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Direito Civil e Constituição 
● Interpretação Constitucional: O Direito Civil, embora seja Direito Privado, deve ser 
interpretado à luz das normas constitucionais, promovendo a proteção dos direitos 
fundamentais nas relações privadas. 
● Exemplo: Direitos de igualdade, liberdade e dignidade aplicáveis nas relações entre 
pessoas. 
Parte Geral do Direito Civil 
Teoria das Pessoas Estudo dos sujeitos de direitos (pessoas naturais e jurídicas) 
Teoria dos Bens Estudo dos objetos de direitos (inclui bens de família) 
Teoria dos Fatos Eventos que afetam direitos (negócios jurídicos, atos jurídicos, etc.). 
Pessoas Naturais 
Capacidade Capacidade de Direito: Todo indivíduo tem direitos desde o nascimento 
Capacidade de Fato: Aptidão para exercer direitos; nem todos têm 
Incapacidade Absoluta: Menores de 16 anos, incapazes de agir (ex: representante legal necessário). 
Relativa: Entre 16 e 18 anos, viciados, etc. (ex: precisam de assistência legal) 
Emancipação 
Cessação da incapacidade etária (ex: ao completar 18 anos ou por emancipação). 
Voluntária: Concedida pelos pais. 
Judicial: Decisão do juiz. 
Legal: Por disposições legais (ex: casamento). 
Tutela e Curatela 
Tutela: Para menores de 18 
anos sem pais 
Testamentária: Nomeação por testamento. 
Legítima: Sem nomeação dos pais, seguindo ordem de preferência. 
Dativa: Nomeação quando não há parentes. 
Curatela: Para maiores incapazes de manifestar vontade, requer interdição legal 
Nomeação do Curador Feita pelo juiz, respeitando a ordem legal (ex: cônjuge, pais, descendentes) 
Incapacidades 
Absoluta Menores de 16 anos 
Relativa -Maiores de 16 e menores de 18 anos; 
-Dependentes de uso habitual: 
drogas, álcool,PRÓDIGOS (VICIADOS EM JOGOS) 
Pessoas que não conseguem exprimir sua vontade devido a causas TRANSITÓRIAS OU 
permanentes. 
Importância do Estatuto da Pessoa com Deficiência: Garante plena capacidade para atos civis. 
 
 
 
 
Direitos da Personalidade 
Direitos inerentes à dignidade humana, protegidos pelo Estado. 
Ex: integridade física, nome, imagem. 
Intransmissibilidade Não podem ser transferidos ou renunciados 
Integridade Física Art. 13: Protege a integridade física, exceto por exigência médica. 
Ex: Cirurgias de adequação sexual para transgêneros. 
Nome Arts. 16-19: Protege nome, podendo ser alterado por solicitação. Uso do nome alheio 
em publicações sem autorização é proibido. 
Ex: Reparação por uso indevido do nome em anúncios 
Imagem Art. 20: Protege a imagem, permitindo biografias não autorizadas. Uso comercial da 
imagem sem consentimento gera indenização. 
Ex: Uso de imagem em propaganda sem autorização do portador. 
Direitos de Personalidade e LGPD 
LGPD (Lei Geral de 
Proteção de Dados) 
Regula o tratamento de dados pessoais para proteção dos direitos de personalidade. 
Dados Pessoais Informações que identificam ou podem identificar uma pessoa. 
Ex: Nome, endereço, dados sensíveis (raça, religião) 
Princípios da LGPD Finalidade, adequação, necessidade, entre outros (art. 6º 
Pessoa Jurídica 
Surge por contrato ou estatuto e registro em órgão competente (art. 45). 
Separação de 
Personalidade 
Pessoa jurídica e física possuem patrimônios e responsabilidades distintos (art. 49-
A) 
Desconsideração da 
Personalidade Jurídica 
Ocorre em casos de abuso ou confusão patrimonial (art. 50). 
Ex: Responsabilização pessoal dos sócios por dívidas da empresa em casos de 
fraude 
Tipos de Pessoas 
Jurídicas 
Direito Público: União, Estados, Municípios, autarquias (art. 41, CC). 
Direito Privado: Associações e fundações (art. 44, CC). 
Associações -Formadas por indivíduos com fins não econômicos (arts. 53-61, CC). 
-Criadas livremente; não podem excluir membros sem direito de defesa (art. 57, CC) 
Fundações -Resultam da afetação de patrimônio para um fim específico, por escritura ou 
testamento (art. 62, CC). 
-Fins definidos em lei; se o patrimônio não for suficiente, é incorporado a outra 
fundação semelhante (art. 63, CC). 
 
 
 
 
 
 
Domicílio 
Definição: Local onde a pessoa estabelece residência com ânimo definitivo e onde realiza 
suas atividades. 
Importância: Necessário para o cumprimento de obrigações e para que as pessoas possam 
ser localizadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bens Jurídicos: Resumo e Exemplos 
1. Definição: Bens são tudo que atendem a desejos, podendo ser materiais (coisas) ou 
imateriais (direitos, honras, vida). 
 
 
 
 
 
 
 
Classificação 
Bens em si mesmos Existência independente Exemplo: Uma obra de arte 
Bens reciprocamente 
considerados 
Acessórios dependem de um principal Exemplo: Um carro (principal) e seus 
pneus (acessório). 
Bens públicos Propriedade de entidades públicas Exemplo: Uma escola pública 
Bens particulares Propriedade de indivíduos ou empresas 
privadas 
Exemplo: Uma casa de propriedade de 
uma pessoa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fatos Jurídicos 
Eventos que podem ou não ter impacto no direito. 
Importância: Somente fatos que produzem efeitos jurídicos (aquisitivos, modificativos, 
conservativos ou extintivos) são relevantes. Exemplo: a chuva não tem efeito jurídico. 
 
Negócio Jurídico 
Ato com declaração de vontade que gera efeitos jurídicos, fundamentado em autonomia, 
função social e boa-fé. 
Existência: Requisitos mínimos (partes, vontade, objeto, forma). 
Validade: Sem vícios; partes capazes; objeto lícito; forma legal. 
Eficácia: Produção imediata de efeitos ou condicionada a eventos. 
Elementos 
Condição: Evento futuro e incerto (ex: "se chover..."). 
Termo: Evento futuro certo (ex: "a partir de 1º de janeiro..."). 
Encargo: Dever adicional (ex: "doar com a condição de cuidar do terreno"). 
 
Defeitos do Negócio Jurídico 
Vícios: Quando a vontade está comprometida. 
Tipos de defeitos 
Erro Falsa percepção; gera anulação se for essencial e escusável 
Dolo Indução maliciosa por terceiros; pode ser bilateral 
Coação Pressão física ou moral que obriga a assumir obrigação indesejada 
Estado de Perigo Obrigações excessivas devido a uma necessidade urgente, com conhecimento da outra 
parte 
Lesão Desproporção entre as prestações; pode ser anulado se for devido a necessidade ou 
inexperiência 
Fraude contra 
Credores 
Ações maliciosas que prejudicam credores podem ser anuladas por Ação Pauliana. 
Simulação Declaração enganosa; causa nulidade do negócio 
Prazo para Anulação: 4 anos, a contar da celebração do negócio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Invalidade do Negócio Jurídico 
A invalidade pode ser absoluta (nulidade) ou relativa (anulação). 
 
Nulidade (absoluta) 
Características Não há prazo para ser pleiteada e não pode ser convalidada. 
Hipóteses Negócio por incapaz absoluto: Uma criança de 10 anos tenta vender um celular para um 
colega. 
Ex: Como menor de 16 anos, a criança é incapaz absoluta e o negócio é nulo. 
Objeto ilícito ou impossível: Um contrato para venda de uma droga ilícita. 
Ex: O objeto é ilegal, tornando o contrato nulo. 
Forma não prevista em lei: Compra de uma casa feita verbalmente, sem documento formal. 
Ex: A venda de imóveis exige escritura pública, e sem essa forma o contrato é inválido. 
Fraude à lei: Doação de todos os bens a um amigo para evitar penhora. 
Ex: Essa doação é considerada fraude, pois tenta burlar a obrigação com credores. 
Negócio simulado: Um casal simula a venda de um carro para esconder o bem em um 
processo de divórcio. 
Ex: A venda não é real, mas apenas uma tentativa de ocultar o bem, o que caracteriza 
simulação. 
Anulação (relativa) 
Características Tem prazo para ser pleiteada (geralmente 4 anos) e pode ser convalidada. 
Hipóteses Negócio por incapaz absoluto: Imagine que uma criança de 8 anos vende seu brinquedo 
para um adulto por um valor simbólico. Como ela é absolutamente incapaz (não tem 
discernimento para o ato), essemenores envolvidos. 
Guarda 
Modalidades: 
Unilateral: 
Um genitor tem a guarda; o outro tem direito de visitas. Aplicável quando: 
Um genitor não quer a guarda. 
Um genitor não pode exercer a guarda. 
Há risco de violência (Lei 14.713/2023). 
Excepcionalmente, terceiros podem receber a guarda. 
Compartilhada: Regra geral, mesmo em litígios. Ambos os pais têm responsabilidades e 
direitos iguais. A residência é definida conforme o melhor interesse da criança. 
Direito de Visitas: 
O genitor sem guarda tem direito a visitas, e isso se estende a familiares (avós, tios). 
Importante para a convivência familiar (art. 1.589). 
Síndrome da Alienação Parental: 
Lei 12.318/2010 combate a alienação parental, que é quando um genitor induz a criança a 
romper laços com o outro. 
Exemplos de alienação: 
Desqualificar o outro genitor. 
Impedir contato ou informações relevantes. 
Mudar-se para dificultar a convivência. 
O juiz pode alterar a guarda ou suspender o poder familiar em casos de alienação. 
Exemplo: 
Guarda Unilateral: Maria tem a guarda do filho, João, enquanto Pedro, o pai, só pode visitá-
lo. 
Guarda Compartilhada: Ana e Bruno, mesmo separados, decidem que ambos cuidarão do 
filho em igual medida. 
Alienação Parental: Se Ana fala mal de Bruno para o filho, isso pode ser considerado 
alienação. 
Filiação e reconhecimento dos filhos, com exemplos simples: 
1. Presunção Legal de Filiação 
Presume a paternidade no casamento. 
Exemplo: se o pai está ausente ou faleceu, pode-se presumir que é o pai. 
Ação Negatória de Paternidade: O pai pode contestar a paternidade a qualquer tempo. 
Exemplo: se ele provar que não pode ser pai (impotência). 
2. Prova da Filiação 
Certidão de Nascimento: Documento que comprova a filiação. Exemplo: apresentar a 
certidão no cartório. 
Ação de Prova de Filiação: Usada se o registro de nascimento estiver perdido. Exemplo: 
uma pessoa pode entrar com essa ação para ser reconhecida como filha. 
 
 
 
3. Reconhecimento de Filho 
Ato que declara a filiação. É um direito pessoal e irrevogável. 
Formas de Reconhecimento: 
Voluntário: Pode ser feito no registro de nascimento ou por escritura pública. 
Exemplo: pais reconhecem o filho ao registrá-lo. 
Oficioso: Se a mãe registra sozinha, o cartório avisa o juiz para que a paternidade seja 
verificada. 
Exemplo: juiz convoca o suposto pai para se manifestar. 
Judicial: Sentença em ação de investigação de paternidade. 
Exemplo: filho processa o suposto pai. 
4. Exame de DNA 
Prova de Filiação: Considerada a mais eficaz. Exemplo: se o pai se recusa a fazer o exame, 
isso pode ser usado como prova da paternidade na ação. 
Alimentos 
Prestações mensais entre parentes e ex-cônjuges para garantir vida digna. 
Obrigação de prestar alimentos: 
Dever familiar de sustento: Termina com a maioridade. 
Obrigação alimentar: Fixada judicialmente, pode ser extinta por ação de exoneração. 
Características: 
Direito personalíssimo: Pode ser reclamado após a morte do devedor. 
Incessível: Não prescreve, mas a cobrança de parcelas atrasadas tem prazo de 2 anos. 
Irrestituível: Pagamentos não devem ser devolvidos. 
Divisível: Se um devedor não pode pagar, outros são chamados a contribuir. 
Pressupostos de fixação: Baseados na necessidade do recebedor e na possibilidade do 
pagador. 
Sujeitos: 
A obrigação é recíproca entre ascendentes, descendentes e irmãos: 
Ordem de exigência: Pais > Avós > Bisavós > Descendentes > Irmãos. 
Alimentos gravídicos: Alimentos para a gestante pagos pelo suposto pai, convertidos em 
pensão para a criança após o nascimento. 
Alteração de valores: Pode ser alterado se houver mudança na necessidade ou 
possibilidade. 
Ação de alimentos: 
Rito especial, imprescritível. 
Proposta no domicílio do alimentando. 
Alimentos provisórios fixados pelo juiz após a citação. 
Execução: 
Cobrança judicial por: 
Cumprimento de sentença: Título judicial. 
Execução autônoma: Título extrajudicial. 
Possibilidade de prisão ou constrição de bens. 
Ex: Um pai é obrigado a pagar pensão alimentícia para seu filho menor. Se ele não pagar, a 
mãe pode entrar com uma ação judicial para garantir que a pensão seja fixada e cobrada. Se 
a situação financeira do pai mudar, ele pode solicitar a redução do valor da pensão. 
 
 
 
 
 
Sucessões 
Sucessão em Geral 
Abertura da 
Sucessão 
Abertura: A sucessão se inicia com a morte do falecido (art. 1.784). 
Princípio da Saisine: A herança (bens, dívidas, créditos) é transmitida imediatamente aos 
herdeiros. 
Momento da Morte: Importante para determinar a lei aplicável, capacidade sucessória e local de 
abertura da sucessão (art. 1.785 e 1.798). 
Impedimento de Disposições: Não é permitido dispor de herança de pessoa viva (art. 426). 
Morte Morte Real ou Presumida: A personalidade jurídica termina com a morte (art. 6°). A morte pode 
ser presumida em casos de ausência (art. 22) 
Fases da 
Sucessão de 
Ausente 
Curadoria: Nomeação de curador e arrecadação de bens. 
Sucessão Provisória: Após prazo do edital, herdeiros podem abrir testamento. 
Sucessão Definitiva: Se o ausente é considerado morto, a sucessão é normal. 
Morte 
Presumida 
Casos: Pode ocorrer em situações como perigo de vida ou desaparecimento em guerra (art. 7°). 
O juiz define a data e horário da morte após esgotar as buscas. 
Comoriência Falecimento Simultâneo: Se duas ou mais pessoas falecem ao mesmo tempo, são consideradas 
comorientes (art. 8°), e uma não pode suceder a outra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capacidade sucessória 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aceitação e Renúncia da Herança 
Abertura da Sucessão: Com a morte, a sucessão é aberta, mas o herdeiro não é obrigado 
a aceitar a herança. 
Aceitação da Herança: O herdeiro pode aceitar de forma: 
Expressa: Por escrito, em documento público ou particular. 
Tácita: Ações que demonstram a intenção de aceitar (ex: administrar bens). 
Presumida: Se não se manifestar em 30 dias após solicitação judicial, presume-se aceitação. 
Tipos de Aceitação: 
Direta: Feita pelo próprio herdeiro. 
Indireta: Feita por sucessores se o herdeiro falecer antes de aceitar. 
Renúncia da Herança: O herdeiro pode optar por não receber a herança, o que deve ser 
feito de forma expressa, por documento público. 
OBS: A renúncia não pode ser feita em favor de outra pessoa; a parte renunciada vai para 
herdeiros da mesma classe. 
Renunciantes não podem ser representados por seus descendentes. 
Impedimentos: 
Não é permitido aceitar ou renunciar parcialmente ou sob condições. 
Renúncia não pode ser usada para prejudicar credores; credores podem aceitar a herança 
para satisfazer dívidas. 
Irrevogabilidade: Aceitação e renúncia são atos irrevogáveis e geram efeitos imediatos e 
definitivos. 
Exemplo: 
Se João herda uma casa, ele pode: 
Aceitar a herança: escrever um documento confirmando que aceita a casa. 
Renunciar: ir ao cartório e assinar um documento dizendo que não quer a casa, que então 
vai para o irmão, se houver. 
Se não se manifestar, depois de um prazo, é considerado que aceitou a herança. 
Exclusão da Sucessão 
Causas: A exclusão de um herdeiro pode ocorrer por: 
Indignidade: prevista na lei. 
Deserdação: decisão do autor da herança. 
Processo: 
Requer ação cível (indignidade ou deserdação) com sentença judicial. 
Também pode ocorrer por sentença penal condenatória (art. 1.815-A, CC). 
Efeitos: 
A exclusão é pessoal e não se estende aos filhos do herdeiro excluído (art. 1.816 do CC). 
Os filhos herdam como se o pai estivesse morto, sem direitos sobre usufruto ou administração 
dos bens. 
Exemplo: Um pai exclui o filho da herança por indignidade. O filho não herda nada, mas seus 
filhos (netos do pai) herdam como se o pai estivesse falecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Herança Jacente e Herança Vacante: 
Herança Jacente: ocorre quando o falecido não tem herdeirosconhecidos, mas há a 
possibilidade de encontrar um. 
Exemplo: um tio distante falece e ninguém aparece para reivindicar a herança. A herança é 
arrecadada e administrada pelo Estado até que um herdeiro apareça. 
Herança Vacante: acontece quando não há herdeiros ou não é possível identificá-los. 
Exemplo: um indivíduo falece sem deixar testamento e ninguém se apresenta como herdeiro. 
A herança é transferida para o Estado. 
Petição de Herança: é o pedido formal ao juiz para que a herança seja reconhecida e 
destinada aos herdeiros ou ao Estado, dependendo da situação da herança (jacente ou 
vacante). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Reconhecimento de Herdeiro: Herdeiro não listado no inventário. 
(ex: filho fora do casamento) deve ajuizar ação judicial (petição de herança) para ter seus 
direitos reconhecidos (art. 1.824, CC). 
Prescrição: Petição de herança não é imprescritível (diferente da ação de investigação de 
paternidade). Prazo é de 10 anos (art. 205, CC). 
Devolução de Bens: Quem possui bens deve devolvê-los após julgamento, com acessórios. 
Responsável por perdas e danos, exceto se de boa-fé (art. 1.826, CC). 
Alienação de Bens: Herdeiro aparente pode reivindicar bens, mesmo de terceiros. Alienação 
onerosa (venda) feita a terceiros de boa-fé é válida. Se gratuita (doação), os bens devem ser 
devolvidos imediatamente (art. 1.827, CC). 
Proteção de Atos: Atos do herdeiro aparente de boa-fé são protegidos. Alienações onerosas 
para terceiros de boa-fé são eficazes (art. 1.828, CC). 
Ex: 
Caso: João tem um filho fora do casamento, mas só deixou herança para sua esposa. O filho 
entra com uma petição de herança para ser reconhecido como herdeiro. 
Prazo: Ele tem 10 anos para fazer isso. 
Bens: Se alguém já possui os bens deixados por João, deve devolvê-los, a menos que tenha 
adquirido de boa-fé. 
Venda: Se o possuidor vendeu os bens a uma pessoa que não sabia do problema, a venda 
é válida, mas se deu de graça, ele deve devolver. 
Herdeiros Necessários e Liberdade de Dispor 
Tipos de Sucessão: 
Legítima: Por lei, seguindo a ordem do art. 1.829, CC. 
Testamentária: Por vontade do falecido (testamento). 
Simultânea: Quando há testamento e herdeiros necessários. 
Classificação dos Herdeiros: 
Legítimos: Seguem a ordem do art. 1.829, podendo ser: 
Necessários: Descendentes, ascendentes e cônjuges (art. 1.845, CC). 
Facultativos: Colaterais (irmãos, tios, etc.). 
Testamentários: Designados pelo testador. 
Legatários: Recebem bens específicos. 
 
Limitação da Liberdade de Dispor: 
Com herdeiros necessários, o falecido pode dispor apenas de metade da herança. 
A legítima é calculada sobre a herança líquida (bens menos dívidas), incluindo bens a serem 
colacionados (art. 1.847). 
Liberdade Plena com Colaterais: 
Se há apenas colaterais, o autor pode dispor livremente da herança (art. 1.850, CC). Para 
excluí-los, basta não mencioná-los no testamento. 
Exemplo Simples: 
*Se uma pessoa falecer e deixar um cônjuge e dois filhos, ela pode dispor de 50% da herança 
no testamento. Os outros 50% são reservados para os herdeiros necessários. Se deixar 
apenas irmãos, pode dispor de 100% como quiser. 
Sucessão Legítima: Ordem da Vocação Hereditária 
Definição: Sucessão que ocorre por lei, seguindo a ordem do art. 1.829 do CC. 
OBS: Com a inconstitucionalidade do art. 1.790, a sucessão do cônjuge ou companheiro 
segue a mesma ordem. 
Ordem da Vocação Hereditária: 
Descendentes: filhos, netos, bisnetos. 
Ascendentes: pais, avós, bisavós. 
Cônjuge ou Companheiro: tem direito na mesma linha. 
Colaterais: irmãos, sobrinhos, tios (até o 4° grau). 
Exemplo: Se uma pessoa falece, sua herança vai primeiro para os filhos. Se não houver 
filhos, os pais herdam. Se não houver pais, o cônjuge herda, e assim por diante. 
sucessão dos descendentes em concorrência com o cônjuge ou companheiro 
sobrevivente, de acordo com o Código Civil: 
Sucessão dos Descendentes: Quando alguém solteiro falece, os descendentes herdam. 
Entre eles, os mais próximos excluem os mais remotos (ex.: filhos herdam antes dos netos). 
Concorrência com o Cônjuge/Companheiro: Se o falecido era casado ou em união 
estável, o cônjuge/companheiro concorre com os descendentes, dependendo do regime de 
bens: 
Comunhão Universal: Cônjuge não herda, mas recebe metade dos bens comuns. 
Separação Obrigatória: Cônjuge não herda, mas pode ter direito à metade de bens 
adquiridos juntos. 
Comunhão Parcial (sem bens particulares): Cônjuge não herda, mas recebe metade dos 
bens comuns. 
Comunhão Parcial (com bens particulares): Cônjuge herda metade dos bens comuns e 
compete com os descendentes pelos bens particulares. 
Separação Convencional: Cônjuge herda os bens particulares, não há bens comuns. 
Participação Final nos Aquestos: Cônjuge herda e recebe participação nos bens adquiridos 
durante a união. 
Proporção da Herança: O cônjuge terá um quinhão igual ao dos descendentes, com 
garantias de pelo menos 25% da herança se houver mais de três filhos. 
Exemplo: Se um homem casado com dois filhos falece e deixa bens: Se a comunhão for 
parcial e ele não tiver bens particulares, o cônjuge fica com 50% dos bens comuns e os 
filhos dividem os outros 50%. 
 
 
 
 
 
Sucessão dos Ascendentes 
Sem Descendentes: Se um solteiro falece, os ascendentes (pais, avós) herdam. Não há 
representação na linha ascendente. 
Exemplo: João faleceu; seus pais são falecidos. Os avós herdam: avô paterno (50%), avô 
materno (25%), avó materna (25%). 
Com Cônjuge/Companheiro: Se falecido é casado/convivente sem descendentes, herdam 
os ascendentes e o cônjuge/companheiro. 
Exemplo: Se João é casado e sem filhos, sua herança é dividida: cônjuge (1/3 se ambos os 
pais estão vivos) e o restante para os ascendentes. 
Cônjuge/Companheiro como Herdeiros Exclusivos 
Sem Descendentes ou Ascendentes: O cônjuge/companheiro herda todo o patrimônio. 
Condição: A relação matrimonial não deve estar rompida. 
Direito de Habitação: O sobrevivente tem direito à residência da família, independentemente 
do regime de bens. 
Colaterais 
Sem Descendentes ou Ascendentes: Colaterais até o 4º grau herdam, na seguinte ordem: 
Irmãos 
Tios e sobrinhos 
Primos e tios avós 
Irmãos Bilaterais e Unilaterais: Irmãos bilaterais (mesos pais) herdam o dobro dos 
unilaterais. 
Exemplo: Dois irmãos bilaterais (4 partes) e dois unilaterais (2 partes) resultam em: bilaterais 
(2/6) e unilaterais (1/6). 
Representação: Filhos de irmãos podem representar irmãos falecidos, mas netos não. 
Exemplo: Se um irmão do falecido já morreu, os filhos desse irmão herdam. 
Sucessão Testamentária 
A sucessão testamentária permite ao autor da herança dispor do seu patrimônio. A liberdade 
de dispor é plena se não houver herdeiros necessários; caso contrário, é limitada (art. 1.857 
do CC). 
Capacidade Testamentária 
Qualquer pessoa capaz pode testar, desde que tenha discernimento. Testamentos feitos por 
incapazes são nulos. O testamento só é efetivo após o falecimento do autor (art. 1.859, CC). 
Tipos de Testamento 
Formas Ordinárias 
Público: Elaborado pelo Tabelião, com duas testemunhas (arts. 1.864-1.867). 
Cerrado: Escrito pelo testador ou por outro, aprovado pelo Tabelião, em presença de duas 
testemunhas (arts. 1.868-1.875). 
Particular: Feito de próprio punho ou digitado, assinado e lido para três testemunhas (arts. 
1.876-1.880). 
Codicilo: Testamento de menor valor, sem instituir herdeiros ou legados (arts. 1.881-1.885). 
Formas Especiais 
Marítimo: Feito em embarcações em alto-mar (arts. 1.888-1.892). 
Aeronáutico: Feito em aeronaves, registrado em diário de bordo (arts. 1.888-1.892). 
Militar: Feito por militares em campanha (art. 1.893). 
Nuncupativo: Oral, em situações de risco de vida, perante duas testemunhas. 
 
Disposições Testamentárias 
As disposições podem ser pessoais ou patrimoniais (arts. 1.897-1.911). 
Interpretação deve buscar a intençãodo testador (art. 1.899, CC). 
Algumas disposições são vedadas (art. 1.898-1.900). 
Permite-se a nomeação de herdeiros com ou sem condições (art. 1.897, CC). 
Revogação e Redução 
O testamento pode ser revogado expressa ou tacitamente (art. 1.970, CC). 
Se um testador não souber da existência de herdeiros necessários, o testamento é rompido. 
Disposições que ultrapassam a metade disponível podem ser reduzidas para 
respeitar a legítima. 
Exemplo: Se um testador com dois filhos destina 60% de sua herança a uM filho, haverá 
redução proporcional na herança do outro filho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Inventário e Partilha 
Inventário: Processo de catalogar os bens do falecido para dividir entre os herdeiros. 
Ritos de Inventário 
Inventário Conjunto: Permite inventariar duas pessoas ao mesmo tempo, em casos como 
heranças entre cônjuges. 
Inventário Judicial: Realizado por consenso, testamento ou litígios. Tipos: 
Rito Tradicional: Prazo de 2 meses após o óbito. O inventariante é nomeado pelo juiz. 
Arrolamento Sumário: Simplificado, quando todos os herdeiros são capazes e amigáveis. 
Arrolamento Comum: Para espólios abaixo de 1.000 salários-mínimos, sem avaliação 
formal. 
Inventário Administrativo: Feito em Tabelionato de Notas, se todos os herdeiros 
concordarem. 
Colação e Sonegação 
Colação: Doações de ascendentes a descendentes são consideradas adiantamento de 
herança e devem ser trazidas à colação na abertura da sucessão. 
Sonegação: Omitir bens intencionalmente é um delito civil, podendo resultar em 
penalidades, como remoção do inventariante. 
Inventário: João falece e seus bens (casa, carro) são inventariados para serem divididos 
entre sua esposa e filhos. 
Colação: Maria recebeu um presente de sua mãe antes do falecimento e, na divisão dos 
bens, esse presente deve ser considerado para equilibrar a herança. 
Sonegação: Se o inventariante não declarar um imóvel que pertence ao falecido, ele pode 
ser punido por sonegação.negócio jurídico é nulo. 
Negócio por incapaz relativo (sem assistência): Um adolescente de 17 anos, sem 
autorização dos pais, assina um contrato de aluguel. Ele é relativamente incapaz e precisa 
da assistência dos pais para realizar certos atos, então esse contrato é anulável. 
Vícios: 
Erro: Uma pessoa compra um quadro pensando que é original de um artista famoso, mas 
descobre depois que é uma cópia. 
EX: O erro induziu ao contrato. 
Dolo: Alguém vende um carro e mente sobre a quilometragem para inflacionar o preço. 
EX: A mentira é intencional e engana a outra parte. 
Coação: Uma pessoa é ameaçada e forçada a assinar um contrato de venda de um terreno. 
EX: A coação torna o contrato inválido, pois a assinatura foi feita sob medo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prescrição e Decadência 
Prescrição Perda do direito de exigir algo judicialmente por não agir dentro do prazo. 
Exemplo: Se alguém não cobra uma dívida em até 10 anos, perde o direito 
de cobrá-la. 
Decadência Extinção do próprio direito após um prazo fixo, sem possibilidade de 
extensão. 
Exemplo: O direito de pedir a anulação de um contrato pode expirar em 2 
anos, e depois disso não pode mais ser solicitado 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prescrição:Perda do direito de ação (ex.: reparação, cobrança) devido à inércia do titular, dentro de prazo 
legal 
Início A partir da violação do direito. 
Renúncia Permitida apenas após a violação 
Prazos Ordinary: 10 anos se não houver prazo específico. 
Especiais: De 1 a 5 anos, conforme o caso. 
Interrupção -Despacho judicial. 
-Protesto. 
-Reconhecimento do direito pelo devedor (ex.: pagamento parcial) 
Exemplo: Se uma pessoa tem uma dívida, o prazo para cobrar a dívida é de 10 anos, a partir da data em que 
a dívida deveria ser paga. 
 
 
Decadência: Perda do direito pela inércia do titular em prazo legal 
Início Desde o momento em que o direito nasce 
Tipologia Legal: Prazo previsto por lei. 
Convencional: Prazo estipulado pelas partes 
Reconhecimento O juiz deve reconhecer a decadência de ofício, se for legal 
Prazos -30 dias: Ação para rescindir contrato de compra de bens móveis. 
-60 dias: Exercício do direito de preferência em imóvel. 
-180 dias: Preferência de condômino em venda a terceiros. 
-1 ano: Revogação de doação por ingratidão 
Exemplo: Se um comprador tem 30 dias para solicitar a devolução de um valor pago por um produto 
defeituoso, esse prazo inicia assim que ele percebe o defeito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Direito das Obrigações 
 
Fontes das Obrigações 
Lei A obrigação nasce de uma norma legal. 
Exemplo: Pagar impostos é uma obrigação imposta pela lei. 
Contratos Acordo entre partes que gera obrigações. 
Exemplo: Alugar um imóvel obriga o inquilino a pagar o aluguel 
Atos ilícitos Obrigações originadas de atos contrários à lei. 
Exemplo: Quem causa um acidente deve reparar os danos. 
Abuso de direito Excesso no exercício de um direito gera obrigação de reparação. 
Exemplo: Um vizinho faz barulho excessivo e é obrigado a compensar o dano causado. 
Atos unilaterais Obrigações criadas por uma vontade unilateral. 
Exemplo: Uma pessoa promete recompensa por um cachorro perdido; se alguém o 
encontrar, tem direito a receber a recompensa 
Modalidades de Obrigações 
Dar Entregar um bem específico. 
Exemplo: Entregar um carro vendido 
Fazer Realizar uma ação. 
Exemplo: Consertar o telhado de uma casa 
Não Fazer Abster-se de uma ação. 
Exemplo: Não abrir um comércio em certa área 
Alternativas Escolher entre várias obrigações. 
Exemplo: Pagar com dinheiro ou entregar um objeto 
Indivisíveis Não podem ser divididas. 
Exemplo: Entregar uma obra de arte única 
Solidárias Várias pessoas são responsáveis pela obrigação. 
Exemplo: Três pessoas responsáveis por pagar uma dívida 
Elementos da Obrigação 
Credor: Maria, que emprestou dinheiro. 
Devedor: João, que pegou o empréstimo e deve pagar. 
Prestação: Pagamento de R$1.000,00 que João deve a Maria. 
Vínculo: A obrigação que conecta Maria e João, onde Maria pode exigir o pagamento e João é obrigado a 
cumprir. 
 
 
 
Obrigação de Dar: É o dever de transferir a propriedade de um bem. 
Coisa certa Bem específico que pode ser identificado. 
Exemplo: Entregar um carro específico, como um modelo e cor determinados, para o 
comprador. 
Coisa incerta Bem não determinado, que pode ser um de muitos. 
Exemplo: Entregar 10 sacos de açúcar, sem especificar a marca ou tipo 
 
Obrigações de dar coisa certa 
Modalidade 
Entregar 
O vendedor entrega um produto ao comprador após o pagamento. Se o vendedor não 
entregar, deve devolver o dinheiro recebido, retornando as partes ao estado anterior (status 
quo ante). 
Exemplo: Contrato de compra e venda 
Modalidade 
Restituir 
O comodatário (quem pega emprestado) deve devolver o bem ao comodante (quem 
empresta). Se não devolver, o Código Civil exige a devolução do bem emprestado. Se o bem 
for melhorado durante o empréstimo, o comodatário pode pedir um aumento no preço. Se o 
comodante não concordar, o comodatário pode solicitar a resolução do contrato. 
Exemplo: Contrato de comodato (empréstimo gratuito). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obrigação de Dar Coisa Incerta: A obrigação não é sobre algo específico, mas deve ser indicado por gênero 
e quantidade, sendo, portanto, determinável. 
Exemplo: Um contrato onde o devedor se compromete a entregar sacas de soja de sua fazenda. As sacas não 
são específicas inicialmente, mas serão escolhidas e separadas depois. 
Escolha do 
Devedor 
A escolha do bem a ser entregue geralmente cabe ao devedor, a não ser que seja 
acordado de outra forma. 
Exemplo: No contrato, está definido que o agricultor escolherá as sacas de soja que 
serão entregues. 
Conversão Quando o devedor escolhe e informa ao credor qual bem será entregue, a obrigação 
incerta torna-se específica. 
Exemplo: Após escolher as sacas de soja, o agricultor informa o credor, e a obrigação 
agora é de entregar aquelas sacas específicas. 
Inadimplemento Antes da escolha, não se considera inadimplemento. 
Exemplo: Se o agricultor não entregar as sacas antes de escolher quais serão, não 
pode ser cobrado pelo não cumprimento da obrigação. 
O devedor não pode alegar perda ou deterioração do bem antes da escolha, mesmo que tenha ocorrido 
um evento inesperado. A obrigação continua sendo incerta. 
Exemplo: Se a soja for danificada por uma tempestade antes da escolha, o agricultor ainda deve entregar 
100 sacas de soja, pois a obrigação permanece válida até a escolha. 
 
 
Obrigação de Fazer 
Não envolve um objeto, mas sim a realização de uma tarefa ou serviço. 
Obrigação de Fazer Infungível 
Características Personalíssima, só a pessoa contratada pode cumprir 
Consequências do 
não cumprimento 
Se com culpa: credor pode exigir cumprimento ou resolver a obrigação e pedir 
indenização. 
Sem culpa: apenas se desfaz o contrato. 
Exemplo: João é contratado para fazer um show; apenas ele pode cumprir. Se não fizer por culpa, indeniza; se 
não for culpa, contrato se desfaz 
 
Obrigação de Fazer Fungível 
Características Pode ser cumprida por outra pessoa 
Consequências do não cumprimento Credor pode exigir cumprimento, fazer por terceiro à custa do 
devedor, ou pedir indenização 
Exemplo: Paulo contratado para pintar a casa de Ana; se não fizer, Ana pode contratar outra pessoa para pintar 
e cobrar de Paulo. 
Se a obrigação pode ser cumprida por um terceiro, o credor tem o direito de solicitar que esse terceiro execute 
a obrigação, custeando o pagamento ao devedor. 
Exemplo: Se uma pessoa contrata um serviço de jardinagem e não o faz, o credor (o contratante do serviço) 
pode contratar um jardineiro e cobrar o custo do devedor (quem contratou o serviço). 
Urgência: Em situações urgentes, o credorpode agir sem precisar de autorização judicial. Após a execução da 
obrigação, ele pode pedir ao devedor o ressarcimento dos custos. 
Exemplo: Se uma casa precisa de reparos imediatos devido a um vazamento e o devedor não toma 
providências, o credor pode chamar um encanador urgentemente e depois exigir que o devedor pague pela 
conta. 
 
Obrigação de Não Fazer 
Inadimplência: O devedor é considerado inadimplente ao executar o ato que deveria se 
abster. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Extinção da Obrigação: 
Impossibilidade de Abster-se: A obrigação termina se não for possível abster-se, desde que o devedor não tenha 
culpa (art. 250). 
Consequências ao Praticar o Ato: 
Possibilidade de Reversão (voltar ao "status quo ante"): O ato pode ser desfeito. 
Necessária autorização do juiz (art. 251), salvo urgência (art. 251, parágrafo único). 
Impossibilidade de Reversão: Se não for possível desfazer o ato: 
Com culpa: Extinção do contrato e indenização por perdas e danos. 
Sem culpa: Apenas extinção do contrato (art. 250). 
Exemplo:João se compromete a não construir em seu terreno. 
Inadimplência: Se João construir, ele se tornará inadimplente. 
Consequências: 
-Se a construção pode ser demolida, precisa de autorização judicial, a menos que seja urgente. 
-Se a construção não pode ser desfeita: 
-Se João teve culpa, ele paga danos. 
-Se não teve culpa, o contrato é extinto sem pagamento de danos. 
Obrigações Alternativas 
O devedor pode cumprir a obrigação escolhendo entre dois objetos. A obrigação é considerada adimplida ao entregar 
um dos objetos. 
Exemplo: Maria deve entregar 1.000 sacas de arroz ou 1.000 sacas de farinha. Se ela entregar apenas uma das 
opções, a obrigação é cumprida. 
Escolha do 
Devedor 
Se não houver estipulação, a escolha do objeto cabe ao devedor. 
Exemplo: João não pode exigir que Maria entregue parte em farinha e parte em arroz. 
Prestações 
Periódicas 
Se as obrigações ocorrerem em períodos, a escolha pode ser feita em cada período. 
Exemplo: Maria entrega mensalmente uma parte, podendo escolher entre os objetos a cada 
mês. 
Impossibilidade 
de Cumprimento 
 
Se um objeto se tornar impossível, a obrigação se transforma em comum em relação ao 
objeto que permanece. 
Exemplo: Se a farinha não pode ser entregue por proibição legal, a obrigação se limita ao 
arroz. 
Culpa do 
Devedor 
Se o devedor não puder cumprir nenhuma obrigação por culpa própria, deve pagar o valor do 
último objeto impossibilitado e perdas e danos. 
Exemplo: Se ambos os animais (cavalo e vaca) morrerem por culpa de Maria, ela deve pagar 
pelo último que morreu, mais perdas e danos. 
Culpa do Credor Se a escolha cabe ao credor e uma prestação se torna impossível por culpa do devedor, o 
credor pode exigir a prestação restante ou seu valor, com perdas e danos. 
Exemplo: Se Maria deve entregar um cavalo ou uma vaca, e o cavalo morre por culpa dela, 
João pode exigir a vaca ou o valor do cavalo, mais indenização 
Impossibilidade 
Sem Culpa 
Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor, a obrigação se 
extingue. Exemplo: Se ambos os animais morrerem de causas naturais, a obrigação de Maria 
se extingue. 
 
 
Obrigações Divisíveis e Indivisíveis 
Importante apenas com mais de um devedor ou credor. 
Obrigação Divisível: Pode ser dividida entre devedores ou credores. 
Exemplo: Maria e Carla devem R$100.000,00 a João. Cada uma pode ser cobrada por 
R$50.000,00. 
Obrigação Indivisível: Não pode ser dividida por sua natureza ou razões econômicas/legais. 
Exemplo: Se Maria e Carla devem um animal a João, ele pode exigir o animal inteiro de uma 
delas. 
Regras para Obrigação Indivisível: 
Múltiplos Devedores: Cada devedor é responsável pelo total. 
Exemplo: Se Maria entrega o animal, pode cobrar a parte de Carla. 
Múltiplos Credores: Cada credor pode exigir a dívida inteira, mas o devedor só se desobriga 
entregando a todos ou a um, com garantia. 
Exemplo: Maria entrega o animal a João, que garante a Carlos. 
Remissão da Dívida: Se um credor perdoa, a dívida permanece para os outros, descontando 
a parte do credor que perdoou. 
Perda da Indivisibilidade: A obrigação torna-se divisível se resultar em perdas e danos. 
Exemplo: Se todos os devedores forem culpados, respondem em partes iguais. Se apenas 
um for culpado, ele arca com a totalidade. 
Obrigações Solidárias 
Importante apenas com mais de um credor ou devedor. Cada credor pode exigir a dívida total 
de qualquer devedor, e vice-versa. Não se presume; deve ser acordada. 
Solidariedade Ativa 
Exigência de pagamento: Cada credor pode cobrar a dívida total. Exemplo: Maria deve 
R$50.000,00 a João e Carlos. Se paga R$40.000,00 a João, ainda deve R$10.000,00. 
Falecimento do credor: Herdeiros só podem cobrar a parte correspondente. Exemplo: João 
falecendo, seus filhos cobram R$12.500,00 cada, se a quota for R$25.000,00. 
Divisão após cobrança: Credor que receber total deve dividir com os demais. 
Manutenção da solidariedade: Se houver perda ou dano, a solidariedade continua. 
Remissão: Se um credor perdoa a dívida, responde pelas partes dos outros. 
Exceções pessoais: Defesas como vícios de consentimento só podem ser usadas contra o 
credor que gerou o vício. 
Solidariedade Passiva 
Cobrança da dívida total: Credor pode exigir pagamento de qualquer devedor. Exemplo: 
Carlos cobra R$50.000,00 de Maria ou Carla. 
Falecimento do devedor: Herdeiros pagam apenas a parte correspondente. Exemplo: Se 
Maria falece, A e B pagam parte proporcional. 
Remissão e pagamento parcial: Pagamento de um não afeta os outros. 
Impossibilidade de prestação: Se um devedor não pode cumprir, todos devem ainda pagar. 
Exceções pessoais: Defesas pessoais só podem ser usadas pelo devedor específico. 
Renúncia do credor: Pode renunciar parcialmente ou totalmente a solidariedade. Exemplo: 
João renuncia a Maria, que deve R$10.000,00, enquanto Carla e Joana devem R$20.000,00. 
Devedor insolvente: Se um paga total, pode cobrar dos outros a parte deles. Exemplo: Se 
Maria paga R$30.000,00, pode exigir que Carla e Joana paguem suas partes se uma delas 
não puder. 
Condições adicionais: Qualquer cláusula que agrave a situação de outros devedores 
precisa de consentimento. 
 
 
Da Transmissão das Obrigações 
As obrigações podem ser transmitidas de um sujeito para outro. 
Cessão de Crédito (Arts. 286-298, CC) 
Características: Negócio jurídico bilateral, pode ser gratuito ou oneroso. 
Partes: Cedente (quem cede) e cessionário (quem recebe). 
Consentimento do Devedor: Não é necessário, mas deve ser notificado. 
Impossibilidade de Cessão: Alguns créditos não podem ser cedidos (ex: pensão 
alimentícia). 
Restrições devem constar no documento obrigacional; não podem ser opostas ao cessionário 
de boa-fé. 
Eficácia: Acordo escrito é necessário para efeitos perante terceiros. 
Notificação do Devedor: Deve ser feita judicial ou extrajudicialmente. 
Notificação presumida pode ocorrer se constar no documento de cessão. 
Direitos do Devedor: O devedor pode usar defesas (exceções) contra o cessionário, assim 
como faria com o cedente (art. 294). 
Se o cessionário não receber o pagamento, não pode cobrar do cedente, a menos que 
estipulado (art. 296). 
Exemplo de Cessão Onerosa: 
Factoring: Venda de cheques a um valor menor. 
Responsabilidade: O cedente não responde pela solvência do devedor, exceto se acordado 
o contrário (art. 297). 
Adimplemento e Extinção das Obrigações 
Do Pagamento 
Para extinguir a obrigação (devedor e credor), é preciso cumprir o pagamento com cinco 
requisitos: 
1. Quem paga: Identificação do pagador. 
2. Para quem se paga: Identificação do credor. 
3. O que se paga: Valor ou objeto da obrigação. 
4. Onde se paga: Local do pagamento. 
5. Quando se paga: Data do pagamento. 
Se não forem atendidos, pode-se dizer que "quem paga mal, paga duas vezes." 
Exemplo Simples: João deve R$ 100 a Maria. Para que a dívida seja quitada, João precisapagar R$ 100 a Maria, no banco X, na data combinada. Se não fizer corretamente, a dívida 
pode continuar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quem deve pagar 
Pagantes: Pode ser o devedor, um terceiro interessado (ex: fiador) ou um terceiro não 
interessado (ex: amigo). 
Terceiro interessado: se paga, adquire os direitos do credor. 
Terceiro não interessado: se paga, tem direito de regresso contra o devedor, a menos que 
pague em nome do devedor (que seria uma doação). 
Ação de consignação: se o credor se opuser ao pagamento por um terceiro, este pode 
ajuizar uma ação. 
Para quem se paga 
O pagamento deve ser feito ao credor ou ao seu representante. 
Credor putativo: pagamento válido se feito de boa-fé, mesmo que depois se prove que não 
era credor. 
Credor incapaz: pagamento não é válido, a menos que beneficie o incapaz. 
Objeto de pagamento e sua prova 
Deve ser o mesmo que o contratado; não pode ser outro, mesmo que mais valioso. 
Princípio do Nominalismo: dívidas em dinheiro devem ser pagas em moeda corrente 
nacional. 
Cláusula de escala móvel: é permitida para aumento progressivo de prestações. 
Teoria da imprevisão: revisão contratual é possível em caso de onerosidade excessiva. 
Quitação: é a prova de pagamento, deve indicar valor, devedor e credor, e ter assinatura. 
Lugar de pagamento 
Regra geral: pagamento no domicílio do devedor. 
Se pagamento for feito em outro local, pode-se presumir renúncia do credor ao estipulado. 
Tempo de pagamento 
Regra: pagamento no vencimento. 
Vencimento antecipado: pode ocorrer em casos como falência do devedor. 
Consignação em pagamento) 
Consignação: depósito feito para liberar a obrigação, se o credor não puder ou não quiser 
receber. 
Requisitos: deve haver condições para ser válida. 
Pagamento com sub-rogação 
Sub-rogação: troca de credores, por exemplo, quando um fiador paga a dívida do devedor, 
tornando-se o novo credor. 
Extinção da dívida: não ocorre, a dívida permanece, mas o novo credor assume todos os 
direitos do antigo. 
 
 
 
Sub-rogação: O credor original é substituído por quem pagou a dívida. Exemplo: A seguradora que paga o dano 
passa a ter o direito de cobrar o devedor original. 
Imputação em pagamento: O devedor escolhe qual dívida pagar quando tem várias com o mesmo credor. 
Exemplo: João escolhe quitar a dívida mais antiga com Maria. 
Dação em pagamento: O credor aceita algo diferente do combinado como pagamento. Exemplo: Em vez de 
dinheiro, aceita um carro. 
Novação: Cria-se uma nova dívida para substituir a antiga, que é extinta. Exemplo: Maria troca uma dívida com 
João por outra de valor ou prazo diferente. 
Compensação: Dívidas entre as mesmas partes se anulam mutuamente. Exemplo: João e Pedro são devedores 
entre si, e seus débitos são compensados. 
Confusão: A mesma pessoa é credora e devedora de uma dívida. Exemplo: João herda a dívida que tinha com 
o pai falecido. 
Remissão: O credor perdoa a dívida do devedor. Exemplo: Maria perdoa a dívida de João e devolve o cheque. 
 
Inadimplemento das Obrigações 
Relativo: a obrigação ainda pode ser cumprida (mora). 
Absoluto: a obrigação se torna inútil e não pode ser cumprida. 
Regra: inadimplente paga perdas e danos, juros, correção monetária e honorários. Exceção para caso fortuito 
e força maior. 
 
Mora 
Mora do devedor: atraso que gera responsabilidade por danos e juros. 
Tipos de Mora: 
Ex re: automática, data já estipulada. 
Ex persona: necessita aviso ao devedor. 
Mora do credor: caso o credor recuse receber a obrigação. 
Perdas e danos 
Inclui o que o credor perdeu (danos emergentes) e deixou de lucrar (lucros cessantes). 
Juros legais 
Moratórios: compensam atraso na obrigação. Fixados pela lei caso não especificados. 
Cláusula penal 
Moratória: para atrasos parciais, sem excluir a obrigação. 
Compensatória: para inadimplemento total; compensa o credor e limita-se ao valor principal. 
Arras ou sinal 
Confirmatórias: garantem o cumprimento sem arrependimento. 
Penitenciais: permitem arrependimento, com função indenizatória. 
Exemplo: Se alguém promete entregar um carro em 1 mês e atrasa, entra em mora 
(inadimplemento relativo), devendo pagar juros. 
 
 
 
 
 
 
 
Contratos 
Parte Geral 
Princípios contratuais: Fundamentos do contrato, incluindo função social (Art. 421), boa-fé 
objetiva (Art. 422), consensualismo (Art. 482) e pacta sunt servanda. 
Exemplo: Em contratos de locação, ambas as partes devem agir com boa-fé durante toda a 
execução. 
Parte Especial 
Regras para contratos específicos, como compra e venda, doação, locação e comodato. 
Exemplo: No comodato, o contrato se formaliza com a entrega do bem, e não só com a 
aceitação. 
Atos Unilaterais 
Disposições sobre atos onde só uma das partes assume obrigação. 
Exemplo: Em uma promessa de recompensa, a pessoa que fizer a tarefa proposta tem direito 
à recompensa prometida. 
Princípios Contratuais Específicos 
Função Social (Art. 421): O contrato deve respeitar interesses sociais. 
Exemplo: Em caso de lesão (Art. 157), o contrato pode ser revisado. 
Boa-Fé Objetiva (Art. 422): Exige comportamento ético das partes desde a negociação. 
Exemplo: Proibição de comportamento contraditório. 
Consensualismo (Art. 482): Contratos são válidos com a aceitação; alguns, como 
comodato, requerem entrega do bem. 
Proibição de Contratos sobre Herança Viva (Art. 426): É nula a contratação sobre herança 
de pessoa viva. 
Formação dos Contratos 
Proposta vincula o proponente (Art. 427), exceto se houver retratação antes da aceitação (Art. 
428). 
Exemplo: Se a proposta é feita por telefone e não aceita na hora, deixa de obrigar o 
proponente. 
-Estipulação em Favor de Terceiro (Arts. 436-438) 
-Contrato feito para beneficiar terceiro, como em seguro de vida. 
Exemplo: João contrata com Carlos para que sua filha receba dinheiro aos 23 anos. 
-Promessa de Fato de Terceiro (Arts. 439-440) 
-A parte promete que um terceiro cumprirá uma obrigação. 
Exemplo: Danilo promete que seu irmão Reinaldo dará uma entrevista; se Reinaldo não 
comparecer, Danilo é responsável. 
Vícios redibitórios 
artigos 441 – 446 São vícios ocultos que tornam o bem impróprio para o uso e/ou lhe 
diminuam o valor 
 
 
 
 
 
 
Ações cabíveis – ações edilícias: 
A) Ação redibitória: redibir o contrato: Voltar ao “status quo antes”. O contrato será desfeito 
com a devolução dos valores pagos, inclusive eventuais despesas de contrato. 
B) Ação estimatória ou quanti minoris: o contrato é mantido, mas é solicitado um 
abatimento. 
Caso o vendedor estiver de má‑fé (sabia ou tinha condições de saber do defeito): além do 
que prevê a lei, também poderá ter que pagar perdas e danos ao comprador, conforme art. 
443 do CC. 
Caso esteja de boa‑fé, ainda assim responderia pelas ações redibitórias ou estimatórias. 
 
Obs.: o prazo para ajuizamento da ação será reduzido à metade se o comprador já estava 
na posse do bem (art. 445, segunda parte). 
Evicção: Quando alguém perde um bem por decisão judicial que atribui a propriedade a 
outro. Envolve três partes: 
Alienante: quem vendeu o bem. 
Evicto: quem perde o bem. 
Evictor: quem ganha a ação judicial. 
Requisitos: perda de propriedade, aquisição onerosa, e direito anterior do evictor. 
Direitos do evicto: 
Responsabilidade total: restituição integral, indenização por frutos, despesas, e prejuízos. 
Responsabilidade parcial: direito a reaver o preço, se não assumiu o risco. 
Contrato Aleatório: Contrato com risco, como investimentos. 
Ex.: contrato de safra futura, onde o comprador paga, mesmo se a safra não existir. 
Contrato Preliminar: Compromisso de compra e venda. 
Ex.: comprador paga parcelas, e vendedor passa o imóvel após o pagamento. 
Contrato com Pessoa a Declarar: Uma parte pode substituir-se por outra, se acordado. 
Extinção do contrato: Formas anômalas de finalizar o contrato 
 
 
 
 
 
Resolução 
Quando há inadimplemento,o credor pode escolher entre: 
-Exigir o cumprimento do contrato + perdas e danos; 
-Desfazer o contrato + perdas e danos. 
Ex.: João não paga as últimas parcelas da compra de um carro. O vendedor pode pedir o 
pagamento ou o cancelamento da venda, com perdas e danos. 
Obs.: Pela teoria do adimplemento substancial, se o contrato está quase totalmente 
cumprido, só é permitido exigir o cumprimento. 
Resilição 
Quando as partes querem encerrar o contrato, mesmo sem inadimplemento. 
Unilateral: Uma das partes encerra o contrato, com aviso prévio. 
Ex.: um cliente cancela um contrato de prestação de serviços permitido por lei. 
Bilateral (Distrato): As partes decidem terminar juntas. 
Ex.: locador e locatário cancelam o contrato de aluguel por comum acordo. 
Exceção do contrato não cumprido 
Em contratos bilaterais, se uma parte não cumpre, a outra não é obrigada a cumprir. 
Ex.: Maria para de fornecer mercadorias a Pedro porque ele não pagou o último lote. 
Obs.: Art. 477, "exceção de inseguridade": se a condição financeira de uma parte piora após 
o contrato, a outra pode exigir garantias antes de continuar cumprindo. 
Resolução ou revisão por onerosidade excessiva: 
 
 
 
 
 
OBS: Vale lembrar que, antes da resolução (extinção do contrato), o art. 479 do CC possibilita 
a revisão do contrato (e não sua extinção) tendo em vista o princípio da conservação 
contratual. 
Compra e Venda 
O contrato de compra e venda ocorre quando um vendedor se compromete a transferir o 
domínio de uma coisa e o comprador, a pagar o preço em dinheiro. 
Natureza jurídica: 
Bilateral - Ambos têm obrigações (vendedor entrega a coisa, comprador paga). 
Consensual - Só depende do acordo, não da entrega do item (art. 482). 
Oneroso - Há ônus (pagamento). 
Elementos: 
Coisa: Objeto da venda, pode ser algo existente ou futuro (art. 483). 
Preço: Deve ser monetário (dinheiro, cheque). Pode ser fixado pela taxa de mercado, por 
terceiro ou conforme índices. Preço à vontade de uma parte é nulo (art. 489). 
Exemplo: João concorda em comprar um carro de Maria por R$10.000; João paga e Maria 
transfere o carro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Limitações à Compra e Venda 
Preço futuro: Se o preço de um contrato de compra e venda for deixado para ser definido 
depois, a venda é nula. 
Venda de ascendente a descendente: Só é válida se houver consentimento expresso dos 
outros descendentes e do cônjuge do vendedor, exceto em regime de separação obrigatória. 
Anulação possível se houver prejuízo aos herdeiros; prazo de 2 anos para ação. 
Exemplo: Pai vendendo imóvel para o filho sem o consentimento dos irmãos pode ser 
anulado. 
Venda de parte indivisa em condomínio: Um condômino só pode vender sua parte para 
terceiros se o outro condômino não quiser comprá-la nas mesmas condições. Prazo de 180 
dias para ação de adjudicação. 
Exemplo: Em uma casa dividida entre irmãos, um dos irmãos quer vender sua parte para um 
amigo; o outro irmão tem preferência na compra. 
 
Venda entre cônjuges: Permitida para bens que não estejam na comunhão de bens. 
Vendas especiais (ad corpus e ad mensuram): 
Ad mensuram: Se o imóvel tem área menor do que o especificado, o comprador pode exigir 
a área faltante ou pedir redução do preço. Pequena diferença (até 5%) não justifica ação. 
Ad corpus: Comprador adquire o imóvel como conjunto e não pode exigir correção de área. 
Exemplo: Comprador compra um terreno anunciado com 100 m², mas ele tem apenas 98 m² 
(diferença de menos de 5%); ele não pode pedir redução do preço. 
Retrovenda: Direito do vendedor de reaver o imóvel vendido no prazo máximo de 3 anos, 
reembolsando o comprador. 
Exemplo: O vendedor vende um terreno, mas inclui cláusula para poder comprá-lo de volta 
em até 3 anos. 
 
 
 
 
 
Preempção ou preferência: Se combinado, o comprador deve oferecer o bem ao vendedor 
original caso queira revender. 
Exemplo: Se Maria comprou uma casa de João e quer vendê-la, ela precisa avisá-lo antes 
para que ele tenha a chance de recomprar. Se Maria não fizer isso, poderá ser 
responsabilizada por danos. 
Troca ou permuta: Contrato onde as partes trocam um bem por outro, sem envolver 
dinheiro. 
Exemplo: João troca sua bicicleta por um skate de Pedro. 
Contrato estimatório: Um bem é entregue para venda, e quem recebe deve vendê-lo ou 
devolvê-lo. 
Exemplo: Loja recebe carro para revenda; se vender, paga ao dono; se não, devolve. 
Contrato de doação: É o contrato em que o doador transfere bens ou vantagens para o 
donatário 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Natureza Jurídica e Espécies de Doação 
Natureza Jurídica: 
Unilateral: só uma parte tem obrigação. Ex.: doação sem contrapartida. 
Consensual: depende da aceitação do donatário. 
Solene: precisa ser formalizada por escrito, mas bens de pequeno valor podem ser doados 
verbalmente. 
Gratuito: apenas o doador perde patrimônio. 
Espécies de Doação: 
Pura: só envolve a doação, sem encargos. Ex.: doar um livro sem esperar nada em troca. 
Onerosa/Modal: com obrigação imposta ao donatário; ex.: doação de um terreno com 
exigência de construção de escola. 
Ao nascituro: válida se o representante legal aceitar. 
Entre cônjuges: doação a descendentes ou cônjuge conta como adiantamento de herança. 
Inoficiosa: excede o limite do que pode ser deixado em testamento; a parte excedente é 
nula. 
Restrições e Revogação: 
Doação inoficiosa: parte que excede o permitido em testamento é nula. 
Revogação: ocorre por ingratidão (ex.: donatário ofende o doador) ou descumprimento de 
encargo (ex.: donatário não cumpre uma condição). 
Locação de Coisas e Empréstimo 
Locação de Coisas 
Conceito: Contrato onde uma parte cede o uso de um bem (móvel ou imóvel) à outra 
mediante pagamento. 
Locação de Imóveis Urbanos: Regida pela Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91), não pelo Código 
Civil (CC). 
Locação de Imóveis Públicos e Outros: Continuam no CC, como locação de vagas de 
garagem, espaços publicitários, etc. 
Locação de Bens Móveis: Regida pelo CC (art. 565) ou pelo CDC se envolver relação de 
consumo. 
Exemplo: Alugar um carro para viagem; o locador deve entregar o carro em boas condições 
e o locatário usá-lo conforme acordado e devolvê-lo no mesmo estado. 
Comodato (Empréstimo Gratuito de Coisas Infungíveis) 
Conceito: Empréstimo gratuito de um bem infungível (algo que não pode ser substituído por 
outro igual). 
Características: Gratuito, para uso temporário e devolução do mesmo bem. 
Obrigações do Comodatário: Conservar o bem e devolvê-lo ao final. 
Exemplo: Emprestar um livro para estudo; a pessoa que recebe deve conservá-lo e devolver 
ao final. 
Mútuo (Empréstimo de Coisas Fungíveis) 
Conceito: Empréstimo de um bem fungível (algo que pode ser substituído, como dinheiro) 
para consumo. 
Características: Empréstimo temporário; o mutuário devolve o mesmo valor ou quantidade, 
mas não o mesmo objeto. 
Exemplo: Emprestar R$100 a alguém, que devolve a quantia após um período. 
Esses contratos têm regras específicas sobre uso, conservação e devolução, garantindo que 
cada parte cumpra sua função. 
 
 
 
 
 
Prestação de Serviços 
é todo serviço ou trabalho lícito contratado com remuneração. 
Aplicação: O CC aplica-se quando não há normas na CLT ou no CDC. 
Remuneração: Paga pela pessoa que contrata; se não houver acordo, será arbitrada 
conforme costume. Geralmente, paga-se após a prestação, a menos que combinado de outra 
forma. 
Prazo: Não pode ultrapassar 4 anos (art. 598 do CC). 
Fim do Contrato: 
Termina por: 
-Morte de qualquer parte 
-Conclusão da obra 
-Término do prazo 
-Rescisão com aviso prévio 
-Inadimplemento 
-Impossibilidade por força maior 
Impossibilidade de Substituição: As partes não podem transferir suas obrigações a 
terceiros sem consentimento. 
Contrato de Empreitada 
Partes: Empreiteiro e dono da obra. O empreiteiro executa a obra, podendo usar terceiros, 
semrelação de subordinação. 
Tipos de Empreitada: 
-Mão de obra (empreitada de lavor) 
-Mão de obra e materiais (empreitada global) 
Obrigações do Empreiteiro: 
-Entregar a obra conforme o combinado. 
-Pagar por materiais inutilizados por descuido (apenas na mão de obra). 
-Responsável pela solidez do trabalho por 5 anos (art. 618 do CC), com prazo de 180 dias 
para reclamação. 
Obrigações do Dono da Obra: 
-Pagar o preço. 
-Receber a obra. 
Obs:O contrato não se extingue com a morte das partes, exceto se a obrigação for 
personalíssima. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Contrato de Depósito 
Partes: Depositante e depositário. 
Finalidade: Guarda de coisa alheia (não uso). 
Gratuidade: Geralmente gratuito, a não ser que estipulado de outra forma ou se for atividade 
profissional. 
Oneroso: Se houver retribuição não prevista em lei ou ajuste, será definida pelos costumes 
locais ou arbitramento. 
Tipos de Depósito: 
Voluntário (artigos 627 a 646 do CC): 
-Acordado livremente entre as partes. 
-O depositante confia ao depositário a guarda de uma coisa móvel. 
Obrigações do depositário: Guardar, conservar e restituir a coisa. 
Obrigações do depositante: Reembolsar despesas do depositário e indenizá-lo por 
prejuízos decorrentes do depósito. 
Exemplo: Se você deixar seu celular com um amigo para ele cuidar enquanto você viaja, ele 
é o depositário e você o depositante. Se ele gastar com a bateria ou capa do celular, você 
deve pagar essas despesas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Depósito Necessário 
Depósito feito por necessidade, com pessoas desconhecidas. 
Espécies: Por obrigação legal. 
 Em calamidades (ex.: inundação). 
Obs.: Súmula 419 do STJ: Não há prisão civil do depositário judicial infiel. 
Contrato de Mandato 
Ato em que alguém recebe poderes para agir em nome de outrem. A procuração é o 
instrumento. 
Tipos: Legais (ex.: pais, tutores). 
Judiciais (ex.: inventariantes). 
Convencionais (ex.: advogados). 
Gratuidade: Presumida, a menos que estipulada retribuição. 
Obrigações do Mandatário: 
A) Agir em nome do mandante. 
B) Diligência na execução e indenização por prejuízos. 
C) Prestar contas. 
D) Apresentar o instrumento de mandato. 
E) Concluir negócios pendentes. 
Obrigações do Mandante: 
A) Cumprir obrigações do mandatário. 
B) Reembolsar despesas e pagar remuneração. 
Extinção do Mandato: 
A) Revogação ou renúncia. 
B) Morte ou interdição. 
C) Mudança de estado. 
D) Término do prazo ou conclusão do negócio. 
Contrato de Comissão 
Partes: 
Comitente: Para quem o comissário realiza negócios. 
Comissário: Age em seu próprio nome. 
Remuneração: Geralmente uma porcentagem sobre vendas. 
Ex.: Agências de viagens que vendem passagens aéreas e recebem comissão. 
 
 
 
 
 
 
 
Contratos de Agência e Distribuição 
O agente promove negócios para o proponente sem vínculos de dependência. 
Exemplo: Agentes de seguros, agentes de futebol. 
Distribuição: O agente tem a mercadoria à disposição. 
Obrigações: O proponente não pode ter mais de um agente na mesma área. O agente deve 
agir com diligência e pode ser indenizado se o proponente encerrar a parceria sem 
justificativa. 
Contrato de Corretagem 
O corretor aproxima partes interessadas em um negócio. 
Exemplo: Corretores de imóveis. 
Obrigações: O corretor deve agir com diligência e informar o cliente sobre o andamento dos 
negócios. 
Remuneração: Arbitrada se não estiver acordada entre as partes. 
Contrato de Transporte 
Uma parte transporta pessoas ou coisas por uma retribuição. 
Exemplo: Transporte de passageiros em ônibus. 
Responsabilidade: O transportador responde por danos a passageiros e bagagens, salvo 
força maior. 
Obrigações: O transportador deve seguir horários e itinerários; o passageiro deve respeitar 
as normas da transportadora. 
Contrato de Seguro 
O segurador garante um interesse do segurado contra riscos. 
Exemplo: Seguro de carro. 
Elementos: Inclui segurador, segurado, risco, prêmio e apólice. 
Obrigações: O segurado deve pagar o prêmio e comunicar sinistros. O segurador deve 
indenizar o segurado em caso de sinistro. 
Contrato de Constituição de Renda 
Garante uma renda ao instituidor, protegendo-o financeiramente. 
Exemplo: Um idoso que estabelece um contrato para receber uma quantia mensal até sua 
morte. 
Natureza: Pode ser gratuito (sem entrega de bens) ou oneroso (com entrega de bens móveis 
ou imóveis). 
1. Jogo e Aposta 
Jogo: Acordo onde participantes apostam e um ganha (ex: corrida entre Joana e Maria). 
Aposta: Resultado depende de fatores externos (ex: número de carros brancos que passam). 
Dívidas de jogo não obrigam pagamento, salvo se obtidas com dolo ou se o perdedor for 
menor. 
2. Contrato de Fiança 
Definição: Garantia de cumprimento de uma obrigação. 
Características: 
Acessório (depende de contrato principal). 
Solene (deve ser escrito). 
Unilateral (obrigação do fiador). 
Gratuito (sem remuneração). 
Extinção: Pode ocorrer por moratória, impossibilidade de sub-rogação, dação em 
pagamento, ou atraso do credor. 
Súmulas STJ: Validade da fiança sem autorização do cônjuge; prorrogação automática é 
válida. 
 
3. Transação 
Acordo para prevenir ou terminar litígios (ex: negociações mútuas). 
4. Compromisso e Arbitragem 
Arbitragem: Partes escolhem árbitros para resolver conflitos, evitando a judicialização. 
Limitação: Não pode ser usada para questões de estado ou direito de família. 
5. Contrato de Administração Fiduciária de Garantias 
Definição: Gestão de garantias (ex: penhor, hipotecas) pelo agente de garantia. 
Papel: O agente pode cobrar dívidas e deve agir em nome do credor. 
6. Atos Unilaterais de Vontade 
Promessa de Recompensa: Compromisso que não depende de aceitação (ex: recompensa 
por achados). 
Gestão de Negócios: Intervenção em negócio alheio sem autorização para ajudar. 
Pagamento Indevido: Devolução de valores pagos por erro (ex: transferência para conta 
errada). 
Enriquecimento Sem Causa: Enriquecimento de uma parte sem justificativa legal; ação 
cabível é a de repetição de indébito. 
Responsabilidade Civil 
Classificação da Responsabilidade Civil: 
Responsabilidade Contratual: Surge do não cumprimento de obrigações contratuais. 
Exemplo: Um fornecedor não entrega mercadorias conforme o contrato. 
Responsabilidade Extracontratual (Aquiliana): Resulta de atos ilícitos ou violações de 
normas. 
Exemplo: Um acidente de carro causado por negligência. 
Responsabilidade Civil Contratual: Está ligada ao descumprimento de obrigações 
assumidas em contrato. 
Exemplo: Atraso na entrega de um serviço acordado. 
Responsabilidade Extracontratual (Aquiliana): Baseada em atos ilícitos (art. 186): "Aquele 
que, por ação ou omissão, causar dano a outrem, comete ato ilícito." 
Consequência: Obrigação de indenizar. 
Ato Ilícito: Ação que viola direitos e causa dano. 
Exemplo: Difamação. 
Abuso de Direito: Exceder os limites do exercício de um direito, causando danos a outrem. 
Exemplo: Usar um imóvel para criar poluição intencionalmente. 
Teoria dos Atos Emulativos: Ato praticado dentro do direito, mas abusando dos limites 
legais. 
Exemplo: Fazer um barulho excessivo à noite para incomodar um vizinho. 
Responsabilidade Objetiva: No caso de abuso de direito, não é necessário provar culpa. 
Exemplo: Publicidade enganosa que causa dano ao consumidor. 
Exemplos de Abuso de Direito: 
Direito do Consumidor: Publicidade abusiva (art. 37, § 2° do CDC). 
Direito Processual: Abuso no processo judicial (art. 80 do CPC). 
Direito das Coisas: Uso indevido da propriedade que prejudica vizinhos (art. 1.228, § 2°). 
Elementos da responsabilidade civil 
 
 
Se a responsabilidade for objetiva então precisamos de 3 elementos: 
 
 
 
 
Conduta Humana: Pode ser ação (positiva) ou omissão (negativa), com possíveis intenções 
(dolo) ou sem (culpa). 
Exemplo: um motorista que atropela alguém (ação dolosa) ou um condomínio que não evita 
um furto (omissão semdever). 
Culpa: Necessária em responsabilidade subjetiva, envolve dolo (intenção) e culpa 
(imprudência, negligência, imperícia). 
Exemplo de imprudência: dirigir em alta velocidade; negligência: não treinar um funcionário; 
imperícia: um médico sem qualificação. 
Nexo de Causalidade: Relação entre conduta e dano. Teoria da causalidade adequada 
identifica a causa que gerou o dano. 
Exemplo: um objeto que cai de um prédio e causa dano. 
Excludentes: 
Culpa exclusiva da vítima ou terceiro. 
Caso fortuito e força maior (ex.: assalto fora da agência é caso fortuito; dentro, não). 
Dano: Elemento central da responsabilidade civil. 
Tipos de danos: 
Materiais: Danos emergentes (perdas efetivas) e lucros cessantes (ganhos deixados de 
receber). 
Morais: Lesões à personalidade, podem ser diretos ou indiretos. 
Estéticos: Diferença entre danos morais e materiais, referindo-se a lesões físicas. 
Coletivos e Sociais: Atingem grupos ou a sociedade como um todo. 
Por perda de chance: Frustração de uma expectativa que tinha mais de 50% de chance de 
sucesso (ex.: advogado que perde prazos). 
 
Responsabilidade Civil 
Subjetiva: Baseada na teoria da culpa. 
Requisitos: 
Conduta humana 
Culpa 
Nexo causal 
Dano 
Exemplo: Um motorista que causa um 
acidente por dirigir embriagado 
Objetiva: Baseada na teoria do risco. 
Requisitos: 
Conduta humana 
Nexo causal 
Dano 
 Não depende de culpa. 
Ex: Um fabricante que vende um produto com 
defeito, causando dano ao consumidor 
 
 
 
 
 
Modalidades da Responsabilidade Objetiva: 
Risco administrativo: Responsabilidade do Estado. 
Ex: Um funcionário público aprova um pagamento indevido. O Estado deve ressarcir o valor 
ao cidadão. 
Risco da atividade: Atividades que geram risco. 
Ex: Uma construtora derruba um muro e causa danos à casa vizinha. A construtora é 
responsável pelos danos. 
Risco-proveito: Atividades lucrativas que geram riscos. 
Ex: Um empresário investe em um novo produto. Se o produto vende bem, ele lucra; se não 
vende, ele perde dinheiro. 
Risco integral: Sem excludentes, como em danos ambientais. 
Ex: Uma empresa joga resíduos tóxicos em um rio. Ela é totalmente responsável pelos danos 
ao meio ambiente, independentemente das circunstâncias. 
Casos no Código Civil: 
Abuso de direito. 
Fato de terceiro: Responsabilidade dos pais por atos dos filhos menores. 
Fato de animal: Dono do animal responde pelo dano, salvo força maior ou culpa da vítima. 
Ruína de edifício: Proprietário é responsável se o dano resulta da falta de reparos 
necessários. 
Objetos caídos de prédio: Responsável é quem habita o imóvel. 
Responsabilidade Indireta: 
Exemplo: Pais são responsáveis pelos atos dos filhos menores. Ambos os genitores são 
solidariamente responsáveis, mesmo separados. 
Obs: Responsabilidade do incapaz: Subsidiária, iniciando pela responsabilidade dos 
responsáveis. 
Responsabilidade Solidária: 
-Todos os envolvidos no dano são solidariamente responsáveis. 
-Responsabilidade Civil e Criminal. 
-As responsabilidades civil e criminal são independentes. 
-Se um fato é decidido no âmbito criminal, não pode ser contestado na esfera civil. 
Ex: Se alguém é absolvido em um crime, a vítima não pode reclamar na esfera civil sobre a 
autoria. 
Excludentes de Indenizar 
Situações como legítima defesa e estado de necessidade não são consideradas atos ilícitos. 
Ex: Joana quebra a porta para salvar Maria de um incêndio. Joana não deve indenizar o 
condomínio, pois agiu em estado de necessidade, mas pode cobrar de Carla, que causou o 
perigo. 
Responsabilidade por Demanda de Dívida 
Se o autor desiste da ação antes da contestação, não há penalidades. 
Ex: Ação cancelada antes da resposta do réu. 
Responsabilidade em Caso de Morte 
O direito à reparação e a obrigação de pagar se transmitem por herança. 
Ex: Herdeiros do credor podem cobrar dívidas mesmo após a morte dele. 
Indenização 
A indenização deve reparar integralmente o dano. 
Ex: Se alguém causa um acidente, deve cobrir todos os prejuízos, mesmo se a culpa for leve. 
 
OBS: A culpa concorrente reduz a indenização, dependendo do grau de culpa da vítima. 
Dano moral é indenizável, mas cabe ao juiz determinar o valor. 
Responsabilidade de Provedores (Marco Civil da Internet) 
Provedores não são responsáveis por conteúdos de terceiros, a menos que não sigam ordem 
judicial para removê-los. 
Ex: Um provedor deve retirar conteúdo ofensivo após notificação judicial. 
Súmulas Relativas à Responsabilidade Civil 
Súmula 537 Seguradoras podem ser condenadas junto ao segurado. 
Súmula 532 Envio de cartões de crédito sem solicitação é ilícito. 
Súmula 490 A pensão deve ser calculada com base no salário mínimo vigente na sentença. 
Súmula 130 Empresas são responsáveis por danos em estacionamentos. 
 
Coisas 
Posse 
A posse é o controle físico sobre uma coisa, protegido pelo Direito (art. 1.196, CC). 
Aquisição Originária: Quando alguém toma posse sem ligação anterior (ex.: achar um celular). 
Derivada: Quando a posse é transmitida pelo possuidor anterior (ex.: venda de um imóvel). 
Detenção O detentor tem a posse mas não age como dono, como um empregado que cuida de um bem de 
outra pessoa. 
Posse Direta 
e Indireta 
Direta: Controle imediato do bem (ex.: locatário). 
Indireta: Exercida por meio de outra pessoa (ex.: locador). 
Composse: Quando várias pessoas têm posse sobre a mesma coisa (ex.: herança). 
Posse Justa 
e Injusta 
Justa: Adquirida legalmente (ex.: compra legítima). 
Injusta: Adquirida de forma violenta ou clandestina (ex.: invasão). 
Posse de 
Boa e Má-fé 
Boa-fé: Acredita-se ser o proprietário (ex.: compra sem saber que é roubado). 
Má-fé: Sabia que não tinha direito (ex.: comprar sabendo que é de terceiro). 
Com e Sem 
Justo Título 
Com Título: Baseada em documento ou causa representativa. 
Sem Título: Sem causa que justifique a posse. 
Posse Nova 
e Velha 
Nova: Menos de um ano. 
Velha: Um ano ou mais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Efeitos da Posse 
Materiais Direito a frutos, indenização, retenção de benfeitorias, responsabilidades e usucapião. 
Processuais Uso de ações possessórias e defesa da posse. 
Indenização de 
Benfeitorias 
Má-fé: Reivindicante pode escolher entre pagar o valor atual ou o custo da benfeitoria. 
Boa-fé: Indenização sempre pelo valor atual. 
Efeitos 
Processuais 
Usucapião: Aquisição da propriedade pela posse prolongada (prescrição aquisitiva). 
Proteção Possessória: Defende a posse através de: 
Desforço imediato: Recuperação da posse. 
Ações possessórias: Proteção legal da posse. 
Ações 
Possessórias 
Principais 
Esbulho → Ação de Reintegração de Posse 
Turbação → Ação de Manutenção de Posse 
Interdito Proibitório → Protege contra ameaças de esbulho ou turbação. 
Observações 
Processuais 
Fungibilidade: Permite ajuizar uma ação no lugar da outra. 
Procedimentos Especiais: Para turbação/esbulho de até 1 ano e 1 dia. 
Procedimentos Comuns: Para turbação/esbulho de mais de 1 ano e 1 dia. 
Cumulação de Pedidos: Possibilidade de pedir perdas e danos. 
Natureza Dúplice: Réu pode pedir manutenção ou reintegração. 
Ex: Se alguém constrói um muro (benfeitoria) em terreno que não é seu: 
Se o verdadeiro dono tiver má-fé, ele pode receber o custo ou valor atual do muro. 
Se o dono for de boa-fé, receberá o valor atual. 
 Se alguém tenta invadir seu terreno: 
Você pode fazer um interdito para impedir a invasão (proteção contra ameaça). 
Se alguém entra e fica, você pode usar a ação de reintegração para retomar seu espaço. 
 
Propriedade 
Direitos Reais 
Tipos: Propriedade, superfície, servidões, usufruto, uso, habitação, penhor, hipoteca, entre 
outros. 
 
 
 
 
 
Direito de Propriedade 
É um direito real que permite a uma pessoa usar, gozar, dispor e reivindicar a coisa, 
respeitando leis e a função social. 
Direitos: 
Uso: Utilização conforme limites legais. 
Gozo: Receber frutos do bem (ex: aluguel).Disposição: Transferir a propriedade (ex: venda). 
Reivindicação: Recuperar a coisa de quem a detém injustamente. 
Função Social da Propriedade 
Exercício: Deve beneficiar tanto o proprietário quanto a sociedade. 
Sanções: Possibilidade de desapropriação se não cumprir a função social. 
Extensão da Propriedade 
Conteúdo: Inclui solo, subsolo e espaço aéreo, respeitando limitações (ex: não pode impedir 
voo de aviões). 
Recursos Minerais 
Regra: Propriedade do solo não inclui recursos minerais, que pertencem à União. Ex: pode 
extrair areia, mas deve evitar danos ambientais. 
Descoberta de Coisas 
Achado: Dever de devolver a coisa encontrada ao dono, podendo receber uma recompensa 
(mínimo 5% do valor). 
Aquisição de Propriedade Imóvel 
Originária: Sem características anteriores (ex: construção nova). 
Derivada: Com manifestação de vontade do antigo dono (ex: compra e venda). 
Propriedade: Aquisição por Acessão 
Acessão: direito do proprietário sobre tudo que se incorpora ao bem (ex.: ilhas, aluvião, 
avulsão). 
Formas de Acessão: 
Formação de Ilhas: ilhas em rios pertencem a proprietários ribeirinhos (ex.: se uma ilha se 
forma no meio do rio, é dividida proporcionalmente entre as margens). 
Aluvião: depósitos naturais que aumentam a área da propriedade (ex.: sedimentos 
acumulados nas margens de um rio). 
Avulsão: deslocamento brusco de terras (ex.: erosão que leva parte da terra de uma 
propriedade para outra). 
Abandono de Álveo: mudança natural do curso d’água (ex.: um rio que muda seu leito, 
dividindo a antiga área de leito entre as propriedades marginais). 
Plantações e Construções: as construções feitas em um terreno pertencem ao proprietário, 
salvo prova contrária (ex.: alguém constrói uma casa em terreno alheio e deve indenizar o 
proprietário do terreno). 
Usucapião 
Aquisição de propriedade pelo tempo e posse. 
Modalidades: 
Usucapião Extraordinária: 15 anos de posse, sem necessidade de título ou boa-fé. 
Usucapião Ordinária: 10 anos, com justo título e boa-fé; prazo reduzido para 5 anos se for 
registro cancelado com moradia ou investimento. 
Usucapião Especial Rural: 5 anos, área rural de até 50 hectares. 
Usucapião Especial Urbana: 5 anos, área urbana de até 250 m², usada para moradia. 
Usucapião Coletiva: núcleos urbanos informais, 5 anos de posse. 
 
Direito de Vizinhança 
Limites e Convivência: direitos que limitam o uso da propriedade em função do convívio 
social. 
Principais Direitos: 
Uso da Propriedade: não pode prejudicar o vizinho (ex.: não bloquear luz com construção). 
Árvores Limítrofes: raízes ou ramos que ultrapassam limites podem ser cortados (ex.: se 
um ramo de árvore invade o terreno vizinho). 
Passagem Forçada: proprietário encravado pode exigir passagem pelo vizinho, com 
indenização. 
Passagem de Tubulações: serviços de utilidade pública podem passar pelo vizinho, com 
indenização se houver danos. 
Águas: fluxo de águas deve ser respeitado; obstruções são proibidas. 
Limites e Tapumes: despesas de divisas devem ser compartilhadas (ex.: construção de 
muros entre propriedades). 
Condomínio 
Condomínio/ 
Copropriedade 
Vários titulares sobre um mesmo bem. 
Frações ideais (ex: 50%, 30%). 
Condomínio 
Voluntário 
Criado por contrato, doação ou herança. 
Tempo de permanência pode ser definido (máx. 5 anos). 
Direito de preferência entre condôminos para venda (art. 504 CC). 
Administração por condômino ou terceiro. 
Ex:Três amigos compram um sítio e definem que cada um terá 1/3 do direito. 
Condomínio Legal Determinado por lei (ex: muros, cercas). 
Divisão de despesas entre vizinhos 
Condomínio Edilício Formado por unidades autônomas (ex: apartamentos). 
Partes comuns e privadas; alienação mediante regras. 
Regras estabelecidas em convenção, registrada no Cartório. 
EX: Um prédio de apartamentos onde todos têm acesso ao salão de festas. 
Direitos e Deveres 
dos Condôminos 
Direito a usar a unidade e partes comuns. 
Dever de pagar despesas e não perturbar sossego. 
Multas por descumprimento (ex: até 10x contribuições) 
Administração do 
Condomínio 
Síndico eleito em assembleia. 
Convocação de assembleias para decisões importantes 
Alteração e Extinção 
do Condomínio 
Mudanças na convenção requerem 2/3 dos votos. 
Extinção por venda a um único condômino ou destruição total 
Condomínio de 
Lotes 
Sem construção, partes exclusivas e comus. 
Regulamentação específica. 
Multipropriedade Uso compartilhado de imóvel por tempo fixo (ex: casa de férias). 
Registro no Cartório, com direitos e deveres definidos. 
EX: Três pessoas compram um imóvel de férias, cada uma usando em semanas 
alternadas 
 
 
 
Direitos Reais sobre Coisa Alheia e de Garantia 
Superfície Permite que alguém construa em terreno alheio, registrado no Cartório de Registro de Imóveis. 
Pode ser transferido a herdeiros, mas não se paga pela transferência. 
Extinção ocorre ao fim do prazo ou mudança de destinação, retornando os direitos ao proprietário 
Servidão Direito de beneficiar um imóvel em relação a outro, registrado em escritura pública. 
Pode ser criada por usucapião após 10 anos de uso. 
O proprietário do imóvel dominante pode fazer obras, e o serviente não pode embaraçar o uso. 
Usufruto Direito de usar e fruir de um bem alheio por determinado tempo. 
O usufrutuário pode locar, mas não vender; o nu-proprietário tem o direito de vender. 
Extingue-se por morte, prazo, destruição do bem ou falta de uso 
Uso Permite usar a coisa para benefício próprio, como usar um jazigo. 
Inscrição no Cartório de Registro de Imóveis é necessária. 
Habitação Direito de morar em imóvel alheio sem alugar ou emprestar. 
O registro é necessário para habitação convencional, mas não para a legal. 
O registro é necessário para habitação convencional, mas não para a legal 
Laje Permite construir em superfície de construção existente. 
O proprietário do imóvel base mantém a propriedade do terreno 
Direito Real 
de Aquisição 
Surge da promessa de compra e venda registrada. 
O promitente comprador pode exigir a escritura e adjudicação em caso de recusa 
Direitos Reais 
de Garantia 
Inclui penhor, hipoteca e anticrese como garantias reais para dívidas. 
Apenas quem pode alienar o bem pode dar em garantia. 
Extinção da garantia ocorre com pagamento total da dívida ou destruição do bem. 
Penhor Garantia sobre bem móvel, com entrega ao credor e registro necessário. 
Extinção ocorre com o pagamento da dívida ou perecimento da coisa. 
Formas especiais incluem penhor rural, industrial, mercantil, entre outros 
 
Exemplos 
Superfície: Alguém constrói uma casa no terreno de outra pessoa com permissão. 
Servidão: Um vizinho tem o direito de passar pela propriedade do outro para chegar à estrada. 
Usufruto: Uma pessoa vive em uma casa que pertence a um amigo por um tempo definido. 
Uso: Uma pessoa utiliza um espaço em um cemitério para sepultar um familiar. 
Habitação: O cônjuge sobrevivente fica na casa do casal após a morte do outro. 
Laje: Alguém pode construir um apartamento em cima de uma casa já existente. 
Direito Real de Aquisição: Uma pessoa paga parte de um imóvel e exige que o vendedor formalize a venda. 
Penhor: Um devedor entrega sua moto ao credor como garantia de um empréstimo. 
 
 
 
 
 
 
Direito de Família 
Direito das Famílias 
É um ramo do Direito Privado, mas possui viés público por proteger instituições familiares, 
assegurando condições mínimas de existência. 
Formas de Família: 
Tradicional: Matrimônio. 
Informal: União estável. 
Monoparental: Um pai/mãe e filhos. 
Homoafetiva: Casais homossexuais. 
Mosaico: Filhos de relacionamentos anteriores. 
Multiespécie: Família com animais de estimação. 
Direito Matrimonial 
Casamento: Forma tradicional de constituição de família. 
Civil: Celebrado por juiz de paz, registrado oficialmente. 
Religioso com Efeitos Civis: Celebrado religiosamente e registrado para efeitos civis. 
Modalidades de Casamento: 
Por Procuração: Casamentorealizado por alguém em nome do cônjuge. 
Nuncupativo: Celebrado em risco de vida, sem requisitos formais. 
Consular: Brasileiro casado no exterior, com registro no Brasil. 
Homoafetivo: Permitido pelo CNJ, com habilitação no Registro Civil. 
Capacidade para Casamento: 
Idade mínima: 16 anos. De 16 a 18, autorização dos pais é necessária. 
OBS: Casamento de menores de 16 anos é proibido pela lei (Lei n° 13.811/2019). 
Exemplo: Um casal que se casa no cartório (casamento civil) segue as regras da lei, 
enquanto um casal homossexual pode optar por união estável ou casamento, conforme a 
legislação vigente. Um jovem de 17 anos precisará da autorização dos pais para se casar. 
Direito Matrimonial: Impedimentos e Causas Suspensivas 
Impedimentos Matrimoniais 
Condições legais que proíbem o casamento, resultando em nulidade se celebrados. 
Exemplo: 
Ascendentes e descendentes (pais e filhos). 
Afins em linha reta (sogros e genros). 
Irmãos e colaterais até o terceiro grau (tios e primos). 
Pessoas casadas. 
Cônjuge sobrevivente com quem matou o outro cônjuge. 
Oposição: Impedimentos podem ser alegados por qualquer pessoa até a celebração do 
casamento. 
Nulidade: Pode ser declarada a qualquer tempo por interessados ou Ministério Público. 
Causas Suspensivas do Casamento 
Fatores que não impedem o casamento, mas impõem sanções (como separação obrigatória 
de bens). 
Exemplos (art. 1.523): 
Viúvo(a) com filhos do cônjuge falecido sem inventário. 
Viúva(a) até 10 meses após a viuvez ou dissolução. 
Divorciado(a) sem partilha de bens. 
Tutor/curador e seus parentes com a pessoa tutelada até a cessação da tutela. 
Arguição: Causas podem ser apresentadas por parentes até 2° grau no processo de 
habilitação. 
 
Casamento Nulo e Anulável 
Casamento Nulo: Resulta de violação dos impedimentos (art. 1.548). Exige ação judicial 
para declaração (art. 1.549). Efeitos retroagem à data do casamento (art. 1.563). 
Casamento Anulável: Em situações menos graves, com prazo para a anulação (180 dias a 
4 anos). Após o prazo, o casamento é convalidado (art. 1.550, 1.555 e 1.560). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Casamento Nulo ou Anulável 
Efeitos para cônjuge de boa-fé: Produz efeitos entre a celebração e a sentença de nulidade. 
Filhos: Todos os efeitos se operam normalmente. 
Retroatividade: Sentença de nulidade retroage à data da celebração. 
Exemplo: Se um casal se casa, mas o casamento é considerado nulo, a esposa que não 
sabia da nulidade continua tendo direitos até a sentença. 
Parentesco 
Tipos: Natural (consanguinidade) e civil (não consanguinidade). 
Classificação: 
Linha reta: Ascendentes e descendentes (pai, mãe, filhos). 
Linha colateral: Irmãos (até o 2º grau). 
Parentesco por afinidade: Relacionado ao casamento/união estável (sogro, sogra, 
cunhado). 
Linha reta: Impedimentos permanentes para casar. 
Linha colateral: Extingue-se com o fim do casamento (morte/divórcio). 
Exemplo: Um sogro (linha reta) sempre terá vínculo, enquanto cunhados (linha colateral) 
deixam de ter vínculo se o casamento acabar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção! Deve-se observar a possibilidade do reconhecimento da parentalidade socioafetiva, 
que, nos termos dos arts. 505 e seguintes do Provimento 149 do CNJ, poderá ocorrer, quando 
os filhos forem maiores de 12 anos, diretamente no Cartório de Registro Civil das Pessoas 
Naturais 
Regime de Bens 
Existem regimes legais (comunhão parcial e separação obrigatória) e convencionais 
(comunhão universal, participação final e separação total). 
Pacto Antenupcial: Necessário para regimes convencionais, deve ser feito por escritura 
pública e registrado para efeitos legais. 
Mutabilidade: O regime de bens pode ser alterado judicialmente após o casamento, desde 
que ambos os cônjuges concordem e não haja prejuízo a terceiros. 
Outorga Conjugal: É a autorização mútua dos cônjuges para atos que afetam o patrimônio 
comum, exceto no regime de separação total. 
Regime Legal Dispositivo – Comunhão Parcial: Os bens adquiridos durante o casamento 
são comunicáveis, exceto alguns especificados na lei (ex.: heranças). 
Regime Legal Obrigatório – Separação Obrigatória: Aplica-se em situações específicas, 
como casamento de pessoas com mais de 70 anos ou quando há necessidade de autorização 
judicial. Bens adquiridos durante o casamento podem ser comunicáveis se houver esforço 
comum, conforme entendimento do STF. 
Exemplo: 
Comunhão Parcial: Se um casal compra um carro durante o casamento, o carro é 
considerado bem comum. 
Separação Obrigatória: Se um dos cônjuges tem mais de 70 anos e se casam, o regime 
será de separação obrigatória, mas podem optar por alterar isso em escritura pública. 
 
 
 
 
Regimes de Bens 
Comunhão Universal de Bens: 
Todos os bens (presentes e futuros) e dívidas são comuns entre os cônjuges (arts. 1.667 e 
seguintes, CC). 
Bens incomunicáveis: excluídos da partilha, conforme art. 1.668 (ex: bens recebidos por 
herança). 
Separação Convencional de Bens: 
Cada cônjuge mantém total controle sobre seus bens, sem comunicação (art. 1.647). 
Dívidas não se comunicam; despesas familiares são compartilhadas na proporção dos 
rendimentos. 
Participação Final nos Aquestos: 
Cada cônjuge mantém seus bens e, na dissolução, partilha apenas os bens adquiridos 
durante o casamento (arts. 1.672 e seguintes, CC). 
A administração é individual, mas há compartilhamento ao final do casamento. 
 
União Estável 
Relação pública e duradoura entre duas pessoas, com intenção de formar família. 
Características: Não exige coabitação, é configurada automaticamente, e aplica-se os 
mesmos impedimentos do casamento (art. 1.723, § 1°). 
Regime de Bens: Sem contrato escrito, aplica-se a comunhão parcial; se um dos conviventes 
tem mais de 70 anos, separação obrigatória de bens (súmula 655, STJ). 
Conversão em Casamento: Pode ser convertida em casamento através do juiz ou 
diretamente no Registro Civil (art. 1.726; arts. 549 e 552 do Provimento 149 do CNJ). 
Alimentos: Qualquer um pode exigir alimentos se demonstrar necessidade (art. 1.694). 
Comunhão Universal: Casal A e B têm tudo em comum, incluindo bens adquiridos antes 
do casamento. 
Separação Convencional: Casal C e D mantêm contas e propriedades separadas; D pode 
vender um imóvel sem autorização de C. 
Participação Final: Casal E mantém suas propriedades, mas compartilham o que adquiriram 
juntos se se separarem. 
União Estável: Casal F vive junto há anos, não precisa morar na mesma casa, mas querem 
formar uma família. 
 
Dissolução do Casamento 
Divórcio: Extinção do vínculo conjugal, não exige mais separação prévia (EC 66/2010). 
Exemplo: Um casal decide se divorciar imediatamente, sem esperar um período de 
separação. 
Separação de Fato: Cessa a vida em comum e permite divórcio direto após dois anos. 
Exemplo: Casal vive separado há três anos e decide se divorciar diretamente. 
Separação Judicial: Dissolve a sociedade conjugal, pode ser consensual (acordo) ou 
litigiosa (sem acordo). 
Exemplo: Casal discorda sobre a separação, então um deles pede a separação judicial ao 
juiz. 
Divórcio Judicial: Dissolução voluntária do casamento, permite novos vínculos. 
Exemplo: Após o divórcio, uma das partes casa-se novamente. 
Partilha de Bens: Pode ocorrer após o divórcio, mas não é requisito para a concessão do 
divórcio. 
Exemplo: O casal se divorcia, mas decide discutir a partilha de bens depois. 
 
Divórcio no Exterior: Litigioso precisa de homologação no STJ; consensual pode ser 
reconhecido sem homologação se não houver cláusulas específicas. 
Exemplo: Um casal se divorcia na Europa e volta ao Brasil; se foi consensual, não precisa 
de homologação. 
Separação e Divórcio Extrajudiciais: Podem ser feitos em cartório com escritura pública, 
se houver consenso e sem filhos incapazes. 
Exemplo: Casal vai ao cartório e faz um divórcio consensual, sem filhos

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