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FRUTICULTURA SUBTROPICAL E TEMPERADA AULA 3 Prof.ª Francelize Chiarotti 2 CONVERSA INICIAL Conhecer as características gerais que classificam as frutíferas como subtropicais proporciona ao profissional referências para tomadas de decisão, independentemente da região de atuação, uma vez poderá avaliar quais tecnologias e manejos poderão ser realizados e/ou adaptados para a frutífera em questão. A seguir, vamos entender a importância da fruticultura subtropical e de que forma podemos desenvolvê-la de forma assertiva, por meio de tomadas de decisão iniciais que serão cruciais para o planejamento e o sucesso da produção. Há uma grande variedade de frutíferas para as diferentes classificações segundo o clima. Por exemplo, no clima subtropical, citros, goiaba, abacate, caqui, jabuticaba, figo e lichia. TEMA 1 – FRUTÍFERAS DE CLIMA SUBTROPICAL As frutíferas de clima subtropical apresentam como características gerais: nem sempre apresentarem hábito caducifólio; mais de um surto de crescimento; menor resistência a baixas temperaturas; pouca necessidade de frio no período de inverno; necessidade de temperatura média anual de 15 a 22 °C. Exemplos: cítricas, abacateiro, caqui, jabuticaba, goiaba, figo e lichia. A seguir, vamos descrever características e manejos gerais de algumas frutíferas de clima subtropical que apresentam representatividade no setor em nível nacional. 1.1 Caqui A cultura do caqui (Diospyros kaki) (Figura 1) tem importância em nível nacional, uma vez que é uma frutífera que se adapta bem a diferentes regiões. Apesar de seu principal destino ser o mercado in natura, em algumas regiões a industrialização vem ganhando espaço, com o preparo de caqui, passa ou desidratado, que pode ser comercializado por até 14 meses, além de possível elaboração de vinagre (Monteiro, 2022). 3 Figura 1 – Caqui Crédito: 360VP/Adobestock. No estado do Paraná, na Estação de Pesquisa em Agroecologia (CPRA) do IDR-PR, em Pinhais, são feitos experimentos há 15 anos, utilizando os secadores de plantas medicinais para o preparo do caqui desidratado (Figura 2). Essa atividade vem sendo desenvolvida como alternativa para a diversificação do produto, que mantém suas qualidades de cor e sabor, como o damasco seco, garantindo ainda aumento do tempo de prateleira, o que é muito atrativo para os produtores, já que podem comercializar por mais tempo, além de poder utilizar, por exemplo, frutos com manchas de antracnose, pois essas são retiradas e o restante do fruto pode ser utilizado sem qualquer risco para a saúde do consumidor (Monteiro, 2022). Figura 2 – Caqui desidratado Crédito: KURGU128/Adobestock. 4 As plantas entram em produção no terceiro ano. Quando o processo é bem conduzido e manejado, podem produzir de 100 a 150kg de frutos por planta por ano. A produção do caqui se concentra nos meses de fevereiro a julho. Abril e maio são os meses de pico. Quando a cultivar é do tipo taninoso e variável, é necessário passar pela destanizarão para que possa chegar ao consumidor final (Lopes et al., 2014). 1.2 Jabuticaba Tipicamente brasileira, a jabuticaba (Figura 3) é nativa da Mata Atlântica e se adapta muito bem em diversas regiões. Portanto, pode ser cultivada em todo o país. Figura 3 – Jabuticabeira Crédito: ChaoShu Li/Stocksy/Adobestock. Essa frutífera pertence à família das mirtáceas, sendo classificada botanicamente como Myrciaria cauliflora. Apresenta algumas sinonímias, como Myrthus cauliflora, Eugenia cauliflora e vários nomes populares, dentre eles: jabuticaba, jabuticabeira, jaboticaba, jabuticabeira-preta, jabuticabeira-rajada, jabuticabeira-rósea e jabuticabeira vermelho-branca. É a frutífera mais cultivada em pomares domésticos em todo o país (Siqueira, 2016). Seu fruto é muito conhecido pela característica da casca de cor negra e brilhante, que cresce no tronco e nos ramos das plantas. Também é muito saborosa, e seu principal consumo é in natura. Pode ainda ser processado e consumido como doces, geleias, compotas, licores etc. Por ser uma planta muito bonita, pode também ser utilizada com objetivo ornamental. A sua madeira é 5 moderadamente pesada, compacta, elástica, dura e de longa durabilidade quando bem cuidada. Logo, é utilizada na fabricação de tábuas, móveis, construção civil e para lenha. Apresenta propriedades adstringentes e o cozimento das cascas é utilizado como chá para diarreias, disenterias também para gargarejos contra inflamações crônicas das amídalas (Souza et al., 2022). É conhecida pelos índios tupis por Iapoti’kaba, que significa “fruta em botão”, há mais de quatro séculos. Sua exploração comercial ocorre principalmente nos estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Espírito Santo. O estado de Goiás se destaca como maior produtor nacional de jabuticabas, sendo o município de Hidrolândia o maior representante (Souza et al., 2022). De acordo com dados levantados em 2022, a cultura da jabuticaba ocupava uma área de 104 hectares no estado do Paraná, resultando em uma produção total de 1,3 mil toneladas da fruta. O valor bruto de produção alcançou R$ 4,4 milhões. No ranking de 36 frutas pesquisadas, a jabuticaba ocupou a 26ª posição em termos de produção. As regiões de Cascavel, Curitiba e Francisco Beltrão são as principais produtoras de jabuticaba no Paraná. O município de Adrianópolis, na região metropolitana de Curitiba, liderou a produção, seguido por outras 87 cidades. Em 2022, segundo as Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasas/PR), foram comercializadas um total de 70,8 mil toneladas de jabuticaba, com uma movimentação financeira de R$ 386,3 mil (Souza et al., 2022). 1.3 Figo A figueira (Ficus carica) (Figura 4) é uma das espécies cultivadas mais antigas. Sua evolução do estado selvagem para o doméstico remonta aos primórdios da civilização. Pertence à família das Moraceas. O gênero Ficus abrange cerca de 1000 espécies, sendo a maioria apenas para a jardinagem (Medeiros, 2002). No Brasil, sua introdução ocorreu na primeira expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, em 1532. No fim do século XX, imigrantes italianos que vieram para cá trouxeram diversas variedades de figueira (Medeiros, 2002). 6 Figura 4 – Figueira Crédito: vikakurylo8/Adobestock. 1.4 Lichia A lichieira (Litchi chinensis) (Figura 5) é originária da região sul da China e foi introduzida no Brasil em 1810. É cultivada principalmente na região Sudeste, no Brasil, pois foi onde melhor se adaptou, mas também está distribuída em várias outras regiões do país. Figura 5 – Lichieira Crédito: Kate Mayer/Adobestock. É conhecida por lichia, uma drupa com formato ovalado ou arredondado com uma casca coriácea de cor vermelha que envolve a semente e a polpa ou arilo. É rica em vitamina C, potássio, cálcio, fósforo e ferro e proteína. Apesar do aumento na demanda pelo consumidor, ainda há pouco investimento em tecnologias associadas com manejo, técnicas de colheita e pós-colheita. Apesar do grande potencial como alternativa de diversificação de renda para os 7 produtores, do alto valor do produto e do aumento na demanda por frutas exóticas no mercado nacional, ainda são incipientes as informações e tecnologias associadas a manejos de campo, técnicas de colheita e pós-colheita (Santos et al., 2021). TEMA 2 – MANEJOS CULTURAIS No geral, os preparos de solo para as diferentes frutíferas englobam limpeza da área, subsolagem, gradagem, abertura de sulcos ou berços, correção de pH e adubação, de acordo com análise do solo e da frutífera a ser implantada. Para as frutíferas de clima temperado, as podas utilizadas são a de formação e de limpeza e/ou manutenção, com alguma poda de produção, além de desbrotas e desfolhas para melhorar a aeraçãoentre ramos e aumentar a incidência de luz solar, o que vai afetar diretamente a qualidade final do fruto. Além disso, cada cultura poderá demandar manejos específicos. Dessa forma, é de suma importância averiguar o que há de mais atualizado no desenvolvimento de tecnologias para a cultura escolhida. 2.1 Caqui O caqui é uma baga com formato e tamanho variável, desde forma arredondada até quadrangular, globosa e achatada, de acordo com a cultivar. Os frutos podem atingir 500 g, porém, a média fica entre 250 e 350 g. Alguns caquizeiros podem realizar partenocarpia, enquanto os polinizados poderão conter até 8 sementes (Monteiro, 2022). Dentre as características do fruto, a presença de tanino, que varia entre as cultivares, culmina na seguinte classificação (Monteiro, 2022): • Caquis taninosos: com polpa amarela e sempre taninoso, precisam passar pelo processo de destanização para que possa ser consumido. Como exemplos de cultivares, temos Kakimel, Taubaté, Coração de boi e Pomelo. • Caqui doces: polpa amarela e sempre doces, sem adstringência, independentemente de ter sementes. São conhecidos também como caqui duros, por causa da polpa firme. Como exemplos, temos Fuyu, Fuyuhana e Jirô. 8 • Caquis variáveis: a polpa pode ser escura (café ou chocolate) e não adstringente quando há sementes, ou polpa amarela e taninosa quando não apresentam sementes. Exemplos de cultivares: Rama-Forte, Giombo e Kioto. Como ocorre com outras cultivares, para a implantação do pomar é muito importante estar atendo às características ideais para o desenvolvimento das plantas. Local com ótima exposição solar e abrigado de ventos fortes, sem tolerância para solos ácidos; plantio entre junho e julho ou dezembro e janeiro; atenção a cultivares que precisam de polinização cruzada (Monteiro, 2022). Apesar de seu desenvolvimento “lento”, as plantas, nas regiões Sul e Sudeste, irão iniciar a frutificação a partir do 3º ano de idade, e em sequência a produção vai aumentando progressivamente, até alcançar 10-15 anos de idade, quando ocorre teoricamente a estabilização da produção. Um pomar adulto pode alcançar 15 t/ha a 35 t/ha (Monteiro, 2022). As podas utilizadas no caquizeiro são: poda de formação, manutenção e produção. A poda de formação é realizada de forma a deixar a planta com 3 ou 4 ramos para formar o formato de taça; a poda de manutenção elimina ramos doentes e em excessos (Figura 6); e a poda de produção é feita quando as plantas já estão prontas para a fase produtiva, com retirada do excesso de ramos, mantendo os mais vigorosos. Além disso, são feitas desbrotas, retirando ramos ladrões e excessos. Quando necessário, pode-se realizar cianamida hidrogenada a 1% e óleo mineral a 2% para indução de brotações (Monteiro, 2022). Figura 6 – Poda de manutenção, retirada de ramos doentes e/ou quebrados Crédito: carbondale/Adobestock. 9 Dentre as cultivares, temos as que exigem menor acúmulo de horas de frio (até 200 horas, mas vão bem até 100 horas, como a Taubaté, Rama-forte e Giombo) e as de maior exigência (até 600 horas, mas vão bem com 300 horas, como a Fuyu, Jirô, Kakimel e Kioto) (Monteiro, 2022). Em relação ao espaçamento para a taninosa Sibugaki, de polpa cor amarela e taninosa (variedades Taubaté, Pomelo, Rubi e Kakimel), utiliza-se 8 x 7 m, 7 m x 7 m, 7 x 6 m. Para a Amagaki, doce de polpa sempre não taninosa e polpa amarela (variedades Fuyu, Jiro e Fuyuhana), e para a variável, polpa taninosa e cor amarela (sem semente), não taninosa, parcial ou totalmente (com semente a polpa vai apresentar cor mais escura), variedade Rama forte, Giombo, Kaoru e Kioto, utilizando espaçamento de 7 m x 6 m, 6 m x 6 m, 6 m x 5 m (Monteiro, 2022). Para o preparo do solo e a adubação, é essencial realizar amostragem e análise de solo, para que possa ser realizada a correção com recomendação correta para que o solo esteja apto a receber e nutrir as plantas (Monteiro, 2022). 2.2 Jabuticaba Apesar de ser uma planta subtropical, também é adaptada ao clima tropical e ainda tolera geadas não intensas. Tem ótimo desenvolvimento em solos férteis, profundos e com excelente suprimento de água durante todo o ano, principalmente nas fases de floração e frutificação (Siqueira, 2016). Geralmente, floresce duas vezes ao ano, nos meses de julho e agosto e novembro e dezembro, com amadurecimento dos frutos nos meses de agosto e setembro e janeiro e fevereiro, respectivamente (Siqueira, 2016). Em relação à propagação, a planta pode ser obtida pelo plantio da semente, porém a primeira produção depende de várias condições, podendo acontecer após 8 a 12 anos do plantio. Por essa razão, opta-se por realizar propagação vegetativa, como mergulhia, estaquia e enxertia. Para tanto, utiliza- se na enxertia a garfagem de topo em fenda cheia, que garante em torno de 75% de pegamento, antecipando o período produtivo para 3º ou 4º ano do plantio a campo (Siqueira, 2016). Quanto ao tipo de solo, a jabuticabeira prefere solos sílico-argilosos, ricos em matéria orgânica, profundos, com boa drenagem e pH de 6,5 a 7. O plantio deve ser feito sempre em épocas de início de chuvas e em altitudes menores de 600 m. 10 Temperatura ideal na faixa de 18 a 35 °C. A planta não gosta de temperaturas mais baixas que 12 °C, nem geadas fortes, pois esses fatores retardam o seu desenvolvimento. O espaçamento utilizado é de 6 a 7 metros entre plantas e 8 a 10 metros entre linhas (Siqueira, 2016). 2.3 Figo Apesar da aparência, o figo não é um fruto e sim um sicônio, ou seja, uma infrutescência, na qual as flores ou frutos individuais crescem justapostos. Os verdadeiros frutos das figueiras são os aquênios, que são formados pelo desenvolvimento dos ovários (Medeiros, 2002). De acordo com clima, cultivar e sistema de cultivo, a figueira pode produzir mais de uma vez no ano. No Brasil, a cultivar mais produzida é a Roxo de Valinhos, também conhecida como Browm Turkey, San Piero e Negro largo. Essa cultivar é explorada apenas com os figos produzidos nos ramos do ano, por meio de podas drásticas (Medeiros, 2002). Existem quatro tipos pomológicos de Ficus carica: Caprifigo e Smirna, que necessitam de polinização para desenvolver os frutos; e os tipos Comum e São Pedro Branco, em que a fixação e o desenvolvimento dos frutos ocorrem partenocarpicamente, sendo a maior parte das cultivares produzidas, inclusive a cultivar Roxo de Valinhos. Portanto, não é necessário polinização (Medeiros, 2002). A figueira tolera temperaturas de 25ºC a 42ºC, sendo que temperaturas de 40ºC, durante o período de amadurecimento dos frutos, antecipam a maturação, com alteração na consistência da casca do fruto. A poda de formação é essencial para dar formato e equilíbrio à planta, que deve ficar em formato de taça. A poda de frutificação ou produção deve ser realizada de forma a evitar geadas tardias, sendo geralmente realizada no mês de agosto, deixando 2 a 3 gemas, de onde sairão os ramos do ano de produção (Caetano, 2012). A colheita vai variar de acordo com as condições climáticas, mas geralmente ocorre 4 a 5 meses após a poda de frutificação. Quando o objetivo de produção é figo de mesa, o produtor pode realizar um desponte nos meses de janeiro e fevereiro, e colher os figos verdes para a indústria a partir das novas brotações que irão se formar (Medeiros, 2002). 11 Apesar de possuir grande capacidade de adaptação aos mais diversos tipos de solo, a figueira reage a falta de água no solo soltando suas folhas, o que ocasiona perda de frutos e dos que permanecem na planta e perda da qualidade dos frutos. Desta forma, solos com boa capacidade de retenção de água, bem drenados e profundos são os ideais (Medeiros, 2002). Para o plantio, deve-se realizar análise de solo e as correções de pH para 6,0 e adubações necessárias.Os berços devem ter dimensões de 0,5 x 0,5 x 0,5 m. Os espaçamentos indicados são de 3,0 x 1,5 m (2.222 plantas/ha), 2,5 x 2,5 m (1.600 plantas/ha) ou 3,0 x 2,0 m (1.666 plantas/ha), sendo o último o mais utilizado (Caetano 2012). A cultivar Roxo de Valinhos é do tipo comum, de grande valor econômico, caracterizando-se por rusticidade, vigor e produtividade. É a que melhor se adaptou ao sistema de poda drástica. Os figos desta cultivar, quando maduros, são de coloração roxo-violácea escura, alcançando cerca de 7,5 cm de comprimento, pesando, normalmente, entre 60 e 90 gramas. São considerados grandes, periformes, alongados, com pedúnculo curto. A polpa é de coloração róseo avermelhada apresentando cavidade central. A cultivar Pingo de Mel é vigorosa e produtiva, os frutos são de tamanho pequeno a médio, piriformes, com pedúnculo médio, ostíolo de tamanho médio e fechado, coloração amarelo- esverdeada, polpa de coloração âmbar e sem cavidade, e o sabor é doce. Tem menor importância econômica no Brasil (Caetano 2012). Em anos favoráveis, pode-se obter produções médias de 13,5 kg/planta de figos verdes, com variações de 11,6 kg a 16,3 kg por planta com cinco anos. As produções de figos maduros variaram de 19,45 kg a 31,25 kg por planta, com média de 23,1 kg. Considerando-se um pomar com 700 plantas por hectare, as produções médias de figos verdes aproximam-se de 9,5 t por hectare, e a de figos maduros ultrapassam 16 t por hectare (Caetano 2012). 2.4 Lichia É uma frutífera que exige climas quente e úmido para se desenvolver e clima frio e seco no inverno para seu florescimento. Pode atingir 15 m de altura. Em cultivos comerciais, a produtividade média pode chegar a 300kg/planta/ano (Martins et al., 2001). Sua propagação via semente não é recomendada, uma vez que as sementes perdem o poder germinativo muito rápido e a produção dos frutos inicia 12 em torno de dez anos após o plantio, além da desuniformidade das plantas e da alta variabilidade genética no pomar. Portanto, a propagação vegetativa é a mais utilizada por enxertia. A produção tem início entre o 3º e 5º ano após a implantação das mudas (Martins et al., 2001). Para os manejos iniciais de solo, é primordial realizar análise física e química. As adubações devem ser realizadas conforme os resultados da análise e as recomendações para a cultura. Recomenda-se elevar a saturação de bases a 70% (Martins et al., 2001). O plantio pode ser realizado durante o ano todo. No entanto, como acontece com as outras frutíferas, o ideal é que seja feito em épocas de início de estação chuvosa, com berços de 60 x 60 x 60 cm previamente adubados, mantendo a irrigação, se necessário, até o pegamento da muda. O espaçamento recomendado entre plantas é de 12 x 12 m. As mudas utilizadas para a formação do pomar devem atender os critérios de qualidade e fitossanidade, sendo preferencialmente adquiridas de viveiros licenciados (Martins et al., 2001). Para o florescimento, o ideal são temperaturas de 16 a 22ºC. Para o crescimento do fruto, temperaturas entre 24 e 28ºC, com precipitação regular, elevada insolação e umidade relativa (Martins et al., 2001). Na poda de formação, é essencial manter uma haste principal de até 50 cm do solo, deixando 3-4 ramos fortes, espaçados, que serão os ramos principais. As podas de manutenção são de suma importância para a lichieira, de forma a permitir a entrada de luz na parte interna da planta e mantê-la arejada, sendo indicadas duas podas durante o ciclo produtivo, entre os meses de setembro a janeiro, poda de produção ou frutificação. Na época da colheita, juntamente com o cacho, retira-se uma parte do ramo de cerca de 20 cm, o que irá auxiliar em aumento da brotação de ramos, que poderão produzir na próxima safra (Martins et al., 2001). Cultivares: Bengal (maturação precoce, moderado vigor, frutos cordiforme, 21 g, cor vermelho brilhante, polpa de boa qualidade), Brewster (maturação mais precoce que a Bengal, planta vigorosa e ereta, frutos elípticos, 23 g, cor vermelho brilhante, polpa de qualidade aceitável, sabor ácido, exceto se bem madura), Mauritius (maturação precoce, muito vigorosa, copa aberta e sensível a ventos, frutos ovoides e cordiformes, 24 g, vermelhos mas um pouco escuro quando maduros, polpa de qualidade aceitável, muito produtiva, porém o fruto tem que ser colhido bem maduro), Sweet Cliff (mais comum na China, onde 13 é conhecida como Wai Chee, 17 g , ovalado e vermelho intenso, polpa é sucosa e doce, maturação tardia, folíolos pequenos, ovalados e ondulados, pouco vigor e frutificação regular), Groff (corresponde a variedade chinesa Souey Tung, fruto pequeno, 14 g, cordiforme e vermelho escuro, semente praticamente não existe, polpa doce e de excelente qualidade, vigor médio e apresenta frutificação irregular) e Americana (produção uniforme por toda árvore, sem formação de cachos o que dificulta a colheita e diminui a produção, com casca menos rugosa, sabor mais adocicado e um caroço bem pequeno, o que a torna mais agradável) (Martins et al., 2001). Rendimento médio de 45 kg/planta de frutos aos sete anos, 70 kg/planta aos 12 anos e cerca de 150 kg/planta aos 20 anos. Como ocorre alternância de produção, os rendimentos em nível mundial raramente ultrapassam 5 a 10 t/ha (Martins et al., 2001). TEMA 3 – DOENÇAS 3.1 Caqui Dentre as doenças que causam prejuízos significativos, estão: cercosporiose (Cercospora Kaki), antracnose (Colletotrichum horii), mofo cinzento (Botrytis cinerea), pestalozia (Pestalotiopsis spp.), queima-dos-fios (Cerotobasidium sp.) e galha da coroa (Agrobacterium tumefaciens). A cercosporiose e a antracnose são as mais importantes (Tecchio et al., 2019). A cercosporiose é causada por um fungo e pela condição ambiental de elevada umidade relativa e temperaturas amenas, sendo disseminada pelo vento e pela água. As cultivares mais resistentes são Taubaté e Trakoukaki, enquanto a Rama Forte e o Guiombo são moderadamente suscetíveis e o Fuyu é suscetível. Como controle, recomenda-se tratamento de inverno, com aplicação de calda sulfocálcica em proporção 1:9, apresentando eficiência na diminuição das estruturas de resistência do fungo. Também há outros produtos que sejam liberados para a cultura na região que está sendo produzida. Por exemplo, os principais ingredientes ativos/produtos para o controle da estrobilurina + triazol, ou triazol (Tecchio et al., 2019). A antracnose também é causada por um fungo que se desenvolve em condições de alta umidade relativa e temperaturas entre 10 e 36 °C. Pode ser disseminada por insetos e água, e afeta folhas, ramos e frutos, com danos como 14 desfolha, podridão, queda dos frutos e perda do produto comercial. Nos frutos afetados, ocorre maturação precoce, rachaduras, amolecimento da polpa e queda acentuada. Como controle, estão medidas preventivas como tratamento de inverno com calda sulfocálcica no período de dormência; eliminação de restos culturais; podar ramos secos, fracos e doentes, para garantir melhor arejamento e insolação das árvores; realização de poda verde em dezembro/janeiro; uso de calda bordalesa durante o desenvolvimento dos frutos; desinfestação das ferramentas; catação dos frutos com sintomas da doença; implantação do pomar em locais de maior altitude, evitando baixadas úmidas (Tecchio et al., 2019). A variedade Giombo é muito suscetível à doença, sendo praticamente extinta no Paraná, enquanto a Rama Forte e Fuyu são pouco suscetíveis. Atualmente, existem alguns produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sendo os princípios ativos utilizados para controle de oxicloreto de cobre e sulfato de cobre (Tecchio et al., 2019). 3.2 Jabuticaba Os problemas fitossanitários são esporádicos, sendo as doenças mais importantes a podridão de raízes (Rosellinia sp.),com ocorrência em pomares mais velhos (no entanto, não há tratamento efetivo para esta doença, levando à morte), e a ferrugem (Puccinia psidii), considerada a principal doença da cultura. A ferrugem ataca as folhas, as flores, os frutos e os ramos da jabuticabeira. Pode ser identificada quando são verificadas manchas circulares necrosadas, além de uma espécie de pó com coloração amarela bem forte. Ocorre em épocas quentes e chuvosas, atacando os frutos. O controle é feito por meio de pulverizações com defensivos cúpricos, além de arejamento do pomar através de plantios com maiores espaçamentos e podas de ramos para permitir maior iluminação das plantas (Siqueira, 2016). 3.3 Figo Ferrugem da figueira (Cerotelium fici), é a principal doença da figueira. As folhas atacadas amarelecem e caem prematuramente, enfraquecendo a planta. Ocorre redução do tamanho dos frutos e da produção. O controle pode ser realizado de modo preventivo, com fungicidas cúpricos e calda bordalesa, e em situações mais críticas com produtos sistêmicos, como tebuconazole e 15 azoxistrobina. Importante respeitar o intervalo entre aplicações e dosagem, pois o uso inadequado do produto pode causar fitotoxidez a figueira. Os sintomas iniciais de fitotoxidez são manchas cloróticas nas folhas, que podem resultar em enfezamento das plantas, que paralisam o desenvolvimento e não mais se recuperam (Medeiros, 2002). A antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) afeta principalmente as folhas e os frutos da figueira. Nas folhas, ocorrem lesões necróticas, de forma irregular, que podem tomar grande parte do limbo foliar. Nos frutos, surgem manchas circulares e deprimidas, levando ao apodrecimento do fruto. Os produtos usados no controle da ferrugem controlam a antracnose de forma indireta (Medeiros, 2002). Os fitonematoides que parasitam a figueira no Brasil e no mundo, as espécies do gênero Meloidogyne, conhecidas como nematoides das galhas, são as que podem causar os maiores prejuízos. Os sintomas reflexos do parasitismo do sistema radicular são plantas raquíticas, com ramos finos e com redução da produção a cada safra. A correta diagnose é possível com a visualização do sistema radicular, que, no caso do gênero Meloidogyne, deverá apresentar raízes com muitas galhas e necrosadas. A disseminação de nematoides é feita por meio de solo contaminado, muda infestada, implementos agrícolas e enxurrada. Entre as medidas de controle, a prevenção é a mais eficiente, uma vez que inexistem genótipos resistentes disponíveis, e no Brasil, a utilização de nematicidas para o controle de nematoides na cultura da figueira, seja em pomares afetados, seja para a erradicação em mudas, é proibida pela falta de produtos registrados para este fim no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), além de serem medidas onerosas e pouco eficientes. Diante disso deve-se utilizar mudas produzidas através do enraizamento em substrato artificial das estacas dos ramos e evitar o plantio em solos arenosos, que permitem a disseminação mais rápida do nematoide, e com histórico de cultivo de espécies suscetíveis, como quiabo e alface. Em pomares contaminados, o manejo diferenciado com fertilizações constantes e adição de matéria orgânica pode prolongar a vida produtiva das plantas parasitadas; entretanto, gradativamente, o pomar entra em declínio (Medeiros, 2002). 3.4 Lichia Apesar de praticamente não enfrentar problemas com doenças, ainda assim existem alguns patógenos que podem causar danos na cultura da Lichia, como (Martins et al., 2001): • Mancha de algas (Cephaleuros virescens): manchas nas folhas, de aparência circular e de coloração verde acinzentada e proeminentes; folhas secam, partem-se e caem. Controle por pulverização com cúpricos. 16 • Antracnose (Colletotrichum gloeosporiodes): incide em folhas e frutos, com lesões irregulares e morte do tecido. Plantas estressadas por pragas podem apresentar suscetibilidade maior à incidência da doença. Controle realizado com base no executado em outras frutíferas. • Seca (Diplodia, Leptosphaeria, Phomopsis spp.): os ramos mostram sinal de declínio e morrem. É mais comum em plantas que tiveram danos por frio ou outros fatores climáticos, ou em plantas com baixo vigor. Controle por meio de poda dos ramos que manifestam a doença, cerca de 20 cm abaixo da região que mostra sintomas. • Podridão da raiz (Armillaria tabescens): instala-se no sistema radicular, impedindo o transporte de água e nutrientes para a copa e ocasionando a morte da planta. Na parte aérea, nota-se o declínio de toda ela ou de alguns ramos. Controle cultural, evitando o plantio em áreas recém- desmatadas ou em áreas em que a doença já foi observada. TEMA 4 – PRAGAS 4.1 Caqui As pragas que ocorrem na cultura do caqui são: lagarta-dos-frutos (Hypocala andremona), tripes (Heliothrips haemorrhoidalis), cochonilhas (Pseudococcus spp.), ácaro rajado (Tetranychus urticae) e mosca-das-frutas (Anastrepha spp e Ceratitis capitata). • Lagarta-dos-frutos: ataque em frutos jovens e pequenos, causando lesão na casca entre a junção do fruto com o cálice. Surge uma cicatriz anelar na casca, que pode ser entrada de fungos. A cultivar Fuyu apresenta uma cavidade na qual pode abrigar a lagarta. • Tripes: por ser de tamanho muito pequeno, consegue se abrigar facilmente no cálice dos frutos. Raspa a epiderme para se alimentar, formando uma mancha prateada que pode depreciar os frutos. O controle deve ser realizado durante o florescimento e início da frutificação. • Cochonilhas: sugam os frutos para se alimentar. Como consequência, ocorre a formação de uma mancha escura, depreciando o fruto e impedindo a exportação. Na cultivar Fuyu, é necessário realizar inspeções rigorosas. 17 • Ácaros: pode causar queda prematura dos frutos. A cultivar Fuyu é muito sensível a essa praga. • Mosca-das-frutas: Ceratitis capitata (Figura 7) e Anastrepha spp., praga secundária. Quando colhidos no ponto certo de maturação, dificilmente são atacados. Os frutos atacados normalmente são os maduros, e já não apresentam valor comercial. Por haver poucos produtos registrados para a cultura do caquizeiro, técnicas alternativas, como ensacamento dos frutos, monitoramento e uso de armadilhas (Figuras 8 e 9), são essenciais para a produção. Como ingredientes ativos liberados, temos o neonicotinoide + éter difenílico para mosca-das-frutas e o cetoenol para o ácaro rajado. Dentre as técnicas alternativas, há o ensacamento dos frutos (Tecchio et al., 2019). Figura 7 – Mosca das frutas (Ceratitis capitata) Crédito: Danut Vieru/Adobestock. Figura 8 – Exemplo de armadilha de monitoramento e controle massal de mosca das frutas Crédito: Laura Primo/Adobestock. 18 Figura 9 – Exemplo de armadilha de monitoramento e controle massal de mosca das frutas feita com garrafa PET Crédito: Laura Primo/Adobestock. 4.2 Jabuticaba Não há pragas, ou seja, não há relatos de insetos que causem danos em nível econômico com notoriedade suficiente para que sejam considerados pragas. Dessa forma, é de extrema importância alertar aos produtores que qualquer mudança, observação de sinais ou sintomas percebidos em campo devem ser relatados a técnicos, agrônomos e institutos de pesquisa logo no início, para que haja tempo de iniciar estudos e encontrar manejos antes que a situação se torne um grave problema. 4.3 Figo Uma das pragas é a broca-da-figueira (Azochis gripusalis), cujo adulto é uma mariposa. A fêmea faz a postura dos ovos sobre os ramos ou na base do pecíolo das folhas. As lagartas, à medida que se desenvolvem, broqueiam a parte lenhosa dos ramos da planta. As folhas e os frutos situados acima do ponto onde se encontra a broca murcham e seca. O controle cultural é feito com a poda e a queima dos ramos atacados e a destruição das larvas no interiordas galerias com um pedaço de arame. O uso de armadilhas luminosas com lâmpadas 19 florescentes também é um método utilizado. Inseticidas (defensivo agrícola) podem ser usados em caso de ataques severos da praga (Caetano, 2012). Já as coleobrocas (Coleobogaster cyanitarsis, Buprestidae e Marshallius bonelli) fazem galerias nos ramos mais grossos e no tronco da figueira. O controle deve ser preventivo, com inspeções periódicas do pomar. A destruição das larvas no interior das galerias com um pedaço de arame e o pincelamento ou pulverização do tronco após a poda de inverno com inseticida (defensivo agrícola) são medidas de controle. O pincelamento do tronco com pasta bordalesa também é importante, por conta do efeito cicatrizante das lesões (Caetano, 2012). Na pulga-da-figueira (Epitrix spp.), o adulto é um pequeno besouro de coloração marrom-escura, que mede de 1,5 a 2,0 mm de comprimento e apresenta um par de pernas do tipo saltatória, o que o faz saltar com facilidade quando perturbado – daí o nome de pulga. O prejuízo da praga deve-se ao ataque às brotações das gemas no viveiro de produção de mudas ou aos brotos surgidos após as podas. Os brotos atacados secam, prejudicando a formação de mudas ou de novos ramos produtivos. O controle deve ser feito quando do surgimento da praga com aplicação de inseticida (defensivo agrícola), a cada sete dias (Caetano, 2012). Mosca do figo (Zaprionus indianus) é uma praga muito importante na produção de figos de mesa (maduros). A mosca coloca os ovos no ostíolo. Bactérias e leveduras trazidas pelos adultos desenvolvem-se no fruto para a alimentação das larvas, provocando sua decomposição no sentido do ostíolo para o interior do fruto, tornando-o impróprio para consumo. A retirada de frutos em estado avançado de maturação do pomar é o principal método de manejo para reduzir a população da praga (Caetano, 2012). 4.4 Lichia No caso da lichia, temos: O ácaro da lichia ou ácaro da erinose (Aceria litchii) é a principal praga que acomete a cultura. Este ácaro ataca as folhas da lichia, provocando enrugamento, bolhas e uma espécie de veludo de coloração marrom na face abaxial. Pode acatar as inflorescências e os frutos, prejudicando a qualidade dos frutos e produtividade. O controle deste ácaro pode ser realizado com a preservação de inimigos naturais como as espécies de ácaros predadores Phytoseius intermedius e Amblyseius herbicolus, por meio da manutenção da cobertura vegetal nas entrelinhas, com o ouso de plantas aromáticas que atraem 20 predadores e parasitoides. O controle químico pode ser realizado, porém no Brasil há apenas um produto formulado comercial registrado para a cultura da lichia no Ministério da Agriculta, Pecuária e Abastecimento (MAPA). (Santos, 2021) TEMA 5 – COLHEITA E PÓS-COLHEITA Para determinar o ponto de colheita, deve-se levar em consideração a distância e a que mercado se destina a fruta. Considera-se de maneira generalizada que os frutos devam ser colhidos mais imaturos quanto mais distante estiver o mercado consumidor, mas, de preferência, após atingir a maturidade fisiológica. Por sua vez, é a comercialização o canal que em seus vários níveis levará o produto até o consumidor, produto que terá o seu valor baseado no estado em que se encontrar, em relação ao aspecto e à qualidade. É devido às condições precárias de colheita, transporte e embalagens que a produção nacional sofre pesadas perdas. 5.1 Caqui A maturação geralmente ocorre nos meses de fevereiro a maio, sendo este o período de maior oferta no mercado. A colheita vai variar também em função das condições climáticas, das variedades implantadas e dos tratos culturais empregados. Em regiões mais quentes, como o Submédio do Vale São Francisco a safra é mais precoce, e em regiões mais frias será mais tardia (Monteiro, 2022). A colheita é determinada de acordo com a coloração da casca, no geral, a partir do momento que a fruta perde a cor verde e começa a ter a tonalidade amarelo avermelhada que vai se acentuando de acordo com o estádio de maturação (Figura 10) (Monteiro, 2022). 21 Figura 10 – Caqui no ponto de colheita Crédito: Leckerstudio/Adobestock. No geral, as variedades do grupo doce e variável são colhidas com a coloração amarelo-esverdeada, já o grupo taninoso apresenta coloração vermelho-alaranjada (Monteiro, 2022). A mudança de cor está relacionada à degradação da clorofila (cor verde) e ao aumento do conteúdo de pigmentos carotenoides, como a-criptoxantina, zeaxantina e licopeno, variando variar de acordo com as variedades. Algumas variedades precisam passar pelo processo de destanização para que o consumidor possa consumir os frutos. Para tanto, podem ser utilizadas as seguintes técnicas: estufas ou câmaras de maturação; uso de acetileno (liberado a partir do carbureto de cálcio em contato com a água); monóxido de carbono (queima de serragem e o vapor de álcool ou etileno); e temperatura controlada e mantida entre 20 °C e 24 °C, por 4 ou 5 dias (Monteiro, 2022). 5.3 Jabuticaba A jabuticaba ainda é considerada uma fruta de pomares, porém, sua comercialização vem crescendo a cada ano. Sua produção está concentrada nos meses de agosto a novembro, com destaque para o mês de setembro. Por ser altamente perecível, apresenta um período curto de comercialização. Dessa forma, vem aumentando o potencial de fabricação de licores e geleias (Suguino, 2012). De acordo com a variedade, o ponto de maturação para a colheita varia, mas em geral é quando estão macias, porém firmes (Figura 11). A produtividade 22 depende dos manejos adotados, considerando os tratos culturais e o controle de doenças (Siqueira, 2016). Figura 11 – Jabuticabeira com frutos verdes e maduros para colheita Crédito: Elis Cora/Adobestock. 5.4 Figo Os frutos da figueira podem ser colhidos tanto com finalidade de indústria, figos em calda e geleias, ou in natura. Quando o destino é conserva, os figos devem ser colhidos verdes, no ponto de vez (Figura 12), quando perdem a consistência firme e adquirem a coloração arroxeada. Figura 12 – Figos no ponto de vez 23 Crédito: brillianata/Adobestock. Já quando o destino é in natura (Figura 13), ou macerados para o fabrico de figada, devem ser colhidos completamente maduros, principalmente quando amadurecem em períodos chuvosos ou úmidos, pois são facilmente deterioráveis. Nesse estado de maturação, o figo fica totalmente inchado, começando a perder consistência, ao mesmo tempo em que há acentuação da coloração verde-amarelado para as cultivares brancas e roxo-bronzeado para as roxas (Caetano, 2012). Figura 13 – Figo maduros para consumo “in natura” Crédito: tammanoon/Adobestock. Quando amadurecem na árvore, os figos são de qualidade superior aos colhidos no ponto de maturação comercial. No entanto, há um problema ao aguardar a maturação completa na planta, pois os frutos acabam sendo atacados por pássaros (Figura 14). Para tanto, é necessário ensacar os frutos, utilizando fitas com alto brilho penduradas para espantar (Caetano, 2012). Figura 14 – Fruto atacado por pássaros Crédito: kobkik/Adobestock. 24 No primeiro ano, já se pode esperar produção, com uma expectativa de 1200 a 1300 kg/ha. Com o passar dos anos, a produção vai aumentando, podendo alcançar 10t/ha de figos verdes e 20t/ha de figos maduros (Caetano, 2012). Para a colheita, recomenda-se que o produtor utilize camisas de manga longas e luvas apropriadas para evitar irritações e queimaduras na pele ocasionadas pelo contato com as folhas e com o látex da figueira (Caetano, 2012). Por serem muito sensíveis e perecíveis, o ideal é que, quando forem colhidos, os figos sejam enviados no mesmo dia para o mercado. O horário da manhã é o mais indicado para o momento da colheita, evitando-se desidrataçãoe tomando cuidados para evitar quedas e pancadas. As embalagens para depositar os frutos devem ser, de preferência, cestas ou caixas acolchoadas com palha, espuma ou algo similar (Caetano, 2012). O transporte e o armazenamento (se possível, do figo maduro) devem ser feitos com refrigeração a 0-4 °C e 85-90% de umidade relativa. Dessa forma, o figo pode ser armazenado por até 10 dias, mas deve ser comercializado um dia depois de ser colocado nas prateleiras para venda ao consumidor final. Já os figos verdes são comercializados em caixas plásticas ou de madeira, ou ainda em sacos. Normalmente, não se usa refrigeração, porém os figos ficam conservados por mais tempo quando armazenados em temperatura baixa (Caetano, 2012). 5.5 Lichia A lichia é um fruto não climatérico, então, a colheita no momento correto é de extrema importância para garantir a qualidade final. A colheita deve ser realizada quando o fruto está totalmente maduro (Figura 15), 3 a 5 meses após o florescimento. Por ser feita de forma manual, é importante que as ferramentas estejam higienizadas e afiadas para fazer os cortes (Martins et al., 2001). 25 Figura 15 – Frutos maduros de lichia Crédito: ardanz/Adobestock. A produtividade pode atingir de 150 a 200 kg/planta, entretanto, no Brasil a média anual está entre 40 e 50 kg/planta (Martins et al., 2001). Após a colheita, os frutos devem ser acondicionados em embalagens plásticas e cobertos com membranas semipermeáveis para reduzir a desidratação. As caixas podem ser de papelão e com peso máximo de 0,5kg (Martins et al., 2001). Para reduzir o escurecimento dos frutos, no pós-colheita realiza-se imersão em ácido ascórbico, cítrico e lecitina, em ambiente a 28°C, por 20 minutos. A vida pós-colheita em temperatura ambiente é de 3 dias. Em armazenamento refrigerado, pode durar até 5 semanas. A vida de prateleira com uso de embalagens plásticas a 25 ºC é de 7 dias. Caso a temperatura abaixe para 5 ºC, esse tempo aumenta para 4 ou 5 semanas (Martins et al., 2001). FINALIZANDO Dada a importância dessas frutíferas, cabe ao profissional da área da fruticultura qualificar-se em termos de implantação, manejo e comercialização dos frutos obtidos do cultivo. Importante ressaltar que os pomares devem ser formados a partir de variedades bem definidas, portadoras de características agronômicas e tecnológicas adequadas à finalidade a que se destinam. 26 REFERÊNCIAS CAETANO, L. C. S. Recomendações técnicas para o cultivo da figueira. DCM/Incaper, 2012. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2024. LOPES, P. R. C. et al. Cultivo do Caquizeiro no Vale do São Francisco. Circular Técnica Embrapa, n. 107, 2014. Disponível em: Acesso em: 26 jun. 2024. MARTINS, A. B. G. et al. Lichieira (Litchi chinensis Sonn). Jaboticabal: Sociedade Brasileira de Fruticultura, 2001. Série Frutas Potenciais. MEDEIROS, A. R. M. Figueira (Ficus carica l.) do Plantio ao Processamento Caseiro. Circular Técnica Emprapa, n. 35, dez. 2002. Disponível em: Acesso em: 26 jun. 2024. MONTEIRO, R. Caqui desidratado é alternativa para produtor aumentar ganho com a fruta. IDR - Instituto de desenvolvimento rural do Paraná - Fruticultura, 15 fev. 2022. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2024. SANTOS, K. P. et al. Cultivo de lichia. Revista Agronomia Brasileira, v. 5, 2021. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2024. SIQUEIRA, D. L. Como acabar com o fungo da jabuticabeira. Portal Agropecuário, 2016. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2024. SOUZA, A. B. et al. Importância Social e Econômica da Jabuticaba para o município de Hidrolândia. Emater-GO, 2022. Disponível em: 27 . Acesso em: 26 jun. 2024. SUGUINO, B. et al. A cultura da jabuticabeira. Pesquisa & Tecnologia, v. 9, n. 1, jan.-jun. 2012. TECCHIO, M. A. et al. Pragas e doenças: ameaça ao caquizeiro. Revista Campo e Negócios, maio 2019. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2024.