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Esclerose Múltipla 1 💣 Esclerose Múltipla o que é esclerose múltipla? descrita por charcot, pacientes que apresentavam déficits neurológicos que melhoravam, e em certo ponto da doença os pacientes não apresentavam melhora desses déficits e começavam a acumular sequelas, no anatomopatológico foram descritas lesões encefálicas → áreas de esclerose cerebral. doença imunomediada que tem processo inflamatório que vai destruir a bainha de mielina dentro do SNC. qual a fisiopatologia da esclerose múltipla? é uma doença neurológica, que acomete o SNC, em que tem uma atividade inflamatória que ataca diretamente a bainha de mielina dos nervos. imunomediada, não tem anticorpo específico, mas ativação do processo inflamatório que destrói a mielina, e consequentemente temos perda da função do neurônio. não tem anticorpo específico, então não tem marcador de doença. qual a epidemiologia e etiologia da esclerose múltipla? acomete principalmente jovens (mulheres jovens mais comum) entre 2040 anos, tem uma predisposição genética, genes relacionados a HLA, e influência do ambiente. relação a falta da vitamina D predispõe. incidência maior nas áreas acima da linha do equador, então relacionado a exposição a vitamina D e luz solar. mais comum em caucasianos maior chance de desenvolver; Esclerose Múltipla 2 Os sintomas da esclerose múltipla são decorrentes do acometimento do sistema nervoso central. qual a clínica da esclerose múltipla? sintomas devido a destruição da mielina no axônio, acometendo as áreas do SNC, incluindo cerebelo, córtex motor sensitivo, tronco e medula. ocorrendo em apenas uma região de cada vez, acontece por surtos, vamos ter alteração do sist. imune desencadeando processo inflamatório em algumas regiões, em geral é um evento de cada vez, episódios de alteração neurológica súbita. a área que foi desmielinizada vai ter sintoma; episódios de déficit neurológico. o que temos na imagem do paciente com esclerose múltipla? temos acometimento da substância branca, abaixo ressonância magnética com regiões de desmielinização, hiperintensidade acometimento da substância branca. Esclerose Múltipla 3 clinicamente como a esclerose múltipla vai aparecer? déficits neurológicos com duração maior de 24horas, acomete uma área de cada vez, entre um surto e outro varia entre 2 anos, pode acumular sequelas entre esses déficits, podemos ter lesão axonal secundária, paciente fica com sequela por esse acometimento secundário, mais comum é que recupere pela re-mielinização, não é ataque contínuo. quais os sintomas mais comuns da esclerose múltipla? sintomas sensitivos, hemiparestesia, ou monoparestesia, esse déficit dura mais de 24horas, mielite transversa (desmielinização em um ponto da medula) no nível onde temos a lesão pra baixo não funciona mais; disautonomia, neurite ótica (comum no primeiro surto-60%; desmielinização no nervo óptico ); diplopia (decorrente de uma oftalmoparesia internuclear); disfagia; o que é neurite óptica? comum no primeiro surto de esclerose múltipla 60%, pela desmielinização do nervo óptico, sintomático vai vir com amaurose → perda da acuidade visual, dor em movimentação ocular, geralmente unilateral, posso ter defeito no reflexo pupilar aferente. como funciona as sequelas na esclerose múltipla? normalmente paciente vai tendo surtos e remissão, até que começa a fazer lesão axonal, o que vai deixar sequelas. como pode ser a evolução da esclerose múltipla? depende do tipo de esclerose, o mais comum é a de surto e remissão (tem surto e recupera); mas pode ter sequelas em alguns dos surtos e não recuperar por completo (+ clássicos), tem pacientes que começam da forma surto e remissão, mas em certa fase da doença só piora devido as lesões, chamamos de secundária progressiva. a forma mais rara é a primária progressiva → não faz surto, temos as desmielinizações, com déficits neurológicos que vão piorando progressivamente, vão se acumulando; Esclerose Múltipla 4 progressiva com surtos → piora progressiva, mas no meio do caminho podemos ter surtos com piora maior. qual a evolução natural da escleros múltipla? se não tivesse tratamento? paciente mais comum surto e remissão; tem surto e recupera completamente, mas vai agregar sequelas conforme evolui com mais surtos, vai ter alterações neurológicas com dificuldades nas atividades da vida diária, vai progredindo com + déficits a cada surto, a ponto de não conseguir andar mais, com evolução pra cadeira de rodas e depois óbito. o que é utilizado para avaliar a desabilidade do paciente com esclerose múltipla? avalia o grau de sequela que o paciente mantém, EDSS, avaliar evolução clínica, a ideia é ter tratamentos pra ter menos sequelas possíveis e ficar nos EDSS menores. quais os fatores prognósticos da esclerose múltipla? bom prognóstico Esclerose Múltipla 5 os bons prognósticos → paciente em idade jovem, branca mulher, tem normalmente forma clássica, que demora pra fazer novos surtos, inicio com sintomas sensitivos isolados, recuperação completa após os surtos. longo intervalo até um surto e outro 2anos), sem desabilidade 5 anos após o surto = recuperação completa, RM baixa carga lesional, sem lesão de fossa posterior. quais os fatores prognósticos da esclerose múltipla? mau prognóstico tendência a ter uma doença + ativa, com maior número de surtos em menos tempo. idade de início avançada (após os 40 anos), homem, negros afrodescendentes (não é comum), multifocal desde o início, acometimento de sistema eferente (motor ou cerebelar), alta taxa de surto em pouco período de tempo (primeiros 25 anos), com desabilidades importantes após 5 anos, RM com várias lesões, lesão em fossa posterior. como é feito o diagnóstico da esclerose múltipla? não tem marcador específico, diagnóstico é definido por disseminação em tempo e espaço; desmielinização por alteração imune em 2 lugares em tempos diferentes, com sintomas diferentes. (ex: neurite óptica → após 2 anos déficit motor). precisamos ver em imagem lesão desmielinizante com 2 áreas acometidas em tempos diferentes. Critérios diagnósticos de McDonald 2017 cálculo de acometimento e disseminação em tempo e espaço, definido 2 surtos e 2 lesões. Esclerose Múltipla 6 como é o paciente que apresenta apenas um surto típico de esclerose múltipla? quais exames podemos solicitar pra ver se terá mais surtos? chamamos de síndrome clínica isolada. podemos utilizar outros exames para analisar se esse paciente irá desencadear mais surtos. como: banda oligoclonais → auxilia no diagnóstico. potencial evocado auditivo visual → paciente não teve sintomas, mas tem lesão nesses nervos. o que temos na imagem de RM de esclerose múltipla? vamos ter desmielinização, em focos, vista na imagem e descrita como focos em chama de vela, tem tendência a ser mais perto do corpo caloso, chamados de dedos de Dawson. tem que ter mais de uma lesão pra definir em tempos diferentes, se teve clínica é mais fácil de ver. quando ta no processo ativo, a lesão capta o gadolínio, vai direto nas regiões inflamatórias, vai brilhar nas regiões ativas, ajuda a dizer se tem disseminação em tempo e outras antigas fechando diagnóstico. Esclerose Múltipla 7 o que são as bandas oligoclonais? IgG podemos pedir eletroforese, vai ter aumento de IgG no líquor sem ter aumento de leucócito, e que ta ativo pelo processo inflamatório. favorece a esclerose múltipla, mas sozinha não define. Através do LCR. como é o diagnóstico de esclerose múltipla? tem que ter imagem, tem que mostrar disseminação em tempo e espaço, e descartar diagnósticos diferenciais como vasculites, fator reumatóide, infecciosas (pedir sorologias), carenciais (vitamina B12 lesões em medula + comum). como é realizado o tratamento da esclerose múltipla? surto em 2 etapas → em surto e da doença em longo prazo pra não ter mais a ativação imunológica. surto → nós usamos corticoide, pulsoterapia com metilprednisolona de 3 a 5 dias, tentarreduzir a fase aguda do processo inflamatório. qual o tratamento da esclerose múltipla a longo prazo? sem evidência do uso do corticoide. temos que fazer imunomodulação no sistema imune pra parar de atacar. o primeiro tratamento de imunomodulação desde a descrição da doença por charcot, começou em 1996 (interferóns), hoje já temos outros tratamentos disponíveis que tentam diminuir essa atividade imune, pro paciente não ter o surto, não ter sequela, ele para os surtos de desmielinização e paciente segue sem ter sequelas. Esclerose Múltipla 8 qual o protocolo utilizado para guiar o tratamento medicamentoso de esclerose múltipla? em síndrome clínica isolada. protocolo de tratamento brasileiro vai separar → CIS síndrome clínica isolada (não tem esclerose múltipla, apenas 1 surto, mas pelas características do paciente que é favorável a converter a esclerose múltipla) em geral já trata → usa interférons, Cladrilibina, teriflunomida. terapia medicamentosa em pacientes com surto e remissão (esclerose múltipla)? com baixa atividade de doença e características de bom prognóstico → optamos pelos intérferons, dimetil fumarato, glatiramer; teriflunomida. com alta atividade da doença → medicamentos mais eficazes mas com maiores riscos; cladribina; fingolimod; natalizumab; ocrelizumab; aqueles que não respondem a nenhum tratamento temos que usar terapias mais agressivas → transplante de células tronco; Ig intravenosa; ciclofosfamida; mitoxantrona; rituximab. terapia medicamentosa em pacientes com esclerose múltipla do tipo secundária progressiva? não há tratamento disponível no Brasil terapia medicamentosa em pacientes com esclerose múltipla do tipo primária progressiva? Ocrelizumab → no Brasil mas não liberação no SUS. como funciona o uso da vitamina D na esclerose múltipla? tratamento adjuvante, vamos usar no paciente que tem déficit de vitamina D, como auxiliar, associa → depende da dosagem basal do paciente, tem que ficar num patamar mais alto que a normalidade, não Esclerose Múltipla 9 tem evidências que altas doses de vitamina D parem os surtos, ajuda mas isolado não barra evolução natural da doença. usamos associada a outros tratamentos. o que é a neuromielite óptica? também conhecida como doença de Devic, é uma doença crônica, imunomediada por processo inflamatório, temos anticorpo específico, produção de anti-aquaporina 4 que tem na mielina no SNC, anticorpos que vão atacar a mielina. qual a diferença da neuromielite óptica pra esclerose múltipla? fator genético e ambientais associados, porém na neuromielite temos produção específica de anticorpo. o que temos para definir a neuromielite óptica? neurite óptica + mielite transversa extensa, em geral maioria não tem grandes lesões no encéfalo, comprometimento é do nervo óptico, com hipersinal no nervo óptico, ela é extensa pega uma região maior (calculamos pelo número de corpos vertebrais acometidos); na esclerose múltipla é um pontinho só aqui temos 4 pontinhos na cervical 3 ou + corpos vertebrais), aqui a neurite óptica pode ser bilateral diferente da esclerose. Esclerose Múltipla 10 como é realizado o diagnóstico da neuromielite óptica? tratamento? prognóstico? dosagem do anticorpo → anti-aquaporina 4 tratamento igual esclerose múltipla → pulsoterapia com corticoide, quando não responde imunoglobulina e plasmaferese. opção aqui a longo prazo é imunossupressor Azatioprina; rituximab prognóstico um pouco pior que da EM, sem muita resposta a tratamento e evolução pior. o que é a Encefalomielite disseminada aguda ADEM? Faz desmielinização do SNC, várias lesões esparsas, diferença da EM, em geral monofásica, acontece como surto único, multifocal, precedida por processo infeccioso, desregulação imune ao ataque ao antígeno, geralmente por infecção viral respiratória, faz alteração da mielina, incidência maior em crianças. Esclerose Múltipla 11 qual o quadro clínico da ADEM? Faz uma encefalite, processo inflamatório no encéfalo, alteração do nível de consciência, e déficit neurológico, não é crônica e não evolui, ocorre um surto que acomete vários locais do encéfalo. tratamento é o mesmo → pulsoterapia com corticoide, Ig, plasmaferese.