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MARC BLOC APOLOGIA À HISTÓRIA OU OFÍCIO DO HISTORIADOR CAP 1. ``A HISTÓRIA, OS HOMENS E O TEMPO ´´ 1.A ESCOLHA DO HISTORIADOR: Nesse tópico, o autor buscar refletir sobre o significado da palavra ``história´´, analisando como o termo mudou através dos anos, visando entender e questionar qual seria, portanto, o objeto de estudo do historiador. A questão veio após um filho questionar o pai sobre para que serviria a história, pergunta fundamental para a epistemologia e metodologia da história, buscando entender a objetividade da história e como ela é produzida. Bloch defende a questão respondendo que o historiador deve falar tanto aos doutos quanto aos escolares, ou seja, tanto para os acadêmicos quanto aos que não são acadêmicos. Além é válido ressaltar que Marc Bloch tenta responder essa questão em um contexto de prisão em campo de concentração, por ser judeu, durante a segunda guerra mundial. 2.A HISTÓRIA E OS HOMENS: Alegar que a história é a ciência do passado é equivocado outrora que tornar um espaço temporal não contemporâneo ao indivíduo que o analisa como objeto de estudo é impossível sem que se tenha uma amostra real do tempo vivido, o passado não é materializado, o que se tem são resquícios de uma parcela dele, dessa forma se mostra incoerente tentar criar uma ciência que estuda o universo em sua totalidade. Entretanto, os primeiros historiadores não tinham essa preocupação e narravam todo tipo de fato que ocorria contemporaneamente a eles. Assim, o fato é que a linguagem tradicional conserva o termo ``história´´ para todo estudo de mudança na duração porem é preciso entender onde o historiador entra, que é quando o ser humano aparece. Dessa maneira, a história é a ciência dos homens ineridos no tempo, não pretende estudar o passado em si, e sim entender as mudanças temporais do mundo humano. Sendo assim, o historiador que não se preocupa em estudar os homens em suas redes de pesquisa é apenas um mero serviçal da erudição, ``o bom historiador se parece com o ogro da lenda. Aonde fareja carne humana, sabe que ali está a sua caça´´ (p.54). Além do mais, Marc Bloch defende que a história é uma ciência, diferente das ciências da natureza, não procura criar leis gerais, nem lidar com os fatos com exatidão, se contraponde ao que propunha a escola positivista. Neste aspecto, cada ciência tem sua estética e suas metodologias, e a história visa contribuir para criar um mundo melhor mostrando o resultado de suas pesquisas de maneira clara. 3.O TEMPO HISTÓRICO: A discussão sobre o que a história estuda é amplificada como uma ciência ``dos homens, no tempo´´, pensando além do humano em si e também no contexto o qual o mesmo se inseri. Dentro dessa perspectiva, se tem a ideia de tempo histórico que visa entender muito mais a construção da sociedade na época de determinado acontecimento do que na duração dele, por exemplo. Assim, estuda-se a humanidade pensada a luz de sua existência em um determinado tempo. Nesta perspectiva o historiador estuda o mundo humano no tempo, como o passado influenciou a vida de uma sociedade e como tal fato se relaciona com o presente. Sendo assim, o tempo é o local onde as situações acontecem e é lá que elas devem ser compreendidas. 4. O ÍDOLO DAS ORIGENS: É preciso deixar de lado o ídolo das origens que consiste em pensar equivocadamente que a resposta de todos os fatos históricos está no início de tudo, deixando de analisar, por exemplo, os motivos pelo qual tal fato ainda se mantem nos tempos contemporâneos e as circunstâncias que o permitem persistir. Portanto, não existe causas ou origens únicas, não dá para explicar toda contemporaneidade de um momento apenas por um efeito ou causa única, seria um equívoco, mais uma vez Marc Bloch tece críticas ao modelo de história defendida pela escola positivista que buscava prever, a partir de uma origem, uma série de acontecimentos ignorando uma série de aspectos que determinaram o fim do específico analisado. Nesse sentido, o autor recomenda que o historiador se afaste de duas manias, sendo elas a obsessão pelas origens e a mania de julgamento, é impossível analisar um fenômeno histórico sem entender o tempo em que ele ocorre. 5.PASSADO E PRESENTE: Por conta da idolatria do passado, surgem correntes que buscam estudar a história de forma imediatista desligando quase absolutamente o passado do presente o que é extremamente problemático, outrora que a própria noção do que é passado e presente não é exatamente definida, podendo variar diversamente. Tem-se que jogar fora a ideia de que o passado sozinho já explica o presente ou que o presente sozinho já se explica por si só. Assim, nenhuma sociedade tem seu momento atual resumido no momento exatamente anterior ao próprio. Sendo assim, não compreender o passado é ignorar o presente e as suas dinâmicas, ``A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado. Mas também não seja menos vão esgotar-se em compreender o passado sem nada saber do presente´´ (p.65).