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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA Curso de Graduação em Engenharia Aeronáutica Laboratório de Mecânica de Estruturas Prof. José Eduardo Tannús Reis RELATÓRIO DE AULA PRÁTICA DA DISCIPLINA ESTRUTURAS DE AERONAVES I (FEMEC43050) Medidas de Deformações em Cilindro de Parede Fina Sujeito à Pressão Interna Profa. Núbia dos Santos Saad Cassio Fabiano da Silva Filho (11911EAR022) Higor Oliveira Silva (12111EAR030) Matheus Hermes Parra (11811EAR011) Uberlândia, Novembro de 2023 UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA Curso de Graduação em Engenharia Aeronáutica Laboratório de Mecânica de Estruturas Prof. José Eduardo Tannús Rei RELATÓRIO DA PRIMEIRA AULA PRÁTICA DA DISCIPLINA ESTRUTURAS DE AERONAVES I (FEMEC43050) Medidas de Deformações em Cilindro de Parede Fina Sujeito à Pressão Interna Profa. Núbia dos Santos Saad Relatório Experimental apresentado ao Curso de Engenharia Aeronáutica da Universidade Federal de Uberlândia, orientado pela Profª. Nubia dos Santos Saad, como requisito parcial para obtenção de nota na disciplina Estruturas de Aeronaves I. Uberlândia, Novembro de 2023 SUMÁRIO 1- INTRODUÇÃO 4 2- OBJETIVOS 5 3- RESUMO TEÓRICO 6 3.1 – Cilindros de parede fina pressurizados 6 3.2 – Análise de deformações 7 4- EQUIPAMENTOS NECESSÁRIOS 9 4.1 Conjunto Alavanca Cilindro: 9 4.2 Extensômetros: 9 4.3 Cilindro: 10 4.4 Manômetros: 11 4.5 ADS 2000 Lynx: 11 5- DESCRIÇÃO DO EXPERIMENTO 13 6- DADOS E ANÁLISE DE RESULTADOS 15 7- CONCLUSÃO 23 REFERÊNCIAS 24 ANEXOS 25 ILUSTRAÇÕES 26 1- INTRODUÇÃO A resistência dos materiais é uma disciplina fundamental no campo da engenharia, desempenhando um papel crucial no projeto e na análise de estruturas. A compreensão dos princípios que regem o comportamento dos materiais sob diferentes cargas e condições é essencial para garantir a segurança e a eficiência de estruturas civis, mecânicas e aeroespaciais. A aula prática realizada representa uma oportunidade valiosa para aplicar os conceitos teóricos aprendidos em sala de aula, permitindo uma experiência tangível na avaliação da resistência de materiais sob condições do mundo real. Este relatório destaca os procedimentos, observações e análises realizadas durante a aula prática, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada dos princípios fundamentais da resistência dos materiais e sua aplicação prática em contextos de engenharia.. 2- OBJETIVOS O objetivo deste experimento é comprovar a obtenção de entendimento em relação a utilização de extensômetros elétricos de resistência, mais conhecido como “strain gages”, no qual realiza medições em diferentes direções de diversas deformações. Ademais, o mesmo tem como intuito verificar os cálculos das deformações nas diferentes direções, durante todo o procedimento, por meio da utilização do círculo de Mohr. 3- RESUMO TEÓRICO Um tubo de parede fina de alumínio, preenchido com óleo pressurizado internamente pela aplicação de níveis de pressão p cujos valores são lidos através de um manômetro acoplado ao mesmo. O experimento utilizou-se de 5 extensômetros elétricos de resistência (modelo PA-13-250BA-120 LEN fabricado pela Excel Sensores) colados à parede externa do cilindro, orientado a três diferentes angulações quaisquer, sendo elas de 18°, 30° e 80°. Durante o mesmo, foram aplicados valores crescentes de pressão e, para cada valor, registraram-se os valores das deformações nos cincos extensômetros. 3.1 – Cilindros de parede fina pressurizados Sob a ação de pressão interna, um cilindro fechado de parede fina, ilustrado na Figura 1, fica sujeito, em sua superfície externa, a um estado biaxial de tensões, as quais podem ser consideradas uniformemente distribuídas ao longo da espessura da parede. Figura 1 Representação ilustrativa do cilindro. A teoria desenvolvida no âmbito da Resistência dos Materiais permite calcular as tensões nas direções longitudinal, e circunferencial, que são dadas por: (1) (2) Onde p representa a pressão interna, r é o raio interno do cilindro e t é a espessura da parede do cilindro. As equações desenvolvidas para o estado plano de tensões permitem obter as deformações normais nas direções longitudinal, circunferencial e radial, segundo: (3) (4) (5) 3.2 – Análise de deformações O estudo das deformações em um dado plano x-y permite afirmar que, conhecidas as deformações normais εx e εy e a deformação de cisalhamento, correspondentes a duas direções ortogonais quaisquer, x e y, a deformação normal e a deformação de cisalhamento em um plano orientado de um ângulo relação ao eixo x, são dadas por: (6) (7) Sendo e deformações normais principais em um ponto arbitrário do cilindro, então, com base na Equação (6), as deformações normais εθ, εα, e εβ, nas três direções determinadas pelos ângulos, e são dadas por: (8.a) (8.b) (8.c) Assim, tem-se como uma das aplicações, a resolução da seguinte situação- problema: se εθ, εα, e εβ forem medidas, e os ângulos e forem conhecidos, as Equações (8) podem ser resolvidas para determinar as deformações normais principais e, é o ângulo que determina suas direções em relação às direções em que as deformações foram medidas. A partir das deformações normais principais, as tensões normais principais podem ser obtidas da seguinte forma: (9.a) (9.b) 4- EQUIPAMENTOS NECESSÁRIOS 4.1 Conjunto Alavanca Cilindro: O conjunto alavanca cilindro, mostrado pela figura 1, é responsável pela aplicação de pressão no interior do cilindro de parede fina. Quando acionado, aquele transmite uma pressão a ser medida pelo manômetro acoplado a esse. Figura 2: Conjunto alavanca cilindro. 4.2 Extensômetros: O extensômetro é um dispositivo utilizado para medir deformações em corpos de prova que são submetidos a uma força ou pressão. No caso, o nosso corpo de prova será um cilindro de alumínio. Para o nosso experimento utilizamos o extensômetro PA - 13 250BA - 120 LEN da empresa Excel Sensores. Os extensômetros foram dispostos conforme a figura 4. Figura 3: Extensômetros incorporados ao tubo de parede fina. Figura 4: Disposição dos extensômetros no tubo de parede fina. 4.3 Cilindro: Corpo de prova a ser estudado e pressurizado no experimento. Figura 5: Cilindro de parede fina. 4.4 Manômetros: Dispositivo utilizado para medir a pressão em um determinado local. Um conectado no cilindro e outro conectado na saída do compressor. Figura 6: Manômetro. Figura 7: Vista da bancada. 4.5 ADS 2000 Lynx: A medição das deformações dadas pela extensometria é feita através da leitura da variação da corrente elétrica. A aquisição dos valores dessas deformações pode ser realizada por meio de um computador e um sistema de aquisição que realiza a conversão da variação de corrente elétrica em um extensômetro para um valor de deformação. o ADS2000 é um sistema para aquisição de dados completo e versátil que pode ser ligado a qualquer computador através de interfaces de comunicação Ethernet para captar sinais digitais e analógicos. Figura 8: Equipamento de medição ADS2000 Lynx. 5- DESCRIÇÃO DO EXPERIMENTO O cilindro de parede fina de alumínio, preenchido com óleo, foi pressurizado internamente pela aplicação de níveis de pressão p cujos valores foram lidos através de um manômetro acoplado ao mesmo. Foram colados à parede externa do cilindro cinco extensômetros elétricos de resistência (modelo PA-13-250BA-120LEN fabricado pela Excel Sensores), identificados por 1, 2, 3, 4 e 5, orientados de acordo com os ângulos q, a e b, cujos valores são indicados na Figura 2. Figura 9: Ilustração com ângulo dos sensores. A Tabela 1 fornece as características físicas e geométricas do cilindro e dos extensômetros. No decorrer do experimento, foram aplicados valores crescentes de pressão de 10 até 30 kgf/cm2 e, para cada valor, foram registrados valores das deformações nos cinco extensômetros. Tabela 1: Características físicas e geométricas do cilindroe dos extensômetros. Característica Valor Raio interno r = 4,8 cm Diâmetro Externo de = 10,2 cm Comprimento l = 80 cm Espessura da parede t = 0,3 cm Módulo de elasticidade E =0,7 ×106 kgf/cm2 Coeficiente de Poisson n = 0,35 Resistência dos extensômetros 120 ohm Gage factor dos extensômetros 2,11 Fonte: Enviados pela professora responsável. 6- DADOS E ANÁLISE DE RESULTADOS Com a coleta de dados de deformação para cada extensômetro, realizada pelo apartamento experimental anteriormente mencionado, vemos através da tabela abaixo a apresentação dos mesmos. Tabela 2: Dados experimentais. p (kgf/cm2) (10-6m/m) (10-6m/m) (10-6m/m) (10-6m/m) (10-6m/m) 10 179,22 41,70 69,91 38,56 146,26 15 279,08 63,96 110,00 61,73 226,88 20 373,00 86,05 149,99 83,86 302,96 25 480,62 109,84 194,90 110,86 398,18 30 578,58 134,99 242,25 132,85 470,78 Fonte: Enviados pela professora responsável. A Partir desta coleta, pôde ser edificada uma plotagem gráfica para a elaboração da relação entre a deformação ocorrida e a pressão aplicada para o sistema, para cada ponto do extensômetro Deste modo, a geração da plotagem gráfica é apresentada abaixo. Gráfico 1: Deformação X Pressão Fonte: Autoral. Foi observado que a partir deste gráfico pode-se afirmar que a relação de formação e pressão é de forma linear em todo o tubo e em todos os parâmetros realizados. Desta forma a afirmação de que qualquer ponto de interesse, uma vez que se ao aplicarmos o método dos mínimos quadrados, torna se possível deduzir a equação da reta para qual melhor representa a linearidade dos pontos observados em questão e para cada um dos casos. Realizando os cálculos, obtivemos 5 equações, onde os valores de y e x são respectivamente deformação e pressão aplicadas no ensaio. 𝑌 = 20,005𝑋 − 22,004 (10) 𝑌 = 4,6492𝑋 − 5,676 (11) 𝑌 = 8,5916𝑋 − 18,422 (12) 𝑌 = 4,7542𝑋 − 9,512 (13) 𝑌 = 16,407𝑋 − 19,124 (14) Deve-se atentar que os valores estão com a unidade de kgf/cm² e que a encontrada é de 10−6 m/m. outro fato que influencia, são os erros e suas fontes de erro associados às medições realizadas. Lembrando que ao se realizar os desenvolvimentos numéricos, os erros também são desenvolvidos e propagados. Utilizando-se das equações anteriormente apresentadas de um a quatro, usando uma pressão equiparada a 18 kgf/cm², calcula-se a deformação circunferencial e longitudinal do corpo de prova. Sendo que ela proporciona a geração do Círculo de Mohr, no qual se confirma todas as deformações que estão presentes, representando um ponto qualquer da parede do sistema do cilindro. (15) (16) Gráfico 2: Círculo de Mohr Fonte: Autoral. Já utilizando as equações dez e onze anteriormente apresentadas, utilizando a pressão anterior de 18 kgf/cm², obtém a deformação dos experimentais circunferencial e longitudinal, respectivamente. Apresentando os resultados abaixo o Círculo de Mohr experimental da deformação. (17) (18) Gráfico 3- Círculo de Mohr experimental Fonte: Autoral. Para entendermos melhor e percebemos as diferenças de valores entres os dados experimentais e os teóricos, utilizou o recurso de sobreposição dos Círculos de Mohr. Podemos atribuir essa diferença aos erros propagados. Gráfico 4: Comparativo dos Círculos de Mohr Fonte: Autoral. Partindo do Círculo de Mohr teórico, obtém a deformidade teórica dos planos onde se localizam os extensômetros, conforme apresentado na figura 10, presente neste relatório, Assim temos que: (19) (20) (21) Ressaltando que a partir das equações doze, treze e quatorze, se torna possível calcular os dados experimentais para as deformações lineares dos planos três, quatro e cinco, deste modo temos que: (22) (23) (24) A comparação é inevitável neste momento entre os resultados teóricos e experimentais, vendo que possuem diferenças discrepantes um do outro como visto anteriormente, devido principalmente aos erros associados às medidas tomadas. Constata que a medida com os resultados do experimento se aproxima do seu eixo longitudinal o erro tende a ser crescente e se evidenciado. A tabela a seguir apresenta os erros associados relativos aos teóricos. Tabela 3: Erro Extensômetro elétrico Erro Relativ o [%] 3 18,4167 4 19,2537 5 2,2970 Fonte: Autoral. Já em um plano que se encontra no sentido anti-horário a 50º no plano, as deformações experimentais associadas são dadas em: (25) Para este cálculo temos que utilizar o Círculo de Mohr do experimento, lembrando que ele trabalha a partir de um ângulo duplo, para realização dos cálculos para determinar as deformações correspondentes do plano no ângulo de 50º, este ângulo deve ser dobrado no eixo longitudinal e seu próprio eixo correspondente. Assim representando no ponto, de modo a seguir: Figura 10: Representação ilustrativa no ponto. Ao analisar notasse que o valor estimado para a maior deformação angular é o raio do mesmo, ou seja no plano 7. Neste ponto temos que sua deformação linear atuante equivale à localização do centro, nos valores de: (26) Isso acontece, em um plano que está a 90º, sentido horário, no plano circunferencial. Isso indica que, no ponto, este ângulo equivale a 45º, sendo que no círculo é trabalhado com um ângulo duplo. Figura 11: Ilustração no ponto. Importante ressaltarmos, que as deformações longitudinais e circunferenciais, para esse caso, são iguais quando se analisa a deformação máxima angular, logo esta representação está na figura acima. 7- CONCLUSÃO Perante as análises dos dados realizados anteriormente, é notório que logo que são obtidos os valores de deformações próximo ao plano longitudinal, há uma grande discrepância dos valores teóricos com os experimentais. Visualiza-se melhor esse erro, a medida que os círculos de Mohr experimental e teórico sobrepõem-se, porém há uma grande probabilidade disso ter ocorrido devido ao mau manuseio dos equipamentos necessários para a realização desse experimento, bem como, possíveis leituras incorretas e entre tantas outras coisas que podem ocorrer. Dessa forma, à medida que são verificados os valores nos quais foram obtidos próximos ao plano circunferencial, nota-se que os erros se reduzem e com isso, podem ser aceitos. Esses erros podem ter sido reduzidos por vários fatores, como um maior cuidado na hora de colocar o extensômetro no seu devido lugar, bem como uma leitura mais precisa dos dados. Sendo assim, foi possível que se obtivesse uma aproximação das intensidades das deformações sofridas pelo cilindro de parede fina, bem como quais foram estas deformações, diante de uma dada pressão. Com isso, conhecendo as deformações angulares e lineares, torna-se possível o estudo de um plano desejável de um ponto do cilindro de parede fina. REFERÊNCIAS MEGSON, T. H. G. Aircraft Structures for Engineering Students. 4.Ed. Elsevier, 2007. 1179 p. GERE, J. M. (2003) Mecânica dos Materiais. Thomson Learning Ltda. 5. Ed., Brasil. 583p. FEODOSIEV, V.I. Resistencia de Materiales. Moscou: Editora Mir, 1980, POPOV, E.G. Introdução à Mecânica dos Sólidos. São Paulo: Editora Edgard Blucher Ltda, 1978. 534p. SCHIEL, F. Introdução à Resistência dos Materiais. São Paulo: Harpet & Row do Brasil, 1984. 395p. ANEXOS Configuração dos extensômetros ILUSTRAÇÕES Figura 1: Representação ilustrativa do cilindro 6 Figura 2: Conjunto alavanca cilindro 9 Figura 3: Extensômetros incorporados ao tubo de parede fina 9 Figura 4: Disposição dos extensômetros no tubo de parede fina 10 Figura 5: Cilindro de parede fina 10 Figura 6: Manômetro 11 Figura 7: Vista da bancada 11 Figura 8: Equipamento de medição ADS2000 Lynx. 12 Figura 9: Ilustração com ângulos dos sensores. 13 Figura 10: Representação ilustrativa no ponto 21 Figura 11: Ilustração no ponto 22