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Processos endotérmicos e exotérmicos Apresentação Nesta unidade vamos abordar os processos endotérmicos e exotérmicos que ocorrem devido às transformações da energia. Para tanto, vamos utilizar diagramas e esquemas termodinâmicos para representar um processo em estudo, em termos de sistema, vizinhança e fronteira, assim como as trocas energéticas que ocorrem entre os mesmos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir e reconhecer o conceito de processo endotérmico e exotérmico.• Reconhecer a entalpia como propriedade de estado e aplicá-la na classificação dos processos energéticos. • Relacionar as transformações da matéria, energia e as condições endotérmicas e exotérmicas.• Infográfico O esquema mostra as características dos processos endotérmicos e exotérmicos. Conteúdo do livro Diversos processos decorrentes da energia e da troca de calor estão presentes no cotidiano das pessoas. Fazer um café, cozinhar um alimento, refrigerar uma bebida, ou mesmo, respirar. Existem dois tipos principais de processos que envolvem a absorção e a liberação de energia, que são denominados de processos endotérmicos e exotérmicos, respectivamente. Além disso, o estudo dessas trocas energéticas envolve outros conceitos importantes, como o de entalpia. O estudo da termodinâmica é muito importante quando falamos de energia, por isso, para entender mais sobre esse assunto, leia o capítulo Processos Endotérmicos e Exotérmicos. Bons estudos!!! TERMODINÂMICA Denise Santos de Souza Processos endotérmicos e exotérmicos OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Definir o conceito de processo endotérmico e exotérmico. > Reconhecer a entalpia como propriedade de estado e aplicá-la na clas- sificação dos processos energéticos. > Relacionar as transformações da matéria, a energia e as condições en- dotérmicas e exotérmicas. Introdução Como resultado da inovação aplicada a diferentes ferramentas e equipamentos que utilizamos em nosso dia a dia, visando melhorias na qualidade de vida, vivemos em um mundo cada vez mais tecnológico. Mas, no que tange aos equi- pamentos tecnológicos, deve-se ter em mente a necessidade de energia para que eles funcionem. Por exemplo, os computadores, o maquinário industrial e até mesmo um celular somente funcionam se receberem energia de uma fonte de energia. Muitos processos do nosso cotidiano envolvem o uso de energia, como o cozimento dos alimentos ou a refrigeração de bebidas para consumo. Além disso, na natureza, ocorrem inúmeras transformações ou conversões decorrentes de energia, como a evaporação da água dos oceanos e o fenômeno da chuva. Neste capítulo, você vai ver sobre os processos que envolvem a transferência de energia, os quais podem ser endotérmicos ou exotérmicos. Você também vai verificar alguns conceitos importantes da termodinâmica, como as definições de sistema, vizinhança e fronteira. Por fim, você vai estudar a entalpia, a variação de entalpia e a sua relação com os fenômenos de transformação da matéria. Termodinâmica e energia Apesar de o termo energia ser amplamente utilizado, a sua definição é muito abstrata, uma vez que, apesar de ser possível perceber os seus efeitos, a energia não é uma coisa concreta, que podemos tocar ou visualizar. A ener- gia usualmente está associada à capacidade de um corpo realizar trabalho, ou seja, exercer algum tipo de força. Por isso, é aceitável que a energia seja reconhecida como a capacidade de promover transformações. Existem inú- meras formas de energia, como (CHANG; GOLDSBY, 2013): � a energia solar, também conhecida como energia radiante, que é a energia oriunda do Sol (a fonte primária de energia da Terra); � a energia cinética, que é a energia produzida pelo movimento de um corpo; � a energia térmica, que é a energia associada ao calor; � a energia química, que é a forma de energia que está contida nas unidades estruturais das substâncias químicas; � a energia potencial, a qual tem origem na mudança de posição de um corpo. A principal característica da energia é que ela não pode ser criada ou destruída — em outras palavras, ela somente pode ser transformada. Devido a isso, em processos de interação entre objetos, a energia é capaz de se converter de uma forma energética para outra distinta, mas a quantia de energia permanece a mesma. Entende-se então que, quando surge uma forma de energia, isso significa que outra forma, de igual grandeza, cessou ou diminuiu. O mesmo vale para a situação inversa: quando uma forma de energia desaparece, é sinal de que outra apareceu. Essas transformações se fundamentam no princípio de conservação da energia, que é uma das leis mais elementares da natureza, pois assegura que a quantidade total de energia no Universo permanece constante. Processos endotérmicos e exotérmicos2 A termodinâmica é conhecida como a ciência da energia. O termo termo- dinâmica tem origem grega, sendo formado pela união das palavras termo, que significa calor, e dinâmica, que está relacionada à força, em referência aos primeiros estudos de conversão de calor em força. Atualmente, o estudo da termodinâmica está associado a todas as especificidades da energia e às suas transformações, como os fenômenos de geração de energia (ÇENGEL; BOLES, 2013). Sobre a relação da termodinâmica com a energia, Potter e Somerton (2017, p. 1) explicam que: A termodinâmica é a ciência que estuda o armazenamento, a transformação e a transferência de energia. A energia é armazenada como energia interna (associada com a temperatura), energia cinética (devido ao movimento), energia potencial (devido à elevação) e energia química (devido à composição química); ela é trans- formada de um desse tipos para outro e é transferida através de uma fronteira na forma de calor ou trabalho. Para iniciarmos os estudos sobre a termodinâmica e os fenômenos as- sociados à energia, vamos previamente discutir alguns conceitos básicos e definições, de modo a facilitar o entendimento do conteúdo trabalhado. Partimos do pressuposto de que, quando se deseja fazer a análise de algo, a primeira etapa a ser realizada é a delimitação do objeto de estudo. Na ter- modinâmica, a caracterização do objeto de estudo é definida como sistema, o qual se refere especificamente ao domínio de interesse. A magnitude e a complexidade de um sistema dependem da limitação e do que se pretende estudar. Portanto, existem sistemas simples, como o estudo de um corpo livre, e sistemas muito complexos, como é o caso dos estudos dos furacões, que envolvem muitas variáveis e apresentam um índice de incerteza nos cálculos muito elevado (MORAN et al.; 2013). Se considerarmos que o sistema abrange somente aquilo que faz parte do universo do estudo, vai existir uma fração do universo que é externa ao sistema. Dessa forma, o restante do universo que não pertence ao sistema é denominado vizinhança. Além disso, vale destacar que o sistema e a vizinhança são separados por algum tipo de material, que pode ser real ou imaginário, denominado fronteira. Para um maior entendimento, as relações sistema, vizinhança e fronteira são mostradas na Figura 1. Processos endotérmicos e exotérmicos 3 Figura 1. Relações entre sistema, vizinhança e fronteira. Sistema Vizinhança Fronteira Conforme apresentado, é possível perceber que a fronteira é a região de contato entre o sistema e a vizinhança. Além disso, a fronteira pode ser móvel ou fixa e, matematicamente, sua dimensão é zero. Com base no tipo de fronteira, os sistemas podem ser classificados em três tipos: aberto, fechado ou isolado. O sistema aberto (também chamado de volume de controle) permite o fluxo de energia na forma de calor e também o fluxo de massa por meio da fronteira, devido à existência de algum vão. Perceba que, nesse tipo de sistema, a massa pode variar. Um exemplo de sistema aberto é uma piscina no verão, que, além de trocar calor com o meio externo,perde massa de água em forma de gotículas que evaporam. Já o sistema fechado (também chamado de massa de controle) permite somente o fluxo de energia em forma de calor, uma vez que não possui nenhum tipo de vão em sua fronteira que possibilite o fluxo de massa. Nesse tipo de sistema, a quantidade de matéria é constante. Um exemplo da utilização de sistemas fechados no nosso cotidiano são as bolsas térmicas, as quais podem ser frias ou quentes. Elas permitem a passagem da energia através da fronteira, mas não trocam fluxo de matéria com o exterior (MORAN et al., 2005, 2013). Por fim, temos o sistema isolado, que se trata de uma condição especial, em que não existe nenhum tipo de fluxo, nem de calor nem de massa, entre o sistema e a vizinhança. Destaca-se que, na prática, não existem sistemas perfeitamente isolados, somente na teoria. Porém, alguns sistemas conseguem se manter em condições aproximadas às do sistema isolado, o que é o caso das garrafas térmicas, que conseguem, por um determinado tempo, manter o calor do sistema estável. A Figura 2 apresenta os três tipos de sistema, assim como os tipos de fluxo que cada sistema permite. Processos endotérmicos e exotérmicos4 Figura 2. Tipos de sistemas: (a) sistema aberto; (b) sistema fechado; (c) sistema isolado. Fonte: Adaptada de Chang e Goldsby (2013). Vapor d'água Calor Calor (a) (b) (c) No vídeo TERMODINÂMICA - # AULA 03 - OS SISTEMAS, do canal Pyter- son Kazaer Morais Aires, no YouTube, são apresentados os três tipos de sistemas termodinâmicos: aberto, fechado e isolado. O material traz a carac- terização de cada sistema de acordo com o tipo de troca de matéria e energia com a vizinhança e uma revisão das ideias de sistema, vizinhança e universo. A energia e as transformações da matéria Como visto anteriormente, a energia não surge ou desaparece em um pro- cesso, mas é convertida de uma forma para outra. Com base nisso, ocorrem as transformações da matéria, que são as variações que uma substância pode sofrer. Existem dois tipos de transformações da matéria: as físicas e as quími- cas. As transformações físicas são as relacionadas às variações dos estados físicos da substância. Além disso, são mudanças consideradas temporárias e de menor intensidade, pois não afetam a composição da substância. Já as transformações químicas são decorrentes das reações químicas, em que ocorre a conversão de uma substância em outra. No caso das transformações químicas, as mudanças são mais profundas e intensas, porque afetam a natureza da molécula, tendo como resultado uma nova substância. Processos endotérmicos e exotérmicos 5 Um bom exemplo de transformação física é o ciclo da água, que é o pro- cesso permanente de variação de estado da água na natureza. Os três estados básicos da matéria são sólido, líquido e gasoso, e o que diferencia esses estados é o grau de liberdade das moléculas, que é dependente da quan- tidade de energia no sistema. Dessa forma, quando ocorre um aumento ou uma diminuição da energia do sistema, a substância muda de estado físico. Partindo do estado sólido, quando ocorre uma absorção de energia, acon- tece o processo denominado fusão da matéria, que é a mudança do estado sólido para o estado líquido. A mudança do estado líquido para o gasoso é chamada de vaporização e, assim como no processo de fusão, depende da absorção de energia pelo sistema. Porém, quando ocorrem as mudanças no sentido contrário, ou seja, do estado gasoso para o líquido — liquefação (ou condensação) — e do estado líquido para o sólido — solidificação —, ocorre uma liberação de energia. Já o processo de sublimação é quando a matéria muda de estado físico sem passar pelo líquido. Sendo assim, quando ocorre a absorção de energia, a matéria muda direto do sólido para o gasoso, e quando ocorre a liberação de energia, a matéria muda do estado gasoso direto para o sólido. Por isso, podemos verificar que o estado sólido é o que possui uma menor quantidade de energia no seu sistema, e o gasoso é o que possui mais energia. Veja o esquema representado na Figura 3. Figura 3. Representação dos estados físicos da matéria. Fonte: Adaptada de Vecton/Shutterstock.com. Mudança de estado Líquido AquecimentoFusão Evaporação CondensaçãoResfriamento 0°C 100°C 0°C 100°C Solidificação Gelo Vapor d’agua Sólido Gasoso Processos endotérmicos e exotérmicos6 Na Figura 3, podemos observar os três estados físicos da matéria e as suas transformações em função da variação de temperatura, que é a fonte de energia nesses sistemas. Podemos perceber que, quando a temperatura é aumentada, ocorre uma absorção de energia pelo sistema, e, quando a temperatura é reduzida, ocorre uma redução de energia do sistema. Processos que envolvem a absorção de energia são classificados como processos endotérmicos, e processos em que a energia é liberada são clas- sificados como processos exotérmicos. Dessa forma, considerando-se as transformações físicas da água, podemos afirmar que a fusão e a vaporização são processos endotérmicos, pois necessitam de energia para que ocorram, e a liquefação e a solidificação são processos exotérmicos, pois são proces- sos em que a matéria está passando de um estado de maior energia para um de menor energia e, por isso, ocorre a liberação de energia. No caso da sublimação, a classificação do processo como endotérmico ou exotérmico vai depender do sentido em que ela esteja ocorrendo: a mudança do sólido para o gasoso é um processo endotérmico, e a mudança do gasoso para o sólido é um processo exotérmico. Em relação às transformações químicas, que são as associadas às reações químicas, essas mudanças também envolvem liberação ou absorção de ener- gia, uma vez que os produtos formados pelas reações possuem características diferentes dos reagentes. Ao contrário do que ocorre nas transformações físicas, em que a classificação do processo como endotérmico ou exotérmico se baseia nos estados inicial e final do sistema, nas transformações químicas, o tipo de processo é determinado em virtude do saldo energético da reação. Nesse sentido, são consideradas a energia necessária para a ruptura das ligações dos reagentes e a energia de formação dos produtos. Sendo assim, se o saldo energético for positivo, indicando que a energia de quebra das ligações é superior à energia de formação dos produtos, acontecerá uma liberação de energia, e, por isso, o processo é exotérmico. Mas, se o saldo energético for negativo, indicando que a energia de quebra das ligações é inferior à energia de formação dos produtos, acontecerá uma absorção de energia, e, por isso, o processo é endotérmico. Conforme é apresentado na Figura 4, quando fornecida energia para um sistema, podem ocorrer os dois tipos de processos, sendo o tipo de processo definido de acordo com o fluxo do calor do sistema. Nas reações exotérmi- cas, a energia total dos reagentes é superior à energia total dos produtos, sendo essa diferença o calor doado do sistema para a vizinhança. Em outras palavras, o sistema perde calor para a vizinhança, e, quando há a liberação de calor, trata-se de um processo exotérmico. Já nas reações endotérmicas, Processos endotérmicos e exotérmicos 7 ocorre justamente o contrário: a energia total dos reagentes é inferior à energia total dos produtos, sendo que essa diferença de energia o sistema recebe da vizinhança (CHANG; GOLDSBY, 2013). Figura 4. Exemplos de processos endotérmicos e exotérmicos com base na relação sistema/ vizinhança: (a) processo exotérmico, devido à energia dos produtos ser inferior à dos reagen- tes; (b) processo endotérmico, devido à energia dos produtos ser superior à dos reagentes. Fonte: Adaptada de Chang e Goldsby (2013). 2H2(g) + O2(g) 2Hg(l) + O2(g) 2H2O(l) (a) En er gi a En er gi a Exotérmico: calor liberado pelo sistema para vizinhança Endotérmico: calor absorvido da vizinhança pelo sistema (b) 2HgO(s) As quantidades de energia liberada ou absorvida em umareação química são obtidas experimentalmente, tendo como base que, por meio das varia- ções de temperatura do sistema, é possível calcular a quantidade de calor (q). Esse cálculo é possível devido ao fato de a massa (m) de uma substância, quando submetida a uma diferença de temperatura (ΔT), ser proporcional à sua quantidade de calor. Ou seja, quanto maior a variação de temperatura e a massa de substância que sofre o aquecimento, maior é a quantidade de calor necessária. Com base nisso, o cálculo de calor pode ser realizado por meio da relação das seguintes grandezas: q = (constante) · m · ∆T Processos endotérmicos e exotérmicos8 No caso do cálculo de calor de uma reação química, a constante de pro- porcionalidade é chamada de calor específico, cuja representação é dada por meio do símbolo c. Destaca-se que o calor específico de uma substância tem a ver com a quantidade de energia necessária para aumentar 1,0°C na temperatura de 1,0 g dessa substância. Sendo assim, a equação matemática para o cálculo do calor é: q = c · m · ∆T onde: � q é a quantidade de calor absorvido pela substância; � c é o calor específico da substância; � m é a massa da substância; � ΔT é a variação de temperatura da substância. A combustão do hidrogênio gasoso é uma reação que libera quanti- dades razoáveis de energia. Com base nisso, calcule a quantidade de energia liberada pelo hidrogênio, quando 20 g da substância são submetidos a uma mudança de temperatura de 25°C para 80°C, sabendo que o calor específico do hidrogênio é 3,4 J · g-1 · °C-1. Resolução: De acordo com os dados fornecidos pelo problema, temos: c = 3,4 J · g-1 · °C-1 ΔT = 80 – 25 = 55°C m = 20 g q = ? Para calcular o calor absorvido, utilizamos a seguinte fórmula: q = c · m · ∆t Substituindo os valores fornecidos pelo problema na fórmula, temos: q = 3,4 · 20 · 55 Processos endotérmicos e exotérmicos 9 Assim, obtemos o valor de: q = 3.740,00 J Lembrando que 1 caloria (cal) corresponde a 4,18 J, podemos afirmar que 20 g de hidrogênio, quando submetidos a uma variação de temperatura de 55°C, liberam um total de 894,74 calorias. Entalpia e variação de entalpia Com base na primeira lei da termodinâmica, a qual se fundamenta no princípio da conservação de energia, temos que a energia está sempre em transforma- ção. Dessa forma, muitas das propriedades de um sistema estão relacionadas, sendo que uma combinação muito importante é a adição de calor a uma situação de pressão constante. Além disso, todas as substâncias apresentam uma certa quantidade de energia, a qual tem origem nas forças de ligação das moléculas. Em relação à entalpia, ela é representada pelo símbolo H e se trata de uma função termodinâmica de um sistema. Ela se fundamenta na relação da energia interna do sistema adicionada à pressão e ao volume do sistema, de acordo com a fórmula abaixo: H = U + PV Onde H representa a entalpia, U representa a energia interna do sistema, P é a pressão e V é o volume do sistema. Considerando que U e P.V possuem unidades de energia, consequentemente, a entalpia também possui unidades de energia. Além disso, todas são funções de estado, ou seja, suas transfor- mações só dependem dos estados inicial e final do sistema. Assim sendo, a variação de entalpia (ΔH) igualmente só depende dos estados inicial e final. Então, H é uma função de estado (CHANG; GOLDSBY, 2013). Processos endotérmicos e exotérmicos10 Tendo como base que as reações químicas são sistemas que normalmente ocorrem à pressão constante, podemos considerar que a entalpia corres- ponde ao valor de energia transferida. Sendo assim, para toda reação em que os produtos sejam originados por um reagente (Reagentes → Produtos), a variação de entalpia é definida por meio da diferença entre as entalpias dos produtos e as entalpias dos reagentes, de acordo com a fórmula abaixo: ∆H = HProdutos – HReagentes O valor resultante da variação de entalpia pode ser positivo ou negativo e está relacionado ao tipo de processo energético que está acontecendo — endotérmico ou exotérmico. Processos exotérmicos são aqueles em que ocorre a liberação de energia, ou seja, a energia dos regentes é maior do que a dos produtos — nesse caso, em relação à variação de entalpia, o valor de ΔH será negativo (ΔH 0 — processo endotérmico). Transformações da matéria e sua relação com as condições endotérmicas e exotérmicas A variação de entalpia, assim como a de energia, depende das transformações da matéria, que podem ser físicas ou químicas. No caso das transforma- ções físicas, as quais estão relacionadas às mudanças de estado, quando a substância passa de um estado menos energético para um mais energético, a entalpia está aumentando — consequentemente, trata-se de uma situação de absorção de energia, o que envolve um processo endotérmico. Porém, quando a substância está passando de um estado mais energético para um de menor energia, a entalpia é reduzida e, consequentemente, trata-se de uma situação de liberação de energia, o que envolve um processo exotérmico. A Figura 5 apresenta o diagrama genérico da entalpia em função das mudanças de fases. Processos endotérmicos e exotérmicos 11 Figura 5. Variação de entalpia em função das transformações físicas da matéria: (a) processos exotérmicos (ΔH 0). No caso das transformações químicas, as quais estão relacionadas às reações químicas, em que ocorre a conversão dos reagentes nos produtos, a entalpia das reações se refere ao saldo energético entre o processo de ruptura do reagente e o processo de formação das ligações dos produtos. Os valores de entalpia das substâncias são tabelados, uma vez que são obtidos experimentalmente. Para determinarmos se o processo de um sistema é exotérmico ou endo- térmico, precisaremos calcular a variação de entalpia do sistema ou verificar se o sistema absorveu ou liberou energia. Em relação à variação de entalpia, se ela for positiva, o processo é classificado como endotérmico, pois absorve energia. Se a variação de entalpia for negativa, o processo é classificado como exotérmico, pois libera energia. Sendo assim, podemos verificar que, por exemplo: CH4 (g) + 2 O2 → CO2 (g) + 2 H2O (l) ΔH = − 889,5 kJ Processo exotérmico (ΔH 0) Processos endotérmicos e exotérmicos12 Porém, quando, na reação química, não são fornecidos os valores da va- riação de entalpia das substâncias, mas, sim, os valores de energia, quando a energia estiver sendo adicionada aos reagentes, o processo será endotér- mico, o que significa que os produtos possuem uma energia maior. Mas, se a energia estiver sendo adicionada aos produtos, o processo será exotérmico, o que significa que os reagentes possuem mais energia. Por exemplo, temos os seguintes processos expressos em função da energia e sua classificação. � Decomposição da sacarose C12H22O11 (s) + energia → 12 C (s) + 11 H2O (g) Processo endotérmico (energia adicionada aos reagentes) � Respiração dos vertebrados C6H12O6 (aq) + 6 O2 (g) → 6 CO2 (g) + 6 H2O (g) + energia Processo exotérmico (energia adicionada aos produtos) Além disso, os processos endotérmicos e exotérmicos das reações químicas também podem ser representados graficamente, conforme apresentado na Figura 6. Figura 6. Exemplos de processos endotérmicos e exotérmicos com base na variação de en- talpia e relação sistema/vizinhança: (a) processo exotérmico, ΔH negativo devido à energia dos produtos ser inferior à dos reagentes; (b) processo endotérmico, ΔH positivo devido à energia dos produtos ser superior à dos reagentes. Fonte: Adaptada de Chang e Goldsby (2013).H2O(l) CH4(g) + 2O2(g) H2O(s) (a) En er gi a En er gi a Calor absorvido pelo sistema a partir da vizinhança Calor liberado do sistema para a vizinhança (b) CO2(g) + 2H2O(l) Processos endotérmicos e exotérmicos 13 Referências ÇENGEL, Y. A.; BOLES, M. A. Termodinâmica. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. CHANG, R.; GOLDSBY, K. Química. 11. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. MORAN, M. J. et al. Introdução à engenharia de sistemas térmicos: termodinâmica, mecânica dos fluidos e transferência de calor. Rio de Janeiro: LTC, 2005. MORAN, M. J. et al. Princípios de termodinâmica para engenharia. Rio de Janeiro: LTC, 2013. POTTER, M. C.; SOMERTON, C. W. Termodinâmica para engenheiros. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2017. Processos endotérmicos e exotérmicos14 Dica do professor O vídeo mostra exemplos de processos endotérmicos e exotérmicos, suas características e aplicações. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/34b7d1d8eff0b88edc9b7f6e72fa8b06 Exercícios 1) Processos endotérmicos e exotérmicos são comuns no cotidiano, os mesmos envolvem a transferência de energia na forma de calor entre sistema e vizinhança. Entre os processos a seguir, marque a alternativa que apresenta apenas processos com ΔH negativo. A) a) Combustão e fusão. B) b) Combustão e sublimação de sólido para gás. C) c) Combustão e sublimação de gás para sólido. D) d) Fusão e ebulição. E) e) Evaporação e solidificação. 2) Uma amostra de água é submetida às transformações indicadas abaixo a uma pressão externa constante: Sobre as transformações anteriores marque a alternativa correta. A) a) Os caminhos 3 e 4 representam processos exotérmicos. B) b) Os caminhos 1 e 3 representam processos endotérmicos. C) c) A energia absorvida em 3 é igual à liberada em 4. D) d) A energia liberada em 1 é igual à liberada em 3. E) e) A energia liberada em 1 é igual à absorvida em 2. Um processo químico característico apresenta as transformações energéticas representadas pelo diagrama abaixo. 3) http://publica.sagah.com.br/publicador/objects/layout/1963022724/2019-08-04-19-44-33-exercicio2.jpg?v=1672680195 http://publica.sagah.com.br/publicador/objects/layout/1963022724/2019-08-04-19-44-33-exercicio2.jpg?v=1672680195 Pode-se afirmar que o processo em questão é: A) a) Endotérmico, com ΔH = + 60 kcal B) b) Exotérmico, com ΔH = - 60 kcal C) c) Endotérmico, com ΔH = - 140 kcal D) d) Endotérmico, com ΔH = + 140 kcal E) e) Exotérmico, com ΔH = - 140 kcal 4) Você acordou com uma temperatura elevada, sendo a mesma causada devido a um estado febril. Sua mãe pediu ao seu irmão para ir à farmácia comprar um remédio, mas devido à longa distância ele está demorando muito; preocupada, ela decide aliviar a febre usando um algodão umedecido em álcool e passando sobre o seu corpo. Este procedimento aliviou a febre devido: A) a) O álcool atua eliminando os germes microscópicos. B) b) Quando o álcool evapora atua exotermicamente fornecendo energia para a pele. C) c) Para ocorrer a evaporação do álcool, o mesmo retira calor do corpo. D) d) Durante a evaporação do álcool há um aumento na temperatura do corpo. E) e) Durante a reação do álcool com a pele há uma variação negativa na entalpia do álcool. http://publica.sagah.com.br/publicador/objects/layout/57241542/2019-08-04-19-44-33-exercicio4.jpg?v=1740138064 http://publica.sagah.com.br/publicador/objects/layout/57241542/2019-08-04-19-44-33-exercicio4.jpg?v=1740138064 Na prática Os processos que ocorrem com a liberação ou absorção de calor são de importância vital para os seres vivos e para a indústria. Os processos exotérmicos transmitem uma sensação de aquecimento, como nas combustões, responsáveis pela geração de energia para o nosso corpo durante a queima da glicose e geração de trabalho em motores para a movimentação dos veículos. Enquanto os processos endotérmicos transmitem a sensação de frio, como ao sair molhado do banho ou segurar cubos de gelo na mão, estes são também importantes para o funcionamento dos refrigeradores e bombas de calor. A compreensão dos processos de troca de calor é fundamental na bioquímica, pois as reações químicas que ocorrem no interior das células liberam ou absorvem energia do ambiente de alguma forma, vitais para funções como respiração ou fotossíntese. Acompanhe, a seguir, alguns processos endotérmicos ou exotérmicos comuns. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Termoquímica - Reações endotérmicas e exotérmicas Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.youtube.com/watch?v=rv-xqM0Qn4w