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Exames Radiológicos Contrastados Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª M.ª Evelyn Rosa De Oliveira Revisão Textual: Prof. Me. Luciano Vieira Francisco Equipamentos e Proteção Radiológica Equipamentos e Proteção Radiológica • Conhecer os equipamentos utilizados para adquirir imagens radiológicas contrastadas; • Conhecer fundamentos de radioproteção e biossegurança. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • Introdução; • Equipamentos de Fluoroscopia: Tecnologias e Recursos; • Bombas Injetoras de Contraste; • Radioproteção em Fluoroscopia; • Biossegurança em Fluoroscopia. UNIDADE Equipamentos e Proteção Radiológica Introdução Os exames contrastados utilizados em radiodiagnóstico consistem em radiografias estáticas ou dinâmicas, que foram adquiridas com o auxílio de um meio de contraste. Imagens estáticas são adquiridas em equipamentos de raios X convencionais, como o equipamento representado na Figura a seguir, porém outras modalidades como res- sonância magnética e tomografia também podem utilizar meios de contraste. Enquanto imagens radiográficas contrastadas dinâmicas e em tempo real são adquiridas em outro tipo de equipamento de raios X, o fluoroscópico, chamado também de arco em C, que veremos no próximo tópico. Figura 1 – Sala de raios X Fonte: Getty Images Equipamentos de Fluoroscopia: Tecnologias e Recursos A fluoroscopia é um exame que utiliza radiação ionizante e contraste para fornecer imagens dinâmicas (em tempo real) da anatomia do paciente. A grande diferença para os exames radiográficos convencionais é justamente essa dinamicidade, já que nos exa- mes convencionais é necessária uma revelação para visualização da imagem radiográ- fica. Na fluoroscopia, as imagens são vistas em monitores, sendo muito utilizada para guiar alguns procedimentos intervencionistas, como angiografia, por exemplo. 8 9 Figura 2 – Monitores do equipamento de fl uoroscopia Fonte: Getty Images Você Sabia? Angioplastia é um procedimento guiado pela angiografia. A Intervenção Coronária Per- cutaneous (PCI), chamada também de angioplastia coronária, é um procedimento não cirúrgico que abre o estreito ou artérias coronárias obstruídas. Na fluoroscopia digital com arco em C, o tubo de raios X está na parte baixa do arco C, e o intensificador de imagens está na parte superior. Este tipo de unidade de fluoroscopia digital é muito versátil e pode ser girado em torno do paciente em qualquer posição para vários tipos de procedimentos especiais. Figura 3 – Sala de fl uoroscopia de arco em C Fonte: Getty Images 9 UNIDADE Equipamentos e Proteção Radiológica O fluoroscópio possui um intensificador de imagem, e como o próprio nome diz, o tubo intensificador amplia a quantidade de fótons de raio X, na ordem de milhões. Desse modo, aumenta também a dose de radiação a ser recebida. O ganho de brilho na ima- gem obtido através do uso do intensificador permitiu que a imagem fosse observada fora da região de propagação do feixe primário de raios X (MOURÃO; OLIVEIRA, 2009). Diferença de potencial entre ânodo e cátodo Tela uorescente de saída Lentes eletroestáticas Fotocátodo Janela de entrada Raios X Figura 4 – Esquema do tubo intensificador de imagem Fonte: Adaptada de SANCHEZ, 2007 Depois dos anos de 1970, foi acoplada uma câmera de televisão à saída do inten- sificador de imagem, permitindo a observação das imagens pelo monitor, permitindo também ajuste de brilho e contraste da imagem gerada. Depois de alguns anos, essas imagens passaram a ter a opção de serem gravadas, bem como registradas em um filme radiográfico (MOURÃO; OLIVEIRA, 2009). Monitor Câmera Objeto Tubo de Raios X Intensi cador Tela Fluorescente Figura 5 – Funcionamento do aparelho de fluoroscopia com intensificador de imagem e acoplamento de câmera e vídeo Fonte: Adaptada de MOURÃO; OLIVEIRA, 2009 A combinação do sistema de radiografia/fluoroscopia é comumente usada para pro- cedimentos gastrintestinais. Nesses sistemas são incorporadas capacidades de fluoros- copia digital com um tipo convencional de mesa de raios X e um fluorotubo de raios X de fluoroscopia na parte superior. Inclui também um tubo radiográfico separado para aplicações convencionais de radiografia panorâmica. 10 11 Figura 6 – Combinação do sistema digital radiografi a/fl uoroscopia Fonte: Getty Images Bombas Injetoras de Contraste Nos exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética, são utilizadas bombas para injetar o contraste durante a realização do exame. Dessa maneira, evita- mos que um profissional necessite ficar ao lado do equipamento para injetar o contraste no momento correto da aquisição da imagem. A bomba injetora tem por finalidade propiciar a injeção de fluidos. Sua função é administrar os medicamentos, meios de contraste com pressão e rapidez, no momento determinado. O profissional que realizar a punção venosa deve tomar cuidado para evi- tar o extravasamento do contraste, bem como contaminações. Figura 7 – Bomba injetora de contraste Fonte: Divulgação 11 UNIDADE Equipamentos e Proteção Radiológica Existem também as bombas infusoras, que possuem como finalidade propiciar infusão precisa de soluções medicamentosas, sangue e hemoderivados por via parenteral e líqui- dos por via enteral. Necessitam de rigoroso controle de gotejamento e período de infusão. • Via de administração enteral: via oral, sublingual e retal; • Via de administração parenteral: via intravenosa, subcutânea e intramuscular. Radioproteção em Fluoroscopia Todos os procedimentos e exames que envolvam radiação ionizante devem seguir o princípio As Low as Reasonably Achievable (Alara), ou seja, as doses devem ser manti- das tão baixas quanto razoavelmente exequíveis. Para isso temos três princípios básicos de radioproteção, de acordo com a Portaria 453 do Ministério da Saúde (BRASIL, 1998): • Justificação: todo procedimento envolvendo radiações ionizantes deve ser justificável em relação a outros métodos, de modo que o benefício para o paciente sempre supere seus riscos. Por isso que não podemos realizar procedimentos radiográficos sem soli- citação médica. Por exemplo: antes de solicitar uma radiografia para verificar pedras renais, o médico solicitante deve avaliar se uma ultrassonografia não é o suficiente; • Otimização da proteção radiológica: devemos nos atentar para sempre deixar mais otimizada possível a proteção radiológica. Para isso devemos considerar um correto posicionamento do paciente, seleção adequada dos parâmetros técnicos e acessórios, garantia da qualidade e os níveis de referência de radiodiagnóstico para pacientes. Deve sempre haver equilíbrio entre a dose e qualidade da imagem, já que uma dose muito baixa pode causar ruído na imagem, bem como o contrário, é muito fácil adquirir uma imagem com melhor qualidade e alta dose, por isso deve haver esse equilíbrio; • Limitação de dose: as doses devem ser mantidas dentro dos valores de referência estipulados na Portaria 453 (BRASIL, 1998). Esses valores não são aplicados as exposições médicas, mas sim aos indivíduos ocupacionalmente expostos (IOE). Os equipamentos de fluoroscopia emitem radiação intermitente quando o pedal está pressionado, por isso o profissional de técnicas radiológicas deve ficar o menor tempo possível dentro da sala de exames, e se for necessária sua permanência, procurar man- ter a maior distância possível do equipamento, utilizando sempre os Equipamentos de Proteção Individuais (EPI) com chumbo. Quanto maior a distância do tubo ou da fonte emissora de raios X menor será a dose. É aconselhável que os profissionais que estão na sala de fluoroscopia durante o pro- cedimento usem: • Avental plumbífero com 0,5 mm de chumbo; • Protetor de tireoide (alguns aventais já possuem o protetor de tireoide anexo); 12 13 • Óculos plumbíferos; • Dosímetro individual por cima do avental, na altura do tórax. Figura 8 – Profi ssionais paramentados com EPI de prevenção radiológica diante do fl uoroscópioFonte: Getty Images Proteção plumbífera: é uma proteção à base de chumbo (Pb) para diminuir a dose de radiação recebida. Segundo Bontrager (2015), luvas cirúrgicas plumbíferas não são recomendáveis, já que quando comparamos a dose recebida nas mãos, custo e aumento do tempo do proce- dimento quando o profissional utiliza essas luvas, já que reduz sua destreza. Lembre-se: quanto maior o tempo de exposição, maior a dose. O equipamento de fluoroscopia possui um pedal, que aciona os raios X, enquanto o operador estiver pressionando o pedal, será visualizada uma imagem dinâmica da região. Os equipamentos também possuem um sistema de segurança, que tocam um sinal sonoro após 5 minutos de exposição contínua, alertando o operador sobre o tempo de exposição. Os equipamentos de fluoroscopia possuem uma proteção plumbífera, como pode- mos ver na Figura a seguir. Lembre-se de que nos equipamentos de fluoroscopia, a parte que emite raios X está localizada inferiormente no equipamento, assim, esse tipo de pro- teção reduz a dose recebida pelo profissional que se posiciona ao lado do equipamento. Outra maneira de reduzir a dose é colimando apenas a região anatômica necessária, assim, diminuímos a área irradiada e a radiação secundária. Leia o seguinte Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): JESUS, C. do C. de. Importância da proteção radiológica com uso do fluoroscópio du- rante os procedimentos cirúrgicos: uma revisão de literatura. 2021. Trabalho de Con- clusão de Curso (Curso Tecnológico em Radiologia) – Faculdade Maria Milza, Governador Mangabeira, BA, 2021. 13 UNIDADE Equipamentos e Proteção Radiológica Figura 9 – Sala de fluoroscopia Fonte: Adaptada de Getty Images A Portaria 453 do Ministério da Saúde impõe alguns requisitos a respeito dos equi- pamentos de fluoroscopia, com o objetivo de potencializar a proteção radiológica. São eles (BRASIL, 1998): • Os sistemas de fluoroscopia devem possuir um sistema de intensificação da imagem; • Dispositivo para selecionar o tempo acumulado de fluoroscopia, com um alarme so- noro, não passando de 5 minutos sem que o dispositivo necessite de ajustes. E mes- mo que seja ajustado, a exposição deve ser interrompida após 10 minutos – o alarme também deve tocar continuamente quanto o controle “alto nível” estiver acionado; • Colimador regulável, e garantia que o feixe não seja maior que a área do receptor de imagem; • Cortina/saiote plumbífero para a proteção do operador; • Sistema para impedir que a distância foco pele seja menor que 38 cm para equipa- mentos fixos e 30 cm em equipamentos móveis. Acesse a Portaria 453 do Ministério da Saúde, que regula as diretrizes básicas de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico, disponível no site do Conselho Na- cional dos Técnicos em Radiologia: BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria SVS/MS 453, de 1 de junho de 1998. Brasília, DF, 1998. Disponível em: https://bit.ly/3DtnhlY Biossegurança em Fluoroscopia De acordo com a Comissão de Biossegurança da Fundação Oswaldo Cruz (2003), a definição de biossegurança é a seguinte: [...] o conjunto de ações voltadas para prevenção, minimização ou elimi- nação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, as quais possam compromete a saúde do homem, dos animais, das plantas, do ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos. 14 15 Existe um símbolo para representar o risco biológico e é usado para alertar sobre o possível perigo de contaminação de elementos que entrem em contato. Esse símbolo é usado nas lixeiras de lixo hospitalar e em embalagens perfurocortantes, por exemplo. Figura 10 – Símbolo de perigo biológico Fonte: Getty Images A biossegurança é uma questão importante quando tratamos de fluoroscopia, já que é muito utilizada para guiar o médico durante procedimentos cirúrgicos e intervencio- nistas. Nesse contexto, devemos ter cuidados extras com contaminações, assim como a limpeza do equipamento e para evitar ferimentos com materiais perfurocortantes. Todo o lixo produzido durante qualquer procedimento, que estiver contaminado com sangue ou outros fluidos biológicos deve ir para a lixeira hospitalar, bem como luvas descartáveis e outros acessórios utilizados. O descarte incorreto de seringas, o uso de equipamentos de proteção e imunizações inadequadas (vacinação em dia), podem gerar problemas para os profissionais atuantes. Segundo Oliveira (2006), os parâmetros de biossegurança corretos dentro da sala de fluoroscopia dependem de muitos fatores, tais como fatores: • Físicos: características do ambiente, equipamento, materiais usados, informação e formação da equipe; • Químicos: medicamentos e produtos químicos; • Biológicos: vírus, bactérias, fungos, por exemplo. Se as regras de biossegurança forem aplicadas, conseguimos diminuir bastante o nú- mero de acidentes de trabalho com os profissionais de saúde envolvidos, e diminuímos as chances de contaminar o paciente. Utilizamos também campos estéreis em torno do paciente, e proteções no equipa- mento. Desse modo facilitamos a limpeza do equipamento – lembre-se de que são rea- lizados procedimentos invasivos, e o equipamento ficará sujo de sangue; se utilizamos proteções descartáveis, após essa proteção ser retirada a área suja de sangue é reduzida, ficando mais fácil de limpar o equipamento. Observe as duas imagens a seguir e repare nas proteções utilizadas nos equipamentos. 15 UNIDADE Equipamentos e Proteção Radiológica Figura 11 – Equipamento de fluoroscopia e paciente, ambos cobertos Fonte: Getty Images Figura 12 – Profissionais observando imagem de fluoroscopia Fonte: Getty Images Faz parte dos procedimentos de biossegurança a utilização dos EPI pelos profissio- nais – reveja a Figura 2. Para evitar contaminações é recomendável que os profissionais envolvidos utilizem: • Luvas estéreis para o médico que operará ou realizará o procedimento; • Luvas de procedimento para os demais profissionais na sala; • Touca descartável cobrindo todo o couro cabeludo; • Caso o profissional tenha barba, deverá utilizar touca apropriada; • Máscara descartável cobrindo nariz e boca; • Avental descartável sobre o avental plumbífero; • Óculos de proteção descartável. 16 17 Cuidados com a higiene e apresentação pessoal também são importantes. Os cabelos devem estar sempre limpos, se os cabelos forem longos, devem ser presos na forma de coque; os sapatos devem ser fechados, e os jalecos devem estar sempre limpos e bem passados. Homens devem manter, de preferência, a barba feita. Caso as mulheres quei- ram utilizar maquiagem, devem fazê-lo de modo suave; as unhas devem ser mantidas curtas, sem esmalte ou com esmalte suave; não é recomendável o uso de acessórios tais como brincos, colares, piercings, anéis ou pulseiras; sapatos de salto também não devem ser utilizados. Devemos lavar as mãos cuidadosamente antes e depois de colocar os equipamentos de proteção individual, assim, evitamos contaminações devido a sujidades nas mãos ou na manipulação do paciente ou dos equipamentos. Existe um protocolo a ser seguido durante a lavagem das mãos, de modo que devemos realizar os seguintes movimentos para nos assegurar de que as mãos estão devidamente higienizadas: Figura 13 – Procedimento para lavagem de mãos Fonte: Getty Images 17 UNIDADE Equipamentos e Proteção Radiológica Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Introducing Azurion with FlexArm https://youtu.be/TSRACPpUTZ8 Aplicação de bomba https://youtu.be/167PjtDNuQU Leitura Otimização de imagens e proteção radiológica em fluoroscopia https://bit.ly/2XYniOn Correlações técnicas e ocupacionais da radiologia intervencionista https://bit.ly/3DEVYoW 18 19 Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. Portaria 453, de 2 de junho de 1998: regulamento técnico. Diretrizes de proteção radiológica em radiodiag-nóstico médico e odontológico. Brasília, DF, 1998. BONTRAGER, K. L.; LAMPIGNANO, J. P. Tratado de posicionamento radiográfico e anatomia associada. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Comissão de Biossegurança. Biossegurança. 2003. Disponível em: . Acesso em: 03/05/2021. MOURÃO, A. P.; OLIVEIRA, F. A. de. Fundamentos de radiologia e imagem. São Caetano do Sul: Difusão, 2009. MS, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. Regulamento técnico. Dire- trizes de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico. Brasília, Portaria nº 453, 2/6/1998. OLIVEIRA, A. A. C. de. Riscos de contaminação biológica em centro cirúrgico. 2006. 57 f. TCC (Graduação em Gestão em Serviços de Saúde) – Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2006. SANCHEZ, M. Distribuição da taxa de kerma no ar em uma sala de hemodinâmica para projeções típicas de procedimentos de cardiologia intervencionista. 2007. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Radioproteção e Dosimetria da Comissão Nacional de Energia Nuclear, Rio de Janeiro, 2007. 19