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Prévia do material em texto

Português Jurídico: 
Fichamento e Tipos de 
Argumentos Jurídicos
Prof. Dr. Cláudio Silveira Maia
Maioridade penal
Foi brutal o assassinato do casal de
namorados Liana Friedenbach e
Felipe Caffé, em São Paulo. Nada
justifica um crime dessa natureza. O
país está chocado. A participação
de um menor no delito torna o caso
ainda mais dramático. A pergunta
está nas ruas: não seria o caso de
reduzir a maioridade penal?
 De acordo com pesquisa realizada, antes do crime, a pedido
da Ordem dos Advogados do Brasil, 89% dos brasileiros são
favoráveis à redução da idade-limite para 16 anos. É natural
que o cidadão, acuado pela obscena violência que o cerca,
concorde com tudo o que soe como solução drástica para o
problema. O Estado, contudo, deve agir racionalmente.
 A redução da maioridade, em primeiro lugar, fere o
princípio, consagrado no Direito brasileiro, de que o
jovem é um ser em formação. O adolescente pode e
deve ser punido pelo que faz de errado, mas a sanção
precisa ter caráter predominantemente educativo. É
absolutamente falso afirmar que a legislação não pune
menores. A maior pena a que eles podem ser
condenados é de três anos. É verdade que o caráter
pedagógico da punição raramente se verifica. Não são
tão diferentes as condições desumanas de nossos
presídios e das unidades da Febem.
 (A FEBEM – FUNDAÇÃO ESTADUAL PARA O BEM-ESTAR DO MENOR FOI EXTINTA. EM SEU LUGAR FOI
CONSTITUÍDA A FUNDAÇÃO CENTRO DE ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO AO ADOLESCENTE
(FUNDAÇÃO CASA/SP)
Que isso seja assim não justifica o abandono do
princípio. Mesmo porque não será reduzindo a
maioridade penal que o envolvimento de jovens
em crimes deixará de existir. Parte da criminalidade
juvenil pode ser explicada pelo fato de
organizações criminosas se utilizarem de menores
(e sua suposta impunidade) para “puxar o gatilho”
no lugar de adultos. Nada impedirá que os
bandidos passem a recrutar um contingente mais
jovem, de quase crianças – o que, aliás, já ocorre
em algumas situações. O que fazer então? Reduzir
ainda mais a maioridade penal? Para 15, 14, 10
anos de idade?
Combater a criminalidade, seja ela juvenil ou 
não, exigirá, além da necessária repressão 
policial, uma profunda reformulação das 
instituições e políticas públicas de segurança. É 
igualmente indispensável promover a inclusão 
social com mais educação e alternativas de 
trabalho. Não será encarcerando adolescentes 
e crianças, mas oferecendo-lhes condições 
para escapar da criminalidade, que esse triste 
panorama poderá mudar. 
 1. O redator desse editorial julga que a maioridade penal
 (A) deve ser reduzida apenas para o caso específico de participação
do jovem em delito brutal e injustificável, tal como o referido no
primeiro parágrafo.
 (B) não deve ser de modo algum reduzida, uma vez que os menores
encarcerados deixam de receber orientação pedagógica,
equiparando-se aos presos comuns.
 (C) deve ser mantida nos termos da legislação em vigor, atentando-
se para o caráter educativo das sanções, negligenciado na maioria
dos casos.
 (D) deve ser mantida nos termos da legislação em vigor,
resguardando-se as ações pedagógicas que vêm caracterizando a
aplicação das sanções.
 (E) não deve ser de modo algum reduzida, pois haveria dificuldades
na tramitação de uma lei que fere um princípio já consagrado no
Direito brasileiro.
 2. Considerando-se as controvérsias acerca da redução da 
maioridade penal, manifesta-se no texto, explícita ou implicitamente, 
uma relação antitética entre 
 I. a opinião do editorialista e a opinião da maioria dos brasileiros. 
 II. a posição da Ordem dos Advogados do Brasil e a posição do 
Estado. 
 III. o modo de avaliação do cidadão comum e o modo que cabe ao 
Estado. 
 Completa corretamente o enunciado APENAS o que está em 
 (A) I. 
 (B) II. 
 (C) III. 
 (D) I e II. 
 (E) I e III. 
 3. A precisa convicção de que não será reduzindo a maioridade
penal que o envolvimento de jovens em crimes deixará de existir é
defendida com o seguinte argumento:
 (A) o recrutamento de menores para a prática de crimes só será
incrementado, a curto prazo, se ocorrerem medidas que visem à
inclusão social.
 (B) o recrutamento de menores, promovido pelos bandidos, passaria
a ocorrer em faixas de idade ainda mais reduzida.
 (C) as soluções drásticas, ditadas pelo clima de emoção,
contrariam o princípio da racionalidade, que é básico no Direito.
 (D) todas as crianças infratoras passariam a ser encarceradas na
Febem, recebendo os mesmos tratamentos que sofrem os
criminosos nos presídios.
 (E) todas as crianças infratoras perderiam de vez o direito à
assistência pedagógica, deixando de ser reconhecidas como seres
em formação.
 4. Em qual das alternativas o segmento à direita 
corresponde ao segmento à esquerda? 
 (A) acuado pela obscena violência = que choca pela 
vulgaridade, pela crueldade. 
 (B) torna o caso ainda mais comédia = repleto de 
peripécias, de suspense. 
 (C) ferir o princípio = tocar, tanger. 
 (D) recrutar um contingente mais jovem = fortuito, 
aleatório. 
 (E) o caráter pedagógico da punição = feitio moral
Um exemplo de introjeção no lugar de inferioridade pode
ser dado a partir do alisamento do cabelo afro. Ao alisar o
cabelo, passa a ter cabelo parecido com o cabelo do
branco. Mas a pele continua negra e o alisamento pode se
constituir em um sinal de negação da própria identidade.
Por outro lado, é possível entender que o alisamento seja
tão somente fruto do desejo de ficar diferente, sem
nenhuma relação com o estereótipo do negro ou do
branco.
Ora, se o branco pode encaracolar o cabelo sem
descaracterizar sua personalidade branca, por que ao
negro isso significaria sua despersonalização?
FICHAMENTO DE CASO CONCRETO
 Em uma cidade do interior do Paraná, três meninos ficaram órfãos,
e, como toda a família dos pais era muito pobre, nenhum parente
quis assumir a guarda deles.
 Os menores têm nove, onze e doze anos, são negros – somente o
mais velho frequentou a escola até a terceira série do ensino
fundamental – e estão, provisoriamente, numa instituição religiosa
da cidade.
 Há dois anos, o Juizado da Infância e Juventude procura em todo o
Brasil uma família que os adote.
 Um casal homoafetivo, José e João, interessou-se pelos meninos.
Após uma sequência de visitas, José ingressou com um pedido de
adoção dos três meninos e a guarda provisória, que foi, desde logo,
concedida.
 O casal tem excelente condição econômica, formação
universitária, e a sua opção é aceita pelas famílias de ambos
e pela comunidade local em que vivem. Os laudos
apresentados pelos assistentes sociais indicaram que José
tinha condições de adoção e que a opção sexual de José
poderia representar dificuldades para os irmãos, mas que,
durante o período de convivência, os três meninos
demonstravam gostar da companhia de José e seu
companheiro.
O juiz, em sua sentença, negou o pedido de adoção, tendo
em vista o art. 226 da CRFB, com base no entendimento de
que a entidade familiar é constituída pela união de homem e
mulher, e que o bem-estar das crianças não poderia ser
garantido. Acrescentou que o referido artigo se sobrepõe ao
ECA, que não estabelece restrição para o solteiro adotar
uma criança.
Transcrição do fichamento e paráfrase do 
caso concreto
 Três meninos ficaram órfãos, nenhum parente quis assumir a guarda deles. Os
menores têm nove, onze e doze anos, são negros.
 Há dois anos, o Juizado da Infância e Juventude procura em todo o Brasil uma família
que os adote.
 Um casal homoafetivo interessou-se pelos meninos. Com um pedido de adoção dos
três meninos a guarda provisória foi concedida.
 Os laudos apresentados pelos assistentes sociais indicaram que José tinha condições
de adoção e durante o período de convivência, os três meninos demonstravam
gostar da companhia de José e seu companheiro.
 O juiz negou o pedido de adoção, tendo em vista o art. 226 da CRFB, com base no
entendimento de que a entidadefamiliar é constituída pela união de homem e
mulher.
Resumo e Síntese do Caso Concreto
 Resumo:
 Três meninos negros de nove, onze e doze anos ficaram órfãos e
ninguém da parentela quis adotá-los.
 Já faz dois anos que o Juizado da Infância e Juventude procura uma
família para os meninos em todo o país.
 Um casal homoafetivo interessou-se pelas crianças e obteve a
guarda provisória após entrar com o pedido de adoção.
 Os laudos dos assistentes sociais mostraram que o casal preenchia os
requisitos fundamentais para adoção das crianças.
 Mas, com base no art. 226 da CRFB, o qual dispõe que a entidade
familiar é constituída pela união de homem e mulher, negou a
adoção.
 Síntese:
 Apesar de preencherem os requisitos fundamentais, Juiz nega
adoção de crianças negras órfãs a casal homoafetivo.
Resenha Crítica: Reduzir ou não a 
maioridade penal?
 A Carta Magna reza em seu art. 228:
 “Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito
anos, sujeitos às normas da legislação especial.”
 No ordenamento jurídico vigente os menores de dezoito anos são
sujeitados às normas de legislação especial, isto é, o ECA
(estatuto da criança e do adolescente), reforçando isto nesta lei 
especial através da Lei Federal n.º 8069/90, estabeleceu em seu
artigo 104, caput, que “são penalmente inimputáveis os menores
de 18 (dezoito) anos, sujeitos às medidas previstas nesta lei.
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constituição-federal-constituição-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10643881/artigo-228-da-constituição-federal-de-1988
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1031134/estatuto-da-criança-e-do-adolescente-lei-8069-90
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1031134/estatuto-da-criança-e-do-adolescente-lei-8069-90
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1031134/estatuto-da-criança-e-do-adolescente-lei-8069-90
 O Código Penal não se absteve acerca da temática, pois assim como já 
destacado acima tanto na constituição federal como na lei especial, em 
seu artigo 27 prevê que os menores de dezoito anos são inimputáveis.
 Há uma corrente doutrinária com tendências jurisprudenciais que coloca o 
art. 228 da Constituição Federal como uma cláusula pétrea, com isso não 
devendo ser modificada.
 No site https://18razoes.wordpress.com/quem-somos/ elenca 18 razões 
contra a redução da maioridade penal dentre elas cumpre consignar que 
já há responsabilização dos adolescentes em ato infracional, pois, “a partir 
dos 12 anos, qualquer adolescente é responsabilizado pelo ato cometido 
contra a lei. Essa responsabilização, executada por meio de medidas 
socioeducativas previstas no ECA, têm o objetivo de ajudá-lo a recomeçar 
e a prepará-lo para uma vida adulta de acordo com o socialmente 
estabelecido. É parte do seu processo de aprendizagem que ele não volte 
a repetir o ato infracional.”
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1033702/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10637112/artigo-27-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10643881/artigo-228-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
https://18razoes.wordpress.com/quem-somos/
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1031134/estatuto-da-crian%C3%A7a-e-do-adolescente-lei-8069-90
Tipos de argumento e estratégias 
argumentativas nas peças processuais
 Para a produção da fundamentação, importa que um fato
concreto, colhido dos autos, pode ser avaliado segundo
múltiplas possibilidades argumentativas, dependendo da
valoração que se queira atribuir a tal fato. Por essa razão, não
se pode dizer que um argumento é mais importante que o
outro, mas que possui maior capacidade persuasiva em um
determinado contexto.
 Veja o exemplo abaixo, formulado partindo do caso
concreto em que uma mãe foi flagrada queimando as mãos
de seus filhos porque não queria que eles lessem gibis de
luta.
 Consulte também FETZNER, Néli Luiza Cavalieri (Org.); TAVARES Jr., Nelson Carlos; VALVERDE, Alda. Lições de argumentação
jurídica. Cap. 5.3. Rio de Janeiro: Forense, 2007.
Fato juridicamente importante Maneira de valorá-lo
na fundamentação
Tipos de argumento
Segundo perícia realizada, os
meninos
precisam de cirurgia plástica
reparadora
nas mãos para recuperarem os
movimentos dos dedos.
A integridade física e moral dos meninos,
garantida pela Constituição e pela
legislação infraconstitucional, foi violada.
Argumento de autoridade
O ato é uma covardia que extrapola
qualquer limite de razoabilidade imposto
aos pais na tarefa de educar seus filhos.
Argumento de Senso 
Comum
De acordo com especialistas da área de
Psicologia, crianças que sofrem maus
tratos na infância tendem a se tornar
adultos violentos com seus filhos.
Argumento de Autoridade
Ainda que a intenção da mãe fosse
educar os filhos (finalidade lícita), o meio a
que recorreu foi ilícito, o que torna sua
conduta criminosa à luz do
direito.
Argumento de Oposição
Tipos de argumento e estratégias 
argumentativas nas peças processuais.
Como vimos em Teoria da 
Argumentação, os argumentos são 
recursos linguísticos que visam à 
persuasão, ao convencimento. O 
argumento não é uma prova inequívoca 
da verdade.
a) Argumento Pró-Tese
Caracteriza-se por ser extraído dos fatos reais 
contidos no relatório.
Deve ser o primeiro argumento a compor a 
fundamentação. A estrutura adequada para 
desenvolvê-lo seria: Tese + porque + e também 
+ além disso. Todos esses elos coesivos 
introduzem fatos distintos.
Exemplo:
(TESE) Quanto à proposta de um sistema de cotas nas
universidades, compreende-se ser a proposta
demagógica e discriminatória, porque constitui-se em
verdadeira aberração, e também se encontra
maculada pelo vício da inconstitucionalidade; além
disso, esconde interesses políticos escusos que não
visam à solução do problema da educação.
b) De Autoridade (ex auctoritate [o 
juiz, por exemplo]; ou ab auctoritate)
Argumento constituído com base nas 
fontes do Direito, em pesquisas 
científicas comprovadas e/ou nas 
áreas de correlação com o Direito: 
Sociologia e Psicologia, por exemplo.
Exemplo:
O artigo 196 da Constituição Federal dispõe que “a saúde 
é um direito de todos e dever do Estado”. Aduz o referido 
artigo que o Estado deve prover políticas econômicas e 
sociais que visem à redução dos riscos de doença e de 
outros agravos à saúde. A antecipação do parto em 
hipótese de gravidez de feto anencefálico é o único 
procedimento médico cabível para minimizar o risco à 
saúde da gestante. Impedir a sua realização importa em 
indevida e injustificável restrição ao direito à saúde.
c) Argumento de Oposição
Argumento que se caracteriza por
contrapor uma informação favorável à
tese e outra desfavorável à tese. Ao
ponderar o que ambas representam,
prevalece sempre a importância da
prova “pró” sobre a prova “contrária”,
sendo esta última irrelevante diante dos
demais acontecimentos.
Exemplo 1:
Embora haja relatos esparsos sobre fetos
anencefálicos que sobreviveram alguns dias
fora do útero materno, o prognóstico nesses
casos é de sobrevida de no máximo algumas
horas após o parto, ou seja, não há qualquer
possibilidade de tratamento ou reversão do
quadro; logo, a morte será inevitável e certa.
Exemplo 2:
Embora o Código Penal de 1940, como se
sabe, tenha tipificado o aborto na categoria
dos crimes contra vida, esta visão, nos dias
atuais, está longe de ser pacífica, pois a
permanência do feto anencefálico no útero
da mãe é potencialmente perigosa,
podendo gerar danos à saúde da gestante
e perigo de vida.
d) Argumento de Senso Comum
Consiste no aproveitamentode uma 
afirmação que goza de consenso geral; 
está amplamente difundido na 
sociedade.
Exemplo:
Sabe-se que quem tem o nome incluído
no SPC passa por uma situação
constrangedora. Sendo assim, aquele
cujo nome foi inserido indevidamente
nesse cadastro tem direito à indenização
por danos morais.
e) Argumento de Causa e Consequência
Estabelece a relação de causalidade. São 
apresentadas as causas e as consequências de 
um ato praticado.
Exemplo:
Já que a vítima não possui automóvel e 
trabalha até tarde como vendedora em um 
shopping à uma hora e meia de casa, não 
poderia ela deixar de passar por tal lugar que, 
apesar de ermo, é caminho obrigatório para 
sua casa.
A SEGUIR:
EXEMPLO DE FUNDAMENTAÇÃO DE 
CASO CONCRETO NO DIREITO
A fundamentação mágica não se sustenta: 
o caso da Reclamação 31.410
 Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união 
indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, 
constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como 
fundamentos:
 III - a dignidade da pessoa humana;
 Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República 
Federativa do Brasil:
 IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, 
raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de 
discriminação.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção
de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros
e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos
termos seguintes:
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a
honra e a imagem das pessoas, assegurado o
direito a indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação;
A Súmula Vinculante 11 proíbe o uso de
algemas: “Só é lícito o uso de algemas em casos
de resistência e de fundado receio de fuga ou de
perigo à integridade física própria ou alheia, por
parte do preso ou de terceiros, justificada a
excepcionalidade por escrito, sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do
agente ou da autoridade e de nulidade da prisão
ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo
da responsabilidade civil do Estado”.
A INSERÇÃO DO ARGUMENTO VIA CITAÇÃO
O Discurso da citação é apreciado: lembrem-
se do procedimento de resumo e síntese
Para afastar a aplicação da súmula vinculante,
os magistrados devem fundamentar de modo
concreto os motivos adequados para tanto.
Entretanto, acostumados a manter acusados
algemados, em geral, há fundamentação já em
autotexto, argumentação genérica, desprovida
de aspectos concretos, que serve
imaginariamente para todos os casos.
A seguir, o autor do texto buscará 
prosseguir com a fundamentação
No caso enfrentado pelo ministro Marco Aurélio, na
Reclamação 31.410-SP, formulado pela advogada Sandra
Fonseca, constou na decisão impugnada:
“Tal medida é justificada pela necessidade de manutenção
da segurança das pessoas participantes do ato processual e
visa a evitar fugas, inclusive já ocorridas neste Fórum, a par da
sempre desproporcionalidade entre número de presos e
número efetivo de policiais da escolta. Foi salientado ainda
que a retida (sic) das algemas seria incompatível com a
segurança decorrente da manutenção da custódia cautelar.
Registra-se a presença de 06 policiais militares e 02 agentes
penitenciários”.
Na sequência, o autor articula suas 
considerações anteriores com nova citação: o 
objetivo é dar solidez à sua argumentação
Aceitar a validade de uma
argumentação “linear e desvinculada
da situação concreta”, como
sublinhado pelo ministro Marco
Aurélio, é tornar letra morta a SV 11.
Tanta assim que constou na decisão
da reclamação:
Em relação à prancha anterior
Note-se em roxo as partes textuais de início e
de fim, com a citação no meio. Então, as
referidas partes compõem o processo de
validação da citação, pois a apresenta como
consequência do raciocínio lógico e termina
apresentando a consequência verbo citatum.
Na sequência, o autor apresentará o conteúdo
que, no caso, confirmará sua fundamentação
até o presente momento do texto. Vejamos ...
“A menção ao número de réus e a suposição
de evasão ou, até mesmo, de prejuízo à(ao) higidez
(bem-estar) física(o) dos presentes na audiência são
argumentos insuficientes a justificarem o uso do
artefato. O emprego das algemas pressupõe haja
resistência ou fundado receio, devidamente
motivados pelas circunstâncias concretas, a
evidenciar risco de fuga ou perigo à integridade
física do envolvido ou de outras pessoas, não
verificados na espécie. O prejuízo mostra-se
evidente ante as peculiaridades do julgamento por
corpo de jurados, no que prescindível a
fundamentação da convicção formada”.
Atenção para o emprego dos correferentes (roxo)
 (Tese de desfecho) O julgamento é fortemente influenciado,
assim, por fatores estranhos à conduta objeto do julgamento.
(Porque, pois) Trata-se de um nudge acusatório incompatível
com o fair play, consoante (e como também) sublinhei com
Bianca Bez Goulart (aqui). (Além disso,) Não se pode
desprezar o peso que a "estética" do réu algemado vai
causar no ritual judiciário e na (infelizmente íntima e
imotivada) convicção do jurado leigo. (Síntese das
informações/fato/opinião) É a visão de um culpado.
(Conclusão do raciocínio) Fica muito difícil, para a defesa,
desconstruir essa imagem, principalmente se levarmos em
conta o "efeito primazia".
	Slide 1: Português Jurídico: Fichamento e Tipos de Argumentos Jurídicos
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	Slide 10
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	Slide 12: FICHAMENTO DE CASO CONCRETO
	Slide 13
	Slide 14: Transcrição do fichamento e paráfrase do caso concreto
	Slide 15: Resumo e Síntese do Caso Concreto
	Slide 16: Resenha Crítica: Reduzir ou não a maioridade penal?
	Slide 17
	Slide 18: Tipos de argumento e estratégias argumentativas nas peças processuais 
	Slide 19
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	Slide 33
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	Slide 36: O Discurso da citação é apreciado: lembrem-se do procedimento de resumo e síntese
	Slide 37: A seguir, o autor do texto buscará prosseguir com a fundamentação
	Slide 38: Na sequência, o autor articula suas considerações anteriores com nova citação: o objetivo é dar solidez à sua argumentação
	Slide 39: Em relação à prancha anterior
	Slide 40
	Slide 41

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