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Atividade 2 (A2) Libras A Língua Brasileira de Sinais (Libras) possui diversas semelhanças estruturais com as línguas faladas e auditivas, sendo totalmente reconhecida como um idioma por ter uma gramática própria e normas sintáticas, semânticas e pragmáticas. Contudo, possui características únicas devido à sua natureza visuo-espacial. Ao contrário das línguas orais, que se baseiam em sons articulados e audição, a Libras se vale de recursos visuais e espaciais, tais como gestos, expressões faciais, movimentos corporais e o espaço tridimensional, para comunicar informações. A utilização do espaço em torno do corpo possibilita a organização de elementos gramaticais e semânticos, tais como sujeito, tempo verbal e relações espaciais, características que não são encontradas nas línguas faladas, que dependem de palavras ou entonação para desempenhar essas funções. A estrutura gramatical da Libras é distinta e não segue a sequência tradicional sujeito-verbo-objeto (SVO) do português. Em diversas circunstâncias, a sequência pode ser objeto-sujeito-verbo (OSV), uma vez que as informações mais relevantes costumam ser enfatizadas no começo da sentença. Ademais, expressões faciais e corporais são essenciais para identificar questões gramaticais, como o tipo de sentença (afirmativa, interrogativa ou exclamativa) e a concordância verbal. Apesar de alguns sinais em Libras poderem ser visualmente relacionados a objetos ou ideias, a maior parte deles é aleatória, tal como as palavras nas línguas faladas. Uma característica marcante é a falta de um sistema de escrita amplamente estabelecido para Libras. Algumas iniciativas, como o SignWriting e o sistema HamNoSys( sistema de notação de Hamburgo) , foram criadas para transcrever a língua. No entanto, seu uso ainda é restrito, ao contrário das línguas faladas, que têm sistemas de escrita padronizados e amplamente utilizados. Ademais, ao contrário das línguas faladas, que se baseiam em fonemas como unidades fundamentais, a Libras se baseia em quiroformas (formas das mãos), localização (local onde o sinal é realizado), movimento, orientação das palmas das mãos e expressões não verbais (movimentos de sobrancelhas, boca, etc.) como seus elementos essenciais. Assim, mesmo apresentando a mesma complexidade e funcionalidade que qualquer outra língua, a Libras se distingue pela sua codificação e disposição de informações no espaço visual. Essas particularidades consolidam sua legitimidade como idioma e realçam a diversidade cultural e identitária da comunidade surda.