Prévia do material em texto
8.1 Introdução a Educação Inclusiva Você, com certeza, já ouviu falar muito sobre inclusão, afinal, é um assunto que vem sendo incansavelmente debatido. A Inclusão, em seu conceito puro e simples, defende que a sociedade deve ser modificada e se adaptar para incluir todas as pessoas. “Inclusão é o processo pelo qual os sistemas sociais comuns são tornados adequados para toda a diversidade humana – composta por etnia, raça, língua, nacionalidade, gênero, orientação sexual, deficiência e outros atributos - com a participação das próprias pessoas na formulação e execução dessas adequações”[1]. Uma sociedade inclusiva é capaz de atender a seus membros através da quebra de barreiras, de modo que os atributos pessoais sejam recebidos como condições normais dos cidadãos. As pessoas com deficiência, por sua vez, se preparam para assumir seus papéis na sociedade, fazendo da inclusão um processo bilateral no qual as pessoas com deficiência e a sociedade buscam, em conjunto, equacionar problemas, encontrar soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos[2]. Incluir as pessoas com deficiência significa torná-las participantes da sociedade, assegurando o respeito aos seus direitos em qualquer escala. 8.2 Educação Inclusiva Baptista (2002) afirma que “a educação inclusiva é um conceito multifacetado”. Ele explica que isso se deve às diversas explicações utilizadas para justificá-la: que é um direito; uma nova proposta de educação com qualidade; uma forma mais econômica de ofertas de atendimento especializado às pessoas com necessidades educacionais específicas; educação para todos; uma tentativa de diminuir a exclusão; nova moda pedagógica; enfim, sempre que a pergunta é feita, as respostas variam e podem ser muitas. Para o autor, o essencial para que a educação das pessoas com necessidades educacionais específicas ocorra na educação comum é que aconteçam mudanças relevantes no currículo, na avaliação e na flexibilização do ensino. São, portanto, dois elos centrais: o espaço da escola e as mudanças que ela precisa praticar para viabilizar esse espaço. Segundo Carvalho (2009, p.36), a “inclusão entendida como inserção é o nível mais elementar do acolhimento entre pessoas”. Para incluir, a escola precisa criar condições de acolher os alunos excluídos, tenham eles alguma deficiência ou não. Conforme a autora, as escolas devem educar com igualdade e equidade, ou seja, tendo os mesmos direitos e deveres de qualquer cidadão, respeitando as diferenças e as necessidades individuais, sem que condições externas prejudiquem sua aprendizagem. A Educação Inclusiva segue as premissas de equidade e igualdade. Todas as pessoas têm o direito à educação de qualidade e a escola regular deve ser para todos. A Declaração de Salamanca de 1994, da qual o Brasil é signatário, foi o documento que deu origem às discussões sobre inclusão educacional. Segundo esse documento: · toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem, · toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas, · sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades, · aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades, · escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além disso, tais escolas provêm uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema educacional. A inclusão no sistema regular de ensino para as pessoas com deficiência é um direito que está na legislação brasileira. Para se ter uma ideia, o Plano Nacional de Educação (PNE) para o período de 2014 a 2024 tem como uma de suas metas: Meta 4: universalizar, para a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtorno do espectro do autismo e altas habilidades/superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados. De acordo com Mendes (2012), além de ser um direito, a Educação inclusiva é uma resposta inteligente às demandas do mundo contemporâneo. Incentiva uma pedagogia não homogeneizadora e desenvolve competências interpessoais. A sala de aula deveria espelhar a diversidade humana, não escondê-la. Claro que isso gera novas tensões e conflitos, mas também estimula as habilidades morais para a convivência democrática. O resultado final, desfocado pela miopia de alguns, é uma Educação melhor para todos. Ainda, é importante salientar que a inclusão educacional é uma concepção que pretende beneficiar a todos e não apenas às pessoas com deficiência. A educação inclusiva propõe um sistema educacional que atenda às necessidades educacionais de todos os alunos. A própria Declaração de Salamanca traz expressamente que a inclusão não se esgota àqueles que apresentam necessidades educacionais em função de deficiência, mas se estende, também, aos alunos que, em algum momento, durante a escolarização, possam apresentar dificuldades de aprendizagem, independentemente de deficiência. Esse é outro documento importantíssimo para a discussão desse tema! A Educação Inclusiva requer alterações significativas na prática educativa e nas questões de estrutura e funcionamento, alterando paradigmas, redimensionando papéis e desenvolvendo uma pedagogia voltada ao aluno, capaz de responder as necessidades de todos os estudantes, contribuindo assim, para seu sucesso pessoal e acadêmico, incluindo também aqueles que possuem limitações graves. A escola inclusiva implica em considerar que a essência da humanidade possui diferenças sendo de suma importância para a convivência entre as pessoas e para inserção dos alunos no ambiente escolar, reconhecer as diferenças e aprender a conviver com elas, aceitando a diversidade que permite o aprendizado e a evolução no processo de ensino. Para concluir essa conversa: É importante lembrarmos que a Educação Inclusiva é um processo que está em construção em nosso país. Os documentos legais orientam no sentido de como ela deve ocorrer mas, na prática, muitas vezes, existe dificuldade em seguir o modelo que se espera. O próprio sistema educacional brasileiro, de modo geral, é bastante deficitário, fazendo com que a implementação da educação inclusiva seja, muitas vezes, um desafio. Apesar disso, os esforços das iniciativas de escolas, gestores e professores têm garantido histórias de sucesso e feito da inclusão na escola uma realidade cada vez mais presente, garantindo oportunidade de educação efetiva para todos. A escola precisa, portanto, se moldar, recriar-se para proporcionar uma educação inclusiva, desenvolvendo uma pedagogia diferenciada. As escolas, hoje, recebem alunos de realidades sociais e culturais muito diversas. Isso requer uma nova forma de pensar e organizar a educação, que reconheça a diversidade e endosse o direito à diferença. Incluir não é abandonar o aluno com necessidades educacionais específicas em meio aos demais da escola comum, sem o apoio às adaptações necessárias de que ele precisa para seu desenvolvimento. Estar incluído não significa que ele agora se tornou igual aos demais estudantes. Ele possui características singulares à sua deficiência, que devem ser respeitadas, e a inclusão deve partir desse pensamento: valorizar a diversidade. Díez (2010, p.24) afirma que a educação inclusiva “não se faz em um ano, nem em dois, mas sim é considerada como um processoinacabado, no qual continuamente é necessário ser revisado quais são as barreiras que provocam a exclusão”. O passo seguinte é apurar o que fazer para eliminar tais barreiras. O processo educativo inclusivo implica a participação de todos: professores, alunos, família, comunidade. É inegável, todavia, que o professor é figura central do processo em questão. Sem o compromisso desse personagem é praticamente impossível alavancar essa mudança. 8.3 Linha do tempo da Inclusão Explore os marcos históricos da inclusão no Brasil acessando a Linha do Tempo da Inclusão no Brasil. Movimente a linha do tempo com o mouse, com as setas ou acessando os pontos cor-de-rosa que aparecem na parte inferior da linha do tempo. Cada um dos pontos indica um marco no histórico. Para acessar explicações mais detalhadas, clique em "mais" em cada marco. 8.4 Para refletir: nem coitado, nem herói Para refletir: nem coitado, nem herói A sociedade insiste em utilizar extremos para julgar a pessoa com deficiência: ou como um indivíduo que desperta um olhar de misericórdia, um "coitadinho", ou como um herói, um exemplo de superação, uma inspiração, nunca os colocando em um patamar de naturalidade. Se a pessoa tem uma deficiência e estuda ou trabalha ou, ainda, estuda e trabalha, é um exemplo a ser seguido, é uma inspiração, algo maravilhosamente impressionante. Isso pelo fato de a sociedade ter expectativas muito pequenas para alguém com alguma deficiência. Nesse vídeo do TED Talks (video original "Eu não sou sua inspiração, muito obrigada!"), Stella Young, uma comediante e jornalista, que passa seus dias em uma cadeira de rodas, fato que, como ela gosta de deixar claro, não a transforma automaticamente em uma nobre inspiração para toda a humanidade, quebra o hábito da sociedade de transformar pessoas com deficiência em "inspiração". 8.6 Conceituando as Deficiências A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, de 2007, ratificada pelo Brasil com status de emenda constitucional em 2009 através do Decreto nº 6.949 e incorporada através da LBI - Lei Brasileira de Inclusão em 2015, é considerada um divisor de águas no contexto da deficiência. Antes da existência da Convenção, existia apenas a "definição tradicional de deficiência", estruturada com base no modelo médico, que considera apenas fatores físicos e biológicos do indivíduo. Após a Convenção, passa a ser construída a "definição biopsicossocial de deficiência", estruturada com base no modelo social, sendo assim mais abrangente, uma vez que avaliará também questões sociais e culturais do indivíduo. Antes da Convenção - Definição tradicional de deficiência Essa definição menciona que pessoas com deficiência são aquelas com limitações ou incapacidades para o desempenho de atividades cotidianas, se enquadrando nas seguintes categorias: 1. Deficiência Física - alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; 2. Deficiência Auditiva - perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz; 3. Deficiência Visual - cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais o somatório da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60º; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores; 4. Deficiência Mental (atualmente Deficiência Intelectual) - funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: comunicação; cuidado pessoal; habilidades sociais; utilização dos recursos da comunidade; saúde e segurança; habilidades acadêmicas; lazer; e trabalho; 5. Deficiência Múltipla - associação de duas ou mais deficiências; 6. Mobilidade Reduzida - aquela que, não se enquadrando no conceito de pessoa portadora de deficiência , tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, gerando redução efetiva da mobilidade, flexibilidade, coordenação motora e percepção. * Transtorno do Espectro Autista (TEA) De acordo com o Art.1º § 2o da Lei nº 12.764/2012, a pessoa com Transtorno do Espectro Autista também é considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais. Ou seja, a ela são garantidos legalmente os mesmos direitos assegurados às pessoas com deficiência. Essa mesma lei estabelece que é considerada pessoa com Transtorno do Espectro Autista aquela que apresenta síndrome clínica caracterizada na forma dos seguintes itens: I - deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação e da interação sociais, manifestada por deficiência marcada de comunicação verbal e não verbal usada para interação social; ausência de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento; II - padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos. Após a Convenção - Definição biopsicossocial de deficiência Antes de tudo, é importante salientar que a Convenção substituiu o termo "portador de deficiência" por "pessoa com deficiência". A pessoa não porta, não carrega sua deficiência, ela tem deficiência e, antes de ter a deficiência, ela é uma pessoa como qualquer outra. Pelo conceito de deficiência trazido pela Convenção, denominado biopsicossocial, a deficiência não está exclusivamente nos atributos físicos, sensoriais, intelectuais e mentais da pessoa, mas, sim, em uma conjugação desses atributos com o meio. Vejamos o conceito de deficiência trazido pela Lei Brasileira de Inclusão: "Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”. Nesse modelo, a deficiência é resultante da interação de pessoas com deficiência e as diversas barreiras existentes no ambiente que impedem sua plena e efetiva participação na sociedade com igualdade de condições e oportunidades. Assim, temos: Deficiência = Impedimentos (atributos do indivíduo) + Ambiente (barreiras da sociedade) Frente a essa transformação, qual caminho seguir? Embora o modelo social seja o mais aceito atualmente, a definição de deficiência passa por um momento de transição entre a visão médica (ainda bastante utilizada) e a visão social (ainda em construção). Essa transição ainda está ocorrendo, pois conforme estabelecido pela LBI, o Poder Executivo criará instrumentos para avaliar a condição da deficiência, segundo a concepção biopsicossocial, trazida pela Convenção. O Artigo 124 da LBI estabelece o prazo de até dois anos, contados da entrada em vigor da lei (02 de janeiro de 2016), para a criação de instrumentos para a avaliação biopsicossocial. Portanto, enquanto esses instrumentos ainda não são apresentados, ainda é comum que sejam utilizadas as definições de deficiência trazidas pelo Decreto nº 5.296, de 2004. Convidamos você a realizar uma leitura atenta desses documentos tão importantes para nortear o processo de inclusão da pessoa com deficiência: · Convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoacom Deficiência · Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência 8.7 As Deficiências A seguir, vamos conhecer um pouco sobre: · Deficiência Auditiva · Deficiência Física · Deficiência Intelectual · Deficiência Visual · Deficiência Múltipla · Surdocegueira Deficiência Auditiva Condição causada por má-formação na orelha, no conduto (cavidade que leva ao tímpano), nos ossos do ouvido ou ainda por uma lesão neurossensorial no nervo auditivo ou na cóclea (porção do ouvido responsável pelas terminações nervosas). Tem origem genética ou pode ser provocada por doenças infecciosas, como a rubéola e a meningite. Também pode ser temporária, causada por otite. Pode ser leve, moderada, severa ou profunda. Segundo o Decreto 5.296/04: · Audição normal: habilidade de detecção de sons até 25 decibéis (dB - unidade de medida de intensidade de som. Som mais fraco audível pelo ouvido humano). · DA leve: habilidade de detecção de sons entre 25 a 40 dB. · DA moderada: 45 a 70 dB. · DA severa: 75 a 90 dB. · DA profunda: Se acima de 90 dB. Deficiência Física Representa uma variedade de condições que afeta a mobilidade e a coordenação motora geral de membros ou da fala. Pode ser causada por lesões neurológicas, neuromusculares e ortopédicas, más-formações congênitas ou por condições adquiridas. Exemplos: amiotrofia espinhal (doença que causa fraqueza muscular), hidrocefalia (excesso do líquido que serve de proteção ao sistema nervoso central) e paralisia cerebral (desordem no sistema nervoso central), que exige dos professores cuidados específicos em sala de aula. Segundo o Decreto 5.296/04: Alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Ainda dentro da Deficiência Física, temos a Paralisia Cerebral que, segundo o Decreto 5.296/04: Causada por uma lesão cerebral produzida durante a gravidez, durante o parto, após o nascimento, ou antes dos cinco anos de idade, e quase sempre é o resultado da falta de oxigenação no cérebro. (Cerebral = dano no SNC; Paralisia = resultado do dano ao SNC que pode afetar os músculos e sua coordenação). Paralisia Cerebral Lesão no sistema nervoso central, causada na maioria das vezes, por falta de oxigênio no cérebro do bebê durante a gestação, ao nascer ou até dois anos após o parto. Em 75% dos casos, a paralisia vem acompanhada de um dano intelectual. Veremos mais sobre Paralisia Cerebral em um documento separado. Mobilidade Reduzida Segundo o Decreto 5.296/04: Pessoa com mobilidade reduzida: aquela que, não se enquadrando no conceito de pessoa com deficiência, tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, gerando redução efetiva da mobilidade, flexibilidade, coordenação motora e percepção. Deficiência Intelectual Segundo o Decreto 5.296/04: Apresenta um funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas, tais como: · Comunicação; · Cuidado pessoal; · Habilidades sociais; · Utilização dos recursos da comunidade; · Saúde e segurança; · Habilidades acadêmicas; · Lazer; · Trabalho. O diagnóstico do que acarreta a deficiência intelectual é muito difícil, englobando fatores genéticos e ambientais. Além disso, as causas são inúmeras e complexas, envolvendo fatores pré, peri e pós-natais. Entre elas, a mais comum é a Síndrome de Down. Síndrome de Down: alteração genética caracterizada pela presença de um terceiro cromossomo de número 21. Além do déficit cognitivo, são sintomas as dificuldades de comunicação e a hipotonia (redução do tônus muscular). Quem tem a síndrome de Down também pode sofrer com problemas na coluna, na tireoide, nos olhos e no aparelho digestivo, entre outros, e, muitas vezes, nasce com anomalias cardíacas, solucionáveis com cirurgias. Deficiência Visual Condição apresentada por quem tem baixa visão ou cegueira. A perda visual é causada em geral por duas doenças congênitas: glaucoma (pressão intraocular que causa lesões irreversíveis no nervo ótico) e catarata (opacidade no cristalino). Em alguns casos, as doenças são confundidas com uma ametropia (miopia, hipermetropia ou astigmatismo), que pode ser corrigida pelo uso de lentes, o que permite o retorno total da visão. A catarata também pode ser corrigida, mas só com cirurgia. Segundo o Decreto 5.296/04: Cegueira: acuidade visual menor ou igual a 5% no melhor olho. Baixa Visão: acuidade visual entre 5 e 30% no melhor olho. Os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60°; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores. Deficiência Múltipla É a associação de duas ou mais deficiências ou, também, uma deficiência associada a distúrbios (neurológico, emocional, linguagem e desenvolvimento global) que causam atraso no desenvolvimento educacional, vocacional, social e emocional, dificultando a sua auto-suficiência. As causas podem ser pré-natais, por má-formação congênita e por infecções virais como rubéola ou doenças sexualmente transmissíveis, que também podem causar deficiência múltipla em indivíduos adultos, se não tratadas. Exemplos de deficiência múltipla: · Surdez com deficiência intelectual leve ou severa; · Surdez com distúrbios neurológicos, de conduta e emocionais; · Surdez com deficiência física (leve ou severa); · Baixa visão com deficiência intelectual leve ou severa; · Baixa visão com distúrbios neurológicos, emocionais e de linguagem e conduta; · Baixa visão com deficiência física (leve ou severa); · Cegueira com deficiência física (leve ou severa); · Cegueira com deficiência intelectual (leve ou severa); · Cegueira com distúrbios emocionais, neurológicos, conduta e linguagem; · Deficiência física com deficiência intelectual. Surdocegueira É uma deficiência única que apresenta a perda da audição e visão de tal forma que a combinação das duas deficiências impossibilita o uso dos sentidos de distância, cria necessidades especiais de comunicação, causa extrema dificuldade na conquista de metas educacionais, vocacionais, recreativas, sociais, para acessar informações e compreender o mundo que o cerca. Tipos de Surdocegueira · Cegueira congênita e surdez adquirida; · Surdez congênita e cegueira adquirida; · Cegueira e surdez congênita; · Cegueira e surdez adquirida; · Baixa visão com surdez congênita ou adquirida. Elevados níveis de cognição e desempenho em uma área ou mais de conhecimento: Capacidade Intelectual Geral: grande rapidez no pensamento, compreensão e memória, alta capacidade de desenvolver o pensamento abstrato, muita curiosidade intelectual e um excepcional poder de observação. Aptidão Acadêmica Específica: concentração e motivação por uma ou mais disciplinas, capacidade de produção acadêmica, alta pontuação em testes e desempenho excepcional na escola. Talentos Pensamento Criativo: originalidade de pensamento, imaginação, capacidade de resolver problemas ou perceber tópicos de forma diferente e inovadora. Capacidade de Liderança: sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, capacidade de resolver situações sociais complexas, poder de persuasão e de influência no grupo. Talento Especial para Artes: alto desempenho em artes plásticas, musicais, dramáticas, literárias ou cênicas, facilidade para expressar ideias visualmente, sensibilidade ao ritmo musical. Capacidade Psicomotora: desempenho superior em esportes e atividades físicas, velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora fina e grossa. 8.8 Altas Habilidades / Superdotação Segundo a Secretaria de Educação Especial do MEC, pessoas comaltas habilidades são as que apresentam notável desempenho e elevada potencialidade em aspectos isolados ou combinados: Capacidade Intelectual Geral: alta capacidade de desenvolver o pensamento abstrato, muita curiosidade intelectual e um excepcional poder de observação. Aptidão Acadêmica Específica: concentração e motivação por uma ou mais disciplinas, alta pontuação em testes e desempenho excepcional na escola. Pensamento Criativo: destacam-se pela originalidade de pensamento, imaginação, capacidade de resolver problemas ou perceber tópicos de forma diferente e inovadora. Capacidade de Liderança: capacidade de resolver situações sociais complexas, poder de persuasão e de influência no grupo. Talento Especial para Artes: alto desempenho em artes plásticas, musicais, dramáticas, literárias ou cênicas, facilidade para expressar ideias visualmente, sensibilidade ao ritmo musical. Capacidade Psicomotora: a marca desses estudantes é o desempenho superior em esportes e atividades físicas, velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora fina e grossa. Como vimos, os superdotados podem destacar-se em uma ou mais áreas, mas será que eles são aqueles alunos quietinhos, super comportados? Será que eles aprendem tudo sozinhos e não precisam de intervenção? Vamos conhecer um pouco mais sobre suas características. Características · Muitos aprendem a ler mais cedo que as demais crianças de sua idade, apresentando uma melhor compreensão da linguagem e vocabulário mais amplo; · Geralmente aprendem habilidades básicas, melhor, mais rápido e com menor número de exercícios práticos; · Têm menor aceitação de "verdades prontas", buscando os "como" e os "porquês”; · Podem manter períodos de concentração e de atenção mais longos; · Frequentemente apresentam uma energia aparentemente interminável, que às vezes conduz a um diagnóstico errôneo de "hiperatividade"; · Eles podem preferir a companhia de crianças mais velhas e de adultos, ao invés da companhia de colegas da mesma idade; · Eficientes no que se refere a tarefas e à solução de problemas; · Exibem uma grande motivação para aprender, para descobrir ou para explorar, sendo muito persistentes; · “Prefiro eu mesmo fazer" é uma atitude comum de pessoas superdotadas. · Na escola, esses alunos apresentam certas características de aprendizagem, como: 1. Podem ler com bastante independência, mostrando preferência por livros e revistas escritos para crianças mais velhas; 2. Demonstram grande prazer na atividade intelectual; 3. Apresentam capacidades bem desenvolvidas de abstração, de conceituação e de síntese; 4. Frequentemente são céticas, críticas e avaliadoras. São rápidas na identificação de inconsistências; 5. Elas podem rapidamente perceber semelhanças, diferenças e anomalias; 6. Frequentemente abordam um material complexo, dividindo-o em seus componentes e analisando-os sistematicamente 7. As pessoas com altas habilidades podem se sobressair em apenas algumas áreas do conhecimento. Alguns possuem mais facilidade em cálculos e operações matemáticas, outros podem ter preferências por música, artes, ciências, dentre outros. Segundo a série Saberes e Práticas da Inclusão (Brasil, 2006), são encontrados os seguintes traços comuns em superdotados: · Alto grau de curiosidade; · Boa memória; · Atenção concentrada; · Persistência; · Independência e autonomia; · Interesse por áreas a tópicos diversos · Facilidade de aprendizagem; · Criatividade e imaginação; · Iniciativa e liderança; · Vocabulário avançado para sua idade cronológica; · Riqueza de expressão verbal (elaboração e fluência de ideias); · Habilidade para considerar pontos de vistas de outras pessoas; · Originalidade para resolver problemas; · Facilidade para interagir com crianças mais velhas ou com adultos; · Habilidade para perceber discrepâncias entre ideias e pontos de vistas; · Interesse por livros e outras fontes de conhecimento; · Alto nível de energia; · Preferência por situações/objetos novos; · Senso de humor. É através de observações e contribuições dos vários segmentos – família, escola e grupos sociais – que torna-se possível traçar o perfil da superdotação. Quando as características se mantêm em caráter permanente e constante, é que se evidencia, de maneira mais consistente, o potencial. O processo de identificação do aluno deve envolver uma avaliação abrangente e multidimensional, que englobe variados instrumentos e diversas fontes de informações, levando-se em conta a multiplicidade de fatores ambientais e as riquíssimas interações entre eles que devem ser consideradas como parte ativa desse processo. 8.9 Transtornos Globais do Desenvolvimento Para iniciarmos esse tópico, pense nos atributos que nos fazem humanos, ou seja, que nos caracterizam e diferenciam dos animais. E então? Nestes atributos você, provavelmente deve ter incluído: linguagem, inteligência, empatia, colocar-se no lugar do outro, planejar a vida para o futuro, rememorar o passado, entre outros. Mas, será que todas as pessoas apresentam todas essas características? Algumas têm dificuldade em perceber os sentimentos dos outros, outras são repetitivas a ponto de não conversar sobre vários assuntos. Algumas se isolam e encontram dificuldades para interagir. Há também as que se ligam mais nos objetos do que nas pessoas e as que são completamente alheias a tudo e a todos. A partir da reflexão que fizemos, vamos ao conceito de Transtornos Globais do Desenvolvimento: Pessoas que apresentam alterações qualitativas nas interações sociais recíprocas e na comunicação, que costumam manifestar-se nos primeiros cinco anos de vida. Caracterizam-se pelos padrões de comunicação estereotipados e repetitivos, assim como pelo estreitamento nos interesses e nas atividades. São distúrbios nas interações sociais recíprocas Os TGD englobam os diferentes transtornos do espectro autista, as psicoses infantis, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Kanner e a Síndrome de Rett. Algumas características · Prejuízo acentuado no contato visual direto, na expressão facial, posturas corporais e outros gestos; · Fracasso para desenvolver relacionamentos com o outro; · Atraso ou ausência total da fala; · Acentuado prejuízo na capacidade de iniciar ou manter uma conversa; · Repetição de palavras e sons; · Adoção de uma rotina ou ritual específico em seu ambiente, com extrema dificuldade e sofrimento quando tem que abrir mão da mesma; · Preocupação persistente com partes de objetos. As apresentações clínicas dos transtornos podem variar muito, tanto em relação ao perfil da sintomatologia quanto ao grau de comprometimento. Vamos conhecer um pouco sobre os tipos de Transtornos Globais do Desenvolvimento e suas especificidades? Autismo Infantil: desenvolvimento anormal ou alterado, manifestado antes da idade de três anos e apresentando uma perturbação característica do funcionamento em cada um dos três domínios seguintes: interações sociais, comunicação, comportamento focalizado e repetitivo. Além disso, o transtorno se acompanha comumente de numerosas outras manifestações inespecíficas, como: fobias, perturbações de sono ou de alimentação, crises de birra ou agressividade (auto-agressividade). Autismo Atípico: ocorre após a idade de três anos ou não responde a todos os três grupos de critérios diagnósticos do autismo infantil (interações sociais recíprocas, comunicação, comportamentos limitados, estereotipados ou repetitivos). O autismo atípico ocorre habitualmente em crianças que apresentam um retardo mental profundo ou um transtorno específico grave do desenvolvimento de linguagem do tipo receptivo. Síndrome de Asperger: transtorno caracterizado por uma alteração qualitativa das interações sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo, com um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não se acompanha de um retardo ou de uma deficiência de linguagem ou do desenvolvimento cognitivo. Síndrome de Rett: transtorno descritoaté o momento unicamente em meninas, caracterizado por um desenvolvimento inicial aparentemente normal, seguido de uma perda parcial ou completa de linguagem, da marcha e do uso das mãos, associado a um retardo do desenvolvimento craniano e ocorrendo habitualmente entre sete e 24 meses. A perda dos movimentos propositais das mãos, a torção estereotipada das mãos e a hiperventilação são características deste transtorno. O transtorno leva quase sempre a um retardo mental grave. Transtorno Desintegrativo da Infância (Psicose Infantil): caracterizado pela presença de um período de desenvolvimento completamente normal antes da ocorrência do transtorno, sendo que este período é seguido de uma perda manifesta das habilidades anteriormente adquiridas em vários domínios do desenvolvimento no período de alguns meses. Algumas características são: dificuldade de se afastar da mãe; problemas na compreensão do que vê; problemas na compreensão dos gestos e da linguagem; alterações marcantes na forma ou conteúdo do discurso, repetindo imediatamente palavras e/ou frases ouvidas (fala ecolálica). A inversão pronominal é comum, a criança refere-se a ela mesma utilizando-se da terceira pessoa do singular ou do seu nome próprio; alterações marcantes na produção da fala, com peculiaridades quanto à altura, ritmo e modulação. 8.10 TDA/H Transtorno do Déficit de Atenção / Hiperatividade – TDA/H Figura 1 - Trio de base alterada Desatenção · Não consegue prestar muita atenção em detalhes ou comete erros por descuido; · Tem dificuldade em manter a atenção no trabalho ou no lazer; · Não ouve quando abordado diretamente; · Não consegue terminar as tarefas escolares, os afazeres domésticos ou deveres de trabalho; · Tem dificuldade em organizar atividades; · Evita tarefas que exigem um esforço mental prolongado; · Perde coisas; · Distrai-se facilmente; · É esquecido. Hiperatividade · Tamborila com os dedos ou se contorce na cadeira; · Sai do lugar quando se espera que permaneça sentado; · Corre de um lugar para o outro ou escala coisas em situações em que tais atividades são inadequadas; · Tem dificuldade de brincar ou realizar atividades em silêncio; · Age como se fosse “movido a pilha”; · Fala em excesso. Impulsividade · Responde antes que a pergunta seja completada; · Tem dificuldade em esperar sua vez; · Interrompe os outros ou se intromete. Diagnóstico Pelo menos 6 dos sintomas de desatenção e/ou hiperatividade devem estar presentes. É importante considerar a duração dos sintomas e a frequência e intensidade dos mesmos, levando em consideração também o grau de prejuízo dos sintomas. Alteração da Atenção · Apresentam forte tendência à distração - estímulos do ambiente desviam a atenção; o foco de atenção é muito breve; · Apresentam períodos de profundo cansaço mental e às vezes físico, especialmente após a realização de tarefas nas quais foram obrigados a permanecer concentrados; · Parecem estar sempre no “mundo da Lua”; · Podem apresentar prejuízo acadêmico. Quando crianças são agitadas, movem-se de um lado para outro sem parar quietas. Quando adultos os sintomas são atenuados. Em adultos a hiperatividade mental ou psíquica apresenta-se de maneira mais sutil (mas não significa que seja menos penosa que a hiperatividade física). Normalmente interrompem a fala do outro, mudam de assunto antes que seu interlocutor dê uma resposta, não dormem ou dormem mal à noite porque seu cérebro fica tão agitado que não conseguem “desligar”. Parar-Pensar-e-Agir não acontece como deveria: agem por impulso, sem pensar, podendo colocar a própria pessoa em risco. Além disso, podem apresentar altas taxas de rejeição e de impopularidade frente aos colegas. Causas O TDA é causado por um mau funcionamento da neuroquímica cerebral. Estudos confirmam que há uma alteração metabólica principalmente nas regiões pré-frontal e pré-motora do cérebro. Como a região frontal é a principal reguladora do comportamento humano, falhas no funcionamento bioquímico desta região levariam às alterações encontradas no TDA (desatenção, impulsividade e inquietação). Outro aspecto é o forte componente hereditário do TDA. É comum a ocorrência de TDA em várias pessoas de uma mesma família (pais, tios, avós, irmãos). Principais consequências do TDA/H · Baixo desempenho escolar; · Dificuldades em relacionamento; · Baixa autoestima; · Interferência no desenvolvimento educacional e social; · Predisposição a distúrbios psiquiátricos. TDA/H e a Escola Os predominantemente desatentos tendem a apresentar maiores dificuldades na condução de suas vidas acadêmicas. Já os impulsivos/hiperativos tendem a ter menos dificuldades cognitivas, mas as comportamentais são bem mais evidentes. Alunos com TDA/H podem, inclusive, ser ótimos alunos em determinadas matérias, uma vez que a “paixão” por um determinado assunto ou campo de conhecimento pode colocá-los em estado de hiperfoco, fazendo com que sua atenção e concentração funcionem de maneira “turbinada”. “Muitas vezes, o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola, para acolher melhor o comportamento do aluno, podem trazer resultados satisfatórios”. (Revista Nova Escola, abril 2010.) Estratégias · Dispor alunos com TDA/H em lugares próximos ao professor; · Evitar estímulos do ambiente que possam servir de distrações (tentar não colocar alunos com TDA/H próximos a janelas, portas, ar condicionado, etc); · Encorajar atividades de monitoria, onde um colega ajuda o outro; · Manter contato visual durante instruções verbais; · Fornecer instruções claras e concisas. Ser consistente com relação a instruções diárias; · Simplificar instruções muito complexas; · Certificar-se de que as instruções foram bem compreendidas antes de iniciar a tarefa. Repetir as instruções calmamente, se necessário; · Dar apenas uma tarefa por vez. Evitar tarefas múltiplas; · Monitorar com frequência. Manter sempre uma postura de apoio e suporte; · Se necessário, dar mais tempo para a realização de uma tarefa. Alunos com TDA/H geralmente trabalham mais devagar. Não os penalize por isso; · Deixar sempre claras as regras e consequências para determinadas atitudes. No entanto, o ideal é recompensar mais do que punir, para melhorar a autoestima do aluno. Elogiar imediatamente após qualquer atitude de bom comportamento e/ou desempenho; · Encontrar maneiras de encorajar o aluno; · Trabalhar com pequenos grupos, o que facilita para um trabalho mais individualizado; · Dar preferência, sempre que possível, a estratégias de ensino participativo. · Encorajar os alunos a pedirem ajuda (a maioria dos alunos com TDA/H não irá pedir auxílio); · Utilizar recursos nas aulas. Muito alunos aprendem melhor visualmente do que por meio de exposição oral; · Indicar ao aluno o que deve ser anotado. Estimule que o aluno tome nota dos pontos mais importantes e do que está pensando. Isso irá ajudá-lo a organizar-se melhor; · Às vezes escrever à mão é desafiador para um aluno com TDA/H. Considere outras alternativas, como digitação no computador; · Eliminar ou reduzir testes cronometrados, já que reforçam a impulsividade de alunos com TDA/H. Lembre-se de que alunos com TDA/H frustram-se facilmente. Stress, pressão e cansaço os levam a perder o auto-controle e apresentar mau comportamento. Evite julgá-los, criticá-los, falar sobre medicação, etc., em frente aos colegas. Estudos mostraram que atividades que envolvem monitoria realizada por colegas aumentam o envolvimento de alunos com TDA/H de 22% para 82%, além de melhorar seu desempenho. Quando essa atividade é conduzida de maneira organizada e planejada, permite aumentar as oportunidades de todos os alunos de praticarem e desenvolverem suas habilidades. 8.11 Transtornos de Aprendizagem Compreendem uma inabilidade específica, como de leitura, escrita ou matemática, em indivíduos que apresentam resultados significativamente abaixo do esperado para seu nível de desenvolvimento, escolaridade e capacidade intelectual. É importante estabelecer uma diferenciação entre o que é uma dificuldadede aprendizagem e o que é um quadro de transtorno de aprendizagem. Muitas crianças em fase escolar apresentam certas dificuldades em realizar uma tarefa, que podem surgir por diversos motivos, como problemas na proposta pedagógica, capacitação do professor, problemas familiares, entre outros. Já nos transtornos de aprendizagem, os padrões normais de aquisição de habilidades estão perturbados desde os estágios iniciais do desenvolvimento. Vamos, agora, conhecer um pouco sobre os principais transtornos de aprendizagem: Dislexia · Omitem letras, sílabas ou palavras; · Adicionam sons ou palavras às frases; · Substituem uma letra por outra; · Invertem a ordem das palavras em uma frase. O tratamento deve ser realizado por um especialista e deve ser individual e frequente. Ao usar jogos e brinquedos empregar preferencialmente os que contenham letras e palavras. Reforçar a aprendizagem visual com o uso de letras em alto relevo, com diferentes texturas e cores. É interessante que ele percorra o contorno das letras com os dedos para que aprenda a diferenciar a forma da letra. Deve-se iniciar por leituras muito simples com livros atrativos, aumentando gradativamente conforme seu ritmo. Substituir o ensino através do método global (já que não consegue perceber o todo), por um sistema mais fonético. Não estimule a competição com colegas nem exija que ele responda no mesmo tempo que os demais. Quando a criança não estiver disposta a fazer a lição em um dia ou outro não a force. Procure outras alternativas mais atrativas para que ele se sinta estimulado. Nunca critique negativamente seus erros. Procure mostrar onde errou, porque errou e como evitá-los. Mas atenção: não exagere nas inúmeras correções, isso pode desmotivá-lo. Procure mostrar os erros mais relevantes. Peça que os pais auxiliem nas tarefas de casa, pois a criança pode esquecer o que foi pedido e/ou não conseguir ler as instruções. Disgrafia (transtorno da escrita) · Demoram muito para escrever; · Têm uma má postura; · Possuem escrita ilegível; · Seguram o lápis de maneira estranha; · Tamanhos de letra irregulares; · Dificuldades de orientação direita/esquerda; · Misturam letras maiúsculas e minúscula; · Trocam letras ao escrevem, especialmente p e b. O tratamento requer uma estimulação linguística global e um atendimento individualizado complementar a escola. Os pais e professores devem evitar repreender a criança. Reforçar o aluno de forma positiva sempre que conseguir realizar uma conquista. Na avaliação escolar dar mais ênfase à expressão oral. Evitar o uso de canetas vermelhas na correção dos cadernos e provas. Conscientizar o aluno de seu problema e ajudá-lo de forma positiva. · Difi culdade em fazer relações do tipo: grande/pequeno, mais/menos, maior/menor; · Dificuldade em classificar/agrupar objetos por cor, forma ou tamanho; · Dificuldade de apontar para um número quando lhe é solicitado; · Dificuldade em nomear os numerais; · Dificuldade em compreender os conceitos de unidade, dezena, centena, etc.; · Dificuldades para reconhecer números e sinais matemáticos; · ·Confusão entre números parecidos (6-9). Um psicopedagogo pode ajudar a elevar sua autoestima, descobrindo qual o seu processo de aprendizagem através de instrumentos que ajudarão em seu entendimento. Os jogos irão ajudar na seriação, classificação, habilidades psicomotoras, habilidades espaciais, contagem. O neurologista irá confirmar, através de exames apropriados, a dificuldade específica e encaminhar para tratamento. Um neuropsicologista também é importante para detectar as áreas do cérebro afetadas. O psicopedagogo, se procurado antes, pode solicitar os exames e avaliação neurológica ou neuropsicológica. O uso do computador pode ser de grande ajuda, por despertar o interesse da criança. Há uma variedade de softwares e jogos educativos que podem ser utilizados na área da matemática. Não force o aluno a fazer as lições quando estiver nervoso por não ter conseguido. Explique a ele suas dificuldades e diga que está ali para ajudá-lo sempre que precisar. Proponha jogos na sala. Não corrija as lições com canetas vermelhas ou lápis. Procure usar situações concretas nos problemas. Dislalia (transtorno da fala) Dificuldade na emissão da fala e na pronúncia das palavras, com trocas de sons, letras e fonemas. A partir dos 4 anos de idade, quando há suspeita de dislalia, a criança deve ser encaminhada a um fonoaudiólogo ou psicopedagogo. Cada criança terá um tratamento individualizado, mas, em geral, a terapia com o fonoaudiólogo atua sobre a falha e a dificuldade, usando, de preferência, meios lúdicos para ampliar a possibilidade de utilização dos sons. Na escola, o professor deverá repetir apenas a palavra correta, para que a criança não fixe a forma errada que acabou de pronunciar. É importante que o professor articule bem as palavras, fazendo com que as crianças percebam claramente todos os fonemas. Assim que perceber alterações na fala de um aluno, o professor deve evitar criar constrangimentos em sala de aula ou chamar a atenção para o fato. O recomendável é que não se espere muito tempo para avisar a família e procurar um fonoaudiólogo. Disortografia (transtorno da linguagem) · Desmotivação para escrever; · Separação indevida das palavras; · Dificuldade na pontuação e acentuação; · Substituição de fonemas vocálicos ou consonânticos que coincidem no ponto ou modo de articulação (j-z; p-b; t-d); · Adições de sílabas inteiras, de palavras, de fonemas (cereto em vez de certo); · Omissões de fonemas (pota em vez de porta), de sílabas inteiras (car em vez de carta), de palavras; · Inversões de grafemas em sílabas inversas (aldo em vez de lado, preto em vez de perto), de sílabas numa palavra, de palavras. Depois de uma avaliação fonoaudiológica, o profissional irá traçar um plano de tratamento para que a disortografia não se torne uma vilã na aprendizagem. O fonoaudiólogo poderá desenvolver um atendimento preventivo antes mesmo do terceiro ano. Estimular a memória visual através de quadros com letras do alfabeto, números, famílias silábicas. Não exigir que a criança escreva vinte vezes a mesma palavra, pois isso de nada irá adiantar. Não reprimir a criança e sim auxiliá-la positivamente. Possíveis causas dos transtornos · Abuso de álcool ou drogas pela gestante; · Parto longo ou difícil; · Falta de oxigênio antes, durante ou após o parto; · Má nutrição; · Incompatibilidade do fator RH; · Hemorragias internas no cérebro; · Traumatismos cranianos; · Derrames cerebrais; · Abuso físico. image1.png