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A criminalidade e contravenção em "Agosto"
Contexto Histórico e Político
 Primeiramente, é preciso compreender que o romance é ambientado em um momento crítico da história brasileira. Assim, em agosto de 1954, o Brasil vivia uma crise política intensa, culminando no suicídio de Getúlio Vargas. Fonseca utiliza esse cenário para como palco de sua história que não só reflete as tensões políticas da época, mas também expõe as relações entre crime e poder. Dessa forma, o autor recria o clima de instabilidade e incerteza e insegurança, o qual era sentimento comum de várias pessoas do período, mostrando que o limite entre legalidade e ilegalidade é constantemente borrada.
Corrupção e Poder
 Ademais, é válido ressaltar que no centro da narrativa, encontramos personagens que representam a complexidade moral da época como, Agentes da lei, políticos e criminosos que estão interligados por um sistema de corrupção que interliga todas as camadas da sociedade. De tal forma, Fonseca desenha um retrato obscuro, muitas cruel e pessimista da realidade brasileira, onde o poder é frequentemente obtido e mantido por meio de atos ilícitos.
 Neste aspecto, um exemplo claro é o personagem do delegado Mattos, cuja investigação sobre o assassinato de um empresário revela todo um sitema de corrupção que envolve figuras de alto escalão do governo e do empresariado, sendo composto por nomes que fazem parte da elite brasileira, sendo. Assim, a corrupção não é apenas um tema do livro, mas um elemento estruturante da narrativa, sem ela a história não se desencolveria, ilustrando como o crime está intrinsecamente ligado ao exercício do poder.
 Violência e Criminalidade
 Seguindo essa linha de pensamento, a violência é uma presença constante em "Agosto". Fonseca não poupa detalhes ao descrever crimes brutais que ocorrem nas ruas do Rio de Janeiro, como é o caso da cena em que Chicão, personagem ligado a Pedro Lomagno e assassino de Pedro Gomes Aguiar, assassina a sangue frio o porteiro do edifício Dellville. Desss forma, a criminalidade é apresentada de forma crua e realista, com assassinatos, torturas e extorsões que revelam a face sombria da cidade, sendo a figura do assassino profissional, emblemática da cultura de violência que permeia a narrativa, um reflexo da desumanização e da banalização da vida em um contexto onde a morte violenta se torna uma moeda de troca no jogo de poder.
 
Contravenção e Economia paralela
 Assim, adentrando no espaço da criminalidade violenta, a obra também explora o mundo da contravenção como é o caso do jogo do bicho que é uma prática ilegal, mas sempre tolerada, o que serve como pano de fundo para a trama. Fonseca mostra como essa economia paralela se entrelaça com a vida cotidiana dos personagens, destacando a convivência entre o legal e o ilegal.
 Assim, a presença do jogo do bicho ilustra a linha tênue entre a legalidade e a ilegalidade, onde atividades contravencionais são aceitas socialmente e até mesmo integradas ao funcionamento da sociedade. Conforme argumenta José Luiz M. Villar em "Contravenção e a cultura da ascensão social: uma aplicação do método histórico ao estudo das ilicitudes econômicas", a contravenção no Brasil, principalmente através do jogo do bicho, não só manteve uma economia paralela, mas também serviu como um meio de ascensão social para muitos indivíduos marginalizados pelas vias legais de mobilidade econômica, destacando que essas atividades contravencionais, longe de serem meramente atividades à margem da lei, estavam profundamente enraizadas na cultura e na estrutura social da época.
 A Influência do Romance Noir
 "Agosto" é fortemente influenciado pelo gênero noir, caracterizado por uma visão cínica e pessimista da sociedade. A estética noir de Fonseca contribui para a atmosfera sombria do romance, onde a ambiguidade moral e a corrupção são temas centrais.
 Dessa forma, contém a composição de personagens complexos e moralmente ambíguos, muitas vezes hipócritas, o que faz a narrativa repleta de reviravoltas e o cenário urbano decadente, elementos esses que fortalecem a conexão com o noir. Essa influência é crucial para entender como Fonseca constrói seu retrato da criminalidade e contravenção.
 
Últimas Considerações
 Dessa forma, "Agosto" de Rubem Fonseca é uma obra que apresenta criticamente temas sobre a criminalidade e a contravenção no Brasil dos anos 1950. Através de uma narrativa densa e intricada, Fonseca revela as conexões entre poder, corrupção e violência, criando um retratotenso e, ao mesmo tempo, realista da sociedade brasileira, o que se deve pela influência do gênero noir, que torna mais evidente a complexidade moral dos personagens e a atmosfera de desespero e decadência, tornando "Agosto" uma leitura essencial para compreender as dinâmicas de crime e poder na literatura brasileira, ao lado da corrupção e problemáticas dentro de instituições como a polícia
 Referências
-Fonseca, Rubem. Agosto. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
-Alves, Daniel Pereira. "A Reinvenção do Romance Policial em Rubem Fonseca." Revista Brasileira de Literatura Comparada, vol. 20, no. 1, 2018, pp. 95-110.
-Pereira, Cláudia. "A Estética do Noir em Agosto de Rubem Fonseca." Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, vol. 38, 2011, pp. 45-58.
-Silva, Maria Helena. "História e Ficção em Agosto." Revista de História das Ideias, vol. 24, 2003, pp. 123-138.
-Villar, José Luiz M.
Contravenção e a cultura da ascensão social: uma aplicação do método histórico ao estudo das ilicitudes econômicas*. São Paulo: Bluncher Acadêmico, 2008.

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