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17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 1 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Olá, CONCURSEIRO(A) DE PLANTÃO!! Sou Érica Oliveira, Professora, Enfermeira, Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará e Especialista em Concursos e Residências na área da Saúde. Gostaria de desejar bons estudos com a leitura do material e afirmar com toda certeza que você terá acesso a um material diferenciado, de qualidade e direcionado para o objetivo da sua APROVAÇÃO! Todos sabemos que o caminho para o sucesso é árduo, porém, todo o esforço e dedicação valem muito a pena. Conte comigo para auxiliá-lo na trilha do caminho de seu SUCESSO!!! Minha missão é DIRECIONAR você para conquistar a sua APROVAÇÃO!! E lembre-se: Agora, o seu sonho não é mais seu, ele é NOSSO!! Estamos juntos nessa caminhada rumo à aprovação! VAMOS COM FOCO TOTAL!! DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO!! 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 2 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. SAÚDE DA MULHER “O verdadeiro nome do sucesso chama-se DEDICAÇÃO!” PLANEJAMENTO REPRODUTIVO ÍNDICE DE PEARL (IP) Corresponde ao número de gestações que ocorrem no primeiro ano de uso do método em 100 mulheres/ano. O cálculo é o seguinte: N° de gestações x 12 (meses) x 100 (mulheres) N° total de meses de exposição • MENOR IP = MAIOR EFICÁCIA O planejamento familiar é definido no art. 2º da Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, da seguinte forma: Para fins desta Lei, entende-se planejamento familiar como o conjunto de ações de regulação da fecundidade que garanta direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal. Parágrafo único – É proibida a utilização das ações a que se refere o caput para qualquer tipo de controle demográfico. (BRASIL, 1996). Constitui-se, portanto, em um direito sexual e reprodutivo e, dessa forma, a atenção em planejamento familiar deve levar em consideração o contexto de vida de cada pessoa e o direito de todos poderem tomar decisões sobre a reprodução sem discriminação, coerção ou violência. De acordo com a Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, que trata do planejamento familiar, estabelece que: Para fins desta Lei, entende-se Planejamento familiar como o conjunto de ações de regulação da fecundidade que garanta direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal (art. 2º). LEMBRE-SE Planejamento reprodutivo é um termo mais adequado que planejamento familiar e não deve ser usado como sinônimo de controle de natalidade. É frequente a utilização do termo controle de natalidade como sinônimo de planejamento reprodutivo, todavia se tratam de conceitos diferentes. O controle de natalidade implica imposições do governo sobre a 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 3 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. vida reprodutiva de homens e mulheres. O planejamento reprodutivo baseia-se no respeito aos direitos sexuais e aos direitos reprodutivos. Para o exercício do direito ao planejamento familiar, serão oferecidos todos os métodos e técnicas de concepção e contracepção cientificamente aceitos e que não coloquem em risco a vida e a saúde das pessoas, garantida a liberdade de opção (art. 9º). A atuação dos profissionais de saúde na assistência à anticoncepção envolve, necessariamente, três tipos de atividades: - Atividades educativas - Aconselhamento - Atividades clínicas Na decisão sobre o método anticoncepcional a ser usado devem ser levados em consideração os seguintes aspectos: - A escolha da mulher, do homem ou do casal - Características dos métodos - Fatores individuais e situacionais relacionados aos usuários do método Os critérios de elegibilidade clínica para uso dos métodos anticoncepcionais devem ser utilizados para orientar o/a usuário/a no processo de escolha do método anticoncepcional. Foram classificadas 4 categorias que estabelecem a conveniência ou restrição ao uso de um método anticoncepcional, descritas a seguir: Categoria 1: O método pode ser usado sem restrição. Categoria 2: O método pode ser usado com restrições. As condições listadas na categoria 2 significam que o método em questão pode ser utilizado com alguma precaução. São situações nas quais as vantagens de usar o método geralmente superam os riscos. As condições da categoria 2 fazem com que o método não seja a primeira escolha e, se usado, deve ser acompanhado mais de perto. Categoria 3: Os riscos decorrentes do seu uso, em geral superam os benefícios do uso do método. Quando há uma condição da categoria 3 para um método, este deve ser o método de última escolha e, caso seja escolhido, é necessário um acompanhamento rigoroso da/o usuária/o. Categoria 4: O método não deve ser usado, pois apresenta um risco inaceitável. Nas situações em que a usuária apresenta mais do que uma condição da categoria 3, o método não deve ser usado. Também, nas situações em que não é possível um acompanhamento rigoroso da usuária, recomenda- 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 4 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. se que as condições listadas na categoria 3 sejam consideradas como da categoria 4, ou seja, o método não deve ser usado. Quando a/o usuária/o apresenta, para o método escolhido, mais de uma condição da categoria 2, em geral o método deve ser considerado de última escolha, de uso excepcional e sob controle rigoroso. CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE DA OMS CATEGORIA DESCRIÇÃO CONDUTA 1 Não existe restrição ao uso do método contraceptivo Prescrever o método 2 As vantagens do uso do método se sobrepõem aos riscos teóricos ou comprovados Prescrever o método 3 Os riscos teóricos ou comprovados geralmente se sobrepõem às vantagens do uso do método Não prescrever (exceto se não houver outra alternativa) 4 Risco inaceitável à saúde caso o método seja utilizado Não prescrever (contraindicação absoluta) Os métodos anticoncepcionais podem ser classificados como: ❖ Temporários (reversíveis) 1. Hormonais a. Orais: combinados, monofásicos, bifásicos, trifásicos, minipílulas. b. Injetáveis: mensais e trimestrais. c. Implantes subcutâneos d. Percutâneos: adesivos. e. Vaginais: comprimidos e anel. f. Sistema liberador de levonorgestrel (SIU). 2. Barreira a. Feminino: diafragma, espermicida, esponjas, capuz cervical, preservativo feminino. b. Masculino: preservativo masculino. 3. Intrauterinos a. Medicados: DIU de cobre e DIU com levonorgestrel. b. Não medicados. 4. Comportamentais ou naturais a. Tabela ou calendário ( Ogino-Knaus). b. Curva térmica basal ou de temperatura. c. Sintotérmico d. Bilings (mucocervical) e. Coito interrompido 5. Duchas vaginais 6. Definitivos (esterilização) 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 5 MATERIAL ELABORADOpreconizado no Calendário Nacional de Vacinação. Deve-se realizar 1 dose a cada gestação, a partir da vigésima semana (20ª) de gestação (até 20 dias antes da data provável do parto) ou Vacinação no puerpério (até 45 dias após o parto). 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 31 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. PROGRAMA NACIONAL DE SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO O Programa Nacional de Suplementação de Ferro - PNSF (Portaria n,º 1.555, de 30 de julho de 2013, e Portaria de Consolidação n.º 5, de 28 de setembro de 2017) preconiza a suplementação profilática de ferro para todas as crianças de 6 a 24* meses de idade, gestantes ao iniciarem o pré-natal, mulheres no pós-parto e pós-aborto e na suplementação de ácido fólico para gestantes. A OMS recomenda a suplementação diária de ferro como uma intervenção de saúde pública para a prevenção da deficiência de ferro e anemia em lactentes e crianças de 6 a 24 meses, que vivem em locais onde a anemia é altamente prevalente (acima de 40%). A suplementação de ferro e ácido fólico durante a gestação é recomendada como parte do cuidado no pré-natal para reduzir o risco de baixo peso ao nascer da criança, anemia e deficiência de ferro na gestante, além da prevenção da ocorrência de defeitos do tubo neural (DTN). O PNSF contempla todas as crianças de 6 a 24 meses de idade, gestantes e mulheres no pós-parto e/ ou pós- aborto atendidas na APS. O esquema de administração da suplementação profilática de sulfato ferroso e ácido fólico está apresentado a seguir. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 32 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. RECOMENDAÇÕES ESPECIAIS PARA O CUIDADO DE MULHERES • As gestantes devem ser suplementadas com ácido fólico para a prevenção de DTN. A recomendação de ingestão é de 0,4mg de ácido fólico, todos os dias. Essa quantidade deve ser consumida pelo menos 30 dias antes da data em que se planeja engravidar até a 12a semana da gestação. • Com o objetivo de repor as reservas corporais maternas, todas as mulheres até o terceiro mês pós- parto devem ser suplementadas apenas com ferro (40 mg ferro elementar/dia até o terceiro mês pós-parto). • A suplementação com ferro também é recomendada nos casos de abortos (40 mg ferro elementar/ dia até o terceiro mês pós-aborto). • Casos de anemia já diagnosticados: o tratamento deve ser prescrito de acordo com a conduta clínica para anemia definida pelo profissional de saúde responsável. • Apesar de normalmente ser o medicamento de escolha, o sulfato ferroso possui como limitantes as intercorrências gastrointestinais (vômitos, diarreia, constipação intestinal, fezes escuras e cólicas). As gestantes devem ser orientadas quanto aos possíveis efeitos e à necessidade de se manter a suplementação até o final do esquema. ORIENTAÇÕES EM CASOS DE RISCO PARA DOENÇAS DO TUBO NEURAL Mulheres com fatores de risco para DTN devem ser orientadas para a suplementação diária na dosagem de 5 mg de ácido fólico. Essa quantidade deve ser suplementada pelo menos 30 dias antes da data em que se planeja engravidar até a 12a semana da gestação. Mulheres que podem se beneficiar da suplementação de ácido fólico em doses mais altas: 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 33 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. • Um dos pais com histórico pessoal de DTN ou história prévia de gestação acometida por DTN. • Histórico familiar com DTN em parente de segundo ou terceiro grau. • Uso de terapia medicamentosa de anticonvulsivantes com ácido valpróico e carbamazepina. • Condições médicas maternas associadas à diminuição de absorção de ácido fólico avaliadas pelo profissional de saúde (doença celíaca, doença inflamatória intestinal, doença de Crohn, retocolite ulcerativa, cirurgias bariátricas, ressecção ou bypass intestinal importante). • Diabetes mellitus pré-gestacional. ASSISTÊNCIA À MULHER NO PUERPÉRIO O puerpério é definido como o período do ciclo gravídico puerperal em que as modificações locais e sistêmicas, provocadas pela gravidez e parto no organismo da mulher, voltam à situação do estado pré- gravídico. O cuidado da mulher no puerpério é fundamental para a saúde materna e neonatal e deve incluir o pai, a família em seus diversos arranjos e toda a rede social envolvida nesta fase do ciclo vital e familiar. Esta variação está relacionada especialmente a mudanças anatômicas e fisiológicas no organismo da mulher, embora questões de ordem psicossocial relacionadas à maternidade, à sexualidade, à autoestima, à reorganização da vida pessoal e familiar estejam ocorrendo concomitantemente e influenciem a passagem desse período. Didaticamente, o puerpério é dividido em: • Imediato (1° ao 10° dia); • Tardio (11° ao 45°); • Remoto (45° dia em diante). ATENÇÃO: O conceito de infecção puerperal está diretamente ligado ao de morbidade febril puerperal, que é a temperatura de, no mínimo, 38ºC durante dois dias quaisquer, dos primeiros 10 dias pós-parto, excluindo as 24 horas iniciais (BRASIL, 2002). Embora o caráter gradual e progressivo assumido por essas manifestações torne o puerpério um período de demarcação temporal imprecisa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) o define como o tempo compreendido até 6 semanas (42 dias) após o parto. É comum dividi-lo em: pós-parto imediato, do 1o ao 10o dia; pós-parto tardio, do 10o ao 42o dia; e pós-parto remoto, além do 42o dia. Considerado o pós-parto as 12 semanas que sucedem o parto, que, mais recentemente, passou a denominar-se “quarto trimestre”. A OMS recomenda que pelo menos quatro contatos no pós-parto sejam realizados com todas as mulheres: nas primeiras 24 horas; no 3o dia (48 a 72 horas); entre os dias 7 e 14 após o parto; e 6 semanas após o parto. A involução e a regeneração do leito placentário, de toda a decídua e das demais superfícies genitais ocorrem, inicialmente, por meio da eliminação de grande quantidade de elementos deciduais e células 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 34 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. epiteliais descamados, que, associados a eritrócitos e bactérias, compõem, então, o que denominamos lóquios. Ao longo dos primeiros 3 ou 4 dias pós-parto, há lóquios sanguíneos (lochia cruenta, lochia rubra), em função da considerável presença de sangue. A partir de então, a diminuição do conteúdo sanguíneo leva a lóquios progressivamente serossanguíneos (lochia fusca) – de coloração acastanhada – e, posteriormente, serosos (lochia serosa, lochia flava). Por volta do 10o dia, os lóquios apresentam conteúdo líquido reduzido e significativa quantidade de leucócitos, assumem coloração esbranquiçada ou discretamente amarelada (lochia alba) e mantêm-se dessa forma por 4 a 8 semanas. Em geral, o volume total dos lóquios, ao longo de todo esse período, varia entre 200 e 500 mℓ. PREVENÇÃO DO CÂNCER DE COLO UTERINO O câncer invasor do colo uterino é considerado um câncer evitável, porque o estágio pré-invasor é longo, existem programas de rastreamento por exame citológico e o tratamento das lesões pré-invasoras é eficaz. A incidênciamundial de doença invasora está diminuindo e o câncer de colo do útero vem sendo diagnosticado mais cedo, levando a maiores taxas de sobrevida. Os dados mundiais de 2018 apontaram que o câncer de colo uterino foi o quarto mais comum nas mulheres (6,6% dos casos) e o segundo câncer ginecológico mais comum, ficando atrás apenas do câncer de mama. No Brasil, excluindo o câncer de pele não-melanoma, foi o terceiro câncer mais comum em mulheres. O número de casos novos dessa doença no Brasil esperados para cada ano do triênio 2020-2022 será de 16.590, com um risco estimado de 15,43 casos a cada 100 mil mulheres. Em termos de mortalidade, no Brasil, em 2017, ocorreram 6.385 óbitos, e a taxa de mortalidade bruta por câncer do colo do útero foi de 6,17/100 mil. O câncer do colo do útero é caracterizado pela replicação desordenada do epitélio de revestimento do órgão, comprometendo o tecido subjacente (estroma) e podendo invadir estruturas e órgãos contíguos ou a distância. • É na zona de transformação que se localizam mais de 90% das lesões precursoras ou malignas do colo do útero. • A dedução é que a infecção pelo HPV é um fator necessário, mas não suficiente para o desenvolvimento do câncer do colo do útero. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 35 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. O local de união entre o epitélio escamoso e glandular é chamado de junção escamocolunar (JEC). A JEC tem localização dinâmica, pois o epitélio glandular responde aos níveis de estrogênio. Logo após a menarca, normalmente se localiza exatamente no orifício cervical externo, chamado de colo “padrão”. Em situações hiperestrogênicas, como na gravidez ou em pacientes usuárias de anticoncepcionais, a JEC vai em direção à ectocérvice, processo chamado de ectopia, eversão ou ectrópio. Ao exame especular, pode observar-se região avermelhada nesse local, conhecida como mácula rubra. Depois da menopausa, o colo uterino reduz seu tamanho (redução do estrogênio), de forma que a junção escamocolunar se localiza frequentemente no interior do canal endocervical. O câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical, demora muitos anos para se desenvolver. As alterações das células que podem desencadear o câncer são descobertas facilmente no exame preventivo (conhecido também como exame de Papanicolaou), por isso é importante a sua realização periódica a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos negativos, por mulheres do grupo-alvo de 25 a 64 anos que já tenham iniciado atividade sexual. A principal alteração que pode levar a esse tipo de câncer é a infecção persistente por alguns subtipos de alto risco do papilomavírus humano (HPV), relacionado a tumores malignos. Existem dois tipos principais de câncer do colo de útero: o carcinoma de células escamosas e o adenocarcinoma. O principal método e o mais amplamente utilizado para rastreamento de câncer do colo do útero é o teste de Papanicolau (exame citopatológico do colo do útero) para detecção das lesões precursoras. Os fatores de risco envolvidos sugerem que essa neoplasia se comporta como uma infecção sexualmente transmissível, e neste sentido, o número elevado de parceiros sexuais e a idade precoce no primeiro ato sexual são considerados como possível causas precursoras do câncer de cérvice. O papiloma vírus humano (HPV) é um dos fatores da carcinogênese do câncer do colo de útero. A agência Internacional de Pesquisa sobre o câncer classifica como carcinogênico em humanos os papilomavírus dos tipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 52, 56, 58, 59 e 66, sendo os HPVs 16 e 18 os mais prevalentes. ATENÇÃO! A vacinação contra o HPV é um dos grandes aliados para o controle dessa doença, atuando diretamente na prevenção primária, ou seja, evita a infecção pelo vírus. Contudo, mesmo as mulheres vacinadas, quando chegarem na faixa etária recomendada para o rastreamento, devem realizar o exame citopatológico, pois a vacina protege contra os principias tipos de vírus oncogênicos, mas não contra todos. A vacina papilomavírus humano 6, 11, 16 e 18 (recombinante) (HPV) foi introduzida no Calendário Nacional de Vacinação como uma estratégia de saúde pública em março de 2014. Atualmente, as indicações são: vacina HPV quadrivalente está disponível para a população do sexo feminino de nove a 14 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 36 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. anos de idade (14 anos, 11 meses e 29 dias) e para a população do sexo masculino de nove a 14 anos de idade (14 anos, 11 meses e 29 dias) com esquema vacinal de 2 (duas) doses (0 e 6 meses). A vacina HPV quadrivalente continua disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) e nas unidades básicas de saúde para os homens de nove a 26 anos de idade vivendo com HIV/Aids (Vírus da Imunodeficiência Humana/Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) e para os indivíduos submetidos a transplantes de órgãos sólidos, de medula óssea e pacientes oncológicos que deverão receber o esquema de 3 (três) doses (0, 2 e 6 meses). ATUALIZAÇÃO 2021! Mulheres imunossuprimidas de 9 a 45 anos deverão receber o esquema de 3 (três) doses (0, 2 e 6 meses). #Éricametreina! ATUALIZAÇÃO 2022! A partir de julho de 2022, Ministério da Saúde recomenda a ampliação da faixa etária da vacina HPV quadrivalente para homens com imunossupressão até 45 anos de idade. Time, atenção para o quadro! 2021 2022 Mulheres com imunossupressão 9 anos até 45 anos 3 doses (0, 2, 6) 9 anos até 45 anos 3 doses (0, 2, 6) Homens com imunossupressão 9 anos até 26 anos 3 doses (0, 2, 6) 9 anos até 45 anos 3 doses (0, 2, 6) ATENÇÃO TIME, PARA A ATUALIZAÇÃO DE MAIO DE 2023 Atualização das vacinas HPV — chegada da nonavalente (HPV9) ao Brasil A HPV9 inclui os quatro tipos de HPV presentes na vacina HPV4 (6, 11, 16 e 18) e cinco tipo adicionais (31, 33, 45, 52 e 58), o que amplia a proteção contra infecção, cânceres e lesões pré-neoplásicas relacionadas ao vírus. A Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) publicou Nota Técnica sobre a vacina HPV nonavalente (HPV9), recentemente disponibilizada no país. A vacina passa a ser recomendada pela sociedade como preferencial por aumentar a proteção contra as doenças associadas ao HPV, uma vez que contém na formulação cinco tipos adicionais. É importante ressaltar que a HPV4, oferecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), continua extremamente efetiva na redução de casos de câncer em pessoas de ambos os sexos — a exemplo do de colo do útero, ânus e em outras localizações — e também de verrugas genitais. Existem três vacinas HPV licenciadas no Brasil: • Bivalente - HPV2 (16,18): Fabricada pela GSK. Foi licenciada em 2007 e teve a comercialização interrompida no Brasil em 2021; 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 37 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. • Quadrivalente - HPV4 (6, 11, 16 e 18) - Fabricada pela MSD. Está licenciada desde 2006, mesmo ano em que passou a ser oferecida pelos serviços privados de vacinação. Faz parte do calendário da rede pública desde 2014. • Nonavalente - HPV9 (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58). Fabricada pela MSD. Foi licenciada em 2017 e disponibilizada na rede privada em março de 2023. Esquema de doses • Meninas e meninos de 9 a 14 anos:duas doses, com seis meses de intervalo (0-6 meses); • A partir de 15 anos: três doses (0 – 2– 6 meses) • Imunodeprimidos de 9 a 45 anos, independentemente da idade: três doses (0–2–6 meses). O HPV16 e o 18 são os principais tipos associados ao câncer, razão pela qual estão na composição das três vacinas. A quadrivalente contém também os tipos 6 e 11, causadores de aproximadamente 90% dos casos de verrugas genitais. A vacina nonavalente incluiu 5 tipos oncogênicos adicionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um chamado em 2020 para reunir esforços com o objetivo de eliminar o câncer de colo de útero globalmente até 2030. A ação foi um grande marco, pois, pela primeira vez, 194 países — incluindo o Brasil — se comprometeram a adotar as medidas necessárias para alcançar o objetivo. A estratégia está baseada em três pilares: prevenção, rastreamento e gerenciamento do câncer e das lesões precursoras. Nesse contexto, nenhuma intervenção isolada é suficiente para a busca pela eliminação e a vacinação assume importância fundamental. Resumidamente, citaremos os principais fatores de risco para o câncer do colo uterino: - infecção pelo HPV dos subtipos carcinogênicos, especialmente 16 e 18 (PRINCIPAL FATOR DE RISCO); - número elevado de parceiros sexuais; - idade precoce no primeiro ato sexual; - multiparidade; - tabagismo; - uso de anticoncepcional; - fatores dietéticos; - imunossupressão; - baixas condições socioeconômicas. A dica quando forem pensar em fatores de risco para o câncer do colo uterino (para não confundir com o câncer de mama) é PENSA EM RELAÇÃO SEXUAL! Isso mesmo. Aprendemos que o HPV é principal fator de risco para o câncer do colo do útero e como ele pode ser adquirido? RELAÇÃO SEXUAL. Vamos praticar a dica: - número elevado de parceiros: quando MAIS relação sexual MAIOR as chances de adquiri o HPV e MAIOR o risco para câncer do colo do útero. - idade precoce no primeiro ato sexual: começou a ter RELAÇÃO SEXUAL muito nova, MAIORES as chances de adquirir o HPV e MAIOR o risco para o câncer do colo do útero. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 38 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. - multiparidade: para parir muito, tem que ter engravidado, para engravidar, tem que ter tido MUITA RELAÇÃO SEXUAL, ou seja, MUITO risco de ter adquiro HPV, consequentemente MUITA chance de ter o câncer do colo do útero. Com relação aos demais fatores de risco vou tentar explicá-los: - Baixas condições socioeconômicas: esse, na verdade, é um fator de risco para a maioria das doenças, como para as doenças sexualmente transmissíveis. Ele é um fator evidenciado a partir de inquéritos epidemiológicos. - Imunossupressão e fatores dietéticos: estão relacionados a influências que os mesmos têm em facilitar a ação do vírus, ou seja, com a imunidade baixa, o vírus consegue se manifestar e causar alterações citológicas que levarão ao câncer. - Utilizar pílulas anticoncepcionais: mulheres que fazem uso desse método contraceptivo por 5 anos ou mais têm uma pequena elevação no risco para desenvolver o câncer do colo do útero. Lembrando que o risco cai assim que essa mulher deixa de usar esse método. - Tabagismo: o tabaco é um importa carcinogênico que atua tanto como indutor (efeito mutagênico) como promotor (proliferação celular). Os dois mecanismos principais pelo qual o hábito de fumar contribui para a oncogênese cervical incluem a exposição direta do DNA de células epiteliais cervicais a nicotina e a cotidina, e a produtos metabólicos do tipo esperado a partir de reações com hidrocarbonetos policíclicos aromáticos e aminas aromáticas, outros componentes da fumaça do cigarro. Epitélio cervical das fumantes tem número menor de células de Langerhans do que as não-fumantes, facilitando as lesões virais, que seriam o primeiro passo no processo de carcinogênese, que de outra maneira necessitaria de tempo mais longo para ter impacto sobre o risco de câncer de colo uterino (DANAEI et al., 2005). O câncer do colo do útero é uma doença de crescimento lento e silencioso. Existe uma fase pré- clínica, sem sintomas, com transformações intraepiteliais progressivas importantes, em que a detecção de possíveis lesões precursoras são por meio da realização periódica do exame preventivo do colo do útero. A detecção precoce do câncer constitui-se de duas estratégias: 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 39 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Fonte: Adaptado de World Health Organization, 2020, p. 73. O câncer do colo do útero possui história natural bem conhecida e tem como causa básica a infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Existem mais de 150 tipos diferentes de HPV, que estão relacionados à origem de lesões benignas como verrugas e papilomas laríngeos (HPV não oncogênico ou de baixo risco); a lesões precursoras; e a vários tipos de câncer (HPV oncogênico ou de alto risco), como do colo do útero, e menos frequentemente ânus, vagina e pênis. Os tipos de HPV oncogênicos mais comuns identificados no câncer do colo do útero incluem HPV16 (53%), HPV18 (15%), HPV45 (9%), HPV31 (6%) e HPV33 (3%) (WILD; WEIDERPASS; STEWART, 2020). Esse vírus pode infectar pele e mucosas e é transmitido por meio da relação sexual. Entretanto, apenas a infecção pelo HPV não é suficiente para o desenvolvimento do câncer, sendo necessário que haja uma infecção persistente por um tipo oncogênico, além da influência de outros fatores para iniciar as alterações celulares. Sendo assim, o HPV é considerado um fator necessário, mas não suficiente para o desenvolvimento do câncer do colo do útero. Na maioria das mulheres, a resposta imunológica ajuda a eliminar a infecção por HPV de 12 a 24 meses. O risco de desenvolver o câncer do colo do útero é de cerca de 30% se as lesões precursoras não forem tratadas (WILD; WEIDERPASS; STEWART, 2020) rastreamento tem por objetivo encontrar o câncer pré-clínico ou as lesões pré-cancerígenas, por meio de exames de rotina em uma população-alvo sem sinais e sintomas sugestivos do câncer rastreado. diagnóstico precoce busca identificar o câncer em estágio inicial em pessoas que apresentam sinais e sintomas suspeitos da doença 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 40 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. As alterações nas células cervicais podem progredir para o câncer, mas essa evolução ocorre geralmente de forma lenta, podendo durar de 10 a 20 anos aproximadamente, passando por um longo período como lesões precursoras (neoplasia intraepitelial cervical [NIC] II e III, também chamadas de lesão de alto grau), que são assintomáticas. Essas lesões, quando tratadas adequadamente, são curáveis na quase totalidade dos casos. Na Figura, é apresentado um esquema com a modificação celular após a infeção pelo vírus HPV até a progressão para o câncer do colo do útero. Nota: O primeiro bloco da figura corresponde à infecção transitória (infeção por HPV/NIC I), também chamada de lesão de baixo grau, que regride espontaneamente na maioria dos casos. O segundo bloco corresponde à fase em que se apresentam as lesões precursoras, ou seja, as lesões de alto grau (NIC II e III), com potencial de progressão até câncer invasivo. Percebam, na figura abaixo, como é lenta a evolução das lesões no colo de útero até atingiro carcinoma invasivo. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 41 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Progride por anos antes de atingir o estágio invasor da doença, quando a cura se torna mais difícil. Nessa fase, os principais sintomas são SANGRAMENTO VAGINAL fora do período menstrual (metrorragia), CORRIMENTO COM ODOR e DOR PÉLVICA, DURANTE O ATO SEXUAL (DISPAREUNIA). Com relação ao rastreamento do câncer do colo do útero, têm que: Recomendações: - O método de rastreamento do câncer do colo do útero e de suas lesões precursoras é o exame citopatológico. O intervalo entre os exames deve ser de três anos, após dois exames negativos, com intervalo anual. - O início da coleta deve ser aos 25 anos de idade para as mulheres que já tiveram atividade sexual. - Os exames devem seguir até os 64 anos e serem interrompidos quando, após essa idade, as mulheres tiverem pelo menos dois exames negativos consecutivos nos últimos cinco anos. - Para mulheres com mais de 64 anos e que nunca realizaram o exame citopatologico, deve-se realizar dois exames com intervalo de uma a três anos. Se ambos forem negativos, essas mulheres podem ser dispensadas de exames adicionais. Fonte: Inca – Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. 2011. A rotina preconizada no rastreamento brasileiro, assim como nos países desenvolvidos, é a repetição do exame de Papanicolau a cada três anos, após dois exames normais consecutivos no intervalo de um ano. No Brasil, apesar das recomendações, ainda é prática comum o exame anual. RASTREAMENTO EXAME CITOPATOLÓGICO ATENÇÃO!! Coleta do material para o exame citopatológico do colo do útero Recomendações prévias EX A M E C IT O PA TO LÓ G IC O >25 anos, mulheres com atividade sexual até os 64 anos interrompidos, após 64 anos, > 2 negativos consecutivos nos últimos 5 anos após 2 exames negativos, com intervalo anual intervalo entre os exames 3 anos > 64 anos, nunca realizou o exame realizar 2 exames com intervalo de 1 a 3 anos se ambos forem negativos, é dispensada 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 42 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. A utilização de lubrificantes, espermicidas ou medicamentos vaginais deve ser evitada por 48 horas antes da coleta, pois essas substâncias recobrem os elementos celulares dificultando a avaliação microscópica, prejudicando a qualidade da amostra para o exame citopatológico. A realização de exames intravaginais, como a ultrassonografia, também deve ser evitada nas 48 horas anteriores à coleta, pois é utilizado gel para a introdução do transdutor. Embora usual, a recomendação de abstinência sexual prévia ao exame só é justificada quando são utilizados preservativos com lubrificante ou espermicidas. Na prática a presença de espermatozoides não compromete a avaliação microscópica. O exame não deve ser feito no período menstrual, pois a presença de sangue pode prejudicar o diagnóstico citopatológico. Deve-se aguardar o quinto dia após o término da menstruação. No caso de sangramento vaginal anormal, o exame ginecológico é mandatório e a coleta, se indicada, pode ser realizada. Procedimento de coleta • A coleta do material deve ser realizada na ectocérvice e na endocérvice em lâmina única. A amostra de fundo de saco vaginal não é recomendada, pois o material coletado é de baixa qualidade para o diagnóstico oncótico. • Para coleta na ectocérvice utiliza-se espátula de Ayre, do lado que apresenta reentrância. Encaixar a ponta mais longa da espátula no orifício externo do colo, apoiando-a firmemente, fazendo uma raspagem em movimento rotativo de 360° em torno de todo o orifício cervical, para que toda superfície do colo seja raspada e representada na lâmina, procurando exercer uma pressão firme, mas delicada, sem agredir o colo, para não prejudicar a qualidade da amostra. • Estender o material sobre a lâmina de maneira delicada para a obtenção de um esfregaço uniformemente distribuído, fino e sem destruição celular. A amostra ectocervical deve ser disposta no sentido transversal, na metade superior da lâmina, próximo da região fosca, previamente identificada com as iniciais da mulher e o número do registro. O material retirado da endocérvice deve ser colocado na metade inferior da lâmina, no sentido longitudinal. • O esfregaço obtido deve ser imediatamente fixado para evitar o dessecamento do material. É importante observar a validade do fixador. Na fixação com álcool a 96%, considerada mundialmente como a melhor para os esfregaços citológicos, a lâmina deve ser colocada dentro do frasco com álcool em quantidade suficiente para que todo o esfregaço seja coberto, fechar o recipiente cuidadosamente e envolvê-lo com a requisição. Na fixação com spray de polietilenoglicol borrifa-se a lâmina, que deve estar em posição horizontal, imediatamente após a coleta, com o spray fixador, a uma distância de 20cm. Acondiciona- -se cuidadosamente a lâmina em uma caixa de lâminas revestida com espuma de náilon e papel, a fim de evitar a quebra, para o transporte ao laboratório, lacrando-se a tampa da caixa com fita gomada. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 43 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Situações Especiais Gestantes o rastreamento em gestantes deve seguir as recomendações de periodicidade e faixa etária como para as demais mulheres, sendo que a procura ao serviço de saúde para realização de pré-natal deve sempre ser considerada uma oportunidade para o rastreio Pós-menopausa mulheres na pós-menopausa devem ser rastreadas de acordo com as orientações para as demais mulheres. Caso necessário, proceder à estrogenização prévia à realização da coleta. Histerectomizadas mulheres submetidas à histerectomia total por lesões benignas, sem história prévia de diagnóstico ou tratamento de lesões cervicais de alto grau, podem ser excluídas do rastreamento, desde que apresentem exames anteriores normais. Em casos de histerectomia por lesão precursora ou câncer do colo do útero, a mulher deverá ser acompanhada de acordo com a lesão tratada. Mulheres sem história de atividade sexual não há indicação para rastreamento do câncer do colo do útero e seus precursores nesse grupo de mulheres. Imunossuprimidas o exame citopatológico deve ser realizado neste grupo após o início da atividade sexual com intervalos semestrais no primeiro ano e, se normais, manter seguimento anual enquanto se mantiver o fator de imunossupressão. Mulheres HIV positivas com CD4 abaixo de 200 células/mm³ devem ter priorizada a correção dos níveis de CD4 e, enquanto isso, devem ter o rastreamento citológico a cada seis meses. INCA, 2016: Mulheres portadoras do vírus da imunodeficiência humana (HIV) ou imunodeprimidas devem realizar o exame logo após iniciar a vida sexual, com periodicidade anual após dois exames normais consecutivos realizados com intervalo semestral. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 44 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Recomendações iniciais após resultadode exame citopatológico anormal Resultados Grau de suspeição Conduta Atipias de significado indeterminado Em células escamosas Provavelmente não neoplásica Menor Repetição da citologia em 6 meses (> 30 anos) ou 12 meses (ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Quadro – Categorias BI-RADS® no exame mamográfico, interpretação e recomendação de conduta. Categoria Interpretação Recomendação de conduta 0 Exame incompleto Avaliação adicional com incidências e manobras; correlação com outros métodos de imagem; comparação com mamografia feita no ano anterior 1 Exame negativo Rotina de rastreamento conforme a faixa etária ou prosseguimento da investigação, se o ECM for alterado. 2 Exame com achado tipicamente benigno Rotina de rastreamento conforme a faixa etária. 3 Exame com achado provavelmente benigno Controle radiológico.* 4 Exame com achado suspeito Avaliação por exame de cito ou histopatológico. 5 Exame com achado altamente suspeito 6 Exame com achados cuja malignidade já está comprovada Terapêutica específica em Unidade de Tratamento de Câncer. *O estudo histopatológico está indicado nas lesões Categoria 3 quando houver impossibilidade de realizar o controle; quando a lesão for encontrada em concomitância com lesão suspeita ou altamente suspeita homo ou contralateral; ou em mulheres com indicação precisa para terapia de reposição hormonal. ATENÇÃO! A Doença de Paget da mama, um tumor raro que representa 0,5% a 4% das patologias malignas da mama, provoca prurido no complexo areolopapilar e apresenta-se inicialmente como um eritema e espessamento cutâneo, evoluindo para uma erosão cutânea eczematoide ou exudativa. Noventa e sete por cento das pacientes portadoras dessa patologia apresentam um carcinoma subjacente. Nos casos subclínicos, o diagnóstico é feito por meio de exame histopatológico do complexo areolopapilar. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 50 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. Elas são transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de camisinha masculina ou feminina, com uma pessoa que esteja infectada. A transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação. De maneira menos comum, as IST também podem ser transmitidas por meio não sexual, pelo contato de mucosas ou pele não íntegra com secreções corporais contaminadas. O tratamento das pessoas com IST melhora a qualidade de vida e interrompe a cadeia de transmissão dessas infecções. O atendimento, o diagnóstico e o tratamento são gratuitos nos serviços de saúde do SUS. A terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) passou a ser adotada em substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), porque destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas. Se não tratadas adequadamente, podem provocar diversas complicações e levar a pessoa, inclusive, à morte. Importante: A terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) passa a ser adotada em substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), porque destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas. Existem diversos tipos de infecções sexualmente transmissíveis, mas os exemplos mais conhecidos são: • Herpes genital; • Cancro mole (cancroide); • HPV; • Doença Inflamatória Pélvica (DIP); • Donovanose; • Gonorreia e infecção por Clamídia; • Linfogranuloma venéreo (LGV); • Sífilis; • Infecção pelo HTLV; • Tricomoníase. SINAIS E SINTOMAS As IST podem se manifestar por meio de feridas, corrimentos e verrugas anogenitais, entre outros possíveis sintomas, como dor pélvica, ardência ao urinar, lesões de pele e aumento de ínguas. São alguns exemplos de IST: herpes genital, sífilis, gonorreia, tricomoníase, infecção pelo HIV, infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), hepatites virais B e C. As IST aparecem, principalmente, no órgão genital, mas podem surgir também em outras partes do corpo (ex.: palma das mãos, olhos, língua). O corpo deve ser observado durante a higiene pessoal, o que pode ajudar a identificar uma IST no estágio inicial. Sempre que se perceber algum sinal ou algum sintoma, deve-se procurar o serviço de saúde, independentemente de quando foi a última relação sexual. E, quando indicado, avisar a parceria 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 51 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. sexual. Algumas IST podem não apresentar sinais e sintomas, e se não forem diagnosticadas e tratadas, podem levar a graves complicações, como infertilidade, câncer ou até morte. Por isso, é importante fazer exames laboratoriais para verificar se houve contato com alguma pessoa que tenha IST, após ter relação sexual desprotegida – sem camisinha masculina ou feminina. Importante: O corpo deve ser observado durante a higiene pessoal, porque isso pode ajudar a identificar uma infecção sexualmente transmissível ainda no estágio inicial. Sempre que se perceber algum sinal ou algum sintoma, deve-se procurar o serviço de saúde. E, quando indicado, avisar a parceria sexual. Cada IST apresenta sinais, sintomas e características distintos. São três as principais manifestações clínicas das IST: corrimentos, feridas e verrugas anogenitais. As principais características, de acordo com os tipos de infecções sexualmente transmissíveis, são: Corrimentos • Aparecem no pênis, vagina ou ânus; • Podem ser esbranquiçados, esverdeados ou amarelados, dependendo da IST; • Podem ter cheiro forte e/ou causar coceira; • Provocam dor ao urinar ou durante a relação sexual; • Nas mulheres, quando é pouco, o corrimento só é visto em exames ginecológicos; • Podem se manifestar na gonorreia, clamídia e tricomoníase. Importante: O corrimento vaginal é um sintoma muito comum e existem várias causas de corrimento que não são consideradas IST, como a vaginose bacteriana e a candidíase vaginal. Feridas • Aparecem nos órgãos genitais ou em qualquer parte do corpo, com ou sem dor; • Os tipos de feridas são muito variados e podem se apresentar como vesículas, úlceras, manchas, entre outros; • Podem ser manifestações da sífilis, herpes genital, cancroide (cancro mole), donovanose e linfogranuloma venéreo. Verrugas anogenitais • São causadas pelo Papilomavírus Humano (HPV) e podem aparecer em forma de couve-flor, quando a infecção está em estágio avançado; • Em geral, não doem, mas pode ocorrer irritação ou coceira. HIV/aids e hepatites virais B e C • Além das IST que causam corrimentos, feridas e verrugas anogenitais, existem as infecções pelo HIV, HTLV e pelas hepatites virais B e C, causadas por vírus, com sinais e sintomas específicos. Verrugas anogenitais - Doença Inflamatória Pélvica (DIP) • É outra forma de manifestação clínica das IST. É uma síndrome clínica causada por vários microrganismos, que ocorre devido à entrada de agentes infecciosos pela vagina em direção aos órgãos sexuais internos, atingindo útero, trompas e ovários, causando inflamações. Esse quadro acontece principalmente quando a gonorreia e a infecção por clamídia não são tratadas; • Decorre de gonorreia e clamídia não tratadas; • Atinge os órgãos genitais internos da mulher (útero, trompas e ovários), causando inflamações. ATENÇÃO!! A maioria dos casos de DIP (85%) é causada por agentes patogênicos sexualmente transmitidos ou associados à vaginose bacteriana. Classicamente reconhecidas como as principais etiologias de DIP,Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae têm mostrado incidência decrescente, sendo encontradas, em alguns estudos, em 1/3 dos casos227-229. Menos de 15% dos casos agudos de DIP não são transmitidos sexualmente, mas associados a germes entéricos (ex.: Peptococcus, Peptoestreptococcus, Bacteroides Escherichia coli, Streptococcus agalactiae e Campylobacter spp.), 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 52 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. patógenos respiratórios (ex.: Haemophilus influenzae, Streptococcus pneumoniae, streptococos do Grupo A e Staphylococcus aureus) ou Mycoplasma e Ureaplasma que colonizam o trato genital inferior230-234. O tratamento imediato evita complicações tardias (infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica)237. Analgésicos e anti-inflamatórios são úteis e, se a mulher estiver desidratada, o uso de fluidos intravenosos está indicado. As parcerias sexuais dos dois meses anteriores ao diagnóstico, sintomáticas ou não, devem ser tratadas empiricamente para Neisseria gonohrroeae e Chlamydia trachomatis. Recomenda-se ceftriaxona 500mg, IM, associada a azitromicina 1g, VO, ambas em dose única. Mulheres grávidas com suspeita de DIP têm alto risco de abortamento e corioamnionite. Todas as gestantes com suspeita ou com DIP confirmada devem ser internadas e iniciar imediatamente antibióticos intravenosos de amplo espectro. O uso de doxiciclina e quinolonas é contraindicado na gestação. Se a paciente for usuária de DIU, não há necessidade de remoção do dispositivo233; porém, caso exista indicação, a remoção não deve ser anterior à instituição da antibioticoterapia, devendo ser realizada somente após duas doses do esquema terapêutico240. Nesses casos, orientar a paciente sobre uso de métodos de barreira (preservativo masculino e feminino, diafragma etc.). Não recomendar duchas vaginais. Rastreamento de IST O rastreamento é a realização de testes diagnósticos em pessoas assintomáticas a fim de estabelecer o diagnóstico precoce (prevenção secundária), com o objetivo de reduzir a morbimortalidade do agravo rastreado (GATES, 2001; WILSON; JUNGNER, 1968). Diferentemente de outros rastreamentos, como a mamografia para câncer de mama, o rastreamento das IST não identifica apenas uma pessoa; ao contrário, estará sempre ligado a uma rede de transmissão. Quando não identificado e tratado o agravo na(s) parceria(s), este se perpetua na comunidade e expõe o indivíduo à reinfecção, caso não se estabeleça a adesão ao uso de preservativos. O Quadro descreve o rastreamento de IST recomendado por subgrupo populacional, respeitando o limite estabelecido pela prevenção quaternária (GÉRVAS; PÉREZ FERNÁNDEZ, 2006). Os dois principais fatores de risco para IST são práticas sexuais sem uso de preservativos e idade mais baixa (CANTOR et al., 2016; JALKH et al., 2014). Em relação à sífilis, por exemplo, as notificações no Brasil vêm apresentando tendência de aumento na população mais jovem, de 13 a 29 anos (BRASIL, 2017c). Por esse 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 53 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. motivo, foram incluídas no rastreamento anual as pessoas de até 30 anos de idade com vida sexualmente ativa. Caso a pessoa de 30 anos ou mais pertença a algum outro subgrupo populacional, deve-se optar pelo que for mais representativo. Para o restante da população, a testagem para sífilis e demais IST não inclusa no Quadro dependerá da avaliação de risco, devendo fazer parte da abordagem de gerenciamento de risco. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 54 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. O sítio de rastreamento para clamídia e gonococo irá depender da prática sexual realizada pela pessoa. Por exemplo: sexo oral sem preservativo – coleta de material de orofaringe; sexo anal receptivo sem preservativo – coleta de swab anal; sexo vaginal receptivo sem preservativo – coleta de material genital; sexo insertivo sem preservativo – coleta de material uretral. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 55 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. HPV As lesões da infecção pelo HPV são polimórficas; quando pontiagudas, denominamse condiloma acuminado. Variam de um a vários milímetros, podendo atingir alguns centímetros. Costumam ser únicas ou múltiplas, achatadas ou papulosas, mas sempre papilomatosas. Por essa razão, a superfície apresenta-se fosca, aveludada ou semelhante à da couve-flor. Apresentam-se da cor da pele, eritematosas ou hiperpigmentadas. Em geral são assintomáticas, mas podem ser pruriginosas, dolorosas, friáveis ou sangrantes. As verrugas anogenitais resultam quase exclusivamente de tipos não oncogênicos de HPV. Dividem-se os tratamentos em domiciliares (realizados pelo próprio paciente) e ambulatoriais (realizados pelos profissionais de saúde). Tratamento domiciliar: É bastante conveniente por ser autoaplicado, reduzindo as visitas ao serviço de saúde. São imprescindíveis instruções detalhadas sobre a forma de aplicação e as potenciais complicações. Como autotratamentos já incorporados ao SUS, têm-se o imiquimode e a podofilotoxina. O imiquimode apresenta menos efeitos locais que a podofilotoxina, mas implica maior tempo de tratamento (quatro meses vs. quatro semanas). Não há diferença entre as taxas de abandono255-258. • Imiquimode 50mg/g creme: é um modulador da resposta imunológica pela indução do interferon alfa e de outras citocinas. O imiquimode não destrói o vírus, mas auxilia na eliminação da verruga. Portanto, novas verrugas podem aparecer durante o tratamento. A exposição da pele à luz solar (inclusive ao bronzeamento artificial) durante o tratamento deve ser evitada, em razão do aumento da sensibilidade cutânea a queimaduras. A inflamação provocada pelo imiquimode é o seu mecanismo de ação terapêutico; portanto, será observada uma irritação e eritema no local do tratamento. É destinado apenas a uso externo, não dever ser usado na uretra, vagina, colo do útero ou na parte interna do ânus. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 56 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Para as verrugas externas genitais/anais, as aplicações devem ser realizadas em dias alternados (três vezes por semana), por exemplo, às segundas, quartas e sextas, ou às terças, quintas e sábados. O tratamento com imiquimode deve ser mantido até o desaparecimento das verrugas ou por um período máximo de 16 semanas a cada episódio de verrugas. • Podofilotoxina: é a forma purificada da podofilina e possui propriedades antimitóticas. A absorção sistêmica após a aplicação tópica é muito baixa. A aplicação de podofilotoxina deve ser feita duas vezes ao dia, pela manhã e à noite, por três dias consecutivos (dias 1, 2 e 3), seguidos por um período de quatro dias sem aplicação (um ciclo de tratamento). Caso haja qualquer verruga remanescente após sete dias de aplicação, outro ciclo de tratamento pode ser feito. Recomendam-se,no máximo, quatro ciclos de tratamento. Tratamento ambulatorial Ácido tricloroacético (ATA) 80% a 90% em solução: agente cáustico que promove a destruição dos condilomas pela coagulação química de seu conteúdo proteico. Aplicar uma pequena quantidade com um aplicador de algodão adequado ao tamanho das lesões. Deve-se evitar o contato com a mucosa normal e permitir que a solução seque – observa-se um branqueamento semelhante à porcelana. A frequência e o número de sessões devem variar conforme a resposta, sendo adequado iniciar com aplicações semanais. É um tratamento que pode ser utilizado durante a gestação. Não deve ser prescrito para uso domiciliar, frente ao potencial dano aos tecidos e suas complicações. Podofilina 10% a 25% (solução): derivada de plantas (Podophylum peltatum ou Podophylum emodi), tem ação antimitótica, podendo trazer dano ao tecido lesado e ao tecido normal. Aplicar a podofilina sobre as verrugas e aguardar a secagem, evitando o contato com o tecido são. A frequência e o número de sessões variam conforme a resposta ao tratamento, sendo adequado iniciar com aplicações semanais. Em cada sessão, limitar o volume utilizado a 0,5mL e a área tratada a 10cm2 . Além de irritação local, a absorção de grande quantidade da substância pode acarretar cardio, neuro e nefrotoxicidade. É contraindicada na gestação. Eletrocauterização: exige equipamento específico e anestesia local. É apropriada para o caso de lesões exofíticas, pedunculadas e volumosas. Como vantagem, permite a destruição de todas as lesões em uma sessão. Os resultados dependem da experiência do operador; o uso inadequado da técnica pode resultar em cicatrizes desfigurantes e, excepcionalmente, estenose ou fístulas em estruturas tubulares, como uretra, canal anal e vaginal. Exérese cirúrgica: requer anestesia local. A exérese tangencial (“shaving”) com tesoura delicada ou lâmina é um excelente método, vez que, além da remoção completa das lesões, permite o estudo histopatológico dos fragmentos. É adequada para lesões volumosas, especialmente as pedunculadas. Em geral, não é necessário realizar sutura ou procedimento para hemostasia, sendo suficiente a compressão do local operado. Crioterapia: o nitrogênio líquido é atualmente a substância mais usada no tratamento ambulatorial das verrugas. Tem seu ponto de ebulição a -192°C e promove citólise térmica. Pode ser utilizada por meio de sondas, aplicadores de algodão ou, em sua forma mais prática, em spray, mediante equipamento específico. A crioterapia é atóxica, podendo ser utilizada na gestação. É muito apropriada em caso de lesões isoladas e queratinizadas. Geralmente bem tolerada, pode, excepcionalmente, requerer anestesia. A frequência e o número de sessões variam conforme a resposta ao tratamento, sendo adequado iniciar com aplicações semanais. HPV NA GESTAÇÃO 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 57 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. O HPV não causa infertilidade. Na gestação, as lesões podem apresentar crescimento rápido, atingir grande volume, tornar-se friáveis e sangrantes. O tratamento das gestantes muitas vezes tem pior resultado. A podofilina e o imiquimode não devem ser usados na gestação. O ácido tricloroacético ou o nitrogênio líquido são boas opções. Por vezes, especialmente no caso de lesões volumosas, a eletrocoagulação ou a exérese tangencial (“shaving”) são as melhores opções. Não há indicação de parto cesáreo pela presença das lesões, ainda que haja a possibilidade de transmissão destas ao recém-nascido. A indicação seria a obstrução do canal de parto ou sangramento (ocorrências excepcionais). ABORDAGEM INTEGRAL AO PACIENTE PORTADOR DE INFECÇÕES SEXUAIS TRANSMISSÍVEIS A abordagem integral no atendimento aos pacientes e seus parceiros englobam os seguintes pontos: 1) Atendimento 2) Aconselhamento 3) Oferta de preservativos 4) Princípios da convocação de parceiros 5) Procedimentos para comunicação de parceiros 6) Manejo clínico de parceiros Em fevereiro de 2016, foi publicado no diário oficial da união as doenças de Notificação Compulsória. Vamos relembrar quais são as IST’s de notificação compulsórias: Hepatites Virais HIV/Aids Infecção pelo HIV em gestantes Sífilis Adquirida Sífilis em gestante Sífilis congênita Para todo paciente com DST deve ser oferecido um conjunto de ações complementares Aconselhar e oferecer sorologias anti-HIV, VDRL, hepatite B e C se disponíveis Vacinar contra hepatite B Enfatizar a adesão ao tratamento Orientar para que a pessoa conclua o tratamento mesmo se os sintomas ou sinais tiverem desaparecidos; Interromper as relações sexuais até a conclusão do tratamento e o desaparecimento dos sintomas; Oferecer preservativos, orientando sobre as técnicas de uso; e Encorajar o paciente a comunicar a todos os seus parceiros(as) sexuais do último mês, para que possam ser atendidos e tratados. Fornecer ao paciente cartões de convocação para parceiros(as) devidamente preenchidos. Notificar o caso no formulário apropriado. Marcar o retorno para conhecimento dos resultados dos exames solicitados e para o controle de cura em 7 dias. Recomendar o retorno ao serviço de saúde se voltar a ter problemas genitais. Após a cura, usar preservativo em todas as relações sexuais, caso não exista o desejo de engravidar, ou adotar outras formas de sexo mais seguro. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 58 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. ÚLCERAS GENITAIS • Sífilis • Cancro Mole • Herpes • Donovanose • Linfogranuloma CORRIMENTOS • Vaginose Bacteriana (Síndrome clínica) • Candidíase (Síndrome clínica) • Gonorreia • Clamídia • Tricomoníase VERRUGAS • Condiloma HEPATITES VIRAIS • Hepatites B e C HIV • HIV 1 e 2 ATENÇÃO: Para que se interrompa a cadeia de transmissão das IST, é fundamental que os contatos sexuais das pessoas infectadas sejam tratados. No caso do não comparecimento das parcerias sexuais comunicadas, outras atividades poderão ser desenvolvidas, conforme a disponibilidade de cada serviço. Serão consideradas parcerias sexuais, para fins de comunicação, aqueles(as) com as quais a pessoa infectada tenha se relacionado sexualmente, conforme a descrição abaixo: Doença Tempo de contato sexual Tricomoníase parceria atual Corrimento uretral ou infecção cervical nos últimos dois meses DIP nos últimos dois meses Úlceras nos últimos três meses Sífilis secundária nos últimos seis meses Sífilis latente no último ano Síndromes clínicas, seus agentes, transmissão e cura. Síndrome IST Agente Tipo Transmissão Sexual Curável Úlceras Sífilis Treponema pallidum Bactéria Sim Sim Cancro Mole Haemophilus ducreyi Bactéria Sim Sim Herpes Herpes simplex vírus (HSV-2) Vírus Sim Não Donovanose Klebsiella granulomatis Bactéria Sim Sim 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 59 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Linfogranuloma Chlamydia trachomatis (sorovars L1, L2 e L3) Bactéria Sim Sim Corrimentos Vaginose bacteriana Múltiplos Bactéria Não Sim Candidíase Candida albicans Fungo Não Sim Gonorreia Neisseria gonorrhoeae Bactéria Sim Sim Clamídia Chlamydia trachomatis (sorovars D ao K) Bactéria Sim Sim Tricomoníase Trichomonasvaginalis Protozoário Sim Sim Verrugas Condiloma Papilomavírus humano (HPV) Vírus Sim Não INFECÇÕES ENDÓGENAS (CANDIDÍASE VULVOVAGINAL E VAGINOSE BACTERIANA) Candidíase Vulvovaginal É uma infecção da vulva e vagina, causada por um fungo comensal que habita a mucosa vaginal e a mucosa digestiva, que cresce quando o meio torna-se favorável para o seu desenvolvimento. A relação sexual não é a principal forma de transmissão visto que esses organismos podem fazer parte da flora endógena em até 50% das mulheres assintomáticas. Cerca de 80 a 90% dos casos são devidos à Candida albicans e de 10 a 20% a outras espécies chamadas não- albicans (C. tropicalis, C. glabrata, C. krusei, C. parapsilosis). Os fatores predisponentes da candidíase vulvovaginal são: • gravidez; • Diabetes Mellitus (descompensado); • obesidade; • uso de contraceptivos orais de altas dosagens; • uso de antibióticos, corticóides ou imunossupressores; • hábitos de higiene e vestuário inadequados (diminuem a ventilação e aumentam a umidade e o calor local); • contato com substâncias alérgenas e/ou irritantes (por exemplo: talco, perfume, desodorantes); • alterações na resposta imunológica (imunodeficiência), inclusive a infecção pelo HIV. Os sinais e sintomas dependerão do grau de infecção e da localização do tecido inflamado; podem se apresentar isolados ou associados, e incluem: • prurido vulvovaginal (principal sintoma, e de intensidade variável); • ardor ou dor à micção; • corrimento branco, grumoso, inodoro e com aspecto caseoso (“leite coalhado”); 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 60 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. • hiperemia, edema vulvar, fissuras e maceração da vulva; • dispareunia; • fissuras e maceração da pele; e • vagina e colo recobertos por placas brancas ou branco acinzentadas, aderidas à mucosa. A vaginose bacteriana e a candidíase são infecções endógenas. Assim, apenas os parceiros de mulheres com tricomoníase, devem ser tratados com o mesmo medicamento em dose única, porque esta é considerada uma IST. Tratamento de candidíase vulvovaginal As parcerias sexuais não precisam ser tratadas, exceto as sintomáticas. › É comum durante a gestação, podendo haver recidivas pelas condições propícias do pH vaginal que se estabelecem nesse período. › Tratamento em gestantes e lactantes: somente por via vaginal. O tratamento oral está contraindicado. Tratamento de vaginose bacteriana O tratamento das parcerias sexuais não está recomendado. › Para as puérperas, recomenda-se o mesmo tratamento das gestantes. Tricomoníase É uma infecção causada pelo Trichomonas vaginalis (protozoário flagelado), tendo como reservatório a cérvice uterina, a vagina e a uretra. Sua principal forma de transmissão é a sexual. O risco de transmissão por ato é de 60 a 80% (Bowden & Garnett, 2000). Pode permanecer assintomática no homem e, na mulher, principalmente após a menopausa. Na mulher, pode acometer a vulva, a vagina e a cérvice uterina, causando cervicovaginite. Excepcionalmente causa corrimento uretral masculino. Suas características clínicas são: • corrimento abundante, amarelado ou amarelo esverdeado, bolhoso; • prurido e/ou irritação vulvar; • dor pélvica (ocasionalmente); • sintomas urinários (disúria, polaciúria); • hiperemia da mucosa, com placas avermelhadas (colpite difusa e/ou focal, com aspecto de framboesa); • teste de Schiller aspecto “tigróide”. O achado de Trichomonas vaginalis em uma citologia oncológica de rotina impõe o tratamento da mulher e também do seu parceiro sexual, já que se trata de uma IST. A tricomoníase vaginal pode alterar o resultado da citologia oncológica. Por isso, nos casos em que houver alterações morfológicas celulares, deve-se realizar o tratamento e repetir a citologia para avaliar se há persistência dessas alterações. O teste do pH vaginal frequentemente mostra valores acima de 4,5. Tratamento de tricomoníase As parcerias sexuais devem ser tratadas com o mesmo esquema terapêutico. O tratamento pode aliviar os sintomas de corrimento vaginal em gestantes, além de prevenir infecção respiratória ou genital em RN. › Para as puérperas, recomenda-se o mesmo tratamento das gestantes. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 61 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Observações: › Durante o tratamento com metronidazol, deve-se evitar a ingestão de álcool (efeito antabuse, devido à interação de derivados imidazólicos com álcool, caracterizado por mal-estar, náuseas, tonturas e gosto “metálico” na boca). › Durante o tratamento, devem-se suspender as relações sexuais. › Manter o tratamento durante a menstruação. › O tratamento da(s) parceria(s) sexual(is), quando indicado, deve ser realizado de forma preferencialmente presencial, com a devida orientação, solicitação de exames de outras IST (sífilis, HIV, hepatites B e C) e identificação, captação e tratamento de outras parcerias sexuais, buscando a cadeia de transmissão. Particularidades: tricomoníase a. PVHIV: devem ser tratadas com os esquemas habituais, mas atentar para a interação medicamentosa entre o metronidazol e o ritonavir, que pode elevar a intensidade de náuseas e vômitos, reduzindo a adesão aos antirretrovirais. Para evitar tal ocorrência, recomenda-se um intervalo de duas horas entre as ingestas do metronidazol e ritonavir. b. A tricomoníase vaginal pode alterar a classe da citologia oncológica. Por isso, quando houver alterações morfológicas celulares e tricomoníase, deve-se realizar o tratamento e repetir a citologia após três meses, para avaliar se as alterações persistem. ATENÇÃO AO QUADRO!! VULVOVAGINITE ASPECTO ODOR PH TESTE AMINAS CANDIDÍASE (infecção endógena) Branco grumoso Inodoro 4,5 Na maioria dos casos, o teste das aminas é positivo (devido à coinfecção com vaginose bacteriana). Colpite focal ou difusa/microulcerações no colo uterino “colo em framboesa” (teste de Schiller “onçoide” ou “tigroide”) VAGINOSE (infecção endógena) Acinzentado Homogêneo Cremoso ou fluido Fétido (piora na menstruação e após coito). >4,5 Positivo Visualização de clue cells ou células guia no exame microscópico a fresco da secreção vaginal. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 62 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Diagnóstico de vaginose bacteriana Se a microscopia estiver disponível, o diagnóstico é realizado na presença de pelo menos três critérios de Amsel: • Corrimento vaginal homogêneo; • pH >4,5; • Presença de clue cells no exame de lâmina a fresco; • Teste de Whiff positivo (odor fétido das aminas com adição de hidróxido de potássio a 10%). VÍRUS ZIKA • O vírus Zika é um Flavivírus capaz de causar infecção em humanos; o primeiro caso diagnosticado no Brasil ocorreu no ano de 2015, na Região Nordeste. • O vírus pode ser transmitido por meio da picada do vetor Aedes aegypti (o mesmo mosquito que transmite dengue, Chikungunya e febre amarela),assim como por transmissão vertical e sexual. • Ainda não há vacinas para prevenir a infecção pelo vírus Zika e nem tratamento específico. • Deve-se reforçar a importância do uso do preservativo, especialmente após viagens a áreas endêmicas ou suspeita e/ou confirmação do diagnóstico da infecção pela parceria sexual. Isso porque a persistência das partículas virais foi observada em fluidos corporais, como sêmen. Prevenção da transmissão sexual do vírus Zika BRASIL, 2020 BRASIL, 2021 Para casais que desejam a concepção, recomenda-se: • Aguardar até seis meses após sinais/sintomas relacionados à infecção pelo vírus Zika quando o homem foi infectado; • Aguardar até oito semanas após sinais/sintomas relacionados à infecção pelo vírus Zika quando a mulher foi infectada. Para casais que desejam a concepção, recomenda-se: • Aguardar até três meses após sinais/sintomas relacionados à infecção pelo vírus Zika quando o homem foi infectado; • Aguardar até oito semanas (dois meses) após sinais/sintomas relacionados à infecção pelo vírus Zika quando a mulher foi infectada. A sífilis é uma infecção bacteriana sistêmica, crônica, curável e exclusiva do ser humano. Quando não tratada, evolui para estágios de gravidade variada, podendo acometer diversos órgãos e sistemas do corpo. Trata-se de uma doença conhecida há séculos; seu agente etiológico, descoberto em 1905, é o Treponema pallidum, subespécie pallidum. Sua transmissão se dá principalmente por contato sexual; contudo, pode ser 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 63 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. transmitida verticalmente para o feto durante a gestação de uma mulher com sífilis não tratada ou tratada de forma não adequada (BRASIL, 2017). A transmissibilidade da sífilis é maior nos estágios iniciais (sífilis primária e secundária), diminuindo gradualmente com o passar do tempo (sífilis latente recente/ tardia). Essa maior transmissibilidade explica- se pela riqueza de treponemas nas lesões, comuns na sífilis primária (cancro duro) e secundária (lesões muco-cutâneas). As espiroquetas penetram diretamente nas membranas mucosas ou entram por abrasões na pele (PEELING et al., 2017). Essas lesões se tornam raras ou inexistentes a partir do segundo ano da doença. Classificação clínica da sífilis A sífilis é dividida em estágios que orientam o tratamento e monitoramento, conforme segue: › Sífilis recente (primária, secundária e latente recente): até um ano de evolução; › Sífilis tardia (latente tardia e terciária): mais de um ano de evolução. Sífilis primária: o tempo de incubação é de dez a 90 dias (média de três semanas). A primeira manifestação é caracterizada por uma úlcera rica em treponemas, geralmente única e indolor, com borda bem definida e regular, base endurecida e fundo limpo, que ocorre no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais do tegumento), sendo denominada “cancro duro”. A lesão primária é acompanhada de linfadenopatia regional (acometendo linfonodos localizados próximos ao cancro duro). Sua duração pode variar muito, em geral de três a oito semanas, e seu desaparecimento independe de tratamento. Pode não ser notada ou não ser valorizada pelo paciente. Embora menos frequente, em alguns casos a lesão primária pode ser múltipla. Sífilis secundária: ocorre em média entre seis semanas a seis meses após a cicatrização do cancro, ainda que manifestações iniciais, recorrentes ou subentrantes do secundarismo possam ocorrer em um período de até um ano. Excepcionalmente, as lesões podem ocorrer em concomitância com a manifestação primária. As manifestações são muito variáveis, mas tendem a seguir uma cronologia própria. Inicialmente, apresenta-se uma erupção macular eritematosa pouco visível (roséola), principalmente no tronco e raiz dos membros. Nessa fase, são comuns as placas mucosas, assim como lesões acinzentadas e pouco visíveis nas mucosas. As lesões cutâneas progridem para lesões mais evidentes, papulosas eritematoacastanhadas, que podem atingir todo o tegumento, sendo frequentes nos genitais. Habitualmente, atingem a região plantar e palmar, com um colarinho de escamação característico, em geral não pruriginosa. Mais adiante, podem ser identificados condilomas planos nas dobras mucosas, especialmente na área anogenital. Estas são lesões úmidas e vegetantes que frequentemente são confundidas com as verrugas anogenitais causadas pelo HPV. Alopecia em clareiras e madarose são achados eventuais. O secundarismo é acompanhado de micropoliadenopatia, sendo característica a identificação dos gânglios epitrocleares. São comuns sintomas inespecíficos como febre baixa, mal-estar, cefaleia e adinamia. A sintomatologia desaparece em algumas semanas, independentemente de tratamento, trazendo a falsa impressão de cura. Atualmente, têm-se tornado mais frequentes os quadros oculares, especialmente uveítes. A neurossífilis meningovascular, com acometimento dos pares cranianos, quadros meníngeos e 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 64 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. isquêmicos, pode acompanhar essa fase, contrariando a ideia de que a doença neurológica é exclusiva de sífilis tardia. Há que se considerar esse diagnóstico especialmente, mas não exclusivamente, em pacientes com imunodepressão. Sífilis latente: período em que não se observa nenhum sinal ou sintoma. O diagnóstico faz-se exclusivamente pela reatividade dos testes treponêmicos e não treponêmicos. A maioria dos diagnósticos ocorre nesse estágio. A sífilis latente é dividida em latente recente (até um ano de infecção) e latente tardia (mais de um ano de infecção). Aproximadamente 25% dos pacientes não tratados intercalam lesões de secundarismo com os períodos de latência. Sífilis terciária: ocorre aproximadamente em 15% a 25% das infecções não tratadas, após um período variável de latência, podendo surgir entre 1 e 40 anos depois do início da infecção. A inflamação causada pela sífilis nesse estágio provoca destruição tecidual. É comum o acometimento do sistema nervoso e do sistema cardiovascular. Além disso, verifica-se a formação de gomas sifilíticas (tumorações com tendência a liquefação) na pele, mucosas, ossos ou qualquer tecido. As lesões podem causar desfiguração, incapacidade e até morte. Testes treponêmicos: são testes que detectam anticorpos específicos produzidos contra os antígenos de T. pallidum. São os primeiros a se tornarem reagentes, podendo ser utilizados como primeiro teste ou teste complementar. Em 85% dos casos, permanecem reagentes por toda vida, mesmo após o tratamento e, por isso, não são indicados para o monitoramento da resposta ao tratamento. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 65 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Devido ao cenário epidemiológico atual, recomenda-se tratamento imediato, com benzilpenicilina benzatina, após apenas um teste reagente para sífilis (teste treponêmico ou teste não treponêmico) para as seguintes situações (independentemente da presença de sinais e sintomas de sífilis): › Gestantes; › Vítimas de violência sexual; › Pessoas com chance de perda de seguimento (que não retornarão ao serviço); › Pessoas com sinais/sintomas de sífilis primária ou secundária;PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. a. Feminina (ligadura tubária) b. Masculino (vasectomia) MECANISMO DE AÇÃO (DIU) Os estudos sugerem que o DIU atua impedindo a fecundação porque torna mais difícil a passagem do espermatozoide pelo trato reprodutivo feminino, reduzindo a possibilidade de fertilização do óvulo. O DIU de cobre afeta os espermatozoides e os óvulos de várias maneiras. Eles estimulam reação inflamatória pronunciada ou reação à presença de corpos estranhos no útero. Poucos espermatozoides chegam às trompas de Falópio, e os que chegam, com toda probabilidade, não são aptos para fertilizar um óvulo • Provoca reação inflamatória pela presença de corpo estranho na cavidade uterina. • Há liberação aumentada de prostaglandinas por macrófagos e neutrófilos. • Precipitação de espermatozoides por reações imunológicas. • Assincronia no desenvolvimento endometrial. • Alterações enzimáticas no endométrio: diminuição da amilase (menor sobrevida do espermatozoide), diminuição da fosfatase alcalina (dificuldade na motilidade espermática) e aumento da anidrase carbônica (implantação dificultada). • Alterações no muco cervical. • Fagocitose de espermatozoides por macrófagos. ATENÇÃO!! Esterilização definitiva Somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações: I - Em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de 25 anos de idade ou, pelo menos, com 2 filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por equipe multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce; II - Risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 6 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Além dos requisitos que regulam a esterilização definitiva, é importante saber que ela NÃO pode ocorrer durante os períodos de parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores. Na vigência de sociedade conjugal, a esterilização depende do consentimento expresso de ambos os cônjuges. A esterilização cirúrgica em pessoas absolutamente incapazes somente poderá ocorrer mediante autorização judicial. ATENÇÃO PARA A ATUALIZAÇÃO DE 2022! LEI Nº 14.443, DE 2 DE SETEMBRO DE 2022 Altera a Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, para determinar prazo para oferecimento de métodos e técnicas contraceptivas e disciplinar condições para esterilização no âmbito do planejamento familiar. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Esta Lei altera a Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, para determinar prazo para oferecimento de métodos e técnicas contraceptivas e disciplinar condições para esterilização no âmbito do planejamento familiar. Art. 2º A Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 9º ..................................................................................................... § 1º ........................................................................................................... § 2º A disponibilização de qualquer método e técnica de contracepção dar-se-á no prazo máximo de 30 (trinta) dias.” (NR) “Art. 10. .................................................................................................... I - em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de 21 (vinte e um) anos de idade ou, pelo menos, com 2 (dois) filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de 60 (sessenta) dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, inclusive aconselhamento por equipe multidisciplinar, com vistas a desencorajar a esterilização precoce; .................................................................................................................. § 2º A esterilização cirúrgica em mulher durante o período de parto será garantida à solicitante se observados o prazo mínimo de 60 (sessenta) dias entre a manifestação da vontade e o parto e as devidas condições médicas. .................................................................................................................. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2014.443-2022?OpenDocument https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9263.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9263.htm APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 7 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. § 5º (Revogado).* que definia que, em caso de vigência de sociedade conjugal, a esterilização depende do consentimento expresso de ambos os cônjuges. ...........................................................................................................” (NR) Art. 3º Fica revogado o § 5º do art. 10 da Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996. Art. 4º Esta Lei entra em vigor após decorridos 180 (cento e oitenta) dias de sua publicação oficial. Brasília, 2 de setembro de 2022; 201º da Independência e 134º da República. *DISPENSA DE AUTORIZAÇÃO DE CÔNJUGE E PERMISSÃO PARA LAQUEADURA NO PARTO. ANTICONCEPÇÃO NA ADOLESCÊNCIA A seguir, alguns pontos a serem considerados em relação à anticoncepção na adolescência: • Em geral, não há restrições ao uso de anticoncepcionais hormonais na adolescência. Os anticoncepcionais hormonais combinados, compostos de estrogênio e progestogênio (anticoncepcionais orais combinados, injetável mensal, adesivo anticoncepcional transdérmico e anel vaginal), podem ser usados desde a menarca. Deve-se, entretanto, evitar o uso de anticoncepcionais só de progestogênio (injetável trimestral e da pílula só de progesterona – minipílula) antes dos 18 anos, pelo possível risco de diminuição da calcificação óssea, pois, para mulheres com menos de 18 anos, há uma preocupação teórica em relação ao efeito hipoestrogênico, especialmente do injetável trimestral (DIAZ; PETTA; ALDRIGHI, 2005). Quando o injetável trimestral é usado na menarca, o bloqueio do eixo hipotálamo-hipófiseovário causa supressão na produção de estrogênio, que aumentaria a reabsorção óssea (PETTA; BASSALOBRE; ALDRIGHI, 2005). • O diafragma é um ótimo método para adolescentes motivadas a usá-lo e bem orientadas. • O DIU deve ser usado com cuidado e com acompanhamento rigoroso da menarca até 19 anos de idade, em jovens nulíparas. Há preocupações pelo risco de expulsão e de infecções em mulheres muito jovens (DIAZ; PETTA; ALDRIGHI, 2005). O DIU não é indicado para as adolescentes que têm mais de um parceiro sexual ou cujos parceiros têm outros parceiros/parceiras e não usam camisinha em todas as relações sexuais, pois nessas situações existe risco maior de contrair doenças sexualmente transmissíveis (DST). • Os métodos comportamentais (tabela, muco cervical, temperatura basal, entre outros) são pouco recomendados para adolescentes, pois a irregularidade menstrual é muito comum nessa fase e, além disso, são métodos que exigem disciplina e planejamento e as relações sexuais nessa fase, em geral, não são planejadas. • A anticoncepção oral de emergência é um método muito importante para os adolescentes,› Pessoas sem diagnóstico prévio de sífilis A benzilpenicilina benzatina dever ser administrada exclusivamente por via intramuscular (IM). A região ventro-glútea é a via preferencial, por ser livre de vasos e nervos importantes, sendo tecido subcutâneo de menor espessura, com poucos efeitos adversos e dor local (COFEN, 2016). BRASIL, 2020 BRASIL, 2021 A benzilpenicilina benzatina dever ser administrada exclusivamente por via intramuscular (IM). A região ventro-glútea é a via preferencial, por ser livre de vasos e nervos importantes, sendo tecido subcutâneo de menor espessura, com poucos efeitos adversos e dor local (COFEN, 2016). A benzilpenicilina benzatina dever ser administrada exclusivamente por via intramuscular (IM). A região ventro-glútea é a via preferencial, por ser livre de vasos e nervos importantes, sendo tecido subcutâneo de menor espessura, com poucos efeitos adversos e dor local. Outros locais alternativos para aplicação são a região do vasto lateral da coxa e o dorso glúteo. A benzilpenicilina benzatina é a única opção segura e eficaz para o tratamento adequado das gestantes. Qualquer outro tratamento realizado durante a gestação, para fins de definição de caso e abordagem terapêutica de sífilis congênita, é considerado tratamento não adequado da mãe; por conseguinte, o RN será notificado como sífilis congênita e submetido a avaliação clínica e laboratorial. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 66 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. É indicação de sucesso de tratamento a ocorrência de diminuição da titulação em duas diluições dos testes não treponêmicos em três meses, ou de quatro diluições em seis meses após a conclusão do tratamento (BRASIL, 2019). Tradicionalmente, é indicação de sucesso de tratamento a ocorrência de diminuição da titulação em duas diluições dos testes não treponêmicos em até três meses e quatro diluições até seis meses, com evolução até a sororreversão (teste não treponêmico não reagente) (BRASIL, 2020) Atualmente, para definição de resposta imunológica adequada, utiliza-se o teste não treponêmico não reagente ou uma queda na titulação em duas diluições em até seis meses para sífilis recente e queda na titulação em duas diluições em até 12 meses para sífilis tardia (BRASIL, 2020) A reação de Jarisch-Herxheimer é um evento que pode ocorrer durante as 24horas após a primeira dose de penicilina, em especial nas fases primária ou secundária. Caracteriza-se por exacerbação das lesões cutâneas, mal-estar geral, febre, cefaleia e artralgia, que regridem espontaneamente após 12 a 24 horas. Pode ser controlada como uso de analgésicos simples, conforme a necessidade, sem ser preciso descontinuar o tratamento. As pessoas com prescrição de tratamento devem ser alertadas quanto à possibilidade de ocorrência dessa reação, em especial para que se faça distinção em relação aos quadros de alergia à penicilina. Estes são muito raros com o uso da benzilpenicilina benzatina e, quando ocorrem, apresentam-se frequentemente na forma de urticária e exantema pruriginoso. Gestantes que apresentam essa reação podem ter risco de trabalho de parto prematuro em razão da liberação de prostaglandinas em altas doses. Entretanto, caso a gestante não seja tratada adequadamente para sífilis, o risco de abortamento ou morte fetal é maior que os riscos potenciais da reação. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 67 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. NOTA TÉCNICA Nº 14/2023-.DATHI/SVSA/MS ASSUNTO Dispõe sobre atualização da recomendação do intervalo entre doses de benzilpenicilina benzatina no tratamento de sífilis em gestantes. • A benzilpenicilina é a única opção segura e eficaz para o tratamento adequado em gestantes. Qualquer outro tratamento realizado durante a gestação, para fins de definição de caso e abordagem terapêutica de sífilis congênita, é considerado tratamento inadequado da mãe, resultando na notificação do recém-nascido como sífilis congênita e requerendo avaliação clínica, laboratorial e tratamento. • O tratamento da sífilis em gestante deve ser iniciado o mais precocemente possível, preferencialmente até a 28ª semana de gestação. Considera-se tratamento adequado para sífilis durante a gestação aquele que é completo para o respectivo estágio clínico da sífilis, feito com benzilpenicilina benzatina e iniciado até 30 dias antes do parto. É importante ressaltar que o tratamento da gestante deve ser concluído antes do parto. Gestantes que não atendam a esses critérios serão consideradas inadequadamente tratadas. • O tratamento completo para sífilis na gestante, quando se tratar de 3 (três) doses de 2,4 milhões de unidades de benzilpenicilina benzatina, deve ter um intervalo de sete a nove dias entre as doses, tanto entre a primeira e segunda dose quanto entre a segunda e a terceira dose. O intervalo recomendado de sete a nove dias entre as doses também deve ser observado para definir o tratamento adequado durante a gestação, auxiliando na definição de caso de sífilis congênita. CONCLUSÃO Considerando o exposto, justifica-se a atualização da recomendação do intervalo entre doses de benzilpenicilina benzatina para o tratamento de sífilis em gestante. Agora, a recomendação é que as doses sejam aplicadas, idealmente, a cada 7 (sete) dias, não ultrapassando 9 (nove) dias. Caso alguma dose seja perdida ou o intervalo entre elas seja maior que nove dias, o esquema terapêutico deve ser reiniciado. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 68 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. CLIMATÉRIO O climatério é definido como uma fase biológica da vida da mulher, que representa a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo e, apesar de não se tratar de um processo patológico, é uma fase da vida permeada por uma série de transformações que, muitas vezes, podem repercutir negativamente na vida das mulheres e comprometer a qualidade de vida. O climatério é definido pela Organização Mundial da Saúde como uma fase biológica da vida e não um processo patológico, que compreende a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher. A menopausa é um marco dessa fase, correspondendo ao último ciclo menstrual, somente reconhecida depois de passados 12 meses da sua ocorrência e acontece geralmente em torno dos 48 aos 50 anos de idade. A menopausa (interrupção permanente da menstruação), marco desse período, tem seu diagnóstico clínico e retroativo após 12 meses consecutivos de amenorreia e ocorre geralmente entre os 48 e 50 anos, podendo acontecer precocemente antes dos 40 anos (BRASIL, 2016) O climatério não é uma doença e sim uma fase natural da vida da mulher e muitas passam por ela sem queixas ou necessidade de medicamentos. Outras têm sintomas que variam na sua diversidade e intensidade. No entanto, em ambos os casos, é fundamental que haja, nessa fase da vida, um acompanhamento sistemático visando à promoção da saúde, o diagnóstico precoce, o tratamento imediato dos agravos e a prevenção de danos. FISIOLOGIA E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZO A instalação da menopausa, já definida anteriormente como período de 12 meses sem menstruações, é umfato previsível e esperado, no climatério, tanto quanto é o início dos ciclos menstruais na puberdade. Portanto, a série de eventos endócrinos acontece de forma natural, com sua gama de sintomas e sinais semelhante à menarca, sendo também necessária como nesta, uma fase de adaptação. Ocorrem variadas alterações na estrutura e na função ovariana, com gradativa diminuição da produção estrogênica e consequente aumento das gonadotrofinas hipofisárias, caracterizando um estado de hipogonadismo hipergonadotrófico. Dos aproximadamente dois milhões de folículos primordiais ovarianos que nascem com a menina e dos quais existem em média quatrocentos mil na ocasião da puberdade, somente algumas centenas ainda a acompanham no climatério e os demais evoluem contínua e permanentemente para a atresia. Em consequência, o volume médio dos ovários diminui de 8 a 9cm na menacme para 2 a 3cm alguns anos após a menopausa. A produção hormonal de estrogênios e de androgênios, com predomínio do estradiol durante todo o período reprodutivo, tende a oscilar significativamente durante os anos que antecedem a cessação dos ciclos, diminuindo gradativamente com a instalação da menopausa. No entanto, permanece, após a menopausa, uma produção basal de estrona, androstenediona, testosterona e mínima de estradiol e progesterona muitas vezes suficiente e capaz de manter o equilíbrio endocrinológico e clínico. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 69 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Em mulheres submetidas a histerectomia, a instalação da menopausa ocorre artificialmente, embora os ovários mantenham seu funcionamento. Já nas situações de ooforectomia bilateral, a menopausa pode ser acompanhada das manifestações clínicas do hipoestrogenismo, ocorrendo com mais freqüência e intensidade do que na menopausa natural. Inicialmente, no período da transição menopausal, os ovários vão se tornando menos sensíveis aos estímulos gonadotróficos. Os folículos (células da granulosa) diminuem a produção de inibina e estradiol. O FSH se eleva e provoca uma hiperestimulação folicular, podendo ocorrer algumas vezes ovulações precoces e encurtamento da fase folicular, sem alteração da fase lútea. O estradiol sofre flutuações importantes, chegando muitas vezes a elevar-se consideravelmente. Conclui-se, portanto, que o aumento do FSH ocorre mais em função da queda das concentrações séricas da inibina do que em função da diminuição do estradiol, refletindo verdadeiramente a reserva folicular ovariana. Nesta fase o LH pode permanecer inalterado. A inibina, por sua vez, tem como função a inibição da produção e/ou secreção das gonadotrofinas hipofisárias, especialmente o FSH. Faz parte do sistema de retrocontrole, no qual o FSH regula a sua produção de inibina. Estudos recentes sugerem que existe consistência no papel da inibina imunorreativa, associada ao estradiol, na regulação do FSH durante a fase folicular com o avançar da idade. Na perimenopausa, que pode ser definida como o período de tempo próximo da menopausa, as alterações hormonais tornam-se mais intensas, gerando um encurtamento ou alongamento dos ciclos, além daqueles considerados normais. A maior parte dos ciclos são anovulatórios, podendo gerar sangramentos irregulares. Essa irregularidade também está relacionada com o hiperestímulo estrogênico sem contraposição da progesterona, resultando em alterações endometriais. Nesta fase, uma vez que já não há produção da progesterona suficiente pelo corpo lúteo, pode ser necessária a complementação de progesterona cíclica, para evitar hemorragias, indesejáveis em qualquer período da vida das mulheres e indicativas de investigação endometrial. Finalmente a menopausa se instala quando há um esgotamento folicular ou insensibilidade dos receptores de gonadotrofinas nos folículos. Na pós-menopausa, o FSH poderá estar aumentado cerca de 10 a 15 vezes, enquanto que o LH, de 3 a 5 vezes. O estradiol, por sua vez diminuído em até 80%, vai sendo nesta fase substituído pela estrona, que predomina na pós-menopausa. O estradiol sérico é então resultante da conversão periférica dos androgênios produzidos pelos ovários (estroma) e supra-renais em estrona. Essa conversão, através da aromatização, pode ocorrer no tecido adiposo, fígado, músculos, rins e provavelmente na pele. Nas mulheres obesas, principalmente naquelas com resistência à insulina, há uma diminuição na produção da globulina carreadora dos hormônios esteróides (SHBG), com uma maior quantidade de androgênios livres, que são transformados perifericamente em estrogênios. Também na dependência dessas conversões hormonais, existem mulheres assintomáticas, com sintomatologia discreta ou ainda com manifestações androgênicas. O climatério compreende uma fase de transição caracterizada por flutuações hormonais que podem levar a irregularidades menstruais até chegar à amenorréia. Clinicamente, os sinais e sintomas associados a essas mudanças podem se manifestar na dependência de diversos fatores, desde os níveis hormonais basais individuais, à resposta dos receptores, até a forma como a mulher vivencia estas mudanças. Ao mesmo tempo, a adoção de medidas promotoras de qualidade de vida com hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, atividade física adequada, postura pró-ativa perante a vida, capacidade de fazer 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 70 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. projetos, atividades culturais, sociais, profissionais, lúdicas e de lazer, são capazes de proporcionar saúde e bem-estar a qualquer mulher, em qualquer idade. Manifestações Clínicas a Curto, Médio e Longo Prazo A maioria das mulheres apresenta algum tipo de sinal ou sintoma no climatério, que varia de leve a muito intenso na dependência de diversos fatores. Embora no Brasil, haja uma tendência pelas sociedades científicas em considerá-lo como uma endocrinopatia verdadeira, a Organização Mundial da Saúde (OMS), define o climatério como uma fase biológica da vida da mulher e não um processo patológico. Os sinais e sintomas clínicos do climatério ainda podem ser divididos em transitórios, representados pelas alterações do ciclo menstrual e pela sintomatologia mais aguda, e não transitórios, representados pelos fenômenos atróficos genitourinários, distúrbios no metabolismo lipídico e ósseo. Manifestações clínicas transitórias Existe uma ampla variação na frequência e intensidade com que as mulheres de diferentes grupos etários, étnicos raciais, níveis socioeconômicos e culturais relatam a ocorrência de sintomas associados ao climatério. A maioria dos estudos mostra que há um aumento na perimenopausa, sendo que mais de 50% das mulheres nos países ocidentais industrializados os apresentam. São representados pelos clássicos sintomas neurovegetativos ou vasomotores como os fogachos, com ou sem sudorese e uma variedade de sintomas neuropsíquicos. Podem aparecer de forma isolada, na mulher que ainda menstrua regularmente ou, como ocorre com mais frequência, quando iniciam as alterações do ciclo menstrual. Sintomas climatéricos transitórios e não transitórios Manifestações clínicas transitórias Alterações Menstruais Distúrbios neurovegetativos Sintomas vasomotores Sintomas neuropsíquicos Disfunções SexuaisPsicogênicas Manifestações Clínicas Não- Transitórias Alterações Urogenitais Distopias Incontinência urinária Fenômenos atróficos genitourinários Distúrbios Metabólicos Alterações no metabolismo lipídico Alterações no metabolismoósseo 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 71 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Em adição aos sintomas clássicos de hipoestrogenismo, algumas mulheres relatam quadros clínicos que são sugestivos de concentrações séricas de estrogênios elevadas, tais como distensão abdominal e mastalgia, principalmente na perimenopausa. Essas manifestações clínicas refletem a intensa flutuação que os estrogênios apresentam nessa fase, necessitando de uma abordagem clínica e terapêutica específica e individualizada. Os sintomas associados ao climatério frequentemente não persistem nas mulheres idosas. No entanto, essa associação não significa que todos os sintomas sejam específicos desta faixa etária. Enquanto os sintomas vasomotores como os fogachos são típicos deste período, os sintomas neuropsíquicos, embora ocorram com certa frequência nesta época, principalmente nos países ocidentais, não são específicos do climatério. As alterações do humor, a ansiedade e a depressão também são encontradas em outras faixas etárias e, portanto, não têm relação exclusiva com a insuficiência estrogênica. Além do mais, alguns sintomas são restritos a países ocidentais, sendo que os poucos estudos feitos em outras populações da África e Ásia, revelaram que o declínio estrogênico é universal, mas não as manifestações clínicas. Isso significa que nem toda mulher no climatério é afetada por sintomas relacionados à insuficiência estrogênica. Alterações menstruais Durante a fase da transição menopausal, os ciclos menstruais apresentam variações na regularidade e nas características do fluxo. Inicialmente pode ocorrer uma tendência ao encurtamento gradativo da periodicidade, devido à maturação folicular acelerada e consequente ovulação precoce, o que pode ser seguido por uma fase lútea com baixa produção de progesterona e instalação de ciclos próio ou polimenorréicos, com fluxo diminuído ou aumentado. Após esta fase inicial comumente passam a ocorrer ciclos anovulatórios, iniciandose o maior espaçamento entre as menstruações. Isto ocorre em consequência de uma persistência folicular longa, com produção irregular de estrogênios podendo levar a ciclos espaniomenorréicos e a períodos de amenorréia. Nesta fase o fluxo poderá apresentar aumento da duração e intensidade em consequência das alterações endometriais expressando as alterações hormonais, o que não deve descartar, sempre que necessário, a investigação do endométrio. O aumento dos níveis de FSH no início do ciclo e a diminuição da progesterona na fase lútea indicam a proximidade da menopausa. A condução adequada desta fase, quando gera desconfortos à mulher, pode ser feita com suplementação progestínica periódica. Distúrbios neurovegetativos Sintomas vasomotores Os fogachos ou “ondas de calor” constituem o sintoma mais comum nas mulheres ocidentais, podendo ocorrer em qualquer fase do climatério. Manifestam-se como sensação transitória súbita e intensa de calor na pele, principalmente do tronco, pescoço e face que pode apresentar hiperemia, acompanhada na maioria das vezes de sudorese. Além disso, pode ocorrer palpitação e mais raramente, sensação de desfalecimento, gerando desconforto e mal-estar. Sua intensidade varia muito, desde muito leves a intensos, ocorrendo esporadicamente ou várias vezes ao dia. A duração pode ser de alguns segundos a 30 minutos. A etiologia das ondas de calor é controversa, sendo atribuída na maioria dos estudos a alterações no centro termoregulador provocadas pelo hipoestrogenismo, levando a um aumento na noradrenalina e aumento dos pulsos de GnRH e do LH. O consumo de bebidas alcoólicas ou líquidos e alimentos quentes, ambientes com alta temperatura, estresse, emoções intensas, aglomerações de pessoas, ambientes 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 72 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. abafados, uso de roupas quentes estão associadas com o desencadeamento dos fogachos, devendo ser evitadas. Outros sintomas neurovegetativos encontrados frequentemente são os calafrios, a insônia ou sono agitado, vertigens, parestesias, diminuição da memória e fadiga, que muitas vezes são relacionados a etiologias diversas ao climatério. Sintomas neuropsíquicos Compreendem a labilidade emocional, ansiedade, nervosismo, irritabilidade, melancolia, baixa de auto- estima, dificuldade para tomar decisões, tristeza e depressão. Esses sintomas podem apresentar-se isoladamente ou em conjunto em algum período do climatério em intensidade variável. É importante salientar que estas manifestações podem ocorrer em qualquer outra fase da vida. Do ponto de vista biológico, os estrogênios podem desempenhar uma ação moduladora sobre os neurotransmissores cerebrais, especialmente a serotonina, relacionada ao humor. A diminuição do estrogênio poderia influenciar os níveis de serotonina, podendo relacionar-se a um aumento dos casos de depressão durante o climatério, em mulheres predispostas. Embora o aparecimento da depressão no climatério seja mais comum que em outras etapas da vida, torna-se muito difícil a comprovação de que somente o hipoestrogenismo seja a sua origem, sugerindo uma etiologia multifatorial (ambiental, sociocultural e individual). Em relação aos fatores ambientais, fatores extrínsecos como estilo de vida (atividade física, dieta e tabagismo) podem influenciar diretamente os sintomas na perimenopausa. Disfunções Sexuais A maioria dos problemas relacionados à esfera sexual na peri ou após a menopausa se referem às alterações anátomo-funcionais deste período, a partir dos fenômenos de hipo ou atrofia no aparelho genitourinário. Entre as disfunções comportamentais, estão a diminuição da libido, da frequência e da resposta orgástica, relacionadas a questões psicossexuais e hormonais. Desta forma, avaliação criteriosa deve ser feita no sentido de direcionar a conduta em relação ao tratamento farmacológico ou a orientações de comportamento. Manifestações Clínicas Não-Transitórias Alguns sintomas e sinais clínicos relacionados ao processo de envelhecimento podem ocorrer durante o climatério. Maiores detalhes na abordagem dessas manifestações são apresentadas no “Caderno de Atenção Básica nº 19 - Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa (MS) ”. TERAPIA HORMONAL A terapêutica hormonal (TH) é utilizada quando há prejuízo da qualidade de vida em função dos sintomas transitórios do climatério, e esses não são controlados com as demais terapias. É indicada em situações específicas, com decisão compartilhada com a mulher. Deve ser individualizada às necessidades da mulher, e os riscos devem ser criteriosamente avaliados pelo médico, especialmente os cardiovasculares e as neoplasias hormônio-dependentes (BRASIL, 2016). 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 73 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Pode ser considerado o uso de terapia hormonal nas seguintes situações (BRASIL, 2016): A contraindicação da terapia hormonal é dividida em absoluta e relativa. Contraindicações absolutas Câncer de mama; câncer de endométrio; doença hepática grave; sangramento genital não esclarecido; história de tromboembolismo agudo e recorrente; porfiria. Contraindicações relativas Hipertensão arterial não controlada; diabetes mellitus não controlada; endometriose; miomatose uterina. Também é válido destacarque: conforme a Resolução do CFM nº 1.999/2012, é contraindicada a reposição hormonal em situações desnecessárias como terapêutica antienvelhecimento com os objetivos de prevenir, retardar, modular e/ou reverter o processo de envelhecimento em função dos riscos que podem estar atrelados ao seu uso (CFM, 2012). De acordo com o Ministério da Saúde, alguns riscos estão relacionados com o uso da terapia hormonal: • Risco aumentado de tromboembolismo venoso com uso de estrogênio isolado ou associado à progesterona. Evento raro em mulheres entre 50 e 59 anos. • Risco de câncer de mama com o uso de estrogênio associado à progesterona por três a cinco anos, sendo o risco mais elevado com o uso de medroxiprogesterona. • Estrogênio: náuseas, distúrbios gastrointestinais (quando utilizados por via oral), sensibilidade mamária, dor de cabeça, retenção de líquido, edema, provável estímulo a leiomiomas e endometriose. • Progestágenos: dor nas mamas, cólicas abdominais, alterações de humor, fadiga, depressão, irritabilidade, alterações na pele, ganho de peso, ansiedade e dores generalizadas (BRASIL, 2016, p. 208). Para a promoção da saúde das mulheres no climatério, é necessário considerar as mudanças dessa fase da vida que refletem nas relações delas com a sociedade, ouvindo-as, construindo espaços de diálogo, facilitando a aquisição de novos conceitos. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 74 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Medidas que incentivem a incorporação de hábitos saudáveis na rotina dessa população também são fundamentais para melhorar a qualidade de vida imediata e evitar o surgimento ou agravamento de doenças (BRASIL, 2008). Entre as ações de promoção à saúde aplicadas ao climatério, estão: O climatério, enquanto fase de transição biológica da vida da mulher, corresponde a um período marcado por mudanças psicossociais, de ordem afetiva, sexual, familiar, ocupacional, que podem afetar a forma como vivenciam esse processo. Já o envelhecer, enquanto processo biológico, não patológico, exige dos profissionais de saúde o cuidado pautado em princípios éticos aliados a competências relacionais, aconselhamento, orientações e educação para a saúde e qualidade de vida que possam garantir escuta qualificada visando à promoção da saúde, diagnóstico precoce, tratamento imediato dos agravos e prevenção de danos à saúde feminina. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 75 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. QUESTÕES PARA FIXAÇÃO 01. Entende-se por síndrome climatérica o elenco de sintomas e sinais que ocorrem no climatério. Muitas 01. O aborto possui alta taxa de morbimortalidade materna quando ocorre sem assistência adequada do serviço de saúde, com maiores riscos de hemorragia, infecção e perfuração do útero e de vísceras abdominais, sendo causa frequente de esterilidade. Conforme a legislação brasileira vigente, a interrupção legal da gravidez pode ser realizada nos casos de A) gravidez de risco à vida da gestante; gravidez resultante de violência sexual; e gravidez com anencefalia fetal. B) gravidez de feto anencéfalo; gravidez indesejada; e gravidez de risco à vida da gestante. C) gravidez com malformação fetal; gravidez de alto risco; e gravidez resultante de violência sexual. D) gravidez de feto com malformação incompatível com a vida; gravidez indesejada; e gravidez anembrionária. 02. Uma mulher de 26 anos apresenta-se à unidade primária de saúde porque perdeu o último período menstrual e acha que pode estar grávida. Ela relata cansaço, sensibilidade nas mamas, aumento da frequência urinária, náuseas e vômitos pela manhã. O(A) enfermeiro(a) interpretará esses achados com qual resultado de gravidez? A) Positivo. B) Provável. C) Possível. D) Presuntivo. E) Negativo. 03. Uma gestante com 20 semanas de gestação está contra indicada receber a seguinte vacina: A) dTpa- difteria-tétano- coqueluche acelular; B) Influenza; C) Hepatite B; D) Tríplice viral- sarampo- caxumba-rubéola; E) dT-difteria-tétano. 04. O Ministério da Saúde recomenda o rastreamento com mamografia em mulheres com pelo menos ______ anos de idade. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna. A) 35 B) 40 C) 45 D) 50 E) 30 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 76 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. 05. Marcos concretos sinalizam diferentes fases da vida da mulher, como a adolescência e a menopausa. A menopausa, marco do período climatérico, é a interrupção permanente da menstruação e o diagnóstico é feito de forma retroativa, após A) 3 meses consecutivos de amenorreia. B) 6 meses consecutivos de amenorreia. C) 9 meses consecutivos de amenorreia. D) 12 meses consecutivos de amenorreia. 06. Em relação ao planejamento reprodutivo é correto afirmar que A) o termo planejamento reprodutivo é sinônimo de controle de natalidade. B) o controle de natalidade baseia-se no respeito aos direitos sexuais e aos direitos reprodutivos. C) o planejamento reprodutivo implica imposições do governo sobre a vida reprodutiva de homens e mulheres. D) o governo brasileiro pauta-se pelo respeito e garantia dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos e, nesse sentido, coloca-se claramente a favor da política com caráter controlista da natalidade. E) os profissionais de saúde devem procurar compreender as expectativas das pessoas no que diz respeito à reprodução e ajudá-las a concretizarem essas expectativas, respeitando suas escolhas. 07. Durante a gravidez, hormônios preparam o tecido glandular para a produção do leite. Quando a criança começa a sugar, dois reflexos fazem o leite descer na quantidade e no momento certo, estimulados pelos hormônios denominados A) prolactina e ocitocina. B) estrogênio e prolactina. C) progesterona e ocitocina. D) estrogênio e ocitocina. 08. Para ser considerado um indicador de qualidade da coleta, em um laudo de exame citopatológico, devemos considerar a presença de células: A) escamosas B) representativas da junção escamocolunar (JEC) C) glandulares D) dendríticas E) micróglias 09. Pode-se, didaticamente, dividir o puerpério em: A) Imediato (1º ao 5º dia), tardio (10º ao 40º dia) e remoto (até o 43º dia). B) Imediato (1º ao 10º dia), tardio (do 10º ao 45º dia) e remoto (além do 45º dia). C) Imediato (1º ao 12º dia), tardio (do 12º ao 40º dia) e remoto (além de 40º dia). D) Imediato (1° ao 10°), tardio (do 10º ao 40º dia) e remoto (até 45° dia). 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 77 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. 10. O Ministério da Saúde recomenda, para o rastreamento do câncer de mama, que a mamografia seja realizada em mulheres de A) 30 a 49 anos com periodicidade bienal. B) 30 a 49 anos com periodicidade trienal. C) 50 a 69 anos com periodicidade bienal. D) 50 a 69 anos com periodicidade trienal. E) Acima de 70 anos com periodicidade anual. 11. Muitas mulheres passam pelo climatério apresentando queixas diversificadas e com intensidades diferentes, sendo necessário recorrer à terapia de reposição hormonal.Assinale a opção que indica a contraindicação absoluta dessa terapia. A) Endometriose. B) Miomatose uterina. C) Diabetes mellitus não controlado. D) Hipertensão arterial não controlada. E) História de tromboembolismo recorrente. 12. Programas preventivos como os voltados à Saúde da Mulher são fundamentais nos ambientes de trabalho. Sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer do colo do útero, assinale a alternativa incorreta. A) O início da coleta para rastreamento deve ser aos 20 anos de idade para as mulheres que já tiveram ou têm atividade sexual B) A prevenção primária do câncer do colo do útero está relacionada à diminuição do risco de contágio pelo Papilomavírus Humano (HPV) C) O método de rastreamento do câncer do colo do útero e de suas lesões precursoras é o exame citopatológico. Os dois primeiros exames devem ser realizados com intervalo anual e, se ambos os resultados forem negativos, os próximos devem ser realizados a cada 3 anos D) Os exames periódicos devem seguir até os 64 anos de idade e, naquelas mulheres sem história prévia de doença neoplásica pré-invasiva, interrompidos quando essas mulheres tiverem pelo menos dois exames negativos consecutivos nos últimos cinco anos E) O rastreamento em gestantes deve seguir as recomendações de periodicidade e faixa etária como para as demais mulheres, devendo sempre ser considerada uma oportunidade a procura ao serviço de saúde para realização de pré-natal 13. A sífilis é uma infecção bacteriana sistêmica, crônica e assintomática, na maioria dos casos, e quando não tratada pode evoluir para formas mais graves. Apesar do tratamento ser simples e eficaz, ainda é considerada um problema de saúde pública devido as altas taxas de morbidade. Acerca dessa patologia, marque o item verdadeiro. A) A transmissibilidade da sífilis é menor nos estágios iniciais (sífilis primária e secundária), aumentando gradualmente com o passar do tempo (sífilis latente recente/ tardia). B) Os testes não treponêmicos detectam anticorpos específicos produzidos contra os antígenos de T. pallidum, sendo os primeiros a se tornarem reagentes, podendo ser utilizados como primeiro teste ou teste complementar. C) Considera-se sucesso de tratamento para sífilis em gestante a diminuição na titulação em duas diluições em até seis meses para sífilis recente ou em até 12 meses para sífilis tardia, após a última dose de penicilina. D) A reação de Jarisch-Herxheimer é um evento que pode ocorrer durante as 24 horas após a primeira dose de penicilina e caracteriza-se por exacerbação das lesões cutâneas, mal-estar geral, febre, cefaleia e 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 78 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. artralgia, sendo necessário tratamento de urgência em hospital para controle e monitoramento dos sintomas. 14. Em caso de suspeita de sífilis, os testes imunológicos são, certamente, os mais utilizados na prática clínica, dividindo-se em treponêmicos e não treponêmicos. Assinale a opção que cita os testes treponêmicos: A) VDRL e TRUST B) VDRL e ELISA/EQL C) FTA-Abs e ELISA/EQL D) RPR e Teste Rápido (TR) E) VDRL e Teste Rápido (TR) 15. Mulher, 30 anos de idade com VDRL 1:32, relatando que fez tratamento com penicilina benzatina há 5 meses, mas que o parceiro não se tratou. Marque a conduta correta. A) Tratar o parceiro. B) Deve ser memória imunológica. C) Deve repetir o tratamento da paciente e tratar também o parceiro. D) Repetir o exame após 3 meses para verificar a queda dos títulos. 16. O ultrassom (US) vem sendo estudado como exame complementar da mamografia no rastreamento de mulheres com mamas densas. As alterações desse exame são classificadas em risco de malignidade segundo o protocolo de classificação e padronização dos laudos de exames de imagem de mama denominado BI-RADS (Breast Imaging and Reporting Data System). Um resultado de exame de US mamária categoria 3 é considerado: A) benigno B) suspeito C) provavelmente benigno D) provavelmente maligno 17. AC, sexo feminino, 25 anos, deseja ser orientada a respeito da prevenção do câncer de colo uterino. O enfermeiro informa sobre a necessidade da realização do exame Papanicolau. Tal procedimento pode ser considerado como prevenção: A) Primária. B) Secundária. C) Terciária. D) Quartenária. E) Não pode ser considerado prevenção, pois é um exame diagnóstico. 18. Mulher de 36 anos, casada, compareceu à Unidade Básica de Saúde para coleta de exame citopatológico. Durante a coleta, a enfermeira observa corrimento vaginal amarelo-esverdeado, bolhoso e fétido e edema de vulva. O Ph vaginal da paciente estava > 4,5, dessa forma, seguindo abordagem sindrômica, a enfermeira optou pelo tratamento de A) gonorreia. B) tricomoníase. C) clamídia. D) herpes vaginal. E) candidíase vulvovaginal. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 79 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. 19. Entre os fatores potencialmente carcinogenéticos, destaca-se a infecção por papilomavírus, que pode levar ao câncer de: A) Endométrio. B) Trompa. C) Ovário. D) Colo. 20. A sífilis é uma infecção bacteriana, que, quando não tratada, pode evoluir para o comprometimento do sistema nervoso e cardiovascular. Em relação ao monitoramento pós-tratamento de sífilis, assinale a alternativa INCORRETA. A) A pessoa tratada com sucesso pode ser liberada após um ano de seguimento pós-tratamento. B) O monitoramento é fundamental para classificar a resposta ao tratamento, identificar possíveis reinfecção e definir conduta correta para cada caso. C) O monitoramento deve ser realizado com teste treponêmico e, sempre que possível, com o mesmo método diagnóstico. D) Para seguimento dos pacientes, os testes de controle devem ser realizados mensalmente nas gestantes e, no restante da população, a cada três meses até o 12º mês do acompanhamento. E) A aquisição de sífilis é um fator de risco para outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), desse modo, recomenda-se o rastreamento de outras IST na população de pessoas em tratamento e/ou curadas de sífilis. GABARITO 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 A D D D D E A B B C 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 E A C C C C B B D C 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667porque pertencem a um grupo que tem maior risco de ter relações sexuais desprotegidas. É importante que os adolescentes conheçam esse método e saibam que deve ser usado em caráter de exceção, somente em situações emergenciais, e não como método anticoncepcional regular. • Os métodos cirúrgicos – laqueadura tubária e vasectomia – só se justificam nos casos em que existem condições clínicas ou genéticas que façam com que seja imperativo evitar a gravidez permanentemente. ANTICONCEPÇÃO NO PÓS-PARTO E NO PÓS-ABORTO Anticoncepção no pós-parto 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9263.htm#art10%C2%A75 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 8 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. • Inicialmente, é preciso enfatizar que os profissionais de saúde devem encorajar a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses pós-parto. • A orientação para uso de métodos anticoncepcionais no pós-parto deve considerar se vai ser ou não ser estabelecida a amamentação exclusiva com leite materno, pois alguns métodos anticoncepcionais interferem na amamentação. • Durante os primeiros seis meses pós-parto, a amamentação exclusiva, à livre demanda, com amenorréia, está associada à diminuição da fertilidade. Porém esse efeito anticoncepcional deixa de ser eficiente quando ocorre o retorno das menstruações e também quando o leite materno deixa de ser o único alimento recebido pelo bebê – o que ocorrer primeiro. O efeito inibidor da fertilidade, que o aleitamento exclusivo com amenorreia tem, pode ser utilizado como método comportamental de anticoncepção – LAM (método da lactação e amenorréia) (BRASIL, 2002c). • O método da lactação e amenorreia (LAM) impõe três condições. Todas as três devem ser cumpridas (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE; JOHNS HOPKINS; AGÊNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO INTERNACIONAL DOS ESTADOS UNIDOS, 2007): • Que a menstruação da mãe não tenha retornado. • Que o bebê esteja sendo alimentado no peito de forma integral e que seja amamentado com frequência, dia e noite. • Que o bebê tenha menos de seis meses de idade. • A minipílula, que contém apenas progestogênio, em baixa dosagem, pode ser utilizada pela mulher que está amamentando. O seu uso deve ser iniciado após seis semanas do parto. Há preocupações teóricas sobre a exposição do neonato a hormônios esteroidais nas primeiras seis semanas de vida (DIAZ; PETTA; ALDRIGHI, 2005). • O injetável trimestral pode ser utilizado pela mulher que está amamentando. O seu uso deve ser iniciado após seis semanas do parto. Há preocupações teóricas sobre a exposição do neonato a hormônios esteroidais nas primeiras seis semanas de vida (DIAZ; PETTA; ALDRIGHI, 2005). • Os anticoncepcionais hormonais combinados, que contêm estrogênio e progesterona (pílulas combinadas e injetável mensal), não devem ser usados em lactantes, pois interferem na qualidade e na quantidade do leite materno e podem afetar adversamente a saúde do bebê (DIAZ; PETTA; ALDRIGHI, 2005). • O DIU é um bom método para ser utilizado pela mulher que está amamentando. Pode ser inserido imediatamente após o parto, ou a partir de quatro semanas pósparto, sem que seja necessário esperar pelo retorno da menstruação. O DIU está contraindicado para os casos que cursaram com infecção puerperal, até três meses após a cura, e para mulheres com risco aumentado para DST/HIV • O diafragma é um bom método para mulheres motivadas a usá-lo e bem orientadas, mas é preciso repetir a medida do diafragma após cada parto. • Os métodos comportamentais (tabela, muco cervical, temperatura basal, entre outros) só poderão ser usados após o estabelecimento de ciclos menstruais regulares. • Com relação à laqueadura tubária, a legislação federal não permite a esterilização cirúrgica feminina durante os períodos de parto ou aborto ou até o 42º dia do pós-parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores. Essa restrição visa à redução da incidência de cesárea para procedimento de laqueadura, levando-se em consideração que o parto 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 9 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. cesariano, sem indicação clínica, constitui-se em risco inaceitável à saúde da mulher e do recém- nascido. ANTICONCEPÇÃO NO PÓS-ABORTO • Os anticoncepcionais hormonais (pílulas, injetáveis, entre outros) podem ser iniciados imediatamente após o aborto. Podem ser administrados entre o dia do esvaziamento e o 5º dia pós- abortamento. • O DIU pode ser inserido imediatamente após aborto espontâneo ou induzido, em mulheres sem nenhum sinal ou suspeita de infecção. No abortamento que ocorreu no 2º trimestre da gestação, há preocupação pelo risco maior de expulsão. O DIU está contraindicado para os casos que cursaram com septicemia, até três meses após a cura, e para mulheres com risco aumentado para DST/HIV. • O diafragma é um bom método para mulheres motivadas a usá-lo e bem orientadas, mas é preciso repetir a medida do diafragma após abortamento. • Os métodos comportamentais (tabela, muco cervical, temperatura basal, entre outros) só poderão ser usados após o estabelecimento de ciclos menstruais regulares. • Com relação à laqueadura tubária, a legislação federal não permite a esterilização cirúrgica feminina durante os períodos de parto ou aborto ou até o 42º dia do pós-parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores. SAÚDE DA MULHER DESPENCA EM PROVAS, ENTÃO ATENÇÃO PARA A ATUALIZAÇÃO (2022)!!! RESOLUÇÃO COFEN Nº 690/2022 Normatiza a atuação do Enfermeiro no Planejamento Familiar e Reprodutivo. Art. 1º Aprovar a norma técnica referente à atuação do Enfermeiro no Planejamento Familiar e Reprodutivo no âmbito do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem. Art. 2º No âmbito da equipe de Enfermagem, a atuação no Planejamento Familiar e Reprodutivo é privativa do Enfermeiro, observadas as disposições legais da profissão. Art. 3º Os procedimentos previstos nesta norma devem ser desenvolvidos no ato da consulta em cumprimento às etapas do Processo de Enfermagem, cabendo-lhe a prescrição, administração e procedimentos acerca dos métodos conceptivos e contraceptivos disponíveis no SUS, com base em protocolos assistenciais. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário. Brasília, 3 de fevereiro de 2022. Norma técnica da atuação do Enfermeiro no Planejamento Familiar e Reprodutivo I. Métodos: 1. Métodos de barreira: Previnem a concepção impedindo que os espermatozoides se aproximem dos óvulos, seja por bloqueio mecânico ou químico. São exemplos de anticoncepcionais de barreira os preservativos masculinos e femininos, o diafragma, os espermaticidas, o capuz cervical e as esponjas vaginais. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 10 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. 2. Métodos hormonais: Previnem a gravidez por interferirem no ciclo ovariano, na capacidade de o endométrio acomodar o embrião ou na migração e capacitação dos espermatozoides. Dependendo do método, podem ser administrados por via oral, injetável, subcutânea, percutânea, vaginal ou intrauterina. 3. Métodos comportamentais: São técnicas de identificação dos sinais de ovulação pelas mulheres. Para evitar a concepção, as relações sexuaissão concentradas em períodos não férteis. Exemplos de métodos são a tabela, a percepção da temperatura corporal basal, a avaliação de alterações no muco cervical e a combinação destes. O coito interrompido e a relação sexual sem penetração, também considerado métodos comportamentais de anticoncepção, objetivam a não ejaculação dentro do canal vaginal. Os métodos comportamentais são pouco recomendados para adolescentes, pois a eficácia destes depende de disciplina e planejamento das relações sexuais. Além disso, o ciclo menstrual é comumente irregular nessa faixa etária. 4. Método de lactação e amenorreia: A menstruação e a fertilidade são inibidas durante a amamentação. Isso ocorre pelos elevados níveis de prolactina e consequente inibição da liberação de gonadotrofinas pela hipófise. Esse método é dependente da intensidade de sucção e produção de leite. 5. Dispositivos Intrauterinos: O DIU (não hormonal), após sua inserção, atua fisiologicamente dificultando a passagem dos espermatozoides pelo trato reprodutivo feminino, além de promover reação inflamatória ou reação à presença de corpos estranhos à cavidade uterina. Isso prejudica a integridade dos espermatozoides e reduz a probabilidade de fecundação. Ressalta-se que a técnica de inserção do DIU não compromete a estrutura celular e tecidual do útero. a. Ressalta-se que, a partir do escopo de conhecimentos dos Tratados de Anatomia Humana, o útero é um órgão fibromuscular, localizado na cavidade pélvica. Recebe as tubas ou trompas uterinas na parte mais superior, já na parte inferior continua-se com a vagina. O útero localiza-se sobre a vagina, entre a bexiga urinária e o reto; b. A inserção do DIU ocorre com a introdução do dispositivo no espaço uterino, em continuidade ao espaço vaginal, não interferindo em estruturas anatômicas e contribui para a recuperação físico-funcional das mulheres, evitando gravidez indesejada e contribuindo para a redução da mortalidade materna-infantil; c. A inserção e retirada do DIU possuem caráter de ação como método de concepção e contracepção, tendo objetivo de influenciar ou interferir no processo de recuperação físico-funcional e não comprometendo estrutura celular e tecidual; d. A inserção e retirada do DIU deve ser realizada pelo Enfermeiro, no âmbito do Sistema Único de Saúde- SUS, na Atenção Primária e Especializada à Saúde, em ambiente institucional, inserido na rede de atenção à saúde, seguindo protocolos assistenciais, normas e rotinas e Procedimentos Operacionais Padrão-POP, e buscando a garantia do acesso e integralidade da assistência no campo do Planejamento Familiar e Reprodutivo. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 11 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. 6. Métodos cirúrgicos: Existem métodos anticoncepcionais tidos como definitivos. É o caso dos métodos cirúrgicos. Exemplos desses métodos são a laqueadura tubária e a vasectomia. São recomendados apenas em casos de necessidades clínicas ou genéticas para a prevenção da gravidez, portanto, não são recomendados para adolescentes. O enfermeiro na consulta de Planejamento Familiar e Reprodutivo, seguindo os parâmetros estabelecidos na Lei nº 9.623/1996, pode encaminhar a pessoa cuidada para os serviços de referência. II. Competência do Enfermeiro: 1. Compete ao Enfermeiro: a. Realizar a consulta de Enfermagem, cabendo-lhe a solicitação de exames, prescrição, administração e procedimentos, pautados nos protocolos institucionais, acerca da promoção, proteção e apoio à utilização dos métodos de concepção e contracepção, garantindo a qualidade e a segurança do uso no cotidiano da vida reprodutiva; b. Realizar o Planejamento Familiar e Reprodutivo com ações preventivas e educativas e pela garantia de acesso igualitário a informações, meios, métodos e técnicas disponíveis para a concepção e contracepção; c. Participar na elaboração de protocolos assistenciais, normas e rotinas, Procedimentos Operacionais Padrão-POP, de acordo com as melhores práticas baseadas em evidências científicas; d. Participar no processo de avaliação, escolha, indicação e implementação de novos métodos e tecnologias para a concepção e contracepção; e. Realizar a inserção, revisão e retirada de Dispositivo Intrauterino-DIU; f. Registrar os dados obtidos durante a realização da inserção, revisão e retirada do DIU, no prontuário da paciente ou na ficha de atendimento, de forma clara e objetiva, contemplando a descrição do procedimento e as devidas tomadas de decisão. III. Capacitação: O desenvolvimento de ações no Planejamento Familiar e Reprodutivo deve oportunizar processos formativos com tempo definido, no intuito de desenvolver reflexões, conhecimentos, competências, habilidades e atitudes específicas, através dos processos de Educação Continuada, igualmente como estratégia para a qualificação da Atenção Primária e Especializada à Saúde. As ofertas educacionais devem, de todo modo, ser associadas às temáticas relevantes para a Atenção Primária e Especializada à Saúde, e da dinâmica cotidiana de trabalho dos profissionais. 1. Geral: 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 12 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. a. Conhecer a legislação do exercício profissional da Enfermagem; b. Conhecer a legislação vigente da assistência ao Planejamento Familiar e Reprodutivo; c. Apoderar-se acerca dos métodos de concepção e contracepção disponíveis no Sistema Único de Saúde; d. Aprimorar métodos e técnicas para a realização da Consulta de Enfermagem no Planejamento Familiar e Reprodutivo como ferramenta tecnológica para garantir a assistência de enfermagem qualificada e segura; e. Manter-se atualizado, com base nas evidências científicas, para a prática do Planejamento Familiar e Reprodutivo. 2. Inserção, revisão e retirada de DIU: a. Ter curso de capacitação, presencial, em Inserção, revisão e retirada de DIU, com carga horária mínima de 70 (setenta) horas, sendo no mínimo 20 (vinte) horas teóricas e teórico-práticas e 50 (cinquenta) horas práticas, com no mínimo 20 (vinte) inserções supervisionadas durante consulta de Enfermagem nos serviços de saúde; b. Manter-se atualizado técnica e cientificamente, de acordo com as revisões de protocolos assistenciais, normas e rotinas, Procedimentos Operacionais Padrão-POP, com base nas melhores práticas assistenciais baseadas em evidências científicas. IV. Áreas de Atuação do Enfermeiro no Planejamento Familiar e Reprodutivo: 1. Atenção Primária à Saúde – APS; 2. Atenção Especializada à Saúde – AES. Brasília, 4 de fevereiro de 2022. PRÉ-NATAL O acompanhamento do pré-natal tem como objetivo assegurar o desenvolvimento da gestação saudável através de práticas seguras, permitindo o parto de um recém-nascido saudável, sem impacto para a saúde materna, inclusive abordando aspectos psicossociais e as atividades educativas e preventivas. Se o início precoce do pré-natal é essencial para a adequada assistência, o número ideal de consultas permanece controverso. De acordo com o manual 2012, 10 Passos para o Pré-Natal de Qualidade na Atenção Básica 1° PASSO: Iniciar o pré-natal na Atenção Primária à Saúde até a 12ª semana de gestação (captação precoce) 2° PASSO: Garantir os recursos humanos, físicos, materiais e técnicos necessários à atenção pré-natal. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO!13 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. 3° PASSO: Toda gestante deve ter assegurado a solicitação, realização e avaliação em termo oportuno do resultado dos exames preconizados no atendimento pré-natal. 4° PASSO: Promover a escuta ativa da gestante e de seus(suas) acompanhantes, considerando aspectos intelectuais, emocionais, sociais e culturais e não somente um cuidado biológico: "rodas de gestantes". 5° PASSO: Garantir o transporte público gratuito da gestante para o atendimento pré-natal, quando necessário. 6° PASSO: É direito do(a) parceiro(a) ser cuidado (realização de consultas, exames e ter acesso a informações) antes, durante e depois da gestação: "pré-natal do(a) parceiro(a)". 7° PASSO: Garantir o acesso à unidade de referência especializada, caso seja necessário. 8° PASSO: Estimular e informar sobre os benefícios do parto fisiológico, incluindo a elaboração do "Plano de Parto". 9° PASSO: Toda gestante tem direito de conhecer e visitar previamente o serviço de saúde no qual irá dar à luz (vinculação). 10° PASSO: As mulheres devem conhecer e exercer os direitos garantidos por lei no período Indicadores. Fatores de risco que permitem a realização do pré-natal pela equipe de atenção básica Fatores relacionados às características individuais e às condições sociodemográficas desfavoráveis: • Idade menor do que 15 e maior do que 35 anos; • Ocupação: esforço físico excessivo, carga horária extensa, rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos, estresse; • Situação familiar insegura e não aceitação da gravidez, principalmente em se tratando de adolescente; • Situação conjugal insegura; • Baixa escolaridade (menor do que cinco anos de estudo regular); • Condições ambientais desfavoráveis; • Altura menor do que 1,45m; • IMC que evidencie baixo peso, sobrepeso ou obesidade. Fatores relacionados à história reprodutiva anterior: • Recém-nascido com restrição de crescimento, pré-termo ou malformado; • Macrossomia fetal; • Síndromes hemorrágicas ou hipertensivas; • Intervalo interpartal menor do que dois anos ou maior do que cinco anos; • Nuliparidade e multiparidade (cinco ou mais partos); • Cirurgia uterina anterior; • Três ou mais cesarianas. Fatores relacionados à gravidez atual: • Ganho ponderal inadequado; • Infecção urinária; • Anemia. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 14 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Fatores de risco que podem indicar encaminhamento ao pré-natal de alto risco Fatores relacionados às condições prévias: • Cardiopatias; • Pneumopatias graves (incluindo asma brônquica); • Nefropatias graves (como insuficiência renal crônica e em casos de transplantados); • Endocrinopatias (especialmente diabetes mellitus, hipotireoidismo e hipertireoidismo); • Doenças hematológicas (inclusive doença falciforme e talassemia); • Hipertensão arterial crônica e/ou caso de paciente que faça uso de anti-hipertensivo (PA>140/90mmHg antes de 20 semanas de idade gestacional – IG); • Doenças neurológicas (como epilepsia); • Doenças psiquiátricas que necessitam de acompanhamento (psicoses, depressão grave etc.); • Doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, outras colagenoses); • Alterações genéticas maternas; • Antecedente de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar; • Ginecopatias (malformação uterina, miomatose, tumores anexiais e outras); • Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal) e outras DSTs (condiloma); • Hanseníase; • Tuberculose; • Dependência de drogas lícitas ou ilícitas; • Qualquer patologia clínica que necessite de acompanhamento especializado. Fatores relacionados à história reprodutiva anterior: • Morte intrauterina ou perinatal em gestação anterior, principalmente se for de causa desconhecida; • História prévia de doença hipertensiva da gestação, com mau resultado obstétrico e/ou perinatal (interrupção prematura da gestação, morte fetal intrauterina, síndrome Hellp, eclâmpsia, internação da mãe em UTI); • Abortamento habitual; • Esterilidade/infertilidade. Fatores relacionados à gravidez atual: • Restrição do crescimento intrauterino; • Polidrâmnio ou oligoidrâmnio; • Gemelaridade; • Malformações fetais ou arritmia fetal; • Distúrbios hipertensivos da gestação (hipertensão crônica preexistente, hipertensão gestacional ou transitória); Obs.: É necessário que haja evidência de medidas consecutivas que sugiram hipertensão. Nestas situações, não se deve encaminhar o caso com medida isolada. Em caso de suspeita de pré-eclâmpsia/eclâmpsia, deve- se encaminhar a paciente à emergência obstétrica. • Infecção urinária de repetição ou dois ou mais episódios de pielonefrite (toda gestante com pielonefrite deve ser inicialmente encaminhada ao hospital de referência, para avaliação); 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 15 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. • Anemia grave ou não responsiva a 30-60 dias de tratamento com sulfato ferroso; • Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal) e outras DSTs (condiloma); • Infecções como a rubéola e a citomegalovirose adquiridas na gestação atual; • Evidência laboratorial de proteinúria; • Diabetes mellitus gestacional; • Desnutrição materna severa; • Obesidade mórbida ou baixo peso (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante para avaliação nutricional); • NIC III (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante ao oncologista); • Alta suspeita clínica de câncer de mama ou mamografia com Bi-rads III ou mais (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante ao oncologista); • Adolescentes com fatores de risco psicossocial. Fatores de risco que indicam encaminhamento à urgência/ emergência obstétrica São fatores de risco: • Síndromes hemorrágicas (incluindo descolamento prematuro de placenta, placenta prévia), independentemente da dilatação cervical e da idade gestacional; • Suspeita de pré-eclâmpsia: pressão arterial > 140/90, medida após um mínimo de 5 minutos de repouso, na posição sentada. Quando estiver associada à proteinúria, pode-se usar o teste rápido de proteinúria; • Sinais premonitórios de eclâmpsia em gestantes hipertensas: escotomas cintilantes, cefaleia típica occipital, epigastralgia ou dor intensa no hipocôndrio direito; • Eclâmpsia (crises convulsivas em pacientes com pré-eclâmpsia); • Crise hipertensiva (PA > 160/110); • Amniorrexe prematura: perda de líquido vaginal (consistência líquida, em pequena ou grande quantidade, mas de forma persistente), podendo ser observada mediante exame especular com manobra de Valsalva e elevação da apresentação fetal; • Isoimunização Rh; • Anemia grave (hemoglobina = 37,8C), na ausência de sinais ou sintomas clínicos de Ivas; • Suspeita/diagnóstico de abdome agudo em gestantes; • Suspeita/diagnóstico de pielonefrite, infecção ovular ou outra infecção que necessite de internação hospitalar; • Suspeita de trombose venosa profunda em gestantes (dor no membro inferior, edema localizado e/ou varicosidade aparente); • Investigação de prurido gestacional/icterícia; 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 16 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. • Vômitos incoercíveis não responsivos ao tratamento, com comprometimento sistêmico com menos de 20 semanas; • Vômitos inexplicáveis no 3º trimestre; • Restrição de crescimento intrauterino; • Oligoidrâmnio; • Casos clínicos que necessitem de avaliação hospitalar: cefaleia intensa e súbita, sinais neurológicos, crise aguda de asma etc. Nos casos com menos de 20 semanas, as gestantes podem ser encaminhadas à emergência clínica. ATENÇAO! NOTA TÉCNICA PARA ORGANIZAÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE COM FOCO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E NA ATENÇÃO AMBULATORIAL ESPECIALIZADA – SAÚDE DA MULHER NA GESTAÇÃO, PARTO E PUERPÉRIO (2019). Esta Nota Técnica propõe os dois estratos de risco clássicos na gestação, (risco habitual e alto risco) e agrega o risco intermediário, anteriormente proposto como “fatores de risco que permitem a realização do pré- natal pela equipe de Atenção básica”. Quadro. Critérios para estratificação de risco gestacional. Risco habitual Características individuais e condições sociodemográficas favoráveis: ● Idade entre 16 e 34 anos ● Aceitação da gestação História reprodutiva anterior: ● Intervalo interpartal maior que 2 anos Ausência de intercorrências clínicas e/ou obstétricas na gravidez anterior e/ou na atual Risco intermediário Característica individuais e condições socioeconômicas e familiares: ● Idade menor que 15 anos ou maior que 35 anos ● Condições de trabalho desfavoráveis: esforço físico excessivo, carga horária extensa, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos nocivos, níveis altos de estresse ● Indícios ou ocorrência de violência ● Situação conjugal insegura ● Insuficiência de apoio familiar ● Capacidade de autocuidado insuficiente ● Não aceitação da gestação ● Baixa escolaridade (● Ações de prevenção de agravos decorrentes dos fatores de risco ● Fortalecimento da capacidade de autocuidado ● Fortalecimento do apoio sociofamiliar Alto risco Compartilhado entre as equipes da APS e da AAE ● Estabilização clínica ● Vigilância para detecção precoce de agravos decorrentes dos fatores de risco e morbidades identificadas ● Fortalecimento do apoio sociofamiliar ● Suporte direto à gestante e à sua família * Com apoio da equipe da AAE, quando necessário. APS: Atenção Primária à Saúde; AAE: Atenção Ambulatorial Especializada. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número adequado seria igual ou superior a 6 (seis). ATENÇÃO: As consultas deverão ser mensais até a 28ª semana, quinzenais entre 28 e 36 semanas e semanais entre a 36ª e a 41ª semanas de Idade Gestacional. Não existe alta do pré-natal. PERIODICIDADE CONSULTAS PRÉ-NATAL Ministério da Saúde (2012) 6 CONSULTAS Rede Cegonha 7 CONSULTAS Organização Mundial da Saúde (2016) 8 CONSULTAS Até 12° semana, 20°, 26, 30, 34, 36, 38, 40) CONSULTA PRÉ-NATAL O profissional enfermeiro pode acompanhar inteiramente o pré-natal de baixo risco na rede básica de saúde, de acordo com o Ministério de Saúde e conforme garantido pela Lei do Exercício Profissional 7.498/86 e regulamentada pelo Decreto nº 94.406/87. ATRIBUIÇÕES DO ENFERMEIRO 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 20 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. -Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e da vacinação; -Realizar o cadastramento da gestante no sisprenatal e fornecer o cartão da gestante devidamente preenchido (o cartão deve ser verificado e atualizado a cada consulta); -Realizar a consulta de pré-natal de gestação de baixo risco intercalada com a presença do(a) médico(a); -Solicitar exames complementares de acordo com o protocolo local de pré-natal; -Realizar testes rápidos; -Prescrever medicamentos padronizados para o programa de pré-natal (sulfato ferroso e ácido fólico, além de medicamentos padronizados para tratamento das dst, conforme protocolo da abordagem sindrômica); -Orientar a vacinação das gestantes -Identificar as gestantes com algum sinal de alarme e/ou identificadas como de alto risco e encaminhá-las para consulta médica. Caso seja classificada como de alto risco e houver dificuldade para agendar a consulta médica (ou demora significativa para este atendimento), a gestante deve ser encaminhada diretamente ao serviço de referência; -Realizar exame clínico das mamas e coleta para exame citopatológico do colo do útero; -Desenvolver atividades educativas, individuais e em grupos (grupos ou atividades de sala de espera); -Orientar as gestantes e a equipe quanto aos fatores de risco e à vulnerabilidade; -Orientar as gestantes sobre a periodicidade das consultas e realizar busca ativa das gestantes faltosas; -Realizar visitas domiciliares durante o período gestacional e puerperal, acompanhar o processo de aleitamento e orientar a mulher e seu companheiro sobre o Planejamento Familiar. Vamos abordar alguns aspectos relacionados ao pré-natal de gestação de baixo risco e alto risco. O ministério da Saúde, no caderno de atenção básica ao pré-natal de baixo risco (2012), define que o acompanhamento do pré-natal visa assegurar o desenvolvimento da gestação, permitindo o parto de um recém-nascido saudável, sem impacto para a saúde materna, inclusive abordando aspectos psicossociais e as atividades educativas e preventivas. Aconselha-se que as consultas de pré-natal devam iniciar o quanto antes, devendo, idealmente, durante toda a gestação ter no mínimo seis consultas. Com relação à periodicidade, segue as orientações: >>Até a 28ª semana: consultas mensais; >>Da 28ª a 36ª semana: consultas quinzenais; >>36ª a 41ª semana: consultas semanais. >>A partir da 41ª semana: encaminhar para centro de referência. Com relação à idade gestacional, o Ministério da Saúde define: >>Pré – termo: menos que 37 semanas de gestação; >>Termo: entre 37 e 40 semanas de gestação; >>Gestação prolongada: entre 40 e 41 semanas de gestação; >>Pós – termo: igual ou superior à 42 semanas de gestação. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 21 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. DIAGNÓSTICO DA GRAVIDEZ Para o diagnóstico da gestação precocemente, o Ministério da Saúde, por intermédio da Rede cegonha, inclui o Teste Rápido de Gravidez (TIG) nos exames de rotina do pré-natal, indicando-o para toda mulher da área de abrangência da unidade de saúde e com história de atraso menstrual de mais de 15 dias. O TIG é considerado o método mais sensível e confiável, contudo de alto custo. A dosagem de gonadotrofina coriônica humana (βHCG) para o diagnóstico precoce da gravidez, com a utilização de medidas quantitativas precisas e rápidas, tornou este teste mundialmente reconhecido para confirmar a ocorrência de gravidez. O βHCG pode ser detectado no sangue periférico entre 8 a 11 dias após a concepção. A partir de então, os níveis plasmáticos aumentam até atingir proporções máximas entre 60 e 90 dias de gravidez. Os sinais de gravidez podem ser divididos em três: SINAIS DE PRESUNÇÃO Definição Os sinais mais inespecíficos possíveis (mulher relata). Exemplos • Atraso menstrual; • Manifestações clínicas (náusea, vômitos, tontura, sialorreia, mudança de apetite, polaciúria e sonolência); • Modificações anatômicas (aumento das mamas, hipersensibilidade dos mamilos, tubérculos de Montgomert, colostro pelo mamilo, coloração violácea vulvar, cianose vaginal e cervical, aumento do volume abdominal). SINAIS DE PROBABILIDADE Definição Sinais um pouco mais específicos. Baseiam-se nas alterações locais e sistêmicas (relacionados ao exame físico). Exemplos • Amolecimento da cérvice uterina, com posterior aumento do seu volume; • Paredes vaginais aumentadas, com aumento da vascularização; • Positivação da fração beta do HCG no soro materno a partir do 8º ou 9º dia após a fertilização; Sinal de Hegar Com 6 a 8 semanas o útero adquire consistência elástica e amolecida (especialmente no istmo). Sinal de Piskacek A implantação ovular faz com que o útero cresça de forma assimétrica e adquira, nessa região, consistência amolecida e forma abaulada. Sinal de Jacquemier ou Chewick Por volta de 8 semanas de gravidez, a vulva (congesta) assume coloração violácea. Sinal de Kluge Coloração violácea na mucosa vaginal. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 22 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Sinal de Hegar amolecimento do istmo uterino Sinal de Chadwick ou Jacquemier amolecimento Coloração violácia da vulva Sinal de Goodel Amolecimento do colo Sinal de Hunter Aparecimento da aréola secundária Sinal de Piskacek Crescimento assimétrico do útero que se desenvolve mais na área de inserção placentária; Sinal de Kluge Coloração violácea na mucosa vaginal. Sinal de Osiander Devido ao aumento da vascularização vaginal é possível sentir o pulso vaginal; SINAIS DE CERTEZA Definição Específicos (Relacionado a exames, testes). Exemplos • Presença dos Batimentos Cardíacos Fetais (BCF): - Sonar: a partir da 12º semana - Pinard: a partir da 20º semana • Percepção dos movimentosfetais (de 18 a 20 semanas); • Ultrassonografia: - saco gestacional: 4 a 5 semanas de gestação (via transvaginal) - atividade cardíaca: primeira manifestação do embrião com 6 semanas gestacionais. Na primeira consulta do pré-natal, deverá ser investigado: - história clínica da gestante: identificação, dados socioeconômicos, grau de instrução, profissão/ocupação, estado civil/união, número e idade de dependentes, renda familiar, pessoas da família com renda, condições de moradia, condições de saneamento, distância da residência até a unidade de saúde, antecedentes familiares, antecedentes pessoais, antecedentes ginecológicos, sexualidade, antecedentes obstétricos, gestação atual; - Exame físico: geral e específico; - Exames complementares: PRIMEIRA CONSULTA 1° trimestre 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 23 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Hemograma completo Tipagem sanguínea e fator Rh; Coombs indireto (se for Rh negativo) Glicemia em jejum Teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL Teste rápido diagnóstico anti-HIV Anti-HIV Toxoplasmose IgM e IgG Sorologia para hepatite B (HBsAg) Urocultura + urina tipo I (sumário de urina) Ultrassonografia obstétrica (não é obrigatório), com a função de verificar a idade gestacional; Citopatológico de colo de útero (se for necessário) Exame da secreção vaginal (se houver indicação clínica) Parasitológico de fezes (se houver indicação clínica) Eletroforese de hemoglobina (se a gestante for negra, tiver antecedentes familiares de anemia falciforme ou apresentar história de anemia crônica), conforme o caderno n° 32 (Brasil, 2013). OBS: Por conta do alto grau de miscigenação da população brasileira, todas as gestantes devem ser rastreadas para doença falciforme, conforme Nota Técnica nº 035/2011/CGSH/DAE/SAS/MS da Rede Cegonha. ATENÇÃO PARA A ATUALIZAÇÃO DE 2023! LEI Nº 14.598, DE 14 DE JUNHO DE 2023 Dispõe sobre a realização de exames em gestantes. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º A rede pública de saúde, observada a disponibilidade orçamentária, incluirá no protocolo de assistência às gestantes a realização dos seguintes procedimentos, nos termos do regulamento: I - ecocardiograma fetal no pré-natal de gestantes; II - pelo menos 2 (dois) exames de ultrassonografia transvaginal durante o primeiro quadrimestre de gestação. Art. 2º Se constatada qualquer alteração que coloque em risco a gestação, o médico encaminhará a gestante para tratamento médico adequado a fim de salvaguardar a vida. Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 14 de junho de 2023; 202o da Independência e 135o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Nísia Verônica Trindade Lima PALPAÇÃO OBSTÉTRICA Ela deve iniciar-se pela delimitação do fundo uterino, bem como de todo o contorno da superfície uterina (este procedimento reduz o risco de erro da medida da altura uterina). A identificação da situação e da apresentação fetal é feita por meio da palpação obstétrica, procurando-se identificar os polos cefálico e pélvico e o dorso fetal, facilmente identificados a partir do terceiro trimestre. Pode-se, ainda, estimar a 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2014.598-2023?OpenDocument APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 24 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. quantidade de líquido amniótico. A percepção materna e a constatação objetiva de movimentos fetais, além do crescimento uterino, são sinais de boa vitalidade fetal. Técnica para palpação abdominal (Manobra de Leopold): Consiste em um método de palpação do abdome materno em 4 passos: • Delimite o fundo do útero com a borda cubital de ambas as mãos e reconheça a parte fetal que o ocupa; • Deslize as mãos do fundo uterino até o polo inferior do útero, procurando sentir o dorso e as pequenas partes do feto; • Explore a mobilidade do polo, que se apresenta no estreito superior pélvico; • Determine a situação fetal, colocando as mãos sobre as fossas ilíacas, deslizando-as em direção à escava pélvica e abarcando o polo fetal, que se apresenta. As situações que podem ser encontradas são: longitudinal (apresentação cefálica e pélvica) e transversa (apresentação córmica). 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 25 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Situação Longitudinal: o eixo principal do feto está paralelo ao eixo longitudinal do útero. Duas apresentações longitudinais são possíveis: Apresentação cefálica (Figura a): a cabeça do feto é a parte apresentada. Apresentação pélvica (Figura b): as nádegas do feto é a parte apresentada. Situação Transerva: Na situação transversa, que é rara, o eixo longitudinal do feto está perpendicular em relação ao eixo longitudinal axial do útero, com seu ombro ocupando a região do estreito superior da bacia. Apresentação Córmica (Figura c): O ponto de referência é o acrômio. Medida da altura uterina (AU) O útero pode ser palpado no abdome a partir de 12 semanas. À medida que a gestação avança, o fundo uterino mostra-se gradativamente mais alto distanciando-se da sínfise púbica. Na primeira metade da gestação, a mensuração do fundo de útero é um bom indicador para o cálculo da idade gestacional. Na segunda metade, embora ele cresça cerca de 4 cm/mês, as variações são maiores e os erros, mais comuns. 1. Posicione a gestante em decúbito dorsal, com o abdome descoberto; 2. Delimite a borda superior da sínfise púbica e o fundo uterino; 3. Por meio da palpação, procure corrigir a comum dextroversão uterina; 4. Fixe a extremidade inicial (0cm extensível, na borda superior da sínfise púbica com uma das mãos, passando-a entre os dedos indicador e médio. 5. Deslize a fita métrica entre os dedos indicador e médio da outra mão até alcançar o fundo do útero com a margem cubital da mesma mão. 6. Proceda à leitura quando a borda cubital da mão atingir o fundo uterino; 7. Anote a medida (em centímetros) na ficha e no cartão e marque o ponto na curva da altura uterina. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 26 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Foram desenvolvidas curvas de altura uterina em função da idade gestacional, nas quais os percentis 10 e 90 marcam os limites da normalidade. DESPENCA EM PROVAS!!! • Até a 6ª semana, não ocorre alteração do tamanho uterino; • Na 8ª semana, o útero corresponde ao dobro do tamanho normal; • Na 10ª semana, o útero corresponde a três vezes o tamanho habitual; • Na 12ª semana, o útero enche a pelve, de modo que é palpável na sínfise púbica; • Na 16ª semana, o fundo uterino encontra-se entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical; • Na 20ª semana, o fundo do útero encontra-se na altura da cicatriz umbilical; • A partir da 20ª semana, existe relação direta entre as semanas da gestação e a medida da altura uterina. Porém, este parâmetro torna-se menos fiel a partir da 30ª semana de idade gestacional. Ausculta dos batimentos cardiofetais (BCF) Deve serrealizada com sonar, após 12 semanas de gestação, ou com Pinard, após 20 semanas. É considerada normal a frequência cardíaca fetal entre 120 a 160 batimentos por minuto. Recomenda-se que a gestante seja pesada em todas as consultas. A estatura pode ser aferida apenas na primeira consulta, desde que não seja gestante adolescente (menor de 20 anos), cuja medida deverá ser realizada pelo menos trimestralmente. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 27 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Registro dos movimentos fetais Avaliação clínica do bem-estar fetal na gravidez a partir da 34ª semana gestacional. Não existe na literatura padronização quanto ao método de registro. O importante é utilizar técnica simples e por período de tempo não muito longo, para não se tornar exaustivo e facilitar a sua realização sistemática pela mulher. Em gestação de baixo risco, o registro diário dos movimentos fetais pode ser iniciado a partir da 34ª semana gestacional. 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 28 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. Método de registro diário de movimentos fetais (RDMF) A gestante recebe as seguintes orientações: • Escolha um período do dia em que possa estar mais atenta aos movimentos fetais; • Alimente-se previamente ao início do registro; • Sente-se com a mão sobre o abdome; Registre os movimentos do feto nos espaços demarcados pelo formulário, anotando o horário de início e de término do registro. A contagem dos movimentos é realizada por período máximo de uma hora. Caso a gestante consiga registrar seis movimentos em menos tempo, não é necessário manter a observação durante uma hora completa. Entretanto, se após uma hora ela não foi capaz de contar seis movimentos, deverá repetir o procedimento. Se na próxima hora não sentir seis movimentos, deverá procurar imediatamente a unidade de saúde. Assim, considera-se como “inatividade fetal” o registro com menos de seis movimentos por hora, em duas horas consecutivas. Teste do estímulo sonoro simplificado (Tess) Técnica: • Coloque a mulher em decúbito dorsal com a cabeceira elevada (posição de Fowler); • Palpe o polo cefálico; o Ausculte os BCF por quatro períodos de 15 segundos e calcule a média (obs.: a gestante não deve estar com contração uterina); • Realize o estímulo sonoro, colocando a buzina sobre o polo cefálico fetal com ligeira compressão sobre o abdome materno (aplique o estímulo entre três e cinco segundos ininterruptos). Durante a realização do estímulo, deve-se observar o abdome materno, procurando identificar movimentos fetais visíveis; • Imediatamente após o estímulo, repita a ausculta dos BCF por novos quatro períodos de 15 segundos e refaça a média dos batimentos. Interpretação do resultado: • Teste positivo: presença de aumento mínimo de 15 batimentos em relação à medida inicial ou presença de movimentos fetais fortes e bruscos na observação do abdome materno durante a realização do estímulo; • Teste negativo: ausência de resposta fetal identificada tanto pela falta de aumento dos BCF quanto pela falta de movimentos fetais ativos. O teste deverá ser realizado duas vezes, com intervalo de, pelo menos, dez minutos para se considerar negativo. Na presença de teste simplificado negativo e/ou desaceleração da frequência cardíaca fetal, está indicada a utilização de método mais apurado para avaliação da vitalidade fetal. Faça a referência da paciente para um serviço especializado no atendimento à gestante ou um pronto atendimento obstétrico. 17667_8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 29 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. IMUNIZAÇÃO: RECOMENDAÇÕES DE ROTINA NO PRÉ-NATAL A vacinação durante a gestação objetiva não somente a proteção da gestante, mas também a proteção do feto. Não há evidências de que, em gestantes, a administração de vacinas de vírus inativados (raiva humana e influenza, por exemplo), de bactérias mortas, toxoides (tetânico e diftérico) e de vacinas constituídas por componentes de agentes infecciosos (hepatite B, por exemplo) acarrete qualquer risco para o feto. Vacinação de rotina para gestantes Monitoramento da situação vacinal. Vacina recomendada Histórico vacinal Conduta no período Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (difteria, tétano e coqueluche) – dTpa ou dTpa-VIP Dupla adulto (difteria e tétano) – dT ● A dTpa está recomendada em todas as gestações, pois além de proteger a gestante e evitar que ela transmita a Bordetella pertussis ao recém- nascido, permite a transferência de anticorpos ao feto protegendo-o nos primeiros meses de vida, até que possa ser imunizado ● Mulheres não vacinadas na gestação devem ser ● Não vacinada previamente ou vacinação desconhecida ● 3 doses com intervalo mínimo de 60 dias, sendo as duas primeiras de dT e a última de dTpa, aplicada a partir da 20ª semana (preferencialmente entre 27ª e 36ª) ● Vacinação incompleta tendo recebido uma dose de vacina contendo o componente tetânico ● 1 dose de dT e uma dose de dTpa, sendo que a dTpa deve ser aplicada a partir da 20ª semana de gestação, o mais precocemente possível (intervalo mínimo de 1 mês entre elas) ● Vacinação incompleta tendo recebido duas doses de vacina contendo o componente tetânico ● 1 dose de dTpa a partir da 20ª semana de gestação, o mais precocemente possível dT dTpa Hepatite B Influenza 8ec3b7b0df1c4dba9f8d81011c8be3bc_17667 APERFEIÇOAR SAÚDE – PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS DIRECIONAMENTO FAZ DIFERENÇA PARA A SUA APROVAÇÃO! 30 MATERIAL ELABORADO PELA PROFESSORA ÉRICA OLIVEIRA Este curso é protegido por direitos autorais, nos termos da Lei n.º 9.610/1998. vacinadas no puerpério, o mais precocemente possível ● Na falta de dTpa, pode ser substituída por dTpa-VIP, ficando a critério médico o uso off-label em gestantes ● Previamente vacinada, com pelo menos três doses de vacina contendo o componente tetânico ● 1 dose de dTpa a partir da 20ª semana de gestação, o mais precocemente possível Vacina contra hepatite B ● A vacina hepatite B é recomendada para todas as gestantes suscetíveis ● Não vacinada ou vacinação desconhecida e HbsAg negativo ● 3 doses, com esquema 0 - 1 - 6 meses (intervalo de 30 dias entre a primeira e a segunda dose e de 6 meses entre a primeira e a terceira dose) ● Não vacinada ou vacinação desconhecida e HbsAg positivo ● Não é necessário vacinar ● Vacinação incompleta ● Completar o esquema de 3 doses, considerando o histórico de vacinação anterior ● Vacinação completa ● Não é necessário vacinar Vacina contra influenza ● A gestante é grupo de risco para as complicações da infecção pelo vírus influenza. ● Não vacinada ou vacinada em campanha anterior ● Dose única, durante a campanha anual, em qualquer idade gestacional Fonte: BRASIL, 2019. Informe Técnico para Implantação da Vacina Adsorvida Difteria, Tétano e Coqueluche (Pertussis Acelular) Tipo adulto – dTpa O objetivo é induzir a produção de altos títulos de anticorpos contra a doença coqueluche na gestante, possibilitando a transferência transplacentária destes anticorpos para o feto, resultando na proteção do recém-nascidos, nos primeiros meses de vida, até que se complete o esquema vacinal contra a coqueluche,