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Blocos padrão Blocos padrão são medidas materializadas de comprimento, com seção transversal retangular, fabricados com material resistente ao desgaste, com um par de superfícies planas e paralelas entre si. É uma característica dos blocos padrão que as superfícies de medição sejam constituídas com qualidade tal que permita sua aderência com as superfícies de medição de outros blocos padrão ou com superfícies planas de acabamento similar. Foram inventados em 1896, pelo maquinista sueco Carl Edvard Johansson. Por este motivo, estes instrumentos também são conhecidos por “Johansson gauges”, ou “Jo blocks”. Muito utilizados como padrão de referência na indústria, desde o laboratório até a oficina, os blocos-padrão são de grande utilidade na medição de peças e nas próprias máquinas operatrizes. Os blocos-padrão geralmente são apresentados em conjuntos, com diferentes quantidades de peças, que são combinados e empilhados para obtenção do comprimento desejado. Quanto à forma da seção transversal, os blocos-padrão podem ser quadrados, retangulares ou circulares. Os blocos de secção quadrada ou circular podem ou não ser furados no centro. No Brasil, a norma ABNT NBR NM 215:2000 especifica as características dimensionais e de qualidade de blocos padrão com seção transversal retangular e comprimento nominal variando de 0,5 mm a 1 000 mm. Nomenclatura das superfícies de blocos padrão com seção transversal retangular. Os blocos padrão com comprimento nominal acima de 100 mm, exceto classe K, possuem furos de acoplamento para uso com dispositivos acessórios para acoplamento. Material Os blocos padrão fabricados de acordo com a norma nacional são de aço liga, e os blocos que atendam normas internacionais podem ser fabricados, além do aço liga, em metal duro (carboneto de tungstênio) ou cerâmica. Para os blocos em aço, quando for exigida uma alta resistência ao desgaste, as superfícies de medição podem ser protegidas por dois blocos protetores, fabricados de metal duro (carbonetos sinterizados). Como o aço tem tendência de alterar o seu volume com o decorrer do tempo, a estabilidade dimensional dos blocos padrão pode ser significativamente afetada. Para minimizar este fenômeno usa-se liga que tenha uma boa estabilidade dimensional. É importante que se tenha conhecimento do coeficiente de expansão térmica do material e do módulo de elasticidade a fim de que, quando usado em medições criteriosas, os correspondentes erros possam ser compensados. Os blocos padrão fabricados em aço liga ou material similar de alta resistência ao desgaste, que permitam o fino acabamento da superfície, possibilitando a aderência fácil e estabilidade dimensional conforme os erros máximos admissíveis. Os blocos padrão de aços liga são os mais utilizados na indústria. O aço é tratado termicamente para garantir a estabilidade dimensional. Possui coeficiente de expansão térmica na faixa de 10 °C a 30 °C de (11,5 ± 1,0) x 10- 6 K-1 e dureza das superfícies de medição apresentam dureza Vickers não menor do que 800 HV 0,5. Os blocos padrão de metal duro são blocos geralmente fabricados em carboneto de tungstênio. Hoje, este tipo de bloco-padrão é mais utilizado como bloco protetor. A dureza deste tipo de bloco padrão situa-se acima de 1500 HV. Nos blocos padrão fabricados em cerâmica, o material básico utilizado é o zircônio. A utilização deste material ainda é recente e suas principais vantagens são a excepcional estabilidade dimensional e a resistência à corrosão. A dureza obtida nos blocos-padrão de cerâmica situasse acima de 1400 HV. Este tipo de bloco padrão é mais usado como padrão de referência na calibração de outros blocos padrão. Blocos-padrão de aço liga, carboneto de tungstênio e cerâmica. Apresentação – Conjuntos A fim de alcançar um bom aproveitamento dos blocos- padrão, estes são reunidos em conjuntos (ou jogos) que se diferem entre si pelos seguintes fatores: mínimo escalonamento, faixa que o escalonamento abrange, e número de peças que os constituem. Estes conjuntos consistem de várias séries dimensionais. (sub-grupos de dimensões). Partindo de base 1,000 mm, existem séries dimensionais em milésimos de mm (1,001 até 1,009 mm), centésimos (1,01 até 1,09), décimos, etc. Exemplo da composição de um jogo de blocos-padrão, contendo 112 peças: 01 bloco-padrão de 1,0005mm; 09 blocos-padrão de 1,001, 1,002, 1,003, …, 1,009 mm; 49 blocos-padrão de 1,01, 1,02, 1,03, …, 1,49 mm; 49 blocos-padrão de 0,50, 1,00, 1,50, 2,00, …, 24,5 mm; 04 blocos-padrão de 25, 50, 75 e 100 mm. Conjunto de blocos-padrão. Classificação e marcação Por convenção, o comprimento l de um bloco padrão em um ponto particular da superfície de medição, é a distância perpendicular entre esse ponto e uma superfície rígida de mesmo material e acabamento na qual o bloco padrão foi aderido. O erro no comprimento em qualquer ponto em relação ao comprimento nominal é a diferença entre o comprimento l em qualquer ponto da superfície de medição e o comprimento nominal em (l – ln). Os blocos padrão possuem uma marcação permanente do comprimento nominal, o nome ou logamarca do fabricante e um número de identificação. Blocos padrão com comprimento nominal menor que 6 mm possuem a marcação sobre a superfície de medição. Os blocos-padrão são classificados em quatro classes de exatidão. Tabela 1 – Classes de exatidão e marcação para blocos- padrão. Classe de exatidão Marcação Aplicação recomendada K K Para aplicação científica ou na calibração de outros blocos-padrão. 0 0 Calibração de blocos-padrão destinados à operação de inspeção, e calibração de instrumentos. 1 – Para inspeção e ajuste de instrumentos de medição nas áreas de inspeção. 2 = Para uso em oficinas e ferramentarias. Tabela 2 – Erros máximos admissíveis em qualquer ponto no comprimento nominal. Comprimento nominal Erro máximo admissível, ± μm (a 20 °C) (mm) Classe K Classe 0 Classe 1 Classe 2 de 0,5 a 10 0,2 0,12 0,2 0,45 acima de 10 a 25 0,3 0,14 0,3 0,6 acima de 25 a 50 0,4 0,2 0,4 0,8 acima de 50 a 75 0,5 0,25 0,5 1 acima de 75 a 100 0,6 0,3 0,6 1,2 acima de 100 a 150 0,8 0,4 0,8 1,6 acima de 150 a 200 1 0,5 1 2 acima de 200 a 250 1,2 0,6 1,2 2,4 acima de 250 a 300 1,4 0,7 1,4 2,8 acima de 300 a 400 1,8 0,9 1,8 3,6 acima de 400 a 500 2,2 1,1 2,2 4,4 acima de 500 a 600 2,6 1,3 2,6 5 acima de 600 a 700 3,0 1,5 3 6 acima de 700 a 800 3,4 1,7 3,4 6,5 acima de 800 a 900 3,8 1,9 3,8 7,5 acima de 900 a 1000 4,2 2 4,2 8 Uso dos blocos-padrão Os blocos devem ser removidos do estojo, limpos de seu revestimento protetor e empilhados para formarem o comprimento necessário. Os blocos são calibrados à temperatura de referência de 20 °C e devem ser mantidos nessa temperatura durante as medições, para evitar erros de medição devido à dilatação térmica. Usar blocos padrão protetores nas extremidades, sempre que possível, para proteger os blocos padrão contra danos durante o uso. Utilizar o menor número possível de blocos padrão para compor o comprimento necessário, diminuindo assim o acúmulo de erros de medição. Cada bloco padrão possui um erro máximo permitido e, consequentemente uma incerteza associada, e quanto mais blocos forem usados, maior será o erro e a incerteza da medição. Mesmo os blocos-padrão de Classe 2, usados nas oficinas, devem ser manuseados por pessoal experiente a fim de que em pouco tempo os blocos não estejam desgastados. Além disso, o operador deve: Usar pinças de madeira ou plástico para manipular blocos pequenos; Evitar usar os blocos em superfícies oxidadas, ásperas ou sujas; Evitar a todo custo um choque mecânico (queda, batida com outro sólido). Mas ocorrendo, deve-se examinar ambas as faces de medição, usando um plano óptico, a fim de verificar se há amassamentos (deformações permanentes) queprejudicarão a aderência e a própria planicidade de outros colocados em contato; Evitar a atuação de radiação térmica, campos magnéticos e elétricos; Manter em suas respectivos embalagens quando não usados; Evitar de deixar os blocos padrão aderidos por muito tempo; Todas as recomendações citadas devem ser mais rigorosas quanto melhor for a classe de erro do bloco- padrão. Após o uso, os blocos devem ser limpos com benzina ou similar e untados com uma camada de vaselina, para evitar o aparecimento de oxidações nas superfícies de medição resultante de umidade, agentes corrosivos, etc. O material de limpeza deve ser de preferência de uso exclusivo dos blocos padrão. Determinação de quais blocos usar Existe um método para garantir que seja usado o menor número de blocos padrão, selecionando os corretos na caixa. A chave é trabalhar da direita para a esquerda do comprimento desejado. Por exemplo, para uma medição de 12,075 mm, por exemplo, primeiro escolher o bloco padrão de 1,005 mm, pois existe um 5 na extrema direita (na posição de milhares de milímetros) na medida desejada. A partir daí, subtrair esse valor da medição total, resultando em 11,07 mm restantes. 12,075 mm (medida desejada) 1,005 mm (primeiro bloco padrão) 11,07 mm (medida restante) Há um 7 na extrema direita (ou centésimos de posição em milímetros) no que resta para a medição, portanto, selecionar o bloco padrão de 1,07 mm. Com uma simples subtração, tem-se 10 mm restantes. 11,07 mm (medida desejada) 1,07 mm (segundo bloco padrão) 10 mm (medida restante) 10 mm (terceiro bloco padrão) Dessa forma, é obtido o total da medida desejada, o que significa que são necessários apenas três blocos padrão para criar o comprimento desejado de 12,075 mm. Com um grande conjunto de blocos padrão (por exemplo, um conjunto de 122 peças), é possível cobrir a faixa de medição de 1,000 mm a 100 mm em incrementos de 1 µm usando uma combinação de não mais de quatro blocos padrão. Composição de blocos-padrão (empilhamento) É muito comum na indústria, ser necessária a utilização de medidas não disponíveis diretamente através de um único bloco padrão, sendo necessária a combinação de duas ou mais peças. Devido à sua elevada planicidade e acabamento superficial, as superfícies de medição de blocos padrão aderem uma à outra quando se ajustam progressivamente entre si, através do deslizamento e leve pressão. Não há magnetismo envolvido. Quando corretamente empilhados, os blocos padrão devem suportar uma tração de até 300 N. A aderência é a propriedade das superfícies de medição dos blocos-padrão de aderir à outra superfície de medição, ou a superfícies com acabamento similar, como resultado de forças moleculares. Para obter esta aderência é indispensável (além do bom estado das superfícies sem riscos, batidos, amassamentos, etc., mesmo que mínimos) que não fiquem quaisquer partículas estranhas (pó, por exemplo), entre as superfícies em questão. Procedimento para empilhamento: As superfícies devem ser primeiramente limpas com benzina retificada ou similar, eliminando-se graxa velha oxidada e pó; Aplica-se, em seguida, uma quantidade mínima de vaselina pura, especial, que espalha-se com pano limpo. Procedendo desta maneira, a superfície do bloco padrão fica limpa (brilhante) sendo coberta apenas por um filme mínimo (invisível) de vaselina; Uma vez preparadas as superfícies correspondentes de dois blocos a serem empilhados, um bloco deve deslizar perpendiculares ao outro bloco, enquanto uma pressão moderada é aplicada, de acordo como é apresentado na figura abaixo em (a); Por giro e leve pressão (b) ambas as superfícies são levadas a uma superposição completa (c) fazendo com os blocos se liguem entre si. Empilhamento de blocos padrão. Bloco-padrão protetor As dimensões dos blocos-padrão são extremamente exatas, mas o uso constante pode interferir nessa exatidão. Por isso, são usados os blocos-protetores, mais resistentes, com a finalidade de impedir que os blocos- padrão entrem em contato direto com instrumentos ou ferramentas. A fabricação dos protetores obedece às mesmas normas utilizadas na construção dos blocos-padrão normais. Entretanto, emprega-se material que permite a obtenção de maior dureza. Geralmente são fornecidos em jogos de dois blocos, e suas espessuras normalmente são de 1, 2 ou 2,5 mm, podendo variar em situações especiais. Os blocos protetores têm como finalidade proteger os blocos-padrão no momento de sua utilização. https://focusmetrologia.com/2020/04/27/blocos-padrao/