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1 
 
FINANÇAS EMPRESARIAIS I 
SEBENTA DE APOIO 
 
 
 
 
I. A EMPRESA 
 
A empresa é a combinação de um conjunto de factores, reunidos para 
produzir e trocar bens e serviços com outros agentes económicos. É assim, 
uma organização socioeconómica que utiliza determinados recursos, tais 
como meios humanos, materiais (tangíveis e intangíveis) e contrapartidas 
financeiras, para atingir seus objectivos, nomeadamente a maximização do 
lucro, maximização da quota de mercado, maximização do valor da empresa 
e a maximização do crescimento. 
Existem três formas básicas de organização empresarial, nomeadamente, 
empresa Individual, sociedade por quotas e sociedades anónimas (por 
acções). 
A Empresa Individual possui apenas um proprietário visando o seu próprio 
lucro, o capital normalmente provém de recursos próprios ou de empréstimos. 
O proprietário individual tem responsabilidade ilimitada, ou seja, todos os 
seus bens podem ser utilizados para satisfazer os credores e apresenta as 
seguintes vantagens e desvantagens: 
Vantagens: 
a) O proprietário recebe todo o lucro e arca com todas as despesas; 
b) O imposto de renda recai apenas sobre os rendimentos do 
proprietário; 
c) Tem sigilo; 
d) Facilidade de dissolução. 
Desvantagens: 
a) O proprietário tem responsabilidade ilimitada; 
UNIVERSIDADE LUSÍADA DE ANGOLA 
TEMA I: OS FLUXOS NA EMPRESA, A FUNÇÃO FINANCEIRA E AMBIENTE FINANCEIRO 
2 
 
b) Tem limitada capacidade de obtenção de fundos o que tende a 
inibir seu crescimento; 
c) Tem dificuldades em oferecer aos empregados oportunidades de 
carreira a longo prazo. 
A Sociedade por Quotas consistem de dois ou mais proprietários dirigindo 
conjuntamente um empreendimento com fins lucrativos e se classificam em 
duas categorias: Sociedades Gerais e Sociedades Limitadas. Na Sociedade 
Geral, todos os sócios concordam em fornecer alguma proporção de trabalho 
e capital, bem como compartilhar os lucros e as perdas. Todos os sócios têm 
responsabilidade ilimitada. Nas Sociedades Limitadas, um ou mais sócios 
podem ter responsabilidade limitada, desde que pelo menos um dos sócios 
assuma responsabilidade ilimitada. Os sócios de responsabilidade limitada 
não participam na gestão dos negócios. 
A Sociedade por Quotas apresentam as seguintes vantagens e 
desvantagens: 
Vantagens: 
a) Pode levantar mais fundos que as empresas individuais; 
b) Tem maior capacidade de obter empréstimo, devido ao maior 
número de proprietários; 
c) Tem maior capacidade administrativa. 
Desvantagens: 
a) Os proprietários poderão ter de cobrir dívidas de outros sócios com 
menos capacidade financeira. 
b) Dificuldades para liquidar ou transferir a sociedade 
c) Dificuldade para alcançar operações de grande escala. 
A Sociedade Anónima (por acções) é uma entidade intangível, criada por 
lei. É a mais importante dentro das distintas formas de organização de 
empresas. Uma sociedade anónima pode accionar e ser accionada 
judicialmente, estabelecer contratos e ser parte deles e adquirir propriedades 
em seu próprio nome. A sociedade Anónima envolve três conjuntos de 
interesses distintos. O do Accionista (proprietário), o do Conselho de 
Administração e o do Presidente. 
 
3 
 
Os accionistas são os verdadeiros donos da empresa, em função do seu 
património em acções ordinárias e preferenciais. Eles votam periodicamente 
para eleger os membros do Conselho de Administração e para modificar o 
estatuto social da empresa. O Conselho de Administração, possui a 
autoridade máxima para decidir os assuntos da sociedade e para formular 
sua política geral.O Presidente ou Executivo Principal, é responsável pela 
administração do dia-a-dia da empresa e pela execução das políticas 
estabelecidas pelo Conselho de Administração. Reporta-se periodicamente 
ao Conselho de Administração da empresa. A Sociedade Anónima apresenta 
as seguintes vantagens e desvantagens: 
Vantagens: 
a) Os proprietários têm responsabilidade limitada, o que lhes garante 
não perder mais do que investem; 
b) Pode alcançar grandes dimensões devido à possibilidade de 
vendas de acções; 
c) Os direitos de propriedade são facilmente transferíveis; 
d) Maior capacidade de expansão, devido ao acesso ao mercado de 
capitais. 
Desvantagens: 
a) Os impostos são geralmente mais altos, uma vez que os lucros são 
tributados na empresa e os dividendos pagos aos proprietários, 
também; 
b) Exige maiores gastos organizacionais do que outras formas de 
empresa; 
c) Sujeita-se a maior controlo governamental; 
d) Ausência de sigilo, pois os accionistas devem receber as 
demonstrações financeiras. 
 
• A Estrutura de Funções na Empresa 
 
A empresa se apresenta como um sistema integrado por várias funções que 
se interrelacionam condicionando-se mutuamente. Uma empresa clássica 
apresenta a seguinte estrutura de funções: 
 
4 
 
a) Função Administrativa. – Esta função está relacionada com a 
administração geral da empresa e a qual se subordinam todas as 
demais funções; 
b) Função Aprovisionamento. – Assegura o abastecimento aos 
distintos sectores da empresa, o fluxo de materiais e serviços para 
o funcionamento das mesmas. Destacam-se tarefas relacionadas 
com compras, recepção e gestão dos stocks; 
c) Função Produção. – Diz respeito a todas as actividades 
relacionadas com o processo de fabrico, a preparação do trabalho 
e a organização da produção, o estudo e o aperfeiçoamento em 
termos técnicos dos produtos fabricados ou produtos novos, de 
processos tecnológicos e equipamentos, controle quantitativo e 
qualitativo da produção, a conservação e reparação de 
equipamentos, os estudos de produtividade, etc.; 
d) Função Marketing. – Desenvolve o estudo comercial do produto, 
do mercado e dos canais de distribuição e o serviço após venda; 
e) Função de Recursos Humanos. – Relaciona-se com todas as 
actividades ligadas com a contratação e utilização da força de 
trabalho; 
f) Função Financeira. – Desenvolve estudos e actuações 
relacionadas com os meios financeiros necessários à actividade da 
empresa. 
 
• Os Fluxos na Empresa 
 
No desenvolvimento da sua actividade económica a empresa estabelece 
relações, umas viradas para os aspectos internos, outras para o exterior. 
Estas relações traduzem-se por fluxos de bens e serviços, aos quais 
correspondem sempre fluxos monetários no sentido inverso. 
Chama-se Fluxo à quantidade de bens ou dinheiro transferidas em 
determinado período entre dois agentes económicos. Existem duas 
categorias de fluxos. Os fluxos reais, de bens e serviços, e os fluxos 
financeiros, de dinheiro ou equivalente (meios monetários). 
5 
 
Os fluxos financeiros são a contrapartida monetária do circuito de bens e 
serviços, sendo este circuito o correspondente aos fluxos físicos inerentes à 
actividade da unidade económica. Os fluxos podem ser cíclicos ou acíclicos, 
consoante estejam ou não ligados ao ciclo de exploração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1. Diagrama dos Fluxos 
 
Três ópticas se distinguem: 
Óptica Financeira. Diz respeito ao endividamento da empresa 
perante o exterior. Está directamente relacionada com a remuneração 
dos factores e dos bens e serviços vendidos. Nesta óptica pode-se 
distinguir: as despesas, que correspondem à remuneração dos 
factores produtivos e as receitas, que correspondem à remuneração 
das vendas efectuadas e/ou serviços prestados. 
Óptica Económica ou Produtiva. Está ligada à transformação e 
incorporação dos diversos materiais, mão-de-obra, etc., até atingir o 
produto (bens ou serviços) final. Os valores incorporados e gastos na 
produção designam-se custos. Por sua vez, os produtos acabados de 
fabricar e aptos para a venda designam-se proveitos. 
Óptica de tesouraria (ou caixa). Corresponde às entradas e a saídas 
monetárias da empresa. Nesta óptica pode-se distinguir os 
recebimentos, que correspondem à entrada de valores monetários 
para a empresa, eos pagamentos, que dizem respeito às saídas de 
valores monetários. 
 
Compras 
Produção 
Vendas 
Proveitos 
Custos 
Zona Interna 
Caixa/Depósitos 
Fornecedor
es 
Clientes 
Fluxos Monetários 
 
Fornecedores de 
 materiais e 
 mão-de-obra 
obra 
Clientes 
 Fluxos Reais 
6 
 
 
Fluxos Financeiros 
Classificação dos Fluxos Financeiros: 
Os fluxos financeiros ou monetários podem ser classificados conforme o 
esquema a seguir apresentado: 
 
 
 
 
 
 
 
a) Os fluxos financeiros induzidos são os que resultam dos 
fluxos reais. 
 
b) Os fluxos financeiros directos são os que envolvem 
unicamente os dois agentes económicos intervenientes na 
própria transacção (no fluxo real). Os fluxos directos podem 
ser imediatos ou diferidos: são imediatos, quando fluxo real 
e financeiro coincide no tempo; são diferidos, quando o fluxo 
real e financeiro não revela coincidentes no tempo. Ex. – 
Quando um dos agentes económicos intervenientes 
concede (ou obtém) crédito. 
 
c) Os fluxos financeiros indirectos são aqueles em que 
intervêm mais do que dois agentes económicos. Ex. - 
Quando se verifica o aceite de letra e seu desconto 
antecipado no banco. 
 
d) Os fluxos financeiros autónomos não decorrem, directa 
ou indirectamente, de qualquer fluxo real. Ex. - A concessão 
de um empréstimo, a curto ou a médio prazo 
Fluxos 
Financeiros 
Induzidos 
Autónomos 
Directos 
Indirecto
s 
Imediato
s 
Diferidos 
7 
 
 
Fluxos de Tesouraria (ou de caixa) 
Os fluxos de caixa podem ser divididos em: 
1. Fluxos operacionais 
2. Fluxos de investimentos 
3. Fluxos de financiamentos 
Os fluxos operacionais são fluxos de caixa (entrada e saídas) 
directamente relacionados à produção e venda dos produtos e 
serviços da empresa. Esses fluxos captam a demonstração do 
resultado e as transacções das contas circulantes, ocorridas durante o 
período. 
Os fluxos de investimento são fluxos de caixa associados à compra e 
venda de activos imobilizados e participações societárias. As 
operações de compra resultam em saídas de caixa, enquanto as 
operações de venda geram entradas de caixa. 
Os fluxos de financiamentos resultam de operações de empréstimo e 
capital próprio. A tomada ou o pagamento de empréstimos tanto de 
curto prazo como de longo, resultará numa correspondente entrada ou 
saída de caixa. Também, a venda de acções pode resultar numa 
entrada de caixa, enquanto, o resgate de acções ou o pagamento de 
dividendos pode resultar em uma saída de caixa. 
A combinação dos fluxos de caixa operacionais, de investimento e de 
financiamento num dado período, farão com que o saldo de caixa de 
uma empresa aumente, diminua ou permaneça inalterado. 
 
8 
 
II. A FUNÇÃO FINANCEIRA 
 
A área de Finanças é muito ampla e dinâmica, afectando directamente a vida 
de todas as pessoas e todos os tipos de organizações, sejam, financeiras ou 
não, privadas ou públicas, grandes ou pequenas, com ou sem fins lucrativos. 
As Finanças ocupa-se do processo, instituições, mercados e instrumentos 
envolvidos na transferência de fundos entre pessoas, empresas e governos. 
Pode-se dividir finanças em duas áreas distintas, isto é, no âmbito macro e 
micro: 
a) Âmbito da Macro Finanças – está relacionado à econima, mais 
especificamente à macroeconomia, e refere-se a questões como 
fluxos internacionais de capital, sistema financeiro nacional e 
mercados financeiros. Trata assim, de aspectos da administração 
macroeconômica de fundos; 
b) Âmbito da Micro Finanças – refere-se às finanças das 
organizações, que, Trata das decisões da administração de fundos 
dentro a Empresa, que, por sua vez, podem ser divididas em curto 
prazo e longo prazo. 
 
• A Função Financeira na Empresa 
 
A Função Financeira na empresa, compreende um conjunto de actividades 
relacionadas com a gestão dos fundos movimentados por todas as áreas da 
empresa. Essa função é responsável pela obtenção dos fundos necessários 
e pela formulação de uma estratégia voltada para a optimização do uso 
desses fundos. Encontrada em qualquer tipo de empresa, a função financeira 
tem um papel muito importante no desenvolvimento de todas as actividades 
operacionais, contribuindo significativamente para o sucesso do 
empreendimento. 
A finalidade da empresa é criar valor para o seu proprietário o qual está 
reflectido no no modelo básico representado pelo seu balanço patrimonial. 
 
9 
 
Os recursos supridos pelos proprietários e pelos credores das empresas 
encontram-se aplicadas em activos utilizados na produção e comercialização 
de bens ou na prestação de serviços. 
Analisando o modelo da empresa com base no balanço patrimonial, a seguir 
apresentado, certifica-se: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2. Modelo da empresa com base no balanço patrimonial 
 
Os activos da empresa aparecem no lado esquerdo do balanço e são 
considerados como circulantes e fixos. Os activos circulantes são aqueles que 
têm curta duração (ex. stocks). Os activos fixos, são de longa duração, sendo 
10 
 
alguns tangíveis (ex. máquinas e equipamentos) e outros intangíveis (ex. 
patentes, marcas registadas). 
Para as empresas investirem necessitam de dinheiro para pagar o investimento. 
As formas de financiamento encontram-se representadas no lado direito do 
balanço. Os passivos são classificados de longa e de curta duração. As dívidas 
de curto prazo devem ser saldadas dentro do prazo de um ano e as dívidas de 
longo prazo acima de um ano. 
O património líquido representa a diferença entre o valor dos activos e as dívidas 
da empresa. 
Da análise do modelo percebe-se que a área de finanças envolve o estudo de 
três aspectos. O primeiro diz respeito ao lado esquerdo do balanço (parte 
superior) e se usa o orçamento de capital e dispêndio de capital para descrever 
o processo de realização e gestão de gastos com activos de longa duração. O 
segundo refere-se ao lado direito do balanço (parte superior), em que envolve a 
estrutura de capital da empresa, que indica as proporções de financiamento com 
o capital próprio e capital de terceiros de curto e de longo prazo. A terceira 
aspecto diz respeito á gestão dos fundos de caixa no curto prazo (parte inferior), 
em que, devido falta de sincronização entre as entradas e as saídas de caixa 
durante as actividades operacionais os gestores precisam gerir as defasagens 
que possam surgir em termos de fluxos de caixa. A gestão do fluxo de caixa está 
associada ao capital circulante líquido da empresa. 
 
• A Gestão Financeira 
 
A Gestão Financeira constitui o conjunto de técnicas cujos objectivos são a 
obtenção regular e oportuna dos recursos financeiros necessários ao 
funcionamento e desenvolvimento da empresa, ao menor custo possível e sem 
alienação da sua independência e, também, o estudo e controlo da rentabilidade 
de todas as aplicações a que são afectos esses recursos. 
A obtenção de fundos são feitos nas condições mais favoráveis possíveis, por 
via dos recursos próprios e recursos de terceiros e a afectação eficiente desses 
11 
 
recursos na empresa, direccionados para os activos operacionais e outros 
activos de natureza operacionais ou não. 
A obtenção de fundos é da responsabilidade exclusiva da gestão financeira e 
envolve o suprimento dos fundos de que as operações normais de empresa 
necessitam. Já a afectação de fundos envolve a constante busca de optimização 
no uso dos fundos para que seja alcançada a rentabilidade desejada e preservar 
a capacidade da empresa pagar seus compromissos nos vencimentos. 
 
A afectação de recursos não constitui tarefa fácil devido aos aspectos relativos 
à liquidez, à rentabilidade e aos interesses envolvidos. 
Quanto à liquidez, as empresas ao deixarem de liquidar osseus compromissos 
financeiros nas datas acordadas sofrerão restrições de crédito e terão 
dificuldades na manutenção do ritmo normal de suas operações. A situação 
poderá deteriora-se até ao ponto de decretar-se de sua falência. 
A insolvência de uma empresa pode surgir devido a excesso de imobilizações 
ou de stocks, à concessão aos clientes de prazos muito longos para pagamento 
ou, ainda, à utilização de fontes de financiamento inadequadas. Observa-se, 
então, que a capacidade da empresa cumprir com os seus compromissos 
financeiros é afectada tanto pela composição das fontes de fundos, quanto pela 
composição dos activos. Deste modo, a manutenção da liquidez da empresa 
representa a preocupação mais imediata do gestor financeiro. 
 
Uma empresa apresenta boa liquidez quando seus activos e passivos são 
geridos convenientemente. Não é necessário manter numerário parado em caixa 
para liquidar compromissos a vencer em futuro próximo. Isto seria 
desaconselhável do ponto de vista da rentabilidade, uma vez que tais recursos 
não são rentáveis. O importante é manter os fluxos de entradas e saídas de caixa 
sob controlo e conhecer antecipadamente as épocas em que irá faltar numerário. 
 
No que se refere à rentabilidade, o lucro ou prejuízo de cada período resulta da 
confrontação das receitas e despesas, observando-se o regime de competência 
de exercícios. Tomado isoladamente, o lucro apenas indica o excedente de 
receitas sobre os custos e despesas incorridos. Pode-se comparar o resultado 
12 
 
de um exercício social com o obtido no exercício anterior ou com aquele que 
havia sido projectado e concluir sobre a sua evolução ou sobre o atingir da meta 
proposta. 
 
Embora tais informações tenham validade, será mais elucidativo comparar-se o 
lucro obtido com o investimento realizado para a sua obtenção. Assim, obtêm-
se uma medida de remuneração dos recursos aplicados denominada taxa de 
rentabilidade ou taxa de retorno. Pode-se assim, conceituar-se rentabilidade 
como o grau de êxito económico obtido por uma empresa em relação ao capital 
nela investido. 
 
A Gestão Financeira é responsabilidade do gestor financeiro numa empresa e 
engloba o seguinte conjunto de tarefas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 3 – Tarefas da gestão financeira 
 
 
A MÉDIO E LONGO 
PRAZOS 
(estratégias financeiras) 
 
A CURTO PRAZO 
OU GESTÃO DA 
TESOURARIA EM 
SENTIDO LATO 
(decisões operacionais) 
POLÍTICAS DE: 
- Investimentos 
- Financiamentos 
- Destino a dar ao 
lucro (dividendos) 
GESTÃO DO: 
- Activo Circulante 
 
- Débitos de Curto 
Prazo 
GESTÃO 
FINANCEIRA 
13 
 
Quando alguém se dispõe a investir poupanças em uma empresa, em vez de 
aplicá-la em alternativas mais seguras, está-se disposto a assumir certo risco em 
troca de um aumento no seu património ou riqueza pessoal. Assim, pode-se 
admitir que o objectivo primordial do Gestor Financeiro é o de maximizar a 
riqueza de seus proprietários. Essa riqueza é representada pelo valor de 
mercado da empresa, ou seja, pelo preço que seria alcançado na venda de 
direitos de participação no seu capital social. 
As acções do gestor financeiro relativas à análise e ao planeamento financeiro, 
às decisões de investimento e às decisões de financiamento, devem ser tomadas 
visando-se ao cumprimento dos objectivos dos proprietários da empresa, que é 
a maximização da sua riqueza. 
 
 
• Áreas de Decisões Financeiras 
 
As Decisões Financeiras são tradicionalmente separadas em duas áreas, 
nomeadamente, de médio e longo prazo e de curto prazo. 
 
Área de Médio e Longo Prazo (estratégias financeiras) 
De forma bastante abrangente, pode-se identificar três áreas de decisões 
financeiras de médio e longo prazo, onde se definem diferentes decisões 
relacionadas com políticas de: 
• Investimento; 
• Financiamento; e 
• Destino a dar ao Lucro (dividendos). 
Decisões de Investimento 
As decisões de investimento do gestor financeiro determinam a combinação e o 
tipo de activos constantes do balanço patrimonial da empresa. Essa actividade 
diz respeito ao lado esquerdo do balanço. A combinação refere-se ao montante 
de recursos aplicados em activos circulantes e em activos permanentes. 
Estabelecidas as proporções, o gestor financeiro deve fixar e tentar manter 
certos níveis óptimos para cada tipo de activo circulante. Deve também decidir 
14 
 
quais são os melhores activos permanentes a adquirir, e saber quando os activos 
existentes precisam ser modificados substituídos ou liquidados. 
Decisões de Financiamento 
Essa actividade relaciona-se com o lado direito do balanço patrimonial e envolve 
duas áreas principais. Primeiro, a combinação mais apropriada entre 
financiamento a curto e a longo prazo que deve ser estabelecida. Uma Segunda 
preocupação, igualmente importante, é que fontes individuais de financiamento, 
a curto ou longo prazo, são melhores em um dado instante. 
Resumidamente, as questões envolvidas nas decisões de financiamento 
referem-se à composição das fontes de recursos, como segue: 
• Qual deveria ser a proporção entre recursos permanentes e 
temporários 
• Quanto de recursos próprios e quanto de financiamento a longo 
prazo 
• O reinvestimento reagiria bem ao lançamento de novas acções 
• Qual seria o impacto dos custos financeiros provocados pelos 
financiamentos a longo prazo e pelos empréstimos a curto prazo 
• Em vez de comprar activos fixos, não deveríamos arrendá-los 
Decisões Relativas ao Destino a dar ao Lucro 
O lucro obtido em cada exercício social representa a remuneração do 
investimento dos proprietários da empresa. Quanto desse lucro deveria ser 
distribuído aos accionistas e quanto será retido para financiar a expansão dos 
negócios. Essa indagação revela que política de distribuição de dividendos está 
directamente relacionada com as decisões de financiamento. 
Distribuindo apenas uma pequena parcela dos lucros, a empresa ficará menos 
dependente das fontes onerosas de recursos e ampliará a participação do capital 
próprio na estrutura financeira. 
Uma política de dividendos adequada favorece a manutenção dos preços das 
acções em níveis elevados, e isto poderá garantir o sucesso de futuros 
lançamentos de novas acções no mercado. 
15 
 
 
Áreas de Decisões Operacionais 
As Decisões Operacionais refere-se à gestão de curto prazo que ocupa o dia-a-
dia do gestor financeiro, focando-se na gestão de clientes, existências, 
fornecedores e tesouraria. Assim, no curto prazo as finanças empresariais 
contempla a gestão do Capital circulante da emprea. 
 
• Relacionamento da Gestão Financeira com a Economia e a 
Contabilidade 
 
O campo das finanças está intimamente relacionada com a economias e a 
contabilidade, e os gestores financeiros precisam entender essas relações que 
se estabelece entre estes campos. 
 
Economia 
A economia fornece uma estrutura para a tomada de decisão em cada uma das 
áreas, como a análise de risco, Teoria do preço estabelecida através da lei da 
oferta e da procura, análise comparativa de retorno, e muitas outras áreas 
importantes. A economia também fornece um amplo quadro, o ambiente 
económico, no qual as corporações têm que tomar decisões continuamente. Um 
gestor financeiro tem que entender a estrutura institucional do Sistema 
financeiro, o sistema de bancário, e o interrelacionamento entre os vários 
sectores da economia. As variáveis económicas, como produto interno bruto, 
produção industrial, renda disponível, desemprego, inflação, taxas de juros, e 
impostos, têm que se ajustar ao modelo de decisão do gestor financeiro e tem 
que as aplicar correctamente. 
Assim, a importância da economia para o desenvolvimento da teoria financeira 
pode ser vista em função das duas áreas: a macroeconomia e a microeconomia. 
Sem compreender o funcionamento do amplo ambiente económico, o gestor 
financeiro não pode esperar obter sucessofinanceiro para a empresa. 
 
16 
 
Contabilidade 
A contabilidade é algumas vezes dita ser o idioma das finanças porque fornece 
dados financeiros através da demonstração dos resultados, balanços, e as 
demonstrações de fluxos de caixa. O gestor financeiro tem que saber como 
interpretar e usar estas demonstrações alocando à empresa os recursos 
financeiros para gerar o melhor retorno possível. 
A gestão financeira e a contabilidade nem sempre se distinguem facilmente. Nas 
pequenas empresas o contabilista frequentemente assume a função financeira 
e em grandes empresas, muitos dos contabilistas estão intimamente envolvidos 
em várias actividades financeiras. No entanto, há duas diferenças básicas entre 
Finanças e Contabilidade: a ênfase no fluxo de caixa e na tomada de decisões. 
 Ênfase no fluxo de caixa. 
A função principal do contabilista é desenvolver e fornecer dados para medir o 
desempenho da empresa, avaliar a sua posição financeira e pagar impostos. O 
contabilista prepara as demonstrações financeiras, que reconhecem as receitas 
no momento da venda e as despesas quando incorridas. Essa abordagem é 
conhecida como regime de competência. 
O gestor financeiro por outro lado, enfatiza o fluxo de caixa, ou seja, entradas e 
saídas de caixa. Ela mantém a solvência da empresa, analisando e planeando o 
fluxo de caixa para satisfazer as obrigações e adquirir os activos necessários ao 
cumprimento dos objectivos da empresa. O gestor financeiro adopta o regime de 
caixa para reconhecer as receitas e despesas que efectivamente representam 
entradas e saídas de caixa. 
Ex. 
Uma empresa no final do último exercício fiscal vendeu um equipamento por 
$200.000. Nessa aquisição teve um custo de $160.000. Embora a empresa já 
tivesse arcado com o custo total do equipamento ao longo do ano, no 
encerramento do exercício ainda não havia recebido os $200.000 do cliente a 
quem a venda fora realizada. 
17 
 
As visões do contabilista e do gestor financeiro, sobre o desempenho da 
empresa durante o ano, são dadas pela demonstração do resultado do exercício 
e do fluxo de caixa a seguir apresentada: 
 
 
 Visão do Contabilista Visão do Gestor Financeiro 
 Demonstração do Resultado do Exercício Demonstração do Fluxo de Caixa 
 Em 3112 Em 3112 
 Vendas..............................$200.000 Entrada de caixa..........................$0 
 Menos: Custos.................$160.000 Menos: Saídas de aixa......$160.000 
 Lucro líquido....................$ 40.000 Fluxo de caixa líquido... ($160.000) 
 
 Quadro 1. 
Na visão do contabilista a empresa é bastante lucrativa, já na visão do gestor 
financeiro (em termos do efeito fluxo de caixa), a empresa é um fracasso. Pois, 
o exemplo mostra que a contabilidade, à base do regime de competência não 
revela integralmente as circunstâncias da empresa. O gestor financeiro, 
concentrando-se no fluxo de caixa deverá ser capaz de evitar a insolvência e 
atingir os objectivos financeiros da empresa. 
Tomada de decisão. 
Enquanto a contabilidade volta a sua atenção para a recolha e apresentação de 
dados financeiros, o gestor financeiro analisa os demonstrativos financeiros, 
desenvolve dados adicionais e toma decisões, baseado em sua avaliações 
acerca do risco e retorno inerentes. O papel do contabilista é fornecer dados 
consistentes e de fácil interpretação sobre as operações passadas, presentes ou 
futuras da empresa. O gestor financeiro utiliza esses dados, na forma como se 
apresenta ou após realizar alguns ajustes, e os toma para o processo de tomada 
de decisão. 
As finanças une a teoria económica com os dados da contabilidade, e todos os 
gestores incorporados na produção, vendas, pesquisa, marketing, 
administração, ou planeamento estratégico de longo-prazo têm que saber o que 
pretende para avaliar o desempenho financeiro da empresa. 
18 
 
III. O AMBIENTE FINANCEIRO 
 
Conceito de Ambiente Financeiro 
 
Pode-se entender com ambiente financeiro o conjunto de Instituições e 
Mercados que têm como finalidade manter o fluxo contínuo de recursos 
financeiros entre os poupadores e investidores nas economias. 
 
• Formas de Obtenção de Fundos de Fontes Externas 
 
Sendo as instituições financeiras e os mercados elementos integrantes do 
ambiente financeiro, apresentam-se como fontes de fundos externos para 
satisfazer as necessidades das empresas em recursos financeiros. As empresas 
podem obtê-los de três formas: 
• Através das instituições financeiras; 
• Através de mercados financeiros; e 
• Através da colocação directa. 
 
Instituições Financeiras 
As instituições financeiras são intermediários que canalizam as poupanças de 
indivíduos, empresas e governos para empréstimos ou investimentos. Algumas 
instituições financeiras captam poupanças e emprestam esses fundos e seus 
clientes, outras investem as poupanças de seus clientes em activos rentáveis, 
tais como bens imóveis ou acções e títulos de dívida; outras ainda que tanto 
emprestam fundos quando investem as poupanças. 
 
Os fornecedores e os que tomam fundos são indivíduos, empresas e governos. 
Os indivíduos não só actuam como fornecedores às instituições financeiras, 
como também procuram delas fundos na forma de empréstimos. No entanto os 
indivíduos poupam mais dinheiro do que tomam emprestados. São fornecedores 
líquidos. 
As empresas também depositam seus fundos nas instituições financeiras. Tal 
como os indivíduos, também tomam empréstimos dessas instituições. Tomam 
mais dinheiro do que poupam. São tomadores líquidos. 
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Os governos mantêm em bancos comerciais, depósitos de fundos 
temporariamente ociosos, certas arrecadações de impostos e os recolhimentos 
de previdência social. Eles não tomam fundos emprestados directamente das 
instituições financeiras. O governo toma emprestado mais do que poupa. È um 
tomador líquido de fundos. 
 
As principais Instituições Financeiras são os bancos comerciais, os bancos de 
poupança, as associações de poupança e empréstimo, as cooperativas de 
crédito, companhias de seguros de vida, fundos de pensão e fundos 
mútuos. 
 
Mercados Financeiros 
Os mercados financeiros fornecem um foro no qual fornecedores de fundos, 
tomadores de empréstimos e investidores podem negociar directamente. 
Enquanto que nas instituições financeiras os empréstimos e os investimentos 
são feitos sem conhecimento directo dos fornecedores dos fundos, no mercado 
financeiro os fornecedores sabem onde seu fundos estão sendo emprestados ou 
investidos. 
O mercado financeiro é composto de um mercado de fundos de curto prazo ou 
valores mobiliários e o mercado de fundos de longo prazo (títulos de dívida e 
acções), que são o mercado monetário e o mercado de capitais, 
respectivamente. Nem o mercado monetário nem o mercado de capitais são 
localizados num determinado lugar, ambos são redes de submercados 
interligados. Alguns desses submercados têm uma localização física, como a 
bolsa de valores. Outros são mercados de balcão, que consistem apenas em 
uma rede de máquinas de telex, fax e computadores nos escritórios dos 
participantes do mercado. 
Os submercados que lidam com títulos recém-emitidos são chamados de 
mercados primários, enquanto os que revendem títulos já lançados são 
chamados de mercados secundários. 
As instituições financeiras participam activamente do mercado monetário e do 
mercado de capitais, tanto como fornecedores quanto como tomadores de 
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fundos. A figura a seguir apresenta o fluxo de fundos entre e através de das 
instituições financeiras e mercados, também são mostradas as transações 
relativas a colocações directas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1. Fluxo de Fundos de Instituições Financeiras e Mercados 
 
Marcado Monetário 
O mercado monetário origina-se do relacionamento financeiro entre 
fornecedorese tomadores de fundos de curto prazo, os quais têm vencimentos 
de um ano ou menos. O mercado monetário não é uma organização real 
instalada em algum ponto central, embora a maioria das transações realizada 
nesse mercado ocorra nas grandes cidades. A maioria das transações do 
mercado monetário é feita com valores mobiliários negociáveis – que são 
instrumentos de divida de curto prazo tais como letras do tesouro, commercial 
Fundos Fundos 
Empréstimos Depósitos/Participações 
accionarias 
Fundos 
Fundos 
Títulos 
Títulos 
Fundos 
Títulos 
Fundos 
Títulos 
21 
 
paper e certificados de depósitos negociáveis emitidos pelo governo, empresas 
e instituições financeiras, respectivamente. 
O mercado monetário existe porque certos indivíduos, empresas, governos e 
instituições financeiras possuem temporariamente, fundos ociosos que desejam 
aplicar em algum tipo activo líquido ou de curto prazo que renda juros. Por outro 
lado, outros indivíduos, empresas, governos e instituições financeiras 
encontram-se em situações em que precisam financiamento sazonal ou 
temporário. Desse modo, o mercado monetário possibilita o encontro entre 
fornecedores e tomadores de fundos líquidos de curto prazo. 
Mercado de Capitais 
O mercado de capitais é uma relação financeira criada por instituições e 
condições que permitem aos fornecedores e aos tomadores de fundos de longo 
prazo – fundos com vencimento acima de um ano – realizar transações. Incluídos 
entre os fundos de longo prazo estão os títulos emitidos por empresas e governo. 
Os títulos emitidos são revendidos nas bolsas de valores, as quais provêem o 
recinto para as transações de instrumentos de dívida e participações 
accionárias. 
A maioria dos títulos negociados no mercado de capitais, são títulos de dívida, 
acções ordinárias e preferenciais. Os títulos de dívida são instrumentos de 
longo prazo usados pelas empresas e governos para levantar grandes 
montantes de fundos. Estes títulos pagam juros. Acções ordinárias são 
unidades de que se constitui a propriedade ou património de uma sociedade 
anónima. Os possuidores dessas acções esperam obter retorno na forma de 
dividendos – distribuição periódica de lucros – ou mediante ganhos decorrentes 
da valorização da acção. Acção preferencial é uma forma especial de 
propriedade que tem características duplas, de um título de dívida e de uma 
acção ordinária. Para os accionistas preferenciais há a promessa de pagamento 
periódico de dividendos fixos, que poderão ser efectuados antes de se realizar 
qualquer distribuição de dividendos aos possuidores de acções ordinárias.

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