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1 FINANÇAS EMPRESARIAIS I SEBENTA DE APOIO I. A EMPRESA A empresa é a combinação de um conjunto de factores, reunidos para produzir e trocar bens e serviços com outros agentes económicos. É assim, uma organização socioeconómica que utiliza determinados recursos, tais como meios humanos, materiais (tangíveis e intangíveis) e contrapartidas financeiras, para atingir seus objectivos, nomeadamente a maximização do lucro, maximização da quota de mercado, maximização do valor da empresa e a maximização do crescimento. Existem três formas básicas de organização empresarial, nomeadamente, empresa Individual, sociedade por quotas e sociedades anónimas (por acções). A Empresa Individual possui apenas um proprietário visando o seu próprio lucro, o capital normalmente provém de recursos próprios ou de empréstimos. O proprietário individual tem responsabilidade ilimitada, ou seja, todos os seus bens podem ser utilizados para satisfazer os credores e apresenta as seguintes vantagens e desvantagens: Vantagens: a) O proprietário recebe todo o lucro e arca com todas as despesas; b) O imposto de renda recai apenas sobre os rendimentos do proprietário; c) Tem sigilo; d) Facilidade de dissolução. Desvantagens: a) O proprietário tem responsabilidade ilimitada; UNIVERSIDADE LUSÍADA DE ANGOLA TEMA I: OS FLUXOS NA EMPRESA, A FUNÇÃO FINANCEIRA E AMBIENTE FINANCEIRO 2 b) Tem limitada capacidade de obtenção de fundos o que tende a inibir seu crescimento; c) Tem dificuldades em oferecer aos empregados oportunidades de carreira a longo prazo. A Sociedade por Quotas consistem de dois ou mais proprietários dirigindo conjuntamente um empreendimento com fins lucrativos e se classificam em duas categorias: Sociedades Gerais e Sociedades Limitadas. Na Sociedade Geral, todos os sócios concordam em fornecer alguma proporção de trabalho e capital, bem como compartilhar os lucros e as perdas. Todos os sócios têm responsabilidade ilimitada. Nas Sociedades Limitadas, um ou mais sócios podem ter responsabilidade limitada, desde que pelo menos um dos sócios assuma responsabilidade ilimitada. Os sócios de responsabilidade limitada não participam na gestão dos negócios. A Sociedade por Quotas apresentam as seguintes vantagens e desvantagens: Vantagens: a) Pode levantar mais fundos que as empresas individuais; b) Tem maior capacidade de obter empréstimo, devido ao maior número de proprietários; c) Tem maior capacidade administrativa. Desvantagens: a) Os proprietários poderão ter de cobrir dívidas de outros sócios com menos capacidade financeira. b) Dificuldades para liquidar ou transferir a sociedade c) Dificuldade para alcançar operações de grande escala. A Sociedade Anónima (por acções) é uma entidade intangível, criada por lei. É a mais importante dentro das distintas formas de organização de empresas. Uma sociedade anónima pode accionar e ser accionada judicialmente, estabelecer contratos e ser parte deles e adquirir propriedades em seu próprio nome. A sociedade Anónima envolve três conjuntos de interesses distintos. O do Accionista (proprietário), o do Conselho de Administração e o do Presidente. 3 Os accionistas são os verdadeiros donos da empresa, em função do seu património em acções ordinárias e preferenciais. Eles votam periodicamente para eleger os membros do Conselho de Administração e para modificar o estatuto social da empresa. O Conselho de Administração, possui a autoridade máxima para decidir os assuntos da sociedade e para formular sua política geral.O Presidente ou Executivo Principal, é responsável pela administração do dia-a-dia da empresa e pela execução das políticas estabelecidas pelo Conselho de Administração. Reporta-se periodicamente ao Conselho de Administração da empresa. A Sociedade Anónima apresenta as seguintes vantagens e desvantagens: Vantagens: a) Os proprietários têm responsabilidade limitada, o que lhes garante não perder mais do que investem; b) Pode alcançar grandes dimensões devido à possibilidade de vendas de acções; c) Os direitos de propriedade são facilmente transferíveis; d) Maior capacidade de expansão, devido ao acesso ao mercado de capitais. Desvantagens: a) Os impostos são geralmente mais altos, uma vez que os lucros são tributados na empresa e os dividendos pagos aos proprietários, também; b) Exige maiores gastos organizacionais do que outras formas de empresa; c) Sujeita-se a maior controlo governamental; d) Ausência de sigilo, pois os accionistas devem receber as demonstrações financeiras. • A Estrutura de Funções na Empresa A empresa se apresenta como um sistema integrado por várias funções que se interrelacionam condicionando-se mutuamente. Uma empresa clássica apresenta a seguinte estrutura de funções: 4 a) Função Administrativa. – Esta função está relacionada com a administração geral da empresa e a qual se subordinam todas as demais funções; b) Função Aprovisionamento. – Assegura o abastecimento aos distintos sectores da empresa, o fluxo de materiais e serviços para o funcionamento das mesmas. Destacam-se tarefas relacionadas com compras, recepção e gestão dos stocks; c) Função Produção. – Diz respeito a todas as actividades relacionadas com o processo de fabrico, a preparação do trabalho e a organização da produção, o estudo e o aperfeiçoamento em termos técnicos dos produtos fabricados ou produtos novos, de processos tecnológicos e equipamentos, controle quantitativo e qualitativo da produção, a conservação e reparação de equipamentos, os estudos de produtividade, etc.; d) Função Marketing. – Desenvolve o estudo comercial do produto, do mercado e dos canais de distribuição e o serviço após venda; e) Função de Recursos Humanos. – Relaciona-se com todas as actividades ligadas com a contratação e utilização da força de trabalho; f) Função Financeira. – Desenvolve estudos e actuações relacionadas com os meios financeiros necessários à actividade da empresa. • Os Fluxos na Empresa No desenvolvimento da sua actividade económica a empresa estabelece relações, umas viradas para os aspectos internos, outras para o exterior. Estas relações traduzem-se por fluxos de bens e serviços, aos quais correspondem sempre fluxos monetários no sentido inverso. Chama-se Fluxo à quantidade de bens ou dinheiro transferidas em determinado período entre dois agentes económicos. Existem duas categorias de fluxos. Os fluxos reais, de bens e serviços, e os fluxos financeiros, de dinheiro ou equivalente (meios monetários). 5 Os fluxos financeiros são a contrapartida monetária do circuito de bens e serviços, sendo este circuito o correspondente aos fluxos físicos inerentes à actividade da unidade económica. Os fluxos podem ser cíclicos ou acíclicos, consoante estejam ou não ligados ao ciclo de exploração. Figura 1. Diagrama dos Fluxos Três ópticas se distinguem: Óptica Financeira. Diz respeito ao endividamento da empresa perante o exterior. Está directamente relacionada com a remuneração dos factores e dos bens e serviços vendidos. Nesta óptica pode-se distinguir: as despesas, que correspondem à remuneração dos factores produtivos e as receitas, que correspondem à remuneração das vendas efectuadas e/ou serviços prestados. Óptica Económica ou Produtiva. Está ligada à transformação e incorporação dos diversos materiais, mão-de-obra, etc., até atingir o produto (bens ou serviços) final. Os valores incorporados e gastos na produção designam-se custos. Por sua vez, os produtos acabados de fabricar e aptos para a venda designam-se proveitos. Óptica de tesouraria (ou caixa). Corresponde às entradas e a saídas monetárias da empresa. Nesta óptica pode-se distinguir os recebimentos, que correspondem à entrada de valores monetários para a empresa, eos pagamentos, que dizem respeito às saídas de valores monetários. Compras Produção Vendas Proveitos Custos Zona Interna Caixa/Depósitos Fornecedor es Clientes Fluxos Monetários Fornecedores de materiais e mão-de-obra obra Clientes Fluxos Reais 6 Fluxos Financeiros Classificação dos Fluxos Financeiros: Os fluxos financeiros ou monetários podem ser classificados conforme o esquema a seguir apresentado: a) Os fluxos financeiros induzidos são os que resultam dos fluxos reais. b) Os fluxos financeiros directos são os que envolvem unicamente os dois agentes económicos intervenientes na própria transacção (no fluxo real). Os fluxos directos podem ser imediatos ou diferidos: são imediatos, quando fluxo real e financeiro coincide no tempo; são diferidos, quando o fluxo real e financeiro não revela coincidentes no tempo. Ex. – Quando um dos agentes económicos intervenientes concede (ou obtém) crédito. c) Os fluxos financeiros indirectos são aqueles em que intervêm mais do que dois agentes económicos. Ex. - Quando se verifica o aceite de letra e seu desconto antecipado no banco. d) Os fluxos financeiros autónomos não decorrem, directa ou indirectamente, de qualquer fluxo real. Ex. - A concessão de um empréstimo, a curto ou a médio prazo Fluxos Financeiros Induzidos Autónomos Directos Indirecto s Imediato s Diferidos 7 Fluxos de Tesouraria (ou de caixa) Os fluxos de caixa podem ser divididos em: 1. Fluxos operacionais 2. Fluxos de investimentos 3. Fluxos de financiamentos Os fluxos operacionais são fluxos de caixa (entrada e saídas) directamente relacionados à produção e venda dos produtos e serviços da empresa. Esses fluxos captam a demonstração do resultado e as transacções das contas circulantes, ocorridas durante o período. Os fluxos de investimento são fluxos de caixa associados à compra e venda de activos imobilizados e participações societárias. As operações de compra resultam em saídas de caixa, enquanto as operações de venda geram entradas de caixa. Os fluxos de financiamentos resultam de operações de empréstimo e capital próprio. A tomada ou o pagamento de empréstimos tanto de curto prazo como de longo, resultará numa correspondente entrada ou saída de caixa. Também, a venda de acções pode resultar numa entrada de caixa, enquanto, o resgate de acções ou o pagamento de dividendos pode resultar em uma saída de caixa. A combinação dos fluxos de caixa operacionais, de investimento e de financiamento num dado período, farão com que o saldo de caixa de uma empresa aumente, diminua ou permaneça inalterado. 8 II. A FUNÇÃO FINANCEIRA A área de Finanças é muito ampla e dinâmica, afectando directamente a vida de todas as pessoas e todos os tipos de organizações, sejam, financeiras ou não, privadas ou públicas, grandes ou pequenas, com ou sem fins lucrativos. As Finanças ocupa-se do processo, instituições, mercados e instrumentos envolvidos na transferência de fundos entre pessoas, empresas e governos. Pode-se dividir finanças em duas áreas distintas, isto é, no âmbito macro e micro: a) Âmbito da Macro Finanças – está relacionado à econima, mais especificamente à macroeconomia, e refere-se a questões como fluxos internacionais de capital, sistema financeiro nacional e mercados financeiros. Trata assim, de aspectos da administração macroeconômica de fundos; b) Âmbito da Micro Finanças – refere-se às finanças das organizações, que, Trata das decisões da administração de fundos dentro a Empresa, que, por sua vez, podem ser divididas em curto prazo e longo prazo. • A Função Financeira na Empresa A Função Financeira na empresa, compreende um conjunto de actividades relacionadas com a gestão dos fundos movimentados por todas as áreas da empresa. Essa função é responsável pela obtenção dos fundos necessários e pela formulação de uma estratégia voltada para a optimização do uso desses fundos. Encontrada em qualquer tipo de empresa, a função financeira tem um papel muito importante no desenvolvimento de todas as actividades operacionais, contribuindo significativamente para o sucesso do empreendimento. A finalidade da empresa é criar valor para o seu proprietário o qual está reflectido no no modelo básico representado pelo seu balanço patrimonial. 9 Os recursos supridos pelos proprietários e pelos credores das empresas encontram-se aplicadas em activos utilizados na produção e comercialização de bens ou na prestação de serviços. Analisando o modelo da empresa com base no balanço patrimonial, a seguir apresentado, certifica-se: Figura 2. Modelo da empresa com base no balanço patrimonial Os activos da empresa aparecem no lado esquerdo do balanço e são considerados como circulantes e fixos. Os activos circulantes são aqueles que têm curta duração (ex. stocks). Os activos fixos, são de longa duração, sendo 10 alguns tangíveis (ex. máquinas e equipamentos) e outros intangíveis (ex. patentes, marcas registadas). Para as empresas investirem necessitam de dinheiro para pagar o investimento. As formas de financiamento encontram-se representadas no lado direito do balanço. Os passivos são classificados de longa e de curta duração. As dívidas de curto prazo devem ser saldadas dentro do prazo de um ano e as dívidas de longo prazo acima de um ano. O património líquido representa a diferença entre o valor dos activos e as dívidas da empresa. Da análise do modelo percebe-se que a área de finanças envolve o estudo de três aspectos. O primeiro diz respeito ao lado esquerdo do balanço (parte superior) e se usa o orçamento de capital e dispêndio de capital para descrever o processo de realização e gestão de gastos com activos de longa duração. O segundo refere-se ao lado direito do balanço (parte superior), em que envolve a estrutura de capital da empresa, que indica as proporções de financiamento com o capital próprio e capital de terceiros de curto e de longo prazo. A terceira aspecto diz respeito á gestão dos fundos de caixa no curto prazo (parte inferior), em que, devido falta de sincronização entre as entradas e as saídas de caixa durante as actividades operacionais os gestores precisam gerir as defasagens que possam surgir em termos de fluxos de caixa. A gestão do fluxo de caixa está associada ao capital circulante líquido da empresa. • A Gestão Financeira A Gestão Financeira constitui o conjunto de técnicas cujos objectivos são a obtenção regular e oportuna dos recursos financeiros necessários ao funcionamento e desenvolvimento da empresa, ao menor custo possível e sem alienação da sua independência e, também, o estudo e controlo da rentabilidade de todas as aplicações a que são afectos esses recursos. A obtenção de fundos são feitos nas condições mais favoráveis possíveis, por via dos recursos próprios e recursos de terceiros e a afectação eficiente desses 11 recursos na empresa, direccionados para os activos operacionais e outros activos de natureza operacionais ou não. A obtenção de fundos é da responsabilidade exclusiva da gestão financeira e envolve o suprimento dos fundos de que as operações normais de empresa necessitam. Já a afectação de fundos envolve a constante busca de optimização no uso dos fundos para que seja alcançada a rentabilidade desejada e preservar a capacidade da empresa pagar seus compromissos nos vencimentos. A afectação de recursos não constitui tarefa fácil devido aos aspectos relativos à liquidez, à rentabilidade e aos interesses envolvidos. Quanto à liquidez, as empresas ao deixarem de liquidar osseus compromissos financeiros nas datas acordadas sofrerão restrições de crédito e terão dificuldades na manutenção do ritmo normal de suas operações. A situação poderá deteriora-se até ao ponto de decretar-se de sua falência. A insolvência de uma empresa pode surgir devido a excesso de imobilizações ou de stocks, à concessão aos clientes de prazos muito longos para pagamento ou, ainda, à utilização de fontes de financiamento inadequadas. Observa-se, então, que a capacidade da empresa cumprir com os seus compromissos financeiros é afectada tanto pela composição das fontes de fundos, quanto pela composição dos activos. Deste modo, a manutenção da liquidez da empresa representa a preocupação mais imediata do gestor financeiro. Uma empresa apresenta boa liquidez quando seus activos e passivos são geridos convenientemente. Não é necessário manter numerário parado em caixa para liquidar compromissos a vencer em futuro próximo. Isto seria desaconselhável do ponto de vista da rentabilidade, uma vez que tais recursos não são rentáveis. O importante é manter os fluxos de entradas e saídas de caixa sob controlo e conhecer antecipadamente as épocas em que irá faltar numerário. No que se refere à rentabilidade, o lucro ou prejuízo de cada período resulta da confrontação das receitas e despesas, observando-se o regime de competência de exercícios. Tomado isoladamente, o lucro apenas indica o excedente de receitas sobre os custos e despesas incorridos. Pode-se comparar o resultado 12 de um exercício social com o obtido no exercício anterior ou com aquele que havia sido projectado e concluir sobre a sua evolução ou sobre o atingir da meta proposta. Embora tais informações tenham validade, será mais elucidativo comparar-se o lucro obtido com o investimento realizado para a sua obtenção. Assim, obtêm- se uma medida de remuneração dos recursos aplicados denominada taxa de rentabilidade ou taxa de retorno. Pode-se assim, conceituar-se rentabilidade como o grau de êxito económico obtido por uma empresa em relação ao capital nela investido. A Gestão Financeira é responsabilidade do gestor financeiro numa empresa e engloba o seguinte conjunto de tarefas: Figura 3 – Tarefas da gestão financeira A MÉDIO E LONGO PRAZOS (estratégias financeiras) A CURTO PRAZO OU GESTÃO DA TESOURARIA EM SENTIDO LATO (decisões operacionais) POLÍTICAS DE: - Investimentos - Financiamentos - Destino a dar ao lucro (dividendos) GESTÃO DO: - Activo Circulante - Débitos de Curto Prazo GESTÃO FINANCEIRA 13 Quando alguém se dispõe a investir poupanças em uma empresa, em vez de aplicá-la em alternativas mais seguras, está-se disposto a assumir certo risco em troca de um aumento no seu património ou riqueza pessoal. Assim, pode-se admitir que o objectivo primordial do Gestor Financeiro é o de maximizar a riqueza de seus proprietários. Essa riqueza é representada pelo valor de mercado da empresa, ou seja, pelo preço que seria alcançado na venda de direitos de participação no seu capital social. As acções do gestor financeiro relativas à análise e ao planeamento financeiro, às decisões de investimento e às decisões de financiamento, devem ser tomadas visando-se ao cumprimento dos objectivos dos proprietários da empresa, que é a maximização da sua riqueza. • Áreas de Decisões Financeiras As Decisões Financeiras são tradicionalmente separadas em duas áreas, nomeadamente, de médio e longo prazo e de curto prazo. Área de Médio e Longo Prazo (estratégias financeiras) De forma bastante abrangente, pode-se identificar três áreas de decisões financeiras de médio e longo prazo, onde se definem diferentes decisões relacionadas com políticas de: • Investimento; • Financiamento; e • Destino a dar ao Lucro (dividendos). Decisões de Investimento As decisões de investimento do gestor financeiro determinam a combinação e o tipo de activos constantes do balanço patrimonial da empresa. Essa actividade diz respeito ao lado esquerdo do balanço. A combinação refere-se ao montante de recursos aplicados em activos circulantes e em activos permanentes. Estabelecidas as proporções, o gestor financeiro deve fixar e tentar manter certos níveis óptimos para cada tipo de activo circulante. Deve também decidir 14 quais são os melhores activos permanentes a adquirir, e saber quando os activos existentes precisam ser modificados substituídos ou liquidados. Decisões de Financiamento Essa actividade relaciona-se com o lado direito do balanço patrimonial e envolve duas áreas principais. Primeiro, a combinação mais apropriada entre financiamento a curto e a longo prazo que deve ser estabelecida. Uma Segunda preocupação, igualmente importante, é que fontes individuais de financiamento, a curto ou longo prazo, são melhores em um dado instante. Resumidamente, as questões envolvidas nas decisões de financiamento referem-se à composição das fontes de recursos, como segue: • Qual deveria ser a proporção entre recursos permanentes e temporários • Quanto de recursos próprios e quanto de financiamento a longo prazo • O reinvestimento reagiria bem ao lançamento de novas acções • Qual seria o impacto dos custos financeiros provocados pelos financiamentos a longo prazo e pelos empréstimos a curto prazo • Em vez de comprar activos fixos, não deveríamos arrendá-los Decisões Relativas ao Destino a dar ao Lucro O lucro obtido em cada exercício social representa a remuneração do investimento dos proprietários da empresa. Quanto desse lucro deveria ser distribuído aos accionistas e quanto será retido para financiar a expansão dos negócios. Essa indagação revela que política de distribuição de dividendos está directamente relacionada com as decisões de financiamento. Distribuindo apenas uma pequena parcela dos lucros, a empresa ficará menos dependente das fontes onerosas de recursos e ampliará a participação do capital próprio na estrutura financeira. Uma política de dividendos adequada favorece a manutenção dos preços das acções em níveis elevados, e isto poderá garantir o sucesso de futuros lançamentos de novas acções no mercado. 15 Áreas de Decisões Operacionais As Decisões Operacionais refere-se à gestão de curto prazo que ocupa o dia-a- dia do gestor financeiro, focando-se na gestão de clientes, existências, fornecedores e tesouraria. Assim, no curto prazo as finanças empresariais contempla a gestão do Capital circulante da emprea. • Relacionamento da Gestão Financeira com a Economia e a Contabilidade O campo das finanças está intimamente relacionada com a economias e a contabilidade, e os gestores financeiros precisam entender essas relações que se estabelece entre estes campos. Economia A economia fornece uma estrutura para a tomada de decisão em cada uma das áreas, como a análise de risco, Teoria do preço estabelecida através da lei da oferta e da procura, análise comparativa de retorno, e muitas outras áreas importantes. A economia também fornece um amplo quadro, o ambiente económico, no qual as corporações têm que tomar decisões continuamente. Um gestor financeiro tem que entender a estrutura institucional do Sistema financeiro, o sistema de bancário, e o interrelacionamento entre os vários sectores da economia. As variáveis económicas, como produto interno bruto, produção industrial, renda disponível, desemprego, inflação, taxas de juros, e impostos, têm que se ajustar ao modelo de decisão do gestor financeiro e tem que as aplicar correctamente. Assim, a importância da economia para o desenvolvimento da teoria financeira pode ser vista em função das duas áreas: a macroeconomia e a microeconomia. Sem compreender o funcionamento do amplo ambiente económico, o gestor financeiro não pode esperar obter sucessofinanceiro para a empresa. 16 Contabilidade A contabilidade é algumas vezes dita ser o idioma das finanças porque fornece dados financeiros através da demonstração dos resultados, balanços, e as demonstrações de fluxos de caixa. O gestor financeiro tem que saber como interpretar e usar estas demonstrações alocando à empresa os recursos financeiros para gerar o melhor retorno possível. A gestão financeira e a contabilidade nem sempre se distinguem facilmente. Nas pequenas empresas o contabilista frequentemente assume a função financeira e em grandes empresas, muitos dos contabilistas estão intimamente envolvidos em várias actividades financeiras. No entanto, há duas diferenças básicas entre Finanças e Contabilidade: a ênfase no fluxo de caixa e na tomada de decisões. Ênfase no fluxo de caixa. A função principal do contabilista é desenvolver e fornecer dados para medir o desempenho da empresa, avaliar a sua posição financeira e pagar impostos. O contabilista prepara as demonstrações financeiras, que reconhecem as receitas no momento da venda e as despesas quando incorridas. Essa abordagem é conhecida como regime de competência. O gestor financeiro por outro lado, enfatiza o fluxo de caixa, ou seja, entradas e saídas de caixa. Ela mantém a solvência da empresa, analisando e planeando o fluxo de caixa para satisfazer as obrigações e adquirir os activos necessários ao cumprimento dos objectivos da empresa. O gestor financeiro adopta o regime de caixa para reconhecer as receitas e despesas que efectivamente representam entradas e saídas de caixa. Ex. Uma empresa no final do último exercício fiscal vendeu um equipamento por $200.000. Nessa aquisição teve um custo de $160.000. Embora a empresa já tivesse arcado com o custo total do equipamento ao longo do ano, no encerramento do exercício ainda não havia recebido os $200.000 do cliente a quem a venda fora realizada. 17 As visões do contabilista e do gestor financeiro, sobre o desempenho da empresa durante o ano, são dadas pela demonstração do resultado do exercício e do fluxo de caixa a seguir apresentada: Visão do Contabilista Visão do Gestor Financeiro Demonstração do Resultado do Exercício Demonstração do Fluxo de Caixa Em 3112 Em 3112 Vendas..............................$200.000 Entrada de caixa..........................$0 Menos: Custos.................$160.000 Menos: Saídas de aixa......$160.000 Lucro líquido....................$ 40.000 Fluxo de caixa líquido... ($160.000) Quadro 1. Na visão do contabilista a empresa é bastante lucrativa, já na visão do gestor financeiro (em termos do efeito fluxo de caixa), a empresa é um fracasso. Pois, o exemplo mostra que a contabilidade, à base do regime de competência não revela integralmente as circunstâncias da empresa. O gestor financeiro, concentrando-se no fluxo de caixa deverá ser capaz de evitar a insolvência e atingir os objectivos financeiros da empresa. Tomada de decisão. Enquanto a contabilidade volta a sua atenção para a recolha e apresentação de dados financeiros, o gestor financeiro analisa os demonstrativos financeiros, desenvolve dados adicionais e toma decisões, baseado em sua avaliações acerca do risco e retorno inerentes. O papel do contabilista é fornecer dados consistentes e de fácil interpretação sobre as operações passadas, presentes ou futuras da empresa. O gestor financeiro utiliza esses dados, na forma como se apresenta ou após realizar alguns ajustes, e os toma para o processo de tomada de decisão. As finanças une a teoria económica com os dados da contabilidade, e todos os gestores incorporados na produção, vendas, pesquisa, marketing, administração, ou planeamento estratégico de longo-prazo têm que saber o que pretende para avaliar o desempenho financeiro da empresa. 18 III. O AMBIENTE FINANCEIRO Conceito de Ambiente Financeiro Pode-se entender com ambiente financeiro o conjunto de Instituições e Mercados que têm como finalidade manter o fluxo contínuo de recursos financeiros entre os poupadores e investidores nas economias. • Formas de Obtenção de Fundos de Fontes Externas Sendo as instituições financeiras e os mercados elementos integrantes do ambiente financeiro, apresentam-se como fontes de fundos externos para satisfazer as necessidades das empresas em recursos financeiros. As empresas podem obtê-los de três formas: • Através das instituições financeiras; • Através de mercados financeiros; e • Através da colocação directa. Instituições Financeiras As instituições financeiras são intermediários que canalizam as poupanças de indivíduos, empresas e governos para empréstimos ou investimentos. Algumas instituições financeiras captam poupanças e emprestam esses fundos e seus clientes, outras investem as poupanças de seus clientes em activos rentáveis, tais como bens imóveis ou acções e títulos de dívida; outras ainda que tanto emprestam fundos quando investem as poupanças. Os fornecedores e os que tomam fundos são indivíduos, empresas e governos. Os indivíduos não só actuam como fornecedores às instituições financeiras, como também procuram delas fundos na forma de empréstimos. No entanto os indivíduos poupam mais dinheiro do que tomam emprestados. São fornecedores líquidos. As empresas também depositam seus fundos nas instituições financeiras. Tal como os indivíduos, também tomam empréstimos dessas instituições. Tomam mais dinheiro do que poupam. São tomadores líquidos. 19 Os governos mantêm em bancos comerciais, depósitos de fundos temporariamente ociosos, certas arrecadações de impostos e os recolhimentos de previdência social. Eles não tomam fundos emprestados directamente das instituições financeiras. O governo toma emprestado mais do que poupa. È um tomador líquido de fundos. As principais Instituições Financeiras são os bancos comerciais, os bancos de poupança, as associações de poupança e empréstimo, as cooperativas de crédito, companhias de seguros de vida, fundos de pensão e fundos mútuos. Mercados Financeiros Os mercados financeiros fornecem um foro no qual fornecedores de fundos, tomadores de empréstimos e investidores podem negociar directamente. Enquanto que nas instituições financeiras os empréstimos e os investimentos são feitos sem conhecimento directo dos fornecedores dos fundos, no mercado financeiro os fornecedores sabem onde seu fundos estão sendo emprestados ou investidos. O mercado financeiro é composto de um mercado de fundos de curto prazo ou valores mobiliários e o mercado de fundos de longo prazo (títulos de dívida e acções), que são o mercado monetário e o mercado de capitais, respectivamente. Nem o mercado monetário nem o mercado de capitais são localizados num determinado lugar, ambos são redes de submercados interligados. Alguns desses submercados têm uma localização física, como a bolsa de valores. Outros são mercados de balcão, que consistem apenas em uma rede de máquinas de telex, fax e computadores nos escritórios dos participantes do mercado. Os submercados que lidam com títulos recém-emitidos são chamados de mercados primários, enquanto os que revendem títulos já lançados são chamados de mercados secundários. As instituições financeiras participam activamente do mercado monetário e do mercado de capitais, tanto como fornecedores quanto como tomadores de 20 fundos. A figura a seguir apresenta o fluxo de fundos entre e através de das instituições financeiras e mercados, também são mostradas as transações relativas a colocações directas. Figura 1. Fluxo de Fundos de Instituições Financeiras e Mercados Marcado Monetário O mercado monetário origina-se do relacionamento financeiro entre fornecedorese tomadores de fundos de curto prazo, os quais têm vencimentos de um ano ou menos. O mercado monetário não é uma organização real instalada em algum ponto central, embora a maioria das transações realizada nesse mercado ocorra nas grandes cidades. A maioria das transações do mercado monetário é feita com valores mobiliários negociáveis – que são instrumentos de divida de curto prazo tais como letras do tesouro, commercial Fundos Fundos Empréstimos Depósitos/Participações accionarias Fundos Fundos Títulos Títulos Fundos Títulos Fundos Títulos 21 paper e certificados de depósitos negociáveis emitidos pelo governo, empresas e instituições financeiras, respectivamente. O mercado monetário existe porque certos indivíduos, empresas, governos e instituições financeiras possuem temporariamente, fundos ociosos que desejam aplicar em algum tipo activo líquido ou de curto prazo que renda juros. Por outro lado, outros indivíduos, empresas, governos e instituições financeiras encontram-se em situações em que precisam financiamento sazonal ou temporário. Desse modo, o mercado monetário possibilita o encontro entre fornecedores e tomadores de fundos líquidos de curto prazo. Mercado de Capitais O mercado de capitais é uma relação financeira criada por instituições e condições que permitem aos fornecedores e aos tomadores de fundos de longo prazo – fundos com vencimento acima de um ano – realizar transações. Incluídos entre os fundos de longo prazo estão os títulos emitidos por empresas e governo. Os títulos emitidos são revendidos nas bolsas de valores, as quais provêem o recinto para as transações de instrumentos de dívida e participações accionárias. A maioria dos títulos negociados no mercado de capitais, são títulos de dívida, acções ordinárias e preferenciais. Os títulos de dívida são instrumentos de longo prazo usados pelas empresas e governos para levantar grandes montantes de fundos. Estes títulos pagam juros. Acções ordinárias são unidades de que se constitui a propriedade ou património de uma sociedade anónima. Os possuidores dessas acções esperam obter retorno na forma de dividendos – distribuição periódica de lucros – ou mediante ganhos decorrentes da valorização da acção. Acção preferencial é uma forma especial de propriedade que tem características duplas, de um título de dívida e de uma acção ordinária. Para os accionistas preferenciais há a promessa de pagamento periódico de dividendos fixos, que poderão ser efectuados antes de se realizar qualquer distribuição de dividendos aos possuidores de acções ordinárias.