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Hérnias M.V. Vanessa Lowe Clínica cirúrgica veterinária Olá! • Médica veterinária – Faculdade Anhanguera • Pós-graduada em clínica médica e cirúrgica de pequenos animais - Qualittas • Pós-graduada em clínica cirúrgica de pequenos animais - Qualittas • Pós-graduada em docência no ensino superior - Qualittas • Curso de aprimoramento em técnica cirúrgica – Anclivepa • Professora da Faculdade Anhanguera – ministrando aulas de cirurgia e clínica médica • Professora da Faculdade Qualittas – ministrando cursos rápidos • Médica veterinária responsável pelo setor de pequenos animais – Clínica veterinária escola Hérnias Definições: • Deslocamento de órgão ou tecido através de uma abertura anatômica da parede abdominal • Enfraquecimento, teratológica ou acidental • Não existe contato direto com o meio externo • Integridade do peritônio e da pele Outras definições: • Eviscerações • Eventrações Hérnias ○ Hérnias verdadeiras: ○ Presença de 3 componentes: ○ Saco herniário ○ Anel herniário ○ Conteúdo herniário ○ Hérnia falsa: ○ Aquela que perde algum desses componentes ○ Ex: hérnia diafragmática Classificação das hérnias ○ Local anatômico: ○ Inguinais, umbilicais, diafragmáticas, paramedianas, epigástricas, lombares, perineais, dentre outras ○ Conforme redutilidade: ○ Redutíveis ou irredutíveis ○ Segunda a etiologia: ○ Congênitas ou adquirida/traumáticas ○ Conforme evolução: ○ Simples, complicadas → encarceradas e estranguladas ○ Conforme conteúdo: ○ Hérnias de intestino delgado ou grosso, hérnia da bexiga, hérnias gástricas, baço, ligamento falsiforme, dentre outras Hérnia umbilical ○ É a protusão que ocorre através de um defeito aponeurótico na cicatriz umbilical ○ Geralmente são congênitas → embriogênese defeituosa ○ Feto: Passagem de vasos umbilicais, ducto vitelínico e a haste do alantóide→ anel umbilical ○ Nascimento: Rupturas das estruturas e fechamento da abertura umbilical ○ Tração ou manejo inadequado do cordão umbilical ○ Incidência baixa em gatos ○ Acredita-se em predisposição racial ○ Pode estar associado ao criptorquidismo ○ Formadas por: saco hernial/peritoneal → verdadeira ○ Regressão espontânea até os 6 meses Alça intestinal Pele Músculo abdominal Hérnia umbilical Tecido Subcutâneo Peritônio Diagnóstico ○ Histórico de trauma ○ Geralmente imperceptível para o tutor ○ Perceptível na consulta médica ○ Palpação→ assimetria no contorno abdominal, massa abdominal ventral macia na cicatriz umbilical ○ Estrangulamento: emergência cirúrgica ○ Passagem de estruturas, irredutível, compromete a vascularização ○ → necrose de estruturas, ruptura intestinal, peritonite ○ Encarceramento: urgência cirúrgica ○ Passagem de estruturas, irredutível ○ Ultrassonografia ○ Radiografia Diagnóstico diferencial → abcesso, nódulo cutâneo, nódulo em mama, hematoma, seroma. Sinais clínicos ○ Vômitos agudos ou crônicos ○ Algia abdominal → diferentes intensidades ○ Mudança de coloração e pigmento da pele ou internamente ○ Diarreia ○ Ausência de defecação ○ Abdômen rígido ○ Apatia ○ Anorexia Tratamento ○ Conservativo / clínico: ○ Caso possível → aguardar até 6 meses de idade, 99% das hérnias regridem ○ Cirúrgico: ○ Indicado para hérnias grandes ○ Hérnias encarceradas e estranguladas ○ Hérnias secundária a traumas Conduta pré-operatória ○ Consulta médica ○ Ultrassonografia ○ Radiografia ○ Hemograma ○ Perfil renal ○ Perfil hepático ○ Eco + eletro + PAS Tratamento cirúrgico ○ Herniorrafia umbilical ○ Realizar a incisão ao redor da hérnia (nunca em cima) ○ Divulsionar o SC ○ Identificar o conteúdo herniado e avaliar a viabilidade ○ Se viável, reduzir para o interior da cavidade abdominal ○ Se não viável, remover conteúdo ○ Realizar o fechamento da musculatura com pontos simples contínuo com fio absorvível ○ Aproximação de tecido subcutâneo ○ Sutura de pele ➢ Correção durante a castração ➢ Não há necessidade de reavivar os bordos → aponeurose Fechamento de musculatura com fio absorvível (2-0 ou 3-0), ponto simples contínuo Prognóstico ○ Geralmente é favorável ○ Recidiva incomum ○ Quando ocorre recidiva, é possível notar em poucos dias após a cirurgia ○ Os resultados a longo prazo são excelentes para a maioria dos animais quando utilizados técnicas apropriadas Pós-operatório ○ Repouso → restrição esforço físico exagerado ○ Antibioticoterapia? ○ Colar elisabetano ou roupa cirúrgica ○ Controle de dor ○ Dipirona, tramadol, gabapentina, metadona, morfina ○ Anti-inflamatório ○ Meloxicam, corticóides, firocoxib ○ Complicações: ○ Abertura espontânea da sutura → deiscência de pontos ○ Eventração ○ Evisceração Hérnia inguinal ○ São protusões de órgãos ou tecidos através do canal inguinal ○ Canal inguinal ○ Espaço em potencial ○ Passagem de estruturas entre os músculos ○ Oblíquo interno do abdômen, reto do abdômen, transverso do abdômen ○ Ocorrência em cães machos e fêmeas, raro em felinos ○ Fatores agravantes→ gestação, obesidade, tumores mamários ○ Traumas ○ Anormalidade congênita do anel inguinal Hérnia inguinal ○ Machos: ○ Descida dos testículos ○ Cordão espermático ○ Artéria e veias pudendas externas ○ Processo vaginal ○ Nervo genitofemoral ○ Fêmea: ○ Artéria e veias pudendas externas ○ Processo vaginal ○ Ligamento redondo do útero Hérnia inguinal ○ Sinais clínicos: ○ Variáveis ○ Intensidade da oclusão vascular ○ Natureza do conteúdo herniado ○ Aumento de volume na região inguinal → bi ou unilateral ○ Mudança de coloração ○ Indolor ou algia Hérnia inguinal ○ Diagnóstico: ○ Localização ○ Palpação → identificação do anel e conteúdo ○ RX ○ US ■ Diagnóstico diferencial: ■ Tumor mamário ■ Abcesso ■ Hérnia femoral ■ Neoplasia em testículo criptorquídico ■ Criptorquidismo ■ Hematoma ■ Linfadenomegalia Hérnia inguinal ○ Tratamento cirúrgico: ○ Incisão na linha média na retroumbilucal ○ Divulsionar o tecido SC até a região do anel inguinal ○ Abrir o saco (omento) e avaliar a viabilidade do tecido herniado ○ Se viável, reduzi-lo Se não, removê-lo ○ Remover o saco herniário ○ Sutura da musculatura mantendo a abertura para passagem da vascularização ○ Fechamento incompleto na porção mais caudal ○ Após o fechamento da musculatura, reduzir o espaço morto e celiorrafia ➢ Em fêmeas, realizar a OHE Fechamento de musculatura com fio absorvível (2-0 ou 3-0), pontos em sultan. Manter abertura caudal para a passagem da vascularização Pós-operatório ○ Observar os locais herniados e ferida cirúrgica ○ Repouso ○ Colar elizabetano ○ Roupa cirúrgica ○ Terapia medicamentosa ○ Prognóstico: ○ Bom Dúvidas? Hérnia perianal ○ Ruptura de um ou mais músculos ○ Herniação do reto e protusão de outras estruturas anatômicas ○ Aumento de volume lateral ao ânus ○ Etiologias: ○ Hormônios masculinos → neoplasias testiculares ○ Esforços + Fraqueza muscular ○ Músculos coccígeo, obturador interno, elevador do ânus e esfíncter anal externo ○ Atrofia muscular congênita ou adquirida → lesão nervosa ○ Prostatopatias ○ Patologias intestinais → Constipação crônica Hérnia Perineal ○ Fatores determinantes: ○ Fragilidade muscular → acúmulo de fezes → distensão ou saculação retal ○ Esforço para defecar + aumento da pressão intra-abdominal ○ Protusão do reto através da musculatura ○ Músculo elevador do ânus no macho tem inserções frágeis ○ Próstata hipertrofiada ○ Exerce muita pressão contra os músculos pélvicos ○ Grande chance de recorrência → causa base? Hérnia perineal ○ Sinais clínicos: ○ Tenesmo, disquesia e constipação ○ Fezes em fita ○ Aumento de volume evidente em região perineal ○ Estrangúria ○ Retroflexão da bexiga ○ Ocasionais: ulceração e inflamação da pele, incontinência fecal e urinária e alteração postural da cauda ○ Conteúdo ○ Saculação ou flexura retal, próstata, líquido inflamatório, tecido conjuntivo, gordura retroperitoneal, bexiga, jejuno, cisto prostático ou colón Hérnia perineal ● DIagnóstico: ● História clínica ● Exame físico ● Sinaisclínicos ● Palpação local ● Exame digital retal ● Determinação do conteúdo → RX contrastado Hérnia perineal ○ Procedimentos pré-operatórios: ○ Sondagem urinária / cistocentese ○ Cuidados de enfermagem ○ Enema ○ Jejum Hérnia perineal ○ Tratamento cirúrgico: ○ Sutura bolsa de fumo no ânus ○ Incisão elíptica no local → 1 a 2 cm lateralmente ao ânus ○ Incisar o tecido SC e o saco herniário ○ Identificar as estruturas, avaliá-las e reduzir o conteúdo herniário ○ Biopsiar qualquer estrutura anormal no interior da hérnia ○ Identificar os músculos envolvidos na hérnia ○ Identificar a artéria e veia pudenda interna, nervo pudendo, vasos e nervos retais caudais e ligamento sacrotuberal ○ Sutura das musculatura sem lesionar estruturas nobres ○ Suturar SC e pele E quando a musculatura está atrofiada? Outras técnicas Imagens do Profº Flávio de Castro Hérnia perineal ○ Cuidados pós-operatórios: ○ Analgésicos e anti-inflamatórios ○ Retirar a sutura em bolsa de fumo ○ Cuidados de enfermagem / internação ○ Amolecedores fecais ○ Dieta rica em fibras e teor de umidade ○ Colar elizabetano ○ Roupa cirúrgica? Hérnia diafragmática ○ Ruptura do músculo diafragma ○ Congênita → as vezes é achado clínico/radiográfico ○ Traumática: ○ Trauma brusco direto ○ Projétil balístico ○ Mordedura ○ Iatrogênico → incisão inapropriada do abdômen acima do processo xifoide, colocação errada de um dreno ○ Hérnia de maior incidência em cães e gatos ○ Sem predisposição → jovens, errantes, inteiros, do ambos os sexo →maior predisposição a acidentes de natureza traumática Hérnia verdadeira? Hérnia diafragmática Animal sofre um impacto brusco A pressão abdominal se torna maior que a torácica O diafragma rompe na sua porção mais frágil → porção muscular Ocorre migração dos órgão abdominais para o tórax Fígado, intestino delgado, pâncreas, estômago e baço Hérnia diafragmática ○ Sinais clínicos: ○ Ausentes, intermitentes, contínuos ○ Diminuição de sons pulmonares e bulhas cardíacas ○ Dispneia ○ Posição ortopneica ○ Auscultação torácica de borborigmos intestinais ○ Abdômen vazio a palpação ○ Respiração abdominal Hérnia diafragmática ○ Diagnóstico: ○ Histórico de trauma? ○ Exame físico ○ Radiografia de tórax ○ Pacientes descompensados não devem ser submetidos a contenção e exames de imagem Hérnia diafragmática ○ Tratamento: ○ Suporte pré-operatório: ○ Estabilização do paciente ○ Antibioticoterapia? Transoperatório ou 30 minutos antes ○ Fornecimento de oxigênio ○ Minimizar o estresse ○ Tranquilização, se necessário ○ Tratamento cirúrgico: ○ Tempo entre o trauma e a correção cirúrgica = extensão dos danos → emergência? ○ Importante: reconstituir a pressão negativa do tórax ○ Olhar o pulmão ○ Avisar último ponto ○ Colocação de dreno ou toracocentese pós-imediato Hérnia diafragmática ○ Tratamento cirúrgico: ○ Incisão na linha média abdominal ventral ○ Reposicionar os órgãos abdominais na cavidade abdominal ○ Se necessário → aumentar o defeito diafragmático ○ Se estiverem presentes aderências → dissecar cuidadosamente ○ Em hérnias crônicas, debridar a borda do defeito antes de fechar ○ Padrão de sutura contínua simples ○ Se avulsão das costelas → incorporar uma costela na sutura contínua para adicionar força ○ Remover o ar da cavidade pleural após fechar o defeito (avisar o anestesista quando for o último ponto) ○ Explorar toda cavidade abdominal quanto a lesões associadas ➢ Material sintético para fechamento → se necessário Pode ser feito através do acesso torácico Hérnia diafragmática ○ Conduta pós-operatória: ○ Internação ○ Monitoramento dos parâmetros vitais ○ Drenagem de tórax: ○ Pneumotórax residual ○ Hemotórax ○ Dreno → 24 horas após drenagem negativa Hérnia diafragmática ○ Complicações: ○ Pneumotórax ○ Edema pulmonar ○ Contusão pulmonar ○ Efusão pleural ○ Prognóstico: ○ Se o paciente sobreviver ao período pós-operatório inicial (12 a 24 horas) ○ Favorável ○ Taxa de mortalidade de hérnia crônicas é maior ○ Gatos mais velhos ou animais com lesões concomitantes ○ São mais propensos ao óbito após cirurgia Hérnia diafragmática ○ Causas do óbito: ○ Manipulação diagnóstica ○ Durante a indução anestésica ○ Primeiras 24 horas pós-operatória são críticas para estabilização ○ Politraumas ○ Doenças pulmonares associadas DÚVIDAS? ACABOU! Slide 1: Hérnias Slide 2 Slide 3: Hérnias Slide 4: Hérnias Slide 5: Classificação das hérnias Slide 6: Hérnia umbilical Slide 7 Slide 8 Slide 9: Diagnóstico Slide 10 Slide 11: Sinais clínicos Slide 12: Tratamento Slide 13: Conduta pré-operatória Slide 14: Tratamento cirúrgico Slide 15: Prognóstico Slide 16: Pós-operatório Slide 17: Hérnia inguinal Slide 18 Slide 19: Hérnia inguinal Slide 20 Slide 21 Slide 22: Hérnia inguinal Slide 23: Hérnia inguinal Slide 24: Hérnia inguinal Slide 25 Slide 26 Slide 27: Pós-operatório Slide 28: Dúvidas? Slide 29: Hérnia perianal Slide 30: Hérnia Perineal Slide 31 Slide 32: Hérnia perineal Slide 33: Hérnia perineal Slide 34: Hérnia perineal Slide 35: Hérnia perineal Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42: Hérnia perineal Slide 43: Hérnia diafragmática Slide 44: Hérnia diafragmática Slide 45: Hérnia diafragmática Slide 46: Hérnia diafragmática Slide 47 Slide 48: Hérnia diafragmática Slide 49: Hérnia diafragmática Slide 50 Slide 51: Hérnia diafragmática Slide 52: Hérnia diafragmática Slide 53: Hérnia diafragmática Slide 54: Dúvidas? Slide 55: Acabou!