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Introdução à Teoria Econômica
Noções elementares das ciências econômicas a partir dos ferramentais da Microeconomia, da
Macroeconomia e do desenvolvimento econômico.
Prof.º Raphael de Paiva Barbosa
1. Itens iniciais
Propósito
Apresentar o funcionamento das firmas, a composição dos mercados e a formação dos grandes agregados
econômicos, além dos reflexos dessas variáveis no cotidiano das organizações.
Objetivos
Reconhecer os conceitos fundamentais da Economia.
Identificar os ferramentais básicos da Microeconomia na compreensão do comportamento de 
mercados distintos.
Reconhecer os principais agregados macroeconômicos.
Introdução
Certamente em algum momento de sua vida você já se deparou com alguns dos questionamentos da próxima
imagem. Todos esses questionamentos se referem ao campo de estudos da Economia, que estuda o
funcionamento das atividades econômicas da sociedade global. Para compreender essa área de
conhecimento, é necessário conhecer os conceitos fundamentais da Economia, os ferramentais básicos da
Microeconomia e os principais agregados macroeconômicos. 
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• 
• 
1. Conceitos fundamentais da Economia
Conceitos fundamentais
O estudo introdutório da Economia tem o intuito de estimular a busca por respostas para os principais
problemas econômicos, demonstrar as principais teorias e correntes econômicas e sua aplicabilidade em
questões práticas na vida dos indivíduos e no funcionamento das organizações.
Mas você sabe quando a economia moderna surgiu?
De acordo com Pinho e Vasconcellos (2017), o marco inicial da economia moderna surgiu entre os séculos
XVIII e XIX. Nessa época, foram fundamentados diversos princípios econômicos, desenvolvidos a partir de três
tipos de concepções. Veja a seguir:
Pinho e Vasconcellos
Diva Benevides Pinho é doutora em Economia pela Faculdade de Economia pela FEA-US. Marco Antonio
Sandoval de Vasconcellos doutor em Economia pela Faculdade de Economia, Administração e
Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP).
Mecanicista
Os economistas desse grupo explicavam as leis
econômicas de maneira similar ao
comportamento da Física, empregando,
inclusive, a mesma terminologia (estática,
dinâmica, elasticidade, fluidez etc.).
Organicista
Os economistas desse grupo afirmavam que as
leis econômicas se comportavam como um
órgão vivo e usavam a mesma terminologia da
Biologia (órgãos, funções, circulação, fluxos).
Humanista
Para os economistas desse grupo, a Economia
é uma ciência social e reflete as atitudes do ser
humano, cheias de aspectos psicológicos, e a
preocupação em fixar relações de causa e
efeito entre os fenômenos sociais.
Como pudemos ver nas três concepções, a Economia possui uma forte inter-relação com outras ciências —
Matemática, Estatística, Política, História, Geografia e Sociologia —, embora tenha o seu núcleo de estudo
muito bem delimitado. Essa particularidade possibilita ao estudante interagir com vários outros domínios do
conhecimento científico, empregando o seu ferramental teórico visto na Economia para avaliar de forma
sistemática o comportamento humano em sociedade.
Diante de tantas concepções, como podemos definir a Economia?
Segundo Samuelson e Nordhaus (2004): A Economia pode ser definida como a ciência que estuda a forma
como as sociedades utilizam os recursos escassos para produzir bens com valor e de como os distribuem
entre os vários indivíduos. Observe que, nessa definição, estão presentes três conceitos fundamentais:
Samuelson e Nordhaus
Paul Anthony Samuelson se formou em Economia, em Chicago e é autor do livro A Teoria Geral do
Emprego, do Juro e da Moeda, por meio do qual revolucionou o pensamento econômico. William D.
Nordhaus é professor na Universidade de Yale e é o criador do modelo de avaliação integrado, modelo
quantitativo que descreve a interação global entre a economia e o clima.
Escassez
Representa o objeto da economia e consiste em
uma restrição física, afinal, temos meios de
produção e recursos insuficientes para atender
aos desejos e necessidades de todos os seres
humanos.
Eficiência
Está relacionada à combinação ótima dos
insumos produtivos (trabalho, capital e terra)
para obter a máxima produção e ao uso racional
dos meios disponíveis para alcançar um
objetivo previamente determinado.
Equidade
É a distribuição justa da prosperidade
econômica entre os membros da sociedade. A
desigualdade de renda é consequência de uma
baixa equidade.
Atualmente, podemos perceber que a equidade talvez seja o grande desafio de ser colocado em prática de
forma ampla. Alguns economistas, para explicar a situação da desigualdade de renda, afirmam ser preciso
esperar o bolo crescer para depois distribuir, pois não se pode distribuir o que não foi produzido.
Mas o que isso significa?
Vamos utilizar os três conceitos mencionados para fundamentar a explicação. Para muitos economistas, a
relação entre eficiência e equidade no sistema econômico representa um trade-off, situação em que há um
conflito de escolha. Nesse caso, para se ter uma distribuição mais justa da renda entre os agentes
econômicos, é necessário abrir mão de uma parcela da eficiência produtiva. Sobre esse conflito de escolha,
leia o poema Ou isto ou aquilo de Cecília Meireles:
Cecília Meireles
Nasceu no Rio de Janeiro no dia 7 de novembro de 1901. Foi poetisa, professora, jornalista e pintora
brasileira. É considerada a primeira voz feminina de grande expressão na literatura brasileira, com mais
de 50 obras publicadas.
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva! 
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva! 
Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares. 
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares! 
Ou guardo dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e não guardo o dinheiro. 
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro! 
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo. 
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo. 
Ou isto ou aquilo
Clique no botão de “play” para ouvir o poema.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Esse poema ilustra bem o conflito de escolha existente na relação entre eficiência e equidade. Para que as
necessidades humanas sejam satisfeitas, é preciso se valer de recursos produtivos disponíveis, que são
escassos. Esse desequilíbrio, inevitavelmente, implica escolhas.
Como, então, satisfazer necessidades ilimitadas com recursos limitados?
As teorias econômicas ajudam a responder a essa pergunta por meio de três questões fundamentais. Veja no
próximo recurso.
O que e quanto produzir?
A sociedade deve escolher, dentro de um leque de possibilidades, quais bens e serviços serão
produzidos e em que quantidade. Os produtores aumentam ou diminuem a sua produção de acordo
com os preços (rentabilidades) dos produtos.
Como produzir?
De acordo com o nível tecnológico existente, consideramos que os fatores de produção são os
recursos básicos empregados na oferta de bens e serviços e podem ser divididos em:
Terra ou recursos naturais (N): recursos naturais utilizados no processo produtivo.
Mão de obra ou trabalho (L): trabalho empregado na produção de bens e serviços.
Capital (K): máquinas, equipamentos e imóveis empregados no processo. É importante
destacar que, em Economia, o termo capital refere-se ao capital físico e não ao capital
financeiro.
• 
• 
• 
Para quem produzir?
A sociedade deve decidir quais os setores que serão beneficiados na distribuição do produto:
Trabalhadores, capitalistas ou proprietários da terra?
Mercado interno ou mercado externo?
Mais uma vez nos deparamos com o problema da escassez. Quer ver? Se uma quantidade infinita de bens
pudesse ser produzida e caso as necessidades humanas pudessem ser completamente satisfeitas, não
estaríamos preocupados com a utilização racional dos recursos produtivos, nem em desenvolver novas
tecnologias para aumentara eficiência de produção. Além disso, também não estaríamos pensando em
questões relacionadas ao meio ambiente.
A relação básica entre escassez e escolha dá origem a um termo muito empregado na Economia: o custo de
oportunidade. Ele representa o valor associado à melhor alternativa não escolhida. Ou seja, ao tomarmos uma
decisão, renunciamos aos benefícios que outras opções poderiam nos proporcionar. Veja um exemplo no
recurso a seguir:
A forma como as sociedades respondem a essas três questões fundamentais (O que e quanto produzir? Como
produzir? Para quem produzir?) depende de seus Sistemas de Organização Econômica, que podem ser
divididos em: Sistema de Concorrência Pura (ou Perfeitamente Competitivo), Sistema de Economia Mista e
Economia Centralizada (planificada ou de direção central).
Contextualização histórica e concepções da Economia
Para saber mais sobre esse assunto, assista ao vídeo a seguir em que o especialista fala sobre a relação entre
a escassez e o surgimento dos mercados.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Sistema de Concorrência Pura (ou Perfeitamente
Competitivo)
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• 
Investindo em ações 
Imagine que você tenha R$100.000,00 e
decida comprar ações.
Custo de oportunidade 
O seu custo de oportunidade é abrir
mão do rendimento da poupança para
arriscar o capital em busca de uma
rentabilidade maior.
A partir da grande crise dos anos 1930, questionou-se a capacidade de autorregulação do mercado, o qual,
agindo livremente, não consegue garantir que a economia opere sempre com pleno emprego de seus
recursos, evidenciando a necessidade de uma maior atuação do governo na atividade econômica. Veja
aspectos do Sistema de Concorrência Pura no próximo recurso:
Interferência
Neste modelo, não existe a interferência do governo na atividade econômica.
Livre interação
Predomina a livre interação entre produtores (ofertantes) e consumidores
(demandantes) na determinação dos preços de bens e serviços.
Mecanismo de preços
Por meio dessa interação, os problemas econômicos fundamentais (o que e
quanto, como e para quem produzir) são resolvidos mediante o chamado
mecanismo de preços, promovendo o equilíbrio nos vários mercados.
Sistema de Economia Mista
Prevalecem as forças de mercado da demanda (consumidores) e da oferta (produtores), mas com a
intervenção governamental em áreas estratégicas, como infraestrutura, energia, saneamento e
telecomunicações. De acordo com Vasconcellos (2010), a atuação do governo justifica-se com o objetivo de
eliminar as distorções alocativas (na alocação de recursos) e distributivas e de promover a melhoria do padrão
de vida da população a partir das seguintes formas:
Formação de preços
Atuação sobre a formação de preços, corrigindo externalidades (via impostos
e subsídios), tabelamentos, fixação de salário mínimo, preços mínimos, taxa
de câmbio, taxa de juros.
Iniciativa privada
Complemento da iniciativa privada, principalmente de investimentos em
infraestrutura básica (energia, estradas etc.), pois o setor privado não
consegue assumir esses gastos, devido ao custo elevado e à demora no
retorno do capital investido.
Serviços públicos
Fornecimento de serviços públicos: iluminação, água, saneamento básico e
outros.
Bens públicos
Fornecimento de bens públicos, gerais, fornecidos pelo Estado, que não são
vendidos no mercado; fundamentalmente, justiça e segurança.
Bens e serviços
Compra de bens e serviços do setor privado: o governo é, isoladamente, o
maior agente do sistema e, portanto, o maior comprador de bens e serviços.
Sistemas de Organização Econômica
Para saber mais sobre os Sistemas de Organização Econômica, assista à entrevista com o especialista.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Economia Centralizada (planificada ou de direção central)
O sistema produtivo é controlado por um órgão central de planejamento e não pelas forças de mercado. O
Estado é o detentor dos recursos, dos meios de produção e define o que é necessário ser produzido para a
sociedade. Nessa situação, não há a propriedade privada; todos os bens pertencem ao governo. De acordo
com Vasconcellos (2010), uma economia centralizada apresenta ainda as seguintes características:
Papel dos preços no processo produtivo
Os preços representam apenas recursos contábeis que permitem o controle
da eficiência das empresas. Ou seja, os preços são apenas escriturados
contabilmente: as empresas têm quotas físicas de matérias-primas, por
exemplo, mas não fazem nenhum desembolso monetário, apenas registram o
valor da aquisição com os custos de produção.
Papel dos preços na distribuição do produto
Os preços dos bens de consumo são determinados pelo governo.
Normalmente, o governo subsidia fortemente os bens essenciais e taxa os
bens considerados supérfluos.
Repartição do lucro
Uma parte do lucro vai para o governo. Outra parte é usada para
investimentos na empresa dentro das metas estabelecidas pelo governo. A
terceira parte é dividida entre os administradores (os burocratas) e os
trabalhadores como prêmio pela eficiência. Se o governo considera que
determinada indústria é vital para o país, esse setor será subsidiado, mesmo
que apresente ineficiência na produção ou prejuízos.
Resumindo
As diferenças entre os sistemas de economia de mercado (Concorrência Pura e Economia Mista) e Economia
Centralizada podem ser resumidas em dois aspectos:
Meio de Produção: Propriedade pública versus Propriedade privada
Problemas econômicos fundamentais são resolvidos ou por um órgão central de planejamento, ou pelo
mercado.
O que e quanto produzir?
Como produzir?
Para quem produzir?
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
O que é Economia?
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Sistema de Concorrência Pura (ou Perfeitamente Competitivo)
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
(Economista - Embratur - 2011) Sobre os problemas econômicos, de escassez e escolha e de livre mercado,
assinale a alternativa correta:
A
• 
• 
• 
A eficiência representa o objeto de estudo da Economia.
B
As necessidades humanas são ilimitadas e os recursos produtivos existentes na natureza são escassos, ou
seja, não são encontrados em grande abundância.
C
Serviços é a denominação usual de coisas tangíveis, resultantes das atividades primárias e terciárias de
produção.
D
As necessidades humanas são limitadas, e os recursos produtivos existentes na natureza são encontrados em
grande abundância, não havendo, portanto, o problema de se tornarem escassos.
E
O dinheiro e o mercado financeiro representam os objetos de estudo da Economia.
A alternativa B está correta.
A escassez é o objeto de estudo da economia, não a eficiência. Os problemas econômicos fundamentais
são três: o que e quanto produzir, como produzir e para quem produzir. Os recursos produtivos são
escassos para atender às necessidades humanas ilimitadas.
Questão 2
De acordo com a teoria econômica:
 
I. O trade-off é o termo que define uma situação de escolha conflitante, ou seja, quando uma ação econômica,
visando à resolução de determinado problema, acarreta, inevitavelmente, outros problemas.
 
II. O custo de oportunidade é aquilo que o agente econômico deve ter de recompensa para abrir mão de
algum consumo.
 
III. A visão organicista da economia explica as leis econômicas de maneira similar ao comportamento da Física.
 
IV. A eficiência está relacionada à combinação ótima dos insumos produtivos (trabalho, capital e terra) com
vista à máxima produção.
 
Está correto o que se afirma em:
A
I e II, apenas.
B
II e III, apenas.
C
I e IV, apenas.
D
III e IV, apenas.
E
I, II e IV, apenas.
A alternativa C está correta.
O custo de oportunidade representa o valor associado à melhor alternativa não escolhida. A visão
mecanicista da economia explica as leis econômicas de maneira similarao comportamento da Física.
2. Microeconomia e comportamentos dos mercados
Princípios de Microeconomia
A Microeconomia é o ramo da ciência econômica que se preocupa com a análise do comportamento das
unidades econômicas – os consumidores, as famílias e as empresas – na formação dos preços em mercados
específicos. Esse ramo observa a atuação das diversas unidades econômicas como se fossem individuais
nesses mercados.
Na definição de Microeconomia, falamos de “mercados específicos”. Mas, afinal, o que é mercado?
Grupo de compradores (demandantes) e vendedores (ofertantes) que tem potencial para negociar uns com os
outros.
Essa definição expressa a relação entre a oferta, representada por pessoas ou empresas dispostas a vender
determinados produtos, e a demanda (procura), a qual consiste em um grupo de pessoas ou empresas a fim
de adquirir bens e serviços. Vale lembrar que as empresas também podem ser demandantes, pois precisam
adquirir materiais de consumo, máquinas, equipamentos e mão de obra para o seu processo produtivo.
Em um conceito mais amplo, mercado pode ser entendido como um espaço de interação e troca, regido por
normas e regras (formais ou informais), onde são emitidos sinais como, por exemplo, os preços, que
influenciam as decisões dos atores envolvidos. Ao estudarmos o funcionamento de um mercado, procuramos
compreender algumas questões:
Qual é o objeto de troca, ou seja, os bens e serviços envolvidos?
 
Qual é o grau de similaridade entre bens e serviços? Existe a possibilidade de substituição ou de
complementaridade entre eles?
 
Quem são os compradores e os vendedores?
 
Qual é o local de encontro para as negociações e trocas? Há espaços físicos, como feiras, ou espaços
virtuais, como a internet?
 
Como compradores e vendedores se relacionam trocando informações (sobretudo de preços) e
negociando?
 
Quais são as diferentes formas de organização dos mercados?
1. 
2. 
3. 
4. 
5. 
6. 
Para entendermos a formação de preços em mercados específicos, dividiremos o mercado em lado da
demanda e lado da oferta. Como o funcionamento do mercado e a formação de preços dependem da
interação entre vendedores e consumidores, faremos a junção dessas duas teorias, chegando aos conceitos
de equilíbrio e desequilíbrio de mercado.
Teoria da demanda
De acordo com Sandroni (2016), a demanda, também chamada de procura, pode ser definida da seguinte
forma:
Sandroni
Paulo Sandroni é um economista brasileiro, graduado pela FEA-USP e mestre em Economia pela PUC-SP.
Atualmente é professor da Escola de Administração de Empresas da FGV-SP e da Faculdade de
Economia e Administração da PUC-SP. 
Quantidade de um bem ou serviço que um consumidor deseja e está disposto a adquirir por um
preço específico e em determinado momento.
Os modelos de demanda tentam explicar o que determina a escolha individual dos compradores. Sabemos
que o consumidor visa satisfazer suas necessidades e desejos da melhor maneira possível, levando em
consideração seus gostos e preferências. Entretanto, ele fará isso enfrentando diversas restrições. Observe o
exemplo a seguir:
Suponhamos as seguintes informações de preços e quantidades demandadas , obtidas e
tabeladas com base em uma pesquisa hipotética, no município do Rio de Janeiro, em fevereiro de 2020. A
função demanda, calculada para o produto , pode ser expressa por:
Sendo:
 Quantidade demandada do produto 
 Preço do produto 
A partir da equação, pode-se gerar a tabela:
Preços ($) Quantidade demandada (kg)
5,00 5
4,00 10
3,00 15
2,00 20
1,00 25
Tabela 1: Demanda hipotética de um produto (x).Raphael de Paiva Barbosa.
Percebe-se, claramente, que quando o preço do produto aumenta, sua quantidade demandada diminui.
Quando o preço está em R$1,00, são demandadas 25 unidades do produto, enquanto que, ao preço de R$5,00
(maior preço da tabela), somente 5 unidades são demandadas. Veja a representação gráfica dessa situação:
Curva de demanda.
A curva de demanda (em vermelho) representa a relação entre os preços alternativos e quantidades
demandadas do produto, por unidade de tempo, coeteris paribus. Essa expressão do latim significa: tudo o
mais permanecendo constante, ou seja, se as demais variáveis que influenciam a demanda permanecem
constantes, podemos afirmar que há uma relação inversamente proporcional entre o preço do produto e a sua
quantidade demandada. E isso resume a Lei da Demanda.
Atenção
Na Microeconomia, expressamos o mesmo conceito a partir das linguagens literal, matemática, tabular e
gráfica. No exemplo anterior, o -5 representa o coeficiente angular da função do primeiro grau. O sinal
negativo informa que a quantidade demandada varia em proporção inversa ao preço ). Pode-se construir
a tabela e o gráfico a partir da equação dada ou, de modo inverso, definir a equação a partir do gráfico
ou tabela. 
Em outros termos, segundo a Lei da Demanda:
Preço 
Quando o preço de um bem se eleva e todas
as demais variáveis se mantêm inalteradas
(coeteris paribus)...
Demandada 
(...) a quantidade demandada desse
bem diminui.
Cabe destacar que, efetivamente, a quantidade demandada do produto no mercado não é influenciada
somente pelo preço ; uma série de outras variáveis também afeta a demanda desse produto. Segundo
Vasconcellos (2010), devemos considerar outros fatores que também afetam a demanda dos consumidores:
Preço dos produtos substitutos ou sucedâneos (ps)
São aqueles que atendem às mesmas necessidades e funções. Por exemplo, a margarina é um
produto substituto da manteiga. Sabe-se que um aumento de preços da manteiga reduziria sua
quantidade demandada e levaria o consumidor a buscar mais a margarina.
Preços de produtos complementares (pc)
São aqueles bens que tendem a ser consumidos conjuntamente. Um exemplo de bens
complementares são o pão e a margarina. Se o preço do pão baixar, haverá um aumento da
quantidade consumida e, consequentemente, de margarina, uma vez que os dois são frequentemente
oferecidos em conjunto. Em outros termos, se temos dois bens complementares A e B, um aumento
no consumo de A resulta em uma procura maior de B e vice-versa.
Renda dos consumidores (r)
Relacionada ao poder de compra dos consumidores. Quanto maior a renda do consumidor, maior é a
sua quantidade demandada de bens normais. Por outro lado, consumidores com rendas mais baixas
demandam uma menor quantidade de produtos, tendo em vista a sua restrição orçamentária.
À medida que a renda dos consumidores aumenta, a sua demanda por bens e serviços também cresce. Essa
máxima é válida para a maioria dos produtos que são conhecidos como bens normais. No entanto, os
produtos conhecidos como bens inferiores apresentam uma relação inversamente proporcional entre renda e
demanda. Em outros termos, quando o rendimento dos consumidores aumenta, a demanda pelo bem inferior
diminui; e à medida que o rendimento diminui, a demanda aumenta. Vejamos alguns exemplos de bens e
serviços considerados inferiores que apresentam um aumento em sua demanda quando há redução na renda
dos consumidores:
Preço 
Da mesma forma, à medida que o preço de
um produto diminui (coeteris paribus)...
Demandada 
(...) a quantidade demandada
aumenta.
Passagem de ônibus
Os consumidores, durante o deslocamento,
substituem o uso de carro pelo uso de
transporte público.
Ovo
Os consumidores substituem o consumo de
carne pelo consumo de ovo.
Serviços públicos de saúde
Os consumidores substituem o uso de serviços
privados de saúde pelo uso de serviços
públicos de saúde.
Podemos expressar a função demanda da seguinte forma:
 - Quantidade demandada do produto x
 - Função
 - Preço do produto x
 - Preço dos produtos substitutos
 - Preço dos produtos complementares
 - Renda dos consumidores
Teoria da oferta
De acordo com Sandroni (2016), oferta pode ser definida como:
A quantidade de bens ou serviços que se produz e oferece no mercado por certo preço e em
determinado período. 
(SANDRONI, 2016, p. 32)
Os modelos de oferta tentam explicar o que determina a escolha individualdos vendedores, dando ênfase à
influência dos preços dos bens e serviços. Para entender a teoria da oferta, observe o exemplo a seguir:
Consideremos as seguintes informações de preços e quantidades ofertadas , obtidas e tabeladas
com base em uma pesquisa hipotética, no município do Rio de Janeiro, em fevereiro de 2020. A função oferta,
calculada para o produto , pode ser expressa por:
A partir da equação, pode-se gerar a tabela:
Preços ($) Quantidades ofertadas (un.)
8,00 12
7,00 10
6,00 8
5,00 6
4,00 4
3,00 2
Tabela: Oferta hipotética de um produto x.
Raphael de Paiva Barbosa.
Ao contrário do observado com as quantidades demandadas, as quantidades ofertadas aumentam à medida
que o preço sobe. Em outros termos, a um preço mais alto (produto valorizado), o produtor tem mais
incentivos para aumentar a produção. Assim, a maior quantidade ofertada (12 unidades) ocorre quando
houver o maior nível de preço (R$8,00). Veja a representação gráfica dessa situação:
Curva de oferta.
A curva de oferta representa a relação entre os preços alternativos e quantidades ofertadas do produto, por
unidade de tempo, coeteris paribus.
Oferta: refere-se à curva toda (em verde);
Quantidade ofertada: refere-se a um ponto sobre a curva de oferta (A,B,C,D,E,F).
Além do preço do próprio produto, existem outras variáveis que influenciam a oferta de um bem, podendo-se
destacar. Veja no recurso a seguir.
• 
• 
Custo de produção (CP)
Preços dos insumos e fatores de produção,
como mão de obra, matérias-primas, terra,
entre outros.
Nível tecnológico (NT)
Melhoria na forma de combinar os fatores de
produção.
Condições climáticas (CC)
Escassez de precipitações, geadas, altas ou
baixas temperaturas e outros.
Podemos expressar a função oferta da seguinte forma:
 - Quantidade ofertada do produto
 - Função
 - Preço do próprio produto
 - Custo de produção
 - Nível tecnológico
 - Condições climáticas
Equilíbrio de mercado
Após o conhecimento das curvas de oferta e de demanda, é possível entender como ocorre a formação de
preços dos bens. Em Microeconomia, o equilíbrio de mercado expressa o resultado da interação entre as
forças de oferta e de demanda, que são determinadas pelo processo de negociação entre produtores
(vendedores) e consumidores.
Em equilíbrio, o preço satisfaz tanto ao consumidor quanto ao produtor, de tal forma que a quantidade
demandada é igual à quantidade ofertada. Podemos expressar a função equilíbrio da seguinte forma:
Veja a representação gráfica dessa equação:
Representação do equilíbrio de mercado.
Repare na imagem anterior e veja que:
 - Ponto de intersecção entre demanda e oferta.
 
• 
 - Preço de equilíbrio - Preço de mercado fazendo com que a quantidade demandada seja igual à
quantidade ofertada.
 
 - Quantidade ofertada e demandada do bem, ao preço de equilíbriode mercado, que satisfaz aos
interesses dos produtores e consumidores.
Assim como na análise gráfica, podemos definir o preço e a quantidade de equilíbrio, igualando-se as funções
de demanda e de oferta.
Teorias da demanda, oferta e equilíbrio de mercado
Para saber um pouco mais sobre as teorias da demanda, oferta e o conceito de equilíbrio de mercado, assista
ao vídeo a seguir com o professor Paulo Roberto Vieira.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Teoria na prática
Dadas as funções de demanda e oferta, determine o preço e a quantidade de equilíbrio:
Chave de resposta
Passo 1 
Fazer para encontrar o preço de equilíbrio:
 
 
 
 
Passo 2 
Substituir o preço de equilíbrio encontrado na função demanda ou na função oferta para
encontrar a quantidade de equilíbrio. 
• 
• 
Portanto, temos o ponto de equilíbrio dado por: 
 
 
Passo 3 
Representação gráfica do equilíbrio de mercado do produto 
Ainda seguindo o exemplo do exercício, para qualquer preço diferente de R$14,00, teremos um
desequilíbrio de mercado, caracterizado por um excesso de oferta (escassez de demanda) ou de demanda
(escassez de oferta).
Estruturas de mercado
A forma de atuação da empresa no ambiente econômico, seu planejamento estratégico e suas possibilidades
de sucesso dependem muito da sua forma de organização no ambiente econômico. São três os elementos
básicos que determinam as estruturas mercadológicas nas quais acontecem a atuação das firmas, veja no
próximo recurso.
Número de empresas
Número de empresas que compõem o mercado.
Tipo de produto
Ou seja, se as empresas fabricam produtos
idênticos ou diferenciados.
Barreiras ao acesso
Se existem ou não barreiras ao acesso de novas
empresas nesse mercado.
E quais são as estruturas de mercado? Veja a seguir.
Concorrência perfeita (pura)
É uma estrutura de mercado que visa descrever o funcionamento ideal de uma economia, servindo de
parâmetro para o estudo das outras estruturas de mercado. Trata-se de uma construção teórica em que todos
os participantes têm informação perfeita sobre todas as condições do mercado. Nesse contexto, os
produtores visam sempre maximizar os lucros e os consumidores maximizam a satisfação, ou utilidade,
derivada do consumo de bens. Apesar disso, algumas aproximações dessa situação de mercado poderão ser
encontradas no mundo real, como é o caso dos mercados de vários produtos agrícolas. Destacam-se como
principais características dessa forma de organização econômica:
Número muito grande de empresas e de consumidores (mercado
atomizado)
Neste tipo de estrutura, cada participante representa uma parcela muito
pequena do mercado, um “átomo”, de tal forma que nenhum agente
econômico, agindo individualmente, consegue alterar o preço de mercado.
Produtos homogêneos
As empresas oferecem produto semelhante, homogêneo. O produto
oferecido por uma empresa A é o mesmo produto oferecido pela empresa B.
Um exemplo são os produtos agrícolas.
Livre entrada e saída de firmas
Não existem barreiras legais e econômicas para a entrada e para a saída de
firmas no mercado (facilidade de entrada e saída de empresas).
Monopólio
Quando falamos de concorrência perfeita, estamos abordando um tipo de estrutura de mercado situada no
extremo da concorrência. Em um ponto diametralmente oposto, temos o monopólio, uma situação de mercado
em que existe um só produtor de um bem ou serviço que não tenha substituto próximo. Com isso, o
monopolista exerce grande influência na determinação do preço a ser cobrado pelo seu produto: ou os
consumidores se submetem às condições impostas pelo vendedor, ou simplesmente deixam de consumir o
produto. As principais características do monopólio são:
Determinado produto é ofertado por uma única firma.
Uma única firma oferece o produto em um mercado.
Não há substitutos próximos para esse produto.
O monopolista não enfrenta concorrência.
Impossibilidade de entrada de novas firmas.
Para que o monopólio exista, é preciso manter concorrentes em potencial afastados do segmento.
Exemplo
No Brasil, temos o exemplo da Petrobrás, que exerce monopólio no setor de petróleo por meio de um
controle estatal. 
Oligopólio
O oligopólio é uma estrutura de mercado que se situa entre a concorrência perfeita e o monopólio. O setor
produtivo brasileiro é altamente oligopolizado, sendo possível encontrar inúmeros exemplos, como serviços de
telefonia móvel, serviços bancários, montadoras de veículos, setor de cosméticos, indústria de papel, indústria
química, indústria farmacêutica, indústria de bebidas, dentre outras. Os mercados oligopolizados possuem as
seguintes características:
Pequeno número de empresas grandes controla a oferta de um
bem ou serviço
O mercado pode ter muitas empresas, mas poucas dominam a oferta do
produto.
Produtos homogêneos ou diferenciados
Existem exemplos de oligopólios em que os bens são homogêneos, como o
caso da indústria de alumínio e cimento; e de oligopólios em que os produtos
são diferenciados, como o setor de cosméticos no Brasil.
Dificuldade de entrada de novas empresas
O difícil acesso de novos concorrentes pode ser explicado por uma série de
barreiras como: proteção depatentes, controle de insumo produtivo chave e
tradição.
No Brasil, de acordo com o Banco Central (2019), temos o oligopólio de cinco bancos que detinham, em 2018,
84,8% do mercado de crédito e 83,8% dos depósitos totais. São eles:
Logo do banco Itaú.
Logo banco Bradesco.
Logo do Banco no Brasil.
Logo do banco Caixa Econômica 
Logo do banco Santander.
Como consequência desse oligopólio, temos:
Altas taxas de juros repassadas ao
consumidor final no país
Em contrapartida, os bancos têm
mantido altos índices de rentabilidade
Concorrência monopolística
Estrutura de mercado que contém elementos da concorrência perfeita e do monopólio, ficando em situação
intermediária entre as duas formas de organização de mercado. Veja as características dessa estrutura de
mercado:
Existência de grande número de compradores e de vendedores
Da mesma forma que na concorrência perfeita, apresenta grande número de firmas, cada qual
respondendo por uma fração da produção total de mercado.
Cada firma produz e vende um produto diferenciado, embora substituto próximo
A diferenciação caracteriza a maioria dos mercados existentes. Cada produtor procura diferenciar seu
produto a fim de torná-lo único.
Existência de livre entrada e saída de firmas
Da mesma forma que no mercado de concorrência perfeita, não existem barreiras legais ou de
qualquer outro tipo que impeçam a livre entrada e saída de firmas no mercado.
Grande parte dos empreendimentos dos setores de serviços e varejistas podem ser enquadrados como
concorrência monopolística, destacando-se: bares, restaurantes, escritórios de advocacia, clínicas médicas,
escritórios de contabilidade e de consultorias.
Estruturas de mercado
Para saber um pouco mais sobre os principais conceitos e exemplos de estruturas de mercado, assista ao
vídeo a seguir.
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Resumindo
Preparamos um resumo com as principais características das estruturas de mercado:
 
Características Concorrência
perfeita Monopólio Oligopólio Concorrência
monopolística
Número de
ofertantes
(empresas)
Muito grande
(mercado
atomizado).
Somente uma
empresa.
Pequeno Grande
Tipo de produto
Homogêneo
(não possui
diferenciação).
Único (sem
substitutos
próximos).
Homogêneo ou
diferenciado.
Diferenciado
Barreiras à
entrada de
concorrentes
Não existem
barreiras (livre
entrada e saída
de empresas).
Impossibilidade
de entrada de
concorrentes.
Dificuldade de
entrada de
concorrentes.
Facilidade de
entrada de
novos
concorrentes.
Tabela: Estruturas de mercado: principais características.Raphael de Paiva Barbosa.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Teoria da demanda
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Teoria da oferta
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Estruturas de mercado
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Dada a curva de demanda abaixo, o deslocamento do ponto A para o ponto B pode significar:
A
Um aumento na quantidade demandada do próprio bem.
B
Uma diminuição no preço do bem complementar.
C
Um aumento no preço do próprio bem.
D
Um aumento no preço do bem substituto.
E
Uma redução da oferta de bens.
A alternativa C está correta.
O deslocamento do ponto A para o ponto B causa o aumento do preço do bem em questão e a redução de
sua quantidade demandada.
Questão 2
Ao contrário da concorrência perfeita, na concorrência monopolística, os bens são:
A
Homogêneos e substitutos perfeitos.
B
Homogêneos e substitutos próximos.
C
Únicos e sem substitutos próximos.
D
Heterogêneos e substitutos próximos.
E
Homogêneos e substitutos perfeitos.
A alternativa D está correta.
Na concorrência monopolística, cada firma produz e vende um produto diferenciado (heterogêneo), embora
substituto próximo. A diferenciação caracteriza a maioria dos mercados existentes. Observe que não existe
um tipo homogêneo de perfumes, de aparelhos de televisão, de restaurantes, de automóveis ou DVDs. Na
realidade, cada produtor procura diferenciar seu produto a fim de torná-lo único.
3. Agregados macroeconômicos
Princípios de Macroeconomia
Segundo Garcia e Vasconcellos (2002), a Macroeconomia estuda a economia como um todo, analisando a
determinação e o comportamento de grandes agregados, tais como:
Renda e produtos nacionais.
Nível geral de preços.
Emprego e desemprego.
Estoque de moeda e taxas de juros.
Balança de pagamentos e taxa de câmbio.
Esses fatores mostram que a teoria macroeconômica se preocupa com questões conjunturais de curto prazo,
como desemprego e inflação, e de longo prazo, como distribuição de renda e crescimento econômico. Isso
parece distante da sua realidade? Claro que não! Ao longo dos últimos anos, você deve ter ouvido algumas
das seguintes afirmações:
Essas são algumas variáveis analisadas no estudo da Macroeconomia (PIB, inflação e balança comercial).
Para entender bem a diferença...
Instrumentos de política macroeconômica
O governo possui instrumentos de política macroeconômica para alterar o comportamento da economia e
melhorar a qualidade de vida da população. Esses instrumentos variam de acordo com a política
macroeconômica adotada:
• 
• 
• 
• 
• 
Macroeconomia 
O tipo de análise é agregada. O foco está no
desempenho da economia como um todo. 
Microeconomia 
O tipo de análise é específica. O foco
está nas interações entre empresas/
consumidores e produção/preço em
setores específicos. 
Política fiscal
Diz respeito aos instrumentos disponíveis pelo governo para a arrecadação de impostos e
contribuições (política tributária) e o controle de suas despesas (gastos públicos). Ela também é
utilizada para estimular ou inibir os gastos do setor privado. Um exemplo foi a política do governo
federal de redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre automóveis e produtos da
linha branca, como eletrodomésticos, que impulsionou o consumo das famílias em 2012.
Política monetária
Refere-se à atuação do governo sobre a quantidade de moeda e títulos públicos, sendo os recursos
disponíveis para sua emissão, compra e venda de títulos, regulamentação sobre crédito e taxas de
juros, entre outros.
Política cambial e comercial
Trata da atuação governamental no setor externo da economia. A política cambial diz respeito à ação
do governo sobre a taxa de câmbio. O governo fixa ou permite que a taxa de câmbio seja flexível por
meio do Banco Central. A política comercial refere-se aos instrumentos que estimulam as exportações
– estímulos fiscais e taxas de juros subsidiadas – e ao controle das importações – tarifas e barreiras
maiores.
Política de rendas
Refere-se à interferência do governo na formação de renda, mediante o controle e congelamento dos
preços. Esse controle sobre os preços e salários é obtido pelo combate ao aumento persistente e
generalizado nos preços, que é a inflação. As políticas anti-inflacionárias brasileiras são o salário
mínimo e o congelamento de preços e salários, por exemplo.
Uma política macroeconômica bem-sucedida tem impacto direto no ritmo da atividade econômica, podendo
melhorar a geração de emprego e renda e até mesmo a distribuição dos recursos entre os habitantes do país.
Quando o governo emprega as suas políticas econômicas, ele tem o intuito de alcançar os seguintes objetivos:
Alto nível de emprego
Considera-se emprego a utilização dos recursos produtivos (trabalho, capital e recursos naturais).
Quanto maior a utilização de recursos produtivos, maior o ritmo da atividade econômica. Na situação
de desemprego, temos ociosidade na utilização de recursos produtivos, dentre os quais a mão de
obra.
Estabilidade de preços
O governo busca garantir a estabilidade de preços (controle do processo inflacionário). Entende-se
por inflação o aumento contínuo do nível geral de preços. O Brasil experimentou, ao longo das últimasdécadas do século passado, períodos com inflação superior a 1.000% ao ano. Com uma inflação tão
alta assim, a renda das famílias é corroída, pois os preços sobem muito e não é possível fazer
planejamento financeiro. Por isso, a preocupação contínua do governo com o controle da inflação.
Distribuição de renda
É possível, a partir de políticas macroeconômicas, diminuir a disparidade de renda entre os indivíduos
e entre as regiões do país. A cada dia, a disparidade de renda aumenta. Garcia e Vasconcellos (2002)
apontam que a renda de todas as classes aumentou e o problema é que, embora o pobre tenha ficado
menos pobre, o rico ficou relativamente mais rico.
Crescimento econômico
O governo também tem a função de estimular a atividade produtiva nacional. Quando falamos em
crescimento econômico, estamos pensando no aumento da renda nacional per capita, isto é, que seja
colocada à disposição da coletividade uma quantidade de mercadorias e serviços que supere o
crescimento populacional.
Os princípios da Macroeconomia
Para saber um pouco mais sobre as principais definições da Macroeconomia, assista ao vídeo a seguir.
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Crescimento e desenvolvimento econômico
Muitas pessoas confundem os conceitos de crescimento e desenvolvimento econômico. Embora existam
diversas interpretações, podemos afirmar:
1
Crescimento econômico
Está relacionado ao aumento de variáveis quantitativas, como a renda ou a renda per capita.
2
Desenvolvimento econômico
Considera indicadores qualitativos de melhoria da qualidade de vida da população, como
expectativa média de vida, grau de concentração da renda, mortalidade infantil, escolaridade,
dentre outros.
Todos os objetivos da política econômica apresentados buscam levar o país a um grau de desenvolvimento
econômico. Para tal, precisa garantir o crescimento econômico, que é medido principalmente por dois
indicadores:
1
Produto Interno Bruto (PIB)
Representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa
determinada região durante um período.
2PIB per capita
É expresso pela divisão do PIB pelo número de habitantes da região. Esse indicador de renda média
é o mais recomendado para analisar o crescimento econômico, pois demonstra a relação entre o
produto nacional e a população da região. Note que, se o PIB real crescer 10% em um ano, mas a
população crescer 10% ou mais, a renda por habitante estará estagnada ou declinante.
E no Brasil? Como performamos nesses dois indicadores? Veja nas imagens a seguir um comparativo do PIB
do Brasil em relação a outros países.
Colocação País PIB
1 Estados Unidos 20 494 100
2 China 13 608 152
3 Japão 4 970 916
4 Alemanha 3 996 759
5 Reino Unido 2 825 208
6 França 2 777 535
7 Índia 2 726 323
8 Itália 2 073 902
9 Brasil 1 868 626
10 Canadá 1 712 510
11 Rússia 1 657 554
12 Coreia do Sul 1 619 424
13 Austrália 1 432 195
14 Espanha 1 426 189
15 México 1 223 809
Tabela: Comparativo PIB de 2020 (milhões de dólares).
Banco Mundial.
Veja na imagem a seguir um comparativo do PIB per capita do Brasil em relação a outros países.
Colocação Países PIB per capita
1 Mónaco (2018) 185.741
2 Liechtenstein (2017) 173.356
3 Luxemburgo 114.705
4 Suiça 81.994
Colocação Países PIB per capita
5 Irlanda 78.661
6 Noruega 75.420
7 Islândia 66.945
8 Estados Unidos 65.281
9 Singapura 65.233
10 Catar 64.782
12 Austrália 54.907
18 Alemanha 46.259
27 Japão 40.247
31 Coreia do Sul 31.762
58 Chile 14.897
61 Costa Rica 12.238
62 Brasil 11.611
63 Rússia 11.585
68 China 10.262
69 Argentina 10.006
70 México 9.863
189 Burundi 261
Tabela: Comparativo PIB per capita de 2020 (milhares de dólares).
Wikimedia commons.
O desenvolvimento econômico deve ser entendido como um processo que engloba o crescimento de longo
prazo da renda per capita, a melhoria nas condições de vida da população e a criação de um ambiente social
que minimize a desigualdade na distribuição de renda, poder e oportunidades. Um indicador muito utilizado
para analisar o desenvolvimento econômico é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O IDH considera
três variáveis:
Renda per capita;
Indicadores de saúde;
Qualidade da educação.
Assim, se a renda cresce muito, mas a qualidade de vida não melhora, sendo esta capturada pelos indicadores
de saúde e educação, não haverá desenvolvimento. A partir do IDH é possível classificar os países em três
grupos de desenvolvimento humano:
• 
• 
• 
Desenvolvidos
(desenvolvimento humano muito alto)
Em desenvolvimento
(desenvolvimento humano médio e alto)
Subdesenvolvidos
(desenvolvimento humano baixo)
O mapa a seguir mostra como os países são classificados de acordo com o seu IDH. Observe na próxima
imagem um mapa-mundi representando as quatro categorias do Índice de Desenvolvimento Humano,baseado
no Humam Development Report 2019, publicado pela PNUD em 2020, com dados referentes a 2019.
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Como o cálculo do IDH baseia-se em três indicadores (educação, saúde e renda), ele pode ser calculado para
qualquer país ou região, tendo em vista que todos os cidadãos, em alguma medida, são alcançados por uma
dessas variáveis.
Indicadores de crescimento e desenvolvimento econômico
Para saber um pouco mais sobre os indicadores PIB e IDH, assista ao vídeo a seguir.
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Resumindo
As quatro políticas macroeconômicas são:
Políticas macroeconômicas.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Instrumentos de política macroeconômica
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Crescimento e desenvolvimento econômico
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Verificando o aprendizado
Questão 1
(Biblioteconomia – BNDES, 2013) A Macroeconomia é o estudo da estrutura de economias nacionais e das
políticas econômicas exercidas pelos seus governos com o objetivo de melhorar o desempenho econômico
doméstico. Não se considera uma questão pertencente ao ramo da Macroeconomia aquela que:
A
Causa desemprego.
B
Causa aumento do nível geral de preços.
C
Causa o desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos.
D
Determina o crescimento econômico de uma nação ao longo do tempo.
E
Causa aumento da taxa de câmbio.
A alternativa C está correta.
A Microeconomia estuda a formação de preços em mercados específicos, analisando situações de
equilíbrio e desequilíbrio de demanda e oferta de produtos. A Macroeconomia estuda a economia como um
todo, analisando a determinação e o comportamento de grandes agregados, como o desemprego, o
crescimento econômico e a inflação.
Questão 2
(Adaptado de FCC - Consultor Técnico-Legislativo. Câmara Legislativa, 2018) Em que pesem as pequenas
variações nos indicadores ao longo do tempo, o grau de concentração de renda no Brasil apresenta-se como
um dos mais elevados do mundo, desde meados do século XX, até nossos dias. Destacam-se, no caso
brasileiro, como causas estruturais do baixo desenvolvimento econômico, exceto:
A
Os baixos índices de crescimento econômico.
B
O poder e a habilidade política das classes dirigentes em manter situações de privilégio.
C
A elevada concentração de riquezas do país.
D
A ausência histórica de políticas públicas que objetivem mudanças estruturais e objetivas de forma
consistente.
E
Baixo nível de escolaridade.
A alternativa A está correta.
O Brasil passou por períodos de elevado crescimento econômico, mas não conseguiu distribuir esses
ganhos em prol da melhoria da qualidade de vida da população. Todas as demais alternativas ajudam a
explicar o baixo grau de desenvolvimento econômico do país.
4. Conclusão
Considerações finais
Discutimos os conceitos fundamentais da Economia, verificamos o que é a Microeconomia e suas teorias e
finalizamos falando a respeito da Macroeconomia e de seus agregados principais. Tudo issonos ajuda a
entender a composição dos mercados e a formação dos grandes agregados econômicos.
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Agora, o especialista encerra o tema falando sobre os principais conceitos e princípios que englobam a
Economia.
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Se quiser uma perspectiva geral da inflação histórica brasileira, leia a página do site inflation.eu e veja os
gráficos.
 
Aprenda mais sobre os instrumentos de política econômica do governo a partir do Plano Real e sua
importância para estabilidade econômica do Brasil lendo o texto de André Eduardo da Silva Fernandes, 
Distribuição de renda e crescimento econômico: uma análise do caso brasileiro.
 
Diversos tópicos desse tema são aprofundados no livro-texto Introdução à Economia de Mankiw (2013).
Referências
MANKIW, N.G. Introdução à Economia. Tradução da 6ª Edição Norte-Americana. Cengage Learning, 2013. E-
book.
 
PNUD, Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas - Human Development Report publicado em 2020
com dados referentes a 2019. Disponível em: http://hdr.undp.org/sites/default/files/hdr2019.pdf
PINHO, D. B.; VASCONCELLOS, M.A.S. Manual de Economia. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.
 
SAMUELSON, P. A. Fundamentos da Análise Econômica. In: Coleção Os Economistas. São Paulo: Nova
Cultural, 1997.
 
SAMUELSON, P. A.; NORDHAUS, W. D. Economia. 17. ed. Lisboa: McGraw-Hill, 2004.
 
SANDRONI, P. Dicionário de Economia do Século XII. Record, 2016. E-book.
 
VASCONCELLOS, M.A.S. Economia: Micro e Macro. São Paulo: Atlas, 2010.
 
VASCONCELLOS, M. A. S.; Garcia, H. Fundamentos de Economia. São Paulo: Saraiva, 2010.
	Introdução à Teoria Econômica
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Conceitos fundamentais da Economia
	Conceitos fundamentais
	Mecanicista
	Organicista
	Humanista
	Escassez
	Eficiência
	Equidade
	Ou isto ou aquilo
	Conteúdo interativo
	O que e quanto produzir?
	Como produzir?
	Para quem produzir?
	Contextualização histórica e concepções da Economia
	Conteúdo interativo
	Sistema de Concorrência Pura (ou Perfeitamente Competitivo)
	Interferência
	Livre interação
	Mecanismo de preços
	Sistema de Economia Mista
	Formação de preços
	Iniciativa privada
	Serviços públicos
	Bens públicos
	Bens e serviços
	Sistemas de Organização Econômica
	Conteúdo interativo
	Economia Centralizada (planificada ou de direção central)
	Papel dos preços no processo produtivo
	Papel dos preços na distribuição do produto
	Repartição do lucro
	Resumindo
	Vem que eu te explico!
	O que é Economia?
	Conteúdo interativo
	Sistema de Concorrência Pura (ou Perfeitamente Competitivo)
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Microeconomia e comportamentos dos mercados
	Princípios de Microeconomia
	Teoria da demanda
	Atenção
	Preço dos produtos substitutos ou sucedâneos (ps)
	Preços de produtos complementares (pc)
	Renda dos consumidores (r)
	Passagem de ônibus
	Ovo
	Serviços públicos de saúde
	Teoria da oferta
	Custo de produção (CP)
	Nível tecnológico (NT)
	Condições climáticas (CC)
	Equilíbrio de mercado
	Teorias da demanda, oferta e equilíbrio de mercado
	Conteúdo interativo
	Teoria na prática
	Estruturas de mercado
	Número de empresas
	Tipo de produto
	Barreiras ao acesso
	Concorrência perfeita (pura)
	Número muito grande de empresas e de consumidores (mercado atomizado)
	Produtos homogêneos
	Livre entrada e saída de firmas
	Monopólio
	Determinado produto é ofertado por uma única firma.
	Não há substitutos próximos para esse produto.
	Impossibilidade de entrada de novas firmas.
	Exemplo
	Oligopólio
	Pequeno número de empresas grandes controla a oferta de um bem ou serviço
	Produtos homogêneos ou diferenciados
	Dificuldade de entrada de novas empresas
	Altas taxas de juros repassadas ao consumidor final no país
	Em contrapartida, os bancos têm mantido altos índices de rentabilidade
	Concorrência monopolística
	Existência de grande número de compradores e de vendedores
	Cada firma produz e vende um produto diferenciado, embora substituto próximo
	Existência de livre entrada e saída de firmas
	Estruturas de mercado
	Conteúdo interativo
	Resumindo
	Vem que eu te explico!
	Teoria da demanda
	Conteúdo interativo
	Teoria da oferta
	Conteúdo interativo
	Estruturas de mercado
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Questão 1
	3. Agregados macroeconômicos
	Princípios de Macroeconomia
	Instrumentos de política macroeconômica
	Política fiscal
	Política monetária
	Política cambial e comercial
	Política de rendas
	Alto nível de emprego
	Estabilidade de preços
	Distribuição de renda
	Crescimento econômico
	Os princípios da Macroeconomia
	Conteúdo interativo
	Crescimento e desenvolvimento econômico
	Crescimento econômico
	Desenvolvimento econômico
	Produto Interno Bruto (PIB)
	PIB per capita
	Desenvolvidos
	Em desenvolvimento
	Subdesenvolvidos
	Indicadores de crescimento e desenvolvimento econômico
	Conteúdo interativo
	Resumindo
	Vem que eu te explico!
	Instrumentos de política macroeconômica
	Conteúdo interativo
	Crescimento e desenvolvimento econômico
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

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