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O que é a Psicopatologia?
A Psicopatologia é o ramo das ciências que trata da natureza essencial da doença 
mental: as mudanças estruturais e funcionais associadas a ela e às suas formas de 
manifestação. Ela configura-se como um conceito amplo e complexo que envolve 
diversas áreas do conhecimento que vai desde as disciplinas biológicas e as 
neurociências, além de saberes da psicanálise, psicologia, sociologia, filosofia, 
linguística, entre outros.
O objetivo da psicopatologia é compreender os estados psíquicos relacionados ao 
sofrimento mental. Por isso, a psicopatologia estaria, portanto, na base da psiquiatria.
Esse campo do conhecimento permite uma visão descritiva do comportamento 
humano, pois aborda a natureza essencial da doença mental – suas causas, 
mudanças funcionais e estruturais e suas formas de manifestação.
 Os aspectos mais marcantes de determinados transtornos podem ser observados 
no analisado através da alteração abrupta do comportamento original, a 
impossibilidade de praticar as atividades rotineiras que eram de fácil execução, e a 
área psicoafetiva do sujeito sendo afetada.
Entretanto há muitas patologias da psique humana, que não impossibilitam o 
indivíduo por inteiro, como é o caso não generalista da ansiedade, que se não for 
crônica o indivíduo pode viver sem muita interferência e ser eficaz na vida em 
sociedade, trabalho e também em seus relacionamentos. O que norteia a 
psicopatologia é o manual do DSM-5 que contém todas as patologias referente a 
mente humana, seus respectivos males, disfunções e transtornos.
A psicopatologia na história
A psicopatologia começou a se estruturar como clínica pelos médicos alienistas a 
partir do final do século XVIII. Constituiu-se por meio de um discurso científico, 
PSICOPATOLOGIA APLICADA
NA PSICANÁLISE
utilizando um método de observação e de organização da loucura, numa visão 
racionalista. Dessa forma, os médicos procuraram se apropriar da loucura como foco 
da clínica, numa tentativa de dominá-la. Os discípulos seguiam ao lado do mestre, 
aprendendo com ele, numa observação direta, o manejo dos distúrbios mentais. Esse 
modelo de clínica permaneceu no século XIX. No final do século XIX, com as 
pesquisas de Charcot, a clínica do olhar ganhou força quando ele passou a 
demonstrar para seus discípulos que podia introduzir e retirar sintomas utilizando o 
método hipnótico. Tais demonstrações tinham o intuito de mostrar que, no caso das 
histéricas, as paralisias de membros não provocavam lesões, ao contrário do que os 
médicos pensavam. Com essa descoberta, Charcot se consagrou como o mestre das 
histéricas.
Freud, no fim do século XIX e início do século XX, inovou a perspectiva da 
psicopatologia, trazendo um corpo de conceitos precisos para reconhecer a histeria e 
a conversão histérica, além de trazer à luz a diferenciação clara da neurose obsessiva 
e da angústia. Ao desenvolver a metapsicologia, contribuiu para a atual classificação 
das psicopatologias a partir da perspectiva estrutural, a saber: (a) neuroses de defesa 
ou transferenciais, nas quais se encontram as histéricas conversivas e fóbicas, as 
neuroses obsessivas e as neuroses de ansiedade; (b) as psicoses; (c) as perversões; 
e (d) as afecções psicossomáticas. Tais estruturas são determinadas a partir das 
fixações em fases do desenvolvimento psicossexual desde os primeiros anos de vida.
 Fundamentos da Psicanálise
A psicanálise é um método e uma prática terapêutica que é sustentada em uma 
teoria. O que, de fato, fundamenta a prática psicanalítica? A prática psicanalítica 
iniciou quando Freud decidiu abandonar a técnica da hipnose. A psicanálise é 
fundamentada em uma terapia em que o analista não tem o papel de dar sugestões ou 
de julgar o paciente.
A fundamentação prática da psicanálise visa trabalhar com as resistências do 
paciente, que estão na raiz do seu adoecimento. O que está em primeiro plano na 
análise é permitir o surgimento do fenômeno do inconsciente. O fundamento da 
técnica psicanalítica é a liberdade discursiva. O paciente deve se sentir livre para se 
expressar da forma que desejar, livre de quaisquer julgamentos e preconceitos por 
parte do analista.
A base que fundamenta a psicanálise é o desejo de livre associação e, por 
consequência, da liberdade de expressar as palavras e os afetos. Os fundamentos da 
psicanálise são sustentados pela teoria geral da personalidade.
Para compreender essa teoria, Freud lançou mão da definição de uma estrutura 
topográfica do aparelho psíquico. Primeiramente, Freud mapeou a mente humana a 
partir de três regiões: o consciente, o inconsciente e o pré-consciente.
No consciente estão os pensamentos e memórias que nos lembramos e se 
encontram acessíveis. O consciente corresponde apenas a uma pequena parte da 
nossa mente. O pré-consciente sistematiza os pensamentos que estão no domínio do 
inconsciente, mas também são acessíveis ao consciente. É neste espaço em que o 
psicanalista vai atuar, na área em que consciente e inconsciente estão em confluência.
A psicanálise fundamenta-se na ideia de que a mente humana é estruturada em 
camadas, com processos conscientes e inconscientes interagindo para moldar a 
experiência e o comportamento. Freud identificou três componentes principais da 
mente: o id, o ego e o superego, cada um desempenhando papéis distintos na 
formação dos sintomas psicopatológicos.
Por fim, no inconsciente, é onde ficam retidas as nossas lembranças e desejos 
reprimidos. Tudo aquilo que não está acessível ao campo do consciente corresponde 
ao inconsciente. Para Freud, grande parte do aparelho psíquico pertence ao 
inconsciente.
Mecanismos de Defesa e Sintomas Psicopatológicos
Os mecanismos de defesa, como a negação, a projeção e a sublimação, são 
centrais na psicanálise para entender como os indivíduos lidam com conflitos internos. 
Esses mecanismos não apenas protegem o ego de ansiedades intoleráveis, mas 
também contribuem para a formação de sintomas psicopatológicos quando são 
excessivamente utilizados ou mal adaptados.
Desenvolvimento Psicossexual e Trauma
A teoria freudiana do desenvolvimento psicossexual postula que experiências na 
infância moldam padrões de comportamento e personalidade na vida adulta. Traumas 
precoces, como abuso ou negligência, podem resultar em fixações em estágios 
específicos do desenvolvimento, levando a sintomas psicopatológicos que refletem 
esses conflitos não resolvidos.
Técnicas Terapêuticas
Na prática clínica psicanalítica, técnicas como a associação livre, a interpretação 
dos sonhos e a análise da transferência são utilizadas para acessar o material 
inconsciente e promover a insight e a mudança. O objetivo é trazer à consciência os 
conflitos subjacentes que contribuem para os sintomas psicopatológicos, permitindo 
que o paciente explore e compreenda seus próprios processos mentais.
Aplicações Contemporâneas e Críticas
Embora a psicanálise tenha evoluído desde os dias de Freud, ela continua a 
influenciar a compreensão contemporânea da psicopatologia. Críticos questionam sua 
validade científica e eficácia comparada a abordagens mais empíricas, como a terapia 
cognitivo-comportamental, mas seus defensores argumentam que a riqueza de sua 
compreensão dos processos inconscientes ainda oferece insights únicos e valiosos.
Freud, Psicanálise e psicopatologia
A muitas doenças que são mais graves hoje em dia do que na época em que 
Freud deu seguimento aos estudos das neuroses, exemplo da depressão que hoje 
está presente na sociedade de forma constante causando até mesmo a incapacidade 
cognitiva de reação, pensamentos negativos sobre si e sobre a vida em geral, como é 
no caso da depressão que trás a morte do eu (ego) seguindo na pulsão de morte 
“thanatos”.
A psicopatologia na psicanálise
A psicopatologia na psicanálise se desenvolve a partir dos fundamentos teóricos 
estabelecidos por Sigmund Freud e seus seguidores. Freud, o pai da psicanálise, 
revolucionou a compreensão da mente humana ao postular a existênciade um 
inconsciente dinâmico, onde processos psíquicos ocorrem fora da consciência e 
exercem influência significativa sobre o comportamento e os sintomas dos indivíduos.
Para a psicanálise, os sintomas psicopatológicos são vistos como expressões 
simbólicas de conflitos psíquicos subjacentes, frequentemente enraizados em 
experiências infantis e em dinâmicas familiares complexas. Freud acreditava que 
muitos sintomas tinham suas origens em desejos e impulsos reprimidos, que emergem 
de forma distorcida e disfarçada no consciente. Por exemplo, um sintoma como a 
compulsão obsessiva poderia ser entendido como uma manifestação simbólica de um 
desejo proibido ou de um conflito não resolvido.
Um dos conceitos fundamentais da psicopatologia psicanalítica é o de 
mecanismos de defesa. Esses mecanismos são estratégias psicológicas inconscientes 
utilizadas pelo ego para lidar com ansiedades e conteúdos ameaçadores. A repressão, 
por exemplo, é um mecanismo pelo qual impulsos ou memórias dolorosas são 
empurrados para o inconsciente, fora da consciência imediata, para proteger o ego da 
angústia.
Além disso, a psicopatologia psicanalítica considera o desenvolvimento 
psicossexual como um componente crucial na formação da personalidade e na 
manifestação de sintomas. As fases do desenvolvimento infantil, como as fases oral, 
anal e fálica, são momentos críticos onde conflitos psíquicos podem se enraizar e 
influenciar o desenvolvimento futuro do indivíduo. Por exemplo, um indivíduo que 
experimenta um trauma na fase oral pode desenvolver sintomas relacionados à 
alimentação ou à fala na vida adulta.
Outro aspecto central da psicopatologia psicanalítica é a interpretação dos sonhos. 
Freud acreditava que os sonhos são uma via privilegiada para o inconsciente, onde 
desejos reprimidos e conflitos psíquicos podem ser expressos de forma disfarçada. A 
técnica de interpretação dos sonhos permitia ao analista acessar conteúdos ocultos na 
mente do paciente e revelar os significados subjacentes aos sintomas manifestos.
Na prática clínica contemporânea, a psicopatologia psicanalítica continua a ser 
relevante, embora tenha evoluído e se integrado com outras abordagens terapêuticas. 
Ela oferece uma compreensão profunda e interpretativa dos transtornos mentais, 
buscando não apenas aliviar sintomas, mas também promover uma transformação 
duradoura na vida emocional e psicológica dos pacientes.
Na psicanálise a psicopatologia também se faz presente como é o caso das 
neuroses e psicose, o objetivo da psicanálise é atenuar sintomas através da cura pela 
fala, com o livre fluxo de pensamentos onde sem restrições o analisado se sente 
confortável (ou não) para expor suas ideias, seus pensamentos e angústias.
A psicopatologia traz uma grande quantidade de doenças relacionadas à mente, 
tais como a ansiedade, depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar e muitos outros. 
Alguns desses sofrimentos psíquicos podem ser até mesmo incapacitantes, como é o 
caso da esquizofrenia que na psicanálise também é chamada de psicose. “As 
emoções não expressas nunca morrem.
Elas são enterradas vivas e saem de piores formas mais tarde.” Sigmund Freud 
Freud o pai da psicanálise deu o primeiro passo para o tratamento dos sintomas das 
neuroses, e na psicanálise envolve o acompanhamento do sujeito para a melhora de 
um determinado sintoma e angústia que o afeta, existem vários tipos de transtorno 
ligados às neuroses que se enquadram no F40-F48 Transtornos neuróticos, 
transtornos relacionados com o “stress” e transtornos somatoformes. a neurose 
também é muito associada a ansiedade e seus males.
Psicopatologia psicanalítica: subjetividade e alteridade contemporâneas
Pensar a psicopatologia a partir da psicanálise é um desafio, uma vez que a 
“psicopatologização” da subjetividade humana está cada vez mais presente no 
discurso hegemônico na área da saúde mental.
Nessa perspectiva, o homem não é responsável por suas paixões, pois não as 
escolhe. Contudo, torna-se responsável pela influência delas nas suas ações, sendo 
possível julgar o aspecto ético do sujeito. Essa era a ideia defendida por Aristóteles. 
Assim, a virtude estaria naquele que age em harmonia com suas paixões, alcançando 
o equilíbrio logos/paixão. Estaria nessa balança o “crime passional”, assim como as 
grandes obras, tendo a paixão como impulsionadora desses dois opostos.
No estoicismo, em oposição às teses aristotélicas, as paixões seriam obstáculos 
ao logos e deveriam ser domadas. Elas não poderiam ser usadas para o 
aprimoramento pessoal, e enquanto o apaixonado estivesse preso ao seu pathos 
(como doença), nada poderia ser feito para ajudá-lo. Dessa forma, não seria ele 
responsável por seus atos. Qual a saída? Evitar a expressão da paixão e extirpá-la 
pela raiz.
Há um debate interminável entre esses dois pressupostos, o “normal” e o 
“patológico”. O pathos como causa da conduta do sujeito ou como uma doença que o 
aliena e que o faz necessitar de cuidados especializados.
Ao se tratar de psicopatologia na psicanálise, tem-se como implicação o desejo 
recalcado, impregnado de culpa que se inscreve na interação relacional, reflexo do 
imperativo original do sujeito. Por outro lado, a psicopatologia cunhada como doença 
tende a reduzir o mesmo como sendo o portador de um mal, ainda que possa ser 
apenas temporário.
Em ambas as situações, o ‘apaixonado’ é depositário das mazelas que o envolvem 
no sentido social e cultural, um ser que denuncia a falta. Isso aconteceu nos 
manicômios de outrora, e agora, nas ruas, a céu aberto, na vida dos que estão 
marcados numa sociedade que não os vê.
Ao esboçar os pilares da psicanálise, Freud desvelou a existência do inconsciente 
que se constrói a partir da realidade externa e abastece a realidade interna. As 
vicissitudes humanas ao longo dos séculos mostram o enfrentamento do sujeito diante 
da castração que remete à diferença, à capacidade de superar as frustrações e 
ressignificar o desejo. Um exemplo disso pode ser visto nos adolescentes que gritam 
pela falta do simbólico, buscam, na ficção violenta, inscrever-se em um laço social. 
Talvez estejam num movimento como o das histéricas de outrora, exibindo a paixão à 
flor da pele. Cabe ainda ressaltar que o imprevisto da paixão, acima descrito, explica-
se pelo estranho (Unheimliche), ou seja, o estranho que é familiar e também pela 
alteridade intrínseca na estrutura subjetiva do sujeito.
Psicopatologia psicanalítica e diagnóstico
Embora o termo "psicopatologia", advindo da psiquiatria médica, esteja 
relacionado à identificação, descrição e busca das causas para entidades nosológicas 
relativas ao psíquico, em psicanálise assume uma conotação mais ampliada, na 
medida em que dá lugar também ao reconhecimento da subjetividade.
A noção de estrutura é muito útil na clínica, desde que remete a regularidades que 
podem ser relacionadas a entidades nosológicas, no entanto, para a psicanálise, o 
foco ainda é a subjetividade: quando um psicanalista fala em neurose ou estrutura 
neurótica refere-se a uma forma de subjetividade construída por "uma matriz simbólica 
relativamente fixa a partir da qual o sujeito lê o mundo e reage a essa leitura". Isso 
que diferencia a psicopatologia psicanalítica da psiquiátrica.
O diagnóstico de caráter psicanalítico evoluiu a partir dos primeiros conceitos 
tecidos por Freud acerca da teoria da pulsão. A partir da biologia, este modelo 
retomava a centralidade nos processos instintivos e descrevia o desenvolvimento 
humano como um transcurso por uma ordenada progressão de preocupações 
corporais que passam de orais a anais, fálicas e genitais.
A teoria da pulsão postulava que, se frustrada ou gratificada em excesso em um 
estágio psicossexual precoce, uma criança poderia "fixar sua libido" em algumas das 
questões biológicas dessa fase e em determinadas representações que se referem a 
um objeto ou parte do corpo. Portanto, um homem adulto depressivo poderia ter sido 
negligenciado ou sobrecarregado de gratificaçõesentre o primeiro e segundo ano de 
vida (fase do desenvolvimento oral); se obsessivo, provavelmente teve problemas 
entre 1 e 3 anos (a fase anal); se histérico, esperava-se uma rejeição ou 
superestimulação da sensualidade entre 3 e 6 anos (a fase fálica, posteriormente 
chamada de edipiana).
A partir de 1950 essa teoria foi reformulada por diferentes psicanalistas, como: Erik 
Erikson, Margaret Mahler, Melaine Klein, Thomas Ogden e, mais recentemente, Peter 
Fonagy.
A neurose, enquanto diagnóstico psicanalítico, inclui as formas de subjetividade 
em que predominam dificuldades no campo do objeto do desejo. Foi a primeira 
estrutura psíquica a ser analisada e compreendida metapsicologicamente a partir dos 
trabalhos de Freud, sendo dividida em duas vertentes possíveis: neurose histérica e 
neurose obsessiva.
Freud observou atentamente e descreveu essas duas neuroses essenciais e, ao 
longo de sua obra, preocupou-se em revelar que a diferença estabelecida entre 
histeria e obsessão são a sua causa e não a manifestações dos seus fenômenos.
Lacan, pelo exame da relação do sujeito com o Outro, a partir da teoria de trauma 
de Freud, diz de um real causal. A partir, ainda, da lógica do significante, estabelece 
uma relação entre real, simbólico e imaginário, o que lhe permite inferir que a histérica 
é aquela que se faz mestre do mestre lá onde falta o Outro do Outro, e o obsessivo é 
aquele que se faz servo do mestre, a fim de se constituir como Outro do Outro.
Freud tinha o hábito de praticar o que chamava de tratamento de ensaio, um 
tratamento psicanalítico inicial de pequena duração antes do início da análise 
propriamente dita, com o objetivo de evitar a interrupção da análise após um certo 
tempo. Uma das funções desse tratamento de ensaio seria o estabelecimento do 
diagnóstico. Lacan, posteriormente, nomeou esse tratamento de ensaio de Entrevistas 
Preliminares.
A partir dos elementos marginais ou dissonantes do discurso e dos elementos não 
verbais como estilo, estrutura da fala, sua função, clima emocional criado e o que é 
mobilizado no corpo do analista, é possível situar quais as situações traumáticas e as 
identificações patológicas a que o cliente se remete, podendo-se, então, estabelecer 
uma hipótese diagnóstica após algumas entrevistas preliminares.
Em psicanálise o diagnóstico de neurose é atribuído para aquele que se esforça 
em submeter-se às exigências do super eu, uma instância psíquica que é capaz de 
transformar a coerção externa em coerção interna, permitindo a vida harmoniosa em 
sociedade. Em termos simbólicos, isso tornaria possível reverter a perda subjetiva que 
se consuma com a passagem pelo Édipo, recuperando-se a unidade com o Outro.
A psicopatologia aplicada na psicanálise, é importante destacar:
 Compreensão Profunda dos Sintomas: A psicanálise oferece uma abordagem única 
para entender os sintomas psicopatológicos, indo além da manifestação superficial 
para explorar suas raízes inconscientes e significados simbólicos. Isso permite uma 
compreensão mais profunda e individualizada dos problemas psicológicos dos 
pacientes.
Ênfase na História Pessoal e Desenvolvimento: Ao invés de focar apenas nos 
sintomas atuais, a psicanálise considera a história de vida do indivíduo e seu 
desenvolvimento psíquico desde a infância. Isso ajuda a identificar como experiências 
passadas e relações emocionais moldaram a personalidade e os padrões 
comportamentais do paciente.
 Métodos Terapêuticos Específicos: A psicanálise utiliza métodos terapêuticos como a 
livre associação, interpretação dos sonhos e análise das resistências para acessar o 
inconsciente do paciente. Esses métodos são destinados a revelar os conflitos 
internos e os processos mentais que contribuem para os sintomas psicopatológicos.
Crítica às Abordagens Reducionistas: A psicanálise crítica abordagens puramente 
biológicas ou comportamentais da psicopatologia, que podem reduzir os transtornos 
mentais a causas exclusivamente físicas ou ambientais. Em vez disso, enfatiza a 
complexidade da mente humana e a importância das dinâmicas inconscientes na 
formação dos sintomas.
Integração com Outras Abordagens: Embora seja uma abordagem distinta, a 
psicanálise pode ser complementar a outras modalidades terapêuticas, como a terapia 
cognitivo-comportamental (TCC) ou a psicoterapia humanista. A integração dessas 
perspectivas pode enriquecer o entendimento e o tratamento dos transtornos mentais.
Transtorno mental
Os termos transtorno, distúrbio e doença combinam-se aos termos mental, 
psíquico e psiquiátrico para descrever qualquer anormalidade, sofrimento ou 
comprometimento de ordem psicológica e/ou mental. Os transtornos mentais são um 
campo de investigação interdisciplinar que envolvem áreas como a psicologia, a 
psiquiatria e a neurologia. As classificações diagnósticas mais utilizadas como 
referências no serviço de saúde e na pesquisa hoje em dia são o Manual Diagnóstico 
e Estatístico de Desordens Mentais — DSM IV, DSM V e a Classificação Internacional 
de Doenças — CID-10.
As nomenclaturas, ou os apelidos, são importantes porque, às vezes, 
estigmatizam e contribuem para majorar o sofrimento daqueles que são portadores de 
determinados transtornos mentais. É o caso, por exemplo, do Transtorno de Humor 
Bipolar, anteriormente chamado Psicose Maníaco-Depressiva, que ainda é utilizado. O 
termo psicose e mania, em si, carregam um peso para os portadores desta patologia.
Em psiquiatria e em psicologia os termos transtornos, perturbações, disfunções ou 
distúrbios psíquicos são preferíveis, em relação ao termo doença, pois poucos 
quadros clínicos mentais apresentam todas as características de uma doença no 
sentido tradicional. O conceito de transtorno, ao contrário, implica um comportamento 
diferente, desviante, anormal.
Definição do conceito de anormalidade
O conceito de anormalidade só é compreensível em relação a uma norma; mas 
nem toda variação em relação a uma norma adquire caráter patológico. Assim uma 
pessoa superdotada ou um criminoso estão ambos fora da norma, sem que no entanto 
seu estado tenha um caráter patológico. Assim, para se compreender o termo 
transtorno é necessário ter-se presente quais normas são relevantes para a definição.
Norma subjetiva: a própria pessoa sente-se doente. No entanto, esta norma não é 
suficiente para uma definição, porque ela envolve uma perceção subjetiva do 
problema, que pode diferir de uma perceção externa, objetiva: além dos casos em que 
as duas perspectivas estão de acordo, há casos em que a pessoa está subjetivamente 
doente, mas esse estado é externamente não observável, ou vice-versa;
Norma estatística: a norma é dada pela frequência do fenômeno na população. 
Assim, todas as pessoas que estão acima ou abaixo de um determinado valor de corte 
estão fora da norma. No entanto essa norma não leva em conta o valor dado às 
características levadas em conta. Assim uma pessoa que nunca teve cáries está tão 
fora da norma como uma pessoa que têm muitíssimas — aqui se vê também seu 
limite;
Norma funcionalista: aqui a norma é ditada pelo prejuízo das funções relevantes. 
Assim, se alguém não consegue mover a mão está fora da norma, porque a mão não 
pode cumprir sua função de pegar. Enquanto a norma funcional é muito importante 
para os transtornos e doenças somáticas (ou corporais), não o é sempre no caso dos 
transtornos mentais, porque a função nem sempre é objetivável. Assim a sexualidade 
possui inúmeras funções — reprodução, prazer, comunicação, interpessoal… — de 
forma que se torna difícil definir os transtornos nessa área;
Norma social: aqui o transtorno é definido a partir de normas e valores definidos 
socialmente. A perspectiva da etiquetação (labeling) de Scheff postula o seguinte 
desenvolvimento para tais normas: (a) Desvio primário — a pessoa desrespeita um 
determinada norma social e isso pode levar a duas reações: ou o comportamento é 
normalizado (através de tolerância, racionalização, discussão)e assim o conflitoé 
solucionado, ou o conflito não se soluciona de maneira positiva e a pessoa é rotulada 
(ex. um diagnóstico, uma condenação jurídica…) e recebe assim uma atenção 
especial. Esse estigma leva a um (b)desvio secundário — a pessoa, em reação à 
etiquetação, começa a comportar-se de maneira diferente em conformidade com o 
novo papel social recebido: a pessoa começa a comportar-se de acordo com a 
etiqueta recebida. Esse é um dos grandes problemas ligados a todos os tipos de 
classificação e diagnóstico.
Norma dos especialistas: esta é uma forma especial de norma social, definida por 
uma categoria especial de pessoas — os especialistas (médicos, psicólogos, etc.). 
Como as normas sociais, também estas estão sujeitas a uma certa dose de 
arbitrariedade. Os atuais sistemas de classificação (DSM-V e CID-10) são formas 
especiais de normas de especialistas que têm por fim reduzir os perigos dessa 
arbitrariedade.
Classificação dos transtornos mentais
O sistema de Jaspers (1913)
Dentre os sistemas de classificação dos transtornos mentais o de Jaspers (1913) 
recebe, pela sua importância histórica, um lugar preponderante. Esse sistema é 
triádico, por diferenciar três formas de transtornos mentais:
1.Doenças somáticas conhecidas que trazem consigo um transtorno psíquico, em 
seus subtipos:
2. Os três grandes tipos de psicoses endógenas (ou seja, transtornos psíquicos cuja 
Doenças cerebrais;
Doenças corporais com psicoses sintomáticas (ex. infecções, doenças endócrinas, 
etc.);
Envenenamentos/Intoxicações (Álcool, morfina, cocaína, etc.).
causa corporal ainda é desconhecida):
Epilepsia genuína;
3. Psicopatias:
Dois termos desempenham assim um papel preponderante: neurose designa os 
"transtornos mentais que não afetam o ser humano em si", ou seja, aqueles 
supostamente sem base orgânica nos quais o paciente possui consciência e uma 
percepção clara da realidade e em geral não confunde sua experiência patológica e 
subjetiva com a realidade exterior; psicose, por sua vez, são "aqueles transtornos 
mentais que afetam o ser humano como um todo", ou seja um transtorno no qual o 
prejuízo das funções psíquicas atingiu um nível tão acentuado que a consciência, o 
contato com a realidade ou a capacidade de corresponder às exigências da vida se 
tornam extremamente diferenciadas, e por vezes perturbadas, e para a qual se 
conhece ou se supõe uma causa corporal.
Entre as neuroses costumam-se classificar: a perturbação obsessiva-compulsiva, 
a transtorno do pânico, as diferentes fobias, os transtornos de ansiedade,a depressão 
nervosa, a distimia, a síndrome de Burnout, entre outras.
O tratamento das neuroses e psicoses pode ser feito com um psicoterapeuta, um 
psiquiatra ou equipes de profissionais de saúde mental. As equipes incluem sempre 
psicólogos e psiquiatras, e podem incluir também enfermeiros, terapeutas 
ocupacionais, musicoterapeutas e assistentes sociais, entre outros.
Essa forma de classificação, apesar de muito utilizada ainda hoje, tem alguns 
problemas sérios: (a) a classificação limita o transtorno mental à pessoa (não 
correspondendo às exigências de uma análise bio-psico-social), (b) a diferenciação 
entre neurose e psicose endógena não é sempre tão clara como parece à primeira 
vista e (c) ambos os conceitos (neurose e psicose) estão ligados a uma etiologia 
Esquizofrenia, em seus diferentes tipos;
Distúrbios maníaco-depressivos.
Reações autônomas anormais não explicáveis por meio de doenças dos grupos 1 
e 2 acima;
Neuroses e síndromes neuróticas;
Personalidades anormais e seu desenvolvimento.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Perturba%C3%A7%C3%A3o_obsessiva-compulsiva
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_do_p%C3%A2nico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fobias
https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtornos_de_ansiedade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Depress%C3%A3o_nervosa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Depress%C3%A3o_nervosa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Depress%C3%A3o_nervosa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Distimia
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Burnout
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicoterapia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psiquiatria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Profissional_de_sa%C3%BAde_mental
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psic%C3%B3logo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Enfermagem
https://pt.wikipedia.org/wiki/Terapia_ocupacional
https://pt.wikipedia.org/wiki/Terapia_ocupacional
https://pt.wikipedia.org/wiki/Terapia_ocupacional
https://pt.wikipedia.org/wiki/Musicoterapia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Assistente_social
https://pt.wikipedia.org/wiki/Etiologia
psicanalítica dos transtornos mentais, tornando-os de utilidade limitada para 
profissionais de outras escolas.
Os sistemas atuais de classificação
O uso de sistemas de classificação para os transtornos mentais possibilita 
diagnósticos psiquiátricos precisos, fornecendo uma base comum para o diálogo entre 
os psiquiatras e psicoterapeutas de diversas linhas. Os dois sistemas atualmente em 
uso — a Classificação Internacional de Doenças (CID), da Organização Mundial de 
Saúde e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, sigla em 
inglês), da Associação Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association - 
APA) — prescindiram dos termos "neurose" e "psicose", salvo em raros casos, para os 
quais não havia termo mais apropriado. A CID é um sistema internacional, enquanto o 
DSM, tem sua importância ligada sobretudo à pesquisa. Apesar das diferenças, ambos 
os sistemas têm uma série de características em comum:[9]
Epidemiologia
Estudos recentes estimam que entre 32% (Robins & Regier, 1991) e 65% 
(Wittchen & Perkonigg, 1996) dos adultos sofreram em algum momento da vida de um 
transtorno mental. A grande diferença entre as estimativas dos dois trabalhos devem-
se às dificuldades metodológicas envolvidas nesse tipo de trabalho. No entanto a 
literatura parece unânime em afirmar que os transtornos mais frequentes são as 
diferentes formas de fobia (9,2-24,9%), sobretudo as fobias específicas, a fobia social 
e a agorafobia; o abuso e a dependência de substâncias químicas (17,7-26,6%), 
sobretudo álcool; e os transtornos afetivos (5,5-19,8%), sobretudo a depressão. 
Outros transtornos são muito menos comuns.
Ao contrário do que se pensa normalmente, os transtornos mentais são 
relativamente frequentes na população infanto-juvenil: entre 15% e 22% da população 
apresenta alguma forma de distúrbio nessa faixa etária, sobretudo as fobias, abuso e 
dependência de substâncias e transtornos afetivos. Além disso há indícios de que a 
O princípio da comorbididade, ou seja, uma pessoa pode ter ao mesmo tempo 
diferentes transtornos;
A multiaxialidade, ou seja, a descrição do transtorno se dá em diferentes eixos, 
cada um dos quais se referindo a um aspecto diferente (a CID não é originalmente 
multiaxial, mas um tal sistema foi proposto);
O sistema de diagnóstico operacional, ou seja, um diagnóstico é descrito com 
base em uma série de elementos semiológicos, sintomas e ou sinais, que devem 
estar presentes ou não por um período de tempo determinado. Discussões 
teóricas sem base empírica sobre a etiologia são deixadas de lado.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psican%C3%A1lise
https://pt.wikipedia.org/wiki/Diagn%C3%B3stico_psiqui%C3%A1trico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psiquiatria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicoterapia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Classifica%C3%A7%C3%A3o_Internacional_de_Doen%C3%A7as
https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_Mundial_de_Sa%C3%BAde
https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_Mundial_de_Sa%C3%BAde
https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_Mundial_de_Sa%C3%BAde
https://pt.wikipedia.org/wiki/Manual_Diagn%C3%B3stico_e_Estat%C3%ADstico_de_Transtornos_Mentais
https://pt.wikipedia.org/wiki/Associa%C3%A7%C3%A3o_Americana_de_Psiquiatria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_mental#cite_note-9
frequência dos transtornos mentais não aumenta com a idade, com exceção dos 
transtornos da cognição causados pela demência.
Os transtornosafetivos, os devidos à ação de substâncias psicoativas e os 
transtornos neuróticos (ou seja, ligados ao medo) costumam se manifestar pela 
primeira vez nas três primeiras décadas de vida. Enquanto a maioria desses 
transtornos aparece mais frequentemente a partir do fim da puberdade e do início da 
idade adulta, as fobias específicas tendem a se manifestar pela primeira vez já na 
infância e na adolescência. Outro fenômeno muito comum é a comorbididade dos 
transtornos mentais: um distúrbio costuma vir acompanhado de um ou até mais 
transtornos.
Etiologia
Os transtornos mentais são, tanto em sua gênese como em sua manifestação, 
fenômenos muito complexos.
Modelo biopsicossocial
O modelo biopsicossocial procura fazer jus a essa complexidade buscando analisar a 
gênese e o desenvolvimento dos transtornos mentais sob diferentes pontos de vista, 
de acordo com os diferentes fatores que os influenciam:
Os transtornos mentais podem dar-se assim em diferentes níveis:
Fatores biológicos — como a predisposição genética e os processos de mutação 
que determinam o desenvolvimento corporal em geral, o funcionamento do 
organismo e o metabolismo, etc.;
Fatores psicológicos — como preferências, expectativas e medos, reações 
emocionais, processos cognitivos e interpretação das percepções, etc.;
Fatores socioculturais — como a presença de outras pessoas, expectativas da 
sociedade e do meio cultural, influência do círculo familiar, de amigos, modelos de 
papéis sociais, etc.
Nível intrapessoal: são os transtornos de
(a) determinadas funções mentais (memória, percepção, aprendizagem, etc.).
(b) grupos de funções. Como a psicologia geral ainda não produziu modelos 
empíricos para tais grupos de funções e sua relação com os transtornos 
mentais, deve ficar sua descrição por hora no nível dos sintomas, das 
síndromes e dos diagnósticos, como descritos nos sistemas de classificação 
(CID-10 e DSM-IV).
Nível interpessoal: são os transtornos de sistemas, ou seja, de conjuntos de duas 
ou mais pessoas — casal, família, empresa, escola, etc. Tais transtornos são em 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Modelo_biopsicossocial
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mem%C3%B3ria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Percep%C3%A7%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aprendizagem
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_geral
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sintomas
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndromes
https://pt.wikipedia.org/wiki/Diagn%C3%B3sticos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistemas
A perspectiva Psicanalítica
Freud (1917) foi o primeiro a propor um modelo abrangente do desenvolvimento 
dos transtornos mentais: De acordo com esse teórico são eles fruto de tensões 
internas e, no mais das vezes, inconscientes não resolvidas que têm sua origem no 
desenvolvimento da libido da criança. Nesse desenvolvimento a criança atravessa 
diferentes fases (oral, anal, fálica, edipal e genital), nas quais faz a experiência de ter 
determinadas necessidades saciadas ou não. Quando adulta a pessoa faz 
determinadas experiências traumáticas que desencadeiam os distúrbios mentais — a 
forma exata desses distúrbios está então ligada às experiências feitas nas diferentes 
fases do desenvolvimento.
Apesar de ser muito difundida e ter tido muita influência sobre toda a psicologia 
posterior, a perspectiva psicanalítica é alvo de muitas críticas, sobretudo por parte de 
psicólogos ligados a uma abordagem mais experimental em psicologia: Os conceitos 
psicanalíticos são de difícil operacionalização e são assim difíceis de ser averiguados 
empiricamente. Além disso vários estudos parecem sugerir que algumas partes da 
teoria original de Freud precisam ser revistas — sobretudo no que diz respeito à 
origem da personalidade. O poder heurístico da teoria psicanalista é no entanto muito 
grande, servindo como base de alguns paradigmas de pesquisa muito férteis também 
sob um ponto de vista empírico — como é o exemplo da teoria do apego ; além disso 
ela apontou desde muito cedo a importância da infância como uma fase central para o 
desenvolvimento dos transtornos mentais.
 Contribuição da psicanálise no tratamento de pacientes psicóticos 
Em sua caminhada frente a psicanalise Freud deparou-se com a psicose no qual 
ele posicionou a, como um conflito do Eu com a realidade externa, o Eu elabora um 
mundo particular interno e o mundo externo conforme os impulsos do Id e o mesmo 
distancia-se da realidade. Os psicóticos procuram maneiras de restabelecer uma nova 
relação com a realidade, e na tentativa ocorre uma falha onde surge o delírio para 
suprir a falta do contato com o mundo externo e a realidade que não pode ser 
suportada. O Eu elabora sua nova realidade de acordo com os impulsos do Id, que 
parte menos objeto de estudo da psicologia clínica e da psiquiatria do que da 
psicologia das organizações ou da psicologia pedagógica e não são normalmente 
tratados como distúrbios mentais. Seu significado para a compreensão dos 
transtornos mentais em sentido mais restrito é no entanto enorme, o que se 
mostra na estrutura multiaxial dos atuais sistemas de classificação.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Inconsciente
https://pt.wikipedia.org/wiki/Libido
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_do_trabalho
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_pedag%C3%B3gica
geram alucinações, delírios, e os pensamentos de vozes. Inicialmente para psicanalise 
era inaceitável tratar os pacientes psicóticos, dado que os sujeitos psicóticos não 
conseguiam desenvolver uma transferência, porém os descobrimentos de M. Klein 
que se aprofundaram nos estudos relacionados no emocional primitivo do bebê, 
recolheram que a transferência é peculiar e foi denominada como “transferência 
psicótica.” Dentre as intervenções possíveis na linha psicanalítica, não ocorre com um 
manual, ou estratégias claramente padronizadas, pois cada caso é individual. Em 
1960/1970 foi notório que a postura de autoridade frente à pacientes psicóticos não 
eram eficazes, esta relação ia de encontro com o Outro maior, e desta forma 
desencadeava um surto. Então terapeutas e psiquiatras habitavam o mesmo ambiente 
de convivência, favorecendo a relação imaginaria e eliminando a relação simbólica do 
outro maior.
No tratamento com o paciente psicótico é adequado proporcionar um processo 
terapêutico “mais atuante” diferente do concedido aos neuróticos. Conceder o 
tratamento adequado aumenta a possibilidade do paciente fazer uma ligação afetiva e 
profunda, podendo até existir uma transferência maciça em relação ao terapeuta. A 
entrevista com o indivíduo psicótico requer modificações porque o sujeito pode se 
proteger por meio do isolamento, retraimento e apresentar agitação. Nesse caso o 
terapeuta deve transmitir seu entendimento de forma mais ativa, expressando sua 
própria resposta emocional ou apresentando um símbolo ou sinal de gratificação para 
as necessidades do paciente, além de oferecer um suporte psicológico “ego externo”, 
para os sentimentos disruptivos. Deve também adotar uma abordagem calma, 
comedida e empática, para minimizar o senso de caos interno do paciente.
O paciente com psicose poderá ser agitado, incoerente, amedrontado ou 
apresentar-se eufórico, agressivamente arrogante e delirante. O portador de uma 
psicose crônica ou de início insidioso apresenta um conjunto diferente de problemas. 
Ele poderá ser desconfiado, não cooperativo e retraído. A maior contribuição do 
trabalho terapêutico em andamento do paciente psicótico, juntamente com as 
intervenções somáticas adequadas, é a manutenção de uma postura cuidadosa e 
sensível que possa possibilitar um efeito curativo por si só. O delírio é o acesso para 
conhecer o sujeito psicótico. E o terapeuta deverá ver o mundo conforme ele é aos 
olhos do paciente, não debatendo a respeito da irracionalidade do delírio, mas ser 
curioso em relação a seu conteúdo e significado para o paciente que ocorre de 
maneira individual em cada caso. Se a psicose for tratada de modo adequado, terá 
cura. E mesmo o psicótico, se cuidando adequadamente,poderá viver melhor do que 
algumas pessoas que nunca tiveram crise psicótica. A crise psicótica dá uma vivência 
profunda de tudo. Pessoas que emergem de situações psicóticas, saem enriquecidas, 
tanto que, às vezes, suas proposições são mais ricas e abertas do que as que vêm de 
pessoas neuróticas ou normais. A busca da felicidade e do bem-estar só pode ser feita 
por pessoas que sofrem. O psicótico, um ser atormentado, procura algo fora e dentro 
de si, e descobre novas maneiras de viver.
Transtornos ou Doenças mentais comparando psicanálise e DSM-5
Em Psicanálise, tanto os transtornos como as personalidades são divididos em três 
grandes grupos:
As neuroses são provavelmente o foco principal da terapia psicanalítica, basicamente:
Isso do ponto de vista da psicanálise. Do ponto de vista da psiquiatria, a subdivisão é 
bem mais ampla.
Na psicanálise, uma forma interessante é pensar que, sendo uma neurose, mas 
não sendo uma compulsão/obsessão (um ato ou pensamento repetitivo que oculta 
outra coisa) nem uma fobia (um medo excessivo e inconsciente de algo ou alguém), 
sobraria a classificação como histeria.
Então, uma patologia ou um transtorno na classificação médica do DSM-5 (a 
Quinta Versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) não 
corresponde exatamente a um outro transtorno dentro da classificação da psicanálise.
psicoses: associadas a alterações de percepções externas e fragmentação do 
ego (como paranoia e esquizofrenia);
neuroses: a pessoa percebe seu mal-estar e tem um sentimento de insatisfação 
(culpa etc.), não há uma perda radical da interação com o “eu” e com a realidade 
externa; as neuroses dividem-se em histerias, fobias e compulsões;
perversões: a pessoa não sente culpa, tende a realizar boa parte de seus 
desejos; as perversões, no campo da sexualidade, são relacionadas às parafilias 
(como o fetichismo, o sadismo e o masoquismo).
primeiro se identifica uma neurose: em essência, não sendo uma perversão nem 
uma psicose;
depois, dentro das neuroses, identifica-se qual a subdivisão, que pode ser de três 
tipos: histeria, compulsão (obsessão) e fobia.
https://www.psicanaliseclinica.com/o-que-e-histeria-conceitos-e-tratamentos/
Por exemplo, uma ansiedade é uma patologia no DSM; para a psicanálise, tende a 
ter sua causa em uma neurose, mas, de qual tipo? Se seria uma histeria ou uma fobia 
(por exemplo), isso dependeria da análise psicanalítica nas sessões. Então, uma 
manifestação somática classificada pelo DSM (como depressão ou ansiedade) pode 
ter uma causa diferente para cada pessoa, com uma classificação diferente, dentro da 
psicanálise.
Talvez, nossa sede por classificação de transtornos ou personalidades seja muitas 
vezes um limitador em psicanálise, que cria barreiras para buscarmos as significações 
quanto aos desejos e angústias na vida psíquica atual e pregressa do sujeito 
analisando.
O foco do psicanalista não é a emissão de diagnósticos. A hipótese diagnóstica 
que o psicanalista cria no início do tratamento é apenas uma direção sobre aspectos 
identificados acerca das representações (os significados) trazidos pelo analisando 
sobre o mal-estar deste analisando.
Caráter investigativo da psicanálise nas doenças mentais e transtornos
A psicanálise possui um caráter investigativo na busca da interpretação daquilo 
que se apresenta além do objeto, consideramos, portanto, um lugar teórico e que se 
descortina na prática com o emprego de técnicas especificas aplicadas por seus 
conhecedores. Ou seja, o Psicanalista.
Esta abordagem é relevante, porque vivemos em uma sociedade que vem sendo 
muito exigida para transformações rápidas. E, assim, a mente humana não pode 
acompanhar as máquinas e isto traz uma convulsão mental desconstruindo valores 
que moralmente são inviáveis. Mas, pela evolução, o ser social (homem) se mergulha 
na intensidade do progresso – e isto tem como consequência, as patologias 
neurológicas. Patologias, essas, que se iniciam na mente sendo transportadas para o 
corpo, causando grandes prejuízos para a sociedade. E, em geral, razão pela qual da 
relevância desta abordagem sobre A Psicanálise e as Doenças Mentais.
Freud, as doenças mentais e os transtornos
https://www.psicanaliseclinica.com/inicio-do-tratamento/
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Ou seja, lesões anatômicas, pois, até então, nem a psiquiatria e a psicologia 
tinham as respostas aceitáveis que correspondiam para o fenômeno situado entre o 
físico e o psíquico. E assim Freud inicia sua teoria com a estrutura mental e a 
topográfica do psiquismo humano, não parando mais em seus estudos para dar 
sustentação nas suas experiências psicanalíticas que ainda são viés de práticas 
psicanalíticas.
Por conceito, este termo científico está diretamente ligado ao nome da ciência que 
estuda e proporciona condições para o tratamento destas doenças mentais. E, cujo 
propósito, é aliviar a dor e o sofrimento do paciente e por extensão aos de seus 
familiares – assim como o grupo social em que a pessoa está inserida.
A psicanálise, por possuir um caráter investigativo na busca da interpretação 
daquilo que se apresenta além do objeto consideramos, também, um lugar teórico que 
descortina na prática com o emprego de técnicas específicas aplicadas por seus 
conhecedores, ou seja, os Psicanalistas.
Doenças mentais X doenças físicas e psicossomáticas
Vale ressaltar que nem todas as doenças físicas são de origem mental, mas toda 
doença mental pode causar doenças físicas e assim as chamamos de doenças 
psicossomáticas. Entendemos que as doenças mentais, somáticas e psicossomáticas 
provocam sofrimentos tanto no corpo como na mente com grandes prejuízos para a 
pessoa. Ainda, para o seu meio social e para a família que lida, muitas vezes, sem 
saber que a pessoa está doente e sem rumo para o tratamento.
A psicanálise possui o seu espaço, pois busca o alívio destes sintomas 
proporcionando uma vida mais saudável. E, até mesmo condicionando o paciente a 
administração deste em sua vida diminuindo o sofrimento.
Citamos por exemplo algumas doenças psicossomáticas: a ansiedade, causa da 
úlcera, o medo que causa paralisia, etc. Todas, como sabemos, naquilo em que a 
mente esteja envolvida pode transportar pode transportar para o corpo elemento 
visível do ser humano, como os sentimento emocionais assim também as patologias 
psicossomáticas por esta mente estão envolvidas seriamente com sintomas 
psicológicos doentios.
O que é uma doença psicossomática?
As doenças psicossomáticas são causadas por problemas emocionais do 
indivíduo e representam a ligação direta entre a saúde emocional e a física. Ou seja, 
quando o sofrimento psicológico, de alguma forma, acaba causando ou agravando 
uma doença física.
Esse processo não é consciente e a confirmação do diagnóstico não costuma ser 
simples, principalmente por se tratar de um diagnóstico de exclusão. Ou seja, todas as 
outras possíveis causas devem ser investigadas e excluídas antes. Também chamado 
de transtorno de somatização, nesse processo a pessoa costuma apresentar múltiplas 
queixas físicas, em diferentes locais do corpo e que não são explicadas por nenhuma 
doença ou alteração orgânica. Geralmente os sintomas intensificam quando a pessoa 
se encontra em situações de estresse e/ou pressão emocional.
As causas
Não existe uma causa única para o desenvolvimento de uma doença 
psicossomática. Seu desenvolvimento depende de uma predisposição pessoal e 
orgânica, em como o corpo e o psicológico interagem e reagem frente a certas 
condições e/ou situações de vida. 
Algumas outras doenças psiquiátricas facilitam o desenvolvimento da 
somatização, como depressão, ansiedade e estresse e as situações que geralmente 
estão associadas ao seu desenvolvimento incluem:
Sobrecarga profissional; Eventos traumáticos prévios (seja na infância ou na vida 
adulta); Vítimas de violência psicológica, físicaou sexual; Sofrimento psicológico de 
qualquer tipo associado à dificuldade de falar sobre o assunto ou à tendência de se 
isolar socialmente.
ATENÇÃO: Negligenciar essas situações – seja por dificuldade de buscar ajuda ou por 
achar que é normal – pode agravar os sintomas ou causar outras doenças físicas.
Sintomas
São múltiplas as formas que uma doença psicossomática pode se manifestar, através 
de sintomas físicos e psicológicos.
Os sintomas psicológicos mais frequentes incluem: Ansiedade; Irritabilidade; 
Impaciência; Tristeza; Falta de interesse nas atividades diárias; Exaustão.
Psicanálise e transtorno de personalidade borderline: introdução ao tratamento
A psicanálise é um método terapêutico que busca entender o funcionamento do 
psiquismo humano, analisando as emoções, desejos e sentimentos inconscientes. A 
psicanálise é uma abordagem muito utilizada no tratamento de pacientes Borderline.
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é caracterizado por instabilidade 
emocional, impulsividade, humor instável e relacionamentos intensos e tumultuosos. O 
transtorno é conhecido como "borderline" por ser uma condição intermediária entre 
neurose e psicose.
A psicanálise tem sido muito eficaz no tratamento de pacientes com TPB, pois 
permite que o paciente tenha uma melhor compreensão de seus impulsos e emoções 
inconscientes, ajudando-o a desenvolver habilidades para lidar com seus 
comportamentos impulsivos.
A terapia psicanalítica com pacientes Borderline tem vários desafios, como a 
necessidade de oferecer suporte emocional e um ambiente seguro e confidencial para 
o paciente se expressar. O terapeuta também precisa ter uma atitude empática e não 
julgadora, o que pode ajudar na construção de uma aliança terapêutica sólida.
Durante o processo psicanalítico, o paciente Borderline é encorajado a analisar 
seus relacionamentos interpessoais e a compreender suas emoções e sentimentos, 
visando construir um sentido de identidade emocional saudável e duradouro. O 
terapeuta ajuda o paciente a desenvolver um senso de autorregulação emocional e a 
fortalecer a sua habilidade de tolerar sentimentos intensos.
A psicanálise também ajuda o paciente a entender seus padrões de pensamento e 
crenças, que muitas vezes são a causa dos comportamentos impulsivos e 
preocupantes. O terapeuta ajuda o paciente a identificar esses padrões e a substituí-
los por pensamentos e crenças mais saudáveis.
 A psicanálise é uma abordagem de tratamento eficaz no tratamento dos pacientes 
Borderline, promovendo uma compreensão mais profunda do psiquismo do paciente, 
ajudando a desenvolver habilidades para lidar com comportamentos impulsivos, e 
construindo um senso de identidade emocional saudável e duradouro. No entanto, os 
profissionais de saúde precisam estar cientes dos desafios envolvidos na terapia 
psicanalítica com pacientes Borderline e estar comprometidos em oferecer um 
ambiente de cuidado e apoio.
Considerações finais
Em resumo, a psicopatologia aplicada na psicanálise representa uma abordagem 
extensa e complexa para entender os transtornos mentais, ancorada na compreensão 
dos processos inconscientes e na interpretação simbólica dos sintomas. Ela continua 
a ser uma contribuição significativa para a psicoterapia contemporânea, oferecendo 
insights valiosos sobre a natureza da mente humana e os caminhos para a cura 
psicológica. Ao explorar os mecanismos inconscientes subjacentes, a psicanálise 
continua a ser uma ferramenta poderosa para terapeutas e pacientes na jornada de 
compreensão e cura.

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