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C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 1 Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos CORREIOS Agente de Correios – Carteiro NV-003OT-24-CORREIOS-AGENTE-CARTEIRO Cód.: 7908428810047 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 2 SUMÁRIO CONHECIMENTOS GERAIS ..............................................................................................1 NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA ............................................................................................... 1 LOCALIZAÇÃO ....................................................................................................................................................1 ORIENTAÇÃO: PONTOS CARDEAIS ...................................................................................................................1 LATITUDE, LONGITUDE E ALTITUDE .................................................................................................................2 COORDENADAS GEOGRÁFICAS ........................................................................................................................2 REPRESENTAÇÃO: LEITURA E CONVENÇÕES .................................................................................................2 LEGENDAS ...........................................................................................................................................................6 ESCALA ...............................................................................................................................................................6 ASPECTOS FÍSICOS DO BRASIL E MEIO AMBIENTE ........................................................................ 8 GRANDES DOMÍNIOS DE CLIMA, VEGETAÇÃO, RELEVO E HIDROGRAFIA: ECOSSISTEMAS .......................8 ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO AGRÁRIO ............................................................................................ 11 ATIVIDADES ECONÔMICAS .............................................................................................................................12 MODERNIZAÇÃO ..............................................................................................................................................15 CONFLITOS .......................................................................................................................................................16 ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO URBANO: ATIVIDADES ECONÔMICAS, EMPREGO E POBREZA ....................18 REDE URBANA ..................................................................................................................................................22 REGIÕES METROPOLITANAS ..........................................................................................................................23 DINÂMICA DA POPULAÇÃO BRASILEIRA ....................................................................................... 23 FLUXOS MIGRATÓRIOS, ÁREAS DE CRESCIMENTO E DE PERDA POPULACIONAL ....................................23 FORMAÇÃO TERRITORIAL E DIVISÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA (ORGANIZAÇÃO FEDERATIVA) ...................................................................................................................................... 31 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 1 CONHECIMENTOS GERAIS NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA LOCALIZAÇÃO A cartografia é uma técnica de produção sistemá- tica de mapas originária da região da Mesopotâmia. A primeira representação cartográfica data aproxima- damente do século 23 a.C.; essa origem está ligada à necessidade de apresentar a outras pessoas um espa- ço desconhecido. Por ser a região da Mesopotâmia a localidade onde surgiram os primeiros grupos sociais organizados em sociedades, a criação da cartografia nesse local foi uma questão de necessidade. O aprimoramento das técnicas de produção ocor- reu junto à intensificação do uso. Um mapa, além de representar um espaço, pode conter diversas infor- mações; por esse motivo, é necessário ler corretamen- te suas informações. O título (quando houver) é o ponto de partida; em seguida, deve-se ler a legenda, que se trata de um pequeno quadro normalmente disposto nas extremi- dades inferior ou superior do mapa, contendo as infor- mações que o mapa transmite; para isso, podem ser utilizados símbolos, cores, ou a combinação de ambos. Um mapa deve ser uma reprodução proporcio- nal fiel ao tamanho do espaço representado; para ser possível realizar a conversão das distâncias no mapa para o distanciamento verdadeiro no espaço físico, há a necessidade do uso da escala cartográfica, represen- tando o tamanho da redução do espaço originário em relação ao mapa. Um mapa necessariamente deve conter um pon- to de orientação — preferencialmente, uma rosa dos ventos com pontos cardeais ou minimamente o Norte geográfico. Esse último não possui relação com a parte superior do mapa, pois os pontos cardeais represen- tam direções no plano superficial do planeta, ou seja, representam direcionamentos na horizontal; logo, o posicionamento norte pode ser representado na por- ção superior, inferior, laterais e diagonais. Vale lembrar que a cartografia não é apenas uma representação de espaço com uso exclusivo da Geo- grafia; seu uso também é presente em disciplinas como história e sociologia. Órgãos governamentais também a utilizam para o desenvolvimento de polí- ticas públicas. Até mesmo você, em seu cotidiano, faz uso dos conceitos cartográficos, por exemplo, ao utili- zar a localização de um aplicativo celular ou acionar um GPS para se deslocar a um local desconhecido. São muitas as possibilidades do uso da cartografia, que auxilia as atividades cotidianas há muitos séculos; com a adição das tecnologias de georreferenciamento, a utilização se tornou mais simplificada e constante. ORIENTAÇÃO: PONTOS CARDEAIS A rosa dos ventos é utilizada para sistematizar os direcionamentos realizados, seguindo parâmetros e permitindo a padronização. A localização norte geográfica é orientada pela estrela Polar, sua referência inicial. Essa localização pode também ser chamada de Setentrional ou Boreal. O sul geográfico é a antípoda do norte, ou seja, o ponto exatamente contrário; sua referência é o Cru- zeiro do Sul. Pode também ser chamado de Meridio- nal ou Austral. O paralelo Linha do Equador, referência central, faz a separação entre os hemisférios norte e sul. O ponto Leste, também conhecido como Oriente, está localizado à direita em relação ao norte e ao sul. Sua referência astronômica é o nascer do Sol. À esquerda do norte e do sul, tem-se o ponto oes- te, também chamado de Ocidente; seu ponto de refe- rência é o pôr do Sol. Esses quatro direcionamentos compõem os pontos Cardeais, primeira face da rosa dos ventos, represen- tados pelas siglas N (norte), S (sul), L (leste) e O (oeste). Quanto mais distante for o ponto de chegada em relação ao ponto de partida, maior será o intervalo entre os pontos cardeais, pois o ângulo entre eles é de 90º. Reduzindo esse grau de distanciamento, temos os pontos Colaterais, que são representados pelos sím- bolos NE (nordeste), NO (noroeste), SO (sudoeste) e SE (sudeste). Esses pontos de orientação reduzem o inter- valo em 45º. Por último, existem os pontos Subcolaterais, criando um intervalo ainda menor, de 22, 5º. Sua denominação é a combinação do ponto cardeal mais próximo junto ao colateral mais próximo, representados pelos símbolos SSO (sul sudoeste), OSO (oeste sudoeste), SSE (Sul Sudes- te), ESE (leste sudeste), ENE (leste nordeste), NNE (norte nordeste),State of Food and Agriculture: Inno- vation in Family Farming. Roma: FAO, 2021. GUIMARÃES, A. F. Agronegócio e Modernização Agrária no Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2020. IMPULSO das Exportações: Brasil registra três tri- mestres seguidos de recordes comerciais em 2024. ApexBrasil, 2024. Disponível em: https://tinyurl. com/5bvdtknb. Acesso em: 25 out. 2025. INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA (INCRA). Relatório de Confli- tos no Campo: Brasil 2022. Brasília: INCRA, 2023. MECANIZAÇÃO Agrícola é um dos pilares para rentabilidade do produtor rural. Portal do Agro- negócio, 2021. Disponível em: https://www.portal- doagronegocio.com.br/agricultura/arroz/noticias/ mecanizacao- agricola-e-um-dos-pilares-para-ren- tabilidade-do-produtor-rural#google_vignette. Acesso em: 25 out. 2024. NARDO, L. S.; SILVA, P. L. Agricultura Sustentável e Produção de Alimentos. São Paulo: Edusp, 2020. NOVA solução nutricional natural da ICC auxi- lia produção em sistemas de pecuária intensiva. Revista Mais Leite, 2024. 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Nesse período, começava a articulação entre o modo de produção capitalista (alteração das relações servis por um sistema assalariado). A chegada dos colonizadores europeus na Améri- ca provocou uma desorganização e uma desestrutu- ração do espaço nativo aqui existente e a instalação de um processo de colonização de exploração, com total submissão política e econômica aos interesses da O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 19 metrópole. Esse processo é conhecido como mercantilismo e foi oficializado através do Pacto Colonial, em que a colônia só podia estabelecer relações comerciais com sua respectiva metrópole. Sendo assim, esta mercantilização da produção provocou a criação de espaços geográficos distintos, separados por uma hierarquia colonial, estabelecida pelo pacto citado anteriormente. Até os anos 30 do século XX, a economia brasileira foi predominantemente agroexportadora, com base na relação escravista de trabalho, que perdurou até 1888, quando houve a assinatura da Lei Áurea, que aboliu ofi- cialmente a escravidão no país. O Brasil Colônia tinha como principal função servir como um complemento da economia da metrópole euro- peia. Aqui houve uma ocupação do litoral em maior escala em detrimento da ocupação das porções interiores do território no início da colonização, fato este que proporcionou desigualdades regionais que ainda podem ser observadas até os dias atuais. O sistema de plantation (latifúndios com a prática da monocultura de gêneros tropicais) pautava a macroe- conomia nacional. Dessa forma, o Brasil constitui-se em um espaço geográfico periférico dentro do sistema de acúmulos de capitais e riquezas nessa fase do capitalismo mercantilista. A economia colonial baseava-se no trabalho compulsório, no início com a mão de obra indígena e depois com o escravo africano. No contexto internacional da época a economia estava integrada ao processo de expansão do capitalismo mercantil e era caracterizada por ciclos produtivos. O primeiro ciclo econômico colonial foi o pau-brasil, presente na região da Mata Atlântica. A seiva era usada no processo de tingimento de tecidos e a madeira era utilizada na produção de móveis. Este modelo de exploração durou até por volta de 1555, quando começa a ocorrer uma escassez de matéria-prima e a elevação do custo, fato que diminuiu o interesse dos colonizadores por este tipo de comércio. A partir de 1530, um novo ciclo econômico tem início, sendo ligado à produção açucareira, com grande des- taque nos séculos XVI e XVII, na região conhecida como Zona da Mata nordestina, onde há a presença do solo tipo massapé (muito ricos em nutrientes). A cana-de-açúcar era um produto extremamente importante nessa época e sua produção era voltada exclusivamente para o mercado europeu. Nesse período, devido à demanda de crescimento populacional, tem início uma diversificação da produção para atender à demanda de consumo do mercado interno (porém nada que substituísse totalmente os grandes produtos da economia brasileira). Nestes espaços secundários que aqui se formaram podemos destacar a produ- ção de tabaco, algodão e cacau, em especial nas regiões do Recôncavo Baiano, Sertão Nordestino e sul da Bahia. A estrutura produtiva era moldada de acordo com as necessidades. Nas grandes propriedades existia um com- plexo de produção constituído por engenho, casa grande, senzala, áreas destinadas para a pecuária. Enquanto isso, nas pequenas e médias propriedades, o modelo dominante era a subsistência, que visava atender aos inte- resses de pequenos grupos que habitavam as imediações das macroestruturas produtivas. A sociedade era patriarcal e escravagista, sendo que o senhor de engenho tinha grande influência na vida política e na economia. A concorrência da cana-de-açúcar produzida nas Antilhas contribuiu para a decadência deste ciclo econômico. A região da Zona da Mata entra em processo de marginalização dentro da estrutura econômica brasileira, princi- palmente após a transferência da força produtiva para a região Sudeste. O mapa a seguir mostra os principais ciclos econômicos desenvolvidos no período colonial, com um maior destaque para as atividades realizadas durante o século XVIII. É importante destacar atividades que foram desenvolvidas de forma paralela, porém simultânea, como, por exemplo, a pecuária, com papel extremamente importante no processo de interiorização do nosso país. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 20 A ECONOMIA NO SÉCULO XVIII Cana-de-açúcar Pecuária Mineração Drogas do SertãoAlgodão Vias de transporte interno Fonte: Google Imagens. A partir do século XVIII, a mineração desenvolve-se como principal ciclo econômico. Foram descobertas reser- vas de ouro de aluvião, e esta atividade contribuiu para impulsionar o processo de ocupação da porção centro-sul do país, formaram-se vilas, que passaram posteriormente ao status de cidades, ocorrendo assim a transferência de pessoas, serviços e capitais para as áreas mineradoras. A região Sudeste começa a desempenhar um papel extremamente importante tanto para o atendimento das demandas de mercado externo como para estruturar o mercado interno. O desenvolvimento provocado pelo ciclo do ouro traz também um surto de urbanização que facilitava o aumento das práticas comerciais e o processo de interiorização do país, estes fatores foram determinantes para a transferência da capital do país para o Rio de Janeiro, provocando assim uma reorganização espacial do país neste período. Os primeiros sinais de decadência na produção aurífera foram surgindo e consequentemente os capitais eram destinados para outras atividades econômicas, como por exemplo a produção de algodão – que teve um aumento da demanda no mercado externo, principalmente após a ocorrência da Revolução Industrial na Inglaterra. No século XIX, o país estava com um governo centralizador vinculado aos interesses aristocráticos e escrava- gistas que divergia um pouco das ideias liberais que emergiam em diversas localidades do mundo. Os países centrais que já haviam passado por processos de industrialização exigiam das nações periféricas maiores quantidades de matérias-primas, além de mercados consumidores, fatores estes que provocaram uma mudança nas relações trabalhistas, pautadas no trabalho assalariado, porém com a resistência muito forte das elites em colocar um ponto final no processo de escravidão. Neste período histórico, o produto que impulsionou a economia brasileira foi o café, e isso contribuiu para o fortalecimento da aristocracia no sudeste do país (região que concentrava a produção deste gênero agrícola). Ocorreram investimentos pesados no setor e toda a produção era destinada à exportação. Os espaços econômicos continuaram elitistas e as desigualdades e injustiças sociais continuaram permeando a sociedade brasileira. Um dos grandes problemas sociais da época era a concentração fundiária (a Lei de Terras de 1850 contribuiu para o aumento significativo da concentração de terras aqui no Brasil). A necessidade de investir na infraestrutura para atender a demanda de produção de café era cada vez mais intensa, foram realizados investimentos elevados no transporte ferroviário, por exemplo, que era a principal for- ma de ligação das áreas produtoras de café com os principais portos da época. O café chegou a representar cerca de 65% das exportações brasileiras. Com o capital proveniente das exportações de café, começaram a ocorrer investimentos gradativos no setor industrial, com destaque para a figura do Barão de Mauá, defensor de uma política industrial no nosso país. Essa nova atividade industrial concentrava-se no Sudeste, região que já contava com uma infraestrutura que atendia as demandas iniciais desse processo de industrialização. Medidas políticas e econômicas (substituição do trabalho escravo pelo assalariado, investimentos em infraes- trutura de transportes e comunicações, incentivos ao crescimento do mercado consumidor interno) foram impor- tantes para o desenvolvimento ocorrido no período. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 21 Além do café outros produtos foram desenvolvidos em espaços do território de formas diferentes, como por exemplo a borracha na região da Amazônia. Tudo isso foi determinante para que o Brasil se encontrasse fragmen- tado até por volta de 1930, sendo estes espaços isolados e/ou fragmentados, classificados como ilhas ou arquipéla- gos econômicos que se encontravam totalmente ou parcialmente isolados entre si. Café Mate Cacau Fumo Algodão Ouro e Diamantes Cana de açucar Pecuária Ferrovia Cidades e vilas Drogas do sertão e borracha Limite dos Estados atuais Brasil: a economia e o território no século XIX Fonte: Théry; Mello (2005). A partir de 1929, em especial com a quebra da Bolsa de Nova York, ocorreram profundas alterações nas rela- ções econômicas globais. No Brasil essa crise internacional foi sentida no modelo agrário exportador, em especial no espaço cafeeiro. A política do café com leite (Minas Gerais e São Paulo revezavam-se na presidência da Repú- blica) foi interrompida com a chegada de Getúlio Vargas no poder, que promoveu mudanças políticas importantes no país. Vargas incentivou a industrialização, tendo em vista que o país necessitava de produtos e estava sem con- dições de importar — a demanda de produção industrial nacional era insuficiente para atender à demanda de consumo interno. Dessa maneira o espaço econômico brasileiro, que era fortemente ligado ao agrário rural, foi gradativamente transferido para o urbano industrial, com destaque para o eixo São Paulo–Rio de Janeiro, que já contava com uma infraestrutura que favorecia essa mudança, além de contar com mercado consumidor em crescente expansão e capitais disponíveis, provenientes da produção cafeeira. Nesse momento, a crise agrária e o pulsante desenvolvimento industrial provocaram um acelerado êxodo rural, principalmente para e região centro-sul, que futuramente passou a sofrer com a hipertrofia urbana. Tome nota dos seguintes conceitos: ÊXODO RURAL HIPERTROFIA URBANA Processo no qual ocorre a migração dos habitantes das áreas rurais para os centros urbanos, por diversos moti- vos: desemprego no campo, busca por melhores condi- ções de vida etc. Processo no qual ocorre o desenvolvimento desorde- nado e de forma rápida de regiões que passaram pelo processo de urbanização em um curto espaço de tempo, provocando assim um inchaço populacional das cidades e falta de estrutura que atenda às necessidades da po- pulação da cidade em questão O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 22 O Presidente Vargas investiu na infraestrutura de transportes e de comunicações, com o objetivo de pro- mover uma integração do território brasileiro, além de seu projeto ser nacionalista com forte intervenção estatal e de criação de indústrias de base, fortalecendo assim o mercado nacional. Porém, com os investimen- tos e infraestrutura concentrados no Sudeste, houve um aumento das disparidades econômicas regionais no país. A partir do governo do presidente JK, ocorre a internacionalização da economia brasileira. Com a abertura para as multinacionais (em especial as empresas automobilísticas), é colocado em prática o Plano de Metas: crescer 50 anos em 5, baseado no seguinte tripé econômico: capital privado nacional, capital estatal e capital privado internacional. O país investiu nas indústrias de bens de consumo, passando a partir desse momento a ter um parque industrial mais solidificado e um pouco mais diver- sificado, porém com a permanência das desigual- dades regionais existentes desde outros momentos históricos. O presidente JK, visando diminuir as desigual- dades regionais, criou organismos responsáveis por alavancar o crescimento de cada uma das regiões do país, como, por exemplo, a SUDENE (Superintendên- cia de Desenvolvimento do Nordeste). Nos governos militares foram criadas superin- tendências para outras regiões também (SUDECO, SUDAM, SUDESUL), com o intuito de promover uma desindustrialização ou descentralização industrial para amenizare diminuir as desigualdades entre as regiões. Um exemplo desta política de desenvolvimen- to foi a implantação de um projeto industrial no meio da floresta Amazônica, o polo industrial da Zona Fran- ca de Manaus. Assim, várias cidades e capitais do “interior” foram ganhando papéis de destaque dentro do processo de hierarquia urbana com seu processo de crescimento econômico. Por exemplo: as cidades de Rio Verde, em Goiás, e Araguaína, no Tocantins, que cresceram em função da lavoura de soja e ganharam novos papéis de destaque, porém não sendo suficientes para redu- zir e/ou acabar as disparidades regionais existentes. Um outro fator importante na tentativa de inte- grar o país e diminuir as desigualdades existentes foi o processo de expansão da fronteira agrícola para a região Centro-Oeste e para a porção sul da Amazônia, assim como a expansão da fronteira pecuária tam- bém, dentro de um contexto do processo de globaliza- ção da agricultura. Um setor que também passou por um processo de desenvolvimento intenso, principalmente na região Amazônica, foi o setor de extração de reservas mine- rais, com destaque para a extração de minério de fer- ro no Estado do Pará (Serra dos Carajás). Nos anos 80 e 90, o processo de desconcentração industrial em nível nacional continuou ocorrendo, com grandes deslocamentos para as regiões Nordes- te e Centro-Oeste. Isso ocorreu dentro de uma política estatal conhecida como Guerra Fiscal ou Guerra dos Lugares, forma encontrada pelos governos de Estados e Municípios para atrair complexos industriais para seus territórios, baseados em políticas de subsídios (isenção fiscal como o principal), proporcionando assim um maior processo de interiorização industrial e fomentando o crescimento de cidades de pequeno e médio porte. É importante salientar o processo de disparidades regionais existentes em nosso país, o que acaba inter- ferindo em um maior desenvolvimento das variadas localidades. Como consequências destas desigualda- des regionais temos a questão estrutural (na maioria dos casos, precária), a falta de mão de obra para aten- der à demanda do mercado de trabalho, e os gargalos estruturais (a falta de infraestrutura) que impedem o maior desenvolvimento destas regiões e que acabam se acentuando ainda mais com o passar dos anos. REDE URBANA O processo de interligação entre as cidades possi- bilita a formação de uma rede urbana. Neste processo, cada cidade vai se especializando em atividades, cons- tituindo assim certa hierarquia entre os municípios. Podemos citar o caso da cidade de Santos, onde está localizado o Porto, que possui uma função espe- cífica na rede urbana no Estado de São Paulo. Dessa forma, ocorre uma interação entre as atividades rea- lizadas no interior do Estado e a cidade de Santos, em decorrência da dinâmica do seu porto. Existem, assim, cidades com outras funções centrais, como podemos citar logo abaixo: z Função religiosa: Juazeiro do Norte (CE), Apare- cida (SP); z Função histórica e cultural: Ouro Preto (MG), Goiás (GO), Paraty (RJ); z Função turística: Campos do Jordão (SP), Porto Seguro (BA), Bonito (MS); z Função industrial: Contagem (MG), Cubatão (SP), Volta Redonda (RJ), Camaçari (BA), Complexo Industrial e Portuário de Suape (PE). De acordo com o nível de importância histórica, algumas cidades podem exercer várias funções den- tro de uma rede urbana, como é o caso da cidade de São Paulo. Com o passar do tempo, as cidades podem desenvolver outras funções dentro da rede urbana, aumentando assim os seus contatos com um número cada vez maior de lugares. Dessa forma, as cidades assumem o papel de dar dinâmica aos fluxos nos territórios, assumindo papéis para comandar as políticas comerciais regionais, nacionais e, em alguns casos, internacionais. O acúmulo de funções por uma determinada cida- de permite que esta possua um maior poder territo- rial, e essas funções são determinadas pela presença de grandes empresas, bancos nacionais e internacio- nais, e também servirá para atrair populações das mais diversas localidades em busca de melhores con- dições de vida. As cidades, quando crescem, não permitem só o surgimento e o crescimento de redes urbanas, mas também contribuem para o surgimento de redes ter- ritoriais (transportes, telecomunicações, eletricidade). Isso ocorre devido ao fato de que quanto maior for o crescimento de uma cidade, maior será a dinâmica de produção e distribuição de alimentos, assim como o deslocamento de cargas, mercadorias e pessoas por várias regiões do território. A densidade e o tamanho das redes urbanas, assim como os nós difusores dos fluxos de informa- ções, mercadorias, bens, serviços e capitais, fazem da rede urbana um fator importante na organização do território. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 23 Do final do século XIX até por volta da década de 1970, as cidades eram classificadas através de um sistema de pirâmide. Ocorria entre as cidades um processo de dependência da cidade A com as cidades vizinhas e, posterior- mente, para se relacionar com a cidade mais importante nessa hierarquia. Cada cidade ocupava um papel dentro dessa hierarquia, e para ocorrer uma mudança no papel e na importân- cia de cada cidade, deveriam passar por um processo com vários degraus e etapas, mudando assim a classificação das cidades de acordo com a sua importância na rede urbana. Subir esses degraus e passar por várias etapas significava ascender na hierarquia urbana. Com o desenvolvimento dos sistemas de transportes e telecomunicações, ocorreram alterações e surgiu uma nova hierarquia urbana. O desenvolvimento das redes permitiu a integração de localidades mais distantes aos grandes centros, através do deslocamento dos fluxos globais de informação, mercadorias e capital de forma cada vez mais intensa. REGIÕES METROPOLITANAS No ano de 2000, de acordo com dados do IBGE, existiam na rede urbana brasileira 9 metrópoles: duas pos- suíam alcance nacional (São Paulo e Rio de Janeiro — sendo que São Paulo já era considerada como uma cidade global) e sete metrópoles regionais (Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém). Era uma característica associar o termo “metrópole” ao processo de conurbação e de uma cidade central com população superior a 1 milhão de habitantes ou mais, que polarizavam as demais cidades de seus entornos. Atualmente, o IBGE considera a existência de 15 metrópoles brasileiras. Foram agregadas ao grupo anterior Manaus, Brasília, Goiânia, Vitória, Florianópolis e Campinas (a única cidade que não é capital considerada como metrópole nacional). Vale destacar que as três últimas cidades foram inseridas no seleto grupo de metrópoles nacionais em junho de 2020. A reclassificação do termo “metrópole nacional” vem ocorrendo desde o ano 2000. O IBGE, juntamente com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), desenvolveu novos critérios e, de acordo com os estudos reali- zados, as regiões metropolitanas sofreram alterações, que são as áreas conurbadas nas grandes metrópoles. Esse estudo considerava a existência de 23 regiões metropolitanas, hoje já são 36 regiões. Os aspectos levados em consideração são os seguintes: z o nível de atração de investimentos e migração; z a dinâmica econômica; z a capacidade de atrair setores de tecnologia de ponta. Nas regiões metropolitanas mais populosas concentram-se cerca de 37,26% da população do país. Vale ressaltar que, de acordo com esses novos critérios, nem toda RM (Região Metropolitana) tem especifica- mente uma metrópole. DINÂMICA DA POPULAÇÃO BRASILEIRA FLUXOS MIGRATÓRIOS, ÁREAS DE CRESCIMENTO E DE PERDA POPULACIONAL O Brasil é o sétimo país mais populoso do mundo, com uma populaçãoestimada em 215.534.196 habitantes, sepa- rados em 5.570 municípios, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022). De acordo com o Banco Mundial, a população cresceu 0,70% em relação a 2020. Ainda com relação ao ano de 2021, o estado de São Paulo seguia na liderança como estado mais populoso, com mais de 47 milhões de habitantes. Do Brasil, quase 85% viviam nas cidades e pouco menos de 16% viviam no campo. Esse contingente populacional sobre uma área de 8.510.345km² resultou em uma densidade demográfica de aproximadamente 25,3 habitantes por km². A heterogeneidade da população brasileira é um marco em sua história, pois os indivíduos se distribuem de forma irregular pelo território nacional desde o período colonial. Ainda hoje, a maior concentração populacional dá-se na porção oriental do país, em uma faixa cuja extensão aproximada é de 200 quilômetros entre o litoral e o interior. No mapa abaixo, podemos ver como está distribuída a população pelo território brasileiro. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 24 Lembre-se: as razões para a maior concentração populacional nas porções centro-sul e litorânea do país devem-se, sobretudo, aos ciclos econômicos realizados ao longo da nossa história. O Brasil possui uma ocupação territorial diversificada, demonstrando, assim, a grande heterogeneidade estatístico- -demográfica de sua população. A título de exemplo, possuímos unidades da federação densamente povoadas, tais como Brasília (444 hab./km²), distante do litoral, ou Rio de Janeiro (365 hab./km²), área litorânea. Além disso, possuímos, tam- bém, áreas com reduzidas densidades demográficas, tais como Roraima ou Amazonas, ambas em torno de 2 hab./km². A concentração populacional na vertente (termo frequentemente utilizado na geografia como sinônimo de “lado”, “flanco”) resultante do processo histórico de ocupação, dá-se da faixa litorânea para o interior do país de forma gradual: nas áreas litorâneas das regiões Sudeste, Nordeste e Sul, ocorrem elevadas taxas de densidade demográfica, sendo que algumas chegam a ultrapassar a marca de 10 mil hab./km². Em contrapartida, as taxas mais baixas estão nos estados da região amazônica (norte do país) e na região Centro-Oeste. Atenção: a cidade de Brasília é uma exceção, pois seu processo de construção deu-se em um momento específico da história do país, fruto de políticas criadas pelo Governo Federal para ocupar diversas áreas do território nacional. Importante! A tabela a seguir foi criada com base na última coleta de dados mais abrangente, em 2020, sobre nosso país e sobre as regiões administrativas. Os dados encontram-se desatualizados ante os que foram trazidos no início do conteúdo, contudo, auxiliará na resolução de questões preparatórias para o concurso. BRASIL/ REGIÃO POPULAÇÃO TO- TAL (ABSOLUTA) EM MILHÕES DENSIDADE (HAB. / KM²) POPULAÇÃO UR- BANA (%) POPULAÇÃO RU- RAL (%) Brasil 211.755.692 23,8 84,4 15,6 Sudeste 89.012.240 87 92,9 7,1 Nordeste 57.374.243 36,06 73,1 26,9 Sul 30.192.315 42,5 84,9 15,1 Norte 18.672.591 4,12 73,5 26,5 Centro-Oeste 16.504.303 8,7 88,8 11,2 Fonte: IBGE, Anuário da população Brasileira, Julho, 2020. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 25 Apesar de serem menos populosas, as regiões Norte e Centro-Oeste apresentam um constante aumento da representatividade populacional brasileira, enquanto as demais regiões apresentam uma leve tendência de declí- nio (este fato ocorre por conta da saturação das regiões que polarizavam as atividades econômicas associada ao processo de desenvolvimento das regiões Centro-Oeste e Norte). Vale destacar que: z o termo populoso, também conhecido como população absoluta, refere-se à quantidade total de pessoas em um país, estado, município, isto é, ao número total de habitantes de uma região; z o termo povoado refere-se à forma como a população se distribui pelo território. Esse conceito também pode ser explicado a partir dos termos população relativa ou densidade demográfica (número de habitantes por km² em uma determinada área). Características Gerais da População Brasileira. Para compreendermos melhor a questão demográfica brasileira, é importante tomarmos conhecimento dos dados divulgados recentemente pelo IBGE, pois estes traçam um panorama geral de nossa população. Portanto, segundo o IBGE (2020), a expectativa de vida do brasileiro é de 76,6 anos: z a expectativa de vida dos homens é de 73,1 anos; z a expectativa de vida das mulheres de 80,1. Esses indicadores vêm aumentando desde a década de 40, período no qual a expectativa de vida do brasileiro era de 45,5 anos1. No que diz respeito à situação dos recém-nascidos, este fenômeno se repete. A mortalidade infantil (quando a criança vem a óbito antes de completar 1 ano de vida para cada grupo de mil nascimentos), é maior entre os meninos: z entre os nascidos do sexo masculino, no ano de 2018, cerca de 13,8 não chegaram ao primeiro ano de vida; z entre as meninas, por sua vez, o número foi de 11,8 mortes a cada mil nascimentos2. Esse padrão também se repete ao longo da vida: quando as mulheres completam 20 anos de idade, elas têm cerca de 4,5 mais chances de chegar aos 25 anos que um homem da mesma idade3. Essa diferença, de acordo com o IBGE, se explica pela alta taxa de homicídios, suicídios, acidentes de trânsito e outras mortes não naturais entre os indivíduos do sexo masculino. Ainda segundo o mesmo Instituto, as causas de mortes masculinas, a partir dos anos 80, começaram a ter um papel significativo na sociedade brasileira. Isso pode ser explicado pelo aumento populacional, agravamento da desigualdade social, aumento da criminalidade etc. A mortalidade infantil, entretanto, também é um fator que tem consequência direta nas questões demográfi- cas. Essas taxas apresentaram queda ao longo dos anos: z em 2019, esse número era de 14,4 contra 14,9, em 2017, e 15,5, em 2015. Observação: entre os números registrados em 2020, cerca de 85% representam crianças que morreram com menos de 1 ano. No ano passado, foram registradas 14 mortes a cada grupo de mil nascimentos, contra 17,2, em 2010, de acordo com o IBGE. No Brasil, a redução total de mortalidade infantil e morte na infância deu-se da seguinte maneira: nos últimos 19 anos, os índices registraram queda de 56,11% nas mortes de recém-nascidos e 59,8% nas de crianças de até cinco anos — dados do relatório da Unicef em 2020. Com relação à expectativa de vida, o estado de Santa Catarina tem os maiores índices: 79,9 anos (3,3 anos acima da média nacional). O estado do Maranhão, por sua vez, apresenta a pior expectativa de vida, registrando 71,4, seguido do Piauí, com 71,6, e Rondônia, com 71,9. Isso significa que, para cada criança nascida no Maranhão, estima-se que ela viva em média 8,5 anos a menos do que uma criança nascida em Santa Catarina4. Ademais, sabe-se que todos os estados da região Nordeste têm dados abaixo da média nacional, ao contrário do que ocorre em todos os estados das regiões Sul e Sudeste, que registram expectativa de vida para populações acima da média nacional. O envelhecimento da população nacional e, consequentemente, o aumento da expectativa de vida, pode ser explicado com o fenômeno da transição demográfica, responsável por registrar um aumento da expectativa de vida e uma queda nas taxas de natalidade. O gráfico abaixo representa o aumento da expectativa de vida do brasileiro desde os anos 40: 1 Sem considerar pandemia, IBGE calcula a expectativa de vida do brasileiro em 76,8 anosem 2020. G1, 2021. Disponível em: https://g1.globo. com/saude/noticia/2021/11/25/expectativa-de-vida-do-brasileiro-ao-nascer-foi-de-768-anos-em-2020-diz-ibge.ghtml. Acesso em: 17. out. 2022. 2 dados do IBGE (G1, 2018). 3 Expectativa de vida do brasileiro ao nascer é de 76,3 anos em 2018, diz IBGE. G1, 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/bemestar/noti- cia/2019/11/28/expectativa-de-vida-do-brasileiro-ao-nascer-foi-de-763-anos-em-2018-diz-ibge.ghtml. Acesso em: 17. out. 2022. 4 Menor do país, expectativa de vida do maranhense é de 71,4 anos. G1, 2020. Disponível em: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noti- cia/2020/11/26/menor-do-pais-expectativa-de-vida-do-maranhense-e-de-714-anos.ghtml. Acesso em: 17. out. 2022. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 26 . Por outro lado, para se chegar a um nível de comparação entre saúde, renda e educação da população, utiliza- mos o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Este indicador foi criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em 1990, e é calculado a partir da análise em conjunto da renda per capita, nível de escolaridade e expectativa de vida, segundo os padrões da ONU. O IDH é calculado de 0 (zero) a 1 (um), em que zero significaria nenhuma condição para o desenvolvimento humano, e um significaria condições totalmente adequadas para o desenvolvimento humano. Ou seja, quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento do país, estado ou município (conforme podemos observar na Tabela 1). Desse modo, a partir dos dados mais recentes disponibilizados pelo governo, na íntegra, chegamos à tabela abaixo. PAÍS/REGIÃO IDH (0,000 – 1,000) QUALIDADE DO INDICADOR Brasil 0,754 Alto Região Sul 0,830 Muito Alto Região Sudeste 0,795 Alto Região Centro-Oeste 0,789 Alto Região Norte 0,683 Médio Região Nordeste 0,659 Médio Como podemos ver, o Brasil tem um IDH considerado alto para a média mundial (estamos em 84º de 191 países pesquisados pela ONU). Ao mesmo tempo, conseguimos observar que as macrorregiões brasileiras distinguem entre si a respeito desse indicador, tendo o Sul um IDH considerado muito alto, as regiões Sudeste e Centro-Oeste, um indicador alto, e as regiões Norte e Nordeste, indicadores abaixo das outras três, porém, mesmo assim, figu- rando com IDHs médios. Grosso modo, isso quer dizer que, perante essa forma de avaliação proposta pela ONU, através da renda, saúde e educação, as duas últimas regiões apresentam uma qualidade de vida menor do que as outras. Ao mesmo tempo, é válido lembrarmos que esses valores estão em uma crescente desde a redemocratização, principalmente a partir do início do século XXI. O país apresentava, até 1990, indicadores configurando entre baixo e muito baixo (Figura 1). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 27 EVOLUÇÃO DO IDH DO BRASIL 1991 2010 MUITO BAIXO BAIXO 0-0,499 0,500-0,599 0,600-0,6990,700-0,799 0,800-1,00 MÉDIO ALTO MUITO ALTO 2000 2018 1991 a 2018 Figura 1 — Comparativo dos IDHs dos estados brasileiros entre 1990 e 2018 (fonte: Geopizza — Twitter) Assim, fica notória a melhoria na qualidade de vida da população. Ao mesmo tempo, mesmo com a melhoria, é importante que esses índices, assim como a qualidade de vida real da população, continuem melhorando. Por isso é de extrema importância que informações, pesquisas e coletas de dados sejam não só incentivadas pelo governo, mas levadas a sério como mecanismos de análise e avaliação das condições de vida da população, rumo a políticas públicas mais coerentes e melhores. Movimentos Migratórios no Brasil O deslocamento populacional interno (também conhecido como migração), ocorre, em nosso país, desde o período colonial. Porém, estes movimentos se intensificaram a partir do século XX, em especial após a 1ª Guerra Mundial (1914 — 1918). Na história do Brasil, a economia foi caracterizada pelos ciclos ou fases, isto é, períodos nos quais um determi- nado produto surgia e consolidava-se como o mais importante. Historicamente, há registro dos seguintes ciclos econômicos: z ciclo da cana-de-açúcar (séculos XVI e XVII); z ciclo da mineração ou do ouro (século XVIII); z ciclo da borracha (entre 1870 e 1910); z ciclo do café (final do século XIX e início do século XX). Cada ciclo, no qual um produto ficava em evidência, dependia das condições do mercado externo (visto que os produtos eram voltados para exportação). Além disso, a produção necessitava de uma grande quantidade de mão de obra, fato este que, dentre outros, foi responsável pela ocorrência de grandes deslocamentos populacionais de diversas regiões do país para as áreas produtoras. Após a assinatura da Lei Áurea, que, teoricamente, colocou um ponto final na O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 28 escravatura, os fluxos e os deslocamentos populacionais aumentaram (o ex-escravo podia deslocar-se livremente pelo território, fato que, antes, não era possível). Entretanto, o maior volume de migrações inter-regionais se deu a partir da segunda metade do século XX. Dentre estas, as mais perceptíveis foram realizadas por nordestinos para os grandes centros econômicos da Região Sudeste. Essas migrações tiveram início ainda no século XIX, ocorreram em maior quantidade durante o século XX e persistem até os dias atuais, mesmo que em um ritmo menos acelerado. Veremos os motivos que contribuem para esse fenômeno mais adiante. Esses movimentos migratórios deram-se, em especial, por conta do crescimento e desenvolvimento econômico alcançado pela Região Sudeste — a princípio com a lavoura de café, depois com os surtos industriais. Todavia, também contribuíram para com o deslocamento de nordestinos em massa para o sudeste alguns fatores repulsivos (que expul- sam ou forçam a população a sair de uma determinada região), tais como: z o declínio que a economia do Nordeste vinha sofrendo há várias décadas; z fatores naturais, tais como a falta de chuvas e, consequentemente, a ocorrência de secas. Ademais, no fim dos anos 50, a construção de Brasília serviu como um estímulo para a população nordestina migrar para a porção central do país (havia uma demanda de mão de obra elevada). Este fator fez com que, nos anos 60, a região Centro-Oeste fosse palco de uma das maiores correntes migratórias da nossa história. No sul do país, por sua vez, o processo de modernização da agricultura (provocado pela mecanização do campo, utilização de máquinas no processo de produção agrícola, e a Revolução Verde), num espaço de concentração fundiária (onde as terras pertencem a uma pessoa ou a um grupo econômico), impulsionaram o deslocamento de pessoas para a região central do país. Os fatores que contribuíram para a expansão da fronteira agrícola do Sudeste para o Centro-Oeste e, logo depois, para a região da Amazônia foram: z a construção de uma malha rodoviária que promoveu a integração das regiões do país; z o desenvolvimento de técnicas de correção dos solos do Cerrado; z a assistência realizada pelos engenheiros agrônomos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); z os financiamentos por parte dos governos estaduais e federal. A inserção das regiões Norte e Centro-Oeste no processo produtivo do país fazia parte de um conjunto de ações governamentais que tinham, como objetivo principal, promover a ocupação do interior do país e buscar a reduçãodas desigualdades existentes entre as regiões. Como proposta para auxiliar nesse processo, foram criados órgãos de planejamento e desenvolvimento regionais, especificamente para as regiões mais estagnadas do país. São exemplos: z a SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia); e z a SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Além disso, a construção de grandes rodovias, como a Belém-Brasília, a Transamazônica e a Cuiabá-Santarém, associada à criação de projetos agropecuários e voltados à extração de recursos minerais, como, por exemplo, o Projeto Carajás (no Pará), foram algumas das medidas adotadas para inserir a região Amazônica no contexto de desenvolvimento nacional. Alguns fatores, tais como a instabilidade política e econômica, principalmente nos anos 80, foram responsá- veis por uma mudança de comportamento nos processos migratórios inter-regionais do país. Dentre estes, sabe-se que a crise econômica proporcionou a desconcentração produtiva, isto é, o deslocamento de indústrias e suas estruturas para o interior do país, por diversos motivos, tais como: z busca de medidas para deslocar-se através da política de incentivos fiscais (redução de impostos) concedidos pelos governos municipais e estaduais; z uso de mão de obra barata, encontrada na porção interior do país. Porém, nas últimas décadas, foi possível perceber uma redução do deslocamento de nordestinos para São Paulo. Na década de 1980, pela primeira vez na história, o município registrou um saldo migratório negativo: a diferença entre o número de pessoas que saíram e o número de pessoas que chegaram, entre 1980 e 1991, foi em torno de 750 mil. A maioria das pessoas que deixaram a metrópole do Sudeste foram para cidades do interior do próprio esta- do, como Ribeirão Preto e Campinas. Além disso, muitas realizaram o fenômeno que, no estudo da demografia, ficou conhecido como migração de retorno (volta para as cidades de origem). Entre 1999 e 2004, cerca de 714 mil nordestinos deixaram o Sudeste e retornaram para a sua região natal (isso se deve ao fato de um maior desenvol- vimento estar ocorrendo no Nordeste brasileiro). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 29 Onde Estão os Imigrantes? Observe o mapa a seguir: Saldos Migratórios, por Unidade da Federação 2005 — 2010 Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Espírito Santo continente africano). Dessa forma, as terras localizadas a oeste dessa linha pertenceriam à Espanha e as terras localizadas a leste pertenceriam a Portugal. Porém, o avanço das atividades conhecidas como Entradas, assim como também o avanço das Bandeiras, foram eventos importantes para a ocupação do interior do território por conta das atividades econômicas que vinham se desenvolvendo e pelo fluxo de pessoas que se deslocavam para essas áreas ocupadas por Portugal. Esses eventos provocaram o processo conhecido como interiorização, e assim os portugueses violaram os termos presentes no acordo, facilitando por exemplo a construção de vilas, que no futuro serviriam para o deslo- camento da fronteira das terras portuguesas para a direção oeste. Veja, na tabela a seguir, informações sobre as Entradas e as Bandeiras: ENTRADAS BANDEIRAS Expedições organizadas pela Coroa Portuguesa, que antecederam as Bandeiras e possuíam os objetivos de explorar o território, auxiliar no mapeamento do território brasileiro, estabelecer novas áreas de currais para a criação de gado e novas terras para a prática da agricultura. Posteriormente, essas atividades passaram a ter objetivos variados, como, por exemplo: conquistar territórios ocupados por indígenas, capturar indígenas para o trabalho em lavouras, na mineração, a captura de escravos refugiados, dentre outros As Bandeiras foram expedições realizadas entre os séculos XVI e XVII, financiadas por particulares, com os objetivos de também realizar o processo de ocupação do interior do país e capturar escravos que haviam fugido. Ainda, o principal objetivo era buscar áreas que possuíam reservas de ouro, tendo em vista que as primeiras expedições com esse objetivo foram realizadas logo após a descoberta das primeiras minas de ouro em MG. Posteriormente, os bandeirantes foram ocupando territórios no interior do país, para buscar novas reservas desse mineral No mapa abaixo, pode-se observar os limites territoriais definidos através da assinatura do Tratado de Tordesilhas. Espanha LI N H A DE T O RD ES IL H AS Portugal LINHA DIVISÓRIA SEGUNDO O TRATADO DE TORDESILHAS Fonte: Google Imagens. z Tratado de Madrid (1750) Visando definir novas fronteiras, portugueses e espanhóis realizaram um novo acordo. Entraria em vigor, nesse acordo, o princípio do uti possidetis (a posse da terra era garantida para aquele que a ocupasse), critério adotado para estabelecer novos limites territoriais. Nesse novo acordo, os portugueses acabaram garantindo a posse das terras ocupadas além da linha de Torde- silhas. Ocorreu também a troca dos territórios de Sacramento pelos territórios de Sete Povos das Missões (territó- rios localizados na região Sul do país), conforme pode ser observado no mapa a seguir: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 33 Cuiabá Assunção Sete Povos das Missões Buenos Aires Rio de Janeiro Laguna Porto Alegre Montevidéu Colônia de Sacramento Fonte: Google Imagens. z Tratado de Petrópolis (1903) Durante o século XIX, ocorreram várias mudanças políticas em âmbito nacional, em especial a partir de 1822, quando o Brasil se torna independente de Portugal. Após esse evento houve a consolidação do Império, período em que ocorreu uma forte centralização política, evitando assim a fragmentação do território nacional. No fim do século XIX, um importante ciclo econômico desenvolveu-se na região Amazônica (o Ciclo da Bor- racha), que motivou a migração de milhares de pessoas para a região, indivíduos que vislumbravam através da exploração do látex uma forma de fazer fortuna e ter uma vida melhor. Ao navegar pela margem direita do Rio Amazonas, diversos grupos de seringueiros chegaram ao território boliviano e ocuparam a região. O processo de ocupação foi conflituoso e após diversos entraves, o governo bra- sileiro, na figura do Barão de Rio Branco, negociou a compra das terras que hoje correspondem ao território do Estado do Acre. Foi decidido o pagamento de uma indenização de dois milhões de libras esterlinas, e a construção de uma saí- da para o Oceano Atlântico — a Ferrovia Madeira-Mamoré —, pois o país vizinho (Bolívia) havia perdido para os chilenos sua única saída para o mar. A nova faixa pertencente ao território brasileiro encontrava-se — e ainda está assim — distante dos principais centros econômicos e políticos do país. Logo após a assinatura do acordo entre brasileiros e bolivianos, a região passou a ser considerada um território federal, subordinado à administração localizada no Rio de Janeiro. No ano de 1962, o presidente João Goulart homologou a lei que colocava o território do Acre na condição de Estado da federação, passando assim a possuir administração própria e seus respectivos poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo). PERU POVOAÇÕES BATALHAS FRONTEIRA FIXADA COM O PERU EM 1909 TERRITÓRIO CEDIDO À BOLÍVIA PERU Km Guaporé RONDÔNIAMamoré MadeiraAcre Purus Purus Gregório Ipixuna Cruzeiro do Sul Juruá ACRE laco Tarauacá Chandless Sena Madureira Porto Acre RIO BRANCO Xapuri Santa Rosa Abunã Beni (Seringa da Empresa) AMAZONAS Guajará Mirim 0 130 BOLÍVIA PORTO RICO QUESTÃO DO ACRE STA. ROSAUcayale Fonte: Google Imagens. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 34 DIVISÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA BRASILEIRA A divisão político-administrativa da República Federativa do Brasil se dá pela divisão entre União, estados, Distrito Federal e municípios, nos termos estabelecidos na Constituição Federal, de 1988. A União, inicialmente, configura-se como o ente federativo que representa o governo nacional, ou seja, o nível mais amplo da Federação, responsável por coor- denar, legislar e executar políticas de interesse geral e nacional. Por sua vez, a competência da União está sobre as áreas estratégicas que demandam uniformidade em todo o território nacional, como defesa, política externa, sistema monetário e diretrizes econômicas gerais. Dessa maneira, atualmente, o Brasil tem 27 uni- dades federativas, constituídas como 26 estados e um Distrito Federal, onde se localiza a capital do país, Bra- sília. Ainda nesse sentido, as mencionadas unidades federativas estão organizadas em municípios que, por sua vez, em alguns casos específicos, podem ser sub- divididos em menores unidades, que são os distritos. Atenção! Cumpre advertir as diferenças entre o Distrito Federal e os distritos municipais. Distrito Federal trata-se de uma unidade autôno- ma, assim como os estados, mas sem municípios. Essa unidade federativa abriga Brasília e tem governo pró- prio, o qual acumula as funções estaduais e munici- pais. Porém, vale destacar que os Poderes Executivo e Legislativo do Distrito Federal não se compõem da mesma forma que nos outros estados: quem exerce- rá dados poderes nesta localidade é o governador e a Câmara Legislativa. A autonomia legislativa é dada por meio de uma lei orgânica em vez de uma Consti- tuição Estatal. Por outro lado, os distritos municipais são subdivisões administrativas dentro dos municípios. Não têm autonomia ou governo próprio, de modo que dependem totalmente da prefeitura e das decisões da câmara de vereadores do município. Sua função é facilitar a administração local; no entanto, todas as leis e decisões emanam da sede do município. Diante desse esclarecimento, é preciso retomar a divisão político-administrativa que se refere aos esta- dos, que são chefiados por um governador e têm uma capital, onde estão localizadas as sedes de cada gover- no. Além disso, organizam-see regem-se pelas consti- tuições e leis que eventualmente adotem, observando sempre os princípios estabelecidos na Constituição Federal. Por fim, a sede do governo estadual é chama- da de capital, e cada estado tem a sua. Os municípios, por sua vez, constituem as unida- des autônomas de menor hierarquia dentro da orga- nização político-administrativa do Brasil. A criação, incorporação, fusão ou desmembramento serão reali- zados somente por meio de lei estadual, verificando-se a continuidade territorial, a unidade histórico-cultu- ral do ambiente urbano e os requisitos previstos em lei complementar estadual. Essas transformações dependem de consulta em determinados referendos ou plebiscitos. Portanto, o Brasil é uma República federativa, com uma forma de governo republicana e descentra- lizada em um sistema federativo. Ou seja, o país é divi- dido em entes federativos — União, estados, Distrito Federal e municípios —, cada um com certa autono- mia administrativa e política, estabelecida pela Cons- tituição, como mencionado anteriormente. Na prática, essa organização federativa permite que cada estado, Distrito Federal e municípios tenham competência para legislar em assuntos locais, desde que respeitem as observâncias constitucionais. A república, para o seu entendimento completo, implica que o Brasil adota a escolha de governantes por meio de decisões periódicas, com o chefe do Executivo (pre- sidente da República) sendo eleito diretamente pelo povo, para mandatos com prazo determinado. HORA DE PRATICAR! 1. (IBFC – 2023) De acordo com os resultados do Censo Demográfico de 2022, há 23,8 pessoas por quilômetro quadrado no país. Com o aumento da população entre 2010 e 2022, atingindo o total de 203,1 milhões de pessoas, a________do país passou de 22,43 para 23,8 habitantes por quilômetro quadrado (km²) no mesmo período. (adaptado de IBGE, 2023). Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna. a) Concentração urbana b) Taxa de natalidade c) Taxa de fecundidade d) Densidade demográfica e) Crescimento vegetativo 2. (IBFC – 2023) No Brasil, p por séculos a população rural foi maior que a urbana. Com a industrialização e as condições precárias de vida no campo, as pessoas saíram do campo em direção às cidades em busca de emprego nas fábricas. Esse fenômeno migratório é denominado: a) Êxodo rural b) Revolução Verde c) Migração pendular d) Mecanização agrícola e) Migração sazonal 3. (IBFC – 2017) O estudo da evolução histórica da indús- tria no Brasil permite compreender o desenvolvimento do setor, seus agentes e os interesses em disputa. Analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta: I. O período de 1930 a 1956 é caracterizado pela estraté- gia governamental de implantação de indústrias esta- tais nos setores de bens de produção e infraestrutura. II. O Plano de Metas, promovido por Juscelino Kubits- chek, privilegiou o transporte rodoviário e acentuou a concentração do parque industrial na região Sudeste, agravando os contrastes regionais. III. A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) foi criada durante o regime militar em 1970, período conhecido por “milagre econômico”. Estão corretas as afirmativas: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 35 a) I, apenas b) I e II, apenas c) I e III, apenas d) II e III, apenas e) I, II e III 4. (IBFC – 2017) Assinale a alternativa que completa cor- reta e respectivamente as lacunas. O sistema de transporte ferroviário é indicado para localidades de _______ extensão territorial, apresenta ___________ custos em sua manutenção e ___________ custos em sua estruturação. Transporta pessoas, mer- cadorias e cargas pesadas, com um consumo energéti- co relativamente ___________. Oferece ___________risco de acidente e emissão de poluentes. a) Grande – baixos – altos – grande – baixo b) Pequena – altos – altos – grande – alto c) Grande – baixos – altos – pequeno – baixo d) Grande – baixos – altos – pequeno – alto e) Pequena – altos – baixos – grande – baixo 5. (IBFC – 2017) O Brasil adota o horário de verão em diversas regiões do país com o objetivo de economi- zar energia. Assinale a alternativa na qual está contida a principal razão para que não haja abrangência nacional desse instituto: a) A maior duração da luminosidade natural durante o verão nos estados brasileiros mais distantes da linha do equador b) A concentração de pólos consumidores de energia nas regiões Sudeste e Sul c) O pleno atendimento da rede de energia elétrica nas regiões Norte e Nordeste d) A vocação regional para o turismo, que não se benefi- cia do instituto e) A existência de quatro fusos horários distintos no país, e a complexidade em coordená-los 6. (IBFC – 2021) “As desigualdades econômicas e a difi- culdade de determinadas regiões em se inserirem na economia nacional, possibilitou a ocorrência de uma urbanização diferenciada em cada uma das regiões brasileiras” (EDUCAÇÃO, 2020). Em relação à situação de domicílio da população nas diferentes regiões brasileiras, segundo dados do Censo Demográfico de 2010, assinale a alternativa correta. a) Mais de 90% da região Sudeste vivia nas áreas urbanas b) Mais de 80% da região Norte vivia nas áreas urbanas c) Menos de 15% da região Nordeste vivia nas áreas rurais d) Menos de 5% da região Sul vivia nas áreas rurais 7. (IBFC – 2023) O crescimento de regiões metropolita- nas é um fato marcante da urbanização brasileira. (SCARLATO, 2011) Assinale a alternativa que não corresponde a Regiões Metropolitanas (RM) localizadas nas regiões Norte ou Nordeste do Brasil. a) RM de Belém b) RM de Manaus c) RM do Recife d) RM de Salvador e) RM de Goiânia 8. (IBFC – 2021) Leia o trecho de duas reportagens que tratam sobre o desmatamento na Amazônia. “Em janeiro de 2020, o Boletim de Desmatamento da Amazônia Legal (SAD) detectou 188 quilômetros qua- drados de desmatamento na Amazônia Legal, um aumento de 74% em relação a janeiro de 2019, quando o desmatamento somou 108 quilômetros quadrados. Em janeiro de 2020, o desmatamento ocorreu no Pará (28%), Mato Grosso (26%), Rondônia (15%), Amazonas (13%), Roraima (13%), Acre (4%) e Amapá (1%). As flo- restas degradadas na Amazônia Legal somaram 163 quilômetros quadrados em janeiro de 2020, enquanto que em janeiro de 2019 a degradação florestal detec- tada totalizou apenas 11 quilômetros quadrados. Em janeiro de 2020 a degradação foi detectada no Mato Grosso (78%), Pará (15%), Rondônia (2%), Roraima (2%), Acre (1%), Amazonas (1%) e Tocantins (1%). Em janei- ro de 2020, a maioria (66%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. O restante do desmatamento foi registrado em Assen- tamentos (21%) Terras Indígenas (11%) e Unidades de Conservação (2%).” Fonte: Fonseca et al. (2020) “O IBAMA aplicou um terço a menos de multas a infra- tores ambientais em 2019 do que no mesmo período do ano passado, segundo dados do próprio órgão. A queda no número de autuações coincide com um aumento dos registros de desmatamento e de incên- dios florestais em 2019. Considerando todos os tipos de infração ambienta em todo o país, o IBAMA dimi- nuiu em 29,4% as autuações até esta sexta-feira (23), quando comparado com o mesmo período de 2018.” Fonte: BBC (2019) Sobre os textos acima, considerando o tema da expan- são das fronteiras agropecuárias e o desmatamento na Amazônia, assinale a alternativa incorreta. a) O desmatamento da Amazônia ocorre principalmente para a produção de gado e soja, situação que pode no longo prazo afetar a dinâmica climática na região caso não seja controlado b) A região é marcada por fortes disputas territoriais, envolvendo posseiros, produtores rurais latifundiá- rios e minifundiários,movimentos sociais campesi- nos e indígenas entre outros grupos. Isto, somado a articulação desta região ao mercado internacional via exportação, promove aumento da pressão por desma- tamento para busca de novas áreas, visto a demanda crescente por soja e carne c) O aumento do desmatamento em áreas de preserva- ção, provavelmente tem relação com o discurso e a fiscalização mais branda do poder público em relação a este tipo de ação irregular d) Esta situação pode levar a problemas para certifica- ção, consolidação e abertura de novos mercados para os produtos agropecuários nacionais e) Na região da Amazônia Legal, predominam em área e quantidade as propriedades de minifúndios, que são os principais responsáveis pelo desmatamento O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 36 9. (IBFC – 2019) “De 1877 até 1911, houve um aumen- to considerável na produção da borracha que, devido às primitivas técnicas de extração empregada, estava associado ao aumento do emprego de mão-de-obra. A borracha chegou a representar 25% da exportação do Brasil”. (Portal São Francisco, 2019 Quanto ao produto do extrativismo vegetal que se rela- ciona ao texto, assinale a alternativa correta. a) Pau-brasil b) Carvão vegetal c) Látex d) Pinhão 10. (IBFC – 2021) Segundo a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (BRASIL, 1988). No que se refere às informações contidas no capítulo XV do Meio Ambien- te, Art. 225 da Constituição Federal de 1988, analise as afirmativas abaixo: I. O Poder Público deve promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino, assim como a conscien- tização pública para a preservação do meio ambiente. II. Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competen- te, na forma da lei. III. As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físi- cas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas. IV. Não é função do Poder Público preservar a diversida- de e a integridade do patrimônio genético do País Assinale a alternativa correta: a) As afirmativas I, II, III e IV são corretas b) Apenas as afirmativas I, II e III são corretas c) Apenas as afirmativas I, II e IV são corretas d) Apenas as afirmativas III e IV são corretas 11. (IBFC – 2019) No período colonial, o território que hoje corresponde ao Acre pertencia à Bolívia, e o Peru também se considerava pertencente a uma pequena parcela dessa área. Após assinaturas de alguns acor- dos referentes à legitimidade desse território, o Brasil adquiriu a região do Acre, em 1903, através da assina- tura do Tratado de ___________. (Mundo Educação, 2019 Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna. a) Petrópolis b) Versalhes c) Rio Branco d) Tordesilhas 12. (IBFC – 2023) O Brasil é uma República Federativa organizada política e administrativamente em estados, municípios e distritos. Para administrar o país, existe uma divisão hierárquica em governos: _. Os 26 esta- dos brasileiros, além do Distrito Federal, compõem a República Federativa do Brasil. (adaptado de IBGE Educa, 2023). Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna. a) nacional, estatal e municipal b) federal, municipal e estadual c) federação, estadual e municipal d) federal, estadual e municipal e) republicano, municipal e estadual 13. (IBFC – 2023) “[...] é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem com- prometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro” (WWF, 2022). Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o conceito descrito no texto. a) Desenvolvimento sustentável b) Reserva Legal c) Terra Indígena d) Unidade de Conservação e) Reabilitação ambiental 14. (IBFC – 2023) “Mais carbono na atmosfera, na forma de Dióxido de Carbono - CO2 e também de metano (outro gás de efeito estufa), eleva a temperatura do planeta e intensifica o cenário das mudanças climá- ticas. Desde meados do século XIX, a concentração de Dióxido de Carbono na atmosfera terrestre aumen- tou quase 50% e a temperatura média do planeta ele- vou-se em 1,1 grau Celsius (ºC)” (REVISTA PESQUISA FAPESP, 2022). Entre as afirmativas abaixo, assinale a alternativa que apresenta aquelas que podem contribuir para a redu- ção de gases do efeito estufa. I. Reduzir o uso de combustíveis fósseis, como o etanol. II. Ampliar o uso de energia solar, eólica e derivada da queima do carvão. III. Reduzir o desmatamento e a degradação das florestas. IV. Diminuir o consumo excessivo de carne. Podem contribuir para a redução de gases do efeito estufa: a) Apenas I e II b) Apenas II, III e IV c) Apenas I, III e IV d) Apenas III e IV e) Apenas II e IV 15. (IBFC – 2019) “As Unidades de Conservação (UCs) são legalmente instituídas pelo Poder Público, nas suas três esferas (municipal, estadual e federal). Elas são reguladas pela Leinº 9.985, de 2000 [...]. Estão divididas em dois grupos: as de proteção integral e as de uso sustentável” (WWF BRASIL, 2019). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 37 Considere a seguir as afirmativasrelacionadas à Lei nº 9.985 de 2000, que regulamenta as UCs no Brasil, atri- buindo valores Verdadeiro (V) ou Falso (F). ( ) A Lei é intitulada Síntese Nacional das Unidades de Conservação no Brasil (SNUC). ( ) Um dos objetivos da Lei é proteger as espécies amea- çadas de extinção no âmbito regional e nacional. ( ) A categoria Parque Nacional pertence ao grupo das Unidades de Proteção Integral. ( ) A categoria Área de Proteção Ambiental pertence ao grupo das Unidades de Uso Sustentável. Assinale a alternativa que apresenta a sequência cor- reta de cima para baixo. a) V, F, F, F b) V, V, F, F c) F, F, V, V d) F, V, V, V 16. (IBFC – 2018) Em termos de atividades sísmicas o Bra- sil é considerado um país estável, não por não haver ati- vidades desta natureza, mas principalmente pela baixa magnitude destes eventos. Assinale a alternativa que explique os motivos dessa condição corretamente: a) A estrutura litológica da crosta brasileira é composta de modo a absorver as ondas sísmicas b) O Brasil está localizado em uma zona de placas conservativas c) O Brasil está localizado em uma zona de placas convergentes d) O Brasil está localizado em meio a uma zona de placas divergentes 17. (IBFC – 2019) Considere a seguir as afirmativas rela- cionadas aos tipos de clima do território brasileiro, atribuindo valores Verdadeiro (V) ou Falso (F): ( ) O domínio equatorial está relacionado com a porção central do território brasileiro e os índices pluviométri- cos podem variar entre 1000 e 3500 milímetros/ano. ( ) O domínio tropical é marcado por uma alternância entre a estação seca e a estação chuvosa. ( ) O domínio semiárido é caracterizado por chuvas escassas, que ocorrem regularmente ao longo do ano. ( ) O domínio subtropical apresenta médias térmicas aci- ma de 24ºC, temperaturas anuais acima de 2500 milí- metros e ausência de estação seca. Assinale a alternativa que apresenta a sequência cor- reta de cima para baixo. a) F, V, V, F b) F, V, F, F c) V, V, V, F d) V, F, F, V 18. (IBFC – 2023) O mapa abaixomostra a localização de uma Bacia Hidrográfica do Brasil. Fonte: Agência Nacional de Águas, 2023. Assinale a alternativa que indica corretamente a Bacia Hidrográfica destacada no mapa. a) Rio Amazonas b) Rio Tocantins c) Rio Paraná d) Rio São Francisco e) Rio Paraguai 19. (IBFC – 2022) É um hotspot de biodiversidade. Segun- do bioma brasileiro em extensão, ocupando a porção central do território. Hoje, extensas áreas de vegetação natural foram convertidas em áreas agrícolas, em espe- cial a soja. As estações chuvosa e seca são bem mar- cadas, e as precipitações anuais estão acima de 1000 mm (milímetros) (adaptado de CONTI; FURLAN, 2011). Assinale a alternativa relacionada ao bioma citado no texto, de forma correta. a) Chaparral b) Pampa c) Mata Atlântica d) Cerrado 20. (IBFC – 2023) Em análises geográficas, são comumente utilizadas terminologias comuns à estatística (FERREI- RA, 2014). Em relação a essas terminologias e suas apli- cações em Geografia, assinale a alternativa incorreta. a) População total: o tamanho da população, isto é, o número total de elementos. Exemplo: uma determina- da região R b) Elemento: é a menor unidade do qual é formado o todo. Exemplo: um município localizado na região R c) Amostra: conjunto de elementos extraídos da popu- lação total. Exemplo: um conjunto de dez municípios extraídos da região R d) Variável: característica ou atributo descritor de um ele- mento da população total. Exemplo: renda per capita de um município localizado na região R e) Histograma de frequência: mapa que permite avaliar o padrão, a dispersão e a densidade de elementos. Exem- plo: densidade de elementos dispersos na região R 9 GABARITO 1 D 2 A 3 B 4 C O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 38 5 A 6 A 7 E 8 E 9 C 10 B 11 A 12 D 13 A 14 D 15 D 16 D 17 B 18 D 19 D 20 E ANOTAÇÕES O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.NNO (norte noroeste), ONO (oeste noroeste). Observe a rosa dos ventos a seguir. NNO ONO OSO SO SSO SSE SE ESE E ENE O NO NNE NE Fonte: InfoEnem (2019). SISTEMA DE LINHAS IMAGINÁRIAS Para conseguirmos nos organizar e localizar na super- fície, foi desenvolvido um sistema de linhas imaginárias para facilitar nossos pontos de referência e localização. As linhas verticais são os Meridianos, sendo o de Greenwich considerado o Meridiano central e divi- sor dos hemisférios Oriental (leste) e Ocidental (oeste). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 2 Observe a figura a seguir: Antimeridiano de Greenwich G re en w ic h Longitude Leste Longitude Oeste 180º 0º Fonte: Branco. Os Meridianos a Leste possuem graus positivos; já os a Oeste possuem graus negativos. Em 0º, tem-se o Meridiano de Greenwich e, em 180º ou -180º, os opos- tos (Leste e Oeste, respectivamente). Além dos Meridianos, existem os Paralelos, que são as linhas horizontais. O Paralelo do Equador é o central e divisor dos hemisférios Norte e Sul. Observe a imagem a seguir: 0º Latitude Norte Latitude Sul Equador Fonte: Amante; Carlos. LATITUDE, LONGITUDE E ALTITUDE Baseado na distância entre os paralelos e meri- dianos, há outra denominação para se referir ao dis- tanciamento em graus. As latitudes são os graus de distanciamento entre os paralelos; já as longitudes são os graus de distanciamento entre os meridianos. O cruzamento entre uma Latitude e uma Longitu- de fornece o dado da coordenada geográfica. O clima de um lugar é determinado pelos elementos e fatores climáticos, os quais agem diretamente sobre o clima, tais como: a temperatura, a chuva (e outros tipos de precipitação), a umidade do ar, os ventos e a pressão atmosférica. Esses elementos sofrem alterações devido à ação dos fatores climáticos, dentre os quais podemos destacar a latitude, a altitude, as correntes marítimas, a continentalidade, vegetação e o relevo. z Altitude: a temperatura também varia na razão inversa da altitude. Assim, quanto maior a altitu- de, menor a temperatura do ar atmosférico; COORDENADAS GEOGRÁFICAS As coordenadas geográficas permitem identificar a localização exata de um local. É esse sistema de Georreferenciamento que o GPS (global position system) utiliza, a partir da trian- gulação de dados dos satélites, cruzando a localização latitudinal combinada à localização longitudinal. O sistema GPS é propriedade do governo dos Esta- dos Unidos da América; seu uso é aberto, mas, em caso de necessidade ou em um eventual conflito, esse servi- ço pode ser suprimido. Por isso, existe um sistema de propriedade do governo russo que realiza a mesma tarefa que o GPS, chamado GLONASS. Essas funciona- lidades estão no nosso dia a dia; já que o uso dos celu- lares é nosso principal meio de utilização de dados georreferenciados como o GPS ou GLONASS. Veja o mapa a seguir, apresentando as coordena- das geográficas: Fonte: Barreto. Combinando os dados da latitude com longitude é obtida a localização. a figura a seguir também traz coordenadas geográficas, mas, nesse caso, sua repre- sentação gráfica está indicando a localização de algu- mas capitais. CAPITAL LATITUDE LONGITUDE Brasília 15º46’48’’ S 47º55’45’’ O Washington 38º54’15’’ N 77º01’02’’ O Tóquio 35º41’22’’ N 139º1’31’’ L Londres 51º30’26’’ N 00º07’39’’ O Nova Deli 28º36’36’’ N 77º13’48’’ L Fonte: Rossetto (2024). REPRESENTAÇÃO: LEITURA E CONVENÇÕES Como vimos até aqui, os mapas são a forma de representar um espaço. Para isso ocorrer de maneira organizada, existem alguns critérios a serem seguidos na produção de um mapa. Em conjunto com a ima- gem apresentada, devem estar: título, legenda e esca- la. Essas são os três itens básicos de um mapa, pois ele deve transmitir informações, não apenas imagens. Existem diferentes tipos de projeções cartográfi- cas; veremos alguns tipos a seguir: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 3 Projeção Plana ou Azimutal Fonte: Sousa. Essa projeção costuma ser utilizada para represen- tar um hemisfério, normalmente centralizado a partir de um dos polos. Seu uso mais famoso está na bandeira da Orga- nização das Nações Unidas (ONU), por não seguir o padrão eurocêntrico (forma de representar o conti- nente europeu na porção superior e ao “centro” em relação aos demais continentes) habitualmente utili- zado na projeção cilíndrica. Também pode ser utilizado para representar o mun- do por completo, mas as áreas do polo oposto à porção centralizada serão muito distorcidas (ampliadas). Projeção Cônica Fonte: IBGE. Projeção cônica é um tipo de projeção cartográfica na qual a superfície da Terra é representada através de um cone imaginário, que fica em contato com a esfera em um determinado ponto (paralelo), ou quan- do o cone passa por dois paralelos distintos na esfera. Projeção Cilíndrica Fonte: IBGE. Assim como a projeção plana ou azimutal, esse modelo é normalmente utilizado para representação de um hemisfério, senão, causará a distorção observa- da nessa imagem, na qual o polo Sul (oposto ao norte centralizado) aparece ampliado e distante em relação ao norte. Esse modelo é mais utilizado para representar o mundo por completo com seus hemisférios em um planisfério, pois causa a menor distorção entre os hemisférios. Por ter seu uso mais intenso, existem diferentes técnicas de reproduzir essa projeção. Den- tre elas, três formas são as mais utilizadas: z Modelo Conforme: Fonte: Jesus (2018). Desenvolvida pelo cartógrafo e matemático Gerhard Mercator no século XVI, foi a primeira representação a ampliar os territórios além do Velho Mundo (termo utili- zado para se referir a Europa, Norte da África e Oriente Médio, no período prévio a Expansão Marítima). O objetivo principal era manter os ângulos e con- tornos dos territórios, pois seu uso era, na época, voltado à navegação. Contudo, essa necessidade de manter os contornos próximos à realidade acaba por ampliar as áreas próximas aos polos. Isso ocorre por conta da ampliação dos Paralelos mais distantes do Equador; por conta dessa carac- terística, essa projeção recebe a denominação de “Conforme”. z Projeção Equivalente: Fonte: Pena. Essa representação foi criada por Arno Peters no século XX. Embora não fosse um cartógrafo, a pro- jeção de Peters tinha por finalidade representar os espaços de maneira fiel ao tamanho dos territórios. Para cumprir esse objetivo, a projeção de Peters preserva os tamanhos dos continentes, mas acaba perdendo os ângulos e contornos detalhados da pro- jeção conforme. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 z Projeção Conforme não equidistante: Fonte: Pena. O estadunidense Arthur Robinson é o responsável por essa projeção. Seu objetivo é equilibrar a relação tama- nho territorial versus ângulos e contornos. Para conseguir alcançar esses objetivos, essa projeção utiliza Paralelos retos e Meridianos curvos, quanto mais distantes do central Greenwich. Por mesclar as principais características de Mercator e Peters, essa projeção é atualmente a mais utilizada em livros e publicações quando se representa o mundo em planisférios. Projeção Afilática Nesse tipo de projeção, não há manutenção dos tamanhos, contornos e áreas dos territórios, mas são minimi- zadas as distorções do conjunto (o mapa por completo). Fonte:Mundo Vestibular. Projeção Equidistante São preservadas as distâncias, mas há distorção dos contornos e ângulos dos territórios. Fonte: Objetivo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 5 Anamorfose Tipo de representação cartográfica que utiliza distorções propositais das formas dos territórios para represen- tar os temas a serem expostos. É um tipo de cartografia temática; embora diferentes do habitual, são representa- ções muito utilizadas para transmitir informações. Observe os exemplos: Brasil Índia Nigéria Paquistão Indonésia Filipinas Bangladesh Etiópia China Japão Vietnã IrãTurquia Rússia Egito Alemanha Estados Unidos México até 25 000,0 25 000,1 - 75 000,0 75 000,1 - 150 000,0 150 000,1 - 325 000,0 mais de 1 339 180,1 Anamorfose - mundo população total - 2017 (mil habitantes) Fonte: IBGE Educa. Essa Anamorfose representa a população absoluta dos países; repare como o Canadá e a Austrália ficam redu- zidos, embora sejam o segundo e sextos maiores países do mundo em extensão territorial (respectivamente). Nessa Anamorfose, ficam reduzidos por conta da pequena população que possuem. A Anamorfose a seguir representa os maiores produtores de petróleo, conforme descrito na legenda. Canadá Brasil Iraque Kuwait Emirados Árabes Unidos Irã México Venezuela Nigéria Argélia Catar Angola omã casaquistão Reino Unido Nóruega Estados Unidos Arábia Saudita Rússia China 104,0 - 1 000,0 1 000,1 - 2 000,0 2 000,1 - 5 000,0 5 000,1 - 12 354,0 Anamorfose - mundo produção de petróleo (mil barris/dia) Austrália Fonte: IBGE Educa. A seguir, tem-se uma anamorfose da densidade demográfica do Brasil, comparada a um mapa tradicional: Figura 11: População total (número de habitantes), por Estado, em 2017 Figura 12: Anamorfose geográfica do tema população total , em 2017 População total - 2017 (mil habitantes) 466,0 - 1 000,0 1 000,1 - 5 000,0 5 000,1 - 10 000,0 10 000,1 - 22 000,0 45 103,1 466,0 - 1 000,0 1 000,1 - 5 000,0 5 000,1 - 10 000,0 10 000,1 - 22 000,0 45 103,1 CE GO MA PI DF MT RO TO AP MS AM PA PE RN PS AL SE ES BA MG RJ PR RS SC SP Anamorfose - Brasil população total - 2017 (mil habitantes)Minas Gerais Santa Catarina Rio de Janeiro Paraná Rio Grande do Sul bahia Goiás Pará Amazonas Mato Grosso Mato Grosso do sul Tocantins Piauí CearáMaranhão Distrito Federal Acre AmapáRoraima Rondônia São Paulo Espírito Santo Sergipe Alagoas Paraíba Pernambuco do norte Rio Grande Fonte: IBGE Educa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 6 LEGENDAS Os mapas, além de apresentarem um local, quase sempre transmitem informações; as legendas são manei- ras de representar as informações contidas nos mapas. Na cartografia, uma das principais maneiras de transmitir informações por mapas e cartas gráficas é utilizar legendas, que são itens obrigatórios. Elas podem ser utilizadas por meio de símbolos ou cores. As legendas são importantes por permitirem incluir nos mapas diversas informações sem a neces- sidade da escrita, que tornaria o mapa confuso e repleto de palavras, o que provavelmente dificultaria sua interpretação. Quando são adequadamente utilizadas, as legen- das fornecem dados acerca de acontecimentos ou ele- mentos existentes no Espaço Geográfico. A simbologia a ser utilizada é escolhida com base nos critérios relacionados às necessidades de cada mapa. Alguns exemplos: divisão de áreas, indicar atividades comerciais/industriais ou mesmo indicar aspectos sociais. São três tipos principais de signos cartográficos: lineares, zonais e pontuais. Símbolos lineares Fonte: Pena. Normalmente, são utilizados para representar ele- mentos naturais ou construções humanas, como rios, estradas, ferrovias, ruas. Além de representarem os itens informados na legenda, podem transmitir informação quantitativa ao modificar sua espessura para isso. Símbolos Zonais Fonte: Pena. Esse tipo de símbolo é utilizado principalmen- te para indicar área ocupada, quando a extensão e largura são importantes. Podem indicar regiões ou diferenciações naturais no relevo, como variação de cobertura vegetal, climático etc. Símbolos Pontuais Fonte: Vecteezy. Os símbolos pontuais podem ser variados e sua representação é praticamente infinita, basta identifi- car o símbolo na legenda. Veja as três formas de legendas juntas: Figura 1 Figura 2 Pontos Pontos Linhas Linhas Áreas Áreas Adaptado de: Exercícios Web. ESCALA Mesmo com intenso uso de tecnologia atual, os mapas podem ser importantes meios de orientação no espaço, podendo fazer parte de planejamento de viagens, por exemplo. Portanto, sua representação deve ser fiel ao espaço real. As escalas representam o volume de proporção do espaço representado em relação ao espaço natural, por isso, sua correta interpretação é importante. Quanto maior a redução do local representado, maior será o denominador da escala, assim indican- do um mapa menor, pois, para representar uma área muito grande, o espaço real é muito reduzido e, con- sequentemente, apresenta menor riqueza de detalhes do local. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 7 Em contrapartida, mapas com escala pequena são maiores, pois o espaço demonstrado foi menos reduzi- do, demonstrando, assim, maior detalhamento do local. Como exemplo, imagine um mapa do Brasil. Para representar o país em uma folha, seu tamanho foi mui- to reduzido; nessa redução, muitos detalhes do espaço ficam impossíveis de serem observados. Logo, temos uma pequena escala cartográfica e um mapa pequeno. Agora, imagine um mapa da cidade de Santos, em São Paulo. Por possuir um tamanho territorial muito menor que o país, um mapa desse município é menos reduzido em relação ao do Brasil. Esse mapa preservará melhor os detalhes do local, terá uma escala cartográfica grande e, consequentemente, será um mapa maior. Podem ser utilizados dois tipos distintos de escala: a gráfica e a numérica. Escala Gráfica Escala 25 50 Km 0 0 0 3 3 6 6 9 Km ou 9 quilômetros Adaptado de: Blogger (2021). Esse tipo de escala faz a proporção de um centímetro do mapa em relação ao espaço da realidade. É importan- te ter atenção à unidade de medida representada, se é uma proporção relativa a quilômetros ou metros. Na primeira imagem, é representada uma pro- porção de um centímetro, equivalente a vinte e cinco quilômetros da realidade. Na segunda, a escala repre- senta uma proporção de um centímetro relativo a três quilômetros no espaço real. Escala numérica: Numerador Denominador 1 : 50000 (área do mapa) (área real) Adaptado de: Bezerra. Importante! Quando não houver indicação da unidade de medida na escala, deve ser sempre considerado centímetro como a unidade representada. Nas escalas numéricas como a representada na imagem, quando não há indicação da unidade de medida do denominador, deve-se sempre considerar uma medida em centímetros. Ou seja, um centímetro do mapa é equivalente a cinquenta mil centímetros do espaço real. Em questões de concurso, normalmente é neces- sário converter essa medida para metros ou quilôme- tros, logo, é preciso realizar a divisão. 100 centímetros correspondem a um metro, e 1000 metros correspon- dem a um quilômetro. Dessa maneira, na imagem que apresentaa escala gráfica de 1:50000, um centímetro do mapa equivale a quinhentos metros do espaço real, ou meio quilômetro. Veja outros exemplos: ESCALA NUMÉRICA ESCALA GRÁFICA 1 : 500 000 0___5___10km Lê-se da seguinte forma: 1cm no mapa equivale a 500 000 cm na realidade Lê-se da seguinte forma: 1 cm no mapa equivale a 5 km na realidade ou 2 cm no mapa equivalem a 10 km na realidade Ou seja, a realidade foi reduzida 500 000 vezes ESCALA 1:5 000 0 0 0 50 100 150 200 300250 350 2 4 6 8 10 12 14 5 10 15 20 25 30 m 16 Km 400 Km ESCALA 1:200 000 ESCALA 1:5 000 000 Adaptado de: Bezerra. Esse último exemplo conta com a escala numé- rica combinado a escala gráfica. Podemos observar a conversão da escala numérica para o espaço real; na primeira demonstração, um centímetro da escala equivale a cinco mil centímetros do espaço real. Con- vertendo para metros, tem-se a distância de cinquenta metros do espaço real. Na segunda demonstração, a escala numérica apre- senta um centímetro correspondente a duzentos mil centímetros; ao converter, resulta-se uma distância de dois quilômetros do espaço real. Por fim, a proporção representada é de um centímetro da escala para cinco milhões de centímetros, correspondentes a cinquenta quilômetros do espaço real. OUTRAS PRODUÇÕES DE CARTOGRAFIA: z Planta: normalmente utilizada na área da cons- trução civil, é um tipo de representação do espaço em escala grande, ou seja, pouquíssima redução do local representado, conseguindo transmitir com detalhes o local; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 8 z Carta: utilizada especialmente em atividades de gestão e planejamento, é um tipo de reprodução de escalas médias e grandes; são reproduções detalhadas dos locais representados, normalmen- te utilizando simbologia para isso; z Croqui: simples representações do espaço, sem focar em técnicas específicas da cartografia, como escala; esse tipo de representação é um “resumo” com informações sobre os locais representados. ASPECTOS FÍSICOS DO BRASIL E MEIO AMBIENTE GRANDES DOMÍNIOS DE CLIMA, VEGETAÇÃO, RELEVO E HIDROGRAFIA: ECOSSISTEMAS A fitogeografia (do grego, phytón — planta) é o ramo da geografia responsável por realizar o estudo da distribuição dos vegetais na superfície da Terra. No Brasil a vegetação original que cobria o território nacional foi, em uma grande extensão territorial do país, desmatada por conta de atividades antrópicas (realizadas pelos seres humanos). Ao longo da história do nosso país, medidas foram tomadas para reduzir os níveis de desmatamento que ocorreu de forma desordenada e que ocasionou em um desequilíbrio do clima e de toda a cadeia ecológica. BIOMA AMAZÔNICA BIOMA CERRADO BIOMA MATA ATLÂNTICA BIOMA PAMPA BIOMA CAANTIGA BIOMA PANTANAL Adaptado de: Porto (2019). No Brasil, podemos classificar as formações vege- tais em três grupos: FORMAÇÕES FLORES- TAIS OU ARBÓREAS Grupo de espécies cons- tituídas de árvores de grande porte FORMAÇÕES ARBUSTIVAS Árvores de pequeno porte (arbustos) e herbá- ceas (plantas com caule de consistência mole) FORMAÇÕES COMPLE- XAS E LITORÂNEAS Coberturas vegetais que revestem o litoral brasileiro A partir de agora, veremos as principais caracte- rísticas de cada um dos tipos de vegetação presentes no território brasileiro. Formações Florestais ou Arbóreas z Floresta Latifoliada Equatorial ou Floresta Amazônica Esta floresta ocupa quase 40% do território nacio- nal, e vem sofrendo com a prática do desmatamento intenso ao longo dos últimos anos. A Floresta Amazô- nica tem como principais características: mata hetero- gênea, com milhares de espécies de vegetais, sempre perene (as folhas se mantêm verdes o tempo todo e não ocorre a perda das folhas pelas árvores); é uma floresta densa, intricada (com plantas que ficam bem próximas umas das outras), dividida em três andares ou camadas (vegetação estratificada) de acordo com a proximidade dos rios, segundo a classificação a seguir: � Mata de Igapó: esta vegetação é encontrada ao longo dos rios e é inundada de forma perma- nente pelas cheias fluviais (do rio); � Mata de Várzea: vegetação que está sujeita a inundações ao longo dos rios; � Mata de terra firme ou Caeté: vegetação encontrada em áreas com maior altimetria do relevo (baixos planaltos). Essas áreas estão livres de inundações dos rios. Como destaque das principais espécies vegetais da Amazônia, temos: seringueira, castanheira, guaraná, cacaueiro, dentre outras. Fonte: Veja. z Floresta Latifoliada Tropical ou Mata Atlântica A Mata Atlântica, também conhecida como flores- ta latifoliada tropical, foi explorada de forma intensa, principalmente durante o período colonial — devido à extração de pau-brasil — e praticamente não exis- te mais. Além do pau-brasil, eram presentes também neste tipo de vegetação plantas de madeira nobre. O que ainda resta da Mata Atlântica são alguns tre- chos localizados nas encostas da Serra do Mar. Além do pau-brasil, como dito anteriormente, podemos encontrar espécies como: cedro, ipê, jacarandá, pero- ba etc. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 9 Fonte: Martins (2018). z Mata de Araucárias ou Mata dos Pinhais Esta vegetação se localiza ao longo do Planalto Meridional (regiões Sul e Sudeste), com uma extensão que vai do estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul, embora a sua maior concentração esteja no esta- do do Paraná. Conhecida como Mata de Araucária ou Floresta dos Pinhais (grande presença de pinheiros), é uma forma- ção vegetal presente no clima subtropical, é homogê- nea e espaçada e suas folhas têm formato de agulha (aciculifoliadas). Neste tipo de floresta encontramos espécies vegetais como: pinheiro, erva-mate etc. Fonte: Koch (2022). z Mata dos Cocais Os cocais, também conhecidos como palmeiras, localizam-se em grandes extensões nos estados do Maranhão e Piauí. É uma vegetação de transição entre a Floresta Amazônica e a Caatinga no sertão nordes- tino. Suas principais espécies são o babaçu e a car- naúba, mas aparecem também espécies como: tucum, buriti, açaí, oiticica etc. A vegetação dos cocais está localizada na parte ocidental do Nordeste; é uma importante fonte de obtenção de renda para as populações locais, pois é explorada e utilizada na produção de cosméticos e combustível (como o biodiesel). Em regra, a vegetação está distribuída da seguinte forma: o babaçu é encon- trado em maior quantidade no Maranhão e na parte ocidental do Piauí, enquanto a carnaúba está presente na porção oriental do Piauí até o estado do Rio Grande do Norte. Fonte: Miranda (2014). z Matas de Galerias ou Ciliares Conhecidas como as pequenas florestas que se desenvolvem ao longo dos cursos dos rios, são encontra- das em diversas partes do território brasileiro. Quanto mais próximas dos cursos d’água, maior é a diversida- de desta vegetação. São vegetações fechadas e ricas. À medida que ocorre o afastamento do leito do rio, ocor- re a redução da umidade, e aos poucos vão aparecendo novas espécies que são menos necessitadas de água. São encontradas espécies como: sapucaia, paxiúba e palmeiras. Fonte: Couri (2016). Formações Arbustivas e Herbáceas z Caatinga A Caatinga, também conhecida como mata branca, é o tipo de vegetação presente no Sertão Nordestino ou Nordeste semiárido (região com poucas chuvas, são escassas e são distribuídas de forma irregular ao longo do ano). As principais características da Caatinga são: � vegetação com árvores e arbustos espinhentos ou que perdemas folhas durante a estação seca; � São plantas xerófilas (vegetação que se adapta a ambientes secos); � presença de arbustos associados às cactáceas e às bromeliáceas; � vegetação com caules a galhos tortos, raízes profundas e em grande quantidade. � os solos nessa região quase sempre são pedre- gosos, e são de pequena espessura. Na Caatinga, as espécies que podemos destacar são: � Árvores e arbustos: angico, juazeiro, umbuzeiro; � Cactáceas: mandacaru e xiquexique; � Bromeliáceas: macambira e caroá. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 10 Fonte: Vertente (2023). z Cerrado A vegetação Cerrado está localizada principalmen- te na região central do país, porém pode ocorrer a presença deste tipo nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Bahia, totalizando áreas que podem chegar a 2.000.000 km². O Cerrado tradicional é composto por vegetação de árvores e arbustos que estão associados a uma vege- tação baixa inferior, formada basicamente por gramí- neas (vegetação rasteira). O tipo climático presente nas áreas onde ocorre o predomínio do Cerrado é o tropical subúmido, com duas estações bem distintas — uma chuvosa e outra seca. Os solos do Cerrado são em grande parte pobres e de baixa fertilidade (devido aos altos índices de acidez). É comum a presença das seguintes espécies de vegetais: pau-terra, barbatimão e as gramíneas ou vegetação rasteira. Fonte: Shutterstock. z Campos No Brasil, os campos, também conhecidos como Pampas, estão presentes na região Sul do país, em áreas com o relevo suave (pequenas alterações na alti- metria — altura). Podem se apresentar de forma con- tínua (somente com gramíneas) ou com a presença de pequenos arbustos que ficam isolados na paisagem, que formam os chamados campos sujos. Dentre as atividades econômicas desenvolvidas nesta região, temos destaque para a pecuária exten- siva — gado criado solto em grandes extensões de ter- ras —, e a monocultura: soja ou arroz. Como espécies presentes neste tipo de vegetação, destacam-se: barba-de-bode, gordura, mimosa, for- quilha, flecha. Fonte: Curado (2018). Formações Complexas e Litorâneas z Complexo do Pantanal Denomina-se Complexo do Pantanal o conjunto de diversas formações de vegetação que estão presen- tes na área do Pantanal Mato-Grossense. Nesta região ocorrem inundações em períodos do ano, o que possi- bilita a existência de três tipos de áreas: as áreas que estão sempre alagadas, as áreas que são periodicamen- te alagadas e as áreas que estão livres de inundações. Como espécies de vegetais aqui nesta região, des- tacam-se os diversos tipos de palmeiras do cerrado, paratudo, capim-mimoso e vários bosques chaque- nhos, com a presença de quebracho e do angico, den- tre outros tipos. Fonte: Vargueiro (2019). z Vegetação Litorânea No litoral brasileiro, existem dois tipos de vegeta- ção. Veremos a seguir cada uma delas: � Vegetação das praias e das dunas (jundu): são vegetações arbustivas e herbáceas que con- seguem sobreviver em solo arenoso, sofrendo fortes influências da ação do mar (por meio das marés e dos ventos). Nas praias a vegetação é mais mirrada (pobre — grande quantidade de sal e poucos nutrientes), enquanto nas dunas a vegetação é mais diversificada e contínua, por conta da maior quantidade de nutrientes e menor quantidade de cloreto de sódio presente na água do mar. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 11 Fonte: Campos. � Uma outra vegetação presente na faixa litorânea é o mangue. Esta vegetação está presente em fai- xas litorâneas com clima tropical e que sofrem a ação das marés ou da água salobra (salgada). As vegetações são halófilas (ambientes salinos). DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS DO BRASIL Domínios morfoclimáticos seguem a classificação estabelecida pelo estudo realizado em 1977 pelo geó- grafo Aziz Nacib Ab’Saber (1924-2012) com base em critérios climáticos, geomorfológicos, pedológicos, hidrológicos e fitogeográficos sobre o território brasi- leiro. Sendo assim, considerou-se: clima, relevo, solo, hidrografia e vegetação de forma integrada. Os domínios morfoclimáticos do Brasil, segundo Ab’Saber, são: Amazônia z Vegetação: floresta equatorial latifoliada (folhas grandes e que produzem evapotranspiração, flo- resta densa e fechada); z Clima: equatorial (médias térmicas e pluviométri- cas elevadas durante o ano todo); z Hidrografia: Bacia Amazônica (rios de planalto, de planície e Aquífero Alter do Chão); z Relevo: Planalto da Guiana e Planalto Central na borda, Planície Amazônica e Depressão Periférica mais próximas ao Rio Amazonas; z Solo: lixiviação (efeito das chuvas que “empurra” os minerais para o fundo), muita matéria orgânica, pobre em minerais. Cerrado z Vegetação: árvores caducifólias (folhas caem entre outono e inverno), predominância de arbustos e árvores baixas com raízes profundas; z Clima: tropical típico (inverno seco e frio, verão quente e chuvoso); z Hidrografia: Bacia do Araguaia-Tocantins, Bacia do Prata e Bacia do Rio São Francisco, Aquífero Guarani; z Relevo: Planalto Central, chapadas sedimentares dos Guimarães, dos Parecis, das Mangabeiras e Espigão Mestre; z Solo: laterização (oxidação causada pelo regime de chuvas). Caatinga z Vegetação: xeromorfismo (plantas que retêm água); z Clima: semiárido (elevadas médias térmicas, médias pluviométricas baixas e mal distribuídas ao longo do ano); z Hidrografia: Bacia do Rio São Francisco, rios inter- mitentes (que secam em um determinado período) e açudes; z Relevo: Depressão Sertaneja e Planalto da Borborema; z Solo: pouco desgastado e rico em minerais. Mares de Morros z Vegetação: Floresta Tropical Latifoliada (Mata Atlântica); z Clima: Tropical Úmido (inverno ameno e chuvoso, verão seco e quente) no litoral e Tropical de Altitude (verão quente e chuvoso, inverno seco e ameno) no interior; z Hidrografia: Bacia Atlântico Leste, Bacia Atlântico Sudeste, Bacia do Rio São Francisco, Bacia do Para- ná, possuem alto potencial para hidrelétricas; z Relevo: serras graníticas com forma mamelonar por conta da ação da erosão; z Solo: ocorrência do solo de Terra Roxa, originada nas erupções do Período Terciário. Mata das Araucárias z Vegetação: aciculifoliadas (folhas pontiagudas, copas altas e tronco alongado); z Clima: subtropical úmido (chuvas bem distribuídas ao longo do ano e temperaturas amenas); z Hidrografia: Bacia do Paraná; z Relevo: Planalto Meridional; z Solo: ocorrência de Terra Roxa e alta fertilidade. Pradaria z Vegetação: gramínea e arbustiva; z Clima: subtropical úmido; z Hidrografia: Bacia do Uruguai; z Relevo: planícies do sul, ondulações e colinas. Zonas de Transição ou Ecótonos Áreas que possuem mescla de características de mais domínios morfoclimáticos, como Pantanal, Agres- te, Mata dos Cocais e região Roraima-Guianense. ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO AGRÁRIO O estudo do espaço agrário é uma vertente da geo- grafia que foca na investigação das dinâmicas econô- micas associadas à produção agrícola e na maneira como elas se distribuem no território. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 12 A sua função é auxiliar na compreensão das diferentes atividades agrícolas e de como elas se desenvolvem e analisar a disposição, organização e configuração da produção e dos espaços rurais. Ou seja,é a verificação do funcionamento das atividades econômicas no espaço agrário. ATIVIDADES ECONÔMICAS As atividades econômicas no espaço agrário englo- bam todas as fases do ciclo de produção agrícola, des- de a semeadura e o cuidado com as plantações até a colheita, o beneficiamento, a logística e a venda dos itens agrícolas. Por sua vez, as atividades são essen- ciais para suprir a necessidade de alimentos, fibras, energia e outros produtos oriundos do meio agrícola. Posto isso, existem diferentes formas de ativida- des econômicas no espaço agrário, de forma que cada uma delas conta com a adaptação às peculiaridades do local, sejam elas geográficas, climáticas, tecnológi- cas ou, até mesmo, socioeconômicas. Para o seu melhor entendimento, a seguir veja algumas dessas atividades que se relacionam ao espa- ço agrário, mais especificamente. Agricultura de Subsistência Caracteriza-se pela produção destinada ao consu- mo de um grupo, envolvendo o trabalho de pequenos produtores em lavouras. Nessa prática, os agriculto- res cultivam alimentos para atender às suas necessi- dades essenciais e assegurar a subsistência familiar. É frequente em áreas menos desenvolvidas e em comu- nidades tradicionais. Ainda, é preciso enfatizar que, caso o cultivo se estenda além da plantação, alcançando a criação de animais, a prática tomará o nome e forma de agrope- cuária de subsistência. Posto isso, tanto a agricultura quanto a agropecuária de subsistência são realizadas por pequenos produtores que consomem os produtos cultivados. Fonte: Toda Matéria. Foto: Divulgação/Governo do Piauí. Ademais, para se configurar como produção agrí- cola voltada à subsistência, é necessário que haja características, tais como: z ser realizada por pequenos produtores; z obter produção limitada e baixa; z ter como finalidade principal o suprimento às necessidades alimentares de um determinado grupo; z usar, majoritariamente, métodos rudimentares e tradicionais, como o arado, enxada, entre outros; z preferencialmente, ser um policultor, ou seja, fazer o cultivo de vários produtos distintos; z não usar agrotóxicos no processo de cultivo, produzindo, portanto, alimentos mais saudáveis; z ter grãos, frutos e hortaliças como principais pro- dutos cultivados. Ainda nesse viés, a agricultura de subsistência, no Brasil, tem um papel importante na vida daqueles que são pequenos produtores rurais, de suas famílias e da comunidade em que estão inseridos. Isso ocorre por- que grande parte de seu sustento é adquirido dessa forma, evitando, assim, a miséria e a fome em deter- minadas localidades. Em contrapartida, pequenos produtores têm enfrentado dificuldades devido à falta de apoio e auxílio governamental em se tratando de suprimen- tos econômicos, uma vez que a política indica atenção prioritária aos grandes latifundiários, por exemplo. Essa é uma realidade que perdura ao longo dos anos no cenário brasileiro. Agricultura Comercial A agricultura comercial, também conhecida como agricultura moderna ou de mercado, refere-se à pro- dução agrícola voltada predominantemente para o mercado, ou seja, sua principal finalidade é o comér- cio e o lucro. Configura-se como o contrário da agro- nomia de subsistência, de modo que os produtores não cultivam para consumo próprio, mas para vender no mercado interno ou externo. Esse tipo de agricultura corresponde à monocultu- ra, ou seja, trata-se do cultivo de um produto somen- te, vislumbrando a maximização da produtividade e a rentabilidade e utilizando tecnologias modernas, como fertilizantes, mecanização, irrigação e sementes melhoradas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 13 A forma dessa agricultura é marcada por uma alta intensidade de capital, grande escala de produção e uso de técnicas que visam aumentar a eficiência, como o plantio direto, rotação de culturas e manejo integrado de pragas. Frequentemente, associa-se à monocultura, como ocorre no cultivo da soja, milho ou cana-de-açúcar no Brasil, mas também pode envolver cultivos diversificados. Fonte: EducaBras. Agricultura de Exportação A agricultura de exportação é um subtipo da agri- cultura comercial, porém o foco é a produção de bens agrícolas destinados, principalmente, ao mercado internacional. Nesse caso, o objetivo principal dessa atividade é gerar divisas para o país através da venda de commodities agrícolas a outras nações. Destarte, países em desenvolvimento, como o Bra- sil, frequentemente utilizam esse modelo como uma fonte significativa de recursos econômicos, com pro- dutos como café, soja, milho e carne bovina sendo altamente demandados no mercado externo. Um aspecto que se destaca devido à sua importân- cia é a agricultura de exportação, que está altamente sujeita às flutuações do mercado global. Isso, por sua vez, inclui mudanças nos preços das commodities, políticas comerciais, como tarifas ou barreiras de exportação, e a variação cambial. Além disso, a agricultura pode ser sensível a acor- dos comerciais internacionais, como ocorre com o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), uma vez que influenciam os termos de exportação e a competitivi- dade dos produtos no exterior. Para ilustrar o caso, a Agência Brasileira de Promo- ção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lan- çou nova edição do “Impulso das Exportações”, com resultados dos três primeiros trimestres de 2024. Nesse tocante, o Brasil exportou mais de US$ 255 bilhões até setembro deste ano, tendo o volume de exportação aumentado 4,3%, o que mais compensou a queda dos preços dos produtos. Portanto, o crescimento nas exportações brasilei- ras em 2024 ilustra como, mesmo diante das quedas dos preços, o aumento do volume exportado pode compensar essas variações. Agroindústria A agroindústria é um setor estratégico que com- bina a produção agrícola com processos industriais, transformando matérias-primas originadas da agri- cultura, pecuária, pesca e silvicultura em produtos ali- mentares, bens de consumo ou insumos industriais. Esse setor vai além da produção no campo, inte- grando a transformação, comercialização e distribui- ção de produtos, agregando valor à produção primária e criando um elo fundamental entre o campo e o mer- cado consumidor. Fonte: Kalenborn (2023). A agroindústria engloba as atividades econômicas que envolvem o processamento e a transformação dos produtos agrícolas. Nesse setor, os produtos agrícolas são transformados em alimentos processados, produ- tos industrializados ou ingredientes para a indústria. Isso agrega valor aos produtos agrícolas e gera opor- tunidades de emprego e negócios. Ainda, cabe ressaltar que a agroindústria é de extrema importância para a modernização da agri- cultura, de modo que incentiva o uso de tecnologias, inovação e práticas de gestão mais eficientes, além de proporcionar melhores condições de armazenamen- to, processamento e transporte dos produtos. Para tanto, a atividade faz com que haja a redução das perdas pós-colheita, aumentando a durabilidade dos alimentos e permitindo que produtos cheguem a mercados distantes e diversificados, tanto no âmbito nacional quanto internacional. Além disso, ela contribui significativamente para o desenvolvimento econômico, sendo uma importan- te fonte de emprego, especialmente nas áreas rurais. A agroindústria promove, para tanto, a integração entre as áreas urbanas e rurais, impulsionando a economia regional e incentivando investimentos em infraestrutura, como estradas, energia elétrica e telecomunicações. O contexto de atuação das agroindústrias pode se dar em conformidade ao relacionamento de cada uma com o setor agrário, ou seja, com os resultados produ- zidos no campo. Vejamos: z Agroindústriaalimentícia: inclui a produção e transformação de alimentos, como carnes, grãos, frutas, laticínios e bebidas. Exemplo disso é a indústria de processamento de soja para a produ- ção de óleos vegetais e farelo de soja; z Agroindústria têxtil: relaciona-se à produção de fibras naturais, como o algodão, transformando em tecidos e produtos finais, como vestuário; z Agroindústria de biocombustíveis: transforma produtos agrícolas, como a cana-de-açúcar e o milho, em combustíveis renováveis, como o etanol e o biodiesel; z Agroindústria madeireira: relacionada à produ- ção de papel, celulose, móveis e outros produtos derivados de florestas manejadas ou cultivadas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 14 Destarte, apesar de sua relevância, a agroindús- tria enfrenta desafios relacionados à sustentabilidade ambiental, principalmente no que tange ao uso inten- sivo de recursos naturais, como água e energia, e à geração de resíduos. A agroindústria sustentável, por sua vez, busca minimizar esses impactos por meio de práticas mais ecológicas, como o uso eficiente de recursos, recicla- gens de resíduos e adoção de energias renováveis no processo produtivo. Além disso, a integração tecnológica é um fator determinante para a competitividade da agroindús- tria. O uso de máquinas inteligentes, automação e aná- lise de dados permite uma produção mais eficiente e adaptada às necessidades do mercado, reduzindo des- perdícios e otimizando a gestão de cadeias produtivas. Pecuária A pecuária é uma atividade agrícola voltada para a criação de animais com o objetivo de produzir carne, leite, couro, lã, ovos e outros produtos de origem ani- mal. A mencionada atividade desempenha um papel central tanto na produção de alimentos quanto na economia de muitos países, como o Brasil, que é um dos maiores produtores e exportadores de carne bovi- na do mundo. Além de ser uma fonte vital de proteína animal, a pecuária contribui para a dinamização das econo- mias rurais, sendo uma importante fonte de renda e emprego em muitas regiões. No entanto, a atividade também envolve desafios ambientais e sociais que estão no centro dos debates sobre desenvolvimento sustentável. É possível acrescentar, ainda, que a pecuária gera impacto significativo na economia global. Em termos de produção de carne bovina, por exemplo, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os dois principais exportadores mundiais são o Brasil e a Austrália. Em 2024, a projeção era de que a carne bovina chegasse a 11,9 milhões de toneladas, com crescimento de 1%. Fonte: Revista Mais Leite. Ademais, a pecuária agrega valor a diversos seto- res da economia, como a indústria de laticínios, cou- ros e peles, e a produção de fertilizantes orgânicos, como o esterco. O papel desempenhado também é importante para o fornecimento de matéria-prima e para a produção de biocombustíveis, como o biogás gerado a partir de resíduos animais. Destarte, a pecuária, particularmente a extensiva, é frequentemente associada a impactos ambientais significativos, como o desmatamento, especialmente em regiões como a Amazônia, e a emissão de gases de efeito estufa, como o metano, gerado pela digestão dos ruminantes. Outros impactos incluem a degradação de solos e a contaminação de recursos hídricos devido ao manejo inadequado de dejetos. Esses fatores têm motivado a adoção de práticas mais sustentáveis na pecuária, como: z Integração Lavoura–Pecuária–Floresta (ILPF): um sistema que combina agricultura, pecuária e florestas, promovendo o uso eficiente dos recursos e a recuperação de áreas degradadas; z Pastoreio rotacionado: técnica que envolve o rodízio dos animais em diferentes áreas de pasta- gem para evitar o sobrepastoreio e a degradação do solo; z Pecuária de baixo carbono: envolve práticas que minimizam a emissão de gases de efeito estufa, como a recuperação de pastagens degradadas e o uso de tecnologias que aumentam a eficiência ali- mentar dos animais. SISTEMAS AGRÍCOLAS Um sistema agrícola se refere ao conjunto de práti- cas e métodos que se aplicam à produção agropecuá- ria, uma vez que envolve tanto a agricultura quanto a pecuária, em áreas rurais. Esses sistemas, por sua vez, combinam elementos que englobam tanto a produção de culturas agrícolas quanto a criação de animais, organizando o uso da terra, os recursos e as técnicas aplicadas à produção. A classificação desses sistemas pode ser feita levando em consideração vários fatores, como o uso da tecnologia, a intensidade de insumos, a escala de produção e o impacto ambiental. Na agricultura bra- sileira, há uma clara diferenciação na ocorrência dos dois sistemas. Vejamos as disposições a seguir. Sistema Agrícola Intensivo Também chamado de “agricultura intensiva”, a adoção do sistema agrícola intensivo se dá com a apli- cação intensiva de técnicas modernas de produção e alto teor de mecanização em todas as etapas da cadeia produtiva, desde a seleção de sementes, usufruindo de artifícios como a biotecnologia e ciência genética, até a colheita, armazenamento e transporte. Ademais, uma característica marcante de dado sistema é o amplo investimento de capital (dinheiro), que está diretamente associado à agroindústria, bem como ao circuito superior da economia, inserindo-se nas cadeias de produção global. Para tanto, a agricultura intensiva, para que valha a produção exponencial, precisa contar com o uso de fertilizantes químicos e outros defensivos agrícolas para garantir o desenvolvimento da lavoura, marcada pelos elevados índices de produtividade. A maior parcela da produção agrícola, resultan- te desse sistema, é destinada à exportação, de modo que é comercializada no mercado internacional como “commodity” agrícola. No interior do país, a agricul- tura intensiva é responsável por fornecer matéria-pri- ma para a indústria. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 15 Ainda nesse viés, no sistema agrícola intensivo a mão de obra apresenta alto nível de qualificação e maquinário, sendo formada por um menor número de trabalhadores em detrimento ao sistema extensivo. Sistema Agrícola Extensivo O sistema agrícola é caracterizado pela aplicação de técnicas mais tradicionalistas e rudimentares em relação ao manejo do solo, de plantio e de colheita. Ainda, sobre o uso de defensivos agrícolas, maquiná- rios e outras tecnologias modernas, o sistema exten- sivo conta com menor taxa de adoção em relação ao intensivo. Devido a isso, a produtividade desse sistema é rela- tivamente menor, posto que se torna mais suscetível às adversidades climáticas, bem como a outros fatores externos que possam atrasar ou prejudicar o desen- volvimento da lavoura. A produção da agricultura extensiva acontece, hodiernamente, em pequenas e médias propriedades de terra, voltando-se tanto para a subsistência do agri- cultor e sua família quanto para a geração de renda mediante comercialização dos alimentos produzidos nos circuitos inferiores da economia. Assim, a produção realizada em baixa escala tem finalidade majoritária na agricultura familiar, de modo que o excedente é vendido em feiras, pequenos mercados locais ou regionais e até mesmo diretamen- te ao consumidor final. Destarte, o montante de capital investido na agri- cultura extensiva é menor do que na agricultura inten- siva, principalmente pelo fato de que a modalidade extensiva é voltada para os pequenos produtores, agricultores, famílias, posseiros, e assim sucessiva- mente.A mão de obra, no entanto, é mais numerosa nesse sistema, uma vez que os responsáveis pela pro- dução têm menor qualificação. Sistemas Agrícolas Relacionados à Pecuária Ainda nesse mesmo sentido, de sistemas agríco- las, é necessário ressaltar que existem sistemas de produção e de intensidade de manejo que se relacio- nam com a pecuária. São eles, também, de maneira extensiva e intensiva: z Pecuária Extensiva A pecuária extensiva é caracterizada pela criação de animais em grandes áreas de pastagens, naturais ou plantadas, geralmente com baixo uso de insumos externos e tecnologias. Os animais têm mais espaço para se movimentar, e a produção depende principalmente do ambien- te natural para o fornecimento de alimento, como gramíneas. Esse tipo de sistema é mais comum em regiões com grandes extensões de terra, como o Cer- rado e partes da Amazônia, onde a pecuária bovina é predominante. Apesar de ser um sistema de baixo custo, a pecuá- ria extensiva é menos produtiva por hectare quando comparada a sistemas mais intensivos. Além disso, se não for bem manejada, pode contribuir para a degra- dação de pastagens, emissão de gases de efeito estufa e desmatamento de áreas nativas, especialmente em biomas sensíveis como a Amazônia. z Pecuária Intensiva Na pecuária intensiva, os animais são criados em espaços menores e com maior controle do ambiente, como em confinamentos ou em sistemas de pasto- reio rotacionado. Esse sistema visa à maximização da produtividade por área, utilizando técnicas como suplementação alimentar, uso de rações balanceadas, melhoramento genético e controle veterinário mais rigoroso. Esse modelo é mais eficiente em termos de pro- dução, permitindo maiores rendimentos em menor espaço de tempo. No entanto, envolve maiores custos operacionais devido à necessidade de mais insumos e também requer maior controle ambiental, especial- mente no manejo de dejetos e resíduos gerados pelos animais. SISTEMAS E O CENÁRIO BRASILEIRO A distribuição dos sistemas pelo espaço agrário brasileiro é desigual, de forma que no mesmo país coexistem os sistemas agrícolas intensivo e extensivo. Há, também, a presença daqueles que são conhecidos como sistemas agrícolas tradicionais (SATs). Os SATs, conforme definição do Ministério da Agri- cultura e Pecuária (Mapa), são sistemas em que a pro- dução agropecuária e extrativista busca equilibrar e conciliar os elementos culturais e o modo de vida de uma determinada comunidade, respeitando a lógica e as especificidades territoriais de cada população. O processo produtivo, por sua vez, poderá ocorrer mediante o emprego de técnicas aplicadas, tanto tra- dicionais quanto modernas, ao mesmo tempo em que há a preocupação da preservação ambiental e prática sustentável. Pensando nisso, o Mapa destaca dois SATs reco- nhecidos como patrimônio cultural imaterial brasilei- ro. São eles o do Rio Negro, no estado do Amazonas, e o das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, no estado de São Paulo. MODERNIZAÇÃO As práticas agrícolas estão em constante inovação para alcançar maior eficiência produtiva. Nesse cená- rio, a partir da década de 1950, houve uma acelera- ção no processo de modernização da agricultura, que envolveu o uso de tecnologias avançadas, incluindo plantas geneticamente modificadas em laboratório e espécies agrícolas criadas para atingir alta produ- tividade, além da adoção de técnicas específicas com defensivos agrícolas e maquinários. Na década de 1960, esse conjunto de mudanças pas- sou a ser chamado de Revolução Verde, um programa financiado pela Fundação Rockefeller, localizada em Nova Iorque. Com o argumento de aumentar a produção de alimentos e combater a fome global, a Fundação Roc- kefeller expandiu sua influência comercial, vendendo pacotes completos de insumos agrícolas. O principal objetivo desse programa era promo- ver o crescimento da produção agrícola por meio de pesquisas sobre sementes, adubação do solo e meca- nização visando ao aumento da produtividade. Isso envolveu o desenvolvimento de sementes adapta- das a diferentes tipos de solo e clima, a preparação do solo para o plantio e a introdução de maquinário especializado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 16 Nesse sentido, ainda que a produtividade agríco- la tenha sido expressiva, a Revolução Verde não fez com que o problema da fome fosse eliminado, uma vez que os produtos que eram cultivados em países como Brasil, México e Índia, que eram basicamente cereais, eram exportados, em sua maioria, para países ricos industrializados, como Estados Unidos e Canadá. Técnicas Modernas A mecanização é uma técnica que foi inclusa como prática de modernização na estrutura agrária brasi- leira, sendo amplamente utilizada. A função envolve o uso de máquinas e equipamentos agrícolas, como tratores, colheitadeiras, semeadoras, pulverizadoras e implementos específicos para cada etapa que envolve o processo produtivo. Foto: Fagner Almeida. Fonte: Brasil Escola. Além disso, a irrigação é uma técnica moderna que se tornou essencial para a produção agrícola em regiões com escassez de água. A modernização nes- sa área ocorre com o uso de sistemas de irrigação de precisão, que permitem controlar a quantidade e a frequência de água fornecida às plantas de manei- ra mais eficiente. Isso evita o desperdício de água e garante um suprimento adequado para o crescimento das culturas. Por conseguinte, ainda que seja uma prática con- troversa, o uso de agroquímicos, tais como fertilizan- tes, pesticidas e herbicidas, trata-se de uma técnica de modernização que foi amplamente adotada na agricultura. Esses insumos auxiliam no controle de pragas, doenças e plantas invasoras, contribuindo no aumento da produtividade. Fonte: Santoro (2020). Em contrapartida, é necessário enfatizar que a necessidade de se usar dados recursos de maneira responsável e consciente é indispensável, buscando sempre minimizar os impactos negativos ao meio ambiente e à saúde humana. Ainda nesse sentido de modernização, a agricultu- ra de precisão também é constatada como uma técni- ca moderna que utiliza tecnologias avançadas, como sistemas de posicionamento global (GPS), sensores e imagens de satélite, visando monitorar e gerenciar de maneira mais precisa as atividades agrícolas. As mencionadas tecnologias, por sua vez, per- mitem que seja realizado o mapeamento das carac- terísticas do solo, determinando as necessidades nutricionais das plantas, identificando áreas com problemas de manejo e dinamizando a aplicação de insumos agrícolas. Fonte: Oliveira. CONFLITOS É necessário saber que os conflitos no espaço agrário estão relacionados a uma série de questões, que se estendem desde a sociedade, perpassando pelas razões econômicas e finalizando no contexto ambiental. Dados conflitos surgem em detrimento da O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. C O N H EC IM EN TO S G ER A IS 17 distribuição desigual de recursos, diferenças de inte- resses e, em alguns casos, apropriação dos espaços rurais. Os conflitos, por sua vez, podem envolver diferen- tes atores, como agricultores, proprietários de terras, latifundiários, comunidades tradicionais, empresas agroindustriais, órgãos governamentais e movimen- tos sociais. Conflitos pela Posse da Terra O acesso e a posse da terra são, historicamente, a causa mais recorrente de conflitos agrários no Brasil. Esses conflitos envolvem principalmente os grandes proprietários rurais (latifundiários), que controlam e possuem vastas glebas de terra, muitasvezes subutili- zadas ou mantidas para especulação; e trabalhadores sem-terra, ou pequenos agricultores, que reivindi- cam o direito de trabalhar na terra para garantir sua subsistência. Esses conflitos são amplificados pela concentração fundiária no Brasil, onde uma pequena parcela da população detém a maior parte das terras agricultá- veis. Organizações como o Movimento dos Trabalha- dores Rurais Sem Terra (MST) surgiram para lutar pela redistribuição de terras e pressionar o governo por uma reforma agrária mais eficaz. Um exemplo de acontecimentos dessa natureza são os conflitos como o massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996, quando 19 trabalhadores rurais foram mortos durante uma manifestação pela reforma agrária. O massacre é um exemplo trágico da violência que pode emergir dessas tensões. Conflitos entre Agricultura Tradicional e Agronegócio Outro tipo de conflito envolve o embate entre pequenos agricultores familiares e o agronegócio, que expande sua produção sobre áreas antes ocupadas por culturas tradicionais ou por pequenos produtores. O agronegócio, movido por interesses econômicos globais, tende a priorizar a produção de commodities (soja, milho, carne bovina) para exportação, frequen- temente em detrimento da produção de alimentos básicos e da agricultura de subsistência. Essa disputa também envolve o uso de tecnologias avançadas, como transgênicos e agrotóxicos, que são comumente rejeitadas por comunidades que praticam agricultura orgânica ou de base agroecológica. Esses conflitos podem ser agravados por questões ambien- tais, já que a expansão do agronegócio está associada a problemas como desmatamento, uso intensivo de recursos hídricos e contaminação do solo. Conflitos com Comunidades Tradicionais Os conflitos entre comunidades tradicionais, como povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, e os gran- des projetos de desenvolvimento agrário são outra fonte de tensões. Esses grupos muitas vezes ocupam terras ancestrais e dependem diretamente dos recur- sos naturais para sua sobrevivência, como rios, flores- tas e terras cultiváveis. No entanto, a expansão da fronteira agrícola e pro- jetos de mineração ou construção de grandes barra- gens e hidrelétricas frequentemente desconsideram seus direitos territoriais e culturais. Assim, comunida- des indígenas lutam pela demarcação e pela garantia de terras para manter seu modo de vida. No entan- to, o avanço do agronegócio e a flexibilização de leis ambientais têm ameaçado esses territórios. Também, quilombolas e outros grupos tradicionais enfrentam a dificuldade de reconhecimento legal de suas terras e, muitas vezes, são pressionados ou remo- vidos em nome de projetos agrícolas ou industriais. Um caso exemplificativo é o conflito envolvendo os guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul — um exem- plo de como os direitos territoriais de povos indígenas podem ser violados, com fazendeiros invadindo áreas que historicamente pertencem a essas comunidades. Conflitos Ambientais Os conflitos ambientais no espaço agrário surgem da disputa pelo uso dos recursos naturais, especial- mente quando se considera o impacto do desmata- mento, da degradação do solo e do uso intensivo de insumos químicos. Grandes áreas da Amazônia e do Cerrado têm sido convertidas em pastagens ou áreas de monocultura, o que gera atritos entre grupos ambientalistas, defenso- res da agricultura familiar e o setor do agronegócio. Esses conflitos muitas vezes envolvem a oposição entre produção sustentável e expansão predatória, com o primeiro grupo defendendo práticas como a agroecologia e a preservação ambiental, e o segundo focando na maximização da produtividade. A agenda de sustentabilidade, com políticas de controle de emissões de carbono e preservação de ecossistemas, tem pressionado o setor agrícola a ado- tar práticas mais responsáveis, o que gera resistência em algumas áreas. O desmatamento na Amazônia, impulsionado pela criação de pastagens e plantações de soja, por exemplo, tem gerado conflitos entre pecuaristas, pro- dutores de commodities e organizações de defesa ambiental, tanto no Brasil quanto no exterior. Conflitos de Natureza Jurídica A complexidade das leis de propriedade da terra no Brasil também alimenta conflitos no espaço agrário. O país conta com uma legislação fundiária extensa, com diferentes instrumentos jurídicos para a regularização de terras, como o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 1964) e o Código Florestal (Lei nº 12.651, de 2012). No entanto, a aplicação dessas leis pode ser lenta e ineficiente, resultando em disputas legais prolonga- das sobre o direito de posse, a regularização fundiária e a titulação de terras. Além disso, a judicialização de conflitos agrários é um problema comum. Muitas vezes, grandes pro- prietários de terras e empresas do agronegócio con- seguem barrar, por meio de recursos judiciais, os processos de desapropriação ou demarcação de terras destinadas à reforma agrária ou à proteção de comu- nidades tradicionais. Consequências dos Conflitos no Espaço Agrário Os conflitos no espaço agrário têm sérias conse- quências sociais, ambientais e econômicas, como: z Violência no campo: mortes, ameaças e violência física contra trabalhadores rurais, indígenas, qui- lombolas e defensores dos direitos humanos no campo são recorrentes; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Ayslan CS - 615.411.973-99, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 18 z Desigualdade social: a concentração de terras e a falta de acesso a elas por parte dos pequenos pro- dutores contribuem para a perpetuação da pobre- za rural; z Degradação ambiental: a exploração predatória dos recursos naturais por grandes empreendimen- tos agrários acelera o desmatamento, a erosão dos solos e a perda de biodiversidade; z Êxodo rural: a expulsão de pequenos agricultores e trabalhadores rurais de suas terras impulsiona o êxodo rural, intensificando a migração para as cidades e contribuindo para o aumento da urbani- zação desordenada e da pobreza urbana. Portanto os conflitos no espaço agrário expressam as tensões geradas pela desigualdade no acesso à terra e pela disputa por recursos naturais entre diferentes grupos sociais e econômicos. A reforma agrária, o reconhecimento dos direitos das comunidades tradicionais e a implementação de políticas públicas de desenvolvimento rural sustentá- vel são medidas essenciais para mitigar esses conflitos e promover a justiça social no campo. REFERÊNCIAS AFINAL, o que é agricultura? FieldView, 2021. Disponível em: https://blog.climatefieldview. com.br/afinal-o-e-que- agricultura#:~:text=A%20 agricultura%20comercial%2C%20chamada%20 de,adubos%2 C%20fertilizantes%20qu%C3%AD- micos%20e%20defensivos. Acesso em: 25 out. 2024. AGRICULTURA de subsistência. Toda Matéria. Dis- ponível em: https://www.todamateria.com.br/agri- cultura-de-subsistencia/. Acesso em: 25 out. 2024. AGROPECUÁRIA - Sistemas agrícolas. EducaBras. Disponível em: https://www.educabras.com/aula/ agropecuaria-sistemas-agricolas. Acesso em: 25 out. 2024. ALMEIDA, A. W. B. Terras Tradicionais e Confli- tos no Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2021. BRANDÃO, C. S. Conflitos Agrários no Brasil Con- temporâneo. São Paulo: Contexto, 2018. COSTA, M. B. Agronegócio no Brasil: Economia, Desenvolvimento e Sustentabilidade. São Paulo: Atlas, 2019. DEAN, W. A luta pela terra no Brasil: História social do desmatamento. São Paulo: Contexto, 2019. FLORENTINO, J. Quais países são os maiores expor- tadores de carne bovina do mundo? Globo Rural, 2024. Disponível em: https://globorural.globo.com/ pecuaria/boi/noticia/2024/01/quem-sao-os-maio- res- exportadores-de-carne-bovina-do-mundo.ght- ml. Acesso em: 24 out. 2024. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION (FAO). Agricultural Outlook 2021-2030. Roma: FAO, 2021. ______. The