lucy, sua inquilina, cobrando aluguéis em atraso. Para que 
essa cobrança seja legítima, é fundamental que Antonio 
consiga comprovar que esses aluguéis são, de fato, 
devidos por Lucy, comprovando que ela é sua inquilina e, 
principalmente, que há aluguéis em atraso, sem pagamento. 
Essa comprovação esperada de Antonio, para que as suas 
afirmações sejam de fato acatadas pelo juiz, é o que o direito 
chama de ônus da prova.
IMPORTANTE
15
Neste tópico, você aprendeu:
• Que a prova em juízo é aplicada objetivando a demonstração da existência do ato, isto 
é, aquilo que atesta a veracidade de alguma coisa; é uma demonstração evidente, 
atestando ou garantindo uma intenção, um sentimento, um testemunho. 
• As provas produzidas na fase de instrução do processo judicial, tem intuito de 
convencer o juiz a respeito da pretensão da autora ou da resistência do réu. 
• Os meios de prova que podem existir num processo são, entre outros documentos, 
testemunhas, declarações das partes, vistorias, perícias, inspeções judiciais. 
• A prova pericial é o exame elaborado pelo profissional com formação e conhecimento 
sobre a área com base no Código de Processo Penal (CPP) e no Código de Processo 
Civil (CPC), cujo objetivo é fornecer ao juiz que atua no processo elementos de 
convicção sobre fatos que dependem de conhecimento técnico ou científico.
• As perícias podem ser de vários tipos, com finalidades voltadas para cada uma das 
situações específicas, por exemplo: perícia criminal; perícia ambiental; perícia de 
engenharia; perícia tecnológica; perícia médica; perícia contábil.
• As perícias, quanto ao processo, podem ser classificadas em perícia judicial, 
extrajudicial e arbitral.
• As modalidades de prova pericial são: exame, vistoriae avaliação.
RESUMO DO TÓPICO 1
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1 De acordo com os Artigos 369 e 370 do Código de Processo Civil – CPC, as partes 
terão o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, 
para provar suas alegações feitas nos autos no processo, cabendo ao magistrado 
determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. 
BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Institui o Código Civil. Brasília, DF: Diário Oficial [da] 
República Federativa do Brasil, 16 mar. 2015. 
Sabendo que o CPC descreve os meios de prova, analise as sentenças a seguir:
I- O fato jurídico somente poderá ser provado mediante perícia.
II- O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-
lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório.
III- A prova utilizada em juízo é o conjunto de fatos que levam à convicção.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
2 O Código de Processo Civil – CPC, Lei nº 13.105 de 16 de maio de 2015, trata das 
provas no Capítulo XII, a partir do artigo 369. 
BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Institui o Código Civil. Brasília, DF: Diário Oficial [da] 
República Federativa do Brasil, 16 mar. 2015. 
A partir do CPC, analise as sentenças a seguir: 
I- As provas permitidas na legislação pátria são todas as legais e moralmente legítimas, 
mesmo que não expressamente previstas na legislação.
II- As provas permitidas na legislação brasileira são somente as previstas em lei.
III- As provas moralmente legítimas, mesmo que não expressamente previstas na le-
gislação, são permitidas na legislação nacional.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença III está correta.
c) ( ) As sentenças I, III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença II está incorreta.
 
AUTOATIVIDADE
17
3 A prova pericial é uma peça relevante numa lide, pois é baseada, sobretudo, em 
fatos científicos perante uma controvérsia técnica entre as partes envolvidas. Assim, 
a prova pericial é uma fonte confiável para que o magistrado possa embasar sua 
decisão de uma forma mais justa em uma ação judicial. Diante do excerto, classifique V 
para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) É desnecessário provar os pontos incontroversos, ou seja, aqueles que não estão 
sendo discutidos, os confessados, os notórios. 
( ) A prova pericial consiste, exclusivamente, em exame.
( ) Perícia extrajudicial é aquela realizada fora do âmbito do Poder Judiciário.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 O ambiente pericial é extremamente voltado à justiça, tendo em vista que a perícia 
persegue a solução do litígio. Numa perícia busca-se a opinião do perito. Disserte 
sobre a classificação das perícias.
5 O CPC traz as modalidades da prova pericial em seu Artigo 464. Nesse contexto, 
disserte sobre as modalidades da prova pericial.
18
19
PERÍCIA CONTÁBIL
UNIDADE 1 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO 
A perícia contábil é classificada como um dos gêneros de prova pericial. Assim, é 
um tipo de prova pericial utilizada pelas pessoas (físicas ou jurídicas) para esclarecer fatos 
ou questões contábeis controversas, servindo como meio de prova judicial. É solicitada 
pelo juiz, com vistas a auxiliá-lo na sua decisão como meio de prova para um fato que 
exija conhecimento técnico da área contábil. Tal prova ou opinião somente poderá ser 
emitida por especialistas com conhecimentos técnicos e científicos em contabilidade, ou 
seja, pelo perito contábil (MOURA, 2020; SANTOS, 2020; ORNELAS, 2017).
A perícia contábil possui objeto, finalidade, alcance e procedimentos peculiares, 
sendo um ramo específico da Contabilidade. O juiz tem por hábito intimar e determinar 
perícia contábil para qualquer tipo de perícia que inclua cálculos, que poderão ser feitos 
por contadores concursados do quadro funcional dos tribunais, ou por contadores 
externos ao quadro dos tribunais (CREPALDI, 2019; MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 2017). 
Por constituir-se atribuição privativa de contador devidamente inscrito no 
Conselho Regional de Contabilidade (CRC) da sua jurisdição, a perícia contábil possui 
normas expedidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a saber:
• Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil, que estabelece 
diretrizes e procedimentos técnico-científicos a serem observados pelo perito, 
quando da realização de perícia contábil, no âmbito judicial e extrajudicial.
• Norma Brasileira de Contabilidade, NBC PP 01 (R1) – Perito Contábil, que estabelece 
diretrizes inerentes à atuação do contador na condição de perito. 
• Norma Brasileira de Contabilidade, NBC PP 02 – Exame de Qualificação Técnica, que 
dispõe sobre o exame de qualificação técnica para perito contábil.
2 BREVE HISTÓRICO
Acadêmico, as abordagens desenvolvidas neste subtema estabelecem os 
aspectos históricos da perícia em âmbito mundial e no Brasil. 
20
2.1 ASPECTOS HISTÓRICOS
A perícia contábil é tão antiga quanto à evolução da Contabilidade, surgindo em 
função das atividades mercantis, econômicas e sociais, bem como da necessidade dos 
juízes.
No Egito, por exemplo, conta Heródoto que, quando alguém perdia parte das suas 
terras devido ao avanço do rio, saía ao encontro do rei, dando-lhe parte do que houvera 
ocorrido; então o rei enviava inspetores ao local da situação do lote, e eles mediam para 
saber o tamanho da área que fora diminuída e, a partir daí, reduzir proporcionalmente o 
pagamento do tributo (ALBERTO, 2012; BLEIL; SANTIN, 2008).
Assim, podemos inferir que há indícios de perícia desde o início da civilização, 
entre os homens primitivos, quando o líder desempenhava todos os papéis: de juiz, 
de legislador e executor. Há registros, na Índia, do surgimento do árbitro eleito pelas 
partes, que desempenhava o papel de perito e juiz ao mesmo tempo (CREPALDI, 2019; 
ALBERTO, 2012).
Os autores Crepaldi (2019), Alberto (2012), Bleil e Santin (2008), relatam que 
também há vestígios de Perícia nos antigos registros da Grécia, com o surgimento das 
instituições jurídicas, área em que já naquela época se recorria aos conhecimentos de 
pessoas especializadas. Contudo, a figura do perito, ainda que associada ao árbitro, 
fica definida no Direito Romano primitivo, no qual o laudo do perito constituía a própria 
sentença. Depois da Idade Média, com o desenvolvimento jurídico ocidental, a figura do 
perito desvinculou-se da do árbitro.
No Brasil a perícia surge em 1850, por meio da Lei nº 556 – Código Comercial e 
do Regulamento nº 737. O Código de Processo Civil (CPC) de 1939 já estabelecia vagas 
regras sobre perícia. Foi, contudo, em 1946, com o advento do Decreto-lei nº 9.295/46 
(que criou o Conselho Federal de Contabilidade e definiu as atribuições do contador), 
que se institucionalizou a Perícia Contábil no Brasil (SÁ, 2019; MAGALHÃES, 2017):
 
Art. 25. São considerados trabalhos técnicos de contabilidade:
a) organização e execução de serviços de contabilidade em geral;
b) escrituração dos livros de contabilidade obrigatórios, bem como 
de todos os necessários no conjunto da organização contábil e 
levantamento dos respectivos balanços e demonstrações;
c) perícias judiciais ou extra-judiciais, revisão de balanços e de 
contas em geral, verificação de haveres revisão permanente 
ou periódica de escritas, regulações judiciais ou extra-
judiciais de avarias grossas ou comuns, assistência aos 
Conselhos Fiscais das sociedades anônimas e quaisquer 
outras atribuíções de natureza técnica conferidas por lei 
aos profissionais de contabilidade.
§ 1º Os serviços profissionais de contabilidade são, por sua natureza, 
técnicos e singulares, quando comprovada sua notória especialização, 
nos termos da lei.    (Incluídopela Lei nº 14.039, de 2020)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Lei/L14039.htm#art2
21
§ 2º  Considera-se notória especialização o profissional ou a 
sociedade de profissionais de contabilidade cujo conceito no campo 
de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, 
experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe 
técnica ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, 
permita inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o 
mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato.  (Incluído 
pela Lei nº 14.039, de 2020)
Art. 26. Salvo direitos adquiridos ex-vi do disposto no art. 2º 
do Decreto nº 21.033, de 8 de Fevereiro de 1932, as atribuições 
definidas na alínea  c  do artigo anterior são privativas dos 
contadores diplomados (BRASIL, 1946, grifo nosso).
Os autores Sá (2019) e Magalhães (2017) relatam que, com o Decreto-lei nº 
8.579, de 8 de janeiro de 1946, significativas alterações foram introduzidas nas normas 
periciais. Também a Legislação Falimentar – Decreto-lei nº 7.661/45, com as alterações 
da Lei nº 4.983/66 estabeleceu regras de Perícia Contábil, que definiam esta atribuição 
ao contador. Atualmente aplicam-se as regras da Lei de Regularização de Empresas 
e Falência – Lei Federal nº 11.101/2005. O Novo Código de Processo Civil (CPC – Lei nº 
13.105/2015) entrou em vigor em 17 de março de 2016, formando um conjunto com as 
atualizações do Código de Processo Penal (CPP – alteração da Lei nº 11.960/2008), da 
Lei Processual Trabalhista (LTP – Lei nº 5.584/70) e da Consolidação das Leis do Trabalho 
(CLT – Decreto-lei nº 5.452/43), combinadas às jurisprudências de natureza processual.
Por fim, no que refere às normas de natureza técnica-contábil, chama-se 
a atenção para as atualizações das Normas expedidas pelo Conselho Federal de 
Contabilidade, pelos seus conteúdos elucidativos e esclarecedores. É neste conjunto 
de normas que estão inseridas as que disciplinam a Perícia Contábil, a saber:
• Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil, que estabelece 
diretrizes e procedimentos técnico-científicos a serem observados pelo perito, quando 
da realização de perícia contábil, no âmbito judicial e extrajudicial (CFC, 2020a). 
• Norma Brasileira de Contabilidade, NBC PP 01 (R1) – Perito Contábil, que estabelece 
diretrizes inerentes à atuação do contador na condição de perito (CFC, 2020b).
• Norma Brasileira de Contabilidade, NBC PP 02 – Exame de Qualificação Técnica, que 
dispõe sobre o exame de qualificação técnica para perito contábil (CFC, 2016).
As Normas Brasileiras de Contabilidade classificam-se em Profissionais e Técnicas.
As Normas Profissionais estabelecem regras de exercício profissional e classificam-se em:
NBC PG – Geral.
NBC PA – do Auditor Independente.
NBC PP - do Perito Contábil.
As Normas Técnicas estabelecem conceitos doutrinários, regras e procedimentos 
aplicados de Contabilidade e classificam-se em:
NBC TG – Geral.
IMPORTANTE
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Lei/L14039.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Lei/L14039.htm#art2
https://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/viwTodos/84C661D4E97D9A91032569FA00546033?OpenDocument&HIGHLIGHT=1,
https://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/viwTodos/84C661D4E97D9A91032569FA00546033?OpenDocument&HIGHLIGHT=1,
22
NBC TSP – do Setor Público.
NBC TA – de Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica.
NBC TASP – de Auditoria de Informação Contábil Histórica Aplicável ao Setor 
Público.
NBC TR – de Revisão de Informação Contábil Histórica.
NBC TO – de Asseguração de Informação Não Histórica.
NBC TSC – de Serviço Correlato.
NBC TI – de Auditoria Interna.
NBC TP – de Perícia.
Fonte: http://twixar.me/Bmxm. Acesso em: 10 jan. 2023.
3 PERÍCIA CONTÁBIL 
Nesta etapa, caro acadêmico, iremos trazer o conceito de perícia contábil, seu 
objeto e objetivo, bem como as modalidades e aplicações da perícia contábil. Vamos lá?
3.1 CONCEITO 
Como toda área do conhecimento, é necessário que saibamos os conceitos 
relacionados à área de estudo. No estudo da perícia contábil não é diferente, conhecer o 
conceito dela é de suma importância para que possamos entendê-la e prosseguir com os 
demais estudos inerentes a ela.
 
Então, prezado acadêmico, vamos apresentar diversos autores que trazem o 
conceito da perícia contábil. Iniciaremos pelo conceito adotado pelo Conselho Federal 
de Contabilidade na norma que trata de perícia contábil, a NBC TP 01 (R1) – Perícia 
Contábil, no seu item 2:
A perícia contábil é o conjunto de procedimentos técnico-científicos 
destinados a levar à instância decisória elementos de prova neces-
sários a subsidiar a justa solução do litígio ou constatação de fato, 
mediante laudo pericial contábil e/ou parecer pericial contábil, em 
conformidade com as normas jurídicas e profissionais e com a legis-
lação específica no que for pertinente (CFC, 2020a).
Costa (2017) e Crepaldi (2019) relatam que a definição de perícia contábil trazida 
pelo CFC é bastante ampla, portanto, para uma melhor compreensão é necessário que a 
fragmentemos:
23
Figura 1 – Perícia contábil: conceituação NBC TP 01 (R1)
Fonte: o autor
• Conjunto de procedimentos técnico-científicos: a norma especificou que a 
perícia contábil é uma técnica especial, possuindo procedimentos técnico-científicos 
peculiares. Nisso, ela difere dos conhecidos ramos da contabilidade: escrituração, 
demonstrações contábeis, auditoria e análise das demonstrações contábeis. Dentre 
os procedimentos típicos da perícia, temos: exame, vistoria, indagação, investigação, 
arbitramento, mensuração, avaliação e certificação.
• Destinados a levar à instância decisória: é a aplicação da ciência contábil para a 
instância decisória, pois a perícia contábil auxiliará da justiça na decisão da lide.
• Elementos de prova: o perito sempre irá produzir um conhecimento amparado em 
provas, que serão apresentadas junto ao laudo ou parecer e levadas a uma instância 
decisória. 
Toda perícia tem por finalidade subsidiar um pedido, uma 
requisição a ser esclarecida para uma tomada de decisão. Por 
exemplo: o magistrado solicita perícia contábil sobre apuração de 
haveres de determinada pessoa física em uma ação de alimentos. 
O perito contábil irá identificar os rendimentos (poder econômico) 
da pessoa determinada e levar à instância decisória (juiz) o seu 
laudo pericial. O juiz, por sua vez, sentenciará o valor da pensão.
ATENÇÃO
24
• Necessários a subsidiar a justa solução do litígio ou constatação de um fato: a 
opinião do perito, através da emissão do laudo ou parecer, subsidiará a solução de uma 
lide ou a constatação de um fato isolado. Vejamos dois exemplos:
◦ Exemplo 1: o litígio do item anterior, que é a determinação do valor da pensão 
alimentícia, será resolvido após a sentença do juiz, que estará amparada pelo 
laudo do perito. Com a opinião do perito, o juiz terá subsídios para determinar um 
valor justo à pensão alimentícia. 
◦ Exemplo 2: A constatação de um fato pode ser ilustrada da seguinte forma: o ad-
ministrador de determinada empresa contrata um perito contábil com a finalidade 
de averiguar uma possível fraude relacionada à contabilização do almoxarifado 
que a integra.
• Em conformidade com as normas jurídicas e profissionais e a legislação 
específica no que for pertinente: 
i) as normas jurídicas são o Código Civil e do Código de Processo Civil; 
ii) já as normas profissionais a que se refere a NBC são pertinentes ao exercício 
profissional da contabilidade, ou seja, a NBC TP 01 (R1) dita os procedimentos 
necessários para o profissional da contabilidade desenvolver a atividade pericial, 
portanto é a norma técnica de perícia, e a NBC PP 01 (R1) que trata do profissional 
habilitado para desempenhar o papel de perito-contador; e 
iii) quanto à legislação específica, está condicionado àquilo que está sendo discutido 
no processo, nos autos, ouseja, trata-se da legislação específica do objeto da 
perícia. Exemplificando: ao efetuar uma perícia acerca de uma questão contábil, 
envolvendo uma empresa optante pelo Regime Simples Nacional, o contador 
deverá observar a Lei Complementar n. 123/2006 e as Resoluções do Comitê 
Gestor do Simples Nacional – normas específicas para as empresas optantes por 
esse regime.
Sá (2019, p. 3) também nos traz um conceito de perícia contábil:
Perícia contábil é a verificação de fatos ligados ao patrimônio indivi-
dualizado, visando oferecer opinião mediante questão proposta. Para 
tal opinião realizam-se exames, vistorias, indagações, investigações, 
avaliações, arbitramentos, em suma, todo e qualquer procedimento 
necessário à opinião.
A partir do conceito de Sá, podemos complementar o seguinte:
• A necessidade de se conhecer uma opinião de especialista em Contabilidade sobre 
uma realidade patrimonial, em qualquer tempo, em qualquer espaço, qualitativa e 
quantitativamente, em causas e efeitos.
• O exame do especialista sobre o que se deseja conhecer como opinião.
• Por exemplo, quando ocorreu a denúncia, na Câmara Federal, sobre as corrupções no 
Orçamento da República, se fez necessário conhecer a “movimentação das contas 
bancárias” dos implicados, e isso gerou uma Perícia Contábil para cada caso.
25
Sá (2019, p. 2), nos afirma ainda, que “a perícia contábil é uma tecnologia porque 
é a aplicação dos conhecimentos científicos da Contabilidade”, ensejando numa opinião 
sobre verificação feita, relativa ao patrimônio individualizado (de empreendimentos 
ou de pessoas); e tal opinião foi determinada ou requerida por alguém.
Examinar, realizar levantamentos, vistoriar, fazer indagações, investigar, 
avaliar, arbitrar (diante da falta de elementos mais concretos), em 
suma, fazer o necessário para ter segurança sobre o que se vai opinar, 
são Procedimentos Periciais. Os procedimentos periciais aplicam-se, 
de acordo com a pertinência, a cada caso.
ATENÇÃO
Para Magalhães (2017, p. 6), ao trazer alguns conceitos de perícia contábil, 
aponta o seguinte:
Trabalho que exige notória especialização no seio das Ciências 
Contábeis, com o objetivo de esclarecer ao Juiz de Direito, ao 
Administrador Judicial (Síndico ou Comissário) e a outras autoridades 
formais, fatos que envolvam ou modifiquem o patrimônio de 
entidades nos seus aspectos quantitativos.
Apresentamos, ainda, os conceitos trazidos na obra de Ornelas (2017, pp. 16-18):
A perícia contábil é, pois, o exame hábil [...] com o objetivo de resolver 
questões contábeis, ordinariamente originárias de controvérsias, 
dúvidas e casos específicos determinados ou previstos em lei” 
(Gonçalves, 1968).
A perícia contábil se caracteriza como incumbência atribuída 
a contador, para examinar determinada matéria patrimonial, 
administrativa e de técnica contábil, e asseverar seu estado 
circunstancial (D’Áuria, 1962).
Perícia contábil é um instrumento técnico-científico de constatação, 
prova ou demonstração, quanto à veracidade de situações, coisas 
ou fatos oriundos das relações, efeitos e haveres que fluem do 
patrimônio de quaisquer entidades (Alberto, 1996).
E agora, depois da apresentação de diversos autores que trazem o conceito de 
perícia contábil, já podemos trazer os elementos principais desta conceituação, quais 
sejam:
26
• perícia contábil é uma técnica contábil;
• trata-se de uma técnica especial com procedimentos técnicos peculiares;
• é realizada por contador;
• subsidia a solução de litígio ou constatação;
• na perícia contábil é emitido o laudo pericial contábil ou o parecer pericial contábil;
• deverá seguir as normas e legislação pertinentes.
Podemos, ainda, trazer os elementos principais da conceituação de perícia 
contábil na Figura 2 a seguir:
Figura 2 – Perícia Contábil
Fonte: o autor
Crepaldi (2019) resume assim: a perícia contábil é o meio de prova realizado 
por profissional com formação e registro específico quando é necessária a aplicação de 
conhecimento em Contabilidade. Os procedimentos de trabalho em perícia contábil são 
o exame, a vistoria, a indagação, a investigação, o arbitramento, a mensuração, a avaliação 
e a certificação.
Na esfera judicial, a perícia pode ser elemento suficientemente determinante 
para o convencimento do magistrado, desde que haja componentes satisfatórios para 
elaborar um laudo que apresente conclusão totalmente incontroversa, ou seja, aquela 
em que os elementos, objetos da perícia contábil, apresentem um laudo conclusivo 
incontestável. O critério de avaliação desses bens destinados à exploração da atividade, 
previsto no Código Civil, em seu Art. 1.187 (BRASIL, 2002), serão avaliados pelo custo de 
aquisição, criando-se fundos de amortização para os que se desgastam ou depreciam.
27
3.2 OBJETO E OBJETIVO DA PERÍCIA CONTÁBIL 
A perícia contábil tem por objeto, de acordo com Ornelas (2017) e Santos 
(2020), os fatos ou questões patrimoniais relacionados com a causa, as quais devem 
ser verificadas, e, por isso, são submetidas à apreciação técnica do perito contador, que 
deve considerar, nessa apreciação, certos limites essenciais – que são os caracteres 
essenciais – a saber:
• limitação da matéria: refere-se à matéria que fora submetida à apreciação pericial 
delineada pelo próprio objeto sub judice ou pelo julgador dos pontos controvertidos 
quando do despacho saneador, ou em audiência;
• pronunciamento adstrito à questão ou questões propostas: o perito contador 
deverá manifestar-se somente no que se refere aos quesitos levantados nos autos 
do processo, ou seja, será exigido da perícia contábil pronunciamento limitado ou 
adstrito àquilo que foi apreciado;
• meticuloso e eficiente exame do campo prefixado: a tarefa pericial envolve a 
necessidade de o perito contador adotar procedimentos meticulosos e eficientes de 
exame das questões patrimoniais prefixadas no litígio;
• escrupulosa referência à matéria periciada: o perito contador deverá constatar e 
identificar as fontes informativas ou reveladoras dos elementos que pesquisou, há que 
desenvolver e correlacionar referidas fontes com as próprias questões sob análise ou 
apreciação, tomando o cuidado permanecer fiel nas referências às questões objeto 
do trabalho pericial;
• imparcialidade absoluta de pronunciamento: o laudo ou parecer, deverá refletir, 
com muita nitidez, uma posição de imparcialidade absoluta.
Para os autores Crepaldi (2019), Moura (2020) e Müller, Timi e Heimonski 
(2017), a perícia contábil tem como objetivo central fundamentar as informações 
demandadas, evidenciando a veracidade dos fatos de forma imparcial e merecedora 
de fé, tornando-os instrumentos de prova para o magistrado solucionar as questões 
propostas na lide. Assim, caberá ao perito fornecer elementos de prova ou uma 
opinião especializada sobre o estado verdadeiro do objeto ou matéria examinada, 
com vistas a subsidiar uma decisão, conforme NBC TP 01 (R1) (CFC, 2020a). 
O perito contábil, para o bom exercício do trabalho que lhe for atribuído, deve:
• conhecer o objeto e a finalidade da perícia, a fim de permitir a adoção de proce-
dimentos que conduzam à revelação da verdade, subsidiando o juiz, o árbitro ou o 
interessado a tomar a decisão a respeito do litígio;
• definir a natureza, a oportunidade e a extensão dos procedimentos a serem 
aplicados, em consonância com o objeto da perícia;
• estabelecer condições para que o trabalho seja cumprido no prazo estabelecido;
• identificar potenciais problemas e riscos que possam vir a ocorrer no andamento 
da perícia;
28
• identificar fatos importantes para a solução da demanda, de forma que não 
passem despercebidos e recebam a atenção necessária;
• identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia; 
• estabelecer como ocorrerá a divisão das tarefas entre os membros da equipe de 
trabalho, sempre que o perito necessitar de auxiliares;
• facilitar a execução e a revisão dos trabalhos.
Constitui-se objetivo de a perícia contábil definir a natureza, a 
oportunidadee a extensão dos exames a serem realizados, 
em consonância com o objeto da perícia, com os termos 
constantes da nomeação, dos quesitos ou da proposta de 
honorários oferecida pelo perito (CREPALDI, 2019).
IMPORTANTE
Crepaldi (2019, p. 52) aponta objetivos específicos da perícia contábil: 
Quadro 1 – Objetivos específicos da perícia contábil
Objetividade Não se desviar da matéria que motivou a questão.
Concisão
Compreende evitar o prolixo e emitir uma opinião que 
possa de maneira fácil facilitar as decisões.
Precisão
Oferecer respostas pertinentes e adequadas às questões 
formuladas ou finalidades propostas.
Confiabilidade
Consiste em estar a perícia apoiada em elementos 
inequívocos e válidos legal e tecnologicamente.
Clareza
Usar em sua opinião de uma linguagem acessível a quem 
vai utilizar-se de seu trabalho, embora possa conservar a 
terminologia tecnológica e científica em seus relatos.
Plena satisfação da finalidade
É exatamente o resultado de o trabalho estar coerente 
com os motivos que o ensejaram.
Fidelidade
Caracteriza-se por não se deixar influenciar por terceiros, 
nem por informes que não tenham materialidade e 
consistência competentes.
Fonte: adaptado de Crepaldi (2019)
29
A perícia contábil apresenta dois objetivos primordiais:
 
• Identificar elementos de prova; e 
• Subsidiar a emissão de laudo pericial contábil ou parecer técnico-contábil.
ATENÇÃO
Por exemplo: numa demanda societária, o 
perito é chamado para realizar a apuração de 
haveres de cada sócio. Ele elencará elementos 
fáticos na Contabilidade (quantificação dos 
valores registrados na escrituração contábil) e, 
com base em tais fatos, emitirá laudo pericial 
contábil ou parecer técnico-contábil com a 
demonstração dos haveres dos sócios.
Portanto, em seus objetivos específicos, a perícia contábil deve apresentar, de 
acordo com Crepaldi (2019, p. 53), os seguintes fatores:
• Objetividade: caracteriza-se pela ação do perito em não se desviar da matéria que 
motivou a questão.
• Precisão: respalda-se em oferecer respostas pertinentes e adequadas às questões 
formuladas ou finalidades propostas.
• Clareza: fundamenta-se em utilizar, ao emitir sua opinião, uma linguagem acessível 
com quem fará uso de seu trabalho, embora possa conservar a terminologia 
tecnológica e científica em seus relatos.
• Fidelidade: caracteriza-se por não se deixar influenciar por terceiros, nem por 
informes que não tenham materialidade e consistência competentes.
• Concisão: compreende evitar a prolixidade e emitir uma opinião que possa facilitar 
as decisões.
• Confiabilidade: consiste em estar a perícia apoiada em elementos inequívocos e 
válidos legal e tecnologicamente.
• Plena satisfação da finalidade: é, exatamente, o resultado de o trabalho estar 
coerente com os motivos que o ensejaram.
3.3 PROCEDIMENTOS PERICIAIS
Os procedimentos periciais técnico-científicos voltados para a atividade de 
perícia contábil fundamentam as conclusões que serão abordadas no laudo pericial 
contábil ou no parecer pericial contábil e abrangem, total ou parcialmente, segundo 
a natureza e a complexidade da matéria, a determinação de valores ou a solução de 
controvérsia (CREPALDI, 2019). 
30
A NBC TP 01 (R1) (CFC, 2020a) no item 32 nos apresenta os procedimentos 
técnico-científicos periciais, quais sejam: exame, vistoria, indagação, investigação, 
arbitramento, mensuração, avaliação, certificação e testabilidade. 
Figura 3 – Procedimentos periciais
Fonte: o autor
Esses procedimentos são assim definidos:
• Exame: é a análise de livros, registros das transações e documentos. Exemplo: o 
perito realiza exame ao analisar a conciliação bancária com o livro Diário.
• Vistoria: é a diligência que objetiva a verificação e a constatação de situação, 
coisa ou fato, de forma circunstancial. Trata-se de um procedimento de inspeção, 
por exemplo: o perito faz uma vistoria in loco dos meios de controle utilizados pela 
empresa para a guarda do estoque.
• Indagação: é a busca de informações mediante entrevista com conhecedores do 
objeto ou de fato relacionado à perícia. Exemplo: a realização de entrevista com os 
funcionários da controladoria da empresa periciada, a fim de apurar evidências para 
o laudo pericial.
• Investigação: é a pesquisa que busca trazer ao laudo pericial contábil ou parecer 
técnico-contábil o que está oculto por quaisquer circunstâncias. Exemplo: o 
perito realiza investigação da vida particular dos envolvidos no objeto da perícia, 
descobrindo, por exemplo, que o fornecedor de material de uso e consumo para a 
empresa tem um forte vínculo de amizade com o responsável pelo setor de aquisição.
31
• Arbitramento: é a determinação de valores ou a solução de controvérsia por critério 
técnico-científico. Exemplo: há o arbitramento de valores ao se estimar a quantidade 
de combustível utilizada pelos veículos de determinada empresa.
• Mensuração: é o ato de qualificação e quantificação física de coisas, bens, direitos 
e obrigações. Exemplo: contagem física do estoque, medidas de áreas, avaliação de 
componentes patrimoniais etc.
• Avaliação: é o ato de estabelecer o valor de coisas, bens, direitos, obrigações, 
despesas e receitas. Exemplo: avaliação do imobilizado da empresa.
• Certificação: é o ato de atestar a informação trazida ao laudo pericial contábil pelo 
perito-contador, conferindo-lhe caráter de autenticidade pela fé pública atribuída a 
esse profissional. Exemplo: o contador apresenta uma importação não contabilizada 
que foi certificada pelo despachante aduaneiro.
• Testabilidade: é a verificação dos elementos comprobatórios (probantes) juntados 
aos autos e o confronto com as premissas estabelecidas. Exemplo: o autor de 
determinada ação apresenta uma planilha nos autos, então o perito contábil testará 
se os cálculos apresentados na planilha estão corretos.
O procedimento de avaliação é semelhante ao arbitramento, no entanto, há uma 
diferença entre eles; no arbitramento utilizamos critérios técnico-científicos, já na 
avaliação somente estabelecemos o valor das coisas. 
Por exemplo: imagine-se a situação em que há consumo de água para a fabricação de 
determinado produto. Suponha, também, que o medidor de água esteja quebrado e que 
o perito necessite saber o volume consumido desse líquido na fabricação 
de determinada quantidade de produtos. Ele poderá arbitrar a 
quantidade de água consumida, multiplicando a vazão do cano pelo 
tempo em que o registro permaneceu aberto. Nesse caso, o perito 
utilizou um critério técnico para empreender sua obrigação. 
Considere outra circunstância: em um inventário, o perito tem a 
necessidade de verificar o valor de determinada fazenda que estava 
contabilizada no ativo da empresa. No caso, ele pode contratar um 
corretor com notório conhecimento do mercado imobiliário rural 
para realizar a avaliação do imóvel (CREPALDI, 2019, p. 55).
ATENÇÃO
32
Quadro 2 – Atuação do perito contador
i) Na inspeção judicial
Art. 481. O juiz, de ofício ou a requerimento 
da parte, pode, em qualquer fase do pro-
cesso, inspecionar pessoas ou coisas, a fim 
de se esclarecer sobre fato que interesse à 
decisão da causa.
Art. 482. Ao realizar a inspeção, o juiz 
poderá ser assistido por um ou mais peritos 
(CPC, 2015).
O juiz pode determinar que seja realizada uma 
vistoria ou exame, sobre fato ou coisa, e a referi-
da inspeção poderá ser realizada por ele próprio, 
acompanhado de perito de sua confiança, se 
assim desejar.
A referida inspeção judicial é realizada via diligên-
cia, utilizando-se de vistoria do local ou da coisa 
que se deseja averiguar. Ocorre, por exemplo, em 
situações nas quais haja receio de perda, extravio 
ou desaparecimento de algum bem.
ii) No direito autoral
Art. 842. O mandado será cumprido por dois 
oficiais de justiça, um dos quais o lerá ao 
morador, intimando-o a abrir as portas.
§ 1º Não atendidos, os oficiais de justiça 
arrombarão as portas externas, bem como 
as internas e quaisquer móveis onde presu-
mam que esteja ocultaa pessoa ou a coisa 
procurada.
§ 2º Os oficiais de justiça far-se-ão acompa-
nhar de duas testemunhas.
§ 3º Tratando-se de direito autoral ou direito 
conexo do artista, intérprete ou executante, 
produtores de fonogramas e organismos de 
radiodifusão, o juiz designará, para acom-
panharem os oficiais de justiça, dois peritos 
aos quais incumbirá confirmar a ocorrência 
da violação antes de ser efetivada a apreen-
são (CPC, 2015).
São necessários dois peritos em direito autoral, 
para acompanhamento dos oficiais de justiça, 
na busca e apreensão de coisas cujo direito 
autoral esteja comprometido.
3.4 APLICAÇÕES DA PERÍCIA CONTÁBIL 
Müller, Timi e Heimonski (2017) afirmam que são várias as possibilidades de 
atuação do perito-contador, segundo o CPC. A seguir, serão apresentadas algumas delas.
33
iii) Na prestação de contas
Art. 550. Aquele que afirmar ser titular do 
direito de exigir contas requererá a citação 
do réu para que as preste ou ofereça con-
testação no prazo de 15 (quinze) dias.
§ 1º Na petição inicial, o autor especificará, 
detalhadamente, as razões pelas quais exi-
ge as contas, instruindo-a com documen-
tos comprobatórios dessa necessidade, se 
existirem.
§ 2º Prestadas as contas, o autor terá 15 
(quinze) dias para se manifestar, prosse-
guindo-se o processo na forma do Capítulo 
X do Título I deste Livro.
§ 3º A impugnação das contas apresen-
tadas pelo réu deverá ser fundamentada 
e específica, com referência expressa ao 
lançamento questionado.
§ 4º Se o réu não contestar o pedido, ob-
servar-se-á o disposto no Art. 355.
§ 5º A decisão que julgar procedente o 
pedido condenará o réu a prestar as contas 
no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de 
não lhe ser lícito impugnar as que o autor 
apresentar.
§ 6º Se o réu apresentar as contas no prazo 
previsto no § 5º, seguir-se-á o procedi-
mento do § 2º, caso contrário, o autor apre-
sentá-las-á no prazo de 15 (quinze) dias, 
podendo o juiz determinar a realização de 
exame pericial, se necessário (CPC, 2015).
A participação do perito contábil nessa ação 
de prestação de contas é de suma importância 
para que o levantamento contábil seja realizado 
adequadamente. Um exemplo prático são as 
prestações de contas de condomínios, assim 
como as ações de prestações de contas que 
envolvem operações bancárias, especificamente 
conta corrente.
iv) Em parecer técnico e laudo pericial na liquidação por arbitramento
Art. 510. Na liquidação por arbitramento, o 
juiz intimará as partes para a apresentação 
de pareceres ou documentos elucidati-
vos, no prazo que fixar, e, caso não possa 
decidir de plano, nomeará perito, obser-
vando-se, no que couber, o procedimento 
da prova pericial (CPC, 2015).
Na fase de liquidação de sentença por arbitra-
mento poderão ser apresentados pareceres 
técnicos dos assistentes, os quais traduzam a 
reprodução da sentença. Contudo, não raras 
vezes, ocorre uma discrepância entre os resul-
tados apresentados pelas partes, o que leva o 
juiz a nomear perito de sua confiança para que 
elabore a liquidação de sentença.
34
v) Em dissolução de sociedades
Art. 599. A ação de dissolução parcial de 
sociedade pode ter por objeto:
I – a resolução da sociedade empresária 
contratual ou simples em relação ao sócio 
falecido, excluído ou que exerceu o direito 
de retirada ou recesso; e
II – a apuração dos haveres do sócio fale-
cido, excluído ou que exerceu o direito de 
retirada ou recesso; ou
III – somente a resolução ou a apuração de 
haveres. § 1º A petição inicial será neces-
sariamente instruída com o contrato social 
consolidado.
§ 2º A ação de dissolução parcial de socie-
dade pode ter também por objeto a socie-
dade anônima de capital fechado quando 
demonstrado, por acionista ou acionistas 
que representem cinco por cento ou mais 
do capital social, que não pode preencher 
o seu fim.
[...]
Art. 604. Para apuração dos haveres, o juiz:
I – fixará a data da resolução da sociedade;
II – definirá o critério de apuração dos 
haveres à vista do disposto no contrato 
social; e
III – nomeará o perito (CPC, 2015).
O CPC complementa as informações necessá-
rias ao desenvolvimento do trabalho do perito 
nessa atividade, uma vez que a antiga legislação 
era pobre em detalhes. Os artigos servem como 
referencial e praticamente apresentam a sequ-
ência das atividades que deverão ser seguidas 
para a realização do trabalho.
Fonte: adapatado de Müller, Timi e Heimonski (2017)
3.5 VOCABULÁRIO, VERNÁCULO E LINGUAJAR NA PERÍCIA 
CONTÁBIL
Caro acadêmico, um dos elementos mais importantes da prova pericial, sem 
dúvida nenhuma, é o vocabulário a ser utilizado, a linguagem, porque estaremos em um 
processo de comunicação. A comunicação deve acontecer. 
O juiz se serve do trabalho do perito para que possa entender uma matéria 
que é essencialmente técnica. E, dentro dessa parte essencialmente técnica, temos 
conceitos, um linguajar próprio, um vocabulário muito específico. Utilizamos algumas 
vezes o “contabilês”, e não o português. O magistrado pode não entender e pode cometer 
um erro de julgamento. Então, a produção de conhecimento é ligada diretamente a 
uma atividade de comunicação. Comunicação tem, de um lado, um emissor (aquele 
que fala, que produz a informação) e, de outro lado, um receptor (aquele que recebe a 
informação). 
35
É importante, acadêmico, que tenhamos em mente que a perícia, a produção da 
prova pericial, é uma produção de conhecimento, um conhecimento técnico que ajudará a 
solucionar um conflito. Nesse sentido, gostaríamos de abordar as questões do linguajar 
do perito, de como o perito deve ter uma postura de estudo, de cuidado, de atenção 
para que o processo de comunicação ocorra adequadamente. É inicialmente na fase do 
planejamento dos trabalhos periciais que se deve procurar evitar prejulgamentos, evitar 
a sensação de que você conhece a matéria e pode, por exemplo, fazer o trabalho de 
forma até um pouco sem rigor.
Gostaríamos, aqui, de passar uma nova visão de mercado, que é justamente a visão 
de que o contador não é um tecnicista. Ele hoje passa a efetivamente cuidar da Ciência 
Social Aplicada, da Contabilidade, e essa nova visão faz-nos entender que o contador é um 
comunicador, é responsável por fazer a informação chegar aonde deve estar, no momento 
adequado, da forma mais clara possível. Por isso, acadêmico, é essencial que percebamos 
que o vocabulário, nessa nova visão contábil, é algo extremamente importante. O uso 
do vernáculo, e, também aí, inclui-se a legislação relacionada, deve ser entendido pelo 
profissional. Devemos ter cuidado, pois tais aspectos vernaculares, principalmente no 
mundo jurídico, acabam englobando expressões usadas muitas vezes pelos advogados, 
pelos próprios juízes. Em alguns casos é o contador, o perito-contador, que vai ter 
dificuldade de interpretar certas afirmações jurídicas, interpretar uma sentença, 
interpretar um pedido feito por uma das partes, por exemplo. Então é importante 
que, em sua resposta, ele deixe isso claro. Se o objeto for, por exemplo, um esclarecimento, 
deve-se escrever aquilo que efetivamente vai interessar à parte, deixando o julgamento a 
cargo dos magistrados.
Nesse ambiente, caro acadêmico, vamos analisar algumas locuções latinas, 
algumas expressões relacionadas à área contábil muito utilizadas em petições, 
despachos judiciais, sentenças, despachos ordinatórios e que podem confundir ou 
induzir o perito a cometer um erro; neste caso, a prova pericial não será eficaz. Assim, 
devemos nos preocupar principalmente com o vocabulário.
Desse modo, analisaremos rapidamente, aqui, de acordo com Müller, Timi e 
Heimonski (2017), algumas expressões latinas mais tradicionais, buscando entender 
o conteúdo de cada uma delas. Há, com certeza, uma série de outras expressões 
igualmente importantes, mas selecionamos aquelas que, talvez, sejam as mais 
pertinentes. Lembremo-nos: não devemos achar que entendemos o termo, que somos 
especialistas em latim. De todo modo, não podemos deixar que nossa capacidade 
técnicana contabilidade seja dificultada por uma expressão jurídica, pelo “advocatês” 
ou pelo “juridiquês”. É isso que desejamos passar a você, acadêmico. Um laudo pode ser 
parcializado pela falta de entendimento terminológico ou de conteúdo teleológico. Se 
entendermos a boa prática e a técnica jurídica, nosso laudo pericial pode ser muito mais 
bem elaborado, certamente.
36
Vamos, então, apreciar algumas expressões bastante utilizadas no mundo 
jurídico. Uma das locuções que são bastante utilizadas no mundo jurídico, e que é 
bastante simples, é a que se refere a atribuições ad hoc. Ad hoc significa “para o momento, 
para o ato” ou “para determinado caso específico”. Caso a expressão se refira a pessoa, 
informa que aquele indicado será seu consultor, seu representante naquele momento, 
para aquele ato. Então, naquele caso específico ou naquele momento específico, essa 
pessoa está autorizada a fazer algo em seu nome, como se você estivesse dando a ela 
uma procuração, mas específica, muito específica. Não que aquela pessoa represente 
você, mas está fazendo algo por você naquele momento, naquele ato. Quase como um 
procurador, mas bastante específico e particular.
Outra expressão é ad iudicia ou ad judicia, depende da forma de uso de cada um, a 
qual indica uma forma de procuração. Uma procuração ad judicia significa uma procuração 
para o foro em geral. Você pode, sim, designar o que se denominam poderes especiais, 
poderes específicos ou poderes expressos. É, então, isso que dará o limite daquela 
determinada procuração ad judicia. Então é importante que tenhamos conhecimento desse 
termo, para que possamos efetivamente entender o que se está procurando expor.
Você, acadêmico, vai assinar uma procuração ad judicia para um advogado. O que 
quer dizer isso? Você está dando poderes para alguém. E se você simplesmente pretende 
que tal pessoa seja um representante ad hoc? Você pode estabelecer uma procuração 
com poderes específicos, limitados ou ilimitados. Por exemplo, é possível, na prática, que o 
advogado faça uma procuração, que seu cliente a assine e que ela dê a ele plenos poderes. 
Com tais poderes ilimitados, ele poderia vender a casa do indivíduo, fazer qualquer coisa 
com o patrimônio dele, o que o deixaria vulnerável. Estamos aqui ampliando o entendimento 
da procuração, não pensando tão somente no ambiente da perícia, mas na atuação do 
profissional contábil em uma consultoria, em um trabalho de mediação, meio em que se 
deve ter cuidado com o excesso de poderes atribuídos a um procurador.
Continuando, a expressão ad referendum significa “tem a referência”; o 
referendo, ou seja, aquilo que está pendente, está sujeito à aprovação. Então, ad 
referendum refere-se ao ato que está pendente de uma provação, de uma confirmação, 
da ratificação de determinada pessoa. Por exemplo, em uma reunião, determinado ato 
constante da Ata precisa da aprovação de um Conselho. Então diz-se que esse ato está 
ad referendum daquele determinado Conselho. 
Vale ressalvar que a palavra ratificação significa “confirmação”. Retificação, por 
sua vez, tem outro significado, indica “correção, ajuste”. Se há um ato ad referendum tem-
se um ato pendente de aprovação, de confirmação, de ratificação, e não de retificação.
Outro termo ou expressão vernacular do latim muito utilizada em processos 
judiciais é affectio societatis. Quando se tem determinada discussão, uma briga de sócios 
que querem se separar, não estão mais confortáveis trabalhando juntos, diz-se que não 
há mais o affectio societatis. O que quer dizer isso? Não há mais afeição societária, não 
há mais interesse em continuar uma sociedade, a intenção de estar se consorciando. 
Este é o aspecto principal do affectio societatis. 
37
Temos, então, duas expressões bastante importantes: ad referendum e affectio 
societatis. Elas são bastante comuns no dia a dia do mundo pericial. Quando se trata 
de ad referendum se está referenciando uma aprovação posterior de outra entidade, de 
alguma outra situação. Isso é importante porque às vezes o limite da prova pericial se 
faz em função deste ad referendum. Já affectio societatis é uma expressão também 
bastante importante, bastante comum, quando se trata de dissolução de sociedades, 
em processos em que trabalhamos com apuração de haveres. 
Outra famosa expressão é data venia, que significa “com o devido consentimento, 
com o devido respeito, com a devida vênia”. É uma expressão de respeito. Normalmente 
inicia-se com data venia uma argumentação em que contrariamos a outra parte, ou seja, 
“com o devido respeito, eu não concordo com a sua expressão”, “com o devido respeito, eu 
não concordo com o que a parte está informando”. Provavelmente, na maioria das vezes, 
você usará essa expressão quando está discordante, por isso pede desculpas. Mostra-
se respeito a quem se está dirigindo, informando que entende o argumento, mas não 
concorda com ele. Também pode ser utilizada a expressão data permissa (com a devida 
permissão, com a devida licença). As partes estão discutindo, brigando pelo entendimento 
de seus direitos, então uma delas tem uma argumentação forte, buscando defender seu 
entendimento, muitas vezes, em processos judiciais, até com algumas argumentações 
ofensivas. Então nós, como peritos, podemos usá-la, manifestando respeitosamente 
nossa discordância do ponto de vista técnico, naturalmente, e não opinativo. 
Tais expressões, entretanto, não devem ser usadas deliberadamente, devemos 
entendê-las para uma melhor postura profissional e, também para entendermos melhor 
o que surge dentro dos processos. 
Outra expressão a destacar é jus puniendi (o direito de punir). Destacamos aqui 
novamente o cuidado que os peritos devem ter, pois não podem julgar. O juiz deve julgar. 
Ele, o magistrado, é que tem a necessidade de interpretar a lei, não o perito. Nesse 
sentido, vale também recordar a expressão bastante conhecida, bastante comentada 
no mundo do direito, em especial quando se inicia um estudo na área do direito: Lex 
dura, sed Lex! (a lei é rígida, é dura). Apesar de ser severa, deve ser cumprida! Mas 
esse cumprimento passa, muitas vezes, pelo entendimento, pela interpretação. Então 
os peritos não podem interpretar a lei. Jamais em um laudo devemos ter a intenção de 
punir. O perito até pode “achar” que a parte não tem razão, mas não deve agir para punir. 
Jus puniendi é para o juiz, é para quem interpreta e faz cumprir a lei.
Trazemos agora uma expressão que, apesar de não se destinar ao uso em laudo, 
é bastante significativa: Nihil est veritatis luce dulcius! (Nada é mais doce do que a luz da 
verdade!). Mais do que uma bela expressão, é importante que a associemos à função do laudo 
pericial: a busca da verdade. Quem trabalha com perícia labuta no mundo judicial, onde se 
usam essas expressões. Deve-se entender que o perito busca a verdade e, se você busca a 
verdade, não deve prejulgar. Você não está do lado de nenhuma das partes. Você é o perito 
judicial. É imparcial. Atua como um mediador para aproximar as “verdades” das partes, para 
solucionar determinado conflito. Então deve-se buscar o quê? A verdade! E, para conseguir 
38
alcançá-la dentro do ambiente judicial, você vai produzir uma peça formal, um estudo 
chamado de laudo pericial. Este estudo é o que vai permitir que você leve elementos para o 
entendimento do juiz, que tem o direito de punir (jus puniendi). Ele, então, faz a interpretação 
da legislação, da peça contábil, peça técnica que vai lhe trazer a “luz da verdade” e, com isso, 
elabora a sentença e o processo continua caminhando para sua solução.
Vamos à outra expressão importante: pacta sunt servanda, a qual significa que 
nos contratos as condições pactuadas devem ser observadas, devem ser cumpridas. 
Nesse sentido, devemos entender que elas devem ser rigorosamente observadas, mas 
devemos entender esse conceito entre aspas – “rigorosamente observadas” – porque, 
às vezes, pactua-se algo que pode ser prejudicial a uma das partes, a parte menos 
favorecida.Reside aqui um perigo, existe realmente um problema aqui, e quem terá que 
resolver será o magistrado, dentro do seu julgamento. Surge, então, outra expressão nas 
petições iniciais, a periculum in mora, que significa “o risco da demora”, muito utilizada, 
por exemplo, quando se pede uma tutela antecipada, quando se pede a concessão de 
um mandado de segurança. O perigo reside em que, se demorar o processo, pode-se ter 
mais prejuízo do que já está ocorrendo. É um perigo em razão da demora.
 
Outra expressão relacionada ao tema é fumus boni iuris (há uma “fumaça”, 
indícios de que há um bom direito, uma boa intenção). 
Ainda podemos identificar expressões, tais como:
• adhuc sub judice lis est: o processo ainda está com o juiz;
• conditio sine qua non: condição sem a qual não;
• de cujus: é uma expressão forense que se usa no lugar do nome do falecido, e autor 
da herança, nos termos de um inventário;
• grosso modo: de modo grosseiro”. É usada como sinônimo de "aproximadamente", "cerca 
de" ou "por alto", "resumidamente", "de modo genérico", "sem entrar em pormenores;
• in dubio pro reo: na dúvida, em favor do réu;
• ipsis litteris: "pelas mesmas letras", "literalmente" ou "nas mesmas palavras";
• bis in idem: repetição sobre a mesma coisa;
• pro rata: medir ou racionar proporcionalmente;
• modus operandi: modo de operação;
• habeas corpus: "que tenhas o teu corpo", é uma medida jurídica para proteger indivíduos 
que estão tendo sua liberdade infringida;
• habeas data: ação que assegura o livre acesso de qualquer cidadão a informações 
a ele próprio relativas, constantes de registros, fichários ou bancos de dados de 
entidades governamentais ou de caráter público;
• a priori: aquilo que vem antes de.
39
Neste tópico, você aprendeu:
• A perícia contábil é tão antiga quanto a evolução da Contabilidade, surgindo em função 
das atividades mercantis, econômicas e sociais, bem como da necessidade dos juízes. 
• A perícia contábil, como um dos gêneros de prova pericial, é utilizada pelas pessoas 
(físicas ou jurídicas) para esclarecer fatos ou questões contábeis controversas, 
servindo como meio de prova judicial. 
• É solicitada pelo juiz, com vistas a auxiliá-lo na sua decisão, como meio de prova 
para um fato que exija conhecimento técnico da área contábil. Tal prova ou opinião 
somente poderá ser emitida por especialistas com conhecimentos técnicos e 
científicos em contabilidade, ou seja, pelo perito contábil. 
• O objeto da perícia contábil são as questões patrimoniais vinculadas ao litígio, cujos 
objetivos principais são: identificar elementos de prova e subsidiar a emissão de 
laudo pericial contábil ou parecer técnico-contábil. 
• Os procedimentos inerentes à perícia contábil estão previstos no item 32 da NBC 
TP 01 (R1), quais sejam: exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, 
mensuração, avaliação, certificação e testabilidade.
RESUMO DO TÓPICO 2
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1 Os procedimentos periciais técnico-científicos voltados para a atividade de perícia 
contábil fundamentam as conclusões que serão abordadas no laudo pericial contábil 
ou no parecer pericial contábil e abrangem, total ou parcialmente, segundo a natureza 
e a complexidade da matéria, a determinação de valores ou a solução de controvérsia. 
Fonte: CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020a. NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil. Disponível 
em: https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/nbc-tp-de-pericia/. Acesso em: 6 jan. 2023.
Considerando as definições dos procedimentos periciais previsto na NBC TP 01 (R1), 
associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- Exame.
II- Arbitramento.
III- Avaliação.
IV- Vistoria.
V - Mensuração.
VI - Investigação.
VII- Certificação.
( ) Ato de atestar a informação trazida ao laudo pericial contábil pelo perito-contador, 
conferindo-lhe caráter de autenticidade pela fé pública atribuída a esse profissional.
( ) Estabelece o valor de coisas, bens, direitos, obrigações, despesas e receitas.
( ) São exemplos: contagem física do estoque, medidas de áreas, avaliação de 
componentes patrimoniais.
( ) É quando o perito analisa a conciliação bancária com o livro Diário.
( ) Pesquisa que busca trazer ao laudo pericial contábil ou parecer técnico-contábil o 
que está oculto por quaisquer circunstâncias.
( ) Diligência que objetiva a verificação e a constatação de situação, coisa ou fato, de 
forma circunstancial.
( ) É a determinação de valores ou a solução de controvérsia por critério técnico-
científico.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) I – III – II – VII – VI – IV – V.
b) ( ) II – III – V – VI – IV – I – VII.
c) ( ) VII – III – V – I – VI – IV – II.
d) ( ) II – IV – V – VI – III – I – VII.
e) ( ) VII – II – V – I –VI – IV – III.
AUTOATIVIDADE
41
2 Leia o texto a seguir:
PF pede perícia contábil no fluxo financeiro do Grupo Schahin
Os donos da empresa, em processo de falência, confessaram ter dado um empréstimo 
de R$ 12 milhões, em 2004, para o PT por intermédio do pecuarista José Carlos Bumlai.
A Polícia Federal pediu um laudo pericial contábil para identificar pagamentos feitos 
pela Petrobras para o Grupo Schahin, um dos alvos da Operação Lava Jato. Os donos 
da empresa, em processo de falência, confessaram ter dado um empréstimo de R$ 12 
milhões, em 2004, para o PT por intermédio do pecuarista José Carlos Bumlai – amigo 
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A perícia terá que fornecer, ainda, dados sobre transações financeiras do Grupo com 
agentes públicos, partidos políticos ou pessoas e firmas ligadas a eles, eventuais 
pagamentos para operadores de propina, alvos da Lava Jato, contratações de 
consultorias ou prestações de serviços e movimentações financeiras com empresas 
offshore. O pedido foi feito no dia 4 ao Setor Técnico Científico da PF pela delegada 
Renata da Silva Rodrigues, da equipe da Lava Jato. A análise deve abranger o período 
de 2004 a 2014. 
Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2016/01/pf-pede-pericia-contabil-no-fluxo-
financeiro-do-grupo-schahin.html. Acesso em: 10 jan. 2023.
No que se refere à Perícia Contábil, e de acordo com a NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil, 
analise as seguintes afirmativas: 
I- A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnicos e científicos 
destinado a levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar 
a justa solução do litígio, mediante laudo pericial contábil, e ou parecer pericial 
contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais, e a legislação 
específica no que for pertinente.
II- A perícia contábil, tanto a judicial, como a extrajudicial e a arbitral, é de competência 
de contabilista devidamente registrado em Conselho Regional de Contabilidade.
III- Os procedimentos realizados de perícia contábil fundamentam as conclusões no 
laudo pericial contábil.
IV- Nos casos em que a legislação admite a perícia interprofissional, aplica-se o item 
da alternativa B exclusivamente às questões contábeis, segundo as definições 
contidas nas normas do CFC.
V- A presente Norma aplica-se ao perito contador nomeado em Juízo, ao contratado 
pelas partes para a perícia extrajudicial ou ao escolhido na arbitragem; e, ainda, ao 
perito-contador assistente indicado ou contratado pelas partes.
 Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I, II, IV estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I, III, IV e V estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
42
3 A perícia contábil tem como objetivo central fundamentar as informações deman-
dadas, evidenciando a veracidade dos fatos de forma imparcial e merecedora de fé, 
tornando-os instrumentos de prova para o juiz solucionar as questões propostas no 
litígio. Com relação aos objetivos específicos da perícia contábil, leia as sentenças a 
seguir:
I- Através da fidelidade, o perito deve usar em sua opinião uma linguagem acessível 
a quem vai utilizar-sede seu trabalho, embora possa conservar a terminologia 
tecnológica e científica em seus relatos.
II- Com a objetividade, o perito oferece respostas pertinentes e adequadas às questões 
formuladas ou finalidades propostas.
III- Na concisão, a perícia contábil deve evitar a prolixidade e emitir uma opinião que 
possa facilitar as decisões.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
4 Um dos elementos mais importantes da prova pericial, sem dúvida nenhuma, é o 
vocabulário a ser utilizado, a linguagem, porque estaremos em um processo de 
comunicação. A comunicação deve acontecer claramente. O juiz se serve do trabalho 
do perito para que possa entender uma matéria que é essencialmente técnica e 
com um linguajar próprio, um vocabulário muito específico, podendo o magistrado 
não compreender e cometer um erro de julgamento. O perito deve ter uma postura 
de estudo, de cuidado, de atenção para que o processo de comunicação ocorra 
adequadamente. Diante do exposto, selecione cinco locuções latinas e interprete-as:
a) ad hoc.
b) ad iudicia ou ad judicia.
c) ad referendum.
d) affectio societatis.
e) data vênia.
f) data permissa.
g) jus puniendi.
h) Lex dura, sed Lex!
i) Nihil est veritatis luce dulcius!
j) pacta sunt servanda.
l) periculum in mora.
m) fumus boni iuris.
n) adhuc sub judice lis est.
o) conditio sine qua non.
p) de cujus.
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q) grosso modo.
r) in dubio pro reo.
s) ipsis litteris.
t) bis in idem.
u) pro rata.
v) modus operandi.
x) habeas corpus.
z) a priori.
5 A NBC TP 01 (R1), no item 32, nos apresenta os procedimentos técnico-científi cos 
periciais, quais sejam: exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, 
mensuração, avaliação, certifi cação e testabilidade. 
Fonte: CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020a. NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil. Disponível 
em: https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/nbc-tp-de-pericia/. Acesso em: 6 jan. 2023.
Considerando a fi gura a seguir, discorra sobre os procedimentos periciais previstos na 
NBC TP 01 (R1).
Procedimentos periciais
Fonte: o autor
44
45
TÓPICO 3 — 
PERITO JUDICIAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 3, abordaremos a respeito do perito 
judicial, que é o profissional escolhido pelo juiz ou pelas partes – inovação da lei atual, pois 
anteriormente à vigência do atual CPC era somente o juiz que podia definir o perito, agora 
as partes podem indicá-lo, de comum acordo, ao magistrado (MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 
2017). Somente o juiz é quem pode definir o perito judicial. O perito é o auxiliar da Justiça. 
Os assistentes técnicos são os profissionais escolhidos pelas partes, autor ou réu na ação.
O perito judicial é a pessoa que, perante um tribunal, declara possuir a característica 
particular de deter conhecimentos técnicos em determinada ciência, arte ou ofício, os 
quais lhe permitem emitir opiniões sobre materiais relevantes para a resolução de um 
juízo; o perito judicial, portanto, é o profissional que colabora com a justiça na busca da 
verdade dos fatos (CREPALDI, 2019). 
Para trabalhar como perito judicial, além do conhecimento técnico da área na qual 
pretende atuar, é necessário ser formado em um curso superior e estar filiado ao conselho 
regional da categoria. Podem exercer essa atividade funcionários públicos aposentados, 
recém-formados, profissionais liberais e colaboradores de empresas (arquitetos, médicos, 
engenheiros ambientais, administradores, contadores etc.) (SANTOS, 2020; CREPALDI, 
2019; ORNELAS, 2017). 
Assim, para a obtenção da prova pericial, no âmbito judicial, é imprescindível 
a participação das seguintes figuras: juiz e perito (ressaltamos que as partes podem 
contratar também assistentes técnicos, caso queiram). Quanto à figura do juiz da causa, 
não requer maiores explicações. É a pessoa que decide e saneia a lide, exercendo o poder 
que lhe é conferido pelo Judiciário. O perito auxiliará nos assuntos técnicos e específicos 
sobre os quais o juiz não detém conhecimento (SANTOS, 2020; CREPALDI, 2019; MÜLLER; 
TIMI; HEIMONSKI, 2017; ORNELAS, 2017).
2 PERITO CONTÁBIL
De acordo com o Código de Processo Civil: 
Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a prova do fato 
depender de conhecimento técnico ou científico. 
§ 1º Os peritos serão nomeados entre os profissionais legalmente 
habilitados e os órgãos técnicos ou científicos devidamente inscritos 
em cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado 
(BRASIL, 2015).
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O perito contábil é o contador registrado em Conselho Regional de Contabilidade 
(CRC), que exerce a atividade pericial de forma pessoal, devendo ser profundo conhecedor 
devido as suas qualidades e experiências da matéria periciada, segundo a NBC PP 01 
(R1):
Perito é o contador detentor de conhecimento técnico e científi-
co, regularmente registrado em Conselho Regional de Contabi-
lidade e no Cadastro Nacional dos Peritos Contábeis, que exerce a 
atividade pericial de forma pessoal ou por meio de órgão técnico ou 
científico [...] (CPC, 2020b)
Para Crepaldi (2019), Müller, Timi e Heimonski (2017) e Ornelas (2017), o perito 
deve possuir conhecimentos técnicos, ter um aprimoramento cultural diversificado e ser 
especializado e aperfeiçoado em sua área de atuação. Trata-se de um profissional com 
formação superior que detém conhecimentos técnicos e/ou científicos que o tornam 
apto a auxiliar a Justiça quando é necessária a aplicação de suas habilidades para 
provar algum fato ou ato, conforme o Art. 149 do Código de Processo Civil: 
Art. 149. São auxiliares da Justiça, além de outros cujas atribuições 
sejam determinadas pelas normas de organização judiciária, o 
escrivão, o chefe de secretaria, o oficial de justiça, o perito, o 
depositário, o administrador, o intérprete, o tradutor, o mediador, 
o conciliador judicial, o partidor, o distribuidor, o contabilista e o 
regulador de avarias (BRASIL, 2015). 
O exercício da perícia contábil é privativo do Bacharel em Ciências Contábeis 
registrado no CRC. Assim, o perito contábil deve possuir um profundo conhecimento 
teórico e prático da Contabilidade (experiência), além de retidão de conduta (capacidades 
éticas) (CREPALDI, 2019). O Decreto-Lei nº 9.295 de 27 de maio de 1946, nos traz o seguinte:
 
Art. 25. São considerados trabalhos técnicos de contabilidade:
a) organização e execução de serviços de contabilidade em geral;
b) escrituração dos livros de contabilidade obrigatórios, bem como 
de todos os necessários no conjunto da organização contábil e 
levantamento dos respectivos balanços e demonstrações;
c) perícias judiciais ou extra-judiciais, revisão de balanços e de 
contas em geral, verificação de haveres revisão permanente ou 
periódica de escritas, regulações judiciais ou extra-judiciais de 
avarias grossas ou comuns, assistência aos Conselhos Fiscais das 
sociedades anônimas e quaisquer outras atribuíções de natureza 
técnica conferidas por lei aos profissionais de contabilidade.
§ 1º Os serviços profissionais de contabilidade são, por sua natureza, 
técnicos e singulares, quando comprovada sua notória 
especialização, nos termos da lei.    
§ 2º Considera-se notória especialização o profissional ou a sociedade 
de profissionais de contabilidade cujo conceito no campo de sua 
especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, 
experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe 
técnica ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, 
permita inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente 
o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato.  
47
Art. 26. Salvo direitos adquiridos ex-vi do disposto no art. 2º do Decreto 
nº 21.033, de 8 de Fevereiro de 1932, as atribuições definidas 
na alínea c do artigo anterior são privativas dos contadores 
diplomados (BRASIL, 1946). 
As normas aplicáveisao perito-contador são as apresentadas na Figura 4:
Figura 4 – Normas aplicáveis ao perito-contador
Fonte: o autor
Moura (2020), afirma que a perícia deverá ser executada, sempre, por uma 
pessoa que entenda do assunto a ser periciado, examinando com atenção e minúcia. 
Assim, o perito contábil, de acordo com Crepaldi (2019) e Moura (2020), para exercício 
na perícia judicial deverá ter capacidade de: 
• Adaptabilidade: os peritos deverão ser capazes de se adaptarem ao caso concreto 
apresentado nos autos do processo, objeto da perícia.
• Responsabilidade: os peritos são os que assumirão a responsabilidade pelo trabalho 
realizado e apresentado ao magistrado.
• Criatividade: quando da realização dos trabalhos periciais, os peritos deverão criar 
novas soluções, ampliando ao máximo seu ponto de vista.
• Conhecimento da área: é condição primordial que, para o desempenho de um bom 
trabalho pericial, que o perito tenha conhecimento da área específica o objeto da 
perícia.
• Capacidade de decisão: no desenvolvimento do trabalho pericial, será necessário 
que se tomem decisões assertivas e rápidas.
• Experiência: aliado ao conhecimento da área específica, a experiência do perito 
otimizará o seu processo de tomada de decisões de forma célere e assertiva.
• Conhecimento do que seja relevante: com a sua expertise, o perito segregará o 
que é relevante e o usará no seu trabalho pericial.
• Metodologia: para o êxito do trabalho pericial será necessário o uso de rigorosos 
critérios metodológicos.
48
• Percepção: o perito deverá ter uma boa capacidade de percepção da situação-
problema, extraindo informações de situações imperceptíveis aos demais.
• Aparência pessoal: é o zelo e cuidado da aparência física, com vistas a transmitir 
uma boa apresentação pessoal.
• Autoconfiança: o perito deve transmitir confiança nas suas ações e decisões.
• Bom humor: por lidar com o público, o perito necessitará relacionar-se com diversas 
pessoas, devendo transmitir uma boa imagem pessoal.
A NBC PP 01 (R1) nos diz que o perito contador, no exercício da 
atividade pericial, assume as seguintes denominações:
• perito do juízo é o contador nomeado pelo poder judiciário 
para exercício da perícia contábil; 
• perito arbitral é o contador nomeado em arbitragem para 
exercício da perícia contábil;
• perito oficial é o contador investido na função por lei e 
pertencente a órgão especial do Estado;
• assistente técnico é o contador ou órgão técnico ou científico 
indicado e contratado pela parte em perícias contábeis.
IMPORTANTE
O contador, na função de perito do juízo ou perito-assistente técnico, segundo 
os autores Crepaldi (2019), Moura (2020) e Santos (2020), deve:
 manter adequado nível de competência profissional, com o conhecimento atualizado 
da Contabilidade, das Normas Brasileiras de Contabilidade pertinentes, das técnicas 
contábeis, da legislação relativa à profissão contábil e das normas jurídicas, em 
especial aquelas aplicáveis à perícia;
	atualizar-se permanentemente mediante programas de capacitação, treinamento, 
educação continuada e especialização, e realizando seus trabalhos com a observância 
da equidade;
	realizar seus trabalhos com a observância da equidade, o que significa que o perito 
deve atuar com igualdade de direitos, adotando os preceitos legais e técnicos 
inerentes à profissão contábil;
	pautar sua linha de conduta no sentido estritamente profissional, aplicando toda a 
sua técnica sobre o assunto sob seu exame, agindo com isenção e imparcialidade;
	possuir caráter íntegro e sujeito a todas as provas, resistindo a toda espécie de 
pressões e a todas as situações;
	conhecer as responsabilidades sociais, éticas, profissionais e legais às quais está 
sujeito no momento que aceita o encargo para a execução de perícias contábeis 
judiciais e extrajudiciais, inclusive arbitral;
	deve ser a favor da imparcialidade, dispensando igualdade de tratamento às partes e, 
especialmente, aos assistentes técnicos.
49
Acadêmico, a seguir resumimos na Figura 5 os tipos de peritos que já citamos:
Figura 5 – Tipos de peritos
Fonte: o autor
A NBC PP 01 (R1) nos revela as responsabilidades do perito contábil, quando do exercício 
da perícia contábil:
Responsabilidade 
O perito deve conhecer as responsabilidades sociais, éticas, profissionais e legais às quais 
está sujeito no momento que aceita o encargo para a execução de perícias contábeis 
judiciais e extrajudiciais, inclusive arbitral.
O termo “responsabilidade” refere-se à obrigação do perito em respeitar os princípios da 
ética e do direito, atuando com lealdade, idoneidade e honestidade no desempenho de 
suas atividades, sob pena de responder civil, criminal, ética e profissionalmente por seus 
atos.
Ciente do livre exercício profissional, deve o perito nomeado, sempre que possível e 
não houver prejuízo aos seus compromissos profissionais e as suas finanças pessoais, 
em colaboração com o Poder Judiciário, aceitar o encargo confiado ou escusar-se do 
encargo, no prazo legal, apresentando suas razões.
O perito nomeado, no desempenho de suas funções, deve propugnar pela imparcialidade, 
dispensando igualdade de tratamento às partes e, especialmente, aos assistentes 
técnicos. Não se considera parcialidade, entre outros, os seguintes:
• atender às partes ou a assistentes técnicos, desde que se assegure igualdade de 
oportunidades; ou
• fazer uso de trabalho técnico-científico anteriormente publicado pelo perito nomeado 
que verse sobre matéria em discussão. 
Responsabilidade civil e penal
A legislação civil determina responsabilidades e penalidades para o profissional que 
exerce a função de perito, as quais consistem em multa, indenização e inabilitação.
A legislação penal estabelece penas de multa e reclusão para os profissionais que 
exercem a atividade pericial que descumprirem as normas legais.
INTERESSANTE
50
Zelo profissional
O termo “zelo”, para o perito, refere-se ao cuidado que ele deve dispensar na execução 
de suas tarefas, em relação a sua conduta, documentos, prazos, tratamento dispensado 
às autoridades, aos integrantes da lide e aos demais profissionais, de forma que sua 
pessoa seja respeitada, seu trabalho levado a bom termo e, consequentemente, o laudo 
pericial contábil e o parecer pericial-contábil sejam dignos de fé pública. 
O zelo profissional do perito na realização dos trabalhos periciais compreende:
• cumprir os prazos fixados pelo juiz em perícia judicial e nos termos contratados em 
perícia extrajudicial, inclusive arbitral;
• comunicar ao juízo, antes do início da perícia, caso o prazo estipulado 
no despacho judicial para entrega do laudo pericial seja incompatível 
com a extensão do trabalho, sugerindo o prazo que entenda 
adequado;
• assumir a responsabilidade pessoal por todas as informações 
prestadas em matéria objeto da perícia, 
os quesitos respondidos, os procedimentos adotados, 
as diligências realizadas, os valores apurados e as 
conclusões apresentadas no laudo pericial contábil e no 
parecer pericial contábil;
• prestar os esclarecimentos determinados pela autoridade 
competente, respeitados os prazos legais ou contratuais;
• propugnar pela celeridade processual, valendo-se dos meios que 
garantam eficiência, segurança, publicidade dos atos periciais, 
economicidade, o contraditório e a ampla defesa;
• ser prudente, no limite dos aspectos técnico-científicos, e atento às 
consequências advindas dos seus atos;
• ser receptivo aos argumentos e críticas, podendo ratificar ou retificar 
o posicionamento anterior.
A transparência e o respeito recíprocos entre o perito nomeado 
e os assistentes técnicos pressupõem tratamento impessoal, 
restringindo os trabalhos, exclusivamente, ao conteúdo técnico-
científico.
O perito é responsável pelo trabalho de sua equipe técnica.
2.1 CADASTRO NACIONAL DE PERITOS CONTÁBEIS (CNPC)
O Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC) foi criado através da Resolução 
do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) – CFC nº 1.502/2016(CFC, 2016b). 
O cadastro do profissional Contador no CNPC ser dará, conforme a citada 
Resolução, através da aprovação no Exame de Qualificação Técnica para Perito Contábil 
(EQT), cujo objetivo aferir o nível de conhecimento e a competência técnico-profissional 
necessários aos profissionais que pretendem atuar na atividade de perícia contábil. 
O EQT foi instituído por meio da NBC PP 02 (CFC, 2016a, grifo nosso):
1. O Exame de Qualificação Técnica (EQT) para perito contábil tem 
por objetivo aferir o nível de conhecimento e a competência 
técnico-profissional necessários ao contador que pretende 
atuar na atividade de perícia contábil.
2. O EQT para perito contábil será implementado pela aplicação de 
prova escrita, conforme definido nesta norma.
51
3. A aprovação na prova de Qualificação Técnica para perito 
contábil assegura ao contador o registro no Cadastro 
Nacional de Peritos Contábeis (CNPC) do Conselho Federal de 
Contabilidade (CFC).
No exame de Qualificação Técnica Geral para perito contábil, serão exigidos 
conhecimentos do contador nas seguintes áreas:
• Legislação Profissional.
• Ética Profissional.
• Normas Brasileiras de Contabilidade, Técnicas e Profissionais, editadas pelo Conselho 
Federal de Contabilidade, inerentes à perícia.
• Legislação Processual Civil aplicada à perícia.
• Língua Portuguesa e Redação.
• Direito Constitucional, Civil e Processual Civil afetos à legislação profissional, à prova 
pericial e ao perito.
A prova será escrita, contemplando questões para respostas objetivas e questões 
para respostas dissertativas.
O contador será aprovado no EQT se obtiver, no mínimo, 60% (sessenta 
por cento) dos pontos das questões objetivas e 60% (sessenta por 
cento) dos pontos das questões dissertativas previstos na prova.
IMPORTANTE
2.2 RECUSA, IMPEDIMENTOS E SUSPEIÇÃO
De acordo com a NBC PP 01 (R1) (CFC, 2020b), impedimentos são situações 
fáticas ou circunstanciais que impossibilitam o perito do juízo de exercer, regularmente, 
suas funções ou realizar atividade pericial em processo judicial ou extrajudicial, inclusive 
arbitral. A norma apresenta alguns itens que demonstram os conflitos de interesses, 
motivadores de impedimentos a que está sujeito o perito contábil. 
Os impedimentos e suspeições a que está sujeito o perito do juízo, 
nos termos da legislação vigente e do Código de Ética do Contador, 
geram conflito de interesses entre as partes.
ATENÇÃO
52
2.2.1 Recusa
O perito poderá recusar sua nomeação, nos casos de: estado de saúde, 
indisponibilidade de tempo, falta de recursos humanos ou materiais; desconhecimento 
da matéria ou formação acadêmica diversa, conforme previsão no seguinte dispositivo 
do CPC:
Art. 157. O perito tem o dever de cumprir o ofício no prazo que lhe 
designar o juiz, empregando toda sua diligência, podendo escusar-se 
do encargo alegando motivo legítimo.
§ 1º A escusa será apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, contado 
da intimação, da suspeição ou do impedimento supervenientes, sob 
pena de renúncia ao direito a alegá-la (BRASIL, 2015).
Assim, o perito do juízo terá o prazo de 15 (quinze) dias, que começará a contar 
a partir da sua intimação, para recusar sua nomeação.
2.2.2 Impedimento e suspeição
O impedimento e/ou suspeição ocorre quando existe relação profissional com as 
partes, amigo ou inimigo dos litigantes, interesse direto ou indireto na causa, parentesco 
ou credor ou devedor do perito ou do seu cônjuge. A previsão do impedimento e 
suspeição está nos Arts. 144, 145, 147 e 148 e inciso II, Art. 467 do CPC, e, ainda, NBC PP 
01 (R1):
SUSPEIÇÃO E IMPEDIMENTO LEGAL
12. O perito nomeado deve se declarar suspeito ou impedido quando 
não puder exercer suas atividades, observadas as disposições 
legais.
13. O perito deve declarar-se suspeito quando, após nomeado ou 
contratado, verificar a ocorrência de situações que venham 
suscitar suspeição em função da sua imparcialidade ou 
independência e, dessa maneira, comprometer o resultado do 
seu trabalho em relação à decisão.
14. Os casos de suspeição e impedimento a que está sujeito o perito 
nomeado são os seguintes:
a) ser amigo íntimo de qualquer das partes;
b) ser inimigo capital de qualquer das partes;
c) ser devedor ou credor em mora de qualquer das partes, dos 
seus cônjuges, de parentes destes em linha reta ou em linha 
colateral até o terceiro grau ou entidades das quais esses 
façam parte de seu quadro societário ou de direção;
d) ser herdeiro presuntivo ou donatário de alguma das partes ou 
dos seus cônjuges;
e) ser parceiro, empregador ou empregado de uma das partes;
f) aconselhar, de alguma forma, parte envolvida no litígio acerca 
do objeto da discussão; e
g) houver qualquer interesse no julgamento da causa em favor 
de uma das partes.
15. O perito pode ainda declarar-se suspeito por motivo de foro 
íntimo (CFC, 2020b).
53
Assim, o perito contábil deverá escusar-se quando incorrer em suspeição e 
impedimento, conforme Art. 467 do CPC:
Art. 467. O perito pode escusar-se ou ser recusado por impedimento 
ou suspeição.
Parágrafo único. O juiz, ao aceitar a escusa ou ao julgar procedente a 
impugnação, nomeará novo perito (BRASIL, 2015).
Crepaldi (2019) e Moura (2020) nos trazem alguns casos de impedimento e 
suspeição:
Quadro 3 – Casos de impedimento e suspeição
Impedimento legal Impedimento técnico
Ocorre quando o perito contábil:
• for parte do processo;
• tiver atuado como perito do juízo 
contratado ou prestado depoimento como 
testemunha no processo;
• tiver cônjuge ou parente, consanguíneo 
ou afim, em linha reta ou em linha 
colateral até o terceiro grau postulando 
no processo, ou entidades de cujo quadro 
societário ou direção faça parte;
• interessado, direta ou indiretamente, 
mediata ou imediatamente, para si, para 
seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou 
afim, em linha reta ou em linha colateral 
até o terceiro grau, no resultado do 
trabalho pericial;
• exercer cargo ou função incompatível com 
a atividade de perito do juízo, em função 
de impedimentos legais ou estatutários;
• receber dádivas de interessados no 
processo; • subministrar meios para 
atender às despesas do litígio;
• receber quaisquer valores e benefícios, 
bens ou coisas sem autorização ou 
conhecimento do juiz ou árbitro.
O perito se declara em impedimento técnico 
quando:
• não é especializado na matéria em litígio;
• constatar que os recursos humanos e 
materiais de sua estrutura profissional 
não permitem assumir o encargo; cumprir 
os prazos nos trabalhos em que o perito 
do juízo for nomeado, contratado ou 
escolhido; ou naqueles em que o perito-
contador assistente for indicado;
• o perito-assistente técnico tiver atuado 
para a outra parte litigante na condição 
de consultor técnico ou contador 
responsável, direto ou indireto, em 
atividade contábil ou em processo no qual 
o objeto de perícia seja semelhante àquele 
da discussão, sem previamente comunicar 
ao contratante.
Suspeição
• ser amigo íntimo de qualquer das partes;
• ser inimigo capital de qualquer das partes;
• ser devedor ou credor em mora de qualquer das partes, dos seus cônjuges, de parentes 
destes em linha reta ou em linha colateral até o terceiro grau ou entidades das quais estes 
façam parte de seu quadro societário ou de direção;
• ser herdeiro presuntivo ou donatário de alguma das partes ou dos seus cônjuges;
• ser parceiro, empregador ou empregado de alguma das partes;
• aconselhar, de alguma forma, parte envolvida no litígio acerca do objeto da discussão;
• ter qualquer interesse no julgamento da causa em favor de alguma das partes.
Fonte: adaptado de Crepaldi (2019) e Moura (2020)
54
De acordo com Código de Processo Civil, o perito-assistente 
técnico não está sujeito ao impedimento ou à suspeição:
Art. 466. O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe 
foi cometido, independentemente de termo de compromisso. 
§ 1º Os assistentes técnicos são de confiança da parte e não estão 
sujeitos a impedimento ou suspeição.
IMPORTANTE
Apesarde o CPC informar que o perito-assistente técnico não estar sujeito ao 
impedimento, de forma geral, entende-se que o impedimento técnico-científico para o 
perito-assistente, previsto na NBC PP 01, continua válido (CREPALDI, 2019).
Equipe técnica: quando a perícia exigir o trabalho de terceiros 
(equipe de apoio, trabalho de especialistas ou profissionais de 
outras áreas de conhecimento), o planejamento deverá trazer a 
previsão de orientação e supervisão do perito nomeado, e este 
responderá pelos trabalhos executado pela equipe contratada. 
É o que está previsto no item 30 da NBC TP 01 (R1): “a execução 
da perícia, quando incluir a utilização de equipe técnica, deve ser 
realizada sob a orientação e supervisão do perito, que assume a 
responsabilidade pelos trabalhos” (NBC TP 01 (R1), itens 13 e 30).
ATENÇÃO
3 PERITO ASSISTENTE 
Acadêmico, vimos que na NBC PP 01 (R1) que o perito contábil poderá assumir 
algumas denominações. Uma das denominações é a de assistente técnico, que é o 
contador ou órgão técnico ou científico indicado e contratado pela parte em perícias 
contábeis.
O assistente técnico não é um auxiliar da Justiça, diferentemente do perito do 
juízo. O perito assistente técnico, ou simplesmente, assistente técnico, apesar de 
atuar no processo, é de livre contratação das partes, inclusive sendo estas responsáveis 
por seus honorários, que nem constam dos autos. O perito judicial, geralmente, 
é remunerado pela parte que solicita a perícia, sendo as custas ressarcidas a quem 
pagou, se for o caso, ao final, pelo vencido (MOURA, 2020; SOUSA, 2020; CREPALDI, 
2019; MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 2017; ORNELAS, 2017). 
55
O assistente técnico é citado em vários artigos do novo CPC. Acadêmico, 
diferentemente dos peritos, que são de confiança do juiz, os assistentes técnicos são 
de confiança da parte que os contratou e, como mencionado, não estão sujeitos a 
impedimento ou suspeição, conforme o Art. 466 do CPC:
Art. 466. O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi 
cometido, independentemente de termo de compromisso.
§ 1º Os assistentes técnicos são de confiança da parte e não estão 
sujeitos a impedimento ou suspeição.
§ 2º O perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e 
o acompanhamento das diligências e dos exames que realizar, com 
prévia comunicação, comprovada nos autos, com antecedência 
mínima de 5 (cinco) dias (BRASIL, 2015).
O assistente técnico tem o momento certo para se pronunciar nos autos e prazos a 
cumprir junto a quem o contratou (o advogado, que também tem prazos processuais a 
respeitar), não estando sujeito à suspeição, impugnação e normas, como, por exemplo, 
ter curso superior, estar inscrito em órgão de classe etc. Mas é óbvio que para executar 
uma perícia contábil é preciso ser contador, como determina o CRC. Diferentemente dos 
peritos, que são de confiança do juiz, os assistentes técnicos são de confiança da parte 
que os contratou (MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 2017; ORNELAS, 2017).
O perito deve assegurar aos assistentes técnicos o acompanhamento 
das diligências e dos exames a realizar com prévio aviso.
IMPORTANTE
Vamos agora fazer um comparativo entre o perito contábil do juízo (que cha-
maremos apenas de perito) e o perito assistente técnico (que chamaremos apenas de 
assistente técnico):
Quadro 4 – Perito versus assistente técnico
Perito Assistente técnico
	Nomeado pelo juiz, árbitro, autoridade 
pública ou privada para exercício da perícia 
contábil.
	É designado para subsidiar a solução do li-
tígio, ou, simplesmente, constatar um fato.
	Elaborará o laudo pericial contábil que será 
entregue para a tomada de decisão.
	Contratado e indicado pela parte no litígio.
	Acompanhará os procedimentos, bem 
como os trâmites processuais.
	Elaborará um parecer técnico contábil 
acerca da matéria objeto do litígio.
Fonte: adaptadao de Moura, 2020; Sousa, 2020; Crepaldi, 2019; Müller; Timi; Heimonski, 2017; Ornelas, 2017.
56
O Código de Processo Civil denomina o perito assistente técnico, simplesmente, 
assistente técnico da perícia;
Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e 
fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo. 
§ 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da 
intimação do despacho de nomeação do perito:
I – arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; 
II – indicar assistente técnico; 
III – apresentar quesitos (BRASIL, 2015, grifo nosso).
As partes serão intimadas do despacho de nomeação do perito e, no prazo 
de 15 dias, contados desse despacho, indicarão seus assistentes técnicos, seus 
quesitos e, se for o caso, arguirão a suspeição ou o impedimento do especialista. 
Enquanto o perito do juízo é necessário para execução de qualquer perícia contábil, o 
perito-assistente só é contratado se uma parte do litígio julgar conveniente (CREPALDI, 
2019; MOURA, 2020).
Exemplificando: Em uma perícia judicial contábil, o juiz nomeia o contador Mário 
para ser o perito contábil e realizar o levantamento contábil dos bens de determinada 
sucessão hereditária. Joana, que é parte nesse processo, para certificar-se da lisura 
do trabalho do perito nomeado pelo juiz, contrata Marcos, assistente técnico. Marcos 
passa, então, a acompanhar os trabalhos do perito do juízo. Ao final dos trabalhos, o 
perito do juízo elaborará um laudo pericial que conterá a sua opinião sobre o patrimônio 
objeto do litígio, e Marcos (assistente técnico) manifestará a sua posição em um parecer 
técnico-contábil. O juiz observará o laudo e o parecer antes de proferir a sentença.
O perito do juízo é sempre nomeado, enquanto o assistente técnico é 
sempre contratado pela parte.
ATENÇÃO
A NBC TP 01 (R1) traz, nos itens 22 e 23, alguns pontos a serem considerados 
pelo assistente técnico: 
22 Ao ser intimado para dar início aos trabalhos periciais, o perito 
nomeado deve comunicar às partes e aos assistentes 
técnicos: a data e o local de início da produção da prova pericial 
contábil, exceto se fixados pelo juízo, juízo arbitral ou autoridade 
administrativa:
(a) caso não haja, nos autos, dados suficientes para a localização 
dos assistentes técnicos, a comunicação deve ser feita 
aos advogados das partes e, caso estes também não tenham 
informado endereço nas suas petições, a comunicação deve 
ser feita diretamente às partes e/ou ao Juízo, juízo arbitral 
ou autoridade administrativa;
57
(b) assim que formalizada sua contratação, pode o assistente 
técnico manter contato com o perito, colocando-se à 
disposição para cooperar do desenvolvimento do trabalho 
pericial;
(c) o perito nomeado deve assegurar aos assistentes 
técnicos o acesso aos autos e aos elementos de prova 
arrecadados durante a perícia, indicando local, data e hora 
para exame deles; 
(d) os assistentes técnicos têm o dever inalienável de 
colaborar para a revelação da verdade e comportar-se de 
acordo com a boa-fé e com a equidade, além de cooperar 
entre si e com o perito nomeado, para que se obtenha um 
resultado da perícia em tempo razoável; 
(e) os assistentes técnicos podem entregar ao perito 
nomeado cópia do seu parecer prévio, planilhas ou memórias 
de cálculo, informações e demonstrações que possam 
esclarecer ou auxiliar o trabalho a ser desenvolvido pelo 
perito nomeado, assegurado o acesso ao outro assistente. 
23 O assistente técnico pode, logo após a sua contratação, 
manter contato com o advogado da parte que o contratou, 
requerendo dossiê completo do processo para conhecimento 
dos fatos e melhor acompanhamento dos atos processuais no 
que for pertinente à perícia (CFC, 2020ª, grifo nosso). 
Acadêmico, podemos resumir as características do perito assistente técnico na 
Figura 2, abaixo:
Figura 6 – Características do perito assistente técnico
Fonte: elaborado pelo autor
58
LEITURA
COMPLEMENTAR
PERÍCIA CONTÁBIL É UMA ÁREA INTERESSANTE?
Patrick Anderson 
Você já é contador e pensou em ser um perito contábil? Se a sua resposta foi 
sim, então aqui você vai encontrar oque você precisa para ser um. A perícia contábil é 
uma área interessante das ciências contábeis, e neste artigo te daremos mais detalhes.
O que você verá neste artigo:
• O que é perícia?
• E a perícia contábil?
• Quem pode ser um perito contábil?
• Quais são as funções de um perito contábil no Brasil?
• Quais tipos de pericias contábeis existem?
• A perícia contábil judicial.
• A perícia contábil extrajudicial.
• Perícia no âmbito estatal.
• Perícia arbitral.
• Perícia Voluntária.
• O mercado de trabalho para um perito contador.
 
O que é perícia?
Em primeiro lugar, você precisa saber o que é perícia!
A perícia é a capacidade de resolver com acerto, facilidade e rapidez algo que 
implica certa dificuldade.
E a perícia contábil?
Segundo as Normas Brasileiras de Contabilidade NBC TP 01 – Norma Técnica de 
Perícia Contábil – a perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnicos e 
científicos destinados a levar à justa solução do litigio.
Esses procedimentos são realizados mediante laudo e/ou parecer pericial 
contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais, e a legislação 
específica no que for pertinente.
59
No que se refere às questões financeiras e contábeis, ou seja, mediante os 
processos técnicos requeridos, o perito pode:
• fazer uma investigação;
• validar os argumentos;
• avaliar as questões.
Posteriormente ele pode dar uma opinião correspondente ao fato implicado. 
No Brasil, a perícia contábil foi instituída em 1946, mediante o Decreto-Lei 9295/46, 
o qual deu origem ao Conselho Regional de Contabilidade (CRC). Esta lei estabeleceu 
atribuições ao contador, podendo ser exercida somente por profissionais, legalmente, 
neste órgão.
A seguir, vamos falar sobre algumas das atividades ilegais que são assuntos de 
investigação do perito contador:
• corrupção;
• crimes contra as finanças públicas;
• crimes em licitações;
• fraudes em instituições financeiras;
• lavagem de dinheiro;
• sonegação fiscal etc.
Quem pode ser um perito contábil?
O perito contábil só pode ser o contador que esteja habilitado no Conselho 
Regional de Contabilidade da respectiva jurisdição. Esta convenção está conforme 
determina a norma legal alínea “c” do Artigo 25, combinado com o Artigo 26, do Decreto-
Lei n° 9.297, de 27 de maio de 1946. Também é necessário ter Cadastro Eletrônico de 
Peritos e Órgãos Técnicos ou Científicos (CPTEC).
Além disso, é preciso enfatizar que o perito contábil deve possuir conhecimentos 
específicos no que se refere à perícia. Assim, mantendo um alto nível de desempenho 
profissional e estando atualizado sobre as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC).
Quais são as funções de um perito contábil no Brasil?
Um perito contábil deve dominar de forma correta as técnicas de contabilidade, 
tendo critérios certos que possam comprovar as constatações que faz. Levando isso 
em consideração, entre as principais funções de um perito contábil está a de fazer, 
de forma acordante com os processos de análise, a fim de que se possa identificar se 
houve ou não alguma anormalidade ou irregularidade no âmbito fiscal.
60
Essa identificação leva em consideração a análise de registros de transações, 
livros e outros documentos que contornam os acontecimentos a serem investigados.
Quais tipos de pericias contábeis existem?
O que torna a perícia contábil interessante são as diversas atuações e nuances que 
ela possui. Para isso, você tem que saber que existem dois tipos de pericias contábeis:
• perícia judicial;
• perícia extrajudicial.
Detalharemos mais sobre essas duas especificidades a seguir:
A perícia contábil judicial
É aquela na qual o perito contador é designado por um juiz. O juiz pode recorrer 
ao perito porque precisa de um documento técnico especializado (laudo profissional) 
ou para examinar o pedido de uma das partes compreendidas no processo. Além disso, 
o juiz pode compreender o parecer técnico do contador especializado de maneira que 
obtenha embasamento suficiente para a avaliação correta do processo.
Geralmente uma perícia contábil judicial é requerida por uma das partes. Tanto a 
defesa quanto a acusação podem apresentar embasamentos que não têm a comprovação 
suficiente para serem validados mesmo apresentando provas. Desse modo, essa pericia 
serve para efetivar a conferencia de dados, verificando a veracidade das provas que foram 
apresentadas pelas partes envolvidas ou para ser parte da coleta de provas.
Certamente, esta perícia judicial deve ser feita dentro de um prazo determinado 
pelo juiz. Para poder cumprir tal prazo, o perito pode ter disponibilidade de assistentes 
técnicos para poder apoiá-lo. A perícia judicial é de suma importância em um litigio, já 
que esta serve com prova em um processo, o que é fundamental solucionar as questões. 
Dessa maneira, esses levantamentos periciais ajudam o juiz no momento da sentença 
do processo.
A perícia contábil judicial envolve as esferas:
• criminal;
• justiça do trabalho;
• cível estadual;
• justiça federal;
• justiça da família;
• varas de falências e recuperação judicial;
• fazenda pública;
• execuções fiscais.
61
A perícia contábil extrajudicial
De fato, este tipo de perícia se sucede quando não há um pedido judicial por 
médio, ou ainda quando um processo judicial está sendo constituído. Dentro desta, 
existem três tipos:
• perícia no âmbito estatal;
• perícia arbitral;
• perícia voluntária.
Perícia no âmbito estatal
A Perícia no âmbito estatal é aquela realizada pelos órgãos Estatais. Por exemplo:
• as perícias criminais;
• as pericias estaduais;
• as pericias federais.
Além disso, existem pericias realizadas por peritos do Ministério Público.
Pericia Arbitral
A Perícia arbitral é solicitada quando é necessária uma arbitragem para dar 
solução imparcial entre as partes, de forma que o juiz fará nomeação de um perito 
contábil independente, igualmente acordado entre os interessados.
Perícia Voluntária
Ela é realizada mediante contratação de empresas com a finalidade de 
comprovar informações de caráter contábil. É realizada de forma voluntária, sem que 
haja um processo judicial e, neste caso, pode ser feita em conjunto com uma auditoria. 
Este tipo de perícia (extrajudicial) pode ser solicitada por alguma empresa, um advogado 
ou pela pessoa interessada.
No aspecto do trabalho, irá ocorrer comumente quando há casos de demissões 
de colaboradores. Ocorre quando o empregado quer saber se o valor pago que a empresa 
deu para ele realmente era o valor justo, levando em consideração alguns fatores, 
como por exemplo: o tempo trabalho no cargo o cargo exercido, e demais informações 
pertinentes.
Servirá ainda para verificar e confirmar a correta cobrança dos contratos de 
financiamento, contratos bancários e outros, podendo ser solicitada imediatamente 
por uma empresa ou por qualquer pessoa. Este tipo de perícia também é solicitada em 
atuações fiscais, liquidação de haveres, partilha de bens, fusão de empresas, cálculo de 
indenizações, entre outros.
62
O mercado de trabalho para um perito contador
Bom, agora que temos toda essa informação, vamos ver onde pode trabalhar 
um perito contábil. A perícia contábil é uma área interessante de se atuar, tendo em 
vista também o mercado.
O perito contábil tem atuação na Justiça do Trabalho, Justiça do Estadual e 
Justiça Federal. Pode agir também em cisões e fusões empresariais que estão entre os 
cenários mais comuns de atuação. Para entender a remuneração do perito contador, 
precisamos destacar que ele pode trabalhar de duas formas:
• No setor público: o perito contábil judicial no Brasil tem um salário entre R$ 1.541,14 e 
R$ 10.411,97, sendo o salário médio de R$ 3.853,09. Para atuação no sector público é 
necessário que o postulante ingresse por meio de um concurso público.
• No setor privado: a base salarial do perito contábil no Brasil é de R$ 3.122,00, chegando 
até R$ 6.728,00, sendo a média salarial R$ 4.193,00.
Fonte: adaptada de https://blog.voomp.com.br/dicas/mercado-de-trabalho/pericia-contabil-e-uma-area-in-teressante. Acesso em: 11 jan. 2023. 
63
Neste tópico, você aprendeu:
• A prova em juízo é aplicada com vistas a demonstrar a existência do ato, isto é, aquilo 
que atesta a veracidade de alguma coisa; é uma demonstração evidente, atestando 
ou garantindo uma intenção, um sentimento, um testemunho (MOURA, 2020).
• O perito judicial é o profissional que colabora com a justiça na busca da verdade dos 
fatos.
• Assistente técnico é o contador ou órgão técnico ou científico indicado e contratado 
pela parte em perícias contábeis.
• A perícia contábil é um trabalho técnico privativo do contador.
• Para exercer as atividades inerentes ao perito contábil, o contador deverá possuir 
características e atender requisitos previstos na legislação e normas contábeis. 
• Em casos de impedimentos e suspeitos, o contador deverá escusar sua nomeação, 
na forma da legislação.
RESUMO DO TÓPICO 3
64
1 O perito contábil é o contador registrado em Conselho Regional de Contabilidade 
(CRC), que exerce a atividade pericial de forma pessoal, devendo ser profundo 
conhecedor da área devido as suas qualidades e experiências da matéria periciada. 
Quando da sua atuação nos processos, poderá assumir algumas denominações 
distintas. Assim, associe os itens, utilizando o código a seguir: 
I- Perito do juiz.
II- Perito arbitral.
III- Perito oficial.
IV- Perito assistente.
( ) Profissional contratado pelas partes.
( ) Contador nomeado em arbitragem.
( ) Contador nomeado pelo poder judiciário.
( ) Contador investido na função por lei e pertencente a órgão especial do Estado.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) IV – II – I – III.
b) ( ) I – II – III – IV.
c) ( ) IV – III – II – I.
d) ( ) IV – III – I – II.
e) ( ) I – IV – II – III.
2 Segundo a NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil, ao ser intimado para dar início aos 
trabalhos periciais, o perito do juízo deve comunicar às partes e aos assistentes 
técnicos a data e o local de início da produção da prova pericial contábil, exceto se 
designados pelo juízo.
Fonte: CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020a. NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil. Disponível 
em: https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/nbc-tp-de-pericia/. Acesso em: 6 jan. 2023.
Sobre esse assunto, analise as afirmativas marque V para as verdadeiras e F para as 
falsas:
( ) Caso não haja, nos autos, dados suficientes para a localização dos assistentes 
técnicos, a comunicação deve ser feita diretamente às partes e/ou ao Juízo. 
( ) O perito-assistente pode, tão logo tenha conhecimento da perícia, manter contato 
com o perito do juízo, colocando-se à disposição para a execução da perícia em 
conjunto. 
AUTOATIVIDADE
65
( ) Na impossibilidade da execução da perícia em conjunto, o perito do juízo deve permitir 
aos peritos-assistentes o acesso aos autos e aos elementos de prova arrecadados 
durante a perícia, indicando local e hora para exame pelo perito-assistente. 
( ) O perito-assistente pode entregar ao perito do juízo cópia do parecer técnico, 
elaborado antecipadamente, planilhas ou memórias de cálculo, informações e 
demonstrações que possam esclarecer ou auxiliar o trabalho a ser desenvolvido 
pelo perito do juízo.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: 
a) ( ) F – F – F – V.
b) ( ) F – F – V – V.
c) ( ) F – V – V – V.
d) ( ) V – V – V – F.
e) ( ) F – F – F – F.
3 A transparência e o respeito recíprocos entre o perito do juízo e os peritos-
assistentes técnicos pressupõem tratamento impessoal, restringindo os trabalhos, 
exclusivamente, ao conteúdo técnico-científico. O contador Marcos nomeado como 
perito do juízo, em uma ação de revisional financeira, deve atuar à luz dos critérios 
estabelecidos na NBC PP 01 (R1) – Perito Contábil. 
Fonte: CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020b. NBC PP 01 (R1) – Perito Contábil. Dispo-
nível em: https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/nbc-pp-do-perito-contabil/. Acesso 
em: 6 jan. 2023.
Com relação ao excerto, analise as sentenças a seguir: 
I- O perito é responsável pelo trabalho de sua equipe técnica, a qual compreende os 
auxiliares para execução do trabalho complementar do laudo pericial contábil e/ou 
parecer técnico contábil.
II- O perito deve conhecer as responsabilidades sociais, éticas, profissionais e legais às 
quais está sujeito no momento que aceita o encargo para a execução de perícias 
contábeis judiciais e extrajudiciais, inclusive arbitral.
III- O perito do juízo não precisará se declarar impedido para exercer suas atividades em 
um processo judicial em que já houver atuado como parecerista de uma das partes.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
66
4 A perícia deverá ser executada, sempre, por uma pessoa que entenda do assunto a 
ser periciado, examinando com atenção e minúcia. A NBC PP 01 (R1) nos diz que o 
perito contador, no exercício da atividade pericial, assumirá algumas denominações. 
Fonte: CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020b. NBC PP 01 (R1) – Perito Contábil. Dispo-
nível em: https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/nbc-pp-do-perito-contabil/. Acesso 
em: 6 jan. 2023.
Discorra sobre essas denominações usadas para o perito contador, conforme as normas 
brasileiras de contabilidade. Em seguida, compare as características do perito do juízo e 
do perito-assistente técnico.
5 De acordo com a NBC PP 01 (R1), impedimentos são situações fáticas ou circuns-
tanciais que impossibilitam o perito do juízo de exercer, regularmente, suas funções 
ou realizar atividade pericial em processo judicial ou extrajudicial, inclusive arbitral. A 
norma apresenta alguns itens que demonstram os conflitos de interesses, motivadores 
de impedimentos a que está sujeito o perito contábil. 
Fonte: CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020b. NBC PP 01 (R1) – Perito Contábil. Dispo-
nível em: https://cfc.org.br/tecnica/normas-brasileiras-de-contabilidade/nbc-pp-do-perito-contabil/. Acesso 
em: 6 jan. 2023.
Disserte sobre os tipos de impedimentos e suspeição previstos na legislação e nas 
normas contábeis.
67
ALBERTO, V. L. P. Perícia Contábil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
BLEIL, C.; SANTIN, L. A. B. A perícia contábil e sua importância sob olhar dos 
magistrados. RACI Revista de administração e ciências contábeis do IDEAU, [s. 
l.], v. 3, n. 7, fev./jul. 2008. 
BRASIL. Decreto nº 737, de 25 de novembro de 1850. Determina a ordem do Juízo 
no Processo Comercial. Brasília, DF: Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil,25 
nov. 1850.
BRASIL. Decreto-lei nº 1608, de 18 de setembro de 1939. Código do Processo Civil. 
Brasília, DF: Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 18 set. 1939.
BRASIL. Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946. Cria o Conselho Federal 
de Contabilidade, define as atribuições do Contador e do Guarda-livros, e dá outras 
providências. Brasília, DF: Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 27 maio 1946. 
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código de processo Civil. Brasília, 
DF: Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 10 jan. 2002. 
BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Institui o Código Civil. Brasília, DF: 
Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 16 MAR. 2015. 
CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2016a. NBC PP 02 – Exame 
de Qualificação Técnica para Perito Contábil. Disponível em: http://twixar.me/9dxm. 
Acesso em: 6 jan. 2023.
CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2016b. Resolução N.º 
1.502, de 19 de fevereiro de 2016. Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC) 
do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Disponível em: http://twixar.me/Jdxm. 
Acesso em: 6 jan. 2023.
CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020a. NBC TP 01 (R1)– 
Perícia Contábil. Disponível em: http://twixar.me/ydxm. Acesso em: 6 jan. 2023.
CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020b. NBC PP 01 (R1) – 
Perito Contábil. Disponível em: http://twixar.me/9dxm. Acesso em: 6 jan. 2023.
COSTA, J. C. D. da. Perícia contábil: aplicação prática. São Paulo: Atlas, 2017.
CREPALDI, S. Manual de perícia contábil. São Paulo: Saraiva Educação, 2019.
REFERÊNCIAS
68
DIÁRIO DO NORDESTE. Diário do Nordeste, 2020. Disponível em: http://twixar.me/
zdxm. Acesso em: 3 mar. 2023.
JUSBRASIL. Jusbrasil, c2023. Juiz determina perícia em empresa para apurar salário 
extra folha. Disponível em: http://twixar.me/5dxm. Acesso em: 3 mar. 2023.
MAGALHÃES, A. de D. F. Perícia Contábil. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
MOURA, R. Perícia contábil judicial e extrajudicial. 6. ed. Rio de Janeiro: Freitas 
Bastos, 2020.
MÜLLER, A. N.; TIMI, S.R. R.; HEIMOSKI, V. T. M. Perícia contábil. São Paulo: Saraiva, 2017.
ORNELAS, M. M. G. de. Perícia Contábil. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
SBT NEWS. SBT News, 2022. Após perícia, PF localiza contratante de fake news em 
Cuiabá. Disponívem em: http://twixar.me/Sdxm. Acesso em: 3 mar. 2023.
SÁ, A. L. Perícia Contábil. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
SANTOS, T. A. dos. Perícia e arbitragem contábil. Curitiba: Contentus, 2020.
TSE. TSE.Jus, 2022. Peritos da Polícia Federal concluem inspeção ao sistema eletrônico 
de votação no TSE. Disponível em: http://twixar.me/Xdxm. Acesso em: 3 mar. 2023.
69
QUESITOS E RELATÓRIO 
PERICIAIS: LAUDO E PARECER
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• estudar o planejamento da perícia contábil;
• aprender a respeito dos quesitos inerentes à perícia contábil;
• estudar os relatórios periciais;
• conhecer o laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil;
 A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – PLANEJAMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – QUESITOS
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – RELATÓRIOS PERICIAIS: LAUDO E PARECER
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
70
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A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
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71
TÓPICO 1 — 
PLANEJAMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico, estamos na Unidade 2, e, neste Tema de Aprendizagem 1, abordaremos 
o planejamento da perícia contábil. Podemos definir planejamento como o ato ou efeito de 
planejar; é o serviço de preparação de um trabalho, de uma tarefa, com o estabelecimento 
de métodos convenientes; planificação (PLANEJAMENTO, 2022). Aplicando-se à perícia, 
planejamento é a fase que antecede o início da perícia propriamente dita, tendo em 
vista que é o momento no qual o perito analisa os autos a serem periciados, verificando 
a existência de documentos necessários para a realização da perícia, ou diligência 
(CREPALDI, 2019; MÜLLER; TIMI; HEIMONSKI, 2017; ORNELAS, 2017).
Moura (2020, p. 16) nos afirma que “a perícia deve ser planejada cuidadosamente, 
com vista ao cumprimento do prazo, inclusive o da legislação relativa ao laudo pericial 
ou parecer técnico”. O referido autor continua relatando que o planejamento é a etapa 
do trabalho na qual o perito estabelecerá as diretrizes e a metodologia a serem 
aplicadas.
Nisso, o planejamento da perícia contábil já tem início com a leitura do 
processo, momento em que o perito desenvolverá os chamados “papéis de trabalho”, 
que consiste em transcrever na pasta virtual relativa ao processo aquilo que de mais 
importante foi identificado quando essa atividade foi desenvolvida nos autos do 
processo (COSTA, 2017).
O planejamento é essencial para a coordenação de trabalhos entre os peritos, 
pois conseguirá avaliar a extensão e a complexidade daqueles. Essa etapa é de extrema 
importância, pois um planejamento bem elaborado tem vários fatores positivos, como: 
elaborar um cronograma de execução a fim de se cumprirem os trabalhos no prazo 
previsto, avaliar com precisão os custos da perícia, verificar a necessidade de equipe 
técnica etc. (MOURA, 2020; CREPALDI, 2019).
Assim, além desta introdução, abordaremos no Subtema 2 os atos preparatórios 
da perícia, e no Subtema 3, o planejamento da perícia contábil propriamente dito.
72
2 ATOS PREPARATÓRIOS 
Para Magalhães (2017), a base processual e operacional da perícia contábil 
judicial e seus ritos processuais compreendem dois momentos distintos, que podemos 
classificar como atos preparatórios e atos de execução do trabalho pericial. Como 
atos preparatórios, podemos apontar, com fundamento básico no CPC:
 
• nomeação e indicações do perito e do(s) assistente(s);
• motivos e decorrências da nomeação e das indicações;
• fundamentos da nomeação, das indicações e das situações decorrentes.
2.1 ATOS PREPATÓRIOS 
Durante os atos preparatórios, especialmente depois da intimação, o perito 
pode, como é habitual, acessar o processo no sistema eletrônico e/ou retirar os autos 
do cartório ou secretaria para inteirar-se de seu conteúdo, ou pedir vistas nos autos 
no próprio juízo. Conhecidas as peculiaridades do processo, o perito tem que decidir se 
aceita ou se escusa (declina, recusa) da função para a qual foi nomeado (MAGALHÃES, 
2017).
Os processos judiciais são, regra geral, feitos por meio eletrônico. 
Os processos eletrônicos são um grande avanço tecnológico no 
meio jurídico. Eles são processos, assim como os físicos, que 
podem ser de qualquer esfera jurídica, mas consistem em um 
meio digital, sendo realizados 100% de forma digital, acontecendo 
somente algumas questões presenciais. Os advogados, juízes e 
até os servidores públicos do judiciário, realizam os seus atos por 
meio de um sistema do próprio tribunal. Dessa forma, os eventos 
presenciais, como as audiências, continuam sendo realizados de 
forma presencial, exceto durante a pandemia, que passaram, 
também, a serem virtuais (CARVALHO, 2022).
IMPORTANTE
Acadêmico, como vimos anteriormente, para aceitar uma perícia, a regra geral é 
que esteja legalmente habilitado, e técnica e cientificamente preparado. O fato de haver 
sido nomeado não obriga o perito ao exercício pericial, pois cabe-lhe o direito de aceitar 
ou escusar-se (declinar) da função. E, como também já sabemos, são condições para a 
recusa por parte do perito:
 
73
• impedimento legal; 
• suspeição; 
• não ser especializado na matéria objeto da perícia; 
• força maior.
Os atos preparatórios da perícia, portanto, são tudo aquilo que precede e decorre 
da nomeação do perito pelo magistrado (Art. 465) ou sua indicação pelas partes (Art. 471):
Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e 
fi xará de imediato o prazo para a entrega do laudo.
[...]
Art. 471. As partes podem, de comum acordo, escolher o perito, 
indicando-o mediante requerimento, desde que:
I - sejam plenamente capazes;
II - a causa possa ser resolvida por autocomposição.
§ 1º As partes, ao escolher o perito, já devem indicar os respectivos 
assistentes técnicos para acompanhar a realização da perícia, 
que se realizará em data e local previamente anunciados.
§ 2º O perito e os assistentes técnicos devem entregar, 
respectivamente, laudo e pareceres em prazo fi xado pelo juiz.
§ 3º A perícia consensual substitui, para todos os efeitos, a que seria 
realizada por perito nomeado pelo juiz (BRASIL, 2015).
Assim, acadêmico, com o objetivo de auxiliá-lo no entendimento da dinâmica 
do processo judicial (fl uxo da tramitação) apresentamos a seguir a Figura 1:
Figura 1 – Rotina das práticas processuais durante a produção da prova pericial
Fonte: adaptada de Magalhães (2017)
De acordo com a Figura 1, podemos visualizar as rotinas do processo durante a 
produção da prova pericial, com os seguintes elementos e na numeração sequenciada 
dos atos:
74
• Nomeia perito e determinadiligências: 
 Juiz: nomeia perito e determina diligências.
• Recebe e elabora intimação ao perito e às partes:
 Secretaria recebe e elabora intimação ao perito e às partes: expede intimação ao 
perito; expede intimação às partes.
• Recebe e inclui nos autos o orçamento elaborado e protocolado pelo perito e 
manifestações das partes:
 Secretaria recebe e inclui nos autos orçamento elaborado e protocolado pelo perito e 
manifestações de autoria das partes.
• Analisa, decide e determina diligências:
 Juiz: analisa, decide e determina diligências.
• Dá cumprimento à decisão do juiz:
 Secretaria dá cumprimento à decisão do juiz: faz encaminhamento da decisão ao 
perito; faz encaminhamento da decisão às partes.
• Recebe e inclui nos autos as provas periciais:
 Secretaria recebe e inclui nos autos as provas periciais: laudo de autoria do perito; 
pareceres de autoria dos assistentes técnicos.
• Agenda audiência de conciliação e julgamento e determina diligências:
 Juiz: agenda audiência de conciliação e julgamento e determina diligências.
• Prepara intimações:
 Secretaria prepara intimações: dá conhecimento ao perito, às partes e aos 
assistentes técnicos do agendamento da audiência; recebe das partes quesitos de 
esclarecimentos.
 Secretaria prepara intimações: intima perito dos quesitos de esclarecimentos; intima 
assistentes técnicos dos quesitos de esclarecimentos.
• Preside audiência de instrução e julgamento onde é gerado o Termo de 
Audiência:
 Juiz: preside audiência de instrução e julgamento onde é gerado o Termo de Audiência.
2.1.1 Nomeação do perito e indicação do assistente e sua 
motivação
Acadêmico, a nomeação do perito judicial, bem como a indicação do assistente 
das partes integra os atos preparatórios da perícia, no entanto, como já estudamos na 
Unidade 1, vamos trazer, um resumo na Figura 2 a seguir:
75
Figura 2 – Chave de fundamentação dos atos preparatórios da perícia
Fonte: Magalhães (2017, p. 45)
Em síntese, como atos preparatórios da perícia, podemos apontar os seguintes: 
nomeação de ofício; nomeação requerida; indicação simultânea; indicação de assistente; 
intimação; escusa/declinatória.
A nomeação do perito, em resumo, é motivada em situações especiais que se 
tornam conhecidas no saneamento do processo, tais como:
 
• sempre que justificar-se a produção de prova pericial, para elucidação de dúvidas na 
interpretação de provas; 
• na inspeção de pessoa ou coisa, a fim de se esclarecer sobre fato que interesse à 
decisão da causa; no arbitramento – para decisão de liquidação; 
• na resolução de sociedades, para apuração de haveres e balanço de determinação 
para apuração de valor patrimonial; 
• no inventário e partilha de bens de espólio, para avaliação das quotas sociais ou 
apuração de haveres e a avaliação de bens do espólio; 
• no levantamento de curatela, quando o juiz nomeará perito ou equipe multidisciplinar 
para proceder ao exame do interdito; 
• na realização de nova perícia, para corrigir eventual omissão ou inexatidão dos 
resultados da primeira.
76
Obtenção de provas 
dos fatos 
• Diligências para a obtenção 
de provas dos fatos;
• Fundamentos para a 
obtenção de provas dos fatos.
Produção da prova 
pericial
• Laudo, parecer e termo de 
audiência, e os caminhos para 
a produção da prova pericial;
• Fundamentos na produção 
da prova pericial em forma de 
laudo, de parecer e de termo 
de audiência.
Os atos de execução compreendem dois conjuntos de práticas distintas e subsequentes, 
quais sejam:
IMPORTANTE
3 PLANEJAMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL
O planejamento da perícia é a etapa inicial do trabalho pericial que antecede 
as diligências, as pesquisas, os cálculos e as respostas aos quesitos, na qual o perito 
do juízo estabelece a metodologia dos procedimentos periciais a serem aplicados, 
elaborando-a a partir do conhecimento do objeto da perícia. É essencial para a 
coordenação de trabalhos entre os peritos, uma vez que conseguirá avaliar a extensão 
e a complexidade daqueles. Isso será de extrema importância, pois um planejamento bem 
elaborado tem vários fatores positivos, como: elaborar um cronograma de execução a 
fim de se cumprirem os trabalhos no prazo previsto, avaliar com precisão os custos da 
perícia, verificar a necessidade de equipe técnica etc. (CREPALDI, 2019).
3.1 PLANEJAMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL 
A Norma Brasileira de Contabilidade NBC TP 01 (R1), aborda o tema do planejamento 
da perícia nos itens 6 a 15. Inicialmente, nos traz o conceito do planejamento da perícia: 
“planejamento da perícia é a etapa do trabalho pericial, na qual o perito estabelece as 
diretrizes e a metodologia a serem aplicadas” (CFC, 2020a, s.p.).
Vemos, a partir deste conceito, que o planejamento é ato prévio a realização de 
quaisquer diligências, pois é através dele que o perito estabelecerá a metodologia a ser 
adotada na execução do trabalho pericial demandado.
77
Com vistas a termos uma visão panorâmica da Perícia Contábil, apresentaremos 
a seguir, a Figura 3:
Figura 3 – Perícia contábil – metodologia de trabalho
Fonte: Crepaldi (2019, p. 166)
Podemos observar, caro acadêmico, que o planejamento dos trabalhos precede 
às demais etapas do trabalho pericial contábil, isso implica que o perito deverá ter 
conhecimento prévio de todas as etapas do processo pericial, salvo aquelas que 
somente serão identificadas quando da execução da perícia (MOURA, 2020).
Crepaldi (2019) também nos apresenta um fluxograma da perícia contábil, que 
contribuirá para entendermos melhor como se dá esse processo de forma genérica:
• Pedido de perícia: solicitado a pedido de uma das partes ou do juiz. 
• Nomeação do perito judicial: o juiz, após o deferimento da perícia, nomeia o perito, 
intimando-o para apresentação da proposta de honorários.
• Apresentação dos quesitos pelas partes e indicação de assistente pericial: 
as partes: 1. relacionam os quesitos (perguntas) ao perito e 2. indicam o assistente 
pericial.
• Aceitação da nomeação e da proposição de honorários: o perito elabora uma 
petição, aceitando a sua nomeação e propondo seus honorários, ou declinando do cargo.
• Intimação das partes para pronunciamento da proposta de honorários do 
perito: as partes devem se pronunciar sobre os honorários do perito, concordando 
ou não.
• Intimação do perito judicial: manifestação das partes – se houver alteração 
nos valores de honorários aprovados por estas, o perito deverá manifestar sua 
concordância ou não com os valores alterados.
78
• Fixação do prazo para depósito dos honorários: o juiz intima a parte que arcará 
com o ônus da perícia para que efetue o depósito judicial do valor correspondente.
• Concessão de prazo para início da perícia: o juiz fixa o prazo do início e do final da 
perícia (entrega do laudo), intimando tanto o perito quanto os assistentes.
• Perícia propriamente dita: na data e hora convencionadas, os peritos iniciam os 
exames.
• Elaboração e entrega do laudo: findos os exames, o perito elabora o laudo, 
respondendo aos quesitos. Faz sua entrega mediante protocolo.
• Solicitação do levantamento de honorários: no mesmo momento em que entrega 
o laudo, o perito requisita o levantamento de honorários depositados em juízo.
• Intimação das partes: manifestação sobre o conteúdo do laudo – as partes se 
manifestam sobre o conteúdo do laudo, apresentando parecer de seus assistentes 
técnicos.
• Intimação do perito: manifestação sobre questionamento das partes em relação 
a pontos do laudo – o perito se manifesta, por meio de petição, sobre os pontos 
solicitados pelas partes. 
• Fim do trabalho pericial.
Seguindo no sentido de uma visão sistêmica do processo pericial contábil, na 
Figura 4 apresentamos as etapas do trabalho do perito contábil:
Figura 4 – Visão geral das etapas do trabalho do perito contábil judicial
Fonte: Crepaldi (2019, p. 195)
79
A partir da Figura 4, podemos perceber que, uma vez que houve a designação 
do perito pelo magistrado e que há o aceito por parte do profissional contábil:• Ocorrerá a nomeação do perito contábil; Importante! A fase de planejamento já 
está em andamento pelo perito antes mesmo da nomeação.
• Apresentação dos quesitos pelas partes e indicação de assistentes técnicos.
• Intimação do perito para prestar esclarecimentos.
• Atividade pericial propriamente dita, tendo como resultado a elaboração do Laudo.
• Perito entrega o laudo em juízo.
• As partes poderão se manifestar sobre o laudo.
• O juiz apreciará os esclarecimentos e manifestação feito pelas partes.
• Nesta etapa, caso seja do entendimento do magistrado, poderá ocorrer a aceitação 
do laudo e o encerramento dos trabalhos do perito judicial.
• Ocorrerá, portanto, a homologação do laudo e o fim da atividade pericial da lide.
• No entanto, caso o juízo necessite e acolha os pedidos de esclarecimentos e 
considerações feitos pelas partes, o perito será intimado para prestar esclarecimentos.
• Assim, ocorrerá a atividade pericial para esclarecimentos;
• Perito entrega os esclarecimentos em juízo;
• As partes poderão fazer suas manifestações sobre os esclarecimentos;
• Apreciação do juízo sobre esclarecimentos e manifestação das partes
• O magistrado decidirá quanto à decisão da conclusão da perícia, o que implicará 
na aceitação do laudo e o encerramento dos trabalhos do perito judicial, ou poderá 
recusar o laudo apresentado pelo perito judicial.
• Neste caso, ocorrerá a designação de nova perícia, com nomeação de outro perito.
Müller, Timi e Heimonski (2017) relatam que a leitura rigorosa dos autos 
deverá trazer subsídios necessários para que o perito possa extrair primeiramente os 
objetivos do planejamento da perícia. Assim, a NBC TP01 (R1) nos revela os objetivos 
do planejamento da perícia, quais sejam:
• conhecer o objeto e a finalidade da perícia para permitir a escolha de diretrizes 
e procedimentos a serem adotados para a elaboração do trabalho pericial;
• desenvolver plano de trabalho onde são especificadas as diretrizes e procedimentos 
a serem adotados na perícia;
• estabelecer condições para que o plano de trabalho seja cumprido no prazo 
estabelecido;
• identificar potenciais problemas e riscos que possam vir a ocorrer no andamento 
da perícia;
• identificar fatos importantes para a solução da demanda, de forma que não 
passem despercebidos ou não recebam a atenção necessária;
• identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia;
• estabelecer como ocorrerá a divisão das tarefas entre os membros da equipe de 
trabalho, sempre que o perito necessitar de auxiliares.
80
Ornelas (2017) também afirma que o perito deve inteirar-se desses aspectos 
desenvolvendo leitura atenta dos autos do processo, em especial de duas peças, a inicial 
e a contestação.
Em um processo judicial, denomina-se inicial, como o próprio nome evidencia, a petição 
inicial feita pela parte, é o primeiro ato para a formação do processo judicial. Trata-se de 
um pedido por escrito, onde a pessoa apresenta sua causa perante a justiça, levando 
ao juiz as informações necessárias para análise do direito. O CPC (BRASIL, 2015) traz os 
requisitos da petição inicial no Art. 319:
Art. 319. A petição inicial indicará:
I - o juízo a que é dirigida;
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de 
união estável, a profissão, o número de inscrição no 
Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da 
Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a 
residência do autor e do réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV - o pedido com as suas especificações;
V - o valor da causa;
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a 
verdade dos fatos alegados;
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de 
conciliação ou de mediação.
§ 1º Caso não disponha das informações previstas no inciso 
II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz 
diligências necessárias a sua obtenção.
§ 2º A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta 
de informações a que se refere o inciso II, for possível a 
citação do réu.
§ 3º A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento 
ao disposto no inciso II deste artigo se a obtenção de 
tais informações tornar impossível ou excessivamente 
oneroso o acesso à justiça.
 Art. 320. A petição inicial será instruída com os documentos 
indispensáveis à propositura da ação.
A contestação é a resposta do advogado de um réu a uma petição inicial protocolada pelo 
autor do processo. É o instrumento onde a defesa apresenta os argumentos jurídicos e as 
provas que irá usar para contestar o pedido do autor. Está descrita no Capítulo VI do CPC 
(BRASIL, 2015), dos artigos 335 a 342. A seguir reproduzimos o art. 335:
Art. 335. O réu poderá oferecer contestação, por petição, no 
prazo de 15 (quinze) dias, cujo termo inicial será a data:
I - da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última 
sessão de conciliação, quando qualquer parte não com-
parecer ou, comparecendo, não houver autocomposição;
II - do protocolo do pedido de cancelamento da audiência 
de conciliação ou de mediação apresentado pelo réu, 
quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4º, inciso I ;
III - prevista no  art. 231, de acordo com o modo como foi 
feita a citação, nos demais casos.
INTERESSANTE
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art334%C2%A74i
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art231
81
§ 1º No caso de litisconsórcio passivo, ocorrendo a hipótese 
do art. 334, § 6º , o termo inicial previsto no inciso II será, para 
cada um dos réus, a data de apresentação de seu respectivo 
pedido de cancelamento da audiência.
§ 2º Quando ocorrer a hipótese do  art. 334, § 4º, inciso II  , 
havendo litisconsórcio passivo e o autor desistir da ação em 
relação a réu ainda não citado, o prazo para resposta correrá 
da data de intimação da decisão que homologar a desistência.
Da leitura da inicial, prossegue Ornelas (2017), deve restar com muita clareza 
quais os fatos alegados e constitutivos do direito reclamado pela parte proponente 
da ação e a pretensão, ou seja, o pedido submetido ao magistrado. Já quando da 
leitura da contestação ou impugnação, deve ser dada atenção ao conteúdo da 
petição no que se refere à existência ou não de fatos impeditivos, modificativos 
ou extintivos do direito do proponente da ação. É importante, ainda, que seja 
identificado a época dos fatos alegados e relatados pelas partes, já que necessário 
à perícia, o que vai permitir ao perito formular o pedido de quais livros e documentos 
devam ser exibidos.
Crepaldi (2019) também faz uma abordagem nesse sentido, nos chamando 
a atenção para os documentos dos autos, pois estes servirão como base para 
obtenção das informações necessárias à elaboração do planejamento da 
perícia. Portanto, é imprescindível que o perito tome conhecimento do conteúdo da 
causa para que tenha ideia da extensão do trabalho exigido.
O planejamento da perícia tem início antes da elaboração 
da proposta de honorários, considerando-se que, para 
apresentá-la ao juízo ou aos contratantes, há necessidade de 
se especificarem as etapas do trabalho a serem realizadas. Isso 
implica que o perito deve ter conhecimento prévio de todas elas, 
salvo aquelas que somente serão identificadas na execução 
da perícia. Dessa forma, o planejamento se caracteriza como 
serviços não remunerados. Portanto, ao elaborar os honorários 
e fixar o custo-hora, deve o perito atentar-se para o fato de 
qual parte do tempo de suas perícias (pagas) será destinada a 
atender ao planejamento inicial dos trabalhos.
ATENÇÃO
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art334%C2%A76
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art334%C2%A74ii
82
O Quadro 1 a seguir demonstra um resumo das considerações pertinentes ao 
planejamento da perícia:
Quadro 1 – Considerações no planejamento da perícia
Objeto e prazo da perícia.
O conhecimento detalhado dos fatos.
As diligências a seremrealizadas.
Os livros e documentos a serem consultados.
A natureza, a oportunidade e a extensão dos procedimentos.
A especialização da equipe de trabalho.
Os quesitos.
O tempo necessário para elaboração do trabalho.
Fonte: Crepaldi (2019, p. 160)
Corroborando as considerações apresentadas, Moura (2020) afirma que o 
planejamento deve considerar os seguintes fatores relevantes no desenvolvimento dos 
trabalhos periciais:
• quesitos formulados;
• conhecimento detalhado dos fatos relativos à demanda, ao litígio;
• a natureza, oportunidade, abrangência, peculiaridades e a extensão dos 
procedimentos da perícia a serem aplicados;
• as diligências a serem realizadas, inclusive em outras Comarcas, atentando para 
os documentos a serem consultados, livros contábeis, fiscais, societários, laudos e 
pareceres já realizados e informações que forem identificadas para que se possa 
determinar a natureza dos trabalhos a serem executados; e
• o tempo necessário para elaboração do trabalho.
A NBC PP 01 (R1) (BRASIL, 2020b) aborda o assunto afirmando em seu item 30 
que, quando da elaboração do plano de trabalho, o perito deverá levar em consideração, 
entre outros fatores: 
• a relevância;
• o vulto;
• o risco; 
• a responsabilidade; 
• a complexidade operacional;
• o pessoal técnico;
• o prazo estabelecido; e 
• a forma de recebimento.
83
Papéis de trabalho se refere à documentação preparada pelo 
perito para a execução da perícia, sendo integrado por um 
processo organizado de registro de provas, por intermédio de 
termos de diligência, informações em papel, meios eletrônicos, 
plantas, desenhos, fotografias, correspondências, depoimentos, 
notificações, declarações, comunicações ou outros quaisquer 
meios de prova fornecidos e peças que assegurem o objetivo da 
execução pericial (CREPALDI, 2019).
IMPORTANTE
Vimos dois termos que parecem ser sinônimos: planejamento e plano de 
trabalho. Será que há diferença entre eles, caro acadêmico?
Podemos dizer que, regra geral, o planejamento é um processo de tomada de 
decisões e o plano de trabalho (ou planificação) é a formalização das diferentes etapas ou 
momentos do planejamento. Resumidamente, dizemos que o plano de trabalho consiste 
em um documento – geralmente na forma escrita – que descreve o planejamento.
 De acordo com a NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a), o plano de trabalho é onde 
são evidenciadas as diretrizes e os procedimentos que serão adotados no trabalho 
pericial, revelando, assim, todas as etapas necessárias à execução da perícia, 
como: 
• diligências;
• deslocamentos;
• trabalho de terceiros;
• pesquisas;
• cálculos; 
• planilhas;
• respostas aos quesitos;
• reuniões com os assistentes técnicos;
• prazo para apresentação do laudo pericial contábil ou oferecimento do parecer 
pericial contábil.
Crepaldi (2019), nos resume da seguinte forma: planejamento da perícia é um 
procedimento prévio abrangente que se propõe a consolidar todas as etapas 
da Perícia, o programa de trabalho (ou plano de trabalho) é uma especificação de 
cada etapa a ser realizada que deve ser elaborada com base nos quesitos e/ou no 
objeto da perícia.
84
3.1.1 Desenvolvimento do planejamento
Para Moura (2020), desenvolvimento é entendido como o processo de estudo e 
trabalho visando à obtenção de uma realização. À medida que a leitura dos autos pelo 
perito vai se desenvolvendo e ele vai transcrevendo os elementos mais importantes 
nos papéis de trabalho, as etapas da perícia devem ficar evidenciadas, bem como o 
tempo para que cada atividade seja cumprida (COSTA, 2017). 
A seguir apresentamos na Figura 5 um resumo das fases de um planejamento, 
que também podemos denominá-lo de cronograma:
Figura 5 – Cronograma pericial
Fonte: adaptada de Crepaldi (2019)
Ao tratar do cronograma da perícia contábil, a NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a) 
apresenta os itens 14 e 15:
14. O perito nomeado deve considerar que o planejamento tem início 
antes da elaboração da proposta de honorários, para apresentá-
la à autoridade competente ou ao contratante, há necessidade 
de se especificarem as etapas do trabalho a serem realizadas 
salvo as que possam surgir quando da execução do trabalho 
pericial.
15. O plano de trabalho deve evidenciar todas as etapas necessárias 
à execução da perícia, como: diligências, deslocamentos, 
trabalho de terceiros, pesquisas, cálculos, planilhas, respostas 
aos quesitos, reuniões com os assistentes técnicos, prazo para 
apresentação do laudo pericial contábil ou oferecimento do 
parecer pericial contábil.
85
O cronograma, portanto, é a representação da previsão da execução de um 
trabalho, onde nele são indicados os prazos em que serão executadas as suas diversas 
fases. No cronograma de trabalho devem ser evidenciados todos os itens necessários à 
execução da perícia (MOURA, 2020).
O planejamento deve ser realizado pelo perito, ainda que o trabalho 
venha a ser realizado de forma conjunta com o assistente técnico, 
podendo este orientar-se com base no planejamento (MOURA, 2020).
ATENÇÃO
Moura (2020) diz que a conclusão do planejamento da perícia ocorrerá quando 
o perito completar as análises preliminares, dando origem, quando for o caso, à proposta 
de horários, aos Termo de Diligências que serão efetuadas e aos programas de trabalho.
A seguir, apresentamos um modelo de planejamento para perícia judicial no 
Quadro 2:
Quadro 2 – Modelo de planejamento para perícia judicial
Fase pré-operacional
ITEM ATIVIDADE AÇÕES
TEMPO PRAZO
ESTIMADO REAL ESTIMADO REAL
1
Carga ou 
recebimento 
do processo
Após receber a 
intimação do juiz, 
quando for o caso, retirar 
o processo da Secretaria.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
2
Leitura do 
processo
Conhecer os detalhes 
acerca do objeto da 
perícia, realizando a 
leitura e o estudo dos 
autos.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
3
Aceitação, 
ou não, da 
perícia
Após estudo e análise 
dos autos, constatando-
se que há impedimento 
ou suspeição, não 
havendo interesse do 
perito ou não estando 
habilitado para fazer 
a perícia, devolver o 
processo justificando o 
motivo da escusa.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
Aceitando o encargo 
da perícia, proceder ao 
planejamento.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
86
4
Proposta de 
honorários
Com base na relevância, 
no vulto, no risco e 
na complexidade dos 
serviços, entre outros, 
estimar as horas para 
cada fase do trabalho, 
considerando ainda a 
qualificação do pessoal 
que participará dos 
serviços, o prazo para a 
entrega dos trabalhos e 
a confecção de laudos 
interdisciplinares.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
Execução da perícia
5 Sumário
Com base na 
documentação existente 
nos autos, elaborar 
o sumário dos autos, 
indicando o tipo do 
documento e a folha 
dos autos onde pode ser 
encontrado.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
6
Assistentes 
técnicos
Uma vez aceita a 
participação do 
assistente técnico, 
ajustar a forma de acesso 
dele aos trabalhos.
7 Diligências
Com fundamento no 
conteúdo do processo e 
nos quesitos, preparar o(s) 
termo(s) de diligência(s) 
necessário(s), no qual 
será relacionada a 
documentação ausente 
nos autos. 
h
h
XX/XX/XX XX/XX/XX
8 Viagens
Programar as viagens 
quando necessárias.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
9
Pesquisa 
documental 
Com fundamento no 
conteúdo do processo, 
definir as pesquisas, os 
estudos e o catálogo da 
legislação pertinente.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
87
10
Programa de 
trabalho
Exame de documentos 
pertinentes à perícia.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Exame de livros 
contábeis, fiscais, 
societários e outros.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Análises contábeis a 
serem realizadas.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Entrevistas, vistorias, 
indagações, 
investigações, 
informações necessárias.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Laudos interdisciplinares 
e pareceres técnicos.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Cálculos, arbitramentos, 
mensurações e 
avaliações a serem 
elaborados. 
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
Preparação e redação do 
laudo pericial.
h h XX/XX/XX XX/XX/XX
11
Revisões 
técnicas
Proceder à revisão final 
do laudo para verificar 
eventuaiscorreções, 
bem como verificar se 
todos os apêndices 
e anexos citados no 
laudo estão na ordem 
lógica e corretamente 
enumerados.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
12
Prazo suple-
mentar
Diante da expectativa 
de não concluir o laudo 
no prazo determinado 
pelo juiz, requerer, antes 
do vencimento do prazo 
determinado, por petição, 
prazo suplementar, 
reprogramando o 
planejamento.
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
13
Entrega do 
laudo peri-
cial contábil.
Devolver os autos do 
processo e peticionar, 
requerendo a juntada do 
laudo e levantamento 
ou arbitramento dos 
honorários. 
h h
XX/XX/XX XX/XX/XX
Fonte: adaptado de NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a)
88
3.1.2 Honorários
Crepaldi (2019) relata que uma das dificuldades da maioria dos peritos é calcular 
adequadamente seus honorários de forma justa e coerente. A prática é que possibilitará 
ao profissional a aproximação de tal cálculo à realidade, tendo em vista as várias 
atividades envolvidas numa perícia, como:
• planejamento inicial dos trabalhos; 
• retirada e entrega dos autos; 
• leitura e interpretação do processo; 
• abertura de papéis de trabalho; 
• elaboração de petições e/ou correspondências para solicitar informações e documentos;
• realização de diligências e exame de documentos; 
• pesquisa e exame de livros e de documentos técnicos; 
• realização de cálculos, simulações e análises de resultados; 
• laudos interprofissionais; 
• preparação de anexos e montagem do laudo; 
• reuniões com peritos-assistentes, quando for o caso; 
• reuniões com as partes e/ou com terceiros, quando for o caso; 
• redação do laudo; 
• revisão final.
Na elaboração da proposta dos honorários, o perito contábil deverá considerar 
os seguintes fatores: a relevância, o vulto, o risco, a complexidade, a quantidade de 
horas, o pessoal técnico, o prazo estabelecido, a forma de recebimento e os laudos 
interprofissionais, entre outros fatores (NBC PP 01 (R1) (BRASIL, 2020b).
Figura 6 – Honorários periciais
Fonte: Crepaldi (2019, p. 168)
89
• A relevância corresponde à importância da perícia no contexto social e sua 
essencialidade para dirimir as dúvidas de caráter técnico-contábil, suscitadas em 
demanda judicial ou extrajudicial. O vulto é o valor da causa no que se refere ao 
objeto da perícia, à dimensão determinada pelo volume de trabalho e à abrangência 
pelas áreas de conhecimento técnico envolvidas. 
• O risco pode ser entendido como a possibilidade do não recebimento integral dos 
honorários periciais, o tempo necessário ao recebimento, bem como a antecipação 
das despesas necessárias à execução do trabalho. Igualmente, devem ser levadas 
em consideração as implicações cíveis, penais, profissionais e outras de caráter 
específico a que poderá estar sujeito o perito-contador. 
• A complexidade se refere à dificuldade técnica para a realização do trabalho 
pericial em decorrência do grau de especialização exigido, à dificuldade em obter os 
elementos necessários para a fundamentação do laudo pericial contábil e ao tempo 
transcorrido entre o fato a ser periciado e a realização da perícia judicial. Deve, ainda, 
ser considerado também o ineditismo da matéria periciada. 
• As horas estimadas para cada fase do trabalho corresponde ao tempo necessário 
para a realização da perícia judicial, mensurado em horas trabalhadas pelo perito do 
juízo, quando aplicável. 
• O pessoal técnico é formado pelos auxiliares que integram a equipe de trabalho do 
perito do juízo, estando sob sua orientação direta e inteira responsabilidade. 
• O prazo determinado nas perícias judiciais ou contratado nas extrajudiciais deve ser 
considerado nas propostas de honorários, considerando-se eventual exiguidade do 
tempo que requeira dedicação exclusiva do perito do juízo e da sua equipe para a 
consecução do trabalho. 
O prazo médio habitual de liquidação se refere ao tempo necessário para recebimento 
dos honorários.
• A forma de reajuste deve considerar o parcelamento dos honorários, se houver. 
• Os laudos interprofissionais e outros inerentes ao trabalho são peças técnicas 
executadas por perito qualificado e habilitado na forma definida no Código de 
Processo Civil e de acordo com o Conselho Profissional ao qual estiver vinculado, no 
caso do contador, é o nosso Conselho Federal de Contabilidade.
A NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a), nos traz o item 37 que trata dos riscos e 
custos da perícia contábil:
O perito, na fase do planejamento, com vistas a elaborar a proposta 
de honorários, deve:
(a) avaliar os riscos decorrentes das suas responsabilidades e todas 
as despesas e custos inerentes;
(b) ressaltar que, na hipótese de apresentação de quesitos 
suplementares, poderá estabelecer honorários complementares.
A NBC PP 01 (R1) (BRASIL, 2020b) nos apresenta também no item 34, quando 
trata da elaboração da proposta, o devemos levar em consideração quando da elaboração 
da proposta de horários:
90
O perito deve elaborar a proposta de honorários estimando, quando 
possível, o número de horas para a realização do trabalho, por etapa e 
por qualificação dos profissionais, considerando os trabalhos a seguir 
especificados:
(a) retirada e entrega do processo ou procedimento arbitral;
(b) leitura e interpretação do processo;
(c) elaboração de termos de diligências para arrecadação de provas 
e comunicações às partes, terceiros e peritos-assistentes;
(d) realização de diligências;
(e) pesquisa documental e exame de livros contábeis, fiscais e so-
cietários; 
(f) elaboração de planilhas de cálculo, quadros, gráficos, simulações 
e análises de resultados;
(g) elaboração do laudo;
(h) reuniões com peritos-assistentes, quando for o caso;
(i) revisão final;
(j) despesas com viagens, hospedagens, transporte, alimentação etc.;
(k) outros trabalhos com despesas supervenientes.
O perito deve ressaltar, em sua proposta de honorários, que 
nela não estão contemplados os honorários relativos a quesitos 
suplementares e, se estes forem formulados pelo juiz e/ou pelas 
partes, poderá haver incidência de honorários complementares a 
serem requeridos, observando os mesmos critérios adotados para 
elaboração da proposta feita no início dos trabalhos.
IMPORTANTE
Agora, caro acadêmico, vamos trazer um exemplo dessa fase do planejamento.
Suponha que, na fase de planejamento, o contador estimou 134 horas, conforme 
a Tabela 1 a seguir:
Tabela 1 – Estimativa de horas – perícia contábil
Atividades Horas estimadas
Análise dos autos do processo 12
Elaboração das comunicações às partes e demais atos processuais 10
Exames, diligências e outros procedimentos não especificados 80
Reunião com outros peritos 12
Elaboração do laudo pericial contábil 20
Total estimado 134
Fonte: o autor
91
Com o total de horas estimadas, o contador deverá estabelecer o valor da sua 
hora de trabalho e, com isso, calcular o valor dos seus honorários periciais. E como é 
feita esta estimativa? É o que vamos apresentar a seguir.
Suponhamos que o custo mensal do contador é composto pelos itens:
• custos pessoais de manutenção (alimentação, vestuário, moradia, lazer, saúde, 
educação, dependentes): R$ 10.000,00;
• custos dos materiais de trabalho, também denominados material de expediente e de 
escritório (assinatura de periódicos, gastos com treinamento, internet, material de 
expediente, deslocamento, informática): R$ 3.333,34;
• custo mensal do contador: R$ 13.333,34.
Agora que já temos o custo mensal, temos que identificar a quantidade de horas 
trabalhadas mensalmente pelo profissional. Considerando uma jornada de trabalho de 
8 horas por dia útil, ou seja, de segunda a sexta-feira, e uma média de 20 dias úteis por 
mês, o total de horas trabalhadas mensalmente será:
20 dias úteis × 8 horas = 160 horas/mês.
Neste momento, acadêmico, já temos condições de calcular o valor da hora. 
Basta pegar o valor do custo mensal e dividir pelo número de horas trabalhadas no mês: 
R$ 13.333,34 dividido por 160 horas/mês = R$ 83,33. Assim, o valor do custo/hora 
é de R$ 83,33.
Crepaldi (2019) nosalerta que ao identificarmos o custo/hora não 
significa que o perito deva cobrar esse valor. É recomendado, 
na fixação de preço por hora de atividade, que levemos para os 
custos os seguintes acréscimos:
• Férias anuais: 12% sobre o valor/hora. 
• Margem de risco para atividade (horas ociosas e excesso de 
horas aplicadas sobre a estimativa): 20% sobre o valor/hora.
IMPORTANTE
Dessa forma, o preço/hora do perito, no nosso exemplo, ficaria assim: 
• Acréscimo das férias: R$ 83,33 X 12% = R$ 10,00;
• Acréscimo da margem de risco: R$ 83,33 X 20% = R$ 16,67;
• Total do valor da hora: R$ 83,33 + R$ 10,00 + R$ 16,67 = R$ 110,00. 
Portanto, os honorários se estabeleceriam da seguinte forma:
92
• Total de horas estimadas a serem aplicadas: 134 horas; preço/hora: R$ 110,00;
• Total dos honorários: 134 horas × R$ 110,00 = R$ 14.740,00.
Agora que já sabemos o valor da hora, bem como o valor dos honorários, estamos 
aptos a apresentar a proposta dos honorários ao juiz ou contratante, devendo esta 
proposta ser materializada através de um orçamento, o qual apresentamos na Tabela 2:
Tabela 2 – Orçamento de honorários periciais
Honorários periciais
Custo da perícia Horas Total
1. Especificação do trabalho Previstas R$/Hora R$
Retirada e entrega dos autos 2 110,00 220,00 
Leitura e interpretação do processo 4 110,00 440,00 
Planejamento dos trabalhos periciais 4 110,00 440,00 
Abertura de papéis de trabalho 4 110,00 440,00 
Elaboração de petições e/ou de 
correspondências para solicitar 
informações e documentos
4 110,00
 440,00 
Realização de diligências e exame 
de documentos
32 110,00
 3.520,00 
Pesquisa e exame de livros e 
documentos técnicos
48 110,00
 5.280,00 
Realização de cálculos, simulações 
e análises de resultados
8 110,00
 880,00 
Laudos interprofissionais 0 110,00 - 
Preparação de anexos e montagem 
do laudo
6 110,00
 660,00 
Reuniões com peritos-assistentes, 
se houver
6 110,00
 660,00 
Reuniões com as partes e/ou com 
terceiros, se houver
0 110,00
 - 
Redação do laudo 8 110,00 880,00 
Revisão final 8 110,00 880,00 
TOTAL 1 134 14.740,00 
2. Outras despesas
Passagens 800,00
Alimentação e hospedagem 1.800,00
TOTAL 2 2.600,00
TOTAL DOS HONORÁRIOS (1 + 2) 17.340,00
Fonte: adaptada de Crepaldi (2019)
93
Acadêmico, observe que, se na execução dos trabalhos de perícia envolver 
viagens, deveremos incluir no orçamento o custo de tais deslocamentos, incluindo 
também os gastos relativos à alimentação, hospedagem, passagens e outros custos 
relacionados.
Devemos nos atentar, ainda, pois, caso haja a necessidade de desembolso para 
despesas supervenientes, tais como viagens e estadias para a realização de outras 
diligências, o perito requererá ao juízo o pagamento das despesas, apresentando o 
respectivo orçamento, desde que não estejam contempladas na proposta inicial de 
honorários (CREPALDI, 2019). 
3.1.3 Levantamento dos honorários
O levantamento de honorários é o pagamento dos honorários do perito do 
juízo. Após o aceite da proposta de honorários pelo juiz, este determina que a parte 
deposite o valor correspondente em juízo. Veja que o valor dos serviços do perito 
já será depositado numa conta judicial, com vistas a garantir o pagamento do trabalho 
pericial realizado.
Então, concomitantemente à entrega do laudo pericial contábil, o perito do juízo 
deve solicitar o pagamento dos honorários. Assim, o perito poderá receber o pagamento 
pelos seus honorários antes mesmo do término da ação, que pode prolongar-se por 
vários anos (CREPALDI, 2019).
Quando a perícia judicial exigir gastos com locomoção a outras localidades 
para sua realização, ou depender de contratação de auxiliares, o perito judicial poderá 
peticionar ao magistrado, requerendo o levantamento parcial dos honorários 
previamente depositados para custear a perícia, devendo elaborar uma petição nesse 
sentido, justificando sua solicitação.
Vejamos agora o que nos diz o CPC no seu Artigo 465 (BRASIL, 2002):
Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e 
fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo.
[...]
§ 4º O juiz poderá autorizar o pagamento de até cinquenta 
por cento dos honorários arbitrados a favor do perito no início 
dos trabalhos, devendo o remanescente ser pago apenas 
ao final, depois de entregue o laudo e prestados todos os 
esclarecimentos necessários.
§ 5º Quando a perícia for inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá 
reduzir a remuneração inicialmente arbitrada para o trabalho. 
O adiantamento de honorários poderá ser feito até o limite de 50% do valor total. 
Os honorários da perícia podem, ainda, ser reduzidos caso o laudo seja inconclusivo ou 
deficiente.
94
A seguir, apresentamos um modelo de petição de horários periciais adaptado 
da NBC PP 01 (R1):
MODELO DE PETIÇÃO DE HONORÁRIOS PERICIAIS CONTÁBEIS
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 3ª VARA CÍVEL DA 
COMARCA DE JUAZEIRO DO NORTE (CE)
 
Ref.: Processo n.º: 0011659-21.2020.8.06.0112
Ação: xxxx
Autor/Requerente: XXX Autor de tal
Réu/Requerido: XXX Réu de tal
Perito: CONTADOR Fulano de Tal
 
FULANO DE TAL, perito, habilitado nos termos do Art. 156 do Novo Código de 
Processo Civil, conforme certidão do Conselho Regional de Contabilidade do Estado 
do Ceará, cópia anexa, estabelecido na rua Movimentada, bairro Tranquilo, tendo sido 
nomeado nos autos do processo mencionado, vem à presença de Vossa Excelência 
apresentar proposta de honorários para a execução dos trabalhos periciais na forma 
que segue:
 
Para a elaboração desta proposta, foram considerados: a relevância, o vulto, o risco 
e a complexidade dos serviços a executar; as horas estimadas para a realização 
de cada fase do trabalho; a qualificação do pessoal técnico que irá participar da 
execução dos serviços; e o prazo. 
Honorários periciais
Custo da perícia Horas Total
1. Especificação do trabalho Previstas R$/Hora R$
Retirada e entrega dos autos 2 110,00 220,00 
Leitura e interpretação do processo 4 110,00 440,00 
Planejamento dos trabalhos periciais 4 110,00 440,00 
Abertura de papéis de trabalho 4 110,00 440,00 
Elaboração de petições e/ou de correspondências 
para solicitar informações e documentos
4 110,00 440,00 
Realização de diligências e exame de 
documentos
32 110,00 3.520,00 
Pesquisa e exame de livros e documentos 
técnicos
48 110,00 5.280,00 
95
Realização de cálculos, simulações e análises 
de resultados
8 110,00 880,00 
Laudos interprofissionais 0 110,00 - 
Preparação de anexos e montagem do laudo 6 110,00 660,00 
Reuniões com peritos-assistentes, se houver 6 110,00 660,00 
Reuniões com as partes e/ou com terceiros, se 
houver
0 110,00 - 
Redação do laudo 8 110,00 880,00 
Revisão final 8 110,00 880,00 
TOTAL 1 134 14.740,00 
2. Outras despesas
Passagens 800,00
Alimentação e hospedagem 1.800,00
TOTAL 2 2.600,00
TOTAL DOS HONORÁRIOS (1 + 2) 17.340,00
As horas profissionais estimadas nas várias fases do trabalho pericial, como 
demonstrado acima, que redundaram na presente proposta de honorários periciais, 
levaram em consideração as recomendações da Associação de Peritos Judiciais do 
Ceará, totalizando R$ 17.340,00 (dezessete mil trezentos e quarenta reais).
O valor desta proposta de honorários não remunera o perito para responder a 
Quesitos Suplementares, Art. 469 do Novo Código de Processo Civil, fato que, 
ocorrendo, garante ao profissional oferecer nova proposta de honorários na forma 
deste documento.
Por último, requer de Vossa Excelência aprovação da presente proposta de honorários, 
e na forma dos artigos 82 e 95 do Novo Código de Processo Civil, determinação dodepósito prévio, para início da prova pericial.
 
Termos em que pede deferimento,
 
Juazeiro do Norte (CE), 27 de janeiro de 2023.
 
FULANO DE TAL
Contador CRC-CE 270123
Fonte: adaptado de CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020b. NBC PP 01 (R1) – 
Perito Contábil. Disponível em: http://twixar.me/9dxm. Acesso em: 6 jan. 2023.
96
O perito do juízo deve, em sua proposta de honorários, ressaltar que esta 
não contempla os honorários relativos a quesitos suplementares. Se estes 
forem formulados pelo juiz e/ou pelas partes, poderá haver incidência de honorários 
suplementares a serem requeridos, observando os mesmos critérios adotados para 
elaboração da proposta anterior.
O oferecimento de respostas aos quesitos de esclarecimentos 
formulados pelo juiz e/ou pelas partes não ensejará novos honorários 
periciais, uma vez que se referem à obtenção de detalhes do trabalho 
realizado e não de novo trabalho.
ATENÇÃO
E como funciona a proposta do perito contrato pelas partes? 
Bem, caro discente, o perito-assistente explicitará a sua proposta no 
contrato que, obrigatoriamente, celebrará com o seu cliente, observando as normas 
estabelecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Deverá estabelecer, mediante 
Contrato Particular de Prestação de Serviços Profissionais de Perícia Contábil, o objeto, 
as obrigações das partes e os honorários profissionais, podendo, para tanto, utilizar-
se dos parâmetros estabelecidos na NBC PP 01 – Perito Contábil, com relação aos 
honorários do perito do juízo (CREPALDI, 2019).
E com relação ao pagamento, como funciona?
Boa pergunta! Iremos ver no subtema seguinte, no entanto, já lhe adianto 
acadêmico: cada parte pagará a remuneração do perito-assistente técnico que houver 
indicado; a do perito será paga pela parte que houver requerido o exame, ou pelo autor, 
quando requerido por ambas as partes ou determinado por ofício pelo juiz (CREPALDI, 
2019).
3.1.4 Responsabilidade de pagamento dos honorários 
periciais
As despesas de perícia judicial integram os custos processuais, cabendo às 
partes prover tais despesas, antecipando-lhe o valor, que ficará consignado em 
juízo. Portanto, de acordo com Crepaldi (2019), cada parte adiantará a remuneração 
do perito-assistente técnico que houver indicado, sendo a do perito do juízo 
adiantada pela parte que houver requerido a perícia ou rateada quando a perícia 
for determinada de ofício ou requerida por ambas as partes. 
97
De acordo com a Súmula 341 do Tribunal Superior do Trabalho (TST, 2003, s.p.), 
a indicação do perito-assistente é faculdade da parte, a qual deve responder pelos 
respectivos honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia:
Súmula nº 341 do TST
HONORÁRIOS DO ASSISTENTE TÉCNICO
A indicação do perito assistente é faculdade da parte, a qual deve 
responder pelos respectivos honorários, ainda que vencedora no 
objeto da perícia.
O juiz poderá determinar que a parte responsável pelo pagamento dos honorários 
do perito do juízo deposite em juízo o valor correspondente. Quando o pagamento da 
perícia for de responsabilidade de beneficiário de gratuidade da Justiça, ela poderá ser, 
conforme o Art. 95, § 3º, do CPC (BRASIL, 2015):
Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico que 
houver indicado, sendo a do perito adiantada pela parte que houver 
requerido a perícia ou rateada quando a perícia for determinada de 
ofício ou requerida por ambas as partes.
§ 1º O juiz poderá determinar que a parte responsável pelo pagamento 
dos honorários do perito deposite em juízo o valor correspondente.
§ 2º A quantia recolhida em depósito bancário à ordem do juízo será 
corrigida monetariamente e paga de acordo com o art. 465, § 4º.
§ 3º Quando o pagamento da perícia for de responsabilidade de 
beneficiário de gratuidade da justiça, ela poderá ser:
I - custeada com recursos alocados no orçamento do ente público 
e realizada por servidor do Poder Judiciário ou por órgão público 
conveniado;
II - paga com recursos alocados no orçamento da União, do Estado 
ou do Distrito Federal, no caso de ser realizada por particular, 
hipótese em que o valor será fixado conforme tabela do tribunal 
respectivo ou, em caso de sua omissão, do Conselho Nacional de 
Justiça.
Quando o pagamento for de responsabilidade de beneficiário de gratuidade da 
justiça, ela será custeada com recursos alocados no orçamento do Poder Judiciário local para 
esse fim. No âmbito nacional, o Conselho Nacional de Justiça editou a Resolução 
232/2016 (BRASIL, 2016) e alterações posteriores que traz os valores a seguir:
RESOLUÇÃO Nº 232, DE 13 DE JULHO DE 2016
Fixa os valores dos honorários a serem pagos aos peritos, no âmbito 
da Justiça de primeiro e segundo graus, nos termos do disposto no 
art. 95, § 3º, II, do Código de Processo Civil – Lei 13.105/2015.
Art. 1º Os valores a serem pagos pelos serviços de perícia de 
responsabilidade de beneficiário da gratuidade da justiça são os 
fixados na Tabela constante do Anexo desta Resolução, na hipótese 
do art. 95, § 3º, II, do Código de Processo Civil.
Art. 2º O magistrado, em decisão fundamentada, arbitrará os 
honorários do profissional ou do órgão nomeado para prestar os 
serviços nos termos desta Resolução, observando-se, em cada caso:
I - a complexidade da matéria;
II - o grau de zelo e de especialização do profissional ou do órgão;
III - o lugar e o tempo exigidos para a prestação do serviço;
IV - as peculiaridades regionais.
98
§ 1º O pagamento dos valores de que trata este artigo e do referente 
à perícia de responsabilidade de beneficiário da gratuidade da justiça 
será efetuado com recursos alocados no orçamento da União, do 
Estado ou do Distrito Federal.
[...]
TABELA HONORÁRIOS PERICIAIS
ESPECIALIDADES
NATUREZA DA AÇÃO E/
OU ESPÉCIE DE PERÍCIA 
A SER REALIZADA
VALOR 
MÁXIMO
1.CIÊNCIAS 
ECONÔMICAS/ 
CONTÁBEIS
1.1 – Laudo produzido em 
demanda proposta por 
servidor(es) contra União/
Estado/Município
R$ 300,00
1.2 – Laudo em ação 
revisional envolvendo 
negócios jurídicos bancários 
até 4 (quatro) contratos
R$ 370,00
1.3 – Laudo em ação 
revisional envolvendo 
negócios jurídicos 
bancários acima de 4 
(quatro) contratos
R$ 630,00
1.4 – Laudo em ação de 
dissolução e liquidação de 
sociedades civis e mercantis
R$ 830,00
1.5 – Outras R$ 370,00
2.ENGENHARIA/
ARQUITETURA
2.1 – Laudo de avaliação de 
imóvel urbano, conforme 
normas ABNT respectivas
R$ 430,00
2.2 – Laudo de avaliação 
de imóvel rural, conforme 
normas ABNT respectivas
R$ 530,00
2.3 – Laudo pericial das 
condições estruturais de 
segurança e solidez de 
imóvel, conforme normas 
ABNT respectivas
R$ 370,00
2.4 – Laudo de avaliação 
de bens fungíveis/imóvel 
rural/urbano, conforme 
normas ABNT respectivas
R$ 700,00
2.5 – Laudo pericial em 
Ação Demarcatória
R$ 870,00
2.6 – Laudo de insalubridade 
e/ou periculosidade, 
conforme normas técnicas 
respectivas
R$ 370,00
2.7 – Outras R$ 370,00
99
3.MEDICINA/
ODONTOLOGIA
3.1 – Laudo em interdição/
DNA
R$ 370,00
3.2 – Laudo sobre danos 
físicos e estéticos
R$ 370,00
3.3 – Outras R$ 370,00
4. PSICOLOGIA   R$ 300,00
5. SERVIÇO 
SOCIAL
5.1 – Estudo social R$ 300,00
6. OUTRAS
6.1 – Laudo de avaliação 
comercial de bens imóveis
R$ 170,00
6.2 – Laudo de avaliação 
comercial de bens imóveis 
por corretor
R$ 330,00
6.3 – Outras R$ 300,00
Se a perícia for determinada de ofício pelo juiz ou requerida 
por ambas as partes, o valor a ser adiantado deverá ser 
rateado entre elas. Em qualquer caso, ao final do processo, 
o vencido responderá integralmente pelo pagamento da 
perícia, ressarcindo, se for o caso, a parte vencedora que 
tiver adiantado a despesa. A regra é a de que apenas após 
o pagamento integral dos honorários o laudo pericial será 
confeccionado.
IMPORTANTE
A percepção de honorários periciais prescreve em um ano, conforme o § 1º do 
Art. 206 do Código Civil, Art. 206, § 1º (BRASIL, 2002):
Art. 206. Prescreve:
§ 1o Em um ano:
I - a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres 
destinadosa consumo no próprio estabelecimento, para o 
pagamento da hospedagem ou dos alimentos;
II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra 
aquele, contado o prazo:
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade 
civil, da data em que é citado para responder à ação de 
indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data 
que a este indeniza, com a anuência do segurador;
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da 
pretensão;
III - a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários 
judiciais, árbitros e peritos, pela percepção de emolumentos, 
custas e honorários;
100
IV - a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que 
entraram para a formação do capital de sociedade anônima, 
contado da publicação da ata da assembleia que aprovar o 
laudo;
V - a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou 
acionistas e os liquidantes, contado o prazo da publicação da 
ata de encerramento da liquidação da sociedade.
Sob hipótese nenhuma o perito nomeado pelo juiz deve aceitar 
receber os honorários periciais diretamente da parte, mas 
sempre através de depósito judicial comprovado nos autos. 
O recebimento dos honorários direto da parte pode abalar a 
credibilidade do perito do juízo. Obviamente, essa situação não 
se aplica ao perito-assistente, pois este normalmente recebe os 
seus honorários diretamente da parte que o indicou.
ATENÇÃO
Apresentamos a seguir mais algumas informações, em resumo, pertinentes aos 
honorários periciais, extraídos de Crepaldi (2019):
• Honorários pagos no final do processo: ocorrem situações em que o perito 
nomeado pelo juiz é solicitado a realizar a perícia as suas próprias custas e receber os 
honorários no final – ou seja, quando o processo for concluído. Essa prática é adotada 
pela Justiça do Trabalho, na qual não existe a possibilidade de requerer honorários 
prévios a não ser em situações especiais.
• Parcelamento de honorários periciais: na situação em que a parte que deve 
arcar com o ônus da perícia judicial não tiver condições de efetuar o depósito prévio 
integralmente, o juiz pode conceder, ouvido o perito do juízo, o parcelamento dos 
honorários. Tal parcelamento é comumente feito em duas ou três parcelas, sendo a 
primeira como honorários prévios, a segunda na entrega do laudo pericial contábil e 
a terceira após trinta dias da entrega do laudo.
• Honorários periciais provisórios: no caso de o perito do juízo constatar que o 
trabalho é complexo e for difícil a estimativa dos honorários anteriormente, pode 
pedir honorários prévios provisórios e, ao concluir seus trabalhos, peticionar ao juiz 
o arbitramento dos honorários definitivos, requerendo, na oportunidade, a intimação 
das partes para efetivação do depósito complementar.
• Tributação dos honorários do perito: os honorários recebidos são tributáveis pelo 
Imposto de Renda, devendo ser retido o IRRF respectivo, por ocasião do depósito 
judicial. O perito, pessoa física, poderá deduzir, em livro Caixa, as despesas pertinentes 
à perícia realizada (por exemplo, as despesas de viagem), desde que comprovadas 
por documentação hábil e idônea.
• Execução de honorários periciais: os honorários periciais fixados ou arbitrados 
e não quitados podem ser executados, judicialmente, pelo perito em conformidade 
com os dispositivos do Código de Processo Civil.
101
3.2 DILIGÊNCIAS
Acadêmico, podemos entender o termo diligência, em sentido amplo, como 
sendo as providências tomadas pelo perito, com vistas a dar-lhe condições para a 
confecção do laudo pericial contábil. Na abordagem stricto sensu, pode-se entender 
o termo diligências como uma das fases do trabalho pericial, no caso, o trabalho de 
campo (ORNELAS, 2017). 
Vejamos o que nos diz o Artigo 370 do CPC (BRASIL, 2015):
Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, 
determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito.
Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as 
diligências inúteis ou meramente protelatórias.
O trabalho de campo envolverá algumas etapas nas quais o perito tem como 
objetivo central a identificação dos elementos que permitirão trazer solução para 
as questões contábeis objeto da análise técnica pericial. O primeiro momento 
do trabalho de campo situa-se na formalização da própria diligência que está sendo 
realizada, que se materializa e documenta por meio da elaboração de termo de 
diligência, para aceitação e assinatura do representado legal da parte diligenciada 
(ORNELAS, 2017).
 
De acordo com a NBC TP 01 (R1), termo de diligência “é o instrumento por 
meio do qual o perito solicita documentos, coisas, dados e informações necessárias à 
elaboração do laudo pericial contábil e do parecer técnico-contábil”. 
Por meio do termo de diligência, o perito deve solicitar por escrito todos 
os documentos e informações relacionadas ao objeto da perícia, fixando o prazo para 
entrega. Serve também para determinar o local, a data e a hora do início da perícia e, 
ainda, para a execução de outros trabalhos que tenham sido a ele determinados ou 
solicitados por quem de direito, desde que tenham a finalidade de orientar ou colaborar 
nas decisões judiciais ou extrajudiciais em consonância com a NBC TP 01.
O termo de diligência deverá ser redigido pelo perito juízo, ser apresentado 
diretamente ao perito-assistente, à parte, a seu procurador ou terceiro, por escrito e 
juntado ao laudo. O perito deve observar os prazos a que está obrigado por força de 
determinação legal e, dessa forma, definir o prazo para o cumprimento da solicitação 
pelo diligenciado. A eventual negativa ou recusa no atendimento a diligências solicitadas 
ou qualquer dificuldade na execução do trabalho pericial deve ser comunicada, com a 
devida comprovação ou justificativa, ao juízo, tratando-se de perícia judicial; ou a parte 
contratante, no caso de perícia extrajudicial, solicitando as providências cabíveis.
De acordo com a NBC TP 01 (R1), o termo de diligência deve conter os seguintes 
itens:
102
• identificação do diligenciado; 
• identificação das partes ou dos interessados e, em se tratando de perícia judicial ou 
arbitral, o número do processo ou procedimento, o tipo e o juízo em que tramita;
• identificação do perito com indicação do número do registro profissional no Conselho 
Regional de Contabilidade; 
• indicação de que está sendo elaborado nos termos desta Norma;
• indicação detalhada dos documentos, coisas, dados e informações, consignando as 
datas e/ou períodos abrangidos, podendo identificar o quesito a que se refere;
• indicação do prazo e do local para a exibição dos documentos, coisas, dados e 
informações necessários à elaboração do laudo pericial contábil ou parecer técnico-
contábil, devendo o prazo ser compatível com aquele concedido pelo juízo, contratante 
ou convencionado pelas partes, considerada a quantidade de documentos, as 
informações necessárias, a estrutura organizacional do diligenciado e o local de 
guarda dos documentos;
• a indicação da data e hora para sua efetivação, após atendidos os requisitos da alínea 
(e), quando o exame dos livros, documentos, coisas e elementos tiver de ser realizado 
perante a parte ou ao terceiro que detém em seu poder tais provas;
• local, data e assinatura. 
A seguir, alguns modelos de termos de diligência:
Termo de diligência na perícia judicial
TERMO DE DILIGÊNCIA N.º.../PROCESSO N.º...
IDENTIFICAÇÃO DO DILIGENCIADO
SECRETARIA:
PARTES:
PERITO DO JUÍZO: (categoria e n.º do registro)
PERITO-ASSISTENTE: (categoria e n.º do registro)
Na condição de perito do juízo, nomeado pelo Juízo em referência e/ou 
perito-assistente indicado pelas partes, nos termos do §3º do Art. 473 do Novo Código 
do Processo Civil e das Normas Brasileiras de Contabilidade, solicita-se que sejam 
fornecidos ou postos à disposição, para análise, os documentos a seguir indicados:
1.
2.
3. 
4.
etc.
 Para que se possa cumprir o prazo estabelecido para elaboração e entrega do 
laudo pericialcontábil ou parecer técnico-contábil, é necessário que os documentos 
solicitados sejam fornecidos ou postos à disposição deste perito até o dia __-__-
__, às __h, no endereço ........ (do perito do juízo e/ou perito-assistente, e/ou parte). 
Solicita-se que seja comunicado quando os documentos tiverem sido remetidos ou 
estiverem à disposição para análise.
103
 Em caso de dúvida, solicita-se esclarecê-la diretamente com o signatário no 
endereço e telefones indicados.
Local e data
Assinatura
Nome do perito
Contador – N.º de registro no CRC
Termo de diligência na perícia extrajudicial
TERMO DE DILIGÊNCIA N.º .../PROCESSO N.º ... 
ENDEREÇAMENTO DO DILIGENCIADO
EXTRAJUDICIAL
PARTE CONTRATANTE:
PERITO DO JUÍZO: (categoria e n.º do registro)
PERITO-ASSISTENTE: (categoria e n.º do registro)
 
Na condição de perito do juízo e/ou perito-assistente, escolhido pelas 
partes, em consonância com as Normas Brasileiras de Contabilidade, nos termos 
contratuais, solicita-se que sejam fornecidos ou postos à disposição, para análise, 
os documentos a seguir indicados:
1.
2.
3.
4.
etc.
Para que se possa cumprir o prazo estabelecido para a elaboração e 
entrega do laudo pericial contábil ou parecer técnico-contábil, é necessário que os 
documentos solicitados sejam fornecidos ou postos à disposição deste perito até o 
dia __/__/__, às __h, no endereço ........ (do perito do Juízo e/ou perito-assistente, 
e/ou parte). Solicita-se que seja comunicado quando os documentos tiverem sido 
remetidos ou estiverem à disposição para análise.
Em caso de dúvida, solicita-se esclarecê-la diretamente com o signatário no 
endereço e telefones indicados.
Local e data
Assinatura
Nome do perito
Contador – N.º de registro no CRC
104
Termo de diligência na perícia arbitral
TERMO DE DILIGÊNCIA N.º .../PROCESSO N.º ...
ENDEREÇAMENTO DO DILIGENCIADO
ARBITRAL
CÂMARA ARBITRAL:
ÁRBITRO:
JUIZ ARBITRAL:
PARTES:
PERITO: (categoria e n.º do registro)
Na condição de perito do juízo, escolhido pelo árbitro, e/ou perito-assistente, 
indicado pelas partes, nos termos da Lei n.º 9.307/96 ou do regulamento da Câmara 
de Mediação e Arbitragem, ......, e ainda em consonância com as Normas Brasileiras 
de Contabilidade, solicita-se que sejam fornecidos ou postos à disposição, para 
análise, os documentos a seguir indicados:
1.
2.
3. 
etc. 
Para que se possa cumprir o prazo estabelecido para a elaboração e 
entrega do laudo pericial contábil ou parecer técnico-contábil, é necessário que os 
documentos solicitados sejam fornecidos ou postos à disposição deste perito até o 
dia __/__/__, às __h, no endereço ........ (do perito do Juízo e/ou perito-assistente, 
e/ou parte). Solicita-se que seja comunicado quando os documentos tiverem sido 
remetidos ou estiverem à disposição para análise.
Em caso de dúvida, solicita-se esclarecê-la diretamente com o signatário 
nos endereços e telefones indicados.
Local e data
Assinatura
Nome do perito
Contador – N.º de registro no CRC
Fonte: adaptado de http://twixar.me/Yhxm. Acesso em: 29 mar. 2023.
105
Neste tópico, você aprendeu:
• O planejamento na perícia contábil é de extrema importância, pois um planejamento 
bem elaborado tem vários fatores positivos, como: elaborar um cronograma de 
execução a fim de se cumprirem os trabalhos no prazo previsto, avaliar com precisão 
os custos da perícia, verificar a necessidade de equipe técnica. 
• O planejamento dos trabalhos é anterior às demais etapas do trabalho pericial 
contábil, isso implica que o perito deverá ter conhecimento prévio de todas as etapas 
do processo pericial. 
• Uma das etapas do processo de planejamento é o cálculo correto dos honorários, que 
deverá considerar os seguintes fatores: a relevância, o vulto, o risco, a complexidade, a 
quantidade de horas, o pessoal técnico, o prazo estabelecido, a forma de recebimento 
e os laudos interprofissionais, entre outros fatores. 
• As diligências integram uma das fases do trabalho pericial, no caso, o trabalho de 
campo, por meio do qual o perito solicita documentos, coisas, dados e informações 
necessárias à elaboração do laudo pericial contábil e do parecer técnico-contábil.
RESUMO DO TÓPICO 1
106
1 De acordo com NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a) – Perícia Contábil, o planejamento 
deve ser elaborado com base nos quesitos e/ou no objeto da perícia. Com relação aos 
objetivos do planejamento da perícia, classifique V para as sentenças verdadeiras e F 
para as falsas:
Fonte: CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020a. NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil. 
Disponível em: http://twixar.me/ydxm. Acesso em: 6 jan. 2023.
( ) Conhecer o objeto da perícia, a fim de permitir a adoção de procedimentos que 
conduzam à revelação da verdade, a qual subsidiará o juízo, o árbitro ou o interessado 
a tomar a decisão a respeito da lide.
( ) Definir a natureza, a oportunidade e a extensão dos exames a serem realizados, 
em consonância com o objeto da perícia, os termos constantes da nomeação, dos 
quesitos ou da proposta de honorários oferecida pelo Perito.
( ) Estabelecer condições para que o trabalho seja cumprido no prazo estabelecido.
( ) Identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia.
( ) Identificar fatos que possam vir a ser importantes para a solução da demanda de 
forma que não passem despercebidos ou não recebam a atenção necessária.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) F – F – F – F – V.
b) ( ) F – V – V – F – F.
c) ( ) V – F – F – F – F.
d) ( ) V – V – V – V – V.
e) ( ) F – F – F – F – F.
2 Durante o processo de planejamento do trabalho pericial, o perito deverá elaborar 
o plano de trabalho e, como consequência, o valor dos serviços periciais que serão 
cobrados, através dos seus honorários. Diante disso, analise as sentenças a seguir:
I- Na fase do planejamento do trabalho pericial serão estabelecidas as diretrizes, bem 
como as metodologias que serão utilizadas.
II- Na elaboração do plano de trabalho, bem como da proposta de honorários, o perito-
contador deverá levar em conta fatores relevantes, o risco, a complexidade do 
trabalho, os prazos estabelecidos, e, ainda, a responsabilidade. 
III- Entre os objetivos do planejamento da perícia contábil, identificamos o 
desenvolvimento do plano de trabalho, já que nesta peça é que serão especificados 
os procedimentos e as diretrizes do trabalho pericial.
AUTOATIVIDADE
107
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente as sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença III está correta.
c) ( ) As sentenças II e III estão incorretas.
d) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
3 A Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO) é uma entidade 
representativa de docentes, discentes e profissionais que atuam nas grandes 
áreas de conhecimento da Engenharia de Produção. De acordo com os princípios 
e as normativas elencadas no estatuto da ABEPRO, classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
( ) A entidade tem como objetivo a inserção da Engenharia de Produção na comunidade 
científica e produtiva no sentido de promover o desenvolvimento social. 
( ) A ABEPRO Jovem é responsável pela congregação de todos os profissionais inativos 
de Engenharia de Produção e busca articular com empresas e instituições de ensino.
( ) A ABEPRO tem como missão assegurar à sociedade a busca permanente de uma 
prática correta e responsável dos profissionais de Engenharia de Produção.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 Considere as seguintes informações relativas à uma perícia contábil, cujo perito do 
juízo é você:
Análise dos autos: 5 horas.
Elaboração das petições e comunicações das partes: 3 horas.
Diligência, exames de documentos técnicos e diligências: 35 horas.
Reunião com outros peritos: 6 horas.
Elaboração da lauda: 8 horas.
Revisão: 3 horas.
 
Custos mensais: 
R$ 4.500 de custos relativos aos custos pessoais (alimentação, transporte,saúde, 
educação, moradia etc.).
R$ 1.500 relativos aos custos relativos aos materiais de trabalho (treinamento, internet, 
deslocamento etc.).
Carga horária: 8 horas por dia útil de segunda a sexta-feira.
Média de dias úteis mensal: 20 
108
Considere, ainda:
12% para férias.
20% para a margem de risco da atividade.
Com base nesses dados, calcule o valor dos seus honorários e elabore sua proposta de 
honorários ao magistrado.
5 Um perito contador precisa calcular os juros moratórios sobre uma verba em liqui-
dação de sentença no valor de R$ 96.000,00. O juiz determinou a incidência de juros 
simples de 0,5% ao mês, no período de 1/2/2022 a 30/9/2022. 
Nessa hipótese, considerando-se o mês comercial de 30 dias, calcule o total de juros.
109
QUESITOS
UNIDADE 2 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 2, trataremos dos Quesitos. Podemos 
definir quesito como ponto ou questão sobre a qual se pede a opinião ou o juízo de 
alguém; pergunta a ser respondida; requisito; pergunta formulada, por itens, pelas 
partes, Ministério Público ou juiz, a perito ou assistente, para a instrução da causa em 
questões técnicas; cada uma das perguntas que o juiz-presidente do tribunal do júri 
entrega aos jurados para que respondam (QUESITO, 2023, s. p.).
Os quesitos buscam a verdade perseguida pelos litigantes, assim, refletem a 
tese, estilo e estratégia da parte, motivo pelo qual os quesitos não são idênticos em 
processos semelhantes. Se envolverem matéria de direito ou de outra especialização, 
o perito deve considerar o quesito prejudicado, sob pena de interferência em matéria 
exclusiva do Magistrado ou do exercício ilegal da profissão (ANDRADE, 2021).
Nisso, os quesitos, de um modo geral, são apreciados e deferidos pelo juiz com 
vistas a evitar indagações impertinentes ou fora da verdade perseguida. Os quesitos fora 
do âmbito da questão, devem ser entendidos como procrastinatórios e desnecessários 
àqueles que abordam fatos não relacionados com a questão em litígio (ANDRADE, 2021; 
ORNELAS, 2017; CREPALDI, 2019).
Portanto, os quesitos são as perguntas, as indagações que são elaboradas 
e que darão o limite, indicando o universo a ser estudado pelo perito. O responsável 
pelas respostas sempre será o perito que foi nomeado ou contratado (MÜLLER; TIMI; 
HEIMOSKI, 2017). Seu objetivo é obter uma prova cabal sobre pontos controvertidos. 
Naturalmente, todo o quesito implica uma resposta (ALVES et al., 2017). 
Assim, além desta introdução, abordaremos no Subtema 2 os quesitos, e no 
Subtema 3, os quesitos da perícia contábil propriamente ditos.
2 QUESITOS 
Acadêmico, vamos iniciar nossos estudos sobre os quesitos, abordando 
inicialmente o questionário básico, também denominados de quesitos ordinários. 
110
2.1 QUESITOS ORDINÁRIOS 
Entendemos por quesitos ordinários, também denominado de questionário 
básico, os quesitos formulados, seja pelo magistrado, seja pelas partes, antes do início 
das diligências, isto é, antes do desenvolvimento da produção da prova pericial contábil e 
entrega da peça técnica (ORNELAS, 2017).
São as perguntas de natureza técnica ou científica naturalmente relacionadas 
aos pontos convertidos fixados pelo magistrado ou pelo Tribunal Arbitral, a serem 
respondidas pelo perito. São, em geral, apreciadas pelo magistrado ou pelo Tribunal 
Arbitral e pelas partes a fim de evitar indagações impertinentes, fora do âmbito da lide 
proposta e/ ou dos pontos controvertidos fixados, bem como diligências desnecessárias 
ou procrastinatórias (ORNELAS, 2017).
De acordo com o CPC (BRASIL, 2015, grifo nosso), em seu Artigo 465, as partes 
têm a opção de apresentar quesitos:
Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e 
fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo.
§ 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da 
intimação do despacho de nomeação do perito:
I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso;
II - indicar assistente técnico;
III - apresentar quesitos. 
Costa (2017) afirma que fica evidenciada a celeridade com que esse procedimento 
relativo aos quesitos tem que ser concluído, ou seja, 15 dias após a nomeação do perito. 
Essa data é limite, e, caso a parte não a obedeça, ficará impossibilitada de fazer em outro 
momento, sem que tenha a anuência do juiz. Assim, é de todo conveniente que a parte 
cumpra com esse prazo, caso queira utilizar a prerrogativa de elaborar quesitos.
Os quesitos deverão ser apreciados pelo magistrado, conforme Artigo 470 do 
CPC (BRASIL, 2015, grifo nosso):
Art. 470. Incumbe ao juiz:
I - indeferir quesitos impertinentes;
II - formular os quesitos que entender necessários ao 
esclarecimento da causa. 
A apreciação e deferimento dos quesitos pelo juiz busca evitar questionamentos 
impertinentes ou fora da verdade perseguida, haja vista que estes têm caráter 
meramente protelatórios, caracterizando como desnecessários, não se relacionando 
com a questão da lide.
111
Mas, e aí, o que é quesito mesmo?
Bem, caro acadêmico, quesitos são questionamentos a respeito do fato ou 
do objeto dúbio, sobre o qual versa a perícia contábil, e podem estar presentes no 
início da perícia contábil, no seu desenvolvimento e após o término da perícia, quando 
estes se denominam quesitos de esclarecimentos (CREPALDI, 2019).
Costa (2017) nos afirma que as normas contábeis não tratam da definição de 
quesitos; somente fazem referência a “quesitos”, “quesitos suplementares” e “quesitos 
de esclarecimentos”. Portanto, quesitos são questionamentos, mas podem ser 
elaborados na afirmativa. Objetivando adquirir solução sobre o que está se discutindo 
nos autos, estes serão redigidos pelo assistente técnico e obrigatoriamente deverão ser 
respondidos pelo perito nomeado.
Alves et al. (2017) afirmam que quesito pode ser entendido como uma pergunta 
formulada ao perito-contador, com vistas à obtenção de uma prova cabal sobre pontos 
controvertidos; geralmente, todo o quesito implica numa resposta por parte do perito 
judicial.
Costa (2017) nos diz que os quesitos devem trazer em seu bojo 
questionamentos ou solicitações que envolvam respostas para a solução do 
litígio que está em julgamento no processo. Os quesitos serão elaborados pelas partes, o 
que ficará geralmente a cargo do assistente técnico contratado. Levantados e elaborados 
sobre o objeto que está em discussão no processo, os quesitos visam receber respostas do 
perito nomeado de maneira a levar à solução do litígio
Os quesitos são de extrema importância para o procedimento 
pericial, pois trata-se de perguntas formuladas pelas partes 
ou pelo julgador, devidamente registradas nos autos, cujo 
objetivo central é o esclarecimento dos fatos e das operações 
em discussão. São perguntas de natureza técnica ou científica 
que serão respondidas pelo perito do juízo com objetividade, 
justificativa, rigor tecnológico, precisão e clareza.
IMPORTANTE
A seguir, apresentamos dicas trazidas pelos autores Müller, Timi e Heimoski 
(2017), a respeito do trabalho do perito judicial, quando da resposta aos quesitos:
112
Quadro 3 – Dos quesitos
Situação Como proceder
E a incerteza?
Se você não tem certeza, se você não está certo de uma 
afirmação, negue-a. Não diga nada. Não diga que “acha” que 
pode ser. Se está diante do incerto, negue-se a dar opinião: 
“Não posso afirmar, porque não tenho ainda fundamentação”. 
As respostas dos quesitos devem ser fundamentadas, sempre.
Pode utilizar “sim” e “não” 
como resposta?
Cabe o “sim” e cabe o “não”. Se a pergunta for: a data 
do contrato foi de XX/XX/ XX? Aqui cabe uma resposta 
totalmente objetiva: “Sim”. Agora, se não temos certeza 
ou não podemos afirmar nada, há discordância. Deve-se 
fazer uma ressalva, ao menos. Isso é importante, para dar 
segurança ao laudo.
Repetições?
A opinião técnica que devemos exprimir deve estar limitada ao 
escopo do trabalho que devemos desenvolver, normalmente 
guiada pelos quesitos. O prolixo deve ser evitado. Deve-se 
deixar que o juiz decidatermos controversos. Não devemos 
conceder alternativas no laudo: “Se fosse de outro modo, o 
resultado seria tal” etc. Não devemos ser prolixos. Isso pode 
gerar confusão. Entretanto, se for importante repetir algo, 
para permitir um entendimento melhor, que isso seja feito de 
outra forma.
Cabe subjetividade?
Deve-se ter muito cuidado também com a subjetividade. 
Ela deve ser objeto de preocupação do perito. Quem pede 
uma opinião, quem faz uma pergunta, quem faz um quesito 
merece fidelidade objetiva, merece preocupação com uma 
resposta efetiva, que solucione aquela questão. Na perícia 
não há lugar para o subjetivo, não há lugar para polemizar.
Onde tudo isso está previsto 
nas normas? É uma regra?
Sim. No caso do perito contábil, tudo isso está previsto nas 
Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). Nós, contadores, 
temos a NBC TP01 (R1) e a NBC PP01 (R1).
Fonte: adaptado de Müller, Timi e Heimoski (2017)
3 QUESITOS DA PERÍCIA CONTÁBIL 
Caro acadêmico, como já aprendemos a respeito dos quesitos ordinários, agora 
vamos estudar os quesitos aplicados à perícia contábil.
3.1 QUESITOS DA PERÍCIA CONTÁBIL 
Como já vimos, acadêmico, os quesitos, de um modo geral, são perguntas 
que as partes fazem, muitas vezes elaboradas pelos assistentes ou pelo advogado da 
empresa, sobre o objeto da perícia; o limite dos quesitos é o objeto da perícia. 
113
Primeiramente, são transcritos e respondidos, os quesitos oficiais e, na 
sequência, os das partes, na ordem em que forem juntados aos autos. As respostas 
aos quesitos serão circunstanciadas, não sendo aceitas aquelas como “sim” ou “não”, 
ressalvando-se os que contemplam especificamente esse tipo de resposta. Não devem 
ser sumárias, mas sempre bem fundamentadas e alicerçadas em documentos e/ou 
registros contábeis, evitando, dessa forma, dúvidas na leitura (CREPALDI, 2019). 
Muitas vezes, os quesitos não são suficientes para esclarecer, tecnicamente, 
a demanda, devendo, então, o perito do juízo, em suas conclusões, prestar os 
esclarecimentos adicionais necessários, sem, contudo, extrapolar sua pesquisa além do 
que está sendo questionado nos autos, ou seja, deve manter seu trabalho circunscrito 
ao objeto da perícia.
Deve observar as perguntas efetuadas pelo juízo e/ou pelas partes, no momento 
próprio dos esclarecimentos, pois tal ato se limita às respostas a quesitos integrantes 
do laudo ou do parecer e às explicações sobre o conteúdo da lide ou sobre a conclusão.
Exemplo de quesito:
Com base na contabilidade da Empresa XXX Ltda., pode-se apurar o resultado contábil, 
para fins de tributação pelo imposto de renda? 
Exemplo de resposta do perito: 
Sim. A Empresa XXX Ltda. mantém regularmente os livros obrigatórios exigidos pela 
legislação comercial, demonstrando o resultado do exercício no final do livro Diário e 
apresentando a demonstração do lucro tributável no livro de apuração do lucro real 
(e-LALUR), conforme anexos 4 a 10 do presente laudo pericial contábil. 
Nota: 
Como prova, o perito do juízo anexa cópias dos termos de abertura e de encerramento 
dos aludidos livros. 
A seguir, baseados no trabalho de Costa (2017), mostraremos mais alguns 
exemplos de quesitos elaborados com a finalidade de mostrar sua estrutura e forma 
de apresentação, lembrando que a sua elaboração é de competência do assistente 
técnico, perito altamente especializado em assuntos contábeis, o que irá auxiliar muito 
o sucesso da causa para a parte.
114
1. Quesitos elaborados em um processo envolvendo financiamento 
habitacional.
Queira o senhor perito relatar se o contrato firmado entre as partes está enquadrado 
como financiamento habitacional nos moldes do Sistema Financeiro da Habitação.
2. Quesitos elaborados em um processo envolvendo contrato de abertura de 
crédito e financiamento.
Relate o senhor perito qual o instrumento contratual objeto desta lide e quais as suas 
principais cláusulas no que tange ao prazo, à taxa e ao valor. Houve prorrogações?
3. Quesitos elaborados em um processo envolvendo questionamentos sobre 
pagamentos de impostos.
Identifique o senhor perito, comparando as datas de competência e as guias acostadas 
nos autos (bem como o cômputo de eventuais acréscimos), se os supostos débitos 
arrolados na inicial foram pagos.
4. Quesitos elaborados em um processo envolvendo INSS sobre obras de 
engenharia na construção de unidade habitacional.
Queira o senhor perito relatar se foi efetuado o cálculo da mão de obra empregada 
em conformidade com o § 4º do Artigo 33 da Lei no 8.212/91.
5. Quesitos elaborados em um processo envolvendo auto de infração da 
Secretaria da Receita Federal.
Compulsando os autos, pode o perito informar se a autora estava autorizada mediante 
decisão judicial a compensar prejuízos fiscais acumulados, independentemente da 
limitação prevista no Artigo 42 da Lei no 8.981/95?
6. Quesitos elaborados em um processo envolvendo empréstimos e 
financiamentos para pessoa jurídica.
Ao senhor perito, solicitamos caracterizar o crédito indicando o valor, o prazo, a forma 
de pagamento, a data de vencimento e os juros contratados.
7. Quesitos elaborados em um processo envolvendo financiamento a pessoa 
física.
Solicitamos ao senhor perito relacionar a data de vencimento e pagamento das 
parcelas honradas pelo réu.
8. Quesitos elaborados em um processo envolvendo financiamento para o 
Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).
As cláusulas determinadas pela legislação da Lei no 10.260/01, que rege o FIES, 
estão sendo rigorosamente cumpridas?
115
9. Quesitos elaborados em um processo envolvendo financiamento de crédito 
rotativo para pessoa jurídica.
Queira o senhor perito informar o valor e a modalidade do contrato de crédito 
rotativo firmado pelas partes, incluindo esclarecimentos adicionais sobre a data 
de vencimento da obrigação, forma de pagamento, prazo, taxa de juros pactuada, 
período de pactuação, garantias e encargos previstos na cláusula de inadimplência.
10. Quesitos elaborados em um processo envolvendo financiamento para 
aquisição de materiais de construção denominado Construcard.
Defina o senhor perito o fenômeno contábil da capitalização de juros e, com base no 
extrato e na aplicação da tabela Price, informe se ela ocorreu.
Fonte: adaptado de COSTA, J. C. D.da. Perícia contábil: aplicação prática. São Paulo: Atlas, 2017.
3.1.1 Quesitos impertinentes
São questionamentos efetuados pelas partes e que abordam, geralmente, 
aspectos não relacionados à demanda judicial, ou perguntas que buscam do perito do 
juízo opinião fora de sua competência profissional e/ou o induzem a adentrar no mérito, 
para o qual o perito do juízo não tem competência legal. Assim, os quesitos tornam-se 
impertinentes quando fogem, escapam ao objeto da perícia contábil (CREPALDI, 2019; 
MÜLLER; TIMI; HEIMOSKI, 2017). 
Por exemplo: estamos realizando uma perícia contábil com a finalidade de 
apurar o valor do patrimônio (objeto da perícia) e há um quesito que requer verificar se 
a assinatura que consta do contrato social, instrumento de constituição da empresa, é 
realmente do sócio. Ora, se somos peritos-contadores e não peritos-grafotécnicos, não 
temos condições técnicas para analisar a assinatura daquela pessoa. Trata-se, então, de 
quesito impertinente. Outro exemplo: perguntas sobre o motivo de um sócio deixar de 
atuar na empresa (se por problemas de saúde etc.) também são quesitos considerados 
impertinentes. 
De acordo com o Processo Civil, deveria o juiz excluir ou considerar 
tais quesitos como impertinentes, antes mesmo de solicitar ao perito 
a elaboração do laudo. Na prática, entretanto, isso nem sempre ocorre.
IMPORTANTE
116
Crepaldi (2019) nos traz mais exemplos de quesitos impertinentes:
Um tipo muito comum de quesito em demandas de juros bancários é: 
“O Sr. Perito considera legal a cobrança de juros bancários superiores a 12% ao ano?”. 
Esse quesito é impertinente, pois implica uma exposição de opinião do perito do 
juízo, em que este se expõe a julgar, fugindo de sua competência.Outra pergunta impertinente é: 
“O Sr. Perito poderia definir se a parte A tem razão em relação aos argumentos 
apresentados na peça inicial?”
Então, o que eu faço se encontrar um quesito impertinente? 
Uma alternativa muito utilizada pelos peritos é prejudicar 
a resposta, informando não estar de acordo com o objeto 
da perícia. Assim, salvo melhor juízo, ele deixa de ser 
respondido. Se for objeto de esclarecimento, pode o perito 
manifestar-se com a devida ressalva sobre o objeto da 
prova. A palavra que ora destacamos aqui é convencimento. 
Se o juiz estiver convencido de que aquele quesito é 
impertinente, ele o indeferirá. Mas e se passar por ele? 
Se chegar ao perito, este deve estar convicto para poder 
responder como “prejudicado” ou “quesito impertinente” 
(MÜLLER; TIMI; HEIMOSKI, 2017).
ATENÇÃO
Assim, caro acadêmico, diante de perguntas impertinentes, cabe ao perito do 
juízo denunciá-las, da seguinte forma, de acordo com Crepaldi (2019), “o quesito em 
questão não pode ser respondido mediante perícia contábil, já que os exames efetuados 
não se prestam a tal. Tratando-se de matéria cujo mérito deva ser julgado, este perito 
recusa-se a responder a tal quesito, por não se tratar de sua alçada fazê-lo”. 
Os procedimentos processuais estão previstos no Código de Processo Civil. 
E o Código é bem claro ao informar que compete ao juiz indeferir os quesitos 
impertinentes nos processos que envolvam provas periciais, como já vimos 
anteriormente no Art. 470 do CPC. 
Sendo o juiz o destinatário da prova, a ele compete ponderar sobre a necessidade 
ou não da sua realização, determinando aquelas provas que achar convenientes e 
indeferindo as inúteis ou protelatórias – Art. 139, III; Art. 370, parágrafo único – (BRASIL, 
2015), bem como sobre a pertinência dos quesitos apresentados pelas partes. Assim, 
poderão ser indeferidos os quesitos que não tenham o condão de auxiliar a formar o 
convencimento do juiz ou que não apresentem qualquer relevância para a composição 
117
do conflito. Também cabe ao juiz formular os quesitos que entender necessários ao 
esclarecimento da causa. A atuação do julgador deve ser subsidiária, de modo a não 
comprometer a sua imparcialidade e a não indicar prévio julgamento. 
Assim, de acordo com o Código de Processo Civil (CPC) (BRASIL, 2015), compete 
ao juiz indeferir quesitos impertinentes e formular os que entender necessários ao 
esclarecimento da causa.
3.1.2 Quesitos suplementares
O Código de Processo Civil – Art. 469 (BRASIL, 2015) aponta que as partes 
poderão apresentar quesitos suplementares na fase de diligência, os quais serão 
respondidos pelo perito do juízo.
Art. 469. As partes poderão apresentar quesitos suplementares 
durante a diligência, que poderão ser respondidos pelo perito 
previamente ou na audiência de instrução e julgamento.
Parágrafo único. O escrivão dará à parte contrária ciência da juntada 
dos quesitos aos autos (BRASIL, 2015).
Os quesitos suplementares acarretam trabalho adicional, pois não estão 
previstos no pedido inicial. Devido a esse aumento de trabalho, o perito pode requerer 
acréscimo no valor do honorário. O perito pode tomar ciência desses quesitos antes 
da audiência, respondê-los no próprio laudo ou em laudo complementar na própria 
audiência. 
A NBC TP 01 (R1) se reporta aos quesitos suplementares no item 57: “quesitos 
suplementares/complementares formulados sob a forma de esclarecimentos devem 
ser submetidos à autoridade julgadora”. 
A NBC PP 01 (R1) (BRASIL, 2020b) também trata dos quesitos suplementares 
no item 34:
34. O perito deve ressaltar, em sua proposta de honorários, 
que esta não contempla os honorários relativos a quesitos 
suplementares/complementares. Quando haja necessidade de 
complementação de honorários, deve-se observar os mesmos 
critérios adotados para a elaboração da proposta inicial.
Geralmente, os quesitos suplementares são provocados pelo perito-assistente 
técnico de uma das partes, já que este, acompanhando o trabalho pericial, pode constatar 
que os quesitos formulados pelo seu cliente não esclarecem adequadamente determinada 
questão, quando, então, sugere as perguntas complementares (CREPALDI, 2019). 
Após a conclusão da perícia, não podem mais ser feitos quesitos suplementares, 
mas apenas pedido de esclarecimentos.
118
3.1.3 Quesitos para esclarecimento
A entrega do laudo pericial contábil pode não representar a conclusão da 
atividade do perito do juízo no processo. É dever do profissional esclarecer eventuais 
dúvidas que possam surgir sobre o trabalho técnico apresentado, tal como estabelece 
o CPC (BRASIL, 2015):
 Art. 477. O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo 
juiz, pelo menos 20 (vinte) dias antes da audiência de instrução e 
julgamento.
§ 1º As partes serão intimadas para, querendo, manifestar-se sobre o 
laudo do perito do juízo no prazo comum de 15 (quinze) dias, podendo 
o assistente técnico de cada uma das partes, em igual prazo, 
apresentar seu respectivo parecer.
§ 2º O perito do juízo tem o dever de, no prazo de 15 (quinze) dias, 
esclarecer ponto:
I - sobre o qual exista divergência ou dúvida de qualquer das 
partes, do juiz ou do órgão do Ministério Público;
II - divergente apresentado no parecer do assistente técnico da 
parte.
A NBC PP 01 (R1) (BRASIL, 2020b) aborda o tema nos itens 38 e 39:
38. O perito deve prestar esclarecimentos sobre o conteúdo do 
laudo pericial contábil ou do parecer pericial contábil, em 
atendimento à determinação da autoridade competente.
39. Se o pedido de esclarecimentos tratar de matéria nova, alheia ao 
conteúdo do laudo pericial, se caracteriza quesito suplementar.
O item 56 da NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a) também faz referência aos 
esclarecimentos sobre o laudo:
56. Havendo determinação de esclarecimentos sobre o laudo 
ou parecer sem a realização de audiência, o perito deve 
fazer, por escrito, observando em suas respostas os mesmos 
procedimentos adotados quando da feitura do esclarecimento 
em audiência, no que for aplicável.
Após a entrega do laudo, as partes serão intimadas para, querendo, se manifestar 
sobre o laudo pericial no prazo comum de quinze dias (Art. 477, § 1º). Nesse mesmo 
prazo, os assistentes técnicos poderão oferecer os seus pareceres. A obrigatoriedade 
de intimação das partes e, consequentemente, dos assistentes é medida que visa 
resguardar o contraditório. A ausência de intimação deve, pois, ser considerada hipótese 
de nulidade relativa, sendo necessária a concessão de novo prazo para manifestação 
das partes, inclusive com o adiamento da audiência. Sobre as dúvidas e divergências 
apresentadas pelas partes, pelo juiz, pelo membro do Ministério Público ou pelos 
assistentes, o perito judicial terá prazo de quinze dias para esclarecê-las (Art. 477, § 2º). 
Para esses esclarecimentos, o assistente ou o perito devem ser intimados com 10 dias 
de antecedência da data marcada para a audiência (Art. 477, § 4º) (CREPALDI, 2019).
119
3.1.4 Caso prático 
Acadêmico, com vistas a ampliar nosso entendimento a respeito dos quesitos, 
vamos apresentar um caso prático de perícia contábil, trazendo os quesitos elencados 
por Crepaldi (2019), no qual reproduzimos na íntegra a seguir:
QUESITOS:
As notas fiscais de peças e pneus vinham dos respectivos estabelecimentos 
comerciais, constando a marca do veículo, ou outra identificação do veículo no qual 
seriam instaladas ou utilizadas? E, ainda, esses valores eram descontados a título de 
adiantamento?
Sim, as notas/cupons fiscais vinham com o número da placa do veículo, BWA-0368, 
e com a assinatura do sr. Fulano de tal ou sr. Beltrano. Nos autos não se percebe 
se esses valores eram descontados a título de adiantamento, consta somente 
adiantamento feito aos srs. Fulano de tal ou Beltrano.
Poderia o sr. Perito informar se eram feitos vales de adiantamento de fretes?
Sim, eram feitos adiantamentos como consta nos autos.
Quanto às notas de combustível, o Sr. Perito poderia informar se os valores do 
combustívelestavam incluídos no adiantamento das viagens?
Pelo que consta nos autos, os valores de combustíveis não eram descontados dos 
adiantamentos de viagens. Os cupons fiscais saíam em nome da Transportadora 
Alvorada e vinculados à placa BWA-0368 e assinados pelo sr. Fulano de tal ou sr. 
Beltrano.
Os fretes eram pagos integralmente?
Nem todos os recibos de frete ou carreto eram pagos integralmente, em alguns eram 
descontados adiantamentos, como constam nos autos. Como exemplo, o Recibo de 
carreto n. 31.256, na página 67, em que consta o adiantamento sendo abatido, e 
o Recibo de carreto n. 6.687, na página 70, em que não consta o abatimento de 
adiantamento.
O sr. Perito poderia informar qual a real função de cada via dos recibos de carreto?
1ª via – deverá ser entregue ao tomador do serviço;
2ª via – acompanhará o transporte até o destino, podendo servir como comprovante 
de entrega;
3ª via – acompanhará o transporte, para controle do Fisco deste estado;
4ª via – ficará presa ao bloco, para exibição ao Fisco.
Poderia o Sr. Perito informar se a primeira via do recibo de carreto pode gerar direito 
de recebimento da quantia nele descrita?
Sim, pois a 1ª via é entregue ao tomador do serviço, que é aquele que arca com o 
ônus, ou seja, o pagamento do frete.
120
O Sr. Perito pode calcular a quantia devida pelo Réu à Empresa Autora?
Na documentação encontrada no processo, existem muitos erros, considerando a 
boa prática contábil, tais como: falta de data nos recibos de carreto, rasuras nos 
recibos de carreto, considerando Pedido para compor a dívida, sem documento 
fiscal.
Por isso, o cálculo no caso dos adiantamentos liquidados foi feito com relação à data 
aproximada.
Considerando as informações acima, o saldo em 28/8/2011, calculado considerando 
6% a.a. tanto para adiantamentos quanto para baixa de adiantamentos, é de R$ 
18.799,33.
Seguem os cálculos:
Tabela 1 – Dívidas
121
122
123
124
Fonte: adaptada de Crepaldi (2019)
Tabela 3 – Resumo
Fonte: adaptada de Crepaldi (2019)
Fonte: CREPALDI, S. Manual de perícia contábil. São Paulo: Saraiva Educação, 2019.
125
Neste tópico, você aprendeu:
• Os quesitos são as perguntas, as indagações que são elaboradas e que darão o limite, 
indicando o universo a ser estudado pelo perito. 
• O responsável pelas respostas sempre será o perito que foi nomeado ou contratado.
• Os quesitos tornam-se impertinentes quando fogem, escapam ao objeto da perícia 
contábil. 
• Os quesitos suplementares acarretam trabalho adicional, pois não estão previstos no 
pedido inicial.
RESUMO DO TÓPICO 2
126
1 Os quesitos buscam a verdade perseguida pelos litigantes, assim, refletem a tese, 
estilo e estratégia da parte, motivo pelo qual os quesitos não são idênticos em 
processos semelhantes. Se envolverem matéria de direito ou de outra especialização, 
o perito deve considerar o quesito prejudicado, sob pena de interferência em matéria 
exclusiva do Magistrado ou do exercício ilegal da profissão (ANDRADE, 2021).
Fonte: ANDRADE, I. R. S. Perícia Contábil. Salvador: UFBA, Faculdade de Ciências Contábeis; 
Superintendência de Educação a Distância, 2021. 100 p.
Com relação aos quesitos constantes nos laudos periciais contábeis, analise as 
sentenças a seguir:
I- Devem ser transcritos e respondidos, primeiro, os oficiais e, na sequência, os das 
partes, na ordem em que forem juntados aos autos.
II- Devem ser transcritos de maneira informal, devendo o perito revisar e corrigir 
possíveis erros linguísticos eventualmente cometidos.
III- Devem ser respondidos de forma circunstanciada, não sendo aceitas aquelas como 
“sim” ou “não”, ressalvando-se os que contemplam especificamente este tipo de 
resposta.IV- Não havendo quesitos, a perícia será orientada pelo objeto da matéria, 
se assim decidir quem a determinou.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
2 Numa ação judicial de cobrança de prestações vencidas em contrato de financiamento 
de veículo, o magistrado necessitou nomear um perito, com vistas à apuração do saldo 
devedor pertinente. O profissional contábil, devidamente habilitado e nomeado para 
a realização dos trabalhos periciais, deverá realizar seus trabalhos em conformidade 
com a NBC PP 01 (R1) – Perito Contábil. Sobre a forma de realização dos trabalhos 
periciais, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) O perito assumirá a responsabilidade pessoal por todas as informações 
apresentadas, pelos quesitos respondidos, pelos procedimentos adotados, pelas 
diligências feitas, pelos valores calculados e pelas conclusões evidenciadas no 
relatório pericial contábil.
b) ( ) durante a elaboração do laudo pericial, não há a necessidade de comunicar às 
partes a realização de diligências, pois é uma etapa exclusiva do perito do juízo.
AUTOATIVIDADE
127
c) ( ) O perito do juízo não deve prestar esclarecimentos às partes, pois trabalha 
exclusivamente para o magistrado que o nomeou.
d) ( ) Nunca o perito contábil deverá alterar os trabalhos que realizou, mesmo que 
sejam constatados equívocos ou erros.
3 De acordo com o item 39 da NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a) “o laudo e o parecer são, 
respectivamente, orientados e conduzidos pelo perito nomeado e pelo assistente 
técnico, que devem adotar padrão próprio, respeitada a estrutura prevista nas 
disposições legais, administrativas e nesta Norma”. Diante de exposto, analise as 
sentenças a seguir:
Fonte: CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020a. NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil. 
Disponível em: http://twixar.me/ydxm. Acesso em: 6 jan. 2023.
I- O perito deve prestar esclarecimentos sobre o conteúdo do laudo pericial contábil 
ou do parecer pericial contábil, em atendimento à determinação da autoridade 
competente.
II- O laudo e o parecer devem evidenciar o resultado alcançado por meio de elementos 
de prova trazidos aos autos ou coletados em diligências que o perito tenha feito, por 
intermédio de peças contábeis e quaisquer outros documentos, tipos e formas.
III- Caso necessário o uso de termos técnicos contábeis, recomenda-se a utilização 
daqueles termos já consagrados pela literatura contábil.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
4 O Código de Processo Civil aponta que as partes poderão apresentar quesitos 
suplementares na fase de diligência, os quais serão respondidos pelo perito do juízo. 
Discorra sobre os quesitos suplementares.
5 O plano de trabalho é o instrumento que trará todas as etapas necessárias à 
execução do trabalho pericial, a saber: cálculos, diligências, planilhas, deslocamentos, 
pesquisas, trabalho de terceiros, respostas aos quesitos, ou ainda, reuniões com os 
assistentes técnicos, prazo para apresentação do relatório pericial – NBC TP 01 (R1) 
(BRASIL, 2020a). Assim, discorra sobre os quesitos ordinários.
Fonte: CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020a. NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil. 
Disponível em: http://twixar.me/ydxm. Acesso em: 6 jan. 2023.
128
129
TÓPICO 3 — 
RELATÓRIOS PERICIAIS: LAUDO 
E PARECER
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico, estamos no Tema de Aprendizagem 3, e estudaremos os relatórios 
periciais. São considerados relatórios periciais contábeis tanto o laudo quanto o parecer. 
A NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a) nos diz que, após a conclusão dos trabalhos periciais, 
o perito do juízo deve apresentar laudo pericial contábil, e o assistente técnico 
pode oferecer seu parecer pericial contábil, obedecendo aos respectivos prazos 
legais e/ou contratuais.
O laudo pericial contábil é peça técnica da lavra do perito nomeado. Pode ser 
elaborado em cumprimento à determinação judicial, arbitral, ou ainda por força de 
contratação. No primeiro caso,surge o laudo pericial contábil judicial. Nos demais, surge 
o laudo pericial contábil extrajudicial, um por solicitação de Tribunal Arbitral, outro em 
decorrência de contrato (ORNELAS, 2017). 
O laudo pericial, instrumento pelo qual o perito apresenta seu trabalho técnico 
ao magistrado, conforme Müller, Timi e Heimoski (2017), não era mencionado na lei até 
o início da vigência do novo CPC. Esse ordenamento jurídico exibe de forma expressa 
alguns itens necessários para a elaboração do laudo, que veremos no estudo deste tema.
O parecer pericial contábil é trabalho técnico da lavra de perito indicado ou 
contratado. É elaborado por determinação judicial ou em função de contrato. Para o 
primeiro caso, será denominado parecer pericial contábil judicial; no segundo caso, será 
um parecer pericial contábil extrajudicial (ORNELAS, 2017).
Assim, além desta introdução, abordaremos no Subtema 2 laudo pericial 
contábil, e no Subtema 3, o parecer pericial contábil.
2 LAUDO PERICIAL CONTÁBIL 
Acadêmico, quando o perito finaliza as operações de averiguação e coleta das 
informações, dos documentos necessários, é chegado o momento de elaboração do 
laudo pericial contábil. Assim, abordaremos este tema a partir de agora.
130
2.1 LAUDO PERICIAL 
Laudo pericial é uma peça tecnológica que contém opiniões do perito do juízo, 
como pronunciamento sobre as questões que lhe são formuladas e que requerem seu 
parecer. É a forma utilizada para apresentação do trabalho (CREPALDI, 2019). Atende 
às características do trabalho de perícia, principalmente a de examinar a verdade ou 
não de assunto controverso apresentado, visto que, inexistindo matéria controversa, 
inexiste razão para discussão. Consequentemente, não há o que periciar.
A NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a) nos diz que “o laudo pericial contábil e o 
parecer pericial contábil têm por limite o objeto da perícia deferida ou contratada”. E 
prossegue no Item 36:
36. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil devem 
ser elaborados somente por contador ou pessoa jurídica, se 
a lei assim permitir, que estejam devidamente registrados e 
habilitados. A habilitação é comprovada por intermédio da 
Certidão de Regularidade Profissional emitida por Conselho 
Regional de Contabilidade ou do Cadastro Nacional de Peritos 
Contábeis do Conselho Federal de Contabilidade.
Constitui um elemento de prova, fornecendo fatos para firmar a convicção do 
julgador a respeito de assunto conflituoso. As opiniões manifestadas no laudo – pelo 
perito que o emitiu e que tem o domínio da área de conhecimento objeto da perícia – 
tornam-se basilares no processo decisório. Acumula o histórico da perícia realizada, 
trazendo as informações a respeito do processo do qual resultou o exame pericial, a 
exposição sobre o desenvolvimento do trabalho pericial, os quesitos e as respostas 
correspondentes. Pode ser instruído com documentos, mapas, demonstrativos, 
fotografias e desenhos. É um documento conclusivo (CREPALDI, 2019).
O laudo pericial contábil é um documento escrito, no qual o perito contador 
deverá registrar, de forma abrangente, o conteúdo da perícia e particularizar os aspectos 
e os detalhes de forma minuciosa que envolvam o seu objeto e as buscas de elementos 
de prova necessários para a conclusão do trabalho pericial contábil (MOURA, 2020).
Em consonância com as exposições já feitas, podemos adicionar que o laudo 
pericial contábil é uma peça técnica, escrita de forma objetiva, clara, precisa, concisa e 
completa, sendo uma peça técnica elaborada de forma sequencial e lógica.
O CPC (BRASIL, 2015), no Art. 473, estabelece que o laudo pericial deverá conter:
Art. 473. O laudo pericial deverá conter:
I - a exposição do objeto da perícia;
II - a análise técnica ou científica realizada pelo perito;
III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando 
ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do 
conhecimento da qual se originou;
IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, 
pelas partes e pelo órgão do Ministério Público.
131
§ 1º No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em 
linguagem simples e com coerência lógica, indicando como alcançou 
suas conclusões.
§ 2º É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, 
bem como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico 
ou científico do objeto da perícia.
§ 3º Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes 
técnicos podem valer-se de todos os meios necessários, ouvindo 
testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que 
estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas, 
bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, 
fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento do 
objeto da perícia.
Para Santos (2020), o laudo pericial conterá a observação, o julgamento e a 
conclusão sobre os fatos patrimoniais, de forma circunstanciada, tendo em vista que 
tem a missão de dirimir os pontos de discórdia que são o objeto da ação judicial ou do 
impasse extrajudicial.
A NBC TP 01 (R1) trata do laudo pericial contábil nos itens 33 ao 57. Na Figura 7 a 
seguir, podemos visualizar a estrutura desta norma brasileira de contabilidade:
Figura 7 – Estrutura da NBC TP 01 (R1)
Fonte: o autor
Podemos visualizar na estrutura da NBC TP 01(R1) (BRASIL, 2020a, grifo nosso) 
que o laudo pericial contábil, bem como o parecer pericial contábil, é tratado na última 
parte da norma. Isso nos remete ao fato de que o laudo ou parecer é elaborado ao final 
do trabalho pericial, conforme item 33 desta norma:
132
33. Concluídos os trabalhos periciais, o perito nomeado deve 
apresentar laudo pericial contábil, e o assistente técnico 
pode oferecer seu parecer pericial contábil, obedecendo aos 
respectivos prazos legais e/ou contratuais. (grifo nosso)
Assim, podemos observar os seguintes pontos a respeito dessa peça pericial 
tão importante, na Figura 8:
Figura 8 – Laudo pericial contábil
Fonte: adaptada de Crepaldi (2019)
Santos (2020), ao tratar das qualidades de um laudo, nos diz que devemos levar 
em conta seis aspectos primordiais: 
• A objetividade: é a exclusão do julgamento de forma subjetiva, indicando que o perito 
contábil deverá responder às questões trazidas no processo judicial com realidade e 
nos parâmetros contábeis; evitando-se opiniões vagas e imprecisas sobre a matéria 
periciada.
• Rigor tecnológico: o laudo deve limitar-se ao que é científico dentro do campo de sua 
especialidade, devendo o perito ter como base a doutrina, normas e procedimentos 
contábeis para emitir sua opinião sobre o fato litigado.
• Concisão: significa que o perito deverá evitar ser prolixo, atendo-se ao assunto 
de forma objetiva, sem o uso de palavras e argumentos que não trarão nenhuma 
contribuição à matéria periciada, com vistas a orientar o juiz sobre os fatos analisados.
• Argumentação: a opinião do perito contábil deverá ter por base um raciocínio lógico 
e documentos comprobatórios, deixando claro para o juiz o motivo da conclusão que 
está no laudo.
• Exatidão: é a condição essencial de um laudo, tendo em vista que é o elemento que 
garante a veracidade do que está apresentado na prova pericial. Assim, não se deve 
supor, mas somente afirmar se tiver absoluta certeza sobre o que opina.
133
• Clareza: por tratar-se de um documento elaborado para a leitura de pessoas não 
especialistas em matéria contábil, o laudo deverá trazer de forma clara e precisa as 
suas conclusões.
A NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a) também nos evidencia as características de 
um laudo pericial contábil:
36. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil devem 
ser elaborados somente por contador ou pessoa jurídica, se 
a lei assim permitir, que estejam devidamente registrados e 
habilitados. A habilitação é comprovada por intermédio da 
Certidão de Regularidade Profissional emitida por Conselho 
Regional de Contabilidade ou do Cadastro Nacional de Peritos 
Contábeis do ConselhoFederal de Contabilidade. 
37. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil são 
documentos escritos, que devem registrar, de forma 
abrangente, o conteúdo da perícia e particularizar os aspectos 
e as minudências que envolvam o seu objeto e as buscas de 
elementos de prova necessários para a conclusão do seu 
trabalho.
38. Os peritos devem consignar, no final do laudo pericial contábil 
ou do parecer pericial contábil, de forma clara e precisa, as suas 
conclusões.
39. O laudo e o parecer são, respectivamente, orientados e 
conduzidos pelo perito nomeado e pelo assistente técnico, que 
devem adotar padrão próprio, respeitada a estrutura prevista 
nas disposições legais, administrativas e nesta Norma.
40. A linguagem adotada pelo perito deve ser clara, concisa, evitando 
o prolixo e a tergiversação, possibilitando aos julgadores e às 
partes o devido conhecimento da prova técnica e interpretação 
dos resultados obtidos. As respostas aos quesitos devem ser 
objetivas, completas e não lacônicas. Os termos técnicos devem 
ser inseridos no laudo e no parecer, de modo a se obter uma 
redação que qualifique o trabalho pericial, respeitadas as Normas 
Brasileiras de Contabilidade.
O perito deve elaborar o laudo e o parecer, utilizando-se do 
vernáculo, sendo admitidas apenas palavras ou expressões 
idiomáticas de outras línguas de uso comum nos tribunais judiciais 
ou extrajudiciais (item 42 da NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a).
IMPORTANTE
O laudo deve contemplar o resultado final alcançado por meio de elementos de 
prova inclusos nos autos ou arrecadados em diligências que o perito tenha efetuado, 
por intermédio de peças contábeis e quaisquer outros documentos, tipos e formas (item 
43, NBC T01 (R1) (BRASIL, 2020a).
134
Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos podem valer-
se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando 
documentos que estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas, 
bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros 
elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia (CREPALDI, 2019). 
Crepaldi (2019) diz que o laudo consensual é aquele elaborado em conjunto 
com os peritos-assistentes técnicos, ou uma equipe de peritos, e assinado por todos 
sem ressalvas. É estabelecido, então, o consenso sobre a matéria objeto da perícia 
judicial. Havendo divergências do laudo pericial contábil, o perito-assistente técnico 
transcreverá o quesito objeto de discordância, a resposta do laudo, seus comentários e, 
finalmente, sua resposta devidamente fundamentada. Se houver divergência entre os 
peritos, serão consignadas, no auto do exame, as declarações e a autoridade nomeará 
um terceiro. Se este divergir de ambos, a autoridade poderá mandar proceder a novo 
exame por outros peritos:
Art. 480. O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da 
parte, a realização de nova perícia quando a matéria não estiver 
suficientemente esclarecida.
§ 1º A segunda perícia tem por objeto os mesmos fatos sobre os 
quais recaiu a primeira e destina-se a corrigir eventual omissão ou 
inexatidão dos resultados a que esta conduziu.
§ 2º A segunda perícia rege-se pelas disposições estabelecidas para 
a primeira.
§ 3º A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz 
apreciar o valor de uma e de outra (BRASIL, 2015).
As terminologias no laudo pericial contábil trazidas pela NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 
2020a) são as seguintes:
• Forma circunstanciada: é a redação pormenorizada e efetuada com cautela em 
relação aos procedimentos e aos resultados obtidos no trabalho pericial. Síntese do 
objeto da perícia: definir de forma clara o propósito ou a finalidade da perícia.
• Resumo dos autos: o relato ou a transcrição sucinta, de forma que resulte em leitura 
compreensiva dos fatos relatados sobre as questões básicas, que resultaram na 
nomeação ou na contratação do perito.
• Diligência: 
◦ lato sensu: todos os atos adotados pelo perito, inclusive, comunicações às partes 
e a seus assistentes, na busca de documentos, coisas, dados e informações e 
outros elementos de prova necessários à elaboração do trabalho pericial; 
◦ stricto sensu: o trabalho de campo na busca de elementos necessários que não 
estejam juntados aos autos.
• Critério: é a faculdade que tem o perito de distinguir como proceder em torno dos 
fatos alegados para decidir as diretrizes e os procedimentos que deve seguir na 
elaboração do trabalho pericial. 
• Método: é um procedimento de análise técnica e/ou científica de valoração dos 
elementos probantes que instruíram a demanda, predominantemente aceito pelos 
especialistas da área do conhecimento do qual se originou. 
135
• Conclusão: é a exposição sintética da matéria fática constatada, indicando o 
suporte técnico-científico que justifica as conclusões a que chegou o perito ou o 
assistente técnico. Outras informações ou elementos relevantes, que não constaram 
da quesitação, devem ser consignados.
• Apêndices: são documentos elaborados pelo perito contábil; e Anexos são 
documentos entregues a estes pelas partes e por terceiros, com o intuito de 
complementar a argumentação ou elementos de prova.
• Esclarecimentos: são informações prestadas pelo perito aos pedidos de 
esclarecimentos sobre trabalho pericial, determinados pelas autoridades competentes, 
por motivos de obscuridade, incompletudes, contradições ou omissões.
O laudo deve conter, no mínimo, de acordo com o item 53 da NBC TP01 (R1), os 
seguintes itens:
• identificação do processo ou do procedimento, das partes, dos procuradores e dos 
assistentes técnicos;
• síntese do objeto da perícia;
• resumo dos autos; 
• análise técnica e/ou científica realizada pelo perito;
• método científico adotado para os trabalhos periciais, demonstrando as fontes 
doutrinárias deste e suas etapas;
• relato das diligências realizadas;
• transcrição dos quesitos e suas respectivas respostas conclusivas para o laudo 
pericial contábil;
• conclusão;
• termo de encerramento, constando a relação de anexos e apêndices;
• assinatura do perito: deve constar sua categoria profissional de contador, seu número 
de registro em Conselho Regional de Contabilidade e, se houver, o número de 
inscrição no Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC), e sua função: se laudo, 
perito nomeado e se parecer, assistente técnico da parte. É permitida a utilização 
da certificação digital, em consonância com a legislação vigente e com as normas 
estabelecidas pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras – ICP–Brasil.
Acadêmico, apresentamos um exemplo prático de Laudo Pericial Contábil. 
Acesse em: http://twixar.me/7hxm .
DICA
136
3 PARECER PERICIAL CONTÁBIL 
Acadêmico, estudaremos agora a peça denominada parecer técnico ou parecer 
pericial contábil, que é um documento elaborado pelo assistente técnico, cujo escopo é 
emitir opinião sobre o laudo feito pelo perito nomeado pelo juiz, servindo como instrumento 
da parte que o contratou. As regras para a elaboração do parecer pericial contábil são 
semelhantes às técnicas aplicadas ao laudo pericial contábil (SANTOS, 2020).
3.1 PARECER PERICIAL CONTÁBIL 
O parecer técnico contábil, isto é, o parecer técnico, é uma peça escrita na qual 
o contador deve registrar, de forma abrangente, o conteúdo da perícia e particularizar os 
aspectos e as minudências que envolvam a demanda (MOURA, 2020; CREPALDI, 2019). 
Em outras palavras, conforme Moura (2020), o parecer técnico contábil, é peça 
escrita na qual o contador, expressa, de forma circunstanciada, clara e objetiva, os 
estudos, as observações e as diligências que realizou e as conclusões com fundamento 
nos trabalhos realizados.
Sempre que o parecer técnico-contábil for contrário às posições do laudo 
pericial contábil, o perito-assistente técnico deve fundamentar suas manifestações. 
Deve registrar no parecer técnico-contábil os estudos, as pesquisas, as diligências ou 
as buscas de elementosde prova necessários para a conclusão dos seus trabalhos. 
Pode ser apresentado por uma das partes já na petição inicial (abertura do 
processo), antes mesmo que seja designado um perito do juízo, ou na contestação. 
Se o juiz considerar o parecer técnico contábil suficiente, quando apresentar de fato 
pareceres técnicos ou documentos elucidativos, poderá dispensar a nomeação de um 
perito do juízo (CREPALDI, 2020).
Por força da legislação vigente, o perito na função de assistente técnico é 
responsável pela oferta de parecer pericial contábil, ou seja, oferece, por meio de 
trabalho próprio, sua opinião técnica, crítica ou concordante, a respeito do laudo pericial 
contábil oferecido pelo perito judicial (ORNELAS, 2017).
Na esfera judicial, o parecer técnico serve para subsidiar o juiz e 
as partes, bem como para analisar de forma técnica e científica o 
laudo pericial contábil. Na esfera extrajudicial, serve o parecer 
técnico para subsidiar as partes nas suas tomadas de decisões. 
E, na esfera arbitral, subsidiará o árbitro e as partes nas suas 
tomadas de decisão (MOURA, 2020).
IMPORTANTE
137
A estrutura formal do parecer técnico pode conter as seguintes etapas, conforme 
proposto por Ornelas (2017):
Figura 9 – Etapas do parecer pericial contábil
Fonte: adaptada de Ornelas (2017)
Crepaldi (2019), nos detalha as etapas do parecer pericial contábil, conforme 
demonstrado na Quadro 3, a seguir:
Quadro 4 – Parecer técnico contábil
Busca detalhar com critério técnico suas críticas ao laudo pericial contábil. 
Deve ser elaborado de acordo com a estrutura abaixo.
Abertura
Parágrafo introdutório com declaração do assistente técnico 
acerca da apresentação formal do parecer técnico.
Considerações iniciais 
sobre o laudo pericial 
contábil
Parte destinada às críticas em relação ao que foi detalhado 
inicialmente pelo perito e, ainda, identificação da existência 
necessária de aspectos relevantes do processo.
Comentários sobre o 
desenvolvimento do 
trabalho pericial
Apresentação de considerações técnicas convergentes ou 
divergentes dos procedimentos de trabalho do perito, como 
metodologia, pesquisas e diligências.
Comentários sobre os 
quesitos e as respostas
Transcrição dos quesitos formulados pelo juiz e pelas partes, com 
as respostas do perito e a apresentação de comentários críticos, 
convergentes ou divergentes, devidamente fundamentados e 
justificados pelo perito-assistente técnico.
Conclusão técnica
Considerações técnicas finais do parecer, ou aprontamento da 
conclusão técnica do parecer, favorável ou desfavorável ao laudo, 
devidamente justificado pelo perito-assistente técnico.
Encerramento
Fechamento do trabalho com o detalhamento da quantidade de 
páginas existentes, a relação de anexos e documentos, o local, 
a data e a assinatura do perito-assistente técnico, seguida do 
número de registro profissional (CRC).
Anexos
Demonstrativos de cálculos, planilhas e gráficos desenvolvidos 
pelo perito-assistente técnico.
Fonte: Crepaldi (2019, p. 138)
138
O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil são sempre dirigidos ao 
magistrado responsável pelo processo objeto da perícia contábil realizada. Para tanto, o 
laudo pericial contábil, assim como o respectivo parecer pericial contábil, contêm uma 
primeira página de endereçamento ou de apresentação, na qual é identificado a qual 
magistrado se dirigem, são especificados o processo e as respectivas partes, bem como 
se se trata de laudo pericial contábil ou de parecer pericial contábil (ORNELAS, 2017).
Não é recomendado entregar de pronto o laudo ou o parecer no 
mesmo dia em que é terminado. Uma boa prática é aquela de 
deixar a peça técnica em repouso, por um ou dois dias. Passado 
o tempo sugerido, recomenda-se nova leitura do conteúdo do 
trabalho técnico.
ATENÇÃO
Os esclarecimentos adicionais são informações prestadas pelo perito do 
juízo aos pedidos de elucidação sobre laudo pericial contábil e parecer técnico 
contábil, determinados pelas autoridades competentes, por motivos de obscuridade, 
incompletudes, contradições ou omissões (CREPALDI, 2019).
Os esclarecimentos podem ser prestados de duas maneiras, de acordo com a 
NBC TP 01 (R1) (BRASIL, 2020a):
• Escritos: os pedidos de esclarecimentos que forem deferidos e apresentados ao 
perito contábil deverão ser prestados de forma escrita.
• Oral: os esclarecimentos poderão ser prestados, quando da audiência, na forma oral.
O perito do juízo e o perito-assistente técnico somente estarão obrigados a 
prestar esclarecimentos ao juiz quando intimados a comparecer à audiência, formulando 
as perguntas, sob a forma de quesitos, quando intimados dez dias antes da audiência – 
CPC, Art. 477, § 4º– (BRASIL, 2015).
Os esclarecimentos sobre o conteúdo do laudo pericial contábil ou do parecer 
técnico-contábil, em atendimento à determinação do juiz ou do árbitro que preside 
o feito, podem não ensejar novos honorários periciais se forem apresentados para 
obtenção de detalhes do trabalho realizado, uma vez que as partes podem formulá-los 
com essa denominação, mas ser quesitos suplementares. O parecer técnico-contábil, 
na esfera judicial, serve para subsidiar o juiz e as partes, bem como para analisar de 
forma técnica e científica o laudo pericial contábil. Na esfera extrajudicial, serve para 
subsidiar as partes nas suas tomadas de decisão. Na esfera arbitral, serve para subsidiar 
o árbitro e as partes nas suas tomadas de decisão (CREPALDI, 2019). 
139
LEITURA
COMPLEMENTAR
A DIGITALIZAÇÃO DO TRABALHO PERICIAL CONTÁBIL COMO FATOR 
DE ECONOMIA E SUSTENTABILIDADE
André Silva Neto
Almeciano José Maia Júnior 
1 INTRODUÇÃO
A Perícia como prova técnica, produzida por profissionais de elevada habilitação 
profissional, tem na digitalização de suas peças mais um facilitador para o exercício do 
seu mister. Com a informatização dos processos cíveis, penais, trabalhistas, e juizados 
especiais providos pela Lei 11.419/06, assim como os autos da Receita Federal do Brasil 
(RFB) e vários outros órgãos dos entes públicos: federal; estadual; municipal; e distrito 
federal. Esta lei teve por premissa a economicidade da gestão pública e a proteção ao 
meio ambiente, principalmente evitando o corte de arvores para produção de celulose. 
A Perícia Contábil não tardará a seguir os passos da digitalização, visto que é um meio 
de prova de ilibada confiança dos juízes.
A era digital já se tornou presente em nossas vidas, quando pagamos contas 
pelo celular ou fechamos contratos via Internet e não nos imaginamos mais sem os 
incríveis recursos tecnológicos de que dispomos. Uma política de Estado com base nessa 
visão nos conduzirá, certamente, a avanços importantes na redução e racionalização da 
burocracia e na capacidade de uma competitividade sustentável para o país, no viés da 
economia de escala ao se gestar o uso de recursos diversos para atender a sociedade.
Assim em uma abordagem mais explícita a questão que surge é se a informatização 
do processo trará impactos positivos na rotina de trabalho das partes de um processo 
e, por conseguinte, na otimização da justiça como um todo, acarretando a melhora do 
setor público. Acredita-se que, apesar dos entraves decorrentes do uso da tecnologia 
como ferramenta de trabalho, em especial com relação à saúde dos usuários, os efeitos 
negativos do processo judicial eletrônico serão superados com a adoção de medidas de 
tutela do ambiente de trabalho e com a mudança de atitudes dos profissionais que nele 
atuam, impactando positivamente nos resultados de seus serviços.
O objetivo do presente artigo é apresentar ao leitor o uso de recursos na Perícia 
Contábil sobre a ótica da Lei 11.419/06, detectar vantagens e desvantagens da digitalização 
da peça probatória, bem como a economia pública e do meio ambiente, as quais acarretariam 
tal informatização, o mais importante feito ocasionado da possível virtualização.
140
[...]
2.1 A PERÍCIA
A Perícia Contábil se encontra em evolução desde 1945, quando o DecretoLei nº 9.295/46 que criou a profissão do Contador, a este atribuiu, entre suas diversas 
competências, com exclusividade a da Perícia e da Auditoria Contábil, as quais 
enobrecem o exercício profissional.
Segundo Lopes de Sá (1996, p. 14), é uma atividade realizada ou executada por 
peritos, a fim de esclarecer ou evidenciar fatos, objeto do litígio judicial ou por interesse 
extrajudicial. Significa, dessarte, a pesquisa, as vistorias, a investigação, o exame, os 
arbitramentos, as avaliações, a realidade de certos fatos ou verificação da verdade, por 
pessoas que tenham habilitação profissional, reconhecida experiência quanto à matéria 
e ilibada idoneidade moral.
A perícia é, então, a diligência com aplicação da essência de alguma ciência 
em busca da comprovação sobre coisas ou seres no estado em que se encontram, 
reportando-se as suas formas e efeitos anteriores e/ou atuais, devendo, se for o caso, 
enfocar aspectos e situações futuras que advirão do caso de estudo (CABRAL, 2003).
Ao longo dos anos, várias têm sido as denominações dadas à perícia contábil. 
Francisco D’Àuria, em seu livro Revisão e Perícia Contábil (1950, p. 16 apud ROSA, 2003), 
“a perícia é uma incumbência confiada ao perito-contador no sentido de informar, 
de modo geral, mediante exame da matéria pré-limitada, e opinar, tecnicamente, se 
solicitado, interessando, geralmente, a partes em litígio”.
Lopes de Sá, em seu livro Perícia Contábil (1994, p. 15 apud ROSA, 2003):
Perícia contábil é a verificação de fatos ligados ao patrimônio 
individualizados visando oferecer opinião, mediante questão 
proposta. Para tal opinião realizam-se exames, vistorias, indagações, 
investigações, avaliações, arbitramentos, em suma, todo e qualquer 
procedimento necessário à opinião.
Valder Palombo, em seu livro Perícia Contábil (1996, p. 15 apud ROSA, 2003): 
“Perícia é um instrumento especial de constatação, prova ou demonstração, científica 
ou técnica, da veracidade de situações, coisas ou fatos”.
Francisco Maia, em seu livro Roteiro Prático de Avaliações e Perícias Judiciais 
(1996, p. 159 apud ROSA, 2003): 
Perícia é uma prova admitida no processo, destinada a levar ao Juiz 
elementos relativos a fatos que careçam de conhecimentos técnicos, 
podendo consistir numa declaração de ciência, na afirmação de um 
juízo, ou em ambas, simultaneamente.
141
Todos os autores citados referenciam do pensamento contábil brasileiro, atestam a 
relevância para o exercício da perícia contábil, em conjunção do elevado conhecimento 
técnico e indubitável formatação documental, como baluarte ao adequado exercício do 
habilitado labor. Assim indica o pensamento do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).
O Conselho Federal de Contabilidade, na Norma Brasileira Contábil T-13 (2015):
A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnico-
científicos destinados a levar à instância decisória elementos de prova 
necessários a subsidiar a justa solução do litígio ou constatação de 
fato, mediante laudo pericial contábil e/ou parecer técnico-contábil, 
em conformidade com as normas jurídicas e profissionais e com a 
legislação específica no que for pertinente. 
Portanto, após tantas elucidações a respeito do objeto e objetivo da perícia, 
entende-se que é o exame profissional das provas que servirá como testemunho, 
incontroverso, auxiliar para a tomada de decisões. Como orienta o Código de Processo 
Civil (BRASIL, Arts. 420-439), em seus Art. 420 a 439, que estabelece a prova pericial 
como um dos legais meios de prova a servir de base para a decisão do Juízo.
2.2 O PERITO
Conhecida a especificidade da Perícia Contábil, narrada nos parágrafos 
anteriores, o Perito Contador se torna um constante expert em constante aculturamento. 
O próprio órgão fiscalizador, Conselho Federal de Contabilidade (CFC), criou em 2016, 
através da Resolução nº 1502, o Cadastro Nacional de Peritos Contadores (CNPC). Que 
após o período de reconhecimento dos profissionais que já exerciam, passou a fazer o 
exame de qualificação específico.
Peritos “são pessoas entendidas e experimentadas em determinados assuntos 
e que, designadas pela justiça, recebem a incumbência de ver e referir fatos de natureza 
permanente cujo esclarecimento é de interesse num processo. Cabe-lhes o visum et 
repertum segundo antiga expressão” (FAVERO, 2000, p. 37 apud ROSA, 2003).
O perito deve ser sempre aquele que possui a total sabedoria técnica/científica 
do assunto a ser resolvido e seu trabalho se forra de função social/econômica/judicial. 
Inúmeras têm sido as nomeações, judiciais ou não, que deram aos peritos contábeis 
atribuições para produzir provas técnicas que auxiliam a resolução das questões 
impostas ou sob dúvida, mas que têm relevância ao interesse das partes envolvidas 
(seja judicial ou extrajudicial) registrem-se as seguintes:
Segundo Lopes de Sá (1995, p. 354 apud ROSA 2003), perito-contador é: “o 
contador que desempenha as funções de perito, ou examinador de escritas e fatos”.
O Conselho Federal de Contabilidade, na Norma Brasileira Contábil T-13 (2015):
142
O perito deve documentar os elementos relevantes que serviram 
de suporte à conclusão formalizada no laudo pericial contábil e no 
parecer técnico - contábil, quando não juntados aos autos, visando 
fundamentar o laudo ou parecer e comprovar que a perícia foi 
executada de acordo com os despachos e decisões judiciais e as 
Normas Brasileiras de Contabilidade.
Martinho Ornelas (2000, p. 49 apud ROSA 2003), cita Amaral Santos para definir 
perito:
é uma pessoa que, pelas qualidades especiais que possui, geralmente 
de natureza cientifica ou artística, supre as insuficiências do juiz no 
que tange à verificação ou apreciação daqueles fatos da causa que 
para tal exijam conhecimentos especiais ou técnicos.
E, o Conselho Federal de Contabilidade, na Norma Brasileira Contábil P-2 (2015): 
“Perito é o Contador regularmente registrado em Conselho Regional de Contabilidade, 
que exerce a atividade pericial de forma pessoal, devendo ser profundo conhecedor, por 
suas qualidades e experiência, da matéria periciada”.
Também a respeito do assunto, Hilário Franco (1991, p. 273 apud ROSA, 2003), 
emitiu o seguinte parecer:
A globalização dos negócios, com suas atividades cruzando 
fronteiras, requer um código de normas éticas que estabeleça 
padrões de conduta e princípios fundamentais a serem observados 
por todos os comuns. Uma das marcas distintas da profissão contábil 
é a sua responsabilidade para com o público. É salutar, lembrar que 
os contadores são mais notados por serem honestos do que por 
serem confiáveis. Como contadores, precisamos reconhecer que 
nosso comportamento ético é envolvido não apenas pelo que vemos 
como ético, mas pelo que é visto por terceiros que nos observam.
O perito necessita ter robusto conhecimento da área, não se permitindo a erros, 
mantendo o zelo ético/moral e, desse modo, exercer sua função com independência. 
Deve estar sempre em conformidade com os códigos vigentes (civil, penal, trabalhista, 
dentre outros) e possuir pleno domínio destes para atender as demandas propostas por 
quaisquer das partes de um processo. Assim, atenderá com presteza e eficiência ao 
trabalho a si confiado.
2.3 A DIGITALIZAÇÃO PROCESSUAL
Desde a Lei n° 11.419/06, a qual inseriu a informatização do processo judicial, 
dilatando ao Artigo o §2°, o qual indica: “‘Todos os atos e termos do processo podem ser 
produzidos, transmitidos, armazenados e assinados por meio eletrônico, na forma da lei”.
Sendo assim, no esteio dos Certificados Digitais e regulamentação pelos regimentos 
internos dos tribunais, entre outros afincos, o processo eletrônico, também intitulado de e- 
process, tem sido instaurado.
143
De acordo com Wilson Zappa Hoog (2010), a informatização de dados pode propiciar 
diversos benefícios para os profissionais da perícia, do direito e de todas as instituições que a 
adotam. Em suas palavras, “em breve, na maioria dos fóruns, as pessoas terão acesso ao 
processo atravésdo sistema virtual, onde os autos poderão ficar em tempo real, 24 horas por 
dia à disposição dos juízes, dos peritos, dos assistentes e das partes”.
A exponencial utilização de recursos da informática nos processos judiciais pelos 
tribunais brasileiros trouxe grandes benefícios às partes, aos patronos, peritos e ao Poder 
Judiciário. Como exemplo, Abrão (2011) salienta a redução de custos com procedimentos e 
incidentes, o considerável aumento na agilidade de tramitação dos feitos judiciais, a maior 
transparência e garantia de acesso aos procedimentos e atos judiciais realizados, a melhor 
sintonia entre a segunda e a primeira instância e o fim de volumes de autos físicos e de riscos 
de extravios de seus registros. Foi enorme a economia dos recursos públicos, com a redução 
do uso do papel, cartuchos de impressão, tintas, carimbos, grampeadores e outros materiais 
acessórios. Houve ganhos para o meio ambiente, já que esses materiais causam impactos 
diretos e significativos ao serem produzidos. Conforme Teixeira (2014, p. 444):
Antes do advento do processo eletrônico, por ano, eram consumidas
aproximadamente 46.000 toneladas de papel pelos processos 
judiciais impressos do Brasil, o que equivale a 690.000 árvores. Cada 
processo físico custava em média R$20,00 entre papel, grampos etc. 
Considerando que à época eram cerca de 70 milhões de processos 
em andamento, o Os reflexos da implantação do processo judicial 
eletrônico sobre a saúde de seus sujeitos processuais custo anual 
ficava em R$1.400.000.000. Esse número seria ainda maior ao se 
considerar que o ano de 2012 foi encerra - do com 92 milhões de 
processos em andamento, conforme levantamento do Conselho 
Nacional de Justiça.
Em contrapartida, também há uma série de desvantagens que titubeiam a 
total implementação da informatização processual. Em um país tão desigual, onde a 
maioria da sua população possui uma baixa renda, pessoas que não possuem acesso 
livre à internet, as quais não necessariamente seja em razão de ordem financeira, a 
digitalização dos processos pode inviabilizar a obtenção total à Justiça.
No Brasil, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), transita 99,7 milhões 
de processos no ano de 2014, sendo que 91,9 milhões deles são em primeiro grau, o que 
representa um percentual de 92% do total de processos.
Advogados mais experientes, resistentes às tecnologias oriundas da nova era 
digital, podem ficar para trás nesta integração ao processo digital. Sem contar aqueles 
que possuem dificuldades em lidar com toda a automação necessária para se adequar 
às novidades.
 
144
Para Marcos Mamede (2011):
Este intento (processo eletrônico), o Estado deve garantir às partes 
e disponibilizar nas sedes dos tribunais e foros em geral um serviço 
de informatização capaz de possibilitar atender o amplo exercício ao 
direito de defesa e de petição, sob pena do processo não poder ser 
exclusivamente eletrônico, como pretendem alguns.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A digitalização da Perícia é um viés com várias lacunas a serem abordadas, 
ocasiona em uma série de vantagens e desvantagens que podem ocorrer, dentre as 
quais descritas no Quadro 1.
A economia de recursos e a maior celeridade na tramitação dos feitos judiciais 
são alguns dos muitos proveitos advindos de sua informatização. Por essas razões, a 
digitalização dos procedimentos judiciais pode ser vista como medida inconversível e, 
segundo Chelab (2012, p. 121):
Diante da rápida expansão desse ambicioso projeto, não há como 
ignorá-lo. Saber e compreender a nova realidade do processo judicial 
virtual é uma necessidade urgente, que se impõe a jurisdicionados, 
estudantes de direito, estagiários, advogados, procuradores, 
servidores e magistrados.
Quadro 1 – Descrição das vantagens e desvantagens
Vantagens Desvantagens
• Celeridade processual, no que tange às 
partes envolvidas, com destaque para as 
citações, intimações e notificações.
• Consulta aos Autos a qualquer momento, 
sem a necessidade de fazer carga física no 
Fórum.
• Protocolo virtual, sem necessidade de 
deslocamento ao Fórum.
• Redução das custas processuais com 
material de expediente.
• Contingência do risco de danos e extravio 
de documentos e dos Autos.
• Retenção no impacto ambiental pelo não 
uso de celulose e acessórios.
• Economia de prédio e instalações para 
guarda do acervo físico.
• Acesso a sistemas específicos e a internet 
não são passivos a toda população.
• Onerosidade da Certificação Digital.
• Documentação suporte, por muitas vezes, 
ainda é física.
• Sistema eletrônico pode travar 
constantemente, estando sujeito a reparos 
por técnicos especializados.
• Sujeição a crackers e hackers por estar no 
mundo digital, podendo ocorrer perda no 
sigilo pessoal.
• Ilegibilidade de documentos quando 
digitalizados.
• Maior fadiga na leitura dos Autos.
Fonte: o autor
145
Embora, a digitalização processual apresente vantagens e desvantagens 
é na racionalidade e economicidade dos recursos naturais o seu mais brioso mérito. 
Entretanto, devido ao desequilíbrio da distribuição de renda no país, em que apenas 1% 
da população detém quase 50% de sua riqueza, sobra para os menos favorecidos, tanto 
no âmbito social quanto econômico, o severo ônus de não ter como judicionado o pleno 
direito de usufruir as suas garantias constitucionais.
A Perícia como prova técnica, produzida por profissionais de elevada habilitação 
profissional, tem na digitalização de suas peças mais um facilitador para o exercício do 
seu mister. A competência esclarecedora da peça probante, produzida pelo expert, não 
se mitiga com a sua digitalização, apenas é uma forma de apresentação. Na esperança 
de incorporar ao desenlace do problema apresentado, celeridade ao interesse das 
partes. Acredita-se que ainda irá haver maior fluidez, facilidade, a este procedimento 
que toma corpo desde o início do século XXI.
Fonte: Adaptado de http://twixar.me/Nhxm. Acesso em: 31 jan. 2023. 
146
Neste tópico, você aprendeu:
• São considerados relatórios periciais contábeis tanto o Laudo quanto o Parecer. E 
que, após a conclusão dos trabalhos periciais, o perito do juízo deve apresentar laudo 
pericial contábil, e o assistente técnico pode oferecer seu parecer pericial contábil, 
obedecendo aos respectivos prazos legais e/ou contratuais.
• O laudo pericial contábil é um documento escrito, no qual o perito contador deverá 
registrar, de forma abrangente, o conteúdo da perícia e particularizar os aspectos e 
os detalhes de forma minuciosa que envolvam o seu objeto e as buscas de elementos 
de prova necessários para a conclusão do trabalho pericial contábil.
• O parecer técnico contábil é peça escrita, na qual o contador expressa, de forma 
circunstanciada, clara e objetiva, os estudos, as observações e as diligências que 
realizou e as conclusões com fundamento nos trabalhos realizados. 
• O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil são sempre dirigidos ao 
magistrado responsável pelo processo, objeto da perícia contábil realizada.
RESUMO DO TÓPICO 3
147
1 A NBC TP 01 (R1) é a Norma Brasileira de Contabilidade que estabelece as diretrizes 
e os procedimentos técnicos e científicos que deverão ser observados pelo perito, 
no desempenho dos trabalhos de perícia contábil, quer seja no âmbito judicial ou 
extrajudicial. 
Fonte: CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020a. NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil. 
Disponível em: http://twixar.me/ydxm. Acesso em: 6 jan. 2023.
Sobre os procedimentos de acordo com a NBC TP 01 (R1), associe os itens, utilizando o 
código a seguir:
I- Planejamento.
II- Termo de diligência.
III- Laudo pericial contábil.
IV- Parecer pericial contábil.
V- Forma circunstanciada.
VI- Síntese do objeto da perícia e resumo dos autos.
( ) Documento elaborado pelo perito do juízo.
( ) Redação pormenorizada, minuciosa, efetuada com cautela e detalhamento em 
relação aos procedimentos e aos resultados do laudo e do parecer.
( ) Etapa do trabalho pericial queantecede diligências, pesquisas, cálculos e respostas 
aos quesitos, na qual o perito do juízo estabelece a metodologia dos procedimentos 
periciais a serem aplicados, elaborando-os a partir do conhecimento do objeto da 
perícia.
( ) Relato ou transcrição sucinta, de forma que se converta numa leitura compreensiva 
dos fatos relatados sobre as questões básicas que resultaram na nomeação ou na 
contratação do perito.
( ) Documento elaborado pelo contador contratado pelas partes.
( ) Instrumento por meio do qual o perito solicita documentos, coisas, dados e 
informações necessárias à elaboração do laudo pericial contábil e do parecer 
técnico-contábil.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) I – III – II – VI – IV – V.
b) ( ) II – III – IV – VI – IV – I.
c) ( ) III – V – I – VI – IV – II.
d) ( ) I – IV – V – VI – III – II.
e) ( ) II – V – I – VI – IV – III.
AUTOATIVIDADE
148
2 A NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil – nos revela os conceitos pertinentes ao trabalho 
do perito, quando da realização de pericias contábeis, entre eles define o que são os 
relatórios periciais. 
Fonte: CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Cfc.org, 2020a. NBC TP 01 (R1) – Perícia Contábil. 
Disponível em: http://twixar.me/ydxm. Acesso em: 6 jan. 2023.
A respeito dos relatórios periciais normatizados pela NBC TP 01 (R1), analise as sentenças 
a seguir:
I- Parecer pericial contábil é a indagação e a busca de informações, mediante 
conhecimento do objeto da perícia solicitada nos autos.
II- Laudo pericial contábil é a investigação e a pesquisa sobre o que está oculto por 
quaisquer circunstâncias nos autos.
III- Parecer pericial contábil é a peça escrita elaborada pelo perito-assistente, na qual 
ele deve registrar, de forma abrangente, o conteúdo da perícia e particularizar os 
aspectos e as minudências que envolvam o seu objeto e as buscas de elementos 
de prova necessários para a conclusão do seu trabalho.
IV- Laudo pericial contábil é o documento escrito, no qual o perito do juízo deve 
registrar, de forma abrangente, o conteúdo da perícia e particularizar os aspectos 
e as minudências que envolvam o seu objeto e as buscas de elementos de prova 
necessários para a conclusão do seu trabalho.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças III e IV estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 Após o término do trabalho pericial, o perito-contador nomeado pelo magistrado 
deverá apresentar o relatório pericial, bem como, o assistente técnico, que fora 
contratado pelas partes, ambos sempre em conformidade com os respectivos prazos 
legais e/ou contratuais. Diante do excerto, analise as sentenças a seguir:
 
I- A linguagem adotada pelo perito deve ser prolixa, com vistas a tratar da complexidade 
do trabalho realizado pelo perito.
II- No laudo pericial contábil, as respostas aos quesitos formulados deverão ser 
subjetivas, pois é uma opinião do perito, que, caso não concorde, o assistente 
técnico deverá contestá-las de forma completa e lacônica. 
III- Os termos técnicos devem ser inseridos no laudo e no parecer, de modo a se obter 
uma redação que qualifique o trabalho pericial, respeitadas as Normas Brasileiras de 
Contabilidade.
149
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
 
4 A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnico-científicos 
destinados a levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar 
a justa solução do litígio ou constatação de um fato, mediante laudo pericial contábil 
e/ou parecer técnico contábil. Discorra sobre o laudo pericial contábil.
5 Os relatórios periciais, em conformidade com as Normas Brasileiras de Contabilidade, 
são o laudo pericial contábil apresentado pelo perito do juízo, e o parecer pericial 
contábil confeccionado pelo perito assistente, ou simplesmente assistente, 
contratado pelas partes. Diante disso, apresente os elementos mínimos que deverá 
conter o laudo pericial contábil, de acordo com a NBC TP 01 (R1).
150
ALVES, A. et al. Perícia Contábil I. Porto Alegre: SAGAH, 2017.
ANDRADE, I. R. S. Perícia Contábil. Salvador: UFBA, Faculdade de Ciências
Contábeis; Superintendência de Educação a Distância, 2021. 100 p.
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código de processo Civil. Brasília, 
DF: Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 10 jan. 2002. 
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BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 232, de 13 de julho de 2016. Fixa 
os valores dos honorários a serem pagos aos peritos, no âmbito da Justiça de primeiro 
e segundo graus, nos termos do disposto no art. 95, § 3º, II, do Código de Processo Civil 
– Lei 13.105/2015. Brasília, DF: Conselho Nacional de Justiça, 2016.
CARVALHO, L.da C. BV/A, 2022. Os processos eletrônicos e os desafios enfrentados. 
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CREPALDI, S. Manual de perícia contábil. São Paulo: Saraiva Educação, 2019.
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MOURA, R. Perícia contábil judicial e extrajudicial. 6. ed. Rio de Janeiro: Freitas 
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Disponível em: http://twixar.m e/Qhxm. Acesso em: 30 jan. 2023.
SANTOS, T. Ap. dos. Perícia e arbitragem contábil. Curitiba: Contentus, 2020.
TST. TST.Jus, 2003. Súmula nº 341 do TST. Honorários do assistente técnico. Disponível 
em: http://twixar.me/Mhxm. Acesso em: 29 jan. 2023.
152
153
ARBITRAGEM: NOÇÕES E 
LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• estudar noções a respeito da arbitragem;
•	 entender	os	métodos	adequados	de	solução	de	conflitos;
• conhecer a legislação de arbitragem;
• aprender a mediação e a conciliação.
 A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – NOÇÕES DE ARBITRAGEM
TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – LEI DE ARBITRAGEM
TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
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154
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A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
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155
TÓPICO 1 — 
NOÇÕES DE ARBITRAGEM
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO 
Em nosso país prevalece a cultura da judicialização, ou seja, as pessoas tentam 
resolver	 seus	conflitos	 levando	suas	demandas	para	o	Poder	Judiciário,	 às	vezes	de	
forma desnecessária. Em virtude disso, as demandas judiciais crescem ao longo dos 
anos, o que pode trazer uma lentidão nas análises e julgamentos, acarretando prazos 
extremamente longos, quase que intermináveis,e, ainda, na pior das hipóteses, a 
questão	nem	chega	a	ser	julgada,	devido	à	prescrição.	
No	 entanto,	 há	 alternativas	 para	 a	 resolução	 de	 conflitos,	 inclusive	
extrajudicialmente, o que levaria a uma redução das demandas feitas junto ao Poder 
Judiciário,	tendo	em	vista	que	diversas	contendas	poderiam	ser	resolvidas	por	meio	de	
meios alternativos. O Código de Processo Civil (Brasil, 2015), nos traz no § 3º do Art. 3º 
o seguinte:
§ 3º A conciliação, a mediação e outros métodos de solução 
consensual	 de	 conflitos	 deverão	 ser	 estimulados	 por	 juízes,	
advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, 
inclusive no curso do processo judicial.
Schmidt,	 Ferreira	 e	 Oliveira	 (2021),	 nos	 afirmam	 que	 a	 opção	 pela	 solução	
extrajudicial	de	uma	lide	caberá	às	partes	envolvidas	através	de	um	acordo,	pois	deriva	
da autonomia da vontade, inexistindo a necessidade de que o método escolhido esteja 
previsto	 em	 lei.	 São	 os	 denominados	 métodos	 adequados	 de	 solução	 de	 conflitos	
(MASC), a saber:
 
• negociação; 
• mediação; 
• conciliação; 
• arbitragem; e 
• dispute boards. 
Na	 negociação,	 as	 partes	 por	 si	 mesmas	 procuram	 a	 solução	 do	 conflito,	
sem	a	interveniência	de	um	terceiro,	estranho	às	partes.	Com	relação	à	mediação	e	à	
conciliação, a diferença entre os instrumentos é sutil, pois, na mediação, o mediador, na 
sua	neutralidade	e	imparcialidade,	auxilia	as	partes	na	composição	do	conflito;	enquanto	
na conciliação, o conciliador, neutro e imparcial, exerce um papel mais proativo na 
administração do diálogo, apresentando sugestões e buscando o acordo. 
156
A	arbitragem,	por	sua	vez,	representa	forma	de	heterocomposição	de	conflitos,	
pois o terceiro, expert e imparcial (árbitro), por convenção privada das partes envolvidas, 
decide	o	conflito	e	não	o	juiz	(o	Estado).	Os	dispute boards, também conhecidos como 
Comitês	 de	 Resolução	 de	 Conflitos,	 foram	 utilizados	 de	 forma	 pioneira	 nos	 Estados	
Unidos na década de 70, durante a construção do Eisenhower Tunnel, no Colorado. 
Os dispute boards são órgãos colegiados, geralmente formados por três experts, 
indicados pelas partes no momento da celebração do contrato, que têm por objetivo 
acompanhar a sua execução, com poderes para emitir recomendações e/ou decisões, 
conforme o caso (SCHMIDT; FERREIRA; OLIVEIRA, 2021). 
2 ARBITRAGEM 
A arbitragem é interpretada por diversos autores como um dos mais antigos 
meios	de	composição	de	conflitos	através	da	heterocomposição,	 isto	é,	a	solução	do	
conflito	 por	 um	 terceiro	 imparcial,	 que	 pode	 ser	 exercido	 por	 um	 árbitro	 ou	 por	 um	
Tribunal Arbitral, escolhido pelas partes, que profere sentença com vistas a trazer uma 
solução para a controvérsia submetida a sua análise, nos limites estabelecidos na 
convenção	de	arbitragem	(SCHMIDT;	FERREIRA;	OLIVEIRA,	2021;	SCAVONE	JR.,	2020).	
O processo de arbitragem também possui alguns princípios norteadores 
explícitos. São a boa-fé das partes, a igualdade das partes, o contraditório e a ampla 
participação das partes no processo, a celeridade e a imparcialidade do árbitro, além de 
seu livre convencimento (ALVES et al., 2017).
2.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ARBITRAGEM 
Figueira	Jr.	(2019)	relata	que	o	instituto	jurídico	da	arbitragem	é	um	dos	mais	
antigos de que se tem notícia na história do Direito e, particularmente, no que se refere 
à	jurisdição	ou	justiça	privada,	é	identificado	na	Babilônia	por	volta	de	3.000	anos	a.C.,	
bem	como	na	Grécia	antiga	e	também	em	Roma.		A	seguir,	de	acordo	com	Figueira	Jr.	
(2019),	trazemos	uma	visão	geral	da	evolução	da	arbitragem:
• Numa etapa preliminar das civilizações, a justiça era praticada de mão própria 
ou	 autotutela,	 tendo	 em	 vista	 à	 fragilidade	 das	 instituições	 da	 época	 e	 na	 sua	
incapacidade	 de	 resolução	 dos	 conflitos	 de	 interesse	 existentes	 naqueles	 tempos,	
quer seja por falta de organização, quer seja por falta de autoridade. As funções da 
autoridade política do magistrado com a função de sacerdote eram confundidas na 
mesma	pessoa,	sendo	identificada	esta	situação	tanto	na	Grécia	antiga	quanto	em	
Roma – inclusive durante o período monárquico e o regime republicano.
157
• Em seguida, dá-se a continuidade da chamada justiça privada, no entanto não mais 
diretamente pelo ofendido, e sim por grupo de pessoas da sociedade ou até mesmo 
através	 de	 terceiros	 designados	 especificamente	 para	 desfazer	 determinadas	
controvérsias. A justiça pública oferecida pelo Estado surge num momento histórico 
bem posterior. 
•	 A	evolução	da	forma	como	os	conflitos	são	solucionados	surge	em	quatro	etapas,	a	
saber: 
◦ i) a primeira etapa é a que traz a resolução das questões pela autotutela, que é o 
uso da força individual ou do grupo, sendo que os costumes, com o passar dos 
anos,	foram	firmando	as	regras	para	diferenciar	a	violência	legítima	da	ilegítima;	
◦ ii) a segunda etapa foi o arbitramento facultativo, no qual o ofendido resolve 
escolher, de comum acordo com a parte contrária, por receber uma indenização 
ou	indicar	um	árbitro	(que	é	um	terceiro)	para	definir	a	indenização;
◦ iii) a terceira etapa é o chamado arbitramento obrigatório, que é determinado 
pelo Estado, pois as partes litigantes não indicavam árbitros de sua escolha para 
solucionar	o	conflito;	neste	caso,	coube	também	ao	Estado	assegurar	a	execução	
forçada da sentença, caso a parte sucumbente não a cumprisse de forma 
espontânea; 
◦ iv) a quarta etapa foi a justiça pública, desempenhada pelo Estado com o objetivo 
de	solução	dos	conflitos,	com	execução	forçada	da	sentença,	caso	necessário.	No	
entanto, em regime de exceção, as partes tem a opção, ainda, de constituírem um 
árbitro.
Considerando-se que a justiça privada antecedeu historicamente 
aos juízes ou tribunais estatais, é no Direito Romano que vamos 
encontrar as raízes mais profícuas do instituto da arbitragem ou do 
compromisso arbitral (FIGUEIRA JR., 2019).
IMPORTANTE
No entanto, caro acadêmico, é na Idade Média, que vamos encontrar a origem 
mais próxima do juízo arbitral, período em que o instituto foi bastante incrementado, 
tendo como causas: 
• a ausência de legislação ou sua excessiva dureza e truculência; 
• a ausência de proteções jurisdicionais; 
• a grande variedade de ordenamentos; 
• a fragilidade dos Estados; e 
• as divergências entre a Igreja e o Estado.
158
Figueira	 Jr.	 (2019)	 nos	 revela	 que,	 com	o	 advento	 do	 século	 XII,	 a	 Idade	Média	
passou a contar com diversos casos de arbitragem, como por exemplo: entre barões, 
proprietários feudais, cavaleiros, e soberanos distintos, nesse mesmo período também 
temos	o	surgimento	da	arbitragem	comercial,	à	medida	que	os	comerciantes	preferiam	que	
seus	conflitos	fossem	dirimidos	por	árbitros	que	eles	indicassem,	porquanto	mais	rápidos	
e	eficientes	em	relação	aos	tribunais	oficiais.	No	direito	lusitano	medieval,	mesmo	antes	de	
Portugal	ser	elevado	à	condição	de	reino,	o	instituto	da	arbitragem	já	estava	presente.
No	Brasil,	podemos	verificar	que	a	arbitragem	está	presente	desde	os	tempos	do	
Império, quando a matéria já era tratada na Constituição do Império de1824, que trazia 
a	matéria	no	Art.	160,	no	Título	destinado	a	tratar	do	Poder	Judiciário,	 in verbis: “Nas 
cíveis,	e	nas	penais	civilmente	intentadas,	poderão	as	Partes	nomear	Juízes	Árbitros.	
Suas sentenças serão executadas sem recurso, se assim o convencionarem as mesmas 
partes”	(FIGUEIRA	JR.,	2019,	p.	49).
2.2 ARBITRAGEM NO CENÁRIO ATUAL 
A evolução histórica nos evidencia que a arbitragem se consolidou no campo 
normativo como importante método extraestatal e adequado de solução de controvérsias. 
Nas relações entre particulares e, de forma crescente, nas relações que envolvem a 
Administração	 Pública,	 o	 juízo	 arbitral	 representa	 uma	 forma	 eficiente	 para	 resolução	
de disputas, o que demonstra a relevância do estudo da Lei de Arbitragem (SCHMIDT, 
FERREIRA & OLIVEIRA, 2021).
No cenário no qual vivemos, de globalização e deformação de grandes blocos 
econômicos	 que	 possuem	 objetivos	 comuns	 previamente	 definidos	 e	 afinidades	
políticas, com tendência de acentuar-se paulatinamente, a arbitragem surge como um 
instrumento	viável	de	pacificação	social	e	mundialmente	aceito	para	dirimir	os	litígios	de	
maneira	tecnicamente	qualificada,	rápida,	menos	onerosa	e	efetiva.		
Conforme	Figueira	Jr,	(2019,	p.	12),	“sem	dúvida,	não	é	a	única	forma	de	solução	
desses	conflitos,	 em	face	da	possibilidade	da	 instituição	de	tribunais	 supranacionais	
ou	 comuns;	 todavia,	 as	 dificuldades	 existentes	 para	 a	 formação	 desses	 órgãos	 não	
encontram qualquer paralelo com o juízo arbitral, sem contar que a existência daqueles 
não exclui a formação deste último”.
159
No Brasil, caro acadêmico, apesar da arbitragem estar presente 
em nosso sistema jurídico desde o Império, foi somente com o 
advento da Lei 9.307 (BRASIL, 1996) que a sua utilização passou a 
consolidar-se através da prática sempre crescente, seja por meio 
de instituições arbitrais ou de árbitros singulares ou colegiados, o 
que se deve à excelência e contemporaneidade da aludida norma 
de regência, porquanto em sintonia com as legislações de ponta 
da atualidade.
INTERESSANTE
A	promulgação	da	Lei	de	Arbitragem	no	Brasil,	que	é	a	Lei	9.307	(BRASIL,	1996),	
conforme nos apontam Schmidt, Ferreira e Oliveira (2021), consolidou as normas de 
arbitragem,	com	a	revogação	dos	dispositivos	sobre	o	tema	do	Código	Civil	de	1916	e	do	
Código	de	Processo	Civil	de	1973.	Nada	falou,	contudo,	sobre	o	emprego	da	arbitragem	
nos	conflitos	envolvendo	a	Administração	Pública.	Assim	é	que,	nos	anos	seguintes,	
foram	aprovadas	leis	diversas,	autorizando	o	uso	da	via	arbitral	para	solucionar	conflitos	
relacionados a contratos administrativos, nos setores de infraestrutura. 
Nesse	sentido,	a	Lei	Geral	de	Telecomunicações,	Lei	nº	9.472	 (BRASIL,	 1997a)	
estabelece que o contrato de concessão deverá indicar o modo para solução extrajudicial 
das	divergências	contratuais	(Art.	93,	XV):
Art.	93.	O	contrato	de	concessão	indicará:
[...]
XV	-	 o	 foro	 e	 o	modo	 para	 solução	 extrajudicial	 das	 divergências	
contratuais.
A	Lei	 nº	 9.478	 (BRASIL,	 1997b)	 (Lei	 do	Petróleo)	 preconiza	que	 são	 cláusulas	
essenciais, nos contratos de concessão do setor de óleo e gás, aquelas que dispõem 
sobre solução de controvérsias, relacionadas com o contrato e sua execução, inclusive 
a	conciliação	e	a	arbitragem	internacional	(Art.	43,	X):
Art.	43.	O	contrato	de	concessão	deverá	refletir	fielmente	as	condições	
do edital e da proposta vencedora e terá como cláusulas essenciais: 
[...]
X	-	 as	regras	sobre	solução	de	controvérsias,	relacionadas	com	o	
contrato e sua execução, inclusive a conciliação e a arbitragem 
internacional;
Também temos a Lei nº 10.233 (BRASIL, 2001), que criou a Agência Nacional de 
Transportes Terrestres (ANTT) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) 
esclarece que devem constar, obrigatoriamente, dos contratos de concessão, como 
cláusulas essenciais, as regras sobre solução de controvérsias relacionadas com o 
contrato	e	sua	execução,	incluindo	conciliação	e	arbitragem’	(Art.	35,	XVI),	entre	outras	
que se seguiram:
Art.	35.		O	contrato	de	concessão	deverá	refletir	fielmente	as	condições	
160
do edital e da proposta vencedora e terá como cláusulas essenciais, 
ressalvado	o	disposto	em	legislação	específica,	as	relativas	a:
[...]
XVI	–	 regras	 sobre	 solução	 de	 controvérsias	 relacionadas	 com	 o	
contrato e sua execução, inclusive a conciliação e a arbitragem;
A	Lei	13.129	(BRASIL,	2015)	 (Reforma	da	Lei	de	Arbitragem),	que	alterou	a	Lei	
9.307	 (BRASIL,	 1996)	 para,	 entre	 outras	 modificações	 na	 legislação	 então	 em	 vigor,	
admitir, de forma ampla, a arbitragem na Administração Pública (Art. 1º, §§ 1º e 2º; Art. 
2º, § 3º), tratar da tutela cautelar e de urgência (Arts. 22-A e 22-B) e dispor sobre a carta 
arbitral (Art. 22-C):
Art. 1º ...................................................................
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da 
arbitragem	 para	 dirimir	 conflitos	 relativos	 a	 direitos	 patrimoniais	
disponíveis.
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública 
direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma 
para a realização de acordos ou transações.
[...]
Art. 2º ...........................................................................
§ 3º A arbitragem que envolva a administração pública será sempre 
de direito e respeitará o princípio da publicidade.
[...]
Art. 22-A. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão 
recorrer	ao	Poder	Judiciário	para	a	concessão	de	medida	cautelar	ou	
de urgência.
Parágrafo	único.	Cessa	a	eficácia	da	medida	cautelar	ou	de	urgência	
se a parte interessada não requerer a instituição da arbitragem no 
prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de efetivação da respectiva 
decisão.
Art. 22-B. Instituída a arbitragem, caberá aos árbitros manter, 
modificar	 ou	 revogar	 a	medida	 cautelar	 ou	 de	 urgência	 concedida	
pelo	Poder	Judiciário.
Parágrafo único. Estando já instituída a arbitragem, a medida cautelar 
ou de urgência será requerida diretamente aos árbitros
Art. 22-C. O árbitro ou o tribunal arbitral poderá expedir carta arbitral 
para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o 
cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado 
pelo árbitro.
Parágrafo único. No cumprimento da carta arbitral será observado 
o	 segredo	 de	 justiça,	 desde	 que	 comprovada	 a	 confidencialidade	
estipulada na arbitragem
161
Com a promulgação da Lei 13.467 (BRASIL, 2017), que alterou a CLT, passou a ser 
admitida a estipulação de cláusula compromissória, desde que por iniciativa do empregado 
ou mediante a sua concordância expressa, nos contratos individuais de trabalho cuja 
remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios 
do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), na forma do Art. 507-A da CLT.
Assim, caro acadêmico, vemos que a evolução histórica demonstra que a 
arbitragem se consolidou no campo normativo como importante método extraestatal 
e adequado de solução de controvérsias. Nas relações entre particulares e, de forma 
crescente, nas relações que envolvem a Administração Pública, o juízo arbitral representa 
uma	forma	eficiente	para	resolução	de	disputas,	o	que	demonstra	a	relevância	do	estudo	
da	Lei	de	Arbitragem	(SCHMIDT;	FERREIRA;	OLIVEIRA,	2021;	FIGUEIRA	JR.,	2019).
2.3 CONCEITUAÇÃO DE ARBITRAGEM
Scavone	Jr.	(2020,	p.	2),	define	a	arbitragem	como	“o	meio	privado,	 jurisdicional	e	
alternativo	de	solução	de	conflitos	decorrentes	de	direitos	patrimoniais	e	disponíveis	por	
sentença	arbitral,	definida	como	título	executivo	judicial	e	prolatada	pelo	árbitro,	juiz	de	
fato e de direito, normalmente especialista na matéria controvertida”.
O	 autor	 complementa	 a	 definição,	 afirmando	 que,	 em	 outras	 palavras,	 “a	
arbitragem resulta de negócio jurídico mediante o qual as partes optam pela solução 
arbitral, abdicando da jurisdição estatal em razão dos seus direitos patrimoniais e 
disponíveis”	(SCAVONE	JR.,	2020,	P.	2).
Para Kamel (2017) a arbitragem é uma modalidade extrajudicial de resolução 
de	conflito,	na	qual	um	árbitro,	que	é	um	terceiro	escolhido	pelas	partes,	decide	um	
litígio; seu uso é feito quando as partes decidem que não querem levar a lide ao Poder 
Judiciário,	escolhendo	a	resolução	arbitral,	sendo,	portanto,	um	método	extrajudicial	de	
solução	de	conflitos.
Santos (2020) relata que a arbitragem é um procedimento extrajudicial para 
a	 resolução	 de	 conflitos,	 sendo	 o	meio	 eficaz,	 seguro,	 sigiloso	 e	 técnico	 de	 solução	
definitiva	de	 litígios	relativos	a	direitos	patrimoniais	disponíveis,	onde	as	partes	elegem	
um árbitro, por meio de documento assinado, para proferir laudo arbitral.
A arbitragem, como trazem Schmidt, Ferreira e Oliveira (2021, p. 24):
é um método heterocompositivoe extrajudicial de solução de 
conflitos,	 por	meio	 do	qual	 o	 terceiro	 imparcial	 (árbitro	 ou	Tribunal	
Arbitral), escolhido pelas partes, profere sentença para solucionar 
a	 controvérsia	 submetida	 a	 sua	 análise,	 nos	 limites	 fixados	 na	
convenção de arbitragem.
162
Portanto,	 é	 uma	 forma	 heterocompositiva	 de	 resolução	 de	 conflitos,	 já	 que	
a decisão é de competência de um terceiro imparcial escolhido pelos interessados. 
Configura,	ainda,	solução	extrajudicial,	uma	vez	que	a	arbitragem	envolve	o	exercício	de	
jurisdição	não	estatal,	cabendo	ao	expert,	escolhido	pelas	partes,	a	resolução	definitiva	
do litígio (SCHMIDT, FERREIRA E OLIVEIRA, 2021).
Os meios para solução dos conflitos que surgem na sociedade são:
1- Heterocomposição:
• Jurisdição estatal;
• Arbitragem (jurisdição privada);
2- Autocomposição:
• Conciliação;
• Mediação; e,
• Transação (Código Civil, Arts. 840 a 850).
A jurisdição estatal e a arbitragem representam heterocomposi-
ção. A heterocomposição é a solução do conflito pela atuação de 
um terceiro dotado de poder para impor, por sentença, a norma 
aplicável ao caso que lhe é apresentado. A solução através do 
Poder Judiciário (jurisdição estatal) decorre da atribuição siste-
mática do Estado, que deve dizer o direito e, principalmente, 
impor a solução do conflito. Sendo assim, a solução judicial será 
dada pela heterocomposição (SCAVONE JR., 2020, p. 8).
INTERESSANTE
2.4 PRINCÍPIOS DA ARBITRAGEM
A arbitragem encontra-se submetida a alguns princípios consagrados, expressa 
ou	implicitamente,	na	Lei	nº	9.307/1996.	Os	autores	Schmidt,	Ferreira	e	Oliveira	(2021),	
Santos	(2020)	e	Scavone	Jr.	 (2020)	trazem	alguns	princípios	aplicáveis	à	arbitragem,	
que destacamos a seguir:
• Princípio da autonomia privada:	confere	às	partes	o	poder	da	autorregulamentação	
e autodeterminação de seus interesses, em esfera arbitral, desde que não sejam 
contrários	à	ordem	pública,	aos	bons	costumes	e	às	normas	vigentes.
• Princípio da boa-fé: veda o abuso de direito, o comportamento contraditório, o ato 
emulativo e/ou eivado de boa-fé, bem como alegação em juízo, por qualquer das 
partes	que	voluntariamente	elegeram	a	esfera	arbitral	para	solução	de	conflito.
• Princípio da autonomia da cláusula da convenção de arbitragem em relação 
ao contrato:	significa	que,	independentemente	da	nulidade	do	contrato,	a	cláusula	
da convenção arbitral é soberana, ou seja, a nulidade do contrato não implicará na 
nulidade da cláusula arbitral.
163
• Princípio da autonomia da vontade: a arbitragem é voluntária e a sua utilização 
depende de manifestação de vontade das partes, por meio da celebração da 
convenção de arbitragem (cláusula compromissória ou compromisso arbitral), na 
forma do Art. 3º da Lei de Arbitragem.
• Princípio Competência-Competência: o árbitro é o juiz primeiro da sua própria 
competência.	Assim,	cabe	ao	árbitro,	com	prioridade	ao	Poder	Judiciário,	decidir,	de	
ofício	ou	por	provocação	das	partes,	se	possui	competência	para	 julgar	o	conflito,	
inclusive	sobre	a	existência,	validade	e	eficácia	da	convenção	de	arbitragem	e	do	
contrato que contenha a cláusula compromissória.
• Princípio do contraditório: é o que chamamos do devido processo legal, ou seja, 
não	há	processo	justo	sem	que	se	assegure	à	parte	o	direito	ao	contraditório.	Por	força	
do	contraditório,	as	partes	devem	ser	cientificadas	de	todos	os	atos	do	procedimento,	
desde	a	instauração	da	arbitragem,	até	a	sentença	arbitral	final,	para	que	possam	se	
manifestar a respeito e ter os seus argumentos considerados pelo árbitro da causa. 
Tem	a	parte	o	direito	de	ser	ouvida	e	de	produzir	as	provas	necessárias	à	demonstração	
da	 veracidade	 de	 suas	 alegações,	 assegurando-se	 sempre	 à	 parte	 adversa	 a	
possibilidade de contraditar as evidências produzidas. Assim, a comunicação dos 
atos processuais deverá ser feita com o máximo de diligência, mesmo que por acordo 
entre as partes ou por determinação da entidade arbitral, permitindo que os litigantes 
possam	influenciar	nas	tomadas	de	decisões.
• Princípio da igualdade das partes: os árbitros devem dispensar tratamento 
isonômico	às	partes	durante	todo	o	procedimento	arbitral,	inclusive	na	produção	de	
provas, na escolha e nas impugnações dos árbitros, sendo vedada a discriminação 
odiosa ou desproporcional entre as partes. 
• Princípio da imparcialidade do árbitro: os árbitros devem atuar com imparcialidade 
durante todo o procedimento, revelando qualquer situação que possa trazer dúvida 
a respeito da sua independência ou imparcialidade. Esta revelação deverá ocorrer 
antes mesmo da sua aceitação da função de árbitro. Cabe, assim, reforçarmos a 
importância da imparcialidade do árbitro, mantendo-se distante dos interessados, 
isto é, não ser devedor ou credor das partes, sem quaisquer ligações entre elas, além 
de não ter não possuir interesse na lide. 
• Princípio do livre convencimento motivado: os árbitros possuem liberdade para 
avaliação e valoração das provas, com a prolação de decisão fundamentada sobre 
as questões suscitadas no procedimento arbitral. O julgamento a ser proferido pelo 
árbitro deverá ser feito com o seu livre convencimento a respeito das provas e das 
circunstâncias do procedimento arbitral.
• Princípio da não revisão do mérito da sentença arbitral: não cabe ao Poder 
Judiciário	 rever	o	mérito	da	 sentença	arbitral.	Destaca-se	que,	mesmo	nos	casos	
restritos de cabimento da ação anulatória da sentença arbitral, a atuação do Poder 
Judiciário	restringe-se	à	eventual	anulação	da	decisão	para	submeter	o	litígio	a	nova	
decisão do Tribunal Arbitral, não podendo o juiz substituir o árbitro no julgamento do 
mérito da causa. As hipóteses restritas de anulação da sentença arbitral relacionam-se 
aos	casos	de	erros	no	procedimento	e	não	à	justiça	material	da	decisão	arbitral.
164
2.5 LIMITE GERAL IMPOSTO À POSSIBILIDADE DE SOLUÇÃO 
ARBITRAL
Nos	 termos	 do	 Art.	 1º	 da	 Lei	 nº	 9.307	 (BRASIL,	 1996),	 Lei	 de	 Arbitragem,	 a	
arbitragem	se	limita	à	capacidade	de	contratar	e	aos	direitos	patrimoniais	e	disponíveis:
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem 
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.
Para	um	melhor	entendimento,	caro	acadêmico,	podemos	afirmar	que	os	direitos	
são,	sob	o	aspecto	patrimonial,	conforme	Scavone	Jr.	(2020),	divididos	em:
• Direitos patrimoniais; e,
• Direitos não patrimoniais.
Scavone	 Jr.	 (2020,	 p.12)	 nos	 diz	 que	 “entre	 os	 direitos	 de	 cunho	 patrimonial,	
encontramos as relações jurídicas de direito obrigacional, ou seja, aquelas que encontram 
sua origem nos contratos, nos atos ilícitos e nas declarações unilaterais de vontade”. 
Ao passo que, em relação aos direitos não patrimoniais são aqueles ligados aos 
direitos	da	personalidade,	como	o	direito	à	vida,	à	honra,	à	imagem,	ao	nome	e	ao	estado	
das	pessoas,	como,	por	exemplo,	a	capacidade,	a	filiação	e	o	poder	familiar,	entre	outros	
com	a	mesma	natureza	(SCAVONE	JR.,	2020).
No	entanto,	para	que	possa	ser	adotada	como	meio	de	solução	dos	conflitos,	
além de se limitar aos direitos patrimoniais, a arbitragem ainda exige a existência de 
direitos	disponíveis.	A	disponibilidade	dos	direitos	está	relacionada	à	possibilidade	de	
alienação.	Por	exemplo,	não	é	possível	transacionar	acerca	do	direito	ao	próprio	corpo,	à	
liberdade,	à	igualdade	e	ao	direito	à	vida.
As questões passíveis de arbitragem são aquelas que envolvem 
transações relativas a direitos patrimoniais disponíveis; portanto, 
não são passíveis de arbitragem questões penais, questões relativas 
ao estado das pessoas, bem como, alusivas à matéria tributária e 
direitos pessoais concernentes ao direito de família.
IMPORTANTE
165
2.6 PROCEDIMENTO DA ARBITRAGEM
De	acordo	com	Figueira	Jr.	(2019),	a	arbitragem	é	instituída	quando	a	nomeação	
for aceita pelo árbitro ou por todos os escolhidos, se forem vários, ou seja, e, portanto, 
neste	momento	é	instaurado	o	processo	arbitral,	conforme	Art.	19	daLei	da	Arbitragem	
(BRASIL,	1996):
Art.	 19.  Considera-se	 instituída	 a	 arbitragem	 quando	 aceita	 a	
nomeação pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários.
Assim, semelhantemente ao que ocorre no processo civil tradicional, a instauração 
da arbitragem terá como um de seus efeitos a interrupção da prescrição, fará litigiosa a 
coisa	e	induzirá	a	litispendência,	conforme	preceitua	a	Lei	de	Arbitragem	(BRASIL,	1996):
Art.	19.	
[...]
§ 2º A instituição da arbitragem interrompe a prescrição, retroagindo 
à	 data	 do	 requerimento	 de	 sua	 instauração,	 ainda	 que	 extinta	 a	
arbitragem por ausência de jurisdição. 
Assim, de forma resumida, apresentamos as etapas do procedimento arbitral na 
Figura 1 a seguir:
Figura 1 – etapas do procedimento arbitral
Fonte: o autor
Figueira	Jr.	(2019)	e	Scavone	Jr.	(2020)	nos	afirmam	que	o	tipo	de	procedimento	
a ser aplicado no processo arbitral dependerá de três circunstâncias: 
•	 o	rito	do	procedimento	na	convenção	de	arbitragem	é	definido	pelas	partes;	
•	 o	 órgão	 arbitral	 institucional	 ou	 entidade	 especializada	 definirá	 o	 procedimento,	
considerando a complexidade do litígio, ou pelo árbitro ou tribunal arbitral, conforme 
definido	na	convenção	arbitral;	
• na ausência acerca da estipulação do procedimento, será disciplinado pelo árbitro ou 
colégio arbitral.
166
Ressalvados	 os	 procedimentos	 relativos	 às	 tutelas	 de	 urgência,	 o	 processo	
arbitral é essencialmente de conhecimento e, como tal, em linhas gerais, o rito observará 
quatro fases básicas: 
• postulatória; 
• ordinatória; 
• instrutória; e
• fase decisória.
Na primeira fase, as partes apresentam aos árbitros seus requerimentos com 
base nas relações fáticas ou jurídicas de direito civil ou comercial (sempre de natureza 
patrimonial disponível), violadas ou ameaçadas, cujos pedidos deverão estar em sintonia 
com a causa de pedir próxima e remota (fatos e fundamentos jurídicos do pedido).
O pleito poderá ser apresentado por intermédio de advogado, que é o detentor 
natural da capacidade postulatória, ou diretamente pelos litigantes, facultando-lhes 
a lei a designação de terceiro que os represente ou a eles assista durante todo o 
procedimento arbitral ou em apenas certos atos.
Antes mesmo que se instaure a primeira fase do procedimento 
arbitral, isto é, antes da apresentação dos requerimentos 
iniciais, e, portanto, da formação do contraditório e da relação 
jurídico-processual, o árbitro ou tribunal arbitral deverá, 
necessariamente, designar uma audiência preliminar de 
conciliação. As partes ou os árbitros não podem prescindir 
dessa audiência, que tem por escopo tentar a autocomposição, 
mesmo que os litigantes já tenham realizado tentativa pretérita 
frustrada, a qualquer título. Trata-se de fase procedimental 
obrigatória, pois bem sabe o legislador da importância e das 
vantagens da resolução do conflito de maneira pacífica.
IMPORTANTE
Se a audiência de conciliação for exitosa, a sentença homologatória consignará 
os termos do acordo, que conterá os requisitos do Art. 26 da Lei de Arbitragem (BRASIL, 
1996),	tratando-se,	como	as	demais,	de	decisão	irrecorrível.
Não obtida a composição amigável em audiência preliminar de conciliação, o 
árbitro ou colégio arbitral dará seguimento ao processo, de acordo com o rito previamente 
estabelecido. Contudo, nada obsta que no curso do processo, em outras fases, se os 
árbitros entenderem conveniente ou se uma das partes manifestar o desejo de acordar, 
uma nova tentativa seja realizada.
167
No que tange aos atos das partes no processo arbitral, podemos dizer que com 
a instituição da arbitragem (o que se dá com a aceitação da nomeação pelo árbitro, 
ou por todos, se forem vários) inicia-se, no mundo jurídico, uma relação processual 
caracterizada	por	uma	série	de	atos	previamente	definidos	e	regulados	na	convenção	de	
arbitragem ou pelo órgão arbitral indicado pelos litigantes. São, portanto, os atos que se 
destinam	a	constituir,	adquirir,	resguardar	ou	modificar	direitos	ou	deveres	processuais.	
Esses atos são praticados pelos sujeitos integrantes da relação jurídico-processual 
arbitral e somente por eles: no caso do juízo arbitral, nós temos as partes litigantes, seus 
advogados, os árbitros e os auxiliares diversos da justiça privada (secretário, peritos, 
assessores etc.).
Nos termos da Lei de Arbitragem (BRASIL, 1996): “Art. 22- Poderá o 
árbitro ou o tribunal arbitral tomar o depoimento das partes, ouvir 
testemunhas e determinar a realização de perícias ou outras provas 
que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício”.
IMPORTANTE
2.7 SENTENÇA ARBITRAL
Para	não	deixar	qualquer	dúvida	quanto	a	sua	natureza,	Scavone	Jr.	(2020)	nos	
diz que a lei determina que a decisão do árbitro constitui uma sentença e, como tal é 
dotada	da	mesma	eficácia	do	provimento	judicial	transitado	em	julgado	nos	termos	do	
Art. 31 da Lei de Arbitragem e deve ser proferida por escrito – Art. 24 da Lei de Arbitragem 
–	(BRASIL,	1996).
Lembre-se que o árbitro é “juiz de fato e de direito” e, nesta qualidade, nos termos 
dos	Arts.	18	e	31	da	Lei	de	Arbitragem	(BRASIL,	1996),	prolata	sentença	que	constitui	título	
executivo judicial (Art. 515, VII, do CPC). No entanto, como não tem poderes coercitivos, o 
cumprimento forçado da sentença dar-se-á pelo procedimento judicial.
Scavone	Jr	(2020,	p.	58)	nos	afirma	que	as	sentenças	arbitrais,	assim	como	as	
judiciais, podem ser, portanto:
a) Terminativas, de conteúdo meramente processual, quando, 
por exemplo, reconhecem a invalidade do compromisso arbitral 
ou o impedimento ou suspeição sem que haja possibilidade de 
substituição do árbitro, porque assim foi convencionado (Art. 12, 
I e II, da Lei de Arbitragem);
b) Definitivas, aquelas que reconhecem o direito de uma das partes 
e podem ser, assim como as sentenças judiciais, condenatórias, 
constitutivas ou declaratórias.
Sendo	terminativa	ou	definitiva,	quanto	à	abrangência,	 a	 sentença	
arbitral poderá ser:
168
a) parcial, nos termos do § 1º do Art. 23 da Lei de Arbitragem 
(Brasil,	1996),	incluído	pela	Lei	13.129	(BRASIL,	2015),	segundo	o	
qual: “§ 1º Os árbitros poderão proferir sentenças parciais”. Com 
a sentença parcial, a parte interessada pode, desde logo, exigir 
o cumprimento daquilo que já foi decidido e prosseguir na parte 
que ainda dependa de decisão arbitral;
b) total, na exata medida em que enfrentar a integralidade da 
pretensão deduzida no processo.
3 ÁRBITRO 
Quem	poderá	ser	árbitro?	Bem,	o	único	requisito	de	caráter	objetivo	definido	na	
Lei	nº	9.307/1996	é	que	a	pessoa	sobre	a	qual	recairá	a	indicação	e	exercerá	as	funções	
de	árbitro	esteja	em	gozo	de	sua	plena	capacidade	civil,	nada	mais	(FIGUEIRA	JR.,	2019).
A	confiabilidade	que	as	partes	haverão	de	depositar	nos	árbitros	não	chega	a	
ser	um	requisito,	por	se	tratar	de	um	corolário	ligado	à	própria	escolha,	tendo-se	como	
certo	que	os	litigantes	não	indicarão	como	árbitros	pessoas	não	confiáveis	ética,	moral	e	
profissionalmente	(FIGUEIRA	JR.,	2019).
3.1 ÁRBITRO 
Os	árbitros	deverão	ser	pessoas	capazes	e	que	gozem	da	confiança	das	partes	
(Art.	13,	caput,	da	Lei	9.307	(BRASIL,	1996):	“Pode	ser	árbitro	qualquer	pessoa	capaz	e	
que	tenha	a	confiança	das	partes”.
É importante destacar que, nos termos do Art. 18 da Lei de 
Arbitragem (BRASIL, 1996), o árbitro é juiz de fato e de direito, 
prolata sentença que não está sujeita a recurso ou a homologação 
pelo Poder Judiciário, constituindo título executivo judicial.
IMPORTANTE
E uma empresa, que é pessoa jurídica, poderá ser nomeada como árbitra? 
Bem,	 de	 acordo	 com	 Scavone	 Jr.	 (2020),	 a	 doutrina	 não	 admite	 e	 costuma	
sustentar que o árbitro deve, obrigatoriamente, ser pessoa natural. No entanto, o 
referido autor traz um posicionamento diferente, pois o Art. 13 da Lei de Arbitragem, 
ao tratar do árbitro, apenas e tão somente exige que seja “pessoa capaz e que tenha a 
confiança	das	partes”.	
169
Para	Scavone	Jr.	 (2020),	fica	evidenteque	pessoa	 jurídica	também	é	pessoa,	
dotada, igualmente, de personalidade jurídica que, aliás, é distinta daquela atribuída aos 
seus membros. Assim, na visão do citado autor, não se encontra qualquer óbice para 
que a pessoa jurídica seja árbitra desde que devidamente representada e de acordo 
com os seus atos constitutivos.
Para evitar qualquer possibilidade de empate na votação, o que inviabilizaria por 
completo a solução da lide apresentada ao colégio arbitral, o número de componentes 
deverá sempre ser ímpar, com ou sem; nada impede, porém, que a nomeação seja em 
número	par,	 hipótese	em	que	os	 indicados	ficam	autorizados,	 por	 expressa	previsão	
normativa, e, desde logo, a nomear mais um membro a compor o colégio arbitral, de 
maneira	que	o	tribunal	se	forme	com	número	ímpar	de	julgadores	(FIGUEIRA	JR,	2019).
Pois bem, após a formação do colégio arbitral – o que se dá com a participação 
de três (mais comum), cinco ou mais árbitros –, os seus membros, por maioria simples, 
elegerão o presidente do tribunal (ou colégio). Não havendo consenso para a indicação, 
será	designado	presidente	o	mais	idoso,	independentemente	da	experiência,	qualificação	
ou	titulação	–	critério	simples,	porém	objetivo	(FIGUEIRA	JR,	2019).
Não podemos confundir o número de árbitros com as pessoas 
por eles convocadas para auxiliá-los na consecução dos trabalhos, 
quais sejam, os terceiros que exercerão o secretariado, o 
assessoramento, as perícias etc. O quantitativo de colaboradores 
à realização cabal do procedimento arbitral é indeterminado e 
dependerá apenas das necessidades do caso concreto.
INTERESSANTE
A	escolha	dos	árbitros	é	feita	pelas	partes,	correspondendo,	pois,	à	essência	da	
própria	jurisdição	privada,	por	decorrer	logicamente	da	confiança	que	os	litigantes	neles	
depositam. Dessa maneira, a liberdade de escolha dos árbitros é o mote da jurisdição 
arbitral, sem o que o instituto não encontraria aceitação, credibilidade e a consequente 
respeitabilidade. Enquanto no juízo estatal o julgador é investido do poder jurisdicional 
diretamente pelo próprio Estado, no juízo arbitral, diferentemente, dá-se a investidura 
do	árbitro	pela	manifestação	de	vontade	das	próprias	partes	(FIGUEIRA	JR,	2019).		
Conforme	Figueira	Jr.	(2019)	nos	diz,	estabelece-se	entre	as	partes	e	os	árbitros	
uma relação contratual com características especiais (“contrato para arbitrar” ou 
“contrato de árbitro”) que tem por objeto a prestação da tutela jurisdicional privada para 
a	resolução	do	conflito	que	lhe	é	apresentado	(lide),	de	maneira	a	investir	o	escolhido	
nas funções de julgador que, por sua vez, assume a obrigação (de resultado) de proferir 
sentença de mérito. Percebe-se claramente que, em no juízo arbitral, dois contratos 
bem distintos são realizados:
 
170
• primeiramente, a convenção de arbitragem,	 que	 significa	 a	 submissão	 do	 litígio	 à	
jurisdição privada mediante acordo das partes;
•	 e,	 em	 momento	 sucessivo,	 quando	 exsurge	 o	 conflito,	 o	 contrato do árbitro, 
atinente aos direitos e obrigações recíprocos entre os árbitros e partes, tratando-se 
de	contrato	autônomo,	distinto	da	convenção	arbitral	e	gerador	de	efeitos,	mesmo	
após a prolação da sentença.
Vê-se, se maneira recorrente, que o árbitro seja um especialista 
na matéria que está sendo objeto do litígio, sendo esta a 
recomendação dos experts. É comum que o árbitro seja um 
engenheiro, médico etc. No entanto, na prática, é recomendado 
ao menos um dos árbitros seja advogado ou formado em 
ciências jurídicas. A razão da recomendação, de resto evidente, 
se dá em função de possíveis nulidades no desenvolvimento 
do procedimento arbitral, que demanda conhecimento dos 
aspectos formais da Lei 9.307/1996 (SCAVONE JR., 2020).
IMPORTANTE
O principal requisito para o bom desempenho da função arbitral, de acordo 
com	Scavone	Jr.	 (2020)	e	Figueira	Jr.	 (2019),	está	 intimamente	 ligado	com	a	escolha	
adequada do julgador ou julgadores pelos litigantes, que haverão de atentar-se não só 
aos	requisitos	genéricos	e	subjetivos	da	Lei	de	Arbitragem	(BRASIL,	1996),	mas	também	
para	a	formação	ética,	moral,	técnica	ou	científica	dos	árbitros,	pois,	como	dissemos	
precedentemente,	são	essas	as	vigas	mestras	sobre	as	quais	a	confiança	das	partes	
encontra sustentação.
Ninguém	é	árbitro	por	profissão,	pois	o	árbitro	é,	acima	de	tudo,	um	profissional	de	
destaque, reconhecido, bem-conceituado em determinada área do conhecimento, sendo 
este um forte balizador para a escolha do seu nome pelas partes. Portanto, ao concluir 
o	ofício	jurisdicional	privado	que	lhe	foi	confiado	pelos	litigantes,	despe-se	o	profissional	
dessa	elevada	função	de	julgar,	e,	por	conseguinte,	deixa	de	ser	árbitro	(SCAVONE	JR.,	
2020;	FIGUEIRA	JR.,	2019).
171
Neste tópico, você aprendeu:
•	 A	 arbitragem	 é	 um	 dos	 mais	 antigos	 meios	 de	 composição	 de	 conflitos	 pela	
heterocomposição. 
•	 Os	métodos	adequados	de	solução	de	conflitos	(MASC),	são:	negociação,	mediação,	
conciliação, arbitragem e dispute boards.
•	 A	 arbitragem	 se	 limita	 à	 capacidade	 de	 contratar	 e	 aos	 direitos	 patrimoniais	 e	
disponíveis.
• O árbitro é juiz de fato e de direito, prolata sentença que não está sujeita a recurso ou a 
homologação	pelo	Poder	Judiciário,	constituindo	título	executivo	judicial.
RESUMO DO TÓPICO 1
172
1	 A	 arbitragem	 é	 um	 dos	 mais	 antigos	 meios	 de	 composição	 de	 conflitos	 pela	
heterocomposição,	ou	seja,	a	solução	do	conflito	por	um	terceiro	 imparcial	 (árbitro	
ou Tribunal Arbitral), escolhido pelas partes, que profere sentença para solucionar a 
controvérsia	submetida	a	sua	análise,	nos	limites	fixados	na	convenção	de	arbitragem	
(SCHMIDT;	FERREIRA;	OLIVEIRA,	2021;	SCAVONE	JR.,	2020).	
Fonte: SCHMIDT, G. da R.; FERREIRA, D. l B.; OLIVEIRA, R. C. R. Comentários à Lei de Arbitragem. Rio de 
Janeiro: Forense; Método, 2021.
SCAVONE JR., L. A. Arbitragem: mediação, conciliação e negociação. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020.
Sobre este tema, analise as sentenças a seguir:
I- No Brasil, apesar de a arbitragem estar presente em nosso sistema jurídico desde o 
Império,	foi	somente	com	o	advento	da	Lei	9.307/1996	que	a	sua	utilização	passou	
a consolidar-se através da prática sempre crescente.
II-	 Os	meios	para	solução	dos	conflitos	que	surgem	na	sociedade	são	a	heterocomposição	
e a autocomposição.
III- A arbitragem é cabível em quaisquer hipóteses, destacando-se a capacidade de 
contratar e aos direitos patrimoniais e disponíveis.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença I está correta.
b) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
c) ( ) Somente a sentença III está correta.
d) ( ) Somente a sentença II está correta.
2	 Schmidt,	Ferreira	e	Oliveira	(2021)	nos	afirmam	que	a	opção	pela	solução	extrajudicial	
de	 uma	 lide	 caberá	 às	 partes	 envolvidas	 através	 de	 um	 acordo,	 pois	 deriva	 da	
autonomia da vontade, inexistindo a necessidade de que o método escolhido esteja 
previsto	em	 lei.	São	os	denominados	métodos	adequados	de	solução	de	conflitos	
(MASC). 
Fonte: SCHMIDT, G. da R.; FERREIRA, D. l B.; OLIVEIRA, R. C. R. Comentários à Lei de Arbitragem. Rio de 
Janeiro: Forense; Método, 2021.
AUTOATIVIDADE
173
A respeito desse tema, analise as sentenças a seguir:
I- Somente a negociação e a mediação, podem ser considerados exemplos de MASC.
II- Os dispute boards são órgãos colegiados, geralmente formados por três experts, 
indicados pelas partes no momento da celebração do contrato, que têm por 
objetivo acompanhar a sua execução, com poderes para emitir recomendações e/
ou decisões, conforme o caso.
III-	 Na	negociação,	as	próprias	partes	buscam	a	solução	do	conflito,	sem	a	participação	
de	um	terceiro,	estranho	às	partes.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença I está correta.
b) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
c) ( ) Somente a sentença III está correta.
d) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
3	 De	acordo	com	Figueira	Jr.	(2019),	a	arbitragemé	instituída	quando	a	nomeação	for	
aceita pelo árbitro ou por todos os escolhidos, se forem vários, ou seja, e, portanto, 
nesse momento é instaurado o processo arbitral. 
Fonte: FIGUEIRA JR., J. D. Arbitragem. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019.
A respeito desse tema, analise as sentenças a seguir:
I- O processo arbitral é essencialmente de conhecimento e, como tal, em linhas gerais, 
o rito observará quatro fases básicas: postulatória, ordinatória, instrutória e fase 
decisória. 
II- Diferentemente ao que ocorre no processo civil tradicional, a instauração da 
arbitragem	não	terá	seus	efeitos	no	que	tange	à	interrupção	da	prescrição.
III- As questões que tratarem de direitos patrimoniais disponíveis não são passíveis de 
arbitragem.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença II está correta.
b) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
c) ( ) Somente a sentença III está correta.
d) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
174
4	 Para	não	deixar	qualquer	dúvida	quanto	a	sua	natureza,	Scavone	Jr.	(2020)	nos	diz	
que a lei determina que a decisão do árbitro constitui uma sentença e, como tal é 
dotada	da	mesma	eficácia	do	provimento	judicial	transitado	em	julgado	nos	termos	
do Art. 31 da Lei de Arbitragem e deve ser proferida por escrito (Art. 24 da Lei de 
Arbitragem). 
Fonte: SCAVONE JR., L. A. Arbitragem: mediação, conciliação e negociação. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020.
Discorra	a	respeito	da	classificação	das	sentenças	arbitrais.
5 O árbitro é “juiz de fato e de direito” e, nessa qualidade, nos termos dos Arts. 18 e 31 
da Lei de Arbitragem, prolata sentença que constitui título executivo judicial – Art. 
515, VII, do CPC. 
Fonte: BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015a. Código de Processo Civil. Brasília, DF: Diário 
Oficial [da] República Federativa do Brasil, 16 mar. 2015. Disponível em: http://twixar.me/rhxm. Acesso em: 
3 jan. 2023.
Discorra a respeito do árbitro.
175
 LEI DE ARBITRAGEM
UNIDADE 3 TÓPICO 2 —
1 INTRODUÇÃO 
Acadêmico, estamos no Tema de Aprendizagem 2, e nele trataremos a respeito 
da	 Lei	 de	 Arbitragem,	 a	 Lei	 nº	 9.307,	 de	 23	 de	 setembro	 de	 1996,	 sendo	 alterada	
posteriormente,	em	2015,	pela	Lei	nº	13.129	(BRASIL,	2015b).
A	 Lei	 nº	 9.307	 (BRASIL,	 1996),	 estabelece	 todas	 as	 normas	 relativas	 à	
arbitragem.	 Ela	 especifica	 que	 as	 pessoas	 podem	 se	 utilizar	 dessa	 ferramenta	 para	
acabar com problemas de ordem legal ligados a direitos patrimoniais disponíveis. Isso 
inclui órgãos tanto da administração direta quanto da administração indireta das três 
esferas governamentais. O processo de arbitragem também possui alguns princípios 
norteadores explícitos. São a boa-fé das partes, a igualdade das partes, o contraditório e 
a ampla participação das partes no processo, a celeridade e a imparcialidade do árbitro, 
além de seu livre convencimento (ALVES et al., 2017).
Para	ser	um	árbitro	é	necessário	seguir	o	que	estabelece	a	Lei	nº	9.307	(BRASIL,	
1996).	De	acordo	com	ela,	se	deve	ter	a	confiança	das	partes	envolvidas	no	processo,	e	
a pessoa deve ser legalmente capaz. As partes podem efetuar a nomeação de um ou 
mais árbitros, mas sempre totalizando um número ímpar. Isso também vale para o número 
dos suplentes. A utilização de um número ímpar de árbitros evita a situação de empate 
nos julgamentos. As partes também podem convencionar que utilizarão um órgão arbitral 
institucional ou uma empresa que preste serviços de seleção de árbitros (ALVES et al., 
2017).
Um	processo	arbitral	é	finalizado	com	a	emissão	da	sentença.	Esta	é	firmada	pelo	
árbitro	 ou	 pelo	 conjunto	 de	 árbitros,	 se	 houver.	 Para	 que	 ele	 seja	 finalizado,	 também	é	
necessário que o relatório contenha os nomes de todas as partes e um breve resumo da 
causa geradora da lide. Devem constar ainda os fundamentos para a decisão tomada, em 
que se tomam como base todas as provas e ocorridos de fato e de direito (ALVES et al., 
2017).
Além desta introdução, que é o Subtema 1, abordaremos os Capítulos I e II da Lei 
de Arbitragem no Subtema 2, já os capítulos III e IV serão tratados no Subtema 3 e, por 
fim,	no	Subtema	4	será	visto	o	Capítulo	V	da	Lei	de	Arbitragem.	
176
2 CAPÍTULOS I E II DA LEI DE ARBITRAGEM 
Neste subtema, abordaremos os capítulos I e II da Lei de Arbitragem (BRASIL, 
1996),	que	tratam	das	Disposições	Gerais	e	Da	Convenção	de	Arbitragem	e	seus	Efeitos,	
respectivamente. 
2.1 CAPÍTULO I DA LEI DE ARBITRAGEM 
A	Lei	nº	9.307	(BRASIL,	1996)	estabeleceu	as	normas	relativas	à	arbitragem	no	
Brasil.	Nela,	podemos	identificar	as	pessoas	podem	fazer	uso	da	arbitragem,	com	vistas	
a solucionar seus problemas de ordem legal ligados a direitos patrimoniais disponíveis. 
Nessa diretriz, também estão incluídos os órgãos públicos, tanto da administração 
direta, quanto da administração indireta, nas três esferas governamentais. 
O Capítulo I desta Lei será tratado neste subtema, em que transcrevemos os 
Art.s	da	Lei	de	Arbitragem	(BRASIL,	1996)	e	comentaremos	em	seguida.	Iniciaremos	pelo	
Artigo 1º:
LEI	Nº	9.307,	DE	23	DE	SETEMBRO	DE	1996.
Dispõe sobre a arbitragem.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional 
decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Capítulo I
Disposições Gerais
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem 
para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.
§ 1º A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da 
arbitragem	 para	 dirimir	 conflitos	 relativos	 a	 direitos	 patrimoniais	
disponíveis.
§ 2º A autoridade ou o órgão competente da administração pública 
direta para a celebração de convenção de arbitragem é a mesma 
para a realização de acordos ou transações.
Acadêmico, como já estudamos no Tema de Aprendizagem 1, a arbitragem é um 
mecanismo extrajudicial de solução de litígios, conforme nos relatam Schmidt, Ferreira e 
Oliveira	(2021),	sendo	um	dos	principais	métodos	adequados	de	solução	de	conflitos.	
De	acordo	com	o	Art.	1º	da	Lei	de	Arbitragem	(BRASIL,	1996)	supra,	a	opção	pela	
solução extrajudicial de um litígio caberá as partes e deverá ser feita por acordo. Na 
arbitragem	a	disputa	será	submetida	ao	árbitro,	a	quem	caberá	decidir,	em	definitivo,	o	
litígio	instaurado,	tendo	por	objetivo	colocar	fim	à	lide.
177
Com a promulgação da Lei 9.307 (BRASIL, 1996) consolidaram-
se no Brasil as normas de arbitragem, no entanto, nada foi dito 
a respeito do emprego da arbitragem nos conflitos envolvendo 
a Administração Pública. Somente com a reforma da Lei de 
Arbitragem feita pela Lei 13.129 (BRASIL, 2015), que promoveu 
alterações na Lei 9.307 (BRASIL, 1996), é que, entre outras 
modificações na legislação então em vigor, foi admitida, de 
forma ampla, a arbitragem na Administração Pública, como se 
identifica no §§ 1º e 2º do Art. 1º.
INTERESSANTE
A solução arbitral somente pode envolver os litígios relativos a direitos 
patrimoniais disponíveis. Portanto, acadêmico, somente direitos passíveis de 
conversão monetária e de livre disposição pelos interessados podem ser submetidos 
à	arbitragem.	Excluem-se	do	juízo	arbitral,	por	exemplo,	as	questões	relativas	aos	direitos	
da	personalidade	(ex.:	direito	à	vida,	à	honra),	ao	estado	das	pessoas	(ex.:	filiação,	interdição,	
guarda) e ao exercício do poder de polícia do Estado (SCHMIDT; FERREIRA; OLIVEIRA, 2021).
Vamos	agora	trazer	o	Artigo	2º	da	Lei	9.307	(BRASIL,	1996):
Art.	2º A	arbitragem	poderá	ser	de	direito	ou	de	equidade,	a	critério	
das partes.
§	1º Poderão	as	partes	escolher,	livremente,	as	regras	de	direito	que	
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons 
costumes	e	à	ordem	pública.
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se 
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes 
e nas regras internacionais de comércio.
§	3º A	arbitragem	que	envolva	a	administração	pública	será	sempre	
de	direito	e	respeitará	o	princípio	da	publicidade.       
Em conformidade com o Art.2º, citado, a arbitragem poderá ser, a critério das 
partes: 
• de direito; ou 
• de equidade.
Mas	o	que	 isso	significa?	Bem,	enquanto	na	arbitragem	de	direito	os	árbitros	
devem decidir a controvérsia com fundamento nas normas em vigor no ordenamento 
jurídico, na arbitragem por equidade a decisão é adotada com apoio, exclusivamente, nos 
critérios de justiça, de bom senso e de equilíbrio dos árbitros. Na arbitragem de direito, 
as partes podem, inclusive, escolher as normas jurídicas que serão aplicadas na solução 
da	controvérsia,	desde	que	não	violem	aos	bons	costumes	e	à	ordem	pública.	As	partes	
podem, ainda, convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais 
de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio (SCHMIDT; 
FERREIRA; OLIVEIRA, 2021).
178
As partes possuem liberdade de escolher entre a arbitragem de 
direito ou por equidade, no entanto, quando arbitragem envolver 
a Administração Pública, esta deverá ser sempre de direito.
IMPORTANTE
A arbitragem na Administração Pública deve respeitar o princípio da publicidade, 
em obediência ao princípio constitucional, pois a publicidade e a transparência na 
administração pública são fundamentais para efetividade do controle social (sociedade 
civil) e institucional (Procuradorias estatais, Ministério Público, Tribunais de Contas etc.).
2.2 CAPÍTULO II DA LEI DE ARBITRAGEM
O	Capítulo	2	da	Lei	9.307	(BRASIL,	1996),	que	trata	da	convenção	de	arbitragem	
e seus efeitos, será abordado neste subtema, onde transcrevemos os Art.s da citada Lei 
e comentaremos em seguida. Iniciaremos pelo Artigo 3º:
Capítulo II
Da Convenção de Arbitragem e seus Efeitos
Art.	3º As	partes	 interessadas	podem	submeter	a	solução	de	seus	
litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem, assim 
entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral.
Schmidt,	Ferreira	e	Oliveira	 (2021)	afirmam	que	a	convenção	de	arbitragem	é	
um acordo de vontades, por meio da qual as partes contratam que a solução de eventuais 
disputas relacionadas a direitos patrimoniais disponíveis será submetida ao juízo arbitral, 
excluindo-se a jurisdição estatal.
Assim,	acadêmico,	em	conformidade	com	o	Art.	3º	da	Lei	9.307	(BRASIL,	1996),	
a convenção de arbitragem é gênero que se divide em duas espécies:
• cláusula compromissória: “convenção através da qual as partes em um contrato 
comprometem-se	 a	 submeter	 à	 arbitragem	 os	 litígios	 que	 possam	 vir	 a	 surgir,	
relativamente a tal contrato” (Art. 4º); e 
•	 compromisso	arbitral:	“convenção	através	da	qual	as	partes	submetem	um	litígio	à	
arbitragem	de	uma	ou	mais	pessoas,	podendo	ser	judicial	ou	extrajudicial”	(Art.	9º).
Enquanto a cláusula compromissória, de acordo com Schmidt, Ferreira e 
Oliveira (2021), é a estipulação contratual que dispõe que as controvérsias eventuais, 
indeterminadas e futuras serão resolvidas pelo juízo arbitral, o compromisso arbitral, por 
sua	vez,	é	o	ajuste	que	submete	conflito,	contratual	ou	extracontratual,	já	existente	e	
determinado	à	solução	arbitral.
179
Sigamos com a leitura do Art. 4º:
Art. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as 
partes	em	um	contrato	comprometem-se	a	submeter	à	arbitragem	
os litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal contrato.
§ 1º A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito, 
podendo estar inserta no próprio contrato ou em documento 
apartado	que	a	ele	se	refira.
§ 2º Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá 
eficácia	se	o	aderente	tomar	a	iniciativa	de	instituir	a	arbitragem	ou	
concordar, expressamente, com a sua instituição, desde que por 
escrito em documento anexo ou em negrito, com a assinatura ou 
visto especialmente para essa cláusula.
§ 3º (VETADO).
§ 4º (VETADO).
Acadêmico, como acabamos de ver, a cláusula compromissória é a convenção 
por	 meio	 da	 qual	 as	 partes	 resolvem	 submeter	 à	 arbitragem	 eventuais	 e	 futuros	
litígios.	Assim,	ao	fixarem	a	cláusula	compromissória,	as	partes	convencionam	que	as	
controvérsias advindas do contrato serão analisadas pelo juízo arbitral, afastando-se, 
por consequência, a jurisdição estatal.
Cabe destacar que a cláusula compromissória, em regra geral, deverá ser feita 
por escrito, ou no próprio instrumento contratual ou em documento apartado que esteja 
vinculado ao contrato.
A cláusula compromissória, conforme nos apresentam Schmidt, Ferreira e 
Oliveira (2021), se divide em duas categorias: 
• cláusula compromissória cheia (ou determinada): opção pela arbitragem, com 
a	definição	prévia	de	todas	as	questões	necessárias	à	instituição	do	procedimento	
arbitral; e 
• cláusula compromissória vazia	 (indeterminada	 ou	 em	 branco):	 apenas	 define	 a	
submissão	do	contrato	à	arbitragem	sem	qualquer	definição	ou	detalhamento	sobre	
a instituição que irá gerir o procedimento arbitral ou quanto ao procedimento a ser 
seguido para a instauração da arbitragem. Nesse caso, a instauração da arbitragem 
dependerá	 de	 acordo	 posterior	 (compromisso	 arbitral)	 a	 ser	 firmado	 pelas	 partes	
ou,	na	sua	falta,	da	intervenção	do	Poder	Judiciário,	já	que	nela	estão	ausentes	os	
elementos mínimos necessários para a instituição da arbitragem. 
Abordaremos a seguir, acadêmicos, os Artigos 5º e 6º:
Art.	 5º	 Reportando-se	 as	 partes,	 na	 cláusula	 compromissória,	 às	
regras de algum órgão arbitral institucional ou entidade especializada, 
a arbitragem será instituída e processada de acordo com tais regras, 
podendo, igualmente, as partes estabelecer na própria cláusula, ou 
em outro documento, a forma convencionada para a instituição da 
arbitragem.
180
As partes podem estipular na cláusula compromissória ou no compromisso 
arbitral que as regras para instituição e processamento da arbitragem serão aquelas 
previstas no respectivo regulamento da entidade responsável pela administração da 
arbitragem. As entidades, câmaras ou instituições arbitrais são pessoas jurídicas de 
direito privado instituídas para administrar as arbitragens, na forma das normas previstas 
nos seus respectivos regulamentos, que deverão ser observadas pelas partes, árbitros 
e pela própria entidade arbitral (SCHMIDT; FERREIRA; OLIVEIRA, 2021).
As funções das entidades arbitrais são predominantemente 
administrativas, englobando não apenas a prestação de serviços 
de secretaria, com alguma semelhança com um cartório judicial, 
como também a tomada de decisões nos procedimentos arbitrais, 
com a assessoria de arbitralistas altamente qualificados, de modo 
a assegurar o regular desenvolvimento da arbitragem, sobretudo 
até que se tenha Tribunal Arbitral (ou árbitro único, se for o caso) 
devidamente constituído.
INTERESSANTE
Art. 6º Não havendo acordo prévio sobre a forma de instituir a 
arbitragem,	a	parte	interessada	manifestará	à	outra	parte	sua	intenção	
de	dar	início	à	arbitragem,	por	via	postal	ou	por	outro	meio	qualquer	de	
comunicação, mediante comprovação de recebimento, convocando-a 
para,	em	dia,	hora	e	local	certos,	firmar	o	compromisso	arbitral.
Parágrafo único. Não comparecendo a parte convocada ou, 
comparecendo,	 recusar-se	a	firmar	o	compromisso	arbitral,	poderá	
a outra parte propor a demanda de que trata o Art. 7º desta Lei, 
perante	o	órgão	do	Poder	Judiciário	a	que,	originariamente,	tocaria	o	
julgamento	da	causa	(BRASIL,	1996).
Acadêmico, a maneira de instituir a arbitragem pode ser convencionada na 
cláusula compromissória, que já vimos que podemos também chamá-la de cláusula 
cheia, ou no compromisso arbitral. No entanto, quando na hipótese de cláusula 
compromissória vazia, inexistir os elementos mínimos necessários para a instituição da 
arbitragem,	a	parte	interessada	notificará	a	outra	parte	para	demonstrar	a	sua	intenção	
de iniciar a arbitragem. 
Esta	 notificação	 poderá	 ser	 realizada	 por	 via	 postal	 ou	 qualquer	 outro	 meio	
idôneo	 de	 comunicação	 (meio	 eletrônico,	 por	 exemplo),	 mediante	 comprovação	 de	
recebimento,	com	a	convocação	da	outra	parte	para	firmar	ocompromisso	arbitral	no	
dia, hora e local indicados (SCHMIDT; FERREIRA; OLIVEIRA, 2021).
Analisando o Artigo 7º a seguir, depreendemos que, na ausência de celebração 
amigável (extrajudicial) do compromisso arbitral e havendo cláusula compromissória 
vazia, a parte interessada poderá propor ação judicial para lavratura do compromisso.
181
Art. 7º Existindo cláusula compromissória e havendo resistência 
quanto	 à	 instituição	 da	 arbitragem,	 poderá	 a	 parte	 interessada	
requerer	a	citação	da	outra	parte	para	comparecer	em	juízo	a	fim	de	
lavrar-se o compromisso, designando o juiz audiência especial para 
tal	fim.
§ 1º O autor indicará, com precisão, o objeto da arbitragem, instruindo 
o pedido com o documento que contiver a cláusula compromissória.
§	2º	Comparecendo	as	partes	à	audiência,	o	juiz	tentará,	previamente,	
a conciliação acerca do litígio. Não obtendo sucesso, tentará o juiz 
conduzir	as	partes	à	celebração,	de	comum	acordo,	do	compromisso	
arbitral.
§ 3º Não concordando as partes sobre os termos do compromisso, 
decidirá o juiz, após ouvir o réu, sobre seu conteúdo, na própria 
audiência ou no prazo de dez dias, respeitadas as disposições da 
cláusula compromissória e atendendo ao disposto nos arts. 10 e 21, 
§ 2º, desta Lei.
§ 4º Se a cláusula compromissória nada dispuser sobre a nomeação 
de árbitros, caberá ao juiz, ouvidas as partes, estatuir a respeito, 
podendo nomear árbitro único para a solução do litígio.
§	5º	A	ausência	do	autor,	sem	justo	motivo,	à	audiência	designada	
para a lavratura do compromisso arbitral, importará a extinção do 
processo sem julgamento de mérito.
§	6º	Não	comparecendo	o	réu	à	audiência,	caberá	ao	juiz,	ouvido	o	
autor, estatuir a respeito do conteúdo do compromisso, nomeando 
árbitro único.
§ 7º A sentença que julgar procedente o pedido valerá como 
compromisso	arbitral	(BRASIL,	1996).
O objetivo da ação judicial é a formalização do compromisso arbitral, 
excluído da apreciação judicial o mérito da controvérsia.
IMPORTANTE
Leiamos, agora, o Artigo 8º:
Art.	8º	A	cláusula	compromissória	é	autônoma	em	relação	ao	contrato	
em que estiver inserta, de tal sorte que a nulidade deste não implica, 
necessariamente, a nulidade da cláusula compromissória.
Parágrafo único. Caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação 
das	partes,	as	questões	acerca	da	existência,	validade	e	eficácia	da	
convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula 
compromissória	(BRASIL,	1996).
Este Art. nos traz a informação de que, mesmo que o contrato seja nulo ou anulável, 
a	 cláusula	 compromissória	 continua	 com	 sua	validade	 intacta.	Assim,	 exemplificando,	
numa eventual hipótese de a celebração de contrato ser fruto de corrupção (suborno, 
por exemplo), o julgamento por arbitragem não será prejudicado mesmo que os árbitros 
decidam pela nulidade do contrato (SCHMIDT; FERREIRA; OLIVEIRA, 2021).
182
O	compromisso	arbitral	é	tratado	no	Artigo	9º	e,	de	acordo	Schmidt,	Ferreira	e	
Oliveira (2021), é a convenção por meio da qual as partes submetem determinado litígio 
existente	à	arbitragem,	podendo	ser	judicial	ou	extrajudicial.	Sua	celebração	é	feita	após	
o	surgimento	do	conflito	contratual	ou	extracontratual.	
Art.	 9º	 O	 compromisso	 arbitral	 é	 a	 convenção	 através	 da	 qual	 as	
partes	submetem	um	litígio	à	arbitragem	de	uma	ou	mais	pessoas,	
podendo ser judicial ou extrajudicial.
§ 1º O compromisso arbitral judicial celebrar-se-á por termo nos 
autos, perante o juízo ou tribunal, onde tem curso a demanda.
§ 2º O compromisso arbitral extrajudicial será celebrado por escrito 
particular, assinado por duas testemunhas, ou por instrumento 
público	(BRASIL,	1996).
O compromisso arbitral pode ser dividido em duas espécies:
• judicial: implementado por decisão judicial; ou 
• extrajudicial:	firmado	pelas	próprias	partes,	por	instrumento	particular,	assinado	por	
duas testemunhas, ou por instrumento público.
Trataremos, neste momento, dos requisitos formais obrigatórios do compromisso 
arbitral nos termos constantes nos Artigos 10 e 11 da Lei de Arbitragem:
Art.	10. Constará,	obrigatoriamente,	do	compromisso	arbitral:
I	-	 o	nome,	profissão,	estado	civil	e	domicílio	das	partes;
II	-	 o	nome,	profissão	e	domicílio	do	árbitro,	ou	dos	árbitros,	ou,	se	for	
o	caso,	a	identificação	da	entidade	à	qual	as	partes	delegaram	a	
indicação de árbitros;
III -	 a	matéria	que	será	objeto	da	arbitragem;	e
IV -	 o	lugar	em	que	será	proferida	a	sentença	arbitral.
Art. 11. Poderá, ainda, o compromisso arbitral conter:
I - local, ou locais, onde se desenvolverá a arbitragem;
II - a autorização para que o árbitro ou os árbitros julguem por 
eqüidade, se assim for convencionado pelas partes;
III -	 o	prazo	para	apresentação	da	sentença	arbitral;
IV -	 a	indicação	da	lei	nacional	ou	das	regras	corporativas	aplicáveis	
à	arbitragem,	quando	assim	convencionarem	as	partes;
V -	 a	 declaração	 da	 responsabilidade	 pelo	 pagamento	 dos	
honorários e das despesas com a arbitragem; e
VI	-	 a	fixação	dos	honorários	do	árbitro,	ou	dos	árbitros.
Parágrafo único. Fixando as partes os honorários do árbitro, ou dos 
árbitros, no compromisso arbitral, este constituirá título executivo 
extrajudicial; não havendo tal estipulação, o árbitro requererá 
ao	 órgão	 do	 Poder	 Judiciário	 que	 seria	 competente	 para	 julgar,	
originariamente,	a	causa	que	os	fixe	por	sentença	(BRASIL,	1996).
Conforme transcrito anteriormente, o compromisso arbitral deverá conter, 
obrigatoriamente, os seguintes elementos formais:
 
183
• o	nome,	profissão,	estado	civil	e	domicílio	das	partes;	
• o	nome,	profissão	e	domicílio	do	árbitro,	ou	dos	árbitros,	ou,	se	for	o	caso,	a	identificação	
da	entidade	à	qual	as	partes	delegaram	a	indicação	de	árbitros;	
• a matéria que será objeto da arbitragem; 
• o lugar em que será proferida a sentença arbitral.
Schmidt, Ferreira e Oliveira (2021) destacam que:
• A	primeira	exigência	formal	refere-se	à	 identificação	das	partes,	sendo	relevante	para	
definição	dos	limites	subjetivos	da	arbitragem.
• O segundo requisito formal permitirá que as partes indiquem no compromisso 
arbitral, desde logo, o árbitro (árbitro único) ou todos os árbitros (Tribunal Arbitral) que 
resolverão	o	litígio;	é	possível,	também,	que	as	partes	identifiquem	a	entidade	arbitral	
que	ficará	incumbida	de	indicar	os	árbitros.
• O	 terceiro	 requisito	 formal	 a	 ser	 atendido	 no	 compromisso	 arbitral	 diz	 respeito	 à	
definição	da	matéria	que	será	objeto	da	arbitragem.	É	 informação	 importante	para	
fixar	os	limites	objetivos	da	arbitragem.	Evidentemente,	só	podem	ser	submetidos	ao	
juízo arbitral eventuais litígios que versem sobre direitos patrimoniais disponíveis.
• O quarto requisito formal é a indicação do lugar em que será proferida a sentença 
arbitral. 
Em complemento ao Artigo 10, o Artigo 11 que nos diz que o compromisso 
arbitral poderá conter, ainda, os seguintes elementos: 
• local, ou locais, onde se desenvolverá a arbitragem; 
• autorização para que o árbitro ou os árbitros julguem por equidade, se assim for 
convencionado pelas partes; 
• prazo para apresentação da sentença arbitral; 
• indicação	da	lei	nacional	ou	das	regras	corporativas	aplicáveis	à	arbitragem,	quando	
assim convencionarem as partes; 
• declaração da responsabilidade pelo pagamento dos honorários e das despesas com 
a arbitragem; 
• fixação	dos	honorários	do	árbitro,	ou	dos	árbitros.
Finalizando o Capítulo II, trazemos o Artigo 12, onde são tratadas as hipóteses 
de extinção do compromisso arbitral:
Art. 12. Extingue-se o compromisso arbitral:
I - escusando-se qualquer dos árbitros, antes de aceitar a nomeação, 
desde que as partes tenham declarado, expressamente, não 
aceitar substituto;
II	-	 falecendo	ou	ficando	impossibilitado	de	dar	seu	voto	algum	dos	
árbitros, desde que as partes declarem, expressamente, não 
aceitar substituto; e
III - tendo expirado o prazo a que se refere o Art. 11, inciso III, desde 
que	a	parte	interessada	tenha	notificado	o	árbitro,	ou	o	presidentedo tribunal arbitral, concedendo-lhe o prazo de dez dias para a 
prolação	e	apresentação	da	sentença	arbitral	(BRASIL,	1996).
184
O compromisso arbitral poderá ser extinto, primeiramente, de forma consensual 
pelas	partes.	No	entanto,	o	Art.	12	da	Lei	de	Arbitragem	(BRASIL,	1996),	de	acordo	com	
Schmidt,	Ferreira	e	Oliveira	(2021),	elencam	três	hipóteses	específicas	de	extinção	do	
compromisso arbitral, que independem da vontade das partes:
• A primeira hipótese de extinção do compromisso arbitral é a dispensa de qualquer 
dos árbitros indicados, antes de aceitar a nomeação, desde que as partes tenham 
declarado na própria convenção, expressamente, que não aceitam substituto.
• A segunda hipótese de extinção do compromisso é o falecimento ou a impossibilidade 
de votar de algum dos árbitros, também desde que as partes tenham declarado, 
expressamente, não aceitar substituto. 
• A terceira hipótese de extinção é o transcurso do prazo convencional ou legal para 
proferir	a	sentença	arbitral,	desde	que	a	parte	interessada	tenha	notificado	o	árbitro,	
ou o presidente do Tribunal Arbitral, concedendo-lhe o prazo de dez dias para a 
prolação e apresentação da sentença arbitral.
3 CAPÍTULOS III E IV DA LEI DE ARBITRAGEM 
Neste subtema, abordaremos o capítulo III, que trata dos árbitros e o capítulo IV 
que	aborda	o	procedimento	arbitral,	da	Lei	9.307	(BRASIL,	1996).
3.1 CAPÍTULO III DA LEI DE ARBITRAGEM 
O	Capítulo	III	da	Lei	9.307	(BRASIL,	1996),	que	trata	dos	árbitros,	será	abordado	
neste subtema, onde transcrevemos os Art.s da citada Lei e comentaremos em seguida. 
Iniciaremos pelo Artigo 13:
Art. 13. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a 
confiança	das	partes.
§ 1º As partes nomearão um ou mais árbitros, sempre em número 
ímpar, podendo nomear, também, os respectivos suplentes.
§ 2º Quando as partes nomearem árbitros em número par, estes 
estão autorizados, desde logo, a nomear mais um árbitro. Não 
havendo	acordo,	requererão	as	partes	ao	órgão	do	Poder	Judiciário	a	
que tocaria, originariamente, o julgamento da causa a nomeação do 
árbitro, aplicável, no que couber, o procedimento previsto no Art. 7º 
desta Lei.
§ 3º As partes poderão, de comum acordo, estabelecer o processo 
de escolha dos árbitros, ou adotar as regras de um órgão arbitral 
institucional ou entidade especializada.
§ 4º Sendo nomeados vários árbitros, estes, por maioria, elegerão 
o presidente do tribunal arbitral. Não havendo consenso, será 
designado presidente o mais idoso.
§ 4º As partes, de comum acordo, poderão afastar a aplicação de 
dispositivo do regulamento do órgão arbitral institucional ou entidade 
especializada que limite a escolha do árbitro único, coarbitro ou 
185
presidente	 do	 tribunal	 à	 respectiva	 lista	 de	 árbitros,	 autorizado	 o	
controle da escolha pelos órgãos competentes da instituição, sendo 
que, nos casos de impasse e arbitragem multiparte, deverá ser 
observado o que dispuser o regulamento aplicável.
§ 5º O árbitro ou o presidente do tribunal designará, se julgar 
conveniente, um secretário, que poderá ser um dos árbitros.
§ 6º No desempenho de sua função, o árbitro deverá proceder com 
imparcialidade, independência, competência, diligência e discrição.
§	 7º	 Poderá	 o	 árbitro	 ou	 o	 tribunal	 arbitral	 determinar	 às	 partes	 o	
adiantamento de verbas para despesas e diligências que julgar 
necessárias	(BRASIL,	1996).
Acadêmico, a partir da leitura do Art. 13 supracitado, podemos depreender a 
existência de dois requisitos para o exercício da função de árbitro: 
• que a pessoa seja capaz; e 
•	 que	seja	de	confiança	das	partes.
O árbitro, conforme comentam Schmidt, Ferreira e Oliveira (2021), é juiz de fato 
e	de	direito	para	a	causa,	e	que	a	sentença	arbitral	constitui	título	executivo	judicial,	à	
luz	do	Art.	18	da	Lei	de	Arbitragem	(BRASIL,	1996),	e,	no	exercício	da	função,	encontra-
se equiparado aos agentes públicos, para os efeitos da legislação penal, nos exatos 
termos do Art. 17 do diploma arbitral. Efeito disso é que o árbitro pode ser enquadrado 
na	tipificação	dos	crimes	contra	a	Administração	Pública,	a	saber:	concussão,	corrupção	
passiva e prevaricação, conforme dispõem os Arts. 312 e seguintes e 330 a 333 do 
Código Penal.
Somente pode ser árbitro a pessoa capaz, na forma do Código Civil 
brasileiro. Por conseguinte, não podem ser árbitros os relativamente 
e, menos ainda, os absolutamente incapazes.
IMPORTANTE
Portanto, no âmbito da Lei em estudo, qualquer pessoa física, desde que de 
confiança	das	partes,	poderá	ser	escolhida	para	julgar	uma	controvérsia	que	trate	sobre	
direitos patrimoniais disponíveis. Exemplos: advogados, engenheiros, contadores, 
futebolistas, youtubers. Tampouco, não há exigência de formação acadêmica para a 
nomeação. Inclusive, a depender da matéria técnica litigiosa, pode ser recomendável a 
indicação de engenheiro, contador ou algum outro especialista. 
Mesmo o analfabeto pode ser árbitro, ainda que isso seja bastante improvável. 
Também o estrangeiro, ainda que não conheça o vernáculo, pode ser árbitro, sem 
qualquer restrição, o que, aliás, ocorre corriqueiramente, até porque as partes podem 
livremente escolher o idioma que será utilizado no procedimento arbitral (SCHMIDT; 
FERREIRA; OLIVEIRA, 2021).
186
Veremos agora, o Artigo 14, que tratará do impedimento, suspeição e o dever de 
revelação:
Art. 14. Estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas 
que tenham, com as partes ou com o litígio que lhes for submetido, 
algumas das relações que caracterizam os casos de impedimento ou 
suspeição de juízes, aplicando-se lhes, no que couber, os mesmos 
deveres e responsabilidades, conforme previsto no Código de 
Processo Civil.
§ 1º As pessoas indicadas para funcionar como árbitro têm o dever 
de revelar, antes da aceitação da função, qualquer fato que denote 
dúvida	justificada	quanto	à	sua	imparcialidade	e	independência.
§ 2º O árbitro somente poderá ser recusado por motivo ocorrido após 
sua nomeação. Poderá, entretanto, ser recusado por motivo anterior 
à	sua	nomeação,	quando:
a) não for nomeado, diretamente, pela parte; ou
b)	 o	motivo	para	a	recusa	do	árbitro	for	conhecido	posteriormente	à	
sua	nomeação	(BRASIL,	1996).
Acadêmico,	podemos	verificar	que	o	Art.	supracitado	trata	das	hipóteses	nas	
quais o árbitro poderá ser considerado parcial e, portanto, passível de arguição de 
recusa por uma das partes. Aplica-se, nos termos descritos no dispositivo legal, as 
regras de impedimento e suspeição previstas nos Arts. 144 e 145 do Código de Processo 
Civil,	uma	vez	que,	nos	termos	do	Art.	18	da	Lei	de	Arbitragem	(BRASIL,	1996),	o	árbitro	
é considerado juiz de fato e de direito, equiparado, na forma do Art. 17 da Lei, aos 
funcionários públicos.
O árbitro, conforme Schmidt, Ferreira e Oliveira (2021), deverá revelar, por 
escrito, toda e qualquer situação que, em sua percepção (e aos olhos das partes), possa 
constituir	possível	conflito	de	interesses.	E	mais:	na	dúvida,	é	sempre	melhor	revelar.	A	
não revelação pode dar a aparência, sob a perspectiva de uma das partes, de tentativa 
dolosa de ocultar a informação e, por consequência, da própria parcialidade do árbitro.
A finalidade maior do dever de revelação do árbitro é gerar certeza 
quanto a sua idoneidade e assegurar, com isso, a validade da 
sentença que será expedida. O dever de revelar se relaciona a 
fatos anteriores a instauração do procedimento arbitral, a fatos 
cujas partes tomem conhecimento durante o procedimento e, até 
mesmo, a fatos posteriores à sentença, os quais podem lastrear 
eventual ação anulatória de sentença arbitral.
IMPORTANTE
187
No	que	 se	 refere	à	 recusa,	 é	direito	da	parte	 impugnar	o	 árbitro,	 impedido	ou	
suspeito, rejeitando-se as impugnações inconsistentes e acolhendo as impugnações 
justificadas.
A seguir, o Art. 15 abordará a arguição de recusa, trazendo os requisitos formais 
e procedimento e o Art. 16 versará a respeito das hipóteses e do procedimento inerentes 
à	substituição	do	árbitro:
Art.15. A parte interessada em arguir a recusa do árbitro apresentará, 
nos termos do Art. 20, a respectiva exceção, diretamente ao árbitro 
ou ao presidente do tribunal arbitral, deduzindo suas razões e 
apresentando as provas pertinentes.
Parágrafo único. Acolhida a exceção, será afastado o árbitro suspeito 
ou impedido, que será substituído, na forma do Art. 16 desta Lei 
(BRASIL,	1996).
Este artigo indica os requisitos formais da arguição de recusa de árbitro, por 
impedimento ou suspeição, com referência ao procedimento estabelecido pelo Art. 20 
da Lei de Arbitragem (que estabelece que a arguição deve ser apresentada na primeira 
oportunidade após a instituição da arbitragem). De resto, conforme nos relatam Schmidt, 
Ferreira e Oliveira (2021), a lei exige que a arguição de recusa seja acompanhada:
 
•	 de	fundamentação:	as	razões	que	justificam	a	recusa;	e	
•	 das	 provas	 pertinentes:	 com	 vistas	 a	 comprovar	 os	 fatos	 que	 dão	 suporte	 à	
impugnação, evidenciando a causa de impedimento ou suspeição e, por conseguinte, 
a ausência de imparcialidade do árbitro.
Art. 16. Se o árbitro escusar-se antes da aceitação da nomeação, 
ou, após a aceitação, vier a falecer, tornar-se impossibilitado para o 
exercício da função, ou for recusado, assumirá seu lugar o substituto 
indicado no compromisso, se houver.
§ 1º Não havendo substituto indicado para o árbitro, aplicar-se-ão as 
regras do órgão arbitral institucional ou entidade especializada, se as 
partes as tiverem invocado na convenção de arbitragem.
§ 2º Nada dispondo a convenção de arbitragem e não chegando as 
partes a um acordo sobre a nomeação do árbitro a ser substituído, 
procederá a parte interessada da forma prevista no Art. 7º desta 
Lei, a menos que as partes tenham declarado, expressamente, na 
convenção	de	arbitragem,	não	aceitar	substituto	(BRASIL,	1996).
O árbitro poderá recusar a sua indicação, antes da aceitação de sua nomeação 
sem	 a	 necessidade	 de	 apresentar	 quaisquer	 justificativas.	 Agora,	 uma	 vez	 aceita	 a	
indicação, o árbitro passará a ter vínculo com as partes e a recusa na continuidade da 
atividade	dependerá	da	correspondente	justificativa.	Como	as	partes	já	despenderam	
recursos, o árbitro pode, teoricamente, responder pelas perdas e danos que causar com 
o abandono das tarefas. Isso, contudo, não tem precedente na prática da arbitragem 
(SCHMIDT; FERREIRA; OLIVEIRA, 2021). 
188
O	Art.	17	da	Lei	9.307	(Brasil,	1996)	nos	diz	o	seguinte:	“os	árbitros,	quando	no	
exercício	de	suas	funções	ou	em	razão	delas,	ficam	equiparados	aos	funcionários	públicos,	
para os efeitos da legislação penal”. Constatamos a partir desta leitura, acadêmico, a 
responsabilidade civil dos árbitros, fazendo sua equiparação aos funcionários públicos 
para efeitos da legislação penal (Art. 327 do Código Penal). Portanto, os árbitros, no 
exercício de suas funções, poderão, em caso de desvio de conduta, incorrer nos crimes 
contra	a	administração	pública,	como	concussão,	corrupção	e	prevaricação,	tipificados	
nos	Arts.	316,	317	e	319	do	Código	Penal.	
Da mesma forma, os árbitros podem ser vítimas de delitos praticados contra 
agentes	 públicos,	 por	 exemplo,	 o	 crime	 de	 desobediência,	 tipificado	 no	Art.	 330	 do	
Código Penal. O principal problema criminal que pode surgir na arbitragem está no crime 
de corrupção passiva, com o recebimento de alguma vantagem pecuniária ou indevida 
para	que	o	árbitro	prolate	 sentença	parcial	 ou	definitiva.	 Em	tal	 hipótese,	 cabe	ação	
anulatória	da	sentença	arbitral,	sendo	o	ônus	da	prova	da	parte	que	o	alegou	(SCHMIDT;	
FERREIRA; OLIVEIRA, 2021).
Por	fim,	o	Art.	18	desta	Lei	em	estudo,	encerra	o	Capítulo	III:	“Art.	18.	O	árbitro	
é	 juiz	 de	 fato	 e	 de	 direito,	 e	 a	 sentença	 que	 proferir	 não	fica	 sujeita	 a	 recurso	 ou	 à	
homologação	pelo	Poder	Judiciário”.	
A sentença arbitral é título executivo judicial, e faz coisa julgada, tal e qual a 
sentença judicial, não cabendo, no entanto, execução provisória. A jurisdição arbitral 
deve ser exercida dentro dos limites da convenção de arbitragem, sob pena de anulação 
da sentença arbitral no judiciário. Essa é uma das hipóteses de maior incidência de 
anulação	de	sentença	arbitral	no	Poder	Judiciário.	Afirmar	que	o	árbitro	é	juiz	de	fato	
e	de	direito	para	a	causa	significa	dizer	que,	no	exercício	de	sua	função,	é	equiparado	
ao magistrado, sem possuir, contudo, os mesmos poderes e as mesmas prerrogativas 
(SCHMIDT; FERREIRA; OLIVEIRA, 2021).
3.2 CAPÍTULO IV DA LEI DE ARBITRAGEM 
O	Capítulo	IV	da	Lei	9.307	(BRASIL,	1996),	que	tratará	do	procedimento	arbitral	e	
será abordado neste subtema, onde transcrevemos os Art.s da citada Lei e comentare-
mos em seguida. 
Iniciaremos	pelo	Art.	19:
Art.	 19.  Considera-se	 instituída	 a	 arbitragem	 quando	 aceita	 a	
nomeação pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários.
§	1º Instituída	a	arbitragem	e	entendendo	o	árbitro	ou	o	tribunal	arbitral	
que há necessidade de explicitar questão disposta na convenção 
de arbitragem, será elaborado, juntamente com as partes, adendo 
firmado	por	todos,	que	passará	a	fazer	parte	integrante	da	convenção	
de arbitragem.
189
§	2º A	instituição	da	arbitragem	interrompe	a	prescrição,	retroagindo	
à	 data	 do	 requerimento	 de	 sua	 instauração,	 ainda	 que	 extinta	 a	
arbitragem	por	ausência	de	jurisdição	(BRASIL,	1996). 	
O	 Art.	 19	 supracitado,	 acadêmico,	 trata	 especificamente	 da	 instauração	 da	
arbitragem. De acordo com os autores Schmidt, Ferreira e Oliveira (2021), o procedimento 
arbitral pode ser dividido em três momentos: 
• instauração; 
• organização; e 
• desenvolvimento.
Em seguida, temos o Art. 20 que tratará das arguições iniciais no procedimento 
arbitral e preclusão:
Art.	20.	A	parte	que	pretender	arguir	questões	relativas	à	competência,	
suspeição ou impedimento do árbitro ou dos árbitros, bem como 
nulidade,	 invalidade	 ou	 ineficácia	 da	 convenção	 de	 arbitragem,	
deverá fazê-lo na primeira oportunidade que tiver de se manifestar, 
após a instituição da arbitragem.
§ 1º Acolhida a argüição de suspeição ou impedimento, será o árbitro 
substituído nos termos do Art. 16 desta Lei, reconhecida a incompetência 
do árbitro ou do tribunal arbitral, bem como a nulidade, invalidade ou 
ineficácia	 da	 convenção	 de	 arbitragem,	 serão	 as	 partes	 remetidas	 ao	
órgão	do	Poder	Judiciário	competente	para	julgar	a	causa.
§ 2º Não sendo acolhida a argüição, terá normal prosseguimento a 
arbitragem, sem prejuízo de vir a ser examinada a decisão pelo órgão 
do	Poder	Judiciário	competente,	quando	da	eventual	propositura	da	
demanda	de	que	trata	o	Art.	33	desta	Lei	(BRASIL,	1996).
De acordo com o Art. 20 supracitado, a parte que pretender arguir questões 
relativas	à	competência,	suspeição	ou	impedimento	do(s)	árbitro(s),	bem	como	nulidade,	
invalidade	 ou	 ineficácia	 da	 convenção	 de	 arbitragem,	 deverá	 fazê-lo	 na	 primeira	
oportunidade após a instituição da arbitragem.
 
Acadêmico, agora, vamos analisar o Art. 21:
Art. 21. A arbitragem obedecerá ao procedimento estabelecido pelas 
partes	 na	 convenção	 de	 arbitragem,	 que	 poderá	 reportar-se	 às	
regras de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada, 
facultando-se,	 ainda,	 às	 partes	 delegar	 ao	 próprio	 árbitro,	 ou	 ao	
tribunal arbitral, regular o procedimento.
§ 1º Não havendo estipulação acerca do procedimento, caberá ao 
árbitro ou ao tribunal arbitral discipliná-lo.
§ 2º Serão, sempre, respeitados no procedimento arbitral os princípios 
do contraditório, da igualdade das partes, da imparcialidade do árbitro 
e de seu livre convencimento.
§ 3º As partes poderão postular por intermédio de advogado, 
respeitada, sempre, a faculdade de designar quem as represente ou 
assista no procedimento arbitral.
§ 4º Competirá ao árbitro ou ao tribunal arbitral, no início do 
procedimento, tentar a conciliação das partes, aplicando-se, no que 
couber,	o	Art.	28	desta	Lei	(BRASIL,	1996).
190
O Art. 21 nos evidencia as modalidades e regrasdo procedimento arbitral. 
Schmidt,	Ferreira	e	Oliveira	(2021)	afirmam	que	sempre	deverá	prevalecer	a	autonomia	
da vontade das partes na escolha das regras aplicáveis ao procedimento, cabendo ao 
árbitro,	na	hipótese	de	omissão,	fixar	o	procedimento,	sempre	com	respeito	à	garantia	
do devido processo legal. 
As	partes	e	os	árbitros	deverão	observar	as	especificidades	de	cada	disputa	ao	
disciplinarem o procedimento arbitral. A escolha mais usual é a estipulação de cláusula 
compromissória	 reportando-se	às	regras	de	uma	 instituição	arbitral,	ante	a	expertise	
que possuem na administração de procedimentos arbitrais.
O	§	2º	do	Art.	21	da	Lei	de	Arbitragem	(BRASIL,	1996),	consagra	os	princípios	
fundamentais do procedimento arbitral, quais sejam: o contraditório, a igualdade das 
partes, a imparcialidade do árbitro e o livre convencimento. Diferentemente do processo 
judicial, em que a regra é que a parte se faça representar, obrigatoriamente, por advogado, 
o	§	3º	do	Art.	21	da	Lei	de	Arbitragem	(BRASIL,	1996)	diz	que	“as	partes	poderão	postular	
por intermédio de advogado”, o que revela uma faculdade; e não uma imposição legal. 
Podem, mas não estão obrigadas. Prevalece, mais uma vez aqui, a autonomia privada 
(SCHMIDT; FERREIRA; OLIVEIRA, 2021).
Acadêmico,	prosseguindo	com	nosso	estudo	da	Lei	9.307	(BRASIL,	1996),	o	Art.	
22 tratará da produção de provas no procedimento arbitral:
Art. 22. Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral tomar o depoimento 
das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias 
ou outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das 
partes ou de ofício.
§ 1º O depoimento das partes e das testemunhas será tomado em 
local, dia e hora previamente comunicados, por escrito, e reduzido a 
termo, assinado pelo depoente, ou a seu rogo, e pelos árbitros.
§ 2º Em caso de desatendimento, sem justa causa, da convocação 
para prestar depoimento pessoal, o árbitro ou o tribunal arbitral 
levará em consideração o comportamento da parte faltosa, ao 
proferir sua sentença; se a ausência for de testemunha, nas mesmas 
circunstâncias, poderá o árbitro ou o presidente do tribunal arbitral 
requerer	à	autoridade	judiciária	que	conduza	a	testemunha	renitente,	
comprovando a existência da convenção de arbitragem.
§ 3º A revelia da parte não impedirá que seja proferida a sentença 
arbitral.
§	4º	(Revogado	pela	Lei	nº	13.129,	de	2015)
§ 5º Se, durante o procedimento arbitral, um árbitro vier a ser 
substituído	fica	a	critério	do	substituto	repetir	as	provas	já	produzidas	
(BRASIL,	1996).
Schmidt,	 Ferreira	 e	 Oliveira	 (2021)	 afirmam	 que	 há	 grandes	 diferenças	 entre	 o	
procedimento arbitral e o processo judicial, tendo em vista que cada um possui suas 
diferenças	e	especificidades.	Isso	se	reproduz,	no	geral,	na	mecânica	da	produção	de	provas.	
Sistemas distintos, com regras e práticas distintas. Na arbitragem, não se aplica o Código 
de	Processo	Civil.	É	admitido	na	arbitragem	qualquer	meio	de	prova,	típico	ou	atípico,	como:
191
• a produção de prova técnica (perícia);
• realização de vistoria;
• apresentação de documentos;
• oitiva de testemunhas;
• colheita de depoimento pessoal.
É	 possível	 agrupar	 os	 principais	 meios	 de	 prova,	 na	 arbitragem,	 em	 quatro	
grandes grupos: 
• produção de documentos; 
• depoimento de testemunhas do fato (escrito ou oral); 
• opiniões de experts (por escrito ou oral); e 
• inspeção do objeto em disputa.
Com	as	alterações	trazidas	pela	Lei	13.129	(2015),	foi	incluído	o	Capítulo	4-A	e	
4-B, com os Arts 22-A, 22-B e 22-C, a seguir transcritos:
CAPÍTULO IV-A
DAS TUTELAS CAUTELARES E DE URGÊNCIA
Art.	 22-A.	   Antes	 de	 instituída	 a	 arbitragem,	 as	 partes	 poderão	
recorrer	ao	Poder	Judiciário	para	a	concessão	de	medida	cautelar	ou	
de urgência.
Parágrafo	único.	 Cessa	a	eficácia	da	medida	cautelar	ou	de	urgência	
se a parte interessada não requerer a instituição da arbitragem no 
prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de efetivação da respectiva 
decisão	(BRASIL,	1996). 
Neste Art. 22-A, são tratadas as tutelas de urgência na arbitragem, os requisitos 
para o deferimento da tutela de urgência e o prazo para a apresentação do requerimento 
de instauração da arbitragem. Assim, antes de instituída a arbitragem, com a nomeação 
dos árbitros, a competência para decidir sobre os pedidos de tutela de urgência é 
entregue	ao	Judiciário,	salvo	havendo	a	previsão,	no	regulamento	da	câmara	eleita,	da	
figura	do	árbitro	de	emergência.
Art.	 22-B.	   Instituída	 a	 arbitragem,	 caberá	 aos	 árbitros	 manter,	
modificar	 ou	 revogar	 a	medida	 cautelar	 ou	 de	 urgência	 concedida	
pelo	Poder	Judiciário.               	
Parágrafo	 único.	   Estando	 já	 instituída	 a	 arbitragem,	 a	 medida	
cautelar ou de urgência será requerida diretamente aos árbitros 
(BRASIL,	1996).
De	acordo	com	o	Art.	22-B,	uma	vez	nomeado	e	confirmado	os	árbitros,	estes	
terão jurisdição plena sobre a causa, competindo-lhe examinar não só o mérito da 
demanda, mas também pedidos de tutela de urgência (novos ou anteriores), não sendo 
mais	lícito	às	partes	propor	tal	medida	perante	o	Poder	Judiciário	(SCHMIDT;	FERREIRA;	
OLIVEIRA, 2021).
192
CAPÍTULO 
DA CARTA ARBITRAL
Art.	22-C.	 O	árbitro	ou	o	tribunal	arbitral	poderá	expedir	carta	arbitral	
para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o 
cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado 
pelo	árbitro.   	
Parágrafo	único.	  No	cumprimento	da	carta	arbitral	será	observado	
o	 segredo	 de	 justiça,	 desde	 que	 comprovada	 a	 confidencialidade	
estipulada	na	arbitragem	(BRASIL,	1996).   
Acadêmico,	com	a	reforma	da	Lei	9.307	(BRASIL,	1996),	feita	pela	da	Lei	13.129	
(BRASIL,	 2015),	 foi	 instituída	 a	 carta	 arbitral,	 que	 é	 um	 instrumento	 análogo	 à	 carta	
precatória, sendo um instrumento formal voltado para auxiliar a cooperação entre os 
juízos arbitral e estatal.
4 CAPÍTULOS V E VI DA LEI DE ARBITRAGEM 
Neste subtema, abordaremos o capítulo V, que trata da sentença judicial e o 
capítulo VI, que trata do reconhecimento e execução de sentenças arbitrais estrangeiras, 
da	Lei	9.307	(BRASIL,	1996).
4.1 CAPÍTULO V DA LEI DE ARBITRAGEM 
O	Capítulo	V	da	Lei	9.307	 (BRASIL,	 1996),	que	trata	da	sentença	arbitral,	será	
abordado neste subtema, onde transcrevemos os Art.s da citada Lei e comentaremos 
em seguida. 
Iniciaremos pelo Art. 23:
Art.	23. A	sentença	arbitral	será	proferida	no	prazo	estipulado	pelas	
partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação 
da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem 
ou da substituição do árbitro.
§	1º Os	árbitros	poderão	proferir	sentenças	parciais.
§	2º As	partes	e	os	árbitros,	de	comum	acordo,	poderão	prorrogar	o	
prazo	para	proferir	a	sentença	final	(BRASIL,	1996). 
Da leitura do caput do Art. 23, depreende-se que o prazo para expedir a sentença 
arbitral poderá ser livremente convencionado pelas partes. Na ausência de convenção 
sobre o tema, a sentença arbitral deverá ser proferida em até seis meses, contados da 
instituição da arbitragem ou, se for o caso, da substituição do árbitro. Tal prazo poderá 
ser prorrogado.
A sentença parcial, que se caracteriza pelo julgamento do litígio por etapas, permite a 
fragmentação da solução do mérito da disputa, sempre que a resolução parte das pretensões 
deduzidas	pelas	partes	seja	 interessante	 (financeiramente,	 inclusive),	ao	menos	para	uma	
delas, com vistas a facilitar o acordo entre as partes (SCHMIDT; FERREIRA; OLIVEIRA, 2021).
193
Continuando com nosso estudo, o Art. 24 traz os requisitos formais da sentença 
arbitral:
Art. 24. A decisão do árbitro ou dos árbitros será expressa em 
documento escrito.
§ 1º Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por 
maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do 
presidente do tribunal arbitral.
§ 2º O árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu 
voto	em	separado	(BRASIL,	1996).
Vimos que a forma escrita é requisitoessencial da sentença arbitral. Efeito disso 
é que, se for prolatada em audiência, por via oral, deve ser reduzida a termo e assinada 
pelos árbitros, sob pena de nulidade (SCHMIDT; FERREIRA; OLIVEIRA, 2021). 
O	Art.	25	foi	revogado	pela	Lei	13.129	(BRASIL,	2015).	
O Art. 26 evidencia os requisitos essenciais (formais) da sentença arbitral:
Art. 26. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral:
I - o relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do 
litígio;
II - os fundamentos da decisão, onde serão analisadas as questões 
de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os 
árbitros julgaram por eqüidade;
III - o dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes 
forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento 
da decisão, se for o caso; e
IV - a data e o lugar em que foi proferida.
Parágrafo único. A sentença arbitral será assinada pelo árbitro ou 
por todos os árbitros. Caberá ao presidente do tribunal arbitral, na 
hipótese de um ou alguns dos árbitros não poder ou não querer 
assinar	a	sentença,	certificar	tal	fato	(BRASIL,	1996).
Da mesma forma como se dá na sentença judicial, que possui seus elementos 
essenciais	 previstos	 no	Art.	 489	 do	CPC,	 a	 sentença	 arbitral	 deve	 respeitar	 a	 forma	
escrita e, de acordo com o Art. 26 supra, deverá conter, obrigatoriamente:
 
• relatório; 
• fundamentação; 
• dispositivo; e 
• data e lugar em que foi proferida.
O não atendimento dos requisitos indicados anteriormente acarretará a nulidade 
da sentença arbitral (SCHMIDT; FERREIRA; OLIVEIRA, 2021).
194
As despesas e custas incorridas no processo arbitral são tratados no Art. 27:
Art. 27. A sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das 
partes acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem 
como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o caso, 
respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver 
(BRASIL,	1996).
Conforme	Art.	28	(BRASIL,	1996),	caso	as	partes	cheguem	a	um	acordo,	deverá	
ser formalizada a respectiva transação, sendo competência do árbitro a tentativa de 
conciliação entre as partes no início do procedimento:
Art. 28. Se, no decurso da arbitragem, as partes chegarem a acordo 
quanto ao litígio, o árbitro ou o tribunal arbitral poderá, a pedido das 
partes, declarar tal fato mediante sentença arbitral, que conterá os 
requisitos	do	Art.	26	desta	Lei	(BRASIL,	1996).
A	comunicação	da	sentença	arbitral	é	tratada	no	Art.	29:
Art.	29.	Proferida	a	sentença	arbitral,	dá-se	por	finda	a	arbitragem,	
devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia 
da	decisão	às	partes,	por	via	postal	ou	por	outro	meio	qualquer	de	
comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, 
entregando-a	diretamente	às	partes,	mediante	recibo	(BRASIL,	1996).
As hipóteses de cabimento do pedido de esclarecimentos, os chamados 
embargos arbitrais, são abordados no Art. 30:
Art.	 30.	   No	 prazo	 de	 5	 (cinco)	 dias,	 a	 contar	 do	 recebimento	 da	
notificação	ou	da	ciência	pessoal	da	sentença	arbitral,	salvo	se	outro	
prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante 
comunicação	à	outra	parte,	poderá	solicitar	ao	árbitro	ou	ao	tribunal	
arbitral que:
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da 
sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito 
do qual devia manifestar-se a decisão.
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 
10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença 
arbitral	e	notificará	as	partes	na	forma	do	Art.	29	(BRASIL,	1996).      	
Existem apenas duas formas de se postular a revisão da sentença arbitral:
 
• mediante a apresentação de pedido de esclarecimentos; e 
• mediante a propositura de ação anulatória da sentença arbitral.
O Art. 31 traz os efeitos da sentença arbitral: “asentença arbitral produz, entre 
as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do 
Poder	Judiciário	e,	sendo	condenatória,	constitui	título	executivo”.
195
No	que	tange	à	nulidade	da	sentença	arbitral,	temos	o	Art.	32:
Art.	32.	É	nula	a	sentença	arbitral	se:
I - for nula a convenção de arbitragem;
II - emanou de quem não podia ser árbitro;
III - não contiver os requisitos do Art. 26 desta Lei;
IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem;
V - Revogado
VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou 
corrupção passiva;
VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no Art. 12, inciso 
III, desta Lei; e
VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o Art. 21, § 2º, 
desta	Lei	(BRASIL,	1996).
Encerrando o Capítulo V, o Art. 33 nos revela o seguinte:
Art.	 33.	   A	 parte	 interessada	 poderá	 pleitear	 ao	 órgão	 do	 Poder	
Judiciário	competente	a	declaração	de	nulidade	da	sentença	arbitral,	
nos casos previstos nesta Lei.
§	1º A	demanda	para	a	declaração	de	nulidade	da	sentença	arbitral,	
parcial	ou	final,	seguirá	as	regras	do	procedimento	comum,	previstas	
na	Lei	no 5.869,	de	11	de	janeiro	de	1973	(Código	de	Processo	Civil),	
e	 deverá	 ser	 proposta	 no	 prazo	 de	 até	 90	 (noventa)	 dias	 após	 o	
recebimento	da	notificação	da	respectiva	sentença,	parcial	ou	final,	
ou da decisão do pedido de esclarecimentos
§	2º A	sentença	que	julgar	procedente	o	pedido	declarará	a	nulidade	
da sentença arbitral, nos casos do Art. 32, e determinará, se for o 
caso,	que	o	árbitro	ou	o	tribunal	profira	nova	sentença	arbitral
§	3º A	decretação	da	nulidade	da	sentença	arbitral	também	poderá	
ser requerida na impugnação ao cumprimento da sentença, nos 
termos	 dos  arts.	 525	 e	 seguintes	 do	 Código	 de	 Processo	 Civil,	 se	
houver	execução	judicial.                 	   	
§	4º A	parte	 interessada	poderá	 ingressar	em	juízo	para	requerer	a	
prolação de sentença arbitral complementar, se o árbitro não decidir 
todos	os	pedidos	submetidos	à	arbitragem	(BRASIL,	1996).
A ação anulatória de sentença arbitral deve seguir o procedimento comum 
previsto no Código de Processo Civil, sendo competente para processar e julgá-la a 
juízo de primeiro grau.
4.2 CAPÍTULO VI DA LEI DE ARBITRAGEM 
O	 Capítulo	VI	 da	 Lei	 9.307	 (BRASIL,	 1996),	 que	 tratará	 do	 reconhecimento	 e	
execução de sentenças arbitrais estrangeiras e será abordado neste subtema, onde 
transcrevemos os Arts da citada Lei e comentaremos em seguida. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5869.htm#art525
196
Iniciaremos pelo Art. 34:
Art. 34. A sentença arbitral estrangeira será reconhecida ou executada 
no Brasil de conformidade com os tratados internacionais com 
eficácia	no	ordenamento	interno	e,	na	sua	ausência,	estritamente	de	
acordo com os termos desta Lei.
Parágrafo único. Considera-se sentença arbitral estrangeira a que 
tenha	sido	proferida	fora	do	território	nacional	(BRASIL,	1996).
O Art. 34 supracitado aborda o conceito e reconhecimento de sentença arbitral 
estrangeira. A sentença arbitral estrangeira, para ser executada no Brasil, deve ser 
previamente	submetida	à	homologação	no	Superior	Tribunal	de	Justiça.
O	Art.	35	(BRASIL,	1996)	nos	revela	que	a	competência	para	homologação	da	
sentença	estrangeira	cabe	ao	Superior	Tribunal	de	Justiça	(STJ):
Art.	 35.	   Para	 ser	 reconhecida	 ou	 executada	no	Brasil,	 a	 sentença	
arbitral	 estrangeira	 está	 sujeita,	 unicamente,	 à	 homologação	 do	
Superior	Tribunal	de	Justiça	(BRASIL,	1996).     
A aplicação do CPC no procedimento de homologação de sentença arbitral 
estrangeira	é	abordada	no	Art.	36: 
         	      	
Art.	36. Aplica-se	à	homologação	para	reconhecimento	ou	execução	
de	sentença	arbitral	estrangeira,	no	que	couber,	o	disposto	nos arts.	
483 e 484	do	Código	de	Processo	Civil	(BRASIL,	1996).
O Art. 37 trata da Petição inicial e pressupostos positivos de homologação das 
sentenças arbitrais estrangeiras:
Art.	37. A	homologação	de	sentença	arbitral	estrangeira	será	requerida	
pela parte interessada, devendo

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