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As águas dessas chuvas têm efeito corrosivo, o que causa sérios transtornos quando atingem rios, lagos e também seres vivos. Outro impacto causado por esse tipo de chuva é a destruição da cobertura vegetal, ou seja, das florestas. A Floresta Negra, na Alemanha, por exemplo, tem sido bastante agredida por esse tipo de precipitação. Elas também afetam as construções; estão danificando o Taj Mahal, a Catedral de Colônia e a Estátua da Liberdade. No território brasileiro, esse fenômeno é mais comum nas regiões Sul e Sudeste, destacando-se as regiões metropolitanas de Porto Alegre e de São Paulo, próximas às termelétricas movidas a carvão, cuja poluição atinge até o Uruguai. O caso mais conhecido é o de Cubatão, no litoral paulista, onde, além da degradação da flora e da fauna, em alguns locais da encosta da Serra do Mar, junto às fontes poluidoras, os substratos da floresta e a vegetação rasteira desapareceram. Sem a vegetação, o solo ficou exposto, acarretando grandes ravinamentos, deslizamentos de terra e desmoronamento de encostas. Uma boa notícia é que a redução da emissão de gases tóxicos pelas indústrias permitiu uma considerável recuperação da Mata Atlântica nas encostas da Serra, na região do polo industrial. Ilhas de calor As grandes cidades são, em geral, recobertas por partículas sólidas em suspensão, oriundas das diversas atividades ali desenvolvidas. Dessa forma, essas regiões tendem a receber menos radiação solar, pois esta é absorvida e refletida antes que atinja a superfície. No entanto, as diversas construções urbanas, como prédios, casas, viadutos, túneis, entre outras, acabam compensando essa perda devido à propriedade de conservação de energia que possuem. As atividades antrópicas interferem diretamente nesse processo, uma vez que o consumo intensivo de combustíveis fósseis em aquecedores, automóveis e indústrias transformou a cidade em uma fonte inesgotável de calor. A substituição da cobertura vegetal por grande quantidade de casas, prédios, ruas, avenidas, pontes, viadutos e uma série de outras construções, que são maiores à medida que se aproximam do centro das grandes cidades, aumenta significativamente a irradiação de calor. As ilhas de calor correspondem ao aquecimento anormal das áreas centrais das grandes cidades que apresentam temperaturas médias maiores do que as zonas adjacentes dominadas pelo mesmo tipo climático. É um fenômeno atmosférico muito comum em grandes centros urbanos. Dentro das “ilhas de calor”, as temperaturas aumentam da periferia em direção ao centro. Em alguns casos, a diferença de temperatura entre as zonas periféricas e o centro pode atingir até 10 °C. Essas ilhas também colaboram para aumentar os índices de poluição nas regiões centrais da mancha urbana. Observe a figura a seguir, que mostra a ocorrência de uma ilha de calor em Londres, Reino Unido. Constata-se o fenômeno ao notar que as temperaturas aumentam à medida que se avança em direção à porção central da cidade. A ilha de calor de Londres Kingston Richmond Londres Dagenham 10,5 9,5 8,5 7,5 6,5 5,5 4,5 Kingston Richmond Londres Dagenham RioTâmisa 10,5 9,5 8,5 7,5 6,5 5,5 4,5 Área urbana Linhas isotérmicas (°C)0 8 km N Nas zonas centrais da cidade, é comum a maior concentração de gases poluentes e de materiais particulados (sólidos) lançados pelos automóveis e pelas fábricas, responsáveis por um “efeito estufa” localizado, que colabora para aumentar a retenção de calor. Os materiais usados na construção das cidades, como o asfalto, o concreto, as telhas da cobertura das casas e dos prédios, têm elevada capacidade de absorção de calor, o qual não se dissipa devido à poluição atmosférica do centro urbano. É importante lembrar que uma cidade pode ter diferentes variações de temperatura, caracterizando, dessa maneira, diversas ilhas de calor. À noite, a poluição do ar impede a dispersão de calor, uma vez que as áreas centrais de uma cidade concentram a mais alta densidade de construções, bem como de atividades emissoras de poluentes. A massa de ar quente carregada de material particulado que se forma sobre essas áreas tende a subir até se resfriar. Quando se resfria, retorna à superfície, dando origem a intensos nevoeiros na periferia da mancha urbana. Dessa maneira, volta à região central. É um verdadeiro círculo vicioso de fuligem e poeira. As ilhas de calor são, também, responsáveis pela maior ocorrência de chuvas sobre as grandes cidades. Ao atrair ventos úmidos das áreas em seu entorno, causam instabilidades atmosféricas que levam à ocorrência de grandes tempestades, conforme ilustrado na figura anterior. A rq ui vo B er no ul li Problemas Sociais e Ambientais Urbanos G EO G R A FI A 65Bernoulli Sistema de Ensino