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ARTICULAÇÕES TEMPOROMANDIBULAR (ATM) Generalidades A ATM (articulação temporomandibular) é uma articulação altamente especializada, que se distingue de todas as demais articulações por uma série de características. Para entender isso, é suficiente lembrar que quando examinamos uma ATM devemos sempre examinar a contralateral, porque uma alteração afeta, de certo modo, também esta, assim como os músculos envolvidos nos movimentos mandibulares, dentes e periodonto, e muitas vezes até estruturas da região cervical. Classificação Como sabemos, a ATM é classificada como uma articulação do tipo sinovial. Essa classificação leva em conta o tipo de tecido que se interpõe aos elementos que se articulam. As articulações sinoviais, por sua vez, são classificadas morfológica e funcionalmente. Morfologicamente, ela é classificada como uma articulação condilar, mais especificamente bicondilar, porque temos dois côndilos envolvidos; e funcionalmente é classificada como uma articulação triaxial, isto é, se movimenta em torno de três eixos. Faces Articulares Quanto às faces articulares, determinadas pelas superfícies ósseas que entram em contato na articulação, são revestidas por uma cartilagem fibrosa, fugindo, portanto, da característica geral das articulações sinoviais, que possuem faces articulares revestidas por cartilagem hialina. Essas faces articulares são representadas por estruturas encontradas nos ossos temporal e mandíbula. No temporal há o tubérculo articular, onde temos duas vertentes bem evidentes, a anterior e a posterior, sendo que somente a vertente posterior é que faz parte da ATM. Além da vertente posterior do tubérculo articular, faz parte das faces articulares a fossa mandibular que está dividida em duas porções pela fissura petrotimpânica, uma anterior, outra posterior. Só a porção anterior é articular. Com relação à mandíbula, é o processo condilar que faz parte da ATM, através da vertente anterior da cabeça da mandíbula. É interessante lembrar que na criança a fossa mandibular é bem rasa, a cabeça da mandíbula é quase lisa, plana. À medida que a criança vai se desenvolvendo e inicia-se a erupção dos dentes decíduos, começa a se definir a anatomia da ATM. Disco Articular O disco articular é uma estrutura fibrocartilagínea que se interpõe aos segmentos que se articulam com a finalidade de absorver choques, portanto, funcionando como um verdadeiro coxim amortecedor, além ·de atuar no sentido de aumentar a congruência entre os segmentos que se articulam, ou seja, melhorar a adaptação entre eles. O disco tem um aspecto elipsoide, diferente do menisco que tem a forma semilunar. Sua face superior tem aspecto côncavo-convexo e sua face inferior apresenta-se côncava. Por sua margem anterior, o disco se fixa diretamente à cápsula articular; posteriormente, se fixa à cápsula articular pelo coxim retrodiscal, um acúmulo de tecido conectivo frouxo, também conhecido como zona bilaminar; lateral e medialmente, está preso à cabeça da mandíbula. O disco articular, por sua disposição, acaba dividindo a cavidade articular em dois compartimentos: o supradiscal maior e o infradiscal menor. Meios de União Existem estruturas que funcionam como verdadeiros meios de união. Cápsula articular A cápsula é uma membrana conectiva que envolve os segmentos que se articulam, mantendo- os unidos. É constituída por duas camadas, uma mais externa, a membrana fibrosa, e outra mais interna, a membrana sinovial, responsável pela produção do líquido sinovial. É importante lembrar que a cápsula articular, em sua porção lateral, relaciona-se com o músculo masseter e anteriormente com o músculo pterigóideo lateral. Existem fibras do feixe profundo do músculo masseter que se originam da cápsula. Além da cápsula articular, os ligamentos também constituem meios de união. Ligamentos. Os ligamentos, além de manterem unidos os segmentos que se articulam, evitam movimentos em sentidos indesejáveis e de certa forma limitam a amplitude dos movimentos considerados normais. O ligamento principal é o ligamento lateral (temporomandibular). Ele se estende do arco zigomático até o colo da mandíbula e de certa forma limita seu movimento de retrusão, evitando assim a compressão de estruturas localizadas posteriormente à cabeça da mandíbula. Existem ainda os chamados ligamentos acessórios, que são estruturas distantes da ATM, mas que dão reforço a ela. São eles: O Ligamento esfenomandibular que origina-se na espinha do esfenoide e se estende até a língula da mandíbula O Ligamento estilomandibular que estende-se do processo estiloide do temporal ao ângulo da mandíbula.