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Noções básicas de cartografia. Orientação: Pontos cardeais. Localização: Coordenadas geográficas (latitude, longitude e altitude); Representação: Leitura de escala, legendas e convenções. Aspectos físicos do Brasil e meio ambiente no Brasil (grande domínios e clima, vegetação, relevo e hidrografia; ecossistemas). Organização do espaço agrário: atividades econômicas, modernização e conflitos; organização do espaço urbano: atividades econômicas, emprego e pobreza; rede urbana e regiões metropolitanas. Dinâmica da população brasileira: fluxos migratórios, áreas de crescimento e de perda populacional. Formação territorial e divisão político-administrativa (organização federativa). O elemento da orientação é fundamental em um mapa, pois indica ao leitor em que direção estão os pontos cardeais (norte, sul, leste e oeste) e suas variações intermediárias (nordeste, sudeste, noroeste, sudoeste). A representação mais comum da orientação é feita pela rosa dos ventos, que é um diagrama com os pontos cardeais indicados por letras e setas que mostram a direção correspondente. A rosa dos ventos como um elemento da navegação, e ela é igualmente importante na cartografia. A rosa dos ventos é utilizada para garantir a correta orientação do mapa em relação à superfície terrestre, e permite ao leitor localizar pontos específicos em um mapa com facilidade. Além disso, a rosa dos ventos também pode indicar informações adicionais, como as direções predominantes dos ventos em uma determinada região. Devido à grande extensão longitudinal (leste-oeste), o Brasil apresenta mais de 1 fuso horário em seu território. Esses fusos estão atrasados em relação às áreas que estão a leste, inclusive o Meridiano de Greenwich. Assim, se forem consideradas as ilhas oceânicas brasileiras, chega-se à conclusão de que o Brasil possui quatro fusos horários, todos atrasados em relação a Greenwich, já que o País está situado totalmente no hemisfério ocidental. Organização dos fusos horários no Brasil O primeiro fuso horário brasileiro, localizado no meridiano 30° oeste, pode ser chamado de fuso –2 GMT, pois está localizado para a esquerda, 30°, o que representa duas horas de atraso em relação a Londres e ao Meridiano de Greenwich (que é o fuso 0), onde está o GMT (Greenwich Meridian Time), meridiano de referência para organização do sistema de fusos. Esse fuso, de Fernando de Noronha, abrange as ilhas oceânicas Fernando de Noronha (pertencente ao estado de Pernambuco), Trindade e Martim Vaz, e os penedos de São Pedro e São Paulo, todos localizados a oeste do Meridiano de Greenwich (assim como todo o território brasileiro). O segundo fuso horário brasileiro ou fuso -3 GMT é considerado o mais importante, sendo denominado “hora oficial do país” ou “hora de Brasília”, pois abarca a maioria dos estados brasileiros, abrangendo na totalidade as Regiões Sul, Sudeste e Nordeste; Goiás, Distrito Federal (Centro-Oeste); e Tocantins, Pará e Amapá (Norte). Esse fuso está três horas atrasado em relação à hora-padrão de Greenwich, portanto, nele está o meridiano 45° oeste. Devido à grande extensão longitudinal (leste-oeste), o Brasil apresenta mais de 1 fuso horário em seu território. Esses fusos estão atrasados em relação às áreas que estão a leste, inclusive o Meridiano de Greenwich. Assim, se forem consideradas as ilhas oceânicas brasileiras, chega-se à conclusão de que o Brasil possui quatro fusos horários, todos atrasados em relação a Greenwich, já que o País está situado totalmente no hemisfério ocidental. Organização dos fusos horários no Brasil O primeiro fuso horário brasileiro, localizado no meridiano 30° oeste, pode ser chamado de fuso –2 GMT, pois está localizado para a esquerda, 30°, o que representa duas horas de atraso em relação a Londres e ao Meridiano de Greenwich (que é o fuso 0), onde está o GMT (Greenwich Meridian Time), meridiano de referência para organização do sistema de fusos. Esse fuso, de Fernando de Noronha, abrange as ilhas oceânicas Fernando de Noronha (pertencente ao estado de Pernambuco), Trindade e Martim Vaz, e os penedos de São Pedro e São Paulo, todos localizados a oeste do Meridiano de Greenwich (assim como todo o território brasileiro). O segundo fuso horário brasileiro ou fuso -3 GMT é considerado o mais importante, sendo denominado “hora oficial do país” ou “hora de Brasília”, pois abarca a maioria dos estados brasileiros, abrangendo na totalidade as Regiões Sul, Sudeste e Nordeste; Goiás, Distrito Federal (Centro-Oeste); e Tocantins, Pará e Amapá (Norte). Esse fuso está três horas atrasado em relação à hora-padrão de Greenwich, portanto, nele está o meridiano 45° oeste. O terceiro fuso horário brasileiro ou fuso -4 GMT atinge os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Centro-Oeste); e Roraima, Rondônia, Amazonas e Acre (Norte). Seu atraso é de quatro horas em relação a Greenwich (portanto, 60° oeste), uma hora em relação à “hora oficial do país” e duas horas em relação ao fuso das ilhas oceânicas. O quarto fuso horário ou fuso -5 GMT abrange o estado do Acre e o extremo oeste do Amazonas. Esse fuso voltou a vigorar em 10 de novembro de 2013, após ter sido incorporado ao terceiro fuso horário nacional em 2008. É o fuso horário mais atrasado do país, com cinco horas a menos em relação à hora do Meridiano de Greenwich. Ao observar o mapa dos fusos horários brasileiros, é possível perceber um aspecto importante: o limite teórico e o limite prático dos fusos. Esse fato deve-se à correção de algumas distorções desnecessárias. Caso o limite teórico (real) fosse totalmente seguido, existiriam, por exemplo, cidades localizadas exatamente na linha imaginária do fuso, o que ocasionaria fusos horários diferentes nelas, gerando inconveniências. O mesmo fato aconteceria em estados, o que poderia provocar confusões em horários de partida de voos e de ônibus, entre outras. Pode mos observar que todos os fusos apresentam horários definidos em relação a Greenwich (GMT). Assim, se uma localidade estiver situada 3 fusos (45°) a oeste do GMT, estará com 3 horas atrasadas em relação ao ho rário de GMT. Alteração nos fusos horários brasileiros O Brasil passou a adotar o Sistema Internacional de Fusos a partir de 1914, quando se estabeleceu quatro fusos no Brasil. No dia 24/4/2008, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, sem cortes, o Projeto de Lei que reduziu de quatro para três os fusos horários brasileiros. A primeira alteração envolveu o estado do Pará, antes dividido em dois fusos (segundo e terceiro), que passou a pertencer totalmente ao segundo fuso. A segunda alteração envolveu o estado do Acre e o extremo oeste do Amazonas, que formavam o quarto fuso, extinto, isto é, as áreas citadas passaram a incorporar o terceiro fuso. Em 2010, porém, a população acreana demonstrou, via referendo, insatisfação com a alteração do fuso horário, isto é, aproximadamente 60% das pessoas optaram pela volta do quarto fuso horário. Em 2011, o Congresso aceitou o resultado do referendo, mas faltou o senado apreciar o processo, pelo qual o Acre, bem como o sudoeste do Amazonas, voltaria para o horário antigo, ou seja, cinco horas atrasadas em relação ao horário de Greenwich. Por fim, em 2013, foi aprovado o retorno do quarto fuso. A escala em um mapa é a relação matemática entre as distâncias medidas no mapa e as distâncias reais na superfície da Terra. Em outras palavras, é a proporção entre a representação gráfica de um objeto no mapa e seu tamanho real no mundo real. A escala pode ser representada de forma gráfica no mapa, através de uma linha com divisões que indicam as medidas correspondentes na realidade. Por exemplo, uma escala de 1:100.000 significa que uma unidade de medida no mapa representa 100.000 unidades de medida na superfície terrestre. A escala é importante porque permite que o leitor do mapa tenha uma noção exata das dimensões dos objetos representados e possa planejar suas atividadescom precisão. O talão e o corpo são duas partes importantes de uma escala gráfica. O talão é uma linha reta que representa uma unidade de medida no mapa, enquanto o corpo é a parte que contém os números que indicam a escala. O talão é uma representação visual da unidade de medida escolhida para o mapa, como quilômetros, metros ou milhas. Ele é desenhado em uma linha reta, geralmente no canto inferior direito do mapa, e é dividido em segmentos iguais, cada um representando uma unidade de medida. Por exemplo, se o talão for desenhado para representar quilômetros, cada segmento pode representar um quilômetro no terreno. O corpo da escala é a parte que contém os números que indicam a escala do mapa. Esses números representam a relação entre as distâncias no mapa e as distâncias reais no terreno. Por exemplo, se a escala for de 1:50.000, significa que uma unidade de medida no mapa (como um centímetro) representa 50.000 unidades de medida no terreno (como um metro). A combinação do talão e do corpo da escala gráfica é essencial para que o usuário possa medir a distância no mapa e estimar a distância real no terreno. Portanto, é importante prestar atenção à escala ao usar um mapa para navegar ou planejar uma viagem. As escalas podem ser classificadas em três tipos: 1. Escalas Naturais - utilizadas para representar áreas extensas, como um país ou continente. A unidade de medida é em quilômetros ou milhas. Exemplo: 1:5.000.000. 2. Escalas Reduzidas - utilizadas para representar áreas menores, como cidades ou bairros. A unidade de medida é em metros ou pés. Exemplo: 1:10.000. 3. Escalas Ampliadas - utilizadas para representar áreas ainda menores, como plantas baixas de edifícios. A unidade de medida é em centímetros ou polegadas. Exemplo: 1:500. Cartografia Cartografia é a ciência que estuda a representação da superfície terrestre em mapas. Sua importância é fundamental para diversas áreas do conhecimento, tais como a geografia, a engenharia, a arquitetura, a agricultura, entre outras. Através dos mapas, é possível visualizar informações sobre relevo, hidrografia, estradas, cidades, países, além de diversas outras informações que auxiliam na tomada de decisões em diferentes áreas. A Cartografia é uma ciência que se dedica ao estudo e elaboração de mapas, que são representações gráficas e espaciais de uma região ou do mundo. Desde os tempos antigos, os seres humanos já utilizavam mapas para se orientar e conhecer novos territórios, mas foi com a evolução da tecnologia e da ciência que a Cartografia se consolidou como um campo de estudo e aplicação. Com o passar dos anos, a Cartografia evoluiu e tornou-se uma importante ferramenta para diversas áreas, como a geografia, a geologia, a engenharia, a arquitetura, entre outras. Hoje em dia, a Cartografia é fundamental para o planejamento urbano, o gerenciamento de recursos naturais, a navegação marítima e aérea, a elaboração de mapas de risco, entre outras aplicações. O surgimento da Cartografia está diretamente relacionado à necessidade dos seres humanos de se localizarem e compreenderem o espaço ao seu redor. Ao longo dos séculos, a elaboração de mapas foi aprimorada, e atualmente, com o auxílio de tecnologias como os sistemas de posicionamento global (GPS) e softwares de geoprocessamento, é possível elaborar mapas cada vez mais precisos e detalhados. Hoje em dia, a cartografia conta com recursos modernos, como as fotografias aéreas e o sensoriamento remoto por satélite, que permitem maior precisão nos cálculos e na representação da superfície do planeta. A técnica de fotografias aéreas utiliza imagens que, quando sobrepostas, geram uma única imagem em relevo, revelando detalhes da superfície do solo que, muitas vezes, são pouco visíveis. Já o sensoriamento remoto é utilizado para coletar informações sobre a superfície do planeta ou da atmosfera por meio de satélites especializados que tiram fotos da Terra em intervalos fixos. Os satélites captam sinais de luz, gerando milhares de possibilidades de informação sobre minerais, concentrações e tipos de vegetação, entre outros. A técnica permite a visualização de objetos de até vinte centímetros na superfície da Terra, quando o normal são resoluções de vinte metros. O sensoriamento remoto é uma técnica fundamental para a coleta de dados e informações sobre a Terra, permitindo o monitoramento de áreas extensas e de difícil acesso, auxiliando no estudo e controle de fenômenos naturais e na tomada de decisões em diversas áreas, como agricultura, geologia, cartografia, meio ambiente, entre outras. O processo de sensoriamento remoto pode ser explicado em um passo a passo: 1. Um satélite é enviado ao espaço com sensores capazes de captar diferentes tipos de energia, como luz visível, infravermelho e radar. 2. O satélite passa a orbitar a Terra, e os sensores começam a coletar informações sobre a superfície terrestre. 3. Os sensores enviam os dados coletados para estações terrestres, que processam essas informações e geram imagens. 4. As imagens geradas pelo sensoriamento remoto podem ser utilizadas para diversos fins, como mapeamento de áreas florestais, monitoramento de desastres naturais e análise da qualidade do solo e da água. 5. Os dados coletados pelos sensores também podem ser utilizados em conjunto com sistemas de informações geográficas (SIG), que permitem a análise e o cruzamento de diferentes informações espaciais. As linhas são utilizadas de duas formas: Lineares - para representar fenômenos contínuos, como estradas, ferrovias, rios, fronteiras, etc. Elas podem surgir no mapa com aspectos diversos. Por exemplo, um rio representado com diferentes espessuras pode significar que há variação de sua largura real. Se uma linha tracejada substitui seu traço contínuo, provavelmente representa a perenidade ou intermitência desse rio. Se um canal artificial foi construído perpendicularmente ao rio, uma linha reta contínua vai representá-lo. Com os demais elementos - estradas, ferrovias, túneis, pontes, oleodutos, etc. -, o procedimento é semelhante. Isorritmas - são linhas que unem pontos de um local em que determinado fenômeno tem intensidade igual. Uma das mais utilizadas é a isoípsa, que interliga pontos de mesma altitude; é também conhecida como "curva de nível". Para que um mapa seja simples de ler e facilmente compreensível, várias cores e símbolos são utilizados, de maneira a representar as características do terreno. No entanto, não é possível representar tudo, pois o excesso de pormenores tornaria a leitura do mapa impossível. Existem muitos tipos de mapas, com várias escalas, utilizando cores e símbolos diferentes. E não podemos esquecer que os mapas podem ser desenhados para as mais variadas utilizações: de atividades recreativas a fins militares, meteorológicos ou geológicos. Para se compreender um mapa, a melhor regra é simples: sempre começar pelo estudo da legenda, que contém os símbolos utilizados e sua descrição. Damos o nome de "legenda" às simbologias utilizadas para representar um fenômeno qualquer no mapa. A simbologia existente nas legendas - em um mapa de orientação básica - permite que qualquer pessoa, independente do seu país de origem, possa entender a representação gráfica de uma determinada região. Uma vantagem desses mapas é que símbolos, cores, escalas, espessura das linhas, etc. respeitam uma norma mundial. Essa simbologia é determinada pela Federação Internacional de Orientação (International Orienteering Federation - I.O.F.). Para entender o que está "escrito" na linguagem cartográfica é necessário decodificar esses símbolos, ou seja, é necessário interpretar os códigos que estão apresentados na legenda. Os símbolos mais usados são as linhas, as cores e o grafismo. Os mapas são importantes porque permitem a visualização espacial de informações, possibilitando a compreensão de características geográficas e a tomada de decisões em diversas áreas, como planejamento urbano,meio ambiente, navegação e exploração mineral. Mapas são representações gráficas de um determinado espaço geográfico, que permitem visualizar suas características, como a localização de rios, montanhas, cidades, estradas, entre outros. Eles podem ser utilizados para diversos fins, como a navegação, a análise de fenômenos climáticos, a gestão territorial, o planejamento urbano, a análise de áreas de risco, entre outros. A importância dos mapas se dá pelo fato de que eles permitem a visualização de informações espaciais de forma clara e objetiva, o que facilita a tomada de decisão em diversas áreas, como a economia, o meio ambiente, a segurança pública, a saúde, entre outras. Além disso, eles contribuem para a construção do conhecimento geográfico e para a preservação da memória cultural e histórica de um determinado local. ● Os mapas são representações planas, em escala reduzida, de locais na Terra. ● Mapas são úteis para mostrar informações como concentração populacional, desenvolvimento social, entre outras. ● Devido à sua representação plana, os mapas não refletem a forma da Terra e os cartógrafos usam globos para imitar essa forma. ● Existem dois tipos comuns de mapas: políticos e topográficos. ● Os mapas cartográficos dependem de um sistema de localização com longitudes e latitudes, uma escala, uma projeção e símbolos. ● O sensoriamento remoto por foto de satélite ou fotografias aéreas é uma das principais fontes de informação para a criação de mapas. Existem diversos tipos de mapas, cada um com uma finalidade e características específicas. A seguir, alguns dos tipos principais de mapas: 1. Mapa político: apresenta informações sobre fronteiras e limites territoriais de regiões, países e continentes. 2. Mapa topográfico: representa o relevo, a altitude e a profundidade de uma região, mostrando montanhas, vales, rios e lagos, por exemplo. 3. Mapa climático: apresenta informações sobre o clima de uma região, como temperatura, umidade, precipitação, entre outros. 4. Mapa geológico: representa as diferentes formações geológicas do solo, tais como rochas, minerais e outros elementos. 5. Mapa de uso do solo: mostra como uma determinada área é utilizada, por exemplo, para agricultura, urbanização, preservação ambiental, entre outras finalidades. 6. Mapa de transporte: apresenta informações sobre as redes de transporte, como estradas, ferrovias, portos e aeroportos. 7. Mapa de população: apresenta informações sobre a densidade populacional de uma região. 8. Mapa turístico: destaca pontos turísticos, atrações e serviços em uma determinada área. Cada tipo de mapa tem suas próprias particularidades e finalidades, permitindo uma representação mais precisa e completa das características de uma determinada região. A escala é apenas uma das convenções e elementos utilizados na cartografia. Outros elementos importantes incluem a legenda, que fornece informações sobre símbolos e cores usados no mapa, a projeção, que é a maneira como o mapa é projetado a partir de uma esfera para uma superfície plana, e as coordenadas geográficas, que permitem a localização exata de pontos no mapa. Além disso, a escolha dos símbolos, cores e fontes também é essencial para a eficácia e clareza do mapa. Todos esses elementos juntos ajudam a tornar um mapa uma ferramenta eficaz para comunicação de informações geográficas. Para melhor compreensão, podemos dividir as convenções utilizadas em cartografia em quatro partes essenciais que devem estar presentes em todos os mapas: título, legenda, orientação e escala. Já vimos a escala, agora veremos as outras três Título O título do mapa é uma das convenções cartográficas mais importantes, pois ele fornece informações essenciais sobre o conteúdo do mapa, permitindo uma rápida identificação do tema e do local retratado. O título deve ser claro, objetivo e conciso, e pode ser usado para indicar o tipo de mapa, a escala, a área geográfica representada, a época do levantamento e outros detalhes relevantes. Além disso, o título pode ajudar a contextualizar o mapa em relação a outros mapas e informações geográficas, auxiliando na sua utilização em diversas áreas, como na navegação, planejamento urbano, gestão ambiental, entre outras. Legenda A legenda é um dos elementos fundamentais de um mapa, e tem como objetivo explicar o significado dos símbolos e cores usados na representação cartográfica. É uma espécie de dicionário que ajuda o leitor a interpretar a informação contida no mapa. A legenda permite que o usuário compreenda e interprete o mapa, identificando as diferentes informações representadas e sua importância na leitura do mapa. Ela contém uma lista dos símbolos, cores e linhas utilizados, bem como uma breve explicação do que cada um deles representa. É importante notar que a legenda pode variar dependendo do tipo de mapa e das informações que ele representa. Por exemplo, em um mapa topográfico, como o de cima, a legenda pode indicar as curvas de nível, as estradas, os rios e outras características do terreno. Em um mapa temático, como um mapa de densidade populacional, a legenda pode representar as cores ou símbolos usados para mostrar as diferentes áreas de densidade populacional. Em resumo, a legenda é uma ferramenta importante para a interpretação e compreensão do mapa, pois ajuda a decifrar o significado dos símbolos e cores utilizados na representação cartográfica. Um mapa de curvas de nível é um tipo de mapa topográfico que representa o relevo de uma região utilizando linhas curvas que conectam pontos de mesma altitude. Essas curvas, chamadas de curvas de nível, mostram a forma do terreno, permitindo visualizar a altitude e a inclinação das montanhas, colinas, vales e outros acidentes geográficos. Para ler um mapa de curvas de nível, é importante entender que as curvas mais próximas indicam uma variação mais rápida da altitude, enquanto as curvas mais afastadas indicam uma variação mais suave. As curvas de nível fechadas indicam áreas de topo de montanhas ou de depressões. A diferença de altitude entre as curvas pode ser obtida na escala vertical do mapa, geralmente expressa em metros ou pés. A orientação do mapa também é importante para sua leitura, assim como a escala utilizada para a representação. É comum que esses mapas incluam outras informações, como rios, estradas, trilhas e pontos de interesse, que ajudam a contextualizar a região representada. Algumas legendas que podem aparecer no mapa incluem: As cores são, geralmente, utilizadas para representar fenômenos de intensidade variável, como zonas de diferentes altitudes e/ou profundidades. São convenções internacionais, seguidas por todos os países. As seguintes cores (geralmente seis ou sete) são as utilizadas em mapas de orientação: Marrom: usado em mapas de relevo, para designar altimetria. Abarca tudo o que está relacionado com diferenças de altitude: montanhas, ravinas, depressões, etc.; Branco: representa uma floresta limpa (árvores, mas sem vegetação rasteira); Amarelo: representa áreas abertas (campos abertos, clareiras, etc.); Verde: representa áreas ou objetos relacionados com vegetação (também usado em mapas de relevo, para representar altimetria); Azul: para representar águas tanto na superfície terrestre quanto nos mares ou oceanos - a tonalidade pode variar de acordo com a profundidade; Preto: usado em nomenclatura (por exemplo, nomes de cidades, de portos, etc.). É a cor mais utilizada e representa variados objetos e características do terreno, geralmente artificiais ou rochosos: estradas, caminhos, linhas de alta-tensão, edifícios, rochas e precipícios. Com extensão territorial de 8541 205 km2, que o torna o quinto maior país do mundo e o terceiro do continente americano, o Brasil é considerado um “país-continente“. O Brasil apresenta uma vastidão territorial cuja estrutura rochosa serve de base para diferentes tipos de solo, vegetação, águas continentais e oceânicas. É nesseespaço que atuam elementos climáticos diversos, que podem alterar a paisagem. A posição geográfica brasileira A linha do Equador atravessa o norte do território brasileiro. Assim, 7% da área do país está situada no hemisfério norte, e os 93% restantes, no hemisfério sul. Em relação ao meridiano de Greenwich, o Brasil encontra-se totalmente situado no hemisfério ocidental ou oeste, ocupando a porção centro-leste da América do Sul. Suas dimensões territoriais permitem que faça fronteira com quase todos os países sul-americanos, à exceção do Chile e do Equador. Os limites do território brasileiro estendem-se por 23086 km, sendo 15 719 km de fronteiras terrestres e 7 367 km de litoral com o oceano Atlântico. O Brasil nas zonas climáticas O Brasil possui cinco zonas climáticas. Em cada uma destas ocorre a incidências de climas (temperaturas, umidade e pluviosidades) com características semelhantes. ZONAS CLIMÁTICAS NO BRASIL E SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS: Clima Equatorial: Esse clima possui localização predominante na região Amazônica, possui temperaturas acima da média nacional (superior a 21º) e pequena amplitude térmica (variação de temperatura). Essa região possui uma grande concentração de rios e esse fato faz com que a umidade seja elevada, determinando também o não registro de temperatura excessivamente elevada. Um fato típico desse clima é o alto grau de precipitações (acima de 2000 mm anuais), nessa região não existe estação seca, sendo constatadas chuvas praticamente todos os dias. Clima Tropical: Localiza-se na parte central do país, e possui como aspectos fundamentais duas estações bem definidas, uma chuvosa, que ocorre no verão, e outra seca, que ocorre no inverno. Esse fato determina que exista uma amplitude térmica superior à da região de clima Equatorial. Na estação seca, por ocasião da baixa umidade relativa do ar, existe a forte ocorrência de queimadas, tanto naturais quanto causadas pelo homem, e, em diversas cidades brasileiras da região central, são verificadoa, dentre outros fatores, distúrbios respiratórios, problemas de circulação de trânsito e problemas nas safras agrícolas. Clima Tropical de Altitude: Clima localizado no litoral brasileiro, possui elevado índice pluviométrico (acima de 2.000 mm anuais). Esse clima apresenta temperaturas bem amenas. As temperaturas dessa região são inferiores à média nacional, em virtude da posição e influência do relevo. Clima Subtropical: Esse clima se apresenta na região Sul do país, além da parte Sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Essa região, em função do clima, apresenta as quatro estações bem definidas. Outro ponto de destaque é a elevada amplitude térmica anual, que supera em alguns anos os 15º C. Nas áreas serranas do Sul de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, altitude e latitude combinam-se para produzir as menores temperaturas do país, muitas vezes atingindo temperaturas negativas, esse fato torna o clima da região muito semelhante ao clima temperado das latitudes médias. Clima Semi-Árido: Sua localização é predominante na região do sertão nordestino. Seu destaque maior é a escassez de precipitações, associada a uma péssima distribuição nas áreas e no período (mensalmente). Quando não ocorre chuva no verão (janeiro e fevereiro), ou as chuvas são pouco intensas, o ano passa a ser considerado de seca. RELEVO BRASILEIRO O Brasil é um país que possui uma estrutura geológica bastante antiga, o que determina seu relevo de baixa altitude, influenciado principalmente por agentes externos (exógenos), como o homem, os ventos e a água, visto que, o Brasil não apresenta atividades geológicas internas (endógenas) em caráter expressivo (como terremotos de grande magnitude e vulcanismo). O relevo Brasileiro é em geral modesto, destacando-se o Pico da Neblina (3.014 m) na fronteira do Amazonas com a Venezuela. A inexistência de dobramentos modernos e a ação erosiva pelas quais já passaram os escudos cristalinos, ocasionou o baixo nível do relevo. O predomínio de baixas altitudes não significa que o relevo brasileiro seja basicamente de planícies, ao contrário, a maioria do território é constituída de planaltos e uma grande parcela de depressões. As áreas de concentração das planícies verdadeiras não chegam a um quinto do território nacional. A vegetação do Brasil é composta por formações bastante diversas que variam de acordo com características físicas do território nacional, que são o clima, o relevo e o tipo de solo. Dessa forma, encontra-se no país: Florestas tropicais e atlânticas, como a Amazônia e a Mata Atlântica; Cerrado; Caatinga; Pampas; mata de araucárias; áreas de transição, como a mata dos cocais; sistemas complexos, a exemplo do Pantanal. Dados do IBGE mostram, entretanto, que a vegetação nativa brasileira tem ocupado uma área cada vez menor, o que se deve, sobretudo, ao processo de urbanização e abertura de novas áreas para cultivo e pastagem. A vegetação do Brasil diz respeito ao conjunto de diferentes formações vegetais que recobrem o território nacional. Características como clima, relevo e tipo de solo influenciam no tipo de vegetação que recobre determinada área. São tipos de vegetação brasileira: Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, mata dos cocais, mata de araucárias e Pampas." O que é vegetação do Brasil? A vegetação do Brasil corresponde a todo o conjunto de espécies e formações vegetais que recobrem o território nacional. Cada uma dessas classes está associada a um diferente tipo de clima, solo e relevo, os quais suportam, assim, plantas com características correspondentes à disponibilidade hídrica, à temperatura, à profundidade e ao nível de fertilidade do solo, entre outros. Com o passar do tempo, com o avanço das áreas urbanizadas e das atividades antrópicas que se utilizam de extensas áreas, como a produção agropecuária, a vegetação nativa do Brasil teve a sua área reduzida. De acordo como IBGE, entre os anos de 2000 e 2018, uma parcela de 8,34% da cobertura original do país foi retirada, o equivalente a 490 mil km², atingindo principalmente áreas nos biomas da Amazônia e do Cerrado. A maior parcela dessas áreas (43%) foi convertida em pastagens e lavouras agrícolas. Tipos de vegetação do Brasil O Brasil apresenta uma grande variedade de coberturas vegetais, o que se deve, principalmente, à sua extensão continental e diversidade climática. Apontamos abaixo os diferentes tipos de vegetação encontrados no território nacional e suas características. A Floresta Amazônica é um tipo de floresta equatorial ou tropical. Possui mais de cinco milhões de km² e é, em função disso, considerada a maior floresta tropical do mundo. Trata-se também da principal formação vegetal do território brasileiro, uma vez que recobre aproximadamente 60% de sua superfície. Ocorre em estados da região Norte do Brasil, onde há a predominância de climas quentes e úmidos, como o Equatorial. A Floresta Amazônica se divide em três categorias, que são: Mata de várzea: localizada em áreas que são alagadas periodicamente, como a planície inundável dos rios. É formada por árvores de médio e grande porte, as quais crescem em solos de elevada fertilidade em decorrência do acúmulo de nutrientes proporcionado pelas águas dos rios. Mata de igapó: situada em áreas rebaixadas, um patamar abaixo da mata de várzea. Por isso é caracterizada por solos alagados durante a maior parte do tempo, onde há a ocorrência de vegetação de pequeno e médio porte adaptada a ambientes aquáticos ou de elevado teor de umidade, como os musgos, vitórias-régias e espécies de arbustivas. Mata de terra firme: compõe a maior parte da Floresta Amazônica e é caracterizada pelas formações de florestas densas, com árvores de grande porte. Diferentemente das demais, ela cresce em solo de baixa fertilidade e cujo teor de umidade é comparativamente baixo. O teor de nutrientes desse substrato depende, sobretudo, da camada de matéria orgânica depositadasobre ele. Encontra-se na mata de terra firme árvores como seringueiras, mogno, palmeiras, cedro, cacau e muitas outras. A Mata Atlântica era formada por florestas ombrófilas e decíduas, e, próximo da faixa costeira, observava-se a presença de vegetação litorânea como restingas e mangues. Atravessa uma grande diversidade de climas, sendo predominante em áreas de clima Tropical, estendendo-se pelo leste do território nacional, desde o Rio Grande do Norte até a porção setentrional do Rio Grande do Sul, avançando sobre grande parte da região Sudeste e também parcela do Centro-Oeste. De acordo com o IBGE, o bioma que leva o nome da cobertura vegetal é, atualmente, o único em que a vegetação nativa não é predominante. No ano de 2018, restavam somente 12,6% de superfícies recobertas por florestas, as quais foram, aos poucos, dando lugar às cidades e áreas urbanizadas. Cerrado chamado também de savana. Recobre mais de dois milhões de km² de área, sendo a vegetação predominante da região Centro-Oeste do Brasil. Observa-se a ocorrência do Cerrado também em estados como: São Paulo - Paraná - Bahia - Maranhão - Piauí - Tocantins - Rondônia A vegetação do Cerrado é formada por herbáceas, arbustivas, que compõem os campos, e árvores de médio porte, geralmente com troncos grossos e retorcidos, folhas de superfície reduzida e raízes profundas, que são, respectivamente, adaptadas ao fogo e aos períodos de estiagem característicos do clima Tropical, em que há alternância entre uma estação seca e outra chuvosa. A disposição da vegetação varia de esparsa pela superfície até formações mais densas, que caracterizam a fisionomia dos cerradões. Trata-se de uma vegetação altamente devastada também em decorrência do avanço das atividades produtivas do agronegócio, com destaque para as lavouras de soja. Caatinga é chamada também de savana em função da sua fisionomia. É típica de regiões de clima Semiárido, em que há uma prolongada estação sem chuvas. Essas características são encontradas na sub-região conhecida como Sertão Nordestino. A Caatinga é formada por gramíneas, arbustivas e árvores de pequeno e médio porte. Observa-se, ainda, a ocorrência de xeromorfismo em muitas das espécies que compõem a flora da Caatinga, que nada mais é do que o conjunto de mecanismos de adaptação à seca, como a armazenagem de água. Mata de cocais é uma vegetação de transição entre o Cerrado, a Caatinga e a Floresta Amazônica. É encontrada comumente entre estados das regiões Norte e Nordeste do Brasil, na sub-região denominada Meio Norte, que compreende Maranhão, Tocantins e Piauí. É caracterizada pela presença de árvores de grande e médio porte e dossel aberto, sendo marcante na paisagem palmeiras como carnaúbas, buritis e babaçus. O Pantanal é classificado como um sistema complexo, uma vez que agrega feições bastante diversificadas e características de outros biomas e formações vegetais. Ocorre nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, na região Centro-Oeste do país. Em função das terras planas, observa-se a formação de extensas áreas alagadas no período das cheias dos rios. Determinadas áreas se encontram permanentemente alagadas. Matas ciliares, arbustos, árvores de grande porte e espécies aquáticas, algumas delas endêmicas (isto é, que tiveram origem naquela localidade), compõem essa formação vegetal." Campos ou Pampas, é vegetação é típica das regiões de clima Subtropical da região Sul do Brasil, marcando a paisagem dos estados do: Rio Grande do Sul - Santa Catarina - Paraná As gramíneas que dão origem aos Campos e as espécies arbustivas são predominantes na paisagem." Mata de araucárias Chamada também de mata dos pinhais, atravessava a porção central dos três estados que integram a região Sul do Brasil, que são áreas de relevo elevado e clima Subtropical. As araucárias são o principal tipo de árvore encontrado nessa formação, por isso o seu nome. Elas podem ter dezenas de metros de altura, e são caracterizadas pelas folhas em formato de agulha, troncos largos e pela pinha, que origina a semente conhecida como pinhão. Essa vegetação se encontra hoje bastante reduzida em decorrência das atividades exploratórias de extração de madeira. Os mangues correspondem à vegetação encontrada nos manguezais. Estes compõem o sistema marinho-costeiro brasileiro, que se estende por toda a faixa litorânea do país, com exceção do Rio Grande do Sul. Os mangues se formam comumente no encontro da água doce dos rios com a água salobra do mar, e são marcados pelas planícies alagadas, onde se encontra grande quantidade de sedimentos que dão origem à lama. As árvores, de troncos e raízes finas, são adaptadas a esse ambiente, e muitas delas possuem raízes expostas para a respiração. Zonas Litorâneas do Brasil Faixa de terra emersa, banhada pelo mar, o litoral não é apenas a li nha de contato entre o mar e a terra, mas sim a área de influência do mar em relação às variações das marés, das ondas e das correntes marinhas. O Brasil possui uma das áreas litorâneas mais extensas do mundo – 7.367 km em linha contínua ou 9.198 km considerando-se os recortes geo gráficos do litoral. Voltada para o oceano Atlântico, a costa brasileira é pontilhada por vários tipos de paisagem – dunas, ilhas, baías, estuários, manguezais, costões rocho sos e falésias – e ocupada por enorme variedade de animais e vegetais. A costa brasileira pode ser dividida em 4 grandes zonas com feições geomorfológicas diferentes em cada parte do litoral. Litoral amazônico – norte Ocupa a faixa que vai do rio Oiapoque (AM) ao Ceará e se caracteriza por águas lamacentas. O clima é equato rial – quente e semiúmido, com 4 a 5 meses secos -, tem peratura média anual de 26 °C e pluviosidade entre 1.500 e 1.750 mm. A vegetação típica de manguezais em relevo plano possui grande incidência de matas de várzeas de marés. Entre os rios Oiapoque e a baía de São Luís (MA o litoral é dominado pela vegetação de mangue favorecida pelos abundantes sedimentos trazidos pelai águas do rio Amazonas e pela amplitude das marés. A fauna é caracterizada pela presença de jacarés, guarás _ muitas espécies de aves e crustáceos. Litoral oriental – nordeste e leste Começa no Ceará e vai até o Rio de Janeiro. Economicamente, desta ca-se a faixa que abrange o litoral do Rio Grande do Norte e Ceará, com a produção de sal. O clima quente e os ventos fortes e constantes implicam forte evaporação e fazem do litoral potiguar a principal área salineira do Brasil (Mossoró, Macau e Areia Branca). No Recôncavo Baiano e no Rio de Janeiro, encontram-se as bacias petrolíferas. O clima varia do tropical quente e úmido ao superúmido e semiárido, podendo apresentar de 4 a 5 meses secos, temperatura média anual entre 22 °C e 26 °C e pluviosidade entre 1.250 e 2.000 mm anuais. Caracterizado por vegetação de restinga, vários recifes calcários e arenitos, além de dunas, o litoral oriental é rico em lagunas. Em suas águas vivem o peixe-boi marinho, tartarugas, espécies ameaçadas de extinção. Litoral Sudeste Estende-se de São Paulo a Santa Catarina, abrangendo parte da faixa mais densamente povoada e industrializa da do país (que vem desde o Rio de Janeiro). O clima é tropical – quente e úmido, com 1 a 2 meses secos -, temperatura média anual entre 20 °C e 22 °C e pluviosidade entre 1.250 e 1.500 mm anuais. Além da Mata Atlântica, devastada na serra, as matas de restingas são sua vegetação mais importante. O trecho é marcado pela presença de falésias, recifes, arenitos e praias de areia monazítica (mineral de cor marrom-escuro). O litoral sudeste tem a costa recortada por inúmeras baías e enseadas, sendo do minado pela serra do Mar. Esse trecho litorâneo é habita do por espécies em extinção, como a preguiça-de-coleira e o sauá (mamífero primata). Litoral Sul Abrange toda a costa do Rio Grande do Sul. O clima é o subtropical – subquente e superúmido sem seca -, tem peratura média anual entre 15 °C (inverno) e 20 °C (ve rão), pluviosidade entre60 e 2.000 mm anuais. É caracte rizado pela presença de vegetação de banhados, restingas e dunas. O litoral sul constitui-se de solos de areias quartzosas marinhas em vastas planícies ocupadas por formações vegetais que variam em função dos diferentes ambientes, especialmente em relação à salinidade. A faixa litorânea do sul é hábitat de um grande número de pás saros, sendo também ponto de pouso de muitas aves mi gratórias. A hidrografia brasileira ocupa um lugar de destaque entre os elementos naturais. O destaque nesse sentido é proveniente da quantidade e variedade hídrica presente no país. Grande parte dos rios brasileiros nasce em relevos com pouca altitude, exceto o rio Amazonas, que nasce na Cordilheira dos Andes. Com 55.467 km2 o país ocupa o primeiro lugar em rede hidrográfica, isso devido à sua extensão. A riqueza hídrica nacional favorece a presença de rios de grande profundidade, além de rios largos e extensos, em decorrência do tipo de relevo predominante no país forma rios de planaltos. No Brasil, os rios são caudalosos e as bacias hidrográficas extensas, proporcionando um significativo potencial hídrico no desenvolvimento de usinas hidrelétricas, captação de água, irrigação, transporte entre outros. As principais características da hidrografia brasileira são: • Ocorrência de grande parte dos rios do tipo caudalosos, isso significa cursos com elevado volume de água e que não secam (perene), característica derivada do clima úmido. Somente no sertão nordestino ocorre, em determinadas localidades, rios temporários. • Domínio principal de foz do tipo estuário e alguns rios com foz do tipo delta. • Os regimes dos rios brasileiros são de predominância do tipo pluvial, isso quer dizer que os períodos de cheias e vazantes são determinados pela ocorrência de chuvas e secas, influência direta do clima na hidrografia. • Modesta quantidade de lagos. • Superioridade de rios que deságuam no mar, nascem no interior do país e percorrem em direção ao oceano, chamado de drenagem do tipo exorréica. • Grande parte dos rios corre sobre planaltos e depressões, esses são os tipos de relevo que mais se destacam no Brasil, favorecendo a instalação de usinas hidrelétricas. Em detrimento da abundancia hídrica, o Brasil se coloca como um privilegiado nesse sentido, uma vez que a escassez de água assola muitos países do mundo. Apesar dessa riqueza, a população não cuida dos rios, pois diariamente são lançados esgotos, produtos químicos, lixo e muitos outros detritos nos mesmos. A Hidrografia do Brasil reúne um dos mais extensos e diversificados recursos hídricos do planeta. Possui 15% do total da água doce existente em todo o mundo. Cada rio ou curso d'água brasileiro possui características próprias e complexas que resultam da combinação de vários aspectos geográficos da região onde estão localizados, entre eles, o clima, o relevo, a cobertura vegetal, como também da ação do homem na natureza. No Brasil as águas estão distribuídas em 12 regiões hidrográficas, onde foram agrupadas por bacias com rios de grande vazão, e micro bacias do litoral brasileiro, formadas por rios com pequena extensão e vazão. Região Hidrográfica Amazônica A Região Hidrográfica Amazônica ou Bacia Amazônica é formada pelo rio Amazonas e seus afluentes. Ocupa uma área 3.843.402 km², que corresponde a 44,63% do território nacional. Compreende os estados do Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará e Mato Grosso. O rio Amazonas é o maior rio do mundo em volume de água e o segundo em extensão. Entre seus afluentes estão o Javari, Juruá, Jutaí, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu, na sua margem direita; e os rios Iça, Japurá, Negro, Trombetas e Jari, na sua margem esquerda. Região Hidrográfica Tocantins Araguaia A Região Hidrográfica Tocantins Araguaia ou Bacia Tocantis-Araguaia, se estende por uma área de 967.059 km² o que representa 11,36% do território nacional. Compreende os Estados de Goiás, Tocantins, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Distrito Federal. Na Região Tocantins, com uma extensão de 2.600 km, o rio Araguaia abriga a maior ilha fluvial do mundo, a Ilha do Bananal. Os principais afluentes da Bacia Tocantins Araguaia são: Formoso, Garças, Bagagem, Tocantizinho, Paraná, Manuel Alves Grande, Rio Sono e Santa Tereza. Região Hidrográfica do Paraná A Região Hidrográfica do Paraná ou Bacia do Paraná ocupa uma área de 879.860 km², o que corresponde a 10,33% do território nacional. Compreende os estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e o Distrito Federal, área de maior desenvolvimento econômico do país. O rio Paraná, com uma extensão de 2.750 km, até sua foz, nasce entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul e corre na fronteira do Brasil e Paraguai, até o rio Iguaçu. Entre seus afluentes estão o rio Grande, Iguaçu, Paranaíba, Paranapanema, Paraná e Tietê. Região Hidrográfica do São Francisco A Região Hidrográfica do São Francisco ou Bacia do Rio São Francisco ocupa uma área de 641.000 km², o que corresponde a 7,52% do território nacional. Abrange os estados de Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e também o Distrito Federal. O rio São Francisco atravessa o Sertão nordestino, a região mais seca do Brasil. Suas águas são usadas para abastecimento, lazer e irrigação. Tem mais de 2.000 km de trecho navegáveis. Entre seus 158 afluentes 90 são perenes e 68 são temporários. Entre eles estão o rio Das Velhas, Abaeté, Correntes, Jequitaí, Rio Verde Grande, Paracatu. Região Hidrográfica do Paraguai A Região Hidrográfica do Paraguai ou Bacia do Paraguai ocupa uma área de 361,35 km² nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O rio Paraguai, nasce na Chapada dos Parecis, no estado do Mato Grosso. Ao longo do seu percurso em direção ao sul, recebe vários afluentes, entre eles, o rio Cuiabá, Taquari, São Lourenço, Negro e Miranda. O rio atravessa o Pantanal Mato-Grossense, considerado uma das maiores áreas úmidas contínuas do planeta. O Pantanal funciona como um grande reservatório que retém a maior parte da água oriunda do planalto e regula a vazão do rio Paraguai. Região Hidrográfica do Uruguai A Região Hidrográfica do Uruguai ou Bacia do Uruguai ocupa uma área de 174.612 km², o que corresponde a 2,05% do território nacional. Marca a divisa dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e também entre o Brasil e a Argentina. Seus principais afluentes são o rio Chapecó, Passo Fundo, Peixe e Várzea. Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Ocidental A Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Ocidental ou Bacia Hidrográfica Atlântico Nordeste Ocidental ocupa uma área de 254.100 km², que corresponde a 2,98% do território nacional. Compreende o Estado do Maranhão e uma pequena porção do Pará. Fazem parte da região os rios Gurupi, Turiaçu, Pericumã, Mearim e Itapecuru. Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Oriental A Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Oriental ou Bacia Hidrográfica Atlântico Nordeste Oriental ocupa uma área de 287.348 km², que corresponde a 3,37% do território nacional. Compreende os Estados do Ceará, Rio Grande do Norte Paraíba, Pernambuco e Alagoas. A região apresenta baixa disponibilidade de água principalmente no período de estiagem, são eles, o Capibaribe, Paraíba, Jaguaribe e Acaraú. Região Hidrográfica do Parnaíba A Região Hidrográfica do Parnaíba ou Bacia do Parnaíba ocupa uma área de 344.112 km², que corresponde a 4,04% do território nacional. Compreende os estados do Piauí, Maranhão e Ceará. A maioria de seus afluentes são perenes e supridos por águas pluviais e subterrâneas. Região Hidrográfica Atlântico Leste A Região Hidrográfica do Atlântico Leste ou Bacia Hidrográfica do Atlântico Leste ocupa uma área de 374.677 km², que corresponde a 4,4% do território nacional. Compreende parte dos estados de Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. Entre os rios principais estão o Paraguaçu, São Mateus, Pardo, Salinas, Contas, Jequitinhonhae Mucuri. Região Hidrográfica Atlântico Sudeste A Região Hidrográfica do Atlântico Sudeste ou Bacia Hidrográfica do Atlântico Sudeste ocupa uma área de 229.972 km², que corresponde a 2,7% do território nacional. Compreende os estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e o litoral do Paraná. Seus principais rios são o rio Parnaíba do Sul e o rio Doce. Região Hidrográfica Atlântico Sul A Região Hidrográfica Atlântico Sul ou Bacia Hidrográfica Atlântico Sul ocupa uma área de 185.856km², que corresponde a 2,18% do território nacional. Tem início na divisa dos Estados de São Paulo e Paraná e se estende até o Arroio Chuí no extremo sul do país. Compreende os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Na região predominam rios de pequeno porte que escoam diretamente para o mar. Com exceção para os rios Itajaí e Capivari em Santa Catarina que apresentam maior volume de água. São encontrados rios de grande porte como Taquari-Antas, Jacuí, Vacacaí e Camaquã. Ocupação da terra no Brasil (Colônia e Império) - Divisão do Brasil em capitanias (Coroa portuguesa transferia para particulares a responsabilidade de ocupar e explorar determinadas áreas). O sistema já havia sido utilizado com sucesso na colonização de outros territórios sob domínio português, como as ilhas Madeira, Cabo Verde e Açores. O Brasil foi dividido em 14 grandes extensões de terra, distribuídas entre funcionários da corte e a pequena nobreza de Portugal. Os donatários (os que recebiam as capitanias) tinham o "senhorio" sobre as terras, sendo obrigados a povoar e desenvolver economicamente o território. Donatários concedem sesmarias (porções de terras destinadas à produção) a terceiros. O sistema de sesmarias havia sido instituído em Portugal no século 14, em meio à grave crise socioeconômica da Baixa Idade Média. Os sesmeiros tinham o prazo-limite de cinco anos para cultivar as terras, podendo perdê-las se não cumprissem a legislação. Entre os séculos 16 e 18, as capitanias voltaram, pouco a pouco, para o domínio da Coroa portuguesa. Em 1759, as capitanias hereditárias foram extintas e o Brasil passou a se dividir em capitanias reais, doadas a fidalgos e religiosos portugueses. Até a Independência o território foi continuamente repartido entre particulares. Após 1822, o ritmo das ocupações permaneceu inalterado, com muitas terras ocupadas de forma ilegal, especialmente com a expansão das grandes fazendas produtoras de café. No Segundo Reinado, aprovação da lei nº 601, a Lei de Terras (1850), a fim de regularizar a questão fundiária e responder aos novos desafios colocados pelo fim do tráfico negreiro e a necessidade de mão-de-obra estrangeira.Grande parte das sesmarias e das posses, contudo, não foi legalizada; as terras do Império continuaram a ser ocupadas de forma ilegal e sistemática; boa parte das propriedades nunca foi medida nem demarcada; as multas, quando aplicadas, poucas vezes foram pagas. Questão agrária no Período Republicano O problema da concentração fundiária permaneceu, portanto, e esteve na raiz dos principais confrontos sociais do período republicano: as guerras de Canudos e do Contestado. Em Canudos, devemos salientar os problemas do coronelismo e da alta concentração de terras no interior nordestino, agravados pelos longos períodos de seca. No que e refere a Contestado, o problema se concentra na disputa surgida entre, de um lado, posseiros caboclos e pequenos fazendeiros, e, de outro, a empresa responsável pela construção da estrada de ferro ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul. A partir de 1964 surge o Estatuto da Terra, segundo o qual o acesso à terra para quem nela vive e trabalha é um direito do trabalhador rural e promovê-lo é obrigação do Estado. No entanto, segundo pesquisa da Comissão Pastoral da Terra (ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB), nos 20 anos do regime militar foram assassinados 840 trabalhadores rurais. Diante da ineficácia da legislação, surge, em 1979, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Como resposta à organização dos trabalhadores, forma-se, em 1985, a União Democrática Ruralista (UDR). Em 1988, a nova Constituição reafirma a função social da terra. Os problemas, no entanto, se sucedem: no período de 1985 a 1997 morreram no campo 1.003 trabalhadores e lideranças (como advogados, sindicalistas, religiosos). Nos oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso, foram 43 mortes por ano em disputas agrárias. Nos dois governos do presidente Lula a realidade também não mudou: só em 2008, segundo informações da Comissão Pastoral da Terra, foram 28 pessoas assassinadas. Questão agrária abrange problemas que ocorrem no campo brasileiro, como a concentração de terras e os conflitos, os quais são mais graves nas áreas de fronteira agrícola. A questão agrária diz respeito à estrutura fundiária e às relações produtivas e de trabalho no campo brasileiro. Assim, ela envolve fatores como a terra, o capital, os meios de produção e a mão de obra. A problemática agrária brasileira teve início com a distribuição desigual de terras no período da colonização, e só se agravou com o passar do tempo. A Revolução Verde e o ingresso maior do capital no espaço agrário aprofundaram ainda mais as desigualdades e intensificaram os conflitos no campo, principalmente nas áreas de expansão da fronteira agrícola. A questão agrária abrange problemas no campo relacionados à estrutura fundiária, ao modo de produção agrícola e às relações capitalistas e de trabalho que ocorrem no espaço agrário brasileiro. Historicamente a concentração de terras teve início, ainda no período colonial, com a atribuição de extensos lotes a poucas pessoas. Com a instituição da propriedade apenas pela compra, novos problemas surgiram, como a grilagem de terras. A modernização agropecuária e a maior introdução do capital no campo aprofundaram ainda mais as desigualdades no campo brasileiro, agravando o problema da concentração de terras e intensificando o processo de êxodo rural. Nas áreas de expansão da fronteira agrícola brasileira, sobretudo na região Norte, observa-se uma escalada dos conflitos e da violência no campo. A reforma agrária se processa lentamente, e é uma das principais temáticas da questão agrária brasileira. Histórico da questão agrária no Brasil Os problemas no campo e a concentração fundiária no Brasil tiveram início ainda no período da colonização. À época, as terras brasileiras eram de propriedade da Coroa portuguesa, e a sua partilha se deu inicialmente por meio das capitanias hereditárias, que eram doadas a pessoas de confiança da Coroa. Essas propriedades serviam tanto para fins produtivos quanto para o estabelecimento português no Brasil, garantindo, assim, domínio sobre o novo território. Com as capitanias surgiu o sistema de sesmarias, que funcionava também por doação e deveria ser uma propriedade produtiva. Esse sistema de atribuição ficou em vigor entre os séculos XVI e XIX, tendo fim em 1822. No intervalo de tempo que vai até 1850, não havia um instrumento que legislasse sobre a propriedade de terras no país, e as chamadas terras devolutas, isto é, aquelas terras que foram abandonadas pelos seus antigos donos (sesmeiros, no caso) e não pertenciam à Coroa, podiam ser livremente ocupadas. Esse quadro se alterou em 1850, quando foi promulgada a Lei de Terras. A partir dela, a única forma de se adquirir propriedades rurais era por meio da compra. O novo instrumento ampliou o processo de concentração de terras que estava em curso no país, pois limitou o escopo daqueles que poderiam adquiri-las. Além disso, grandes proprietários lançaram mão de táticas como a grilagem, que nada mais é do que a falsificação de documentos, para aumentarem as suas áreas. As pessoas que não tinham como adquirir a terra acabavam se tornando assalariados nas propriedades rurais, o que inclui grande parcela dos imigrantes europeus que chegavam ao país no período, os quais vinham atraídospela (muitas vezes falsa) esperança de terem seus próprios lotes. A Lei de Terras representou um marco na questão agrária brasileira por limitar a aquisição de terras a um determinado grupo social e acentuar, dessa forma, as desigualdades no campo. Um século mais tarde, na segunda metade do século XX, a modernização produtiva no campo que chamamos de Revolução Verde, mediada por políticas governamentais, causou profundas mudanças na estrutura produtiva do país. A adoção do modelo produtivo do agronegócio, intensivo em capitais e baseado na monocultura e nas grandes propriedades de terra, bem como o avanço da fronteira agrícola para as regiões central e norte do Brasil aumentaram o número de trabalhadores rurais desempregados, intensificaram o processo de concentração de terras e suscitaram diversos conflitos violentos no campo. O quadro que se observa atualmente no país é derivado desse processo. Questão agrária no Brasil atual A questão agrária brasileira possui alguns atores principais, são eles: Estado; mercado; latifundiários; agroindústrias; camponeses; pequenos e médios proprietários de terra; comunidades tradicionais (como os indígenas e quilombolas); movimentos sociais e outras entidades. O problema central que permeia o espaço agrário brasileiro é, ainda hoje, a concentração fundiária. Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para o ano de 2018 mostram que, das 6.574.830 de propriedades rurais registradas no país, 1,47% possui mais de mil hectares. Em área, esse valor equivale a 57,69% de todos os mais de 775 milhões de hectares ocupados por propriedades no Brasil, demonstrando, assim, que há uma extensa área concentrada em poucos estabelecimentos rurais. Grande parte dos latifúndios se encontra em áreas de fronteira agrícola, para onde houve a expansão de monocultivos como o da soja, que hoje é a principal commodity agrícola brasileira. Tratamos aqui especialmente da região Norte do país, para onde essa fronteira se desloca atualmente." Muito da mão de obra e dos pequenos e médios produtores dessas áreas acabou por se deslocar para os centros urbanos em função da modernização produtiva, que extinguiu postos de trabalho, da competitividade imposta e até mesmo por conta da grilagem de terras, ameaças e outros motivos que provocam a sua expulsão do campo. Diante disso, temos que os principais conflitos e focos de violência no campo atualmente se concentram nas áreas de expansão da fronteira agrícola e mineral, atingindo pequenos produtores, posseiros e comunidades tradicionais. A reforma agrária se encontra no cerne da questão agrária brasileira, visando à desapropriação de latifúndios improdutivos e redistribuição dessas terras. O Incra é o responsável pela sua execução, criando assentamentos para a alocação das famílias que não possuem terras próprias nem condições para a sua aquisição. Dados do instituto para 2017 mostram que o Brasil tem 972.289 famílias alocadas em 9374 assentamentos, totalizando 87.978.041,18 hectares de terras. A problemática ambiental, a exploração em ritmo acelerado dos recursos naturais e a abertura de novas áreas produtivas por meio de práticas como a da queimada, por exemplo, têm ganhado também cada vez mais importância e urgência no debate da questão agrária brasileira. o processo de modernização do campo que se intensificou a partir da década de 1960. Já neste momento o campo brasileiro apontava uma tendência à utilização de insumos, produzidos além - propriedade. A introdução da tecnologia é o principal sintoma causador das mudanças, uma delas caracterizada pela produção de alimentos que sofria a pressão do aumento populacional e principalmente urbano industrial. No final da década de 1960, começavam a aparecer com grande ênfase, na Europa e nos Estados Unidos, os efeitos danosos da Revolução Verde, já plenamente instalada naquelas áreas e ainda incipiente no Brasil. A década de 1970 surgiu trazendo consigo uma série de mudanças e consolidando a chamada agricultura capitalista. Desta forma consolida-se a modernização da agricultura no Sudeste e no Sul do país estimulada por uma política de subsídios e incentivos que privilegiavam produtos voltados à exportação e/ou industrialização, produzidos em larga escala em grandes estabelecimentos monocultores. a partir da segunda metade da década de 1970 inicia-se a crise deste sistema tendente a monocultura, especialmente com a queda dos preços da soja no mercado internacional. Assim no início da década de 1980 o setor agrário busca a diversificação como saída para a agricultura. Além da preocupação com o planejamento da produção agrícola e com o desenvolvimento econômico, características da década de 1970, as relações campo-cidade, já demarcadas, determinaram ao meio rural a função primordial de produtor de alimentos, como fato mais significativo na sociedade brasileira, a partir da década de 1970, o processo de modernização da agricultura. Na década de 1980 a modernização considerou vários aspectos: desenvolvimento tecnológico, os conflitos sociais, a degradação ambiental, as relações de trabalho no campo, a dualidade entre pequena e grande produção, a relação agricultura/indústria, o uso da terra em diferentes áreas, entre outros, direcionaram as reflexões em torno do processo. Sabe-se que nesse período a migração campo-cidade era um dos problemas mais graves que assolavam o Brasil. A contradição mais evidente na agricultura brasileira, na década de 1980, diz respeito à coexistência da pequena e da grande exploração agrícola, cada uma cumprindo funções específicas dentro do sistema, principalmente quando se preconizava que a grande exploração de origem capitalista era mais rentável e decretaria o fim da pequena. Entretanto o que se observava era o crescimento da representatividade da pequena exploração. No período de 1970-1980 verifica-se um alargamento do espaço agrário e o processo muito acelerado de modernização da agricultura sustentado pela política de crédito rural implementada e consolidada no final da década de 1960. A expansão em moldes modernos, dos cultivos comerciais de grãos e em especial a soja respondeu pela intensificação do uso de itens modernos ampliando o mercado de indústrias de máquinas e de insumos que se expandiam pelo país. A agricultura brasileira é reconhecida como altamente competitiva e geradora de empregos, de riqueza, de alimentos, de fibras e de bioenergia para o Brasil e para outros países. É um dos setores que mais contribui para o crescimento do PIB nacional e que responde por 21% da soma de todas as riquezas produzidas, um quinto de todos os empregos e 43,2% das exportações brasileiras, chegando a US$ 96,7 bilhões em 2019 (Vendas..., 2020). Foi um dos poucos segmentos da economia brasileira que apresentou crescimento positivo. Internamente, o setor contribuiu para manter em declínio o preço real da cesta básica de alimentos. Analisando o desempenho do setor ao longo das últimas 4 décadas, verifica-se que, de 1975 a 2019, a produção de grãos passou de 38,1 milhões de toneladas para 232,6 milhões de toneladas, equivalente a um aumento de 510% (IBGE, 2020). A produção de carnes passou de 2,9 milhões de toneladas para 27,9 milhões de toneladas, ou seja, um aumento de 858% nesse mesmo período (United States, 2020). O setor florestal aumentou sua produtividade em mais de 150%, com destaque para as espécies de Pinus e Eucalyptus. A cafeicultura aumentou em mais de quatro vezes a produtividade somente nos últimos 25 anos. A produção de leite aumentou significativamente, saindo de pouco mais de 14 bilhões de litros no início dos anos 1990 para quase 35 bilhões de litros em 2019 (IBGE, 2020). O aumento da produção permitiu abastecer regularmente o mercado interno, com queda de 41,49% no custo da cesta básica (dezembro/2019 em relação a dezembro/1975, na cidade de São Paulo) (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, 2020), e dinamizouas exportações, passando de US$ 20,6 bilhões em 2000 para US$ 96,9 bilhões em 2019 (Brasil, 2020). Dentre os fatores que foram fundamentais para o desempenho do setor, podem-se elencar os seguintes: 1. disponibilidade de recursos naturais, principalmente terras planas; 2. política governamental, notadamente crédito rural; 3. agricultores competentes e empreendedores; e 4. tecnologia agropecuária tropical e subtropical desenvolvida no País. Temas prioritários da EMBRAPA Principais produtos agrícolas cultivados no Brasil Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) Dentre os principais produtos brasileiros cultivados, os que possuem maior destaque são: o milho, a cana-de-açúcar, café, cacau, a soja, algodão, o arroz, o feijão e a laranja. Agricultura Familiar Esse tipo de agricultura nada mais é do que a atividade agrícola realizada pela mão-de-obra de membros exclusivamente do convívio familiar de pequenas propriedades de terra. O núcleo familiar é o “carro chefe” desse tipo de agricultura, onde as pessoas se organizam familiarmente e socialmente, unindo gestão e trabalho. Ela é muito importante, pois constitui a base de 90% dos municípios brasileiros e atualmente são responsáveis por boa parte da produção nacional. Interessante salientar que esse tipo de agricultura está se fortalecendo com o PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o qual visa à modernização e o auxílio ao pequeno produtor, para que ele possa ter aumento da renda, introdução ao agronegócio e agregar valor à sua propriedade e ao seu produto. Estimativa de junho prevê safra recorde de 307,3 milhões de toneladas para 2023 O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo IBGE, mostra que a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve registrar novo recorde em 2023, totalizando 307,3 milhões de toneladas. Trata-se de um valor 16,8% maior ou mais 44,2 milhões de toneladas que a obtida em 2022 (263,2 milhões de toneladas). Na comparação com maio, a estimativa assinalou alta de 0,6%, com acréscimo de 1,9 milhão de toneladas. Desse total, 1,4 milhão refere-se alta na produção do milho, cuja expectativa é de recorde na produção, assim como a de soja, trigo e sorgo. A área a ser colhida este ano deve ser de 76,9 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 5,1% (3,7 milhões de hectares a mais) em relação à área colhida em 2022. Frente ao mês anterior, a área a ser colhida apresentou um crescimento de 346.730 hectares (0,5%). Os principais destaques da safra 2023 são as estimativas da produção de soja, milho, trigo e sorgo, todos estabelecendo novos recordes. No caso da soja, a produção deve chegar a 148,4 milhões de toneladas (alta de 0,1%). Quanto ao milho, a estimativa foi de 124,5 milhões de toneladas (28,1 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 96,3 milhões de toneladas de milho na 2ª safra). A produção do arroz foi estimada em 10,0 milhões de toneladas; a do trigo em 10,6 milhões de toneladas; a do algodão (em caroço), em 6,9 milhões de toneladas; e a do sorgo, em 3,8 milhões de toneladas. Brasil registrou um conflito no campo a cada quatro horas em 2022 Em 2022, foram registrados 2.018 casos de conflitos no campo, envolvendo 909,4 mil pessoas e mais de 80,1 milhões hectares de terra em disputa em todo o território nacional, o que corresponde à média de um conflito a cada quatro horas. Os dados constam no relatório anual sobre violência no campo, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) nesta segunda-feira (17). Esses números indicam incremento de 10,39% em relação ao ano anterior, quando houve o registro de 1.828 ocorrências totais de conflitos rurais. Essas ocorrências abrangem não apenas as disputas específicas pela terra, mas também a disputa por água, trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão, contaminação por agrotóxico, assassinatos, mortes e outros casos de violência. Essa nova realidade é fruto da flexibilização e popularização dos meios de transporte, que permitem às pessoas escolher onde querem adquirir produtos, não ficando subordinadas ao centro urbano mais próximo. A hierarquia urbana é composta por estruturas categorizadas na seguinte classificação: Metrópole: cidade de maior porte que se caracteriza pelo poder de atração e influência que exerce sobre um expressivo número de cidades do seu entorno. É o centro mais importante da rede urbana, por isso, seu nível de influência pode ser classificado como regional ou nacional: Metrópole nacional: Grande centro urbano, com variedade de serviços e influência sobre os centros regionais, capitais regionais e as metrópoles regionais. Metrópole regional: Cidade que exerce grande influência em seu próprio estado. Apresenta mais de um milhão de habitantes e grande concentração de pessoas. Centros regionais: São cidades médias que exercem influência em âmbito regional. Podem ser ou não uma capital de estado. Normalmente são referência no desenvolvimento da produção de bens e serviços para as cidades de seu entorno e também estabelecem vínculo mais próximo com as metrópoles nacionais; Cidade local: cidade de pequeno porte em que sua população, muitas vezes, recorre aos centros urbanos maiores para ter acesso a bens ou serviços que não são ali oferecidos; Vila: pequeno aglomerado urbano que não foi alcançou a condição de cidade. A grande maioria dos bens e serviços não é oferecida. Necessita recorrer frequentemente a centros urbanos maiores para ter suas necessidades atendidas. Atividades econômicas são a soma de tudo que um país ou região produz em seus três setores principais: primário, secundário e terciário. Logo, quanto mais diversificada for a produção, mais desenvolvida uma nação tende a ser e mais riquezas ela distribui entre os seus cidadãos. Não basta apenas ter uma economia variada e dinâmica. Para que haja desenvolvimento, é fundamental que tudo que for produzido contribua para a melhora na qualidade de vida da maior parte da população. É isso que mede o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), criado em 1990 pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). É uma forma mais justa de avaliar o quão desenvolvido é um país, porque tem como foco não apenas indicadores brutos, como o PIB, mas o nível de desenvolvimento a partir de indicadores sociais. O IDH só será positivo se a região avaliada tiver uma economia sólida o bastante para que as pessoas consigam prosperar. É a partir da análise da conjuntura econômica que poderemos traçar um prognóstico e antecipar o futuro de um país. O Que São Atividades Econômicas? As atividades econômicas são representadas pelo conjunto de ofícios, serviços e ocupações sem as quais não há como existir um estado de bem-estar social. Devemos lembrar que a economia de mercado é o sistema adotado pela maior parte dos países do mundo, que organizam a vida em sociedade a partir do princípio da livre concorrência. Assim ocorre nos países ocidentais e em boa parte dos orientais. É um sistema no qual cabe ao estado, na forma de um governo legalmente constituído, prover segurança para os seus habitantes. Trata-se de uma via de mão dupla, em que o governo cuida dos serviços essenciais e, em contrapartida, recebe dos cidadãos as contribuições na forma de impostos e tributos. No meio dessa relação estão as atividades econômicas, as principais responsáveis por gerar riquezas que movimentam a vida das pessoas. Ainda neste texto, vamos trazer exemplos que vão facilitar seu entendimento. Para responder quais são as principais atividades econômicas do Brasil, cabe destacar uma importante característica do nosso país. O Brasil é mundialmente conhecido pela sua riqueza em termos de recursos naturais, sua biodiversidade e pluralidade étnica. Além disso, é respeitado pela sua vasta extensão territorial de 8,5 milhões de quilômetros quadrados esua enorme população, que soma mais de 212 milhões de habitantes, a 6ª maior do mundo. Ter um país tão populoso e com um território tão grande é certamente uma vantagem no que diz respeito às atividades econômicas. Por isso, não surpreende que, no Brasil, a economia seja consideravelmente desenvolvida em certos setores e áreas específicas. O segmento agrícola se destaca, sendo hoje a principal fonte de divisas e líder absoluto em exportações, como veremos em detalhes mais adiante. Temos uma indústria consolidada, tanto de base, com diversas siderúrgicas, como de transformação, com um amplo parque industrial. E como veremos também logo à frente, é no setor de serviços que a economia brasileira encontra a maior válvula de escape para abastecer o mercado interno. A verdade é que há diferentes tipos de atividades econômicas em destaque por aqui. Vamos conhecer melhor cada um desses setores, suas principais atividades econômicas, e entender como contribuem para o desenvolvimento do país. Setor Primário Uma economia jamais poderia se desenvolver sem atividades primárias que possam sustentá-la. Elas se ocupam de extrair os recursos naturais necessários para serem transformados em bens que elevam a qualidade de vida. Também é nesse setor que são produzidos os alimentos essenciais para abastecer o mercado, com destaque para os hortifrutigranjeiros e a pecuária. Nesse segmento, o Brasil é um dos líderes mundiais, sendo o quarto maior produtor de grãos e o maior exportador de carne bovina do mundo. É no setor primário que se encontra também a chamada indústria extrativista, responsável por retirar das reservas minerais os metais e compostos usados pela indústria pesada para produzir insumos. Somos igualmente fortes nesse aspecto, com um solo rico em carvão mineral, petróleo e minério de ferro, entre outras substâncias. Outro segmento que faz parte do setor primário é a pesca, setor em que somos privilegiados, graças à extensa costa com mais de 8,5 mil km. Setor Secundário Nossa lista de atividades econômicas continua no setor secundário. É a partir dele que uma economia se desenvolve de fato, quando as matérias primas em estado bruto são transformadas em bens de consumo. Roupas, veículos, calçados e até a habitação dependem da intervenção da indústria para chegar às pessoas. Sem esses bens, estaríamos condenados a uma vida de privações, sem conforto ou dignidade. Por isso, a indústria é um setor estratégico, ainda que hoje seja cada vez mais influenciada pelo que acontece no setor terciário, como vamos ver ainda neste artigo. Embora não seja recente o fato de a humanidade transformar matérias primas em objetos para uso individual, foi somente entre os séculos 17 e 18 que a indústria deu um salto. Foi nessa época que aconteceu a Primeira Revolução Industrial, na Inglaterra, de onde se espalhou para o resto do mundo. No Brasil, a indústria é considerada de desenvolvimento recente, o que não impede de nos destacarmos em vários segmentos. Nela, estão concentrados 20,4% dos empregos formais, mesma porcentagem verificada na representatividade no Produto Interno Bruto (PIB). Os destaques nesse setor vão para as indústrias automobilística, aeronáutica e farmacêutica, com empresas de grande porte atuando no Brasil, muitas delas 100% nacionais. Setor Terciário Complementando a lista de atividades econômicas, temos o setor terciário. Nele, se encontram as empresas que distribuem a produção da indústria junto aos pontos de venda e, daí, para a população. Porém, o setor terciário também tem “vida própria”, ou seja, ele também gera riquezas, por meio da prestação de serviços essenciais e não essenciais. No segmento de beleza, por exemplo, o Brasil se destaca hoje como o quarto maior mercado do mundo, com vendas no varejo superiores a US$ 89 bilhões. Cabe ressaltar que, quanto mais forte for o setor terciário, mais desenvolvido um país tende a ser. É nele que se encontram as empresas de base tecnológica, integrantes da chamada indústria de inovação. Há quem considere esse um setor à parte, merecendo por isso a classificação de setor quaternário, tamanha a sua relevância. O que importa é que ele desempenha um papel estratégico fundamental, pautando cada vez mais a performance e desenvolvimento dos outros setores da economia. São os avanços promovidos pelo setor terciário que levaram a indústria a alcançar o seu mais alto estágio evolutivo, conhecido como indústria 4.0. Lembrando que é nesse setor que se encontram ainda as atividades de comércio, transporte, serviços de apoio, turismo e alimentação, entre muitas outras. Agricultura Balança comercial é o resultado dos recursos que entram no país em comparação com os que saem. Portanto, uma balança positiva sinaliza que um país tem obtido receitas ao vender mais recursos do que compra. Nesse quesito, um dos principais setores responsáveis pelo saldo positivo da balança comercial brasileira é o da agricultura. No mês de julho de 2022, a balança comercial teve superávit de US$ 5,4 bilhões, um resultado considerado bom, apesar de representar queda em relação ao mesmo período do ano passado. Boa parte desse saldo se deve às exportações realizadas pelo setor agropecuário, cujo crescimento foi de 40,2% para o período. No total, exportamos cerca de US$ 6 bilhões em gêneros agrícolas, sem descontar desse saldo as vendas de carne. Já na produção agrícola, o grande destaque vai para a soja, gênero que rendeu para o Brasil US$ 8,06 bilhões em receitas, como informa o Ministério da Economia. Pecuária Como vimos, somos o maior exportador de carne bovina do mundo, mesmo sem sermos os maiores produtores, posto que pertence aos Estados Unidos. Nesse quesito, os números recentes continuam sendo para lá de animadores, com US$ 1,14 bilhão gerados em vendas para o mercado externo, como também diz o Ministério da Economia. A propósito, a carne bovina não é o único produto do segmento que o Brasil vende bem. A produção aviária também se destaca, com um volume de US$ 932,12 milhões, o que representa um aumento de 46,7% nas exportações de carne de frango. Um aspecto do setor de pecuária que merece ser destacado é a suposta alta demanda por grandes áreas para servirem como pasto. Embora isso seja verdade, nem tudo se resume a grandes latifúndios, já que a evolução do setor hoje permite produzir mais carne sem que haja necessariamente um aumento nas áreas de pastagem. Serviços Não é exagero algum dizer que o setor de serviços, no Brasil, está indo de vento em popa. O mês de março de 2022 foi histórico, com o maior crescimento para o setor em um período de 15 anos. Uma peculiaridade do setor de serviços é que, diferentemente dos outros, ele se destina quase exclusivamente a abastecer o mercado interno. Por isso, é considerado um setor chave, do qual depende cada vez mais o desenvolvimento da própria indústria. Não surpreende, portanto, que sejam frequentes as notícias dando conta da expansão dos serviços, que não raramente puxam o crescimento da economia nacional. Lembrando novamente que é nele que se encontram as empresas responsáveis por liderar o desenvolvimento tecnológico, principalmente na parte digital e de informática. Indústrias As notícias também costumam ser positivas em relação à atividade econômica e ao crescimento da indústria no Brasil. Segundo a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI), da S&P Global, no último mês de maio, registramos o maior crescimento em um período de 8 meses. Embora no último mês de junho tenha havido uma ligeira queda, as projeções para o futuro seguem otimistas, com estimativa de crescimento de 0,2% na produção. Segundo as pesquisas mais recentes do IBGE, os principais produtos industrializados do Brasil são minério de ferro, diesel, automóveis e óleos brutos de petróleo. No mercado interno, o óleo diesel é o campeão de vendas, com receitas de R$ 63,7 bilhões, que representam 2,8% do total. A indústria brasileira produz hoje aproximadamente 3,4 mil produtos.Os quatro mais produzidos somam 10,1% do total das vendas do setor, cujo montante é de R$ 2,3 trilhões. As exportações são importantes para as atividades econômicas e crecimento do país A partir do que vimos, o sucesso da economia de um país é pautado pelo equilíbrio entre o que exporta e o que importa. Esse é um parâmetro em que o Brasil caminha bem, embora seus números possam sempre melhorar. Manter o superávit é essencial para o crescimento econômico, já que garante a circulação de riquezas em território nacional. Assim, a população terá as condições básicas para gerar progresso e desenvolvimento, já que o acesso aos bens de consumo é garantido. Foi dessa forma que se desenvolveram as grandes potências econômicas, como a Inglaterra no século 18 e os Estados Unidos no século 20. Seus governos sabiam que, se o país não exportasse mais do que importasse, não seria possível gerar empregos e, em consequência, o país poderia quebrar. Aliás, foi a partir do desequilíbrio na balança comercial que diversos países vivenciaram períodos de grave recessão, como aconteceu com as nações latino-americanas na década de 1980, a chamada “década perdida”. Outro setor em que a atividade é das mais diversificadas é o de mineração. Segundo o último Anuário Mineral Brasileiro, exploramos hoje 70 substâncias minerais, sendo 21 pertencentes ao grupo de materiais metálicos, 45 ao grupo dos não metálicos e 4 dos minerais energéticos. Contamos hoje com um total de 3.354 minas, das quais 159 são consideradas de grande porte. Assim como a pecuária e a agricultura, o setor de mineração compõe uma significativa parcela na pauta das exportações brasileiras. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o setor foi igualmente decisivo para que registrássemos superávit em 2021. O saldo do setor mineral foi de expressivos US$ 49 bilhões naquele ano, um aumento de 21,5% em relação a 2020. Vale destacar que, embora seja um grande produtor de minérios, o Brasil também importa parte da sua demanda, somando US$ 9,1 bilhões em gastos com a compra de minerais do exterior em 2022. Principais Produtos Exportados Pelo Brasil A atividade econômica nacional ajuda a girar a balança comercial do país. Segundo os dados mais recentes do Portal da Indústria, os principais produtos exportados pelo Brasil são: ○ Soja ○ Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos ○ Minério de ferro e seus concentrados ○ Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos ○ Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada ○ Celulose ○ Carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas ○ Farelos de soja e outros alimentos para animais (excluídos cereais não moídos), farinhas de carnes e outros animais ○ Produtos para a Indústria da Transformação ○ Açúcares e melaços. Principais Produtos Importados Pelo Brasil O Brasil não é diferente de outros países em relação à demanda por produtos importados. Os 10 produtos mais importados: ○ Adubos ou fertilizantes ○ Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos ○ Demais produtos – indústria de transformação ○ Medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto veterinários ○ Válvulas e tubos termiônicas ○ Equipamentos de telecomunicações ○ Partes e acessórios dos veículos automóveis ○ Compostos organo-inorgânicos ○ Gás natural liquefeito ○ Motores e máquinas não elétricos. Urbano e rural são duas dimensões de um mesmo espaço geográfico, e suas relações inserem-se no contexto da divisão territorial do trabalho. "Os espaços urbano e rural inserem-se como diferentes expressões materializadas no espaço geográfico, compreendidas por suas distintas dinâmicas econômicas, culturais, técnicas e estruturais. Embora componham meios considerados distintos, suas inter-relações são bastante complexas. Por isso, muitas vezes é difícil separar ou compreender a especificidade de cada um desses conceitos. O conceito de espaço urbano designa a área de elevado adensamento populacional com formação de habitações justapostas entre si, o que chamamos de cidade. Já o conceito de espaço rural refere-se ao conjunto de atividades primárias praticadas em áreas não ocupadas por cidades ou grandes adensamentos populacionais." "No entanto, para além dessa definição simples e introdutória, é interessante perceber que rural e urbano são, além de tudo, tipos diferentes de práticas cotidianas. Assim, podem existir práticas rurais no espaço das cidades ou práticas urbanas no espaço do campo. Por exemplo: um cultivo de hortaliças dentro do espaço de uma cidade (embora isso seja cada vez mais raro nos grandes centros urbanos) é um caso de prática rural no meio urbano. Da mesma forma, a existência de um hotel fazenda ou um resort em uma zona afastada da cidade é um exemplo de prática urbana no meio rural. Uma das principais diferenças entre urbano e rural está, assim, nas práticas socioeconômicas. O espaço rural, como já dissemos, engloba predominantemente atividades vinculadas ao setor primário (extrativismo, agricultura e pecuária), ao passo que o espaço urbano costuma reunir atividades vinculadas ao setor secundário (indústria e produção de energia) e terciário (comércio e serviços)." "Outra diferença entre urbano e rural está na amplitude dos respectivos conceitos. Em termos de escala, a abrangência espacial do meio rural é muito maior, pois ele reúne tantos as áreas transformadas e cultivadas (espaço agrário) pelo homem quanto o espaço natural, pouco transformado ou mantido totalmente sem intervenções antrópicas. Por outro lado, a cidade, embora possua uma maior dinâmica econômica, apresenta-se em espaços mais circunscritos, mesmo com o crescimento desordenado dos espaços urbanos na maioria dos países periféricos e emergentes. Em termos de hierarquia econômica, podemos dizer que, originalmente, o campo exercia um papel preponderante sobre as cidades. Afinal, foi o desenvolvimento da agricultura e da pecuária que permitiu a formação das primeiras civilizações e o seu posterior desenvolvimento. No entanto, com o avanço da Revolução Industrial e as transformações técnicas por ela produzidas, o meio rural viu-se cada vez mais subordinado ao urbano, uma vez que as práticas agropecuárias e extrativistas passaram a depender cada vez mais das técnicas, tecnologias e conhecimentos produzidos nas cidades. Atualmente, o urbano e o rural formam uma relação socioeconômica e até cultural bastante ampla, muitas vezes se apresentando de forma não coesa e profundamente marcada pelo avanço das técnicas e pelas transformações produzidas a partir dessa conjuntura. Nessa relação, o espaço geográfico estrutura-se em toda a sua complexidade e transforma-se em reflexo e condicionante das relações sociais e naturais, denunciando as marcas deixadas pelas práticas humanas no meio em que se estabelecem." "O Espaço Urbano pode ser definido como o espaço das cidades, o conjunto de atividades que ocorrem em uma mesma integração local, com a justaposição de casas e edifícios, atividades e práticas econômicas, sociais e culturais. O espaço da cidade é, dessa forma, uma paisagem representativa do espaço geográfico, um território das práticas políticas e um lugar das visões de mundo e mediações culturais. No entanto, é preciso estabelecer uma distinção entre o urbano e as cidades. Existem cidades, por exemplo, que não são consideradas urbanas, por possuírem uma pequena quantidade de habitantes e uma baixa dinâmica econômica. Para o IBGE, cidades com menos de 20 mil habitantes são consideradas como espaço rural. Além disso, no meio agrário, evidenciam-se algumas práticas e características do espaço urbano, o que nos leva a crer que o urbano transcende (vai além) do espaço das cidades. Nesse ínterim, podemos dizer que o espaço urbano é economicamente produzido, mas socialmente vivenciado, ou seja, apropriado e transformado com base em ações racionais e também afetivas. O geógrafo brasileiro Roberto Lobato Corrêa afirma, em várias de suas obras, que o espaçourbano é fragmentado, articulado; é também o condicionante das ações sociais e o reflexo destas, em uma interação dialética. Além disso, segundo o mesmo autor, ele pode ser compreendido como um conjunto de símbolos e como um campo de lutas, principalmente envolvendo as classes sociais. Com o desenvolvimento das técnicas, o homem passou a viver em sociedade e, assim, passou a construir as suas cidades, os seus espaços de moradia. As mais antigas cidades datam de cerca de 9.000 a.C., que é o caso das cidades de Jericó (Palestina) e de Damasco (na Síria). No entanto, durante a maior parte da história da humanidade, a população foi majoritariamente rural." Dessa forma, com o desenvolvimento das relações industriais, o processo de urbanização – crescimento do espaço urbano em relação ao espaço rural – passou a ser a principal representação da modernidade. Assim, temos a evidência de como a industrialização interfere e acentua o processo de urbanização. Antes da Primeira Revolução Industrial, cerca de 90% da população das diferentes sociedades era rural. Atualmente, com a Terceira Revolução Industrial em curso, a humanidade atingiu pela primeira vez a maioria urbana, segundo dados de 2010 da Organização das Nações Unidas. Na era moderna, podemos dizer que o processo de crescimento do espaço urbano ocorre por dois argumentos de elementos principais, os fatores atrativos e os fatores repulsivos. Por fatores atrativos entende-se o crescimento das cidades a partir dos supostos benefícios que elas oferecem, principalmente aqueles relativos ao crescimento industrial, em que boa parte da população do campo é atraída pela oferta de mão de obra, e às possibilidades de crescimento e emancipação sociais. Esses elementos foram predominantes em países hoje considerados desenvolvidos, que passaram pelo processo de industrialização clássica. Entre as cidades, podemos citar os casos de Londres, Nova York, Paris e outras. Por fatores repulsivos entende-se o crescimento das cidades em função da saída dos trabalhadores do campo, em face da mecanização da produção agrícola ou da concentração fundiária. A urbanização causada por fatores repulsivos costuma ser mais acelerada e revela uma maior quantidade de problemas sociais, sendo característica dos países subdesenvolvidos. Entre as cidades, podemos citar os casos de São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México, entre outras. Assim, através dos fatores atrativos e repulsivos, podemos perceber que o espaço urbano cresce, principalmente, com a migração do tipo campo-cidade que, quando ocorre em massa, é chamada de êxodo rural. Quando esse processo proporciona um crescimento desordenado das cidades, ou seja, quando esse crescimento foge do controle do Estado e dos governos, observa-se a emergência de graves problemas sociais urbanos, dos quais destacam-se: a favelização, ocupações irregulares, índices de miséria, violência e muitos outros. Além de problemas sociais, a urbanização acelerada pode evidenciar a emergência de problemas ambientais urbanos, dentre eles, merecem destaque as ilhas de calor, as chuvas ácidas e a inversão térmica. Portanto, mesmo sendo a expressão dos avanços da modernidade, o espaço urbano também pode ser a principal evidência de suas contradições. O processo de urbanização no território brasileiro iniciou-se, de maneira mais concreta, a partir do final do século XIX, com o início gradativo da industrialização no país. No entanto, foi após os anos 1930 que a presença das indústrias tornou-se mais intensiva e a urbanização começou a intensificar-se. A segunda metade do século XX serviu de incremento graças ao intenso êxodo rural ocasionado pela mecanização das atividades produtivas no meio rural, o que gerou um maior desemprego no campo e a grande leva de migrantes em direção às principais cidades do Brasil. A década de 1960 foi o período em que o Brasil, pela primeira vez, passou a ter uma população predominantemente urbana, ou seja, a maior parte dos habitantes concentrava-se nas cidades. Atualmente, mais de 80% dos habitantes do Brasil residem em cidades, sendo a maioria desses em grandes centros urbanos e capitais, tais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e outras. Afinal, além de um acelerado êxodo rural, a urbanização brasileira contou com um intensivo processo de metropolização — a concentração das populações nas grandes metrópoles. Esse foi um dos motivos responsáveis pela desigualdade tanto em tamanho das cidades e número de habitantes quanto em níveis de avanço econômico e ofertas de infraestrutura no espaço urbano brasileiro. A região Sudeste, dessa forma, abrange a maior parte dos habitantes e possui as maiores taxas de urbanização, com destaque para os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, que contam com mais de 90% de seus habitantes vivendo em cidades. Por outro lado, a região Norte e algumas áreas da região Nordeste apresentam números mais modestos nesse sentido. Os estados menos urbanizados do Brasil são Pará, Maranhão e Piauí, enquanto outros apresentam números pouco maiores, mas com índices populacionais baixos, o que torna suas cidades menores em termos demográficos, a exemplo do Acre e de Roraima. Outro exemplo de estado com pouca população e com elevada urbanização é Goiás, graças à grande quantidade de pessoas habitando a região metropolitana de Goiânia e o entorno do Distrito Federal. Assim como os dois estados do Sudeste acima mencionados, o território goiano é cerca de 90% composto por populações urbanas, mas o seu número total de habitantes é de apenas seis milhões e meio de pessoas aproximadamente, bem menos do que a capital paulista, que, sozinha, ultrapassa os onze milhões. Como crescem as cidades: formas jurídicas de organização do espaço urbano: 1. Loteamento - art. 2/§º 1º da lei 6766/79: "Considera-se loteamento a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificação, com abertura de novas vias de circulação, de logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação das vias existentes". Para melhorar a definição, deve-se dizer que é, ordinariamente, a subdivisão "voluntária" da gleba sendo certo que esta subdivisão também pode ser "compulsória" no caso de descumprimento da função social da propriedade, caso do art. 182/§ 4º/I da Constituição Federal. O loteamento é a figura completa, também chamada de "urbanização primária", porque constitui o lote, unidade edilícia, a agregação de lotes que são as quadras, cercadas por vias, a infraestrutura urbana, água, esgoto, drenagem, etc, abrindo ainda espaços para a infraestrutura comunitária, espaços estes que devem ser doados ao poder público local para que sejam implantadas escolas, creches, postos de saúde, etc. A "urbanização primária" se completa com a "urbanização secundária" que é a ocupação do lote pela edificação, objeto de licença do município. 2. Desmembramento - art.2º/§ 2º da lei 6766/79: "Considera-se desmembramento a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificação, com aproveitamento do sistema viário existente, desde que não implique na abertura de novas vias e logradouros públicos, nem no prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes". A diferença entre ambas, como se vê, está na existência ou não de vias na gleba que vai ser objeto do parcelamento. Perigosa, porque dependente de considerações fáticas, a figura do desmembramento pode servir para vários fins ilegais notadamente porque os agentes imobiliários têm lucro maior quando são dispensados de constituir vias, quando elas preexistem de uma forma ou de outra na gleba. De outro lado, desmembramento não se confunde com desdobro embora as palavras se pareçam, pelo prefixo latino "des" que indica separação, divisão, afastamento: desdobro incide sobre lote já constituído; desmembramento é da gleba bruta, embora cortada por vias de circulação. 3. Arruamento - operação sem previsão expressa na lei, mas é forma lícita de urbanização como primeira etapa do loteamento: todo loteamento pressupõearruamento mas pode existir arruamento sem loteamento. Neste caso, o arruamento não constitui lotes, apenas quadras, preparando futura e completa urbanização. "Arruar" é um verbo do português castiço, século XVI, que significa dispor ou dividir em ruas, abrir ruas1. 4. Loteamento de acesso controlado - art. 2º/§ 8º, incluído em 2017: "Constitui loteamento de acesso controlado a modalidade de loteamento, definida nos termos do § 1o deste artigo, copiado acima, cujo controle de acesso será regulamentado por ato do poder público municipal, sendo vedado o impedimento de acesso a pedestres ou a condutores de veículos, não residentes, devidamente identificados ou cadastrados". Esta figura era o antigo "loteamento fechado" que agora, em 2017, foi institucionalizado como "loteamento de acesso controlado", uma vez que o acesso às áreas públicas de uso comum do povo não pode ser impedido por nenhum instrumento jurídico. O texto legal é péssimo porque usa dois termos de sentido negativo: "vedar o impedimento", o que, em sentido positivo, implica em permitir o acesso. Pretendendo-se bloquear o acesso público, o modelo a ser instalado deve ser o do condomínio. 5. Condomínio de lotes - art. 1.358-A do Código Civil, incluído em 2017: "Pode haver, em terrenos, partes designadas de lotes que são propriedade exclusiva e partes que são propriedade comum dos condôminos. A fração ideal de cada condômino poderá ser proporcional à área do solo de cada unidade autônoma, ao respectivo potencial construtivo ou a outros critérios indicados no ato de instituição". Diferentemente do loteamento, as partes de propriedade comum dos condôminos não são públicas, tal como as escadas e os corredores de um condomínio edilício, por exemplo, que é a origem direta desta figura jurídica, art. 1358-A/§2º/II do CC. No condomínio, há partes da gleba de propriedade comum e partes de propriedade exclusiva, a unidade edilícia, todas privadas. A MP 1085, do final do ano de 2021, permitiu aplicar ao condomínio de lotes o regime jurídico das incorporações imobiliárias, contrato que torna possível a venda antecipada dos lotes. 6. Condomínio de casas - art. 8º da lei 4.561/64: "Quando, em terreno onde não houver edificação, o proprietário, o promitente comprador, o cessionário deste ou o promitente cessionário sobre ele desejar erigir mais de uma edificação, observar-se-á também o seguinte: a. em relação às unidades autônomas que se constituírem em casas térreas ou assobradadas, será discriminada a parte do terreno ocupada pela edificação e também aquela eventualmente reservada como de utilização exclusiva dessas casas, como jardim e quintal, bem assim a fração ideal do todo do terreno e de partes comuns, que corresponderá às unidades; b. em relação às unidades autônomas que constituírem edifícios de dois ou mais pavimentos, será discriminada a parte do terreno ocupada pela edificação, aquela que eventualmente for reservada como de utilização exclusiva, correspondente às unidades do edifício, e ainda a fração ideal do todo do terreno e de partes comuns, que corresponderá a cada uma das unidades; c. serão discriminadas as partes do total do terreno que poderão ser utilizadas em comum pelos titulares de direito sobre os vários tipos de unidades autônomas; d. serão discriminadas as áreas que se constituírem em passagem comum para as vias públicas ou para as unidades entre si". O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (14) a publicação Regiões Metropolitanas, Regiões Integradas de Desenvolvimento (Rides) e Aglomerações Urbanas (2021) que mostra a criação de novas regiões metropolitanas (RMs) nos estados de Santa Catarina e São Paulo. “Em Santa Catarina, uma lei complementar criou as RMs de Joinville, do Planalto Norte e de Jaraguá do Sul. Já em São Paulo, foram estabelecidas as RMs de São José do Rio Preto, de Piracicaba e de Jundiaí, extinguindo as Aglomerações Urbanas de Piracicaba e de Jundiaí”, informou o IBGE. Em 2021, havia 81 regiões metropolitanas, com destaque para Santa Catarina com 14, seguido pela Paraíba (12), Alagoas (9) e São Paulo (9). Já as aglomerações urbanas são três, sendo uma no estado de São Paulo e duas no Rio Grande do Sul. Amazônia Legal A publicação Limite da Amazônia Legal (2021) atualiza a área de 5.015.067,86 km², correspondente a cerca de 58,93% do território brasileiro, de 8.510.345,540 km². Ao todo, nove estados e 772 municípios compõem a Amazônia Legal: Acre (22), Amapá (16), Amazonas (62), Mato Grosso (141), Pará (144), Rondônia (52), Roraima (15), Tocantins (139) e parte do Maranhão (181, dos quais 21 foram parcialmente integrados). Segundo o documento, o Maranhão, apesar de ser o estado com o maior número de municípios, apenas as áreas das cidades situadas a oeste do Meridiano 44º fazem parte da Amazônia Legal, sendo que 21 deles estão parcialmente integrados ao recorte. Faixa de fronteira A publicação Municípios da Faixa de Fronteiras e Cidades Gêmeas (2021) mostra que, ao todo, 588 municípios brasileiros têm área total ou parcial localizada na faixa de fronteira, com destaque para o Rio Grande do Sul (194) e o Paraná (139). “Entende-se por faixa de fronteira a faixa interna de 150 km de largura, paralela à linha divisória terrestre do território nacional, conforme o artigo 20, parágrafo 2º da Constituição Federal de 1988”, explica o IBGE. Segundo a publicação, em 2021 a área total da faixa de fronteira era 1.420.925,63 km² (16,7% da área do país). Já a somatória das áreas totais dos municípios, que se encontram totalmente e parcialmente dentro desta faixa, apresentam área de 2.265.046,64 km² (26,6% da área do país). A publicação também divulga a relação das 33 cidades-gêmeas nacionais, ou seja, aquelas que ficam uma ao lado da outra, mas em países diferentes. Ao todo, são oito na Região Centro-Oeste, sendo sete em Mato Grosso do Sul e um em Mato Grosso. Na Região Norte, são nove, a maioria no Acre (4). O Sul concentra 16 cidades-gêmeas, com destaque para o líder do ranking nacional, o Rio Grande do Sul, com 11, ou um terço do total do país. “Tais municípios exigem aplicação de políticas públicas específicas para atender o grande potencial de integração econômica e cultural, bem como enfrentar os problemas específicos de cidades fronteiriças”, disse, em nota, o coordenador de Estruturas Territoriais do IBGE, Roberto Tavares. O IBGE também divulgou hoje outras atualizações dos recortes territoriais legais do país: Municípios Costeiros; Municípios Defrontantes com o Mar; Semiárido brasileiro; Área de atuação da Sudene; e Matopiba. O Matopiba é uma região de grande crescimento no cultivo de grãos, cujo nome é a combinação das siglas dos estados que têm cidades na região: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A área de atuação da Sudene abrange os estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia e alguns municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. Em 2021, houve grande expansão na área, por conta da Lei Complementar nº 185/2021, que incorporou 84 novos municípios, e, agora, totaliza 2.074 municípios. Beneficiários de programas sociais É importante ressaltar que o recebimento de algum benefício de programas sociais, como por exemplo: bolsa família, benefício de prestação continuada (BPC), seguro desemprego etc, não tem correlação direta com a ocupação ou desocupação. Esses beneficiários, por exemplo, podem ser classificados como parte da força de trabalho (como ocupados ou desocupados) ou estarem fora da força de trabalho. Pode ocorrer de beneficiários do programa seguro desemprego estarem trabalhando na informalidade (por exemplo, trabalhando como motorista de aplicativo ou no comércio ambulante), e dessa forma serão classificados como “ocupados”. Pode ocorrer ainda de beneficiários do programa seguro desemprego não estarem ocupados e não terem tomado providência efetiva para conseguir trabalho, e portanto, serão classificados como “forada força de trabalho”. Pode ocorrer também de beneficiários do programa bolsa família ou do BPC não estarem trabalhando e nem terem tomado providências para conseguir trabalho, dessa forma, serão classificados também como “fora da força de trabalho”. Desemprego recua para 8,0% no segundo trimestre A taxa de desocupação foi de 8,0% no trimestre encerrado em junho, o menor resultado para o período desde 2014. É uma redução de 0,8 ponto percentual (p.p.) frente ao trimestre anterior (8,8%), de janeiro a março. Já na comparação com o segundo trimestre de 2022 (9,3%), o índice teve queda de 1,3 p.p. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada hoje (28) pelo IBGE. No segundo trimestre de 2023 havia cerca de 8,6 milhões de pessoas desocupadas no país, uma queda de 8,3% em relação ao trimestre anterior e de 14,2% se comparado ao mesmo período de 2022. O número de pessoas ocupadas, por sua vez, foi de 98,9 milhões, aumento de 1,1% na comparação trimestral e de 0,7% na anual. "O segundo trimestre registrou recuo da taxa de desocupação, após crescimento no primeiro trimestre do ano. Esse movimento aponta para recuperação de padrão sazonal desse indicador. Pelo lado da ocupação, destaca-se a expansão de trabalhadores na administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, no trimestre e no ano", destaca a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy. A estrutura urbana brasileira e as grandes metrópoles. "Região metropolitana é um recorte espacial formado pela metrópole e pelos municípios integrados a ela. As regiões metropolitanas são constituídas a partir do crescimento do tecido urbano das cidades, formando uma extensa área urbanizada unificada que é interligada pelas redes de infraestrutura e pelas dinâmicas espaciais próprias marcadas pelos intensos fluxos de pessoas, capitais, informações e mercadorias. Essas regiões são caracterizadas, ainda, pelo elevado contingente populacional e por concentrar importantes serviços essenciais para a população, grandes empresas, indústrias, ofertas de trabalho, estabelecimentos culturais e financeiros etc. No Brasil, a criação das regiões metropolitanas é de responsabilidade dos estados. Essas áreas são classificadas pela legislação brasileira como unidades formadas por um conjunto de municípios e destinadas ao planejamento urbano e territorial, além de serem funcionais para a execução e o desenvolvimento de políticas públicas de interesse comum a todas as cidades integrantes. Atualmente, existem 82 regiões metropolitanas no território brasileiro." Resumo sobre região metropolitana Região metropolitana é um recorte espacial formado por uma metrópole (município-sede) e os municípios vizinhos integrados a ela. As regiões metropolitanas são descritas pelo Estatuto da Metrópole como unidades formadas com a finalidade de planejamento urbano e territorial, além da execução de políticas de interesse em comum. As regiões metropolitanas são constituídas a partir dos processos de metropolização e conurbação. No Brasil, a criação das regiões metropolitanas é de responsabilidade dos estados. As primeiras regiões metropolitanas brasileiras foram instituídas na década de 1970. Atualmente, existem 82 regiões metropolitanas no país. As regiões metropolitanas têm apresentado crescimento em todo o mundo, especialmente no Sul e Sudeste do continente asiático. Tóquio, Jacarta e Déli estão entre as maiores regiões metropolitanas do mundo. As maiores regiões metropolitanas do Brasil são: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Como foi a criação das regiões metropolitanas? As regiões metropolitanas do Brasil e do mundo foram criadas a partir da continuidade do processo de urbanização e de crescimento das cidades, em especial dos grandes centros urbanos e das cidades menores e médias localizadas nos seus arredores. À medida que o tecido urbano dessas cidades se expandiu e ultrapassou os seus limites territoriais, conectou-se com aqueles das cidades vizinhas ou limítrofes. Esse fenômeno de criação de uma área urbana contígua recebe o nome de conurbação. Nesse mesmo contexto, o expressivo crescimento populacional das grandes cidades e o seu processo de desenvolvimento fez com que houvesse a concentração de serviços sociais e urbanos essenciais e a polarização de atividades econômicas, comerciais e culturais. Esse processo de metropolização dos grandes centros urbanos tornou o espaço urbano ao seu redor mais dinâmico e complexo, expandindo a área de influência dessas cidades e criando um intenso fluxo contínuo de pessoas e serviços entre elas e os municípios vizinhos. As regiões metropolitanas são oficialmente criadas quando há um funcionamento em conjunto do espaço integrado que se formou entre a metrópole, que corresponde à cidade-sede, e os demais municípios, tornando-se áreas estratégicas para o planejamento e a gestão territorial. Nesse sentido, as regiões metropolitanas são definidas pelo Estatuto da Metrópole (Lei 13.089 de 12 de janeiro de 2015) da seguinte maneira: unidade regional instituída pelos Estados, mediante lei complementar, constituída por agrupamento de Municípios limítrofes para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. Qual a importância das regiões metropolitanas? As regiões metropolitanas são arranjos espaciais que apresentam importância para a viabilização de políticas públicas de desenvolvimento social e territorial que atendam aos interesses em comum das cidades que os integram. Estão inclusas aqui as políticas sanitárias, de moradia, de mobilidade urbana, de integração por meio da rede de transporte, de melhorias na infraestrutura urbana e outras questões fundamentais para a população que vive nas regiões metropolitanas. A integração entre as cidades é importante, ainda, para a gestão territorial e para as medidas de planejamento urbano, haja vista que as regiões metropolitanas, ao menos no Brasil, são consideradas pela legislação como áreas delimitadas pelo poder público justamente para essa finalidade. Nas regiões metropolitanas há oferta de uma grande variedade e quantidade de serviços para a população, que lhe proporciona uma melhor qualidade de vida, como atendimento médico-hospitalar, universidades, centros educacionais e de pesquisa, atendimento jurídico, assim como é maior a oportunidade de emprego em virtude da presença de indústrias, grandes empresas e atividades diversas de outros setores da economia na cidade-sede ou nas cidades do entorno. Na maioria dos casos, os deslocamentos entre elas são facilitados pela integração de linhas de transporte público urbano, como ônibus, trem e metrô. Além disso, os moradores das regiões metropolitanas podem contar com a ampla disponibilidade de estabelecimentos culturais, comerciais e financeiros, como teatros, museus, restaurantes, livrarias, shopping centers, lojas e bancos. A hierarquia urbana é a maneira como as cidades organizam-se dentro de uma escala de subordinação. Na prática, ocorre quando vilas e cidades menores subordinam-se às cidades médias, e estas se subordinam às cidades grandes. Por meio da hierarquia urbana, pode-se conhecer a importância de uma cidade e a sua relação de subordinação ou influência sobre as outras que estão à sua volta. Essa teoria não é estabelecida apenas pelo tamanho da cidade ou pelo contingente populacional, mas especialmente pela quantidade e variedade de bens e serviços oferecidos. Quanto maior é a sua importância no processo produtivo, maior é a sua colocação na hierarquia urbana. A ideia de hierarquia urbana, especialmente na atualidade, está vinculada ao conceito de rede urbana, que nada mais é do que a rede de relações econômicas, sociais e culturais que integram as cidades. "A rede urbana pode ser definida como a interligação entre as cidades que se estabelece a partirdos fluxos de pessoas, mercadorias, capitais e informações. Assim, todas as cidades da rede urbana de um país ou do mundo estabelecem entre si algum tipo de relação, que depende da função que cada cidade possui. Em virtude da variação da oferta de serviços, negócios, mercadorias, infraestruturas e potencial econômico, as cidades de uma rede urbana constituem-se em uma espécie de hierarquia, na qual uma cidade é mais ou menos atrativa dependendo do papel que ela exerce. Assim, uma grande cidade, por exemplo, que possui os setores de serviços (saúde, transporte, educação etc.) mais bem desenvolvidos, uma grande oferta de trabalho, opções de lazer e mercado consumidor, apresenta uma capacidade de atração maior do que uma cidade pequena que ainda é bastante dependente do meio rural. Essa capacidade de atração de uma cidade, também conhecida como polarização, é o principal elemento utilizado para classificar as cidades de uma determinada rede urbana, que se divide em: Metrópoles Globais: Cidades com a melhor infraestrutura urbana do mundo e que, em virtude do seu papel econômico e político e da quantidade de serviços oferecidos, exercem grande influência a nível mundial, atraindo pessoas, mercadorias, informações e capitais do mundo todo. São exemplos de cidades globais: Nova Iorque (Estados Unidos), Paris (França), São Paulo (Brasil) e Pequim (China)." "Metrópoles Nacionais: São cidades que possuem uma grande influência dentro de um país, polarizando praticamente todo o território. As principais metrópoles nacionais brasileiras são: Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Brasília. Metrópoles Regionais: Têm capacidade de atração restrita à região em que estão localizadas, atraindo pessoas de cidades menores em busca de trabalho, moradia, educação ou tratamento médico que não encontram em suas cidades de origem. São exemplos de metrópoles regionais brasileiras: Goiânia, Belém e Campinas. Centros regionais ou cidades médias: São cidades que dependem de outra cidade (metrópole regional ou nacional), mas que possuem uma oferta de bens e serviços capaz de polarizar uma ou várias cidades no seu entorno. Um exemplo disso é Santos, que exerce uma influência local no estado de São Paulo. Outras cidades: Cidades de pequeno e médio porte que atendem as necessidades mais básicas da população de pequenas cidades e vilas." Os chamados centros urbanos são constituídos por 440 cidades, além do Distrito Federal. Esse conjunto de centros urbanos reúne 60% da população do País. Somente Rio de Janeiro e São Paulo, que são consideradas metrópoles globais, concentram 18% da população brasileira. Já as aglomerações urbanas – que podem ou não serem metropolitanas – concentram quase 50% da população e estão distribuídas em 379 cidades. São consideradas metrópoles nacionais os municípios de: Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília, Curitiba, Recife e Porto Alegre. As cidades de Belém, Goiânia e Campinas são denominadas metrópoles regionais. Foram enquadradas como centros regionais: São Luís, Maceió, Natal, Teresina, João Pessoa, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Cuiabá, Aracaju, Londrina, Santos, Florianópolis e Vitória. Há, ainda, a definição de centro sub-regional I, que se aplica a Sorocaba, Joinville, São José do Rio Preto, Caxias do Sul, Pelotas, Jundiaí, Maringá, Ilhéus, Itabuna, Volta Redonda, Barra Mansa, Caruaru, Blumenau, Limeira, Cascavel, Petrolina, Juazeiro do Norte, Crato, Araraquara e São Carlos. O temo centro sub-regional II é aplicado para designar os municípios de Ipatinga, Araçatuba, Criciúma, Itajaí, Cabo Frio, Moji-Guaçu, Moji-Mirim, Guaratinguetá, Aparecida e Itabira. O que é desemprego O desemprego, de forma simplificada, se refere às pessoas com idade para trabalhar (acima de 14 anos) que não estão trabalhando, mas estão disponíveis e tentam encontrar trabalho. Assim, para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir um emprego. Veja alguns exemplos de pessoas que, embora não possuam um emprego, não podem ser consideradas desempregadas: ● um universitário que dedica seu tempo somente aos estudos ● uma dona de casa que não trabalha fora ● uma empreendedora que possui seu próprio negócio De acordo com a metodologia usada pelo IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua, o estudante e a dona de casa são pessoas que estão fora da força de trabalho; já a empreendedora é considerada ocupada. A PNAD Contínua é a nossa pesquisa que mostra quantos desempregados há no Brasil. Nela, o que é conhecido popularmente como “desemprego” aparece no conceito de “desocupação”. Confira no gráfico a seguir os dados de ocupação, desocupação e outras divisões do mercado de trabalho no Brasil, de acordo com os últimos resultados da PNAD Contínua: A estrutura urbana representa o conjunto das infraestruturas que formam o espaço onde se efetiva a aglomeração urbana e ainda o conjunto das instalações dos processos individuais de produção e da reprodução, uso do solo, que ocupam as localizações daqueles espaços. Desta forma, trata-se de local em permanente mutação, resultado de um processo de transformação e/ou produção do espaço necessário para adequarem-se as alterações da reprodução social. Quantitativos BRASIL 5568 Municípios; 1 Distrito Federal (Brasília – DF); 1 Distrito Estadual (Fernando de Noronha – PE); 2 Áreas Estaduais Operacionais (Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim, ambas atribuídas ao Rio Grande do Sul). 449.880 Setores Censitários Características da Rede Urbana Brasileira ● Duas metrópoles globais ● 12 metrópoles nacionais ● Um centro regional ● Centro Regional I ● Centro Regional II ● Formação e Evolução ● A rede urbana brasileira sofreu influência econômica a partir dos grandes centros, hoje são metrópoles globais por sua formação e é este o fator que ainda influencia em sua evolução. A maior influência é exercida por São Paulo, marcada por atrair aglomerações, em consequência da industrialização em maior potencial e consequente oferta de postos de trabalho. Menos intensa, mas também marcante é a influência exercida em processo idêntico pelo Rio de Janeiro. ● A influência sobre a dinâmica espacial da rede urbana brasileira ainda segue os padrões econômicos, que são observados em três pontos geográficos: o Centro-Sul, Nordeste e Centro-Oeste. As aglomerações são influenciadas pela atividade produtiva e o setor de serviços. Os principais níveis hierárquicos no Brasil são: Campinas, Florianópolis e Vitória são as novas metrópoles brasileiras. Entre 2008 e 2018, o Brasil formou três novas metrópoles e 32 cidades foram elevadas a capitais regionais em 12 estados. Apesar disso, é baixa a mobilidade na rede urbana brasileira, pois, nesse período de dez anos, 86% das cidades não sofreram alteração. É o que revela a pesquisa Regiões de Influência das Cidades - Regic, divulgada hoje (25) pelo IBGE. A pesquisa é realizada a cada dez anos e visa a identificar e analisar a rede urbana brasileira, estabelecendo a hierarquia dos centros urbanos e as regiões de influência das cidades. Campinas, Florianópolis e Vitória subiram de nível e passaram a integrar o grupo de 15 metrópoles, que tem São Paulo no topo da hierarquia como grande metrópole nacional e Rio de Janeiro e Brasília como metrópoles nacionais. As outras metrópoles são Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Salvador e Manaus. Devido ao grande dinamismo empresarial, Campinas vira única metrópole que não é capital Conceito de Rede Urbana O conceito de rede urbana é definido como o conjunto de vários centros que passam a funcionar articulados, se consolidam no território e refletem o desenvolvimento econômico, político e cultural de um país. Integrados na rede urbana, os centros funcionam de maneira a articular a distribuição de mercadorias, a circulação de pessoas e oferta de bens e serviços. A rede urbanaé assentada no território, onde atua como um reflexo do desenvolvimento econômico, político e cultural em um determinado momento da história. São os impactos desses fatores que influenciam na configuração do território. Uma forma simples de compreender a influência está na migração de trabalhadores rurais para integrar os canteiros de obras nas grandes cidades. O cidadão percorre o território em busca de emprego para obter melhor qualidade de serviços. ● Metrópoles Globais: Cidades com a melhor infraestrutura urbana do mundo e que, em virtude do seu papel econômico e político e da quantidade de serviços oferecidos, exercem grande influência a nível mundial, atraindo pessoas, mercadorias, informações e capitais do mundo todo. São exemplos de cidades globais: Nova Iorque (Estados Unidos), Paris (França), São Paulo (Brasil) e Pequim (China). ● Metrópoles Nacionais: São cidades que possuem uma grande influência dentro de um país, polarizando praticamente todo o território. As principais metrópoles nacionais brasileiras são: Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Brasília. ● Metrópoles Regionais: Têm capacidade de atração restrita à região em que estão localizadas, atraindo pessoas de cidades menores em busca de trabalho, moradia, educação ou tratamento médico que não encontram em suas cidades de origem. São exemplos de metrópoles regionais brasileiras: Goiânia e Belém. ● Centros regionais ou cidades médias: São cidades que dependem de outra cidade (metrópole regional ou nacional), mas que possuem uma oferta de bens e serviços capaz de polarizar uma ou várias cidades no seu entorno. Um exemplo disso é Santos, que exerce uma influência local no estado de São Paulo. ● Outras cidades: Cidades de pequeno e médio porte que atendem as necessidades mais básicas da população de pequenas cidades e vilas. Diferença entre urbanização e crescimento urbano Podemos entender como urbanização a passagem da população de um lugar de predominantemente rural para predominantemente urbana, ou seja, quando há um crescimento maior da população que vive nas cidades do que a população que vive no meio rural. Como as taxas de crescimento vegetativo são geralmente mais altas no campo que na cidade, a explicação para um crescimento populacional maior da população urbana em relação à população rural está no deslocamento da população rural para as zonas urbanas, ou seja, a urbanização está diretamente associada ao êxodo rural. Já o crescimento urbano nada mais é que o crescimento absoluto da população da população urbana, independente do crescimento da população rural, ou seja, se a população de uma região já se encontra com 100% de população urbana, não teremos mais urbanização, mas poderemos ter crescimento urbano, desde que a população da região aumente de tamanho. Conceito de cidade no Brasil Não existe um conceito definitivo de cidade, tendo em vista as grandes dificuldades encontradas serem muitas. Porém, como existe uma necessidade de organização territorial e definição de políticas públicas para a resolução de problemas dos mais diversos, os países precisam adotar critérios para definir o que é uma cidade. Para a ONU, toda aglomeração com mais de 20 mil habitantes e considerada cidade. No Brasil prevalece o critério político administrativo, ou seja, considera-se cidade toda sede de município, independente do tamanho da população. Conurbação A conurbação é a união física entre duas ou mais cidades próximas, em conseqüência de seu crescimento horizontal. Em um processo de conurbação encontraremos uma unificação entre as malhas viárias dos municípios contíguos, possibilitando um fluxo maior de pessoas e mercadorias dentro da conurbação. Exemplo: Região Metropolitana de São Paulo, Região Metropolitana de Porto Alegre (eixo Porto Alegre – Novo Hamburgo). Metrópole A metrópole geralmente se caracteriza por ser uma cidade de grande porte, com um grande contingente populacional, e setores secundário e terciário altamente complexos (principalmente o setor secundário). A metrópole também tem como característica por ser uma cidade que conecta a região e o país ao exterior, com a presença de aeroportos internacionais, representações diplomáticas e filiais de grandes empresas estrangeiras (incluindo os bancos). No Brasil, são consideradas metrópoles as cidades de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Manaus, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Brasília. Megalópole Megalópole é uma vasta área urbanizada, onde as cidades estão conurbadas ou em processo de conurbação, e que apresenta duas ou mais metrópoles no conjunto das cidades. As principais megalópoles do planeta são: Bos-Wash / EUA; Chi-Pitts / EUA; San-San / EUA; Megalópole Renana / Europa; Tokkaido / Japão. A megalópole brasileira está sendo formada na área compreendida entre a Grande São Paulo e a Grande Rio de Janeiro, passando pelo vale do Paraíba, onde se localizam as cidades como São José dos Campos, Taubaté, Resende, Volta Redonda, entre outras. Classificação das cidades quanto à origem • Planejadas (ou artificiais): Cidades que surgiram a partir de um projeto urbanístico- arquitetônico, com o intuito de cumprir determinada função. Ex.: Brasília / DF, Palmas / TO, Goiânia / GO, Belo Horizonte / MG. • Espontâneas (ou naturais): Representam a maioria das cidades do Brasil e do planeta. Surgem de forma espontânea, a partir de diversos elementos: porto, fortificação militar, estação de trem, núcleo de colonização, frentes pioneiras, cruzamento de estradas/ rodovias, etc. Metrópole: abrigam 1 milhão de habitantes • Região Metropolitana: Conjunto de municípios integrados a uma cidade central • Megalópole: duas ou mais metrópoles nacionais conurbadas Megalópole em formação: Entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro e seus arredores, temos a área mais densamente urbanizada do Brasil, onde vivem aproximadamente 25% da população brasileira e estão concentrados cerca de 60% da produção industrial de todo o país. A hierarquia urbana brasileira • A ideia de hierarquia, neste caso, está associada à dependência dos centros urbanos menores em relação aos centros maiores que polarizam a rede urbana à qual estão integrados. • Na hierarquia urbana brasileira, a liderança das diferentes redes urbanas cabe às metrópoles, que polarizam o conjunto das redes urbanas nacionais ou a rede urbana de grandes regiões. Metrópoles nacionais: encontram-se no primeiro nível da gestão territorial, constituindo foco para centros localizados em todos os pontos do país. São metrópoles nacionais Rio de Janeiro e São Paulo. Metrópoles regionais: constituem o segundo nível da gestão territorial, e exercem influência na macrorregião onde se encontram. São metrópoles regionais Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife e Salvador. Capitais regionais: constituem o terceiro nível da gestão territorial, e exercem influência no estado e em estados próximos. Dividem-se em três níveis: A, B e C Classificação das cidades quanto à função Podemos classificar as cidades de acordo com a função dominante, geralmente aquela que define os investimentos públicos ou que movimenta a economia da cidade. • Administrativa: Brasília/DF • Portuária: Rio Grande/RS, Santos/SP, Paranaguá/PR • Universitária: Santa Maria/RS, Viçosa/MG • Industrial: Caxias do Sul/RS, Cubatão/SP • Religiosa: Aparecida do Norte/SP, Juazeiro do Norte/CE • Militar: Resende/RJ, Três Corações/MG • Turística: Gramado/RS, Ouro Preto/MG Rede Urbana e Hierarquia Urbana A rede urbana é formada por um sistema de cidades interligadas umas às outras por meio das redes de transportes e de comunicações, pelas quais fluem pessoas, serviços, mercadorias, informações, etc. As redes urbanas dos países desenvolvidos são mais densas e articuladas, pois esses países apresentam alto nível de industrialização e urbanização, economias diversificadas e dinâmicas,vigoroso mercado interno e alta capacidade de consumo. Esses fatores aumentam a densidade e o ritmo dos fluxos comerciais e de serviços e aprofundam a interação socioeconômica entre as cidades da rede. Quanto mais complexa a economia de um país ou de uma região, mais densa é a sua rede urbana e, portanto, maiores e mais diversificados são os fluxos que as interligam. As redes urbanas de muitos países subdesenvolvidos, particularmente daqueles de baixo nível de industrialização e urbanização, são bastante desarticuladas, por isso as cidades estão dispersas pelo território, muitas vezes sem constituir propriamente uma rede. A rede urbana brasileira pode ser caracterizada pela irregular distribuição geográfica e pela falta de continuidade. Na verdade é um reflexo do próprio processo de urbanização ocorrido no país. Enquanto as regiões Sudeste e Sul apresentam redes urbanas mais extensas e de maior densidade, em virtude de seu maior desenvolvimento industrial, as regiões Norte e Centro- Oeste apresentam redes urbanas de baixa densidade e de grande descontinuidade espacial. A hierarquia urbana representa a relação de influência entre as cidades, influência esta exercida através da rede urbana da região. No Brasil, podemos dizer que, atualmente, a rede urbana brasileira está mais complexa, uma vez que a influência não precisa respeitar necessariamente a hierarquia das cidades, pois uma cidade pequena pode sofrer influência direta de uma grande metrópole regional ou nacional sem sofrer influência de uma capital regional ou centro regional. Cidades Globais As Cidades Globais são aquelas cidades que apresentam alto grau de complexidade nos mais diversos serviços, e que exercem influência internacional, em diferentes escalas. Nova Iorque, Tóquio, Londres, São Paulo, Buenos Aires, entre outras, são cidades globais. REGIÃO ÍNDICE DE URBANIZAÇÃO Sudeste 90,52% Centro-Oeste 86,73% Sul 80,94% Norte 69,83% Nordeste 69,04% Urbanização por Regiões As Metrópoles no Brasil • Crescimento urbano acentuado, formando conurbações; • Existência de centro histórico, onde se concentram atividades de serviços, e de subcentros dotados de vida própria. • Existência de várias administrações político-administrativas autônomas (prefeituras) em um único espaço edificado. • Fluxo de circulação pendular As Regiões Metropolitanas do Brasil Uma região metropolitana ou área metropolitana é um grande centro populacional, que consiste em uma (ou, às vezes, duas ou até mais) grande cidade central (uma metrópole), e sua zona adjacente de influência. Geralmente, regiões metropolitanas formam aglomerações urbanas, uma grande área urbanizada formada pela cidade núcleo e cidades adjacentes, formando uma conurbação. Por exemplo, São Paulo é uma cidade central, com Guarulhos, Osasco e outras cidades adjacentes sendo cidades vizinhas de São Paulo, juntas formando uma conurbação. Porém, uma região metropolitana não precisa ser obrigatoriamente formada por uma única área contígua urbanizada, podendo designar uma região com duas ou mais áreas urbanizadas intercaladas com áreas rurais. O necessário é que as cidades que formam uma região metropolitana possuam um alto grau de integração entre si. O Brasil apresenta atualmente 23 Regiões Metropolitanas. Além dessas regiões metropolitanas, existem as regiões integradas de desenvolvimento econômico, que se constituem como regiões metropolitanas em que há conurbação entre cidades de dois ou mais estados, como o que ocorre no Distrito Federal, na Grande Teresina e em Petrolina/Juazeiro. Existem também outras regiões do Brasil que visam ser transformadas em áreas metropolitanas, como a Grande Cuiabá; Grande Uberlândia no Triângulo Mineiro em Minas Gerais; o Vale do Paraíba em São Paulo; e as regiões de Caxias do Sul (ou aglomeração nordeste) e de Pelotas/Rio Grande (ou aglomeração sul), ambas no Rio Grande do Sul. • Região Norte do Brasil: Região Metropolitana de Macapá (AP); Região Metropolitana de Manaus (AM); Região Metropolitana de Belém (PA). • Região Nordeste do Brasil: Região Metropolitana de Maceió (AL); Região Metropolitana de Salvador (BA); Região Metropolitana de Fortaleza (CE); Região Metropolitana de São Luís (MA); Região Metropolitana de João Pessoa (PB); Região Metropolitana do Recife (PE); Região Metropolitana de Natal (RN); Região Metropolitana de Aracaju (SE). • Região Centro-Oeste do Brasil: Região Metropolitana de Goiânia (GO). • Região Sudeste do Brasil: Região Metropolitana de Vitória (ES); Região Metropolitana de Belo Horizonte e Região Metropolitana do Vale do Aço (MG); Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RJ); Região Metropolitana da Baixada Santista, Região Metropolitana de Campinas e Região Metropolitana de São Paulo (SP). • Região Sul do Brasil: Região Metropolitana de Curitiba, Região Metropolitana de Londrina e Região Metropolitana de Maringá (PR); Região Metropolitana de Porto Alegre (RS). O Plano Diretor Plano Diretor é um conjunto de leis que estabelece as diretrizes para o desenvolvimento socioeconômico e a preservação ambiental dos municípios, regulamentando o uso e ocupação do território municipal, especialmente o solo urbano. Segundo a Constituição federal de 1988, o Plano Diretor é obrigatório para cidades que apresentem uma ou mais das seguintes características: • Abriga mais de 20 mil habitantes. • Integra regiões metropolitanas e aglomerações urbanas. • Integra áreas de especial interesse turístico. • Insere–se na área de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional. O Estatuto da Cidade O Estatuto da Cidade foi aprovado em outubro de 2001 (Lei 10.257), e ele fornece as principais diretrizes a serem aplicadas nos municípios do país. Com a aprovação do Estatuto, houve regulamentação dos artigos depolítica urbana que constam da Constituição de 1988. Abaixo, algumas diretrizes do Estatuto da Cidade: • Todas as cidades com mais de 20 mil habitantes devem aprovar um Plano Diretor até 2006. • IPTU progressivo. • Concessão onerosa do direito de construir. • Parcelamento, a edificação ou a utilização compulsórios do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado. • Desapropriação com pagamentos em títulos da dívida pública. • Usucapião especial de imóvel urbano (cinco anos). • Usucapião coletivo. • Operações urbanas consorciadas. • Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança (EIV). • Gestão democrática da cidade (órgãos colegiados; debates, audiências e consultas públicas; conferências; projetos de lei de iniciativa popular O Brasil é uma nação independente e autônoma politicamente, dispõe de uma região separada em estados, que nessa condição são 26, fora o distrito federal que corresponde a uma unidade da federação que foi estabelecida com o objetivo de acolher a metrópole do Brasil e também o polo do Governo Federal. Foram diversas as razões que conduziram o Brasil a fazer uma separação interna da região, dentre eles os principais foram os aspectos político-administrativos e históricos. Esse procedimento começou ainda no período colonial, instante esse que o Brasil estava separado em capitanias hereditárias, dessa maneira estados como Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte são provenientes de velhas capitanias constituídas no antigo momento onde prevalecia esse modelo de separação. Uma das razões que beneficiavam a separação interna da nação é quanto à gestão administrativa da região, onde se separa as obrigações de fiscalizar em porções menores, pois grandes distancias territoriais sem posse e inexistência de estado pode gerar uma sequência de problemas, até a perda de regiões para nações vizinhas. No final do século XIX quase todos os estados estavam com seus próprios formatos atuais, contudo certos estados apareceram depois, como Tocantins, em 1988, e Mato Grosso do Sul, em 1977, gerando uma reorganização na posição cartográfica e governamental do interior da nação. Estado quer dizerunidade da federação brasileira. O Brasil apresenta leis específicas, uma vez que está estruturado politicamente e retém toda autonomia. As leis são formuladas em padrão federal e são independentes, contudo, municípios e estados apresentam leis específicas, porém que são submetidas às leis nacionais, nesse caso, a Constituição Federal. Além da separação em federações há uma no interior dos estados, a regionalização em cidade, que apresenta leis próprias que são dependentes das leis federais, essa regionalização ainda pode ser separada em distritos. Na separação administrativa do Brasil, têm-se os estados, os municípios, os distritos e o distrito federal. Estados: unidades federativas do país. São gerenciados por governos estaduais, que são dependentes do Governo Federal. Cada estado tem sua própria capital, no qual está implantada a sua matriz administrativa. Municípios: equivalem as unidades administrativas que são menores que os estados. São gerenciadas pelos governos municipais, mais popularmente conhecidos como prefeituras, que são dependentes do Governo Federal e do Governo Estadual. Distritos: são unidades governamentais que fazem parte dos municípios. Um município pode ser formado por um ou mais distritos. O distrito matriz normalmente apresenta o mesmo nome que o município e os outros distritos costumam ser denominados de vilas. Quando uma vila se expande, ela é promovida a município. Distrito Federal: é a matriz do governo federal, lugar onde está a metrópole do país. É no Distrito Federal que estão às matrizes dos poderes executivo, legislativo e judiciário. No Brasil, o Distrito Federal está localizado no estado de Goiás, e a capital brasileira em Brasília. Região Norte A região Norte é composta por sete estados, onde estão localizadas a Floresta Amazônica e a Bacia Amazônica. É a maior região brasileira, mas a menos habitada. O clima encontrado na região norte é o equatorial. Região Nordeste A região nordeste apresenta noves estados. É a segunda região com a maior quantidade de habitantes. O clima pode mudar conforme a localização, sendo semi-árido no centro e úmido nas regiões ocidental e oriental. Região Centro-Oeste A região Centro-Oeste apresente só três estados mais o Distrito Federal. É a segunda maior região brasileira, mas a menos povoada. Tem a agropecuária como principal atividade econômica. O clima dominante é o tropical. Região Sudeste A região Sudeste apresenta quatro estado. É a região mais avançada, em razão do grande crescimento econômico, agrícola e industrial, além de ser a com mais habitantes. O clima muda conforme a localização, sendo tropical de altitude nos planaltos, e tropical atlântico no litoral. Região Sul A região Sul apresenta três estado. É a menor região do Brasil, mas a que possui grande influencia européia, principalmente germânica e italiana. O clima dominante é o subtropical. Dessa forma, o Brasil apresente o quinto maior território com relação aos demais países. O território do Brasil já passou por diversas divisões regionais. A primeira proposta de regionalização foi realizada em 1913 e depois dela outras propostas surgiram, tentando adaptar a divisão regional às características econômicas, culturais, físicas e sociais dos estados. A regionalização atual é de 1970, adaptada em 1990, em razão das alterações da Constituição de 1988. O órgão responsável pela divisão regional do Brasil é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A primeira proposta de divisão regional do Brasil surgiu em 1913, para ser utilizada no ensino de geografia. Os critérios utilizados para esse processo foram apenas aspectos físicos – clima, vegetação e relevo. Dividia o país em cinco regiões: Setentrional, Norte Oriental, Oriental, Meridional. Em 1940, o IBGE elaborou uma nova proposta de divisão para o país que, além dos aspectos físicos, levou em consideração aspectos socioeconômicos. A região Norte era composta pelos estados de Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí e o território do Acre. Goiás e Mato Grosso formavam com Minas Gerais a região Centro. Bahia, Sergipe e Espírito Santo formavam a região Leste. O Nordeste era composto por Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro pertenciam à região Sul. Divisão regional de 1945 Conforme a divisão regional de 1945, o Brasil possuía sete regiões: Norte, Nordeste Ocidental, Nordeste Oriental, Centro-Oeste, Leste Setentrional, Leste Meridional e Sul. Na porção norte do Amazonas foi criado o território de Rio Branco, atual estado de Roraima; no norte do Pará foi criado o estado do Amapá. Mato Grosso perdeu uma porção a noroeste (batizado como território de Guaporé) e outra ao sul (chamado território de Ponta Porã). No Sul, Paraná e Santa Catariana foram cortados a oeste e o território de Iguaçu foi criado. Os territórios de Ponta Porã e Iguaçu foram extintos e os estados do Maranhão e do Piauí passaram a integrar a região Nordeste. Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro formavam a região Leste. Em 1960, Brasília foi criada e o Distrito Federal, capital do país, foi transferido do Sudeste para o Centro-Oeste. Em 1962, o Acre tornou-se estado autônomo e o território de Rio Branco ganhou o nome de Roraima. Em 1970, o Brasil ganhou o desenho regional atual. Nasceu o Sudeste, com São Paulo e Rio de Janeiro sendo agrupados a Minas Gerais e Espírito Santo. O Nordeste recebeu Bahia e Sergipe. Todo o território de Goiás, ainda não dividido, pertencia ao Centro-Oeste. Mato Grosso foi dividido alguns anos depois, dando origem ao estado de Mato Grosso do Sul. Com as mudanças da Constituição de 1988, ficou definida a divisão brasileira que permanece até os dias atuais. O estado do Tocantins foi criado a partir da divisão de Goiás e incorporado à região Norte; Roraima, Amapá e Rondônia tornaram-se estados autônomos; Fernando de Noronha deixou de ser federal e foi incorporado a Pernambuco. Municípios limítrofes que exibem algum tipo de integração de suas dinâmicas geográficas, ambientais, políticas e socioeconômicas e que têm algum nível de complementaridade funcional são agrupados, no Brasil, em categorias como regiões metropolitanas (RM) e, em alguns casos, regiões integradas de desenvolvimento (RIDE). O país conta hoje com 74 RM e com três RIDE formalmente constituídas. Além disso, há diversas iniciativas que visam a criar novas regiões desses tipos e a ampliar a abrangência geográfica das regiões existentes. Regiões Metropolitanas no Brasil Para compreender o surgimento de uma Região Metropolitana é necessário, primeiramente, entender o que é uma metrópole. Metrópole foi uma expressão utilizada na Grécia Antiga para referir-se a uma cidade-mãe, isto é, que exerce influência nas cidades de seu entorno, polarizando determinadas funções econômicas e sociais. Em sua derivação do Latim, significa a principal cidade de uma determinada região. No Brasil, o processo de urbanização ocorreu de forma acelerada e, paradoxalmente, generalizada e centralizadora. Verificou-se uma grande quantidade de cidades surgindo, porém as grandes cidades (principalmente as capitais) polarizaram os setores econômicos e industriais, elevando seu poder de atração demográfica. Com o crescimento demográfico dessas grandes cidades e de sua mancha urbana, surgiu outro processo: o de conurbação, isto é, um elo físico entre as malhas urbanas de duas ou mais cidades. Essa integração de dois núcleos urbanos ocorre também de forma funcional, com a migração pendular diária de pessoas entre as cidades. As metrópoles podem ser definidas como grandes aglomerações urbanas que exercem sobre uma área de entorno ou até sobre cidades distantes uma forte influência em termos de economia, comércio, infraestrutura e até em questões culturais. As metrópoles (do grego: cidade mãe) polarizam em torno de si uma gama de serviços, indústrias e outros inúmeros elementos do espaço geográfico que garante aelas um determinado grau de centralidade. A formação das metrópoles está diretamente associada a um processo correspondente de constituição das regiões ou áreas metropolitanas, que são, basicamente, um conjunto de cidades-satélites aglomeradas em torno de uma metrópole, mantendo com ela um grande fluxo de capital, mercadorias, pessoas e equipamentos. Em muitos casos, essa união acontece no âmbito físico do espaço urbano, formando cidades coligadas estendidas uma em relação à outra, em um processo conhecido como conurbação. Portanto, toda região metropolitana constitui-se a partir de uma metrópole principal. Por isso, forma-se uma área do espaço geográfico com relativo grau de desenvolvimento econômico que aglomera um grande quantitativo populacional, principalmente pelas maiores oportunidades profissionais oferecidas por essas localidades. No Brasil, as regiões metropolitanas são instituídas por lei e, por isso, passam a demandar uma política conjunta entre as cidades para formar uma rede integrada de infraestruturas, como saneamento, transporte público, fornecimento de energia, entre outras. Quando uma metrópole expande-se em termos demográficos e econômicos, a ponto de se integrar regionalmente com outras metrópoles relativamente próximas, forma-se aquilo que chamamos por megalópoles. As megalópoles, portanto, congregam uma rede mais ou menos articulada entre várias metrópoles e regiões metropolitanas. No Brasil, há uma megalópole formada pelas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas e da Baixada Santista, além de todas as outras aglomerações urbanas que se encontram no perímetro dessas cidades. No âmbito da hierarquia urbana mundial e também nacional, existe uma diferenciação das metrópoles quanto aos seus respectivos graus de desenvolvimento e complexidade estrutural e econômica. Nesse ínterim, existem as metrópoles globais, que polarizam cidades de outros países e até de todo o mundo, como São Paulo e Nova York; metrópoles nacionais, como Belo Horizonte e Porto Alegre; e metrópoles regionais, como Campinas, Belém e Goiânia. As metrópoles são, nesse sentido, grandes centros do sistema capitalista materializados no espaço geográfico. Elas concentram a maior parte do capital e também dos investimentos. As mais importantes delas, além disso tudo, congregam em torno de si importantes instituições para o sistema global, tais como as bolsas de valores e as sedes de grandes empresas multinacionais. O Brasil tem atualmente 74 regiões metropolitanas (RM). O estado com maior número é a Paraíba (12). Na sequência está Santa Catarina (11), depois Alagoas (9) e o Paraná (8). O país tem também cinco Aglomerações Urbanas: três no estado de São Paulo e duas no Rio Grande do Sul. Os dados fazem parte da lista atualizada dos municípios que compõem as regiões metropolitanas (RMs), as regiões integradas de desenvolvimento e aglomerações urbanas (RIDEs) definidas pelos governos estaduais e pela União. Aglomeração urbana A Constituição Brasileira se refere a aglomerações urbanas. Contanto, não explica o conceito. Uma aglomeração urbana é o espaço urbano contínuo, resultante de um processo de conturbação ainda incipiente. É uma região metropolitana de menor porte em que as áreas urbanas de duas ou mais cidades são conturbadas. A classificação oficial de uma aglomeração urbana se dá exclusivamente a partir do seguinte critério: político-administrativo. Segundo a Constituição (artigo 25): os Estados da Federação podem "mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, visando integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum." Tal conceito foi também adotado pelo IBGE. Regiões Metropolitanas, Aglomerações Urbanas e Rides: as divisões do país Segundo o IBGE, 28 dessas regiões têm mais de 1 milhão de habitantes, somando quase 100 milhões de pessoas O Brasil tem 74 regiões metropolitanas (RMs), informa o IBGE, que acaba de fazer nova atualização semestral, divulgada nesta sexta-feira (22). O estado com maior número de RMs é a Paraíba, com 12, seguido por Santa Catarina (11), Alagoas (nove) e Paraná (oito). O país tem ainda cinco Aglomerações Urbanas, sendo três em São Paulo e duas no Rio Grande do Sul. Além disso, existem três Regiões Integradas de Desenvolvimento (Rides), que abrangem mais de uma unidade da federação. De acordo com a Constituição, a definição de Regiões Metropolitanas e Aglomerações Urbanas cabe aos estados. As Rides são de competência da União. As três atuais são as do Distrito Federal e Entorno, da Grande Teresina e do Polo Petrolina (PE)/Juazeiro (BA). Mudanças no Rio e em Alagoas Nessa atualização – procedimento adotado desde 2013 –, houve mudanças em apenas duas regiões. O IBGE incluiu o município de Petrópolis, da área serrana, na RM do Rio de Janeiro. Já em Alagoas, Atalaia passou a integrar a RM do Vale do Paraíba, enquanto as cidades de Igaci, Palmeira dos Índios, Estrela de Alagoas, Belém e Tanque d’Arca foram incluídas na Região Metropolitana do Agreste, agora com 18 municípios. Coruripe e São Miguel dos Campos entraram na RM de Caetés. Em divulgação do ano passado, o IBGE informou que havia no país 28 RMs, Rides e Aglomerações Urbanas com mais de 1 milhão de habitantes. Somadas, essas áreas concentravam 99,8 milhões de habitantes, quase metade (47,5%) da população brasileira. A mais populosa era a Região Metropolitana de São Paulo, com 21,7 milhões de habitantes em 39 municípios, sendo mais de 12,2 milhões na capital. A RM do Rio de Janeiro tinha 12,8 milhões, sendo 6,7 milhões na capital. Depois vinha a de Belo Horizonte (6 milhões e 2,5 milhões, respectivamente). A Ride do Distrito Federal e Entorno estava com 4,6 milhões de habitantes, sendo 3 milhões em Brasília. Distribuição espacial da população no Brasil e movimentos migratórios internos. Conceitos e Taxas População absoluta (populoso) • A população absoluta é a população total de um lugar. • Muitas pessoas = muito populoso. • População Mundial em torno dos 6,6 bilhões de habitantes. • Ásia em torno de 4 bilhões de habitantes; China e Índia representam mas de 1/3 da população mundial. • População Relativa (densidade demográfica/povoado). • Número de habitantes por Km2. • Também é chamada de densidade demográfica. • Muitos habitantes por km2 = Grande densidade demográfica = muito povoado. Taxa de Natalidade É determinada pela relação percentual entre o número de nascimentos em um ano e a população absoluta. • Brasil e dos demais países subdesenvolvidos: taxas de natalidade são bastante altas. • Sensível diminuição da natalidade nos últimos anos, devido ao aumento da população urbana, a difusão do controle de natalidade, e o custo de criação de um filho nas zonas urbanas. Fecundidade • Número de filhos por mulher. • Calculado a partir das crianças com até 5 anos sobre o número de mulheres em idade reprodutiva (dos 15 aos 49 anos). • A taxa de fecundidade é diretamente proporcional à taxa de natalidade. Fertilidade • É o número de mulheres em idade reprodutiva. • Em países com alto desenvolvimento humano, o número de mulheres adultas é bastante significativo, o que faz com que a taxa de fertilidade seja bastante alta, mas a taxa de fecundidade é baixa, pois de uma maneira geral essas mulheres decidem por ter menos filhos. Taxa de Mortalidade • Relação percentual entre o número de óbitos em um ano e a população absoluta de uma unidade territorial. • A maior taxa de mortalidade ocorre hoje na África Subsaariana (15%o). • Algumas regiões subdesenvolvidas (América Latina e o Norte da África) apresentam taxas de mortalidade menores que as vigentes no continente europeu, devido à grande porcentagem de idosos na Europa. • Não é um bom indicador de qualidade de vida. • Os países que apresentam as menores taxas de mortalidade, inferiores a 5%o , não são os mais ricos, mas os que possuemuma população predominantemente jovem e dispõem de um serviço sanitário e médico com alguma qualidade, como é o caso da Costa Rica. • Mortalidade na África: doenças infecto-contagiosas; mortalidade na Europa: doenças crônicas. • Taxa de Mortalidade Infantil. • Índice que expressa o número de crianças que morrem antes de completar um ano de idade em cada mil nascimentos. • Taxas muito mais altas em países subdesenvolvidos (excelente indicador de qualidade de vida). • Países desenvolvidos: mortalidade infantil precoce (até o 28º dia de vida); mortalidade devido à fatores genéticos. • Países subdesenvolvidos: mortalidade infantil tardia (a partir do 29º dia de vida); mortalidade devido à subnutrição e às doenças infecto-contagiosas. Expectativa de Vida e Média de Vida • A expectativa de vida é obtida a partir da análise compartimentada da população, com pesos diferentes para as diversas faixas etárias. • Média de vida, que é obtida a partir da soma das idades das pessoas mortas dividida pelo número de mortes no ano. • A expectativa de vida sempre vai ser superior à média de via. • As nações mais desenvolvidas do ponto de vista econômico e social, apresentam as maiores expectativas de vida. • Ecúmeno e Anecúmeno. • Ecúmenos: regiões mais favoráveis à ocupação humana (regiões de clima temperado, os planaltos tropicais, as planícies, os vales, os deltas e vales fluviais, os litorais e as regiões de solo e subsolo ricos). • Anecúmenos: regiões desfavoráveis à ocupação humana (elevadas latitudes regiões polares, as elevadas altitudes altas montanhas -, os desertos e as florestas equatoriais). • Crescimento Vegetativo e Crescimento Populacional. • Crescimento vegetativo: saldo natural obtido entre o número de nascimentos e óbitos em uma população (crescimento natural). • Crescimento populacional: calculado a partir do crescimento vegetativo mais o saldo migratório (crescimento global ou demográfico). Índice de Desenvolvimento Humano O Índice de Desenvolvimento Humano, usado pela ONU desde 1993 para ranquear as nações pela qualidade de vida, leva em consideração três aspectos: educação, saúde e renda. Educação • Taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais. • Somatório das pessoas, independentemente da idade, matriculadas em algum curso, seja ele fundamental, médio ou superior, dividido pelo total de pessoas entre 7 e 22 anos da localidade. • Longevidade. • Esperança de vida ao nascer. • Renda. • PIB per capita em dólar PPC (Paridade do Poder de Compra corrigido pelo poder de compra na localidade) O índice varia de 0 a 1 • 0,000 a 0,499 – IDH baixo (países da África Subsaariana) • 0,500 a 0,799 – IDH médio (países da América Latina, Norte da África, Ásia) • 0,800 a 0,899 – IDH alto (parte da Europa Oriental e alguns países da América Latina) • 0,900 a 1,000 – IDH muito alto (países da Europa e América Anglo-Saxônica) IDH no Brasil O Brasil, segundo levantamento publicado em 2008, chegou aos 0,807 pontos de IDH, ocupando a 70ª posição no ranking mundial, sendo que os índices de educação e renda são os que o Brasil está melhor colocado; já o índice de longevidade coloca o Brasil abaixo da colocação atual (79º ante 70º). Teorias Demográficas • 1. Malthusiana: O surto demográfico sem precedentes históricos que se iniciou na Europa com a era industrial espantou muitos estudiosos no assunto. Em 1798, Thomas Robert Malthus, formulou uma teoria bastante catastrofista a esse respeito: a capacidade da produção de alimentos cresceria em progressão aritmética enquanto a população cresceria em progressão geométrica. Esse descompasso seria a razão básica da existência da miséria e das enfermidades. • 2. Neomalthusiana: Na década de 60, auge do crescimento da população mundial, as velhas profecias malthusianas foram ressuscitadas: o neomalthusianismo ganhava adeptos. Segundo eles, o alto crescimento demográfico é uma das principais causas da generalização da pobreza em várias regiões subdesenvolvidas. O aumento descontrolado do número de pessoas atrapalharia o desenvolvimento dos Estados pobres, desviando recursos para investimentos não-produtivos (creches, escolas) e criando uma relação desfavorável entre o número de pessoas em idade de trabalhar e o total de habitantes. O controle de natalidade seria o passaporte para o desenvolvimento. • 3. Reformista (Marxista): Contemporâneos aos neomalthusianos, os reformistas possuem um raciocínio oposto aos neomalthisianos, ou seja, eles consideram que, na verdade, é a qualidade de vida que vai interferir na taxa de natalidade, ou seja, famílias pobres possuem a tendência de terem mais filhos. Desta forma, a solução estaria é possibilitar reais condições das famílias virem a ter uma qualidade de vida satisfatória, com um acesso maior à educação (de qualidade), serviços médicos (de qualidade), mais trabalhos, redução das distorções salariais, etc. Estrutura Econômica A partir da ocupação econômica da população, podemos dividi-la em dois grupos: A) População Economicamente Ativa: É aquela parcela da população, constituída também por desempregados temporários, que participa do mercado de trabalho. Ela está vinculada a um dos setores de atividades característicos da economia moderna: • Setor Primário – produção agropecuária, extrativismo vegetal e mineral. • Setor Secundário – indústria de transformação, construção civil, mineração. • Setor Terciário – comércio, serviços, transportes, comunicações, administração pública. Obs.: No cálculo da PEA também são considerados os trabalhadores do setor informal. B) População Inativa: É aquela população que não desempenha atividade produtiva remunerada e/ou que não esteja procurando emprego (aposentados, crianças, estudantes, donas-de-casa, inválidos). Pirâmides Etárias As pirâmides etárias são gráficos que representam a população de acordo com as idades e os sexos. Os principais elementos de uma pirâmide são as seguintes: • Base – parte inferior, que representa a população jovem. • Corpo – parte intermediária, que representa a população adulta. • Cume ou ápice – parte superior, que representa a população velha. • Ordenada – representa os grupos ou faixas de idade. • Abcissa – quantidade de pessoas (em valor absoluto ou em porcentagem). Diferença entre migração, imigração e emigração? De acordo com o Dicionário Michaelis, migração é a “movimentação de um povo, ou de um grande número de pessoas, para um país diferente, ou a uma região diferente dentro desse mesmo país, geralmente motivada por razões políticas ou econômicas”. A migração sempre irá incluir os movimentos de imigração e emigração. A imigração é o movimento de chegada de pessoas em um país estrangeiro, esses são os chamados imigrantes. Imigração vem do latim “immigratus”, que significa “se mudar para”. A emigração é o movimento inverso, de sair do seu país ou região de origem. Os emigrantes são as pessoas que deixam seu local de origem. Emigração vem do latim “emigratus” que significa “se afastar”. Todo grupo ou pessoas que faz uma migração emigrou de um lugar e imigrou para outro. A migração representa o deslocamento de pessoas entre uma localidade e outra. As migrações no mundo acontecem pelos mais diversos motivos: religiosos, culturais, bélicos, humanitários, econômicos, político-ideológicos, educacionais, trabalhistas, sanitários e muitos outros. Elas podem ocorrer de maneira voluntária, forçada (como na escravidão ou diáspora) e controlada (quando o Estado controla a saída e a entrada de pessoas). Do ponto de vista da análise, diz-se que são emigrantes aqueles que deixam uma determinada área e imigrantes aqueles que entram em um território específico. Migração pendular: é o movimento diário realizado pelas pessoas dentro de um espaço geográfico limitado. Exemplo: ir à escola ou ao trabalho. Êxodo rural: também conhecido como migração campo-cidade, é o deslocamento em massa da população do campo para a cidade em um determinado país ou território. ÊxodoRural • Movimento migratório que se realiza a partir do deslocamento de pessoas do campo para a cidade. • Está diretamente associado ao processo de urbanização, e a sua ocorrência provocará, mais tarde, redução das taxas de natalidade e fecundidade. • Nos países desenvolvidos, esse movimento está associado ao processo de industrialização e necessidade de mão de obra nas cidades; nos países subdesenvolvidos, está associado à crise da agricultura nesses países, com falta de investimento no campo e o baixo valor dos produtos agropecuários no mercado nacional e internacional. Transumância • Movimento sazonal (ocorre sempre na mesma época do ano, regularmente). • Associado a períodos de colheita ou a períodos de muito frio, seca, etc. • No Brasil, podemos citar o exemplo dos bóias-frias Nomadismo • Movimento realizado de forma constante, geral- mente por povos primitivos. • Dependência dos fatores naturais. • Busca constante por recursos para a sobrevivência do grupo. • Alguns grupos são nômades em função de aspectos culturais (ex.: ciganos) Migração Pendular • Movimento diário. • Ocorre em função de trabalho. • Não há mudança de domicílio. • Muito intenso em grandes regiões metropolitanas. Migrações no Brasil No caso do Brasil, são quatro os principais tipos de migrações: • a imigração, muito importante no período de 1850 a 1934. • as migrações internas ou inter-regionais, que ocorreram durante toda a nossa história, mas assumiram maior importância após 1934, como o declínio da imigração e uma maior integração entre as diversas regiões do país; • a migração rural-urbana ou êxodo rural, que se acelerou após 1950; • as migrações pendulares nas grandes cidades, que também vêm aumentando desde a década de 1950, acompanhando o aumento da urbanização. Emigração Apesar de pouco estudada, é atualmente tão importante quanto a imigração, talvez até mais. Do final dos anos 1960 até 2000, inclusive, o número de emigrantes foi superior ao de imigrantes, tanto por motivos políticos quanto, principalmente, por razões econômicas. É muito difícil obter dados estatísticos seguros sobre o total de emigrantes porque muitos ingressaram clandestinamente nos países de destino; não é muito fácil obter visto de entrada como imigrante nos Estados Unidos ou nos países da Europa Ocidental. Não obstante, sabe- se que muitos brasileiros deixaram o país nestas últimas décadas, sendo que os principais destinos dos brasileiros são os Estados Unidos, o Paraguai, o Japão (os dekasseguis) e, em menor número, os países da Europa Ocidental, a Austrália e o Canadá, entre outros. 1808 – 1850: Início da imigra- ção, porém com resultados ainda insignificantes. • Entrada de portugueses (açorianos), alemães. Objetivo: “branqueamento” da população, colonização. • A entrada de escravos africanos foi mais significativa que a imigração. 1850 – 1934: Período de maior entrada de imigrantes (em especial de 1888 a 1918). • Lei Eusébio de Queirós (1850) e a Abolição da Escravatura (1888) ajudam no processo de aumento do movimento imigratório. Objetivos: colonização de áreas estratégicas e substituição da mão-de-obra escrava. A partir de 1934: Controle à entrada de imigrantes (Lei de Cotas). Migrações Internas • Século XVI: Ocupação das áreas marginais à região açucareira do Nordeste. • Século XVII: Atividade pecuária nas regiões do agreste e do sertão do Nordeste atraiu a população do litoral. • Século XVIII: Migração de grupos do Nordeste e do Planalto Paulista para o Planalto Mineiro, Mato Grosso e Goiás, em função da descoberta de jazidas de metais e pedras preciosas. • Século XIX: Migração do Nordeste e de Minas Gerais para São Paulo (Vale do Paraíba do Sul) em função da expansão da fronteira agrícola a partir do Rio de Janeiro (cafeicultura). • Entre 1870 e 1912: Nordestinos para a Amazônia, em função do ciclo da Borracha. • Entre 1935 e 1940: Mineiros e baianos para São Paulo, devido à expansão da produção algodoeira. • A partir da década de 50: Grande número de nordestinos para o Centro-Oeste (dec.50 – Construção de Brasília), para as grandes cidades do Sudeste (a partir da década de 50 até hoje, mas em maior intensidade de 50 até 1985) e para a Amazônia (a partir da década de 70). • A partir da década de 70: Migração do Sul para o Centro-Oeste e para a Amazônia, devido à expansão da fronteira agrícola incentivada pelo Governo Federal (construção de grandes rodovias, apoio à implantação de projetos agropecuários, incentivos ao desenvolvimento das atividades de mineração e programa de vendas de pequenos lotes coordenados pelo INCRA), mas também e função da crise do modelo agrícola do Sul do Brasil, principalmente em relação à soja. • Hoje: Movimento em direção à fronteira agrícola (localizada sobretudo na Amazônia) de sulistas e nordestinos; movimento de retorno de nordestinos que viviam no Sudeste para o Nordeste (apesar do movimento de nordestinos para São Paulo ainda ser bastante forte), movimento de pessoas das grandes cidades para cidades médias (em função de trabalho, qualidade de vida, violência). A transumância, ou migração sazonal, é o movimento populacional que ocorre em determinadas épocas do ano e que sempre se repete. Migração de retorno: é o deslocamento de pessoas para sua região de origem, após ter migrado. É o que ocorreu na região Nordeste a partir dos anos 1980, com a melhora da economia local. Na Região Metropolitana de São Paulo, 60% dos que deixaram a região entre 2000 e 2010, eram migrantes de retorno. Migrações no Brasil As migrações internas: 1930/1940: O nordeste foi a principal região de Repulsão populacional, por causa da Decadência Econômica e constantes secas. 1950/1970: Fluxo nordestino para o Sudeste, o Norte (extrativismo e esperança de adquirir lotes de terra - agropecuária) e o Centrooeste (Construção de Brasília – 1960) 1970/2000: Emigrantes do Sul para o Centro-oeste e Norte (expansão da fronteira agrícola). Houve incentivos do governo como a doação de lotes de terra. A população brasileira está irregularmente distribuída no território, isso fica evidente quando se compara algumas regiões ou estados, o Sudeste do país, por exemplo, apresenta uma densidade demográfica de 87 hab/km2, as regiões Nordeste, Sudeste e Sul reúnem juntas 88% da população, distribuída em 36% de todo o território, fato contrário à densidade demográfica do Norte e Centro-Oeste, que são, respectivamente, 4,1 hab/km2 e 8,7 hab/km2, correspondendo a 64% do território total. Os brasileiros atualmente exercem um grande fluxo migratório, internacional e nacionalmente, nesse processo é importante salientar a diferença entre emigração (saída voluntária do país de origem) e imigração (o ato de estabelecer-se em país estrangeiro). Acerca das migrações externas o significado está no fluxo de pessoas que saem do seu país para viver, ou mesmo visitar, outro país, geralmente países desenvolvidos; já as migrações internas caracterizam-se pelo deslocamento populacional que se realiza dentro de um mesmo país, seja entre regiões, estado ou municípios. No Brasil cerca de 40% dos habitantes residem fora dos municípios que nasceram. Os principais fluxos migratórios no Brasil estão voltados para os nordestinos que saem em direção ao Sudeste e Centro-Oeste, isso muita vezes é provocado devido às questões de seca, falta de emprego, baixo índice de industrialização em relação às outras regiões, dentre outros fatores. Outro fluxo bastante difundido é em relação aos migrantes do Sul que saem em direção às regiões do Centro-Oeste e Norte, esse processo deve-se aos agricultores gaúchos que procuram novas áreas de cultivo com preços mais baixos. 1º Sudeste = 67.77 hab/km² 2º Sul = 38.38 hab/km² 3º Nordeste = 27.33 hab/km² 4º Centro-Oeste = 5,86 hab/km² 5º Norte = 2,66 hab/km² Se considerarmos a divisão dos estados brasileiros, a liderança fica a cargo do Distrito Federal – 444,7 hab/km² – tanto por causa da capitalBrasília quanto pelas grandes aglomerações urbanas que se formaram após a rápida urbanização de seu entorno. Em seguida, temos o Rio de Janeiro (365,2 hab/km²), São Paulo (166,2 hab/km²), Alagoas (112,3 hab/km²) e Sergipe (94,3 hab/km²). Portanto, considerando a análise dos dados, é possível também observar que, espacialmente, o Brasil possui uma concentração populacional em toda a faixa litorânea do território nacional. Isso, de certa forma, é um reflexo do povoamento histórico do país e demonstra que as políticas de “marcha para o oeste” adotadas no século XX ainda foram insuficientes para promover uma total interiorização da população e dos investimentos no espaço geográfico do Brasil. A região Sudeste do Brasil, até o final do século XX, recebeu a maior quantidade de fluxos migratórios do país, principalmente o estado de São Paulo, pelo fato de fornecer maiores oportunidades de emprego em razão do processo de industrialização desenvolvido. No entanto, nas últimas décadas, as regiões Centro-Oeste e Norte têm sido bastante atrativas para os migrantes, pois após a década de 1970, a estagnação econômica que atingiu e ainda atinge a indústria brasileira afetou negativamente o nível de emprego nas grandes cidades do Sudeste, gerando pouca procura de mão de obra, ocasionando a retração desses fluxos migratórios. Assim, as regiões Norte e Centro-Oeste, que já captavam alguma parcela desse movimento, tornaram-se destinos da migração interna do Brasil. As políticas públicas para a ocupação do oeste brasileiro foram determinantes para esse redirecionamento dos fluxos migratórios no Brasil. A construção de Brasília, os investimentos em infraestrutura, novas fronteiras agrícolas, entre outros fatores, contribuíram para essa nova distribuição. O Sudeste continua captando boa parte dos migrantes brasileiros. A região recebe muito mais gente do que perde. O Centro-Oeste também recebe mais migrantes do que perde, sendo, atualmente, o principal destino dos fluxos migratórios no Brasil. O Sul e o Norte são regiões onde o volume de entrada e saída de migrantes é mais equilibrado. A Região Nordeste tem recebido cada vez mais migrantes, sendo a maioria proveniente do Sudeste (retorno), porém, continua sendo a região que mais perde população para as demais. Uma pessoa nascida no Brasil em 2019 tinha expectativa de viver, em média, até os 76,6 anos. Isso representa um aumento de três meses em relação a 2018 (76,3 anos). A expectativa de vida dos homens passou de 72,8 para 73,1 anos e a das mulheres foi de 79,9 para 80,1 anos. A probabilidade de um recém-nascido não completar o primeiro ano de vida era de 11,9 para cada mil nascimentos, ficando abaixo da taxa de 2018 (12,4). Essa caiu 91,9% desde 1940, quando chegava a 146,6 óbitos por mil nascimentos. A mortalidade na infância (crianças menores de 5 anos) também declinou, de 14,4 por mil em 2018 para 14,0 por mil em 2019. Das crianças que vieram a falecer antes de completar os 5 anos de idade, 85,6% teriam a chance de morrer no primeiro ano de vida e 14,4% de vir a falecer entre 1 e 4 anos de idade. Entre as unidades da federação, a maior expectativa de vida foi verificada em Santa Catarina (79,9 anos), com 3,3 anos acima da média nacional, e a menor, no Maranhão (71,4 anos). Já a menor taxa de mortalidade infantil foi a do Espírito Santo (7,8 por mil) e a maior, no Amapá (22,6 por mil). Essas e outras informações estão disponíveis na Tábua Completa de Mortalidade para o Brasil – 2019, que apresenta as expectativas de vida às idades exatas até os 80 anos, e são usadas como um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social. Taxa de mortalidade antes de um ano de vida é de 11,9 óbitos por mil nascimentos Entre 1940 e 2019 a mortalidade infantil apresentou declínio da ordem de 91,9%, sendo que a taxa de mortalidade entre 1 a 4 anos de idade diminuiu 97,3%. Neste período foram poupadas aproximadamente 135 vidas de crianças menores de 1 ano para cada mil nascidas vivas e 198 vidas de crianças de até 5 anos. Em 1940, a taxa de mortalidade na infância (crianças de até 5 anos) era de aproximadamente 212,1 óbitos para cada mil nascidos vivos. Em 2019, a taxa foi de 14,0 por mil. Das crianças que vieram a falecer antes de completar os 5 anos de idade, 85,6% faleceram no primeiro ano de vida e 14,4% entre 1 e 4 anos de idade. A probabilidade de um recém-nascido do sexo masculino não completar o primeiro ano de vida foi de 12,9 por mil, enquanto que para as meninas a taxa é de 11,0 para cada mil. Para ambos os sexos, a taxa de mortalidade antes do primeiro ano de vida foi de 11,9 por mil. Aos 50 anos, expectativa de vida é 11,8 anos mais alta do que era em 1940 Para o ano de 2019, a expectativa de vida ao nascer, que foi de 76,6 anos, significou um aumento de 31,1 anos para ambos os sexos, frente ao indicador observado em 1940. Para os homens esse aumento foi de 30,2 anos e para as mulheres 31,8 anos. Em 1940, um indivíduo ao completar 50 anos tinha uma expectativa de vida de 19,1 anos, vivendo em média 69,1 anos. Já em 2019, a pessoa de 50 anos teria uma expectativa de vida de 30,8 anos, esperando viver em média até 80,8 anos (11,8 anos a mais). O número de brasileiros que vivem no exterior está próximo do número dos que viajam todo ano para fora, como turistas. Os migrantes são levados pela falta de oportunidades e pelo sonho de uma vida melhor. A grande maioria pensa em voltar algum dia. Na Reportagem Especial desta semana, você vai conhecer quem são esses brasileiros; que ações o governo brasileiro adota para melhorar a vida deles; e quais são os principais projetos da Câmara sobre o assunto. Confira agora o primeiro capítulo, com Luiz Gustavo Xavier. Nos anos 80 e 90, brasileiros migraram para o exterior em razão das sucessivas crises econômicas que o país viveu e, também, dos índices de desemprego. Já na primeira década dos anos dois mil, a visibilidade econômica e social do Brasil passou a atrair de volta os migrantes brasileiros. Dois milhões e meio. Este é o número aproximado de brasileiros que vivem e trabalham no exterior, aos quais se somam aos três milhões e meio que viajam todos os anos para fora do País, como turistas. Para identificar os problemas e a real situação dessas pessoas, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional debateu o assunto no Seminário “Migração e Cidadania: Desafios para assistência ao migrante brasileiro”. Desde os anos 80, período em que se intensificou a migração, principalmente para os Estados Unidos e o Japão, a comunidade de brasileiros no exterior tem exigido do Itamaraty mais atenção, mais direitos e maior interlocução de suas demandas. Além disso, cobra maior assistência no retorno desses migrantes ao Brasil para que possam voltar em situação de pleno reestabelecimento, principalmente no contexto atual, no qual o país passou a ter mais visibilidade econômica e social. De acordo com o subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior, embaixador Sérgio França Danese, o Itamaraty não inventa os interesses dos migrantes, mas identifica suas demandas a partir de uma crescente interlocução com a comunidade. “O primeiro grande instrumento de interlocução são os conselhos locais que nós criamos em torno dos postos consulares para reunir representantes das comunidades brasileiras localmente, para que eles possam ter uma interlocução intermediada pelo conselho com o posto consular da sua jurisdição. Esses conselhos são de dois tipos: são conselhos de cidadãos, quando eles são ainda mais embrionários, ou conselhos de cidadania, quando são mais complexos e já são formados por meio de eleições diretas entre os membros das comunidades. Esses conselhos asseguram, portanto, a interlocução básica entre as comunidades locais e os postos consulares que têm jurisdição na área em que vivem essas comunidades. Nós temos uma segunda instânciade representação e também de interlocução com a comunidade brasileira no exterior que é o conselho de representantes de brasileiros no exterior. Os conselhos locais indicam alguém que pode ser mudado de acordo com o interesse do conselho local e com isso temos uma capilaridade muito grande desse conselho mundial.” O embaixador Sérgio França Danese destaca que outras instâncias incluem conferências e plenárias. “Nós temos uma terceira instância de interlocução que são as conferências brasileiras no mundo, que permitem um debate muito amplo, muito aberto dos temas de interesse da comunidade no exterior. Um quarto nível de interlocução é um sistema de plenárias públicas que nós temos utilizado cada vez mais no exterior, quando temos um tema de interesse nós pedimos aos consulados que em coordenação com os conselhos locais realizem plenárias públicas, consultas, sobre esses temas. E o último nível de interlocução que nós temos com a comunidade é a ouvidoria consular, que era uma das reinvindicações que surgiram nas primeiras conferências brasileiras no mundo, dentro de uma política do governo de ouvidorias públicas, que é a forma de nós auferirmos a qualidade do nosso trabalho.” Segundo a diretora do Departamento Consular de Brasileiros no Exterior, Luiza Lopes da Silva, há políticas diferenciadas para cada país e ações unilaterais do governo brasileiro, além dos acordos multilaterais, assinados entre os países em caráter de reciprocidade. “As demandas que nós temos de suprir aos brasileiros no Paraguai e na Bolívia são completamente diferentes daquelas que nós temos de brasileiros nos Estados Unidos, ou na Europa ou no Japão. Nós identificamos, por exemplo, baixíssima escolaridade dos brasileiros no exterior, porque eles migram muito cedo, muito jovens e muitas vezes antes de concluir um curso. Então, nós temos uma situação em que se paralisa porque eles estão trabalhando ali, de sol a sol, e na maioria das vezes, em trabalhos duros, e não têm tempo de continuar os estudos e aí entramos num círculo vicioso do brasileiro com baixa qualificação que trabalha para criar uma vida melhor para família e não tem tempo de estudar, então continua ali patinando naquele patamar de trabalho de baixa qualificação e, portanto, de baixa renda e ficam numa situação difícil de saída, tanto para continuar no exterior como de retornar ao Brasil. E se retornarem ao Brasil estarão igualmente sem mal qualificados e terão uma inserção modesta no nosso mercado de trabalho e vão pensar novamente em emigrar porque o trabalho de baixa qualificação tem um retorno muito melhor lá fora.” Luiza Lopes da Silva dá um exemplo de ação unilateral: “Esse ano conseguimos expandir. Vamos fazer provas para brasileiros no Japão, Estados Unidos, Portugal, Bélgica e Guiana Francesa. Em cada um desses países, nós estamos não só fazendo o exame, mas o curso de preparação. Nós estamos montando curso, nós estamos assumindo o ônus financeiro, de recursos humanos. O nosso embaixador em Lisboa dá aulas de Português para os brasileiros.” Além dessas ações unilaterais e de acordos bilaterais, principalmente na área de concessão de vistos – o brasileiro, por exemplo, não precisa de visto para entrar em países da União Europeia -, o governo brasileiro percebeu a necessidade de uma maior proteção previdenciária dos brasileiros que exercem trabalho no exterior e pretendem voltar ao País. De acordo com o Secretário de Políticas do Ministério da Previdência Social, Benedito Brunca, esses acordos bilaterais buscam proporcionar a totalização dos períodos de contribuição no Brasil e nos países acordantes para concessão de benefícios, como aposentadoria por invalidez, por idade e pensão por morte. Países como Alemanha, Portugal, Japão, Itália já fazem parte desse acordo. Estados Unidos e Israel apenas aguardam a assinatura do acordo para que possam tramitar nas respectivas casas legislativas, como informa Benedito Brunca. “A previsão de cobertura tem sido aplicada a todas as pessoas que estejam e tenham estado em qualquer um dos períodos de trabalho efetivo formal, e aí entram os limites do acordo. Nós temos possibilidade somente da cobertura dos períodos regulares e de presença formal, documentada dentro dos países trabalhados. A situação de não documentação e de não formalização da sua presença em outro país continua ainda como um tema que não é possível ganhar cobertura no âmbito dos acordos que estamos em vigência. Não só do trabalhador e de seus dependentes.” Outra iniciativa do Ministério das Relações Exteriores é a Casa do Trabalhador Brasileiro no Japão, para auxiliar o trabalhador brasileiro a superar os desafios de sua inserção no mercado de trabalho naquele país. A iniciativa atende a trabalhadores brasileiros no Japão para orientá-lo também sobre seus direitos e deveres trabalhistas. Gênero Da estimativa aproximada de 500.000 (quinhentos mil) brasileiros residentes em todos os países do mundo em 2010, mostra que 53,8% eram mulheres e 46,1% homens. Idade Estima-se que 94,3% da emigração brasileira encontra-se na faixa etária de 15 a 59 anos (na data de partida do Brasil), sendo que a faixa etária de 20 a 34 anos corresponde a 60%. Já na faixa etária de 0-14 anos e o grupo da população idosa representam apenas 4,4% e 1,4%, respectivamente, do total. As mulheres representam a maioria em todas as faixas etárias. Destino Os principais países de destino foram Estados Unidos (23,8%), Portugal (13,4%), Espanha (9,4%), Japão (7,4%), Itália (7,0%) e Inglaterra (6,2%). Esses países representam quase 70% do total. Cabe ressaltar que, somados, os primeiros 10 países europeus na lista (Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, França, Alemanha, Suíça, Irlanda, Bélgica, Holanda) representam quase 49% do total, mais do que o dobro da cifra referente aos EUA. Região de origem dos brasileiros 1. Região Sudeste – 49% do total, sendo 21,6% provenientes de São Paulo, 16,8% de Minas Gerais e 7,1% do Rio de Janeiro; 2. Região Sul – 17,2% do total – 9,3% saíram do Paraná (terceiro estado na classificação geral); 3. Região Nordeste – 15% do total, 1/3 do qual do estado da Bahia (5,3%); 4. Região Centro-Oeste – 12% do total, com destaque para o estado de Goiás contabilizando 7,2%; 5. Região Norte – 6,9% do total. Somados, os primeiros seis estados nessa classificação (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio de Janeiro e Bahia) representam 67,3% do total. Países de destino e origem: 1. Estados Unidos – principal destino da população oriunda de todos os estados, especialmente de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, São Paulo e Paraná; 2. Japão – segundo país que mais recebe emigrantes, especialmente oriundos do estado de São Paulo e Paraná; 3. Portugal – terceira opção da emigração, especialmente oriundos do estado do Rio de Janeiro e em Minas Gerais; 4. Espanha – esse país aparece como segunda ou terceira opção de uma série de outras unidades da Federação, o que, segundo o IBGE, permitiria concluir que a proximidade do idioma estaria entre as motivações da escolha. Países vizinhos 1. Guiana Francesa – o principal destino da emigração proveniente do Amapá; 2. Venezuela – recebe a maior parte dos fluxos que partem de Roraima; 3. Bolívia – atrai maior volume de emigrantes do Acre. 6 Integração entre indústria e estrutura urbana e setor agrícola no Brasil Antes de tratarmos sobre a economia especificamente do espaço urbano, é importante aprendermos como se dá a classificação principal das atividades econômicas em geral: setor primário, setor secundário e setor terciário. SETOR PRIMÁRIO Relaciona-se com a produção econômica por meio da exploração dos recursos da natureza, como a agricultura, pecuária, mineração, pesca, extrativismo vegetal e caça. Justamente por depender de forma estrita da natureza, é considerado um setor muito vulnerável, pois é mais suscetível aos fenômenos naturais, como o clima, por exemplo. É considerado o setor que fornece a matéria-prima para a indústriade transformação. Geralmente, a produção e exportação de matérias-primas não geram muita riqueza para os países que tem a economia baseadas neste setor, por se tratar do comércio de produtos que possuem pouco valor agregado – ou seja, exigem em menor proporção o uso de tecnologia e de conhecimentos mais sofisticados. SETOR SECUNDÁRIO Relaciona-se com a transformação das matérias-primas (produzidas pelo setor primário) em produtos industrializados (roupas, automóveis, máquinas, alimentos industrializados, eletrônicos, dentre outros). Como exige mais conhecimentos tecnológicos agregados para a sua produção (maior valor agregado), o lucro auferido na comercialização de mercadorias do setor secundário é bem maior que o do setor primário. Apesar do recente processo de desindustrialização vivido pelos países desenvolvidos, a participação do setor secundário numa economia ainda diz bastante sobre o grau de desenvolvimento de cada nação. SETOR TERCIÁRIO Relaciona-se com os serviços - produtos não-materiais – em que pessoas ou empresas prestam a terceiros para satisfazer determinadas necessidades. São exemplos de atividades econômicas deste setor: comércio, educação, turismo, saúde, serviços de informática, seguros, transporte, telecomunicações, serviços de limpeza, serviços de alimentação, serviços bancários e administrativos, transportes, dentre outros. Além da divisão dos setores econômicos em primário, secundário e terciário, a estrutura econômica de um país também pode ser dividida em: Primeiro setor – Setor público. Segundo setor – Iniciativa privada. Terceiro setor – Relacionado a entidades não-governamentais que não possuem fins lucrativos. Nos últimos 40 anos a produção agropecuária brasileira se desenvolveu de tal forma que o Brasil será o grande fornecedor de alimentos do futuro. Temos, hoje, uma agricultura adaptada às regiões tropicais e uma legião de produtores rurais conscientes de suas responsabilidades com o meio ambiente aliadas à produção de alimentos. Essas pessoas compõem o setor produtivo mais moderno do mundo, que vem transformando a economia brasileira. Produzindo cada vez mais, o Agro brasileiro reduziu drasticamente o preço da alimentação, melhorando a saúde e qualidade de vida da população urbana, liberando seu poder de compra para bens produzidos pela indústria e pelo setor de serviços. Produzindo excedentes cada vez maiores, o agro expandiu suas vendas para o mundo, conquistou novos mercados, gerando superávits cambiais que libertam a economia brasileira. O efeito transformador da revolução agrícola dos últimos 40 anos é certamente o fato mais importante da história econômica recente do Brasil e continua abrindo perspectivas para o desenvolvimento futuro do país. O agronegócio tem sido reconhecido como um vetor crucial do crescimento econômico brasileiro. A soma de bens e serviços gerados no agronegócio chegou a R$ 1,55 trilhão ou 21,4% do PIB brasileiro. Dentre os segmentos, a maior parcela é do ramo agrícola, que corresponde a 68% desse valor (R$ 1,06 trilhão), a pecuária corresponde a 32%, ou R$ 494,8 bilhões. Setores do agronegócio Devido a sua complexidade e diversas cadeias produtivas envolvidas, podemos dizer que o agronegócio abrange os três setores da economia: primário, secundário e terciário. O primário está relacionado à produção rural, tanto agrícola quanto na pecuária. O segundo setor está ligado às agroindústrias, grandes fazendas que plantam e processam a matéria-prima em escala industrial, como as grandes fazendas produtoras de laranja que já produzem o suco engarrafado, pronto para ser vendido/consumido. Daí chegamos ao terceiro setor, o de comércio. A distribuição e venda dos produtos rurais movimentam bilhões pelo mundo, tornando a atividade altamente lucrativa e sofisticada devido ao grau de complexidade dos três setores. Ciclo do agronegócio O ciclo do agronegócio pode ser divido em três etapas: ● Produção rural ● Agroindústria ● Envolvimento do setor de comércio e logística A complexidade do agronegócio faz com que seja uma atividade econômica que envolve, praticamente, todas as etapas da economia. Primeiro temos os médios e grandes proprietários rurais com suas variadas atividades: criação de gado, plantação de lavouras, frutos, extração vegetal, entre outros. Vantagens e desvantagens do agronegócio Uma das grandes vantagens do agronegócio, associada à modernização do campo, é o aumento da produção de alimentos e produtos oriundos do campo, como óleos, vinhos, tecidos e até cigarros, com a plantação do tabaco. Nas últimas décadas, a produção alimentícia mundial vem aumentando consideravelmente, sendo capaz, de forma eficiente, de alimentar toda a população mundial, entretanto essa produção não atinge todos os lugares. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a fome mata uma pessoa a cada quatro segundos no mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 870 milhões de pessoas estão subnutridas no planeta, número assustador tendo-se em vista a grande quantidade de alimentos produzidos ultimamente. A modernização agrícola eleva a produtividade, mas isso tem um custo ambiental muito caro. Os impactos ambientais causados pelas práticas agropecuaristas em muitas regiões são praticamente irreversíveis: ● desmatamento e queimadas de áreas de preservação para o surgimento de lavoura e pasto; ● contaminação do solo devido ao uso excessivo de agrotóxicos e fertilizantes, e outros. Dentre os impactos ambientais mais perigosos no agronegócio, podemos citar a acentuação de processos erosivos e a degradação dos solos. Como o solo é um recurso renovável, ele deve ser usado de acordo com sua capacidade, o que em muitas propriedades rurais não acontece. Além disso, a retirada da cobertura vegetal para a implantação de pastagens e lavouras pode acentuar as erosões, com perdas significativas de terras agricultáveis. Há também os impactos sociais, como: ● desemprego e êxodo rural, pois, com o uso exagerado de máquinas, a presença de mão de obra humana diminui; ● prováveis doenças advindas de alimentos contaminados com os agrotóxicos; ● aumento de conflitos agrários por posse de terras; ● aumento da concentração de renda e da desigualdade no meio rural. Dessa forma, integram a cadeia do agronegócio os mais variados perfis, incluindo: Empresas agrícolas; Pecuária; Fabricantes de defensivos agrícolas (como fertilizantes e herbicidas); Desenvolvedoras de sementes para plantio; Fabricantes de máquinas e equipamentos rurais; Produtoras de rações; Frigoríficos; Empresas de laticínios; Fabricantes de sucos; Moinhos; Armazéns e silos; Atacadistas; Distribuidores e Exportadores. Vale dizer ainda que há outros setores da economia que se relacionam direta e indiretamente com o agronegócio, a estrutura urbana e as indústrias: ● Financeira: bancos e agências de fomento para obtenção de crédito agrícola e contratação de seguro rural ● Automotiva: fabricantes de tratores e outros ● Industrial: Silos, casas, sacas ● Farmacêutica: desenvolvimento de vacinas utilizadas na pecuária. ● Disponibilidade: menos de 10%¨do território brasileiro é utilizado como área de cultivo ● Ambiente favorável: o que inclui abundância de água, solo propício ao plantio e boa luminosidade natural ● Clima difícil: apesar do ambiente favorável, o agronegócio brasileiro enfrenta desafios com chuvas, estiagem, pragas e doenças nas lavouras ● Transporte e Complexidade: longas distâncias de distribuição da produção são um entrave logístico ● Diversificação: há um número bastante expressivo de produtos, como frutas, flores, hortaliças, açúcar, café, soja, algodão, cacau, madeira, borracha, carnes e ovos ● Empresas familiares: a característica na maioria dos negócios rurais é de sucessão de pai para filhos ● Mercado voltado à exportação: embora importe 75% dos fertilizantes que utiliza, o Brasil negocia boa parte da sua produção para outros países. Em 2017, foram exportadas 68,15milhões de toneladas de soja e 29,2 milhões de toneladas de milho ● Tecnologia em expansão: com o avanço da agricultura de precisão, propriedades brasileiras estão cada vez mais aparelhadas e conectadas, fazendo uso de aplicativos e até drones ● Concentração em grandes players: mercado é dominado por poucas empresas de porte gigante, o que por vezes remete a um sistema de oligopólio, com menor oferta de preços e condições de pagamento e recebimento. Tipos de produtores O agronegócio brasileiro é formado, basicamente, por dois tipos de produtores, que variam conforme o porte. São eles: ● Pequenos e médios: são os chamados minifundiários, que possuem pequenas áreas de produção. Entre eles, predomina a agricultura familiar, cuja mão de obra se concentra em seus proprietários ● Grandes: são os latifundiários, representados por proprietários e arrendatários de grandes extensões de terra, em geral utilizadas para a monocultura de commodities (com oferta e procura determinados pelo mercado internacional), como soja, milho e algodão. ● Vale destacar a preocupação dos produtores quanto à crescente fusão entre grandes empresas, formando verdadeiras gigantes no agronegócio. ● A queixa é que a concentração do mercado em poucos expoentes acaba encarecendo os insumos, reduzindo o poder de negociação e colocando em risco a viabilidade das lavouras. ● O principal exemplo vem da indústria de fertilizantes e defensivos agrícolas. ● Eram sete as grandes empresas nesse setor. Hoje, elas se tornaram quatro: Monsanto (mais Bayer), Dupont (mais Dow), Syngenta (mais ChemChina) e Basf. ● Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), os preços dos defensivos agrícolas têm subido entre 30% e 35% a cada nova safra. O que é Agroindústria? Agroindústria é a cadeia de transformação da matéria-prima oriunda de diferentes participantes do agronegócio. Ou seja, estamos falando das empresas que recebem produtos vindos da agricultura, pecuária, silvicultura (florestas) e piscicultura (peixes). Cada uma delas tem seu modelo de negócio voltado ao beneficiamento para destinação ao consumidor final. E apesar do nome, não necessariamente seus participantes são indústrias, já que a transformação das matérias-primas pode se dar também por métodos artesanais. Como exemplo, vamos falar sobre o milho, da agricultura, ele chega às indústrias na forma de grãos, pode ser consumido in natura, mas também dar origem a diversos produtos que encontramos nos supermercados, estamos falando de enlatados, farinhas, canjica, pipoca, fubá, amido de milho, polenta, cuscuz e flocos de milho. Cada um desses alimentos é processado por um tipo de empresa, a qual está inserida no conceito de agroindústria. Outro excelente exemplo é o do leite, que dá origem a uma série de derivados, como iogurte, queijo, ricota e manteiga. E o da soja, com o óleo, o leite, o suco, a farinha, a proteína e mais. Há fabricantes que trabalham com mais de um desses produtos, enquanto outros se especializam em um determinado item. Seja como for, todos são tipos de agroindústrias. Biocombustíveis: o futuro do agronegócio? Para profissionais que gostam de ter uma visão de futuro, há grande perspectiva sobre o mercado de biocombustíveis. Basicamente, a proposta é a utilização de grãos para a produção de combustíveis menos agressivos ao meio ambiente, renovando a matriz energética do país e contribuindo para a redução nas emissões de gases do efeito estufa. Hoje, os postos no Brasil já comercializam o biodiesel, que é produzido a partir de óleo vegetal. Soja, girassol e mamona são algumas das matérias-primas utilizadas. O óleo de soja, inclusive, teve aumento de 243% no seu direcionamento para a produção do combustível em dez anos. Em 2017, o governo federal, a partir do Ministério de Minas e Energia, criou a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), dando mais um importante passo para a consolidação desse tipo de indústria no país. A Lei nº 13.576/2017 estabelece regras para expandir o uso dos biocombustíveis a partir da sua adição obrigatória nos combustíveis fósseis, a exemplo da gasolina. Mas como não poderia deixar de ser, o assunto não desperta consenso, e sim polêmica. Serão os biocombustíveis um vilão ou um mocinho do agronegócio? Ainda que questões ambientais estejam entre as alegações para o seu incentivo, há críticas quanto a um possível desabastecimento da população, já que insumos antes direcionados para a produção de alimentos agora estariam sendo aproveitados em larga escala para os biocombustíveis. No processo de constituição e transformação do espaço geográfico ao longo da história, um dos fatores que exerceram uma maior influência foi a industrialização, que se manifestou em diferentes ritmos e períodos entre os diversos países. Nesse sentido, podemos dizer que um desses efeitos foram as transformações relacionadas com o processo de urbanização das sociedades. A relação entre industrialização e urbanização encontra-se no fato de que é o processo industrial que dinamiza as sociedades e atua no sentido de modernizá-las, embora esse não seja o único fator responsável por isso. Assim, ampliam-se os chamados fatores atrativos das cidades, ou seja, o conjunto de características do meio urbano que atrai os migrantes advindos do campo. Além disso, entre os efeitos da industrialização na urbanização, temos a transformação do meio rural e, por extensão, dos fatores repulsivos do campo, ou seja, os elementos do meio rural responsáveis por enviar de maneira relativamente forçada a população rural para as cidades. Nesse caso, podemos citar a mecanização das atividades agrícolas, que geram a substituição de uma grande quantidade de trabalhadores por maquinários e do tipo de agrossistema adotado. Essa mecanização é intensificada pelas inovações técnicas produzidas pela industrialização. Portanto, a industrialização intensifica a urbanização das sociedades no sentido de propiciar a formação do êxodo rural, que é a migração em massa da população do campo para as cidades, além de atrair essa migração justamente para as áreas mais industrializadas, onde há mais empregos direta e indiretamente produzidos pelas indústrias. Vale lembrar que não é só a atividade industrial em si que gera uma maior atratividade demográfica para as cidades, mas a dinâmica econômica por ela produzida, que provoca o surgimento de maiores oportunidades em outros ramos da economia, principalmente no setor terciário (comércio e serviços). Não por coincidência, os países que mais avançaram no processo de industrialização e modernização das sociedades são aqueles que mais apresentam um setor terciário como composição predominante na produção de riquezas em suas respectivas economias. No caso da industrialização e urbanização do Brasil, podemos perceber que as áreas que historicamente mais se industrializaram são aquelas que mais concentram um grande contingente populacional e, assim, encontram-se mais urbanizadas. As regiões Sudeste e Sul, principalmente as regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, formam as maiores aglomerações urbanas do país, uma vez que essas áreas detêm a maior porção do parque industrial, mesmo com a tendência atual de dispersão de boa parte da produção fabril para o interior do território brasileiro. Além de atrair um maior volume demográfico e intensificar a urbanização, os efeitos da industrialização nas cidades também podem ser sentidos na composição hierárquica da divisão territorial do espaço geográfico. Em sociedades predominantemente agrárias, o campo exerce uma relação preponderante sobre as cidades, uma vez que elas dependem do meio rural para a geração de alimentos, matérias-primas e movimentação de capital. Com a industrialização, as cidades modernizam-se e passam a subordinar o campo, que se torna dependente do meio urbano para o recebimento de máquinas, aparatos tecnológicos, mão de obra qualificada, conhecimentos científicos aplicados àprodução, entre outros elementos. Portanto, em resumo, podemos dizer que os efeitos da industrialização na urbanização são: intensificação do crescimento das cidades; concentração populacional; crescimento do setor terciário e a inversão da relação de subordinação entre campo e cidade. Esses aspectos são indicativos gerais e precisam ser devidamente adaptados para o entendimento de cada ocorrência ao longo do espaço geográfico mundial. Região Produtiva Agrícola: um híbrido de espaço agrário e de espaço urbano A reestruturação produtiva da agropecuária cria demandas até então inexistentes nas áreas de difusão do agronegócio. Tais demandas incrementam o crescimento de uma série de atividades comerciais e de serviços especializados. Dessa forma, a difusão do agronegócio não apenas amplia e reorganiza a produção material (agropecuária e industrial), como é determinante para a expansão quantitativa e qualitativa do comércio e dos serviços, especialmente dos ramos associados ao circuito superior da economia agrária. O crescimento do terciário se deve ainda ao crescimento da população e à revolução do consumo, este último erigido sob os auspícios do consumo de massa associado à existência individual e das famílias. Assim, a produção agrícola e agroindustrial intensiva exige que os espaços urbanos próximos ao espaço agrícola racionalizado se adaptem para atender às suas principais demandas, em virtude de fornecerem parte dos aportes técnicos, financeiros, jurídicos, de mão-de-obra e de todos os demais produtos e serviços necessários à sua realização. Nesse âmbito, citaria as casas de comércio de implementos agrícolas, sementes, grãos e fertilizantes; os escritórios de marketing e de consultoria contábil; os centros de pesquisa biotecnológica; as empresas de assistência técnica e de transportes de cargas; os serviços de especialista em engenharia genética, veterinária, administração, meteorologia, agronomia, economia, administração pública; os cursos técnicos de nível médio e os cursos superiores voltados ao agronegócio, entre tantas outras atividades. Os espaços urbanos próximos às áreas de difusão do agronegócio passam a ter novas funções inerentes às demandas desse. Essas podem ser observadas pela expansão do consumo produtivo agrícola, aquele associado diretamente às demandas da produção. Como resultado, temos o crescimento da economia urbana. Em virtude de cada commodity ter diferentes demandas de produtos e serviços, esses espaços urbanos são cada vez mais especializados. O consumo produtivo do agronegócio ressalta demandas heterogêneas segundo as necessidades de produção (agrícola ou agroindustrial) de cada produto, nas diferentes etapas do processo produtivo, diferenciando, muitas vezes, os ramos dos comércios e dos serviços associados à expansão desse consumo. Tal situação acontece, principalmente, porque o agronegócio tem o poder de impor especializações territoriais cada vez mais profundas e, assim, criar muitos novos fluxos, materiais e de informação, próximos ou não, cujos circuitos espaciais da produção e círculos de cooperação buscam nexos distantes. As diferentes especializações e funções exercidas por cada um desses espaços urbanos não metropolitanos podem mais facilmente ser percebidas durante as diferentes etapas do processo produtivo, como, por exemplo, na safra e na entressafra. É no período de safra das principais culturas que podemos distinguir com maior nitidez a especialização das áreas de difusão do agronegócio. Esse é o momento mais dinâmico nas várias cidades, afetando todos os setores econômicos. Com a fluidez possível graças à construção dos sistemas de engenharia dos transportes e das comunicações que passam a se instalar nas áreas de difusão do agronegócio, intensificam-se as trocas de várias naturezas, muitas delas antes não existentes, com grandes impactos na vida social e no território, reformulando o sistema urbano antigo. ● Grandes Regiões O Brasil está dividido em cinco Grande Regiões: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. ● Distrito Federal É a Unidade onde tem a sede do Governo Federal, com seus poderes: Judiciário, Legislativo e Executivo. ● Estados Em número de 26, constituem as unidades de maior hierarquia dentro da organização político-administrativa do País. A localidade que abriga a sede do governo denomina-se Capital. ● Municípios Os municípios constituem as unidades de menor hierarquia dentro da organização político-administrativa do Brasil. A localidade onde está sediada a Prefeitura Municipal tem a categoria de cidade. ● Distritos São unidades administrativas dos municípios. Atualmente a divisão político-administrativa do Brasil está configurada em unidades de federação, onde se encontram os Estados e o Distrito Federal, e Municípios. Sendo suas principais diferenças suas dimensões hierárquicas. O Brasil possui 27 Unidades de Federação, sendo 26 Estados e 1 Distrito Federal. Os Estados são as maiores unidades de hierarquia organizacional político-administrativas do país, sendo chefiadas por um Governador, que possui o poder executivo nesses Estados. As localidades chamadas de Capital são onde se encontram as sedes de Governo, geralmente um município dentro do Estado onde haverá um maior desenvolvimento econômico devido o fluxo de importância política que o mesmo possui. Os Estados podem se desmembrar, anexar-se a outros, formarem novos Estados, sendo feito de forma aprovada pela sua população, através de plebiscitos constitucionais, como foi visto no passado do Brasil, ocasionando no surgimento de novos Estados até possuir o formato que é visto hoje. Os 26 Estados do Brasil e suas respectivas capitais são: Acre – Rio Branco (AC) - Alagoas – Maceió (AL) - Amapá – Macapá (AP) - Amazonas – Manaus (AM) - Bahia – Salvado (BA) Ceará – Fortaleza (CE) - Espírito Santo – Vitória (ES) - Goiás – Goiânia (GO) - Maranhão – São Luís (MA) Mato Grosso – Cuiabá (MT) - Mato Grosso do Sul – Campo Grande (MS) - Minas Gerais – Belo Horizonte (MG) Pará – Belém (PA) - Paraíba – João Pessoa (PB) - Paraná – Curitiba (PR) - Pernambuco – Recife (PE) Piauí – Teresina (PI) - Rio de Janeiro – Rio de Janeiro (RJ) - Rio Grande do Norte – Natal (RN) Rio Grande do Sul – Porto Alegre (RS) - Rondônia – Porto Velho (RO) - Roraima – Boa Vista (RR) Santa Catarina – Florianópolis (SC) - São Paulo – São Paulo (SP) - Sergipe – Aracaju (SE) - Tocantins – Palmas (TO) O Distrito Federal é onde se encontra a sede do governo brasileiro, no qual estão concentrados os três poderes federais (Executivo, Judiciário e Legislativo), localizado em Brasília, no Estado de Goiás, é o único município do Brasil a ser administrado por um Governador. É no Distrito Federal que está a Capital do país, daí sua importância política para o país, e sua administração ser realizada por um governador. Os municípios são unidades de menor hierarquia dentro da organização político-administrativa do país, chefiados pelos Prefeitos, que exercem o poder executivo essas unidades. Hoje os municípios do Brasil estão divididos em 5.561 unidades. Dentro dos municípios podem ser encontrados alguns distritos, que são unidades administrativas dos mesmos. Os municípios pertencem aos Estados, e podem ser classificados como urbanos ou rurais, de acordo com a moradia de sua população, ou seja, se a maior parte da população de um município vive na cidade (área urbana) ele é considerado urbano, se a maior parte de sua população viver no campo (área rural) ele é considerado rural. Há municípios totalmente urbanos e municípios totalmente rurais no Brasil. As Divisões Político-Administrativas do país são feitas a modo de uma melhor gestão política do território nacional, tanto para gerenciar as economias quanto para ministrar as populações. É o Governo Federal o responsável por repassar as verbas públicas para os Estados e Municípios. Divisão Oficial do IBGE (1941 e 1945) No início da década de 1940 ocorreu a primeira“tentativa” de regionalização do nosso território. Essa regionalização era bem diferente da que conhecemos hoje, pois ela delimitava as regiões seguindo o critério da região natural. Onde as áreas geográficas eram analisadas segundo aspectos naturais como o clima, relevo e vegetação. Observe a figura abaixo, e veja como era dividido o Brasil em 1941 e 1945. Em seguida, algumas modificações foram feitas e, em 1969 o mapa já apresentava uma configuração mais parecida com a que conhecemos hoje. Vamos analisar essas modificações propostas pelo IBGE? Acompanhe: (1969) Neste ano, o IBGE, elaborou um novo mapa desta vez adotando o critério de regiões homegênea. Esse conceito era definido não somente pelas condições naturais, mas também por um conjunto de elementos sociais e econômicos da região. A principal modificação foi a criação do Sudeste, em virtude da consolidação dessa área como sendo o “coração econômico do país”. Reparem que a região leste desaparece, e a Bahia passa a integrar o Nordeste. (1988) Esta é a última divisão regional do país, já com as cinco regiões brasileiras definidas: norte, nordeste, sul, sudeste e centro-oeste. Questões 1 - CESGRANRIO - 2006 - IBGE - Recenseador Uma linha reta traçada no mapa, desde Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, até Recife, em Pernambuco, de acordo com os pontos colaterais, define a seguinte orientação espacial: (A) sudeste - noroeste. (B) sudoeste - nordeste. (C) sudoeste - norte. (D) sul - norte. (E) leste - oeste. 2 - CESGRANRIO - 2006 - IBGE - Recenseador Crises periódicas podem afetar os setores produtivos, como nos exemplos da doença da vaca louca, da gripe aviária e do vírus da febre aftosa. No caso do último exemplo, a pecuária brasileira foi recentemente afetada, tendo como conseqüência direta o(a): (A) sacrifício de milhares de cabeças de gado em todas as regiões do País. (B) reequilíbrio dos rebanhos bovinos entre as regiões brasileiras. (C) colapso dos ógãos de segurança sanitária em todo o Brasil. (D) interrupção das importações de carne de origem argentina. (E) suspensão da compra de carne bovina brasileira no exterior. 3 - CESGRANRIO - 2009 - IBGE - Recenseador A agricultura brasileira vem crescendo e se modernizando com base em alguns cultivos voltados para o mercado externo. Atualmente, em direção à Amazônia, sobretudo no estado do Mato Grosso, se expande um desses cultivos agrícolas voltados para a exportação. O cultivo agrícola em expansão na área em foco é o de (A) café. (B) soja. (C) trigo. (D) erva-mate. (E) cana-de-açúcar. 4 - CESGRANRIO - 2010 - IBGE - Recenseador De acordo com o mapa acima, entre os indivíduos mais pobres dos estados do Pará e do Paraná predominam, respectivamente, (A) brancos e pardos. (B) indígenas e brancos. (C) amarelos e pardos. (D) pardos e brancos. 5 - CESGRANRIO - 2010 - IBGE - Recenseador Com relação à expectativa de vida dos brasileiros, os recenseamentos do IBGE comprovam que, nos últimos anos, verificou-se (A) retrocesso significativo. (B) estagnação relativa. (C) desaceleração abrupta. (D) aumento progressivo. 6 - CESGRANRIO - 2013 - IBGE - Técnico em Informações - Geografia e Estatísticas No espaço aéreo brasileiro, uma aeronave se desloca, em linha reta, de Palmas, no Tocantins, para Brasília, no Distrito Federal. De acordo com os pontos cardeais, essa aeronave descreve uma trajetória no sentido (A) sul – norte (B) leste – oeste (C) norte – sul (D) nordeste – sudoeste (E) sudoeste – nordeste 7 - CESGRANRIO - 2013 - IBGE - Técnico em Informações - Geografia e Estatísticas O território brasileiro é atravessado por dois paralelos de referência: o Equador, na latitude de 0o e o trópico de Capricórnio, na latitude de 23,5o S. O trópico de Capricórnio atravessa alguns Estados brasileiros. Um desses Estados é (A) São Paulo (B) Rio de Janeiro (C) Rio Grande do Sul (D) Espírito Santo (E) Minas Gerais Gabarito 1 B - 2 E - 3 B - 4 D - 5 D - 6 C - 7 A