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Edição 2024.1
Revisada
Atualizada
Ampliada
Direitos
Difusos e Coletivos
http://www.iceni.com/infix.htm
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS – PROCESSO COLETIVO 
APRESENTAÇÃO................................................................................................................................ 9 
TEORIA GERAL DO PROCESSO COLETIVO ................................................................................. 10 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ..................................................................................................... 10 
1.1. ORIGEM .............................................................................................................................. 10 
1.2. CONCEITOS BÁSICOS ...................................................................................................... 10 
1.2.1. Direito Processual Coletivo .......................................................................................... 10 
1.2.2. Ação coletiva ................................................................................................................ 10 
1.2.3. Tutela jurisdicional coletiva .......................................................................................... 10 
1.3. TUTELA DE DIREITOS COLETIVOS x TUTELA COLETIVA DE DIREITOS ................... 11 
2. EVOLUÇÃO HISTÓRICO-METODOLÓGICA ........................................................................... 11 
2.1. GERAÇÕES/DIMENSÕES DE DIREITOS FUNDAMENTAIS ........................................... 11 
2.1.1. Direitos de 1ª Dimensão: liberdade ............................................................................. 12 
2.1.2. Direitos de 2ª dimensão: igualdade ............................................................................. 12 
2.1.3. Direitos de 3ª Dimensão: fraternidade ou solidariedade ............................................. 13 
2.1.4. Direitos de 4ª Geração ................................................................................................. 14 
2.2. FASES METODOLÓGICAS DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL ..................................... 14 
2.2.1. 1º momento: Sincretismo, civilismo ou privatismo ...................................................... 14 
2.2.2. 2º momento: Autonomismo ou conceitual (de 1868 até hoje) .................................... 14 
2.2.3. 3º momento: Instrumentalismo .................................................................................... 15 
2.2.4. 4º Momento: Neoprocessualismo ................................................................................ 16 
2.3. PROCESSO INDIVIDUAL X PROCESSO COLETIVO ...................................................... 18 
2.4. ANTECEDENTES HISTÓRICOS ....................................................................................... 18 
2.5. ORIGEM DO PROCESSO COLETIVO BRASILEIRO ....................................................... 19 
3. NATUREZA DOS DIREITOS METAINDIVIDUAIS .................................................................... 20 
4. CLASSIFICAÇÃO DO PROCESSO COLETIVO ....................................................................... 21 
4.1. QUANTO AO SUJEITO: ATIVO E PASSIVO ..................................................................... 21 
4.1.1. Processo coletivo ATIVO ............................................................................................. 21 
4.1.2. Processo coletivo PASSIVO ........................................................................................ 21 
4.1.3. Processo Coletivo ATIVO e PASSIVO ........................................................................ 24 
4.2. QUANTO AO OBJETO: ESPECIAL OU COMUM.............................................................. 25 
4.2.1. Processo coletivo ESPECIAL ...................................................................................... 25 
4.2.2. Processo coletivo Comum ........................................................................................... 25 
4.3. OUTRA CLASSIFICAÇÃO .................................................................................................. 26 
4.3.1. Ações Pseudocoletivas ................................................................................................ 26 
4.3.2. Ações Pseudoindividuais ............................................................................................. 26 
5. PRINCIPAIS PRINCÍPIOS DE DIREITO PROCESSUAL COLETIVO ...................................... 26 
5.1. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE MITIGADA DA AÇÃO COLETIVA ........................ 27 
5.2. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DA EXECUÇÃO COLETIVA ................................. 29 
5.3. PRINCÍPIO DO INTERESSE JURISDICIONAL DO CONHECIMENTO DO MÉRITO...... 31 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 2 
 
5.4. PRINCÍPIO DA PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO ............................................................. 32 
5.5. PRINCÍPIO DO MÁXIMO BENEFÍCIO DA TUTELA JURISDICIONAL COLETIVA .......... 32 
5.6. PRINCÍPIO DO ATIVISMO JUDICIAL OU DA MÁXIMA EFETIVIDADE PROCESSO ..... 33 
5.6.1. Poderes instrutórios mais acentuados ........................................................................ 33 
5.6.2. Flexibilização das regras procedimentais ................................................................... 33 
5.6.3. Comunicação para o ajuizamento ............................................................................... 34 
5.6.4. Controle das políticas públicas .................................................................................... 34 
5.7. PRINCÍPIO DA MÁXIMA AMPLITUDE/ATIPICIDADE/NÃO TAXATIVIDADE DO 
PROCESSO COLETIVO ................................................................................................................ 36 
5.8. PRINCÍPIO DA AMPLA DIVULGAÇÃO DA DEMANDA COLETIVA ................................. 37 
5.9. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA ADEQUADA ................................................................... 38 
5.10. PRINCÍPIO DA INTEGRATIVIDADE DO MICROSSISTEMA PROCESSUAL COLETIVO 
(APLICAÇÃO INTEGRADA DAS LEIS PROCESSUAIS COLETIVAS)........................................ 38 
5.11. PRINCÍPIO DA ADEQUADA REPRESENTAÇÃO OU DO CONTROLE JUDICIAL DA 
LEGITIMAÇÃO COLETIVA ............................................................................................................ 42 
5.11.1. Introdução ................................................................................................................. 42 
5.11.2. Posições adotadas no Brasil .................................................................................... 44 
5.11.3. Critério doutrinários/jurisprudenciais para o controle judicial .................................. 44 
5.11.4. Natureza jurídica do controle judicial na representação ......................................... 45 
6. OBJETO DO PROCESSO COLETIVO ...................................................................................... 45 
6.1. DIREITOS/INTERESSES METAINDIVIDUAIS NATURALMENTE COLETIVOS ............. 47 
6.2. DIREITOS METAINDIVIDUAIS ACIDENTALMENTE COLETIVOS (INDIVIDUAIS 
HOMOGÊNEOS) ............................................................................................................................ 48 
6.3. GRÁFICOS: DIFUSOS x COLETIVOS x INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS ......................... 50 
6.4. OBSERVAÇÕES FINAIS RELACIONADAS AO OBJETO DO PROCESSO COLETIVO 50 
AÇÃO CIVIL PÚBLICA ...................................................................................................................... 52 
1. GENERALIDADES ..................................................................................................................... 52 
1.1. PREVISÃO LEGAL/SUMULAR .......................................................................................... 52 
1.1.1. Histórico legal ............................................................................................................... 52 
1.1.2. Previsão sumularque só poderá ser solucionada em juízo pela colocação dos representantes das 
categorias frente a frente, em ambos os polos da demanda. 
Art. 107. As entidades civis de consumidores e as associações de 
fornecedores ou sindicatos de categoria econômica podem regular, por 
convenção escrita, relações de consumo que tenham por objeto estabelecer 
condições relativas ao preço, à qualidade, à quantidade, à garantia e 
características de produtos e serviços, bem como à reclamação e 
composição do conflito de consumo. 
§ 1° A convenção tornar-se-á obrigatória a partir do registro do instrumento 
no cartório de títulos e documentos. 
§ 2° A convenção somente obrigará os filiados às entidades signatárias. 
§ 3° Não se exime de cumprir a convenção o fornecedor que se desligar da 
entidade em data posterior ao registro do instrumento. 
 
Argumentam, ainda, que o sistema ope legis, em que a lei escolhe o adequado representante 
passivo de uma determinada coletividade, deveria ser temperado com o sistema ope judicis, em 
que o juiz também pode decidir, a luz do caso concreto, sobre a aptidão daquela entidade que se 
apresenta em juízo. 
Por fim, não havendo representante adequado (análise do caso concreto, não há como ser 
predeterminado), não será cabível. 
Atenção! Admitindo-se a ação coletiva passiva, a decisão do processo 
irá atingir todos os indivíduos, mesmo os que não fazem parte da 
associação ou do sindicato que atua como representante da 
coletividade demanda. 
Alguns autores sustentam que os arts. 554 e 565, §2º, do CPC/2015 seriam exemplos de 
ações coletivas passivas, pois determinam a intimação do MP e da DP, atuariam como porta-voz 
da comunidade demandada. 
Art. 554. A propositura de uma ação possessória em vez de outra não 
obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal 
correspondente àquela cujos pressupostos estejam provados. 
§ 1o No caso de ação possessória em que figure no polo passivo grande 
número de pessoas, serão feitas a citação pessoal dos ocupantes que forem 
encontrados no local e a citação por edital dos demais, determinando-se, 
ainda, a intimação do Ministério Público e, se envolver pessoas em situação 
de hipossuficiência econômica, da Defensoria Pública. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 24 
 
§ 2o Para fim da citação pessoal prevista no § 1o, o oficial de justiça procurará 
os ocupantes no local por uma vez, citando-se por edital os que não forem 
encontrados. 
§ 3o O juiz deverá determinar que se dê ampla publicidade da existência da 
ação prevista no § 1o e dos respectivos prazos processuais, podendo, para 
tanto, valer-se de anúncios em jornal ou rádio locais, da publicação de 
cartazes na região do conflito e de outros meios. 
 
Art. 565. No litígio coletivo pela posse de imóvel, quando o esbulho ou a 
turbação afirmado na petição inicial houver ocorrido há mais de ano e dia, o 
juiz, antes de apreciar o pedido de concessão da medida liminar, deverá 
designar audiência de mediação, a realizar-se em até 30 (trinta) dias, que 
observará o disposto nos §§ 2o e 4o. 
§ 2o O Ministério Público será intimado para comparecer à audiência, e a 
Defensoria Pública será intimada sempre que houver parte beneficiária de 
gratuidade da justiça. 
 
O STJ possui uma decisão monocrática (RESp. 1.632.064) do final de 2019 em que admitiu 
a ação coletiva passiva. 
Por fim, a ação coletiva passiva possui duas espécies: derivada e originária. 
AÇÃO PASSIVA COLETIVA DERIVADA AÇÃO PASSIVA COLETIVA ORIGINÁRIA 
Decorre de uma ação coletiva originária, por 
exemplo a ação rescisória de uma ação civil 
pública. 
Imagine que a parte vencida interpôs uma ação 
rescisória de uma ação civil pública, a 
coletividade (que foi vencedora) será a ré. Será 
representada pelo autor da ACP, a exemplo do 
MP/da Defensoria. 
A coletividade será demandada, 
independentemente da existência de uma ação 
coletiva ativa. 
É o caso, por exemplo, de uma ação para evitar 
greve dos metroviários. 
 
4.1.3. Processo Coletivo ATIVO e PASSIVO 
A ação duplamente coletiva é aquela em que há uma coletividade em cada polo da demanda, 
ou seja, há duas coletividades envolvidas na relação jurídica processual. 
Alguns exemplos podem ser úteis à compreensão do tema. Os litígios trabalhistas coletivos 
são objetos de processos duplamente coletivos. Em cada um dos polos, conduzidos pelos 
sindicatos das categorias profissionais (empregador e empregado), discutem-se situações jurídicas 
coletivas. No direito brasileiro, inclusive, podem ser considerados como os primeiros exemplos de 
ação coletiva passiva. 
ATENÇÃO! Na ação duplamente coletiva, em sendo os direitos 
tutelados de igual natureza, ou seja, os direitos oriundos do polo ativo 
são de mesma natureza dos oriundos do polo passivo da ação, não há 
restrições à formação da coisa julgada erga omnes. Como não há 
razão para privilegiar nenhuma das classes, pois ambas se encontram 
em mesmas condições de defesa e têm os direitos tutelados em igual 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 25 
 
patamar (v.g. direitos difusos x direitos difusos), a coisa julgada será 
formada independente de a sentença ser procedente para o autor ou 
para o réu. 
4.2. QUANTO AO OBJETO: ESPECIAL OU COMUM 
4.2.1. Processo coletivo ESPECIAL 
Processo das ações de controle abstrato de constitucionalidade (ADI, ADC, ADO, ADPF). 
4.2.2. Processo coletivo Comum 
Todas as ações para tutela dos interesses e direitos metaindividuais não relacionadas ao 
controle abstrato de constitucionalidade. 
Exemplos: 
1) Ação Civil Pública; 
2) “Ação Coletiva” (CDC); 
OBS: Somente alguns autores sustentam que ação coletiva é algo 
diverso da ação civil pública. Dizem que a ação coletiva é aquela que 
tem fundamento no CDC. 
Gajardoni: ação coletiva é gênero, em que estão todas vistas aqui. 
3) Ação de improbidade administrativa; há autores que sustentam que a ação de 
improbidade administrativa é espécie de ACP (denominada: “ação civil pública de 
improbidade administrativa”), o STJ por vezes também o faz. Não teria, assim, 
autonomia. 
São ações diferentes. A ação de improbidade tem caráter sancionatório. A ACP tem caráter 
apenas reparatório. Assim o objeto, a legitimidade e a coisa julgada são diferentes. 
Inclusive, recentemente, com as alterações realizadas na Lei de Improbidade, o legislador 
fez constar expressamente que não constitui ação civil, reforçando o objetivo sancionatório desta 
ação: 
Art. 17-D. A ação por improbidade administrativa é repressiva, de caráter 
sancionatório, destinada à aplicação de sanções de caráter pessoal previstas 
nesta Lei, e não constitui ação civil, vedado seu ajuizamento para o controle 
de legalidade de políticas públicas e para a proteção do patrimônio público e 
social, do meio ambiente e de outros interesses difusos, coletivos e 
individuais homogêneos. 
4) Ação popular; 
5) MS coletivo; 
6) MI coletivo. 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 26 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/MG (2017) Em função do objeto material, o processo coletivo brasileiro 
é dividido em comum e especial. Em relação a esse último, é correto afirmar 
que o direito processual coletivo especial não se presta à tutela de direitos 
subjetivos. Correta! 
4.3. OUTRA CLASSIFICAÇÃO 
4.3.1. Ações Pseudocoletivas 
São ações ajuizadas com o rótulo de ações coletivas, mas que, na verdade, não são 
coletivas. São pseudocoletivas, ou seja, falsamente coletivas. 
Trata-se da ação que é proposta pelo ente legitimado em lei (legitimado extraordinário), mas 
que formula pedido certo e específico em prol de determinados indivíduos, que são substituídos 
processualmente. Há, na verdade, uma pluralidade de pretensões reunidas em uma mesma 
demanda. Exemplo comum é o de ação proposta por um ente associativo, deduzindo pretensãoem 
prol de seus associados. 
Como se vê, nas ações pseudocoletivas o grande problema é o prejuízo que a demanda 
pode trazer ao contraditório e ao direito de defesa. Por isso, a constatação desse prejuízo deve 
levar à inadmissibilidade da ação. 
4.3.2. Ações Pseudoindividuais 
Em sentido diverso, as ações pseudoindividuais correspondem àquelas que, a despeito de 
serem ajuizadas por uma única pessoa, tem o condão de repercutir para além de sua esfera 
individual. 
São os casos de direitos sociais. Por exemplo, boate faz barulho e não deixa ninguém 
dormir, apenas um pode entrar com a ação, mas alcançará todos. Rampa de acesso em escola 
para cadeirante que lá estuda, irá servir para o acesso de outros cadeirantes. 
Outra situação bastante comum é o do candidato que impetrar um mandado de segurança 
ou ajuizar uma ação ordinária e um dos pedidos deferidos pelo juiz é o da suspensão ou anulação 
de uma prova de concurso público, o que notoriamente refletirá para todos os demais candidatos 
daquele certame. 
5. PRINCIPAIS PRINCÍPIOS DE DIREITO PROCESSUAL COLETIVO 
O princípio é vetor legislativo, porque faz com que o legislador tenha que criar normas a 
eles aderentes. De igual modo, o princípio é também vetor interpretativo - o que significa dizer 
que as normas-regras devem ser interpretadas de modo a potencializar o seu alcance. 
Veremos somente os principais, que, obviamente, não afastam os princípios constitucionais 
do processo civil, tais como: contraditório, ampla defesa, devido processo legal. 
Alguns princípios são expressos, seja na legislação coletiva ou em outra normativa. 
Havendo, também, princípios implícitos, os quais decorrem do sistema de processo coletivo adotado 
no Brasil. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 27 
 
Estudaremos os seguintes princípios: 
1) Princípio da indisponibilidade mitigada da ação coletiva (LACP, art. 5º, §3º; LAP, art. 9º); 
2) Princípio da indisponibilidade da execução coletiva (LAP, art. 16; LACP, art. 15); 
3) Princípio do interesse jurisdicional do conhecimento do mérito; 
4) Princípio da prioridade na tramitação; 
5) Princípio do máximo benefício da tutela jurisdicional coletiva (art. 103, §§3º e 4º do CDC); 
6) Princípio do ativismo judicial; 
7) Princípio da máxima amplitude/atipicidade/não taxatividade do processo coletivo; 
8) Princípio da ampla divulgação da demanda coletiva (CDC, art. 94); 
9) Princípio da competência adequada; 
10) Princípio da integratividade do microssistema processual coletivo (aplicação integrada 
das leis processuais coletivas); 
11) Princípio da adequada representação ou do controle judicial da legitimação coletiva; 
5.1. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE MITIGADA DA AÇÃO COLETIVA 
Encontra previsão no art. 5º, §3º da Lei de Ação Civil Pública e no art. 9º da Lei de Ação 
Popular. 
LACP Art. 5º, § 3° Em caso de desistência INFUNDADA ou abandono da 
ação por associação legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado 
assumirá a titularidade ativa. 
 
LAP, Art. 9º Se o autor DESISTIR da ação ou der motivo à absolvição da 
instância, serão publicados editais nos prazos e condições previstos no art. 
7º, inciso II, ficando assegurado a qualquer cidadão, bem como ao 
representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90 (noventa) dias da 
última publicação feita, promover o prosseguimento da ação. 
 
De acordo com este princípio, o objeto da ação coletiva pertence à coletividade não ao ente 
legitimado. Por isso, não se admite desistência ou abandono imotivados da ação coletiva. Se 
houver, não implicará extinção do processo, mas sim sucessão processual. 
OBS: Se a desistência for motivada e fundada, é possível que o juiz 
extinga o processo, verificando a pertinência das alegações. Por isso, 
diz que a indisponibilidade é MITIGADA. Por exemplo, ACP ambiental, 
na metade do processo repara-se integralmente o dano, o MP pode 
desistir do processo e acompanhar extrajudicialmente. 
Destaca-se que caso o Ministério Público desista infundadamente caberá controle que será 
feito pelo Órgão Superior do Ministério Público. Há na doutrina divergência acerca de qual ente será 
o responsável, vejamos: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 28 
 
1ªC (Hugo Mazzilli): por analogia ao art. 9º da LACP, o controle deverá ser feito pelo 
Conselho Superior do Ministério Público. Prevalece. 
Art. 9º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se 
convencer da inexistência de fundamento para a propositura da ação civil, 
promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das peças 
informativas, fazendo-o fundamentadamente. 
§ 1º Os autos do inquérito civil ou das peças de informação arquivadas serão 
remetidos, sob pena de se incorrer em falta grave, no prazo de 3 (três) dias, 
ao Conselho Superior do Ministério Público. 
§ 2º Até que, em sessão do Conselho Superior do Ministério Público, seja 
homologada ou rejeitada a promoção de arquivamento, poderão as 
associações legitimadas apresentar razões escritas ou documentos, que 
serão juntados aos autos do inquérito ou anexados às peças de informação. 
§ 3º A promoção de arquivamento será submetida a exame e deliberação do 
Conselho Superior do Ministério Público, conforme dispuser o seu 
Regimento. 
§ 4º Deixando o Conselho Superior de homologar a promoção de 
arquivamento, designará, desde logo, outro órgão do Ministério Público para 
o ajuizamento da ação. 
 
2ªC (Nelson Nery Jr.): o controle deverá ser feito pela chefia do Ministério Público (PGJ ou 
PGR). 
3ªC: Por fim, salienta-se que, de acordo com a jurisprudência do STJ, o MP possui o dever 
de assumir a titularidade da ação em caso de desistência. 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. INGRESSO DO MP EM AÇÃO CIVIL 
PÚBLICA NA HIPÓTESE DE VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO DA 
ASSOCIAÇÃO AUTORA. Na ação civil pública, reconhecido o vício na 
representação processual da associação autora, deve-se, antes de 
proceder à extinção do processo, conferir oportunidade ao Ministério 
Público para que assuma a titularidade ativa da demanda. Isso porque as 
ações coletivas trazem em seu bojo a ideia de indisponibilidade do interesse 
público, de modo que o art. 13 do CPC deve ser interpretado em consonância 
com o art. 5º, § 3º, da Lei 7.347/1985. Precedente citado: REsp 855.181-SC, 
Segunda Turma, DJe 18/9/2009. REsp 1.372.593-SP, Rel. Min. Humberto 
Martins, julgado em 7/5/2013. 
 
RECURSO ESPECIAL. (...). 1. Em linha de princípio, afigura-se possível que 
o Ministério Público ou outro legitimado, que necessariamente guarde uma 
representatividade adequada com os interesses discutidos na ação, assuma, 
no curso do processo coletivo (inclusive com a demanda já estabilizada, como 
no caso dos autos), a titularidade do polo ativo da lide, possibilidade, é certo, 
que não se restringe às hipóteses de desistência infundada ou de abandono 
da causa, mencionadas a título exemplificativo pelo legislador ( numerus 
apertus). (...) 2.1 Ante a natureza e a relevância pública dos interesses 
tutelados no bojo de uma ação coletiva, de inequívoca repercussão social, 
ressai evidenciado que os legitimados para promover a ação coletiva não 
podem proceder a atos de disposição material e/ou formal dos direitos ali 
discutidos, inclusive porque deles não são titulares. 2.2 No âmbito do 
processo coletivo, vigora o princípio da indisponibilidade (temperada) 
da demanda coletiva, seja no tocante ao ajuizamento ou à continuidade 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 29 
 
do feito, com reflexo direto em relação ao Ministério Público que, 
institucionalmente, tem o dever de agir sempre que presente o interesse 
social (naturalmente, sem prejuízo de uma ponderada avaliação sobre a 
conveniência e, mesmo, sobre possível temeridade em que posta a ação), e, 
indiretamente, aos demais colegitimados. Como especialização do princípioda instrumentalidade das formas, o processo coletivo é também norteado 
pelo princípio da primazia do conhecimento do mérito, em que este (o 
processo) somente atingirá sua função instrumental-finalística se houver o 
efetivo equacionamento de mérito do conflito. (...) Recurso especial provido 
STJ - REsp 1.405.697 /Estado de Minas Gerais - 3.ª Turma - j. 28.04.2015 - 
v.u. - Rel. Marco. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PB (2018) Em ação coletiva, determinada associação legitimada 
passou a não mais promover os atos e diligências que lhe competiam no 
decorrer do arco procedimental. Nesse caso, o órgão do Ministério Público 
deverá fazer juízo de conveniência e oportunidade para concluir se deve 
assumir a autoria da demanda ou mesmo dela desistir, pois é possível que a 
mesma se mostre improcedente. Correta! 
 
MPE/PE (2014) A ação civil pública não pode ter a sua titularidade ativa 
assumida por outra associação legitimada, quando houver desistência 
injustificada pelo autor, vez que tal atribuição é exclusiva do Ministério 
Público. Errada! 
 
5.2. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DA EXECUÇÃO COLETIVA 
Previsto no art. 16 da Lei de Ação Popular e no art. 15 da Lei de Ação Civil Pública. Vejamos: 
LACP Art. 15. Decorridos sessenta dias do trânsito em julgado da sentença 
condenatória, sem que a associação autora lhe promova a execução, deverá 
fazê-lo o Ministério Público, facultada igual iniciativa aos demais legitimados. 
 
LAP Art. 16. Caso decorridos 60 (sessenta) dias da publicação da sentença 
condenatória de segunda instância, sem que o autor ou terceiro promova a 
respectiva execução, o representante do Ministério Público a promoverá nos 
30 (trinta) dias seguintes, sob pena de falta grave. 
 
Também denominado de princípio da obrigatoriedade da execução coletiva. 
Perceber que na Lei de Ação Popular a sentença de segunda instância deve ser executada 
desde a sua publicação. Na Lei da Ação Civil Pública é desde o trânsito em julgado, o que parece 
ser mais correto, de acordo com a doutrina. 
É impossível não se proceder à execução da decisão de ação coletiva, é obrigatória. Se o 
autor da ação não tomar iniciativa para executar, a lei permite a outros legitimados, bem como ao 
MP proceder à execução. 
Salienta-se que, aqui, não há a expressão “mitigada”, consequentemente, não há a 
possibilidade nem de desistência motivada. 
Para os colegitimados é faculdade a execução, mas para o MP é um dever. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 30 
 
Estes artigos aplicam-se aos direitos difusos e coletivos. Em relação aos direitos individuais 
homogêneos, aplica-se a regra própria prevista no art. 100 do CDC. 
Art. 100. Decorrido o prazo de um ano sem habilitação de interessados em 
número compatível com a gravidade do dano, poderão os legitimados do art. 
82 promover a liquidação e execução da indenização devida. 
 
O Princípio da Indisponibilidade Mitigada da Ação Coletiva e o Princípio da Indisponibilidade 
da Execução Coletiva, com o Pacote Anticrime, acabaram sofrendo um abrandamento, tendo em 
vista a alteração do art. 17, §1º da Lei de Improbidade Administrativa que passou a prever a 
possibilidade de acordo de não persecução civil. 
Art. 17, § 1º As ações de que trata este artigo admitem a celebração de acordo 
de não persecução cível, nos termos desta Lei. (REVOGADO PELA LEI 
14230/21 
 
A Lei 14.230/2021, que alterou significativamente a Lei de Improbidade Administrativa, 
revogou o §1º do art. 17 e incluiu o art. 17-B que definiu os parâmetros do acordo de não persecução 
civil. 
Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso 
concreto, celebrar acordo de não persecução civil, desde que dele advenham, 
ao menos, os seguintes resultados: 
I - o integral ressarcimento do dano; 
II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda 
que oriunda de agentes privados. 
§ 1º A celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo dependerá, 
cumulativamente: 
I - da oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou posterior à 
propositura da ação; 
II - de aprovação, no prazo de até 60 (sessenta) dias, pelo órgão do Ministério 
Público competente para apreciar as promoções de arquivamento de 
inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento da ação; 
III - de homologação judicial, independentemente de o acordo ocorrer antes 
ou depois do ajuizamento da ação de improbidade administrativa. 
§ 2º Em qualquer caso, a celebração do acordo a que se refere o caput deste 
artigo considerará a personalidade do agente, a natureza, as circunstâncias, 
a gravidade e a repercussão social do ato de improbidade, bem como as 
vantagens, para o interesse público, da rápida solução do caso. 
§ 3º Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, deverá ser 
realizada a oitiva do Tribunal de Contas competente, que se manifestará, com 
indicação dos parâmetros utilizados, no prazo de 90 (noventa) dias. 
§ 4º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser celebrado no 
curso da investigação de apuração do ilícito, no curso da ação de improbidade 
ou no momento da execução da sentença condenatória. 
§ 5º As negociações para a celebração do acordo a que se refere 
o caput deste artigo ocorrerão entre o Ministério Público, de um lado, e, de 
outro, o investigado ou demandado e o seu defensor. 
§ 6º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá contemplar a 
adoção de mecanismos e procedimentos internos de integridade, de auditoria 
e de incentivo à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos 
de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica, se for o caso, bem como 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 31 
 
de outras medidas em favor do interesse público e de boas práticas 
administrativas. 
§ 7º Em caso de descumprimento do acordo a que se refere o caput deste 
artigo, o investigado ou o demandado ficará impedido de celebrar novo 
acordo pelo prazo de 5 (cinco) anos, contado do conhecimento pelo Ministério 
Público do efetivo descumprimento 
 
5.3. PRINCÍPIO DO INTERESSE JURISDICIONAL DO CONHECIMENTO DO MÉRITO 
O CPC/2015, tratando do processo individual, traz previsão do referido princípio, que 
também pode ser chamado de princípio da primazia do julgamento de mérito. 
Art. 139, IX - determinar o suprimento de pressupostos processuais e o 
saneamento de outros vícios processuais; 
 
Significa que o magistrado deve evitar, de todas as formas, a extinção do processo sem 
apreciação do mérito. Deve-se fazer valer sempre o conteúdo em detrimento da forma, tendo em 
vista que uma decisão sem mérito é o fracasso do Estado-juiz que toma proporções ainda maiores 
em se tratando de questões do interesse coletivo. 
A seguir veremos exemplos de manifestação do referido princípio. 
1) A ilegitimidade superveniente na ação popular (exemplo: perda da cidadania em razão de 
sentença penal) não conduz à extinção do feito. O juiz procurará outro cidadão para assumir 
o polo, em aplicação analógica dos artigos vistos acima quanto à sucessão processual na 
desistência imotivada da ação. Caso nenhum cidadão assuma, o juiz chama o MP. 
LAP Art. 16. Caso decorridos 60 (sessenta) dias da publicação da sentença 
condenatória de segunda instância, sem que o autor ou terceiro promova a 
respectiva execução, o representante do Ministério Público a promoverá 
nos 30 (trinta) dias seguintes, sob pena de falta grave. 
 
2) A coisa julgada obedece ao regime “secundum eventum probationis”, de forma que em 
determinadas situações de improcedência por insuficiência de provas não há que se falar 
em coisa julgada material. O que o legislador quis foi garantir que o julgamento de 
procedência ou improcedência fosse de mérito, e não mera ficção decorrente das regras do 
ônus da prova (CPC/2015, art. 373). Ver adiante. 
Art. 373. O ônus daprova incumbe: 
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do 
direito do autor. 
§ 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa 
relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o 
encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do 
fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde 
que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a 
oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. 
§ 2o A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que 
a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente 
difícil. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 32 
 
§ 3o A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por 
convenção das partes, salvo quando: 
I - recair sobre direito indisponível da parte; 
II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. 
§ 4o A convenção de que trata o § 3o pode ser celebrada antes ou durante o 
processo. 
 
Ligar este princípio à instrumentalidade das formas, teoria das nulidades (como regra geral, 
sem prejuízo não há nulidade) e ativismo judicial. 
5.4. PRINCÍPIO DA PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO 
Trata-se de princípio implícito, decorre da lógica do sistema coletivo. 
Por esse princípio, o processo coletivo tem preferência sobre o processo individual, salvo os 
casos de exceções legais (HC, MS, HD), tendo em vista que por meio do processo coletivo, se 
resolvem um grande número de situações não tuteláveis por processos individuais. 
A Recomendação 76/2020 do CNJ consagrou o Princípio da Prioridade na Tramitação. 
Observe: 
Art. 3º Recomendar, sem prejuízo das preferências legalmente estabelecidas, 
prioridade para o processamento e para o julgamento das ações coletivas em 
todos os graus de jurisdição. 
 
5.5. PRINCÍPIO DO MÁXIMO BENEFÍCIO DA TUTELA JURISDICIONAL COLETIVA 
Encontra-se previsto no art. 103, §§3º E 4º do CDC. Vejamos: 
CDC Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará 
coisa julgada: 
(...) 
§ 3° Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. 16, combinado com o art. 
13 da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985 (LACP), não prejudicarão as ações 
de indenização por danos pessoalmente sofridos, propostas individualmente 
ou na forma prevista neste código, mas, se procedente o pedido, beneficiarão 
as vítimas e seus sucessores, que poderão proceder à liquidação e à 
execução, nos termos dos arts. 96 a 99. 
§ 4º Aplica-se o disposto no parágrafo anterior à sentença penal 
condenatória. 
 
Favorece imensamente o jurisdicionado, mas, ao mesmo tempo, sobrecarrega o judiciário. 
A coisa julgada coletiva, em regra, só beneficia as vítimas e seus sucessores, nunca 
prejudica as pretensões individuais. Em razão disso, a coisa julgada negativa (improcedência da 
ação) não impede que cada uma das pessoas ajuíze suas ações individuais. 
Quando a decisão do processo coletivo for de procedência, diz-se que ocorre o fenômeno 
do transporte ‘in utilibus’ da coisa julgada coletiva. É a possibilidade de o autor individual se 
utilizar da coisa julgada coletiva para proceder à liquidação e execução. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 33 
 
De acordo com Gajardoni, o referido princípio é o “câncer” do Judiciário, pois nada impede 
que os inúmeros indivíduos, que não foram tutelados pela improcedência da ação coletiva, ajuízem 
ações individuais. 
ATENÇÃO (EXCEÇÃO)! art. 94 CDC. Quando o indivíduo entra como 
litisconsorte na ação coletiva será parte do processo. Sendo parte, a 
coisa julgada ‘pega’, seja procedente ou improcedente. Haverá coisa 
julgada pro et contra. 
Art. 94. Proposta a ação, será publicado edital no órgão oficial, a fim de que 
os interessados possam intervir no processo como litisconsortes, sem 
prejuízo de ampla divulgação pelos meios de comunicação social por parte 
dos órgãos de defesa do consumidor. 
 
5.6. PRINCÍPIO DO ATIVISMO JUDICIAL OU DA MÁXIMA EFETIVIDADE PROCESSO 
Também é um princípio implícito, que decorre do sistema coletivo. 
Por conta do interesse social, não há como se negar que no processo coletivo o juiz tem 
maiores poderes que no processo individual, na maioria dos casos com o objetivo de evitar a 
extinção do processo sem resolução do mérito (princípio do interesse jurisdicional pelo 
conhecimento do mérito). 
Doutrina e jurisprudência ampliam os poderes do juiz na condução e na solução do processo 
coletivo, esse ativismo decorre do americano “defining function” (função de definidor). Em 
decorrência do aumento dos poderes do juiz, ele fica autorizado a agir de quatro formas que no 
processo individual não poderia: 
• Poderes instrutórios mais acentuados (condução); 
• Flexibilização das regras procedimentais (condução), nos termos do art. 139, VI do CPC; 
• Possibilidade de alteração dos elementos da demanda após o saneamento do processo 
(condução); 
• Controle das políticas públicas (solução). 
5.6.1. Poderes instrutórios mais acentuados 
Ainda que haja omissão probatória da parte, deve o juiz suprir essa lacuna, na busca da 
verdade real. 
Outra regra, que deixa claro esse caráter inquisitivo da ação coletiva, é o art. 7º da LACP: 
LACP Art. 7º Se, no exercício de suas funções, os juízes e tribunais tiverem 
conhecimento de fatos que possam ensejar a propositura da ação civil, 
remeterão peças ao Ministério Público para as providências cabíveis. 
 
5.6.2. Flexibilização das regras procedimentais 
O juiz pode alterar a ordem de atos processuais, bem como malear os prazos. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 34 
 
Imagine, por exemplo, que o juiz verifica a falta de litisconsorte necessário (ilegitimidade de 
parte), não extingue o processo, mas altera a ordem dos atos (engata uma ‘marcha ré’), de forma a 
permitir a presença do litisconsorte. Tudo isso com a finalidade de tutelar o interesse coletivo e 
evitar o julgamento sem análise de mérito. 
Igualmente, podemos citar, que no CPC as partes têm prazo de 15 dias para se manifestar 
sobre perícia. Na tutela coletiva, o juiz pode tranquilamente dilatar esse prazo. 
5.6.3. Comunicação para o ajuizamento 
O art. 139, X, do CPC/2015 e o art. 7º da LACP, afirmam que os juízes, ao tomarem 
conhecimento de fatos que recomendem o ajuizamento de uma ação coletiva, devem encaminhar 
cópias para os legitimados, a fim de que tomem medidas a bem do interesse social. 
Art. 139, X - quando se deparar com diversas demandas individuais 
repetitivas, oficiar o Ministério Público, a Defensoria Pública e, na medida do 
possível, outros legitimados a que se referem o art. 5o da Lei no 7.347, de 24 
de julho de 1985, e o art. 82 da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, 
para, se for o caso, promover a propositura da ação coletiva respectiva. 
 
Ressalta-se que o art. 7º da LACP refere-se apenas ao MP, mas o juiz irá analisar o caso 
concreto. Por exemplo, tratando-se de hipossuficiente deve encaminhar à DP. 
Art. 7º Se, no exercício de suas funções, os juízes e tribunais tiverem 
conhecimento de fatos que possam ensejar a propositura da ação civil, 
remeterão peças ao Ministério Público para as providências cabíveis. 
 
Possibilidade de alteração dos elementos da demanda após o saneamento do processo, 
observe a redação do art. 329 do CPC. 
Art. 329. O autor poderá: 
I - até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, 
independentemente de consentimento do réu; 
II - até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de 
pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a 
possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, 
facultado o requerimento de prova suplementar. 
Parágrafo único.Aplica-se o disposto neste artigo à reconvenção e à 
respectiva causa de pedir. 
 
Tudo isso com a finalidade de tutelar adequadamente o direito coletivo. Obviamente, sempre 
respeitando o contraditório e todos os princípios do devido processo legal. 
5.6.4. Controle das políticas públicas 
Entende-se por política pública o método de consecução dos fins do Estado. Em regra, 
encontram-se previstas na Constituição, a exemplo da saúde e da educação. 
O judiciário, cada vez mais, faz opções que deveriam ser feitas pela Administração Pública. 
E o principal palco para esse ativismo são as Ações Civis Públicas. O judiciário somente pode 
intervir nas políticas públicas para implementar direitos e promessas fundamentais insculpidas na 
CF (saúde, por exemplo). 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7347orig.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7347orig.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm#art82
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 35 
 
O STJ e o STF entendem que, devido ao aumento dos poderes do juiz no processo coletivo, 
lhe é dado intervir na discricionariedade administrativa, desde que para analisar a legalidade dos 
atos, bem como a razoabilidade e a proporcionalidade. Tal controle é possível, pois há 
implementação de direitos fundamentais previstos na CF. Quando o Judiciário faz uma 
determinação para que o Estado implemente uma política pública, o faz, não por vontade própria, 
mas sim porque a CF já fez essa opção. Porém, o administrador não cumpriu. 
É exatamente este o limite que o judiciário possui: a previsão constitucional da política 
pública a ser implementada. Ex.: construção de creche, obras nos presídios (lembrar do estado 
de coisas inconstitucional – ver constitucional) 
O controle judicial excepcional não viola a discricionariedade administrativa, eis que toda 
política pública, estabelecida constitucionalmente, trata-se de uma atividade vinculada. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/SP (2019) A tutela coletiva é meio hábil e adequado para se exigir o 
devido e satisfatório cumprimento de políticas públicas voltadas à realização 
de direitos fundamentais, especialmente quando está em questão a dignidade 
da pessoa humana. Correta! 
TEORIA DA RESERVA DO POSSÍVEL: o STF já pronunciou que diante da falta de 
orçamento comprovada, para implementação de política pública, o poder público pode deixar de 
implementá-la globalmente, mas não pode deixar de atender o núcleo fundamental, núcleo mínimo 
(mínimo existencial). 
Exemplos: 
• MP ingressa ACP pedindo mais efetivo de policiais em determinada localidade. 
• Município não tem condição de construir creche, mas deve realizar um convênio com alguma 
creche particular para atender a política pública de educação, prevista na CF. 
Destaca-se que a implementação das políticas públicas deve ser feita por meio de ações 
coletivas e não ações individuais, sob pena de ao conceder para um se retirar os poucos recursos 
para dos demais. 
LITÍGIO ESTRUTURANTE E PROCESSO ESTRUTURANTE (AÇÃO COLETIVA 
ESTRUTURANTE) 
Determinadas políticas públicas podem ser implementadas por sentença, não dependem de 
acompanhamento ou de alguma providência para mudar/moldar a forma como a Administração 
Pública conduz o problema. Por exemplo, ajuíza-se uma ACP para que o Poder Público forneça 
fitas de glicemia a determinado grupo de diabéticos, a decisão que determina o fornecimento 
implementa a política pública. 
Entretanto, determinadas políticas públicas para que sejam implementadas necessitam do 
cumprimento de certas medidas, que são proferidas em novas decisões judiciais. Neste caso, o 
Processo Coletivo molda a própria estrutura da Administração, a forma como o problema será 
resolvido, será necessário um acompanhamento. 
Desta forma, pode-se conceituar a Ação Coletiva Estruturante como aquela em que a 
solução dependerá da própria remodelação da forma de administrar do Poder Público. Perceba que 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 36 
 
não haverá apenas uma única decisão, será necessária outras decisões, no curso do processo, 
aptas a remodelar a estrutura pública, inclusive, com o acompanhamento da execução. Por 
exemplo, o MP ajuíza uma ACP visando a demissão de funcionários, sem concurso público, de um 
hospital. Não será possível demitir todos de uma vez, será preciso realizar o concurso, para isso 
recursos precisam ser alocados. 
Em suma, o Processo Estruturante: 
• Permite decisões em cascatas (mais de uma decisão); 
• As decisões não estão sujeitas à preclusão, ou seja, permite-se que o juiz reveja e altere o 
seu entendimento; 
• Mitiga-se os limites de alteração do pedido; 
• O Poder Judiciário deve acompanhar o cumprimento das decisões que determinam a 
implementação da política pública. 
 
5.7. PRINCÍPIO DA MÁXIMA AMPLITUDE/ATIPICIDADE/NÃO TAXATIVIDADE DO 
PROCESSO COLETIVO 
De acordo com este princípio, além das ações coletivas típicas, qualquer ação, qualquer tipo 
de tutela pode ser coletivizada. Desta forma, o que importa para definir uma ação como coletiva é 
o seu objeto e não o seu procedimento. 
Podemos, por exemplo, ter uma ação monitória coletiva quando o objeto for um direito difuso. 
Igualmente, podemos ter uma ação de reintegração de posse para defesa do meio ambiente. 
O rol de ações coletivas NÃO é taxativo (CDC, art. 83). O art. 212 do ECA e o art. 82 do 
Estatuto da Pessoa Idosa trazem a mesma previsão. 
CDC Art. 83. Para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este 
código são admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua 
adequada e efetiva tutela. 
 
Art. 212. Para defesa dos direitos e interesses protegidos por esta Lei, são 
admissíveis todas as espécies de ações pertinentes. 
§ 1º Aplicam-se às ações previstas neste Capítulo as normas do Código de 
Processo Civil. 
§ 2º Contra atos ilegais ou abusivos de autoridade pública ou agente de 
pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público, que lesem direito 
líquido e certo previsto nesta Lei, caberá ação mandamental, que se regerá 
pelas normas da lei do mandado de segurança. 
 
Art. 82. Para defesa dos interesses e direitos protegidos por esta Lei, são 
admissíveis todas as espécies de ação pertinentes. 
Parágrafo único. Contra atos ilegais ou abusivos de autoridade pública ou 
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições de Poder Público, que 
lesem direito líquido e certo previsto nesta Lei, caberá ação mandamental, 
que se regerá pelas normas da lei do mandado de segurança. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 37 
 
Os arts. 10 e 12 do Estatuto da Cidade preveem a possibilidade de usucapião coletiva, 
consagrando o referido princípio. 
Art. 10. Os núcleos urbanos informais existentes sem oposição há mais de 
cinco anos e cuja área total dividida pelo número de possuidores seja inferior 
a duzentos e cinquenta metros quadrados por possuidor são suscetíveis de 
serem usucapidos coletivamente, desde que os possuidores não sejam 
proprietários de outro imóvel urbano ou rural. 
§ 1o O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, 
acrescentar sua posse à de seu antecessor, contanto que ambas sejam 
contínuas. 
§ 2o A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será declarada pelo juiz, 
mediante sentença, a qual servirá de título para registro no cartório de registro 
de imóveis. 
§ 3o Na sentença, o juiz atribuirá igual fração ideal de terreno a cada 
possuidor, independentemente da dimensão do terreno que cada um ocupe, 
salvo hipótese de acordo escrito entre os condôminos, estabelecendo frações 
ideais diferenciadas. 
§ 4o O condomínio especial constituído é indivisível, não sendo passível de 
extinção, salvo deliberação favorável tomada por, no mínimo, dois terços dos 
condôminos, no caso de execução de urbanizaçãoposterior à constituição do 
condomínio. 
§ 5o As deliberações relativas à administração do condomínio especial serão 
tomadas por maioria de votos dos condôminos presentes, obrigando também 
os demais, discordantes ou ausentes. 
 
Art. 11. Na pendência da ação de usucapião especial urbana, ficarão 
sobrestadas quaisquer outras ações, petitórias ou possessórias, que venham 
a ser propostas relativamente ao imóvel usucapiendo. 
 
Art. 12. São partes legítimas para a propositura da ação de usucapião 
especial urbana: 
I – o possuidor, isoladamente ou em litisconsórcio originário ou 
superveniente; 
II – os possuidores, em estado de composse; 
III – como substituto processual, a associação de moradores da comunidade, 
regularmente constituída, com personalidade jurídica, desde que 
explicitamente autorizada pelos representados. 
§ 1o Na ação de usucapião especial urbana é obrigatória a intervenção do 
Ministério Público. 
§ 2o O autor terá os benefícios da justiça e da assistência judiciária gratuita, 
inclusive perante o cartório de registro de imóveis. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/MG (2017) Dentre os princípios do processo coletivo a seguir 
mencionados, é correto afirmar que se trata de corolário lógico do princípio 
constitucional da universalidade da jurisdição princípio da atipicidade da 
tutela coletiva. Correta! 
5.8. PRINCÍPIO DA AMPLA DIVULGAÇÃO DA DEMANDA COLETIVA 
Previsto no art. 94 e no art. 104 do CDC, possui origem na “fair notice” do direito americano. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 38 
 
CDC Art. 94. Proposta a ação, será publicado edital no órgão oficial, a fim de 
que os interessados possam intervir no processo como litisconsortes, sem 
prejuízo de ampla divulgação pelos meios de comunicação social por parte 
dos órgãos de defesa do consumidor. 
 
CDC Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo 
único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais, mas 
os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os 
incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações 
individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a 
contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. 
 
Quando se ajuíza uma ação coletiva, ela pode afetar o interesse de indeterminadas pessoas. 
É, por isso, que a demanda deve ser amplamente divulgada, vale dizer, para que todos interessados 
tomem conhecimento e, querendo, ingressem como litisconsortes (assistente litisconsorcial) ou 
saiam da ‘incidência’ daquela ação (“right to opt out”). 
OBS1: De acordo com a doutrina majoritária, somente na discussão 
de direitos individuais homogêneos o particular pode ingressar como 
assistente; quanto aos difusos e coletivos, somente os colegitimados 
têm essa prerrogativa. 
O referido princípio possui duas falhas, vejamos: 
a) Preocupa-se em avisar a vítima ou seus sucessores na propositura da ação e 
não quando há o julgamento. 
b) Apega-se ao superado modelo dos editais. Segundo Gajardoni, a comunicação 
deveria ser feita por meios eletrônicos ou outros meios de maior alcance ao 
jurisdicionado. 
Exemplo: Ação coletiva contra empresa de telefonia. A divulgação da existência dessa ação 
será feita pela própria conta que é enviada aos usuários-interessados. 
5.9. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA ADEQUADA 
Nas demandas coletivas a competência territorial (local do dano) concorrente é absoluta e 
será determinada pela prevenção. Nada obsta, entretanto, que o juízo prevento decline da sua 
competência em favor de outro juízo que seja mais adequado para a apreciação do caso concreto 
(ver competência adiante). 
Aqui, pode-se relacionar os conceitos de forum shopping, forum non conveniens e o 
princípio da kompetenz-kompetenz. 
 
5.10. PRINCÍPIO DA INTEGRATIVIDADE DO MICROSSISTEMA PROCESSUAL 
COLETIVO (APLICAÇÃO INTEGRADA DAS LEIS PROCESSUAIS COLETIVAS). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 39 
 
 
 
O processo coletivo brasileiro adota a teoria do diálogo das fontes normativas (Cláudia Lima 
Marques). Atualmente, existem cerca de 15 leis que tratam do processo coletivo. No entanto, tudo 
que trata de processo coletivo parte de dois diplomas centrais: CDC e LACP. 
O CDC (art. 90) dispõe que se aplica a ele tudo que se aplica à LACP. 
CDC Art. 90. Aplicam-se às ações previstas neste título as normas do Código 
de Processo Civil e da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985 (LACP), inclusive 
no que respeita ao inquérito civil, naquilo que não contrariar suas disposições. 
 
A LACP (art. 21), por sua vez, prevê que se aplica a ela tudo que se aplica ao CDC. 
LACP Art. 21. Aplicam-se à defesa dos direitos e interesses difusos, coletivos 
e individuais, no que for cabível, os dispositivos do Título III da lei que instituiu 
o Código de Defesa do Consumidor. 
 
Esse fenômeno de integratividade é denominado de NORMA DE REENVIO (uma lei manda 
aplicar a outra reciprocamente), quando há compatibilização entre as normas. 
Por exemplo, aplica-se a inversão do ônus da prova (regra do CDC) em uma ACP sobre 
dano ambiental. 
Entretanto, além do núcleo central, cada um dos outros temas é tratado por Lei Específica 
(LIA, Estatuto da Cidade, Idoso, Deficiente, Ação popular, ECA, 6938/81 – meio ambiente–, etc.). 
LACP (art. 21)
NORMA DE 
REENVIO 
CDC (art. 90)
LAP 
(4.717/65)
ESTATUTO 
DA PESSOA 
COM 
DEFICIÊNCIA
ESTATUTO 
DA CIDADE
MS 
COLETIVO
LIA 
(8.429/92)
ESTATUTO 
DO IDOSO
ECA
CPC 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 40 
 
Pelo princípio em análise, todas as normas paralelas devem se comunicar com o núcleo. 
Como se não bastasse, as normas paralelas também se comunicam entre si, formando um total 
diálogo das fontes. Na falta de norma da lei específica, busca-se no núcleo. Se não há norma 
aplicável no núcleo, busca-se nas demais leis que formam o microssistema. 
O CPC só é aplicável residualmente, vale dizer, quando não existe norma aplicável em 
nenhuma lei do microssistema processual coletivo (exemplo: nenhuma fala de prazo de apelação, 
vamos então ao CPC, 15 dias). 
Observe os exemplos de aplicação do microssistema coletivo: 
a) Inversão do ônus da prova do art. 6º, VIII CDC aplica-se para qualquer ação coletiva 
(STJ). 
b) Reexame necessário, está previsto na Lei de Ação Popular. A Lei de Ação Civil Pública 
não traz nenhum dispositivo sobre. 
O que deve ser feito? Primeiro procura-se no CDC, não há previsão. Então, procura-se 
nas demais normas que compõem o microssistema. Constata-se que o art. 19 da Lei de 
Ação Popular prevê a aplicação da regra do reexame. 
Portanto, quando for julgada improcedente a ação civil pública, nos termos da Lei de 
Ação Popular, será possível a aplicação do reexame necessário “invertido”. 
Lei de Ação Popular - Art. 19. A sentença que concluir pela CARÊNCIA ou 
pela IMPROCEDÊNCIA da ação está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não 
produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal; da que julgar a 
ação procedente caberá apelação, com efeito suspensivo. 
 
Obs.: STJ Tema 1.0423 - Definir se há - ou não - aplicação da figura 
do reexame necessário nas ações típicas de improbidade 
administrativa, ajuizadas com esteio na alegada prática de condutas 
previstas na Lei 8.429/1992, cuja pretensão é julgada improcedente 
em primeiro grau. Discutir se há remessa de ofício nas referidas ações 
típicas, ou se deve ser reservado ao autor da ação, na postura de 
órgão acusador - frequentemente o Ministério Público - exercer a 
prerrogativa de recorrer ou não do desfecho de improcedência da 
pretensão sancionadora. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/AP (2021) A necessária adaptação do devido processo legal ao 
processo coletivo admite a aplicação subsidiária das regras constantes do 
Código de Processo Civil ao microssistemade tutela coletiva, desde que não 
enseje violação aos princípios do processo coletivo. Correta! 
 
MPE/MG (2017) A distribuição dinâmica das provas, instituto típico do 
processo coletivo, mostrou-se altamente eficaz ao longo do tempo, a ponto 
de ter sido encampada expressamente pelo Código de Processo Civil de 
 
3 
https://processo.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp?novaConsulta=true&tipo_pesquisa=T&num_processo_classe=150
2635 
https://processo.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp?novaConsulta=true&tipo_pesquisa=T&num_processo_classe=1502635
https://processo.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp?novaConsulta=true&tipo_pesquisa=T&num_processo_classe=1502635
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 41 
 
2015. Analise as proposições a seguir e assinale a que estiver INCORRETA: 
Para fazer jus à inversão do ônus da prova, o consumidor que se alega vítima 
de publicidade enganosa deve, alternativamente, demonstrar a 
verossimilhança da alegação ou hipossuficiência. Errada! 
 
MPE/MS (2015) A Lei da Ação Civil Pública (art. 21) e o Código de Defesa do 
Consumidor (art. 90) complementam-se reciprocamente na defesa dos 
interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos, sendo que um é de 
aplicação subsidiária para o outro, e o resultado desta conjugação é 
conhecido como princípio da integração. Correta! 
c) Escolha do polo pelo demandado na ACP 
A lei de ação popular estabelece que a ação popular deverá ser interposta contra diversas 
pessoas, inclusive contra a Fazenda. Esta, contudo, é vítima. Desta forma, poderá escolher o polo 
que irá figurar, tornando-se autora ou continuando como réu. Como na ACP não há previsão acerca 
do assunto, o STJ entende que o polo passivo demandado poderá escolher o polo, nos termos do 
art. 6º, §3º da LAP. 
Art. 6º, § 3º A pessoas jurídica de direito público ou de direito privado, cujo 
ato seja objeto de impugnação, poderá abster-se de contestar o pedido, ou 
poderá atuar ao lado do autor, desde que isso se afigure útil ao interesse 
público, a juízo do respectivo representante legal ou dirigente. 
 
d) Legitimidade ativa nas ações coletivas do ECA (art. 210) 
Não há referência à Defensoria e à Administração Indireta, mas são legitimados, aplica-
se o microssistema. 
Art. 210. Para as ações cíveis fundadas em interesses coletivos ou difusos, 
consideram-se legitimados concorrentemente: 
I - o Ministério Público; 
II - a União, os estados, os municípios, o Distrito Federal e os territórios; 
III - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que 
incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos 
protegidos por esta Lei, dispensada a autorização da assembleia, se houver 
prévia autorização estatutária. 
§ 1º Admitir-se-á litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da 
União e dos estados na defesa dos interesses e direitos de que cuida esta 
Lei. 
§ 2º Em caso de desistência ou abandono da ação por associação legitimada, 
o Ministério Público ou outro legitimado poderá assumir a titularidade ativa. 
 
e) Prescrição nas ACP’s. 
Como não há previsão, utiliza-se o art. 21 da LAP e o art. 23 da LIA (entendimento da Corte 
Especial do STJ). 
Art. 21. A ação prevista nesta lei prescreve em 5 (cinco) anos. 
 
Art. 23. A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei prescreve 
em 8 (oito) anos, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de 
infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 42 
 
I - (revogado); 
II - (revogado); 
III - (revogado). 
§ 1º A instauração de inquérito civil ou de processo administrativo para 
apuração dos ilícitos referidos nesta Lei suspende o curso do prazo 
prescricional por, no máximo, 180 (cento e oitenta) dias corridos, 
recomeçando a correr após a sua conclusão ou, caso não concluído o 
processo, esgotado o prazo de suspensão. 
§ 2º O inquérito civil para apuração do ato de improbidade será concluído no 
prazo de 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias corridos, prorrogável uma 
única vez por igual período, mediante ato fundamentado submetido à revisão 
da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva 
lei orgânica. 
§ 3º Encerrado o prazo previsto no § 2º deste artigo, a ação deverá ser 
proposta no prazo de 30 (trinta) dias, se não for caso de arquivamento do 
inquérito civil. 
§ 4º O prazo da prescrição referido no caput deste artigo interrompe-se: 
I - pelo ajuizamento da ação de improbidade administrativa; 
II - pela publicação da sentença condenatória; 
III - pela publicação de decisão ou acórdão de Tribunal de Justiça ou Tribunal 
Regional Federal que confirma sentença condenatória ou que reforma 
sentença de improcedência; 
IV - pela publicação de decisão ou acórdão do Superior Tribunal de Justiça 
que confirma acórdão condenatório ou que reforma acórdão de 
improcedência; 
V - pela publicação de decisão ou acórdão do Supremo Tribunal Federal que 
confirma acórdão condenatório ou que reforma acórdão de 
improcedência. 
§ 5º Interrompida a prescrição, o prazo recomeça a correr do dia da 
interrupção, pela metade do prazo previsto no caput deste artigo. 
§ 6º A suspensão e a interrupção da prescrição produzem efeitos 
relativamente a todos os que concorreram para a prática do ato de 
improbidade. 
§ 7º Nos atos de improbidade conexos que sejam objeto do mesmo processo, 
a suspensão e a interrupção relativas a qualquer deles estendem-se aos 
demais. 
§ 8º O juiz ou o tribunal, depois de ouvido o Ministério Público, deverá, de 
ofício ou a requerimento da parte interessada, reconhecer a prescrição 
intercorrente da pretensão sancionadora e decretá-la de imediato, caso, entre 
os marcos interruptivos referidos no § 4º, transcorra o prazo previsto no § 5º 
deste artigo. . 
 
Obs.: A 3ªTurma do STJ (Resp 1.736.091-PE) possui entendimento 
diverso, afirmando que o que define o prazo prescricional é o direito 
material em debate e não a forma como se pede esse direito material. 
 
5.11. PRINCÍPIO DA ADEQUADA REPRESENTAÇÃO OU DO CONTROLE JUDICIAL 
DA LEGITIMAÇÃO COLETIVA 
5.11.1. Introdução 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art4
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 43 
 
O modelo norte-americano é bifásico. A primeira fase chama-se de certificação, em que é 
necessário comprovar a qualidade de ser um bom representante do grupo ou categoria. Exige-se 
capacidade econômica, representação por advogado com experiência em processos coletivos, 
capacidade moral e intelectual para a defesa do grupo, tendo em vista que a decisão irá alcançar 
todos, independentemente da procedência ou improcedência da ação, salvo em relação às vítimas 
que expressamente pedirem sua exclusão. A segunda fase é o julgamento da ação. 
Diferentemente do sistema norte-americano, em que qualquer pessoa pode propor ação 
coletiva, desde que prove a adequada representação do grupo, no Brasil o sistema optou por 
presumir legalmente a representação adequada apenas dos legitimados do art. 5º da LACP, os 
quais são os únicos que podem demandar coletivamente no Brasil. 
LACP Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação 
cautelar: 
II - a Defensoria Pública 
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista 
V - a associação que, concomitantemente 
a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; 
(REQUISITO QUEPODE SER DISPENSADO) 
b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio 
público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à 
livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao 
patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico 
 
A grande polêmica surge quando se indaga: além do controle legislativo também há controle 
judicial da adequada representação, permitindo ao juiz, na análise do caso concreto, considerar o 
autor incapaz de prosseguir na demanda. 
* Um dos requisitos para a admissibilidade é a existência entre os 
interessados que se pretende tutelar, de uma comunhão de questões 
de fato e de direito. Qualquer representante ou integrante dos grupos, 
classe ou categoria interessada tem legitimidade para propor a ação. 
** Aqui, a condição de representante de interesses metaindividuais e 
a capacidade para bem representá-lo em juízo, é controlada pela lei 
(ope legis), que a presume de modo absoluto (iuris et de iure): desde 
que o autor seja um dos órgãos ou entidades previstas nos respectivos 
diplomas legais, e preencha requisitos nela especificados (caso das 
associações), não cabe ao julgador contestar sua representatividade 
adequada. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/SP (2019) O sistema brasileiro de ações coletivas inspirou-se em 
modelos internacionais como, por exemplo, nos sistemas italiano e norte-
americano, contudo, sem deixar de construir sua própria identidade. No 
processo civil coletivo, no Brasil, na ação coletiva sobre direitos ou interesses 
difusos, caso ela seja julgada improcedente, os efeitos da coisa julgada não 
prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, 
tendo ou não os interessados intervindo no processo. Correta! 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 44 
 
5.11.2. Posições adotadas no Brasil 
Duas posições a respeito do tema: 
1ª C (Nery): Não é possível o controle judicial da representação adequada, salvo para as 
associações. O controle é tão somente ope legis. Ficam de fora as associações, pois elas precisam 
de constituição ânua e pertinência temática. 
2ª C (Ada, Gajardoni): É possível o controle judicial (ope judicis) da representação adequada, 
em complemento ao controle já realizado pelo legislador. É MAJORITÁRIA. 
5.11.3. Critério doutrinários/jurisprudenciais para o controle judicial 
Seguindo a corrente de Ada, quais critérios o juiz pode utilizar para controlar a representação 
adequada de TODOS os legitimados do art. 5º da LACP? 
O Controle deve ser feito de acordo com a finalidade institucional do autor coletivo. 
Exemplos: 
1) Art. 127 da CF/88: Finalidade institucional do MP é precipuamente proteger interesses 
sociais e individuais indisponíveis. Se o MP entra com ACP discutindo direito individual 
disponível, pela corrente do Nery, o juiz nada pode fazer além de tocar a ação. Adotando a 
corrente da Ada, poderia o juiz controlar a ação, afirmando que o MP não representa 
adequadamente os interesses em análise. Deveria o juiz excluir o MP e chamar um 
legitimado adequado. 
Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função 
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime 
democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. 
 
No Estado do Rio de Janeiro, o Ministério Público ajuizou ação civil pública contra a 
Federação das Empresas de Transporte de Passageiros questionando o fato da operadora do 
sistema de vale-transporte ter deixado de informar aos consumidores, na roleta do ônibus, o saldo 
do vale-transporte eletrônico, passando a exibir apenas um gráfico quando o usuário passava pela 
roleta. 
O caso chegou até o STJ. O que decidiu a Corte? 
1ª questão decidida: legitimidade do MP para a tutela desse direito. 
A Turma, por maioria, reiterou que o Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil 
pública que trate da proteção de quaisquer direitos transindividuais, tais como definidos no art. 
81 do CDC. Isso decorre da interpretação do art. 129, III, da CF em conjunto com o art. 21 da Lei n. 
7.347/1985 e arts. 81 e 90 do CDC e protege todos os interesses transindividuais, sejam eles 
decorrentes de relações consumeristas ou não. 
Ressaltou a Min. Relatora que não se pode relegar a tutela de todos os direitos a instrumentos 
processuais individuais, sob pena de excluir do Estado e da democracia aqueles cidadãos que mais 
merecem sua proteção. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 45 
 
2ª questão decidida: quanto ao mérito da demanda 
A Turma entendeu que o MP possuía razão em questionar a mudança. 
A conduta de não informar na roleta do ônibus o saldo do vale-transporte eletrônico viola o 
direito à plena informação do consumidor (art. 6º, III, do CDC). Nessa situação, a Min. Relatora 
entendeu que a operadora do sistema de vale-transporte deve possibilitar ao usuário a consulta ao 
crédito remanescente durante o transporte, sendo insuficiente a disponibilização do serviço apenas 
na internet ou em poucos guichês espalhados pela região metropolitana. 
A informação incompleta, representada por gráficos disponibilizados no momento de uso do 
cartão, não supre o dever de prestar plena informação ao consumidor. 
2) Art. 134 da CF/88: Defensor público ingressa com ACP para discutir preço plano de saúde 
de idosos. Pela 1ª corrente o juiz deve tocar a ação, pois a Defensoria está dentro do controle 
do legislador e o juiz nada pode fazer. Pela segunda corrente, o juiz pode controlar e excluir 
a Defensoria do polo ativo, tendo em vista que quem paga plano de saúde não é necessitado 
econômico. 
Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função 
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do 
regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção 
dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, 
dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos 
necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal 
 
A decisão que havia negado a legitimidade da DP em ACP que tratava do plano de saúde, 
por considerar que não se tratava de hipossuficientes, foi uma análise de pertinência temática 
(funções institucionais). Claro que este posicionamento não se manteve, tendo em vista que há 
outras vulnerabilidades e não apenas a econômica. 
5.11.4. Natureza jurídica do controle judicial na representação 
Há duas correntes, vejamos: 
1ª C: Trata-se de condição da ação, pois integra a legitimidade. Quando não reconhece a 
representação adequada, o juiz considera a parte ilegítima, excluindo o processo sem resolução de 
mérito (artigo 485, inciso VI, do CPC/15). 
2ªC: É pressuposto processual de validade da relação jurídica. Assim, quando o juiz não 
reconhece a representação adequada, não se refere à legitimidade (que é ope legis), mas sim que, 
no caso concreto, não é um bom porta-voz daquele interesse (artigo 485, inciso IV, do CPC/15). 
6. OBJETO DO PROCESSO COLETIVO 
O objeto do Processo Coletivo está definido no art. 81 do CDC. Observe: 
CDC Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das 
vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. 
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 46 
 
I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, 
os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas 
indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; 
II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste 
código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, 
categoriaou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por 
uma relação jurídica base; 
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os 
decorrentes de origem comum. 
 
 
Segundo BARBOSA MOREIRA, o objeto do processo coletivo são os interesses ou direitos 
metaindividuais, transindividuais ou paraindividuais, os quais dividem-se em. 
1) Naturalmente coletivos: caracterizam-se pela indivisibilidade do objeto (tutelar um é tutelar 
todos) e pela publicidade (impossível de apropriação individual). 
1.1) Difusos; 
1.2) Coletivos (stricto sensu). 
2) Acidentalmente coletivos: caracterizam-se pela divisibilidade do objeto e pela privacidade. 
2.1) Individuais homogêneos. 
Vejamos alguns conceitos importantes: 
Interesses: São as pretensões não tuteladas por norma jurídica EXPRESSA, muito embora 
tenham proteção jurídica. 
Direitos: São as pretensões expressamente tuteladas pela lei. Para processo coletivo essa 
distinção é inútil, nos termos do art. 81, tutela-se tanto interesses quanto direitos. 
Direitos ou interesses 
metaindividuais (art. 
81 CDC)
Naturalmente 
coletivos 
(indivisibilidade)
Difusos
Coletivos em sentido 
estrito
Acidentalmente 
coletivos 
(divisibilidade)
Individuais 
homogêneos
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 47 
 
Metaindividuais/transindividuais/paraindividuais: Não existe nenhuma diferença entre os 
termos. São expressões que designam os direitos ou interesses que extrapolam os limites de um 
único indivíduo. Deixam de ser direitos egoísticos e passam a ser direitos altruísticos. 
Os direitos metaindividuais podem também ser denominados de direitos coletivos lato 
sensu, assim entendidos como gênero, do qual são espécies: direitos/interesses naturalmente 
coletivos (difusos e coletivos stricto sensu) e direitos/interesses acidentalmente coletivos 
(individuais homogêneos). 
Vários autores, quando usam a expressão Metaindividual, referem-se apenas aos direitos 
difusos e coletivos, excluindo os direitos individuais homogêneos. 
6.1. DIREITOS/INTERESSES METAINDIVIDUAIS NATURALMENTE COLETIVOS 
Caracterizam-se pela INDIVISIBILIDADE DO OBJETO, ou seja, o bem tutelado não pode 
ser partilhado/dividido entre os titulares. Ou todos os titulares ganham, ou ninguém ganha 
(assemelham-se à sistemática do litisconsórcio unitário). 
Os direitos naturalmente coletivos se subdividem em Direitos Difusos e Direitos Coletivos 
“stricto sensu”. 
5.1.1. Direitos Difusos 
Características: 
1) Os titulares são indeterminados e indetermináveis. Não se sabe, nem nunca se 
saberá quem são os titulares. 
2) Os titulares do direito são unidos por CIRCUNSTÂNCIAS DE FATO extremamente 
mutáveis, não existindo um vínculo comum de natureza jurídica (não há vínculo entre 
os titulares). 
3) Duração efêmera da titularidade do direito; 
4) Alta conflituosidade interna. Dentro do grupo que titulariza o direito existem 
diversas opiniões e posições jurídicas. O grupo é heterogêneo. 
5) Alta abstração: São direitos difíceis de serem visualizados. 
Exemplos 
1) Direito à preservação do meio-ambiente; 
2) Direito à Moralidade Administrativa e do patrimônio público; 
3) Direito a uma propaganda não enganosa, a uma propaganda correta, verídica. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MP/SC (2021) Afirmar que os direitos difusos são indivisíveis significa dizer 
que eles podem ser satisfeitos de maneira individual, sem necessariamente 
alcançar todos os demais titulares. 
5.1.2. Direitos Coletivos (“stricto sensu”) 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 48 
 
Características 
1) Os titulares são indeterminados, porém determináveis por grupo, classe ou 
categoria de pessoas. Não é possível dizer quem é especificamente, mas é possível 
definir o grupo titular. 
2) Os titulares são ligados entre si ou com a parte contrária, por uma RELAÇÃO 
JURÍDICA BASE, anterior à lesão. 
No primeiro caso: Advogados ligados entre si através da inscrição na OAB, formando uma 
classe; no segundo caso: todos os contribuintes de determinado tributo (ligados à parte contrária), 
formando um grupo de pessoas. 
3) Há uma baixa conflituosidade interna. Os interesses convergem. 
4) Direitos de menor abstração; são mais concretos. 
Exemplos 
1) Súmula 643 do STF: Direito ao regular reajuste das mensalidades escolares. Não há 
como determinar ao certo os titulares, porém é possível determinar o grupo 
(estudantes da escola ‘x’). Baixa conflituosidade interna: ninguém quer pagar mais a 
mensalidade. Baixa abstração: mensalidade, concreto. 
2) Ações de sindicato para a tutela do interesse de trabalhadores. Há relação jurídica 
entre os trabalhadores: estar vinculado a uma empresa. 
3) Art. 10 e 12, III do Estatuto da Cidade – usucapião coletivo, quando os moradores 
formam associação. 
Perceba que nos exemplos não há como cindir o objeto. 
6.2. DIREITOS METAINDIVIDUAIS ACIDENTALMENTE COLETIVOS (INDIVIDUAIS 
HOMOGÊNEOS) 
Caracterizam-se pela DIVISIBILIDADE DO OBJETO, ou seja, pode ocorrer, aqui, a situação 
na qual parte dos titulares (que se dizem titulares) ter sua pretensão reconhecida, enquanto outra 
parte não ter. Assemelha-se ao litisconsórcio simples. 
Esses direitos, na realidade, são individuais. Cada pessoa tem a sua relação jurídica e tem 
o direito a uma tutela jurisdicional própria, porém, em virtude da multiplicidade de sujeitos 
titularizando relações jurídicas idênticas (massificação/padronização das relações jurídicas), esses 
direitos individuais acabam tomando dimensões coletivas, motivo pelo qual o ordenamento trata-os 
como se coletivos fossem. 
Estamos nos referindo, aqui, aos denominados Direitos Individuais homogêneos. 
Fundamentos: O que levou o legislador a admitir que se tutelem por ações COLETIVAS 
pretensões INDIVIDUAIS? 
1) Consegue-se ‘molecularizar’ os conflitos (Kazuo Watanabe). É melhor julgar um 
processo de bacia (“baciada” - molécula) do que a “conta-gotas” (átomos). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 49 
 
2) Economia processual; 
3) Redução do custo judiciário: evidente que o julgamento de uma ação é menos oneroso 
que julgar milhares de causas idênticas. 
4) Evitar decisões contraditórias; 
5) Aumento do acesso à justiça: com a tutela coletiva, permite-se que sejam tutelados bens 
de valor antieconômico (exemplo de leite). Se não tivesse ação coletiva, ninguém iria 
ingressar no judiciário para discutir, individualmente, 0,1 ml a menos de leite na caixa. 
Onda renovatória do processo civil, conforme Bryant Garth e Mauro Cappelletti. 
Características: 
1) Os titulares são indeterminados, mas são determináveis. Serão determinados em duas 
possibilidades: quando entrarem como litisconsortes ou somente na hora da 
liquidação/execução. 
2) Há uma tese jurídica comum e geral a todos. Por isso, afirma-se que há tutela de ações 
repetitivas. 
3) A pretensão de todos se origina em um mesmo evento, daí decorrendo a 
homogeneidade (exemplo: todas as mulheres que tomaram o Microvlar de farinha). 
Aqui, a pretensão deriva de um fato; nos direitos coletivos stricto sensu deriva de direito 
(relação jurídica comum entre os titulares ou entre esses e a outra parte da ação). 
4) Natureza individual dos direitos, apesar de tratados coletivamente. 
A demanda coletiva de tutela de interesses individuais homogêneos não se confunde com 
um mero litisconsórcio multitudinário, onde todas as pretensões das partes são individualizadas, 
singularizadas. No processo coletivo não se busca a efetivação do direito específico de cada um 
dos titulares do direito; busca-se, sim, a fixação de uma tese jurídica geral, que poderá ser 
adotada por todas as pessoas que, eventualmente, titularizam a mesma relação jurídica discutida 
na demanda coletiva. 
Exemplos: 
1) Pílulas de farinha (Microvlar): Cada mulher tem o seu direito. No entanto, em virtude da 
multiplicidadede mulheres na mesma situação, todos esses direitos podem ser tratados 
em uma única ação coletiva. É a opção do sistema: dar tratamento de direito coletivo 
para direitos individuais que são homogêneos. 
2) Recall: Todos que compraram o carro com defeito têm direito. 
3) Leite vendido em quantidade menor. 
Perceba que, aqui, um pode ganhar e outro perder. 
Há quem adote a ideia de este direito ser coletivo (ter natureza coletiva) também e não 
individual (Hermes Zanetti e Didier), visando a ampliação da tutela coletiva. Em sentido contrário 
(Zavascki), outros afirmam que seria coletivo por uma ficção jurídica, representando um grupo. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 50 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/SP (2022) O interesse coletivo impróprio tem por característica 
inexistência de vínculo organizacional prévio e exigência de solução comum 
do tema a todos. Correta! 
 
MP/SC (2021) Os direitos individuais homogêneos, em regra, são suscetíveis 
de renúncia e transação. Correta! 
 
MPE/MG (2018) Na sentença de mérito, a cognição será exauriente sobre o 
aspecto horizontal, e limitada, sob o aspecto vertical. Errada! 
 
MPE/MG (2018) Na sentença de mérito, as questões enfrentadas são 
unicamente as que concernem ao núcleo de homogeneidade dos direitos 
individuais afirmados na demanda. Correta! 
 
MPE/MG (2018) A repartição da atividade cognitiva é uma característica 
inerente ao respectivo procedimento. Correta! 
 
MPE/MG (2018) A feição coletiva das ações para tutela de direitos individuais 
homogêneos somente se dá a partir da desconsideração das peculiaridades 
agregadas à situação pessoal e diferenciada de cada interessado. Correta! 
6.3. GRÁFICOS: DIFUSOS x COLETIVOS x INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS 
MODALIDADE DIFUSOS COLETIVOS 
INDIVIDUAIS 
HOMOGÊNEOS 
DIVISIBILIDADE DO 
BEM JURÍDICO 
Indivisível Indivisível Divisível 
DETERMINAÇÃO 
DOS TITULARES 
Indeterminados e 
indetermináveis 
Indeterminados, mas 
determináveis 
Determinados ou 
determináveis 
(litisconsortes ou na 
execução) 
EXISTÊNCIA DE 
RELAÇÃO JURÍDICA 
NÃO → ligados por 
uma 
CIRCUNSTÂNCIA DE 
FATO. 
SIM → ligados por 
uma relação jurídica 
base. 
IRRELEVANTE → o 
que importa é que 
sejam decorrentes de 
ORIGEM COMUM 
EXEMPLOS 
Publicidade enganosa 
veiculada na 
televisão, em que 
toda a coletividade é 
afetada. 
Direito contra o 
reajuste abusivo das 
mensalidades 
escolares, em que 
somente os alunos (e 
pais) são afetados. 
Direitos dos 
indivíduos que 
sofreram danos em 
decorrência da 
colocação de um 
produto estragado no 
mercado. 
 
6.4. OBSERVAÇÕES FINAIS RELACIONADAS AO OBJETO DO PROCESSO 
COLETIVO 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 51 
 
OBS1: Nelson Nery: Na prática, o mesmo fato pode dar ensejo a ações coletivas para tutela 
de diferentes interesses (difusos, coletivos e individuais homogêneos), de modo que isto só se 
revelará pelo exame do caso concreto, conforme a pretensão buscada pelo autor (petição inicial). 
Ou seja, é o tipo de pretensão que classifica o direito como difuso, coletivo ou individual 
homogêneo. 
Exemplo: Bateau Mouche. Esse mesmo fato pode ensejar: Ação do MPF para obrigar todas 
as embarcações a ter salva-vidas suficientes (interesse difuso); Associação dos trabalhadores 
embarcados pedindo a instalação de coletes nos barcos (interesse coletivo); associação de famílias 
das vítimas pedindo indenização (interesse individual homogêneo). 
Propaganda enganosa – tirar do ar (direitos difusos); indenização quando ofende classe 
(coletivos stricto sensu); indenização para vítimas que compraram produtos (individuais 
homogêneos) 
OBS2: Alguns autores (Dinamarco), aduzem ter dificuldade na diferenciação entre os 
interesses metaindividuais, difusos e coletivos, e outros (Vigliar) entre os coletivos e os individuais 
homogêneos. Exemplo: Caso da mensalidade escolar (Súmula 643 STF). Diz-se que é coletiva, 
mas se um pai entra com a ação, não seria um interesse individual? Portanto, pode-se concluir que 
há zonas cinzentas. 
OBS3: os primeiros a surgir foram os direitos coletivos, depois os difusos (meio ambiente) 
para, mais recentemente, os individuais homogêneos. 
OBS4: Cuidado com as ações pseudocoletivas, vista acima. 
OBS5: O IRDR possui o mesmo escopo das ações para tutela dos individuais homogêneos, 
pelo menos no tocante às ações repetitivas. A diferença é que na ação coletiva para tutela dos 
individuais homogêneos objetiva-se a resolução de vários conflitos, evitando-se a propositura das 
ações individuais. Já o IRDR concentra o julgamento da tese no TJ ou TRF, sendo a decisão 
replicada nos processos individuais (art. 975 do CPC/15). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 52 
 
AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
1. GENERALIDADES 
1.1. PREVISÃO LEGAL/SUMULAR 
1.1.1. Histórico legal 
Em 1981, foi editada a Lei 6.938/81 (Lei Nacional do Meio Ambiente), que vigora até hoje. O 
art. 14, §1º falava que o MP poderia ajuizar, a bem da tutela do direito, uma tal “ação civil pública”. 
Lei 6938/91 
Art. 14 - Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação federal, 
estadual e municipal, o não cumprimento das medidas necessárias à 
preservação ou correção dos inconvenientes e danos causados pela 
degradação da qualidade ambiental sujeitará os transgressores: 
.... 
§ 1º - Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o 
poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou 
reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua 
atividade. O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para 
propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio 
ambiente. 
 
Surgia, então, a mais famosa das ações coletivas. 
Por que esse nome? Para ser uma ação civil correlata à ação penal pública, também de 
atribuição do MP. Conclui-se então que: 
• A ACP surgiu tendo apenas o MP como legitimado; 
• Prestava-se apenas à proteção do meio ambiente. 
Para regulamentar a ACP foi elaborado projeto de lei, formado por dois grupos de juristas: 
por membros do MP/SP (Nelson Nery, Edis Milaré etc.) e outro por membros da USP (Dinamarco, 
Ada, Kazuo). Desse projeto, surge a Lei 7.347/85 (Lei de Ação Civil Pública), a qual ampliou o objeto 
da ACP e seus legitimados. 
A consolidação da ACP se deu definitivamente com a CF/88, que em seu art. 129, III 
expressamente a previu como uma das atribuições do MP, bem como com o CDC. 
CF Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: 
... 
III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do 
patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos 
e coletivos; 
 
Posteriormente, consagrou-se o microssistema coletivo, em que há a integralização de 
diversas normas, quando compatíveis, conforme visto acima. 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 53 
 
1.1.2. Previsão sumular 
A seguir colacionamos as súmulas que tangenciam a temática de Ação Civil Pública. 
Súmulas do STF: 
Súmula 736 - Compete à justiça do trabalho julgar as ações que tenham como 
causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas relativas à 
segurança, higiene e saúde dos trabalhadores. 
 
Súmula 643 - O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil 
pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades 
escolares. 
 
Súmulas do STJ: 
Súmula 629 - Quanto ao dano ambiental, é admitida a condenação do réu à 
obrigação de fazer ou à de não fazer cumulada com a de indenizar. 
 
Súmula 618 - A inversão do ônus da prova aplica-se às ações de degradação 
ambiental. 
 
Súmula 601 - O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa 
de direitos difusos, coletivos e individuais......................................................................................................... 53 
2. DISTINÇÕES .............................................................................................................................. 53 
2.1. AÇÃO CIVIL PÚBLICA X AÇÃO COLETIVA ...................................................................... 53 
2.2. AÇÃO CIVIL PÚBLICA X AÇÃO CIVIL DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA .............. 53 
2.3. AÇÃO CIVIL PÚBLICA X AÇÃO POPULAR ...................................................................... 54 
3. OBJETO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA ......................................................................................... 55 
3.1. ESPÉCIES DE OBJETOS .................................................................................................. 56 
3.1.1. Meio-ambiente ............................................................................................................. 56 
3.1.2. Consumidor .................................................................................................................. 56 
3.1.3. Bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico ............. 57 
3.1.4. Qualquer outro interesse difuso ou coletivo ................................................................ 57 
3.1.5. Ordem econômica ........................................................................................................ 57 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 3 
 
3.1.6. Urbanística ................................................................................................................... 58 
3.1.7. Honra, dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos.......................................... 58 
3.1.8. Patrimônio público e social .......................................................................................... 58 
3.2. TUTELAS DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA ................................................................................ 59 
3.2.1. Tutela preventiva.......................................................................................................... 59 
3.2.2. Tutela ressarcitória/reparatória .................................................................................... 59 
3.2.3. Dano moral coletivo ..................................................................................................... 60 
3.3. CUMULAÇÃO DE PEDIDOS .............................................................................................. 63 
3.4. ACP X ADI X ADC ............................................................................................................... 64 
3.5. VEDAÇÃO DE OBJETO ..................................................................................................... 65 
4. LEGITIMIDADE ATIVA ............................................................................................................... 67 
4.1. PREVISÃO LEGAL ............................................................................................................. 67 
4.2. CARACTERÍSTICAS ........................................................................................................... 68 
4.2.1. Ope legis ...................................................................................................................... 68 
4.2.2. Concorrente e disjuntiva .............................................................................................. 68 
4.3. NATUREZA JURÍDICA ....................................................................................................... 69 
4.4. LITISCONSÓRCIO .............................................................................................................. 70 
4.5. CONTROLE JUDICIAL DE REPRESENTAÇÃO ADEQUADA .......................................... 70 
5. LEGITIMADOS ATIVOS ............................................................................................................. 70 
5.1. MINISTÉRIO PÚBLICO ...................................................................................................... 70 
5.1.1. Finalidade institucional ................................................................................................. 71 
5.1.2. Direito difuso ou coletivo .............................................................................................. 71 
5.1.3. Direito individual homogêneo ...................................................................................... 71 
5.1.4. ACP em favor de uma única pessoa ........................................................................... 74 
5.1.5. Obrigatoriedade de agir ............................................................................................... 75 
5.2. DEFENSORIA PÚBLICA .................................................................................................... 75 
5.2.1. Finalidade institucional ................................................................................................. 75 
5.2.2. Conceito de hipossuficiente ......................................................................................... 76 
5.2.3. Atuação no processo coletivo ...................................................................................... 76 
5.3. ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA .......................................................................... 78 
5.3.1. Finalidades institucionais ............................................................................................. 78 
5.4. ASSOCIAÇÕES .................................................................................................................. 79 
5.4.1. Amplitude ..................................................................................................................... 79 
5.4.2. Expressa previsão de controle de representação adequada ..................................... 79 
5.4.3. A questão dos direitos individuais homogêneos ......................................................... 80 
6.4.1. Cooperativas ................................................................................................................ 84 
6. LEGITIMADOS PASSIVOS ........................................................................................................ 84 
6.1. INAPLICABILIDADE DO MICROSSISTEMA ..................................................................... 85 
6.2. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.................................................................................... 85 
7. COMPETÊNCIA ......................................................................................................................... 86 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 4 
 
7.1. CRITÉRIO FUNCIONAL HIERÁRQUICO .......................................................................... 86 
7.2. CRITÉRIO OBJETIVO: EM RAZÃO DA MATÉRIA ............................................................ 86 
7.2.1. Justiça Eleitoral ............................................................................................................ 87 
7.2.2. Justiça do Trabalho ...................................................................................................... 87 
7.2.3. Justiça Federal ............................................................................................................. 87 
7.2.4. Justiça Estadual ........................................................................................................... 89 
7.3. CRITÉRIO OBJETIVO: EM RAZÃO DO VALOR ............................................................... 89 
7.4. CRITÉRIO TERRITORIAL .................................................................................................. 90 
8. COISA JULGADA NO PROCESSO COLETIVO ....................................................................... 92 
8.1. INTRODUÇÃO E PREVISÃO LEGAL ................................................................................homogêneos dos consumidores, 
ainda que decorrentes da prestação de serviço público. 
 
Súmula 489 - Reconhecida a continência, devem ser reunidas na Justiça 
Federal as ações civis públicas propostas nesta e na Justiça estadual. 
 
Súmula 345 - São devidos honorários advocatícios pela Fazenda Pública nas 
execuções individuais de sentença proferida em ações coletivas, ainda que 
não embargadas. 
 
Súmula 329 - O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil 
pública em defesa do patrimônio público. 
2. DISTINÇÕES 
2.1. AÇÃO CIVIL PÚBLICA X AÇÃO COLETIVA 
Vários autores afirmam que ACP é diferente de ação coletiva, tendo em vista que ação 
coletiva está prevista no CDC e tutela direitos individuais homogêneos. Apegam-se ao fato de que 
o art. 1º da LACP prevê apenas a tutela de direitos difusos e coletivos propriamente ditos. 
Outra parte da doutrina, sustenta que a expressão ação coletiva é gênero, do qual as demais 
ações são espécies. Entendem que a tutela dos individuais homogêneos também é feita por meio 
de ACP, com base no art. 90 do CDC (primeiro fundamento) e, ainda, que não existe razão para 
separar o que é absolutamente igual (segundo fundamento). 
2.2. AÇÃO CIVIL PÚBLICA X AÇÃO CIVIL DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 54 
 
Para o STJ, a ação civil de improbidade administrativa é uma espécie de ACP, tanto que 
utiliza a denominação ação civil pública de improbidade administrativa. 
Há autores que sustentam a diferença entre ACP e ACIA, apresentam inúmeras diferenças, 
vejamos: 
 AÇÃO CIVIL PÚBLICA (ACP) 
AÇÃO CIVIL DE IMPROBIDADE 
ADMINISTRATIVA (ACIA) 
LEGITIMIDADE Vários, previstos no art. 5º. 
Em que pese a alteração trazida 
pela Lei 14.230/2021, subsiste a 
legitimidade concorrente e 
disjuntiva entre o MP e a PJ 
lesada (vide ADI 7042 E ADI 
7043).4 
PROCEDIMENTO Rito comum Rito especial 
OBJETO 
Tutela difusos, coletivos e 
individuais homogêneos 
Tutela APENAS direitos difusos – 
probidade administrativa. 
SANÇÕES 
Não há, servem apenas para 
prevenir e reparar danos. 
Além de reparar o dano, aplica 
sanção (direito administrativo 
punitivo). 
 
2.3. AÇÃO CIVIL PÚBLICA X AÇÃO POPULAR 
A ação popular serve para tutela do patrimônio público, nos termos do art. 1º da Lei 4.717/67. 
Contudo, a LACP possui, entre os direitos tuteláveis, “outros direitos difusos e coletivos”, sendo 
possível que se tutele o patrimônio público por meio de uma ACP. Havendo correspondência de 
objeto. 
AP: Art. 1º Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a anulação ou 
a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, do Distrito 
Federal, dos Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de 
sociedades de economia mista (Constituição, art. 141, § 38), de sociedades 
mútuas de seguro nas quais a União represente os segurados ausentes, de 
empresas públicas, de serviços sociais autônomos, de instituições ou 
fundações para cuja criação ou custeio o tesouro público haja concorrido ou 
concorra com mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita ânua, 
de empresas incorporadas ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos 
Estados e dos Municípios, e de quaisquer pessoas jurídicas ou entidades 
subvencionadas pelos cofres públicos. 
 
LACP - Art. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação 
popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais 
causados: 
 
4 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Pessoa jurídica interessada continua com legitimidade para propor ação de improbidade e para 
celebrar acordo; não existe obrigatoriedade de a assessoria jurídica fazer a defesa do agente público acusado de improbidade. Buscador 
Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 06/03/2023 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao46.htm#art141§38
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 55 
 
l - ao meio-ambiente; 
ll - ao consumidor; 
IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo. 
V - por infração da ordem econômica; 
VI - à ordem urbanística. 
VII – à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos. 
VIII – ao patrimônio público e social. 
Parágrafo único. Não será cabível ação civil pública para veicular pretensões 
que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do 
Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos 
beneficiários podem ser individualmente determinados. 
 
A prof. Ada afirma que, quando qualquer legitimado ajuíza uma ACP na defesa do patrimônio 
público, em verdade trata-se de uma espécie de ação popular, com legitimidade diferente. Deve-se 
adotar o regime jurídico da ação popular e não o regime da ação civil pública. Não é entendimento 
dominante. 
Por isso, há quem sustente que o MP pode propor ação popular. Não prevalece, tendo em 
vista a previsão da Súmula 329 do STJ. 
Súmula 329 - O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil 
pública em defesa do patrimônio público 
3. OBJETO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
Os arts. 1º, 3º e 11 da Lei de Ação Civil Pública consagram os seus objetos, vejamos: 
Art. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, 
as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: 
l - ao meio-ambiente; 
ll - ao consumidor; 
III – a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e 
paisagístico; 
IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo. 
V - por infração da ordem econômica; 
VI - à ordem urbanística. 
VII – à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos. 
VIII – ao patrimônio público e social. 
Parágrafo único. Não será cabível ação civil pública para veicular pretensões 
que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do 
Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos 
beneficiários podem ser individualmente determinados. 
 
Art. 3º A ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o 
cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. 
 
Art. 11. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer 
ou não fazer, o juiz determinará o cumprimento da prestação da atividade 
devida ou a cessação da atividade nociva, sob pena de execução específica, 
ou de cominação de multa diária, se esta for suficiente ou compatível, 
independentemente de requerimento do autor. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 56 
 
 
3.1. ESPÉCIES DE OBJETOS 
3.1.1. Meio-ambiente 
Ressalta-se que, conforme visto acima, a ACP nasceu para tutelar o meio-ambiente, mas 
não faz distinção de qual meio-ambiente irá proteger. Assim, afirma-se que a ACP irá proteger o 
meio-ambiente natural, cultural, artificial e do trabalho. 
MEIO-AMBIENTE NATURAL – refere-se à flora, à fauna, à água, ao mar. Ou seja, é aquele 
em que não há interferência humana. 
No que diz respeito ao meio-ambiente natural, de acordo com o art. 14 da Lei 6.983/81, e 
com o art. 3º da Lei 9.605/95, adota-se a teoria do risco da atividade (lembrar que difere da teoria 
do risco integral - não admite excludentes de responsabilidade: caso fortuito ou força maior). 
Lei 6.983/81 Art. 14 - Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação 
federal, estadual e municipal, o não cumprimento das medidas necessárias à 
preservação ou correção dos inconvenientes e danos causados pela 
degradação da qualidade ambiental sujeitará os transgressores: 
... 
§ 1º - Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o 
poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou 
reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros,afetados por sua 
atividade. O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para 
propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio 
ambiente. 
 
Lei 9.605/95 Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas 
administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos 
em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou 
contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua 
entidade. 
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das 
pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato. 
 
MEIO-AMBIENTE CULTURAL – é o patrimônio histórico-cultural, são os símbolos da 
atividade humana que agregam valor à sociedade. Exemplos: carnaval, monumentos, pelourinho, 
cristo redentor etc. 
MEIO-AMBIENTE ARTIFICIAL – trata-se do urbanismo, das cidades. ACP quando não há 
coleta de lixo, por exemplo, visa-se tutelar à cidade. 
MEIO-AMBIENTE DO TRABALHO – condições de saúde e de salubridade do local de 
trabalho. 
Súmula 736 STF - Compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que 
tenham como causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas 
relativas à segurança, higiene e saúde dos trabalhadores. 
3.1.2. Consumidor 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 57 
 
Visa a tutela dos direitos do consumidor. Lembrar do microssistema. 
3.1.3. Bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico 
Trata-se da proteção ao patrimônio público. 
➔ QUESTÃO: Bem que não é tombado pode ser objeto de ACP, para a proteção do 
patrimônio histórico e cultural? 
Tombamento nada mais é que um atestado administrativo de que determinado bem tem 
valor histórico ou cultural. Desta forma, é perfeitamente possível ajuizamento de ACP para proteger 
um patrimônio seja tombado ou não. 
Se o imóvel for tombado não será preciso provar seu valor histórico, que já é presumido. 
Se o bem não for tombado, o valor histórico deve ser provado, sob pena de improcedência 
da ação. 
3.1.4. Qualquer outro interesse difuso ou coletivo 
Trata-se de uma norma de encerramento, tendo em vista que abarca outros direitos não 
previstos expressamente no art. 1º da LACP (rol exemplificativo). 
Desta forma, entende-se que qualquer direito difuso ou coletivo poderá ser tutelado por meio 
de ACP, mesmo que não conste no rol do art. 1º, a exemplo da saúde, da segurança pública. 
O STJ, no julgamento do REsp. 706.791/PE, entendeu ser possível a tutela dos direitos 
individuais homogêneos por meio de ACP, percebe-se, assim, que a ação civil pública é ampla, 
podendo tutelar todos os direitos coletivos: difusos, coletivos propriamente ditos e individuais 
homogêneos. 
STJ (Resp. 706.791) - RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. AÇÃO 
CIVIL PÚBLICA. DEFESA DE DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS DE 
SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS. CABIMENTO. LEGITIMIDADE DO 
SINDICATO. PRECEDENTES. 1. De acordo com a jurisprudência 
consolidada deste Superior Tribunal de Justiça, o artigo 21 da Lei nº 7.347/85, 
com redação dada pela Lei nº 8.078/90, ampliou o alcance da ação civil 
pública também para a defesa de interesses e direitos individuais 
homogêneos não relacionados a consumidores. 2. Recurso especial 
improvido. 
3.1.5. Ordem econômica 
Havendo infração à ordem econômica, poderá ser utilizada ACP. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/MG (2019) Na ação civil pública que busca o pagamento de indenização 
às pessoas prejudicadas pela prática de infração da ordem econômica não 
se exige a formação de litisconsórcio passivo entre todos os responsáveis 
pela infração. Correta! 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 58 
 
3.1.6. Urbanística 
Havendo infração à ordem urbanística, poderá ser utilizada ACP para proteger/tutelar tais 
direitos. 
3.1.7. Honra, dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos 
Foi acrescentado, em 2014, pela Lei 12.966, a qual passou a prever, de forma expressa, 
que a ACP poderá prevenir e reparar danos morais e patrimoniais causados à honra e à dignidade 
de grupos étnicos, raciais e religiosos. 
Assim, por exemplo, caso uma rede de televisão mantenha programas que exponham 
pessoa ou grupo ao ódio ou ao desprezo por motivos fundados na raça, na etnia ou na religiosidade, 
o Ministério Público (ou outro legitimado) poderá ajuizar ação civil pública contra a emissora pedindo 
o fim da exibição e a sua condenação em danos morais coletivos. 
A alteração é positiva em termos simbólicos ao demonstrar o respeito e a deferência que o 
Estado brasileiro possui em relação aos direitos e interesses desses grupos. No entanto, na prática, 
pouco muda, considerando que, juridicamente, tais valores já podiam ser protegidos pela ACP, 
conforme previsão do art. 1º, IV e V da Lei n.7.347/85 e do art. 55 da Lei n.12.288/2010 (Estatuto 
da Igualdade Racial). 
Outra mudança de destaque é que agora, pela nova Lei, fica expressamente previsto que 
as associações tenham como finalidade institucional a proteção dos direitos de grupos raciais, 
étnicos ou religiosos são legitimadas para ajuizar ação civil pública. 
3.1.8. Patrimônio público e social 
Igualmente, foi acrescentado à Lei de Ação Civil Pública em 2014, pela Lei 13.004/2014, a 
qual estabeleceu, de forma expressa, que a ação civil pública poderá também prevenir e reparar 
danos morais e patrimoniais causados ao PATRIMÔNIO PÚBLICO E SOCIAL. 
A alteração não tem nenhuma utilidade prática. Mesmo antes da Lei já era PACÍFICO que a 
ACP também poderia ser utilizada para a proteção do patrimônio público e social. 
No caso do Ministério Público, a própria CF/88 é expressa ao afirmar isso: 
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: 
III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do 
patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos 
e coletivos; 
 
Sobre o tema, também já existia um enunciado do STJ: 
Súmula 329-STJ: O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil 
pública em defesa do patrimônio público. 
 
Apesar de o art. 129, III, da CF/88 e de a súmula referirem-se apenas ao Ministério Público, 
era perfeitamente possível que outros legitimados pudessem ajuizar ACP com esse objetivo. Ex.: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 59 
 
ACP ajuizada pela União com o objetivo de proteger o patrimônio público e social (art. 5º, III, da Lei 
n. 7.347/85). 
Outra mudança é que agora, pela nova Lei, fica expressamente previsto que as associações 
que tenham como finalidade institucional a proteção ao patrimônio público e social são legitimadas 
para ajuizar ação civil pública. 
3.2. TUTELAS DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
É entendimento pacífico que na ação civil pública há tutela preventiva e tutela reparatória. 
3.2.1. Tutela preventiva 
Visa evitar ou interromper a prática do ato ilícito, consequentemente, impede-se (ou pelo 
menos diminui-se) a ocorrência do dano. Cita-se, como exemplo, o ajuizamento de ACP para que 
não seja concedida licença ambiental, o que poderia causar um dano ao meio ambiente (com a 
concessão). 
Segundo Marinoni, a tutela preventiva divide-se em: tutela inibitória (ACP inibitória) e tutela 
de remoção de ilícito. 
a) Tutela preventiva inibitória – evita a própria prática do ilícito. 
Exemplo: importação de medicamentos não autorizados pela ANVISA. Ajuíza-se uma ACP 
para que não seja permitido o ingresso no Brasil. 
b) Tutela preventiva de remoção do ilícito – há ocorrência do ilícito, mas o dano ainda pode 
ser evitado ou minorado, pois o ilícito aconteceu e não gerou danos ou os danos são 
poucos. 
Exemplo: os medicamentos foram distribuídos para as farmácias, ajuíza-se ACP para que 
ocorra a remoção do ilícito, com o fim de retirar das farmácias a mercadoria que não pode ser 
comercializada. 
Como o tema foi cobradoem concurso? 
MPE/MG (2018) A tutela inibitória é instrumento processual de extrema 
utilidade para o processo coletivo, na medida em que os interesses tuteláveis 
possuem, por natureza, grande magnitude e, por vezes, ser difícil ou 
impossível a restauração ao estado anterior (statu quo ante). Analise as 
afirmativas a seguir e assinale a alternativa CORRETA: A concessão da tutela 
específica prescinde da demonstração da ocorrência de culpa e dolo. 
3.2.2. Tutela ressarcitória/reparatória 
O objetivo não é evitar o ilícito ou o dano, mas sim reparar o dano que já se concretizou. Por 
exemplo, o medicamento proibido já foi adquirido pelos consumidores. 
A tutela ressarcitória divide-se em: 
a) Específica – busca o perfeito adimplemento da obrigação. Trata-se da reparação do 
dano in natura. Por exemplo, ACP contra o corte de 500 árvores, com a tutela específica 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 60 
 
manda-se plantar 500 árvores. ACP para atender determinado grupo por plano de saúde 
que se nega. 
b) Genérica – busca a reparação em pecúnia, trata-se das perdas e danos. Destaca-se que 
apenas quando não for possível a tutela específica. 
o Dano material (Tutela Ressarcitória Genérica) - É o prejuízo aferível 
patrimonialmente. Por exemplo, prefeito desvia 200 mil reais, a dano material será 
os 200 mil reais. 
o Dano moral (Tutela Ressarcitória Genérica) - Funciona como uma reparação 
compensatória por conta da violação da dignidade de uma pessoa. É possível, no 
âmbito da ACP, a reparação por dano moral através da tutela ressarcitória genérica 
moral. 
3.2.3. Dano moral coletivo 
O termo “coletivo” é utilizado como gênero, abrangendo o dano moral que viola direitos 
difusos, direitos coletivos stricto sensu, direitos individuais homogêneos. 
a) Direitos individuais homogêneos 
É pacífico o entendimento de que há dano moral quando os interesses individuais 
homogêneos são violados, a exemplo das vítimas de um acidente de consumo, das vítimas das 
pílulas de farinha. 
Em relação à possibilidade de danos morais coletivos por violação de direitos individuais 
homogêneos, há divergência entre a 3ª e a 4ª Turma do STJ. 
A violação de direitos individuais homogêneos é capaz de causar danos morais coletivos? 
3ª Turma do STJ: SIM 4ª Turma do STJ: NÃO 
O interesse individual homogêneo é um direito 
individual que acidentalmente se torna coletivo e, 
pois, indisponível, quando transcende a esfera de 
interesses puramente particulares, envolvendo 
bens, institutos ou valores jurídicos superiores, 
cuja preservação importa à comunidade como um 
todo. 
O dano moral coletivo é categoria autônoma de 
dano que não se identifica com aqueles 
tradicionais atributos da pessoa humana (dor, 
sofrimento ou abalo psíquico), mas com a violação 
injusta e intolerável de valores fundamentais 
titularizados pela coletividade (grupos, classes ou 
categorias de pessoas). Tem a função de: 
a) proporcionar uma reparação indireta à lesão de 
um direito extrapatrimonial da coletividade; 
b) sancionar o ofensor; e 
O dano moral coletivo é aferível in re ipsa, ou seja, 
sua configuração decorre da mera constatação da 
prática de conduta ilícita que, de maneira injusta e 
intolerável, viole direitos de conteúdo 
extrapatrimonial da coletividade, revelando-se 
despicienda a demonstração de prejuízos 
concretos ou de efetivo abalo moral. 
Precedentes. 
Independentemente do número de pessoas 
concretamente atingidas pela lesão em certo 
período, o dano moral coletivo deve ser ignóbil e 
significativo, afetando de forma inescusável e 
intolerável os valores e interesses coletivos 
fundamentais. 
O dano moral coletivo é essencialmente 
transindividual, de natureza coletiva típica, tendo 
como destinação os interesses difusos e coletivos, 
não se compatibilizando com a tutela de direitos 
individuais homogêneos. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 61 
 
c) inibir condutas ofensivas a esses direitos 
transindividuais. 
A grave lesão de interesses individuais 
homogêneos acarreta o comprometimento de 
bens, institutos ou valores jurídicos superiores, 
cuja preservação é cara a uma comunidade maior 
de pessoas, razão pela qual é capaz de reclamar 
a compensação de danos morais coletivos. 
A condenação em danos morais coletivos tem 
natureza eminentemente sancionatória, com 
parcela pecuniária arbitrada em prol de um fundo 
criado pelo art. 13 da LACP - fluid recovery - , ao 
passo que os danos morais individuais 
homogêneos, em que os valores destinam-se às 
vítimas, buscam uma condenação genérica, 
seguindo para posterior liquidação prevista nos 
arts. 97 a 100 do CDC. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1586515/RS, Rel. Min. 
Nancy Andrighi, julgado em 22/05/2018. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1610821/RJ, Rel. Min. Luis 
Felipe Salomão, julgado em 15/12/2020. 
(REsp n. 1.610.821/RJ, relator Ministro Luis Felipe 
Salomão, Quarta Turma, julgado em 15/12/2020, 
DJe de 26/2/2021.) 
 
 
b) Direitos difusos e coletivos 
Aqui, há controvérsia. 
1ª C – Não é possível a concessão de dano moral coletivo, tendo em vista que o dano moral 
é um instituto ligado à dignidade da pessoa humana. Desta forma, como a coletividade não possui 
personalidade, não tem dignidade, não haverá sofrimento psíquico da coletividade. Era a corrente 
adotada pelo STJ. 
No que diz respeito ao dano moral coletivo, a Turma, nessa parte, negou 
provimento ao recurso, pois reiterou o entendimento de que é necessária a 
vinculação do dano moral com a noção de dor, sofrimento psíquico e de 
caráter individual, incompatível, assim, com a noção de transindividualidade 
- indeterminabilidade do sujeito passivo, indivisibilidade da ofensa e de 
reparação da lesão. Precedentes citados: REsp 598.281-MG, DJ 1/6/2006, e 
REsp 821.891-RS, DJe 12/5/2008 (REsp 971.844-RS, Rel. Min. Teori Albino 
Zavascki, julgado em 3/12/2009). 
 
2ª C – É perfeitamente possível a concessão de dano moral coletivo, a dor, o sofrimento 
psíquico são consequências do dano moral. Ademais, no âmbito do processo coletivo, o dano moral 
coletivo não está atrelado aos direitos de personalidade, devendo se sobressair o caráter punitivo 
(caráter pedagógico) do dano moral, a fim de que agressor não mais realize a conduta danosa. É a 
atual posição do STJ. 
A conduta de emissora de televisão que exibe quadro que, potencialmente, 
poderia criar situações discriminatórias, vexatórias, humilhantes às crianças 
e aos adolescentes configura lesão ao direito transindividual da coletividade 
e dá ensejo à indenização por dano moral coletivo (STJ, REsp 1.517.973-
PE, Rel. Min. Luís Felipe Salomão, por unanimidade, julgado em 16/11/2017, 
DJe 01/02/2018) 
 
A alienação de terrenos a consumidores de baixa renda em loteamento 
irregular, tendo sido veiculada publicidade enganosa sobre a existência de 
autorização do órgão público e de registro no cartório de imóveis, configura 
lesão ao direito da coletividade e dá ensejo à indenização por dano 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 62 
 
moral coletivo. STJ. 4ª Turma. REsp 1539056/MG, Rel. Min. Luis Felipe 
Salomão, julgado em 06/04/2021 (Info 691). 
 
c) Danos sociais 
Trata-se de uma nova espécie de dano reparável, que não se confunde com os danos 
materiais, morais e estéticos, e que decorre de comportamentos socialmente reprováveis, que 
diminuem o nível social de tranquilidade. De acordo com Antônio Junqueira de Azevedo, os danos 
sociais são aqueles que causam um rebaixamento do nível de vida da coletividade, relacionados a 
condutas socialmente reprováveis. Toda a sociedade é atingida; as vítimas são indeterminadas e 
indetermináveis. 
Segundo explica Flávio Tartuce, os danos sociais são difusos e a sua indenização deve ser 
destinada não para a vítima, mas sim para um fundo de proteção ao consumidor, ao meio ambiente 
etc., ou mesmo para uma instituição de caridade, a critériodo juiz. 
Outros exemplos dados por Junqueira de Azevedo: o pedestre que joga papel no chão, o 
passageiro que atende ao celular no avião, o pai que solta balão com seu filho. Tais condutas 
socialmente reprováveis podem gerar danos como o entupimento de bueiros em dias de chuva, 
problemas de comunicação do avião causando um acidente aéreo, o incêndio de casas ou de 
florestas por conta da queda do balão etc. 
Na V Jornada de Direito Civil do CJF/STJ, foi aprovado um enunciado reconhecendo a 
existência dos danos sociais: 
Enunciado 455: A expressão “dano” no art. 944 abrange não só os danos 
individuais, materiais ou imateriais, mas também os danos sociais, difusos, 
coletivos e individuais homogêneos a serem reclamados pelos legitimados 
para propor ações coletivas. 
 
O STJ se posicionou sobre a impossibilidade de o juiz reconhecer o dano social de ofício, 
por entender que se trataria de decisão extra petita. A decisão que reconhece dano social de ofício 
é nula. Portanto, em uma ação individual por danos morais, o juiz ou Tribunal não poderia, de ofício, 
condenar o autor do ilícito a indenizar a coletividade por danos sociais. Para que haja condenação 
por dano social, é indispensável que haja pedido expresso, sob pena de violar os princípios da 
demanda, da inércia e, fundamentalmente, da adstrição/congruência, o qual exige a correlação 
entre o pedido e o provimento judicial a ser exarado pelo Poder Judiciário. 
Vale frisar que, ainda que haja pedido de condenação em danos sociais em uma demanda 
individual, o pleito não poderá ser julgado procedente, pois esbarraria na ausência de legitimidade 
para postulá-lo. Isso porque, na visão do STJ, a condenação por danos sociais somente pode 
ocorrer em demandas coletivas e, portanto, apenas os legitimados para a propositura de ações 
coletivas poderiam pleitear danos sociais. Portanto, não é possível discutir danos sociais em ação 
individual. 
O dano social é PUNITIVO. 
Em 2022, acrescentamos, que o STJ entendeu que o simples fato de um condutor ter 
estacionado em uma vaga destinada à pessoa com deficiência não configuraria, por si só, dano 
moral coletivo: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 63 
 
No caso concreto, o condutor estacionou, indevidamente, em vaga reservada 
à pessoa com deficiência e, por conta disso, foi multado pela autoridade de 
trânsito. 
A despeito da relevância da tutela coletiva dos direitos da pessoa com 
deficiência ou idosa, não há como se afirmar que a conduta em tela tenha 
agredido, de modo intolerável, os valores essenciais da sociedade. 
No caso concreto, não há outros elementos que permitam dizer que a conduta 
do motorista tenha atributos de gravidade e intolerabilidade. 
A situação se amolda a uma mera infringência à lei de trânsito, o que é 
insuficiente para a caracterização do dano moral coletivo. 
STJ. 2ª Turma. AREsp 1927324-SP, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 
05/04/2022 (Info 732). 
 
d) Destinatários das indenizações 
Tratando-se de direitos individuais homogêneos, os destinatários são as vítimas ou os seus 
sucessores. 
Tratando-se de direitos difusos e coletivos, os valores são destinados ao fundo de reparação 
para os bens lesados. 
Art. 13. Havendo condenação em dinheiro, a indenização pelo dano causado 
reverterá a um fundo gerido por um Conselho Federal ou por Conselhos 
Estaduais de que participarão necessariamente o Ministério Público e 
representantes da comunidade, sendo seus recursos destinados à 
reconstituição dos bens lesados 
 
Tratando-se de indenização por dano social, caberá ao juiz fixar os destinatários das 
indenizações. Tartuce afirma que poderá ir para o fundo. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/RO (2017) Nas ações civis públicas a condenação em dinheiro 
decorrente de danos a direitos difusos reverterá em favor de fundo de 
reconstituição dos bens lesados. Correta! 
3.3. CUMULAÇÃO DE PEDIDOS 
As tutelas vistas acima são perfeitamente cumuláveis. 
Pode haver a cumulação dos três pedidos, por exemplo: a indústria já tem remédio sendo 
comercializado e ingerido (ressarcitória); tem remédio em estoque (remoção do ilícito); tem remédio 
na iminência de entrar no Brasil (inibitória) - três tutelas. 
LACP - Art. 3º A ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro 
ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. 
 
Súmula 629 - Quanto ao dano ambiental, é admitida a condenação do réu à 
obrigação de fazer ou à de não fazer cumulada com a de indenizar. 
 
Observe o entendimento do STJ acerca do assunto: 
“PROCESSO CIVIL. DIREITO AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA PARA 
TUTELA DO MEIO AMBIENTE. OBRIGAÇÕES DE FAZER, DE NÃO FAZER 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 64 
 
E DE PAGAR QUANTIA. POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE PEDIDOS 
ART. 3º DA LEI 7.347/85. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA. ART. 225, § 3º, 
DA CF/88, ARTS. 2º E 4º DA LEI 6.938/81, ART. 25, IV, DA LEI 8.625/93 E 
ART. 83 DO CDC. PRINCÍPIOS DA PREVENÇÃO, DO POLUIDOR-
PAGADOR E DA REPARAÇÃO INTEGRAL. 1. A Lei nº 7.347/85, em seu art. 
5º, autoriza a propositura de ações civis públicas por associações que 
incluam entre suas finalidades institucionais, a proteção ao meio ambiente, 
ao consumidor, ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e 
paisagístico, ou a qualquer outro interesse difuso ou coletivo. 2. O sistema 
jurídico de proteção ao meio ambiente, disciplinado em normas 
constitucionais (CF, art. 225, § 3º) e infraconstitucionais (Lei 6.938/81, arts. 
2º e 4º), está fundado, entre outros, nos princípios da prevenção, do poluidor 
pagador e da reparação integral. 3. Deveras, decorrem para os destinatários 
(Estado e comunidade), deveres e obrigações de variada natureza, 
comportando prestações pessoais, positivas e negativas (fazer e não fazer), 
bem como de pagar quantia (indenização dos danos insuscetíveis de 
recomposição in natura), prestações essas que não se excluem, mas, pelo 
contrário, se cumulam, se for o caso. 4. A ação civil pública é o instrumento 
processual destinado a propiciar a tutela ao meio ambiente (CF, art. 129, III) 
e submete-se ao princípio da adequação, a significar que deve ter aptidão 
suficiente para operacionalizar, no plano jurisdicional, a devida e integral 
proteção do direito material, a fim de ser instrumento adequado e útil. 5. A 
exegese do art. 3º da Lei 7.347/85 ("A ação civil poderá ter por objeto a 
condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não 
fazer"), a conjunção “ou” deve ser considerada com o sentido de adição 
(permitindo, com a cumulação dos pedidos, a tutela integral do meio 
ambiente) e não o de alternativa excludente (o que tornaria a ação civil pública 
instrumento inadequado a seus fins). 6. Interpretação sistemática do art. 21 
da mesma lei, combinado com o art. 83 do Código de Defesa do Consumidor 
("Art. 83. Para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este código 
são admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua 
adequada e efetiva tutela.") bem como o art. 25 da Lei 8.625/1993, segundo 
o qual incumbe ao Ministério Público “IV - promover o inquérito civil e a ação 
civil pública, na forma da lei: a) para a proteção, prevenção e reparação dos 
danos causados ao meio ambiente (...)”. 7. A exigência para cada espécie de 
prestação, da propositura de uma ação civil pública autônoma, além de 
atentar contra os princípios da instrumentalidade e da economia processual, 
ensejaria a possibilidade de sentenças contraditórias para demandas 
semelhantes, entre as mesmas partes, com a mesma causa de pedir e com 
finalidade comum (medidas de tutela ambiental), cuja única variante seriam 
os pedidos mediatos, consistentes em prestações de natureza diversa. 8. 
Ademais, a proibição de cumular pedidos dessa natureza não encontra 
sustentáculo nas regras do procedimento comum, restando ilógico negarà 
ação civil pública, criada especialmente como alternativa para melhor 
viabilizar a tutela dos direitos difusos, o que se permite, pela via ordinária, 
para a tutela de todo e qualquer outro direito. 9. Recurso especial desprovido 
 
3.4. ACP X ADI X ADC 
É pacífico o entendimento de que a ACP, caso seja acolhida, terá efeito erga omnes. Assim, 
em tese, terá validade em todo o território nacional. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 65 
 
Diante disso, sustentou-se a possibilidade de realizar o controle de constitucionalidade de 
lei ou ato normativo, com efeito erga omnes, fazendo o papel de uma ADI ou de uma ADC, pela 
Ação Civil Pública. 
Tanto o STF quanto o STJ entendem que não há impedimento para que se reconheça a 
inconstitucionalidade de lei em ACP, desde que se observe o seguinte parâmetro: 
a) Tratando-se de ADI e ADC, a causa de pedir é a inconstitucionalidade e o pedido 
também é a inconstitucionalidade. 
b) Tratando-se de ACP, a causa de pedir é a inconstitucionalidade, mas o pedido SEMPRE 
será uma providência concreta, que terá como fundamento a inconstitucionalidade de 
uma lei. 
A ACP não pode ser utilizada como sucedâneo da ADI, pois neste caso haveria uma 
usurpação da competência do STF. Ou seja, na ação civil pública, a inconstitucionalidade só pode 
estar na causa de pedir. Havendo essa usurpação, caberia uma Reclamação diretamente no STF, 
argumentando que aquela ACP estaria sendo usada como espécie de ADI. 
Mas a ACP não tem efeitos erga omnes? Sim, mas o que vai ter efeito erga omnes é o 
conteúdo da decisão (o pedido), que no caso não é a inconstitucionalidade, porque esta é 
analisada incidenter tantum, ou seja, é analisada incidentalmente na causa de pedir. 
Ex.: ACP no RJ em que se pediu a inconstitucionalidade dos bingos. Houve ajuizamento de 
Reclamação perante o STF, que decidiu que não havia usurpação, pois, o pedido era o fechamento 
dos bingos. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/MS (2015) O Supremo Tribunal Federal tem reconhecido a legitimidade 
da utilização da ação civil pública como instrumento idôneo de fiscalização 
incidental de constitucionalidade, pela via difusa, de quaisquer leis ou atos do 
Poder Público, mesmo quando contestados em face da Constituição da 
República, desde que, nesse processo coletivo, a controvérsia constitucional, 
longe de identificar-se como objeto único da demanda, qualifique-se como 
simples questão prejudicial, indispensável à resolução do litígio principal. 
Correta! 
3.5. VEDAÇÃO DE OBJETO 
São casos em que a lei proíbe ação civil pública, conforme parágrafo 1º do art. 1º da LACP. 
Art. 1º, Parágrafo único. Não será cabível ação civil pública para veicular 
pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, o 
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de 
natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente 
determinados 
 
A ACP não poderá ter como objeto: 
a) Matéria relativa a tributos; 
b) Matéria relativa à contribuição previdenciária; 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 66 
 
c) FGTS; 
d) Outros fundos de natureza institucional. 
Salienta-se que tanto o STF quanto o STJ entendem que a vedação de objeto é 
constitucional e legal. Contudo, reconhecem que é possível que ocorra casos em que a ACP, 
visando a proteção do patrimônio público e a higidez tributária, tutele um dos objetos vedados. 
Cita-se, como exemplo, a anulação de TARE (termo de acordo de regime especial) ou 
anulação de certificado de assistência social (REsp. 1.101.808/SP e STF Informativo 595). São os 
casos de isenção de tributos para permanência de determinada empresa no Município ou no Estado 
- note que não se trata de matéria tributária, mas sim de proteção ao patrimônio público. 
O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública com o 
objetivo de anular Termo de Acordo de Regime Especial - TARE firmado entre 
o Distrito Federal e empresas beneficiárias de redução fiscal. Com base 
nesse entendimento, o Tribunal, por maioria, proveu recurso extraordinário 
interposto contra acórdão do STJ que afastara essa legitimidade — v. 
Informativos 510, 545 e 563. Na espécie, alegava o Ministério Público, na 
ação civil pública sob exame, que a Secretaria de Fazenda do Distrito 
Federal, ao deixar de observar os parâmetros fixados no próprio Decreto 
regulamentar, teria editado a Portaria 292/99, que estabeleceu percentuais 
de crédito fixos para os produtos que enumera, tanto para as saídas internas 
quanto para as interestaduais, reduzindo, com isso, o valor que deveria ser 
recolhido a título de ICMS. Sustentava que, ao fim dos 12 meses de vigência 
do acordo, o Subsecretário da Receita do DF teria descumprido o disposto 
no art. 36, § 1º, da Lei Complementar federal 87/96 e nos artigos 37 e 38 da 
Lei distrital 1.254/96, ao não proceder à apuração do imposto devido, com 
base na escrituração regular do contribuinte, computando eventuais 
diferenças positivas ou negativas, para o efeito de pagamento. Afirmava, por 
fim, que o TARE em questão causara prejuízo mensal ao DF que variava 
entre 2,5% a 4%, nas saídas interestaduais, e entre 1% a 4,5%, nas saídas 
internas, do ICMS devido. RE 576155/DF, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 
12.8.2010. (RE-576155) 
 
Resp 1.101.808 SP PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 
DECLARAÇÃO DE NULIDADE DE CERTIFICADO DE ENTIDADE 
FILANTRÓPICA. LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM DO MINISTÉRIO 
PÚBLICO. INTERESSE DE AGIR EVIDENCIADO. 1. O exame acerca da 
possibilidade jurídica do pedido não merece ser conhecido. Incidência do 
enunciado nº 211 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça ("Inadmissível 
recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos 
declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo."). 2. A indevida emissão 
de certificado de entidade filantrópica excede os prejuízos patrimoniais do 
Fisco, pois o desvio de finalidade na entidade reflete consequências graves 
na consecução das atividades assistenciais prestadas. 3. Presente o 
interesse de agir, pois as medidas administrativas concretizadas pelo Fisco 
não exaurem o objeto da ação, que consiste na declaração de nulidade do 
certificado de entidade assistencial e no reconhecimento de ofensa à 
moralidade administrativa. 17 www.g7juridico.com.br 4. Recurso especial 
parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 67 
 
Por fim, durante muito tempo sustentou-se que não caberia ACP em matéria previdenciária. 
Contudo, atualmente, os tribunais superiores entendem que é possível o ajuizamento de uma ACP 
para tutelar matéria relativa a benefício previdenciário. Não se aplica para contribuição 
previdenciária. 
O STF entendeu que o Ministério Público possui legitimidade constitucional para ajuizar ação 
civil pública cujo objeto seja pretensão relacionada ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço 
(FGTS) porque esta demanda tutela direitos individuais homogêneos, mas que apresenta relevante 
interesse social. 
É necessário que seja feita uma interpretação conforme a Constituição Federal do parágrafo 
único do art. 1º da Lei 7.347/85, ou seja, é necessário que esse dispositivo seja lido em 
conformidade com o texto constitucional. O objetivo dessa previsão foi apenas o de evitar a 
vulgarização da ação coletiva, evitando que fossem propostas ações civis públicas para fins de 
simples movimentação do FGTS ou para discutir as hipóteses de saque de contas fundiárias. 
Assim, esse art. 1º, parágrafo único não constitui obstáculo para que o Ministério Público 
proponha ação civil pública discutindo FGTS em um contexto mais amplo, envolvendo interesses 
sociais qualificados, ainda que sua natureza seja de direitos individuais homogêneos. Se o 
Ministério Público está propondo uma ação civilpública tratando sobre direitos individuais 
homogêneos com relevante interesse social, a legitimidade do Parquet, nesta hipótese, decorre 
diretamente do art. 127 da CF/88 
STF TEMA 850 - Legitimidade do Ministério Público para a propositura de 
ação civil pública em defesa de direitos relacionados ao FGTS, tendo em vista 
a vedação contida no art. 1º, parágrafo único, da Lei 7.347/1985. RE643978, 
9/10/2019. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/GO (2019) O Ministério Público não tem legitimidade para propositura 
de ação civil pública em defesa de direitos sociais relacionados ao FGTS. 
Errada! 
4. LEGITIMIDADE ATIVA 
4.1. PREVISÃO LEGAL 
O art. 5º da LACP (mais atualizado) e o art. 82 do CDC trazem os legitimados para a 
propositura da ACP. 
LACP - Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação 
cautelar: 
II - a Defensoria Pública 
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista 
V - a associação que, concomitantemente 
a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil 
b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio 
público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à 
livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao 
patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 68 
 
 
CDC Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados 
concorrentemente: 
I - o Ministério Público, 
II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; 
III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda 
que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos 
interesses e direitos protegidos por este código; (lembrar do ECA → 
Conselho Tutelar pode ajuizar ACP? Prevalece que sim) 
IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que 
incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos 
protegidos por este código, dispensada a autorização assemblear. 
§ 1° O requisito da pré-constituição pode ser dispensado pelo juiz, nas ações 
previstas nos arts. 91 e seguintes, quando haja manifesto interesse social 
evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do 
bem jurídico a ser protegido. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PA (2023) A Lei n.º 7.347/1985 estabelece que terá legitimidade para a 
propositura da ação civil pública a associação que estiver constituída há pelo 
menos um ano, nos termos da lei civil. Correta! 
 
MPE/SP (2019) A Associação “X”, constituída em 1999 com a única finalidade 
de tutela coletiva dos direitos dos consumidores, ingressou com ação civil 
pública ambiental em face do Município “Y”, pretendendo impedir a 
continuidade de obras de alargamento de um logradouro, sob alegação de 
que a ampliação poderia causar dano ao meio ambiente. O magistrado, 
embora reconhecendo o atendimento do requisito da pré-constituição, 
considerou ausente a pertinência temática para a propositura da demanda. 
Nesse caso, o processo deve ser extinto, sem resolução do mérito, por 
ausência de legitimidade ativa. Correta! 
 
4.2. CARACTERÍSTICAS 
4.2.1. Ope legis 
Conforme se observa, trata-se de uma legitimação ope legis, ou seja, decorre 
exclusivamente da lei. O sistema brasileiro elegeu entidades públicas (MP, DP, Administração 
Direta), entidades privadas (SEM e EPP) e a sociedade civil (associações, sindicatos). 
Obs.: o rol é taxativo. Na Ação Popular qualquer cidadão poderá ser legitimado. 
4.2.2. Concorrente e disjuntiva 
Trata-se de legitimidade concorrente, tendo em vista que existe mais de um legitimado. 
É disjuntiva, pois cada legitimado possui autonomia para ingressar com a ACP. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 69 
 
MPE/SP (2017) A Constituição Federal atribui, de forma expressa e direta, 
legitimidade ativa para a propositura de ação civil pública para a defesa de 
interesses difusos, ao Ministério Público permitindo a instituição de 
concorrência de iniciativas no âmbito legal. 
4.3. NATUREZA JURÍDICA 
Há três correntes acerca da natureza jurídica da legitimidade ativa. 
1ª Corrente: Legitimação ordinária 
A legitimação é ordinária quando a parte na relação jurídica processual se diz titular do 
direito subjetivo material por ela invocado. Há pertinência temática subjetiva, ou seja, há 
identidade entre o autor da ação e aquele que, segundo se alega na petição inicial, é o titular do 
direito material5. 
Não prevalece, já que o legitimado à demanda coletiva não vai a juízo na defesa de interesse 
próprio. 
2ª Corrente: Legitimação extraordinária 
A legitimação é extraordinária quando a parte na relação jurídica processual diz estar 
defendendo direito subjetivo material de terceiro. Trata-se de substituição processual, tendo em 
vista que se defende em nome próprio, direito alheio. 
Aqui, não há pertinência temática subjetiva, isto porque não há identidade entre o autor da 
ação principal e aquele que, segundo alega na petição inicial, é o titular do direito material. 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo 
quando autorizado pelo ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá 
intervir como assistente litisconsorcial. 
 
De acordo com Didier, a legitimação no processo coletivo é extraordinária: autoriza-se um 
ente a defender, em juízo, situação jurídica de que é titular um grupo ou uma coletividade. Não há 
coincidência entre o legitimado e o titular da situação jurídica discutida. Quando não há 
coincidência, a legitimação será extraordinária. Não é consenso na doutrina. 
Em relação aos direitos individuais homogêneos, há consenso na doutrina de que a 
legitimação é extraordinária, tendo em vista que o ente que busca defende-los em uma ação civil 
pública, apesar de fazê-lo em nome próprio, defende interesse alheio. 
É a corrente que tem prevalecido na doutrina, bem como no STF e no STJ. 
3ª Corrente: Legitimação autônoma para a condução do processo 
É defendida por Nelson Nery Júnior. 
Segundo o autor, a dicotomia clássica legitimação ordinária-extraordinária só tem cabimento 
para fenômenos envolvendo o direito individual. Quando a lei legitima alguma entidade a defender 
direito não individual (coletivo ou difuso), o legitimado não estará defendendo direito alheio em nome 
 
5 Interesses Difusos e Coletivos. Adriano Andrade, Cleber Masson, Landolfo Andrade. 10ª Ed. São Paulo, Método. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 70 
 
próprio, porque não se pode identificar o titular do direito. A legitimidade para a defesa dos direitos 
difusos e coletivos em juízo não é extraordinária (substituição processual), mas sim legitimação 
autônoma para a condução do processo, isto porque a lei elegeu alguém para defesa de direitos 
porque seus titulares não podem fazê-lo individualmente. 
4.4. LITISCONSÓRCIO 
É possível que a ACP seja proposta em litisconsórcio, tendo em vista se tratar de legitimação 
concorrente e disjuntiva. 
Será um litisconsórcio unitário (mesma decisão para todos os legitimados), ativo e 
facultativo. 
Art. 5º 
§2º Fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos 
termos deste artigo habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes. 
§5° Admitir-se-á o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da 
União, do Distrito Federal e dos Estados na defesa dos interesses e direitos 
de que cuida esta lei. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/AM (2023) Uma empresa hoteleira construiu um resort no Parque 
Nacional de Anavilhanas – AM, sem observância das normasambientais 
pertinentes. O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP/AM) e o 
Ministério Público Federal no Estado do Amazonas ingressaram com ação 
civil pública (ACP), pleiteando, entre outros pedidos, a paralisação das 
atividades do resort. Acerca da situação hipotética apresentada, assinale a 
opção correta. O litisconsórcio entre o Ministério Público Federal no Estado 
do Amazonas e o MP/AM é facultativo, e a competência para julgar a ACP é 
privativa da justiça federal. Correta! 
4.5. CONTROLE JUDICIAL DE REPRESENTAÇÃO ADEQUADA 
Parte-se da premissa de que, apesar da eleição dos legitimados pelo legislador, será 
possível que o juiz, na análise do caso concreto, faça o controle da representação adequada. Trata-
se de pressuposto de validade do processo coletivo. 
Para realizar o controle, o juiz utiliza como critério a finalidade institucional do legitimado (já 
foi visto em princípios da tutela coletiva). 
5. LEGITIMADOS ATIVOS 
5.1. MINISTÉRIO PÚBLICO 
É o legitimado ativo por excelência, tendo em vista que a ACP foi concebida para o Ministério 
Público. 
LACP Art. 5º Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: 
I - o Ministério Público; 
 
CF Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: 
... 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 71 
 
III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do 
patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos 
e coletivos; 
5.1.1. Finalidade institucional 
As finalidades institucionais do MP estão previstas no art. 127 da CF e na Lei 8.625/93 
(LONMP). 
CF Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função 
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime 
democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. 
 
De acordo com a LONMP, o MP serve para proteção: 
a) Da ordem jurídica; 
b) Do regime democrático; 
c) Dos direitos individuais indisponíveis (vida, saúde); 
d) Dos interesses sociais. 
Importante salientar que, caso não se enquadrem em uma das quatro finalidades 
institucionais, o juiz deverá exercer o controle de representatividade adequada, a fim de que outro 
legitimado assuma a ACP, ou promover a extinção do processo por falta de pressuposto processual 
de legitimidade. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PB (2018) Por não ter que demonstrar a pertinência temática, diz-se 
que o Ministério Público é legitimado universal nas demandas coletivas. Logo, 
o interesse processual deverá estar presente nas ações da sua autoria, sob 
pena de extinção do processo sem resolução do mérito. Correta! 
5.1.2. Direito difuso ou coletivo 
Os direitos difusos ou coletivos, por serem naturalmente coletivos, caracterizam-se pelo 
traço da indivisibilidade (todos ganham ou todos perdem), havendo um intenso e manifesto 
interesse social, o MP sempre será legitimado. 
5.1.3. Direito individual homogêneo 
Como visto, é um direito individual, considerado acidentalmente coletivo, que recebe o 
tratamento de direito coletivo. Aqui, a legitimação do MP dependerá da indisponibilidade do direito 
e do interesse social. Portanto, a análise será feita de acordo com o caso concreto. 
Consideram-se direitos indisponíveis: saúde, dignidade da pessoa humana. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 72 
 
Por outro lado, serão considerados interesse social: a segurança pública, a moradia, o meio-
ambiente. Destaca-se que o interesse social não precisa ser indisponível, podendo, portanto, ser 
patrimonial, a exemplo da ACP que irá tutelar moradia. 
Diante disso, o STJ reconheceu que o Ministério Público não tem legitimidade para promover 
ACP pedindo que os proprietários de imóveis sejam obrigados a pagar taxa em favor de associação 
de moradores. 
O Ministério Público possui legitimidade para promover a tutela coletiva de 
direitos individuais homogêneos, mesmo que de natureza disponível, desde 
que o interesse jurídico tutelado possua relevante natureza social. Se a ação 
tem por finalidade apenas evitar a cobrança de taxas, supostamente ilegais, 
por específica associação de moradores, essa causa não transcende a esfera 
de interesses puramente particulares e, consequentemente, não possui a 
relevância social exigida para a tutela coletiva. STJ. 4ª Turma. REsp 
1585794-MG, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 28/09/2021 (Info 
712). 
 
Exemplos de direitos individuais homogêneos dotados de relevância social (Ministério 
Público pode propor ACP nesses casos): 
1) MP pode questionar edital de concurso público para diversas categorias profissionais de 
determinada Prefeitura, em que se previa que a pontuação adotada privilegiaria candidatos que já 
integrariam o quadro da Administração Pública municipal (STF RE 216443); 
2) na defesa de mutuários do Sistema Financeiro de Habitação (STF AI 637853 AgR); 
3) em caso de loteamentos irregulares ou clandestinos, inclusive para que haja pagamento 
de indenização aos adquirentes (REsp 743678); 
4) o Ministério Público tem legitimidade para figurar no polo ativo de ACP destinada à defesa 
de direitos de natureza previdenciária (STF AgRg no AI 516.419/PR); 
5) o Ministério Público tem legitimidade para propor ACP com o objetivo de anular o Termo 
de Acordo de Regime Especial - TARE firmado entre o Distrito Federal e empresas beneficiárias de 
redução fiscal. O referido acordo, ao beneficiar uma empresa privada e garantir-lhe o regime 
especial de apuração do ICMS, poderia, em tese, implicar lesão ao patrimônio público, fato que 
legitima a atuação do parquet na defesa do erário e da higidez da arrecadação tributária (STF RE 
576155/DF); 
6) o MP tem legitimação para, por meio de ACP, pretender que o Poder Público forneça 
medicação de uso contínuo, de alto custo, não disponibilizada pelo SUS, mas indispensável e 
comprovadamente necessária e eficiente para a sobrevivência de um único cidadão desprovido de 
recursos financeiros; 
7) defesa do direito dos consumidores de não serem incluídos indevidamente nos cadastros 
de inadimplentes (REsp 1.148.179-MG). 
Observe a Súmula 601 do STJ: 
Súmula 601 - O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa 
de direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, 
ainda que decorrentes da prestação de serviço público 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 73 
 
 
Exemplos de direitos individuais homogêneos desprovidos de relevância social (Ministério 
Público NÃO pode propor ACP nesses casos): 
1) o MP não pode ajuizar ACP para veicular pretensões que envolvam tributos (impostos, 
taxas etc.), contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou 
outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente determinados 
(art. 1º, parágrafo único, da LACP). Ex: o MP não pode propor ACP questionando a cobrança 
excessiva de uma determinada taxa, ainda que envolva um expressivo número de contribuintes; 
2) “O Ministério Público não tem legitimidade ativa para propor ação civil pública na qual 
busca a suposta defesa de um pequeno grupo de pessoas - no caso, dos associados de um clube, 
numa óptica predominantemente individual.” (STJ REsp 1109335/SE); 
3) o MP não pode buscar a defesa de condôminos de edifícios de apartamentos contra o 
síndico, objetivando o ressarcimento de parcelas de financiamento pagas para reformas afinal não 
efetivadas. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/RS (2022) O Ministério Público tem legitimidade para promover a tutela 
coletiva de direitos individuais homogêneos, mesmo que de natureza 
disponível, desde que o interesse jurídico tutelado possua relevante natureza 
social. Correta! 
 
MPDFT (2021) As provas específicas à obtenção do registro como Advogado 
nos quadros da Ordem dos Advogadosdo Brasil compõem uma prova 
objetiva e uma prova subjetiva. Algumas das provas são formuladas pela 
Fundação Getúlio Vargas. Na hipótese de a correção da prova subjetiva, de 
natureza discursiva – provas prático profissionais – atingir as provas de uma 
Subseção da OAB e tornar aprovados alguns candidatos e eliminar outros, 
decorrente de erro da análise do espelho de gabarito, o Ministério Público 
possui legitimidade e interesse para pleitear uma nova correção e divulgação 
de todas as provas prático profissionais, pois a jurisprudência do Superior 
Tribunal de Justiça está sedimentando-se em favor da legitimidade do MP 
para promover Ação Civil Pública visando à defesa de direitos individuais 
homogêneos, ainda que disponíveis e divisíveis, quando há relevância social 
objetiva do bem jurídico tutelado. Correta! 
 
MPE/PI (2019) Segundo a atual jurisprudência do STJ, o Ministério Público 
possui legitimidade ativa para, em sede de tutela coletiva, defender direitos 
de consumidores que celebram contratos de compra e venda de imóveis com 
cláusulas pretensamente abusivas. Correta! 
Obs: a súmula 470/STJ previa que o Ministério Público NÃO possuía 
legitimidade para pleitear, em ação civil pública, a indenização 
decorrente do DPVAT em benefício do segurado. Ocorre que tal 
súmula foi formalmente cancelada, de modo que, atualmente, o STJ 
entendeu pela legitimidade do Ministério Público para tais casos. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 74 
 
Por fim, trazemos uma classificação esquematizada pelos professores Fredie Didier e 
Hermes Zaneti Júnior sobre a legitimidade do Ministério Público quanto aos Direitos individuais 
homogêneos: 
• TEORIA AMPLIATIVA: o MP sempre tem atuação como autor e interveniente custus juris, 
ou seja, tem legitimidade para a tutela de todos os direitos individuais homogêneos, pois 
estes são subespécies dos direitos coletivos; 
• TEORIA RESTRITIVA: o MP tem legitimação para tutela apenas dos direitos individuais 
homogêneos indisponíveis, principalmente para veicular pretensões que versem sobre 
tributos, contribuições previdenciárias, FGTS ou outros fundos de natureza institucional 
cujos benefícios podem ser individualmente determinados (direitos disponíveis e meramente 
individuais, nesses casos, um dos argumentos mais fortes é a ausência de norma 
regulamentar sobre em que se constituiriam os “interesses sociais” previstos no art. 127, 
caput (demandando legislação infraconstitucional, como ocorre com o art. 1° do CDC); 
• TEORIA RESTRITIVA ABSOLUTA: inexistência de legitimação do MP nos casos que 
envolvam litígios que versem sobre direitos individuais homogêneos, por falta de previsão 
expressa no art. 129, III, da CF/88; 
• TEORIA ECLÉTICA: atuação do MP acontece pela análise do caso concreto, quando se 
identificar a existência de um relevante interesse social que legitime o Ministério Público. 
5.1.4. ACP em favor de uma única pessoa 
Trata-se de tema controvertido, vejamos: 
1ªC – é possível, desde que se trate de direito individual indisponível. São exemplo, 
medicamento para idoso, vaga em escola. 
2ªC – não é possível, tendo em vista que se trata de função da Defensoria Pública. 
Nada obstante, recentemente, o STJ pacificou o entendimento de que o MP tem plena 
legitimidade para atuar (em qualquer tipo de ação, que não ACP) em favor de uma só pessoa. 
Nesse sentido, vide Súmula 594 do STJ: 
Súmula 594 - O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar ação de 
alimentos em proveito de criança ou adolescente independentemente do 
exercício do poder familiar dos pais, ou do fato de o menor se encontrar nas 
situações de risco descritas no art. 98 do Estatuto da Criança e do 
Adolescente, ou de quaisquer outros questionamentos acerca da existência 
ou eficiência da Defensoria Pública na comarca. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PR (2021) O Superior Tribunal de Justiça, alinhado à orientação do 
Supremo Tribunal Federal, fixou o entendimento de que o Ministério Público 
é legítimo para propor Ação Civil Pública na defesa de interesses individuais 
homogêneos, desde que indisponíveis, quando se verificar a presença de 
relevante interesse social e para evitar a massificação de conflitos judiciais. 
Errada! 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 75 
 
MPE/SC (2021) O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil 
pública com o objetivo de assegurar interesses difusos ou coletivos relativos 
à infância e à adolescência, mesmo quando a ação vise à tutela de pessoa 
individualmente considerada. Correta! 
 
MPE/CE (2020) Em demanda na qual beneficiários individualizados 
pretendem o fornecimento público de medicamento necessário ao próprio 
tratamento de saúde, o Ministério Público é parte legítima para pleitear a 
entrega do medicamento porque se trata de direitos individuais homogêneos 
indisponíveis. Correta! 
5.1.5. Obrigatoriedade de agir 
Prevalece que a atuação do MP é obrigatória, assim havendo um dano ao meio-ambiente, 
por exemplo, o MP deve ajuizar ACP – prova objetiva. 
Destaca-se que há autores contemporâneos que defendem a faculdade do MP para o 
ajuizamento, tendo em vista que seria possível o encaminhamento de recomendações (antes da 
ACP). Provas discursivas e orais. 
5.2. DEFENSORIA PÚBLICA 
LACP Art. 5º Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: 
II - a Defensoria Pública; 
5.2.1. Finalidade institucional 
Está prevista no art. 5º, LXXIV e art. 134, ambos da CF, bem como na LC 80/1994. 
Art. 5º LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos 
que comprovarem insuficiência de recursos; 
 
CF - Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à 
função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e 
instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, 
a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e 
extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, 
aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição 
Federal. 
 
LC 80/94, Art. 4º São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre 
outras: 
VII – promover ação civil pública e todas as espécies de ações capazes de 
propiciar a adequada tutela dos direitos difusos, coletivos ou individuais 
homogêneos quando o resultado da demanda PUDER beneficiar grupo de 
pessoas hipossuficientes; 
 
Pode-se afirmar que a DP tutelará: 
a) Direitos humanos (globalmente); 
b) Orientação de hipossuficientes; 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 76 
 
c) Defesa dos direitos dos hipossuficientes. 
5.2.2. Conceito de hipossuficiente 
A dúvida para definir a adequada representação da Defensoria era com o significado do 
termo necessitados. Sobre o tema, havia duas posições: 
1ª C (Restritiva, minoritária): A defensoria só pode propor ação civil pública quando 
estivermos diante da hipossuficiência econômica. Fundamento: Interpretação restrita do art. 134 da 
CF (antes da EC 80/2014), que remete ao art. 5º, LXXIV, que trata da insuficiência de recursos. 
2ª C (Ampliativa - Concurso da Defensoria - Ada Pellegrini): A finalidade institucional da 
Defensoria está na sua Lei Orgânica - LC 80/94 (art. 4º, alterado pela LC 132/09). Nesse dispositivo, 
há a menção a dois tipos de função da Defensoria: 
a) Função típica: Defesa dos hipossuficientes econômicos. 
b) Funções atípicas: Defesa não relacionada à falta de recursos. Exemplo: Réu penal 
(milionário) citado por edital ou que não constitui advogado (curadoria especial). Essa 
defesa está relacionada a uma hipossuficiência técnica/jurídica ou organizacional 
(coletividade). Ex.: Ação Civil da Defensoria para discutir contrato de arrendamento 
mercantil. O STJ entendeu que, ainda que o contratante não seja pobre, de umponto de 
vista jurídico seria hipossuficiente técnico. 
OBS.: Após a EC 80/2014, esta classificação, para alguns autores, 
perdeu o sentido. Para aprofundar, indicamos nosso Caderno 
Sistematizado de Princípios Institucionais. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/MG (2019) Quanto à atuação da Defensoria Pública na esfera coletiva, 
o STJ encampou interpretação restritiva da condição de “necessitado”, 
possibilitando a proteção exclusiva de hipossuficientes sob o aspecto 
econômico. Correta! 
5.2.3. Atuação no processo coletivo 
Havia duas posições acerca do tema, vejamos: 
1ªC (Teori) – a legitimidade da DP era restrita aos direitos individuais homogêneos. Somente 
nesses interesses há a determinabilidade dos representados, a fim de averiguar a sua condição de 
hipossuficiente. 
2ªC – (STJ e STF) – a legitimidade é para todos os interesses metaindividuais, desde que 
relacionados aos potencialmente necessitados. REsp. 912.849/RS. 
No julgamento da ADI 3943 (STF. Plenário. Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 6 e 7/5/2015. 
Info 784), diversos Ministros manifestaram esse mesmo entendimento. 
• A Min. Cármen Lúcia, em determinado trecho de seu voto, afirmou: “Não se está a afirmar a 
desnecessidade de a Defensoria Pública observar o preceito do art. 5º, LXXIV, da CF, 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 77 
 
reiterado no art. 134 — antes e depois da EC 80/2014. No exercício de sua atribuição 
constitucional, é necessário averiguar a compatibilidade dos interesses e direitos que a 
instituição protege com os possíveis beneficiários de quaisquer das ações ajuizadas, mesmo 
em ação civil pública.” 
• O Min. Roberto Barroso corroborou essa conclusão e afirmou que o fato de se estabelecer 
que a Defensoria Pública tem legitimidade, em tese, para ações civis públicas, não exclui a 
possibilidade de, em um eventual caso concreto, não se reconhecer a legitimidade da 
Instituição. Em tom descontraído, o Ministro afirmou que a Defensoria não teria legitimidade, 
por exemplo, no caso concreto, para uma ação civil pública na defesa dos sócios do “Yacht 
Club”. E dando outro exemplo extremo, afirmou que a Defensoria não teria legitimidade, no 
caso concreto, para ajuizar uma ação civil pública em favor dos clientes “Personnalité” do 
Banco Itaú. 
• A Min. Rosa Weber também deixou claro que a Defensoria Pública tem legitimidade para 
propor ações civis públicas, mas que o juízo poderá aferir, no caso concreto, sua adequada 
representação. 
A Defensoria Pública tem legitimidade para a propositura de ação coletiva 
pública em ordem a promover a tutela de direitos difusos e coletivos de que 
sejam titulares, em tese, as pessoas necessitadas. STF. Plenário. RE 
733433/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, 4/11/2015 (repercussão geral) (Info 806) . 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/PA (2022) A legitimidade da Defensoria Pública para propor ação civil 
pública não se limita à atuação em nome dos carentes de recursos 
econômicos, abrangendo também outras formas de vulnerabilidade social, 
conforme a jurisprudência do STJ. Correta! 
 
DPE/SP (2019) Quando houver a instauração de inquérito civil pelo Ministério 
Público, a Defensoria Pública estará impedida de promover ação civil pública 
sobre o mesmo tema. Correta! 
Obs: veja ainda que, a Defensoria não está expressamente prevista 
como legitimada no CDC, mas tem essa atribuição garantida em razão 
do microssistema do processo coletivo (LEGITIMAÇÃO 
CONGLOBANTE). O mesmo raciocínio se aplica para os casos de MS 
coletivo impetrado pelo Ministério Público, que a despeito de carecer 
de previsão legal expressa (veja o art. 21, LMS) também pode ser 
extraída da leitura do microssistema da tutela coletiva. 
Vejamos, por fim, um recente julgado em que o STJ reconheceu a legitimidade da Defensoria 
Pública para promoção de ação civil pública em favor da tutela coletiva: 
A Defensoria Pública possui legitimidade ativa para propor ação civil pública 
com vista a impor ao Estado o cumprimento de obrigações legais na tutela de 
pequenos agricultores familiares, sendo prescindível a comprovação prévia e 
concreta da carência dos assistidos. STJ. 2ª Turma. REsp 1847991-RS, Rel. 
Min. Og Fernandes, julgado em 16/08/22 (Info 748). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 78 
 
DPE/MS (2022) A Defensoria Pública do Estado Beta ajuizou, perante o juízo 
da Comarca Alfa, ação civil pública em face da Operadora de Telefonia ZZ, 
com o objetivo de proteger os usuários do serviço na relação de consumo 
mantida com a operadora. Argumentou-se que a referida operadora está 
cobrando por serviços não prestados. Nesse caso, o juízo da Comarca Alfa 
deve receber a petição inicial e adotar as providências subsequentes, 
exigidas pelo rito processual a ser observado em demandas dessa natureza. 
Correta! 
 
5.3. ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA 
LACP Art. 5º Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: 
... 
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; DIRETA 
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; 
INDIRETA 
5.3.1. Finalidades institucionais 
Tratando-se de administração direta, há a maior possibilidade de propositura de ACP. Ou 
seja, podem propor em qualquer tema relacionado ao bem comum. 
Existem autores que sustentam que a Administração Pública DIRETA seria um legitimado 
universal. Na realidade não são todos os entes administrativos que têm essa legitimidade universal. 
A análise deve ser casuística. Por exemplo, não poderia o Município propor ACP para tutelar serviço 
de telecomunicação, pois se trata de competência da União. 
Tratando-se de Administração Indireta deve-se observar o estatuto, este indica a finalidade 
institucional da entidade. Assim, pode-se averiguar para o que a entidade é legitimada. 
Neste sentido, observa-se que o STJ não tem adotado uma interpretação literal quanto à 
pertinência temática, vejamos: 
Se formos analisar apenas o texto literal, o art. 5º da Lei nº 7.347/85 apenas 
exige expressamente da associação a comprovação de pertinência temática 
para propositura de ação civil pública. 
Assim, em uma interpretação literal, as autarquias, empresas públicas, 
fundações públicas e sociedades de economia mista não precisariam 
comprovar a pertinência temática para ajuizarem ações coletivas. 
Ocorre que o STJ não adota essa interpretação literal. Isso porque não se 
pode esquecer que as autarquias, empresas públicas, fundações públicas e 
sociedades de economia mista possuem competências legais e estatutárias, 
as quais delimitam o seu campo de atuação. 
Justamente por isso, a doutrina defende e o STJ encampou a tese de que as 
entidades da administração pública indireta somente poderão ingressar com 
ACP se demonstrarem a pertinência temática. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1978138-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado 
em 22/03/2022 (Info 731). 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 79 
 
O art. 82, III do CDC traz como legitimados os órgãos administrativos despersonalizados de 
defesa do consumidor. Esse foi um inciso desenhado para o PROCON, que costuma ser uma pasta 
da Prefeitura (município). 
CDC Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados 
concorrentemente: 
... 
III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda 
que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos 
interesses e direitos protegidos por este código; (lembrar do ECA → Conselho 
Tutelar pode ajuizar ACP? Prevalece que sim) 
 
5.4. ASSOCIAÇÕES 
LACP Art. 5º Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: 
V - a associação que, concomitantemente 
a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil e; 
b) inclua, entre suas finalidadesinstitucionais, a proteção ao patrimônio 
público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à 
livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao 
patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico 
5.4.1. Amplitude 
Entram, aqui, sindicatos, OAB, conselhos de classe, grêmio estudantil, partidos políticos. 
5.4.2. Expressa previsão de controle de representação adequada 
Diferentemente dos demais legitimados, as associações devem se submeter a condições 
impostas pelo próprio legislador. São duas: 
Constituição ânua: A associações devem estar constituídas há mais de ano. O objetivo 
dessa condição é evitar as denominadas associações ad hoc. Essa constituição ânua também é 
exigida para a propositura de MS e MI coletivos (CF, art. 5º, LXX, ‘b’ e art. 12, III da Lei 13.300/2016). 
OBS: O § 4º do art. 5º diz que o juiz pode, em casos excepcionais (ex: dimensão do dano), 
dispensar a constituição ânua. 
LACP Art. 5º, § 4.° O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo 
juiz, quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou 
característica do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido. 
 
Leading Case: ADESF (Associação de defesa dos fumantes) tinha menos de 01 mês, mas 
foi admitida. 
Pertinência temática: Nada mais é do que a finalidade institucional da associação. 
ATENÇÃO: Em momento nenhum o legislador falou que a Ação precisa ser ajuizada no interesse 
da PRINCIPAL finalidade da associação. Basta que seja UMA das finalidades. Isso é importante, 
pois os estatutos das associações trazem inúmeras finalidades. 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 80 
 
Tem prevalecido, no STJ, o entendimento de que este conceito de pertinência temática deve 
ser interpretado de forma mais abrangente, vejamos: 
O juízo de verificação da pertinência temática para a proposição de ações 
civis públicas há de ser responsavelmente flexível e amplo, em contemplação 
ao princípio constitucional do acesso à justiça, mormente a considerar-se a 
máxima efetividade dos direitos fundamentais. 
STJ. 4ª Turma. AgInt nos EDcl no REsp 1788290-MS, Rel. Min. Luis Felipe 
Salomão, julgado em 24/05/2022 (Info 738). 
5.4.3. A questão dos direitos individuais homogêneos 
O art. 2º-A, §único da Lei 9.494/97 limita, profundamente, o cabimento da Ação Coletiva 
ajuizada por associação, para defesa dos interesses individuais homogêneos contra o poder 
público, exigindo vários requisitos. O caput é um dispositivo parecido com o art. 16 da LACP. A 
grande dificuldade, porém, está no parágrafo único, que pede a relação de todos os associados e 
seus endereços. 
Art. 2o-A. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por 
entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus 
associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da 
propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do 
órgão prolator. 
Parágrafo único. Nas ações coletivas propostas contra a União, os Estados, 
o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias e fundações, a petição 
inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembleia da 
entidade associativa que a autorizou, acompanhada da relação nominal dos 
seus associados e indicação dos respectivos endereços. 
 
A sentença só produzirá efeitos para quem possuir domicílio no território em que foi 
prolatada. Além disso, quando ajuizada contra União, Estados, Distrito Federal, Municípios e suas 
autarquias e fundações deverá ser acompanhada de ata em que tenha sido aprovada a propositura 
da ação e da relação nominal com endereço de cada associado, a fim de se verificar se serão 
abrangidos pela sentença. 
De acordo do Gajardoni, a intenção do legislador era tratar da hipótese de representação, 
prevista no art. 5º, XXI da CF, em que a associação estaria agindo em nome alheio na defesa de 
direito alheio, fora das suas finalidades institucionais. Diversamente do que ocorre na Ação Civil 
Pública em que é analisada a pertinência temática, portanto, não teria lógica a previsão do art. 2º-
A ser aplicada para Ação Coletiva, em que não existe representação, mas sim substituição 
processual (age em nome próprio na defesa de direito alheio). 
O STF (RE 573.232 e RE 612.043) entendeu que as associações precisam de autorização 
para ajuizar Ação Coletiva, não sendo suficiente a previsão estatutária genérica. Além disso, a 
sentença terá eficácia apenas para os associados que, no momento do ajuizamento da ação, tinham 
domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator da decisão 
AS ASSOCIAÇÕES PRECISAM DE AUTORIZAÇÃO ESPECÍFICA DE SEUS FILIADOS 
PARA O AJUIZAMENTO DE AÇÕES EM DEFESA DESTES? 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 81 
 
Regra geral: SIM 
A autorização estatutária genérica conferida à associação não é suficiente para legitimar a 
sua atuação em juízo na defesa de direitos de seus filiados. Para cada ação, é indispensável 
que os filiados autorizem, de forma expressa e específica, a demanda. 
O inciso XXI do art. 5º da CF/88 exige autorização expressa. 
Trata-se de hipótese de legitimação processual (a associação defende, em nome dos 
filiados, direito dos filiados que autorizaram). 
EXCEÇÃO 1: MS coletivo 
Fundamento: o inciso LXX do art. 5º da 
CF/88 NÃO exige autorização expressa. 
O LXX do art. 5º da CF/88 NÃO exige 
autorização expressa. Trata-se de 
hipótese de legitimação extraordinária 
(substituição processual), ou seja, a 
associação defende, em nome próprio, 
direito dos filiados. 
EXCEÇÃO 2: MI coletivo 
Fundamento: o art. 12, III, da Lei nº 
13.300/2016 afirma expressamente que o 
mandado de injunção coletivo pode ser 
promovido pela associação, dispensada, para 
tanto, autorização especial. 
 
O STF, no julgamento do RE 612043/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2017, 
declarou a constitucionalidade do art. 2º-A da Lei nº 9.494/97. Veja: 
A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito 
ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos 
associados, somente alcança os filiados, residentes no âmbito da jurisdição 
do órgão julgador, que o fossem em momento anterior ou até a data da 
propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do 
processo de conhecimento. STF. Plenário. RE 612043/PR, Rel. Min. Marco 
Aurélio, julgado em 10/5/2017 (repercussão geral) (Info 864). 
 
Depois disso, o STJ tem aplicado o mesmo entendimento: 
A eficácia subjetiva da sentença coletiva abrange os substituídos domiciliados 
em todo o território nacional desde que proposta por entidade associativa de 
âmbito nacional, em desfavor da União, na Justiça Federal do Distrito 
Federal. STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp 2.122.178-SP, Rel. Min. Gurgel de 
Faria, julgado em 21/8/2023 (Info 785). 
 
Quando a associação ajuíza ação coletiva, ela precisa juntar aos autos autorização 
expressa dos associados para a propositura dessa ação e uma lista com os nomes de 
todas as pessoas que estão associadas naquele momento? 
1) em caso de ação coletiva de rito ordinário 
proposta pela associação na defesa dos 
interesses de seus associados: SIM 
2) em caso de ação civil pública (ação 
coletiva proposta na defesa de direitos 
difusos, coletivos ou individuais 
homogêneos): NÃO 
A associação, quando ajuíza ação na defesa 
dos interesses de seus associados, atua como 
REPRESENTANTE PROCESSUAL e, por 
A associação, quando ajuíza ação na defesa 
de direitos difusos, coletivos ou individuais 
homogêneos, atua como SUBSTITUTA 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 82 
 
isso, é obrigatória a autorização individual ou 
assemblear dos associados. 
PROCESSUAL e não precisa dessa 
autorização. 
Aplica-se o entendimento firmado pelo STF no92 
8.2. LIMITES OBJETIVOS, SUBJETIVOS, MODO DE PRODUÇÃO E EXTENSÃO DA COISA 
JULGADA NO PROCESSO COLETIVO ....................................................................................... 93 
8.3. SUSPENSÃO DA AÇÃO INDIVIDUAL E A EXTENSÃO DA COISA JULGADA ............... 99 
8.5. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 16 DA LACP ...................................................... 103 
9. RELAÇÃO ENTRE DEMANDAS.............................................................................................. 108 
9.1. CRITÉRIOS DE RELAÇÃO ENTRE AS DEMANDAS ..................................................... 108 
9.1.1. Identidade dos elementos da ação (tríplice eadem) ................................................. 108 
9.1.2. Identidade da relação jurídica material ..................................................................... 108 
9.2. RELAÇÃO ENTRE DEMANDAS INDIVIDUAIS ............................................................... 108 
9.2.1. Identidade TOTAL dos elementos da ação individual .............................................. 109 
9.2.2. Identidade PARCIAL dos elementos da ação individual ........................................... 109 
9.3. RELAÇÃO ENTRE DEMANDA INDIVIDUAL X DEMANDA COLETIVA ......................... 109 
9.3.1. Identidade TOTAL dos elementos da ação individual com a coletiva ...................... 109 
9.3.2. Identidade PARCIAL dos elementos da ação individual com a coletiva .................. 110 
9.4. RELAÇÃO DEMANDA COLETIVA X DEMANDA COLETIVA ......................................... 110 
9.4.1. Identidade TOTAL dos elementos da ação coletiva ................................................. 111 
9.4.2. Identidade PARCIAL dos elementos da ação coletiva ............................................. 111 
9.5. CRITÉRIO PARA REUNIÃO DE DEMANDAS COLETIVAS ........................................... 111 
10. COMPETÊNCIA NAS AÇÕES COLETIVAS ........................................................................ 114 
10.1. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NA TUTELA COLETIVA DE DIREITOS DIFUSOS E 
COLETIVOS STRICTO SENSU .................................................................................................. 114 
10.2. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NA TUTELA COLETIVA DE DIREITOS INDIVIDUAIS 
HOMOGÊNEOS ........................................................................................................................... 115 
10.3. AMICUS CURIAE .......................................................................................................... 116 
10.4. ASSISTÊNCIA NA AÇÃO POPULAR ........................................................................... 117 
10.5. INTERVENÇÃO DA PESSOA JURÍDICA INTERESSADA NA AÇÃO POPULAR E NA 
AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (ARTS. 6º, § 3º, DA LAP E 17, DA LIA) ........... 117 
10.6. CABIMENTO DA DENUNCIAÇÃO DA LIDE NA TUTELA COLETIVA ........................ 118 
11. LIQUIDAÇÃO E EXECUÇÃO DA SENTENÇA COLETIVA ................................................. 119 
11.1. EXECUÇÃO DOS DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS (DIREITOS NATURALMENTE 
COLETIVOS) ................................................................................................................................ 119 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 5 
 
11.1.1. Liquidação/Execução da pretensão coletiva (Art. 2º, 13 e 15 LACP) ................... 120 
11.1.2. Liquidação/Execução da pretensão individual derivada (art. 103, §3º CDC) ....... 121 
11.2. EXECUÇÃO DOS DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS (DIREITOS 
ACIDENTALMENTE COLETIVOS) ............................................................................................. 122 
11.2.1. Liquidação/Execução da pretensão individual (art. 97 do CDC) .......................... 123 
11.2.2. Execução da pretensão individual coletiva (art. 98 do CDC) ................................ 123 
11.2.3. Execução da pretensão coletiva residual: “fluid recovery” (reparação fluída) - (art. 
100 do CDC) ............................................................................................................................. 127 
11.3. OBSERVAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 129 
12. PRESCRIÇÃO NA AÇÃO CIVIL PÚBLICA .......................................................................... 130 
12.1. IMPRESCRITIBILIDADE ............................................................................................... 130 
12.2. PRAZO DE PRESCRIÇÃO ........................................................................................... 132 
13. RECURSOS NAS AÇÕES COLETIVAS .............................................................................. 132 
13.1. RECURSOS CONTRA FUNDAMENTAÇÃO DO DECISUM ....................................... 132 
13.2. EFEITO SUSPENSIVO ................................................................................................. 133 
13.3. REEXAME NECESSÁRIO ............................................................................................ 133 
13.4. IMPUGNAÇÕES À DECISÃO SOBRE A LIMINAR ...................................................... 135 
14. INQUÉRITO CIVIL ................................................................................................................ 135 
14.1. ASPECTOS GERAIS .................................................................................................... 136 
14.2. CARACTERÍSTICAS ..................................................................................................... 137 
14.3. PROCEDIMENTO PREPARATÓRIO DE INQUÉRITO CIVIL (PPIC).......................... 138 
14.4. FASES DO INQUÉRITO CIVIL ..................................................................................... 139 
14.4.1. Instauração ............................................................................................................. 139 
14.4.2. Instrução (poderes instrutórios do MP) .................................................................. 140 
14.4.3. Prazo ...................................................................................................................... 145 
14.4.4. Conclusão ............................................................................................................... 145 
14.5. COMPROMISSO/TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA (CAC/TAC).............. 147 
14.5.1. Previsão legal ......................................................................................................... 147 
14.5.2. Natureza do termo .................................................................................................. 147 
14.5.3. Legitimação ............................................................................................................ 148 
14.5.4. Facultatividade ....................................................................................................... 148 
14.5.5. Responsabilidade pela má celebração do TAC ou não fiscalização do seu 
cumprimento ............................................................................................................................. 148 
14.5.6. Termo lacunoso ...................................................................................................... 149 
14.5.7. TAC’s incompatíveis entre si.................................................................................. 149 
14.5.8. Eficácia ................................................................................................................... 149 
14.5.9. Objeto ..................................................................................................................... 149 
14.5.10. Condição de celebração do TAC ........................................................................... 150 
14.5.11. Celebração do TAC no curso do IC ....................................................................... 150 
14.5.12. Celebração de acordo no âmbito da ACP já ajuizada pelo MP ............................RE 573232/SC. 
O entendimento firmado no RE 573232/SC 
não foi pensado para esses casos. 
O disposto no artigo 5º, inciso XXI, da Carta 
da República encerra representação 
específica, não alcançando previsão genérica 
do estatuto da associação a revelar a defesa 
dos interesses dos associados. 
As balizas subjetivas do título judicial, 
formalizado em ação proposta por 
associação, é definida pela representação no 
processo de conhecimento, presente a 
autorização expressa dos associados e a lista 
destes juntada à inicial. 
STF. Plenário. RE 573232/SC, rel. orig. Min. 
Ricardo Lewandowski, red. p/ o acórdão Min. 
Marco Aurélio, julgado em 14/5/2014 
(Repercussão Geral – Tema 82) (Info 746). 
(...) 1. Ação civil pública, ajuizada pelo 
Movimento das Donas de Casa e 
Consumidores de Minas Gerais, na qual 
sustenta a nulidade de cláusulas de contratos 
de arrendamento mercantil. (...) 
3. Por se tratar do regime de substituição 
processual, a autorização para a defesa do 
interesse coletivo em sentido amplo é 
estabelecida na definição dos objetivos 
institucionais, no próprio ato de criação da 
associação, sendo desnecessária nova 
autorização ou deliberação assemblear. (...) 
9. As teses de repercussão geral resultadas 
do julgamento do RE 612.043/PR e do RE 
573.232/SC tem seu alcance expressamente 
restringido às ações coletivas de rito ordinário, 
as quais tratam de interesses meramente 
individuais, sem índole coletiva, pois, nessas 
situações, o autor se limita a representar os 
titulares do direito controvertido, atuando na 
defesa de interesses alheios e em nome 
alheio. (...) 
STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1799930/MG, 
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
26/08/2019. 
 
Em suma, 
1) As associações podem propor ações coletivas em favor dos seus associados. 
2) A associação precisa da autorização dos associados para propor a ação na defesa de 
seus interesses individuais homogêneos. 
3) A autorização dada pelos associados precisa ser expressa e específica para cada ação. 
Assim, não é suficiente a autorização genericamente prevista no estatuto da associação. 
4) Essa autorização pode ser feita de duas formas: 
a) por declaração individual do associado; ou 
b) por aprovação na assembleia geral da entidade. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 83 
 
5) Vale ressaltar que, no caso de impetração de mandado de segurança coletivo, a 
associação não precisa de autorização específica dos filiados (Súmula 629-STF). 
6) Para que seja beneficiada pela sentença favorável obtida na ação coletiva proposta pela 
associação é necessário que a pessoa: 
a) esteja filiada à associação no momento da propositura; 
b) seja residente no âmbito da jurisdição do órgão julgador; 
c) tenha autorizado o ajuizamento da ação e seu nome esteja na lista anexada junto 
à petição inicial. 
7) O art. 2-A da Lei nº 9.494/97 é constitucional. 
8) Essas sete conclusões expostas valem unicamente para as ações coletivas de rito 
ordinário, não sendo aplicadas para as ações civis públicas. 
Observe o entendimento do STJ, tratando-se de ação civil pública (ação coletiva proposta 
na defesa de direitos difusos, coletivos ou individuais homogêneos): não é necessária autorização. 
Restringe para a ação coletiva de rito ordinário, conforme explicado acima. 
Em ação civil pública ajuizada por associação civil, cujo estatuto prevê como 
finalidade a defesa de direitos humanos, em que se postula por indenização 
por danos morais decorrentes da prática de atos vexatórios em revistas 
íntimas para ingresso em centros de detenção, não é obrigatória a juntada 
de autorização individual de cada uma das pessoas interessadas. 
Caso concreto: Conectas Direitos Humanos, associação civil que tem como 
finalidade estatutária a defesa dos direitos humanos, ajuizou ACP pedindo 
que o Estado de São Paulo seja condenado a pagar indenização todas as 
mulheres vítimas que foram vítimas de abusos na revista íntima realizada nos 
centros de detenção provisória. Neste caso, a associação atuará como 
substituta processual, daí porque não é necessário que as pessoas 
eventualmente lesadas sejam associadas ou autorizem, por qualquer meio, o 
ajuizamento da ação. 
STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1833056-SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 
julgado em 22/08/2022 (Info 750). 
 
As associações possuem legitimidade para defesa dos direitos e dos 
interesses coletivos ou individuais homogêneos, independentemente de 
autorização expressa dos associados. STJ. 2ª Turma. REsp 1796185/RS, 
Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 28/03/2019. 
 
As associações de classe atuam como representantes processuais, sendo 
obrigatória a autorização individual ou assemblear dos associados - STF, RE 
573.232. Esse entendimento, todavia, não se aplica na hipótese de a 
associação buscar em juízo a tutela de interesses ou direitos difusos - art. 82, 
IV, do CDC. STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1335681/SP, Rel. Min. Luis Felipe 
Salomão, julgado em 26/02/2019. 
 
Por se tratar do regime de substituição processual, a autorização para a 
defesa do interesse coletivo em sentido amplo é estabelecida na definição 
dos objetivos institucionais, no próprio ato de criação da associação, sendo 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 84 
 
desnecessária nova autorização ou deliberação assemblear. As teses de 
repercussão geral resultadas do julgamento do RE 612.043/PR e do RE 
573.232/SC tem seu alcance expressamente restringido às ações coletivas 
de rito ordinário, as quais tratam de interesses meramente individuais, sem 
índole coletiva, pois, nessas situações, o autor se limita a representar os 
titulares do direito controvertido, atuando na defesa de interesses alheios e 
em nome alheio. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1649087/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
02/10/2018. 
STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1719820/MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 
julgado em 15/04/2019. 
 
 Ainda sobre a necessidade de autorização em ação coletiva, há que se observar que é 
possível que a parte autora regularize sua representação processual, caso o ajuizamento da ação 
coletiva seja anterior ao julgado que previu como requisito a autorização: 
Em ação coletiva proposta por associação, é imprescindível a autorização 
expressa dos associados e a juntada da lista de representados à inicial, 
mostrando-se razoável permitir que a parte autora regularize sua 
representação processual no caso de ajuizamento de ação coletiva em 
momento anterior ao julgamento do RE 573.232/SC, em 14/05/2014. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1977830-MT, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 
22/03/2022 (Info 730). 
6.4.1. Cooperativas 
A Lei 13.806/2019 alterou os arts. 21, XI e 88-A da Lei 5764/71, definindo as cooperativas 
como espécie de associação. 
Art. 21. O estatuto da cooperativa, além de atender ao disposto no artigo 4º, 
deverá indicar: 
XI – se a cooperativa tem poder para agir como substituta processual de seus 
associados, na forma do art. 88-A desta Lei. 
 
Art. 88-A. A cooperativa poderá ser dotada de legitimidade extraordinária 
autônoma concorrente para agir como substituta processual em defesa dos 
direitos coletivos de seus associados quando a causa de pedir versar sobre 
atos de interesse direto dos associados que tenham relação com as 
operações de mercado da cooperativa, desde que isso seja previsto em seu 
estatuto e haja, de forma expressa, autorização manifestada individualmente 
pelo associado ou por meio de assembleia geral que delibere sobre a 
propositura da medida judicial. 
 
De acordo com uma interpretação ampliativa, a cooperativa poderá propor Ação Civil Pública 
por substituição processual e, também, por representação. 
6. LEGITIMADOS PASSIVOS 
A Lei de Ação Civil Pública não possui dispositivo legal que trate da legitimidade passiva. 
Assim, em um primeiro momento, poder-se-ia imaginar a aplicação domicrossistema processual 
coletivo (estudado acima). 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 85 
 
Cita-se, como exemplo, o art. 6º da Lei 4.717/65 para identificar contra quem intentar a Ação 
Civil Pública. 
Art. 6º - A ação será proposta contra as pessoas públicas ou privadas e as 
entidades referidas no art. 1º, contra as autoridades, funcionários ou 
administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado 
o ato impugnado, ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à lesão, e 
contra os beneficiários diretos do mesmo. 
 
Contudo, conforme veremos abaixo, não é possível fazer a aplicação, tendo em vista que: 
6.1. INAPLICABILIDADE DO MICROSSISTEMA 
Tanto a doutrina quanto a jurisprudência negam a aplicabilidade do art. 6º da Lei 4.717/65 
na Ação Civil Pública, tendo em vista a incompatibilidade estrutural entre o art. 6º da Lei de Ação 
Popular e a Lei de Ação Civil Pública. 
O artigo 6º seria específico para aplicação à Ação Popular, já que não é dado ao autor o 
direito de escolher contra quem ajuizar a ação. É caso de litisconsórcio ativo necessário. 
6.2. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL 
Quem é o réu na Ação Civil Pública? Há duas posições sobre o assunto, vejamos: 
1ª POSIÇÃO 
Trata-se de um litisconsórcio facultativo (Resp. 789.027-PR), salvo quando se tratar de ACP 
para anulação de contrato (Resp 901.422/SP), o autor escolhe contra quem demandar, nos termos 
do art. 113 do CPC. 
CPC Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em 
conjunto, ativa ou passivamente, quando: 
I - entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à 
lide; 
II - entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir; 
III - ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito. 
§ 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de 
litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na 
execução, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar 
a defesa ou o cumprimento da sentença. 
§ 2o O requerimento de limitação interrompe o prazo para manifestação ou 
resposta, que recomeçará da intimação da decisão que o solucionar. 
 
 Em se tratando de anulação de contrato, o litisconsórcio será necessário, conforme o disposto 
no art. 114 do CPC, tendo em vista que a relação é incindível, já que não é possível anular o contrato 
apenas para uma das partes. 
Art. 114. O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, 
pela natureza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença 
depender da citação de todos que devam ser litisconsortes. 
 
2ª POSIÇÃO 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 86 
 
A definição do réu na ACP é dada pelo direito material, haverá casos em que o litisconsórcio 
será facultativo e casos em que será necessário. 
É a corrente que prevalece. 
7. COMPETÊNCIA 
As regras que veremos a seguir se aplicam a todos os processos coletivos, salvo MS 
coletivo, que segue as regras próprias da LMS e para Improbidade Administrativa6. 
 Veremos aqui quatro critérios: 
1) Critério funcional hierárquico; 
2) Critério objetivo: em razão da matéria; 
3) Critério objetivo: em razão do valor; 
4) Critério territorial; 
7.1. CRITÉRIO FUNCIONAL HIERÁRQUICO 
A ação coletiva compete SEMPRE ao 1º GRAU de jurisdição. Não há critério hierárquico; não 
há foro especial. 
Exceção (posição de Didier) – art. 102, II, “n” da CF. 
Competência do STF em julgar causas no interesse de toda magistratura. Ou seja, se tem 
uma ACP pela associação nacional dos magistrados, vai ser excepcionalmente julgada no STF. 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da 
Constituição, cabendo-lhe: 
I - processar e julgar, originariamente: 
... 
n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou 
indiretamente interessados, e aquela em que mais da metade dos 
membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou 
indiretamente interessados; 
 
7.2. CRITÉRIO OBJETIVO: EM RAZÃO DA MATÉRIA 
Veremos: 
1) Justiça Eleitoral; 
2) Justiça do Trabalho; 
3) Justiça Federal; 
4) Justiça Estadual. 
 
6 Tratamos de Improbidade Administrativa no CS de Defesa do Patrimônio Público. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 87 
 
7.2.1. Justiça Eleitoral 
Em tese, não cabe ação civil pública na Justiça Eleitoral, conforme previsão do art. 105-A 
da Lei 9.504/97. Haveria uma inadequação da via eleita. 
Art. 105-A da Lei 9.504/97 Em matéria eleitoral, não são aplicáveis os 
procedimentos previstos na Lei no 7.347, de 24 de julho de 1985. 
 
No STF, na ADI 4352, discute-se a constitucionalidade do referido dispositivo, a liminar foi 
indeferida. 
Destaca-se que o STF e TSE entendem que é possível o inquérito civil em matéria eleitoral, 
tendo em vista a previsão do art. 129 da CF. 
7.2.2. Justiça do Trabalho 
 É cabível, a exemplo da previsão da Súmula 736 do STF. 
STF Súmula 736 COMPETE À JUSTIÇA DO TRABALHO JULGAR AS 
AÇÕES QUE TENHAM COMO CAUSA DE PEDIR O DESCUMPRIMENTO 
DE NORMAS TRABALHISTAS RELATIVAS À SEGURANÇA, HIGIENE E 
SAÚDE DOS TRABALHADORES. 
 
O MPT ajuíza várias ações coletivas baseadas na Súmula 736 do STF. 
7.2.3. Justiça Federal 
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar 
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal 
forem INTERESSADAS na condição de autoras, rés, assistentes ou 
oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à 
Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; 
 
Adota-se o critério do INTERESSE e não o critério da NATUREZA do bem disputado. 
Exemplo: ACP contra poluição no rio da União. Quem julga? A princípio é a JE. Se o ente 
federal demonstrar interesse, aí sim vai pra JF. Se ficar comprovado o interesse, permanece na JF. 
Do contrário, volta para a JE. 
OBS1: Súmula 150 do STJ: Quem julga a existência do interesse 
federal é a JF. 
STJ Súmula 150 Compete a Justiça Federal decidir sobre a existência de 
interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da união, suas 
autarquias ou empresas públicas. 
 
Somente um juiz federal poderá dizer se um desses entes poderá ou não estar em juízo. Se 
tem um processo na justiça estadual e um ente federal pede para intervir, o juiz estadual não pode 
fazer nada, ele terá que remeter ao juiz federal para que este diga se o ente federal pode ou não 
intervir. 
Exemplo: ACP ambiental. IBAMA (autarquia federal) diz que tem interesse na causa por 
conta da repercussão nacional. Não sendo algo absurdo, o juiz estadual não poderá decidir, ele 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 88 
 
remete ao juiz federal. Este último, entendendo ter interesse da União, o processo prossegue, caso 
contrário, exclui o IBAMA da lide e devolve para o juiz estadual, este, por sua vez, conclui que o 
IBAMA tem sim interesse na causa. O que ele pode fazer? NADA. Nem ao menos suscitar conflito, 
isso porque a Súmula atribui unicamente ao Juiz Federal a competência de decidir quanto ao 
interesse da União, autarquias etc. 
OBS2: muitos relacionam a competência da JF com a natureza do 
bem debatido, ver na CF os bens da União (art. 20). Cuidado, o que 
define não é a natureza do bem e sim o ente envolvido, vale dizer, o 
bem pode ser da União, não obstante ela não ter interesse na causa. 
O que define é a participação da União, autarquia ou EP no processo. 
OBS3: súmula 42 STJ. Só relembrando: a competência para julgar 
causa em que participe sociedade de economia mista não é da JF. 
Não consta do art. 109. 
STJ súmula: 42 Compete a justiça comum estadual processar e julgar as 
causas cíveis em que e parte sociedade de economia mista e os crimes 
praticados em seu detrimento. 
 
➔ QUESTÃO: A simples presença do MPF na lide fazcom que a causa seja da Justiça 
Federal? 
Em outras palavras, todas as ações propostas pelo Parquet federal serão, obrigatoriamente, 
julgadas pela Justiça Federal? SIM. O MPF é um órgão da União. Desta feita, a sua simples 
presença na relação jurídica processual faz com que a causa seja de competência da Justiça 
Federal (competência 'ratione personae') consoante o art. 109, inciso I, da CF/88 (STJ. 2ª Seção. 
CC 112.137/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 24/11/2010). 
Esta é a posição que prevalece tanto no STJ como atualmente também no STF. 
 Na doutrina há duas correntes: 
1ªC: sempre é a justiça federal. Neste julgado, o MPF é equiparado a uma autarquia federal, 
a um ‘braço’ da União. Por essa ótica, sempre que o MPF está no processo a competência é da JF. 
Crítica: adotando este entendimento, acaba-se com os MPE’s, porque toda hora que o MPF tiver 
interesse, o processo será deslocado para a JF. PREVALECE. 
SÚMULA 489 Reconhecida a continência, devem ser reunidas na Justiça 
Federal as ações civis públicas propostas nesta e na Justiça estadual. 
 
2ªC: qualquer justiça. O MPF não é autarquia da União. É independente. O MPF poderia 
ajuizar uma ação na JE quando não tivesse como réu União, autarquias, fundações e EPs. O MPF 
poderia ajuizar ação contra o governo estadual, poderia ajuizar na justiça do trabalho. 
OBS4: Art. 109, V-A CF. IDC → incidente de deslocamento de 
competência. Embora atualmente só exista casos referentes a crime, 
pode-se ter o IDC em sede de ACP. Exemplo: ACP para obrigar o 
estado a melhorar as condições carcerárias. 
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 89 
 
... 
V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo; 
 
OBS5: art. 109, XI. 
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 
... 
XI - a disputa sobre direitos indígenas. 
 
 Não é o fato de ter índio no processo que traz a competência para JF. É a causa de pedir 
= direitos dos povos indígenas. Pode haver ACP. 
OBS6: Revogação da Súmula 183 do STJ - Não há delegação de 
competência da justiça estadual para a JF em tema de Ação Civil 
Pública. O fato de não existir Justiça Federal no local do dano não 
acarreta a competência da Justiça Estadual, observa-se que a 
competência será da localidade mais próxima. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/SC (2021) O Ministério Público estadual tem legitimidade para ajuizar 
ação civil pública que vise à defesa de bem da União. Errada! 
 
MPE/SC (2021) O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil 
pública com o fim de assegurar assistência odontológica a comunidades 
indígenas. Correta! 
7.2.4. Justiça Estadual 
Critério residual. 
O STJ entendeu que a formação de litisconsórcio passivo facultativo na Justiça Federal deve 
obedecer a regra de cumulação de pedidos do art. 327, §1º do CPC (o juiz deverá ser competente 
para julgar todos os pedidos); 
Art. 327. É lícita a cumulação, em um único processo, contra o mesmo réu, 
de vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão. 
§ 1o São requisitos de admissibilidade da cumulação que: 
I - os pedidos sejam compatíveis entre si; II - seja competente para conhecer 
deles o mesmo juízo; 
III - seja adequado para todos os pedidos o tipo de procedimento. 
 
Havendo continência entre duas ACP, uma na Justiça Federal e outra na Justiça Estadual, 
a competência será da Justiça Federal. (Súmula 489 STJ). 
Súmula 489 - Reconhecida a continência, devem ser reunidas na Justiça 
Federal as ações civis públicas propostas nesta e na Justiça estadual 
 
7.3. CRITÉRIO OBJETIVO: EM RAZÃO DO VALOR 
No âmbito nacional esse critério só tem uma utilidade: definir competência do JEC, JEF, 
JEFP. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 90 
 
Como o art. 3º, I da Lei 10.259/01, prevê que não cabe ação coletiva nos Juizados (nem nos 
da Fazenda Pública) o critério valorativo perde toda sua utilidade na análise dos direitos difusos e 
coletivos. Art. 2º, §1, I da lei 12153/09. 
JEF Art. 3o Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, conciliar e 
julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta 
salários-mínimos, bem como executar as suas sentenças. 
§ 1o Não se incluem na competência do Juizado Especial Cível as causas: 
I - referidas no art. 109, incisos II (estado estrangeiro ou organismo 
internacional e município ou pessoa domiciliada no BR), III (tratado ou 
contrato da União com estado estrangeiro ou organismo internacional) e XI 
(direitos indígenas), da Constituição Federal, as ações de mandado de 
segurança, de desapropriação, de divisão e demarcação, populares, 
execuções fiscais e por improbidade administrativa e as demandas sobre 
direitos ou interesses difusos, coletivos ou individuais homogêneos; 
 
JEFP Art. 2o É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública 
processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do 
Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) 
salários-mínimos. 
§ 1o Não se incluem na competência do Juizado Especial da Fazenda 
Pública: 
I – as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão e 
demarcação, populares, por improbidade administrativa, execuções fiscais e 
as demandas sobre direitos ou interesses difusos e coletivos; 
 
7.4. CRITÉRIO TERRITORIAL 
Duas posições sobre o tema: 
1ª POSIÇÃO PREVALECE: A qualquer interesse metaindividual (difuso, coletivo ou individual 
homogêneo) aplica-se o art. 93 do CDC, in verbis: 
CDC Art. 93. Ressalvada a competência da Justiça Federal, é competente 
para a causa a justiça local: 
I - no foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano, quando de âmbito 
local; 
II - no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal, para os danos de 
âmbito nacional ou regional, aplicando-se as regras do Código de Processo 
Civil aos casos de competência concorrente. 
 
1) Dano local: A competência é do foro do local do dano (regra idêntica ao art. 2º da LACP). 
LACP Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local 
onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e 
julgar a causa. 
Parágrafo único A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para 
todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de 
pedir ou o mesmo objeto. (Incluído pela Medida provisória nº 2.180-35, de 
2001) 
 
STJ: a competência para processar e julgar ação civil pública é absoluta e se dá em função 
do local onde ocorreu o dano. EDcl. No CC 113.788/DF. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 91 
 
2) Dano regional (estadual): compete à comarca da capital do estado. 
3) Dano nacional: a competência é do DF ou da capital de quaisquer dos estados atingidos. 
Críticas a essa primeira corrente 
 O art. 93 do CDC não define o que é dano regional e o que é dano nacional. Não há uma 
solução única para o problema. A doutrina e jurisprudência adotam a solução casuística. Somente 
no caso concreto, é possível mensurar a extensão do dano. 
Outra crítica: O que o DF teria a ver com um dano causado a 10 Estados (dano nacional) 
que se localizam a quilômetros de distância da capital federal? Ou ainda, várias cidades dentro de 
um estado, mas a quilômetros e quilômetros de distância da capital (dano regional)? 
Competência concorrente: Como prevê o próprio art. 93, aplicam-se ao caso as regras de 
prevenção do CPC. 
Art. 93... 
II - no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal, para os danos de 
âmbito nacional ou regional, aplicando-se as regras do Código de 
Processo Civil aos casos de competência concorrente. 
 
Para solucionar o problema, tem-se sugerido que a definição da competência sempre se dê 
por prevenção, sendo da capital no casoem que esta for também atingida. Adotando esta corrente, 
o juízo prevento estenderá sua competência sobre outras áreas atingidas. 
Os adeptos dessa posição asseveram que se trata de competência absoluta (a chamada 
competência TERRITORIAL absoluta) - STJ. Esse critério definidor de competência protege 
interesse público, cuja inobservância causa nulidade absoluta. Há autores que denominam essa 
competência de TERRITORIAL FUNCIONAL. 
SITUAÇÃO JUÍZO COMPETENTE 
Âmbito local (Município) 
Competente será o juízo estadual do lugar 
onde ocorreu ou deveria ocorrer o dano. 
Âmbito regional (várias localidades de um 
mesmo estado). 
Será competente o foro da justiça estadual na 
Capital do Estado. 
Âmbito nacional (em mais de um Estado) 
Será competente o foro da justiça estadual na 
Capital do Estado ou o foro do Distrito Federal, 
pois possuem competências concorrentes. 
Causas em que a União, entidade autárquica 
ou empresa pública federal forem interessadas 
na condição de autoras, rés, assistentes ou 
opoentes. 
Justiça federal. 
 
2ª POSIÇÃO: Nem sempre se aplica o art. 93 do CDC. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 92 
 
- Se os interesses forem individuais homogêneos (acidentalmente coletivos), aplica-se o art. 
93 do CDC. 
- Se tratar-se de interesses difusos ou coletivos (interesses naturalmente coletivos) aplica-
se o art. 2º da LACP (+ 209 ECA), que assim prevê: 
LACP Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local 
onde ocorrer o dano (ou perigo do dano), cujo juízo terá competência 
funcional para processar e julgar a causa. 
Parágrafo único A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para 
todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de 
pedir ou o mesmo objeto. 
 
ECA Art. 209. As ações previstas neste Capítulo serão propostas no foro do 
local onde ocorreu ou deva ocorrer a ação ou omissão, cujo juízo terá 
competência absoluta para processar a causa, ressalvadas a competência da 
Justiça Federal e a competência originária dos tribunais superiores. 
 
OU SEJA, não interessa a extensão do dano (local, regional ou nacional). Qualquer comarca 
atingida seria competente. 
ATENÇÃO: Para essa corrente, na regra concernente aos direitos 
individuais homogêneos (art. 93 do CDC) a competência seria relativa; 
na regra dos direitos naturalmente coletivos (art. 2º da LACP), a 
competência seria absoluta. 
PREVALECE a primeira posição. Até pelo princípio do microssistema, onde é conveniente 
que apenas uma lei regule o tema. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/RR (2017) Se a ACP for ajuizada em comarca diversa daquela em que 
tiver ocorrido o dano, o juiz deverá declinar, de ofício, de sua competência. 
Correta! 
8. COISA JULGADA NO PROCESSO COLETIVO 
8.1. INTRODUÇÃO E PREVISÃO LEGAL 
CDC Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará 
coisa julgada: 
I - ERGA OMNES, exceto se o pedido for julgado improcedente por 
insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar 
outra ação, com idêntico fundamento valendo-se de nova prova, na hipótese 
do inciso I do parágrafo único do art. 81 (direitos difusos); 
II - ULTRA PARTES, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo 
improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, 
quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 
81; (direitos coletivos) 
III - ERGA OMNES, apenas no caso de procedência do pedido, para 
beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do 
parágrafo único do art. 81 (individuais homogêneos). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 93 
 
§ 1° Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I (direitos difusos) e II 
(direitos coletivos) não prejudicarão interesses e direitos individuais dos 
integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe. 
§ 2° Na hipótese prevista no inciso III (individuais homogêneos), em caso de 
improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo no 
processo como litisconsortes (nos individuais homogêneos, se intervir como 
litisconsorte perde a tutela individual) poderão propor ação de indenização a 
título individual. 
§ 3° Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. 16, combinado com o art. 
13 da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985 (LACP), não prejudicarão as ações 
de indenização por danos pessoalmente sofridos, propostas individualmente 
ou na forma prevista neste código, mas, se procedente o pedido, beneficiarão 
as vítimas e seus sucessores, que poderão proceder à liquidação e à 
execução, nos termos dos arts. 96 a 99. (transporte in utilibus) 
§ 4º Aplica-se o disposto no parágrafo anterior à sentença penal 
condenatória. 
 
Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II (difusos e coletivos, 
há um erro neste artigo, ver abaixo!) e do parágrafo único do art. 81, não 
induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa 
julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III (coletivos 
e individuais homogêneos) do artigo anterior não beneficiarão os autores das 
ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, 
a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. 
 
LACP Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da 
competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado 
improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer 
legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se 
de nova prova. (Redação dada pela Lei nº 9.494, de 10.9.1997) STF declarou 
inconstitucional 
 
LAP Art. 18. A sentença terá eficácia de coisa julgada oponível "erga omnes", 
exceto no caso de haver sido a ação julgada improcedente por deficiência de 
prova; neste caso, qualquer cidadão poderá intentar outra ação com idêntico 
fundamento, valendo-se de nova prova. 
 
O que vamos falar aqui não se aplica a LIA e ao MS coletivo, essas duas ações têm regime 
de coisa julgada próprio, específico, particular. 
8.2. LIMITES OBJETIVOS, SUBJETIVOS, MODO DE PRODUÇÃO E EXTENSÃO DA COISA 
JULGADA NO PROCESSO COLETIVO 
Os limites objetivos da coisa julgada coletiva são iguais aos do processo individual, previstos 
no art. 502 a 508 do CPC. Ou seja, somente a PARTE DISPOSITIVA da decisão é atingida pela 
imutabilidade da coisa julgada. 
Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei 
nos limites da questão principal expressamente decidida. 
§ 1o O disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, 
decidida expressa e incidentemente no processo, se: 
I - dessa resolução depender o julgamento do mérito; 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 94 
 
II - a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando 
no caso de revelia; 
III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-
la como questão principal. 
§ 2o A hipótese do § 1o não se aplica se no processo houver restrições 
probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da 
análise da questão prejudicial. 
 
Quanto aos limites subjetivos, o tratamento é bem diverso. Não se aplica aqui o art. 506 
do CPC (efeito inter partes), mas sim os arts. 103 e 104 do CDC; 16 da LACP e 18 da LAP, que 
preveem os limites “ultra partes” e “erga omnes” da coisa julgada. 
Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não 
prejudicando terceiros. 
 
Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em 
litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a 
terceiros. 
Quanto ao modo de produção da coisa julgada, no processo coletivo também há 
peculiaridades, enquantono processo individual a coisa julgada é “pro et contra”, no processo 
coletivo há quem diga que existem hipóteses em que a coisa julgada é formada “secundum 
eventum litis” (segundo o resultado da lide), ou seja, a coisa julgada somente se formaria no caso 
de procedência do pedido. 
Entretanto, conforme a melhor doutrina, a peculiaridade, aqui, decorre da chamada coisa 
julgada “secundum eventum probationis”, ou seja, só há coisa julgada quando ocorre o 
esgotamento das provas. 
Na realidade, o que é secundum eventum litis não é a formação da coisa julgada, mas sim 
sua extensão para a esfera jurídica individual dos interessados, vale dizer, somente no caso 
de procedência a coisa julgada atinge os direitos individuais dos sujeitos (transporte in utilibus da 
coisa julgada coletiva para o plano individual). 
Princípio do máximo benefício da tutela coletiva → Ver acima. 
Ou seja, ela é secundum eventum litis na extensão subjetiva da coisa julgada e não no modo 
de produção. 
 
 
REGIME JURÍDICO 
DA COISA 
JULGADA 
COISA JULGADA ERGA 
OMNES (TODOS). 
Impede outra ação 
coletiva. 
COISA JULGADA 
ULTRA PARTES 
(ATINGE TODO O 
GRUPO). 
Impede outra ação 
coletiva. 
SEM FORMAÇÃO DE 
COISA JULGADA. 
Não impede nova 
ação coletiva. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 95 
 
DIFUSOS 
(COISA JULGADA 
SECUNDUM 
EVENTUM 
PROBATIONIS) 
Procedente ou 
improcedente*. 
X 
*Improcedente por 
falta de provas 
(secundum eventum 
probationis). 
COLETIVOS 
(COISA JULGADA 
SECUNDUM 
EVENTUM 
PROBATIONIS) 
x 
Procedente ou 
improcedente*. 
*Improcedente por 
falta de provas 
(secundum eventum 
probationis). 
INDIVIDUAIS 
HOMOGÊNEOS 
 
Procedente ou 
Improcedente (qualquer 
fundamento). Pro et 
contra. 
Só poderá ingressar 
com ação individual. 
X x 
 
De outro ângulo: 
SENTENÇA COISA JULGADA DIREITOS DIFUSOS 
DIREITOS 
COLETIVOS 
Procedente 
Faz coisa julgada 
material 
Efeitos erga omnes Efeitos ultra partes 
Improcedente – com 
provas suficientes 
Faz coisa julgada 
material 
Efeito erga omnes 
Obs.: impede 
somente nova 
propositura de ação 
coletiva. Não impede, 
entretanto, que as 
vítimas intentem 
ações individuais 
pelos danos 
individualmente 
sofridos (art. 103, §1º 
CDC). 
Efeito ultra partes 
Obs.: impede 
somente nova 
propositura de ação 
coletiva. Não impede, 
entretanto, que as 
vítimas intentem 
ações individuais 
pelos danos 
individualmente 
sofridos (art. 103, §1º 
CDC). 
Improcedente por 
insuficiência de 
provas 
Não faz coisa julgada 
material 
Qualquer legitimado 
do art. 82 CDC 
poderá intentar 
Qualquer legitimado 
do art. 82 CDC 
poderá intentar 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 96 
 
novamente a ação 
coletiva, bastando 
possuir nova prova. 
novamente a ação 
coletiva, bastando 
possuir nova prova. 
 
SENTENÇA COISA JULGADA DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS 
Procedente 
Faz coisa julgada 
material 
Efeito erga omnes, bastando o consumidor se 
habilitar na liquidação e promover a execução, 
provando o dano sofrido. 
Improcedente 
(indivíduo se 
habilitando como 
litisconsorte do 
legitimado coletivo) 
Se o indivíduo 
integrou o processo 
como litisconsorte, 
tornando-se parte (art. 
94 CDC), sofre os 
efeitos da coisa 
julgada material. 
Consequência: não poderá intentar a ação 
individual pelos danos sofridos. 
Improcedente 
(indivíduo fica 
INERTE ao processo 
coletivo) 
Se o consumidor ficou 
inerte ao processo, 
não sofre os efeitos 
da coisa julgada 
material. 
Consequência: poderá intentar a ação 
individual pelos danos sofridos. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/AM (2023) A sentença de procedência nas ações coletivas que 
envolvem direitos individuais homogêneos tem eficácia erga omnes, o que 
impede o ajuizamento de nova ação coletiva, mesmo no caso de falta de 
provas. Correta! 
 
MPE/PR (2018) A coisa julgada “secundum eventum probationis” tem como 
característica permitir a repropositura da demanda coletiva baseada em 
novas provas. Correta! 
 
MPE/MG (2017) A sentença proferida no processo coletivo fará coisa julgada 
ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo 
improcedência por insuficiência de provas, quando se tratar de interesses 
transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou 
classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação 
jurídica base. Correta! 
“Coisa julgada ultra partes” - há autores que não diferenciam esse fenômeno dos efeitos 
erga omnes (Antonio Gidi). Para eles, não deveria haver distinção entre erga omnes e ultra partes, 
deveria ter uma expressão que dissesse valer a decisão para todos os interessados. 
 A coisa julgada coletiva, em todos os interesses transindividuais, nunca prejudica as 
pretensões individuais, só beneficia. Ou seja, sempre resta ao indivíduo entrar com a ação individual 
(princípio da máxima eficácia: a coisa julgada só é transportada se for ‘in utilibus’, ou seja, se for 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 97 
 
útil). A repercussão da coisa julgada no plano individual ocorre “secundum eventum litis”, ou seja, 
somente quando a ação for procedente (CDC, art. 103, §§3º e 4º). Ver acima. 
Exemplo: 
Ação coletiva contra o Microvlar é julgada procedente. Nesse caso, os titulares do direito 
atingido podem usar a coisa julgada coletiva em seu benefício (transporte ‘in utilibus’). 
Ação coletiva contra o Microvlar julgada improcedente. Nesse caso, não há repercussão na 
esfera individual das mulheres prejudicadas, vale dizer, podem perfeitamente ingressar com a 
respectiva ação individual. 
EXCEÇÃO (em que a coisa julgada pode prejudicar): Art. 94 do CDC. Se o sujeito se habilitar 
como litisconsorte na ação coletiva, a coisa julgada vai lhe atingir de qualquer forma (procedente 
ou improcedente), pois o sujeito será parte da ação. Ou seja, não poderá ingressar com ação 
individual no caso de improcedência da coletiva. 
CDC Art. 94. Proposta a ação, será publicado edital no órgão oficial, a fim de 
que os interessados possam intervir no processo como litisconsortes, 
sem prejuízo de ampla divulgação pelos meios de comunicação social por 
parte dos órgãos de defesa do consumidor. 
Art. 103, § 2° Na hipótese prevista no inciso III (individuais homogêneos), em 
caso de improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo 
no processo como litisconsortes (nos individuais homogêneos, se intervir 
como litisconsorte perde a tutela individual) poderão propor ação de 
indenização a título individual. 
 
A princípio, isto se aplica a direitos individuais homogêneos. 
Hugo Nigro diz que esse dispositivo se aplica, além dos individuais homogêneos, aos 
coletivos. 
Não se aplica de forma alguma aos direitos difusos (não há como ser litisconsorte do MP em 
ação que versa sobre o meio ambiente, por exemplo). 
ATENÇÃO! Informativo 575 STJ (Dizer o Direito): 
Após o trânsito em julgado de decisão que julga improcedente ação coletiva 
proposta em defesa de direitos individuais homogêneos, 
independentemente do motivo que tenha fundamentado a rejeição do 
pedido, não é possível a propositura de nova demanda com o mesmo objeto 
por outro legitimado coletivo, ainda que em outro Estado da federação. 
STJ. 2ª Seção. REsp 1.302.596-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 
Rel. para acórdão Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 9/12/2015(Info 
575). 
 
Imagine a seguinte situação hipotética7: 
 
7 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não é possível a repropositura de ação coletiva de direitos individuais homogêneos julgada 
improcedente, ainda que por falta de provas. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 23/02/2023.http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 98 
 
A Associação de Defesa da Saúde ajuizou, na Justiça Estadual de São Paulo, ação civil 
pública contra a empresa "XXX" pedindo que ela fosse condenada a indenizar os danos morais e 
materiais causados aos consumidores que adquiriam o medicamento "YY", que faria mal ao 
coração, efeito colateral que teria sido omitido pela fabricante. Trata-se, portanto, de demanda 
envolvendo direitos individuais homogêneos. 
O pedido foi julgado improcedente em 1ª instância sob o argumento de que a autora não 
conseguiu provar o alegado (insuficiência de prova). Houve apelação para o TJSP, que manteve a 
sentença. A associação não recorreu contra o acórdão, que transitou em julgado. 
Seis meses depois, a Associação Fluminense de Defesa do Consumidor propôs, na Justiça 
Estadual do Rio de Janeiro, ação civil pública com o mesmo objeto, ou seja, pedindo a condenação 
da empresa por danos morais e materiais pela venda do medicamento. 
O juiz extinguiu a demanda sem resolução do mérito acolhendo a preliminar de coisa julgada, 
diante do fato de o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo ter julgado ação civil pública idêntica 
à presente. 
A associação recorreu contra a decisão do juiz afirmando que só haveria coisa julgada se a 
primeira ação coletiva tivesse sido julgada procedente. Como foi julgada improcedente, não haveria 
coisa julgada. 
Interpretando o inciso III em conjunto com o § 2º do art. 103, o STJ chegou à seguinte 
conclusão: 
1) Se a ação coletiva envolvendo direitos individuais homogêneos for julgada PROCEDENTE: 
a sentença fará coisa julgada erga omnes e qualquer consumidor pode se habilitar na liquidação e 
promover a execução, provando o dano sofrido. 
2) Se a ação coletiva envolvendo direitos individuais homogêneos for julgada 
IMPROCEDENTE (não importa o motivo): 
2.a) os interessados individuais que não tiverem intervindo no processo coletivo como 
litisconsortes (art. 94 do CDC) poderão propor ação de indenização a título individual. Ex: os 
consumidores do medicamento que não tiverem atendido ao chamado do art. 94 do CDC e 
não tiverem participado da primeira ação coletiva poderão ajuizar ações individuais de 
indenização contra a empresa. 
2.b) não cabe a repropositura de nova ação coletiva mesmo que por outro legitimado 
coletivo (não importa se ele participou ou não da primeira ação; não pode nova ação coletiva). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/RJ (2022) Um consumidor, José, ajuizou uma ação visando declarar 
abusiva uma cláusula do contrato de mútuo que firmara com a instituição 
financeira X. O Ministério Público, por sua vez, também ajuizou uma ação civil 
pública visando declarar a abusividade da mesma cláusula contratual. Ambas 
as ações ainda não foram julgadas. A respeito do caso hipotético, é correto 
afirmar se a ação proposta pelo Ministério Público for julgada procedente, 
somente beneficiará José se ele tiver requerido a suspensão da sua ação no 
prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação 
coletiva. Correta! 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 99 
 
MPE/PI (2019) Em determinada ação que visava proteger direitos coletivos, 
foi proferida sentença de improcedência, que, em regra, apresenta efeitos 
ultra partes. Nesse caso, os efeitos da coisa julgada não impedem a 
propositura de ações individuais. É correto afirmar que caracteriza a situação 
precedente o princípio processual do transporte “in utilibus”. Correta! 
 
MPE/GO (2016) Em ação coletiva de direitos individuais homogêneos, 
julgado improcedente o pedido com resolução de mérito, os indivíduos, ainda 
que não tenha aderido à demanda, não poderão ajuizar demanda particular 
com o mesmo objetivo. Errada! 
8.3. SUSPENSÃO DA AÇÃO INDIVIDUAL E A EXTENSÃO DA COISA JULGADA 
De acordo com o art. 104 do CDC, para o autor da ação individual já proposta aproveitar o 
transporte “in utilibus” da coisa julgada coletiva deverá requerer a suspensão da sua ação 
individual em 30 dias a contar da ciência do ajuizamento da ação coletiva. Se não pedir a 
suspensão, não será beneficiado pela decisão coletiva. 
Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II (difusos e coletivos, 
há um erro neste artigo, ver abaixo!) e do parágrafo único do art. 81, não 
induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa 
julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III (coletivos 
e individuais homogêneos) do artigo anterior não beneficiarão os autores 
das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de 
trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação 
coletiva. 
 
O réu deve avisar na ação individual que existe ação coletiva, “dever de informar”. E se não 
houver o aviso do réu? Ainda que o autor perca a individual, ele poderá se beneficiar da procedência 
da coletiva. 
Uma vez requerida a suspensão, o processo individual fica parado por prazo indeterminado 
até o julgamento da coletiva. 
Mas essa suspensão é faculdade da parte ou o juiz pode determinar de ofício? Pela 
literalidade do art. 104, é uma faculdade da parte. 
Porém o STJ, decidiu que “ajuizada a ação coletiva atinente à macrolide geradora de 
processos multitudinários, suspendem-se, obrigatoriamente, as ações individuais, no aguardo do 
julgamento das ações coletivas, o que não impede o ajuizamento de outras individuais”. 
Fundamento do STJ: Aplicação analógica do antigo art. 543-C do CPC (sobrestamento dos 
recursos repetitivos), atual art. 1.036 do CPC/2015. 
Art. 1.036. Sempre que houver multiplicidade de recursos extraordinários ou 
especiais com fundamento em idêntica questão de direito, haverá afetação 
para julgamento de acordo com as disposições desta Subseção, observado 
o disposto no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e no do 
Superior Tribunal de Justiça. 
§ 1o O presidente ou o vice-presidente de tribunal de justiça ou de tribunal 
regional federal selecionará 2 (dois) ou mais recursos representativos da 
controvérsia, que serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal ou ao 
Superior Tribunal de Justiça para fins de afetação, determinando a suspensão 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 100 
 
do trâmite de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que 
tramitem no Estado ou na região, conforme o caso. 
§ 2o O interessado pode requerer, ao presidente ou ao vice-presidente, que 
exclua da decisão de sobrestamento e inadmita o recurso especial ou o 
recurso extraordinário que tenha sido interposto intempestivamente, tendo o 
recorrente o prazo de 5 (cinco) dias para manifestar-se sobre esse 
requerimento. 
§ 3º Da decisão que indeferir o requerimento referido no § 2º caberá apenas 
agravo interno. 
§ 4o A escolha feita pelo presidente ou vice-presidente do tribunal de justiça 
ou do tribunal regional federal não vinculará o relator no tribunal superior, que 
poderá selecionar outros recursos representativos da controvérsia. 
§ 5o O relator em tribunal superior também poderá selecionar 2 (dois) ou mais 
recursos representativos da controvérsia para julgamento da questão de 
direito independentemente da iniciativa do presidente ou do vice-presidente 
do tribunal de origem. 
§ 6o Somente podem ser selecionados recursos admissíveis que contenham 
abrangente argumentação e discussão a respeito da questão a ser decidida 
 
Portanto, temos no Brasil hoje, graças ao STJ, dois modelos de suspensão das ações 
individuais no aguardo da coletiva. Ficaria assim: 
1º: Suspensão voluntária, 104 CDC. 
2º: Suspensão judicial, 543-C do CPC/73 = art. 1.036 CPC/2015. 
Improcedente a coletiva, a ação individual suspensa retoma o curso. Procedente a coletiva, 
a individual pode ser extinta (por falta de interesse) ou, o que é mais razoável e econômico, ser 
convertida em liquidação.Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/MS (2023) Prévio ajuizamento de ação civil pública provoca a extinção 
de ações individuais que tratarem dos mesmos fatos, em face dos mesmos 
réus, em razão da litispendência. Errada! 
 
MPE/GO (2019) Ajuizada ação coletiva atinente a macro-lide geradora de 
processos multitudinários, suspendem-se as ações individuais, no aguardo 
do julgamento da ação coletiva. 
➔ QUESTÃO: Se a ação individual já foi julgada improcedente com trânsito em julgado e 
depois veio uma coletiva (difusos, coletivos e individuais homogêneos) procedente, o 
indivíduo pode se beneficiar dela? 
Duas posições doutrinárias: 
1ª C (Ada/Gajardoni): Não pode, pois a coisa julgada individual (específica) deve prevalecer 
sobre a coisa julgada coletiva (que é genérica). 
2ª C (Hugo Nigro Mazzilli): PODE, pelos seguintes fundamentos: 
a) preservação da isonomia; 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 101 
 
b) Como não houve opção para a parte suspender a ação individual em vista da inexistência 
da coletiva (art. 104 CDC), ela não pode ser prejudicada. 
Não há posição consolidada, é uma discussão doutrinária. Em advocacia pública, adotar a 
da Ada, contra o jurisdicionado. E na defensoria? Eu vou pela 2ª! 
OBS: Nos difusos e coletivos a improcedência por falta de provas 
permite a nova propositura da coletiva, mediante duas condições: 
Indicação da existência de novas provas e Preliminar de cabimento da 
nova ação (indicando que a primeira foi improcedente, indicando a 
existência de novas provas etc.). 
A nova propositura pode ser feita inclusive pelo legitimado que propôs a ação primitiva. 
A nova propositura da ação coletiva por falta de provas não depende de expressa 
manifestação judicial neste sentido na primitiva ação. Ou seja, não há necessidade (embora seja o 
mais conveniente) que o juiz assim sentencie na primeira demanda: “julgo improcedente por falta 
de provas”. A ausência de lastro probatório que provocou a improcedência deve decorrer do próprio 
conteúdo da decisão. 
O juízo da ação primitiva não se torna prevento para a seguinte. 
Atenção: Na ação coletiva para a tutela dos DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS não 
há coisa julgada “secundum eventum probationis”, de modo que improcedente a coletiva fecha-se 
as portas para TODAS as ações coletivas. Sobram apenas as ações individuais. 
Exceção: Na Justiça do Trabalho há precedentes indicando que as ações coletivas 
ajuizadas por sindicatos julgadas improcedentes obstam as pretensões individuais dos 
sindicalizados. Ou seja, a coisa julgada coletiva atinge as pretensões individuais, seja a coletiva 
procedente ou improcedente. É um entendimento que vai de encontro ao espírito do processo 
coletivo e ao princípio da máxima eficácia da tutela coletiva (transporte da coisa julgada “in utilibus”). 
Fundamento: O sindicato é quem melhor pode representar a categoria, vale dizer, é 
improvável que uma demanda individual obtenha resultados melhores que a demanda proposta 
pelo sindicato. 
OBS: transporte in utilibus da sentença penal condenatória (art. 103, 
§4º CDC). Exemplo: crime ambiental, crime contra o SFN. A 
condenação só vale contra o condenado, o que se quer dizer é que 
não podemos atingir terceiros pelo transporte in utilibus. 
Art. 103 
§ 3° Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. 16, combinado com o art. 
13 da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985 (LACP), não prejudicarão as ações 
de indenização por danos pessoalmente sofridos, propostas individualmente 
ou na forma prevista neste código, mas, se procedente o pedido, beneficiarão 
as vítimas e seus sucessores, que poderão proceder à liquidação e à 
execução, nos termos dos arts. 96 a 99. (transporte in utilibus) 
§ 4º Aplica-se o disposto no parágrafo anterior à sentença penal 
condenatória. 
 
file:///C:/Users/Luis%20Ernesto/AppData/Roaming/Microsoft/Word/L7347orig.htm
file:///C:/Users/Luis%20Ernesto/AppData/Roaming/Microsoft/Word/L7347orig.htm
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 102 
 
8.4. DIREITO DE AUTOEXCLUSÃO – RIGHT TO OPT-OUT E RIGHT TO OPT-IN 
Como visto, aspecto relevante da tutela coletiva é o direito de o indivíduo submeter-se ou 
não aos efeitos da coisa julgada originada do processo coletivo, transferindo-a para sua esfera 
individual. 
Neste contexto, há destaque para o “right to opt out” ou o direito de autoexclusão ou cláusula 
de retirada. 
Trata-se do direito de o autor de um processo individual escolher não se submeter aos 
efeitos da decisão coletiva, isto é, compreenda-se: o autor tem um processo individual e poderia 
escolher por fim ou suspender seu processo individual em virtude do processo coletivo, porém 
OPTA POR SE AUTOEXCLUIR DA TUTELA COLETIVA PARA SEGUIR NO SEU PROCESSO 
INDIVIDUAL. 
Tal prerrogativa pode ser extraída da segunda parte do art. 104, CDC: 
"Art. 104. [...] os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que 
aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das 
ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, 
a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva" 
 
O termo inglês right to opt out foi importado do direito norte-americano que, como visto 
alhures, exerce forte influência na tutela coletiva brasileira. Porém, há que se destacar algumas 
particularidades sobre os efeitos da coisa julgada e o direito de autoexclusão exercidos pelo 
ordenamento jurídico brasileiro: 
CLASS ACTIONS 
NORTE AMERICANAS 
A regra é a submissão dos efeitos da sentença coletiva ao grupo 
de forma automática –caso não queiram sofrer a incidência de 
tais efeitos devem exercer o RIGHT TO OPT OUT. 
BRASIL 
Nossa regra é inversa à regra norte-americana: RIGHT TO OPT OUT 
É TÁCITO e o OPT-IN É EXPRESSO. 
O indivíduo não sofrerá automaticamente os efeitos da ação coletiva, 
a não ser que o requeira. Se nada disser, tacitamente se entende que 
exerceu seu direito de autoexclusão. 
 
ATENÇÃO: há também duas exceções em nosso ordenamento, em que os efeitos da 
decisão serão automaticamente aplicados: 
1) O IRDR permite que o Judiciário decida a tese para todos os casos iguais. A primeira 
consequência imediata da instauração do incidente: SUSPENSÃO OBRIGATÓRIA DE TODOS OS 
PROCESSOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS QUE ESTEJAM EM CURSO (art. 313, IV; 982, I, 982, 
§3º, CPC); Essa suspensão dos processos individuais em curso não é novidade, já sendo previsto 
no CDC (arts. 94 e 104). 
2) Processamento dos recursos especiais e extraordinários repetitivos. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 103 
 
8.5. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 16 DA LACP8 
O art. 16 da LACP trata da eficácia subjetiva da sentença da ação civil pública, ou seja, 
diante de quem a sentença produzirá os seus efeitos. 
LEI Nº 7.347/85 (LEI DA ACP) 
Redação original Redação dada pela Lei nº 9.494/97 
Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga 
omnes, exceto se a ação for julgada 
improcedente por deficiência de provas, 
hipótese em que qualquer legitimado poderá 
intentar outra ação com idêntico fundamento, 
valendo-se de nova prova. 
Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga 
omnes, nos limites da competência territorial 
do órgão prolator, exceto se o pedido for 
julgado improcedente por insuficiência de 
provas, hipótese em que qualquer legitimado 
poderá intentar outra ação com idêntico 
fundamento, valendo-se de nova prova. 
 
Esse artigo foi alterado pela Lei 9.494/97 com o objetivo de restringir a eficácia subjetiva da 
coisa julgada, ou seja, ele determinou que a coisa julgada na ACP deveria produzir efeitos 
apenas dentro dos limites territoriais do juízo que prolatou a sentença. Em outras palavras, o que o 
art. 16 quis dizer foi o seguinte: a decisão do juiz na ação civil pública não produz efeitos no Brasil 
todo. Ela irá produzir efeitos apenas na comarca(se for Justiça Estadual) ou na seção ou subseção 
judiciária (se for Justiça Federal) do juiz prolator. 
A doutrina criticou bastante essa alteração promovida no art. 16 e afirmou que a regra ali 
prevista não deveria ser aplicada por ser inconstitucional, impertinente e ineficaz. 
Resumo das principais críticas ao dispositivo (DIDIER, Fredie; ZANETI, Hermes): 
• Gera prejuízo à economia processual e pode ocasionar decisões contraditórias entre 
julgados proferidos em Municípios ou Estados diferentes; 
• Viola o princípio da igualdade por tratar de forma diversa os brasileiros (para uns irá "valer" 
a decisão, para outros não); 
• Os direitos coletivos “lato sensu” são indivisíveis, de forma que não há sentido que a decisão 
que os define seja separada por território; 
• A redação do dispositivo mistura “competência” com “eficácia da decisão”, que são conceitos 
diferentes. O legislador confundiu, ainda, “coisa julgada” e “eficácia da sentença”. Sobre 
esse ponto, vale a pena citar Hugo Nigro Mazzilli: “com efeito, a Lei 9.494/97 confundiu 
competência com coisa julgada. A imutabilidade erga omnes de uma sentença não tem nada 
a ver com a competência do juiz que a profere. A competência importa para saber qual órgão 
da jurisdição vai decidir a ação; mas a imutabilidade do que ele decidiu estende-se a todo o 
grupo, classe ou categoria de lesados, de acordo com a natureza do interesse defendido, o 
que muitas vezes significa, necessariamente, ultrapassar os limites territoriais do juízo que 
proferiu a sentença”. (A defesa dos interesses difusos em Juízo. 30ª ed., São Paulo: Saraiva, 
2017, p. 698). 
 
8 Ponto elaborado com base nas explicações do Professor Márcio Cavalcante. Disponível em 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/e382f91e2c82c3853aeb0d3948275232?categoria=10&subcategoria=
93&ano=2021&criterio-pesquisa=e 
 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/e382f91e2c82c3853aeb0d3948275232?categoria=10&subcategoria=93&ano=2021&criterio-pesquisa=e
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/e382f91e2c82c3853aeb0d3948275232?categoria=10&subcategoria=93&ano=2021&criterio-pesquisa=e
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 104 
 
• O art. 93 do CDC, que se aplica também à Lei da ACP, traz regra diversa, já que prevê que, 
em caso de danos nacional ou regional, a competência para a ação será do foro da Capital 
do Estado ou do Distrito Federal, o que indica que essa decisão valeria, no mínimo, para 
todo o Estado/DF. 
 Para o STJ, o art. 16 da LACP, com redação dada pela Lei nº 9.494/97, é válido? 
A decisão do juiz na ação civil pública fica restrita apenas à comarca ou à seção (ou 
subseção) judiciária do juiz prolator? NÃO. O STJ decidiu que: 
A eficácia das decisões proferidas em ações civis públicas coletivas NÃO 
deve ficar limitada ao território da competência do órgão jurisdicional que 
prolatou a decisão. STJ. Corte Especial. EREsp 1134957/SP, Rel. Min. 
Laurita Vaz, julgado em 24/10/2016. 
 
Interessante também transcrever trecho do voto do brilhante Min. Luis Felipe Salomão, no 
REsp 1.243.887/PR (STJ. Corte Especial, julgado em 19/10/2011): 
“A bem da verdade, o art. 16 da LACP baralha conceitos heterogêneos - como 
coisa julgada e competência territorial - e induz a interpretação, para os mais 
apressados, no sentido de que os "efeitos" ou a "eficácia" da sentença podem 
ser limitados territorialmente, quando se sabe, a mais não poder, que coisa 
julgada - a despeito da atecnia do art. 467 do CPC - não é “efeito” ou “eficácia” 
da sentença, mas qualidade que a ela se agrega de modo a torná-la “imutável 
e indiscutível”. É certo também que a competência territorial limita o exercício 
da jurisdição e não os efeitos ou a eficácia da sentença, os quais, como é de 
conhecimento comum, correlacionam-se com os “limites da lide e das 
questões decididas” (art. 468, CPC) e com as que o poderiam ter sido (art. 
474, CPC) - tantum judicatum, quantum disputatum vel disputari debebat. A 
apontada limitação territorial dos efeitos da sentença não ocorre nem no 
processo singular, e também, como mais razão, não pode ocorrer no 
processo coletivo, sob pena de desnaturação desse salutar mecanismo de 
solução plural das lides. 
A prosperar tese contrária, um contrato declarado nulo pela justiça estadual 
de São Paulo, por exemplo, poderia ser considerado válido no Paraná; a 
sentença que determina a reintegração de posse de um imóvel que se 
estende a território de mais de uma unidade federativa (art. 107, CPC) não 
teria eficácia em relação a parte dele; ou uma sentença de divórcio proferida 
em Brasília poderia não valer para o judiciário mineiro, de modo que ali as 
partes pudessem ser consideradas ainda casadas, soluções, todas elas, 
teratológicas. A questão principal, portanto, é de alcance objetivo (“o que” se 
decidiu) e subjetivo (em relação “a quem” se decidiu), mas não de 
competência territorial.” 
 
E para o STF? Para o STF, o art. 16 da LACP, com redação dada pela Lei nº 9.494/97, é 
válido? Também NÃO. 
É inconstitucional o art. 16 da Lei nº 7.347/85, na redação dada pela Lei nº 
9.494/97. É inconstitucional a delimitação dos efeitos da sentença proferida 
em sede de ação civil pública aos limites da competência territorial de seu 
órgão prolator. STF. Plenário. RE 1101937/SP, Rel. Min. Alexandre de 
Moraes, julgado em 7/4/2021 (Repercussão Geral – Tema 1075) (Info 1012). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 105 
 
 
A Constituição Federal de 1988 ampliou a proteção aos interesses difusos e coletivos, não 
somente constitucionalizando-os, mas também prevendo importantes instrumentos para garantir 
sua efetividade. Como exemplos disso, podemos citar a previsão do mandado de segurança coletivo 
(art. 5º, LXX), da ação popular (art. 5º, LXXII) e a constitucionalização da ação civil pública (art. 129, 
III). 
No âmbito infraconstitucional, o sistema protetivo dos interesses difusos e coletivos nasceu 
com a edição da Lei da Ação Popular (Lei nº 4.717/65) e foi ampliado com a Lei da Ação Civil 
Pública (Lei nº 7.347/85). 
O Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90) foi mais uma evolução legislativa 
trazendo maior efetividade à proteção dos interesses difusos e coletivos. O art. 90 do CDC, somado 
ao art. 21 da LACP, estabeleceu um verdadeiro microssistema processual coletivo, com destaque 
para a eficácia erga omnes da sentença proferida na ação civil pública: 
Art. 90. Aplicam-se às ações previstas neste título as normas do Código de 
Processo Civil e da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, inclusive no que 
respeita ao inquérito civil, naquilo que não contrariar suas disposições. 
 
Art. 21. Aplicam-se à defesa dos direitos e interesses difusos, coletivos e 
individuais, no que for cabível, os dispositivos do Título III da lei que instituiu 
o Código de Defesa do Consumidor 
 
Esse microssistema significa que as normas desses diplomas devem ser aplicadas 
mutuamente a fim de se garantir uma proteção mais efetiva dos interesses difusos e coletivos. 
 A alteração do art. 16 da Lei nº 7.347/85 promovida pela Lei nº 9.494/97, fruto da conversão 
da MP 1.570/97, veio na contramão do avanço institucional de proteção aos direitos metaindividuais. 
Vale ressaltar, inclusive, que essa modificação viola os preceitos norteadores da tutela coletiva e 
atenta contra os comandos pertinentes ao amplo acesso à Justiça e à isonomia entre os 
jurisdicionados. 
A versão original do art. 16 da LACP previa a coisa julgada erga omnes da sentença civil 
proferida em processo na qual decididos direitos difusos e coletivos. O CDC, editado em 1990, 
ampliou a efetividade ao estender esses efeitos para os direitos individuais com dimensão coletiva 
(art. 103). 
Nesse contexto, as Leis nº 7.347/85 e 8.078/90 seguiram o mesmo padrão de proteção dos 
direitos metaindividuais.Elas estão de acordo com os princípios da unidade da Constituição e da 
máxima efetividade das normas constitucionais. A indevida restrição criada pelo art. 16 da LACP, 
por sua vez, foi contra os princípios da igualdade e da eficiência na prestação jurisdicional, razão 
pela qual se mostra inconstitucional. 
A alteração legislativa promovida pela Lei nº 9.494/97 passou a exigir dos legitimados, nos 
casos em que a lesão ou ameaça a direito fosse de âmbito regional ou nacional, a propositura de 
tantas demandas quanto fossem os territórios em que residem as pessoas lesadas. Ex: em um dano 
nacional, teria que ser proposta uma ação em cada comarca. Percebe-se, sem muito esforço, que 
isso acarreta grave prejuízo ao necessário tratamento isonômico de todos perante a Justiça, além 
de afrontar claramente eficiência na prestação da atividade jurisdicional. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 106 
 
Na ação civil pública, os beneficiados podem ser indetermináveis – direitos difusos –, ou 
indeterminados, em um primeiro momento – direitos coletivos e individuais homogêneos –, sendo 
possível que os titulares do direito estejam dispersos em diferentes Municípios ou Estados; ou ainda 
em todos os Estados e Municípios brasileiros; mas sempre devendo ser observados, na efetividade 
da prestação jurisdicional, os princípios da igualdade e da eficiência. 
Com a declaração de inconstitucionalidade da redação modificada do art. 16 da LACP, surge 
uma relevante indagação a ser feita: de quem é a competência para julgar uma ação civil pública? 
Quanto às ações civis públicas cujo objeto seja de âmbito apenas local, deve-se aplicar o 
art. 2º da Lei nº 7.347/85: 
Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde 
ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar 
a causa. 
 
E se a ACP tiver projeção regional ou nacional? 
Neste caso, como não há norma expressa na LACP tratando sobre o tema, deve-se recorrer 
ao art. 93, II, do CDC, com base na noção de microssistema processual (art. 21 da LACP). Assim, 
a definição do juízo competente para o processamento de ações civis públicas cuja sentença tenha 
projeção regional ou nacional deve observar o disposto no art. 93, II, do CDC: 
Art. 93. Ressalvada a competência da Justiça Federal, é competente para a 
causa a justiça local: 
(...) 
II - no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal, para os danos de 
âmbito nacional ou regional, aplicando-se as regras do Código de Processo 
Civil aos casos de competência concorrente. 
 
Portanto, em se tratando de ação civil pública com abrangência nacional ou regional, sua 
propositura deve ocorrer no foro, ou na circunscrição judiciária, de capital de Estado ou no Distrito 
Federal. 
Em se tratando de alcance geograficamente superior a um Estado, a opção por capital de 
Estado evidentemente deve contemplar uma que esteja situada na região atingida. 
Com isso, impede-se a escolha de juízos aleatórios para o processo e julgamento de ações 
que versem sobre esses direitos difusos e coletivos. 
 Como evitar decisões conflitantes proferidas por juízos diversos em ações civis públicas 
que estejam tramitando em comarcas diferentes? 
O ordenamento jurídico oferece um critério que impede esse problema, com base nos art. 
55, § 3º e art. 286 do CPC, além do art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 7.347/85: 
Art. 55 (...) 
§ 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam 
gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso 
decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. 
 
Art. 286. Serão distribuídas por dependência as causas de qualquer 
natureza: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 107 
 
I - quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já 
ajuizada; 
II - quando, tendo sido extinto o processo sem resolução de mérito, for 
reiterado o pedido, ainda que em litisconsórcio com outros autores ou que 
sejam parcialmente alterados os réus da demanda; 
III - quando houver ajuizamento de ações nos termos do art. 55, § 3º, ao juízo 
prevento. 
Parágrafo único. Havendo intervenção de terceiro, reconvenção ou outra 
hipótese de ampliação objetiva do processo, o juiz, de ofício, mandará 
proceder à respectiva anotação pelo distribuidor. 
 
Art. 2º (...) 
Parágrafo único A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para 
todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de 
pedir ou o mesmo objeto. 
 
Dessa maneira, o juiz competente – nos termos do artigo 2º da LACP e 93 do CDC –, que 
primeiro conhecer da matéria ficará prevento para processar e julgar todas as demandas que 
proponham o mesmo objeto. 
A aplicação dessas normas torna possível definir qual o juiz competente, inclusive para 
ações cuja decisão tenha efeitos regionais ou nacionais. E, uma vez fixada essa competência, o 
primeiro que conhecer da matéria, entre os competentes, ficará prevento. 
• Em suma (Repercussão Geral – Tema 1075) (Info 1012): 
I - É inconstitucional o art. 16 da Lei nº 7.347/85, alterada pela Lei nº 9.494/97. 
II - Em se tratando de ação civil pública de efeitos nacionais ou regionais, a competência 
deve observar o art. 93, II, da Lei nº 8.078/90 (CDC). 
III - Ajuizadas múltiplas ações civis públicas de âmbito nacional ou regional, firma-se a 
prevenção do juízo que primeiro conheceu de uma delas, para o julgamento de todas as demandas 
conexas. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/MG (2022) A sentença civil fará coisa julgada erga omnes 
exclusivamente nos limites da competência territorial do órgão prolator, 
exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, 
hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico 
fundamento, valendo-se de nova prova. Errada! 
 
DPE/MG (2019) A abrangência nacional expressamente declarada na 
sentença não pode ser alterada na fase de execução, sob pena de ofensa à 
coisa julgada, sendo, portanto, aplicável a todos os beneficiários. Correta! 
 
Delegado PC/MA (2018) O MP de determinado estado da Federação ajuizou 
uma ação civil pública por improbidade administrativa contra determinado 
servidor estadual. Nessa situação hipotética, a ação civil pública irá tornar 
prevento o juízo para todas as ações posteriores intentadas que possuam a 
mesma causa de pedir ou o mesmo objeto. Correta! 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 108 
 
9. RELAÇÃO ENTRE DEMANDAS 
9.1. CRITÉRIOS DE RELAÇÃO ENTRE AS DEMANDAS 
Aqui, temos os seguintes critérios reconhecidos: 
1) Identidade dos elementos da ação (tríplice eadem); 
2) Identidade da relação jurídica material. 
Vejamos: 
9.1.1. Identidade dos elementos da ação (tríplice eadem) 
O que importa é a identidade dos elementos da ação. É a regra no Brasil (tríplice eadem). Art. 
485, V, 337 CPC/2015. 
CPC/2015 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
V - Reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa 
julgada; 
 
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: 
VI - litispendência; 
VII - coisa julgada; 
VIII - conexão; 
§ 1o Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação 
anteriormente ajuizada. 
§ 2o Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma 
causa de pedir e o mesmo pedido. 
§ 3o Há litispendência quando se repete ação que está em curso. 
 
9.1.2. Identidade da relação jurídica material 
O que importa é o direito material debatido e não os elementos da ação. 
Exemplo1: irmão para defender a posse de uma propriedade que possui em condômino com 
o outro irmão: este não poderá ingressar novamente com a ação, em que pese não haja identidade 
de partes, pois a relação material já foi decidida. 
Exemplo2: Gajardoni e a ação de aposentadoria rural. O indivíduoentra com uma ação para 
reconhecer a aposentadoria comum e para juntar a aposentadoria rural e contar para tal fim. É 
improcedente porque ele não prova. Depois o advogado entra de novo, só que com uma ação de 
aposentadoria específica rural. O pedido é diferente, entretanto, a relação jurídica material é a 
mesma. Gajardoni indeferiu pela teoria da identidade da relação jurídica material. 
Quem define as consequências do fenômeno da relação entre as demandas é o sistema, 
podendo adotar para cada caso soluções distintas (extinção, reunião ou suspensão). É o legislador 
que define. 
9.2. RELAÇÃO ENTRE DEMANDAS INDIVIDUAIS 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 109 
 
1) Identidade TOTAL dos elementos da ação; 
2) Identidade PARCIAL dos elementos da ação. 
9.2.1. Identidade TOTAL dos elementos da ação individual 
Coisa julgada ou litispendência. Pode o juiz extinguir o feito de ofício. 
CPC 2015 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa 
julgada; 
§ 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e 
IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito 
em julgado. 
 
9.2.2. Identidade PARCIAL dos elementos da ação individual 
Conexão (CPC/2015 art. 103) ou continência (CPC/2015 art. 56). Sendo possível, deve ser 
promovida a reunião das causas, para julgamento conjunto. Em não sendo possível, uma delas 
deve ser suspensa, evitando-se decisões contraditórias. 
Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum 
o pedido ou a causa de pedir. 
 
Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver 
identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por 
ser mais amplo, abrange o das demais. 
 
9.3. RELAÇÃO ENTRE DEMANDA INDIVIDUAL X DEMANDA COLETIVA 
1) Identidade total dos elementos da ação; 
2) Identidade parcial dos elementos da ação. 
9.3.1. Identidade TOTAL dos elementos da ação individual com a coletiva 
NÃO HÁ. 
Nunca uma individual será idêntica a uma coletiva. As partes nunca serão iguais; os 
pedidos nunca serão iguais. Essa é a regra do art. 104 do CDC: A ação coletiva não induz à 
litispendência na ação individual. Ou seja, não há coisa julgada ou litispendência entre ação 
individual e ação coletiva. 
Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II (difusos e coletivos) e 
do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as ações 
individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a 
que aludem os incisos II e III (coletivos e individuais homogêneos) do artigo 
anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for 
requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos 
autos do ajuizamento da ação coletiva. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 110 
 
Isto porque na ação para defesa dos difusos/coletivos o pedido é um bem ou direito 
metaindividual em detrimento de um pedido específico na defesa do direito individual (art. 95 
CDC). 
CDC Art. 95. Em caso de procedência do pedido, a condenação será 
genérica, fixando a responsabilidade do réu pelos danos causados. 
 
Não há coisa julgada nem litispendência pelos mesmos motivos. 
9.3.2. Identidade PARCIAL dos elementos da ação individual com a coletiva 
É possível, quanto à causa de pedir e pedido. 
A conexão é possível (identidade da causa de pedir ou do pedido), mas a continência 
jamais, pelos fundamentos expostos no item anterior (nunca haverá identidade de partes). 
Por que a conexão pode existir? 
Exemplo: Associação de defesa das mulheres entra com ação coletiva contra o Microvlar; 
de outra banda, uma mulher entra contra o Microvlar. Ambas as ações têm como causa de pedir a 
pílula de placebo (fato jurídico – causa de pedir remota) e o direito à indenização pelo dano moral 
provocado (fundamento jurídico – causa de pedir próxima). Ambas têm o mesmo pedido: 
Indenização. 
Consequência: art. 104 do CDC: Suspensão da demanda individual. 
Para a lei é facultativa. 
Para o STJ é obrigatória, o judiciário pode suspender por conta própria. REsp 1110549/RS 
(Caso: DPE/RS e TJ/RS x Plano Bresser) 
Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I (aponta os difusos, mas 
devemos ler como coletivos, ou seja, inciso II) e II (aponta os coletivos, mas 
devemos ler como individuais homogêneos, ou seja, inciso III) e do parágrafo 
único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais, mas 
os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os 
incisos II (coletivos) e III (individuais homogêneos) do artigo anterior não 
beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua 
suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do 
ajuizamento da ação coletiva. 
 
Aqui há um erro. Na primeira parte do artigo, ele não fala do inciso III, que fala dos individuais 
homogêneos. Quando o art. 104 do CDC, fala dos incisos I e II do art. 81, na verdade quis indicar o 
art. II e III, de modo que só haverá suspensão da ação individual conexa, se pendente ação 
coletiva para tutela dos coletivos e individuais homogêneos. Ou seja, se a conexa for para tutela 
dos DIFUSOS, não há suspensão, pois não terá relação com a outra! 
9.4. RELAÇÃO DEMANDA COLETIVA X DEMANDA COLETIVA 
1) Identidade TOTAL dos elementos da ação; 
2) Identidade PARCIAL dos elementos da ação. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 111 
 
Não necessariamente são coletivas de mesma natureza. Ação coletiva genérica (exemplo: AP 
x ACP). 
9.4.1. Identidade TOTAL dos elementos da ação coletiva 
É possível. 
Mesmas partes: Os legitimados ordinários podem ser os mesmos (parte material), mesmo 
que os legitimados extraordinários sejam diferentes (parte processual). 
Mesma causa de pedir: Poluição do rio. 
Mesmo pedido: Interdição da fábrica. 
*Consequências da identidade total 
Coisa julgada: é possível, mas não posso esquecer que a coisa julgada nos difusos e 
coletivos é secundum eventum probationis, isto porque se uma delas foi julgada por falta de 
provas, a ação poderá ser reproposta. 
Para os individuais homogêneos, o sistema não permitiu a coisa julgada eventum 
probationis, portanto, sendo julgada por falta de provas (aqui se trata de coisa julgada pro et contra), 
somente restará as ações individuais. 
Litispendência: Duas posições na doutrina: 
1ª C: Teresa Wambier/Antonio Gidi: É caso de extinção da ação repetida. Alerta: A parte 
(legitimado extraordinário) da ação extinta poderá ingressar como assistente litisconsorcial na ação 
que sobejou. 
2ª C: Ada: PREVALECE que é caso de reunião dos processos para julgamento em conjunto. 
Fundamento: A extinção pode acabar com a ação que estava mais bem instruída (princípio 
do máximo benefício). Além disso, a extinção de um processo permite que o legitimado ingresse no 
outro como interveniente, o que acabará gerando mais tumulto do que a reunião dos feitos. Tem 
prevalecido nos tribunais. 
9.4.2. Identidade PARCIAL dos elementos da ação coletiva 
É possível a conexão ou continência. 
Exemplo: Pedidos diferentes e causas de pedir iguais. Como, por exemplo, ações contra um 
prefeito que desviou o dinheiro da prefeitura: uma ACP pelo MP e uma Ação Popular. A causa de 
pedir é a mesma. 
Consequência: Reunião dos feitos. 
9.5. CRITÉRIO PARA REUNIÃO DE DEMANDAS COLETIVAS 
Prevenção. 
Quem será o juiz prevento? 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 112 
 
Arts. 2º da LACP e 5º da LAP: Critério do ajuizamento (distribuição). O primeiro a receber o 
processo é o prevento. 
Em virtude do princípio da integração, aplica-se a regra do microssistema. 
LACP 
Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde 
ocorrer o dano,150 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 6 
 
14.5.13. Compromisso preliminar ........................................................................................ 150 
14.4.6. Em regra, não cabe TAC em improbidade administrativa (VER LIA) ................... 151 
14.4.7. Impugnação dos compromissos e transações ...................................................... 152 
AÇÃO POPULAR (Lei nº 4.717/65) ................................................................................................. 154 
1. GENERALIDADES ................................................................................................................... 154 
1.1. CONCEITO ........................................................................................................................ 154 
1.2. PREVISÃO CONSTITUCIONAL ....................................................................................... 154 
1.3. PREVISÃO LEGAL ........................................................................................................... 154 
1.4. PREVISÃO SUMULAR ..................................................................................................... 154 
2. OBJETO DA AÇÃO POPULAR ................................................................................................ 154 
2.1. PREVISÃO NO ART. 5º, INCISO LXXIII DA CF .............................................................. 154 
2.2. TUTELA RESSARCITÓRIA/ MEIO AMBIENTE/ PATRIMÔNIO HISTÓRICO-CULTURAL
 155 
2.2.1. Patrimônio Público ..................................................................................................... 155 
2.2.2. Moralidade administrativa .......................................................................................... 155 
3. CABIMENTO DA AÇÃO POPULAR ........................................................................................ 156 
3.1. “ATO” ................................................................................................................................. 156 
3.2. “ILEGAL” ............................................................................................................................ 157 
3.3. “LESIVO” ........................................................................................................................... 158 
4. LEGITIMIDADE ........................................................................................................................ 159 
4.1. LEGITIMIDADE ATIVA...................................................................................................... 159 
4.2. LEGITIMIDADE PASSIVA ................................................................................................ 160 
5. PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO ........................................................................................ 161 
6. COMPETÊNCIA ....................................................................................................................... 162 
7. PRAZO PARA RESPOSTA DOS RÉUS.................................................................................. 162 
8. SENTENÇA .............................................................................................................................. 163 
8.1. PRAZO PARA JULGAR .................................................................................................... 163 
8.2. NATUREZA DA SENTENÇA ............................................................................................ 163 
9. REEXAME NECESSÁRIO ....................................................................................................... 164 
10. RECURSOS E EFEITOS RECURSAIS ............................................................................... 164 
11. DIFERENÇAS ENTRE A LA E LACP................................................................................... 164 
12. PENHORABILIDADE SALARIAL ......................................................................................... 166 
13. SUCUMBÊNCIA .................................................................................................................... 166 
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO ..................................................................................... 168 
1. PREVISÃO LEGAL E SUMULAR ............................................................................................ 168 
2. CONCEITO ............................................................................................................................... 173 
2.1. LÍQUIDO E CERTO ........................................................................................................... 173 
2.2. NÃO AMPARADO POR HABEAS CORPUS OU HABEAS DATA .................................. 174 
2.3. CONTRA ATO ................................................................................................................... 174 
2.4. LEGAL OU ABUSIVO DE DIREITO ................................................................................. 175 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 7 
 
2.5. PRATICADO POR AUTORIDADE PÚBLICA OU AFIM ................................................... 176 
3. LEGITIMIDADE ........................................................................................................................ 176 
3.1. LEGITIMIDADE ATIVA PARA O MS COLETIVO............................................................. 176 
3.2. LEGITIMIDADE ATIVA PARA O MS INDIVIDUAL .......................................................... 178 
3.3. LEGITIMIDADE PASSIVA ................................................................................................ 179 
4. OBJETO DO MS COLETIVO ................................................................................................... 181 
5. COMPETÊNCIA ....................................................................................................................... 181 
5.1. FUNCIONAL/HIERÁRQUICO ........................................................................................... 181 
5.2. MATERIAL ......................................................................................................................... 182 
5.3. VALORATIVO .................................................................................................................... 183 
5.4. TERRITORIAL ................................................................................................................... 183 
6. PROCEDIMENTO .................................................................................................................... 183 
6.1. LIMINAR NO MS ............................................................................................................... 183 
6.2. INFORMAÇÕES ................................................................................................................ 184 
6.3. SENTENÇA ....................................................................................................................... 184 
6.4. RECURSOS ...................................................................................................................... 184 
7. DESISTÊNCIA .......................................................................................................................... 185 
8. DECADÊNCIA .......................................................................................................................... 185 
9. TEORIA DO FATO CONSUMADO .......................................................................................... 186 
MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO ......................................................................................... 187 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................... 187 
2. PREVISÃO ................................................................................................................................cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar 
a causa. 
 
Parágrafo único A propositura da ação PREVENIRÁ a jurisdição do juízo para 
todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de 
pedir ou o mesmo objeto. 
 
LAP Art. 5º 
§ 3º A propositura da ação PREVENIRÁ a jurisdição do juízo para todas as 
ações, que forem posteriormente intentadas contra as mesmas partes e sob 
os mesmos fundamentos. 
 
ATENÇÃO! 
Lembre-se que o CPC/2015 passou a prever apenas um critério de prevenção, qual seja: o 
registro ou a distribuição é que torna o juízo prevento. 
Se considera a ação proposta quando há o registro da petição inicial (um só juiz na comarca) 
ou quando ocorre a distribuição (mais de um juiz). 
E é o mesmo fato que gera a perpetuação de competência. 
Art. 59. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo. 
 
OBS1: há autores que enxergam um juízo universal das ações 
coletivas (não é o mesmo efeito do “juízo universal da falência”, isso 
porque aqui só caem as coletivas – TODAS coletivas). 
OBS2: SÚMULA 489 do STJ 
SÚMULA 489 Reconhecida a continência, devem ser reunidas na Justiça 
Federal as ações civis públicas propostas nesta e na Justiça estadual. 
 
Vamos explicar a súmula com um exemplo concreto: O Ministério Público do Estado de São 
Paulo ingressou com uma ação civil pública, na Justiça estadual, contra “B”, conhecida rede de fast 
food, questionando o fato dessa rede vender kits de lanches infantis acompanhados de brinquedos. 
O MPE-SP formulou os seguintes pedidos: 
1) “B” deve ser proibida de comercializar lanches infantis em conjunto com a entrega de 
brinquedos; e também 
2) “B” deve ser compelida a oferecer a venda separada dos brinquedos, para que, assim, não 
obrigue as crianças a comprar o lanche para ganhar os brindes. 
O MPE-SP fez, portanto, pedidos cumulativos (pedido 1 e pedido 2). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 113 
 
Algum tempo após essa primeira ação, o Ministério Público Federal ajuizou outra ACP, na 
Justiça Federal de São Paulo, contra “B” e também contra a rede de fast food “M”. O MPF-SP fez 
os seguintes pedidos alternativos: 
1) “B” e “M” devem ser proibidas de comercializar lanches infantis em conjunto com a entrega 
de brinquedos; ou então 
2) “B” e “M” devem ser compelidos a oferecer a venda separada dos brinquedos. 
O MPF fez, portanto, pedidos alternativos (pedido 1 ou pedido 2). 
Tanto o MPE como o MPF estão tutelando direitos difusos consumeristas. 
O que acontecerá com as duas ACP’s? Deverão ser julgadas separadamente ou 
reunidas? As duas ações deverão ser reunidas, uma vez que há possibilidade de os juízos 
proferirem decisões conflitantes. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/AC (2019) A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas 
as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir 
ou o mesmo objeto. 
Qual o critério para determinar a reunião dos processos? 
Apesar de o juízo estadual ser prevento, neste caso, o instituto da prevenção não pode ser 
utilizado para definir a competência. Isso porque estando o MPF na lide, a causa deve tramitar 
obrigatoriamente na Justiça Federal. 
Para fins de competência, o MPF é considerado como órgão da União, de modo que a sua 
presença atrai a competência para a Justiça Federal, nos termos do art. 109, I, da CF/88 (lembrando 
que a competência da Justiça estadual é residual). Assim, o critério a ser adotado nesse caso é a 
presença do MPF (órgão da União). 
Qual será então o juízo competente para julgar as ações? 
Será competente a Justiça Federal, ainda que o juízo federal não seja prevento. Dessa feita, 
o STJ tem entendido, de modo reiterado, que, em tramitando ações civis públicas promovidas por 
integrantes do Ministério Público estadual e federal nos respectivos juízos e, em se mostrando 
consubstanciado o conflito, caberá a reunião das ações no juízo federal (CC 112.137/SP). 
Vejamos algumas manifestações do STJ sobre o tema e que podem ser cobradas nas provas: 
A propositura de Ação Civil Pública pelo Ministério Público Federal, órgão da 
União, conduz à inarredável conclusão de que somente a Justiça Federal está 
constitucionalmente habilitada a proferir sentença que vincule tal órgão (CC 
61.192/SP). A relação de continência entre ação civil pública de competência 
da Justiça Federal, com outra, em curso na Justiça Estadual, impõe a reunião 
dos feitos no Juízo Federal, em atenção ao princípio federativo (CC 
40.534/RJ). 
 
É da natureza do federalismo a supremacia da União sobre Estados-membros, supremacia 
que se manifesta inclusive pela obrigatoriedade de respeito às competências da União sobre a dos 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 114 
 
Estados. Decorre do princípio federativo que a União não está sujeita à jurisdição de um Estado-
membro, podendo o inverso ocorrer, se for o caso (CC 90.106/ES). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/MA (2022) Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, diante 
de multiplicidade de ações civis públicas de âmbito nacional ou regional, após 
fixada a competência, firma-se a prevenção do juízo que primeiro conheceu 
de uma delas, para o julgamento de todas as demandas conexas. Correta! 
10. COMPETÊNCIA NAS AÇÕES COLETIVAS 
10.1. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NA TUTELA COLETIVA DE DIREITOS DIFUSOS E 
COLETIVOS STRICTO SENSU 
Nestas causas, em regra, não pode o particular intervir como assistente, por uma questão de 
ordem pragmática (comprometimento do exercício da jurisdição) e pela ausência de interesse em 
virtude da possibilidade do transporte in utilibus da coisa julgada coletiva para a esfera particular. 
Exceção: A doutrina majoritária (Didier, Mazzilli) tem entendido a possibilidade excepcional 
de o cidadão intervir na demanda coletiva que verse sobre direito que PODERIA ser discutido em 
sede de ação popular. Neste caso, muito embora possa intervir, não poderá prosseguir na ação 
coletiva se o legitimado coletivo desistir do feito. 
A situação muda nas intervenções de colegitimados coletivos. Não há óbice à atuação 
conjunta deles, salvo se um dos polos contar com número que possa comprometer a rápida solução 
da demanda. Assim, tanto possível o litisconsórcio ulterior, quanto o inicial (ambos facultativos e 
unitários) são permitidos, à luz de interpretação sistêmica dos arts. 3º, §5º, da Lei 7853/89 (regula 
a ACP em defesa de direitos relativos às pessoas com deficiência) e 5º, §§2º, 3º e 5º, da LACP. 
Lei 7853/89 Art. 3º As ações civis públicas destinadas à proteção de 
interesses coletivos ou difusos das pessoas portadoras de deficiência 
poderão ser propostas pelo Ministério Público, pela União, Estados, 
Municípios e Distrito Federal; por associação constituída há mais de 1 (um) 
ano, nos termos da lei civil, autarquia, empresa pública, fundação ou 
sociedade de economia mista que inclua, entre suas finalidades institucionais, 
a proteção das pessoas portadoras de deficiência. 
§ 5º Fica facultado aos demais legitimados ativos habilitarem-se como 
litisconsortes nas ações propostas por qualquer deles. 
 
LACP Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: 
§ 2º Fica facultado ao Poder Público e a outras associações legitimadas nos 
termos deste artigo habilitar-se como litisconsortes de qualquer das partes. 
§ 3° Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação 
legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade 
ativa. (Incluído pela Lei nª 8.078, de 11.9.1990) 
§ 5.° Admitir-se-á o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos 
da União, do Distrito Federal e dos Estados na defesa dos interesses e 
direitos de que cuida esta lei. (Incluído pela Lei nª 8.078, de 11.9.1990) (Vide 
Mensagem de veto) (Vide REsp 222582 /MG - STJ) 
 
http://www.iceni.com/infix.htmCS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 115 
 
Diante deste quadro, vislumbra a doutrina a possibilidade de ampliação/alteração do objeto 
do processo coletivo, desde que respeitadas as regras processuais civis relativas ao tema, 
mormente o art. 329, do CPC/2015. 
Art. 329. O autor poderá: 
I - até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, 
independentemente de consentimento do réu; 
II - até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de 
pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a 
possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, 
facultado o requerimento de prova suplementar. 
Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo à reconvenção e à 
respectiva causa de pedir. 
 
Acresça-se ainda a necessidade de o novo pedido compor demanda conexa com aquela já 
ajuizada, de modo que, se fosse proposto em ação autônoma, seria imperiosa a reunião dos feitos. 
Caso assim não fosse, o terceiro interveniente estaria escolhendo o juiz da causa, violando o 
princípio do juiz natural. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/MG (2017) O processo coletivo de tutela dos direitos do consumidor 
admite, em ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e 
serviços, o chamamento ao processo pelo réu que houver contratado seguro 
de responsabilidade. Correta! 
 
MPE/MG (2017) O processo coletivo admite a nomeação à autoria, devendo, 
previamente, ser ouvidos a respeito tanto o autor, quanto o nomeado. Errada! 
10.2. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NA TUTELA COLETIVA DE DIREITOS INDIVIDUAIS 
HOMOGÊNEOS 
Neste caso o art. 94, do CDC expressamente permite a intervenção do particular interessado 
que, ao integrar o processo coletivo será alcançado pela coisa julgada pro et contra. 
Art. 94. Proposta a ação, será publicado edital no órgão oficial, a fim de que 
os interessados possam intervir no processo como litisconsortes, sem 
prejuízo de ampla divulgação pelos meios de comunicação social por parte 
dos órgãos de defesa do consumidor. 
 
 A doutrina diverge quanto à natureza jurídica da intervenção do particular nos processos 
coletivos: 
I) Didier sustenta a natureza de assistência litisconsorcial, vez que aquele possui 
interesse jurídico na solução da demanda, já que o objeto litigioso lhe diz respeito. 
II) Deste entendimento discorda Mazzilli, para quem seria hipótese de assistência 
litisconsorcial qualificada. Não obstante o embate doutrinário, o art. 94, do CDC é 
claro ao tratar o particular interveniente como litisconsorte, o que elimina problemas 
de ordens práticas. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 116 
 
Tendo em vista a possibilidade de formação de um litisconsórcio ativo multitudinário capaz de 
comprometer a rápida solução da causa, a doutrina permite aplicação analógica do art. 113, § 1º, 
do CPC/2015. 
Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em 
conjunto, ativa ou passivamente, quando: 
§ 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de 
litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na 
execução, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar 
a defesa ou o cumprimento da sentença. 
 
Com o CPC/2015, a limitação do litisconsórcio poderá ocorrer em qualquer fase do processo 
de conhecimento, na liquidação de sentença ou no processo de execução. Houve uma ampliação. 
Ademais, em crítica ao modelo adotado pelo art. 94, do CDC, aduz Antônio Gidi que “Muito 
mais adequado seria se adotasse o mesmo tratamento que dispensou para os casos de defesa 
coletiva de direitos supraindividuais (difuso e coletivo), em que vedou a intervenção do particular na 
ação coletiva, mas impediu a formação de coisa julgada erga omnes ou ultra partes nos casos de 
improcedência por insuficiência de provas”. 
10.3. AMICUS CURIAE 
Em sede de tutela coletiva, há previsão expressa de intervenção do amicus curiae no art. 
31, da Lei 6385/76 (intervenção obrigatória da CVM) e art. 89, da Lei 12.529/12 (intervenção 
obrigatória do CADE). 
Lei 6385/76 Art. 31 - Nos processos judiciários que tenham por objetivo 
matéria incluída na competência da Comissão de Valores Mobiliários, será 
esta sempre intimada para, querendo, oferecer parecer ou prestar 
esclarecimentos, no prazo de quinze dias a contar da intimação. 
 
Lei 12.529/12 Art. 118. Nos processos judiciais em que se discuta a aplicação 
desta Lei, o Cade deverá ser intimado para, querendo, intervir no feito na 
qualidade de assistente. 
 
A jurisprudência vem permitindo tal intervenção em qualquer ação coletiva, desde que a causa 
seja relevante e tenha o auxiliar do juízo representatividade. Há no Código Modelo de Processo 
Coletivo, de proposta de Antônio Gidi, previsão expressa do referido instituto, visto como 
recomendável. 
Ressalta-se que o CPC/2015 trouxe previsão expressa, no art. 138, acerca do amicus curiae. 
Em razão do microssistema (visto acima), pode-se dizer que se aplica ao processo coletivo, quando 
não houver previsão na lei. 
Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a 
especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da 
controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das 
partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação 
de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com 
representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 117 
 
§ 1o A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência 
nem autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de 
embargos de declaração e a hipótese do § 3o. 
§ 2o Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a 
intervenção, definir os poderes do amicus curiae. 
§ 3o O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de 
resolução de demandas repetitivas 
 
10.4. ASSISTÊNCIA NA AÇÃO POPULAR 
Reza o art. 6º, §5º, da LAP pela possibilidade de qualquer cidadão se habilitar como 
litisconsorte (assistente litisconsorcial) do autor da ação popular. Em homenagem ao princípio da 
isonomia, também se deve admitir àquele que tenha interesse jurídico na vitória processual dos 
réus que possam assisti-los. 
LAP Art. 6º A ação será proposta contra as pessoas públicas ou privadas e 
as entidades referidas no art. 1º, contra as autoridades, funcionários ou 
administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado 
o ato impugnado, ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à lesão, e 
contra os beneficiários diretos do mesmo. 
§ 5º É facultado a qualquer cidadão habilitar-se como litisconsorte ou 
assistente do autor da ação popular. 
 
Para Didier, embora não possam ser inicialmente litisconsortes, o MP e as associações podem 
tornar-se assistentes litisconsorciais do autor da ação popular (litisconsórcio ulterior) na hipótese 
em que o bem tutelado na ação popular puder ser tutelado em ação civil pública. 
Novamente, há aplicação analógica do art. 113, § 1º, do CPC/2015. 
Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em 
conjunto, ativa ou passivamente, quando: 
§ 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de 
litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na 
execução, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar 
a defesa ou o cumprimento da sentença. 
 
10.5. INTERVENÇÃO DA PESSOA JURÍDICA INTERESSADA NA AÇÃO POPULAR E NA 
AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (ARTS. 6º, § 3º, DA LAP E 17, DA LIA) 
Denominada pela doutrina de INTERVENÇÃO MÓVEL OU PENDULAR. 
Nos dizeres de Rodrigo Mazzei, cientificada da lide, a pessoa jurídica pode adotar três 
posturas: 
1) Apresentar resposta, sustentando que não há máculano ato impugnado; 
2) Abster-se de responder (posição neutra); 
3) Não contestar e, verificando que a ação coletiva (popular ou de improbidade) ajuizada é útil 
ao interesse público, deslocar-se de sua posição original no polo passivo, para a condição 
de amicus curiae ou para o polo ativo (atuando ao lado do autor). Neste último caso, há a 
chamada intervenção móvel. 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 118 
 
LAP Art. 6º A ação será proposta contra as pessoas públicas ou privadas e 
as entidades referidas no art. 1º, contra as autoridades, funcionários ou 
administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado 
o ato impugnado, ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à lesão, e 
contra os beneficiários diretos do mesmo. 
§ 3º A pessoa jurídica de direito público ou de direito privado, cujo ato seja 
objeto de impugnação, poderá abster-se de contestar o pedido, ou poderá 
atuar ao lado do autor, desde que isso se afigure útil ao interesse público, a 
juízo do respectivo representante legal ou dirigente. 
 
LIA Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que trata esta Lei será 
proposta pelo Ministério Público e seguirá o procedimento comum previsto 
na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), salvo 
o disposto nesta Lei. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/PA (2022) A Lei da Ação Popular permite o deslocamento de pessoa 
jurídica de direito público, apontada como ré na petição inicial, do polo 
passivo para o polo ativo da relação processual, caso essa medida se 
demonstre útil ao interesse público. Correta! 
10.6. CABIMENTO DA DENUNCIAÇÃO DA LIDE NA TUTELA COLETIVA 
CPC/2015 Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por 
qualquer das partes: 
I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi 
transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da 
evicção lhe resultam; 
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação 
regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo. 
§ 1o O direito regressivo será exercido por ação autônoma quando a 
denunciação da lide for indeferida, deixar de ser promovida ou não for 
permitida. 
§ 2o Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo 
denunciado, contra seu antecessor imediato na cadeia dominial ou quem seja 
responsável por indenizá-lo, não podendo o denunciado sucessivo promover 
nova denunciação, hipótese em que eventual direito de regresso será 
exercido por ação autônoma. 
 
Duas razões embasam a concepção RESTRITIVA (não cabe) na interpretação do art. 125, 
II, do CPC/2015, na tutela coletiva: 
a) as frequentes situações em que o réu é responsável objetivamente impediriam que a 
denunciação da lide introduzisse discussão sobre a existência de culpa de terceiro; 
b) a relevância dos direitos em jogo, que merecem um tratamento processual privilegiado. 
Nesse sentido, Mazzilli e Nelson Nery. 
A vedação à denunciação da lide ganha ainda mais força nas causas de consumo em 
decorrência da proibição trazida pelo art. 88, do CDC e da regra de responsabilidade objetiva do 
fornecedor. 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 119 
 
Art. 88. Na hipótese do art. 13, parágrafo único (responsabilidade solidária do 
comerciante e direito de regresso) deste código, a ação de regresso poderá 
ser ajuizada em processo autônomo, facultada a possibilidade de prosseguir-
se nos mesmos autos, vedada a denunciação da lide. 
 
Segundo Didier, não obstante a literalidade do art. 88, do CDC quanto à vedação da 
denunciação da lide, o art. 7º, do mesmo diploma introduz no sistema consumerista a regra da 
responsabilidade solidária entre os fornecedores, deixando claro o equívoco do legislador ao intitular 
“denunciação da lide” instituto que, em verdade, é “chamamento ao processo”. Assim, somente é 
admissível nas causas de consumo, inclusive as coletivas, o chamamento ao processo 
expressamente autorizado pelo art. 101, II, do CDC (intervenção em contrato de seguro), muito 
embora trate a norma, na maioria das vezes, de denunciação da lide. Assim, tendo em vista inexistir 
qualquer proibição em tese, a possibilidade de denunciação da lide deve ser aferida no caso 
concreto, sopesando-se os interesses em jogo. 
CDC Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e 
serviços, sem prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste título, serão 
observadas as seguintes normas: 
... 
II - o réu que houver contratado seguro de responsabilidade poderá 
chamar ao processo o segurador, vedada a integração do contraditório 
pelo Instituto de Resseguros do Brasil. Nesta hipótese, a sentença que julgar 
procedente o pedido condenará o réu nos termos do art. 80 do Código de 
Processo Civil. Se o réu houver sido declarado falido, o síndico será intimado 
a informar a existência de seguro de responsabilidade, facultando-se, em 
caso afirmativo, o ajuizamento de ação de indenização diretamente contra o 
segurador, vedada a denunciação da lide ao Instituto de Resseguros do 
Brasil e dispensado o litisconsórcio obrigatório com este. 
 
Há que se frisar que o STJ não se importa com essa distinção. Interpreta literalmente a 
proibição de denunciação à lide do CDC. 
Em sentido contrário, adotando concepção AMPLIATIVA (cabe), Ada Pellegrini e Dinamarco. 
11. LIQUIDAÇÃO E EXECUÇÃO DA SENTENÇA COLETIVA 
Nem sempre é possível fixar na sentença todos os elementos da norma jurídica 
individualizada do caso concreto (o an debeatur, o quid debeatur, o quantum debeatur etc.). A 
liquidação tem exatamente a função de INTEGRAR a norma jurídica estabelecida num título judicial, 
mormente no que se refere ao quantum debeatur (quanto se deve). 
O regime de liquidação e execução coletivo deve ser dividido em dois grupos: execução dos 
direitos difusos e coletivos; execução dos direitos individuais homogêneos. 
11.1. EXECUÇÃO DOS DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS (DIREITOS NATURALMENTE 
COLETIVOS) 
Existem DOIS modelos de execução de sentença: 
1) Execução da pretensão coletiva; 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 120 
 
2) Execução da pretensão individual derivada. 
Vejamos: 
11.1.1. Liquidação/Execução da pretensão coletiva (Art. 2º, 13 e 15 LACP) 
 Exemplo: Ação que condena empresa poluidora ao pagamento de indenização pelos danos 
ambientais em 05 milhões. 
1) Legitimado para promover a execução: art. 15 da LACP (princípio da indisponibilidade 
da ação coletiva). Primeiro, o autor da ação; depois de 60 dias, qualquer colegitimado 
PODE e o MP DEVE executar se ninguém o fizer. 
LACP 
Art. 2º. As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde 
ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar 
a causa. 
Parágrafo único A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para 
todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de 
pedir ou o mesmo objeto. 
 
Art. 15. Decorridos sessenta dias do TRÂNSITO EM JULGADO da sentença 
condenatória, sem que a associação autora lhe promova a execução, deverá 
fazê-lo o Ministério Público, facultada igual iniciativa aos demais legitimados 
(exemplo: defensoria). 
 
2) Destinatário da indenização: sendo o poder público lesado, o dinheiro vai para o poder 
público. No caso de outros bens (meio ambiente etc.), esse dinheiro vai para o FDD 
(Fundo de Defesa dos Direitos Difusos/Fundo de Bens Públicos Lesados), previsto no 
art. 13 da LACP. O fundo é regulamentado pela Lei 9.008/95. 
Art. 13. Havendo condenação em dinheiro, a indenização pelo dano causado 
reverterá a um fundo gerido por um Conselho Federal ou por Conselhos 
Estaduais de que participarão necessariamente o Ministério Público e 
representantes da comunidade, sendo seus recursos destinados à 
reconstituição dos benslesados. 
§ 1o. Enquanto o fundo não for regulamentado, o dinheiro ficará depositado 
em estabelecimento oficial de crédito, em conta com correção monetária. 
§ 2o Havendo acordo ou condenação com fundamento em dano causado por 
ato de discriminação étnica nos termos do disposto no art. 1o desta Lei, a 
prestação em dinheiro reverterá diretamente ao fundo de que trata o caput e 
será utilizada para ações de promoção da igualdade étnica, conforme 
definição do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, na 
hipótese de extensão nacional, ou dos Conselhos de Promoção de Igualdade 
Racial estaduais ou locais, nas hipóteses de danos com extensão regional ou 
local, respectivamente. 
 
Cada ente tem seu fundo e as leis que regulamentam tal fundo. 
No âmbito federal, quem gere este fundo é o Conselho Federal, órgão do Ministério da Justiça, 
com sede em Brasília, composto por membros da sociedade civil. 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 121 
 
Onde é aplicado o dinheiro? Era para ser aplicado na reparação do dano causado, porém, 
como o fundo é revertido em verba pública, acaba restando dificultado ou quase inviabilizado o 
manejo desse dinheiro, tendo em vista a burocratização inerente ao uso de dinheiro público (lei 
orçamentária etc.). 
3) Competência para a execução: É um processo sincrético. A regra é a mesma do CPC 
(art. 516). O juiz da execução é o da condenação. 
11.1.2. Liquidação/Execução da pretensão individual derivada (art. 103, §3º CDC) 
CDC Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará 
coisa julgada: 
[....] 
§ 3° Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. 16, combinado com o art. 
13 da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985 (LACP), não prejudicarão as ações 
de indenização por danos pessoalmente sofridos, propostas individualmente 
ou na forma prevista neste código, mas, se procedente o pedido, beneficiarão 
as vítimas e seus sucessores, que poderão proceder à liquidação e à 
execução, nos termos dos arts. 96 a 99. 
 
Art. 97. A liquidação e a execução de sentença poderão ser promovidas pela 
vítima e seus sucessores, assim como pelos legitimados de que trata o art. 
82. 
 
Art. 98. A execução poderá ser coletiva, sendo promovida pelos legitimados 
de que trata o art. 82, abrangendo as vítimas cujas indenizações já tiveram 
sido fixadas em sentença de liquidação, sem prejuízo do ajuizamento de 
outras execuções. 
§ 1° A execução coletiva far-se-á com base em certidão das sentenças de 
liquidação, da qual deverá constar a ocorrência ou não do trânsito em julgado. 
§ 2° É competente para a execução o juízo: 
I - da liquidação da sentença ou da ação condenatória, no caso de execução 
individual; 
II - da ação condenatória, quando coletiva a execução. 
 
Art. 99. Em caso de concurso de créditos decorrentes de condenação prevista 
na Lei n.° 7.347, de 24 de julho de 1985 (LACP) e de indenizações pelos 
prejuízos individuais resultantes do mesmo evento danoso, estas terão 
preferência no pagamento. 
 
A sentença em processo de interesse difuso e coletivo pode ser usada pelo particular 
(transporte in utilibus da coisa julgada). O particular utiliza a sentença coletiva e ajuíza uma ação 
de execução. 
1) Legitimados: Vítimas do dano ou sucessores. 
2) Destinatários: Vítimas do dano e sucessores. 
PROBLEMA: A sentença apresenta a condenação em relação à pretensão coletiva. Não fala 
nada das pretensões individuais. Ou seja, o indivíduo deve proceder com uma liquidação de 
sentença (liquidação prévia). 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 122 
 
Aqui, tem uma diferença do processo individual: Não basta provar o ‘quantum debeatur’ 
(quanto é devido); o indivíduo deve provar o ‘an debeatur’ (existência da dívida), ou seja, deve 
demonstrar o nexo de causalidade entre a ação danosa e o prejuízo por ele sofrido. 
É uma liquidação bem mais complexa que no processo individual. É por isso que Gajardoni 
entende que não deveria ser usado o termo liquidação. Deveríamos usar o termo habilitação. Ou 
como diz Dinamarco: “liquidação imprópria”. 
3) Competência: Foros concorrentes - juízo da condenação (art. 98, §2º, I do CDC) e juízo de 
domicílio do lesado (art. 101, I do CDC). 
Art. 98. A execução poderá ser coletiva, sendo promovida pelos legitimados 
de que trata o art. 82, abrangendo as vítimas cujas indenizações já tiveram 
sido fixadas em sentença de liquidação, sem prejuízo do ajuizamento de 
outras execuções. 
[...] 
 § 2° É competente para a execução o juízo: 
I - da liquidação da sentença ou da ação condenatória, no caso de execução 
individual; 
II - da ação condenatória, quando coletiva a execução. 
 
Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e 
serviços, sem prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste título, serão 
observadas as seguintes normas: 
I - a ação pode ser proposta no domicílio do autor; 
 
EXECUÇÃO COLETIVA 
O foro competente será necessariamente o da ação 
condenatória. 
EXECUÇÃO INDIVIDUAL 
O foro competente será não somente o da ação condenatória 
como também o da liquidação da sentença que, a teor do art. 
101, I do CDC, poderá ser promovida no domicílio do autor. 
Note-se que nesse último caso, ocorrerá uma cisão entre o juízo 
da ação condenatória e o da liquidação. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/GO (2019) A liquidação e a execução individual de sentença genérica 
proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domicílio do 
beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da sentença não estão 
circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do 
que foi decidido, levando-se em conta, para tanto, sempre a extensão do 
dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo. Correta! 
11.2. EXECUÇÃO DOS DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS (DIREITOS 
ACIDENTALMENTE COLETIVOS) 
Lembrando: ação coletiva que se preocupa com a pretensão individual. Ou ainda, direitos 
acidentalmente coletivos. 
A sentença de procedência da ação que discute direitos individuais homogêneos é, em regra, 
genérica, não especificando o quantum devido a cada lesado. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 123 
 
Três são os modelos de liquidação e execução dessa sentença genérica: 
1) Execução da pretensão individual; 
2) Execução da pretensão individual coletiva; 
3) Execução da pretensão coletiva residual: fluid recovery. 
Exemplo: Condenação do Laboratório por vender Pílulas de farinha. 
11.2.1. Liquidação/Execução da pretensão individual (art. 97 do CDC) 
CDC Art. 97. A liquidação e a execução de sentença poderão ser promovidas 
pela vítima e seus sucessores, assim como pelos legitimados de que trata o 
art. 82. 
 
Tudo que foi falado na execução da pretensão individual derivada serve para cá, transporte 
in utilibus. 
Condenação do juiz: Condeno a pagar indenização a todas as mulheres que consumiram o 
Lote 14 de Microvlar e engravidaram (sentença genérica). 
Cabe a cada mulher pegar a sentença, liquidar/habilitar-se (provar o quantum e o an debeatur) 
e executar. Em suma, é igual à execução individual dos interesses difusos (execução individual 
derivada). 
Competência: Foros concorrentes: juízo da condenação (art. 98, §2º, I do CDC) e juízo de 
domicílio do lesado (art. 101, I do CDC). 
Art. 98. A execução poderá ser coletiva, sendo promovida pelos legitimados 
de que trata o art. 82, abrangendo as vítimas cujas indenizações já tiveram 
sido fixadas em sentença de liquidação, sem prejuízo do ajuizamento de 
outras execuções. 
[...] 
§ 2° É competente para a execução o juízo: 
I - da liquidação da sentença ou da ação condenatória, no caso de execução 
individual; 
II - da ação condenatória, quando coletiva a execução. 
 
Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e 
serviços, sem prejuízodo disposto nos Capítulos I e II deste título, serão 
observadas as seguintes normas: 
I - a ação pode ser proposta no domicílio do autor; 
 
11.2.2. Execução da pretensão individual coletiva (art. 98 do CDC) 
Em vez de cada mulher executar sua sentença (que já deve estar liquidada, trata-se de 
condição de admissibilidade), elas se juntam e vão até um legitimado extraordinário do art. 82, a fim 
de que esse promova a execução da pretensão individual coletiva. 
Art. 98. A execução poderá ser coletiva, sendo promovida pelos 
legitimados de que trata o art. 82, abrangendo as vítimas cujas 
indenizações já tiveram sido fixadas em sentença de liquidação, sem 
prejuízo do ajuizamento de outras execuções. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 124 
 
 
1) Legitimidade: Legitimados do art. 82 do CDC. Aqui, no entanto, não é caso de legitimação 
extraordinária, mas de representação (o MP/Defensoria agiria em nome alheio, defendendo 
interesse alheio). 
2) Destinatário: Vítimas e sucessores. 
3) Competência: Juízo da condenação. 
Abelha Rodrigues: “pseudo-execução coletiva”. Isso porque serve esta execução para 
beneficiar os indivíduos e não a coletividade. 
ATENÇÃO! 
Recentemente, o STJ manifestou-se pela ausência de legitimidade do MP para promover 
a execução coletiva constante do art. 98, CDC. Vejamos: 
O Ministério Público não possui legitimidade para promover a execução 
coletiva do art. 98 do CDC por ausência de interesse público ou social a 
justificar sua atuação: 
Art. 98. A execução poderá ser coletiva, sendo promovida pelos legitimados 
de que trata o art. 82, abrangendo as vítimas cujas indenizações já tiveram 
sido fixadas em sentença de liquidação, sem prejuízo do ajuizamento de 
outras execuções. 
Nessa execução do art. 98, o que se tem é a perseguição de direitos 
puramente individuais. O objetivo é o ressarcimento do dano individualmente 
experimentado, de modo que a indivisibilidade do objeto cede lugar à sua 
individualização. 
Essa particularidade da fase de execução constitui óbice à atuação do 
Ministério Público pois o interesse social, que justificaria a atuação do 
Parquet, à luz do art. 129, III, da Constituição Federal, era a homogeneidade 
do direito que, no caso, não mais existe. 
STJ. 4ª Turma. REsp 869583-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 
05/06/2012. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1801518-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 
julgado em 14/12/2021 (Info 722). 
 
➔ Se uma associação ajuizou ACP, na condição de substituta processual, e obteve 
sentença coletiva favorecendo os substituídos, quem poderá aproveitá-la? 
Muito importante!!! 
Se uma associação ajuizou ACP, na condição de substituta processual, e obteve sentença 
coletiva favorecendo os substituídos, todos os beneficiados possuem legitimidade para a execução 
individual, mesmo que não sejam filiados à associação autora! 
Este foi o entendimento consolidado no Recurso Repetitivo – tema 948, pelo STJ. Vejamos 
como decidiu o Tribunal: 
Em ação civil pública proposta por associação, na condição de substituta 
processual, possuem legitimidade para a liquidação e execução da sentença 
todos os beneficiados pela procedência do pedido, independentemente de 
serem filiados à associação promovente. STJ. 2ª Seção. REsp 1.438.263/SP, 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 125 
 
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/03/2021 (Recurso Repetitivo – 
Tema 948) (Info 694). 
➔ QUESTÃO: qual o prazo para que o indivíduo promova a execução individual de 
sentença proferida em ação coletiva? 
5 anos. Neste sentido, destacamos ainda, recente julgado, em que o STJ: 
É de cinco anos o prazo prescricional para ajuizamento da execução 
individual de sentença proferida em Ação Civil Pública. 
STJ. 4ª Turma. EDcl no REsp 1.569.684-SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgado 
em 25/10/2022 (Info 756). 
 
Lembremos, ainda, que o prazo em questão tem início a partir do trânsito em julgado da 
sentença coletiva: 
O prazo prescricional para a execução individual é contado do trânsito em 
julgado da sentença coletiva, sendo desnecessária a providência de que trata 
o art. 94 da Lei nº 8.078/90 (CDC), ou seja, a publicação de editais 
convocando eventuais beneficiários. 
 
STJ. 1ª Seção. REsp 1388000-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. 
para acórdão Min. Og Fernandes, julgado em 26/8/2015 (Recurso Repetitivo 
– Tema 877) (Info 580). 
 
ATENÇÃO, não confunda: 
• Prazo prescricional para ação coletiva envolvendo direito do 
consumidor: 5 anos (é o que prevalece, a despeito do REsp 1.736.091-
PE); 
• Prazo prescricional para a execução individual de sentença proferida 
contra planos de saúde/operadoras de seguro-saúde em ação civil 
pública: 5 anos (com fundamento na Súmula 150 do STF); 
• Prazo para ação individual de cobrança contra plano de saúde: 3 
anos (Tema 610). 
Não obstante, observe-se ainda, recente publicação do STJ, no final de 2022, em um 
informativo especial, em que se destacou hipótese de interrupção do prazo prescricional da ação 
indenizatória individual ante a citação ocorrida em demanda coletiva por danos ambientais: 
Caso concreto: em 1998, houve um acidente com um navio, que causou 
danos ambientais. Em 2000, o Ministério Público ajuizou ação civil pública 
contra a empresa responsável pedindo a reparação integral dos danos 
ambientais e para a saúde humana decorrentes do sinistro. 
Mais de três anos depois do acidente, um pescador da região ajuizou ação 
individual contra a empresa responsável pedindo indenização em razão de 
ter sido proibido de pescar por conta do acidente. 
Não houve prescrição, no caso, porque a citação ocorrida na ação 
coletiva por danos ambientais interrompeu o prazo prescricional da 
ação indenizatória individual. 
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 2036247-RS, Rel. Min. João Otávio de 
Noronha, julgado em 14/11/2022 (Info Especial 9). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 126 
 
 
Para ilustrar melhor o caso, transcrevemos trecho da explicação disponível no Buscador 
Dizer o Direito9: 
Ação civil pública: 
Em 2000, o Ministério Público ajuizou ação civil pública contra a empresa de fertilizantes e 
outras pessoas apontadas como responsáveis pelo acidente. 
O MPF requereu a reparação integral dos danos ambientais e para a saúde humana, 
presentes e futuros, decorrentes do vazamento da mistura ácida contida no Navio Bahamas. 
Nas instâncias ordinárias ficou reconhecida a responsabilidade da empresa de fertilizantes 
pelos danos ocorridos. O processo, contudo, ainda não transitou em julgado. 
Em 2019, João ajuizou ação de indenização contra a empresa de fertilizantes responsável 
pela carga de ácido sulfúrico vazada. 
Ação indenizatória individual 
O autor alegou que, na época do acidente, era pescador no local e que, em razão do fato, 
ficou sem poder pescar pelo período de um ano (entre agosto de 1998 e agosto de 1999). Em 
virtude disso, teve inúmeros prejuízos porque ficou sem sua fonte de sustento. Pediu, portanto, o 
pagamento de indenização. 
A empresa suscitou a prescrição afirmando que o prazo era de 3 anos, nos termos do art. 
206, § 3º, V, do Código Civil. 
Como o acidente ocorreu em 1998 e a ação somente foi ajuizada em 2019, a pretensão 
estaria prescrita. 
A argumentação da empresa foi acolhida pelo STJ? A pretensão individual está prescrita? 
NÃO. Considerando a identidade de causa de pedir entre a ação indenizatória proposta e a 
ação civil pública por danos ambientais ajuizada pelo Ministério Público, deve-se reconhecer que a 
citação válida da empresa ré na ação coletiva interrompeu o prazo de prescrição para ajuizamento 
da ação individual. 
A citação válida em ação coletiva por danos ambientais interrompe o prazo 
prescricional da ação indenizatória individual se coincidente a causa de pedir 
das demandas. STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp2.036.247-RS, Rel. Min. João 
Otávio de Noronha, julgado em 14/11/2022 (Info Especial 9). 
 
 No mesmo sentido: 
A citação válida em ação coletiva, mesmo que versando sobre direitos 
difusos, configura causa interruptiva do prazo de prescrição para o 
ajuizamento da ação individual. STJ. 3ª Turma. AgInt no AREsp 1831684/RS, 
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/09/2021. 
 
9 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A citação válida em ação coletiva por danos ambientais interrompe o prazo prescricional da ação 
indenizatória individual se coincidente a causa de pedir das demandas. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 27/02/2023 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 127 
 
Se houve a interrupção da prescrição no ano 2000 (quando a ACP foi proposta), pode-se 
dizer que o prazo prescricional para a ação individual se encerrou em 2003 (três anos depois)? 
NÃO. Na verdade, o prazo prescricional para a ação individual sequer teve início porque não 
houve o trânsito em julgado da ACP. Nesse sentido: 
(...) 2. Outrossim, extrai-se do acórdão vergastado que o entendimento do 
Tribunal de origem está em consonância com o posicionamento do Superior 
Tribunal de Justiça de que o ajuizamento da ação coletiva interrompe o prazo 
para ajuizamento de ações individuais. 
3. No que se refere ao recomeço do prazo prescricional, o decisum 
vergastado também está em conformidade com o posicionamento do STJ, no 
sentido de que o prazo prescricional só se reinicia a partir do trânsito em 
julgado da ação coletiva, ressaltando-se que, in casu, segundo o Tribunal de 
origem, a Ação Civil Pública ainda não transitou em julgado (fl. 203/e-STJ), 
razão pela qual nem sequer se reiniciou a contagem do prazo prescricional. 
4. Recurso Especial parcialmente conhecido e nessa parte não provido. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.725.063/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 
10/4/2018. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/MG (2018) Uma vez interrompida pelo despacho que ordena a citação 
do réu em ação coletiva, a prescrição para as ações dos titulares de direitos 
individuais homogêneos retoma o curso com o trânsito em julgado da 
sentença que a encerra, exclusivamente nos casos em que houver 
enfrentamento do mérito. Errada! 
 
11.2.3. Execução da pretensão coletiva residual: “fluid recovery” (reparação fluída) - (art. 100 
do CDC) 
Art. 100. Decorrido o prazo de um ano sem habilitação de interessados 
em número compatível com a gravidade do dano, poderão os legitimados 
do art. 82 promover a liquidação e execução da indenização devida. 
Parágrafo único. O produto da indenização devida reverterá para o fundo 
criado pela Lei n.° 7.347, de 24 de julho de 1985. 
 
Nesta toada, 
A legitimidade subsidiária da associação e dos demais sujeitos previstos no 
art. 82 do CDC em cumprimento de sentença coletiva fica condicionada, 
passado um ano do trânsito em julgado, a não haver habilitação por parte dos 
beneficiários ou haver em número desproporcional ao prejuízo, nos termos 
do art. 100 do CDC. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1955899-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado 
15/03/2022 (Info 729). 
 
Quando há possibilidade de estimar o valor da lesão (exemplo: número de pílulas de farinha 
vendidas) a sentença já fixa um valor estimado de indenização. 
 Decorrido o prazo de 01 ano sem que ocorra a habilitação de interessados em número 
compatível com a gravidade do dano, poderão os legitimados do art. 82 promover a EXECUÇÃO 
FLUÍDA. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 128 
 
1) Legitimados: Legitimados do art. 82 CDC (somente os que teriam legitimidade para ação de 
conhecimento) e 5º LACP. 
CDC Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados 
concorrentemente: 
I - o Ministério Público, 
II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; 
III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda 
que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos 
interesses e direitos protegidos por este código; 
IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que 
incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos 
protegidos por este código, dispensada a autorização assemblear. 
§ 1° O requisito da pré-constituição pode ser dispensado pelo juiz, nas ações 
previstas nos arts. 91 e seguintes, quando haja manifesto interesse social 
evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do 
bem jurídico a ser protegido. 
 
LACP - Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação 
cautelar: 
II - a Defensoria Pública 
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; 
V - a associação que, concomitantemente: 
a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; 
b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio 
público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à 
livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao 
patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. 
 
2) Destinatário: FDD (já que as mulheres não apareceram). Art. 13 ACP. 
Art. 13. Havendo condenação em dinheiro, a indenização pelo dano causado 
reverterá a um fundo gerido por um Conselho Federal ou por Conselhos 
Estaduais de que participarão necessariamente o Ministério Público e 
representantes da comunidade, sendo seus recursos destinados à 
reconstituição dos bens lesados. 
 
3) Competência: Juízo da condenação (art. 98, §2º, II do CDC). 
Art. 98. A execução poderá ser coletiva, sendo promovida pelos legitimados 
de que trata o art. 82, abrangendo as vítimas cujas indenizações já tiveram 
sido fixadas em sentença de liquidação, sem prejuízo do ajuizamento de 
outras execuções. 
[...] 
§ 2° É competente para a execução o juízo: 
... 
II - da ação condenatória, quando coletiva a execução. 
 
 O fluid recovery foi criado precipuamente para os casos em que o dano é relevante 
somente se coletivamente considerado, pois individualmente não existe o menor interesse dos 
lesados em exigir reparação. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 129 
 
 Exemplo do leite vendido 0,1ml a menos (lembrar: uma das ondas renovatórias do 
processo civil, proposta por Cappelletti é coletivização do processo. Aqui, seria tendo em conta as 
pretensões que individualmente consideradas, em tese, não se teria interesse do ponto de vista 
econômico. Na coletivização do processo ainda se encontra: defesa de bens de legitimidade 
indeterminada e melhor prestação do ponto de vista do sistema judiciário. As outras ondas 
renovatórias são: justiça aos pobres e efetividade do processo). 
Critérios para estimativa do valor a ser liquidado e executado como ‘fluid recovery’: 
a) Número de vítimas já indenizadas; 
b) Gravidade do dano 
➔ QUESTÃO: E se depois da dívida paga, aparecem outras vítimas até então 
desconhecidas? PROBLEMA. Tirar do FDD ou cobrar de novo da empresa? Difícil. 
Há autores sustentando que, quando se tratar de execução de individuais e homogêneos, 
uma vez encaminhado o dinheiro para o FDD, não há mais possibilidade de o indivíduo vitimado 
ser reparado pelos danos sofridos. Entendem que a pretensão executiva estará prescrita decorrido 
o prazo de 01 ano referido no art. 100 CDC. Gajardoni não concorda com isto. 
11.3. OBSERVAÇÕES FINAIS 
1) Se o dano for ao patrimônio público (que como regra é bem difuso) o destinatário do valor 
devido é o poder público lesado. 
2) Há preferência de pagamento das indenizações individuais sobre as indenizações 
destinadas ao FDD, decorrentes de lesões difusas ou coletivas(art. 99 do CDC); 
Art. 99. Em caso de concurso de créditos decorrentes de condenação 
prevista na Lei n.° 7.347, de 24 de julho de 1985 (LACP) e de indenizações 
pelos prejuízos individuais resultantes do mesmo evento danoso, estas 
terão PREFERÊNCIA no pagamento. 
Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, a destinação da 
importância recolhida ao fundo criado pela Lei n°7.347 de 24 de julho de 1985 
(LACP), ficará sustada enquanto pendentes de decisão de segundo grau as 
ações de indenização pelos danos individuais, salvo na hipótese de o 
patrimônio do devedor ser manifestamente suficiente para responder pela 
integralidade das dívidas. 
 
 Grave, portanto, que a ordem de preferência é a seguinte: 
 
3) Execução coletiva contra a Fazenda Pública: Honorários de sucumbência. 
O art. 1º D da Lei 9.494/97 diz que a Fazenda NÃO paga honorários em execução, quando 
não houver oposição de embargos. 
Individuais Homogêneros Coletivos Difusos
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 130 
 
Lei 9494/97 Art. 1o-D. Não serão devidos honorários advocatícios pela 
Fazenda Pública nas execuções não embargadas. (Incluído pela Medida 
provisória nº 2.180-35, de 2001) 
 
OBS: Conforme entendimento do STF, o privilégio da Lei não se aplica 
às execuções de quantias consideradas de pequeno valor (não se 
submetem ao sistema de precatório). Explica-se: O privilégio tem 
razão de ser quando a execução se sujeita a precatórios, tendo em 
vista que, nesse caso, a demanda executiva não é motivada pelo 
inadimplemento da Fazenda, mas sim pela regra decorrente do 
sistema dos precatórios, que exige a ação de execução para que o 
crédito seja incluído na ordem cronológica no orçamento da Fazenda 
(RE 420.816). 
Resumindo: 
• o art. 1º-D da Lei 9.494/97 é válido apenas para as execuções contra a Fazenda Pública 
envolvendo a sistemática de precatórios (art. 100, caput); 
• o art. 1º-D da Lei 9.494/97 NÃO se aplica no caso execuções contra a Fazenda Pública 
cobrando dívidas de pequeno valor (§ 3º do art. 100 da CF/88), nas quais o precatório é 
dispensado. 
,Quanto ao PROCESSO COLETIVO, no entanto, esse privilégio para a Fazenda não se aplica, 
mesmo nas ações que envolvam precatórios, conforme a Súmula 345 do STJ: 
STJ Súmula 345 - São devidos honorários advocatícios pela Fazenda 
Pública nas execuções individuais de sentença proferida em ações coletivas, 
ainda que não embargadas. 
 
Razão da Súmula: A execução de sentença coletiva realizada pelo particular pressupõe um 
processo de liquidação de alta carga cognitiva (LIQUIDAÇÃO IMPRÓPRIA), o que justifica a 
condenação em honorários, independentemente da oposição de embargos pela Fazenda. 
12. PRESCRIÇÃO NA AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
12.1. IMPRESCRITIBILIDADE 
Há, pelo menos, duas hipóteses em que a ação civil pública pode ser proposta a qualquer 
tempo. São elas: 
a) Danos ao patrimônio público 
O art. 37, §5º da CF coloca a salvo da prescrição os danos contra o patrimônio público. 
CF Art. 37, § 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos 
praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao 
erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento. 
 
Nesse sentido, o entendimento do STF: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 131 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL. DIREITO ADMINISTRATIVO. 
RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. IMPRESCRITIBILIDADE. SENTIDO E 
ALCANCE DO ART. 37, § 5 º, DA CONSTITUIÇÃO. 1. A prescrição é instituto 
que milita em favor da estabilização das relações sociais. 2. Há, no entanto, 
uma série de exceções explícitas no texto constitucional, como a prática dos 
crimes de racismo (art. 5º, XLII, CRFB) e da ação de grupos armados, civis 
ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 5º, 
XLIV, CRFB). 3. O texto constitucional é expresso (art. 37, § 5º, CRFB) ao 
prever que a lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos na esfera 
cível ou penal, aqui entendidas em sentido amplo, que gerem prejuízo ao 
erário e sejam praticados por qualquer agente. 4. A Constituição, no mesmo 
dispositivo (art. 37, § 5º, CRFB) decota de tal comando para o Legislador as 
ações cíveis de ressarcimento ao erário, tornando-as, assim, imprescritíveis. 
5. São, portanto, imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário 
fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade 
Administrativa. 6. Parcial provimento do recurso extraordinário para (i) 
afastar a prescrição da sanção de ressarcimento e (ii) determinar que o 
tribunal recorrido, superada a preliminar de mérito pela imprescritibilidade das 
ações de ressarcimento por improbidade administrativa, aprecie o mérito 
apenas quanto à pretensão de ressarcimento. (RE 852475, Relator(a): Min. 
ALEXANDRE DE MORAES, Relator(a) p/ Acórdão: Min. EDSON FACHIN, 
Tribunal Pleno, julgado em 08/08/2018, PROCESSO ELETRÔNICO 
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-058 DIVULG 22-03-2019 PUBLIC 
25-03-2019) 
 
Tratando-se de dano culposo de improbidade administrativa (art. 10 da LIA) ou dano não 
decorrente de improbidade administrativa, segundo a doutrina, o prazo de prescrição será de 5 
anos. 
Ementa: CONSTITUCIONAL E CIVIL. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. 
IMPRESCRITIBILIDADE. SENTIDO E ALCANCE DO ART. 37, § 5º, DA 
CONSTITUIÇÃO. 1. É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda 
Pública decorrente de ilícito civil. 2. Recurso extraordinário a que se nega 
provimento. (RE 669069, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, 
julgado em 03/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL 
- MÉRITO DJe-082 DIVULG 27-04-2016 PUBLIC 28-04-2016). 
 
A Lei 14.230/2021 acabou com a possibilidade de improbidade por ato culposo. Agora, 
apenas os atos dolosos podem incorrer em improbidade administrativa. 
b) Danos ao meio ambiente 
O direito ao meio ambiente saudável é um Direito Humano, por isso, a ação civil pública para 
a tutela do meio ambiente é imprescritível. 
c) Derivadas de atos de perseguição política do regime militar 
A Lei da Anistia tem efeitos de natureza penal, mas não teria efeitos de natureza civil e, 
consequentemente, por se tratar de atos ligados a Direitos Humanos, seriam imprescritíveis as 
ações de reparação de danos dessa natureza. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 132 
 
Súmula 647 do STJ: São imprescritíveis as ações indenizatórias por danos 
morais e materiais decorrentes de atos de perseguição política com violação 
de direitos fundamentais ocorridos durante o regime militar. 
 
12.2. PRAZO DE PRESCRIÇÃO 
Temos três posições: 
1ªC: Édis Milaré. A ACP não tem caráter patrimonial, por isso não tem prazo prescricional. 
Gajardoni: não é correto, só pensar nas ações do CDC que, geralmente, são patrimoniais, muito 
embora seja um argumento interessante. Minoritária. 
2ªC: Doutrina. A ACP prescreve de acordo com o direito material subjacente. 
3ªC: STJ e Jurisprudência. Aplica-se o prazo de 05 anos previsto na LAP (aplicação 
subsidiária, integratividade do microssistema processual coletivo, diálogo das fontes). 
PREVALECE. 
Art. 21. A ação prevista nesta lei prescreve em 5 (cinco) anos. 
 
Ocorre que no 1º semestre de 2019 foi proferido julgado que propôs uma mudança do 
entendimento acima explicado. Decidiu a 3ª Turma do STJ que: 
O prazo de 5 (cinco) anos para o ajuizamento da ação popular não se aplica 
às ações coletivas de consumo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.736.091-PE, Rel. Min. 
Nancy Andrighi, julgado em 14/05/2019 (Info 648). 
 
Para a Min. Nancy Andrighi: “ainda que a ação popular e a ação coletiva de consumo 
componham o microssistema de defesa de interesses coletivos em sentido amplo, substancial a 
disparidade existente entre os objetos e causas de pedir de cada uma dessas ações, o que 
demonstra a impossibilidade do emprego da analogia (...) É, assim, necessária a superação 
(overruling) daatual orientação jurisprudencial desta Corte, pois não há razão para se limitar o uso 
da ação coletiva ou desse especial procedimento coletivo de enfrentamento de interesses 
individuais homogêneos, coletivos em sentido estrito e difusos, sobretudo porque o escopo desse 
instrumento processual é o tratamento isonômico e concentrado de lides de massa relacionadas a 
questões de direito material que afetem uma coletividade de consumidores, tendo como resultado 
imediato beneficiar a economia processual”. 
13. RECURSOS NAS AÇÕES COLETIVAS 
 Os recursos em ações coletivas seguem, em regra, os ditames e prazos do CPC, à exceção 
do ECA que prevê prazo especial de 10 dias (NÃO INCLUI AS AÇÕES COLETIVAS, APENAS AS 
DEMAIS AÇÕES DO ECA). O interesse recursal nas demandas coletivas merece maior reflexão, 
em razão das diferenças existentes entre os regimes de produção da coisa julgada individual e 
coletiva. 
13.1. RECURSOS CONTRA FUNDAMENTAÇÃO DO DECISUM 
Em sede de processo individual os recursos dirigem-se contra o dispositivo da decisão, ao 
passo que no processo coletivo os recursos também podem questionar a própria fundamentação 
do decisum, haja vista que, neste caso, há coisa julgada SECUNDUM EVENTUM PROBATIONIS. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 133 
 
Assim, há interesse recursal do réu em reformar a sentença de improcedência por insuficiência 
de provas. 
13.2. EFEITO SUSPENSIVO 
De acordo com o art. 995, do CPC/2015, nas demandas individuais, os recursos não impedem 
a eficácia da decisão. 
Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição 
legal ou decisão judicial em sentido diverso. 
Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por 
decisão do relator, se da imediata produção de seus efeitos houver risco de 
dano grave, de difícil ou impossível reparação, e ficar demonstrada a 
probabilidade de provimento do recurso 
 
Por sua vez, nos litígios coletivos, dispõe o art. 14, da LACP: 
LACP Art. 14. O juiz poderá conferir efeito suspensivo aos recursos, para 
evitar dano irreparável à parte. 
 
Assim, como a norma confere tal poder ao juiz, muito embora não se trate de poder 
discricionário, entende-se, a contrário sensu, que neste sistema os recursos têm efeito devolutivo, 
como regra. 
Segundo Didier, é preciso que a parte interessada peça a concessão de efeito suspensivo 
(em sentido contrário, Nelson Nery), podendo tal efeito ser deferido tanto pelo juízo a quo, quanto 
pelo ad quem. 
A norma do art. 14, da LACP recebeu interpretação restritiva junto ao STJ para o qual esta 
norma destina-se apenas às instâncias ordinárias, não alcançando a interposição de recursos 
especiais e extraordinários (AgRg nº 311.505). 
Exceção: na AÇÃO POPULAR a apelação tem efeito suspensivo quando interposta contra 
sentença que julgar procedente a demanda (efeito suspensivo ope legis), nos termos do art. 19, da 
LAP. 
LAP Art. 19. A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da 
ação está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão 
depois de confirmada pelo tribunal; da que julgar a ação PROCEDENTE 
caberá apelação, com efeito suspensivo. (Redação dada pela Lei nº 6.014, 
de 1973) 
 
13.3. REEXAME NECESSÁRIO 
CPC/2015 Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo 
efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença: 
I - proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e 
suas respectivas autarquias e fundações de direito público; 
II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução 
fiscal. 
§ 1o Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação no prazo 
legal, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se não o fizer, o 
presidente do respectivo tribunal avocá-los-á. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 134 
 
§ 2o Em qualquer dos casos referidos no § 1o, o tribunal julgará a remessa 
necessária. 
§ 3o Não se aplica o disposto neste artigo quando a condenação ou o proveito 
econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a: 
I - 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias e 
fundações de direito público; 
II - 500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as 
respectivas autarquias e fundações de direito público e os Municípios que 
constituam capitais dos Estados; 
III - 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e 
respectivas autarquias e fundações de direito público. 
§ 4o Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver 
fundada em: 
I - súmula de tribunal superior; 
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior 
Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; 
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas 
ou de assunção de competência; 
IV - entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito 
administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer 
ou súmula administrativa. 
 
Quatro são as correntes que tratam acerca do regime jurídico do reexame necessário em sede 
de ação coletiva: 
1C) não há reexame necessário; 
2C) aplica-se a regra geral do art. 496, do CPC/2015 (Mazzilli); 
3C) aplica-se, por analogia, a regra da lei de ação popular (Patrícia Mara dos Santos; Luiz 
Manoel Gomes Júnior); 
4C) aplicam-se ambos os regimes, porque não são incompatíveis (Didier). Para este 
doutrinador, condenada a Fazenda Pública em ACP, há remessa necessária; julgada 
improcedente a ACP ou extinto o processo por carência de ação, envolva ou não ente público, 
há, também, remessa necessária (reexame invertido). 
LAP Art. 19. A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da 
ação está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão 
depois de confirmada pelo tribunal; da que julgar a ação procedente caberá 
apelação, com efeito suspensivo. 
 
Sobre a questão, o STJ já se manifestou pela inaplicabilidade da remessa necessária nos 
casos envolvendo ações que tutelem direitos individuais homogêneos, vejamos: 
Não se admite o cabimento da remessa necessária, tal como p revista no art. 
19 da Lei n. 4.717/65, nas ações coletivas que versem sobre direitos 
individuais homogêneos (REsp 1.374.232 ES, Rel. Min . Nancy Andrighi, por 
unanimidade, julgado em 26/09/2017, DJe 02/10/2017). 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 135 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/RJ (2022) O Ministério Público ajuizou uma ação civil pública que foi 
julgada improcedente pelo juiz de primeiro grau. A sentença que concluiu pela 
improcedência da ação civil pública contrariava de forma direta e frontal 
entendimento do Supremo Tribunal Federal decorrente de acórdão proferido 
em julgamento de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. 
O membro do Ministério Público apresentou apelação, que foi improvida. 
Após, apresentou recurso especial, extraordinário e reclamação, de forma 
concomitante. Com relação ao caso hipotético, assinale a alternativa correta. 
O Supremo Tribunal Federal, se julgar procedente a reclamação, poderá 
cassar a decisão exorbitante de seu julgado ou determinar a medida 
adequada à solução da controvérsia. Correta! 
 
DPE/PR (2022) Não se admite o cabimento da remessa necessária, tal como 
prevista no art. 19 da Lei n.° 4.717/65, nas ações coletivas que versem sobre 
direitos individuais homogêneos, já que as razões que fundamentaram o 
raciocínio analógico para a aplicação do art. 19 da Lei da Ação Popular a 
hipóteses de ação civil pública (Lei n.° 7.347/85) – sua transindividualidade e 
sua relevância para a coletividade como um todo – não são observadas em 
litígios que versem exclusivamente sobre direitos individuais homogêneos,os 
quais são apenas acidentalmente coletivos. Correta! 
 
13.4. IMPUGNAÇÕES À DECISÃO SOBRE A LIMINAR 
Há dois mecanismos para impugnar a concessão da liminar: 
a) impugnação recursal (agravo de instrumento), ao alcance de todos os interessados; 
b) pedido de suspensão de liminar, que só pode ser formulado por pessoa jurídica de direito 
público interno ou MP. 
Nas ações coletivas, a regra de interposição do agravo diretamente no tribunal cria um 
problema prático, já que estas ações dispõem de regra especial (art. 14, da LACP) determinando 
que o próprio juiz da causa possa receber qualquer recurso com efeito suspensivo. Assim, segundo 
Mazzilli, nas ações coletivas faculta-se ao agravante o direito de noticiar a interposição do agravo 
ao juízo a quo, para viabilizar o cumprimento da norma em questão. Mas, interposto o agravo 
diretamente perante o tribunal, não há óbice a que o relator conceda o efeito suspensivo, se não o 
tiver feito o juiz a quo. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
PGE/SP (2018) A sentença proferida em sede de ação civil pública, que 
acolhe integralmente o pedido do autor e autoriza a liberação de remédios de 
uso proibido por órgãos administrativos fiscalizadores, todos potencialmente 
lesivos à saúde da população, enseja apelação, com pedido de efeito 
suspensivo. Depois disso, a Fazenda de São Paulo deverá protocolar, no 
Tribunal de Justiça, um pedido de análise imediata desse efeito suspensivo 
pleiteado. Ao mesmo tempo, a Fazenda poderá pedir suspensão dos efeitos 
da sentença ao Presidente do Tribunal competente. Correta! 
14. INQUÉRITO CIVIL 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 136 
 
14.1. ASPECTOS GERAIS 
O inquérito tem previsão legal em dois dispositivos da Lei de Ação Civil Pública: art. 8º, §1º 
e art. 9º. 
LACP Art. 8º, § 1º O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, 
inquérito civil, ou requisitar, de qualquer organismo público ou particular, 
certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual 
não poderá ser inferior a 10 (dez) dias úteis. 
 
Art. 9º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se 
convencer da inexistência de fundamento para a propositura da ação civil, 
promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das peças 
informativas, fazendo-o fundamentadamente. 
 
A CF também prevê o inquérito civil (art. 129, III). 
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: 
.... 
III - promover o INQUÉRITO CIVIL e a ação civil pública, para a proteção do 
patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos 
e coletivos; 
 
Trata-se de procedimento investigatório para a colheita de dados que permitam a 
formação da convicção do representante do MP para o ajuizamento da ACP. Edis Milaré: “o IC 
permite um ajuizamento responsável da ACP”. 
O CNMP editou a Resolução 23/07, que pretende disciplinar, de modo uniforme, para todos 
os MPs, o inquérito civil. Sofreu atualizações pelas Resoluções 59/210, 161/2017 e 193/2018. 
O inquérito civil deve ser um paralelo do inquérito policial. 
Fundamento: Ambos são procedimentos apuratórios para a formação do convencimento do 
MP. 
Duas diferenças entre os inquéritos: 
a) Presidência: Um é do delegado; outro é do membro do MP. 
b) Arquivamento: No policial quem arquiva é o juiz (o Pacote Anticrime prevê que será do 
MP, mas a eficácia ainda está suspensa); no civil é o próprio MP. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PE (2022) Determinada associação velha, isto é, com mais de um ano 
de existência e atuante na esfera consumerista ofereceu representação à 
Promotoria de Justiça do Consumidor da Comarca, para a defesa dos 
interesses das mulheres lesadas pela aquisição de medicamento 
contraceptivo que se mostrou impróprio para os fins anunciados pelo 
fabricante. Nesse caso, o órgão do Ministério Público a quem foi distribuída a 
representação deverá instaurar inquérito civil, se a alegada afronta aos 
interesses metaindividuais relatada na representação depender de 
investigação. Correta! 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 137 
 
MPE/PI (2019) A Resolução do CNMP sobre o inquérito civil dispõe que os 
colegitimados poderão apresentar razões escritas ou documentos até a 
sessão do órgão de revisão designada, para a homologação ou rejeição do 
arquivamento. Correta! 
 
MPE/BA (2018) O Ministério Público poderá instaurar, sob a sua presidência, 
inquérito civil, ou requisitar, de qualquer organismo público ou particular, 
certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual 
não poderá ser inferior a 10 (dez) dias úteis. Correta! 
 
MPE/SP (2017) A portaria do inquérito civil deve delimitar o fato ou os fatos a 
serem investigados. Correta! 
14.2. CARACTERÍSTICAS 
1) Procedimento meramente informativo: Não há sanção, pena. 
2) Procedimento administrativo: O judiciário não interfere. 
3) Não obrigatório/dispensável: O MP pode ingressar com uma ACP sem inquérito civil. 
O Ministério Público ajuizou ação civil pública contra o réu “A”, então Prefeito, pela suposta 
prática de improbidade administrativa. As provas que embasaram a ação de improbidade proposta 
pelo MP foram obtidas em inquérito civil. Ao se defender, o réu alegou, dentre outras questões, que, 
antes da propositura da ação de improbidade, o MP deveria ter aberto um procedimento 
administrativo prévio. Essa discussão chegou ao STJ, que não acolheu a tese de “A”. Segundo a 
Primeira Turma, o inquérito civil, como peça informativa, pode embasar a propositura de ação civil 
pública contra agente político, sem a necessidade de abertura de procedimento administrativo 
prévio. 
4) Público: Por analogia ao art. 20 do CPP, o promotor pode decretar o sigilo. Entretanto, a 
decretação desse sigilo é sujeita a mandado de segurança, para que o investigado tome 
conhecimento da investigação. 
5) Inquisitorial: Não sujeito ao contraditório e à ampla defesa. 
6) Ato privativo do MP. Só o MP tem alguns poderes investigativos. 
7) Nulidades no inquérito civil não maculam a ação civil pública que lhe for correspondente. 
Há vozes, na DPE, que defendem a possibilidade IC pela DP, aplicando-se a teoria dos 
poderes implícitos. Contudo, não prevalece. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/PA (2022) De acordo com entendimento jurisprudencial do STF, pode 
ocorrer nulidade do inquérito civil por ausência de observância do princípio 
do contraditório, hipótese em que a nulidade se comunica à ação civil pública 
ajuizada com base no referido procedimento administrativo. Errada! 
 
MPE/SC (2021) O inquérito civil é condição para a procedibilidade para o 
ajuizamento de ação civil pública. Errada! 
DPE/DF (2019) Pacificou-se na doutrina o entendimento de que, com a 
ampliação da legitimidade para a propositura de ação civil pública, as 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 138 
 
Defensorias Públicas passaram a ter a atribuição de instaurar inquéritos civis 
destinados a coligir provas e quaisquer outros elementos de convicção aptos 
a fundamentar o ajuizamento de ação civil pública. Errada! 
MPE/SC (2019) O inquérito civil é de natureza unilateral e obrigatória, e será 
instaurado para apurar fato que possa autorizar a tutela dos interesses ou 
direitos a cargo do Ministério Público. Errada! 
 
MPE/MG (2019) O inquérito civil é instrumento de atuação exclusiva do 
Ministério Público, tratando-se de procedimento administrativo, onde não se 
aplica nenhuma sanção ao acusado, deduzindo-se apenas, em seu objeto, 
pretensão de direito material, sem alterar a esfera jurídica do cidadão. 
Errada! 
 
MPE/PI (2019) No âmbito da ação civil pública, o inquérito civil é facultativo, 
de titularidade exclusiva do Ministério Público, e tem como objetivo angariar 
provas e elementos de convicção para o exercícioda ação. Correta! 
➔ QUESTÃO: O IC só se presta para a tutela dos interesses metaindividuais? 
É controvertido. 
1ªC: Não. Autores oriundos do MP entendem que pode para qualquer assunto. 
2ªC: Sim. Quando a CF trata do IC, ela trata junto com a ACP (129, III), assim, ela liga um 
ao outro. Ou seja, o IC por suas regras só se presta a investigar problemas referentes a interesses 
metaindividuais. 
14.3. PROCEDIMENTO PREPARATÓRIO DE INQUÉRITO CIVIL (PPIC) 
14.3.1. Conceito 
 
Pode ser que, antes de instaurar o inquérito civil, haja dúvida quanto ao seu cabimento. 
Para sanar tal questionamento e evitar a instauração desnecessária, foi previsto também 
procedimento preparatório de inquérito civil, ou comumente chamado de PPPIC. 
Assim, será instaurado, na maioria das vezes, quando houver dúvida sobre a legitimidade 
do Ministério Público para atuação em um determinado caso, e, em particular sobre a determinação 
de um determinado membro do Ministério Público para nele atuar. 
Portanto, a finalidade do procedimento preparatório é formar o convencimento do membro 
do Ministério Público sobre a necessidade e possibilidade de se instaurar um inquérito civil. 
14.3.2. Prazo 
Segundo a resolução 23/07, do CNMP, o PPIC deve ser concluído em 90 dias, prorrogável 
por uma única vez por motivo justificável. 
Concluído o PPIC, o Ministério Público poderá: 
• Promover arquivamento do PPIC 
• Converter o PPIC em IC 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 139 
 
• Ajuizar a ACP 
Obs: Os MP estaduais podem estabelecer prazos próprios, logo, caso 
esteja estudando para algum MP específico é sempre bom consultar 
se há regramento específico do órgão, vide Resolução 1342/2021-CPJ 
do MPSP. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/SC (2019) O procedimento preparatório, uma vez vencido o prazo de 
90 dias, deverá obrigatoriamente ser evoluído para inquérito civil ou 
arquivado. Errada! 
14.4. FASES DO INQUÉRITO CIVIL 
14.4.1. Instauração 
Se dá por meio de portaria do MP. Conforme a Resolução, a portaria deve ser numerada e 
deve indicar (delimitar), fundamentadamente, o objeto da investigação. Essa portaria pode ser 
instaurada de três formas distintas: 
1-Ofício. 
2-Representação. 
3-Requisição do PGJ/PGR 
 
- Presidência: A instauração é feita pelo membro do MP. Por conta dessa presidência, o 
membro está sujeito às hipóteses de impedimento e de suspeição. 
OBS: O fato de o promotor ter presidido o Inquérito não o impede de 
promover a ACP. Também não impede o fato de o promotor estar 
incluso na coletividade atingida pelo fato investigado. 
- Quais medidas cabíveis contra a instauração de IC? 
Algumas leis estaduais preveem recurso administrativo contra o IC abusivo (ver lei do 
Estado). 
Instauração do Inquérito Civil
De ofício Por representação
Por requisição do 
PGJ/PGR
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 140 
 
É pacífico que cabe MS para trancamento de Inquérito Civil abusivo, tal como no crime cabe 
HC. Quem julga esse MS? Depende da Constituição Estadual (no caso de MP). É lá que estão as 
regras de prerrogativa de foro. Na falta de menção, cabe à primeira instância julgá-lo. 
No caso do MPF, a CF não traz regras. Logo, cabe à primeira instância. 
- Efeito da instauração nas relações de consumo (Art. 26, §2º, III do CDC): A instauração do 
inquérito obsta a decadência nas relações de consumo. 
Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação 
caduca em: 
§ 2° Obstam a decadência: 
... 
III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento. 
 
- Denunciação caluniosa (Art. 339 do CP): É crime de denunciação caluniosa dar causa a 
inquérito civil, imputando ao investigado a prática de crime, sabendo-o inocente. 
Art. 339. Dar causa à instauração de inquérito policial, de procedimento 
investigatório criminal, de processo judicial, de processo administrativo 
disciplinar, de inquérito civil ou de ação de improbidade administrativa contra 
alguém, imputando-lhe crime, infração ético-disciplinar ou ato ímprobo de que 
o sabe inocente: (Redação dada pela Lei nº 14.110, de 2020). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/RJ (2022) Um membro do Ministério Público recebeu uma carta sem 
identificação do seu autor que informava a realização, no âmbito do Poder 
Executivo Municipal, pelo Prefeito, de contratação pública sem licitação, fora 
das hipóteses previstas em lei, bem como solicitava a instauração de um 
inquérito civil para apuração dos fatos. O promotor de justiça verificou que o 
fato relatado na carta já fora objeto de uma ação civil pública por improbidade 
administrativa ajuizada pelo Ministério Público contra o Prefeito. Acerca do 
fato narrado, é correto afirmar o membro do Ministério Público indeferirá o 
pedido de instauração de inquérito civil, em decisão fundamentada, tendo em 
vista que já existe ação civil pública ajuizada relativa ao fato relatado na carta. 
Correta! 
 
MPE/SC (2021) O inquérito civil não poderá ser instaurado de ofício pelo 
Ministério Público, que deverá ser provocado por qualquer pessoa ou 
autoridade que forneça informações acerca do fato ou de seu provável autor 
bem como a qualificação mínima que permita sua identificação e sua 
localização. Errada! 
 
MPE/SP (2017) Se o membro do Ministério Público a quem for dirigida a 
representação não tiver atribuição para investigar fato noticiado, deve remetê-
la ao membro com atribuição. Correta! 
14.4.2. Instrução (poderes instrutórios do MP) 
O MP tem três tipos de poderes: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 141 
 
- Poder de realizar audiências públicas, a fim de auxiliar os procedimentos de sua 
responsabilidade, identificar demandas sociais, elaborar e executar planos de ação a bem dos 
interesses institucionais e prestar contas para a sociedade. 
- Poder de vistorias e inspeções: O MP pode ter acesso às repartições PÚBLICAS de uma 
forma geral. Para vistoria em entidades de direito privado precisa de mandado judicial, 
inviolabilidade de domicílio. 
- Poder de intimação para depoimento: sob pena de condução coercitiva, 
independentemente de intervenção judicial (tal como a autoridade policial tem esse poder). 
-> QUESTÃO: O acusado pode ficar calado, ao abrigo do princípio do nemo tenetur se 
detegere (não autoincriminação)? 
Sim. Ele não precisa fornecer provas contra si mesmo. 
E as testemunhas? 
OBS: art. 342 do CP. Mentir para o promotor é crime de falso 
testemunho? A questão é controvertida. Há quem entenda que sim, 
dentro da expressão processo administrativo. 
Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como 
testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou 
administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa 
 
- Poder de requisição de documentos e informações: a qualquer entidade pública ou 
privada, sob pena de crime do art. 10 da LACP. 
LACP Art. 10. Constitui crime, punido com pena de reclusão de 1 (um – cabe 
suspensão condicional do processo) a 3 (três) anos, mais multa de 10 
(dez) a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTN, a 
recusa, o retardamento ou a omissão de dados técnicos indispensáveis à 
propositura da ação civil, quando requisitados pelo Ministério Público. 
 
Obviamente, essa afirmação sofre uma restrição: O MP não pode ter acesso às informações 
protegidas por sigilo constitucional, que dependem de ordem judicial (reserva de jurisdição). 
Estamos falando dos sigilos: 
o De comunicações (correspondência, telefônica e telemática); 
o Fiscais/Bancários? Existem duas posições a respeito: 
1ª C: Nelson Nery/Hugo Nigro: O MP pode requisitar diretamente essas informações, pois o 
sigilo de dados bancários e fiscais não está na CF, mas sim na LC 105/01. No conflito entre a LC 
105 e a187 
3. CONCEITO E ORIGEM ............................................................................................................ 188 
4. SÍNDROME DA INEFETIVIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS ............................... 188 
5. ESPÉCIES ................................................................................................................................ 188 
5.1. INDIVIDUAL ...................................................................................................................... 188 
5.2. COLETIVO ........................................................................................................................ 188 
6. ESPÉCIES DE AUSÊNCIA DE NORMA REGULAMENTADORA .......................................... 189 
7. NATUREZA DA NORMA REGULAMENTADORA .................................................................. 189 
8. DIFERENÇAS ENTRE MANDADO DE INJUNÇÃO E AÇÃO DIRETA DE 
INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO ............................................................................... 189 
9. MANDADO DE INJUNÇÃO ESTADUAL ................................................................................. 190 
10. LEGITIMIDADE ..................................................................................................................... 190 
10.1. LEGITIMIDADE ATIVA DO MANDADO DE INJUNÇÃO INDIVIDUAL ........................ 190 
10.2. LEGITIMIDADE ATIVA DO MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO .......................... 191 
10.3. LEGITIMIDADE PASSIVA (TANTO DO INDIVIDUAL, COMO DO COLETIVO) ......... 192 
11. COMPETÊNCIA .................................................................................................................... 192 
11.1. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA ...................................................................................... 192 
11.2. COMPETÊNCIAS RECURSAIS ENVOLVENDO MI EXPRESSAMENTE PREVISTAS 
NA CF/88 ...................................................................................................................................... 193 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 8 
 
12. PROCEDIMENTO ................................................................................................................. 193 
12.1. REGRAMENTO ............................................................................................................. 193 
12.2. PETIÇÃO INICIAL ......................................................................................................... 193 
12.2.1. Petição inicial deve indicar o impetrado e a pessoa jurídica ................................. 193 
12.2.2. Indeferimento da petição inicial ............................................................................. 194 
12.2.3. Recurso contra o indeferimento da petição inicial ................................................. 194 
12.2.4. Cópias da petição inicial e dos documentos ......................................................... 195 
12.2.5. Documento em repartição pública ou na posse de autoridade ou de terceiro ..... 195 
12.2.6. Providências a serem tomadas após o recebimento da petição inicial (art. 5º) ... 195 
12.3. MANIFESTAÇÃO DO MP (ART. 7º) ............................................................................. 195 
12.4. SENTENÇA OU ACÓRDÃO ......................................................................................... 196 
12.5. LIMINAR ........................................................................................................................ 196 
13. EFICÁCIA OBJETIVA DA DECISÃO ................................................................................... 196 
13.1. CORRENTE NÃO-CONCRETISTA .............................................................................. 196 
13.2. CORRENTE CONCRETISTA ....................................................................................... 196 
13.3. POSIÇÃO ADOTADA NO DIREITO BRASILEIRO ...................................................... 198 
14. COISA JULGADA NO MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO .......................................... 199 
15. SUPERVENIÊNCIA DA NORMA REGULAMENTADORA .................................................. 200 
16. AÇÃO DE REVISÃO ............................................................................................................. 201 
17. OBSERVAÇÕES FINAIS ...................................................................................................... 201 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 9 
 
APRESENTAÇÃO 
Olá! 
Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja 
útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de 
estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria. 
O Caderno de Difusos e Coletivos possui como base as aulas do Prof. Fernando Gajardoni 
e Prof. Landolfo de Andrade, o caderno foi complementado com doutrina (Daniel Assumpção, 
Processo Coletivo – 2019 e Cleber Masson, Landolfo de Andrade – Interesses Difusos e Coletivos 
Esquematizado - 2020). 
Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito 
(www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de 
Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). 
Destacamos que é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da 
semana para ler no site do Dizer o Direito. 
Ademais, no Caderno constam os principais artigos da lei, mas, ressaltamos, que é 
necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação. 
Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina 
+ informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você 
faça uma boa prova. 
Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito 
importante!! As bancas costumam repetir certos temas. 
Vamos juntos!! Bons estudos!! 
Equipe Cadernos Sistematizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 10 
 
TEORIA GERAL DO PROCESSO COLETIVO 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
1.1. ORIGEM 
Até meados da década de 70, o Processo Civil contentava-se em declarar direitos subjetivos. 
Não havia preocupação com a dimensão executiva do processo, ou seja, não se estabelecia uma 
tutela jurisdicional realmente efetiva. Ao mesmo tempo, outros interesses começaram a aparecer, 
a exemplo da preocupação com o meio ambiente e da proteção de grupos vulneráveis, não sendo 
tutelados pelo processo civil. 
Diante disso, os processualistas passaram a preocupar-se com a tutela dos direitos de 
“grupos”, muitas vezes direitos que não detinham um titular predeterminado, surgindo assim o 
Direito Processual Coletivo. 
Perceba, portanto, que o Processo Coletivo nasce da necessidade de se conferir uma tutela 
diferenciada aos direitos transindividuais. 
 
1.2. CONCEITOS BÁSICOS 
1.2.1. Direito Processual Coletivo 
Trata-se de ramo autônomo do Direito Processual que reúne um conjunto de regras e 
princípios próprios, predispondo-se a tutelar adequadamente direitos pertencentes a grupos de 
pessoas. 
1.2.2. Ação coletiva 
Consiste na demanda pela qual se infere a existência de uma situação jurídica coletiva ou 
passiva, iniciando, portanto, um processo coletivo. 
Obs.: Ação coletiva é gênero do qual são espécies os instrumentos 
processuais coletivos, a exemplo da ação civil pública, da ação 
popular, do mandado de segurança coletivo, do habeas data coletivo 
etc. 
1.2.3. Tutela jurisdicional coletiva 
É a proteção judiciária conferida aos direitos transindividuais, podendo envolver tanto a 
dimensão dos resultados da atividade jurisdicional (bem da vida) quanto a dimensãoLONMP, prevalece a lei especial. 
2ª C (dominante): O MP não pode quebrar diretamente o sigilo, pois embora não estejam 
expressos, eles decorrem da garantia da privacidade e intimidade. STF: RMS 8716/GO. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 142 
 
Ambas convergem em um entendimento: as contas públicas não são protegidas por sigilo 
nenhum. Nesses casos, portanto, o MP pode requisitar diretamente (ex: conta corrente de uma 
prefeitura). 
o Dados do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB 
De acordo com o STJ., os dados dos procedimentos disciplinares só podem ser acessados 
mediante autorização judicial. 
O acesso do MPF às informações inseridas em procedimentos 
disciplinares conduzidos pela OAB depende de prévia autorização 
judicial. Em primeiro lugar, cabe indicar que inexiste hierarquia entre as 
normas do art. 72, § 2º, da Lei n. 8.906/1994 (Estatuto da OAB) e do art. 8º, 
II, § 2º, da LC n. 75/1993 (Estatuto do Ministério Público da União). O conflito 
entre as citadas normas é apenas aparente, uma vez que é possível a 
convivência harmônica entre elas no mesmo sistema jurídico, desde que 
observadas as limitações de cada uma. Esclareça-se que interpretar 
sistematicamente as normas em aparente conflito não equivale a negar 
vigência a nenhuma delas, apenas se dá aplicação a cada uma conjugada 
com o disposto na outra (REsp 1.195.983-RS, Segunda Turma, DJe 
31/3/2011). A mesma prática que se aplica aos demais tipos de sigilo 
protegidos por lei deve ser aplicada ao sigilo ético, fixado pela Lei n. 
8.906/1994. Com efeito, nos expressos termos do § 2º do art. 72 da Lei n. 
8.906/1994, "o processo disciplinar tramita em sigilo, até o seu término, só 
tendo acesso às suas informações as partes, seus defensores e a autoridade 
judiciária competente". Assim, diante dos termos claros com que foi redigida 
a norma, fica evidente que a obtenção de cópia dos processos ético-
disciplinares é matéria submetida à reserva de jurisdição, de modo que, 
excetuado o acesso pelas partes e seus procuradores, somente mediante 
autorização judicial é que poderá ser dado acesso a terceiros, ainda que 
sejam eles órgãos de persecução dotados de poderes de requisição. Com 
efeito, tendo a lei expressamente restringido o acesso de terceiros sem ordem 
judicial, a única forma de compatibilizar os dois dispositivos legais é pela 
compreensão de que o poder de requisição pelo órgão ministerial encontra 
óbice naquelas hipóteses em que o legislador expressamente reservou a 
quebra do sigilo à autoridade judicial. Nessa linha de entendimento, frisa-se 
que a jurisprudência do STJ já definiu que o art. 8º da LC n. 75/1993 não 
exime o Ministério Público de requerer a autorização judicial para que haja o 
seu acesso a documentos protegidos por sigilo legalmente estatuído (AgRg 
no HC 234.857-RS, Quinta Turma, DJe 8/5/2014; e HC 160.646-SP, Quinta 
Turma, DJe 19/9/2011). Nesse contexto, o sigilo dos procedimentos e a 
reserva de jurisdição para o compartilhamento de dados com terceiros em 
relação aos processos ético-disciplinares contra advogados decorre de 
expressa previsão na norma legal de regência, razão pela qual, quanto a esse 
aspecto, deve ser reconhecida a extensão da tutela da intimidade. Aliás, 
forçoso reconhecer que somente mediante a declaração da 
inconstitucionalidade do art. 72, § 2º, da Lei n. 8.906/1994 é que poderia ser 
afastada a cláusula de reserva de jurisdição para o acesso de terceiros aos 
processos disciplinares em trâmite no Tribunal de Ética e Disciplina da OAB. 
Por outro lado, cumpre notar que não se está aqui de forma alguma 
inviabilizando a obtenção dos documentos e dados pelo Ministério Público, 
uma vez que, ante a presença e a estruturação do Parquet, decerto não 
importa em ônus excessivo ao órgão ministerial a necessidade de requerer 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 143 
 
tal acesso judicialmente. Ao contrário, tal exigência, além de assegurar a 
plena vigência de um sistema de freios e contrapesos, próprios do regime 
republicano, também afasta o risco de que as informações sigilosas juntadas 
aos autos sejam no futuro consideradas nulas, contaminando todo o 
procedimento investigatório e uma eventual ação judicial, uma vez que o 
acesso teria sido obtido diretamente pelo Ministério Público, sem a 
autorização judicial, com base no art. 8º da LC n. 75/1993, em divergência 
com o que prescreve o STJ. Precedente citado do STF: AGR no RE 318.136 
- RJ, Segunda Turma, DJ 6/10/2006. REsp 1.217.271-PR, Rel. Min. 
Humberto Martins, por maioria, julgado em 18/5/2016, DJe 6/9/2016. 
 
o Compartilhamento de dados entre a Receita Federal e o MP 
De acordo com o STF (RE 1055941), o MP não pode acessar os dados diretamente sem 
autorização. Contudo, a Receita Federal pode compartilhar com o MP sem prévia autorização 
judicial. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PR (2017) A Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/85) estabelece como 
crime a recusa, o retardamento ou a omissão em fornecer, aos legitimados 
ativos, dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil. Correta! 
• PODER INVESTIGATÓRIO DO MP - STF 
O Ministério Público pode realizar diretamente a investigação de crimes? SIM. O MP pode 
promover, por autoridade própria, investigações de natureza penal. 
Mas a CF/88 expressamente menciona que o MP tem poder para investigar crimes? NÃO. 
A CF/88 não fala isso de forma expressa. Adota-se aqui a teoria dos poderes implícitos. 
Segundo essa doutrina, nascida nos EUA (Mc CulloCh vs. Maryland – 1819), se a Constituição 
outorga determinada atividade-fim a um órgão, significa dizer que também concede todos os meios 
necessários para a realização dessa atribuição. A CF/88 confere ao MP as funções de promover a 
ação penal pública (art. 129, I). Logo, ela atribui ao Parquet também todos os meios necessários 
para o exercício da denúncia, dentre eles a possibilidade de reunir provas para que fundamentem 
a acusação. Ademais, a CF/88 não conferiu à Polícia o monopólio da atribuição de investigar crimes. 
Em outras palavras, a colheita de provas não é atividade exclusiva da Polícia. 
Desse modo, não é inconstitucional a investigação realizada diretamente pelo MP. 
Esse é o entendimento do STF e do STJ. 
Qual é o fundamento constitucional? 
Além da doutrina dos poderes implícitos, podemos citar como fundamento constitucional que 
autoriza, de forma implícita, o poder de investigação do MP: 
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: 
I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; 
(...) 
VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua 
competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na 
forma da lei complementar respectiva; 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 144 
 
VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei 
complementar mencionada no artigo anterior; 
VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, 
indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; 
IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis 
com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria 
jurídica de entidades públicas. 
 
Existe algum fundamento legal? 
A Lei Complementar n. 75/1993, também de forma implícita, autoriza a realização de atos 
de investigação nos seguintes termos: 
Art. 8º Para o exercício de suas atribuições, o Ministério Público da União 
poderá, nos procedimentos de sua competência: 
I - notificar testemunhas e requisitar sua condução coercitiva, no caso de 
ausência injustificada; 
(...) 
V - realizar inspeções e diligências investigatórias; 
(...) 
VII - expedir notificações e intimações necessárias aos procedimentos e 
inquéritos que instaurar;dos meios 
preordenados a consecução das finalidades do processo coletivo (procedimentos). 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 11 
 
1.3. TUTELA DE DIREITOS COLETIVOS x TUTELA COLETIVA DE DIREITOS 
 
TUTELA DE DIREITOS COLETIVOS TUTELA COLETIVA DE DIREITOS 
Tratamento judiciário destinado a direitos 
essencialmente transindividuais, ou seja, são 
direitos que, em sua essência, são coletivos, 
ultrapassando a órbita do direito individual, seja 
em razão da indeterminação dos sujeitos ou em 
razão da indivisibilidade do objeto. 
Tratamento coletivo para demandas coletivas 
individuais, a exemplo dos direitos individuais 
homogêneos. 
2. EVOLUÇÃO HISTÓRICO-METODOLÓGICA 
2.1. GERAÇÕES/DIMENSÕES DE DIREITOS FUNDAMENTAIS 
Inicialmente, é necessária uma análise do surgimento do direito material coletivo, feita com 
base nas gerações/dimensões de direitos fundamentais. 
Obs.: Há autores que preferem utilizar a expressão “dimensões”, tendo 
em vista que a expressão “gerações” pode conferir a falsa ideia de 
substituição, desaparecimento da anterior. Na verdade, as 
dimensões/gerações coexistem, o surgimento de uma não exclui a 
outra. 
Aqui, analisaremos: 
• Direitos de 1ª Dimensão (liberdade); 
• Direitos de 2ª Dimensão (igualdade); 
• Direitos de 3ª Dimensão (fraternidade ou solidariedade); 
Perceba que cada geração corresponde a um dos lemas da Revolução Francesa = 
LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE. 
Antes de analisarmos cada uma das dimensões, com o intuito de facilitar a compreensão do 
tema, observe a tabela retirada do Livro Interesses Difusos e Coletivos: 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 12 
 
DIREITOS CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS 
1ª DIMENSÃO 
Direito de liberdades – liberdades clássicas, 
formais ou públicas negativas. Foco na 
preservação da individualidade em face do 
Estado. 
Direitos Civis (liberdade, 
propriedade, segurança) e 
Políticos 
2ª DIMENSÃO 
Direitos de igualdade – liberdades reais, 
concretas, materiais ou públicas positivas. 
Foco na correção das desigualdades, 
clamada pelos corpos intermediários. Início 
do reconhecimento da existência de direitos 
de dimensão coletiva. 
Direitos Sociais (amparo ao 
idoso, às mulheres, às 
crianças), Culturais 
(educação básica) e 
Econômico 
s. 
3ª DIMENSÃO 
Direitos de fraternidade/solidariedade – 
reconhecimento internacional de direitos da 
humanidade, do homem como cidadão do 
mundo. Aprofundamento do 
reconhecimento de direitos de dimensão 
coletiva. 
Direito à paz, ao 
desenvolvimento, ao 
equilíbrio material. 
 
2.1.1. Direitos de 1ª Dimensão: liberdade 
O fator histórico que originou a primeira dimensão foram as Revoluções Liberais (francesa 
e americana), no Século XVIII, as quais confortaram a ideia de controle do Estado Absolutista. Em 
razão disso, surge o movimento do Liberalismo (Estado Liberal). 
Como características podemos citar: 
• Os direitos de 1ª geração compreendem os direitos civis e políticos; 
• Liberdades negativas, pois impõem ao Estado um “não fazer”; 
• São os direitos de defesa do cidadão em face do Estado, exigindo uma abstenção 
por parte deste; 
• Pela Teoria dos Quatro Status (Jelinek), trata-se dos ‘DIREITOS DE DEFESA’ 
(status negativus ou status libertatis), indica a liberdade do indivíduo em 
relação ao Estado. 
• São essencialmente individuais. 
• Exemplo: Direito de propriedade, herança, voto, livre iniciativa, habeas corpus 
etc. 
O Estado se absteve completamente das relações privadas. Essa ausência estatal começou 
a gerar graves distorções, uma eclosão de desigualdade social. Surge, então, a nova geração. 
2.1.2. Direitos de 2ª dimensão: igualdade 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 13 
 
Não se trata de igualdade formal (tratamento igualitário da lei para com todos), que já 
havia sido consagrada nas revoluções liberais. A igualdade aqui é a material, ou seja, atuação do 
Estado para igualar os cidadãos, dada a crescente desigualdade social existente à época. O Estado 
liberal passa a ser social, em razão da necessidade de intervenção nas relações particulares e 
sociais. 
• Marco histórico: Revolução industrial (Século XIX); 
• Direitos sociais, econômicos e culturais; 
• Liberdades positivas, pois exigem atuação do Estado; 
• São direitos prestacionais (DIREITOS DE PRESTAÇÃO – status positivus ou 
status civitatis), ou seja, exigem prestações do Estado. Tanto prestações 
jurídicas quanto prestações materiais. 
• São essencialmente direitos coletivos. Também são garantias institucionais. 
• Exemplo: limitações ao capital, direitos à assistência social, à saúde, à educação, 
à previdência social, ao trabalho, ao lazer etc. 
Entende-se por garantias institucionais, as garantias dadas a determinadas instituições 
importantes para a sociedade, como família, funcionalismo público, imprensa livre etc. 
Segundo Cleber Masson, há o surgimento dos chamados corpos intermediários, que 
consistiam em grupos, classes ou categorias de pessoas, que se organizavam para lutar pelo 
reconhecimento dos interesses que tinham em comum. O exemplo mais típico é o movimento 
sindical. 
Obs.: O primeiro direito social a ser reconhecido em uma constituição 
foi o do trabalho (francesa); posteriormente, os direitos sociais e 
econômicos chegaram à constituição do México (1917) e à 
Constituição Alemã (de Weimar – 1919); a CF de 1934 foi a primeira 
a contemplar. 
Mesmo com as duas gerações, percebeu-se que não havia suficiente proteção do homem. 
Isso porque se constatou que existiam direitos que não são individuais, mas são de grupos, e que 
igualmente reclamavam proteção, uma vez que a ofensa a eles acabaria por inviabilizar o exercício 
dos direitos individuais já garantidos anteriormente. 
Surge a nova dimensão. 
2.1.3. Direitos de 3ª Dimensão: fraternidade ou solidariedade 
Direitos da coletividade; direitos METAINDIVIDUAIS, de titularidade difusa, indeterminada 
ou coletiva. Tutelam-se, aqui, os bens jurídicos que não podem ser individualmente considerados. 
Surgem a partir do século XX. 
Tem-se, como exemplo, o direito à paz, à autodeterminação dos povos, ao desenvolvimento, 
à qualidade do meio ambiente, à conservação do patrimônio histórico e cultural; à moralidade 
administrativa. O foco passa a ser a sociedade. 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 14 
 
Desta forma, não adianta cada indivíduo ter seus direitos protegidos, pois existem direitos 
coletivos que, se forem violados, acarretam a inviabilização de todos os demais direitos. 
2.1.4. Direitos de 4ª Geração 
Direitos da globalização. Direitos informáticos, Pluralismo etc. 
Segundo Cleber Masson, não há consenso. Bobbio, por exemplo, aposta que ela é composta 
pelo direito à integridade do patrimônio genético perante as ameaças do desenvolvimento da 
biotecnologia. Bonavides, por sua vez, entende ser, principalmente, o direito à democracia, somado 
aos direitos à informação e ao pluralismo. 
Direitos humanos de quinta dimensão: Bonavides defende que o direito à paz deveria ser 
deslocado da terceira para uma quinta dimensão. 
2.2. FASES METODOLÓGICAS DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
A doutrina também enxerga três momentos do Processo Civil, quais sejam: 
• 1º momento: Sincretismo, civilismo ou privatismo (até, aproximadamente, 1.868); 
• 2º momento: Autonomismo (de 1868 até hoje); 
• 3º momento: Instrumentalismo. 
2.2.1. 1º momento: Sincretismo, civilismo ou privatismo 
Essa fase começou a ser percebida no Direito Romano, durando até meados de 1868. Nessa 
fase, o processo não era considerado uma ciência autônoma, ou seja, o direito de ação se confundia 
com o direito material. 
Como o direito de ação decorria diretamente da violação do direito material, para cada 
violação de direito material haveria, diretamente, uma ação deledecorrente e apta para resguardá-
lo. Não provada a violação, inexistia o direito de ação. 
As regras processuais eram previstas nos códigos de direito material (exemplo: CC/16). 
Sévigné: O processo civil era o Direito (material) armado para a Guerra. 
2.2.2. 2º momento: Autonomismo ou conceitual (de 1868 até hoje) 
Desenvolvido por Oskar Von Bülow. 
Houve a separação das relações materiais (entre dois indivíduos - bilaterais) das relações 
processuais (indivíduo - Estado - indivíduo - relação trilateral). Portanto, o direito de ação passou a 
ser autônomo em relação ao direito material. 
No Brasil, o autonomismo só teve destaque com Liebman, em meados do século XX. 
Sofreu críticas, houve por parte dos estudiosos um exagerado apego a necessidade de se 
conceituar e sistematizar todos os possíveis e imagináveis institutos e princípios, o que levou a um 
exagerado culto à forma em detrimento do objetivo maior do processo, afastando-se 
exageradamente do direito material e de sua função de efetivar as pretensões dos jurisdicionados. 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 15 
 
2.2.3. 3º momento: Instrumentalismo 
Em 1950, surge, então, um novo momento, com a finalidade de reaproximar direito material 
e direito processual, sem acabar com a autonomia do processo. Possui como objetivo enxergar o 
processo como meio de acesso à justiça, como um instrumento de serviço ao direito material. 
Parte-se da premissa de que não basta um processo eminentemente técnico e com primor 
científico, plenamente apto a agradar seus operadores e estudiosos, roga-se por um processo eficaz 
e célere, apto a solucionar as crises do direito material e benévolo aos que dele necessitam 
diuturnamente como seus destinatários (os jurisdicionados). 
Didier afirma que o processo e o direito material estão em uma relação circular, ou seja, o 
direito material serve ao processo, assim como o processo serve ao direito material. 
Essa fase começou com a obra denominada ‘Acesso à Justiça’ de autoria de Brian Garth 
e Mauro Cappelletti. Segundo os referidos autores, para possibilitar a efetividade do processo e 
viabilizar o acesso à justiça, os ordenamentos jurídicos deveriam observar três ondas 
renovatórias: 
1) Possibilitar a justiça aos pobres: passa-se a tutelar o hipossuficiente. Exemplo brasileiro: 
Defensoria Pública, Lei de Assistência Judiciária. 
2) Coletivização (molecularização) do processo: A coletivização do processo é uma onda 
renovatória e necessária diante de três situações extremas: 
2.1) Existem bens e interesses de titularidade indeterminada, que acabam ficando sem 
proteção com o sistema individualista de processo. É o exemplo da defesa do meio-
ambiente e do patrimônio público, da probidade administrativa. Basicamente, a ideia 
é de que se são de todos também não são de ninguém. Desta forma, o sistema 
precisa criar mecanismos para mitigar/diminuir o “efeito carona”, nomeando um 
porta-voz da coletividade. Ou seja, elege-se um grupo de legitimados que, embora 
não sejam os titulares do direito, irão atuar na sua proteção. Para a maioria da 
doutrina, são os direitos difusos e coletivos; 
2.2) Existem bens cuja tutela individual é inviável do ponto de vista econômico, 
sendo necessário, no caso, que se permita a determinados entes ou órgãos tutelar 
esses direitos (legitimação extraordinária). São os casos em que, por exemplo, o 
indivíduo é prejudicado pela quantidade menor na embalagem, pela cobrança de 
centavos. Para evitar o sentimento social de que a lei não funciona, esses direitos, 
de pequena monta, precisam ser tutelados. Por isso, elegem-se os legitimados. 
2.3) Existem bens ou direitos cuja tutela coletiva é recomendável do ponto de vista da 
facilidade do sistema (veja que esta não está preocupada com o jurisdicionado e 
sim com o judiciário). Potencializa a solução do problema. São os casos de ações 
repetitivas. Por exemplo, cobrança de assinatura mensal de planos de telefonia. Há, 
aqui, inúmeras vantagens, tais como: economia processual (uma sentença irá atingir 
várias pessoas) e uniformidade de entendimentos. 
3) Efetividade do processo: o processo deve ser de resultados, menos técnico e mais efetivo. 
Ainda está em andamento, mas ganhou grande destaque com o CPC/15. 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 16 
 
Até então, o Processo Civil clássico era incapaz de tutelar essas três situações. 
Recentemente, Bryant Garth publicou um novo estudo em que apontou outras ondas 
renovatórias de acesso à justiça, como sintetizado pelo defensor público e professor Marcos Martins 
de Oliveira1, na revista Consultor Jurídico, cujos pontos destacamos a seguir: 
4) A 'quarta onda' (dimensão): ética nas profissões jurídicas e acesso dos advogados à 
justiça. Em um país marcado pela corrupção o “valor justiça” ganha cada vez mais 
importância. 
5) A 'quinta onda' (dimensão): o contemporâneo processo de internacionalização da 
proteção dos direitos humanos, sobretudo após a 2 ª Guerra Mundial, reforçou o surgimento 
de uma proteção específica. Observe que recentemente presenciamos um crescente 
aumento do número de refugiados no país, o que também exemplifica tal situação; 
6) A 'sexta onda' (dimensão): iniciativas promissoras e novas tecnologias para aprimorar o 
acesso à justiça. Veja o caso, por exemplo, do uso de tecnologias para possibilitar aos 
reeducandos do sistema penitenciário o contato com familiares na forma de 
videoconferência, prestigiando a segurança, a dignidade humana e a comodidade aos serviços 
penitenciários. 
7) A 'sétima onda' (dimensão): desigualdade de gênero e raça nos sistemas de justiça". O 
enfoque da referida onda é a proteção de grupos sociais vulneráveis ou culturalmente 
vulnerabilizados, como vítimas de violência doméstica ou de grupos étnicos como os 
quilombolas. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/AP (2021) As ondas renovatórias do acesso à justiça são consideradas, 
pela doutrina processual, um marco de transição da denominada fase 
imanentista para a subsequente fase autônoma da ciência processual. 
Errada! 
 
DPE/SP (2019) A prestação adequada e acessível da assistência jurídica 
integral e gratuita pode assumir a feição de direito ou interesse difuso. 
Correta! 
 
DPE/AM (2018) Tomando por base as “três ondas” de Mauro Capelletti e 
Bryant Garth, na reconhecida obra “Acesso à Justiça”, é correto afirmar que 
a terceira onda leva em consideração, especialmente, o papel do magistrado 
na condução do processo, como forma de contornar obstáculos burocráticos 
de acesso à Justiça. Correta! 
2.2.4. 4º Momento: Neoprocessualismo 
Alguns autores, como Elpídio Donizetti, entendem que houve uma nova evolução do 
processo civil face ao neoconstitucionalismo. Neste sentido, vejamos um trecho de um artigo escrito 
pelo autor2: 
 
1 https://www.conjur.com.br/2023-jan-08/marcos-oliveira-sete-ondas-renovatorias-acesso-justica 
2https://elpidiodonizetti.jusbrasil.com.br/artigos/121940209/evolucao-fases-do-processualismo-sincretismo-autonomia-instrumentalismo-
e-neoprocessualismo 
https://elpidiodonizetti.jusbrasil.com.br/artigos/121940209/evolucao-fases-do-processualismo-sincretismo-autonomia-instrumentalismo-e-neoprocessualismo
https://elpidiodonizetti.jusbrasil.com.br/artigos/121940209/evolucao-fases-do-processualismo-sincretismo-autonomia-instrumentalismo-e-neoprocessualismo
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 17 
 
Compreendida a autonomia processual, os processualistas – ao mesmo tempo em que os 
constitucionalistas se movimentavam para buscar a eficácia da Constituição 
(neoconstitucionalismo) – conscientizaram-se da necessidade de direcionar o processo para 
resultados substancialmente justos, superando o exagerado tecnicismo reinante até então, o que 
deu origem ao período de instrumentalismo (ou teleologia) do processo. 
(...) 
A evolução desse entendimento,principalmente em face da atual e saudável 
constitucionalização dos ramos do direito, defende o estudo do direito processual a partir de uma 
nova premissa metodológica, qual seja, a metodologia do neoconstitucionalismo (destacando-se a 
força normativa da Constituição e a concretização material dos Direitos fundamentais). Embora seja 
apenas uma visão evoluída do período instrumentalista do processo, alguns processualistas 
acreditam se tratar de uma nova fase processual, denominando-a neoprocessualismo (“estudo do 
Direito Processual à luz do neoconstitucionalismo”). 
Esse fenômeno da constitucionalização dos direitos e garantias processuais, além de retirar 
do Código de Processo a centralidade do ordenamento processual (descodificação), ressalta o 
caráter publicístico do processo; isto é, o processo distancia-se de uma conotação eminentemente 
privada, deixa de ser um mecanismo de exclusiva utilização individual para se tornar um meio à 
disposição do Estado para realizar justiça (valor eminentemente social). 
Hoje, o processo tutela uma ordem superior de princípios e valores que estão acima dos 
interesses controvertidos das partes, voltados à realização do bem comum (ordem pública). A 
preponderância do interesse público sobre os interesses privados conflitantes manifesta-se em 
diversos pontos da nova dogmática processual, resultando no grande número de princípios 
fundamentais do processo que hoje permeia o ordenamento jurídico brasileiro – muitos deles 
positivados no projeto do CPC. 
➔ QUESTÃO: como o tema é tratado no direito estrangeiro? 
Na Europa, as ações coletivas tutelam os direitos de titularidade indeterminada (direitos 
difusos), não abarcando as demais hipóteses. 
O direito americano, ao contrário, preocupa-se, nas questões coletivas, com direitos 
economicamente desinteressantes no plano individual e com a tutela coletiva recomendável do 
ponto de vista da facilidade, caracterizando os direitos individuais homogêneos. 
No Brasil, há adoção do sistema europeu e do sistema norte-americano. 
Kazuo Watanabe: trata-se da molecularização do processo. Fomos ensinados a ver o 
processo como átomo. Devemos ver o processo como moléculas, é a generalização das soluções. 
A criação do processo coletivo se fazia necessária em virtude da inadequação do processo 
civil individual para a proteção das situações acima, em primeiro lugar no que diz respeito à 
legitimidade. Exemplo: Quem defenderia o meio-ambiente se só existisse a legitimidade ordinária? 
Ou melhor, quem seria o legitimado ordinário? Por isso, cria-se a legitimação extraordinária para a 
defesa de direitos que interessam toda uma coletividade ou grupo. 
Em segundo lugar, as regras de coisa julgada individual são incompatíveis com o processo 
coletivo. Ex.: Art. 506 CPC. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 18 
 
Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não 
prejudicando terceiros. 
 
O processo coletivo, pela sua essência, é altruísta, pois objetiva a beneficiar mais de um 
indivíduo. Em antagonismo ao processo individual, que é egoísta, na medida em que só atinge as 
partes nele presentes. 
Aqui, citamos a incompatibilidade no que diz respeito à legitimidade e coisa julgada, 
entretanto, existem outras. 
2.3. PROCESSO INDIVIDUAL X PROCESSO COLETIVO 
Para melhor compreensão, utilizamos o quadro comparativo feito pelo Prof. Gajardoni em 
sua aula, vejamos: 
PROCESSO INDIVIDUAL PROCESSO COLETIVO 
Tratamento atômico do conflito. Tratamento molecular do conflito. 
Alta possibilidade de decisões contraditórias. 
Menor possibilidade de decisões 
contraditórias. 
Conflito entre pessoas determinadas 
Conflitos entre pessoas indeterminadas 
(podem ser determináveis, algumas vezes só 
por grupo). 
Legitimação ordinária Legitimação extraordinária ou autônoma. 
Coisa julgada inter partes. 
Possibilidade de coisa julgada erga omnes ou 
ultra partes. 
Destinatários da indenização: vítima ou 
sucessores 
Destinatários da indenização: 
• Se divisível, vítima ou sucessores 
• Se indivisível, fundo (art. 13 da LACP) 
Sem intervenção nas políticas públicas, como 
regra 
Com intervenção nas políticas públicas, como 
regra (significado social) 
Processo egoístico 
Processo altruísta (não é a somatória dos 
direitos individuais, mas síntese deles – fim 
comum). 
 
2.4. ANTECEDENTES HISTÓRICOS 
FASE ANTIGA 
a) Actio popularis no Direito Romano – permitia a defesa pelo cidadão de coisas públicas e 
de uso comum do povo, a exemplo de praças, de cemitérios; 
b) Bill of peace do Direito inglês – autorização, concedida pelos tribunais de equidade, para 
coletivização de causas. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 19 
 
FASE MODERNA 
a) Revolução industrial e movimentos sindicais – os conflitos não se davam apenas entre 
empregados e patrões, mas sim entre categorias; 
b) Formação das sociedades em massa 
FASE PÓS-MODERNA 
a) Vulnerabilidade do consumidor e consciência ambiental 
b) Globalização e do multiculturalismo. 
2.5. ORIGEM DO PROCESSO COLETIVO BRASILEIRO 
 Vejamos em ordem histórica: 
o 1965 – Ação Popular (Lei 4.717/1965): o objeto desta ação é bem restrito (patrimônio 
público, meio ambiente, patrimônio histórico e cultural, moralidade), tutela apenas 
direitos difusos; 
o 1981 – Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/1981): primeiro instrumento 
que tratou de ação civil pública, de forma genérica; 
o 1985 – Lei de Ação Civil Pública (Lei 7.347/1985): no início, não tutelava os direitos 
individuais homogêneos; 
o 1989 – Defesa das Pessoas com Deficiência (Lei 7.853/1989) 
o 1989 – Defesa dos Investidores do Mercado Imobiliário (Lei 7.913/1989) 
o 1989 – Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1989) 
o 1990 – Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) 
o 1992 – Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992) 
o 1994 – Defesa da Ordem Econômica e da Livre Concorrência (Lei 8.884/1994) 
o 2001 – Defesa da Ordem Urbanística (Lei 10.257/2001) 
o 2003 – Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) 
o 2003 – Estatuto de Defesa do Torcedor (Lei 10.671/2003) 
A tutela coletiva no Brasil foi um movimento paulatino, ou seja, realizado em etapas, de modo 
gradual. 
AVANÇOS RETROCESSOS 
CF/88, CDC (potencializou o processo coletivo: 
veio principalmente para defender a situação 
da proteção que era economicamente inviável 
individualmente e aquela com interesse no 
Medidas Provisórias, que tinham o fito de 
limitar a tutela coletiva. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 20 
 
sistema – ver acima), ECA, Estatuto do Idoso, 
Estatuto da Cidade 
 
Futuro do processo coletivo brasileiro: 
Houve uma tentativa de elaborar um Código Brasileiro de Processo Coletivo, por meio de 
dois grandes projetos: USP (Ada) e da UERJ/UNESA (Aluísio Castro Mendes). 
Em 2008, o Ministério da Justiça nomeou uma comissão de juristas (além dos dois acima, 
entre outros o professor) que resolveu não levar adiante a ideia dos Códigos de Processo Coletivo 
(dada a lentidão do parlamento em aprovar Códigos). A opção foi a elaboração de uma Nova Lei 
de Ação Pública (PL 5139/09), que, a rigor, funcionaria como um Código de Processo Coletivo 
(Como hoje funciona o LACP + CDC + Microssistemas de processo coletivo). Esse projeto entrou 
no pacote do pacto republicano, com expectativa de que fosse votado no primeiro semestre de 
2010, mas até agora nada. 
Há dois projetos tramitando no Congresso Nacional (PL 4441/2020 e o PL 4778/2020) que 
pretendem alterar o sistema do Processo Coletivo brasileiro, tais alterações irão dificultar a tutela 
dos direitos. Há pressão da sociedade civil para que não sejam aprovados. 
Além disso, o CNJ editou a Recomendação 76/2020, trata-se de uma orientação aos juízes 
em relação ao processo coletivo. É um claro exemplo de soft law, tendo em vista que não possuicaráter vinculante. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/AM (2021) A Lei da Ação Civil Pública (Lei n.º 7.347/1985) foi, sob o 
aspecto histórico, o primeiro diploma normativo a conferir legitimidade para 
que o Ministério Público pudesse propor ação de natureza cível para 
reparação de danos causados ao meio ambiente. Errada! 
3. NATUREZA DOS DIREITOS METAINDIVIDUAIS 
 
 
 
Durante anos, entendeu-se que o Direito se dividia em Direito Público e Privado (atualmente 
superado). E os direitos metaindividuais (transcendem o indivíduo) pertencem ao DIREITO 
PRIVADO ou DIREITO PÚBLICO? 
Não se pode negar a carga de interesse social que permeia esses direitos, exatamente por 
serem direitos de titularidade de várias pessoas. Nesse ponto, os direitos metaindividuais se 
aproximam do Direito Público. Entretanto, esses direitos não são necessariamente 
DIREITO
PÚBLICO
Estado X Estado
Estado X Indivíduo
PRIVADO Indivíduo X Indivíduo
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 21 
 
afetos/relacionados ao poder público. Exemplo: Uma entidade particular ingressa com ação 
pleiteando que uma indústria pare de poluir o meio-ambiente. 
Conclusão: Não se pode classificar nem como Direito Público e Direito Privado. Assim, a 
‘summa divisio’ agora será entre direito público, direitos metaindividuais e direito privado. 
No entanto, alguns autores (Hugo, Assagra, Mancuso, Nery) têm proposto uma nova ‘summa 
divisio’ (divisão de ramos): Direito Individual (público/privado) e Direito Coletivo ou Metaindividual. 
A natureza dos direitos coletivos ou metaindividuais, portanto, é própria. 
Devemos ver o processo coletivo como um processo de INTERESSE público. Lembrar a 
divisão: interesse público primário que é o bem geral da coletividade e o interesse público 
secundário que é o do Estado. 
O processo coletivo é de interesse público primário, isto é, confirmado pelo fato de que a 
maioria dos processos coletivos tem como sujeito passivo o Estado. É um processo de interesse 
social, por isso, muitas vezes, é utilizado contra o Estado. 
Cleber Masson esclarece que: 
• Interesse público primário (propriamente dito): interesse geral da sociedade, o bem 
comum da coletividade. Sinônimo de interesse geral, de interesse social. A principal 
característica do interesse público é certa unanimidade social (= consenso coletivo), uma 
conflituosidade mínima. Em outras palavras, o insigne jurista observa que, no plano 
supraindividual (coletivo), não se verifica, manifestações contrárias aos valores e bens 
ligados ao interesse público, o que exclui a possibilidade de que, no plano individual, até 
mesmo judicialmente, alguém se insurja contra uma aplicação concreta daquele interesse. 
• Interesse público secundário: interesse concretamente manifestado pelo Estado-
Administração, como pessoa jurídica. O interesse público secundário não deve chocar-se 
com o interesse público primário, devendo atuar como instrumento para sua consecução. 
Também se denomina interesse público aquele que limita a disponibilidade de certos 
interesses que, de forma direta, dizem respeito a particulares, mas que, indiretamente, interessa à 
sociedade proteger, de modo que o direito objetivo acaba por restringir, como, por exemplo, em 
diversas normas de proteção do incapaz. 
4. CLASSIFICAÇÃO DO PROCESSO COLETIVO 
Classificar é agrupar por semelhança ou diferença determinadas características. 
4.1. QUANTO AO SUJEITO: ATIVO E PASSIVO 
4.1.1. Processo coletivo ATIVO 
É o processo tradicional, em que a coletividade é a autora. É a coletividade que está tendo o 
seu direito reclamado. 
 Exemplo: MP, em nome próprio, defendendo interesse da coletividade. 
4.1.2. Processo coletivo PASSIVO 
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CS – DIFUSOS E COLETIVOS 2024.1 22 
 
Aquele em que a coletividade é ré, ou seja, está sendo demandada. Por isso, é também 
chamado de ação coletiva passiva. 
Segundo Fredie Didier, a ação coletiva passiva ocorre quando um agrupamento humano for 
colocado como sujeito passivo de uma relação jurídica afirmada na petição inicial. 
A grande dificuldade, deste tipo de ação, é a eleição de quem será o representante da 
coletividade ré. Na doutrina há duas posições, diametralmente, opostas quanto ao processo coletivo 
PASSIVO: 
1ªC: (Dinamarco): é posição minoritária, embora exista um precedente no STJ (Resp. 
1.051.302). Sustenta que não existe ação coletiva passiva, tendo em vista a falta de previsão legal 
para tanto. O art. 5º LACP consagra os legitimados ativos, não havendo menção aos legitimados 
passivos. 
Processo civil. Recurso especial. Ação coletiva ajuizada por sindicato na 
defesa de direitos individuais homogêneos de integrantes da categoria 
profissional. Apresentação, pelo réu, de pedido de declaração incidental, em 
face do sindicato-autor. Objetivo de atribuir eficácia de coisa julgada à decisão 
quanto à extensão dos efeitos de cláusula de quitação contida em transação 
assinada com os trabalhadores. Inadmissibilidade da medida, em ações 
coletivas. - Nas ações coletivas, a lei atribui a algumas entidades poderes 
para representar ativamente um grupo definido ou indefinido de 
pessoas, na tutela de direitos difusos, coletivos ou individuais 
homogêneos. A disciplina quanto à coisa julgada, em cada uma dessas 
hipóteses, modifica-se. - A atribuição de legitimidade ativa não implica, 
automaticamente, legitimidade passiva dessas entidades para 
figurarem, como rés, em ações coletivas, salvo hipóteses excepcionais. 
- Todos os projetos de Códigos de Processo Civil Coletivo regulam hipóteses 
de ações coletivas passivas, conferindo legitimidade a associações para 
representação da coletividade, como rés. Nas hipóteses de direitos 
individuais homogêneos, contudo, não há consenso. - Pelo panorama 
legislativo atual, a disciplina da coisa julgada nas ações coletivas é 
incompatível com o pedido de declaração incidental formulado pelo réu, em 
face do sindicato-autor. A pretensão a que se declare a extensão dos efeitos 
de cláusula contratual, com eficácia de coisa julgada, implicaria, por via 
transversa, burlar a norma do art. 103, III, do CDC. Recurso improvido. (REsp 
1051302/DF, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado 
em 23/03/2010, DJe 28/04/2010) 
 
O anteprojeto do Código Brasileiro de Processos Coletivos propôs a seguinte 
regulamentação: qualquer espécie de ação pode ser proposta contra uma coletividade organizada, 
mesmo sem personalidade jurídica, desde que apresente representatividade adequada, se trate de 
tutela de interesses ou direitos difusos e coletivos e a tutela se revista de interesse social. 
2ªC (Ada, Gajardoni): Existe sim, e a sua existência decorre do sistema processual 
brasileiro, a partir de uma interpretação sistêmica. É posição MAJORITÁRIA na doutrina. 
A prática tem demonstrado que há situações em que a coletividade deve ser acionada. Por 
exemplo, imagine uma ação coletiva que visa impedir greve de metroviários, em que o MP ajuíza 
ação pedindo que não façam greve. Perceba que nos dois lados (autor e réu) haverá coletividade 
(ação duplamente coletiva). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
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Ocorre, aqui, uma hipótese de processo coletivo passivo (ver adiante). 
Salienta-se que a real dificuldade da ação coletiva passiva é determinar quem 
REPRESENTA a coletividade ré. Logicamente, a ação só pode ser admitida se intentada em face 
do verdadeiro representante, além de versar sobre interesse social. Assim, se a intervenção no 
processo de entes legitimados às ações coletivas pode se dar como litisconsortes do autor ou do 
réu, é porque a demanda pode ser intentada pela classe ou contra ela. 
Além disso, o art. 107 do CDC contempla a chamada convenção coletiva de consumo, caso 
a convenção coletiva firmada as classes não seja observada, de seu descumprimento se originará 
uma lide coletiva,

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