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Laura Botelho – 2024.1 1 Medicina Baseada em Evidências Professor (a): Thais Louvain Prevenção e rastreamento A nossa aula é sobre rastreamento, sobre os cálculos que a gente faz nos testes clínicos, em testes que a gente usa no dia a dia, testes para diagnóstico, para rastreamento e esses são testes que são realizados em diversos tipos de pessoas. É difícil, diante de tanta diversidade, você ter algo que tem uma cobertura de todos. É difícil por diversos aspectos, mas principalmente pela individualidade de cada um. Como que a gente consegue olhar para uma população e identificar, através de um teste, que aquele indivíduo é portador de uma doença ou não. Cada vez mais, os testes de rastreamento estão ficando mais sofisticados, estando ali para ajudar a gente a identificar quando as pessoas têm determinada doença e quando não tem determinada doença. Os testes são utilizados para gente garantir uma proteção quanto ao tempo de vida da população, o tratamento precoce e também melhor qualidade de vida para as pessoas. Um exemplo de teste de rastreamento é o teste de antígeno para covid. Útil em pessoas assintomáticas, que poderiam ter a doença, mas não estão apresentando clinicamente nada para suspeitar da doença. Quando o paciente te procura sentindo alguma coisa, você tem essa suspeita, você faz um teste diagnóstico. É um teste diferente do teste de rastreamento – eles são distintos e têm propriedades distintas. Em algumas situações, a gente tem os testes relacionados à pesquisa Ex: cidades em SP que estão testando a Coronavac (em Serrana) e a Astrazeneca (a professora não lembra o nome da cidade) – todos os pacientes que apresentarem covid após a vacinação, terão a identificação se é uma variante, enfim qual o vírus que infectou a pessoa vacinada. Eles vão fazer um acompanhamento a fim de pesquisa. A pessoa receberá o teste dela após a vacina por um teste diagnóstico, que é o rt-PCR, e a pesquisa vai apenas seqüenciar o vírus para saber se o vírus que infectou a pessoa é uma variante, se sofreu uma mutação que está escapando da resposta. É uma pesquisa, o paciente sabe que ele positivou, ele saber qual é a mutação não vai mudar a vida dele, principalmente se não tiver nada divulgado sobre essa mutação, sobre essa variante do vírus, essas questões ficam restritas a fim de pesquisa. Laura Botelho – 2024.1 2 • Variável categórica – os testes possuem as respostas SIM ou NÃO, positivo ou negativo; • Variável contínua – o PCR deveria ser um teste de variável contínua, pois não deveria informar apenas se o resultado é positivo ou negativo, mas deveriam dizer as cópias que eles identificaram em cada amostra. O resultado do RT- PCR é um número contínuo que pode chegar a 1 milhão, 2 milhões de cópias, mas esse exame acabou se limitando a uma variável categórica, informando apenas se o material genético viral está presente ou ausente. Falar apenas positivo ou negativo pode influenciar na sensibilidade e a sensibilidade do PCR nas melhores instituições que nós temos é de 90% Quando nós temos um teste, seja para rastreamento, diagnóstico, nós temos que pensar que esse teste não possui 100% de sensibilidade e não possui 100% de especificidade. Não há nenhum teste que possua 100% de sensibilidade e especificidade. Alguns testes possuem até 100% de especificidade, mas não possuem 100% de sensibilidade. Essa relação entre sensibilidade e especificidade faz a gente confiar mais ou menos no teste. Se você usar um teste de imagem, como a tomografia, para o diagnóstico de covid, você estará usando um teste como menos sensibilidade ainda para o diagnóstico, pois muitos pacientes não vão apresentar o padrão em vidro fosco e não é um teste que é específico, pois o padrão em vidro fosco também é uma apresentação em outras patologias e não apresentar o VF não significa que o paciente não tem covid. A sensibilidade é a capacidade que o teste tem em identificar pessoas que possuem a doença. E a especificidade é focada em quem não possui a doença. Isso sempre é feito comparado com o teste padrão ouro do mercado. No caso da covid, é o RT- PCR. O professor Teva está desenvolvendo na Fiocruz um teste de antígeno. Pode ser feito de forma que tenha um base custo, em regiões que você não tenha os equipamentos, que você possa fazer em 30/40min/1h. É um teste que terá 90% de sensibilidade e 99% de especificidade. Para isso, é preciso Laura Botelho – 2024.1 3 amostras de quem tem a doença, amostras de quem com certeza não tem a doença. A China usava soro de 5 anos atrás como amostra negativa. A gente faz sempre um quadro 2 x 2 para identificar das minhas amostras que eu sei que possui a doença, quantas que meu teste conseguiu identificar como positivo. Nas minhas amostras que eu sei que não possuem essa doença, quantas que eu sei que meu teste vai dar negativo e realmente vai identificar como negativo. Aí eu estou trabalhando a especificidade. Com a sensibilidade, eu olho os meus positivos e foco na identificação de quantos o meu teste conseguiu dar positivo. Na especificidade, eu olho os meus negativos e foco especificamente quantos o meu teste consegue identificar como não ter a doença. Calculando em uma amostragem hipotética com 1000 indivíduos, eu tenho um grupo com 100 pessoas que possuem determinada doença e eu tenho um grupo com 900 pessoas que tenho certeza que não possuem a doença. Se for um teste sorológico, eu posso usar soro, se for um teste de saliva, eu posso usar amostras antigas. O objetivo do teste, o que seria ideal, é ele olhar para essas 100 pessoas e identificar que em todas elas o teste dará positivo. Mas não é isso que acontece com muita freqüência. A gente tem que, de cada 100 pessoas, esse teste vai identificar que 80 possuem a doença. Então, 20 pessoas não vão ser diagnosticadas, vão ser um falso negativo – elas deram negativo, mas elas possuem a doença. Existe um outro lado também que é o lado que eu tenho 900 pessoas que possuem a doença e meu teste tem que dar negativo nessas 900 pessoas, mas meu teste não consegue: em 800 pessoas ele vai dar um teste negativo/não reagente/não detectado/abaixo do valor de corte e em 100 pessoas ele vai dar positivo, o falso positivo. Isso acontece nos testes, por isso, é muito mais interessante fazer o raciocínio de hipótese antes de solicitar os testes laboratoriais, de imagem. O ideal não é brincar com o resultado, o ideal é usar o teste laboratorial para fechar a sua hipótese diagnóstica. A gente pode calcular a sensibilidade: pegamos o total de pessoas que deram positivas no meu teste e divido pelo total de pessoas que possuem a doença. Como o meu total eram 100 e 80 pessoas deram positivo no teste, tenho 80%. Laura Botelho – 2024.1 4 Para especificidade: pego o total de pessoas que meu teste identificou como negativo (800) e divido pelo total de pessoas que realmente não tem a doença (900). 800 / 900 = 89%. Se o teste é de rastreamento e você faz em larga escala, como o papanicolau, teste da orelhinha, olhinho, que você faz nas pessoas mesmo que elas não apresentem sintomas, eles possuem muitas vezes um sensibilidade um pouco mais alta, porque ele não é um teste que te diz com certeza que você tem um câncer de colo de útero, mas ele é o que chama atenção para uma investigação e uma abordagem diagnóstica depois. Se apareceram células da lâmina basal no meu swab, eu posso desconfiar que essa mulher possa ter um câncer de colo de útero, então eu vou fazer uma investigação (imagem/biópsia), um exame que consiga determinar um estadiamento. Em um teste de HIV, com 99% de sensibilidade, 99 mulheres o teste dará positivo, apenas 1 não será detectada. O teste deu negativo, mas e se o paciente estiver escapando? O que fazer? A realidade é queescapa. Escapam tanto mulheres que recebem o diagnóstico negativo, mas podem ter HIV e em algum momento ao longo do tempo, essas mulheres irão retornar ao sistema de saúde por alguma doença oportunista, alguma comorbidade que irá chamar atenção para o HIV. Mas, também acontece de o teste dar positivo quando a mulher não tem o HIV – isso ocorre devido a um problema com a especificidade. Sensibilidade – capacidade do teste detectar uma pessoa como doente; Especificidade – capacidade do teste de identificar o indivíduo como não portador daquela doença; VPP - é o indivíduo estar doente e o teste dele realmente dar positivo; VPN – indivíduo ser saudável e o teste dar negativo. O VPP e o VPN não dependem apenas do teste. O paciente está ali, você sabe que o teste é muito sensível e muito específico, e o paciente deu positivo. Nós sempre temos que lembrar dessa prevalência prévia e esse é um dos principais problemas do nosso país, pois nós temos poucos estudos de prevalência. O HPC é um hospital de referência para gestantes com HIV, gestantes com fator de risco. Então, é diferente do que qualquer outra maternidade em Campos dos Goytacazes. Como é um hospital de referencia, a prevalência lá já é um pouco aumentada, não significa que é em todos os hospitais que você vai ter isso, é um pouco enviesado. O mesmo teste que você usa em hospital referência para determinadas condições clínicas é o mesmo teste que você usa nos hospitais de instituição privada, que tenham um outro perfil, de mulheres que têm menos prevalência dessas comorbidades, o mesmo teste é usado em ambos, mas a interpretação do resultado pode ser diferente. É claro que a gente usa Laura Botelho – 2024.1 5 os dados locais, mas quando a gente não tem, devemos lembrar se a gente tá em uma área com mais prevalência ou menos prevalência. A gente sabe que, segundo o protocolo do SUS para confirmar o diagnóstico, a gente tem que fazer mais uma sorologia ou Western Blot e, se possível, uma carga viral. Se for criança ou gestante, é obrigatório uma genotipagem. Eu posso calcular a razão de verossimilhança que é um sobre o outro. Então, ou eu calculo isso a mão (o que não é a indicação) ou eu uso algum app ou o nomograma. Se você está trabalhando em duas cidades distintas, Campos e Macaé, em que a gente que a prevalência de sífilis em Macaé é um pouquinho pior do que em Campos,e você tem um VDLR como um método de rastreio para as mulheres que você está acompanhando. A sua forma de interpretar é diferente. Lá, qualquer indício de uma positividade, você deve encarar com um pouquinho mais de certeza de que realmente é sífilis. A gente usa a prevalência para dizer o quão confiantes estamos com aquele diagnóstico. Se eu tenho um teste de 99% de sensibilidade e especificidade, na razão de probablidade sendo a sensibilidade dividida pela especificidade, ele fica como 1. Então, eu cruzo ele em 100 e a gente tem que a probabilidade de HIV em adultos naquela cidade antes era 0,1 e, quando cruza, você vê que a probabilidade dele ter HIV mudou de 0,1 para quase 5%. Pergunta: Não entendi porque você passou pelo 100? Porque a gente usa a sensibilidade e a especificidade para fazer o cálculo. A gente pega a sensibilidade que é 0,99 e divide por 1 – a especificidade, aí vai dar 100. Você faz uma bolinha no 100, faz uma bolinha na prevalência da cidade antes (0,1) e corta. Então, o paciente saiu de 0,1 para 5, subiu muito. Mas 5% ainda é muito baixo. Então se esse teste for utilizado em uma outra região, em que a prevalência chega a 0,4%. Se você estiver atendendo um grupo de trabalhadores sexuais, um grupo em que a prevalência já é um pouco aumentada. Então, a prevalência sai de 0,1 para 0,4%. A gente pode fazer o cálculo ou podemos fazer o nomograma. Laura Botelho – 2024.1 6 Você tem que a sensibilidade dividido por 1 – especificidade vai dar 99. Você cruza no 100 e você começa no 0,4. No nomograma você não tem os números certinhos, você infere e faz uma bolinha onde seria o 0,4 (um pouco acima do 0,5) e faz uma bolinha onde seria o 99/100 e faço o corte. Nesse grupo em específico de homens que fazem sexo com homens, subiu para 0,4%. Então, você tem um pouco maior a chance que deu positivo ali na hora de realmente significar que ele é portador do HIV. A confirmação, o screening total é através do Western Blot, RT-PCR, mas talvez ali naquele momento, saber que ele tem HIV a partir do teste rápido, faça toda a diferença na hora que for recomendar um antibiótico, tratamento, uma internação, um exame de imagem, enfim, na hora que for fazer a investigação. Mesma situação, só que quando o teste dá negativo, que é o VPN – valor preditivo negativo. Então, meu teste deu negativo: o quanto eu posso confiar? Depende do VPN. E o VPN também depende da probabilidade, tanto é que a probabilidade está até no cálculo. A probabilidade da região influencia no falso positivo e no falso negativo. Só que o VPN é menor sensível, ele tem a ver com a especificidade. Usando o ELISA, que é usado no Brasil, na África e outros diversos países, a gente vê a prevalência de HIV na região. No Brasil, a gente tinha algo próximo de 1 para 200 e temos as influências que são o VPP e o VPN. Laura Botelho – 2024.1 7 Na África, por exemplo, em alguns locais a gente chega a ter 1 para 50, 1 para 10 em algumas regiões. Podemos ver que o VPN muda muito pouco – a prevalência pode ser 1 para 100.000 pessoas com HIV ou pode ser 1 para 50, que ela vai de 99,89 para 100%. Ou seja, se o teste deu negativo e foi bem feito, você pode ficar muito tranqüilo. Agora, o VPP – valor preditivo positivo -, se o teste deu positivo, o quanto que eu posso encarar que aquilo ali realmente significa que a pessoa tem HIV, se for em um país que tem controle do HIV – 1 para 100.000 -, você vê um teste positivo, você praticamente ignora, pois a chance daquela pessoa ter mesmo HIV é de 0,47%, quase nada. Agora, se você está na África, você vê positivo, você tem 90% de certeza que aquele resultado realmente representa que aquele indivíduo tem HIV. Só que 90% não é 100%. A prevalência influencia no VPP e no VPN. Essa habilidade dos testes (usar um ELISA, usar um RT-PCR), tudo isso depende da acurácia dos testes em identificar corretamente quem tem a doença, quem não tem a doença, com pressão seletiva das prevalências locais. No ano passado, covid-19 tinha uma baixa prevalência no nosso estado, principalmente em Campos, o que já não podemos falar agora dessa prevalência. - Razão de verossimilança: A gente pode usar essa razão de verossimilança, que também está presente na análise dos testes que a gente usa no dia a dia, que é a probabilidade de quando seu teste dá positivo dele realmente dar positivo em pacientes que possuem a doença e você consiga aferir. RV +: A gente sabe que quanto mais alto, visto que ele pode ir ao além, mais certo eu tenho confiança de que aquele teste ali pode substituir um outro teste, pode ser utilizado para o diagnóstico dos pacientes. O cálculo da RV propõe isso: o valor mínimo que ele dá é 1 – que é o valor que é a mesma probabilidade do indivíduo ter uma doença e o resultado positivo divido pelos indivíduos sem a doença terem o resultado positivo. RV -: Já a razão de verossimilança negativo é o contrário: quanto mais próximo de 0, quanto menorzinho melhor. Mas, ele não vai ao infinito não, ele é de 0 a 1. Aí você calcula a probabilidade do resultado ser negativo em pacientes que tem a doença divido pelos pacientes que não tem a doença. - Curva ROC: Muitas vezes, a gente tem a curva de ROC, ao invés da razão de verossimilança nas bulas dos testes. O que é a curva de ROC? Eu tenho vários testes: um em verde, que não existe, é um teste perfeito; um em azul e outro em vermelho. No eixo Y, verifica-se a sensibilidade: a sensibilidade, quando está em 100%, está bem em cima (no 1,00). No eixo X, eu tenho 1- especificidade,o que significa que quando Laura Botelho – 2024.1 8 a minha especificidade está em 100%, eu tenho 1, porém é 1 – 1, logo eu terei 0. Ou seja, quando a minha especificidade está a 100%, eu tenho ela para cá (em 0, a esquerda, onde está circulado de verde). Então, o meu teste ideal quando tiver 100% de especificidade, ele teria também 100% de sensibilidade. Se eu tenho um teste que tem 100% de especificidade e 90% de sensibilidade, ele ficará o tracejado desenhado em azul torto por Thais. O teste em azul (sem ser o desenhado por Thais), nos mostra que quando eu tenho 100% de especificidade, podemos ver que ele tem em torno de 25 a 30% de sensibilidade (marcado em amarelo). Quanto mais eu aumento a sensibilidade do meu teste, quanto mais eu melhoro para conseguir detectar quem tem a doença, eu começo a perder especificidade, eu começo a ter problemas em identificar quem realmente não tem a doença, quem é saudável. Esse é o grande problema dos testes. Ex: Se eu fizer um teste sorológico, colocar uma proteína em uma fita, eu quero que grude ali o soro dos pacientes positivos, então eu vou colocar muita proteína, a gente pode ter mesmo quem não tem anticorpos contra aquela proteína, como você colocou muito, melhorou muito aquele limiar para detectar qualquer um anticorpo que seja contra aquela proteína, vai grudar ou vai ficar fluorescente, vai marcar. Agora, se o indivíduo não tem anticorpo contra aquela proteína, mas você colocou tanto ali que você pode estar favorecendo uma reação cruzada e ele mesmo sendo saudável, mesmo não tendo anticorpo, ele pode grudar o anticorpo ali e é uma pessoa saudável, mas que vai dar positivo no teste. Ás vezes, você quer aumentar muito a sensibilidade, e aí você acaba perdendo a especificidade. É uma questão que depende da prevalência do país: dependendo da região, se é muito prevalente, é interessante saber realmente quem NÃO TEM. Se o teste der negativo e você tiver uma especificidade muito alta, você tem mais confiança que o valor preditivo negativo realmente é negativo porque o paciente não tem a doença, ele é saudável. Agora, se você tem uma região que tem baixa prevalência, você já quer olhar com uma sensibilidade mais alta, principalmente se a doença precisa de uma intervenção precoce ou ela deve seguir o fluxograma de acompanhamento, se é risco de óbito, tem evolução rápida, é uma doença grave, então você quer detectar quem tem a doença, mesmo que fique tão sensível, que eu perca a especificidade. Esse jogo de sensibilidade e especificidade é um jogo farmacêutico, de estratégia, mas também é um jogo de prevalência da região. Por isso, que alguns testes são utilizados em determinadas regiões e outros não. Laura Botelho – 2024.1 9 Obs: Não temos no mercado testes 100% seníveis, mas temos testes 100% específicos, que perdem na sensibilidade. - NNT e Eficácia: O NNT (número necessário para tratar) serve para indicar quantas pessoas que usam aquele fármaco, estão tratando, ele irá beneficiar para o desfecho primário. O ideal é calcular o NNT em um contexto de intervenção farmacológica para evitar o desfecho em pacientes que já estão em risco. Não se pode usar para a vacina, pois a vacina não é um tratamento. Em quantas pessoas que você indicando aquele tratamento vão ter o benefício. O NNT nos dá uma relação de quantas pessoas você tratando com esse fármaco terão um benefício direto. Fizeram metformina em obesos (IMC acima de 30) com diabetes e a metformina aumenta a expectativa de vida em 10 anos a cada 14 pessoas que você trata. Então, 1 pessoa a cada 14, vai ter um aumento na sua expectativa de vida, não vai morrer nesses primeiros 10 anos. 1 pessoa em 14 tratados. Vale a pena tratar 14 pessoas? Vale. Não só pelo óbito que a metformina previniu nessa uma pessoa, mas também ela reduziu algumas comorbidades, como DCV, IMC, alguns comprometimentos em órgãos específicos. Agora, sabe-se que muitas pessoas irão usar a metformina por 10 anos, mas não terão sua expectativa de vida aumentada. Um ponto de vista diferente é a eficácia. Usando a eficácia de uma vacina, que é uma prevenção, nós temos a comparação da Pfizer com a Coronavac, que é uma comparação injusta por vários fatores. A eficácia da vacina é calculada levando em consideração os indivíduos vacinados que tiveram desfecho pelo total de indivíduos vacinados e indivíduos não vacinados que tiveram desfecho pelo total de indivíduos que não foram vacinados, receberam placebo. Então, o cálculo da vacina é 1- os vacinados que tiveram desfecho (v) vezes o total de pessoas que recebeu placebo (P) dividido pelo número pessoas que receberam placebo e tiveram desfecho (p) multiplicado pelo número de pessoas vacinadas (V). Alguns pesquisadores tiram o P e V e fica só 1 – número de pessoas vacinadas com desfecho dividido pelo número de pessoas que receberam placebo e tiveram desfecho. O desfecho é algo que tem diversas inferências, esse é o motivo pelo qual a vacina russa não foi aceita no Brasil, eles não tinham um controle da população testada de forma correta e aí você acabava perdendo o controle de algumas pessoas que estavam infectadas e isso poderia acabar interferindo no resultado. Dados oficiais da Coronavac e o desfecho usado era infecção por covid (não é desfecho internação), é apenas não ter a doença. No grupo placebo, foram 167 pessoas infectadas em 4599 pessoas que receberam placebo. No grupo Coronavac, foram 85 pessoas infectadas em 4653 pessoas que receberam a Coronavac. Em negrito, temos a incidência. Usando o cálculo, temos que a eficácia da coronavac é de 0,497. Laura Botelho – 2024.1 10 Em ensaio clínico de vacinas, você pode parar com 150 casos em algum dos braços, pois é um IC ok. Na Pfizer, nós tivemos 162 casos no placebo em 18325 que receberam vacina. No grupo vacinado, tiveram 8 casos de covid em 18198 vacinados. Muitos autores cortam a população dos grupos e só focam nos que tiveram desfecho. Podemos ver que é raríssimo ter covid após a vacina pfizer, por isso liberaram a obrigatoriedade da máscara em ambientes abertos. 2- Para rastreamento, podemos ter a sensibilidade um pouco mais alta para conseguirmos detectar os possíveis doentes assintomáticos. Já no diagnóstico, temos que dar prioridade para especificidade, para termos certeza que o negativo eu posso confiar. E o rastreamento geralmente é feito em larga escala e depois tem um outro exame para confirmação, o diagnóstico costuma ser um único exame. 3- Lembrar que a prevalência da doença influencia na nossa interpretação – se é muito raro no local, aquele positivo pode ser um falso positivo. 4- Existem apps que calculam, é só colocar a prevalência local. Mas, é difícil termos estudos transversais que nos digam essas prevalências. 5- Ás vezes, o VPP e o VPN já vem no lado de fora da caixa e costuma ser melhor olhá-los do que a sensibilidade e especificidade, pois o VPP e VPN já falam a probabilidade do teste realmente representar a condição clínica do paciente. 6- O NNT é usado nos tratamentos farmacológicos e quanto menor, melhor- ex: 1 a cada 4 pessoas terem benefício com o tratamento farmacológico. Nas vacinas, usamos a eficácia. Não usar eficácia para fármaco, apesar de fazermos os testes de eficácia. NNT -> fármacos / eficácia -> vacinas. Laura Botelho – 2024.1 11 ISADORA – ERROU QUESTÃO 1,4 – 8 ACERTOS ANITA – ERROU 6 - 9 ACERTOS VICTORIA – ERROU A QUESTÃO 1, 2, 4 – 7 ACERTOS