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IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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ESTRATÉGIA 
 
A nossa estratégia segue o padrão do Projeto Selva: Foco nos elementos que realmente podem ser 
cobrados em sua prova, com base no estudo de provas anteriores, perfil da banca e edital direcionado. 
 
1) Faça uma leitura geral do seu material; 
2) Reveja as partes grifadas (são questões que já foram cobradas em outros concursos ou questões 
relevantes) sem esquecer das jurisprudências apontadas no material; 
3) Assista aos vídeos complementares; 
4) Faça os simulados; 
 
Em nosso primeiro vídeo te mostrarei como o tema é cobrado nas provas e a nossa estratégia de estudo. 
Acompanhe na plataforma. 
 
Leia, releia e revise. Anote as dicas em vídeo no seu material. Crie um ciclo de estudos infinito, onde você 
revisa os ciclos sem parar, até a publicação do seu edital. 
 
Olá, tudo bem com você?! Meu Nome é Kim Nunes e já fui aprovado em alguns concursos na área Policial 
(SD PMBA, AGEPEN BA, INVEST. PCPE, e 1ª Fase Delegado PCBA). Além disso, sou Bacharel em Direito, fui 
aprovado no IV exame da OAB, sou Técnico em Segurança Pública, Pós-Graduado em Ciências Criminais e 
possuo 10 anos de experiência em Segurança Pública, nos mais variados cargos. 
 
Gostaria de agradecer a sua confiança em fazer parte do Projeto Selva, e te dizer que estaremos juntos até a 
sua aprovação. Com menos de 01 ano de existência, o Projeto Selva já ajudou centenas de alunos, 
alcançando os primeiros lugares de provas como CFO BA e SD PMBA, que foram aplicadas no primeiro ano 
de existência do Projeto. 
 
A estratégia funcionou comigo, funcionou com os demais alunos e funcionará com você. Basta empregar 
dedicação, seriedade, responsabilidade e seguir as nossas orientações à risca. 
 
Enviem dúvidas e sugestões através do nosso Instagram @projetoselva. Aproveite também para seguir o 
nosso canal no YouTube (youtube.com/projetoselva). 
 
Este é o nosso Ciclo de IGUALDADE RACIAL para provas no Estado da Bahia. 
 
Nossa estratégia é focada na objetividade. Utilizamos por base o perfil “concursos policiais de nível médio” e 
tomamos por base os pontos abordados nas últimas provas. 
 
Este material te trará pontos preciosos. Cuide bem do seu investimento, utilize-o com dedicação, 
responsabilidade e se distancie da concorrência. 
 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
 
TÍTULO I 
Dos Princípios Fundamentais 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do 
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: 
I - a soberania; 
II - a cidadania 
III - a dignidade da pessoa humana; 
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; 
V - o pluralismo político. 
(Essa é batida: SOCIDIVAPLU – Fundamentos) 
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou 
diretamente, nos termos desta Constituição. 
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. 
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: 
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; 
II - garantir o desenvolvimento nacional; 
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; 
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras 
formas de discriminação. 
(Macete para identificar os objetivos: Objetivo é algo que você busca alcançar, materializar. Caso você não 
tenha percebido, todos os objetivos são VERBOS NO INFINITIVO. Se a questão pedir OBJETIVOS, você 
procura alternativas que contenham verbos...se pedir Princípios Internacionais, é só ir por exclusão: Não é 
SOCIDIVAPLU e não é verbo) 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais (Ou seja, raciocine com a 
figura do nosso País em relação aos demais Países) pelos seguintes princípios: 
I - independência nacional; 
II - prevalência dos direitos humanos; 
III - autodeterminação dos povos; 
IV - não-intervenção; 
V - igualdade entre os Estados; 
VI - defesa da paz; 
VII - solução pacífica dos conflitos; 
Os temas aqui apresentados abarcam 100% dos tópicos da POLÍCIA PENAL BA, POLÍCIA CIVIL BA e SD PMBA. 
Para o CFO, o tema é cobrado de forma distribuída entre as matérias. 
 
Vamos lá, estamos juntos. Qualquer dúvida ou sugestão, envie uma mensagem em nossa 
plataforma/Instagram. 
 
Kim Nunes 
 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; 
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; 
X - concessão de asilo político. 
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural 
dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. 
 
Jurisprudência relevante acerca dos temas acima: 
• Transgênero pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem fazer cirurgia de 
transgenitalização e mesmo sem autorização judicial (STF) 
• Se o indivíduo possui contra si uma condenação criminal transitada em julgado, ele não poderá ser 
vigilante, mesmo que já tenha cumprido a pena há mais de 5 anos, por ausência de idoneidade 
moral (STJ) 
• O ensino religioso nas escolas públicas brasileiras pode ter natureza confessional (STF). 
 
TÍTULO II 
Dos Direitos e Garantias Fundamentais 
CAPÍTULO I 
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e 
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e 
à propriedade, nos termos seguintes (Atenção: o STF aponta que TODOS possuem esses direitos, inclusive 
visitantes, apátridas e, em certa medida, pessoas jurídicas também): 
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (É o Princípio da 
legalidade); 
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato (Proibido o anonimato/Biografias: 
não é necessária autorização prévia do biografado. STF); 
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, 
moral ou à imagem; 
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos 
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; (É constitucional a lei 
de proteção animal que, a fim de resguardar a liberdade religiosa, permite o sacrifício ritual de animais em 
cultos de religiões de matriz africana. STF). 
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de 
internação coletiva; 
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, 
salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação 
alternativa, fixada em lei; 
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente 
de censura ou licença; 
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X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a 
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; 
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, 
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação 
judicial (Macete: CON FLORES DO SOL – Consentimento/flagrante/desastre/socorro)de segregação e 
discriminação a ele associados, em qualquer forma e onde quer que existam, e que a Declaração sobre a 
Concepção de Independência, a Partes e Povos Coloniais, de 14 de dezembro de 1960 (Resolução 1.514 
(XV), da Assembleia Geral afirmou e proclamou solenemente a necessidade de levá-las a um fim rápido e 
incondicional, 
Considerando que a Declaração das Nações Unidas sobre eliminação de todas as formas de Discriminação 
Racial, de 20 de novembro de 1963, (Resolução 1.904 ( XVIII) da Assembleia-Geral), afirma solenemente a 
necessidade de eliminar rapidamente a discriminação racial através do mundo em todas as suas formas e 
manifestações e de assegurar a compreensão e o respeito à dignidade da pessoa humana, 
Convencidos de que qualquer doutrina de superioridade baseada em diferenças raciais é cientificamente 
falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa, em que, não existe justificação para a 
discriminação racial, em teoria ou na prática, em lugar algum, 
Reafirmando que a discriminação entre os homens por motivos de raça, cor ou origem étnica é um 
obstáculo a relações amistosas e pacíficas entre as nações e é capaz de disturbar a paz e a segurança entre 
povos e a harmonia de pessoas vivendo lado a lado até dentro de um mesmo Estado, 
Convencidos que a existência de barreiras raciais repugna os ideais de qualquer sociedade humana, 
Alarmados por manifestações de discriminação racial ainda em evidência em algumas áreas do mundo e por 
políticas governamentais baseadas em superioridade racial ou ódio, como as políticas de apartheid, 
segregação ou separação, 
Resolvidos a adotar todas as medidas necessárias para eliminar rapidamente a discriminação racial em, 
todas as suas formas e manifestações, e a prevenir e combater doutrinas e práticas raciais com o objetivo de 
promover o entendimento entre as raças e construir uma comunidade internacional livre de todas as formas 
de separação racial e discriminação racial, 
Levando em conta a Convenção sobre Discriminação nos Emprego e Ocupação adotada pela Organização 
internacional do Trabalho em 1958, e a Convenção contra discriminação no Ensino adotada pela 
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Organização das Nações Unidas para Educação a Ciência em 1960, 
Desejosos de completar os princípios estabelecidos na Declaração das Nações unidas sobre a Eliminação de 
todas as formas de discriminação racial e assegurar o mais cedo possível a adoção de medidas práticas para 
esse fim, 
Acordaram no seguinte: 
PARTE I 
Artigo I 
1. Nesta Convenção, a expressão “discriminação racial” significará qualquer distinção, exclusão restrição ou 
preferência baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tem por objetivo ou 
efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo plano,( em igualdade de 
condição), de direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio político econômico, social, cultural 
ou em qualquer outro domínio de vida pública (As bancas colocam na lista acima a “religião” para te pegar). 
2. Esta Convenção não se aplicará às distinções, exclusões, restrições e preferências feitas por um Estado 
Parte nesta Convenção entre cidadãos e não cidadãos. 
3. Nada nesta Convenção poderá ser interpretado como afetando as disposições legais dos Estados Partes, 
relativas à nacionalidade, cidadania e naturalização, desde que tais disposições não discriminem contra 
qualquer nacionalidade particular. 
4. Não serão consideradas discriminação racial as medidas especiais tomadas com o único objetivo de 
assegurar progresso adequado de certos grupos raciais ou étnicos ou de indivíduos que necessitem da 
proteção que possa ser necessária para proporcionar a tais grupos ou indivíduos igual gozo ou exercício de 
direitos humanos e liberdades fundamentais, contando que, tais medidas não conduzam, em consequência, 
à manutenção de direitos separados para diferentes grupos raciais e não prossigam após terem sidos 
alcançados os seus objetivos. 
Artigo II 
1. Os Estados Partes condenam a discriminação racial e comprometem-se a adotar, por todos os meios 
apropriados e sem tardar uma política de eliminação da discriminação racial em todas as suas formas e de 
promoção de entendimento entre todas as raças e para esse fim: 
a) Cada Estado parte compromete-se a efetuar nenhum ato ou prática de discriminação racial contra 
pessoas, grupos de pessoas ou instituições e fazer com que todas as autoridades públicas nacionais ou 
locais, se conformem com esta obrigação; 
b) Cada Estado Parte compromete-se a não encorajar, defender ou apoiar a discriminação racial praticada 
por uma pessoa ou uma organização qualquer; 
c) Cada Estado Parte deverá tomar as medidas eficazes, a fim de rever as políticas governamentais nacionais 
e locais e para modificar, ab-rogar ou anular qualquer disposição regulamentar que tenha como objetivo 
criar a discriminação ou perpetrá-la onde já existir; 
d) Cada Estado Parte deverá, por todos os meios apropriados, inclusive se as circunstâncias o exigirem, as 
medidas legislativas, proibir e por fim, a discriminação racial praticadas por pessoa, por grupo ou das 
organizações; 
e) Cada Estado Parte compromete-se a favorecer, quando for o caso as organizações e movimentos multi-
raciais e outros meios próprios a eliminar as barreiras entre as raças e a desencorajar o que tende a 
fortalecer a divisão racial. 
2) Os Estados Partes tomarão, se as circunstâncias o exigirem, nos campos social, econômico, cultural e 
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outros, as medidas especiais e concretas para assegurar como convier o desenvolvimento ou a proteção de 
certos grupos raciais ou de indivíduos pertencentes a estes grupos com o objetivo de garantir-lhes, em 
condições de igualdade, o pleno exercício dos direitos do homem e das liberdades fundamentais. 
Essas medidas não deverão, em caso algum, ter a finalidade de manter direitos grupos raciais, depois de 
alcançados os objetivos em razão dos quais foram tomadas. 
Artigo III 
Os Estados Partes especialmente condenam a segregação racial e o apartheid e comprometem-se a proibir 
e a eliminar nos territórios sob sua jurisdição todas as práticas dessa natureza. 
Artigo IV 
Os Estados partes condenam toda propaganda e todas as organizações que se inspirem em ideias ou teorias 
baseadas na superioridade de uma raça ou de um grupo de pessoas de uma certa cor ou de uma certa 
origem ética ou que pretendem justificar ou encorajar qualquer forma de ódio e de discriminação raciais e 
comprometem-se a adotar imediatamente medidas positivas destinadas a eliminar qualquer incitação a 
uma tal discriminação, ou quaisquer atos de discriminação com este objetivo tendo em vista os princípios 
formulados na Declaração universal dos direitos do homem e os direitos expressamente enunciados no 
artigo 5 da presente convenção, eles se comprometem principalmente: 
a) a declarar delitos puníveis por lei, qualquer difusão de ideias baseadas na superioridade ou ódio raciais, 
qualquer incitamento à discriminação racial, assim como quaisquer atos de violência ou provocação a tais 
atos, dirigidos contra qualquer raça ou qualquer grupo de pessoas de outra cor ou de outra origem técnica, 
como também qualquer assistência prestada a atividades racistas, inclusive seu financiamento; 
b) a declarar ilegais e a proibir as organizações assim como as atividades de propaganda organizada e 
qualquer outro tipo de atividade de propaganda que incitar a discriminação racial e que a encorajar e a 
declara delito punível por lei a participação nestas organizações ou nestas atividades. 
c) a não permitir as autoridades públicas nem ás instituições públicas nacionais ou locais, o incitamento ou 
encorajamento à discriminação racial. 
Artigo V 
De conformidade com as obrigações fundamentais enunciadas no artigo 2, Os Estados Partes 
comprometem-sea proibir e a eliminar a discriminação racial em todas suas formas e a garantir o direito de 
cada uma à igualdade perante a lei sem distinção de raça, de cor ou de origem nacional ou étnica, 
principalmente no gozo dos seguintes direitos: 
a) direito a um tratamento igual perante os tribunais ou qualquer outro órgão que administre justiça; 
b) direito a segurança da pessoa ou à proteção do Estado contra violência ou ou lesão corporal cometida 
que por funcionários de Governo, quer por qualquer indivíduo, grupo ou instituição. 
c) direitos políticos principalmente direito de participar às eleições - de votar e ser votado - conforme o 
sistema de sufrágio universal e igual direito de tomar parte no Governo, assim como na direção dos 
assuntos públicos, em qualquer grau e o direito de acesso em igualdade de condições, às funções públicas. 
d) Outros direitos civis, principalmente, 
i) direito de circular livremente e de escolher residência dentro das fronteiras do Estado; 
ii) direito de deixar qualquer país, inclusive o seu, e de voltar a seu país; 
iii) direito de uma nacionalidade; 
iv) direito de casar-se e escolher o cônjuge; 
v) direito de qualquer pessoa, tanto individualmente como em conjunto, à propriedade; 
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vi) direito de herda; 
vii) direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; 
viii) direito à liberdade de opinião e de expressão; 
ix) direito à liberdade de reunião e de associação pacífica; 
e) direitos econômicos, sociais culturais, principalmente: 
i) direitos ao trabalho, a livre escolha de seu trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho à 
proteção contra o desemprego, a um salário igual para um trabalho igual, a uma remuneração equitativa e 
satisfatória; 
ii) direito de fundar sindicatos e a eles se filiar; 
iii) direito à habitação; 
iv) direito à saúde pública, a tratamento médico, à previdência social e aos serviços sociais; 
v) direito a educação e à formação profissional; 
vi) direito a igual participação das atividades culturais; 
f) direito de acesso a todos os lugares e serviços destinados ao uso do público, tais como, meios de 
transporte hotéis, restaurantes, cafés, espetáculos e parques. 
Artigo VI 
Os Estados Partes assegurarão a qualquer pessoa que estiver sob sua jurisdição, proteção e recursos 
efetivos perante os tribunais nacionais e outros órgãos do Estado competentes, contra quaisquer atos de 
discriminação racial que, contrariamente à presente Convenção, violarem seus direitos individuais e suas 
liberdades fundamentais, assim como o direito de pedir a esses tribunais uma satisfação ou repartição justa 
e adequada por qualquer dano de que foi vítima em decorrência de tal discriminação. 
Artigo VII 
Os Estados Partes, comprometem-se a tomar as medidas imediatas e eficazes, principalmente no campo de 
ensino, educação, da cultura e da informação, para lutar contra os preconceitos que levem à discriminação 
racial e para promover o entendimento, a tolerância e a amizade entre nações e grupos raciais e éticos 
assim como para propagar ao objetivo e princípios da Carta das Nações Unidas da Declaração Universal dos 
Direitos do Homem, da Declaração das Nações Unidas sobre a eliminação de todas as formas de 
discriminação racial e da presente Convenção. 
PARTE II 
Artigo VIII 
1. Será estabelecido um Comitê para a eliminação da discriminação racial (doravante denominado “o 
Comitê) composto de 18 peritos conhecidos para sua alta moralidade e conhecida imparcialidade, que serão 
eleitos pelos Estados Membros dentre seus nacionais e que atuarão a título individual, levando-se em conta 
uma repartição geográfica equitativa e a representação das formas diversas de civilização assim como dos 
principais sistemas jurídicos. 
2. Os Membros do Comitê serão eleitos em escrutínio secreto de uma lista de candidatos designados pelos 
Estados Partes, Cada Estado Parte poderá designar um candidato escolhido dentre seus nacionais. 
3. A primeira eleição será realizada seis meses após a data da entrada em vigor da presente Convenção. Três 
meses pelo menos antes de cada eleição, o Secretário Geral das Nações Unidas enviará uma Carta aos 
Estados Partes para convidá-los a apresentar suas candidaturas no prazo de dois meses. O Secretário Geral 
elaborará uma lista por ordem alfabética, de todos os candidatos assim nomeados com indicação dos 
Estados partes que os nomearam, e a comunicará aos Estados Partes. 
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4. Os membros do Comitê serão eleitos durante uma reunião dos Estados Partes convocada pelo Secretário 
Geral das Nações Unidas. Nessa reunião, em que o quórum será alcançado com dois terços dos Estados 
Partes, serão eleitos membros do Comitê, os candidatos que obtiverem o maior número de votos e a 
maioria absoluta de votos dos representantes dos Estados Partes presentes e votantes. 
5. a) Os membros do Comitê serão eleitos por um período de quatro anos. Entretanto, o mandato de nove 
dos membros eleitos na primeira eleição, expirará ao fim de dois anos; logo após a primeira eleição os 
nomes desses nove membros serão escolhidos, por sorteio, pelo Presidente do Comitê. 
b) Para preencher as vagas fortuitas, o Estado Parte, cujo perito deixou de exercer suas funções de membro 
do Comitê, nomeará outro perito dentre seus nacionais, sob reserva da aprovação do Comitê. 
6. Os Estados Partes serão responsáveis pelas despesas dos membros do Comitê para o período em que 
estes desempenharem funções no Comitê. 
Artigo IX 
1. Os Estados Partes comprometem-se a apresentar ao Secretário Geral para exame do Comitê, um relatório 
sobre as medidas legislativas, judiciárias, administrativas ou outras que tomarem para tornarem efetivas as 
disposições da presente Convenção: 
a) dentro do prazo de um ano a partir da entrada em vigor da Convenção, para cada Estado interessado no 
que lhe diz respeito, e posteriormente, cada dois anos, e toda vez que o Comitê o solicitar. O Comitê poderá 
solicitar informações complementares aos Estados Partes. 
2. O Comitê submeterá anualmente à Assembleia Geral, um relatório sobre suas atividades e poderá fazer 
sugestões e recomendações de ordem geral baseadas no exame dos relatórios e das informações recebidas 
dos Estados Partes. Levará estas sugestões e recomendações de ordem geral ao conhecimento da 
Assembleia Geral, e se as houver juntamente com as observações dos Estados Partes. 
Artigo X 
1. O Comitê adotará seu regulamento interno. 
2. O Comitê elegerá sua mesa por um período de dois anos. 
3. O Secretário Geral da Organização das Nações Unidas fornecerá necessários serviços de Secretaria ao 
Comitê. 
4. O Comitê reunir-se-á normalmente na Sede das Nações Unidas. 
Artigo XI 
1. Se um Estado Parte Julgar que outro Estado igualmente Parte não aplica as disposições da presente 
Convenção poderá chamar a atenção do Comitê sobre a questão. O Comitê transmitirá, então, a 
comunicação ao Estado Parte interessado. Num prazo de três meses, o Estado destinatário submeterá ao 
Comitê as explicações ou declarações por escrito, a fim de esclarecer a questão e indicar as medidas 
corretivas que por acaso tenham sido tomadas pelo referido Estado. 
2. Se, dentro de um prazo de seis meses a partir da data do recebimento da comunicação original pelo 
Estado destinatário a questão não foi resolvida a contento dos dois Estados, por meio de negociações 
bilaterais ou por qualquer outro processo que estiver a sua disposição, tanto um como o outro terão o 
direito de submetê-la novamente ao Comitê, endereçando uma notificação ao Comitê assim como ao outro 
Estado interessado. 
3. O Comitê só poderá tomar conhecimento de uma questão, de acordo com o parágrafo 2 do presente 
artigo, após ter constatado que todos os recursos internos disponíveis foram interpostos ou esgotados, de 
conformidade com os princípiosdo direito internacional geralmente reconhecidos. Esta regra não se 
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aplicará se os procedimentos de recurso excederem prazos razoáveis. 
4. Em qualquer questão que lhe for submetida, Comitê poderá solicitar aos Estados-Partes presentes que 
lhe forneçam quaisquer informações complementares pertinentes. 
5. Quando o Comitê examinar uma questão conforme o presente Artigo os Estados Partes interessados 
terão o direito de nomear um representante que participará sem direito de voto dos trabalhos no Comitê 
durante todos os debates. 
Artigo XII 
1. a) Depois que o Comitê obtiver e consultar as informações que julgar necessárias, o Presidente nomeará 
uma Comissão de Conciliação ad hoc (doravante denominada “A Comissão”, composta de 5 pessoas que 
poderão ser ou não membros do Comitê. Os membros serão nomeados com o consentimento pleno e 
unânime das partes na controvérsia e a Comissão fará seus bons ofícios a disposição dos Estados presentes, 
com o objetivo de chegar a uma solução amigável da questão, baseada no respeito à presente Convenção. 
b) Se os Estados Partes na controvérsia não chegarem a um entendimento em relação a toda ou parte da 
composição da Comissão num prazo de três meses os membros da Comissão que não tiverem o 
assentimento do Estados Partes, na controvérsia serão eleitos por escrutínio secreto entre os membros de 
dois terços dos membros do Comitê. 
2. Os membros da Comissão atuarão a título individual. Não deverão ser nacionais de um dos Estados Partes 
na controvérsia nem de um Estado que não seja parte da presente Convenção. 
3. A Comissão elegerá seu Presidente e adotará seu regimento interno. 
4. A Comissão reunir-se-á normalmente na sede nas Nações Unidas em qualquer outro lugar apropriado que 
a Comissão determinar. 
5. O Secretariado previsto no parágrafo 3 do artigo 10 prestará igualmente seus serviços à Comissão cada 
ver que uma controvérsia entre os Estados Partes provocar sua formação. 
6. Todas as despesas dos membros da Comissão serão divididas igualmente entre os Estados Partes na 
controvérsia baseadas num cálculo estimativo feito pelo Secretário-Geral. 
7. O Secretário Geral ficará autorizado a pagar, se for necessário, as despesas dos membros da Comissão, 
antes que o reembolso seja efetuado pelos Estados Partes na controvérsia, de conformidade com o 
parágrafo 6 do presente artigo. 
8. As informações obtidas e confrontadas pelo Comitê serão postas à disposição da Comissão, e a Comissão 
poderá solicitar aos Estados interessados sde lhe fornecer qualquer informação complementar pertinente. 
Artigo XIII 
1. Após haver estudado a questão sob todos os seus aspectos, a Comissão preparará e submeterá ao 
Presidente do Comitê um relatório com as conclusões sobre todas as questões de fato relativas à 
controvérsia entre as partes e as recomendações que julgar oportunas a fim de chegar a uma solução 
amistosa da controvérsia. 
2. O Presidente do Comitê transmitirá o relatório da Comissão a cada um dos Estados Partes na 
controvérsia. Os referidos Estados comunicarão ao Presidente do Comitê num prazo de três meses se 
aceitam ou não, as recomendações contidas no relatório da Comissão. 
3. Expirado o prazo previsto no parágrafo 2º do presente artigo, o Presidente do Comitê comunicará o 
Relatório da Comissão e as declarações dos Estados Partes interessadas aos outros Estados Parte na 
Comissão. 
Artigo XIV 
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1. Todo o Estado parte poderá declarar e qualquer momento que reconhece a competência do Comitê para 
receber e examinar comunicações de indivíduos sob sua jurisdição que se consideram vítimas de uma 
violação pelo referido Estado Parte de qualquer um dos direitos enunciados na presente Convenção. O 
Comitê não receberá qualquer comunicação de um Estado Parte que não houver feito tal declaração. 
2. Qualquer Estado parte que fizer uma declaração de conformidade com o parágrafo do presente artigo, 
poderá criar ou designar um órgão dentro de sua ordem jurídica nacional, que terá competência para 
receber e examinar as petições de pessoas ou grupos de pessoas sob sua jurisdição que alegarem ser 
vítimas de uma violação de qualquer um dos direitos enunciados na presente Convenção e que esgotaram 
os outros recursos locais disponíveis. 
3. A declaração feita de conformidade com o parágrafo 1 do presente artigo e o nome de qualquer órgão 
criado ou designado pelo Estado Parte interessado consoante o parágrafo 2 do presente artigo será 
depositado pelo Estado Parte interessado junto ao Secretário Geral das Nações Unidas que remeterá cópias 
aos outros Estados Partes. A declaração poderá ser retirada a qualquer momento mediante notificação ao 
Secretário Geral, mas esta retirada não prejudicará as comunicações que já estiverem sendo estudadas pelo 
Comitê. 
4. O órgão criado ou designado de conformidade com o parágrafo 2 do presente artigo, deverá manter um 
registro de petições e cópias autenticada do registro serão depositadas anualmente por canais apropriados 
junto ao Secretário Geral das Nações Unidas, no entendimento que o conteúdo dessas cópias não será 
divulgado ao público. 
5. Se não obtiver repartição satisfatória do órgão criado ou designado de conformidade com o parágrafo 2 
do presente artigo, o peticionário terá o direito de levar a questão ao Comitê dentro de seis meses. 
6. a) O Comitê levará, a título confidencial, qualquer comunicação que lhe tenha sido endereçada, ao 
conhecimento do Estado Parte que, pretensamente houver violado qualquer das disposições desta 
Convenção, mas a identidade da pessoa ou dos grupos de pessoas não poderá ser revelada sem o 
consentimento expresso da referida pessoa ou grupos de pessoas. O Comitê não receberá comunicações 
anônimas. 
b) Nos três meses seguintes, o referido Estado submeterá, por escrito ao Comitê, as explicações ou 
recomendações que esclarecem a questão e indicará as medidas corretivas que por acaso houver adotado. 
7. a) O Comitê examinará as comunicações, à luz de todas as informações que forem submetidas pelo 
Estado parte interessado e pelo peticionário. O Comitê so examinará uma comunicação de peticionário após 
ter-se assegurado que este esgotou todos os recursos internos disponíveis. Entretanto, esta regra não se 
aplicará se os processos de recurso excederem prazos razoáveis. 
b) O Comitê remeterá suas sugestões e recomendações eventuais, ao Estado Parte interessado e ao 
peticionário. 
8. O Comitê incluirá em seu relatório anual um resumo destas comunicações, se for necessário, um resumo 
das explicações e declarações dos Estados Partes interessados assim como suas próprias sugestões e 
recomendações. 
9. O Comitê somente terá competência para exercer as funções previstas neste artigo se pelo menos dez 
Estados Partes nesta Convenção estiverem obrigados por declarações feitas de conformidade com o 
parágrafo deste artigo. 
Artigo XV 
1. Enquanto não forem atingidos os objetivos da resolução 1.514 (XV) da Assembleia Geral de 14 de 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
30 
 
dezembro de 1960, relativa à Declaração sobro a concessão da independência dos países e povos coloniais, 
as disposições da presente convenção não restringirão de maneira alguma o direito de petição concedida 
aos povos por outros instrumentos internacionais ou pela Organização das Nações Unidas e suas agências 
especializadas. 
2. a) O Comitê constituído de conformidade com o parágrafo 1 do artigo 8 desta Convenção receberá cópia 
das petições provenientes dos órgãos das Nações Unidas que se encarregarem de questões diretamente 
relacionadas com os princípios e objetivos da presente Convenção e expressará sua opinião e formulará 
recomendações sobre petições recebidas quando examinar as petições recebidas dos habitantes dos 
territórios sob tutela ou não autônomo ou de qualquer outro território a que se aplicar a resolução1514 
(XV) da Assembleia Geral, relacionadas a questões tratadas pela presente Convenção e que forem 
submetidas a esses órgãos. 
b) O Comitê receberá dos órgãos competentes da Organização das Nações Unidas cópia dos relatórios sobre 
medidas de ordem legislativa judiciária, administrativa ou outra diretamente relacionada com os princípios e 
objetivos da presente Convenção que as Potências Administradoras tiverem aplicado nos territórios 
mencionados na alínea “a” do presente parágrafo e expressará sua opinião e fará recomendações a esses 
órgãos. 
3. O Comitê incluirá em seu relatório à Assembleia um resumo das petições e relatórios que houver 
recebido de órgãos das Nações Unidas e as opiniões e recomendações que houver proferido sobre tais 
petições e relatórios. 
4. O Comitê solicitará ao Secretário Geral das Nações Unidas qualquer informação relacionada com os 
objetivos da presente Convenção que este dispuser sobre os territórios mencionados no parágrafo 2 (a) do 
presente artigo. 
Artigo XVI 
As disposições desta Convenção relativas a solução das controvérsias ou queixas serão aplicadas sem 
prejuízo de outros processos para solução de controvérsias e queixas no campo da discriminação previstos 
nos instrumentos constitutivos das Nações Unidas e suas agências especializadas, e não excluirá a 
possibilidade dos Estados partes recomendarem aos outros, processos para a solução de uma controvérsia 
de conformidade com os acordos internacionais ou especiais que os ligarem. 
Terceira Parte 
Artigo XVII 
1. A presente Convenção ficará aberta à assinatura de todo Estado Membro da Organização das Nações 
Unidas ou membro de qualquer uma de suas agências especializadas, de qualquer Estado parte no Estatuto 
da Corte Internacional de Justiça, assim como de qualquer outro Estado convidado pela Assembleia-Geral da 
Organização das Nações Unidas a torna-se parte na presente Convenção. 
2. A presente Convenção ficará sujeita à ratificação e os instrumentos de ratificação serão depositados junto 
ao Secretário Geral das Nações Unidas. 
Artigo XVIII 
1. A presente Convenção ficará aberta a adesão de qualquer Estado mencionado no parágrafo 1º do artigo 
17. 
2. A adesão será efetuada pelo depósito de instrumento de adesão junto ao Secretário Geral das Nações 
Unidas. 
Artigo XIX 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
31 
 
1. Esta convenção entrará em vigor no trigésimo dia após a data do deposito junto ao Secretário Geral das 
Nações Unidas do vigésimo sétimo instrumento de ratificação ou adesão. 
2. Para cada Estado que ratificar a presente Convenção ou a ele aderir após o depósito do vigésimo sétimo 
instrumento de ratificação ou adesão esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia após o depósito de 
seu instrumento de ratificação ou adesão. 
Artigo XX 
1. O Secretário Geral das Nações Unidas receberá e enviará, a todos os Estados que forem ou vierem a 
torna-se partes desta Convenção, as reservas feitas pelos Estados no momento da ratificação ou adesão. 
Qualquer Estado que objetar a essas reservas, deverá notificar ao Secretário Geral dentro de noventa dias 
da data da referida comunicação, que não aceita. 
2. Não será permitida uma reserva incompatível com o objeto e o escopo desta Convenção nem uma 
reserva cujo efeito seria a de impedir o funcionamento de qualquer dos órgãos previstos nesta Convenção. 
Uma reserva será considerada incompatível ou impeditiva se a ela objetarem ao menos dois terços dos 
Estados partes nesta Convenção. 
3. As reservas poderão ser retiradas a qualquer momento por uma notificação endereçada com esse 
objetivo ao Secretário Geral. Tal notificação surgirá efeito na data de seu recebimento. 
Artigo XXI 
Qualquer Estado parte poderá denunciar esta Convenção mediante notificação escrita endereçada ao 
Secretário Geral da Organização das Nações Unidas. A denúncia surtirá efeito um ano após data do 
recebimento da notificação pelo Secretário Geral. 
Artigo XXI 
Qualquer Controvérsia entre dois ou mais Estados Parte relativa a interpretação ou aplicação desta 
Convenção que não for resolvida por negociações ou pelos processos previstos expressamente nesta 
Convenção, será o pedido de qualquer das Partes na controvérsia. Submetida à decisão da Côrte 
Internacional de Justiça a não ser que os litigantes concordem em outro meio de solução. 
Artigo XXII 
Qualquer Controvérsia entre dois ou mais Estados Partes relativa à interpretação ou aplicação desta 
Convenção, que não for resolvida por negociações ou pelos processos previstos expressamente nesta 
Convenção será, pedido de qualquer das Partes na controvérsia, submetida à decisão da Côrte Internacional 
de Justiça a não ser que os litigantes concordem em outro meio de solução. 
Artigo XXIII 
1. Qualquer Estado Parte poderá formular a qualquer momento um pedido de revisão da presente 
Convenção, mediante notificação escrita endereçada ao Secretário Geral das Nações Unidas. 
2. A Assembleia-Geral decidirá a respeito das medidas a serem tomadas, caso for necessário, sobre o 
pedido. 
Artigo XXIV 
O Secretário Geral da Organização das Nações Unidas comunicará a todos os Estados mencionados no 
parágrafo 1º do artigo 17 desta Convenção. 
a) as assinaturas e os depósitos de instrumentos de ratificação e de adesão de conformidade com os artigos 
17 e 18; 
b) a data em que a presente Convenção entrar em vigor, de conformidade com o artigo 19; 
c) as comunicações e declarações recebidas de conformidade com os artigos 14, 20 e 23. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
32 
 
d) as denúncias feitas de conformidade com o artigo 21. 
Artigo XXV 
1. Esta Convenção, cujos textos em chinês, espanhol, inglês e russo são igualmente autênticos será 
depositada nos arquivos das Nações Unidas. 
2. O Secretário Geral das Nações Unidas enviará cópias autenticadas desta Convenção a todos os Estados 
pertencentes a qualquer uma das categorias mencionadas no parágrafo 1º do artigo 17. 
Em fé do que os abaixo assinados devidamente autorizados por seus Governos assinaram a presente 
Convenção que foi aberta a assinatura em Nova York a 7 de março de 1966. 
 
DECRETO FEDERAL 4.377/02 – CONVENÇÃO ELIMINAÇÃO DISCRIMINAÇÃO MULHER 
 
 
Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher 
Os Estados Partes na presente convenção, 
 CONSIDERANDO que a Carta das Nações Unidas reafirma a fé nos direitos fundamentais do homem, na 
dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos do homem e da mulher, 
 CONSIDERANDO que a Declaração Universal dos Direitos Humanos reafirma o princípio da não-
discriminação e proclama que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos e que 
toda pessoa pode invocar todos os direitos e liberdades proclamados nessa Declaração, sem distinção 
alguma, inclusive de sexo, 
 CONSIDERANDO que os Estados Partes nas Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos tem a 
obrigação de garantir ao homem e à mulher a igualdade de gozo de todos os direitos econômicos, sociais, 
culturais, civis e políticos, 
 OBSEVANDO as convenções internacionais concluídas sob os auspícios das Nações Unidas e dos 
organismos especializados em favor da igualdade de direitos entre o homem e a mulher, 
 OBSERVANDO, ainda, as resoluções, declarações e recomendações aprovadas pelas Nações Unidas e 
pelas Agências Especializadas para favorecer a igualdade de direitos entre o homem e a mulher, 
 PREOCUPADOS, contudo, com o fato de que, apesar destes diversos instrumentos, a mulher continue 
sendo objeto de grandes discriminações, 
 RELEMBRANDO que a discriminação contra a mulher viola os princípios da igualdade de direitos e do 
respeito da dignidade humana, dificulta a participação da mulher, nas mesmas condições que o homem, na 
vida política, social, econômica e cultural de seu país, constitui um obstáculoao aumento do bem-estar da 
sociedade e da família e dificulta o pleno desenvolvimento das potencialidades da mulher para prestar 
serviço a seu país e à humanidade, 
 PREOCUPADOS com o fato de que, em situações de pobreza, a mulher tem um acesso mínimo à 
alimentação, à saúde, à educação, à capacitação e às oportunidades de emprego, assim como à satisfação 
de outras necessidades, 
 CONVENCIDOS de que o estabelecimento da Nova Ordem Econômica Internacional baseada na 
equidade e na justiça contribuirá significativamente para a promoção da igualdade entre o homem e a 
mulher, 
 SALIENTANDO que a eliminação do apartheid, de todas as formas de racismo, discriminação racial, 
colonialismo, neocolonialismo, agressão, ocupação estrangeira e dominação e interferência nos assuntos 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
33 
 
internos dos Estados é essencial para o pleno exercício dos direitos do homem e da mulher, 
 AFIRMANDO que o fortalecimento da paz e da segurança internacionais, o alívio da tensão 
internacional, a cooperação mútua entre todos os Estados, independentemente de seus sistemas 
econômicos e sociais, o desarmamento geral e completo, e em particular o desarmamento nuclear sob um 
estrito e efetivo controle internacional, a afirmação dos princípios de justiça, igualdade e proveito mútuo 
nas relações entre países e a realização do direito dos povos submetidos a dominação colonial e estrangeira 
e a ocupação estrangeira, à autodeterminação e independência, bem como o respeito da soberania nacional 
e da integridade territorial, promoverão o progresso e o desenvolvimento sociais, e, em consequência, 
contribuirão para a realização da plena igualdade entre o homem e a mulher, 
 CONVENCIDOS de que a participação máxima da mulher, em igualdade de condições com o homem, em 
todos os campos, é indispensável para o desenvolvimento pleno e completo de um país, o bem-estar do 
mundo e a causa da paz, 
 TENDO presente a grande contribuição da mulher ao bem-estar da família e ao desenvolvimento da 
sociedade, até agora não plenamente reconhecida, a importância social da maternidade e a função dos pais 
na família e na educação dos filhos, e conscientes de que o papel da mulher na procriação não deve ser 
causa de discriminação mas sim que a educação dos filhos exige a responsabilidade compartilhada entre 
homens e mulheres e a sociedade como um conjunto, 
 RECONHECENDO que para alcançar a plena igualdade entre o homem e a mulher é necessário 
modificar o papel tradicional tanto do homem como da mulher na sociedade e na família, 
 RESOLVIDOS a aplicar os princípios enunciados na Declaração sobre a Eliminação da Discriminação 
contra a Mulher e, para isto, a adotar as medidas necessárias a fim de suprimir essa discriminação em todas 
as suas formas e manifestações, 
 CONCORDARAM no seguinte: 
PARTE I 
Artigo 1o 
 Para os fins da presente Convenção, a expressão "discriminação contra a mulher" significará toda a 
distinção, exclusão ou restrição baseada no sexo e que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou anular o 
reconhecimento, gozo ou exercício pela mulher, independentemente de seu estado civil, com base na 
igualdade do homem e da mulher, dos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, 
econômico, social, cultural e civil ou em qualquer outro campo. 
Artigo 2o 
 Os Estados Partes condenam a discriminação contra a mulher em todas as suas formas, concordam em 
seguir, por todos os meios apropriados e sem dilações, uma política destinada a eliminar a discriminação 
contra a mulher, e com tal objetivo se comprometem a: 
 a) Consagrar, se ainda não o tiverem feito, em suas constituições nacionais ou em outra legislação 
apropriada o princípio da igualdade do homem e da mulher e assegurar por lei outros meios apropriados a 
realização prática desse princípio; 
 b) Adotar medidas adequadas, legislativas e de outro caráter, com as sanções cabíveis e que proíbam 
toda discriminação contra a mulher; 
 c) Estabelecer a proteção jurídica dos direitos da mulher numa base de igualdade com os do homem e 
garantir, por meio dos tribunais nacionais competentes e de outras instituições públicas, a proteção efetiva 
da mulher contra todo ato de discriminação; 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
34 
 
 d) Abster-se de incorrer em todo ato ou prática de discriminação contra a mulher e zelar para que as 
autoridades e instituições públicas atuem em conformidade com esta obrigação; 
 e) Tomar as medidas apropriadas para eliminar a discriminação contra a mulher praticada por qualquer 
pessoa, organização ou empresa; 
 f) Adotar todas as medidas adequadas, inclusive de caráter legislativo, para modificar ou derrogar leis, 
regulamentos, usos e práticas que constituam discriminação contra a mulher; 
 g) Derrogar todas as disposições penais nacionais que constituam discriminação contra a mulher. 
Artigo 3o 
 Os Estados Partes tomarão, em todas as esferas e, em particular, nas esferas política, social, econômica 
e cultural, todas as medidas apropriadas, inclusive de caráter legislativo, para assegurar o pleno 
desenvolvimento e progresso da mulher, com o objetivo de garantir-lhe o exercício e gozo dos direitos 
humanos e liberdades fundamentais em igualdade de condições com o homem. 
Artigo 4o 
 1. A adoção pelos Estados-Partes de medidas especiais de caráter temporário destinadas a acelerar a 
igualdade de fato entre o homem e a mulher não se considerará discriminação na forma definida nesta 
Convenção, mas de nenhuma maneira implicará, como consequência, a manutenção de normas desiguais 
ou separadas; essas medidas cessarão quando os objetivos de igualdade de oportunidade e tratamento 
houverem sido alcançados. 
 2. A adoção pelos Estados-Partes de medidas especiais, inclusive as contidas na presente Convenção, 
destinadas a proteger a maternidade, não se considerará discriminatória. 
Artigo 5o 
 Os Estados-Partes tornarão todas as medidas apropriadas para: 
 a) Modificar os padrões sócio-culturais de conduta de homens e mulheres, com vistas a alcançar a 
eliminação dos preconceitos e práticas consuetudinárias e de qualquer outra índole que estejam baseados 
na ideia da inferioridade ou superioridade de qualquer dos sexos ou em funções estereotipadas de homens 
e mulheres. 
 b) Garantir que a educação familiar inclua uma compreensão adequada da maternidade como função 
social e o reconhecimento da responsabilidade comum de homens e mulheres no que diz respeito à 
educação e ao desenvolvimento de seus filhos, entendendo-se que o interesse dos filhos constituirá a 
consideração primordial em todos os casos. 
Artigo 6o 
 Os Estados-Partes tomarão todas as medidas apropriadas, inclusive de caráter legislativo, para suprimir 
todas as formas de tráfico de mulheres e exploração da prostituição da mulher. 
PARTE II 
Artigo 7o 
 Os Estados-Partes tomarão todas as medidas apropriadas para eliminar a discriminação contra a mulher 
na vida política e pública do país e, em particular, garantirão, em igualdade de condições com os homens, o 
direito a: 
 a) Votar em todas as eleições e referenda públicos e ser elegível para todos os órgãos cujos membros 
sejam objeto de eleições públicas; 
 b) Participar na formulação de políticas governamentais e na execução destas, e ocupar cargos públicos 
e exercer todas as funções públicas em todos os planos governamentais; 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
35 
 
 c) Participar em organizações e associações não-governamentais que se ocupem da vida pública e 
política do país. 
Artigo 8o 
 Os Estados-Partes tomarão todas as medidas apropriadas para garantir, à mulher, em igualdade de 
condições com o homem e sem discriminação alguma, a oportunidadede representar seu governo no plano 
internacional e de participar no trabalho das organizações internacionais. 
Artigo 9o 
 1. Os Estados-Partes outorgarão às mulheres direitos iguais aos dos homens para adquirir, mudar ou 
conservar sua nacionalidade. Garantirão, em particular, que nem o casamento com um estrangeiro, nem a 
mudança de nacionalidade do marido durante o casamento, modifiquem automaticamente a nacionalidade 
da esposa, convertam-na em apátrida ou a obriguem a adotar a nacionalidade do cônjuge. 
 2. Os Estados-Partes outorgarão à mulher os mesmos direitos que ao homem no que diz respeito à 
nacionalidade dos filhos. 
PARTE III 
Artigo 10 
 Os Estados-Partes adotarão todas as medidas apropriadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher, a fim de assegurar-lhe a igualdade de direitos com o homem na esfera da educação e em particular 
para assegurarem condições de igualdade entre homens e mulheres: 
 a) As mesmas condições de orientação em matéria de carreiras e capacitação profissional, acesso aos 
estudos e obtenção de diplomas nas instituições de ensino de todas as categorias, tanto em zonas rurais 
como urbanas; essa igualdade deverá ser assegurada na educação pré-escolar, geral, técnica e profissional, 
incluída a educação técnica superior, assim como todos os tipos de capacitação profissional; 
 b) Acesso aos mesmos currículos e mesmos exames, pessoal docente do mesmo nível profissional, 
instalações e material escolar da mesma qualidade; 
 c) A eliminação de todo conceito estereotipado dos papéis masculino e feminino em todos os níveis e 
em todas as formas de ensino mediante o estímulo à educação mista e a outros tipos de educação que 
contribuam para alcançar este objetivo e, em particular, mediante a modificação dos livros e programas 
escolares e adaptação dos métodos de ensino; 
 d) As mesmas oportunidades para obtenção de bolsas-de-estudo e outras subvenções para estudos; 
 e) As mesmas oportunidades de acesso aos programas de educação supletiva, incluídos os programas 
de alfabetização funcional e de adultos, com vistas a reduzir, com a maior brevidade possível, a diferença de 
conhecimentos existentes entre o homem e a mulher; 
 f) A redução da taxa de abandono feminino dos estudos e a organização de programas para aquelas 
jovens e mulheres que tenham deixado os estudos prematuramente; 
 g) As mesmas oportunidades para participar ativamente nos esportes e na educação física; 
 h) Acesso a material informativo específico que contribua para assegurar a saúde e o bem-estar da 
família, incluída a informação e o assessoramento sobre planejamento da família. 
Artigo 11 
 1. Os Estados-Partes adotarão todas as medidas apropriadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher na esfera do emprego a fim de assegurar, em condições de igualdade entre homens e mulheres, os 
mesmos direitos, em particular: 
 a) O direito ao trabalho como direito inalienável de todo ser humano; 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
36 
 
 b) O direito às mesmas oportunidades de emprego, inclusive a aplicação dos mesmos critérios de 
seleção em questões de emprego; 
 c) O direito de escolher livremente profissão e emprego, o direito à promoção e à estabilidade no 
emprego e a todos os benefícios e outras condições de serviço, e o direito ao acesso à formação e à 
atualização profissionais, incluindo aprendizagem, formação profissional superior e treinamento periódico; 
 d) O direito a igual remuneração, inclusive benefícios, e igualdade de tratamento relativa a um trabalho 
de igual valor, assim como igualdade de tratamento com respeito à avaliação da qualidade do trabalho; 
 e) O direito à seguridade social, em particular em casos de aposentadoria, desemprego, doença, 
invalidez, velhice ou outra incapacidade para trabalhar, bem como o direito de férias pagas; 
 f) O direito à proteção da saúde e à segurança nas condições de trabalho, inclusive a salvaguarda da 
função de reprodução. 
 2. A fim de impedir a discriminação contra a mulher por razões de casamento ou maternidade e 
assegurar a efetividade de seu direito a trabalhar, os Estados-Partes tomarão as medidas adequadas para: 
 a) Proibir, sob sanções, a demissão por motivo de gravidez ou licença de maternidade e a discriminação 
nas demissões motivadas pelo estado civil; 
 b) Implantar a licença de maternidade, com salário pago ou benefícios sociais comparáveis, sem perda 
do emprego anterior, antiguidade ou benefícios sociais; 
 c) Estimular o fornecimento de serviços sociais de apoio necessários para permitir que os pais 
combinem as obrigações para com a família com as responsabilidades do trabalho e a participação na vida 
pública, especialmente mediante fomento da criação e desenvolvimento de uma rede de serviços 
destinados ao cuidado das crianças; 
 d) Dar proteção especial às mulheres durante a gravidez nos tipos de trabalho comprovadamente 
prejudiciais para elas. 
 3. A legislação protetora relacionada com as questões compreendidas neste artigo será examinada 
periodicamente à luz dos conhecimentos científicos e tecnológicos e será revista, derrogada ou ampliada 
conforme as necessidades. 
Artigo 12 
 1. Os Estados-Partes adotarão todas as medidas apropriadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher na esfera dos cuidados médicos a fim de assegurar, em condições de igualdade entre homens e 
mulheres, o acesso a serviços médicos, inclusive os referentes ao planejamento familiar. 
 2. Sem prejuízo do disposto no parágrafo 1o, os Estados-Partes garantirão à mulher assistência 
apropriadas em relação à gravidez, ao parto e ao período posterior ao parto, proporcionando assistência 
gratuita quando assim for necessário, e lhe assegurarão uma nutrição adequada durante a gravidez e a 
lactância. 
Artigo 13 
 Os Estados-Partes adotarão todas as medidas apropriadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher em outras esferas da vida econômica e social a fim de assegurar, em condições de igualdade entre 
homens e mulheres, os mesmos direitos, em particular: 
 a) O direito a benefícios familiares; 
 b) O direito a obter empréstimos bancários, hipotecas e outras formas de crédito financeiro; 
 c) O direito a participar em atividades de recreação, esportes e em todos os aspectos da vida cultural. 
Artigo 14 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
37 
 
 1. Os Estados-Partes levarão em consideração os problemas específicos enfrentados pela mulher rural e 
o importante papel que desempenha na subsistência econômica de sua família, incluído seu trabalho em 
setores não-monetários da economia, e tomarão todas as medidas apropriadas para assegurar a aplicação 
dos dispositivos desta Convenção à mulher das zonas rurais. 
 2. Os Estados-Partes adotarão todas as medias apropriadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher nas zonas rurais a fim de assegurar, em condições de igualdade entre homens e mulheres, que elas 
participem no desenvolvimento rural e dele se beneficiem, e em particular as segurar-lhes-ão o direito a: 
 a) Participar da elaboração e execução dos planos de desenvolvimento em todos os níveis; 
 b) Ter acesso a serviços médicos adequados, inclusive informação, aconselhamento e serviços em 
matéria de planejamento familiar; 
 c) Beneficiar-se diretamente dos programas de seguridade social; 
 d) Obter todos os tipos de educação e de formação, acadêmica e não-acadêmica, inclusive os 
relacionados à alfabetização funcional, bem como, entre outros, os benefícios de todos os serviços 
comunitário e de extensão a fim de aumentar sua capacidade técnica; 
 e) Organizar grupos de auto-ajuda e cooperativas a fim de obter igualdade de acesso às oportunidadeseconômicas mediante emprego ou trabalho por conta própria; 
 f) Participar de todas as atividades comunitárias; 
 g) Ter acesso aos créditos e empréstimos agrícolas, aos serviços de comercialização e às tecnologias 
apropriadas, e receber um tratamento igual nos projetos de reforma agrária e de reestabelecimentos; 
 h) gozar de condições de vida adequadas, particularmente nas esferas da habitação, dos serviços 
sanitários, da eletricidade e do abastecimento de água, do transporte e das comunicações. 
PARTE IV 
Artigo 15 
 1. Os Estados-Partes reconhecerão à mulher a igualdade com o homem perante a lei. 
 2. Os Estados-Partes reconhecerão à mulher, em matérias civis, uma capacidade jurídica idêntica do 
homem e as mesmas oportunidades para o exercício dessa capacidade. Em particular, reconhecerão à 
mulher iguais direitos para firmar contratos e administrar bens e dispensar-lhe-ão um tratamento igual em 
todas as etapas do processo nas cortes de justiça e nos tribunais. 
 3. Os Estados-Partes convém em que todo contrato ou outro instrumento privado de efeito jurídico que 
tenda a restringir a capacidade jurídica da mulher será considerado nulo. 
 4. Os Estados-Partes concederão ao homem e à mulher os mesmos direitos no que respeita à legislação 
relativa ao direito das pessoas à liberdade de movimento e à liberdade de escolha de residência e domicílio. 
Artigo 16 
 1. Os Estados-Partes adotarão todas as medidas adequadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher em todos os assuntos relativos ao casamento e às ralações familiares e, em particular, com base na 
igualdade entre homens e mulheres, assegurarão: 
 a) O mesmo direito de contrair matrimônio; 
 b) O mesmo direito de escolher livremente o cônjuge e de contrair matrimônio somente com livre e 
pleno consentimento; 
 c) Os mesmos direitos e responsabilidades durante o casamento e por ocasião de sua dissolução; 
 d) Os mesmos direitos e responsabilidades como pais, qualquer que seja seu estado civil, em matérias 
pertinentes aos filhos. Em todos os casos, os interesses dos filhos serão a consideração primordial; 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
38 
 
 e) Os mesmos direitos de decidir livre a responsavelmente sobre o número de seus filhos e sobre o 
intervalo entre os nascimentos e a ter acesso à informação, à educação e aos meios que lhes permitam 
exercer esses direitos; 
 f) Os mesmos direitos e responsabilidades com respeito à tutela, curatela, guarda e adoção dos filhos, 
ou institutos análogos, quando esses conceitos existirem na legislação nacional. Em todos os casos os 
interesses dos filhos serão a consideração primordial; 
 g) Os mesmos direitos pessoais como marido e mulher, inclusive o direito de escolher sobrenome, 
profissão e ocupação; 
 h) Os mesmos direitos a ambos os cônjuges em matéria de propriedade, aquisição, gestão, 
administração, gozo e disposição dos bens, tanto a título gratuito quanto à título oneroso. 
 2. Os esponsais e o casamento de uma criança não terão efeito legal e todas as medidas necessárias, 
inclusive as de caráter legislativo, serão adotadas para estabelecer uma idade mínima para o casamento e 
para tornar obrigatória a inscrição de casamentos em registro oficial. 
PARTE V 
Artigo 17 
 1. Com o fim de examinar os progressos alcançados na aplicação desta Convenção, será estabelecido 
um Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (doravante denominado o Comitê) 
composto, no momento da entrada em vigor da Convenção, de dezoito e, após sua ratificação ou adesão 
pelo trigésimo-quinto Estado-Parte, de vinte e três peritos de grande prestígio moral e competência na área 
abarcada pela Convenção. Os peritos serão eleitos pelos Estados-Partes entre seus nacionais e exercerão 
suas funções a título pessoal; será levada em conta uma repartição geográfica equitativa e a representação 
das formas diversas de civilização assim como dos principais sistemas jurídicos; 
 2. Os membros do Comitê serão eleitos em escrutínio secreto de uma lista de pessoas indicadas pelos 
Estados-Partes. Cada um dos Estados-Partes poderá indicar uma pessoa entre seus próprios nacionais; 
 3. A eleição inicial realizar-se-á seis meses após a data de entrada em vigor desta Convenção. Pelo 
menos três meses antes da data de cada eleição, o Secretário-Geral das Nações Unidas dirigirá uma carta 
aos Estados-Partes convidando-os a apresentar suas candidaturas, no prazo de dois meses. O Secretário-
Geral preparará uma lista, por ordem alfabética de todos os candidatos assim apresentados, com indicação 
dos Estados-Partes que os tenham apresentado e comunicá-la-á aos Estados Partes; 
 4. Os membros do Comitê serão eleitos durante uma reunião dos Estados-Partes convocado pelo 
Secretário-Geral na sede das Nações Unidas. Nessa reunião, em que o quorum será alcançado com dois 
terços dos Estados-Partes, serão eleitos membros do Comitê os candidatos que obtiverem o maior número 
de votos e a maioria absoluta de votos dos representantes dos Estados-Partes presentes e votantes; 
 5. Os membros do Comitê serão eleitos para um mandato de quatro anos. Entretanto, o mandato de 
nove dos membros eleitos na primeira eleição expirará ao fim de dois anos; imediatamente após a primeira 
eleição os nomes desses nove membros serão escolhidos, por sorteio, pelo Presidente do Comitê; 
 6. A eleição dos cinco membros adicionais do Comitê realizar-se-á em conformidade com o disposto nos 
parágrafos 2, 3 e 4 deste Artigo, após o depósito do trigésimo-quinto instrumento de ratificação ou adesão. 
O mandato de dois dos membros adicionais eleitos nessa ocasião, cujos nomes serão escolhidos, por 
sorteio, pelo Presidente do Comitê, expirará ao fim de dois anos; 
 7. Para preencher as vagas fortuitas, o Estado-Parte cujo perito tenha deixado de exercer suas funções 
de membro do Comitê nomeará outro perito entre seus nacionais, sob reserva da aprovação do Comitê; 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
39 
 
 8. Os membros do Comitê, mediante aprovação da Assembleia Geral, receberão remuneração dos 
recursos das Nações Unidas, na forma e condições que a Assembleia Geral decidir, tendo em vista a 
importância das funções do Comitê; 
 9. O Secretário-Geral das Nações Unidas proporcionará o pessoal e os serviços necessários para o 
desempenho eficaz das funções do Comitê em conformidade com esta Convenção. 
Artigo 18 
 1. Os Estados-Partes comprometem-se a submeter ao Secretário-Geral das Nações Unidas, para exame 
do Comitê, um relatório sobre as medidas legislativas, judiciárias, administrativas ou outras que adotarem 
para tornarem efetivas as disposições desta Convenção e sobre os progressos alcançados a esse respeito: 
 a) No prazo de um ano a partir da entrada em vigor da Convenção para o Estado interessado; e 
 b) Posteriormente, pelo menos cada quatro anos e toda vez que o Comitê a solicitar. 
 2. Os relatórios poderão indicar fatores e dificuldades que influam no grau de cumprimento das 
obrigações estabelecidos por esta Convenção. 
Artigo 19 
 1. O Comitê adotará seu próprio regulamento. 
 2. O Comitê elegerá sua Mesa por um período de dois anos. 
Artigo 20 
 1. O Comitê se reunirá normalmente todos os anos por um período não superior a duas semanas para 
examinar os relatórios que lhe sejam submetidos em conformidade com o Artigo 18 desta Convenção. 
 2. As reuniões do Comitê realizar-se-ão normalmente na sede das Nações Unidas ou em qualquer outro 
lugar que o Comitê determine. 
Artigo 21 
 1. O Comitê, através do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, informará anualmente a 
Assembleia Geral das Nações Unidas de suas atividades e poderá apresentar sugestões e recomendaçõesde 
caráter geral baseadas no exame dos relatórios e em informações recebidas dos Estados-Partes. Essas 
sugestões e recomendações de caráter geral serão incluídas no relatório do Comitê juntamente com as 
observações que os Estados-Partes tenham porventura formulado. 
 2. O Secretário-Geral transmitirá, para informação, os relatórios do Comitê à Comissão sobre a 
Condição da Mulher. 
 As Agências Especializadas terão direito a estar representadas no exame da aplicação das disposições 
desta Convenção que correspondam à esfera de suas atividades. O Comitê poderá convidar as Agências 
Especializadas a apresentar relatórios sobre a aplicação da Convenção nas áreas que correspondam à esfera 
de suas atividades. 
PARTE VI 
Artigo 23 
 Nada do disposto nesta Convenção prejudicará qualquer disposição que seja mais propícia à obtenção 
da igualdade entre homens e mulheres e que seja contida: 
 a) Na legislação de um Estado-Parte ou 
 b) Em qualquer outra convenção, tratado ou acordo internacional vigente nesse Estado. 
Artigo 24 
 Os Estados-Partes comprometem-se a adotar todas as medidas necessárias em âmbito nacional para 
alcançar a plena realização dos direitos reconhecidos nesta Convenção. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
40 
 
Artigo 25 
 1. Esta Convenção estará aberta à assinatura de todos os Estados. 
 2. O Secretário-Geral das Nações Unidas fica designado depositário desta Convenção. 
 3. Esta Convenção está sujeita a ratificação. Os instrumentos de ratificação serão depositados junto ao 
Secretário-Geral das Nações Unidas. 
 4. Esta Convenção estará aberta à adesão de todos os Estados. A adesão efetuar-se-á através do 
depósito de um instrumento de adesão junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas. 
Artigo 26 
 1. Qualquer Estado-Parte poderá, em qualquer momento, formular pedido de revisão desta revisão 
desta Convenção, mediante notificação escrita dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas. 
 2. A Assembleia Geral das Nações Unidas decidirá sobre as medidas a serem tomadas, se for o caso, 
com respeito a esse pedido. 
Artigo 27 
 1. Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a partir da data do depósito do vigésimo 
instrumento de ratificação ou adesão junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas. 
 2. Para cada Estado que ratificar a presente Convenção ou a ela aderir após o depósito do vigésimo 
instrumento de ratificação ou adesão, a Convenção entrará em vigor no trigésimo dia após o depósito de 
seu instrumento de ratificação ou adesão. 
Artigo 28 
 1. O Secretário-Geral das Nações Unidas receberá e enviará a todos os Estados o texto das reservas 
feitas pelos Estados no momento da ratificação ou adesão. 
 2. Não será permitida uma reserva incompatível com o objeto e o propósito desta Convenção. 
 3. As reservas poderão ser retiradas a qualquer momento por uma notificação endereçada com esse 
objetivo ao Secretário-Geral das Nações Unidas, que informará a todos os Estados a respeito. A notificação 
surtirá efeito na data de seu recebimento. 
rtigo 29 
 1. Qualquer controvérsia entre dois ou mais Estados-Partes relativa à interpretação ou aplicação desta 
Convenção e que não for resolvida por negociações será, a pedido de qualquer das Partes na controvérsia, 
submetida a arbitragem. Se no prazo de seis meses a partir da data do pedido de arbitragem as Partes não 
acordarem sobre a forma da arbitragem, qualquer das Partes poderá submeter a controvérsia à Corte 
Internacional de Justiça mediante pedido em conformidade com o Estatuto da Corte. 
 2. Qualquer Estado-Parte, no momento da assinatura ou ratificação desta Convenção ou de adesão a 
ela, poderá declarar que não se considera obrigado pelo parágrafo anterior. Os demais Estados-Partes não 
estarão obrigados pelo parágrafo anterior perante nenhum Estado-Parte que tenha formulado essa reserva. 
 3. Qualquer Estado-Parte que tenha formulado a reserva prevista no parágrafo anterior poderá retirá-la 
em qualquer momento por meio de notificação ao Secretário-Geral das Nações Unidas. 
Artigo 30 
 Esta convenção, cujos textos em árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo são igualmente 
autênticos será depositada junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas. 
 Em testemunho do que, os abaixo-assinados devidamente autorizados, assinaram esta Convenção. 
 
LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006 - Maria da Penha 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
41 
 
• Compete à Justiça Federal apreciar o pedido de medida protetiva de urgência decorrente de crime 
de ameaça contra a mulher cometido por meio de rede social de grande alcance, quando iniciado no 
estrangeiro e o seu resultado ocorrer no Brasil. STJ. 
• A prática de contravenção penal, no âmbito de violência doméstica, não é motivo idôneo para 
justificar a prisão preventiva do réu. STJ. 
• Súmula 588-STJ: A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave 
ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por 
restritiva de direitos. 
• A ação penal nos crimes de lesão corporal leve cometidos em detrimento da mulher, no âmbito 
doméstico e familiar, é pública incondicionada. STJ. 
• Não é possível a substituição de pena privativa de liberdade por restritiva de direitos ao condenado 
pela prática do crime de lesão corporal praticado em ambiente doméstico. STF. 
• Súmula 536-STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na 
hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha. 
• Filha/Filho agride Mãe: Aplica-se a Lei Maria da Penha. O agressor também pode ser mulher. STJ. 
• Genro agride Sogra: Aplica-se a Lei Maria da Penha. STJ. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
TÍTULO I 
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
Art. 1º Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos 
termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de 
Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra 
a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a 
criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência 
e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar = VÍTIMA MULHER! 
Art. 2º Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível 
educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe 
asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e 
seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social. 
Art. 3º Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, 
à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao 
trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. 
§ 1º O poder público desenvolverá políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito 
das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. 
§ 2º Cabe à família, à sociedade e ao poder público criar as condições necessárias para o efetivo exercício 
dos direitos enunciados no caput. 
Art. 4º Na interpretação desta Lei, serão considerados os fins sociais a que ela se destina e, especialmente, 
as condições peculiares das mulheres em situação de violência doméstica e familiar. 
TÍTULO II 
DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRAA MULHER 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art226§8
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
42 
 
CAPÍTULO I 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou 
omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano 
moral ou patrimonial: 
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, 
com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas; 
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se 
consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; 
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, 
independentemente de coabitação. 
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual. 
Art. 6º A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos direitos 
humanos. 
CAPÍTULO II 
DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER 
Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras (É o artigo mais cobrado): 
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal; 
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da 
autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar 
suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, 
manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua 
intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe 
cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; (Redação dada pela Lei nº 13.772, de 2018) 
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a 
participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a 
induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer 
método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante 
coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e 
reprodutivos; 
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, 
destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e 
direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; 
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. 
 
FÍSICA INTEGRIDADE FÍSICA 
PSICOLÓGICA AUTOESTIMA/CONTROLE/EMOCIONAL/VILAR INTIMIDADE 
SEXUAL SEXO E REPRODUÇÃO 
PATRIMONIAL DESTRUIR/RETER BENS, VALORES E DOCUMENTOS 
MORAL CALÚNIA/DIFAMAÇÃO E INJÚRIA 
 
TÍTULO III 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13772.htm#art2
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
43 
 
DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR 
CAPÍTULO I 
DAS MEDIDAS INTEGRADAS DE PREVENÇÃO 
Art. 8º A política pública que visa coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher far-se-á por meio de 
um conjunto articulado de ações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e de ações 
não-governamentais, tendo por diretrizes: 
I - a integração operacional do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública com as áreas 
de segurança pública, assistência social, saúde, educação, trabalho e habitação; 
II - a promoção de estudos e pesquisas, estatísticas e outras informações relevantes, com a perspectiva de 
gênero e de raça ou etnia, concernentes às causas, às consequências e à frequência da violência doméstica 
e familiar contra a mulher, para a sistematização de dados, a serem unificados nacionalmente, e a avaliação 
periódica dos resultados das medidas adotadas; 
III - o respeito, nos meios de comunicação social, dos valores éticos e sociais da pessoa e da família, de 
forma a coibir os papéis estereotipados que legitimem ou exacerbem a violência doméstica e familiar, de 
acordo com o estabelecido no inciso III do art. 1º , no inciso IV do art. 3º e no inciso IV do art. 221 da 
Constituição Federal ; 
IV - a implementação de atendimento policial especializado para as mulheres, em particular nas Delegacias 
de Atendimento à Mulher; 
V - a promoção e a realização de campanhas educativas de prevenção da violência doméstica e familiar 
contra a mulher, voltadas ao público escolar e à sociedade em geral, e a difusão desta Lei e dos 
instrumentos de proteção aos direitos humanos das mulheres; 
VI - a celebração de convênios, protocolos, ajustes, termos ou outros instrumentos de promoção de parceria 
entre órgãos governamentais ou entre estes e entidades não-governamentais, tendo por objetivo a 
implementação de programas de erradicação da violência doméstica e familiar contra a mulher; 
VII - a capacitação permanente das Polícias Civil e Militar, da Guarda Municipal, do Corpo de Bombeiros e 
dos profissionais pertencentes aos órgãos e às áreas enunciados no inciso I quanto às questões de gênero e 
de raça ou etnia; 
VIII - a promoção de programas educacionais que disseminem valores éticos de irrestrito respeito à 
dignidade da pessoa humana com a perspectiva de gênero e de raça ou etnia; 
IX - o destaque, nos currículos escolares de todos os níveis de ensino, para os conteúdos relativos aos 
direitos humanos, à equidade de gênero e de raça ou etnia e ao problema da violência doméstica e familiar 
contra a mulher. 
CAPÍTULO II 
DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR 
Art. 9º A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar será prestada de forma 
articulada e conforme os princípios e as diretrizes previstos na Lei Orgânica da Assistência Social, no Sistema 
Único de Saúde, no Sistema Único de Segurança Pública, entre outras normas e políticas públicas de 
proteção, e emergencialmente quando for o caso. 
§ 1º O juiz determinará, por prazo certo, a inclusão da mulher em situação de violência doméstica e familiar 
no cadastro de programas assistenciais do governo federal, estadual e municipal. 
§ 2º O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e familiar, para preservar sua 
integridade física e psicológica: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm#art1iii
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm#art3iv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm#art221iv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm#art221iv
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
44 
 
I - acesso prioritário à remoção quando servidora pública, integrante da administração direta ou indireta; 
II - manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do local de trabalho, por até seis 
meses. 
 III - encaminhamento à assistência judiciária, quando for o caso, inclusive para eventual ajuizamento da 
ação de separação judicial, de divórcio, de anulação de casamento ou de dissolução de união estável 
perante o juízo competente. (Incluído pela Lei nº 13.894, de 2019) 
(A medida de afastamento do local de trabalho, prevista no art. 9º, § 2º da Lei é de competência do Juiz da 
Vara de Violência Doméstica, sendo caso de interrupção do contrato de trabalho, devendo a empresa arcar 
com os 15 primeiros dias e o INSS com o restante – STJ) 
§ 3º A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar compreenderá o acesso aos 
benefíciosdecorrentes do desenvolvimento científico e tecnológico, incluindo os serviços de contracepção 
de emergência, a profilaxia das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da Síndrome da 
Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e outros procedimentos médicos necessários e cabíveis nos casos de 
violência sexual. 
§ 4º Aquele que, por ação ou omissão, causar lesão, violência física, sexual ou psicológica e dano moral ou 
patrimonial a mulher fica obrigado a ressarcir todos os danos causados, inclusive ressarcir ao Sistema Único 
de Saúde (SUS), de acordo com a tabela SUS, os custos relativos aos serviços de saúde prestados para o total 
tratamento das vítimas em situação de violência doméstica e familiar, recolhidos os recursos assim 
arrecadados ao Fundo de Saúde do ente federado responsável pelas unidades de saúde que prestarem os 
serviços. (Vide Lei nº 13.871, de 2019) 
§ 5º Os dispositivos de segurança destinados ao uso em caso de perigo iminente e disponibilizados para o 
monitoramento das vítimas de violência doméstica ou familiar amparadas por medidas protetivas terão seus 
custos ressarcidos pelo agressor. (Vide Lei nº 13.871, de 2019) 
§ 6º O ressarcimento de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo não poderá importar ônus de qualquer 
natureza ao patrimônio da mulher e dos seus dependentes, nem configurar atenuante ou ensejar 
possibilidade de substituição da pena aplicada. (Vide Lei nº 13.871, de 2019) 
§ 7º A mulher em situação de violência doméstica e familiar tem prioridade para matricular seus 
dependentes em instituição de educação básica mais próxima de seu domicílio, ou transferi-los para essa 
instituição, mediante a apresentação dos documentos comprobatórios do registro da ocorrência policial ou 
do processo de violência doméstica e familiar em curso. (Incluído pela Lei nº 13.882, de 2019) 
§ 8º Serão sigilosos os dados da ofendida e de seus dependentes matriculados ou transferidos conforme o 
disposto no § 7º deste artigo, e o acesso às informações será reservado ao juiz, ao Ministério Público e aos 
órgãos competentes do poder público. (Incluído pela Lei nº 13.882, de 2019) 
CAPÍTULO III 
DO ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLICIAL 
Art. 10. Na hipótese da iminência ou da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, a 
autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência adotará, de imediato, as providências legais 
cabíveis. 
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao descumprimento de medida protetiva de 
urgência deferida. 
Art. 10-A. É direito da mulher em situação de violência doméstica e familiar o atendimento policial e pericial 
especializado, ininterrupto e prestado por servidores - preferencialmente do sexo feminino - previamente 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13894.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13871.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13871.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13871.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13882.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13882.htm#art2
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
45 
 
capacitados. (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017) 
§ 1º A inquirição de mulher em situação de violência doméstica e familiar ou de testemunha de violência 
doméstica, quando se tratar de crime contra a mulher, obedecerá às seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei 
nº 13.505, de 2017) 
I - salvaguarda da integridade física, psíquica e emocional da depoente, considerada a sua condição peculiar 
de pessoa em situação de violência doméstica e familiar;(Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017) 
II - garantia de que, em nenhuma hipótese, a mulher em situação de violência doméstica e familiar, 
familiares e testemunhas terão contato direto com investigados ou suspeitos e pessoas a eles 
relacionadas; (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017) 
III - não revitimização da depoente, evitando sucessivas inquirições sobre o mesmo fato nos âmbitos 
criminal, cível e administrativo, bem como questionamentos sobre a vida privada. (Incluído pela Lei nº 
13.505, de 2017) 
§ 2º Na inquirição de mulher em situação de violência doméstica e familiar ou de testemunha de delitos de 
que trata esta Lei, adotar-se-á, preferencialmente, o seguinte procedimento: (Incluído pela Lei nº 13.505, 
de 2017) 
I - a inquirição será feita em recinto especialmente projetado para esse fim, o qual conterá os equipamentos 
próprios e adequados à idade da mulher em situação de violência doméstica e familiar ou testemunha e ao 
tipo e à gravidade da violência sofrida; (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017) 
II - quando for o caso, a inquirição será intermediada por profissional especializado em violência doméstica e 
familiar designado pela autoridade judiciária ou policial; (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017) 
III - o depoimento será registrado em meio eletrônico ou magnético, devendo a degravação e a mídia 
integrar o inquérito. (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017) 
Art. 11. No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar, a autoridade policial 
deverá, entre outras providências: 
I - garantir proteção policial, quando necessário, comunicando de imediato ao Ministério Público e ao Poder 
Judiciário; 
II - encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal; 
III - fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro, quando houver 
risco de vida; 
IV - se necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus pertences do local da 
ocorrência ou do domicílio familiar; 
V - informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis. 
V - informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis, inclusive os de 
assistência judiciária para o eventual ajuizamento perante o juízo competente da ação de separação judicial, 
de divórcio, de anulação de casamento ou de dissolução de união estável. (Redação dada pela Lei nº 13.894, 
de 2019) 
Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o registro da ocorrência, 
deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os seguintes procedimentos, sem prejuízo daqueles 
previstos no Código de Processo Penal: 
I - ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a representação a termo, se apresentada; 
II - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e de suas circunstâncias; 
III - remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, expediente apartado ao juiz com o pedido da ofendida, 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13894.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13894.htm#art1
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
46 
 
para a concessão de medidas protetivas de urgência; 
IV - determinar que se proceda ao exame de corpo de delitoXII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações 
telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para 
fins de investigação criminal ou instrução processual penal (STF permite que a direção do presídio 
intercepte correspondência dirigida ao preso). 
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que 
a lei estabelecer (Exemplo: OAB – ADVOGADO); 
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao 
exercício profissional; 
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da 
lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; 
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente 
de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo 
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente (Veja, é prévio aviso e não “autorização); 
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; 
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo 
vedada a interferência estatal em seu funcionamento; 
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por 
decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado (Para dissolver compulsoriamente: 
trânsito em julgado. Para suspender não precisa de trânsito em julgado); 
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; 
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas (e não sempre!), têm legitimidade para 
representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; 
XXII - é garantido o direito de propriedade; 
 XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; 
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por 
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta 
Constituição (necessidade – utilidade – interesse social); 
 XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, 
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano (Então, é sempre cabível indenização? Não. 
Só se houver dano); 
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será 
objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre 
os meios de financiar o seu desenvolvimento (Apenas débitos decorrentes de sua atividade produtiva 
impedem esta penhora); 
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, 
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; 
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
5 
 
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, 
inclusive nas atividades desportivas; 
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos 
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas; 
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem 
como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos 
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País; 
XXX - é garantido o direito de herança; 
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do 
cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus"; 
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor; 
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de 
interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas 
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; 
(Vide Lei nº 12.527, de 2011) 
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações 
de interesse pessoal; 
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito (P. da Inafastabilidade 
da Jurisdição) 
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: 
a) a plenitude de defesa; 
b) o sigilo das votações; 
c) a soberania dos veredictos; 
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida (Homicídio culposo não é submetido a 
Juri); 
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal (P. da Legalidade); 
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu (Muito cobrado de modo subjetivo em questões 
de Penal); 
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; 
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos 
termos da lei (STF e STJ entendem que a Injúria Racial é comparável ao Racismo. É revestida com os mesmos 
atributos: inafiançável e imprescritível); 
 XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico 
ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles 
respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; 
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a 
ordem constitucional e o Estado Democrático; 
(Macete: Todos os insuscetíveis de graça/ anistia e os imprescritíveis são inafiançáveis. Sabendo disso, você 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12527.htm
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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divide em 02 grupos: os Insuscetíveis de graça/anistia: TTTH, e os imprescritíveis: Racismo e Ação de grupos 
armados contra o Estado). 
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a 
decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles 
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos (para facilitar, veja que é uma ordem crescente quando lido do último 
para o primeiro); 
XLVII - não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
(Macete: MEU PAI TÁ BEM CANSADO) 
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e 
o sexo do apenado; 
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; 
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o 
período de amamentação (Em regra, deve ser concedida prisão domiciliar para todas as mulheres presas 
que sejam - gestantes - puérperasda ofendida e requisitar outros exames 
periciais necessários; 
V - ouvir o agressor e as testemunhas; 
VI - ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes criminais, 
indicando a existência de mandado de prisão ou registro de outras ocorrências policiais contra ele; 
VI-A - verificar se o agressor possui registro de porte ou posse de arma de fogo e, na hipótese de existência, 
juntar aos autos essa informação, bem como notificar a ocorrência à instituição responsável pela concessão 
do registro ou da emissão do porte, nos termos da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 (Estatuto do 
Desarmamento); (Incluído pela Lei nº 13.880, de 2019) 
VII - remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao juiz e ao Ministério Público. 
§ 1º O pedido da ofendida será tomado a termo pela autoridade policial e deverá conter: 
I - qualificação da ofendida e do agressor; 
II - nome e idade dos dependentes; 
III - descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas pela ofendida. 
IV - informação sobre a condição de a ofendida ser pessoa com deficiência e se da violência sofrida resultou 
deficiência ou agravamento de deficiência preexistente. (Incluído pela Lei nº 13.836, de 2019) 
§ 2º A autoridade policial deverá anexar ao documento referido no § 1º o boletim de ocorrência e cópia de 
todos os documentos disponíveis em posse da ofendida. 
§ 3º Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais e 
postos de saúde. 
Art. 12-A. Os Estados e o Distrito Federal, na formulação de suas políticas e planos de atendimento à mulher 
em situação de violência doméstica e familiar, darão prioridade, no âmbito da Polícia Civil, à criação de 
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), de Núcleos Investigativos de Feminicídio e de 
equipes especializadas para o atendimento e a investigação das violências graves contra a mulher. 
Art. 12-B. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017) 
§ 1º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017) 
§ 2º (VETADO. (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017) 
§ 3º A autoridade policial poderá requisitar os serviços públicos necessários à defesa da mulher em situação 
de violência doméstica e familiar e de seus dependentes. (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017) 
Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física da mulher em 
situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente 
afastado do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida: (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) 
I - pela autoridade judicial; (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) 
II - pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de comarca; ou (Incluído pela Lei nº 
13.827, de 2019) 
III - pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver delegado disponível no 
momento da denúncia. (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) 
§ 1º Nas hipóteses dos incisos II e III do caput deste artigo, o juiz será comunicado no prazo máximo de 24 
(vinte e quatro) horas e decidirá, em igual prazo, sobre a manutenção ou a revogação da medida aplicada, 
devendo dar ciência ao Ministério Público concomitantemente. (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) 
§ 2º Nos casos de risco à integridade física da ofendida ou à efetividade da medida protetiva de urgência, 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.826.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.826.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13880.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13836.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13505.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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não será concedida liberdade provisória ao preso. (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) 
TÍTULO IV 
DOS PROCEDIMENTOS 
CAPÍTULO I 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Art. 13. Ao processo, ao julgamento e à execução das causas cíveis e criminais decorrentes da prática de 
violência doméstica e familiar contra a mulher aplicar-se-ão as normas dos Códigos de Processo Penal e 
Processo Civil e da legislação específica relativa à criança, ao adolescente e ao idoso que não conflitarem 
com o estabelecido nesta Lei. 
Art. 14. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, órgãos da Justiça Ordinária com 
competência cível e criminal, poderão ser criados pela União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos 
Estados, para o processo, o julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de violência 
doméstica e familiar contra a mulher. 
Parágrafo único. Os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno, conforme dispuserem as 
normas de organização judiciária. 
Art. 14-A. A ofendida tem a opção de propor ação de divórcio ou de dissolução de união estável no Juizado 
de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. (Incluído pela Lei nº 13.894, de 2019) 
§ 1º Exclui-se da competência dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher a pretensão 
relacionada à partilha de bens. (Incluído pela Lei nº 13.894, de 2019) 
§ 2º Iniciada a situação de violência doméstica e familiar após o ajuizamento da ação de divórcio ou de 
dissolução de união estável, a ação terá preferência no juízo onde estiver.(Incluído pela Lei nº 13.894, de 
2019) 
Art. 15. É competente, por opção da ofendida, para os processos cíveis regidos por esta Lei, o Juizado: 
I - do seu domicílio ou de sua residência; 
II - do lugar do fato em que se baseou a demanda; 
III - do domicílio do agressor. 
Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação (Só ameaça) da ofendida de que trata esta 
Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com 
tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. (Se a mulher vítima de crime 
de ação pública condicionada comparece ao cartório da vara e manifesta interesse em se retratar da 
representação, ainda assim o juiz deverá designar audiência para que ela confirme essa intenção e seja 
ouvido o MP, nos termos do art. 16 – STJ) 
Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de penas de cesta 
básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o pagamento 
isolado de multa. 
CAPÍTULO II 
DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA 
Seção I 
Disposições Gerais 
Art. 18. Recebido o expediente com o pedido da ofendida, caberá ao juiz, no prazo de 48 (quarenta e oito) 
horas: 
I - conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de urgência; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13894.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13894.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13894.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13894.htm#art1
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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II - determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistênciajudiciária, quando for o caso, 
inclusive para o ajuizamento da ação de separação judicial, de divórcio, de anulação de casamento ou de 
dissolução de união estável perante o juízo competente; 
III - comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis. 
IV - determinar a apreensão imediata de arma de fogo sob a posse do agressor. (Incluído pela Lei nº 13.880, 
de 2019) 
Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do Ministério 
Público ou a pedido da ofendida. 
§ 1º As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato, independentemente de 
audiência das partes e de manifestação do Ministério Público, devendo este ser prontamente comunicado. 
§ 2º As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente, e poderão ser 
substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei 
forem ameaçados ou violados. 
§ 3º Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida, conceder novas medidas 
protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, se entender necessário à proteção da ofendida, de 
seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o Ministério Público. 
Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, caberá a prisão preventiva do 
agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da 
autoridade policial. 
Parágrafo único. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no curso do processo, verificar a falta de 
motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. 
Art. 21. A ofendida deverá ser notificada dos atos processuais relativos ao agressor, especialmente dos 
pertinentes ao ingresso e à saída da prisão, sem prejuízo da intimação do advogado constituído ou do 
defensor público. 
Parágrafo único. A ofendida não poderá entregar intimação ou notificação ao agressor. 
Seção II 
Das Medidas Protetivas de Urgência que Obrigam o Agressor 
Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz 
poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas 
de urgência, entre outras: 
I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos 
da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 ; 
II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida; 
III - proibição de determinadas condutas, entre as quais: 
a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância 
entre estes e o agressor; 
b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; 
c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida; 
IV - Restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento 
multidisciplinar ou serviço similar; 
V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios. 
§ 1º As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras previstas na legislação em vigor, 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13880.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13880.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.826.htm
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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sempre que a segurança da ofendida ou as circunstâncias o exigirem, devendo a providência ser 
comunicada ao Ministério Público. 
§ 2º Na hipótese de aplicação do inciso I, encontrando-se o agressor nas condições mencionadas no caput e 
incisos do art. 6º da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, o juiz comunicará ao respectivo órgão, 
corporação ou instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a restrição do porte 
de armas, ficando o superior imediato do agressor responsável pelo cumprimento da determinação judicial, 
sob pena de incorrer nos crimes de prevaricação ou de desobediência, conforme o caso. 
§ 3º Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência, poderá o juiz requisitar, a qualquer 
momento, auxílio da força policial. 
§ 4º Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo, no que couber, o disposto no caput e nos §§ 5º e 6º do 
art. 461 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil). 
Seção III 
Das Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida 
Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas: 
I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de 
atendimento; 
II - determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após 
afastamento do agressor; 
III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos 
filhos e alimentos; 
IV - determinar a separação de corpos. 
V - determinar a matrícula dos dependentes da ofendida em instituição de educação básica mais próxima do 
seu domicílio, ou a transferência deles para essa instituição, independentemente da existência de vaga. 
 (Incluído pela Lei nº 13.882, de 2019) 
Art. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade particular 
da mulher, o juiz poderá determinar, liminarmente, as seguintes medidas, entre outras: 
I - restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida; 
II - proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de propriedade 
em comum, salvo expressa autorização judicial; 
III - suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor; 
IV - prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da 
prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida. 
Parágrafo único. Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para os fins previstos nos incisos II e III deste 
artigo. 
Seção IV 
(Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018) 
Do Crime de Descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência 
Descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência (IMPORTANTE) 
Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei: 
(Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018) 
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos. (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018) 
§ 1º A configuração do crime independe da competência civil ou criminal do juiz que deferiu as 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.826.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.826.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5869.bak2#art461§5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5869.bak2#art461§5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13882.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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medidas. (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018) 
§ 2º Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial poderá conceder fiança. (Incluído pela 
Lei nº 13.641, de 2018) 
§ 3º O disposto neste artigo não exclui a aplicação de outras sanções cabíveis. (Incluído pela Lei nº 13.641, 
de 2018) 
CAPÍTULO III 
DA ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO 
Art. 25. O Ministério Público intervirá, quando não for parte, nas causas cíveis e criminais decorrentes da 
violência doméstica e familiar contra a mulher. 
Art. 26. Caberá ao Ministério Público, sem prejuízo de outras atribuições, nos casos de violência doméstica e 
familiar contra a mulher, quando necessário: 
I - requisitar força policial e serviços públicos de saúde, de educação,de assistência social e de segurança, 
entre outros; 
II - fiscalizar os estabelecimentos públicos e particulares de atendimento à mulher em situação de violência 
doméstica e familiar, e adotar, de imediato, as medidas administrativas ou judiciais cabíveis no tocante a 
quaisquer irregularidades constatadas; 
III - cadastrar os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. 
CAPÍTULO IV 
DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA 
Art. 27. Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a mulher em situação de violência doméstica e 
familiar deverá estar acompanhada de advogado, ressalvado o previsto no art. 19 desta Lei. 
Art. 28. É garantido a toda mulher em situação de violência doméstica e familiar o acesso aos serviços de 
Defensoria Pública ou de Assistência Judiciária Gratuita, nos termos da lei, em sede policial e judicial, 
mediante atendimento específico e humanizado. 
TÍTULO V 
DA EQUIPE DE ATENDIMENTO MULTIDISCIPLINAR 
Art. 29. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher que vierem a ser criados poderão 
contar com uma equipe de atendimento multidisciplinar, a ser integrada por profissionais especializados nas 
áreas psicossocial, jurídica e de saúde. 
Art. 30. Compete à equipe de atendimento multidisciplinar, entre outras atribuições que lhe forem 
reservadas pela legislação local, fornecer subsídios por escrito ao juiz, ao Ministério Público e à Defensoria 
Pública, mediante laudos ou verbalmente em audiência, e desenvolver trabalhos de orientação, 
encaminhamento, prevenção e outras medidas, voltados para a ofendida, o agressor e os familiares, com 
especial atenção às crianças e aos adolescentes. 
Art. 31. Quando a complexidade do caso exigir avaliação mais aprofundada, o juiz poderá determinar a 
manifestação de profissional especializado, mediante a indicação da equipe de atendimento 
multidisciplinar. 
Art. 32. O Poder Judiciário, na elaboração de sua proposta orçamentária, poderá prever recursos para a 
criação e manutenção da equipe de atendimento multidisciplinar, nos termos da Lei de Diretrizes 
Orçamentárias. 
TÍTULO VI 
DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13641.htm#art2
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IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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Art. 33. Enquanto não estruturados os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, as varas 
criminais acumularão as competências cível e criminal para conhecer e julgar as causas decorrentes da 
prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, observadas as previsões do Título IV desta Lei, 
subsidiada pela legislação processual pertinente. 
Parágrafo único. Será garantido o direito de preferência, nas varas criminais, para o processo e o julgamento 
das causas referidas no caput. 
TÍTULO VII 
DISPOSIÇÕES FINAIS 
Art. 34. A instituição dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher poderá ser 
acompanhada pela implantação das curadorias necessárias e do serviço de assistência judiciária. 
Art. 35. A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios poderão criar e promover, no limite das 
respectivas competências: 
I - centros de atendimento integral e multidisciplinar para mulheres e respectivos dependentes em situação 
de violência doméstica e familiar; 
II - casas-abrigos para mulheres e respectivos dependentes menores em situação de violência doméstica e 
familiar; 
III - delegacias, núcleos de defensoria pública, serviços de saúde e centros de perícia médico-legal 
especializados no atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar; 
IV - programas e campanhas de enfrentamento da violência doméstica e familiar; 
V - centros de educação e de reabilitação para os agressores. 
Art. 36. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios promoverão a adaptação de seus órgãos e de 
seus programas às diretrizes e aos princípios desta Lei. 
Art. 37. A defesa dos interesses e direitos transindividuais previstos nesta Lei poderá ser exercida, 
concorrentemente, pelo Ministério Público e por associação de atuação na área, regularmente constituída 
há pelo menos um ano, nos termos da legislação civil. 
Parágrafo único. O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz quando entender que não 
há outra entidade com representatividade adequada para o ajuizamento da demanda coletiva. 
Art. 38. As estatísticas sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher serão incluídas nas bases de 
dados dos órgãos oficiais do Sistema de Justiça e Segurança a fim de subsidiar o sistema nacional de dados e 
informações relativo às mulheres. 
Parágrafo único. As Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do Distrito Federal poderão remeter 
suas informações criminais para a base de dados do Ministério da Justiça. 
Art. 38-A. O juiz competente providenciará o registro da medida protetiva de urgência. (Incluído pela Lei nº 
13.827, de 2019) 
Parágrafo único. As medidas protetivas de urgência serão registradas em banco de dados mantido e 
regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça, garantido o acesso do Ministério Público, da Defensoria 
Pública e dos órgãos de segurança pública e de assistência social, com vistas à fiscalização e à efetividade 
das medidas protetivas. (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019) 
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no limite de suas competências e nos termos 
das respectivas leis de diretrizes orçamentárias, poderão estabelecer dotações orçamentárias específicas, 
em cada exercício financeiro, para a implementação das medidas estabelecidas nesta Lei. 
Art. 40. As obrigações previstas nesta Lei não excluem outras decorrentes dos princípios por ela adotados. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13827.htm#art3
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
52 
 
Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da 
pena prevista, não se aplica a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. 
Art. 42. O art. 313 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), passa a 
vigorar acrescido do seguinte inciso IV: 
“Art. 313. ................................................. 
................................................................ 
IV - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos da lei específica, para 
garantir a execução das medidas protetivas de urgência.” (NR) 
Art. 43. A alínea f do inciso II do art. 61 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), 
passa a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 61. .................................................. 
................................................................. 
II - ............................................................ 
................................................................. 
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, 
ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; 
........................................................... ” (NR) 
Art. 44. O art. 129 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar com 
as seguintes alterações: 
“Art. 129. .................................................. 
.................................................................. 
§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com 
quemconviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de 
coabitação ou de hospitalidade: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. 
.................................................................. 
§ 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra 
pessoa portadora de deficiência.” (NR) 
Art. 45. O art. 152 da Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal), passa a vigorar com a 
seguinte redação: 
“Art. 152. ................................................... 
Parágrafo único. Nos casos de violência doméstica contra a mulher, o juiz poderá determinar o 
comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação.” (NR) 
Art. 46. Esta Lei entra em vigor 45 (quarenta e cinco) dias após sua publicação. 
Brasília, 7 de agosto de 2006; 185º da Independência e 118º da República. 
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA 
Dilma Rousseff 
 
ART. 140 CÓDIGO PENAL 
 
Injúria 
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9099.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art313iv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art61iif
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art129§9.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7210.htm#art152p
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
53 
 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena: 
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; 
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria. 
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se 
considerem aviltantes: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. 
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a 
condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) 
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997) 
Atenção: Não esqueça a equiparação jurisprudencial no tocante ao racismo. 
Jurisprudência: O STF e o STJ entenderam que o crime de Injúria Racial (140 § 3º CP) é equiparado ao crime 
de Racismo, previsto nesta lei. Assim, a injuria racial passa a ser imprescritível e inafiançável (Caso Paulo 
Henrique Amorim X Heraldo Pereira, em que o primeiro agente chama o outro de “negro de alma branca”) 
 
 
LEI ESTADUAL 10.549/06 ALTERADA PELA LEI 12.212/11 
 
Art. 9º - Fica alterada a denominação da Secretaria de Promoção da Igualdade - SEPROMI para Secretaria de 
Promoção da Igualdade Racial - SEPROMI, que passa a ter por finalidade planejar e executar políticas de 
promoção da igualdade racial e de proteção dos direitos de indivíduos e grupos étnicos atingidos pela 
discriminação e demais formas de intolerância. 
Art. 12 - O Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra - CDCN, órgão colegiado, tem por finalidade 
estudar, propor e acompanhar medidas de relacionamento dos órgãos governamentais com a comunidade 
negra, visando resgatar o direito à sua plena cidadania e participação na sociedade. 
Art. 13 - O Gabinete do Secretário tem por finalidade prestar assistência ao Titular da Pasta, em suas tarefas 
técnicas e administrativas. 
Art. 14 - A Diretoria de Administração e Finanças tem por finalidade o planejamento e coordenação das 
atividades de programação, orçamentação, acompanhamento, avaliação, estudos e análises, administração 
financeira e de contabilidade, material, patrimônio, serviços, recursos humanos, modernização 
administrativa e informática. 
Art. 15 - A Coordenação de Promoção da Igualdade Racial tem por finalidade orientar, apoiar, coordenar, 
acompanhar, controlar e executar programas e atividades voltadas à implementação de políticas e diretrizes 
para a promoção da igualdade e da proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e étnicos, afetados 
por discriminação racial e demais formas de intolerância. 
Art. 16 - A Coordenação de Políticas para as Comunidades Tradicionais tem por finalidade formular políticas 
de promoção da defesa dos direitos e interesses das comunidades tradicionais, inclusive quilombolas, no 
Estado da Bahia, reduzindo as desigualdades e eliminando todas as formas de discriminação identificadas. 
 
LEI FEDERAL 10.678/03 ALTERADA PELA LEI 12.314/10 
 
A Presidência da República é constituída, essencialmente, pela Casa Civil, pela Secretaria-Geral, pela 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
54 
 
Secretaria de Relações Institucionais, pela Secretaria de Comunicação Social, pelo Gabinete Pessoal, pelo 
Gabinete de Segurança Institucional, pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, pela Secretaria de Políticas 
para as Mulheres, pela Secretaria de Direitos Humanos, pela Secretaria de Políticas de Promoção da 
Igualdade Racial e pela Secretaria de Portos. 
“Art. 24-C. À Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial compete assessorar direta e 
imediatamente o Presidente da República na formulação, coordenação e articulação de políticas e diretrizes 
para a promoção da igualdade racial na formulação, coordenação e avaliação das políticas públicas 
afirmativas de promoção da igualdade e da proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e étnicos, 
com ênfase na população negra, afetados por discriminação racial e demais formas de intolerância, na 
articulação, promoção e acompanhamento da execução dos programas de cooperação com organismos 
nacionais e internacionais, públicos e privados, voltados à implementação da promoção da igualdade racial, 
na formulação, coordenação e acompanhamento das políticas transversais de governo para a promoção da 
igualdade racial, no planejamento, coordenação da execução e avaliação do Programa Nacional de Ações 
Afirmativas e na promoção do acompanhamento da implementação de legislação de ação afirmativa e 
definição de ações públicas que visem ao cumprimento dos acordos, convenções e outros instrumentos 
congêneres assinados pelo Brasil, nos aspectos relativos à promoção da igualdade e de combate à 
discriminação racial ou étnica. 
Parágrafo único. A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial tem como estrutura básica o 
Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial - CNPIR, o Gabinete, a Secretaria-Executiva e até 3 (três) 
Secretarias.” (NR) 
 
Art. 3o São transformadas: 
III - a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, de que trata a Lei nº 10.678, de 23 de 
maio de 2003, em Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República; 
 
LEI ESTADUAL Nº 13.182 – ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL DA BAHIA 
 
O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber que a Assembleia Legislativa decreta e eu sanciono a 
seguinte Lei: 
TÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
CAPÍTULO I DA FINALIDADE, DEFINIÇÕES E DIRETRIZES 
 
Art. 1º - Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa do Estado da 
Bahia, destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, defesa de 
direitos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e demais formas de intolerância racial e 
religiosa. 
Art. 2º - Para os fins deste Estatuto adotam-se as seguintes definições: 
I - população negra: conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou 
raça utilizado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, ou que adotam 
autodefinição análoga; 
II - políticas públicas: ações, iniciativas e programas adotados pelo Estado no cumprimento de suas 
atribuições institucionais; 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
55 
 
III - ações afirmativas: programas e medidas especiais adotadospelo Estado e pela iniciativa privada para a 
correção das desigualdades raciais e para a promoção da igualdade de oportunidades; 
IV - racismo: ideologia baseada em teorias e crenças que estabelecem hierarquias entre raças e etnias e que 
historicamente tem resultado em desvantagens sociais, econômicas, políticas, religiosas e culturais para 
pessoas e grupos étnicos raciais específicos por meio da discriminação, do preconceito e da intolerância; 
V - racismo institucional: ações ou omissões sistêmicas caracterizadas por normas, práticas, critérios e 
padrões formais e não formais de diagnóstico e atendimento, de natureza organizacional e institucional, 
pública e privada, resultantes de preconceitos ou estereótipos, que resulta em discriminação e ausência de 
efetividade em prover e ofertar atividades e serviços qualificados às pessoas em função da sua raça, cor, 
ascendência, cultura, religião, origem racial ou étnica; 
VI - discriminação racial ou discriminação étnico-racial: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência 
baseada em raça, cor, ascendência, origem nacional ou étnica, incluindo-se as condutas que, com base 
nestes critérios, tenham por objeto anular ou restringir o reconhecimento, exercício ou fruição, em 
igualdade de condições, de garantias e direitos nos campos político, social, econômico, cultural, ambiental, 
ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada; 
VII - intolerância religiosa: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência, incluindo-se qualquer 
manifestação individual, coletiva ou institucional, de conteúdo depreciativo, baseada em religião, concepção 
religiosa, credo, profissão de fé, culto, práticas ou peculiaridades rituais ou litúrgicas, e que provoque danos 
morais, materiais ou imateriais, atente contra os símbolos e valores das religiões afro-brasileiras ou seja 
capaz de fomentar ódio religioso ou menosprezo às religiões e seus adeptos; 
VIII - desigualdade racial: toda situação de diferenciação negativa no acesso e fruição de bens, serviços e 
oportunidades, nas esferas pública e privada, em virtude de raça, cor, ascendência, origem nacional ou 
étnica; 
IX - desigualdade de gênero e raça: assimetria existente no âmbito da sociedade que acentua a distância 
social entre mulheres negras e os demais segmentos sociais. 
Art. 3º - Caberá ao Estado divulgar, em meio e linguagem acessíveis, os dados oficiais e públicos 
concernentes à mensuração da desigualdade racial e de gênero, considerando os estudos produzidos pelos 
órgãos e instituições públicas, instituições oficiais de pesquisa, universidades públicas, instituições de ensino 
superior privadas e organizações da sociedade civil que tenham por finalidade estatutária a produção de 
estudos e pesquisas sobre o tema. 
Art. 4º - É dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo 
cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou cor da pele, o direito à participação na comunidade, 
especialmente nas atividades políticas, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e esportivas, 
defendendo sua dignidade e valores religiosos e culturais. 
Art. 5º - O presente Estatuto adota como diretrizes político-jurídicas para projetos de desenvolvimento, 
políticas públicas e medidas de ação afirmativa, a inclusão do segmento da população atingido pela 
desigualdade racial e a promoção da igualdade racial, observando-se as seguintes dimensões: 
I - reparatória e compensatória para os descendentes das vítimas da escravidão, do racismo e das demais 
práticas institucionais e sociais históricas que contribuíram para as profundas desigualdades raciais e as 
persistentes práticas de discriminação racial na sociedade baiana, inclusive em face dos povos de 
terreiros de religiões afro-brasileiras; 
II - inclusiva, nas esferas pública e privada, assegurando a representação equilibrada dos diversos segmentos 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
56 
 
étnico-raciais componentes da sociedade baiana, solidificando a democracia e a participação de todos; 
III - otimizadora das relações socioculturais, econômicas e institucionais, pelos benefícios da diferença e da 
diversidade racial para a coletividade, enquanto fatores de criatividade e inovação dinamizadores do 
processo civilizatório e o desenvolvimento do Estado. 
Art. 6º - A participação da população negra, em condições de igualdade de oportunidades, na vida 
econômica, social, política e cultural do Estado, será promovida, prioritariamente, por meio de: 
I - inclusão igualitária nas políticas públicas, programas de desenvolvimento econômico e social e de ação 
afirmativa, combatendo especificamente as desigualdades raciais e de gênero que atingem as mulheres 
negras e a juventude negra; 
II - adoção de políticas, programas e medidas de ação afirmativa; 
III - adequação das estruturas institucionais do Poder Público para o eficiente enfrentamento e superação 
das desigualdades raciais decorrentes do 
racismo e da discriminação racial; 
IV - promoção de ajustes normativos para aperfeiçoar o combate à discriminação racial e às desigualdades 
raciais em todas as suas manifestações estruturais, institucionais e individuais; 
V - eliminação dos obstáculos históricos, socioculturais e institucionais que impedem a representação da 
diversidade racial nas esferas pública e privada; 
VI - estímulo, apoio e fortalecimento de iniciativas oriundas da sociedade civil destinadas à promoção da 
igualdade de oportunidades e ao combate às desigualdades raciais, inclusive mediante a implementação de 
incentivos e critérios de condicionamento e prioridade no acesso aos recursos públicos; 
VII - implementação de medidas e programas de ação afirmativa destinados ao enfrentamento das 
desigualdades raciais no tocante à educação, cultura, esporte, lazer, saúde, segurança, trabalho, moradia, 
meios de comunicação de massa, financiamentos públicos, acesso à terra, acesso à justiça e outros aspectos 
da vida pública. 
Parágrafo único - Os programas de ação afirmativa constituem-se em políticas públicas destinadas a reparar 
as desigualdades sociais, étnico-raciais e demais consequências de práticas discriminatórias historicamente 
adotadas, nas esferas pública e privada, durante o processo de formação social do país e do Estado. 
 
CAPÍTULO II DO SISTEMA ESTADUAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL – SISEPIR 
 
Art. 7º - Fica instituído o Sistema Estadual de Promoção da Igualdade Racial - SISEPIR, com a finalidade de 
efetivar o conjunto de ações, políticas e serviços de enfrentamento ao racismo, promoção da igualdade 
racial e combate à intolerância religiosa. 
§ 1º - Os Municípios poderão integrar o SISEPIR, mediante participação no Fórum de Gestores de Promoção 
da Igualdade Racial ou através de declaração de anuência, na forma estabelecida em regulamento. 
§ 2 º - O SISEPIR manterá articulação com o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial - SINAPIR, 
instituído pela Lei Federal n° 12.288, de 20 de julho de 2010 e regulamentado pelo Decreto Federal n° 8.136, 
de 05 de novembro de 2013. 
§ 3 º - O Estado instituirá linhas de apoio, benefícios e incentivos para estimular a participação da sociedade 
civil e da iniciativa privada no SISEPIR. 
Art. 8 º - Integram o SISEPIR: 
I - a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial - SEPROMI, criada pela Lei nº 10.549, de 28 de dezembro de 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
57 
 
2006, alterada pela Lei nº 12.212, de 04 de maio de 2011, que o coordenará; 
II - o Conselho para o Desenvolvimento da Comunidade Negra - CDCN, órgão colegiado de participação e 
controle social, instituído pela Lei nº 4.697, de 15 de julho de 1987, alterado pelas Leis nº 10.549, de 20 de 
dezembro de 2006 e nº 12.212, de 4 de maio de 2011; 
III - a Comissão Estadual para a Sustentabilidade dos Povos e Comunidades Tradicionais - CESPCT, órgão 
colegiado de participação e controle socialinstituído pelo Decreto nº 13.247, de 30 de agosto de 2011; 
IV - a Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, instrumento de articulação entre o Poder 
Público, as instituições do Sistema de Justiça e a sociedade civil para a implementação da política de 
promoção da igualdade racial no aspecto do enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa; 
V - o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, unidade administrativa de 
apoio à implementação da Política de Promoção da Igualdade Racial, instituído pelo Decreto nº 14.297, de 
31 de janeiro de 2013; 
VI - os Municípios a que se refere o § 1º do art. 7º desta Lei. 
Art. 9º - O funcionamento do SISEPIR será disciplinado no Regulamento deste Estatuto. 
Art. 10 - Fica instituída a Ouvidoria de Promoção da Igualdade Racial, vinculada à estrutura da Ouvidoria 
Geral do Estado, criada pelo Decreto nº 13.976, de 09 de maio de 2012, com a finalidade de registro de 
ocorrências de racismo, discriminação racial, intolerância religiosa, conflitos fundiários envolvendo povos de 
terreiros e comunidades quilombolas e violação aos direitos de que trata este Estatuto. 
 
CAPÍTULO III DO SISTEMA DE FINANCIAMENTO DAS POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL 
 
Art. 11 - Fica instituído o Sistema de Financiamento das Políticas de Promoção da Igualdade Racial, com a 
finalidade de garantir prioridade no planejamento, alocação específica de recursos, aperfeiçoamento dos 
meios de execução e controle social das políticas de promoção da igualdade racial no âmbito do Estado. 
Art. 12 - Na implementação dos programas e das ações constantes dos planos plurianuais e dos orçamentos 
anuais do Estado, deverão ser observadas as políticas de ação afirmativa a que se refere este Estatuto e 
outras políticas públicas que tenham como objetivo promover a igualdade de oportunidades e a inclusão 
social da população negra. 
§ 1º - O Estado é autorizado a adotar medidas que garantam, em cada exercício, a transparência na alocação 
e na execução dos recursos necessários ao financiamento das ações previstas neste Estatuto, explicitando, 
entre outros, a proporção dos recursos orçamentários destinados aos programas de promoção da igualdade, 
especialmente nas áreas de educação, saúde, segurança pública, emprego e renda, desenvolvimento agrário, 
habitação popular, desenvolvimento regional, cultura, esporte e lazer. 
§ 2º - O Estado é autorizado a adotar as medidas necessárias para a adequada implementação do disposto 
neste artigo, podendo estabelecer patamares de participação crescente dos programas de ação afirmativa 
nos orçamentos anuais a que se refere o caput deste artigo. 
Art. 13 - Sem prejuízo da destinação de recursos ordinários, poderão ser consignados nos orçamentos para o 
financiamento de que trata o art. 12 desta Lei: 
I - transferências voluntárias da União; 
II - doações voluntárias de particulares; 
III - doações de empresas privadas e organizações não-governamentais, nacionais ou internacionais; 
IV - doações voluntárias de fundos nacionais ou internacionais; 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
58 
 
V - doações de Estados estrangeiros, por meio de convênios, tratados e acordos internacionais. 
Art. 14 - Caberá ao Estado realizar o acompanhamento, monitoramento e avaliação da execução intersetorial 
das políticas e programas setoriais e de promoção da igualdade racial, incluídas as ações específicas voltadas 
para os segmentos atingidos pela discriminação racial, promovendo a integração dos dados aos sistemas de 
monitoramento das ações do Governo do Estado e contribuindo para a qualificação da execução das ações 
no âmbito do SISEPIR, divulgando relatório anual sobre os resultados alcançados. 
 
TÍTULO II DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS 
CAPÍTULO I DO DIREITO À VIDA E À SAÚDE 
 
Art. 15 - O direito à saúde da população negra será garantido pelo Poder Público mediante políticas sociais e 
econômicas destinadas à redução do risco de doenças e outros agravos, com foco nas necessidades 
específicas deste segmento da população. 
§ 1º - Para o cumprimento do disposto no caput cabe ao Poder Público promover o acesso universal, integral 
e igualitário às ações e serviços de saúde integrados ao Sistema Único de Saúde - SUS, em todos os níveis de 
atenção, por meio de medidas de promoção, proteção e recuperação da saúde visando à redução de 
vulnerabilidades específicas da população negra. 
§ 2º - O Poder Público poderá promover apoio técnico e financeiro aos municípios tendo em vista a 
implementação do disposto neste Capítulo na esfera local, contemplando, inclusive, a atenção integral à 
saúde dos moradores de comunidades remanescentes de quilombo. 
Art. 16 - O conjunto de princípios, objetivos, instrumentos e ações voltadas à promoção da saúde da 
população negra, constitui a Política Estadual de Atenção Integral à Saúde da População Negra, executada 
conforme as diretrizes abaixo especificadas: 
I - ampliação e fortalecimento da participação dos movimentos sociais em defesa da saúde da população 
negra nas instâncias de participação e controle social das políticas de saúde em âmbito estadual, 
notadamente o Comitê Técnico Estadual de Saúde da População Negra ou instância equivalente; 
II - produção de conhecimento científico e tecnológico sobre o enfrentamento ao racismo na área de saúde 
e a promoção da saúde da população negra; 
III - desenvolvimento de processos de informação, comunicação e educação para contribuir com a redução 
das vulnerabilidades por meio da prevenção, para a melhoria da qualidade de vida da população negra e 
para a sensibilização quanto à adequada utilização do quesito “raça/cor”; 
IV - desenvolvimento de ações e estratégias de identificação, abordagem, combate e desconstrução do 
racismo institucional nos serviços e unidades de saúde, incluindo-se os de atendimento de urgência e 
emergência, assim como no contexto da educação permanente de trabalhadores da saúde; 
V - ações concretas para a redução de indicadores de morbi-mortalidade causada por doenças e agravos 
prevalentes na população negra; 
VI - formulação e/ou revisão das redes integradas de serviços de saúde do SUS, em âmbito estadual, com a 
finalidade de inclusão das especificidades relacionadas à saúde da população negra; 
VII - implementação de programas específicos com foco nas doenças cujos indicadores epidemiológicos 
evidenciam as maiores desigualdades raciais; 
VIII - definição de ações com recortes específicos para a criança e o adolescente negros, idosos negros e 
mulheres negras. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
59 
 
Art. 17 - As informações prestadas pelos órgãos estaduais de saúde e os respectivos instrumentos de coleta 
de dados incluirão o quesito “raça/cor”, reconhecido de acordo com a autodeclaração dos usuários das 
ações e serviços de saúde. 
Art. 18 - A Secretaria da Saúde realizará o acompanhamento e o monitoramento das condições específicas 
de saúde da população negra no Estado, visando à redução dos indicadores de morbi-mortalidade por 
doenças prevalentes na população negra. 
Parágrafo único - Para o cumprimento do disposto no caput, a Secretaria da Saúde produzirá estatísticas 
vitais e análises epidemiológicas da morbimortalidade por doenças prevalentes na população negra, quer se 
trate de doenças geneticamente determinadas ou doenças causadas ou agravadas por condições de vida da 
população negra atingida pela desigualdade racial. 
Art. 19 - É responsabilidade do Poder Público incentivar a produção de conhecimento científico e 
tecnológico sobre saúde da população negra e práticas de promoção da saúde de povos de terreiros de 
religiões afro-brasileiras e das comunidades quilombolas, inclusive podendo prestar apoio, técnico, cientifico 
e financeiro a instituições de educação superior vinculadas à Secretaria da Educação para a implantação de 
linhas de pesquisa, núcleos e cursos de pós-graduação sobre o tema.Art. 20 - A Secretaria da Saúde promoverá a formação inicial e continuada dos trabalhadores em saúde, 
realizará campanhas educativas e distribuirá material em linguagem acessível à população, abordando 
conteúdos relativos ao enfrentamento ao racismo na área de saúde, à promoção da saúde da população 
negra e às práticas de promoção da saúde de povos de terreiros de religiões afro-brasileiras e comunidades 
quilombolas. 
Art. 21 - O Poder Público instituirá programas, incentivos e benefícios específicos para a garantia do direito à 
saúde das comunidades quilombolas. 
Parágrafo único - Será garantido a todas as comunidades remanescentes de quilombo identificadas no 
Estado, o pleno acesso às ações e serviços de saúde, notadamente pelo Programa de Saúde da Família e pelo 
Programa de Agentes Comunitários de Saúde, de acordo com metas específicas estabelecidas e monitoradas 
pela Secretaria da Saúde, assegurando-se, sempre que possível, que as equipes destes programas sejam 
integradas por membros das comunidades. 
 
CAPÍTULO II DO DIREITO À EDUCAÇÃO, CULTURA, ESPORTE E LAZER 
 
Art. 22 - O Estado desenvolverá ações para viabilizar e ampliar o acesso e fruição da população negra à 
educação, cultura, esporte e lazer, almejando a efetivação da igualdade de oportunidades de acesso ao bem-
estar, desenvolvimento e participação e contribuição para a identidade e o patrimônio cultural brasileiro. 
Parágrafo único - O Estado poderá prestar apoio técnico e financeiro aos Municípios, tendo para 
implementação, na esfera local, das medidas previstas neste Capítulo. 
 
SEÇÃO I DO DIREITO À EDUCAÇÃO 
 
Art. 23 - Fica assegurada a participação da população negra em igualdade de oportunidades nos espaços de 
participação e controle social das políticas públicas em educação, cabendo ao Poder Público promover o 
acesso da população negra à educação em todas as modalidades de ensino, abrangendo o Ensino Médio, 
Técnico e Superior, assim como os programas especiais em educação, visando a sua inserção nos mundos 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
60 
 
acadêmico e profissional. 
§ 1º - O Estado implementará programa específico de reconhecimento e fortalecimento da identidade e da 
autoestima de crianças e adolescentes negros, que permeará todo o Sistema Estadual de Ensino e os 
programas estaduais de acesso ao Ensino Superior. 
§ 2º - O Estado e as instituições estaduais de educação superior promoverão o acesso e a permanência da 
população negra na Educação Superior, incluindo-se os cursos de pós-graduação lato sensu, mestrado e 
doutorado, adotando medidas e programas específicos para este fim. 
Art. 24 - É assegurado aos alunos adeptos de religiões afro-brasileiras o direito de realizar atividades 
compensatórias, previamente definidas em ato normativo, sob orientação e supervisão pelos respectivos 
professores, na hipótese de necessidade de faltar às aulas em função de atividade religiosa devidamente 
comprovada, tendo em vista o cumprimento dos deveres escolares e o aproveitamento dos conteúdos 
programáticos. 
Art. 25 - O Estado adotará ações para assegurar a qualidade do ensino da História e da Cultura Africana, 
Afro-brasileira e Indígena nas unidades do Ensino Fundamental e Médio do Sistema Estadual de Ensino, em 
conformidade com o estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, assegurando a 
estrutura e os meios necessários à sua efetivação, inclusive no que se refere à formação permanente de 
educadores, realização de campanhas e disponibilização de material didático específico, no contexto de um 
conjunto de ações integradas com o combate ao racismo e à discriminação racial nas escolas. 
§ 1º - O Estado exercerá a fiscalização e adotará as providências cabíveis em caso de descumprimento das 
medidas previstas no caput deste artigo. 
§ 2º - O Estado, mediante incentivos e prêmios, promoverá o reconhecimento de práticas didáticas e 
metodológicas no Ensino da História e da Cultura Africana, Afro-brasileira e Indígena nas escolas do Sistema 
Estadual de Ensino e da rede privada. 
Art. 26 - A Secretaria da Educação procederá à apuração administrativa das ocorrências de racismo, 
discriminação racial, intolerância religiosa no âmbito das unidades do Sistema Estadual de Ensino, através de 
estruturas administrativas especificamente criadas para este fim, em articulação com a Rede e o Centro de 
Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, que prestará apoio social, psicológico e jurídico 
específico às pessoas negras atingidas, com prioridade no atendimento de crianças e adolescentes negros. 
Art. 27 - Na oferta de educação básica para a população rural, inclusive às comunidades remanescentes de 
quilombos e aos povos indígenas, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias para a sua 
adequação às peculiaridades da vida rural de cada região, observando-se o seguinte: 
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriados à realidade das comunidades rurais e que, no caso das 
comunidades quilombolas e dos povos indígenas, contemplem a trajetória histórica, as relações territoriais, 
a ancestralidade e a resistência coletiva à opressão histórica; 
II - adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas; 
III - adequação às atividades laborais de subsistência e aos modos de vida das comunidades rurais. 
Art. 28 - As comemorações de caráter cívico e de relevância para a memória e a história da população negra 
brasileira e baiana serão previstas no Calendário Escolar do Sistema Estadual de Ensino, inserindo-se, desde 
já, o mês de agosto, em memória à Revolta dos Búzios de 1798 e de seus Heróis. 
Art. 29 - O Estado estimulará a implementação e manutenção dos programas e medidas de ação afirmativa 
para ampliação do acesso da população negra ao Ensino Técnico e à Educação Superior, em todos os cursos, 
no âmbito de atuação do Estado, com prazo de duração compatível com a correção das desigualdades raciais 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
61 
 
verificadas. 
Art. 30 - Poderá o Poder Público, em articulação com os Municípios, disponibilizar apoio técnico, financeiro e 
operacional para promover o acesso efetivo e igualitário de crianças negras, com idade entre zero e seis 
anos, à Educação Infantil. 
Parágrafo único - É de responsabilidade do Estado, em parceria com a União e Municípios, estabelecer 
políticas de formação permanente de educadores da Educação Infantil, com ênfase no reconhecimento da 
contribuição dos africanos e dos afro-brasileiros para a história e a cultura na valorização da tolerância e no 
respeito às diferenças. 
Art. 31 - O censo educacional concernente à “raça/cor” será um dos mecanismos utilizados para o 
monitoramento, acompanhamento e avaliação das condições educacionais da população negra, 
contemplando entre outros aspectos, o acesso e a permanência no Sistema Estadual de Ensino. 
Art. 32 - Os órgãos e instituições estaduais de fomento à pesquisa e à pós-graduação instituirão linhas de 
pesquisa e programas de estudo voltados para temas relativos às relações raciais, combate às desigualdades 
raciais e de gênero, enfrentamento ao racismo e outras questões pertinentes à garantia de direitos da 
população negra. 
SEÇÃO II DO DIREITO À CULTURA 
 
Art. 33 - O Estado garantirá o reconhecimento das manifestações culturais preservadas pelas sociedades 
negras, blocos afro, irmandades, clubes e outras formas de expressão cultural coletiva da população negra, 
com trajetória histórica comprovada, como patrimônio histórico e cultural, nos termos dos arts. 215 e 216 
da Constituição Federal e art. 275 da Constituição do Estado da Bahia. 
Art. 34 - O Estado, por meio do Sistema Estadual de Cultura, estimulará e apoiará a produção cultural de 
entidades do movimento negro e de grupos de manifestação cultural coletiva da população negra, que 
desenvolvam atividades culturais voltadas para a promoção da igualdaderacial, o combate ao racismo e a 
intolerância religiosa, mediante cooperação técnica, seleção pública de apoio a projetos, apoio a ações de 
formação de agentes culturais negros, intercâmbios e incentivos, entre outros mecanismos. 
Parágrafo único - As seleções públicas de apoio a projetos na área de cultura deverão assegurar a equidade 
na destinação de recursos a iniciativas de grupos de manifestação cultural da população negra. 
Art. 35 - É dever do Estado preservar e garantir a integridade, a respeitabilidade e a permanência dos valores 
das religiões afro-brasileiras e dos modos de vida, usos, costumes tradições e manifestações culturais das 
comunidades quilombolas. 
Parágrafo único - Para o cumprimento do disposto no caput, cabe ao Estado inventariar, restaurar e proteger 
os documentos, obras e outros bens de valor artístico e cultural, os monumentos, mananciais, flora e sítios 
arqueológicos, vinculados às comunidades remanescentes de quilombo e aos povos de terreiros de religiões 
afro-brasileiras, atendendo aos termos do art. 216, § 5º, da Constituição Federal. 
Art. 36 - Fica reconhecido o Programa Ouro Negro, desenvolvido por meio de ações de apoio e 
fortalecimento institucional de blocos e agremiações de matriz africana e indígena, afoxés, blocos de samba, 
blocos de “reggae”, blocos de “samba-reggae”, da cultura “Hip-Hop” e entidades culturais congêneres, cujas 
ações serão realizadas durante todo o ano, nos termos do regulamento. 
Art. 37 - Fica reconhecida a categoria de mestres e mestras dos saberes e fazeres das culturas tradicionais de 
matriz africana, com base na Lei nº 8.899, de 18 de dezembro de 2003, tendo em vista o reconhecimento, a 
valorização e o efetivo apoio ao exercício do seu papel na sociedade baiana e brasileira. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
62 
 
§ 1º - Para os fins previstos neste Estatuto, entende-se por mestras e mestres dos saberes e fazeres, das 
culturas tradicionais de matriz africana, o indivíduo que se reconhece e é reconhecido pela sua própria 
comunidade como representante e herdeiro dos saberes e fazeres da cultura tradicional que, através da 
oralidade, da corporeidade e da vivência dialógica, aprende, ensina e torna-se a memória viva e afetiva desta 
cultura, transmitindo saberes e fazeres de geração em geração, garantindo a ancestralidade e identidade do 
seu povo, a exemplo de Griô, Mestras e Mestres das Artes, dos ofícios, entre outros. 
Art. 38 - Além do disposto na Lei nº 8.899, de 18 de dezembro de 2003, o reconhecimento dos mestres e 
mestras dos saberes e fazeres das culturas tradicionais de matriz africana pelo Estado compreenderá: 
I - apoio a ações de mobilização e organização; 
II - apoio à manutenção e melhoria de espaços públicos tradicionalmente utilizados para o exercício de suas 
atividades; 
III - fomento à obtenção ou aquisição de matéria prima e equipamentos para a produção e transferência das 
culturas tradicionais de transmissão oral do Brasil; 
IV - estímulo à geração de renda e à ampliação de mercado para os produtos das culturas tradicionais de 
transmissão oral do Brasil; 
V - instituição e prêmios para a valorização de iniciativas voltadas para salvaguarda do universo dos saberes e 
práticas das culturas tradicionais de transmissão oral de matriz africana; 
VI - concessão de benefício pecuniário, na forma de bolsa, como reconhecimento oficial e incentivo à 
transmissão dos saberes e fazeres dos mestres e mestras tradicionais de matriz africana. 
Parágrafo único - A concessão de bolsas aos mestres e mestras tradicionais de matriz africana, a que se 
refere o inciso IV deste artigo, observará o atendimento aos critérios estabelecidos no art. 3º da Lei nº 8.899, 
de 18 de dezembro de 2003, além dos requisitos e procedimentos fixados em regulamento próprio a ser 
expedido pelo Poder Executivo. 
SEÇÃO III DO DIREITO AO ESPORTE E AO LAZER 
 
Art. 39 - O Estado fomentará o pleno acesso da população negra às práticas desportivas no Estado, 
consolidando o esporte e o lazer como direitos sociais. 
Art. 40 - Cabe ao Estado promover a democratização do acesso a espaços, atividades e iniciativas gratuitas 
de esporte e lazer, nas suas manifestações educativas, artísticas e culturais, como direitos de todos, visando 
resgatar a dignidade das populações das periferias urbanas e rurais, valorizando a auto-organização e a 
participação da população negra. 
§ 1º - O disposto no caput constitui diretriz para as parcerias entre o Estado, a sociedade civil e a iniciativa 
privada. 
§ 2º - As políticas estaduais de fomento ao esporte e lazer priorizarão a instalação de equipamentos públicos 
de esporte e lazer que atendam às comunidades negras urbanas e rurais, com foco na juventude negra e nas 
mulheres negras. 
Art. 41 - A atividade de capoeirista será reconhecida em todas as modalidades em que a capoeira se 
manifesta, seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o exercício em todo o território estadual. 
Parágrafo único - É facultado o ensino da capoeira nas instituições públicas e privadas pelos capoeiristas e 
mestres tradicionais, pública e formalmente reconhecidos. 
 
CAPÍTULO III DO ACESSO À TERRA 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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Art. 42 - O Estado promoverá a regularização fundiária, o fortalecimento institucional e o desenvolvimento 
sustentável das comunidades remanescentes de quilombos e dos povos e comunidades que historicamente 
tem preservado as tradições africanas e afro-brasileiras no Estado, de forma articulada com as políticas 
específicas pertinentes. 
Paragrafo único - Fica reconhecida a propriedade definitiva das terras públicas estaduais, rurais e devolutas, 
dos espaço de preservação das tradições africanas e afro-brasileiras. 
Art. 43 - O Estado incentivará a participação de comunidades remanescentes de quilombos e dos povos de 
terreiros de religiões afro-brasileiras nos órgãos colegiados estaduais de formulação, participação e controle 
social de políticas públicas nas áreas de educação, saúde, segurança alimentar, meio ambiente, 
desenvolvimento urbano, política agrícola e política agrária, no que for pertinente a cada segmento de 
população tradicional, assim como em outras áreas que lhes sejam concernentes. 
Art. 44 - O Estado estabelecerá diretrizes aplicáveis à regularização fundiária dos terrenos em que se situam 
templos e espaços de culto das religiões afro-brasileiras, em articulação com as entidades representativas 
deste segmento, atendendo ao disposto no art. 50 dos Atos e Disposições Transitórias da Constituição do 
Estado da Bahia. 
Parágrafo único - A regularização fundiária de que trata o caput será efetivada pela expedição de título de 
domínio coletivo e pró-indiviso em nome da associação legalmente constituída, que represente civilmente a 
comunidade de religião afro-brasileira, gravado com cláusula de inalienabilidade, impenhorabilidade e 
imprescritibilidade. 
Art. 45 - Poderá ser realizada consulta prévia, livre e informada aos povos e comunidades tradicionais, 
notadamente às comunidades remanescentes de quilombos e dos povos e comunidades que historicamente 
têm preservado as tradições africanas e afro-brasileiras no Estado, de que trata este capítulo, sempre que 
forem previstas medidas administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente. 
 
CAPÍTULO IV DO DIREITO AO TRABALHO, AO EMPREGO, À RENDA, AO EMPREENDEDORISMO E AO 
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO 
 
Art. 46 - A implementação de políticas públicas voltadas para a promoção da igualdade no acesso da 
população negra ao trabalho, à qualificação profissional, ao empreendedorismo, ao emprego, à renda e ao 
desenvolvimento econômico é de responsabilidade do Estado, observando-se o seguinte: 
I - a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1965; 
II - a Convenção nº 100, de 1951, sobre a “igualdade de remuneração para a mão-de-obra masculina e a 
mão-de-obrafeminina por um trabalho de igual valor”, e a Convenção nº 111, de 1958, que trata da 
discriminação no emprego e na profissão, ambas da Organização Internacional do Trabalho - OIT; 
III - a Declaração e Plano de Ação emanados da III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação 
Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, de 2001. 
Art. 47 - Cabe ao Estado implementar medidas e políticas que assegurem a igualdade de oportunidades no 
mercado de trabalho para as mulheres negras e a população negra, observando-se o seguinte: 
I - garantia de igualdade de oportunidades para o acesso a cargos, empregos e contratos com a 
Administração Direta e Indireta; 
II - implementação de políticas e programas específicos voltados para a qualificação profissional, o 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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aperfeiçoamento e a inserção no mercado de trabalho; 
III - implementação de políticas e programas voltados para o apoio ao empreendedorismo; 
IV - incentivo à criação de linhas de financiamento, serviços, incentivos e benefícios fiscais e creditícios 
específicos para as organizações privadas que adotarem políticas de promoção racial, assegurando a 
proporcionalidade racial e de gênero em conformidade com a composição racial da população do Estado; 
V - acesso ao crédito para a pequena produção, nos meios rural e urbano, com ações afirmativas para 
mulheres negras. 
§ 1º - As ações de que trata o caput deste artigo assegurarão o princípio da proporcionalidade de gênero 
entre os beneficiários. 
§ 2º - O Estado promoverá campanhas educativas contra a marginalização da mulher negra no trabalho 
artístico e cultural. 
§ 3º - O Estado promoverá ações com o objetivo de elevar a escolaridade e a qualificação profissional nos 
setores da economia que detenham alto índice de ocupação por trabalhadores negros de baixa 
escolarização. 
Art. 48 - O quesito “raça/cor” constará obrigatoriamente dos cadastros de servidores públicos estaduais, 
para todos os cargos, empregos e funções públicas. 
Art. 49 - Fica instituída a reserva de vagas para a população negra nos concursos públicos e processos 
seletivos para provimento de pessoal no âmbito da Administração Pública Direta e Indireta Estadual, 
correspondente, no mínimo, a 30% (trinta por cento) das vagas a serem providas. 
§ 1º - A reserva de vagas de que trata o caput deste artigo aplica-se aos concursos públicos para provimento 
de cargos efetivos e empregos públicos, bem como aos processos seletivos para contratações temporárias, 
sob Regime Especial de Direito Administrativo - REDA, promovidos pelos órgãos e entidades da 
Administração Direta e Indireta do Poder Executivo do Estado da Bahia. 
§ 2º - Terão acesso às medidas de ação afirmativa previstas neste artigo aqueles que se declarem pretos e 
pardos segundo a classificação adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, 
prevalecendo a autodeclaração. 
§ 3º - O Estado realizará o monitoramento e a avaliação permanente dos resultados da aplicação da reserva 
de vagas em certames públicos, de que trata este artigo. 
§ 4º - O Estado garantirá a igualdade de oportunidades para o acesso da população negra aos cargos de 
provimento temporário, assegurando-se a reserva de vagas para o acesso de pessoas negras a estes cargos, 
observada a equidade de gênero da medida, que será definida em decreto do Chefe do Poder Executivo 
Estadual. 
Art. 50 - As ações afirmativas previstas no art. 49 terão vigência por 10 (dez) anos a partir da publicação 
desta Lei. 
Art. 51 - O Estado estimulará as atividades voltadas ao turismo étnico com enfoque nos locais, monumentos 
e cidades que retratem a cultura, os usos e os costumes da população negra. 
Art. 52 - Os processos de contratação de obras, produtos e serviços pela Administração Pública Estadual 
observarão critérios e incentivos que viabilizem a contratação de empresas que implementem programas de 
ação afirmativa para acesso das mulheres negras e da população negra a oportunidades de trabalho e de 
negócios em todos os níveis de sua atuação. 
 
CAPÍTULO V DO COMBATE AO RACISMO INSTITUCIONAL 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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Art. 53 - O Estado promoverá a adequação dos serviços públicos ao princípio do reconhecimento e 
valorização da diversidade e da diferença racial, religiosa e cultural, em conformidade com o disposto neste 
Estatuto. 
Art. 54 - No contexto das ações de combate ao racismo institucional, o Estado desenvolverá as seguintes 
ações: 
I - articulação com gestores municipais objetivando a definição de estratégias e a implementação de planos 
de enfrentamento ao racismo institucional, compreendendo celebração de acordos de cooperação técnica 
para este fim; 
II - campanha de informação aos servidores públicos visando oferecer subsídios para a identificação do 
racismo institucional; 
III - formulação de protocolos de atendimento e implementação de pesquisas de satisfação sobre a 
qualidade dos serviços públicos estaduais com foco no enfrentamento ao racismo institucional. 
Art. 55 - Os programas de avaliação de conhecimentos em concursos públicos e processos seletivos em 
âmbito estadual abordarão temas referentes às relações étnico-raciais, à trajetória histórica da população 
negra no Brasil e na Bahia, sua contribuição decisiva para o processo civilizatório nacional, e políticas de 
promoção da igualdade racial e de defesa de direitos de pessoas e comunidades afetadas pelo racismo e 
pela discriminação racial, com base na legislação estadual e federal específica. 
Art. 56 - O Estado disponibilizará cooperação técnica aos Municípios tendo em vista a implantação de 
programa de combate ao racismo institucional. 
Art. 57 - O Estado promoverá a oferta, aos servidores, de cursos de capacitação e aperfeiçoamento para o 
combate ao racismo institucional, que poderá ser um dos requisitos em processos de promoção dos 
servidores públicos estaduais. 
Art. 58 - A eficácia do combate ao racismo institucional será considerado um dos critérios de avaliação 
externa e interna da qualidade dos serviços públicos estaduais. 
Art. 59 - O Estado adotará medidas para coibir atos de racismo, discriminação racial e intolerância religiosa 
pelos agentes e servidores públicos estaduais, observando-se a legislação pertinente para a apuração da 
responsabilidade administrativa, civil e penal, no que couber. 
 
CAPÍTULO VI DA COMUNICAÇÃO SOCIAL 
 
Art. 60 - A política de comunicação social do Estado e a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e 
campanhas institucionais do Estado se orientarão pelo princípio da diversidade étnico-racial e cultural, 
assegurando a representação justa e proporcional dos diversos segmentos raciais da população nas peças 
institucionais, educacionais e publicitárias, observando-se o percentual da população negra na composição 
demográfica do Estado. 
Art. 61 - As emissoras públicas estaduais de teledifusão e radiodifusão desenvolverão programação 
pluralista, assegurando a divulgação, valorização e promoção dos diversos segmentos étnico-raciais, 
religiosos e culturais do Estado. 
Art. 62 - O Estado implementará um programa permanente de incentivo à produção de mídia em veículos de 
comunicação públicos que fomente a preservação, valorização, respeitabilidade e garantia da integridade 
dos legados cultural e identitário dos povos de terreiros de religiões afro-brasileiras. 
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Art. 63 - Fica assegurada a inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, sendo 
vedada a exposição da imagem de pessoas custodiadas em estabelecimentos prisionais e policiais da 
estrutura da Administração Pública Estadual, ressalvados os casos justificados por motivo de interesse 
público e de proteção aos direitos humanos, autorizados pelo dirigente da unidade ou autoridade policial 
civil ou militar, mediante a formalização de requerimento e justificativa.(que deram à luz há pouco tempo) - mães de crianças (isto é, mães de 
menores até 12 anos incompletos) ou - mães de pessoas com deficiência. EXCEÇÕES: Não deve ser 
autorizada a prisão domiciliar se: 1) a mulher tiver praticado crime mediante violência ou grave ameaça; 2) a 
mulher tiver praticado crime contra seus descendentes (filhos e/ou netos); 3) em outras situações 
excepcionalíssimas, as quais deverão ser devidamente fundamentadas pelos juízes que denegarem o 
benefício. Obs1: o raciocínio acima explicado vale também para adolescentes que tenham praticado atos 
infracionais. Obs2: a regra e as exceções acima explicadas também valem para a reincidente. O simples fato 
de que a mulher ser reincidente não faz com que ela perca o direito à prisão domiciliar. STF. 2ª Turma.HC 
143641/SP. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891). Observação: A Lei nº 
13.769/2018 positivou no CPP o entendimento manifestado pelo STF no julgamento acima explicado (HC 
143641). A principal diferença foi que o legislador não incluiu a exceção número 3. Além disso, na exceção 2 
não falou em descendentes, mas sim em filho ou dependente. Veja o artigo incluído pela Lei nº 13.769/2018 
no CPP: Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por 
crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que: I - não tenha 
cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; II - não tenha cometido o crime contra seu filho 
ou dependente. STF); 
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da 
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas (mesmo que 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
7 
 
ocorra após a naturalização) afins, na forma da lei; 
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião; 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; 
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o 
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos (Mas provas ilícitas podem ser 
utilizadas como meio de defesa. Aposta: STJ: É ilícita a prova obtida através de revista corporal oriunda de 
denúncia anônima!); 
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; 
(Atenção: O cumprimento da pena somente pode ter início com o esgotamento de todos os recursos. STF – 
Com a publicação da lei Anticrime, algumas penas (Júri) podem ser executadas de imediato). 
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em 
lei; 
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal; 
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o 
interesse social o exigirem; 
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade 
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em 
lei; 
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz 
competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; 
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada 
a assistência da família e de advogado; 
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial; 
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; 
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou 
sem fiança; 
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e 
inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel (Súmula vinculante 25-STF: É ilícita a prisão civil 
de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito); 
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou 
coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; 
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas 
corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou 
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; 
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: 
a) partido político com representação no Congresso Nacional; 
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há 
pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; 
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o 
exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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e à cidadania; 
LXXII - conceder-se-á habeas data: 
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros 
ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; 
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; 
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao 
patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio 
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas 
judiciais e do ônus da sucumbência; 
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de 
recursos; 
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo 
fixado na sentença; 
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: 
a) o registro civil de nascimento; 
b) a certidão de óbito; 
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao 
exercício da cidadania. 
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os 
meios que garantam a celeridade de sua tramitação. 
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos 
princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja 
parte. 
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa 
do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão 
equivalentes às emendas constitucionais (2 CASAS/ 2 TURNOS/ 3/5 DOS VOTOS). 
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado 
adesão. 
 
CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DA BAHIA 
 
CAPÍTULO XXIII 
Do Negro 
Art. 286. A sociedade baiana é cultural e historicamente marcada pela presença da comunidade afro-
brasileira, constituindo a prática do racismo crime inafiançável e imprescritível, sujeito a pena de reclusão 
(Mas isso você já viu acima), nos termos da Constituição Federal. 
Art. 287. Com países que mantiverem política oficial de discriminação racial, o Estado não poderá (Sempre 
cobrado!!!): 
I - admitir participação, ainda que indireta, através de empresas neles sediadas,racial; 
V - propiciar a concretização de ações integradas com os órgãos e entidades que compõem a Rede de 
Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa no Estado da Bahia; 
VI - produzir materiais informativos, tais como cartilhas, boletins e folhetos, sobre garantia de direitos, 
combate ao racismo e à intolerância religiosa e promoção da igualdade racial, disponibilizando-os aos 
órgãos, entidades e sociedade civil organizada; 
VII - disponibilizar acesso gratuito, nas dependências do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à 
Intolerância Religiosa, a acervo audiovisual e bibliográfico com ênfase na temática racial; 
VIII - exercer outras atividades correlatas. 
 
CAPÍTULO XII DA DEFESA DA LIBERDADE RELIGIOSA 
 
Art. 84 - É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos 
religiosos e garantida a proteção aos locais de culto e às suas liturgias. 
Art. 85 - É assegurado o acesso dos adeptos de religiões afro-brasileiras em estabelecimentos civis e 
militares de internação coletiva estaduais para prestar assistência religiosa, da forma prevista em 
regulamento. 
Art. 86 - As medidas para o combate à intolerância contra as religiões afro-brasileiras e seus adeptos 
compreendem especialmente: 
I - coibir a utilização dos meios de comunicação social para a difusão de proposições, imagens ou 
abordagens que exponham pessoa ou grupo ao desprezo ou ao ódio por motivos fundados na religiosidade 
afro-brasileira; 
II - inventariar, restaurar, preservar e proteger os documentos, obras e outros bens de valor artístico e 
cultural, os espaços públicos, monumentos, mananciais, flora, recursos ambientais e sítios arqueológicos 
vinculados às religiões afro-brasileiras; 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
69 
 
III - proibir a exposição, exploração comercial, veiculação, titulação prejudiciais aos símbolos, expressões, 
músicas, danças, instrumentos, adereços, vestuário e culinária, estritamente vinculados às religiões afro-
brasileiras. 
TÍTULO III DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS 
 
Art. 87 - Para o cumprimento das disposições contidas neste Estatuto, o Estado celebrará convênios, 
contratos, acordos ou instrumentos similares de cooperação com órgãos públicos ou instituições privadas. 
Art. 88 - Ficam alteradas as redações dos §§ 1º e 3º do art. 4º da Lei nº 7.988, de 21 de dezembro de 2001, 
que passarão a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 4º - ......................................................................... 
§ 1º - Os recursos do Fundo serão aplicados única e exclusivamente em despesas finalísticas destinadas ao 
combate à pobreza, salvo para atender as despesas com pessoal da Secretaria de Combate à Pobreza e às 
Desigualdades Sociais, garantindo-se a destinação de no mínimo 10% (dez por cento) do orçamento anual do 
Fundo para ações do Sistema Estadual de Promoção da Igualdade Racial – SISEPIR. 
........................................................................................... 
§ 3º - Os recursos do Fundo poderão ser alocados diretamente nos programas de trabalho de outros órgãos, 
secretarias ou entidades da Administração Pública Estadual, para financiar ações que contribuam para a 
consecução de diretrizes, objetivos e metas previstas no Plano Estadual de Combate e Erradicação da 
Pobreza, bem como as fixadas no Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, 
observadas, em qualquer caso, as finalidades estabelecidas no art. 4º desta lei.” 
Art. 89 - O Poder Executivo estimulará a criação e o fortalecimento, no âmbito da Defensoria Pública da 
Bahia, do Ministério Público da Bahia e do Poder Judiciário, de estruturas internas especializadas no combate 
ao racismo, proteção e defesa de direitos da população negra, povos de terreiros de religiões afro-brasileiras 
e comunidades quilombolas. 
Art. 90 - Durante os 05 (cinco) primeiros anos, a contar do exercício subsequente à publicação deste 
Estatuto, os órgãos do Estado que desenvolvem políticas e programas nas áreas referidas no § 1º do art. 12 
discriminarão em seus orçamentos anuais a participação nos programas de ação afirmativa referidos no 
inciso VII do art. 6° desta Lei. 
Art. 91 - As medidas de ação afirmativa para a população negra no Ensino Superior estadual já instituídas, ou 
cujo prazo tenha se esgotado, serão adequadas ao disposto no art. 31 deste Estatuto. 
Art. 92 - O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 90 (noventa) dias, ficando autorizado a 
promover os atos necessários: 
I - à revisão e elaboração dos atos regulamentares e regimentais que decorram, implícita ou explicitamente, 
das disposições desta Lei, inclusive os que se relacionam com pessoal, material e patrimônio, bem como as 
alterações organizacionais e de cargos em comissão decorrentes desta Lei; 
II - às modificações orçamentárias que se fizerem necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, 
respeitados os valores globais constantes do orçamento vigente, e no Plano Plurianual. 
Art. 93 - Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação. 
PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA 
BAHIA. 
JAQUES WAGNER 
Governador 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
70 
 
 
LEI Nº 9.455, DE 7 DE ABRIL DE 1997 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
 
Art. 1º Constitui crime de tortura: 
 
I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou 
mental (para ser tortura tem que possuir finalidade específica): 
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa; 
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; 
c) em razão de discriminação racial ou religiosa; 
 
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a 
intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter 
preventivo. 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
 
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento 
físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal. 
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre 
na pena de detenção de um a quatro anos. 
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se 
resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos. 
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: 
I - se o crime é cometido por agente público (A tortura de preso custodiado em delegacia praticada por 
policial constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração 
pública. STJ.); 
II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 
(sessenta) anos; 
III - se o crime é cometido mediante sequestro. 
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu 
exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. 
§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. 
§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em 
regime fechado (O Plenário do STF, ao julgar o HC 111.840/ES, declarou incidentalmente a 
inconstitucionalidade do § 1º, do art. 2º, da Lei nº 8.072/90, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 
11.464/2007, afastando, dessa forma, a obrigatoriedade do regime inicial fechado para os condenados por 
crimes hediondos e equiparados, incluído aqui o crime de tortura. Dessa forma, não é obrigatório que o 
condenado por crime de tortura inicie o cumprimento da pena no regime prisional fechado. STJ) 
Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, 
sendo a vítima brasileiraou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira (Crime de tortura 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
71 
 
praticado contra brasileiro no exterior: trata-se de hipótese de extraterritorialidade incondicionada (art. 2º 
da Lei 9.455?97). No Brasil, a competência para julgar será da Justiça Estadual. O fato de o crime de tortura, 
praticado contra brasileiros, ter ocorrido no exterior não torna, por si só, a Justiça Federal competente para 
processar e julgar os agentes estrangeiros. Isso porque a situação não se enquadra, a princípio, em 
nenhuma das hipóteses do art. 109 da CF/88. STJ). 
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Art. 4º Revoga-se o art. 233 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente. 
Brasília, 7 de abril de 1997; 176º da Independência e 109º da República. 
(Súmula vinculante 11-STF: Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga 
ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a 
excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da 
autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade 
civil do estado) 
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO 
Nelson A. Jobim 
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 8.4.1997 
 
 
LEI Nº 2.889, DE 1º DE OUTUBRO DE 1956. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: 
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
Art. 1º Quem, com a intenção de destruir (Tem que ter este objetivo específico), no todo ou em parte, 
grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal: 
a) matar membros do grupo; 
b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo; 
c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física 
total ou parcial; 
d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; 
e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo; 
Será punido (não possui penas próprias!): 
Com as penas do art. 121, § 2º, do Código Penal, no caso da letra a; 
Com as penas do art. 129, § 2º, no caso da letra b; 
Com as penas do art. 270, no caso da letra c; 
Com as penas do art. 125, no caso da letra d; 
Com as penas do art. 148, no caso da letra e; 
Art. 2º Associarem-se mais de 3 (três) (mínimo 04) pessoas para prática dos crimes mencionados no artigo 
anterior: 
Pena: Metade da cominada aos crimes ali previstos. 
Art. 3º Incitar, direta e publicamente alguém a cometer qualquer dos crimes de que trata o art. 1º: (Vide Lei 
nº 7.960, de 1989) 
Pena: Metade das penas ali cominadas. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm#233
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
72 
 
§ 1º A pena pelo crime de incitação será a mesma de crime incitado, se este se consumar. 
§ 2º A pena será aumentada de 1/3 (um terço), quando a incitação for cometida pela imprensa. 
Art. 4º A pena será agravada de 1/3 (um terço), no caso dos arts. 1º, 2º e 3º, quando cometido o crime por 
governante ou funcionário público. 
Art. 5º Será punida com 2/3 (dois terços) das respectivas penas a tentativa dos crimes definidos nesta lei. 
Art. 6º Os crimes de que trata esta lei não serão considerados crimes políticos para efeitos de extradição. 
Art. 7º Revogam-se as disposições em contrário. 
Rio de Janeiro, 1 de outubro de 1956; 135º da Independência e 68º da República. 
JUSCELINO KUBITSCHEK 
Nereu Ramos 
 
FINALIZANDO 
 
Terminou a primeira leitura? Inicie as aulas em vídeo. Não esqueça que as aulas são complementares. É o 
estudo reiterado desta apostila que te proporcionará pontos importantes. 
 
Agora responda, com base em sua apostila, as questões de IRG da última prova da PMBA 2019. 
 
O artigo 4° da Constituição Federal preocupou-se fundamentalmente com a definição dos princípios que 
devem orientar o Estado brasileiro nas suas relações internacionais. Nesse ponto, cumpre sublinhar que o 
relacionamento do Estado brasileiro com países estrangeiros ou organismos internacionais constitui- se de 
atos identificadores da soberania do País no plano internacional. Leia atentamente os itens abaixo e, nos 
termos da Constituição de 1988, assinale a alternativa que não contém princípio regente das relações 
internacionais brasileiras. 
a) Pluralismo político 
b) Prevalência dos direitos humanos 
c) Repúdio ao terrorismo e ao racismo 
d) Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade 
e) Concessão de asilo político 
 
Assinale a alternativa que apresenta corretamente órgão de assessoramento imediato ao Presidente da 
República nas questões sobre Políticas de promoção da Igualdade Racial 
a) Ministério da Justiça 
b) Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial 
c) Secretaria de políticas públicas 
d) Advogado-Geral da União 
e) Secretaria Especial da Defensoria Pública 
 
A Lei Federal n° 12.288 / 2010, institui o Estatuto da Igualdade Racial, destinado a garantir à população negra 
a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o 
combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica. Nos termos da lei, assinale a alternativa 
que indica corretamente o sentido de desigualdade de gênero e raça. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
73 
 
a) o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça usado pela 
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga 
b) toda situação injustificada de diferenciação de acesso e fruição de bens, serviços e oportunidades, nas 
esferas pública e privada, em virtude de raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica 
c) toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional 
ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de 
condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural 
ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada 
d) Os programas e medidas especiais adotados pelo Estado e pela iniciativa privada para a correção das 
desigualdades raciais e para a promoção da igualdade de oportunidades 
e) Assimetria existente no âmbito da sociedade que acentua a distância social entre mulheres negras e os 
demais segmentos sociais 
 
A Convenção Internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial considera todos os 
homens iguais perante a lei e têm o direito à igual proteção contra qualquer discriminação e contra qualquer 
incitamento à discriminação. Sobre o papel dos Estados Partes, assinale a alternativa incorreta. 
a) Cada Estado Parte compromete-se a efetuar nenhum ato ou prática de discriminação racial contra 
pessoas, grupos de pessoas ou instituições e fazer com que todas as autoridades públicas nacionais ou 
locais, se conformem com esta obrigação 
b) Cada Estado Parte compromete-se a não encorajar, defender ou apoiar a discriminação racial praticada 
por uma pessoa ou uma organização qualquer 
c) Cada Estado Parte só não deverá tomar medidas eficazes a fim de rever as politicas governamentais 
nacionais e locais e para modificar, ab-rogar ou anular qualquer disposição regulamentar que tenha como 
objetivo criar a discriminação ou perpetra-la onde já existir 
d) Cada Estado Parte deverá, por todos os meios apropriados, inclusive se as circunstâncias o exigirem, as 
medidas legislativas, proibir e por fim, a discriminação racial praticadas por pessoa, por grupo ou das 
organizações 
e) Cada Estado Parte compromete-se a favorecer, quando for o caso as organizações e movimentos multi-
raciais e outros meios próprios a eliminar as barreiras entre as raças e a desencorajar oque tende a 
fortalecer a divisão racial 
 
O Código Penal prevê, em seu artigo 140, a injúria racial como crime, considerando a ofensa feita a uma 
determinada pessoa com referência à sua raça, cor, etnia, religião ou origem. Sobre a injúria racial assinale a 
alternativa correta. 
a) Tem como bem jurídico a dignidade humana da coletividade 
b) Trata-se de ação penal pública incondicionada 
c) É imprescritível 
d) Cabe fiança 
e) A pena aplicada é detenção, de um a seis meses, ou multa 
 
Algumas perguntas possuem respostas questionáveis no gabarito, como é o caso desta última pergunta que, 
a priori, parece que o examinador não conhecia a jurisprudência atualizada acerca do tema. Caso você não 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
74 
 
saiba a resposta correta, busque em seu material e veja que, se estivesse estudado com a nossa estratégia, 
você teria gabaritado. 
 
Anexo a esta apostila você terá diversas questões para elucidar. Caso não saiba a resposta, pesquise em sua 
apostila. 
 
Nos vídeos ensinarei como você deve revisar e manter o estudo com os ciclos. 
 
O gabarito das perguntas da PMBA 2019 será apresentado durantes as aulas. 
 
Te vejo na plataforma. 
 
Kim. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
75 
 
Quer Deus presente na sua batalha? Abra a porta! Ele já batia nela antes de você existir. Oriente-se com o 
que Ele escreveu com o próprio dedo para que você pudesse desfrutar desta vida com a verdade ao seu 
lado: 
 
1. Não terás outros deuses além de mim. 
2. Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas 
debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor, o teu 
Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta 
geração daqueles que me desprezam, mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e 
obedecem aos meus mandamentos. 
3. Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar 
o seu nome em vão. 
4. Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus 
trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho 
algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os 
estrangeiros que morarem em tuas cidades. Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e 
tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o 
santificou. 
5. Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá. 
6. Não matarás. 
7. Não adulterarás. 
8. Não furtarás. 
9. Não darás falso testemunho contra o teu próximo. 
10. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou 
servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença 
 
E siga para o alvo. 
 
 
	CAPA IRG.pdf (p.1)
	IGUALDADE RACIAL POLÍCIA PENAL (3).pdf (p.2-76)
	IRG+-+CICLO+01 (1).pdf (p.2-76)
	IGUALDADE RACIAL.pdf (p.2-76)em qualquer processo 
licitatório da administração pública direta ou indireta; 
II - manter intercâmbio cultural ou desportivo, através de delegações oficiais. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
9 
 
Art. 288. A rede estadual de ensino e os cursos de formação e aperfeiçoamento do servidor público civil e 
militar incluirão em seus programas disciplina que valorize a participação do negro na formação histórica da 
sociedade brasileira. 
Art. 289. Sempre que for veiculada publicidade estadual com mais de duas pessoas, será assegurada a 
inclusão de uma da raça negra (Atenção: cai sempre! “Com mais de 02 pessoas...ou seja, mínimo de 03 
pessoas!). 
Art. 290. O Dia 20 de novembro será considerado, no calendário oficial, como Dia da Consciência Negra 
(Lembre de NOVEMBRO E SUA ABREVIATURA: NOVinte). 
 
LEI FEDERAL 12.288/2010 – ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL 
 
TÍTULO I 
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
Art. 1o Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial, destinado a garantir à população negra a efetivação 
da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à 
discriminação e às demais formas de intolerância étnica. 
Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto, considera-se (Se Estatuto da igualdade racial for cobrado em 
sua prova, este artigo SERÁ cobrado): 
I - discriminação racial ou étnico-racial: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, 
cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o 
reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades 
fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública 
ou privada; 
II - desigualdade racial: toda situação injustificada de diferenciação (Veja: discriminação e distinção não 
possuem a letra “E”. Desigualdade e DifErEnciação POSSUEM. FAÇA ESTA LIGAÇÃO DE PALAVRAS) de acesso 
e fruição de bens, serviços e oportunidades, nas esferas pública e privada, em virtude de raça, cor, 
descendência ou origem nacional ou étnica; 
III - desigualdade de gênero e raça: assimetria existente no âmbito da sociedade que acentua a distância 
social entre mulheres negras e os demais segmentos sociais (Toda vez que tiver a palavra GÊNERO, procure 
a alternativa que fala sobre mulheres negras); 
IV - população negra: o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor 
ou raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam 
autodefinição análoga; 
V - políticas públicas: as ações, iniciativas e programas adotados pelo Estado no cumprimento de suas 
atribuições institucionais; 
VI - ações afirmativas: os programas e medidas especiais adotados pelo Estado e pela iniciativa privada para 
a correção das desigualdades raciais e para a promoção da igualdade de oportunidades. 
Art. 2o É dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo 
cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou da cor da pele, o direito à participação na comunidade, 
especialmente nas atividades políticas, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e esportivas, 
defendendo sua dignidade e seus valores religiosos e culturais. 
Art. 3o Além das normas constitucionais relativas aos princípios fundamentais, aos direitos e garantias 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
10 
 
fundamentais e aos direitos sociais, econômicos e culturais, o Estatuto da Igualdade Racial adota como 
diretriz político-jurídica a inclusão das vítimas de desigualdade étnico-racial, a valorização da igualdade 
étnica e o fortalecimento da identidade nacional brasileira. 
Art. 4o A participação da população negra, em condição de igualdade de oportunidade, na vida econômica, 
social, política e cultural do País será promovida, prioritariamente, por meio de: 
I - inclusão nas políticas públicas de desenvolvimento econômico e social; 
II - adoção de medidas, programas e políticas de ação afirmativa; 
III - modificação das estruturas institucionais do Estado para o adequado enfrentamento e a superação das 
desigualdades étnicas decorrentes do preconceito e da discriminação étnica; 
IV - promoção de ajustes normativos para aperfeiçoar o combate à discriminação étnica e às desigualdades 
étnicas em todas as suas manifestações individuais, institucionais e estruturais; 
V - eliminação dos obstáculos históricos, socioculturais e institucionais que impedem a representação da 
diversidade étnica nas esferas pública e privada; 
VI - estímulo, apoio e fortalecimento de iniciativas oriundas da sociedade civil direcionadas à promoção da 
igualdade de oportunidades e ao combate às desigualdades étnicas, inclusive mediante a implementação de 
incentivos e critérios de condicionamento e prioridade no acesso aos recursos públicos; 
VII - implementação de programas de ação afirmativa destinados ao enfrentamento das desigualdades 
étnicas no tocante à educação, cultura, esporte e lazer, saúde, segurança, trabalho, moradia, meios de 
comunicação de massa, financiamentos públicos, acesso à terra, à Justiça, e outros. 
Parágrafo único. Os programas de ação afirmativa constituir-se-ão em políticas públicas destinadas a 
reparar as distorções e desigualdades sociais e demais práticas discriminatórias adotadas, nas esferas 
pública e privada, durante o processo de formação social do País. 
Art. 5o Para a consecução dos objetivos desta Lei, é instituído o Sistema Nacional de Promoção da 
Igualdade Racial (Sinapir), conforme estabelecido no Título III. 
TÍTULO II 
DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS 
CAPÍTULO I 
DO DIREITO À SAÚDE 
Art. 6o O direito à saúde da população negra será garantido pelo poder público mediante políticas 
universais, sociais e econômicas destinadas à redução do risco de doenças e de outros agravos. 
§ 1o O acesso universal e igualitário ao Sistema Único de Saúde (SUS) para promoção, proteção e 
recuperação da saúde da população negra será de responsabilidade dos órgãos e instituições públicas 
federais, estaduais, distritais e municipais, da administração direta e indireta. 
§ 2o O poder público garantirá que o segmento da população negra vinculado aos seguros privados de 
saúde seja tratado sem discriminação. 
Art. 7o O conjunto de ações de saúde voltadas à população negra constitui a Política Nacional de Saúde 
Integral da População Negra, organizada de acordo com as diretrizes abaixo especificadas: 
I - ampliação e fortalecimento da participação de lideranças dos movimentos sociais em defesa da saúde da 
população negra nas instâncias de participação e controle social do SUS; 
II - produção de conhecimento científico e tecnológico em saúde da população negra; 
III - desenvolvimento de processos de informação, comunicação e educação para contribuir com a redução 
das vulnerabilidades da população negra. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
11 
 
Art. 8o Constituem objetivos da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra: 
I - a promoção da saúde integral da população negra, priorizando a redução das desigualdades étnicas e o 
combate à discriminação nas instituições e serviços do SUS; 
II - a melhoria da qualidade dos sistemas de informação do SUS no que tange à coleta, ao processamento e à 
análise dos dados desagregados por cor, etnia e gênero; 
III - o fomento à realização de estudos e pesquisas sobre racismo e saúde da população negra; 
IV - a inclusão do conteúdo da saúde da população negra nos processos de formação e educação 
permanente dos trabalhadores da saúde; 
V - a inclusão da temática saúde da população negra nos processos de formação política das lideranças de 
movimentos sociais para o exercício da participação e controle social no SUS. 
Parágrafo único. Os moradores das comunidades de remanescentes de quilombos serão beneficiários de 
incentivos específicos para a garantia dodireito à saúde, incluindo melhorias nas condições ambientais, no 
saneamento básico, na segurança alimentar e nutricional e na atenção integral à saúde. 
CAPÍTULO II 
DO DIREITO À EDUCAÇÃO, À CULTURA, AO ESPORTE E AO LAZER 
Seção I 
Disposições Gerais 
Art. 9o A população negra tem direito a participar de atividades educacionais, culturais, esportivas e de 
lazer adequadas a seus interesses e condições, de modo a contribuir para o patrimônio cultural de sua 
comunidade e da sociedade brasileira. 
Art. 10. Para o cumprimento do disposto no art. 9o, os governos federal, estaduais, distrital e municipais 
adotarão as seguintes providências: 
I - promoção de ações para viabilizar e ampliar o acesso da população negra ao ensino gratuito e às 
atividades esportivas e de lazer; 
II - apoio à iniciativa de entidades que mantenham espaço para promoção social e cultural da população 
negra; 
III - desenvolvimento de campanhas educativas, inclusive nas escolas, para que a solidariedade aos 
membros da população negra faça parte da cultura de toda a sociedade; 
IV - implementação de políticas públicas para o fortalecimento da juventude negra brasileira. 
Seção II 
Da Educação 
Art. 11. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, é obrigatório 
o estudo da história geral da África e da história da população negra no Brasil, observado o disposto na Lei 
no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. 
§ 1o Os conteúdos referentes à história da população negra no Brasil serão ministrados no âmbito de todo 
o currículo escolar, resgatando sua contribuição decisiva para o desenvolvimento social, econômico, político 
e cultural do País. 
§ 2o O órgão competente do Poder Executivo fomentará a formação inicial e continuada de professores e a 
elaboração de material didático específico para o cumprimento do disposto no caput deste artigo. 
§ 3o Nas datas comemorativas de caráter cívico, os órgãos responsáveis pela educação incentivarão a 
participação de intelectuais e representantes do movimento negro para debater com os estudantes suas 
vivências relativas ao tema em comemoração. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
12 
 
Art. 12. Os órgãos federais, distritais e estaduais de fomento à pesquisa e à pós-graduação poderão criar 
incentivos a pesquisas e a programas de estudo voltados para temas referentes às relações étnicas, aos 
quilombos e às questões pertinentes à população negra. 
Art. 13. O Poder Executivo federal, por meio dos órgãos competentes, incentivará as instituições de ensino 
superior públicas e privadas, sem prejuízo da legislação em vigor, a: 
I - resguardar os princípios da ética em pesquisa e apoiar grupos, núcleos e centros de pesquisa, nos 
diversos programas de pós-graduação que desenvolvam temáticas de interesse da população negra; 
II - incorporar nas matrizes curriculares dos cursos de formação de professores temas que incluam valores 
concernentes à pluralidade étnica e cultural da sociedade brasileira; 
III - desenvolver programas de extensão universitária destinados a aproximar jovens negros de tecnologias 
avançadas, assegurado o princípio da proporcionalidade de gênero entre os beneficiários; 
IV - estabelecer programas de cooperação técnica, nos estabelecimentos de ensino públicos, privados e 
comunitários, com as escolas de educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e ensino técnico, para 
a formação docente baseada em princípios de equidade, de tolerância e de respeito às diferenças étnicas. 
Art. 14. O poder público estimulará e apoiará ações socioeducacionais realizadas por entidades do 
movimento negro que desenvolvam atividades voltadas para a inclusão social, mediante cooperação 
técnica, intercâmbios, convênios e incentivos, entre outros mecanismos. 
Art. 15. O poder público adotará programas de ação afirmativa. 
Art. 16. O Poder Executivo federal, por meio dos órgãos responsáveis pelas políticas de promoção da 
igualdade e de educação, acompanhará e avaliará os programas de que trata esta Seção. 
Seção III 
Da Cultura 
Art. 17. O poder público garantirá o reconhecimento das sociedades negras, clubes e outras formas de 
manifestação coletiva da população negra, com trajetória histórica comprovada, como patrimônio histórico 
e cultural, nos termos dos arts. 215 e 216 da Constituição Federal. 
Art. 18. É assegurado aos remanescentes das comunidades dos quilombos o direito à preservação de seus 
usos, costumes, tradições e manifestos religiosos, sob a proteção do Estado. 
Parágrafo único. A preservação dos documentos e dos sítios detentores de reminiscências históricas dos 
antigos quilombos, tombados nos termos do § 5o do art. 216 da Constituição Federal, receberá especial 
atenção do poder público. 
Art. 19. O poder público incentivará a celebração das personalidades e das datas comemorativas 
relacionadas à trajetória do samba e de outras manifestações culturais de matriz africana, bem como sua 
comemoração nas instituições de ensino públicas e privadas. 
Art. 20. O poder público garantirá o registro e a proteção da capoeira, em todas as suas modalidades, como 
bem de natureza imaterial e de formação da identidade cultural brasileira, nos termos do art. 216 da 
Constituição Federal. 
Parágrafo único. O poder público buscará garantir, por meio dos atos normativos necessários, a 
preservação dos elementos formadores tradicionais da capoeira nas suas relações internacionais. 
Seção IV 
Do Esporte e Lazer 
Art. 21. O poder público fomentará o pleno acesso da população negra às práticas desportivas, 
consolidando o esporte e o lazer como direitos sociais. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
13 
 
Art. 22. A capoeira é reconhecida como desporto de criação nacional, nos termos do art. 217 da 
Constituição Federal. 
§ 1o A atividade de capoeirista será reconhecida em todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, 
seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o exercício em todo o território nacional. 
§ 2o É facultado o ensino da capoeira nas instituições públicas e privadas pelos capoeiristas e mestres 
tradicionais, pública e formalmente reconhecidos. 
CAPÍTULO III 
DO DIREITO À LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE CRENÇA E AO LIVRE EXERCÍCIO DOS CULTOS RELIGIOSOS 
Art. 23. É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos 
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. 
Art. 24. O direito à liberdade de consciência e de crença e ao livre exercício dos cultos religiosos de matriz 
africana compreende: 
I - a prática de cultos, a celebração de reuniões relacionadas à religiosidade e a fundação e manutenção, por 
iniciativa privada, de lugares reservados para tais fins; 
II - a celebração de festividades e cerimônias de acordo com preceitos das respectivas religiões; 
III - a fundação e a manutenção, por iniciativa privada, de instituições beneficentes ligadas às respectivas 
convicções religiosas; 
IV - a produção, a comercialização, a aquisição e o uso de artigos e materiais religiosos adequados aos 
costumes e às práticas fundadas na respectiva religiosidade, ressalvadas as condutas vedadas por legislação 
específica; 
V - a produção e a divulgação de publicações relacionadas ao exercício e à difusão das religiões de matriz 
africana; 
VI - a coleta de contribuições financeiras de pessoas naturais e jurídicas de natureza privada para a 
manutenção das atividades religiosas e sociais das respectivas religiões; 
VII - o acesso aos órgãos e aos meios de comunicação para divulgação das respectivas religiões; 
VIII - a comunicação ao Ministério Público para abertura de ação penal em face de atitudes e práticas de 
intolerância religiosa nos meios de comunicação e em quaisquer outros locais. 
Art. 25. É assegurada a assistência religiosa aos praticantes de religiões de matrizes africanas internados em 
hospitais ou em outrasinstituições de internação coletiva, inclusive àqueles submetidos a pena privativa de 
liberdade. 
Art. 26. O poder público adotará as medidas necessárias para o combate à intolerância com as religiões de 
matrizes africanas e à discriminação de seus seguidores, especialmente com o objetivo de: 
I - coibir a utilização dos meios de comunicação social para a difusão de proposições, imagens ou 
abordagens que exponham pessoa ou grupo ao ódio ou ao desprezo por motivos fundados na religiosidade 
de matrizes africanas; 
II - inventariar, restaurar e proteger os documentos, obras e outros bens de valor artístico e cultural, os 
monumentos, mananciais, flora e sítios arqueológicos vinculados às religiões de matrizes africanas; 
III - assegurar a participação proporcional de representantes das religiões de matrizes africanas, ao lado da 
representação das demais religiões, em comissões, conselhos, órgãos e outras instâncias de deliberação 
vinculadas ao poder público. 
CAPÍTULO IV 
DO ACESSO À TERRA E À MORADIA ADEQUADA 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
14 
 
Seção I 
Do Acesso à Terra 
Art. 27. O poder público elaborará e implementará políticas públicas capazes de promover o acesso da 
população negra à terra e às atividades produtivas no campo. 
Art. 28. Para incentivar o desenvolvimento das atividades produtivas da população negra no campo, o 
poder público promoverá ações para viabilizar e ampliar o seu acesso ao financiamento agrícola. 
Art. 29. Serão assegurados à população negra a assistência técnica rural, a simplificação do acesso ao 
crédito agrícola e o fortalecimento da infraestrutura de logística para a comercialização da produção. 
Art. 30. O poder público promoverá a educação e a orientação profissional agrícola para os trabalhadores 
negros e as comunidades negras rurais. 
Art. 31. Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é 
reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos. 
Art. 32. O Poder Executivo federal elaborará e desenvolverá políticas públicas especiais voltadas para o 
desenvolvimento sustentável dos remanescentes das comunidades dos quilombos, respeitando as tradições 
de proteção ambiental das comunidades. 
Art. 33. Para fins de política agrícola, os remanescentes das comunidades dos quilombos receberão dos 
órgãos competentes tratamento especial diferenciado, assistência técnica e linhas especiais de 
financiamento público, destinados à realização de suas atividades produtivas e de infraestrutura. 
Art. 34. Os remanescentes das comunidades dos quilombos se beneficiarão de todas as iniciativas previstas 
nesta e em outras leis para a promoção da igualdade étnica. 
Seção II 
Da Moradia 
Art. 35. O poder público garantirá a implementação de políticas públicas para assegurar o direito à moradia 
adequada da população negra que vive em favelas, cortiços, áreas urbanas subutilizadas, degradadas ou em 
processo de degradação, a fim de reintegrá-las à dinâmica urbana e promover melhorias no ambiente e na 
qualidade de vida. 
Parágrafo único. O direito à moradia adequada, para os efeitos desta Lei, inclui não apenas o provimento 
habitacional, mas também a garantia da infraestrutura urbana e dos equipamentos comunitários associados 
à função habitacional, bem como a assistência técnica e jurídica para a construção, a reforma ou a 
regularização fundiária da habitação em área urbana. 
Art. 36. Os programas, projetos e outras ações governamentais realizadas no âmbito do Sistema Nacional 
de Habitação de Interesse Social (SNHIS), regulado pela Lei no 11.124, de 16 de junho de 2005, devem 
considerar as peculiaridades sociais, econômicas e culturais da população negra. 
Parágrafo único. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios estimularão e facilitarão a participação de 
organizações e movimentos representativos da população negra na composição dos conselhos constituídos 
para fins de aplicação do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). 
Art. 37. Os agentes financeiros, públicos ou privados, promoverão ações para viabilizar o acesso da 
população negra aos financiamentos habitacionais. 
CAPÍTULO V 
DO TRABALHO 
Art. 38. A implementação de políticas voltadas para a inclusão da população negra no mercado de trabalho 
será de responsabilidade do poder público, observando-se: 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
15 
 
I - o instituído neste Estatuto; 
II - os compromissos assumidos pelo Brasil ao ratificar a Convenção Internacional sobre a Eliminação de 
Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1965; 
III - os compromissos assumidos pelo Brasil ao ratificar a Convenção no 111, de 1958, da Organização 
Internacional do Trabalho (OIT), que trata da discriminação no emprego e na profissão; 
IV - os demais compromissos formalmente assumidos pelo Brasil perante a comunidade internacional. 
Art. 39. O poder público promoverá ações que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de 
trabalho para a população negra, inclusive mediante a implementação de medidas visando à promoção da 
igualdade nas contratações do setor público e o incentivo à adoção de medidas similares nas empresas e 
organizações privadas. 
§ 1o A igualdade de oportunidades será lograda mediante a adoção de políticas e programas de formação 
profissional, de emprego e de geração de renda voltados para a população negra. 
§ 2o As ações visando a promover a igualdade de oportunidades na esfera da administração pública far-se-
ão por meio de normas estabelecidas ou a serem estabelecidas em legislação específica e em seus 
regulamentos. 
§ 3o O poder público estimulará, por meio de incentivos, a adoção de iguais medidas pelo setor privado. 
§ 4o As ações de que trata o caput deste artigo assegurarão o princípio da proporcionalidade de gênero 
entre os beneficiários. 
§ 5o Será assegurado o acesso ao crédito para a pequena produção, nos meios rural e urbano, com ações 
afirmativas para mulheres negras. 
§ 6o O poder público promoverá campanhas de sensibilização contra a marginalização da mulher negra no 
trabalho artístico e cultural. 
§ 7o O poder público promoverá ações com o objetivo de elevar a escolaridade e a qualificação profissional 
nos setores da economia que contem com alto índice de ocupação por trabalhadores negros de baixa 
escolarização. 
Art. 40. O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) formulará políticas, 
programas e projetos voltados para a inclusão da população negra no mercado de trabalho e orientará a 
destinação de recursos para seu financiamento. 
Art. 41. As ações de emprego e renda, promovidas por meio de financiamento para constituição e 
ampliação de pequenas e médias empresas e de programas de geração de renda, contemplarão o estímulo 
à promoção de empresários negros. 
Parágrafo único. O poder público estimulará as atividades voltadas ao turismo étnico com enfoque nos 
locais, monumentos e cidades que retratem a cultura, os usos e os costumes da população negra. 
Art. 42. O Poder Executivo federal poderá implementar critérios para provimento de cargos em comissão e 
funções de confiança destinados a ampliar a participação de negros, buscando reproduzir a estrutura da 
distribuição étnica nacional ou, quando for o caso, estadual, observados os dados demográficos oficiais. 
CAPÍTULO VI 
DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO 
Art. 43. A produção veiculada pelos órgãos de comunicação valorizará a herança cultural e a participação da 
população negra na história do País. 
Art. 44. Na produção de filmes e programas destinados à veiculação pelas emissoras de televisão e em salas 
cinematográficas, deverá ser adotada a prática de conferir oportunidades de emprego para atores, 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
16 
 
figurantes e técnicos negros, sendo vedada toda e qualquer discriminação de natureza política, ideológica, 
étnica ou artística. 
Parágrafoúnico. A exigência disposta no caput não se aplica aos filmes e programas que abordem 
especificidades de grupos étnicos determinados. 
Art. 45. Aplica-se à produção de peças publicitárias destinadas à veiculação pelas emissoras de televisão e 
em salas cinematográficas o disposto no art. 44. 
Art. 46. Os órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica ou fundacional, as 
empresas públicas e as sociedades de economia mista federais deverão incluir cláusulas de participação de 
artistas negros nos contratos de realização de filmes, programas ou quaisquer outras peças de caráter 
publicitário. 
§ 1o Os órgãos e entidades de que trata este artigo incluirão, nas especificações para contratação de 
serviços de consultoria, conceituação, produção e realização de filmes, programas ou peças publicitárias, a 
obrigatoriedade da prática de iguais oportunidades de emprego para as pessoas relacionadas com o projeto 
ou serviço contratado. 
§ 2o Entende-se por prática de iguais oportunidades de emprego o conjunto de medidas sistemáticas 
executadas com a finalidade de garantir a diversidade étnica, de sexo e de idade na equipe vinculada ao 
projeto ou serviço contratado. 
§ 3o A autoridade contratante poderá, se considerar necessário para garantir a prática de iguais 
oportunidades de emprego, requerer auditoria por órgão do poder público federal. 
§ 4o A exigência disposta no caput não se aplica às produções publicitárias quando abordarem 
especificidades de grupos étnicos determinados. 
TÍTULO III 
Do Sistema NACIONAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL 
(SINAPIR) 
CAPÍTULO I 
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR 
Art. 47. É instituído o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) como forma de 
organização e de articulação voltadas à implementação do conjunto de políticas e serviços destinados a 
superar as desigualdades étnicas existentes no País, prestados pelo poder público federal. 
§ 1o Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão participar do Sinapir mediante adesão. 
§ 2o O poder público federal incentivará a sociedade e a iniciativa privada a participar do Sinapir. 
CAPÍTULO II 
DOS OBJETIVOS 
Art. 48. São objetivos do Sinapir: 
I - promover a igualdade étnica e o combate às desigualdades sociais resultantes do racismo, inclusive 
mediante adoção de ações afirmativas; 
II - formular políticas destinadas a combater os fatores de marginalização e a promover a integração social 
da população negra; 
III - descentralizar a implementação de ações afirmativas pelos governos estaduais, distrital e municipais; 
IV - articular planos, ações e mecanismos voltados à promoção da igualdade étnica; 
V - garantir a eficácia dos meios e dos instrumentos criados para a implementação das ações afirmativas e o 
cumprimento das metas a serem estabelecidas. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
17 
 
CAPÍTULO III 
DA ORGANIZAÇÃO E COMPETÊNCIA 
Art. 49. O Poder Executivo federal elaborará plano nacional de promoção da igualdade racial contendo as 
metas, princípios e diretrizes para a implementação da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial 
(PNPIR). 
§ 1o A elaboração, implementação, coordenação, avaliação e acompanhamento da PNPIR, bem como a 
organização, articulação e coordenação do Sinapir, serão efetivados pelo órgão responsável pela política de 
promoção da igualdade étnica em âmbito nacional. 
§ 2o É o Poder Executivo federal autorizado a instituir fórum intergovernamental de promoção da igualdade 
étnica, a ser coordenado pelo órgão responsável pelas políticas de promoção da igualdade étnica, com o 
objetivo de implementar estratégias que visem à incorporação da política nacional de promoção da 
igualdade étnica nas ações governamentais de Estados e Municípios. 
§ 3o As diretrizes das políticas nacional e regional de promoção da igualdade étnica serão elaboradas por 
órgão colegiado que assegure a participação da sociedade civil. 
Art. 50. Os Poderes Executivos estaduais, distrital e municipais, no âmbito das respectivas esferas de 
competência, poderão instituir conselhos de promoção da igualdade étnica, de caráter permanente e 
consultivo, compostos por igual número de representantes de órgãos e entidades públicas e de 
organizações da sociedade civil representativas da população negra. 
Parágrafo único. O Poder Executivo priorizará o repasse dos recursos referentes aos programas e atividades 
previstos nesta Lei aos Estados, Distrito Federal e Municípios que tenham criado conselhos de promoção da 
igualdade étnica. 
CAPÍTULO IV 
Das Ouvidorias Permanentes E DO ACESSO À JUSTIÇA E À SEGURANÇA 
Art. 51. O poder público federal instituirá, na forma da lei e no âmbito dos Poderes Legislativo e Executivo, 
Ouvidorias Permanentes em Defesa da Igualdade Racial, para receber e encaminhar denúncias de 
preconceito e discriminação com base em etnia ou cor e acompanhar a implementação de medidas para a 
promoção da igualdade. 
Art. 52. É assegurado às vítimas de discriminação étnica o acesso aos órgãos de Ouvidoria Permanente, à 
Defensoria Pública, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, em todas as suas instâncias, para a garantia 
do cumprimento de seus direitos. 
Parágrafo único. O Estado assegurará atenção às mulheres negras em situação de violência, garantida a 
assistência física, psíquica, social e jurídica. 
Art. 53. O Estado adotará medidas especiais para coibir a violência policial incidente sobre a população 
negra. 
Parágrafo único. O Estado implementará ações de ressocialização e proteção da juventude negra em 
conflito com a lei e exposta a experiências de exclusão social. 
Art. 54. O Estado adotará medidas para coibir atos de discriminação e preconceito praticados por 
servidores públicos em detrimento da população negra, observado, no que couber, o disposto na Lei no 
7.716, de 5 de janeiro de 1989. 
Art. 55. Para a apreciação judicial das lesões e das ameaças de lesão aos interesses da população negra 
decorrentes de situações de desigualdade étnica, recorrer-se-á, entre outros instrumentos, à ação civil 
pública, disciplinada na Lei no 7.347, de 24 de julho de 1985. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
18 
 
CAPÍTULO V 
DO FINANCIAMENTO DAS INICIATIVAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL 
Art. 56. Na implementação dos programas e das ações constantes dos planos plurianuais e dos orçamentos 
anuais da União, deverão ser observadas as políticas de ação afirmativa a que se refere o inciso VII do art. 4o 
desta Lei e outras políticas públicas que tenham como objetivo promover a igualdade de oportunidades e a 
inclusão social da população negra, especialmente no que tange a: 
I - promoção da igualdade de oportunidades em educação, emprego e moradia; 
II - financiamento de pesquisas, nas áreas de educação, saúde e emprego, voltadas para a melhoria da 
qualidade de vida da população negra; 
III - incentivo à criação de programas e veículos de comunicação destinados à divulgação de matérias 
relacionadas aos interesses da população negra; 
IV - incentivo à criação e à manutenção de microempresas administradas por pessoas autodeclaradas 
negras; 
V - iniciativas que incrementem o acesso e a permanência das pessoas negras na educação fundamental, 
média, técnica e superior; 
VI - apoio a programas e projetos dos governos estaduais, distrital e municipais e de entidades da sociedade 
civil voltados para a promoção da igualdade de oportunidades para a população negra; 
VII - apoio a iniciativas em defesa da cultura, da memória e das tradições africanas e brasileiras. 
§ 1o O Poder Executivo federal é autorizado a adotar medidas que garantam, em cada exercício, a 
transparência na alocação e na execução dos recursos necessários ao financiamento das ações previstas 
neste Estatuto, explicitando, entre outros, a proporção dos recursos orçamentários destinados aos 
programas de promoção da igualdade, especialmente nas áreas de educação, saúde, empregoe renda, 
desenvolvimento agrário, habitação popular, desenvolvimento regional, cultura, esporte e lazer. 
§ 2o Durante os 5 (cinco) primeiros anos, a contar do exercício subsequente à publicação deste Estatuto, os 
órgãos do Poder Executivo federal que desenvolvem políticas e programas nas áreas referidas no § 1o deste 
artigo discriminarão em seus orçamentos anuais a participação nos programas de ação afirmativa referidos 
no inciso VII do art. 4o desta Lei. 
§ 3o O Poder Executivo é autorizado a adotar as medidas necessárias para a adequada implementação do 
disposto neste artigo, podendo estabelecer patamares de participação crescente dos programas de ação 
afirmativa nos orçamentos anuais a que se refere o § 2o deste artigo. 
§ 4o O órgão colegiado do Poder Executivo federal responsável pela promoção da igualdade racial 
acompanhará e avaliará a programação das ações referidas neste artigo nas propostas orçamentárias da 
União. 
Art. 57. Sem prejuízo da destinação de recursos ordinários, poderão ser consignados nos orçamentos fiscal 
e da seguridade social para financiamento das ações de que trata o art. 56: 
I - transferências voluntárias dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; 
II - doações voluntárias de particulares; 
III - doações de empresas privadas e organizações não governamentais, nacionais ou internacionais; 
IV - doações voluntárias de fundos nacionais ou internacionais; 
V - doações de Estados estrangeiros, por meio de convênios, tratados e acordos internacionais. 
TÍTULO IV 
DISPOSIÇÕES FINAIS 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
19 
 
Art. 58. As medidas instituídas nesta Lei não excluem outras em prol da população negra que tenham sido 
ou venham a ser adotadas no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 
Art. 59. O Poder Executivo federal criará instrumentos para aferir a eficácia social das medidas previstas 
nesta Lei e efetuará seu monitoramento constante, com a emissão e a divulgação de relatórios periódicos, 
inclusive pela rede mundial de computadores. 
Art. 60. Os arts. 3o e 4o da Lei nº 7.716, de 1989, passam a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 3o ........................................................................ 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, religião ou 
procedência nacional, obstar a promoção funcional.” (NR) 
“Art. 4o ........................................................................ 
§ 1º Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça ou de cor ou práticas resultantes 
do preconceito de descendência ou origem nacional ou étnica: 
I - deixar de conceder os equipamentos necessários ao empregado em igualdade de condições com os 
demais trabalhadores; 
II - impedir a ascensão funcional do empregado ou obstar outra forma de benefício profissional; 
III - proporcionar ao empregado tratamento diferenciado no ambiente de trabalho, especialmente quanto 
ao salário. 
§ 2o Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de 
promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento de 
trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas atividades não 
justifiquem essas exigências.” (NR) 
Art. 61. Os arts. 3o e 4o da Lei nº 9.029, de 13 de abril de 1995, passam a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 3o Sem prejuízo do prescrito no art. 2o e nos dispositivos legais que tipificam os crimes resultantes de 
preconceito de etnia, raça ou cor, as infrações do disposto nesta Lei são passíveis das seguintes cominações: 
...................................................................................” (NR) 
“Art. 4o O rompimento da relação de trabalho por ato discriminatório, nos moldes desta Lei, além do 
direito à reparação pelo dano moral, faculta ao empregado optar entre: 
...................................................................................” (NR) 
Art. 62. O art. 13 da Lei no 7.347, de 1985, passa a vigorar acrescido do seguinte § 2o, renumerando-se o 
atual parágrafo único como § 1o: 
“Art. 13. ........................................................................ 
§ 1o ............................................................................... 
§ 2º Havendo acordo ou condenação com fundamento em dano causado por ato de discriminação étnica 
nos termos do disposto no art. 1o desta Lei, a prestação em dinheiro reverterá diretamente ao fundo de que 
trata o caput e será utilizada para ações de promoção da igualdade étnica, conforme definição do Conselho 
Nacional de Promoção da Igualdade Racial, na hipótese de extensão nacional, ou dos Conselhos de 
Promoção de Igualdade Racial estaduais ou locais, nas hipóteses de danos com extensão regional ou local, 
respectivamente.” (NR) 
Art. 63. O § 1o do art. 1o da Lei nº 10.778, de 24 de novembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte 
redação: 
“Art. 1o ....................................................................... 
§ 1º Para os efeitos desta Lei, entende-se por violência contra a mulher qualquer ação ou conduta, baseada 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
20 
 
no gênero, inclusive decorrente de discriminação ou desigualdade étnica, que cause morte, dano ou 
sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público quanto no privado. 
...................................................................................” (NR) 
Art. 64. O § 3o do art. 20 da Lei nº 7.716, de 1989, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso III: 
“Art. 20. ...................................................................... 
............................................................................................. 
§ 3o ............................................................................... 
............................................................................................. 
III - a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores. 
...................................................................................” (NR) 
Art. 65. Esta Lei entra em vigor 90 (noventa) dias após a data de sua publicação. 
Brasília, 20 de julho de 2010; 189o da Independência e 122o da República. 
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA 
Eloi Ferreira de Araújo 
 
LEI FEDERAL Nº 7.716/89 ALTERADA PELA LEI 9.459/97 – CRIMES DE PRECONCEITO 
 
Jurisprudência: STF julgou que, até que "sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional destinada a 
implementar os mandados de criminalização definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição da 
República, as condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que envolvem aversão odiosa à 
orientação sexual ou à identidade de gênero de alguém, por traduzirem expressões de racismo, 
compreendido este em sua dimensão social, ajustam-se, por identidade de razão e mediante adequação 
típica, aos preceitos primários de incriminação definidos na Lei nº 7.716, de 08/01/1989, constituindo, 
também, na hipótese de homicídio doloso, circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe 
(Código Penal, art. 121, § 2º, I, “in fine”) - 13.06.2019. 
Jurisprudência: O STF e o STJ entenderam que o crime de Injúria Racial (140 § 3º CP) é equiparado ao crime 
de Racismo, previsto nesta lei. Assim, a injuria racial passa a ser imprescritível e inafiançável (Caso Paulo 
Henrique Amorim X Heraldo Pereira, em que o primeiro agente chama o outro de “negro de alma branca”) 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, 
cor, etnia, religião ou procedência nacional (Veja, não é só sobre cor e raça. Engloba etnia, religião ou 
procedência nacional – veja que opção sexual - apesar do STF entender quehomofobia é equiparável ao 
racismo - não se encontra aqui). (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
Art. 2º (Vetado). 
Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Administração 
Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos. 
Pena: reclusão de dois a cinco anos. 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, religião ou 
procedência nacional, obstar a promoção funcional. (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) 
Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada. 
Pena: reclusão de dois a cinco anos. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
21 
 
§ 1o Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça ou de cor ou práticas resultantes 
do preconceito de descendência ou origem nacional ou étnica: (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) 
I - deixar de conceder os equipamentos necessários ao empregado em igualdade de condições com os 
demais trabalhadores; (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) 
II - impedir a ascensão funcional do empregado ou obstar outra forma de benefício profissional; (Incluído 
pela Lei nº 12.288, de 2010) 
III - proporcionar ao empregado tratamento diferenciado no ambiente de trabalho, especialmente quanto 
ao salário. (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) 
§ 2o Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de 
promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento de 
trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas atividades não 
justifiquem essas exigências (é a única pena que não é de reclusão). 
Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber 
cliente ou comprador. 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 6º Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino público ou 
privado de qualquer grau. 
Pena: reclusão de três a cinco anos. 
Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor de dezoito anos a pena é agravada de 1/3 (um 
terço). 
Art. 7º Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer 
estabelecimento similar. 
Pena: reclusão de três a cinco anos. 
Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais semelhantes 
abertos ao público. 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 9º Impedir o acesso ou recusar atendimento em estabelecimentos esportivos, casas de diversões, ou 
clubes sociais abertos ao público. 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 10. Impedir o acesso ou recusar atendimento em salões de cabeleireiros, barbearias, termas ou casas 
de massagem ou estabelecimento com as mesmas finalidades. 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 11. Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou escada de 
acesso aos mesmos: 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 12. Impedir o acesso ou uso de transportes públicos, como aviões, navios barcas, barcos, ônibus, trens, 
metrô ou qualquer outro meio de transporte concedido. 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 13. Impedir ou obstar o acesso de alguém ao serviço em qualquer ramo das Forças Armadas. 
Pena: reclusão de dois a quatro anos. 
Art. 14. Impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, o casamento ou convivência familiar e social. 
Pena: reclusão de dois a quatro anos. 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
22 
 
Art. 15. (Vetado). 
Art. 16. Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e a 
suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três meses. 
Art. 17. (Vetado). 
Art. 18. Os efeitos de que tratam os arts. 16 e 17 desta Lei não são automáticos, devendo ser 
motivadamente declarados na sentença. 
Art. 19. (Vetado). 
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou 
procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
Pena: reclusão de um a três anos e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou 
propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação dada pela 
Lei nº 9.459, de 15/05/97) – Ou seja, tem que ter a finalidade específica. 
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social 
ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
§ 3º No caso do parágrafo anterior (veja acima!) o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a 
pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: (Redação dada pela Lei nº 
9.459, de 15/05/97) 
I - o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;(Incluído pela Lei 
nº 9.459, de 15/05/97) 
II - a cessação das respectivas transmissões radiofônicas, televisivas, eletrônicas ou da publicação por 
qualquer meio; (Redação dada pela Lei nº 12.735, de 2012) 
III - a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores. 
(Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) 
§ 4º Na hipótese do § 2º, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a 
destruição do material apreendido. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. (Renumerado pela Lei nº 8.081, de 21.9.1990) 
Art. 22. Revogam-se as disposições em contrário. (Renumerado pela Lei nº 8.081, de 21.9.1990) 
Brasília, 5 de janeiro de 1989; 168º da Independência e 101º da República. 
JOSÉ SARNEY 
Paulo Brossard 
 
As bancas gostam de cobrar as penas dos respectivos crimes. Veja como organizar: 
• Todas são reclusão, exceto uma. 
• Penas 1 a 3 anos: Principal + comércio, elevador e transporte. (Lembre-se do crime principal 
cometido em um restaurante que você chegou após pegar um ônibus e um elevador) 
• Penas de 2 a 4 anos: forças armadas e casamento (lembre-se da sua esposa Sargentona ou do 
marido Sargentão) 
• Penas de 2 a 5 anos: trabalho + nazista e redes sociais (lembre-se de um trabalhador vestido de 
nazista olhando o notebook) 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
23 
 
• Penas de 3 a 5 anos: escola/hotel (são as maiores penas) 
• As penas mínimas vão de 1 a 3. As máximas vão de 3 a 5. 
 
DECRETO FEDERAL 65.810 /69 – CONVENÇÃO INTER. ELIMINAÇÃO DISCRIMINAÇÃO 
 
A CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL. 
Os Estados Partes na presente Convenção, 
Considerando que a Carta das Nações Unidas baseia-se em princípios de dignidade e igualdade inerentes a 
todos os seres humanos, e que todos os Estados Membros comprometeram-se a tomar medidas separadas 
e conjuntas, em cooperação com a Organização, para a consecução de um dos propósitos das Nações 
Unidas que é promover e encorajar o respeito universal e observância dos direitos humanos e liberdades 
fundamentais para todos, sem discriminação de raça, sexo, idioma ou religião. 
Considerando que a Declaração Universal dos Direitos do Homem proclama que todos os homens nascem 
livres e iguais em dignidade e direitos e que todo homem tem todos os direitos estabelecidos na mesma, 
sem distinção de qualquer espécie e principalmente de raça, cor ou origem nacional, 
Considerando todos os homens são iguais perante a lei e têm o direito à igual proteção contra qualquer 
discriminação e contra qualquer incitamento à discriminação, 
Considerando que as Nações Unidas têm condenado o colonialismo e todas as práticasque tende a 
fortalecer a divisão racial 
 
O Código Penal prevê, em seu artigo 140, a injúria racial como crime, considerando a ofensa feita a uma 
determinada pessoa com referência à sua raça, cor, etnia, religião ou origem. Sobre a injúria racial assinale a 
alternativa correta. 
a) Tem como bem jurídico a dignidade humana da coletividade 
b) Trata-se de ação penal pública incondicionada 
c) É imprescritível 
d) Cabe fiança 
e) A pena aplicada é detenção, de um a seis meses, ou multa 
 
Algumas perguntas possuem respostas questionáveis no gabarito, como é o caso desta última pergunta que, 
a priori, parece que o examinador não conhecia a jurisprudência atualizada acerca do tema. Caso você não 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
74 
 
saiba a resposta correta, busque em seu material e veja que, se estivesse estudado com a nossa estratégia, 
você teria gabaritado. 
 
Anexo a esta apostila você terá diversas questões para elucidar. Caso não saiba a resposta, pesquise em sua 
apostila. 
 
Nos vídeos ensinarei como você deve revisar e manter o estudo com os ciclos. 
 
O gabarito das perguntas da PMBA 2019 será apresentado durantes as aulas. 
 
Te vejo na plataforma. 
 
Kim. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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Quer Deus presente na sua batalha? Abra a porta! Ele já batia nela antes de você existir. Oriente-se com o 
que Ele escreveu com o próprio dedo para que você pudesse desfrutar desta vida com a verdade ao seu 
lado: 
 
1. Não terás outros deuses além de mim. 
2. Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas 
debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor, o teu 
Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta 
geração daqueles que me desprezam, mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e 
obedecem aos meus mandamentos. 
3. Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus, pois o Senhor não deixará impune quem tomar 
o seu nome em vão. 
4. Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus 
trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho 
algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os 
estrangeiros que morarem em tuas cidades. Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e 
tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o 
santificou. 
5. Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá. 
6. Não matarás. 
7. Não adulterarás. 
8. Não furtarás. 
9. Não darás falso testemunho contra o teu próximo. 
10. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou 
servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença 
 
E siga para o alvo. 
 
 
	CAPA IRG.pdf (p.1)
	IGUALDADE RACIAL POLÍCIA PENAL (3).pdf (p.2-76)
	IRG+-+CICLO+01 (1).pdf (p.2-76)
	IGUALDADE RACIAL.pdf (p.2-76)

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